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Numero do processo: 10640.900885/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos.
Numero da decisão: 1102-000.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900885/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110200.595 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TABACOS WILDER FINAMORE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em recolhimentos a maior feitos sob o regime do SIMPLES, quando a pessoa jurídica havia sido foi excluída do sistema no período em que ocorreram os pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Eduardo de Andrade e João Carlos de Lima Junior. Relatório Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 2 Trata o presente de pedido de compensação formalizado através da Dcomp 18547.97634.120704.1.3.049942, pela qual a interessada requer a quitação dos débitos nela indicados com o crédito decorrente de pagamento a maior no SIMPLES efetuado em 13/02/2002. A DRFJuiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade, a interessada alega que à época dos fatos não entregou a Declaração Anual Simplificada retificadora correspondente ao ano calendário de 2002, que demonstraria os pagamentos a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 0929971 negando provimento à solicitação, por entender que não foram demonstrados os motivos que levaram à retificação da Declaração. De acordo com a decisão, tendo em vista que a Declaração Anual Simplificada constituise em confissão de divida, os débitos nelas declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Divida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da Dcomp em análise. Conclui o acórdão recorrido que, nos termos da legislação de regência, considerase ocorrida a compensação na data de transmissão da Dcomp e naquele momento não havia qualquer indicação da existência do crédito declarado. Em recurso dirigido a este Colegiado, o sujeito passivo afirma ter constatado o recolhimento a maior de valores devidos ao SIMPLES entre os anos de 1999 a 2003 e, portanto, em 2004 apresentou Declaração Anual Simplificada retificadora para todos esses períodos e também Dcomps para compensação desses valores. Sustenta que as Declarações Anuais retificadoras foram aceitas com exceção daquela referente ao anocalendário de 2002, nesse último caso em função da existência de processo de exclusão do SIMPLES através de Ato Declaratório emitido pela Receita Federal de Juiz de Fora – MG. Daí porque só conseguiu entregar a Declaração retificadora em 2008, após o processamento da Dcomp. Alega a inexistência de motivos para a recusa no recebimento da Declaração retificadora do anocalendário de 2002, ocorrida em 2004, tendo em vista que as demais Declarações foram recepcionadas normalmente.Por fim, argui a prescrição do despacho decisório. É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 10640.900885/200822 Acórdão n.º 110200.595 S1C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O pedido de compensação tem origem em supostos recolhimentos a maior efetuados sob a modalidade do SIMPLES no anocalendário de 2002. De acordo com a decisão recorrida, os pagamentos a maior não teriam sido demonstrados. No momento de entrega da Dcomp, instante esse em que é considerada realizada a compensação, não havia qualquer indicativo de pagamentos indevidos, pois os recolhimentos efetuados estavam devidamente alocados aos valores do tributo informados na Declaração Anual Simplificada referente ao ano calendario de 2002 constante dos arquivos da Receita Federal do Brasil. Segundo a recorrente, em 2004 houve uma tentativa de entregar uma Declaração Anual Simplificada retificadora correspondente ao período em questão, com demonstração dos pagamentos efetuados a maior. A declaração não foi processada pois, naquele momento, a pessoa jurídica havia sido excluída do SIMPLES através de Ato Declaratório emitido pela autoridade competente. Por causa disso, apenas em 2008 conseguiu formalizar a entrega da retificadora. Não há comprovação dessas alegações. Na peça recursal, a interessada argui a ocorrência de prescrição na análise do pleito. Tal argüição demanda avaliação cronológica dos fatos que, na verdade, conduz a uma conclusão diametralmente oposta, como se verá a seguir. Esclareçase, de imediato, que a argüição do sujeito passivo dirigese na verdade à decadência, e não à prescrição, pois envolve um direito potestativo exercido pelo estado. Considerando que a Dcomp extingue o débito nela informado sujeito a ulterior homologação, o período que a norma concede ao estado para confirmar ou não o procedimento representa justamente o prazo decadencial. Em pedidos de compensação, o prazo homologatório é definido pelo § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (.......) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (.......) Vêse que o termo inicial da contagem do prazo quinquenal é representado pela entrega da declaração de compensação. No presente caso, o documento foi formalizado Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 4 em 12/07/2004, e a Administração teria até 12/07/2009 para fazer as verificações pertinentes. Tendo em vista que o Despacho Decisório foi cientificado ao sujeito passivo em 20/05/2008, conforme consulta de postagem que integra os autos, não ocorreu a decadência. Cabe aqui uma observação. Alguns respeitáveis integrantes dessa Corte entendem que o prazo definido nos termos do dispositivo legal supra mencionado não poderia se sobrepor ao prazo qüinqüenal de homologação com termo inicial a partir do fato gerador. Aplicando tal entendimento ao presente caso, se o crédito em discussão envolve o ano calendário de 2002, o Fisco teria até 31/12/2007 para retificar qualquer informação prestada pelo sujeito passivo em relação ao crédito informado. Entretanto, como a Declaração retificadora só foi entregue em 28/05/2008, a Declaração homologada em 31/12/2007 foi a original, com pagamentos totalmente vinculados aos débitos informados. Assim, não havia qualquer crédito a ser reconhecido e, mesmo sob esse entendimento, estaria correto o procedimento da autoridade administrativa. Nesse caso, a prescrição teria agido contra o administrado, inviabilizando a aceitação da declaração retificadora. O entendimento em questão, no presente caso, implicaria na não homologação da compensação sem que se fizesse qualquer análise de mérito do pleito. Por outro lado, superada a questão da decadência do despacho decisório e prevalecendo o entendimento de que o contraditório foi instaurado com a manifestação de inconformidade, a interessada poderia demonstrar a existência do crédito pleiteado, independentemente da tempestividade da Declaração retificadora. Sob essa ótica, verificase que não foi apresentada qualquer explicação que indicasse a origem do crédito. Pelo exame da tabela apresentada na peça de defesa, pareceme que houve um equívoco na aplicação dos percentuais de apuração do tributo sobre a receita bruta acumulada nos meses de janeiro a setembro de 2002, tendo sido utilizado ao longo desse período uma percentual maior do que o correto. Destarte, a princípio assistiria razão ao recorrente. No entanto, uma informação crucial merece melhor análise: A interessada foi excluída do SIMPLES. De fato, através do Ato Declaratório Executivo (ADE) 429561, de 07/08/2003, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora – MG, excluiu a recorrente do SIMPLES pelo exercício de atividade vedada ao programa, com efeitos a partir de 01/01/2002. Portanto, no anocalendário em que teriam ocorridos pagamentos a maior na modalidade do SIMPLES, a interessada já estava excluída do sistema. Com a exclusão, caberia nova apuração dos tributos devidos pela interessada sob as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas o que – ressalvado o prazo decadencial – em vez de crédito poderia gerar a necessidade de pagamentos adicionais. A recorrente tinha plena ciência da exclusão e até mencionou tal fato na peça de defesa. Ainda assim, manteve seu pleito nos moldes originariamente formulados, sem demonstrar como remanesceriam pagamentos indevidos na impossibilidade de usufruir dos benefícios do SIMPLES. Registrese que o processo de exclusão do SIMPLES foi formalizado sob o nº 10640.002237/200302 e foi julgado em caráter definitivo pela antiga 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, sessão de 06/12/2007, Acórdão 30335039; sendo mantida a exclusão nos termos do ADE. O processo já foi arquivado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 10640.900885/200822 Acórdão n.º 110200.595 S1C1T2 Fl. 3 5 Pelo exposto, em função de não ter sido demonstrada a existência do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909710/2012-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2005
DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. DIFERENÇA DE VALOR CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008).
Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplica-se a denúncia espontânea, afastando-se a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora.
Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543-C do CPC (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403-001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403-002.060, j. 24/03/2013).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO.
São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ao contribuinte a aplicação da denúncia espontânea no pagamento realizado em relação ao débito confessado e pago por meio da Decomp 09450.04233.280907.1.3.04.8672, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa, devendo ser recalculado pela Delegacia de origem o aproveitamento do crédito em relação aos débitos apresentados pelo contribuinte, mas apenas considerando o valor do principal e os juros, sem o cômputo de multa. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Jorge Freire votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2005 DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. DIFERENÇA DE VALOR CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplica-se a denúncia espontânea, afastando-se a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543-C do CPC (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403-001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403-002.060, j. 24/03/2013). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 179 1 178 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.909710/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.627 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria DENUNCIA ESPONTANEA Recorrente CEMIG GERACAO E TRANSMISSAO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. DIFERENÇA DE VALOR CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543 C do CPC (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403 001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403002.060, j. 24/03/2013). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Recurso parcialmente provido. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 97 10 /2 01 2- 91 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ao contribuinte a aplicação da denúncia espontânea no pagamento realizado em relação ao débito confessado e pago por meio da Decomp 09450.04233.280907.1.3.04.8672, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa, devendo ser recalculado pela Delegacia de origem o aproveitamento do crédito em relação aos débitos apresentados pelo contribuinte, mas apenas considerando o valor do principal e os juros, sem o cômputo de multa. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Jorge Freire votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador ocorrido em 31/11/2005, recolhido em 15/12/2005. Houve homologação apenas parcial da compensação, por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 84), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de deb́itos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos deb́itos informados no PER/DCOMP”. A utilização do crédito foi demonstrada por meio do seguinte quadro (fl. 84): O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/17), explicou o seguinte: Por conseguinte, em 28/09/2007, considerando a existência do crédito (COFINS recolhida na modalidade nãocumulativa), a Recorrente efetuou a compensação de parte deste crédito com "débitos" de COFINS na modalidade cumulativa, referente as competências de janeiro e fevereiro de 2007, por meio do Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.909710/201291 Acórdão n.º 3403003.627 S3C4T3 Fl. 180 3 PER/DCOMP n° 09450.04233.280907.1.3.04.8672 (doc. 05), conforme valores explicitados a seguir: • Janeiro de 2007 (Código; 2172), "no valor principal R$ 831.918,21 (oitocentos e trinta e um mil e novecentos e dezoito reais e vinte e um centavos), e juros de R$57.319,17(cinquenta c sete mil, trezentos e dezenove reais e dezessete reais), perfazendo um total de R$889.237,38 (oitocentos e oitenta e nove mil, duzentos e trinta e sete reais e trinta c oito centavos), conforme DCTF do período (doc. 06). Fevereiro de 2007 (Código 2172), no valor principal de R$ 1.172.697,48 (hum , milhão cento e setenta e dois mil, seiscentos e noventa e sete reais c quarenta e oito centavos), e juros de R$ 68.485,53 (sessenta e oito mil, quatrocentos e oitenta e cinco reais e cinqüenta e três centavos); perfazendo um total de R$ 1.241.183,01 (hum milhão, duzentos e quarenta e um mil, cento e oitenta e três reais e um centavo), conforme DCTF do período (doc. 07). Destacase, portanto, que a compensação pleiteada por meio do PER/DCOMP n° 09450.04233.280907.1.3.04.8672, utilizou o montante de R$1.732.471.65: (hum milhão, setecentos e trinta e dois mil, quatrocentos e setenta e um reais e sessenta e cinco centavos) do crédito existente. Lado outro, considerando o crédito remanescente de RS 1.046.311,68 (hum milhão, quarenta e seis mil, trezentos e onze reais e sessenta e oito centavos), a Recorrente pleiteou sua compensação com parte do débito de COFINS (Código: 5856) do mes de outubro de 2008 (do no montante de RS 1.423.611,67 (hum milhão, quatrocentos e vinte e três mil, seiscentos e onze reais e sessenta e sete centavos), por meio da PER/DCOMP n° 14588.73960.121108.1.3.041033, de 12/11/2008 (doc. 08). Ocorre que a autoridade administrativa homologou a compensação pleiteada por meio do PER/DCOM nº 09450.04233.280907.1.3.04.8672 (doc. 10), imputando equivocadamente aos "débitos" compensados multa por atraso no pagamento, sem qualquer notificação da ora Recorrente, o que acarretou em saldo remanescente do crédito original de apenas R$ 720.278,40 (setecentos è vinte mil; duzentos e setenta e oito reais e quarenta centavos). Por conseguinte, a compensação realizada por meio do PER/DCOMP n° 14588.73960.121108.1.3.041033. de 12/11/2008, ' foi' homologada parcialmente sob';' o fundamento da insuficiência de crédito a compensar, vez que parte deste foi'Utilizado na compensação pleiteada no PER/DCOMP n° 09450.04233.280907.1.3.04.8672, ensejando o recalculo dos encargos com acréscimo do valor da multa de mora. Contudo, a cobrança fiscal não merece prosperar, uma* vez que, conforme será demonstrado, a seguir, a compensação' pleiteada por meio do PER/DCOMP n° 14588.73960.121108.1:3.041033 tem crédito declarado Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 suficiente à sua homologação, bem como ó procedimento ' realizado pela Recorrente no PER/DCOMP n° 09450.04233.280907.1.3.0^.8672 adequouse perfeitamente ao instituto da 'denúncia espontânea, pois não houve atraso no pagamento do tributo, mas tão somente recolhimento em modalidade distinta, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, devendo ser afastada a exigência da multa, qualquer que seja, c recolhido o tributo apenas com acréscimo dos juros/de mora, como foi efetivamente efetuado, mas/desconsiderado pela Delegacia da Receita Federal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0240.431, de 11 de setembro de 2012 (fls. 110/117), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO MULTA DE MORA DENUŃCIA ESPONTÂNEA. Não se considera ocorrida a denúncia esponta nea, quando o contribuinte compensa o débito mediante apresentação de DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 138/149) sustentando a nulidade do acórdão recorrido por falta de motivação sobre as provas produzidas, visto que acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio do qual se demonstra o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF retificadora apresentadas nos autos teria sido ignorada. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 17/10/2012 (fl. 122), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 17/09/2012 (fl. 121). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. Não se pode fazer confusão quanto ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça a respeito da denúncia espontânea, devendose distinguir com segurança as seguintes situações. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.909710/201291 Acórdão n.º 3403003.627 S3C4T3 Fl. 181 5 (A) em que o contribuinte apresenta a declaração (confessando o débito) e simplesmente deixa de pagar o tributo no vencimento, depois pretendendo realizar este pagamento a destempo caso em que não se configura a denúncia espontânea, tratado pela Súmula STJ/360 e nos Recursos Especiais 886.462 e 962.379; e (B) em que o contribuinte, verificando a falta de pagamento e de declaração de um débito referente ao passado, promove, então, a sua confissão e pagamento – caso em que se configura a denúncia espontânea –, sendo que tal débito pode se referir a uma diferença de valor, de maneira que o contribuinte apresenta declaração retificadora acrescentando o valor correspondente a esta diferença que se quer confessar espontaneamente e promove o pagamento; esta situação é expressamente reconhecida no Recurso Especial 1.149.022, julgado pelo STJ em regime de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). Notese, pois, que o STJ não diz que a denúncia espontânea é impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O que diz o STJ é que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois de ultrapassado este prazo pretender uma “falsa espontaneidade de recolhimento”, eis que referente a um débito que reconhecidamente já havia confessado. Com efeito, entende a referida Corte Legal que, “Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido” (REsp 886462/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mas se a confissão é concomitante com o pagamento, então resta configurada a denúncia espontânea. A denúncia espontânea, como vista, é reconhecida pelo STJ inclusive quando realizada em relação a diferença de valores. Em tais casos o contribuinte realiza a confissão por meio de DCTF retificadora, por meio da qual aumenta o valor do débito confessado (com a inclusão da diferença em relação à qual se aplica a denúncia espontânea), promovendo o concomitante pagamento. Isto fica bem ilustrado no seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 n.1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido. (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011) A distinção entre as duas situações acima mencionadas também pode ser conferida no seguinte julgado, proferido em regime de recurso repetitivo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.909710/201291 Acórdão n.º 3403003.627 S3C4T3 Fl. 182 7 procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O resumo de tal recurso repetitivo, no sítio do STJ, é feito nos seguintes termos: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ordem de Inclusão Julgado Em Processo Órgão Julgador Ministro Data de Afetação Acórdão Publicado Em Recur sos: Trânsi to em Julga do 09/06/2010 RESP 1149022 PRIMEIRA SEÇÃO LUIZ FUX 23/03/2010 24/06/2010 Não 01/09/ 2010 426 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (artigo 138, do CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento do fisco), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Tal entendimento, firmado em recurso repetitivo, deve ser transportado para o presente caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, visto que o Recorrente promoveu o pagamento de diferença que não se encontrava confessada nas declarações anteriores. Foi demonstrado, com efeito, que a diferença de valor correspondente à Cofins dos fatos geradores janeiro/2007 e fevereiro/2007, que foi objeto da denúncia espontânea, não havia sido confessada nas DCTFsoriginais (fls. 78/83), sendo apenas posteriormente confessada por meio de DCTFretificadoras, apresentadas em 21/01/2009 (fls. 57/64), e pago em 28/09/2007, por meio de DCOMP (fls. 50/56) Verificase, pois, que a diferença de valor foi paga em 28/09/2007, por meio de compensação, e confessada em DCTFretificadora em 16/10/2008. No presente caso, portanto, o Recorrente promoveu o pagamento espontâneo de diferença de tributos que não havia confessado anteriormente. Aplicase ao presente caso o entendimento firmado pelo STJ no recurso repetitivo, tal como já entendeu esta Turma em julgamentos anteriores, cujas ementas transcrevo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Ementa: PAGAMENTO DE TRIBUTOS APÓS O VENCIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. O recolhimento extemporâneo de tributo, efetuado concomitantemente ou antes de sua confissão em DCTF retificadora, transmitida depois do vencimento do prazo para o cumprimento dessa obrigação acessória, está ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, descabendo a aplicação de multa de mora. (Inteligência do decidido no REsp 1.149.022, relator Ministro Luiz Fux) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.909710/201291 Acórdão n.º 3403003.627 S3C4T3 Fl. 183 9 Ementa: RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. JULGAMENTOS NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista no art. 543C do CPC devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (acórdão 3403002.060, PA 10980.923829/200996, Rel. Cons. Alexandre Kern, j. 24/04/2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/2004 a 31/05/2005 (...) DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. CONCOMITÂNCIA DO PAGAMENTO E DA CONFISSÃO DE DIFERENÇA DE VALORES. APLICAÇÃO. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão desta sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira concomitante, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010). Recurso provido. (acórdão 3403001.946, processo 10283.005545/200550, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 19/03/2013) Confirase, ainda, que o pagamento foi feito incluindo o principal e os juros de mora, apenas deixando de recolher a multa de mora. É certo, outrossim, que a multa moratória tem natureza punitiva, constituindo penalidade aplicada em razão de ter sido ultrapassado o prazo de recolhimento do tributo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 É isto, aliás, o que reconhece categoricamente o Supremo Tribunal Federal na Súmula 565 ("A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência"). Assim, a denúncia espontânea afasta tanto a aplicação da multa de ofício como a multa de mora. Por fim, devese reconhecer que tanto o recolhimento por DARF como a compensação por meio de DCOMP configuram o pagamento caracterizador da denúncia espontânea. Com propriedade, a compensação surte o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Percebase que o recolhimento a que se está referindo não trata da hipótese de pagamento prevista no inciso I do art. 156 do CTN, mas ao inciso VII, que se refere ao “pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º”. Assim, caso se levasse ao extremo da literalidade o entendimento de que o pagamento a que se refere o art. 138 do CTN apenas poderia se referir à hipótese do inciso I do art. 156, então nem mesmo poderia alcançar a hipótese do inciso IV, na qual a extinção cobina a antecipação com a homologação do pagamento pela autoridade administrativa. Ou seja, confinar obtusamente o conceito de pagamento do art. 138 do CTN ao inciso I do art. 156 implicaria em recusar a denúncia espontânea tanto na hipótese de extinção pela compensação como pelo adiantamento de valores pertinente à sistemática de lançamento por homologação, o que na prática esvaziaria qualquer utilidade ao referido dispositivo. Para o Superior Tribunal de Justiça é indiferente o fato de o pagamento acontecer por meio de recolhimento por guia DARF ou por compensação via DCOMP para a caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme se pode extrair do seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.909710/201291 Acórdão n.º 3403003.627 S3C4T3 Fl. 184 11 (AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) E não poderia ser diferente, pois a única diferença entre o recolhimento e a compensação está em que, na compensação, o contribuinte usa um excesso de um recolhimento que realizou anteriormente em valor maior que o devido, ou seja, utiliza parte de um recolhimento que já existe, mas que fez indevidamente ou em valor maior do que deveria. Ora, isto significa que, nesta situação, o Fisco detém em seus cofres valores que foram recolhidos a maior pelo contribuinte. O contribuinte, portanto, por meio da compensação, utiliza valores que lhe pertencem, mas que já estão nos cofres públicos, em poder do Fisco, sendo por isso de rigor que se prestigie a possibilidade de utilizálos para o pagamento, não havendo qualquer razão para que se impeça tal possibilidade, condicionando obtusamente o direito do contribuinte ao recolhimento por meio de guia DARF! Ademais, cumpre observar que no caso de a compensação apresentada vir a ser negada, o Fisco cobrará do contribuinte o pagamento do débito confessado, e assim o fará em valores atualizados, inclusive com a cobrança da multa, de maneira que, ao fim e ao cabo, será honrada a obrigação tributária, sem qualquer prejuízo para o Fisco. Entendo, enfim, que está configurada a hipótese de aplicação da denúncia espontânea no presente caso, devendo ser reconhecida a extinção da punibilidade, para o efeito prático de afastar a aplicação e exigência de qualquer tipo de multa, inclsuive a multa de mora. Por estas razões, voto pelo provimento parcial do recurso para reconhecer ao contribuinte a aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa, devendo, pois, ser recalculado pela Delegacia de origem o aproveitamento do crédito em relação aos débitos apresentados pelo contribuinte, mas apenas considerando em relação ao débito o valor do principal e dos juros, sem o cômputo de multa. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12571.720174/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009
DECISÃO QUE CORRIGE O LANÇAMENTO SEM ALTERAR SEU FUNDAMENTO. NULIDADE - NÃO OCORRÊNCIA.
Afastada a nulidade quando sanadas incorreções ou omissões de atos que não são lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Devidamente corrigido o percentual de arbitramento de acordo com a atividade do contribuinte, tal correção não provoca a preterição ao direito de defesa do Recorrente, uma vez que a tipificação de omissão de receita permaneceu inalterada.
OMISSÃO DE RECEITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Há presunção legal de omissão de receita tipificada no art. 40, da Lei nº 9.430/96, a verificação de valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1202-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ex-officio e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente
(Documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 DECISÃO QUE CORRIGE O LANÇAMENTO SEM ALTERAR SEU FUNDAMENTO. NULIDADE NÃO OCORRÊNCIA. Afastada a nulidade quando sanadas incorreções ou omissões de atos que não são lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Devidamente corrigido o percentual de arbitramento de acordo com a atividade do contribuinte, tal correção não provoca a preterição ao direito de defesa do Recorrente, uma vez que a tipificação de omissão de receita permaneceu inalterada. OMISSÃO DE RECEITA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Há presunção legal de omissão de receita tipificada no art. 40, da Lei nº 9.430/96, a verificação de valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso exofficio e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 74 /2 01 2- 49 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.312 2 Plínio Rodrigues Lima Presidente (Documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos por TRANSPORTES REBOOK LTDA ME que recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, além do Recurso de Ofício, em razão do parcial provimento dado à Impugnação do Contribuinte. Foram lavrados, contra o Contribuinte, Autos de Infração de IRPJ e reflexos, multa de ofício de 75% e juros, em razão do arbitramento do lucro e omissão de receita. Cumpre esclarecer que este processo, inicialmente, tratava apenas do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Contudo, após a apensamento do PAF nº 12571.720175/201293, também passou a tratar dos Autos de Infração respectivos de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS (reflexos), sendo proferido apenas o Acórdão de nº 0641.334 da 1ª Turma da DRJ/CTA. Em razão do apensamento, o Contribuinte apresentou Recursos Voluntários para ambos os processos, com conteúdo idêntico. O Contribuinte apresentou Impugnações em ambos os processos, tendo sido decididas no Acórdão nº 0641.334 – 1ª Turma da DRJ/CTA, (fls. 1190 a 1203 dos autos digitalizados), de forma unânime, por julgar procedentes em parte as Impugnações, exonerando os valores discriminados em tabelas inseridas no Voto (fls. 1202 e 1203), por haver reconhecido utilização de percentual incorreto no cálculo do lucro arbitrado para fins de IRPJ e de CSLL, e por haver reconhecido a existência de múltiplos créditos provenientes de transferências de contas do contribuinte, além de um crédito decorrente de mútuo, com ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ E REFLEXOS Anocalendário: 2008, 2009 EXAME DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NO CURSO DE AÇÃO FISCAL. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A Lei Complementar nº 105, de 2001, que se encontra vigente, autoriza que o Fisco requisite e examine informações da movimentação bancária dos contribuintes, desde que haja procedimento fiscal previamente instaurado. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.313 3 CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam receita omitida os valores dos créditos bancários cuja origem não restar devidamente comprovada, pelo contribuinte intimado a fazêlo. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL APLICÁVEL. O lucro arbitrado de empresa dedicada ao transporte rodoviário de cargas decorre da aplicação do percentual de 8% sobre a receita auferida, acrescido do percentual de 20%, perfazendo o percentual acumulado de 9,6%. CRÉDITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DA MESMA TITULARIDADE E CRÉDITOS DECORRENTES DE MÚTUOS. Não caracterizam receitas omitidas os créditos oriundos de transferências entre contas do mesmo titular e de operações de mútuo. Contudo, tal comprovação incumbe ao contribuinte. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §2º, INCISO I, DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As DRJ não detêm competência para se pronunciar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformado com a decisão proferida pela C. 1ª Turma da DRJ/CTA, o Contribuinte interpôs Recursos Voluntários idênticos com os mesmos argumentos de defesa das Impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Os recursos atendem ao pressuposto de admissibilidade e devem ser conhecidos. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.314 4 Preliminares 1. Da nulidade da intimação do apensamento do feito O Contribuinte alega, inicialmente, sobre a vinculação dos Processos Administrativos nºs 12571.720175/201293 e 12571.720174/201249, que houve apensamento indevido dos autos, sem comunicação ao contribuinte e que não concorda com o julgamento único proferido pela DRJ. Contudo, não houve qualquer cerceamento ao direito de defesa com o apensamento dos autos, uma vez que os tributos são todos reflexos do arbitramento do lucro e o Contribuinte pôde se defender de ambos os processos sem qualquer prejuízo às suas defesas. Por esse motivo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por suposta falta de intimação do apensamento dos autos, até porque em face da decisão apresentou os competentes Recursos Voluntários. 2. Da nulidade da intimação do recurso O Contribuinte alega ainda que com o indevido apensamento dos autos, quando da intimação do Acórdão da DRJ, houve apenas envio de uma única intimação ao Contribuinte e que haveria, assim, nulidade por falta de intimação. Não houve dois Acórdãos, pois com o apensamento dos autos, a DRJ passou a tratar ambos os processos como um, mas sem qualquer prejuízo ao Contribuinte, que tomou conhecimento da decisão que abarcava todos os tributos reflexos. Tanto não há prejuízo que os Recursos Voluntários propostos pelo Contribuinte são idênticos. Por esse motivo, voto, igualmente, por rejeitar a preliminar de nulidade por suposta falta de intimação do Contribuinte. 3. Da nulidade do auto de infração O Contribuinte alega a nulidade do Auto de Infração, por ter sido indevidamente classificada a atividade do Contribuinte no arbitramento do lucro, sendo utilizado percentual muito acima do devido para a atividade de Transporte de Cargas. A DRJ/CTA reconheceu a incorreção e procedeu à retificação do lançamento com ajuste dos percentuais, conforme trecho que destaco: “Procede a observação da impugnante de incorreta utilização do percentual de 32% para arbitramento do lucro. Com efeito, conforme se vê nos instrumentos relativos ao Contrato Social da impugnante, acostados às fls. 1.064, 1.073 e 1.078, seu objeto social é e sempre foi o TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. E em assim sendo, não Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.315 5 enxergo motivo para presumir que eventuais receitas complementares que lhe sejam atribuídas possam receber classificação diversa. Por essa razão, no Despacho de Diligência foram solicitados ao autuante esclarecimentos a respeito e este reconheceu expressamente (fls. 1.181), verbis: ‘O referido percentual foi aplicado erroneamente, o percentual correto é de 8% sobre a receita bruta.’ Cumpre esclarecer, contudo, que a consequência do equívoco é a retificação do lançamento, e não a decretação de sua nulidade. Por isso, entendo que o percentual deve ser reduzido para 8%, com respeito ao IRPJ; e 12% para a CSLL. Cumpre apontar a existência de outro equívoco perpetrado pela fiscalização, que aplicou o percentual adicional de 20% também para o cálculo da CSLL, conforme se vê na tabela de fls. 993. Em verdade, esse adicional é aplicável somente para o IRPJ, resultando assim o lucro arbitrado em valor correspondente ao percentual acumulado de 9,6%.” Nada obstante, o art. 60 do Decreto nº 70.235/72 afasta a nulidade das irregularidades, incorreções ou omissões devidamente sanadas, que não tratarem de: (i) atos e termos lavrados por autoridade incompetente; e (ii) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, justamente o caso dos autos. Devidamente corrigido o percentual de arbitramento, de acordo com a atividade do contribuinte, tal correção não provocou a preterição ao direito de defesa, uma vez que a omissão de receita praticada pelo contribuinte permaneceu inalterada. Não há, portanto, que se falar em prejuízo ao direito de defesa do Recorrente. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade do Auto de Infração arguida, razão pela qual passo a tratar das razões de mérito alegadas. Mérito 4. Presunção de Omissão de Receita e Quebra de sigilo bancário O Recorrente alega indevida a presunção de omissão de receita somente com base em extratos bancários e, que estes, foram obtidos com arbitrária quebra de sigilo bancário. Assiste razão à DRJ ao esclarecer que ao contrário do alegado, o procedimento adotado pela autoridade fiscalizadora é adequado e dentro dos ditames legais. O fundamento legal da autuação, qual seja, o art. 40, da Lei nº 9.430/96, é justamente o dispositivo que determina a presunção legal de que valores creditados em conta bancária, sem que haja origem comprovada pelo contribuinte, caracterizam receitas omitidas. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.316 6 Além disso, não há que se falar em arbitrariedade na obtenção dos extratos bancários após encerramento do prazo para apresentação destes, através de seguidas intimações realizadas pela autoridade fiscal, nos termos do art. 105 da Lei Complementar nº 105/01, consoante jurisprudência deste Conselho (CARF Acórdão nº 2102003.292 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – 2ª SEJUL Processo nº 10821.000644/200691 Data da Sessão: 11/03/2015). A atividade administrativa é vinculada e enquanto vigentes os dispositivos supracitados, não há que se falar em ilegalidade no procedimento adotado pela fiscalização. 5. Nulidade do Auto de Infração – arbitramento do lucro O Recorrente repete a alegação da preliminar de nulidade do Auto de Infração em razão do parcial provimento da Impugnação, que teria resultado em novo lançamento, por ter sido alterado o percentual de arbitramento do lucro. No entanto, não assiste razão ao Contribuinte, pois a alteração do critério do arbitramento não constitui novo lançamento e não resultou, neste caso, em prejuízo à sua defesa, em razão de a infração imputada se manter a mesma e a correção apenas reduzir o valor arbitrado. 6. Nulidade do Auto de Infração – transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários O Recorrente repete a argumentação da impugnação quanto às transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários, sem contudo ter apresentado provas para tais alegações. A D. Autoridade Julgadora da DRJ pediu diligência para verificar o quanto alegado e afastou as argumentações por insuficiência de indícios que demonstrem tratarse de movimentações entre contas de mesma titularidade e, tampouco foram demonstrados os empréstimos bancários ora alegados com exceção de um lançamento verificado no valor de R$ 95.000,00, proveniente de mútuo, devidamente excluído da base de arbitramento, consoante se extrai do v. Acórdão à fl. 1199 dos autos. Cabe ao Recorrente demonstrar as movimentações financeiras alegadas, o que deixou de fazer, não obstante os atendimentos aos pedidos de prorrogações de prazo para apresentação dos documentos comprobatórios. 7. Incompetência para autuação da Câmara de Julgamento Alega ainda, de forma genérica, a incompetência da Câmara de Julgamento para lavratura de termo complementar e de novo auto de infração. Não há que se falar em lançamento complementar ou nova autuação por parte da DRJ, uma vez que a infração fundamentada no art. 40 da Lei nº 9.430/96 permaneceu a Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.317 7 mesma, sobre os mesmos fatos. O que se corrigiu foi o critério de arbitramento, em razão da atividade do Recorrente, ato este que não majorou o valor do crédito tributário e não trouxe prejuízo à defesa do contribuinte. 8. Inexigência de juros e encargos sobre o período O Recorrente aduz que não seriam devidos juros e encargos sobre o período em que não houve a possibilidade de pagamento/parcelamento em razão do erro que provocou uma diferença no valor da autuação. Não assiste razão ao Recorrente, uma vez que o saneamento não inovou o lançamento; muito pelo contrário, tratou apenas, o parcial provimento da Impugnação, de reduzir o valor do Auto de Infração, ou seja, o direito de defesa, devidamente exercido pelo contribuinte, possibilitou o saneamento do lançamento em seu favor. O fato ensejador da autuação – omissão de receita – restou mantido, razão pela qual não há que se falar em prejuízo causado pelo Fisco, como alega. 9. Valores declarados – momento da dedução O Recorrente alega que o v. Acórdão da DRJ restou omisso por deixar de apreciar o pedido de realização de perícia a fim de separar supostos valores indevidamente apurados como fonte de receita. Ao contrário do que alega o Recorrente, não houve omissão por parte do v. Acórdão, porquanto restou esclarecida a dúvida quanto à presunção dos valores creditados em conta bancária presumidos como receitas, presunção essa não afastada pelo contribuinte através dos documentos comprobatórios. O ônus de demonstrar que tais operações não ensejariam a configuração de receita é do contribuinte, que teve a oportunidade de fazêlo. 10. Exclusões da base de cálculo a) ICMS Como bem decidido em primeira instância, cabe ao Poder Judiciário a discussão sobre a constitucionalidade ou não da lei que determina a inclusão do ICMS na base de cálculo do Imposto sobre a Renda, conforme ainda, o que determina a Súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A autoridade administrativa tem sua atividade vinculada, sendo, portanto, incabível o quanto alegado referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do lançamento. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.318 8 b) Valores de pedágio Mais uma vez caberia ao Recorrente demonstrar o quanto alega, consoante verificado no v. Acórdão à fl. 1201, cujo trecho destaco: “A pretensão da impugnante foi contemplada no despacho que determinou a diligência nos seguintes termos: ‘Por último, a autuada reclama que os valores relativos a valepedágio devem ser deduzidos das bases de cálculo das exações lançadas. Com respeito a tal pretensão, cumpre reconhecer que a DISIT desta 9ª Região Fiscal, nas soluções de consulta nº 49 e 202, de 23/03/2012 e 18/10/2012, respectivamente, vem de declarar que o valor do vale pedágio obrigatório, instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, não é considerado receita operacional ou rendimento tributável para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da COFINS ou do PIS/PASEP. Em face do exposto, entendo que os autos devem retornar à origem para que o autuante: 1 (...) 4 conceda à autuada a oportunidade de elaborar os demonstrativos necessários e apresentar a documentação competente, com base na qual se pronuncie quais os valores relativos a valepedágio que, eventualmente, devam ser excluídos da base de cálculo das exações lançadas;’ Contudo, conforme informado no relatório da diligência (fls. 1.189), a contribuinte foi intimada a adotar as providências que entendesse cabíveis, mas quedouse inerte. E em assim sendo, não há sequer como apreciar o mérito de sua pretensão.” Portanto, todas as alegações de mérito do Recorrente careceram da respectiva demonstração e não devem ser acolhidas, consoante jurisprudência pacífica deste Conselho, a que exemplifica com o trecho da ementa de recente julgado, abaixo. Vejamos: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 12571.720174/201249 Acórdão n.º 1202001.254 S1C2T2 Fl. 1.319 9 Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas, nem é possível buscar transferir essa obrigação para o Fisco. Hipótese em que o recorrente não logrou comprovar a origem de parte dos depósitos bancários incluídos no lançamento e pretende transferir o ônus de obtenção das provas necessárias para o Fisco.” (CARF Acórdão nº 1102001.098 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – 1ª SEJUL Processo nº 11080.006057/200932 – Sessão de 06/06/2014 – grifouse) Em face do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários para que seja mantido o lançamento, nos termos definidos no Acórdão nº 0641.334 proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 14098.720049/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2009
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os créditos reconhecidos pelo Judiciário foram considerados pelo fisco na apuração fiscal.
SALÁRIO-MATERNIDADE. REMUNERAÇÃO PAGA DURANTE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. FÉRIAS E ADICIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE AS VERBAS FORAM INCLUÍDAS NA GFIP. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESCABIMENTO.
Mesmo que o Judiciário houvesse excluído da incidência de contribuições todas as verbas pleiteadas na ação judicial de compensação (aos quinze primeiros dias de afastamento de empregados doentes ou acidentados; sobre o salário-maternidade e sobre as férias e o seu adicional de um terço), não caberia a sua exclusão da base de cálculo do lançamento, posto que a empresa não comprovou que as tivesse declarado na GFIP.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS QUE A EMPRESA OBTEVE EM DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INOCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo o sujeito passivo declarado na GFIP a compensação de contribuições com créditos tributários reconhecidos por decisão judicial de segunda instância, ainda que não transitada em julgado, descabe a imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, posto que tal conduta não configura falsidade.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não conhecer dos pedidos de sobrestamento da Representação Fiscal para Fins Penais e do cancelamento do Termo de Arrolamento de Bens e Direito; II) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela conselheira Carolina Wanderley Landim, vencidos a conselheira Carolina Wanderley Landim e o conselheiro Igor Araújo Soares; III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o AI n. 51.043.600-5. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. Recorrente SERVICO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DEPARTAMENTO REGIONAL DO DISTRITO FEDERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2009 SESI. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA. A isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955 não exonera o SESI do recolhimento da cota patronal previdenciária. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE SENTENÇA JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência quando a decisão judicial autorizativa das compensações efetuadas pelo sujeito passivo ainda não transitou em julgado. CRÉDITOS OBTIDOS NO JUDICIÁRIO. APROVEITAMENTO PELO FISCO. Os créditos reconhecidos pelo Judiciário foram considerados pelo fisco na apuração fiscal. SALÁRIOMATERNIDADE. REMUNERAÇÃO PAGA DURANTE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. FÉRIAS E ADICIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE AS VERBAS FORAM INCLUÍDAS NA GFIP. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESCABIMENTO. Mesmo que o Judiciário houvesse excluído da incidência de contribuições todas as verbas pleiteadas na ação judicial de compensação (aos quinze primeiros dias de afastamento de empregados doentes ou acidentados; sobre o saláriomaternidade e sobre as férias e o seu adicional de um terço), não caberia a sua exclusão da base de cálculo do lançamento, posto que a empresa não comprovou que as tivesse declarado na GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS QUE A EMPRESA OBTEVE EM DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INOCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 49 /2 01 3- 88 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Tendo o sujeito passivo declarado na GFIP a compensação de contribuições com créditos tributários reconhecidos por decisão judicial de segunda instância, ainda que não transitada em julgado, descabe a imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, posto que tal conduta não configura falsidade. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2009 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não conhecer dos pedidos de sobrestamento da Representação Fiscal para Fins Penais e do cancelamento do Termo de Arrolamento de Bens e Direito; II) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela conselheira Carolina Wanderley Landim, vencidos a conselheira Carolina Wanderley Landim e o conselheiro Igor Araújo Soares; III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o AI n. 51.043.6005. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 270 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0433.315 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração: a) AI n.º 51.043.5998: exigência de contribuições decorrentes de glosas de compensação efetuadas supostamente em desconformidade com a decisão judicial que acatou pretensão deduzida pelo sujeito passivo; e b) AI n. 51.043.6005: aplicação da multa isolada prevista no § 10. do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Nos termos do relatório fiscal, fls. 19/22, a empresa impetrou mandado de segurança, pleiteando o não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração relativa aos quinze primeiros dias de afastamento de empregados doentes ou acidentados; sobre o saláriomaternidade e sobre as férias e o seu adicional de um terço. Constava do pedido ainda a compensação de tais parcelas sem qualquer restrição, inclusive aquelas decorrentes do art. 170A do CTN e dos arts. 3. e 4. da LC n. 118/2005. A sentença de primeiro grau reconheceu a prescrição para o valores recolhidos antes de 20/07/1999 e, confirmando a liminar, determinou a compensação das parcelas pleiteadas, corrigidas pela taxa Selic, com qualquer tributo arrecadado pela RFB. No Acórdão datado de 04/10/2011, a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, decidiu, resumidamente que: a) estariam prescritos os recolhimentos anteriores a 20/07/1999; b) não é devida a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga durante os 15 primeiros dias que antecedem a concessão do auxíliodoença, bem como sobre o terço constitucional de férias; c) é devida a incidência de contribuição previdenciária sobre férias e salário maternidade; d) a compensação, que somente deverá ocorrer após o trânsito em julgado da decisão (art. 170A do CTN), abrange parcelas vencidas e vincendas de contribuições previdenciárias patronais, devendo incidir apenas a taxa Selic. Afirma o fisco, que malgrado não tendo havido o trânsito em julgado do referido MS, efetuou o cálculo dos valores a compensar em conformidade com a decisão judicial, e o crédito foi lançado para prevenir a decadência. Eis o que afirmou a autoridade lançadora: “De acordo com a decisão judicial, a empresa teria o direito de compensar o montante de R$ 682.187, que acrescido dos juros atinge o total de R$ 689.827,02. Importe este suficientes para amortizar apenas as contribuições previdenciárias patronais devidas nas competências 09/2009, 10/2009, e, parcialmente, 11/2009. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 271 5 Assim, não tendo havido, ainda, o trânsito em julgado da Ação Judicial, glosouse as compensações até o limite de R$ 689.827,02 com a finalidade de prevenir a decadência, cujo processo administrativo de cobrança deverá ficar sobrestado até a decisão judicial definitiva.” O crédito foi constituído para as competências 09/2009 a 11/20009. Esclarece o fisco que o AI n. 51.036.1935 foi lavrado para aplicação de multa isolada de 150% sobre os valores indevidamente compensados, pelo fato da empresa ter pleno conhecimento da inexistência dos créditos declarados na GFIP, além de que o procedimento compensatório representou ação dolosa com intento de impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do débito tributário, fato que caracteriza sonegação fiscal, prevista no inciso II do art. 71 da Lei n. 4.502/1964. Afirmase ainda que foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP em razão da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária, tipificado no inciso I do art. 2. da Lei n. 8.137/1990. Cientificado do lançamento em 20/05/2013, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente, mantendo integralmente as lavraturas. Inconformado, o autuado interpôs recurso, no qual, após relatar os principais fatos do processo, alegou, em apertada síntese, que: a) inexiste a relação jurídicotributária apontada nos lançamentos, haja vista ser o recorrente detentor de imunidade tributária; b) o recorrente, assim como todos os Serviços Sociais Autônomos, é uma entidade beneficente de assistência social de caráter educacional e cultural, sem fins lucrativos, que goza da imunidade tributária em relação aos impostos incidentes sobre a sua renda, patrimônio ou serviços, por força do disposto na alínea “c” do inciso IV do art. 150 da Carta Magna, combinado com os arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955; c) é equiparado à União para fins de isenção fiscal pela Lei citada na alínea precedente; d) apresenta jurisprudência para comprovar que, preenchendo as exigências do art. 14 do CTN, encontrase abrangido pela imunidade relativa às contribuições do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991; e) apresenta decisões judiciais e administrativas cujo entendimento é o de que os arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955 atribui imunidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias; f) em razão da imunidade da qual goza, o recorrente faz jus ao crédito compensado, não se aplicando neste caso o art. 170A do CTN, posto que o reconhecimento do indébito decorre da sua condição de imune, não necessitando aguardar o trânsito em julgado do MS impetrado para se compensar dos valores indevidamente recolhidos; g) por outro lado, é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão, posto que tal permissivo legal já se encontra contido no bojo do art. 66 da Lei n. 8.383/1991 e do art. 74 da Lei n. 9.430/1996; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 h) no STJ tem prevalecido a tese de que não há necessidade de autorização administrativa ou de trânsito em julgado de ação judicial para que as empresas detentoras de créditos em face da União promovam as compensações; i) o art. 170A do CTN é dirigido ao Poder Judiciário e não ao contribuinte, posto que a imposição ali veiculada é no sentido de que o juiz está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas não há empecilho para que o sujeito passivo faça o seu regular pedido de compensação; j) a incidência de contribuições sobre a remuneração correspondente aos quinze primeiros de dias de afastamento do empregado doente ou acidentado; sobre o saláriomaternidade e sobre as férias e o seu adicional de um terço é afastada por unanimidade nos julgamentos do STJ, não havendo dúvida quanto à existência de créditos em favor do recorrente; k) não compensou qualquer outro valor, senão aqueles relativos aos recolhimentos efetuados com base no comando normativo declarado ilegal; l) as disposições contidas no art. 170A do CTN não são aplicáveis ao mandado de segurança, posto que este possui caráter mandamental, impondo à Administração Pública uma prestação material, específica e in natura, sobre essa questão apresenta decisão do TRF – 1.ª Região; m) apresenta decisões do STJ para demonstrar que não há possibilidade de incidência de contribuições sobre as parcelas, cujos recolhimentos geraram o processo de compensação. A seguir, apresenta extenso arrazoado, no qual sustenta que não há incidência de contribuições sobre os primeiros quinze dias de afastamento em razão de auxíliodoença ou auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade e sobre as férias e o seu terço constitucional; sobre o aviso prévio indenizado e o seu reflexo no 13. salário, haja vista que não são verbas pagas como retribuição pelo trabalho. Voltase contra a aplicabilidade da taxa Selic para fins tributários e afirma que não se sustenta a multa isolada, uma vez que o recorrente em momento algum agiu de forma dolosa no intuito de falsificar a declaração, posto que submeteu todas as informações e procedimentos ao Judiciário e ao próprio fisco. Apresenta vasta jurisprudência que daria guarida a sua tese. Afirma que a multa no patamar de 150% é desproporcional, assumindo caráter confiscatório em claro atropela à Constituição Federal. Assevera que a RFFP somente pode ser formalizada e protocolizada após a constituição definitiva do crédito tributário, devendo ser sobrestada por não ter observado esta regra. Argumenta que o registro do Arrolamento de Bens e Direitos no cartório de registro imobiliário representa flagrante desrespeito ao sigilo fiscal do contribuinte, posto que o gravame poderá ser conhecido por terceiros. Além de que não se mostra razoável a limitação à fruição do direito de propriedade, constitucionalmente garantido ao recorrente, antes da constituição definitiva do crédito fiscal. Ao final requereu: a) o recebimento do recurso, com suspensão da exigibilidade dos créditos sob discussão; b) o acolhimento e provimento do recurso, com consequente cancelamento dos lançamentos guerreados; c) o sobrestamento da RRFP até o término da discussão administrativa; d) o cancelamento do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; e Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 272 7 e) a intimação do patrono para sustentação oral, quando do julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Irrelevância da questão da não incidência de contribuições sobre as parcelas questionadas judicialmente A discussão acerca da incidência de contribuições sobre a remuneração relativa aos primeiros quinze dias de afastamento em razão de auxíliodoença ou auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade e sobre as férias e o seu adicional não serão objeto da análise desta Turma de Julgamento. Primeiro porque todos os créditos, que foram reconhecidos pelo Judiciário (adicional de férias e remuneração paga nos primeiros quinze dias de auxíliodoença/acidente) no bojo do MS n. 2009.34.00.0240626, foram considerados pelo fisco na apuração. Quanto á declaração em GFIP, a empresa não apresentou nenhuma evidência de que houvera incluído na base de cálculo constante nas declarações as parcelas em questão. Assim, não cabe a sua exclusão. Portanto, o enfrentamento dessa questão no presente processo é inóquo, não merecendo a apreciação da turma. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto ao pedido para sustação da Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Arrolamento de Bens e Direitos Assevera o sujeito passivo que o arrolamento de bens e direitos antes do trânsito em julgado do processo administrativo fere o seu direito de propriedade, além de que o registro daquele no cartório de imóveis atenta contra o sigilo fiscal. Pede o cancelamento do Termo de Arrolamento. Vejamos se tem razão. O arrolamento de bens e direitos se constitui em medida de caráter administrativo relativo à tutela da satisfação dos interesses do Estado, na medida em que visa informar a situação patrimonial do sujeito passivo, no tocante aos bens por ele titularizados, com vistas à futura satisfação do crédito tributário. Ressaltese que este não promove a indisponibilidade do bem arrolado. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 273 9 O procedimento é legal e está previsto nos artigos 64 e 64A da Lei 9.532/97, abaixo transcritos e constitui obrigação do agente fiscal. Nesse sentido, descabe a esse colegiado apreciar a suposta afronta à Constituição por esse diploma legal, posto que refoje a sua competência julgar questões que envolvam a conformidade de lei vigente com a Constituição, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De outra banda, as considerações feitas pelo recorrente em relação ao arrolamento de bens não podem ser objeto de apreciação pela autoridade julgadora administrativa, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Imunidade Assevera o recorrente gozar de imunidade frente à exigência de contribuições previdenciárias, assim, não faria parte da relação jurídicotributária relativa às contribuições previdenciárias. Inicio as minhas ponderações afastando a alegada imunidade decorrente da alínea “c” do inciso IV do art. 150 da Carta Magna. Vejamos o dispositivo: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7. do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Portanto, não devemos reconhecer a existência de imunidade do recorrente frente ao recolhimento da cota patronal previdenciária. Todavia, a jurisprudência pátria sobre o assunto é uníssona no sentido de que entidades que ostentam a natureza do recorrente, possuem o direito à isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955. Não é despropositado trazer à baila nesse momento a diferença entre os institutos da imunidade e isenção. Esta é uma espécie de renúncia fiscal, uma vez que o Estado pode tributar, mas renuncia a esse poder, por questões de política tributária. A imunidade representa vedação constitucional, impedindo o legislador de alcançar determinadas pessoas ou fatos. As imunidades constam da Constituição, ao passo que as isenções são concedidas por lei ordinária. Feitas essa diferenciação, vamos apresentar os dispositivos da Lei n. 2.613/1955, que tratam da isenção dos Serviços Sociais Autônomos, de modo a verificar se este benefício alcança as contribuições previstas no art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Art 12. Os serviços e bens do S. S. R gozam de ampla isenção fiscal como se fossem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Observese que a isenção acima equipara as entidades ali listadas à própria União, vedando que se tributassem os seus serviços e bens. Ouso discordar, todavia, daqueles que entendem que este benefício fiscal seria extensivo às contribuições previdenciárias. Notase que a própria União é equiparada às empresas em geral quanto ao cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme dispõe o inciso I do art. 15 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Extraise do dispositivo que mesmo os órgãos do Poder Público, incluídos aí os da União, sujeitamse ao recolhimento das contribuições patronais para a Seguridade Social quando remuneram segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 22 da Lei de Custeio. Ora se a própria União não está isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, não há como reconhecer o benefício para entidade a ela legalmente equiparada. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 274 11 Assim, o fato do recorrente ser beneficiado com isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955 não o exonera do recolhimento das contribuições patronais previdenciárias. Glosas de compensação O motivo que levou o fisco a glosar as compensações efetuadas pela autuada foi a inobservância da decisão judicial exarada no bojo do MS n. 2009.34.00.0240626. Apontou o fisco irregularidade decorrente do início do procedimento compensatório antes do trânsito em julgado da decisão concessiva da segurança pleiteada, por esse motivo, o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência, Observase que o condicionamento à observância do art. 170A foi imposto pela decisão do TRF1.ª Região, portanto, a própria sentença que autorizou as compensações tratou de impor o trânsito em julgado do feito como marco para início do encontro de contas. Assim, escorreito o lançamento fiscal, posto que se a Fazenda Nacional vier a reverter a decisão do TRF – 1.ª Região estará o crédito tributário constituído, evitandose a perda do direito pelo transcurso do prazo decadencial. Multa isolada Conforme relatado, o recorrente efetuou a compensação das contribuições devidas com base em decisão judicial, todavia, não observou os comandos do acórdão do TRF – 1.ª Região, que lhe concedeu parcialmente a segurança, ao iniciar a compensação antes do seu trânsito em julgado. Em razão deste procedimento do sujeito passivo, a Autoridade Fiscal aplicoulhe a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa teria violado os termos da decisão judicial que dera ensejo ao seu direito. Em seu recurso o sujeito passivo alega que a multa isolada é improcedente, posto que não atuou com dolo, nem tentou ludibriar o fisco, haja vista que declarou as compensações na GFIP. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Ao contrário do processo n. 14098.720048/201333, em que o sujeito passivo utilizouse de créditos não reconhecidos no processo judicial, no presente caso, as contribuições lançadas coincidem com o montante de créditos autorizados judicialmente. Assim, não enxergo a ocorrência de falsidade na declaração da GFIP, haja vista que ali foram declaradas exatamente as contribuições que o Judiciário entendeu indevidas. Não se justifica, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14098.720049/201388 Acórdão n.º 2401003.578 S2C4T1 Fl. 275 13 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Voto por não conhecer dos pedidos de sobrestamento da Representação Fiscal para Fins Penais e do cancelamento do Termo de Arrolamento de Bens de Direito e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o AI n. 51.043.6005. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Declaração de Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Em que pese o posicionamento muito bem exposto pelo Ilustre Conselheiro Relator, entendo que o lançamento fiscal ora apreciado encontrase maculado por vício material, de modo que considero que essa autuação padece de nulidade. Isso porque, conforme reconhece o próprio fiscal autuante, as decisões proferidas no processo expressamente consignam que a compensação do indébito reconhecido ao contribuinte só pode ser efetuada após o seu trânsito em julgado, diante do que, s.m.j, inexiste no processo judicial qualquer provimento judicial que dê respaldo ao procedimento compensatório efetuado pelo contribuinte, já que o trânsito em julgado ainda não se verificou. Nesse contexto, inexistindo provimento que dê respaldo à compensação efetuada, não há que se falar em lançamento para prevenir a decadência, tampouco em sobrestamento do processo administrativo de cobrança até a decisão judicial definitiva. Ainda que o desfecho do processo seja favorável, no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado, a compensação efetuada não poderá ser convalidada, vez que feita prematuramente, em desrespeito ao artigo 170A e à própria decisão que obriga o contribuinte a aguardar o trânsito em julgado. Nessa hipótese, caberia ao contribuinte recolher o tributo que foi compensado indevidamente, objeto deste processo, e compensar o seu crédito novamente no futuro, após o trânsito em julgado se materializar. O lançamento para prevenir a decadência é aplicável apenas nos casos em que o contribuinte, respaldado por decisão liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, ou sentença não sujeita a efeito suspensivo, deixa de recolher determinado tributo objeto de discussão judicial. Nesses casos, o procedimento adotado pelo contribuinte está respaldado por decisão judicial, cabendo o lançamento de ofício para prevenir a decadência. No caso dos autos, embora exista provimento judicial não definitivo, em que se reconhece a existência de um direito creditório em favor do contribuinte, a compensação desse indébito prematuramente efetuada é indevida e deveria ser objeto de lançamento de ofício com a aplicação de multa de ofício e não sujeito a qualquer resultado de ação judicial, já que nela não encontra respaldo. Como, no meu entendimento, a autoridade fiscal equivocouse ao efetuar lançamento para prevenir a decadência, incorreu em grave erro de fundamentação, que fulmina de nulidade material o lançamento tributário. Esse erro cometido na autuação é extremamente relevante, pois ocasiona impactos impróprios ao presente caso, tais como: (i) atrela indevidamente o lançamento fiscal ao resultado da ação judicial em que se está discutindo o crédito a ser compensado; (ii) possibilita o sobrestamento da cobrança fiscal até a decisão judicial definitiva; e (iii) impede a constituição do lançamento de multa de ofício nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/09. Na verdade, pela motivação exposta no relatório fiscal, o lançamento não se enquadra entre aqueles efetuados para prevenir a decadência, diante do que o lançamento efetuado equivocadamente sob esse manto deve ser cancelado, porque nulo, materialmente. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 10120.720799/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
NÃO DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS AO CONTRIBUINTE. EXISTÊNCIA DE CÓPIAS DIGITAIS NOS AUTOS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Demonstrado que os documentos não devolvidos ao Contribuinte, ao término da fiscalização, foram digitalizados e acostados aos autos, não se caracteriza o cerceamento de defesa nem tampouco se vislumbra a nulidade dos lançamentos, sendo possível a análise do mérito pelas autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1201-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso de Ofício, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e para determinar que a Delegacia de origem se pronuncie sobre as demais questões suscitadas pela defesa, vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre, em substituição ao Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ME ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NÃO DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS AO CONTRIBUINTE. EXISTÊNCIA DE CÓPIAS DIGITAIS NOS AUTOS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que os documentos não devolvidos ao Contribuinte, ao término da fiscalização, foram digitalizados e acostados aos autos, não se caracteriza o cerceamento de defesa nem tampouco se vislumbra a nulidade dos lançamentos, sendo possível a análise do mérito pelas autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso de Ofício, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e para determinar que a Delegacia de origem se pronuncie sobre as demais questões suscitadas pela defesa, vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre, em substituição ao Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 07 99 /2 01 3- 74 Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Conselheiro Rafael Correia Fuso Tomo como parte desse Relatório as transcrições do Relatório da DRJ: Trata o presente processo de lançamento de tributos IRPJ, no valor de R$ 1.421.764,93; PIS, no valor de R$ 105.532,50; CSLL, no valor de R$ 466.173,13; e COFINS, no valor de R$ 487.072,71; todos relativos aos anos calendários 2008 e 2009. A fiscalização apurou a ocorrência das seguintes infrações, conforme texto do Termo de Verificação Fiscal às folhas 1120 a 1158: a) Omissão de Receita da Atividade na intermediação de negócios; conforme documentos de contratos de compra e venda de veículos e cadastros nas financeiras; e conforme Declarações de Imposto de Renda retido na fonte, sob o código 8405; b) Omissão de Receita por presunção legal de Depósitos Bancários de Origem não comprovada; c) Omissão da Receita Bruta na intermediação de negócios; d) Omissão de Receita Bruta na venda de veículos usados; A fiscalização efetuou o abatimento dos valores declarados, pelo impugnante, em DCTF, e houve por bem qualificar a multa de ofício, elevandoa ao percentual de 150%. A impugnante contesta a autuação, no intervalo de folhas 1178 a 1209, pleiteando: a) nulidade do Auto de Infração por decorrer de quebra do sigilo bancário; b) ocorrência do cerceamento do direito de defesa em virtude da “não devolução dos livros fiscais”; c) ocorrência de lançamentos simultâneos sobre a mesma matéria; Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 3 3 d) impossibilidade de arbitramento do lucro tributável; e) incompatibilidade de apuração de omissão de receita e arbitramento do lucro tributável; f) a necessidade de comprovação do nexo de causalidade entre os depósitos bancários de origem não comprovada e suposta omissão de receitas; g) a inexistência de depósitos bancários de origem não comprovada, no caso dos contratos de mútuo apresentados; h) descabimento da qualificação da multa de ofício, com base em simples presunção legal. A DRJ cancelou o Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, conforme acórdão abaixo transcrito: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ALEGADO PELA IMPUGNANTE, EM DECORRÊNCIA DE A FISCALIZAÇÃO NÃO TER DEVOLVIDO OS LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento, não cabendo, portanto, cogitarse de cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, uma vez que este consiste em procedimento inquisitório que não admite contraditório. O lançamento é ato administrativo vinculado e obrigatório realizado pela autoridade fiscal com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, calcular o montante devido e, se for o caso, aplicar a penalidade devida. O direito à ampla defesa e ao contraditório, garantido pelo art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, por sua vez, é uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, com a impugnação da exigência fiscal. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Decreto 70.235/72 Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo. Dessa forma, o procedimento de fiscalização, que antecede a fase litigiosa, é um procedimento inquisitório, cuja participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. A contestação das informações contidas no auto de infração, dos documentos juntados, ou até mesmo de eventuais irregularidades, somente pode ser realizada em momento posterior, com a apresentação da impugnação, iniciando o devido processo administrativo. Entretanto, para a inauguração da fase litigiosa, ou seja, a apresentação da impugnação, é necessário que o, até então fiscalizado, e agora cientificado, possa se decidir, à vista dos elementos que substanciaram o lançamento, se: a)aceita como correto o lançamento e extingue o crédito tributário através do pagamento; suspende a exigência do crédito tributário através do parcelamento do débitos; ou assume a revelia; b)impugna o lançamento, seja na esfera administrativa ou judicial. Assim, somente após cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, pode o contribuinte impugnar a exigência, devendo para tanto serlhe franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa, incluindo neste, até mesmo não se defender! Colaborando com o pensamento acima, temos, também, o acórdão 10421003 (Sessão de 13/09/2005), do qual não extraímos apenas a ementa, mas trecho de seu voto, conforme segue: Acórdão 10421003 (Sessão de 13/09/2005) Trecho de Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Por ter o procedimento fiscal natureza inquisitória, não se aplica nessa fase o direito ao contraditório e à ampla defesa. Somente após cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, pode o contribuinte impugnar a exigência, devendo para tanto serlhe franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa. Verificandose que o auto de infração e seus Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 4 5 anexos permitem ao autuado amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há falarse em cerceamento do direito de defesa. “...Sobre a alegação de cerceamento de direito de defesa, cumpre observar de plano que as garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa destinase aos acusados em processo administrativo e judicial . e, portanto, exclui a fase inquisitorial, que antecede ao lançamento. Somente a partir da ciência do lançamento, quando o Contribuinte toma conhecimento formal da imputação que lhe é feita, abrese a possibilidade de exercer o contraditório e ampla defesa. Antes não. Embora a prudência recomende a concessão de amplas oportunidades de apresentação dos elementos necessários à apuração dos fatos, não se cogita em cerceamento de direito de defesa o indeferimento de pedidos de prorrogação de prazos ou eventuais falhas procedimentais...” No processo em análise, apresentase a seguinte situação: 1 – A ciência do auto de infração ocorreu em 30/01/2013, vide fls 1161 a 1162; 2 – A então, fiscalizada, em 19/01/2012 entregou os livros fiscais, conforme fl. 53; 3 – A então, fiscalizada, em 06/02/2012 entregou os livros fiscais relativos ao ISS, conforme fl. 364 4 – A então, fiscalizada, em 24/02/2012, solicita prorrogação de prazo e a devolução de livros fiscais relativos aos anos de 2008 e 2009; no despacho da autoridade há a concessão da dilação do prazo, mas nada se reporta em relação à devolução dos livros fiscais solicitados, conforme fl 406; 3 – Ainda durante o prazo destinado à defesa, em 26/02/2013, vide fls 1171 a 1174, a impugnante solicita a devolução dos livros fiscais; à fl. 1176 há despacho de encaminhamento ao setor competente para resposta à solicitação do impugnante. 5 – Em 28/02/2013, a impugnação fora protocolada. 6 – Não há, nos autos, termo de devolução dos livros fiscais que a empresa apresentou à fiscalização, conforme descrito no início do termo de verificação; 5 – O cerne do lançamento fora: a) “Omissão de Receita da Atividade na intermediação de negócios; conforme documentos de contratos de compra e venda de veículos e cadastros nas financeiras; e conforme Declarações de Imposto de Renda retido na fonte, sob o código 8405; b) Omissão de Receita por presunção legal de Depósitos Bancários de Origem não comprovada; c) Omissão da Receita Bruta na intermediação de negócios; d) Omissão de Receita Bruta na venda de veículos usados; Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 O fundamento das autuações, além dos extratos bancários, dos contratos relativos às operações comerciais de tributação omitida, fora, em grande monta, os livros fiscais apresentados pelo impugnante, tanto que em reiteradas situações a fiscalização afirma que “o lucro fora arbitrado com base nos livros fiscais apresentados”. É bem verdade que foram apostos, junto ao auto de infração, cópias de documentos que a fiscalização alegou fundamentar o lançamento, mas, àquele momento processual, após a notificação do lançamento, não falávamos, mais de convicção da autoridade lançadora, mas, sim, de permitir o contraditório e a ampla defesa por parte do impugnante, e este contraditório só poderia ocorrer se ao impugnante fosse dado acesso aos “originais” de onde a fiscalização apurou suas conclusões, de modo a permitir até mesmo contraditar as provas apostas no processo frente aos originais dos referidos documentos. O trabalho de “Gilson Wessler Michels (DRJ/FNS/SC) denominado Processo Administrativo Fiscal – Comentários e anotações ao Decreto 70.235 de 06/03/1972”, nos traz, em sua página 32, como características fundamentais do princípio da Ampla Defesa, entre outras: (c) instauração do contraditório: além de ser comunicado da acusação que lhe é imputada e dos atos que dão curso ao feito, deve o procedimento incluir medidas que permitam ao cidadão contestar o feito previamente à decisão, e que viabilizem a confrontação producente dos elementos de prova e argumentos apresentados pelas partes componentes da relação jurídica; (d) ilimitação na apresentação de provas: possibilidade de o cidadão produzir todas as provas que julgar necessárias para sua defesa, podendo fazer uso tanto da autodefesa quanto da defesa técnica. Esta ilimitação só pode encontrar restrições no que se refere às provas ilícitas, vedadas pela Constituição Federal, e aos argumentos incompatíveis com o sistema jurídico e os valores fundamentais. De se ressaltar que na ilimitação das provas está incluída a sua devida consideração pelo julgador, sem o que o direito esvaise por via indireta; Colaborando com a análise deste tema “cerceamento do direito de defesa, por não devolução dos livros fiscais, ao final da fiscalização”, trazemos os seguintes excertos, extraídos do site da Secretaria da Receita Federal: 1 QUAIS SÃO AS NULIDADES DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO? NULIDADE – EXTENSÃO DA DECLARAÇÃO – Parágrafos 1.º e 2.º do Artigo 249 e Artigo 250 do CPC: Art. 249 – [...] § 1.º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 5 7 § 2.º Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem aproveite a declaração da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 250 – O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo praticarse os que forem necessários, a fim de se observarem, quanto possível, as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados, desde que não resulte prejuízo à defesa. • NULIDADE DE ATOS E TERMOS OBSERVAÇÕES: (a) Hipóteses de Nulidade: Antônio da Silva Cabral (in "Processo administrativo Fiscal", Ed. Saraiva, São Paulo, 1993, p. 525526) critica a posição de tantos quantos defendem a idéia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são apenas aquelas elencadas nos incisos I e II do artigo 59 do decreto n.º 70.235/1972. Utilizandose de distinção efetivada por De Plácido e Silva, defende a idéia de que os citados dispositivos representam hipóteses de nulidade expressa ou legal (que devem ser declaradas a qualquer tempo, independentemente de argüição, sendo os atos inquinados inaproveitáveis), sem negar que existam outras causas que provocam a nulidade absoluta ou a declaração de nulidade; seriam estas as nulidades relativas ou acidentais (que dependem de argüição, podendo os atos inquinados serem ratificados ou sanados) e as nulidades virtuais (que resultam da interpretação das leis). (b) Nulidades do Direito Processual e Nulidades do Direito Material: além das hipóteses acima elencadas, importante é o estabelecimento da distinção entre nulidades processuais e nulidades de caráter material. As processuais referemse especificamente à relação processual estabelecida em um dado processo, sem invadir a esfera do direito argüido; as de caráter material viciam o próprio direito, inviabilizando que qualquer relação processual se estabeleça a partir dele. Assim, declarada a nulidade por força de disposições processuais, extinguese a relação processual, mas o direito pode voltar a ser pleiteado, em outra ação, depois de sanada a irregularidade; já a nulidade do direito material significa a extinção do próprio direito, não podendo o mesmo voltar a ser pleiteado. Como exemplo, declarada a nulidade por ilegitimidade passiva, extinguese a relação processual, dado que estabelecida por quem não detém o direito subjetivo; mas o direito pode voltar a ser pleiteado por quem é parte legítima para tal. Por outra, declarada a nulidade por falta dos requisitos de validade de um contrato, viciado restará o próprio direito que emana da relação contratual, não podendo haver novo pleito em face dele. De tais observações, inferese, então, que não são apenas os casos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 que se conformam como hipóteses de nulidade, tanto quanto se conclui que não são todos os casos de nulidade que dão margem a novo lançamento por parte do fisco. Só são passíveis Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 de novo lançamento as matérias constantes de processos que foram anulados por vícios processuais (ilegitimidade passiva, falta de ciência de procuradores, falta de intimação das partes, etc.); em relação aos processos que foram anulados por vícios materiais (erro de direito, decadência, etc.), o novo procedimento deve ser vedado. • NULIDADE DE ATOS E TERMOS: Além dos casos de nulidade elencados nos incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972, há outros que decorrem, entre outros diplomas, do Código Tributário Nacional: a) nulidade do lançamento por vício formal (art. 173 do CTN): haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não o tenha sido na forma legalmente prevista (exemplo: segundo exame, em relação a um mesmo exercício fiscal, sem ordem escrita da autoridade fiscal competente ver Acórdão CSRF/010.538, de 23/05/1985); b) nulidade por ilegitimidade passiva (art. 142 do CTN): o erro na identificação do sujeito passivo torna nulo o lançamento ("o equívoco quanto à indicação do sujeito passivo acarreta a extinção do processo em qualquer instância em que venha a ser argüida" Acórdão 1.º CC n. º 10171.342/80); c) nulidade por falta de intimação dos procuradores atuantes junto aos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF n.º 260/1995): a Portaria MF n.º 260/95, ao modificar a redação de dispositivos dos Regimentos Internos dos CCs e da CSRF, estabeleceu hipótese de nulidade dos despachos interlocutórios e das decisões proferidas por esses órgãos, caso o procurador credenciado à atuação junto a eles, não seja intimado pessoalmente daqueles despachos e decisões; d) nulidade por decadência (arts. 150, § 4.º, e 173, I, do CTN): exigências formalizadas depois do transcurso do prazo de decadência, autoriza a declaração de nulidade do feito fiscal; e) erro na invocação da norma infringida e discrepância entre fundamentos e conclusão: se o erro na indicação do enquadramento legal não representar mudança no critério jurídico do lançamento e a deficiência estiver suprida por farta e clara descrição dos fatos, permitindo ao contribuinte exercer seu direito de defesa, não há causa para a declaração de nulidade do lançamento assim afetuado. No entanto, havendo a referida mudança de critério jurídico ou prejudicada a defesa do contribuinte, anulável é o ato de lançamento. Os arts. 59 a 61 do Decreto 70.235/72 apontam: Das Nulidades Art. 59. São nulos I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 6 9 II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência; § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo; § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. É importante destacar que a legislação: a) elenca, além das situações dispostas no art. 59 do Decreto 70235/72, outras situações geradoras da nulidade processual; b) as incorreções que poderão ser sanadas, conforme art. 60, são apenas as diferentes das descritas no art. 59 do Decreto 70235/72; c) só autoriza o “refazimento” de ato processual que “não prejudique a defesa”! A NÃO DEVOLUÇÃO DE LIVROS FISCAIS APÓS O TÉRMINO DA FISCALIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE CARACTERIZA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA? Duas análises apresentamse como terem se debruçado sobre situações paradigmas ao caso ora em julgamento. A primeira referese a estudo do fisco goiano, denominado: “MANUAL DEFESA FISCAL MÍNIMA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – GOIÁS IMPUGNAÇÕES RECURSOS CONTRADITAS REQUERIMENTOS CONTRIBUIÇÃO PARA A AMPLA DEFESA DO CONTRIBUINTE E A MELHORIA DO TRABALHO FISCAL. Organização: LUIZ HONORIO DOS SANTOS AFRE III” Do citado estudo, abstraída a legislação específica, referente aos tributos estaduais, para os quais há lei específica, extraímos, por se tratar de norma geral de direito tributário, no caso, “cerceamento do direito de defesa”, os itens 8.3, 8.4 e 8.4.2 8.2 – QUESTÕES DE FATO E DE DIREITO Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 Na esfera administrativa, as chamadas questões de fato prendem se ao controle da legalidade do lançamento do crédito tributário ao se verificar se a situação concreta denunciada amoldase à hipótese imponível abstrata descrita pelo ordenamento jurídico. Ao Conselho Administrativo Tributário cabe confirmar, ou não, o crédito tributário com relação às questões fáticas. Quanto às questões de direito, a divergência reside na interpretação da lei, a constitucionalidade e/ou ilegalidade do tributo, frente ao ordenamento jurídico, cuja matéria deve ser levada ao Poder Judiciário, exclusivamente, a quem compete, de forma definitiva,decidir este tipo de questão. 8.3 – QUESTÕES PRELIMINARES, PREJUDICIAIS E MERITÓRIAS As questões preliminares e prejudiciais, se argüidas, obrigatoriamente tem que ser decididas antes da questão principal ou de mérito.As questões preliminares são de direito processual ou formal, não estão ligadas ao mérito da demanda, não têm existência autônoma e devem ser decididas no próprio processo, antes do exame meritório da causa.As questões prejudiciais estão ligadas ao mérito da demanda, são questões autônomas, estão sempre ligadas ao direito material e podem ser decididas em outro juízo (ex.Decadência). Quanto às questões de mérito, o mérito da causa é a própria lide, ou seja, o conflito de interesses qualificado pela pretensão de um dos interessados e pela resistência do outro. Assim, toda vez que o julgador fixar o limite da lide, estará decidindo conflito de interesse formador da lide. 8.4. – INVOCAÇÃO DE PRELIMINARES DE NULIDADE ABSOLUTAS (TERMINATIVAS) Prevê o artigo 29 da Lei n.º 13.882/01 que a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamentarem, separandose as questões sob os títulos de preliminares e de mérito. O julgador deverá apreciar a preliminar suscitada, obrigatoriamente, antes de decidir o mérito, sob pena de nulidade da sentença ou da decisão. As preliminares de nulidades do lançamento, quando constatadas, devem ser argüidas em todas as intervenções, em todas as instâncias, e compreendem: a) preliminares que possam resultar decisões terminativas do processo, levandose ao seu arquivamento por nulidade “ab initio”, o que não impede o Fisco de promover reautuação, corrigindo os pontos que deram causa à nulidade. b) preliminares que envolvam falhas processuais sanáveis, levando à decisão de retornar o processo ao último ato nulo, e anulandose os atos posteriores, o que não impede a marcha do processo. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 7 11 As preliminares de nulidades absolutas previstas no art, 19 da Lei nº 13.882/2001, são as seguintes: 1. atos praticados por autoridade incompetente ou impedida, 2. com erro na identificação do sujeito passivo, 3. com cerceamento do direito de defesa, 4. com insegurança na determinação da infração. 8.4.3. – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Esta nulidade evidenciase no processo pela existência de atos ou omissões ou procedimentos defeituosos, que prejudicam ou impedem o exercício do amplo direito de defesa, como, por exemplo, as argüições seguintes: a) a apreensão e retenção pela autoridade administrativa dos documentos necessários à defesa do Contribuinte, ou a devolução dos documentos ao mesmo, após a intimação, suprimindo seu prazo processual para defesa, b) os documentos do Contribuinte foram apossados pela autoridade administrativa sem emissão do competente Termo de Apreensão, configurando posse ilícita, c) a ausência na instrução processual de documento fiscal citado pelo autuante e que não consta dos arquivos do Contribuinte, d) o trancamento de estoques sem o devido acompanhamento e assinatura do Contribuinte, e) o arbitramento de lucro sem a desclassificação formal da escrita contábil, se possuir, f) informações divergentes de quebra técnica ou utilização de índice impreciso em levantamento específico, g) falha na eleição do domicílio fiscal do Contribuinte no lançamento, inocorrendo a regular intimação, para pagar o débito ou defenderse, h) falha na intimação postal, quando a correspondência for remetida para endereço incorreto, ou não servido pelos Correios, caso da zona rural, e devolvida sem a cientificação do destinatário, i) falha na intimação por edital, se ocorreu anterior falha na intimação postal, j) nulidade do auto de infração, por estar destituído de demonstrativo que lhe deu origem, k) a juntada aos autos, por parte da fiscalização, de novos documentos, aditivos ou revisão, sem que o Contribuinte tenha sido intimado para manifestarse. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 A alínea “a” do item 8.4.3 do texto acima enquadrase na situação em julgamento. Do ponto de vista jurisprudencial, ainda em relação a outros fiscos, também em relação a “normas gerais de direito tributário, cerceamento do direito de defesa” trazemos Acórdão 395/2009, desta vez do fisco tocantinense, que se amolda a presente situação, a saber: EMENTA: ICMS. Saída de Mercadorias Tributadas não Registradas no Livro Próprio. Não Devolução dos Documentos ao Contribuinte. Cerceamento ao Direito de Defesa – A não devolução dos livros fiscais ao contribuinte, ao término dos trabalhos de auditoria, configura cerceamento ao direito de defesa e consequentemente a nulidade do lançamento fiscal. Em relação ao fisco federal, ainda neste ponto, cerceamento de defesa por não devolução dos livros fiscais, trago trecho do livro “Hiromi Higuchi, Imposto de Renda das empresas: Interpretação e prática: atualizado até 1001201035 ª edição São Paulo: IR Publicações, 2010, em sua página 707, sob o assunto Contencioso Fiscal – Cerceamento de defesa”: “O 1º C.C., pelo Acórdão 10704.224/97 (DOU de 100298), anulou os atos praticados após a primeira impugnação dizendo que tendo o sujeito passivo impugnado o lançamento de ofício, destarte inaugurado a fase litigiosa do procedimento, descabe novo lançamento, mediante a lavratura de novo auto de infração, relativamente aos mesmos fatos e mesmo período de apuração, sem decisão do litígio, sob pena de acarretar a nulidade de todos os atos praticados após a sua instauração.” “O 1º C.C. decidiu que a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica na nulidade da decisão de primeira instância (Ac. nº 10412.917/96 no DOU DE 020497).” O impugnante teve sua capacidade de defesa restringida, temporal e materialmente, em virtude dos fatos demonstrados neste processo! Por fim, devese lembrar que o “contraditório e a ampla defesa” é um princípio constitucional, assim, aquilo que lhe é contrário não tem o direito do saneamento. Ao fim, é forçoso lembrar que as decisões administrativas não vinculam os julgadores, e muito menos os manuais de procedimentos de outros fiscos, mas também é forçosa a lembrança de quais são as fontes do processo administrativo fiscal, para a qual trazemos o texto abaixo : 2.5. As Fontes do Processo Administrativo Fiscal A definição das fontes do processo administrativo fiscal passa, necessariamente, pelos termos do inciso I do parágrafo único do Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 8 13 artigo 2.o da Lei n.o 9.784/1999 (a lei geral do processo administrativo), assim postos: “Nos processos administrativos serão observados,entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...]”. A referência do dispositivo legal à “lei” e ao “Direito”, induz à distinção entre a lei em sentido estrito e o Direito como acepção de ordem jurídica em sentido amplo. De tal sorte, a norma estabelece como fontes do processo administrativo não apenas a lei em espécie, mas também o conjunto de fontes que informam o Direito, como tais a jurisprudência, os princípios gerais de direito, outras espécies normativas etc. Fonte:9 Antonio Fonseca, 1998, p. 232233. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235/1972 . Elaborado por: Gilson Wessler Michels (DRJ/FNS/SC) Setembro/2010 Versão 16 pag 25. O caso concreto; a doutrina; o procedimento de outras administrações tributárias; as razões de direito, sejam a lei ou a jurisprudência do fisco federal, reconhecem, neste caso, o cerceamento do direito de defesa, em virtude da “não devolução” dos livros fiscais apresentados pelo fiscalizado. CONCLUSÃO Diante do exposto, considerando: a) nulidade do lançamento por vício material em virtude de cerceamento do direito de defesa, materializado na “não devolução” das provas em que a fiscalização se fundamentou para efetuar o lançamento. Voto pela procedência da impugnação, anulando o lançamento por vício material. Houve Recurso de Ofício! Este é o relatório! Rafael Correia Fuso Relator Voto Vencido Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A matéria não requer grandes esforços semânticos para decidir. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 É evidente que os casos em que o contribuinte é submetido a cerceamento do direito de defesa, especialmente quanto à falta de devolução de documentos imprescindíveis para que o mesmo possa analisar os fatos geradores e apresentar impugnação ao lançamento, configura vício insanável do lançamento. Esse vício, logicamente, é material, pois interfere em princípios basilares do processo administrativo, quais sejam o direito ao devido processo legal e o princípio do contraditório e da ampla defesa. Isso só reforça a tese de que há outras nulidades do lançamento que não apenas as descritas no artigo 59 do PAF, inerentes ao Direito Administrativo, que implica vícios insanáveis, como o cerceamento do direito de defesa, a violação ao devido processo legal, a violação ao contraditório, a falta de motivação, entre outras. Portanto, a decisão é irretocável, merecendo elogios em razão da sua profundidade, razoabilidade e motivação. E os efeitos da nulidade alcança o ato administrativo vinculado desde o seu nascedouro, pois o vício e a prejudicialidade ocorreu desde a notificação da autuação, conforme provas nos autos. Assim, é nulo por vício material por cerceamento do direito de defesa a não devolução dos documentos ao contribuinte quando do ato de lançamento, impedindo que o mesmo utilize as mesmas informações utilizadas pelo fisco para o exercício regular de sua defesa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo integralmente a decisão da DRJ, pelos seus próprios fundamentos. É como voto! Rafael Correia Fuso – Relator Voto Vencedor Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator Designado Em que pese os bem construídos argumentos do Relator, vislumbro solução jurídica distinta para o caso sob análise. A Delegacia de Julgamento anulou os lançamentos efetuados por suposto vício material, consubstanciado na não devolução, pela fiscalização, dos documentos que a Contribuinte lhe entregara durante os trabalhos de auditoria, o que constituiria cerceamento de defesa, circunstância obviamente vedada pelo ordenamento jurídico. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10120.720799/201374 Acórdão n.º 1201001.110 S1C2T1 Fl. 9 15 Nesse sentido, o artigo 59 do Decreto n. 70.235/72 assim estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. A Contribuinte alega que não houve a devolução dos livros pela fiscalização, o que impossibilitou (ou dificultou sobremaneira) o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, situação considerada suficiente para fulminar os lançamentos efetuados. Ocorre que, à luz dos fatos trazidos pelo processo, não se vislumbra tal situação, pelos motivos a seguir expostos. Os documentos entregues pela Recorrente estão descritos na folha 53 dos autos e contemplam o Livro Caixa 2008, o Livro Registro de Entradas 2008 e 2009, o Livro Registro de Saídas 2008 e 2009, o Registro de Apuração do ICMS 2008 e 2009, o Livro Registro de Documentos Fiscais n. 1 e os extratos bancários do Itaú, também dos anos 2008 e 2009. A análise do feito nos permite concluir que tais documentos foram acostados aos autos, entre as folhas 54 e 364, o que, por si só, prejudica o argumento da Recorrente e afasta a razão de decidir formulada em 1a instância. Somese a isso o fato de que outros documentos, como as fichas cadastrais, contratos de compra e venda e assemelhados também se encontram no processo, entre as fls. 671 e 983, e podemos perceber que, a priori, não se materializa o cerceamento de defesa suscitado. Conquanto se possa argumentar que a fiscalização deveria ter devolvido todos os documentos entregues pela Contribuinte, não considero que esse fato, isoladamente, tenha o condão de tornar nulos os lançamentos efetuados. A autoridade fiscal, inclusive, faz constar no Auto de Infração, às fls. 1.048, que “fazem parte do processo todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados”. Em meu sentir, parece haver perfeita correlação entre os documentos entregues pela interessada e aqueles digitalizados no processo, o que permite, em tese, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Como a alegação da Contribuinte foi genérica, sem mencionar especificamente qual documento estaria faltando, entendo que descabe, na hipótese, a aplicação do artigo 59 do Decreto n. 70.235/72. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 Considero, portanto, cumpridas as exigências previstas no artigo 29 da Lei n. 9.784/99, que rege os processos administrativos: Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1oO órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2oOs atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Como a Lei também garante ao interessado a vista e a obtenção de cópias integrais do processo, notadamente por meio digital, não vislumbro qualquer prejuízo à defesa, tomandose como premissa que os documentos mencionados integram os autos: Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício e, no mérito, voto por DARLHE provimento, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar que a Delegacia de Julgamento competente se pronuncie sobre as demais questões suscitadas pela defesa, prolatando nova decisão. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Designado Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900924/2008-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 24 /2 00 8- 49 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900924/200849 Acórdão n.º 3801004.974 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10611.720082/2014-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação
Período de Apuração: 01/09/2012 - 30/09/2012
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie.
Numero da decisão: 3403-003.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao Recurso Voluntário
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Matéria AI - IPI Recorrente LÍDER TÁXI AÉREO S/A BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação Período de Apuração: 01/09/2012 - 30/09/2012 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não há se falar em mora na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE FREIRE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Ivan Alegretti, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Jorge Freire. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 Relatório Versam os autos recurso voluntário que tem como objeto o pedido de reforma da decisão a quo para que sejam excluídos os juros de mora aplicado em lançamento que teve por fulcro prevenir a decadência, uma vez que o mérito da matéria em litígio está sob apreciação do Poder Judiciário em instância recursal e o montante integral do valor litigado foi depositado tempestivamente. O Auto de Infração foi motivado para constituir crédito tributário de IPI, uma vez que a recorrente importou sob regime de admissão aemporária para utilização econômica o helicóptero (NCM 8802.12.10) de número de série 920159, nos termos da Declaração de Importação (DI) 12/1797689-4. Ao valor do principal foram acrescidos juros de mora. O lançamento foi lavrado com exigibilidade suspensa com fulcro no art. 151, II, do CTN. É o relatório. Voto Dessume-se do relatado que a empresa importou mercadoria para uso em seus fins estatutários sob regime de admissão temporária nos termos da IN SRF 285, de 14/01/2013. Contudo, previamente ao registro da DI ajuizou mandado de segurança para ver afastada a incidência do IPI nessa importação. Foi concedida a liminar nos termo postulados e, no mérito, o juízo monocrático denegou a segurança, tendo dessa decisão a empresa recorrido, restando o mesmo ainda sem julgamento. Sendo inconteste nos autos que houve depósito do montante integral do IPI incidente sobre a importação e que o mesmo foi tempestivo, descabe a incidência dos juros de mora uma vez que mora não houve. Nesse sentido, a Súmula nº 5 do CARF, cujo enunciado foi vazado nos seguintes termos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros de mora. Jorge Freire Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 10611.720082/2014-81 Acórdão n.º 3403-003.633 S3-C4T3 Fl. 2 3 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002957/00-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
O direito de pedir restituição/compensação de contribuição
para o PIS extingue-se em cinco anos, contados do pagamento.
A edição da Lei Complementar n2 118/2005 esclareceu a
controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a
restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da
extinção do crédito que, no lançamento por homologação,
ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 12
do art. 150 do CTN.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
A legitimidade para pleitear repetição de indébito tributário
decorrente de substituição tributaria prevista em lei e sua
utilização em compensações é do substituto tributário.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.003
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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NI5g, 4' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13707.002957/00-21 Recurso n° 136.806 Voluntário Acórdão n° 2102-00.003 — 1 2 Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2009 Matéria Restituição/compensação - PIS Recorrente AUTO POSTO BI'TTIG LTDA. Recorrida DRJ no Rio de Janeiro - RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de contribuição para o PIS extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n2 118/2005 esclareceu a controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 12 do art. 150 do CTN. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A legitimidade para pleitear repetição de indébito tributário decorrente de substituição tributaria prevista em lei e sua utilização em compensações é do substituto tributário. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. n 4 10 • Qi•Âeo • OSE A MARIA COELHO MARQUES Presidente o I .nnnn ••n• Processo n° 13707.002957/00-21 S2-CI T2 Acórdão n.° 2102-00.003 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CCM TR1E1..À: Fl. 671 CONFERE COM O ORGAAL 5rask3. / O (17 /C) 9 MAU5: IO TA IlfSILVA Rei ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco, Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório AUTO POSTO BITTIG LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 657/667, contra o Acórdão n2 12.497, de 29/05/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, fls. 639/652, que indeferiu a solicitação de restituição/compensação de crédito de PIS, em períodos compreendidos entre julho de 1988 e dezembro de 1995, cujo pedido foi protocolizado em 10/10/2000 (fl. 01). A DRF, conforme relatório de fls. 115/119 e Despacho Decisório de fl. 120, não reconheceu o direito creditório, pois considerou extinto o direito de pleitear restituição referente aos pagamentos efetuados até 09/10/1995 pelo decurso do prazo de cinco anos e, em relação aos demais períodos, não haveria indébito a ser restituído, bem assim não foi reconhecido o direito à semestralidade. A contribuinte juntou planilha de fls. 02/03 indicando um valor a ser restituído de R$ 43.014,00 e instruiu os autos com os Darfs de fls. 17/21 e cópias de Darfs de fls. 27/64 e 74/111. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 122/140, acrescida dos documentos (Notas Fiscais-Faturas) de fls. 141/637, com as seguintes alegações: 1. a LC n2 118/2005 não se aplica ao caso, uma vez que efetuou o pedido de restituição antes de sua entrada em vigor. Deve ser aplicada a Resolução do Senado Federal n2 49/95 publicada em 10/10/95. Assim, o último dia para pleitear restituição foi 10/10/2000, data de protocolo do presente processo administrativo; 2. há que ser reconhecida a semestralidade, a teor do parágrafo único do art. 62 da LC n2 7/70; 3. a impugnante, na qualidade de substituída, tem legitimidade ativa para demandar e obter a restituição dos valores eventualmente recolhidos a maior, independentemente da circunstância de que o substituto é o responsável legal para o recolhimento do PIS aos cofres públicos; e • 2 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBT., ; ; I 41 _ CONFERE COM O ORIGINAL - Processo n° 13707.002957/00-21 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.003 Brasilia, Fl. 672 4. o direito creditório deve ser reconheci§ o com corr- .o monetária, incluindo os expurgos, e juros, desde a data do pagamento indevido, com base na taxa Selic, acumulados mensalmente. Os Membros da 5 3. Turma de julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ decidiram, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, tendo o Acórdão a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: Indébito fiscal. Restituição. Decadência. O pagamento antecipado extingue o crédito referente aos tributos lançados por homologação e marca o início do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de indébito. Semestralidade. Prazo de Recolhimento. Alterações. Normas legais supen ,enientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. Solicitação Indeferida". Tempestivamente, em 18/09/2006, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 657/667, repisando os argumentos anteriormente aduzidos, nos seguintes termos: a) decorridos cinco anos do pagamento antecipado, dá-se a homologação, feito que marca o início da contagem prescricional; b) tendo sido reconhecida a inconstitucionalidade dos Decretos pelo controle difuso, o termo inicial para se repetir indébito deve ser o da publicação da Resolução do Senado ri2 49, de 09/10/1995; c) inaplicabilidade do art. 3 2 da LC n2 118/2005, com eficácia a partir de 09/06/2005; e d) o direito à semestralidade. Alfim, requer o reconhecimento do direito aos valores recolhidos a maior, por si e por substituto em seu nome, e o deferimento do pedido de restituição/compensaçãO, com correção monetária, incluindo os expurgos, e juros, desde a data do pagamento indevido, com base na taxa Selic, acumulados mensalmente. É o Relatório. Voto , Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A contribuinte reivindica a restituição de crédito de PIS, referente a períodos compreendidos entre julho de 1988 e dezembro de 1995, no valor de R$ 43.014,00, cujo pedido foi protocolizado em 10/10/2000 (fl. 01). 40, 9( (1 3 . . • - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIL-:,.. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n" 13707.002957/00-21 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.003 Q? (5) Q? Fl. 673 Para tanto juntou Darfs de recolhimentos próprios, perfazendo tão-somente a quantia de R$ 148,36 (fls. 17/21), bem assim cópia dos Darfs de valores recolhidos pelo substituto tributário, Esso Brasileira de Petróleo Ltda. (fls. 27/64 e 74/111). Assim, analisa-se, preliminarmente, ocorrência de eventual perda do direito à restituição em decorrência do transcurso do prazo prescricional. O art. 168, I, do CTN, fixa o prazo de cinco anos para pleitear restituição, da data da extinção do crédito tributário, caracterizado pelo pagamento indevido. Nem a declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado Federal no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitar direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do CTN. Apesar de controversa, esta questão ficou sanada com a edição da Lei Complementar n2 118, de 09/02/2005, visto que o seu art. 3 2 esclarece a interpretação que deve ser dispensada ao caso: "A ri. 3 0 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o sç I° do art. 150 da referida Lei." Com a edição da Lei Complementar n 2 118/2005, o seu artigo 32 foi debatido no âmbito do STJ no EREsp n2 327.043/DF, que entendeu tratar-se de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/2005 não se submeteriam ao consignado na nova lei. Todavia, no âmbito administrativo, a LC n 9 11 8/2005 somente ratificou o entendimento anteriormente consolidado de prescrição qüinqüenal. Ademais, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. As normas emanadas do órgão competente passam a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento. Assim sendo, o início da contagem de prazo prescricional se verifica no momento do pagamento. Deste modo, tendo o pedido sido protocolizado em 10/10/2000, encontram-se com o direito de restituição extinto todos os recolhimentos efetuados anteriormente a 10/10/1995, tendo, portanto, sido alcançados pelo instituto da prescrição. Registre-se, contudo, que em relação aos períodos de apuração não atingidos pela prescrição, setembro a dezembro de 1995, cujos pagamentos ocorreram posteriormente a 10/10/1995, conforme se verifica da planilha elaborada pela contribuinte (fl. 03), não há pagamento efetuado a maior, inexistindo, portanto, valor a ser ressarcido. 40),_, 6t - 4 • • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUk. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13707.002957/00-21 Brasília. _2,A/ O (25 / 422_5__ S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.003 Fl. 674 .-/•*, Portanto, no presente caso, não se verifica a oc rrência de indébito, quer pela . prescrição ou, em relação ao período restante, pela inexistência de valor pago a maior. Todavia, de se ressaltar que, ainda que houvesse valores a serem ressarcidos, a condição da interessada de substituída tributária não a legitima a reivindicar eventual indébito assumido pelo substituto, conforme se demonstrará. Sobre o tema, oportuno trazer à colação as considerações registradas no voto da ilustre Conselheira-Relatora Nayra Bastos Manatta, no Acórdão n 2 204-02.355, Recurso n2 136.523, de 25/04/2007, cujas razões de decidir adoto e transcrevo: "Primeiramente há de ser analisada a questão acerca da substituição tributária, mais especificamente acerca da legitimidade para pleitear a restituição ou utilizar-se para efetuar compensações (que é o caso dos autos) de indébito tributário decorrente desta substituição em havendo pagamento de tributo indevido ou a maior, tem sido tema constante de discussões nesta Câmara sem que se tenha chegado a uma conclusão definitiva. Inicialmente, o meu posicionamento era no sentido de que o direito, a legitimidade para pedir a repetição do indébito ou utilizar-se do crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior do tributo sujeito ao regime de substituição tributária era do substituído uma vez que a ele cabia o ônus do tributo pago indevidamente ou a maior, nos termos determinado pelo art. 166 do C77V: 'Art. 166 - A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.' Todavia, analisando melhor o referido dispositivo legal, conclui que a substituição tributaria não faz parte da natureza do tributo, mas representa, sim uma opção, uma escolha do . legislador de eleger outro que não aquele que tem relação • pessoal e direta com o fato imponível como contribuinte efetivo do tributo. Os tributos que por sua natureza comportam a transferência do encargo .financeiro para terceiros são aqueles que compõem o preço do produto, da mercadoria e por conseqüência são repassados para os compradores como parte integrante do preço da mercadoria ou produto. Desta forma entendo que a substituição tributaria não se enquadra no disposto no art. 166 do CIN, por não fazer parte da natureza do tributo. Analisando, ainda, o posicionamento do Conselho Jorge Freire, formalizado na declaração de voto constante do RV 118.042, acerca da natureza da substituição tributária, passei a concordar com os seus argumentos que abaixo transcrevo: : ct 5 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT, . CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° I 3707.002957/00-2 I J S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.003 Brasilia. e2,1 O 43 leoç Fl. 675 "Entendo que na hipótese de substituição tributaria, que so pode derivar de texto expresso de lei, corno criado pela norma retro transcrita, a obrigação tributária já nasce tendo no pólo passivo o substituto, afastada assim toda e qualquer responsabilidade do contribuinte, que, nestes casos, não será sujeito passivo. Creio que quem melhor apreendeu o instituto da substituição, foi o inigualável Alfredo Augusto Becker i , que cunhou a expressão contribuinte de jure como gênero, para nela incluir as espécies do contribuinte, propriamente dito, e o substituto legal tributário. Ensina o mestre gaúcho que: 'O fenômeno da substituição opera-se no momento político em que o legislador cria a regra jurídica. E a substituição que ocorre neste momento consiste na escolha pelo legislador de qualquer outro indivíduo em substituição daquele determinado indivíduo de cuja renda ou capital a hipótese de incidência é fato-signo presuntivo.' 2 E adiante, na mesma obra, conclui: 'Não existe qualquer relação jurídica entre o substituído e Estado.3 No mesmo sentido, a bem lançada crítica de Johnson Barbosa Nogueira 4 : 'A introdução acrítica de certas noções dogmatizadas a respeito do substituto tributário, por força principalmente do prestígio da doutrina italiana, permitiu que se aceitassem, sem maior indagação sobre a natureza jurídica da substituição tributária, certos equívocos em sede doutrinária, já agora a grassar no direito positivo. O primeiro desses enganos é considerar o contribuinte substituto dentro da categoria dos responsáveis, como urna modalidade de sujeito passivo indireto. Este é um erro muito arraigado na doutrina pátria, que transbordou para o Código Tributário Nacional, pelo menos segundo a intenção e o depoimento dos seus inspiradores. Deste modo, o substituto estaria previsto no art. 121, parágrafo único, II, como um tipo de responsável. O segundo desses desvios é representado pela concepção- da tributação na fonte como exemplo típico de substituição tributária. Na verdade, se fosse melhor analisada nossa tributação do imposto de renda na fonte, verificaríamos que o tributo sempre foi retido e recolhido em nome do beneficiário, ou seja, do contribuinte, cabendo à fonte pagadora e retentora mero dever acessório (obrigação de fazer). Só mais recentemente, na 'Teoria Geral do Direito Tributário, 3a. ed, São Paulo, Lejus, 1998, p. 547. 2 Op. cit., p. 554. 3 Op. cit., p. 562. 4 O Contribuinte Substituto do ICMS, tese aprovada no I Congresso Internacional de Direito Tributário, realizado em São Paulo, 1989. 6 . • ..,i- - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEL;:. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13707.002957/00-21S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.003 Rrasilia. J--)1 /0 9 10 (k_ Fl. 676 área da tributação dos rendimentos auferidos por estr ngeiro, é que se vem utilizando a figura do contribuinte substituto do imposto de renda.' Tal posicionamento foi abarcado pela jurisprudência em paradigmático Acórdãos da Primeira Seção do STJ, votado à unanimidade, relatado pelo Ministro Ari Pargendler, que faz, com arrimo em Alfredo Becker, uma excelente diferenciação entre responsabilidade e substituição, como abaixo transcrito: 'A obrigação tributária nasce, por efeito da incidência da norma jurídica, originária e diretamente, contra o contribuinte ou contra o substituto legal tributário, a sujeição passiva é de um ou de outro, e, quando escolhido o substituto legal tributário, só ele, ninguém mais, está obrigado a pagar o tributo. A sujeição passiva originária, nas modalidades de contribuinte e de substituto legal tributário, pode não ser suficiente para o cumprimento da obrigação tributária, que é senzpre derivada do inadimplemento da obrigação tributária originária (..) A responsabilidade tributária é uma obrigação de segundo grau, alheia ao fato gerador da obrigação tributária. Quando a norma jurídica incide, sabe-se que ela obriga o contribuinte ou o substituto legal tributário. Apenas se eles descunzprirem essa obrigação tributária, é que entra em cena o substituo legal tributário.' Dessa forma, se no pólo passivo, desde o momento em que nasceu a relação jurídica tributária, estiver terceiro que não aquela pessoa que tenha relação pessoal e direta com o fato gerador, o contribuinte, estaremos frente ao instituto da substituição tributária, quando o regime jurídico do sujeito passivo será o do substituto, já que a obrigação tributária, ao nascer, terá este em seu pólo passivo, o qual será o responsável pelo pagamento do crédito tributário. Assim, ao instituir o substituto tributário, a lei há de excluir o substituído de qualquer responsabilidade. Em síntese, quando o caso for de substituição tributária, no qual, como abordado, o substituto é sujeito passivo, o regime jurídico será o do próprio substituto. Dessa forma, o substituído não tem legitimidade passiva, e, por tal, não pode pleitear o indébito do valor cuja obrigação tributária lhe é alheia. Diante do exposto, nego provimento ao recurso interposto, nos termos do voto." Tendo em vista a inexistência de valores a serem restituídos, prejudicada está a análise de eventual correção. o5 Embargos de Divergência no REsp 59.513-SP, j. em 12/06/1996. 7 •• RAF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13707.002957/00-2 IBrsília. o S2-C1T2 a c't • Acórdão n.° 2102-00.003 Fl. 677 Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. É COMO voto. Sala das Sessões, em 04 de março de 2009. MAU 10 TAVEIRPSILVA
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Numero do processo: 15165.003292/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.310
Decisão:
Relatório
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Pela decisão recorrida, extraí se que o indeferimento se deu por conta da impossibilidade da Administração Pública em reconhecer ou não a inconstitucionalidade de lei, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 04/07/2006 RESTITUIÇÃO.ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES. Não cabe apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa, sendo correta a base de cálculo constante dos documentos de importação, conforme legislação aplicável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem (i) à existência de ilegalidade na cobrança fazendária em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS/COFINS prevista no artigo 7º, da Lei 10.865/2004, no exato momento em que alarga a base de cálculo da COFINS, (ii) ao não cabimento de qualquer legislação infraconstitucional, independentemente da natureza da lei ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .0 03 29 2/ 20 10 -1 5 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15165.003292/201015 Resolução nº 3802000.310 S3TE02 Fl. 112 2 entendimento fazendário, alargar a base de cálculo das contribuições aqui questionadas, pois a base de cálculo do PIS/COFINS da importação será tão somente o valor aduaneiro, conforme definido na Constituição Federal e (iii) à juntada de leis, tratados e julgamentos do Poder Judiciário em favor a tese apresentada. Mérito da Resolução A primeira questão que deve ser posta em análise é a possibilidade de afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal declarar de forma inequívoca e definitiva a inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997 – artigo 59 do Decreto 7.574/2011). E, nesse sentido, o Plenário da Corte Suprema declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. A regra ora em comento está contida na segunda parte do inciso I do artigo 7º da Lei n. 10.865/2004. Conforme se extrai do RE 559937, os Ministros do Supremo Tribunal Federal destacaram que a norma extrapolou os limites previstos no artigo 149, § 2º, inciso III, letra “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, já que a simples leitura das normas contidas no artigo 7º da Lei n. 10.865/04 já permite constatar que a base de cálculo das contribuições sociais sobre a importação de bens e serviços extrapolou o aspecto quantitativo da incidência delimitado na Constituição Federal, ao acrescer ao valor aduaneiro o valor dos tributos incidentes, inclusive o das próprias contribuições. No que concerne ao pedido de restituição, bem como o da homologação tributária, algumas informações ainda se fazem necessária para conclusão do julgamento. E, nesse sentido, converto em diligência o julgamento para a Unidade de origem: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as Dis, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15165.003292/201015 Resolução nº 3802000.310 S3TE02 Fl. 113 3 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720335/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
I - DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado.
II - DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIDO EM PARTE.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA.
A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço.
O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. DESOBEDECIDO.
A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte.
O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido.
MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO COM FALSIDADE NA GFIP. INOCORRÊNCIA.
Não é justificável a exigência da multa isolada quando o Fisco não comprove, por meio de elementos mínimos juntados ao autos, a conduta da Recorrente com o intuito de falsidade da declaração apresentada.
O cabimento da multa isolada, no caso de compensação indevida na GFIP, depende da comprovação da falsidade da declaração por parte do Fisco, não se caracterizando falsidade o mero exercício do direito de compensação em relação a verbas cuja não incidência não tenha sido declarada por decisão judicial transitada em julgado.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Julio César Vieira Gomes que não conheciam do recurso; e por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa aplicada de 150%.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 I - DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado. II - DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIDO EM PARTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. DESOBEDECIDO. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO COM FALSIDADE NA GFIP. INOCORRÊNCIA. Não é justificável a exigência da multa isolada quando o Fisco não comprove, por meio de elementos mínimos juntados ao autos, a conduta da Recorrente com o intuito de falsidade da declaração apresentada. O cabimento da multa isolada, no caso de compensação indevida na GFIP, depende da comprovação da falsidade da declaração por parte do Fisco, não se caracterizando falsidade o mero exercício do direito de compensação em relação a verbas cuja não incidência não tenha sido declarada por decisão judicial transitada em julgado. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIDO EM PARTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. DESOBEDECIDO. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 35 /2 01 1- 51 Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extinguese em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO COM FALSIDADE NA GFIP. INOCORRÊNCIA. Não é justificável a exigência da multa isolada quando o Fisco não comprove, por meio de elementos mínimos juntados ao autos, a conduta da Recorrente com o intuito de falsidade da declaração apresentada. O cabimento da multa isolada, no caso de compensação indevida na GFIP, depende da comprovação da falsidade da declaração por parte do Fisco, não se caracterizando falsidade o mero exercício do direito de compensação em relação a verbas cuja não incidência não tenha sido declarada por decisão judicial transitada em julgado. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Julio César Vieira Gomes que não conheciam do recurso; e por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa aplicada de 150%. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente a contribuições compensadas, de forma administrativa, indevidamente pela Prefeitura, mediante o procedimento de glosa, nas competências 05/2010 a 13/2010. O Relatório Fiscal informa que o contribuinte realizou compensações em suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) que se revelaram efetuadas em desconformidade com os ditames da lei. Segundo consta, o sujeito passivo impetrou mandado de segurança com pedido de liminar objetivando obter ordem que declare a inexistência de relação jurídica referente à contribuição previdenciária patronal, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de i) horas extras, ii) terço constitucional de férias, iii) demais verbas de natureza indenizatória/compensatória que não integram o salário do segurado de acordo com o art. 201, 11 da CF/88 (Processo 0004879 52.2010.4.03.6120), obtendo parcialmente a ordem apenas para declarar tal inexistência em relação à incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o valor pago a título de adicional constitucional de férias sobre férias indenizadas (sentença anexa aos autos). Intimado a apresentar os documentos que justificassem as compensações efetuadas o autuado apresentou pastas nas quais detalha os cálculos por rubrica, os argumentos favoráveis ao seu direito a compensação administrativa, a legislação previdenciária e outra com as verbas e as guias de recolhimentos que originaram as compensações realizadas, memorial de cálculo e planilhas das compensações efetuadas. Nesse compasso, prossegue o relato, o contribuinte declarou as referidas compensações nas GFIPs das competências de maio a dezembro de 2010, abraçando período de recolhimentos supostamente a maior havidos entre abril de 2000 a março de 2010. Conclui o relato fiscal dizendo que não vislumbra o direito à compensação, razão das glosas, além de entendêlas (as compensações) “decadente” para o período de 04/2000 a 10/2006. Destaca ainda, em seu relatório, a vedação a compensação de créditos objetos de discussão judicial antes do seu transito em julgado. Registra a possibilidade de aplicação da multa isolada de 150% caso se comprove falsidade na declaração apresentada. Conclui afirmando que os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art; 35 da Lei 8.212/91, enquanto que a multa isolada será aquela referida pelo art. 89, §§ 9º e 10º da mesma Lei. A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Da suspensão da exigibilidade, dos julgados do STF e do STJ e dos arts. 201, § 11 da CF/88 e 28, § 9, ‘e’, 7 da Lei 8.212/91. Neste tópico discute a regra de incidência da contribuição previdenciária da empresa, o conceito de remuneração e as hipóteses de incidência e não incidência tributárias, notadamente das verbas recebidas a título indenizatório ou compensatório, à luz da Constituição Federal/88 (art. 201, § 11) e da Lei 8.212/91 (art. 28, § 9º, ‘e’, 7), para concluir que as parcelas pagas a título de ‘terço constitucional de férias’ e ‘horas Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 extras’ não integram o salário do servidor (sic) para fins de benefícios, tanto quanto as demais verbas pagas em caráter não habitual. Acrescenta, a essas últimas, as verbas pagas sobre ‘adicional noturno, insalubridade, saláriomaternidade, férias indenizadas, adicional de periculosidade, saláriofamília, aviso prévio, salário educação, auxíliodoença e creche, vale transporte e abonos assiduidade e único’ como tendo diversos julgados – STF/STJ – com entendimento no sentido de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor (sic) sofreriam a incidência da contribuição previdenciária. Cita doutrinas e jurisprudências. Analisa cada rubrica de per si, concluindo pelas suas não incidências tributárias; 2. Do direito à compensação administrativa sem anuência do judiciário ou da RFB. Suscita discussão acerca do direito a compensação administrativa sem anuência prévia do Judiciário ou da Receita Federal do Brasil (RFB), com supedâneo no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN); 3. Dos cálculos das verbas indenizatórias/compensatórias, das planilhas, do resumo das folhas de pagamento e dos critérios de atualização monetária. Traz as verbas (terço de férias, horas extras, abonos insalubridade, noturno, gratificação e periculosidade) e os valores por período (de 04/2000 a 05/2005 e de 06/2005 a 03/2010) sobre os quais incidiu a compensação, bem como os critérios de atualização desses valores. Traz, também, os resumos das folhas de pagamento do período compensado; 4. Da inaplicabilidade da multa isolada. Sustenta as compensações levadas a efeito sob o manto de decisões pacificas e jurisprudências emanadas do STF e do STJ e em conformidade com a legislação vigente, sem a anuência do Judiciário ou da RFB. Nesse sentido, reputa precária a alegação da fiscalização que as glosou e as enquadrou como ato ilícito de ‘sonegação’, uma vez que não se encontra demonstrada a comprovação da falsidade, elemento essencial para a mputação da multa isolada de 150%; 5. Do Mandado de Segurança, processos 0004879.52.2010.4.03.6120 e 0002686.30.2011.4.03.6120. Nesta pasta traz os Mandados de segurança com pedido de medida liminar nos quais busca a declaração de inexistência de relação jurídica entre o Município Impetrante e a União – Receita Federal do Brasil, referente a contribuição previdenciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias e demais verbas de natureza indenizatória/compensatória que não integram o salário do segurado de acordo com o art. 201, § 11 da CF/88; bem como a suspensão da exigibilidade de tal contribuição sobre tais verbas, atualmente em fase de ‘recurso especial’ (MS 0004879.52.2010.4.03.6120) e idêntico pedido sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salário educação, auxílios creche, doença e acidentário, abonos assiduidade e único anual, vale transporte e adicionais de periculosidade, insalubridade e noturno, Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 4 5 encontrandose, atualmente, em fase de agravo de instrumento (MS 0002686.30.2011.4.03.6120); 6. Da prescrição. Analisa a aplicabilidade da Lei Complementar nº 118/05, que reduziu para 5 anos contados da data do pagamento o prazo de prescrição para a restituição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Segundo postula, tal prazo qüinqüenal verte para os indébitos ocorridos a partir de 09 de junho de 2005, data do início da vigência da referida LC, no entanto, para as ocorrências até 08 de junho de 2005, o termo inicial da contagem prescricional começa a verter a parti de cinco anos de ocorrido o fato gerador (tese dos 5+5 anos, consolidada no STJ), explicando ser esta a regra de transição defendida atualmente, não podendo seu saldo extrapolar cinco anos contados da vigência da LC 118/05. Nesse sentido, defende o prazo decenal para o Município efetuar as compensações dos créditos apurados, devendo ser consideradas regulares e corretas. Dos fatos do processo Os autos foram apresentados em sessão, para julgamento administrativo, na data de 13 de março de 2012, junto à 7ª Turma desta Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/RPO), tendo se considerado nulo o lançamento, através do Acórdão 14 36.917, em decisão assim ementada, verbis: “Ementa: LANÇAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NULIDADE. Lançamento efetivado em desconformidade com a legislação de regência é nulo por vício de legalidade, de natureza insanável. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Exonerado”. Tal decisão foi submetida a recurso de ofício (juntamente com o recurso voluntário do contribuinte), em razão da expressividade dos valores exonerados, que, a seu turno, obteve Acórdão de provimento, de nº 2402003.399, exarado pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão de 21 de fevereiro de 2013, em decisão assim passada, confirase: LANÇAMENTO NULIDADE INOCORRÊNCIA 1. Não representa nulidade, no caso de lançamento de glosa de compensação, constar num mesmo documento de constituição a contribuição não recolhida em face da compensação indevida e a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. 2. A multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 é aplicável aos casos de recolhimento espontâneo de contribuições em atraso por parte do contribuinte, não se aplicando ao lançamento de ofício. Portanto, não representa nulidade o lançamento de contribuições indevidamente compensadas sem a incidência da multa de mora prevista no dispositivo mencionado. Recursos de Ofício Provido e Voluntário não Conhecido. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Em face de tal decisão esta DRJ interpôs embargos de declaração, por entende haver contradição entre o quanto decidido e os fundamentos de decidir, com fulcro no art. 654, IV, do regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Tais embargos não foram conhecidos por não se amoldar à hipótese de permissivo regimental, que se restringiria à hipótese de nulidade de suas decisões (das DRJs), não de nulidade do lançamento. Isto posto retornam os autos para apreciação do mérito da impugnação do sujeito passivo, conforme dispositivos originais do Acórdão de segunda instância administrativa, outrora embargado, verbis: “Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e DARLHE PROVIMENTO reconhecendo que não há a nulidade apontada na decisão recorrida e para que a defesa do sujeito passivo seja apreciada quanto ao mérito”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão no 1449.618 da 10a Turma da DRJ/RPO – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que exonerou a multa de ofício (75%) e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recursos tempestivos. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos recursos interpostos (Remessa necessária e Recurso Voluntário). I DO RECURSO DE OFÍCIO (remessa necessária): O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que a decisão recorrida não merece reparo. O presente crédito previdenciário referese à glosa de compensação realizada pelo sujeito passivo, sendo que no momento da lavratura do lançamento houve a aplicação de multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I da Lei 9.430/1996, em concomitância com a multa isolada de 150%. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ocorre que não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% na hipótese de compensação indevida de contribuições previdenciárias, eis que há comando legal e específico no art. 89, §§ 9o e 10, da Lei 8.212/1991, permitindose somente a aplicação de multa de mora de 20% e, no caso de falsidade de declaração, também a aplicação da multa isolada de 150%. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Diante do exposto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO: A Recorrente alega nulidade do lançamento fiscal em decorrência da ausência de previsão legal do fato gerador e da carência de fundamentação legal para a determinação do aspecto temporal do fato gerador, essa alegação não será catada pelas razões a seguir delineadas. De acordo com o art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991, em conformidade com os dispositivos constitucionais (artigo 201, §11), o salário de contribuição deverá incluir no ganho do trabalhador, para efeito de incidência da contribuição previdenciária, não só a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês, mas também os ganhos habituais em forma de utilidades. O Relatório Fiscal delineou a glosa de compensação realizada de forma indevida pela Recorrente e registrou a legislação aplicada. Com outras palavras, verificase que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/120) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 6 9 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Verbas pagas a título de horas extraordinárias, e os abonos de insalubridade, noturno, de gratificação e de periculosidade. Essas verbas possuem natureza nitidamente remuneratória, a teor do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). A remuneração paga ou creditada por meio de folha de pagamento, ou qualquer outro documento contábil, é apenas uma das formas de salário de contribuição (base de cálculo) para incidência da contribuição social previdenciária, mas não é única maneira de se constatar a totalidade dos rendimentos auferidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais. Assim, não acato a alegação da Recorrente de que as verbas retromencionadas teriam caráter indenizatório, eis que elas são destinadas a retribuir o trabalho, campo de incidência da contribuição previdenciária, conforme o art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 201, §11, da Constituição Federal de 1988. Com esse entendimento, a Recorrente não poderia realizar a compensação pretendida, permitindose a glosa desses valores pelo Fisco. Verba paga a título de Terço constitucional de férias Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A jurisprudência do STJ em recurso repetitivo é pela não incidência sobre uma das parcelas consideradas pela Recorrente como origem de seu crédito (terço constitucional de férias): RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005". No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN". 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 7 11 decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção Acontece que o entendimento no Resp nº 1.230.957 não se tornou definitivo, está pendente de revisão no âmbito do STF pela interposição de recursos extraordinários com repercussão geral (RE 593.068 Adicional de férias): Resp nº 1.230.957 24/07/2014(15:55hs) Processo Suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (265) O entendimento do STJ em recurso repetitivo somente pode ser aplicado aos processos judiciais sobrestados no tribunal de origem quando se tornam definitivo, o que ainda não ocorreu porque a incidência sobre a verba “terço constitucional de férias” permanece pendente de julgamento no STF. É que o artigo 62A da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 somente prevê a reprodução pelas turmas do CARF no caso de decisão definitiva: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, ainda não é oportuna a reprodução da jurisprudência do STJ para os julgamentos no âmbito deste CARF. Devese, assim, examinar a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias a fim de se concluir acerca da existência de crédito sobre os valores efetivamente pagos a esse título. A Lei 8.212/1991 reconhece que as verbas relativas às férias indenizadas pagas após o prazo legal não sofrem incidência da contribuição previdenciária: Art. 28 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Contudo, as verbas relativas às férias dos segurados pagas regularmente são submetidas ao caput do artigo 28 da Lei 8.212/91 e, portanto, sofrem a incidência das contribuições previdenciárias: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Diante disso, a Recorrente ainda não pode realizar a compensação do terço constitucional de férias. Entretanto, deixo consignado que a aplicação da conclusão que aqui se chega fica condicionada ao entendimento definitivo do STF sobre as verbas e a demonstração de que, de fato, a Recorrente é efetivamente possuidor do crédito não prescrito. Ressalvase ainda que o direito de compensação pretendido pela Recorrente deverá observar o prazo prescricional de cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. A Lei 8.212/1991 – diploma que dispõe sobre o Plano de Custeio da Seguridade Social – em seu art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora. Por outro lado, somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, sendo que o termo inicial deste prazo é considerado a partir do momento do pagamento. No caso em tela, o direito de realizar a compensação – verba paga a título de terço constitucional de férias, horas extraordinárias e os abonos de insalubridade, noturno, de gratificação e de periculosidade – deverá obedecer ao prazo prescricional previsto no art. 253 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, in verbis: Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 8 13 I do pagamento ou recolhimento indevido; ou II – em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória . Isso está em consonância com o art. 168 do CTN, que prescreve o prazo de 5 (cinco) anos para realização do direito de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3o da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (g.n.) Por sua vez, a Lei Complementar (LCp) 118/2005 trouxe regra interpretativa, direcionada exclusivamente para esse art. 168, I, do CTN. Art. 3o. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento de homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. (g.n.) Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. É bom registrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) manifestouse no sentido de que os dispositivos da Lei Complementar (LCp) 118/2005, registrados acima, são regras válidas com aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após 120 dias da publicação da lei (a partir de 09/06/2005), nos termos do seu Informativo 634, de 1º a 5 de agosto de 2011: “[...] Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica – nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF – e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 4.8.2011. (RE 566621Repercussão Geral)” No mesmo sentido, observase que a jurisprudência do STJ alinhase com as decisões do STF no sentido de que o prazo, para exigir a restituição ou compensação de tributos, iniciase a partir do pagamento indevido pelo sujeito passivo, sendo irrelevante a data de declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo STF ou de edição de Resolução pelo Senado Federal, inteligência dos arts. 156, inciso I, e 168, inciso I, do CTN, conforme ficou estabelecido na ementa do Resp. 1110578/SP/RT 900, in verbis: Ementa oficial: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (...) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (...) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 9 15 propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1110578/SP/RT 900). (g.n.) Assim, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do sujeito passivo, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o sujeito passivo, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Dessa forma, a Recorrente, ao efetuar as compensações nas GFIP’s a partir da competência 05/2010, o fez já na vigência da LC 118/2005, impondose o reconhecimento de que a compensação referente aos eventuais recolhimentos indevidos das competências 04/2000 a 04/2005 deuse quando já exaurido o prazo para tanto – cinco anos a contar do pagamento indevido; quer seja sob o prisma do disposto no art. 253, inciso I, do RPS, quer levandose em conta o disposto no art. 3o da LC 118/2005, cuja interpretação, pelo STF, no RE n.º 566.621, vai no mesmo sentido. Quanto à aplicação da multa isolada, entendese que o Fisco não demonstrou a hipótese de falsidade da declaração apresentada. A Recorrente afirma que as compensações foram efetivadas e informadas com base nos documentos contábeis da Prefeitura, não tendo falseado nenhuma informação, ocorrendo ausência de fundamentação para aplicação da multa exasperada (multa isolada). Constatase, por meio dos elementos probatórios juntados aos autos, que a Recorrente realizou compensações de contribuições previdenciárias sem a observância das regras estabelecidas na legislação previdenciária. Isso está evidenciado no Relatório Fiscal, eis que a Recorrente realizou compensações e não apresentou ao Fisco os documentos que comprovassem a existência dos recolhimentos efetuados de forma indevida das contribuições previdenciárias. Ocorre, contudo, que compete ao Fisco demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, pois este tem que se defender dos fatos que lhe são imputados e não da tipificação jurídica que lhe é dada, no presente caso a multa isolada decorrente de uma suposta declaração falsa de compensação perpetrada nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Os elementos probatórios contidos no Relatório Fiscal e nos seus anexos permitem evidenciar que a Recorrente, embora tenha apresentado as GFIP’s – para as competências 05/2010 a 13/2010 –, não comprovou efetivamente os valores das contribuições que pretendeu compensar. Com isso, o Fisco parte dessa premissa que todos os valores compensados seriam inexistentes, mas, por sua vez, ele não demonstrou de forma clara, direta, bem estruturada e precisa, as razões para consignar a espécie (ou tipo) de inexistência de tais valores. Assim, poderá haver valores compensados tanto pela inexistência de qualquer recolhimento efetivamente efetuado à Previdência Social como pela inexistência de compensação em decorrência de valores prescritos (5 anos a contar da data do efetivo pagamento indevido) ou, ainda, pela inexistência de compensação em decorrência somente da inobservância das regras estabelecidas pela legislação tributária. Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Diante da falta de elementos mínimos que comprovem a espécie de inexistência dos valores compensados, poderia entenderse que as compensações de contribuições previdenciárias realizadas pela Recorrente, sem a observância das regras estabelecidas na legislação previdenciária, englobariam também as contribuições em que o direito de efetuar a compensação se encontra prescrito. Essa compensação de valores prescritos pelo lapso temporal de 5 (cinco) anos, a contar da data do efetivo pagamento indevido, decorre dos valores recolhidos nas competências 04/2000 a 04/2005, considerando o início das compensações em 05/2010. Com isso, entendese que o Fisco imputou a Recorrente uma conduta genérica, indireta, de falsidade das informações contidas nas GFIP’s, sem especificar exatamente se os valores compensados, em sua totalidade, efetivamente não foram recolhidos à Previdência Social. Esclareço, ainda, que o simples fato da Recorrente ter realizado a compensação de valores sem uma decisão judicial definitiva, isso não serve como justificativa fática, por si só, para comprovar que ocorreu a falsidade, em sua totalidade, na declaração apresentada pelo sujeito passivo, no caso em tela as GFIP’s. Esse entendimento decorre do fato de que, nos valores compensados pela Recorrente, poderá haver valores que estavam prescritos (5 anos a contar da data do efetivo pagamento indevido) e/ou valores decorrentes somente da inobservância das regras estabelecidas pela legislação tributária, especificamente a regra estampada pelo art. 6o e demais dispositivos da Instrução Normativa (IN) MPS/SRP Nº 15, de 12/09/2006, com suas alterações dada pela IN RFB Nº 909, de 14/01/2009. Neste particular, acrescentase o fato de que o processo judicial MS 0004879.52.2010.4.03.6120/SP somente foi julgado no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3a), após oposto os Embargos de Declaração (ED) pela Recorrente, em 05/03/2012. Caso a Recorrente tenha realizada a compensação de valores prescritos e/ou somente sem observância das regras estabelecidas pela legislação tributária, isso, por si só, não materializa a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, pois nesses casos, para fins tributários, ela não estaria agindo de máfé (dolo). Logo, não está materializada, nos autos, os elementos suficientes para imputar a Recorrente a prática da conduta tipificada no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, que enseja a aplicação da multa isolada de 150%. Lei 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 9o. Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.641 S2C4T2 Fl. 10 17 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g.n.) Diante desse quadro fático, os valores glosados sujeitarseão à incidência da multa moratória nos termos do § 9º do art. 89 da Lei 8.212/1991 e, como o Fisco não demonstrou a falsidade na declaração, a multa isolada, preconizada no § 10º daquele mesmo preceptivo legal, deverá ser excluída do presente lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO. E, CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores oriundos da multa isolada (150%), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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