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7826104
# Numero do processo: 10183.003755/2006-12
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRI l'OR: RURAL -
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Demonstrada a existência de área de reserva legal, antes do fato gerador,
correta a retirada dela da base de calculo do imposto.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO
CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de oficio a isento quando constate a falta preenchimento dos requisitos pura a concessão do favor.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Nao pode ser acolhida a argiliciio de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no czilculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 C! indispensável a apresentação do Ato
Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do 1TR em se
tratando de áreas de preservação permanece e de reserva legal , tendo em
vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, ao pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez clue tais efeitos suo info - par/es e alio ergo OM/WS.
Recurso Voluntario e de Oficio Negados.
Numero da decisão: 2102-000.478
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em
NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, em NEGAR provimento no recurso voluntário nos termos do voto do Relator, Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que dava provimento.
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRI l'OR: RURAL - Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Demonstrada a existência de área de reserva legal, antes do fato gerador, correta a retirada dela da base de calculo do imposto. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de oficio a isento quando constate a falta preenchimento dos requisitos pura a concessão do favor. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nao pode ser acolhida a argiliciio de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no czilculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 C! indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do 1TR em se tratando de áreas de preservação permanece e de reserva legal , tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, ao pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez clue tais efeitos suo info - par/es e alio ergo OM/WS. Recurso Voluntario e de Oficio Negados.
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Numero do processo: 13827.003233/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-001.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por intempestividade.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de MARIA EUNICE BELTRAME foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 11, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 4.133,25 (quatro mil, cento e trinta e três reais e vinte e cinco centavos), que, com juros de mora calculados até 28.11.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 8.513,66 (oito mil quinhentos e treze reais e sessenta e seis centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 13) a Fiscalização informa ter apurado deduções, a título de despesas médicas, no valor de R$ 15.030,00, que entendeu não terem sido devidamente comprovadas. Como conseqüência, procedeu à glosa do valor correspondente. Inconformada, a contribuinte apresentou, às fls. 1 a 4, Impugnação, com alegações e requerimento assim sintetizados pelo órgão julgador de primeira instância administrativa: “> os pagamentos foram efetuados em espécie, não se podendo exigir outro tipo de comprovante por absoluta falta de amparo legal; >os documentos hábeis e necessários para a comprovação dos pagamentos silo os recibos firmados pelas prestadoras de serviços >a autoridade lançadora não contestou a idoneidade dos recibos; > exigir document° inexistente é abuso de poder e uma exigência ilegal e sem amparo; > quem acusa deve provar, segundo a lei. O Fisco não provou que não houve a efetiva prestação do serviço; > a legislação exige que somente hó necessidade de se comprovar com outros documentos quando restar dúvidas quanto a idoneidade do documento apresentado; > os documentos apresentados preenchem todos os requisitos formais; > requer acolhimento da impugnação e cancelamento da exigência fiscal;” A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2, mediante o Acórdão n.º 1740.461, de 3 de maio de 2010, julgou improcedente a Impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13827.003233/200858 Acórdão n.º 2101001.418 S2C1T1 Fl. 220 3 Exercício: 2006 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito As suas deduções condicionase à comprovação dos serviços prestados e dos correspondentes pagamentos, a juízo da autoridade fiscal. Inteligência do artigo 11, §3°, do Decretolei n.° 5.844/43 e artigo 73 do RIR/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 12 de agosto de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14 de setembro do mesmo ano. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 em 12 de agosto de 2010, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 62. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jaú (SP) no dia 14 de setembro de 2010, conforme atesta a funcionária da referida unidade (fls. 63). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 13 de agosto de 2010, sextafeira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância (12 de agosto de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 2010). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Jaú na data, a contagem dos trinta dias iniciou no próprio dia 13 de agosto de 2010 e encerrouse em 11 de setembro de 2010, que, por ser um sábado, dia em que não há expediente nas repartições da Secretaria da Receita Federal, provocou uma prorrogação do prazo para o dia útil seguinte, dia 13 de setembro, segundafeira. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720834/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO.
Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida
ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DECORRÊNCIA.
A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1803-001.112
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO. Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.
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BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO. Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/201193 Acórdão n.º 180301.112 S1TE03 Fl. 250 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão no. 0342.642, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal, fls. 220/225, a seguir transcrito: “Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 166/174 e 190/198, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao ano calendário de 2008, incluindo juros de mora calculados até 28/02/2011 e multa proporcional qualificada de 150%, totalizando R$ 941.352,85. Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, os lançamentos de ofício resultam de procedimento fiscal de verificações obrigatórias que constatou divergências entre os valores escriturados e os declarados/pagos. É detalhado que a contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, apurou na DIPJ os valores devidos a partir de receita bruta inferior à registrada em sua escrituração contábil e fiscal, informando esses débitos a menor em DCTF, razão pela qual as insuficiências de declaração/recolhimento constatadas estão sendo exigidas de ofício nos autos de infração. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/201193 Acórdão n.º 180301.112 S1TE03 Fl. 251 3 Diante da prática ilícita adotada pelo sujeito passivo, que veio à tona graças ao trabalho fiscal, a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150%, assim como formalizada representação fiscal para fins penais nos autos do processo identificado sob o nº. 10120.721045/201170. Cientificada pessoalmente das exigências em 18/03/2011, a interessada apresentou em 31/03/2011 a petição impugnativa acostada às fls. 202/212, contestando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados a) a situação detectada pela fiscalização devese ao fato de a empresa adotar tributação utilizandose da tese de advogados que lhe instruíram, de que poderia apurara base de cálculo dos tributos federais a partir da receita líquida (deduzidos impostos e CMV) e não da receita bruta, em função do princípio da isonomia; b) isto porque para algumas atividades, a legislação prevê tratamento diferenciado, com incidência sobre o lucro bruto, possibilitando a dedução dos custos das operações da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; sendo este o tratamento tributário dado às instituições financeiras, na compra e venda de moedas, e à atividade de compra e venda de veículos usados; c) tal diferença de tratamento não se justifica, tendo em vista que o Código Comercial prevê que a moeda é mercadoria, devendo ser aplicado o princípio da isonomia, afastandose o tratamento desigual adotado em relação a contribuintes que se dedicam à mercancia, como é o seu caso; d) não agiu com intuito de suprimir ou reduzir tributo indevidamente ou de omitir informações, mas baseouse em fundamentos jurídicos consistentes, já firmados judicialmente em vários casos, em razão porque não concorda com a conotação de crime sustentada na acusação fiscal, que vê como a utilização de meio vexatório para a cobrança de tributo, o que é vedado pelo art. 326, § 1º., do Código Penal Brasileiro, até porque a autuação baseouse nos dados de sua escrituração, apresentada à fiscalização; e e) a cobrança de juros com base na taxa Selic é ilegal, conforme decidido pelo STJ”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal, na sessão de 19/04/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0342.642 entendendo “por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário impugnado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 Fl. 251DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/201193 Acórdão n.º 180301.112 S1TE03 Fl. 252 4 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO. Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da contribuição social aplicase o decidido em relação à exigência principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal, de forma eletrônica, em 09/05/2011 11:33:00, (data e hora da entrega na caixa postal da Recorrente – constante das fls 233 dos autos), a CSM COMERCIAL DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, apresentou, em 06/06/2011, seu recurso voluntário (fls. 234 e segs), no qual reiterou, integralmente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Em uma leitura na primeira pagina do recurso voluntário, que é uma cópia da impugnação, encontramos a seguinte declaração da Recorrente: Fl. 252DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/201193 Acórdão n.º 180301.112 S1TE03 Fl. 253 5 Diante da confissão expressa do delito cometido, sob a égide da utilização “de tese de advogados”, optou pelo lucro presumido e resolveu pagar o imposto fazendo deduções como se fosse optante pelo lucro real; tudo isso porque buscava isonomia com as instituições financeiras e operações com veículos novos. Na verdade o que houve foi a utilização tanto pelo fiscal autuante quando pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal do principio da isonomia, que consiste em síntese, tratar os iguais de formar igual e os diferentes de forma diferente. Ora a Recorrente não é uma instituição financeira e nem tampouco, consta nos autos que realize operações com veículos novos, por essas duas razões não pode ser tributada da mesma forma das instituições financeiras ou de empresas que realizem operações com veículos novos. Contra fatos não há argumentos. Diante desse fato, vejo que não há o que se discutir sobre os fundamentos da decisão instrumentalizada pelo Acórdão nº. 0342.642 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal, decisão que deve ser mantida. Com relação à multa qualificada, vejo que foram, reiteradamente, expurgadas da escrituração contábil e fiscal valores que, segundo a sistemática do lucro presumido, deveriam compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não se trata, portanto de ilações, presunções ou conjecturas, mas de declaração apresentada pela Recorrente na impugnação e no Recurso Ordinário. Rejeito, portanto, as alegações vazias e eminentemente procrastinatórias da recorrente, mantendose a decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos. Por fim, mantenho a multa qualificada de 150%, porque encontro nos autos, e também na declaração apresentada pela Recorrente na impugnação e no Recurso Ordinário que houve o intuito doloso em omitir as operações tributáveis do conhecimento do Fisco Federal. Aqui, não se trata de mero atraso no recolhimento de tributos federais, mas efetivo e claro interesse em não recolher os tributos incidentes sobre as operações da Recorrente, sob a tese, Fl. 253DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/201193 Acórdão n.º 180301.112 S1TE03 Fl. 254 6 sem qualquer respaldo legal, de equiparação com instituições financeiras e empresas que realizam operações com veículos novos. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente nas declarações apresentadas pela Recorrente na impugnação e no Recurso Ordinário), voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter, integralmente, o auto de infração efetivado pela fiscalização e ratificadas pelo Acórdão nº. 0342.642, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília Distrito Federal. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Assinado Digitalmente Fl. 254DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 13005.000704/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
ANO-CALENDÁRIO: 2008
PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que
não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita
Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais
pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF).
Numero da decisão: 1301-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitandose a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de empresa que fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional, em 31/01/2008. 0 pedido da interessada foi indeferido conforme "Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional" (fl. 14), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorre, neste momento, na seguinte situação que impede a opção pelo Simples Nacional: Débito(s) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil oriundo(s) da extinta Secretaria da Receita PrevidenciÁria, cuja exigibilidade não está suspensa; Débito(s) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil oriundo(s) da extinta Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa. O fundamento legal para o indeferimento apontado no respectivo Termo foi a Lei Complementar no 123, de 14/12/2006, artigo 17, inciso V. A interessada apresenta sua manifestação de inconformidade contra o não deferimento da sua opção pelo Simples Nacional com os argumentos, em síntese: como preliminar aponta as dificuldades econômicas e financeiras, que entende insuperáveis, caso não seja deferida a opção pelo Simples Nacional; no mérito diz que não tem mais débito em nenhuma das Fazendas Públicas, conforme comprovantes que anexa. Requer a sua inclusão no Simples Nacional. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do acórdão DRJ/STM 1812.788, de 20/08/2010, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 DÉBITO COM A RFB SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PENDÊNCIA IMPEDITIVA. REGULARIZAÇÃO. INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DOS EFEITOS. Representa óbice a inclusão no SIMPLES NACIONAL a existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem a suspensão de 1 sua exigibilidade, permitindose o ingresso do sujeito passivo quando regularizada a pendência impeditiva, mediante parcelamento ou pagamento, antes de esgotado o prazo para opção relativo ao ano calendário em questão ou, se posterior a regularização, apenas a partir do anocalendário seguinte, caso faça nova opção. Impugnação Improcedente É o relatório. Passo ao voto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13005.000704/200840 Acórdão n.º 1301000.698 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório constatase que o presente processo de exclusão da recorrente do Simples, teve por fundamentação a existência de débito junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa, com base legal na Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, artigo 17, inciso V, (Termo de Indeferimento de 18/01/2008, às fls.14). Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; No recurso alega que solicitou sua inclusão no SIMPLES NACIONAL em 31/01/2008. Ao tomar conhecimento do indeferimento buscou quitar todas as pendências, que, inclusive em consulta anterior não haviam constado. Interpôs o devido recurso, acompanhado das Certidões de Negativa de Débitos e dos comprovantes de pagamento de remanescentes tributários. Desde Janeiro de 2008 a Empresa está adimplente com seus compromissos. Do voto combatido destaco os trechos: “As opções feitas nos anos de 2008 e 2009 foram indeferidas por pendências não resolvidas. Finalmente, a opção feita no ano de 2010 foi deferida, estando a empresa incluída no Simples Nacional com efeitos a partir de 1°/01/2010, tudo conforme consta na folha 39 do presente. Nos caso em concreto, a matéria objeto da manifestação de inconformidade é contra o indeferimento da opção feita em 31/01/2008. A contribuinte argumenta que não possui qualquer débito em nenhuma das Fazendas Públicas. Para comprovar anexa comprovantes. No "Acompanhamento do Resultado da Solicitação de Opção" (fl. 15) foram apontados débitos previdenciários e não previdenciários, cuja exigibilidade não está suspensa. A interessada apresenta Certidão Conjunta Negativa (fl. 16) da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN e da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB emitida em 11/03/2008. Ou seja, essa certidão comprova que nessa data já havia regularizado suas pendências de débitos não previdenciários. Para comprovar sua situação diante do Fisco Previdenciário a interessada apresenta os documentos que constam nas folhas 18 a 26 do presente. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Constatase que o referido Termo de Indeferimento não consigna o rol dos débitos cuja pendências fora objeto do indeferimento à opção pelo Simples Nacional, informando, tão somente, às fls. 29, que a relação dos débitos está à disposição do contribuinte no endereço eletrônico. O comunicado de exclusão do Simples formalizado através do Termo de Indeferimento tem caráter abrangente, de forma a tãosomente discriminar como motivo de exclusão a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Assim sendo, entendo que o ato de exclusão objeto da lide não possui os elementos necessários para o fim a que se destina. Ressaltese que a matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF, através da Súmula 22 que a seguir transcrevo: Súmula CARF n 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limita a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Destarte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000848/2002-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR
Exercício: 1998
PAF REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a
contrariedade à lei ou evidência de prova.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Ronaldo de Lima Macedo.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 1998 PAF REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a contrariedade à lei ou evidência de prova. Recurso especial não conhecido.
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Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a contrariedade à lei ou evidência de prova. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Ronaldo de Lima Macedo. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 24/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 152/156), em face de decisão proferida pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração e retificou o Acórdão 30333.645, para: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, mediante o Acórdão n. 30334.619, cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de conhecer os detalhes tanto dos fatos motivadores da exação quanto dos parâmetros utilizados na apuração do crédito tributário lançado no auto de infração. Genérica indicação do motivo e inexistência do demonstrativo de apuração do tributo são fatos caracterizadores de cerceamento do direito de defesa e nulo é o lançamento maculado com vício dessa natureza. A PGFN recorre à instância especial, nos termos do art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n. 147, publicado no DOU de 28/06/2007, com o objetivo de reformar o acórdão exarado, por suposta contrariedade à legislação tributária, conforme se observa abaixo (fls. 154156): (...) Pois bem. Cabível o por estar sendo oposto contra decisão nãounânime (por maioria) da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que julgou o caso em desacordo com a lei tributária, conforme razões a seguir delineadas. (...) A controvérsia reside na existência ou inexistência de nulidade por cerceamento de defesa, em razão da falta de motivação quanto à glosa de área de preservação permanente e pela falta do termo de apuração do tributo. E segue: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/200223 Acórdão n.º 920201.487 CSRFT2 Fl. 2 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 Por meio do Despacho n. 045/2008 (fls. 158159), a então Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto, por entender satisfeitos os pressupostos de admissibilidade. Devidamente intimado, o Banco do Brasil S/A apresentou contrarazões que, em síntese, alega (fls. 164167): (i) nenhum momento restou demonstrada como foi apurada a área de preservação encontrada pelo auditor; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/200223 Acórdão n.º 920201.487 CSRFT2 Fl. 3 5 (ii) o ora recorrido demonstrou cabalmente por documentos de vistorias realizadas a existência da área florestal declarada. Diversos laudos comprovam a existência da área, conforme laudo elaborado pelo próprio INCRA em 14.01.1998; (iii) a inexistência de motivo que justificou a glosa de área florestal reconhecida por existente pelo laudo do INCRA, repercute a nulidade do auto de infração; (iv) além disso, há existência de esbulho por parte de invasores de terras. Assim, a terra não estava sendo utilizada pelo Banco, mas pelos posseiros; (v) não prospera o argumento do fisco de que não há prejuízo ao contribuinte. Ora, o contribuinte está sendo compelido ao pagamento de quase R$ 50.000,00 atualizados, e não há prejuízo? A própria cobrança ilegal do tributo já constitui, em si, o prejuízo do contribuinte. Retomado ao início do processo administrativo, após as retificações devidas pelo Fisco, restará cabalmente demonstrado de que as terras estavam em poder de terceiros (posseiros), que existe a área florestal declarada, que a utilização da terra não estava sob controle do Banco. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Quanto à suposta contrariedade à lei tributária – pressuposto de admissibilidade do recurso , não vislumbro a satisfação pela peça recursal, conforme se observará abaixo. Como consignado no relatório, a PGFN recorre à instância especial, nos termos do art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n. 147, publicado no DOU de 28/06/2007, com o objetivo de reformar o acórdão exarado, por suposta contrariedade à legislação tributária, conforme se observa abaixo (fls. 154156): (...) Pois bem. Cabível o por estar sendo oposto contra decisão nãounânime (por maioria) da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que julgou o caso em desacordo com a lei tributária, conforme razões a seguir delineadas. (...) A controvérsia reside na existência ou inexistência de nulidade por cerceamento de defesa, em razão da falta de motivação quanto à glosa de área de preservação permanente e pela falta do termo de apuração do tributo. E segue: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 6 (...) Para que se possa dizer que a decisão recorrida foi contrária a determinado dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referida norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do julgamento do acórdão recorrido. Não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo 249, §1º do CPC, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões de decidir. Quanto a matéria trazida me sede de preliminar, há de se salientar que o dispositivo apontado como infringido sequer foi discutido no acórdão recorrido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça são no sentido de que não há de se conhecer de recurso especial se os dispositivos legais tidos como contrariados não foram objeto de debate no julgado recorrido. Confira o seguinte aresto do STJ (REsp 852826 / RJ, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ 26/10/2006 p. 258): RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO . LANÇAMENTO DE MULTA ADMINISTRATIVA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULAS 286/STF E 07/STJ. NÃOCONHECIMENTO. ............. 2. Não prospera recurso especial se os dispositivos legais apontados como infringidos não foram objeto de debate pelo julgado recorrido. Incide o teor do verbete sumular 282/STF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/200223 Acórdão n.º 920201.487 CSRFT2 Fl. 4 7 Seguiramse embargos de declaração, rejeitados por unanimidade pelo Tribunal a quo, em face da inexistência "de quaisquer dos vícios previstos no artigo 535 do CPC".(GRIFEI) .............. 4. Recurso especial nãoconhecido. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001438/98-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS INCENTIVADOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo indevido, por parte da administração, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS INCENTIVADOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo indevido, por parte da administração, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo indevido, por parte da administração, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 311DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que manteve o indeferimento da atualização pela Taxa Selic, de valores objeto de pedido de ressarcimento de IPI, por ausência de previsão legal, sintetizada na seguinte ementa: "Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Período de apuração.. 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO DE IPI INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização, pela taxa SELIC, de valores objeto de pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida." Cientificada em 14/01/2008 (cf. AR à fl. 192/verso), é interposto o recurso voluntário de fls. 193/204, em 21/01/2008, no qual a recorrente defende o entendimento de que é possível a atualização dos valores relativos ao ressarcimento de IPI, em favor de sua tese cita decisões emanadas pelo Poder Judiciário e também pelos Conselhos de Contribuintes. Julgando feito, o Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso negado. Inconformada, a requerente apresentou recurso especial de divergência (fls. 229/241), sendolhe dado seguimento pelo despacho de fls. 268 e 269. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 273 a 279.. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001438/9821 Acórdão n.º 930301.728 CSRFT3 Fl. 282 3 Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito objeto destes autos não estava sujeito a qualquer oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, tratase de crédito incentivado (escritural de IPI) relativos às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para utilização na fabricação dos produtos isentos, relacionados em anexo da Lei 9493/1997. Os créditos pertinentes a entradas desses insumos podiam ser utilizados e mantidos na escrita fiscal do estabelecimento industrial, por força do parágrafo 1º do art. 1º da lei acima aludida. De outro lado, o art. 179 do RIPI 1998, em seu art. 179 veio a permitir o ressarcimento (em espécie ou por meio de compensação com débitos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Desta feita, ao caso não se aplica a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996. Feito esses esclarecimentos, passemos, de imediato, à questão da incidência de atualização Selic sobre o ressarcimento de créditos escriturais de IPI. O tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei concessiva do benefício (Lei 9.363/1996) foi absolutamente silente em relação ao tema. A Instrução Normativa SRF nº 125, de 07/12/89, que trata dos créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, ao prever o ressarcimento em dinheiro dos créditos excedentes aos débitos, não faculta a hipótese de utilização da correção monetária nesses créditos. Aliás, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida a maior, nos casos em que a requerente, comprovadamente, tenha obtido ressarcimento indevido. Assim, na legislação específica desse benefício não há previsão legal autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido. Resta, agora, analisar a parte geral da Legislação para verificar se há previsão para que se atualizem os créditos do IPI. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001438/9821 Acórdão n.º 930301.728 CSRFT3 Fl. 283 5 Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação de créditos relativos as aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito). Ademais, a sociedade empresária ao adquirir os insumos paga o imposto que vem destacado na nota fiscal, exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é um favor fiscal que prevê o ressarcimento desse tributo na forma de crédito incentivado de IPI. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. Esclareçase, por oportuno, que a atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo Fl. 315DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 indevido, por parte da administração, ao creditamento postulado pelo sujeito passivo. O que não é o caso dos autos. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. Henrique Pinheiro Torres Fl. 316DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13804.002309/00-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 1997
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de
regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-000.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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LTDA (sucedida por UNIBANCO — UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 453 2 Relatório Cardway Representações e Participações Ltda (sucedida por UNIBANCO – União de Bancos Brasileiros S/A) recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 8ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que não houve a expedição da ordem de emissão de incentivos fiscais (OEIF), relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 1997 exercício 1998 no FINOR, conforme extrato às fls. 255/256. 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 360 a 363, proferido em junho/2008, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995 e art. 6° da Lei n° 10.522/2002, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN/SISBACEN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN, apontando a existência de débitos. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que: 5 Motiva o pedido a não expedição da ordem de emissão de incentivos fiscais (OEIF) ao FINOR, como opção feita pela interessada, o que se verifica no extrato acostado aos autos às fls. 255 a 256, no valor de R$ 2.199,61, 24% da base de cálculo do incentivo fiscal. 6 O pedido deve ser considerado tempestivo, (..) 7 A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é "Baixada", tendo sido incorporada pelo UNIBANCO — UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A., atual responsável pela interessada, que está "Ativa", e está sob a jurisdição desta unidade administrativa, conforme extrato de fl. 263. 8 A interessada apresentou uma única DIPJ/1998, referente ao ano calendário 1997, processada e liberada sem o registro de eventos. 9 Consulta ao sistema IRPJOEIF indica que os valores declarados como incentivo fiscal são coincidentes com os valores normalizados, fl.256, pelo mesmo sistema, no valor de R$ 2.199,61, 24% do valor da base de cálculo, no valor de R$ 9.165,08, que porém, não foram liberados devido a irregularidades fiscais qualificadas por quando do processamento eletrônico da DIPJ/1998, como se verifica do extrato de fls. 257, ocorrência 11 — contribuinte com débito de tributos e contribuições federais. 10 Não foram detectados DARF pagos que representassem aplicação dirigida a algum Fundo de Investimento (DARF específico). 11 Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 454 3 questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN. 12. A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 265 a 359 deste processo, indicando que constam débitos da interessada inscritos em Dívida Ativa da União, débito em cobrança final no PROFISC, e no SIEF, e está inscrita no CADIN como passível de inadimplência, fls. 260 a 261, fatos estes que a impedem de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: PROPOSTA 13 Como conseqüência das questões preliminares suscitadas, concluise que, nesta data, a interessada não faz jus à expedição da ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais, motivo pelo qual propomos que o pleito seja INDEFERIDO. 2.2. O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Assunto: Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/1998, ano calendário 1997. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que não esteja regular junto à Fazenda Pública e perante o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 28/07/2008 (fl. 365), a interessada apresentou, em 28/08/2008, manifestação de inconformidade de fls. 366 a 374, acompanhada da documentação de fls. 375 a 390. Na peça de defesa a interessada argúi: 3.1. que o indeferimento do pedido do incentivo fiscal por não ter a manifestante logrado comprovar em 14/06/2008 que estava regular com o Fisco Federal, quase cinco anos após a opção, está equivocado, pois tanto a "Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União" (válida até 09/09/2008 — fl. 387), quanto o "Certificado de Regularidade do FGTS — CRF" (válido até 16/09/2008 — fl. 388) informam que a contribuinte preencheu o requisito primordial para a opção do exercício do beneficio fiscal, nos exatos moldes do artigo 60 da Lei n° 9069/1995 e art. 6° da Lei n° 10522/2002; 3.2. que a existência de apontamentos pela SRF, não significa que os mesmos não foram tratados devidamente, e, se existe certidão de regularidade, concluise que o contribuinte apresentou à autoridade administrativa, seja à Receita Federal ou à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a cabal comprovação de quitação ou de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, para obtenção da sobredita certidão de regularidade fiscal, seja ela no modal Certidão Negativa de débitos (CND) ou Certidão Positiva com Efeito de Negativa de Débitos (CPDEN); 3.3. que não pode a simples suposição de existência de débito, obstar o usufruto de benesse fiscal devidamente garantida pelo estrito cumprimento dos requisitos da legislação tributária; 3.4. que em face das condições dinâmicas de sua atividade, a situação da contribuinte pode variar de "sem débito em aberto" a "com débito em aberto", Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 455 4 propiciando o surtimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária; 3.5. que, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, é necessário adotar um único momento para se avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte pleiteante de benefícios fiscais. O único momento passível de ser interpretado como definidor da data na qual devem ser averiguadas tais condições seria o do r. despacho decisório de revisão da concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal; 3.6. que, diante das considerações acima e tendo em vista que, na data do r. despacho decisório de fls., o manifestante estava plenamente regular perante os órgãos públicos (certidões em anexo), forçoso reconhecer a plena possibilidade do exercício da concessão do incentivo fiscal, pois foram cumpridas as determinações da legislação de regência; 3.7. que ocorreu "homologação tácita atinente ao reconhecimento da concessão do beneficio fiscal em comento", alegando, neste sentido, que: tendo a opção da benesse fiscal constado em documento oficial transmitida à Secretaria da Receita federal em 28/04/1998, via ‘internet’, não há o que se discutir que caberia ao Fisco Federal revisitar o pedido de revisão, mais tardar em junho de 2006, ou seja, dentro do qüinqüênio legal previsto na legislação tributária; o r. despacho decisório de fls., somente analisou o pedido de revisão em junho de 2006, ou seja, sete anos após a opção constatada na aludida DIPJ/1.998; está evidente a ocorrência da homologação tácita dos valores declarados em DIPJ/1998, ensejando, ato contínuo, o reconhecimento do benefício fiscal a que faz jus o Manifestante.” Na decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 21.362 (fls. 393396) de 13/05/2009, por maioria de votos, indeferiuse a solicitação da interessada nos termos representados em sua ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA ' JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante ' da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 28/05/2009 (A.R. de fl. 400), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/06/2009 (fls. 403413) no qual reforçou as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 456 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Afastando quaisquer dúvidas, o enunciado nº 37 da súmula do CARF estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Ressaltese que, conforme sumulado, é admitida a prova da quitação a qualquer momento do processo administrativo. Ademais, conforme voto do relator do acórdão da DRJ (trecho abaixo transcrito, fl. 397/398), não constava dos autos documentos capazes de comprovar a regularidade fiscal da requerente em momento distinto da situação correspondente à época da confecção do seu voto. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 457 6 6.4. Em relação, portanto, ao critério temporal a ser utilizado para a verificação de débitos dos contribuintes deve ser considerado o momento da entrega da declaração, ou de seu processamento, bem como o de apreciação do PERC, uma vez que o reconhecimento de um incentivo fiscal está associado a uma condição, conforme se conclui do disposto no art. 613 do RIR/1994, em seu § 5º, com base legal no DecretoLei n° 1.759, de 1979, Art 2 °, a seguir transcrito: [...] 6.5. Notese, ainda, que o litígio prendese às conclusões exaradas no despacho decisório e, portanto, deve ser o foco de nossa análise a situação fiscal da interessada naquela época. 6.6. No caso de que trata o presente processo administrativo, foi constatada a existência de débito federal junto à RFB e à PGFN, conforme informado no despacho decisório (fls. 362) e indicado às fls. 273, 278, 279, 284, 285, 295, 324 e 329. 6.7. A contribuinte também entende que na data da apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC é o momento de averiguação de sua regularidade fiscal. No caso, segundo a reclamante, as Certidões de fls. 387 e 388, comprovariam a sua regularidade. 6.8. Ocorre que a certidão cuja cópia encontrase à fl. 388, apresentada pela contribuinte, foi emitida conjuntamente pela PGFN e pela SRFB, apesar da existência de débitos em cobrança (SIEF e Profisc) e de inscrições em Dívida Ativa, “em cumprimento à decisão judicial proferida nos autos da AO 2007.61.00.021226 6, 26ª VF/SP”, conforme consta do próprio corpo da certidão.” Nesse sentido, considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes. Outrossim, verifico que nem a DRF de origem, nem a DRJ, apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/0077 Acórdão n.º 140200.775 S1C4T2 Fl. 458 7 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10840.002232/2005-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 06/2005
Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 3º, II DA
LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS
CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE
AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O
MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE
TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O
LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR.
POSSIBILIDADE.
A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas
da atividade produtiva do contribuinte.
Na atividade de usinagem de canadeaçúcar,
o transporte dos funcionários
até o local do corte da canadeaçúcar
é uma atividade integrante, porquanto
necessária, do processo produtivo.
Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um
benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a
produção, integrando o processo produtivo.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA
AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE
DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS.
Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao
art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito
presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário
relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução
da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito
correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e
compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN
660/2006.
Numero da decisão: 3403-001.275
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento
parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque,
para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida,
Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos,
não devendo computar no estoque o valor de
serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão
quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mão deobra. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte por meio das quais busca o aproveitamento de crédito de Contribuição ao PIS que teria sido gerado no período de apuração correspondente ao mês 06/2005, correspondente a receitas de exportação, na forma do art. 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002. A Fiscalização, depois da coleta de informações e documentos, apresentou Relatório da Ação Fiscal (fls. 37/47) sugerindo (a) a glosa dos créditos que entende que não deveriam ser considerados como insumos: (a.1) relativos aos “combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial da contribuinte para fabricação do açúcar e álcool” por entender que “não podem ser considerados "insumos", tendo em vista que não são utilizados no processo produtivo de açúcar e álcool da empresa e sim no maquinário agrícola ligado ao plantio, corte e carregamento da cana” (a.2) relativos à aquisição de serviços os quais se referem ao valores pagos para o transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de plantação das mudas e corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte; (b) a glosa da integralidade dos valores correspondentes ao “crédito presumido agroindústria”, pois embora a contribuinte tivesse feito o rateio deste crédito entre Mercado Interno e Mercado Externo, o art. 8º da IN 660/2006 esclarece que esta modalidade de crédito não pode ser objeto de compensação nem ressarcimento, ou seja, que apenas pode ser aproveitado Fl. 136DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/200587 Acórdão n.º 3403001.275 S3C4T3 Fl. 2 3 para a dedução do valor devido da mesma Contribuição apurada no regime da nãocumulatividade. A Fiscalização também identificou, em benefício do contribuinte, que na determinação do percentual de repartição entre Mercado Interno e Mercado Externo havia sido adicionado ao Mercado Interno, de maneira equivocada, o valor da venda de álcool (que não deveria ser computado pelo fato de se submeter ao regime cumulativo), o que surtia o efeito de elevar indevidamente o percentual do Mercado Interno e, via de conseqüência, reduzir indevidamente o percentual do Mercado Externo. Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a um valor menor que o pleiteado. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (fls. 48/49) apoiouse na conclusão da fiscalização, assim homologando apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos aos contribuinte. O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguinte ementa: PIS Programa de Integração Social Tributação não cumulativa Bens e produtos não incluídos no conceito de Insumos Inciso II do art 3° da Lei 10.637/2002 e art. 8°, inciso I, alínea "b" e "b1", § 4° do item "a" e § 9°, inciso I da I N SRF n° 404/2004 A pessoa jurídica pode descontar créditos determinados mediante a aplicação da alíquota de 1,65 % sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, bem como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Somente podem ser considerados insumos, para fins de creditamento de PIS, os bens e serviços intrinsecamente vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente no processo. Rateio dos custos, encargos e despesas comuns pelo Método do Rateio. Proporcional para utilização no cálculo dos créditos de PIS de incidência nãocumulativa § 7º e inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.637/2002. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Inexistindo contabilidade de custos integrada e coordenada com escrituração, onde se possa identificar individualizadamente os custos, despesas e encargos vinculados à exportação, é correto a utilização do critério de proporcionalidade, encontrando o percentual entre a receita total e a receita advinda de exportação. O crédito será determinado pelo rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos a relação percentual entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Logo , na apuração da porcentagem das receitas nãocumulativas, deve compor o numerador a receita bruta sujeita à nãocumulatividade. Deve compor o denominador todas as receitas que compõem a receita bruta da pessoa jurídica, tanto cumulativas quanto não cumulativas. Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para o PIS nãocumulativo Inciso III do §1° do art. 8° e inciso III do art. 17 da Lei 10.925/2004; Inciso II do §3" do art. 8º da IN SRF nº 660/2006 O crédito presumido da agroindústria relativo à canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas e de pessoas jurídicas só pode ser utilizado para abater os débitos do PIS nãocumulativo, devendo ser somado aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de ressarcimento e compensação com outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, a partir de agosto de 2004, com o advento da Lei 10.925/2004. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 54/85) alegando o seguinte: 1) que devem ser admitidos os créditos correspondentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes e aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de cana deaçúcar, pois “de acordo com a Lei, o direito ao crédito deve considerar todos os dispe ndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas à geração de sua receita tributável. Nesse contexto, temse que o transporte dos cortadores de cana e os custos com a aplicação de agrotóxicos e adubos, caracterizamse como uma despesa incorrida numa etapa da produção da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem o corte da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há como operacionalizar a cultura da lavoura” (fl. 61), ou seja, frisando que o transporte dos trabalhadores e os combustíveis e lubrificantes são essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo, que detalha da seguinte forma: O processo de industrialização da Manifestante passa pelas seguintes etapas: Após a colheita, a canadeaçúcar passa pela pesagem e pela análise no laboratório "PCTS", onde se verifica a qualidade do produto recebido; Na seqüência a cana é lavada com água e cal e, após ser picada, passa por um eletroímâ para a retirada de metais eventualmente existentes; Fl. 138DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/200587 Acórdão n.º 3403001.275 S3C4T3 Fl. 3 5 Depois de moída, a cana passa por seis ternos de moenda, onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocidapara inibição de bactérias; O caldo passa por peneiras rotativas para retirada de excesso de bagaço; Para produção do álcool: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua temperatura para 35 ou 40 °C; Após é aquecido até 115º C para eliminação de bactéria; Na seqüência é levado para decantação, onde e adicionado retenção do lodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço, e é enviado para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor); Finalmente é preparado o Mosto (caldo), que passa por um processo de resfriamento para fermentação, dando origem ao produto final álcool. Para produção do açúcar: O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, é adicionado ácido fosfórico (que ajuda a decantação desse caldo, melhorando a sua transparência); Na seqüência o caldo para o regenerador, onde ocorre uma troca de calor; Após o caldo passar por um tratamento de sulfitação e caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante; Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110° C para concentração do caldo (retirada de água). No decantador é adicionado polímero para retenção do iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; Após a decantação o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço; Préevaporação e Evaporação é um processo de concentração do caldo até obtenção de xarope com alta concentração, neste processo utilizase antiencustrante e amônia; Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um processo de flotação, que è a retirada de impurezas (utiliza se ácido fosfórico e polímero), dando origem ao produto final açúcar. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 OBS: o vapor utilizado como energia é obtido através do processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada com os seguintes produtos:hipoclorito de sódio (cloro), sal grosso e optisperse (fosfato). Conforme demonstrado, o açúcar e o álcool nada mais são que a canadeaçúcar após o processo de transformação industrial e se, também conforme comprovado, os insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar incorporamse ao produto da lavoura, qual seja, à própria canadeaçúcar, não há como afastar a afirmação que tais insumos foram consumidos no processo de industrialização. 2) que tem direito à utilizar o crédito presumido da agroindústria (em relação à receita de exportação) para compensação com outros tributos, pois da mesma forma que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ao conceder o crédito presumido, referiase aos bens do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o art. 6º da Lei nº 10.833/2003 assegura o direito de compensação em relação ao crédito apurado na forma do art. 3º, na proporção correspondente à exportação de mercadorias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1432.847, de 14 de março de 2011 (fls. 97/103) manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DEDIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE INTERPRETAÇÃO DO ALCANCE CONSTITUCIONAL. MATÉRIA RESERVADA AO PODER JUDICIÁRIO. A manifestação sobre legalidade e constitucionalidade e a interpretação do alcance da legislação é matéria reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto e m fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do Fl. 140DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/200587 Acórdão n.º 3403001.275 S3C4T3 Fl. 4 7 produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 106/127) reiterando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. I. O crédito pelo transporte de mão de obra e combustíveis. Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os combustíveis e lubrificantes, bem como o transporte dos funcionários para o local da extração da canade açúcar, devem ser tratados como insumo, enquanto necessários e integrantes do processo produtivo. O art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de que do valor devido de contribuição se desconte créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”. O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma medida necessária e indispensável do processo produtivo, configurando a contratação de um serviço que traduz um dos insumos necessários para a produção da cana de açúcar. E também quanto aos combustíveis e lubrificantes, consta que são utilizados no maquinário utilizado para o corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar. A DRF e a DRJ recusam o direito de crédito por pretender confinar o conceito de produção ao conceito de industrialização aplicado à legislação do IPI. O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização, alcançando todas as etapas necessárias à atividade desenvolvida pelo contribuinte, seja ele industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto bens como serviços, desde que necessários, o que deve ser considerado no contexto do processo produtivo do contribuinte. O entendimento do CARF, com efeito, reconhece como insumos tanto os bens utilizados como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte, conforme se ilustra nos seguintes julgados: Fl. 141DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 (…) NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO E ABRANGÊNCIA. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que geram direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. (…) (Acórdão 210200.050, Recurso 150.521, Processo 10675.004362/200422, Rel. Cons. José Antônio Francisco, j. 05/03/2009) Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte: Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação de um bem ou serviço. Entretanto, não são todos os elementos empregados na fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no sentido jurídico, e "serviços". Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mãodeobra e os benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizarse como insumos utilizados na prestação de serviços, não representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito de crédito. Neste caso, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza como o pagamento de benefício aos empregados, mas como contratação de um serviço que viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo, remunerada como contratação da prestação de um serviço propriamente dito (transporte de pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de bens. A propósito do transporte realizado no contexto do processo produtivo, confirase ainda o seguinte julgado: (...)CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte.” (Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008) Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento: Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são passíveis de ressarcimento. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/200587 Acórdão n.º 3403001.275 S3C4T3 Fl. 5 9 (…) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os "custos, despesas ou encargos" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004. Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002). Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo. Vale a pena conferir também o seguinte precedente no qual se reconhece a despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte: (…) REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 caracterizam sim como `insumos' previstos na legislação do IRPJ. (…) (Acórdão 20312.741, Recurso 137.910, Processo 10932.000016/200578, Redator Designado Cons. Emanuel Dantas de Assis, j. 11/03/2008) Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima ilustra muito bem que a análise do direito ao crédito deve guardar pertinência com as características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte. No presente caso fica claro que o transporte dos funcionário não é apenas uma despesa de uma empresa qualquer que deseja fornecer transporte aos seus empregados, mas da viabilização da atividade de plantação e colheita da cana de açúcar, devidamente contextualizada no processo produtivo. II. A impossibilidade de compensação do crédito presumido da agroindústria. O contribuinte não tem direito de utilizar os créditos presumidos da agroindústria em declaração de compensação. O art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006 não deixa margem de dúvida ao estipular que o crédito presumido “Não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”. Tal previsão parece ser consequência necessária do disposto no art. 8º, § 2º da Lei nº 10.925/2004: § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 resume o rito de aproveitamento dos créditos ordinários de PIS/Cofins nãocumulativos, dispondo que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Assim, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição – e não o do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Por isso não impressiona a ginástica do contribuinte ao pretender que se aplicasse isoladamente a regra de geração e aproveitamento dos créditos correspondentes às receitas de exportação, quando a interpretação conjunta dos dispositivos envolvidos deixa claro que a exportação conduz à repartição proporcional entre as regras do mercado interno e externo , mas apenas em relação às hipóteses ordinárias de geração de crédito, pois em relação ao crédito presumido da agroindústria houve previsão expressa de que não poderia ser compensado. III. Conclusão. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/200587 Acórdão n.º 3403001.275 S3C4T3 Fl. 6 11 Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e combustíveis e lubrificantes. Ivan Allegretti Fl. 145DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12963.000029/2007-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não
restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido.
Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 547 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Orival Bento Gonçalves foi lavrado o auto de infração de fls. 05 16, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2003, 2004 e 2005, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no próprio auto de infração, de onde extraio as seguintes assertivas (fls. 0809): Face ao exposto, procedeuse ao Lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Física, das DIRPF's 03/04/05, anos calendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício qualificada (150% setenta e cinco por cento [sic] em razão da ocorrência de Crime contra a Ordem Tributária), incidentes sobre o valor do imposto devido. Registrese que foram deduzidos os valores declarados pelo contribuinte em suas DIRPF´s 03/04/05. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) considerou o lançamento procedente em parte, excluindo da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 70.697,73, de R$ 95.095,05 e de R$ 49.421,44, respectivamente, para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004 (fls. 408431). Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10617.192, que se encontra às fls. 466480 (Volume III), cuja ementa é a seguinte: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 548 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO — A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento, devendo ser excluídos da base de cálculo os valores devidamente comprovados pelo contribuinte. (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996). IRPF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a imposição da multa qualificada, no percentual de 150%, necessária a comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte (Súmula 1° CC n° 14). Compete ao fisco apresentar os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Sem essa fundamentação é de se aplicar a multa de ofício ordinária de 75%. Recurso voluntário parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento, indeferiu o pedido de diligência/perícia e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 12.160,41, no anocalendário 2003 e de R$ 334,20, no anocalendário 2004. Por maioria de votos, reduziu a multa de ofício para 75%, vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que manteve a multa de 150%. Intimada do acórdão em 26/03/2009 (fls. 482), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 485492, cujas razões podem ser assim sintetizadas: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 549 4 a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, na parte em que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo ora Recorrido, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; b) A e. câmara a quo manteve a acusação de omissão de receitas, mas cancelou a qualificação da multa de ofício, ao argumento de que o fato de o contribuinte prestar declaração inexata e deixar de pagar tributo referente às receitas omitidas provenientes de depósitos bancários não comprovados não representa prova do evidente intuito de fraude, a justificar a multa prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96; c) Tal entendimento afronta a legislação tributária em vigor, bem como as provas constantes dos autos, merecendo, portanto, ser reformado; d) A decisão da ilustre maioria da Câmara a quo afronta o Art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c Arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, bem como as provas dos autos, mormente aquelas constantes às folhas 30 à 280 (extratos bancários do período fiscalizado); e) O artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 estipula que a multa de ofício será de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; f) A fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou de uma ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. Traduzse, portanto, em um propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária; g) Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem; h) A caracterização do intuito doloso do Contribuinte, não olvidamos, é de difícil demonstração por parte da fiscalização; i) No presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa pelo fato, mas não somente por este fato, de os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada superarem em muito os rendimentos declarados, configurando omissão dolosa para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 550 5 j) Embora de difícil comprovação, o intuito doloso denunciase por meio de indícios ou elementos. Analisados isoladamente conduzem a uma interpretação que se afasta da realidade, mas que, por outro lado, se analisados em seu conjunto, demonstram cabalmente o animus doloso de fraudar o fisco; k) Neste sentido, pela análise do que consta dos autos, há elementos suficientes para a caracterização do intuito fraudulento, conforme bem reconheceu a decisão de primeira instância; l) Como se vislumbra facilmente e bem observou a fiscalização, não se tratou, no caso, da demonstração de que pequenos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um período específico. Se assim fosse, poderseia até admitir uma possível conduta involuntária, chegandose a conclusão de que a imposição da penalidade qualificada não seria justificável; m) Entretanto, à luz do que foi trazido aos autos, a situação é bastante distinta, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos; n) Dessa forma, como bem concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, diante da reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir rendimentos e também informações em sua declaração de ajuste anual, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; o) Requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o r. acórdão recorrido, com o restabelecimento da multa de ofício qualificada. Admitido o recurso através do despacho n° 920200.163 (fls. 493, Volume III), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 503512, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Interpôs, também, recurso especial às fls. 513526, o qual não foi admitido, nos termos do despacho n° 220100.081 (fls. 537543), que restou confirmado pelo despacho n° 2202081 (fls. 544545). É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 551 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 12.160,41 e de R$ 334,20, respectivamente, para os anoscalendário 2003 e 2004. Além disso, por maioria de votos, desqualificou a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício é justificada pela conduta reiterada do contribuinte em omitir suas receitas do Fisco, sendo que a decisão de segunda instância teria contrariado o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e os artigos 71, 72 e 73, todos da Lei n° 4.502/64, bem como afrontado a prova dos autos. Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 1 Atualmente esta regra encontrase expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 552 7 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto, novamente, que a autoridade lançadora justificou a qualificação da penalidade pela “...ocorrência de Crime contra a Ordem Tributária.” (fls. 08). Segundo penso, tal fato, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício. A conduta do contribuinte estaria enquadrada nas previsões do artigo 71 (sonegação), do artigo 72 (fraude) ou do artigo 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64? Difícil responder a tal questionamento, na medida em que a fiscalização não tratou do assunto. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Tenho como inaceitável presumirse o evidente intuito de fraude nos casos de presunções legais de omissão de rendimentos (no caso, depósitos bancários sem origem comprovada). Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. E isso não ocorreu no caso em apreço. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. Segundo a Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Ana Maria Ribeiro dos Reis (fls. 479480): Da análise dos dispositivos acima transcritos, concluise que a falta de pagamento de tributo conseqüência da omissão de rendimentos é apenada com a multa de ofício de 75%, enquanto a constatação do evidente intuito de fraude a qualifica e sujeita o infrator à multa de 150%. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 553 8 Daí a necessidade de que a autoridade tributária comprove o evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, pois este é que conduz à qualificação da multa e duplica o percentual previsto para a simples omissão de rendimentos. Justifica a autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal de fl. 08 a aplicação da multa “em razão da ocorrência de Crime contra a Ordem Tributária”. Na decisão recorrida, assim se manifesta o Colegiado sobre a matéria: A fiscalização entendeu, em face da alta movimentação financeira do impugnante, que esse deixou de tributar grande parte de rendimentos auferidos por ele nos anoscalendário investigados, agindo, por conseguinte, com o intuito de eximirse de pagamento de tributo. O que se verifica é que a autoridade fiscal tãosomente referese à ocorrência de crime contra a ordem tributária sem apontar a conduta que conduziu a tal tipificação. Nada que comprove o evidente intuito de fraude que justifica a qualificação da multa. Tal entendimento encontrase sedimentado neste Colegiado, como bem o demonstra a edição da Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, que ostenta o seguinte enunciado: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Portanto, não comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, impõese a desqualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. As circunstâncias dos autos podem subsumirse à presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, da forma considerada pelo acórdão recorrido, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Orival Bento Gonçalves, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era firme nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 554 9 de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular nº 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE Súmula 1º CC nº 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito de fraude. Preliminares rejeitadas. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 555 10 Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152.024, Acórdão n° 10249.094, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 10422.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Tal qual concluiu a decisão recorrida, tenho como plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes (atual Súmula CARF n° 14), cuja redação é a seguinte: “A simples apuração de omissão de receita ou de Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/200777 Acórdão n.º 920201.874 CSRFT2 Fl. 556 11 rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10580.002105/2004-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno desta Corte, impõe-se a observância das decisões definitivas de mérito proferidas pelo E. Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil.
No julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC restou pacificado
entendimento no sentido de que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, está condicionada A realização pelo contribuinte do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em não havendo o referido pagamento, impõe-se a aplicação do prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN.
Comprovada a existência de pagamento no caso dos autos, observa-se o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4° do CTN.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10580.002105/2004-13 Recurso IV 164.546 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.259 — la Turma Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário - Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOTECAL SOCIEDADE TÉCNICA AGRÍCOLA LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62- A do Regimento Interno desta Corte, impõe-se a observância das decisões definitivas de mérito proferidas pelo E. Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC restou pacificado entendimento no sentido de que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, está condicionada A realização pelo contribuinte do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em não havendo o referido pagamento, impõe-se a aplicação do prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento no caso dos autos, observa-se o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4° do CTN. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Otacilio Danta esidente. t tft Antonio Carlo oni F . lho - Relator. 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Joao Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Com base no Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - Sendo o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o inicio da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." 0 caso foi assim relatado pela Turma recorrida, verbis: "A empresa acima identificada, recorre a este colegiado da decisão de primeira instancia que julgou procedente o lançamento relativo ao crédito tributário consolidado et fl. 03, consubstanciado no seguinte auto de infração: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls.05/10, no valor de R$ 6.060,70, acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora; A exigência relativa ao IRPJ, conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl.6), intitulada - EMPRESAS INSTALADAS NA AREA DA SUDENE - REDUÇÃO - INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS - decorreu de decisão administrativa (processo 10580.003720/00-71) que julgou improcedente a prorrogação do incentivo fiscal, como também admitiu a Redução do Imposto de Renda apenas no percentual de 37,5%, a partir de 01/01/98 por força do disposto no § 2° do art.3° da Lei n°9.532/97. Portanto, procedeu-se a glosa da redução do imposto, superior a 37,5%, calculado com base no lucro da exploração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Salvador/BA) negou provimento à impugnação en' decisão proferida no venerando Acórdão n° 15-13.521 de 23.08.2007, (fls.105/113). O contribuinte foi cientificado da decisão prolatada mediante o Acórdão acima em 06/11/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl.120, e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes em 14/11/200, de fls. 121/122. 2 Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 2 Alega que a Decisão n° 006/95, reconheceu o incentivo fiscal até dezembro/2000,e, por haver cumprido todas as exigências do Regulamento do Imposto de Renda, tem direito adquirido da Redução de 50%. Assim, qualquer alteração posterior, não pode prejudicar o que foi concedido anteriormente. Ao final requer seja acolhido o recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório." No que interessa a essa instância recursal, o acórdão acima ementado suscitou ex officio preliminar de decadência de créditos tributários cujos geradores ocorreram até 31.12.1998, em face da intimação da lavratura do lançamento ter ocorrido em 12.03.2004, ern observância ao disposto no art. 150, § 4° do CTN. Segundo o acórdão, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4° do CTN. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional dissenso entre o acórdão recorrido e o Aresto n. CSRF/02-02.288, o qual assenta o entendimento de que "por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplica-se ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173, Ido CTN". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 1200 - 00.044/2010 (fls.179/180)), ante a alegada caracterização de dissídio j urisprudencial. Foram apresentadas contra-razões. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cinge-se a controvérsia ao acolhimento pelo acórdão recorrido da preliminar de decadência para a constituição de créditos tributários, cujos fatos geradores ocorreram em data anterior a 5 (cinco) anos contados da ciência do lançamento pelo contribuinte. Este Colegiado tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4° do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementa de v. acórdão proferido pela Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "ACÓRDÃO 9101-00.619 - Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - la. Turma da la. Camara Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALTRA DO BRASIL LTDA. INCORPORADORA DE ARTAM DO BRASIL LTDA. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial deve ser computado a teor do previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, pois o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento do tributo." (Processo no 10875.005130/2003-54, Recurso n° 154.203 Especial do Procurador, Sessão de 05 de julho de 2010, Data de decisão: 05/07/2010, Data de publicação: 05/07/2010). Contudo, em 21.12.2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, clever -do ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE" (RI/CARF, art. 62-A). Em vista de referida regra regimental, impõe-se a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 3 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, ,sS' 4°, e 173, do CTN. IMP OSSIBILIDADE. I. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei mio prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Linionad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, 5S' 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 1 ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Selo Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (h) a obrigação ex lege 5 de pagamento antecipado das contribuições previdencicirias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC (2007/0176994-0), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24p. 184). No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: (i) o prazo decadencial qiiinqiienal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito; e No caso, há noticia de recolhimento de IRPJ no ano-calendário correspondente à autuação, em vista da própria natureza da autuação que se refere à mera glosa de beneficio fiscal redutor do imposto a pagar ao final do ano-calendário (fls. 6). Veja-se, nesse sentido, teor da acusação fiscal, verbis: EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE REDUÇÃO – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS A fiscalizada, através do processo Administrativo nr. 10580.003720/0071, pleiteou junto a DRF/SALVADOR, prorrogação até o exercício financeiro de 2010 do incentivo fiscal, previsto no art. 14 da Lei 4.293/63, equivalente a redução de 50% do imposto de renda. Apreciando o pleito, o Setor de orientação Tributária - SEORT da DRF/Salvador/BA, nos termos do Parecer 977/2001 - SEORT, num só tempo, julgou improcedente a prorrogação do incentivo fiscal, como também, admitiu a Redução do Imposto de Renda, no percentual de 37,5% (trinta e sete e meio por cento) a partir de 1" de—janeiro de 1998, por forgo do disposto no parágrafo 2° do art. 3 ° cla Lei 9.532/97. Cientificada a fiscalizada, via Aviso de Recebimento-AR, recibado em 26.03.2003, não se manifestou, caracterizando o transito em julgado do decisório administrativo. Assim sendo, com fulcro no decisório administrativo e, com base nos dados constantes da DIPJ/1998, restando constatado, que a 6 de novembro de 2011. Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 4 fiscalizada não atendeu aos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, no percentual de 50%(cinquenta por cento) de Redução do imposto de renda, procedemos a glosa da redução do imposto, superior a 37,5% de redução do imposto de renda, calcando com base no Lucro de Exploração declarados nas fichas 09, 10 e 11 da Declaração de Informações Econômicos-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ do ano calendário de 1998, exercício financeiro de 1999, apurado na forma seguinte, transcrita da ficha 11:. 1-Lucro de Exploração da Atividade com redução de 37,5% - R$ 246.981,76. 2-Imposto de Renda - R$ 37.047,26. 3-Adicional do Imposto de Renda - RS 11.438,27. 4-Total do Imposto de Renda Passível de Redução - R$ 48.485,53. 5-Incentivo Fiscal - Redução de 37,5% (5x4) - R$ 18.182,07. 6-Valor REDUÇÃO DECLARADA NA FICHA 11 - R$ 24.242,77. 7- VALOR GLOSA DO INCENTIVO REDUÇÃO A MAIOR (6-5) - R$ 6.060,70. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/1998 R$ 6.060,70 75,00 Portanto, consideradas (i) a novel disposição regimental; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo (31.12.1998); (iii) a data de ciência do lançamento (12.03.2004); e (iv) a existência de recolhimento antecipado pelo contribuinte, impõe-se o reconhecimento da decadência em observância ao art. 150, § 4° do CTN. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento. 7
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