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Numero do processo: 10240.001860/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE REINTIMAÇÃO E DE CONSEQUÊNCIAS DO NÃO ATENDIMENTO. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPOSSIBILIDADE.
Para o agravamento de penalidade em razão da falta de atendimento às intimações é imprescindível não só a reintimação do contribuinte, mas também o esclarecimento sobre as consequências de seu não atendimento. De qualquer forma, para aplicação da exasperação da penalidade faz-se necessária a intimação pessoal do contribuinte. A ciência ficta, por edital, impossibilita o agravamento da penalidade por falta de atendimento às intimações.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal.
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO SÓCIO-GERENTE DE FATO.
Comprovado por indícios convergentes a ocorrência de interposição de pessoas, e identificando-se o real proprietário e/ou gerente de fato do contribuinte autuado, correta a inclusão do verdadeiro representante legal no polo passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1402-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Sandra Maria Dias Nunes. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA POSTERIOR À DATA DE VALIDADE. DECURSO DE PRAZO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo, não gerando qualquer espécie de nulidade eventuais inobservâncias à Portaria que o rege. Ademais, a ciência de suas prorrogações se dá exclusivamente via internet, e não por meio da ciência de eventuais termos lavrados pela autoridade fiscal. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006 CONVÊNIOS. INFORMAÇÕES ESTADUAIS. A Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. PROVA EMPRESTADA. CONTRADITÓRIO. POSSIBILIDADE. Não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 18 60 /2 00 9- 38 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 442 2 Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE REINTIMAÇÃO E DE CONSEQUÊNCIAS DO NÃO ATENDIMENTO. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPOSSIBILIDADE. Para o agravamento de penalidade em razão da falta de atendimento às intimações é imprescindível não só a reintimação do contribuinte, mas também o esclarecimento sobre as consequências de seu não atendimento. De qualquer forma, para aplicação da exasperação da penalidade fazse necessária a intimação pessoal do contribuinte. A ciência ficta, por edital, impossibilita o agravamento da penalidade por falta de atendimento às intimações. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO SÓCIOGERENTE DE FATO. Comprovado por indícios convergentes a ocorrência de interposição de pessoas, e identificandose o real proprietário e/ou gerente de fato do contribuinte autuado, correta a inclusão do verdadeiro representante legal no polo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 443 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Sandra Maria Dias Nunes. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 444 4 Relatório Tratase de autos de infração que culminaram com a exigência do crédito tributário discriminado a seguir: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples 89.344,96 32.971,71 200.964,35 323.281,02 Programa de Integração Social (PIS) Simples 65.421,75 24.152,26 147.153,70 236.727,71 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Simples 92.401,16 34.318,03 207.840,80 334.559,99 Contribuição p/ Financ. da Segurid. Social (Cofins) Simples 270.474,58 100.409,42 608.385,86 979.269,86 Contribuição para Seguridade Social Simples 769.782,54 284.792,11 1.731.484,98 2.786.059,63 TOTAL 1.287.424,99 476.643,53 2.895.829,69 4.659.898,21 O contribuinte, optante pelo Simples, teria cometido as seguintes infrações: a) Omissão de compras (novembro de 2005 a janeiro de 2006): com capital integralizado de R$ 15.000,00 (novembro de 2005), a empresa não registrou compras de R$ 46.136,30 em novembro/2005, de R$ 211.922,49 em dezembro/2005 e de R$ 575.594,00 em janeiro de 2006. De igual forma, não declarou qualquer valor de receitas no mesmo período (Declaração Simplificada da PJ foi transmitida com todos os seus campos “zerados”); b) Omissão de receitas de revendas de mercadorias (fevereiro a dezembro de 2006): apurada com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS mensal apresentadas pelo contribuinte à Secretaria da Fazenda Estadual. Enquanto nestas declarações se declarou receita bruta superior a R$ 8.700.000,00, para a RFB o valor das vendas não chegou a R$ 6.000,00 no mesmo período; c) Em razão da omissão de receitas apurada, recalculouse o valor de Simples devido em relação às receitas já declaradas à RFB. A penalidade aplicada chegou a 225% dos tributos apurados, tendo a autoridade fiscal assim justificado sua exasperação: As condutas descritas abaixo adotadas pelo sujeito passivo 'demonstram o ânimo de fraude e/ou sonegação, pois, de forma reiterada, omitiu e ocultou deliberadamente do conhecimento do Fisco os fatos geradores de tributos/contribuições, uma vez que restou comprovado que: A empresa inexiste de fato, tendo sido declarada inapta nos autos no processo 10240000484200964; Utilizouse de interposta pessoa, Adir Cirino Vaz, para ocultar a pessoa do verdadeiro administrador conforme os fatos a seguir relatados no item 8; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 445 5 Prestou informações falsas na Declaração Simplificada —AC 2005 apresentada em 19.04.2006, ao declarar valores "zerados" para os itens compras, estoque inicial, estoque final, receitas e rendimentos, tendo, em verdade, efetuado compras e pagamentos aos fornecedores, no mesmo período; Prestou informações falsas na Declaração Simplificada — AC 2006 — apresentada em 30.05.2007, ao deixar de declarar a totalidade das Receitas auferidas; Não recolheu os impostos/contribuições incidentes sobre a receita declarada na Declaração Simplificada AC 2006; Deixou de atender as intimações da Fiscalização. Tais condutas configuram, em tese, os crimes previstos nos incisos I e II, do art. 1° da Lei nº 8.137/90 c/c arts.71 e 72 da Lei 4.502/64, o que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais em atendimento ao previsto no artigo 1° da Portaria RFB de 665, de 24 de abril de 2008, e impõem a aplicação da multa de ofício e agravamento do multa, totalizando 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre as impostos/contribuições apuradas com base na Receita Omitida, [...] Sobre o impostos/contribuições apurados com base na Receita Bruta declarada aplicouse a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) de acordo com o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Ao final, concluiu a autoridade fiscal que o único sócio de AC VAZ COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS, seria, na realidade, interposta pessoa. O titular de fato da empresa seria José Geraldo Santos Pinheiro. Convém transcrever as conclusões do Fisco: .Além das receitas omitidas, as informações prestadas por terceiros, corroboradas com as constantes do banco de dados da RFB, revelaram: (1) a interposição de pessoa na empresa, com objetivo de ocultar o administrador, de fato, e, por conseguinte, fugir ao cumprimento das obrigações tributárias e dificultar o conhecimento e a exigência dos créditos tributários devidos, por parte do Fisco; (2) a realização de operações comerciais mediante a utilização de estrutura física de outras empresas e sob a gerência do administrador destas. De acordo com informações da SEFIN/RO, nos autos do Processo Administrativo Fiscal Estadual n' 20082500600004, Adir Cirino Vaz figurava como responsável legal da empresa AC VAZ apenas para acobertar a pessoa do verdadeiro responsável e administrador, José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF nº288.120.00282, também sóciogerente da empresa RONDÔNIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA IMPORTADORA E EXPORTADORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 06.243.390/000107. O Fisco Estadual tomou conhecimento destes fatos a partir da busca e apreensão judicial de todos documentos, livros e equipamentos de informática e software existentes no estabelecimento da empresa RONDÔNIA MERCANTIL, ocasião em que foram apreendidos também vários documentos de constituição e abertura da AC VAZ, documentos pessoais e procurações e diversas Notas Fiscais de fornecedores para esta Fl. 445DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 446 6 empresa, conforme constam do "Auto de Apresentação de Apreensão" e "Laudo de Constatação Contábil n° 03221SMC12007" anexos, a saber: (1)01Um envelope com destinatário: Lenilda de Souza, End. Av. Presidente Dutra, 227, Centro — GuajaráMirim/RO, com Notas Fiscais de diversos fornecedores para as empresas.. Á. C. Vaz "; (2) "Notas Fiscais de diversos fornecedores para as empresas.. A.C. Vaz... ";(3) "vários documentos de abertura e constituição de empresas utilizadas pelo Grupo Rondônia Distribuidora (.A. C Vaz...) juntamente com cópias de documentos pessoais e procurações ". Relata o Fisco Estadual que "Conforme dados da ficha cadastral da empresa junto a Receita Estadual, em 0611012005, a mesma (AC VAZ) iniciou suas atividades na cidade de Itapoá D `Oeste, tendo como único proprietário, ADIR GIRINO VAZ, CPF 85012858204. Em 2310412007, após constatação de que a mesma não exercia atividades no estabelecimento, houve o cancelamento da inscrição Estadual da empresa". Prossegue relatando que: "Ainda, conforme Procuração Pública registrada no 1º Oficio de Notas e Registro Civil da Comarca de Ariquemes — Livro 271, folha 67 — o Sr. DELMIRO BARBOSA GUIMARÃES FILHO, CPF 290.969. 79595 e Cédula de Identidade MG1 1.050. 358SSP/MG, assumiu, por procuração (anexa), a gerência, a administração e a movimentação financeira e bancária da empresa A C VÁZ COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS, razão pelo qual, em conformidade com o CTN— Código Tributário Nacional (artigo 135 e incisos, artigo 136 e artigo 137 e incisos) e RICMS/RO (artigo 76, inciso 1, letra h e parágrafo único do artigo 836), qualificamos o Sr. DELMIRO BARBOSA GUIMARÃES FILHO como identicamente responsável pelo crédito tributário constituído neste procedimento fiscal ". Importante ressaltar que a AC VAZ "não exercia atividades no estabelecimento "próprio e Adir Cirino Vaz não a administrava, tendo outorgado poderes de administração para Delmiro Barbosa Guimarães Filho (CPF 290.969.7959 1) mediante procuração registrada perante o Cartório de ]o Oficio de Notas e Registro Civil da Comarca de Ariquemes/RO (Livro 271, f1.67). Delmiro Barbosa, por sua vez, mantinha estreito relacionamento com a pessoa de José Geraldo Santos Alves Pinheiro, tendo inclusive sofrido apreensão dos documentos de sua representação comercial D B GUIMARÃES FILHO REPRESENTAÇÕE S, CNPJ n° 04.316.8701000125, dentro do estabelecimento da RONDÔNIA MERCANTIL, na mesma ocasião, a saber: (1) "02 — Livros de Registro de Prest. Serv. da Empresa D.B. Guimarães Filho — Rep. — ME contendo 50 fls. cada, sendo que um livro não contém lançamentos e o outro, contém até as frs. 11 "; (2) Vias de Notas de prestação de serviços da empresa D.B. Representações n°55 a 59 para empresa Rondônia Merc. Distr. Impor. E Exp. "; (3) Vias de Relatórios das comissões pagas mês a mês das seguintes empresas:. ..D. R Guimarães Filho. — ME... "; (4) "Vinte e oito (28) pastas suspensas de Representantes Comerciais das Seguintes Pessoas:D.B. Guimarães Filho... Delmiro Barbosa Guimarães... "; (4) "Vinte (20) pastas suspensas contendo comprovantes de pagamento de comissão sobre vendas dos seguintes vendedores:.. Belmiro Guimarães Filho... ". Após perícia nos equipamentos de informática apreendidos na RONDÔNIA MERCANTIL, os peritos puderam afirmar que entre tantas outras empresas por ela controlada, fazia parte a empresa D.B. Guimarães Filho, inclusive com a denominação filial " da RONDÔNIA MERCANTIL, conforme "Arquivo Impresso" denominado "Relação Completa de Empresas ", e ainda como "Vendedor" conforme "Relatório de funcionários oriundo da base de dados dosoftware Midas ", anexos do "Laudo de Exame Pericial de Constatação de Equ4amento de Microinformática ". Fl. 446DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 447 7 Delmiro Barbosa Guimarães Filho foi convidado a prestar esclarecimentos atrnvés do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, encaminhado em 12.10.2009, via postal (AR477163394RL), porém recusouse a recebêlo. Depreendese dos fatos que Delmiro Barbosa Guimarães Filho era apenas vendedor das empresas AC VAZ e RONDÔNIA MERCANTIL ambas administradas por José Geraldo. Os documentos abaixo citados, apresentados pelos fornecedores, comprovam que José Geraldo tinha o poder de decidir sobre a realização ou não de pagamento das mercadorias adquiridas pela AC VAZ: (1) Solicitação de pagamento expedida pela empresa Campari do Brasil Ltda e encaminhada à AC VAZ aos cuidados de "GERÁLDO" (MPF 2501002008012443); (2) FAX de confirmação de pagamento de mercadorias adquiridas pela AC VAZ, encaminhado pela RONDONIA MERCANTIL a empresa Urbano Industrial Ltda (MPF 250100200801260 5): (3) Pagamento de mercadorias adquiridas pela AC VAZ, efetuado pela RONDÔNIA MERCANTIL a empresa Vinhos Salton SIA(MPF 25010020080 12664). O CNISCadastro Nacional de Informações Sociais, alimentado por informações declaradas em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, anexa, revela que a AC VAZ jamais contratou empregados, o que permite concluir ter utilizado de empregados da RONDÔNIA MERCANTIL para realização de suas operações comerciais. Sobre a GFIP, cumpre destacar que a empresa RONDÔNIA MERCANTIL é responsável pelo envio de informações mensais da empresa AC VAZ à Receita Federal e desde 0812005 vem transmitindo GFIP "sem movimento" tendo ambas como contador o Sr. Edes de Jesus Santana conforme comprova o anexo da GFIP: "Informações do Responsável'. Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro foi intimado aprestar esclarecimentos sobre a RONDÔNL4 MERCANTIL mediante ciência do "Termo de Solicitação de Esclarecimentos" em 23. 01.2009, via postal (AR 126072648RL), haja vista a apreensão dos documentos da AC VAZ no estabelecimento de sua empresa. Em resposta, protocolizou solicitação de prorrogação de 30(trinta) dias do prazo estabelecido justificando problemas de saúde e comprometendose a comparecer espontaneamente "para prestar esclarecimentos que venham a ser necessários, a fim de sanar dúvidas, pendências ou divergências junto a Receita Federal do Brasil ". Não obstante o compromisso firmado, deixou de comparecer para prestar esclarecimentos. Foi intimado novamente em 19.11.2009, via postal (AR4771 65727RL), a prestar esclarecimentos sobre a AC VAZ porém não compareceu. Os fatos e provas mencionadas demonstraram o ânimo de fraude e/ou sonegação, pois, de forma reiterada, os responsáveis articularam, omitiram e ocultaram deliberadamente do conhecimento do Fisco, o verdadeiro proprietário da empresa AC VAZ, José Geraldo Santos Alves Pinheiro, a localização dos seus estabelecimentos e bens, bem como a ocorrência dos fatos geradores de tributos/contribuições. Restou, portanto, caracterizada a Responsabilidade Passiva Solidária de José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF no 288.120.00282, em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa AC VAZ, haja vista o exercício efetivo de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatadas durante o período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos federais ora apontados. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 448 8 O contribuinte deixou de apresentar impugnação. Contudo, o interessado José Geraldo Santos Alves Pinheiro apresentou sua defesa em 14/01/2010 (fls. 291/401) alegando, em síntese que: a) Não há provas que possam configurar a responsabilidade passiva solidária de José Geraldo Santos Alves Pinheiro; b) Houve inobservância da Portaria 11.317/07, que regulamenta o MPF, no que se refere à ciência de prorrogação dos MPFs; c) Transcreve conclusões da autoridade fiscal ("A responsabilidade solidária do sujeito passivo restou caracterizada em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa, nos termos do Inciso I do art. 124, da Lei n2 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatadas durante o período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos federais, conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇAO DA INFRAÇAO N° 0250100/2008/010360"), asseverando que não haveria sustentação jurídica e fática para eleger José Geraldo Santos Alves Pinheiro como responsável tributário, pois inexistiria o interesse comum na situação do fato gerador. No mesmo sentido, não se comprovou que tenha efetivamente exercido a gerência e administração sobre os negócios da empresa autuada; d) Assevera ainda que a certeza da responsabilidade tributária do terceiro apontado deve ser resultado de processo administrativo prévio, em que seja apurada nos termos dos pressupostos estabelecidos por lei, sendo essa condição sine qua non que irá determinar a futura legitimidade passiva daquele na respectiva execução fiscal, caso não haja pagamento oportuno do crédito fiscal; e) A respeito da responsabilidade tributária solidária de que trata o inciso I do art. 124 do CTN alega ser um grande equívoco a conclusão de que bastaria a interdependência entre as empresas caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõem as sociedades para concluirse pela responsabilidade tributária solidária. Sobre o tema, argumenta ainda que não seria suficiente o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico para imputarse a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas, ou mesmo por membros dessas empresas. Para que isso ocorra seria indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. A solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico estaria condicionada a algumas comprovações, a saber: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Haveria interesse comum mediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência g) A autoridade fiscal sustenta a responsabilidade solidária do autuado baseada nas informações obtidas a partir de procedimento da SEFIN/RO. Nos autos do Processo Administrativo Fiscal Estadual nº 20082500600004, Adir Cirino Vaz figuraria como responsável legal da empresa A C VAZ apenas para acobertar a pessoa do verdadeiro responsável e administrador, Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro, também sóciogerente da empresa RONDÔNIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA IMPORTADORA E EXPORTADORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 06.243.390.000107. O equívoco do Fisco Estadual, e por consequência do Fisco Federal, seria a conclusão de que se trata de um mesmo grupo econômico. Não se poderia confundir interesse jurídico comum na Fl. 448DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 449 9 situação que constitua o fato gerador (art. 124, I, do CTN) com interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária: “Uma coisa é as empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Outra coisa bem diversa é o fato de as empresas coligadas terem interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, isto é, que participem entre si da mesma situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.” Somente o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador poderia gerar responsabilidade tributária soidária. Alega ainda que não há qualquer procuração outorgada a ele e sim a Delmiro Barbosa Guimarães Filho. Aduz também que os documentos que fazem menção ao nome “Geraldo” não são suficientes para comprovar que tais operações diziam respeito à sua pessoa, podendo dizer respeito “a qualquer um que se chame Geraldo”. No mesmo sentido, a alegação de que Delmiro era vendedor em sua empresa não poderia ser elemento de conclusão de que o próprio Recorrente seria o gerente, de fato, da empresa autuada. Também não haveria qualquer previsão legal que proibisse uma pessoa de prestar serviços para mais de um empregador. Haveria ainda inobservância do disposto no art. 112 do CTN, pois em caso de dúvidas quanto à ocorrência e características da infração, a conclusão deveria ser favorável ao acusado. O Recorrente também não teria sido intimado a prestar esclarecimentos referente à empresa autuada, tendo o Fisco concluído a partir de documentos obtidos em outro procedimento fiscal, induzindo em erro os julgadores a respeito do pretenso não atendimento às intimações lavradas. A respeito da penalidade aplicada, alega sua inconstitucionalidade em razão de seu caráter confiscatório. A decisão recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006 INFORMAÇÕES ESTADUAIS. A Fazenda Pública da União e as dos Estados; do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em suas razões de recurso, o Recorrente repete seus argumentos utilizados na impugnação. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 450 10 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O Recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 15/07/2010 (fl. 397), apresentando Recurso Voluntário em 06/08/2010 (fl. 404). Desse modo, dada a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento 1. PRELIMINAR NULIDADE Alega o Recorrente que o procedimento fiscal não observou o disposto na Portaria RFB nº 11.371/2007. A continuidade do procedimento fiscal teria sido dada somente após o lapso temporal de validade do MPF, o que teria acarretado sua extinção por decurso de prazo. Entendo não assistir razão ao Recorrente. Em primeiro lugar porque o MPF se consubstancia em instrumento administrativo. A esse respeito, convém transcrever as conclusões da decisão recorrida, por bem tratarem do tema: O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Neste sentido os seguintes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes: Número do Recurso 107131369 Turma PRIMEIRA Número do Processo 10746.0009941200193 Acórdão CSRF10105.189 Datada Sessão 1410312 005 08:30: 00 MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE — INOCORRÊNCIA — O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265199 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. Número do Recurso 141357 Acórdão 10321933 IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. A extrapolação no prazo de sua prorrogação não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 451 11 Número do Recurso 139359 Acórdão 10195208 NULIDADE — INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — PRORROGAÇÃO — REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET — A prorrogação do MPF, à luz do que determina o artigo 13 da Portaria 3007/2001, se dá mediante registro eletrônico, disponível na Internet. Número do Recurso 123381 ACÔRDÃO 20309205 NORMAS PROCESSUAIS INOCORRÊNCIA DE NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais,e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF, não teria como efeito tornar inválido os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados. A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso ao qual se nega provimento. Ademais, ainda que se queira adentrar ao mérito da observância ou não do procedimento fiscal aos comandos da Portaria em questão, compulsando os autos, concluo pela correição dos atos praticados. Explico. Embora o Recorrente tenha citado os artigos 2º, 3º, e 11 a 15 da referida Portaria, deixou de mencionar justamente o disposto no art. 4º, que prevê expressamente que a ciência pelo sujeito passivo do MPF darseá por intermédio da Internet, no próprio sítio da RFB mediante utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portanto, a cada prorrogação de prazo o contribuinte, automaticamente, poderia consultar, via internet, a continuação da validade do MPF. Portanto, não há que se falar em extinção do MPF por decurso de prazo. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade. 2. MÉRITO Não houve contestação sobre a infração referente à omissão de compras. Por conseguinte, analisase somente a infração referente à omissão de receitas apurada com base Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 452 12 em informações obtidas junto ao Fisco Estadual e à imputação de responsabilidade tributária a José Geraldo Santos Alves Pinheiro. 2.1 DA PROVA EMPRESTADA Ainda que de modo indireto, ataca o Recorrente a validade da prova emprestada obtida pelo Fisco Federal junto ao Fisco Estadual. Em primeiro lugar, cumpre ressaltar que o próprio CTN, em seu art. 199, prevê a celebração de convênios para troca de informações entre as Fazendas Públicas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A esse respeito, sem ressalvas as conclusões da decisão recorrida, in verbis: Quanto à denominada "prova emprestada", devese observar que a doutrina processual usualmente utiliza tal denominação para a prova produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo. Cabe observar que o artigo 332 do CPC, utilizado subsidiariamente no Processo Administrativo Fiscal, prescreve que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa". Portanto, em termos gerais é perfeitamente válida a utilização de provas produzidas em outros processos, desde que naturalmente estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. 7. Especificamente em termos tributários, é conveniente destacar que a cooperação entre os entes tributantes é prevista em lei, nos termos do artigo 199 do Código Tributário Nacional, que prescreve que "a Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarse ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio”. Destaquese que não houve o simples aproveitamento das provas produzidas no âmbito Estadual. A fiscalização diligenciou exaustivamente na contribuinte e nas empresas com ela envolvidas nas transações em foco. Podese dizer que, atualmente, há uma certa uniformidade na jurisprudência administrativa do CARF no sentido de que as conclusões do lançamento Estadual ou municipal não podem ser aplicadas de imediato aos tributos federais, mas, sim, os documentos colhidos e os demonstrativos já elaborados podem ser aproveitados como “prova emprestada”, desde que submetidos ao contraditório. Doutrina e jurisprudência do STF também não destoam de tais conclusões. O Pretório Excelso assim se manifestou: Prova emprestada e garantia do contraditório. A garantia constitucional do contraditório ao lado, quando for o caso, do princípio do juiz natural é o obstáculo mais freqüentemente oponível à admissão e à valoração da prova emprestada de outro processo, no qual, pelo menos, não tenha sido parte aquele contra quem se pretenda fazêla valer; por isso mesmo, no entanto, a circunstância de provir a prova de procedimento a que estranho a parte contra a qual se pretende utilizála só tem relevo, se se cuida de prova que não fora o seu traslado para o processo nele se devesse produzir no curso da instrução Fl. 452DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 453 13 contraditória, com a presença e a intervenção das partes" (HC 78749/MS, 1ª. Turma, Rel: Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 25/05/1999, DJU de 25/06/1999) O STJ, em caso envolvendo prova emprestada entre o Fisco Estadual e Federal, assim se manifestou: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL (ICMS). CREDITAMENTO INDEVIDO DE ICMS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS POSTERIORMENTE CONSIDERADAS INIDÔNEAS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL IRREGULAR. EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS SEM SAÍDA DE MERCADORIA. PROVA EMPRESTADA DA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE.[...]( REsp 1215222/SP RECURSO ESPECIAL 2010/01790150, 1ª Turma, Relator Napoleão Nunes Maia Filho, sessão de 18/10/2011, DJe de 11/11/2011) (grifo nosso) Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório (RTJ 559/265)" (REsp 81.094/MG, Rel. Min.CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJ 6/9/04) A respeito da validade da prova emprestada, Darci Guimarães Ribeiro assevera que “a prova emprestada encontrase albergada no art. 332 do CPC, pois, uma vez que foi coletada com todos os requisitos suprareferidos [nota deste relator: entendase, em especial, o respeito ao contraditório], ela é um meio moralmente legítimo e, portanto, capaz de produzir convencimento, já que a prova deve ser visualizada, principalmente, pelo seu aspecto subjetivo.” 1 No caso concreto, as provas emprestadas obtidas junto ao Fisco Estadual serviram não só para comprovação da responsabilidade solidária do Recorrente, mas também para determinação do montante de receitas omitidas ao crivo da tributação. Cumpre ressaltar ainda que, na sessão de 10/12/2012 da CSRF, pôsse em votação inúmeras propostas de enunciados de súmulas. Entre elas, encontravase a proposta de enunciado nº 12 a ser examinada pela 1ª Turma da CSRF, assim vazado: “Os valores declarados ao Fisco Estadual em montante superior aos informados ao Fisco Federal caracterizam omissão de receitas, se o sujeito passivo não justifica as diferenças apuradas.” Embora tal enunciado não tenha sido aprovado, ante a necessidade quórum qualificado para tanto (2/3), o simples fato da proposição do tema para fins de sua inclusão em súmula já demonstra que o entendimento do Fisco sobre a caracterização a omissão de receitas nesses casos encontra respaldo jurisprudencial. Desse modo, confirmo a validade das provas obtidas pela autoridade fiscal. Considerandose que não há qualquer controvérsia quanto à omissão de receitas propriamente dita, tanto em relação à sua ocorrência quanto à sua quantificação, voto por manter a exigência dos tributos exigidos de ofício. 2.2 SOLIDARIEDADE Alega o contribuinte, em primeiro lugar, que não se aplica o art. 124, I, do CTN ao caso concreto, pois, o suposto responsável tributário não teria interesse comum na 1 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 118. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 454 14 situação que constitui o fato gerador. No máximo, teria interesse econômico. Não haveria, portanto, que se falar em responsabilidade solidária. Além disso, inexistiriam provas aptas a demonstrar que o Recorrente tivesse exercido a gerência da empresa autuada. Pois bem. A discussão posta é analisar quem se desincumbiu do ônus da prova. Entendo que o trabalho do Fisco não merece reparos. Por consequência, concluo que não se deve dar guarida aos argumentos do Recorrente. Quanto à inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN ao caso concreto, não se pode negar que haja interesse comum do real proprietário de determinada empresa em seu faturamento. Ademais, como bem consta no relatório fiscal ao transcrever excertos das conclusões do relatório do Fisco Estadual citouse também os arts. 135, 136 e 137 do CTN que tratam da responsabilidade tributária dos representantes legais de empresas (fls. 94 e 95). Quanto aos elementos de prova de que Recorrente seria, de fato, o titular e gerente da empresa autuada, entendo haver um feixe de indícios convergentes que permitem corroborar as conclusões da autoridade autuante e também do acórdão recorrido. Ora, as provas coligidas pelo Fisco Estadual, trasladadas aos presentes autos e submetidas ao crivo do contraditório, tanto ao contribuinte quanto ao responsável, ora Recorrente, demonstram cabalmente a correição da responsabilidade tributária apontada pelo Fisco. Todos os documentos fiscais da autuada e seus controles de receitas e movimentação financeira estavam na sede de empresa em nome do próprio Recorrente (Rondônia Distr. Imp. e Exp. de Gêneros Alimentícios Ltda). A autuada possuía como procurador o senhor Delmiro Barbosa Guimarães Filho, empregado do Recorrente na própria Rondônia Distr. Imp. e Exp. de Gêneros Alimentícios Ltda. Ao contrário do que apontado em suas razões de defesa, tal fato não é corriqueiro, pois tanto Rondônia quanto AC Vaz Comercial de Gêneros Alimentícios atuavam no mesmo mercado!!! Ora, seria normal um empresário ter um empregado, também empresário, ambos atuando no mesmo ramo, ou seja, sendo concorrentes diretos? Obviamente não. Os indícios não param por aí. Quando a Fiscalização efetuou procedimento de circularização, diversos foram os clientes que manifestaram que as negociações junto à AC Vaz Comercial de Gêneros Alimentícios foram realizadas sempre com o Recorrente. O fato de os clientes terem citado o nome de “Geraldo”, sem identificação completa, poderia não ser determinante para perfeita identificação do recorrente (José Geraldo Santos Alves Pinheiro). Poderia, mas não o é no contexto da produção dessas provas. A Recorrente alega que poderia ser qualquer um com nome “Geraldo”. Contudo, dada a identidade de ramo de atuação e o local onde foram colhidas as provas, entendo que não há outra conclusão a se chegar: os indícios convergentes coligidos pela Fiscalização fazem prova de que José Geraldo Santos Alves Pinheiro era, de fato, o gerente de AC Vaz Comercial de Gêneros Alimentícios. Cumpreme, então, discorrer sobre a força probatória dos indícios. Sabese que os indícios e presunções constituem prova. Já no art. 136 do antigo Código Civil previase que os indícios são substratos fáticos que formam a presunção. Gilberto de Ulhôa Canto (Presunções no Direito Tributário, Resenha Tributária, São Paulo, 1991, p. 3/4) ensina: Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos aquilo que é a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de frequência ou de resultados conhecidos, ou Fl. 454DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 455 15 em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas, determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da consequência já conhecida em situações verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes. Já Moacyr Amaral Santos (Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º volume, 3ª ed., São Paulo, Ed. Saraiva, 1977, p. 436/437), assim leciona: [...] prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apurados no processo. A prova indireta é o resultado de um processo lógico. Na base desse processo está o fato conhecido. O fato conhecido, o indício, provoca uma atividade mental, por via da qual poderse á chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. O resultado positivo dessa operação será uma presunção [...] Um dos maiores especialistas sobre provas no Direito Processual Civil brasileiro – Darci Guimarães Ribeiro – assim se manifesta sobre os indícios: Nas presumptiones hominis, também conhecidas por simples, comuns ou de homem, e que, para os criminalistas, chamamse indícios e, para os ingleses, denominamse circunstâncias, o raciocínio dedutivo é feito pelo homem. Aqui, o legislador não quis legalmente presumir o fato desconhecido, deixando, em especial, ao juiz fazer o raciocínio necessário, a fim de chegar à descoberta do fato desconhecido, utilizando a experiência comum ou técnica, a fim de obter o convencimento necessário. [...] Enquanto as presunções legais servem para dar segurança a certas situações de ordem social, política, familiar e patrimonial, as presunções feitas pelo homemjuiz cumprem uma função exclusivamente processual, porque estão diretamente ligadas ao princípio da persuasão racional da prova, contido no art. 131 do CPC. [...] Seu campo de atuação é vastíssimo, tanto no processo civil quanto no processo penal, máxime para apreender os conceitos de simulação, dolo, fraude, máfé, boafé, intenção de doar, pessoa honesta, etc. 2 Corroborando essas teses, a jurisprudência administrativa há muito tempos segue a mesma direção: MEIOS DE PROVA A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do 2 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 103. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 456 16 julgador. (Acórdão nº 1054.032/90, 1º Conselho de Contribuintes, Publicado em 14/09/90). Observese o que diz Paulo Celso B. Bonilha (Da prova no Processo Administrativo Tributário, Dialética, São Paulo, 1997, p. 92): Sob o critério do objeto, nós vimos que as provas dividemse em diretas e indiretas. As primeiras fornecem ao julgador a idéia objetiva do fato probando. As indiretas ou críticas, como as denomina CARNELUTTI, referemse a outro fato que não o probando e que com este se relaciona, chegandose ao conhecimento do fato por provar através de trabalho de raciocínio que toma por base o fato conhecido. Tratase, assim, de conhecimento indireto, baseado no conhecimento objetivo do fato base, “factum probatum”, que leva à percepção do fato por provar (“factum probandum”), por obra do raciocínio e da experiência do julgador. Desse modo, podese afirmar que indício é o fato conhecido do qual se parte para o desconhecido e que assim é definido por Moacyr Amaral dos Santos (op.cit.): Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido que, por via do raciocínio, sugere o fato probando, do qual é causa ou efeito. Evidenciase, portanto, que o indício é a base objetiva do raciocínio ou atividade mental por via do qual poderseá chegar ao fato desconhecido. Se positivo o resultado, tratase de uma presunção. Sobre o tema, evocase o voto vencedor do acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que toma por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.) Como visto, os indícios, ou fatos conhecidos, são as bases para construção da prova. No caso concreto, a Fiscalização demonstrou de forma inequívoca uma série de fatos a comprovar que o Recorrente efetivamente exercia a gerência da empresa autuada. Todos os indícios coligidos possuem consistência e vínculo com a responsabilidade apontada. Oportuna, neste ponto, a lição de Maria Rita Ferragut (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67 , Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120), ao tratar da força probatória das presunções e indícios, bem como da imperatividade de seu uso na esfera tributária: É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é Fl. 456DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 457 17 meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada ‘presumem’ juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. O conjunto de indícios e presunções é chamado pela doutrina de prova indireta. Sobre o tema, Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, página 305) assim se pronunciou: Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/01 0.004, de 26/10/79, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção. Sobre o tema, prossegue o mesmo autor (Op. cit., página 312): O julgador de uma causa não esteve em contato com os fatos, não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram. Tudo isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas, chegar ao verdadeiro conhecimento dos fatos para, depois, aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os fatos, tem ele de valerse por vezes, da experiência adquirida com o trato da coisa pública. As presunções e os indícios servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos. Alberto Xavier (Do Lançamento – Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, editora Forense, 1998, pág. 133), quando analisa o lançamento, assim se manifesta: Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras de experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas Fl. 457DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 458 18 indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que no caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Desse modo, conforme já abordado, os indícios levantados pela Fiscalização fazem prova da responsabilidade tributária atribuída a José Geraldo Santos Alves Pinheiro. A respeito da possível não participação do Recorrente no procedimento fiscal, os documentos acostados aos autos demonstram justamente o inverso. Ao contrário do que alega o Recorrente, este foi efetivamente notificado sobre o pedido de esclarecimento a ser prestado a respeito de AC Vaz Comercial de Gêneros Alimentícios, conforme se observa às fls. 129 e 130, e não somente em relação à sua relação com a empresa Rondônia Distr. Imp. e Exp. de Gêneros Alimentícios Ltda. Ademais, a fase litigiosa do procedimento iniciase somente com a apresentação da impugnação, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Desse modo, ainda que o interessado não tivesse sido intimado durante o procedimento fiscal, frisese, o que não ocorreu, não haveria qualquer mácula ao procedimento adotado pela Fiscalização. De qualquer modo, o Recorrente foi intimado para se defender não só sobre a imputação de responsabilidade tributária, mas também sobre o mérito da atuação. E a análise de seus argumentos foi realizada tanto no acórdão recorrido quanto no presente voto, não havendo que se falar em qualquer espécie de prejuízo aos interessados, e, por consequência, de qualquer nulidade que possa vir a ser alegada. Logo, o argumento do Recorrente sobre a necessidade de processo administrativo para apuração da responsabilidade tributária que lhe foi atribuída é corroborado pela análise de sua defesa, tanto em nível de DRJ, quanto em grau de recurso perante o CARF no presente julgado. Frisese ainda que se torna ainda mais intrigante o fato de a autuada permanecer inerte não só durante todo o procedimento fiscal, mas também na fase de defesa, uma vez que não respondeu a qualquer termo durante a fase de fiscalização e tornouse revel após a lavratura dos autos de infração. Ora, se o procurador da empresa, senhor Delmiro Barbosa Guimarães Filho, possuía estreita relação com o Recorrente (aquele era empregado em sua empresa), é no mínimo estranho que este não tenha alcançado àquele ao menos o resultado do trabalho fiscal a fim de que a autuada pudesse também apresentar sua defesa. O fato só vem a corroborar a conclusão de que o Recorrente era, de fato, sóciogerente da autuada. A respeito da possível infringência ao art. 112 do CTN, mais uma vez não merecem prosperar as razões de defesa. Não há qualquer espécie de dúvida quanto à capitulação legal dos fatos, à sua natureza ou circunstâncias materiais, ou ainda à natureza ou extensão dos seus efeitos. Também não há dúvidas quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, bem como em relação à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. As provas coligidas aos autos demonstram com precisão a ocorrência do fato gerador e suas circunstâncias. Demonstrouse também com clareza a autoria e imputouse precisamente as penalidades. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 459 19 Isso posto, voto por manter a responsabilidade tributária atribuída ao Recorrente. 2.3 MULTAS DE OFÍCIO. PRETENSA INCONSTITUCIONDALIDE EM RAZÃO DE SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVOS QUE JUSTIFIQUEM QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. 2.3.1 DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DO CONFISCO O Recorrente argumenta que a penalidade aplicada seria inconstitucional, uma vez que teria caráter confiscatório, ferindo ainda os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. As questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis não podem ser analisadas na esfera administrativa. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Uma vez validamente editada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, cabendo lembrar que o lançamento é atividade plenamente vinculada à lei, não estando ao livre critério do agente lançar ou não lançar o crédito tributário ou escolher a oportunidade de lançálo. Cumpre ressaltar o art. 116, III, da Lei nº 8.112/90 impõe como dever dos servidores públicos “observar as normas legais e regulamentares”. No âmbito do CARF, assim dispõe o art. 62 de seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e19 daLein° 10.522, de19 de julho de2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993;ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de1993. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 460 20 Frisese que não há notícias de decisões ou atos que se enquadrem nas exceções dispostas no parágrafo único do dispositivo em questão. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do CTN, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). A impugnante cita decisões que abarcariam sua tese. As decisões judiciais relatadas não obrigam a Administração Pública, pois não abrangidas no disposto no Decreto 2.346, de 10 de outubro de 1997, que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais. Tais decisões, exaradas em controle difuso de constitucionalidade, não possuem eficácia erga omnes, limitandose seus efeitos às partes litigantes, haja vista a não edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução do dispositivo julgado inconstitucional. Também não há ato do Secretário da Receita Federal do Brasil determinando o cancelamento das exigências formalizadas com base no dispositivo combatido, de forma que, ao julgador, resta observar o comando legal enquanto os dispositivos não forem afastados do mundo jurídico. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, rechaçase suposta mácula. Por fim, sobre a matéria o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já pacificou esse entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange aos argumentos sobre o confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte e é dirigida ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis. Pelas razões acima expostas, não há como acatar as ponderações feitas pelo contribuinte, devendo serem afastados da análise dessa autoridade administrativa quaisquer argumentações que versem sobre inconstitucionalidade de leis ou ofensa a princípios constitucionais. 2.3.2 DA QUALIFICAÇÃO E DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE O Recorrente não concorda com a multa aplicada no percentual de 225%, pois entende não há comprovação de fraude e/ou dolo, bem como não teria deixado de atender às intimações. No caso dos autos, foi aplicada a multa de 225%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente para os anoscalendário a que se referem as infrações, cujos excerto de interesse transcrevese a seguir: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 461 21 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; [...] Como visto, nos termos inc. II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar Fl. 461DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 462 22 demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso em tela, devese observar, conforme já exposto, que o contribuinte efetivamente agiu com dolo, declarando, reiteradamente, ou ausência de receitas em suas declarações de renda, ou faturamento insignificante em relação ao seu montante real. A conduta levada a efeito pelo contribuinte, que restou impugnada pelo Fisco, teve como objetivo a redução dos encargos tributários devidos, utilizandose da sonegação, que se caracteriza pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. A conclusão pela prática do dolo, diante de tais elementos, é uma consequência lógica e inevitável. Não é demais ressaltar que o contribuinte sequer apresentou impugnação e somente o responsável tributário, que argumenta não ter qualquer relação com a autuada, é que apresentou defesa, inclusive alegando ausência de elementos que justificassem a qualificação da penalidade, argumento, a propósito, já desqualificado nas razões expostas acima. Diante de tais fatos, entendo correta a aplicação da penalidade de 150%. Quanto ao agravamento da penalidade em razão de não atendimento às intimações, contudo, entendo incorreta sua exigência. Embora o Recorrente tenha sido intimado a prestar esclarecimentos, conforme se observa às fls. 129 e 130, compulsando os autos não identifiquei qualquer outra intimação a ele dirigida neste procedimento fiscal. Saliento que a intimação de fls. 113/114 (resposta à fl. 115) diz respeito a outro procedimento fiscal, levado a efeito junto à RONDÓNIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA E EXPORTADORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, e, portanto, não pode ser levada em consideração para agravamento da penalidade do contribuinte ora autuado. Ademais, embora AC VAZ COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS tenha sido cientificada de todos os termos, sem responder a qualquer um deles, todos, sem exceção, utilizaramse de edital, haja vista que a empresa não mais se encontrava em seu endereço cadastral. No que tange ao atendimento às intimações por parte do responsável tributário, ora Recorrente, localizouse somente uma intimação para prestar esclarecimentos, sem qualquer reintimação e esclarecimento sobre possível exasperação de penalidade em caso de ausência de atendimento aos pedidos da Fiscalização. No caso concreto, tivesse a Fiscalização cientificado o responsável tributário dos termos lavrados em nome de autuada, entendo que a penalidade aplicada poderia ser mantida. Desse modo, não vejo como impor o agravamento da penalidade em 50%. Em suma, voto por reduzir a penalidade de 225% para 150%, haja vista a ocorrência de sonegação, sem, contudo, restar caracterizada a ausência de atendimento às intimações por parte da autuada ou o ora Recorrente. A fim de se evitar embargos declaratórios sobre possível contradição em meu voto, esclareço desde já que o fato de inexistir reintimações expedidas ao Recorrente, ou ciência, durante o procedimento fiscal, dos termos lavrados em nome da autuada, em nada prejudica a imputação de responsabilidade tributária, uma vez que, conforme já salientado, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, o início do litígio se deu somente com apresentação Fl. 462DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 10240.001860/200938 Acórdão n.º 1402001.387 S1C4T2 Fl. 463 23 de impugnação, não havendo qualquer prejuízo aos interessados no exercício da ampla defesa e do contraditório. 3. CONCLUSÃO Isso posto, voto no sentido de rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a penalidade aplicada a 150%, cancelandose o seu agravamento por falta de atendimento a intimações. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003148/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
VALIDADE DE DECISÃO
Não há nulidade no acórdão de primeira instância que decidiu sobre o lançamento de forma adequada e fundamentada, apenas não adotando a tese do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. VALIDADE DE DECISÃO Não há nulidade no acórdão de primeira instância que decidiu sobre o lançamento de forma adequada e fundamentada, apenas não adotando a tese do contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. VALIDADE DE DECISÃO Não há nulidade no acórdão de primeira instância que decidiu sobre o lançamento de forma adequada e fundamentada, apenas não adotando a tese do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 31 48 /2 00 8- 31 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003148/200831 Acórdão n.º 2302002.539 S2C3T2 Fl. 856 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 02/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 28/12/2005, referese a diferenças de contribuições previdenciárias incidentes obre a remuneração dos contribuintes individuais (prolabore), proveniente de diferenças entre os valores escriturados na contabilidade da empresa e aqueles informados em GFIP; a diferenças de contribuições sobre a remuneração constante dos registros contábeis na conta salário de segurados empregados e os declarados em GFIP e nos valores escriturados de décimoterceiro salário em comparação com as folhas de pagamento. Referese, também, o lançamento a contribuições incidentes sobre parcelas remuneratórias apuradas nas rescisões de contrato de trabalho, tudo no período de 01/2000 a 12/2003. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para apreciação dos documentos juntados pela recorrente e de suas alegações quanto à existência de recolhimentos não apropriados no levantamento, assim como de duplicidade de lançamento frente a parcelamento de débito em competências concomitantes com a Notificação. Informação Fiscal de fls. 674, traz que a GPS no valor de R$ 3.601,78 foi abatida do valor lançado na sua competência que é 02/2000, que as demais GPS aludidas pela defesa relativas às competências de 09 a 12/2004, foram quitadas em 07/10/2005, após o inicio da ação fiscal, que não foram apresentadas durante a fiscalização e por isso não aproveitadas. Que quanto ao parcelamento de débito também foi consolidado em 17/10/2005, não tendo sido apresentado para o Fisco e por isso não abatido dos valores devidos, além de se referir a FPAS 515, quando o contribuinte exerce atividade abarcada pelo FPAS 507. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou pelo cancelamento do débito e emissão de NFLD Complementar. Acórdão de fls. 725/730, julgou o crédito procedente em parte para excluir do lançamento as competências até 11/2000, pela fluência do prazo decadencial, com base no artigo 150§4º do Código Tributário Nacional. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) a necessidade de reformulação da notificação para o abatimento da GPS de 02/2000, no valor de R$ 3.601,78 e das competências quitadas de 09 a 12/2004; b) que o acórdão de primeira instância foi omisso porque não se manifestou quanto ao pedido da notificada quanto à confecção de nova NFLD com a devolução do prazo de defesa. Tal fato acarretou cerceamento de defesa; c) que também ocorreu cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada; Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) que reitera todos os argumentos da defesa de que os recolhimentos havidos não foram aproveitados; e) que está adimplente com suas obrigações; f) que há divergência entre o RADA e o RDA; g) que os valores retidos nas notas fiscais não foram aproveitados; h) que há valores constantes da notificação que já constaram de parcelamento de débito; i) que apresentou os pagamentos referentes às rescisões. Requer a anulação da decisão recorrida para que se efetive a prova pericial e que seja confeccionada NFLD Complementar. É o relatório. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003148/200831 Acórdão n.º 2302002.539 S2C3T2 Fl. 857 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. O crédito remanescente, após a decisão de primeira instância que excluiu o período decadente, referese às competências de 12/2000 a 12/2003. Desta forma, as argüições da recorrente quanto ao não aproveitamento da GPS relativa à competência 02/2000, são inócuas, eis que tal competência não está mais sendo exigida, além do que, o Fisco já informou no resultado da diligência e a decisão recorrida confirmou que os valores da GPS recolhida na competência 02/2000, foram corretamente apropriados no lançamento como se pode ver do Discriminativo Analítico do Débito, às fls. 04 do processo, onde todos os créditos da recorrente foram apropriados e no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados às fls. 59, dos autos. Embora a recorrente diga que a GPS de valor R$ 3.601,78 refirase à competência 02/2003, observo que no Sistema de Arrecadação –DATAPREV consta como competência recolhida 02/2000, em 07/03/2003, com os devidos acréscimos legais, fls. 676, dos autos. Portanto, os valores recolhidos foram aproveitados na competência 02/2000, (fls. 04). Com relação às guias de recolhimento das competências de 09/2004 a 12/2004, deixo de me manifestar, porque não fazem parte do período notificado, conforme já exposto acima. A argüição da recorrente acerca da existência de LDC Lançamento de Débito Confessado que abarcaria parte dos valores constantes na presente Notificação, não deve prosperar, porque como se pode ver do documento de fls.681/687, aquele parcelamento refere se, nas competências concomitantes ao lançamento em exame, somente às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, declaradas em GFIP, com o FPAS 5150, cujo código de Terceiros é 0115. Ao passo que a presente notificação referese às contribuições sobre fatos geradores não declarados em GFIP, com FPAS 5070 e código de Terceiros 0079, o que demonstra que não há duplicidade de lançamentos. Os fatos geradores constantes da presente notificação não foram declarados em GFIP e as Terceiras entidades do FPAS 5070, não são as mesmas do FPAS 5150. Do exame dos autos é de se ver que todos os recolhimentos apresentados pela recorrente foram aproveitados não só nesta notificação, como na de número 35.900.4806, não prosperando a alegação de que valores recolhidos não foram aproveitados. Reitero que o presente lançamento referese a diferenças de valores apurados através dos registros contábeis da recorrente que não haviam sido declarados em GFIP e a Fl. 849DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 recorrente não fez prova de suas alegações de que teria recolhido integralmente todas as exações lançadas. Por derradeiro não acolho a tese de cerceamento de defesa pela omissão do Acórdão recorrido e pelo indeferimento da perícia. A decisão recorrida atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) O Acórdão proferido pela primeira instância se manifestou sobre os pontos argüidos na peça de defesa e não cabia o cancelamento da Notificação como queria a recorrente, de forma que não atender seu pleito não significa cerceamento de defesa. Em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao alegado cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia, também não confiro razão à recorrente, porque os elementos que foram examinados e que deram suporte ao lançamento são reconhecidos pelo próprio recorrente, eis que constante de sua escrita contábil, sendo prescindível perícia para a necessária convicção no julgamento do Fl. 850DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003148/200831 Acórdão n.º 2302002.539 S2C3T2 Fl. 858 7 recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. A realização de perícia não se constitui em direito subjetivo do notificado e todos os documentos juntados foram analisados e explicado ao contribuinte que alguns recolhimentos já foram devidamente apropriados, enquanto outros não se referem ao lançamento em questão, tornando prescindível o conhecimento técnico de um perito. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 851DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.933065/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 107 1 106 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933065/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.596 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Hospital Mater Dei S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 65 /2 00 9- 21 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 27/30 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 30/09/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduz haver exercido direito amparado pela legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, onde ficou consignado que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, esta admitida no âmbito daquele julgamento, já que a retificação em tela não se enquadrava em nenhuma das hipóteses normativas que impedissem seu acolhimento. Assim: [...] Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 30/09/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 31.868,48), no valor de R$ 25.500,14, restando um saldo de crédito de R$ 6.368,34, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 6.387,59). Cientificada da referida decisão em 12/03/2012 (vide AR de fls. 34), a interessada, em 04/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 35/44, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933065/200921 Acórdão n.º 3802001.596 S3TE02 Fl. 108 3 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A defesa da recorrente não condiz com a realidade dos fatos, posto que, como relatado, a primeira instância acolheu a retificação da DCTF apresentada pela empresa, tendo, no entanto, deferido apenas em parte o pedido, já que o saldo do crédito em favor da empresa foi inferior ao valor pleiteado e utilizado na DCOMP. Com efeito, vêse do extrato de fls. 31, que o valor principal do débito cadastrado no processo, de R$ 8.679,70, foi reduzido para R$ 1.920,59, isso, justamente, em vista do acatamento da retificação do débito declarado na DCTF retificadora, conforme relatado. Assim, permanece apenas a situação em aberto dos débitos não liquidados por compensação depois dos cálculos decorrentes do reconhecimento parcial, pela primeira instância, do crédito alegado pela reclamante. Ao que parece, a recorrente apresentou o presente recurso buscando contestar a legitimidade da exigência do saldo devedor remanescente – depois de admitida a retificação da DCTF pela instância recorrida. Contudo, comparece a este foro sem apresentar nenhuma prova capaz de infirmar, minimamente, a exigência tributária atrelada a este processo. Vale lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11080.009864/2007-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 64 /2 00 7- 45 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1021.550/09 exarado pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, fls. 26 a 30, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa pelo atraso na entrega de DCTF, no valor de R$ 500,00, fls. 12. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Inconformada com a exigência da qual teve ciência em 08/10/2007 conforme AR de fls. 22, a autuada apresentou em 18/10/2007, a peça impugnatória de fls. 1/11, onde alega, resumidamente, que as empresas não devem ser compelidas a apresentarem a Declaração de Contribuição e Tributos Federais DCTF, em face da sua total ilegalidade e inconstitucionalidade, pelos seguintes motivos: · a sua instituição se deu através de uma Instrução Normativa, o que vai de pleno encontro ao princípio da legalidade previsto no art. 5o, II, da Constituição Federal, do art. 97, inciso V do Código Tributário Nacional CTN; · a delegação concedida pelo Ministro da Fazenda para o Secretário da Receita Federal é completamente inconstitucional e ilegal por violar o princípio da separação dos poderes previsto no artigo 2o da Carta Magna, o princípio da legalidade (art. 5o da CF/88), bem como o princípio da indelegabilidade tributária, previsto no art. 7o do Código Tributário Nacional. As penalidades pecuniárias, advindas da não apresentação da mencionada obrigação acessória, não encontram validade perante o ordenamento jurídicotributário, ante o fato de que qualquer tipo de sanção pecuniária (multa) concernente a não entrega da DCTF, ou ainda, atraso da entrega, erro no preenchimento, incorreção, etc, só pode ser prevista em lei, conforme estabelece o art. 113, § 3o c/c o art. 97, inciso V do CTN. [...] Quanto à alegação de falta de embasamento legal, primeiramente cabe ressaltar que ainda que houvesse ofensa a princípios constitucionais, não poderia esta instância apreciar tais arguições, [...] Contudo, é importante frisar a legislação que rege a instituição da obrigatoriedade de apresentação da DCTF e a multa pela não apresentação. Rezam os § 2o e 3o do art. 113 do Código Tributário Nacional: [...] Observese que, segundo o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Embasado no artigo 113, combinado com o 96, ambos do Código Tributário Nacional, é que o art. 5o do Decretolei n.° 2.124, de 13 de junho de 1984, delegou poderes ao Ministro da Fazenda para eliminar ou instituir Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.009864/200745 Acórdão n.º 1801001.522 S1TE01 Fl. 3 3 obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por seu turno, através da Portaria MF n.° 118, de 28 de junho de 1984, o Ministro da Fazenda subdelegou os mesmos poderes ao Secretário da Receita Federal, em matéria de obrigação acessória. A DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi então instituída pela IN SRF n.° 129, de 19 de novembro de 1986. Posteriormente, a IN SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Assim, embora a DCTF tenha sido instituída por ato infralegal, havia previsão no decretolei, que tem força de lei, para que a autoridade administrativa a instituísse e determinasse a cobrança de penalidade pelo descumprimento da referida obrigação acessória. Por outro lado, a previsão legal da multa por deixar de entregar a DCTF encontrase no art. 7o da Medida Provisória n.° 16, de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 2002, que tem a seguinte redação, in verbis : [...] Da simples leitura desse dispositivo, verificase que a situação em análise encontra se claramente nele disciplinada. Cumpre destacar, também a regulamentação dada pela IN SRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004. Portanto, não é verdade que a instituição da obrigação acessória, bem como a da penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, esteja a ferir o princípio da legalidade.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 07/12/2009, fls 36; Recurso – 23/12/2009, fls. 37) o Recurso de fls. 37 a 40, reprisando os termos da defesa exordial, bem como inovando em outros, em síntese: a) exclusão da responsabilidade pela infração tributário por força do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), que prevê a denúncia espontânea; b) estando informados os tributos na DIPJ e tendo sido pagos por Darf, tornase desnecessária a apresentação da DCTF, pois a Administração Tributária já possui todos os dados devidamente informados; c) até 1998 a entrega de DCTF para empresas de pequeno porte não era obrigatória, sendo documento meramente informativo e adicional; d) deve ser levado em consideração que a empresa sempre manteve em dia as obrigações tributárias; e) limitação da aplicação da multa em 20%, incidente sobre o valor dos tributos, conforme previsto na legislação tributária, devendo ser aplicada ao invés do valor de R$ 500,00, por ser mais benéfica. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio é a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração – DCTF. A recorrente argumenta, primeiramente, que seu procedimento está albergado pelo instituto da denúncia espontânea, o que a eximiria da multa imposta. Todavia, o benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Argumenta, em segundo plano, que: a empresa sempre manteve em dias suas obrigações tributárias; a DCTF até 1998 não era obrigatória para as pequenas empresas; e, se os tributos estão informados na DIPJ entregue e devidamente quitados, é desnecessária a apresentação da DIRF. Nenhuma desta observações podem ser acolhidas para isentar a recorrente da penalidade contra si imposta, por absoluta falta de previsão legal. De forma sobeja o acórdão atacado explicou que a multa in casu constitui obrigação acessória (art. 113, §3º, do CTN) e está instituída na legislação tributária em estrita observância ao princípio da legalidade, pelo que não podem as disposições legais e infralegais serem desconsideradas pelas autoridades administrativas de julgamento. Repriso o teor do artigo 7o da Medida Provisória n.° 16, de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 2002, por oportuno: Lei nº 10.426/02 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.009864/200745 Acórdão n.º 1801001.522 S1TE01 Fl. 4 5 ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10(dez) informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final à data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 ° A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4o Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5° Na hipótese do § 4o, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1o a 3o. (grifos não pertencem ao original) Por último, a recorrente insurgese contra o valor da multa, aplicada no valor mínimo de R$ 500,00, previsto na norma tributária acima reproduzida. Interpreta que deveria pagar 20% do valor dos tributos informados em DCTF, por ser uma forma mais benéfica. No entanto, deixa de observar que a penalidade, no valor prescrito no inciso II do caput do artigo 7º, pode ser aplicada desde que (destaquei) não seja inferior ao valor mínimo de R$ 500,00 consoante dispõe o § 3º do mesmo artigo (termos grifados no texto legal). Correta, pois, a valoração da multa no valor mínimo de R$500,00 cominado às empresas em situação similar à recorrente. Se não fossem todas estas as razões de desprovimento do recurso voluntário interposto, as argumentações trazidas somente em esfera recursal não poderiam ser admitidas Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 neste grau, devido à preclusão processual, estabelecida no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No mais, adoto integralmente os fundamentos do acórdão recorrido que não foram enfrentados pontualmente pela recorrente. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10540.720055/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
CONTRIBUINTE. PROPRIETÁRIO. POSSEIROS. INVASÃO DE TERRAS.
Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo (art.31 do Código Tributário Nacional). Considerando que proprietário é quem tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha (art.1.228 do Código Civil), quando houver Áreas em litígio e sendo a ocupação um ato transitório, aquele cabe entregar a DITR e se responsabilizar pelo imposto devido, caso esteja adotando providências judiciais ou extrajudiciais para recuperar a posse.
VERDADE MATERIAL CONSIDERAÇÃO DE ÁREAS NÃO DECLARADAS. REQUISITOS LEGAIS. PREENCHIMENTO.
Em nome da verdade material podem, para fins de redução do quantum apurado, ser consideradas Áreas não declaradas inicialmente pelo contribuinte, desde que na impugnação reste comprovado o preenchimento dos requisitos estabelecidos na legislação de regência, o que não ocorreu no caso concreto.
Numero da decisão: 2201-001.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício.
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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PROPRIETÁRIO. POSSEIROS. INVASÃO DE TERRAS. Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo (art.31 do Código Tributário Nacional). Considerando que proprietário é quem tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha (art.1.228 do Código Civil), quando houver Áreas em litígio e sendo a ocupação um ato transitório, aquele cabe entregar a DITR e se responsabilizar pelo imposto devido, caso esteja adotando providências judiciais ou extrajudiciais para recuperar a posse. VERDADE MATERIAL CONSIDERAÇÃO DE ÁREAS NÃO DECLARADAS. REQUISITOS LEGAIS. PREENCHIMENTO. Em nome da verdade material podem, para fins de redução do quantum apurado, ser consideradas Áreas não declaradas inicialmente pelo contribuinte, desde que na impugnação reste comprovado o preenchimento dos requisitos estabelecidos na legislação de regência, o que não ocorreu no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 55 /2 00 7- 61 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 5/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 2 RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em Exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franca, Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins e Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 1128.587 – 3ª Turma da DRJ/REC que julgou procedente o lançamento tributário no valor originário de R$ 68.721,07, decorrente de revisão interna de DITR2005. Intimado a comprovar o VTN declarado, o contribuinte apresentou laudo técnico em que consta uma avaliação da terra nua por R$ 27,961 ha (f1.18), tendo sido este o valor considerado pela fiscalização. Regularmente notificada do lançamento (fl.24), apresentou impugnação (fls.26/48) tempestividade atestada à fl.133 na qual sustenta: a) em 2004 a Área de efetiva posse seria apenas 7.161,41 ha, do total declarado de 17.037,10 ha, estando a diferença na posse de terceiros, sendo impossível a sua utilização em proveito próprio; b) deveria a DITR ser retificado de oficio para incluir uma Área de 900,00 ha de extração florestal, "...requerida ao IBAMA em 19/02/2004 (DOC.01), devidamente vistoriada em 05/11/2004; e, confirme se apura da Autoriza* para Desmatamento uso alternativo do solo, emitida pela GEREX IBAMA BARREIRAS BAHIA (DOC.02)". O Conselho de Contribuintes reconheceria como prova laudos de vistoria e documentos expedidos pelo IBAMA; c) nos termos do art.3° da Lei n° 4.771/65, área de interesse ecológico deveria ser igualmente incluída. Tal Área estaria "...sendo levantada pela empresa para compor a sua defesa, cujo resultado será posteriormente enviado"; d) ainda existiria na Área "...uma efetiva limitação do uso de sua propriedade que tem como base o Decreto Federal, datado de 13/12/2002 (DOC 03), criando a "ÁREA DE REFÚGIO DA VIDA SILVESTRE DAS VEREDAS DO OESTE BAIANO, NOS MUNICÍPIOS DE JABORANDI E COCOS, ESTADO DA BAHIA", com objetivo de proteger ambientes naturais onde estejam asseguradas as condições para a existência e reprodução de espécies da flora e fauna residente e migratória". De acordo com o IBAMA (DOC.04), a limitação no uso da propriedade seria clara, devendo ser considerada a titulo de preservação permanente uma área de 1.843,03 ha; e) haveria ainda 1.900ha de "Área Coberta por Florestas Nativas", a ser excluída da área tributável, conforme novidade trazida pela DITR 2007, aplicável por força do art.106 do CTN a exercidos anteriores; O "...segundo inteligência do artigo 10, §1 0, inc. II, letras "a" e "V, da Lei 9393, bem como do artigo 10, inciso I e II, do Decreto 4382/02, estas áreas devem ser alijadas das áreas tributáveis de uma propriedade rural"; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 5/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA Processo nº 10540.720055/200761 Acórdão n.º 2201001.569 S2C2T1 Fl. 185 3 g) na DITR/2005 original teria sido declarada uma Área de 5.500,00 ha, que seria a Área efetiva de posse, tendo sido alterada na declaração retificadora entregue em 25/07/06 por força de exigência do INCRA relativamente a adequação da Área à extensão registrada no cartório de imóveis; h) grande parte do imóvel estaria na posse de terceiros, tendo sido impetrada uma Ação de Reintegração de Posse no juízo de Coribé, contestada, inclusive, pelos posseiros. Posteriormente, fora celebrado um acordo em 14/09/2005, já homologado judicialmente, restando apenas a Área do Sr. Leomar Gomes de Oliveira, que permaneceria na posse de 1.328,35 ha; É o relatório do necessário Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Pareceme incensurável a decisão de primeira instância, senão vejamos. Da Área Coberta por Floresta Nativa Como bem salientou a DRJ, a previsão legal que permite não considerar, no cálculo da Área tributável, espaços cobertos "...por florestas nativas, primárias ou secundarias em estágio médio ou avançado de regeneração", foi incluída por meio do art.48 da Lei n° 11.428, de 22/12/06, que acrescentou a alínea "e" ao art.10, §1°, II,. da Lei n° 9.393/96, posteriormente, portanto, à ocorrência do fato gerador. Da Área de Refúgio da Vida Silvestre Apesar de afirmar, em setembro de 2007, que estaria procedendo a levantamento técnico em parte do imóvel rural com suposto status de interesse ecológico, incluída em "Área de Refúgio da Vida Silvestre das Veredas do Oeste Baiano, nos Municípios de Jaborandi e Cocos, Estado da Bahia", o contribuinte não noticiou, passados mais de 2 anos da entrega da impugnação, qualquer conclusão. Assim, a inexistência de lastro probatório mínimo a respeito de sua existência já se consubstancia em razão suficiente para impossibilitar excluíla do cálculo do ITR. Ademais, embora haja ato específico da Presidência da República, não há nos autos elementos suficientes para afirmar que parte das terras da Contribuinte encontramse dentro dos limites especificados no ato presidencial. Da Área de Extração Florestal De acordo com documentos de fls.62 e 64, resta evidente que os 900,00 ha não se tratam de Área destinada a exploração extrativa madeireira com sustentabilidade, nos Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 5/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA 4 termos da legislação de regência, mas que foi desmatada, ainda que com autorização da autarquia ambiental, simplesmente para ser preparada ao desenvolvimento da pecuária. Em que pese os argumentos expedidos, certo é que o pedido de desmatamento ocorreu em 2004 e não há nos autos prova de que o mesmo somente ocorreu após a data do fato gerador. Com efeito, a autorização foi dada com base em laudo técnico datado de 05 de novembro de 2004, por tanto antes do Fato Gerador. Se por um lado vegetação não cresce do dia para a noite, por outra é perfeitamente possível o seu desaparecimento em curto espaço de tempo. Assim, não restou comprovada a existência da área na data do fato gerador. Da Ocupação o do Imóvel por Posseiros Inicialmente devese consignar que a Constituição Federal de 1988 atribuiu ao legislador a competência para instituir tributo sobre a propriedade rural, o que por si só afastaria a tese sustentada pelo contribuinte. Ademais, a tributação da posse ou domínio útil deve ter em mente a cessão voluntária da posse estabelecida por uma relação estável entre possuidor e proprietário, bem como a individualização do contribuinte. No presente caso a relação jurídica estabelecida entre possuidor e proprietário é efêmera, precária e involuntária. Ademais, sempre é resguardado ao proprietário o direito regressivo contra o possuidor. A Contribuinte, proprietária do bem em questão, traz prova incontestável de sua vontade de se manter proprietária, lançando mão dos instrumentos processuais que entendeu adequados à proteção do seu direito, contradizendo os seus próprios argumentos. Diante de tais considerações, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 5/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por PEDRO PAULO PER EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15956.000309/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ralph Mells Sticca – OAB/SP nº 236471.
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ralph Mells Sticca – OAB/SP nº 236471. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – ConselheiroRelator (Assinado digitalmente) Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 1659 a 1713) apresentado em 20 de julho de 2010 contra o Acórdão no 1428.831, de 07 de maio de 2010, da 4ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1637 a 1646), cientificado em 21 de junho de 2010, que, relativamente a auto de infração de Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.801 2 PIS dos períodos de março de 2003 a dezembro de 2004, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para efeito de benefício fiscal obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no SISCOMEX. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de contribuição para o PIS vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação. Tratase de caso de nãoincidência por força de disposição legal que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade das contribuições, não resulta direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.802 3 o pedido de diligência ou perícia com o intuito de produzir provas que deveriam ser apresentadas na impugnação. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 24 de setembro de 2008, de acordo com o termo de fls. 1090 a 1107. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 06/15 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP, períodos de apuração de março de 2003 a dezembro de 2004, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 5.753.025,24. O enquadramento legal encontrase às fls. 09 e 14/15. Conforme Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 1.090/1.107), a autuante relacionou as irregularidades que determinaram a lavratura da exigência, a saber: a) Na análise da Ficha 04 – DACON – Demonstrativo de Créditos do PIS, a fiscalização constatou que a interessada se creditou indevidamente de valores referentes à aquisição de produtos com isenção destinados a exportação, usufruindo do benefício em duplicidade, tanto na aquisição quanto na venda ao mercado externo; foi elaborada planilha de glosa dos citados créditos na ficha correspondente do DACON (Anexo I fls. 238/242); b) utilizou créditos com origem em despesas de armazenagem e fretes desobedecendo a vedação expressa em lei no caso de empresa comercial exportadora, conforme demonstrado no anexo (Anexo I fls. 238/242); c) considerou, como receitas de exportação, outros valores que não aqueles referentes às notas fiscais de exportação devidamente registradas no Sistema SISCOMEX, inclusive variações cambiais, etc, que são tributáveis pelo PIS, e, com base nos valores de receitas informadas pela interessada (fl. 243) foi refeita a base de cálculo da contribuição apurada na Ficha 05 – DACON – Cálculo da contribuição para o PIS (fls. 1.080/1.083); d) do valor da contribuição resultante das compensações dos novos valores de créditos apurados na ficha 04 com os valores da base de cálculo apurados na ficha 05, resultou o valor da contribuição devida, da qual foi excluída a parcela já declarada em DCTF e que resultou nos valores que foram objeto do auto de infração; no mês de dezembro de 2002, quando inexistia o DACON, foi utilizado os valores declarados em PER/DCOMP. Cientificada, em 24/09/2008 (fl. 07), a interessada apresentou, em 23/10/2008 (fl. 1.129), por seu procurador, Ralph Melles Sticca, conforme instrumento de fl. 1.168, a impugnação de fls. 1.129/1.166, na qual pediu o reconhecimento da nulidade do auto de infração, a decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo aos períodos de apuração de março a agosto de 2003, no termos do art. 150, § 4º, do CTN, seja julgada procedente a impugnação tornando Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.803 4 insubsistente o auto de infração tanto na glosa de créditos quanto na apuração da base de cálculo e acolhido o pedido para realização de diligência nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Em suas razões de pedir, alegou, em síntese, que: 1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDO À VIOLAÇÃO ÀS REGRAS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO: e) Nulidade do feito fiscal devido à violação às regras do lançamento de ofício, pois a autuante teria se limitado a adotar presunções relativas à escrituração contábil, sem comprovar inexatidão, como prevê o art. 149, V do CTN; toda sua escrituração fiscal teria suporte em registros contábeis, cabendo à autuante o ônus da prova no sentido contrário, o que não se verifica nos autos; citou artigos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, segundo os quais, prestados os esclarecimentos pela contribuinte, eles só poderiam ser impugnados pela fiscalização com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Nesse sentido, transcreveu ementa de acórdão dos Conselhos de Contribuintes; f) Sobre a falta de averbação das notas fiscais de complemento de preços, alegou que elas derivam de outros direitos e obrigações, estas de natureza contratual que a Impugnante assume perante seus clientes, na medida em que exporta produtos cujos preços são cotados no mercado internacional e que, portanto, são reajustados até a entrega efetiva nas localidades determinadas pelo cliente. Como o Siscomex não prevê sistemática de ajustes de preços, seu procedimento contábil estaria correto; g) Indagou que se houve venda no mercado interno, como alegou a autuante, como teria procedido para vendêlas desacobertadas por notas fiscais de vendas e efetuar a baixa nos estoques? Alegou que não poderia vender a mesma mercadoria duas vezes, no mercado externo e no mercado interno. Faltou à autuante se debruçar sobre os razões contábeis a fim de cruzar as receitas de exportação com os contratos de vendas, bem como com as contas de clientes para verificar a baixa dos valores recebidos do exterior, como fez a impugnante em Anexo; h) Reiterou a impossibilidade de lançamento tributário com base em simples presunções e abstrações construídas e forjadas na mente dos agentes fiscais, aduzindo que seus lançamentos contábeis militam a seu favor, transcrevendo jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; i) Reclamou que os demonstrativos elaborados pela autuante apenas apresentam as bases de cálculo consideradas corretas, sem quaisquer indicações ou demonstrativos que deram origem aos saldos; 2. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO EFETUAR O LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO REFERENTE AOS MESES DE MARÇO A AGOSTO DE 2003: j) O reconhecimento da decadência do direito de o fisco lançar e exigir a partir dos fatos geradores ocorridos de março a agosto de 2003, afastandose o crédito tributário no montante de R$ 889.494,88, por força da aplicação do prazo decadência previsto no art. 150, § 4º, do Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.804 5 CTN; a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia subseqüente à ocorrência do fato gerador do tributo e como que o ato do lançamento foi praticado em 24 de setembro de 2008 é nítida a ocorrência da decadência sobre os fatos apurados pela impugnante nos meses anteriores a setembro de ‘2008’ (fl. 1.138); 3. DO DIREITO AOS CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO: k) A Lei nº 10.637/02, em sua redação original, não trazia qualquer óbice relacionado à possibilidade de desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços pelas comerciais exportadoras, enquadrandose como pessoas jurídicas sujeitas ao regramento geral do regime da não cumulatividade, conforme previsão contida na redação original do art 3º, de que o contribuinte poderá descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; l) Somente com o advento da Lei nº 10.833/03, que passou a vigorar a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do § 4º do art. 6º e disposição do art. 15, é que o direito de utilizar o crédito em virtude da imunidade das receitas de exportação e isenção nas vendas com fim específico de exportação não mais beneficiou a empresa comercial exportadora que adquirisse mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação; portanto, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, não havia qualquer vedação a apropriação de tais créditos, inclusive, entendimento já expresso pelo Conselho de Contribuintes, que cita; 4. DO DIREITO AOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM NA EXPORTAÇÃO: m) No tocante aos créditos sobre despesas de frete e armazenagem na exportação, incorridas pela empresa em suas operações de venda, no período de fevereiro a dezembro de 2004, argumentou que mais do que comercial exportadora, é pessoa jurídica exportadora, o que lhe assegura o crédito nas aquisições vinculadas às suas receitas de exportação, conforme o art. 5º da Lei nº 10.637/02, que reproduziu; n) Desta forma, aos exportadores, tendo em vista a imunidade das receitas de exportação prevista pelo art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal com a redação dada pela EC nº 33/2001, é assegurado o direito à manutenção e desconto de créditos nas aquisições de bens e serviços no mercado interno com a incidência desta contribuição, sob pena de que o benefício outorgado pela CF resulte em incidência cumulativa da contribuição, aplicandose a referidas pessoas jurídicas exportadores as regras de desconto de crédito prevista no art. 2º da Lei nº 10.637/02; o) É dizer, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou nãoincidência do imposto, ou seja, os respectivos Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.805 6 prestadores são contribuintes para o PIS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a essas despesas; p) Ainda sobre o assunto, alegou que o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, no qual teria se baseado a autuante para negar o direito ao crédito, vedou a apropriação de créditos nas aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições, ratificando o disposto no art. 3º, § 2º, II da mesma lei, não se aplicando aos demais bens e serviços adquiridos com o pagamento de tais contribuições, os quais, ainda que vinculados à receita de exportação, não se confundem com a operação incentivada das comercias exportadoras de venda com fim específico de exportação. 5. DAS DIVERGÊNCIAS NA BASE DE CÁLCULO DECORRENTES DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO: q) Foram desconsiderados, de forma infundada pela fiscalização, os lançamentos contábeis na conta de Receita de Revenda de Exportação a título de “Complemento de Preço”, “Variação Monetária” e “Estornos”, levando os respectivos valores à tributação da contribuição como se receita de mercado interno fossem, algo que não se pode convalidar; todas as operações comerciais de venda, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2004, foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, não tendo havido, neste período, qualquer operação de venda de produto no mercado interno r) Após considerações sobre os princípios contábeis atinentes a realização da receita concluiu com a assertiva de que a receita de exportação somente se considera realizada no momento da transferência de propriedade dos produtos de uma entidade à outra, que se concretiza, no caso em apreço, pelo embarque das mercadorias exportadas no porto, razão pela qual, desde a emissão da Nota Fiscal de Exportação até que o momento em que se apure a receita de venda efetiva, são necessariamente efetuados ajustes, a débito e crédito, nas contas correspondentes de acordo com o regime de competência, sendo portando consideradas “variações cambiais”, tanto para efeitos contáveis quanto fiscais, apenas após a tradição da mercadoria – “emissão do Bill of Lading”; s) Seria de praxe no mercado nacional e internacional de compra e venda de commodities, quando estas são negociadas em bolsas internacionais – como é o caso do açúcar – ou sujeitas a cotações diárias – como é o caso do álcool , a apuração do preço de venda a posteriori, mesmo que após o embarque das mercadorias com destino ao exterior, por conta da possibilidade de fixação do preço final a critério de e oportunidade do vendedor, o que gera em sua contabilidade, novamente em reverência ao princípio da competência, estornos e complementos de preço, de modo que a receita de exportação total reflita o valor final da operação; t) Os procedimentos legais de Despacho de Exportação, conforme consignado no termo de encerramento pela fiscalização, foram regularmente cumpridos pelo Contribuinte, não havendo determinação legal expressa de nova averbação no SISCOMEX no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, nem tampouco qualquer necessidade de vinculação desta à comprovação da exportação para Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.806 7 fins de gozo da imunidade das receitas de exportação à contribuição em apreço; ademais, o art. 160 da Portaria SECEX nº 36/07, que dispõe dos procedimentos de exportação, prevê que poderão ser efetuadas alterações no RE, e em casos bastante específicos, não havendo qualquer determinação expressa de nova averbação no caso de emissão de nota fiscal de complemento de preço, como requer a fiscal; u) O recebimento de todas as receitas consignadas pela impugnante pode ser comprovado, seja mediante a apresentação de contratos de câmbio firmados com instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo BACEN, seja pela baixa de contas de Passivo relativas a pré pagamentos à exportação, operação conhecida e sedimentada no setor exportador; apresentou conciliação de contas de clientes mais expressivos no período; 6. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA: v) Requereu realização de diligência, formulando as verificações que rechaçariam as conclusões fiscais, demonstrando sua improcedência." No recurso, a Interessada alegou, inicialmente, que o acórdão de primeira instância seria nulo, pelo indeferimento da realização da diligência e flagrante cerceamento do direito de defesa. Ademais, o auto de infração seria nulo, devido à violação das regras do lançamento de ofício. No mérito, após expor suas atividades, tratou do procedimento adotado pela Fiscalização, analisando cada item da atuação. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que foi atendido o pedido da Interessada de julgar em conjunto os processos relativos ao PIS e à Cofins. Em relação à contabilidade, pelo que consta dos autos, é fato que havia sérios problemas em sua escrituração, conforme relatou a Fiscalização no termo de verificação fiscal: Diante de tantas informações conflitantes/contraditórias prestadas por escrito pela fiscalizada, relativamente aos valores efetivos de PIS e COFINS a Recolher no período de dezembro/2002 a dezembro/2004, de uma contabilidade com muitos lançamentos em destempo, com históricos "genéricos" não demonstrando o que se pretendiam acertar e que mesmo quando solicitado pela fiscalização a origem/comprovação destes lançamentos o que foi apresentado não condizia nem com as normas contábeis, tampouco com o que foi escriturado, a fiscalização insistindo mais uma vez, intimou a empresa em 17/03/2008, através do Termo de Intimação Fiscal 05 (fls. 124/125) Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.807 8 a apresentar Demonstrativos de Receitas abertas, identificando as rubricas, e as respectivas bases de cálculo e da Cofins devida e compensações se houvesse, todas relativas a COFINS — cumulativa no período de 01/12/2002 a 31/01/2004. Tal situação está registrada nos autos, pelos termos de intimação e respostas da Interessada. Entretanto, esse fato não implica que a escrituração da Interessada, como um todo, seja imprestável, nem que não se admita a possibilidade de prova ao contrário do afirmado pela Fiscalização. Nesse contexto, à vista do abaixo exposto, há dúvidas que ensejam a conversão do julgamento do recurso em diligência. Em relação às receitas de Revenda de Exportação, a Fiscalização relatou o seguinte: Muito embora a fiscalização tivesse dado oportunidade de a empresa manifestarse caso quisesse, condicionandoa a apresentação de documentação hábil e idônea que a fundamentasse, a empresa manifestouse em 24/07/2008 (fis.1015 a 1018) apenas ocorrendo seu ponto de vista. Cabe apenas comentar a alegação da empresa quanto à impossibilidade de ulterior alteração nos registros do SISCOMEX mencionada (item (iii) Da averbação da Nota Fiscal de Complemento ) tal alegação não procede haja vista que a qualquer momento o exportador poderá solicitar alteração de dados já averbados, porém deve fazêlo através de processo manual devidamente documentado e fundamentado, que após apreciação pelo setor responsável, se aceitáveis as alterações propostas, integrarão as informações do despacho de exportação, em campos próprios destinados a "outros documentos recepcionados". Tal alteração nunca foi solicitada pela empresa. No último parágrafo da (fls 1018) a empresa pediu 15 (quinze) dias de prorrogação, para comprovar a regularidade da exportação. Também anexou uma planilha (fls. 1019) na qual procura vincular n° s de notas fiscais de complementos de preços com n°s de notas fiscais de venda e com o n°s de despacho de exportação. A interligação entre os documentos indicada pela empresa, não condiz com a realidade dos fatos, pois como se comprova pelos dados dos despachos constantes das telas do SISCOMEX (fls. 305 a 839) apenas, as notas fiscais de vendas (açúcar e álcool) foram nelas averbadas. Nenhuma nota fiscal de complemento de o foi averbada nem nos despachos de exportação indicados pela empresa (fls. 1019) em qualquer outro, no período de dezembro/2002 a dezembro/2004. As cópias de notas fiscais de complementos de preços constam em anexo (fis. 840 a 878) e também estão anexadas as telas do SISCOMEX, (fis.305 a 839). A fiscalização reproduziu adiante os números dos despachos indicados pela empresa na ultima coluna (fls. 1019) e os números das telas do SISCOMEX relativas aos respectivos despachos, os quais revelam a inconsistência de suas argumentações : [...] Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.808 9 Desse modo não há que se falar em receitas de exportação, pois não houve alteração dos contratos de câmbios, consequentemente, também não houve ingressos de divisas (moeda estrangeira) fatores primordiais para caracterizar "receitas de exportação". Decorridos mais de 70 (setenta) dias da data do pedido, até a presente data, nada comprovou. Fato que permite concluir que ela não possui nenhuma outra informação além daquelas já apresentadas à fiscalização que constam dos sistemas SISCOMEX. A Fiscalização considerou que as afirmações da Interessada a respeito dos ajustes de preços estornos não foram reveladas pelos assentamentos contábeis. As alegações da Interessada, nessa matéria, referemse à afirmação de que não realizou vendas no mercado interno e das assertivas de que suas alegações são robustas e a fundamentação da autuação é frágil. Contestou a Interessada as conclusões do acórdão de primeira instâncias pelas seguintes alegações: Nesse particular, o v. acórdão combatido invocou a Instrução Normativa SRF n°. 28/94 para fundamentar a obrigatoriedade de relacionar todas as Notas Fiscais que instruem o despacho de exportação, e assim demonstrou: "se por um lado não existe previsão normativa no sentido da obrigatoriedade de registro ou averbação da notas complementares, também é verdade que não existe qualquer vedação nesse sentido. " (fls. 1697). [...]Neste esteio, também os i. Julgadores de primeira instância administrativa deixaram de mencionar quais seriam os dispositivos e elementos legais que fundamentaram sua convicção relativa à obrigatoriedade de registro das notas fiscais de complemento de preço, insistindo em dizer que portanto, a possibilidade de registro das notas fiscais de complemento existe, e mais, é obrigatória para que se considere exportada a mercadoria com os dados por elas complementados" (fls. 1698). [...]Outra infundada alegação do v. acórdão, que merece ser reformada, encontrase nas fls. 1698: "ademais, pelos dados que nelas constam, não é possível identificar a que título de complemento elas se pretendem, por não constar no corpo das mesmas .requer o número das notas fiscais a que estariam complementando. ". Ora, o quanto alegado também se destoa das provas carreadas aos autos do Processo Administrativo em tela, pois nas Notas Fiscais ali acostadas é possível verificar a inscrição de dados referentes à operação de exportação — número de notas, destinatário e navios responsáveis pelo transporte (consoante fls. 511, 522, 535, 540, 553, 729, 736, 754, 777, 795, 807, 841/844, 846/849, 852/857, 864/868). [...]Nesse contexto, prosseguiu o v. acórdão: “Dessa forma, estamos diante de uma receita anda pela empresa, tanto que registrada em sua contabilidade (em conta de receita de exportação, é bem verdade, mas sem suporte em documen ao fiscao e Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.809 10 que não se trata de receita de exportação. Assim, é irrelevante a discussão sobre tratarse de venda no mercado interno, pois a contribuição incide sobre toda e qualquer receita, à exceção da auferida com exportação, que não ficou comprovado. Correta, portanto, sua inclusão na base de cálculo para apuração da Cofins devida no presente caso” (fls. 1698). Ora, como não houve "suporte em documentação fiscal", se aqui se debate justamente a emissão de NOTA FISCAL de complemento de preço? Como não "ficou comprovado" o procedimento de exportação sendo que a Recorrente procedeu à exportação efetiva de suas mercadorias destinadas aos clientes no exterior no período abrangido pelos meses de Fevereiro a Dezembro de 2004, tendo respeitado todos os procedimentos administrativos atinentes ao desembaraço aduaneiro de exportação previstos pela normatização administrativa conforme farta documentação juntada aos autos do Processo Administrativo pela própria i. Fiscal? Outra questão que é relevante para o presente caso, conforme citado pela Fiscalização: Desse modo não há que se falar em receitas de exportação, pois não houve alteração dos contratos de câmbios, consequentemente, também não houve ingressos de divisas (moeda estrangeira) fatores primordiais para caracterizar "receitas de exportação". A Interessada alegou que apresentou o Anexo VII para comprovar os ingressos de divisas, mas que a Primeira Instância o desconsiderou pela alegação simples de “sequer” comprovar os argumentos apresentados na impugnação. Nesse contexto, requereu o seguinte: Para este fim, conforme já debatido no item I acima, é que se pugna pelo deferimento da realização de nova diligência aos assentamentos contábeis da empresa, para que seja designado novo auditor fiscal federal com vistas a examinar os trabalhos fiscais e esclarecer as argumentações levadas a cabo pela própria fiscalização (o que não se verificou nos autos) e não o contrário, sob pena de que a Recorrente seja compelida a realizar enorme esforço probatório no sentido de tornar legítimo algo que já goza, para fins legais, de presunção de veracidade, invertendo de forma grosseira o ônus da prova no Processo Administrativo Tributário. Tais argumentos são relevantes, uma vez que apontam, no sentido anteriormente exposto, a possibilidade real de demonstração das alegações. Os quesitos formulados pela Interessada na impugnação vão ao encontra do que alegou: (i) No exercício social de 2004 – períodos de apuração de Janeiro a Dezembro , o saldo da conta contábil "Receita da Revenda de Exportação' escriturado mensalmente pela Impugnante – o qual serve de base para a exclusão da parcela imune da base de cálculo da COFINS – fora objeto de registro na conta contábil "Clientes – Exterior", a título de contrapartida? Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.810 11 (ü) Nos mesmos períodos de apuração acima indicados, os mesmos valores registrados na conta contábil "Clientes – Exterior" da Impugnante (segregada por cliente) como • contrapartida da conta contábil "Receita da Revenda de Exportação', foram objeto de baixa a crédito, indicando ou o recebimento ou a quitação parcial de operações de prépagamento à exportação previamente contratadas pela Impugnante? (iii) A baixa a crédito dos valores exportados pela Impugnante no exercício social de 2004, em sua totalidade (Nota Fiscal de Exportação + Complemento de Preço + Ajustes Supervenientes) pode ser comprovada pela entrada de recursos no país mediante operações de câmbio contratadas nos moldes do BACEN (antes ou após a exportação efetiva das mercadorias)? (iv) Por fim, é possível identificar nos assentamentos contábeis da Impugnante – sobretudo nos controle de estoque de mercadorias adquiridas e revendidas nos meses de Fevereiro a Dezembro de 2004 qualquer indício de realização de operações de revenda de mercadorias no mercado interno além daquelas referentes à exportação de mercadorias para o exterior? Além dessa matéria, há ainda dúvida quanto ao crédito presumido das operações de Hedge. Nessa matéria, a Fiscalização considerou que a Interessada teria apurado a maior os referidos valores: Analisando as informações consignadas nos Demonstrativos relativos a COFINS, anexos a reposta da empresa (fis.188) a fiscalização constatou que relativamente às operações de "Hedge" nos meses de março/2004 a dezembro/2004, a empresa se creditou de valores além daqueles permitidos pela legislação (art. 84, lei 10.833/03). A fim de demonstrar os corretos valores de credito presumido da Cofins com relação às operações de "Hedge" a fiscalização elaborou o anexo 1 I, para demonstrar as bases de cálculos utilizadas pela empresa nos meses de fevereiro e março/2004, e aquela glosada pela fiscalização linha 13 do DACON (fls.194 ) e o anexo 1 1 I, para demonstrar os créditos utilizados pela empresa nos meses de abril a dezembro/2004 e aqueles glosados pela fiscalização linha 22 do DACON (fis. 195). Argumentou a Interessada que, originalmente, as receitas financeiras era consideradas débitos para efeito das contribuições não cumulativas, enquanto que as despesas eram consideradas créditos. Mas, a partir das alterações da Lei n. 10.865, de 2004, art. 21, os créditos foram vedados e as receitas passaram a ser tributadas a alíquota zero. Entretanto, o art. 84 da Lei n. 10.833, de 2003, teria sido mantido, pois tratou das operações de hedge das pessoas jurídicas não financeiras. Na sequência, apresentou raciocínio semelhante em relação à evolução da legislação e destacou a conclusão do acórdão de primeira instância: Neste esteio, a r. decisão fomenta, sem indicação de dispositivo legal, que “quando se fala em perdas, devese levar em conta o período para Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.000309/200843 Resolução nº 3302000.347 S3C3T2 Fl. 1.811 12 cálculo da contribuição, qual seja, o mês. Não se pode concluir que em determinado período mensal em que a receita com hedge tenha superado a despesa, exista alguma perda sobre a qual deva ser calculado crédito " (fls. 1701). O art. 16, § 5º, da IN SRF n. 404, de 2004, esclareceu que “Os resultados positivos ou negativos, contabilizados nos termos do § 4º, serão considerados para efeito de apuração da contribuição ou do crédito de que trata o caput deste artigo.” Portanto, somente o resultado negativo é que implica crédito, enquanto que o resultado positivo integra a apuração da contribuição. Entretanto, não está claro se, nos períodos em que foram apurados ganhos, a valor a integrar a base de cálculo da contribuição foi o resultado ou o valor total das variações ativas. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, com base na documentação juntada à impugnação e a adicional que seja necessário apresentar, e por meio de intimação da Interessada, verifique o atendimento aos quesitos formulados pela Interessada quanto à primeira questão e esclareça, quanto à segunda questão, se a base de cálculo adotada pela Interessada em relação às receitas financeiras foi o valor total das variações ativas (utilizando como crédito as variações passivas) ou o resultado (diferença entre as variações ativas e passivas). Para efeito da primeira parte, sugerese que a Interessada seja intimada a esclarecer, por meio de roteiro, como a documentação apresentada demonstra e a que detém podem demonstrar suas alegações, comprovando que os valores relativos aos complementos e estornos referemse a cada uma das exportações realizadas e que os valores efetivamente ingressaram no País. Seguindo tal raciocínio, por meio de demonstrativo seu ou a ser apresentado pela Interessada, a Fiscalização deverá verificar se existem as vinculações entre as operações, lavrando termo de conclusão de diligência, do qual deverá ser dada ciência à Interessada, para eventual contestação no prazo de trinta dias. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.003637/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/11/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
O fornecimento de notas fiscais de produtor, livros de registro de entrada e saída de mercadoria, relação contendo o nome e valores recebidos pelos transportadores de leite diretamente pela empresa à Fiscalização, em atendimento a Intimação Fiscal regularmente formalizada mediante documento próprio e idôneo, não constitui hipótese de quebra de sigilo fiscal eis que fornecida espontaneamente pelo sujeito passivo, e não pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de notas fiscais de produtor, livros de registro de entrada e saída de mercadoria, relação contendo o nome e valores recebidos pelos transportadores de leite diretamente pela empresa à Fiscalização, em atendimento a Intimação Fiscal regularmente formalizada mediante documento próprio e idôneo, não constitui hipótese de quebra de sigilo fiscal eis que fornecida espontaneamente pelo sujeito passivo, e não pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 36 37 /2 01 0- 44 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 10/11/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 18/11/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Autuado em face do lançamento aviado no Auto de Infração nº 37.278.0580, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, I e §9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de a empresa ter deixado de incluir nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 01/2006 a 12/2007 os valores pagos a segurados contribuintes individuais a seu serviço transportadores autônomos contratados para a coleta de leite de produtores rurais pessoas físicas , conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 06/08. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor mínimo de R$ 1.431,79 (hum mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), já atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, de acordo com a resenha a fl. 08 do Relatório Fiscal da Infração. Relata o Agente Fiscal que, do exame da documentação apresentada, aqui incluídas as GFIP, Notas Fiscais de Vendas e Notas Fiscais de Produtor Rural, houvese por Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 115 3 constatado que a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, pois ficaram fora das folhas de pagamento os valores pagos aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos contratados para coletarem diariamente o leite dos produtores rurais pessoas físicas. A obrigação principal da Empresa relativa aos fatos geradores ora em debate houvese por formalizada mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.278.0547, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003632/20101. A fiscalização constatou que a contabilidade da empresa não registrava o movimento financeiro real, deixando de contabilizar contas bancárias do Banco do Brasil e do SICOOB – Cooperativa de Crédito do Vale, assim como a maior parte dos insumos consumidos e a maior parte das vendas realizadas. Também não foram contabilizados os segurados contribuintes individuais – transportadores autônomos coletadores de leite, os quais não foram, igualmente, declarados em GFIP, tampouco registrados nas folhas de pagamento respectivas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 20/28. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0938.988– 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 45/51, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/03/2012, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 53 e 54, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 55/82, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a fiscalização da Receita Federal presumiu os fatos geradores da obrigação tributária a partir da movimentação bancária ilegalmente obtida com a quebra de sigilo bancário, utilizando indevidamente os extratos bancários; · Incompetência do art. 6º da LC nº 105/2001 para relativizar ou alterar princípio constitucional; · Inexistência de motivação e do fato imponível para a desconsideração da contabilidade da empresa; · Ausência de processo regular de arbitramento, anterior ao lançamento, com o obrigatório contraditório, visto que os dois procedimentos que deveriam ser independentes foram efetuados conjuntamente, suprimindo assim o contraditório no primeiro procedimento; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Inexistência de especificação no fundamento legal para a desconsideração da contabilidade da empresa, configurando cerceamento de defesa; · Impossibilidade de exigência da contribuição incidente sobre a comercialização de produto rural (leite in natura) com o produtor rural pessoa física, devido sua inconstitucionalidade declarada pelo STF; · Nulidade do Auto de Infração em razão das ilegalidades e abuso de poder praticado pela administração pública no processo de Fiscalização, apuração do fato gerador e constituição do crédito tributário. Ao fim, requer o cancelamento da exigência fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 01/03/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 02 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente, exclusivamente em sede de Recurso Voluntário, a inexistência de motivação e do fato imponível para a desconsideração da contabilidade da empresa. Aponta também a ausência de processo regular de arbitramento, anterior ao lançamento, com o obrigatório contraditório, visto que os dois procedimentos que deveriam ser independentes foram efetuados conjuntamente, suprimindo assim o contraditório no primeiro procedimento. Alega nesta fase recursal a inexistência de especificação no fundamento legal para a desconsideração da contabilidade da empresa, configurando cerceamento de defesa. Ainda em sede de Recurso Voluntário, a empresa defende a impossibilidade de exigência da contribuição incidente sobre a comercialização de produto rural (leite in natura) com o produtor rural pessoa física, devido sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 116 5 Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 117 7 juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA CONDUTA INFRACIONAL Alega o Recorrente que a fiscalização da Receita Federal presumiu os fatos geradores da obrigação tributária a partir da movimentação bancária ilegalmente obtida com a quebra de sigilo bancário, utilizando indevidamente os extratos bancários. Aduz que o art. 6º da LC nº 105/2001 não detém competência para relativizar ou alterar princípio constitucional. Defende ainda, em ádito, a nulidade do Auto de Infração em razão de supostas ilegalidades e abuso de poder praticado pela administração pública no processo de Fiscalização, apuração do fato gerador e constituição do crédito tributário. Viajaram os Patronos da causa. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Malgrado conste consignado com extrema clareza no Relatório Fiscal da Infração a fls. 07/08, se nos antolha que os Causídicos em foco não devem ter percebido vamos iluminálos – que o vertente lançamento tem por objeto crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória prevista no inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212/91, consubstanciada no dever instrumental da empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) E diga o item II do Relatório Fiscal a fl. 07: “II Na verificação dos documentos apresentados, dentre eles, GFIP, Notas Fiscais de Vendas e Notas Fiscais de Produtor Rural, constatamos que a empresa cometeu a seguinte infração: Deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos segurados a seu serviço. Ficaram fora das folhas de pagamento os valores pagos aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos contratados para coletarem diariamente o leite dos produtores rurais, conforme planilha anexa, tal como ABAIXO previsto: "Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS". Infringindo, desta forma, o art. 32, Inciso I da Lei 8.212 de 24.07.1991, c/c art. 225, inciso I, §9º do RPS”. Os segurados contribuintes individuais que não foram incluídos nas folhas de pagamento da empresa foram localizados nos campos próprios das notas fiscais de produtor rural, destinados para esse fim, onde estão informados os nomes dos transportadores (motorista) que realizaram o frete, consoante planilha sintética acostada a fl. 06 e resenha nos itens III e IV do Relatório Fiscal da Infração a fls. 07/08, in verbis: “III Os segurados contribuintes individuais relatados acima e que ficaram fora da GFIP e folha de pagamento foram localizados nos campos próprios das notas fiscais de produtor rural, destinados para esse fim, onde estão informados os nomes do transportador (motorista) que realizou o frete. Questionado o sujeito passivo sobre esses profissionais através do TIF 02 (o TIF n° 01 não foi entregue), sendo então fornecida Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 118 9 as planilhas diárias dos coletadores e os extratos bancários, pois a contabilidade não registrou as contas bancárias da empresa. IV Na planilha anexa transcrevemos todas as informações que julgamos necessárias extraídas das notas fiscais e das planilhas diárias dos coletadores com o fim de comprovarmos o crédito fiscal apurado, visto que boa parte desses valores não foram contabilizados, e a única informação relativa a estes fatos geradores estão nesses documentos”. Os grifos não constam no original. Avulta, de todo o exposto, que os fatos geradores apurados pela Fiscalização não decorreram de qualquer Quebra de Sigilo Bancário, como assim alega o Recorrente, mas, sim, das notas fiscais de produtor rural e das informações contidas nas planilhas diárias elaboradas pelos próprios coletadores de leite, as quais foram fornecidas à Fiscalização pela própria empresa em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e 03 a fls. 11/14. O art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabelece a prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos seus AuditoresFiscais, de examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias e a prestar todos os esclarecimentos e informações formalmente solicitados, não tendo aplicação qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos, a teor do art. 195 do CTN. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Ante a deficiência na compreensão, cabe neste comenos esclarecer que no Direito brasileiro, o sigilo bancário corresponde à obrigação imposta às instituições financeiras de conservar em sigilo, em relação a terceiros, as operações ativas e passivas realizadas por seus clientes e correntistas, assim como os serviços a eles prestados, cujo conhecimento detém em razão de sua atividade empresarial, nos termos do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001. Vozes consagradas nesse ramo do Direito de há muito prelecionam que “o sigilo bancário configurase num concreto dever de conduta de conteúdo negativo, por parte das instituições financeiras, consistente na abstenção de revelar a terceiros fatos captados por ela no exercício de sua peculiar atividade empresarial”. (COVELLO, Sergio Carlos. O sigilo bancário. São Paulo: Editora Universitária de Direito, 2001, p.89). No caso em debate, inexiste qualquer espécie de intervenção de qualquer instituição financeira ou assemelhada, uma vez que os documentos em que se fundou o vertente lançamento, digase, notas fiscais de produtor, livros de registro de entrada e saída de mercadoria, relação contendo o nome e valores recebidos pelos transportadores de leite, etc., foram obtidos diretamente da empresa, que espontaneamente os forneceu à Fiscalização em atendimento à intimação formal aviada em instrumento próprio e idôneo. Ademais, os documentos em relevo não guardam qualquer interrelação, a mínima que seja, com a atividade bancária, circunstância que acentua a impertinência das alegações suscitadas. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 119 11 Que viagem. No vertente lançamento, os fatos geradores e as respectivas matérias tributáveis foram apurados a partir das informações extraídas dos documentos obtidos na própria Fiscalizada, a saber, notas fiscais de produtor, livros de registro de entrada e saída de mercadoria, relação contendo o nome e o valor recebido por cada transportador de leite. Não há, portanto, qualquer presunção de ocorrência de fato gerador no caso em estudo. Os documentos coletados pela Fiscalização revelam, de maneira inequívoca, a efetiva e concreta prestação de serviços de coleta de leite por transportadores autônomos, cuja remuneração corresponde a R$ 0,0459/litro de leite. No dizer eloquente da lei, a empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, sendo certo que, em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento de tal obrigação acessória devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Outro não é o Direito positivado no art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ao estatuir a obrigação da empresa de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no § 22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, e demais pessoas físicas; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (...) §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. (...) §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) Não se mostra demasiado enaltecer que o registro nas folhas de pagamento de todos os segurados obrigatórios do RGPS, assim como o de todas as rubricas por estes auferidas, sejam elas integrantes ou não do Salário de Contribuição, não se revela como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, assim como as GFIP equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 120 13 que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No caso em debate, havendo registros de pagamentos remuneratórios efetuados a segurados contribuintes individuais, denunciados pelas notas fiscais de produtor rural onde estão informados os nomes do transportador (motorista) que realizou o frete e pelas planilhas diárias dos coletadores de leite, é de se exigir que tais segurados obrigatórios do RGPS sejam, efetivamente, registrados nas folhas de pagamento da empresa, salvo demonstração e comprovação de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, cuja produção probatória não logrou a empresa autuada coligir aos autos. A conduta omissiva assim perpetrada pela pessoa jurídica autuada configura se infração às disposições inscritas no art. 30, I da Lei de Custeio da Seguridade Social, punível com a multa variável prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91, na modulação fixada no art. 283, I, ‘a’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, com valores atualizados conforme mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Diante dos aludidos dispositivos, exsurge, como decorrência lógica que, tanto a obrigação acessória ora infringida quanto a penalidade pecuniária associada ao seu descumprimento objetivo, encontramse, de fato, previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito de competência que lhe foi outorgado pela Carta Magna Brasileira, sendo, por conseguinte, de observância obrigatória pelo sujeito passivo. Nessa vertente, no curso dos procedimentos de fiscalização, contatou a autoridade fiscal que o Contribuinte em foco não honrou incluir em suas folhas de pagamento segurados contribuintes individuais – transportadores autônomos coletadores de leite que lhe houveram prestado serviços de coleta de leite in natura no mês. Mostrase digno de realce, no presente caso, que o lançamento tributário da obrigação principal associada ao vertente Auto de Infração figura como objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.278.0547, lavrado na mesma ação fiscal e debatido no Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003632/201011, o qual foi julgado integralmente procedente por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em julgamento realizado na mesma assentada. Diante desse quadro, havendo sido reconhecido, por esta mesma Turma Julgadora, por unanimidade, a procedência do lançamento das obrigações tributárias principais referentes aos fatos geradores tratados neste auto de infração, não há mais como se esquivar do reconhecimento da procedência do lançamento que ora se debate, eis que deveriam ter sido inseridos nas folhas de pagamento da empresa todos os segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mêscompetência. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003637/201044 Acórdão n.º 2302002.547 S2C3T2 Fl. 121 15 Dessarte, fruto de tais considerações, restou detalhadamente demonstrado que a imputação in comentum resultou de procedimentos administrativos conduzidos em perfeita sintonia com os comandos constitucionais e legais vigentes no Ordenamento Jurídico, impondose salientar não haver sido detectado qualquer vício, de jaez formal ou material, que possa macular o lançamento operado pela fiscalização. Registrese que na oportunidade em que teve a empresa de contestar o lançamento que ora se opera, sua impugnação administrativa não ultrapassou a argumentação relativa ao lançamento com utilização de elementos presumidos, bem como a ocorrência de violação do sigilo fiscal, os quais, conforme demonstrado, não ocorreram no presente caso, deixando de impugnar, especificamente, o mérito do lançamento, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações etéreas, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiadas única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação. Optou o Recorrente, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Procedente, então, o lançamento tributário levado ora a cabo pela autoridade fiscal fazendária. Do exame de tudo o quanto nos autos consta, concluímos não demandar reparos a decisão de 1ª Instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.001543/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MATÉRIA DE DIREITO. REEXAME. INCABÍVEL.
Devem ser rejeitados os embargos declaratórios propostos com vista ao mero reexame da matéria de direito já tratada nos autos.
Numero da decisão: 3402-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Interessado 2ª TURMA ORDINÁRIA DA 4ª CÂMARA DA 3ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MATÉRIA DE DIREITO. REEXAME. INCABÍVEL. Devem ser rejeitados os embargos declaratórios propostos com vista ao mero reexame da matéria de direito já tratada nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 43 /2 00 6- 29 Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de examinar embargos de declaração apresentados pela pessoa jurídica qualificada neste processo para acusar a existência de omissão, contradição e obscuridade no Acórdão n° 3402001.696, de 20 de março de 2012. Por meio do referido Acórdão, decidiuse negar provimento ao recurso voluntário interposto nestes autos para manter os lançamentos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) efetuados. A embargante alegou que a omissão, a contradição e a obscuridade estariam configuradas pelo fato de terse afirmado, para indeferir o pedido de perícia, que os produtos objeto da autuação eram os mesmos que entraram no estabelecimento da contribuinte, sem, contudo, haver nos autos nenhuma afirmação de que os produtos importados ou adquiridos no mercado interno são os mesmos revendidos pela contribuinte. Também foi acusada a existência de omissão no Acórdão embargado, pois, ao tratar da questão da embalagem de apresentação ou para transporte, foi invocado o art. 6°, § 1°, inc. II, do Regulamento do IPI (Ripi), e tal dispositivo legal conteria duas partes, referindo se a primeira às vendas no atacado e a segunda às vendas no varejo, e, no referido Acórdão, teria sido examinada apenas a segunda parte. De acordo com a embargante, considerando que, na acusação fiscal, afirmou se que a contribuinte é comerciante atacadista, para se chegar à conclusão sobre a embalagem ser de apresentação ou de transporte, deveria terse verificado apenas se a capacidade da embalagem era superior ou inferior a vinte quilos, que é a primeira parte do art. 6°, § 1°, inc. II, do Ripi, destinada ao comércio atacadista. Também foi apontada contradição em trecho do voto que se refere ao art. 6°, § 2°, do Ripi, porque terseia afirmado que as embalagens dos produtos fabricados pela contribuinte seriam alcançadas pela exceção prevista no mencionado dispositivo, por conterem exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos; no entanto, rstou confirmado que os produtos são embalados segundo instruções das montadoras e, portanto, em atenção a determinação de cunho eminentemente comercial. Ao final, solicitouse o provimento dos embargos para sanar os vícios apontados e, dessa forma, proceder à integração do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso devem ser conhecidos. De início, afasto a omissão, a contradição e a obscuridade alegadas na matéria relativa ao indeferimento da perícia, pois, conforme se constata no trecho do voto condutor do Acórdão embargado a seguir transcrito, não se ignora que a peça fiscal produzida Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10830.001543/200629 Acórdão n.º 3402002.068 S3C4T2 Fl. 2.344 3 dá conta da existência de produtos industrializados pela recorrente e importados e revendidos, sem industrialização. O que se afirma é que, havendo saídas de produtos industrializados e revendidos sem industrialização, na impossibilidade de se produzir perícia sobre os produtos efetivamente saídos, a convicção do julgador somente pode se firmar sobre a prova documental. (...) Sobre a reiteração do pedido de realização de perícia para esclarecimento dos quesitos formulados à fl. 576, julgoo despiciendo, tendo em vista que, conforme TVF, as irregularidades objeto da acusação fiscal foram apuradas pelo exame de documentos fiscais fornecidos pela contribuinte, que também dá saída legais e regulares de produtos com suspensão do IPI, sendo impossível a realização de perícia nos mesmos produtos objeto da autuação. Dessa forma, a prova necessária e possível nestes autos só pode ser a documental e, nesse ponto, à vista da alegação de inexatidão na declaração do CFOP nas notas fiscais, cumpre lembrar o art. 300, inc. II, do Ripi/98 e art. 322, inc. II, do Ripi/02, que dispõe, ipsis litteris: Art. 322. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 353, o documento que: (...) II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; (...) Assim sendo, considerando que as notas fiscais de entrada referemse aos próprios produtos revendidos e dada a impossibilidade de perícia nos produtos movimentados objeto da autuação, devese considerar que tratase de mera revenda dos produtos importados, sem que tenha havido as montagens e transformações alegadas pela recorrente. (...) A acusada omissão quanto à condição da contribuinte de comerciante atacadista, no enfrentamento da primeira parte do art. 6°, § 1°, inc. II, do Ripi, foi fundamentada na “evidência” de que o mencionado dispositivo legal, quando se refere à capacidade superior a vinte quilos, está tratando das vendas no atacado e, quando referese à capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido no varejo, está tratando das vendas no atacado. Ora, creio que, tratandose de lei, evidente é o que está literalmente expresso, sem margem à dúvida, e, uma vez que não consta da disposição legal questionada nenhuma afirmação expressa com o entendimento da embargante, esse entendimento não passa de uma interpretação da norma que, no caso, não coincide com a interpretação dada por este colegiado, que foi no sentido de que, para observância do inc. II do art. 6° do Ripi, na hipótese de embalagem com capacidade inferior a vinte quilos, ainda assim poderá ser considerada Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 embalagem de transporte, se essa capacidade for superior àquela em que o produto é comumente vendido no varejo aos consumidores. Notese ainda que o parâmetro de comparação da venda a varejo está relacionado ao produto e não ao contribuinte. Por outras palavras, podese ter por referência a venda a varejo daquele produto por qualquer empresa que a realize. Em face disso, o que se constata é que a contribuinte pretende trazer à baila discussão de matéria de direito já examinada no julgamento do recurso voluntário, pretensão esta que não encontra abrigo na estreita via dos embargos de declaração. Quanto à contradição a respeito da exceção prevista no art. 6°, § 2°, do Ripi, novamente a embargante pretende rediscutir questão de direito na via dos embargos, pois toda sua argumentação é desenvolvida com a interpretação de que as exigências técnicas, bem como outras exigências (nãotécnicas) devem constar de lei ou de ato administrativo e a interpretação dada pelo colegiado, nos termos do Acórdão embargado, é de que as exigências técnicas não devem, necessariamente, constar de lei ou de ato administrativo. Tal expressão “constantes de lei ou de atos administrativos” referirseia, portanto, apenas às outras exigências. Concluise, pois, que não se constata no Acórdão ora embargado a omissão, a contradição ou a obscuridade apontadas pela embargante. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios apresentados. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001172/2006-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO.
É de se reconhecer contradição entre o posto na ementa do julgado e na fundamentação.
Embargos acolhidos em parte
Numero da decisão: 2802-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração sem, entretanto, admitir qualquer efeito infringente do julgado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 22/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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CONTRADIÇÃO. É de se reconhecer contradição entre o posto na ementa do julgado e na fundamentação. Embargos acolhidos em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração sem, entretanto, admitir qualquer efeito infringente do julgado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 22/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Dayse Fernandes Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 11 72 /2 00 6- 34 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração com vistas a suprir suposta contradição de decisão proferida por esta C. Turma, assentada no fato de o acórdão embargado ter se fundamentado na impossibilidade de tributação do ganho de capital na alienação de bem imóvel tendo como custo de aquisição o valor declarado pelo ex cônjuge antes da dissolução da sociedade conjugal, em valor inferior ao atribuído por ocasião da partilha, ao passo que a embargante demonstra que o custo de aquisição adotado pela fiscalização foi o valor informado pela contribuinte na DIRPF 2002 (anocalendário 2001, fls. 52), portanto, em momento POSTERIOR à partilha do bem no divórcio, cuja sentença transitou em julgado em 24 de setembro de 1999. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator A suposta contradição estaria assentada no fato de o acórdão embargado ter se fundamentado na impossibilidade de tributação do ganho de capital na alienação de bem imóvel tendo como custo de aquisição o valor declarado pelo excônjuge antes da dissolução da sociedade conjugal, em valor inferior ao atribuído por ocasião da partilha, ao passo que a embargante demonstra que o custo de aquisição adotado pela fiscalização foi o valor informado pela contribuinte na DIRPF 2002 (anocalendário 2001, fls. 52), portanto, em momento POSTERIOR à partilha do bem no divórcio, cuja sentença transitou em julgado em 24 de setembro de 1999. A fundamentação apontada pela embargante foi extraída da ementa do acórdão. No voto condutor do acórdão a questão foi abordada de forma a inexistir contradição entre a fundamentação e a decisão. Vejamos: Logo, ainda que a Recorrente não tenha relacionado o bem na DIRF/2000, e apenas declarado no anocalendário 2002 (data da efetiva transferência perante o Cartório de Registro de Imóveis) por valor inferior ao estimado em partilha de bens, a prova dos autos não deixa dúvida que se ganho de capital houve, este não se deu pelo valor lançado, mas pela diferença entre o valor da transferência em razão da dissolução da sociedade conjugal (R$ 500.000,00) e o valor comprovado da alienação (R$ R$ 510.000,00). De fato, da leitura da ementa do acórdão, a expressão utilizada “Impossibilidade de tributação do ganho de capital na alienação de bem imóvel tendo como custo de aquisição o valor declarado pelo excônjuge antes da dissolução da sociedade conjugal”, pode criar dúvidas quanto ao decidido, sem, entretanto, ocasionar qualquer efeito infringente ao já decidido em Voluntário. Logo, acolho os Embargos para suprir o segundo parágrafo da ementa do julgado. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10746.001172/200634 Acórdão n.º 2802002.409 S2TE02 Fl. 277 3 Posto isso, conheço dos embargos declaratórios opostos e lhe dou provimento parcial, sem, entretanto, admitir qualquer efeito infringente do julgado, da forma como pretendido pela Embargante. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10746.001172/200634 Acórdão n.º 2802002.409 S2TE02 Fl. 278 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 22 de julho de 2013 (assinado digitalmente) JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.913847/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 38 47 /2 00 8- 41 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório SABINA MODAS COMÉRCIO LTDA. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 27160.35005.020804.1.3.042144, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor 1.834,74. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781147232, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alega, em síntese, que: a) possui o direito creditório lastreado no DARF indicado no PER/DCOMP b) recolheu a contribuição social em valor estimado para o período de apuração c) mais tarde, apurou a contribuição social em valor da menor do que o estimado/recolhido d) utilizou no presente PER/DComp o saldo do DARF na compensação aqui analisada e) apresentou demonstrativo dos valores do débito estimado, do débito apurado, e da diferença a seu favor; f) tais informações constam das declarações DCTF e DIPJ do período. A 5 ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13036.476, de 4 de agosto de 2011, fls. 30 a 33, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/02/2001 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913847/200841 Acórdão n.º 3403002.305 S3C4T3 Fl. 56 3 indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/RJ25ª Turma. O arrazoado de fls. 38 a 49 repete a explicação sobre a origem dos créditos e o pedido de realização de diligência para que se ateste a veracidade de suas alegações (pagamento efetuado com base em estimativa do valor da contribuição, constatação de pagamento a maior a partir da apuração real do valor da mesma, utilizando a diferença no pleito ora sub judice), reiterando que a realidade dos fatos está plasmada na DIPJ respectiva. Quanto à falta de provas do indébito, referida na decisão recorrida, entende que não é tarefa do julgador administrativo aferir bases de cálculo, seara exclusiva da Fiscalização. Mesmo assim, rechaça a acusação, oferecendo o DARF do pagamento a maior e “quadro demonstrativo” como prova do indébito. Na continuação, discorre sobre a autorização legal para a compensação almejada, acrescenta ementas de soluções de consulta e jurisprudência judicial, que entende ampararem suas teses recursais. Quanto à preclusão do direito de apresentação de provas, mencionada na decisão recorrida, ao atribuir à recorrente a obrigação de provar que o valor recolhido e devido estavam de acordo com a escrituração contábil, argumenta que tal obrigação não se coaduna com o disposto no art. 65 do Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que prevê que a autoridade competente para decidir sobre a compensação possa realizar diligências. Assim, se a autoridade julgadora de primeira instância tinha dúvidas quanto às informações prestadas pela recorrente, deveria sanálas, antes de emitir sua decisão. Refere doutrina. Invoca o princípio da verdade material. Conclui, requerendo reforma da decisão recorrida para o efeito de reconhecimento do direito creditório, no valor 1.834,74 e da homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 38 a 49 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13036.476, de 4 de agosto de 2011. Mérito – Prova do indébito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913847/200841 Acórdão n.º 3403002.305 S3C4T3 Fl. 57 5 formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/DComp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar o DARF representativo do pagamento alegadamente indevido e as declarações que a Receita Federal do Brasil já possui em sua base de dados. Nesse ponto, destaco a insuficiência dessas documentos e demonstrativos. A DIPJ tem natureza meramente informativa e não é hábil, de per si, para sobreporse ao confessado na DCTF. Pergunto ao recorrente: existe alguma prova nos autos de que o valor da contribuição do período de apuração 01/01/2001 a 31/01/2001, confessado na DCTF vigente, foi efetivamente apurado com base numa estimativa, conforme alegado na Manifestação de Inconformidade? A resposta, evidentemente, é negativa. Tal comprovação deveria ser feita mediante demonstração lastreada, necessariamente, na escrituração contábilfiscal, revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas para tanto, sem o que não se pode afastar o atributo de irretratabilidade inerente à confissão espontânea do débito. Tal comprovação, repito, não foi feita. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913847/200841 Acórdão n.º 3403002.305 S3C4T3 Fl. 58 7 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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