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Numero do processo: 13609.720120/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do ADA junto ao IBAMA ou órgão conveniado. A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
É pertinente o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 2301-005.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir do lançamento a área de reserva legal; 2) por maioria de votos, negar provimento nas demais matérias, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, que deu provimento integral e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e José Alfredo Duarte Filho que deram provimento em relação à área de preservação permanente.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do ADA junto ao IBAMA ou órgão conveniado. A não comprovação da área de preservação permanente, por meio de laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), ato do poder público ou certidão de órgão público ligado à preservação ambiental afasta a isenção. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. É pertinente o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 01 20 /2 00 7- 12 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 185 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir do lançamento a área de reserva legal; 2) por maioria de votos, negar provimento nas demais matérias, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, que deu provimento integral e os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e José Alfredo Duarte Filho que deram provimento em relação à área de preservação permanente. João Maurício Vital Presidente. Reginaldo Paixão Emos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2004, constante às efls. 02 a 7. O lançamento decorreu dos trabalhos de revisão da Declaração do Imposto Territorial Rural (DITR) do exercício de 2004. Inicialmente, o contribuinte foi intimado a apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA), Laudo Técnico acompanhado de ART registrada no CREA, certidões, matrícula do registro imobiliário, dentre outros, conforme Termo de Intimação Fiscal de efls 8 a 9. Após análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2004, a fiscalização decidiu lavrar a presente Notificação de Lançamento, glosando totalmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e as de utilização limitada (reserva legal), de 1.013,6 ha e 508,0 ha, respectivamente, além de alterar o VTN declarado de R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) para R$ 3.420.212,48 (R$ 1.099,57/ha), com base no SIPT, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar de R$204.599,78, conforme demonstrativo às efls. 06. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação de efls. 88 a 96, cujos argumentos, nos termos do acórdão de 1ª instância, foram os seguintes: o imóvel teve sua área de utilização limitada reserva legal (508,0 ha) averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ParacatuMG, sob a matrícula 10.990 Av. 13, em 01/06/1993, de acordo com a legislação pertinente; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 186 3 a área de reserva legal, devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel é isenta do pagamento do Imposto Territorial Rural, nos termos da Lei 9.393 de 19 de dezembro de 1996; o imóvel possui 1.013,6 ha distribuída entre margens de riachos, grotas e veredas e áreas montanhosas, com índice de inclinação superior a 45°, áreas estas protegidas por lei, cuja utilização, por qualquer modo, é proibida, consideradas como de preservação permanente (Lei 4.77165); estas áreas foram devidamente vistoriadas e medidas por equipe técnica da Superintendência Regional de Minas Gerais SR06/MG do INCRA, conforme relatório de levantamento de dados e mapas emitidos pelo INCRA em 04.08.1997; de acordo com o relatório emitido pelo INCRA o imóvel possui relevo: plano em 30% da área; suave ondulado em 35% da área e fortemente ondulado ou acidentado onde ocorre presença de matas intransponíveis 35%; além da área de preservação permanente estar delimitada no mapa e no relatório de levantamento de dados, o próprio relevo do imóvel nos leva a conclusão de que grande parte do imóvel é composto de áreas consideradas como de preservação permanente, com inclinação superior a 45°; em razão da existência de fato da área de preservação permanente, da comprovação de sua existência atestada por vistoria feita por órgão governamental (INCRA), também são isentas do pagamento do ITR por disposição legal; cita entendimentos dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda no sentido de que a falta de apresentação ou apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental não é fundamento válido para glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (Reserva Legal); informa que compartilham do mesmo entendimento nossos Tribunais, e transcreve ementas; as áreas de preservação permanente e de utilização limitada não estão mais sujeita a prévia comprovação pelo declarante, por meio de Ato Declaratório Ambiental, conforme disposto no art. 3° da MP 2,166/9, que alterou o art. 10 da Lei n° 9.393/96, cuja aplicação o fato pretérito à sua edição encontra respaldo no art. l06, II, "c" do Código Tributário Nacional; ressalta que o impugnante já providenciou a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA, através do processo número 1073 13101261 57; apresenta um quadro mostrando a alteração do VTN do imóvel e conclui que atribuíram valores (VTN) diferenciados para terras do mesmo imóvel, como se terra nua pudesse ter valores diferentes; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 187 4 a lei determina que o valor da terra nua do imóvel será determinado pelo valor de mercado pelo somatório dos valores do solo, matas nativas, florestas naturais e pastagens naturais; ao atribuírem o valor de R$ 1.500,00, por hectare de área de pastagens, fizeram incidir também sobre áreas de pastagens plantadas, quando deveriam fazer incidir tão somente sobre as áreas de pastagem natural, caso pudéssemos considerar possível a diferenciação de valor; de acordo com a declaração feita pelo impugnante e comprovada pelo Relatório de Levantamento de dados emitido pelo INCRA, a área de pastagem nativa do imóvel é de apenas 238,2 hectares; ainda que consideremos possível a valoração diferenciada entre terras nuas de campos e de pastagens, o valor de R$ 1.500,00 deveria incidir tão somente sobre as áreas de pastagens nativas, já que as pastagens plantadas são áreas de campos nas quais foram incorporados os melhoramentos e o aumento de seu valor deve ser considerado como valor de benfeitorias; o Valor da Terra Nua encontrado pela fiscalização não possui nenhum amparo. E, ainda que consideremos os valores calculados com base no SIPT, este deve ser calculado de acordo com a realidade do imóvel, fazendose incidir sobre o total da área o mesmo valor R$ 800,00 por hectare, o que resultaria no montante de R$ 2.488.400,00; ainda que consideremos também que as áreas de pastagem natural pudessem ter valor maior, este valor deve incidir tão somente sobre 238,2 hectares, o que resultaria no valor de terra nua de R$ 2.655.140,00; Auto de Infração ITR 2004, não merece ser mantido integralmente, vez que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, consideradas isentas do pagamento do ITR estão devidamente comprovadas, através de documento emitido por órgão governamental (INCRA), e cópia de matricula do imóvel com averbação da reserva legal, além do que já foi protocolado o ADA junto ao IBAMA, e o Valor da Terra Nua encontrada pela fiscalização não está de acordo com a realidade do imóvel, pelo que a impugnante requer que o mesmo seja julgado parcialmente improcedente, para excluir do lançamento as áreas de preservação permanente (1.013,6 hectares) e reserva legal (508,0 hectares), mantendose o lançamento tão somente sobre a diferença do Valor da Terra Nua, fazendose incidir sobre o valor de R$ 2.488.400,00, ou ainda, caso entendam que as pastagens nativas possuam VTN diferente, sobre o valor de R$ 2.655.140,00. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Brasília (DF) proferiu o acórdão de nº 0328.814 (efls. 138 a 148), considerando o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 188 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos valores apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, em consonância com as normas ABNT, demonstre, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, que pudessem justificar o valor pretendido. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário às efls. 156 a 169, argumentando o seguinte que as áreas de preservação permanente, num total de 1.013,6 ha, foram constatadas pelo próprio Incra, conforme relatório juntado, sendo áreas protegidas por lei, não utilizáveis e que, por isso, são isentas do ITR; que a área de reserva legal de 508,0 ha foi averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ParacatuMG, sob a matrícula 10.990, AV 13 e que essa área, devidamente averbada, é isenta de ITR; que a falta de apresentação ou a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) não é fundamento válido para glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme precedentes administrativos e jurisprudência; que o Valor da Terra Nua (VTN) será determinado pelo valor de mercado, nos termos da lei, pelo somatório dos valores do solo, matas nativas, florestas naturais e pastagens naturais; que não poderia ter sido atribuído o valor de R$ 1.500,00 por hectare de área de pastagens sobre as áreas de pastagens plantadas e que a área de pastagens nativas do imóvel é de apenas 238,2 ha; que a recorrente concordou com o lançamento atribuindo à terra nua o valor de R$ 2.488.400,00, equivalente a R$800,00 por hectare, valor este superior à média dos demais imóveis do município (R$ 485,92/ha) e que tal valor já está sendo cobrado em processo desmembrado deste; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 189 6 que não há lógica ou previsão legal que possa dar sustentação à valorização diferenciada para terra nua existente no mesmo imóvel; que o débito seja cancelado; É o relatório. Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Do Mérito Da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal As áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal declaradas não foram aceitas pela fiscalização em razão da ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Esse foi o motivo reportado na "Descrição dos Fatos" da Notificação Fiscal de Lançamento. Argumenta a recorrente que teria direito à isenção de ITR em relação às áreas declaradas como de Preservação Permanente e de Reserva Legal e que tais áreas foram reconhecidas pelo próprio Incra. Quanto ao Ato Declaratório Ambiental (ADA), como requisito para gozo da isenção do ITR nas Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, este Conselho enfrentou recentemente essa questão no Acórdão nº 2401005.483 4ª Câmara / 1ª Turma, de relatoria do Conselheiro Cleberson Alex Friess. Nesse julgado administrativo, foi decidido o afastamento dessa exigência. Transcrevo abaixo a decisão e adoto como minhas suas razões de decidir: 16. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e reserva legal, equivalentes, respectivamente, a 771,2 ha e 3.484,8 ha, sob a justificativa de que, após regularmente intimado, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos para usufruir da isenção tributária sobre as áreas de conservação ambiental do imóvel (fls. 110/112). 16.1 Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 17. Pois bem. Verifico do acórdão recorrido que manteve a exigência da protocolização tempestiva do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, além da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural, até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 190 7 18. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarse á: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 19. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 19.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 191 8 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 20. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 21. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 22. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 192 9 comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 22.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 23. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. 24. Nada obstante, a despeito da opinião acima, é mister dizer que o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24.1 Com essa finalidade, inclusive, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 24.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 25. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 26. (...) 27. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha declarada pelo sujeito passivo. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 193 10 (...) A área de Preservação Permanente (APP) declarada foi reconhecida pelo Incra em laudo de 04/11/1997, acostado às efls. 35 a 44. No entanto, o lançamento referese ao ITR do exercício de 2004. Em 2001 houve alteração do Código Florestal (lei 4.771/65) pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, inclusive com relação a definições da APP. entendo que seria necessária a apresentação de laudo contemporâneo para atestar a existência da área de preservação permanente, a fim de que a mesma pudesse gozar da isenção legal do ITR. Em relação à área de Reserva Legal, o requisito de averbação à margem do registro do imóvel, para gozo da isenção, foi comprovado por meio da certidão de inteiro teor de efls. 22 a 23, em que consta a averbação cód. AV13, matr. nº 10.990, de 15/03/1993, com anotação da Reserva Legal de 508,00ha. Portanto, assiste parcial razão à recorrente, devendo ser aceita como não tributável a área declarada como de Reserva Legal (de 508,00ha), haja vista o afastamento da exigência de apresentação do ADA e a existência de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel. Do Valor da Terra Nua (VTN) A fiscalização considerou o VTN declarado de R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) subavaliado e arbitrou esse VTN no valor de R$ 3.420.212,48 (R$1.099,57/ha VTN médio por hectare). A recorrente se insurgiu contra esse procedimento, tendo sido apresentado, inclusive laudo técnico de efls. 45 a 60, que apontou um valor de VTN de R$ 590.609.77 (R$215,87/ha). Ocorre que o Valor de Terra Nua a ser utilizado para cálculo do ITR devido, tendo em vista que a Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, bem como a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentou o Sistema de Preços de Terras, em seus artigos 1º ao 4º. Considerando o disposto nos art. 14, § 1º da Lei nº 9.396/1996, combinado com o art. 12 da Lei 8.629/1993, temse por factível o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola. Seguem os artigos: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 194 11 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001)(g.n.) (GRIFEI) III dimensão do imóvel;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada MP nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada MP nº 2.18356, de 2001) §2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada MP nº 2.18356, de 2001) No presente caso, foi utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN por aptidão agrícola para o município do imóvel rural, não havendo qualquer inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. O VTN utilizado na declaração e no laudo, por sua vez, são inferiores ao VTN médio obtido das DITR referentes ao município de ParacatuMG, de R$ 485,92, que consta da tela do Sistema SIPT de efls. 10. Cumpre destacar que foi noticiado pela recorrente, às efls. 169 do recurso, a concordância parcial com o débito lançado. A confissão reconheceu um valor de VTN superior aos valores de VTN declarados na DITR e aos valores de VTN informados no laudo técnico. Segue a informação prestada no recurso: Vejase que o recorrente concordou com o lançamento atribuindo à terra nua o valor de R$ 2.488.400,00, o que equivale a R$ 800,00 (oitocentos reais) por hectare, valor este superior à média dos demais imóveis do município (R$ 485,92/h a), conforme relatado na fl. 137. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 195 12 O valor referente a parte não impugnada, foi desmembrado do presente processo e está sendo cobrado em processo 13609.000.634/200910, conforme comprovante anexo. Em resumo, após a confissão, temse a seguinte situação: § VTN declarado na DITR...............: R$ 400.000,00 (R$128,60/ha) § VTN arbitrado no lançamento.......: R$ 3.420.212,48 (R$1.099,57/ha) § VTN apontado no laudo................: R$ 590.609,77 (R$215,87/ha) § VTN confessado/em cobrança ......: R$ 2.488.400,00 (R$800,00/ha) A recorrente afirma que o VTN arbitrado pela fiscalização não possui nenhum amparo legal e pleiteia o recálculo do tributo com base no VTN confessado, de R$ 2.488.400,00 (R$800,00/ha). Entende que não poderia ter sido atribuído o valor de R$ 1.500,00 por hectare de área de pastagens sobre as áreas de pastagens plantadas e que a área de pastagens nativas do imóvel é de apenas 238,2 ha. De fato, às efls. 42, no laudo do Incra, de dezembro/1997, consta a informação de que as pastagens naturais perfazem 238,2ha. Por sua vez, às efls. 58, no Laudo Técnico de setembro/2007, consta a informação de que as pastagens artificiais perfazem 1087,97, que subtraídos do total de pastagens declarado, perfaz 243,03ha de pastagens naturais. No entanto, equivocase a recorrente, pois a existência de área de pastagem natural não atrai a atribuição de VTN diferenciado para essa área. Isso por que a legislação acima transcrita, em especial o art. 12, inciso II, da lei 8.629/93, estabelece como um dos aspectos a serem observados o da aptidão agrícola. A decisão de 1ª instância abordou muito bem esse questionamento. Por isso, dela transcrevo o trecho abaixo e adoto como minhas suas razões de decidir: A esse respeito cabe esclarecer que o critério utilizado pela autoridade fiscal levou em consideração a aptidão agrícola das terras do imóvel, de acordo com a sua forma de utilização, conforme informado na correspondente DITR/2003, pressupondose que as terras destinadas para pastagens realmente tenham originariamente essa aptidão, independentemente de terem sido beneficiadas pelo proprietário do imóvel, visando melhorar o seu aproveitamento na atividade pecuária. Assim, o valor apontado no SIPT para áreas de pastagens/pecuária, diz respeito ao VTN médio atribuído a terras com essa aptidão agrícola, não levando em consideração possíveis valores incorporados a essas áreas de terras, visando melhor aproveitamento das mesmas. Ao contrário do que defende a recorrente, a legislação ampara o procedimento de arbitramento adotado pela fiscalização e que resultou num VTN de R$1.099,57/ha. O caput do art. 14 da Lei 9.393/96, acima transcrito, aborda justamente tal procedimento, ao estipular que a fiscalização determinará o ITR com base no Sistema de Preços de Terras, em havendo subavaliação. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13609.720120/200712 Acórdão n.º 2301005.976 S2C3T1 Fl. 196 13 Quanto ao valor confessado, correspondente a um VTN de R$800,00/ha, este valor ainda está abaixo do VTN médio obtido com base no Sistema SIPT, conforme cálculo demonstrado às efls 4 e tela do Sistema SIPT às efls. 10. Nem o recurso, nem o laudo técnico apresentado apontaram particularidades do imóvel, em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, que evidenciassem, de forma convincente, que o mesmo possui características desfavoráveis, diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar um valor significativamente abaixo da média informada no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Ao contrário disso, a própria recorrente, em sua peça (e fls. 160), relata as boas condições do imóvel. Transcrevo: Importa esclarecer ainda que a parte plana do imóvel é extremamente fértil com boas pastagens o que possibilita uma boa lotação de animais de grande porte (rebanho bovino), como se pode comprovar nas cópias dos Cartões de Controle Sanitário. No anobase de 2003 (ano de referência para o lançamento de 2004) o imóvel manteve média de gado superior a 1.000 (mil) cabeças, o que demonstra o alto Grau de Utilização das áreas aproveitáveis. (GRIFEI) Assim, entendo que resta hígido o VTN arbitrado no lançamento com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento a área de reserva legal (508,0ha), no cálculo do ITR. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13657.001398/2009-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 13 98 /2 00 9- 75 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário de aproximadamente R$13.000,00, calculado e atualizado até setembro de 2009. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 29.200,00. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que mal foi intimado a presta informações, que não sabia da notificação de lançamento e que não teve a oportunidade de se apresentar na Receita para esclarecer todas as informações. A DRJ Juiz de Fora , na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => o termo de intimação foi devidamente encaminhado ao domicílio tributário do contribuinte e ele não prejuízo em não se apresentar na Receita pois tem diversas oportunidades durante o processo administrativo para apresentar seus argumentos, sua defesa e os documentos. => que deveria o notificado, na fase impugnatória, ter trazido aos autos, para apreciação da autoridade julgadora, os “comprovantes das despesas médicas”, conforme lhe exigido no Temo de Intimação Fiscal de fls.25, evidentemente desde que os referidos gastos financeiros tenham efetivamente ocorrido. Em face de todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte volta a apresentar suas razões para o reconhecimento das despesas médicas e apresenta recibos completos e declarações emitidas por certos profissionais, ratificando que o contribuinte seria o beneficiário, que os pagamentos foram feitos nas datas especificadas, além de conter todas as demais informações exigidas em lei. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13657.001398/200975 Acórdão n.º 2001001.221 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente não apresentou recibos na fase impugnatória por entender que não havia sido devidamente intimado para tal. No entanto, em sede de Recurso Voluntário, apresenta declarações emitidas por profissionais, ratificando que o contribuinte seria o beneficiário, que os pagamentos foram Fl. 62DF CARF MF 4 feitos nas datas especificadas, além de conter todas as demais informações exigidas em lei, quais sejam: recibos e declaração emitida por Alcenir de Paiva Rosa, ratificando que o contribuinte foi seu paciente, detalhando datas e valores pagos, somando R$12.000,00 e contendo todas as demais informações exigidas em lei (credenciamento profissional, endereço profissional, valor total pago), declaração emitida por Vanda Maria de Paula Morais, ratificando que o contribuinte foi seu paciente, detalhando datas e valores pagos, somando R$ 200,00 e contendo todas as demais informações exigidas em lei (credenciamento profissional, endereço profissional, valor total pago), recibos emitidos por Luiz Carlos Silva Pereira, somando R$17.000,00, contendo credenciamento profissional, data, valor total pago e especificação do tratamento. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13657.001398/200975 Acórdão n.º 2001001.221 S2C0T1 Fl. 4 5 como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nas evidências e documentações apresentadas pelo Recorrente em sede de Recurso, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para que sejam restabelecidas as despesas médicas no valor total de R$29.200,00. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970627/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada da respectiva documentação fiscal e contábil da sua origem, legitima a não homologação da compensação.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus da prova do indébito utilizado.
Numero da decisão: 1201-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.970626/2009-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada da respectiva documentação fiscal e contábil da sua origem, legitima a não homologação da compensação. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus da prova do indébito utilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.970626/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 06 27 /2 00 9- 03 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 3 2 Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 37619.48309.231208.1.3.047628. O sujeito passivo declarou, no referido PER/DCOMP, crédito relativo a pagamento a maior ou indevido de IRPJ, no montante de R$ 24.489,55 (valor do crédito original na data da transmissão), correspondente ao DARF no valor de R$ R$ 40.032,41 (Cód. Receita 2089 – IRPJ Lucro Presumido), cujo período de apuração é 30/06/2005. Solicitou a compensação de débitos, apurados em novembro de 2008, referentes a PIS, no montante de R$ 380,41, e COFINS, no montante de R$ 1.755,75. Sobreveio despacho decisório no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, consignou que: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: (i) quando da apresentação do PER/DCOMP, errou ao não retificar sua DIPJ e sua DCTF para fazer constar crédito passível de compensação; e (ii) deve ser aplicado o princípio da verdade material, vez que a existência do direito creditório foi cabalmente comprovada. Em sessão de 10 de outubro de 2012, a 5ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 12.49.985, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 4 3 Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e complementou sua defesa com o seguinte apontamento: a autoridade fiscal atentouse apenas aos créditos obtidos no ano de 2005, quando na realidade a contribuinte utilizouse de créditos obtidos e não aproveitados referentes ao período de 2002 a 2005. Apresenta em anexo os informes de rendimentos pertinentes ao período e requer que seja determinada intimação de seu escritório contábil na hipótese de insuficiência de informações e documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.835, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº15374.970626/200951, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.835): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão de Mérito Da Não Comprovação do Direito Creditório No presente caso, a Recorrente afirma ter incorrido em erro ao não declarar o valor correto do seu crédito disponível para compensação na DIPJ/2006 (anocalendário 2005) e DCTF/1º Semestre de 2005. Apesar de entender que a retificação de declarações, após proferido despacho não reconhecendo o direito creditório, não tem condão de comprovar crédito, salvo se acompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem a ocorrência de erro no seu preenchimento, a DRJ analisou as informações apresentadas nas declarações retificadoras e constatou o seguinte: “1) DCTF do 1º semestre/2005 A interessada apresentou DCTF original, transmitida em 07/10/2005, declarando débito de IRPJ do 2º trimestre/2005, no valor de R$ 40.032,41. Retificou a DCTF em 15/02/2007, declarando o débito no mesmo valor. Apenas em 14/11/2009 que a interessada retificou a DCTF para informar que não havia débito de IRPJ para o 2º trimestre/2005. 2) DIPJ/2006 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 5 4 A interessada apresentou DIPJ/2006 original, transmitida em 29/06/2006, informando de débito de IRPJ do 2º trimestre/2005, no valor de R$ 33.853,68. Apenas em 14/11/2009 que a interessada retificou a DIPJ/2006 para informar que o débito de IRPJ para o 2º trimestre/2005 no valor de R$ 33.853,68, seria quitado com o imposto de renda retido na fonte por órgãos, autarquias e fundações federais” A partir dessa análise, a DRJ concluiu que no momento da transmissão do PER/DCOMP existiam duas informações diversas nos sistemas da RFB acerca do débito de IRPJ, uma proveniente da DIPJ e outra da DCTF, e que as duas apontavam para a existência de débito de IRPJ, seja no montante de R$ 33.853,68 ou R$ 40.032,41, respectivamente. Ainda que fossem consideradas as últimas versões retificadoras de cada declaração, transmitidas após a prolação do despacho decisório, a douta DRJ entendeu que, a ausência de documentos hábeis e idôneos que deem lastro às informações retificadas impossibilita a admissão da informação de que inexistia débito de IRPJ para o 2º semestre de 2005. Especificamente sobre a informação do aproveitamento do imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos, em análise dos documentos que constam no processo e nos sistemas internos da RFB, a r. DRJ concluiu não haver comprovação dos requisitos necessários para que a interessada se aproveite da compensação do imposto de renda retido na fonte no valor informado na DIPJ/2006 retificadora (R$ 33.853,68). Reconhece por meio dos seus sistemas informatizados apenas o valor de R$ 4.712,32, mas consigna que a contribuinte não comprova ter submetido os respectivos rendimentos à tributação. Por sua vez, a Recorrente alega que a r. DRJ não se atentou à existência de créditos obtidos e não aproveitados no período de 2002 a 2005 e limitase a apresentar, em sede de Recurso Voluntário, as DIRF´s referentes aos anoscalendário de 2002 a 2005 e não demonstra com exatidão (i) a composição dos valores efetivamente retidos em cada anocalendário; e (ii) se os rendimentos de R$ 393.443,98 e dos demais anoscalendário foram de fato submetido à tributação. Vejam que, tais exigência estão alinhadas ao disposto no artigos 526 e 943, §2º, do RIR. Confirase: "Art. 526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal. Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte ou pago seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto a pagar relativo aos períodos de apuração subseqüentes." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 6 5 "Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55)." No mais, de acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." Em análise do Recurso Voluntário e da documentação anexa, constato que as informações apresentadas são insuficientes para a comprovação dos valores imputados nas declarações retificadas e, portanto, insuficientes para demonstrar a origem do direito creditório, seja da parcela supostamente recolhida indevidamente a título de IRPJ (lucro presumido), diferença entre o DARF no valor de R$ 40.032,41 (Cód. Receita 2089 – IRPJ Lucro Presumido, declarado em DCTF) e os R$ 33.853,68 (débito de IRPJ para o 2º trimestre/2005 constante da DIPJ/2006), seja com relação a suposta alegação de que os R$ 33.853,68 seriam quitados com o IRRF por órgãos públicos, autarquias e fundações federais. A ora Recorrente não apresenta sua escrituração contábil, fiscal, planilhas demonstrativas ou qualquer outra documentação capaz de comprovar a origem do seu direito de crédito e se limita a apresentar as DIRF’s relativas aos anos de 2002 a 2005 sem explicar de forma clara a composição do suposto direito creditório (inclusive para contrapor os valores trazidos pela DRJ constantes do item 15) e sem comprovar que os rendimentos decorrentes foram submetidos à tributação. Não há coincidência de dados e valores, a DIPJ e a DCTF, como dito pela própria Recorrente, não refletem o seu direito creditório e não há documentação fiscal e contábil hábil lastrear o direito aqui pleiteado. Não basta demonstrar a ocorrência de algumas retenções (requisito (i)) sem provar que os rendimentos recebidos for submetidos à tributação (requisito (ii)). De fato, a retificação de declarações, após a emissão de decisão que não reconhece o direito creditório, somente terá efeitos se Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 7 6 estiver acompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem a ocorrência do erro de preenchimento. Entretanto, em momento algum no curso deste processo administrativo fiscal, a Recorrente apresenta as referidas provas para dar consistência à apuração e ao valor supostamente recolhido indevidamente a titulo de IRPJ. Cumpre consignar que, o ônus da prova do direito creditório pleiteado em PER/DCOMP é do contribuinte, cabendo a ele comprovar a liquidez e certeza do crédito. Nesse mesmo sentido são os acórdãos deste E. CARF, cujas ementas seguem abaixo transcritas: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação”. (Processo nº 10166.902466/200878, Acórdão nº 1201001.876, 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, 1ª Seção, Sessão de 19 de setembro de 2017, Relator Luis Henrique Marotti Toselli). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa”. (Processo nº 10820.900282/200641, Acórdão nº 1002000.473, 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção, Sessão de 6 de novembro de 2018, Relator Ângelo Abrantes Nunes). Ademais, considero descabido o pleito formulado pela contribuinte para que o escritório contábil seja intimado a apresentar informações e documentos adicionais, visto que o ônus da prova sobre a liquidez e certeza do crédito é da contribuinte. Não cabe a esta autoridade julgadora e nem a este órgão de julgamento "correr atrás" da documentação fiscal e contábil da própria Recorrente que, inclusive, tem obrigação legal de mantêla em seu poder. Diante das razões fáticas e jurídicas aqui apresentadas, considero que o r. acórdão da DRJ não merece reparos, pois não restou comprovada a existência de direito creditório líquido e certo passível de compensação. Conclusão Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.970627/200903 Acórdão n.º 1201002.837 S1C2T1 Fl. 8 7 Do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910055/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA
O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura.
IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80
A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 1302-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.687517/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA - FATOS PRETÉRITOS COM REPERCUSSÃO FUTURA - INOCORRÊNCIA O fenômeno da decadência atinge, apenas, o direito do fisco de constituir a obrigação tributária (ou de não homologar a compensação), não afastando a possibilidade de se reexaminar fatos contábeis pretéritos (ocorridos há mais de 5 anos) com repercussão futura. IRPJ - SALDO NEGATIVO - DIREITO CREDITÓRIO - IRRF - SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornam-se indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto.
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IRPJ SALDO NEGATIVO DIREITO CREDITÓRIO IRRF SUMULA 80 A mingua de comprovação, por parte do contribuinte, de que as receitas que geraram a retenção na fonte do IRPJ foram efetiva e concretamente levadas à tributação, tornamse indedutíveis as parcelas do IRRF suportadas para fins de apuração de eventual saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.687517/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 00 55 /2 00 9- 61 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 3 2 Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de pagamento indevido ou efetuado em valores superiores aos efetivamente devidos a título de ajuste de IRPJ, apurado no ano calendário de 2004. Pelo que se infere do despacho decisório eletrônico proferido nestes autos o pleito da empresa recorrente foi indeferido pela Unidade de Origem sob o argumento de que o valor descrito no DARF, apontado na respectiva declaração de compensação, estaria integralmente alocado para a quitação de débitos do contribuinte, inexistindo saldo disponível para compensação dos débitos em sua declaração de compensação. Em manifestação de inconformidade regularmente apresentada o contribuinte busca esclarecer que, em verdade, no anocalendário em testilha, consideradas as estimativas pagas e o imposto retido na fonte, conforme DIRFs apresentadas, teria apurado um saldo negativo de imposto (ao invés de valor a pagar), sendo este o motivo de seu pedido de compensação. Informa, mais, que por um lapso, teria deixado de fazer a necessária informação em DCTF, equívoco que teria sido corrigido mediante retificação da predita declaração. Instada a decidir o caso, a DRJ de Salvador houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade oposta. Nos termos do acórdão recorrido, não obstante, de fato, o contribuinte ter informado valores retidos na fonte no importe de R$ 1.058.299,14, concernentes à receitas financeiras percebidas pela empresa, não constariam da DIPJ acostada aos autos demonstrações que indicariam a tributação de tais valores, não podendo considerálos para a formação do pretendido saldo negativo. Devidamente intimado do conteúdo do julgamento acima, o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário por meio do qual, em apertada síntese, sustentou: a) em prejudicial de mérito, a decadência do direito da Fazenda de revisitar a apuração do IRPJ ocorrida ano de 2004, a fim de considerar não demonstrado o direito creditório pretendido; b) no mérito, que, além de inovar a discussão (a questão afeita à tributação das receitas financeiras não teria sido suscitada até o advento do julgamento levado a cabo pela DRJ), que as preditas receitas teriam, sim, sido incluídas em seu resultado operacional, trazendo, agora, para comprovar as suas alegações, além dos documentos já acostados em sua manifestação, cópias de razões relativos aos anoscalendários de 2001 a 2004; c) a possibilidade de apresentar novos documentos (especificamente os livros tratados anteriormente), a luz do princípio da verdade material Ao final de sua peça, além de requerer o provimento de seu apelo, pede a conversão do julgamento em diligência. Este é o relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.521, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.687517/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.521): I Admissibilidade do recurso. O recurso é tempestivo. Contudo, a despeito de entender satisfeitos os demais pressupostos de cabimento, até por dever de lealdade, me cabe expor de forma mais detida os motivos pelos quais admitoo neste momento, particularmente, em relação ao argumento e aos documentos novos trazidos por ocasião, apenas, da interposição do apelo. De fato, tenho um entendimento já sedimentado e, na maioria das vezes, isolado, de que, em procedimentos compensatórios, o limite temporal e processual para se fazer a prova sobre "a liquidez e certeza" do direito creditório pretendido é a manifestação de inconformidade, notadamente a luz dos preceitos combinados dos artigos 170, caput, do CTN e 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. É que, a partir do preceptivo de lei complementar, fixase o ônus da prova quanto a própria existência do crédito, cuja repetição se perquira, nos ombros do contribuinte interessado, cabendo a ele, e não à Administração Pública, tal mister. Neste particular, transmitida DCOMP e verificada, prima facie, a inexistência dos requisitos necessários ao reconhecimento do direito postulado, a subsequente manifestação de conformidade (=impugnação art. 74, § 11, da Lei 9.430/96) deverá ser instruída com todos os documentos essenciais a: a) refutar os motivos declinados pela Unidade de Origem para indeferir seu pleito compensatório; b) evidenciar, consequentemente, o próprio direito creditório. Em outras palavras, o contribuinte deve demonstrar, por ocasião da oposição de sua manifestação de inconformidade, que as premissas adotadas pela Autoridade Fiscal não se sustentam a luz de suficiente, idônea e hábil, documentação. Daí, em casos muito comumente analisados por este Colegiado, em que o interessado transmite uma DCOMP veiculando um crédito inexistente (dada a alocação integral do DARF para a quitação de uma determinada obrigação), quando, assim advertido, se limita, em suas razões de insurgência (manifestação de inconformidade) a trazer, v.g., uma DCTF retificadora, sem expor os motivos desta retificação e sem comprovar tais motivos, por meio de documentos hábeis e idôneos. Isto é, na hipótese acima, as razões declinadas pela Unidade de Origem não são refutadas simplesmente porque a DCTF retificadora, de per si¸ não evidencia a Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 5 4 correção dos novos fatos nela apontados, sendo imperioso a sua efetiva e concreta demonstração, inclusive, a teor do entendimento exarado, recentemente, pela RFB por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018. A hipótese dos autos, todavia, se afasta do exemplo alhures aventado. Isto porque, a par do contribuinte ter informado um crédito de pagamento indevido (ou efetivado por valor superior ao efetivamente devido1) oriundo de DARF inicialmente utilizado para a quitação de outra obrigação (sem que restasse qualquer saldo compensável de tributo), ao opor a sua "defesa" dirigida à DRJ trouxe documentos razoavelmente suficientes para comprovar que o aludido indébito realmente existia, quais sejam: a) a DCTF retificadora; b) a DIPJ; c) as DIRFs, que demonstram os valores por ele suportados, a título de IRPJ, na fonte; d) os DARFs concernentes às estimativas pagas ao longo do período de apuração. Ou seja, tais documentos comprovam que ao invés de um valor de ajuste a ser recolhido, a empresa teria, outrossim, e em tese, apurado um saldo negativo... se, contudo, a dedução do IRFonte dependeria de um segundo conjunto probatório, é questão até aqui não apontada, já que, insistase, o pressuposto do indeferimento do direito creditório era, tão só, a própria inexistência do saldo negativo. Também como já expus em casos pretéritos, e ainda que sustente que o ônus da prova, aqui, recaia sobre os postulantes, defendo e propago, de outra sorte, que a própria instrução do processo/procedimento de compensação deverá se nortear pela verdade material, mesmo que, neste caso, semelhante princípio se aplique tão só para garantir ao contribuinte a oportunidade para corretamente demonstrar o seu direito. Explicando melhor, a contribuinte deve ser, quando menos, informado sobre qual prova deva produzir, a fim de, assim, adimplir com o seu mister (ônus). Ainda que a limitação da atividade instrutória, no caso, tenha se dado como decorrência do próprio erro incorrido confessadamente pela empresa, o fato é que não se observa, em nenhum momento, qualquer pretensão da autoridade administrativa de questionar a concretização (ou não) das parcelas que comporiam o predito saldo negativo... não houve, aí, qualquer intimação subsequente ao recorrente para que demonstrasse a efetiva tributação das receitas geradoras do IRFonte . O processo se instaurou a partir da resistência ofertada pela Unidade de Origem, delimitada pela inexistência de saldo restituível do imposto ante a vinculação dos respectivos DARF ao pagamento de outra obrigação (a relação jurídicoprocessual é delimitada pela causa de pedir e pela pretensão resistida), surgindo o questionamento relativo ao IRFonte, apenas quando do julgamento realizado pela DRJ. Não é razoável admitirse que esta prova (oferecimento à tributação das receitas financeiras) deveria ser desde logo produzida, até porque, como dito, o contribuinte estava limitado aos motivos declinados pela Unidade de Origem. Em outras palavras, este questionamento deve ser considerado "novo", 1 Recusome, peremptoriamente, a utilizar a expressão "pagamento a maior", não só porque sintáticamente equivocada, mas, também, porque estéticamente inadequada. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 6 5 adequandose, pois, aqui, o caso concreto, à hipótese contida no art. 16, § 4º, alínea "c", do Decreto 70.235/72: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para deixar ainda mais evidente, na presente demanda, o cabimento da exceção processual acima mencionada, vale destacar que o contribuinte não se contrapõe à falta de declinação de valores concernentes às receitas tributárias na linha própria de sua DIPJ, apontada, pela Turma Julgadora a quo. As novas provas não se destinam a comprovar que, no anocalendário de 2004, as receitas geradoras do IRFonte foram, naquele período, tributadas; pelo contrário, assevera (como será melhor explorado mais adiante), que tais receitas foram, "pulverizadamente", ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004, sendo este motivo pelo qual não teria informado qualquer valor dessa natureza no campo próprio de sua DIPJ. O primeiro momento que a empresa teve para esclarecer os argumentos acima se deu no ato da interposição de seu recurso administrativo, dado que arguidos como contraponto às "razões posteriormente trazidas". A luz destas ponderações, conheço, integralmente do recurso e dos documentos nele veiculados. II Preliminares. II.1 Vinculação aos demais processos compensatórios que tem por objeto partes do direito creditório ora analisado. Aqui, e de forma bastante breve, esclarecese que este feito está sendo julgado sob o rito do art. 47, § 1º, do RICARF. Objetivamente, o que for decidido aqui, prevalecerá quanto aos demais processos descritos no recurso voluntário (a luz dos preceitos do § 3º deste mesmo preceito regulamentar), dado que tais demanadas compõem lote formado "por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática". II.2 Decadência. A alegação do contribuinte não é nova é já foi objeto de sucessivas decisões por parte deste Conselho, em especial em questões análogas como, v.g., de fatos que contribuíram para a formação de ágio.. Com efeito, a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, seria a compensação do saldo negativo de IRPJ (em que se apura a existência ou não do crédito cujo ressarcimento/compensação se postula)... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo (ou de não homologar a Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 7 6 compensação) e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Outro entendimento engessaria a atividade fiscalizadora e reduziria, de forma ilícita, os prazos descritos nos já citados arts. 150, § 4º e 173, I, do CTN e, ainda, aquele contemplado pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí, o posicionamento atualmente adotado por este CARF, consoante extraído dos julgamentos abaixo reproduzidos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO. AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Recurso Voluntário Improvido (Acórdão nº 1402001.590, publicado em 20/08/2014). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 8 7 DECADÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (Acórdão nº 1402001.515, publicado em 23/01/2014). Não faço, vejam bem, ouvidos moucos às teses deduzidas nos acórdãos veiculados pelo embargante em seu recurso voluntário. Sei que tais julgados se opõe ao entendimento que ora exponho mas, venia concessa, simplesmente não concordo com as premissas lá adotadas. Quando a fiscalização recompõe o saldo negativo, entendo, não está promovendo novo lançamento de ofício (até porque o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador art. 146 do CTN). Neste caso, estarseá apenas verificando a existência de fato do crédito, formado a partir de informações pretéritas com repercussão futura e, como já dito, sobre os quais não se opera o ocaso decadencial. Notem, o Fisco não poderia, realmente, na forma do artigo 142 do CTN, efetuar o lançamento quanto ao período em que o saldo negativo foi apurado (identificandose, neste passo, o sujeito passivo e, se assim couber, aplicandose a penalidade cabível no caso, multa isolada por estimativas pretensamente não recolhidas); mas, impedir que o fisco examine a escrita contábil utilizada pelo contribuinte para, justamente, formar o aludido saldo, representaria, como já afirmei, engessamento desarrazoado da atividade descrita no já tratado § 5º do art. 74 da Lei .9.430/96. E a falta de razoabilidade, aqui, é palpável bastando, para tanto considerarse a seguinte situação (inclusive observável neste feito): a) o contribuinte apura saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004 sendolhe, neste passo, franqueado o compensar já no ano de 2005; b) deixa para compensar saldos negativos do imposto às vesperas do decurso dos prescricional (para postular a compensação) e decadencial (para operar, contra o fisco, a extinção do direito de constituir o respectivo crédito tributário); c) neste caso, ao invés de 5 anos para "homologar" a predita compensação o fisco teria alguns poucos meses. Enfim... a decadência se opera em relação ao fato gerador e ao consequente direito do fisco de constituir a obrigação tributária, não atingindo os fatos contábeis considerados pelo contribuinte para a apuração de seus tributos. Afasto, pois, a prejudicial em análise. III Mérito. III.1 A tese do recorrente. Como não descrevi de forma mais clara os fundamentos que permeiam as pretensões recursais, me permitam, aqui, declinar, ainda que de forma concisa, a tese sustentada pela empresa para demonstrar o seu direito creditório. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 9 8 Pois bem, como se extrai do acórdão recorrido, a turma a quo teria se pronunciado pela inexistência do direito creditório levando em conta o fato de que, a partir das informações contidas na DIPJ, para se chegar ao saldo negativo apontado pelo recorrente, terseia que considerar, além dos valores relativos às estimativas pagas (consideradas comprovadas pela decisão ora combatida), os valores retidos e recolhidos por terceiros (instituições financeiras). O problema aventado pelo aresto de primeira instância é que, justamente os valores concernentes ao IRFonte, decorreriam de receitas financeiras, a priori, não tributadas pela empresa insurgente. Com efeito, da predita DIPJ, extraise a dedução do montante de R$1.058.299,14, os quais, de outra sorte, a teor, inclusive, dos preceitos da Súmula/CARF 80, somente poderiam ser abatidos do imposto devido se, e quando, comprovada a tributação das respectivas receitas (que, in casu, perfaziam o importe de R$ 5.291.496,04). Como pontuado pela DRJ, este último valor não foi informado na citada declaração no anocalendário de 2004, e, portanto, os valores das receitas financeiras acima mencionado não teria sido objeto de tributação. No seu recurso voluntário o contribuinte explica que, em verdade, considerandose estar sujeita a regime de competência, os rendimentos provenientes de suas aplicações teriam sido reconhecidos na medida de sua disponilibização, ocorrida ao longo dos anos calendários de 2001 a 2004, trazendo, para tanto, as cópias dos seus livros Razão e das DIPJs relativas aos mesmos períodos. Passo seguinte, sustenta que, nada obstante o reconhecimento prévio das preditas receitas, o IRRF se sujeitaria ao regime de caixa, de sorte que seu recolhimento somente se daria (ou se deu) a partir do pagamento, pela instituição financeira, dos aludidos rendimentos (v. as DIRFs trazidas juntamente com a impugnação). Em linhas gerais, o valor de R$ 1.058.299,14 teria sido retido e recolhido no ano calendário de 2004, ainda que, sob a ótica do recorrente, as receitas geradoras do aludido IRFonte tenham sido reconhecidas e ofertadas à tributação ao longo dos anos de 2001 a 2004 (inclusive). Para melhor explicitar a tese sustentada pela empresa insurgente, peço vênia para reproduzir a seguinte demonstração gráfica, extraída do próprio apelo voluntário: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 10 9 Este primeiro quadro, vejam bem, apenas descreve as receitas financeiras suportadas no curso dos anos de 2001 a 2004, e os respectivos impostos retidos e recolhidos, a partir dos informes de rendimentos apresentados quanto ao ano de 2004 e com base na ficha 43 das DIPJ relativas aos demais anoscalendários. O segundo quadro, abaixo, é que, de fato, se prestaria para demonstrar a diluição das receitas, objeto desta análise, no período defendido pelo contribuinte. Vejase As informações inseridas no quadro acima teriam sido extraídas das DIPJs trazidas pela empresa, com exceção dos dados concernentes ao anocalendário de 2004 que, como já pontuado pela própria DRJ, não contemplaria qualquer informação relativa à eventuais receitas financeiras percebidas pelo recorrente no citado anocalendário. O contribuinte, destaquese, nada diz (ao menos explicitamente) sobre falta de registro de receitas financeiras no ano de 2004. Todavia, na DIPJ/2005 (AC 2004) vêse uma anotação, feita a mão, ao lado da linha 30, em que, pretensamente, o valor ali descrito (R$ 1.351.958,09), teria sido inserido de forma parcialmente equivocada. Realmente, até por remição contida na própria anotação, é possível inferir que, pelo Razão juntado ao feito, aquele valor seria assim formado: a) R$ 316.177,72, refeririamse à "outras receitas operacionais", consoante informações lançadas à contacontábil de nº 7.9.99.00.9; b) o restante, seria formado a partir de dois lançamentos, feitos, respectivamente, nas contas de nos 7.14.10.00.7 ("rendas aplica oper" R$ 234.429,41) e 7.15.10.00.0 ("rendas tits renda" R$ 801.341,72), pretensamente relativos à resultados de aplicações financeiras. Ou seja, o valor total de R$ 1.035.771,13 (resultante da soma dos rendimentos tratados em "b", supra), deveria ter sido registrado na linha 24 da DIPJ/2005 e não Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 11 10 na linha 30; haveria, pois, aí, uma erro no preenchimento desta declaração (ainda que, insistase, tal equívoco não tenha sido informado ou mesmo declarado pelo contribuinte, do forma oficiosa ou expressa). Mesmo assim, todavia (e considerado o equívoco incorrido pelo recorrente quando do preenchimento de sua declaração a par de seu silêncio), esta importância não coincide, nem de perto, com o valor de R$ 5.291.496,04 que, ao fim e ao cabo, é o cerne do problema tratado aqui neste feito. Esta disparidade, digase, poderia ser justificada acaso entendamos correta a tese da empresa insurgente (e consideremos a possibilidade deste montante ter sido tributado de forma diluída, no curso dos anos de 2001 a 2004). E, não obstante uma aparente coerência e razoabilidade extraível dos argumentos do contribuinte, passo a demonstrar que, em verdade, as premissas por ele deduzidas são, indubitavelmente, falaciosas. III.2 Os sofismas incorridos pelo recorrente. Objetivamente, o interessado embasa seus argumentos em dois pilares: a) os rendimentos provenientes de aplicações financeiras realizadas em Certificados de Depósitos Bancários CDB, são disponibilizados pelas instituições Bancárias ou assemelhadas ao longo de um determinado período (impondo o seu oferecimento à tributação segundo o regime de competência), mas seu pagamentos somente se daria, v.g., com o encerramento do contrato ou em momento posterior (quando, então, se verificaria a retenção do imposto devido pela instituição pagadora segundo o regime de caixa); b) o somatório das receitas descritas no quadro 1 e sua comparação com aquelas receitas descritas no quadro 2 (reproduzido anteriormente) comprovaria a diluição das preditas receitas ao longo dos anos de 2001 a 2004, mormente a se considerar a identidade entre os valores totais descritos nos preditos quadros, o que confirmaria a tese firmada no item "a", acima. Me atendo, neste primeiro momento, apenas na premissa fática apontada em "b", acima, de antemão já se demonstra a sua falsidade. Isto porque, os quadros reproduzidos anteriormente consideram, na base de comparação, receitas que não podem, por conta do regime tributário que lhe é aplicável, ser comparadas. Notem que particularmente quanto ao ano de 2002, o contribuinte insere, ali, ganhos concernentes ao "mercado de renda variável" (dos razões juntados, em princípio, depreendese que tais ganhos decorreriam de operações de swap). Ora, o valor R$ 5.291.496,04, como se infere dos informes de rendimentos apresentados é composto, exclusivamente, por rendimentos produzidos a partir de aplicações em renda fixa (CDB). Para que os preditos quadros fizessem algum sentido, seria necessário efetuarse a comparação apenas entre os rendimentos desta mesma natureza (CDB). Retirandose do quadro elaborado pelo próprio contribuinte as importâncias concernentes aos rendimentos de renda variável, a diferença entre os valores apontados nos informes de rendimentos e aqueles declinados no resultado da empresa, através de DIPJ (e que, portanto, teriam, como alega o recorrente, suportado a tributação), seria superior a R$ 2,6 milhões. Em outras palavras, considerando correta a tese do contribuinte a partir da premissa descrita em "a", acima, pela simples comparação entre os dados extraídos de suas DIPJs e os informes de rendimentos (apresentados em relação ao ano 2004, e informados na ficha 43 das DIPJs relativas aos anos de 2001 a 2003), chegarseia a conclusão de que a empresa não logrou demonstrar, de forma indiscutível, o Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 12 11 oferecimento à tributação de cerca de R$ 2,6 milhões de reais (R$ 5.291.496,04 R$ 2.656.893,95). É claro, todavia, que o raciocínio acima intentado não seria definitivo, já que, para termos absoluta certeza de que os rendimentos provenientes de aplicações em renda fixa não foram tributados de forma diluída, como pretende o recorrente, seria necessário explodir os dados inseridos, por exemplo, no primeiro quadro (o que seria possível a partir da análise dos Razões trazidos). Tal medida, no entanto, é, de toda sorte, despicienda. Isto porque a própria premissa apontada em "a", pilar de sustentação de toda a tese recursal, também é falaciosa... não é possível, e juridicamente sustentável, separar, no caso vertente, quanto aos rendimentos provenientes de aplicação em CDB/RDB2, o momento de sua disponibilização (disponibilidade jurídica competência), do momento de seu efetivo pagamento (disponibilidade econômica caixa). Com efeito, a teor dos preceitos do art. 30, § 1º, da Lei 4.728/65, entendese por "CDB" a "promessa de pagamento à ordem da importância do depósito, acrescida do valor da correção e dos juros convencionados". O rendimento, portanto, objeto de possível tributação nos contratos de CDB/RDB é produzido pelos juros pagos ou creditados pela instituição financeira, como contraprestação pelo "empréstimo" realizado pelo correntista. Considerese, de outro turno, as regras preconizadas pelo Banco Central do Brasil (vigentes à época dos fatos aqui tratados) sobre a remuneração das aplicações realizadas em CDB/RDB, particularmente aquelas contidas na Resolução de no 105/68, cujo o inciso primeiro, alíneas "a" e "b", assim dispunha: I Fica revigorada a faculdade atribuída aos bancos comerciais, mediante aprovação prévia do Banco Central do Brasil, para receberem de pessoas físicas ou jurídicas depósitos de prazo fixo, com cláusula de correção monetária, e emitirem certificados de depósitos, nominativos, observadas as seguintes condições: a)os depósitos da espécie serão regidos pelas condições estabelecidas nos itens III e IV da Resolução nº 31, de 30.7.1966; b)os certificados respectivos não poderão ter valor inferior a NCr$1.000,00 (hum mil cruzeiros novos), nem prazo inferior a 12 (doze) meses, admitido, porém, o pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses. Ora, comparandose as DIRFs apresentadas nos autos, à previsão contida na alínea "b", acima, está mais que evidenciado que os valores percebidos pela recorrente no ano de 2004, referemse, efetivamente, aos montantes de juros e correção monetária devidos em decorrência da contratação dos preditos depósitos a prazo. Agora, particularmente quanto a esta modalidade de investimento, o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos tratados no processo), estabelece algumas regras importantes para análise do caso. Primeiramente, vejase que o dispunha o art. 729, caput: 2 A distinção entre CDB e RDB cinge, tão só, à impossibilidade de alienação deste último tipo de rendimento (RDB). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 13 12 Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta. Já o art. 730 do mesmo diploma regulamentar estendia a regra acima transcrita também "aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações (inciso III), hipótese que se adequa, perfeitamente, ao conceito extraído da Lei 4.728, alhures tratado. O § 2º do art. 731, de outro turno, estabelecia que o IR incidirá sobre valor dos rendimentos produzidos em razão das aplicações contempladas pelo inciso III do art. 730 retro ao passo que o art. 732, II, determina que o tributo seja retido, em casos tais, "por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação". Outrossim, o art. 770 do RIR/99, preconizava que os rendimentos em testilha integrariam o lucro real (§ 2º, inciso II). Por fim, atentem para o que rezava a regra encartada no art. 773 do RIR: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado. O que se pode dessumir do compêndio legislativo trazido acima, é o seguinte: a) os contratos de CDB geram rendimentos tributáveis a partir do creditamento dos respectivos encargos remuneratórios; b) tais encargos podiam (ao menos no período em análise) ser pagos integralmente quando do vencimento do contrato ou trimestralmente (interpretação apreensível dos preceitos do inciso I, "a", da Resolução/BACEN de nº 105/68); c) se, de fato, o IRPJ segue o regime de competência, e, portanto, impõe o seu pagamento a partir da simples disponibilização jurídica da renda, é igualmente inegável que em aplicações financeiras de renda fixa, notadamente, o CDB, a disponibilidade em questão somente será observada quando do creditamento dos respectivos juros (trimestralmente ou ao final do contrato). Acaso o contrato de depósito firmado pelo recorrente juntamente ao Citybank estabelecesse regra de remuneração a ser paga apenas quando do fim de sua vigência, a lógica trazida em sua peça de defesa seria razoavelmente aceitável. Fosse esta a realidade, a tendência, aqui, seria até pela conversão do julgamento em diligência a fim de verificar se, realmente, haveria, na espécie, a geração de renda ao longo do período do contrato e o pagamento efetivo da respectiva remuneração, apenas, ao final. Reprisese, todavia, que as DIRFs exibidas indiciam, senão comprovam, que o contribuinte fazia jus ao pagamento trimestral dos juros remuneratórios decorrentes do seu contrato de CDB (basta atentarse para as guias "Mês" e "Rendimento Nominal"); estivéssemos, de fato, diante de contrato com previsão de percepção de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 14 13 juros apenas com o resgate do respectivo depósito, não haveria lógica na inserção de dados concernentes aos pagamentos devidos ao longo dos trimestres do ano 2004 (cada DIRF apresentada, referese a um trimestre daquele ano). E aí, digase, revelase a falácia contida na tese ora analisada... os rendimentos em questão foram produzidos no ano de 2004 e não em anos anteriores, justamente pela forma de contratação do CDB intentada pelo contribuinte ("pagamento dos juros e da correção monetária por períodos mínimos de 3 (três) meses"), inferível a partir da própria estrutura das DIRFs juntadas ao processo. Não há, no caso vertente, distinção entre os momentos da disponibilização da renda (competência) e pagamento (caixa); pelos elementos constantes dos autos, os fatos geradores do imposto e da obrigação concernente ao fonte ocorreram simultaneamente, no próprio ano de 2004 À toda evidência, as receitas financeiras que deram origem ao IRFonte que compôs o valor do pretenso saldo negativo do IRPJ não foram ofertadas a tributação, seja no ano de 2004 como exposto anteriormente, não é possível, mesmo considerando a anotação "a mão" posta na DIPJ, atestar nem mesmo que parte destes rendimentos tenham sido incluídos no resultado da empresa , seja nos anos anteriores, atraindo para a hipótese o entendimento plasmado na já mencionada Súmula 80, deste CARF, isto é, o IRRF não é, aqui, abatível do montante do imposto apurado. E assim o sendo, como demonstrado no acórdão recorrido, em se desconsiderando o IRRF para a formação do aludido saldo, apurase, em verdade, imposto a pagar, e não um direito creditório qualquer. Não obstante criativas e muito bem construídas as alegações do contribuinte, as provas trazidas ao processo dão conta de sua procedência. III.3 Inovação pela DRJ. Por fim, o contribuinte tangencia uma possível nulidade do acórdão recorrido por pretensa inovação... realmente, a empresa recorrente chega a mencionar que, ao exigir a comprovação do oferecimento das receitas financeiras à tributação, teria desbordado dos limites da decisão proferida pela Unidade Origem (que tinha se calcado, apenas, no problema da indisponibilidade de crédito oriundo do DARF informado no PERDCOMP). Esquecese, todavia, que o contribuinte somente dera notícia da retificação de sua DCTF e da correta origem do direito creditório pleiteado quando da oposição de sua manifestação de inconformidade; assim, quem, realmente, inovou a lide foi o próprio recorrente, e não a DRJ, que apenas se opôs ao novo argumento trazido ao feito. Não haveria, portanto, inovação intentada pela turma a quo. A inovação argumentativa, insistase, adveio da própria manifestação de inconformidade. IV Conclusão. A luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.910055/200961 Acórdão n.º 1302003.525 S1C3T2 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.726272/2016-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.609
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 62 72 /2 01 6- 70 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.726272/201670 Acórdão n.º 3302006.609 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.654. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726272/201670 Acórdão n.º 3302006.609 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726272/201670 Acórdão n.º 3302006.609 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726272/201670 Acórdão n.º 3302006.609 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726272/201670 Acórdão n.º 3302006.609 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.723861/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2010
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana de açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO.
O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR POR EMPRESA VENDEDORA CUJO CNAE NÃO CONSTA ATIVIDADE AGROPECUÁRIA.
O fato da empresa vendedora não possuir CNAE relativo a atividade agropecuária não impede que pelos compradores sejam aproveitados créditos sobre eventuais produtos agropecuários por ela vendidos.
CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NA FASE AGRÍCOLA.
Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados diretamente no processo industrial, como aqueles que alimentam as máquinas agrícolas e que transportam os insumos, peças de manutenção e as próprias máquinas, desde que essenciais à atividade.
CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS.
Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados.
CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE CAPTAÇÃO E TRATAMENTO DE ÁGUA PARA UTILIZAÇÃO NA LAVOURA.
A captação e tratamento da água para utilização da lavoura é essencial para a fase agrícola da atividade industrial da Recorrente, razão pela qual deve ser concedido o crédito a elas referentes.
CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM TRATAMENTO DAS ÁGUAS RESIDUAIS UTILIZADAS NA LAVAGEM DA CANA.
Os Serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, para que se possa por sua vez conhecer detalhes das características da matéria prima a ser utilizada no processo industrial revela-se essencial á fase agrícola do processo industrial, razão pela qual deve ser revertida a glosa para que seja concedido o crédito a elas referentes.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO AGRÍCOLA E INDUSTRIAL E LIMPEZA OPERATIVA.
Os serviços de manutenção agrícola e industrial, bem como aquilo que é denominado por "limpeza operativa" inclusive e especialmente realizados nas balanças de cana revelam-se essenciais à fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam mantidos os créditos.
CUSTOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS ACABADOS APÓS A PRODUÇÃO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os custos de armazenagem do açúcar e do álcool, após a sua produção, subsumem-se ao conceito de operação de venda, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam concedidos os créditos.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições.
ABUSIVIDADE DE MULTA FISCAL - SUMULA CARF 02.
É vedado ao CARF analisar a validade de leis em vigor.
Numero da decisão: 3302-006.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre Carregamento/Reboque de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Desenvolvimento Agronômico, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina de Implementos, Outras Culturas Agrícola, Projeto Sorgo, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Mecanizado, Reboque de Cana, replanta Cana Soca, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Cana, Trato Cana, Trato Planta, Trato da Soca e Vinhaça, despesas com arrendamento agrícola, despesas de óleo diesel utilizado na fase agrícola, bens e serviços inseridos no centro de custo agrícola, captação e tratamento da água para utilização da lavoura, serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, serviços de manutenção agrícola e industrial, limpeza operativa das máquinas, inclusive manutenção das balanças de cana, custos de armazenagem do açúcar e do álcool, peças e componentes de máquinas agrícolas, embalagens de transporte, acessórios para rolamentos, anéis de vedação, barras metálicas, borrachas, cabos de aço, chapas metálicas, cabos diversos, conexões diversos, compressores diversos, filtros, gaxetas, guinchos, mancal, mangueiras e tubos, perfis metálicos, plásticos, pregos, rebits, retentores, rolamentos, tecidos e tubos, produtos químicos utilizados no laboratório agronômico, transporte de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque, transporte de funcionários dentro da unidade fabril, depreciações dos centros de custos agrícolas, depreciações de centro de custos agrícolas, depreciações de esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: armazém de açúcar interno, aguas residuais, balança de cana, central de ar comprimido, expedição, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de meristema, laboratório de teor de sacarose, lavador de veículos e borracharia, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica, posto de abastecimento, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede em relação ao creditamento de transporte de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque e os Conselheiro Walker Araújo, Jorge Lima Abud, Muller Nonato Cavalcanti Silva em relação ao transporte de funcionários dentro da unidade fabril. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões quanto ao crédito sobre despesas de armazenagem, por entenderem ser desnecessária a vinculação a operações de venda.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Müller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana de açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR POR EMPRESA VENDEDORA CUJO CNAE NÃO CONSTA ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. O fato da empresa vendedora não possuir CNAE relativo a atividade agropecuária não impede que pelos compradores sejam aproveitados créditos sobre eventuais produtos agropecuários por ela vendidos. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NA FASE AGRÍCOLA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 38 61 /2 01 3- 88 Fl. 16483DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 3 2 Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados diretamente no processo industrial, como aqueles que alimentam as máquinas agrícolas e que transportam os insumos, peças de manutenção e as próprias máquinas, desde que essenciais à atividade. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados. CRÉDITO SOBRE DESPESAS DE CAPTAÇÃO E TRATAMENTO DE ÁGUA PARA UTILIZAÇÃO NA LAVOURA. A captação e tratamento da água para utilização da lavoura é essencial para a fase agrícola da atividade industrial da Recorrente, razão pela qual deve ser concedido o crédito a elas referentes. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM TRATAMENTO DAS ÁGUAS RESIDUAIS UTILIZADAS NA LAVAGEM DA CANA. Os Serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, para que se possa por sua vez conhecer detalhes das características da matéria prima a ser utilizada no processo industrial revela se essencial á fase agrícola do processo industrial, razão pela qual deve ser revertida a glosa para que seja concedido o crédito a elas referentes. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO AGRÍCOLA E INDUSTRIAL E LIMPEZA OPERATIVA. Os serviços de manutenção agrícola e industrial, bem como aquilo que é denominado por "limpeza operativa" inclusive e especialmente realizados nas balanças de cana revelamse essenciais à fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam mantidos os créditos. CUSTOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS ACABADOS APÓS A PRODUÇÃO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os custos de armazenagem do açúcar e do álcool, após a sua produção, subsumemse ao conceito de operação de venda, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam concedidos os créditos. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados Fl. 16484DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 4 3 insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. ABUSIVIDADE DE MULTA FISCAL SUMULA CARF 02. É vedado ao CARF analisar a validade de leis em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre Carregamento/Reboque de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Desenvolvimento Agronômico, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina de Implementos, Outras Culturas Agrícola, Projeto Sorgo, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Mecanizado, Reboque de Cana, replanta Cana Soca, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Cana, Trato Cana, Trato Planta, Trato da Soca e Vinhaça, despesas com arrendamento agrícola, despesas de óleo diesel utilizado na fase agrícola, bens e serviços inseridos no centro de custo agrícola, captação e tratamento da água para utilização da lavoura, serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, serviços de manutenção agrícola e industrial, limpeza operativa das máquinas, inclusive manutenção das balanças de cana, custos de armazenagem do açúcar e do álcool, peças e componentes de máquinas agrícolas, embalagens de transporte, acessórios para rolamentos, anéis de vedação, barras metálicas, borrachas, cabos de aço, chapas metálicas, cabos diversos, conexões diversos, compressores diversos, filtros, gaxetas, guinchos, mancal, mangueiras e tubos, perfis metálicos, plásticos, pregos, rebits, retentores, rolamentos, tecidos e tubos, produtos químicos utilizados no laboratório agronômico, transporte de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque, transporte de funcionários dentro da unidade fabril, depreciações dos centros de custos agrícolas, depreciações de centro de custos agrícolas, depreciações de esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: armazém de açúcar interno, aguas residuais, balança de cana, central de ar comprimido, expedição, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de meristema, laboratório de teor de sacarose, lavador de veículos e borracharia, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica, posto de abastecimento, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede em relação ao creditamento de transporte de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque e os Conselheiro Walker Araújo, Jorge Lima Abud, Muller Nonato Cavalcanti Silva em relação ao transporte de funcionários dentro da unidade fabril. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Paulo Guilherme Deroulede votaram pelas conclusões quanto ao crédito sobre despesas de armazenagem, por entenderem ser desnecessária a vinculação a operações de venda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. Fl. 16485DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Müller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de lançamento de COFINS e de PIS referente a fatos ocorridos em 2009, originados em fiscalização de compensações e ressarcimentos de créditos das citadas contribuições apuradas no regime não cumulativo. A Recorrente atua, preponderantemente, no campo de fabricação de açúcar e álcool para uso carburante. Analisando os arquivos magnéticos apresentados pela empresa, a fiscalização admitiu que muitos dos itens constantes nas planilhas não estão de acordo com as normas que permitem a apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resultando em uma série de glosas que podem ser assim sintetizadas: AGRÍCOLA. Arrendamento agrícola, Revenda de óleo diesel, Centro de custos identificados, Centro de Custo Agrícola, Centro de Custo não ligado à produção , Centro de custo "não é ins prod ccc", Centros de custos não identificados, Agricola SCC, Combustível não prod, Graxas e lubr não util prod, embalagens, insumos indiretos, não insumo prod, prod quimico não prod, transp interno, portuárias. Notas fiscais ME, Centros de Custos e descrição do Grupo de mercadorias sem identificação, Sem identif, energia, não é locação, depreciação O contribuinte apresentou impugnação tempestiva na qual argumentou que os créditos são referentes a bens e serviços utilizados no seu processo produtivo, ainda que na fase agrícola, razão pela qual se configuram insumos essenciais a produção do açúcar e do álcool. Argumenta que os CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA das propriedades rurais utilizadas para o plantio da cana equivale ao de locação urbana. Defende a utilização do CRÉDITO SOBRE O ÓLEO DIESEL sob o argumento de que é utilizado em maquinário agrícola utilizado na fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool. Quanto à utilização dos créditos de devoluções de óleo diesel, sustenta que tratase de um produto de tributação monofásica e que há direito à manutenção do crédito. Que as despesas das atividades de laboratório são essenciais para o correto cultivo da cana e para a perfeita industrialização da mesma. Que todos os insumos são ligados de forma essencial à produção do açúcar e do álcool. Fl. 16486DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 6 5 Que o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação dos produtos acabados no estabelecimento vendedor são custos para a produção. Que os custos com combustíveis para transporte de resíduos e passageiros são essenciais ao processo produtivo. Que as despesas de energia elétrica foram realizadas em estabelecimentos da contribuinte, com direito a crédito. Que o aluguel e condomínio são créditos em razão de serem utilizadas nas atividades da empresa, pouco importando, segundo a Recorrente, se a atividade exercida no local é industrial, comercial ou administrativa. Sobre os créditos relativos à depreciação das máquinas agrícolas, sustentou que a atividade agrícola é parte integrante do processo produtivo. Insurgese contra a multa de 75%, sob o único argumento de que seria desproporcional e irrazoável e requer diligência. Sobreveio o Acórdão da DRJ que, sinteticamente, apenas considerou como insumos aquilo que sofrem alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em formação. Apresentado Recurso Voluntário no qual foram reiterados os argumentos da impugnação. O processo foi convertido em diligência com o objetivo de: "1. identificar a natureza (descrição do serviço ou bem adquirido, sua finalidade, local de aplicação) dos itens abaixo glosados, especificando a conta contábil a que se refere; 2. Ademais, no que concerne aos centros de custos agrícolas, item IV Glosas, 61.1. cc agrícolas, do Termo de Verificação Fiscal, deve ser realizada a separação entre os custos dos bens e dos serviços aplicados diretamente na produção agrícola; 3. No que se refere aos custos indiretos de produção agrícola e industrial, item V Glosas, 6.1.2 cc não lig prod, 6.1.3 não é ins prod ccc, 6.2.5 insumos indiretos, 6.2.6 não insumo prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se eles integram os custos dos insumos de produção; 4. Em relação aos serviços de transportes nas compras, item IV Glosas, 6.2.8 transporte interno, do Termo de Verificação Fiscal, a separação entre os serviços de transportes de insumos de produção dos demais serviços de transportes (máquinas, equipamentos, trabalhadores, etc.); 5. Em relação aos produtos químicos, item IV Glosas, 6.2.7 prod químico não prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se eles foram aplicados na área de produção agrícola, no setor fabril ou fora desses setores; Fl. 16487DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 7 6 6. Nos encargos de depreciação, , item IV Glosas, 7.2 não utiliz prod, do Termo de Verificação Fiscal, informar se os bens foram registrados no ativo imobilizado ou não, assim como se são bens de produção ou utilizados nas demais atividades da empresa. 7. Para a realização do trabalho, a fiscalização poderá solicitar as informações necessárias ao atendimento da diligência; 8. Que a contribuinte seja cientificada dessa decisão e do relatório final do resultado da diligência e possa, em cada caso, apresentar sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF." A Recorrente manifestouse acerca do referido laudo às efls. 11.041 e seguintes, discorrendo sobre cada glosa, no que assim pode ser sintetizado: Em relação ao conceito de insumos, a Recorrente sustenta que regese pela essencialidade e relevância, razão pela qual todos os bens apresentados gerariam créditos. Quanto à diligência, afirma que as planilhas que acompanharam o Termo de Verificação Fiscal não colaboram para a solução do problema, havendo muitas despesas dentro de um mesmo centro de custos. No que diz respeito às despesas alocadas em "Agrícolas", a Recorrente sustenta que os valos que suspostamente apenas transitaram pelo passivo efetivamente devem ser computadas como custo. Insurgese contra o fato da fiscalização haver partido da premissa de que o processo produtivo apenas tem início com a transformação da cana de açúcar no engenho, excluindo toda a área agrícola do processo produtivo, sustentando que todos os bens e serviços das etapas produtivas devem ser consideradas no processo produtivo, inclusive os centros de custo mencionados como administração e alojamento agrícola Alega que os centros de custo “7.1.1. c c agrícola, 7.1.2 cc não lig prod, 7.1.3 não é ins prod ccc”, 7.2 Centros de Custos não identificados, 7.2.5 insumos indiretos, 7.2.6 não insumo prod, 7.2.7 transporte interno e 7.2.8 portuarias – NOTAS FISCAIS ME, 8.2. Depreciação não utiliz prod” integram o processo produtivo da Recorrente. Defende que o centro de custo "7.1.1. c c agrícola", em relação ao qual a Diligência determinou a separação entre os custos dos bens e dos serviços aplicados diretamente na produção agrícola, são aplicados diretamente na produção agrícola, eis que são peças ou serviços utilizados na produção agrícola. Entende que os itens constante do centro de custo "7.1.1 cc não lig prod" são relativos armazens, tratamento de águas residuais, serviços com laboratórios de análises de solo, material de manutenção de máquinas, e balanças, que segundo a Recorrente integram o processo produtivo. Fl. 16488DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 8 7 Defende que o centro de custo "7.1.3 não e ins prod ccc", tratado pela própria fiscalização como peças de maquinas agricolas ou serviços de coleta e transporte de resíduos e lixos gera crédito por integrar o processo produtivo. Sustenta que o centro de custo "7.2.5 insumos indiretos" geram créditos eis que referemse a produtos utilizados nas edificações da indústria (barras, chapas, tubos metálicos, perfis estruturais metálicos) ou de pequenos componentes de veículos como rolamentos rebites e grampos. Argumenta que o centro de custo “7.2.6 não insumo prod” geram créditos eis que são materiais de laboratório ou produtos químicos para análise ou tratamento de água e transformadores, e para limpeza de equipamentos industriais Aduz que o centro de custo “7.2.7 transporte interno”, que a diligência determinou que fossem separados os transportes de insumos dos demais transportes, a Recorrente entende que tratamse de despesas com o transporte do açucar dentro das diversas instalações da usina. Afirma que o centro de custo “8.2 não utiliz prod” referese a maquinas como esmerilhas, talhas, agitadores, amostra, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densímetros, desfibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc. (...)" (fl. 29 do TVF) Em relação a estes itens, a Resolução que determinou a diligência determinou a apuração se foram registrados no ativo imobilizado ou não, assim como se são bens de produção ou utilizados nas demais atividades da empresa. ESTA INFORMAÇÃO NAO EXISTE. A Recorrente reitera os argumentos acerca de bens e serviços que não foram objeto da diligência. I. DESPESAS COM ARRENDAMENTO AGRÍCOLA ITEM 2. II. DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE CANA ITEM 3 III. ÓLEO DIESEL UTILIZADO NAS MÁQUINAS AGRÍCOLAS E CAMINHÕES IV. CENTRO DE CUSTO NÃO IDENTIFICADO AGRÍCOLA V. CENTRO DE CUSTO NÃO IDENTIFICADO COMBUSTÍVEL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS COMB N PROD. VI. CENTRO DE CUSTO NÃO IDENTIFICADO LUBRIFICANTES E GRAXAS. VII. CENTRO DE CUSTO NÃO IDENTIFICADO EMBALAGEM DE TRANSPORTE. VIII. CENTRO DE CUSTO NÃO IDENTIFICADO DESPESAS PORTUÁRIAS para armazenamento de açúcar e alcool produzido. Fl. 16489DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 9 8 IX. ENERGIA consumidas em 2010 mas cujas notas foram emitidas em 2011. X. ALUGUEL DE BENS utilizados na fase agrícola. XI. GLOSAS DE DEPRECIAÇÃO de bens utilizados na área agrícola. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. 1. Admissibilidade O Recurso é tempestivo, a matéria é de competência do presente colegiado razão pela qual dele conheço. 2. Mérito Sinteticamente, tratase de Recurso Voluntário no bojo do qual analisase o direito à glosa de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos, na produção de álcool e açúcar, bem como da imposição de multa. 2.1. Conceito de CUSTO e DESPESA e o creditamento de PIS e COFINS Em seu tópico "III O DIREITO" a Recorrente discorre acerca do conceito de insumos e o direito aos creditamento. 2.2. Conceito de CUSTO e DESPESA e o creditamento de PIS e COFINS. Acerca do conceito de insumo, principalmente no âmbito deste colegiado, adoto e transcrevo o recente voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède no processo 13656.721092/201597. "Relativamente à definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção Fl. 16490DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 10 9 de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 16491DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 11 10 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 16492DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 12 11 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: Fl. 16493DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 13 12 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, que defendeu, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Todavia, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE Fl. 16494DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 14 13 PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Fl. 16495DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 15 14 Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR O Ministrorelator adotou as razões expostas no voto da Ministra Regina Helena Costa: "Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. No caso em tela, observo tratarse de empresa do ramo alimentício, com atuação específica na avicultura (fl. 04e). Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Fl. 16496DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 16 15 Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI." As teses propostas pelo Ministrorelator foram: 43. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Fl. 16497DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 17 16 O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...] 64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003;e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Fl. 16498DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 18 17 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. V Encaminhamentos 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Fl. 16499DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 19 18 Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de Fl. 16500DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 20 19 bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de srvilos (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço mal sucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Destarte, embora ainda pendente de julgamento de embargos de declaração, dada a edição da Nota SEI nº 63/2018, adoto a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, nos termos do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Assim, as premissas estabelecidas no voto do Ministrorelator foram: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Fl. 16501DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 21 20 Com base nestas premissas, o julgado afastou a tese restritiva da Fazenda Nacional, bem como a tese ampliativa lastreada no IRPJ, como sendo todas os custos e despesas necessárias às atividades da empresa. Ainda, no caso concreto analisado, foram afastados os creditamentos sobre alguns gastos gerais de fabricação e sobre as despesas comerciais. Considero que o critério da essencialidade não destoou significativamente do entendimento que vinha sendo por este relator, especificamente no que concerne a afastar o creditamento sobre as despesas operacionais das empresas como inseridas na definição de insumo. Por outro lado, o critério da relevância abre espaço para que determinados custos, ainda que não essenciais (intrínsecos, inerentes ou fundamentais ao processo) possam gerar créditos por integrar o processo de produção, seja por singularidades da cadeira produtiva, seja por imposição legal. A partir das considerações acima, afasto a tese da recorrente de que todos os custos e despesas necessários à obtenção das receitas gerariam créditos das contribuições, o que equivaleria, em outros termos, à tese do IRPJ, ou seja, todos os custos e despesas operacionais dedutíveis para o IRPJ gerariam créditos da contribuições. Assim, despesas operacionais, como as administrativas e de vendas, embora necessárias à recorrente para exercer suas atividades em geral, não se enquadram no normativo de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos da decisão proferida no REsp 1.221.170/PR." Estabelecidas estas premissas, é de se iniciar a análise dos pontos controvertidos. 2.3. Despesas agrícolas (item III.1 do RV) As referidas "despesas agrícolas", conforme o TVF (efls. 62) são gastos incorridos nas atividades agrícolas da empresa, verbis: "Contem despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transporte da cana de açúcar e serviços gerais na lavoura. Não foram aceitas como base de créditos por estarem todas vinculadas aos centros de custos agrícolas identificados como: Administração, Alojamento Agrícola, Carregamento/Reboque de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Desenvolvimento Agronômico, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina de Implementos, Outras Culturas Agrícola, Projeto Sorgo, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Mecanizado, Fl. 16502DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 22 21 Reboque de Cana, replanta Cana Soca, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços, Habitação, Transporte Cana, Trato Cana, Trato Planta, Trato da Soca e Vinhaça." O próprio TVF afirma que a motivação da realização das glosas é o fato delas serem referentes à lavoura de cana de açúcar, verbis: "Verificase que todos os itens constantes na planilha “agrícola” são dispêndios ocorridos com a lavoura da cana de açúcar, não podendo ser considerados serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e do álcool. Foram apresentados e glosados os seguintes totais mensais." (efls 63. Grifos não constantes do original) Tratandose de uma empresa que se dedica ao cultivo da cana de açúcar para a fabricação do açúcar e do álcool, portanto agroindustrial, aliás, em conformidade com o seu contrato social e com o laudo técnico trazido aos autos, os bens e serviços da fase agropecuária devem ser admitidos como custos da atividade produtiva. Análise análoga foi realizada por este colegiado no dia 25.09.2018 quando do julgamento do já referido processo 10880.733462/201163, ocasião na qual foi reconhecido o direito a crédito relativo a fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool. Mantendo o entendimento já esposado no supra referido julgamento, admite se que a glosa imposta pela fiscalização deve ser revertida em relação aos bens e serviços vinculados aos centros de custo: Carregamento/Reboque de Cana, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Desenvolvimento Agronômico, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina de Implementos, Outras Culturas Agrícola, Projeto Sorgo, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Mecanizado, Reboque de Cana, replanta Cana Soca, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Cana, Trato Cana, Trato Planta, Trato da Soca e Vinhaça, Entendo que faz direito ao crédito os bens e serviços vinculados aos centros de custo administração, alojamento agrícola, serviços auxiliares çe serviços habitação. 2.4. Despesas com Arrendamento Agrícola (item III.2 do RV) Em relação às despesas com arrendamento agrícola realizadas por empresas dedicadas à agroindústria, já é pacífico neste Colegiado o entendimento de que tratamse de insumos, merecendo destaque o Acórdão n. 3403002.318, proferido em 25.06.2013, de relatoria do I. Conselheiro Ivan Alegretti; e que perdura atual, conforme ilustra o já mencionado acórdão 3302.005.844 proferido no processo 10880.733462/201163, segundo o qual o arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por estes motivos, entendese que o arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas e de coligadas se caracterizarem como custos essenciais do processo produtivo, devendo ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 16503DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 23 22 2.5. Créditos de despesas com Óleo diesel (item III.4.4 do RV, item 4 do TVF ) A Recorrente insurgese contra a glosa de créditos por ela apurados em razão do combustível haver sido utilizado na fase agrícola, o que faz a partir da premissa de que a fase agrícola não comporia o processo produtivo, e que a industrialização dos produtos finais utilizaria apenas o vapor obtido da queima do bagaço da cana e de eletricidade, verbis: "Composta por notas fiscais de venda de óleo diesel, que são descontadas dos créditos nas aquisições de óleo diesel, devido à impossibilidade da identificação no momento da aquisição do óleo. A empresa adquire óleo diesel de acordo com as notas fiscais de entrada constantes na planilha “Notas Fiscais” e, revende parte desse combustível, emitindo notas fiscais de saída com CFOP 5656 ou 6656 (venda de combustível ou lubrificante, adquiridos ou recebidos de terceiros, destinados ao consumidor ou usuário final). O óleo diesel é combustível consumido pelas máquinas agrícolas, na cultura da cana de açúcar, e pelos caminhões, no transporte desta até a usina, portanto não é combustível utilizado na produção do açúcar e do álcool. A indústria utiliza se do vapor d’água, gerado com a queima do bagaço da cana para mover picadores, desfibradores, moendas, destilarias, etc, bem como de energia elétrica necessária em vários setores da indústria. Dessa forma as aquisições de óleo diesel foram glosadas na planilha “Nota Fiscal” e como consequência não foram consideradas as deduções na base de créditos dos totais da planilha “óleo diesel”. Com fundamento no Laudo Técnico a Recorrente alega a essencialidade do óleo diesel na fase agrícola do processo produtivo, eis que ele é o combustível que movimenta as máquinas agrícolas em geral e os caminhões necessários ao cultivo e colheita da cana, o que somente pode ser desconsiderado na hipótese de se desconsiderar a fase agrícola como fase do processo produtivo. Efetivamente, geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados diretamente no processo industrial, como aqueles que alimentam as máquinas agrícolas e que transportam os insumos, peças de manutenção e as próprias máquinas, desde que essenciais à atividade, razão pela qual é de se dar provimento ao Recurso Voluntário, no que diz respeito a este ponto. 2.6. Créditos de devoluções de óleo diesel (item III.4 do RV) A Recorrente insurgese contra o fato da fiscalização haver glosado os créditos oriundos da devolução de óleo diesel, sob o argumento de que se trataria de produto de tributação monofásica, amparandose no artigo 3º, parágrafo 18 da Lei n. 10.833/03, que por sua vez afirma: " Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 16504DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 24 23 §18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§1º e 2º do art. 2º desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução do mês. Com fundamento em tal dispositivo legal, a DRJ entendeu que "Em suma, se não houve tributação na operação de revenda do óleo diesel, não há que se falar em alíquota incidente na venda para cálculo de eventual crédito na devolução" A Recorrente sustenta que o artigo 17 da lei n. 11.033/2004, editada um ano depois, autorizaria sua pretensão nos seguintes termos: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção e alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Contudo, como bem ressaltado pela DRJ, se o produto não está sujeito à tributação na revenda praticada pela contribuinte, por se tratar de tributação monofásica, sua devolução não dará direito a crédito, e se não houve tributação na operação de revenda do óleo diesel, não há de se falar em alíquota incidente na venda para cálculo de eventual crédito da devolução. Efetivamente, o mencionado artigo 17 da Lei 11.033/2004 aplicase tão somente aos contribuintes beneficiários do regime REPORTO e em relação à venda do óleo diesel, enquanto o caso ora sob exame diz respeito à devolução de revenda anteriormente realizada. Por estes motivos é de se aplicar o parágrafo 18 do artigo 3º da já mencionada lei 10.833/2003, razão pela qual voto no sentido de, em relação a este ponto, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.7. Glosas realizadas por Centros de Custo. Quando da fiscalização foram glosados créditos com base em centros de custos, verbis: "Foram selecionados os itens vinculados a centros de custos que não estão ligados diretamente com a produção, não podendo ser considerados bens e serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e álcool. São aquisições utilizadas na área agrícola, setores administrativos da empresa ou de apoio, não ligados diretamente com a fabricação dos produtos destinados à venda." Estes centros de custos serão analisados individualmente a partir deste momento. 2.7.1. Créditos de notas fiscais e notas fiscais ME. (Item III.5 do RV) Fl. 16505DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 25 24 A Recorrente insurgese contra a desconsideração, pela fiscalização, de créditos relativos a bens e serviços empregados na atividade agrícola, ou seja, insumos do processo produtivo, que serão a seguir detalhados. 2.7.1.1. Centro de Custo Agrícola (CC Agrícola Item III.4.5.1 do RV e 7.1.1 do TVF) Neste centro de custo foram glosadas despesas vinculadas a diversos centros de custos referentes à fase agrícola, resumidamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e caminhões ou diretamente na lavoura, que a fiscalização e a DRJ entenderam não compor o processo produtivo. Partindose da premissa de que tratamse de bens e serviços ligados à fase agrícola, em conjunto com a premissa de que a fase agrícola compõe o processo produtivo da Recorrente, o que se faz com fulcro no Laudo Técnico, razão pela qual não há como negar o direito de utilização do crédito a eles referentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito a este argumento. 2.7.1.2. Centro de Custo não ligado à produção. Item "6.1.2 cc não lig prod" A fiscalização lavrou o Auto de Infração glosando despesas sob alegação de que não estariam ligadas diretamente à produção, como: "administração, almoxarifado, recebimento, assistência social, expedição, incentivo vale transporte, águas residuais, armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno, balança de cana, borracharia, captação de água, central de ar comprimido, laboratório industrial / microbiológico, laboratório de meristema, laboratório teor sacarose, limpeza operativa, manutenção conservação civil, manutenção mecânica oficina elétrica, oficina mecânica e tratamento de água" A DRJ glosou as despesas ligadas a estes custos, seja em razão de serem custos administrativos como de serem despesas não ligadas diretamente à produção de açúcar e álcool. Acerca deste tópico é necessário dividir em espécies e estabelecer algumas premissas. 2.7.1.2.1. Custos Administrativos: Administração, almoxarifado/recebimento, assistência social, expedição, incentivo vale transporte e administração de pessoas. Estes custos, por dizerem respeito à área administrativa e pelo fato da Recorrente não haver de desincumbido do ônus de demonstrar a essencialidade ao processo produtivo, não geram créditos, razão pela qual deve ser mantida a glosa. 2.7.1.2.2. Captação e tratamento da água para utilização na lavoura e na lavagem da cana. Fl. 16506DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 26 25 A captação e tratamento da água para utilização da lavoura é essencial para a fase agrícola da atividade industrial da Recorrente, razão pela qual deve ser revertida a glosa para que seja concedido o crédito a elas referentes. 2.7.1.2.3. Tratamento das águas residuais utilizadas na lavagem da cana. O tratamento das águas residuais utilizadas na lavoura de cana é relevante à fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool que, inclusive, decorre de imposição legal, razão suficiente para que seja revertida a glosa e concedido o crédito a elas referentes, tratamento de Efluentes, Parecer Normativo 02/2018. 2.7.1.2.4. Serviços de laboratório agronômico que afere aspectos do solo e da cana, para que se possa conhecer detalhes das características da matéria prima. Os Serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, para que se possa por sua vez conhecer detalhes das características da matéria prima a ser utilizada no processo industrial revelase relevante á fase agrícola do processo industrial, razão pela qual deve ser revertida a glosa para que seja concedido o crédito a elas referentes. 2.7.1.2.5. Serviços de manutenção agrícola e industrial e limpeza operativa das máquinas, inclusive manutenção das balanças de cana. Os serviços de manutenção agrícola e industrial, bem como aquilo que é denominado por "limpeza operativa" inclusive e especialmente realizados nas balanças de cana revelamse essenciais à fase agrícola da industrialização do açúcar e do álcool, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam mantidos os créditos. 2.7.1.3. Custos de armazenagem de produtos acabados, após a produção, na operação de venda. Os custos de armazenagem do açúcar e do álcool, após a sua produção, subsumemse ao conceito de operação de venda, razão pela qual devem ser revertidas as glosas para que sejam concedidos os créditos. 2.7.1.4. Peças e componentes de máquinas agrícolas (Item 6.1.3 "não é ins proc cc" parágrafo 73 do RV e Item 6.2.1 "Agrícola scc" parágrafo 75 do RV) As peças e componentes que integram este centro de custos são utilizadas em na lavoura razão pela qual é de se manter os créditos. 2.7.2. Glosas de créditos em relação a Embalagens "6.2.4 embalagens" parágrafo 83 do Recurso Voluntário. A autoridade fiscal não considerou os créditos referentes a embalagens. Fl. 16507DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 27 26 A Recorrente argumenta que as embalagens são custos indispensáveis à produção da Recorrente, enquadrandose no conceito de insumos de que tratam as leis 10.637/02 e 10.833/03. Efetivamente, este Colegiado possui entendimento de que "... no âmbito do regime não cumulativo, independente de serem de apresentação ou transporte, os materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, são considerados insumos de produção e, nessa condição geram créditos básicos das referidas contribuições." merecendo transcrição fragmento do lapidar voto proferido nos autos do processo 13804.002611/200500 no qual foi proferido o Acórdão 3302 005.548. Rel. Cons. Paulo Guilherme Déroulède, Sessão de 19 de junho de 2018. "Por sua vez, a recorrente aduz que tanto as embalagens de transporte quanto de apresentação e que a distinção não se presta para aferição da possibilidade de creditamento. Venho fazendo distinção entre embalagens destinadas meramente ao transporte daquelas destinadas não só ao transporte, mas também à manutenção da qualidade do produto a ser vendido. Porém, curvome ao entendimento deste colegiado, que, reiteradamente, vem adotando a posição majoritária de conceder créditos sobre materiais de embalagem destinados também a transporte, bem como outras turmas julgadoras deste conselho e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3302004.890: CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. Acórdão 3201003.454: EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos, estão elencados dentre as despesas que dão direito ao aproveitamento de créditos da Cofins. Acórdão nº 3402004.880: CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA PARA TRANSPORTE. AQUISIÇÃO E REPAROS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Fl. 16508DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 28 27 Apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda, de modo que é indispensável e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está relacionado à atividade da Recorrente, dando direito ao crédito como insumo do processo produtivo. Acórdão nº 9303006.068: COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. De fato, a distinção entre embalagens de apresentação e embalagens de transporte é própria do IPI e importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem (artigo 3º da Lei nº 4.502/1964), ou seja, situações que em nada se assemelham à tratada nas legislações do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. Salientase que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicamse os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 16509DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 29 28 Por outro lado, as INs SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º, ao disporem sobre o conceito de insumo, não distinguiram embalagem para apresentação de material para transporte. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa sobre gás nitrogênio, tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon, estrados de madeira (pallets) e caixas de papelão, mencionados no Quadro VII Insumos Glosados da efl. 474." Assim, conclusivamente, é de se dar provimento ao presente Recurso Voluntário para no que diz respeito ao aproveitamento dos créditos de embalagens. 2.7.3. Glosas de créditos em relação ao item "6.2.5 insumos indiretos" parágrafo 88 do Recurso Voluntário. A Recorrente sustenta direito a crédito referentes a diversos itens que foram glosados pela fiscalização, sob o argumento de que são empregados em maquinários e equipamentos utilizados no processo produtivo. "acessórios para rolamentos, anéis de vedação, barras metálicas, borrachas, cabos de aço, chapas metálicas, cabos diversos, conexões diversos, compressores diversos, filtros, gaxetas, guinchos, mancal, mangueiras e tubos, perfis metálicos, plásticos, pregos, rebites, retentores, rolamentos, tecidos e tubos." Efetivamente, todos estes bens estão relacionados diretamente ao processo produtivo ou relacionados a máquinas essenciais ao processo produtivo, razão pela qual em relação a ele deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. 2.7.4. Glosas de créditos em relação ao item "6.2.7 prod químicos não prod", parágrafo 96 do Recurso Voluntário e parágrafo 24 da manifestação pós diligência. A Recorrente sustenta que os produtos químicos de que trata este item são ligados ao processo produtivo eis que se destinam diretamente ao processo produtivo, com maior intensidade na fase agrícola, o que se encontra corroborado no Laudo Técnico. Os Serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, para que se possa por sua vez conhecer detalhes das características da matéria prima a ser utilizada no processo industrial revelase essencial á fase agrícola do processo industrial, razão pela qual deve ser revertida a glosa para que seja concedido o crédito a elas referentes. 2.7.5. "Serviços de transporte de carga pessoa jurídica" item 6.2.8 do Auto de Infração transporte interno e item 6.2.9 do Auto de Infração portuárias notas fiscais ME. Parágrafo 98 do Recurso Voluntário. A Recorrente insurgese contra a desconsideração dos créditos relativos a dois itens que serão tratados a seguir. Fl. 16510DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 30 29 O item 6.2.8. "transporte interno" por sua vez foi assim tratado no Auto de Infração: "6.2.8 transporte interno Notas fiscais identificadas em “descrição grupo mercadoria” serviços transporte de carga pessoa jurídica e constando como materiais: serviço de frete depósito mi e diárias de caminhões usina me. As despesas são pagamentos de diárias de caminhões, sem previsão legal para apropriação de créditos. Existe direito ao credito quando se tratar de fretes ligado necessariamente a uma operação de venda, que não é o caso. Dessa forma, a movimentação de mercadorias entre os estabelecimentos, ou de produtos acabados dentro da industria, não geram créditos." Em relação ao item "6.2.8 transporte interno", é importante destacar que se trata de um dos "centros de custos não identificados" e que dizem respeito tanto a fretes de insumos como a frete na operação de venda, movimentação de mercadorias entre estabelecimentos ou de produtos acabados. O item 6.2.8 transporte interno", foi objeto de menção no Relatório de Diligência que assim concluiu: As glosas “6.2.8 transporte interno” (“4”) tratase de empresas prestadoras dos serviços de transporte do açúcar para exportação ou para o mercado interno. A razão da glosa é a identificação feita pela Cosan de pagamentos de diárias de caminhões, diferentemente das despesas do transporte do açúcar na operação de venda identificadas como “serviço frete rodoviário me pj” ou “serviço frete rodoviário mi pj”, estas não glosadas. Essas diárias de caminhões na usina são pagas para transporte do açúcar dentro das diversas instalações da usina, como por exemplo para armazenagem. Portanto, tratase de serviços de transportes do produto acabado, geralmente para o seu armazenamento e posterior embarque para envio aos destinatários das vendas. (destaques nossos) Tratandose, portanto, de serviços de transportes de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.7.6. Transporte de funcionários (item 113 do Recurso Voluntário) Em seu Recurso Voluntário a Recorrente sustenta o direito ao crédito em relação ao transporte de empregados (item 113 do Recurso Voluntário) No que diz respeito a este ponto, vale destacar o Voto Vencedor elaborado pelo I. Conselheiro Diego Weis Junior no Acórdão 3302005.844, no dia 25 de setembro de 2019, que adoto e transcrevo. "Na mesma toada, os gastos com transporte de funcionários entre os diferentes pontos da unidade produtivo da recorrente se afiguram como essenciais ao processo produtivo, vez que viabilizam a realização das atividades necessárias ao fabrico em suas diferences etapas. No mesmo sentido se concluiu ao analisar o transporte de funcionários dentro da unidade fabril Fl. 16511DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 31 30 sob a ótica da relevância do gasto ao processo produtivo da recorrente. Isso porque, a disponibilização da mão de obra no local onde é necessária para a realização da produção afeiçoa se imprescindível à qualidade e capacidade produtiva da Recorrente." Pelos motivos já expostos, é de se dar provimento ao Recurso Voluntário neste aspecto. 2.7.7. Aquisição de fertilizantes, combustíveis, transporte de resíduos e passageiros (item 6.3.1 "sem identif", item 114 do Recurso Voluntário). Este item diz respeito as despesas sem identificação. Algumas das quais foi possível vislumbrar a sua natureza pela razão social do fornecedor, mas outras não, conforme evidenciado no Auto de Infração. "6.3.1 sem identif As despesas sem a possibilidade de identificação não foram aceitas. Através da razão social do fornecedor foi possível manter as aquisições de produtos químicos utilizados na produção, bagaço de cana, levedura e transportes de açúcar e álcool. Foram glosadas as demais despesas sem possibilidade de identificação ou por se tratar de aquisições de fertilizantes, combustíveis, transportes de resíduos e passageiros, que foram objeto de glosas nas analises descritas anteriormente." A Recorrente argumenta que são todas despesas inerentes ao processo produtivo do açúcar e do álcool, inclusive da fase agrícola, mas deixou de demonstrar a sua essencialidade e indispensabilidade ao processo produtivo, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito a estes pontos suscitados. 2.7.8. Custos de Energia. (rubricas 6.3.2 e rubrica 6.4.1 não é locação Parágrafo 115 do RV) A rubrica 6.3.2 diz respeito à inclusão na base de cálculo dos créditos de notas fiscais emitidas em 2011 de despesas ocorridas em 2009, que não foram contabilizadas tempestivamente. "Foram incluídas na base de cálculo dos créditos notas fiscais emitidas pela empresa Cosan S/A Bioenergia – CNPJ 07.362.852/000410, localizada na Rua do Engenho s/n – Área de Cogeração da agroindústria, no município de Rafard, referente a fornecimento de energia elétrica e vapor bioenergia, para o estabelecimento da Cosan – 50.746.577/003726, com endereço na Rua do Engenho s/n, Rafard. Também constam na base de cálculo dos créditos notas fiscais da Cosan S/A Bioenergia – CNPJ 07.362.852/000330, localizada no Bairro Costa Pinto – Área Cogeração da agroindústria, Piracicaba, emitidas para o estabelecimento 50.746.577/002916, Bairro Costa Pinto – Piracicaba. Essas notas têm como data de emissão o dia 31/03/2011 para despesas ocorridas no ano de 2.009, não contabilizadas como despesas pela Cosan neste ano. Fl. 16512DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 32 31 Também foram consideradas como base de cálculo dos créditos despesas apropriadas nos centros de custos “Geração de EnergiaTurbo Gerador – COPI” e “Geração Vapor Caldeira – RAF”, se tratando das unidades geradoras de energia, respectivamente, da Usina Costa Pinto e a Usina de Rafard. No mesmo local estão os estabelecimentos da Cosan S/A Bioenergia e as unidades geradoras de energia das usinas da Cosan S/A Indústria e Comércio. Segundo o inciso II do § 1º do artigo 3º da Lei 10.833/03, o crédito será apurado sobre as despesas de energia elétrica incorrida no mês. Dessa forma, essas aquisições de energia, não podem ser utilizadas para fins de créditos em razão de não estarem apropriadas na contabilidade da Cosan, nos respectivos meses, além da forma que as notas fiscais foram emitidas, todas no mesmo dia, referindose á vendas feitas há mais de dois anos, e ainda apropriouse de despesas com geração de energia, considerando as unidades geradoras como um centro de custo das usinas." A Recorrente sustenta que apesar das notas fiscais haverem sido emitidas posteriormente, os créditos foram apropriados no mesmo período em que foram realizadas as despesas, e que o equívoco não passou do descumprimento de uma obrigação acessória, que não tem como condão impedir o aproveitamento do crédito. Efetivamente, tratandose de créditos tributários, é ônus processual de quem pretende utilizar o crédito demonstrar, de forma inequívoca, a sua liquidez e certeza, e de que não tomou crédito oportunamente, o que não ocorreu em relação a estes créditos, razão suficiente para que seja, neste aspecto, negado provimento ao presente Recurso Voluntário. 2.7.9. OUTRAS DESPESAS COMO PALANQUES, CIRCO, MARIONETES ETC. Rubrica 6.3.1 do Auto de Infração, parágrafo 115 do Recurso Voluntário. A Rubrica 6.4.1, tratada no parágrafo 116 do Recurso Voluntário diz respeito a DESPESAS MANTIDAS, nas quais a fiscalização manteve todos os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, tendo sido glosadas despesas que não demonstram relação de essencialidade com a industrialização do açúcar e do álcool, segundo o Auto de Infração. "Todos os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa foram aceitos. Selecionouse na planilha todas as locações, não sendo aceitas os agenciamento de publicidades, aluguel de palco, artefatos de tapeçaria, áudio e vídeo, bebidas, circo e marionetes, plantas de flores, condomínio, corretagem de aluguel de imóveis, eventos como filmagens, shows pirotécnicos, buffet, shows musicais, funerária, gelo, hotel e incorporação imobiliária, por entender que estes pagamentos não estão ligados ás atividades da empresa." No referido parágrafo 116 do Recurso Voluntário a Recorrente limitase a afirmar que o artigo 3, IV da Lei 10.833/03 não estabelece qualquer distinção entre o tipo de atividade que deve ser desenvolvida no local. Fl. 16513DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 33 32 Como já manifestado anteriormente, o critério para o aproveitamento dos créditos é da essencialidade ao processo produtivo, e que o ônus de demonstrar a referida essencialidade é do contribuinte que pretende utilizar o crédito, no que a Recorrente não se desincumbiu, no caso concreto. Por este motivo, em relação a este tópico é de se negar provimento ao recurso voluntário. 2.7.10. Créditos relativos a depreciação. (Rubrica 7 do Auto de Infração, parágrafos 119 e seguintes do Recurso Voluntário) A fiscalização tratou a depreciação na rubrica 7, que por sua vez é dividida entre "depreciações agrícolas" (7.1) e "depreciações não utilizadas na produção" (item 7.2) e que devem ser analisadas separadamente. 2.7.10.1. Depreciações dos Centros de Custos Agrícolas. Em relação à rubrica agrícola trabalhada no item 7.1 do Auto de Infração, assim entendeu a fiscalização: Foram glosadas as depreciações de colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semi reboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, motoniveladoras, motores, pá carregadeiras, transceptores, etc, todos vinculados aos seguintes centros de custos: administração e controle agrícola, balsa, captação de água, colhedeira de cana picada, colheita de cana, comboio de abastecimento, desenvolvimento agronômico, estaleiro, estradas/cercas/pontes, implementos agrícolas, manutenção de campo, mecanização plantio mecanizado, manutenção de campo, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas, mecanização plantio mecanizado, meio ambiente, oficina de manutenção de colhedora, oficina mecânica tratores, oficina de implementos, oficina mecânica veículos, plantio mecanizado, portos, reboque, serviços de tratos culturais, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícolas, topografia, transporte agrícola, transporte agrícola colheita e vinhaça. Pela leitura do Auto de Infração é possível aferir que o motivo para a glosa da depreciação dos bens ligados à atividade agrícola foi o entendimento, por parte da fiscalização, de que esta fase não guardaria relação com a industrialização, inteligência esta que este Colegiado respeitosamente diverge por já demonstradas razões, razão pela qual é de se dar provimento a este tópico do Recurso Voluntário para reverter as glosas de depreciações dos centros de custos agrícolas, mantendose a glosa das depreciações relativas aos bens ligados à administração. 2.7.10.2. Depreciações "não utiliz prod.". A rubrica 7.2 trata de glosas de equipamentos que a fiscalização admitiu que não eram essenciais ao processo produtivo Fl. 16514DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 34 33 Foi determinada diligência com o objetivo de que fosse esclarecido se as glosas acima foram registradas no ativo imobilizado, tendo assim respondido no "Termo de Diligência" Em “6” pedese informar se os bens glosados com o motivo “7.2 não utiliz prod” foram registrados no ativo imobilizado ou não e se são bens de produção ou utilizados nas demais atividades da empresa. Não são bens de produção. Com base na vinculação do centro de custo feito pela empresa e da natureza do bem, tratam se instrumentos, aparelhos, peças ou partes de equipamentos utilizados em laboratórios, tratamento de águas, operações de limpeza, na área da saúde e segurança do trabalho para atendimento de funcionários e na área administrativa, equipamentos de informática, portanto utilizados em atividades diversas das ligadas à produção. No “Anexo VII Depreciação” do Termo de Verificação Fiscal os bens estão identificados com o respectivo número do registro no imobilizado da empresa." Considerandose a relação dos referidos bens com a atividade produtiva, levando em consideração que o Termo de Diligência concluiu que os bens cujos créditos foram glosados integram o ativo imobilizado e são utilizados em diversas áreas da empresa, dou provimento ao Recurso tão somente em relação aos seguintes itens, as esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: armazém de açúcar interno, aguas residuais, balança de cana, central de ar comprimido, expedição, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de meristema, laboratório de teor de sacarose, lavador de veículos e borracharia, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica, posto de abastecimento. Contudo, também merece destaque o fato de que os equipamentos de informática utilizados na área administrativa não são aptos a gerar o mencionado crédito. 2.8. IRRAZOABILIDADE, CONFISCATORIEDADE ABUSIVIDADE E EXORBITÂNCIA DA MULTA DE 75% APLICADA . A recorrente insurgese contra a aplicação da multa de 75% contra si lançada, sob o argumento de que seria irrazoável, confiscatória, abusiva e exorbitante, todas matérias que não podem ser apreciadas por este colegiado por força da Súmula CARF n. 02, segundo a qual é vedado ao CARF analisar a validade das leis. 3. DISPOSITIVO. Conclusivamente, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o creditamento sobre Carregamento/Reboque de Cana, Colhedeira Fl. 16515DF CARF MF Processo nº 10880.723861/201388 Acórdão n.º 3302006.737 S3C3T2 Fl. 35 34 de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Picada, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Terceirizada, Corte Mecanizado Cana Administrada, Corte Mecanizado Cana Fornecedores, Desenvolvimento Agronômico, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina de Implementos, Outras Culturas Agrícola, Projeto Sorgo, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Portos, Preparo do Solo, Preparo e Plantio Mecanizado, Reboque de Cana, replanta Cana Soca, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Cana, Trato Cana, Trato Planta, Trato da Soca e Vinhaça, despesas com arrendamento agrícola, despesas de óleo diesel utilizado na fase agrícola, bens e serviços inseridos no centro de custo agrícola, captação e tratamento da água para utilização da lavoura, serviços de laboratório agronômico por meio do qual se aferem aspectos do solo e da cana, serviços de manutenção agrícola e industrial, limpeza operativa das máquinas, inclusive manutenção das balanças de cana, custos de armazenagem do açúcar e do álcool, peças e componentes de máquinas agrícolas, embalagens de transporte, acessórios para rolamentos, anéis de vedação, barras metálicas, borrachas, cabos de aço, chapas metálicas, cabos diversos, conexões diversos, compressores diversos, filtros, gaxetas, guinchos, mancal, mangueiras e tubos, perfis metálicos, plásticos, pregos, rebits, retentores, rolamentos, tecidos e tubos, produtos químicos utilizados no laboratório agronômico, transporte de produtos acabados para armazenamento e posterior embarque, transporte de funcionários dentro da unidade fabril, depreciações dos centros de custos agrícolas, depreciações de centro de custos agrícolas, depreciações de esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, transceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: armazém de açúcar interno, aguas residuais, balança de cana, central de ar comprimido, expedição, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de meristema, laboratório de teor de sacarose, lavador de veículos e borracharia, manutenção mecânica, oficina elétrica, oficina mecânica e posto de abastecimento. (Assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 16516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727616/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014
O recurso hierárquico, regido pela Lei nº 9.784/99, não atende os requisitos para a constituição de um processo administrativo fiscal - PAF - regido pela Lei nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-005.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 76 16 /2 01 5- 42 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10380.727616/201542 Acórdão n.º 3301005.971 S3C3T1 Fl. 244 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 183 a 191) interposto pelo Contribuinte, em 11 de novembro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0960.703 (fls. 170 a 179), de 31 de agosto de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 128 a 134) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo contra despacho decisório que não homologou retificação de DCTF, relativamente aos valores informados de IRPJ (2362), CSLL (2484) e Cofins (2172) para os PA de janeiro a junho de 2014. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de onde, além das alegações de tempestividade e suspensão da exigibilidade, extraise, no tocante ao mérito, que: Conforme já demonstrado, após o levantamento e mensuração dos valores dos bens da empresa, foram verificados os registros contábeis nas demonstrações financeiras da companhia, sendo que tal revisão gerou grande aumento nas despesas com depreciação e amortização em decorrência da revisão das estimativas da vida útil remanescente e do acréscimo na base de ativos da Companhia. Referidos registros também ocasionaram o reconhecimento de um custo atribuído no valor de R$ 1.420,42 milhões e ativo financeiro vinculado à concessão, dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, entre a Cagece e as prefeituras dos municípios atendidos pela Companhia, no total de R$ 147,98 milhões, assim, como tributos Cópia Simples fiscais diferidos de 482,9 milhões. A revisão em questão permitiu assim a recomposição do controle patrimonial dos bens dos integrantes do ativo imobilizado e intangível das concessões, o que por consequência gerou a retificação da DCTF. Ora, é que a CAGECE efetuou o levantamento de seu imobilizado e intangível, o que incluiu a avaliação do valor justo dos bens e o recálculo da taxa de depreciação e amortização. E ainda, o valor da mais valia (reajuste a valor justo dos ativos) foi ajustado com contrapartida do Patrimônio Líquido, o que afetou negativamente o resultado da companhia, portanto correta a alteração da DCTF, não havendo que se falar em saldo de crédito devido ao Fisco. Ressaltese que todas essas alterações serão ratificadas pela Escrituração Contábil Fiscal, a qual substitui a DIPJ a partir de 2015 e que ainda não foi transmitida à RFB por problemas do próprio sistema de transmissão. Vejase ainda que as demonstrações financeiras foram elaboradas com bases utilizadas nas estimativas contábeis envolvidas na preparação das demonstrações financeiras. Itens significativos sujeitos a essas estimativas e premissas incluem a seleção de vidas úteis do ativo intangível e de sua recuperabilidade nas operações, avaliação dos ativos financeiros pelo valor Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10380.727616/201542 Acórdão n.º 3301005.971 S3C3T1 Fl. 245 3 justo, assim com da análise dos demais riscos para determinação de outras provisões, inclusive para contingências. As demonstrações financeiras foram preparadas conforme as práticas contábeis adotadas no Brasil, que compreendem as disposições da legislação societária, previstas na Lei no 6.404/76 com alterações da Lei no 11.638/2007 e Lei no 11.941/09, e os pronunciamentos contábeis, interpretações e orientações emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários. Pode ser verificado ainda pelo balanço patrimonial que todas as retificações foram necessárias e efetuadas de forma adequada à legislação vigente. Ao contrário do que alegado no despacho, houve a apresentação dos balancetes para a apuração do valor corretamente devido, tanto que as DCTF retificadoras foram apresentadas com todas as alterações, bem como ainda que tenha ocorrido o fato gerador, ainda não havia qualquer procedimento fiscalizatório, pelo que é permitida a retificação, a qual foi devidamente fundamentada pelos relatórios apresentados. Foi realizada análise da manifestação de inconformidade, através de Informação Fiscal Recurso Hierárquico, por entender a autoridade preparadora que se aplicava à situação posta o artigo 56 da Lei 9.784/99. Através do despacho de encaminhamento de 28/01/2016, abaixo reproduzido, ficou esclarecido que se tratava de manifestação de inconformidade a ser analisada pela DRJ: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO À DRJ Considerando o disposto no art. 10 da Instrução Normativa RFB n° 1.599, de 11 de dezembro de 2015; Considerando, também, o disposto na Norma de Execução Conjunta CODAC/COFIS no 3, de 24 de dezembro de 2015; Considerando, ainda, que o sujeito passivo apresentou recurso contra a decisão que não homologou a retificação das DCTF, estando o presente processo ainda pendente de decisão definitiva; Encaminho o presente processo para apreciação da DRJ/FOR. Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário diante da decisão que ficou assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 Ementa: DCTF. RETIFICADORA Não deve ser aceita a retificação de DCTF, quando caracterizado que as alterações pretendidas não tem amparo na legislação pertinente. Manifestação de Inconformidade Improcedente É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10380.727616/201542 Acórdão n.º 3301005.971 S3C3T1 Fl. 246 4 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Na decisão ora recorrida ficou consignado que não deve ser aceita a retificação de DCTF quando caracterizado que as alterações pretendidas não tem amparo na legislação. Com isso fazse necessário verificar no Despacho Decisório o que ficou consignado em conclusão (fls. 124): Considerando a informação contida no ofício quanto ao procedimento de reavaliação de bens; considerando, ainda, as informações publicadas (demonstrações financeiras, relatório da administração e parecer de auditores independentes) não se justificam as retificações dos valores informados na DCTF. Ante o exposto, DECIDO pela NÃO HOMOLOGAÇÃO da retificação dos valores informados em DCTF. Caso o Contribuinte não concorde com a presente decisão, poderá apresentar recurso administrativo nos termos dos art. 56 a 60 da Lei 9.784/99. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito da Administração Pública Federal, assim dispõe: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. Neste sentido, consta nos autos Informação Fiscal Recurso Hierárquico o seguinte entendimento (fls 143 e seguintes): Tratase de recurso hierárquico apresentado pelo sujeito passivo contra decisão que não homologou retificação de DCTF. Não obstante o documento ter sido apresentado como “manifestação de inconformidade” com fundamento nos art. 151 do CTN, 74 da Lei 9.430/96 e 15 do Decreto 70.235/72, cuidase de recurso com base no art. 56 da Lei 9.784/99 sem efeito suspensivo. Como não se trata de lançamento de ofício para constituir crédito tributário, tampouco de compensação de tributos nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96, não se aplica o disposto nos art. 151 do CTN c/c o Decreto 70.235/72 (já incorporado pelo Dec. 7.574/2011 desde 2010) como mencionados. Através do presente expediente (Malha DCTF), a Administração Tributária, no exercício de sua competência, verifica se o procedimento no qual o próprio sujeito passivo confessa e ajusta/retifica seus débitos (tributos) estão em consonância com a legislação aplicável à apuração dos respectivos tributos objeto de análise (art. 9ºA da IN RFB 1.110/2010). O presente recurso não apresenta elementos novos que possam alterar o entendimento apresentado na primeira decisão quanto ao mérito: (...) Por todo o exposto, mantenho a decisão anterior de NÃO HOMOLOGAR a retificação dos valores informados na DCTF. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10380.727616/201542 Acórdão n.º 3301005.971 S3C3T1 Fl. 247 5 Considerando o disposto na art. 56, § 1º da Lei 9.784/99, submeto os autos à consideração superior. Percebese que por se tratar de recurso hierárquico, tanto no Despacho Decisório, como na Informação Fiscal Recurso Hierárquico, regido pela Lei nº 9.784/99, não atende os requisitos para a constituição de um processo administrativo fiscal PAF regido pela Lei nº 70.235/72. Com esse entendimento voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900907/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 07 /2 01 1- 01 Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 915992505 de 01/04/2011 que não homologou o PER/DCOMP nº 00042.15508.290607.1.3.041583. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de estimativa de CSLL, apurado em maio de 2007, no montante de R$ 5.770,89. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 3.183,41, decorrente de DARF recolhido em 30/08/2002no valor de R$ 31.979,40. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, decidiu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. De acordo com a motivação da decisão, o valor recolhido foi integralmente utilizado para liquidar o débito correspondente. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, no montante de R$ 5.770,89, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega o seguinte: (i) no encerramento do ano a contribuinte apurou resultado inferior ao valor total recolhido por estimativa, e, portanto, haveria um recolhimento a maior de estimativa, passível de ser utilizado em compensação; (ii) houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois a contribuinte fez constar o código de receita 5993, quando deveria ser 2362; e (iii) o único motivo do indeferimento foi o erro material de preenchimento, sendo plenamente retificável. Em sessão de 4 de dezembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1151.571, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INTEGRALMENTE ALOCADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. É possível a utilização pagamento de estimativa como crédito em compensações declaradas em Dcomp desde que: (i) tenha havia pagamento a maior da estimativa, ou seja, o valor recolhido seja superior ao apurado/confessado, e (ii) este excedente não tenha sido utilizado no ajuste anual para compor o saldo negativo do Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 4 3 período. Na espécie, não houve excedente no recolhimento, sendo inexistente o crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A DRJ/REC não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) o crédito pleiteado não existe, pois não houve excedente no recolhimento do DARF apontado no PER/DCOMP, visto que o valor recolhido corresponde exatamente ao montante de estimativa apurado pelo contribuinte; e (ii) não houve o alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito foi informado no código 2362, conforme entende o contribuinte ser o correto. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual reitera suas razões de defesa e apresenta os seguintes pontos complementares: (i) o objeto dos presentes autos decorre de mero erro formal, visto que o direito creditório está devidamente comprovado; e (ii) as autoridades administrativas não aplicaram o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.813, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900902/2011 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.813): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre consignar que o despacho da DRF (fl. 149) informa a existência de outro processo administrativo fiscal (nº 10166.900837/200887), que trata do mesmo sujeito passivo e direito creditório em litígio nos presentes autos. Em pesquisa, constatei que o processo foi objeto de julgamento pela 1ª Seção de julgamento deste E. CARF, cujo Acórdão de nº 180100.847 foi publicado em 21/03/2012. No referido julgamento, o direito creditório foi reconhecido e determinouse o retorno dos autos à unidade de jurisdição do sujeito passivo, para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 5 4 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.” A decisão foi mantida após interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme Acórdão nº 9101002.904. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Antes de enfrentar as circunstâncias fáticas dos presentes autos, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe fortes indícios da existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 6 5 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 7 6 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado O direito creditório, pleiteado no presente processo, não foi reconhecido pelas doutas autoridades administrativas em razão do DARF indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para o pagamento da estimativa mensal de IRPJ apurada em junho de 2002, e, portanto, não teria ocorrido nenhum pagamento a maior ou indevido. A Recorrente, por sua vez, afirma que no anocalendário de 2002 apurou saldo negativo de IRPJ, e, consequentemente, teria acumulado crédito passível de compensação. O referido saldo negativo pode ser constatado em sua DIPJ/2003. No mais, foi declarado na DIPJ/2003, o recolhimento de IRPJ por estimativa referente a junho de 2002, no montante de R$ 58.570,75. A DRJ, especificamente, não considerou a alegação de apuração de saldo negativo para o anocalendário de 2002 e se limitou a afirmar que o DARF indicado enquanto origem do crédito foi 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 8 7 totalmente utilizado para o pagamento da estimativa de IRPJ apurada para junho de 2002 no montante de R$ 58.570,75 e que, portanto, não haveria pagamento a maior ou indevido. Em contrapartida, a Recorrente apresenta diversos documentos contábeis e fiscais, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar a origem de seu direito creditório. Dentre eles, cito: (i) Balancete e Balanço relativos ao período entre 2002 e 2007; (ii) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) relativo ao período de 2003 a 2007; (iii) Livro Diário relativo ao período de 2002 a 2007; e (iv) Livro Razão relativo ao período de 2003 a 2007. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2002 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2002, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante no ano calendário de 2004 e referente a mesma contribuinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 9 8 Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 13 a 18 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova e dos documentos apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 10 9 processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento de estimativa mensal de IRPJ declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. Tal verificação deve considerar a documentação apresentada nos autos e, se entender necessário, intimar a Recorrente para que apresente esclarecimentos complementares. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10166.900907/201101 Acórdão n.º 1201002.818 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 2553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14055.001888/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA.
São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial.
Na hipótese, a contribuinte não comprovou que os rendimentos auferidos no ano-calendário correspondem a proventos de reforma, pensão ou aposentadoria.
Aplicação da Súmula CARF n.º 63.
Numero da decisão: 2101-001.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. São isentos do imposto sobre a renda os proventos de reforma, aposentadoria ou pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia especificada em lei, devidamente comprovada por meio de laudo médico oficial. Na hipótese, a contribuinte não comprovou que os rendimentos auferidos no anocalendário correspondem a proventos de reforma, pensão ou aposentadoria. Aplicação da Súmula CARF n.º 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, no valor de R$ 38.627,70. Segundo relato da Fiscalização (fls. 9), não tem amparo legal a isenção pleiteada no anocalendário de 2006, tendo em vista que a contribuinte comprovou terse aposentado somente em 16 de março de 2007. Em 30.12.2008, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 3), informando que apresentou declaração de ajuste anual retificadora em 2008, na qual declarou seus rendimentos como isentos e não tributáveis, ante Laudo Médico de Revisão de Aposentadoria Isenção emitido pela Gerência de Perícia MédicoOdontológica de Taguatinga da Secretaria de Estado de Educação SUNSEDPM GDF, no qual ficou certificada a existência da doença especificada na lei a partir de 6.4.2004. Alega que, ao protocolar cópia do laudo médico na Agência da Receita Federal do Brasil em Taguatinga, recebeu orientação para apresentar Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Retificadora a fim de pleitear a restituição integral do IRRF dos anos anteriores. Entende que a isenção pleiteada na declaração retificadora tem amparo legal na IN SRF n.° 15 de 2001, e, por esse motivo, requer o cancelamento da notificação e a restituição integral do IRRF relativo ao exercício de 2007, tal como consta em sua declaração de ajuste A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0338.044, de 14 de julho de 2010, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 50 a 52, no qual reitera as razões de impugnação. Alega que se aposentou em 16.3.2007, porém, de acordo com a IN SRF n.° 15, de 2001, a isenção de imposto de renda retroage à data em que a doença foi contraída e identificada em laudo pericial. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 14055.001888/200832 Acórdão n.º 210101.661 S2C1T1 Fl. 64 3 Requer seja revista a decisão de primeira instância para o fim de cancelar a notificação e promover a restituição integral do IRRF relativo ao exercício de 2007, tal como consta em sua Declaração de Ajuste. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, a seguir transcrito, prevê estarem isentos do imposto sobre a renda os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores das moléstias relacionadas: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (g.n.) [...] A lei instituidora da isenção do imposto sobre a renda em razão de moléstia grave exige, portanto, o preenchimento de dois requisitos: 1.º) comprovação inequívoca de que o contribuinte é portador de uma das moléstias graves expressamente previstas; 2.º) que os rendimentos recebidos sejam decorrentes de reforma ou aposentadoria. Sobre o Laudo Médico, primeiro requisito para a isenção, assim estabelece a Lei n° 9.250, de 1995: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] Verificase, do exame dos autos, que, para o fim de demonstrar a alegação de que é portadora de moléstia grave, prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, a contribuinte anexou Laudo Médico de Revisão de Aposentadoria – Isenção do Imposto de Renda n.° 003/2007, emitido pela Gerência de Perícia MédicoOdontológica de Taguatinga, Secretaria de Estado de Educação do Governo do Distrito Federal, e no referido documento verificase o diagnóstico de neoplasia maligna das mamas (CID C50) desde 6.4.2004. No entanto, constatase que a contribuinte aposentouse somente em 16 de março de 2007, conforme comprova por meio da cópia do Diário Oficial do Distrito Federal anexada às fls. 54. Não ficou, portanto, comprovado nos autos que, no anocalendário de 2006, a contribuinte recebia proventos de aposentadoria ou reforma, tal como exige a Lei n.° 9.250, de 1995, para a concessão do benefício. Apesar de ter comprovado, por meio de laudo médicopericial emitido por serviço médico do Distrito Federal, que, no anocalendário 2006, era portadora de moléstia grave prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, a recorrente não logrou comprovar o outro requisito cumulativamente exigido pelo mesmo dispositivo legal para gozo do benefício, de que os rendimentos percebidos sejam decorrentes de reforma, aposentadoria ou pensão. Tendo em vista que a lei exige os dois requisitos de forma cumulativa, somente nos casos em que a doença tenha sido diagnosticada em data posterior à da concessão da aposentadoria ou reforma é que a isenção de imposto sobre a renda retroage à data em que a doença foi contraída e identificada em laudo pericial. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula CARF n.º 63, pacificou o entendimento que, para haver isenção do imposto sobre a renda em decorrência de moléstia grave, a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Na hipótese, a contribuinte não comprovou preencher todos os requisitos exigidos para gozo do direito à isenção do imposto sobre a renda por moléstia grave no ano calendário de 2006. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 14055.001888/200832 Acórdão n.º 210101.661 S2C1T1 Fl. 65 5 Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16007.000259/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2402-006.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 02 59 /2 01 0- 19 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16007.000259/201019 Acórdão n.º 2402006.958 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202006.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário (fls. 305 a 316) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 284 a 290), onde a autoridade de piso acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela contribuinte. Conforme relatório da decisão recorrida: [...] Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16007.000259/201019 Acórdão n.º 2402006.958 S2C4T2 Fl. 4 3 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16007.000259/201019 Acórdão n.º 2402006.958 S2C4T2 Fl. 5 4 Em razão dos argumentos expostos, a recorrente requer que seja integralmente reconhecido seu direito creditório ao IRRF discutido, de forma a ser homologada na integra a compensação declarada no PER/DCOMP, cancelandose os valores lançados. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16007.000259/201019 Acórdão n.º 2402006.958 S2C4T2 Fl. 6 5 "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Das alegações apresentadas Compulsado os autos, verificase que a recorrente reafirma perante este Conselho os mesmos argumentos apresentados à autoridade de piso, em especial, requer que se entenda como elementos de prova (espelhos de notas fiscais) documentos não previstos na legislação relacionada à matéria. Tal possiblidade, porém, esbarra no fato deste Conselho ser um órgão da Administração e, como tal, vinculado à observância estrita das normas legais e infralegais, que possuem presunção de constitucionalidade e legalidade, até que sejam revogadas ou tenham sua aplicabilidade afastada pelo poder competente. Assim, conforme exposto na decisão recorrida, uma vez editada a norma, é dever da Administração aplicála, sem questionar critérios como justiça ou injustiça de seus efeitos, especialmente no que se refere ao lançamento tributário, que sendo uma atividade plenamente vinculada, não permite à autoridade tributária aplicar juízos de valores na constituição do crédito, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Parágrafo único, do ART 142, do CTN. Art. 142. (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dito isso, por refletir o entendimento aplicado no presente voto, colacionase o seguinte trecho do acórdão recorrido: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16007.000259/201019 Acórdão n.º 2402006.958 S2C4T2 Fl. 7 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 357DF CARF MF
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