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Numero do processo: 10920.001141/2003-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento parcial, para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de trezentos e sessenta dias da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. O conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado) deu provimento parcial para considerar a data da ciência do despacho decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 11 41 /2 00 3- 72 Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 806 2 permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento parcial, para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de trezentos e sessenta dias da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. O conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado) deu provimento parcial para considerar a data da ciência do despacho decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 724 a 752), interposto pelo contribuinte, contra Acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 702 a 716), sob a seguinte ementa: Relator Designado: Maurício Taveira e Silva Acórdão nº: 210200.110 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO – PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – a lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao Pis e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 807 3 Recurso Voluntário Negado. No seu recurso, ao qual foi dado seguimento (fls. 786 a 788), o contribuinte limitase a contemplar as duas matérias consignadas no acórdão recorrido, quais sejam: (1) Admissão na base de cálculo das aquisições de pessoas físicas (nem fala em cooperativas); (2) Atualização de crédito pela Taxa Selic do crédito reconhecido (deixando implícito que é desde o protocolo do Pedido de Ressarcimento). A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 790 a 803), tratando apenas da atualização pela Taxa Selic, sendo que, ao final em seu pedido final, consigna o seguinte: “Caso seja determinada a incidência da Taxa Selic sobre pedido de ressarcimento (i) que o dies a quo de incidência seja a data da ciência do primeiro ato administrativo de oposição estatal ao pleito do contribuinte, ou ainda seja considerado como parâmetro a data de emissão desse ato; (ii) não prosperando a tese anterior, seja aplicada a Taxa Selic a partir do término do prazo de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal constante da IN/SRF nº 23/1997; (iii) que a incidência da Selic seja restrita aos créditos que foram objeto de oposição injustificada pelo Fisco, configurada apenas em relação ao crédito relativo às aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator As discussões aqui, então, restringemse: (1) à inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas; (2) à atualização do crédito admitido pela Taxa Selic, desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. No que se refere às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no RESp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 808 4 TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso, já havia sido editado Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. 2) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a esse entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 809 5 NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – RESP 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Quanto à atualização do valor do direito creditório pela Taxa Selic, utilizo me aqui do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, desta mesma 3º Turma da CSRF: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 810 6 REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: ............ 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 811 7 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 812 8 pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 813 9 o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 814 10 de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10920.001141/200372 Acórdão n.º 9303006.250 CSRFT3 Fl. 815 11 O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. À vista do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 815DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904046/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 40 46 /2 01 1- 26 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 1º trimestre de 2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10530.904046/201126 Acórdão n.º 1201002.037 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720604/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O CARF não tem competência para realizar retificações em declarações, mas sim para julgar recursos interpostos contra decisões de primeira instância do contencioso administrativo tributário federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS COM DEPENDENTES Recorrente PAULO WEIMAR PERDIGAO MAGALHAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não tem competência para realizar retificações em declarações, mas sim para julgar recursos interpostos contra decisões de primeira instância do contencioso administrativo tributário federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 06 04 /2 01 5- 55 Fl. 72DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF): Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2013, ano calendário 2012, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Vitória. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 3.043,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 2.050,00. Glosados pagamentos diversos (fls. 07). A motivação detalhada das glosas encontrase às fls. 08. Dedução indevida com dependentes no valor de R$ 5.924,16. Glosadas as deduções com as dependentes Letícia Paula Perdigão Grangeiro, Natália Perdigão Grangeiro e Edna Salgado Grangeiro Magalhães. A motivação das glosas encontrase detalhada às fls. 05. Dedução indevida com despesas de Instrução, no valor de R$ 3.091,35. Glosadas as despesas com instrução de Natália Perdigão Grangeiro, excluída da relação de dependentes. A ciência do Lançamento ocorreu em 08/05/2015 (fls. 43) e o contribuinte apresentou sua impugnação em 02/06/2015 (fls. 02/03), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que concorda com a glosa de despesas médicas no valor de R$ 300,00 e questiona todas as demais glosas do lançamento A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), negou provimento à Impugnação (fls. 58), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 Ementa: DEDUÇÕES. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas à comprovação ou justificação. Cientificado (AR fls. 67), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 69/70), no qual requer a retificação da declaração de imposto de renda da sua cônjuge, uma vez que as despesas de educação e saúde não teriam sido por ela aproveitadas. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 17613.720604/201555 Acórdão n.º 2202004.508 S2C2T2 Fl. 73 3 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora A decisão recorrida manteve a glosa das dependentes Letícia Paula Perdigão Granjeiro, Natália Perdigão Granjeiro e Edna Salgado Granjeiro Magalhães. Em relação às duas primeiras, o motivo da glosa foi o fato de já constarem da declaração da sua cônjuge. Em relação à última (cônjuge) a glosa foi mantida porque apresentou declaração em separado, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Em consultas aos sistemas RFB, constatase que a glosa foi correta. As filhas do casal (Letícia e Natália, certidões de nascimento às fls. 34 e 32, respectivamente) de fato foram arroladas como dependentes na declaração de Edna Salgado, cônjuge do contribuinte (certidão de casamento às fls. 31), que apresentou declaração em separado. A declaração da esposa do contribuinte já foi processada com restituição. Dessa forma, nenhuma das três poderia constar como dependente no ajuste do impugnante. Assim sendo, deve ser mantida a glosa das dependentes, bem como das despesas médicas relativas a Letícia e Edna no montante de R$ 1.750,00 e das despesas com instrução relativas a Natália Perdigão Grangeiro, no valor de R$ 3.091,35. O Recorrente limitase a requerer a retificação da declaração de sua cônjuge, motivo pelo qual, o recurso em questão não merece ser conhecido. Isso porque este Colegiado não tem competência normativa para realizar retificações em declarações transmitidas pelos contribuinte, muito menos para nelas efetuar "lançamentos", estando adstrito, nos termos do art. 145 do CTN, a realizar reformas, caso necessário, nas decisões administrativas de primeiro grau do contencioso administrativo tributário federal. Além disso, tampouco é facultado à instância julgadora realizar retificações de ofício, sob demanda do contribuinte, em declarações que não mais estão abrigadas pela espontaneidade, forte no § 1º do art. 147 do CTN. Procedimentos do gênero são, na verdade, de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdicione o sujeito passivo, e não do CARF. Em face do exposto, não conheço o Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 74DF CARF MF 4 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000170/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003
SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
Numero da decisão: 9202-006.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação da bolsa de estudos relativa aos dependentes de empregados, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (Suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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BOLSA DE ESTUDOS. DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a tributação da bolsa de estudos relativa aos dependentes de empregados, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 01 70 /2 00 7- 67 Fl. 1432DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (Suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403001.740, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase processo administrativo, DEBCAD nº 35.347.9365, no valor de R$ 2.373.413,17 (dois milhões, trezentos e setenta e três mil, quatrocentos e treze mil e dezessete centavos), referente a contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte dos empregados, da empresa e à destinada aos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros, incidentes sobre as bolsas de estudo concedidas aos empregados e dependentes. O autuado apresentou impugnação às fls. 201/398. Em 10.11.2004, foi emitida Decisão Notificação, julgando procedente o lançamento em questão. Em novo recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, às fls. 416/525, a 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu anular a Decisão Notificação emitida, determinando que fosse elaborado Relatório Fiscal Complementar para demonstrar que as verbas pagas a título de Bolsa de Estudo aos empregados não se encontravam na hipótese de isenção da alínea “t” do parágrafo 9º da Lei 8.212/91. O Serviço do Contencioso Administrativo da DRP SP/Norte efetuou pedido de revisão do acórdão, havendo nova decisão, em 27/09/2006, negando procedência ao pedido de revisão por falta de amparo legal. Às fls. 657/673, houve nova defesa do Contribuinte. A 12ª Turma DRJ/SPI, às fls. 1315/1326, deu parcial provimento à impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 1334/1359, havendo também Recurso de Ofício. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.433 3 A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1400/1406, PRELIMINARMENTE, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, reconhecendo a decadência até 04/1999 com base artigo 150 CTN, e no MÉRITO, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, entendendo não incidir tributação sobre bolsas de estudos concedidas a dependentes. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 DECADÊNCIA Existindo recolhimentos parciais aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Às fls. 1408/1417, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Decadência. O acórdão recorrido aplicou o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN e acolheu a preliminar de decadência para a competência 01/1999. No entanto, será demonstrado a seguir que não ocorreu o pagamento antecipado sobre as contribuições apuradas nessa competência, motivo pelo qual deve ser empregado ao caso concreto, o prazo do art. 173, I do CTN. Assim, divergiu a Câmara a quo do acórdão paradigma, que vem determinado a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre o tributo lançado, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. 2. Incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de bolsas de estudo pagos aos dependentes dos empregados. O acórdão recorrido entendeu que não deve haver tributação sobre as bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos empregados da contribuinte. Contudo, os acórdãos paradigmas, analisando a mesma legislação de regência – Lei nº 8.212/91, em particular o art. 28, § 9º, alínea “t” – concluíram de maneira inteiramente diversa: O valor referente às bolsas de estudos concedidas pela empresa em favor de seus empregados em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 1420/1423, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, quanto as seguintes matérias: decadência e bolsas de estudo aos dependentes dos empregados. Fl. 1434DF CARF MF 4 Intimado à fl. 1428, o Contribuinte restou inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase processo administrativo, DEBCAD nº 35.347.9365, no valor de R$ 2.373.413,17 (dois milhões, trezentos e setenta e três mil, quatrocentos e treze mil e dezessete centavos), referente a contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte dos empregados, da empresa e à destinada aos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros, incidentes sobre as bolsas de estudo concedidas aos empregados e dependentes. O Acórdão recorrido, preliminarmente, deu parcial provimento ao recurso ordinário e no mérito, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência e à bolsas de estudo aos dependentes dos empregados. I DECADÊNCIA Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.434 5 AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Fl. 1436DF CARF MF 6 Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. O acórdão recorrido reconheceu que as contribuições vertidas aos Cofres Públicos sobre a folha de pagamento tanto da parcela dos segurados como da cota patronal, que embora parciais aproveitam as competências em discussão como salário indireto. Considerando que no TAF não ha nenhum lançamento sobre folha de pagamento é possível inferir que o Contribuinte recolhia suas obrigações habituais sobre a folha de pagamento, motivo que enseja a aplicação da Sumula 99. Desse modo, não assiste razão a Fazenda Nacional quanto ao mês de janeiro de 1999 que está compreendido no período declarado decaído. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, conforme decidiu o acórdão recorrido. II BOLSA DE ESTUDOS AOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS O auto de infração em comento foi lavrado em razão dos valores recebidos por empregados e dependentes terem sido considerados 'vantagens pessoais decorrentes do exercício do trabalho' motivo pelo qual serviriam segundo a fiscalização integrar o salário de contribuição dos empregados, conforme se verifica no trecho do Relatório Fiscal fls. 97, a seguir: Observando os autos verifico informação também trazida pelo acórdão recorrido fls. 1299 e 1300, depreendese que as bolsas de estudo não são utilizadas em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tem acesso. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.435 7 Motivo inclusive que motivou a DRJ a excluir do auto de infração as parcelas referentes ao auxílio educação concedido pela Contribuinte aos seus empregados , restando para discussão tão somente a extensão deste para os dependentes do segurado. As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. Para dirimir esta questão me aproveito de alguns entendimentos veiculados no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue: Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. Fl. 1438DF CARF MF 8 E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.436 9 Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Fl. 1440DF CARF MF 10 Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.437 11 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” (grifo nosso) Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, não possuindo sequer a previsão expressa de extensão aos dependentes, bem como suas alterações legais, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas aos empregados nem dependentes. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 1442DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior – Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir, no mérito, quanto a possibilidade de exclusão dos pagamentos de bolsa de estudos (auxílio educação) efetuados tendo como beneficiários os dependentes dos empregados da autuada, alinhandome, todavia, ao posicionamento esposado pela Relatora quanto à matéria decadencial. A propósito da referida exclusão de auxílioeducação, rezava a Lei no. 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores sob análise, em seu art. 28, §9o., alínea "t": "Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o salário‑ de‑ contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo (grifei); (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo (grifei); (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).” Conforme já me posicionei em outros feitos no âmbito desta Turma, com a devida vênia aos Conselheiros desta Casa que possuem posicionamento diverso, não vislumbro, no âmbito do § 9º, "t", do artigo 28, da Lei no. 8.212, de 1991, em sua redação vigente à época dos presentes fatos geradores, possibilidade de elastério hermenêutico tal que pudesse se entender que o referido dispositivo, em suas redações acima reproduzidas, estivesse a contemplar também, além dos empregados e dirigentes da companhia (para os quais a verba paga a título de auxílioeducação já foi objeto de exclusão pela autoridade julgadora de 1a. instância), os valores pagos a título de bolsa de estudos (auxílioeducação) para seus dependentes. Em verdade, reconheço tal possibilidade de exclusão somente a partir da alteração à referida alínea promovida pela Lei no 12.513, de 2011, que passou, a partir dali, a Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.438 13 contemplar, de forma expressa, sob determinadas condições, a possibilidade de exclusão dos valores de auxílioeducação pagos também aos dependentes dos empregados, verbis: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes (grifei) e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011). Além de rejeitar o caráter interpretativo da nova norma (visto referirse a anterior especificamente a empregados e dirigentes e, ressaltese, a ninguém mais), notese também que resultaria desnecessária a alteração perpretada, caso se entendesse que os dependentes já estavam contemplados nas anteriores redações do do § 9º, "t", do artigo 28, da Lei no. 8.212, de 1991, vigentes à época dos fatos geradores em análise, o que rejeito, repitase, com base na clareza proporcionada pela anterior literalidade do dispositivo, bem como de sua posterior alteração. Ainda, em linha com tal impossibilidade de exclusão das verbas pagas aos dependentes, dada sua não abrangência pelas alineas "t" vigentes à época dos fatos geradores em litígio, acedo aqui, uma vez mais, aos fundamentos de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva, no âmbito do Acórdão CSRF no. 9.202005.972, de 26/09/2017, os quais acompanhei integralmente e que aqui adoto como razões de decidir adicionais, expressis verbis: (...) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. (...) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, Fl. 1444DF CARF MF 14 habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...]§ 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...]II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...]Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.439 15 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição,o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edição, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. (...) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, Fl. 1446DF CARF MF 16 ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. (...) Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício está inserido no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. (...) Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 14479.000170/200767 Acórdão n.º 9202006.658 CSRFT2 Fl. 1.440 17 Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a tributação da bolsa de estudos relativa aos dependentes de empregados. È como voto (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002100/2001-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. MATERIALIDADES DISTINTAS. NÃO CONHECIDO.
O recurso especial de divergência que trata de matéria diversa daquela constante na fundamentação do acórdão recorrido não deve ser conhecido, pois ausente o dissenso interpretativo que é requisito indispensável desta via recursal.
Numero da decisão: 9303-006.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. MATERIALIDADES DISTINTAS. NÃO CONHECIDO. O recurso especial de divergência que trata de matéria diversa daquela constante na fundamentação do acórdão recorrido não deve ser conhecido, pois ausente o dissenso interpretativo que é requisito indispensável desta via recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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AUSENTE A COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. MATERIALIDADES DISTINTAS. NÃO CONHECIDO. O recurso especial de divergência que trata de matéria diversa daquela constante na fundamentação do acórdão recorrido não deve ser conhecido, pois ausente o dissenso interpretativo que é requisito indispensável desta via recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 21 00 /2 00 1- 90 Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.764 2 convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.599 a 1.623) com fulcro inc. II do art. 56 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 4 de setembro de 2007 – RIConselho de Contribuintes, c/c o inciso II, do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 – RICSRF, buscando a reforma do Acórdão nº 20218.569 (fls. 1.539 a 1.561) proferido pela Segunda Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, em 11/12/2007, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória n2 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006 (nos autos do RE nº 346.0846/PR). COMPENSAÇÃO. SEMESTRALIDADE. Indiscutível o crédito remanescente da base de cálculo exigida pelos DecretosLeis n 2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, porque ferindo o estabelecido no parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70 e na LC nº 8/70 facultando ao contribuinte a compensação com o próprio PIS. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de apurar o indébito com base na semestralidade da base de calculo, devendo as receitas financeiras ser incluídas na base de cálculo do Pasep e excluídas Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.765 3 da base de cálculo do PIS. Fez sustentação oral o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 032.641, advogado da recorrente. O presente processo tem origem em Pedidos de Compensação, posteriormente convertidos em Declaração de Compensação (Dcomp) de créditos de PASEP recolhido pela empresa de 10/01/1989 até 18/06/1993, na condição de sociedade de economia mista, e do PIS recolhido entre 20/10/1993 e 15/01/1996, portanto, desde a incorporação de suas atividades integralmente pela iniciativa privada. Postulou a compensação com débitos do próprio PIS e outros tributos e contribuições federais. O crédito tributário pleiteado foi reconhecido judicialmente, nos autos da ação declaratória nº 95.00135558, com trânsito em julgado em 13/04/1999, conforme cópias da sentença de 1º grau e do acórdão de julgamento das apelações julgadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Após retornados os autos de diligência, a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária do Rio de Janeiro (Derat/RJO) não reconheceu o direito ao crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologou as compensações veiculadas por meio das Declarações de Compensação, tudo conforme Despacho Decisório nº 189/2006 (fls. 1.140 a 1.146). Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.321 a 1.349), em cujo julgamento foi mantido o indeferimento dos pedidos de restituição e a não homologação dos pedidos de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 1315.464 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ) (fls. 1.457 a 1.493), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LC nºs 07/70 e 08/70. A base de calculo das contribuições é o faturamento, no caso do PIS, e a receita orçamentária, no caso do PASEP, do próprio mês, e não o faturamento/receita orçamentária verificados no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. DEMAIS RECEITAS OPERACIONAIS. A base de cálculo do PASEP, nos termos da Lei Complementar n° 08/70, é a receita orçamentária, inclusive as transferências e receita operacional, não estando prevista qualquer exclusão. PIS/PASEP. INDÉBITO. DISCUSSÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS. A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseá com os acréscimos previstos na Norma de Execução Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.766 4 SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, caso a decisão não disponha de forma diversa. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 1.505 a 1.533), ao qual foi dado parcial provimento nos termos do Acórdão nº 20218.569 (fls. 1.539 a 1.561) proferido pela Segunda Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, em 11/12/2007, ora recorrido, para reconhecer o direito de apurar o indébito de PIS com base na semestralidade e determinar a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PASEP e sua exclusão da base de cálculo do PIS. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 1.572 a 1.575) alegando a existência de omissão. Foi negado seguimento aos embargos de declaração, consoante despacho nº 202558 de 12/09/2008 (fls. 1.593 e 1.595). Na sequência, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.599 a 1.623), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de tributação das receitas financeiras com base no §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Colacionou acórdãos paradigmas, tendo sido consideradas apenas as duas primeiras decisões para fins de comprovação da divergência: acórdãos nºs 20178.856 e 20401.543. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) o acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS lançado nos presentes autos o valor das receitas financeiras, com fulcro na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (b) referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso, existindo rediscussão da matéria naquela Corte e não havendo Resolução do Senado Federal que suspenda a execução da referida norma do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (c) o entendimento da decisão recorrida segundo a qual o parágrafo único do art. 4° do Decreto 2.346/97 permite aos órgãos julgadores administrativos da primeira e segunda instancia afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado, em controle difuso, inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, sem a necessidade de previa Resolução do Senado, a toda vista não pode prosperar; (d) ainda que se admitisse a competência dos órgãos administrativos para tanto, as alterações produzidas pela Lei nº 9.718/98 quanto ao PIS e à COFINS são inteiramente constitucionais, pois: (a) o conceito de receita bruta é equivalente ao de faturamento, não tendo sido introduzida alteração significativa pela EC nº 20/98; e (b) a Lei nº 9.718/98 só produziu efeitos quanto à base de cálculo e alíquota da COFINS e do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos após a vigência da referida emenda; Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.767 5 (e) devem ser incluídas as receitas financeiras no conceito de faturamento, o que não é inédito no ordenamento jurídico pátrio, já inseridas pelo DL nº 2.397/87, em seu art. 22; (f) ao final requer seja provido o recurso especial, mantendose a exigência fiscal também sobre as receitas financeiras. Foi admitido o recurso especial por meio do despacho S/Nº, de 01 de junho de 2015 (fls. 1.726 a 1.730), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.741 a 1.750) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/07, vigente à época. No acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, o Colegiado a quo entendeu por afastar a tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas financeiras por não se enquadrarem no conceito de faturamento previsto nas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, período compreendido entre maio de 1993 e agosto de 1995. Transcrevese trecho da fundamentação do julgado para elucidar os fundamentos que levaram ao seu provimento, in verbis: [...] No presente caso, não se discute a questão da semestralidade, porquanto já determinado pelo Poder Judiciário que o recolhimento da contribuição Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.768 6 devida pela empresa ao PIS/Pasep deve ser com base nas Leis Complementares n 2s 7/70 e 8/70, que adota em sua sistemática da base de cálculo dessas contribuições a semestralidade, ante a retirada do mundo jurídico dos DecretosLeis n2s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Eg. STF. Entretanto, em relação A semestralidade, o acórdão recorrido laborou em equivoco, ao considerar o prazo previsto no parágrafo único do art. 6º das Leis Complementares nºs 7/70 e 08/70 como prazo de recolhimento e não como base de cálculo, devendo por isto ser refeitos os cálculos do indébito com o critério determinado pelo Poder Judiciário, qual seja, a aplicação da semestralidade, conforme inclusive preconiza a Súmula nº 11, deste egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: "A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior sem correção monetária." A segunda questão apontada pela recorrente como contrária à decisão judicial, referese A inclusão nos demonstrativos da fiscalização, em relação A base de cálculo do PIS/Pasep de outras receitas estranhas ao faturamento, em razão do Eg. STF, nos autos do RE nº 346.0846/PR, que resultou na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98, restringindo o conceito de faturamento (base de cálculo do PIS e Cofins) às receitas provenientes das atividades normais da empresa com a venda de mercadorias, serviços ou de ambos, excluindo quaisquer outras espécies de receitas. Entendo que, em assim fazendo, laborou em equivoco por parte da fiscalização, não devendo constar da base de cálculo do PIS qualquer outro tipo de receita que não seja decorrente do faturamento, assim entendido, as decorrentes das atividades normais da empresa com a venda de mercadorias, serviços ou da combinação de ambos. Portanto, compete à Administração promover o encontro de contas conforme determinado pelo acórdão do TRF da P Regido, apurandose o total do indébito, considerando para tanto, o que foi recolhido pela recorrente a titulo de Pasep, desde janeiro de 1989 até 18/06/1993, com base nos DecretosLeis n 2s 2.445/88 e 2.449/88, na condição de sociedade de economia mista (recolhimentos listados as fls. 622/623), assim como do PIS no período de 20/10/1993 até agosto de 1995 (recolhimentos listados à fl. 641), apurandose o que for devido com base nas Leis Complementares n 2s 7/70 e 8/70, considerando para tanto a semestralidade da base de cálculo, sem qualquer correção monetária, bem como sem incluir as receitas estranhas ao faturamento da empresa. Conforme bem alertado pela Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, sobre inclusão a na base de cálculo do Pasep (ao tempo em que era empresa de economia mista, até abril/1993), das receitas financeiras/variações monetárias, a Lei Complementar nº 8/70, regulamentada pelo Decreto n 2 71.618/72, art. 8 2, estabelecia para as empresas públicas que a base de cálculo do Pasep compreendia as receitas operacionais e, assim, estariam incluídas as receitas financeiras/variações monetárias. Logo, no período de janeiro/89 até abril/93, deve ser aplicado para o Pasep a semestralidade (art. 12 do Decreto n 2 71.618/72) na apuração da base de Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.769 7 cálculo, compreendidas nesta, também, as receitas operacionais e as receitas financeiras/variações monetárias. Quanto ao período de maio/93 até agosto/95, aplicarseia para o PIS a semestralidade na apuração da base de cálculo, porém esta compreende somente o faturamento (art. 62 da Lei Complementar nº 7/70), excluídas as receitas financeiras/variações monetárias. Em relação à atualização monetária pela taxa Selic, não há como ser amparado o pedido da recorrente, porquanto deve ser aplicada a atualização constante da decisão judicial que é posterior a Lei nº 9.250/95. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de reconhecer o direito à compensação/restituição dos valores recolhidos a maior, a titulo de contribuição ao PIS/Pasep, com base nos DecretosLeis n2s 2.445/88 e 2.449/88 e o que realmente seria devido com base na Leis Complementares nºs 7/70 e 8/70, sem correção da base de cálculo, e ainda, sem integrar a base de cálculo do PIS, as receitas estranhas ao faturamento, no período compreendido entre maio de 1993 e agosto de 1993. [...] Assim, decidiu aquele Colegiado por afastar a tributação pelo PIS e COFINS das receitas financeiras por não se enquadrarem no conceito de faturamento estabelecidos nas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70. No entanto, a discussão posta no recurso especial referese à possibilidade de inclusão das receitas financeiras no conceito de faturamento para fins de tributação pelo PIS/Pasep, frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Tratase, portanto, de matéria estranha à lide, na medida em que não era aplicável a Lei nº 9.718/98 aos fatos geradores abrangidos por esta autuação, nem mesmo foi utilizado como razão de decidir do acórdão recorrido. Por conseguinte, os paradigmas trazidos pela Recorrente não se prestam a comprovar a divergência jurisprudencial, pois no acórdão nº 20401.643, único julgado aceito como paradigma no despacho de admissibilidade, foi decidido pela manutenção do "[...] lançamento de ofício da Contribuição sobre as receitas financeiras porque, não havendo Resolução do Senado Federal a retirar a eficácia da norma impositiva, nem ato do Presidente da República, determinado a extensão dos efeitos jurídicos da decisão proferida nos Recursos Especiais mencionados, prolatadas em controle difuso, não pode e nem deve a administração, e, por conseguinte, seus órgãos julgadores, estender, sponte própria, os efeitos das decisões da Suprema Corte proferidas em casos concretos". No julgado paradigmático, portanto, foi enfrentada a alegação de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, concluindo pela impossibilidade de lhe negar vigência, já que naquela época ainda não decidida a questão em sede de repercussão geral pelo STF. Não adentra à análise do conceito de faturamento à luz da LC nº 07/70, Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10070.002100/200190 Acórdão n.º 9303006.462 CSRFT3 Fl. 1.770 8 fundamento utilizado no acórdão recorrido e aplicável aos fatos geradores deste processo administrativo. Inexistente, assim, a necessária divergência jurisprudencial, tendo em vista que os acórdãos recorrido e aquele indicado como paradigma tratam de materialidades distintas, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, ausente a comprovação da divergência jurisprudencial, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1775DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002818/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETO-LEI 1455/76. ÔNUS PROBATÓRIO.
A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfaz-se quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. As demonstrações feitas pela fiscalização devem ser amparadas por documentação que atestam a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Ônus probatório da simulação é do fisco.
Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas em declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO.
Segundo o art. 124, I do CTN, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie ou que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
O real adquirente na importação por conta e ordem sua é solidariamente responsável pelas infrações, ficando sujeito à aplicação de penalidades.
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATERIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2), pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confíscatório da multa substitutiva do perdimento de mercadoria.
APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI N° 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 tutela bem jurídico distinto da multa prevista no art. 23, §§ 1º e 3º do Decreto-Lei nº 1.455/72, portanto, incabível considerar sua retroatividade e caráter substitutivo.
É multa que substitui a sanção de inaptidão da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar o crédito tributário lançado, exceto em relação às mercadorias declaradas na adição nº 001, da DI nº 04/1036735-9, e na adição nº 003 da, DI nº 04/0400896-2, para manter a exigência da multa substitutiva do perdimento e dos juros de mora, em relação à Proad Importadora e Exportadora Ltd e à Photolab Digital Comércio e Serviços Ltda. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETO-LEI 1455/76. ÔNUS PROBATÓRIO. A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfaz-se quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. As demonstrações feitas pela fiscalização devem ser amparadas por documentação que atestam a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Ônus probatório da simulação é do fisco. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas em declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. Segundo o art. 124, I do CTN, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie ou que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O real adquirente na importação por conta e ordem sua é solidariamente responsável pelas infrações, ficando sujeito à aplicação de penalidades. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATERIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2), pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confíscatório da multa substitutiva do perdimento de mercadoria. APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI N° 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 tutela bem jurídico distinto da multa prevista no art. 23, §§ 1º e 3º do Decreto-Lei nº 1.455/72, portanto, incabível considerar sua retroatividade e caráter substitutivo. É multa que substitui a sanção de inaptidão da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte
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OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETOLEI 1455/76. ÔNUS PROBATÓRIO. A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfazse quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. As demonstrações feitas pela fiscalização devem ser amparadas por documentação que atestam a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Ônus probatório da simulação é do fisco. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas em declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. Segundo o art. 124, I do CTN, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 18 /2 00 6- 72 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 94 2 ou dela se beneficie ou que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O real adquirente na importação por conta e ordem sua é solidariamente responsável pelas infrações, ficando sujeito à aplicação de penalidades. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATERIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2), pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confíscatório da multa substitutiva do perdimento de mercadoria. APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI N° 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 tutela bem jurídico distinto da multa prevista no art. 23, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/72, portanto, incabível considerar sua retroatividade e caráter substitutivo. É multa que substitui a sanção de inaptidão da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar o crédito tributário lançado, exceto em relação às mercadorias declaradas na adição nº 001, da DI nº 04/10367359, e na adição nº 003 da, DI nº 04/04008962, para manter a exigência da multa substitutiva do perdimento e dos juros de mora, em relação à Proad Importadora e Exportadora Ltd e à Photolab Digital Comércio e Serviços Ltda. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Fl. 654DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 95 3 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.º do Decretolei n.º 1.455/76, com redação da Lei n.º 10.637/2002, no valor de R$271.952,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e Photolab Digital Comércio e Serviços Ltda, como responsável solidária. Segundo o que consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 01/14, a autuada PROAD foi selecionada para os procedimentos de fiscalização de que trata a IN SRF n.º 228/2002, tendo em vista a constatação de que após a habilitação provisória concedida nos termos da IN SRF 286/2002, houve um aumento expressivo das importações, acima da previsão feita no ato da concessão, e um aumento das ocorrências cadastradas no sistema Radar referentes aos despachos de importação. Cientificada do procedimento especial de fiscalização, após intimação, apresentou documentos e esclarecimentos a respeito de suas atividades. Com base na análise desta documentação, a fiscalização apurou a ocorrência de irregularidades que consistiam na simulação de operações de comércio exterior por conta própria, quando na verdade tratavamse de importações por conta e ordem de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas. Às fls. 05/09 do Auto de Infração estão transcritos os dados constantes do Livro Razão dos anos 2004 e 2005 onde foram registrados lançamentos nas contas “Clientes Nacionais” do ativo e “Adiantamentos de Clientes” do passivo. Nestas contas aparecem valores que correspondem aos recursos monetários antecipados pelos clientes para as importações feitas pela PROAD, como se fossem por conta própria. A PROAD efetuou as importações, pagando todas as despesas de nacionalização e emitiu notas fiscais de compra e venda, remetendo as mercadorias aos adquirentes. Alega a fiscalização que a empresa teria obtido vantagem com o pagamento a menor dos impostos devidos além de evitar que os reais adquirentes das mercadorias importadas se apresentassem à fiscalização aduaneira, sem habilitaremse como operadores de comércio exterior. A Photolab Digital Comércio e Serviços Ltda, empresa atuada como solidária, foi a adquirente das mercadorias importadas da exportadora Source One Trading dos EUA. A fiscalização por ocasião do registro da DI n.º 04/10367359 localizou na carga os Invoice e Packing List originais para uma das mercadorias declaradas na adição 01 (fls. 28), descrevendo a venda da mercadoria por Pakon Inc – EUA para a Photolab do Brasil com embarque para a Photolab dos EUA. Além disto, o preço da mercadoria era 10 vezes superior ao constante na fatura que instruiu o despacho. Salienta que nas DI’s de importação de Fl. 655DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 96 4 mercadorias que foram “vendidas” à Photolab havia a referência ao importador “N/PHO...”, numa clara indicação de quem seria o destinatário das importações (fls. 101/112). Na planilha de fls. 113 constam as importações feitas pela PROAD que se destinavam à Photolab e os valores correspondentes a cada uma. Às fls. 96/100 estão as cópias do Livro Razão, conta “Antecipação de Clientes”, com os valores pagos pela empresa Ptholoab à Proad nos anos de 2004 e 2005. Tendo concluído pela ocultação do real adquirente, com simulação no registro das importações feitas por conta e ordem de terceiros, a fiscalização lançou a multa por conversão da pena de perdimento, nos termos do art. 23 da DecretoLei n.º 1.455/1976. Intimadas, as interessadas apresentaram impugnações com as seguintes alegações: Impugnação da PROAD (fls. 116/187): 1 Alega a impugnante que foi incluída no procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF n.º 228/2002 sem que tenha sido informada dos atos administrativos que balizaram tal procedimento. Que com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.º 0727600 200500274 6, a fiscalização reuniu atos e documentos que originaram o processo administrativo n.º 12466.000528/200694, que trata da representação para fins de inaptidão de CNPJ. No entanto este MPF foi emitido para verificação do recolhimento de II no período de 01/2003 a 07/2005, tendo sido prorrogado por duas vezes até o dia 04/03/2006. Portanto alega que o procedimento de que trata a IN SRF n.º 228/2002 foi nulo já que o MPF expedido foi para apuração de II. Além disto a fiscalização não demonstrou naquele processo administrativo a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Também foi excedido o prazo para sua conclusão em aproximadamente 8 meses, sem que houvesse justificativa devidamente documentada nos autos. Por todas estas razões, é nulo o procedimento instaurado contra a peticionária e nulo, por conseqüência, o auto de infração originado dele e instaurado através do presente processo. 2 Refuta a afirmação da fiscalização de que sua habilitação no siscomex era provisória, haja vista que não foi notificada sobre a vigência da habilitação e ainda que o processo foi encaminhado ao arquivo não havendo pendências, portanto, neste particular. Afirma também que o embasamento no art. 33 da IN SRF n.º 455/2004 (revisão das habilitações) para o procedimento especial de fiscalização é decadente haja visto que além de não ser provisória sua habilitação ainda não foi intimada da revisão de sua habilitação. 3 A finalidade da empresa sempre foi o lucro. Nos anos anteriores a sua habilitação o foco da empresa estava Fl. 656DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 97 5 direcionado a atividades de venda no atacado e varejo de produtos adquiridos no mercado nacional, além da prestação de serviços de consultoria. De acordo com os próprios dados levantados pela fiscalização quanto a previsões e importações realizadas pela interessada, não há demonstração de que a mesma obteve habilitação no Radar iludindo a fiscalização. Quanto ao volume de ocorrências após a habilitação, isto se deve ao fato de que se aumentou o volume de operações, também aumentou o número de ocorrências. Mesmo assim estas ocorrências foram suportadas pela PROAD demonstrando a idoneidade da empresa. 4 A PROAD além das atividades de comércio exterior também atua na área de informática e tecnologia, fornecendo mercadorias para órgãos privados e públicos através da participação em licitações. O cliente procura o setor de venda da empresa e verifica se existe mercadoria disponível em estoque ou para fornecimento num prazo determinado, pouco interessando a este cliente a origem da mercadoria. Geralmente é feito uma antecipação parcial do pagamento para garantir o negócio, como é normal em qualquer empresa comercial. Caso não seja cumprido o acordado o cliente requererá a devolução do valor pago antecipadamente, o que será arcado e suportado pela PROAD. Por esta razão tratase de adquirente de boafé, que compra o bem importado no mercado interno, de estabelecimento idôneo, mediante entrega de nota fiscal. Junta acórdãos do STJ quanto à presunção de boafé do adquirente. 5 Para que seja aplicada a pena de perdimento, nos termos do DecretoLei n.º 1.455/1976 é necessário que seja provada a existência de fraude, simulação ou de interposição fraudulenta. Não houve a fraude nos termos da Lei n.º 4.502/64, art. 72, já que não houve interferência de um terceiro na cadeia de circulação de mercadoria, de forma intencional para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o recolhimento de tributos, objetivando a ocultação do real beneficiário da operação. A interposição fraudulenta que a lei coíbe não é qualquer interposição de terceiros que é um fenômeno natural no processo de produção e circulação de bens, que decorre da própria necessidade de especialização de atividades. A lei prescreve um indício que permite presumir a interposição fraudulenta nos casos em que não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Somente nesta hipótese há a presunção de interposição fraudulenta. E isto não se confunde com recebimento antecipado de clientes que é uma espécie de arras ou mesmo garantia da celebração do negócio jurídico. Haveria de se constatar que a empresa importadora só teve condições de efetuar a operação mediante o recebimento antecipado dos recursos, o que não se deu com a interessada que é empresa que possui recursos próprios para suportar todas as operações de comércio exterior por ela realizadas, conforme comprovam os extratos financeiros que sempre estiveram à disposição da fiscalização. Desta feita não foi comprovada a inexistência de capacidade financeira da PROAD para realizar as importações. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 98 6 Desse modo, o recebimento antecipado das operações não caracteriza de forma isolada a interposição fraudulenta de terceiros, devendo ser conjugada com outros elementos. Todos os pagamentos antecipados por clientes estavam devidamente escriturados, não havendo aí simulação de operação por conta própria. 6 A fiscalização se baseou na presunção de que todas as operações feitas com recebimento antecipado de clientes foram feitas mediante a utilização de recursos de terceiros, e por conseguinte, deveriam ser tratadas como por conta e ordem destes. O recebimento antecipado é apenas um indício de utilização de recursos de terceiros. Todavia se a empresa escritura em sua contabilidade esses adiantamentos, eles passam a ser recurso próprio da empresa, principalmente porque eles não são essenciais à concretização da operação, visto que a importadora possuía capacidade financeira para operar sem o recebimento deste recurso. Até porque dentre os vários autos de infração lavrados pela fiscalização, há alguns clientes indicados como adquirentes que ainda são devedores da PROAD mesmo tendo realizado algum adiantamento. A previsão de sinal é um negócio lícito nas operações de compra e venda, razão pela qual o simples adiantamento não pode descaracterizar a operação por conta própria da PROAD. Caso a empresa não possuísse fontes para financiamento próprio poderia a interpretação da fiscalização estar correta, mas isto não foi em nenhum momento questionado no Relatório Fiscal como razão para aplicação da penalidade. Então somente quando a capacidade financeira não for comprovada é que se pode ser evidenciada a interposição fraudulenta de terceiros. 7 Para aplicação da pena de perdimento é preciso que a conduta se enquadre em infrações como a fraude e simulação, de apuração subjetiva, sendo indispensável a prova concreta de sua ocorrência. A presunção do art. 27 da Lei n.º 10.637/2002 é inaplicável e como não foi comprovada a fraude ou simulação, é indevida a aplicação da pena em comento. 8 Quanto aos argumentos utilizados pela fiscalização como fatos causadores da infração, alega o seguinte: o subfaturamento não é motivo para descaracterizar uma operação por conta própria. Além do mais a empresa promoveu o pronto recolhimento dos tributos. É irrelevante o fato de a empresa Photolab não ser habilitada a operar no comércio exterior e também não teria acesso a estes dados. O fato dos pagamentos antecipados coincidirem com as datas das despesas realizadas na operação de importação não significa que a PROAD não tinha capacidade econômica para suportála. Com relação ao fato de a PROAD revender exclusivamente as mercadorias importadas somente para a Photolab, não foi comprovado pela fiscalização que a recíproca também ocorria, ou seja, que a Photolab adquiria as mercadorias somente da PROAD e assim caracterizaria a exclusividade que ligaria a exportadora à Photolab. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 99 7 9 A fiscalização alega que houve recolhimento a menor de IPI devido, visto que foi calculado sem a majoração do preço da mercadoria pela margem de lucro do real comprador. Desta forma o prejuízo ao erário seria esta diferença ínfima de imposto, o qual não foi sequer mensurado pela fiscalização. Também é falaciosa a alegação de que deixou de ser tributada no IRPJ e CSLL sobre os ganhos obtidos com a prestação de serviços. Pressupõese que seja do conhecimento dos auditores da receita federal que o benefício do FUNDAP (incentivos financeiros) já promove o retorno financeiro para as empresas fundapianas, não havendo espaço para cobrança de operações realizadas por conta e ordem de terceiros, face à concorrência entre as beneficiárias. Portanto não existindo esta cobrança, não que se falar em ISS e quanto aos outros tributos, todos foram recolhidos sobre a margem de lucro embutida na revenda da mercadoria. Não existiu prejuízo algum ao fisco. 10 Requer ao final que seja julgado insubsistente o auto de infração, tendo em vista que as irregularidades apontadas não caracterizam interposição fraudulenta de terceiros ou qualquer outra que implique na aplicação de pena de perdimento de mercadoria. Requer também a produção de provas, em especial a documental, pericial e testemunhal, para análise de todas as questões envolvidas no caso vertente. Impugnação da Photolab (fls. 156/187): 1A impugnante é empresa que atua no ramo fotográfico e na época dos fatos fez pesquisa no mercado para aquisição de insumos e a PROAD lhe ofereceu atendimento diferenciado, com catálogos de venda que dispunha, podendo atendêla em prazo razoável. Nunca tomou conhecimento acerca da origem dos produtos (se importados ou adquiridos pela PROAD de uma importadora). Para garantia do negócio a PROAD exigia uma antecipação do valor contratado, não estipulando exclusividade para comercialização dos produtos. 2 A antecipação de parte do pagamento é legal e plenamente concebida pela legislação pátria. É de se ressaltar que a única vez que a impugnante fez uma importação via contato direto com o exportador foi exatamente na importação amparada pela DI n.º 04/10367359, quando por equívoco houve remessa do invoice em nome da Photolab. Nunca exigiu qualquer providência ou condição para fornecedora. 3 Não houve simulação pois a impugnante fez uma operação comercial no mercado interno e não contratou a PROAD para importar para si. Também nunca omitiu as operações que realizou, estando tudo devidamente registrado em seus livros fiscais e contábeis, encontrandose à disposição do fisco. A impugnante não fez encomenda, apenas fez antecipações de pagamentos para garantir a compra dos bens constantes do pedido. Sempre agiu de boafé. 3 O DecretoLei n.º 1455/1976 dispõe que o dano ao erário é verificado em operações de importação. Se houve infração, esta Fl. 659DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 100 8 se deu no âmbito da importação e não da venda para o mercado interno. 4 O Regulamento Aduaneiro ao dispor sobre os sujeitos passivos pelo imposto define nos art. 104 e 105 os responsáveis pelo imposto e os responsáveis solidários em relação ao imposto. Assim, mesmo não sabendo que seus recursos foram utilizados pela PROAD para proceder às importações, ainda poderia ser responsabilizada somente pelo imposto e não pela penalidade. 5 Quanto ao dano ao erário também não ocorreu pois não houve simulação e todos os recursos e transferências estão comprovados nos livros das empresas. 6 Quanto à solidariedade, alega que é impossível aplicar a responsabilidade solidária por presunção. A presunção legal é válida para imputação da responsabilidade objetiva, pagamento de imposto, mas nunca pode ser utilizada para responsabilidade subjetiva para pagamento de penalidade. 7 As disposições contidas no art. 27 da Lei n.º 10.637/2002, que cria a presunção de importação por conta e ordem para fins de aplicação dos arts. 77 a 81 da MP n.º 2.15835/2001, não é razoável diante da qualidade específica de cada comando jurídico. A responsabilidade penal é individual e somente pode ser atribuída a quem lhe deu causa. A penalidade não pode transcender à pessoa do infrator e cabe ao intérprete da norma adequar os enunciados jurídicos em conformidade com direito positivo. Não houve simulação, conforme comprova a operação comercial realizada e não pode haver aplicação de penalidade por presunção da presunção. 8 Contesta a aplicação da IN SRF n.º 228/2002, e o procedimento especial de fiscalização, por entender que é ilegal e inconstitucional. Cita o Conselheiro Luiz Antonio Flora acerca da matéria. 9 A autuada PROAD assumiu integralmente a sua responsabilidade pelos fatos e por isso não pode a impugnante, inocente, ser responsável solidária da pena. 10 Alega a que a multa é abusiva, desproporcional e não atende ao princípio da razoabilidade. Protesta pela inconstitucionalidade da multa com natureza confiscatória e junta jurisprudência sobre o assunto. 11 Requer o cancelamento da taxa Selic por entender que a mesma viola o art. 150, I, da Constituição Federal. 12 Ao final requer que seja excluída da responsabilidade solidária por não figurara no pólo passivo da pena de perdimento convertida em pecúnia. Protesta pela juntada de novos documentos no prazo de 60 dias e que a intimação seja feita em nome do representante legal da empresa no endereço que indica. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 101 9 É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0717.660, sessão de 25/09/2009, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. SOLIDARIEDADE. PENALIDADE. REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. O real adquirente na importação por conta e ordem sua é solidariamente responsável pelas infrações, ficando sujeito à aplicação de penalidades Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Submetido a julgamento nesta Turma, na sessão de 03/02/2011, acórdão nº 3201000.191, após reconhecer a tempestividade dos recursos voluntários e conhecêlos quanto aos demais requisitos, decidiu os conselheiros em converter o julgamento em diligência para que na Unidade de Origem providenciasse: (i) juntada de cópias de todas as DI´s e Notas Fiscais de saída constantes da planilha de fls. 26/27; informasse se (ii) a antecipação de pagamento mencionada no AI ocorria de forma integral ou parcial. Se parcial, qual seria o percentual; (iii) a Proad, mesmo sem as referidas antecipações, detinha capacidade financeira para suportar as importações que realizava; e (iv) para fins de conversão da pena de perdimento em multa, as recorrentes foram intimadas a apresentar ou indicar o paradeiro das mercadorias importadas objeto deste processo. O relator fundamentou sua proposta conforme extraise de excerto de seu voto: Este processo é um dentre outros que versam sobre o mesmo tema. Interessante ressaltar que nos autos do processo n.º 12466.002817/200628, a própria DRJ de Florianópolis entendeu por bem afastar o lançamento, tendo em vista incongruências na prova da infração cometida. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 102 10 Como este processo segue a mesma sistemática do antes informado, entendo relevante baixar o mesmo em diligência para juntada dos documentos relativos à planilha de fls. 26/27 (DI´s e Notas Fiscais de saída), bem como para fins de complementação de informações deste Relator. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora: 1 – junte aos autos cópias de todas as DI´s e Notas Fiscais de saída constantes da planilha de fls. 26/27; 2 informe se a antecipação de pagamento mencionada no AI ocorria de forma integral ou parcial. Se parcial, informar qual o percentual; 3 – Informar se a Proad, mesmo sem as referidas antecipações, detinha capacidade financeira para suportar as importações que realizava; e, 4 – informar se, para fins de conversão da pena de perdimento em multa, as recorrentes foram intimadas a apresentar ou indicar o paradeiro das mercadorias importadas objeto deste processo. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar,querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. A ALF/Porto de Vitória elaborou informação fiscal em atendimento às solicitações do acórdão nº 3201000.191 com a ressalva de haver colacionado apenas os documentos relacionados às operações em que a PHOTOLAB foi identificada, as quais sintetizo: As cópias dos documentos instrutivos das declarações de importação (DI), relacionadas na planilha às fls. 95, constam das das fls. 16 a 94 e do Anexo “ Declarações de Importação em 2004 e 2005”; As cópias das notas fiscais de saída encontramse às folhas 219/274; As antecipações de recursos advindos da PHOTOLAB ultrapassaram os valores dos registros das vendas; Informa que a capacidade financeira da PROAD não é resultado de sua própria capacidade econômicaoperacional, de forma que os saldos positivos [devedores] das contas do AtivoCirculante é somente foi possível com as transferências; Adicionalmente, outras fontes de financiamento não seriam suficientes para que a PROAD arcasse com os dispêndios das operações declaradas como próprias. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 103 11 Na sequência, providenciou as ciências da PROAD, PHOTOLAB e Procuradoria (fls. 642/649) Com essas informações, o processo retornou ao CARF providenciandose nova redistribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Há matérias preliminares e de mérito suscitadas pela PROAD e PHOTOPLAB a serem enfrentadas; as primeiras dividemse em tópicos de nulidade suscitados pelas recorrentes. Preliminares 1. Nulidade do MPF A recorrente argui a nulidade do auto de infração por entender irregularidades no conteúdo (alcance do objeto) e validade (prorrogações) do MPF. Se razão a recorrente. Verificase que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nº 07.2.76.00 2005002746 foi emitido para o procedimento de fiscalização do imposto de importação, com abrangência para o período de 01/2003 a 07/2005 e que amparou tanto o procedimento especial da IN SRF 228/06 bem como a presente autuação, conforme apontado à fl. 03: Esta conclusão está lastreada no trabalho de diligência e evidenciada na documentação apresentada durante a ação fiscal emanada do MPF n° 0727600 2005 00274 6, compondo o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, que passa a fazer parte integrante e inseparável desta Representação. Segue a imagem do MPF que se encontra no nº 12466.002820/200641, de representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da PROAD (fl. 04): Fl. 663DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 104 12 No procedimento fiscal, o MPF foi regularmente prorrogado (fl. 05): Fl. 664DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 105 13 É pacífico nas Turmas deste Conselho que eventuais irregularidades formais ou materiais no MPF não são passíveis de nulidade do procedimento fiscal ou auto de infração, mormente em virtude de ausência de prejuízo à parte; ademais, é instrumento de controle interno de procedimentos fiscais. Nesta turma, o entendimento é unânime, como exarado no acórdão nº 3201 003.146, sessão de 25/09/2017, de relatoria do conselheiro Windereley Morais Pereira: MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. 2. Nulidade por cerceamento do direito de defesa: falta de apreciação do pedido de perícia Suscita a recorrente em sede de recurso voluntário a negativa da decisão recorrida em apreciar seu pedido de perícia técnica. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 106 14 A perícia solicitada na impugnação encontrase no bojo do pedido genérico de produção de provas1 (fl. 130), e como tal foi enfrentado pela DRJ, como se vê: Quanto ao pedido feito pelas impugnantes para juntada posterior de documentos, esclareço que todos os elementos de prova, em especial os documentais a que se referem as interessadas, devem ser apresentados juntamente com a impugnação nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal). De qualquer não há como deferirse pedido genérico de juntada de documentos sem o motivo de sua necessária postergação. Por estas razões, indefiro o pedido das impugnantes. Ainda assim, o pedido de perícia fezse sem os requisitos de sua postulação previsto no art. 15, parágrafo único, inciso IV do Decreto 70.235/72. Sem razão a recorrente quanto ao cerceamento do direito de defesa por indeferimento/não apreciação ao pedido de perícia técnica. 3. Nulidade do procedimento especial de fiscalização No tópico, a alegação é de nulidade do procedimento especial de fiscalização instaurado contra si nos termos da IN SRF n.º 228/2002, para verificação das operações de comércio exterior. A principal acusação é refutar a regularidade do MPF que fundamentou o procedimento que constatou a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Tal procedimento especial é de cunho fiscalizatório aduaneiro e cabe ao titular da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa determinar o início e o andamento da mesma. No caso, o seu resultado é que implicou a instauração de processo com vistas a aplicação da pena de perdimento, este sim, sujeito e submetido à julgamento na esfera administrativa. Não há, portanto, qualquer nulidade no presente processo com referência a estas questões trazidas pela impugnante. Mérito No mérito a PROAD e a PHOTOLAB manifestam irresignação em face da manutenção da aplicação da multa substitutiva do perdimento ancorada nos argumentos de defesa de: (i) inocorrência da importação por conta e ordem de terceiro, (ii) ausência de comprovação pela fiscalização da ocultação do real adquirente, (iii) inexistência de prática de fraude ou simulação, (iv) não comprovação do dano ao Erário e o prejuízo causado, (v) falta de demonstração de irregularidades, (vi) imputação da responsabilidade solidária pelo crédito tributário (PHOTOLAB); (vii) abusividade da multa de ofício aplicada (PHOTOLAB); e (viii) juros de mora impossibilidade da aplicação da taxa Selic (PHOTOLAB). 1 "Requerse, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a documental suplementar, a pericial e a testemunhal, haja vista a necessidade de analise mais acurada das operações analisadas pelo Fisco no caso vertente e o exíguo prazo para a análise de todas as questões envolvidas no caso vertente." Fl. 666DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 107 15 O fundamento da autuação fiscal recaiu na prática de simulação das importações de mercadorias promovidas pela PROAD, declarandoas "por conta própria", mantendo oculta a real adquirente, incidindo, assim, na prescrição dos comandos dos artigos 23, inciso V e parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Portanto, a acusação fiscal é de dano ao Erário causado pela importação de mercadoria com a prática de ocultação do real adquirente, mediante simulação, a qual doutrinariamente denominase "interposição ou ocultação fraudulenta comprovada", em distinção àquela presumida (§ 2º do art. 23 do DL 1455/76). O mérito do litígio trata da acusação de interposição fraudulenta de terceiro (PROAD) na importação de mercadoria em que a fiscalização atribuiu a condição de real adquirente e responsável pela operação de comércio exterior à empresa PHOTOLAB, que fora ocultada nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação. Cumpre, assim, analisar a operação em comento à luz da legislação que rege a matéria. A ocultação dos reais intervenientes configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A interposição fraudulenta que trata o comando legal é aquela em que um terceiro participa na operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, utilizandose de artifícios fraudulento ou simulado. Significa que aquele que deveria configurar no polo passivo da relação jurídica aduaneira como importadoradquirente da mercadoria estrangeira investe um terceiro, Fl. 667DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 108 16 por interposição, como se titular fosse das obrigações decorrentes, omitindo o verdadeiro negócio jurídico realizado sob a forma de outro diverso. A interposição comprovada modalidade prevista no inciso V do art. 23 do DL 1455/76 que exige a fraude ou simulação, deve reunir provas diretas ou indiretas que apontam, sem sombra de dúvida, tratarse de uma evidente incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Ou seja, devese provar a ocorrência da infração (materialidade) e de sua autoria (importação foi efetuada em favor de terceira pessoa, o qual conduziu e pagou pela compra internacional ordem e risco) Como consequência, a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior é tipificada como conduta de dano erário punível com a pena de perdimento. Dano ao erário O dano ao erário, figura que abarca rol exaustivo nos incisos I a V do art. 23 do DL 1.455/76, expressa situações em que o bem tutelado é o controle aduaneiro. A Aduana brasileira alocada na estrutura funcional da Receita Federal exerce o controle aduaneiro que envolve uma gama de procedimentos executados com vistas à proteção das fronteiras do País, como efetivo exercício da soberania nacional, em relação a diversas demandas objetos do interesse público em áreas como segurança pública, meio ambiente, patrimônio cultural, concorrência desleal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas. Assim, o dano que exsurge na seara aduaneira não visa apenas questões tributárias, mas sim a proteção do País em relação aos mais diversos ilícitos. O combate e aplicação de sanções à interposição fraudulenta de pessoas em operações de comércio exterior foram implementados com o objetivo de exercer um controle efetivo sobre a parcela de operadores que praticam as mais diversas fraudes aduaneiras. O dano ao erário não está relacionado à eventual prejuízo pecuniário, ocorre por violação ao controle político do Estado, na espécie, o aduaneiro. Constitui, portanto, uma infração de mera conduta, tornandose desnecessário a apuração de eventual economia tributária; inócua também a discussão sobre sua existência, eis que decorre de expressa disposição legal. De se ressaltar, contudo, que não se dispensa na conduta considerada dano ao Erário a intenção dolosa de praticar a fraude ou simulação, com fins à interposição de terceiro na operação de comércio exterior. A fraude ou simulação não comporta a figura culposa, depende sim da intenção deliberada do agente em praticar o ato ilícito. O dolo estará caracterizado uma vez que na demonstração do ato ilícito fraude ou simulação há de se aflorar qual a real intenção e características da operação. Infração tipificada como dano ao erário Fl. 668DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 109 17 A tipificação da infração considerada dano ao erário é a ocultação de pessoas participante da operação de comércio exterior cuja materialidade se traduz na ação de encobrir ou esconder das autoridades aduaneiras os verdadeiros agentes dessas operações, deixando de informar corretamente nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e na própria Declaração de Importação DI. Contudo não é qualquer ocultação a ser apenada; há aquelas plenamente lícitas, v.g, a ocultação de fornecedores ou clientes para a realização de negócios sob o manto do "segredo comercial", prática mercantil lícita. Apenada será aquela com a prática deliberada de fraude ou de simulação, o que caracterizaria a conduta típica prevista no comando do DL 1455/76. A intenção de ocultar pessoas envolvidas da operação implica a utilização de meio ardiloso, com recurso fraudulento ou simulado para o alcance do objetivo. De observar que no caso de interposição fraudulenta, a fraude não está relacionada apenas à questão tributária (ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar suas características essenciais), isto porque envolve situações atinentes ao controle aduaneiro. Dito de outra forma, apontase para a possibilidade de fraudar com vistas à ocultação de pessoas, sem qualquer conotação tributária. Em relação à simulação, é aquela conceituada no código Civil2 que confere o significado de, em um negócio jurídico, formalizar algo diferente da realidade dos fatos, dandolhe uma forma jurídica não correspondente à realidade, tendo em vista lesar terceiro. Luís Eduardo Garrosino Barbieri bem exemplifica a simulação no despacho aduaneiro: Em regra, as partes envolvidas, em conluio, acordam o ato simulatório, de modo a assentar o que será declarado às autoridades aduaneiras em divergência da realidade dos fatos (p. ex. informase na declaração de importação que a modalidade de importação é por conta própria, quando na realidade há uma terceira pessoa o real adquirente conduzindo toda a operação). (BARBIERI, Luís Eduardo G.. Coord. Demes Brito. Questões controvertidas do direito aduaneiro. Artigo: Interposição fraudulenta de pessoas. São Paulo: IOB SAGE: 2014, p. 423424) Comprovação do dolo 2 Lei nº 10.406/2002 Art. 167 (...) § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 110 18 Entendo imprescindível a comprovação do dolo por parte da fiscalização para a tipificação da interposição fraudulenta de pessoas, na situação do inciso V do art 23 do DL 1455/76, ou seja, a denominada "ocultação comprovada". O legislador atribuiu a responsabilidade subjetiva à infração de interposição fraudulenta, clara situação de excepcionalidade à regra de responsabilidade objetiva no bojo do § 2º do art. 94 do DL 37/66, e, igualmente, à do art. 136 do CTN. Assim, a responsabilização pela infração depende da intenção de ocultação dos partícipes da operação, materializada na utilização de meios fraudulentos ou simulados. Mais uma vez o ensinamento de Barbieri: O legislador, a nosso ver, prescreveu a necessidade da comprovação da conduta dolosa em caso de ocultação dos agentes envolvidos na operação. Quem comete fraude ou ato simulado o faz com manifesta intenção de enganar alguém, causandolhe prejuízo, imbuído de máfé. Na ocultação, alguém, dolosamente, por meio de fraude ou simulação, esconde ou encobre o verdadeiro beneficiário da transação e, na maioria das vezes, o mentor intelectual da operação. Há a deliberada intenção de causar dano ao Erário, bem como a terceiras pessoas jurídicas nos casos de concorrência desleal, pirataria ou contrafação. Assim, na análise da regularidade de uma operação de importação, caso se constate a existência de omissão de informação sobre algum agente envolvido na operação (sujeito passivo, o real vendedor, o real comprador ou o responsável pela operação), é importante verificar se restou comprovada a ocorrência de fraude ou simulação com propósito da ocultação do responsável pela operação. A prova da ocorrência da infração aduaneira, portanto, deve ser feita demonstrandose a existência de conduta dolosa fraude ou simulação na ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do real comprador ou de responsável pela operação. (BARBIERI, Luís Eduardo G.. Coord. Demes Brito. Questões controvertidas do direito aduaneiro. Artigo: Interposição fraudulenta de pessoas. São Paulo: IOB SAGE: 2014, p. 427) De outra banda, a infração restará tipificada com a comprovação da ocultação do agente, por meio fraudulento ou simulatório, não se exigindo, para sua consumação, o fim alcançado com a conduta (resultado). José Fernandes do Nascimento3 leciona que a demonstração da ocorrência da infração de interposição fraudulenta depende da prova (imediata) da ocultação dolosa da pessoa interveniente na operação de importação, mediante (i) a identificação do real 3 NASCIMENTO, José Fernandes. Ensaio de Direito Aduaneiro. Org. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Raquel Segalla Reis. Artigo: As formas de comprovação da interposição fraudulenta na importação. São Paulo: Intelecto Soluções, 2015, p. 409410. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 111 19 interveniente ou beneficiário oculto na operação de importação; e (ii) a comprovação de que a ocultação do real interveniente ou beneficiário foi efetivada mediante fraude ou simulação. Repisase que a interposição, seja provada ou presumida, há de revelar que quanto ao interposto, e à operação de comércio exterior que declara realizar por sua conta (recursos próprios) e risco (ordem), há uma evidente incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Nesse mister, a fiscalização deve reunir provas diretas ou indiretas que apontam, sem sombra de dúvida, tratarse dessa incompatibilidade entre o negócio declarado e aquele de fato revelado na operação. Pontuam Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire que: Cabe enfatizar que a RFB recebe informações não verdadeiras, inidôneas, quando o importador de direito processa o despacho aduaneiro declarando na DI, ser o adquirente da mercadoria, responsável pela negociação comercial, quando, de fato, está ocultando o nome do verdadeiro adquirente, o que vem a caracterizar e tipificar a figura da interposição fraudulenta, mediante simulação e conluio, entre o importador e o real adquirente. [...] Nesses caso, a fiscalização, para identificar os participantes desta fraude, na busca de provas, precisa amparar sua fundamentação num conjunto de indícios, decorrentes de outros fatos [...]. (Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire. A interposição fraudulenta no comércio exterior. In A Prova no processo tributário.Coordenação de Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi e Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética: 2010, p. 144145) Atividade fiscal comprobatória da conduta dolosa: identificação do interveniente oculto e da fraude ou simulação Sem a pretensão de se elaborar rol exaustivo de meios de prova da conduta dolosa de ocultação do interveniente na operação de comércio exterior e da fraude ou simulação, propõese estabelecer pontos a serem identificados que podem conduzir o trabalho fiscal na atividade probatória. Importa asseverar que haverá situações que isoladas e de per si não passam de meros indícios mas que no conjunto reforçam ou convergem para a evidência da incompatibilidade da operação, na identificação do oculto e na fraude/simulação. O trabalho fiscal é apurar todas as provas e evidências da interposição trazendo à lume os fatos que em seu entender corroboram o conjunto probatório da interposição fraudulenta. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 112 20 Coligidas as provas aos autos, cabe ao julgador analisar o conjunto probatório, contrapondoos aos argumentos e provas em contrário do interposto e/ou do acusado interveniente, até que à luz dos fatos e sua subsunção ou não ao direito possa decidir. Portanto, importa ao julgador, com o fim de trazer justiça pela aplicação do direito analisar cada uma das acusações e argumentos contrários, ponderálos, balanceálos e decidir se a operação de comércio exterior é ou não eivada, por presunção legal ou conjunto probatório, da incompatibilidade entre o negócio declarado e o que se desnudou e revelou no plano fático. Assentadas as premissas, cumpre apontar os elementos que podem servir de provas diretas ou indiretas na atividade probatória da interposição fraudulenta comprovada. Comprovação do real adquirente na operação de importação: Deverá a fiscalização perquirir os elementos da operação relacionados a pessoas, documentos, logística com o fim de constatar e/ou demonstrar alguma(s) da(s) situação(ões): 1. Tratase do efetivo comprador da mercadoria no exterior, diretamente do fornecedor ou exportador, mediante assinatura de contratos e/ou condução das tratativas comerciais; 2. Tratase do efetivo provedor e/ou remetente dos recursos financeiros para a aquisição da mercadoria no exterior, diretamente ou na forma de adiantamento, anterior ao pagamento, ao importador interposto; 3. Tratase do responsável devedor pela assunção de dívidas relacionadas às mercadorias importadas; 4. Tratase do responsável por conduzir a negociação e logística de transporte/seguro da mercadoria procedente do exterior, ou seja, tem exerce efetivo comando e direção quanto aos trâmites de remessa da mercadoria importada ao País; 5. Documentos emitidos no exterior, em data que antecede a aquisição da mercadoria importada, trazem consignado o nome do real adquirente; 6. O processo de "follow the money" no pagamento da mercadoria ou dos tributos na importação revelam a intermediação irregular ou incomum do real adquirente; 7. Transferência de recursos do adquirente oculto ao importador ostensivo, anteriormente à compra internacional; 8. Celebração de contrato de prestação de serviços de importação entre importador ostensivo e real adquirente; 9. Outras provas de que o importador, ostensivo, o é somente na aparência. Comprovação da fraude ou simulação: Fl. 672DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 113 21 Deverá, também, perquirir outros elementos reveladores da operação e conduta dos intervenientes, que podem configurar alguma(s) da(s) situação(ões): 1. Existência de conluio entre importador ostensivo e real adquirente na prática de ato fraudulento ou simulado, em quaisquer das etapas de aquisição de mercadoria no exterior e/ou sua importação; 2. O recurso utilizado na aquisição da mercadoria no exterior e/ou no pagamento dos tributos e/ou outras despesas relacionadas com importação suportadas pelo real adquirente; 3. A operação por conta própria declarada foi simulada, e a importação verdadeira foi realizada por conta e ordem dissimulada; 4. Ocultação ocorreu mediante indícios de incapacidade operacional, econômica e financeira do importador, de subfaturamento na revenda da mercadoria ao real adquirente, de revenda com prejuízo ou com lucro reduzido; 5. A mercadoria importada não tem características de fungibilidade comercial, isto é, sua especificidade dificulta e/ou inviabiliza a revenda não é mercadoria de "prateleira"; 6. A mercadoria não se destina à comercialização a qualquer cliente de um mesmo ramo de atividade, em decorrência de sua especificidade; 7. Mercadoria é adquirida com especificações que a torna inservíveis a outros clientes; 8. O importador tem o conhecimento de que não poderá revender a mercadoria a qualquer clientes; 9. Mercadoria é exclusiva e/ou específica de uso do cliente adquirente; 11. Documentos ou logística de transporte após desembaraço aduaneiro revela mercadoria não entregue ao importador ou providências de remoção/retirada a cargo do adquirente oculto; 12. Permissividade do importador ostensivo em relação aos comandos diretivos do adquirente oculto na operação de importação ou na gestão empresarial do interposto; 13. Negócios mantidos entre as sociedades interposta e oculta revelam situação de sócios comuns, pessoas com incapacidade profissional na direção da interposta, sócios da interposta possuem vínculo trabalhista com a oculta, terceiros com poder de gerência procurações com plenos poderes; 14. Compartilhamento de instalações, pessoas, bens e despesas entre interposta e oculta; 15. Escrituração contábil e/ou fiscal da pessoa oculta revela provas negociação e/ou pagamento ao exterior realizada em relação à mercadoria importada pela pessoa interposta; 16. Adquirente da mercadoria importada é vinculado ao exportador ou fornecedor estrangeiro; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 114 22 17. Nota fiscal emitida pelo importador ostensivo na saída de mercadoria em revenda ao adquirente oculto revela custo unitário de mercadoria inferior ao preço unitário consignado na respectiva nota fiscal de entrada, considerandose as despesas e gastos incorridos após a chegada da carga, tais como: descarga, armazenagem, taxa de registro da DI, tributos incidentes na importação, despesas com despachante aduaneiro; 18. Constatação de outros fatos fraudulento ou simulado, com o objetivo de acobertar os referidos intervenientes e beneficiários. Diante das provas apontadas pela fiscalização a interposição fraudulenta somente restará comprovada se demonstrado que a auditoria fiscal não se limitou a simples enunciação dos fatos indiciários apresentados; ao contrário, realizou efetiva demonstração lógica da correlação dos fatos indiciários com as conclusões expostas tornando evidenciada a incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Da acusação fiscal e provas coligidas As importações de mercadorias declaradas nas DI nºs 04/10367359, exclusivamente na adição nº 001, e 04/04008962, exclusivamente na adição nº 003, terão analise em separada das demais operações em razão de peculiaridade que será abordada. De se apontar, inclusive, que as provas e fundamentos que sustentarão este voto no tocante a essas duas DI´s são distintos daqueles considerados no restante das importações. O que torna o presente processo diferente dos vários outros julgados neste CARF , inclusive neta Turma, que envolve a PROAD, na condição por si declarada de importadora direta (por sua conta e risco), é justamente a circunstância de exsurgir fatura comercial contrapondose integralmente, em forma e conteúdo, à apresentada para despacho aduaneiro de uma das mercadorias declaradas na adição 001, da DI nº 04/10367359, registrada em 14/10/2004 e desembaraçada em 08/03/2005. DI nº 04/10367359 fatura comercial encontrada na carga: Verificase nos autos que na conferência física da DI nº 04/10367359, AuditorFiscal localizou junto aos volumes da carga procedente do exterior a Invoice número 1642361, emitida em 05/10/2004 pela PAKON, INC, correspondente a venda, para a PHOTOLAB DIGITAL COM. & SVC. LTD, cliente identificado com o nº 817261, da mercadoria descrita como "F235 PLUS FILM SCANNER W/PSI, SOFT INSTALL. S/N 2903", pelo preço unitário de Usd 4.750,00, embarcado por PHOTOLAB DIGITAL CO C/O SOURCE ONE TRADING CO SOTC. Contrapõese à fatura comercial encontrada na carga outra apresentada formalmente às autoridades aduaneiras pela PROAD no despacho da DI nº 04/10367359, de nº 041008, emitida em 08/10/2004, pela SOURCE ONE T.C. S.O.T.C., com vários itens, sendo um deles identificado como "Pakon Scanner F235 W/PSI Install P/N 124539, Serial nº 2903. manufaturado por PAKON INC, declarado ao preço de usd 465.00. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 115 23 Portanto, para uma mesma mercadoria declarada e despachada pela PROAD, como de sua propriedade, há divergências quanto ao real adquirente, exportador e preço de aquisição. O despacho aduaneiro, que se encontrava na fase de conferência física foi interrompido e a PROAD intimada (fl. 172/173) a apresentar documentos oficiais e negociais, além de esclarecimentos comprobatórios que de fato a mercadoria era de sua propriedade e refletiam como verdadeiras as informações lançadas nos documentos apresentados juntamente com DI. Não houve nenhuma manifestação da PHOTOLAB, mesmo porque não foi instada a se pronunciar. Na resposta da PROAD (fls. 173/206), temse: Não apresentou cópia consularizada dos documentos de exportação da mercadoria, pois não são obrigatórios quando inferiores a Usd 2.5000 (dois mil e quinhentos dólares americanos); Apresentou cópia consularizada da fatura comercial apresentada no despacho; Declarou que adquiriu a mercadoria da empresa SOURCE ONE TRADING CO, pelo valor informado na invoice (consularizada), com quem manteve toda a negociação; Não apresentou qualquer documento relativo à fabricante Photolab Digital Co (EUA), sob a alegação de não a conhecer; Não possui qualquer contrato com a PHOTOLAB (Brasil); O produto é um scanner gerencial que possui software comercializado separadamente; A Photolab (Brasil) sondou, via telefone, a PROAD para adquirir o produto; Não há pedido oficial do cliente; A negociação com a Sorce One é via telefone e sistema MSN, portanto, não há documento relativo á operação. No recurso voluntário, a PROAD arguiu tãosó que o subfaturamento de preço não é motivo para descaracterizar a operação como própria. As informações consignadas na invoice encontrada junto à carga revela um fato que restou inarredável nos autos: a Photolab (Brasil) adquiriu o equipamento de nº série 2903 no dia 05/10/2004 da fabricante Pakon Inc, enviada para a Photolab digital CO, aos cuidados ("c/o", abreviado em inglês) de Source One Trading CO. A fiscalização oportunizou à Proad que comprovasse que a invoice 1642361 era inverídica ou não corresponderia à suposta realidade trazida naquela DI. Os Fl. 675DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 116 24 esclarecimentos fornecidos pela PROAD, acompanhados dos poucos documentos, não são suficientes para afastar a constatação de ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria, ao menos, em princípio, quando se referir às aquisições de mercadorias fabricadas pela PAKON INC. Os argumentos utilizados pela PROAD para infirmar que a Photolab Brasil é a real adquirente da mercadoria da invoice 1642361 além de frágeis não foram acompanhados de elementos comprobatórios. Serviram apenas para justificar a operação simulada, de aquisição pela PROAD de seu fornecedor Source One e posterior revenda à Photolab Brasil; e neste sentido os documentos correspondem à parte que permaneceu à mostra do Fisco. O atendimento ao termo de intimação certamente produziriam elementos que apontariam no sentido de comprovar a aquisição do equipamento do fabricante até a revenda à Photolab Brasil sem que esta participasse da negociação. A PROAD não se empenhou nesse mister. Não há documentos que comprovem a venda do fabricante (PAKON), ainda que por intermediário, à Source One. Ao contrário, a PAKON vendeu à Photolab Brasil remetendoa à Photolab EUA que enviou aos cuidados da Source One para providenciar o embarque ao Brasil e posterior entrega à Photolab Brasil, simulando uma operação de revenda no mercado nacional. A participação de empresa estrangeira na negociação internacional com nome quase idêntico à adquirente, revela vínculo e coloca a Photolab Brasil ao menos com potencial ciência da negociação; e prova em contrária não foi produzida, ao menos não se contestou a situação. As alegações de inexistência de documentos da negociação e dos procedimentos de exportação não correspondem à realidade de negociações internacionais, mormente quando diz respeito à fabricante localizado naquele país exportador. Vêse a conduta como recusa em revelar a transação comercial como de fato erigiuse na Invoice 1642361. Outrossim, não é crível que um documento oficial a invoice 1642361, restaria "perdida" juntamente a uma carga de equipamento fabricado pelo exportador (PAKON) indicado naquela invoice e cujo adquirente (Photolab Brasil), ali consignado, seria uma empresa que sequer saberia que futuramente iria adquirir a mesma mercadoria descrita no documento, de um importador (Proad) que informa desconhecer o fabricante e revende por preço quase dez vezes inferior. Cabe ainda ressaltar que o "pagamento" efetuado pela Phtolob Brasil à PROAD, pela "compra no mercador interno", foi no dia 11/10/2004 (antes da data do registro da DI 14/10/2004), data inclusive da liquidação da operação de câmbio, ou seja, compra e importação de mercadoria estrangeira com a utilização de recursos de terceiro, com a caracterização da interposição de terceiro, mediante simulação dolosa. Constatase também, que no campo de "Dados Complementares" da DI nº 04/10367359 (fl. 29) há a expressão "N/ RF: PHO 030/04", que diante das demais informações colhidas pela fiscalização leva à evidência de que se trata de uma referência à importação em que o "adquirente" está predeterminado. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 117 25 Cumpre a título de informação noticiar que a PROAD no curso do despacho aduaneiro efetuou a retificação da DI nº 04/10367359, apondo o valor de transação lançado na invoice emitida pela PAKON, recolheu a diferença de tributos completandose o despacho com o desembaraço aduaneiro e retirada da carga. Em seu recurso voluntário, a PHOTOLAB reconhece que o "caso" tratouse da única importação via contato direito com o exportador, porém, afirma que houve equívoco da remessa da invoice em seu nome. Vêse a imagem do excerto do recurso voluntário da PHOTOLAB (fl. 399) Tal declaração aclara por vez a intenção de ambos recorrentes: a importação foi conduzida em negociação direita entre a PHOTOLAB e a fabricante PAKON, contudo, esta "equivocouse", nas palavras da PHOTOLAB, e enviou a invoice verdadeira juntamente com a carga, com a indicação da real adquirente da mercadoria. Diante dos fatos, entendo com razão a fiscalização em apontar que as aquisições de mercadorias pela Photolab Brasil, produzidas pela PAKON e importadas e revendidas pela PROAD foram simuladas, com a finalidade de ocultação dolosa da real adquirente. DI nº 04/04008962, adição 003 fabricante PAKON A DI nº 04/04008962, registrada em 28/04/2004 e desembaraçada em 30/04/2004, tem na sua adição 003 a declaração de uma equipamento fabricado pela PAKON INC e exportado pela SOURCE ONE TRADING CO, com a referência "PHO22/04". Na fatura comercial emitida pela SOURCE ONE, está declarado a mercadoria "PAKON F235 Scanner W/PSI Install P/N 124539, Serial nº 2975, fabricada por PAKON, INC. Vêse que é importação semelhante à registrada na DI nº 04/10367359, com mesmo exportador e fabricante e a declaração de que se trata de uma importação direta pela PROAD. Entendo que uma vez comprovado que a Photolab negociava a compra de seus produtos diretamente com o fabricante PAKON, com a intermediação de empresa com relação de vínculo nos EUA, não é de esperar que operação, exatamente com as mesmas características, tenha se realizado sem a participação direta e efetiva da real adquirente. Isto é, Fl. 677DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 118 26 não é crível que a importação tenha sido na modalidade pela PROAD sem o conhecimento da Photolab Brasil. Dessa forma, a importação da mercadoria declarada na adição 003 da DI nº 04/04008962 foi simulada com a ocultação dolosa da real adquirente. Demais importações registradas pela PROAD (excluise as 2 DI´s analisadas) Repisando, e em síntese, a acusação fiscal é no sentido de que as importações realizadas pela PROAD, foram operações simuladas, uma vez que a real adquirente, a empresa PHOTOLAB foi ocultada. Consabido nos autos que a autuação fiscal retratada neste processo é fruto de extenso e abrangente procedimento especial de fiscalização realizado no âmbito da IN SRF nº 228/2006, que ao final concluiu pela prática de inúmeras infrações à legislação aduaneira (interposições fraudulentas, subfaturamento na importação e na exportação de mercadorias, irregularidades no cadastramento no Siscomex, como exemplo) envolvendo dezenas de outras empresas. O resultado daquele procedimento especial está consubstanciado no Relatório de Fiscalização que se encontra às folhas 2.338 a 2.374, do volume nº 12, do processo nº 12466.000528/200694 (inaptidão) e se mostra exaustivo em evidenciar o resultado da análise das operações de comércio exterior da PROAD nos anos de 2003 a 2005, que culminou na representação para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ e em diversas autuações. Não obstante, o indigitado Relatório não se fez elemento de prova nos autos, sequer há menção de translado dos documentos pertinentes às provas colhidas no tocante a esta autuação. Como se verá a seguir, apenas duas provas indiciárias (informação aposta no campo de "Informações Complementares" da DI e cópia da conta "Adiantamento de Clientes" do Livro Razão) foram apresentadas para sustentar a acusação de interposição/ocultação fraudulenta comprovada, dentre várias outras que, indubitavelmente, não se relaciona à presente autuação que trata apenas de operações de importação de mercadorias não há acusação de superfaturamento ou subfaturamento de preços (exceto à DI nº 04/10367359), nem operações de exportação. No auto de infração (fls. 11/24) a fiscalização apontou as constatações fáticas que entendeu caracterizarem as irregularidades comprobatórias da fraude/simulação, a saber: aumento expressivo do volume de importações da PROAD, constatada pelo sistema LINCE; a PROAD nos anos de 2004 e 2005, somente vinculou 05(cinco) empresas como seus adquirentes em operações por conta e ordem; as importações (consumo e nacionalização) registradas pela empresa Proad, por conta própria e por conta e ordem de terceiros, totalizaram no ano de 2004 o valor de US$ 6,521,044.00 ou R$19.276.421,00; e no 1 ° semestre/ 2005, o valor de US$ 2,986,003.00 ou R$ 7.754.311,00 e tais valores se aproximam daqueles verificados nos livros fiscais apresentados pela Proad, em seus lançamentos à conta "Adiantamento de Clientes", que registraram créditos em 2004 no valor de R$ 15.443.404,79; e em 2005 de R$ 8.484.947,56; Fl. 678DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 119 27 Os "Clientes Nacionais" da Proad forneceram recursos monetários antecipadamente conforme registro na conta "Adiantamento de Clientes"; Com tais recursos, a Proad registrou as declarações de importação como se fossem operações "por conta própria" e efetuou os pagamentos necessários para nacionalização das mercadorias, emitiu as notas fiscais e deu saída para os reais adquirentes, ou a quem estes determinaram; A declaração de importações como operação por conta própria revelou que as transações comerciais são simuladas, pois ocorreu com a participação de empresas nacionais que permaneceram ocultas; Os responsáveis pelas operações de importação foram os "Clientes Nacionais" ocultados pela simulação de declaração de importação por conta própria da PROAD; As mercadorias relacionadas na planilha de fl. 59, após nacionalização, foram integralmente vendidas à PHOTOLAB; Análise da documentação apresentada revela a vinculação dos valores recebidos da PHOTOLAB nos anos de 2004/2005 (fls. 42/46); Os campos dos "Dados Complementares" de 12 DI´s (fls. 47/58), foram preenchidos com a referência do importador "N/ REF: MEG", demonstrando que para a Proad, desde o registro, essas importações têm características semelhantes. Com base na exclusividade de vendas das mercadorias e as transferências antecipadas de recursos à PROAD, apurados nos extratos bancários [ausentes nos autos] e lançamentos contábeis, em data e valores coincidentes com as despesas incorridas nas operações de importação, concluiu a fiscalização que a PHOTOLAB é na verdade o real adquirente das mercadorias e responsável pelas operações de importação, permanecendo oculto perante a fiscalização, acobertado pela simulação praticada pela PROAD. A fiscalização imputou as seguintes condutas à autuada: Superfaturamento nas exportações; Subfaturamento nas importações; Simulação no registro de importações "por sua conta e risco"; simulação no registro de importações "por conta e ordem de terceiros"; Simulação nos documentos apresentados para instrução dos despachos; Ocultação dos reais adquirentes de mercadorias importadas; Interposição fraudulenta de terceiros. Da (ausência de) comprovação da fraude e simulação pela fiscalização Fl. 679DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 120 28 Os únicos documentos trazidos aos autos para fundamentar as acusações foram (i) planilhas elaboradas pela própria fiscalização indicando, sinteticamente, (a) os números das DIs, das notas fiscais de entrada e saída e dos contrato de câmbio, com respectivas datas e valores, (b) a descrição da mercadorias importadas e seus valores; (ii) cópias das contas "Clientes" e "Adiantamento de Clientes" no Livro Razão, e (iii) imagem do campo "Informações Complementares" das DIs. Inferese dos autos que não há comprovação de fraude e simulação, porém, alguns indícios diante dos quais a fiscalização não se aprofundou na investigação, ou ao menos na demonstração, que comprovaria que os valores repassados pela PHOTOLAB representavam não meros adiantamentos (parciais ou integrais) à concretização da transação comercial entre ambos, mas sim o pagamento (parciais ou integrais) para a efetivação da aquisição da mercadoria no exterior. Ou seja, para a caracterização da interposição de terceiro, deveria restar configurado que os recursos para a importação foram providenciados pela real adquirente e não pela importadora, mediante o ajuste doloso. De se assentar que não há nos autos demonstração da correlação entre datas e valores das aquisições de mercadorias no exterior e seu pagamento (liquidação do câmbio) e os valores adiantados pela suposta real adquirente. Ausente tal demonstração, não se permite alegar que a PROAD somente registrou as DI´s mediante prévio pagamentos das aquisições das mercadorias ao exportador pela PHOTOLAB, ocultando a situação ajustada com fraude e/ou simulação. Outrossim, não há nos autos sequer cópia dos extratos das DI´s, faturas comerciais, contratos de câmbio, extratos bancários, notas fiscais, contratos comerciais que poderiam, a partir do indício apontado (adiantamento de recursos), construir conjunto probatório direto ou indireto que robusteceria a alegação fiscal de forma a tornála inarredável. Quanto à alegação fiscal que a inserção nos campos da DI a informação de que a expressão "N/ REF: PHO" demonstraria o destino predeterminado ou real adquirente das mercadorias desde o registro, não tem a força probatória desejada. A legislação não impede que a mercadoria depois de chegada no País venha a ser negociada mesmo antes de seu desembaraço, sendo inclusive prática comum e estratégia negocial de redução de custos. Esse indício poderia sim, juntamente com outros elementos de prova, evoluirem a ponto de comprovar a destinação das mercadorias importadas desde a aquisição junto ao fornecedor estrangeiro. Contudo, carecem os autos de prova neste sentido. Asseverou a fiscalização, no requisito de prova da simulação que esta se encontra assentada nas constatações de que os adiantamentos de recursos financeiros da PHOTOLAB à PROAD são na verdade direcionados ao pagamento das importações, sem, contudo, especificar quais parcelas e datas destinaramse à liquidação do câmbio e ao pagamento dos custos relacionados ao despacho aduaneiro (tributos, despesas com armazenagem, descarga, transporte e despachante aduaneiro). Para espancar definitivamente qualquer dúvida acerca da fragilidade na acusação fiscal de que os recursos repassados pela PHOTOLAB à PROAD foram necessários ao pagamento das mercadorias importadas, sem os quais a importadora não teria situação financeira suficiente para arcar com tais dispêndios, trago à lume a tabela a seguir completada com as informações obtidas dos autos e a partir de planilha apresentada pelo Fisco. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 121 29 DI Valor Ad. Razão Clientes débito NF saída Câmbio Nª Ref Proad Registro Desemb. Valor Data nº Data valor Data Valor 04/05495450 PHO023/04 08/06/2004 11/06/2004 29.377 12.750,20 21/06/2004 5407 14/06/2004 12.750,20 29/07/2004 26.962,25 12.983,00 15/07/2004 5652 15/07/2004 12.983,00 21.250,35 02/08/2004 5749 02/08/2004 21.250,35 04/05495603 PHO024/04 08/06/2004 14/06/2004 2.790 6.074,70 22/06/2004 5411 06/06/2004 6.074,70 29/07/2004 1.382,29 04/06683446 PHO025/04 09/07/2004 12/07/2004 8.692 7.640,54 15/07/2004 5651 13/07/2004 7.640,54 02/07/2004 625,00 7.640,54 02/08/2004 5748 02/08/2004 7.640,54 29/06/2004 8.225,97 04/09141105 PHO026/04 13/09/2004 14/09/2004 32.076 49.821,24 15/09/2004 5842 15/09/2004 49.821,24 29/07/2004 33.569,90 04/11566320 PHO027/04 15/11/2004 23/11/2004 46.785 70.203,79 24/11/2004 6019 24/11/2004 70.203,79 09/08/2004 46.923,80 04/09079949 PHO028/04 10/09/2004 14/09/2004 16.609 26.613,51 15/09/2004 5843 15/09/2004 26.613,51 23/08/2004 16.990,67 05/06294115 PHO033/05 16/06/2005 23/06/2005 50.113 394 28/06/2005 06/04/2005 53.782,34 04/10367359 PHO030/04 14/10/2004 08/03/2005 56.254 2.732,23 03/01/2005 6410 11/03/2005 2.732,23 08/10/2004 6.032,16 04/01262272 PHO020/04 10/02/2004 16/02/2004 8.443 14.668,50 16/02/2004 4757 16/02/2004 14.668,50 03/02/2004 8.406,05 04/01877030 PHO021/04 01/03/2004 03/03/2004 1.790 4.615,56 03/03/2004 4798 03/03/2004 4.615,56 29/07/2004 820,26 04/04008962 PHO022/04 28/04/2004 30/04/2004 6.393 11.557,50 30/04/2004 5176 30/04/2004 11.557,50 29/07/2004 4.496,24 05/03940288 PHO034/05 18/04/2005 05/05/2005 12.610 20.536,42 05/05/2005 205 05/05/2005 20.536,42 16/06/2005 10.060,06 Observando atentamente os dados e considerando unicamente os valores debitados na conta "Clientes" do Razão (uma vez que acerca da conta "Adiantamento de Clinetes" nada se pode inferir, pois não há vínculo dos valores lançados com as importações), podese, seguramente, afirmar que: (i) Os valores repassados pela PHOTOLAB jamais antecederam a data do registro da DI, mormente a aquisição no exterior, que logicamente antecede a importação. Basta correlacionar as datas registro da DI e os débitos na conta "Clientes"; (ii) Em todas as importações os valores repassados (conta "Clientes") excedem o valor aduaneiro da DI e da liquidação do câmbio, permitindo presumir que as vendas para a PHOTOLAB deramse que com margem de lucro, com exceção da DI nº 04/10367359, justamente a que se comprovou a ocultação do real adquirente, mediante simulação; Há de ser rechaçar ainda a afirmação de que a interposição se comprova ao comparar os valores repassados à PROAD expressos na conta do passivo “Antecipação de Clientes”, que nos anos de 2004 e 2005 revelaram créditos no valor de R$ 429.700,69 da cliente Photolab, isto é, valores que a Photolab antecipou em pagamento, com a contrapartida dos valores das importações feitas pela PROAD e vendidas integralmente à Photolab neste período que importam em R$271.952,00 (somente valores aduaneiros das importações). Primeiro, nos lançamentos dos valores da conta "Antecipação de Clientes" não há informação que vincula os registros a determinada importação ou DI ou mesmo um dos Fl. 681DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 122 30 contratos de câmbio. Nenhuma correlação pode ser construída com a simples somatória desses valores. Ademais, as informações de valores transferidos e que mantém correspondência com alguma importação encontramse nos lançamentos da conta de ativo "Clientes", e estes foram demonstrados na tabela acima que não corroboram a acusação fiscal de interposição por ausência de recursos para fazer frente às importações registradas pela PROAD. Segundo, se os valores antecipados superam em muito os valores das mercadorias revendidas à PHOTOLAB, no mesmo período, permite apenas inferir que a venda foi com expressiva margem de lucro ou os valores antecipados correspondem a outras operações que não sejam somente de importações auditadas neste procedimento fiscal O que se verifica é que em decorrência do procedimento especial de fiscalização na PROAD, autuouse todos aqueles que tinham com ela operado, sem inquirir sobre a especificidade de cada operação, apenas fazendose referência à conta "Clientes Nacionais" do Razão, sem individualizálos. Impende ressaltar que as constatações e indícios colhidos pela fiscalização são insuficientes para enquadrar a operação na modalidade "interposição ou ocultação fraudulenta/simulada comprovada", pois que as alegações fiscais não se sustentam, conforme as considerações a seguir: Os fatos elencados são indícios por vezes considerados fortes suficientes que exigiriam aprofundar na averiguação de outros elementos que comprovariam a ocultação do real adquirente mediante artifício fraudulento ou simulado. A venda de toda mercadoria importada a um único cliente não atesta venda casada premeditada desde a celebração da negociação internacional. Faltaram outros elementos que poderiam apontar a ocultação mediante fraude/simulação, tais como: comprovação de que o real adquirente cliente do importador conduziu a negociação, pagou ou assumiu o encargo pelo pagamento da mercadoria, tem exclusividade na comercialização da mercadoria importada ou sua especificidade é tal que dificulte ou impossibilite a venda para outro cliente do importador, ou ainda, evidentemente a mercadoria não é de "prateleira" caso de determinados dispositivos/máquinas que requeiram fornecimento de soluções técnicas complexas que meros importadores atacadistas não atendem. Coincidência ou proximidade de datas entre o desembaraço e o transporte da mercadoria importada diretamente para estabelecimento do clienteadquirente não constitui venda casada premeditada, eis que é prática usual e revela a eficiência logística e comercial do importador; ademais, não há empecilho legal para a venda da mercadoria logo após a efetivada a negociação internacional. A exigência do importador de pagamentos antecipados pelos clientes adquirentes de mercadoria negociada no exterior não revela compra casada. O pagamento, integral ou parcial, constitui negócio válido e usual e tem por objeto garantir o compromisso assumido pelo cliente. Inexiste nos autos qualquer evidência do vínculo entre a PHOTOLAB e o fornecedor ou exportador estrangeiro. Faltou o conjunto probatório mínimo capaz de apontar o pagamento da importação pela PHOTOLAB. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 123 31 Pelo exposto até aqui, não se está a infirmar a ocultação fraudulenta do real adquirente a PHOTOLAB mediante artifícios fraudulentos ou simulados. Ao contrário, entendo sim a presença de indícios que exigiriam aprofundamento nas investigações para que restasse configurado e comprovado o ilícito doloso com fins à ocultação dos intervenientes. O presente caso consubstanciase na ausência de elementos comprobatórios, em seu conjunto, da prática dolosa, mediante fraude e/ou simulação, da ocultação da PHOTOLAB pela PROAD segundo os quais a fiscalização não logrou êxito em fazer prova da infração capitulada no inciso V, do art. 23 do DL 1.455/76, tanto pela ausência de documentos como na enunciação dos fatos indiciários cuja correlação lógica não amparam as conclusões expostas. In casu, não evidenciada incompatibilidade entre o negócio declarado e o relato dos fatos na linguagem das provas, necessária à formação da certeza jurídica a este julgador. Ao meu ver, não se provou a autoria nem a materialidade da infração e, "uma vez não provada a autoria, há ilegitimidade passiva; não provada a materialidade, inexiste infração a ser punida".4 Neste sentido é a decisão deste CARF sob a relatoria do Cons. Rosaldo Trevisan, acompanhado por unanimidade pela Turma, que se aplica o excerto da ementa ao presente processo, reproduzida: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. (Acórdão, 3403002.842, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, julgado em 25/03/2014) Trevisan assenta em seu voto que "Não pode o fisco, diante de casos que classifica como 'interposição fraudulenta', olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo." Por fim, trago à lume que recentemente esta Turma deparouse com julgamento de situação semelhante envolvendo a mesma importadora PROAD, caracterizada por autuação fiscal com a aplicação de multa substitutiva do perdimento decorrente do mesmo 4 BARBIERI, Luís Eduardo G.. Ensaio de Direito Aduaneiro. Org. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Raquel Segalla Reis. Artigo: A prova da interposição fraudulenta de pessoas no processo tributário. São Paulo: Intelecto Soluções, 2015, p. 380381. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 124 32 procedimento fiscal (IN SRF 228/06) e Relatório de Fiscalização. Tratase do processo nº 12466.002810/200614, acórdão nº 3201002.620, sessão de 29/03/2017, de lavra da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, julgado com unanimidade de votos e prolatada a ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/08/2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETOLEI 1455/77 A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfazse quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação ou pela presunção relativa, de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. As demonstrações feitas pela fiscalização através de planilhas devem ser amparadas por documentação. Recurso Voluntário Provido Responsabilidade solidária da PHOTOLAB art. 124, CTN A fiscalização atribuiu, com fundamento no art. 124 do CTN, a responsabilidade da empresa PHOTOLAB pelo crédito tributário lançado em razão de sua efetiva participação, porém, ocultada nas operações de importações promovidas pela PROAD. A responsabilidade ora atribuída limitase às importações cursadas nas DI´s nºs 04/10367359, e 04/04008962, exclusivamente em relação às adições 001 e 003, respectivamente. O art. 124, inciso I do CTN prescreve: Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A fiscalização considerou que a empresa PHOTOLAB teve interesse em se manter oculta dos controles aduaneiros concernentes à importação de mercadorias. Para tanto, mediante simulação, concorreu para que os documentos instrutivos dos despachos aduaneiros das declarações de importação indigitadas ocultasse seu nome fazendo crer que as importações em referência se dessem na modalidade direta, e não por sua conta e ordem como de fato se realizou. Prova do fato é a tentativa de descaracterizar como alheia a importação processada na DI nº 04/10367359, adição 001, a invoice nº 1642361, encontrada pela fiscalização junto à carga importada. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 125 33 Tal conduta constituise fato gerador para imputação da multa considerada dano ao Erário e encontrase capitulada no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do decretoLei nº 1.455/72 Aplicação das multa substitutiva do perdimento abusividade Sustenta a PHOTOLAB que a multa aplicada no patamar de 100% do valor aduaneiro da mercadoria importada constituise abusiva e de caráter confiscatório, em flagrante ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Quanto à argumentação do suposto caráter abusivo e confiscatório da norma esculpida no art. 23, § 1º 1 e 3º do DecretoLei nº 1.455/72, o enfrentamento da matéria envolve a apreciação de questão constitucional, o que é vedado aos conselheiros do CARF à vista do enunciado da Súmula CARF nº 02: Súmula n° 2: O CARF não è competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não se conhece dos argumentos de abusividade e do caráter confiscatório da multa substitutiva do perdimento Cobrança de juros de mora: taxa Selic Alega a recorrente PHOTOLAB que a aplicação da taxa Selic ao crédito tributário corresponde ao aumento de tributo sem lei específica que o autoriza. Sem razão a recorrente. Os juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, são devidos e calculados sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, por expressa previsão legal do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 126 34 Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa substitutiva da pena de perdimento, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 Argui a PHOTOLOB que no caso dos autos não seria mais devido a multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria na hipótese de substituição da pena de perdimento, pois a alteração promovida pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007 impõe a aplicação da multa de 10% do valor da operação, pois entende ser a situação de aplicação de penalidade menos severa. Prescreve o dispositivo do art. 33 da Lei nª 10.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a RS 5.000,00 (cinco mil reais). A multa em apreço veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL n° 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Assim, por tratar de bem jurídico tutelado distinto da multa previsto no art. 23 do DL 1.455/72, não seria o caso de aplicação da retroatividade benigna. Apresentação da mercadorias apreendidas / substituição do perdimento por multa Na determinação de diligência no acórdão nº 3201000.191, constou como uma das providências à Unidade de Origem a prestação de informação acerca de intimações às autuadas "a apresentar ou indicar o paradeiro das mercadorias importadas objeto deste processo". No relatório de diligência não há nenhuma informação prestada pela autoridade fiscal. Impende observar que as recorrentes não teceram qualquer comentário ou alegações no tocante à matéria nas peças recursais e tampouco manifestaramse após ciência no relatório diligência. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 12466.002818/200672 Acórdão n.º 3201003.647 S3C2T1 Fl. 127 35 Entendo, ainda que inexistente por parte do Fisco intimação neste sentido, seria ônus das autuadas diante da ciência do auto de infração, com a aplicação da pena de multa substitutiva ao perdimento das mercadorias, apresentálas à autoridade fiscal da Receita Federal. Conclusão Diante de todo o exposto, e do que consta dos autos, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto por PROAD IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e pela PHOTOLAB DIGITAL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA para exonerar do lançamento retratado no auto de infração, exceto, a multa substitutiva do perdimento e juros de mora, em relação às mercadorias declaradas na adição nº 001, da DI nº 04/10367359, e na adição nº 003 da, DI nº 04/04008962, mantendose essas exigências em relação à Proad Importadora e Exportadora Ltda e à Photolab Digital Comércio e Serviços Ltda. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904218/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 18 /2 01 2- 17 Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10746.904218/201217 Acórdão n.º 3301004.298 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.867, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.592. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10746.904218/201217 Acórdão n.º 3301004.298 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10746.904218/201217 Acórdão n.º 3301004.298 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10746.904218/201217 Acórdão n.º 3301004.298 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 976DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000695/00-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de controle, análise e acompanhamento de compensações efetuadas com base em direito a compensar reconhecido no Mandado de Segurança n° 2000.71.11.0020757, objeto de acompanhamento pelo PAJ no 13005.000695/00 50. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .0 00 69 5/ 00 -5 0 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 3 2 Fazem parte deste processo administrativo ofício dirigido ao Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS), cópias de partes de medida judicial, documentos de procuração, cópia de contrato social, copias de documentos de arrecadação e informação produzida pela DRF de origem — fls. 01/28. À fl. 29 consta despacho encaminhando o processo à PSFN em Santa Cruz do Sul (RS). Aquele órgão anexou os documentos de fls. 30/31 e devolveu o processo à DRF de origem — fl. 32. Entre as fls. 33/78 consta anexação de ofícios dirigidos ao Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS), informação produzida pela PSFN daquela cidade, cópias de partes de medida judicial, tramitação do presente processo pela PSFN em Santa Cruz do Sul (RS) e extratos de movimentação de processo judicial. Foram, também, anexados extratos dos Sistemas CNPJ, SINCOR, SINAL10, 1RPJConsulta, DCTF, além de cópias de DCTFs, planilha de informações, extratos Comprot e Profisc, telas do Sistema PERDCOMP e demonstrativos de cálculos e valores — fls. 79/112. Após, estão anexadas planilhas e demonstrativos produzidos pela DRF de origem indicando valores e cálculos relativos A. compensação pretendida — fls. 113/115. Às fls. 116/120 está anexado o Parecer DRF/SCS/SACAT n° 015, de 25/01/2007, bem corno, à. fl. 121, o Despacho Decisório DRF/SCS, de 31/01/2007, onde o Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS) decidiu: a) considerando as decisões contidas no Mandado de Segurança n° 2000.71.11.0020757, transitado em julgado em 25/02/2002, homologar, até o limite do crédito, as compensações realizadas pela contribuinte diretamente em sua contabilidade e confessadas em DCTFs, envolvendo crédito de FINSOCIAL e débitos de COFINS; b) determinar a cobrança dos saldos devedores de COFINS, na medida em que o crédito de FINSOCIAL apurado foi insuficiente para a extinção de todos os débitos daquela contribuição; c) facultar a interposição de manifestação de inconformidade no prazo legal. • Daquela decisão a contribuinte tomou ciência em 14/02/2007, conforme documentos de fls. 123/124. Não conformada com a decisão administrativa, apresentou a contribuinte em 06/03/2007 — fls. 126/144 — sua manifestação de inconformidade, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa foi informada de que estaria compensando débitos de COFINS em valor superior ao crédito que realmente possuía, esses originários do mandado de segurança n° 2000.71.11.0020757, devidamente transitado em julgado; • o cálculo elaborado pela Receita Federal estaria em desacordo com os cálculos apresentados pela empresa; Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 4 3 • cabe esclarecer que: a) o crédito da empresa restou apurado através de DARFs de pagamentos de FINSOCIAL pagos entre setembro de 1989 e abril de 1992; b) a decisão judicial foi amplamente favorável à empresa, permitindo a compensação dos valores pagos a maior de FINSOCIAL com valores referentes à COFINS, tendo a decisão transitado em julgado, sendo que seus cálculos se utilizaram do BTN/INPC/UFIR e, após, SELIC, conforme determinado judicialmente; c) a sentença determinou a compensação independentemente de pedido administrativo ou autorização do órgão fiscalizatório; d) o pedido foi acolhido com correção monetária e aplicação de expurgo inflacionário devidamente previsto na sentença, sendo que a Fazenda objetivou Embargos Declaratórios no sentido de obter a prescrição das parcelas pagas após cinco anos de pagamento (prescrição qüinqüenal) buscando reduzir o crédito do contribuinte; e) os referidos embargos foram julgados improcedentes, porquanto mantida a prescrição de dez anos. DOS FATOS E FUNDAMENTOS I DOS CÁLCULOS CORRETOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE • a empresa elaborou os cálculos em conformidade com a decisão judicial, tomando em conta o valor total dos DARFs, inclusive juros e multa que foram pagos como acessório do tributo sobre o valor do principal; • sobre os valores totais aplicouse a alíquota excedente referente a 0,5% de FINSOCIAL; • em seus cálculos, o Fisco não informa qual é o valor principal utilizado, ou o valor originário. De qualquer forma, o valor encontrado de crédito para a empresa no mês de fevereiro de 2001 foi de R$ 127.352,55, tomandose por base os índices e expurgos concedidos na decisão judicial, também incidentes sobre os valores pagos com multas e juros, utilizandose, a partir de fevereiro de 2001, a correção sobre o crédito até 'então apurado, e que conforme cálculo em anexo, representam o crédito da empresa devidamente corrigido pelos índices atribuídos por decisão judicial; • a Fiscalização entendeu incorreto o procedimento efetuado pela empresa, alegando a utilização de cálculos incorretos a partir de 2001 em diante, sendo que em determinados meses houve insuficiência de crédito; • não procede a notificação fiscal, que não está considerando a correção monetária plena, mesmo a partir de fevereiro de 2001 em diante, eis que o crédito é corrigido mensalmente até o último pagamento; • a empresa não teria procedido a qualquer aproveitamento de crédito, se não fosse a determinação judicial, tendo elaborado os cálculos em conformidade com a sentença do Poder Judiciário, e não conforme o Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo do Fisco, que na oportunidade não se manifestou ou impugnou a decisão judicial; • quisesse a autoridade fazendária estabelecer critérios diferentes sobre o valor de crédito, deveria têlo feito no próprio processo judicial, demonstrando o seu cálculo, mas que não está conforme com os parâmetros estipulados na decisão judicial; • o termo lavrado pela Fiscalização não tem fundamentação, tendo critérios unilaterais, adotando um sistema de cálculo que não está adequado ao sistema de cálculo utilizado pelo núcleo central da contadoria judicial de Porto Alegre; • tal procedimento fiscal visa intimidar a contribuinte, eis que ela estaria elaborando um cálculo que não é o mesmo utilizado pelo sistema fazendário; • é absolutamente inadequado o procedimento fiscalizatório, eis que elaborou cálculo em outros patamares (cálculo em partes), não completo, que não pode gozar de presunção legal, devendo ser afastada a pretensão fazendária, porquanto ela não tem amparo legal; • não deve prosperar o contexto apontado no termo de verificação fiscal lançado contra a empresa, porque inexiste a falta de recolhimento, existindo, isso sim, o direito conferido pela decisão transitada em julgado; • a Fiscalização não considerou os pagamentos feitos com multas e juros, ou seja, deveria ter aplicado a alíquota indevida não somente sobre o principal, mas também sobre todos os acessórios pagos, o que vai contra o sistema adotado pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul. DOS FATOS E FUNDAMENTOS II SOBRE 0 PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO • a Fiscalização diz ser inexistente o pedido administrativo de compensação, ultrapassando, novamente, os comandos estabelecidos pela decisão judicial, posto que aquela não obrigou a empresa a pedir formalmente ao Fisco uma autorização para que fosse efetuada a compensação; • nos processos atuais, além da decisão transitada em julgado é necessário efetuar o PERDCOMP, tendo em vista a alteração do art. 170A do CTN. No entanto, na época dos fatos e da decisão judicial, que foi anterior à Lei n° 10.637, de 2002, inexistia essa determinação; • a autoridade fazendária quer agora, em 2007, aplicar o art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, essa posterior ao encerramento da ação judicial, e alterar até mesmo o conteúdo da sentença, aplicando uma nova situação sobre fatos geradores anteriores ao qüinqüênio legal, fazendo retroagir a lei, procurando aplicar seu conteúdo a períodos entre 02/2001 e 08/2002, de forma insubsistente; • na época havia desnecessidade de autorização para compensação de tributos, consoante dispôs a sentença. No entanto, passados mais de cinco anos, a Receita Federal utiliza uma lei ordinária de 2002 como base para derrubar ou anular uma compensação realizada com Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 6 5 fundamento judicial a mais de cinco anos, querendo estabelecer nova situação, nova regulamentação e novo cálculo, alterando, dessa forma, disposições já pacificadas e sacramentadas; • são ilegais os critérios adotados pela Fiscalização, que utiliza uma nova planilha, um novo cálculo e uma nova lei — Lei n° 10.637, de 2002 — para glosar créditos da empresa, que na época própria não foram impugnados pela Fazenda, nem mesmo a nível judicial; • a planilha elaborada pelo Fisco é totalmente inconsistente, até mesmo aquela que apura o crédito de R$ 43.945,23, até janeiro de 1996, porquanto ela é inovadora e não representa o crédito exato da empresa; • não há motivos para a Receita Federal segregar ou separar o crédito de duas maneiras, pois a capitalização e a correção do crédito não deve ser feita somente até 1996. O montante deve ser calculado até fevereiro de 2001 e, após, até agosto de 2001, apurandose, então, o total do crédito da empresa, abatendose os pagamentos efetuados por conta; • não faz sentido a planilha elaborada pela Receita Federal (fl. 114), porquanto aquela só apura o crédito fragmentado até janeiro de 1996; • qual é a origem e quais são os motivos que levaram a Fiscalização a informar créditos parciais até janeiro de 1996 e, após, dividir o cálculo para corrigilo conforme outra planilha elaborada a seguir?; • os cálculos, da forma como elaborados pela Fazenda, não foram efetuados conforme critérios utilizados pelos demais sistemas de cálculos, havendo um equívoco quanto à apuração dos mesmos, donde insubsistente a alegação de saldo devedor por insuficiência de crédito; • sendo o crédito originado de uma decisão judicial, é intolerável admitirse, para efeitos de cálculos, que os mesmos sejam elaborados pela autoridade fazendária, parte condenada no processo, que restou vencida, tendo que aceitar a compensação proposta, devendo ser aceito o cálculo e a posição da empresa, conforme planilha que anexa; • a empresa não aceita a constituição do débito pela Receita Federal, nem mesmo o embasamento de fl. 120, onde há referência ao Decreto n° 4.524, de 2002 — prescreve dez anos para a constituição de créditos fiscais além das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, observando que aquela legislação é posterior aos fatos geradores e à decisão transitada em julgado; • impugna todo o conteúdo da modificação fiscal, bem corno a planilha de fl. 113, que aplica índices de forma a descapitalizar a variação mensal, fazendo o cálculo de forma inversa, adotando mecanismos que não esclarecem o porque de determinadas indexações ou índices de reposição; • a empresa impugna os cálculos de fls. 113 e 114, posto que a atualização deverá ser feita através de uma planilha direta, de 1990 até fevereiro de 2001, não se fazendo um cálculo menor até janeiro de 1996 e outro, menos claro ainda (fl. 115), onde sequer existe Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 7 6 identificação entre as planilhas. Refere a valores, dizendo que o cálculo efetuado pelo Fisco não é consistente; • a empresa não aceita a planilha unilateral apresentada pelo Fisco, eis que a origem do crédito se deu por decisão judicial, sendo a Fazenda condenada a aceitar a compensação — através do sistema judicial e não através de planilha unilateral — sendo melhor aceita a tese de que os cálculos devem obedecer aos critérios utilizados pela Justiça Federal e que são utilizados por todos os contribuintes na esfera judicial, donde o cálculo anexado pela empresa, que obedece aos critérios da sentença. FUNDAMENTAÇÃO OBJETIVA E LEGAL DA INFRAÇÃO DIFERENÇA DE CÁLCULOS • o ponto principal do litígio diz respeito à diferença encontrada entre o cálculo da empresa, feito em 2001, e o cálculo da Fazenda, efetuado em 2007, relativamente a período de 2001; • os cálculos elaborados pela empresa foram feitos através de programa de cálculos, sendo feito à época e em observação à sentença e acórdão judicial, utilizandose dos mesmos índices de que se utiliza o judiciário, em planilha direta, através dos expurgos concedidos, bem como a correção pelos índices; • o cálculo da Fazenda não demonstra se houve capitalização mensal, não esclarece porque calculou o valor até janeiro de 1996, e, posteriormente, utilizou outra planilha. Porque então não utilizou planilha para o BTN, para o INPN (sic) e para UFIR?; • sobre os valores equivocados apurados em 1996, apenas aplicou a SELIC, sem informar se capitalizou o cálculo, se aplicou cálculo aritmético ou simplesmente somou o valor da SELIC mensalmente, não esclarecendo de que forma chegou à conclusão de que a empresa calculou a maior os valores; • anexa o cálculo que foi utilizado na época, feito através de sistema de cálculo especifico que soma todo o período e que é semelhante ao utilizado judicialmente, não precisando especificar os valores da UFIR ou da SELIC, pois eles estão no programa de cálculo; • a fiscalização fazendária poderia obter uma precisão maior e melhor se houvesse um cálculo prévio fornecido pelo núcleo da contadoria de Porto Alegre — vinculado à Justiça Federal — que é realizado diferentemente dos cálculos apresentados pela Fiscalização, onde será possível perceber o equívoco dos procedimentos aritméticos constantes das planilhas de fls. 113 a 115, isso se for tomado por base o mesmo valor originário do FINSOCIAL, com valores pagos acima da alíquota de 0,5%; • simples ofício para a contadoria judicial solicitando os cálculos seria suficiente para a observação de que os cálculos da empresa estão corretos; • para fazer seus cálculos, a empresa se utilizou de sistema de cálculo adequado, com aplicação de BTN, expurgos, INPC, UFIR e SELIC até 31/01/2001, obtendo o valor correto para a sua compensação, tendo o Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 8 7 cuidado de utilizar apenas aquilo que pagou a maior, de forma clara e precisa; • a empresa provou que efetuou o cálculo em conformidade com a decisão judicial, anexando, nesta oportunidade, o cálculo que indica com precisão os valores pagos a maior, com a devida correção monetária, utilizando sistema de cálculo específico para tal; • se o cálculo da Fazenda está em desacordo com o efetuado pela empresa, não há presunção de veracidade na planilha do órgão, mesmo porque ele não utiliza a mesma planilha de que se utiliza a Justiça Federal para realizar o mesmo cálculo; • não se pode afirmar que os cálculos da Fazenda estão corretos, até porque ele deveria utilizar, também, no valor original, a multa e os juros que constam nos DARFs de pagamento, quando o tributo é pago em atraso; • com base nos incisos LV e XXXIV do art. 5° da CF e nas Súmulas 346 e 473 do STF, a empresa acredita ter revestida e tutelada a sua posição jurídica ante a autuação fiscal, que, data vênia, não está suficientemente nem legalmente fundamentada para justificar a penalidade pecuniária imposta, pois lhe falta este requisito necessário; • a empresa faz impugnação, no sentido de se preservar de possíveis prejuízos ou sanções, apresentando tempestivamente suas alegações e argumentos, que merecem análise e guarida. Registra o art. 142 do CTN; • a empresa alerta que se a infração apurada na autuação vier a ser convertida em dívida ativa, o título extrajudicial dai decorrente estará viciado com a mesma nulidade, sendo, em conseqüência, nula a execução fiscal que vier a ser intentada, porquanto não haverá fundamento jurídico para o pedido, nem causa legal e legítima de pedir, faltando a liquidez e a certeza para a sua exigibilidade (art. 586 e 618, I, do CPC); • em obediência aos diversos princípios constitucionais relacionados ao aspecto administrativo, a empresa impugna visando assegurar o seu direito, bem como condições de ampla defesa, na ânsia de solucionar a controvérsia e dúvida surgida em decorrência da lei, bem como de fixar o alcance da norma de tributação no caso concreto, ante o duvidoso entendimento; • refere à. Lei n° 9.718, de 1998 alteração da base de cálculo e alíquota e à aplicabilidade da taxa SELIC para fins tributários, dizendo que estes temas estão em vias de merecer julgamento pelo STF. DO PEDIDO • requer sejam recebidas e admitidas as suas razões, para se dar provimento e deferimento à sua impugnação, julgandose sem efeito insubsistente e improcedente a notificação com a conseqüente anulação na íntegra do presente auto de infração, referente ao processo administrativo sofrido pela empresa, determinandose, se assim for entendida necessária, a baixa dos autos em diligência, visando a verificação da base de cálculo utilizada pela Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 9 8 Fiscalização (inclusão de juros e multa pagos nos DARFs código 6120 FINSOCIAL), bem como ofício à. contadoria da Justiça Federal para apuração dos valores através de planilha dela própria, refazendose, se for o caso, a apuração de eventuais valores remanescentes; • é o que requer. Junto à. manifestação de inconformidade a contribuinte anexou a planilha de fl. 145 e a cópia de Alteração Contratual 31 de fls. 146/149. A DRF de origem despachou à fl. 150." A decisão recorrida apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. No cálculo da compensação pleiteada judicialmente, são aplicáveis os índices de correção monetária dos créditos conforme determinado pela decisão judicial definitiva. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. FAZENDA NACIONAL. LANÇAMENTO. INTERESSE DE AGIR. A existência de uma ação judicial que declara o direito do contribuinte de efetuar compensação de créditos tributários não implica a imediata extinção do débito alegadamente compensado, pois o Fisco tem não só o direito mas o dever de verificar a adequação dos cálculos efetuados. FINSOCIAL. COFINS. COMPENSAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COMPENSAÇÃO. ACEITAÇÃO DE CÁLCULOS. Recusamse os cálculos de indébitos fiscais apurados em desacordo com decisão judicial ou legislação tributária vigente para efeito de mensuração do montante a ser compensado. Solicitação Indeferida." O Recurso Voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) decisão judicial foi favorável ao contribuinte permitindo a compensação dos valores pagos a maior de FINSOCIAL com contribuições referente a COFINS, tendo a referida decisão transitado em julgado vindo o contribuinte a compensar utilizandose o BTN/INPC/UFIR E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS e após a SELIC conforme determinado judicialmente; Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 10 9 (ii) realizou a compensação — Finsocial com Cofins ,elaborando os cálculos em conformidade com a decisão judicial; (iii) para a elaboração dos cálculos os pagamentos efetuados de FINSOCIAL tomando em conta o valor total pago no Darf inclusive juros e multas que foram pagos como acessório do tributo sobre o valor principal e sobre os valores totais aplicouse a alíquota excedente referente a 0,5% de FINSOCIAL; (iv) incide correção sobre os valores até a sua efetiva compensação, e não somente até o trânsito em julgado ou primeira compensação; o fisco não abate os valores compensados, e depois novamente corrige o saldo, ele apenas glosa o valor em determinado período, e não corrige novamente os saldos, conforme decisão judicial, pela Seli , até a nova compensação. Assim o critério utilizado pela Receita Federal é diferente do critério utilizado pelo contribuinte; (v) não foram levados em consideração os pagamentos feitos com juros e multas, ou seja aplicando a alíquota indevida não sobre o principal, mas também sobre todos os acessórios pagos (juros, multas), bem como utiliza a Receita Federal uma planilha de cálculo que não é a mesma planilha utilizada para a elaboração dos cálculos judiciais; (vi) conforme decisão judicial também não havia necessidade do trânsito em julgado da decisão judicial e nem prévio pedido administrativo de compensação; a Receita Federal ultrapassa os comandos estabelecidos da decisão judicial; (vii) nos processos atuais além da decisão transitada em julgado é necessário efetuar a PER/DCOMP, tendo em vista a alteração do CTN artigo 170A; no entanto na época dos fatos e da decisão judicial que foi anterior a Lei 10.637/2002 inexistia essa determinação.A autoridade fazendária quer agora em 2007 fazer e aplicar o artigo 49 da Lei 10.637/2002 que foi posterior ao encerramento da ação judicial, alterar até mesmo o conteúdo da sentença e aplicar uma nova situação sobre fatos geradores até anteriores ao quinquênio legal, e retroagir a Lei 10.637/2002 para aplicar seus conteúdos para período de aplicação 02/2001 a 08/2002, de forma totalmente insubsistente; na época havia desnecessidade de autorização para compensação de tributos; (viii) são ilegais os critérios adotados pela fiscalização fazendária que utiliza uma nova planilha, um novo cálculo uma nova lei (Lei 10.637/2002), para glosar os créditos efetuados pelo contribuinte e que na época no foram impugnados pela Fazenda, nem mesmo a nível judicial; (ix) separar em diversas planilhas apenas retrata o sistema utilizado pela Fazenda em detrimento ao sistema utilizado pelo núcleo da Contadoria Judicial; sendo uma decisão judicial que originou o crédito seria intolerável admitir para o efetivo crédito que o mesmo seja elaborado pela autoridade fazendária, que é a parte condenada do processo, e que efetivamente restou vencida, tendo que aceitar a compensação proposta pelo contribuinte e não pela autoridade fazendária; (x) que a compensação feita anteriormente a instrução normativa 323, 460, 600 e anterior a Lei 10.833/2003 alcançam fatos geradores pretéritos e não há como obrigar o contribuinte a que faça pedido de homologação previamente, visto que a decisão judicial da época autorizou ao recorrente a efetuar a compensação com base nas normas e cálculos utilizados anteriormente as novas normas de compensações atuais; da mesma forma a Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 11 10 utilização de cálculo deve levar em conta o expurgo inflacionário bem como uma planilha equivalente de cálculo do crédito do contribuinte que deve expressar a SELIC mês a mês; e (xi) que o seu cálculo está correto e foi elaborado em conformidade com a decisão judicial O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 320100.012 de 26 de março de 2009. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "VOTO, portanto, no sentido de CONVERTER o julgamento do Recurso Voluntário em DILIGÊNCIA, à. repartição de origem, para que a autoridade competente intime a Contribuinte a detalhar os cálculos dos valores dos créditos a serem compensados, com indicação, inclusive, do valor originário e índices utilizados." A empresa recorrente apresentou manifestação contendo os cálculos que entende corretos e que atestariam o seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Conforme consignado no voto lavrado pela Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, na Resolução nº 320100.012 o cerne da questão cingese, essencialmente, em verificar se o quantum objeto da compensação de créditos de Finsocial com débitos de Cofins, promovida pela recorrente, teve os seus cálculos elaborados em consonância com o que foi determinado em decisão judicial (fls. 34/39). Ante a dúvida existente sobre qual o cálculo está correto e em conformidade com a decisão judicial, acertadamente, foi determinada a conversão do feito em diligência, oportunizando à recorrente que produzisse prova hábil e idônea para demonstrar o seu direito. Ocorre que, cumprida a diligência, a dúvida ainda persiste e o processo não está em condições de ser julgado. Pelo contido no processo, é possível verificar que o valor do crédito do contribuinte não está claro, não havendo condições de aferir se está de acordo com o contido na decisão judicial. Diante do exposto, em observância ao princípio da busca da verdade material e para evitar descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, voto por converter o feito em diligência, no propósito de: (i) a autoridade de origem elaborar relatório que demonstre os valores que entende corretos e diga se foi elaborado em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, a qual reconheceu o crédito de Finsocial e apresente em planilha, de forma individualizada e comparada, todo cálculo e a aplicação dos expurgos inflacionários e índices de correção determinados judicialmente, e Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Resolução nº 3201001.293 S3C2T1 Fl. 12 11 (ii) cumprida a diligência, a recorrente deverá ser intimada para se manifestar, em 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez, por igual período, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal e, de igual modo, pormenorizadamente, demonstrar eventuais divergências no cálculo. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928899/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928899/200947 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.178 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/Cofins Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2006 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 88 99 /2 00 9- 47 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.901, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928899/200947 Acórdão n.º 3402005.178 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908427/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908427/200921 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.116 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 27 /2 00 9- 21 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908427/200921 Acórdão n.º 1301003.116 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908427/200921 Acórdão n.º 1301003.116 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908427/200921 Acórdão n.º 1301003.116 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908427/200921 Acórdão n.º 1301003.116 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
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