Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.018906/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, em autuação, na qual o fisco narra a suposta falta de formalização da remuneração de segurados que executaram obra de construção civil e apresenta a fundamentação legal que autoriza a aferição indireta da remuneração, com base na área construída e no padrão da obra.
CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO NÃO FORMALIZADA. LANÇAMENTO BASEADO EM INDÍCIOS. IMPROCEDÊNCIA.
Não procede o lançamento por arbitramento, quando o fisco, embora apresente indícios, não consegue demonstrar cabalmente que a empresa deixou de formalizar remunerações pagas para execução de obra de construção civil.
INEXISTÊNCIA DE TRABALHADORES EM FUNÇÕES NECESSÁRIAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. MOTIVO PARA ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O fato de não haver na folha de pagamento da obra trabalhadores especialistas em determinadas funções necessárias no segmento da construção civil, por si só, não é suficiente a autorizar a aferição indireta das remunerações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, em autuação, na qual o fisco narra a suposta falta de formalização da remuneração de segurados que executaram obra de construção civil e apresenta a fundamentação legal que autoriza a aferição indireta da remuneração, com base na área construída e no padrão da obra. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO NÃO FORMALIZADA. LANÇAMENTO BASEADO EM INDÍCIOS. IMPROCEDÊNCIA. Não procede o lançamento por arbitramento, quando o fisco, embora apresente indícios, não consegue demonstrar cabalmente que a empresa deixou de formalizar remunerações pagas para execução de obra de construção civil. INEXISTÊNCIA DE TRABALHADORES EM FUNÇÕES NECESSÁRIAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. MOTIVO PARA ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de não haver na folha de pagamento da obra trabalhadores especialistas em determinadas funções necessárias no segmento da construção civil, por si só, não é suficiente a autorizar a aferição indireta das remunerações. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10380.018906/2008-72
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5189945
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.831
nome_arquivo_s : Decisao_10380018906200872.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10380018906200872_5189945.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4515301
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217896316928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 367 1 366 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.018906/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.831 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONSTRUÇÃO CIVIL AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente NOVA MORADA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, em autuação, na qual o fisco narra a suposta falta de formalização da remuneração de segurados que executaram obra de construção civil e apresenta a fundamentação legal que autoriza a aferição indireta da remuneração, com base na área construída e no padrão da obra. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO NÃO FORMALIZADA. LANÇAMENTO BASEADO EM INDÍCIOS. IMPROCEDÊNCIA. Não procede o lançamento por arbitramento, quando o fisco, embora apresente indícios, não consegue demonstrar cabalmente que a empresa deixou de formalizar remunerações pagas para execução de obra de construção civil. INEXISTÊNCIA DE TRABALHADORES EM FUNÇÕES NECESSÁRIAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. MOTIVO PARA ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de não haver na folha de pagamento da obra trabalhadores especialistas em determinadas funções necessárias no segmento da construção civil, por si só, não é suficiente a autorizar a aferição indireta das remunerações. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 89 06 /2 00 8- 72 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018906/200872 Acórdão n.º 2401002.831 S2C4T1 Fl. 368 3 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0820.785 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 37.190.7063. O crédito foi constituído para exigência das contribuições dos segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores que ensejaram o lançamento foram as remunerações pagas aos empregados que laboraram na obra de construção civil de responsabilidade da impugnante, matricula CEI n° 32.110.01586/7. Informase ainda que a base de cálculo foi aferida indiretamente pelo método CUB, em virtude do não registro na contabilidade do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da autuada, conforme justificativas lançadas no relato da auditoria. No recurso voluntário interposto, a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) a falta de indicação pelo fisco do dispositivo legal supostamente infringido conduz à nulidade da lavratura, a par do que dispõe o inciso IV do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972; b) não consta da autuação qual a norma que dá guarida à conclusão de que a contabilidade não reflete a remuneração efetivamente paga aos segurados; c) traz citações doutrinárias e jurisprudenciais que vão ao encontro da sua tese de que a incompleta fundamentação legal da autuação é causa de sua nulidade; d) a própria decisão recorrida reconhece a omissão do fisco, quanto à menção ao dispositivo legal violado; e) deve ser reconhecida a nulidade do AI, posto que há claro cerceamento ao seu direito de defesa em razão da imperfeição acima apontada; f) os valores declarados pela recorrente corresponde à real remuneração paga aos empregados e prestadores de serviço que executaram a obra de construção civil relativa à autuação, sendo equivocada a apuração das contribuições por arbitramento; g) as casas construídas são do tipo populares, não necessitando para sua edificação de profissionais com alto grau de especialização; h) não se indicou qual a tabela utilizada para apuração do custo da obra, tampouco a abrangência do sindicato da construção civil que a emitiu; i) a conclusão do fisco de que a remuneração empregada atingiu o percentual de apenas 22% do custo real é precipitada e fere o princípio da razoabilidade; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 j) apesar da fiscalização afirmar que houve compras de materiais após o encerramento da obra, não discriminou o montante desses materiais e a sua representatividade em comparação ao custo total da obra; k) a obra efetivamente encerrouse em 2007, conforme “Habitese” fornecido pela Prefeitura de Fortaleza; l) o material adquirido após 07/2007 é de pequena monta e se destinou ao atendimento a pedidos de manutenção feitos pelos proprietários das unidades; m) ao falar que os trabalhadores envolvidos na obra exerciam diversas funções, a empresa quis se referir a todos os empregados e não apenas àquele que continuou na obra após 07/2007, além de que o padrão das unidades construídas permitiu a utilização de profissionais executando várias atividades; n) não se justifica que na competência 07/2007 a mãodeobra aferida corresponda a R$ 144.186,30 e para o período integral da obra (01 a 07/2007) se apure um total de remuneração de R$ 184.826,37; o) a aferição indireta é um procedimento excepcional e não pode ser utilizado como a regra dos procedimentos fiscalizatórios; p) na espécie o que se verifica é uma arbitrariedade, posto que os critérios adotados pela Autoridade Fiscal não possuem razoabilidade; r) considerandose as alterações na Lei n.º 8.212/1991, promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, devese aplicar a legislação mais benéfica ao sujeito passivo. Ao final, pede a declaração de nulidade do AI. É relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018906/200872 Acórdão n.º 2401002.831 S2C4T1 Fl. 369 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento A apreciação da nulidade do lançamento, em razão do cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, passa pela análise do teor do relatório de trabalho do fisco. Na sua peça de acusação a Autoridade Fiscal lançou as seguintes considerações: 15. Ante o exposto, a auditoria constatou que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Senão vejamos: A empresa adquiriu material que implica a necessidade de mãodeobra especializada para a prestação de serviço, tais como gesseiro, eletricista, bombeiro, pintor, carpinteiro, ..., sendo que inexiste registros contábeis da referida mãode obra; A empresa efetuou a compra de material de construção após a competência 07/2007, entregue no endereço da obra e contabilizado no seu centro de custo, quando a empresa não mais efetuava lançamentos na conta salários e ordenados; A empresa construiu um condomínio de 15 (quinze) casas, com instalação hidráulica e elétrica, aplicação de gesso, pintura em textura acrílica, contabilizando somente a mãodeobra de pedreiros e serventes. Considerando os fatos acima narrados, o fisco apresentou, como justificativa legal para aferição indireta da remuneração, o § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: "Art. 33... Parágrafo 4.º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário." Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Cotejandose os fatos narrados com a fundamentação apresentada não se verifica qualquer incoerência. O fisco indicou evidências da existência de remunerações não registradas na documentação da empresa (folhas de pagamento, GFIP e contabilidade) e lançou em seu relatório a fundamentação do § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, o qual autoriza o arbitramento das contribuições na hipótese de ocorrência de remuneração não formalizada. Nesse sentido, não identificamos sequer a omissão na fundamentação legal apontada pela DRJ, posto que o fundamento invocado está em consonância com os fatos trazidos aos autos. Fica afastada, assim, a alegada nulidade do AI por cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, posto que os fatos narrados amoldamse à base legal apresentada pela auditoria . Falta de formalização da mãodeobra O fisco acusa a empresa de não registrar o total da mãodeobra utilizada na edificação da obra sob fiscalização. Suas conclusões se baseiam em três fatos, quais sejam: a) execução da obra apenas com pedreiros e serventes, sem a utilização de trabalhadores especialistas, a exemplo, dentre outros, de engenheiro, eletricista, carpinteiro, gesseiro, instalador hidráulico e pintor; b) compra de material de construção, mesmo após o encerramento da obra, sem que se apresentasse a remuneração utilizada para aplicação dos referidos produtos; c) diferença entre a remuneração declarada pela empresa e aquela calculada indiretamente pelo método CUB. A empresa, para se livrar da exigência, argumenta que as casas edificadas são de fácil execução, o que motivou a utilização de trabalhadores em mais de uma função. Assevera que, após o término da obra, adquiriu material de pequena monta, apenas para realizar pequenos serviços por solicitação dos proprietários dos imóveis, mantendo apenas um trabalhador executar os trabalhos. Aduz que a documentação apresentada está em sintonia com a realidade da mãodeobra utilizada na construção. Diante da controvérsia acerca da formalização da mãodeobra utilizada, verificase que as conclusões do fisco estão lastreadas apenas em indícios, posto que não há nenhuma evidência a indicar que a contabilidade do sujeito passivo não registrou a real mão deobra utilizada. O fato de não constarem na folha de pagamento trabalhadores especialistas em funções requeridas pela indústria da construção civil, apesar de não representar uma situação ideal, por si só, não é motivo para que se desconsidere a documentação apresentada e se arbitre o valor do saláriodecontribuição. É de se ressaltar que o contribuinte apresentou toda a documentação e os esclarecimentos solicitados pela auditoria, além de que não foi apurado o descumprimento de qualquer obrigação acessória relacionada ao lançamento, a não ser a falta de declaração na GFIP das remunerações obtidas por aferição indireta. Regra geral, as autuações edificadas por arbitramento são acompanhadas de lavraturas correlatas motivadas por descumprimento de obrigações acessórias decorrentes das condutas de não apresentar documentos ou apresentálos com deficiência, preparar folhas de Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018906/200872 Acórdão n.º 2401002.831 S2C4T1 Fl. 370 7 pagamentos em desconformidade com os padrões normativos e não contabilizar os fatos geradores de contribuição em títulos próprios da escrita contábil. Não se vislumbrou na fiscalização quaisquer dessas condutas, o que reforça o nosso entendimento de que a aferição indireta da remuneração teve como pressuposto meros indícios. Observese que a compra de materiais após o encerramento da obra foi justificada pela empresa pela necessidade de efetuar reparos a pedido dos adquirentes dos imóveis, o que não é incomum no ramo da construção civil. É corriqueiro o surgimento de pequenos ajustes e manutenções a serem efetuados pelo construtor, mesmo após a entrega da obra. Além de que foi mantido um trabalhador vinculado à obra, não havendo o que se falar em compra de material sem a mãodeobra necessária a sua aplicação. A existência de reclamatórias trabalhistas indicativas do pagamento de remunerações não formalizadas, por muitas vezes utilizada como causa para adoção de arbitramento, sequer foi mencionada pelo fisco. É cediço que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador é do acusador – o fisco, não cabendo na espécie a inversão desse encargo, posto que a empresa auditada apresentou toda a documentação e esclarecimentos solicitados durante a ação fiscal. Podemos concluir, então, que, malgrado o fisco tenha apresentado indícios de irregularidades, não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência dos pressupostos necessários a autorizar a apuração das contribuições por arbitramento. Nessa toada, é de se declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907877/2008-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
Ementa:
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA.
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-003.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 Ementa: MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.907877/2008-18
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181515
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.639
nome_arquivo_s : Decisao_15374907877200818.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 15374907877200818_5181515.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4459354
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217899462656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T3 Fl. 7 1 6 S3C3T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.907877/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3303003.639 – 3ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria PIS Compensação Recorrente CAVALLO AÇOS ESPECIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 Ementa: MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstância constantes dos autos. Na ocasião adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA.ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa caba a verificação da existência desse direito mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 77 /2 00 8- 18 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Rrelator. Vencido(s) o(s) conselheiros Belchior Melo de Sousa e Alexandre Kern, que negaram provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues Relatório Por descrever de forma objetiva e didática os fatos e elementos contidos nos autos a permitir a sua compreensão peço vênia aos pares para adotar o relatório do acórdão recorrido. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, transmitida em 14/09/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/03/2004, a título de PIS, atinente ao período de apuração 04/2004, com débitos da contribuição ao PIS e da COFINS. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DERAT – Rio de Janeiro/RJ, não homologou a compensação declarada, pois não foi confirmada a existência do crédito informado, visto que o DARF com recolhimento de R$ 5.255,39, em 15/03/2004, código de receita 6912, discriminado na PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada em 31/07/2008, a Interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade onde alega: 1.Apresentou Declaração de Compensação em 12/05/2004, identificando erroneamente como origem dos créditos o PIS, ao invés de crédito de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), com o valor de R$ 5.255,39; 2. Notese que o tributo CSLL, código 2484, que titulava o crédito pretendido não se originava em DARF´s pagos, mas sim em apuração contábil de crédito no período 1999 a 2002, com valor apurado, na data de 31/12/2002, de R$ 16.764,04, passível de utilização para abatimento em tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, por isso não foi encontrado DARF no banco de dados da Receita Federal; 3. O programa PERDCOMP, versão da época, era um procedimento obrigatório que aceitava qualquer informação inconsistente, induzindo então, sem alertas ou pendências, a introdução de um importante e vital elemento para a compensação, que era a descrição da origem do crédito. A ausência na entrada de dados das versões iniciais, permitiu que várias informações incorretas tenham sido imputadas, assim Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.907877/200818 Acórdão n.º 3303003.639 S3C3T3 Fl. 8 3 como o erro gráfico que identificou o tributo PIS como origem ao invés do CSLL(código 2484), que era o objetivo; 4. Os créditos da CSLL existiram na contabilidade da empresa para serem usados na época e ainda estão disponíveis para tal. Os demonstrativos da empresa, assim como seus livros contábeis e outros elementos inerentes, estão disponíveis para exame por qualquer autoridade tributária que se faça requerente; 5. A empresa recorrente também apresenta disponibilidade de crédito face a não utilização do crédito de CSLL disponível na época e, inadvertidamente, até agora, não utilizado, direito raso e certo conforme o Código Tributário Nacional, conforme descrito nas instruções normativas emitidas pela Receita Federal; 6. A migração do regime tributário da empresa em tributação no Lucro Real, para a não cumulatividade, com suas alterações de coeficientes e, outros dispositivos contábeis, iniciando no mesmo mês da compensação, também gerou um ambiente propício para o erro pois a contabilidade estava contaminada por estas novidades que exigiram um grande esforço de mudanças para atender as novas regras gerais; 7. À vista de todo o exposto, demonstrada a razão para que ocorresse um erro involuntário, dividido entre o órgão arrecadador e o contribuinte, requer que seja dado provimento ao presente recurso, de forma que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 5a Turma da DRJ/FJ2 que, em sessão realizada em 20/12/2011, proferiu decisão por meio do acórdão nº 13 39.137, cuja ementa transcrevese adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a não homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Pronunciouse o voto condutor do acórdão pela não homologação da compensação, por conseguinte pela improcedência da manifestação de inconformidade, em razão de o recolhimento de R$ 5.255,39, efetuado em 15/03/2004, código de receita 6912, a título de PIS, não haver sido localizado pelos sistemas da Receita Federal. Inferiu o i. Relator, ainda, pela inexistência do crédito inicialmente alegado, consoante corroborado pelo próprio sujeito passivo ao alegar que, diversamente do contido na DComp, possui crédito de CSLL e, daí sim, provém o pagamento indevido ou a maior, que seria o indébito fiscal supedâneo para a compensação declarada. Por conseguinte, não haveria saldo disponível para suportar uma extinção por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Logo, não aconteceu a extinção do débito declarado na DCOMP, pelo que sobre ele incidem os juros e multa nos termos da legislação de regência, concluindo pelo indeferimento da solicitação, pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação das compensações declaradas. Ciente do teor do acórdão retromencionado em 24/04/12, por meio de AR o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 23/05/12 (fl.), conforme atesta o protocolo do órgão preparador, na ocasião reiterando de forma minudente as mesmas razões de defesa contidas na exordial quais sejam: argüição de erro material na transcrição de dados para o computador, pois o suposto crédito de Cofins seria na verdade crédito de CSLL (registrados na contabilidade da empresa e disponíveis para uso atualmente, posto que não utilizados), que não se originava em DARF’s pagos, porém de descontos de créditos na apuração de CSLL decorrente da Lei nº 11.051/04, que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Ao final requer seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso é tempestivo. O deslinde da querela circunscrevese à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. O contribuinte pretendeu compensar suposto crédito de PIS/PASEP, com débitos próprios por meio de declaração de compensação transmitida em 14/09/06, entretanto o DARF probante da existência do crédito correspondente não foi localizado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, por conseguinte não foi confirmada a existência do crédito, não sendo a respectiva DComp homologada, consoante consta do despacho decisório. A Recorrente em suas razões de defesa buscou justificar o imbróglio alegando a existência de erro material quando da transcrição dos dados para o computador da empresa por ocasião da transmissão da DComp, quando esclareceu que o crédito, diversamente do informado nesta DComp, teria como origem descontos de créditos na apuração de CSLL, decorrente da Lei nº 11.051/04 (registrados na contabilidade da empresa e disponível para uso atualmente, posto que não utilizado), que instituiu o desconto de créditos na apuração de CSLL, PIS e Cofins não cumulativo para pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, na razão de 25%, sobre a depreciação contábil de máquinas e equipamentos novos adquiridos até Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.907877/200818 Acórdão n.º 3303003.639 S3C3T3 Fl. 9 5 1o/10/04 e 31/12/05, destinado ao ativo imobilizado e empregados no processo industrial do adquirente. Os documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade (contrato social, documento do sócio representante e despacho decisório), não dão sustentação aos argumentos expendidos na exordial. O aresto recorrido entendeu que a compensação declarada não decorre de pagamento indevido ou a maior, e não se origina de crédito de Cofins, mas de suposto crédito de CSLL passível de ressarcimento, concluindo pela inexistência de litígio em relação ao crédito informado. Ou seja, a contribuinte ao manifestar o seu inconformismo contra o despacho decisório se limitou a formular assertivas com o intuito de justificar as falhas cometidas na transmissão da DComp, entretanto não logrou demonstrar por meio de documentos hábeis e idôneos a existência do crédito de CSLL, oportunamente, também não o fazendo por ocasião da interposição do recurso voluntário. Cumpre observar, ainda, que o tema “existência de crédito de CSLL”, não foi objeto de deliberação na instância a quo, restando prejudicada a sua apreciação em sede recursal por restar precluso o exame desta matéria. É inconteste que o contribuinte transmitiu eletronicamente DComp em face de crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DComp, decidiu por não homologálo. De acordo com o disposto no art. 333 do CPC, subsidiariamente utilizado no julgamentos de processos administrativos fiscais, que trata do ônus probante, caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito em vista a desfazer o erro cometido e à pacificação da lide. Entretanto, restou demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada mesmo em sede de recurso. Ademais os documentos colacionados aos autos não são o bastante para atestar a certeza e liquidez do crédito, notadamente porque não discrimina minudentemente acerca dos créditos de CSLL alegados. O art. 29 do Dec. Nº 70.235/72 estabelece que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Para tanto, deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento (CPC, art. 131). Nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo. Infere, ainda, dos elementos contidos nos autos que o recorrente não laborou para demonstrar, de maneira inconteste, que os seus argumentos corresponderiam à realidade dos fatos, e com isso, sensibilizar a autoridade administrativa à revisão do ato de homologação da declaração de compensação. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ademais, o contribuinte ao admitir a existência de erro de fato, não procedeu à retificação da DCTF e da DIPJ, pelo menos nada existe nos autos a este respeito, tampouco, em momento algum impugnou as assertivas formuladas como razões de decisão do aresto hostilizado, notadamente de que não há litígio em relação ao crédito informado. Logo, não há controvérsia a ser apreciada. Resumidamente, não basta alegar, é necessário demonstrar o direito argüido, e isto não ocorreu nos autos. In casu, não há como adequar o provimento da jurisdição à causa de pedir. Ante o exposto deixo de conhecer o recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Declaração de Voto Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.907877/200818 Acórdão n.º 3303003.639 S3C3T3 Fl. 10 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 15374.907877/200818 Interessada: CAVALLO AÇOS ESPECIAIS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica o recorrente intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.639, de 24 de novembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 24 de novembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/11/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720526/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2004
ÁREA TRIBUTÁVEL DECLARADA PELO AUTUADO. PROVIMENTO PARCIAL, PARA AFASTAR A EXIGÊNCIA SOBRE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA
O imposto é exigível sobre a área tributável declarada pelo contribuinte, quando da declaração de apuração do imposto devido, mesmo quando outros documentos informam que estaria incluída em áreas de preservação permanente ou de reserva legal, constituindo ainda infrações extra fiscais, que não afastam a exigência do imposto..
O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE
O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.
Numero da decisão: 2102-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2004 ÁREA TRIBUTÁVEL DECLARADA PELO AUTUADO. PROVIMENTO PARCIAL, PARA AFASTAR A EXIGÊNCIA SOBRE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA O imposto é exigível sobre a área tributável declarada pelo contribuinte, quando da declaração de apuração do imposto devido, mesmo quando outros documentos informam que estaria incluída em áreas de preservação permanente ou de reserva legal, constituindo ainda infrações extra fiscais, que não afastam a exigência do imposto.. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10183.720526/2007-47
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177185
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2102-001.854
nome_arquivo_s : Decisao_10183720526200747.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 10183720526200747_5177185.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4414147
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217902608384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 230 1 229 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720526/200747 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.854 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NOVA KENIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2004 ÁREA TRIBUTÁVEL DECLARADA PELO AUTUADO. PROVIMENTO PARCIAL, PARA AFASTAR A EXIGÊNCIA SOBRE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA O imposto é exigível sobre a área tributável declarada pelo contribuinte, quando da declaração de apuração do imposto devido, mesmo quando outros documentos informam que estaria incluída em áreas de preservação permanente ou de reserva legal, constituindo ainda infrações extra fiscais, que não afastam a exigência do imposto.. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 26 /2 00 7- 47 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 231 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 25 de setembro de 2009 (fls. 206/214), que por unanimidade devotos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário no valor total de R$ 1.529.608,55, sendo R$ 688.888,74 a título de imposto suplementar, R$ 324.053,26 de juros de mora e R$ 516.666,55 de multa de ofício, que recaem sobre o imóvel rural denominado Fazenda Nova Kenia, localizado no município de Novo Santo AntonioMT, com área total de 38.396,5 hectares. De acordo com o Auto de Infração lavrado em 10/12/2007 (fl. 02), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre dos seguintes fatos: a) Não comprovação da isenção da área de preservação permanente, de 17.252,3 hectares; b) Não comprovação da isenção da área destinada de utilização limitada, excluída da base de cálculo do imposto, de 19.198,2, e c) o VTN também foi alterado para R$ 4.051.757,95, não aceitos como tal os R$ 767.930,00 considerados pelo autuado, o que redundou na apuração do imposto de R$ 689.063,59, sendo objeto de exigência suplementar o valor de R$ 688.888,74, conforme demonstrativo de fl. 06. Com destaques, estão assim descritas as infrações no Auto de Infração: Área de preservação permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 232 3 no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Área de Utilização Limitada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de utilização limitada no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E ALS L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR / 14.653,3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. 1.4.0 No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIATo yAlor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema`de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal 41, ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Após intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente tempestivamente apresentou impugnação (fl. 58), assim Relatada na decisão: A interessada apresentou a impugnação de f. 57/69. Em síntese, alega que atendeu integralmente a intimação fiscal, apresentando todos os documentos solicitados. Argumenta que o imóvel está inserido nos limites do Parque Estadual do Araguaia, unidade de proteção integral. Aduz que as áreas de preservação permanente e de reserva legal existentes no imóvel são superiores as informadas na DITR, conforme demonstrado por Laudo Técnico. Afirma que o que importa é a existência das áreas e sua efetiva preservação, não sendo relevante o fato de não haver apresentação tempestiva de ADA ao IBAMA, exigência que entende ser ilegal. Defende que as divas de preservação permanente e de reserva legal são isentas pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeitas a nenhuma formalidade adicional. Sustenta que o § 70 do art. 10 da Lei n° 9.393/96 estipula que as áreas declaradas não estão sujeitas A comprovação prévia por parte do contribuinte. Com relação ao valor da terra nua, alega que o VTN apurado no lançamento não condiz com a realidade do imóvel. Argumenta, ainda, que o Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 233 4 valor encontrado pela autoridade fiscal atenta contra o principio constitucional da vedação ao confisco. A decisão recorrida afastou preliminares de inconstitucionalidade que sequer foram argüidas pela Recorrente, e quanto ao mérito, afirmou que o lançamento fiscal tomou por base DITR do exercício, cabendo a retificação com fundamento no art. 14 da lei n.o 9.393/96, citando ainda, dispositivo que ampara a aplicação da multa de 75% e aplicação da taxa SELIC. Expressou também entendimento da imprescindibilidade da apresentação do ADA tempestivamente para amparar a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo para esta, também exigível a averbação no Registro de Imóveis. Quanto ao VTN, que o Laudo Técnico de Avaliação não atendeu às condições elencadas pela norma da ABNT, devendo ser respeitado o item 9.2.3.5, alínea “b” da NBR 146533 que exige “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados” do município onde está localizado o imóvel, e quando não atendida esta premissa, o Laudo deve ser considerado parecer técnico, incapaz de alterar o valor atribuído pela fiscalização. Em grau de RecursoVoluntário, resumidamente, aduz a Recorrente: a) que a letra “b” do inciso II do art. 10 da lei n.o 9.393/96 exclui da área tributável do imposto as “de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior” e a lei n.o 9985/00 ao regulamentar o art. 225, par. 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal criou as chamadas Unidades de Proteção Integral, compostas dentre outras, pelos Parque Nacionais. Nesta esteira o Governo do Estado do Mato Grosso sancionou a Lei n.o 7.517/2001, que criou o Parque Estadual do Araguaia, que incluemse dentre aquelas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, e nela inserida a totalidade da propriedade, conforme declarada pela FEMA Fundação Estadual do Meio Ambiente, em 25/02/2005; b) não obstante esta inserção no Parque Estadual, as isenções das áreas de preservação permanente e de reserva legal não estão condicionadas à apresentação do ADA para assim serem reconhecidas, conforme jurisprudência do STJ e no caso, a de preservação permanente encontrase demonstrada no levantamento fotogeográfico elaborado pelo engenheiro agrônomo Floremil J.C. Visconti, constatando que 89% da área é recoberta por Savana Parque com Floresta de Galeria enquanto que 11% de Savana Parque sem Floresta de Galeria, em consonância também com o art. 16 da lei n.o 4.771/65, segundo esta, englobando uma área ainda maior do que a declarada; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 234 5 c) a apresentação do ADA deixou de ser exigível nos termos do par. 7o do art. 10 da lei n.o 9.393/96, com a redação que lhe foi dada pela MP 216667 de 21/08/2001, assim reconhecida por precedentes do STJ; d) que o VTN apurado pelo expert nomeado pela Recorrente para o exercício de 2005, foi de R$ 1.535.863,56 e se aplicada a taxa selic, para aquele exercício objeto da autuação, não seria superior a R$ 767.930,00, tal como declarado; e) a exigência apresenta efeito confiscatório, sobre imóvel que se encontra localizado em Parque Estadual do Araguaia, que inclusive foi declarado de utilidade publica para fins de desapropriação e não é servido por estradas, com acesso por via aérea e fluvial. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. As questões objeto da autuação, conforme constam do lançamento e recurso, referemse à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, bem como, sobre o VTN aplicado quando da apuração e recolhimento do imposto. Com efeito, entendo que alguns elementos trazidos aos autos infirmam o trabalho fiscal, inicialmente, não obstante não explorada na peça recursal, a intempestiva apresentação do ADA ao IBAMA, nele constando as áreas excluídas, conforme se depreende dos documentos de fls. 180/186, relativos ao exercício de 2.008, onde a área total do imóvel, de 38.396,15 hectares estão declarados como Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Assim, não obstante o entendimento deste Relator pela inexigibilidade do ADA para a exclusão das áreas isentas, fazse necessário o registro da sua apresentação, embora intempestiva, com a referência destacada, conforme cópias apresentadas junto à impugnação. Também não foi mencionado na peça recursal, precedente do Terceiro Conselho de Contribuintes, no processo n.o 10183.005343/200536, onde, por maioria de votos, a Segunda Câmara afastou a pretensão fiscal relativa ao exercício de 2002, pelos mesmos motivos do lançamento que originou este processo, quando foi reconhecido o direito à isenção, pelo fato do imóvel estar inserido na APA Área de Proteção Ambiental. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 235 6 Com efeito, neste sentido, também neste processo, junto à peça de impugnação, foram apresentados os documentos de fls. 176/177, emitido pelo Governo do Estado de Mato Grosso, mais especificamente, pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMAM, que declaram que o imóvel da Recorrente está inserido no Parque Estadual do Araguaia, utilidade de conservação de proteção integral. Também merece destaque o Parecer Técnico n.o 035/CUCO/2005, expedido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA, fls. 45/46. Outro fator que entendo relevante, é que a Recorrente apresentou Laudo Ambiental e Avaliação, assinado por Engenheiro Agrônomo com a Anotação de Responsabilidade Técnica (fl. 98), onde o imóvel é descrito na sua totalidade, com características e vegetação, portanto, um documento que no entender deste Relator, deve ser considerado. Não obstante tais referencias, a Recorrente ao apurar o imposto devido, através da DITR, informou que possui área tributável de 1.946,0 hectares, conforme demonstrativo de fl. 05, razão pela qual, entendo que sobre ela deve ser exigido o imposto, tal como consta no lançamento, tomando por base o VTN apurado pela fiscalização, uma vez que a Recorrente não apresentou documentos hábeis para comprometer o trabalho fiscal nesta fixação da base de cálculo. Não merece ainda prosperar, a simples alegação da ocorrência de efeito confiscatório decorrente do VTN atribuído pela fiscalização, pois como destacado acima, constitui uma presunção relativa da fiscalização, podendo ser afastada pelos contribuintes autuados, mediante apresentação de documentos capazes de efetivamente comprometêla, o que não ocorreu no presente processo. Também incapaz de afastar o critério utilizado pela fiscalização, laudo apresentado às fls. 84/96, onde à fl. 95 atribui ao hectare o valor de R$ 40,00, uma vez que este foi firmado em 05/12/2005, e o trabalho fiscal referese ao período base de 2.004, e notadamente, conforme acima destacado, sem qualquer elemento ou fato que comprometesse o trabalho fiscal. Pelas razões acima expostas, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720526/200747 Acórdão n.º 2102001.854 S2C1T2 Fl. 236 7 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10425.002432/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECURSO PROVIDO
As deduções de valores pagos a título de despesas médicas da base de cálculo do IRPF ficam sujeitas à comprovação dos seus efetivos pagamentos e da identificação dos beneficiários dos tratamentos. Quando a divergência ou equivoco fica documentalmente esclarecido, sem restar dúvidas que os mesmos foram prestados ao titular, há de ser restabelecida a exclusão da base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 2102-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECURSO PROVIDO As deduções de valores pagos a título de despesas médicas da base de cálculo do IRPF ficam sujeitas à comprovação dos seus efetivos pagamentos e da identificação dos beneficiários dos tratamentos. Quando a divergência ou equivoco fica documentalmente esclarecido, sem restar dúvidas que os mesmos foram prestados ao titular, há de ser restabelecida a exclusão da base de cálculo do imposto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10425.002432/2007-01
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177191
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2102-002.103
nome_arquivo_s : Decisao_10425002432200701.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 10425002432200701_5177191.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4414153
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217917288448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 80 1 79 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.002432/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.103 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente ANGELA CHISTINE ALBUQUERQUE ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECURSO PROVIDO As deduções de valores pagos a título de despesas médicas da base de cálculo do IRPF ficam sujeitas à comprovação dos seus efetivos pagamentos e da identificação dos beneficiários dos tratamentos. Quando a divergência ou equivoco fica documentalmente esclarecido, sem restar dúvidas que os mesmos foram prestados ao titular, há de ser restabelecida a exclusão da base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 24 32 /2 00 7- 01 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10425.002432/200701 Acórdão n.º 2102002.103 S2C1T2 Fl. 81 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/REC, de 17 de setembro de 2010 (fls. 29/33), que por unanimidade de votos deu provimento parcial à impugnação apresentada tempestivamente pela Recorrente, mantendo a exigência fiscal no valor de R$ 3.300,00, e não de R$ 3.886,12 lançado originariamente, acrescido de multa e juros calculados conforme estabelece a legislação. Com efeito o Auto de Infração lavrado em 20/08/2007 (fl. 6) no valor total de R$ 8.121,99 exigia imposto no valor de R$ 3.886,12, multa de ofício de R$ 2.914,59 e R$ 1.321,28 de juros de mora calculados até 31/08/2007, decorrente da glosa de valores abatidos da base de cálculo do imposto a título de despesas médicas, no valor de R$ 14.131,36. Notificada do lançamento foi apresentada impugnação, oportunidade em que a Recorrente apresentou recibo de serviço odontológico pago à profissional Vilvanise Braz Bezerra no valor de R$ 1.000,00 (fl. 13); comprovante das despesas com o plano de saúde UNIMED Campina Grande no valor de R$ 2.131,36 (fls. 07 e 08) e NF no valor de R$ 11.000,00 pagos à empresa Orthoserv Comercio e Serviços Ltda. (fl. 11). A decisão recorrida reconheceu o direito à dedução dos valores pagos à UNIMED, no total de R$ 2.131,36 e manteve a glosa do valor de R$ 1.000,00 pagos à odontologista Gilvanise Braz Bezerra pela falta de identificação a quem os serviços foram prestados, se ao próprio titular ou seu dependente, assim como manteve a glosa de R$ 11.000,00 pagos à empresa Orthoserv Comércio e Serviços Ltda., pelo fato de constar no documento fiscal que a paciente é de nome Lucia, não figurando esta como dependente da autuada. Uma vez notificada da decisão proferida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este colegiado, juntando documentos que complementam e retificam os apresentados na peça que impugnou o lançamento, onde a ausência de informação ou aquela inserida levou o colegiado de primeira instancia a manter o trabalho fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10425.002432/200701 Acórdão n.º 2102002.103 S2C1T2 Fl. 82 3 Com efeito, diante da motivação constante da decisão recorrida, e dos documentos apresentados pela Recorrente, não há como manter a exigência fiscal, pois evidenciada a sua improcedência. Sobre a falta de indicação da pessoa beneficiária do tratamento odontológico realizado pela profissional Gilvanise Braz Bezerra, no valor de R$ 1.000,00, o documento de fl. 47 declara que os serviços foram prestados à própria autuada, e se esta omissão no recibo apresentado originariamente foi a razão da manutenção do trabalho fiscal pela decisão recorrida, deve assim, a dedução ser agora restabelecida. No tocante à equivocada inserção na nota fiscal emitida pela empresa OrthoServ Tecnologia em Implantes, constante à fl. 11, do nome de Lucia como paciente, a Recorrente apresenta declaração da Supervisora do Faturamento daquela empresa, de declaração neste sentido, e que o correto, seria o nome da autuada nesta condição. Protestou pela posterior juntada de declaração também neste sentido do Diretor da empresa emitente do documento fiscal e efetivamente apresentou (fl. 58), corroborada por documentos que evidenciam a necessidade da Recorrente de se submeter à cirurgia (fls. 60/77), que redundou na despesa no valor de R$ 11.000,00. Destarte, com a documentação apresentada pela Recorrente, não subsistem as razões constantes na decisão recorrida para a manutenção da exigência fiscal. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917262/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE.
Somente se reconhece indébito fiscal e cogita-se da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 3803-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE. Somente se reconhece indébito fiscal e cogita-se da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.917262/2008-08
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181523
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.774
nome_arquivo_s : Decisao_15374917262200808.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15374917262200808_5181523.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4459362
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217935114240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 1.073 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917262/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.774 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente BETUNEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE. Somente se reconhece indébito fiscal e cogitase da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 72 62 /2 00 8- 08 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de compensação declarada pela Contribuinte, por meio da DComp nº 01367.61068.111104.1.3.046120, em que utilizou o alegado crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 11.572,41, relativo ao mês de setembro de 2004, homologada parcialmente, por meio do despacho decisório eletrônico proferido pela Derat/Rio de Janeiro II. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) a contribuição foi paga no valor de R$ 77.786,46, e equivocadamente declarada na DCTF e no Dacon no valor de R$ 68.446,34, por sua vez divergente e maior que o devido; b) o referido erro foi identificado e corrigido através de retificação de ambas as declarações, após emissão do despacho decisório. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II verificou, nos sistemas da RFB, relativamente ao 3º trimestre de 2004, que a Contribuinte apresentara, além da DCTF original, oito DCTFs retificadoras, fl. 68, sendo as duas últimas apresentadas em data posterior à ciência do despacho decisório, com a alteração da contribuição a pagar para o valor de R$ 66.214,05. Da mesma forma, apresentou, além do Dacon original, quatro Dacons retificadores, fl. 69, com diversas alterações no valor da contribuição a pagar, e somente no último, apresentado, após a ciência da dita decisão administrativa, o valor foi retificado para R$ 66.214,05. Destacou a falta da espontaneidade das declarações retificadoras, e, em consequência, considerouas documentos insuficientes, por si sós, para fazer prova em favor da Manifestante, pois não se fizeram acompanhar de documentos fiscais e contábeis, capazes de demonstrar que a contribuição efetivamente devida não corresponde à importância anteriormente informada à RFB, mas, sim, ao último valor que declarou, tudo, conforme o exigem os arts. 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972. Cientificada da decisão, em 12 de setembro de 20112, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 82 a 83, em 03 de outubro de 2011, em que reitera a singela menção ao erro de apuração cometido e declara estar anexando cópias da DCTF retificadora, do Dacon retificador, do Livro Razão, do Balancete Contábil e do Termo de Abertura e Encerramento do Livro Diário, para que não reste dúvidas quanto ao direito alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.917262/200808 Acórdão n.º 3803003.774 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente não desenvolve argumentos em sua defesa. Apenas afirma que pagou a maior e em um resumido parágrafo declara estar anexando as cópias dos documentos supramencionados, para o fim de ter a compensação realizada homologada integralmente. A DCTF e o Dacon foram documentos já não aceitos pelo Colegiado a quo, como documentos comprobatórios de que houvera pagamento a maior da contribuição. Com acerto foi proferida a decisão, eis que as declarações não se fizeram acompanhar da escrituração contábil e/ou fiscal naquela instância. A exemplo do anterior processo analisado por este Julgador, o balancete no mês de setembro mostra um sem número de registros relativos ao PIS, sem que a Recorrente tenha sido diligente em sua defesa para demonstrar com que números do balancete e/ou do razão compôs o cálculo do PIS o valor que pretendeu provar/ O Razão, por sua vez, mostra uma escrituração capilarizada em um sem número de operações, e, não obstante ser denominada de Razão Acumulado também é um Razão Analítico, de difícil identificação do efetivo débito que a Recorrente pretende provar existir. Em vista do registro sobremodo acentuado de operações, números em intensidade, deveria a Recorrente ter sido razoável e ter elaborado demonstrativo que melhor elucidasse a apuração que fez constar no Dacon e o valor que declarou por fim na DCTF retificadora ativa, e fornecesse o itinerário desse cálculo apontandoo no balancete e/ou no Razão, com indicação das contas ou saldos de contas e respectivos valores e páginas, a permitir um cotejo prático do valor da contribuição a que chegara. Mesmo que a Recorrente houvesse apontado para a identidade visível entre esses registros do cálculo do PIS, e que minudentemente estivesse descrita a natureza dos créditos apenas nesta fase recursal, tais elementos de defesa não se tornariam ainda uma justificação suficiente para converter o julgamento em diligência. Isso, porque os conceitos envolvidos na apuração dos créditos tem a forte probabilidade de suscitar uma nova disputa, que passaria ao largo da apreciação do órgão julgador de primeira instância, a subverter o rito do processo administrativo fiscal. Ora, se na hipótese acima esses elementos de defesa assim organizados talvez não pudessem socorrer a Recorrente, sequer para o fim de sua confirmação por meio de diligência, pela possibilidade de julgar preclusa a sua apresentação apenas nesta fase recursal, o que dizer da defesa que nada organiza, que anexa centenas, ou mais de um milhar, de registros, à espera de que a Auditoria Fiscal garimpe no meio dos números, realizando um trabalho que é da Recorrente, que já estaria realizado, mas que não chega ao órgão julgador devidamente esquadrinhado? Não há de ter expectativa de êxito quem se defende com esse descaso. Gizese que é ônus da Contribuinte trazer aos autos a completa prova da alegação de existência de crédito de pagamento indevido ou a maior, perante a Receita Federal do Brasil, nas circunstâncias em que este, após ter confessado e pago o débito, provê, posteriormente, a redução do crédito tributário. E esta prova deveria ter sido provida no momento processual da manifestação de inconformidade, nos termos dos arts. 15 e 16 do Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto n º 70.235, de 1972, em que respaldouse a decisão de primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior. Assim, não merece reparos a decisão recorrida, em vista de toda a exposição retro. Pelo que, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002506/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA
Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11060.002506/2009-10
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5176844
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2803-001.932
nome_arquivo_s : Decisao_11060002506200910.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11060002506200910_5176844.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4410593
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217941405696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002506/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.932 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SECURISYSTEM SISTEMAS DE MONITORAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 25 06 /2 00 9- 10 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 3 2 aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a parte dos segurados, a qual deveria ser retida e repassada à fazenda nacional. A DecisãoNotificação – fls 75 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Destaca que, à época, a empresa ora Recorrente era optante pelo Regime de Apuração Simplificada de Arrecadação, SIMPLES FEDERAL. · Os fatos geradores descritos no relatório constante do Auto de Infração devem ser revistos, pois não foram analisados com a devida acuidade pela fiscalização. · A Fiscalização não logrou comprovar qualquer suposta irregularidade praticada pela Empresa, o que, por si só, já é suficiente para ensejar a procedência do presente recurso, visto que este ônus cabe ao exclusivamente ao Fisco. · A Fiscalização ao descrever as supostas infrações à norma tributária, aduz de forma clara que a empresa ora Recorrente supostamente cometeu infrações em seus recolhimentos, desconsiderando por completo os registros da empresa, e por ela apresentados e a atividade que desempenha. · Os Agentes Fiscais, ao confeccionar o Auto de Infração e compor novos lançamentos a serem efetivados na contabilidade fiscal, o faz de forma completamente unilateral, em ofensa a ampla defesa e ao contraditório. · A Impugnação/Recurso Administrativo apresentada ao processo administrativo n° 11060.000758/200734 – exclusão do SIMPLES, encontrase em trâmite, sem uma decisão final, devendo ser suspenso o presente processo até o julgamento da exclusão. · Os efeitos da exclusão, se é que legalmente amparada, só poderão alcançar os fatos supervenientes ao entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal, isto por força do principio constitucional da segurança jurídica, consubstanciado na garantia individual da irretroatividade das normas e das disposições expressas no Código Tributário Nacional em seus artigos 103,I e 146. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer a anulação do Auto de Infração n° 37.160.3927, tendo em vista da constituição de Contribuições destinadas ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, serem totalmente irregulares, em vista das ilegalidades apontadas no presente Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Acerca da análise dos fatos geradores, temos que o relatório fiscal detalha o lançamento, deixando claro o que consta de cada levantamento, senão vejamos: b) Z1 O levantamento Z I referese a parcela da remuneração paga a titulo de Auxilio Alimentação em desacordo com o Programa de alimentação do Trabalhador PAT. O beneficio é pago em dinheiro, está lançado na folha de pagamento como parcela não tributada e o empregado sofre um desconto equivalente á 20% (vinte"por cento) do valor que lhe é creditado.A base de calculo considerada no lançamento é valor liquido/recebido pelo trabalhador, demonstrativo anexo às fls 85. Diante de tal quadro, caberia a recorrente apontar objetivamente onde residem eventuais irregularidades – art. 16 do decreto 70.235/72, o que não foi feito, pois a mesma se limitou a informar, de forma genérica, que a fiscalização não agiu como deveria, sem explicitar os pontos de divergência. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento e nem apresentou provas que desconstituísse o que confirmado pela decisão de primeiro grau e, uma vez não comprovado vícios no lançamento, temos a procedência da autuação. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Os autos se referem ao período de 01/03/2004 a 30/06/2007. Observase assim que abrange período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado, em razão de sua exclusão através do Ato Declaratório Sivex n° 011/2007 com efeitos a partir de 01/03/2004. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 7 6 E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões da exclusão do SIMPLES – o que já esta sendo feito em processo próprio – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Finalmente, temos que as verbas apuradas – parte devida pelo segurado – são devidas tanto pelas empresas aderentes ao SIMPLES quanto por aquelas que não usufruem o favor legal, sendo assim despicienda a discussão acerca da adesão da recorrente ao sistema simplificado. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao período de 2004 e 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15582.000301/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007
COMPETÊNCIA DA AUDITORIA FISCAL PARA CARACTERIZAR SEGURADO EMPREGADO. AUTORIZAÇÃO NORMATIVA.
A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - - PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que a contratação de autônomos ou mesmo pessoas jurídicas, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com diversas sócios de pessoas jurídicas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007 COMPETÊNCIA DA AUDITORIA FISCAL PARA CARACTERIZAR SEGURADO EMPREGADO. AUTORIZAÇÃO NORMATIVA. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - - PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que a contratação de autônomos ou mesmo pessoas jurídicas, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com diversas sócios de pessoas jurídicas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15582.000301/2007-91
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5176640
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2401-002.444
nome_arquivo_s : Decisao_15582000301200791.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 15582000301200791_5176640.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4407913
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217948745728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15582.000301/200791 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.444 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIXTEAM CONSULTORIA SISTEMAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007 COMPETÊNCIA DA AUDITORIA FISCAL PARA CARACTERIZAR SEGURADO EMPREGADO. AUTORIZAÇÃO NORMATIVA. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que a contratação de autônomos ou mesmo pessoas jurídicas, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com diversas sócios de pessoas jurídicas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 00 03 01 /2 00 7- 91 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.019.8450, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições dos segurados e das seguintes contribuições patronais: a) para o Fundo de Previdência e Assistência Social; b) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; c) para outras entidades e fundos. De acordo com o relatório fiscal, fls. 62 e segs., os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração a segurados enquadrados na categoria de empregados, uma vez que foram identificados os elementos caracterizadores da relação de emprego. Afirmase que a empresa notificada, no período do lançamento, contratava microempresas para executarem serviços de processamento de dados (atividade incluída no seu objeto social), sendo que tais serviços foram prestados pelos empresários, titulares das empresas, uma vez que, no período, estas não possuíam empregados. Sustenta o fisco que, com esteio na documentação apresentada, foi possível verificar que os prestadores de serviço preenchiam os requisitos da relação empregatícia, pelo que os sócios/titulares das empresas contratadas foram caracterizados como segurados empregados da notificada. A seguir, são apresentadas as justificativas que levaram a Auditoria a concluir pela ocorrência do liame empregatício, onde, mediante análise do contrato padrão firmado com entre a Vixteam e as prestadoras, o fisco busca demonstrar a ocorrência da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. A base de cálculo da apuração foi o valor das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas. Asseverase ainda que, em tese, a prática adotada se configura em crime de sonegação previdenciária, tendo sido lavrada representação fiscal para fins penais. Foram anexados vários documentos que o fisco entendeu serem hábeis a comprovar suas afirmações (notas fiscais, comprovantes de despesas, cópia de livros contábeis, etc.) Cientificada do lançamento em 11/09/2007, a empresa apresentou impugnação, fls. 239 e segs., na qual alegou, em apertada síntese, que: a) deve ser declarada a decadência do crédito até a competência 12/2001; Fl. 835DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 b) o fisco não detém competência para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas, tampouco de imputar vínculo de emprego em relação contratual efetivada entre empresas; c) nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, a prestação de serviços de natureza intelectual, como é o caso dos contratados pela notificada, está sujeita exclusivamente à legislação aplicável às pessoas jurídicas; d) cabe tãosomente ao Poder Judiciário declarar a desconsideração da personalidade jurídica, para fins fiscais e previdenciários, tendo por base o suposto abuso ou desvio de finalidade; e) nem mesmo o parágrafo único do art. 116 do CTN permite que o fisco caracterize como relação empregatícia os ajustes efetuados entre pessoas jurídicas, haja vista que o referido dispositivo, além de se aplicar apenas para desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, o exercício desta competência pelo fisco depende de lei ordinária regulamentando o seu procedimento; f) o IX do art. 114 da Constituição Federal determina ser competência exclusiva da Justiça do Trabalho o reconhecimento de vínculo de emprego; g) dispositivos de decreto ou outro ato administrativo não tem força para contrariar as disposições de lei e da própria Constituição, portanto é nulo o art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999; h) a Autoridade Fiscal ignorou por completo a realidade do mercado de informática, que obriga as empresas a subcontratarem outras empresas da área, nem sempre apenas pelo volume do trabalho, mas pelo grau de especialização existente nesse setor empresarial; i) ao contrário do que afirmou a Auditoria, há empresas contratadas que possuíam empregados, como é o caso da DLN — Consultoria & Informática Ltda e VT Serviços Ltda, conforme demonstram os documentos acostados; j) diversas empresas relacionadas pelo procedimento fiscal prestaram serviço a outras contratantes, o que é o caso das DLN — Consultoria & Informática Ltda; WS0 Informática e informação Ltda; G. P. Gujawski; Renato Costa Salomão — Avalon Informática; J.F. de Moraes Gomes; INFORVILA Informação e Qualidade Ltda; Globaltec Soluções em Informática Ltda; Gouvêa Tostes Sistemas e Logística Ltda; DB de Oliveira; AGN Processamento de Dados Ltda; RCP Informática Processamento de Dados Ltda; Lugon Consultoria e Sistemas Ltda; Turing Tecnologia de Informação Ltda; INFOSOLUTIONS Serviços e Tecnologia Ltda; Leonardo Bustamante de Oliveira; Hiperlink Informática Ltda; Portal Sistemas Ltda; e RPA de Rogério da Silva Quintão. Foram juntadas as notas fiscais que comprovam essa alegação; k) Ressaltase que os empresários Daniel Barbosa de Oliveira e Aluízio Medeiros de Freitas também exerceram e exercem atividade com vinculo empregatício com outras empresas, o que se pode ver dos documentos juntados; l) impõese que os valores pagos pela notificada às empresas acima citadas sejam excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada pelo procedimento fiscal; Fl. 836DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 4 5 m) não corresponde à realidade a afirmação do fisco de que as prestadoras não possuíam sede própria. É que consta nos cadastros dos órgão tributários a indicação do domicílio fiscal de cada uma delas, além de que a Auditoria sequer diligenciou no sentido de verificar a existência das sedes das empresas. Por outro lado, o fato da contratante disponibilizar espaço para os trabalhadores das prestadoras em suas dependências decorreu de necessidade de utilização de equipamentos softwares de propriedade da recorrente; n) é praxe nos contratos de serviço de natureza intelectual que os prestadores sejam reembolsados de despesas com transporte e alimentação, quando esses precisam se deslocar para outras cidades na execução do contrato; o) há casos que requerem que a impugnante submeta os trabalhadores das contratadas a treinamentos específicos, a fim de garantir a qualidade dos trabalhos por elas executados; p) os serviços foram executados dentro de um pacote de atividades previamente acordadas, com total autonomia das contratadas na sua execução, não havendo subordinação hierárquica e nem sujeição a horários. Verificase que contratadas não aguardavam e nem executavam ordens da contratante, não havendo, portanto, subordinação jurídica; q) os representantes legais dessas empresas declararam expressamente sobre a inexistência de subordinação, ressaltando também que não há exclusividade, essas empresas podiam livremente contratar com outras (declarações anexadas); r) o princípio da primazia da realidade deve ser invocado em seu favor, isso porque, no caso concreto, não se evidencia uma suposta fraude, e sim, verdadeiramente, a contratação de serviços prestados por empresas; s) percebese que é totalmente equivocada a interpretação dada pela agente fiscal à clausula 3.7 dos contratos, uma vez que não se verifica na mesma a ocorrência de subordinação jurídica, mas um dispositivo vedando a concorrência desleal, comum no setor de informática e em qualquer contrato de prestação de serviços profissionais de natureza intelectual; t) a não eventualidade e onerosidade não são elementos exclusivos do contrato de emprego, podendo estar presente em outras modalidades da prestação de serviço, como é o caso do autônomo que presta assessoria contábil; u) a subcontratação para prestação de serviço em atividadesfim da contratante, por si só, não caracteriza o liame empregatício, posto que a própria legislação admite esse tipo de contratação, como, por exemplo, a Lei n.º 8.666/1994. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro II determinou a realização de diligência fiscal, fl. 520, para que o fisco se manifestasse sobre a documentação acostada pela notificada, a qual serviria para comprovar que havia prestadoras com empregados e outras que prestaram serviço a outras empresas no período do lançamento. Na informação fiscal prestada às fls. 533/539, a Autoridade Fiscal lançou as seguintes considerações: Fl. 837DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) em todos os contratos, os serviços que foram prestados estão contidos nas atividades que compõe o objetivo social da empresa, configurandose a não eventualidade; b) a pessoalidade da prestação dos serviços e a subordinação à notificada, surgem da cláusula que estipula a prestação dos serviços exclusivamente pelos sócios, sendo que os casos de subcontratação, de qualquer outro profissional, deveriam ser previamente autorizados pela Notificada; c) as despesas necessárias à execução das tarefas contratadas eram assumidas pela VIXTEAM, como se pode ver da cláusula 2.3 do contrato padrão, ou seja, era a VIXTEAM assumia o risco econômico da atividade desenvolvida e, por conseguinte, assumia o papel de empregador das pessoas que realizaram o trabalho contratado; d) nas cláusulas 3.7 e 3.8 percebese a existência de subordinação e exclusividade, como se segue: Cláusula 3.7. Não prestar quaisquer serviços profissionais de consultoria ou de natureza semelhante ao objeto deste contrato. com ou sem remuneração, assim como não participar na gerência ou na operação, de qualquer empresa que possa a vir ser concorrente, fornecedor,cliente, ou participante de um contrato com a CONTRATANTE, ou qualquer uma de suas subsidiárias, associadas,coligadas,controladoras,controladas ou consorciadas sem expressa. prévia e especifica autorização da CONTRATANTE. Cláusula 3.8. No curso da prestação dos Serviços aqui contratados,a CONTRATADA,e/ou profissionais em ANEXO, que por ela venham a ser indicados, somente usarão software, hardware, dados e/ou firmware para as quais estejam devidamente autorizados a fazêlos. e) verificase lançamentos contábeis de despesas em nome sócios das empresas contratadas, além de despesas com empregados da empresa VT Serviços. Tais despesas referemse a: transporte, alimentação, telefone, treinamento e testes psicológicos, o que indica que a empresa notificada assumia as despesas da contratada, mostrandose responsável pelo risco econômico das atividades desenvolvidas; f) apresenta exemplificação dos lançamentos contábeis; g) que, a exceção das empresas DLN Consultoria e VT Serviços, na pesquisa ao banco de dados da Previdência Social, verificouse a não existência de empregados nas empresas de informática contratadas; h) para a empresa DLN Consultoria foi verificada a presença de apenas um empregado; i) a empresa VT Serviços foi incluída neste levantamento em face dos lançamentos contábeis de despesas em nome de seus sócios e de seus empregados; j) Daniel Barbosa de Oliveira, sócio da empresa D.B.Oliveira, a época da prestação de serviços à Vixteam, só possuía vinculo empregatício como professor da Faculdade Avies, a qual não oferece aulas no período vespertino; Fl. 838DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 5 7 k) da empresa Portal Sistemas Ltda, que prestou serviços à notificada no período de 01/2003 a 12/2006, era sócio o Sr. Aluízio Medeiros de Freitas; l) para a empresa Rogério da Silva Quintão ME, não foi apresentada qualquer nota fiscal, apenas um recibo de prestação de serviços de autônomo do sócio Rogério Quintão. A notificada se manifestou sobre os termos da diligência fiscal, fls. 545 e segs., afirmando que: a) o fato da contratante disponibilizar espaço físico, equipamentos e software nada indica quanto à alegada subordinação jurídica, posto que há situações em que há necessidade de utilização de máquinas e programas de propriedade exclusiva da tomadora, como é o caso de softwares que somente funcionam em determinados equipamentos; b) a cláusula 3.7 não caracteriza subordinação jurídica, mas apenas visa a evitar que ocorra concorrência desleal, com a divulgação pelas contratadas de projetos e produtos desenvolvidos pela contratante; c) a cláusula 3.8 tem por escopo garantir que as prestadoras utilizemse de sistemas que a contratante e seus clientes tenham licença de uso, evitando assim futuras incompatibilidades; d) é praxe no setor de prestação de serviços de informática que os empregados das prestadoras sejam reembolsados de despesas com transporte e alimentação; e) há casos que requerem que a notificada submeta as contratadas a treinamentos específicos, a fim de garantir a qualidade dos trabalhos executados; f) a jurisprudência administrativa e a judicial entendem que, se a prestadora possui empregados, além daqueles prestando serviço a determinada tomadora, não há de se falar em vínculo de emprego de trabalhadores da prestadora para com a tomadora; g) assim, impõese que os valores pagos pela contratante às empresas comprovadamente com empregados e para as que prestaram serviço a diversos clientes, sejam excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada no procedimento fiscal. Ao final, requer a juntada e apreciação dos documentos juntados, que se referem a complemento da documentação relativa aos contratos de sociedades e inscrições de empresários na Junta Comercial, bem como também declarações dos sócios das empresas, atestando a inexistência de exclusividade e subordinação de suas empresas à notificada. A DRJ declarou, fls. 576 e segs, parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência para o período de 10/2001 a 08/2002. O órgão a quo afastou a preliminar de incompetência da Auditoria para caracterizar trabalhadores como segurados empregados e conclui pela ocorrência dos elementos que configuram a relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras e a empresa notificada. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 673 e segs., no qual, a exceção da decadência, repetiu as alegações apresentadas na defesa e na manifestação sobre a diligência fiscal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Ao final, requer a declaração de nulidade da NFLD, por incompetência da Autoridade Fiscal, ou a declaração de improcedência do lançamento, por não se verificarem os pressupostos da relação empregatícia entre os sócios das prestadoras e a recorrente ou, ainda, a exclusão da base de cálculo das notas fiscais das empresas que possuíam empregados e que não prestaram serviços à notificada, no período da NFLD, com exclusividade. É o relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incompetência da Auditoria para caracterizar a relação de emprego Alega a recorrente que o fisco teria invadido a competência do Judiciário ao caracterizar relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras com a tomadora dos serviços, a notificada. Equivocase a recorrente. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, fato sobre o qual nos debruçaremos ao tratar do mérito da contenda, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer invasão da competência da Justiça Laboral. O Auditor Fiscal, dentro de sua área de atuação, caracteriza empregado aquele cujas peculiaridades da prestação de serviço indique a presença dos requisitos da relação laboral. A suposta incompatibilidade entre o § 2.º do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.º 11.196/2005 pode ser resolvida mediante interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca escamotear uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Assim, mesmo após a edição da Lei n.º 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.º do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária. Afastase, assim, a alegada nulidade. Da existência da relação de emprego Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 7 11 Chego agora ao mérito da contenda, o qual se resume em avaliar a existência dos pressupostos da relação de emprego, de modo a se concluir se deve prevalecer a caracterização dos sócios da empresa prestadora como empregados da recorrente. A solução da lide passa, assim, inexoravelmente pela avaliação dos fatos e documentos presentes nos autos, de modo a se concluir pela ocorrência da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. a) pessoalidade É fato incontroverso que, na maioria dos casos apresentados pelo fisco, os serviços eram prestados pelos sócios da empresa contrata que, a exceção das empresas DLN Consultoria & Informática Ltda e VT Serviços Ltda, não possuíam empregados. Vêse, assim, que eram definidas as pessoas físicas que deveriam executar os serviços para a contratante, ficando patente a existência de pessoalidade nos contratos. Todavia, nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, já transcrito, mesmo que o contrato seja personalíssimo, as prestações de serviços de intelectuais hão de ser regidas pela legislação aplicável às pessoas jurídicas. Assim, a pessoalidade, tomada isoladamente, não configura a relação de emprego. b) nãoeventualidade Considerandose que os serviços prestados diziam respeito a atividades relacionadas ao objeto social da recorrente, não há como afirma que eram eventuais. De fato, para cumprir as suas obrigações empresariais, a notificada não poderia prescindir dos serviços prestados pelos sócios das empresas contratadas, fato que me leva a concluir que o pressuposto da não eventualidade está presente no caso posto a julgamento. Todavia, essa constatação, tomada em separado, não deve levar a caracterização do vínculo de emprego, uma vez que a própria legislação previdenciária admite a terceirização em atividades fins, como se pode ver do § 3.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, que, ao conceituar cessão de mãodeobra, assim dispõe: §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. De se convir, assim, que a não eventualidade pode também estar presente nos contratos de prestação de serviço entre pessoas jurídicas. c) onerosidade Independente de ser executado por pessoa física ou por empresa, o contrato de prestação de serviço é sempre oneroso, portanto, embora presente na espécie, esse requisito não pode acarretar em reconhecimento de vínculo de emprego, haja vista que não houve Fl. 843DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 demonstração da existência de pagamento de verbas exclusivamente trabalhistas como férias, aviso prévio, 13.º salário, etc. d) subordinação Esse requisito, sem dúvida, será o fiel da balança na configuração do vínculo de emprego, posto que se a conclusão for pela sua ocorrência, restará localizado o lado que faltava ao fechamento quadrilátero da relação empregatícia. Caso se conclua de modo diverso, enxergaremos apenas uma figura geométrica aberta, que não se presta aos fins pretendidos pelo fisco. As conclusões da Auditoria quanto à ocorrência da subordinação jurídica, edificaramse em análises das cláusulas 3.7 e 3.8 do contrato padrão de prestação de serviço firmado entre a recorrente e as suas prestadoras. Eis as estipulações: CLÁUSULA TERCEIRA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) 3.7 — Não prestar quaisquer serviços profissionais de natureza semelhante ao objeto deste contrato, com ou sem remuneração, assim como não participar na gerência, ou na operação de qualquer empresa, que possa vir a ser concorrente, fornecedor ou cliente ou participante de um contrato com a CONTRATANTE ou qualquer de uma das suas subsidiárias,associadas, coligadas,controladoras, controladas ou consorciadas, sem expressa, previa e especifica autorização da CONTRATANTE. 3.8. No curso da prestação dos Serviços aqui contratados, a CONTRATADA, e/ou profissionais em ANEXO, que por ela venham a ser indicados, somente usarão software, hardware, dados e/ou firmware para as quais estejam devidamente autorizados a fazêlos. A recorrente alega que as disposições da cláusula 3.7 apenas visam evitar a ocorrência de concorrência desleal, na medida em que a prestadora, tendo acesso a informações sigilosas da contratante, poderia disponibilizar tais informações a concorrentes ou potenciais clientes da sua tomadora de serviços. A meu ver, ao impedir que o prestador de serviços atue livremente no mercado, impondolhe a proibição de contratar com outras empresas do ramo, a recorrente cria com aquele uma relação de sujeição, em que a contratada subordinase ao direito potestativo da contratante, que unilateralmente irá decidir com quais empresas o seu prestador pode se relacionar. Todavia, essa cláusula, a despeito de poder ser considerada abusiva, não se aplica à verificação da subordinação jurídica com vistas a caracterizar o liame de emprego, dizendo mais respeito à relação entre empresas. A subordinação empregatícia é mais voltada ao comando dos trabalhos pela contratante, ao estabelecimento de escalas de trabalho, a existência do poder hierárquico, etc. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 8 13 Esses traços, sinceramente, não localizei. Já a cláusula 3.8 encerra uma preocupação de caráter técnico que tem por objetivo evitar que nos projetos contratados sejam utilizados softwares incompatíveis com aqueles que a contratante e seus clientes detenham licença de uso. Vejo que esse aspecto não dá margem a que se interprete como uma interferência da contratante no poder de direção da prestadora, mas uma exigência constante nos contratos de prestação de serviço em geral, que garantem ao tomador dos serviços escolher o material a ser utilizado na execução do ajuste. Outra ponto ressaltado pelo fisco é o disposto no cláusula 2.3 das avenças em que: CLAUSULA SEGUNDA — OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE (...) 2.3 — Disponibilizar a CONTRATADA, espaço físico, equipamentos e software necessários á execução dos serviços. (...) Nos contratos de cessão de mãodeobra os empregados da contratada devem ficar a disposição da contratante nas dependências desta ou de terceiros por ela indicadas (§ 3.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991), sem que tal situação venha a caracterizar o vínculo empregatício entre esses e a contratante. Esse é um dos motivos que me levam a concluir que a utilização de espaço físico, de equipamentos e de programas computacionais de propriedade da notificada, não é indicativo seguro de que havia subordinação jurídica dos prestadores para com a tomadora. Ainda mais quando se observa as peculiaridades do segmentos da recorrente, no qual, como foi citado no recurso, motivos de segurança fazem com que determinados softwares só funcionem em computadores específicos, os quais possuam o que no jargão técnico é chamado de “hard lock”. Por outro lado é de se observar que na fase de integração e validação dos programas desenvolvidos, existe a necessidade de se utilizar ambiente tecnológico único, que, via de regra, é instalado na sede do contratante do pacote de software. Os autos revelam que a situação de cada empresa prestadora não era exatamente a mesma, posto que o objeto contratado variava, que havia empresas com empregados e outras em que o serviço era prestado unicamente pelos sócios, além de que a exclusividade na prestação de serviços não se deu para todas as contratadas. Assim, entendo que a caracterização deveria ter sido feita individualmente, indicandose para cada trabalhador tomado como segurado empregado a ocorrência dos pressupostos da relação de emprego e outras circunstâncias que o fisco entendesse necessárias a corroborar suas conclusões. Os lançamentos contábeis Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Por fim, tratou o fisco da existência de lançamentos contábeis em nome dos sócios e empregados das empresas prestadoras, os quais indicariam que a tomadora estaria assumindo o risco da atividade empresarial, ao arcar com despesas de transporte, alimentação, treinamento e avaliação psicológica de trabalhadores pertencentes aos quadros das suas contratadas. Considerando que na cláusula 3.5 do contrato padrão está estabelecido como obrigações da contratante responsabilizarse com todas as despesas para execução contratual, é de se concluir que o pagamento das despesas acima está em desacordo com o ajuste firmado. Eis os termos da referida cláusula: 3.5 Responsabilizarse pelo pagamento de todos os impostos, taxas emolumentos e contribuições, fiscais e parafiscais, federais, estaduais e municipais, encargos sociais, trabalhistas, previdenciários e administrativos e demais despesas diretas e indiretas, devidas em decorrência do Contrato, comprovando o seu atendimento, através de certidão negativa, sempre que solicitado pela CONTRATANTE. Todavia, a existência desses pagamentos, para mim, não vem a caracterizar a relação de emprego entre os beneficiários e a recorrente, uma vez que, conforme vimos acima, os dados apresentados não comprovam a ocorrência da subordinação jurídica, sem a qual não se forma o laço que amarra o prestador ao tomador na condição de empregado. Essas despesas podem ser consideradas mera liberalidade do contratante ou, mesmo que se considere remuneração, as mesmas deveriam ser tidos como pagamentos a contribuintes individuais, posto que o vínculo de emprego não se configurou. Conforme já afirmei alhures, esses elementos deveriam ser apreciados individualmente para cada trabalhador, os quais poderiam vir a reforçar às conclusões da Auditoria quanto a ocorrência do liame de emprego, jamais serem utilizados para caracterizála de forma genérica, até porque há prestadores de serviço que não receberam as verbas acima listadas. Conclusão Assim, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Em que pese o excelente arrazoado do ilustre relator quanto ao seu entendimento de ausência de caracterização de vinculo de emprego, divirjo quanto a demonstração nos presentes autos de que se trata verdadeiramente de serviços prestados com características de empregado. Ao contrário do que entendeu o relator, a regra de prestação de serviços, ou mesmo contratação de mão de obra terceirizada é sim possível, desde que em atividades meio, e mesmo assim, em que não haja a subordinação e pessoalidade. A contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços nada mais é do que uma espécie de terceirização previstas na normatização brasileira, mais especificamente hoje temos a súmula 331 do TST, senão vejamos: Súmula nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Entendo, que a empresa pode valerse de mão de obra terceirizada, para execução de suas atividades, todavia, ao contratar pessoas jurídicas para prestação de serviços em sua atividade fim, deve a empresa cercarse de todos os cuidados para que dita contratação não venha a colidir com os requisitos do vínculo de emprego. Porque o legislador e a própria jurisprudência trabalhista destacam ditos cuidados? É sabido que muitas empresas no intuito de esquivarse da pesada carga tributária, buscam meios lícitos de diminuir seus encargos sociais. A contratação de pessoas jurídicas, nada mais é do que uma dessas formas de diminuição de custos. Contudo, pessoa jurídica não é subordinada, não tem pessoalidade, muito menos alteridade. A contratação de pessoas jurídicas deve ser enfatizada na contratação de um “serviço”, não de uma determinada pessoas para executálo. Isto posto, quanto mais presente o liame entre o tomador do serviço e o prestador, mas difícil tornase demonstrar uma mera contratação, sem características de contrato de trabalho. Dessa forma, entendo que a contratação de pessoas jurídicas, com requisitos de exclusividade na prestação de serviços, exigência de prestação de serviços pelo próprio sócio, incumbirse a empresa contratante do ônus de despesas para o desempenho da atividade, tais como alimentação e transporte, nada mais demonstra do que a contratação de mão de obra . na condição assemelhada a de empregado. Nesse sentido, entendo que o auditor fiscal em seu relatório, fl. 63 a 69, logrou êxito em demonstrar como se dava a execução dos serviços, bem como em demonstrar que a contratação, na forma como exigida, caracterizava verdadeira prestação de serviços na condição de empregado, estando correto o posicionamento de lançar contribuições previdenciárias com a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários. Pontuou o auditor, com cláusulas do próprio contrato de prestação de serviços, quais seus elementos de convicção. Apenas, para esclarecer, concordo com o voto do ilustre relator que os requisitos: nãoeventualidade, pessoalidade, onerosidade, e subordinação, tomados de forma isolada, não são suficientes para caracterizar a condição de empregado. Porém, com as características fáticas demonstradas pelo auditor nos presentes autos, entendo restou caracterizado devidamente tal vínculo, razão porque os argumentos trazidos pelo recorrente não são suficientes para desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722596/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998, 01/06/1999 a 31/08/2000
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998, 01/06/1999 a 31/08/2000 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11080.722596/2010-56
anomes_publicacao_s : 201209
conteudo_id_s : 5172503
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2302-002.083
nome_arquivo_s : Decisao_11080722596201056.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 11080722596201056_5172503.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4296084
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217966571520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 211 1 210 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722596/201056 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.083 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria Construção Civil: Responsabilidade Solidária. Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E SERRO ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998, 01/06/1999 a 31/08/2000 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 96 /2 01 0- 56 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 212 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa SERRO ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA., pelos serviços prestados na construção civil, nas competências de 08/1997 a 11/1998 e 06/1999 a 08/2000. A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de aviso de recebimento postal em 08/09/2010. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.151/166, pugnou pela procedência parcial da autuação, excluindo do lançamento o período de 06/1999 a 08/2000, por nulidade formal, em face do instituto da retenção instituído pela Lei n.º 9.711/98. Ainda inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 213 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 214 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 215 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901109/2008-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
2003
RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO
Não se admite a retificação de PERDCOMP por via de recurso voluntário,
mormente quando a parte sequer pode indicar o alegado “erro de fato” no seu
preenchimento.
RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E
LIQUIDEZ.
Somente são passíveis de restituição, para utilização em compensações,
direito creditório liquido e certo não se admitindo o reconhecimento de
indébito tributário em valor maior que o devido.
Numero da decisão: 1801-001.013
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO Não se admite a retificação de PERDCOMP por via de recurso voluntário, mormente quando a parte sequer pode indicar o alegado “erro de fato” no seu preenchimento. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente são passíveis de restituição, para utilização em compensações, direito creditório liquido e certo não se admitindo o reconhecimento de indébito tributário em valor maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.901109/2008-73
conteudo_id_s : 5009731
numero_decisao_s : 1801-001.013
nome_arquivo_s : 180101013_10680901109200873_201205.pdf
nome_arquivo_pdf_s : 10680901109200873_5009731.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4079134
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:53:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217985445888
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-05-17T00:40:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-05-17T00:40:56Z; Last-Modified: 2012-05-17T00:40:56Z; dcterms:modified: 2012-05-17T00:40:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:41dc2169-d667-426e-ae11-aef649a9770a; Last-Save-Date: 2012-05-17T00:40:56Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-05-17T00:40:56Z; meta:save-date: 2012-05-17T00:40:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-05-17T00:40:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-05-17T00:40:56Z; created: 2012-05-17T00:40:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2012-05-17T00:40:56Z; pdf:charsPerPage: 1318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2012-05-17T00:40:56Z | Conteúdo => S1TE01 Fl. 91 1 90 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.901109/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.013 – 1ª Turma Especial Sessão de 9 de maio de 2012 Matéria Restituição / Compensação Recorrente CNJ ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO Não se admite a retificação de PERDCOMP por via de recurso voluntário, mormente quando a parte sequer pode indicar o alegado “erro de fato” no seu preenchimento. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente são passíveis de restituição, para utilização em compensações, direito creditório liquido e certo não se admitindo o reconhecimento de indébito tributário em valor maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A empresa recorrente apresentou PERDCOMP, em 10/11/2003, para reivindicar direito creditório que alega possuir, referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado pelo lucro real trimestral. De acordo com o PERDCOMP, do valor pago de R$ 41.822,00 relativo ao IRPJ devido no 2o. trimestre de 2002, a parcela de R$ 2.557,45 teria sido recolhida indevidamente a maior (fls. 06 e 28 a 30). A consistência do pedido foi averiguada e constatouse que o pagamento no valor de R$ 41.822,00 teria sido localizado nos sistemas internos da RFB, mas parcialmente alocado ao saldo devedor de R$ 41.019,50, declarado pela contribuinte como IRPJ devido no 2o. trimestre de 2002, na DCTF retificadora do respectivo período de apuração, apresentada em 27/10/2004, conforme cópia às fls. 04/05. Por tal razão a compensação pleiteada foi parcialmente homologada, tendo sido reconhecido o direito creditório relativo à parte disponível do crédito, de R$ 802,50, nos termos do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03. Irresignada a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 23/05/2008, alegando que havia se equivocado e cometido erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do DARF de recolhimento do indébito. Dessa forma, deveria ser ignorado o DARF de recolhimento originalmente indicado no PERDCOMP, no valor de R$ 41.822,00 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 08) – e no seu lugar deveria ser considerado o DARF de recolhimento no valor de R$ 5.728,62 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 07). A DRJ em Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório reivindicado pela interessada, ao argumento de que retificações de PERDCOMP e de DCTF não podem ser formalizadas em manifestação de inconformidade. Salientou, ainda, que o valor do segundo DARF indicado pela empresa que representaria o indébito de IRPJ do 2o. trimestre de 2002, de R$ 5.728,62, já havia sido indicado como direito creditório em outro PERDCOMP transmitido em 23/12/2004, com cópia acostada à fls. 37. No recurso voluntário apresentado contra aquela decisão a interessada argumenta que, em verdade, teria efetuado não apenas um, mas vários recolhimentos indevidos de IRPJ ao longo dos anoscalendário 2002 e 2003, tendolhe restado, ao final de tais períodos, um crédito que estaria demonstrado na planilha apresentada à fl. 64, denominada “LEVANTAMENTO E COMPARATIVO DE DÉBITOS E PAGAMENTOS ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003”. Justifica que em função do preenchimento e envio de várias declarações – DIPJ, DCTF e PERDCOMP, certamente haveria erro de preenchimento especialmente nos PERDCOMP, o que teria dificultado o cruzamento dos dados referentes aos pagamentos e aos débitos. Assim, entende que poderia haver valores “disponíveis” nos sistemas internos da RFB, relativos a recolhimentos de IRPJ efetuados a maior ou indevidamente. Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 92 3 Observa que tentou retificar as DCTF e PERDCOMP mas foi impedida pelos próprios sistemas e tal pedido junto à DRJ em Belo Horizonte foi negado. Por tal motivo solicita que a questão seja analisada sob a ótica do princípio da verdade material, admitindose os pagamentos considerandose o conjunto de DARFs recolhidos relativamente aos anos calendário 2002 e 2003, assim como requer sejam analisados em conjunto os diversos processos que tratariam da mesma cobrança, a seguir indicados: 10680.901.475/200822 10680.902.378/200857 10680.918.732/200865 10680.918.733/200818 10680.900.985/200882 10680.902.290/200835 Ao final pugna pelo acolhimento de suas razões e a conseqüente homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O PERDCOMP transmitido eletronicamente encerra um pedido de restituição de crédito e um pedido de compensação de débitos com o crédito reclamado. Nele deve indicar, o interessado, o tipo e valor do direito creditório que julga possuir, assim como os débitos que pretende compensar com o crédito reivindicado. Para além de meras questões formais de preenchimento, o pedido de restituição eletrônico contém, necessariamente, a reivindicação de um direito, questão que deverá ser dirimida: a existência e a suficiência daquele direito creditório alegado pela parte interessada. No caso em apreço a recorrente formalizou, em 10/11/2003, o pedido de restituição/compensação eletrônico PERDCOMP de fls. 06 e 28/30, indicando o seu desejo de ver reconhecido o direito de reaver pagamento que alega ser indevido ou maior que o devido, de IRPJ relativo ao 2o. trimestre de 2002, efetuado em 31/07/2002, no valor de R$ 2.557,45, conforme demonstrou na página 2 do referido PERDCOMP (fl. 28, verso). Na página seguinte, de número 3 (fl. 29) a interessada descreveu as características do DARF utilizado no pagamento do IRPJ, cuja restituição reclama, no total recolhido de R$ 41.822,00. Na página 4 4 do PERDCOMP (fl. 29, verso) indicou o débito que pretendia saldar por via da compensação com o direito creditório pleiteado. Nestes termos, a interessada fixou os limites do seu pedido. Somente em 2008, com o indeferimento do pleito em 05/05/2008 ou seja, passados mais de quatro anos da transmissão do PERDCOMP, a recorrente teria se dado conta de que havia cometido erro no preenchimento do PERDCOMP ou erro no preenchimento da respectiva DCTF. O erro de fato residiria na indicação do DARF que teria originado o recolhimento indevido/maior que o devido, que passou a ser o DARF recolhido em R$ 5.728,62 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 07).Vejase, a propósito, o seguinte trecho extraído da manifestação de inconformidade: Diante do exposto, solicitamos que para quitação do débito apontado no DESPACHO DECISÓRIO objeto da presente impugnação, seja utilizado pela Receita Federal, o Darf conforme dados abaixo, que na época foi recolhido a maior pelo contribuinte, ficando portanto como crédito para futuras compensações, mas não informado nem nas PERDCOMP's nem no DCTF como composição do pagamento dos débitos correspondentes PA Vencimento Valor Principal Data Recolhimento 30.06.2002 31.07.2002 5.728,62 14.08.2002 Nova negativa do pleito pela DRJ em Belo Horizonte/MG, nova defesa da parte, agora no sentido de que não teria havido apenas erro de indicação de DARF de recolhimento no preenchimento do PERDCOMP analisado. Além do erro no preenchimento do PERDCOMP, do erro no recolhimento do IRPJ relativo ao 2o. trimestre de 2002, teria havido erro no recolhimento do IRPJ devido em todo o decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003, cujo indébito total estaria representado pela somatória dos recolhimentos em comparação com os valores declarados em DCTF, assim como haveria, ainda, erro no preenchimento de diversos PERDCOMP. Diante de nova negativa, desta vez proferida em decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada passou a afirmar, em sede de recurso voluntário, que teria efetuado diversos recolhimentos a maior de IRPJ relativamente aos anoscalendário 2002 e 2003, demonstrados na planilha apresentada à fl. 64. Além desses recolhimentos a maior, várias declarações, especialmente PERDCOMPs, também teriam sido transmitidas com erro de preenchimento. O que se pretende demonstrar neste voto é que, até este momento sequer a recorrente pode indicar, com exatidão, qual o alegado “erro de fato” no preenchimento do PERDCOMP. Aliás, não se pode concluir qual dos PERDCOMP foi preenchido com erro, se o que se analisa nos presentes autos ou aqueles que estão sendo analisados nos demais processos relacionados pela defesa no recurso voluntário. Analisandose o referido demonstrativo de fl. 64 verificase, por exemplo, que para quitar o IRPJ apurado no 1o. trimestre de 2002, a empresa efetuou diversos recolhimentos, em 2002, 2003 e até em novembro de 2004, ou seja, um ano depois da transmissão do PERDCOMP, em novembro de 2003. Com base nas afirmações da defesa e informações consignadas na referida planilha, na data de transmissão do PERDCOMP sequer havia certeza e liquidez do indébito pleiteado. Não se pode sequer afirmar a existência de tais necessários atributos – certeza e liquidez do indébito– no presente momento em que se aprecia o litígio E somente são passíveis de restituição, como direito creditório em declarações de compensação, créditos líquidos e certos do sujeito passivo, o que por si só bastaria para o indeferimento do pleito. Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 93 5 Aliás, nem a própria interessada afirma haver direito creditório a ser reconhecido a seu favor. Verifiquese, a propósito, o demonstrativo (fl. 64), denominado “LEVANTAMENTO E COMPARATIVO DE DÉBITOS E PAGAMENTOS ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003”. Na coluna “A” do demonstrativo, constam os valores declarados em DCTF de IRPJ sob os códigos 3373 e 2089, no decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003, que somam R$ 383.697,28, em ambos os anoscalendário. Na coluna “B” do demonstrativo constam os recolhimentos mediante DARF efetuados no decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003 de IRPJ sob os códigos 3373 e 2089, totalizando R$ 382.588,26. Na coluna “C” do demonstrativo consta um valor que teria sido compensado – “Créditos/Processos – de retificação de DCTF em 2002”, no valor de R$ 1.293,82. Ao final da planilha a defesa assim demonstra o resultado: Apuração (+) Total A – DEVIDOS........................... 383.697,28 () Total B – PAGAMENTOS ................. 382.588,26 () Total C – COMPENSAÇÕES ............ 1.293,82 (=) Total a Recolher ................................. (184,80) E faz as seguintes observações: Obs.: A) Como se observa houve pagamentos a maior do que o devido, mas que em função das compensações pode se referir aos juros Selic calculados entre a data do pagamento a maior e o da compensação. B) Para efeito desse cálculo foram consideradas as guias pelos seus valores principais, ou seja, campo 07 do DARF. Assim, como demonstrou a recorrente nos cálculos apresentados, se em algum momento foi apurado indébito tributário por recolhimento de IRPJ maior que o devido, este se deu à razão de R$ 184,80. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico que reconheceu à favor da contribuinte, o direito creditório no valor de R$ 802,50, já lhe concedeu valor maior do que o devido. Destarte, descabida a pretensão da recorrente de invocar erro de preenchimento de PERDCOMP e o pedido para sua retificação. O Artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, estabelece as regras para a restituição e a compensação de tributos. Nesse sentido a Lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, a única via admissível para a efetuar a compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, do artigo 74; e (b) informar os 6 créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º do mesmo dispositivo. Quando o PERDOMP foi transmitido, em 11/2003, estava em vigor a IN SRF 360/2003, que no artigo 6 º, assim dispunha: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.1 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.1, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º. Parágrafo único. Na hipótese de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação elaborado mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º, a retificação de que trata o caput será requerida pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF de pedido de retificação e de novo formulário, os quais serão juntados ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. A referida Instrução Normativa foi sucessivamente sendo substituída e atualmente se encontra em vigor a IN SRF n º 900, de 2008, que assim dispõe: Art. 76. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário em meio papel, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 94 7 preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Verificase, assim, que nas sucessivas alterações regulamentares, mantevese a autorização de retificação de PERDCOMP somente nos casos de inexatidão material e desde que pendente de decisão administrativa, o que não se verifica no presente processo conforme amplamente consignado nos parágrafos anteriores. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001004/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências, considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
IRRF. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. A compensação de imposto de renda na fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida se comprovada a efetiva retenção do imposto pelas fontes pagadoras dos rendimentos declarados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25/10/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências, considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. IRRF. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. A compensação de imposto de renda na fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida se comprovada a efetiva retenção do imposto pelas fontes pagadoras dos rendimentos declarados. Recurso negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10725.001004/2005-14
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177977
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2201-001.847
nome_arquivo_s : Decisao_10725001004200514.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10725001004200514_5177977.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4419123
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217991737344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.001004/200514 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.847 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ÉLIO FERREIRA ALVES Recorrida DRJBELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências, considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. IRRF. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. A compensação de imposto de renda na fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida se comprovada a efetiva retenção do imposto pelas fontes pagadoras dos rendimentos declarados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 10 04 /2 00 5- 14 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ÉLIO FERREIRA ALVES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELO HORIZONTE/MG (fls. 191) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 16/21, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 71.077/36, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 152.809,21. As infrações que ensejaram o lançamento estão assim descritas no auto de infração: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 55.865,49, da fonte CNPJ 21.562.962/000104, homologada pelo processo trabalhista RT 2056/88 da Primeira Vara do Trabalho de Campos, conforme Alvarás 1798/02, no valor de R$ 177.210,39, data de pagamento 06/12/02; 1802/02, no valor de R$ 123.789,32, data de pagamento de 06/12/02, e de acordo com ofício nº 1152/2005/AG. Campos da CEF que efetuou os pagamentos dos respectivos alvarás, outrossim, foram descontados dos rendimentos tributáveis os valores pagos a maior, em 06/12/02, do Aalvará 1802/02, referente aos 15% de honorários advocatícios, de acordo com a ata de audiência expedida pelo Dr. Marcelo Segal – Juiz do Trabalho, em 29/08/021, conforme comprovante da Agência 180 da CEF: no valor de R$ 32.914,96, debitado na conta 489.130/0, devolvidos à conta 0180.009.99942/7 da AG. 180 da CEF, em 11/02/2003. 2) Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, no valor de R$ 291,13, pagos pela fonte CNPJ 29.979.036/000140. 3) Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF) referente à fonte pagadora CNPJ 21.562.962/000104, no valor de R$ 72.104,21, correspondente aos processos trabalhistas RT 2056/88 da Primeira Vara do Trabalho de Campos, em relação aos valores recebidos pelos alvarás 1798/02 e 1802/02, cujos valores pagos por meio dos alvarás representam valores brutos, incluindo o imposto de renda devido pelo contribuinte, sem que houvesse comprovação no processo do recolhimento do imposto de renda, conforme ofício nº 1097/05, de 13/04/05, da Primeira Vara do Trabalho de Campos, do Dr. André Corrêa Gigueira, Juiz do Trabalho. O Contribuinte impugnou o lançamento e aduziu as razões de defesa assim resumidos no acórdão de primeira instância: a Lei Maior concede a todos, sem estabelecer restrições, o direito de petição em defesa de direitos ou contra ilegalidade, exercitável por meio de impugnações e recursos, os quais, em se tratando de processo administrativo fiscal, achamse previstos no Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 3 3 o contribuinte, não se conformando com o lançamento fiscal quer, de graça, reclamar por meio da impugnação, com fundamento no art. 5º, incisos XXXIV e LV da Constituição Federal, fazendo jus a uma decisão administrativa definitiva; tempestivamente, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual, tendo informado todos os rendimentos auferidos no anocalendário de 2002, assim não há que se falar em omissão de rendimentos; o contribuinte, na qualidade de um dos reclamantes na ação trabalhista, declarou os rendimentos provenientes desta ação exatamente como estão demonstrados na planilha “Atualização dos Créditos dos Autores relativos ao período de 07/94 a 07/01”constante dos autos; a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, foi elaborada tomando por base os valores extraídos da planilha homologada pela Justiça do Trabalho e que norteou a expedição dos alvarás de pagamento; o valor informado pelo contribuinte pode não coincidir exatamente com os valores dos alvarás por causa da variação dos juros e das TRs; os rendimentos foram percebidos acumuladamente pelo impugnante, desta forma o imposto retido na fonte incidirá no mês do recebimento sobre a totalidade, conforme legislação transcrita; a condição de responsável tributário pode ser atribuída à fonte pagadora, segundo prevê o parágrafo único do art. 45 do CTN; a fonte pagadora, portanto, e não o beneficiário da renda ou dos proventos, é que tem a obrigação de providenciar o pagamento, sujeitandose às sanções legais, caso não o faça; não cabe ao beneficiário dos rendimentos proceder nem a retenção e nem o recolhimento do imposto de renda retido na fonte; esta obrigação é de inteira responsabilidade da pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento dos rendimentos; todos os procedimentos pertinentes à retenção e à comprovação do recolhimento do imposto retido estão bem claros nos dispositivos da Instrução Normativa nº391, de 2004, sendo certo que não pode ser imputada nenhuma culpa ao beneficiário dos rendimentos; não existe norma anterior ou atual que exonere o responsável da retenção e recolhimento do imposto; ao contrário, no ano de 2005, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 491, de 2005, ratificando o entendimento anterior acerca da retenção e recolhimento do imposto pelo responsável tributário; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 nas decisões dos tribunais transcritas, não resta dúvida sobre o papel da fonte pagadora; quando da expedição dos alvarás, alguém da administração da 1ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes não teria procedido de acordo com as normas do imposto de renda que determinam que este seja retido na fonte no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário; provado esta nos autos que a reclamada depositou todos os valores, inclusive o imposto retido dos reclamados, não havendo, portanto, justificativa plausível para o não recolhimento do imposto de renda; o Sr. Marco Antônio Soares, técnico judiciário e secretário especializado calculista, apurou como valor da causa R$ 753.219,22, sendo R$ 203.750,63, referente ao imposto de renda, chegando ao crédito líquido de R$ 549.468,59; o citado senhor afirma de forma peremptória que no valor acima está incluído o imposto de renda e que “foi determinado à fl. 1602 o cálculo do valor devido a cada autor relativamente ao depósito do remanescente, o que foi feito a fl. 1605 (retificação de fl. 1603), porém de forma equivocada, uma vez que o referido depósito continha o valor relativo ao imposto de renda calculado pela ré à fl. 1545”; considerando que o depósito foi efetuado em TR, em relação à guia de fl. 1601, esclarece o Sr. Marco Antônio que são devidos proporcionalmente os valores de R$103.558,32, de R$ 58.599,58, de R$ 71.179,77, de R$ 61.280,59, de R$ 74.962,90 e de R$205.134,36 respectivamente ao Élio Ferreira Alves, ao Estanislau Michalsky Neto, ao Laerth da Cunha Brocado e ao Paulo Santos Araújo, a título de honorários e a título de imposto de renda retido na fonte; opina ainda o Sr. Marco Antônio que os valores devidos aos autores relativos à multa sejam atualizados para cobrir parte do imposto de renda; o advogado dos reclamantes incansavelmente alertou o juízo em várias petições sobre o imposto de renda; há fortes indícios de que não teria havido um bom entrosamento entre a Receita Federal de Campos dos Goytacazes e a 1ª Vara do Trabalho, porque não consta dos autos que a Delegacia da Receita Federal local tenha respondido à solicitação do Juízo constante no Ofício de fl. 1806, datado de 05/08/05, pelo qual o Juiz do Trabalho solicita “as providências cabíveis, no sentido de informar se os valores dos créditos dos autores e advogado devem ser retido por este Juízo a título de cota fiscal. Caso positivo, informe os valores discriminados de cada um deles”; o advogado dos reclamantes, em petição datada de 19 de setembro de 2005, requereu a “conversão do depósito de fls. 1744 dos autos da RT 2056/88 em renda da União para fins de quitação do imposto de renda retido na fonte, conforme consta às fls. 1750/1752 para os efeitos legais”; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 4 5 a penalização do autuado se deve a uma ação fiscal conturbada, superficialista, sem um aprofundamento maior nos trabalhos de auditoria fiscal que procederam a lavratura do processo; não houve empenho para descobrir se o dinheiro para pagar o imposto tinha sido depositado ou não pela reclamada; se o valor estava depositado na Caixa Econômica Federal, à disposição do Juízo, não havia motivo para a lavratura do Auto de Infração porque, se solicitado fosse, certamente o Juiz determinaria o repasse ou a conversão em renda a favor da União; a fiscalização optou por autuar, esquecendose que a imposição tributária confiscatória de que foi vítima o impugnante absorve quase a totalidade dos valores recebidos e já gastos, representando um verdadeiro confisco, o que é vedado pela Constituição Federal. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto suplementar para R$ 56.019,57, conforme detalhadamente descrito no voto condutor do acórdão recorrido, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJBELO HORIZONTE/MG ressaltou a natureza vinculada das atividades fiscalizadora e de julgamento administrativo, afastando a possibilidade de os agentes públicos incumbidos dessas tarefas deixarem de aplicar as leis aos casos concretos, seja com base em juízo subjetivo sobre a constitucionalidade destas, seja pela aplicação de jurisprudência administrativa ou judicial. A DRJBELO HORIZONTE/MG indeferiu o pedido de perícia, considerandoo não formulado, por não ter o mesmo atendido aos requisitos formais previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o contencioso administrativo em matéria tributária, e sobre o pedido de coleta de prova testemunhal, observou que não há previsão nas normas que regem o processo administrativo tributário deste tipo de prova, indeferindo também o pedido. Quanto ao mérito, sobre a imputação de omissão de rendimentos, a DRJ acolheu a alegação da defesa quanto ao pagamento de honorários advocatícios, subtraindo do total dos rendimentos omitidos R$ 43.054,81, comprovadamente pago a este título. Também subtraiu da base de cálculo o valor de R$ 1.700,82, recebido a título de 13º salário, e cuja tributação é exclusiva de fonte. Quanto à glosa do imposto de renda na fonte, contrariando o que foi sustentado pela defesa, a DRJ concluiu que nos autos “não há nenhum documento que comprove que a reclamada reteve dos reclamantes algum valor a título de imposto de renda.” E mais, observa que: A fonte pagadora, consoante documentos anexados aos autos, acordou com os reclamantes, registrando novamente, o pagamento do crédito no valor total de R$ 753.219,22, valor este que incluía o valor total de imposto a ser retido. No entanto, não Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 houve retenção do imposto, tendo o valor de imposto acordado também sido repassado aos reclamantes. Assim, concluiu a DRJ pela regularidade do lançamento quanto à glosa do valor declarado como imposto retido na fonte, de R$ 72.104,21. A decisão de primeira instância também reduziu o valor da multa aplicável, fazendo incidir a multa de ofício, de 75%, apenas sobre a diferença entre o imposto devido apurado após os ajustes e o imposto devido declarado pelo Contribuinte (R$ 385,28) e reduzindo para 20%, como multa de mora, sobre a diferença entre o imposto de renda retido na fonte apurado na autuação e mantido no voto e o valor declarado pelo contribuinte a este título (R$ 72.489,49). O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 31/08/2011 (fls. 208) e, em 30/09/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 209/218, que ora se examina, e no qual agúi a nulidade da decisão de primeira instância por não ter a autoridade julgadora apreciado pedido expresso por ela formulado para que fossem adotadas providência junto à 1ª Vara da Justiça do Trabalho com vistas à conversão do depósito em renda da União para fins de quitação do imposto, ferindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, o Recorrente embora concorde expressamente com a afirmação contida no voto condutor do acórdão recorrido de que “não há nos autos documentos que comprovem a retenção de valores a título de imposto de renda”, afirma, porém, que: da análise que se faz das peças do Processo Trabalhista nº 2056/88 anexadas à impugnação para formação de convicção do julgador, constatase que há a certeza da existência de valores de créditos do recorrente que poderiam ser retidos pelo juízo, a título de Imposto de Renda ou cota fiscal como referido em várias partes do processo. E diz que as providências solicitadas e que não foram adotadas pelo julgador esclareceriam tais pontos, “haja vista existir o depósito de valores que poderiam extinguir o crédito reclamado no todo ou em parte”. Nesse sentido, referese a documentos acostados aos autos às fls. 11, 40, 42 e 45 dos autos. O Contribuinte também se insurge contra a manutenção da exigência quanto à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente e, sobre este ponto, invoca a aplicação da jurisprudência do STJ submetida ao regime do efeito repetitivo. Por fim, formula pedido nos seguintes termos: 1) Que se acate as preliminares suscitadas no recurso, desconstituindose o crédito tributário dele decorrente; 2) Em qualquer caso, que sejam acatadas todas as alegações de defesa apresentadas, por todas as razões expostas, demonstradas e comprovadas, requer ainda, que seja declarado improcedente o lançamento contra o recorrente, reconstituindose sua declaração de rendimentos originalmente apresentada, sendo reconhecida e determinada a restituição do valor IRPF pago a maior indevidamente no valor original de R$ 16.469,92, devidamente corrigido na forma da legislação de regência. Relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. Afirma a Recorrente que a decisão de primeira instância deixou de apreciar pedido feito expressamente da impugnação. Compulsando os autos, todavia, não vislumbro a alegada omissão. Como relatado acima, a DRJ, expressamente, indeferiu os pedidos de perícia e de providências junto à Justiça do Trabalho e, portanto, não silenciou quanto a estes pedidos. O que se poderia discutir é se a DRJ, diante dos pedidos, poderia adotar tal posição. E sobre este ponto, o Decreto nº 70.235, de 1972, é bastante claro, vejamos: Art. 18. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(sublinhei) Portanto, compete à autoridade julgadora avaliar a necessidade e oportunidade da diligência ou da perícia e, no caso, a DRJ concluiu pela inépcia do pedido, com relação à perícia e a desnecessidade da diligência quanto à providência perante a Justiça do Trabalho. Não vislumbro, portanto, o alegado vício ou qualquer outro que pudesse ensejar a nulidade da decisão de primeira instância , razão pela qual rejeito a preliminar. Também não vislumbro vício no procedimento fiscal ou na decisão dele decorrente que comprometa sua higidez. E com relação às alegações quanto ao possível efeito confiscatório da exigência do imposto e/ou da penalidade, este tipo de afirmação, como ressaltado pela decisão de primeira instância, busca ferir a própria constitucionalidade das normas que determinam a exigência, e falece competência aos órgãos julgadores administrativos para examinar este tipo de matéria, conforme entendimento consagrado em súmula, a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, embora o Recorrente insista na ausência de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, é importante deixar registrado que a decisão de primeira instância afastou a quase totalidade desta, subtraindo do valor dos rendimentos apurados parcela correspondente a honorários advocatícios. Restou, portanto, como omissão de rendimentos apenas o valor residual de R$ 1.400,99, sendo que parte deste valor corresponde à classificação indevida de rendimentos isentos a contribuintes com mais de 65 anos (R$ 291,13). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Com relação a este ponto, portanto, a diferença que persiste decorre apenas de eventual erro de cálculo entre o valor efetivamente recebido e aquele informado na declaração e, quanto a esta diferença, nada foi dito no recurso. O Contribuinte, por outro lado, reivindica a aplicação, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, da nova jurisprudência do STJ segundo a qual, rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ações trabalhistas devem ser tributados segundo o regime de competência. Pelo art. 62A do CARF, nestes casos, o recurso deveria ser sobrestado até decisão definitiva da matéria pelo Poder Judiciário, pois se trata de matéria submetida ao regime do efeito repetitivo. Ocorre que, como ressaltado acima, afastouse a exigência com relação à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, restando apenas uma parcela residual que, além de ínfima, com relação ao valor total do processo, decorre de rendimentos recebidos a outro título. Não é o caso, portanto, de se sobrestar o processo. Quanto ao imposto de renda retido na fonte, como o próprio Contribuinte reconhece, não há prova nos autos de que tenha havido tal retenção, e caberia ao Contribuinte apresentar tais provas. Diferentemente do que sugere tanto na impugnação quanto no recurso, não cabe à Receita Federal imiscuirse nos processos trabalhistas para colher informações que são do interesse das partes. Cabe, sim, orientar as fontes pagadoras sobre a necessidade da retenção do imposto na fonte quando devida, e isto foi feito, conforme elementos carreados aos autos. Sobre a existência de créditos que poderiam, eventualmente, ser convertidos em renda da União e extinguir o crédito tributário ora exigido, que também não foram comprovados, o ônus da prova também era do Contribuinte. Assim, em conclusão, não vislumbro quanto a este ou aos outros aspectos acima analisados nada que pudesse modificar o quanto decidido em primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
