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7826104 #
Numero do processo: 10183.003755/2006-12
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRI l'OR: RURAL - Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Demonstrada a existência de área de reserva legal, antes do fato gerador, correta a retirada dela da base de calculo do imposto. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de oficio a isento quando constate a falta preenchimento dos requisitos pura a concessão do favor. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nao pode ser acolhida a argiliciio de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no czilculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 C! indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do 1TR em se tratando de áreas de preservação permanece e de reserva legal , tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, ao pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez clue tais efeitos suo info - par/es e alio ergo OM/WS. Recurso Voluntario e de Oficio Negados.
Numero da decisão: 2102-000.478
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, em NEGAR provimento no recurso voluntário nos termos do voto do Relator, Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que dava provimento.
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRI l'OR: RURAL - Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Demonstrada a existência de área de reserva legal, antes do fato gerador, correta a retirada dela da base de calculo do imposto. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de oficio a isento quando constate a falta preenchimento dos requisitos pura a concessão do favor. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nao pode ser acolhida a argiliciio de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no czilculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 C! indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do 1TR em se tratando de áreas de preservação permanece e de reserva legal , tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, ao pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez clue tais efeitos suo info - par/es e alio ergo OM/WS. Recurso Voluntario e de Oficio Negados.

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Numero do processo: 13827.003233/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-001.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     2 Carvalho  Araujo,  Gilvanci  Antonio  de  Oliveira  Sousa  e  Celia  Maria  de  Souza  Murphy  (Relatora).    Relatório  Em desfavor de MARIA EUNICE BELTRAME foi emitida a Notificação de  Lançamento  às  fls.  11,  na  qual  é  cobrado  o  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  física  (IRPF)  suplementar  no  valor  de R$  4.133,25  (quatro mil,  cento  e  trinta  e  três  reais  e  vinte  e  cinco  centavos), que, com juros de mora calculados até 28.11.2008 e multa proporcional perfaz um  valor total exigido de R$ 8.513,66 (oito mil quinhentos e treze reais e sessenta e seis centavos).  Na  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  13)  a  Fiscalização  informa  ter  apurado  deduções,  a  título  de  despesas médicas,  no  valor  de R$  15.030,00,  que  entendeu não terem sido devidamente comprovadas. Como conseqüência, procedeu à glosa do  valor correspondente.  Inconformada,  a  contribuinte  apresentou,  às  fls.  1  a  4,  Impugnação,  com  alegações  e  requerimento  assim  sintetizados  pelo  órgão  julgador  de  primeira  instância  administrativa:  “> os pagamentos foram efetuados em espécie, não se podendo  exigir outro  tipo de  comprovante por absoluta  falta de amparo  legal;  >os documentos  hábeis  e necessários para a  comprovação dos  pagamentos  silo  os  recibos  firmados  pelas  prestadoras  de  serviços  >a  autoridade  lançadora  não  contestou  a  idoneidade  dos  recibos;  >  exigir  document°  inexistente  é  abuso  de  poder  e  uma  exigência ilegal e sem amparo;  > quem acusa deve provar, segundo a lei. O Fisco não provou  que não houve a efetiva prestação do serviço;  >  a  legislação  exige  que  somente  hó  necessidade  de  se  comprovar  com  outros  documentos  quando  restar  dúvidas  quanto a idoneidade do documento apresentado;  > os documentos apresentados preenchem todos os requisitos  formais;  >  requer  acolhimento  da  impugnação  e  cancelamento  da  exigência fiscal;”  A 8.ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  São Paulo 2, mediante o Acórdão n.º 17­40.461, de 3 de maio de 2010, julgou improcedente a  Impugnação, em decisão assim ementada:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13827.003233/2008­58  Acórdão n.º 2101­001.418  S2­C1T1  Fl. 220          3 Exercício: 2006  GLOSA  DE  DEDUÇÕES  COM  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO.  Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito As suas  deduções  condiciona­se  à  comprovação  dos  serviços  prestados  e  dos correspondentes pagamentos, a juízo da autoridade fiscal.  Inteligência do artigo 11, §3°, do Decreto­lei n.° 5.844/43 e artigo  73 do RIR/99.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Ciente da decisão em 12 de agosto de 2010, a contribuinte interpôs Recurso  Voluntário em 14 de setembro do mesmo ano.  Voto             Conselheira Celia Maria de Souza Murphy  O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido.  A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em São Paulo 2 em 12 de agosto de 2010, conforme comprova o carimbo  de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 62.  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  a  contribuinte  protocolizou  Recurso  Voluntário  na  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Jaú  (SP)  no  dia  14  de  setembro de 2010, conforme atesta a funcionária da referida unidade (fls. 63).  O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta  dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada  no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris:  Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  No presente caso, iniciou­se a contagem do prazo em 13 de agosto de 2010,  sexta­feira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância (12 de agosto de  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     4 2010). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais  em  Jaú  na  data,  a  contagem  dos  trinta  dias  iniciou  no  próprio  dia  13  de  agosto  de  2010  e  encerrou­se em 11 de setembro de 2010, que, por ser um sábado, dia em que não há expediente  nas  repartições da Secretaria da Receita Federal, provocou uma prorrogação do prazo para o  dia útil seguinte, dia 13 de setembro, segunda­feira.  Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão  pela  qual,  decorrendo  o  lapso  temporal  previsto  em  lei  sem  que  ocorra  a  interposição  do  Recurso  Voluntário,  extingue­se,  tal  como  sucedeu  na  hipótese,  o  direito  do  interessado  de  deduzi­lo.  Impõe­se, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornou­se definitiva,  nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis:  "Art. 42. São definitivas as decisões:  I  ­  de  primeira  instância  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  [...].”   Constatada  a  sua  intempestividade,  o  Recurso  Voluntário  não  preenche  os  requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar  o mérito.    (assinado digitalmente)  __________________________________  Celia Maria de Souza Murphy ­ Relatora                               Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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4747587 #
Numero do processo: 10120.720834/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO. Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1803-001.112
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO. Tendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco, durante todo o ano calendário, declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DECORRÊNCIA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 249          1 248  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.720834/2011­93  Recurso nº  913.609   Voluntário  Acórdão nº  1803­01.112  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de novembro de 2011  Matéria  IRPJ   Recorrente  C S M COMERCIAL DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  LUCRO  PRESUMIDO.  BASE  DE  CÁLCULO.  DIVERSIDADE  DE  CRITÉRIO.  Tendo  o  contribuinte  optado  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  incabível determinar a base de cálculo utilizando critério diverso do previsto  na legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais.  INCONSTITUCIONALIDADE  OU  ILEGALIDADE.  LEI  OU  ATO  NORMATIVO. APRECIAÇÃO.  O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para  se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei  tributária (Súmula Carf nº  2),  isso  porque,  a  instância  administrativa  não  é  foro  apropriado  para  discussões  desta  natureza,  pois  qualquer  discussão  sobre  a  constitucionalidade e/ou  ilegalidade de normas  jurídicas deve ser submetida  ao  crivo  do  Poder  Judiciário  que  detém,  com  exclusividade,  a  prerrogativa  dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela  própria Constituição Federal.  MULTA QUALIFICADA.  A  prática  reiterada  de  apresentar  ao  fisco,  durante  todo  o  ano  calendário,  declarações  que  mascaram  a  obrigação  tributária  principal,  quando  a  escrituração  do  sujeito  passivo  demonstra  que  este  conhecia  o  real  valor  a  recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL.  DECORRÊNCIA.   A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e  amparada pela  legislação de  regência,  devendo o  entendimento  adotado  em  relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em  virtude da íntima relação de causa e efeito.     Fl. 249DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/2011­93  Acórdão n.º 1803­01.112  S1­TE03  Fl. 250          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  da  3ª  Turma  Especial  da  4ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto  que acompanham o presente julgado.     Selene Ferreira de Moraes  Presidente  (Assinado Digitalmente)    Sérgio Luiz Bezerra Presta  Relator  (Assinado Digitalmente)    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walter  Adolfo  Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues  Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes.       Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do  contido no Acórdão no. 03­42.642, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília ­ Distrito  Federal, fls. 220/225, a seguir transcrito:   “Contra  a  contribuinte  identificada  no  preâmbulo  foram  lavrados  os  autos  de  infração às  fls.  166/174  e  190/198,  formalizando  lançamento  de  ofício  do  crédito  tributário  a  seguir  discriminado,  relativo  ao  ano  calendário  de  2008,  incluindo  juros  de  mora  calculados  até  28/02/2011  e  multa  proporcional  qualificada  de  150%, totalizando R$ 941.352,85.    Segundo  a  descrição  dos  fatos  dos  autos  de  infração,  os  lançamentos  de  ofício  resultam  de  procedimento  fiscal  de  verificações  obrigatórias  que  constatou  divergências entre os valores escriturados e os declarados/pagos. É detalhado que a  contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, apurou na DIPJ  os  valores  devidos  a  partir  de  receita  bruta  inferior  à  registrada  em  sua  escrituração contábil  e  fiscal,  informando esses débitos a menor em DCTF,  razão  pela  qual  as  insuficiências  de  declaração/recolhimento  constatadas  estão  sendo  exigidas de ofício nos autos de infração.  Fl. 250DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/2011­93  Acórdão n.º 1803­01.112  S1­TE03  Fl. 251          3 Diante  da  prática  ilícita  adotada  pelo  sujeito  passivo,  que  veio  à  tona  graças  ao  trabalho fiscal, a multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150%, assim  como  formalizada  representação  fiscal  para  fins  penais  nos  autos  do  processo  identificado sob o nº. 10120.721045/201170.  Cientificada pessoalmente das exigências em 18/03/2011, a interessada apresentou  em  31/03/2011  a  petição  impugnativa  acostada  às  fls.  202/212,  contestando  o  procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados  a)  a  situação  detectada  pela  fiscalização  deve­se  ao  fato  de  a  empresa  adotar  tributação utilizando­se  da  tese  de  advogados  que  lhe  instruíram,  de  que  poderia  apurara base de cálculo dos tributos federais a partir da receita líquida (deduzidos  impostos e CMV) e não da receita bruta, em função do princípio da isonomia;  b) isto porque para algumas atividades, a legislação prevê tratamento diferenciado,  com  incidência  sobre  o  lucro  bruto,  possibilitando  a  dedução  dos  custos  das  operações da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; sendo este o tratamento  tributário  dado  às  instituições  financeiras,  na  compra  e  venda  de  moedas,  e  à  atividade de compra e venda de veículos usados;  c)  tal  diferença  de  tratamento  não  se  justifica,  tendo  em  vista  que  o  Código  Comercial prevê que a moeda é mercadoria,  devendo  ser aplicado o princípio da  isonomia,  afastando­se  o  tratamento  desigual adotado  em  relação a  contribuintes  que se dedicam à mercancia, como é o seu caso;  d) não agiu com intuito de suprimir ou reduzir tributo indevidamente ou de omitir  informações,  mas  baseou­se  em  fundamentos  jurídicos  consistentes,  já  firmados  judicialmente em vários casos, em razão porque não concorda com a conotação de  crime  sustentada  na  acusação  fiscal,  que  vê  como  a  utilização  de meio  vexatório  para a cobrança de  tributo, o que é vedado pelo art. 326, § 1º., do Código Penal  Brasileiro,  até  porque  a  autuação  baseou­se  nos  dados  de  sua  escrituração,  apresentada à fiscalização; e   e)  a  cobrança  de  juros  com  base  na  taxa  Selic  é  ilegal,  conforme  decidido  pelo  STJ”.  A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília ­ Distrito Federal, na sessão  de 19/04/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 03­42.642  entendendo “por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o  crédito  tributário  impugnado,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado”, sob argumentos assim ementados:     “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2008  Fl. 251DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/2011­93  Acórdão n.º 1803­01.112  S1­TE03  Fl. 252          4 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. DIVERSIDADE DE CRITÉRIO.  Tendo  o  contribuinte  optado  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  incabível  determinar  a  base  de  cálculo  utilizando  critério  diverso  do  previsto  na  legislação de regência, apurando valores tributáveis aquém dos reais.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE  Os  órgãos  julgadores  administrativos  não  são  detentores  de  competência  para  apreciar argüição de inconstitucionalidade.  MULTA QUALIFICADA.  A  prática  reiterada  de  apresentar  ao  fisco,  durante  todo  o  ano  calendário,  declarações que mascaram a obrigação tributária principal, quando a escrituração  do  sujeito  passivo  demonstra  que  este  conhecia  o  real  valor  a  recolher,  constitui  ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício.  CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO.  Ao lançamento da contribuição social aplica­se o decidido em relação à exigência  principal, formalizada com base nos mesmos fatos e elementos de prova.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”.  Cientificada da decisão  proferida pela 2ª Turma de  Julgamento da DRJ em  Brasília  ­  Distrito  Federal,  de  forma  eletrônica,  em  09/05/2011  11:33:00,  (data  e  hora  da  entrega na caixa postal da Recorrente – constante das fls 233 dos autos), a CSM COMERCIAL  DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, apresentou, em  06/06/2011,  seu  recurso  voluntário  (fls.  234  e  segs),  no  qual  reiterou,  integralmente,  os  argumentos da peça impugnativa.  Em síntese, é o relatório.  Voto             Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA  Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto  nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os  demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento.   Em uma leitura na primeira pagina do recurso voluntário, que é uma cópia da  impugnação, encontramos a seguinte declaração da Recorrente:  Fl. 252DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/2011­93  Acórdão n.º 1803­01.112  S1­TE03  Fl. 253          5   Diante  da  confissão  expressa  do  delito  cometido,  sob  a  égide  da  utilização  “de  tese  de  advogados”,  optou  pelo  lucro  presumido  e  resolveu  pagar  o  imposto  fazendo  deduções  como  se  fosse  optante  pelo  lucro  real;  tudo  isso  porque  buscava  isonomia  com  as  instituições financeiras e operações com veículos novos.   Na  verdade  o  que  houve  foi  a  utilização  tanto  pelo  fiscal  autuante  quando  pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília ­ Distrito Federal do principio da isonomia,  que consiste em síntese, tratar os iguais de formar igual e os diferentes de forma diferente. Ora  a Recorrente não é uma  instituição  financeira e  nem  tampouco,  consta nos  autos que  realize  operações com veículos novos, por essas duas razões não pode ser tributada da mesma forma  das instituições financeiras ou de empresas que realizem operações com veículos novos. Contra  fatos não há argumentos.   Diante desse fato, vejo que não há o que se discutir sobre os fundamentos da  decisão instrumentalizada pelo Acórdão nº. 03­42.642 proferido pela 2ª Turma de Julgamento  da DRJ em Brasília ­ Distrito Federal, decisão que deve ser mantida.   Com relação à multa qualificada, vejo que foram, reiteradamente, expurgadas  da  escrituração  contábil  e  fiscal  valores  que,  segundo  a  sistemática  do  lucro  presumido,  deveriam  compor  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Não  se  trata,  portanto  de  ilações,  presunções ou conjecturas, mas de declaração apresentada pela Recorrente na impugnação e no  Recurso Ordinário.  Rejeito,  portanto,  as  alegações  vazias  e  eminentemente  procrastinatórias  da  recorrente, mantendo­se a decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos.  Por fim, mantenho a multa qualificada de 150%, porque encontro nos autos, e  também na declaração apresentada pela Recorrente na impugnação e no Recurso Ordinário que  houve o intuito doloso em omitir as operações tributáveis do conhecimento do Fisco Federal.  Aqui,  não  se  trata  de mero  atraso  no  recolhimento  de  tributos  federais, mas  efetivo  e  claro  interesse em não recolher os tributos incidentes sobre as operações da Recorrente, sob a tese,  Fl. 253DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10120.720834/2011­93  Acórdão n.º 1803­01.112  S1­TE03  Fl. 254          6 sem  qualquer  respaldo  legal,  de  equiparação  com  instituições  financeiras  e  empresas  que  realizam operações com veículos novos.  Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente,  aplica­se a Súmula Carf nº 2, assim redigida:  “Súmula Carf nº 2 ­ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária”.  Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente nas  declarações  apresentadas  pela  Recorrente  na  impugnação  e  no  Recurso  Ordinário),  voto  no  sentindo  de  negar  provimento  ao  Recurso  para  manter,  integralmente,  o  auto  de  infração  efetivado  pela  fiscalização  e  ratificadas  pelo  Acórdão  nº.  03­42.642,  da  2ª  Turma  de  Julgamento da DRJ em Brasília ­ Distrito Federal.     Sérgio Luiz Bezerra Presta  Relator  Assinado Digitalmente                              Fl. 254DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES

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4744809 #
Numero do processo: 13005.000704/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL ANO-CALENDÁRIO: 2008 PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO A RFB. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF).
Numero da decisão: 1301-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas

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C R RICHTER TRANSPPORTES E COMÉRCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  ANO­CALENDÁRIO: 2008  PENDÊNCIAS  DA  EMPRESA  JUNTO  A  RFB.  FALTA  DE  INDICAÇÃO  DE  REQUISITOS  ESSENCIAIS  NO  ATO  DE  EXCLUSÃO. NULIDADE.  É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que  não  indique  as  pendências  da  empresa  junto  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  limitando­se  a  consignar  a  existência  de  tais  pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha,  Paulo  Jakson  da Silva Lucas, Edwal Casoni  de  Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.       Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2 Relatório  Trata­se  de  empresa  que  fez  a  opção  pelo  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno Porte — Simples Nacional, em 31/01/2008.  0 pedido da interessada foi indeferido conforme "Termo de Indeferimento da  Opção pelo Simples Nacional"  (fl. 14), sob o  fundamento de que  a pessoa  jurídica  incorre,  neste momento, na seguinte situação que impede a opção pelo Simples Nacional:  ­  Débito(s)  com  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  oriundo(s)  da  extinta Secretaria da Receita PrevidenciÁria, cuja exigibilidade não está suspensa;  ­  Débito(s)  com  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  oriundo(s)  da  extinta Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa.  O fundamento legal para o indeferimento apontado no respectivo Termo foi a  Lei Complementar no 123, de 14/12/2006, artigo 17, inciso V.  A  interessada  apresenta  sua manifestação  de  inconformidade  contra  o  não  deferimento da sua opção pelo Simples Nacional com os argumentos, em síntese:    ­    como  preliminar  aponta  as  dificuldades  econômicas  e  financeiras,  que  entende insuperáveis, caso não seja deferida a opção pelo Simples Nacional;  ­ no mérito diz que não tem mais débito em nenhuma das Fazendas Públicas,  conforme comprovantes que anexa.  Requer a sua inclusão no Simples Nacional.  A autoridade  julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do  acórdão DRJ/STM 18­12.788, de 20/08/2010, tendo sido lavrada a seguinte ementa:  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2008  DÉBITO COM A RFB SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PENDÊNCIA  IMPEDITIVA.  REGULARIZAÇÃO.  INCLUSÃO  NO  SIMPLES  NACIONAL.  INÍCIO DOS EFEITOS.  Representa óbice a inclusão no SIMPLES NACIONAL a existência de débito com a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  sem  a  suspensão  de  1  sua  exigibilidade,  permitindo­se  o  ingresso  do  sujeito  passivo  quando  regularizada  a  pendência  impeditiva, mediante  parcelamento  ou  pagamento,  antes  de  esgotado  o  prazo  para  opção relativo ao ano calendário em questão ou, se posterior a regularização, apenas  a partir do ano­calendário seguinte, caso faça nova opção.  Impugnação Improcedente  É o relatório.  Passo ao voto.    Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13005.000704/2008­40  Acórdão n.º 1301­000.698  S1­C3T1  Fl. 2          3 Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  Do  relatório  constata­se  que  o  presente  processo  de  exclusão  da  recorrente  do  Simples,  teve  por  fundamentação  a  existência  de  débito  junto  a Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa, com base legal na Lei Complementar n° 123, de  14/12/2006, artigo 17, inciso V, (Termo de Indeferimento de 18/01/2008, às fls.14).   Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional   Art. 17.  Não  poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a  empresa  de  pequeno porte:   (...)  V ­ que  possua  débito  com  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social ­ INSS,  ou  com  as Fazendas  Públicas  Federal,  Estadual  ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;   No  recurso  alega  que  solicitou  sua  inclusão  no SIMPLES NACIONAL  em  31/01/2008. Ao tomar conhecimento do indeferimento buscou quitar todas as pendências, que,  inclusive em consulta anterior não haviam constado. Interpôs o devido recurso, acompanhado  das  Certidões  de  Negativa  de  Débitos  e  dos  comprovantes  de  pagamento  de  remanescentes  tributários. Desde Janeiro de 2008 a Empresa está adimplente com seus compromissos.   Do voto combatido destaco os trechos: “As opções feitas nos anos de 2008 e  2009  foram  indeferidas  por  pendências  não  resolvidas.  Finalmente,  a  opção  feita  no  ano  de  2010 foi deferida, estando a  empresa  incluída  no  Simples  Nacional  com  efeitos  a  partir  de  1°/01/2010,  tudo conforme consta na folha 39 do presente.  Nos caso em concreto, a matéria objeto da manifestação de inconformidade é  contra o indeferimento da opção feita em 31/01/2008.  A  contribuinte  argumenta que  não  possui  qualquer  débito  em nenhuma das  Fazendas Públicas. Para comprovar anexa comprovantes.  No "Acompanhamento do Resultado da Solicitação de Opção" (fl. 15) foram  apontados débitos previdenciários e não previdenciários, cuja exigibilidade não está suspensa.  A interessada apresenta Certidão Conjunta Negativa (fl. 16) da Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  ­  PGFN  e  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  —  RFB  emitida em 11/03/2008. Ou seja, essa certidão comprova que nessa data já havia regularizado  suas pendências de débitos não previdenciários. Para comprovar sua situação diante do Fisco  Previdenciário  a  interessada  apresenta  os  documentos  que  constam  nas  folhas  18  a  26  do  presente.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 Constata­se  que o  referido Termo de  Indeferimento  não  consigna  o  rol  dos  débitos  cuja  pendências  fora  objeto  do  indeferimento  à  opção  pelo  Simples  Nacional,  informando, tão somente, às fls. 29, que a relação dos débitos está à disposição do contribuinte  no endereço eletrônico.  O  comunicado  de  exclusão  do  Simples  formalizado  através  do  Termo  de  Indeferimento  tem  caráter  abrangente,  de  forma  a  tão­somente  discriminar  como motivo  de  exclusão a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Assim sendo, entendo que o  ato de exclusão objeto da lide não possui os elementos necessários para o fim a que se destina.  Ressalte­se que a matéria encontra­se pacificada no âmbito do CARF, através  da Súmula 22 que a seguir transcrevo:  Súmula CARF  n  22: É  nulo  o  ato  declaratório  de  exclusão  do  Simples  que  se  limita  a  consignar  a  existência  de  pendências  perante  a Dívida Ativa  da União  ou  do  INSS,  sem a  indicação  dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.  Destarte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator                                  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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Numero do processo: 10950.000848/2002-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 1998 PAF REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não demonstrada a contrariedade à lei ou evidência de prova. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Ronaldo de Lima Macedo.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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  Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural­ITR  Exercício: 1998  PAF ­ REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  especial  quando  não  demonstrada  a  contrariedade à lei ou evidência de prova.  Recurso especial não conhecido.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  do recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Ronaldo de Lima  Macedo.    (Assinado digitalmente)  Elias Sampaio Freire – Presidente­Substituto  (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior ­ Relator  EDITADO EM: 24/05/2011     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE   2   Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire  (Presidente­Substituto),  Gonçalo  Bonet  Allage  (Vice­Presidente  Substituto),  Giovanni  Christian  Nunes  Campos  (Conselheiro  convocado),  Alexandre  Naoki  Nishioka  (Conselheiro  convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco  de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo  (Conselheiro Convocado).  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  interposto  pela  i.  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional (fls. 152/156), em face de decisão proferida pela então Terceira Câmara do Terceiro  Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração  e  retificou  o  Acórdão  303­33.645,  para:  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  preliminar  de  ilegitimidade  passiva  e,  por  maioria  de  votos,  declarar  a  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento do direito de defesa, mediante o Acórdão n. 303­34.619, cuja ementa transcrevo:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR  Exercício: 1998   Ementa: Processo administrativo  fiscal. Nulidade. Cerceamento  do direito de defesa.  As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem  ao contribuinte o direito de conhecer os detalhes tanto dos fatos  motivadores  da  exação  quanto  dos  parâmetros  utilizados  na  apuração  do  crédito  tributário  lançado  no  auto  de  infração.  Genérica indicação do motivo e inexistência do demonstrativo de  apuração do  tributo  são  fatos caracterizadores de cerceamento  do direito de defesa e nulo é o lançamento maculado com vício  dessa natureza.  A  PGFN  recorre  à  instância  especial,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  n.  147,  publicado no DOU de 28/06/2007, com o objetivo de reformar o acórdão exarado, por suposta  contrariedade à legislação tributária, conforme se observa abaixo (fls. 154­156):   (...) Pois bem. Cabível o por estar sendo oposto contra decisão  não­unânime  (por  maioria)  da  Terceira  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes,  que  julgou  o  caso  em  desacordo  com a lei tributária, conforme razões a seguir delineadas.  (...)  A  controvérsia  reside  na  existência  ou  inexistência  de  nulidade  por  cerceamento  de  defesa,  em  razão  da  falta  de  motivação quanto à glosa de área de preservação permanente e  pela falta do termo de apuração do tributo.  E segue:  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/2002­23  Acórdão n.º 9202­01.487  CSRF­T2  Fl. 2          3     Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE   4     Por  meio  do  Despacho  n.  045/2008  (fls.  158­159),  a  então  Presidente  da  Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto,  por entender satisfeitos os pressupostos de admissibilidade.  Devidamente intimado, o Banco do Brasil S/A apresentou contra­razões que,  em síntese, alega (fls. 164­167):  (i)  nenhum  momento  restou  demonstrada  como  foi  apurada  a  área  de  preservação encontrada pelo auditor;  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/2002­23  Acórdão n.º 9202­01.487  CSRF­T2  Fl. 3          5 (ii)  o  ora  recorrido  demonstrou  cabalmente  por  documentos  de  vistorias  realizadas a existência da área florestal declarada. Diversos laudos comprovam a existência da  área, conforme laudo elaborado pelo próprio INCRA em 14.01.1998;  (iii)  a  inexistência  de  motivo  que  justificou  a  glosa  de  área  florestal  reconhecida por existente pelo laudo do INCRA, repercute a nulidade do auto de infração;  (iv)  além  disso,  há  existência  de  esbulho  por  parte  de  invasores  de  terras.  Assim, a terra não estava sendo utilizada pelo Banco, mas pelos posseiros;  (v) não prospera o argumento do fisco de que não há prejuízo ao contribuinte.  Ora, o contribuinte está sendo compelido ao pagamento de quase R$ 50.000,00 atualizados, e  não  há  prejuízo?  A  própria  cobrança  ilegal  do  tributo  já  constitui,  em  si,  o  prejuízo  do  contribuinte. Retomado ao início do processo administrativo, após as retificações devidas pelo  Fisco,  restará  cabalmente  demonstrado  de  que  as  terras  estavam  em  poder  de  terceiros  (posseiros),  que  existe  a  área  florestal  declarada,  que  a  utilização  da  terra  não  estava  sob  controle do Banco.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator  O  recurso  é  tempestivo, na conformidade do prazo  estabelecido pelo  artigo  15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n°  147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está  devidamente  fundamentado. Quanto  à  suposta  contrariedade à  lei  tributária – pressuposto de  admissibilidade  do  recurso  ­,  não  vislumbro  a  satisfação  pela  peça  recursal,  conforme  se  observará abaixo.  Como  consignado  no  relatório,  a  PGFN  recorre  à  instância  especial,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  aprovado pela Portaria n. 147, publicado no DOU de 28/06/2007, com o objetivo de reformar o  acórdão exarado, por suposta contrariedade à legislação tributária, conforme se observa abaixo  (fls. 154­156):   (...) Pois bem. Cabível o por estar sendo oposto contra decisão  não­unânime  (por  maioria)  da  Terceira  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes,  que  julgou  o  caso  em  desacordo  com a lei tributária, conforme razões a seguir delineadas.  (...)  A  controvérsia  reside  na  existência  ou  inexistência  de  nulidade  por  cerceamento  de  defesa,  em  razão  da  falta  de  motivação quanto à glosa de área de preservação permanente e  pela falta do termo de apuração do tributo.  E segue:  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE   6   (...)      Para que se possa dizer que a decisão  recorrida  foi  contrária  a determinado  dispositivo de lei, requisito necessário para desafiar recurso especial, é necessário que referida  norma, ainda que em razão de embargos de declaração, seja levada em consideração quando do  julgamento do acórdão recorrido. Não se pode dizer que o acórdão recorrido contrariou o artigo  249, §1º do CPC, quando tal norma, nem de forma indireta, foi citada ou utilizada como razões  de decidir.  Quanto  a  matéria  trazida  me  sede  de  preliminar,  há  de  se  salientar  que  o  dispositivo apontado como infringido sequer foi discutido no acórdão recorrido. Precedentes do  Superior Tribunal de Justiça são no sentido de que não há de se conhecer de recurso especial se  os dispositivos legais tidos como contrariados não foram objeto de debate no julgado recorrido.  Confira o seguinte aresto do STJ (REsp 852826 / RJ, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro  JOSÉ DELGADO, DJ 26/10/2006 p. 258):  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  COMPENSAÇÃO  .  LANÇAMENTO  DE  MULTA  ADMINISTRATIVA. DILAÇÃO PROBATÓRIA.  AUSÊNCIA DE  PREQUESTIONAMENTO.  REEXAME  DE MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULAS 286/STF E 07/STJ. NÃO­CONHECIMENTO.  .............  2.  Não  prospera  recurso  especial  se  os  dispositivos  legais  apontados  como  infringidos  não  foram  objeto  de  debate  pelo  julgado  recorrido.  Incide  o  teor  do  verbete  sumular  282/STF.  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10950.000848/2002­23  Acórdão n.º 9202­01.487  CSRF­T2  Fl. 4          7 Seguiram­se  embargos  de  declaração,  rejeitados  por  unanimidade  pelo  Tribunal  a  quo,  em  face  da  inexistência  "de  quaisquer dos vícios previstos no artigo 535 do CPC".(GRIFEI)  ..............  4. Recurso especial não­conhecido.  Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda  Nacional.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior                                Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE

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Numero do processo: 13808.001438/98-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS INCENTIVADOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo indevido, por parte da administração, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres

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Recorrente  ILUMATIC S/A ­ ILUMINAÇÃO E ELETROMETALÚRGICA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998  RESSARCIMENTO  DE  CRÉDITOS  INCENTIVADOS  DE  IPI.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.  Ressarcimento de  crédito  tem natureza  jurídica distinta da de  restituição de  indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária ­ taxa  Selic  ­  autorizada  legalmente,  apenas  para  as  hipóteses  de  constituição  de  crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica­se a ressarcimento, nos  termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que  houve  obstáculo  indevido,  por  parte  da  administração,  a  ressarcimento  postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros  Nanci  Gama,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López  e  Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.    Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    Henrique Pinheiro Torres ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa     Fl. 311DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2 Pôssas,  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque  Silva, Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.    Relatório  Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido:  Cuida­se  de  recurso  em  face  da  decisão  da  DRJ  de  Ribeirão  Preto/SP, que manteve o indeferimento da atualização pela Taxa  Selic, de valores objeto de pedido de  ressarcimento de  IPI, por  ausência de previsão legal, sintetizada na seguinte ementa:  "Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS —  Período de apuração.. 01/01/1998 a 31/03/1998  RESSARCIMENTO DE IPI INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC  É incabível, por ausência de base legal, a atualização, pela taxa  SELIC, de valores objeto de pedido de ressarcimento.  Solicitação Indeferida."  Cientificada em 14/01/2008 (cf. AR à fl. 192/verso), é interposto  o  recurso voluntário de  fls. 193/204, em 21/01/2008, no qual a  recorrente  defende  o  entendimento  de  que  é  possível  a  atualização  dos  valores  relativos  ao  ressarcimento  de  IPI,  em  favor de sua tese cita decisões emanadas pelo Poder Judiciário e  também pelos Conselhos de Contribuintes.  Julgando  feito, o Colegiado a quo negou provimento ao  recurso voluntário,  em acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998  RESSARCIMENTO  DE  CRÉDITOS.  ATUALIZAÇÃO  PELA  TAXA SELIC.  Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se  tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.  Recurso negado.  Inconformada,  a  requerente  apresentou  recurso  especial  de divergência  (fls.  229/241), sendo­lhe dado seguimento pelo despacho de fls. 268 e 269.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 273 a 279..  Em apertada síntese, é o relatório.    Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator  A  teor  do  relatado,  a  matéria  trazida  a  debate  cinge­se  à  questão  da  atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo.  Fl. 312DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001438/98­21  Acórdão n.º 9303­01.728  CSRF­T3  Fl. 282        3 Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito  objeto  destes  autos  não  estava  sujeito  a  qualquer  oposição  legislativa  ou  administrativa  por  parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, trata­se de crédito incentivado  (escritural  de  IPI)  relativos  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  adquiridos  para  utilização  na  fabricação  dos  produtos  isentos,  relacionados  em  anexo  da  Lei  9493/1997.  Os  créditos  pertinentes  a  entradas  desses  insumos  podiam  ser  utilizados e mantidos na escrita fiscal do estabelecimento industrial, por força do parágrafo 1º  do art. 1º da lei acima aludida.  De  outro  lado,  o  art.  179  do RIPI  1998,  em  seu  art.  179  veio  a  permitir  o  ressarcimento  (em  espécie  ou  por  meio  de  compensação  com  débitos  de  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal).  Desta  feita,  ao  caso  não  se  aplica  a  jurisprudência  do  STJ,  que  determina  a  incidência  de  atualização monetária  sobre  o  valor  a  ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito  passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996.  Feito esses esclarecimentos, passemos, de  imediato, à questão da incidência  de atualização Selic sobre o ressarcimento de créditos escriturais de IPI.  O  tema  tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a  posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das  Turmas de Julgamento.  A  meu  sentir,  a  posição  mais  consentânea  com  o  bom  direito  é  a  da  não  incidência  de  correção  monetária  desses  créditos,  visto  que,  contra  tal  pretensão,  há  o  fato  intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei concessiva  do benefício (Lei 9.363/1996) foi absolutamente silente em relação ao tema.  A  Instrução  Normativa  SRF  nº  125,  de  07/12/89,  que  trata  dos  créditos  decorrentes  de  estímulos  fiscais  na  área  do  IPI,  ao  prever  o  ressarcimento  em  dinheiro  dos  créditos  excedentes  aos  débitos,  não  faculta  a  hipótese  de  utilização  da  correção monetária  nesses créditos. Aliás, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida  a  maior,  nos  casos  em  que  a  requerente,  comprovadamente,  tenha  obtido  ressarcimento  indevido.  Assim,  na  legislação  específica  desse  benefício  não  há  previsão  legal  autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido. Resta, agora, analisar a parte geral  da Legislação para verificar se há previsão para que se atualizem os créditos do IPI.  O RIPI/98,  que  reproduz  a  legislação  do  IPI  não  traz  qualquer  autorização  para  que  se  corrijam  valores  a  ressarcir.  A  lei  9.779/1999  que  modificou  a  sistemática  de  utilização  de  créditos  de  IPI  não  deu  qualquer  abertura  para  que  se  corrigissem  eventuais  ressarcimentos.  A  IN  SRF  nº  33/1999,  que  cuidou,  dentre  outros  temas,  do  direito  a  ressarcimento  trimestral  do  saldo  credor  de  IPI,  não  previu  qualquer  hipótese de  atualização  desses créditos.  Confirma­se,  assim,  não  haver  previsão  legal  para  proceder  a  correção  monetária do crédito de  IPI,  e de outra  forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito  criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da não­cumulatividade  do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na  operação seguinte, não há  lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do  IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado  para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a  ser ressarcido.  Fl. 313DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 Também  a  Lei  8.383/91,  que  instituiu  a  UFIR  como  medida  de  valor  e  parâmetro  de  atualização monetária  de  tributos,  multas  e  penalidades  de  qualquer  natureza,  previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, §  3º  dessa  Lei,  ao  contrário  do  alegado,  não  é  o  suporte  legal  para  a  correção monetária  dos  créditos  a  lhe  serem  restituídos.  Tal  dispositivo  trata  dos  casos  de  repetição  do  pagamento  indevido ou da parcela paga a maior.  Art.  66.  Nos  casos  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributos  e  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias,  mesmo  quando  resultante  de  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância  correspondente a períodos subsequentes.  § 1º (...)  § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do  imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na  variação da UFIR. (Destaque não presente no original).  Decorre  dos  princípios  da  hermenêutica  que  na  interpretação  das  normas  jurídicas  não  se  pode  dissociar  o  parágrafo  do  caput  do  artigo,  a  interpretação  deve  ser  integrada,  sistêmica e não  isoladamente, de  tal  forma que o parágrafo  complete o  sentido do  artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado.  Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da  restituição  serão  corrigidos,  está  completando  o  sentido  do  caput  do  art.  66  que  trata  exclusivamente  de  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido  de  tributos  e  contribuições  federais.  Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi  assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995:  Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383,  de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da  Lei  nº  9.069,  de  29  de  junho  de  1995,  somente  poderá  ser  efetuada  com  o  recolhimento  de  importância  correspondente  a  imposto,  taxa,  contribuição  federal  ou  receitas  patrimoniais  de  mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos  subseqüentes.   § 1º (VETADO)   § 2° (VETADO)   § 3° (VETADO)   §  4º  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  a  compensação  ou  restituição  será  acrescida  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados  a  partir  da  data  do  pagamento  indevido  ou  a maior  até  o mês  anterior  ao  da  compensação  ou  restituição  e  de  1%  relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifou­se).  Ora,  ao  reportar­se  ao  art.  66  da Lei  nº  8.383,  de  1991,  o  dispositivo  legal  acima  transcrito  restringe  a  aplicação  da  taxa  SELIC  apenas  aos  casos  de  compensação  ou  restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições  federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos  créditos  decorrentes  de  estímulos  fiscais;  portanto,  não  é  lícito  estender  o  alcance  desse  dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida.  Fl. 314DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001438/98­21  Acórdão n.º 9303­01.728  CSRF­T3  Fl. 283        5 Por  sua  vez,  o  Código  Tributário  Nacional  ao  tratar  sobre  pagamento  de  tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs:   Art.  165. O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto  no § 4º do art. 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  II  ­  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação  da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.   Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência  do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido  referido  encargo,  ou,  no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro,  estar  por  este  expressamente autorizado a recebê­la. (Grifou­se).  Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de  compensação ou restituição, refere­se a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que  o  devido,  o  que  não  é  absolutamente  o  caso  do  presente  processo,  que  se  refere  a  ressarcimento de crédito presumido de IPI.  Ressalte­se que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento  em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade  tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como  origem  um  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido  pelo  sujeito  passivo.  Em  outras  palavras,  o  ressarcimento  ou  a  compensação  de  créditos  relativos  as  aquisições  de  insumos  utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto  a  repetição  do  indébito,  quer  na  modalidade  de  restituição,  quer  na  de  compensação,  tem  natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos  cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito).   Ademais, a sociedade empresária ao adquirir os insumos paga o imposto que  vem destacado na nota fiscal, exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é  um favor fiscal que prevê o ressarcimento desse tributo na forma de crédito incentivado de IPI.  Donde  conclui­se  que  o  ressarcimento  desse  crédito  não  se  confunde  com  a  devolução  de  pagamento indevido.   Dessa  forma,  não  é  lícito  valer­se  da  analogia  para  estender  ao  ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei  nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de  pagamento  de  tributos  e  contribuições  indevidos  ou  pagos  a  maior  que  o  devido.  Ora,  é  evidente  que  se  o  legislador  quisesse  conceder  a  correção  monetária  também  para  o  ressarcimento em questão,  tê­lo­ia  incluído nos diplomas  legais citados ou no que  instituiu o  incentivo fiscal.  Esclareça­se, por oportuno, que a atualização aplica­se a ressarcimento, nos  termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houve obstáculo  Fl. 315DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 indevido,  por  parte  da  administração,  ao  creditamento  postulado  pelo  sujeito  passivo. O que  não é o caso dos autos.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  especial apresentado pela contribuinte.    Henrique Pinheiro Torres                              Fl. 316DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 13804.002309/00-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1997 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-000.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR

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CARDWAY REPRES. E PARTIC. LTDA (sucedida por UNIBANCO —  UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S.A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1997  PEDIDO  DE  REVISÃO  DE  ORDEM  DE  EMISSÃO  DE  INCENTIVOS  FISCAIS ­ PERC.   Para  fins  de  deferimento  do  PERC,  a  exigência  de  comprovação  de  regularidade fiscal deve  se ater ao período a que se  referir  a Declaração de  Rendimentos  da  Pessoa  Jurídica  na  qual  se  deu  a  opção  pelo  incentivo,  admitindo­se  a  prova  da  quitação  em  qualquer  momento  do  processo  administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para  prosseguimento na análise do PERC.    (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.     Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 453          2 Relatório  Cardway Representações e Participações Ltda  (sucedida por UNIBANCO –  União de Bancos Brasileiros S/A) recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância  proferida pela 8ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo  33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  “A  contribuinte  acima  identificada  ingressou  com  o  PERC  —  Pedido  de  Revisão de Ordem de Emissão de  Incentivos Fiscais de  fl. 01,  tendo em vista que  não  houve  a  expedição  da  ordem  de  emissão  de  incentivos  fiscais  (OEIF),  relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano­calendário  1997 exercício 1998 no FINOR, conforme extrato às fls. 255/256.  2.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  de  fls.  360  a  363,  proferido  em  junho/2008, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, com base no  artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995 e art. 6° da Lei n° 10.522/2002, tendo em  vista o resultado de consultas ao CADIN/SISBACEN e aos registros de regularidade  mantidos  pela Secretaria da Receita Federal — SRF e  pela Procuradoria Geral da  Fazenda Nacional — PGFN, apontando a existência de débitos.  2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que:  5­  Motiva  o  pedido  a  não  expedição  da  ordem  de  emissão  de  incentivos  fiscais  (OEIF) ao FINOR, como opção  feita pela interessada, o que se verifica no  extrato acostado aos autos às fls. 255 a 256, no valor de R$ 2.199,61, 24% da base  de cálculo do incentivo fiscal.  6­ O pedido deve ser considerado tempestivo, (..)  7­  A  situação  cadastral  atual  da  interessada  junto  ao  CNPJ  é  "Baixada",  tendo  sido  incorporada pelo UNIBANCO — UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS  S.A.,  atual  responsável pela  interessada, que  está  "Ativa", e  está  sob a  jurisdição  desta unidade administrativa, conforme extrato de fl. 263.  8­  A  interessada  apresentou  uma  única  DIPJ/1998,  referente  ao  ano­ calendário 1997, processada e liberada sem o registro de eventos.  9­  Consulta  ao  sistema  IRPJOEIF  indica  que  os  valores  declarados  como  incentivo  fiscal são coincidentes com os valores normalizados,  fl.256, pelo mesmo  sistema, no valor de R$ 2.199,61, 24% do valor da base de cálculo, no valor de R$  9.165,08,  que  porém,  não  foram  liberados  devido  a  irregularidades  fiscais  qualificadas  por  quando  do  processamento  eletrônico  da  DIPJ/1998,  como  se  verifica do extrato de fls. 257, ocorrência 11 — contribuinte com débito de tributos  e contribuições federais.  10­  Não  foram  detectados  DARF  pagos  que  representassem  aplicação  dirigida a algum Fundo de Investimento (DARF específico).  11­ Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém  verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 454          3 questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito  foram  consultados  o  CADIN/SISBACEN  e  os  registros  de  regularidade  mantidos  pela Secretaria da Receita Federal/PGFN.  12. A aludida consulta  indica que a  interessada está,  também nesta data, em  situação  irregular  junto  à Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil/PGFN,  como  se  verifica  a  fls.  265  a  359  deste  processo,  indicando  que  constam  débitos  da  interessada  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União,  débito  em  cobrança  final  no  PROFISC, e no SIEF, e está inscrita no CADIN como passível de inadimplência, fls.  260  a  261,  fatos  estes  que  a  impedem  de  comprovar  a  quitação  de  tributos  e  contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita:  PROPOSTA  13­ Como conseqüência das questões preliminares suscitadas, conclui­se que,  nesta data, a interessada não faz jus à expedição da ordem de Emissão Adicional de  Incentivos Fiscais, motivo pelo qual propomos que o pleito seja INDEFERIDO.  2.2. O referido despacho decisório encontra­se assim ementado:  Assunto:  Pedido  de  revisão  de  ordem  de  emissão  de  incentivo  (PERC), relativo ao IRPJ/1998, ano calendário 1997.  Ementa:  INCENTIVOS  FISCAIS.  PERC.  A  legislação  veda  a  concessão de incentivos fiscais nas situações em que não esteja  regular junto à Fazenda Pública e perante o Fundo de Garantia  por Tempo de Serviço.  3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente  cientificada  em  28/07/2008  (fl.  365),  a  interessada  apresentou,  em  28/08/2008,  manifestação de inconformidade de fls. 366 a 374, acompanhada da documentação  de fls. 375 a 390. Na peça de defesa a interessada argúi:  3.1.  que  o  indeferimento  do  pedido  do  incentivo  fiscal  por  não  ter  a  manifestante  logrado  comprovar  em  14/06/2008  que  estava  regular  com  o  Fisco  Federal,  quase  cinco  anos  após  a  opção,  está  equivocado,  pois  tanto  a  "Certidão  Conjunta  Positiva  com  Efeitos  de  Negativa  de  Débitos  Relativos  aos  Tributos  Federais  e  à Dívida Ativa da União"  (válida  até  09/09/2008 —  fl.  387),  quanto  o  "Certificado de Regularidade do FGTS — CRF" (válido até 16/09/2008 — fl. 388)  informam  que  a  contribuinte  preencheu  o  requisito  primordial  para  a  opção  do  exercício do beneficio fiscal, nos exatos moldes do artigo 60 da Lei n° 9069/1995 e  art. 6° da Lei n° 10522/2002;  3.2. que a existência de apontamentos pela SRF, não significa que os mesmos  não foram tratados devidamente, e, se existe certidão de regularidade, conclui­se que  o  contribuinte  apresentou  à  autoridade  administrativa,  seja  à Receita  Federal  ou  à  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional,  a  cabal  comprovação  de  quitação  ou  de  suspensão de exigibilidade do crédito tributário, para obtenção da sobredita certidão  de  regularidade  fiscal,  seja  ela  no modal  Certidão Negativa  de  débitos  (CND)  ou  Certidão Positiva com Efeito de Negativa de Débitos (CPD­EN);  3.3.  que  não  pode  a  simples  suposição  de  existência  de  débito,  obstar  o  usufruto  de  benesse  fiscal  devidamente  garantida  pelo  estrito  cumprimento  dos  requisitos da legislação tributária;  3.4.  que  em  face  das  condições  dinâmicas  de  sua  atividade,  a  situação  da  contribuinte  pode  variar  de  "sem  débito  em  aberto"  a  "com  débito  em  aberto",  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 455          4 propiciando  o  surtimento  de  situações  não  isonômicas  no  tratamento  dado  aos  contribuintes pela administração tributária;  3.5.  que,  em  homenagem  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  é  necessário  adotar  um  único  momento  para  se  avaliar  as  condições  de  regularidade  fiscal  do  contribuinte  pleiteante  de  benefícios  fiscais.  O  único  momento  passível  de  ser  interpretado como definidor da data na qual devem ser  averiguadas  tais  condições  seria  o  do  r.  despacho  decisório  de  revisão  da  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer incentivo ou benefício fiscal;  3.6. que, diante das considerações acima e tendo em vista que, na data do r.  despacho  decisório  de  fls.,  o  manifestante  estava  plenamente  regular  perante  os  órgãos públicos (certidões em anexo), forçoso reconhecer a plena possibilidade do  exercício da concessão do incentivo fiscal, pois foram cumpridas as determinações  da legislação de regência;  3.7.  que  ocorreu  "homologação  tácita  atinente  ao  reconhecimento  da  concessão do beneficio fiscal em comento", alegando, neste sentido, que:  ­ tendo a opção da benesse fiscal constado em documento oficial transmitida  à  Secretaria  da  Receita  federal  em  28/04/1998,  via  ‘internet’,  não  há  o  que  se  discutir que caberia ao Fisco Federal revisitar o pedido de revisão, mais tardar em  junho de 2006, ou seja, dentro do qüinqüênio legal previsto na legislação tributária;  ­  o  r.  despacho  decisório  de  fls.,  somente  analisou  o  pedido  de  revisão  em  junho de 2006, ou seja, sete anos após a opção constatada na aludida DIPJ/1.998;  ­ está evidente a ocorrência da homologação tácita dos valores declarados em  DIPJ/1998, ensejando, ato contínuo, o reconhecimento do benefício fiscal a que faz  jus o Manifestante.”  Na  decisão  de  primeira  instância,  representada  no Acórdão  da DRJ  nº  16­ 21.362  (fls.  393­396)  de  13/05/2009,  por  maioria  de  votos,  indeferiu­se  a  solicitação  da  interessada nos termos representados em sua ementa a seguir transcrita:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  '  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  PERC  ­  QUITAÇÃO  DE  TRIBUTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  FEDERAIS ­ PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  fiscal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte  da  quitação  de  tributos  e  contribuições  federais.  Diante  '  da  ausência  desta  prova o PERC não pode ser deferido.  Solicitação Indeferida.”  Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 28/05/2009 (A.R. de fl.  400), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/06/2009 (fls. 403­413) no qual reforçou  as alegações da peça impugnatória.  É o relatório.  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 456          5 Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator.    O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção  do  benefício,  digno  de  destaque  é  o  disposto  no  art.  60,  da  Lei  n°  9.069/95,  que  orienta  a  administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber:  "Art.  60.  A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  benefício  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais."  Não  há  dúvidas  de  que  o  contribuinte,  para  obter  a  concessão  ou  reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia,  diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição:  i) sempre que se analisar o pedido,   ii) no momento de sua concessão ou   iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal.  A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes,  em acórdão da  lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido  art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o  momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos.  Afastando  quaisquer  dúvidas,  o  enunciado  nº  37  da  súmula  do  CARF  estabelece:  Para  fins  de  deferimento  do  Pedido  de  Revisão  de  Ordem  de  Incentivos  Fiscais  (PERC),  a  exigência  de  comprovação  de  regularidade  fiscal  deve  se  ater  ao  período  a  que  se  referir  a  Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a  opção  pelo  incentivo,  admitindo­se  a  prova  da  quitação  em  qualquer  momento  do  processo  administrativo,  nos  termos  do  Decreto nº 70.235/72.  Ressalte­se  que,  conforme  sumulado,  é  admitida  a  prova  da  quitação  a  qualquer momento do processo administrativo.  Ademais,  conforme  voto  do  relator  do  acórdão  da  DRJ  (trecho  abaixo  transcrito,  fl.  397/398),  não  constava  dos  autos  documentos  capazes  de  comprovar  a  regularidade fiscal da requerente em momento distinto da situação correspondente à época da  confecção do seu voto.   Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 457          6 6.4.  Em  relação,  portanto,  ao  critério  temporal  a  ser  utilizado  para  a  verificação de débitos dos contribuintes deve ser considerado o momento da entrega  da declaração, ou de seu processamento, bem como o de apreciação do PERC, uma  vez  que  o  reconhecimento  de  um  incentivo  fiscal  está  associado  a  uma  condição,  conforme se conclui do disposto no art. 613 do RIR/1994, em seu § 5º,  com base  legal no Decreto­Lei n° 1.759, de 1979, Art 2 °, a seguir transcrito:  [...]  6.5.  Note­se,  ainda,  que  o  litígio  prende­se  às  conclusões  exaradas  no  despacho decisório e, portanto, deve ser o foco de nossa análise a situação fiscal da  interessada naquela época.  6.6. No caso de que trata o presente processo administrativo, foi constatada a  existência  de  débito  federal  junto  à  RFB  e  à  PGFN,  conforme  informado  no  despacho decisório (fls. 362) e indicado às fls. 273, 278, 279, 284, 285, 295, 324 e  329.  6.7. A contribuinte também entende que na data da apreciação do Pedido de  Revisão  de  Ordem  de  Emissão  de  Incentivos  Fiscais —  PERC  é  o  momento  de  averiguação de sua regularidade fiscal. No caso, segundo a reclamante, as Certidões  de fls. 387 e 388, comprovariam a sua regularidade.  6.8. Ocorre que a certidão cuja cópia encontra­se à  fl. 388, apresentada pela  contribuinte,  foi  emitida  conjuntamente  pela  PGFN  e  pela  SRFB,  apesar  da  existência de débitos em cobrança (SIEF e Profisc) e de inscrições em Dívida Ativa,  “em cumprimento à decisão judicial proferida nos autos da AO 2007.61.00.021226­ 6, 26ª VF/SP”, conforme consta do próprio corpo da certidão.”  Nesse  sentido,  considerando  que  o  sentido  da  lei  não  é  impedir  que  o  contribuinte  em  débito  usufrua  o  benefício,  mas  sim,  condicionar  seu  gozo  à  quitação  do  débito,  não  sendo  possível  identificar  que  na  data  da  entrega  da  declaração  o  contribuinte  possuía  débitos  de  tributos  ou  contribuições  federais,  deverá  ser  considerada  a  regularidade  comprovada  nos  autos.  Novos  débitos  que  surjam  após  a  data  da  entrega  da  declaração  influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes.  Outrossim,  verifico  que  nem a DRF de  origem,  nem a DRJ,  apreciaram os  demais requisitos para a concessão do incentivo.  Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso para determinar a  remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão.  Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator.                            Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13804.002309/00­77  Acórdão n.º 1402­00.775  S1­C4T2  Fl. 458          7     Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 10840.002232/2005-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 06/2005 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006.
Numero da decisão: 3403-001.275
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.002232/2005­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­001.275  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  6 de outubro de 2011  Matéria  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO  Recorrente  USINA BAZAN S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 06/2005  Ementa:  PIS/COFINS  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO.  ART.  3º,  II  DA  LEI  10.833/2003.  CONCEITO  DE  INSUMO.  PERTINÊNCIA  COM  AS  CARACTERÍSTICAS  DA  ATIVIDADE  PRODUTIVA.  USINA  DE  AÇÚCAR  E  ÁLCOOL.  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES  PARA O  MAQUINÁRIO  DE  CORTE  E  TRANSPORTE.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE  DE  PESSOAS  ENTRE  A  SEDE  DA  EMPRESA  E  O  LOCAL DO CORTE DA CANA­DE­AÇÚCAR. POSSIBILIDADE.  A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas  da atividade produtiva do contribuinte.  Na atividade  de  usinagem de  cana­de­açúcar,  o  transporte  dos  funcionários  até o local do corte da cana­de­açúcar é uma atividade integrante, porquanto  necessária, do processo produtivo.  Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um  benefício  ao  empregado,  mas  a  contratação  de  um  serviço  que  viabiliza  a  produção, integrando o processo produtivo.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVO.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DA  AGROINDÚSTRIA.  ART.  8º  DA  LEI  10.925/2004.  IMPOSSIBILIDADE  DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS.  Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao  art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o  tratamento que deve ser dado ao crédito  presumido  da  agroindústria  é  o  do  regime  aplicável  ao  crédito  ordinário  relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução  da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito  correspondente  à  exportação  –  que  pode  ser  objeto  de  restituição  e  compensação.  Legalidade  da  vedação  contida  no  art.  8º,  §  3º,  II  da  IN  660/2006.     Fl. 135DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 Recurso provido em parte.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque,  para  que  sejam  computados  os  bens  correspondentes  aos  Adesivos,  Corretivos,  Cupinicida,  Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas ­ Produtos, não devendo computar no estoque o valor de  serviço  de  transporte  de  pessoas.  Vencido  o  Conselheiro  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mão­ de­obra.  Antonio Carlos Atulim – Presidente   Ivan Allegretti – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Liduína Maria  Alves Macambira,  Ivan  Allegretti, Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Raquel Motta  Brandão  Minatel  e  Adriana  Oliveira  e  Ribeiro.  Ausentes  justificadamente  os  Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz.   Relatório  Trata­se de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte por  meio das quais busca o aproveitamento de crédito de Contribuição ao PIS que teria sido gerado  no  período  de  apuração  correspondente  ao  mês  06/2005,  correspondente  a  receitas  de  exportação, na forma do art. 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002.  A  Fiscalização,  depois  da  coleta  de  informações  e  documentos,  apresentou  Relatório da Ação Fiscal (fls. 37/47) sugerindo  (a) a glosa dos créditos que entende que não deveriam ser considerados como  insumos:  (a.1)  relativos  aos  “combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  no  maquinário  agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de açúcar, assim como, nos  caminhões  que  transportam a  cana da  lavoura  até  a  unidade  industrial  da  contribuinte  para  fabricação  do  açúcar  e  álcool”  por  entender  que  “não  podem ser considerados "insumos", tendo em vista que não são utilizados no  processo  produtivo  de  açúcar  e  álcool  da  empresa  e  sim  no  maquinário  agrícola ligado ao plantio, corte e carregamento da cana”  (a.2)  relativos à aquisição de  serviços os quais  se  referem ao valores pagos  para o transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de plantação  das  mudas  e  corte  de  cana­de­açúcar  esmagada  na  unidade  industrial  da  contribuinte;  (b)  a  glosa  da  integralidade  dos  valores  correspondentes  ao  “crédito  presumido  agroindústria”,  pois  embora  a  contribuinte  tivesse  feito  o  rateio  deste  crédito  entre  Mercado  Interno  e  Mercado  Externo,  o  art.  8º  da  IN  660/2006  esclarece  que  esta modalidade  de  crédito  não  pode  ser  objeto  de  compensação  nem  ressarcimento,  ou  seja,  que  apenas  pode  ser  aproveitado  Fl. 136DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/2005­87  Acórdão n.º 3403­001.275  S3­C4T3  Fl. 2          3 para a dedução do valor devido da mesma Contribuição apurada no regime da  não­cumulatividade.  A  Fiscalização  também  identificou,  em  benefício  do  contribuinte,  que  na  determinação do percentual de repartição entre Mercado Interno e Mercado Externo havia sido  adicionado ao Mercado Interno, de maneira equivocada, o valor da venda de álcool  (que não  deveria ser computado pelo fato de se submeter ao regime cumulativo), o que surtia o efeito de  elevar  indevidamente  o  percentual  do  Mercado  Interno  e,  via  de  conseqüência,  reduzir  indevidamente o percentual do Mercado Externo.  Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a  um valor menor que o pleiteado.  O  Despacho  Decisório  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Ribeirão  Preto/SP  (fls.  48/49)  apoiou­se  na  conclusão  da  fiscalização,  assim  homologando  apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos aos contribuinte.  O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguinte ementa:  PIS  ­  Programa  de  Integração  Social  ­  Tributação  não­ cumulativa   Bens e produtos não incluídos no conceito de Insumos ­ Inciso  II do art 3° da Lei 10.637/2002 e art. 8°, inciso I, alínea "b" e  "b1", § 4° do item "a" e § 9°, inciso I da I N SRF n° 404/2004  A  pessoa  jurídica  pode  descontar  créditos  determinados  mediante a aplicação da alíquota de 1,65 % sobre os valores das  aquisições  efetuadas  no  mês  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados  como  insumos  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda  ou na prestação de serviços.   Entende­se como insumos utilizados na fabricação ou produção  de  bens  destinados  à  venda,  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens  que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado,  bem  como,  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.  Somente  podem  ser  considerados  insumos,  para  fins  de  creditamento  de  PIS,  os  bens  e  serviços  intrinsecamente  vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda  ou  à  prestação  de  serviços,  ou  seja,  quando  aplicados  ou  consumidos diretamente no processo.   Rateio dos custos, encargos e despesas comuns pelo Método do  Rateio. Proporcional para utilização no cálculo dos créditos de  PIS de incidência não­cumulativa ­ § 7º e inciso II do § 8º do  art. 3º da Lei n° 10.637/2002.  Fl. 137DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4  Inexistindo contabilidade de custos integrada e coordenada com  escrituração,  onde  se  possa  identificar  individualizadamente  os  custos, despesas e encargos vinculados à exportação, é correto a  utilização  do  critério  de  proporcionalidade,  encontrando  o  percentual  entre  a  receita  total  e  a  receita  advinda  de  exportação.  O  crédito  será  determinado  pelo  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos  a  relação percentual entre a receita bruta sujeita à incidência não­ cumulativa  e  a  receita  bruta  total.  Logo  ,  na  apuração  da  porcentagem  das  receitas  não­cumulativas,  deve  compor  o  numerador  a  receita  bruta  sujeita  à  não­cumulatividade.  Deve  compor o denominador todas as receitas que compõem a receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  tanto  cumulativas  quanto  não­ cumulativas.  Cálculo  do  crédito  presumido  da  agroindústria  para  desconto  das  contribuições  para  o  PIS  não­cumulativo  ­  Inciso  III  do  §1° do art. 8° e inciso III do art. 17 da Lei 10.925/2004; Inciso  II do §3" do art. 8º da IN SRF nº 660/2006   O crédito presumido da agroindústria relativo à cana­de­açúcar  adquirida de pessoas  físicas e de pessoas  jurídicas  só pode ser  utilizado para abater os débitos do PIS não­cumulativo, devendo  ser somado aos créditos relativos ao mercado interno, pois não  são  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação  com  outros  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, a partir de agosto de 2004, com o advento da  Lei 10.925/2004.  O  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  54/85)  alegando o seguinte:  1)  que  devem  ser  admitidos  os  créditos  correspondentes  às  aquisições  de  combustíveis e lubrificantes e aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de cana­ de­açúcar,  pois  “de  acordo  com  a  Lei,  o  direito  ao  crédito  deve  considerar  todos  os  dispe ndios  (custos  e  despesas)  da  pessoa  jurídica  com  vistas  à  geração  de  sua  receita  tributável. Nesse contexto, tem­se que o transporte dos cortadores de cana e os custos com a  aplicação de agrotóxicos e adubos, caracterizam­se como uma despesa incorrida numa etapa  da produção da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem o corte  da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há  como  operacionalizar  a  cultura  da  lavoura”  (fl.  61),  ou  seja,  frisando  que  o  transporte  dos  trabalhadores e os combustíveis e lubrificantes são essenciais ao desenvolvimento do processo  produtivo, que detalha da seguinte forma:  O processo de industrialização da Manifestante passa pelas  seguintes etapas:   ­ Após  a  colheita,  a  cana­de­açúcar passa pela pesagem e  pela  análise  no  laboratório  "PCTS",  onde  se  verifica  a  qualidade do produto recebido;   ­ Na seqüência a cana é lavada com água e cal e, após ser  picada,  passa  por  um  eletroímâ para  a  retirada  de metais  eventualmente existentes;   Fl. 138DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/2005­87  Acórdão n.º 3403­001.275  S3­C4T3  Fl. 3          5 ­ Depois de moída, a cana passa por seis ternos de moenda,  onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocidapara  inibição de bactérias;   ­  O  caldo  passa  por  peneiras  rotativas  para  retirada  de  excesso de bagaço;  Para produção do álcool:   ­ O  caldo  é bombeado para  um  tanque de  recepção  e,  em  seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua  temperatura para 35 ou 40 °C;   ­ Após é aquecido até 115º C para eliminação de bactéria;  Na seqüência é levado para decantação, onde e adicionado  retenção do lodo, melhorando assim a qualidade do caldo;   ­ Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas,  onde  se  elimina  possíveis  resíduos  de bagaço,  e  é  enviado  para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor);   ­  Finalmente  é  preparado o Mosto  (caldo),  que  passa  por  um  processo  de  resfriamento  para  fermentação,  dando  origem ao produto final ­ álcool.  Para produção do açúcar:  ­ O  caldo  é bombeado para  um  tanque de  recepção  e,  em  seguida,  é  adicionado  ácido  fosfórico  (que  ajuda  a  decantação desse caldo, melhorando a sua transparência);   ­  Na  seqüência  o  caldo  para  o  regenerador,  onde  ocorre  uma troca de calor;  ­  Após  o  caldo  passar  por  um  tratamento  de  sulfitação  e  caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante;   ­ Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110° C  para concentração do caldo (retirada de água).  ­  No  decantador  é  adicionado  polímero  para  retenção  do  iodo, melhorando assim a qualidade do caldo;   ­ Após a decantação o caldo passa por peneiras  rotativas,  onde se elimina possíveis resíduos de bagaço;   ­  Pré­evaporação  e  Evaporação  ­  é  um  processo  de  concentração  do  caldo  até  obtenção  de  xarope  com  alta  concentração,  neste  processo  utiliza­se  antiencustrante  e  amônia;  Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um  processo de flotação, que è a retirada de impurezas (utiliza­ se  ácido  fosfórico  e  polímero),  dando  origem  ao  produto  final ­ açúcar.  Fl. 139DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 OBS:  o  vapor  utilizado  como  energia  é  obtido  através  do  processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada  com os seguintes produtos:hipoclorito  de sódio (cloro), sal  grosso e optisperse (fosfato).  Conforme demonstrado, o açúcar e o álcool nada mais são que a  cana­de­açúcar  após  o  processo  de  transformação  industrial  e  se,  também  conforme  comprovado,  os  insumos  utilizados  na  lavoura  de  cana­de­açúcar  incorporam­se  ao  produto  da  lavoura,  qual  seja,  à  própria  cana­de­açúcar,  não  há  como  afastar  a  afirmação  que  tais  insumos  foram  consumidos  no  processo de industrialização.  2) que tem direito à utilizar o crédito presumido da agroindústria (em relação  à receita de exportação) para compensação com outros tributos, pois da mesma forma que o art.  8º da Lei nº 10.925/2004, ao conceder o crédito presumido, referia­se aos bens do inciso II do  caput  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  o  art.  6º  da  Lei  nº  10.833/2003  assegura  o  direito  de  compensação  em  relação  ao  crédito  apurado  na  forma  do  art.  3º,  na  proporção correspondente à exportação de mercadorias.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto/SP  (DRJ),  por meio  do Acórdão  nº  14­32.847,  de  14  de março  de  2011  (fls.  97/103)  manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DEDIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 30/06/2005  NÃO­CUMULATIVIDADE ­  INTERPRETAÇÃO DO ALCANCE  CONSTITUCIONAL.  MATÉRIA  RESERVADA  AO  PODER  JUDICIÁRIO.   A  manifestação  sobre  legalidade  e  constitucionalidade  e  a  interpretação  do  alcance  da  legislação  é  matéria  reservada  constitucionalmente ao Poder Judiciário.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 30/06/2005   CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.   O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004,  arts.  8º  e  15,  somente  pode  ser  utilizado  para  deduzir  da  contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de  incidência  não  cumulativa,  vedada  o  seu  ressarcimento  ou  compensação.   DEDUÇÃO.  INSUMOS.  PRODUTOS  NÃO  UTILIZADOS  NA  FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.   Entende­se  como  insumos,  para  efeito  de  dedução  do  valor  apurado  da  contribuição,  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens  que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto e m fabricação, desde que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado.  O  combustível  e  demais  produtos  utilizados  em  fases  que  não  a  fabricação  do  Fl. 140DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/2005­87  Acórdão n.º 3403­001.275  S3­C4T3  Fl. 4          7 produto  não  podem  ser  considerados  insumos,  para  efeito  de  dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão  legal.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  O  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  106/127)  reiterando  os  mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator.  O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço.  I. O crédito pelo transporte de mão de obra e combustíveis.  Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os combustíveis e  lubrificantes,  bem  como  o  transporte  dos  funcionários  para  o  local  da  extração  da  cana­de­ açúcar,  devem  ser  tratados  como  insumo,  enquanto  necessários  e  integrantes  do  processo  produtivo.  O  art.  3º,  II  da  Lei  nº  10.833/2003  prevê  a  possibilidade  de  que  do  valor  devido  de  contribuição  se  desconte  créditos  calculados  em  relação  a  “bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”.  O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que o transporte  dos  funcionários  até  o  local  do  corte  da  cana­de­açúcar  é  uma  medida  necessária  e  indispensável do processo produtivo, configurando a contratação de um serviço que traduz um  dos insumos necessários para a produção da cana de açúcar.  E também quanto aos combustíveis e lubrificantes, consta que são utilizados  no maquinário utilizado para o corte, carregamento e transporte da cana­de­açúcar.  A  DRF  e  a  DRJ  recusam  o  direito  de  crédito  por  pretender  confinar  o  conceito de produção ao conceito de industrialização aplicado à legislação do IPI.   O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização,  alcançando  todas  as  etapas  necessárias  à  atividade  desenvolvida  pelo  contribuinte,  seja  ele  industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto  bens  como  serviços,  desde  que  necessários,  o  que  deve  ser  considerado  no  contexto  do  processo produtivo do contribuinte.  O  entendimento  do  CARF,  com  efeito,  reconhece  como  insumos  tanto  os  bens utilizados como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte,  conforme se ilustra nos seguintes julgados:  Fl. 141DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     8  (…)  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  BENS  E  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS.  CONCEITO E ABRANGÊNCIA.  Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de  serviços  que  geram  direito  de  crédito  da  contribuição  não­  cumulativa  são  somente  aqueles  que  representem  bens  e  serviços. (…)  (Acórdão  2102­00.050,  Recurso  150.521,  Processo  10675.004362/2004­22,  Rel.  Cons.  José  Antônio  Francisco,  j.  05/03/2009)   Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte:  Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação  de um bem ou serviço.  Entretanto,  não  são  todos  os  elementos  empregados  na  fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam  crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no  sentido jurídico, e "serviços".  Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mão­de­obra e os  benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizar­se  como  insumos  utilizados  na  prestação  de  serviços,  não  representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito  de crédito.  Neste caso, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza  como  o  pagamento  de  benefício  aos  empregados, mas  como  contratação  de  um  serviço  que  viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo,  remunerada  como  contratação  da  prestação  de  um  serviço  propriamente  dito  (transporte  de  pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de  bens.  A  propósito  do  transporte  realizado  no  contexto  do  processo  produtivo,  confira­se ainda o seguinte julgado:  (...)CRÉDITO.  RESSARCIMENTO.  São  passíveis  de  ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos,  despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso  voluntário provido em parte.”  (Acórdão  201­81.139,  Recurso  148.457,  Processo  11065.101271/2006­47,  Rel.  Cons.  Walber  José  da  Silva,  j.  02.06.2008)  Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento:  Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a  empresa  exportadora  ter direito ao  seu  ressarcimento. No caso  de  empresa  industrial,  o  crédito  de  PIS  não  se  restringe  aos  insumos  empregados  diretamente  na  produção  como  defende  a  decisão  recorrida.  Todos  os  créditos  decorrentes  de  custos  ou  despesas incorridas na produção e venda do produto exportado,  apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são  passíveis de ressarcimento.  Fl. 142DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/2005­87  Acórdão n.º 3403­001.275  S3­C4T3  Fl. 5          9 (…)  Mais  ainda,  a  vinculação  da  despesa  com  a  receita  de  exportação não guarda relação exclusivamente com o processo  produtivo.  A  despesa  pode  ser  incorrida  antes  ou  depois  de  realizada a produção do bem exportado.  No  caso  sob  exame,  foram  glosados  os  créditos  relativos  aos  combustíveis  e  lubrificantes  usados  na  frota  de  veículos  da  recorrente  e  aos  dispêndios  com  a  remoção  de  resíduos  industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo.  A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e  lubrificantes  porque  os  mesmos  são  usados  em  sua  frota  de  veículos,  que  transporta  produtos  e  insumos  entre  seus  estabelecimentos.  Para  haver  ressarcimento  é  necessário  haver  o  direito  ao  crédito.  No  caso  dos  combustíveis  e  lubrificantes  usados  na  frota  de  veículo  ligados  à  atividade  industrial  geram,  no meu  entender,  direito  ao  crédito,  a  teor  do  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637/2002.  E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e  serviços)  utilizado  pela  lei  não  é  igual  à  soma  de  matérias­ primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que  se  refere  a  legislação  do  IPI.  Insumos  são  todos  os  "custos,  despesas  ou  encargos"  vinculados  ao  produto  ou  serviço  vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004.  Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de  resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço  é  parte  do  processo  de  industrialização  dos  bens  exportados  e  está  vinculado  à  receita  de  exportação.  Pela  natureza  da  atividade da recorrente, sem este serviço não há produção.  Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo,  entendo  que  a  recorrente  tem  direito  ao  crédito  da  Cofins  incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito  ao  ressarcimento  desse  crédito  em  face  da  exportação  dos  produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002).  Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho  industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o  deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo.  Vale  a pena  conferir  também o seguinte precedente no qual  se  reconhece a  despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte:  (…)  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  INSUMOS.  DESCONTOS  COM  SEGUROS.  Na  apuração  do  PIS  não­cumulativo  podem  ser  descontados  créditos  calculados  sobre  as  despesas  decorrentes  da  contratação  de  seguros,  essenciais  para  a  atividade  fim  desenvolvida  pela  recorrente,  pois  estes  se  Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     10 caracterizam  sim  como  `insumos'  previstos  na  legislação  do  IRPJ. (…)  (Acórdão  203­12.741,  Recurso  137.910,  Processo  10932.000016/2005­78,  Redator  Designado  Cons.  Emanuel  Dantas de Assis, j. 11/03/2008)  Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima  ilustra  muito  bem  que  a  análise  do  direito  ao  crédito  deve  guardar  pertinência  com  as  características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte.  No  presente  caso  fica  claro  que  o  transporte  dos  funcionário  não  é  apenas  uma despesa  de uma  empresa qualquer  que  deseja  fornecer  transporte  aos  seus  empregados,  mas  da  viabilização  da  atividade  de  plantação  e  colheita  da  cana  de  açúcar,  devidamente  contextualizada no processo produtivo.  II.  A  impossibilidade  de  compensação  do  crédito  presumido  da  agroindústria.  O  contribuinte  não  tem  direito  de  utilizar  os  créditos  presumidos  da  agroindústria em declaração de compensação.  O art. 8º, § 3º,  II da IN 660/2006 não deixa margem de dúvida ao estipular  que o crédito presumido “Não poderá ser objeto de compensação com outros  tributos ou de  pedido de ressarcimento”.  Tal previsão parece ser consequência necessária do disposto no art. 8º, § 2º  da Lei nº 10.925/2004:  § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.   Com  efeito,  o  art.  3º,  §  4º,  da  Lei  nº  10.637/2002  resume  o  rito  de  aproveitamento  dos  créditos  ordinários  de  PIS/Cofins  não­cumulativos,  dispondo  que  “O  crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes”.  Assim, o  tratamento que deve ser dado ao crédito presumido é o do regime  aplicável ao crédito ordinário  relativo ao mercado  interno – que apenas pode ser aproveitado  para redução da própria contribuição – e não o do crédito correspondente à exportação – que  pode ser objeto de restituição e compensação.   Por  isso  não  impressiona  a  ginástica  do  contribuinte  ao  pretender  que  se  aplicasse  isoladamente  a  regra  de  geração  e  aproveitamento  dos  créditos  correspondentes  às  receitas de exportação, quando a interpretação conjunta dos dispositivos envolvidos deixa claro  que  a  exportação  conduz  à  repartição  proporcional  ­  entre  as  regras  do  mercado  interno  e  externo  ­  ,  mas  apenas  em  relação  às  hipóteses  ordinárias  de  geração  de  crédito,  pois  em  relação ao crédito presumido da agroindústria houve previsão expressa de que não poderia ser  compensado.  III. Conclusão.  Fl. 144DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.002232/2005­87  Acórdão n.º 3403­001.275  S3­C4T3  Fl. 6          11 Voto,  pois,  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  para  afastar  a  glosa do “transporte de funcionários” e combustíveis e lubrificantes.  Ivan Allegretti                                Fl. 145DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 12963.000029/2007-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE

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ORIVAL BENTO GONÇALVES    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004, 2005  IRPF  ­  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  ORIGEM  COMPROVADA ­ MULTA QUALIFICADA.  Para  que  possa  ser  aplicada  a  penalidade  qualificada  prevista,  à  época  do  lançamento  em  apreço,  no  artigo  44,  inciso  II,  da  Lei  n°  9.430/96,  a  autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que  a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude  ou  conluio,  tal  qual descrito nos  artigos 71, 72  e 73 da Lei n° 4.502/64. O  evidente  intuito  de  fraude  não  se  presume  e  deve  ser  demonstrado  pela  fiscalização.  No  caso,  o  dolo  que  autorizaria  a  qualificação  da  multa  não  restou  comprovado,  conforme  bem  evidenciado  pelo  acórdão  recorrido.  Apenas  a  presumida  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ainda  que  por  três  exercícios,  sem  nenhum  outro  elemento  adicional,  não  caracteriza  o  dolo.  Ademais,  diante  das  circunstâncias  duvidosas,  tem  aplicação  ao  feito  a  regra  do  artigo  112,  incisos II e IV, do CTN.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.     Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 547          2     (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage – Relator  EDITADO EM: 02/12/2011  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian  Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias  Sampaio Freire.  Relatório  Em face de Orival Bento Gonçalves foi lavrado o auto de infração de fls. 05­ 16, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2003, 2004 e 2005, em razão  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de ofício qualificada para o  patamar de 150%.  O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra­se sintetizado no  próprio auto de infração, de onde extraio as seguintes assertivas (fls. 08­09):  Face  ao  exposto,  procedeu­se  ao  Lançamento  de  ofício  do  Imposto  de Renda Pessoa Física,  das DIRPF's  03/04/05,  anos­ calendário  de  2002,  2003  e  2004,  respectivamente,  com  acréscimo de juros de mora e multa de ofício qualificada (150%  ­  setenta  e  cinco  por  cento  [sic]  ­  em  razão  da  ocorrência  de  Crime contra a Ordem Tributária),  incidentes  sobre o valor do  imposto  devido.  Registre­se  que  foram  deduzidos  os  valores  declarados pelo contribuinte em suas DIRPF´s 03/04/05.  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora  (MG)  considerou  o  lançamento  procedente  em  parte,  excluindo  da  base  de  cálculo  do  lançamento os valores de R$ 70.697,73, de R$ 95.095,05 e de R$ 49.421,44, respectivamente,  para os anos­calendário 2002, 2003 e 2004 (fls. 408­431).  Por  sua  vez,  a  Sexta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 106­17.192,  que se encontra às fls. 466­480 (Volume III), cuja ementa é a seguinte:  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 548          3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  MPF.  PRORROGAÇÃO.  NÃO  ENTREGA  AO  CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E  PRORROGAÇÃO.  EFEITO  —  A  prorrogação  de  procedimento  fiscal  regularmente  cientificado  ao  contribuinte  dá­se  mediante  registro  eletrônico  disponível  na  internet,  a  teor  do  art.  13,  §  1°,  da  Portaria  SRF  n°  3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de  fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  não  é  causa  de  nulidade do lançamento.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2002, 2003, 2004  IRPF  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  Presume­se  a  omissão  de  rendimentos  sempre  que  o  titular  de  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  suas  contas  de  depósito  ou  de  investimento,  devendo  ser  excluídos  da  base de cálculo os valores devidamente comprovados pelo  contribuinte. (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996).  IRPF  ­  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­Para  a  imposição  da  multa  qualificada,  no  percentual  de  150%,  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  por parte do contribuinte  (Súmula 1° CC n° 14). Compete  ao fisco apresentar os fundamentos concretos que revelem  a presença da conduta dolosa. Sem essa  fundamentação é  de se aplicar a multa de ofício ordinária de 75%.  Recurso voluntário parcialmente provido.  A decisão  recorrida,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitou  as  preliminares  de  nulidade  do  lançamento,  indeferiu  o  pedido  de  diligência/perícia  e,  no  mérito,  deu  parcial  provimento  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo  do  lançamento  os  valores  de  R$  12.160,41,  no  ano­calendário  2003  e  de R$ 334,20,  no  ano­calendário  2004.  Por maioria  de  votos,  reduziu  a  multa  de  ofício  para  75%,  vencida  a  Conselheira  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão Calomino Astorga, que manteve a multa de 150%.  Intimada do acórdão em 26/03/2009 (fls. 482), a Fazenda Nacional interpôs,  com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  n°  147/2007,  recurso  especial  às  fls.  485­492,  cujas  razões  podem ser assim sintetizadas:  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 549          4 a) Insurge­se  a  Fazenda  Nacional  contra  o  r.  acórdão  proferido  pela  e.  Câmara a quo, na parte em que, por maioria de votos, deu provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  interposto  pelo  ora  Recorrido,  para  desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao percentual de 75%;  b) A  e.  câmara  a  quo  manteve  a  acusação  de  omissão  de  receitas,  mas  cancelou a qualificação da multa de ofício, ao argumento de que o fato  de  o  contribuinte  prestar  declaração  inexata  e  deixar  de  pagar  tributo  referente  às  receitas  omitidas  provenientes  de  depósitos  bancários  não  comprovados  não  representa  prova  do  evidente  intuito  de  fraude,  a  justificar a multa prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96;  c) Tal  entendimento  afronta  a  legislação  tributária  em  vigor,  bem  como  as  provas constantes dos autos, merecendo, portanto, ser reformado;  d) A decisão da ilustre maioria da Câmara a quo afronta o Art. 44, II, da Lei  n° 9.430/1996 c/c Arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, bem como as  provas  dos  autos,  mormente  aquelas  constantes  às  folhas  30  à  280  (extratos bancários do período fiscalizado);  e) O artigo  44,  inciso  II,  da Lei  n°  9.430/96  estipula  que  a multa  de  ofício  será  de  cento  e  cinqüenta  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64;  f) A  fraude  se  caracteriza  em  razão  de  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  de  uma  ocultação,  e  pressupõe  sempre  a  intenção  de  causar  dano  à  fazenda  pública.  Traduz­se,  portanto,  em  um  propósito  deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária;  g) Nesses  casos,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  de  causar  dano  à  Fazenda  Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência  do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade  fazendária.  Ou  seja,  o  dolo  é  elemento  específico  da  sonegação,  da  fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do  tributo ou da  simples omissão de  rendimentos na declaração de ajuste,  seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem;  h) A  caracterização  do  intuito  doloso  do Contribuinte,  não  olvidamos,  é  de  difícil demonstração por parte da fiscalização;  i) No  presente  caso,  conforme  descrito  pela  autoridade  fiscal  e  confirmado  pela DRJ, houve a qualificação da multa pelo  fato, mas não somente  por  este  fato,  de  os  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  superarem  em  muito  os  rendimentos  declarados,  configurando  omissão  dolosa  para  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência do fato gerador do imposto de renda;  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 550          5 j) Embora de difícil comprovação, o intuito doloso denuncia­se por meio de  indícios  ou  elementos.  Analisados  isoladamente  conduzem  a  uma  interpretação  que  se  afasta  da  realidade,  mas  que,  por  outro  lado,  se  analisados  em  seu  conjunto,  demonstram  cabalmente  o  animus  doloso  de fraudar o fisco;  k) Neste  sentido,  pela  análise  do  que  consta  dos  autos,  há  elementos  suficientes  para  a  caracterização  do  intuito  fraudulento,  conforme  bem reconheceu a decisão de primeira instância;  l) Como  se  vislumbra  facilmente  e  bem  observou  a  fiscalização,  não  se  tratou, no caso, da demonstração de que pequenos ingressos nas contas  bancárias  se  mantiveram  sem  justificação  e  de  que  tais  omissões  se  referissem  a  um  período  específico.  Se  assim  fosse,  poder­se­ia  até  admitir uma possível conduta involuntária, chegando­se a conclusão de  que a imposição da penalidade qualificada não seria justificável;  m)  Entretanto,  à  luz  do  que  foi  trazido  aos  autos,  a  situação  é  bastante  distinta,  tornando­se  absolutamente  inverossímil  a  idéia  de  que  o  contribuinte teria cometido meros equívocos;  n) Dessa  forma,  como  bem  concluiu  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  diante  da  reiterada  e  sistemática  insubordinação  aos  ditames  da  lei,  não há  como considerar  involuntária  a  conduta do  contribuinte,  mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir  rendimentos e também informações em sua declaração de ajuste anual, o  que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no inciso  II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996;  o) Requer  seja  dado  provimento  ao  presente  recurso,  para  reformar  o  r.  acórdão  recorrido,  com  o  restabelecimento  da  multa  de  ofício  qualificada.  Admitido  o  recurso  através  do  despacho n°  9202­00.163  (fls.  493, Volume  III),  o  contribuinte  foi  intimado  e  apresentou  contrarrazões  às  fls.  503­512,  onde  defendeu,  fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido.  Interpôs,  também, recurso especial às  fls. 513­526, o qual não foi admitido,  nos termos do despacho n° 2201­00.081 (fls. 537­543), que restou confirmado pelo despacho  n° 2202­081 (fls. 544­545).  É o Relatório.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 551          6   Voto             Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator  O  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade e deve ser conhecido.  Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de  Contribuintes,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitou  as  preliminares  suscitadas  pelo  sujeito  passivo  e,  no mérito,  deu  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  excluir  da  base  de  cálculo do  lançamento os valores de R$ 12.160,41 e de R$ 334,20,  respectivamente, para os  anos­calendário  2003  e  2004.  Além  disso,  por  maioria  de  votos,  desqualificou  a  multa  de  ofício, reduzindo­a de 150% para 75%.  Segundo  a  recorrente,  a  qualificação  da  multa  de  ofício  é  justificada  pela  conduta  reiterada  do  contribuinte  em  omitir  suas  receitas  do  Fisco,  sendo  que  a  decisão  de  segunda instância teria contrariado o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e os artigos 71, 72  e 73, todos da Lei n° 4.502/64, bem como afrontado a prova dos autos.  Pois  bem,  a  autoridade  lançadora  entendeu  que  se  está  diante  de  caso  de  multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da  Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  (...)  II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente  intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  –  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.                                                              1 Atualmente esta regra encontra­se expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 552          7 Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  Ressalto, novamente, que a autoridade lançadora justificou a qualificação da  penalidade pela “...ocorrência de Crime contra a Ordem Tributária.” (fls. 08).  Segundo penso,  tal  fato,  isoladamente,  é  insuficiente para  a qualificação  da  multa de ofício.  A  conduta  do  contribuinte  estaria  enquadrada  nas  previsões  do  artigo  71  (sonegação), do artigo 72 (fraude) ou do artigo 73 (conluio) da Lei n° 4.502/64?  Difícil responder a tal questionamento, na medida em que a fiscalização não  tratou do assunto.  O  dolo  é  elemento  específico  da  sonegação,  da  fraude  e  do  conluio,  que  o  diferencia  da mera  falta  de  pagamento  do  tributo  ou  da  simples  omissão  de  rendimentos  na  declaração de ajuste anual, ou seja, o  intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob  pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis  para ensejar o lançamento da multa qualificada.  O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não  se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.  Tenho como inaceitável presumir­se o evidente intuito de fraude nos casos de  presunções  legais  de  omissão  de  rendimentos  (no  caso,  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada).  Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da  legislação  tributária  tem  que  estar  acompanhada  de  prova  que  o  contribuinte,  por  ato  fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização  de documentos falsos, notas frias, etc.  E isso não ocorreu no caso em apreço.  Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse  justificar a  exasperação da  penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora.  Segundo a Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Ana Maria Ribeiro dos  Reis (fls. 479­480):  Da análise dos dispositivos acima  transcritos,  conclui­se que a  falta  de  pagamento  de  tributo  ­  conseqüência  da  omissão  de  rendimentos  ­  é  apenada  com  a  multa  de  ofício  de  75%,  enquanto a constatação do evidente intuito de fraude a qualifica  e sujeita o infrator à multa de 150%.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 553          8 Daí  a  necessidade  de  que  a  autoridade  tributária  comprove  o  evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, pois este  é  que  conduz  à  qualificação  da  multa  e  duplica  o  percentual  previsto para a simples omissão de rendimentos.  Justifica a autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal  de  fl.  08  a  aplicação  da  multa  “em  razão  da  ocorrência  de  Crime contra a Ordem Tributária”.  Na  decisão  recorrida,  assim  se manifesta  o  Colegiado  sobre  a  matéria:  A  fiscalização  entendeu,  em  face  da  alta  movimentação  financeira  do  impugnante, que esse deixou de tributar grande parte de rendimentos auferidos por  ele  nos  anos­calendário  investigados,  agindo,  por  conseguinte,  com  o  intuito  de  eximir­se de pagamento de tributo.  O que se verifica é que a autoridade fiscal tão­somente refere­se  à ocorrência de crime contra a ordem tributária sem apontar a  conduta  que  conduziu  a  tal  tipificação.  Nada  que  comprove  o  evidente intuito de fraude que justifica a qualificação da multa.  Tal  entendimento  encontra­se  sedimentado  neste  Colegiado,  como bem o demonstra a edição da Súmula n° 14 do Primeiro  Conselho de Contribuintes, que ostenta o seguinte enunciado:  A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  oficio,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente intuito de fraude do sujeito passivo.  Portanto, não comprovado pela fiscalização o evidente intuito de  fraude,  impõe­se  a  desqualificação  da  multa  de  ofício,  reduzindo­a ao percentual de 75%.  As circunstâncias dos autos podem subsumir­se à presunção  legal do artigo  42 da Lei n° 9.430/96, da forma considerada pelo acórdão recorrido, mas não caracterizam o  evidente  intuito  de  fraude  do  contribuinte  Orival  Bento  Gonçalves,  previsto  ao  tempo  do  lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das  regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  A  jurisprudência  do  extinto  e Egrégio Conselho  de Contribuintes  era  firme  nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos:  (...)  IMPOSTO  DE  RENDA  ­  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVAMENTE  COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ POSSIBILIDADE ­  A partir da  vigência do art.  42 da Lei nº 9.430/96, o  fisco não  mais  ficou  obrigado  a  comprovar  o  consumo  da  renda  representado  pelos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  a  transparecer  sinais  exteriores  de  riqueza  (acréscimo  patrimonial  ou  dispêndio),  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados,  como  ocorria  sob  égide  do  revogado  parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte  tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 554          9 de  se  presumir  que  esses  são  rendimentos  omitidos,  sujeitos  à  aplicação da tabela progressiva.  MULTA QUALIFICADA ­ EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE ­  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  ­  MERA  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  Somente  é  justificável  a  exigência  da  multa  qualificada  prevista  no  artigo  art.  44,  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  quando o  contribuinte  tenha procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  nos  casos  definidos  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502/64.  O  evidente  intuito  de  fraude  deverá  ser  minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos  do  enunciado  sumular  nº  14  deste  Primeiro  Conselho,  não  há  que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de  mera  omissão  de  rendimentos,  mormente  quando  estribada  em  presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito  de fraude.  MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA  ­  NÃO ATENDIMENTO ÀS  INTIMAÇÕES  DA  AUTORIDADE  AUTUANTE  ­  AUSÊNCIA  DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO ­ DESCABIMENTO –  Como  a  fiscalização  já  detinha  informações  suficientes  para  concretizar a autuação, deve­se desagravar a multa de ofício. O  não  atendimento  às  intimações  da  fiscalização  não  obstou  a  lavratura do auto de infração.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ERAM  DE  PROPRIEDADES  DE  TERCEIROS  ­  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E  VALOR  –  INOCORRÊNCIA  –  A  alegação  de  que  os  depósitos  bancários  eram  recursos  de  terceiros  não  restou  comprovada  nos  autos.  Assim,  ausente  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos,  com  identidade  de  data  e  valor,  deve­se  manter  o  lançamento vergastado.  Recurso voluntário parcialmente provido.  (Primeiro  Conselho,  Sexta  Câmara,  Recurso  n°  148.837,  Acórdão n° 106­17.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian  Nunes Campos, julgado em 07/08/2008)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  Presume­se  a  existência  de  renda  omitida  em  montante  compatível  com  depósitos  e  créditos  bancários de origem não comprovada.  INCONSTITUCIONALIDADE ­ Súmula 1º CC nº 2 ­ O Primeiro  Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  MULTA  QUALIFICADA.  O  lançamento  de  multa  qualificada  exige  que  a  autoridade  fiscalizadora  traga  elementos  para  os  autos que provem o evidente intuito de fraude.  Preliminares rejeitadas.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 555          10 Recurso parcialmente provido.  (Primeiro  Conselho,  Segunda  Câmara,  Recurso  n°  152.024,  Acórdão n° 102­49.094, Redatora Designada Conselheira Núbia  Matos Moura, julgado em 29/05/2008)  OMISSÃO DE RENDIMENTOS ­ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  ­  ARTIGO  42,  DA  LEI  Nº.  9.430,  DE  1996  ­  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ PERÍODO­BASE DE INCIDÊNCIA  ­ APURAÇÃO MENSAL ­ TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL ­  Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de  1º de  janeiro de 1997,  serão apurados, mensalmente,  à medida  que  forem  creditados  em  conta  bancária  e  tributados  como  rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).  PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS ­ DO ÔNUS DA PROVA ­  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram na forma como presumidos pela lei.  SANÇÃO  TRIBUTÁRIA  ­  MULTA  QUALIFICADA  ­  JUSTIFICATIVA  PARA  APLICAÇÃO  ­  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE  ­  Qualquer  circunstância  que  autorize  a  exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista  como  regra  geral,  deverá  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada  seja aplicada, exige­se que o contribuinte tenha procedido com  evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72  e  73  da  Lei  nº.  4.502,  de  1964.  A  apuração  de  depósitos  bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem  não  foi  justificada,  independentemente da  forma  reiterada e do  montante  movimentado,  por  si  só,  não  caracteriza  evidente  intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada  de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de  1996.  Recurso parcialmente provido.  (Primeiro  Conselho,  Quarta  Câmara,  Recurso  n°  155.366,  Acórdão n° 104­22.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann,  julgado em 13/09/2007)  Tal  qual  concluiu  a  decisão  recorrida,  tenho  como plenamente  aplicável  ao  caso  o  Enunciado  de  Súmula  n°  14  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  (atual  Súmula  CARF n°  14),  cuja  redação  é  a  seguinte:  “A  simples  apuração de omissão  de  receita  ou  de  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12963.000029/2007­77  Acórdão n.º 9202­01.874  CSRF­T2  Fl. 556          11 rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”  Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A  lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta­se da maneira mais  favorável  ao  acusado,  em  caso  de  dúvida  quanto:  (...)  II  –  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  dos  seus  efeitos;  (...)  IV  –  à  natureza  da  penalidade aplicável, ou à sua graduação.”  Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida,  na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional.    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage                                Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 10580.002105/2004-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno desta Corte, impõe-se a observância das decisões definitivas de mérito proferidas pelo E. Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC restou pacificado entendimento no sentido de que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, está condicionada A realização pelo contribuinte do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em não havendo o referido pagamento, impõe-se a aplicação do prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento no caso dos autos, observa-se o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4° do CTN. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho

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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10580.002105/2004-13 Recurso IV 164.546 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.259 — la Turma Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário - Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOTECAL SOCIEDADE TÉCNICA AGRÍCOLA LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62- A do Regimento Interno desta Corte, impõe-se a observância das decisões definitivas de mérito proferidas pelo E. Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC restou pacificado entendimento no sentido de que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, está condicionada A realização pelo contribuinte do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em não havendo o referido pagamento, impõe-se a aplicação do prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento no caso dos autos, observa-se o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4° do CTN. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Otacilio Danta esidente. t tft Antonio Carlo oni F . lho - Relator. 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Joao Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Com base no Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - Sendo o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o inicio da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." 0 caso foi assim relatado pela Turma recorrida, verbis: "A empresa acima identificada, recorre a este colegiado da decisão de primeira instancia que julgou procedente o lançamento relativo ao crédito tributário consolidado et fl. 03, consubstanciado no seguinte auto de infração: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls.05/10, no valor de R$ 6.060,70, acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora; A exigência relativa ao IRPJ, conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl.6), intitulada - EMPRESAS INSTALADAS NA AREA DA SUDENE - REDUÇÃO - INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS - decorreu de decisão administrativa (processo 10580.003720/00-71) que julgou improcedente a prorrogação do incentivo fiscal, como também admitiu a Redução do Imposto de Renda apenas no percentual de 37,5%, a partir de 01/01/98 por força do disposto no § 2° do art.3° da Lei n°9.532/97. Portanto, procedeu-se a glosa da redução do imposto, superior a 37,5%, calculado com base no lucro da exploração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Salvador/BA) negou provimento à impugnação en' decisão proferida no venerando Acórdão n° 15-13.521 de 23.08.2007, (fls.105/113). O contribuinte foi cientificado da decisão prolatada mediante o Acórdão acima em 06/11/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl.120, e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes em 14/11/200, de fls. 121/122. 2 Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 2 Alega que a Decisão n° 006/95, reconheceu o incentivo fiscal até dezembro/2000,e, por haver cumprido todas as exigências do Regulamento do Imposto de Renda, tem direito adquirido da Redução de 50%. Assim, qualquer alteração posterior, não pode prejudicar o que foi concedido anteriormente. Ao final requer seja acolhido o recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório." No que interessa a essa instância recursal, o acórdão acima ementado suscitou ex officio preliminar de decadência de créditos tributários cujos geradores ocorreram até 31.12.1998, em face da intimação da lavratura do lançamento ter ocorrido em 12.03.2004, ern observância ao disposto no art. 150, § 4° do CTN. Segundo o acórdão, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4° do CTN. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional dissenso entre o acórdão recorrido e o Aresto n. CSRF/02-02.288, o qual assenta o entendimento de que "por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplica-se ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173, Ido CTN". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 1200 - 00.044/2010 (fls.179/180)), ante a alegada caracterização de dissídio j urisprudencial. Foram apresentadas contra-razões. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cinge-se a controvérsia ao acolhimento pelo acórdão recorrido da preliminar de decadência para a constituição de créditos tributários, cujos fatos geradores ocorreram em data anterior a 5 (cinco) anos contados da ciência do lançamento pelo contribuinte. Este Colegiado tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4° do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementa de v. acórdão proferido pela Primeira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, verbis: "ACÓRDÃO 9101-00.619 - Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - la. Turma da la. Camara Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALTRA DO BRASIL LTDA. INCORPORADORA DE ARTAM DO BRASIL LTDA. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial deve ser computado a teor do previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, pois o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento do tributo." (Processo no 10875.005130/2003-54, Recurso n° 154.203 Especial do Procurador, Sessão de 05 de julho de 2010, Data de decisão: 05/07/2010, Data de publicação: 05/07/2010). Contudo, em 21.12.2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, clever -do ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE" (RI/CARF, art. 62-A). Em vista de referida regra regimental, impõe-se a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 3 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, ,sS' 4°, e 173, do CTN. IMP OSSIBILIDADE. I. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei mio prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Linionad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, 5S' 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 1 ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Selo Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (h) a obrigação ex lege 5 de pagamento antecipado das contribuições previdencicirias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC (2007/0176994-0), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24p. 184). No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: (i) o prazo decadencial qiiinqiienal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito; e No caso, há noticia de recolhimento de IRPJ no ano-calendário correspondente à autuação, em vista da própria natureza da autuação que se refere à mera glosa de beneficio fiscal redutor do imposto a pagar ao final do ano-calendário (fls. 6). Veja-se, nesse sentido, teor da acusação fiscal, verbis: EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE REDUÇÃO – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS A fiscalizada, através do processo Administrativo nr. 10580.003720/0071, pleiteou junto a DRF/SALVADOR, prorrogação até o exercício financeiro de 2010 do incentivo fiscal, previsto no art. 14 da Lei 4.293/63, equivalente a redução de 50% do imposto de renda. Apreciando o pleito, o Setor de orientação Tributária - SEORT da DRF/Salvador/BA, nos termos do Parecer 977/2001 - SEORT, num só tempo, julgou improcedente a prorrogação do incentivo fiscal, como também, admitiu a Redução do Imposto de Renda, no percentual de 37,5% (trinta e sete e meio por cento) a partir de 1" de—janeiro de 1998, por forgo do disposto no parágrafo 2° do art. 3 ° cla Lei 9.532/97. Cientificada a fiscalizada, via Aviso de Recebimento-AR, recibado em 26.03.2003, não se manifestou, caracterizando o transito em julgado do decisório administrativo. Assim sendo, com fulcro no decisório administrativo e, com base nos dados constantes da DIPJ/1998, restando constatado, que a 6 de novembro de 2011. Processo n° 10580.002105/2004-13 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.259 Fl. 4 fiscalizada não atendeu aos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, no percentual de 50%(cinquenta por cento) de Redução do imposto de renda, procedemos a glosa da redução do imposto, superior a 37,5% de redução do imposto de renda, calcando com base no Lucro de Exploração declarados nas fichas 09, 10 e 11 da Declaração de Informações Econômicos-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ do ano calendário de 1998, exercício financeiro de 1999, apurado na forma seguinte, transcrita da ficha 11:. 1-Lucro de Exploração da Atividade com redução de 37,5% - R$ 246.981,76. 2-Imposto de Renda - R$ 37.047,26. 3-Adicional do Imposto de Renda - RS 11.438,27. 4-Total do Imposto de Renda Passível de Redução - R$ 48.485,53. 5-Incentivo Fiscal - Redução de 37,5% (5x4) - R$ 18.182,07. 6-Valor REDUÇÃO DECLARADA NA FICHA 11 - R$ 24.242,77. 7- VALOR GLOSA DO INCENTIVO REDUÇÃO A MAIOR (6-5) - R$ 6.060,70. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/1998 R$ 6.060,70 75,00 Portanto, consideradas (i) a novel disposição regimental; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo (31.12.1998); (iii) a data de ciência do lançamento (12.03.2004); e (iv) a existência de recolhimento antecipado pelo contribuinte, impõe-se o reconhecimento da decadência em observância ao art. 150, § 4° do CTN. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento. 7

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