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Numero do processo: 10850.000402/00-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1994
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratandose
de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação
e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de
junho de 2005, aplicase
o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que
restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à recuperação do indébito pelos pagamentos indevidos do PIS efetuados nos dez anos anteriores à data da formalização deste
processo e para homologar o resultado da segunda diligência, nos termos dos cálculos, documentos e despacho que constam às fls. 250 a 313.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994 PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à recuperação do indébito pelos pagamentos indevidos do PIS efetuados nos dez anos anteriores à data da formalização deste processo e para homologar o resultado da segunda diligência, nos termos dos cálculos, documentos e despacho que constam às fls. 250 a 313. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 461DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de compensação do PIS, protocolado em 24 de fevereiro de 2000, que teria sido recolhido indevidamente no período compreendido entre janeiro de 1990 e dezembro de 1994, em razão do advento da Resolução nº 49/95 do Senado da República. Por meio do despacho de fl. 155 a autoridade administrativa considerou prescritos os pagamentos efetuados anteriormente a 24/02/1995, por força do AD SRF nº 96/99. Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou, em síntese, que não decaiu do direito de requerer o indébito, pois o prazo é de dez anos e não de cinco, como entendera a autoridade administrativa. A DRJ em Ribeirão Preto – SP, por meio do Acórdão nº 1.550, de 14 de junho de 2002, indeferiu a manifestação de inconformidade. Regularmente notificado daquele acórdão, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que a contagem do prazo prescricional deve ser feita levandose em conta a tese dos “5+5”. O processo foi baixado em diligência por meio da Resolução nº 20200.578 para que fossem adotadas as seguintes providências: 1) verificação da existência de crédito tributário em favor da recorrente no período compreendido entre janeiro de 1990 e dezembro de 1994; 2) do resultado da diligência fosse dada ciência ao contribuinte. Conforme se pode conferir nos documentos de fls. 242/243, a DRF em São José do Rio Preto constatou que no período em questão a Unimed não apurou imposto de renda a pagar, razão pela qual não teria que pagar o PIS dedução. Decorre daí que a Unimed teria direito à devolução integral do PIS recolhido por meio dos DARF anexados ao processo, razão pela qual a DRF considerou que não seria necessário cientificar o contribuinte do resultado da diligência. Por meio da Resolução nº 20200.927, o julgamento foi mais uma vez convertido em diligência para que a autoridade administrativa: 1) quantificasse o crédito do contribuinte em planilhas que permitissem a conferência dos cálculos; 2) se manifestasse conclusivamente sobre o pedido de compensação e; 3) notificasse o contribuinte dos cálculos e da homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Tratase de prosseguir no julgamento anteriormente iniciado. Antes de analisar o mérito, cumpreme lembrar que na ocasião em que foram solicitadas as diligências, o Conselho de Contribuintes adotava o princípio da actio nata, entendendo, de forma majoritária, que o prazo de prescrição do direito ao pedido de repetição do indébito do PIS, em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, era de cinco anos contados da publicação da Resolução do Senado nº 49. Atualmente esta tese está superada em razão do advento do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 e evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 em regime de repercussão geral. Fl. 462DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10850.000402/0011 Acórdão n.º 3403001.305 S3C4T3 Fl. 2 3 Em pesquisa efetuada na página de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal no regime da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 463DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso extraordinário desprovido.. Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso dos autos, tendo o pedido sido protocolado em 24 de fevereiro de 2000, o contribuinte tem direito de recuperar o indébito por pagamentos de PIS efetuados a partir de 24 fevereiro de 1990, o que abrange todos os pagamentos pleiteados neste processo. Portanto, no caso destes autos, o contribuinte tem direito ao indébito por todos os DARF apresentados, independentemente da contagem basearse na tese consagrada pelo STF ou na tese da contagem pela Resolução do Senado. Analisandose as informações contidas no despacho decisório (fls. 308 a 313), verificase que foram homologados parcialmente os pedidos de compensação acostados às fls. 01, 106/109. O Contribuinte foi notificado do despacho decisório com a homologação parcial dos pedidos de compensação às fls. 366 e o prazo de 30 dias para manifestação transcorreu in albis, o que caracteriza sua anuência com o encontro de contas efetuado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à recuperação do indébito pelos pagamentos indevidos do PIS efetuados nos dez anos anteriores à data da formalização deste processo e para homologar o resultado da segunda diligência, nos termos dos cálculos, documentos e despacho que constam às fls. 250 a 313. Antonio Carlos Atulim Fl. 464DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000541/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/08/2007
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA
N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.356
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/08/2007 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
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Recorrente SOCIEDADE RIOPRETENSE ENS SUPERIOR E OUTROS Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/08/2007 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000541/200712 Acórdão n.º 230201.356 S2C3T2 Fl. 182 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 3º e 5º da Lei n ° 8.212/1991. Segundo a fiscalização previdenciária, o recorrente não informou em GFIP as contribuições constantes nos Anexos I a IV do relatório fiscal às fls. 28 a 29. A autuada apresentou impugnação, conforme fls. 95 a 116. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 133 a 144, mantendo a autuação na integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 155 a 177. Em síntese a recorrente alega o seguinte: a) A recorrente é imune às contribuições previdenciárias; b) O código FPAS foi preenchido corretamente; c) A Faculdade de Comércio Dom Pedro II deve ser excluída do pólo passivo; pois não há solidariedade para obrigações acessórias; d) Deve ser observado o disposto na Lei n 9.249 de 1996; e) A multa não poderia ser aplicada com base em Portaria; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 178 e 179. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A recorrente não é imune à contribuição previdenciária, em função de não atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei n o. 8.212 em vigor na época dos fatos geradores. Não há Ato Declaratório reconhecendo o direito da entidade. Os pedidos de reconhecimento de isenção ao INSS foram indeferidos pela autarquia. A discussão do acerto ou desacerto de tal indeferimento deveria ter sido apreciada nos autos próprios. Não cabe a rediscussão do assunto nos presentes autos. Não tendo direito à isenção, deveria a autuada apresentar a GFIP com todos os dados relativos aos fatos geradores. E assim, o código relativo ao FPAS foi preenchido de modo incorreto pela autuada. Quanto ao argumento de que deveria a Faculdade de Comércio Dom Pedro II ser excluída do pólo passivo; pois não há solidariedade para obrigações acessórias; esse ponto já foi atendido pela decisão a quo. Não há portanto, litígio a ser resolvido quanto à esta questão. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n ° 8.212/1991. Mesmo porquê, o motivo de indeferimento do Ato Declaratório não foi a ausência do Certificado fornecido pelo CNAS, mas sim a existência de débito perante a autarquia previdenciária. A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória está também prevista em lei, conforme dispõe o art. 92 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000541/200712 Acórdão n.º 230201.356 S2C3T2 Fl. 183 5 Valores atualizados, a partir de 1º de abril de 2007, pela Portaria MPS nº 142, DOU de 12/4/2007, para R$ 1.195,13 a R$ 119.512,33. Na forma do art. 102 da Lei n ° 8.212/1991, os valores previstos originariamente nesta lei são reajustados sempre que houver alteração no valor dos benefícios pagos pela Previdência Social. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Quando lavrado o presente auto, o valor correspondia a R$ 1.195,13, conforme previsto na Portaria MPS n ° 142, DOU de 12/04/2007. Tendo sido multiplicado conforme tabela vigente à época do fato gerador. A Portaria é meio hábil para realizar a correção de valores, pois conforme prevê o art. 373 do RPS, os valores devem ser reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamentos dos benefícios. A Portaria MPS n ° 142 reajustou os benefícios pagos pela previdência social e da mesma forma, conforme previsão regulamentar, reajustou os valores dos autos de infração. Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Destacase que não houve majoração de valores de multa, tais valores sofreram apenas correção monetária, de modo a preservarlhes o valor. Por esse fato, não é necessário o instrumento normativo da lei para atualização de tais valores. Assim, a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000541/200712 Acórdão n.º 230201.356 S2C3T2 Fl. 184 7 no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000541/200712 Acórdão n.º 230201.356 S2C3T2 Fl. 185 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13811.003739/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2005
DCTF MENSAL. DETERMINAÇÃO DA RECEITA BRUTA. VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A determinação da receita bruta no segundo anocalendário
anterior ao período correspondente à DCTF, para fins de determinação da periodicidade de apresentação dessa declaração (mensal ou semestral), deve observar o regime de competência e abranger a totalidade das receitas auferidas, aí incluindo-se
as variações cambiais. Os dispositivos legais que permitem que
as variações cambiais sejam consideradas quando da liquidação das
correspondentes operações somente se aplicam para fins de determinação da base de cálculo dos tributos que especificam.
Numero da decisão: 1301-000.764
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, NEGAR provimento ao
recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o conselheiro Alberto Pinto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL. DETERMINAÇÃO DA RECEITA BRUTA. VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE COMPETÊNCIA. A determinação da receita bruta no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF, para fins de determinação da periodicidade de apresentação dessa declaração (mensal ou semestral), deve observar o regime de competência e abranger a totalidade das receitas auferidas, aí incluindose as variações cambiais. Os dispositivos legais que permitem que as variações cambiais sejam consideradas quando da liquidação das correspondentes operações somente se aplicam para fins de determinação da base de cálculo dos tributos que especificam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.003739/200755 Acórdão n.º 130100.764 S1C3T1 Fl. 92 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório AMCOR WHITE CAP DO BRASIL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1625.376, de 25/05/2010, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de julho do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 13.533,90. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual alega, em apertada síntese o seguinte: • Não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; • Afirma que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória nº 2.158/2001, ou seja, as variações monetárias foram adicionadas à receita bruta segundo o regime de caixa. Cumpre consignar que, o lançamento efetuado por meio do auto de infração emitido em 10 de novembro de 2007, com vencimento em 2 de janeiro de 2008 – fl. 47 foi cancelado pelo Despacho Decisório de fl. 69 por ter sido emitido em duplicidade. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1625.376, de 25/05/2010 (fls. 70/74), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.003739/200755 Acórdão n.º 130100.764 S1C3T1 Fl. 93 3 DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Ciente da decisão de primeira instância em 24/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 76v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/09/2010 conforme carimbo de recepção à folha 85. No recurso interposto (fls. 86/89), a interessada insiste nos argumentos apresentados por ocasião da impugnação, a saber: • A recorrente não estaria obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas sim à apresentação semestral, por ter auferido receita bruta inferior a trinta milhões de reais, nos termos da IN 482/2004. • Ao calcular sua receita bruta para os fins acima, utilizouse do permissivo contido no art. 30, § 1º, da Medida Provisória nº 2.158/2001, repetido no art. 13 da IN SRF nº 247/2002. Desta forma, as variações monetárias foram consideradas segundo o regime de caixa, e a receita bruta ficou aquém do limite de trinta milhões de reais. A recorrente questiona os fundamentos da decisão recorrida, e afirma que inexiste qualquer dispositivo legal que obrigue a verificação da receita bruta mensal, para fins de obrigatoriedade de apresentação da DCTF, segundo o regime de competência. Aduz, ainda, que os diplomas legais e infralegais por ela mencionados deixariam ao arbítrio do contribuinte a inclusão das variações monetárias segundo o regime de caixa ou de competência. Conclui com o pedido de reforma do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A lide se refere à periodicidade de apresentação da DCTF no anocalendário 2005, mais especificamente à forma de cálculo da receita bruta auferida pela interessada no anocalendário 2003, o que conduzirá à obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensalmente, conforme entende o Fisco, ou semestralmente, na forma adotada pela interessada. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.003739/200755 Acórdão n.º 130100.764 S1C3T1 Fl. 94 4 No ano de 2005, a apresentação da DCTF foi regulamentada mediante a Instrução Normativa SRF nº 482, de 21/12/2004, cujo excerto relevante transcrevo a seguir: Art. 2º A partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou [...] § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005) § 2º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega mensal da DCTF. (Redação dada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005) Não há dúvidas de que, se computadas todas as receitas auferidas, a receita bruta no anocalendário 2003 excede o limite do inciso I, acima, pelo que a DCTF deveria ser apresentada mensalmente. No entanto, a interessada alega seu direito a considerar as variações cambiais segundo o regime de caixa, o que conduziria a receita bruta inferior a R$ 30 milhões e, por consequência, DCTF semestral. Seu procedimento estaria amparado nas disposições do art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 e no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002, os quais reproduzo a seguir (grifos não constam do original): Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002: Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13811.003739/200755 Acórdão n.º 130100.764 S1C3T1 Fl. 95 5 contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1o As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. Como bem se vê, os dispositivos acima tratam de situações específicas e excepcionais, são permissivos legais para que, na determinação da base de cálculo dos tributos ali nominados, as variações cambiais possam ser consideradas quando da liquidação das operações, escapando à regra geral do regime de competência. A lei admite o diferimento da tributação das variações cambiais para o momento da liquidação das operações, o que não significa que tais receitas não tenham sido auferidas, de acordo com o regime de competência. A decisão recorrida já demonstrou que a lei comercial, qual seja, a Lei nº 6.404/1976, adota o regime de competência, determinando o cômputo das receitas auferidas no período independentemente de sua realização em moeda (art. 187) e que a legislação fiscal seguiu o mesmo caminho, ao determinar a observância dos preceitos da lei comercial (art. 248 do RIR/99). Não tenho dúvidas, portanto, de que a IN SRF nº 482/2004, ao disciplinar a apresentação da DCTF para o ano de 2005 e especificar a receita bruta como sendo a totalidade das receitas auferidas, irrelevante sua classificação contábil, somente pode ser entendida segundo o regime de competência. Quaisquer exceções a esse regime teriam que ser expressas e, conforme visto, isso não ocorre nos dispositivos mencionados pela interessada. Ao contrário, as exceções são dirigidas exclusivamente à determinação das bases de cálculo dos tributos ali referidos. Não faço, pois, reparos à decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 35368.000885/2006-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/2005
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre alimentação fornecida aos empregados da empresa, que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias em virtude de não ter havido, por parte da empresa, a adesão ao Programa de
Alimentação do Trabalhador PAT.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 21/12/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 11/2000 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre alimentação fornecida aos empregados da empresa, que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias em virtude de não ter havido, por parte da empresa, a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 21/12/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 11/2000 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 20600.004, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 08/10/2007 (fls. 257/264), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 273/322). A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADENCIA. 05 ANOS. ALIMENTAÇAO FORNECIDA IN NATURA. NÃO INSCRIÇAO NO PAT. INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIARIA. I — Ainda que o art. 45 da Lei n°8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, tenha desafiado diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula n°2 do seu 2° Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35368.000885/200666 Acórdão n.º 920201.549 CSRFT2 Fl. 2 3 previdenciário; II — A ajuda alimentação, ainda que fornecida in natura, para não ter natureza salarial para fins previdenciários, deve estar inscrita no Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos da alínea C do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91. Recurso negado.” Preliminarmente, a recorrente afirma que a Comunicação 13886/AME/224/2008 é nula de pleno direito, uma vez que não abriu prazo para que a empresa interpusesse recurso especial para a CSRF, o que representa cerceamento do seu direito de defesa. Em seguida, relata que o pleito da empresa não diz respeito à declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8212/91, e sim à aplicação no presente caso do CTN, art. 150, §4º. Alega que a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta, que entendem que o art. 150,§4º do CTN deve ser utilizado para fins de fixação de prazo decadencial no que tange às contribuições sociais, como é o caso da contribuição previdenciária. No mérito entende que, tendo ou não a empresa aderido ao PAT, a contribuição previdenciária não incide sobre a parcela paga em razão do auxílio alimentação “in natura”, sendo esse o entendimento pacífico do STJ. Aduz que a incidência apenas ocorrerá se o valor for pago em dinheiro ou então creditado em conta corrente do empregado, em caráter habitual e remuneratório, o que inocorre na hipótese aqui tratada. Ao final, requer a nulidade da comunicação expedida pelo Fisco ou, caso assim não se entenda, que o recurso especial seja admitido e provido. Nos termos do Despacho nº 2400198/2010 (fls. 356/357), foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões às folhas 358/370. Afirma que a jurisprudência da CSRF tem firmado entendimento segundo o qual se o autuado apresenta defesa, mostrase incabível a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Argumenta que no curso da ação fiscal ficou comprovada a não inscrição no PAT, daí a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio alimentação. Explica que na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante “lançamento por homologação”, a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, I do CTN e não do art. 150 §4º, como quer a empresa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Cita jurisprudência do STJ segundo a qual, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem como havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, I e parágrafo único do CTN. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso especial em comento. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria sujeita a apreciação deste colegiado diz respeito exclusivamente ao reconhecimento da decadência nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN. É certo que, em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante nº 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35368.000885/200666 Acórdão n.º 920201.549 CSRFT2 Fl. 3 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre alimentação fornecida aos empregados da empresa, que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias em virtude de não ter havido, por parte da empresa, a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 21/12/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 11/2000 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, para declarar a decadência até a competência 11/2000. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35368.000885/200666 Acórdão n.º 920201.549 CSRFT2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 19647.010165/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA DE OFÍCIO. EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de confessar em DCTF valores menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita contábil.
Numero da decisão: 9303-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de confessar em DCTF valores menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Examinase recurso especial (fls. 260/283) interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 20180.176, proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A ementa da decisão atacada registrou: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS A MENOR. O ato de o sujeito passivo informar na DCTF apenas parte da receita bruta apurada durante todos os períodos fiscalizados, recolhendo somente o valor do tributo correspondente à parcela confessada, configurase em evidente intuito defraude. Aplicável, portanto, a multa de oficio qualificada de 150%. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVA. Meras alegações visando desqualificar o lançamento, desacompanhadas de provas, não são suficientes para infirmar o lançamento adequadamente constituído. Recurso negado." Dos autos extraise a informação de que os valores foram corretamente apurados na DIPJ somente havendo a informação a menor na DCTF. Apesar de versar outras matérias, ele somente foi admitido quanto à exacerbação da multa para o percentual de 150%, o que decorreu da conduta reiterada de informar na DCTF valores inferiores (10%) ao quanto havia sido apurado pela própria empresa em sua contabilidade e por ela informado na DIPJ. Como prova De divergência, transcreveu, entre outros, os acórdãos CSRF/0400.145, 10322.247 e CSRF/0105.482 que a Presidente da Primeira Câmara entendeu comprovarem o dissídio. No voto condutor do primeiro dos paradigmas aceito consta: Fl. 379DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010165/200969 Acórdão n.º 9303001.652 CSRFT3 Fl. 2 3 Para justificar a exacerbação da multa de ofício, disse a fiscalização (fls. 15— item 33): "Que no lançamento correspondente a multa será qualificada, devido a evidência) em tese, de fraude contra a Fazenda Nacional em função do não oferecimento à tributação dos rendimentos, de acordo com o art. 44 da Lei 9.430 de 1996." O segundo pode ser resumido na seguinte passagem do voto condutor: Na conduta da contribuinte, consistente na não apresentação do Livro Caixa, não vislumbro o tipo do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e entendo que ela se subsume no tipo do inciso I, apenado com a multa de setenta e cinco por cento. Quanto à multa isolada, contrario sensu, na conduta da contribuinte, consistente em compensar indevidamente os seus débitos com pagamentos que jamais efetuou, enxergo perfeitamente caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, na medida em que, assim agindo, a recorrente, 401) dolosa e ardilmente, pretendeu evitar o pagamento dos tributos devidos, afetando os créditos tributários correspondentes. Quanto ao ponto objeto de análise pela Câmara, as alegações do recurso (elaborado pelo sócio da empresa) merecem ser transcritas: ... Definitivamente FRAUDE não é o caso da requerente. De fato o que aconteceu é que a empresa DISTRIBUIDORA DE FRUTAS DO VALE LTDA é uma empresa séria, que realiza o comércio atacadista de alimentos na CEASA (Central de Abastecimentos do Recife), onde existe uma desleal e acirrada concorrência de empresas que nem mesmo possuem inscrição cadastral, que dizer então de pagarem tributos ou registrarem funcionários. ... Tal fato concorre para o aviltamento dos preços até um pouco acima do limite de inexequibilidade. É importante salientar aqui que conforme consta na DIPJ do contribuinte, a empresa tem apresentado sucessivos prejuízos, todos consistentes, não fabricados. Assim, como é uma empresa que procura, na medida do possível, cumprir todas as suas obrigações fiscais, viuse sufocada diante da situação acima, com aumento de custos/despesas sem a contrapartida do aumento proporcional de suas receitas. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 ... A partir de então o contribuinte vem mês a mês, recolhendo uma estimativa em torno de 10% do valor devido, por sua conta e risco ... Nas D.C.T.F, até onde era do conhecimento do contribuinte, deveriam ser informados os valores dos tributos efetivamente pagos, o que foi feito. É tão visível a boafé com que agiu o contribuinte que na DIPJ apresentada constam os valores exatos do seu faturamento, que é base de cálculo tanto para o PIS quanto para a COFINS (cópia anexa). Esse fato o próprio autuante reconhece, conforme item 3.1 do seu Termo de Verificação Fiscal ... Em nenhum momento pretendeu a empresa sonegar ou omitir informações ao fisco federal. Pelo contrário, as receitas foram devidamente informadas e segundo o responsável pela ação fiscal "mantêm em geral correspondência" com as constantes nos livros contábeis. Pretendesse a empresa fraudar a fiscalização tributária não incluiria estas receitas em suas DIPJ nem muito menos apresentaria, como de fato apresentou sem a menor resistência, todos os livros fiscais e contábeis, assim como todas as notas fiscais de seu faturamento. Contrarazões da Fazenda Nacional às fls. 351/372. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi admitido, mas não deve ser provido. É que o argumento da empresa para supostamente atenuar a sua prática, qual seja, a correta apuração dos montantes da contribuição em sua contabilidade e a sua regular informação na DIPJ entregue, é, ao contrário, a principal razão para a exacerbação da multa imposta. De fato, é pacífico o reconhecimento de que as DIPJ, especialmente no ano em consideração, não conferem aos débitos de PIS e COFINS ali informados o caráter de confissão de dívida, que somente a DCTF possui. Nesse sentido, reproduzo, mais uma vez, excelente voto da lavra do i. Conselheiro da Terceira Câmara deste mesmo Conselho, dr. Emanuel Carlos Dantas de Assis, no julgamento do recurso nº 124897, em sessão de dezembro de 2005: ... A DRJ considerou que a partir do exercício 2000, ano calendário 1999, a Declaração de Informações Econômico Fl. 381DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010165/200969 Acórdão n.º 9303001.652 CSRFT3 Fl. 3 5 Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não mais se constitui em meio próprio para confissão de dívida, ao contrário do que ocorreu até o exercício 1999, anocalendário 1998. A partir do período de apuração janeiro de 1999, somente por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é que os débitos tributários são confessados, pelo que os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. A decisão de primeira instância não merece reparos, à vista do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84 e da legislação infralegal que lhe tem como supedâneo. A redação do citado dispositivo legal é a seguinte, verbis: Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º. O documento que formalizar o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito. Com base no referido DecretoLei, e consoante o art. 16 da Lei nº 9.779/99, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, que dispõe: Art 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União. (negrito ausente do original). Desta forma, os saldos a pagar de impostos e contribuições, informados na DCTF ou na DIPJ do exercício 1999, ano calendário 1998, não são passíveis de lançamento de ofício, posto que qualquer uma das duas declarações era meio próprio de confissão de dívida. Até o anocalendário 1997, exercício 1998, a declaração de rendimentos da pessoa jurídica é chamada DIRPJ. A partir do anocalendário 1998, exercício 1999, foi introduzida a DIPJ, instituída pela IN SRF nº 127, de 30/10/98, que no seu primeiro ano ainda serviu como instrumento de confissão de dívida, ao lado da DCTF. Destarte, o lançamento de ofício dos saldos a pagar declarados na DIPJ do anocalendário 1998, ou em DCTF daquele ano, implicaria em duplicidade de exigência. A partir do anocalendário 1999, exercício 2000, a DIPJ deixou de se constituir em confissão de dívida, que passou a ser feita Fl. 382DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 somente por meio da DCTF, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000, que informa, in verbis: Art. 1º . O art. 1º . da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.’ Na redação acima transcrita, observese a retirada da expressão “e jurídicas”, referindose à declaração de rendimentos. Assim, nos termos da IN SRF nº 14/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram como confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. Em consonância com as duas Instruções Normativas acima, até o anocalendário de 1998 os valores informados como devidos nas declarações de rendimentos das pessoas jurídicas podiam ser cobrados independentemente de lançamento, já que confessados. Neste sentido, é que o recibo de entrega da declaração de rendimentos, bem como o manual de instrução para preenchimento que a acompanha, continham referências expressas acerca da confissão de dívida. Diferentemente, a partir do anocalendário de 1999, exercício 2000, o recibo da DIPJ, bem assim o seu manual de instrução para preenchimento, não contêm a informação de que a DIPJ constitui confissão de dívida. Logo, os valores declarados apenas em DIPJ a partir do anocalendário 1999 não podem mais ser cobrados sem que haja o lançamento próprio. A partir daquele ano somente os valores constantes de DCTF é que podem ser inscritos na Dívida Ativa e cobrados por meio da execução fiscal própria. O § 1º do DecretoLei nº 2.124/84, ao determinar que “O documento que formalizar o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito”, não permite que qualquer comunicação acerca da existência de crédito possa ser cobrada diretamente, sem o regular lançamento. Há de se analisar cada obrigação acessória, nos termos em que instituída e em cada período de apuração, para se saber se os valores do crédito tributário nela declarados estão sendo confessados ou não. Se confessados, permitem a cobrança sem o lançamento; do contrário, carece do ato privativo da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. Neste sentido é que Leandro Paulsen informa o seguinte: Fl. 383DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010165/200969 Acórdão n.º 9303001.652 CSRFT3 Fl. 4 7 Confissão de dívida. DCTF. GFIP. Efeito de Lançamento. Em sendo confessada a dívida pelo próprio contribuinte, seja mediante o cumprimento da obrigação tributária acessória de apresentação da declaração de débitos e créditos tributários federais, da guia de informações à Previdência ou outro documento em que conste a confissão, tornase desnessária a atividade do fisco de verificar a ocorrência do fato gerador, apontar a matéria tributável, calcular o tributo e indicar o sujeito passivo, notificandoo de sua obrigação, pois tal já foi feito por ele próprio que, portanto, tem conhecimento inequívoco do que lhe cabia recolher. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2001, p. 705/706, sublinhado ausente no original). Neste ponto importa ressaltar que a dispensa do lançamento tributário, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo no instituto da confissão, tratada nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o ano calendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial, servindo como título executivo extrajudicial que admite provas contrárias, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Destarte, a partir do anocalendário 1999 os valores não confessados em DCTF, mesmo quando informados em DIPJ, somente podem ser cobrados após o lançamento de ofício, com aplicação da multa própria, determinada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/96. Daí a necessidade de lançamento, que deve ser mantido exceto na parcela excluída pela DRJ. Por isso mesmo, o fato de os débitos aí estarem corretamente informados não permite à SRF cobrálos administrativamente. Somente os débitos declarados nas DCTF. E a fiscalização constatou que justamente aí eles estavam sistemática e significativamente declarados a menor. O fato, todavia, de ser sistemático ainda não afasta, por si só, a possibilidade de mero erro na apuração da base de cálculo. Com efeito, estivesse ela condizente com os valores apurados pela própria empresa e tivesse ela algum fundamento para sua prática, deveria ser autuada apenas com a multa normal. Assim penso porque todas as situações que autorizam a exasperação da multa requerem a comprovação do dolo, o qual não pode ser presumido apenas pela diferença reiterada. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 O que se está aqui a dizer é que a DCTF é o instrumento para que o sujeito passivo assuma, confesse aquilo que acha correto. Naturalmente, tal valor tem de ser, antes, por ele apurado em suas escritas fiscal e contábil, dado que o tributo está sujeito à sistemática de lançamento por homologação. Assim, a única conduta admissível no que tange à declaração em DCTF é que ela registre os valores que os sujeitos passivos entendem corretos. Isso feito, a Administração pode, é claro, em ação fiscal regularmente instaurada, discordar, considerandoo errado. Nesse caso cabe à fiscalização dizer por que, e o regular processo administrativo é a via para que o contribuinte possa demonstrar que é a fiscalização quem está errada. Nesses termos, o que justifica um contribuinte não confessar à Administração os valores que apurou em suas escritas? Entendo que somente a comprovação de que cometeu erro escusável. Mas já agora a reiteração do procedimento atua em sentido contrário. Como considerar erro escusável a sistemática informação de valores menores do que os apurados por ela mesma? Assim, a conjugação dos dois aspectos – reiteração e apuração correta na contabilidade – são sim, em meu entender, suficientes para a caracterização da intenção no cometimento da infração. A empresa sabia perfeitamente que estava confessando a menor. E essa caracterização basta, nos termos do art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96 para que a multa passe para 150% do valor do débito apurado. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... Notese que, corretamente, a fiscalização enquadrou a situação na hipótese do art. 72 da Lei nº 4.502/64, que define fraude. Ela se caracteriza, em meu entender, pela inserção, na DCTF, de valores que a própria empresa sabe não serem verdadeiros. A sua contumácia impede considerálos provenientes de meros erros, não intencionais. Demonstrada, assim, a intencionalidade, resta ver se contribui para a diminuição do tributo devido. Isso para mim resulta claro do fato de os “erros” apenas terem sido cometidos no instrumento que confessa os débitos, isto é, na DCTF, e não na DIPJ. Destarte, a única informação de que a SRF dispõe dotada de suficiência para que promova a imediata cobrança aponta valores menores do que os devidos segundo apuração da própria empresa. As diferenças, embora escancaradas em sua contabilidade, somente poderão ser exigidas pela administração mediante o lançamento de ofício, precedido, como sempre, de ação Fl. 385DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010165/200969 Acórdão n.º 9303001.652 CSRFT3 Fl. 5 9 fiscal. A informação correta na DIPJ apenas ajuda a administração a programar tal ação fiscal; seus resultados só poderão ser alcançados depois. Por isso, não se pode dizer que a situação da empresa seja a mesma de uma outra que tenha declarado a menor em DCTF (com valores iguais na DIPJ) e em que tais valores sejam corroborados pela apuração própria registrada nos livros contábeis. Nesse último caso, é claro, eventuais diferenças serão apenadas com a multa normal de 75% desses valores. Mas essa multa somente se aplica às infrações não intencionais, ou seja, aquelas que são cometidas por desconhecimento ou erro na apuração do tributo. Ou seja, sistematicamente a empresa confessou espontaneamente, no único instrumento apropriado, valores que sabia inferiores aos devidos. Com essas considerações, rejeito os argumentos da defesa, e voto por manter a exasperação da multa pela caracterização da fraude prevista no art. 72, negando provimento ao seu recurso. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Com essas considerações, voto por não prover o recurso. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 386DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002792/00-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/03/2000
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da
ciência da decisão recorrida, excluindose
o dia do início e incluindose
o do
vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.199
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. EDITADO EM: 26/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.002792/0012 Acórdão n.º 330201.199 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Por retratar a veracidade dos fatos, peço vênia aos meus pares para transcrever o relatório constante na decisão de primeira instância administrativa (fls. 432/434 – Vol. III), a saber: “Tratase de Auto de Infração (fls. 09 e 137/144) lavrado para constituir crédito de PIS do período de janeiro de 1998 a março de 2000, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 31/08/2000. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 09) o agente fiscal afirma que a Recorrente apresentou à fiscalização bases de cálculo de PIS e COFINS distinta dos valores apurados da análise dos livros de ICMS e ISS. Os recolhimentos das contribuições também teriam sido realizados a menor e as diferenças apuradas estão descritas nos relatórios de fls. 10 a 12, elaborados de acordo com os livros fiscais da empresa, e os valores por ela declarados à fiscalização (fls. 19.44. 72, 99 e 124). As diferenças apuradas pelos agentes fiscais foram objeto do lançamento. Cientificada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 152/157, e anexos – fls. 158/4.666), alegando em síntese: (i) que o lançamento seria nulo, pois não teria sido observado no termo de intimação o prazo de 20 dias estabelecido pelo artigo 844 do Decreto 3.000/99, sendo concedido prazo de apenas 5 dias para a impugnante prestar esclarecimentos e apresentar os documentos solicitados; (ii) que os fiscais consideraram como “receita de vendas” da filial São Paulo valores escriturados na coluna "base de cálculo" do livro Registro de Apuração do ICMS, onde se encontram valores que não representam receitas, pois não se tratam de vendas, mas outras saídas como "remessa para conserto", "remessa para demonstração" e "devolução de conserto"; (iii) que tais inconsistências poderiam ter sido detectadas pela análise dos livros Registros de Saídas e notas fiscais que ficaram à disposição da fiscalização que, no entanto, se baseou em presunção de omissão de receitas por terem detectado uma eventual diferença entre os valores registrados e os informados na Declaração do Imposto de Renda, abandonando os demais meios probatórios de que dispunham. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente em sua impugnação, a Quinta Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJO II – proferiu o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.002792/0012 Acórdão n.º 330201.199 S3C3T2 Fl. 3 3 acórdão nº 8.541 (fls. 4.768/4.783), por meio do qual manteve apenas em parte o lançamento, in verbis: “NULIDADE: INTIMAÇÕES. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Não é nulo o Auto de Infração, lavrado ao final da fiscalização externa e direta no domicilio do contribuinte que, no seu transcorrer, concedeu à empresa prazo para apresentar documentos inferior a 20 dias. RECEITA DE VENDA DE MERCADORIAS. COMPROVAÇÃO Eventual contradição na escrita fiscal do contribuinte resolvese mediante apresentação de notas fiscais de vendas emitidas. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES Excluemse da receita bruta para efeito de determinação da base de cálculo do PIS, o Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI e as vendas canceladas e devolvidas. PIS — VALORES DECLARADOS EM DCTF — LANÇAMENTO DE OFÍCIO Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte” De acordo com o Aviso de Recebimento – A R – acostado às fls. 4.787 (Vol. III), a Recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento em 14/12/05. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 4.788/4.804, em 17/01/06, por meio do qual reiterou as alegações trazidas em sua impugnação, e afirma ainda que há nulidade da decisão da DRJ, pois teria se consubstanciado em novo lançamento, em relação ao qual a Recorrente teria direito de apresentar nova impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora Conforme se verifica da análise das datas apresentadas no relatório supracitado (intimação da decisão da DRJ em 14/12/05 e apresentação do Recurso Voluntário em 17/01/06), o Recurso Voluntário apresentado é intempestivo e, portanto não pode ser conhecido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.002792/0012 Acórdão n.º 330201.199 S3C3T2 Fl. 4 4 O contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 1614.361 (fls. 430/447), da DRJ de São Paulo/SPO I, por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 4.787, no qual consta como data de recebimento o dia 14/12/05, data esta confirmada pelos correios através do carimbo de entrega. Contudo, compulsando os autos administrativos, verificase que o recurso somente foi protocolizado em 17/01/06, conforme se verifica à fls. 4.788. De efeito, o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe , verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, tendo em vista que o dia 14/12/2005 foi uma quartafeira, o prazo para apresentação do Recurso Voluntário teve seu início no dia 15/12/2005 – quintafeira, expirandose no dia 13/01/2006, uma sextafeira, dia útil. O recurso, no entanto, foi apresentado apenas no dia 17/01/2006. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: " Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)” MS 24.274 AgR Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tornou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto nº 70.235/72, verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Tendo em vista a intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual NÃO O CONHEÇO, deixando, portanto, de analisar o mérito. É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.002792/0012 Acórdão n.º 330201.199 S3C3T2 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.002440/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITO RECURSAL. QUESTÕES ALHEIAS AOS AUTOS.
Não se encontra nos autos qualquer referência a depósito recursal, não sendo óbice à apreciação deste recurso. Não cabe apreciação de questões alheias aos autos.
NULIDADE. COMPOSIÇÃO DE TURMAS DAS DRJ.
DESCABIMENTO.
Não cabe nulidade de julgamento de primeira instância em decorrência de formação de turma de julgadores, quando estes estejam no exercício de seus mandatos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF.
O fato gerador do imposto de renda de pessoa física é apurado no ajuste anual. O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos.
DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE
DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA COTITULAR.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
MULTA DE OFICIO. NÃO APLICAÇÃO AO PRINCÍPIO DE CONFISCO.
No lançamento de ofício é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco, que é dirigido a tributos. O princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser observado no momento da criação da lei, e não na sua aplicação.
JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2102-001.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para considerar abrangido pela decadência o imposto de renda do exercício 2001; para excluir da base de cálculo da
apuração do imposto de renda dos exercícios 2002 e 2003 os valores de destinação não comprovada, nos montantes de R$ 280.629,28 e R$ 115.699,06, respectivamente; e excluir, também, no exercício 2004, os valores depositados nas contas correntes nº 274099, da agência
0916, HSBC, e nº 006957, agência 1892, do Banco do Brasil.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITO RECURSAL. QUESTÕES ALHEIAS AOS AUTOS. Não se encontra nos autos qualquer referência a depósito recursal, não sendo óbice à apreciação deste recurso. Não cabe apreciação de questões alheias aos autos. NULIDADE. COMPOSIÇÃO DE TURMAS DAS DRJ. DESCABIMENTO. Não cabe nulidade de julgamento de primeira instância em decorrência de formação de turma de julgadores, quando estes estejam no exercício de seus mandatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física é apurado no ajuste anual. O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). MULTA DE OFICIO. NÃO APLICAÇÃO AO PRINCÍPIO DE CONFISCO. No lançamento de ofício é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco, que é dirigido a tributos. O princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser observado no momento da criação da lei, e não na sua aplicação. JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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QUESTÕES ALHEIAS AOS AUTOS. Não se encontra nos autos qualquer referência a depósito recursal, não sendo óbice à apreciação deste recurso. Não cabe apreciação de questões alheias aos autos. NULIDADE. COMPOSIÇÃO DE TURMAS DAS DRJ. DESCABIMENTO. Não cabe nulidade de julgamento de primeira instância em decorrência de formação de turma de julgadores, quando estes estejam no exercício de seus mandatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física é apurado no ajuste anual. O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA CO TITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). MULTA DE OFICIO. NÃO APLICAÇÃO AO PRINCÍPIO DE CONFISCO. No lançamento de ofício é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco, que é dirigido a tributos. O princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser observado no momento da criação da lei, e não na sua aplicação. JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para considerar abrangido pela decadência o imposto de renda do exercício 2001; para excluir da base de cálculo da apuração do imposto de renda dos exercícios 2002 e 2003 os valores de destinação não comprovada, nos montantes de R$ 280.629,28 e R$ 115.699,06, respectivamente; e excluir, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 790 3 também, no exercício 2004, os valores depositados nas contas correntes nº 274099, da agência 0916, HSBC, e nº 006957, agência 1892, do Banco do Brasil. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Relatório Contra o contribuinte Cesar Herman Rodriguez, CPF/MF 470.342.70600, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 16 de fevereiro de 2006, auto de infração de imposto de renda pessoa física, referente aos exercícios 2001, 2002 e 2003, e 2004. O procedimento fiscal teve início com a determinação do TRF 3ª Região, em 9 de março de 2004, que autorizou à RFB o acesso a documentação remetida pelas instituições bancárias e financeiras para utilização nas ações fiscais instauradas contra este e outros contribuintes relacionados (fls. 6 a 9). Em 5 de abril de 2005 foi elaborado o termo de encerramento parcial para o ano calendário 1999, exercício 2000 (fl. 639), sendo o crédito tributário desmembrado em processo à parte. Em 25 de agosto de 2005 foi expedido um termo de intimação fiscal concedendo ao contribuinte 20 dias para se manifestar sobre a variação patrimonial a descoberto dos exercícios 2001 a 2004. Após sucessivas prorrogações, foi lavrado, em 16 de fevereiro de 2006, o auto de infração (fls. 583 a 587) que constitui o crédito tributário, cujos valores são: R$ 596.723,87 de imposto e R$ 447.542,87 de multa de ofício, assim distribuídos: 1. Acréscimo patrimonial a descoberto Omissão de rendimentos sobre o excesso de aplicações, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal (569 a 577) e no Demonstrativo de Variação Patrimonial/Fluxo Financeiro Mensal: Exercício 2001: R$ 130.262,69 Exercício 2002: R$ 148.730,73 Exercício 2003: R$ 184.143,61 2. Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais: Fato Gerador 30/06/2001: R$ 1.800,00; Fato Gerador 30/06/2001: R$ 3.307,50. 3. Depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem: Exercício 2004: R$ 128.479,34 Cientificado da autuação, em 2 de fevereiro de 2006, o contribuinte impugnou o lançamento. Em síntese, relata que se encontrava detido de 30 de outubro de 2003 a 4 de agosto de 2005, sendo condenado a três anos de detenção com a pena cumulada de perdimento Fl. 786DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 791 5 de bens e de função pública, e que, mesmo estando com seus documentos apreendidos pelo TRF da 3ª Região, foi instado pela RFB a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Alega ter havido cerceamento de defesa, pois não tinha como solicitar documentos, consultar legislação ou produzir qualquer prova das movimentações realizadas nas suas contas bancárias e que os depósitos foram transformados em receita tributada, por mera presunção, com o lançamento baseado em premissa equivocada e desprovido de amparo legal. Ainda, que a multa aplicada tem caráter confiscatório e que é incabível a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. A 4ª Turma de julgamento da DRJ/SPO II, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1739.427, de 24 de março de 2010 (fls. 690 a 705), que restou assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o contribuinte, teve oportunidade, tanto na fase da autuação quanto na fase impugnatória, de juntar aos autos documentos, informações e/ou esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. Os documentos apreendidos pela policia federal ou pela justiça podem ser obtidos mediante pedido de cópias. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Os saldos porventura apurados na análise da evolução patrimonial no mês de dezembro só serão considerados como recursos no ano seguinte, se constantes da declaração de bens ou mediante comprovação da efetiva existência dos mesmos em 31 de dezembro. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão. TAXA SELIC. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 A utilização da taxa SELIC como juros morat6rios decorre de expressas disposições legais. A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 31 de maio de 2010, por AR (fl. 707, verso), e por meio de procurador legalmente nomeado, em 16 de junho de 2010. No recurso (fl. 716 a 786) o contribuinte alega, preliminarmente: a inexigibilidade de depósito recursal; a ausência de julgamento em turma de composição permanente; o cerceamento do direito de defesa; e a nulidade do encerramento parcial da ação fiscal. Em relação ao cerceamento de defesa, argumenta que se encontrava detido, preventivamente, no período de 30 de outubro de 2003 a 4 de agosto de 2005, passando por vários estabelecimentos prisionais, cominando com a condenação de três anos de prisão mais as penas acessórias de perdimento de bens e função pública a serem aplicadas após o trânsito em julgado. E que, todo esse período, os documentos estavam apreendidos por determinação do TRF na 3ª Região. Assim, terlheiam negado o direito de produção de provas. No mérito, alega: a) decadência do IRPF relativo aos exercícios 2000 e 2001, pois, o lançamento fiscal seria feito mês a mês e sua prescrição ocorria mês do fato gerador e não no ajuste anual; b) utilização de diversos mecanismos financeiros de verificação, isoladamente e cumulativamente, que formariam, desordenadamente, diversos fatos geradores; c) não teria obtido ganho de capital decorrente da alienação dos imóveis no ano de 2001; d) a aquisição do imóvel localizado à Praça Franklin Roosevelt, 146, Consolação, com escritura lavrada no 14º Tabelião de Notas de São Paulo, às páginas 289/294 do livro 1.966, teria sido em 21/12/2000, por R$ 173.000,00, entretanto, teria sido pago integralmente na data de 10 de janeiro de 2001, justificando os valores depositados no Banco HSBC, c/c 274099; e) os valores recebidos em dezembro/2000, no total de 312.501,38 (trezentos e doze mil, quinhentos e um reais e trinta e oito centavos), relativo aos processos nº 08500.006267/9057, nº 08500.009344/9011 e nº 08200.001486/9629, da DPF/SR/SP, demonstrariam que as diferenças ocorridas entre junho a dezembro do anocalendário 2001 teriam origem tributada; f) a venda do imóvel localizado à. Praça Franklin Roosevelt, 146, Consolação, ao Sr. ROGER WILTON MANTUAN GUINDO, registrado no Cartório Registro de Imóveis de São Paulo sob o nº 1.723.227, no ano de 2003, justificariam os depósitos bancários em conta corrente no período de julho a dezembro de 2003; g) há fragilidade do lançamento pela não inclusão no procedimento administrativo do cotitular da conta corrente nº 011679, Agência nº 5738, da Nossa Caixa; Fl. 788DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 792 7 h) o procedimento administrativo baseado unicamente em depósitos bancários e papéis sem validade escrituraria, sem a obrigatória e necessária comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, seria improcedente; i) deveria ser desconstituída a taxa de juros com aplicação do SELIC; j) que a multa de ofício teria caráter confiscatório e estaria em desacordo com o determinado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal; e k) que poderia comprovar diversos fatos se estivesse em liberdade. Por fim, relata que, apesar da crise emocional, do abalo psicológico resultante das agruras sofridas, isolado em solitária por mais de um ano, em diversos presídios (apesar de ser graduado em curso superior e policial federal classe especial), poderia, dedutivamente, esclarecer alguns pontos de maior destaque e apontar fatos facilmente comprováveis, caso estivesse em liberdade e de posse de seus documentos. Por isso, protesta pela produção de todas as provas legalmente admitidas sobre os fatos alegados, condicionado tais comprovações à devolução de documentos, computadores, extratos e cheques, criminosamente retidos no TRF3. É o relatório. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e passo a analisar os pontos contestados no lançamento em questão. Das arguições preliminares: a) Inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal Não cabe apreciar a inconstitucionalidade da exigência de depósito como condição para recorrer administrativamente, por não se encontrar nos autos qualquer referência nesse sentido, não sendo, portanto, óbice à apreciação deste recurso. A questão está superada. Por meio da Adin nº 1.9767, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 32 da MP nº 1.69941/1998, convertida na Lei nº 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972. b) Ausência de julgamento em turma de composição permanente Também não assiste razão quanto à nulidade do julgamento em primeira instância, pois, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, art. 261, inciso XXIV, em vigor à época, os julgadores pro tempore são, assim como os demais, nomeados pelo Secretário da RFB, detendo as mesmas competências dos julgadores titulares (arts. 212 e 213). c) Cerceamento de defesa Argumenta o recorrente que teve infringido o seu direito constitucional de ampla defesa, já que estava, por determinação judicial, privado de sua liberdade, não podendo colacionar as provas devidas para contrapor o lançamento fiscal. Informa que seus documentos se encontravam em poder do Tribunal Regional Federal na 3ª Região, o que teria impedido subsidiar sua defesa. Apresentada em sede de preliminar, a alegação é reprisada no mérito. Essa questão foi pormenorizadamente analisada no acórdão proferido pela 4ª turma de julgamento da DRJ/SPO II e, como não há nenhuma nova prova, tomo a liberdade de transcrever parte daquele voto: O fato de estar preso não impediu o recorrente de se defender no processo administrativo. Foi cientificado de todos os atos do procedimento administrativo e teve ampla possibilidade de apresentar documentos e esclarecimentos, seja no curso da ação fiscal, seja na fase impugnat6ria. Além do fato de que, como se verifica na própria impugnação, o recorrente foi posto em liberdade na data de 04/08/2005 (fl. 594), ainda no curso da ação fiscal, sendo que a intimação para justificar o acréscimo patrimonial e os depósitos bancários foi recebida em 05/09/2005 (fl. 538), no domicilio do contribuinte e prorrogada três vezes, resultando em prazo total de 161 dias para apresentação de documentos. Também o fato de que os documentos, que o recorrente alega que poderiam justificar o acréscimo patrimonial, ganho de capital e a origem dos depósitos, estavam de posse da Justiça Federal, não caracteriza cerceamento do direito de defesa a medida que, apesar do Termo de Inicio da Fiscalização ter sido recebido em 24/03/2004 (fl. 10), o Fl. 790DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 793 9 único documento que consta dos autos demonstrando que o recorrente solicitou acesso aos documentos apreendidos é a petição de fls. 552/553 que foi protocolizada na Justiça Federal Se o recorrente não se aproveitou da autorização de análise dos documentos, que poderia ter sido feita por procurador e dos quais poderiam ter sido extraídas cópias em outubro de 2004 e só apresentou outro pedido de acesso aos documentos em outubro de 2005, sem juntar documento proveniente da justiça que demonstre ter sido negado tal acesso em qualquer momento, não pode alegar cerceamento do seu direito de defesa por inacessibilidade de tais documentos. Se o recorrente não se aproveitou da autorização de análise dos documentos, que poderia ter sido feita por procurador e dos quais poderiam ter sido extraídas cópias em outubro de 2004 e só apresentou outro pedido de acesso aos documentos em outubro de 2005, sem juntar documento proveniente da justiça que demonstre ter sido negado tal acesso em qualquer momento, não pode alegar cerceamento do seu direito de defesa por inacessibilidade de tais documentos. Observando os prazos descritos nos autos, vêse a seguinte cronologia: • 24 de março de 2004 – ciência do Termo de Inicio de Fiscalização; • 8 de agosto de 2004 – autorização do TRF ao contribuinte ou seus representantes para acesso aos documentos apreendidos; • 4 de agosto de 2005 – o requerente foi posto em liberdade (fl. 721); • 5 de setembro de 2005 – intimação para justificar o acréscimo patrimonial e os recursos financeiros movimentados em conta corrente; • 24 de outubro de 2005 – o contribuinte protocolizou no TRF a petição para obtenção de documentos (49 dias após a intimação) e não juntou a negativa de acesso ou a adoção das providências para garantir o seu direito; e • 16 de fevereiro de 2006 – formalização do lançamento do credito tributário, após três prorrogações. Portanto, mesmo que se considerasse a reclusão, essa ocorreu antes da intimação e não serve como argumentação ao cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. A jurisprudência do STJ citada no julgamento do RMS nº 19.741, que trata de negação de produção de prova em processo administrativo disciplinar, também não se aplica ao caso em concreto. d) Encerramento parcial da fiscalização do exercício 2000. Em relação à reclamação do “inusitado encerramento parcial” da ação fiscal relativa ao anocalendário 1999, em que o recorrente cita terem sidos desconsiderados os aportes financeiros declarados e o dinheiro em caixa naquele ano, resta informar que o IRPF exercício 2000 não é objeto destes autos. A ação relativa a esse exercício foi encerrada em abril de 2005, e o credito tributário constituído no processo fiscal nº 19515.001125/200506. Portanto, não cabe apreciação. Das arguições de mérito: a) decadência do crédito lançado para os exercícios 2001 e 2002. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 10 O contribuinte argui que “se o lançamento fiscal é feito mês a mês, sua prescrição ocorre mês a mês pelo lapso do fato gerador e, não pelo ajuste anual”. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. A base de cálculo da declaração de rendimentos abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuídas as deduções pleiteadas. Para isso há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do RIR/1999. O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Portanto, não procede os argumentos de apuração mensal do Imposto de Renda. Entretanto, analisando os autos, observase que contribuinte foi cientificado do lançamento em 22 de fevereiro de 2006; que na declaração de ajuste anual (fl. 13) consta a retenção de imposto retido na fonte no valor de R$ 12.080,53 (doze mil, oitenta reais e cinquenta e três centavos); e o que lançamento, por omissão de rendimentos, não registra evidencias de fraude, dolo ou simulação. Em sendo assim, aplicase ao exercício 2001 a decadência do crédito tributário nos termos do artigo 150, §4º do CTN, tese prevalente no âmbito da 2ª Seção de Julgamento do CARF: § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esse tem sido o entendimento do STJ, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme a ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: [...] Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. [...] II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. [...] (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) A questão também foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos por meio do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12 de agosto de 2009, relatado pelo Ministro Luiz Fux. Assim, como no caso em análise houve retenção do imposto de renda, o fato gerador do imposto auferido no anocalendário 2000, exercício 2001, ocorreu em 31 de dezembro de 2000, decaindo em 31 de dezembro de 2005, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 794 11 Porém a decadência se aplica apenas ao exercício de 2001, não merecendo prosperar a argumentação da decadência baseada em lançamentos mensais do imposto de renda do exercício 2002, que teve o fato gerado em 31 de dezembro de 2001. b) utilização de diversas modalidades de metodologias tributárias. O contribuinte questiona que foram empregadas diversas metodologias para apuração dos tributos, isoladamente e cumulativamente, da somatória dos depósitos bancários, dos cheques emitidos e do ganho de capital, formando desordenadamente diversos fatos geradores, que se tornou impossível ao recorrente entender a forma de apuração, e alega que as suas movimentações financeiras foram realizadas na forma a lei. Entretanto não há qualquer dificuldade nas metodologias de apuração que estão bem definidas. Nos exercícios 2001, 2002 e 2003, a tributação decorreu da omissão de rendimentos evidenciada pelo acréscimo patrimonial a descoberto. E foram somados à tributação os ganhos de capital obtidos no anocalendário 2001. No exercício 2004 foi apurada a omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42, da Lei n° 9.430/1996. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 569 a 577) resume o que foi apurado em cada um dos exercícios, detalhando a variação patrimonial a descoberto, a omissão de ganho de capital e a presunção de rendimento por depósitos de origem não comprovada. c) não obtenção de ganho de capital. Os ganhos de capital foram apurados em decorrência da alienação dos imóveis situados a Rua Barão de Iguape, Liberdade, São Paulo e Rua Santa Cruz, Porto Feliz, São Paulo, tributandose a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição registrado na Declaração de Bens do contribuinte. Apesar de citar que “não obteve ganho de capital decorrente da alienação dos imóveis, anocalendário de 2001”, o requerente não apresentou prova contrária. Confundindo a omissão de rendimento com ganho de capital, o recorrente restringese a apresentar meras alegações de que “a planilha utilizada pelo fisco se apresenta errônea e equivocada, merecendo ser melhor analisada por este R. Conselho do Contribuinte”. Nos termos dos arts. 1º, 2º e 3º, da Lei n° 7.713/88, os ganhos de capital constituem rendimentos tributáveis e, no caso de divergência nos valores apurados, caberia ao contribuinte apresentar as provas documentais para contrapor o lançamento. d) variação patrimonial a descoberto nos exercícios 2002 e 2003. Para esses exercícios a fiscalização detalhou a aplicação dos recursos tributados com base em documentos juntados aos autos, elaborando planilhas para demonstrar a evolução patrimonial (fls. 540/545). No que denominou “demonstrações possíveis”, o contribuinte alega que os valores recebidos em dezembro de 2000, no valor de R$ 312.501,38 (trezentos e doze mil, Fl. 793DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 12 quinhentos e um reais e trinta e oito centavos), recebidos da DPF/SR/SP, demonstrariam as diferenças ocorridas no período de junho a dezembro de 2001. Entretanto, não cita a efetiva data de recebimento e o documento que anexa (fls. 760 a 763) também não contém essa informação. Compulsando os autos, vêse que há uma significativa quantia depositada como proventos na conta corrente 6.9574, Banco do Brasil (fl. 254), que mais se aproxima do valor referenciado, principalmente se somando a esse o valor do imposto de renda retido na fonte registrado na correspondente Declaração de Ajuste Anual de 2002. Os rendimentos também se apresentam naquela declaração como recebidos de pessoa jurídica e foram considerados na planilha de folha 541, elaborada pela fiscalização. Portanto, se forem esses os rendimentos, por estarem devidamente declarados, foram considerados para justificar a variação patrimonial. Informa, ainda, o requerente que o imóvel localizado à Praça Franklin Roosevelt, 146, na Consolação, foi adquirido em 21/12/2000, por R$ 173.000,00, entretanto, pago integralmente na data de 10 de janeiro de 2001, “justificando os valores depositados no Banco HSBC, c/c 274099”. Porém, além de estar computado na planilha de folha 544, o pagamento do imóvel é um desembolso e não justifica os depósitos. Não fazem sentido as argumentações do contribuinte de que não foram considerados os valores constantes em suas declarações. A variação patrimonial levou em conta todos os valores registrados, transportandose o saldo credor de um mês como recurso para o mês seguinte, durante os meses de janeiro a novembro, e tributandose o saldo naqueles meses em que se apurou acréscimo patrimonial a descoberto. Esse procedimento apenas não ocorreu no mês de dezembro, pois, diferentemente, a situação patrimonial no dia 31 de dezembro deve coincidir com a da declaração de bens integrante da Declaração de Ajuste Anual. Os valores constantes da declaração de bens foram considerados como origem de recursos para o ano posterior. Porém, observase que ao apurar a variação patrimonial dos exercícios 2002 e 2003, a fiscalização considerou, entre outros, os valores dos cheques emitidos como aplicação dos recursos, sem especificar sua destinação. Em relação a isso, devese observar a Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Portanto, devem ser excluídos das planilhas de folhas 542/543 e 544/545 os seguintes valores da base de cálculo: 1. aplicações no anocalendário 2001 exercício 2002: (Cheques emitidos contra as contas correntes: Banco do Brasil S/A Agência 1892 Jardim Europa – Conta Corrente nº 69574, Nossa Caixa Agência 5738 Conta Corrente nº 011.6791 e HSBC Agência 0916 – Sta. Efigênia Conte Corrente nº 0274099, para consumo e pagamentos a terceiros conforme relação às fls. 533/534): JAN R$42.508,91 + FEV R$ 27.500,00 + MAR R$ 15.000,00 + ABR R$ 0,00 + MAI R$ 89.482,41 + JUN R$ 36.581,86 + JUL R$ 3.030,00 + AGO R$ 5.000,00 + SET R$ 13.219,00 + OUT R$23.319,00 + NOV R$ 3.700,00 + DEZ R$ 21.288,10 = TOTAL R$ 280.629,28. Diferença (R$ 540.839,01 – R$ 280.629,28): R$ 260.209,73. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 795 13 2. aplicações no nãocalendário 2002 exercício 2003: (Cheques emitidos contra as contas correntes: Banco do Brasil S/A Agência 1892 Jardim Europa – Conta Corrente nº. 69574 e HSBC Agência 0916 Sta. Efigênia Conta Corrente nº 0274099, para consumo e pagamentos a terceiros conforme relação às fls. 535 e cópias às fls. 439/500.): JAN R$ 3.976,00 + FEV R$ 9.970,38 + MAR R$ 11.575,04 + ABR R$ 21.825,00 + MAI R$ 6.825,00 + JUN R$ 2.825,00 + JUL R$ 5.566,00 + AGO R$ 0,00 + SET R$ 6.000,00 + OUT R$ 26.500,00 + NOV R$ 4.250,00 + DEZ R$ 16.386,64 = TOTAL R$ 115.699,06. Diferença (R$ 669.613,14 – R$ 115.699,06): R$ 553.914,08. e) não intimação de cotitular Ao questionar o encerramento parcial do imposto de renda exercício 2000, o recorrente alega a fragilidade do lançamento por não incluir o “Dr. Oscar Camargo Costa Filho, possuidor da conta corrente nº. 011679, agência nº. 5738, Nossa Caixa, em conjunto com o ora peticionário”, já que ele apresentou “declaração anual de ajuste em separado”. As cópias de cheques da conta citada, anexadas aos autos, indicam que a situação perdurou apenas até meados de março/abril de 2000. O exercício 2000 não é objeto destes autos e o exercício 2001 está abrangido pela decadência. Desta forma, não há razões para o aprofundamento da questão. No entanto, analisando os autos vêse que a conta corrente 274099, da agência 0916 HSBC, registrada nas cópias de cheques anexadas aos autos (fls. 62, 68, 82, 98, 100, 112, 136, 156, 158, 282, 285 a 325) e nos extratos (266 a 278), apresentase registrada em conjunto com a senhora Maria de Fátima Rodriguez. Em havendo mais de um titular, para lançamento do imposto de renda por presunção legal baseada em depósitos bancários, como ocorreu no exercício 2004, é necessário a intimação de todos os titulares, conforme expresso na Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. De acordo com o art. 72, do RICARF, as súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos seus membros. Portanto, inexistindo intimação ao cotitular, devem ser excluídos da apuração do imposto de renda do exercício 2004 os valores transitados na conta corrente nº 274099, da agência 0916, HSBC, lançados com base no art. 42 da Lei nº 9430, de 1996. Assim, permanece na base de cálculo dos rendimentos de origem não comprovada apenas o depósito efetuado em 17/12/2003, na Nossa Caixa, agência 03841, conta corrente 29.006.2147 no valor de R$ 329.771,26. f) improcedência do lançamento baseado em depósitos bancários O contribuinte alega que é improcedente o procedimento baseado em meros depósitos bancários e papéis imprestáveis, sem validade escrituraria. E argumenta que é obrigatória e necessária a comprovação de utilização dos valores depositados como renda consumida. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 14 Relata ainda que a venda do imóvel localizado à Praça Franklin Roosevelt, na Consolação, ocorrida em 2003, justificaria os depósitos bancários em conta corrente no período de julho a dezembro daquele ano. O lançamento do exercício 2003 foi realizado com base nos depósitos bancários registrados nas contas n.° 69574 – Banco do Brasil S/A, n.° 29.006.2147 – Nossa Caixa, n.° 0274099 – HSBC, obtidos nos extratos encaminhados com autorização do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, fundamentados no art. 42 da Lei nº 9.430/96, que permite a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários, quando o contribuinte não comprova a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Os créditos de origem não comprovados, objeto do lançamento de oficio, estão demonstrados e consolidados mensalmente no quadro “Créditos de Origem não Comprovada” (fls. 575 e 576), deduzidos os cheques devolvidos (fl. 576). Excluindose da base de cálculo a movimentação financeira ocorrida no Banco HSBC, desconsiderada por falta de intimação do cotitular, não há qualquer semelhança dos valores descritos no documento anexado às folhas 780 a 786, denominado “Instrumento Particular de Compra e Venda”, com os valores objeto do lançamento. Não se sustenta a argumentação de que os recursos financeiros movimentados pelo recorrente não são capazes de configurar o fato gerador do imposto cobrado, por falta de comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida ou por estarem baseado em papéis sem validade escrituraria. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários. A presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: [...] caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão e não há a necessidade de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. O legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Portanto, não comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tãosomente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, para comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes. Assim, o fato gerador do imposto de renda, nos casos de depósitos bancários, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, mas por se tratar de recursos financeiros sem prova de origem. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002440/200542 Acórdão n.º 210201.647 S2C1T2 Fl. 796 15 Também não faz sentido o questionamento quanto à validade dos extratos bancários e dos dispositivos legais aplicados para a utilização dos dados da movimentação financeira para fins de investigação e a utilização da mesma como base de cálculo do imposto de renda exigido, já que o uso das informações está respaldado em sentença judicial do TRF da 3ª Região. g) inconstitucionalidade da taxa Selic No que se refere à aplicação da taxa de juros Selic, o contribuinte alega ser ilegal e inconstitucional a utilização dessa taxa para fins de determinação de juros, tendo em vista possuir caráter nitidamente remuneratório e não meramente moratório. E, ainda, que a taxa perfaz um percentual superior ao estipulado no § 1º do art. 161 do CTN. Essa questão está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais”. h) multa de ofício com caráter confiscatório O contribuinte alega que a multa aplicada é abusiva e desvinculada da realidade, além de ter caráter confiscatório. Mas, assim está expresso no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A administração tributária se submete ao principio da legalidade. Não cabe à autoridade administrativa julgadora, invocando o principio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei, expressamente vedado pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF. Ademais, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei e não na sua aplicação. A norma, uma vez positivada, é aplicável. Isto posto, voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para considerar abrangido pela decadência o imposto de renda do exercício 2001; excluir da base de cálculo da apuração do imposto de renda dos exercícios 2002 e 2003 os valores de destinação não comprovada, nos montantes de R$ 280.629,28 e R$ 115.699,06, respectivamente, e excluir, também, no exercício 2004, os valores depositados nas contas correntes nº 274099, da agência 0916, HSBC, e nº 006957, agência 1892, do Banco do Brasil. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 797DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 16 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10950.002810/2005-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
DCTF. Multa por atraso.
Deve ser cancelada a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF nº 24/05.
Numero da decisão: 9101-001.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KOHATSU E YANASE S/S ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DCTF. Multa por atraso. Deve ser cancelada a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF no 24/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 47/57), em face do Acórdão n° 30335.382 (doc. a fls. 37/40), proferido pela Terceira Camara do Terceiro Conselho, o qual deu provimento, por unanimidade, ao recurso voluntário para afastar a multa aplicada por atraso na entrega da DCTF. Insurgese a recorrente contra a decisão exarada no acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: I – que, não obstante a identidade fática, a decisão recorrida diverge da decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, exarada no Acórdão no 30238.631, razão pela qual o recurso de divergência deve ser conhecido; II que, por ocasião da apresentação da DCTF relativa ao 4º Trimestre de 2004, foram detectadas, no ultimo dia do prazo de entrega — 15/02/2005, problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da referida declaração; II que o Secretário da Receita Federal, em 08/04/2005, editou o Ato Declaratorio Executivo no 24, com o que considerou, como apresentadas em 15/02/2005, as declarações transmitidas nos dias 16 a 18/02/2005, não se imputando aos contribuintes respectivos qualquer penalidade por atraso na referida entrega; IV – que, no presente caso, a contribuinte apresentou a sua DCTF do 4o Trimestre no ano de 2004 em 04/03/2005, ou seja, 14 (cartoze) dias após o termo do prazo final considerado pelo próprio ADE SRF n°24/05, caracterizando a mora no cumprimento da citada obrigação acessória; V – que a justificativas apresentadas pela recorrida no sentido de que teria tentado protocolar a referida declaração perante a repartição pública competente por diversas vezes, o que teria sido negado pelo agente público competente, não lhe socorre de nenhuma maneira; VI que a "convalidação pela Receita Federal das declarações enviadas nos três dias subseqüentes, provase que outros contribuintes que sofreram o mesmo imprevisto conseguiram enviar suas declarações sem problemas, e que o mesmo poderia ter sido feito pela Interessada", o que, todavia, não foi feito; VII que não se pode admitir que o contribuinte em mora na entrega da declaração, aproveitandose dos problemas técnicos observados nos sistema de envio da DCTF em 15/02/2005, estes que foram suficientemente sanados com a edição do ADE SRF n 9 24/2005, venha a levantar tese desprovida de qualquer substrato jurídico e probatório e cujo modelo vem se repetindo em defesas de outros contribuintes (o que é, ao menos, curioso), tudo com o intuito de se ver livre da imposição tributária, demonstrada legitima no presente caso; e VIII – que "a ocorrência ou mesmo autoria da infração, sobre a sua imputabilidade e principalmente sobre a punibilidade do ora recorrente", se acham devidamente evidenciadas no caso, já que ficou demonstrado e admitido nos autos que a contribuinte se retardou no cumprimento da obrigação tributária acessória, conduta esta que não se acha respaldada em qualquer causa justificada, o que induz à imputação devida da penalidade tributária, conforme previsão do art. 7o da Lei no 10.426, de 24/04/2002; IX – alfim, a recorrente requer que seja dado provimento ao recurso especial, para reformar o acórdão recorrido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10950.002810/200538 Acórdão n.º 910101.258 CSRFT1 Fl. 2 3 A Presidente da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselheiro, por meio do despacho a fls. 60/62, deu seguimento ao recurso especial do Procurador, por entender que era tempestivo e que restava demonstrada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma apresentado pela recorrente. Cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional (doc. a fls. 65), a recorrrida apresentou contrarrazões (doc. a fls. 66/71), na qual alega: I – que a pretensão postulada pela Recorrente é de uma insensatez inadmissível, pois, como imputar a um ato, que até 52 (cinqüenta e dois) dias era considerado fora do prazo, para após tomálo dentro do prazo, sem no entanto, dar a publicidade, em tempo hábil, que deva ser dado para todos os atos da Administração Pública. Desta forma, trouxe um prejuízo a Recorrida sem contudo dálhe possibilidade de evitar; II – que os princípios que deve reger as atividades da Administração Pública e alicerçar seus atos é o da razoabilidade que consiste na coerência dos atos, o que não se amolda aos atos que resultaram da ADE SRF n°24, e que portanto não merece prosperar seus efeitos quanto ao presente caso, justificando ainda mais a repulsa na ora pretensão postulada pela Recorrente; III – que a Recorrente aduz em diversos trechos de suas Razões de Recurso (itens 9 e 19) que em nenhum momento houve produção de provas acerca da tentativa frustrada de entrega da DCTF à Receita Federal, entretanto tal posicionamento neste momento é de no mínimo causar perplexidade, pois no item 20— voto — do Acórdão n°. 0613.184 — V. Turma da DRJ/CTA, sessão de 17/01/2007, o Julgador considera irrelevante a orientação dada à Recorrida pelos servidores da DRF/Maringá; VII – ao final, a recorrida requer a manutenção integral da decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao seu recurso voluntário. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Inicialmente, há que se esclarecer que o ADE SRF no 24/05 não alterou o prazo para entrega da DCTF, pois apenas determinou que as DCTF relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, fossem consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. De plano, verificase que o ADE ofendeu a reserva legal prevista no art. 150, § 6o, da CF/88 e no art. 97, VI, do CTN , já que, ao assim dispor, em verdade, concedeu uma anistia aos contribuintes que entregaram suas DCTF nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005. É verdade que a instituição de obrigação acessória não é matéria submetida à reserva legal, tanto que o art. 16 da Lei no 9.779/99 deu competência ao Secretário da Receita Federal para dispor sobre tais obrigações no âmbito dos tributos administrados por aquela Secretaria, inclusive com poderes para dispor sobre forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Todavia, a cominação de penalidade é matéria submetida à reserva legal ex vi art. 97, V, do CTN, sendo a multa por atraso na entrega da DCTF devidamente disciplinada pelo art. 7o da Lei no 10.426/02. Essa multa, como qualquer Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 outra, só poderia ser afastada – uma vez já ocorrida a conduta infracional – por força de outra lei em sentido formal que anistiasse a conduta, o que, consequentemente, afastaria a aplicação da multa. Não obstante, o Secretário da Receita Federal justifica o ADE SRF no 24/05 na ocorrência de “problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações” e afasta a aplicação da multa para quem tenha entregue a DCTF do 4o trimestre de 2004 nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, ou seja, nos 3 dias seguintes ao vencimento do prazo. Repito que o ADE não alterou o prazo que já tinha ocorrido quando da sua edição, mas simplesmente afastou ilegalmente a aplicação da multa, determinando que se considerassem enviadas no último dia do prazo fixado, as DCTF que foram enviadas até 3 dias depois. Vale notar que, encerrado o 4o trimestre de 2004 em 31/12/2004, os contribuintes tiveram até o dia 15 de fevereiro de 2005 para enviar a respectiva DCTF, ou seja, prazo de 46 dias. Assim, aquele contribuinte que deixou para enviar a DCTF no último dia de um prazo tão longo não agiu com a devida cautela e digo até que assumiu um risco ordinário, pois não é extraordinário que ocorra congestionamento na rede da Receita Federal no último dia de entrega de qualquer declaração a que estejam obrigados tantos contribuintes. Com efeito, os fatos ocorridos não justificavam a edição do referido ADE SRF no 24/05, todavia, o Secretário da Receita Federal o editou e, fazendo discricionariamente nos termos em que o fez, criou distinção entre contribuintes que estavam em situação semelhante, qual seja, contribuintes que não entregaram a DCTF no prazo fixado. Digo que o fez discricionariamente, pois não expôs o motivo pelo qual o ADE estava anistiando apenas aqueles que entregaram a DCTF até 3 dias depois do prazo. Por que 3 dias se no dia seguinte o problema já estava resolvido? Por que somente 3 dias? Por que não 4 dias? Ou mesmo, por que não uma semana ou um mês? Ou ainda, por que não até o dia da publicação do ADE no 24/05 (12/04/2005)? Assim, quase dois meses depois de ocorrido o fato gerador da multa, o Secretário da Receita Federal declara que houve problema técnico na recepção das DCTF no dia 15/02/2005, mas decide, discricionariamente, que apenas os contribuintes que entregaram a DCTF até 3 dias após o prazo fixado estavam dispensados de pagar a multa pelo atraso. Ora, o ADE SRF no 24/05 não só era ilegal, por disciplinar matéria sob reserva legal (anistia), como ofendeu o princípio da isonomia, ao criar, injustificadamente, diferenças entre contribuintes que se encontravam em situações equivalentes. Concluo, então, que deve ser mantida a decisão da Turma a quo que cancelou a multa aplicada à recorrida, em respeito ao princípio da isonomia, já que a Administração Tributária não expôs qualquer motivo ou critério razoável que diferenciasse a conduta da recorrida da dos contribuintes que tiveram sua multa cancelada pelo ADE SRF no 24/05. Tratase, também, de aplicação da equidade, prevista no art. 108, IV, do CTN, para adequar a norma contida no ADE SRF no 24/05 ao caso concreto e chegar à conclusão de que o atraso de 9 dias na entrega da DCTF também deve ter sido ocasionado pelo problema técnico na recepção da declaração pelo Serpro, afastandose assim a responsabilidade da recorrida e, consequentemente, concluindo pela manutenção da decisão que cancelou a multa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10950.002810/200538 Acórdão n.º 910101.258 CSRFT1 Fl. 3 5 Por último, registro que em processo que não era da minha relatoria, julgado, s.m.j., na reunião do mês de setembro, votei por manter a multa por atraso na entrega da DCTF em situação fática semelhante a ora sub examine. À época, não me apercebi dos vícios que maculavam o ADE SRF no 24/05, os, quais me fizeram, após análise percuciente da questão, modificar o meu entendimento. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 2/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 16045.000267/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO OBRA
DE CONSTRUÇÃO CIVIL NÃO CONTABILIZAÇÃO DOS FATO GERADORES DA OBRA AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO
PREVIDENCIÁRIO TERCEIRO Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão de obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão de obra, há que se
utilizar o critério da aferição indireta.
A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte.
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.000
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL NÃO CONTABILIZAÇÃO DOS FATO GERADORES DA OBRA AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO TERCEIRO Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão de obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão de obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte. A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.
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CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO TERCEIRO Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mãodeobra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mãodeobra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte. A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA MORATÓRIA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000267/200967 Acórdão n.º 240102.000 S2C4T1 Fl. 47 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.193.9178, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, incidentes sobre a remuneração utilizada na execução da obra de construção civil acima identificada. Observase que inicialmente ao processo em questão foi apensado ao DEBCAD 37.239.2687, por descrever fatos geradores relacionados, envolvendo a contribuição patronal. O presente levantamento foi efetuado por arbitramento e apurado por aferição indireta, considerandose que faltou prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil acima identificada. Ainda segundo a fiscalização o procedimento adotado foi adotado ao verificar que a escrituração contábil da empresa, não espelhava a realidade por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Nos Livros Razão e Diário da empresa não existem nenhum lançamento contábil referente a esta obra, nem de mão de obra ou material utilizado, uma vez que não existe nem conta contábil específica para a mesma. Não foi possível como conseqüência, verificar se as diversas despesas com mãodeobra, ou seja, se foi registrado corretamente o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Tais registros deveriam ter sido feitos em contas individualizadas por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, conforme o caso. Estas exigências não desobrigam a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil; A autuada deixou de apresentar, dentre outros documentos solicitados para exame, o Contrato de Prestação de Serviços e/ou as Ordens de Compra citadas nas Notas Fiscais emitidas, as Folhas de Pagamentos, período de 09/04 a 01/05, relativos à obra em referencia. A Declaração prestada, cópia em anexo, ressalta tal fato. A obra teve início na competência 08/2004, tendo sido faturados serviços prestados conforme consta nas NF/Fatura de Prestação de Serviços no 82 e 94 de 18/08/2004 e 03/09/2004, respectivamente. Nesta competência, apesar de ter serviços faturados na obra, a empresa apresentou GFIP com ausência de fato gerador para a Previdência. Observase que o valor destas Notas corresponde a 40% do total faturado na obra enquanto que a mão de obra declarada nestas competências(08 e 09/2004) corresponde somente a 11% do total. O primeiro empregado foi registrado em 13/09/2004 e os demais a partir do dia 20/09/2004. Tal fato demonstra inequivocamente que não foi registrado o movimento real da remuneração dos segurados. Não restando alternativa, na falta dos documentos próprios da empresa, pertinentes a mão de obra utilizada, fezse necessário arbitrarmos o salário de contribuição, para se calcular o valor devido à Previdência Social. Observando o que determina a Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória n o 449, de 2008, procedeuse ao arbitramento da remuneração dos empregados com base nos valores das Notas Fiscais de Serviços emitidas. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 25/08/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 141 a 151. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 184 a 186, englobando os DEBCAD; procedentes o AIOP DEBCAD n° 37.239.2687 (COMPROT n° 16045.000268/200910), o AIOP DEBCAD n" 37.239.2695 (COMPROT n° 16045.000269/200956) e o AIOP DEBCAD n° 37.193.9178 (COMPROT n°16045.000267/200967, subdivididos em obrigação patronal, contribuição do segurado e terceiros. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 203 a 213 no corpo do autos DEBCAD, 37.239.2687 (COMPROT n° 16045.000268/200910), considerando que o processos encontravamse apensados, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Desta forma, tratandose de empreitada parcial, não cabia a autuada a obrigação pela matricula da CE, sendo esta obrigação da empresa AMSTED. Ressaltase que, a aferição indireta das contribuições previdenciárias, deve ser usada excepcionalmente, quando através dos documentos contábeis não se puder constatar a movimentação real da empresa. No caso em tela, toda documentação foi devidamente repassada à Auditora, a qual achou por bem, ainda assim, autuar a empresa. Na esteira desse pensamento, concluímos que, se a Auditora fiscal lavradora do auto de infração ora atacado, não apresentar o fato jurídico tributário, relacionandoo, por meio de provas irrefutáveis, ao evento verificado no mundo fenomênico, se terá por nulo o ato pela falta de um de seus pressupostos, que é a correlação lógica entre o fato e a norma infringida (nexo), ônus que cabe privativamente ao agente fiscal, não podendo este, repassar ao contribuinte tal obrigação, muito menos penalizalo por isso. A auditora fiscal, em sua investida contra a impugnante, aplicou, a seu bel prazer, multas aleatórias, e sem respaldo legal, conforme supra demonstrado, chamando a nossa atenção pela sua exorbitância. Improcede também, os juros e correções, pois ausente o principal não há que se falar em acessório.. Requer, ao final, seja declarada nula as sanções impostas, ou ainda se apreciar o mérito decidir pela improcedência. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000267/200967 Acórdão n.º 240102.000 S2C4T1 Fl. 48 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 232. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação das bases de cálculo no documento DAD, não lhe confiro razão. Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições dos pagamentos feitos aos segurados descritos no relatório de Lançamentos, inclusive com a indicação do livro em que foram apurados os valores. Ademais, o relatório fiscal da infração descreve de forma detalhada, como foi realizado o lançamento, indicando inclusive sobre qual base foram apuradas as contribuições. Quanto a desobediência ao princípio da Primazia da Realizada, entendo que equivocado encon5rase o argumento do recorrente, considerando que foram considerados pela autoridade fiscal, não só os documentos apresentados, como também os fatos encontrados Fl. 50DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 durante o procedimento, contudo a legislação previdenciária é clara quanto ao conceito de salário de contribuição. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito MÉRITO Em primeiro lugar, cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Quanto à questão suscitada pela recorrente de que houve cerceamento de defesa, pois não foram apontados os fundamentos para arbitramento dos valores, não lhe confiro razão. A empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Argumentar que não está obrigado a realizar contabilidade regular face o tipo de constituição empresarial, não o abstem de efetuar os registros contábeis referentes a suas movimentações. Conforme descrito na IN 03/2005 o procedimento para a fiscalização de obra deve ter por base: FISCALIZAÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS (IN SRP n° 03/2005, Art. 472) A obra ou serviço de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deverá ser auditada com base na escrituração contábil e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Os lançamentos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Os registros contábeis deverão ser efetuados em centro de custo específico para cada obra. Nas obras sujeitas à responsabilidade solidária, quando a contratante não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, a fiscalização exigirá as mesmas por solidariedade. A aceitação de documento de arrecadação e GFIP com remuneração inferior aos percentuais estabelecidos pelo, fica condicionada à comprovação de que a contratada possui escrituração contábil no período de duração da obra, mediante cópia do balanço extraído do livro diário para o exercício encerrado e a declaração de que os valores encontramse contabilizados, firmada pelo representante legal ou mandatário da empresa e pelo contador, para o exercício em curso. Havendo nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de contratada, sem prova da escrituração contábil, a contratante Fl. 51DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000267/200967 Acórdão n.º 240102.000 S2C4T1 Fl. 49 7 será responsabilizado pela diferença das contribuições apuradas na forma estabelecida pelo fisco . A remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual por serviços prestados na execução de obra de construção civil, será desconsiderada como tal e considerada como remuneração a segurado empregado, se presentes os pressupostos inerentes a esta condição, devendo ser demonstrados pela fiscalização. A fiscalização deverá emitir Subsídio Fiscal SF, nos casos previstos em ato próprio, inerentes à atividade de construção civil. AFERIÇÃO INDIRETA Na falta de escrituração contábil, mesmo quando a empresa estiver desobrigada da apresentação ou mesmo quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro, a remuneração dos segurados utilizados para a execução da obra ou para a prestação dos serviços será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos no item 25.7.2.1 sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de empreitada ou de subempreitada; II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos incisos I e II. Na contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada total ou parcial, até janeiro de 1999, aplicarseá a responsabilidade solidária, na forma do 25.4.3.2 (da elisão), em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma dos item I, II e III retro, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem. (§ 2° do art. 473 da IN 03) Na empreitada total de obra que não seja edificação, a apuração da remuneração deverá ser efetuada com base nos incisos I ou III. Ocorrendo a recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, a apresentação deficiente desses documentos ou dessas informações ou a tentativa de sonegálos, a base de cálculo será aferida na forma acima disposta, lavrandose o respectivo autodeinfração AI. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Na apuração da remuneração na obra de construção civil com base na área construída e no padrão da obra ou na apuração da mãodeobra contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições previdenciárias correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Os créditos serão constituídos da seguinte forma: I mãodeobra própria; II responsabilidade solidária; III – retenção; IV aferição da mãodeobra total. A remuneração considerada nos lançamentos previstos nos incisos I a III será deduzida do lançamento do inciso IV (aferição da mãodeobra total). No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o item II, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. (§3° do art. 474 da IN 03) A fiscalização previdenciária constatou a omissão da recorrente, desse modo, descumprindo um dever jurídico, contabilização dos fatos que ocorrem na entidade, a recorrente passa a arcar com o ônus da prova em contrário. A discriminação dos fatos geradores não foi possível ser realizada de forma completa, em virtude da inércia da própria recorrente que não apresentou a documentação pertinente durante a ação fiscal, o que gerou a inversão do ônus probatório, conforme previsto no art. 33, § 3º da Lei n ° 8.212/1991, fundamento legal à fl. 22. Desse modo, ao contrário do que afirma a recorrente, o relatório fiscal esclareceu os motivos de fato e legais que ensejaram a presente notificação fiscal. Não procede o argumento de que o fisco não juntou qualquer prova no sentido de contrapor a regular documentação apresentada pela impugnante, pois uma vez não apresentando a documentação e constando tal afirmação no relatório fiscal, a empresa é quem deveria provar a regular contabilização para o ano de 2001. Não procede o argumento da recorrente de que o fiscal não tem competência para elaborar planilhas de custos de obras. A fiscalização previdenciária não elaborou planilha de custo, mas sim aferiu, de forma indireta, na forma dos ditames legais, a mãodeobra utilizada na edificação da obra. A competência para realizar tal enquadramento advém de dispositivo legal, art. 33, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 – omissis (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da Fl. 53DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000267/200967 Acórdão n.º 240102.000 S2C4T1 Fl. 50 9 unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. O que o Auditor Fiscal fez foi simplesmente uma conta aritmética utilizando se tabela de valores elaborada pelo próprio Sinduscon, com base na área construída e no padrão da obra. Nesse sentido é esclarecedor o posicionamento da 1ª Turma do STJ no julgamento do Recurso Especial n ° 384528, cujo Relator foi o Ministro José Delgado, publicado no DJ em 10/6/2002, cuja ementa transcrevo a seguir: PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4º, DA LEI 8.212/91. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚM. 07/STJ. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO – CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CTN. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 13/STJ E ART. 255, DO RISTJ. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4º, da Lei 8.212/91, valerse da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 2. A verificação de eventual equívoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON, não havendo neste ato ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegada ofensa ao art. 97 (inc. I e IV) do CTN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário Básico CUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tãosomente aplicou um método para apurála, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4º, art. 33, da Lei 8.212/91. 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária – na hipótese, a TRD pelo INPC , não induz à nulidade da Certidão de Dívida Ativa – CDA, considerando que foi verificado no título todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 Fl. 54DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp 167.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula 13/STJ e artigo 255 do RISTJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento. Quanto ao argumento de que responsabilidade só pode cair sobre a executora dos serviços e que a recorrente elidiu sua responsabilidade, acontece que no presente lançamento, a empresa fiscalizada foi a própria dona da obra, que não apresentou a documentação pertinente capaz de comprovar a regularização da obra de sua responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade pela matrícula da obra e posterior regularização é da notificada. Uma vez que o presente caso se trata de aferição, o critério para apuração de mãodeobra é aquele previsto pela autarquia previdenciária que utilizará meios indiretos normatizados em suas Instruções Normativas. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 55DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16045.000267/200967 Acórdão n.º 240102.000 S2C4T1 Fl. 51 11 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora Fl. 56DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 57DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 37317.003793/2005-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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