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Numero do processo: 18088.720224/2011-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO.
O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que, para a correta aplicação da determinação, deve-se comparar a forma de autuação anterior com a vigente, na data do julgamento.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - inovou na forma de aplicação da multa, comparando multas com naturezas jurídicas distintas, motivo do provimento do recurso..
Numero da decisão: 9202-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. O CTN, na “c”, II, Art. 106, determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que, para a correta aplicação da determinação, devese comparar a forma de autuação anterior com a vigente, na data do julgamento. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente inovou na forma de aplicação da multa, comparando multas com naturezas jurídicas distintas, motivo do provimento do recurso.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lopez, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior, que votaram por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 24 /2 01 1- 45 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar proviemnto parcial a recurso voluntário da contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Federal SIMPLES Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisão divergente sobre a forma de aplicação da regra expressa no Art. 106, do CTN; 2. Para tanto, devese, na execução do julgado, comparar os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009; 3. Solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. A contribuinte devidamente intimada não apresentou contra razões e recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a questão sobre a forma de aplicação de aplicação da multa, nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine PENALIDADE menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, pois esta não leva em conta as penalidades que estavam e estão sujeito os contribuintes, antes e depois da alteração legislativa. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18088.720224/201145 Acórdão n.º 9202003.610 CSRFT2 Fl. 5 7 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Ocorre que o acórdão recorrido deixou de comparar o total de penalidades a que estavam sujeitos os contribuintes. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.910564/2013-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/07/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 05 64 /2 01 3- 59 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, que o cerceamento à defesa se constituiria em motivo de força maior para não apresentar nenhuma prova de seu direito creditório, o qual estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado.” A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 15/07/2008 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 5 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.910564/201359 Acórdão n.º 3801005.067 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.731911/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
ARBITRAMENTO DE LUCRO
O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. CRITÉRIO MAIS BENÉFICO. ALEGAÇÃO NÃO PROVADA.
Quanto à alegação de que a fiscalização poderia ter utilizado um critério mais favorável ao contribuinte, cabe a este provar o alegado, no sentido de que haveria no rol de opções um que lhe fosse mais favorável. Ademais, a fiscalização deve procurar o critério que mais se aproxime da realidade, ou seja, buscar a verdade material e não o mais benéfico ou menos gravoso ao interessado.
MULTA QUALIFICADA
Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS GERENTES
Os sócios gerentes são responsáveis pelas dívidas tributárias contraídas durante sua gestão.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Quando existe a prova do interesse comum a solidariedade estará caracterizada.
Numero da decisão: 1302-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Júnior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. CRITÉRIO MAIS BENÉFICO. ALEGAÇÃO NÃO PROVADA. Quanto à alegação de que a fiscalização poderia ter utilizado um critério mais favorável ao contribuinte, cabe a este provar o alegado, no sentido de que haveria no rol de opções um que lhe fosse mais favorável. Ademais, a fiscalização deve procurar o critério que mais se aproxime da realidade, ou seja, buscar a verdade material e não o mais benéfico ou menos gravoso ao interessado. MULTA QUALIFICADA Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS GERENTES Os sócios gerentes são responsáveis pelas dívidas tributárias contraídas durante sua gestão. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Quando existe a prova do interesse comum a solidariedade estará caracterizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 19 11 /2 01 2- 10 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.715 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e por maioria em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Júnior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.716 3 Relatório JOÃO EDWARD VAZ MAIA, e outros, já devidamente qualificados nestes autos, foram autuados e intimados a recolher crédito tributário no valor total de R$ 115.957.681,95, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Por meio do MPF 01.5.01.002012000298, procedeuse a fiscalização na empresa M.K. Distribuidora de Produtos de Higiene Pessoal e Uso doméstico LTDA de CNPJ 08.504.178/000181. A referida empresa teve baixa de sua inscrição do CNPJ em 30/06/2011, pelo motivo de encerramento por liquidação voluntária. Em decorrência da liquidação os sócios João Edward Vaz Maia (CPF 118.735.40825) e Egon Krehnke (CPF 115.820.30987) foram cientificados do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Pelo TIPF os referidos sócios foram intimados (22/03/2012) a apresentar os seguintes elementos da M.K. referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010: Livro Diário e Razão ou livro Caixa; Livro Registro de entradas; Livro registro de saídas; Livro de apuração de ICMS; Livro de Registro de documentos fiscais e Termos de Ocorrências; Livros Auxiliares da escrituração; e Cópia do contrato social da empresa e suas alterações. Em resposta os sócios apresentaram o Livro de Registro de Entradas, Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração de ICMS (todos da matriz), referentes ao anocalendário de 2010, a cópia do Contrato Social, e a cópia dos Boletins de Ocorrência (BO) nº1280/2010 e 2145/2012. O primeiro BO, registrado em 05/02/2010, informa que em 03/02/2010, em razão de chuvas, o imóvel fora inundado e documentos relativos ao período de 2008 e 2009 sofreram sinistros, tais como: quinta via das notas fiscais, comprovantes de pagamentos aos fornecedores e livros fiscais de entradas e saída. O Outro BO, registrado em 01/03/2012, informa que o sinistro abrangeu documentos de 2007 a 2009. Informou, ainda, que as notas fiscais que sofreram o sinistro são de via fixa e não de quinta via. Pelo Termo de Intimação Fiscal nº1, os sócios foram reintimados a apresentar os Livros Diário e Razão ou Livro Caixa dos anoscalendário 2009 e 2010, os Livros Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.717 4 de Registro de Entradas, de Saídas, e Livro de Apuração de ICMS das filiais, referentes ao anocalendário de 2010, e da matriz do anocalendário 2009, os quais não sofreram sinistros conforme BOs supracitados. Como resposta o sócio Egon Krehnke informou que: “os documentos solicitados no referido termo foram extraviados quando do fechamento da matriz em Palmas e com a dissolução da sociedade”. Visando subsidiar a ação fiscal foi necessária a obtenção de informações junto a Secretaria de Fazenda do Estado do Tocantins (SEFAZ/TO), Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ/SP), Junta Comercial do Estado do Tocantins, Itaú Unibanco S.A., Banco Bradesco S. A. DA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Os sócios da extinta M.K., por interpostas pessoas, continuaram a exploração de suas atividades por outra razão social: Núcleo de Abastecimento de Artigos de Higiene ao Varejista Ltda (“Núcleo”), CNPJ 11.224.224/000101, pois, o quadro societário, objeto social, endereços dos estabelecimentos, responsáveis pelas movimentações bancárias, funcionários e demais fatores comuns de seus respectivos “modus operandi”. Alguns dos vínculos citados, também se confirmam na empresa Liderança de Abastecimento de Artigos de Higiene ao Varejista Ltda (“Liderança”), CNPJ 97.547.511/000160, constituída em 29/06/2011, um dia antes da baixa da inscrição do CNPJ da M.K. (a fiscalizada). A tabela abaixo mostra os sócios e suas respectivas participações no capital social das empresas, conforme banco de dados da RFB e contratos sociais: A fiscalização constatou que João Edward Vaz Maia e Egon Krehnke, sócios da M.K. são os únicos sócios da M. K. Ltda (Empório). Destacase que duas filiais da Empório tinham como endereço o mesmo endereço que funcionou uma filial da M.K, e onde estão estabelecidas duas filiais da Núcleo. A Green Food Internacional LTDA (“Green Food”), sócia majoritária das empresas Núcleo e Liderança, domiciliada em Las Vegas, tem como procurador Gilberto Perrucci, exfuncionário da M.K. e da Empório. Ademais, foi ele que registrou os B.Os em nome da filial da M.K., identificandose como gerente da empresa. Ou seja, além de procurador da Green Food ele é o administrador legal das empresas Núcleo e Liderança. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.718 5 Observase que as empresas M.K., Núcleo e Liderança têm os mesmos objetos sociais. No anexo I do relatório fiscal constam “coincidências” nos endereços e telefones destas empresas. MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS Em 30/03/2012 a fiscalização intimou os bancos Itaú Unibanco S. A e Banco Bradesco S.A a apresentar o nome das pessoas físicas autorizadas a movimentar as contas bancárias da M. K., Núcleo e Liderança. O Itaú informou que em relação a M.K. só os sócios movimentavam. Já para a Núcleo informou: O Bradesco informou que em relação a M.K. os sócios movimentavam, e a filha do sócio Egon Krehnke, Egelza Ivone Ferreira Krehnke foi constituída como procuradora do pai. Já em relação à Núcleo informou que havia procuração com validade indeterminada para: Já em relação às contas bancárias da Liderança, o Bradesco informou que a própria empresa outorgou procuração com validade indeterminada para Egelza Ivone Ferreira Krehnke e para Alan Augusto Vaz Maia. Esses em conjunto outorgaram substabelecimento de procuração aos seus pais, sócios da M.K. Egon Krehnke e João Edward Vaz Maia. FUNCIONÁRIOS Por meio da GFIP (Guia de recolhimento do FGTS e de informações da Previdência Social) a fiscalização constatou que 155 funcionários da extinta M.K. continuaram trabalhando para Núcleo. Vale destacar que a maioria deles também são exfuncionários da Empório, que foram transferidos para a M. K. à época. OUTROS VÍNCULOS Com estes outros vínculos a fiscalização continuou a demonstração da continuidade da exploração das atividades da M.K., por seus sócios. Fornecedores em comum: No anexo III do relatório fiscal os fornecedores declararam em suas DIPJ fornecerem produtos à M.K. em 2009 e à Núcleo em 2010. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.719 6 Contabilidade em comum: José Marcos Moreira de Lima foi o responsável pela entrega das GFIPs da M.K. e da Núcleo. Utilização do mesmo endereço IP e do mesmo Mac Adress para o envio de DCTF da M.K. de 12/2010, e da Núcleo 12/2011. O telefone cadastral das três empresas em Palmas/TO é o mesmo. Assim como o telefone cadastral da filial da M.K. em são Caetano do Sul/SP é o mesmo dos estabelecimentos da Núcleo e da Liderança no Estado de São Paulo. Dessa forma, a fiscalização concluiu que há um grupo econômico em que João Edward Vaz Maia e Egon Krehnke, utilizaramse de interpostas pessoas com a intenção de ocultar suas identidades, inclusive por meio de “offshore” deram continuidade à exploração da atividades da extinta M.K. Portanto, como o início da ação fiscal fora posterior a data da extinção da M.K., a fiscalização identificou como contribuintes os sócios da M.K, nos termos do art. 207, inciso IV, do RIR/99. INFRAÇÕES ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS De acordo com as DIPJs a M.K. optou pelo recolhimento de tributos pelo lucro presumido, apurando trimestralmente o IRPJ e a CSLL. Os sócios foram intimados a apresentar os livros contábeis e fiscais da M.K., tendo em vista a extinção da empresa. Para o anocalendário de 2009, nenhum livro contábil e fiscal foi apresentado à fiscalização. Para o anocalendário de 2010, foram apresentados apenas os Livros de registro de entradas, de saídas e o Livro de apuração de ICMS, todos da matriz. Como não foram apresentados os livros obrigatórios a fiscalização optou por arbitrar o lucro de acordo com o art. 530 do RIR/99. A fiscalização tentou apurar a receita bruta da M.K., para isso, utilizouse das informações da contribuinte, dos bancos de dados da RFB e de coleta de informações junto à SEFAZ do Tocantins e de São Paulo. Em relação ao anocalendário de 2009, a SEFAZ/SP não dispunha de informações do contribuinte. Já de acordo com informações prestadas a SEFAZ/TO, pelas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAM), houve saídas de mercadorias de aproximadamente 180 milhões de reais. Contudo, estas saídas foram classificadas como transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para outro estabelecimento da mesma empresa. Em relação ao anocalendário de 2010, pelo sistema público de escrituração digital (SPED) as notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento matriz do contribuinte foram escrituradas no livro de registro de saídas e no livro de apuração de ICMS. Em conformidade com as informações prestadas pela empresa à SEFAZ/TO. Foram escrituradas saídas no valor aproximado de 95 milhões. Cerca de 85% desse valor referese a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.720 7 empresa. No anexo IV do relatório fiscal estão relacionados os dados das notas fiscais supracitadas, e estas correspondem a transferências entre a matriz localizada em Palmas e a filial em São Paulo. Em análise dos elementos apresentados pelo contribuinte, os dados disponíveis nos sistemas da RFB, e as informações dos fiscos estaduais, a fiscalização concluiu pela impossibilidade de apurar as receitas brutas auferidas pela empresa no período fiscalizado, tendo em vista que a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa não faz parte do conceito de receita bruta, conforme definição do art. 224 do RIR/99. Dessa forma, a fiscalização utilizou como alternativa de cálculo do lucro arbitrado o coeficiente de 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas pelo contribuinte no mês, cujas informações foram extraídas da GIAM (anocalendário de 2009) e dos livros fiscais (anocalendário de 2010), de acordo com o art. 535 do RIR/99, e §5º, itens 37 e 39 do relatório fiscal. De acordo com os itens 37 e 39, que contém os dados referentes às compras efetuadas pelo contribuinte nos anoscalendário 2009 e 2010, foi demonstrado nos anexos VII e VIII do relatório fiscal, os cálculos dos valores do lucro arbitrado. Destacase que dos tributos foram descontados os valores declarados pelo contribuinte na DCTC e/ou recolhidos aos cofres públicos. DA MULTA QUALIFICADA O quadro abaixo demonstra os valores das receitas brutas declaradas pela M.K em DIPJ para fins de apuração do IRPJ E DA CSLL: [...] As informações prestadas à SEFAZ/TO, consta que em 2009 as transações comerciais foram da ordem de 180 milhões de reais de saídas de mercadorias, e 191 milhões de reais de compras. Em 2010, de acordo com as notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa as saídas totalizaram quase 95 milhões de reais, e as compras realizadas aproximadamente 33 milhões de reais. De acordo com a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), em 2009 a movimentação financeira da M.K. foi, no que tange aos créditos bancários, de aproximadamente 394 milhões de reais. Em 2010, 263 milhões de reais. Assim, a fiscalização concluiu que as receitas brutas declaradas seriam incompatíveis com a movimentação financeira e com as transações comerciais efetuadas no período. A intenção teria sido reduzir o valor dos tributos devidos, inclusive não apresentando todos os livros contábeis e fiscais obrigatórios. Extinguiram a sociedade, e continuaram a exploração a exploração das mesmas atividades por outras empresas, inclusive “offshore” com o intuito de se eximirem de responsabilidade tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi lavrado o termo de sujeição passiva solidária para o sócio administrador Sr. Egon Krehnke. Também, lavrado o termo para o Sr. Gilberto Perrucci, com base no art. 124 e 135 do CTN. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.721 8 A empresa Núcleo de Abastecimento de Artigos de Higiene ao Varejista Ltda também teve o termo de sujeição passiva, por integrar o núcleo econômico, e ser de fato a continuidade da M.K. Foi feita a representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal para os sócios e o gerente da M.K. OS IMPUGNANTES JOÃO EDWARD VAZ MAIA E EGON KREHNKE ALEGAM: DA DISTINÇÃO ENTRE CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO O auditor teria definido equivocadamente João Edward Vaz como contribuinte em vez de responsável tributário. Neste ponto haveria cerceamento ao direito de defesa. Tornando nulo o lançamento. Os tributos são IRPJ e CSLL, tributos de pessoa jurídica, logo contribuintes são pessoas jurídicas ou a ela equiparadas. Dessa forma, o sócio João Edward Vaz não poderia ser objeto do lançamento. A fiscalização teria identificado erroneamente o sujeito passivo (art. 142 do CTN). DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Para haver responsabilidade tributária solidária é necessário a demonstração e prova de interesse comum no fato gerador da obrigação principal (art. 124 do CTN). No caso concreto não há solidariedade entre a empresa e o sócio Egon Krehnke, pois, este não poderia obter lucro real, presumido ou arbitrado decorrente da atividade da empresa. Necessário a participação conjunta no fato gerador para a caracterização da solidariedade. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS Ao contrário do artigo 135, inciso III, não há indicação de excesso de poderes ou infração à lei do sócio Egon Krehnke, dessa forma, ele não pode ser considerado como responsável tributário. DA DESCONTINUIDADE DA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE SOCIAL Não haveria provas de que a empresa Núcleo continuou a exercer a atividade social da empresa M.K. Não haveria prova de sociedade entre os impugnantes. Para que se coadune a hipótese do art. 207 do CTN, seria necessário que houvesse a aquisição do fundo de comércio, o que não se provou nos autos. As impugnantes não deram continuidade as atividades da M.K., não agiram com excesso de poderes, a extinção da M.K. não fora irregular, assim, caberia a o fisco provar o excesso e poderes. DO ARBITRAMENTO PRATICADO E A POSSIBILIDADE DE SE ENCONTRAR A RECEITA BRUTA DA EMPRESA Uma vez intimado apresentar livros e documentos, ficará provado que a não apresentação dos anos–calendário de 2009 e 2010 fora pelo fato de força maior, inundações e extravios com a liquidação da sociedade. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.722 9 A fiscalização apontara que não conseguira apurar a receita bruta, pois, a matriz em Tocantins só comprava transferia para a filial em São Paulo que só vendia. A fiscalização não teria solicitado junto ao fisco paulista ou a empresa as guias de informação e apuração de ICMS referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010. Se o fisco tivesse solicitado saberia o valor da base de cálculo do ICMS da M.K. Como transferências não caracterizam receita bruta, bastaria o fisco expurgar as transferências referentes às guias de apuração de ICMS, considerando o valor remanescente como a receita bruta da empresa. DAS ALTERNATIVAS DE CÁLCULO PARA A APURAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO Ainda que não se conhecesse a Receita Bruta, no rol de opções do art. 535 do RIR/99, caberia ao auditor optar pela menos gravosa para ao contribuinte, e não pela mais gravosa. Ou melhor, entre outras opções a fiscalização escolheu as compras sem explicar por que o fez e nem explicar porque não fez as outras. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Na dúvida de acordo com o art. 112 do CTN as penalidades devem ser interpretadas de maneira mais favorável ao contribuinte. Os tributos foram apurados, contudo, não foi possível demonstrar a exatidão da apuração pelo fato de seus documentos terem sido perdidos. A fiscalização não apontara fraudes. As questões relativas à continuidade das atividades da M.K. pelos impugnantes não possuem relevância para a qualificação da multa, pois, pautados em presunções, e alheios à redução do tributo. GILBERTO PERRUCCI E A NÚCLEO DE ABASTECIMENTO DE ARTIGOS DE HIGIENE AO VAREJISTA LTDA, ALEGARAM: O Sr. João e o Sr.Egon não são sócios da Núcleo. A Núcleo possui sócios estrangeiros. As mercadorias distribuídas pela M.K., não são as mesmas distribuídas pela Núcleo. Após comparar o quadro societário da Núcleo e da M.K. a fiscalização afirmou que o fato de possuírem o mesmo objeto social era motivo suficiente para caracterizar a continuidade da atividade de uma para a outra. Contudo os objetos sociais não são os mesmos: Apesar de a fiscalização afirmar que os endereços serem os mesmos Doc. 06 prova que não são. Os sócios da M.K, João e Egon, só movimentavam algumas contas, não faziam atos de gerência. Ademais, administração de uma empresa não importa em sociedade. Não há nos autos prova da utilização dos poderes outorgados aos sócios da M.K. perante as instituições bancárias e outras pessoas que pudesse denotar ato de gestão. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.723 10 Nunca houve empregados da M.K. que ao mesmo tempo fossem empregados da Núcleo. Mesmos fornecedores e mesmo contabilista são fatos irrelevantes. E este fato justifica o mesmo IP das transmissões, alem de telefones cadastrais. RAZÕES DE DIREITO Não se pode aceitar a responsabilidade tributária pelo fato da Núcleo ter sócios estrangeiros. Inaceitável a responsabilidade pelo fato de sócios da M.K, ou exfuncionários da M.K, ou parentes, serem hoje funcionários da Núcleo. A impugnante ter trabalhado na M.K., e hoje ser sócio da Núcleo também não é causa de responsabilidade. Não há provas, nem indícios de que João e Egon fizeram aporte financeiro na Núcleo. Nem sequer a administração da Núcleo por João e Egon ficou provado. A procuração outorgada não fora exercida. Já a impugnante pessoa física era mero comprador da Núcleo. Por fim, tudo não passa de indícios e presunções. A imputação de responsabilidade pelo art. 124, I, não foi provada gerando nulidade. No tópico de identificação do sujeito passivo toda narrativa estava na responsabilização por sucessão (art. 129 do CTN), contudo a fundamentação foi pelo art. 121, I do CTN, provocando atrito entre a fundamentação fática e a jurídica. Não há prova de interesse comum entre as impugnantes e a M.K.na redução do tributo. Nem constituída a Núcleo estava na época dos fatos geradores. Dar seguimento as atividades importaria em responsabilidade por sucessão e não em responsabilidade solidária. Houve assim cerceamento ao direito de defesa tornando nulo o auto de infração. A responsabilidade solidária entre empresas existe quando eles participam da situação configuradora do fato gerador. Para a impugnante pessoa física fora atribuída a responsabilidade do art. 135, III, excesso de poderes, contudo, esta não exerce cargo de direção/administração, era mero comprador. Não ficara demonstrado um único ato de gestão. Também não se demonstrou o excesso de poder. Ademais, a M.K. foi regularmente dissolvida. Quanto ao arbitramento, a fiscalização ignorou o art. 532 do RIR/99 adotando o art. 535 do RIR/99. Deveria a fiscalização ter utilizado as GIA’s de ICMS ou os créditos bancários. Teria havido quebra do sigilo bancário, devido às informações dos responsáveis bancários obtidos pela fiscalização. A 2ª Turma da DRJ em Brasília (DF) analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0353.376, de 05/07/2013 (fls. 1010/1024), afastou Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.724 11 as nulidades e julgou procedente em parte a impugnação para afastar o Sr. Gilberto Perrucci da responsabilidade, o qual teve a seguinte ementa que ora transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ARBITRAMENTO DE LUCRO O imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial. MULTA QUALIFICADA Presentes os elementos subjetivos dolo (consciência) e elemento subjetivo do injusto (finalidade) pagar menos imposto, correta é a multa qualificada. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS GERENTES Os sócios gerentes são responsáveis pelas dívidas tributárias contraídas durante sua gestão. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Quando existe a prova do interesse comum a solidariedade estará caracterizada. Ciente da decisão de primeira instância em 09/08/2013, data em que alcançou cópia integral dos autos das dependências da DRF Poços de Caldas, se dando por ciente, a empresa Núcleo de Abastecimento de Artigos de Higiene ao Varejista Ltda. interpôs em 08/10/2013 Recurso Voluntário, conforme carimbo de recepção à folha 1070. No recurso interposto (fls. 1070/1098), a Núcleo pede que seja afastada a sua responsabilidade solidária porque, diferentemente do que fora alegado pela fiscalização não há qualquer relação entre a núcleo e a fiscalizada, e que a fiscalizada não continuou suas atividades por meio da Núcleo. Aduz ainda que o quadro societário de ambas as empresas não têm qualquer conexão, sendo, portanto, duas empresas distintas, tendo inclusive objetos sociais diferentes. Em 08/10/2014 os recorrentes João Edward Vaz Maio e Egon Krehnke também interpõem, após voluntariamente tomarem ciência do acórdão da DRJ/Brasília Recurso Voluntário, onde, preliminarmente, pugnam pelo afastamento de João Edward como contribuinte principal e que seja derrubada a responsabilidade solidário de Egon. No mérito, repisam os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.725 12 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, em relação ao Sr. Gilberto Perrucci, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível e dele conheço. Quanto à sujeição passiva solidária do Sr. Gilberto Perrucci, embora haja indícios para enquadrálo como responsável, parece que os indícios não são robustos o bastante. Primeiro, ele não era sócio da M.K., nem era procurador da M.K. Apenas nos registros de boletim de ocorrência se identificou como gerente da M.K. O fato de ser o administrador da Núcleo e da Liderança, não o relaciona aos fatos geradores ocorridos na época na fiscalizada, de tal sorte a configurar dolo, ainda que eventual. Dessa forma, afasto a responsabilidade solidária do art. 124, I do CTN. Quanto à responsabilização pelo art. 135, excesso de poderes ou infração de lei, como já afirmado, ele não era administrador da M.K., dessa forma, também não vislumbro tal enquadramento. Na realidade, conforme a própria fiscalização afirma no Termo de Sujeição passiva solidária, o Sr. Gilberto Perrucci seria “um laranja”, das novas empresas, as quais foram criadas para ocultar a ocorrência do fato gerador, ou, no mínimo, para dificultar a execução dos créditos tributários. Assim, por não entender que restou devidamente comprovada a responsabilidade do Sr. Gilberto Perrucci, afasto a sua responsabilidade. Por todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.726 13 RECORRENTES JOÃO EDWARD VAZ MAIA E EGON KREHNKE DA DISTINÇÃO ENTRE CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO Primeiramente, o art. 142 do CTN, diz que compete à autoridade identificar o sujeito passivo, assim, não tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização teria agido em desacordo com o art. 142. No caso a fiscalização identificou vários sujeitos passivos, conforme auto de infração, não tendo, pois, razão a recorrente neste item. Quanto ao cerceamento, novamente a recorrente não tem razão, a uma porque as imputações estão bem claras no relatório fiscal, a duas, porque, de fato, a recorrente se defendeu com diversos argumentos, ou seja, ela mesma se contradiz quando diz que fora cerceada. Quanto ao fato de que no relatório fiscal o Sr. João Edward Vaz Maia estar identificado como contribuinte, este fato, por si só, é irrelevante, pois, no auto de infração ele está definido como sujeito passivo. Ademais, no relatório fiscal toda a descrição em relação ao Sr. João o trata como sócio (proprietário) responsável. Dessa forma, em absoluto não tem razão a recorrente neste item. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A recorrente alega não haver interesse comum no fato gerador entre a empresa e o sócio Egon Krehnke. Contudo, não vejo como acolher a tese da recorrente, haja vista que os interesses jurídicos comuns entre o contribuinte e o responsável solidário, uma vez que estes atuavam claramente de forma conjunta para a ocultação dos fatos a fim de que a obrigação tributária não tive nascimento. O STJ já afirmou (REsp 884.845SC, Rel. Min. Luiz Fux) que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação”. Nesse sentido, aplicandose a lógica acima ao IRPJ, o STJ afirmou que a solidariedade para com débito fiscal desse imposto somente vai ocorrer se ambas as pessoas tiverem atuado em conjunto em determinada operação, tendo em relação a esta os mesmos interesses jurídicos. A decisão do STJ deixa clara essa posição: “o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Assim, por entender que no caso restou comprovado o interesse comum entre o contribuinte e o responsável tido como solidário, não vej.o como afastar a sujeição passiva solidária proposta Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.727 14 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS No caso, este item não faz sentido, haja vista que o Sr. Egon Krehnke foi considerado responsável solidário (art. 124, I do CTN), e não foi responsabilizado pessoalmente, nos termos do art. 135 do CTN. Quanto ao art. 207 do RIR/99, também atribuído ao Sr. Egon Krehnke, este em absoluto não se refere expressamente a responsabilidade pessoal. Não posso, também, deixar passar a afirmação da recorrente de que “o simples inadimplemento não indica infração fiscal”. Ademais, a recorrente faz referência à súmula 430 do STJ, súmula esta, que no caso, não se aplica, haja vista que não estamos diante de um simples inadimplemento, pois, a M.K. nada informara de suas vendas para o fisco de São Paulo, e para o federal. O inadimplemento na acepção da súmula e do direito é quando estamos diante de uma obrigação posta, e essa não se cumpre. DA DESCONTINUIDADE DA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE SOCIAL Quanto a este item, a fiscalização trouxe vasto conjunto probatório de que na realidade a Núcleo continuou a exploração da M.K., pois, embora o objeto social não seja coincidente, muitos funcionários, os procuradores autorizados a movimentar as contas bancárias, endereços, telefones, contabilidade comum. Ademais, as pessoas autorizadas a movimentar as contas da Núcleo no Banco Bradesco eram o Sr. João, o Sr. Egon ou parentes de ambos. Na verdade, a fiscalização fora simplória, pois, na realidade, sabendo do fato de que a Núcleo, em palavras da própria recorrente, nem existia na época dos fatos geradores, essa empresa não passa de uma empresa criada simplesmente para trocar de nome com a M.K., com o fito de esconder os verdadeiros donos os Srs João Edward Vaz Maia e Egon Krehnke. Ou seja, ela não seria apenas a sucessora, mas a própria com outro nome. DO ARBITRAMENTO PRATICADO E A POSSIBILIDADE DE SE ENCONTRAR A RECEITA BRUTA DA EMPRESA Quanto à alegação de que a fiscalização deveria ter arbitrado com base na Receita Bruta, de acordo com o relatório fiscal (item 33) para o anocalendário de 2009, a fiscalização foi a SEFAZ/SP que não dispunha de informações do contribuinte, dessa forma, não havia como saber a receita bruta do contribuinte, pois, como sabemos quase 180 milhões de reais foram transferidos da matriz para a filial de São Paulo, e a contribuinte não informou ou apresentou as declarações àquela receita estadual. No que tange ao anocalendário de 2010, por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) a fiscalização verificou que as notas fiscais da matriz estavam escrituradas no Livro de Registro de Saídas e no Livro de Apuração de ICMS, tudo de acordo com as GIAM’s apresentadas à SEFAZ/TO. Destas, se extrai o montante de 95 milhões de reais a título de saídas de mercadorias, onde 85% deste montante fora objeto de transferência para outros estabelecimentos da empresa em outros Estados, mais precisamente para a filial de São Paulo. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.728 15 A alegação de que a fiscalização deveria ter pedido à SEFAZ/SP informações não tem cabimento, pois a fiscalização já tinha acessado o SPED do contribuinte, e só havia informação a respeito da Matriz. Dessa forma, não havia porque perguntar nada à SEFAZ/SP. Deixo de apreciar as notas fiscais de saídas emitidas pelo estabelecimento da recorrente em São Paulo, pois estas não foram apresentadas no curso da fiscalização, em que pese terem sido os recorrentes, como responsáveis pela fiscalizada que já se encontrava extinta, várias vezes intimados para assim o fazerem. Portanto, quando da apuração do lucro tributável pelo método do arbitramento, não havia qualquer prova documental que possibilitasse à fiscalização determinar a receita bruta da empresa. Dessa forma, como não era possível saber a Receita Bruta ao tempo do lançamento, entendo que a escolha do critério de arbitramento parece ter sido aquele que melhor reflete a realidade dos fatos. DAS ALTERNATIVAS DE CÁLCULO PARA A APURAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO Quanto à alegação de que a fiscalização poderia ter utilizado um critério mais favorável ao contribuinte, primeiro, a contribuinte não provou que de fato haveria no rol de opções um mais favorável, segundo, na realidade a fiscalização deve procurar o critério que mais se aproxime da realidade, ou seja, buscar a verdade material, e no caso, o valor das compras (0,4 x compras), compras estas declaradas pelo próprio contribuinte é sem duvida, o que mais se coaduna com a realidade, já que não pôde a fiscalização apurar a receita bruta. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Diante de todas as operações visando esconder a continuidade das operações pelos verdadeiros donos e da omissão das informações ao fisco federal e ao fisco de São Paulo, não podemos achar que isto tudo não fora engendrado de forma programada, ou que se tratasse de mera coincidência. De resumo a M.K.transferiu cerca de 180 milhões de reais em mercadorias para a filial em São Paulo em 2009, e nada declarou ou recolheu naquele ano pela filial, e em 2010, transferiu cerca de 80 milhões para a mesma filial, não oferecendo nada à tributação. Mesmo com todo este volume de compras de mercadorias e transferências das mesmas entre os seus estabelecimentos, ainda assim a interessada só declarou como receita bruta na DIPJ 2010 236 mil reais e 2 milhões de reais na DIPJ 2011. Dessa forma, o lançamento baseado no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 está perfeitamente demonstrado, devido a comprovação, ao meu ver, da sonegação perpetrada. Dessa forma, agindo em dois anos calendários (oito trimestres), e com diferenças de valores que saltam aos olhos, está mais que caracterizada a intenção de não pagar tributos. Assim, a multa qualificada deve ser mantida. RECURSO DA NÚCLEO Apesar das negativas da Núcleo o interesse comum está provado, pois, uma empresa continua (ou é a mesma com outro nome) as atividades com os mesmos sócios (donos) os Srs João Edward Vaz Maia e Egon Krehnke. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10880.731911/201210 Acórdão n.º 1302001.706 S1C3T2 Fl. 9.729 16 Portanto, neste ponto, entendo que a responsabilidade solidária deve ser mantido quanto a empresa Núcleo por ser esta a sucessora da então fiscalizada. Pelas razões acima, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos. Sala de Sessões, 25 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator . Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/06/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10945.001240/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carlos Henrique de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.001240/201003 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.456 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de março de 2015 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente UNIMED DE FOZ DO IGUACU COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carlos Henrique de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 01 24 0/ 20 10 -0 3 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10945.001240/201003 Resolução nº 2401000.456 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.277.0967, por meio do qual se exige multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas nas competências de 06/2007 a 31/12/2009, cuja ciência ao contribuinte se deu em 06/10/2010 (fl. 02). Transcrevo abaixo trechos do relatório fiscal da infração e aplicação de multa (fls. 5/10): Foram verificadas as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social – GFIP e os recolhimentos efetuados no período auditado. O contribuinte declarou enquadramento CNAE 86.909 (Outras atividades de atenção à saúde humana) com alíquota de 1% (um por cento) no período auditado, quando deveria ter declarado CNAE 65.502 (Planos de Saúde) e CNAE PREPONDERANTE 86.101/01 com alíquota de 2% (dois por cento). A multa foi aplicada de acordo com os limites estabelecidos pelo art. 284, incisos I, II e III do Regulamento da Previdência Social, com valores atualizados pela portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, em seu art. 8º, inciso V. Obedecendo ao Princípio da Retroatividade Benigna, os valores das multas aplicadas foram comparados por competência, aplicandose aquele de valor mais benéfico para o Contribuinte, conforme planilha COMPARATIVO DE MULTAS, parte integrante deste relatório. (...) A infração é prevista no art. 30, inciso IV, parágrafo 5º, (acrescentado pela Lei 9528, de 10/12/1997) da Lei 8212/91, combinado com o art. 225, inciso IV, parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A multa aplicada figura na lei 8212/91, nos art. 32, parágrafo 5º (acrescentado pela Lei 9528, de 19/12/1997) no RPS, art. 284, inciso II (com redação do Decreto nº 4729, de 09/06/2003), e art. 373, sendo sua gradação estipulada no art. 292, inciso I do RPS. Cientificado da presente autuação o contribuinte apresentou impugnação às fls. 199/203, aduzindo, em síntese: 1. Que a UNIMED de Foz do Iguaçu – Sede nada mais é do que uma sociedade de pessoas constituída para prestar serviços a associados, ou seja, prestação recíproca de um auxílio que vai substituir uma atividade Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10945.001240/201003 Resolução nº 2401000.456 S2C4T1 Fl. 4 3 que, se não for à cooperativa, teria que ser desempenhada individualmente por cada um; 2. Que para alcançar seu objeto social, a Unimed de Foz do Iguaçu conta com uma sede administrativa onde são realizados serviços de venda e administração do plano de Saúde e o Hospital Unimed, o qual desempenha atividades de natureza hospitalar; 3. Que a unidade autuada apenas desenvolve atividades administrativas relativas ao gerenciamento e comercialização de planos de saúde, e tendo em vista que não desenvolve atividades com grau de risco médio ou grave, não há que se falar em recolhimento superior a 1%; 4. Que a unidade autuada desenvolve tão somente a atividade de administração e comercialização de plano de saúde, não havendo que se falar em “atividade preponderante”, razão pela qual a Unimed não declarou serviços hospitalares como “atividade preponderante”. Instada a se manifestar sobre a impugnação, a 8ª Turma da DRJ/BHE proferiu o acórdão de nº 0236.438 (fls. 272/279), abaixo ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com erros ou omissões constitui infração à legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES RELATIVAS AO GILRAT. As contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho são apuradas de acordo o grau de risco da atividade preponderante da empresa. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância às fls. 283 em 23/02/2012, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 290/295, reiterando os argumentos já aduzidos na impugnação, acrescentando tão somente novas decisões judiciais dos Tribunais Regionais Federais e do STJ, que afirma serem favoráveis à sua tese. Após, o processo foi encaminhado a este CARF para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10945.001240/201003 Resolução nº 2401000.456 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Carolina Wanderley Landim O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço o presente recurso. Considerando que o lançamento discutido no presente processo consubstancia a cobrança de multa pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatosgeradores das contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, o Auto de Infração em debate está necessariamente atrelado a outro lançamento onde foi apurada a ocorrência dos fatos geradores e, consequentemente, a falta de recolhimento da obrigação principal. Portanto, há nítida vinculação, direta e indissociável, entre o Auto de Infração ora tratado e o Auto de Infração que trata da obrigação principal, de modo que o resultado do julgamento daquele constitui questão prejudicial ao desenlace do objeto deste processo. Dito de outro modo, se os lançamentos efetivados para a cobrança das obrigações principais forem considerados improcedentes, não há que se falar em manutenção da penalidade. Deste modo, o auto de infração em análise, lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória, deve ser julgado conjuntamente ou após o julgamento do processo relativo à obrigação principal. Analisando os presentes autos, observo que a 8ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar a impugnação apresentada pela ora Recorrente, mencionou na sua decisão que havia julgado, naquela mesma seção, o lançamento consubstanciado no PAF nº 10945.001237/201081, conforme se observa do trecho do acórdão recorrido: Consta no relatório fiscal e no demonstrativo de fl. 36 que o código CNAE que deveria ter sido informado é o “65.502/00 Planos de saúde” e que o código correto do campo relativo ao CNAE Preponderante, para fins de aplicação da legislação previdenciária, seria o “86.101/01 Atividades de atendimento hospitalar, exceto prontosocorro e unidades para atendimento a urgências”. Isso porque, conforme apurado no demonstrativo de fl. 36 dos autos do processo nº 10945.001237/201081, julgado na mesma seção, apesar de haver outra atividade, essa é a atividade preponderante desenvolvida pelos empregados da cooperativa. Através de consulta realizada no ambiente eletrônico deste Conselho, observei que já houve julgamento de Recurso Voluntário interposto no PAF nº 10945.001237/201081, formalizado por meio do acórdão de nº 2803001.818, o qual deu total provimento ao recurso do contribuinte em sessão ocorrida em 20 de setembro de 2012. No entanto, apenas da leitura do referido acórdão, sem acesso àqueles autos, não é possível concluir de forma inequívoca se o lançamento tratado naquele processo corresponde ao Auto de Infração de obrigação principal vinculado ao presente lançamento (descumprimento de obrigação acessória AI DEBCAD nº 37.277.0967), tendo em vista que não há no bojo do acórdão referência ao DEBCAD em análise, tampouco outras informações que indique tratar de obrigação principal. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 10945.001240/201003 Resolução nº 2401000.456 S2C4T1 Fl. 6 5 Em diligência realizada nesta sessão de julgamento, foi obtida cópia do referido processo correlato, mas o mesmo aparentava tratarse também de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória (AI 68), o que trouxe ainda mais dúvidas quanto à relação entre este DEBCAD e aquele citado no acórdão da DRJ, bem como quanto à identificação do processo relativo à obrigação principal. Sendo assim, considerando a incerteza acerca do PAF em que se discute a Obrigação Principal vinculada à presente autuação de descumprimento de obrigação acessória, bem como a possibilidade de tal matéria (Obrigação Principal) já ter sido apreciada por este CARF, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providencias: a) Identificação do processo administrativo e DEBCAD em que foram lançadas as obrigações principais relativas à infração objeto deste processo – diferença de SAT por suposto enquadramento incorreto do estabelecimento autuado; b) Identificação do status do processo referido na alínea ‘a’, acima: i) caso já tenha sido julgado, informar o resultado do julgamento e anexar o respectivo acórdão; ii) caso não tenha sido julgado, este processo deverá ser sobrestado até o julgamento do processo de obrigação principal; c) Informar a relação entre o presente processo e o de n.º 10945.001237/201081, diferenciando o objeto de cada um deles. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10916.000200/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/01/2006
MULTA INGRESSO DE PESSOA NÃO AUTORIZADA NO RECINTO DE CONTROLE ALFANDEGÁRIO
Uma vez comprovado que houve o ingresso de pessoa não autorizada na área de controle aduaneiro do Porto, incide a multa do artigo 107, inciso VIII, alínea “a”, do Decreto-Lei n° 37/1966.
Recurso Voluntário Desprovido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3102-00.855
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/01/2006 MULTA INGRESSO DE PESSOA NÃO AUTORIZADA NO RECINTO DE CONTROLE ALFANDEGÁRIO Uma vez comprovado que houve o ingresso de pessoa não autorizada na área de controle aduaneiro do Porto, incide a multa do artigo 107, inciso VIII, alínea “a”, do Decreto-Lei n° 37/1966. Recurso Voluntário Desprovido. Crédito Tributário Mantido.
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Recurso Voluntário Desprovido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 37DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10916.000200/200605 Acórdão n.º 3102000.855 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para lançamento de multa por ingresso de pessoa no recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização da Inspetoria da Receita Federal, com fulcro na alínea "a" do inciso VIII do art. 107 do Decretolei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Em sua impugnação, o autuado argumentou que o Porto de Imbituba conta com um Plano de Segurança Pública Portuária — PSPP, aprovado pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos e Terminais — CONPORTOS, do Ministério da Justiça, da qual também faz parte representação da Receita Federal. O ingresso da pessoa apontada pela fiscalização na área de controle aduaneiro teria ocorrido de acordo com o mencionado PSPP. Ademais, relativamente ao controle aduaneiro, a administração do porto estaria seguindo as disposições estabelecidas pela Receita Federal de Imbituba via correio eletrônico, em 24/06/2005. Alega, ainda, que o indivíduo que adentrou a área aduaneira, em nenhum instante, passou por áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados e, portanto, não ocorreu qualquer risco aos interesses da Fazenda Nacional. A DRJ julgou procedente o lançamento, por entender que as instruções estabelecidas via correio eletrônico não teriam identificação de seu emissor nem numeração, tampouco teria sido publicada, condições imprescindíveis para sua validade. Ademais, de acordo com a DRJ, estaria comprovado que pessoa não autorizada (Otávio Ribeiro de Castro) efetivamente ingressou na área de controle aduaneiro. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual requer a reforma da decisão proferida pela DRJ reiterando os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Entendo que deve ser mantido o acórdão a quo. Observo que, de fato, não se pode depreender dos autos que a portaria apontada pelo Recorrente tenha sido expedida, de maneira válida, por órgão da Receita Federal do Brasil. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10916.000200/200605 Acórdão n.º 3102000.855 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Por outro lado, é incontroverso que pessoa estranha, não autorizada (Otávio Ribeiro de Castro), realmente ingressou na área sob controle aduaneiro. Não prospera o argumento de que o mencionado cidadão não teria trafegado por locais destinados a carga e descarga de mercadoria nem de embarque ou desembarque de passageiros, pois a multa aplicada pelo simples fato de ter havido o ingresso de pessoas em local sob controle aduaneiro sem que existisse, todavia, a regular autorização da autoridade que detém a competência para o exercício desse controle. Por isso, incide a multa do art. 107, inciso VIII, alínea “a”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (..) VIII de RS 500,00 (quinhentos reais): (...) a) por ingresso de pessoa em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização, aplicada ao administrador do local ou recinto; Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 39DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902657/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.097
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra. (assinatura digital) Walber José da Silva Presidente (assinatura digital) Alexandre Gomes Relator EDITADO EM: 26/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada, transcrevese o relatório produzido pela Delegacia de Julgamento: Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/12/2004 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à Fl. 359DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 19/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902657/200801 Resolução n.º 330200.097 S3C3T2 Fl. 350 2 receita de código 5856, do período de apuração de 31/05/2004, com arrecadação em 15/06/2004, no valor originário de R$ 59.147,99. A Delegacia de origem, em análise datada de 12.08.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 01.09.2008, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/11): "A requerente declarou na DCTF 2° SEMESTRE/2004 ter apagar (e pagouse) de COFINS no mês de maio o valor de R$ 59.147,99, conforme DARF em anexo. Posteriormente, constatouse que o valor real a ser pago era de R$ 25.272,07, ou seja, inferior ao valor informado na referida DCTF, gerando, portanto, um crédito de R$ 33.875,92. (.) Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF de origem dos créditos, o que gerou a vinculaç'ão de um débito com valor equivalente ao DARF pago, a inconformidade dos créditos a serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação do PER/DCOMP." Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago". Após análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ de Belém, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário onde se alega que: Fl. 360DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 19/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902657/200801 Resolução n.º 330200.097 S3C3T2 Fl. 351 3 a) formalizou pedido de compensação por meio de PERD/COMP apontando pagamento indevido ou a maior de Cofins relativo ao período de apuração 31/05/2004; b) o credito relativo ao pagamento a maior não foi reconhecido, por ausência de comprovação de sua existência, uma vez que não foram apresentados documentos fiscais hábeis a comprovar o direito creditório; c) nos termos do art. 16, § 4º, alínea “c”, do Decreto nº 70.235/72, quando houver necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos poderá ser aceita a juntada de documentos juntamente com o Recurso Voluntário, motivo pelo qual promove a juntada de documentos fiscais que comprovam a existência do crédito; É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. O direito ao crédito utilizado pela Recorrente na compensação informada por meio de PERD/COMP foi indeferido, pois o alegado pagamento a maior estaria atrelado a valor declarado em DCTF como devido. A Recorrente por sua vez, informou que em sua DCTF teria sido informado valor que não correspondia ao valor efetivamente devido a título de COFINS e que por descuido não teria sido efetuada a retificação desta DCTF. A DRJ de Belém, em suas razões de decidir assim consignou: Assim, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido com o pagamento, não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito, confessado em DCTF, fazendose necessário, ainda e notadamente, que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal fora diversa e o pagamento respectivo de fato indevido. Junto com o Recurso Voluntário foram juntados ao presente processo copia do DARF, do PERD/COMP, da DCTF retificadora e dos livros fiscais que segundo a Recorrente comprovariam a ocorrência do pagamento a maior informado. Assim, tendo por norte o principio da verdade material e verificando a necessidade de análise dos documentos por parte da autoridade preparadora, entendo por bem converter o presente processo em diligência para que: Fl. 361DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 19/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902657/200801 Resolução n.º 330200.097 S3C3T2 Fl. 352 4 a) sejam analisados os documentos juntados ao presente processo junto com o Recurso Voluntário, em complemento aos já apresentados anteriormente, informando se de fato existe pagamentos a maior ou indevidos; b) seja intimada a Recorrente para que informe o motivo da modificação dos valores devidos da contribuição, bem como lhe seja dada ciência do resultado da presente diligencia. (assinatura digital) Alexandre Gomes Fl. 362DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 19/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/02/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900076/2008-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 76 /2 00 8- 76 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900076/200876 Acórdão n.º 3803006.871 S3TE03 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiu as regras que haveriam de ser expedidas pelo Poder Executivo para a redução da base de cálculo das contribuições em obstáculo material a ser transposto para a constituição da eficácia (técnica) do preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador, ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidaramse a jurisprudência deste Conselho e os precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001390/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
INTIMAÇÃO REGULAR. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Quando regularmente intimado o contribuinte, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
ARBITRAMENTO BASEADO EM COMPRAS CONHECIDAS. CABIMENTO.
É válido o arbitramento que toma como referência o valor das compras conhecidas, apurado a partir das importações de mercadorias relativas aos períodos sob fiscalização, conforme informações constantes do SISCOMEX.
MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA.
Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, deve-se afastar a multa agravada quando constatado que o Contribuinte não deixou de atender a intimação específica para prestar esclarecimentos, que deve ser expressamente formulada durante os trabalhos de auditoria.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
Numero da decisão: 1201-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 225% para 150% e em dar provimento ao Recurso de Ofício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO REGULAR. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Quando regularmente intimado o contribuinte, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ARBITRAMENTO BASEADO EM COMPRAS CONHECIDAS. CABIMENTO. É válido o arbitramento que toma como referência o valor das compras conhecidas, apurado a partir das importações de mercadorias relativas aos períodos sob fiscalização, conforme informações constantes do SISCOMEX. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, deve-se afastar a multa agravada quando constatado que o Contribuinte não deixou de atender a intimação específica para prestar esclarecimentos, que deve ser expressamente formulada durante os trabalhos de auditoria. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.001390/200466 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.128 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria Auto de Infração Recorrentes MAXI MEAT ALIMENTOS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. ARBITRAMENTO BASEADO EM COMPRAS CONHECIDAS. CABIMENTO. É válido o arbitramento que toma como referência o valor das compras conhecidas, apurado a partir das importações de mercadorias relativas aos períodos sob fiscalização, conforme informações constantes do SISCOMEX. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que o Contribuinte não deixou de atender a intimação específica para prestar esclarecimentos, que deve ser expressamente formulada durante os trabalhos de auditoria. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 13 90 /2 00 4- 66 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO REGULAR. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Quando regularmente intimado o contribuinte, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 225% para 150% e em dar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos. A questão fática é bastante extensa e pode ser sintetizada a partir das informações a seguir, transcritas do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 450 e seguintes: Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 4 3 O contribuinte em tela realizou importações durante os anos calendário de 1999 até 2002 nos valores abaixo discriminados, e apresentou originalmente, Declarações de Rendimentos (DIPJ Lucro Presumido), com os seguintes valores de faturamento: Ano calendário Importações em US$ DIPJ em R$ 1999 14.054.115,00 3.469.981,00 2000 23.591.841,00 3.776.789,00 2001 22.138.619,00 4.424.134,00 2002 17.195.428,00 4.545.551,00 Em vista da incompatibilidade entre os valores de faturamento declarados em DIPJ e as importações efetivamente realizadas (e pagas), foi iniciado, em julho de 2003, procedimento de fiscalização aduaneira, que se iniciou como Diligência e posteriormente foi transformado em Fiscalização, para verificação do efetivo funcionamento da empresa, da origem lícita, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações de comércio exterior, conforme disposição contida na I.N./SRF n° 228, de 21 de outubro de 2002. Durante o procedimento de fiscalização aduaneira, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outras, as seguintes informações e documentos: os Livros Diário, Razão e Livro Caixa dos anos calendário de 1999 a 2003. A empresa, durante o período dessa fiscalização, nunca apresentou os Livros Contábeis solicitados. Ainda durante a fiscalização aduaneira, ficou constatado que a empresa registrou na Junta Comercial a incorporação da empresa Inter Meat Alimentos, CNPJ n° 60.853.744/000180, tendo ainda apresentado um Laudo de Avaliação da incorporada no valor de R$ 3.680.094,00 , com os seguintes saldos: Caixa e Bancos R$ 1.148.361,03 Clientes R$ 2.643.149,53 Estoques R$ 1.599.729,37 Instalações R$ 1.199.883,42 Contas a Pagar R$ 2.911.029,35 Capital e Reservas R$ 3.680.094,00 Intimada a comprovar os valores dos saldos constantes no Laudo de Avaliação da Inter Meat, a empresa nada apresentou, assim como também não apresentou os documentos comprobatórios das integralizações do seu capital social, nem comprovou os pagamentos de aluguel, tendo ainda informado, em declaração prestada na data de 05/11/2003 (cópia em Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 5 4 anexo), que não apresentava contabilidade regular, por ser optante pelo Lucro Presumido, e, embora tenha declarado que estava apresentando os Livros Diário e Razão, estes não foram entregues à fiscalização. Em 02/12/2003 a empresa foi autuada pela fiscalização aduaneira, pela não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação, cujo crédito foi constituído em Auto de Infração através do processo n° 13.839.003479/200386. Em outubro de 2003 foi iniciada uma nova fiscalização na empresa, cujo resultado é o objeto deste processo, para fiscalização do IRPJ relativo ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. Quando do início dos trabalhos, a empresa foi intimada a apresentar, entre outros, os seguintes documentos: Livros Caixa ou Diário e Razão, Livros de Registro de Entradas e Saídas, de Apuração do ICMS, Registro de Inventário e Notas Fiscais de Compra. Em resposta a empresa, por meio de seu sócio Alexandre Zerbinatti, CPF n° 134.760.64832, informou que estaria reconstituindo os livros fiscais e que não tinha informações sobre os valores de vendas para os cem maiores clientes, conforme solicitado, e apresentou, apenas, as notas fiscais de compra referente à conta fornecedores de janeiro a abril e de julho a dezembro de 2002. Como a empresa não mais se manifestou, houve nova intimação para a apresentação de arquivos fiscais e contábeis, bem como a requisição de informações financeiras sobre a empresa e cópias dos contratos sociais para a Junta Comercial. Da análise dos documentos enviados pela Junta Comercial a autoridade lançadora concluiu os seguintes fatos: a) 20/06/1995 a empresa foi constituída (NIRE 35213131926), com sede à rua Marcelo Muller n° 900, no Jardim Independência em São Paulo, capital, e com a denominação de Maxi Meat Participações Ltda, com o objeto social de armazenamento de produtos frigorificados, importação e exportação de alimentos em geral, e de participação em outras empresas. Os sócios da empresa são Gervásio Zerbinatti, CPF n° 019.430.06849, com 50% do capital, e Fábio Zerbinatti, CPF n° 115.920.29825 com 50%, e o valor do capital social é de R$ 20.000,00. Ambos os sócios são residentes e domiciliados à rua Mário Augusto do Carmo, 515 apto 41, Jardim Avelino São Paulo. b) 27/05/1996 houve a 1a alteração contratual (registro Jucesp n° 77.208/961), com o ingresso na sociedade da empresa El Pajez Sociedad Anonima com sede na Costa Rica, que subscreveu 10 milhões de cotas no valor de R$ 10.000.000,00, sendo a mesma representada pelo seu procurador, Alexandre Zerbinatti, CPF: 134.760.648 32, residente e domiciliado no mesmo endereço dos outros dois sócios, Gervásio e Fábio Zetrbinatti. O capital deveria ser integralizado no prazo de 36 meses a partir desta data. Conforme veremos mais adiante, não houve a integralização de capital. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 6 5 c) 16/01/1997 houve a 2a alteração contratual (registro n° 4.497/97) para abertura da filial 01 (NIRE 35901940932), com sede à rua Marcelo Muller n° 901 em São Paulo, capital. d) 22/01/1998 houve a 3a alteração contratual, quando a empresa alterou sua denominação para AGF&D Alimentos Ltda (iniciais de Alexandre, Gervásio, Fábio e Denise Zerbinatti) e sua sede para a rua Guerino Giovani Leardini, 410, sobreloja, Pirituba/São Paulo, conforme alteração contratual registrada na Jucesp sob n° 10.634/988. A empresa alterou o objeto social para comércio, importação, exportação e distribuição de carnes bovinas, suínas, ovinas, etc. e) Foi alterado o endereço da filial 1 para a rua Marcelo Muller n° 900, e foram constituídas outras duas filiais: a filial 2 à rua Marcelo Muller n° 901, e a filial 3 à rua Augusto Piacentini, 246, no Jardim Independência, em, São Paulo, capital. A sócia El Pajez Sociedad Anonima não integralizou o capital social da empresa e cedeu os direitos de sua participação acionária para Gervásio, Fábio, Alexandre e Denise Zerbinatti (também residente e domiciliada no mesmo endereço dos outros três sócios). Mantevese o Capital Social de R$ 10.020.000,00 que deveria ser integralizado no prazo de 36 meses. A participação no Capital Social da empresa ficou assim distribuída: Sócio/quotista Nr. Quotas Particip. Valor total em R$ Gervásio Zerbinatti 2.510.000 25,05% 2.510.000,00 Fábio Zerbinatti 2.510.000 25,05% 2.510.000,00 Alexandre Zerbinatti 2.500.000 24,95% 2.500.000,00 Denise Zerbinatti 2.500.000 24,95% 2.500.000,00 Notese que embora o capital social fosse de R$ 10.020.000,00, o capital efetivamente integralizado era de apenas R$ 20.000,00. f) 05/01/1999 através da alteração contratual n° 4 (registro Jucesp n° 423/993), a empresa incorporou a Inter Meat Alimentos Ltda., CNPJ: 60.853.744/000180, cujos únicos sócios são Gervásio e Fábio Zerbinatti, e com sede na rua Guerino Giovani Leardini, 410 Pirituba São Paulo, mesmo endereço da AGF & D Alimentos Ltda. Houve ainda nesta incorporação a mudança de denominação para Maxi Meat Alimentos Ltda, e a alteração do capital social para R$ 4.000.000,00; em seguida, retiramse da sociedade, Gervásio e Denise Zerbinatti. Neste ponto, a autoridade lançadora descreve os procedimentos relativos à incorporação e questiona o Laudo de Avaliação e Verificação arquivado na JUCESP, apontando total discrepância entre o capital social, o quadro societário da nova empresa e as informações prestadas na DIPJ, que informavam a tributação pela sistemática do lucro presumido. Sobre o tema, assim conclui a fiscalização: Observese que além de os valores informados no Laudo serem muito diferentes daqueles informados na DIPJ de incorporação, não contém o referido Laudo as formalidades necessárias para ser considerado um relatório técnico (não discrimina separadamente os saldos de Caixa e Bancos, não informa a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 7 6 instituição bancária e os números das contas, não discrimina os estoques, os clientes nem as instalações, os prazos de realização, provisionamentos ou a forma como foram avaliados, não detalha as contas a pagar, se são duplicatas ou faturas nem as datas de vencimento etc.). A partir da 5a alteração contratual, de n° 215.914/016, de 23/10/2001, é admitida como sócia, no lugar de Fábio Zerbinatti, a empresa Vonilar S. A. com sede em Montevidéu, no Uruguai. A partir de então, a Maxi Meat Alimentos passa a ter como sócios Alexandre Zerbinatti, com 99% do capital, e Vonilar, com 1%. A empresa foi intimada, ainda no curso da fiscalização aduaneira, a apresentar diversos documentos, livros e comprovantes, aptos a demonstrar os procedimentos de integralização do capital e a origem dos recursos empregados nas importações. Como resposta, informou que não tinha como comprovar a integralização, que não possuía contabilidade regular e que praticava operações em dinheiro. Comprometeuse a apresentar documentos, mas nada entregou. Em conclusão, a autoridade lançadora afirma que: Dessa forma, a empresa não comprovou a origem dos recursos utilizados na importação, não comprovou as integralizações do capital da empresa pelos sócios, e não apresentou os documentos que comprovassem o patrimônio da Inter Meat Alimentos (incorporada) no valor líquido de R$ 3.680.094,00, pertencente a Fábio e a Gervásio Zerbinatti. Em 02/12/2003 foi lavrado o Auto de Infração de Interposição Fraudulenta na Importação. Por outro lado, já no curso da fiscalização do IRPJ e reflexos, a empresa apresentou, em 13 e 16 de abril de 2004, DCTF retificadora de diversos períodos relativos aos anoscalendário de 1999 a 2003, com alteração significativa dos valores previamente informados, e também apresentou DIPJ retificadoras. Quanto a isso e em relação aos demais fatos constatados, assim informou a fiscalização: Embora tenha apresentado DCTFs e DIPJs retificadoras, a empresa não efetuou nenhum recolhimento adicional ou solicitou parcelamento de tributos daqueles períodos retificados, sendo que seu único objetivo foi de impedir o bom andamento da ação fiscal que se encontrava em pleno andamento, e a empresa continuou a não responder às diversas intimações que lhe estavam sendo endereçadas. (...) Com relação à informação prestada pelo contribuinte em 05/11/2003, cabe lembrar que pelos valores das importações realizadas, constantes do quadro acima, o mesmo não estava habilitado a optar pelo Lucro Presumido (receita total nos anos Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 8 7 calendários de 1999 a 2002 superior a R$ 24 milhões), e, portanto, a não apresentar contabilidade regular. Dentre as diversas informações prestadas pelas instituições financeiras, consta o cadastro preenchido pela Maxi Meat, junto ao Banco de la Província de Buenos Aires, que é uma das instituições financeiras através das quais eram fechados os contratos de cambio para o pagamento das importações de carne vindas em sua maior parte da Argentina e do Uruguai. Cabe aqui lembrar que na 4a alteração contratual (n° registro 423/993), restaram como sócios Fábio Zerbinatti com a participação de 50% do capital social, e Alexandre Zerbinatti com outros 50%, ambos como sócios gerentes da empresa. Essa situação permaneceu até a 5a alteração de 23/10/2001 (n° registro 215.914/016), quando retirouse da sociedade Fábio Zerbinatti, e foi admitida como sócia a empresa Vonilar com 1% do capital, ficando os outros 99% em poder de Alexandre Zerbinatti, situação que não mais se alterou até 2004. A administração da sociedade é feita por Alexandre Zerbinatti isoladamente, conforme prediz a cláusula 6a da 5a alteração contratual. No cadastro fornecido pelo Banco de la Província de Buenos Aires, diferentemente do que consta nas alterações contratuais registradas na Junta comercial (onde consta Alexandre Zerbinatti como único gerente da empresa), constam como diretores da empresa: Gervásio Zerbinatti Diretor Presidente Alexandre Zerbinatti Diretor comercial Fábio Zerbinatti Diretor administrativo Edna Paulino Lopes Diretora Financeira Leandro de Souza Diretor Operacional Ainda das informações prestadas por aquele banco, são relacionados vinte e sete clientes e diversos fornecedores da Maxi Meat Alimentos. No entanto, nas pesquisas internas realizadas nos sistemas de controle da Receita Federal, não constam informações de venda da empresa para esses clientes, ou para outros, em montantes que fossem compatíveis com o volume de importações da empresa, o que nos leva a concluir que a mesma dá saída a esses produtos sem a emissão de notas fiscais. O relatório fiscal prossegue apresentando diversas informações acerca dos imóveis e das operações da empresa, no intuito de demonstrar a participação de todas as pessoas físicas citadas na sua gestão, para fins de responsabilidade solidária. Tais fatos constam das fls. 459 a 461 do processo eletrônico. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 9 8 Como resultado dos trabalhos de auditoria, foram lançados valores relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de multa qualificada e agravada (225%), com base nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de Verificação: Conclusões: A empresa realizou importações em montantes muito superiores à sua capacidade econômicofinanceira e reiteradamente declarou originalmente em DIPJ e DCTF valores de faturamento muito menores que as importações realizadas. Ela deu saída a essas mercadorias, não emitindo as notas fiscais ou as emitindo em valores muito inferiores às saídas realizadas, deixando desta forma de pagar os tributos, ou pagandoos em valores muito menores do que os realmente devidos. A empresa não comprovou a origem dos recursos utilizados para importar as mercadorias, e teve lavrado contra si Auto de Infração por Interposição Fraudulenta na Importação, constante do processo administrativo n° 13.839.003479/200386. A empresa utilizouse de documento falso para justificar o aumento de capital a fim de encobrir o montante de importações que realizava. Este fato está perfeitamente caracterizado pela elaboração de Balanço de Incorporação e Laudo de Avaliação da Inter Meat Alimentos, e pelo registro dos mesmos na Jucesp, os quais constaram da 4a alteração contratual da Maxi Meat e do Protocolo de Incorporação da empresa, em 05/01/1999, fato que está confirmado pela escritura de venda e compra dos imóveis situados à rua Marcelo Muller 901 e 911. Da elaboração e registro (feito em 05/01/1999, na Jucesp), do documento fraudulento acima discriminado, participaram os sócios Gervásio Zerbinatti, Fábio Zerbinatti, Alexandre Zerbinatti e Denise Zerbinatti. (...) O sócio Alexandre Zerbinatti alienou imóveis da Maxi Meat Alimentos para a Guapavuru Administradora de Bens em valores muito inferiores aos valores de aquisição, cometendo fraude, constante do artigo n° 72 da Lei n° 4.502 de 30/11/1964, com a finalidade de fugir a eventual execução fiscal, em vista da fiscalização aduaneira que estava em curso, o que, de acordo com o artigo 1.009 da Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002, acarreta a responsabilidade solidária sua e dos sócios da Guapavuru, que são comprovadamente pessoas ligadas à Maxi Meat, artigo este que, combinado com o artigo 1.080 da mesma Lei, e com o inciso III do artigo n° 137 do CTN, torna ilimitada a responsabilidade de ambos. Ficou ainda caracterizado o dolo, ou a intenção de ludibriar o Fisco, quando foi apresentada a declaração de incorporação da Inter Meat Alimentos, com valores totalmente diferentes daqueles apresentados no Protocolo de Incorporação, conforme visto acima. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 10 9 Entre 13/04/2004 e 16/04/2004, a empresa, como vimos, apresentou DCTFs e DIPJs retifícadoras alterando significativamente os valores originalmente informados. Tal fato reforça a convicção da ocorrência de infrações fiscais que se configuram em sonegação fiscal, fraude e conluio capituladas nos artigos n° 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, (e legislação conexa), quando reiteradamente deixou de informar os valores corretos de faturamento em DCTF e DIPJ, o que ora passa a reconhecer. A espontaneidade, que poderia ser readquirida com o transcurso do prazo de 60 (sessenta) dias, sem a manifestação da autoridade fiscal (parágrafo 2o do artigo 7o do Decreto n° 70.235 de 1972), e a apresentação das declarações retifícadoras, só exclui a responsabilidade pelas infrações, consoante o artigo n° 138 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), quando acompanhadas do pagamento dos tributos devidos. Este fato não se sucedeu, pois o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento adicional ou fez pedido de parcelamento referente àquele período objeto das retificações (vide pesquisas de processos e pagamentos realizados pela empresa no período). Isto confirma que o único objetivo do contribuinte com a entrega das declarações retificadoras era de impedir o andamento normal da fiscalização, pois foi intimado diversas vezes a apresentar os documentos e livros fiscais e contábeis durante pelo menos 11 (onze) meses, entre julho de 2003 e junho de 2004, sem ter nunca apresentado os mesmos a esta fiscalização. Este é também o entendimento do Conselho de Contribuintes, manifestado através do Acórdão n° 10318716. (...) Verificados os fatos acima descritos, a legislação conexa, e, consoante o entendimento extraído do Acórdão n° 10320366 do Conselho de Contribuintes: “A não apresentação de Livros contábeis ou do Livro Caixa ambos acompanhados dos livros fiscais nos termos da legislação de regência, tange de imprestável a escrituração para apuração do lucro tributável.” Lavramos o presente Auto de Infração, com o arbitramento do lucro tendo por base a única documentação efetivamente conhecida que são as importações realizadas pelo mesmo através das Declarações de Importação (D.I.) registradas no Siscomex, referentes ao período entre julho de 1999 e dezembro de 2002 (inciso I do artigo n° 530 do RIR/99; arts 529,530 c/c 251, 253, 258, par. 1o; 259, 260, incisos I, II e III e parágrafos 1o, 2o e 3o , 265 e 266 , e n° 535 do RIR/99). São também pessoalmente responsáveis pelas infrações constantes do presente Auto de Infração, em decorrência dos fatos acima relatados, e à vista do artigo n° 137 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966: Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 11 10 Nome C.P.F. Gervásio Zerbinatti 019.430.06849 Alexandre Zerbinatti 134.760.64832 Fábio Zerbinatti 115.920.29825 Edna Paulino Lopes 097.320.38896 Leandro de Souza omissis Alfredo da Silva Lopes 079.934.24836 A fiscalização anexou ao Termo de Verificação planilha com os períodos e valores das declarações de importação que serviram de base à apuração do lucro arbitrado, visto que o Contribuinte não possuía ou apresentou escrituração contábil, embora estivesse sujeito ao regime de apuração trimestral do lucro real. O arbitramento, portanto, tomou como referência o valor das compras conhecidas, apurado a partir das importações de mercadorias relativas aos períodos sob fiscalização, conforme informações constantes do SISCOMEX. Para o cálculo do lucro foi aplicado o percentual de 0,4 (quatro décimos) sobre os valores apurados, conforme previsto no artigo 51, inciso V, da Lei n. 8.981/95. A partir desse montante foram lançados o imposto e o adicional devidos, acrescidos de juros e da multa de 225%, bem como os tributos reflexos. Somente a empresa apresentou impugnação, cujos argumentos foram, em síntese: 1. Que a apresentação de declarações retificadoras, ao contrário do que expõe a fiscalização, excluiria a responsabilidade por infrações e, daí, tornaria imprópria a imputação de qualquer espécie de multa, isso a teor do art. 138 do CTN. 2. Se a própria fiscalização anotou ter recebido “notas fiscais de compra dos meses de janeiro a abril e de julho a dezembro de 2002” (fl. 477), por que teria desconsiderado por completo tais informações e se fiado exclusivamente nos valores presentes em Declarações de Importação, afirmando, inclusive, ser esta a “única informação efetivamente conhecida” (fl. 477; destaque do original)? Aliás, tais Declarações de Importação nem constariam dos autos, "tampouco um único demonstrativo sequer do Siscomex" (fl. 478), fato que, a toda evidência, caracterizaria o cerceamento do seu direito de defesa. 3. Que seria uma ilação sem fundamento, além de pecar pelo cerceamento do direito de defesa que encerra, afirmar, sem demonstrar, que, a partir de informações prestadas pelo Banco de la Província de Buenos Aires sobre uma possível lista de clientes deste contribuinte e à conta de ausência de equivalentes informações nos registros da própria SRF, seria imediato assim concluir pela saída de produtos/mercadorias sem a emissão de notas fiscais. Esta linha de raciocínio, somada a outras Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 12 11 ponderações da fiscalização (apresentação de declarações retificadoras no curso do procedimento fiscal, suposta fraude na compra e venda de bem imóvel tendente a justificar aumento de capital), não seria suficiente para a anotação da multa de ofício exasperada. 4. Os supostos valores de importação, assim listados às fls. 462/463 do Termo de Constatação Fiscal, que serviriam de base para, daí, ao coeficiente de 0,4 (quatro décimos), estimar o lucro arbitrado, não seriam os mesmos então consignados nos autos de infração. Sobre este tópico, apresentou um quadro que demonstraria as divergências entre os valores mencionados no Termo de Verificação e aqueles utilizados no Auto de Infração, de fls (479/480). E prossegue: 5. Com respeito especificamente à fundamentação legal da autuação de IRPJ, isto é, o art. 535, inciso V, do RIR/99, ali consta a locução “valor das compras” como parâmetro sobre o qual haveria de incidir o coeficiente de 0,4 (quatro décimos) para se estimar o lucro arbitrado e não a expressão "custo das mercadorias adquiridas". Certo que, afirma o contribuinte, não se sabe de onde a fiscalização teria retirado o "valor das importações" (fl. 485) e, daí, impossível seria afirmar se tais valores corresponderiam ao conceito de compras; certo que, se existente, o montante de “tributos não recuperáveis devidos na importação e os gastos com desembaraço aduaneiro” (fl. 485) integraria o “custo das mercadorias adquiridas” (fl. 485); então de "compras", propriamente, não se cuida na listagem às fls. 479/480. 6. Com respeito às autuações de Contribuição ao PIS e de Cofins, pondera que, nos autos, inexiste base de cálculo própria para aquelas autuações. O próprio lucro, que foi (arbitrado, não poderia sêlo, nem, muito menos, o “custo de mercadorias importadas” (fl. 487), ao final, usado para tal desiderato. Contestou, ainda, a exasperação da multa de ofício, para 225%, e a utilização da taxa SELIC como referência para os juros de mora. Em sessão de 17 de agosto de 2005, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas, por maioria de votos, considerou procedente em parte os lançamentos. O crédito tributário mantido no voto vencedor preservou os lançamentos de IRPJ e CSLL, com a multa de 225%, mas afastou a exigência dos montantes lançados a título de PIS e COFINS, ante a inexistência de base de cálculo, dado que o arbitramento baseouse no volume de compras, sendo desconhecida a receita. Como a parte exonerada ultrapassou o limite de alçada, houve Recurso de Ofício, nos termos da legislação de regência. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 13 12 Todavia, como o Contribuinte retificou suas DCTF no curso da fiscalização, o valor por ele confessado e não pago (principal) foi mantido pela decisão de 1a instância. A interessada interpôs Recurso Voluntário no qual reproduz, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, assim sintetizados: a) A apresentação das declarações lhe confere o benefício da espontaneidade, o que exclui o agravamento da multa de ofício; b) O arbitramento é nulo, pois deveria se basear no valor de compras e não no custo das mercadorias adquiridas; c) Houve cerceamento de defesa, por força de alegações sem prova e inexistência de documentos; d) Houve divergência entre os valores do Auto de Infração e os do Termo de Verificação Fiscal; e) A base de cálculo para o PIS e a COFINS foi equivocada; f) É incabível a multa de 225%; g) A taxa SELIC seria inaplicável para o cálculo dos juros de mora. Junto com o Recurso, assim como ocorrera na impugnação, nenhum documento foi apresentado pela interessada. Em sessão de 10 de novembro de 2010, esta Turma, a partir do voto do Relator Regis Magalhães Soares de Queiroz decidiu converter o julgamento em diligência, para o seguinte fim: Deverá a autoridade oficiante cotejar os valores que foram objeto de autolançamento pelo contribuinte, mediante a apresentação de DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas entre os dias 13.4.2004 e 16.4.2004, apartando dos autos todos os fatos geradores que tenham sido objeto de autolançamento, antes mencionado, subindo a este CARF apenas os lançamentos realizados pela autoridade oficiante que não tenham sido objeto de autolançamento. Ocorre que os valores declarados pelo Contribuinte nas retificadoras seguiram o curso normal de cobrança, visto que não foram pagos ou inscritos em parcelamento. Todavia, parte dos valores inscritos em dívida ativa por força das novas DCTF, especificamente os relativos ao IRPJ do 3o trimestre de 1999 e o do 1o trimestre de 2000 foram objeto de lançamento no Auto de Infração aqui debatido. Assim, conforme despacho de fls. 853, fundado na Instrução Normativa RFB n. 786/2007, artigo 11, § 2o, III, a Delegacia de Jundiaí reconheceu que os débitos referentes a tais períodos não poderiam produzir efeitos, posto que as DCTF foram entregues no curso da fiscalização e, dessa forma, a sua inscrição era indevida. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 14 13 O referido despacho sugeriu que a Delegacia de São Bernardo do Campo, que detinha, à época, jurisdição sobre o Contribuinte, apartasse os autos para prosseguimento da parte não impugnada. A possibilidade de apartamento dos autos foi negada, conforme despacho de fls. 154 do processo n. 10880.502842/200518, que foi anexado aos autos. Em razão disso, novo despacho foi preferido de fls. 857, no qual se propôs a movimentação do processo de cobrança para a PFN, a fim de que fossem alterados os valores passíveis de cobrança em duplicidade, conforme tabela a seguir: Período Valor Original Valor em Duplicidade Saldo Devedor 1o trimestre 1999 R$ 47.405,47 R$ 47.405,47 3o trimestre 1999 R$ 9.386,65 R$ 9.386,65 1o trimestre 2000 R$ 136.501,70 R$ 136.501,70 Assim, por meio de novo despacho, de fls. 859/860, foram extintos os créditos em duplicidade e atualizados os sistemas da Receita Federal. Providências idênticas foram adotadas em relação aos demais tributos discutidos nestes autos, com a identificação dos valores em duplicidade objeto de cobrança em outros processos administrativos e a extinção dos valores indevidos. No caso da CSLL, a tabela de coincidências é a seguinte, conforme despacho de fls. 878: Período Valor Original Valor em Duplicidade Saldo Devedor 1o trimestre 1999 R$ 15.809,75 R$ 15.809,75 3o trimestre 1999 R$ 11.498,37 R$ 11.498,37 1o trimestre 2000 R$ 58.236,79 R$ 58.236,79 Em relação à COFINS dos períodos autuados e também confessados, temos o seguinte quadro: Período Valor Original Valor em Duplicidade Saldo Devedor Janeiro 1999 R$ 109.142,42 R$ 109.142,42 Fevereiro 1999 R$ 90.871,58 R$ 90.871,58 Março 1999 R$ 135.801,58 R$ 135.801,58 Abril 1999 R$ 68.896,82 R$ 68.896,82 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 15 14 Maio 1999 R$ 107.113,98 R$ 107.113,98 Junho 1999 R$ 102.502,46 R$ 102.502,46 Julho 1999 R$ 123.367,25 R$ 64.494,24 R$ 58.873,01 Agosto 1999 R$ 131.684,53 R$ 76.931,39 R$ 54.753,14 Setembro 1999 R$ 132.280,13 R$ 88.051,41 R$ 44.228,72 Outubro 1999 R$ 155.810,53 R$ 86.215,86 R$ 69.594,67 Novembro 1999 R$ 158.906,58 R$ 98.270,62 R$ 60.636,06 Dezembro 1999 R$ 171.380,72 R$ 107.771,97 R$ 63.608,75 Janeiro 2000 R$ 151.014,91 R$ 79.894,20 R$ 71.120,71 Fevereiro 2000 R$ 181.550,02 R$ 98.807,97 R$ 82.742,05 Março 2000 R$ 170.539,58 R$ 105.995,22 R$ 64.544,36 Abril 2000 R$ 166.478,22 R$ 111.663,33 R$ 54.814,89 Maio 2000 R$ 157.927,75 R$ 89.344,86 R$ 83.780,57 Junho 2000 R$ 145.082,26 R$ 96.926,19 R$ 48.156,07 Julho 2000 R$ 173.436,23 R$ 89.655,66 R$ 83.780,57 Agosto 2000 R$ 205.165,75 R$ 125.464,71 R$ 79.701,04 Setembro 2000 R$ 164.049,30 R$ 116.791,95 R$ 47.257,35 Outubro 2000 R$ 211.868,89 R$ 139.633,41 R$ 72.235,48 Novembro 2000 R$ 203.070,22 R$ 110.951,85 R$ 92.118,37 Dezembro 2000 R$ 270.921,29 R$ 161.348,31 R$ 109.572,98 Por fim, em relação ao PIS dos mesmos períodos, os valores são: Período Valor Original Valor em Duplicidade Saldo Devedor Janeiro 1999 R$ 35.471,29 R$ 35.471,29 Fevereiro 1999 R$ 19.688,84 R$ 19.688,84 Março 1999 R$ 29.423,71 R$ 29.423,71 Abril 1999 R$ 14.927,65 R$ 14.927,65 Maio 1999 R$ 23.208,02 R$ 23.208,02 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 16 15 Junho 1999 R$ 22.208,87 R$ 22.208,87 Julho 1999 R$ 26.729,57 R$ 13.973,75 R$ 12.755,82 Agosto 1999 R$ 28.531,65 R$ 16.668,47 R$ 11.863,18 Setembro 1999 R$ 28.660,69 R$ 19.077,80 R$ 9.582,89 Outubro 1999 R$ 33.758,95 R$ 18.680,10 R$ 15.078,85 Novembro 1999 R$ 34.429,75 R$ 21.291,94 R$ 13.137,81 Dezembro 1999 R$ 37.132,50 R$ 23.350,59 R$ 13.781,91 Janeiro 2000 R$ 32.719,90 R$ 17.310,41 R$ 15.409,49 Fevereiro 2000 R$ 39.335,83 R$ 21.408,39 R$ 17.927,44 Março 2000 R$ 36.950,24 R$ 22.965,63 R$ 13.984,61 Abril 2000 R$ 36.070,28 R$ 24.193,72 R$ 11.876,56 Maio 2000 R$ 34.217,68 R$ 19.358,05 R$ 14.859,63 Junho 2000 R$ 31.434,49 R$ 21.000,67 R$ 10.433,82 Julho 2000 R$ 37.577,85 R$ 19.425,39 R$ 18.152,46 Agosto 2000 R$ 44.452,59 R$ 27.184,02 R$ 17.268,57 Setembro 2000 R$ 35.544,02 R$ 25.304,92 R$ 10.239,10 Outubro 2000 R$ 45.904,93 R$ 30.253,90 R$ 15.651,03 Novembro 2000 R$ 43.998,56 R$ 24.039,56 R$ 19.959,00 Dezembro 2000 R$ 58.699,62 R$ 34.958,80 R$ 23.740,82 Em razão de todas as providências acima, o SECAT da Delegacia de Jundiaí elaborou parecer, de fls. 1002 e seguintes, no qual relaciona os débitos que foram declarados e excluídos da inscrição em dívida ativa da União, assim como os débitos lavrados por meio dos Autos de Infração ora sob análise, bem assim a parte mantida pela decisão de 1a instância. Diante de tais fatos, o parecer conclui que não é possível cumprir a determinação formulada pelo CARF, nos seguintes termos: 1. Tendo em vista que a manutenção integral dos lançamentos de IRPJ e CSLL pela DRJ/CPS teve como efeito o cancelamento dos débitos declarados relativos aos AC 1999 e 2000, remanesceram constituídos apenas os valores lançados em auto de infração. 2. Os valores de PIS e COFINS mantidos neste auto de infração pela DRJ/CPS, apenas com multa de mora, também foram Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 17 16 excluídos das inscrições em DAU relativas aos AC 1999 e 2000, remanescendo ativa apenas a parte não lançada de ofício. 3. Ademais, não seria possível restabelecer a cobrança dos valores declarados, pois que já excluídos da inscrição em Dívida Ativa. 4. A apartação do crédito tributário objeto de autolançamento não elidiria a duplicidade de débitos porventura existente, que poderia ser confirmada e eliminada justamente através do julgamento da presente lide. Isto posto, proponho o retorno do presente processo ao CARF/MF/DF, para ciência das considerações e dos fatos acima expostos, solicitando daquele órgão julgador reconsiderar ou ratificar a diligência formulada, esclarecendo, neste último caso, o procedimento a ser adotado por esta autoridade preparadora em relação à parte do crédito tributário cancelada em revisão de Dívida Ativa da União e à duplicidade de débitos porventura persistente. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como visto no relatório, a decisão a ser tomada neste julgamento engloba tanto as questões de fato e de direito envolvendo a conduta do Contribuinte e os correspondentes Autos de Infração como, também, os procedimentos necessários para a cobrança dos créditos porventura exigíveis, a fim de resguardar os interesses da Fazenda Nacional sem, contudo, onerar o interessado em duplicidade. Comecemos pelo mérito, dividindoo em tópicos. 1. Alegação de que a apresentação das declarações confere à Recorrente o benefício da espontaneidade, o que exclui o agravamento da multa de ofício Neste ponto não assiste razão à Recorrente. Em primeiro lugar, porque é assente no STJ o entendimento de que, na hipótese de tributos sujeitos a homologação, como no caso dos autos, a ausência de pagamento impede o benefício da espontaneidade previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 18 17 Além disso, as declarações de IRPJ e DCTF retificadoras foram apresentadas no curso da fiscalização, de tal sorte que não produzem qualquer efeito em relação aos lançamentos de ofício lavrados pela autoridade fiscal. Tal entendimento está sumulado no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ressaltese, ainda, que as declarações entregues não foram acompanhadas de qualquer pagamento ou pedido de parcelamento, razão pela qual os valores confessados foram, como visto no relatório, inscritos em dívida ativa da União. Portanto, não há como prosperar a alegação da Recorrente. 2. Nulidade do lançamento por arbitramento, que tomou como referência o valor das importações e não apresentou provas ou documentos, o que configuraria cerceamento de defesa Aduz a Recorrente que o montante das importações não poderia servir de referência para o arbitramento, além do que teria entregado à fiscalização notas fiscais de compras dos meses de janeiro a abril e de julho a dezembro de 2002. Neste passo, convém ressaltar que a Recorrente não apresentou, durante os trabalhos de fiscalização, qualquer dos documentos solicitados pela fiscalização, à exceção dessas poucas notas de compras, relativas a um pequeno período dentro dos anos sob análise, tanto assim que a conduta foi objeto de Auto de Infração por embaraço à fiscalização, conforme se depreende do documento de fls. 209 e seguintes. Ora, conforme atestado pela autoridade lançadora, a não apresentação dos livros e documentos previstos pela legislação exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530, do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (grifamos) (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifamos) Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 19 18 Nesse contexto, a total ausência de informações, inclusive sobre a receita da empresa, fez com que a autoridade lançadora utilizasse um dos critérios alternativos previstos na legislação, especificamente aquele consignado no inciso V, do artigo 535, do Decreto n. 3.000/99: Art.535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): (...) V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; (...) Não vislumbro qualquer obstáculo à conduta fiscal, até porque o entendimento contrário nos levaria à absurda situação de que qualquer contribuinte poderia se beneficiar do fato de simplesmente não oferecer à fiscalização nenhum documento sobre sua atividade. Ressaltese, por oportuno, que o valor movimentado pela empresa foi bastante significativo, com importações de dezenas de milhões de reais no período. Pareceme exótico o argumento de que a empresa não possuía contabilidade nem tampouco condições de apresentar os livros, ainda mais quando, já no curso da fiscalização, entregou DIPJ e DCTF retificadoras. Ademais, o fato de a autoridade fiscal não ter considerado as notas fiscais de compras apresentadas pela interessada foilhe nitidamente benéfico, pois tal montante, representativo de compras domésticas, poderia ser somado ao valor das importações para compor o total de mercadorias adquiridas a cada mês. O argumento da Recorrente, portanto, operaria efeitos contrários ao seu interesse e em nada macula os lançamentos efetuados. Também não pode prosperar o argumento de que as Declarações de Importação utilizadas como referência não foram indicadas pela autoridade lançadora, pois expressamente constam do processo, conforme extratos de fls. 354 a 395. Nesses documentos temos as importações consolidadas para o CNPJ do Contribuinte, com a indicação do número de DI e adições, bem como dos valores transacionados. Convém destacar que a ora Recorrente já fora autuada por não comprovar a origem dos valores que ensejaram os pagamentos de tão vultoso volume de importações. Não houve, portanto, qualquer nulidade quanto ao arbitramento nem tampouco cerceamento ao direito de defesa da Contribuinte. Neste ponto, portanto, não merece reparos a decisão recorrida. 3. Da suposta divergência entre os valores do Auto de Infração e os do Termo de Verificação Fiscal Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 20 19 Sobre a suposta divergência entre os valores tributados no Auto de Infração e aqueles indicados no Termo de Verificação, também não há margem para contestações, pois ao valor das importações foi adicionado o montante relativo ao Imposto de Importação, nos termos do que dispõe o artigo 289 do Decreto n. 3.000/99: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2o Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3o Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Portanto, o procedimento adotado pela fiscalização, além de possuir embasamento legal, certamente foi favorável ao Contribuinte, visto que sequer foram computados (porque desconhecidos) os valores a título de frete e seguros até o estabelecimento, bem como qualquer outra despesa aduaneira, que certamente incorreram nas hipóteses, mas não puderam ser demonstrados, ante a não apresentação de qualquer documento pela interessada. Certamente as notas fiscais de entrada, acaso disponíveis, trariam valores superiores àqueles apurados pela fiscalização. Portanto, descabe o argumento de que a fiscalização “estimou” as compras, pois, em verdade, utilizou um componente do total de compras (as importações, conforme declaradas no SISCOMEX) e apenas sobre tal montante calculou o arbitramento. Poderia, como já mencionado, ter somado as compras internas e outros custos, mas não o fez, o que só beneficiou a Recorrente. Não há de se falar, então, em iliquidez, presunção ou estimativa da base tributável, dado que as informações sobre importações são da lavra da própria empresa, tal como apresentadas no SISCOMEX. Nesse sentido, acolho os cálculos elaborados pela decisão de 1a instância, que demonstram os a sistemática dos valores lançados, conforme tabelas a seguir: Importação II pago Base para esti Lucro arbitrado, ﴾R$﴿ ﴾R$﴿ mar o lucro Lei n a 8.981/95, ﴾fls. 462/463; ﴾fls. 350/392﴿ arbitrado art. 51, inciso V: fls. 350/392﴿ ﴾1﴿ ﴾2﴿ ﴾3﴿=﴾1﴿+﴾2﴿ 40%* ﴾3﴿ jul/99 2.138.153,00 11.655,00 ago/99 2.564.380,00 0,00 set/99 2.935.047,00 0,00 7.649.235,00 3.059.694,00 out/99 2.873.862,00 0,00 nov/99 3.247.450,00 28.234,00 dez/99 3.592.399,00 0,00 9.741.945,00 3.896.778,00 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 21 20 jan/00 2.635.596,00 27.544,00 fev/00 3.290.404,00 3.195,00 mar/00 3.520.816,00 12.358,00 9.489.913,00 3.795.965,20 abr/00 3.711.373,00 10.738,00 mai/00 2.978.162,00 .. 0,00 jun/00 3.217.902,00 12.971,00 9.931.146,00 3.972.458,40 jul/00 2.988.417,00 105,00 ago/00 4.144.590,00 37.567,00 set/00 3.886.551,00 6.514,00 11.063.744,00 4.425.497,60 out/00 4.640.925,00 13.522,00 nov/00 3.692.965,00 5.430,00 dez/00 5.335.974,00 42.303,00 13.731.119,00 5.492.447,60 jan/01 5.342.468,00 41.671,00 fev/01 5.013.422,00 32.334,00 mar/01 5.158.984,00 41.862,00 15.630.741,00 6.252.296,40 abr/01 4.682.742,00 24.601,00 mai/01 4.350.235,00 15.323,00 jun/01 4.723.156,00 29.987,00 13.826.044,00 5.530.417,60 jul/01 3.561.880,00 65.658,00 ago/01 3.502.101,00 21.299,00 set/01 3.678.540,00 55.243,00 10.884.721,00 4.353.888,40 out/01 5.742.162,00 105.500,00 nov/01 3.183.790,00 28.470,00 dez/01 3.359.908,00 15.141,00 12.434.971,00 4.973.988,40 jan/02 2.990.674,00 13.404,00 fev/02 4.439.736,00 36.669,00 mar/02 4.945.948,00 26.019,00 12.452.450,00 4.980.980,00 * abr/02 4.462.294,00 27.601,00 mai/02 4.618.238,00 31.294,00 jun/02 3.586.904,00 14.212,00 12.740.543,00 5.096.217,20 jul/02 6.201.192,00 23.883,00 ago/02 3.539.783,00 24.225,00 set/02 2.795.601,00 4.926,00 12.589.610,00 5.035.844,00 out/02 3.929.061,00 31.607,00 nov/02 3.435.563,00 2.870,00 dez/02 4.798.602,00 8.881,00 12.206.584,00 4.882.633,60 4. Da multa agravada de 225% O Recurso Voluntário apenas questiona o agravamento da multa de 225%. Literalmente (vide fls. 742) a única frase de defesa, quanto a este tópico, diz: É indevida a aplicação da multa agravada de 225%, exagerada em qualquer hipótese e particularmente incabível ao caso em tela. Na sequência, a peça recursal cita um julgado deste Conselho, no sentido de que a exasperação da multa é incabível quando não restar, no processo, plenamente caracterizada a recusa do contribuinte. Pois bem. Conquanto os argumentos sejam bastante singelos, entendo pertinente a objeção da Recorrente. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 22 21 A leitura dos autos nos permite observar que existem diversas respostas às intimações efetuadas pela fiscalização. Não há, todavia, intimações específicas para a prestação de esclarecimentos, embora a capitulação legal para a multa agravada tenha como fundamento o artigo 44, II, § 2o, da Lei n. 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos: § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) a) prestar esclarecimentos;(Incluída pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) Conquanto a Contribuinte tenha deixado de apresentar praticamente todos os documentos para os quais fora devidamente intimada, o que ensejou a tributação por meio de arbitramento, a partir do valor das compras, entendo que não se concretizou, de forma cabal, a circunstância prevista no dispositivo acima transcrito, de forma que a multa agravada deve ser afastada, reduzindo a exação de 225% para 150%. 5. A taxa SELIC seria inaplicável para o cálculo dos juros de mora No que respeita à utilização da SELIC a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que restam afastados os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 6. Base de cálculo para o PIS e a COFINS Recurso de Ofício O Recurso de Ofício tem como fundamento a exoneração dos valores lançados pela autoridade fiscal, acrescidos de juros e multa agravada, a título de PIS e COFINS. A decisão recorrida entendeu que não podem subsistir as autuações do PIS e da COFINS quando o arbitramento é realizado com base no volume de compras, posto que a receita seria desconhecida e somente esta poderia servir de referência para o cálculo de tais contribuições. Assim se manifestou o voto vencedor: Quanto às exigências reflexas da Contribuição ao PIS e da COFINS, de fato, não é possível, em sede de julgamento, inovar Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 23 22 o feito e, em prejuízo à defesa do autuado, estabelecer, aqui, a presunção de omissão de receitas a partir das importações ocorridas nos períodos autuados, haja vista que a Fiscalização apenas reportase indiretamente a tal circunstância quando conclui pela obrigatoriedade de apuração do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro real. Ao focar o arbitramento nas compras, sob o argumento de ausência de elementos confiáveis para determinação da receita auferida no período, restaram superficialmente abordados aspectos como a falta de emissão de notas fiscais e a não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação, razão pela qual não se prestam como indícios para a construção da presunção de omissão de receitas. Ao contrário do que foi decidido em 1a instância, entendo que a autoridade fiscal expressamente consignou a omissão de receitas no Auto de Infração, como se pode depreender dos documentos de fls. 420 (PIS) e 432 (COFINS). Nesse sentido, considero pertinentes os lançamentos reflexos efetuados, baseados em presunção de omissão de receitas. Nada obstante, não podemos olvidar que, durante o curso da fiscalização, a interessada retificou suas declarações (inclusive DCTF) e, nesse sentido, confessou débitos que não foram pagos ou indicados para parcelamento, nos termos do artigo 5o, § 1o, do DecretoLei n. 2.124/84. Todavia, a Instrução Normativa SRF n. 1.110/2010 estabelece: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 24 23 Portanto, as DCTF apresentadas devem ser desconsideradas, bem como eventuais créditos nelas confessados, mantendose, integralmente, o montante originalmente lançado a título de PIS e CONFINS, com os acréscimos legais. Conclusões Em razão dos fatos e argumentos apresentados voto por: a) Manter integralmente os lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL. Assim, os valores controlados e exigidos a partir deste processo serão os constantes do Auto de Infração, além dos acréscimos legais, conforme aqui decidido. Tomo, como referência para a cobrança desses tributos, as tabelas elaboradas pela autoridade diligenciante, às fls. 1.004 do processo eletrônico: IRPJ Trimestre Valor Declarado Original Valor Declarado Retificado Saldo a Pagar Informado Valor Lançado Saldo Inscrito em DAU, após Revisão Valor em Duplicidade 3°/1999 7.850,92 9.386,65 9.386,65 758.923,50 4°/1999 11.007,56 968.194,50 1°/2000 11.505,55 136.501,70 136.501,70 942.991,30 2°/2000 10.402,56 987.114,60 3°/2000 13.156,90 1.100.374,40 4°/2000 1.367.111,90 Trimestre Valor Declarado Original Valor Declarado Retificado Saldo a Pagar Informado Valor Lançado Saldo Inscrito em DAU Valor em Duplicidade 1°/2001 16.868,04 1.557.074,10 2°/2001 16.151,43 1.376.604,40 3°/2001 15.674,03 1.082.472,10 4°/2001 15.789,20 1.237.497,10 1°/2002 14.721,94 337.880,40 337.880,40 1.239.245,00 337.880,40 337.880,40 2°/2002 15.721,40 1.268.054,30 3°/2002 17.370,84 1.252.961,00 4°/2002 18.909,36 1.214.658,40 CSLL Trimestre Valor Declarado Original Valor Declarado Retificado Saldo a Pagar Informado Valor Lançado Saldo Inscrito em DAU, após Revisão Valor em Duplicidade 3°/1999 2.825,86 11.498,37 11.498,37 367.163,28 4°/1999 3.741,66 467.613,36 1°/2000 10.406,81 58.236,79 58.236,79 373.591,31 2°/2000 8.857,39 357.521,25 3°/2000 10.344,73 398.294,77 4°/2000 494.320,27 Trimestre Valor Declarado Original Valor Declarado Retificado Saldo a Pagar Informado Valor Lançado Saldo Inscrito em DAU Valor em Duplicidade 1°/2001 12.348,74 562.706,67 2°/2001 11.961,77 497.737,57 3°/2001 11.703,98 391.849,95 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13839.001390/200466 Acórdão n.º 1201001.128 S1C2T1 Fl. 25 24 4°/2001 11.766,17 447.658,95 1°/2002 11.189,85 122.365,94 122.365,94 448.288,20 122.365,94 122.365,94 2°/2002 11.830,80 458.659,54 3°/2002 12.620,26 453.225,96 4°/2002 13.451,06 439.437,01 A fim de se evitar a cobrança em duplicidade, devem ser cancelados da Inscrição em Dívida Ativa os valores de IRPJ e CSLL relativos ao 1o trimestre de 2002, conforme tabelas acima, mantendose o curso de cobrança de todos os créditos controlados neste processo, nos termos aqui decididos. b) Reduzir a multa relativa aos lançamentos do IRPJ e da CSLL acima mantidos, de 225% para 150%; c) Manter integralmente os lançamentos efetuados a título de PIS e COFINS, com especial atenção para se evitar a cobrança em duplicidade, levandose em consideração as tabelas elaboradas pela autoridade diligenciante. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU LHE PARCIAL provimento, para reduzir a multa de 225% para 150% e, quanto ao Recurso de Ofício, também o CONHEÇO, para DARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 11065.000605/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.517
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-13T14:07:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-13T14:07:46Z; Last-Modified: 2015-04-13T14:07:46Z; dcterms:modified: 2015-04-13T14:07:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-13T14:07:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-13T14:07:46Z; meta:save-date: 2015-04-13T14:07:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-13T14:07:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-13T14:07:46Z; created: 2015-04-13T14:07:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-04-13T14:07:46Z; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-13T14:07:46Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 1.128 1 1.127 S2-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000605/2009-17 Recurso nº 99.999Voluntário Resolução nº 2301-000.517 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de diligência Recorrente LUCACUCA CALÇADOS LTDA. Recorrida DRJ EM PORTO ALEGRE/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR –Relator. EDITADO EM: 13/04/15 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Adoto o relatório constante do Acórdão n. 10-33.176 – 7ª Turma da DRJ/POA, de 20/07/2011 [fls. 562/570]: O presente lançamento decorre do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 10.1.07.00-2008-00441 e prorrogações que determinou a ação fiscal na Lucacuca Calçados Ltda, CNPJ n° 05.880.843/0001-43. Na mesma ação fiscal foram emitidos os seguintes Autos de Infração - A I : 1) AI Debcad n° 37.169.751-4 relativo as contribuições devipas a terceiros: INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.129 2 2) AI Debcad n° 37.169.749-2 relativo as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais; 3) AI Debcad n° 37.169.738-7 relativo ao descumprimento de obrigação acessória: deixar de apresentar a GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. O crédito previdenciário constituído no presente AI, no valor de R$1.604.888,21 (um milhão seiscentos e quatro mil oitocentos e oitenta e oito reais e vinte e um centavos), consolidado em 08/09/2009, refere- se a contribuição a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laboratíva de Riscos Ambientais do Trabalho - GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Segundo o Relatório da Atividade Fiscal - RAF foram omitidas as remunerações de segurados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, além de informada a alíquota incorreta do GILRAT. Através da análise dos contratos sociais da Lucacuca Calçados Ltda (CNPJ n° 05.880.843/0001-43), Calçados Star Jader Ltda (CNPJ n° 94.144.979/0001-15) e Calçados Carvelli Ltda (CNPJ n° 08.721.787/0001-92), doravante também denominadas Lucacuca, Star Jader e Carvelli, foi identificado que na composição societária destas três empresas os sócios possuem grau de parentesco muito próximo. A Sra. Santa Alvete da Silva, sócia da Lucacuca e da Star Jader, é esposa de Clébio A. da Silva, irmão de Angelita da Silva e cunhado de Arlete Teresinha Freotas dos Santos, ambas sócias da Lucacuca. A Sra. Eveni da Silva é mãe de Vanda Maria da Silva (sócias da Carvelli), Clébio Antônio da Silva e Angelita da Silva (sócios da Lucacuca). Informa, ainda, o RAF que o Sr. Clébio Antônio da Silva possui procuração da Star Jader que lhe confere amplos poderes de gestão sobre a empresa outorgante. A Sr3 Santa Alvete da Silva é responsável pela administração da Lucacuca e da Star Jader, exercendo suas funções na Seção Administrativa, comum às duas empresas. Conclui, a auditoria fiscal, que as decisões sobre os negócios das três empresas são tomadas pelas mesmas pessoas, ligadas por laços familiares. A auditoria constatou que as três empresas funcionam no mesmo endereço da autuada, ou seja, na Rua Espírito Santo n° 122 em Sapiranga - RS. Embora a Carvelli, tenha registrado no contrato de fundação a sede na Rua Major Bento Alves n° 3260, sala 02, Bairro Amaral Ribeiro, Sapiranga-RS, através da alteração contratual de 28/07/2008 passou a ter sede na Rua Espírito Santo n° 122, Sapiranga- RS. A auditoria informa que foram verificados os responsáveis pela energia e IPTU, no endereço de fundação da Carvelli Calçados Ltda, constatando que os responsáveis nunca tiveram vínculo com a empresa. Informa a fiscalização que da análise da escrituração contábil da autuada detectou que as três empresas estão sendo utilizadas de tal forma que desaparece a individualidade dos objetivos das pessoas jurídicas, assim como se confundem os objetivos sociais. A Carvelli Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.130 3 Calçados Ltda presta serviços somente à autuada e sua receita depende integralmente desta. Não há qualquer patrimônio imobilizado informado no Balanço Patrimonial da Carvelli. Conclui que a Carvelli utiliza máquinas e equipamentos da Lucacuca e/ou Star Jader, para atingir seu objetivo social, cujos custos de depreciação e matéria- prima são suportados pela Lucacuca e Star Jader. Não há registros na contabilidade da Carvelli Calçados Ltda de despesas com aluguéis, energia ou qualquer outro custo fabril, necessário à atividade industrial. Informa que a Carvelli desenvolve suas atividades no endereço da Lucacuca e que os repasses desta àquela são para saldar compromissos decorrentes de salarios e encargos. Infere, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, que 97,27% do custo da Carvelli corresponde a pessoal, evidenciando total dependência da autuada. Também informa que, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, a receita bruta da Star Jader Ltda é oriunda de atos comerciais praticados com a Lucacuca Calçados Ltda. Quanto as relações trabalhistas, informa que houve transferência da mão-de- obra da Star Jader e da Lucacuca para a Carvelli (04/2007) e que, em 12/2007, a folha de pagamentos estava concentrada nesta última (121 segurados), enquanto a Star Jader tinha 14 segurados e a Lucacuca 41. Também foi verificado, no inicio do procedimento fiscal, que os segurados da linha de produção da autuada vestiam uniformes da Carvelli, embora exercendo suas atividades nas dependências da Lucacuca Calçados Ltda. Ao entrevistar operários no endereço da autuada, o auditor defrontou-se com segurados empregados das outras empresas, prestando serviços na Lucacuca. Menciona o caso do Sr. Célio Rogério Muller que se identifica como Gerente Comercial do Grupo Lucacuca e, no seu cartão de apresentação, consta o telefone da Calçados Star Jader Ltda. Tal situação se repete com os segurados da seção administrativa que ocupam espaço no prédio da Calçados Star Jader Ltda. A segurada Caroline Büttenbender é responsável pela emissão de notas de saída das três empresas, embora registrada na Calçados Star Jader Ltda., Valdivia Luiza Fáber é responsável pela administração dos recursos humanos das três empresas, mas está registrada na Star Jader: data de admissão em 07/06/2004 e demissão em 02/07/2007. Descreve outras situações que comprovam a mistura de empregados entre as empresas Lucacuca Calçados Ltda., Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Aduz, ainda, que decisões importantes, como as ordens de produção para o mercado externo da autuada, eram tomadas por empregados da Star Jader. Por fim, informa que a Carvelli Calçados paralisou suas atividades em 01/2009 e a Star Jader em 04/2009 e que os créditos previdenciários foram extraídos das folhas de pagamentos das supostas prestadoras no período de 01/2004 a 12/2007. A partir dos elementos descritos, a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Conclui que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.131 4 empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Assim sendo, considerando que a fiscalizada adotou procedimentos que simulam situações que não representam a realidade dos fatos, em relação a contratação de mão-de- obra, com o objetivo claro de reduzir tributos, foi lavrado o presente lançamento. Foi utilizado para contagem do prazo decadencial o previsto no inciso artigo 173 do Código Tributário Nacional - CTN. A autuada apresentou impugnação tempestiva em 28/10/2009 alegando que é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a indústria, comércio, importação e exportação de calçados em geral, componentes de couro, etc; que sua atividade preponderante é a atividade exportadora e que começou a exercê-la em 01/10/2003. Presume pelo lançamento que foram desconsideradas as relações de emprego existente entre os empregados das empresas prestadoras de serviços: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., "transformando a relação de emprego das empresas terceirizadas em mão-de-obra contratada diretamente pela impugnante". Argumenta que, sem comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário ou qualquer procedimento do sujeito passivo que configure infração a legislação, o auditor considerou simulação a relação de emprego nas atividade produtivas das empresas terceirizadas. Disto resultou a lavratura de auto de infração em relação as contribuições patronais (20%) e o SAT/RAT - Seguro Acidente do Trabalho/Riscos Ambientais do Trabalho (2%) com base na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais de duas das empresas que prestaram serviços à impugnante. Aduz que o fiscal autuante enquadrou, por simples presunção, os operários das contratadas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda como empregados da autuada, sem atentar para as relações de emprego pré-existentes e recolhimentos efetuados. Em razão disto, autuou a impugnante por não informar na Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações para a Previdência Social - GFIP a remuneração dos segurados das contratadas, considerados pela fiscalização como segurados da autuada. Alega que o Auto de Infração é nulo por não observar o previsto no parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, publicada no Diário Oficial da União - D.O.U. de 20/12/2007, ou seja, extinto o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 10.1.07.00-2008- 00369 em 08/04/2008, este não poderia ser fundamento para o lançamento e, tampouco, terem sido indicados os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – AFRFB Eduardo Godoy Correa e Paulo Fernando Aprato Reuse no MPF n° 10.1.07.00-2008-00441, expedido em 09/05/2008, não citado no relatório fiscal, por terem executado o primeiro MPF. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.132 5 Logo, considera nulos os atos praticados por estes auditores por estarem impedidos pelo artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, combinado com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 e inciso I do artigo 59 do CTN. Afirma que a fiscalização da Receita Federal do Brasil - RFB não é competente para reconhecer a relação de emprego, reservada ao Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, através dos seu auditores, conforme previsto na Lei n° 10.593/2002. Segundo a impugnante, o fiscal autuante deixou de demonstrar, explicitamente, os pressupostos da relação de emprego entre a autuada e os supostos empregados, principalmente quanto a subordinação, o que torna nulo o lançamento por falta de comprovação do fato gerador da infração, cerceando o seu direito de defesa. Afirma que, embora a autoridade fiscal tenha desconsiderado apenas os atos negociais, presume que tenha sido desconsiderada a relação de emprego, o que não pode ser feito, em relação a pessoa jurídica, sem prova robusta e concreta dos pressupostos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Aponta como falha do Relatório Fiscal, não ter, o auditor, demonstrado de forma clara os pressupostos da relação de emprego dos segurados das prestadoras com a impugnante. Aduz que não há indicação precisa das circunstâncias em que foi praticada a infração e sua extensão, consoante determinam os artigos 10, inciso III e 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal - PAF. Conclui que o relatório apresenta vícios sob o argumento de que "foram desconsiderados os atos negociais e o lançamento trata de contribuições sociais". Aduz, ainda, em prol da nulidade, que não foi demonstrado o nexo causal existente entre o fato e o direito de lançar as contribuições como devidas e, portanto, passível de anulação, com base no disposto no parágrafo I o do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Faz referência à falta de discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias consoante ao artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e artigos 243 e 293 do Decreto n° 3.048/99 (RPS). Entende que o auto de infração é nulo por conter vício insanável e por inobservância do direito de defesa do contribuinte (Inciso II do artigo 59 do PAF). Neste sentido, transcreve julgados do Conselho de Contribuintes que corroboram a existência de vício material. Alega que o lançamento não observou o prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados do fato gerador da obrigação, posto que sujeito a homologação, conforme previsão do parágrafo 4 o do artigo 150 do CTN. Conclui que o fisco não poderia lançar valores anteriores a 30/09/2004, logo, não sendo passíveis de lançamento as competências 01/2004 a 09/2004. Reitera a alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/2006-75 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pelo impugnante, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.133 6 acompanhadas pela autuada. Disto, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Reafirma a incompetência do AFRFB para desconsiderar o vincula empregatício entre os segurados e as empresas: Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda. Disto, conclui que foi ilegal o procedimento adotado pelo auditor da RFB, por extrapolar as atribuições inerentes a sua função. Aduz que a competência administrativa para desconsiderar relações de trabalho é do MTE, conforme previsto no artigo 11 da Lei n° 10.593/2002, ratificado pelas alterações da Lei n° 11.941/2009 que deu nova redação ao artigo 33 da Lei n° 8.212/91. Argüi, ainda, que a competência para julgar litígios referentes às relações de trabalho é da Justiça do Trabalho, consoante o que preceitua o inciso VII do artigo 114 da Constituição Federal - CF. Menciona a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho - TST, para concluir que é lícita a terceirização das atividades desempenhadas pelas empresas prestadoras sob o argumento de que não há ingerência por parte da tomadora e que os serviços das prestadoras são atividades meio e não se confundem com a sua atividade fim. Aduz que, em relação a desconstituição da relação jurídica entre as prestadoras e a tomadora, por suposta simulação da industrialização por encomenda, a autoridade fiscal deixou de atentar para o que segue: 1) não há ilegalidade quanto a composição societária das empresas posto que o grau de parentesco entre os sócios não é empecilho legal a sua constituição; 2) não é ilegal o estabelecimento de empresas que prestam serviços por encomenda junto com a tomadora pois decorre de mera questão de logística; 3) não há vedação a utilização de máquinas e equipamentos sob a forma de comodato, entre pessoas jurídicas, pratica comum na industrialização por encomenda; 4) não observou o relatório fiscal, de forma pontual e realística, os pressupostos que caracterizam a relação de emprego. Alega que a autoridade fiscal não lhe pode negar a escolha da opção fiscal menos onerosa, na condução dos seus negócios, posto que ninguém é obrigado, ao conduzir seus negócios, escolher caminho, meio, forma ou os instrumentos que resultem em maior onus fiscal. Assim sendo, entende que não há razão para que seja desconsiderada a relação jurídica entre as prestadoras e a impugnante. Os motivos apontados pela auditoria fiscal constituem técnicas industriais e comerciais contemporâneas. As prestadoras são pessoas jurídicas distintas com personalidade própria e legalmente constituídas. Também afirma que as contribuições previdenciárias patronais e o Seguro Acidente do Trabalho, referente às folhas de pagamentos das empresas Calçados Star Jader Ltda. e Calçados Carvelli Ltda., foram recolhidas na forma do SIMPLES, opção adotada por estas empresas. Conclui que não há a possibilidade de novo recolhimento tendo em vista que as empresas citadas já o efetuaram, integralmente, conforme comprovam os documentos que anexa: DARF - SIMPLES, Documento de Arrecadação Simplificada - DAS e Consulta Conta- Corrente de Estabelecimento - CCOR. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.134 7 Conclui, com base no Inciso I do artigo 156 do CTN que os créditos tributários foram extintos pelo pagamento , logo não podem ser exigidos novamente. Requer sejam reconhecidos os recolhimentos efetuadas pelas prestadoras e declarado nulo o Auto de Infração. Quanto aos atos negociais, alega que ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas, regularmente constituídas, a autoridade fiscal não fez qualquer referência ao disposto no artigo 116, parágrafo único do CTN, popularmente chamada de "norma antielisão" e que não foi comprovado o dolo e a fraude, necessidade consagrada na jurisprudência pertinente. A definição do sujeito passivo da obrigação é norma reservada à lei, não podendo o administrador alterá-la, definindo novo contribuinte para o tributo, já recolhido. Por outro lado, para desconsideração de ato jurídico é necessário comprovar que o ato negocial praticado deu-se na direção contrária da norma legal com o objetivo de excluir ou modificar as relações de trabalho. O pressuposto à desconsideração requer que ocorra dissimulação, fraude e dolo para a aplicação da norma antielisiva. Na ausência dos elementos comprobatórios, consubstanciados no Relatório da Atividade Fiscal, as relações de emprego não podem ser alteradas por mera presunção fiscal, ou seja, considerados empregados das terceirizadas como da impugnante, sem a demonstração das relações de emprego: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Não apresenta o relatório fiscal, provas concretas , objetivos claros e sólidos que demonstrem a intenção da impugnante de simular a terceirização da produção por encomenda. Quanto a multa aplicada no lançamento, insurge-se a autuada, com o argumento de que lhe foi imputada a multa mais gravosa (75%) que teria aplicação, somente, a partir de 12/2008 e, portanto, equivocada em relação ao presente lançamento fiscal. Aponte incongruências no lançamento, na medida que não reconhece a ocorrência de recolhimentos ou pagamento de contribuições, ausência de declaração na GFIP ou declaração inexata, não comprovadas no Auto de Infração. Conclui que não sendo devido o tributo, nada há que lhe ser cobrado a título de multa e juros. Aponta como incongruência do Relatório da Atividade fiscal - RAF, o fato da fundamentação legal não estar de acordo com a legislação da época. Aduz que o RAF é omisso em relação ao nexo causal da aplicação da multa, ou seja, não aponta as razões da infração e que foi aplicada a multa mais gravosa de 75%, quando a lavratura deveria ser feita com a penalidade menos severa, resultante da comparação da multa de ofício do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma das multas de mora do inciso I do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, mais a multa prevista no parágrafo 5 o do artigo 32 da mesma lei, aplicando-se a mais benéfica. Questiona que ficou impossibilitado de apresentar defesa ao quesito "multa aplicada", na medida que, mesmo havendo na legislação um limitador de 30%, a autoridade fiscal aplicou a multa mais severa. Aponta que em algumas competências, "sem qualquer lógica", foi aplicada a multa do artigo 35, inciso I da Lei n° 8.212/91, não havendo fundamentação legal expressa, sendo vício de natureza Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.135 8 insanável, o que impõe a nulidade do AI. Alega que a aplicação da multa, ora 75% ora 24%, propicia o "caos jurídico", impossibilitando o exercício da ampla defesa pelo desconhecimento do que quer externar a autoridade autuante. Neste sentido, aponta a falta de demonstração através de comparativo numérico que identifique ser a multa aplicada a mais benéfica ao contribuinte, o que caracteriza falta de motivação, o que levaria a anulação do lançamento com base no parágrafo I do artigo 50 da Lei n° 9.784/99. Conclui que, sendo aplicada a multa de 75%, sobre as "supostas" infrações, presume ser a mais benéfica, o que não admite posto que ao aplicar-se a legislação da época, estaria limitada a 30%, seja pela capitulação legal de regência, seja pela impossibilidade legal de retroação da lei mais gravosa. Acusa erros na capitulação legal da infração, transcrevendo o artigo 293 do Decreto n° 3.048/99, sob o argumento de falta de descrição e fundamentação adequada ao caso. Conclui que ao não demonstrar a efetividade da multa mais benéfica (artigo 106, II, "c" do CTN), não foi observado o direito da ampla defesa do contribuinte, consoante o inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, constituindo vício insanável, o que enseja a nulidade do presente A I . Ressalta que, ao não aplicar o percentual de 30% previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a redação vigente à época em detrimento da multa de 75% introduzida pela Medida Provisória - MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 que introduziu a multa de ofício do artigo 35-A de 75%, não foi observado o principio da retroatividade da legislação mais benéfica ao contribuinte sobre fatos não julgados, conforme previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Aduz que foi autuado, através do AI DEBCAD 37.205.959-0, Processo n° 11065.001006/2009-11, pelo auditor Eduardo Dias Porto, em período concomitante, aplicando a multa branda de 30%. Pelo exposto requer a nulidade do AI por não ter sido aplicada a retroatividade benigna e por erro na capitulação e fundamentação legal da multa aplicada ao AI. Manifesta, ainda, sua inconformidade com a aplicação da taxa SELIC ao lançamento em razão da inconstitucionalidade e ilegalidade de sua utilização sobre débitos tributários, cuja espécie prevê a aplicação do parágrafo I o do artigo 161 do CTN. Frente a todo o exposto requer: a) que seja reconhecida a presente impugnação; b) seja declarado nulo o AI n° 37.169.748-4; c) seja declarada a improcedência do lançamento e cancelado o AI n° 37.169.748-4, tendo em vista que as contribuições patronais exigidas já foram recolhidas, integralmente, pelas empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda., de acordo com o respectivo sistema de tributação adotado; d) retificação do lançamento observando a aplicação da multa menos gravosa; e) produção de todos os meios de prova , no que tange a diligências e perícias, eventualmente necessárias e; f) seja dada ciência de todo e qualquer ato referente ao Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.136 9 presente, ao contribuinte e seus advogados, no endereço constante na procuração. Em 20/07/2011, foi prolatado decisum administrativo que julgou procedente a autuação [fls. 561/579]: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 0 1 / 0 1 / 2 0 0 4 a 3 1 / 1 2 / 2 0 0 7 A I D E B C A D N ° 3 7 . 1 6 9 . 7 4 8 - 4 DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. REFLEXO NA TRIBUTAÇÃO A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, desconsiderando os atos jurídicos simulados e exigindo o tributo de quem teve relação direta com o fato gerador. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A atuação da autoridade lançadora se deu em conformidade com o estabelecido pela administração tributária, na forma do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF. Portanto, o ato de lançamento foi praticado por autoridade competente, no exercício regular de sua atividade. Código de acesso ao MPF informado no Termo de Início do Procedimento Fiscal. DECADÊNCIA No caso de tributos sujeitos a homologação quando comprovada a fraude ou simulação aplica-se o inciso I do artigo 1 7 3 do Código Tributário Nacional - CTN. MULTA MAIS BENÉFICA No lançamento de contribuições previdenciárias até a competência 11/2008, deve ser observada a penalidade menos gravosa entre a prevista no artigo 3 5 - A da Lei n° 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 1 1 . 9 4 1 / 2 0 0 9 e a multa do inciso II do artigo 3 5 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 com a redação da Lei n° 9 . 8 7 6 / 9 9 somada a do parágrafo 5 O do artigo 3 2 do mesmo diploma legal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE Salvo algumas situações específicas, a legislação expressamente veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. PRODUÇÃO DE PROVAS Não há como acatar o pedido de diligência tendo em vista que não atende ao inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação da Lei n° 8.748/93. A produção de provas, no processo administrativo, é feita juntamente com a impugnação. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.137 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No dia 05/08/2011, o representante do sujeito passivo foi cientificado do Acórdão acima numerado, tendo interposto recurso voluntário em 01/09/2011. Ressalte-se que o objeto do recurso foi o mesmo da defesa apresentada junto a DRF. É o relatório. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 225; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. IDILIGÊNCIA Após realizar a leitura e revisão dos documentos juntados pela RFB e pelo sujeito passivo ao logo desta marcha processual, verifica-se que a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. por concluir que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Segundo consta do relatório fiscal, a RFB utilizou-se também das informações colhidas em outro processo [n. 11065.100498/2006-75] para afastar a identidade das pessoas jurídicas, conforme se observa abaixo: Fl. 136 […] Através de informações obtidas do relatório constante do processo 11065.100498/2006-75 (anexo III) e cópia dos documentos de identidade (RG) e CPF, relaciono abaixo o grau de parentesco entre os sócios componentes das empresas: Lucacuca, Star Jader e Carvelli. Em contraponto, a ora Recorrente suscitou – em sua impugnação - cerceamento do direito de defesa: Fl. 868 [...] A autoridade fiscal afirma, em fl. 4 do seu relatório, ter obtido informações no processo n.° 11065.100498/2006-75, bem como em fl. 9 e 10 afirma ter entrevistado várias pessoas. O processo citado a impugnante desconhece e, as entrevistas, se efetivamente foram feitas, não houve o acompanhamento da impugnante. Ou seja, houve alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/2006-75 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pela Recorrente, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram acompanhadas pela autuada. Dito, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Analisando o Relatório da Ação Fiscal do processo n. 11065.100498/2006-75 verifico que os elementos daquela acusação se assemelham aos que aqui serão analisados [fls. 306]: […] Reunindo os fatos expostos, é flagrante a inexistência de separação entre fiscalizada e Calçados Star Jader como unidades Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11065.000605/2009-17 Resolução nº 2301-000.517 S2-C3T1 Fl. 1.138 11 empresariais, ficando evidente a existência daquela como mero órgão desta, ou seja, as duas constituem uma única entidade. Assim sendo, uma vez provado que o contribuinte não constitui uma entidade distinta da empresa-mãe, a fiscalizada não pode se creditar de PIS e COFINS em relação aos serviços de mão-de-obra adquiridos deste fornecedor por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (Leis 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o : "não dará direito a crédito (...) o valor de mão-de- obra paga a pessoa física"). Isto posto, consideramos necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados por Calçados Star Jader Ltda para Lucacuca Calçado Artesanal Ltda (notas fiscais 3035, 3054, 3076, 3090, 3103, 3111, 3128, 3148 e 3159 cujas cópias se encontram as para efeitos de gerar créditos de PIS e COFINS. Dito isso e diante da necessidade de esclarecer o desfecho do processo n. 11065.100498/2006-75 – não consta dos autos o resultado final – com o objetivo de permitir a formação do convencimento deste julgador, CONVERTO o julgamento em diligência para que a Receita Federal do Brasil-RFB faça juntar ao presente cópia integral dos autos do processo n. 11065.100498/2006-75 e informação quanto ao resultado final do referido. Após o cumprimento, deverá o sujeito passivo ser intimado para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 [quinze] dias em face dos documentos juntados. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR –Relator. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11968.000608/2008-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/04/2008, 28/04/2008, 12/05/2008, 14/05/2008, 16/05/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 06 08 /2 00 8- 98 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 3 2 denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ no Recife (PE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2008, 28/04/2008, 12/05/2008, 14/05/2008, 16/05/2008 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 25/04/2008, 28/04/2008, 12/05/2008, 14/05/2008, 16/05/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000608/200898 Acórdão n.º 3801004.830 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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