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Numero do processo: 10950.002650/2005-27
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
VERBAS INDENIZATÓRIAS POR RESCISÃO DE CONTRATO DE
TRABALHO.
Comprovado que o valor lançado como omitido se referia a parcelas
legalmente excluídas do rendimento bruto, para efeito de tributação,
recebidos na rescisão de contrato de Trabalho, há que se cancelar o
lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso interposto. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos
Nogueira Nicácio e Sidney Ferro Barros.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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VERBAS INDENIZATÓRIAS POR RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Comprovado que o valor lançado como omitido se referia a parcelas legalmente excluídas do rendimento bruto, para efeito de tributação, recebidos na rescisão de contrato de Trabalho, há que se cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio e Sidney Ferro Barros. (assinado digitalmente) Valeria Pestana Marques Presidente. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Locoselli Erichsen, Carlos Nogueira Nicacio, Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e Valeria Pestana Marques. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 137/142, que considerou procedente o lançamento relativo a: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ALÉM DOS RENDIMENTOS DECLARADOS, CONFORME. RELATÓRIO DA MALHA IRPF/2002 E EXTRATOS DAS DIRF EM ANEXO, O CONTRIBUINTE RECEBEU OS SEGUINTES VALORES: PREFEITURA DE NOVA ESPERANÇA R$ 30.365,84 PASS — ASSOC . ASSIST. SAÚDE R$ 64,00 FUNBEP R$ 64,00” DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. Na decisão de 1ª instância, considerada não impugnada a dedução indevida com despesas médicas entendeuse que: as verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista têm caráter salarial, à exceção das parcelas referentes ao FGTS, falta de pagamento e correção ou recomposição dos ganhos pelos índices oficiais; a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando para a incidência do imposto o beneficio por qualquer forma e a qualquer titulo, conforme disposto no art. 3°, § 4°, da Lei n." 7.713, de 1988; o art. 176 do CTN consagra o principio da legalidade em matéria de isenção e o art. 4° do mesmo diploma legal estipula que a natureza jurídica especifica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei; O CTN definiu o fato gerador do imposto de renda e, por sua vez, a Lei n° 7.713, de 1988, ao alterar a sistemática de apuração do imposto, ...; A mesma lei, em seu art. 6°, ressalvou as hipóteses de isenção de rendimentos, ... as indenizações isentas são as decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho — C.L.T..Decretolei n° 5.452, de 1° de maio de 1943, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9' da Lei n.° 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei n.° 8.036, de 11 de maio de 1990;..... todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10950.002650/200527 Acórdão n.º 280200.653 S2TE02 Fl. 169 3 isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art.6°, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n." 3.000, de 26103/1999 (R1R/1999), art. 39; ...não é o interesse ou o acordo das partes que tomará o rendimento isento ou tributável. As verbas devem ser determinadas de acordo com a legislação trabalhista, e, a partir dai, verificar a sua adequação às hipóteses de isenção previstas na legislação tributaria. No caso, os litigantes suprimiram esta fase, mediante acordo, e fizeram a discriminação das verbas independente dos parâmetros contidos na legislação quanto às suas naturezas. Porquanto seja uma faculdade que as partes possam exercer na esfera da Justiça do Trabalho, nenhuma vinculação dela advém para a administração tributária. .... os documentos acostados às fls. 122 a 125, não são hábeis para comprovar a especificação das verbas isentas discriminadas pela impugnante e o seu ex empregador no item 5 da composição amigável e, desta forma, não acatáveis para fins de reconhecimento da isenção pleiteada. Vale lembrar que a Justiça do Trabalho homologa apenas o acordo trabalhista, e não a discriminação das verbas elaboradas pelas partes e, por conseguinte, a sua natureza tributária. ...não tendo o interessado comprovado que aquelas verbas são realmente isentas do imposto de renda, é de se manter a autuação em todos os seus termos. Tal comprovação se dá por meio dos cálculos do perito que deveriam fazer parte do processo judicial trabalhista. Somente este documento pode ser oponível ao fisco. Da ilegitimidade em relação ao pagamento do imposto ...quanto à sua ilegitimidade passiva para responder pela obrigação tributária decorrente dos rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Nova Esperança PR, dado caber à fonte pagadora proceder à retenção do imposto de renda, não encontra guarida na legislação especifica, pois os rendimentos decorrentes do trabalho com ou sem vinculo empregatício além de serem tributados mensalmente, à medida que forem auferidos, são, também, posteriormente, oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. .... ... Do excerto acima, inferese que o art. 2° do dispositivo legal referenciado estabeleceu que o IRPF será devido á medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11, o que significa que a préfalada Lei n 8.134, de 1990, estabeleceu a apresentação da declaração de ajuste anual, mas manteve a incidência do imposto no momento da percepção do rendimento e seu recolhimento dentro do anocalendário. Em vista disso, ficouse diante de dois períodos de apuração um mensal e outro anual , ambos para um único contribuinte. Assim, de acordo com os supra transcritos artigos 9° e 10 da Lei n° 8.134, de 1990, exceto os rendimentos isentos, os nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, todos os demais rendimentos recebidos ao longo do anocalendário estão sujeitos ao ajuste anual, independentemente de serem tributados mensalmente. ... Portanto, ....., fica claro que o autuado é, sim, o sujeito passivo da obrigação tributária em questão, uma vez que, em se tratando de imposto em que a incidência na fonte dá se por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, inexiste responsabilidade tributária concentrada exclusivamente na pessoa da fonte pagadora, como quer o autuado em sua peça de defesa. O dever da fonte pagadora de reter e recolher o IRRF Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 4 não afasta a obrigação do contribuinte de oferecer à tributação, na sua declaração de ajuste anual, tais rendimentos. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 27/11/2008, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 145. À vista da decisão, foi protocolizado, em 22/12/2008, recurso voluntário de fls. 148/157, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte após relatar os fatos (fl. 149) informa: Não pode prosperar a alegação da Receita de que a Justiça do Trabalho homologa apenas o acordo trabalhista, e não a discriminação das verbas elaboradas pelas partes e, por conseguinte, a sua natureza tributária. Pois todo entendimento jurisprudencial neste sentido foi consolidado pela EMENDA CONSTITUCIONAL N° 45, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2004, conferiu o inciso I, do artigo 114 da Constituição Federal, que "as ações oriundas da relação de trabalho", e o inciso IX"outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho" são competência da Justiça do Trabalho. ... Concluise, então, que, com o advento da nova sistemática constitucional, ampliandose a Justiça do Trabalho para outras lides, que não apenas trabalhistas stricto sensu, atraise para a Justiça Especializada a aplicação de outros direitos materiais que regulam essas relações. ... Nos moldes dos artigos 46 da Lei n° 8.541/92, 43 e 44 da Lei n° 8.212/92, compete à Justiça do Trabalho determinar a incidência dos descontos previdenciários e fiscais resultantes das decisões e conciliações. O objetivo de tal medida é velar pelo cumprimento da legislação fiscal, bem como impedir a sonegação dos recolhimentos quando os débitos surgirem de acordos judiciais ou julgamento de mérito, ou seja, instase consignar que o atual texto constitucional não faz menção apenas às sentenças condenatórias. Neste sentido, estabeleceu regras atinentes à execução do imposto de renda, quais sejam, pelo Juiz do Trabalho, de oficio e com acompanhamento da parte interessada, a tudo informada.. ... DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA (MUNICÍPIO) O Código Tributário Nacional em seu art. 46, assim descreve "O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o recebimento se torne disponível para o beneficiário". No caso tela caberia à fonte pagadora, no prazo de 15(quinze) dias da data da retenção de que trata o caput do art. 46 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, comprovar, nos respectivos autos, o recolhimento do imposto de renda fonte incidente sobre os rendimentos pagos em Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10950.002650/200527 Acórdão n.º 280200.653 S2TE02 Fl. 170 5 cumprimento de decisão da Justiça do Trabalho( Lei n° 10.833, de 2003, art. 28). Na hipótese de omissão da fonte pagadora relativamente à comprovação de que trata o caput, competirá ao Juízo do Trabalho calcular o imposto de renda na fonte e determinar o seu recolhimento à instituição depositária do crédito. Diante do exposto requer pela procedência desta IMPUGNAÇÃO, nos termos acima mencionado para que seja refeita a declaração utilizando os parâmetros e os fundamentos expendidos, por medida da mais inteira JUSTIÇA. É o relatório. Voto Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso voluntário em face da decisão que manteve o lançamento por omissão de rendimentos. Observase que a omissão lançada foi no valor de R$ 30.365,84 acrescido de mais duas parcelas de R$ 64,00, resultando no acréscimo de R$ 30.493,84. A DIRF de fl 56 emitido pela Prefeitura Municipal de Nova Esperança, para o anocalendário de 2.001, indica o rendimento bruto de R$ 33.714,53, com retenção na fonte do valor de R$ 3.415,30, sem o pagamento do 13° salário. Já o de fl. 57 indica o rendimento de R$ 30.365,84, pago em 4 parcelas, sem qualquer retenção na fonte, informando tratarse de outros rendimentos, código 8045 Já o documento de fls. 122/ 125 tratase de requerimento de homologação do acordo firmado entre o contribuinte e a Prefeitura Municipal de Nova Esperança, do Paraná, em que consta: À fl. 123è “5 Sendo todas as verbas condenadas de caráter indenizatório, na forma da sentença, de fls. 122, as importâncias pagas referemse, portanto ao pagamento de: À fl. 124 è “ 6. Todas as demais verbas condenatórias, objeto da sentença de fls. 122 são de natureza indenizatória, não sujeitas a recolhimento previdenciário. Já o documento de fl. 127, 134/135 indica tratarse de Reclamação Trabalhista pelo não recebimento dos direitos laborais, uma vez que admitido em 02.02.86 e Verba Laboral (Fl. 124) Aviso Prévio Indenizado 5.032,17 7% Férias Indenizadas + Abono 30.208,20 41% Indenização por tempo de serviço 22.921,24 31% 13" salário indenizado 15.041,00 21% Subtotal 73202,61 100% insalubridade verba sujeita ao recolhimento previdenciário 2.712,01 Total 75.914,62 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 6 dispensado em 05.01.89, não recebera o avisoprévio, adicional de insalubridade, férias, 13° salário, indenização por tempo de serviço, além de exigir a anotação na CTPS. No termo de Audiência de fls. 127/ 130 restou reconhecido (fl. 129) o vínculo empregatício, assim como a procedência das verbas demandadas (itens “a” a “e” ), transcritas a seguir da fl 134/135, inclusive o adicional de insalubridade: “ 10: ISTO POSTO, e considerando que , quando da rescisão contratual, nada lhe foi pago, reclama: a) aviso prévio (CLT, art. 487, inc. II); b) adicional de insalubridade, em grau médio (20%), de todo do o período (CLT, art. 189 e segs); c) ferias, inclusive em dobro (períodos 1986/87 e 1987/88), de todo o período (3 comple=tos), calculadas com base na ultima remuneração (Cz$539.564,00) acrescida de 1/3 (CF art. 7° , inc. XVII c/c E 7° , TST); d) 13° salário de todo o período (Lei 4090/62); e) indenização por tempo de serviço (CLT, art. 477/478), relativa a três anos, calculada com base em 140% da remuneração, por aplicação analógica do artigo 10 das Disposições Constitucionais Transitórias (art. 7 2 ) e incidência de 1/12 de 13 2 salário (E 148, TST); f) anotação do contrato de trabalho em CTPS.” Pelo transcrito e , considerando que o recorrente tenha recebido o que pleiteara em reclamatória, cabe a análise da tributação desses rendimentos: O RIR /99 determina que: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 16): .... Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10950.002650/200527 Acórdão n.º 280200.653 S2TE02 Fl. 171 7 III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário;” (grifei) Ainda pelo Parecer PGFN/ CRJ/ n° 2140/2006 restou aprovada a proposta de não interposição de recurso em ações relativas à não–incidência tributária sobre o abono pecuniário de férias (art. 143 da CLT), em virtude de Jurisprudência pacífica do STJ; desta feita, em virtude das verbas discriminadas como pleiteadas e cujos valores foram homologados pela Justiça Trabalhista, deve o lançamento ser cancelado. Há que ressalvar que a Justiça Trabalhista declarou peremptoriamente que estava a homologar o acordo entre as partes, reclamante (o ora recorrente) e reclamado (Prefeitura de Nova Esperança), acordo esse que cingiase ao cabimento ou não das verbas trabalhistas pleiteadas e não sobre a incidência tributária. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001224/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
MULTA DE MORA. FALTA DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE FORMA ISOLADA. CABIMENTO.
A multa de mora é expressamente prevista na legislação tributária. Cabível, portanto, a exigência isolada de multa de mora, que deixou de ser recolhida juntamente com o principal, em pagamentos feitos depois das respectivas datas de vencimento.
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Com a efetivação da denúncia espontânea não cabe a exclusão da multa de mora, haja vista que tal instituto não foi previsto para favorecer o atraso do pagamento do tributo.
Numero da decisão: 1202-000.538
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento
ao recurso voluntário.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 MULTA DE MORA. FALTA DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE FORMA ISOLADA. CABIMENTO. A multa de mora é expressamente prevista na legislação tributária. Cabível, portanto, a exigência isolada de multa de mora, que deixou de ser recolhida juntamente com o principal, em pagamentos feitos depois das respectivas datas de vencimento. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Com a efetivação da denúncia espontânea não cabe a exclusão da multa de mora, haja vista que tal instituto não foi previsto para favorecer o atraso do pagamento do tributo.
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FALTA DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE FORMA ISOLADA. CABIMENTO. A multa de mora é expressamente prevista na legislação tributária. Cabível, portanto, a exigência isolada de multa de mora, que deixou de ser recolhida juntamente com o principal, em pagamentos feitos depois das respectivas datas de vencimento. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Com a efetivação da denúncia espontânea não cabe a exclusão da multa de mora, haja vista que tal instituto não foi previsto para favorecer o atraso do pagamento do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 11516.001224/200720 Acórdão n.º 120200.538 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente auto de infração lavrado em face do contribuinte a título de multa isolada, em virtude de recolhimento extemporâneo de tributos sem o devido recolhimento de multa de mora. O Auto de Infração teve origem em procedimento de auditoria interna da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, Santa Catarina, cujo objeto foi as Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, entregues pelo contribuinte relativamente ao anocalendário de 2003, verificandose a existência de recolhimentos do Imposto de Renda efetuados fora do prazo legal sem o acréscimo das respectivas multas de mora. Não se conformando, o contribuinte apresentou impugnação fundandose no artigo 138 do Código Tributário Nacional, tendose em vista que a denúncia espontânea afastaria a imposição de qualquer tipo de multa, inclusive de natureza moratória, sendo, então, os tributos recolhidos em atraso apenas acrescidos de juros de mora. Apresentou em, sede de impugnação, ementadas de julgados administrativos e judiciais, requerendo diversas providências e por fim fosse a impugnação julgada totalmente procedente, anulandose o lançamento tributário. Diante da impugnação do contribuinte a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina decidiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE MORA. FALTA DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE FORMA ISOLADA. CABIMENTO. A multa de mora é expressamente prevista na legislação tributária. Cabível, portanto, a exigência isolada de multa de mora, que deixou de ser recolhida juntamente com o principal, em pagamentos feitos depois das respectivas datas de vencimento. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Com a efetivação da denúncia espontânea não cabe a exclusão da multa de mora, haja vista que tal instituto não foi previsto para favorecer o atraso do pagamento do tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 86DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 11516.001224/200720 Acórdão n.º 120200.538 S1C2T2 Fl. 3 3 Sem Crédito em Litígio Tal decisão teve por fundamento a análise do artigo 138 do Código Tributário Nacional, posto que o contribuinte sustentou a tese de que a denúncia espontânea teria o condão de afastar a multa de mora. Baseouse a decisão a quo na existência de legislação tributária federal que prevê a cobrança da multa de mora, no importe de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, tendo o limite máximo de vinte por cento, qual seja a Lei nº 9.430/96. Se socorreu ainda o julgador a quo em julgado do STJ (EDcl no REsp 573355/RS) e também do então Conselho de Contribuintes. Não obstante, cita a doutrina de Paulo de Barros Carvalho nos seguintes termos: A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. (Grifouse). Assim, por tratarse de controvérsia acerca do cabimento de multa de mora negou o pedido de perícia e de diligências, considerando as características do litígio tratar apenas de matéria de direito. O contribuinte foi notificado da decisão em 10 de dezembro de 2009, e inconformado apresentou Recurso Voluntário a este Conselho em 10 de janeiro de 2010. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte delimita a matéria na análise da legalidade da imposição de multa de mora no caso de recolhimento de tributo em atraso antes da apresentação da respectiva DCTF e do início de qualquer procedimento administrativo fiscal. Reitera o entendimento de que o artigo 138 do CTN tem o condão de excluir a multa de mora, com fundamento em julgado do STF, verbis: “Várias razões justificam a aplicação do dispositivo para efeito de exclusão da multa de mora, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, desde que o i. Min. Cordeiro Guerra acentuou que: não disciplina o CTN as sanções fiscais de modo a extremá las em punitivas ou moratórias, apenas exige sua 1110 legalidade", reforçado pelos argutos fundamentos do também i. Min. Moreira Alves, no sentido de que: Toda vez que pelo simples inadimplemento, e não mais com o caráter de indenização, se cobra alguma coisa do credor(sic), este algo que se cobra a mais dele, e que não se capitula estritamente como indenização, isso será uma pena....e as multas ditas moratórias.., Fl. 87DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 11516.001224/200720 Acórdão n.º 120200.538 S1C2T2 Fl. 4 4 não se impõem para indenizar a mora do devedor, mas para apená1o . Consolidouse a jurisprudência do Pretório Excelso: ISS. INFRAÇÃO. MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXONERAÇÃO. ART. 138, DO CTN. O contribuinte do ISS, que denuncia espontaneamente ao Fisco, seu débito em atraso, recolhendo o montante devido, com juros de mora e correção monetária, está exonerado da multa moratória, nos termos do art. 138 do CTN.” Assim, sustenta o contribuinte que ao prescrever que a denúncia pode vir acompanhada do pagamento, o artigo 138 do CTN deixa claro que sua aplicação não se restringe às infrações formais, mas, igualmente aquelas decorrentes do inadimplemento da obrigação tributária no prazo, posto que se a exclusão da responsabilidade fosse apenas em relação às infrações formais, não faria sentido se falar em pagamento de tributo devido. Se socorre em vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, bem como em julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ao final requer: A produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a documental já anexada, bem como a superveniente além da pericial; Seja o Recurso Voluntário conhecido e provido determinando a anulação do lançamento tributário, com fundamento no artigo 145, I do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro, Orlando José Gonçalves Bueno, Relator O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente quanto ao pedido de produção de prova documental superveniente bem como a pericial não se faz necessária, posto que a matéria em discussão é puramente de direito. Como já salientado no relatório, a questão que se coloca é o alcance do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, para afastar a exigência de multa de mora em razão do pagamento extemporâneo de tributo. Preceitua o artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 11516.001224/200720 Acórdão n.º 120200.538 S1C2T2 Fl. 5 5 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Como bem se vê, a denúncia espontânea constitui instrumento de exclusão da responsabilidade em virtude da existência de alguma espécie de infração tributária, cabendo ao denunciante noticiar ao Fisco a infração, comprovando, se for o caso, o pagamento do tributo devido ou o depósito da importância arbitrada. Por infração tributária devese entender o cometimento ou abstenção de conduta não autorizada pela norma, implicando ao responsável a imposição de penalidade administrativa legalmente prevista. É, portanto, o descumprimento de uma obrigação tributária, principal ou acessória. No caso concreto, não há nos autos prova de que o pagamento do tributo teria ocorrido antes da apresentação da respectiva DCTF, não tendo o contribuinte trazido esta prova, apenas alegado, em tese, o fato. Como bem leciona Paulo de Barros Carvalho, a denúncia espontânea é meio de exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária, verbis: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída de caráter de punição. Entendemos que as duas medidas – juros de mora e multa de mora – por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. (CARVALHO, Paulo de Barros, Direito tributário linguagem e método. 3 ed. São Paulo : Noeses, 2009. p. 647/648.) Fácil é de se ver que a multa de mora difere da multa punitiva, posto que a primeira tem natureza indenizatória e não punitiva. Tanto é assim, que o STJ já tem pacificada a matéria, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E PAGO A DESTEMPO. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 11516.001224/200720 Acórdão n.º 120200.538 S1C2T2 Fl. 6 6 1. A ausência de prequestionamento da matéria relativa à prescrição atrai a incidência do óbice das Súmulas 282 e 356/STF. 2. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, firmou entendimento de que, na hipótese de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o crédito declarado e constituído pelo contribuinte e pago a destempo não configura denúncia espontânea. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido para afastar a incidência da denúncia espontânea. (REsp 1063076 / PR. DJe 11/04/2011) Desta sorte, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 90DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.006914/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS.
Correta a tributação da omissão de receitas com base nas regras aplicáveis ao Simples, já que a prática dessa infração não é causa de exclusão do sistema simplificado.
Numero da decisão: 1201-000.429
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, DENEGAR o pedido de perícia e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a tributação da omissão de receitas com base nas regras aplicáveis ao Simples, já que a prática dessa infração não é causa de exclusão do sistema simplificado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a tributação da omissão de receitas com base nas regras aplicáveis ao Simples, já que a prática dessa infração não é causa de exclusão do sistema simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, DENEGAR o pedido de perícia e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10320.006914/200881 Acórdão n.º 120100.429 S1C2T1 Fl. 1.789 2 Nos autos de infração de fls. 2/87 a autoridade fiscal relata haver apurado os seguintes ilícitos à legislação do Simples, relativamente ao anocalendário de 2004: a) omissão de receitas decorrente da emissão de notas fiscais “calçadas”, conforme cotejo entre as 1ª e 3ª vias de cada documento (fls. 141/212) e demonstrativo consolidado (fls. 117/118); b) omissão de receitas presumida em razão de a contribuinte, apesar de intimada para tanto, haver deixado de comprovar a origem dos créditos realizados em suas contas correntes bancárias, conforme demonstrativo de fls. 97/116; c) insuficiência de recolhimento resultante da tributação do Simples a alíquotas inferiores àquelas que deveriam ser aplicadas, tendo em vistas as omissões de receitas acima descritas. Os autos de infração foram lavrados segundo as regras de tributação do Simples. Sobre os tributos e contribuições exigidos em decorrência da omissão de receitas oriunda da emissão de notas fiscais “calçadas” foi imposta multa qualificada (150%). Havendo a DRJ de origem decidido pela procedência do lançamento (fls. 1722/1737), a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 1754/1786) alegando, em síntese, o seguinte: a) são nulos os autos de infração, uma vez lavrados com base em mera presunção de que na movimentação bancária da empresa, composta por milhares de registros realizados no ano de 2004, estariam incluídas receitas omitidas. Tal presunção, sem qualquer comprovação real, decorreu do fato de que dois, entre milhares de registros presentes nos extratos bancários da contribuinte, apresentaram valores coincidentes com os anotados em notas fiscais de vendas; b) é nula a decisão de primeiro grau, tendo em vista que ao indeferir o pedido de realização de diligência, a DRJ cerceou o direito de defesa da impugnante; c) não restou provada a acusação de que a empresa omitiu receitas mediante a emissão de notas fiscais “calçadas”. Não houve cotejo entre as vias contábeis e as vias fornecidas pelos clientes, pela simples razão da inexistência de vias contabilizadas. Estando dispensada de escrituração contábil regular, a contribuinte não registrou as notas fiscais das vendas realizadas; d) os recursos creditados nas contas correntes da empresa são provenientes de empréstimos e descontos de títulos emitidos por terceiros, sem qualquer vinculação com receitas decorrentes de vendas realizadas pela ora recorrente, conforme documentos anexados à impugnação; e) o lançamento foi efetuado de forma equivocada pois, no caso de omissão de receitas, o lucro da pessoa jurídica deve ser apurado mediante arbitramento, a teor do disposto no art. 47 da Lei nº 8.981/95; f) o simples auferimento de receitas, ainda que comprovado, não é suficiente à configuração do fato gerador do imposto de renda. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10320.006914/200881 Acórdão n.º 120100.429 S1C2T1 Fl. 1.790 3 Pede também a recorrente, caso não sejam providas as preliminares de nulidade, a realização de prova pericial a fim de que seja comprovada a origem dos créditos registrados nos extratos bancários. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Nulidade do Lançamento Ao contrário do afirmado pela recorrente, é perfeitamente lícito realizarse o lançamento tributário com base em presunção. No caso, a autoridade, ao constatar que a pessoa jurídica não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas correntes, valeuse da presunção de omissão de receita estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) É de se ressaltar, ainda, que o auditor, ao indicar apenas dois registros presentes nos extratos bancários da empresa, coincidentes em datas e valores de notas fiscais calçadas, somente quis rebater a afirmação da fiscalizada de que os depósitos teriam origem em empréstimos, e não em vendas. Mas ainda que a autoridade não indicasse sequer um único registro no extrato vinculado a vendas, a presunção de omissão de receita permaneceria intacta, pois cabe a contribuinte, e não ao auditor, provar, mediante documentação hábil e idônea, que os créditos realizadas em suas contas correntes têm origem em receitas oferecidas à tributação ou em ingressos que não representam receitas. 3) Da Alegação de Nulidade da Decisão Recorrida e do Pedido de Perícia Pede a recorrente seja declarada a nulidade da decisão a quo, sob o argumento de que representa cerceamento do direito de defesa a negativa do pedido de perícia, cujo objetivo era comprovar que os depósitos em suas contas correntes bancárias não tiveram origem em receitas omitidas. Entretanto, como bem explicado pela DRJ de origem, a resposta aos quesitos formulados pela interessada (fls. 960/961) depende exclusivamente de exame dos livros e demais assentamentos contábeis, ou seja, tratase de prova documental a ser apresentada junto à impugnação, e não de prova pericial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10320.006914/200881 Acórdão n.º 120100.429 S1C2T1 Fl. 1.791 4 Ademais, os documentos apresentados pela contribuinte, que ocuparam nada menos de que quatro volumes dos autos do processo, foram examinados pelo órgão recorrido. Não se configurou, portanto o alegado cerceamento do direito defesa. Na peça recursal a interessada reitera seu pedido de perícia. Tal pleito, pelas mesas razões expostas pela DRJ de origem, deve ser também aqui denegado. 4) Das Notas Fiscais “Calçadas” Não procede a alegação da defendente segundo a qual inexistiu omissão de receitas pela prática de emissão de notas fiscais “calçadas”. O exame das 1ª (destinatário) e 3ª (fiscalização) vias das notas fiscais (fls. 141/212) não deixa dúvida de que o “calçamento” ocorreu. Por outro lado, pelo confronto entre o demonstrativo consolidado de notas fiscais calçadas (fls. 117/118) e a DSPJ relativa ao ano calendário de 2004 (fls. 123/140), é possível verificar que na maioria dos meses em que foi constatada a infração, a diferença de receita entre as 1ª e 3ª vias das notas fiscais é superior à receita declarada, o que comprova a omissão de receitas. 5) Dos Depósitos de Origem não Comprovada Argumenta a recorrente que os créditos realizados em suas contas correntes bancárias, considerados pela fiscalização como de origem não comprovada, correspondem a empréstimos e descontos de títulos emitidos por terceiros, sem qualquer vinculação com receitas de vendas. Apresenta, como forma de comprovar sua alegação, os documentos de fls. 959/1713. Nos demonstrativo de fls. 97/116 a autoridade relaciona, individualmente, os créditos em conta corrente cuja origem foi considerada não comprovada. Foram excluídos dessa relação os créditos relativos a cheques posteriormente devolvidos e demais operações que sabidamente não representam receitas, conforme demonstrativos de fls. 88/96. Por fim, foi elaborado o demonstrativo de fls. 119/122 que consolida, mês a mês, o montante dos depósitos de origem não comprovada, do qual foram excluídas, para fins de lançamento de ofício, as receitas declaradas na DSPJ e a omissão de receitas por notas fiscais calçadas. Pois bem, no que toca à documentação referente aos alegados empréstimos bancários (fls. 1314 e seguintes), é possível verificar que das três relações de crédito apontadas pela interessada (fl. 1315, fl. 1326 e fl. 1351), apenas um crédito consta do demonstrativo de créditos de origem não comprovada elaborado pelo auditor. Os demais, portanto, não foram objeto de presunção legal de omissão de receitas. Quanto ao referido crédito que consta tanto na relação da contribuinte (fl. 1351) como na do Fisco (fl. 97), crédito esse realizado na conta corrente mantida junto ao Bradesco, no dia 28/01/2004, no valor de R$ 25.882,00, a recorrente não juntou aos autos qualquer documento que pudesse comprovar sua alegação de que se trata de empréstimo obtido junto à citada instituição financeira. Dáse o mesmo no que tange à documentação referente aos alegados empréstimos de terceiros (fls. 1352 e seguintes). Nas várias relações de crédito apontadas pela Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10320.006914/200881 Acórdão n.º 120100.429 S1C2T1 Fl. 1.792 5 interessada, e analisadas aqui por amostragem, nenhum crédito consta do demonstrativo de créditos de origem não comprovada elaborado pelo auditor. Em outras palavras, não foram objeto de presunção legal de omissão de receitas. Ademais, os documentos apresentados pela recorrente são insuficientes para provar sua alegação de que se tratam de empréstimos de terceiros. Para cada relação de créditos (o exame agora é da totalidade, e não de uma amostra), há anotações feitas a mão, sem identificação de autoria, acrescidas da seguinte declaração assinada pelas contrapartes dos supostos contratos de empréstimo: Declaro para os devidos fins de direito que os lançamento realizados na conta corrente da SISTEC ENGENHARIA, SISTEMAS E TECNOLOGIA LTDA., acima relacionados, se referem a depósitos transitórios de valores resultantes de operações financeiras de empréstimos ou amortização de empréstimos, realizadas a meu proveito e a meu pedido, durante o ano de 2004. São Luís, 12 de Janeiro de 2009. 6) Da Forma de Apuração dos Tributos Lançados Os tributos e contribuições devidos em virtude da apuração de omissão de receitas foram lançados pela autoridade fiscal segundo a legislação do Simples, já que em relação ao anocalendário de 2004 a contribuinte havia optado por essa forma de tributação. Em seu recurso a defendente alega, primeiramente, que o lançamento encontrase equivocado uma vez que, verificada omissão de receitas, o lucro da pessoa jurídica deveria ter sido apurado mediante arbitramento. A afirmação da recorrente não encontra respaldo na legislação do regência. De fato, a tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado somente pode ser realizada caso a pessoa jurídica, optante do Simples, seja excluída do regime simplificado relativamente ao período em questão. É o que prescreve o art. 16 da Lei nº 9.317/96, verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Mas como a ocorrência de omissão de receita, ao contrário do alegado pela recorrente, não é causa, por si só, de exclusão do Simples, a tributação da contribuinte no ano de 2004 foi realizada, corretamente, segundo as regras do regime simplificado. Veja, sobre o assunto, o que dispõe o art. 18 da citada Lei nº 9.317/96: Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Alega também a interessada que o mero auferimento de receitas, ainda que comprovado, não é suficiente à configuração do fato gerador do imposto de renda. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10320.006914/200881 Acórdão n.º 120100.429 S1C2T1 Fl. 1.793 6 Tal argumento seria verídico caso a contribuinte houvesse apurado lucro real no ano de 2004. Ocorre que, ao exercer voluntariamente a opção pelo Simples, a pessoa jurídica se submeteu às regras pertinentes a essa forma de tributação, entre as quais está a apuração do IRPJ com base na receita auferida, conforme art. 5º da Lei nº 9.317/96: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) 7) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, denegar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 10830.003261/2004-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O contribuinte deve comprovar os valores pagos a título de instrução investida em seu favor ou de seus dependentes durante o ano-calendário em questão.
DEPENDENTES.
Somente são considerados dependentes, para efeitos fiscais, as pessoas indicadas no o art. 35 da Lei nº 9.250/95. Filhos maiores de 21 anos e, se universitário, maior de 24 anos, não se enquadram nas hipóteses de dependentes.
RETENÇÃO IRPF. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que sofreu retenção de imposto de renda no valor informado em DIRPF. Do mesmo modo, deve comprovar que efetuou contribuições à previdência (oficial ou privada) declaradas em DIRPF.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
Numero da decisão: 2102-001.061
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O contribuinte deve comprovar os valores pagos a título de instrução investida em seu favor ou de seus dependentes durante o anocalendário em questão. DEPENDENTES. Somente são considerados dependentes, para efeitos fiscais, as pessoas indicadas no o art. 35 da Lei nº 9.250/95. Filhos maiores de 21 anos e, se universitário, maior de 24 anos, não se enquadram nas hipóteses de dependentes. RETENÇÃO IRPF. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que sofreu retenção de imposto de renda no valor informado em DIRPF. Do mesmo modo, deve comprovar que efetuou contribuições à previdência (oficial ou privada) declaradas em DIRPF. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 113 2 O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 09/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 104 a 107, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 93 a 100, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 04 a 06v dos autos, lavrado em 08/03/2003, relativo ao anocalendário 1999. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 11.024,44, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme demonstrativo das infrações de fls. 06 e 06v, o presente lançamento teve origem nas seguintes infrações: Fl. 132DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 114 3 “(i) Dedução indevida a titulo de contribuição à previdência oficial. Regularmente intimado apresentou documentação referente ao anocalendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 6.025,54. Motivo: não apresentou documento hábil que comprovasse o recolhimento da contribuição à previdência oficial justificando a dedução pleiteada. Enquadramento legal: art. 8 inciso II, alínea ‘d’ da Lei 9.250/95. (ii) Dedução indevida a titulo de contribuição à previdência privada e FAPI. Regularmente intimado apresentou documentação referente ao ano calendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 2.400,00. Motivo: não apresentou documento hábil que comprovasse a contribuição à previdência privada e justificasse a dedução pleiteada. Enquadramento legal: art. 8, inciso II, alínea ‘e’ da Lei 9.250/95, art. 12 da Lei 9.477/97; arts. 11, 80 e 82 da Lei 9.532/97. (iii) Dedução indevida com dependente(s). Regularmente intimado apresentou documentação referente ao ano calendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 2.160,00. Motivo: dependentes informados com idade superior ao limite de 24 anos estabelecido por lei para filhos quando universitários ou estudante de escola técnica de 2º. grau (art. 35, parágrafo 10, Lei 9.259/95), a saber: Alex Gonçalves Pereira – nascido em 26/02/71 na ocasião com 28 anos; Osmeraldo Gonçalves Pereira Junior nascido em 27/07/72 na ocasião com 27 anos. Enquadramento legal: art. 8, inciso II, alínea ‘c’ e art. 35 da Lei 9.250/95; art. 37 da IN SRF 25/96. (iv) Dedução indevida a título de despesa com instrução. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 115 4 Regularmente intimado apresentou documentação referente ao ano calendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 10.174,78 Motivo: não apresentou documento hábil que comprovasse o valor total da dedução pleiteada a titulo de despesa com instrução Enquadramento legal: art. 8º, inciso II, alínea ‘b’ e parágrafo 3 da Lei 9.250/95; arts. 37 a 40 da IN SRF 25/96. (v) Dedução indevida do imposto. Regularmente intimado apresentou documentação referente ao anocalendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 360,00 por falta de previsão legal para a dedutibilidade, na apuração do imposto das pessoas físicas de despesas com doações feitas diretamente em favor de entidades filantrópicas ou assistenciais, conforme lei 9250/95 – art. 12, só são passiveis de dedução das contribuições feitas aos fundos controlados pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente e as realizadas em favor de projetos culturais aprovados na forma da regulamentação pelo PRONAC. Enquadramento legal: art. 12, incisos I a III e parágrafo 1º da Lei 9.250/95; art. 22 da Lei 9.532/97. (vi) Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Regularmente intimado apresentou documentação referente ao ano calendário 1999, em 11/11/2003. Glosa no montante de R$ 2.962,05. Motivo: não apresentou documento hábil que comprovasse o recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Enquadramento legal: art. 12, inciso V da Lei 9.250/95.” Após a revisão da declaração de ajuste do RECORRENTE, foi apurado o imposto suplementar no valor de R$ 4.475,30, sobre o qual incidem a multa de ofício de 75% e os respectivos juros de mora. (fl. 05) Fl. 134DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 116 5 DA IMPUGNAÇÃO Em 06/07/2004, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 01 a 03, tida como tempestiva, conforme despacho de fl. 92. Em suas razões, arguiu, em suma, o seguinte: Preliminarmente, requereu a nulidade do auto de infração por suposta ausência de descrição dos fatos e dos dispositivos legais infringidos (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o que impossibilitou a defesa do RECORRENTE, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. No mérito, o RECORRENTE requereu fossem mantidas as deduções pleiteadas como legítimas, uma vez que preenchem os requisitos do art. 88 da Lei nº 8.069/90. Afirmou que possuía o livro caixa nº 01, registrado sob o nº 14613 – de 09/09/93 – com comprovantes que corroboram as informações declaradas na DIRPF do ano calendário 1999. Por fim, afirmou que faria sustentação oral de sua defesa. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 93 a 100 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 GLOSA DA DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Consideramse para fins de apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste, somente as contribuições comprovadamente pagas para as entidades de previdência privada, domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. GLOSA DA DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL Consideramse para fins de apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste, apenas as contribuições previdenciárias efetuadas à Previdência Social da União, dos Fl. 135DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 117 6 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, comprovadamente recolhidas ou retidas pela fonte pagadora. GLOSA DA DEDUÇÃO COM DEPENDENTES Caracterizada a relação de dependência conforme a lei tributária, restabelecese a glosa da dedução com dependentes. GLOSA DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. DEDUÇÃO DE INCENTIVO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Na declaração de ajuste anual, somente poderão ser deduzidas do imposto devido, as doações feitas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições a projetos culturais disciplinados pelo PRONAC e às atividades audiovisuais, observados os requisitos legais. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE Apenas o imposto pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, poderá ser deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual. Lançamento Procedente” Nas razões do voto, a autoridade julgadora afirmou que nos documentos de fls. 05 e 06, parte integrante do presente auto de infração, estão descritas as infrações apuradas com as correspondentes disposições legais infringidas. Desta forma, não era procedente a alegação de nulidade do lançamento. Em relação às glosas efetuadas, a autoridade julgadora argumentou o que adiante segue resumido: Dedução indevida com dependente: de acordo com as certidões de nascimento apresentadas pelo RECORRENTE (fls. 76 a 79), dois de seus filhos, quais sejam, Osmeraldo Gonçalves Pereira Junior e Alex Gonçalves Pereira, no anocalendário de 1999 estavam com 27 e 28 anos de idade respectivamente. Portanto, fora da idade permitida na legislação para serem dependentes para fins fiscais, que é de até 21 anos de idade, ou de até 24 anos desde que esteja cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (art. 35, inciso III, c/c § 1º da Lei nº 9.250/95). Deste modo, manteve a glosa da dedução de dois dependentes, no montante de R$ 2.160,00. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 118 7 Dedução indevida a título de despesa com instrução: conforme disciplina o art. 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.250/95, o RECORRENTE poderia deduzir despesas com instrução até o limite anual de R$ 1.700,00 por dependente e para si próprio. Ocorre que os comprovantes de despesas apresentados pelo RECORRENTE (fls. 60 a 74), não se prestam a comprovar despesas de instrução (conforme art. 6º da IN SRF 65/96). Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte: a autoridade julgadora afirmou que não consta processamento de DIRF que indique o RECORRENTE como beneficiário de rendimentos tributáveis com retenção de imposto na fonte, nem consta no processo comprovação de que houve a retenção do imposto na fonte no valor de R$ 2.962,05, conforme pleiteado na declaração de ajuste anual (fls. 24 a 27). Dedução indevida a titulo de contribuição à previdência oficial: deve ser mantida a glosa da dedução a título de contribuição à previdência oficial, pleiteada no montante de R$ 6.025,54, visto que não restou comprovada a sua retenção. Dedução indevida a titulo de contribuição à previdência privada: da mesma maneira, manteve a glosa da dedução à previdência privada por falta de comprovação nos autos. Dedução indevida do imposto: em relação à dedução de incentivo pleiteada e glosada no valor de R$ 360,00, a autoridade julgadora esclareceu que, a partir do ano calendário de 1996, foi excluída da declaração de ajuste anual a dedução de contribuições e doações a entidades filantrópicas em geral. Sendo somente permitido, neste sentido, a título de dedução do imposto, os gastos efetuados aos Fundos da Criança e do Adolescente, as contribuições em favor de projetos culturais disciplinados pelo PRONAC (Programa Nacional de Apoio à Cultura) e investimentos na Atividade Audiovisual, nos termos descritos no manual do imposto de renda pessoa física e conforme art. 88 do Decreto nº 1.041/94 (RIR/94), art. 260 da Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA ), e art. 12, inciso I, da Lei nº 9.250/95. Desta forma, esclareceu que não basta as entidades serem reconhecidamente dedicadas à assistência de crianças carentes para que as doações possam ser deduzidas do imposto devido na declaração de ajuste. Para que os recibos sejam aceitos, devem ter sido emitidos pelos Conselhos controladores dos fundos beneficiados pelas doações, obedecendo os requisitos elencados no art. 6° da Instrução Normativa da SRF n° 86/1994, e não pelas entidades assistenciais. Como as entidades não se enquadram nas condições acima descritas, é de se manter a glosa da dedução de incentivo. Portanto, julgou procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração de fl. 04. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 119 8 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 02/01/2009, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 103, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 104 a 107, em 26/06/2009. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE alegou, em síntese, que: (a) os créditos cobrados haviam sido atingidos pela decadência; (b) havia apurado a base de cálculo do imposto devido, no anocalendário 1999, conforme lançamentos no livro caixa; (c) deduziu gastos com instrução dele, da cônjuge e de seus quatro filhos, o que resultaria no total de R$ 10.200,00 (6 x R$ 1.700,00) de despesas com instrução, e R$ 5.400,00 (5 x R$ 1.080,00) de despesas com dependentes; (d) a legislação fiscal permite a dedução de doação efetuadas por pessoas físicas à Casa da Criança Paralítica de Campinas. (e) havia deduzido 12% do FAPI, conforme proposta de inscrição Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL nº 0100298058 da Nossa Caixa Seguros e Previdência; e (f) requereu a exclusão da multa aplicada, em razão da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN; Desta forma, requereu a retificação do presente lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar Fl. 138DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 120 9 De início, devese analisar a decadência dos créditos tributários lançados, conforme defendeu o RECORRENTE. De acordo com diversos julgados deste Conselho, o imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação. Portanto, o prazo decadencial para efetuar o seu lançamento é disciplinado, em princípio, pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN (cinco anos contados da data do fato gerador). Sobre o tema, importante transcrever acórdão proferido pelo – antes denominado – Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1999 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Recurso voluntário provido. (recurso voluntário nº 155335; 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 06/02/2009)” Desta forma, como o fato gerador do imposto de renda apurado no ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, o prazo decadencial que a Fazenda Pública possui para lançar imposto referente ao anocalendário 1999 começou a fluir em 31/12/1999 (data do fato gerador), de modo que o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2004 (cinco anos depois). Assim, os créditos tributários objeto do presente lançamento não foram atingidos pela decadência, visto que o presente auto de infração foi lavrado tempestivamente em 08/03/2003 (fl. 04). Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE quanto à extinção dos créditos tributários pela decadência. Ultrapassada a preliminar, passo a analisar o mérito da defesa do RECORRENTE: Mérito O presente lançamento decorreu da glosa de deduções pleiteadas indevidamente ou a maior pelo RECORRENTE, em relação ao anocalendário 1999. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 121 10 Quando procedeu ao cruzamento de dados da Receita Federal do Brasil, não foram constatadas quaisquer retenções a título de contribuição previdenciária (oficial ou privada), nem de imposto retido na fonte, sobre os rendimentos do RECORRENTE. Sendo assim, após revisão da declaração de ajuste do RECORRENTE, a autoridade fiscal verificou diversas infrações que motivaram a glosa das deduções pleiteadas em DIRPF (fls. 24 a 27). Em princípio, importante transcrever os dispositivos legais que tratam da matéria. Os arts. 8º e 12 da Lei nº 9.250/95 (com a redação vigente à época dos fatos geradores) dispõem o seguinte: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;” Fl. 140DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 122 11 Por sua vez, importante ressaltar que, conforme disciplina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), o contribuinte deve comprovar as deduções pleiteadas em declaração de ajuste: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora” Em suas razões de apelo, o RECORRENTE cita diversos dispositivos legais que tratam da escrituração de livro contábil, e alega que apurou a base de cálculo do imposto de renda conforme lançamento em livro caixa. Porém, o que está em debate é a comprovação de despesas dedutíveis efetuadas pelo RECORRENTE. Neste sentido, não existe nos autos qualquer documento que ateste o desembolso de valores com tais despesas conforme demonstrado a seguir: Dedução de imposto de renda retido na fonte: não existe nos autos comprovação de que o RECORRENTE teve imposto retido por fontes pagadoras. Não há sequer indicação de que o RECORRENTE possui rendimentos sujeitos à retenção na fonte. Corroborando a ausência de documentos, a autoridade fiscal também não localizou nos sistemas da Receita Federal do Brasil qualquer retenção no período. Desta forma, deve ser mantida a glosa do imposto retido na fonte no valor de R$ 2.962,05. Dedução de contribuição à previdência oficial e à previdência privada: do mesmo modo, devem ser mantidas as glosas das deduções a título de contribuição à previdência oficial, pleiteada no montante de R$ 6.025,54, e da contribuição à previdência privada, pleiteada no valor de R$ 2.400,00, visto que não restaram comprovados os pagamentos das mesmas. Dedução com dependentes: com relação aos dependentes, importante esclarecer que o art. 8º, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 9.250/95 prevê a dedução de R$ 1.080,00 por dependente. Contudo, o art. 35 da Lei nº 9.250/95, estabelece que somente são considerados dependentes: “I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 141DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 123 12 VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau.” Em sua declaração de ajuste anual, o RECORRENTE informou seus 03 (três) filhos e sua cônjuge como seus dependentes (fl. 26). Contudo, os dois filhos Osmeraldo Gonçalves Pereira Junior e Alex Gonçalves Pereira tinham idade, no anocalendário 1999, de 27 e 28 anos, respectivamente, conforme as certidões de nascimento de fls. 76 e 77. Assim, a fiscalização glosou parte (alterou o valor de dedução de despesa com instrução de R$ 5.400,00 para R$ 3.240,00) da dedução com dependentes, visto que o RECORRENTE indicou filhos que não se enquadram na hipótese de dependentes para fins do imposto de renda, conforme art. 35 da Lei nº 9.250/95. Não merece reparo o lançamento, neste ponto. Dedução de despesas com instrução: Em suas razões de apelo, o RECORRENTE alega que pleiteou despesas com instrução, uma vez que o próprio já era formado, e que todos os seus dependentes (cônjuge e filhos) cursaram estabelecimento de ensino reconhecidos pelo Ministério da Educação. Ocorre que, de acordo com o art. 8º, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.250/95, somente são dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino no ano calendário em questão. Sobre a alegação de que um de seus filhos ainda é estudante, esclareça se que não existem nos autos quaisquer documentos que comprovem pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino em nome de qualquer filho, devendo, portanto, ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Dedução de doações: o RECORRENTE alega que as doações por ele realizadas à Casa da Criança Paralítica de Campinas seriam dedutíveis. Ocorre que, como disciplina o art. 12, inciso I, da Lei nº 9.250/95, antes transcrita, somente são dedutíveis do valor do imposto apurado “as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente”. Ou seja, a lei não autoriza a dedução de qualquer doação, mas somente àquelas destinadas aos fundos controlados pelos Conselhos. Ademais, o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 86/1994 (vigente à época dos fatos) prevê que: “Art. 6º Os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, controladores dos fundos beneficiados pelas doações, deverão emitir comprovante em favor do doador, que especifique o nome, o CGC ou o CPF do doador, a data e o valor efetivamente recebido em dinheiro.” Fl. 142DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 124 13 Neste aspecto, não há nos autos comprovante de doação emitido por Conselho Municipal, Estadual ou Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente a fim de autorizar a dedução do imposto de renda do RECORRENTE. Portanto, como a entidade beneficiada pela doação do RECORRENTE não se enquadra nas condições previstas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 9.250/95, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Ademais, e por fim, as alegações do RECORRENTE desacompanhadas de quaisquer meios de provas que as dê sustentáculo não podem ser acolhidas. Este é um “princípio” de qualquer rito processual, seja na esfera administrativa ou na judiciária, e não é diferente a postura deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, como se pode perceber da análise dos seguintes acórdãos, verbis: “RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso negado. (recurso voluntário nº 156896; 2ª Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 08/09/2008)” “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Recurso Voluntário Negado. (recurso voluntário nº 149637; 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 30/05/2008)” Ou seja, infrutífero o RECORRENTE alegar os meios que o levaram a apurar a base de cálculo do imposto de renda, se não forem apresentados documentos idôneos que comprovem suas alegações. E sobre a multa imposta pela autoridade fiscal, devese esclarecer que a mesma foi aplicada em decorrência do lançamento de ofício, como prevê o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, e no correto percentual de 75% sobre o crédito tributário lançado: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Ante o acima exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de manter a decisão proferida pela DRJ. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003261/200402 Acórdão n.º 2102001.061 S2‐C1T2 Fl. 125 14 ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 144DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 02/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 02/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 14489.000029/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002
AUTO DE INFRAÇÃO: OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002
REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Incidem contribuições previdenciária sobre as verbas repassadas a
contribuintes individuais por serviços prestados.
PLR. PAGAMENTO EM PERIODICIDADE INFERIOR À FIXADA LEGALMENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de PLR em periodicidade inferior àquela prevista na lei específica conduz a incidência de contribuição previdenciária sobre a citada verba.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE.
O pedido para que a apresentação do recurso suspenda a exigibilidade do crédito tributário é desnecessário, posto que esse já é um efeito previsto no próprio CTN.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.717
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; II) indeferir o pedido de perícia técnica; III) no mérito, pelo seu provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos do art. 44, I,
da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD correlata.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002 REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciária sobre as verbas repassadas a contribuintes individuais por serviços prestados. PLR. PAGAMENTO EM PERIODICIDADE INFERIOR À FIXADA LEGALMENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de PLR em periodicidade inferior àquela prevista na lei específica conduz a incidência de contribuição previdenciária sobre a citada verba. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE. O pedido para que a apresentação do recurso suspenda a exigibilidade do crédito tributário é desnecessário, posto que esse já é um efeito previsto no próprio CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2002 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; II) indeferir o pedido de perícia técnica; III) no mérito, pelo seu provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD correlata. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000029/200745 Acórdão n.º 240101.717 S2C4T1 Fl. 245 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 216/238, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ em Florianópolis, fls. 201/211, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.108.9867, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 44, decorreu da conduta da empresa de declarar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sem incluir a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Eis maiores detalhes do relato da Auditoria: Foram omitidas parcelas remuneratórias de segurados empregados, apuradas nas folhas de pagamento, pertinentes as rubricas: "144 dif média férias (horas)"; "146 média h extra env"; "147 média valor env"; "150 média adic noturn env"; "153 media adic noturno (rescis)"; "297 PLR"; "303 art 37 acordo coletivo"; "306 compl sal INSS" e "307 indenização instab". Para o mês de novembro de 2002, para o qual o sujeito passivo não apresentou a folha de pagamento, apurouse pela contabilidade o pagamento a empregados a título participação nos lucros, conforme lançamentos a débitos na conta de passivo "2.1.3.2.07 PLR". Foram também omitidas a remuneração de vários contribuintes individuais: prestadores de serviços pessoa física (categoria 13) e transportadores autônomos (categoria 15). Na planilha de cálculo da multa, anexa a este relatório, estão discriminados os segurados e as parcelas remuneratórias não declaradas. Em seu recurso, a empresa, em síntese, alegou que: a) a peça foi apresentada tempestivamente; b) o recurso deve suspender a exigibilidade do crédito tributário; c) o depósito recursal é inconstitucional; d) o direito do fisco de lançar a multa foi alcançado pela decadência para as competências anteriores a 07/2002; e) o trabalhador JEAN LUC LEONARD, que é empregado na França de empresa integrante do grupo econômico do qual faz parte, foi enviado ao Brasil para transferência de tecnologia à sucursal brasileira; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 f) assim, sendo esse trabalhador mero prestador de serviços, não há o que se falar em incidência de contribuições sobre os valores que lhe foram repassados; g) é absurda a conclusão do órgão recorrido de que a expiração do seu contrato com a notificada acarretaria alteração da sua situação, no que diz respeito à tributação, até porque houve sim a prorrogação tácita do ajuste para a prestação de serviços; h) o trabalhador CHARLES NELSON FINKEL foi contratado pela coligada da recorrente na Suíça para auxiliar na criação de um programa específico a ser desenvolvido para a Receita Federal, por um prazo de cinco anos a contar da assinatura do contrato entre a recorrente e esse órgão público. Ocorre que, não tendo se concretizado o contrato, a empresa teve que adiantar valores ao trabalhador, para que esse pudesse fazer frente as suas despesas, os quais seriam reembolsados caso não ocorresse a prestação de serviços. Inexiste, portanto, para esse caso, a incidência de contribuições previdenciárias; k) os valores pagos a título de PLR não devem integrar a base de cálculo do presente lançamento, posto que o seu pagamento em mais de uma parcela por semestre deuse apenas uma vez, no ano de 2002, em razão de insuficiência de caixa da empresa, procedimento esse que não sofreu oposição do sindicato dos empregados; l) é necessária a produção de prova pericial, pelo que indica perito e os quesitos a serem respondidos pelo mesmo; m) a multa foi aplicada em patamar muito superior ao que determina a norma legal. Ao final, pede a integral reforma da decisão de primeiro grau, com consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000029/200745 Acórdão n.º 240101.717 S2C4T1 Fl. 246 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio é questão incontroversa. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário com a apresentação do recurso é decorrência da própria lei, não havendo interesse processual (necessidade) no seu requerimento, conforme a dicção do Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 25/10/1966): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; A decadência do direito do fisco de lançar a multa deve ser reconhecida, embora que, parcialmente. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 03/07/2007, pelo critério acima, o período da autuação, 10/2001 a 12/2002, já estava parcialmente alcançado pela decadência. Nesse sentido, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 10/2001 e 11/2001, devendo essas competências serem expurgadas do AI sob cuidado. Antes de passar à análise das questões meritórias, devo ressaltar que os fatos geradores em discussão foram objeto da NFLD n. 37.065.7934, a qual foi julgada na pauta da sessão de julgamento anterior. A inclusão dos valores percebidos pelo Sr. JEAN LUC LEONARD como base de cálculo do lançamento me parece acertada, conforme debatido no processo relativo á NFLD conexa. Pelo contrato firmado entre a recorrente e esse trabalhador, não tenho dúvida que se tratava de prestação de serviço sem vínculo de emprego. Senão vejamos o parágrafo segundo: CLÁUSULA SEGUNDA (...) PARÁGRAFO SEGUNDO: Como prestador de serviços, o CONTRATADO não estará sujeito a qualquer tipo de subordinação, comprometendose, no entanto, a realizar o seu trabalho da melhor maneira possível, visando sempre manter a qualidade da fabricação das tintas e das impressões pelos quais é responsável. Nos termos da alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei n. 8.212/1991 o enquadramento no RGPS desse trabalhador deve ser dar na condição de contribuinte individual, nesses termos: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Foi exatamente esse o tratamento dado ao referido segurado que recebeu remunerações mediante Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA), sendo tais valores declarados na GFIP pela empresa como pagamento a contribuinte individual. A recorrente, embora alegue que não haveria incidência de contribuição sobre tais parcelas, sequer promoveu a retificação da GFIP, a qual, como é cediço, tem força de confissão de dívida. Assim, agiu o Fisco em conformidade com a legislação, quando tributou os valores pagos a esse segurado e declarados em GFIP. Mas não são essas verbas que estão em discussão nesse processo, posto que aqui o enfoque são as parcelas não informadas na GFIP. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000029/200745 Acórdão n.º 240101.717 S2C4T1 Fl. 247 7 Essas verbas dizem respeito a passagens aéreas, plano de previdência, combustível e escola para seus dependentes. Também enxergo procedência na atuação da Auditoria quando concluiu pela incidência de contribuições sobre as mesmas. É que compulsando o instrumento de contrato firmado entre o trabalhador e a empresa, não localizei qualquer obrigação da contratante de arcar com tais dispêndios. Por esse motivo, verifico que se tratavam de remunerações indiretas disponibilizadas ao contribuinte individual, as quais estão sujeitas à tributação previdenciária. Não trouxe a empresa aos autos nenhum elemento que me levasse à convicção de que ali estariam presentes pagamentos indenizatórios. Nesse sentido, afasto a alegação de não incidência de contribuições sobre as parcelas pagas ao segurado JEAN LUC LEONARD e não declaradas em GFIP. Outra pessoa física cuja incidência de contribuição sobre as verbas que lhes foram pagas foi contestada pela empresa é CHARLES NELSON FINKEL. Nesse caso, não houve declaração dos pagamentos em GFIP e os desembolsos foram identificados pelo Fisco mediante análise contábil, no período de 02 a 12/2002. De acordo com o relato da Auditoria, houve retenção de Imposto de Renda Pessoa Física, o que se comprova dos recibos acostados ao processo relativo à NFLD conexa. A recorrente alega que esses desembolsos correspondiam a adiantamentos pela futura prestação de serviço, as quais dariam ensejo a devolução caso não chegasse a ocorrer a referida prestação, para comprovar suas alegações junta declaração assinada pelo trabalhador. Analisando mais detidamente o caso com auxílio dos autos relativos à NFLD conexa, verifiquei que a partir de 02/2002 o Sr. CHARLES NELSON FINKEL fez jus todos os meses à quantia bruta de R$ 13. 209,54, que, após o desconto do Imposto de Renda, gerava um pagamento líquido de R$ 10.000,00. Também se verifica que, tanto dos recibos, quanto do histórico dos lançamentos contábeis, os repasses eram tratados como “Pagamento ref. Serviços Prestados”. Refletindo sobre a situação, acho pouco crível que um trabalhador estrangeiro permanecesse durante dez meses no Brasil aguardando a assinatura de um contrato e recebendo mensalmente quantia fixa a título de adiantamento, por uma prestação de serviço que sequer se tinha a certeza de que ocorreria. Diante dessa reflexão e dos elementos presentes nos autos, pude concluir que o Fisco não se desviou das balizas legais, ao tratar esses pagamentos como fatos geradores de contribuições. De fato, não há dúvida que o trabalhador em questão efetivamente prestou serviço à notificada, tendose verificado na espécie a materialização da hipótese de incidência de contribuições previdenciárias. A recorrente também se insurge contra tributação da verba denominada Participação nos Lucros e Resultados – PLR e a consequente necessidade de informála em GFIP. A mesma, ainda que afirme que pagou essa rubrica em seis parcela no ano de 2002, alega que esse procedimento não foi questionado pelo Sindicato, além de que ocorreu apenas nesse exercício. Sobre esse tema, é de bom alvitre que façamos um breve passeio pela legislação de regência. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Ao tratar da periodicidade do pagamento o legislador foi enfático: Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (.) § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifei) Verificase, assim, que, ao repassar a verba aos trabalhadores em seis parcelas anuais, a recorrente atropelou o § 2. acima transcrito. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000029/200745 Acórdão n.º 240101.717 S2C4T1 Fl. 248 9 A única conclusão possível é a de que, tendo havido o pagamento em desrespeito à Lei 10.101/2000, a verba deve ser considerada saláriodecontribuição, tendo o Fisco demonstrado acerto em seu proceder. Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade da produção de prova pericial para o deslinde da contenda. Por fim, cabe ponderar acerca da aplicação da multa que foi alvo de ataque pela recorrente. Para análise desse ponto não se pode olvidar da alteração que se deu na legislação que regula a aplicação da multa para esse tipo de infração. Nesse sentido, há um reparo a ser feito quanto à aplicação da penalidade. É que as mudanças introduzidas pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, são, em regra, mais benéficas ao sujeito passivo. Nessa toada, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual é mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Devese, então, limitar a multa do presente AI ao valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso ao reconhecer a decadência para as competências de 10/2001 a 11/2001, por indeferir o pedido de perícia técnica e, no mérito, pelo seu provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD correlata. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10073.001673/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO.
Revela-se perempto o recurso aviado após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1102-000.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ME Recorrida 8ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJI NO RIO DE JANEIRORJ ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 RECURSO AVIADO APÓS O TRINTÍDIO LEGAL. PEREMPÇÃO. Revelase perempto o recurso aviado após trinta dias da data do recebimento da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. documento assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Fl. 795DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10073.001673/200338 Acórdão n.º 110200.415 S1C1T2 Fl. 784 2 Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que julgou procedente o lançamento efetuado em 01/03/2004 pela Delegacia da Receita Federal em Volta RedondaRJ com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social Previdenciária (CSP), respeitado o regime de tributação pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), acrescidos de multas de ofício e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal consistiu na tributação, a título de omissão de receitas, dos valores depositados em contascorrentes bancárias cuja origem não logrou ser justificada pela contribuinte, fazendose incidir sobre as exigências resultantes a multa de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco centésimos por cento) ante o entendimento de embaraço à fiscalização, bem como, no lançamento das quantias correspondentes à insuficiência na apuração dos próprios valores declarados e/ou recolhidos em face da mudança da alíquota aplicável decorrente da transposição da faixa de receita bruta, incidindo, quanto a estes, a multa de 75% (setenta e cinco por cento). Impugnando o lançamento em 17/06/2004 a contribuinte argüiu preliminar de nulidade da citação por edital, do que decorreria a tempestividade de sua impugnação. Quanto ao mérito, pugnou pela impossibilidade de utilização de movimentação financeira para o lançamento de impostos e contribuições, a par da irretroatividade da legislação que autorizaria a quebra do sigilo bancário, bem assim, pela inaplicabilidade da inversão do ônus da prova no processo administrativo fiscal, utilização de prova presumida, como também, pela inexistência de processo administrativo quando da obtenção da movimentação financeira, nem tampouco expedição da Requisição de Movimentação Financeira (RMF) e, ainda, a ausência de fundamentação legal, termo de constatação e demais requisitos de validade do auto de infração. Ao final requereu o acolhimento da preliminar de tempestividade e, no mérito, o decreto de insubsistência do auto de infração, além do envio das futuras intimações para o endereço do sócio responsável pela pessoa jurídica. Aquele Colegiado (8ª Turma de Julgamento) conheceu da impugnação tão somente quanto à preliminar de tempestividade e rejeitoua, declarando a não instauração da fase litigiosa do procedimento e a constituição definitiva do crédito tributário, salvo se pertinente revisão de ofício do lançamento por parte da autoridade lançadora. Assim ementou o Acórdão nº 1213.815, tomado por maioria de votos: Fl. 796DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10073.001673/200338 Acórdão n.º 110200.415 S1C1T2 Fl. 785 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Exercício: 2000 Intempestividade. A intempestividade implica revelia, não se instaurando o litígio administrativo. Impugnação não Conhecida” Ciente do decisório em 17 de abril de 2007, fl. 732, a contribuinte aviou em 18 do mês seguinte o recurso de fls. 733/764 no qual aduz, em preliminar, a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento de bens para fins de aviamento do voluntário e reprisa as razões e pedidos apresentados junto à autoridade julgadora de primeiro grau. Às fls. 778/781 encontrase encartada cópia da sentença havida nos autos da ação mandamental nº 2007.51.04.0012169, tramitada no Juízo Federal da 4ª Vara da Subseção Judiciária de Volta RedondaRJ, a qual concedeu a segurança pleiteada pela contribuinte no sentido de ver admitido e processado seu recurso voluntário sem garantia de instância. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual. Contudo, o recurso voluntário apresentado não atende ao requisito de admissibilidade no que tange à regularidade temporal, assim prevista no Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ................................................................................................. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Fl. 797DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10073.001673/200338 Acórdão n.º 110200.415 S1C1T2 Fl. 786 4 Com efeito, a autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 17 de abril de 2007, fl. 732, uma terçafeira, iniciandose a contagem no primeiro dia útil seguinte, quartafeira dia 18, de sorte que o lapso de trinta dias findou em 17 de maio daquele ano, uma quintafeira. Conforme protocolo inserto na página de rosto da petição de fls. 733/764 somente em 18 de maio de 2007 a resistência foi apresentada, portanto, fora do prazo legal. Há, pois, perempção. E referida circunstância não se altera em face da existência da ordem judicial no sentido de processamento e apreciação do recurso voluntário. Com efeito, referido direito foi concedido à contribuinte desonerandoa dos requisitos de admissibilidade inerentes à garantia de instância (depósito recursal ou arrolamento de bens), não adentrando em outro qualquer. Aliás, o próprio comando judicial cuidou de restringir eventuais interpretações extensivas na parte final do dispositivo quando assevera: Em decorrência, determino que a autoridade coatora processe e julgue eventual recurso interposto pelo impetrante dentro do prazo legal para tanto. Com tais razões, VOTO pelo não o conhecimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 798DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101172/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE
CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS
As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre
Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação
(ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de
cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO.
O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa
apurado exclusivamente
pela nãoinclusão
na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão
onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro
passível de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa apurado exclusivamente pela nãoinclusão na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa apurado exclusivamente pela nãoinclusão na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López, Fábio Luiz Nogueira e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Porto Alegre, RS, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que julgou parcialmente procedente o ressarcimento do saldo credor trimestral da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) nãocumulativa referente ao 2º trimestre de 2007. A glosa de parte do valor pleiteado decorreu de equívoco na apuração da contribuição mensal devida, pelo fato de a recorrente não ter incluído na sua base de cálculo as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos financeiros de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS para terceiros. Inconformada com a glosa, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, a inocorrência do fato gerador do PIS/Cofins sobre as operações de cessão de créditos de ICMS para terceiros sob o argumento de que os recursos obtidos com tais operações não enquadram no conceito de receita e sim de recuperação de despesas/custos. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1021.502, datado de 23/10/2009, às fls. 188/189, sob a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.” Cientificada dessa decisão, interpôs o recurso voluntário às fls. 164/169, informando preliminarmente que ingressou com ação ordinária com pedido de liminar (2007.71.08.0122114) para que a Receita Federal se abstenha de glosar e reter valores referentes à transferência de créditos de ICMS para terceiros, sendo que a antecipação de tutela foi deferida determinando a suspensão da exigibilidade de PIS e Cofins sobre tais transferências e, no mérito, defendeu o seu direito ao ressarcimento/compensação do total do crédito pleiteado, alegando, em síntese, que os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS para terceiros não constituem receitas e sim recuperação de custos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11065.101172/200746 Acórdão n.º 330100.920 S3C3T1 Fl. 218 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Quanto à preliminar referente à ação ordinária 2007.71.08.0122114, cabe esclarecer que aquela abrange apenas os períodos de competência a partir do terceiro trimestre de 2007, conforme se verifica da decisão liminar de antecipação da tutela, cópia às fls. 267/268, em que consta literalmente “RITZEL COUROS LTDA ajuizou a presente ação, com pedido de antecipação de tutela, contra a UNIÃO, a fim de que seja autorizado o depósito judicial das parcelas do PIS e COFINS incidentes sobre a transferências de saldos credores do ICMS para terceiros, a partir do terceiro trimestre de 2007 e vincendas, bem como seja determinada a abstenção da glosa e retenção dos referidos valores” e a respectiva decisão, “Ante o exposto, DEFIRO a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS/COFINS incidente sobre as transferências de crédito de ICMS a terceiros. Via de conseqüência, deverá a autoridade impetrada absterse de considerar como receita os valores referentes a transferências de ICMS que a impetrante realiza para terceiros”. Como o presente processo abrange somente o período de competência de abril a junho de 2007, os efeitos daquela ação judicial não trarão quaisquer conseqüências para o presente julgamento. No mérito, ao contrário do entendimento da recorrente, os ingressos decorrentes de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros constituem receitas não operacionais e não recuperação de custos. Toda realização de um direito registrado ou não no ativo da pessoa jurídica aumenta sua situação líquida e constitui receita. Se decorrente de sua atividade econômica, o ingresso será classificado como receita operacional se, ao contrário, decorrer de atividade que não faz parte de seu objeto econômico, será classificado como receita nãooperacional. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, adotado pela recorrente, assim dispõe, in verbis: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 (...).” Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência da Cofins nãocumulativa, excluindo de sua incidência apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros, mediante dinheiro e/ ou pagamento na aquisição de matériasprima e insumos empregados no processo produtivo de mercadorias, não foram contempladas. A cessão de crédito de ICMS a terceiros constitui um negócio jurídico entre o cedente, no caso a requerente, e o cessionário, neste caso, o fornecedor/vendedor de matérias prima adquiridas por aquele. Tanto é que foi efetuada mediante a emissão de nota fiscal, salvo prova em contrário com pagamento à vista. O fato de operação, por opção da requerente, transitar ou não por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, sempre haverá ingresso em dinheiro, título de e/ ou mercadorias. Na aquisição de mercadorias, matériasprima, insumos, etc, tributados com o ICMS, na realidade ocorre duas operações: a compra de mercadorias, matériasprima e insumos propriamente dita; e a compra do crédito do ICMS embutido naqueles produtos. Assim, ao realizar a venda dos produtos, vendese também o crédito referente àquele imposto neles embutidos. Isto ocorre sem que, necessariamente, se escriturem contas de resultados. A título de informação, cabe destacar que com a edição da Lei nº 11.945, de 04/06/2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que incluiu no § 3º deste artigo o inciso VI, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar a base de cálculo da Cofins. Assim, até aquela data, inexistia amparo legal para excluir tais receitas da base de cálculo desta contribuição ou as isentando. No presente caso, como o ressarcimento complementar pleiteado decorre exclusivamente do fato de a recorrente não ter incluído na base de cálculo da contribuição as receitas de cessão onerosa de ICMS para terceiro, correta a glosa efetuada pela autoridade administradora competente. Assim, não há que se falar em ressarcimento complementar. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11065.101172/200746 Acórdão n.º 330100.920 S3C3T1 Fl. 219 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 18471.001883/2003-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Anocalendário:
1998
ENTIDADES DE TURFE. COFINS. ISENÇÃO.
A disposição do art. 2º, § 2º, da Lei no 7.291, de 1984, não se aplica à Cofins,
à vista de a contribuição ter sido instituída em relação a todas as pessoas
jurídicas, à exceção das imunes por disposição constitucional e isentas pela
LC no 70, de 1991.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Anocalendário:
1998
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.896
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para
redigir o voto vencedor o conselheiro José Antonio Francisco.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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COFINS. ISENÇÃO. A disposição do art. 2º, § 2º, da Lei no 7.291, de 1984, não se aplica à Cofins, à vista de a contribuição ter sido instituída em relação a todas as pessoas jurídicas, à exceção das imunes por disposição constitucional e isentas pela LC no 70, de 1991. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Antonio Francisco. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 2 2 Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo do auto de infração de fls. 133/139, referente a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, lavrado pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, através do qual foi consubstanciada a exigência de R$ 240.490,06, além de multa de 75% sobre ela incidente e demais acréscimos moratórios . Conforme termo de fls. 121, a interessada estaria inscrita no CNPJ como entidade isenta. Durante o ano de 1998, a mesma teria auferido receitas decorrentes das atividades de turfe, típicas de seu objeto social, e receitas não decorrentes das referidas atividades. À vista do fato referido, a autoridade autuante procedeu à tributação das receitas das atividades que considerou não relacionadas com o turfe, discriminadas conforme tabelas de fls 123/128. Justificou seu procedimento afirmando que as operações que não se identificassem com as finalidades essenciais das entidades isentas não gozariam do benefício. Os fatos relatados fundamentaram: 1) as exigências relativas ao IRPJ e CSLL, formalizadas no processo administrativo de no 18471001761/200359, que foram apreciadas pela DRJ/RJOI conforme acórdão 1211120 de 2006; 2) a exigência relativa à Cofins, formalizada no presente processo. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 171/197 na qual alega que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 3 3 1) nos termos do § 3º do art. 11 da Lei 7.291/84, com exceção da contribuição à Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional e da contribuição devida como empregador, ao INSS, nenhum outro encargo fiscal, parafiscal e nem previdenciário recairá sobre as entidades turfísticas; 2) Muitas das receitas tributadas no auto de infração foram auferidas mediante exercício da atividade fim da impugnante. São exemplos: receitas decorrentes da venda do livro “um século e meio de turfe”, aluguéis, taxas pela prestação de serviços veterinários, etc.; 3) Não há na legislação que dispõe sobre a isenção das entidades sem fins lucrativos qualquer dispositivo que exclua do benefício as atividadesmeio; 4) A autuação da Cofins incidiu sobre valores que não constituem faturamento da empresa, base sobre a qual recaía a contribuição nos termos da LC 70/91; 5) Somente após a publicação da MP 1807 atual 2.15835/01, passou a ser relevante a distinção entre as receitas das atividades isentas e as das atividades não isentas , já que em seu art. 14, inciso X, a MP 2.15835/01 passou a excluir da tributação os resultados decorrentes das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos; 6) Antes da edição da MP 2.15835/01 seriam isentas quaisquer receitas auferidas pelas entidades sem fins lucrativos; 7) É ilegal a cobrança da taxa Selic a título de juros de mora. Em decorrência da Portaria SRF 522/06 a competência para julgamento do presente foi transladada para a DRJRJO I. No acórdão 1212.016, às fls. 235240, a 8ª Turma da DRJ/RJ, acordou pela exclusão de algumas receitas classificadas pela autoridade autuante como decorrentes de prestação de serviços que não comportam tal distinção. Assim, foi decidido pela manutenção, apenas, das receitas de vendas, às fls. 123/124 e das receitas de serviços, às fls. 125/126, e aplicação da Taxa Selic para a cobrança de juros e mora. Não satisfeita com o acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário pedindo, em síntese, a reforma da decisão recorrida, cancelando integralmente o auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 4 4 Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Em apertada síntese, a entidade é isenta por força da Lei nº 7.291/1984, anterior à promulgação da Constituição Federal de 1998. A legislação de regência da COFINS é posterior à Constituição, e inflingiu a mencionada contribuição às atividades das pessoas jurídicas indiscriminadamente, em especial às decorrentes do faturamento, assim compreendido como a venda de bens e serviços, correlatas ao seu objeto social, à época não abrangidas as “outras receitas”, ou seja, aquelas não aderentes ao seu objeto social. O auto de infração referese ao anocalendário de 1998, quando ainda vigente a referida Lei Complementar nº 70/91. O auto de infração impôs a contribuição sobre as receitas não relacionadas à atividade do turfe, dentre elas i) receitas de vendas; ii) receitas de serviços; iii) concessão de uso de área; iv) aluguéis de camarote; v) arrendamento; além de outros aluguéis, reembolsos e receitas eventuais. Alega o contribuinte que apenas a Medida Provisória nº 2.158/01 veio a impor a segregação entre as receitas próprias da atividade e as denominadas “outras receitas” cuja tributação, posteriormente, foi julgada inconstitucional, tendo sido o dispositivo remanescente da Lei nº 9.718/98 recentemente revogada. Caso em vigor na data, incabível seria a cobrança da contribuição justamente por incidir sobre receitas estranhas à sua atividade. Metaforicamente, houve uma vacatio legis, na medida em que lei específica alguma determinava a incidência das contribuições no caso concreto dessa pessoa jurídica. Outrossim, vigorava erga omnes a Lei Complementar nº 70/91, que determinava a incidência da contribuição sobre as receitas de vendas de bens e serviços, indiscriminadamente se pertencentes ou não às atividades previstas nos bylaws das pessoas jurídicas. Ocorre, no entanto, que entendo dever ser a análise feita sob outro prisma, qual seja, da Lei de Introdução do Código Civil, no sentido de verificarmos se a Lei específica fora revogada pela norma geral instituída em 1991. Nesse sentido, e para não restar dúvidas quanto à autoria da tese que adoto, ressalto que esse entendimento é de lavra da Conselheira Fabíola Keramidas, presente nesse julgamento. Inicialmente, a despeito da informação do auto de infração, de que foram autuados apenas valores referentes a atividades não vinculadas com o objeto principal da Recorrente, a decisão de primeira instância administrativa constatou que dentre as receitas que compuseram a base de cálculo dos tributos constavam valores incluídos no conceito de “faturamento”. Em virtude deste fato e, por entender que o PIS e Cofins, nos termos da Lei Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 5 5 Complementar 70/91, incidem sobre o valor do faturamento, a decisão recorrida foi parcialmente procedente para o fim de cancelar a tributação de outras receitas. Logo, ao alcançar este tribunal administrativo, a matéria em discussão refere se à incidência de PIS e Cofins sobre as receitas compreendidas como “faturamento”, sendo que a Recorrente defende a não incidência da tributação com base, em resumo, em dois argumentos: (i) a impossibilidade de aplicação retroativa da Medida Provisória nº 2.158/01 e (ii) a não revogação do § 3º do art. 11 da Lei 7.291/84. Em relação à aplicação da MP nº 2.158/01, com razão a Recorrente e a decisão de primeira instância. Não é possível aplicar a norma de forma retroativa, mas, ao mesmo tempo em que a MP determina a necessidade de discriminar a natureza das receitas, com foco na atividade da entidade sem fins lucrativos; esta mesma MP institui a isenção para as receitas de PIS e Cofins, sendo que até então não havia norma isentiva destas entidades. Neste sentido imperioso registrar que a Lei nº 9.532/97 traz isenção para o Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro, não para o PIS e Cofins e, em virtude da aplicação restritiva das normas isentivas, não é possível alargar a aplicação desta norma. Logo, até a superveniência da MP nº 2158/01, não há que se falar em isenção para as atividades turfísticas. No que se refere ao § 3º do art. 11 da Lei 7.291/84, entendo que a questão deve ser analisada com bastante cautela. Conforme se verifica do texto da norma, existia, à época dos fatos, em nosso ordenamento jurídico, uma norma própria, específica, para tratar da tributação das entidades que desenvolvem a atividade da Recorrente, a saber: "Art. 11 As entidades turfísticas ficam sujeitas ao pagamento mensal de uma contribuição à Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional CCCCN, destinada à sua administração, ao desenvolvimento das atividades ligadas à eqüideocultura no País e ao auxílio às sociedades e às entidades turfísticas, calculada sobre o valor total do movimento geral de apostas do mês anterior, de acordo com a seguinte tabela percentual: § 3º A contribuição à Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional CCCCN, referida neste artigo, e a contribuição, como empregador, ao Instituto Nacional da Previdência Social, são os únicos encargos fiscais, parafiscais e previdenciários que incidem sobre as entidades turfísticas." (destaquei) A Lei nº 7.291/84 instituiu o Regulamento das atividades da eqüideocultura no País e, em seu artigo 11, excluiu da incidência tributária as entidades turfísticas. Excluiu tanto os encargos fiscais como previdenciários que pudessem vir a incidir sobre as entidades turfísticas, ressalvadas as contribuições previstas na própria Lei nº 7.291/84. Não se trata de norma isentiva, mas de hipótese legal de não incidência tributária. Ressaltase que a legislação não trouxe qualquer exigência, requisito ou limitação para que a entidade usufruísse desta não incidência das exações, definindo apenas a necessidade de tratarse de entidade turfística. Claro está, portanto, houve a subsunção do fato à norma e que a Recorrente, pelo texto da lei e por exercer a atividade turfística, têm direito a não incidência de encargos fiscais e previdenciários gerais. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 6 6 Admitida esta premissa, de que a norma está adequada ao fato ora analisado, temse que a incidência da COFINS sobre as receitas da Recorrente apenas seria possível se a norma específica acima mencionada tivesse sido revogada. No ano de 1991, por meio da Lei Complementar nº 70, o legislador federal instituiu a Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social Cofins de forma genérica, para todas as pessoas jurídicas que possuíam faturamento, a saber: “Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente.” O que se questiona é se a LC 70/91, que é genérica, revogou o texto especifico da Lei 7.291/84, ou se este texto ainda estava válido no momento do fato gerador ora autuado. Se poderia esta norma geral revogar norma específica? A resposta é negativa. Neste tópico, com razão a Recorrente, uma vez que as normas que norteiam todo nosso sistema legal estão exatamente neste sentido. De acordo com o DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro), convalidada pela Lei nº 12.376/10 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a revogação de uma norma específica tem que ser realizada expressamente, o simples fato dela ser publicada não é suficiente para promover esta revogação, in verbis: “Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 7 7 Não resta dúvida que o Regulamento das atividades da equideocultura é norma especial e que previu a não incidência de tributos sobre as atividades da Recorrente, assim como é pacífico que a LC 70/91 é lei nova que trouxe regra geral, sem modificar especialmente a lei em análise. Caso exatamente igual foi recentemente julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, a saber: "In casu, salta aos olhos que o art. 8º, item 4, do Acordo Internacional sobre Transporte Aéreo, promulgado pelo Decreto 446/1992 é norma especialíssima, que afasta a tributação sobre as remessas de valores ao país de origem da empresa aérea. Essa norma especial não é revogada pela norma posterior genérica, que trata da cobrança da CPMF sobre todas as movimentações e transmissões financeiras. É o que dispõe o art. 2º, § 2º, da LICC: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (...) § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. (...) É de se reconhecer, portanto, que as remessas de valores auferidos no Brasil ('receitas locais') ao país de origem da empresa aérea não se sujeitam à CPMF." (REsp 1149529 RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2010, DJe 12/03/2010 destaquei) Para aclarar ainda mais o raciocínio, trago a baila outros julgados do Superior Tribunal de Justiça – STJ – neste sentido: “O RIR/80 e o DecretoLei 1.382/74 conferiram tratamento específico ao imposto de renda das empresas agrícolas, pelo que não se admite sua revogação pela superveniência da Lei 7.689/88, que traz normas gerais acerca do referido tributo." (REsp 752178 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2009, DJe 21/09/2009 destaquei) "Embora as entidades fiscalizadoras do exercício profissional tenham a natureza jurídica de autarquia, essa condição, por si só, não enseja lhes seja aplicado o benefício de isenção do pagamento de custas previsto no § 1º do art. 511 do CPC, visto que o tema é regulado por lei especial, qual seja, Lei 9.289/96, cuja regra inserta no parágrafo único do art. 4º excluiu expressamente os referidos conselhos do alcance daquela isenção. Tampouco a regra prevista no art. 1ºA da Lei 9.494/97, introduzida pela Medida Provisória n. 2.18035, possui a força de afastar a regra da lei especial, pois, conforme preconiza o art. 2º, § 2º, da LICC, a lei especial prevalece sobre a geral, mesmo que posterior, caso não haja revogação expressa daquela." (AgRg no Ag 990116 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2008, DJe 22/10/2008 destaquei) A Lei 7.291/84 é clara e não admite interpretação diversa uma vez que, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional – CTN – a interpretação da norma que determine a suspensão ou exclusão do crédito tributário deve ser realizada literalmente. Por estas razões dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 8 8 Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redatordesignado Tratase de saber se a Cofins incide sobre as receitas da atividade de empresas de turfe. Supostamente pela aplicação do art. 11, § 3º, da Lei no 7.291, de 1984, a contribuição não poderia incidir: § 3º A contribuição à Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional CCCCN, referida neste artigo, e a contribuição, como empregador, ao Instituto Nacional da Previdência Social, são os únicos encargos fiscais, parafiscais e previdenciários que incidem sobre as entidades turfísticas. Entretanto, tal disposição é anterior à Constituição de 1988, que previu a Cofins, e à Lei Complementar no 70, de 1991, que a instituiu. A tese que daria razão à Interessada considera que a referida disposição seria especial e que, portanto, prevaleceria sobre a disposição genérica da LC no 70, de 1991, que instituiu a Cofins. Entretanto, parece ser a conclusão precipitada, à vista de uma leitura mais acurada das disposições da Lei de Introdução ao Código Civil que tratam da matéria. Literalmente, o art. 2º, § 2º, do Decretolei no 4.657, de 1942, diz o seguinte com os devidos destaques: § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. A rigor, o princípio da especialidade não diz que a lei geral ou especial deve prevalecer, mas, sim, que a lei nova, se estabelecer disposições “a par” das já existentes, não as revoga. Portanto, o que importa é saber se a nova lei estabeleceu disposições a par das existentes anteriormente. Assim, temse que, anteriormente à previsão de existência da Cofins, a Lei no 7.291, de 1984, estabelecia uma espécie de isenção geral para as empresas de turfe em relação às contribuições sociais. Entretanto, a Constituição de 1988, em seu art. 195, previu um princípio de universalidade do financiamento da seguridade social, conforme se depreende do texto constitucional: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.001883/200345 Acórdão n.º 330200.896 S3C3T2 Fl. 9 9 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] Portanto, ao instituir a Cofins sobre o faturamento de todas as pessoas jurídicas, a Lei Complementar no 70, de 1991, tinha embasamento constitucional e, portanto, não o fez “a par” das eventuais exceções previstas na legislação anterior à Constituição. Em relação à suposta isenção que haveria anteriormente à MP no 2.15835, de 2001, o raciocínio é exatamente o contrário do defendido pela Interessada. A LC no 70, de 1991, estabeleceu apenas algumas isenções, que eram as vigentes à época, e não abrangiam todas as entidades sem fins lucrativos, mas somente as “entidades beneficentes de assistência social”, conforme art. 6º, III. É notório que a imunidade do art. 150, VI, “c”, da Constituição não se aplica às contribuições sociais, com firmes precedentes do Supremo Tribunal Federal. As entidades nomeadas no referido dispositivo somente passaram a se beneficiar da isenção da Cofins sobre as receitas de atividade própria com a MP no 2.15835, de 2001, que vigorou somente a partir de 1º de janeiro de 1999. Quanto à Selic, aplicase a Súmula Carf no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000292/2003-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO
O direito ao ressarcimento de créditos de IPI escriturais já analisado e
indeferido em processo específico não pode ser objeto de novo julgamento
em processo de homologação de declaração de compensação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 07/05/2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS FISCAIS. DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO
É vedada a compensação de débitos fiscais, mediante a apresentação de
declaração de compensação (Dcomp), utilizandose
de crédito financeiro,
objeto de pedido de ressarcimento indeferido pela Autoridade Administrativa
competente em data anterior à do protocolo da respectiva Dcomp.
DÉBITO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO
FINANCEIRO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO
É vedada a compensação de débito fiscal, mediante a apresentação de
declaração de compensação (Dcomp), com crédito financeiro contra a
Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado
da respectiva decisão.
Numero da decisão: 3301-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO O direito ao ressarcimento de créditos de IPI escriturais já analisado e indeferido em processo específico não pode ser objeto de novo julgamento em processo de homologação de declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/05/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS FISCAIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO É vedada a compensação de débitos fiscais, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), utilizandose de crédito financeiro, objeto de pedido de ressarcimento indeferido pela Autoridade Administrativa competente em data anterior à do protocolo da respectiva Dcomp. DÉBITO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO É vedada a compensação de débito fiscal, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 26/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão proferida pela DRJ Porto Alegre, RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados na declaração de compensação (Dcomp), objeto deste processo, protocolada em 07/05/2003. A Delegacia da Receita Federal em Joinville, SC, não homologou a compensação declarada sob os argumentos de que: I) o crédito utilizado já havia sido analisado e indeferido por meio do processo nº 13973.000370/200181; e, II) a decisão judicial em que discutia o ressarcimento (crédito declarado) não autorizou a compensação e, ainda, que tivesse autorizado deveria aguardar o trânsito em julgado, nos termos do CTN, art. 170A, conforme despacho decisório às fls. 06/07. Inconformada com a nãohomologação, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 10/22), insistindo na homologação, alegando, em síntese, que é improcedente o entendimento fiscal, pois a questão já estaria sedimentada no Poder Judiciário que, reiteradamente estaria reconhecendo os créditos pleiteados e o art. 170A seria eivado de inconstitucionalidade. Ademais, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151, III do CTN. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ Porto Alegre julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1011.104, datado de 13/02/2007, às fls. 43/44, assim ementado: “IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não poderá ser objeto de compensação o valor referente a créditos oriundos de pedido de ressarcimento já indeferido pelas autoridades competentes da SRF.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário (fls. 46/55), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que: i) o crédito declarado foi reconhecido na esfera judicial; ii) as regras do CTN, art. 170A, e da IN SRF nº 210, de 2002, art. 37 e §§, são eivadas de inconstitucionalidade; e, iii) os créditos de IPI decorrentes de aquisições de produtos isentos, imunes e com alíquota zero deste imposto independem de reconhecimento judicial para o seu gozo e fruição. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 26/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13973.000292/200386 Acórdão n.º 330100.897 S3C3T1 Fl. 73 3 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme consta da Dcomp em discussão, protocolada em 07/05/2003 (fl. 01), o crédito financeiro utilizado na compensação dos débitos declarados foi objeto do pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI decorrentes de aquisições isentas, imunes e/ ou tributadas à alíquota zero por esse imposto, processo administrativo nº 13973.000373/200181, analisado e indeferido pela DRF em Joinville e de cuja decisão a recorrente foi intimada na data de 04/02/2002. A apresentação e/ ou transmissão de Dcomp, visando à compensação de débitos fiscais com crédito financeiro cujo direito ao ressarcimento foi objeto de processo específico com decisão desfavorável à recorrente e de cuja decisão foi intimada em data anterior à do protocolo da declaração não tem amparo na legislação que instituiu essa modalidade de compensação. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que instituiu a auto compensação sob condição resolutória, mediante a apresentação de Dcomp, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaque acrescentado) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...).” De acordo com este dispositivo legal, somente os créditos financeiros passíveis de restituição ou de ressarcimento podem ser objeto de compensação com débitos fiscais vencidos, mediante a entrega de Dcomp. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, o crédito financeiro utilizado na Dcomp em discussão foi objeto de processo específico analisado e indeferido pela Autoridade Administrativa competente em data bem anterior à da apresentação da presente Dcomp. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 26/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Posteriormente ratificando esse entendimento, foram alterados e/ ou incluídos no art. 74 da Lei nº 9.730, de 1996, dispositivos vedando expressamente a apresentação de tal Dcomp, assim dispondo: “Art. 74. .................................................................................................... (...). § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...); § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) I – previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) (...).” Dessa forma, comprovado que a Dcomp em discussão foi protocolada depois da data em que a recorrente foi intimada da decisão que indeferiu o ressarcimento nela declarado, não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados. A título de esclarecimento, cabe ressaltar que a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o ressarcimento utilizado na Dcomp em discussão foi também julgada improcedente pela DRJ. Já o recurso voluntário interposto contra a decisão de primeira instância não foi conhecido pela Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes nos termos do acórdão nº 20218.919, datado de 08/04/2008, em face da concomitância de objeto entre o processo administrativo e o judicial em que a recorrente discutia o ressarcimento do IPI. Na instância administrativa aquela decisão tornouse definitiva. Além disto, segundo o disposto no art. 74, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito anteriormente, a compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional em discussão judicial, mediante a apresentação de Dcomp, somente é possível depois do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. No presente caso, o direito aos créditos declarados era objeto da ação judicial nº 2000.72.01.0032881 que, na data de apresentação da Dcomp, em 30/10/2002, não tinha decisão transitada em julgado. Esta somente ocorreu na data de 07/03/2005 e, ao contrário da alegação da recorrente, não lhe reconheceu o direito ao ressarcimento/compensação dos valores pleiteados, mas tão somente o direito de se creditar das entradas, ou seja, apenas de escriturar os créditos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 26/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13973.000292/200386 Acórdão n.º 330100.897 S3C3T1 Fl. 74 5 De acordo com o CTN, art. 170A e com a própria Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, a apresentação somente poderia ter sido feita depois do trânsito em julgado daquela decisão. Ressaltese, ainda, que contra aquela decisão judicial foi interposta ação rescisória, sendo que em março de 2007 foi proferida a antecipação de tutela para suspender os efeitos da decisão rescindenda, inexistindo, portanto, naquela data, decisão em cognição exauriente. Dessa forma, inexiste amparo legal para se efetuar a compensação do crédito declarado, mediante a entrega de Dcomp, com os débitos fiscais declarados. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos fiscais declarados, está permanecerá até a decisão definitiva neste processo administrativo, nos termos do CTN, art. 151, III, e da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 11. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 21/04/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 26/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 10845.000320/2001-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALAno-calendário: 2008EMBARGOS DECLARATÓRIOS.Devem-se acolher os embargos a fim de declarar expressamente que a Turma recorrida deixou de enfrentar questão levantada no voluntário em razão da preclusão de que cuida o 17 do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1201-000.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, DARLHE provimento para suprir a fundamentação do acórdão sem efeitos infringentes. Vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho que afastaria a preclusão e analisaria a razões do recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Devese acolher os embargos a fim de declarar expressamente que a Turma recorrida deixou de enfrentar questão levantada no voluntário em razão da preclusão de que cuida o 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONHECER dos embargos e, no mérito, DARLHE provimento para suprir a fundamentação do acórdão sem efeitos infringentes. Vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho que afastaria a preclusão e analisaria a razões do recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10845.000320/200171 Acórdão n.º 120100.422 S1C2T1 Fl. 200 2 Tratase de embargos de declaração interpostos nos termos do art. 57 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Afirma a embargante que acórdão recorrido deixou de abordar as seguintes questões levantas no recurso voluntário: a) o auditor adicionou ao lucro líquido de abril de 1996 a CSLL devida naquele mesmo mês, no valor de R$ 34.061,73, quando é certo que essa contribuição só passou a ser indedutível do lucro real a partir do anocalendário de 1997, por força do art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 9.316/96; b) quanto aos cálculos relativos ao mês de agosto de 1996, o auditor apurou IRPJ no importe de R$ 1.943,78, deixando de compensar prejuízos fiscais quer de anos anteriores, quer de meses anteriores do próprio ano de 1996. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator Sobre os embargos de declaração o art. 65 do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) Pois bem, examinando os autos do processo verifico que as questões objeto dos presentes embargos declaratórios, apesar de levantadas no recurso voluntário, não o foram na impugnação. Tanto é assim que encontramse no item 4 da peça recursal, intitulado “Da Matéria de Direito não Argüida na Impugnação”. Não se tratando de questão de ordem pública, e a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a faculdade de a interessada levantar, no recurso voluntário, matéria não argüida na impugnação, daí porque não há que se falar em “ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. No entanto, há que se reconhecer que o acórdão embargado omitiu a razão pela qual deixou de apreciar as matérias que ensejaram os presentes embargos, daí porque devese suprir aqui a omissão. Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer dos embargos e acolhêlos, para fins de declarar que a não apreciação, no acórdão recorrido, das questões ora levantadas pela embargante se deu em razão da preclusão de que cuida o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10845.000320/200171 Acórdão n.º 120100.422 S1C2T1 Fl. 201 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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