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7251338 #
Numero do processo: 10480.722277/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO - POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO E COMPROVAÇÃO DO VÍCIO POR OUTROS MEIOS Tendo em conta até o princípio da verdade material, se o contribuinte comprova ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, já que se admitir as provas trazidas que demonstrem tal erro e, assim, considerar as informações corretas para fins de verificação do fato gerador e dos aspectos da norma tributária. LANÇAMENTO - ERRO DE PREMISSA FÁTICO-JURÍDICA - NULIDADE - IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO ATO EM INSTÂNCIA SUPERIOR, PENA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA Se o lançamento se calça em premissas jurídicas equivocadas, ainda que fosse possível manter a exigência com base em outro lançamento é de curial importância reconhecer a sua nulidade sob pena de violar a garantia da ampla defesa. DESPESAS NÃO APROPRIADAS DENTRO DA COMPETÊNCIA EM QUE INCORRIDAS - INTELIGÊNCIA DO ART. 247, § 2º, DO RIR Ainda que franqueado pela lei societária o ajuste do lucro líquido pela inclusão de despesas/receitas incorridas em exercícios anteriores, a alocação destas grandezas deve ser feita o período competente; se deste procedimento decorrer indébito tributário, cabe ao contribuinte socorrer-se dos meios explicitamente previstos na legislação para garantir o seu direito.
Numero da decisão: 1302-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA

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1302­002.704  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2018  Matéria  IRPJ e CSLL ­ GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS, PREJUÍZO  FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA  Recorrente  PRESERVE SEGURANCA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO  LAVRADO  COM  BASE  EM  DECLARAÇÃO  EMITIDA COM ERRO DE FATO ­ POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO E  COMPROVAÇÃO DO VÍCIO POR OUTROS MEIOS  Tendo  em  conta  até  o  princípio  da  verdade  material,  se  o  contribuinte  comprova ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, já que se admitir  as  provas  trazidas  que  demonstrem  tal  erro  e,  assim,  considerar  as  informações corretas para fins de verificação do fato gerador e dos aspectos  da norma tributária.  LANÇAMENTO  ­  ERRO  DE  PREMISSA  FÁTICO­JURÍDICA  ­  NULIDADE  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  REVISÃO  DO  ATO  EM  INSTÂNCIA SUPERIOR, PENA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA  Se  o  lançamento  se  calça  em  premissas  jurídicas  equivocadas,  ainda  que  fosse possível manter a exigência com base em outro lançamento é de curial  importância reconhecer a sua nulidade sob pena de violar a garantia da ampla  defesa.  DESPESAS  NÃO  APROPRIADAS  DENTRO  DA  COMPETÊNCIA  EM  QUE INCORRIDAS ­ INTELIGÊNCIA DO ART. 247, § 2º, DO RIR  Ainda  que  franqueado  pela  lei  societária  o  ajuste  do  lucro  líquido  pela  inclusão de despesas/receitas incorridas em exercícios anteriores, a alocação  destas grandezas deve ser feita o período competente; se deste procedimento  decorrer  indébito  tributário,  cabe  ao  contribuinte  socorrer­se  dos  meios  explicitamente previstos na legislação para garantir o seu direito.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 77 /2 00 9- 31 Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.202          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Rogério  Aparecido  Gil,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Lizandro  Rodrigues  de  Sousa  (Suplente  Convocado),  Carlos  César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.  Relatório  Cuida  o  processo  de  autos  de  infração  lavrados  em  desfavor  do  recorrente  para lhe exigir o IRPJ e CSLL nos anos­calendários de 2005, 2006 e 2007.  De acordo com o TVF juntado à e­fls. 909/919, o contribuinte teria incorrido  em três infrações concernentes ao IRPJ, a seguir descritas:  a)  infração 001  ­ Glosa de prejuízos  fiscais no ano­calendário de 2005, por  falta/insuficiência de saldos, verificados a partir das DIPJ e do sistema SAPLI. O contribuinte,  ao atender às intimações fiscais, teria trazido o LALUR do ano calendário 2004 apresentando  saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas, desconsiderado pela fiscalização por  dois motivos:    a.1) falta de suporte na contabilidade da empresa (as despesas descritas  no LALUR não teriam sido objeto de registro no Razão);    a.2) as próprias despesas descritas no LALUR seriam indedutíveis, a teor  da legislação de regência (as despesas em questão seriam aquelas incorridas pelo contribuinte  na contratação de empréstimos bancários, com sinistros, com INSS, FGTS e ISSQN ­ ajustes  de provisão ­, com alugueres e com taxi aéreo);   b) infração 002 ­ adições não computadas no lucro real (custos/despesas não  dedutíveis),  especificamente,  relacionadas  à  conta  de  despesas  denominada  "Diferenças  de  Tesouraria" que, após esclarecimentos do contribuinte, entendeu­se como perdas resultantes de  roubos  ou  extravios  (desfalques),  sujeitas,  pois,  às  condicionantes  descritas  pelo  art.  364  do  RIR (que não teriam sido preenchidas pelo recorrente);  c)  infração  003  ­  exclusões/compensações  ilegais  realizadas  para  reduzir  o  lucro  líquido,  constatadas  a  partir  do  lançamento  no  LALUR  na  conta  "DESP.  POSTERGADAS 2002 A 2004 (EFEITO S/IRPJ/CSLL P A MAIOR 2002 A 2004). Pelo que  foi exposto pelo contribuinte, tais valores decorreriam do fato de ter identificado, em períodos  anteriores,  a  falta de  registro das  aludidas despesas,  tendo  a  empresa promovido o  ajuste do  resultado  de  2005  através  do  procedimento  descrito  no  art.  186,  §  1º,  da  Lei  6.404  o  que,  Fl. 7202DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.203          3 todavia, desrespeitaria as regras encartadas no art. 247, § 2º do RIR, sem prejuízo do fato do  contribuinte ter pleiteado a compensação deste "indébito" por meio de DECOMPs.  Quanto  a  CSLL,  a  D.  Fiscalização  apontou  as  mesmas  infrações  descritas  acima (lançamento reflexo).  O contribuinte apresentou a sua impugnação administrativa sustentando, em  apertada síntese, que:  a) quanto a infração descrita em "a", não obstante não ter retificado as DIPJs  relativas  aos  anos  de  2003  e  2004,  e  nem  ter  lançado­as  em  sua  escrita  contábil  (Razão),  promoveu o registro das aludidas despesas no LALUR destes mesmos anos, asseverando, mais,  que tais dispêndios seriam operacionais e, portanto, dedutíveis;  b)  no  que  toca  a  infração  apontada  em  "b",  sustentou  que  as  despesas  concernentes  à  "diferença  de  tesouraria",  não  estariam  contempladas  na  regra  inserta  no  art.  364  (não  seriam  despesas  por  desfalques  ou  por  furto),  mas,  verdadeiramente,  despesas  operacionais recorrentes no tipo de atividade desenvolvida pelo recorrente (tais perdas seriam  próprias  da  atividade,  inerentes,  pois,  ao  risco  do  negócio),  não  estando,  inclusive  do  ponto  vista prático, sujeitas à comprovação mediante abertura de  inquéritos ou registro de "queixa"  junto a autoridade policial";  c) finalmente, quanto a última infração (demonstrada em "c", supra), afirmou  que, como já dito, teria adotado procedimento expressamente facultado pelo já mencionado art.  186, § 1º, da Lei de S/A o que, outrossim, não teria trazido prejuízos à fiscalização, atendendo­ se, inclusive, aos ditames da IN 11/96, art. 34.  Ao  final,  o  contribuinte  pediu,  ainda,  a  produção  de  prova  pericial,  sem  declinar, contudo, os quesitos pertinentes.  No interregno entre a oposição e o julgamento da impugnação, o  recorrente  teria apresentado pedido de desistência da discussão administrativa a fim de incluir os débitos  objetos deste processo no parcelamento preconizado pela Lei n.º 11.941/09; logo em seguida, e  ainda antes do julgamento, a empresa apresentou nova manifestação dizendo ter se equivocado  quanto  a  inclusão  dos  créditos  tributários  em  análise,  requerendo,  neste  particular  "a  desistência do pedido de desistência".  A  DRJ  processou  e  julgou  normalmente  a  impugnação  do  contribuinte,  decidindo,  todavia,  pela  sua  total  improcedência,  conforme  se  depreende  da  ementa  abaixo  reproduzida:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006,  30/09/2004,31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006  DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.  Somente  são dedutíveis,  para  fins  fiscais,  as despesas que  atendam  aos  requisitos  cumulativos  da  necessidade,  Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.204          4 normalidade  e  usualidade,  em  relação  às  atividades  operacionais da pessoa jurídica.  O  conceito  de  necessidade  deve  ser  corolário  direto  da  relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição  desses gastos para a geração da correspondente receita.  FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL.  O prejuízo  oriundo de  desfalque,  apropriação  indébita  ou  furto  somente  será  dedutível  na  apuração  do  imposto  de  renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro  Real,  quando  houver  inquérito  instaurado,  nos  termos  da  legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à  autoridade policial (noticia criminis).  Os prejuízos sofridos pela pessoa jurídica que foram objeto  de  indenização,  inclusive  por  cobertura  de  seguro,  não  poderão ser deduzidos da apuração do lucro real.  RETIFICAÇÃO  DA  DECLARAÇÃO  POSTERIOR  À  NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é  admissível mediante comprovação do erro em que se funde  e antes de notificado o lançamento.  DESPESAS.  INOBSERVÂNCIA  DO  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  inexatidão  quanto  ao  período  de  apuração  de  escrituração  de  despesas  constitui  fundamento  para  lançamento  de  imposto  quando  resultar  redução  indevida  do lucro real em qualquer período de apuração.  LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.  O  que  decidido  no  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica,  por  basear­se  nos  mesmos  argumentos  e  provas  da impugnação, alcança a tributação reflexa.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/03/2006, 31/12/2006,  30/09/2004, 31/12/2004, 30/06/2006, 30/09/2006  PEDIDOS  DE  PERÍCIA  E/OU  DILIGÊNCIA.  DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.  Desnecessários  os  pedidos  de  perícia  e/ou  diligência  quando  os  autos  já  trouxerem  todos  os  elementos  necessários à convicção do julgador.  Fl. 7204DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.205          5 PEDIDOS  DE  PERÍCIA  E/OU  DILIGÊNCIA.  REQUISITOS.  Os  pedidos  de  diligência  e  perícia  devem  atender  aos  requisitos  especificados  no  art.  16,  IV,  do  Decreto  n.º  70.235, de 1972.  Cientificado  do  julgamento  acima  em  15/07/2011  (AR  de  e­fls.  6.487)  a  empresa interpôs recurso voluntário em 11/08/2011 (conforme documento de e­fls. 6.489 e ss)  para, basicamente, reiterar os argumentos deduzidos em sua impugnação atacando, em adição,  alguns outros pontos surgidos por ocasião da prolação do acórdão da DRJ (como, por exemplo,  a inaplicabilidade, a ver do contribuinte, dos preceitos do art. 147, § 1º, do CTN).  Os autos chegaram à este Conselho, tendo sido, originariamente, distribuídos  ao então Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que, por duas vezes (Acórdãos de nos 1302­ 00.835 ­ e­fls. 6552 e ss ­ e 1302­001.666 ­ e­fls. 6.771 e ss), anulou o acórdão da DRJ sob o  fundamento de que, tendo ocorrido a desistência por parte do contribuinte, esta seria definitiva,  operando­se, inclusive, a preclusão consumativa.  O  contribuinte  noticiou  a  obtenção  de  uma  liminar  em  Mandado  de  Segurança que teria, em tese, determinado a análise do recurso voluntário por este CARF. Esta  segunda turma, instada sobre tais informações, converteu o julgamento em diligência a fim de  apurar a existência efetiva do citado mandado de segurança, bem como que fosse apresentada  "certidão de objeto e pé" da predita ação.  Através do relatório de diligência de e­fls. 7.164 (e documentos juntados pelo  contribuinte)  restou  demonstrado  não  só  a  existência  da  ação  acima  noticiada  (distribuída  eletronicamente  por  meio  do  E­Proc),  como  também  de  sentença  de  mérito,  concedendo  a  segurança pleiteada a fim de que este CARF analise o recurso voluntário.  Os autos foram então redistribuídos para este relator para análise e elaboração  de voto.  Este, o relatório.     Voto             Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Relator  Antes de iniciar a apreciação do apelo, vale destacar que, conforme descrito  no relatório acima, a despeito das duas decisões anteriormente prolatadas, a análise do recurso  manejado pelo contribuinte é mandatória, inclusive a partir da confirmação da existência, não  só  de  uma  decisão  liminar,  mas,  destaque­se,  de  sentença  concessiva  da  segurança  que  confirmou a aludida decisão.  Dito  isto,  e  considerando  que  não  foram  suscitadas  preliminares,  passo  a  decidir o mérito da lide.  Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.206          6 I  Premissa maior. Dos fundamentos (motivação) do ato.  Antes de mais nada, no caso dever­se­á considerar um seguinte pressuposto  jurídico.  O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio  da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos  que  justificam  a  sua  prática,  justamente  para  permitir  ao  sujeito  passivo,  e,  frise­se,  à  Administração  Pública  (em  exercício  do  seu  poder/dever  de  revisão  de  seus  próprios  atos),  verificar a sua legalidade.   Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações  ou, mais,  tenham  reflexos  patrimoniais,  a  identificação  dos motivos  que  fundamentam a  sua  concretização, mormente pela  tipificação dos  fundamentos de  fato nele declinados na norma  legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e  de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que  norma,  a  imposição,  a  pena  ou  o  vilipêndio  de  seu  patrimônio,  por  vontade  do  Estado,  se  sucedeu. E, ato contínuo, em tais casos, o contribuinte vê limitado o seu direito à ampla defesa.   A  motivação,  pois,  além  de  decorrer  de  determinações  constitucionais  explicitas  (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa e a sua  falta, ou  exposição  falha,  resulta,  inegavelmente,  em  anulação  do  ato  (no  plano  tributário  federal,  semelhante  nulidade  é  explicitamente  prevista,  conforme  se  extrai  do  art.  59,  II,  do Decreto  70.235).   Mais  que  isso,  entre  os  motivos  de  fato  e  os  fundamentos  de  direito  invocados,  há  de  se  verificar  uma  perfeita  congruência,  por  óbvio;  o  descasamento  entre  os  motivos  delineados  no  ato  impõe,  obrigatoriamente,  a  anulação  do  citado  ato,  consequência  descrita na teoria dos motivos determinantes tão bem explorada por Celso Antônio Bandeira de  Mello em seu "Curso de Direito Administrativo", 12ª ed., São Paulo, 2000, Malheiros Editores,  p. 346:  De  acordo  com  esta  teoria,  os  motivos  que  determinaram  a  vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua  decisão,  integram a  validade do ato.  Sendo assim, a  invocação  de  "motivos  de  fato"  falsos,  inexistentes  ou  incorretamente  qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a  lei  não  haja  estabelecido,  antecipadamente,  os  motivos  que  ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os  motivos  em  que  se  calçou,  ainda  quando  a  lei  não  haja  expressamente imposto a obrigação de enunciá­los, o ato só será  válido se estes realmente ocorreram e o justificavam.  Objetivamente, no caso em análise, caso se conclua que os motivos de fato ou  mesmo de direito invocados pela autoridade lançadora estão errados, o ato, como um todo, será  considerado nulo, até porque, como já alertado, semelhante equívoco culminará com a violação  ao  direito  à  ampla  defesa  do  contribuinte  (que  se  prepara  e  anexa  ao  feito  documentos  e  argumentos  voltados,  exclusivamente,  à  defesa  em  relação  às  premissas  originariamente  aventadas pela Fiscalização ­ defesa que restará infrutífera, caso se conclua que tais premissas  estavam, irremediavelmente, erradas).  Dito isto, passemos à análise do lançamento propriamente.  Fl. 7206DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.207          7 II   Das infrações e respectivos fundamentos.  II.1   Da infração 001 ­ da glosa dos prejuízos fiscais compensados  sem saldo.  Desde  logo,  é  preciso  assentar  duas  premissas  que  podem,  ou  não,  ser  prejudiciais à análise, até mesmo, das demais questões abordadas neste processo.  Com  efeito,  a  primeira,  e  essencial,  pergunta  a  se  fazer  é:  o  fato  do  contribuinte  não  ter  informado  os  saldos  de  prejuízo  fiscal  (e  base  de  cálculo  negativa)  nas  DIPJ torna definitiva a questão ou há que se considerar as informações prestadas via LALUR?  A  segunda,  e  igualmente  importante,  pergunta  é  a  seguinte:  admitida  a  premissa  de  que  as  declarações  do  contribuinte,  per  se,  não  são  suficientes  a  constituir  a  obrigação  tributária,  aceitando­se  provas  de  que  tais  declarações  estavam  eivadas  de  vícios  materiais,  a  falta  de  lançamento  de  despesas  operacionais  seria  considerável  como  "erro  material"?  Quanto  a  primeira  pergunta,  já  até  me  manifestei  em  outra  oportunidade  (autos  do  PA  de  nº  19515.720776/2014­81,  julgado  na  última  sessão  ocorrida  em  fevereiro  deste ano mas cujo acórdão ainda não foi publicado), deixando claro meu entendimento de que  a  obrigação  tributária  surge,  e  só  pode  surgir,  com  a materialização  do  fato­tipo  da  norma;  constitui­se, pois, a obrigação, por meio da ocorrência do fato gerador e não da apresentação de  eventuais  declarações  por  parte  do  contribuinte.  Naquela  ocasião,  inclusive,  reproduzi  o  entendimento  que  vem  sendo  amplamente  adotado  pelos  tribunais  pátrios,  tendo  como  ápice  desta  construção  jurisprudencial  o  REsp  de  nº  1.133.027/SP,  relatado  pelo  Min.  Mauro  Campbel  Marques,  julgado  sob  o  rito  do  art.  543­C,  do  CPC/73  em  13/10/2010,  tendo  o  respectivo acórdão sido publicado em 16/03/2011, na Revista do STJ, vol. 222, p. 157, e cuja  ementa reproduzo abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  Recurso  Especial  representativo de controvérsia (art. 543­C, § 1º, do CPC). AUTO  DE  INFRAÇÃO  LAVRADO  COM  BASE  EM  DECLARAÇÃO  EMITIDA  COM  ERRO  DE  FATO  NOTICIADO  AO  FISCO  E  NÃO  CORRIGIDO.  VÍCIO  QUE  MACULA  A  POSTERIOR  CONFISSÃO  DE  DÉBITOS  PARA  EFEITO  DE  PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL.  1. A Administração Tributária  tem o poder/dever de  revisar de  ofício o  lançamento quando se comprove erro de  fato quanto a  qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo  de  declaração  obrigatória  (art.  145,  III,  c/c  art.  149,  IV,  do  CTN).  2. A este poder/dever corresponde o direito do contribuinte de  retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com  erro  de  fato,  quando  dessa  retificação  resultar  a  redução  do  tributo devido.  3. Caso em que a Administração Tributária Municipal, ao invés  de corrigir o erro de ofício, ou a pedido do administrado, como  era o seu dever, optou pela lavratura de cinco autos de infração  eivados de nulidade, o que forçou o contribuinte a confessar o  Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.208          8 débito e pedir parcelamento diante da necessidade premente de  obtenção de certidão negativa.  4. Situação em que o vício contido nos autos de infração (erro de  fato)  foi  transportado  para  a  confissão  de  débitos  feita  por  ocasião  do  pedido  de  parcelamento,  ocasionando  a  invalidade  da confissão.   5.A confissão da dívida não  inibe o questionamento  judicial da  obrigação  tributária,  no  que  se  refere  aos  seus  aspectos  jurídicos.  Quanto  aos  aspecto  fáticos  sobre  os  quais  incide  a  norma tributária, a regra é que não se pode rever judicialmente  a  confissão  de  dívida  efetuada  com  o  escopo  de  obter  parcelamento  de  débitos  tributários.  No  entanto,  como  na  situação  presente,  a matéria  de  fato  constante  de  confissão  de  dívida  pode  ser  invalidada  quando  ocorre  defeito  causador  de  nulidade  do  ato  jurídico  (v.g.  erro,  dolo,  simulação  e  fraude).  Precedentes:  REsp.  n.  927.097/RS,  Primeira    Turma,  Rel. Min.  Teori Albino Zavascki,  julgado em 8.5.2007; REsp 948.094/PE,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  06/09/2007;  REsp  947.233/RJ,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  23/06/2009;  REsp  1.074.186/RS,  Rel.  Min.  Denise  Arruda,  Primeira  Turma,  julgado  em  17/11/2009;  REsp1.065.940/SP,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma, julgado em18/09/2008.  6.  Divirjo  do  relator  para  negar  provimento  ao  recurso  especial.Acórdão submetido ao regime do art. 543­C, do CPC, e  da Resolução STJ n. 8/2008.  Acórdão  Vistos,  relatados  e discutidos  esses autos  em que são partes as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da PRIMEIRA  SEÇÃO  do Superior Tribunal    de  Justiça,  na  conformidade dos  votos  e  das  notas  taquigráficas,  o  seguinte  resultado  de  julgamento:  "Prosseguindo  no  julgamento,  preliminarmente,  a  Seção,  por  maioria,  vencidos  os  Srs.  Ministros    Arnaldo    Esteves    Lima,  Herman  Benjamin  e  Benedito  Gonçalves,  conheceu  do  recurso  especial. No mérito, também por maioria, vencido o Sr. Ministro  Relator,  negou  provimento  ao  recurso  especial,  nos  termos  do  voto do Sr.Ministro Mauro Campbell Marques." Votaram com o  Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Castro  Meira,  Arnaldo  Esteves  Lima,  Herman  Benjamin,  Benedito  Gonçalves  e  Hamilton  Carvalhido.  Ausentes,  justificadamente,  os  Srs.  Ministros  Cesar  Asfor  Rocha  e  Humberto  Martins.  Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teori Albino Zavascki.  Em linhas gerais, se o contribuinte demonstra que as  informações prestadas  via declarações ou formulários destinados à fisco estavam equivocadas, tais provas tem que ser  admitidas  para  se  refazer  o  lançamento  (ou  auto­lançamento)  sem  que  isto  importe,  como  alardeado pela DRJ, em retificação da citada declaração, pelo que, me parece correto afirmar,  não se aplicaria ao caso os preceitos do art. 147, § 2º, do CTN (reforça­se, no caso, o fato de  estarmos tratando de informações prestadas via DIPJ, documento que, como reconhecido por  este próprio CARF, é meramente informativo ­ Súmula 92).   Fl. 7208DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.209          9 O problema, entretanto, centra­se na conjunção subordinativa "se" empregada  por mim no parágrafo anterior; trata­se, verdadeiramente, de "uma baita SE", porque a prova de  que  as  informações  então  prestadas  pelo  contribuinte  estavam  erradas1  é  dificílima.  Nada  obstante, sem tal prova, há que prevalecer a informação inicialmente transmitida ao fisco.  Neste  ponto,  aproveito,  já  respondo  ao  segundo  questionamento  que  fiz  acima: é fato que, somente a apresentação do LALUR, sem um lastro probatório/documental,  não é suficiente para se desconsiderar as informações constantes da DIPJ; não tendo ocorrido o  registro contábil das despesas incorridas pelo contribuinte, entendo, na esteira do que foi dito  acima, mormente a partir da decisão do STJ, que seria até admissível o predito LALUR caso as  despesas ali  lançadas,  e não  registradas na contabilidade, estivessem efetiva e concretamente  demonstradas  por  documentos  outros,  como  notas  fiscais,  notas  de  débitos,  recibos  e  declarações dos respectivos prestadores (ou fontes) acerca dos aludidos dispêndios. A falta de  seu  registro  contábil,  não  obstante  criticável,  não  lhes  retira  a  legitimidade  e,  outrossim,  comprova  que  o  contribuinte  deixou  de  considerá­la  para  a  formação  da  base  de  cálculo  do  IRPJ e da CSLL, por um lapso...  Aqui esclareço que o contribuinte confessa, realmente, não ter promovido o  registro  contábil  das  despesas  que  teriam  conformado  os  valores  de  prejuízo  fiscal  nas  competências em que incorridas, tal qual se extrai do trecho a seguir reproduzido, retirado da  peça recursal (e­fls 928):  Em 2005, a  IMPUGNANTE constatou que nas competências de  2002, 2003 e 2004, diversas despesas incorridas nesses períodos  não  haviam  sido  computadas  me  seu  resultado,  ou  seja,  não  haviam  sido  excluídas  dos  respectivos  lucros  líquidos  dos  períodos para fins de apuração do lucro real.  Em  face  de  tal  situação,  e  objetivando  regularizar  suas  demonstrações  contábeis  e  apurações  fiscais,  o  contribuinte  realizou o ajuste  contábil no ano de 2005 através de débitos à  conta  de Prejuízos  e Lucros Acumulados  (ajustes  de  exercícios  anteriores  (DOC 3),  procedimento  em  total  consonância com o  art. 186, § 1º, da Lei das Sociedades Anônimas (...).  Ainda  sim,  diga­se,  houve  o  registro  contábil  de  tais  despesas  quando  do  ajuste  citado  no  trecho  acima  e  comprovado  pelo  Livro  Razão  Analítico  relativo  ao  ano  calendário  2005,  juntado  à  e­fls.  995  a  1006.  Ou  seja,  tais  despesas  foram,  sim,  objeto  de  escrituração  e  cabia,  à  fiscalização,  apurar  a  ocorrência  efetiva  de  dispêndios  por  parte  do  contribuinte,  tendo  deixado  de  fazê­lo  exclusivamente  por  não  identificá­las  na  DIPJ  e,  também, nos razões dos anos de 2003 e 2004.  Em  suma,  a  meu  sentir,  a  fiscalização  baseou  a  sua  atuação  em  dois  fundamentos fático/jurídicos equivocados:   a) a declaração do contribuinte prestada com vícios de fato pode ser revista,  contrariamente ao que entendeu a autoridade fiscal e a DRJ;   b)  houve  escrituração,  pelo  contribuinte,  das  despesas  que  resultaram  no  recálculo  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativa,  ainda  que  tal  escrituração  tenha                                                              1 Tratar­se­ia­se de erro de fato ou simples omissão, até mesmo, volitiva.  Fl. 7209DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.210          10 ocorrido,  apenas,  no  ano­calendário  2005  sobre  a  rubrica  (conta)  de  "ajustes  de  exercícios  anteriores".   Impende frisar que a D. Fiscalização sabia, desde as  respostas apresentadas  aos TIFs,  que  os  valores  descritos  pelo  contribuinte  a  título  de  prejuízos  e  bases  de  cálculo  negativa foram formados a partir de despesas declaradas no LALUR de períodos anteriores e  era  de  se  esperar  que  as  informações  prestadas  pelo  recorrente  fossem,  quando  menos,  auditadas  (ainda  que  para,  posteriormente,  considerá­las  não  demonstradas  ou  coisa  que  o  valha).   O  lançamento,  neste  particular,  carece  de  lastro  fático;  não  há,  no  caso,  efetiva verificação do fato gerador ou dos demais aspectos da norma de incidência (mormente  o quantitativo), com a correta  identificação da matéria  tributável  ­ nos estritos  termos do art.  142 do CTN.   Lembrem,  aqui,  que  a  alegação  do  contribuinte  impunha,  quando menos,  a  constatação de provas da efetiva incorrência nas preditas despesas e, para tanto, seria imperioso  cruzar os valores apontados no livro com aqueles constantes das guias e comprovantes juntados  pelo recorrente e, ainda, com os valores descritos nos respectivos LALUR. Tais despesas, vale  destacar, novamente, seriam a seguintes:  a) despesas com INSS;  b) despesas FGTS;  c) "despesas de iss revertidas";  d) despesas com juros bancários (FINAME);  e) despesas com seguros;  f) ajustes do imobilizado;  g) ajustes de liquidação de duplicatas;  h) ajustes com despesas de aluguel;  i) ajustes com despesas com sinistros;  j) despesas com pagamento de táxi aéreo.  Todas as despesas acima foram distribuídas nos anos calendários de 2003 e  2004  e  lançadas  no  Razão  AC  2005  na  conta  2.4.1.03.01.0007,  alcunhada  de  "Ajuste  de  Exercícios Anteriores" (pretensamente realizadas com espeque no citado art. 186 da Lei 6.406)  e, pelo que afirma o contribuinte, somariam o total de R$ 10.506.679,57.   Numa análise rasa dos documentos acostados ao feito, é possível  identificar  algumas  incongruências  que  demandariam,  quiçá,  explicações;  cito,  neste  particular,  como  exemplo, que  à  e­fls.  1.131 o  recorrente  apresenta um quadro demonstrativo de apuração de  contribuição previdenciária (INSS) em que presta as seguintes informações:  Demonstrativo do lançamento "LPA" ­ INSS Comp          Fev/03  Fl. 7210DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.211          11 INSS ­ BA  INSS  HISTÓRICO  DATA DO  DIÁRIO  Total  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  6,52  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  43,70  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  6,74  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  34,74  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  4,00  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  32,34  VR. REF. INSS S/RESC.  28/02/2003  37,71  PROVISÃO  28/02/2003  78.798,80      0,00  A  Total da Provisão ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­>  78.964,55    INSS  HISTÓRICO  DATA DO  DIÁRIO  Total  03/10/2003  78.282,63      GFIP COMP. FEV/03      B  Total da Provisão ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­>  78.964,55    PROVISÃO/(REVERSÃO)  DATA  VALOR (A­B)  C      (681,92)  É curioso que o recorrente tenha apresentado dados relativos à provisão para  pagamento  do  INSS  e  respectiva  reversão,  conquanto  abatidas  do  lucro  líquido  contábil,  semelhantes valores são, a teor do art. 335 do RIR, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ (e,  por conseguinte, da CSLL). O único dado que realmente importaria ao caso, seria o valor, e a  comprovação  de  seu  respectivo  recolhimento,  da  contribuição  informada  na  GFIP  supra  apontada, já que apenas o tributo seria dedutível como despesa operacional.  No caso, o contribuinte junta à e­fls. 1.133 a citada GFIP, donde se extrai o  valor  total  devido  ao  INSS  (R$  78.282,63,  tal  qual  descrito  acima);  em  seguida,  contudo,  apresenta uma GPS com o valor de R$ 46.846,49  (histórico  ­ o valor  atualizado por  juros  e  multa  seria de R$ 68.765,31). Ou seja, nem mesmo as contas apresentadas pelo  contribuinte  fazem  qualquer  sentido...  a  empresa  registrou,  de  fato,  no  Razão/AC  2005,  o  valor  correspondente à provisão/reversão descrita na planilha supra (R$ 681,92 ­ e­fls. 999), mas este  valor,  como  já  dito,  sequer  é  dedutível  (salvo  se,  dos  LALUR,  constasse  a  adição  do  valor  integral do montante da provisão o que nos é impossível verificar já que o livro relativo ao AC  2003 não foi anexado ao feito)...   O montante que poderia ser objeto de apropriação, no caso, o seria o valor do  tributo pago e este, vejam bem, não se encontra descrito em qualquer parte do Razão.  Semelhante  discrepância  por  certo  demandaria,  antes  de  se  reconhecer  a  improcedência  das  alegações  da  empresa,  esclarecimentos;  tais  esclarecimentos,  todavia,  somente  teriam cabimento, caso o fundamento fático da autuação fosse a ausência de provas  quanto  aos  dispêndios  relativos  às  despesas  apropriadas  e  lançadas  a  título  ajustes  no  Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.212          12 Razão/AC2005; como já dito, no entanto, os fundamentos da autuação foram, exclusivamente,  o desrespeito à competência das despesas utilizadas para o recálculo dos prejuízos fiscais e das  bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL  e,  ainda,  a  falta  de  registro  de  tais  despesas  no  livros  contábeis relativos aos anos­calendários em que ocorridas as ditas despesas.   Se, agora, analisarmos os documentos trazidos pelo contribuinte para manter  a  autuação,  desta  feita,  sob  o  fundamento  de  falta  de  comprovação  efetiva  das  preditas  despesas, estaremos, inegavelmente, modificando os fundamentos do ato de lançamento e, ha  um só tempo:  a) suprimindo as instâncias ordinárias;  b)  negando  ao  contribuinte  o  direito  de  se  contrapor  a  estes  novos  fundamentos de fato.  E,  diga­se,  semelhante  consequência  se manteria, mesmo  que  convertido  o  julgamento em diligência para se atestar a prestabilidade dos documentos para comprovar as  despesas apropriadas pelo recorrente.  Esta  investigação,  diga­se,  é  de  competência  da  autoridade  lançadora;  sem  ela, o ato é nulo, seja por falta de motivação, seja,  inclusive, por desrespeito ao já citado art.  142 do CTN.  Diante disto,  voto,  neste ponto,  por dar provimento  ao  recurso voluntário  a  fim de cancelar as exigências tratadas na infração 001.  II.2 Da  infração  002  ­  das  glosas  das  despesas  relativas  à  conta  denominada "diferenças de tesouraria".  De  acordo  com  o  TVF  as  despesas  lançadas  nas  contas  acima  foram  desconsideradas em razão do seguinte fundamento fático/jurídico:  a)  as  ditas  "diferenças  de  tesouraria"  não  seriam  usuais  ou  normais  e,  portanto, não se amoldariam às hipóteses preconizadas pelo art. 299 do RIR;  b)  tais  "diferenças"  tipificariam,  outrossim,  os  casos  de  "furto"  ou  "desfalques" e, nesta esteira, estariam jungidas às pressupostos preconizados pelo art. 364, os  quais  não  teriam  sido  atendidos  pelo  contribuinte  (inexistência  de  perquirição  criminal  ou,  quando menos, de apresentação da notitia criminis à autoridade policial).  O recorrente, sobre o tema, tece longas considerações sobre a natureza destas  "despesas"  dizendo,  resumidamente,  que,  dadas  as  particularidades  da  atividade  que  desenvolve ­ "transporte e guarda de numerários" ­ está sujeita à inúmeros problemas de ordem  prática  que,  "giro  e  meio",  resultam  em  "quebras  de  caixa"  ou,  melhor  dizendo,  em  divergências entre os valores que deveriam custodiar e aqueles efetivamente entregues à seus  clientes.  Notem,  neste  particular,  que  todos  os  contratos  apresentados  no  processo  contemplam  regra  de  responsabilização  explicita  ao  recorrente  pela  entrega  dos  valores  integrais cuja guarda e transporte foi contratada. Vejam, v. g., o contrato juntado à e­fls. 1.042,  Fl. 7212DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.213          13 firmado com o Banco do Brasil, cuja cláusula sétima, parágrafo sexto (e­fls. 1.045), reza o que  segue:  Responsabiliza­se, independentemente da ocorrência de culpa ou  dolo,  pelo  total  transportado,  o  qual  para  todos  os  efeitos,  corresponderá  ao  valor  declarado  pelo  CONTRATANTE  e  exarado  nas  guias  de  transporte  ou  documentos  equivalentes,  que a CONTRATADA reconhecerá como exato.   É de se observar, vejam bem, que os documentos acostados, incluindo­se as  declarações  apresentadas  pelas  contratantes,  dão  conta  de  que  tais  diferenças  são,  sim,  recorrentes  e,  efetiva  e  concretamente,  ressarcidas  às  instituições  usuárias  dos  serviços  da  recorrente. Observe­se, apenas a guisa de exemplo, o e­mail  juntado a e­fls. 5.473, em que o  Unibanco  descreve  vários  valores  a  serem  ressarcidos  pelo  contribuinte  em  decorrência  de  "ressarcimento dif. num".  Ora,  me  parece  absolutamente  razoável  admitir  que  tais  perdas  efetiva  e  concretamente  ocorram  no  dia­a­dia  de  uma  empresa  de  transportes  de  valores  (ou  de  outra  sorte, a previsão contratual supra transcrita não teria grandes utilidades). Até mesmo, como já  dito, as explicações dadas pelo contribuinte me parecem suficientemente factíveis de sorte que  admití­las como usuais e normais, neste ramo de atividade, é medida que se impõe. Aliás, frise­ se, este foi o entendimento adotado pelo Auditor Sadoc Souto Maior Filho, em sua declaração  de  voto,  por  ocasião  do  julgamento  realizado  pela  DRJ/PE  e  cujos  dizeres  peço  vênia  para  reproduzir:  3.  As  diferenças  de  numerário,  em  se  tratando  de  empresa  de  transporte de valores, constituem despesas inerentes à atividade,  sendo  descabido,  a  meu  ver,  afastar  sua  dedutibilidade  sob  o  argumento  de  que  seriam  desnecessárias.  Assim  como  o  desfalque, a apropriação indébita e o furto, eventos tratados no  parecer acima transcrito, as diferenças de numerário ocorridas  no  transporte  de  valores  constituem,  por  sua  natureza  involuntária,  exceção  à  regra  que  estabelece  a  necessidade  da  despesa para sua dedutibilidade.  E, demais a mais, me parece que o art. 364 trata das despesas concernentes às  perdas  por  roubo,  desfalques  e  quejandos  pertinentes  ao  patrimônio  e  renda  do  próprio  contribuinte;  isto  é,  eventuais  ações  criminosas  que  resultassem  em  desvio  de  recursos  do  contribuinte poderiam permitir a dedução dos prejuízos daí advindos como despesas.   O  que  o  caso  em  análise  contempla  é  hipótese  de  desvios,  desfalques,  et  coetera, de valores pertencentes à terceiros em relação aos quais o recorrente firmou cláusula  expressa  de  responsabilização.  Lembrando,  neste  particular,  que  o  art.  18  do  Código  de  Processo  Civil  estipula  que  "ninguém  poderá  pleitear  direito  alheio  em  nome  próprio",  pretender estender à situação do recorrente a regra encartada no citado art. 364 seria, quando  menos, ilógico.  Em  linhas  gerais,  entendo  que  os  valores  concernentes  às  "diferenças  de  tesouraria" seriam, sim, ordinárias, usuais e próprias da atividade desenvolvida pelo recorrente  e, consentaneamente, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.   Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.214          14 E, aqui, invoco, novamente, as razões de decidir que expus no tópico anterior.  Isto é, se a premissa adotada,  tanto pela autoridade lançadora, como pela DRJ, não revolve a  comprovação das despesas  tratadas nesta  infração, não admitindo a sua dedução, apenas, por  entender não ser usual ou,  lado outro, por se adequar à regra contida no art. 364, não cabe a  este colegiado modificar esta fundamentação e refazer o ato de lançamento.   A  apuração  efetiva  da  ocorrência  de  tais  despesas  (que,  diferentemente  do  tratado no  tópico  II.1,  acima, me parecem,  sim,  comprovadas,  até pela  análise dos  e­mails  e  extratos  bancários  juntados  pelo  recorrente)  é  mister  atribuível  à  Autoridade Administrativa  responsável pelo lançamento, pena de, mais uma vez, incorrermos em supressão de instância e,  por conseguinte, em violação ao direito à ampla defesa do contribuinte.  Considerando  a  dedutibilidade  em  tese  das  despesas  intituladas  "diferenças  de tesouraria", há que se reconhecer a nulidade dos autos de infração por violação ao art. 142  do CTN, justamente por não se ter apurado e perquirido a comprovação efetiva da ocorrência  destas ditas despesas.  II.3 Infração 003 ­ exclusão de despesas postergadas de 2002 a 2004  Não  obstante  ter  alguma  relação  com  a  infração  001,  tratada  linhas  acima,  vale destacar que pretensão do contribuinte, é, a toda monta, descabida.  Apenas para tornar claro os motivos da glosa, vale a seguinte explicação:  a)  como  tratado  no  tópico  II.1,  acima,  em  2005  o  contribuinte  promoveu  ajustes em seu Razão AC2005, com espeque nos preceitos do art. 186 da Lei das SA, refazendo  a apuração do IRPJ e da CSLL nos anos Calendários de 2004 a 2006; ou seja, em parte destes  anos  calendários,  o  contribuinte  apurou  lucro  tributável  que,  com  a  inclusão  das  despesas  declinadas no Razão/AC2005, deixou de existir, dando lugar a prejuízos fiscais;  b)  os  prejuízos,  diga­se,  foram  aproveitados/compensados  nos  exercícios  subsequentes;  c)  o  que  o  contribuinte  pretendeu,  e  que  foi  objeto  da  glosa  tratada  neste  tópico,  foi  utilizar  parte  daquelas  despesas  pretensamente  não  apropriadas  nas  competências  próprias, para abatê­las do lucro real no ano­calendário de 2005.  Ora,  vejam  bem,  já  admiti  que  os  registros  fiscais  e  contábeis  possam  ser  revistos  caso  identificado  erro  de  fato  no  seu  preenchimento,  admitindo­se,  por  conseguinte,  que  se  considere  os  valores  efetivamente  devidos  para  considerar  as  bases  corretas  de  tributação nos períodos em que se tenha identificado tais erros.   Assim,  como  defendi  anteriormente,  entendo  perfeitamente  cabível  a  recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa a partir das despesas  não apropriadas pelo recorrente nas competências de 2002 a 2004.  Aquela situação, entretanto, é diferente da questão tratada neste tópico. Aqui,  vejam bem, o que pretende o contribuinte é  socorrer­se de despesas pretensamente ocorridas  em outros períodos para reduzir o lucro real no ano de 2005 o que, como bem pontuado pela  DRJ (quanto a esta questão), representaria absoluta contrariedade aos preceitos do art. 247, §  2º, do RIR, cujo teor transcrevo a seguir:  Fl. 7214DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.215          15 §  2º  Os  valores  que,  por  competirem  a  outro  período  de  apuração,  forem,  para  efeito  de  determinação  do  lucro  real,  adicionados  ao  lucro  líquido  do  período  de  apuração,  ou  dele  excluídos,  serão,  na  determinação do  lucro  real  do  período  de  apuração  competente,  excluídos  do  lucro  líquido  ou  a  ele  adicionados,  respectivamente,  observado  o  disposto  no  parágrafo seguinte.  A meu  sentir,  este  preceito  põe  uma  pedra  sobre  o  assunto,  a  despeito  de  quaisquer  ilações  adicionais. Na minha opinião,  o que o dispositivo  em questão determina  é  que, ainda que adicionadas ao lucro líquido de período posterior (conforme franqueia o § 1º do  art.  186  da  Lei  6.404/72),  tais  despesas  tem,  obrigatoriamente,  que  compor  o  lucro  real  do  período  competente  (o  que,  aliás,  foi,  de  fato,  feito  pelo  contribuinte  ­  razão  pela  qual  reconheci,  inclusive, a possibilidade de recomposição dos  saldos de prejuízo  fiscal e base de  cálculo negativa).   Como  resultado  desta  operação,  entretanto,  o  que  se  observaria não  seria  a  dedutibilidade  destas  despesas  no  ano­calendário  de  2005,  mas,  isto  sim,  o  surgimento  de  indébito passível de restituição quanto aos anos­calendários em que tais despesas deveriam ter  sido, por obediência regra da competência, lançadas/registradas.  Compartilho, neste ponto, das ponderações da Autoridade Lançadora, quando  esta assim afirma:  No  caso  em  análise,  tratar­se­iam  de  despesas  de  outros  exercícios,  que  não  teriam  sido  computadas  nos  respectivos  períodos  de  apuração  (ano  2002  a  2004),  resultando,  em  consequência, suposto pagamento a maior de  imposto de renda  naqueles  períodos.  O  contribuinte  buscou,  utilizando  como  instrumento  a  DIPJ,  fazer  a  compensação  dos  supostos  pagamento a maior de imposto de Renda naqueles anos, fazendo  a  exclusão  de  R$  5.531.620,70  no  resultado  do  exercício  de  2005.  Não vejo, pois, quanto a este tema, vícios na decisão recorrida pelo que, voto,  aqui, por negar provimento ao recurso voluntário.   III  CSLL ­ Reflexos.  Por  suposto,  as  conclusões  por  mim  adotadas  acima  devem  se  estender,  reflexamente, à CSLL.  IV. Conclusão.  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário a fim de cancelar as exigências concernentes às infrações 001 e 002, relativas tanto  ao IRPJ quanto à CSLL.  (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca  Fl. 7215DF CARF MF Processo nº 10480.722277/2009­31  Acórdão n.º 1302­002.704  S1­C3T2  Fl. 7.216          16                               Fl. 7216DF CARF MF

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7252867 #
Numero do processo: 13629.721517/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado. ATO PRATICADO ENTRE COOPERATIVAS ASSOCIADAS. ATO COOPERATIVO. O ato denominado de intercâmbio amolda-se ao conceito de ato cooperativo, uma vez que é realizado entre duas cooperativas entre si associadas, nos termos do caput do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971 e, portanto, para fins do rateio realizado pela autoridade fiscal, os custos correspondentes devem estar classificados como aqueles associados aos atos cooperativos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estende-se ao lançamento reflexo, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONFISCO. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Numero da decisão: 1301-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL para R$ 67.395,27 (1º trimestre/2008), R$ 61.556,86 (2º trimestre/2008), R$ 86.594,88 (3º trimestre/2008) e R$ 167.135,63 (4º trimestre/2008). Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também cancelar a incidência de juros sobre a multa de ofício, entendimento vencido por voto de qualidade. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado. ATO PRATICADO ENTRE COOPERATIVAS ASSOCIADAS. ATO COOPERATIVO. O ato denominado de intercâmbio amolda-se ao conceito de ato cooperativo, uma vez que é realizado entre duas cooperativas entre si associadas, nos termos do caput do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971 e, portanto, para fins do rateio realizado pela autoridade fiscal, os custos correspondentes devem estar classificados como aqueles associados aos atos cooperativos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estende-se ao lançamento reflexo, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONFISCO. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL para R$ 67.395,27 (1º trimestre/2008), R$ 61.556,86 (2º trimestre/2008), R$ 86.594,88 (3º trimestre/2008) e R$ 167.135,63 (4º trimestre/2008). Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também cancelar a incidência de juros sobre a multa de ofício, entendimento vencido por voto de qualidade. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.

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1301­002.819  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2018  Matéria  IRPJ ­ COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS  Recorrente  UNIMED JOÃO MONLEVADE COOPERATIVA DE TRABALHO  MÉDICO LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE  PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO.  Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de  serviços  médicos  que,  atuando  como  operadora  de  plano  de  saúde,  aufere  precipuamente  receitas  decorrentes  de  operações  com  terceiros  voltadas  à  comercialização  de  produtos  e  serviços.  Recurso  Especial  do  contribuinte  conhecido e negado.  ATO  PRATICADO  ENTRE  COOPERATIVAS  ASSOCIADAS.  ATO  COOPERATIVO.  O ato denominado de intercâmbio amolda­se ao conceito de ato cooperativo,  uma  vez  que  é  realizado  entre  duas  cooperativas  entre  si  associadas,  nos  termos do caput do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971 e, portanto, para fins do  rateio realizado pela autoridade fiscal, os custos correspondentes devem estar  classificados como aqueles associados aos atos cooperativos.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  Estende­se  ao  lançamento  reflexo,  no  que  couber,  a  decisão  prolatada  no  lançamento  matriz,  em  razão  da  íntima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula.  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  CONFISCO.  DISCUSSÃO.  IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 15 17 /2 01 2- 42 Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.778          2 A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de mora,  devidos  à  taxa  SELIC.  Precedentes  das  três  turmas da Câmara Superior ­ Acórdãos 9101­001.863, 9202­003.150 e 9303­ 002.400.  Precedentes  do  STJ  ­  AgRg  no  REsp  1.335.688­PR,  REsp  1.492.246­RS e REsp 1.510.603­CE.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial  ao  recurso voluntário,  reduzindo as bases de  cálculo  de  IRPJ  e de CSLL  para  R$  67.395,27  (1º  trimestre/2008),  R$  61.556,86  (2º  trimestre/2008),  R$  86.594,88  (3º  trimestre/2008) e R$ 167.135,63 (4º  trimestre/2008). Os Conselheiros José Eduardo Dornelas  Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca  Felícia  Rothschild  votaram  por  dar  provimento  parcial  em  maior  extensão  para  também  cancelar  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício,  entendimento  vencido  por  voto  de  qualidade.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.  Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.779          3 Relatório  O  presente  processo  foi  alvo  da  Resolução  nº  1102­000.301  exarada  pela  então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara que converteu o julgamento em diligência.   Adoto seu relatório, complementando­o ao final:  Contra o interessado foram lavrados autos de infração de IRPJ no valor  total de R$1.931.886,89 e de CSLL no valor total de R$ 720.777,21, em  função da recorrente não ter atendido à exigência legal de contabilização  em  separado  das  receitas  referentes  aos  atos  cooperativos  e  aos  não  cooperativos,  por  defender  a  tese  de  que  todo  ato  praticado  por  ela  configura­se como ato cooperativo, os quais englobam o campo da não  incidência tributária prevista no art. 182 do RIR/1999.  Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 33 ­ 45):  “A  contribuinte  apresentou DIPJ/2009,  referente  ao  ano­calendário  2008, na qual  informa que a  forma de  tributação era o Lucro Real,  com apuração trimestral de IRPJ e de CSLL;  O  presente  auto  de  infração  foi  lavrado  em  virtude  da  descaracterização  de  atos  classificados  pela  autuada  como  cooperativos,  quando,  na  verdade,  tratava­se  de  atos  não  cooperativos.  A  fiscalizada  oferece  seus  serviços  na  forma  de  Plano  Privado  de  Assistência  à Saúde,  conforme previsto na Lei nº 9.656/98,  art.  1º,  inciso I, visando à assistência médico­hospitalar. Para que o contrato  firmado  com  seus  clientes  seja  cumprido  de  forma  escorreita,  a  Unimed  contrata  serviços  de  clínicas,  laboratórios  e  hospitais  conveniados. Desta forma, ela não está praticando atos cooperados,  pois  este  se  resumem  aos  atos  prestados  pelos  profissionais  a  ela  associados.  Tal  pensamento  já  foi  objeto  do  Parecer  Normativo  COSIT  nº  38/1980;  A  autuada  comercializada  seus  planos  a  preço  global  não  discriminativo, visto que seus contratos não fazem qualquer tipo de  distinção  entre  os  valores  que  serão  cobrados  pela  prestação  dos  serviços  realizados  pelos  seus  cooperados  (atos  cooperativos)  daqueles  que  serão  realizados  por  clínicas,  laboratórios,  hospitais  conveniados,  etc.  Ela  vende  o  “pacote”  como  se  fosse  tudo  ato  cooperado. Dessa  forma  ela  contabilizava  toda  sua  receita  advinda  desses  planos  como  sendo  receita  de  atos  cooperativos,  o  que  na  Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.780          4 verdade  não  representa  a  realidade,  distorcendo  sua  DRE,  e  consequentemente, sua parcela do resultado oferecida à tributação.  Para chegarmos a uma base de cálculo condizendo com a realidade  da Unimed sem que ocorra arbitrariedade, utilizamos as orientações  do  Parecer  Normativo  CST  73/75  e  38/80,  que  interpretaram  os  efeitos  fiscais dos  atos não cooperativos previstos nos  artigos 85  a  88 da Lei 5.764/71.  Desse modo, a partir da contabilidade da  fiscalizada, elaboramos a  planilha “Cálculo da Proporcionalidade de Atos Cooperativos e Não  Cooperativos”,  que  calculo  os  valores  conforme  relatado,  segregando  os  valores  vinculados  à  prestação  de  serviços  por  cooperados  (atos cooperativos) e valores vinculados  a prestação de  serviços  por não  cooperados  (atos  não  cooperativos),  e  também os  valores  de  serviços  clínicos  e  hospitalares.  Os  percentuais  obtidos  trimestralmente para Atos Cooperativos e Não Cooperativos no ano  de 2008 foram:    E  ainda,  ao  refazer  a DRE da contribuinte,  incluímos o PIS e  a  COFINS lançados no Auto de Infração nº 13.629.721519/201231,  conforme  prevê  o  art.  344  do  RIR/99,  pois  são  tributos  que  repercutem na base de cálculo do IRPJ e CSLL, sendo dedutíveis  da apuração do Lucro Real.”  Houve  qualificação  da  multa  e  representação  fiscal  para  fins  penais.  A  empresa  apresentou  impugnação  (fls.  11531200),  na  qual  alega,  em  síntese, que:  “a) A  ausência  de  fraude  controvérsia  interpretativa dos  ajustes  da  base de  cálculo  improcedência  da multa  qualificada  de  150% e  de  suposto crime contra a ordem tributária;  b) Das  sociedades cooperativas e  seu papel na ordem econômica –  inexistência de lucro na prática de atos cooperativos;  c) Atos não cooperativos – Impossibilidade de tributação pelo IRPJ  das  operações previstas nos arts. 85 e 86 da Lei N° 5.764/71 – Fates –  Indisponibilidade econômica de renda;  d) Da impossibilidade de incidência da SELIC sobre multa de ofício  –Ausência de autorização legal;  e)  Da  multa  aplicada  –  Caráter  confiscatório  e  desobediência  ao  Princípio da capacidade contributiva;  Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.781          5 f) Do pedido de diligência;”  Acordaram os membros  da 2ª Turma de  Julgamento,  por unanimidade,  julgar  procedente  em  parte  a  impugnação,  no  sentido  de  excluir  a  qualificação  da multa,  mantendo­se  o  crédito  tributário  lançado  com  a  multa de oficio de 75%.  A  despeito  da  exclusão  da  qualificação  da multa,  a  recorrente  interpôs  Recurso Voluntário  (fls.  2606 –  2676),  requerendo  a  improcedência da  multa  de  oficio,  tendo  em  vista  seu  caráter  confiscatório.  As  demais  alegações presentes no recurso reiteram o exposto na impugnação.  Por  meio  da  Resolução  1102­000.301,  assim  decidiu  a  então  2ª  Turma  Ordinária da 1ª Câmara:  Atendidos  os  pressupostos  legais,  tomo  conhecimento  do  recurso  voluntário interposto.  Sem prejuízo dos pontos tratados no Recurso Voluntário, os quais serão  analisados  em  momento  oportuno,  oriento  meu  voto  por  converter  o  presente  julgamento  em  diligência,  para  que  reste  esclarecido  se  a  fiscalização ao entender as receitas de intercâmbio como ato cooperativo,  desconsiderou  as  despesas  diretas  de  intercâmbio  (evidente  ato  cooperativo)  no  momento  da  proporcionalização  dos  custos  de  atos  cooperativos  e  não  cooperativos,  prelecionada  pelo  Parecer  Normativo  73/75,  onde  nos  parece  foi  aplicado  pela  fiscalização  apenas  parcialmente.  Analisando  a metodologia  da  fiscalização  contida  às  fls.  39  dos  autos,  vê­se  que  não  foram  tributadas  as  receitas  e  despesas  de  intercâmbio  entre  UNIMED’s,  mas  alocadas  tais  rubricas  de  intercâmbio  recebido  (usuários  de  outras  operadoras  atendidos  pela  Recorrente)  na  coluna de atos cooperativos da apuração do resultado de cada trimestre,  chegando nos seguintes percentuais de proporcionalização nas contas do  grupo 41 (fls. 39 dos autos):      Em  sede  de  sustentação  oral  e  memoriais  o  contribuinte  apresentou  o  quadro  abaixo,  trazido  pela  própria  fiscalização,  demonstrando  a  matemática direta adotada pelo auto de  infração e a demonstração de  que  as  despesas  diretas  do  intercâmbio  (evidente  ato  cooperativo)  que  não foram consideradas na proporção de atos cooperativos. Veja­se que  os  percentuais  daquela  segregação  conferem  exatamente  com  os  percentuais  apurados  da  segregação  apenas  da  conta  41,  aplicados  aos  ingressos e despesas (fls. 42 a 45 dos autos):    Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.782          6   De  acordo  com  os  Memoriais  do  Contribuinte,  a  leitura  daquelas  planilhas  fiscais,  a  título  de  exemplo,  no  3º  trimestre  de  2008,  depreende­se  que,  do  total  de “custos” R$ 2.589.262,55  constantes  do  grupo 41, a fiscalização entendeu que R$ 1.703.473,07 teria natureza de  atos cooperativos (repasses a cooperados), ao passo que R$ 870.724,98,  seria  de  atos  não  cooperativos  (repasse  a  terceiros). E,  assim,  chegou  aos  respectivos  percentuais  de  66,3717%  (atos  cooperativos)  e  33,2648% (atos não cooperativos).  Assim,  claro  está  nos  autos,  que  os  únicos  custos  assistenciais  que  funcionaram  como  premissa  para  a  definição  daquele  percentual  envolveram  os  custos  no  atendimento  a  usuários  próprios  (grupo  41),  desconsiderando  que  as  despesas  de  intercâmbio  (grupo  44)  são  igualmente despesas diretas de atos cooperativos e devem ser somados  no  universo  de  despesas  para  aferição  dos  percentuais  de  atos.  Para  o  contribuinte,  Tão  irrazoável  é  o  critério  adotado  pela  fiscalização,  que  em  todas  as  competências,  a  apuração  do  resultado  geral  (chamado  de  “total”  na  planilha),  caso  estivéssemos  diante  de  uma  sociedade  empresária,  seria  MENOR  do  que  o  lucro  da  prática de atos não cooperativos de uma sociedade cooperativa. Veja­se  (fls. 42 a 45 dos autos):    E  continua:  Ou  seja,  de  acordo  com  o  entendimento  fiscal,  fosse  a  Unimed  João  Monlevade  uma  sociedade  empresária,  sua  base  de  cálculo para  incidência do IRPJ seria doze vezes menor do que a base  de  cálculo  de  uma  cooperativa  no  terceiro  trimestre  de  2008.  Já  no  primeiro trimestre, seis vezes menor. Disparidade semelhante, em menor  proporção,  mas  não  menos  equivocada,  se  repete  nas  demais  competências, como se vê.  Pelo que se percebe da argumentação do contribuinte, a metodologia da  fiscalização  de  aferição  da  base  de  cálculo  deixou  de  adicionar  ao  universo de “custos” do grupo 41, inclusive as despesas do intercâmbio  do grupo 44, pelo que a nova proporção conduziria ao reconhecimento  de atos cooperativos e de atos não cooperativos.  Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.783          7 Ele  exemplifica  que  No  1º  Trimestre,  de  100%  das  despesas  diretas  (grupo  41  e  grupo  44)  4.219.825,00,  R$  3.384.846,49  seriam  de  ato  cooperativo  (produção  cooperados  e  intercâmbio),  correspondente  a  80,21% e R$ 834.978,51, correspondente a 19,79%.  As  planilhas  anexas  ao memorial  demonstram  esse  recálculo  em  cada  trimestre,  aplicando­se  aqueles  novos  percentuais  em  todas  as  contas  que  já  haviam  sido  proporcionalizadas  pela  fiscal,  citando­se  o  1º  Trimestre apenas como exemplo:    Diante  dessa  suposta  divergência  na  forma  de  apuração  da  proporcionalização  dos  custos,  conforme  exige­se o Parecer Normativo  73/75,  faz­se  necessário  baixar  o  presente  processo  em  diligência  para  que:  (i)  reste  esclarecido  se  tanto  as  receitas  e  despesas  com  o  intercâmbio  de  serviços  entre  as  Cooperativas  UNIMED’s  foram  integralmente consideradas no processo de proporcionalização dos custos  e  despesas,  para  fins  de  definição  da  base de  cálculo  do  IRPJ  e CSLL  sobre  atos  nãocooperativos;  (ii)  caso  não  tenham  sido,  que  a  fiscalização  elabore  os  pertinentes  demonstrativos  de  resultado  de  exercício  trimestral  (à  semelhança  daqueles  que  acompanharam  o  relatório  fiscal)  de modo  a  demonstrar  como  ficaria  o  “resultado  antes  dos  impostos  e  participações”  para  os  atos  cooperativos  e  para  os  atos  não  cooperativos,  acaso  fossem  adotadas  aquelas  premissas  defendidas pela recorrente.    Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.784          8 Os  autos  retornaram  à  unidade  de  origem  e  por  meio  do  Relatório  Fiscal  Complementar  de  fls.  2760­2765,  assim  esclareceu  a  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência:  Em  atendimento  à  solicitação  da  1ª  Câmara/2º  Turma  Ordinária  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  efetuamos  diligência junto à autuada, com o fito de prestar esclarecimentos sobre a  apuração de atos não cooperativos.  Informamos  que  no  Auto  de  Infração  não  foram  utilizadas  as  receitas/despesas  com  intercâmbio  de  serviços  para  apurar  a  proporcionalização  dos  custos  e  despesas  para  definição  da  base  de  cálculo ­ do IRPJ e da CSLL.  Conforme solicitado, elaboramos DRE para demonstrar como ficaria o  "resultado antes dos impostos e participações" para os atos cooperativos  e  para  os  atos  não  cooperativos,  caso  fossem  adotadas  as  premissas  defendidas pela recorrente.  Este  Relatório  foi  emitido  em  duas  vias,  sendo  a  2º  via  destinada  à  contribuinte,  que  poderá  manifestar­se,  caso  seja  de  seu  interesse,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  antes  da  devolução  do  processo  para  julgamento. Vale  ressaltar que a  sua manifestação deverá restringir­se  ao  resultado  desta  diligência,  não  sendo  cabível  revolver  questões  de  defesa  já  suscitadas  quando  do  oferecimento  do  recurso  voluntário.  [grifos nossos]  Em  seguida,  os  autos  retornaram  ao  CARF  e  foram  submetidos  a  novo  sorteio ante à extinção do colegiado que proferiu a resolução, bem como em razão de, naquela  oportunidade, o então relator não mais compor os quadros do CARF como Conselheiro.  É o relatório.  Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.785          9 Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O recurso voluntário foi alvo de conhecimento quando de sua conversão em  diligência.  2 MÉRITO  2.1 DA EXIGÊNCIA DE IRPJ E DE CSLL  Inicialmente,  cabe  aqui  a  conceituação  de  atos  cooperativos,  conceituação  esta  advinda  da  estrita  leitura  do  artigo  79,  caput,  da  Lei  n.º  5.764/71,  que  dispõe:  “Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associadas,  para  a  consecução  dos  objetivos sociais”.  Percebe­se,  desta  feita,  que  somente  associados  e  cooperativas  ou  cooperativas associadas é que podem ser sujeitos do ato cooperativo. Portanto, em qualquer ato  em que um dos polos seja sujeito estranho aos associados da cooperativa ou por cooperativas  associadas entre si, não se trata de ato cooperativo.  É importante ressaltar que o parágrafo único do art. 79 da referida lei afasta  do campo dos atos cooperativos as operações de mercado, bem como os contratos de compra e  venda.  No  presente  caso,  tratando­se  de  cooperativa  de  serviços  médicos,  é  fácil  concluir  que  suas  receitas  advêm  de  atos  não  cooperativos,  uma  vez  que  um  dos  polos  da  relação  é,  sempre,  pessoa  estranha  aos  quadros  associativos  da  cooperativa,  qual  seja,  o  comprador dos planos de  saúde que mensalmente paga para  ter a  sua disposição  consultas  e  tratamento médico­hospitalar,  pagamentos  estes  que,  com  exceção  das  receitas  financeiras  e  valores  relativos  a  intercâmbios  de  prestação  de  serviços  entre  as  próprias  Unimeds1.  Ora,  conforme  já  explanado,  a  própria  lei  tratou  de  afastar  do  conceito  de  ato  cooperativo  as  operações de mercado não sendo possível interpretá­la de maneira a concluir que a receita da  fiscalizada, ou parte dela, seja considerada como advinda de atos cooperativos.  A  respeito  do  tratamento  tributário  a  ser  dado  às  cooperativas  de  trabalho  médico  no  que  diz  respeito  à  incidência  de  IRPJ  e  de  CSLL,  recentemente  a  1ª  Turma  da                                                              1 Segundo o Manual de Relacionamento e Integração da Central Nacional Unimed define o intercâmbio como a  “negociação  entre  as  Unimed´s  do  país  que  gera  relações  operacionais  específicas  e  normatizadas,  para  atendimento de usuários, na  área de ação de uma cooperativa, contratados por outra do sistema”, envolvendo a  "troca de sujeitos da obrigação contratual de atendimento dos usuários".  Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.786          10 Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  se  posicionou  sobre  o  tema,  confirmando  a  tese  da  tributação de todo o resultado auferido. Veja­se excerto do voto condutor do Acórdão nº 9101­ 003.018 (sessão de agosto de 2017):  "[...]  A principal questão sob exame consiste em definir a natureza da receita decorrente da  venda de planos de  saúde realizada por  instituições como a  interessada, operadora de  planos de saúde organizada como cooperativa.  Preliminarmente,  o  tema  que  merece  discussão  é  se,  em  função  das  atividades  exercidas, caberia definir a  interessada como cooperativa. Na verdade, anuindo com a  recorrente quando reclama seu reconhecimento como operadora de saúde, penso que as  atividades  que  a  identificam  como  tal  estão  perfeitamente  delineadas  ao  contrário  da  realização de atos cooperativos, prática essa não vislumbrada no procedimento fiscal.  A fiscalizada entende que se o ato é praticado em benefício da cooperativa só haveria  distinção  entre  atos  cooperativos  principais  e  auxiliares.  Essa  tese  parte  de  uma  interpretação  extensiva  da  definição  do  ato  cooperativo  prevista  no  art.  79  da Lei  nº  5.764/71.  Nos  termos  desse  dispositivo,  ato  cooperativo  é  aquele  praticado  entre  as  cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si.  Com  base  nessa  definição,  o  Parecer  Normativo  CST  nº  38/80  exemplificou  várias  atividades  que  seriam  tipicamente  enquadradas  como  ato  cooperativo  e  outras  que  estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até  porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da  Lei nº 5.764/71.  Os  dispositivos  da  Lei  em  comento  regulamentam  a  atividade  cooperativa  em  sua  essência,  inclusive  estabelecendo  mecanismos  de  incentivo  ao  cooperativismo  tendo  como  escopo,  seja  qual  for  o  objeto  social  da  organização,  a  prestação  de  serviços  diretamente aos associados.  Sob  esse  prisma,  a  tentativa  de  ampliação  do  conceito  de  ato  cooperativo  revela  a  dificuldade  encontrada  por  uma  organização  do  tipo  Unimed  para  enquadrar  suas  atividades nos termos da Lei do cooperativismo. Isso porque a recorrente, muito mais  do que uma cooperativa de trabalho, é uma operadora de planos de saúde atuando num  mercado  competitivo  que  a  obriga  a  transacionar  com  terceiros  sob  regras  absolutamente estranhas ao espírito do cooperativismo.  Assim,  pleiteia  a  recorrente  que  benefícios  tributários  direcionados  às  cooperativas  sejam aplicados em atividades de natureza mercantil, o que se constituiria em privilégio  injusto  com  as  demais  empresas  que  atuam  no  ramo,  absolutamente  contrário  à  isonomia.  O  Fisco  constatou  que  o  faturamento  da  empresa  provém  fundamentalmente  da  comercialização  de  planos  de  saúde. Não  resta  dúvida,  portanto,  de  que  a  recorrente  considerou  como  ato  cooperado  a  atividade  tipicamente  mercantil  exercida  como  operadora de planos de saúde junto a terceiros.  Em  função  da  premissa  equivocada  por  ela  assumida,  as  discussões  quanto  à  regularidade  do  rateio  efetuado  tornam­se  irrelevantes.  Caberia  à  interessada  ter  especificado  na  escrituração  a  parcela  correspondente  a  atos  cooperativos  e  não  cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à  remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados.  Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.787          11 No  momento  em  que  essa  segregação  deixa  de  ser  efetuada  ou  é  executada  irregularmente  pela  premissa  equivocada  de  tratar  as  receitas  de  planos  de  saúde  integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que  esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado,  não há qualquer  indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de  menção.  Quanto  à  natureza  da  atividade  de  venda  de  planos  de  saúde  a  jurisprudência  administrativa caminha na mesma linha do entendimento aqui esposado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ. Exercício: 2007, 2008 IRPJ.  CSLL.  SOCIEDADE  COOPERATIVA  DE  SERVIÇOS  MÉDICOS.  RECEITA  PROVENIENTE  DA  VENDA  DE  PLANOS  DE  SAÚDE  A  TERCEIROS  (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos não­cooperativos,  caracterizados  pelo  fornecimento  de  serviços  a  terceiros  não  cooperados,  não  estão  abrigados  pela  não­incidência  do  imposto  de  renda  e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art.  543­C do CPC.(Acórdão 1102­000.936).  COOPERATIVA  DE  TRABALHO  MÉDICO.  COMERCIALIZAÇÃO,  EM  NOME  PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO  COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA  E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS  RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E  DO ATO NÃO COOPERADO.  [...] No caso,  a Unimed, que  comercializa planos de  saúde,  que  tem  traços de  seguro  saúde,  presta  serviços  privados  de  saúde,  caracterizando­se  assim  sua  natureza  mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação  de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.(Acórdão1802­001.354)  Saliente­se  que  o  Acórdão  1102­000.936,  de  ementa  acima  transcrita,  refere­se  à  interessada.  Se ainda restasse alguma dúvida, o STJ manifestou­se no mesmo sentido em relação às  Unimeds, como reconheceu a recorrente, eis que a decisão abaixo transcrita foi por ela  mencionada na peça de defesa:  RECURSO ESPECIAL Nº 237.348 SC (1999/01003660)  RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA  RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL   PROCURADOR : RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA E OUTROS   RECORRIDO : UNIMED DE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO  MEDICO LTDA   ADVOGADO : LECYAN MENDES SLOVINSKI E OUTROS   EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  COOPERATIVA  MÉDICA.  ATOS NÃO­COOPERATIVOS.  1.  A  UNIMED  presta  serviços  privados  de  saúde,  ficando  evidenciada,assim  sua  natureza  mercantil  na  relação  com  seus  associados,  ou  seja,  vende,  por  meio  da  intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.  2. O fornecimento de serviços a  terceiros e de terceiros não­associados, caracteriza­se  como atos não­cooperativos, sujeitando­se, portanto, à incidência do Imposto de Renda.  3. Recurso especial provido.  Curiosamente, a recorrente ousou afirmar que o Acórdão estaria “equivocado” como se,  numa total  inversão de valores,  tivesse condições de criticar uma decisão do Tribunal  Superior fora do âmbito processual.  Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.788          12 A jurisprudência apresentada pela interessada não lhe socorre, ao contrário, fortalece o  entendimento do Fisco.  O  Acórdão  3403­001.916  foi  trazido  para  fortalecer  a  tese  de  que  a  prática  de  atos  cooperativos  e  não  cooperativos  não  descaracterizariam  a  cooperativa,  Essa  circunstância  não  está  em  discussão  no  presente  caso  pois  não  houve  tal  descaracterização. Por outro lado, ao tratar da receita com a venda de planos de saúde o  acórdão em questão manifesta­se na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida  (destaques acrescidos):  "[...]  As  entradas  de  recursos  nas  cooperativas  médicas  correspondem,  basicamente,  aos  pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam os serviços da  cooperativa e de seus cooperados.  Como as receitas são originadas dos pagamentos que são realizados pelo usuários dos  planos de saúde, que não são cooperados, tais atos não configuram ato cooperativo, de  modo  que  a  receita  originada  destas  vendas  deve  ser  submetida  à  incidência  de  PIS/Cofins.;  [...]"  O acórdão 3403­001.884 ao afirmar que as cooperativas podem adotar qualquer gênero  de serviço, operação ou atividade, apenas explicita a previsto na Lei nº 5.764/71. Esse  fato também não está em discussão pois o que se aventou não foi eventual proibição,  mas sim a inadequação prática da Unimed ao cooperativismo previsto na lei. Da mesma  forma que o exposto no parágrafo anterior, aqui também o acórdão vai na mesma linha  da Fiscalização e da decisão recorrida:  "[...]  Assim,  é  evidente  que  a  recorrente  não  age  em  nome  dos  associados  como  mera  repassadora  de  recursos.  A  recorrente  pratica  atos  jurídicos  com  não  cooperados  e  figura  como  contratante dos  planos  privados de  assistência  à  saúde que  comercializa,  prestando  serviço  em  caráter  oneroso,  definido  no  art.  1º,  I,  da  Lei  nº  9.656/98.  Portanto,  as  receitas  provenientes  da  comercialização  dos  planos  de  saúde  são  decorrentes  da  prestação  de  serviço  (art.1º,  I,  da  Lei  nº  9.656/98)  a  não  cooperados,  sujeitando­se à incidência das contribuições ao PIS e Cofins.  [...]"  Os  Acórdãos  1803­00.187,  9101­00.339  e  01­05.828  tratam  da  necessidade  de  segregação  das  receitas  quando  demonstrado  pela  correta  segregação  contábil  que  a  cooperativa aufere receitas de atos cooperados e não cooperados. No presente caso não  foi comprovada a existência de qualquer receita que não aquela decorrente da venda de  planos de  saúde  considerada,  como  já explicitado nesse voto,  atividade  com  terceiros  caracterizando ato não cooperado.  O acórdão 1801­001.206 e aquele referente ao recurso 237.603 tratam de diferenciação  entre atos fim, meio e auxiliares, matéria essa estranha ao presente feito principalmente  por não tratarem de organizações como a Unimed muito menos da natureza da receita  oriunda da venda de planos de saúde.  Por  fim,  para  dirimir  qualquer  dúvida  que  ainda  possa  persistir,  transcreve­se  abaixo  trecho do Acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, por sua vez extraído da transcrição  contida no Acórdão proferido na  análise do Resp nº 903.699  interposto pela Fazenda  Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.789          13 Nacional  onde,  segundo  pronunciamento  da  própria  interessada,  a  Relatora Ministra  Eliana Calmon deu ao ato cooperativo sua correta interpretação. O recurso foi negado e  o Acórdão foi mantido em sua integralidade. Ressalte­se a importante diferenciação em  destaque na texto:  "[...]  Não  assiste  razão  ao  Il.  Representante  do Ministério  Público  Federal.  Com  efeito,  a  cooperativa  Impetrante  tem  como  objeto  a  prestação  de  serviços  na  área  de  saúde,  e  como  tal  procura  colocar  à  disposição  do  mercado  a  utilização  desses  serviços,  promovendo a necessária aproximação dos usuários com os cooperados que os prestam,  a quem devem ser repassadas as vantagens advindas da operação. In casu, a Impetrante  age  em  nome  dos  associados,  como  simples mandatária,  sendo  certo  que  a  atividade  exercida  está  compreendida  no  objeto  para  a  qual  foi  a  mesma  idealizada,  restando  caracterizada  como  ato  cooperativo  próprio  de  suas  finalidades  a  relação  jurídica  praticada. Diferentemente é a hipótese em que a entidade oferece serviços profissionais  médicos  mediante  adesão  a  determinado  plano  de  saúde.  Neste  caso,  há  nítida  finalidade  mercantil  no  ato  praticado,  posto  que  a  cooperativa  paga  diretamente  o  profissional  pelo  serviço  prestado,  exercendo  em  favor  dos  adquirentes  do  plano  a  coordenação  e  supervisão  das  atividades  desenvolvidas  pelos  cooperados,  mediante  retribuição mensal de uma quantia previamente fixada.  [...]" "  [...]  E tal entendimento não poderia ser outro em razão do decidido no âmbito do  REsp  nº  58.265/SP  em  julgamento  representativo  de  controvérsia,  no  rito  do  art.  543­C  do  CPC/1973,  cujo  entendimento  deve  ser  obrigatoriamente  observado  no  âmbito  desta  Corte  Administrativa,  nos  termos  do  §  2º  do  art.  62  do  Anexo  II  do  RICARF.  Nesse  julgado  apreciou­se  a  possibilidade  de  tributação  sobre  resultado  positivo  decorrente  de  aplicações  financeiras realizadas por cooperativas, conforme se observa em sua ementa transcrita a seguir:  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  RESULTADO  POSITIVO  DECORRENTE  DE  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  REALIZADAS  PELAS  COOPERATIVAS.  INCIDÊNCIA.  ATOS  NÃO­COOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO.  1.  O  imposto  de  renda  incide  sobre  o  resultado  positivo  das  aplicações  financeiras  realizadas  pelas  cooperativas,  por  não  caracterizarem  "atos  cooperativos  típicos"  (Súmula 262/STJ).  2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da  regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o  lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo.  3. O  lucro  real  é  definido  como  o  lucro  líquido  do  exercício  ajustado  pelas  adições,  exclusões ou  compensações prescritas ou autorizadas pela  legislação  tributária  (artigo  6º, do Decreto­Lei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99).  4. As  sociedades  cooperativas,  quando  da  determinação  do  lucro  real,  apenas  podem  excluir  do  lucro  líquido  os  resultados  positivos  decorrente  da  prática  de  "atos  cooperativos  típicos",  assim  considerados  aqueles  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados,  para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71).  Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.790          14 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas  rendas  tributáveis os  resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de  aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos  85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo  os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original):  "Art.  87.  Os  resultados  das  operações  das  cooperativas  com  não  associados,  mencionados  nos  artigos  85  e  86,  serão  levados  à  conta  do  'Fundo  de  Assistência  Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir  cálculo para incidência de tributos.  Art.  88.  Mediante  prévia  e  expressa  autorização  concedida  pelo  respectivo  órgão  executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de  Cooperativismo,  poderão  as  cooperativas  participar  de  sociedades  não  cooperativas  públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios  ou complementares.  Parágrafo único. As  inversões decorrentes  dessa participação  serão  contabilizadas  em  títulos  específicos  e  seus  eventuais  resultados  positivos  levados  ao  'Fundo  de  Assistência Técnica, Educacional e Social'."  6.  Outrossim,  o  Decreto  85.450/80  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  vigente  à  época) preceituava que:  "Art.  129  As  sociedades  cooperativas,  que  obedecerem  ao  disposto  na  legislação  específica,  pagarão  o  imposto  calculado unicamente  sobre os  resultados positivos  das  operações ou atividades:  I  ­  de  comercialização  ou  industrialização,  pelas  cooperativas  agropecuárias  ou  de  pesca,  de  produtos  adquiridos  de  não  associados,  agricultores,  pecuaristas  ou  pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir  capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111);  II  ­ de  fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos  sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111).  III  ­  de  participação  em  sociedades  não  cooperativas,  públicas  ou  privadas,  para  atendimento  de  objetivos  acessórios  ou  complementares,  desde  que  prévia  e  expressamente  autorizadas  pelo  órgão  executivo  federal  competente  (Lei  n.  5.764/71,  artigos 88 e 111).  § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotas­partes  do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor  de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze  por  cento)  ao  ano atribuídos ao  capital  integralizado  (Lei n.  5.764/71,  art.  24,  § 3º,  e  Decreto­Lei n. 1.598/77, art. 39, I, b).  §  2º  A  inobservância  do  disposto  no  parágrafo  anterior  importará  tributação  dos  resultados, na forma prevista neste Regulamento."  7.  Destarte,  a  interpretação  conjunta  dos  artigos  111,  da  Lei  das  Cooperativas,  e  do  artigo  129,  do  RIR/80,  evidencia  a  mens  legislatoris  de  que  sejam  tributados  os  resultados positivos  decorrentes  de  atos  não  cooperativos,  ou  seja,  aqueles praticados  entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais.  8.  Deveras,  a  caracterização  de  atos  como  cooperativos  deflui  do  atendimento  ao  binômio  consecução  do  objeto  social  da  cooperativa  e  realização  de  atos  com  seus  associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de  apenas um dos aludidos requisitos.  Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.791          15 9.  Ademais,  o  ato  cooperativo  típico  não  implica  operação  de  mercado,  ex  vi  do  disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71.  10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas  com  terceiros  não  associados  (ainda  que,  indiretamente,  em  busca  da  consecução  do  objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não­cooperativos", cujos resultados  positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda.  11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira  Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009) [grifei]  É  importante  ressaltar  que,  posteriormente,  no  voto  condutor  do  AgRg  no  Agravo  de  Instrumento  nº  1.221.603  –  SP,  o Ministro Mauro Campbell Marques  esclareceu  que,  embora  no  REsp  nº  58.265/SP  se  estivesse  apreciando  no  caso  hipótese  de  "resultado  positivo das aplicações financeiras  realizadas pelas cooperativas", extrai­se de suas  razões de  decidir que:   [...] as operações realizadas com terceiros não associados  (ainda  que,  indiretamente,  em  busca  da  consecução  do  objeto  social  da  cooperativa),  consubstanciam  "atos  não­ cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a  base de cálculo do imposto de renda (REsp. n. 58.265 / SP,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  julgado  em  09.12.2009).   Por esta razão, a Segunda Turma do STJ decidiu que:   a  questão  sobre  a  incidência  tributária  nas  relações  jurídicas  firmadas  entre  as  Cooperativas  e  terceiros  diz  respeito  a  tema  já  pacificado  na  jurisprudência  desta  Corte,  não  havendo  mais  dúvidas  quanto  ao  seu  julgamento,  sejam  terceiros  na  qualidade  de  contratantes  de  planos  de  saúde,  sejam  na  qualidade  de  credenciados  pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados,  motivo  pelo  qual  a  tributação  do  IRPJ  e  CSLL  deverá  ocorrer normalmente sobre tais atos negociais.   E a fim de que não paire dúvidas de que a matéria em debate nestes autos foi  decidida pela sistemática de recursos repetitivos, reproduz­se a ementa também desse julgado:   DIREITO  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  UNIMED.  SERVIÇOS  PRESTADOS  A  TERCEIROS.  ATOS  NÃO  COOPERATIVOS.  INCIDÊNCIA  DO  IRPJ  E  DA  CSLL  SOBRE  OS  ATOS  NEGOCIAIS.  TEMA  JÁ  JULGADO  PELA  SISTEMÁTICA  PREVISTA  NO  ART.  543­C,  DO  CPC  EM  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  TRIBUTAÇÃO  DE  DESPESAS.  FALTA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF.  1.  Ato  cooperativo  é  aquele  que  a  cooperativa  realiza  com  os  seus  cooperados  ou  com  outras  cooperativas,  sendo  esse  o  conceito  que  se  extrai  da  interpretação  do  art.  79  da  Lei  nº  Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.792          16 5.764/71,  dispositivo  que  institui  o  regime  jurídico  das  sociedades cooperativas.  2.  Na  hipótese  dos  autos,  a  contratação,  pela  Cooperativa,  de  serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas,  atos  objeto  da  controvérsia  interpretativa,  não  se  amoldam  ao  conceito  de  atos  cooperativos,  caracterizando­se  como  atos  prestados a terceiros.  3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas  firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado  na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade  de  contratantes  de  planos  de  saúde  (pacientes),  os  sejam  na  qualidade  de  credenciados  pela  Cooperativa  para  prestarem  serviços  aos  cooperados  (laboratórios,  hospitais  e  clínicas),  deve  haver  a  tributação  do  IRPJ  e  CSLL  normalmente  sobre  tais atos negociais.  4.  Consoante  o  julgado  no  recurso  representativo  da  controvérsia REsp. n. 58.265/SP, “[...] as operações realizadas  com  terceiros  não  associados  (ainda  que,  indiretamente,  em  busca  da  consecução  do  objeto  social  da  cooperativa),  consubstanciam  'atos  não­cooperativos',  cujos  resultados  positivos  devem  integrar  a  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda”  (REsp.  n.  58.265/SP,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Luiz  Fux, julgado em 09.12.2009).  5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não  sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte  de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF.  6. Agravo regimental não provido.” [grifei]  E não se trata de um mero julgado isolado, pois tal entendimento vem sendo  reiteradamente aplicado no âmbito do STJ. Veja­se:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  COOPERATIVA  MÉDICA.  ATOS  NÃO­COOPERATIVOS.  1.  A  UNIMED  presta  serviços  privados  de  saúde,  ficando  evidenciada  assim  a  sua  natureza  mercantil  na  relação  com  seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de  terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.  2.  O  fornecimento  de  serviços  a  terceiros  e  de  terceiros  não­ associados  caracteriza­se  como  ato  não­cooperativo,  sujeitando­se,  portanto,  à  incidência  do  Imposto  de  Renda.  Precedentes:  REsp.  Nº  237.348  SC,  Segunda  Turma,  Rel. Min.  Castro  Meira,  julgado  em  17  de  fevereiro  de  2004;  REsp  418.352/SC,  Primeira  Turma,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  DJU  de  23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana  Calmon,  julgado  em  10/10/2000;  REsp  746.382/MG,  Rel. Min.  Humberto Martins, DJ de 9.10.2006.  Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.793          17 3.  Agravo  regimental  não­provido.”  (AgRg  no  REsp  751.460/MG,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma, DJe 13.2.2009 – destaques acrescidos)  TRIBUTÁRIO  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO  MÉDICO  E  ASSEMELHADOS  PIS  E  COFINS  ATOS  PRATICADOS  COM  NÃO­ASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES.  1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base  de  cálculo o  faturamento das  cooperativas de  trabalho médico,  conceito  que  restou  definido  pelo  STF  como  receita  bruta  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e  mais  recentemente,  dos  Recursos  Extraordinários  346.084/PR,  357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros.  2.  De  igual  maneira,  na  linha  da  jurisprudência  da  Suprema  Corte,  o  adequado  tratamento  tributário  ao  ato  cooperativo,  a  que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento  constitucional  privilegiado  a  ser  concedido  ao  ato  cooperativo  não significam ausência de tributação.  3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular.  4.  A  partir  dessas  premissas,  e  das  expressas  disposições  das  Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode  o  Poder  Judiciário  atuar  como  legislador  positivo,  criando  isenção  sobre  os  valores  que  ingressam  na  contabilidade  da  pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus  associados,  relativamente  às  operações  praticadas  com  terceiros.  5.  Apenas  sobre  os  atos  cooperativos  típicos,  assim  entendidos  como  aqueles  praticados  na  forma  do  art.  79  da  Lei  5.764/71  não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência  consolidada do STJ.  6.  Recurso  especial  parcialmente  provido.  (REsp  635.986/PR,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  DJe  25.9.2008  –  destaques acrescidos)  COFINS.  COOPERATIVAS  MÉDICAS.  CARACTERIZAÇÃO  OU  NÃO  DE  ATO  COOPERATIVO.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL.  I ­ É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser  cabível  a  isenção  da  COFINS  sobre  os  atos  das  sociedades  cooperativas  médicas,  relacionados  à  intermediação  entre  cooperados  e  terceiros,  estes  adquirentes  de  Plano  de  Saúde,  visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato  tipicamente  cooperativo,  mas  mercantil,  sendo,  portanto,  cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no  REsp  nº  788904/RJ,  Rel.  Min.  DENISE  ARRUDA,  DJ  de  15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE  NORONHA,  DJ  de  24/05/07;  REsp  nº  807.690/SP,  Rel.  Min.  CASTRO  MEIRA,  DJ  de  01/02/2007;  e  REsp  nº  778.135/MG,  Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.794          18 Rel.  Min.  FRANCISCO  PEÇANHA  MARTINS,  DJ  de  13/02/2006.  II Agravo regimental  improvido”.  (AgRg no AgRg  no  Resp  1033732/SP,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma, Dje 1.12.2008 ­ destaques acrescidos)  TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS.  COOPERATIVAS.  ISENÇÃO.  ATOS  COOPERATIVOS.  NÃO­ CARACTERIZAÇÃO.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO  ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE.  1. Os  atos  que  não  são  tipicamente  cooperativos,  tais  como  os  serviços  prestados  por  sociedades  cooperativas  médicas  a  terceiros (não­associados), são passíveis de incidência do PIS.  [...]  3.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  improvido.”  (REsp  746.382/MG,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJ 9.10.2006)  No caso concreto, contudo, há de ressaltar que não foi esse o critério adotado  pela autoridade fiscal que, considerando como atos cooperativos os valores que dizem respeito  ao pagamento dos médicos cooperados realizou rateios dos custos da recorrente.  Nesse  cenário,  resta  impossibilitada  a  aplicação  integral  do  entendimento  firmado pelo STJ em sede de recurso repetitivo, sob pena de afronta aos artigos 142 e 146 do  CTN, bem como na impossibilidade de se agravar a exigência em razão de recurso voluntário  apresentado pela interessada.  Conforme  relatado,  em  sede  de  resolução  requereu­se  à  unidade de  origem  que  esclarecesse  se,  na  realização  do  rateio  que  embasa  a  exigência,  houvera  levado  em  consideração as receitas e custos referentes ao chamado intercâmbio.  Realizada a diligência, à fl. 2760 esclarece a autoridade fiscal que:  Informamos  que  no  Auto  de  Infração  não  foram  utilizadas  as  receitas/despesas  com  intercâmbio  de  serviços  para  apurar  a  proporcionalização  dos  custos  e  despesas  para  definição  da  base  de  cálculo ­ do IRPJ e da CSLL.  Resta  agora  analisar  qual  seria  a  melhor  classificação  para  as  receitas  e  despesas  relativas a  intercâmbio, assim entendida como a “negociação entre as Unimed´s do  país  que  gera  relações  operacionais  específicas  e  normatizadas,  para  atendimento  de  usuários, na área de ação de uma cooperativa, contratados por outra do sistema”, envolvendo  a "troca de sujeitos da obrigação contratual de atendimento dos usuários”.  Trata­se,  conforme se observa de  receitas e custos atrelados  a atendimentos  realizados  por  uma  determinada  Unimed  a  usuários  atrelados  a  outra  Unimed.  O  exemplo  trazido pela recorrente em sua peça recursal explica bem tal conceito:  Exemplifique­se  para  melhor  entendimento:  um  usuário  paciente  da  Unimed  João Monlevade  (Unimed  Origem)  poderá  ser  atendido,  quando  necessário,  Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.795          19 por um médico cooperado da Unimed BH (Unimed Destino), atendimento que  se dará na cidade de Belo Horizonte e vice­versa.  De fato, tendo em vista que o usuário é filiado à Unimed João Monlevade, esta,  repassa  à  Unimed  B  H  o  valor­custo  do  atendimento  prestado.  Portanto, Á  "resultado"  gerado  não  pertence  à  Unimed  João  Monlevade,  mas  à  rede  médico­hospitalar­laboratorial etc. da Unimed BH.  Nesse cenário, na realidade, o ato denominado de intercâmbio amolda­se ao  conceito  de  ato  cooperativo,  uma  vez  que  é  realizado  entre  duas  cooperativas  entre  si  associadas, nos termos do caput do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971 e, portanto, para fins do  rateio realizado pela autoridade fiscal, os custos correspondentes deveriam estar classificados  como aqueles associados aos atos cooperativos.  Pois,  nesse  cenário,  impõe­se  ajustar  as bases de  cálculo de acordo com os  novos percentuais de rateio apuradas pela própria autoridade fiscal em diligência e o respectivo  lucro líquido do período, considerando­se tão somente os atos não cooperativos como sujeitos à  incidência de IRPJ e de CSLL (fls. 2671­2676):   Período de Apuração  Atos Cooperativos  Atos Não  Cooperativos  Base de Cálculo  1º Trimestre de 2008  80,212959%  19,787041%  67.395,27  2º Trimestre de 2008  79,389435%  20,610565%  61.556,86  3º Trimestre de 2008  80,345938%  19,654062%  86.594,88  4º Trimestre de 2008  82,183584%  17,816416%  167.135,63  Obs.: Considerando­se que nos autos de infração de IRPJ e de CSLL não houve adições, exclusões ou  compensações realizadas, o lucro líquido do período corresponde exatamente à base de cálculo de IRPJ  e de CSLL  Evidentemente,  ante  à  íntima  relação  de  causa  e  efeito  que  os  vincula,  estende­se ao lançamento reflexo de CSLL, no que couber, a decisão prolatada no lançamento  de IRPJ.  2.2  DA  MULTA  DE  OFÍCIO  E  DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO    Por fim, alegou o contribuinte que a multa cominada, ainda que reduzida para  75%, seria confiscatória, questionando ainda a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de  ofício.  A respeito da decisão do STF sobre o patamar máximo de multa em 100% do  tributo,  com  a  redução  da  penalidade  já  levada  a  efeito  por  decisão  definitiva  de  primeira  instância para 75%, torna­se sem efeito qualquer discussão sobre o tema, até mesmo porque o  percentual  da  multa  nesse  patamar  está  prevista  em  lei  em  relação  à  qual  não  há  qualquer  decisão do STF declarando­a inconstitucional.  Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.796          20 No que diz respeito ao precedente declarando inconstitucional multa de 60%  (AgRg no RE 591969), é importante destacar que o caso em apreço dizia respeito a mera multa  moratória, não tratando de hipótese de lançamento de ofício  Em  relação  aos  argumentos  sobre  confisco,  esclareça­se,  ainda,  que  a  vedação  à  utilização  de  tributo  com  efeito  de  confisco,  preceituada  pelo  art.  150,  IV,  da  Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim  ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das  leis.  Ademais,  sobre  a matéria  este Conselho  já  pacificou  seu  entendimento  por  meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  No que diz  respeito  à  incidência de  juros de mora  sobre a multa de ofício,  outra sorte não merece o recurso.  Observa­se,  inicialmente, que a questão  tem sido objeto  intenso debate pela  Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos  opostos,  ambos  decididos  por  maioria  apertada  de  votos,  como  se  verifica  dos  acórdãos  n°  9101­00539, de 11/03/2010, e n° 9101­00.722, de 08/11/2010.  Abstraindo­se  de  argumentos  finalísticos,  como  o  enriquecimento  ilícito  do  Estado, os quais  fogem à alçada deste  tribunal administrativo, conforme determina a Súmula  CARF n° 2, expõe­se os  fundamentos considerados suficientes para  justificar a cobrança nos  presentes  autos,  com  espelho  no  acórdão  n°  9101­00539,  de  11/03/2010,  de  lavra  da  Conselheira Viviane Vidal Wagner:  O  conceito  de  crédito  tributário,  nos  termos  do  art.  139  do  CTN,  comporta  tanto tributo quanto penalidade pecuniária.  Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96,  que  regula  os  acréscimos moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses débitos a multa de ofício.  Contudo,  uma  norma  não  deve  ser  interpretada  isoladamente,  especialmente  dentro do sistema tributário nacional.  No  dizer  do  jurista  Juarez Freitas  (2002,  p.70), "interpretar  uma norma  é  interpretar  o  sistema  inteiro:  qualquer  exegese  comete,  direta  ou  obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição  a continuidade do seu raciocínio:  "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida  em  profundidade,  o  processo  hermenêutico  por  excelência,  de  tal  maneira  que  ou  se  compreendem  os  enunciados  prescritivos  nos  Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.797          21 plexos  dos  demais  enunciados  ou  não  se  alcançará  compreendê­los  sem  perdas  substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com  os devidos  temperamentos, que a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação."  (A  interpretação  sistemática  do  direito,  3.ed.  São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente  no  seu  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  independentemente dos motivos do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário  há de ser uniforme.  De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito  tributário "é o vínculo  jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o  Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou  responsável  (sujeito passivo),  o pagamento do  tributo ou da penalidade pecuniária  (objeto  da relação obrigacional)."  A  obrigação  tributária  principal  referente  à  multa  de  ofício,  a  partir  do  lançamento, converte­se em crédito tributário, consoante previsão do art. 113,  §1°, do CTN:  Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória.  § 1° A obrigação principal  surge com a ocorrência do  fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou  penalidade pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com o  crédito tributário dela decorrente. (destacou­se)  A obrigação principal  surge,  assim,  com a ocorrência do  fato gerador  e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional.  A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida  "juntamente  com  o  imposto,  quando  não  houver  sido  anteriormente  pago''"  (§1°).  Assim,  no  momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a  multa  de  ofício,  tornando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.    A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício,  tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.798          22 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza  indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre  a multa isolada.  Eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre  os  institutos  é  de  ser  afastada  pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros  de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da  Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e contribuições,  alcança os débitos em geral  relacionados  com esses  tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento,  dizia  então,  reforçado  pelo  fato  de  o  art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse  sentido,  o  disposto  no  §3°  do  art.  950  do Regulamento  do  Imposto  de  Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96  poderia  ser  aplicada  concomitantemente  com  a  multa de ofício.  Art.950.  Os  débitos  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de trinta e três centésimos por cento por dia de  atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61).  §1°A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento do imposto até o dia em que ocorrer  o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61,  §1°).  §2°O  percentual  de  multa  a  ser  aplicado  fica  limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996,  art. 61, §2°).  §3°A multa  de  mora  prevista  neste  artigo  não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha servido de base para a aplicação da multa  decorrente de lançamento de ofício.  A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante  do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser  acrescido  dos  juros  de  mora  devidos  em  razão  do  atraso  da  entrada  dos  recursos nos cofres da União.  Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.799          23 No mesmo  sentido  já  se manifestou  a Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  quando  do  julgamento  do  Acórdão  n°  CSRF/04­00.651,  julgado  em  18/09/2007, com a seguinte ementa:    JUROS  DE MORA  ­ MULTA  DE  OFÍCIO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINICIPAL  ­  A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento,  incluindo  a  multa  de  ofício  proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária principal,  incluindo a multa de oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem  incidir os juros de mora à taxa Selic.  Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca­se  na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que  preveja  a  correção  dos  débitos para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela Lei  n° 9.065, de 1995.  No  âmbito  do  Poder  Judiciário,  a  jurisprudência  é  forte  no  sentido  da  aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê  no exemplo abaixo:  REsp  1098052  /  SP  RECURSO  ESPECIAL2008/0239572­8 Relator(a) Ministro  CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 ­  SEGUNDA  TURMA  Data  do  Julgamento  04/12/2008  Data  da  Publicação/Fonte  DJe  19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  OMISSÃO.  NÃO­OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DESNECESSIDADE.  TAXA SELIC. LEGALIDADE.  1.  É  infundada  a  alegação  de  nulidade  por  maltrato  ao  art.  535  do  Código  de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­somente  rediscutir as razões do julgado.  2.  Em  se  tratando  de  tributos  lançados  por  homologação,  ocorrendo  a  declaração  do  contribuinte e na falta de pagamento da exação  no  vencimento,  a  inscrição  em  dívida  ativa  independe de procedimento administrativo.  Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.800          24 3.  É legítima a utilização da taxa SELIC como  índice  de  correção  monetária  e  de  juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  579.565/SC,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  DJU  de  11.09.06  e  AgRg  nos  EREsp  831.564/RS,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, DJU de 12.02.07).  No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  foi  pacificada  com  a  edição  da  Súmula  CARF  n°  4,  de  observância  obrigatória  pelo  colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes  termos:    Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de  1995, os juros moratórios incidentes sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria  da Receita Federal são devidos, no período de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais.    No que se  refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996,  sustentam alguns  que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros  sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95.  O mencionado Parecer, ainda que conclua pela  incidência dos  juros  sobre a  multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifesta­se nos  termos  dessa  tese.  Entretanto,  constata­se  que  o  referido  Ato  Administrativo  não  levou  em  consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o §  8º  ao  art.  84,  da  Lei  8.981/95,  e  que  estendeu  os  efeitos  do  disposto  no  caput  aos  demais  créditos da Fazenda Nacional cuja  inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de  competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.  Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões  recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos  9101­001.863, 9202­003.150 e 9303­002.400).  Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no  mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme  se observa na ementa a seguir reproduzida:  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA FISCAL PUNITIVA.   É  legítima a  incidência  de  juros  de mora  sobre multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário.  Precedentes  citados:  REsp  1.129.990­PR,  DJe  14/9/2009,  e REsp 834.681­MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688­PR,  Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012.  Ressalta­se ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do  parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo  Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 13629.721517/2012­42  Acórdão n.º 1301­002.819  S1­C3T1  Fl. 2.801          25 legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de  reduções  superiores às  fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja,  visto sob outro enfoque, reafirmou­se o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as  multas  de  mora  e  de  ofício.  Tal  exegese  pode  ser  observada  no  REsp  1.492.246/RS  (Rel.  Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e  no  REsp  1.510.603–CE  (Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  20/08/2015), em relação ao qual transcreve­se a seguir sua ementa:  TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM  100%.  DESINFLUÊNCIA  NA  APURAÇÃO  DOS  JUROS  DE  MORA.  PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não  há  qualquer  indicativo  na  Lei  n.  11.941/2009  que  permita  concluir  que  a  redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida  no  art.  1º,  §3º,  I,  da  referida  lei  implique  uma  redução  superior  à  de  45%  (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso,  para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de  juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  02/06/2015,  DJe  10/06/2015.).  2.  Consequentemente,  a  Lei  n.  11.941/2009  tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros  de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos  juros  moratórios  incide  sobre  as  multas  tão  somente  após  a  apuração  atualizada  desta  rubrica  (multa). Recurso  especial  provido. REsp 1.510.603– CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015.  Isso posto, voto por manter tal exigência.    3 CONCLUSÃO  Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo  as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL para R$ 67.395,27 (1º  trimestre/2008), R$ 61.556,86  (2º trimestre/2008), R$ 86.594,88 (3º trimestre/2008) e R$ 167.135,63 (4º trimestre/2008).   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 2801DF CARF MF

score : 1.0
7285757 #
Numero do processo: 19515.002166/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.

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2201­004.176  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CONTAX­MOBITEL S.A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998  RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.  NORMA  PROCESSUAL.  APLICAÇÃO  IMEDIATA.  ENUNCIADO  Nº  103 DA SÚMULA CARF.  A  norma  que  fixa  o  limite  de  alçada  para  fins  de  recurso  de  ofício  tem  natureza  processual,  razão  pela  qual  deve  ser  aplicada  imediatamente  aos  processos pendentes de julgamento.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  de  ofício  de  decisão  que  exonerou  o  contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de  alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso de Ofício.     (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente e Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 66 /2 01 0- 79 Fl. 146DF CARF MF     2   Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto  o  relatório  objeto  do  Acórdão  nº  2201­004.162  ­  2ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/2010­31, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária  "Trata­se  de  recurso de  ofício  apresentado em  face da  decisão  de  primeiro  grau,  pela  qual  se  deu  integral  provimento  à  impugnação  do  sujeito  passivo  ao  auto  de  infração  que  constituiu  crédito  tributário  relativo  à  contribuição a  cargo  da  empresa  e  à  contribuição  para  o  financiamento  da  complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT)  apuradas  com  base  nas  remunerações  paga  aos  segurados  empregados de empresa prestadora de serviços.  De  acordo  com  o  relatório  da  fiscalização,  trata­se  de  constituição  de  crédito  tributário  visando  restabelecer  a  exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD,  referente  a  contribuições  apuradas  com  base  no  instituto  da  solidariedade,  que  foi  anulada por vício formal.  A  exigência  foi  impugnada  pelo  sujeito  passivo,  o  que  rendeu  ensejo  ao  Acórdão  recorrido,  pelo  qual  se  reconheceu  a  decadência  do  direito  de  lançar  do  fisco,  uma  vez  que  entre  a  data  que  declarou  a  nulidade  por  vício  formal  do  lançamento  anterior  e  aquela  em  que  o  novo  crédito  foi  constituído  transcorreu­se prazo superior a cinco anos.  Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído  na  ação  fiscal  superou  o  limite  de  alçada previsto  na Portaria  MF  nº  3,  de  2008,  de  RS  1.000.000,00.  Considerando  esse  somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em  sessão pública para esta conselheira.  É o que havia para ser relatado."  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19515.002166/2010­79  Acórdão n.º 2201­004.176  S2­C2T1  Fl. 3          3   Voto             Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator    Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2201­004.162 ­  2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo  n° 19515.002149/2010­31, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.    Transcreve­se, como solução deste  litígio, nos  termos  regimentais, o  inteiro  teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª  Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018:  Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária  “Conforme  se  extrai  do  relatório,  este  processo  compõe  um  conjunto  de  processos  decorrentes  da  mesma  ação  fiscal  e  julgados  na  mesma  sessão,  com  um  total  de  crédito  tributário  afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria  MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora  de primeira instância administrativa recorresse de ofício.  Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de  ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na  data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o  enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF:  Para  fins  de  conhecimento  de  recurso  de  ofício,  aplica­se  o  limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda  instância.  Os  fundamentos  das  decisões  que  serviram de  paradigma para  este  enunciado  são  bem explicitados  pelo  trecho  que  abaixo  se  transcreve  do  Acórdão  nº  9202­003.027,  relator  o  Conselheiro  Marcelo Oliveira:  Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou  não,  de  recurso  de  ofício  quando  há  elevação  do  valor  de  alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento  pelo CARF.  Como é cediço, as normas processuais  têm aplicação  imediata,  conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC):  CPC:  “Art.  1.211. Este Código  regerá o  processo  civil  em  todo o  território  brasileiro.  Ao  entrar  em vigor,  suas  disposições aplicar­se­ão desde  logo aos processos  pendentes.”  Fl. 148DF CARF MF     4 Para  a  recorrente,  entretanto,  a  norma  posterior  não  pode  prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu  direito à defesa.  Com todo respeito, não concordamos com a recorrente.  Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado  nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma  posterior  que  fundamentou  o  não  conhecimento  do  recurso  de  ofício.  No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das  partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas  as  partes,  beneficiando­as  ou  as  prejudicando,  a  depender  da  fase  em  que  se  encontre  o  processo,  daí  a  necessidade  de  garantia de direitos.  Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do  poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta  enquanto  sujeito  processual  representado  pela  Fazenda  Nacional,  possa  criar  normas  abrindo  mão  de  seus  próprios  direitos.  Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este  Conselho:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ITR  Exercício: 2002  RECURSO  DE  OFÍCIO.  NÃO  CONHECIMENTO.  LIMITE  DE  ALÇADA.  NORMA  PROCESSUAL.  APLICAÇÃO IMEDIATA.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  de  ofício  contra  decisão  de  primeira  instância  que  exonerou  o  contribuinte  do  pagamento  de  tributo  e/ou multa  no  valor  inferior  a  R$  1.000.000,00  (Um  milhão  de  reais), nos  termos do artigo 34,  inciso  I, do Decreto  nº  70.235/72,  c/c  o  artigo  1º  da  Portaria  MF  nº  03/2008,  a  qual,  por  tratar­se  norma  processual,  é  aplicada  imediatamente, em detrimento à  legislação  vigente  à  época  da  interposição  do  recurso,  que  estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno.  (Acórdão:  9202002.652  –  CSRF.  Relator:  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira).  ...    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997  RECURSO  DE  OFÍCIO.  ALTERAÇÃO  DO  LIMITE  DE  ALÇADA.  CONHECIMENTO  EQUIVOCADO  NULIDADE.  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 19515.002166/2010­79  Acórdão n.º 2201­004.176  S2­C2T1  Fl. 4          5 A  verificação  do  limite  de  alçada,  para  efeitos  de  conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad  quem,  é  levada  a  efeito  com  base  nas  normas  jurídicas  vigentes  na  data  do  julgamento  desse  recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado  o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal  julgamento  é  nulo,  de  pleno  direito,  visto  que,  a  competência do órgão  julgador, no caso concreto, é  conferida  pela  devolutividade  do  recurso.  Processo  Anulado.  (Acórdão:  9303002.165  –  CSRF.  Relator:  Henrique Pinheiro Torres).  ...    REEXAME  NECESSÁRIO  —  LIMITE  DE  ALÇADA  — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplica­se  aos casos não definitivamente julgados o novo limite  de  alçada  para  reexame  necessário,  estabelecido  pela  Portaria  MF  n°  03,  de  03/01/2008  (DOU  de  07/01/2008).  (Acórdão:  CSRF/0400.965.  Relatora:  Maria Helena Cotta Cardozo)    A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício  tem  como  um  de  seus  objetivos  dar  celeridade  à  solução  do  processo  no  âmbito  administrativo  fiscal,  pela  diminuição  de  julgamentos  pela  segunda  instância  em  processos  em  que  a  própria  parte  (União)  demonstra  ausência  de  interesse  na  continuidade do litígio.  Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da  Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis:  Art.  1º  O  Presidente  de  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões e quinhentos mil reais).  §  1º  O  valor  da  exoneração  deverá  ser  verificado  por  processo.  §  2º  Aplica­se  o  disposto  no  caput  quando  a  decisão  excluir  sujeito  passivo  da  lide,  ainda  que  mantida  a  totalidade da exigência do crédito tributário.    Pelos  parâmetros  estabelecidos  nesta  Portaria,  o  recurso  de  ofício  será  cabível  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor  total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil  reais), valor este que deverá ser verificado por processo.  Fl. 150DF CARF MF     6 O  crédito  tributário  exonerado  no  processo  em  análise  não  atende  a  esses  pressupostos,  de  forma  que  o  recurso  de  ofício  não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido.    Conclusão  Com  base  no  exposto,  voto  por  não  conhecer  do  recurso  de  ofício.  Dione Jesabel Wasilewski – Relatora"    Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício.    (assinado digitalmente)  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira                              Fl. 151DF CARF MF

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Numero do processo: 16095.000191/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado - contribuinte individual - incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei. COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara-se à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder.
Numero da decisão: 2301-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado - contribuinte individual - incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei. COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara-se à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 811          1 810  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.000191/2009­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.449  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de janeiro de 2016            Matéria  COOPERATIVA DE TRABALHO  Recorrente  COOPERCAIXA ­ COOPERATIVA PAULISTANA DE CAIXAS E  CHAPAS DE PAPELÃO ONDULADO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  COOPERATIVA.  REMUNERAÇÃO  PAGA  AO  COOPERADO.  FATO  GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO  RECOLHIMENTO.  Sobre  a  remuneração  paga  e/ou  creditada,  pela  cooperativa  ao  cooperado  ­  contribuinte  individual  ­  incide  contribuição  previdenciária.  Pelo  que  a  cooperativa  está  obrigada  ao  recolhimento  desta,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos em lei.  COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO.  EQUIPARAÇÃO  À  EMPRESA.  VALOR  PAGO  A  OUTRA  COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  OBRIGAÇÃO  DO  RECOLHIMENTO.  A  venda  de  produto  a  terceiros  por  uma  cooperativa  não  se  constitui  ato  cooperativo  e,  por  conseguinte,  a mesma  equipara­se  à  empresa  no  que  se  refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago  e/ou  creditado  pela  cooperativa  a  uma  outra  cooperativa,  incide  a  contribuição  previdenciária.  Pelo  que  a  cooperativa  está  obrigada  ao  recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.  Descabe  reconhecer  e  declarar,  no  âmbito  administrativo,  a  inconstitucionalidade  de  dispositivos  legais  assim  não  declarados  pelos  órgãos  jurisdicionais  e  políticos  competentes,  nem  reconhecido  pela Chefia  do Poder.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 91 /2 00 9- 84 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.    João Bellini Junior ­ Presidente     Julio Cesar Vieira Gomes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  JOAO  BELLINI  JUNIOR,  JULIO  CESAR  VIEIRA GOMES,  ALICE GRECCHI,  IVACIR  JULIO DE  SOUZA,  NATHALIA  CORREIA  POMPEU,  LUCIANA  DE  SOUZA  ESPINDOLA  REIS,  AMILCAR  BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.  Fl. 812DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 812          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  com  ciência  em  23/11/2011. O  crédito  tributário  decorre de desconsideração de ato cooperativo em razão da prática de suposto ato mercantil.  Segue transcrição de trechos da decisão recorrida:  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/12/2006  COOPERATIVA.  REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  OBRIGAÇÃO  DO  RECOLHIMENTO.  Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao  cooperado  ­  contribuinte  individual  ­  incide  contribuição  previdenciária.  Pelo  que  a  cooperativa  está  obrigada  ao  recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei.  COOPERATIVA.  VENDA  DE  PRODUTO  NÃO  É  ATO  COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO  A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.  FATO  GERADOR  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.  A  venda  de  produto  a  terceiros  por  uma  cooperativa  não  se  constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara­ se  à  empresa  no  que  se  refere  às  obrigações  previdenciárias.  Assim,  sobre  o  valor  dos  serviços  pago  e/ou  creditado  pela  cooperativa  a  uma  outra  cooperativa,  incide  a  contribuição  previdenciária.  Pelo  que  a  cooperativa  está  obrigada  ao  recolhimento  dessa  contribuição,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos em lei.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.  Descabe  reconhecer  e  declarar,  no  âmbito  administrativo,  a  inconstitucionalidade  de  dispositivos  legais  assim  não  declarados  pelos  órgãos  jurisdicionais  e  políticos  competentes,  nem reconhecido pela Chefia do Poder.  ACRÉSCIMOS LEGAIS.  Sobre  as  contribuições  previdenciárias  não  recolhidas  incidem  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC e multa de mora.  MULTA.  ALTERAÇÃO  LEGISLATIVA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  A  lei  aplica­se  a  fato  pretérito  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  de  sua  Fl. 813DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   4 prática. O cálculo para a aplicação da multa mais benéfica ao  contribuinte  deverá  ser  efetuado  no  momento  do  pagamento,  parcelamento  ou  execução  do  crédito,  comparando­se  a  legislação atual e a vigente à época dos fatos geradores.  ..  i)  constituem  fatos  geradores  dessas  contribuições  as  remunerações  pagas  e/ou  creditadas  aos  seus  cooperados  (segurados  contribuintes  individuais),  e  os  valores  pagos  e/ou  creditados  às  cooperativas  de  trabalho  COOPERMAX  e  COOPERNAT;  ii)  foram  declarados  na  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  de  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  somente  as  remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados cooperados,  mas  que  informou  incorretamente  a  categoria  17  (contribuinte  individual cooperado que presta serviço a empresas contratantes  da  cooperativa  de  trabalho),  quando  o  correto  deveria  ser  13  (contribuinte individual­trabalhador associado à cooperativa de  produção), exceto os cooperados com múltiplo vínculos;  iii)  os  valores  pagos  às  cooperativas  COOPERMAX  e  COOPERNAT  não  foram  declarados  em  GFIP,  mas  que  os  mesmos constaram da DIRF ­ Declaração do Imposto de Renda  Retido  na  Fonte,  sob  o  código  3280  IRRF­  Remuneração  de  Serviços Prestados Por Associado de Cooperativa de Trabalho;  iv) embora tenha sido inicialmente constituída como cooperativa  de trabalho, opera como de produção, uma vez que verificou­se  vendas  de  produtos  de  fabricação  própria  e  que  não  há  lançamento  de  receitas  pela  prestação  de  serviços,  conforme  constatado nos registros contábeis de 2006;  Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as  alegações trazidas na impugnação:  ­  sofreu  fiscalização  que  culminou  na  lavratura  de  Auto  de  Infração,  subscrito  pela  fiscal  de  rendas  Sra.  Maria  Teresa  Malvadosi;  ­  ao  contrário  do  asseverado  pela  fiscal,  é  a  cooperativa  que  presta serviços aos seus associados, por expressa disposição de  lei, no caso, artigos 4 o e 7 o da Lei n° 5.764/71;  ­ o item III do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 prevê que o Auto  de  Infração  deverá  conter  a  descrição  do  fato,  ou  seja,  a  motivação, sob pena de nulidade;  ­  não  existe  correlação  entre  os  fatos  narrados  e  a  infração  imputada, o que vem provar a ausência de motivação;  ­ quando a Lei n° 8.212/91 equipara a cooperativa à empresa, o  faz nos exatos  termos do art. 91 da Lei n° 5.764/71,  isto é,  em  relação aos empregados da cooperativa, mas que a impugnante  não possui empregados;  ­ as cooperativas atuam como representantes dos cooperados, os  quais são autônomos;  Fl. 814DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 813          5 ­ as cooperativas não podem ser confundidas com as sociedades  empresariais,  uma  vez  que  não  objetivam  o  lucro,  mas  sim  sobras líquidas e, que, nos termos da lei civil, são consideradas  sociedades simples, consoante o parágrafo único do art. 982 do  Código Civil;  ­  o  Poder  Executivo  incluiu  no  art.  9o  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/1999,  a  previsão de que o cooperado integra o conceito de contribuinte  individual, sem que a Lei n° 8.212/1991 assim determinasse;  ­  sua  federação  ­  FETRABALHO  ­  efetuou  consulta  perante  a  Gerência  Executiva  São  Paulo  Sul  do  INSS  (doe.  09),  a  qual  reconheceu a não incidência da contribuição previdenciária pela  "cota  patronal"  da  Cooperativa  de  produção,  e  reconheceu,  também,  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  nos  atos  praticados  pelas  cooperativas  entre  si  quando  forem  associadas.  ­  a  resposta  à  tal  consulta  está  embasada  na  Instrução  Normativa n° 100/2003;  ­  o  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei  n°  8.212/1991  instituiu  a  contribuição  previdenciária  para  a  empresa  tomadora  de  serviços de cooperativa, mas que a impugnante não é empresa e  que  as  cooperativas  aduzidas  são  sócias  da  impugnante,  nos  termos do art. 79 da Lei n° 5.764/71, razão pela qual não está  obrigada  ao  recolhimento  dessa  contribuição,  consoante  consulta referida;  ­  a  Justiça Federal  já  analisou  o  alcance  do  art.  79  da Lei  n°  5.764/71,  ao  declarar  que  não  há  relação  jurídica  tributária  entre  o  Fisco  e  a  COOPERCAIXA,  no  que  diz  respeito  ao  PIS/COFINS (doe. 14);  ­ não há que se falar de multa e juros de mora, pois o acessório  segue a sorte do principal, de modo que não havendo o principal  os  valores  lançados  a  título  de  acréscimos  legais  devem  ser  anulados;  ­  não  houve  omissão  de  fato  gerador  na GFIP,  uma  vez  que  o  Manual GFIP/SEFIP não distingue cooperativa de produção da  cooperativa  de  trabalho,  além  do  que  o  valor  da  multa  está  embasado  em  artigo  revogado  (art.  32,  §  5  o  ,  da  Lei  n°  8.212/1991);  ­  não  se  sabe  porque  a  fiscalização  ignorou  as  informações  prestadas  no  sentido  que  o  cooperado Sérgio  Luis Madjarof  é  sócio  da  empresa  Imporpel  Ind.  e  Com.  De  Papéis  Lida.  e  recolhe a contribuição pelo teto;  ­  os  demais  cooperados  citados  (Ricardo  do  Nascimento,  José  Carlos  Del  Gemo  e  Edson  Abe)  eram matriculados  pela  sócia  COOPERNAT,  razão  pela  qual  não  constaram  da  GFIP  da  impugnante;  Fl. 815DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   6 ­  a  partir  de  10/2006  esses  cooperados  subscreveram  cotas  da  impugnante  e  então  passaram  a  sofrer  as  retenções,  contudo,  recolheram  a  contribuição  previdenciária  conforme  GFIP  apresentada pela COOPERNAT;  ­  atendeu  a  solicitação  fiscal  e  retificou  a  GFIP/2006  para  incluir Sérgio Luis Madjarof ( doe. 15, 16 e 17);  ­ o valor correto da multa é de R$ 500,00, conforme inciso II do  §  3  o  do  art.  32­A  da  Lei  n°  8.212/1991,  em  aplicação  da  retroatividade mais benigna; e ­ em relação aos cooperados de  múltiplos  vínculos  as  multas  estão  capituladas  no  art.  35,  já  revogado, da Lei n° 8.212/1991, mas que deve ser aplicado o 35­ A, o qual remete ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996.  E  também que pratica ato mercantil que  implique afastar­se suas atividades  do conceito de ato cooperativo. No caso, sustenta que presta serviço na produção de papelão  ondulado  e  caixas  de  papelão  sobre matéria­prima  fornecida  pelo  encomendante.  Todos  que  participam da produção são cooperados, remunerados pelo rateio proporcionalmente ao serviço  prestado por cada um. A cooperativa seria um meio para a prática do ato cooperativo e não o  contrário.  A  recorrente  junta  vários  documentos  para  demonstrar  suas  alegações,  dentre  os  quais  o  contrato  para  regular  a  facção  de  produtos  com  a  empresa  industrial  e  comercial  Casablanca Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, fls. 722.  O julgamento foi convertido em diligência para que se fossem esclarecidas as  operações  realizadas  pela  recorrente  à  luz  dos  documentos  juntados.  Segue  transcrição  da  resolução:  Antes  do  exame  das  questões  preliminares  e  de  mérito,  é  necessário  que  se  esclareça  um  fato  importante  para  o  julgamento.  É  que  a  definição  de  ato  cooperativo  e  sua  aplicação ou não ao presente caso  tem estreita  relação com os  fundamentos a serem adotados e a correspondente conclusão.  ...  Para demonstrar suas alegações, a recorrente  trouxe aos autos  documentos  que  esclarecem  a  natureza  das  prestação  de  serviços, sobretudo a comprovação de fornecimento de matéria­ prima pelo encomendante, fls. 682 (ilustração representativa das  operações),  fls.  722  e  seguintes  (contrato  de  encomenda  com  fornecimento de matéria­prima).  Assim,  para  melhor  compreensão  dos  fatos,  penso  ser  cabível  uma  diligência,  a  fim  de  que  a  fiscalização  explique  detalhadamente  as  operações  realizadas  pela  recorrente,  a  fim  de  justificar  sua  conclusão  acerca  da  ausência  de  ato  cooperativo:  Ocorre  que,  conforme  já  demonstramos  alhures,  a  Autuada  pratica  atos  não  cooperativos,  consistentes  na  venda  de  produtos. E, que, por via de conseqüência, o reconhecimento de  que fala a Autuada não alcança os valores pagos pelos serviços  prestados por outra cooperativa.  Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em  diligência  para  os  esclarecimentos  solicitados  e  seja  oportunizado ao  recorrente  o direito de manifestação  no prazo  Fl. 816DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 814          7 de  30  dias  sobre  o  relatório  conclusivo  a  ser  redigido  pela  fiscalização.  O relatório de diligência afirma que a suposta cooperativa de trabalho sequer  emite  nota  fiscal  de  serviço  contra  clientes.  O  que  se  constata  é  que  de  fato  seria  uma  cooperativa de produção e venda de produtos, fls. 792 e seguintes.  O recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência.  É o Relatório.  Fl. 817DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   8 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do  recurso, passo ao exame das questões preliminares.  Das preliminares  Quanto aos requisitos formais  O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os  requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  O  recorrente  foi  devidamente  intimado  de  todos  os  atos  processuais,  assegurando­lhe  a  oportunidade  de  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  nos  termos  do  artigo  23  do  mesmo Decreto:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  Fl. 818DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 815          9 no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos  I e  II.  (Vide Medida Provisória nº 232, de  2004)  A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo  fiscal:  enfrentou  todas  as  alegações  do  recorrente,  com  indicação  precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).   “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447­RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma  – DJ 10/09/2007 p.216)  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  de  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos  atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Quanto ao mérito  De  fato,  tanto  no  procedimento  fiscal  quanto  na  diligência  que  o  sucedeu  ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente se confunde com o  conceito  de  cooperativa  de  trabalho.  Não  é  a  utilização  como  mão  de  obra  de  pessoas  Fl. 819DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   10 organizadas em cooperativa que a caracteriza como cooperativa de trabalho, mas a natureza de  sua atividade perante terceiros. Melhor dizendo, será cooperativa de trabalho quando a entidade  presta  serviços  para  seus  clientes  por  intermédio  de  cooperados.  Quando  sua  atividade  é  a  fabricação  própria  ainda  que  de  produtos  por  encomenda  acompanhada  do  fornecimento  de  matéria­prima  se  trata  de  cooperativa  de  produção  e  não  de  cooperativa  de  trabalho  como  deseja o recorrente ser tratado para fins de tributação.  E ainda assim, o parágrafo único do artigo 79 da Lei 5.764, de 16/12/1971  afasta  do  conceito  de  ato  cooperativo  as  operações  de  compra  e  venda  de  mercadorias  e  produtos:  Art. 79. Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos  objetivos sociais.  Parágrafo  único.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.  Contudo,  verifico  que  a  recorrente  contrata  serviço  de  cooperativas  de  trabalho. De  acordo  com  às  fls.  112  a  116  e  382  foram  lançadas  contribuições  relativas  aos  cooperados na condição de contribuintes individuais e sobre os pagamentos a cooperativas de  trabalho COOPERMAX e COOPERNAT.  Quanto  à  esta  última  parte  do  lançamento,  ou  seja,  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços  relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas  de  trabalho, em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF proferida na sessão de  18/12/2014 no sentido de declará­la inconstitucional:  25/02/2015,Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO  DJE  25/02/2015  ­  ATA  Nº  16/2015.  DJE  nº  36,  divulgado  em  24/02/2015   ...  EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 595.838   EMENTA   Embargos  de  declaração  no  recurso  extraordinário.  Tributário.Pedido de modulação de  efeitos da decisão com que  se  declarou  a  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99.  Declaração  de  inconstitucionalidade.  Ausência  de  excepcionalidade.  Lei  aplicável  em  razão  de  efeito  repristinatório. Infraconstitucional.  De acordo com o artigo 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela  Portaria MF  n°  256,  de  22/06/2009,  as  decisões  definitivas  de mérito  do  STF  e  do  STJ  na  sistemática dos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 devem ser reproduzidas  pelas turmas do CARF:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  Fl. 820DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 816          11 artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Assim,  tendo  se  tornado  definitiva  a  decisão  do  STF  resta  a  esta  turma  de  julgamento  reproduzi­la  em  seus  acórdãos. A multa  relativa  esta  parte  deve  ser  excluída  da  autuação.  Quanto à multa aplicada  Constata­se que a fiscalização corretamente aplicou a multa de mora vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  não  sendo  aplicado  a  esse  processo  o  entendimento  quanto  a  redução da multa por incorreções na declaração GFIP, por se tratar de obrigação acessória cujo  crédito correspondente à multa é discutido em outro processo.  Quanto ao juros pela SELIC  Ressalta­se que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade  da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos:  RE 582461 / SP ­ SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a):  Min.  GILMAR  MENDESJulgamento:  18/05/2011  Órgão  Julgador:  Tribunal  Pleno  Publicação  REPERCUSSÃO  GERAL  ­ MÉRITO DJe­158 DIVULG 17­08­2011 PUBLIC 18­ 08­2011 EMENT VOL­02568­02 PP­00177 Parte(s) RELATOR :  MIN.  GILMAR  MENDES  RECTE.(S)  :  JAGUARY  ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S)  :  MARCO  AURÉLIO  DE  BARROS  MONTENEGRO  E  OUTRO(A/S)RECDO.(A/S)  :  ESTADO  DE  SÃO  PAULO  PROC.(A/S)(ES)  :  PROCURADOR­GERAL  DO  ESTADO  DE  SÃO  PAULO  INTDO.(A/S)  :  UNIÃO  PROC.(A/S)(ES)  :  PROCURADOR­GERAL DA FAZENDA NACIONAL   Ementa  1.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  2.  Taxa  Selic.  Incidência  para  atualização  de  débitos  tributários.  Legitimidade.  Inexistência  de  violação  aos  princípios  da  legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério  isonômico.  No  julgamento  da  ADI  2.214,  Rel.  Min.  Maurício  Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta  Corte  assentou  que  a  medida  traduz  rigorosa  igualdade  de  tratamento  entre  contribuinte  e  fisco  e  que  não  se  trata  de  imposição  tributária. 3.  ICMS.  Inclusão do montante do  tributo  em  sua  própria  base  de  cálculo.  Constitucionalidade.  Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor  da  operação  da  circulação  de  mercadorias  (art.  155,  II,  da  CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio  montante do  ICMS  incidente,  pois ele  faz parte da  importância  paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A  Emenda Constitucional nº 33, de 2001,  inseriu a alínea “i” no  inciso  XII  do  §  2º  do  art.  155  da  Constituição  Federal,  para  fazer  constar  que  cabe  à  lei  complementar  “fixar  a  base  de  cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também  na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora,  Fl. 821DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   12 se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante  do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na  importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser  feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às  operações  internas.  Com  a  alteração  constitucional  a  Lei  Complementar  ficou autorizada a dar  tratamento  isonômico na  determinação  da  base  de  cálculo  entre  as  operações  ou  prestações  internas  com  as  importações  do  exterior,  de  modo  que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4.  Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade.  Inexistência  de  efeito  confiscatório.  Precedentes.  A  aplicação  da  multa  moratória  tem  o  objetivo  de  sancionar  o  contribuinte  que  não  cumpre  suas  obrigações  tributárias,  prestigiando  a  conduta  daqueles  que  pagam  em  dia  seus  tributos  aos  cofres  públicos.  Assim,  para  que  a  multa  moratória  cumpra  sua  função  de  desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas,  de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica  confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros  tributos.  O  acórdão  recorrido  encontra  amparo  na  jurisprudência  desta  Suprema  Corte,  segundo  a  qual  não  é  confiscatória  a multa moratória  no  importe  de  20%  (vinte  por  cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  Decisão  O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  conheceu  do  recurso  extraordinário,  contra  o  voto  da  Senhora Ministra Cármen Lúcia,  que  dele  conhecia apenas  em  parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao  recurso  extraordinário,  contra os  votos dos  Senhores Ministros  Marco  Aurélio  e Celso  de Mello.  Votou  o Presidente, Ministro  Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de  redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de  Jurisprudência,  com  o  seguinte  teor:  “É  constitucional  a  inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias  e  Serviços  ­  ICMS  na  sua  própria  base  de  cálculo.”  Falaram,  pelo  recorrido,  o  Dr.  Aylton  Marcelo  Barbosa  da  Silva,  Procurador  do  Estado  e,  pelo  amicus  curiae,  a  Dra.  Cláudia  Aparecida  de  Souza  Trindade,  Procuradora  da  Fazenda  Nacional.  Ausentes,  justificadamente,  o  Senhor  Ministro  Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o  Senhor Ministro Ricardo Lewandowski.  Plenário, 18.05.2011.  No  mais,  a  recorrente  insurge­se  contra  a  cobrança  em  tese  da  exação  –  seriam  inconstitucionais  os  dispositivos  legais.  No  entanto,  o  artigo  26­A  do  Decreto  n°  70.235/72  restringe a  atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo  legal  vigente:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão  da parte relativa aos serviços contratados de cooperativa de trabalho.    Fl. 822DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000191/2009­84  Acórdão n.º 2301­004.449  S2­C3T1  Fl. 817          13 É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                                  Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 10920.001422/99-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 42, PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABELIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENDTE. As normas dos arts. 150, § 42, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 42, aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se aos tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-79.677
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar decaídos os períodos até agosto de 1994. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva votou pelas conclusões
Nome do relator: Fernando Luiz Gama Lobo D´Eça

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DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 42, PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABELIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n2 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDEN"fE. As normas dos arts. 150, § 42, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 42, aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se aos tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATACADO JOINVILLE LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar decaídos os períodos até agosto de 1994. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva votou pelas conclusões. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2006. .* • sefa aria oelho Marques esidejt{ emcio Fernando Luiz da Gama Loby-u'Eça Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudia de Souza Amua (Suplente). 1 -- -- ---_- — . MF • SEVAM CONSRHO T.... CONTRIBUINTES c-:+r FERE c r.,. : 1 e :-, , :•,,, Ministério da Fazenda E:asa a, ___ 0)±....._ O ‘Letvo. i 2, CC44 F Fl. l''..S..1 r Segundo Conselho de Contribuintes 5:,b5egi----..:.3 Wal S.-....91745 Processo n2 : 10920.001422/99-41 Recurso n2 : 131.603 Acórdão n2 : 201-79.677 Recorrente—A'FACADO-JOINVILLE LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 2931/330, vol. I) contra a Decisão DRJ/FNS n2 1.131, de 21/11/2000, constante de fls. 274/288, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, que houve por bem julgar procedente lançamento original de contribuição para o PIS (MPF n2 0920200/00193/99), notificado em 01/09/99 (fls. 218/234-238 - vol. I), no valor total de R$ 57.316,36 (PIS: R$ 20.864,90; juros de mora: R$ 20.802,86; multa proporcional: R$ 15.648,60), que acusou a ora recorrente de diferenças de ['IS apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago no período de 31/01/93 a 15/08/95, cujas bases de cálculo estão demonstrados nas planilhas de fl. 217. Em razão desses fatos a d. Fiscalização acusou infringência à seguinte legislação: art. 77, inciso III, do Decreto-Lei n2 5.844/43, art. 149 do CTN, art. 3 2, alínea "b", da LC n2 7/70, art. 12, parágrafo único, da LC n 2 17/73, Título 5, capítulo I, seção I, alínea "b", itens [e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n2 142/82, arts. 22, inciso I, 32, 82, inciso I, e 92, da MP n2 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n2 9.715/98; arts. 22, inciso I, 82, inciso!, e 92, da Lei n2 9.715/98, e arts. r, 32 e 92, da Lei n2 9.718/98. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 274/288, exarada pela da DRJ em Florianópolis - SC, houve por bem julgar procedente lançamento original da contribuição para o PIS retromencionado, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 31/07/1995 n Ementa: BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. A parcela do !aturamento relativa ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação . de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intennunicipal e de Comunicações - ICMS, compõe a base de cálculo do PIS. . Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/07/1995 Ementa: ARGÜIÇÕES DE INCONSITTUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÉNCL4 DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/07/1995 \kli7 aiw1/4,Ementa: JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA 2 MF -SEGUNDO CONSENO DE CONT HiSUINTES • CONFERE CoM 4 Brati;a. 0.6 ---12éPP4f: 21 CC-MFMinistério da Fazenda- aq Segundo Conselho de Contribuintes Solvia Sov'S:e ';74Cootorti,> Mal: Sua° 91745 Processo n2 : 10920.001422/99-41 Recurso n2 : 131.603 Acórdão n2 201-79.677 Sobre-o3 créditartrIbutá rios vencidos e não pagos incidem, a partir de 01/04/1995, juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, acumulada mensalmente. MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA As multas de oficio são aplicáveis em todos aqueles casos em que resta constatado, em procedimento fiscal, a falta de cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, sendo razoável que sejam tão gravosas aponto de cumprirem sua função precípua. MULTAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MORA. DISTINÇÃO As multas de oficio possuem natureza punitiva, constituindo-se em instrumento de desestímulo a prática de infrações fiscais, não se confundindo com as multas de mora, meramente compensatórias, destinadas ao simples ressarcimento pelo atraso no pagamento de obrigação devidamente constituída. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 2931/330, vol. I) oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fl. 222), a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de P instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, eis que, dado ciência da autuação em 31/08/99, não mais poderia ter sido efetuado o lançamento, cujo fato gerador supostamente teria ocorrido anteriormente a agosto de 1995, eis que os créditos encontram-se extintos (§ 42 do art. 150 e art. 156, inciso V, do CTN, e jurisprudência deste Conselho); b) que a verificação da adequação de um ato jurídico não é monopólio do Poder Judiciário; c) que o ICMS não representa riqueza da impetrante, não pode ser considerado para fins de apuração da Cofins nem do PIS, do contrário, estar-se-á utilizando o tributo com efeito confiscatório, como se fosse uma penalidade a ser aplicada ao contribuinte, em manifesta ofensa ao seu direito de propriedade, ao principio constitucional da capacidade contributiva e ao art. 195, I, da CF/88; d) impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins de indexação de tributos, no termos do art. 161 do CTN; e e) que a eventual multa a ser aplicada él de 20%, conforme art. 59 da Lei n2 8.383/91, sendo confiscatória a multa de 75%. \Ridif É o relatório. Ni‘L 3 — • t- MF - SEGUNDO CONSE 1.1-10 rr C 2NITP.'RUINTES C -) CO' ' o J - Ministério da Fazenda AZOLag. CC-MF n. Segundo Conselho de Contribuintes - Processo n2 : 10920.001422/99-41 Recurso n2 : 131.603 Acórdão n2 : 201-79.677 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA O recurso voluntário (fls. 293/330, vol. I) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido. De fato, inicialmente, verifico que a conclusão da r. decisão recorrida, quanto à questão da decadência, merece reforma, por não se conformar com o que dispõe a Lei Complementar e com a interpretação que lhes empresta as jurisprudências judicial e administrativa. De fato, solidamente apoiado no principio constitucional da reserva da lei complementar, o Egrégio STJ recentemente proclamou que "as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária" e, "por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, Hl, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos", razões pelas quais aquela Egrégia Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que "padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no AgRg no REsp n2 616.348-MG, Reg. n2 2003/0229004-0, em sessão de 14/12/2004, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DJU de 14/02/2005, p. 144, e in RDDT, vol. 115, p. 164), diferentemente do prazo qüinqüenal estabelecido na lei complementar (CTN, arts. 150, § 42, e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma Egrégia Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que "as normas dos artigos 150, § 4°e 173" do CTN "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4° aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa': o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento". Assim, entende aquela Egrégia Corte que "a aplicação concorrente dos artigos 150, § 4° e 173, a par de ser juridicamente insustentável e padecer de invencível silogicidade', apresenta-se como solução (.) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica." (cf. Acórdão da 22 Turma do ST1 no REsp n2 638.962-PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/2005 e na RDDT 121/238). Acolhendo e conformando-se com esses ensinamentos de inegável juridicidade a jurisprudência, esse Egrégio Conselho tem reiteradamente proclamado a inaplicabilidade do art. 45 da Lei n2 8.2123/91, invocado como ftmdamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, § 42, do CTN), como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: 139,0Iy 4 AAP' - SEGUNDO CONSEHO nrn CONMEWINTES • "Á> CO' VFERE cor!, o CC-MF - t•-ri .: Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes (*Cr.a. 009 O 6- C.R" S./ o5a Processo u2 : 10920.001422/99-41 Wat MS Recurso n2 : 131.603 Acórdão n2 : 201-79.677 "DECADÊNCIA - LANÇAMENTO-POR-HOMOLOGAÇÃO: (..) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecido no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária, sujeitam-se às regras instituídas por lei complementar (C1740, por expressa previsão constitucional (artigos 146, III, b e 149 da C.F). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão n2 101-94394, da 1 2 Câmara do 1 2 CC -Relator: Raul Pimentel, publ. in DOU 1 - 28/01/2004, pág. 9, e in "Jurisprudência-1R" anexo ao Boi. 108 n2 11/2004) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NATUREZA JURÍDICA TRIBUTÁRIA - PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO - ARI: 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO AR!' 150, § 40 DO CTN. CSLL de 1997. Preliminar decadência - CSLL - Inaplicabildiade do art. 45 da Lei 8.2123/91 frente às normas dispostas no art. 150, §40 do CTN. A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico-tributária, aplicando-se-lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, "6"), e no CIN (arts. 150. § 4°e 173)." (cf. Acórdão n2 101-94.602 da 1 2 Câmara do 1 2 CC/MF, publ. no DJ de 28/04/2005 e in RDDT 118/146) "CSL - Decadência do direito ao crédito tributário - Prazo (..) LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - CON7RIBUIÇÕES SOCIAIS - Não se operou a decadência do direito de constituir o crédito tributário em virtude de ter prevalecido o entendimento de se aplicar às contribuições sociais o prazo definido no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aliado ao prazo definido no artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91 (dez anos). Preliminar rejeitada (.)." (cf. Acórdão n2 103-21.255, da 32 Câmara do 12 CC, rel. Victor Luis de Salles Freire, publ. in DOU 1 de 24/12/2003, pág. 45, e in Jurisprudência-IR anexo ao Boi. 108 n2 7/2004) "CSLL - Decadência — Caracterização. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DECADÊNCIA - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - ART. 150, § 40 - NÃO "APLICAÇÃO DA LEI N° 8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do C77V, pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, III), trata-se de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária. No caso, até o exercício de 1996, pode-se falar em decadência (..). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão n2 107-07049, da 72 Câmara do 12 CC, rel. Cons. Natanael Martins; publ. DOU 1 de 10/12/2003, pág. 38, e in Jurisprudência-IR anexo ao Boi. IOB n2 1/2004) Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original, notificado em 31/08/99 (fls. 359/383-388 - vol. I), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 01/93 a 08/95, sobre as quais já se achava extinto o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, por ter se consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário, nos expressos termos dos arts. 150, § 4 2, e 156, inciso V, do CTN, impondo-se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamaram as jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. Isto posto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 29311330, vol. I), reformando a r. Decisão de fls. 414/438, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, apenas para proclamar a decadência e a extinção do direito de constituir o\keiV 5 - MF - SECUNDO CONSELHO CO':TPAUINTES CONFERE COM C% .. • 2'1 CC-MF jr. ja Ministério da Fazenda BrasJia, 1,2028. ri. Segundo Conselho de Contribuintes 64nVI? 502.'"`' "ai SC.Pe 01745 Processo n2 : 10920.001422/99-41 Recurso n2 : 131.603 Acórdão n2 : 201-79.677 crédito-tributádu-em ie1aço às operaçoes ocorridas no período de 01/93 a 08/95, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN. É o meu voto. Sal as Sessões, em 18 de o tubro de 2006. FERNANDO LUIZ DA GAMAÍ0B0 D'EÇA 6 Page 1 _0125900.PDF Page 1 _0126100.PDF Page 1 _0126300.PDF Page 1 _0126500.PDF Page 1 _0126700.PDF Page 1

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6401843 #
Numero do processo: 11040.720465/2012-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CAPITULAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a alegação de nulidade do Auto de Infração, por ausência de indicação expressa do dispositivo legal no qual se fundamentou a aferição indireta da base de cálculo do tributo, quando inexiste prejuízo in concreto à defesa do Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva (Relatora). No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a nulidade formal suscitada, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) PATRÍCIA DA SILVA - Relatora. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Redatora designada. EDITADO EM: 25/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 509          2 (assinado digitalmente)  RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI ­ Redatora designada.    EDITADO EM: 25/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 510          3   Relatório  Cuida­se de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra Acórdão nº 2302­ 003.210 que deu provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal.  A decisão restou assim ementada:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008  AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.  A  ausência  de  fundamento  legal  é  vicio  formal  insanável  que torna nulo o lançamento.  Processo Anulado  Na  origem,  trata­se  de  Impugnação  aos  Autos  de  Infração  DEBCAD  nº  37.351.443­3 e 37.351.444­1, que têm por objeto contribuição social previdenciária  incidente  sobre remuneração paga a empregado a título de auxílio moradia.  A  7ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto Alegre manteve o crédito tributário em sua integralidade.   O  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  ao  qual  foi  dado  provimento  para anular o lançamento tributário pela ausência de fundamento legal. Seguem transcritos os  fundamentos determinantes da decisão:  Entretanto,  analisando  os  autos,  constatei  a  ausência  de  indicação  do  dispositivo  legal,  que  sustentaria  o  presente  lançamento por aferição  indireta. O discriminativo FLD –  Fundamentos Legais do Débito, fls. 07/08 e 14/16, não traz  os artigos legais pertinentes à aferição indireta, tampouco  consta  do  Relatório  Fiscal  às  fls.19/29,  que  o  crédito  foi  levantado com fulcro no artigo 33 e seus parágrafos da Lei  n.º  8.212/91,  para  que  os  valores  lançados  nas  contas  contábeis  referentes às despesas  com moradia possam ser  tomados  como  base  da  incidência  contributiva  previdenciária.  Embora,  o  Relatório  tenha  evidenciado  que  os  valores  como foram pagos não se coadunavam com o trazido pela  letra  “m”  do  parágrafo  9º,  do  artigo  28,  da  Lei  n.º  8.212/91,  olvidou­se  de  mencionar  que  a  falta  de  esclarecimento  por  parte  da  recorrente  acerca  de  qual  valor  foi  pago  a  que  segurado  a  título  de  moradia,  permitiria  o  levantamento  dos  valores  totais  das  contas  contábeis  como  base  da  incidência  da  contribuição  previdenciária,  com  espeque  nos  parágrafos  2º  e  3º  do  artigo 33 da Lei n.º 8.212/91.  A  falta da menção ao artigo  legal que sustenta a aferição  indireta  impede  que  se  sustente  a  legitimidade  da  forma  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 511          4 como  foi  efetuado  o  lançamento.  A  recorrente  argúi  em  suas  razões  que  não  foi  trazido  no  Auto  de  Infração  o  fundamento legal que permitiria a aferição indireta , e com  efeito, lhe assiste razão.  Portanto,  não  constando  a  fundamentação  legal  que  ampara  o  lançamento,  se  vislumbra  o  cerceamento  de  defesa, pois o contribuinte não  foi devidamente  informado  do  procedimento  utilizado  pela  fiscalização,  não  podendo  se manifestar a respeito.  A  falta  de  referência  ao  fundamento  legal  que  sustenta  o  lançamento  fiscal  gera  cerceamento  de  defesa  e  a  ampla  defesa,  assegurada  constitucionalmente  aos  contribuintes,  deve  ser  observada  no  processo  administrativo  fiscal.  A  falta  de  indicação  da  legislação  que  confere  poder  à  fiscalização  para  proceder  ao  l  impossibilita  que  o  contribuinte tenha conhecimento de que o valor lançado foi  arbitrado, lhe sonegando o direito de se defender quanto a  isso. (...)    A  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  alegando  que  o  acórdão  recorrido  contrariou  precedentes  deste  Conselho,  mais  especificamente  o  Acórdão  nº  1802­ 001.296, cuja ementa segue transcrita:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário:  2006  DECISÃO  RECORRIDA.  REJEIÇÃO  DE  DILIGÊNCIA/PÉRICIA  CONTÁBIL.  NULIDADE.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  PRELIMINAR  REJEITADA.  Presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  ou  perícia.  Não  constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento  do  pedido  de  diligência  considerada  desnecessária,  prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do  art. 16,  IV, do Decreto n° 70.235/72. O pedido de perícia  técnica, para análise de dados que integram a escrituração  contábil  e  já  presentes  nos  autos,  demonstra  intenção  protelatória  e  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  indeferido.  A  autoridade  julgadora  é  livre  para formar sua convicção devidamente motivada, podendo  deferir  perícias  quando  entendê­las  necessárias,  ou  indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis,  sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por  se  tratar  de  prova  especial,  subordinada  a  requisitos  específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador,  quando a apuração da prova do fato litigioso não se puder  fazer  pelos  meios  ordinários  de  convencimento.  LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE  VÍCIO.  PRELIMINAR  REJEITADA.  O  sujeito  passivo  defende­se dos fatos imputados e não da capitulação legal  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 512          5 que pode, ou não, estar correta. O auto de infração deverá  conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a  capitulação  legal  e  a  descrição  dos  fatos.  Somente  a  ausência  total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa.  Ademais,  se  a  Pessoa  Jurídica  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma  a  uma,  de  forma meticulosa, mediante  defesa,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de mérito,  descabe  a  proposição  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  A  capitulação  legal  incompleta  da  infração  ou  mesmo  a  sua  ausência  não  acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição  dos  fatos  nele  contida  é  exata,  possibilitando  ao  sujeito  passivo  defender­se  de  forma  detalhada  das  imputações  que  lhe  foram  feitas.  A  inclusão  desnecessária  de  um  dispositivo  legal,  além do  corretamente  apontado  para  as  infrações  praticadas,  não  acarreta  a  improcedência  da  ação  fiscal.  Outrossim,  a  simples  ocorrência  de  erro  de  enquadramento  legal da  infração não é o bastante,  por  si  só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela  judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir  ao  sujeito  passivo,  na  impugnação,  o  conhecimento  do  inteiro  teor  do  ilícito  que  lhe  foi  imputado,  inclusive  os  valores e cálculos considerados para determinar a matéria  tributável.  VERIFICAÇÕES  OBRIGATÓRIAS.  CONFRONTAÇÃO DA DCTF E DA DIPJ. DIFERENÇAS  DE  IRPJ  E  DE  CSLL.  LANÇAMENTO DE  OFÍCIO.  NO  MÉRITO,  MATÉRIA  NÃO  RECORRIDA.  PRECLUSÃO  ADMINISTRATIVA. Os  débitos  de  tributos  informados  na  DIPJ  não  configuram  confissão  de  dívida.  A  DIPJ  tem  caráter meramente  informativo de apuração de débitos. O  instrumento,  por  excelência,  de  confissão  de  débitos  de  tributos federais é a DCTF. E, como parte dos débitos dos  tributos  informados  na  DIPJ  não  foram  pagos  e  nem  confessados  em  DCTF,  cabe  ao  fisco,  mediante  auto  de  infração,  exigir  essa  diferença  do  principal,  com  respectivos  juros  de  mora  e  multa  de  ofício.  LUCRO  PRESUMIDO.  RECEITAS  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  INFORMADAS  NA  DIPJ.  DIFERENÇA  DE  COEFICIENTE  DE  PRESUNÇÃO.  DIFERENÇA  DE  IMPOSTO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  No  âmbito  da  apuração do  imposto  pelo  regime do  lucro  presumido,  no  ano­calendário que a receita bruta anual exceder a cem mil  reais, particularmente as receitas de prestação de serviços  submetem­se  ao  coeficiente  de  presunção  de  trinta  e  dois  cento, e não dezesseis por cento. Cabível a exigência pelo  fisco,  por  auto  de  infração,  da  diferença  de  imposto,  com  juros  de  mora  e  multa  de  ofício,  relativo  à  diferença  de  base  de  cálculo  apurada  a  menor  pelo  sujeito  passivo  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 513          6 quanto às receitas de prestação de serviços informadas na  DIPJ.  Alega que não se trata de hipótese de nulidade, sob os argumentos de que o  auto de infração foi lavrado por autoridade competente; de que não houve preterição do direito  de defesa; e de que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua indicação errônea  não invalida a autuação, se, de todo o conjunto probatório, se extrai a imputação.   Ao final, requer a reforma do julgado para restabelecer o lançamento em sua  integralidade.   Nas  contrarrazões  recursais,  o  contribuinte  pugna  pela  manutenção  da  decisão recorrida, sob os seguintes argumentos: a) não conhecimento do Recurso Especial pela  ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma; b) nulidade do  auto  de  infração  pela  ausência  de  amparo  legal  que  fundamente  os  autos  de  infração;  c)  nulidade do lançamento por violação ao direito de defesa do sujeito passivo.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Patrícia da Silva  Não conheço o recurso da fazenda por ausência de similitude fática, uma vez  que  não  se  pode  pretender  que  o  paradigma  trazido  fala  de  autos  que  permitiam  defesa  e  tratava­se de errônea capitulação em contas possíveis de serem aferíveis e defensáveis.  O paradigma ainda fala de lucro presumido, que tem normalização própria na  legislação nacional.  In  casu  não  era  possível  defender­se  de  maneira  acurada,  ampla  e  configurando o NÃO CONHEÇO O RECURSO DA FAZENDA NACIONAL  Ad argumentandum  tantum,  a  discussão  em questão  cinge­se  à nulidade do  Auto de  Infração  lavrado contra o  sujeito passivo pela  ausência de  fundamentação  legal que  sustente o lançamento por aferição indireta das contribuições sociais previdenciárias incidentes  sobre os valores pagos a empregados a título de despesas com moradia.   Antes de adentrar na matéria de fundo,  importante tecer alguns comentários  sobre a incidência da contribuição social previdenciária sobre verbas pagas aos empregados a  título de auxílio habitação.   O salário­de­contribuição está disciplinado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em  seus incisos e parágrafos, dispondo o seguinte:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 514          7 gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os  adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  Somente  não  haverá  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  as  verbas de natureza nitidamente indenizatória ou assistencial, conforme dispõe o §9º, do supra  citado  artigo. Concernente  ao  auxílio moradia,  os  valores  apenas  não  integram  o  salário­de­ contribuição quando fornecidos nas situações previstas na letra “m”, vejamos:  §  9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente: (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97)  ..........  m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para  trabalhar  em  localidade  distante  da  de  sua  residência,  em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas  pelo  Ministério  do  Trabalho; (Incluída  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  Sobre  a  matéria,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  adota  o  requisito  da  habitualidade  e  da  indispensabilidade  para  a  realização  do  trabalho  para  caracterizar  o  auxílio moradia como integrante ou não ao salário­de­contribuição.   EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA.  SALÁRIO­ CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DOS  ALUGUÉIS E  IPTU DO  IMÓVEL EM QUE RESIDE O  EMPREGADO.  HABITUALIDADE.  NATUREZA  SALARIAL.  1.  Em  sede  de  embargos  declaratórios  é  possível a modificação do julgado para o fim de suprir os  vícios  previstos  no  art.  535  do CPC,  ou  diante  de  erro  material. 2. Os aluguéis e IPTU do imóvel onde reside o  empregado  transferido,  pagos  com  habitualidade,  por  tempo indeterminado, não se configuram ajuda de custo,  uma  vez  que  esta  é  concedida  em  parcela  única.  3.  A  ausência  de  eventualidade  do  pagamento  de  referidas  verbas, a exemplo do que ocorre com o auxílio­creche e  auxílio­alimentação,  torna  nítido  o  seu  caráter  remuneratório,  integrando  o  salário­contribuição.  4.  Embargos  de  declaração  parcialmente  acolhidos,  tão­ somente  para  sanar  omissão  quanto  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  as  despesas  com  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 515          8 aluguéis e IPTU.” (EDRESP n° 200200743716, Relator:  Luiz Fux, 1ª Turma do STJ, DJ DATA: 28/04/2003 e PG:  00177)  ..............  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  II,  DO  CPC.  AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO.  CONVÊNIO  SAÚDE.  LIMITE  DO  SALÁRIO­DE­ CONTRIBUIÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO. ART. 515, DO CPC. VALORES  PAGOS  A  TÍTULO  DE  ALUGUÉIS  DE  IMÓVEIS  PARA  USO  DE  EMPREGADOS  E  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  QUESTÕES  FÁTICAS  APRECIADAS  PELA  ORIGEM. SÚMULA 7/STJ. VIOLAÇÃO DO § 2º, DO ART.  25, DA LEI N. 8.870/94. ENFOQUE CONSTITUCIONAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXAME  DO  TEMA  NA  VIA  ESPECIAL.  1.  (...)  4.  A  habitação  fornecida  pelo  empregador ao empregado somente não integra o salário­ de­contribuição  quando  indispensável  para  a  realização  do trabalho. Inocorrência no presente caso. 5(...)  (STJ ­ REsp: 953742 SC 2007/0114094­4, Relator: Ministro  JOSÉ DELGADO, Data  de  Julgamento:  12/02/2008,  T1  ­  PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/03/2008)  Portanto, constata­se que as verbas pagas a título de auxílio habitação devem  ser analisadas  caso  a  caso devido as peculiaridade da matéria. Em suma, os valores pagos  a  título  de  aluguel,  condomínio  e  demais  despesas  relacionadas  à  habitação,  via  de  regra,  integram o salário­de­contribuição, salvo nas hipóteses previstas na letra “m” do §9º do art. 28  da Lei nº 8.212/91.  É ônus do contribuinte demonstrar que os valores pagos pela empresa a título  de despesas com habitação não são concedidos habitualmente para que a verba seja excluída da  base de cálculo da contribuição previdenciária.   Nos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  deixa  de  apresentar  os  documentos  requeridos  pelo  Fisco  para  se  apurar  os  salário­de­contribuição  ou  os  apresente  de  forma  deficiente,  a  Secretaria  da Receita  Federal  pode  realizar  o  lançamento  de  ofício mediante  a  aferição indireta dos valores, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 2º, III,  da Instrução Normativa INSS/DC 69, verbis:  Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete  planejar,  executar,  acompanhar  e  avaliar  as  atividades  relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  Fl. 623DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 516          9 devidas  a  outras  entidades  e  fundos. (Redação  dada  pela  Lei nº 11.941, de 2009).  §  2o  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas  nesta  Lei. (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009).  §  3o  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento ou informação, ou sua apresentação deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009).    Art.  2º  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa,  considera­se:  (...)  III ­ aferição indireta o procedimento de que dispõe o INSS  para  a  apuração  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  e  das  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  quando  o  livro  diário,  devidamente  formalizado,  não  for  apresentado,  mesmo  que  o  sujeito  passivo  esteja  legalmente  dispensado  da  escrituração  contábil,  quando  ocorrer  recusa  de  apresentação  de  qualquer  documento  ou  informação,  quando  forem  sonegados ou quando  forem apresentados deficientemente,  e para a apuração do  salário­de­contribuição em obra de  construção civil de responsabilidade de pessoa física;  No  caso  em  tela,  constata­se  que  os  Autos  de  Infração  têm  como  objeto  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  a  título  de  ganhos  habituais  sob  forma  de  utilidades,  identificadas  nos  lançamentos  contábeis  nas  contas  “outros  benefícios  adm.”,  “despesas  de  condomínio/  IPTU”  e  “manutenção/  reparos  residenciais”,  valores  estes  não  declarados em GFIP e não incluídos nas folhas de pagamentos dos segurados.   O Relatório Fiscal, fls. 22, aponta que:  “  11  O  contribuinte  foi  intimado,  através  do  Termo  de  Intimação  nº  02,  a  prestar  esclarecimentos  quanto  aos  pagamentos  contabilizados  nas  contas  supracitadas,  a  identificar  os  beneficiários  e  respectivas  categorias,  informar  se  as  despesas  estavam  incluídas  nas  folhas  de  pagamentos  e  apresentar  os  contratos,  notas  fiscais  e  recibos dos referidos pagamentos.  Fl. 624DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 517          10 12 Em 18/10/2011 em resposta à intimaçãoo o contribuinte  declarou  que  todas  as  despesas  contabilizadas  nas  contas  relacionadas  na  intimação  referem­se  à  utilidades  e  benefícios  pagos  a  colaboradores  e  que  não  foram  incluídos  nas  folhas  de  pagamentos.  Apresentou  alguns  documentos  referentes a apgamentos efetuados e  informou  que o restante seria entregue posteriormente.  13  O  contribuinte  não  identificou  os  beneficiários  das  despesas pagas.   14 Em 06/12/2011  complementou  a  resposta  ao  Termo de  Intimação  nº  02  informando  que  “todas  as  despesas  referentes  a  utilidades  referem­se  à  necessidade  operacional  da  QUIP  para  alojar  colaboradores  (empregados) face ao déficit de estrutura da região” e que  “tais  pagamentos  não  estão  incluídos  no  cálculo  da  folha  de  pagamento  da  empresa,  face  à  natureza  jurídica  dos  mesmos”.  (...)  24  A  realidade  fática,  no  presente  caso,  é  que  todos  os  estabelecimentos  da  empresa,  são  situados  em  bairros  dentro do zoneamento urbano dos respectivos município.  (...)   29 Considerando todo o acima exposto, os alugueis e outras  despesas  pagas  para  custear  moradis  de  funcionários  contratados para trabalhar nos diversos estabelecimentos da  empresa,  não  fazem  jus  à  isenção  prevista  no  art.  28,  parágrafo  9º,  alínea  “m”da  Lei  8.212/91,  passando  a  representar  salário  in  natura  e,  portanto,  incidindo  sobre  eles contribuição previdenciária.”  Verifica­se, portanto, que a situação fática restou devidamente fundamentada  no Auto de Infração. Todavia, com relação à base de cálculo, verifica­se que o auto de infração  e o relatório fiscal silenciaram­se sobre os fundamentos legais aplicados na espécie, vejamos:  DAS BASES DE CÁLCULO  30  As  bases  de  cálculo  das  contribuições  apuradas  nos  Autos de Infração DEBCAD nº 37.351.443­3 e 37.351.444­ 1 , correspondem ao total, mês a mês, de ganhos habituais  sob  forma  de  utilidades  pagos  aos  segurados  empregados  da  empresa  identificados  nos  lançamentos  contábeis  registrados nas contas 4150106 – OUTROS BENEFÍCIOS  ADM, 4160303 – DESPESAS DE CONDOMÍNIO/ IPTU e  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 518          11 4160304  –  Manutenção/  Reparos  Residenciais  que  se  encontram  identificados  em  planilhas  anexas  e  no  Discriminativo  do  Débito  –  DD,  também  anexo  a  este  processo.   DA ORIGEM DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS  31 As contribuições objeto dos lançamento são decorrentes  da análise das informações contidas nos registros efetuados  na contabilidade da  empresa confrontados com os valores  informados em folhas de pagamentos e GFIP.   Consubstanciando os autos, constata­se que a forma do cálculo realizado pelo  Fisco para se obter o crédito tributário não restou devidamente fundamentada. Nesse sentido,  colaciona­se a seguir trecho do acórdão recorrido pela sua clareza de seus fundamentos:    Entretanto,  analisando  os  autos,  constatei  a  ausência  de  indicação do dispositivo  legal, que sustentaria o presente  lançamento por aferição indireta. O discriminativo FLD –  Fundamentos Legais do Débito, fls. 07/08 e 14/16, não traz  os artigos legais pertinentes à aferição indireta, tampouco  consta  do  Relatório  Fiscal  às  fls.19/29,  que  o  crédito  foi  levantado com fulcro no artigo 33 e seus parágrafos da Lei  n.º  8.212/91,  para  que  os  valores  lançados  nas  contas  contábeis  referentes às despesas  com moradia possam ser  tomados  como  base  da  incidência  contributiva  previdenciária.  Embora,  o  Relatório  tenha  evidenciado  que  os  valores  como foram pagos não se coadunavam com o trazido pela  letra  “m”  do  parágrafo  9º,  do  artigo  28  ,  da  Lei  n.º  8.212/91,  olvidou­se  de  mencionar  que  a  falta  de  esclarecimento  por  parte  da  recorrente  acerca  de  qual  valor  foi  pago  a  que  segurado  a  título  de  moradia,  permitiria  o  levantamento  dos  valores  totais  das  contas  contábeis  como  base  da  incidência  da  contribuição  previdenciária,  com  espeque  nos  parágrafos  2º  e  3º  do  artigo 33 da Lei n.º 8.212/91.  A  falta da menção ao artigo  legal que sustenta a aferição  indireta  impede  que  se  sustente  a  legitimidade  da  forma  como  foi  efetuado  o  lançamento.  A  recorrente  argúi  em  suas  razões  que  não  foi  trazido  no  Auto  de  Infração  o  fundamento legal que permitiria a aferição indireta , e com  efeito, lhe assiste razão.  Portanto,  não  constando  a  fundamentação  legal  que  ampara  o  lançamento,  se  vislumbra  o  cerceamento  de  defesa, pois o contribuinte não  foi devidamente  informado  do  procedimento  utilizado  pela  fiscalização,  não  podendo  se manifestar a respeito.  Fl. 626DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 519          12 Portanto, é incontroverso o vício de motivação constante do auto de infração,  pela ausência dos motivos legais que sustentam o lançamento tributário.   Como  se  sabe,  a  motivação  é  um  dos  requisitos  procedimentais  do  ato  administrativo,  sem o qual o ato não pode ser praticado. No entendimento de Celso Antônio  Bandeira de Mello (Curso e direito administrativo, 21 ed, p. 380/381):  A  motivação  integra  a  “formalização”  do  ato,  sendo  um  requisito  formalístico  dele.  É  a  exposição  dos  motivos,  a  fundamentação  na  qual  são  enunciados  (a)  a  regra  de  Direito habilitante, (b) os fatos em que o agente se estribou  para  decidir  e,  muitas  vezes,  obrigatoriamente,  (c)  a  enunciação da relação de pertinência lógica entre os fatos  ocorridos  e  o  ato  praticado.  Não  basta,  pois,  em  uma  imensa variedade de hipóteses, apenas aludir ao dispositivo  legal que o agente tomou como base para editar o ato. Na  motivação  transparece  aquilo  que  o  agente  apresentar  como “causa” do ato administrativo (...).  Em se  tratando de  lançamento  tributário, a motivação é  sempre obrigatória.  Ressalte­se  que  a  Lei  nº  9.784/99,  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  expressamente  impõe  o  dever  de  motivar  e  de  indicar  os  pressupostos  de  fato  e  de direito  que  determinam  a decisão,  nos  termos  dos  art.  2º,  caput  e  inciso VII e art. 50.  A  sua  ausência  macula  o  ato  de  vício,  tornando­o  nulo,  pois  implica  em  cerceamento de defesa, violando frontalmente o princípio constitucional da ampla defesa e do  contraditório.  Nesse sentido, registrem­se decisões proferidas no âmbito deste Conselho:  Acórdão nº 2401­003.308  Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao  sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é  imputada, impedindo o pleno exercício do direito de defesa  do contribuinte.   Os  demonstrativos  quer  serviram  de  suporte  para  a  apuração  da  contribuição  exigida  não  delimitaram  com  precisao  a  matéria  tributável,  impedindo  que  o  sujeito  passivo  identificasse  todos  os  segurados­empregados  em  relação  aos  quais  está  sendo  apontada  a  ausência  de  recolhimento do  tributo,  o que acarreta o  cerceamento do  direito  de  defesa  e  a  consequente  nulidade  parcial  do  lançamento, por vício material.   Acórdão nº 2301­004.528  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 520          13 Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/01/2004  a  31/12/2005  DECISÃO  COM  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO.  NULIDADE.  É  inválida  a  decisão  que  deixa  de  demonstrar  os  dados  numéricos  resultantes  da  análise  do  relator,  que  consistiram  no  fundamento  principal  para  indeferimento  do  pleito  do  contribuinte,  por ofensa ao aspecto  substancial  da garantia  do contraditório, ao duplo grau de  jurisdição e à exigência  de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula  Portanto,  conclui­se  que  o  princípio  da motivação,  expressamente  previsto  no arts. 2º e 50 , I , da Lei n.º 9.784 /1999, é essencial para a garantia do devido processo legal.  Estando  ausente  a  motivação,  é  nulo  o  ato  administrativo,  não  sendo  suficiente  para  sua  validade simples afirmação de que a descrição dos fatos coincidia com a  tipificação  legal do  ilícito.  Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial do Procurador.   Patrícia da Silva ­ Relatora    Fl. 628DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 521          14 Voto Vencedor  Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.    Do conhecimento do recurso:  Em que  pesem  os  sempre  bem  articulados  argumentos  da Sra. Conselheira  Relatora, peço vênia para discordar de seu entendimento.  No  que  tange  ao  conhecimento  do  recurso,  vislumbro  terem  sido  corretamente cumpridos os requisitos formais exigidos pelo Regimento Interno deste Conselho,  tendo sido corretamente demonstrada a divergência suscitada.  O acórdão recorrido entendeu que a ausência de fundamentação legal é vício  formal insanável e como tal levaria à nulidade do lançamento. Nos dizeres da relatora:  Entretanto,  analisando  os  autos,  constatei  a  ausência  de  indicação  do  dispositivo  legal,  que  sustentaria  o  presente  lançamento  por  aferição  indireta.  O  discriminativo  FLD  –  Fundamentos Legais do Débito,  fls.  07/08 e  14/16,  não  traz  os  artigos  legais  pertinentes  à  aferição  indireta,  tampouco  consta  do Relatório Fiscal às fls.19/29, que o crédito foi levantado com  fulcro no artigo 33 e seus parágrafos da Lei n.º 8.212/91, para  que  os  valores  lançados  nas  contas  contábeis  referentes  às  despesas  com  moradia  possam  ser  tomados  como  base  da  incidência contributiva previdenciária.  E acrescenta:  A  falta  de  referência  ao  fundamento  legal  que  sustenta  o  lançamento fiscal gera cerceamento de defesa e a ampla defesa,  assegurada  constitucionalmente  aos  contribuintes,  deve  ser  observada  no  processo  administrativo  fiscal.  A  falta  de  indicação  da  legislação  que  confere  poder  à  fiscalização  para  proceder  ao  l  impossibilita  que  o  contribuinte  tenha  conhecimento  de  que  o  valor  lançado  foi  arbitrado,  lhe  sonegando o direito de se defender quanto a isso.  Em  contrapartida,  o  acórdão  paradigma  externa  entendimento  de  que  a  capitulação  legal  incompleta da  infração  ou mesmo  a  sua  ausência  não  acarreta  nulidade  do  auto de  infração quando a descrição dos  fatos nele  contida  é exata,  possibilitando ao  sujeito  passivo defender­se de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas.  Percebemos  portanto,  que  apesar  de  o  acórdão  paradigma  referir­se  a  cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a discussão em questão relaciona­se a matéria  que permeia lançamentos dos mais diversos tributos.  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 522          15 Diante  do  exposto,  conheço  do  recurso  especial  apresentado  pela  Fazenda  Nacional.    Do mérito:  Como se observa do acórdão recorrido, o Colegiado a quo, de ofício, anulou  o lançamento, entendendo que a ausência da capitulação legal que fundamentou a realização da  apuração indireta da base de calculo da Contribuição Previdenciária lançada, trouxe prejuízos  ao exercício do direito de defesa do contribuinte, violando o princípio constitucional da ampla  defesa.  Entretanto,  apesar da  brilhante  fundamentação  do  citado  acórdão  e  do  voto  proferido  pela  ilustre  Relatora,  compartilho  do  entendimento  que  a  simples  ausência  de  indicação  de  dispositivo  legal,  quando  acompanhada  da  descrição  precisa  dos  fatos  e  documentos  suficientes  para  o  embasamento  do  lançamento,  não  é  motivo  que  justifique  a  anulação  do  ato  administrativo,  ou  seja,  a  omissão  quanto  a  requisitos  do  lançamento  só  ensejará sua nulidade quando implicar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte.  Marcos  Vinicius  Neder  e  Maria  Teresa  Martínez  López  (Processo  Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética 2010, p. 573) ao comentarem o art. 59 do  Decreto nº 70.235/72, explicam:  É  preciso,  no  entanto,  examinar,  no  caso  concreto,  se  o  vício  defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para  Ada  Pellegrini  Grinover,  "há  nulidade  absoluta  quando  for  afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de  prejuízo (para defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver  esse  consequência".  Neste  caso,  o  vício  pode  ser  sanado.  Segundo a autora, "o vício ou inexistência do ato defensivo pode  não  levar,  como  consequência  necessária,  à  vulneração  do  direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de  nulidade da demonstração do prejuízo à atividade de defensiva  como um todo".  A meu ver, a suscitada ausência de capitulação da aferição indireta da base de  cálculo, no presente caso, não trouxe prejuízo algum ao sujeito passivo, afinal ao cotejarmos os  autos, verificamos que o Relatório Fiscal é claro em relação a descrição das condutas, dos fatos  geradores, dos dispositivos legais violados e ainda do método utilizado para apuração da base  de cálculo. O fiscal narrou, de forma detalhada os motivos que levaram a lavratura do auto de  infração,  descrevendo  a  ocorrência  dos  fatos  geradores,  seus  elementos  constitutivos  e  pormenorizando, ainda, quais operações foram alvo de tributação.  Tal  conclusão  é  facilmente  observada  a  partir  da  análise  da  Impugnação  e  também do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, onde foram contestados  todos  os pontos  e  fundamentações usadas para  a  realização do  lançamento,  destacando que houve,  inclusive,  impugnação  expressa quanto  a base de cálculo  adotada pelo Fiscal  ­  a matéria  foi  arguida em sede de preliminar.  Para  ilustrar  cita­se  parte  da  ementa  referente  ao  acórdão  nº  2301­004.040  que resume bem a questão:  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720465/2012­72  Acórdão n.º 9202­003.933  CSRF­T2  Fl. 523          16 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009.  ...  NULIDADE  ­  INEXISTÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  PARA  O ARBITRAMENTO  Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação  para  o  arbitramento,  quando  os  atos  administrativos  nas  autuações  possuem  motivo  legal,  tendo  sido  praticados  em  conformidade  com  os  rigores  da  lei,  fundamentados  e  discriminados  no  Relatório  Fiscal  e  nos  anexos  “FLD  ­  Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação  que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência.  Havendo  nos  autos  a  comprovação  de  aquisição  de  produto  rural  de  produtor  rural,  demonstrado  motivos  assaz  para  justificar os lançamentos.  Quanto  a  um  possível  arbitramento,  não  houve  tal  comportamento,  eis  que  a  Fiscalização,  para  o  lançamento,  valeu­se  dos  documentos  contábeis  e  fiscais  da  Recorrente,  próprios  à  verificação  da  base  de  cálculo  que  estavam  disponíveis nos arquivos  informatizados da RFB (GFIP, DIPJ),  no  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  ­  SPED  (arquivos  contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de  Registro de Entrada e de Saída).  ...  Recurso Voluntário Negado  Incabível, portanto, a alegação de nulidade do Auto de Infração por ausência  de indicação expressa do dispositivo legal no qual se fundamentou a aferição indireta da base  de cálculo do tributo, afinal inexistiu prejuízo in concreto à defesa do Contribuinte.  Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para no mérito dar­lhe  provimento,  devendo  o  processo  retornar  ao  colegiado  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões trazidas no Recurso Voluntário.    (Assinado digitalmente)  Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.                Fl. 631DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 05/06/2016 por PATRI CIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10925.002677/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Recorrente. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, da Terceira Seção, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Joaçaba – SC (Unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que proceda as diligências e informações constantes nos itens 1 a 5 deste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Contra a Recorrente qualificada nos autos deste processo foi formalizada a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre março de 1999 e maio de 2005, conforme autos de infração e demonstrativos às fls. 7 a 21 (Cofins) e 1.215 a 1.219 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em 19 de dezembro de 2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Por meio dos Autos de Infração às folhas 06 a 17 e às fls.1.195 a 1.209, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 254.997,33 e de R$ 96.225,85 a título, respectivamente, de COFIN S e de Contribuição para o PIS , acrescidas de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos em período compreendido entre 31/03/1999 e 31/05/2005. O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para o PIS estava contemplado no processo administrativo fiscal de n° 10925.002676/2005-82, o qual, por força do disposto na Portaria SRF de n° 6.129, de 02/12/2005, foi anexado ao presente processo, conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189. Assim sendo, o presente processo contempla e onde serão analisadas as impugnações correspondentes a estas exigências. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 15/16, e ao "Relatório da Atividade Fiscal" às folhas 20 e fls.40, verifica-se que no período compreendido entre 31/03/1999 a 31/12/2004, a contribuinte teve seu lucro a r b i t r a d o em vários anos calendário (processo n° 10925.002675/2005-38. apenso a este) sendo a presente autuação se efetivado por falta e/ou insuficiência de recolhimento destas contribuições e, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2005, em procedimento de Verificações Obrigatórias, onde se apurou divergências entre os valores declarados e escriturados (para fatos geradores de 30/04/2005 e 31/05/2005). A seguir se resume a constatação dos autuantes, conforme Relatório (fl.40): [...]Neste ponto, cabe observar que, uma vez definida a tributação via arbitramento dos lucros, não subsiste o regime de tributação não cumulativo adotado pela Fiscalizada para o cálculo das contribuições do PIS e COFINS. Especificamente quanto à COFINS, observe-se o contido na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu o regime de não cumulatividade: Art.10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1°a 8°: (...) II - as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (grifos nossos) Assim, teve a Fiscalização que recalcular todos os valores devidos relativos à COFINS, deduzindo-se os valores declarados nas DCTFs entregues pela Contribuinte à Receita Federal. Nessa dedução, foram considerados os valores da última DCTF retificadora de cada período ou da DCTF original, nos casos de inexistência de retificadora. As diferenças apuradas podem, então, ser assim resumidas: -Diferenças de janeiro de 1999 a janeiro de 2004: provém da base de cálculo a maior apurada pela Fiscalização e/ou de erro na apuração da contribuição por parte da Contribuinte; -Diferenças a partir de fevereiro de 2004: provém do cálculo da contribuição pelo regime cumulativo realizado pela Fiscalização em confronto com o cálculo pelo regime não-cumulativo adotado pela Fiscalizada, podendo incluir ou não diferenças entre a base de cálculo apurada pela Fiscalização e a base de cálculo declarada pela Contribuinte. Demonstramos, no ANEXO IV, o cálculo das diferenças apuradas e, no quadro abaixo, apresentamos um resumo anual dessas diferenças. [...]11. DAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS As verificações obrigatórias abrangeriam o período de 08/2000 a 06/2005, conforme especificado no MPF e demais dispositivos que tratam da matéria. Entretanto, o período 08/2000 a 12/2004 ficou integrado ao objeto fiscalizado em razão da desclassificação da escrita e da conseqüente autuação pelo regime do lucro arbitrado. O período residual, de 01 a 06/2005, foi verificado pela Fiscalização, comparando-se a COFINS a recolher registrado na contabilidade (fl. 1.102) com a COFINS declarada em DCTF do período (fls. 1.103- 1.116). A cópia da DCTF do Io semestre de 2005 foi fornecida pela Contribuinte, após regularmente intimada (fls.277-279). Desse exame, emergiram algumas diferenças, demonstradas no ANEXO V. [...]O procedimento relativo à Contribuição para o PIS segue nesta mesma linha, conforme Relatório de fls.1.232 e 1.236. Em preliminar, a contribuinte apresentou suas razões (fl.1.133 e fl.2.324) de irresignação que a seguir se resume: Do uso irregular do MPF-F- Espontaneidade - cita e transcreve artigos da extinta portaria 1.265/99, para concluir que não houve prorrogação do MPF-F inicial, emitido em 08/07/2005, com término previsto para 05/11/2005, portanto o MPF-F extinguiu-se nesta data; a Portaria estabelece que, extinto o MPF-F por decurso de prazo, os auditores responsáveis pela execução do mandado extinto não poderão ser indicados para o novo MPF; - além do decurso de prazo do MPF-F, ainda que tenham supostamente havido prorrogações, os mesmos AFRFs, responsáveis pelo MPF-F decaído, continuaram, irregularmente, o procedimento fiscal até a lavratura do Auto de Infração; os mesmos AFRFs foram ambos nomeados no dia 08/07/2005 e mantiveram-se atuando e ATUANDO em 11/12/2005, com ciência do contribuinte em 19/12/2005, PORTANTO COMPLETAMENTE FORA DO PRAZO e das regras legais de substituição; - após arrazoado acerca da criação do MPF-F, conclui que "Demonstrado que o MPF-F que originou o presente auto de infração foi irregularmente prorrogado, por não obedecer o disposto no § do art.16 da Port. 1.265/99, restou configurado em favor da impugnante a figura da 'denúncia espontânea', que lhe deveria ter sido oferecida para resgatar os tributos se existissem, razão pela qual devem ser excluídas as multas de oficio aplicadas, e claro anulando todo o ato fiscal, ou no máximo que sejam aplicadas as multas moratórias dos 20% ". No mérito, na impugnação apresentada (fls.1.132 a 1.167 - COFINS e fls.2.328 a 2.359- PIS) a contribuinte traz seus argumentos acerca de arbitramento de lucro, da tributação de omissão receitas, que aqui não se resumem, tendo em vista que estas questões foram tratadas em outros processos administrativos (apensos). Assim, aqui irá se relatoriar os argumentos trazidos pela contribuinte naquilo que se referem apenas ao lançamento das diferenças de COFINS (fls.1.149) e de PIS (fls.2.341): • Na re-apuração da base de cálculo de PIS e Cofins, com o (sic) já consumado no arbitramento, o fisco não considerou o montante correto de devoluções de mercadorias em todos os períodos, por uma razão óbvia: a fiscalização não dispunha e não solicitou os livros de entrada da empresa fiscalizada. Como poderia a fiscalização obter tal informação sem examinar os livros sobre os quais seriam normalmente extraídas estas informações? Talvez o fisco nem pretendesse efetuar levantamentos nos livros de entrada, visto que ali somente encontraria créditos de tributos e custos a serem deduzidos numa efetiva apuração de lucro real. - que, "numa planilha absurda, o fisco computa mês a mês as diferenças entre o apurado em favor do fisco e lança em seu favor, mas não relaciona os valores onde o contribuinte é credor para deduzir ou compensar nos cálculos finais. " - A conta Especifica na Planilha Equivocada e a Decadência - para demonstrar os valores que fazem parte do auto de infração, o fisco elabora os chamados anexos III e IV e neles, talvez por equívoco, porque sabe perfeitamente que como foi feito não está correto, o fisco deixa de registrar os créditos; - apenas para citar um exemplo, pois uma planilha completa será juntada aos autos, podemos referir-nos ao ano de 2004, quando em fevereiro, o fisco comparando a apuração que ele mesmo fez na coluna "Valor líquido apurado" um total de RS 21.680,70 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, num total de R$ 7.902,83 lançou na coluna "Tributo" o valor de R$ 13.777,87, valor este que utilizou para a lavratura e apuração do ato fiscal; - ENTRETANTO, no mesmo ano, no mês de dezembro, vamos encontrar na coluna "Valor líquido apurado" um total de R$ 78.382,52 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, um total de R$ 125.299,21, O FISCAL NAO LANÇOU NUMA COLUNA DE CRÉDITOS, o valor de R$ 46.916,69. E ASSIM FEZ SUCESSIVAMENTE NOS CINCO ANOS. A CONTA ESTÁ ERRADA. - embora a rigor nada seja devido, porque a escrita não poderia ser desclassificada, de qualquer forma, com certeza no presente caso, no mínimo os Srs. Julgadores determinarão uma diligência para apurar os valores regulares e constatar que se dívida houver, será de valor muitíssimo menor. Nossa planilha evidencia que entre 2000 e 2004 em vez de dever R$ 179.900,00 o contribuinte deveria R$ 68.500,00; - deixamos de abordar acima o ano de 1999, porque o entendemos já alcançado pela decadência, porque na condição de tributo, que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do CTN, nunca as regras da Lei 8.212/91, conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o STJ; também não abordaremos aqui o ano de 2005, porque neste caso os julgadores necessitarão determinar que o fisco reexamine os cálculos para apurar todos os valores que não foram deduzidos na aplicação de alíquota não cumulativa. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Mandado de Procedimento Fiscal- Fiscalização (MPF-F). Prorrogação da Fiscalização. Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Contribuições Sociais. Decadência. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos à COFINS e PIS extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelou-se inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelou-se inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. CONDIÇÃO INOCORRENTE. Constatado que não ocorreram as condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). Lançamento Procedente em Parte Contra essa decisão foi interposto o recurso das fls. 2.433 a 2.445, para reiterar a preliminar de nulidade argüida na peça impugnatória sobre irregularidades concernentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), trazer alegações relativas à impossibilidade de desclassificação da escrita, reportando-se à peça impugnatória para invocar os mesmos argumentos e a jurisprudência ali citada e, no mérito, alegar, em síntese, que: (i) - há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo devido, pois não se utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente para deduzir ou compensar com as diferenças a favor do Fisco (lançadas). Compare-se, por exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro (crédito a favor da recorrente que não foi considerado); (ii) - deve ser considerado que o processo n° 10925.002678/2005-71, que trata do lançamento decorrente de omissão de receita foi anulado pela DRJ/FNS; (iii) - na impugnação, deixou-se de tratar do mérito da exigência relativa aos fatos geradores de 1999 e de 2000, por estarem fulminados pela decadência, em conformidade com o art. 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), não sc lhes aplicando a Lei n° 8.212, de 1991, como sustentado na decisão recorrida; (iv) - não foram consideradas pela instância de piso as alegações relativas ao arbitramento do lucro e enquadramento legal. A recorrente relacionou os itens da decisão da instância recorrida, cujos fundamentos considerou inconsistentes, para requerer que sejam reexaminados à vista da peça impugnatória: a) irregularidades do MPF-F; b) desclassificação da escrita, sobre o que não se manifestaram os julgadores da DRJ/FNS; c) equívocos na elaboração da planilha; d) decadência dos fatos geradores entre janeiro de 1999 a outubro de 2000. Ao final, solicitou a recorrente o arquivamento dos autos, em face do seu equivocado fundamento na desclassificação da escrita, ou que sejam refeitos os cálculos para consideração dos seus créditos na apuração do tributo para o lançamento ou, nesse ponto, seja autorizada perícia para constatar que existiam na contabilidade e demais registros informações suficientes para apuração de resultados, sem necessidade de arbitramento e que seja considerada a decadência de parte dos créditos lançados. Requereu ainda redução da multa de 75% para 20% e o afastamento da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos termos do que j á decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Verifica-se que foram arrolados bens, conforme informação da Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC), à fl. 2.446/2.448, controlado no PAF nº 10925.0002680/2005-41 (informação fl. 2.449). Pois bem. Em 26/04/2007, o Segundo Conselho de Contribuintes, os Membros da Terceira Câmara, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, Resolução nº 203-00.806, nos seguintes termos (fls. 2.451/2.455) - grifamos: "(...) Assim, a decisão administrativa no processo n° 10925.002675/2005-38, que cuida do IRPJ e da CSLL, tributos cuja base imponível é o lucro, pode refletir na decisão destes autos, conforme considerar ou não procedente o arbitramento do lucro Em face disso, para a solução do litígio, entendo necessário aguardar o julgamento do recurso n° 155.202, que se encontra na Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem, após a definitividade da decisão administrativa no processo supracitado, dela anexe cópia a estes autos e elabore demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da Cofins de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não-cumulativo dessas contribuições. Por fim, saliente-se que deve ser dada ciência à recorrente dessa diligência com o respectivo resultado, concedendo-lhe prazo para sobre ela se manifestar. Os autos, então, foram encaminhados à DRF/Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução (fl. 2.456). É o relatório. Voto
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Recorrente. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, da Terceira Seção, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Joaçaba – SC (Unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que proceda as diligências e informações constantes nos itens 1 a 5 deste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Contra a Recorrente qualificada nos autos deste processo foi formalizada a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre março de 1999 e maio de 2005, conforme autos de infração e demonstrativos às fls. 7 a 21 (Cofins) e 1.215 a 1.219 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em 19 de dezembro de 2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Por meio dos Autos de Infração às folhas 06 a 17 e às fls.1.195 a 1.209, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 254.997,33 e de R$ 96.225,85 a título, respectivamente, de COFIN S e de Contribuição para o PIS , acrescidas de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos em período compreendido entre 31/03/1999 e 31/05/2005. O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para o PIS estava contemplado no processo administrativo fiscal de n° 10925.002676/2005-82, o qual, por força do disposto na Portaria SRF de n° 6.129, de 02/12/2005, foi anexado ao presente processo, conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189. Assim sendo, o presente processo contempla e onde serão analisadas as impugnações correspondentes a estas exigências. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 15/16, e ao "Relatório da Atividade Fiscal" às folhas 20 e fls.40, verifica-se que no período compreendido entre 31/03/1999 a 31/12/2004, a contribuinte teve seu lucro a r b i t r a d o em vários anos calendário (processo n° 10925.002675/2005-38. apenso a este) sendo a presente autuação se efetivado por falta e/ou insuficiência de recolhimento destas contribuições e, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2005, em procedimento de Verificações Obrigatórias, onde se apurou divergências entre os valores declarados e escriturados (para fatos geradores de 30/04/2005 e 31/05/2005). A seguir se resume a constatação dos autuantes, conforme Relatório (fl.40): [...]Neste ponto, cabe observar que, uma vez definida a tributação via arbitramento dos lucros, não subsiste o regime de tributação não cumulativo adotado pela Fiscalizada para o cálculo das contribuições do PIS e COFINS. Especificamente quanto à COFINS, observe-se o contido na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu o regime de não cumulatividade: Art.10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1°a 8°: (...) II - as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (grifos nossos) Assim, teve a Fiscalização que recalcular todos os valores devidos relativos à COFINS, deduzindo-se os valores declarados nas DCTFs entregues pela Contribuinte à Receita Federal. Nessa dedução, foram considerados os valores da última DCTF retificadora de cada período ou da DCTF original, nos casos de inexistência de retificadora. As diferenças apuradas podem, então, ser assim resumidas: -Diferenças de janeiro de 1999 a janeiro de 2004: provém da base de cálculo a maior apurada pela Fiscalização e/ou de erro na apuração da contribuição por parte da Contribuinte; -Diferenças a partir de fevereiro de 2004: provém do cálculo da contribuição pelo regime cumulativo realizado pela Fiscalização em confronto com o cálculo pelo regime não-cumulativo adotado pela Fiscalizada, podendo incluir ou não diferenças entre a base de cálculo apurada pela Fiscalização e a base de cálculo declarada pela Contribuinte. Demonstramos, no ANEXO IV, o cálculo das diferenças apuradas e, no quadro abaixo, apresentamos um resumo anual dessas diferenças. [...]11. DAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS As verificações obrigatórias abrangeriam o período de 08/2000 a 06/2005, conforme especificado no MPF e demais dispositivos que tratam da matéria. Entretanto, o período 08/2000 a 12/2004 ficou integrado ao objeto fiscalizado em razão da desclassificação da escrita e da conseqüente autuação pelo regime do lucro arbitrado. O período residual, de 01 a 06/2005, foi verificado pela Fiscalização, comparando-se a COFINS a recolher registrado na contabilidade (fl. 1.102) com a COFINS declarada em DCTF do período (fls. 1.103- 1.116). A cópia da DCTF do Io semestre de 2005 foi fornecida pela Contribuinte, após regularmente intimada (fls.277-279). Desse exame, emergiram algumas diferenças, demonstradas no ANEXO V. [...]O procedimento relativo à Contribuição para o PIS segue nesta mesma linha, conforme Relatório de fls.1.232 e 1.236. Em preliminar, a contribuinte apresentou suas razões (fl.1.133 e fl.2.324) de irresignação que a seguir se resume: Do uso irregular do MPF-F- Espontaneidade - cita e transcreve artigos da extinta portaria 1.265/99, para concluir que não houve prorrogação do MPF-F inicial, emitido em 08/07/2005, com término previsto para 05/11/2005, portanto o MPF-F extinguiu-se nesta data; a Portaria estabelece que, extinto o MPF-F por decurso de prazo, os auditores responsáveis pela execução do mandado extinto não poderão ser indicados para o novo MPF; - além do decurso de prazo do MPF-F, ainda que tenham supostamente havido prorrogações, os mesmos AFRFs, responsáveis pelo MPF-F decaído, continuaram, irregularmente, o procedimento fiscal até a lavratura do Auto de Infração; os mesmos AFRFs foram ambos nomeados no dia 08/07/2005 e mantiveram-se atuando e ATUANDO em 11/12/2005, com ciência do contribuinte em 19/12/2005, PORTANTO COMPLETAMENTE FORA DO PRAZO e das regras legais de substituição; - após arrazoado acerca da criação do MPF-F, conclui que "Demonstrado que o MPF-F que originou o presente auto de infração foi irregularmente prorrogado, por não obedecer o disposto no § do art.16 da Port. 1.265/99, restou configurado em favor da impugnante a figura da 'denúncia espontânea', que lhe deveria ter sido oferecida para resgatar os tributos se existissem, razão pela qual devem ser excluídas as multas de oficio aplicadas, e claro anulando todo o ato fiscal, ou no máximo que sejam aplicadas as multas moratórias dos 20% ". No mérito, na impugnação apresentada (fls.1.132 a 1.167 - COFINS e fls.2.328 a 2.359- PIS) a contribuinte traz seus argumentos acerca de arbitramento de lucro, da tributação de omissão receitas, que aqui não se resumem, tendo em vista que estas questões foram tratadas em outros processos administrativos (apensos). Assim, aqui irá se relatoriar os argumentos trazidos pela contribuinte naquilo que se referem apenas ao lançamento das diferenças de COFINS (fls.1.149) e de PIS (fls.2.341): • Na re-apuração da base de cálculo de PIS e Cofins, com o (sic) já consumado no arbitramento, o fisco não considerou o montante correto de devoluções de mercadorias em todos os períodos, por uma razão óbvia: a fiscalização não dispunha e não solicitou os livros de entrada da empresa fiscalizada. Como poderia a fiscalização obter tal informação sem examinar os livros sobre os quais seriam normalmente extraídas estas informações? Talvez o fisco nem pretendesse efetuar levantamentos nos livros de entrada, visto que ali somente encontraria créditos de tributos e custos a serem deduzidos numa efetiva apuração de lucro real. - que, "numa planilha absurda, o fisco computa mês a mês as diferenças entre o apurado em favor do fisco e lança em seu favor, mas não relaciona os valores onde o contribuinte é credor para deduzir ou compensar nos cálculos finais. " - A conta Especifica na Planilha Equivocada e a Decadência - para demonstrar os valores que fazem parte do auto de infração, o fisco elabora os chamados anexos III e IV e neles, talvez por equívoco, porque sabe perfeitamente que como foi feito não está correto, o fisco deixa de registrar os créditos; - apenas para citar um exemplo, pois uma planilha completa será juntada aos autos, podemos referir-nos ao ano de 2004, quando em fevereiro, o fisco comparando a apuração que ele mesmo fez na coluna "Valor líquido apurado" um total de RS 21.680,70 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, num total de R$ 7.902,83 lançou na coluna "Tributo" o valor de R$ 13.777,87, valor este que utilizou para a lavratura e apuração do ato fiscal; - ENTRETANTO, no mesmo ano, no mês de dezembro, vamos encontrar na coluna "Valor líquido apurado" um total de R$ 78.382,52 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, um total de R$ 125.299,21, O FISCAL NAO LANÇOU NUMA COLUNA DE CRÉDITOS, o valor de R$ 46.916,69. E ASSIM FEZ SUCESSIVAMENTE NOS CINCO ANOS. A CONTA ESTÁ ERRADA. - embora a rigor nada seja devido, porque a escrita não poderia ser desclassificada, de qualquer forma, com certeza no presente caso, no mínimo os Srs. Julgadores determinarão uma diligência para apurar os valores regulares e constatar que se dívida houver, será de valor muitíssimo menor. Nossa planilha evidencia que entre 2000 e 2004 em vez de dever R$ 179.900,00 o contribuinte deveria R$ 68.500,00; - deixamos de abordar acima o ano de 1999, porque o entendemos já alcançado pela decadência, porque na condição de tributo, que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do CTN, nunca as regras da Lei 8.212/91, conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o STJ; também não abordaremos aqui o ano de 2005, porque neste caso os julgadores necessitarão determinar que o fisco reexamine os cálculos para apurar todos os valores que não foram deduzidos na aplicação de alíquota não cumulativa. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Mandado de Procedimento Fiscal- Fiscalização (MPF-F). Prorrogação da Fiscalização. Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Contribuições Sociais. Decadência. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos à COFINS e PIS extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelou-se inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelou-se inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. CONDIÇÃO INOCORRENTE. Constatado que não ocorreram as condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). Lançamento Procedente em Parte Contra essa decisão foi interposto o recurso das fls. 2.433 a 2.445, para reiterar a preliminar de nulidade argüida na peça impugnatória sobre irregularidades concernentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), trazer alegações relativas à impossibilidade de desclassificação da escrita, reportando-se à peça impugnatória para invocar os mesmos argumentos e a jurisprudência ali citada e, no mérito, alegar, em síntese, que: (i) - há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo devido, pois não se utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente para deduzir ou compensar com as diferenças a favor do Fisco (lançadas). Compare-se, por exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro (crédito a favor da recorrente que não foi considerado); (ii) - deve ser considerado que o processo n° 10925.002678/2005-71, que trata do lançamento decorrente de omissão de receita foi anulado pela DRJ/FNS; (iii) - na impugnação, deixou-se de tratar do mérito da exigência relativa aos fatos geradores de 1999 e de 2000, por estarem fulminados pela decadência, em conformidade com o art. 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), não sc lhes aplicando a Lei n° 8.212, de 1991, como sustentado na decisão recorrida; (iv) - não foram consideradas pela instância de piso as alegações relativas ao arbitramento do lucro e enquadramento legal. A recorrente relacionou os itens da decisão da instância recorrida, cujos fundamentos considerou inconsistentes, para requerer que sejam reexaminados à vista da peça impugnatória: a) irregularidades do MPF-F; b) desclassificação da escrita, sobre o que não se manifestaram os julgadores da DRJ/FNS; c) equívocos na elaboração da planilha; d) decadência dos fatos geradores entre janeiro de 1999 a outubro de 2000. Ao final, solicitou a recorrente o arquivamento dos autos, em face do seu equivocado fundamento na desclassificação da escrita, ou que sejam refeitos os cálculos para consideração dos seus créditos na apuração do tributo para o lançamento ou, nesse ponto, seja autorizada perícia para constatar que existiam na contabilidade e demais registros informações suficientes para apuração de resultados, sem necessidade de arbitramento e que seja considerada a decadência de parte dos créditos lançados. Requereu ainda redução da multa de 75% para 20% e o afastamento da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos termos do que j á decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Verifica-se que foram arrolados bens, conforme informação da Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC), à fl. 2.446/2.448, controlado no PAF nº 10925.0002680/2005-41 (informação fl. 2.449). Pois bem. Em 26/04/2007, o Segundo Conselho de Contribuintes, os Membros da Terceira Câmara, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, Resolução nº 203-00.806, nos seguintes termos (fls. 2.451/2.455) - grifamos: "(...) Assim, a decisão administrativa no processo n° 10925.002675/2005-38, que cuida do IRPJ e da CSLL, tributos cuja base imponível é o lucro, pode refletir na decisão destes autos, conforme considerar ou não procedente o arbitramento do lucro Em face disso, para a solução do litígio, entendo necessário aguardar o julgamento do recurso n° 155.202, que se encontra na Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem, após a definitividade da decisão administrativa no processo supracitado, dela anexe cópia a estes autos e elabore demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da Cofins de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não-cumulativo dessas contribuições. Por fim, saliente-se que deve ser dada ciência à recorrente dessa diligência com o respectivo resultado, concedendo-lhe prazo para sobre ela se manifestar. Os autos, então, foram encaminhados à DRF/Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução (fl. 2.456). É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.517          2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  objeto  da  decisão  recorrida,  a  seguir transcrito na sua integralidade:  Por meio dos Autos de Infração às folhas 06 a 17 e às fls.1.195 a 1.209,  foram  exigidas  da  contribuinte  acima  qualificada  as  importâncias  de  R$ 254.997,33 e de R$ 96.225,85 a título, respectivamente, de COFIN  S e de Contribuição para o PIS , acrescidas de multa de ofício de 150%  e  encargos  legais  devidos  à  época  do  pagamento,  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  em  período  compreendido  entre  31/03/1999  e  31/05/2005.  O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para o PIS  estava  contemplado  no  processo  administrativo  fiscal  de  n°  10925.002676/2005­82, o qual, por força do disposto na Portaria SRF  de  n°  6.129,  de  02/12/2005,  foi  anexado  ao  presente  processo,  conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189.  Assim  sendo, o presente processo  contempla  e onde serão analisadas  as impugnações correspondentes a estas exigências.  Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às  folhas 15/16, e ao "Relatório da Atividade Fiscal" às folhas 20 e fls.40,  verifica­se  que  no  período  compreendido  entre  31/03/1999  a  31/12/2004, a  contribuinte  teve  seu  lucro  a  r  b  i  t  r  a  d  o  em  vários  anos  calendário  (processo  n°  10925.002675/2005­38.  apenso  a  este)  sendo a presente autuação se efetivado por falta e/ou insuficiência de  recolhimento destas contribuições e, relativamente aos fatos geradores  ocorridos  em  2005,  em  procedimento  de  Verificações  Obrigatórias,  onde se apurou divergências entre os valores declarados e escriturados  (para fatos geradores de 30/04/2005 e 31/05/2005).  A  seguir  se  resume  a  constatação  dos  autuantes,  conforme  Relatório  (fl.40):  [...]Neste ponto, cabe observar que, uma vez definida a tributação via  arbitramento  dos  lucros,  não  subsiste  o  regime  de  tributação  não  cumulativo adotado pela Fiscalizada para o cálculo das contribuições  do  PIS  e  COFINS.  Especificamente  quanto  à  COFINS,  observe­se  o  contido na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu o regime de não  cumulatividade:  Art.10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes anteriormente a esta lei, não se lhes aplicando as disposições  dos arts. 1°a 8°:  (...)  II ­ as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no  lucro presumido ou arbitrado; (grifos nossos)  Assim,  teve  a  Fiscalização  que  recalcular  todos  os  valores  devidos  relativos  à  COFINS,  deduzindo­se  os  valores  declarados  nas DCTFs  entregues pela Contribuinte à Receita Federal. Nessa dedução, foram  considerados os valores da última DCTF retificadora de cada período  ou da DCTF original, nos casos de inexistência de retificadora.  Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.518          3 As diferenças apuradas podem, então, ser assim resumidas:  ­Diferenças de janeiro de 1999 a janeiro de 2004: provém da base de  cálculo a maior apurada pela Fiscalização e/ou de erro na apuração  da contribuição por parte da Contribuinte;  ­Diferenças  a  partir  de  fevereiro  de  2004:  provém  do  cálculo  da  contribuição  pelo  regime  cumulativo  realizado  pela  Fiscalização  em  confronto  com  o  cálculo  pelo  regime  não­cumulativo  adotado  pela  Fiscalizada, podendo incluir ou não diferenças entre a base de cálculo  apurada  pela  Fiscalização  e  a  base  de  cálculo  declarada  pela  Contribuinte.  Demonstramos, no ANEXO IV, o cálculo das diferenças apuradas e, no  quadro abaixo, apresentamos um resumo anual dessas diferenças.  [...]11.  DAS  VERIFICAÇÕES  OBRIGATÓRIAS  As  verificações  obrigatórias abrangeriam o período de 08/2000 a 06/2005,  conforme  especificado  no  MPF  e  demais  dispositivos  que  tratam  da  matéria.  Entretanto,  o  período  08/2000  a  12/2004  ficou  integrado  ao  objeto  fiscalizado  em  razão da  desclassificação da  escrita  e  da  conseqüente  autuação pelo regime do lucro arbitrado.  O período residual, de 01 a 06/2005, foi verificado pela Fiscalização,  comparando­se a COFINS a  recolher  registrado na contabilidade  (fl.  1.102)  com  a  COFINS  declarada  em  DCTF  do  período  (fls.  1.103­  1.116).  A  cópia  da  DCTF  do  Io  semestre  de  2005  foi  fornecida  pela  Contribuinte, após regularmente intimada (fls.277­279).  Desse  exame,  emergiram  algumas  diferenças,  demonstradas  no  ANEXO V.  [...]O  procedimento  relativo  à  Contribuição  para  o  PIS  segue  nesta  mesma linha, conforme Relatório de fls.1.232 e 1.236.  Em  preliminar,  a  contribuinte  apresentou  suas  razões  (fl.1.133  e  fl.2.324) de irresignação que a seguir se resume:  Do  uso  irregular  do  MPF­F­  Espontaneidade  ­  cita  e  transcreve  artigos  da  extinta  portaria  1.265/99,  para  concluir  que  não  houve  prorrogação  do MPF­F  inicial,  emitido  em  08/07/2005,  com  término  previsto para 05/11/2005, portanto o MPF­F extinguiu­se nesta data; a  Portaria  estabelece  que,  extinto  o  MPF­F  por  decurso  de  prazo,  os  auditores responsáveis pela execução do mandado extinto não poderão  ser indicados para o novo MPF;  ­ além do decurso de prazo do MPF­F, ainda que tenham supostamente  havido  prorrogações,  os  mesmos  AFRFs,  responsáveis  pelo  MPF­F  decaído,  continuaram,  irregularmente,  o  procedimento  fiscal  até  a  lavratura  do  Auto  de  Infração;  os  mesmos  AFRFs  foram  ambos  nomeados  no  dia  08/07/2005  e mantiveram­se  atuando  e  ATUANDO  em  11/12/2005,  com  ciência  do  contribuinte  em  19/12/2005,  PORTANTO  COMPLETAMENTE  FORA  DO  PRAZO  e  das  regras  legais de substituição;  ­  após  arrazoado  acerca  da  criação  do  MPF­F,  conclui  que  "Demonstrado que o MPF­F que originou o presente auto de infração  Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.519          4 foi  irregularmente  prorrogado,  por  não  obedecer  o  disposto  no  §  do  art.16 da Port. 1.265/99, restou configurado em favor da impugnante a  figura  da  'denúncia  espontânea',  que  lhe  deveria  ter  sido  oferecida  para  resgatar  os  tributos  se  existissem,  razão  pela  qual  devem  ser  excluídas  as multas  de  oficio  aplicadas,  e  claro  anulando  todo  o  ato  fiscal,  ou  no  máximo  que  sejam  aplicadas  as  multas  moratórias  dos  20% ".  No mérito, na impugnação apresentada (fls.1.132 a 1.167 ­ COFINS e  fls.2.328 a 2.359­ PIS) a contribuinte  traz seus argumentos acerca de  arbitramento de lucro, da tributação de omissão receitas, que aqui não  se  resumem,  tendo  em  vista  que  estas  questões  foram  tratadas  em  outros processos administrativos (apensos).  Assim, aqui  irá se relatoriar os argumentos trazidos pela contribuinte  naquilo  que  se  referem  apenas  ao  lançamento  das  diferenças  de  COFINS (fls.1.149) e de PIS (fls.2.341):  • Na  re­apuração da base de  cálculo de PIS  e Cofins,  com o  (sic)  já  consumado no arbitramento, o fisco não considerou o montante correto  de  devoluções  de  mercadorias  em  todos  os  períodos,  por  uma  razão  óbvia: a fiscalização não dispunha e não solicitou os livros de entrada  da  empresa  fiscalizada.  Como  poderia  a  fiscalização  obter  tal  informação sem examinar os livros sobre os quais seriam normalmente  extraídas  estas  informações?  Talvez  o  fisco  nem  pretendesse  efetuar  levantamentos nos livros de entrada, visto que ali somente encontraria  créditos de tributos e custos a serem deduzidos numa efetiva apuração  de lucro real.  ­  que,  "numa  planilha  absurda,  o  fisco  computa  mês  a  mês  as  diferenças entre o apurado em favor do fisco e lança em seu favor, mas  não relaciona os valores onde o contribuinte é credor para deduzir ou  compensar  nos  cálculos  finais.  "  ­  A  conta  Especifica  na  Planilha  Equivocada  e  a Decadência  ­  para  demonstrar  os  valores  que  fazem  parte do auto de infração, o fisco elabora os chamados anexos III e IV  e neles,  talvez por  equívoco, porque  sabe perfeitamente que  como foi  feito não está correto, o fisco deixa de registrar os créditos;  ­  apenas  para  citar  um  exemplo,  pois  uma  planilha  completa  será  juntada  aos  autos,  podemos  referir­nos  ao  ano  de  2004,  quando  em  fevereiro, o fisco comparando a apuração que ele mesmo fez na coluna  "Valor líquido apurado" um total de RS 21.680,70 e tendo encontrado  na  coluna  "Créditos  apurados"  do  contribuinte,  num  total  de  R$  7.902,83  lançou  na  coluna  "Tributo"  o  valor  de  R$  13.777,87,  valor  este que utilizou para a lavratura e apuração do ato fiscal;  ­  ENTRETANTO,  no  mesmo  ano,  no  mês  de  dezembro,  vamos  encontrar na coluna "Valor líquido apurado" um total de R$ 78.382,52  e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, um  total  de R$  125.299,21, O  FISCAL NAO LANÇOU NUMA COLUNA  DE  CRÉDITOS,  o  valor  de  R$  46.916,69.  E  ASSIM  FEZ  SUCESSIVAMENTE NOS CINCO ANOS. A CONTA ESTÁ ERRADA.  ­  embora a  rigor nada  seja devido, porque a  escrita não poderia  ser  desclassificada, de qualquer  forma, com certeza no presente caso, no  mínimo os Srs.  Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.520          5 Julgadores  determinarão  uma  diligência  para  apurar  os  valores  regulares  e  constatar  que  se  dívida  houver,  será  de  valor muitíssimo  menor.  Nossa  planilha  evidencia  que  entre  2000  e  2004  em  vez  de  dever R$ 179.900,00 o contribuinte deveria R$ 68.500,00;  ­ deixamos de abordar acima o ano de 1999, porque o entendemos já  alcançado  pela  decadência,  porque  na  condição  de  tributo,  que  se  paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do  CTN, nunca as  regras da Lei 8.212/91,  conforme  já vem  julgando os  tribunais,  inclusive  o  STJ;  também  não  abordaremos  aqui  o  ano  de  2005, porque neste caso os  julgadores necessitarão determinar que o  fisco  reexamine  os  cálculos  para  apurar  todos  os  valores  que  não  foram deduzidos na aplicação de alíquota não cumulativa.  Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram totalmente  acolhidos  pela  primeira  instância  de  julgamento  administrativo  fiscal,  conforme  ementa  do  Acórdão abaixo transcrito:   Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa:  Mandado  de  Procedimento  Fiscal­  Fiscalização  (MPF­F).  Prorrogação da Fiscalização.  Constatado  que  o  MPF  foi  devidamente  prorrogado,  como  revela  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação  deste  instrumento,  não  há  que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Contribuições Sociais. Decadência.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  apurar  e  constituir  seus  créditos  relativos  à  COFINS  e  PIS  extingue­se  após  dez  anos,  contados  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter  sido constituído.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Insuficiência de Recolhimento.  Constatado  que,  em  alguns  meses,  a  base  de  cálculo  apurada  pela  contribuinte  revelou­se  inferior  à  apurada  pela  Fiscalização,  não  abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das  diferenças apontadas.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005   Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.521          6 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher.  Verificado  que  os  valores  declarados  em DCTF  diferem  para menor  dos  valores  da  contribuição  registrada  na  escrituração  contábil,  correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa: Insuficiência de Recolhimento.  Constatado  que,  em  alguns  meses,  a  base  de  cálculo  apurada  pela  contribuinte  revelou­se  inferior  à  apurada  pela  Fiscalização,  não  abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das  diferenças apontadas.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005   Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher.  Verificado  que  os  valores  declarados  em DCTF  diferem  para menor  dos  valores  da  contribuição  registrada  na  escrituração  contábil,  correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004   Ementa:  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  DUPLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONDIÇÃO  INOCORRENTE.  Constatado que não ocorreram as condições previstas nos arts. 71, 72  e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da  multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova  redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006,  DOU de 30/06/2006).  Lançamento Procedente em Parte   Contra essa decisão foi interposto o recurso das fls. 2.433 a 2.445, para reiterar a  preliminar  de  nulidade  argüida  na  peça  impugnatória  sobre  irregularidades  concernentes  ao  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  trazer  alegações  relativas  à  impossibilidade  de  desclassificação  da  escrita,  reportando­se  à  peça  impugnatória  para  invocar  os  mesmos  argumentos e a jurisprudência ali citada e, no mérito, alegar, em síntese, que:  (i)  ­ há  flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o  tributo  devido,  pois  não  se  utilizaram  os  valores  relativos  a  diferenças  a  favor  da  recorrente  para  deduzir  ou  compensar  com  as  diferenças  a  favor  do  Fisco  (lançadas).  Compare­se,  por  exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro  (crédito a favor da recorrente que não foi considerado);  Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.522          7 (ii) ­ deve ser considerado que o processo n° 10925.002678/2005­71, que trata  do lançamento decorrente de omissão de receita foi anulado pela DRJ/FNS;  (iii)  ­  na  impugnação,  deixou­se  de  tratar  do mérito  da  exigência  relativa  aos  fatos geradores de 1999 e de 2000, por estarem fulminados pela decadência, em conformidade  com o art. 173 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN),  não sc lhes aplicando a Lei n° 8.212, de 1991, como sustentado na decisão recorrida;  (iv)  ­  não  foram  consideradas  pela  instância  de  piso  as  alegações  relativas  ao  arbitramento do lucro e enquadramento legal.  A  recorrente  relacionou  os  itens  da  decisão  da  instância  recorrida,  cujos  fundamentos considerou inconsistentes, para requerer que sejam reexaminados à vista da peça  impugnatória:  a) irregularidades do MPF­F;  b) desclassificação da escrita, sobre o que não se manifestaram os julgadores da  DRJ/FNS;  c) equívocos na elaboração da planilha;  d) decadência dos fatos geradores entre janeiro de 1999 a outubro de 2000.  Ao  final,  solicitou  a  recorrente  o  arquivamento  dos  autos,  em  face  do  seu  equivocado fundamento na desclassificação da escrita, ou que sejam refeitos os cálculos para  consideração dos seus créditos na apuração do tributo para o lançamento ou, nesse ponto, seja  autorizada perícia para constatar que existiam na contabilidade e demais registros informações  suficientes  para  apuração  de  resultados,  sem  necessidade  de  arbitramento  e  que  seja  considerada a decadência de parte dos créditos lançados.  Requereu ainda redução da multa de 75% para 20% e o afastamento da taxa do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  (Selic),  visto  que  tal  acréscimo  é  indevido,  nos  termos do que j á decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ).  Verifica­se  que  foram  arrolados  bens,  conforme  informação  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Joaçaba  (SC),  à  fl.  2.446/2.448,  controlado  no  PAF  nº  10925.0002680/2005­41 (informação fl. 2.449).  Pois bem.  Em 26/04/2007, o Segundo Conselho de Contribuintes, os Membros da Terceira  Câmara,  resolvem,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  DILIGÊNCIA,  Resolução nº 203­00.806, nos seguintes termos (fls. 2.451/2.455) ­ grifamos:  "(...)  Assim,  a  decisão  administrativa  no  processo  n°  10925.002675/2005­38,  que  cuida  do  IRPJ  e  da  CSLL,  tributos  cuja  base  imponível  é  o  lucro,  pode  refletir  na  decisão  destes  autos,  conforme  considerar  ou  não  procedente  o  arbitramento  do  lucro  Em  face  disso,  para  a  solução  do  litígio,  entendo  necessário  aguardar  o  julgamento do recurso n° 155.202, que se encontra na Quinta Câmara  do Primeiro Conselho de Contribuintes.  Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.523          8 Destarte,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem,  após  a  definitividade  da  decisão  administrativa no processo supracitado, dela anexe cópia a estes autos  e elabore demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da  Cofins  de  que  cuidam  estes  autos  que  decorrem  da  exclusão  da  recorrente do regime não­cumulativo dessas contribuições.  Por  fim,  saliente­se  que  deve  ser  dada  ciência  à  recorrente  dessa  diligência  com  o  respectivo  resultado,  concedendo­lhe  prazo  para  sobre ela se manifestar.  Os autos,  então,  foram  encaminhados  à DRF/Joaçaba  (SC),  para cumprimento  da referida Resolução (fl. 2.456).  É o relatório.    Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   1. Admissibilidade do recurso   Como já verificado quando da Resolução, o recurso satisfaz os requisitos legais  de admissibilidade, por isso dele deve ser conhecido.  2. Contextualização dos fatos   Contra a Requerente foi formalizada a exigência de crédito tributário relativo à  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  e  à  contribuição  para  o  Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre  março  de  1999  e maio  de 2005,  conforme  autos  de  infração  e demonstrativos  às  fls.  7  a  21  (Cofins) e 1.225/1.250 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em dezembro de 2005.  Destaca­se  que  do  procedimento  fiscal  em  questão  resultou  também  o  lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL), com base em lucro arbitrado em função da  receita bruta, visto que a  fiscalização considerou imprestável para a apuração do lucro real a escrita contábil da autuada  relativa ao período de 1999 a 2004, em face da inobservância de princípios e normas contábeis  e das irregularidades apontadas no Relatório de Atividade Fiscal (RAF) às fls. 22 a 48.  A receita bruta foi informada pela contribuinte, em atenção a intimações fiscais,  e apurada pela fiscalização, com subsídio do Livro Razão e dos Livros de Saída e Apuração do  ICMS.  Apurada  a  receita  bruta  de  cada  ano  fiscalizado,  a  fiscalização  procedeu  ao  confronto  com as  correspondentes  receitas declaradas  em Declarações de Créditos  e Débitos  Federais (DCTF) e constatou as diferenças, conforme quadro "Resumo das diferenças apuradas  relativas à Cofins", à fl. 41, sendo que, a partir de fevereiro de 2004, essas diferenças se devem  Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.524          9 também  à  exclusão  da  contribuinte  do  regime  não­cumulativo  para  o  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Para  os  fatos  geradores  compreendidos  entre  março  de  1999  e  novembro  de  2004, a multa de ofício foi qualificada, aplicando­se 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre  o valor do  tributo  lançado, por  ter a  fiscalização "identificado  inúmeros  indícios de  fraude'",  ordenados de lº a 4º TRI, conforme RAF, à fl. 41 (Cofins) e fl. 1.244 (PIS).  Os fatos geradores de abril e maio de 2005 constituem o item 002 da descrição  dos fatos e enquadramento legal do auto de infração e o lançamento correspondente decorre de  meras  diferenças  entre  os  valores  declarados  pela  contribuinte  na  DCTF  e  os  valores  escriturados,  razão pela qual foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o  valor do tributo objeto da exigência fiscal.  O  lançamento  do  PIS  foi  efetuado  em  conformidade  com  o  mesmo  procedimento dispensado à Cofins,  conforme o Auto de  Infração e o RAF constante das  fls.  1.212 a 1.250.  Ambas as peças fiscais foram impugnadas e a 3ª Turma da Delegacia da Receita  Federal  de  Julgamento  de  Florianópolis  ­  SC  (DRJ/FNS),  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento  para  reduzir  a multa  de  ofício  de  150%  para  75%,  conforme  voto  condutor  do  Acórdão constante das fls. 2.412/2.421.  3. Da Diligência solicitada pelo 2º CC   Como visto, verifica­se que o contido na Resolução nº 203­00.806, do extinto  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  (fls.  2.451/2.455),  foram  solicitadas  as  seguintes  providências à Unidade de origem do processo:  1­  após  a  definitividade  da  decisão  administrativa  no  processo  nº  10925.002675/2005­38,  que  cuida  do  IRPJ  e  da  CSLL,  dela  anexe  cópia a estes autos;  2­ elabore demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da  Cofins  de  que  cuidam  estes  autos  que  decorrem  da  exclusão  da  recorrente do regime não­cumulativo dessas contribuições, e   3  ­ Por  fim,  saliente­se que deve ser dada ciência à  recorrente dessa  diligência  com  o  respectivo  resultado,  concedendo­lhe  prazo  para  sobre ela se manifestar.  Posto  isto,  quanto  ao  atendimento  do  solicitado  no  item  1  acima,  a  DRF  de  Joaçaba, em seu despacho às fl. 2.508, cumpriu e informou o seguinte:  "(...)  Informamos  que  foram  juntadas  às  fls.  2.460/2.480  cópia  do  Acórdão  nº  105­17.154  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais (CARF), que julgou o recurso nº 155.202, e, às fls. 2481/2490,  cópia da Decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais relativa ao  julgamento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional.  Também  juntamos  cópia  da  ciência  da  Fazenda  Nacional,  fl.  2.491,  e  do  contribuinte, fls. 2.492/2.496, em relação a esta última decisão.  Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.525          10 Conforme  consta  às  fls.  2.497/2.507,  o  interessado  aderiu  a  parcelamento especial da lei nº 11.941/2009, que foi reaberto pela lei  nº  12.996/2014,  e  os  débitos  do  processo  nº  10925.002675/20005­38  poderão  ser  incluídos  no  parcelamento  pleiteado.  No  momento  o  parcelamento  especial  ainda  está  aguardando  a  prestação  de  informações para a consolidação.  Considerando  que  as  providências  desta  Seção  já  foram  tomadas,  proponho  o  encaminhamento  à  Safis  desta  Delegacia  para  continuidade, conforme Despacho de fl. 2.458.  No entanto, quando ao  item 2 da solicitação, a DRF de Joaçaba (SC), em sua  Informação Fiscal de fls. 2.510/2.511, consignou o que segue:  "(...) Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência da  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins.  Em atendimento ao despacho de folhas nº 2.508 a 2.509, analisamos o  pedido  de  diligência  requestado  pelo  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  conforme  Resolução  nº  203­  00.806,  Recurso  nº  137.529,  em  especial  o  contido  na  folha  nº  2.455  (folha  nº  2.428  do  volume  13,  numeração  original  do  processo  físico)  que  reza  sejam  elaborados demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da  COFINS  de  que  cuidam  estes  autos  que  decorrem  da  exclusão  da  recorrente  do  regime  não­cumulativo  dessas  contribuições.  Aqui,  fazemos uma observação: o pedido de diligência faz referência ao PIS  e a Cofins, porém o presente processo trata exclusivamente da Cofins  (...).  Ocorre que tanto no Relatório do acórdão recorrido (DRJ à fl. 2.414), como na  Resolução  prolatada  pelo  2º  CC  (fl.  2.452),  consta  claramente  que  nestes  autos  estão  sendo  julgados  as  duas  contribuições,  quais  sejam,  o  PIS  e  a  Cofins.  Veja­se  os  trechos  abaixo  reproduzidos, primeiro da DRJ, depois 2º CC:  "(...) O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para  o  PIS  estava  contemplado  no  processo  administrativo  fiscal  de  n°  10925.002676/2005­82, o qual, por força do disposto na Portaria SRF  de  n°  6.129,  de  02/12/2005,  foi  anexado  ao  presente  processo,  conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189".  "(...) Contra a pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo foi  formalizada a  exigência de  crédito  tributário  relativo à Contribuição  para Financiamento da Seguridade Social  (Cofins) e à contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  decorrente  dos  fatos  geradores ocorridos no período entre março de 1999 e maio de 2005,  conforme autos de infração e demonstrativos às  fls. 5 a 17 (Cofins) e  1.194 a 1.199 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em dezembro de  2005.  Ademais  disso,  o  processo  nº  10925.002676/2005­82,  referente  ao  PIS,  encontra­se apensado a este, conforme despacho de fl. 2.459.   Assim  sendo,  o  presente  processo  contempla  e  será  analisado  o  Recurso  Voluntário correspondente as exigências do PIS e da Cofins.  Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/2005­27  Resolução nº  3402­000.778  S3­C4T2  Fl. 2.526          11 Portanto,  considerando  todas  as  informações  relatadas  acima  e  ainda  novas  informações  que  foram  trazidos  aos  autos,  como  as  cópias  do  processo  nº  10925.002675/20005­38 (referente ao IRPJ e CSLL), bem como os resultados de julgamentos  prolatados pelo CARF (incluindo os Recursos Especiais) às fls. 2.460/2.490, e também juntado  documentos  informando  que  foi  solicitado  adesão  ao  parcelamento  especial  da  Lei  nº  11.941/2009, que foi reaberto pela lei nº 12.996/2014 (fls. 2.497/2.507), referente ao processo  do  IRPJ  e  CSLL  e  que  não  foi  dado  conhecimento  do  resultado  ao  Recorrente,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  para  que  este  processo  retorne  à  DRF  de  Joaçaba (SC), para que proceda o seguinte:  1) Complementar as informações solicitadas na Resolução emanada pelo 2º CC,  quanto ao PIS, qual seja, elaborar demonstrativo com vista a segregar os valores de que cuidam  estes  autos,  que  decorrem  da  exclusão  da  recorrente  do  regime  não­cumulativo  dessa  contribuição;   2)  Analisar  e  elaborar  parecer  sobre  a  procedência  da  seguinte  alegação  no  recurso "(...) que há  flagrantes erros na planilha da  fiscalização em que se apurou o  tributo  devido,  pois  não  se  utilizaram os  valores  relativos  a  diferenças  a  favor  da  recorrente  para  deduzir  ou  compensar  com  as  diferenças  a  favor  do  Fisco  (lançadas).  Compare­se,  por  exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro  (crédito a favor da recorrente que não foi considerado)";  3)  Informar,  se  procede  o  argumento  da  Recorrente  de  que  "(...)  deve  ser  considerado que o processo n° 10925.002678/2005­71, que trata do lançamento decorrente de  omissão de receita, foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC)";  5) Outras informações que julgar pertinentes para o deslinde desta questão; e   4) Por  fim,  saliente­se que deve  ser dada  ciência  à  recorrente dessa diligência  com o respectivo resultado, concedendo­lhe prazo para sobre ela se manifestar.  É como voto.  Sala das sessões, em 27 de abril de 2016.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra  Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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6410243 #
Numero do processo: 11131.720573/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/1995 a 26/12/1996 REPETRO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. NATUREZA DE REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. O REPETRO é um regime aduaneiro especial que autoriza a importação de equipamentos destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, ficando os tributos federais com sua exigibilidade suspensa pelo período de utilização do aludido programa. REPETRO. EXTINÇÃO. Extingue-se o regime com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: i) reexportação; ii) entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebê-lo; iii) destruição, às expensas do interessado; iv) transferência para outro regime aduaneiro especial; ou, v) despacho para consumo. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVO E OBJETO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL É nulo, por vício material de motivo, o lançamento feito sem que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias à exigência do crédito tributário. Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3301-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Hélcio Lafetá Reis e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 10          1 9  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11131.720573/2012­26  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3301­002.976  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de maio de 2016  Matéria  Regimes Aduaneiros  Recorrente  Fazenda Nacional   Interessado  Tucker Energy do Brasil Comércio e Serviços Petrolíferos Ltda    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 01/01/1995 a 26/12/1996  REPETRO.  REGIME  ADUANEIRO  ESPECIAL.  NATUREZA  DE  REGIME  DE  ADMISSÃO  TEMPORÁRIA.  O  REPETRO  é  um  regime  aduaneiro especial que autoriza a importação de equipamentos destinados às  atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural, ficando os  tributos federais com sua exigibilidade suspensa pelo período de utilização do  aludido programa.  REPETRO.  EXTINÇÃO.  Extingue­se  o  regime  com  a  adoção  de  uma  das  seguintes  providências,  pelo  beneficiário,  dentro  do  prazo  fixado  para  a  permanência do bem no País: i) reexportação; ii) entrega à Fazenda Nacional,  livre de quaisquer despesas, desde que a  autoridade aduaneira concorde em  recebê­lo;  iii)  destruição,  às  expensas  do  interessado;  iv)  transferência  para  outro regime aduaneiro especial; ou, v) despacho para consumo.  LANÇAMENTO.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVO  E  OBJETO.  OFENSA  AO  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL  É  nulo,  por  vício  material  de  motivo,  o  lançamento  feito  sem  que  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  à  exigência  do  crédito  tributário.   Recurso de Ofício negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o  presente  julgado.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 05 73 /2 01 2- 26 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 11          2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto  Natal  (Presidente),  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Valcir  Gassen,  Hélcio  Lafetá Reis e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.  Relatório  Por bem descrever a controvérsia nestes autos, transcrevo o relatório da Resolução nº  3202­000.280, da 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, que baixou o presente feito em diligência  em 16/09/2014:    "Trata­se do lançamento efetivado pela fiscalização da Alfândega da Receita Federal  do Brasil do Porto de Fortaleza (ALF/FOR), por meio do qual se exige o crédito  tributário a  seguir  discriminado,  em  virtude  de  a  fiscalização  haver  concluído  que  a  empresa  autuada  deixou  de  cumprir  condições  do  regime  aduaneiro  de  admissão  temporária  e  de  atender  a  intimação fiscal:        Acusa a  fiscalização que, em virtude do não atendimento de intimação fiscal para a  apresentação de garantia para acobertar a aplicação do Repetro, conforme a previsão contida no  art. 16 da Instrução Normativa (IN) RFB n° 844, de 9 de maio de 2008, combinado com o art.  8º  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  285,  de  14  de  janeiro  de  2003,  foi  emitido  o  Parecer  Sadad/ALF/FOR n° 015, de 10 de fevereiro de 2012, pelo qual foi indeferida a prorrogação do  regime  aduaneiro  especial  de  Admissão  Temporária  aplicado  aos  bens  constantes  das  Declarações de Importação nº 438, de 13 de abril de 1992, 439, de 13 de abril de 1992, 2787,  Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 12          3 de 8 de maio de 1995; 4094, de 12 de julho de 1995; 4830, de 31 de agosto de 1995; 5744, de 7  de novembro de 1995; 6488, de 26 de dezembro de 1995; 1068, de 26 de março de 1996, e  3875, de 21 de outubro de 1996.     O Despacho Decisório que acatou o referido Parecer determinou que, no prazo de 30  (trinta) dias, fosse efetuada a reexportação dos bens insertos nas supracitadas DI, com base no  art. 367, § 9º do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, c/c o art. 15, § 12 da IN SRF nº  285, de 2003, bem como o pagamento da multa prevista no artigo 728, inciso IV, alínea “c” do  mesmo Decreto, pelo não atendimento de  intimação,  tendo sido facultado ao  interessado, em  caso de inconformidade com o Despacho Decisório, a  interposição de recurso voluntário, em  última instância, ao superintendente Regional da Receita Federal do Brasil na 3ª Região Fiscal.    Consta  que  a  empresa  autuada,  cientificada  do  Despacho  Decisório  em  10  de  fevereiro de 2012, procedeu ao recolhimento da multa, mas, não reexportou a mercadoria, nem  interpôs recurso voluntário, o que motivou a exigência do crédito tributário inscrito em Termo  de Responsabilidade, com base no art. 369, inciso II, do Decreto n° 6.759, de 2009, c/c o art.  17, inciso II, da IN SRF nº 285, de 2003.     A  fiscalização, então, procedeu, em 24 de abril  de 2012,  com base no disposto nos  artigos 15 a 25 e 370 do Decreto n° 6.759, de 2009, c/c o artigo 19, caput e incisos I e II, da IN  SRF  nº  285,  de  2003,  à  intimação  da  empresa  autuada  para,  no  prazo  improrrogável  de  30  (trinta) dias, pagar a multa prevista no artigo 709 do citado Decreto (cuja matriz legal é o art.  72,  inciso  I,  da  Lei  n°  10.833,  de  29  de  dezembro  de  20032),  e  a  iniciar  o  despacho  de  reexportação  da  mercadoria  ou  registrar  DI  para  despacho  para  consumo  dos  bens,  com  o  pagamento do crédito  tributário devido, acrescido de  juros de mora e da multa acima citada,  tendo  sido  alertado  à  empresa  beneficiária  do  regime  que  o  não  atendimento  da  intimação  dentro  do  prazo  implicaria  retificação  de  oficio  das  DI  e  lançamento  de  ofício  do  crédito  tributário, segundo o artigo 370, § 1° do Decreto n° 6.759, de 2009, e artigo 19, §1° da IN SRF  nº 285, de 2003.    Decorrido,  em  25  de  maio  de  2012,  o  prazo  estabelecido,  e  diante  do  silêncio  da  empresa, procedeu a  fiscalização aos presentes autos de  infração, dos quais a autuada  tomou  ciência em 31 de maio de 2012 (fls. 3 e 27), impugnando­os em 2 de julho do mesmo ano (fls.  164/181),(...)”    Na impugnação apresentada (e­fls. 164/181), a contribuinte alega o que segue:    a) Apresenta síntese dos fatos que deram origem à autuação:    ­  que  em  25/11/2011,  solicitou  a  prorrogação  do  regime  aduaneiro  especial  de  REPETRO,  sendo  intimada  em  17/01/2012  ,  por  meio  de  Termo  de  Intimação  Fiscal,  para  apresentar novos Requerimentos de Prorrogação do Regime ("RPR") e respectivos Termos de  Responsabilidades ("TR"), no qual constasse declarada a forma de garantia correspondente ao  total  dos  tributos  devidos  suspensos,  igual  ou  acima  de  R$  20.000,00,  bem  como  as  vias  originais dos documentos relativos à  forma de garantia utilizada. Foi­lhe dado o prazo de 05  dias, contados da ciência da intimação, para apresentação dos documentos solicitados;    ­  que,  no  momento  da  intimação,  além  de  não  dispor  de  recursos  para  realizar  a  garantia,  analisou as condições dos bens abrangidos pelo  regime de admissão  temporária em  questão, e, verificou que já não tinha mais interesse econômico na sua utilização, em virtude de  Fl. 566DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 13          4 os bens estarem bastante desgastados. Assim, ao invés de proceder à prorrogação do regime ou  reexportar os bens, optou por providenciar a inutilização dos mesmos, razão pela qual não se  manifestou em relação à referida intimação;    ­ que, antes de qualquer procedimento da autoridade  administrativa para executar o  Termo de Responsabilidade  ,  requereu  a  extinção do  regime aduaneiro  especial  de admissão  temporária,  apresentando pedidos administrativos protocolizados em 12/03/2012,  referentes a  cada uma das DI objeto da presente autuação. Neste requerimentos solicitou: (a) A autorização  para  destruição  da  grande  parte  das  mercadorias,  nos  termos  do  artigo  15,  inciso  III,  da  Instrução Normativa n° 285/2003;  (b) A autorização para a nacionalização de uma parte das  mercadorias  por  meio  de  despacho  para  consumo,  nos  termos  do  artigo  15,  inciso  V,  da  Instrução  Normativa  n°  285/2003,  e  (c)  A  autorização  para  reexportação  da  mercadoria  FONTE  RADIOATIVA AM/BE241  (Cesio  C137  20.CI)  por  via  aérea  em  virtude  do  risco  radioativo envolvido, nos termos do artigo 15, inciso I, da Instrução Normativa n° 285/2003;    ­  que,  em 24/04/2012,  ignorando os pedidos de  destruição dos  bens  realizados pela  Impugnante,  a RFB  lavrou Termo de  Intimação  Fiscal,  por meio  do  qual  foi  intimada  a,  no  prazo  improrrogável  de  30  dias,  contados  da  ciência  daquele  Termo,  efetuar  os  seguintes  procedimentos:  (i)  pagamento  da  multa  prevista  no  artigo  709,  do  Decreto  n°  6.759/09,  de  10,0%  sobre  o  valor  aduaneiro  pelo  descumprimento  das  condições  estipuladas  para  permanência  do  regime  de  Admissão  Temporária  e  iniciar  o  despacho  de  reexportação  das  mercadorias, ou (ii) registro de DI para os bens com o pagamento do crédito tributário devido,  acrescido o valor de juros de mora e da multa citada no item (i).    ­  que,  na  mesma  data  em  que  foi  expedido  o  predito  Termo  de  Intimação,  em  24/04/2012,  também  foi  lavrado  Auto  de  Infração  (n°  0317600/00265/12)  para  exigir  o  pagamento da multa prevista no artigo 709, do Decreto n° 6.759/09, de 10,0% sobre o valor  aduaneiro  pelo  descumprimento  das  condições  estipuladas  para  permanência  do  regime  de  Admissão Temporária (Processo Administrativo n° 11131.720422/201278);    ­  que  apresentou  impugnação  em  face  do  Auto  de  Infração,  nos  autos  daquele  processo administrativo; e    ­  que,  em  31/05/2012,  teve  contra  si  lavrado  mais  um  Auto  de  Infração  (nº  0317600/00331/12), objeto da lide destes presentes autos;    b)  Nulidade  do  Auto  de  Infração  por  ausência  de  motivação  administrativa  que,  conforme  se  infere  dos  fatos  descritos  no  Auto  de  Infração  impugnado,  a  autoridade  fiscal  justificou a autuação na suposta falta de manifestação da Impugnante com relação ao Auto de  Infração  n°  0317600/00265/12,  lavrado  no  dia  24/04/2012  e  cujo  prazo  final  para  defesa  se  encerrou no dia 25/05/2012.Entretanto, diferentemente do que alega o agente fiscal autuante, a  contribuinte  apresentou  a  devida  Impugnação  Administrativa  contra  o  Auto  de  Infração  n°  0317600/00265/12, dentro do prazo legal (25/05/2012), conforme faz prova a cópia integral do  processo administrativo n° 11131.720422/201278;    ­ que, considerando que de acordo com o próprio agente fiscal autuante, o motivo que  levou à  lavratura do presente Auto de  Infração  teria  sido  a  suposta  falta de manifestação da  Impugnante  com  relação  ao Auto  de  Infração  n°  0317600/00265/12  e  uma  vez  comprovado  que  a manifestação  existiu,  conclui­se  que o  ato  administrativo  de  lançamento  de  ofício  sob  análise perdeu a sua motivação e, portanto, a sua razão de existir;  Fl. 567DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 14          5   c) Impossibilidade de retificação de ofício da Declaração de Admissão Temporária no  caso  em  questão  em  virtude  da  expressa  solicitação  de  extinção  do  Regime  de  Admissão  Temporária feita pela Impugnante.    ­  que,  antes  de  qualquer  procedimento  da  autoridade  administrativa  com  vistas  a  executar  o  Termo  de  Responsabilidade,  a  Impugnante  protocolizou  o  devido  pedido  de  extinção  do  Regime  de  Admissão  Temporária,  no  intuito  de  regularizar  a  situação  das  mercadorias importadas sob o referido regime especial de importação, e assim o fez nos termos  da legislação aplicável;     ­  que  a  autoridade  administrativa,  ao  ignorar  os  pedidos  formulados,  infringiu  determinação  contida  no  art.  48  da  Lei  nº.  9.784/99,  bem  como  ofendeu  o  Princípio  constitucional do Direito de Petição;    ­ que o Auto de Infração é totalmente improcedente, tendo em vista que a Impugnante  adotou medida prevista em lei para a extinção do Regime de Admissão Temporária antes da  execução do Termo de Responsabilidade, situação esta que afasta por completo a possibilidade  de retificação de ofício das DI's em questão. Ao final, requereu seja declarada a improcedência  do Auto de Infração e a extinção do crédito tributário, aí incluídas todas as penalidades.    A DRJ Fortaleza/CE julgou a  impugnação procedente em parte, nos  termos decisão  cuja ementa é a seguinte (efls. 396/412):    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/01/1995 a 26/12/1995   LANÇAMENTO.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVO  E  OBJETO.  OFENSA  AO  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.  É  nulo,  por  vício  material  de  motivo,  o  lançamento  feito  sem  que  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  à  exigência  do  crédito  tributário.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS.  A matéria não impugnada não comporta julgamento administrativo, pois em  relação a ela não se instaurou a fase litigiosa do procedimento.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte     Aquele  órgão  julgador  manteve  o  lançamento  somente  em  relação  à  multa  por  desatendimento à intimação fiscal, no valor de R$ 5.000,00, em razão de a matéria não ter sido  impugnada  pela  autuada.  No  mais,  o  lançamento  efetuado  foi  declarado  nulo,  por  vício  material, em relação aos tributos (II e IPI vinculado), juros de mora e multa de ofício.  Chegam  os  autos  a  este  Colegiado  para  julgamento,  em  razão  de  interposição  de  recurso de ofício."  Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 15          6 Em 16 de setembro de 2014,  foram os presentes autos baixados em diligência, pela  Resolução  nº  3202­000.280,  para  que:  "a  autoridade  preparadora  informe  qual  a  data  de  vencimento  final  do  regime  aduaneiro  especial  de  Admissão  Temporária  concedido  para  os  bens constantes de cada uma das nove DI que foram objeto da autuação."  Por sua vez, 28 de novembro de 2014, foi prestada a informação requerida (e­fls. 538­ 544) pela referida diligência.    É o Relatório.  Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  O recurso de ofício é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele,  portanto, tomo conhecimento.  Trata­se de Auto de Infração, lavrado em 31/05/2012 (ciência na mesma data), contra  a empresa Tucker Energy do Brasil, no montante R$ 10.763.726,21, para exigência de Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  vinculado  à  importação,  bem  como  acréscimos legais (juros de mora e multa de ofício de 75%) e multa de R$ 5.000,00 em razão  de a contribuinte haver deixado de atender a intimação fiscal.   A  DRJ,  por  unanimidade  de  votos,  declarou  a  nulidade  do  lançamento,  na  parte  relativa  aos  tributos  (Imposto  de  Importação  e  IPI  vinculado  à  importação),  aos  respectivos  juros  de  mora  e  à  multa  de  ofício,  por  vício  material,  de  modo  a  exonerar  a  parcela  correspondente  do  crédito  tributário,  no  valor  de R$  10.758.726,21;  e  por maioria  de  votos,  declarou  como  não  impugnada  a  multa  por  descumprimento  de  intimação  fiscal,  ficando,  consequentemente, mantida essa parcela do crédito tributário, no valor de R$ 5.000,00.  O  lançamento  de  ofício  decorreu  do  descumprimento  de  condições  do  regime  de  admissão  temporária  aplicado  a mercadorias  importadas  sob  o  regime  aduaneiro  especial  de  exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra de jazidas de  petróleo e de gás natural – REPETRO.  Em 25/11/2011, a  Interessa pleiteou a prorrogação do  regime aduaneiro especial do  REPETRO,  com  base  em  contratos  celebrados  com  a  Alvorada  Petróleo  S/A.  Informa  a  fiscalização  que  a  Interessada,  deixou  de  atender  a  Termo  de  Intimação  Fiscal  datado  de  17/01/2012,  no  qual  se  exigia  a  apresentação  de  garantia  para  os  tributos  suspensos  em  decorrência da aplicação do REPETRO. Em virtude do não atendimento ao termo de Intimação  Fiscal, foi emitido o Parecer SADAD/ALF/FOR n. 15, de 10 de fevereiro de 2012, em que foi  indeferida a prorrogação do regime.  O Parecer SADAD/ALF/FOR n. 15/2012 tem a seguinte conclusão:    Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 16          7   O  feito  foi  convertido em diligência para esclarecimento a  respeito da data  final do  regime aduaneiro especial de admissão temporária, relativo ao REPETRO, concedido para os  bens constantes de cada uma das nove DI que foram objeto da autuação.  Em resposta, esclareceu­se o seguinte:  Conforme  o  item  7  da  Nota  Coana/Corel/Direa  nº  192/2002,  “considera­se  que  houve  a  prorrogação  tácita,  ou  seja,  que  continua  em  admissão  temporária  o  bem  cuja  permanência  no  país  tenha  ultrapassado  o  prazo  inicialmente  fixado,  mas  que  seja  objeto  de  pedido  tempestivo  de  extinção  ou  prorrogação  do  regime,  aguardando  decisão  de  autoridade  competente...”.  Verifica­se, por fim, que a empresa Tucker Energy do Brasil Comércio  e Serviços Petrolíferos Ltda  (nova denominação  social  que  tomou  a  pessoa  jurídica  Tucker  Wireline  Serviços  de  Perfilagem  do  Brasil  Ltda),  protocolizou  em 26/08/2010  (fls.  534/535),  nova  prorrogação  do  regime de  admissão  temporária  (REPETRO),  lastreando  seu  pedido  novamente  no  CONTRATO  TESPR  002.06/2007,  firmado  com  as  empresas  PETRORECÔNCAVO  S/A  e  RECÔNCAVO  E&P,  e  que,  após  intimação  fiscal,  informou  para  que  fosse  considerado  como  correto  o  CONTRATO  TESAP 009.03/2009 (fls. 536/537), firmado com a pessoa jurídica Alvorada  Petróleo  S/A,  com  prazo  de  vigência  até  05/05/2011,  ou  seja,  24  meses  a  contar da sua assinatura em 05/05/2009.  Da  análise  do  mérito  deste  último  pedido,  resultou  no  indeferimento do pleito em despacho decisório do chefe da Sadad desta  Alfândega, em 10/02/2012, fundamentado no Parecer SADAD/ALF/FOR  nº 015, de 10 de fevereiro de 2012 (fls. 538/540), resultando no lançamento  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 17          8 do crédito tributário constituído no auto de infração de nº 0317600/00331/12,  e formalizado por meio deste processo administrativo, e que ora encontra­se  em solicitação de diligência por meio da Resolução 3202.000.280, de 16 de  setembro  de  2014  do  CARF,  para  julgamento  da  remessa  de  ofício  do  Acórdão  nº  08­25.235,  de  04  de  abril  de  2013,  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE).  S.M.J,  pela  interpretação  dos  fatos  narrados,  e  tendo  em  vista  o  disposto  no  item  7,  da  Nota  Coana/Corel/Direa  nº  192/2002,  o  regime  de  admissão  temporária  (REPETRO)  aplicado  aos  bens  amparados  nas  declarações de importação de nº 438/92, 439/92, 2787/95, 4094/95, 4830/95,  5744/95, 6488/95, 1068/96 e 3875/96, esteve vigente,  tacitamente, até o dia  26/08/2010,  último  período  final,  da  sucessão  anterior  de  solicitações  tempestivas de prorrogação do regime, em que  foi  requerido a permanência  destes  bens  no  País,  e  para  o  qual  não  houve  despacho  formal  de  autoridade  competente  pronunciando­se  sobre  o  seu  mérito,  tendo  aquele  pedido  protocolado  em  26/08/2010  para  nova  prorrogação  do  regime,  e  indeferido  posteriormente,  também  sido  realizado  de  forma  tempestiva neste aspecto.    Do exposto acima, conclui­se que faltou motivação para o lançamento tributário, eis  que  no  momento  da  lavratura  do  auto  de  infração,  ainda  se  esperava  a  manifestação  da  autoridade  competente  quanto  aos  pedidos  de  extinção  de  regime  de  admissão  temporária  aplicado aos bens  importados sob o REPETRO apresentados pela empresa autuada. Por  isso,  acertadamente  a DRJ  reconheceu  a  configuração  do  vício material  a  inquinar  de  nulidade  o  lançamento dos tributos e dos respectivos juros de mora.    Explica­se.    Diante  do  descumprimento,  pelo  beneficiário  do  regime,  da  ordem  para  a  reexportação  dos  bens  no  prazo  de  trinta  dias,  exarada  no  Parecer  Sadad  nº  015/Despacho  Decisório de 10 de fevereiro de 2012 (fls. 159/160), a autoridade administrativa deflagrou, em  24 de abril de 2012, por meio da Intimação Fiscal de fls. 156/157, o procedimento de exigência  do  crédito  tributário  relativo  aos  tributos  suspensos,  tendo  o  beneficiário  do  regime  sido  intimado  a  pagar  a  multa  prevista  no  art.  709  do  Decreto  nº  6.759,  de  2009,  e  a  registrar  declaração de importação para os bens.  O  regime  de  admissão  temporária  extingue­se  com  a  adoção  de  uma  das  seguintes  providências, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: i)  reexportação;  ii)  entrega  à  Fazenda  Nacional,  livre  de  quaisquer  despesas,  desde  que  a  autoridade  aduaneira  concorde  em  recebê­lo;  iii)  destruição,  às  expensas  do  interessado;  iv)  transferência para outro regime aduaneiro especial; ou, v) despacho para consumo.  Ocorre que, em 12 de março de 2012, antes, portanto, do início da execução do termo  de responsabilidade, a Interessada havia requerido: “(a) autorização para destruição da grande  parte  das  mercadorias,  nos  termos  do  artigo  15,  inciso  III,  da  Instrução  Normativa  n°  285/2003; (b) autorização para a nacionalização de uma parte das mercadorias por meio de  despacho  para  consumo,  nos  termos  do  artigo  15,  inciso  V,  da  Instrução  Normativa  n°  285/2003,  e  (c)  autorização  para  reexportação  da  mercadoria  FONTE  RADIOATIVA  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 18          9 AM/BE241  (Césio C137 20.CI)  por  via  aérea  em  virtude  do  risco  radioativo  envolvido,  nos  termos do artigo 15, inciso I, da Instrução Normativa n° 285/2003”.  Contudo,  esses  requerimentos  não  foram  objeto  de  apreciação  e  decisão  pela  autoridade administrativa. Ressalte­se a comprovação desses pleitos às e­fls. 265/276.  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  844/2008  vigente  à  época  dos  fatos,  no  artigo  25,  disciplinava o procedimento a se adotar em caso de indeferimento de pedido de prorrogação do  regime de admissão temporária:  Art. 25. O regime de admissão temporária extingue­se com a adoção de uma  das  seguintes  providências,  pelo  beneficiário,  que  deverá  ser  requerida  dentro  do  prazo fixado para a permanência do bem no País:  I­ reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º;  II­  entrega  à  Fazenda  Nacional,  livre  de  quaisquer  despesas,  desde  que  a  autoridade aduaneira concorde em recebê­lo;  III­ destruição, às expensas do interessado;  IV­ transferência para outro regime aduaneiro especial; ou  V­ despacho para consumo.  [...]  § 10. Na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou  dos requerimentos a que se referem os  incisos  II a V do caput, o beneficiário  deverá adotar outra providência de extinção do regime em trinta dias da data  da  ciência  da  decisão,  salvo  se  superior  o  período  restante  fixado  para  a  permanência dos bens no País.    Em vista disso, tendo havido o indeferimento do pedido de prorrogação do regime, o  beneficiário  do REPETRO  podia,  no  prazo  estabelecido  no  despacho  decisório,  promover  a  extinção do regime por qualquer das formas previstas no caput do artigo 25, e não apenas por  meio do procedimento de reexportação, como determinara a autoridade administrativa, o que  significa  que  os  pedidos  de  extinção  do  regime  de  admissão  temporária,  apresentados  pelo  beneficiário ainda dentro do prazo concedido no Despacho Decisório de fls. 159/160,  tinham  respaldo  legal  e  deveriam,  necessariamente,  ter  sido  apreciados  pela  autoridade  competente  antes de qualquer medida atinente à exigência do crédito tributário suspenso.  Por  conseguinte,  ao  proceder  ao  lançamento  dos  tributos  suspensos  e  consectários  legais, sem a prévia apreciação dos pedidos de extinção do regime pela autoridade competente,  a autoridade lançadora agiu ao arrepio da legislação vigente, já que não havia as circunstâncias  fácticas  autorizadoras  da  exigência  do  crédito  tributário  suspenso,  ou  seja,  o  regime  de  admissão temporária ainda se encontrava em pleno vigor.  Portanto,  impera­se manter  incólume  a  exoneração do crédito  referente  aos  tributos  (Imposto de Importação e IPI vinculado à importação), aos respectivos juros de mora e à multa  de ofício, por vício material do auto de infração.  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11131.720573/2012­26  Acórdão n.º 3301­002.976  S3­C3T1  Fl. 19          10 Conclusão  Assim,  deve  ser  mantida  a  decisão  administrativa  de  primeira  instância  em  sua  integralidade, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso de ofício.  Sala de Sessões, em 18 de maio de 2016.  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                              Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 10235.720215/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10235.720215/2009­97  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­000.908  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2016  Assunto  PIS E COFINS  Recorrente  AMCEL ­ AMAPA FLORESTAL E  CELULOSE SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria,  converter  o  presente  julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio.  Robson José Bayerl ­ Presidente.   Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Robson  José  Bayerl  (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel  Jorge d'Oliveira, Eloy Eros  da Silva Nogueira,  Waltamir  Barreiros,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Elias  Fernandes  Eufrásio,  Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco.      Relatório     Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo,  EXPORTAÇÃO,  para  o  1º  trimestre  de  2008.  A  autoridade  da  jurisdição  aponta,  em  sua  análise do pedido, que os dispêndios da contribuinte para gerar o crédito requerido podem ser  agrupados em seis tipos: (1º) Florestamento e Reflorestamento, (2º) Transporte e Carregamento  de Madeira,  (3º) Serviço de Desgalho e Descasque,  (4º) Energia Elétrica,  (5º) Depreciação e  (6º) Diesel e Lubrificantes.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 35 .7 20 21 5/ 20 09 -9 7 Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 3          2 Do  total  solicitado  pela  contribuinte,  a  autoridade  de  jurisdição,  em  seu  despacho  decisório,  indeferiu  os  créditos  que  se  referiam  aos  dispêndios  agrupados  como  "Florestamento  e  reflorestamento"  e  "Diesel  e  Lubrificantes".  Ela  consignou  a  seguinte  fundamentação para o indeferimento:  1.  no que tange ao Florestamento e Reflorestamento, os dispêndios não são  originários  de  crédito  de Cofins  e PIS,  pois  devem  compor  o  custo  de  formação  de  floresta  contabilizável  no  Ativo  Imobilizado  e  ser  apropriado  como  custo  na  proporção  da  exaustão.  Nesse  sentido,  nem  mesmo  a  parcela  de  exaustão  apurada  para  compor  o  custo  de  determinados  períodos  são  geradores  de  créditos  de  Cofins  e  PIS,  conforme dispõe o artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 e artigo 30 da Lei n°  10.637/2002;  2.  no que tange aos dispêndios de Diesel e Lubrificantes, observou­se que a  empresa  não  possui  um  sistema contábil  capaz  de  evidenciar  de  forma  segregada  os  valores  utilizados  em  Reflorestamento  (que  não  geram  créditos) e os utilizados nos  setores produtivos da empresa  (que geram  créditos), em desatendimento à exigência prevista no art. 3º da Instrução  Normativa SRF n° 387/04   A  contribuinte  ingressou  com manifestação  de  inconformidade  contra  a  parte  que foi indeferida, e apresentou as seguintes razões, em resumo:  · o seu processo produtivo compreende quatro fases: 1ª fase ­ produção de  mudas  pelo  método  de  mini  estaquia,  2ª  fase  ­  silvicultura  (reflorestamento), 3ª fase ­ colheita e 4ª fase ­ processo fabril.   · A  autoridade  fiscal  glosou  todos  os  créditos  oriundos  dos  insumos  referentes à primeira e segunda fases do processo produtivo, bem como o  dispêndio  de  Diesel  e  Lubrificantes  dessa  fase  e  de  todo  o  processo  produtivo,  alegando  a  impossibilidade  de  segregação  de  valores;  ela  excluiu da base de cálculo do PIS os insumos utilizados na produção de  mudas e reflorestamento, os quais, em seu entendimento, devem compor  o custo de formação da floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser  apropriado como custo na proporção de exaustão;  · a legislação vigente define a agroindústria como sendo o produtor rural  pessoa  jurídica  cuja  atividade  econômica  seja  a  industrialização  de  produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Assim,  neste caso, a atividade agroindustrial representa a integração do processo  produtivo do cavaco, jungindo a atividade rural e industrial. O processo  produtivo  do  cavaco  pode  ser  dividido  em  atividade  rural  e  atividade  industrial, cuja subsunção perfaz a atividade agroindustrial. A atividade  rural  compreendida  nas  fases  1  e  2  também  integram  o  processo  produtivo  da  empresa,  posto  que,  sem  a  produção  da matéria  prima,  o  processo não se perfectibiliza. Todos os insumos relativos a esta fase são  consumidos na planta, pois o sucesso da floresta depende da aplicação de  defensivos,  adubos,  inseticidas,  ou  seja,  são  determinantes  para  a  qualidade do produto em sua fase de industrialização. Ademais, como os  Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 4          3 insumos  e  serviços  adquiridos  e  contratados  nesta  fase  produtiva  correspondem  às  hipóteses  do  art.  9°  da  IN  SRF  n°  404/2004,  não  há  razão plausível para a glosa dos créditos. Entendimento contrário viola o  princípio  da  legalidade;  (trecho  copiado  do  voto  do  relator  de  1ª  instância, por sua objetividade)  · que o diesel e o lubrificante usados na fase de reflorestamento e na fase  de industrialização são insumos; junta laudo e aponta decisões do CARF  e  Solução  de  Consulta,  nesse  sentido;  e  que  o  relatório  detalhado  do  "Consumo de Combustíveis" permite se chegar ao percentual médio de  gastos  dos  anos  de  2007  e  2008  consumidos  no  processo  de  reflorestamento  e  no  de  industrialização,  superando  o  motivo  da  autoridade de jurisdição que negou esse crédito;  · defende que há direito a acréscimos por correção monetária e juros.  Os  Julgadores  a  quo  consideraram  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte  e  não  reconheceram  o  crédito  pranteado.  Quanto  aos  dispêndios  com  insumos  na  fase  de  reflorestamento,  entenderam  correto  o  indeferimento  do  despacho  decisório  por  que,  segundo  o  que  prescreve  a  legislação,  "somente  podem  gerar  créditos  da Contribuição  as  despesas  com matéria­prima,  produto  intermediário, material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado:  Não  podem,  assim, gerar créditos  as  despesas  com  insumos  indiretos,  como o  custo  da produção de  seus  insumos que servirão para a industrialização."  Quanto  aos  dispêndios  com  diesel  e  lubrificantes,  os  julgadores  a  quo  entenderam  correto  o  indeferimento  do  despacho  decisório  por  que  a  contribuinte  não  comprovou  sua  condição  de  detentora  dos  créditos  pleiteados mediante  escrituração  fiscal  e  contábil  revestida  de  coerência  e  confiabilidade.  O  relatório  de  custos  apresentado  pela  contribuinte  não  se  revestiu  da  formalidade  mínima  para  dar  suporte  ao  que  alegou  a  contribuinte, razão por que não foi aceito.  E  negaram o  pedido  de  correção monetária  e  juros  por  falta  de previsão  legal  para os casos de pedido de ressarcimento.  O Acórdão n.º 01­19.275 proferido pela Respeitável 3ª Turma da Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em Belèm ficou assim ementado:  ASSUNTO: PIS   Período: 01/01/2008 a 31/03/2008.  DECISÕES  JUDICIAIS  E  ADMINISTRATIVAS.  EFEITOS.  São  improfícuos  os  julgados  judiciais  e  administrativos  trazidos  pela  contribuinte,  por  lhes  falecer  eficiência normativa, na forma do art. 100, II, do CTN.  PIS  E  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  INSUMOS.  CRÉDITO.  Somente  podem  geram  créditos  do  PIS  e  da  Cofins  as  despesas  com  matéria­prima,  produto  intermediário,  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas ou  Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 5          4 químicas em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação,  desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.  PIS  e  OFINS  NÃO­CUMULATIVA.  INSUMOS.  DIESEL  E  LUBRIFICANTES.  NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A apropriação dos créditos do PIS  e da Cofins só pode ser efetivada quando os mesmos se revestirem de atributos de  certeza e liquidez necessários.  JUROS  COMPENSATÓRIOS.  RESSARCIMENTO.  Não  incidirão  juros  compensatórios  no  ressarcimento  de  créditos  do  IPI,  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos.  A  contribuinte  ingressou  com  recurso  voluntário,  por  meio  do  qual  atacou  a  decisão de primeiro piso e rogou pelo reconhecimento dos créditos indeferidos.  O processo alcançou este Tribunal administrativo e em 21/05/2012, na sessão da  1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção o julgamento foi convertido em diligência. Assim decidiu o  Colegiado  na  Resolução  n.º  3401­000.469,  de  lavra  do  Relator  Conselheiro  Fernando  Marques Cleto Duarte:  Em  suma,  a  contribuinte  protocolou  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  referentes  à  Cofins.  Logrando  êxito  parcial  em  sua  demanda,  protocolou Recurso Voluntário  onde  defende  a  existência  dos  créditos  glosados  referentes  às  aquisições  de  diesel  e  lubrificantes,  bem  como  aos  insumos  aplicados  em  seu  processo  de  plantio  e  de  reflorestamento.  Neste caso, existe a necessidade de segregação quanto ao diesel e lubrificantes utilizados  no processo efetivamente industrial efetuado pelo contribuinte daquele utilizado em seu  processo pré­industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento  são  efetivamente  agregados  à  matéria­prima  que  adentra  o  processo  industrial  da  contribuinte,  uma  vez  que  caso  a  contribuinte,  ao  invés  de  produzir,  adquirisse  sua  matéria­prima, esta aquisição geraria crédito.  Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam  identificados e quantificados os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no  processo  efetivamente  industrial,  bem  como  quais  gastos  referentes  ao  plantio  e  ao  reflorestamento  são  efetivamente  agregados  à  matéria  prima  que  adentra  o  processo  industrial  da  contribuinte.  Cientifique­se  a  requerente  sobre  o  resultado  da  diligência,  dando­lhe o prazo de 30 dias para sua manifestação.  A autoridade de jurisdição, em atendimento à diligência, informou:  · Registre­se  também  que  foi  constatado,  como  aliás  o  foi  quando  da  diligência  fiscal  que  antecedeu  os  despachos  decisórios  que  deferiram  parcialmente os Pedidos Eletrônicos de­ Ressarcimento, (PER/DCOMP),  que, passados mais de seis anos' da entrega ,dos respectivos, a recorrente  ainda  não  atendia  ao  mandamento  previsto  no  art  3o  da  Instrução  Normativa SRF n° 387/2004, de 20 de janeiro de 2004,   Instrução Normativa SRF n° 387/2004, de 20 de janeiro de 2004  Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  contribuições  referidas  no  art.  2º  e  dos  respectivos  créditos  a  serem  descontados,  deduzidos,  compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5º­A, 7º e 11 da  Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de  2003, especialmente quanto:  Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 6          5 I ­ às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade  com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº  10.833, de 2003;  II  ­  às  aquisições  e  aos  pagamentos  efetuados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas no País;  III ­ aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas  no inciso I;  IV  ­  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  às  receitas  de  exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com  fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das  contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de  2002,  e  com o  art.  2º  da Lei  nº  10.833,  de  2003,  caso  as  vendas  fossem  destinadas  ao  mercado  interno;  e  V  ­  ao  estoque  de  abertura,  nas  hipóteses  previstas  no  art.  11  da  Lei  nº  10.637,  de  2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003.  Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as  informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do  art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de  2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de  21 de novembro de 2002.  · a  contribuinte  apresentou  os  seguintes  documentos:  notas  fiscais  de  entrada  referentes  às  aquisições  de  óleo  diesel  e  lubrificantes,  notas  fiscais  de  transferências  e  requisições  daqueles  produtos,  planilha  de  insumos consumidos no processo produtivo, páginas do Razão analítico  por centro de custo e cópia do laudo dos eu processo produtivo;  · e  ainda  planilha  eletrônicas  contendo  a descrição  analítica  dos  créditos  que foram glosados, incluindo a fase do processo produtivo e respectivas  etapas  onde  foram  consumidos,  imagens  de  notas  fiscais  de  combustíveis, imagens das notas fiscais de materiais e serviços, imagens  do Livro Razão Contábil (combustíveis, lubrificantes e demais contas de  materiais/serviços), imagens do livro Kardex Físico, memorial descritivo  do sistema e Laudo do Processo Produtivo.  · que procurou  "identificar e quantificar os valores  referentes ao diesel e  lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial (diferente dos  valores aplicados ao plantio e ao reflorestamento necessários à formação  florestal, sujeita á exaustão, cujo respectivo encargo não gera crédito de  PIS e COFINS não cumulativos), e os gastos referentes ao plantio e ao  reflorestamento  (diferentes  dos  valores  aplicados  no  plantio  e  ao  reflorestamento necessários á formação florestal, sujeita á exaustão, cujo  respectivo encargo não gera crédito de PIS e COFINS não cumulativos)  que são efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo  industrial da contribuinte..";  · analisou  o  acervo  probatório  "tomando  como  premissa  a  admissão  das  fases de colheita (3a fase) e processo fabril (4" fase), como aquelas aptas  a gerar créditos de PIS e , Cofins não­ cumulativos".  · "Quanto  aos  valores  referentes  ao  plantio  e  ao  reflorestamento  considerados como efetivamente agregados à matéria prima que adentra  Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 7          6 o processo"  industrial  da  contribuinte,  o. acervo  probatório  apresentado  pela  recorrente  permitiu  à  sua  segregação  em  termos mensais  (a  partir  dos dados constantes da planilha "Item B Gastos Plantio Reflòrest", na  qual  foi  possível  o  filtro  mensal  na  referida  planilha,  levando  em  consideração a fase do processo produtivo: 3a e . 4a fases)."  · "Quanto  aos  valores  diesel  e  lubrificantes  utilizados  no  processo  efetivamente industriai, os dados .constantes da' planilha "Item A Diesel  Lubrificantes"  não  permitiram  o  filtro  mensal  na  referida  planilha,  levando  em  consideração  a  fase  do  processo  produtivo:  3a  e  4ª  fases;  razão  pela  qual  foram  adotados  os  valores  constantes  do  campo  "Resumo", em termos trimestrais, dessa planilha."  · Assim,  nas  planilhas  intituladas  "Apuração  de  Créditos  Passíveis  de  Ressarcimento",  em  anexo,  elaboradas  com  base  nas  notas  fiscais  apresentadas  pela  recorrente,  bem  como  nas  planilhas  "Créditos  Glosados",  "Item  A  Diesel  Lubrificantes"  e  "Item  B  Gastos  Plantio  Reflorest",  estão  demonstrados  os  créditos  de  PIS  e  Cofins  não­ cumulativos  relativos  aos  valores  referentes  ao  diesel  e  lubrificantes  utilizados  no  processo  efetivamente  industrial,  bem  como  os  gastos  referentes  ao  plantio  e  ao  reflorestamento  que  foram  efetivamente  agregados  à  matéria  prima  que  adentra  o  processo  industrial  da  contribuinte, geradores de créditos de PIS e Cofins não­cumulativos.  · E propõe valores e glosas como resultado da diligência.  Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte dirige a este Colegiado as  seguintes considerações:  "a Fiscalização deixou de cumprir com o que lhe foi determinado pelo CARF  em relação a apuração dos valores efetivamente agregados à matéria prima que  adentra o processo industrial", pois se concentrou, "em sua grande maioria, não  em fatos ou estudos realizados pela Fiscalização sobre o processo produtivo da  Contribuinte, mas em sua visão restritiva e puramente teórica e pessoal quanto  ao  que  poderia  ou  não  gerar  direito  a  créditos  de  PIS  e  COFINS'.  Ela  "não  acatou os valores  referentes ao plantio e ao reflorestamento apresentados nas  planilhas e documentos juntados pela Contribuinte, por entender que os valores  empregados  nessas  fases  são  necessários  à  formação  florestal,  desta  forma  sujeita à exaustão, cujo encargo não gera direito à credito de PIS e COFINS".  Ela "deixou claro que se recusaria a conceder, ou sequer considerar, os créditos  advindos das  fases de plantio e refloresta mento,  indo de encontro ao que foi  determinado pela própria decisão ... do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais".  "Ao  invés  de  ater­se  aos  estritos  termos  do  Acórdão  em  questão,  optou  por  emitir  o  seu  próprio  juízo  de  valores,  seguindo  unicamente  seu  próprio  entendimento  de  que  tais  fases  estariam  sujeitas  à  exaustão,  não  gerando direito aos créditos do PIS e da Cofins não­cumulativos."  Mas "na documentação que foi apresentada pela Contribuinte constavam todos  os  valores  referentes  ao  diesel  e  lubrificantes  utilizados  no  processo  efetivamente  industrial,  bem  como  quais  gastos  referentes  ao  plantio  e  ao  refloresta  mento  que  foram  efetivamente  agregados  à  matéria  prima  que  adentrou ao processo industrial."  Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 8          7 Conclui pedindo que sejam acatados como válidos os valores apresentados pela  contribuinte  durante  a  diligência  com  relação  ao  diesel  e  lubrificantes  usados  no  processo  industrial e os gastos no plantio e reflorestamento; ou que alternativamente seja solicitada nova  diligência.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira   Tempestivo o recurso e atendidos os requisitos de admissibilidade.  Dos gastos, custos e encargos relativos às etapas de produção de mudas e de silvicultura  (florestamento e reflorestamento):  Neste processo, a contribuinte afirma que a etapa de reflorestamento é processo  de produção, e que as despesas com suas atividades são insumos para a obtenção dos insumos  para a etapa de industrialização e, portanto, devem fazer jus ao reconhecimento dos créditos da  contribuição em questão, no regime não cumulativo.  Consultando os Estatutos podemos ver que, entre as designações do seu objeto  social, a formação de floresta não se destina exclusivamente a alimentar o seu próprio processo  de  industrialização  para  obtenção  de  seus  derivados, mas  que  a  formação  de  floresta  atende  outros  propósitos  econômicos.  Ela  não  se  circunscreve  ao  processo  de  industrialização  dos  derivados da madeira pela própria contribuinte.  A legislação das sociedades por ações e a doutrina concernente explicam que a  floresta deve compor o ativo  imobilizado. E que os gastos com a formação e manutenção da  floresta devem compor esse ativo imobilizado, e esses gastos e os demais valores investidos em  tal  ativo  podem  ser  apropriados  pela  técnica  da  exaustão,  na  medida  em  que  o  bem  seja  explorado, consoante o que disciplina o art. 183, ,V e §2°, "c" da Lei n° 6.404, de 1976:  Art.  183  No  balanço,  os  elementos  do  ativo  serão  avaliados  segundo  os  seguintes critérios:  (...)  V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do  saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão.  § 2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada  periodicamente nas contas de:   (...)  c)  exaustão,  quando  corresponder  à  perda  do  valor,  decorrente  da  sua  exploração,  de  direitos  cujo  objeto  sejam  recursos  minerais  ou  florestais,  ou  bens aplicados nessa exploração.  No  mesmo  sentido,  vemos  o  Parecer  CST  n.º  108/1978  que  ensina  como  registrar a floresta e o florestamento, para termos de contabilidade empresarial e fiscal:  8.1 ­ Relativamente às aplicações em florestamento ou reflorestamento, a Lei n°  6.404/76  e  o  Decreto­lei  n°  1.598/77  estabelecem  para  as  florestas,  recursos  florestais e direitos de sua exploração, tratamento de correção monetária idêntico  ao  previsto  para  o  ativo  permanente;  assim,  a  partir  da  introdução  do  novo  sistema  de  correção  monetária,  os  empreendimentos  florestais,  Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 9          8 independentemente  da  sua  finalidade,  devem  ser  considerados  como  integrantes do ativo permanente. Portanto, o ativo permanente registrará:  (a)  no  imobilizado,  as  florestas  destinadas  à  exploração  dos  respectivos  frutos  e  as  que  se  destinem  ao  corte  para  comercialização,  consumo  ou  industrialização, bem como os direitos  contratuais de  exploração de  florestas,  com prazo de exploração superior a dois anos;  (b) o grupo de investimentos, os empreendimentos correspondentes ao plantio de  florestas destinadas à proteção do solo ou à preservação do ambiente, sem que se  destinem à manutenção das atividades da empresa;  (  c)  em  qualquer  hipótese,  as  importâncias  aplicadas  na  aquisição  de  terras,  desde que não sejam para revenda comporão a conta de terrenos, no imobilizado  ou em investimentos, dependendo de sua finalidade. "   A autoridade de jurisdição e os julgadores a quo afirmam que os dispêndios com  o reflorestamento não dão origem a crédito de Cofins e PIS, "pois devem compor o custo de  formação  de  floresta  contabilizável  no  Ativo  Imobilizado  e  ser  apropriado  como  custo  na  proporção da exaustão". E acrescentam que,"nem mesmo a parcela de exaustão apurada para  compor o custo de determinados períodos são geradores de créditos de Cofins e PIS, conforme  dispõe o artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 e artigo 30 da Lei n° 10.637/2002".  Esta  é  a  visão  definida  pela  Receita  Federal  a  respeito  da  matéria,  conforme  podemos  constatar  nas  Soluções  de Consulta  disponíveis  do  Ementário  (consulta  ao  site  da  RFB pela palavra chave Floresta). As Soluções de Consulta apontadas pela contribuinte em seu  recurso  foram,  a  meu  ver,  reformadas  pela  Solução  de  Consulta  DISIT  9ª  RF  n.º  82,  de  25/02/2011.  Entretanto, considerando o que expus anteriormente, penso que o entendimento  proposto pela autoridade fiscal e julgadores de 1º piso não se sustenta no que está escrito nas  Leis que definem essas contribuições sociais. Contrariando essas autoridades, argumento que  nem  a  legislação  do  IPI,  nem  a  do  IRPJ,  oferecem  as  fontes  para  interpretar  e  decidir  os  créditos no âmbito do PIS e da COFINS.  A Lei das Sociedades por Ações foi uma importante conquista para o nosso país  e, pela sua sofisticação e maturidade, ela proporciona conceitos que contribuem sobremaneira  em diversos  outros  domínios  do  ordenamento  jurídico. Em  termo metodológicos,  entretanto,  proponho  que  essa  transposição  de  conceitos  seja  cuidada  caso  a  caso,  para  se  evitar  a  desvirtuação do conceito, ou a desvirtuação do campo normativo para onde se pretende ele seja  levado e aplicado. Espero conseguir esclarecer essa proposição nas próximas linhas, ainda que  breves.  A  formação,  manutenção  e  uso  da  floresta,  como  objeto  da  atividade  empreendedora, implica em lidar e tratar de um bem cujo valor pode refletir uma ou mais de  diferentes dimensões de sua relevância. Por exemplo, ela pode ser considerada sob o aspecto  patrimonial,  ou  sob  o  aspecto  de  investimento  ou  recurso,  ou  de  um  acervo  biológico,  ou  cultural,  ou  ambiental,  etc.  A meu  ver,  em  todas  essas  hipóteses,  a  floresta  pode  e  deve  se  refletir  na  escrita  empresarial  e  fiscal  como  um  bem  ao  qual  se  atribui  um  valor  com  determinação de seu valor econômico. No caso deste processo, estamos a nos circunscrever à  floresta  deliberadamente  cultivada  para  obtenção  de  madeira  e  seus  derivados.  Não  tenho  dúvida que a floresta deve ser considerada como um bem ativado na escrita empresarial e que  Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 10          9 os dispêndios com a formação da floresta e sua manutenção devem ser incorporados ao valor  ativado  da  floresta.  E  que,  para  efeito  de  atender  o  que  preconiza  a  Lei  das  Sociedades  por  Ações e a  legislação do  IRPJ e do CSLL, o valor do custo de formação da  floresta deve ser  objeto,  na  medida  da  utilização  da  floresta,  de  encargos  de  exaustão,  a  ser  aproveitado  na  determinação  dos  resultados  do  empreendimento  e  do  IRPJ  e CSLL. Mas,  em minha  visão,  esse  conceito  de  imobilização  como  ativo,  nem a  forma de  computar  a  exaustão,  podem  ser  transpostos automática e simplesmente para o âmbito do PIS e da COFINS, como veremos.  A legislação do PIS e da COFINS poderia ter previsto que, no caso das florestas  consumidas  na produção  dos  derivados  da madeira,  a  apuração  dos  concernentes  créditos  se  daria por modelo de cálculo idêntico ou semelhante ao dos encargos de exaustão, como ocorre  na Lei das SA e do IRPJ, mas ela não prescreveu essa forma de apuração.  A  legislação do PIS e da COFINS  traz um conjunto de princípios, conceitos e  regras  que  orientam o modo de  apuração  dos  créditos. As  legislações  do  IPI,  do  IRPJ  e das  Sociedades por ações podem subsidiar supletivamente, mas não podem se sobrepor àquela.  Como  expliquei  anteriormente  neste  voto,  a  meu  ver,  os  custos,  despesas  e  encargos  com  os  fatores  necessários  para  a  obtenção  da  receita  tributável  devem  ser  considerados para fins de determinação do creditamento, desde que respeitados os limites e as  regras positivamente postos pela própria legislação.  Como exemplo de regras e limites dados pela Lei dessas contribuições sociais,  temos: art. 1º da Lei em comento ­ receitas referentes a venda cancelada não compõe a base de  cálculo; nos §§ 1º a 3º do art. 3º da Lei em comento ­ não dá direito a crédito o valor de mão de  obra pago a pessoa física.  Esse  entendimento  do  que  pode  dar  direito  a  crédito,  que  acima  apresentei,  é  perfeitamente consoante com a Lei. Ponho em relevo o que dispõem os §§ 7º a 9º do artigo 3º  dessa Lei. Eles informam que as despesas, encargos e custos relacionados à obtenção da receita  decorrente da exportação deve dar crédito.  Há uma diferença entre um ativo imobilizado constituído de maquinário de uso  agro­industrial e um ativo imobilizado constituído de uma floresta destinada a se tornar insumo  de um processo de  transformação. Aquele  sofre  o desgaste pelo uso,  este  é consumido, pois  submetido a colheita e preparo próprios, que lhe tira a vida e a possibilidade de permanecer no  estado de floresta. Essa mudança radical altera as condições que justificavam considerá­lo um  ativo  imóvel,  pois  ele  passa  a  ser  um  novo  ativo,  um  produto  da  extração,  da  colheita,  do  preparo para sua destinação econômica.  A formação e manutenção da floresta que será abatida para se obter a madeira  para  seu  uso  na  indústria  de  celulose  é  um  processo  de  produção.  A  floresta,  como  bem  imobilizado, é consumida com seu abate. As atividades de abate da floresta ou de parte dela e a  colheita e preparo da madeira decorrente desse abate para uso econômico também constituem  processo de produção. Do mesmo modo, o conjunto de atividades que lidam com as sobras e  desperdícios dessas etapas.  Logo,  os  dispêndios  com  fatores  necessários  às  atividades  de  produção  de  mudas, de silvicultura e de colheita e tratamento da madeira abatida devem poder gerar direito  a crédito, respeitadas as regras e limites dada pelas Leis do PIS e da COFINS.  Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 11          10 Considero que outra não pode ser a determinação da Lei a esse respeito. A Lei  não pretendeu, nem poderia ter pretendido, criar um tratamento desigual entre iguais. Ela não  poderia, por um lado, admitir que houvesse direito a crédito quando a contribuinte adquirisse a  matéria  prima  ou  insumo  de  terceiro,  mas,  ao  mesmo  tempo  e  por  outro  lado,  não  tivesse  admitido  o  direito  ao  crédito  pelo  mesmo  insumo  ou  matéria  prima  quando  cuidasse  a  contribuinte de produzi­lo.  Constato  que  essa  proposta  de  entendimento  que  trago  para  a  decisão  deste  Colegiado não é pioneira, nem fere a  jurisprudência em construção neste Tribunal. Consigno  que  a Colenda  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  CSRF  proferiu  o  Acórdão n.º 9303­003.069 com posição e conclusão semelhantes, in verbis:  CONCEITO  DE  INSUMO.  PIS  E  COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO  IPI OU DO IRPJ.  A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios  para a conceituação de "insumos" para fins de creditamento. É um critério que se  afasta  da  simples  vinculação  ao  conceito  do  IPI,  presente  na  IN  SRF  n°  247/2002,  e  que  também  não  se  aproxima  do  conceito  de  despesa  necessária  prevista na legislação do IRPJ.  CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA  E  TELEOLÓGICA.  LEIS  N°  10.637/2002  E  10.833/2003.  CRITÉRIO  RELACIONAL.  "Insumo"  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica  das  próprias  normas instituidoras de tais tributos (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003), deve  ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido  na  prestação  de  serviço  ou  na  produção  ou  fabricação  de  bem ou  produto  que  seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas  (critério  relacional), dependendo, para sua  identificação, das especificidades de  cada processo produtivo.  COFINS.  CRÉDITO.  RESSARCIMENTO.  CUSTOS,  DESPESAS  E  ENCARGOS  VINCULADOS  À  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  EMPRESA  DE CELULOSE.  São  passíveis  de  ressarcimento  os  créditos  de COFINS  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação,  inclusive  os  relativos à produção de matéria­prima usada na fabricação do produto exportado.  No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração  de  florestas  (ou  produção  de  madeira)  estão  vinculadas  ao  produto  exportado  (celulose).  A  produção  e  a  exportação  de  celulose  somente  é  possível  com  a  utilização  de  madeira  na  sua  fabricação,  sua  principal  matéria­prima.  As  despesas  incorridas  na  obtenção  de madeira  empregada  no  processo  produtivo  (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção  e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação.  EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS.  Tratando­se de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos  com relação aos seguintes insumos:  1 ­ Serviços Silviculturais;  2 ­ Serviços Florestais Produção;  3  ­  Outros  Serviços  Florestais,  exceto  os  seguintes  serviços,  por  não  se  enquadrarem no conceito de insumo:  3.1­Manutenção de Vias Permanentes;  3.2­Terraplanagem e Manutenção de Estradas;  Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 12          11 3.3­Serviço  de  Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle  Florestal.  4  ­  Despesas  com  fertilizantes,  formicida,  Herbicida,  Calcário,  Vermiculita  e  outros  insumos,  e os  respectivos  fretes,  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados  na  produção  de madeira  usada  como matéria­prima  na  fabricação  de  pasta  de  celulose;  5  ­  Serviços  industriais,  ou  seja,  as  despesas  realizadas  com  a manutenção  de  máquinas e equipamentos  industriais  (partes, peças e serviços de manutenção),  desde que não incorporados ao ativo imobilizado;  6  ­  Despesas  realizadas  com  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados  ao ativo imobilizado.  Recurso Especial do Procurador Negado   Relator: Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. BSB, 13/08/2014.    Proposta de conversão do julgamento em diligência:  Creio que procedente foi a Resolução acima citada, proferido por esta Turma em  21/05/2012, que pedira:  Em  suma,  a  contribuinte  protocolou  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  referentes à Cofins. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso  Voluntário  onde  defende  a  existência  dos  créditos  glosados  referentes  às  aquisições  de  diesel  e  lubrificantes,  bem  como  aos  insumos  aplicados  em  seu  processo de plantio e de reflorestamento.  Neste caso, existe a necessidade de segregação quanto ao diesel e  lubrificantes  utilizados no processo efetivamente industrial efetuado pelo contribuinte daquele  utilizado em seu processo pré­industrial, bem como quais gastos referentes ao  plantio  e  ao  reflorestamento  são  efetivamente  agregados  à  matéria­prima  que  adentra  o  processo  industrial  da  contribuinte,  uma  vez  que  caso  a  contribuinte,  ao  invés  de  produzir,  adquirisse  sua matéria­prima,  esta  aquisição  geraria crédito.  Frente  a  todo  o  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  PARA  QUE  SEJAM  IDENTIFICADOS  E  QUANTIFICADOS  OS  VALORES  REFERENTES  AO  DIESEL E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO EFETIVAMENTE INDUSTRIAL,  bem como QUAIS GASTOS REFERENTES AO PLANTIO E AO REFLORESTAMENTO  SÃO EFETIVAMENTE AGREGADOS À MATÉRIA PRIMA QUE ADENTRA O PROCESSO  INDUSTRIAL DA CONTRIBUINTE. Cientifique­se a requerente sobre o resultado da  diligência, dando­lhe o prazo de 30 dias para sua manifestação.  (GRIFOS NOSSOS)  A  meu  ver,  a  autoridade  que  trabalhou  para  cumprir  a  diligência  deixou  de  identificar, informar e analisar os gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento.  Proponho que além das decisões exposta neste voto, esta Turma também decida  para que o processo retorne à unidade de jurisdição para que ela identifique e informe os gastos  referente ao plantio e ao reflorestamento que foram efetivamente aplicados nas atividades de  produção de mudas, nas  atividades de  reflorestamento e nas atividades de colheita, de modo  que essas informações possa subsidiar decisão deste Colegiado.  Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720215/2009­97  Resolução nº  3401­000.908  S3­C4T1  Fl. 13          12   Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.  Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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Numero do processo: 10380.008622/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INFRAÇÃO REITERADA. São devidos os lançamentos, os juros e a multa de ofício no caso de infração reiterada da legislação do Simples Federal.
Numero da decisão: 1302-001.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix, que davam provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente0 ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     2 Relatório  Versa o presente processo sobre o Auto de Infração, fls. 15/54, referente aos  lançamentos  tributários  do  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  (fls.  15/22),  da  Contribuição  para  o  Pis/Pasep  (fls.  23/30),  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­ CSLL  (fls.  31/38),  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  (fls.  39/46)  e  da  Contribuição  para  a  Seguridade  Social­INSS  (fls.  47/54),  todos  com  fatos  geradores no ano de 2003,  totalizando o montante de R$ 486.328,87,  já acrescidos dos  juros  moratórios e da multa de ofício (75%).  A  atuação  fundamentou­se  nas  informações  e  documentos  registrados  no  TVF de fl. 56 e nos extratos bancários apresentados pelo recorrente em atendimento ao RMF  de fl. 96.   A  recorrente  foi  intimada,  em  05/06/2006  a  prestar  informações  sobre  a  origem dos valores depositados nas contas bancárias fiscalizadas. Diante do não atendimento,  houve reintimação, em 02/08/2006. A recorrente não prestou as informações requisitadas.  Conforme descrição  dos  fatos  dos  autos  de  infração  e  termo de verificação  fiscal (fls. 55/56), o recorrente, submetido ao sistema simplificado de pagamento dos tributos e  contribuições federais (Simples), foi autuado em virtude das seguintes infrações fiscais, no ano  de 2003:   a)  OMISSÃO  DE  RECEITA,  presumida  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  existentes  em  contas  da  titularidade  do  contribuinte  (Banco  Rural  e  Banco  Safra),  consoante  Demonstrativos  às  fls.  110/127  (art.  42  da  Lei  n°  9.430, de 1996); e   b)  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO,  decorrente  da  alteração  de  percentuais  utilizados  pelo  contribuinte  no  cálculo  do Simples sobre a receita declarada.  Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 10.08.2007, o contribuinte  apresentou  impugnação  em  06.09.2007  (fls.  159/167).  Requereu  a  improcedência  dos  lançamentos, com base nos seguintes argumentos:   a) que houve "erro" na descrição legal da infração, a ponto de o  autuado não  saber  em que  incorrera  (art.  10,  IV, do Decreto n°  70.235, de 1972; art. 5º, III, c/c art. 6o , I, da IN SRF N° 94, de  1997);   b) que houve equívoco na determinação do lucro tributável, pois,  ao mesmo tempo que os arts. 40 e 42 da Lei n° 9.430, de 1996,  considera  como  receita  omitida  o  valor  das  compras  não  escrituradas e os valores creditados em conta de depósito ou de  investimento mantida em instituição financeira, o art. 24 da Lei  n° 9.249, de 1995, determina a recomposição do lucro da pessoa  jurídica  de  acordo  com  a  forma  de  tributação  adotada  pela  empresa,  o  que  implica  não  só  a  adição  das  supostas  receitas,  mas também na dedução dos custos;   c)  que,  diante  da  falta  de  escrituração  de  mais  de  80%  das  atividades  comerciais,  seria  cabível  o  arbitramento  do  lucro  do  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.008622/2007­97  Acórdão n.º 1302­001.782  S1­C3T2  Fl. 3          3 contribuinte,  mas  com  base  apenas  na  receita  bruta  declarada  (art. 539 do RIR/94);  d)  que  a  falta  de  escrituração  da  movimentação  bancária  do  contribuinte  não  tornou  a  sua  escrituração  imprestável  para  a  determinação  da  base  de  cálculo  dos  tributos,  de  modo  que  incabível a aplicação dos arts. 40 e 42 da Lei n° 9.430, de 1996;  que,  além  de  atividades  pertinentes  ao  seu  objeto  social,  "empresta  cheques"  para  que  terceiros  realizem  compras,  que,  posteriormente,  depositam  os  valores  recebidos  na  conta  da  empresa, motivo pelo qual não há registro das operações em seus  livros;   e) que os valores incompatíveis com a declaração de rendimentos  são decorrentes de despesas realizadas na empresa, as quais, por  não  configurarem  operação  de  entrada  ou  saída,  não  são  documentadas em notas fiscais.  A  DRJ  indeferiu  a  impugnação,  nos  termos  do  Acórdão  DRJ/FOR  nº  08­ 20.287,  em  16/03/2011,  4ª  Turma  de  Julgamento,  mantendo­se  a  integralidade  do  crédito  tributário lançado.  O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido, mediante Intimação nº  08­20.287,  em  30/03/2011,  Aviso  de  Recebimento  ­  AR.  Apresentou  Recurso  Voluntário  tempestivo, em 29/04/2011.  No recurso voluntário a recorrente alega que:  a)  a DRF  e  a DRJ  teriam  partido  de  premissa  equivocada  para  lavrar o  auto de  infração e  cobrar valores de  IRPJ, CSLL, PIS,  COFINS  e  INSS,  por  recolhimento  insuficiente  pelo  Simples  Federal. O equívoco teria ocorrido pelo fato de que presumiu­se  que  as  movimentações  de  contas  bancárias  corresponderiam  a  receitas omitidas;  b)  informa  que  os  valores  movimentados  referem­se  a  empréstimos  recebidos  por  meio  de  cheques  de  terceiros  e  despesas  correntes  da  recorrente.  Colaciona  doutrinas  sobre  a  natureza jurídica de receita;  c) cita a definição de renda previsto no art. 43 do CTN; e § 2º do  art. 2º da Lei nº 9.317/96 ­ Simples Federal;   d) ressalta que a  fiscalização deveria ter observado as  regras de  arbitramento do  lucro com base na  receita bruta conhecida  (art.  539,  incs.  I  e  II  e  art.  541,  ambos  do  RIF/1994).  Colacionou  jurisprudência a respeito do arbitramento;  e)  requereu,  ao  final,  a  procedência  do  recurso  voluntário  para  declarar a nulidade dos lançamentos tributários.  É o relatório    Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     4 Voto             Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  e verificada  a  tempestividade,  conheço do recurso.  Verificou­se  que  o  recorrente  apurou  tributos  próprios,  relativos  a  fatos  geradores  de  2003,  sob  o  regime  tributário  simplificado  das  microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte  (Simples  Federal),  instituído  pela  Lei  n°  9.317,  de  1996  (Declaração  Anual  Simplificada às fls. 148/156).   Tal  sistemática  prevê  o  pagamento  mensal  unificado  de  tributos  e  contribuições, determinado mediante a aplicação de um percentual, estabelecido em função da  receita bruta acumulada no período, sobre a receita bruta mensal (art. 5º, Lei nº 9.317/96). O  pagamento unificado abrange os seguintes tributos, conforme §1° do art. 3º da Lei nº 9.317/96:  IRPJ, PIS/Pasep, CSLL, Cofins e INSS.  Em  conformidade  com  o  art.  18  da  Lei  nº  9.317/96,  aplicavam­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  todas  as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que tratava.  No caso,  aplicou­se,  como expressamente assinalado na descrição dos  fatos  do auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 55/56), a presunção de omissão de  receita fundada em depósito bancário de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº  9.430, de 1996, não se registrando qualquer referência aplicativa do art. 40 da mesma lei, que  presume  omissão  de  receita  a  partir  da  falta  de  escrituração  de  pagamentos  efetuados  pela  pessoa jurídica.  Desse modo, não se justifica a alegada incompreensão da infração imputada  por  "falta de menção da disposição  legal  infringida". Note­se que o  teor da manifestação de  inconformidade e do recurso voluntário demonstra objetivamente que o  recorrente conhece a  imputação  fiscal,  ao  relacionar  e  abordar  o  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  e  solicitar  a  recomposição do lucro com base no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995.  In verbis, portanto, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2° Os valores cuja origem houver  sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específica, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos. (...)  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.008622/2007­97  Acórdão n.º 1302­001.782  S1­C3T2  Fl. 4          5 Note­se,  como  relatado,  que  a  recorrente  foi  intimada,  em  05/06/2006  a  prestar informações sobre a origem dos valores depositados nas contas bancárias fiscalizadas.  Diante do  não  atendimento,  houve  reintimação,  em 02/08/2006. A  recorrente  não  prestou  as  informações requisitadas.  A  partir  da  vigência  da  Lei  nº  9.430/96,  para  formalizar  a  presunção  de  omissão  de  receita  passou  a  ser  suficiente  que  o  contribuinte,  uma  vez  intimado,  não  comprovasse a origem de valores em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade,  como  se  verifica  no  presente  caso.  Uma  vez  prevista  em  lei,  a  existência  de  tais  depósitos  passou  de  um  indício  simples  a  indício  qualificado  por  lei,  de modo  a  constituir­se  em  fato  tipificado suficiente a deflagrar o nexo de  imputação que  conduz a afirmação da omissão de  receita.  E nessa transição de legislação, relacionada à matéria, que a Câmara Superior  de Recursos Fiscais assentou o seguinte entendimento:  OMISSÃO  DE  RECEITA  ­  DEPÓSITO  BANCÁRIO  ­  LANÇAMENTO  EM  DEPÓSITO  BANCÁRIO  ­  PROCEDIMENTO  DE  FISCALIZAÇÃO  –  O  lançamento  por  presunção  de  omissão  de  receitas  com  base  em  depósito  bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir  do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  (Acórdão  nº  01­ 05.312, de 21 de setembro de 2005).  Esse  entendimento  encontra­se,  inclusive,  sumulado  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  impondo­se  aos  julgadores  dessa  instância  processual. Eis o verbete da Súmula:  Súmula CARF n° 26 ­ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  pelos depósitos bancários sem origem comprovada.  Presumida  a  omissão  fundada  em  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada,  não  há  fundamento  para  a  alegação  da  recorrente  de  que  seria  devido  o  arbitramento  do  lucro  com  base  na  receita  bruta  declarada,  tampouco  em  recomposição  do  lucro à luz do art. 24 da Lei n° 9.249/95.   Em primeiro lugar, porque, respeitou­se o regime de tributação adotado pelo  contribuinte no ano de 2003 (Simples), fazendo incidir sobre a receita bruta total (declarada e  omitida) percentuais legalmente previstos, a fim de se determinar diretamente o montante dos  tributos que integram o pagamento na forma do Simples (arts. 3º, §1°; e 5º da Lei n° 9.317/96).   Em segundo lugar, é incompatível com o regime do Simples a recomposição  do lucro com o escopo de se fazer confrontar custos e despesas com receita omitida, porquanto  os tributos que compõem o Simples são determinados imediatamente com base num percentual  incidente sobre a receita bruta total conhecida (declarada e omitida).  Não  há,  portanto,  fundamento  para  se  acolher  a  pretensão  da  recorrente  de  afastar  a  infração  fiscal  de  omissão  de  receitas  e,  por  conseguinte,  de  insuficiência  de  recolhimento do Simples.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     6 No que diz respeito aos tributos considerados reflexos (CSLL, Pis, Cofins e  INSS), verifica­se que, tratando­se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos  a  serem  apreciados,  aos  lançamentos  decorrentes  aplicam­se  os  mesmos  fundamentos  da  decisão do principal (IRPJ).  Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário  ratificando­se os lançamentos em questão.  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator                                Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 18/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 18/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL

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