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Numero do processo: 16327.907564/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 56 4/ 20 12 -7 4 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.907564/201274 Resolução nº 3201001.355 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.907564/201274 Resolução nº 3201001.355 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.907564/201274 Resolução nº 3201001.355 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721698/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação ao plano de saúde grupal, já que o plano de saúde individual já foi concedido pela DRJ, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que conheceu integralmente do recurso. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL - COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação ao plano de saúde grupal, já que o plano de saúde individual já foi concedido pela DRJ, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que conheceu integralmente do recurso. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação ao plano de saúde grupal, já que o plano de saúde individual já foi concedido pela DRJ, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que conheceu integralmente do recurso. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 16 98 /2 01 2- 96 Fl. 180DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 02 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.349,90, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 09 a 52 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificada da exigência em 14/06/2012, fls. 08, a contribuinte apresentou, em 26/06/2012, impugnação acostada às fls. 09/10, por meio da qual alega, em suma: que possui dois planos de saúde com a Sul América; que um deles (A) é apólice individual adquirida em 1999, nº 09022/46559219, devidamente pago no ano de 2009, em um total de R$ 4.855,56, declarado sob número equivocado; que comprova o pagamento do plano (A) por meio de boletos; que o outro plano (B) é apólice em grupo contratada pela estipulante Fundação Armando Álvares Penteado, pago conforme declaração apresentada, R$ 4.295,36; que os valores não reembolsados, conforme tabela em anexo, são de R$ 212,05; que a operadora não prestou as informações de forma correta; que concorda com a glosa da despesa do Laboratório Oswaldo Cruz. Deixa consignado que junta documentos comprobatórios. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 11/11/2014, no acórdão 03064.593 às efls. 150 a 154, julgou a impugnação parcialmente procedente. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.721698/201296 Acórdão n.º 2002000.644 S2C0T2 Fl. 181 3 Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 161 a 175, alegando, em síntese: · solicitou declaração à Fundação Armando Álvares Penteado, constante no processo, às efls. 45, que, por ser documento particular firmado entre a instituição e o plano de saúde contratado e, por ser professora da Fundação, não tem acesso aos documentos; · junta cópia das carteirinhas utilizadas por ela; · anexa documentos da Sul América, da qual é beneficiária de seguro saúde, sendo que uma parte é reembolsável (valor de R$4.389,42), pois plano individual; informa que lançou erroneamente na declaração o valor de R$4.885,56, devendo ser glosada a diferença de R$466,14, pois equivocouse no preenchimento; Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/12/2014, efls. 161, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/12/2014, efls. 64, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Sul América Seguro Saúde R$4.855,56; · Laboratório Oswaldo Cruz R$90,00; · Sul América Seguro Saúde R$4.295,36; Em sede de impugnação não fora contestada a glosa da despesa com o Laboratório supracitado, que é impugnado em sede de Recurso Voluntário, mas que resta preclusa, conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. A DRJ afastou parcialmente uma das glosas referentes ao seguro saúde Sul América, mantendo a outra, sob os seguintes fundamentos: Fl. 182DF CARF MF 4 Apólice individual nº 09002/465592190 De acordo com a informação prestada pela Sul América, fls. 125, em relação à apólice individual (nº 09002/465592190), Débora seria a única beneficiária e teria pagado ao plano, em relação ao anocalendário 2009, R$ 4.389,42, conforme demonstrativo fls. 127. A contribuinte apresenta os boletos de pagamento, por meio dos quais confirmase que ela é a única beneficiária do plano, fls. 24 a 44. Em relação ao reembolso, verificouse que não se aplica ao presente caso, com base nos fls. 101/103 e 128/131 (parte da apólice individual e parte da grupal), pois se trata de reembolso de consultas médicas e exames, que não podem ser descontados dos valores pagos ao plano a título das mensalidades. Além disso, verificouse que parte dos serviços reembolsados que constam desses documentos são relativos ao anocalendário anterior. Logo, Débora faz jus à despesa médica no valor de R$ 4.389,42. Porém, como a fiscalização já havia reconhecido R$ 422,52, deve ser restabelecida a despesa médica no valor de R$ 3.966,90. Apólice Grupal nº 75855/00067199 Em relação ao seguro grupal, contratado pela estipulante Fund. Armando Álvares Penteado, vigente em 2008, o plano informou que não dispõe dos valores efetivamente recebidos a título de seguro saúde, no período solicitado, tendo em vista que o estipulante é quem cobra individualmente daqueles com quem tem vínculo concreto ou empregatício. A impugnante apresenta a Declaração de fls. 45, por meio da qual a Fundação Armando Álvares Penteado admite ter recebido da contribuinte, a título de seguro saúde Sul América, o total de R$ 4.295,36, ano base 2009. A interessada também junta os comprovantes de depósito realizados por ela para a Fundação. (Das planilhas de reembolso apresentadas pelo Plano de Saúde, as de fls. 129 a 131 referemse à apólice grupal) Acontece que em momento algum foram informados os participantes desse plano e a interessada havia sido intimada, conforme Termo de fls. 64, a informar as despesas médicas com plano de saúde discriminadas por beneficiário. Dessa forma, como não consta o valor da despesa discriminada por beneficiário, deve ser mantida a glosa no valor de R$ 4.295,36. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.721698/201296 Acórdão n.º 2002000.644 S2C0T2 Fl. 182 5 imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 184DF CARF MF 6 O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13884.721698/201296 Acórdão n.º 2002000.644 S2C0T2 Fl. 183 7 Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 186DF CARF MF 8 Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Em seu Recurso a contribuinte faz confusão entre os planos e modalidades. Como mencionado, em relação ao plano de saúde individual de número Apólice individual nº 09002/465592190, a glosa já fora afastada pela DRJ, nos termos em que solicita a contribuinte em seu Recurso Voluntário, posto sequer conheço do recurso neste ponto. Quanto ao plano de saúde em regime de coparticipação, não há qualquer vedação legal quanto a vedação de sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda a pagar. Às efls. 168, há declaração da instituição de ensino da qual a contribuinte faz parte do corpo docente confirmando o sigilo das informações mantidas contratualmente com a seguradora Sul América e que a contribuinte de fato arcou com os valores do seguro, sendo a única beneficiária do plano, no importe de R$4.295,36. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13884.721698/201296 Acórdão n.º 2002000.644 S2C0T2 Fl. 184 9 Ainda, as efls. 169 e seguintes corroboram com as alegações da contribuinte. Feitas estas considerações, conheço parcialmente do presente Recurso Voluntário, apenas quanto a glosa das despesas médias no valor de R$4.295,36 para, no mérito, darlhe provimento, afastando a glosa da despesas com o plano de saúde. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 15954.000267/2008-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO.
Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-000.947
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.126,63.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.126,63. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 02 67 /2 00 8- 61 Fl. 119DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.055, exarado em 31 de outubro de 2017, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE. Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração, que teve o recurso admitido em 14 de março de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com a seguinte expressão conclusiva: Logo, se a decisão embargada concluiu pela reforma da decisão a quo, deveria ter especificado quais despesas seriam passíveis de dedução, com a devida justificativa, porém, não o fez, restando, pois, procedente a obscuridade apontada pela Embargante. Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento para apreciação da obscuridade apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de obscuridade apontada nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.947 S2C0T1 Fl. 120 3 Da leitura do votocondutor do acórdão, verificase que o i. Relator deu provimento parcial ao recurso “para manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente”. Tal decisão, data máxima vênia, se mostra eivada do vício da obscuridade, uma vez que não se sabe e não se especificou quais foram as glosas mantidas ou não, e quais foram as despesas deduzidas indevidamente. Com efeito, o único documento comprobatório que o contribuinte trouxe aos autos para fins legitimar as despesas deduzidas já foi considerado pela DRJ e a glosa referente a tais valores já foi afastada. Não há nos autos nenhum outro recibo, nota fiscal, comprovante, e/ou declaração a ser considerado/analisado. O contribuinte não trouxe aos atos qualquer documento capaz de infirmar as glosas que justificaram o presente lançamento. Diante da inexistência de qualquer documento comprobatório, não se vislumbra qual teria sido a despesa médica que foi considerada como dedutível pelo e. colegiado, a fim de ensejar o provimento parcial do recurso voluntário. A obscuridade do julgado se evidencia, na medida em que o contribuinte não comprovou qualquer despesa, daí porque nenhuma delas poderia ser acolhida, conforme o próprio raciocínio adotado pelo decisium. E não se está aqui falando de valoração probatória, mas sim da inexistência de qualquer prova. Não há o que ser valorado! Reiterese que o único comprovante apresentado pelo contribuinte já foi considerado pela DRJ e a correspondente glosa já foi devidamente afastada. Com isso, salvo melhor juízo, o resultado do julgamento deveria ter sido o de negar provimento ao recurso voluntário e não o de dar provimento parcial, como restou consignado no r. voto condutor do julgado. Afinal, se o resultado do julgamento foi o de “manter a glosa das deduções que foram indevidas (considerando a inexistência de documentos apresentados pelo contribuinte), o lógico seria concluir que todas as glosas deveriam ter sido mantidas. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho – Relator A obscuridade na decisão do Acórdão embargado restou constatada, contudo, os recibos foram apresentados pelo Contribuinte à fiscalização no nascedouro da ação fiscal, Fl. 121DF CARF MF 4 como relatado pelo próprio Agente Autuante, conforme descrito no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, no Lançamento, constante da fl. 28, 29 e 30 dos autos, constando, em resumo, o que segue: Glosa do valor de R$ 120,00, indevidamente deduzido a título de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. 1 – Lauro Mattar Jr. Valor: R$ 220,43 – glosado – não apresentou o correspondente recibo. 2 – É de se glosar o valor de R$ 21.868,60, referente ao Plano de Saúde Sul América Seguro Saúde, tendo em vista que o contribuinte, apesar da solicitação de prorrogação de prazo, não comprovou o montante referente a cada beneficiário e no Plano encontramse incluídas duas beneficiárias não dependentes. Do procedimento de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF 2007/2006 do contribuinte acima identificado, resultou o presente lançamento de ofício, tendo em vista a redução da base de cálculo em virtude de dedução indevida de despesas médicas, no total de R$ 22.089,03 e de dedução de incentivo – R$ 120,00. Por sua vez, a decisão da DRJ manteve a glosa do incentivo deduzido indevidamente no valor de R$ 120,00, assim como manteve a glosa da despesa de R$ 220,43 em razão da falta de elemento probante. Em relação ao Plano de Saúde Sul América Seguro Saúde a decisão da DRJ contemplou em parte o pleito do Impugnante ao recepcionar documento que individualiza os valores pagos referentes a cada beneficiário que permitiu identificar o que correspondeu ao Contribuinte no valor R$ 11.155,85. O contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 37/38, obtido junto à empresa Sul América (fls. 35) e que individualiza os valores pagos, possibilitando apurar ser o total de R$ 11.155,85 referente ao impugnante e a cuja dedução tem direito. Por evidente, com base na legislação vigente considerase dedutível a despesa médica incorrida com o próprio contribuinte e seus dependentes, sendo que no caso registrase a inexistência de dependentes para efeitos fiscais, permitida, portanto, a dedução de despesa restrita ao Recorrente, relativo ao Plano de Saúde ao qual é beneficiário. Na verdade os termos conclusivos do Acórdão nº 2001.000.055 remete para o provimento parcial das despesas do Plano de Saúde no valor de R$ 11.155,85, que o Contribuinte logrou êxito em comprovar individualizadamente por beneficiário, caso em que foi considerada somente a sua despesa pessoal. Da mesma forma a decisão do Colegiado manteve a glosa do valor de R$ 220,43, por não apresentação de documentação comprobatória da despesa, bem como a manutenção da glosa no valor de R$ 120,00 por dedução indevida a título de incentivo. Neste sentido a decisão do Acórdão nº 2001.000.055 coincide com os termos do julgamento da DRJ, razão pela qual a conclusão do voto é de negar provimento tendo em vista que o que foi aceito em termos de exclusão parcial da glosa já está contemplado na decisão de primeiro grau de julgamento administrativo. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.947 S2C0T1 Fl. 121 5 Assim que, esclarecida a ocorrência de obscuridade apontada nos Embargos, retificase os termos da decisão do Acórdão nº 2001000.055, para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.126,63 e acréscimos legais, nos termos da decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, promovendo o saneamento da obscuridade apontada na decisão do Acórdão nº 2001.000.055, para manter o crédito tributário no valor de R$ 3.126,63, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000392/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONSUMO DA RENDA. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A consequência da não comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados nas contas-correntes do contribuinte autuado é o próprio lançamento da infração acerca da omissão de rendimentos, com a consequente imposição da multa de ofício, conforme o caso, não podendo ensejar a majoração da multa de ofício em 50%, nos termos do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996.
No caso dos autos, a não comprovação da origem já resultou no lançamento da omissão de rendimentos, não podendo motivar, também, o agravamento da multa, o que impõe o seu restabelecimento ao percentual de 75%.
MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-005.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a agravante e a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Miriam Denise Xavier (relatora), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking, que davam provimento parcial em menor extensão ao recurso voluntário para excluir apenas a qualificadora da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONSUMO DA RENDA. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A consequência da não comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados nas contas-correntes do contribuinte autuado é o próprio lançamento da infração acerca da omissão de rendimentos, com a consequente imposição da multa de ofício, conforme o caso, não podendo ensejar a majoração da multa de ofício em 50%, nos termos do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996. No caso dos autos, a não comprovação da origem já resultou no lançamento da omissão de rendimentos, não podendo motivar, também, o agravamento da multa, o que impõe o seu restabelecimento ao percentual de 75%. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente CLÁUDIA ROSALES RIVERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONSUMO DA RENDA. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A consequência da não comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados nas contascorrentes do contribuinte autuado é o próprio lançamento da infração acerca da omissão de rendimentos, com a consequente imposição da multa de ofício, conforme o caso, não podendo ensejar a majoração da multa de ofício em 50%, nos termos do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996. No caso dos autos, a não comprovação da origem já resultou no lançamento da omissão de rendimentos, não podendo motivar, também, o agravamento da multa, o que impõe o seu restabelecimento ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 03 92 /2 00 8- 15 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 225 2 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a agravante e a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Miriam Denise Xavier (relatora), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking, que davam provimento parcial em menor extensão ao recurso voluntário para excluir apenas a qualificadora da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 2/8, anocalendário 2003, que apurou imposto suplementar de R$ 94.298,31, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada e agravada, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do Relatório de Descrição dos Fatos (fls. 11/28) que: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 226 3 · Foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF para o Banco Bradesco. · Foi atribuída à fiscalizada 50% do valor dos depósitos, já que a conta corrente (única) é conjunta com seu cônjuge (informação à fl. 42). · A multa foi aplicada qualificada e agravada, dado que a fiscalizada não atendeu aos itens 1, 2 e 3 do Termo 082/08, apesar de ter sido atendida sua solicitação de dilação de prazo e por não ter prestado os esclarecimentos exigidos. A multa de ofício deve ser qualificada em caso de evidente intuito de fraude. · Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, pois foi apurado na ação fiscal movimentação financeira sem comprovação da sua origem de montante elevadíssimo: movimentação bancária R$ 346.857,19, rendimentos tributáveis declarados R$ 20.600,00, índice de 16,84. Em impugnação apresentada às fls. 132/173, a contribuinte alega ofensa à legalidade e ao sigilo bancário e o agravamento da multa. A DRJ/SPII, julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão 1728.919 de fls. 176/191, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendario: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Presentes no Auto de Infração os requisitos estabelecidos no artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, não respalda a alegação de nulidade por vicio formal. É legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal. vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente na residência ou estabelecimento do contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. Nos termos do artigo I97, inciso II do CTN e Lei Complementar n.° 105/200l, havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação por parte das instituições financeiras de informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil é legítima, não constituindo tal fato quebra de sigilo bancário do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de l997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 227 4 mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco. correta a aplicação da multa no percentual de l50%, bem como seu agravamento para 225% pelo fato de não ter a empresa atendido às intimações fiscais. Artigo 44 da Lei n° 9.430/96. e.c. artigos 7l a 73 da Lei n° 4.502/64. BIS IN IDEM. Só há de se cogitar da ocorrência de bis in idem quando a mesma conduta é passível de enquadramento em dois dispositivos distintos. Não ocorre quando há mera coincidência da base utilizada para o cálculo das multas aplicáveis, sendo distintas as condutas. lnteligência do artigo 70 do Código Penal. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 12/12/08 (Aviso de Recebimento AR de fl. 196), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/1/09, fls. 200/216, que contém, em síntese: Afirma que apesar da movimentação financeira, não houve comprovação de sinais exteriores de riqueza, nem indícios que os valores movimentados foram utilizados em benefício da recorrente ou de seus familiares. Diz que as receitas foram auferidas pela pessoa jurídica, que apenas circularam pela conta corrente da requerente, e não se revestem do conceito de renda ou rendimento. Alega afronta aos artigos 43, 112 e 142 do CTN, por erro na identificação do sujeito passivo. Diz que a Lei 9.430/96 não pode estabelecer critérios para o lançamento de obrigações, não afastando o dever da autoridade administrativa de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. Cita decisões do antigo Conselho de Contribuintes e doutrina. Aduz ser ilegal o agravamento da multa pois não se pode atribuir à recorrente ação dolosa com base em presunção legal. Cita a Súmula nº 14 do Conselho de Contribuintes, decisões do antigo Conselho e doutrina. Requer seja reconhecida a ilegalidade do lançamento tributário e a redução da multa punitiva ante a ausência do intuito de fraudar. É o relatório. Voto Vencido Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 228 5 Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Não há como serem acolhidos os argumentos da recorrente de que não há sinais exteriores de riqueza, benefício da recorrente ou familiares, que os valores são de pessoa jurídica ou que não são renda. A legislação tributária define o fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art.43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Diante da situação fática que se apresenta, nos termos do CTN, art. 142, a autoridade administrativa, apurou o crédito tributário, conforme determina a Lei 9.430/96, art. 42: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 229 6 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada à falta de comprovação dos recursos. Permitiuse que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o sujeito passivo não comprovasse os créditos efetuados em sua conta bancária. Desta forma, presumese o rendimento quando o titular da conta não comprova, individualmente, a origem dos créditos efetuados, caracterizando o fato gerador e, consequentemente, sobre tais rendimentos deve incidir o imposto sobre a renda. No caso, a contribuinte apenas afirma que os rendimentos são da pessoa jurídica sem apresentar qualquer elemento para comprovar o alegado, capaz de desconstituir o lançamento. A simples discordância dos fatos não pode ser considerada para afastar o lançamento. A discordância desprovida da indicação dos motivos de fato (devidamente comprovados) ou de direito em que se fundamenta a irresignação é entendida como negativa geral, o que não configura impugnação ou recurso. Quanto ao benefício próprio ou de familiares, a Súmula CARF nº 26, assim dispõe: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o imposto devido com base na presunção legal estabelecida na Lei 9.430/96, art. 42. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA A Lei 9.430/96, art. 44, dispõe que: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 230 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2odesta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; [...] Diante do não atendimento das intimações e apresentação dos extratos bancários solicitados, sendo necessário e emissão das requisições de movimentação financeira, a multa foi corretamente agravada em 50%, nos termos da Lei 9.430/96, art. 44, § 2º. Contudo, no que se refere à circunstância qualificadora, a Súmula CARF nº 14, assim dispõe: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No caso, o único argumento apresentado para a duplicação da multa de ofício foi a contribuinte não ter prestado os esclarecimentos exigidos. Tal fato autoriza o agravamento da multa, mas não sua qualificação. Logo, o percentual da multa de ofício aplicada deve ser reduzido para 112,5%, excluindose a qualificadora e mantendose o agravamento de 50%. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 231 8 DOUTRINA, JURISPRUDÊNCIA E DECISÕES ADMINISTRATIVAS Em que pese o respeito aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados no recurso, eles não têm o condão de vincular este órgão julgador. O CTN, art. 100, II, dispõe que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; [...] Assim, quanto às decisões judiciais e administrativas citadas no recurso, elas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo o percentual para 112,5%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Voto Vencedor Conselheiro Matheus Soares Leite – Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, na hipótese vertente, no tocante à majoração da multa de ofício em 50%, nos termos do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996, o que será feito a seguir. Conforme relatado, tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 2/8, anocalendário 2003, que apurou imposto suplementar de R$ 94.298,31, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada e agravada, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A justificativa para a majoração da multa de ofício em 50%, encontrase disposta da seguinte forma, conforme Relatório de Descrição dos Fatos (fls. 11/28): Fl. 231DF CARF MF Processo nº 18088.000392/200815 Acórdão n.º 2401005.931 S2C4T1 Fl. 232 9 Efetuamos o lançamento para cobrança do IRPF com a qualificação da multa de 75% (inc. I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96) para 150% prevista no par. 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 cumulativamente com agravamento em 50%, dado que a fiscalizada infringiu o disposto no art. 44 par. 2° da Lei 9.430/96 por não atender aos itens 1, 2 e 3 do Termo n° 082/08 (fls. 29 a 30) apesar de termos atendido à sua solicitação de dilação de prazo (fl. 35), e por não ter prestado os esclarecimentos exigidos no Termo n° 108/08 as fls. 111 a 117. Pois bem. A consequência da não comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados nas contascorrentes do contribuinte autuado é o próprio lançamento da infração acerca da omissão de rendimentos, com a consequente imposição da multa de ofício, conforme o caso, não podendo ensejar a majoração da multa de ofício em 50%, nos termos do inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996. No caso dos autos, a não comprovação da origem já resultou no lançamento da omissão de rendimentos, não podendo motivar, também, o agravamento da multa, o que impõe o seu restabelecimento ao percentual de 75%. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a agravante e a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900288/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.902024/2009-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13609.902024/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 00 28 8/ 20 09 -6 3 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13609.900288/200963 Resolução nº 1201000.613 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório referente a PER/DCOMP. 2. A declaração de compensação é relativa ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ arrecadado em 29/10/2004, que soma o montante de R$ 188.386,80(valor principal somado aos juros). 3. No despacho decisório constatouse, a partir dos DARF discriminados no PER/DCOMP, que foram identificados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no referido PER/DCOMP, e que, portanto, não havia direito de crédito. 4. A contribuinte, devidamente intimada do despacho, apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que (i) o sistema não aceitou o envio de PER/DCOMP retificadora em razão da declaração de compensação (que se pretendia corrigir) já ter sido objeto de decisão administrativa; e (ii) não recebeu intimação da Receita Federal do Brasil oferecendo a oportunidade de retificar a declaração de compensação. Por fim, requer que o débito fiscal reclamado seja cancelado. 5. Em sessão de 30 de novembro de 2011, a 3ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 6. A DRJ/BHE julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob os seguintes fundamentos: 6.1. A legislação regente não prevê nenhuma hipótese em que a autoridade administrativa deve oferecer ao sujeito passivo oportunidade de retificar pedido de compensação antes de proferir decisão de não homologação. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13609.900288/200963 Resolução nº 1201000.613 S1C2T1 Fl. 4 3 6.2. O crédito carece de liquidez, pois não há crédito nenhum passível de utilização na DCOMP de acordo com a DIPJ apresentada. No mais, não foi apresentada documentação capaz de comprovar erro no preenchimento das declarações da contribuinte. 7. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e, para comprovar a liquidez do crédito, juntou aos autos a retificação da DIPJ de exercícios anteriores demonstrando o tributo devido, pago a maior e o crédito dele resultante. Assim sendo, requer que o crédito em discussão seja devidamente homologado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.612, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13609.902024/2009 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.612): "8. O Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 9. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 10. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, que o direito creditório não merece ser reconhecido. 11. Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 12. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13609.900288/200963 Resolução nº 1201000.613 S1C2T1 Fl. 5 4 13. No mais, assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras/ignoradas, que o direito creditório não deve ser reconhecido. 16. No mais, o deferimento da diligência, visa garantir ao direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 17. De acordo com o Prof. Doutor Humberto Ávila1 "para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 18. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. 19. No mais, outro aspecto relevante diz respeito à necessária aplicação do artigo 29, da Lei nº 9.784/992, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13609.900288/200963 Resolução nº 1201000.613 S1C2T1 Fl. 6 5 20. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer alguns ponderações em concreto. 21. A r. DRJ, quando da análise do crédito, constatou que: (i) na DCTF original, do 1º trimestre de 2004, entregue em 14/05/2004 (atualmente ativa), não foi indicado débito algum de IRPJ; (ii) na DCTF original, do 2º trimestre de 2004, entregue em 13/08/2004 (atualmente cancelada), indicouse débito de IRPJ relativo ao período de apuração do 1º trimestre de 2004 no valor de R$ 77.954,30, pago em 3 quotas; (iii) na DCTF retificadora, do 2º trimestre de 2004, entregue em 27/12/2006 (atualmente cancelada, mas ativa quando da emissão do despacho decisório), reduziuse o valor do débito para R$ 18.006,80, agora pago em apenas 2 quotas; e (iv) na DCTF retificadora, do 2º trimestre de 2004, entregue em 09/07/2009 (atualmente ativa), mantiveramse o valor do débito e número de quotas, mas se alteraram as vinculações efetuadas. 22. Ocorre que, segundo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ original entregue em 25/06/2005 (atualmente ativa), relativamente ao período de apuração do 1º trimestre de 2004, apurouse o valor de R$ 77.954,30 a título de imposto de renda a pagar. Com efeito, a autoridade julgadora não haver crédito algum passível de utilização na DCOMP em questão. 23. De outra parte, a Recorrente apresentou a retificação da DIPJ para demonstrar que o valores de IRPJ apurados trimestralmente no anocalendário de 2004 foram refletidos nas DCTFs Retificadoras. 24. Em face do exposto, proponho CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora: (i) Providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2005, anocalendário de 2004 (original e retificadora) e demais períodos relacionados; (ii) Verifique e junte as DCTFs (originais e retificadoras), efetuando a apuração de eventual crédito, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) Se for o caso, coteje eventual crédito com as DCOMPs apresentadas, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência desse, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iv) Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos hábeis a melhor elucidar a origem do direito creditório, inclusive para fins de demonstrar a ocorrência de eventual prejuízo no período. 25. Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 26. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13609.900288/200963 Resolução nº 1201000.613 S1C2T1 Fl. 7 6 ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720232/2015-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
SUJEIÇÃO PASSIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão que afasta a preclusão/perempção reconhecida pela DRJ, mas, ao final, mesmo julgando os argumentos dispendidos, mantém a imputação da responsabilidade tributária dos devedores solidários, especialmente quando a decisão de primeira instância reconhece (mesmo de forma genérica) a existência de defesa dos responsáveis em relação ao tema.
Numero da decisão: 9101-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia De Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 SUJEIÇÃO PASSIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão que afasta a preclusão/perempção reconhecida pela DRJ, mas, ao final, mesmo julgando os argumentos dispendidos, mantém a imputação da responsabilidade tributária dos devedores solidários, especialmente quando a decisão de primeira instância reconhece (mesmo de forma genérica) a existência de defesa dos responsáveis em relação ao tema.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia De Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão que afasta a preclusão/perempção reconhecida pela DRJ, mas, ao final, mesmo julgando os argumentos dispendidos, mantém a imputação da responsabilidade tributária dos devedores solidários, especialmente quando a decisão de primeira instância reconhece (mesmo de forma genérica) a existência de defesa dos responsáveis em relação ao tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cristiane Silva Costa e Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 32 /2 01 5- 97 Fl. 2980DF CARF MF 2 convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia De Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 9101003.967 CSRFT1 Fl. 2.981 3 Relatório Tratase de processo administrativo consubstanciado na lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (efls. 1.597 a 1.537), referentes aos anoscalendário 2011 a 2013, por suposta omissão de receita depósitos bancários de origem não comprovada, juntamente com multa qualificada e agravada (225%). Ainda foram autuadas por responsabilidade solidária as seguintes pessoas: ROBERTO RESTUM, CPF – 043.261.15840; ADRIANA RESTUM, CPF – 120.853.19807; SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ – 02.067.055/000144; PORT COMPANY PART. E EMPR. LTDA. – ME, CNPJ – 10.528.300/000100. O TVF encontrase às efolhas 1.540 a 1.796 e seus anexos estão às efolhas 1.797 a 2.007. Ao final da efolha 1.551, temse a conclusão da ação fiscal, que resolveu pelo arbitramento do lucro para o IRPJ e a CSLL, e apurou o PIS e as COFINS, pelo regime cumulativo. Como não houve resposta pelo contribuinte quanto as intimações para apresentar a documentação comprobatória da origem e natureza dos créditos bancários registrados nas contas correntes da empresa extinta, a fiscalização entendeu pela incidência do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, ou seja, entendeu estar caracterizada a omissão de receitas. Ainda foram imputadas as multas qualificada e agrava porque se constatou a utilização reiterada e irregular de conta corrente da empresa para acobertar transações de valores expressivos de todo o Grupo Restum, enquanto que as declarações apresentavam valores irrisórios (multa qualificada) e, também, porque os autuados não apresentaram resposta e/ou não prestaram esclarecimentos quando solicitados pela fiscalização (multa agravada). Por fim, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, além de ser processado o arrolamento de bens e direitos. Diante de tal autuação, conjuntamente, os autuados apresentaram Impugnação (efls 2.536 a 2.571), que foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/BHE, sob o acórdão nº 0268.530 (efls. 2.592 a 2.625), em 23 de maio de 2016. Vejase a ementa e acórdão de tal decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. PRECLUSÃO. Tratandose de impugnação genérica que não atende aos requisitos legais (processuais), por não apontar os motivos de fato e de direito sobre os quais recaem a discordância dos acusados, considerase matéria preclusa, não podendo mais ser questionada. Considerarseá não impugnada a matéria cuja defesa apresentada não que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRELIMINAR DE NULIDADE. Fl. 2982DF CARF MF 4 Há de se rejeitar a preliminar de nulidade invocada por identidade de objeto do lançamento em relação a outro, quando não subsiste tal argumento. QUEBRA SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional. Mais ainda, não há falar em quebra do sigilo bancário, quando a movimentação financeira da empresa fiscalizada foi obtida mediante ordem judicial expressa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS. Caracterizamse também omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal do IRPJ, repercute também na CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. O valor da receita omitida será considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da COFINS e do PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. É cabível, ao mesmo tempo, qualificar e agravar a multa de ofício, no percentual total de 225%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos; e, devidamente intimado, não prestou esclarecimentos, no prazo marcado. JUROS DE MORA. Sobre todos os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Conforme expressa previsão legal, incidem juros de mora sobre todos os débitos tributários de competência da União relativos aos impostos, contribuições e multas, calculados pela Taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 9101003.967 CSRFT1 Fl. 2.982 5 Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, para tornar matéria preclusa a imputação de responsabilidade tributária, indeferir a preliminar de nulidade e, no mérito, manter integralmente o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram do julgamento, além do relator/presidente, os Julgadores Gilmar de Souza, Leonardo Costa Carvalho, Ednaldo Ferreira Alves e Karla Regina Souza. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário, apenas quanto ao mérito da autuação, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Salientese que deve ser dada ciência desse Acórdão tanto ao sujeito passivo acima identificado como aos demais responsáveis solidários, devidamente qualificados no Auto de Infração. Ressaltese, ainda, por falta de contestação nos termos da legislação do processo administrativo fiscal, está preclusa a imputação de responsabilidade tributária. Matéria essa não mais passível de discussão administrativamente. Encaminhese à DRF de jurisdição do Contribuinte, para as demais providências cabíveis. Diante da improcedência da impugnação, os autuados interpuseram Recurso Voluntário (efls. 2.701 a 2.730), que também teve seu provimento negado, conforme o acórdão nº 1402002.600, de 20 de junho de 2017 (efl 2.767 a 2.815). Acompanhese a ementa e acórdão de tal decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Consideramse definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração a afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. CABIMENTO Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindose completamente em relação às Fl. 2984DF CARF MF 6 informações que deveria prestar, cabe o agravamento da multa de ofício lançada, aumentandoa em 50,00%, no caso elevandoa de 150,00% para 225%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, quando presentes os pressupostos legais dos artigos 124 e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computandose as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONSEQUÊNCIAS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados Roberto Restum e Adriana Restum; e: ii) não conhecer, por perempção, dos recursos voluntários dos coobrigados Sun Bloom Participações Ltda. e Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. ME, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei acompanharam pelas conclusões. Na sequência, Adriana e Roberto Restum opuseram Embargos de Declaração (efls. 2.849 a 2.856) alegando contradição no acórdão nº 1402002.6000 porque a decisão reconheceu que DRJ/BH jamais poderia ter deixado de apreciar os argumentos apresentados pelos embargantes contra a imputação de responsabilidade tributária, porém, no que pese ter reconhecido o flagrante cerceamento de defesa, em ato contraditório, não determinou o retorno dos autos à DRJ para o enfrentamento da matéria. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 9101003.967 CSRFT1 Fl. 2.983 7 O despacho de exame de admissibilidade de embargos declaratórios (efls. 2.945 a 2.948) entendeu que a situação apresentada pelos embargantes tratavase na realidade de error in judicando, motivo pelo qual os embargos não foram acolhidos. Ato contínuo, os responsáveis tributários, Adriana e Roberto Restum interpuseram, conjuntamente, Recurso Especial (efls. 2.865 a 2.878 “Documentos Diversos – Outros”) sobre duas matérias: A nulidade de decisão que não enfrenta todas as matérias trazidas na impugnação Paradigma 1 – Acórdão nº 2301005.164 Processo nº 10410.721330/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.164 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE AGROINDÚSTRIA Recorrente PARAPUÃ AGROINDUSTRIAL S/A EM RECUPERAÇÃO INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 31/10/2009, 31/12/2009 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Paradigma 2 – Acórdão nº 1802002.010 Processo nº 10215.720001/200878 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.010 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente S M LAMINADOS DE MADEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Fl. 2986DF CARF MF 8 Nos termos do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 – PAF, incorre em nulidade, por cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria expressamente impugnada pelo Contribuinte. Afastamento da multa qualificada Paradigma 3 – Acórdão nº 101130507 Processo nº 10120.0043811/200182 Recurso nº Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente PIMENTEL PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Sessão de 10 de agosto de 2005 Acórdão CSRF/0105.054 IRPJ – LUCRO ARBITRADO – BASE DE CÁLCULO – O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto é o que está definido no art. 31 da Lei 8.981/1995. MULTA AGRAVADA DE 150% LEI 9430/96, ART. 44, II – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO – A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. O retardamento ou redução do imposto a pagar, mesmo reiteradamente, por si só, não correspondem à hipótese legal. Recurso parcialmente provido. Paradigma 4 – Acórdão nº 103132402 Processo nº 10120.001810/200160 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida POLIPLÁSTICO DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA (ATUAL BROOKLIN LOGÍSTICA E MERCHANDISING LTDA) Sessão de 05 de dezembro de 2005 Acórdão CSRF/0105.347 MULTA AGRAVADA – Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, reduzse a multa agravada ao percentual de 75%. Recurso especial negado. Acordam os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial (efls. 2.950 a 2.956) deu seguimento apenas para a primeira matéria, ou seja, entendeu haver divergência jurisprudencial sobre a necessidade de se devolver os autos para a DRJ em razão da nulidade do acórdão de primeira instância. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 9101003.967 CSRFT1 Fl. 2.984 9 A Procuradoria apresentou Contrarrazões (efls. 2.970 a 2.977) defendendo, no caso concreto, a aplicação da Teoria da Causa Madura, dizendo que “A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância não implica supressão de instância nem tampouco violação do direito de defesa, desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento.” É o relatório. Fl. 2988DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento Conforme o despacho de admissibilidade atestou (p. 2950/2956), o recurso especial do contribuinte (efls. 2865/2878) é tempestivo e atende, em parte, aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida (p. 2970/2977) no tocante à admissibilidade do recurso na parte em que admitida, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento parcial do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Mérito Em síntese, o recurso especial do contribuinte foi admitido para que seja discutida a “irregularidade da decisão que reconheceu o não enfrentamento de matéria impugnada, mas deixou de reconhecer sua nulidade”. O v. acórdão recorrido discordou em parte do v. acórdão exarado pela DRJ de origem, na medida em que a decisão do DRJ decretou a perempção no que tange à imputação de sujeição passiva dos sócios Roberto e Adriana Restum, ora recorrentes, embora a impugnação apresentada por ambos ao auto de infração lavrado tenha sido tempestivamente protocolada e argumentos contrários à dita sujeição passiva tenham sido aduzidos. Esclarece, ainda, o v. acórdão recorrido que “se tais argumentos foram entendidos como improcedentes, impertinentes ou fora de contexto e sem juntada de provas, e por isso, não foram acolhidos pela Turma Julgadora (...), a decisão deveria ter perfilado no sentido de negar provimento (explicitando os motivos que, no caso, presumivelmente seriam os mesmos utilizados para proclamar a perempção)” Conclui, assim, que a decisão da DRJ, nesse aspecto, deveria ser revista para, considerando a interposição de recurso voluntário tempestivo por parte dos ora recorrentes, pudesse o mesmo ser recebido e conhecido. No primeiro v. acórdão paradigma trazido à colação (2301005.164), está consignado que “é nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa”. Já no segundo paradigma (1802002.010) está disposto que “nos termos do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.25/1972 – PAF, incorre em nulidade, por cerceamento de direito de defesa, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria expressamente impugnada pelo Contribuinte”. Esclareço, inicialmente, que participei do julgamento do recurso voluntário que redundou no v. acórdão 1402.002.600, ora recorrido, e que acompanhei o i. Conselheiro Relator na ocasião pelas conclusões. Tendo, agora, a oportunidade de revisitar o processo administrativo em sua integridade, mantenho meu entendimento pela regularidade do processo administrativo e pela inexistência de cerceamento de direito de defesa que possa justificar a declaração de nulidade Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 19311.720232/201597 Acórdão n.º 9101003.967 CSRFT1 Fl. 2.985 11 da decisão proferida pela DRJ de origem, como pleiteiam os recorrentes no recurso especial ora em julgamento. Explicase. Na origem, foi apresentada apenas uma impugnação (p. 2536/2571) pelo contribuinte e por quatro responsáveis solidários. Contudo, o momento de tomada de ciência pelo contribuinte e dois dos responsáveis solidários, pessoas jurídicas, foi anterior ao momento de tomada de ciência por parte dos ora Recorrentes Roberto e Adriana Restum, de tal forma que em relação ao contribuinte e os outros dois responsáveis solidários foi reconhecida a intempestividade da impugnação. Como em relação aos ora Recorrentes Roberto e Adriana Restum havia a tempestividade, a sua impugnação aproveitou aos demais em relação ao mérito, mas não em relação à sujeição passiva solidária. Com a DRJ adentrando ao julgamento de mérito, esta constatou que a impugnação de Roberto e Adriana Restum foi robusta em relação aos diversos tópicos que embasaram a autuação (quebra de sigilo bancário, arbitramento do lucro, depósitos bancários sem origem comprovada, multa qualificada e agravada, juros de mora pela Taxa Selic), mas que, em relação à sujeição passiva dos ora Recorrentes foi genérica, não atendendo aos requisitos legais (processuais) para instaurar o contraditório, uma vez que não apontou motivos de fato e de direito concretos para justificar o afastamento da dita sujeição passiva solidária. Consequentemente, tratou a questão da sujeição passiva como matéria não impugnada e, em relação à mesma, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para tornar matéria preclusa a imputação de responsabilidade tributária (sujeição passiva solidária). Apresentado recurso voluntário (p. 2636/2665), os ora Recorrentes apresentaram em sua defesa tópico específico sobre “solidarização e responsabilização” (p. 2652/2660). À vista desse robustecimento de argumentos contra à sujeição passiva solidária por parte dos Recorrentes, optou o v. acórdão recorrido por receber o recurso voluntário também sob este aspecto, afastando a preclusão reconhecida pela DRJ, mas, ao final, mesmo julgando os argumentos dispendidos, manteve a imputação da responsabilidade tributária aos ora Recorrentes. Em outras palavras, não se verifica, no caso concreto, o efetivo cerceamento do direito de defesa dos Recorrentes pela DRJ de origem, uma vez que os parcos argumentos apresentados em impugnação à sujeição passiva solidária de ambos não serem suficientes para justificar o seu afastamento. E, se o mais correto, como entendeu o v. acórdão recorrido, teria sido negar provimento ao invés de declarar a preclusão, fato é que não se vislumbra, num ou noutro caso, o cerceamento do direito de defesa a justificar o pedido de nulidade do v. acórdão exarado no âmbito da DRJ de origem. Em verdade, os Recorrentes tiveram seu direito de defesa devidamente garantido pelo v. acórdão recorrido, na medida em que os argumentos robustecidos do recurso voluntário terem sido efetivamente julgados pelo Colegiado a quo, independentemente de, ainda assim, não ter sido afastada a sujeição passiva solidária. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial de Roberto e Adriana Restum por não vislumbrar, no caso concreto, cerceamento do seu direito de defesa a justificar a reforma do v. acórdão recorrido, muito menos para declarar a nulidade do v. acórdão exarado pela DRJ de origem no intuito que uma nova decisão seja proferida. Fl. 2990DF CARF MF 12 É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 2991DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000187/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 87 /2 01 0- 16 Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10970.000187/201016 Acórdão n.º 1402003.505 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10970.000187/201016 Acórdão n.º 1402003.505 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1970DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720161/2017-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO.
A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-003.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator), Carmen Ferreira Saraiva e Maria Lúcia Miceli. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator), Carmen Ferreira Saraiva e Maria Lúcia Miceli. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator), Carmen Ferreira Saraiva e Maria Lúcia Miceli. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 61 /2 01 7- 54 Fl. 3832DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.833 2 Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 16 82.468, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/São Paulo), de 11 de maio de 2018 (fls. 3.592 a 3.638), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2012 DECISÕES DO CARF. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO NORMA COMPLEMENTAR. Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não possuem caráter normativo nem vinculante. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA. POSSIBILIDADE. Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário, do qual fazem parte as multas isoladas e as lançadas de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2012 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, constituída sem finalidade negocial, em cujo patrimônio constava registro de ágio em decorrência de participação na incorporadora com fundamento em expectativa de rentabilidade futura. ÁGIO OU DESÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Para que o custo de aquisição da participação societária possa ser desdobrado em valor de patrimônio líquido e em ágio ou deságio com base em expectativa de rentabilidade futura, é Fl. 3833DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.834 3 condição indispensável que à época da aquisição o seu valor esteja devidamente lastreado em laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. COMPATIBILIDADE. A tributação do ganho de capital pelos vendedores não valida a amortização fiscal do ágio, que deve ser analisado de modo independente, observando os requisitos legais que lhes são pertinentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. MULTA. Em lançamento de ofício é devido multa qualificada calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada ação ou omissão fraudulenta do contribuinte. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A MENOR. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação de multa isolada, decorrente de falta de pagamento de estimativas mensais, concomitantemente com multa de ofício, referente ao imposto devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem de hipóteses punitivas distintas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA A tributação reflexa à CSLL deve, em relação aos respectivos Autos de Infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2012 PRODUÇÃO DE PROVA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO As provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de apresentação posterior, a não ser nos casos previstos em lei, que não foram atendidos." A partir do extraído do Termo de Verificação Fiscal de fls. 790 a 816, o procedimento fiscal e as conclusões dele extraídas podem ser assim sintetizados: Fl. 3834DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.835 4 "A auditoriafiscal apurou que a Fiscalizada registrou despesas de amortização de ágio deduzidas irregularmente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tais despesas foram glosadas e a conduta irregular da Contribuinte foi punida com multa de 150%, apurada sobre o IRPJ e a CSLL que deixaram de ser recolhidos, além de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. I.I.. INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS FORNECIDOS PELA FISCALIZADA A Fiscalizada já passou por, incluindo este, três procedimentos de fiscalização que constataram que ela amortizou tributariamente ágio indedutível. O primeiro procedimento resultou na lavratura de Autos de Infração formalizados no processo administrativofiscal n° 10880.7342492/201 179. O segundo, resultou na lavratura de Autos de Infração formalizados no processo n° 16561.720143/201691. A seguir são descritos os fatos. Em 21 de novembro de 2006, foi constituída a empresa GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA com capital social de R$ 100,00 (cem reais) dividido em 100 (cem) quotas de valor nominal unitário de R$ 1,00 (um real). Em 18 de junho de 2007, a GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA alterou sua razão social para EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (doravante denominada EXPERIAN). Houve também mudança do quadro societário da empresa: a TEXPAR PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n° 01.959.602/000133) cedeu e transferiu a totalidade se suas quotas (99 quotas) para a empresa GUS EUROPE HOLDINGS BV (doravante denominada GUS EUROPE), e a PACAEMBU SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n° 02.473.21 1/000 177) cedeu e transferiu a sua quota para a empresa GUS OVERSEAS HOLDINGS BV (doravante denominada GUS OVERSEAS). Fl. 3835DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.836 5 Entre 25 de junho e 17 de outubro de 2007, as holandesas GUS OVERSEAS e GUS EUROPE aumentaram o capital social da EXPERIAN de R$ 100,00 para R$ 2.406.081.147,00 (Anexo "1a a 5a Alterações do CS da Experian Brasil Aquisições"). Entre 25 de junho e 21 de setembro de 2007, a EXPERIAN adquiriu 70% de participação na SERASA, pagando um ágio de R$ 2.286.671.078,74. Em 13 de dezembro de 2007, a SERASA incorporou a EXPERIAN e começou a amortizar o ágio. Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.837 6 (...) Em 28 de junho de 2007, a EXPERIAN adquiriu 65% das ações da SERASA e, entre 31 de agosto e 21 de setembro de 2007, adquiriu mais 5% das ações da Contribuinte. A Fiscalizada apresentou diversas relações e organogramas com as posições acionárias antes e após as aquisições, conforme solicitado pelo fisco (Anexo "Relações e organogramas com as posições acionárias"). A Contribuinte esclareceu também que o ágio em questão, o qual foi efetivamente pago na aquisição da SERASA, encontravase fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da empresa, com base em suas projeções de fluxos de caixa descontados, conforme documentação comprobatória a seguir relacionada: a) Extratos bancários da empresa EXPERIAN do período de junho a novembro de 2007 e documentos de suporte da operação, bem como evidenciação do saldo final (Anexo ''Extratos e documentos de Jun a Nov 2007"); b) Razão analítico da Conta 1.1.1.02.01 — Banco Citibank do ano de 2007 da empresa EXPERIAN (Anexo "Razão Analítico da Conta — Banco Citibank 2007"); c) Balancete analítico da empresa EXPERIAN referente ao mês de dezembro de 2007 — Evidência do saldo bancário (Anexo "Balancete analítico referente ao mês de Dez2007"); d) Fichas 36A e 37A da DIPJ 2007 — AC 2007 para evidenciação do saldo em 13 de dezembro de 2007 (Anexo "Ficha da DIPJ para evidenciação do saldo em 1 3122007"); e) Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da empresa SERASA, elaborado pela KPMG CORPORATE FINANCE LTDA. (doravante denominada KPMG) em 22 de outubro de 2007 (Anexo "Laudo elaborado pela KPMG Avaliação da SERASA SA"); A análise dos documentos societários da EXPERIAN mostra que: a) A razão social da empresa era GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA; Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.838 7 b) O capital social era assim composto: i) TEXPAR PARTICIPAÇÕES LTDA — 99 quotas — R$ 99,00 — 99,00% de participação societária; ii) PACAEMBU SERVIÇOS E PARTICIPAÇÃO LTDA — 1 quota R$ 1,00 1,00% de participação societária; c) A sociedade tinha "por objeto a participação em outras sociedades, seja exercendo o controle ou participando em caráter permanente com investimento relevante em seu capital, como sócia cotista ou acionista, bem como a administração de bens próprios"'. De acordo com a primeira alteração do Contrato Social, de 18 de junho de 2007: a) A empresa alterou sua denominação social para EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA.; b) Houve mudança do quadro societário. A sócia TEXPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. cedeu e transferiu a totalidade de suas quotas para a empresa GUS EUROPE e a sócia PACAEMBU SERVIÇOS E PARTICIPAÇÃO LTDA. cedeu e transferiu também a totalidade de suas quotas para a empresa GUS OVERSEAS; c) O capital social passou a ser assim composto: i) GUS EUROPE — 99 quotas — R$ 99,00 — 99,00% de participação societária; ii) GUS OVERSEAS — 1 quota — R$ 1,00 — 1,00% de participação societária. Consta da segunda alteração do Contrato Social, de 25 de junho de 2007, o aumento do capital social de R$ 100,00 (cem reais) para R$ 2.251.021.600,00 (dois bilhões, duzentos e cinquenta e um milhões, vinte e um mil e seiscentos reais) em dinheiro, ou seja, um aumento de R$ 2.251.021.500,00 e a consequente criação de 2.251.021.500 novas quotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada. O capital social passou a ser assim distribuído: a) GUS EUROPE 2.228.511.384 quotas — R$ 2.228.511.384,00 99,00% de participação societária; b) GUS OVERSEAS 22.510.216 quotas R$ 22.510.216,00 1,00% de participação societária. Consta da terceira alteração do Contrato Social, de 30 de agosto de 2007, o aumento do capital social de R$ 2.251.021.600,00 para R$ 2.324.832.848,00, ou seja, um aumento de R$ 73.811.248,00, em dinheiro, e a consequente criação de 73.811.248 novas quotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada. O capital social passou a ser assim distribuído: a) GUS EUROPE 2.301.584.520 quotas R$2.301.584.520,00 99,00% de participação societária; b) GUS OVERSEAS 23.248.328 quotas R$ 23.248.328,00 1,00% de participação societária. Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.839 8 Consta da quarta alteração do Contrato Social, de 18 de setembro de 2007, o aumento do capital social de R$ 2.324.832.848,00 para R$ 2.406.081.147,00, ou seja, um aumento de R$ 81.248.299,00, a ser integralizado, e a consequente criação de 81.248.299 novas quotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada, as quais foram subscritas, porém não integralizadas. O capital social passou a ser assim distribuído: a) GUS EUROPE 2.382.020.336 quotas R$ 2.382.020.336,00 — 99,00% de participação societária; b) GUS OVERSEAS 24.060.81 1 quotas R$ 24.060.81 1,00 1,00% de participação societária. Consta da quinta alteração do Contrato Social, de 17 de outubro de 2007, que as sócias GUS EUROPE e GUS OVERSEAS integralizaram, em dinheiro, as quotas por elas subscritas na quarta alteração do Contrato Social. Entre os documentos que deram suporte ao ágio apurado pela EXPERIAN, a Fiscalizada apresentou o "Relatório de Avaliação Econômicofinanceira da SERASA", elaborado pela KPMG utilizandose a metodologia do fluxo de caixa descontado (Anexo "Laudo elaborado pela KPMG Avaliação SERASA SA"). O laudo foi apresentado em 22 de outubro de 2007 à EXPERIAN AMÉRICAS (EXPERIAN GROUP LIMITED). Conforme consta de sua folha introdutória, a KPMG enviou ao contratante uma proposta inicial para prestação de serviços, em 26 de julho de 2007: Nos termos da nossa proposta para prestação de serviços profissionais, datada de 26 de julho de 2007, e entendimentos subsequentes, efetuamos a avaliação econômicofinanceira da SERASA S.A., na data base de 30 de junho de 2007, cujo relatório encontrase em anexo. Verificase, portanto, que a KPMG enviou à EXPERIAN AMÉRICAS uma proposta de prestação de serviços em 25 de julho de 2007 e enviou o relatório final apenas em 22 de outubro de 2007. Ou seja, a entrega do laudo é posterior à compra de 70% da participação na SERASA pela EXPERIAN. Em Termo de Intimação expedido em 8 de fevereiro de 2017, a Fiscalizada foi requisitada a (Anexo 1, fls. 243 e 244): 1 — Identificar e apresentar todos os lançamentos contábeis efetuados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.) que têm relação com as operações que resultaram nas amortizações de ágios indicadas na tabela abaixo. Fonte Ficha Conta Discriminação Valores (R$) DIPJ/2013 06 3140125 AMORTIZAÇÃO AGIO 257.035.858,95 DIPJ/2014 06 314012S AMORTIZAÇÃO ÁGIO 329.990.958,87 Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.840 9 2 — Apresentar todos os documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis efetuados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.) que têm relação com as operações que resultaram nas amortizações de ágios indicadas na tabela acima. Devem ser apresentados, inclusive, laudos econômicos, demonstrativos de cálculo e comprovantes de pagamentos dos ágios escriturados. 3 — Informar quais foram as origens dos recursos utilizados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.) nos pagamentos relativos aos ágios indicados na tabela acima. 4 — Apresentar todos os documentos e lançamentos contábeis que comprovam quais foram as origens dos recursos descritos no item anterior. Em 8 de março de 2017, assim respondeu a Contribuinte (Anexo 1, fls. 247 a 250): A SERASA S. A., com sede na Alameda dos Quinimuras, 187, Planalto Paulista, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 62.173.620/000180, vem, tempestivamente, perante V. Sa., em atenção ao Termo de Intimação em epígrafe, datado de 8 de fevereiro de 2017, cujo prazo de atendimento foi prorrogado até 8 de março 2017, conforme posterior Termo de Intimação datado de 14 de fevereiro de 2017 e recebido pela empresa em 16 de fevereiro de 2017, esclarecer o que segue: 1 Identificar e apresentar todos os lançamentos contábeis efetuados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.), que têm relação com as operações que resultaram nas amortizações de ágio indicadas na tabela abaixo: [Resposta] No tocante à EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA.. os valores apontados nas linhas acima se referem basicamente à aquisição de ações representativas de 70% do capital social da SERASA S.A. pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA.. no anocalendario de 2007. Referido ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da SERASA S.A. passou a ser amortizado no momento em que a EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. foi incorporada pela SERASA S.A.. no próprio anocalendário de 2007. Os valores relativos a esse ágio que foram amortizados nos anos de 2012 e 2013. respectivamente, foram RS 256.775.124,84 (DIPJ/2013) e R$ 274.910.164,44 (DIPJ/2014). A fim de evidenciar os lançamentos contábeis que justificaram cada uma dessas parcelas, encaminham os Fonte Ficha Conta Discriminação Valores (R$) DIPJ/2013 06 3140125 AMORTIZAÇÃO AGIO 257.035.858,95 DIPJ/2014 06 314012S AMORTIZAÇÃO ÁGIO 329.990.958,87 Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.841 10 anexas (A) cópias das telas referentes ao livro razão da EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. contendo as contas que têm relação com as operações que resultaram nas amortizações de ágio indicadas na tabela acima (ANEXO 01); e (B) tabela que sumariza a movimentação contábil da SERASA S.A. no tocante às referidas contas nos anos de 2012 e 2013 (ANEXO 2A e ANEXO 2B) 2— Apresentar todos os documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis efetuados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.) que têm relação com as operações que resultaram nas amortizações de ágios indicadas na tabela acima. Devem ser apresentados, inclusive, laudos econômicos, demonstrativos de cálculo e comprovantes de pagamentos dos ágios escriturados. [Resposta] Anexos encaminhamos os seguintes documentos, referentes à parcela de ágio correspondente à aquisição de 70% das ações da SERASA S.A. pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA.: (A) Contrato de Compra e Venda de Ações Avenças celebrados (ANEXO 03 e ANEXO 3A); (B) planilha em PDF que sumariza as transferências bancárias realizadas pela Experian Brasil Aquisições Ltda. para aquisição de 70% das ações da SERASA S.A. e extratos bancários respectivos (ANEXOS 04 e 05); (C) Estudos internos e Laudo de Avaliação Econôm ico Fínanceira que determinaram o valor de mercado da SERASA S.A. e justificaram a fundamentação econômica do ágio na expectativa de rentabilidade futura dessa sociedade (ANEXOS 06 e 07); e (D) Ata de incorporação da EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. pela SERASA S.A. e instrumento particular de protocolo (ANEXO 08 e 09). 3— Informar quais foram as origens dos recursos utilizados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (antiga GUINA PARTICIPAÇÕES LTDA.) nos pagamentos relativos aos ágios indicados na tabela acima. [Resposta] Os recursos utilizados pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. para adquirir a parcela de 70% da Serasa S.A. em 2007 foram originados a partir de capitalizações feitas pelos próprios controladores da sociedade, à medida que eram negociadas pela EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. as aquisições fracionadas das ações da SERASA S.A. no País, junto aos antigos acionistas, conforme detalhadamente descrito nos autos do Processo Administrativo n° 10880.734249/2011 79. 4— Apresentar todos os documentos e lançamentos contábeis que comprovam quais foram as origens dos recursos descritos no item anterior. Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.842 11 [Resposta] Relativamente à aquisição da parcela correspondente a 70% do capital social da SERASA S.A. (aquisição de 2007), apresentamos anexas as atas de aumento e capital da EXPERIAN BRASIL AQUISIÇÕES LTDA. (ANEXOS 10, 11 e 12). Ressaltamos que todos esses documentos, além de outros adicionais, tais como os respectivos contratos de câmbio, por exemplo, encontramse já devidamente anexados aos autos do Processo Administrativo n° 10880.734249/ 201179. (Grifo nosso) De acordo com demonstrativo apresentado pela Fiscalizada, no anocalendário 2012, foi amortizado mensalmente o ágio seguinte, relativo à incorporação da EXPERIAN (Anexo I, fl.256): (...) II.II. INDEDUTIB1LIDADE DO ÁGIO AMORTIZADO TRIBUTARIAMENTE APÓS A INCORPORAÇÃO DA EXPERIAN O ágio apurado na aquisição de ações da Contribuinte é indedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, porque não cumpre os requisitos descritos nos artigos 385 e 386 do RIR/99, reproduzidos e comentados no tópico II.I. II.II.I. O LAUDO CONTRATADO NÃO ATESTA O FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO A Fiscalizada apresentou os seguintes documentos que, na sua visão, embasam a amortização tributária do ágio pago na aquisição de suas ações: 1. "CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS", firmado em 25 de junho de 2007 (Anexo 2, fl. 75 a Anexo 3, fl. 10): CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS [...] 2.2 Preço Pela compra e venda das Ações Objeto, sujeito às condições estabelecidas neste Contrato, a compradora pagará aos Vendedores, na Data do Fechamento,mediante transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis, o valor global de R$ 2.242.500.000,00 (dois bilhões, duzentos e quarenta e dois milhões e quinhentos mil reais). (Principal). O Principal será pago aos Vendedores proporcionalmente à quantidade de Ações Objeto vendidas por cada um dos Vendedores, conforme indicado no Anexo 2.1 ao presente Contrato. [...] Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.843 12 E ESTANDO ASSIM JUSTAS E CONTRATADAS, as partes assinaram este Contratem 25 de junho de 2007, em 7 (sete) vias, perante as duas testemunhas abaixo identificadas. 2. Contratos de "COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS" celebrados em 3 1 de agosto e 21 de setembro de 2007 (Anexo 3, fl. 62 a Anexo 4, fl. 88). Exemplo: CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS [...] Pela compra e venda das Ações Objeto, sujeito às condicões estabelecidas neste Contrato, a . Compradora pagará ao Vendedor, na Data do fechamento, mediante transferência eletrônica de fundos imediamente disponíveis, o valor global de RS 1.961.600,00 (hum milhão, novecentos e sessenta e um mil e seiscentos Reais) ("Preço"). [...] E ESTANDO ASSIM JUSTAS E CONTRATADAS, as partes assinaram este Contrato em 21 de setembro de 2O07, em 3 (três) vias, perante as duas testemunhas abaixo identificadas. 3. "Relatório de Avaliação Econômicofinanceira da SERASA", elaborado pela empresa KPMG em 22 de outubro de 2007 (Anexo 3, fls. 23 a 61): (...) 4. Lançamentos contábeis relacionados ao registro do ágio apurado (Anexo 1, fls. 141 a 158). Exemplo: Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.844 13 Percebese claramente que o "CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS'', firmado em 25 de junho de 2007, assim como os demais contratos de compra e venda de ações, celebrados em 31 de agosto e 21 de setembro de 2007. já descreviam os preços pelos quais as ações seriam negociadas antes de sua avaliação ser feita nela KPMG em laudo expedido apenas em 22 de outubro de 2007. O laudo apresentado pela Contribuinte, por ser intempestivo, não serve para atestar o fundamento do ágio apurado. Em virtude de não ter sido elaborado antes de o ágio ser acordado entre as partes envolvidas na transação, o documento não pode ser aceito para a finalidade pretendida pela Fiscalizada. O ágio foi calculado em virtude de quaisquer outras razões econômicas, mas não com base na rentabilidade futura dos investimentos avaliados. No caso do ágio aqui analisado, decorrente da avaliação da SERASA, verificase que o laudo, por ter sido elaborado pela KPMG somente em 22 de outubro de 2007 e não antes da realização das transações, não é um documento hábil a demonstrar o fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura das participações. O documento não se coaduna com o requisito à dedutibilidade imposto pela lei, pois foi elaborado em data posterior àquela em que o ágio foi apurado. Esta intempestividade afeta de maneira irrefutável o alegado fundamento econômico do ágio pago. Não há como o laudo elaborado em 22 de outubro de 2007 atestar que o ágio apurado 25 de junho. 31 de agosto e 21 de setembro de 2007 teve como fundamento a rentabilidade futura das participações societárias avaliadas no documento. A elaboração de um laudo não é hábil a atestar o elemento volitivo das partes em um negócio que se realizou no passado. Ou o documento foi elaborado à época do pagamento do ágio e é possível aferir a justificativa econômica que levou à realização do negócio, ou. como o documento não existia no momento da transação, não é possível aferir a razão que levou à apuração do ágio. A Fiscalizada, neste procedimento fiscal, apresentou também um documento intitulado '"ESTUDO INTERNO" (Anexo 3, fls. 11a 19), o qual constitui uma tradução juramentada cujo documento original em língua inglesa não foi apresentado. Essa tradução foi concluída em 9 de novembro de 201 1. A última página do documento faz referência a uma "Reunião do Conselho da Experian Group Limited" que teria ocorrido em 28 de março de 2007: Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.845 14 O documento diz o seguinte sobre a avaliação da Contribuinte: AVALIAÇÃO A Experian ainda não realizou sua investigação do auditoria costumeira na Serasa (que esta atualmente agendada para ocorrer durante os próximos 45 dias) Até o presente momento, as discussões sobre avaliação com bancos acionistas da Serasa centraramse principalmente ao redor de múltiplos de negociação pública com prêmios de controle (dado o enfoque da Empresa em uma IPO), juntamente com múltiplos de transações comparáveis e analise dc fluxo de caixa descontado baseada em projeções financeiras de alto nível fornecidas pela Empresa A Experian pretende realizar a análise financeira e avaliação detalhada (inclusive analise de sensibilidade multivariada) como parte de seus esforços de auditoria. Ou seja, o texto promete elaboração, dali a 45 dias, de avaliação detalhada da Fiscalizada. Não há nada que comprove que tal avaliação minuciosa foi de fato efetuada e. de qualquer forma, o relatório que poderia ter resultado dela nunca foi apresentado à Fiscalização. Assim, o único laudo de avaliação da SERASA efetuado com base em previsão de seus resultados nos exercícios futuros foi o relatório da KPMG. concluído apenas em 22 de outubro de 2007. bem depois de as aquisições das ações terem sido celebradas e contabilizadas. Claro se mostra, portanto, que o ágio apurado não foi pautado na rentabilidade futura da SERASA II.II.II. NÃO HOUVE CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS DAS REAIS INVESTIDORAS COM OS PATRIMÔNIOS DA INVESTIDA Na essência, o negócio constituiuse na venda de participação da empresa brasileira SERASA para as empresas holandesas GUS EUROPE e GUS OVERSEAS. Em que pese a empresa brasileira EXPERIAN ter figurado como compradora, as reais adquirentes das ações foram as holandesas GUS EUROPE e GUS OVERSEAS. Todos os recursos financeiros que a EXPERIAN utilizou para comprar ações da Fiscalizada provieram de suas controladoras. Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.846 15 Portanto, resta evidente que a empresa EXPERIAN não foi a real adquirente das ações da Fiscalizada com ágio, mas, sim, as holandesas GUS EUROPE e a GUS OVERSEAS. Ora, entre 25 de junho e 17 de outubro de 2007 o capital social da EXPERIAN foi aumentado pelas empresas holandesas de R$ ÍOO ("cem reais) para R$ 2.4 bilhões de reais e. neste mesmo período, ela adquiriu 70% de participação da SERASA pagando um ágio de R$ 2.28 bilhões de reais. Ao final das operações encadeadas, observase que a situação organizacional corresponde exatamente àquela pretendida, na essência: A GUS EUROPE e GUS OVERSEAS se tornarem proprietárias de 70% da brasileira SERASA. Segundo os artigos 385 e 386 do RIR/99, só se faz possível a amortização tributária do ágio se houver confusão patrimonial entre o investimento adquirido e quem de fato o adquiriu. Tendo em vista que, no caso concreto, não houve confusão dos patrimônios da SERASA com os patrimônios dos reais adquirentes de suas ações, a GUS EUROPE e a GUS OVERSEAS, não existe possibilidade de amortização tributária do ágio apurado. De forma alguma as disposições do artigo 386 do RIR/99 transformaram o potencial direto à dedução dessa despesa em um "título" transferível a quem o seu detentor desejasse. A replicação do ágio em pessoa diversa daquela que efetivamente suportou o seu pagamento, assim entendida aquela situação em que não se verifica a necessária "confusão patrimonial", não autoriza a dedutibilidade tributária de despesa com a sua amortização, visto que não atende às condições estabelecidas na legislação vigente. Portanto, não há como a incorporação da EXPERIAN justificar a dedutibilidade do ágio apurado na transação, pois não houve o encontro do patrimônio da SERASA com os patrimônios de suas reais investidoras: GUS EUROPE e GUS OVERSEAS. Ou seja, na situação estudada, não houve "confusão patrimonial" entre investida e investidoras. Desta feita, o ágio absorvido pela SERASA com a incorporação da EXPERIAN não se encaixa no benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99. II.II.III. CONCLUSÃO Em síntese, o ágio apurado nas aquisições de ações da Fiscalizada é indedutível porque: 1. O laudo apresentado, por ter sido formulado depois da apuração do ágio, é imprestável para atestar que se trata de ágio pautado na rentabilidade futura das participações societárias avaliadas. 2. Não houve confusão dos patrimônios das reais investidoras GUS EUROPE e GUS OVERSEAS com o patrimônio da investida SERASA Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.847 16 Por conseguinte, nos Autos de Infração anexos, foram glosados os valores amortizados do ágio indedutível apurado de acordo com a planilha abaixo (Anexo I, fl.256):" A conclusão acima foi estendida para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O lançamento foi realizado com a incidência da multa de ofício de 150%, uma vez que a autoridade fiscal entendeu caracterizada a fraude, conforme definição constante do art. 72 da lei nº 4.506, de 1964: "No caso presente, a GUS OVERSEAS e a GUS EUROPE poderiam ter comprado as ações da Fiscalizada diretamente. Se tivessem feito isso, o lucro real e a base de cálculo da CSLL da Contribuinte, no anocalendário 2012. teriam sido, respectivamente, de R$ 512.454.691,46 e 509.018.028,35. Por terem optado intencionalmente (dolosamente) por utilizar o artifício de realizar as aquisições das ações da SERASA indiretamente através da EXPERIAN. o lucro real e a base de cálculo da CSLL de 2012 da Fiscalizada se reduziram, irregular e significativamente, para 255.679.566.62 e 252.242.903.51. Ou seja, tal conduta modificou dolosamente as bases de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL. características essenciais das correspondentes obrigações tributárias, de modo a reduzir os montantes devidos, situação descrita no artigo 72 da Lei n" 4.502/64 como fraude e punível com multa qualificada." Foi, ainda, constituída multa isolada por insuficiência de recolhimento das estimativas, em relação a todos os meses do anocalendário de 2012. O sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 2.913 a 2.964), cujas razões de defesa foram, por ela, assim sintetizadas: "(i) Acórdão 1201001.507, de 14.9.2016 preliminarmente, essa 1. DRJ deve levar em consideração que os mesmos fatos discutidos neste caso já foram analisados pelo E. CARF no Acórdão 1201001.507, de 14.9.2016 (doc. no 5, acima), o qual transitou em julgado com exoneração total do lançamento (doc. n° 6, acima). Tanto o E. CARF quanto a E. CSRF validaram as operações realizadas pelo grupo Experian em relação ao processo de aquisição continuada das ações da Requerente no anocalendário de 2007, tendo sido também expressamente reconhecida a regularidade quanto à amortização do ágio correspondente pela Requerente. Não deve ser outro o desfecho deste caso, portanto; (ii) as premissas equivocadas da D. Fiscalizacão — a D. Fiscalização equivocadamente supõe, com base em um trecho isolado do Memorando do grupo Experian datado de 28.3.2007, que não havia comprovação anterior quanto à fundamentação econômica do ágio. Ainda que sem se referir à expressão “empresa veículo”, desconsidera a existência da sociedade Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.848 17 holding Experian Brasil para concluir que tal entidade não figuraria como a “real adquirente” do investimento na Requerente, razão pela qual não teria ocorrido o evento de “confusão patrimonial” a que supostamente se reportaria a Lei 9.532/97; (iii) a premissa correta / razões empresariais ao contrário do que equivocadamente supôs a D. Fiscalização, o próprio documento “recortado” e transcrito no Termo de Verificação Fiscal, isto é, o Memorando datado de 28.3.2007 deixa claro que houve avaliação econômicofinanceira do investimento a ser adquirido com base em sua projeção de rentabilidade futura a partir de diferentes métodos, todos compatíveis com o preço efetivamente pago. Ademais, por mera cautela e conservadorismo o grupo Experian ainda contrataria uma avaliação independente no prazo de 45 dias (ainda antes da aquisição, portanto), para confirmar suas premissas e conclusões, o que de fato ocorreu; (iv) ademais, relativamente à Experian Brasil, ficou claro nesta Impugnação —e mesmo nos autos do Processo Administrativo 10880.734249/201179, já transitado em julgado favoravelmente à Requerente — que havia razões empresariais e econômicas legítimas para utilização dessa holding nas diversas aquisições de ações fracionadas junto a terceiros. Tais razões, como ficou demonstrado, eram empresariais e operacionais e, portanto, existiam de forma independente dos aspectos tributários discutidos nestes autos; (v) o propósito maior almejado pelo grupo Experian era o de alcançar eficiência financeira e operacional nas operações de câmbio que seriam necessárias para viabilizar todo o complexo processo de aquisições fracionadas de ações da Requerente, com pagamentos que chegaram a totalizar 57 transferências bancárias feitas pela Experian Brasil para mais de 40 acionistas vendedores, ao longo de um prazo contratual inicialmente estipulado em até seis meses; (vi) ao optar por capitalizar a holding Experian Brasil e a própria D. Fiscalização também utiliza palavra “opção” no Termo de Verificação Fiscal e fazer com que essa sociedade efetuasse no País as aquisições fracionadas de ações da Requerente, o grupo Experian pôde concentrar os volumes financeiros das operações de câmbio em apenas quatro aportes de capital feitos na própria holding, ao invés de ser obrigado a efetuar 57 operações e câmbio distintas, levando evidentemente a melhores possibilidades de negociação de taxas de câmbio e tarifas associadas; (vii) além disso, no início de todo o processo de aquisição da Requerente, o grupo Experian não sabia ao certo quantas aquisições teria de fazer até chegar aos 70% do capital contratualmente acordado. Por isso, fazia mais sentido manter a holding Experian Brasil atuando nessas aquisições fracionadas Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.849 18 de ações no País, com pagamentos em Reais, que efetuar todo esse processo desde o exterior; (viii) também associado a questões de câmbio estava a maior facilidade operacional de manutenção e atualização do registro de capital estrangeiro detido na Requerente junto ao Banco Central, que seria muito mais fácil e previsível de ser feita em caso de capitalizações feitas pelo próprio grupo, que em um eventual cenário de aquisições de participações fracionadas feitas diretamente por sociedades estrangeiras; (ix) por fim, pretendiase, ainda, oferecer maior conforto nas negociações com acionistas brasileiros, especialmente os minoritários, que contratariam com sociedade brasileira e receberiam pagamentos a partir de TEDs previstas no Sistema de Pagamentos Brasileiro, que são claramente mais diretas e simples que operações internacionais de câmbio. Com isso, esperavase facilitar ao máximo a operacionalização do processo de aquisições de minoritários como um todo, permitindo o devido cumprimento dos prazos contratualmente acordados; (x) cumprimento de todos os reguisitos legais autorizativos à amortizacão e dedução os próprios fatos discutidos neste caso, por si só, deixam claro que o ágio ora discutido é válido e legítimo, pois decorreu: (1) de aquisição entre PARTES NÃO RELACIONADAS; (2) com EFETIVO PAGAMENTO de preço; (3) com TRIBUTACÃO DO GANHO DE CAPITAL pelos vendedores; (4) com ESTUDOS PRÉVIOS à aquisição, confirmados em LAUDO DE AVALIACÃO de empresa independente e especializada; e, sobretudo, (5) com PROPÓSITOS NEGOCIAIS NÃO TRIBUTÁRIOS; (xi) a demonstracão da fundamentacão econômica do ágio antes da aquisicão a D. Fiscalização se equivoca quanto à tempestividade da demonstração da justificativa econômica do ágio, limitandose a analisar o documento produzido pela KPMG. Os estudos internos preparados pelo grupo Experian em março de 2007 (meses antes da aquisição das ações da Requerente) são documentos hábeis e idôneos a comprovar a fundamentação econômica desses valores, servindo para fins do disposto no artigo 20, § 3°, do DL 1.598/77. Esse ponto também foi julgado de forma bastante clara em favor da Requerente nos autos do Processo Administrativo 10880.734249/201179 já acima referido; (xii) a Experian Brasil era a “real adquirente” do investimento ao contrário do que supõe a D. Fiscalização, a Experian Brasil efetivamente figurou como a “real adquirente” das ações da Requerente, já que, nos termos do artigo 481 do Código Civil, ela foi a verdadeira parte compradora da participação societária junto aos acionistas vendedores, não ocorrendo qualquer interposição de pessoas. E, ainda que assim não fosse, o que se considera apenas para argumentar, a alegação do Fisco se baseia em procedimento previsto em regras contábeis Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.850 19 publicadas anos depois de ocorridos os fatos discutidos neste caso, não sendo aplicáveis neste caso. Mas mesmo que fossem, essas regras seriam aplicáveis de forma completamente diversa do que pretende a D. Fiscalização, justamente para corroborar todos os procedimentos adotados pela Experian Brasil em relação ao ágio pago na aquisição de participação na Requerente; (xiii) a Experian Brasil não era uma “sociedade veículo” — embora não se refira a essa expressão no Termo de Verificação Fiscal, a desconsideração da existência da Experian Brasil nada mais reflete do que uma tentativa implícita do Fisco de reputála como uma mera sociedade de passagem, o que tampouco deve prevalecer. Como visto, diversas eram as razões empresariais dessa entidade, como já reconhecido expressamente pelo E. CARF em 14.9.2016 no Acórdão 1201001.507 (doc. no 5, acima). Além disso, o mero fato de o grupo Experian ter adquirido participação na Requerente por meio de uma sociedade holding local não lhe tiraria o direito à amortização do ágio; (xiv) indevida desconsideracão de operacão válida e legítima / opcão fiscal do grupo Experian as alegações do Fisco quanto ao suposto fato de a Experian Brasil não figurar como a “real adquirente” da participação societária e quanto à suposta inocorrência de “confusão patrimonial”, conceitos esses inexistentes na Lei 9.532/97, nos procedimentos contábeis e mesmo na Lei 12.973/14, que atualmente disciplina essa matéria, indicam somente uma indevida tentativa de aplicação do disposto no artigo 116, parágrafo único, do CTN, pelo Fisco no presente caso; (xv) ocorre que além de carecer de regulamentação, essa regra não pode ser aplicada à Requerente, pois, diante de todas as adversidades que poderiam surgir no caso de uma aquisição realizada diretamente do exterior (variações monetárias, restrições por parte dos vendedores, maior custo para internalização de recursos e registros de capital estrangeiro perante o Banco Central do Brasil, etc.), a opção empresarialmente mais apropriada para o grupo Experian seria adquirir a participação societária na Requerente por meio de uma sociedade holding estabelecida no País. Tratase, aliás, de uma opção que não pode ser desconsiderada pela D. Fiscalização, que, vale novamente ressaltar, também se reporta a esse processo de aquisição utilizando o termo “opção” (fI. 26 do Termo de Verificação Fiscal); (xvi) a tributacão dos ganhos de capital auferidos pelos acionistas vendedores tratandose de ágio reconhecido a partir de operações que levaram à correspondente tributação dos ganhos de capital auferidos pelos mais de 40 vendedores, tanto a jurisprudência quanto a doutrina reconhecem a sua validade e a possibilidade de amortização e dedução para fins fiscais, na medida em que uma das razões para o legislador permitir a dedução das despesas de amortização fiscal de ágio é Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.851 20 a intenção de incentivar as fusões e aquisições de empresas nacionais, levando à tributação imediata do ganho de capital do vendedor e autorizando, por outro lado, a amortização fiscal do ágio do comprador de forma apenas diferida, em pelo menos cinco anos; (xvii) multa qualificada de 150% a severa e desproporcional multa de 150% aplicada pela D. Fiscalização deve ser prontamente afastada, pois, além de o próprio artigo 76, inciso II, alínea “a” da Lei 4.502/64 vedar claramente a aplicação de quaisquer penalidades neste caso (inclusive de ofício), em razão do trânsito em julgado do Acórdão 1201001.507, de 14.9.2016, favoravelmente à Requerente, é evidente que não há qualquer ato doloso, abusivo, simulado, fraudulento, ou praticado em conluio. E não por outro motivo a D. Fiscalização sequer apresenta uma razão clara para a aplicação dessa penalidade, limitando se a alegar, em um único parágrafo na página 26 do Termo de Verificação Fiscal, que essa multa está sendo aplicada pela suposta orcão intencional do grupo Experian de adquirir a Requerente indiretamente através da Experian Brasil; (xviii) tratase, como se pode notar, de uma razão absolutamente injustificada, sobretudo se levado em consideração que, nos termos da legislação aplicável e jurisprudência já consolidada na esfera administrativa, essa penalidade somente poderia ser imposta em casos de evidente intuito, quando restar provada pelo Fisco a inequívoca intenção do contribuinte de enganar, esconder ou iludir. Contudo, é claro que este não é um caso de fraude, sonegação ou conluio; (xix) os fatos ora discutidos já foram objeto de análise pelo E. CARF e validação pela E. CSRF, foram, à época, apreciados pelo CADE e foram amplamente divulgados no Brasil e no exterior. A Requerente ainda registrou todas as operações em sua contabilidade e todos os atos respectivos foram devidamente apresentados às Juntas Comerciais e demais érgãos públicos cabíveis. A Requerente sempre recebeu a D. Fiscalização com total transparência e atendeu a todas as suas solicitações com clareza e prontidão. Evidente, portanto, o absoluto descabimento de qualquer multa neste caso; e (xx) multa isolada de 50% a multa isolada de 50% não pode ser exigida de forma concomitante com a multa de ofício ou a qualificada, tendo em vista não apenas a posicão já sumulada nela E. CSRF a esse respeito (Súmula n° 105, de 8.12.2014) e a necessidade de aplicação do princípio da consunção, como também esclarecem diversos precedentes do E. STJ e do próprio E. CARF." A DRJ/São Paulo proferiu, então, o Acórdão ora recorrido (fls. 3.592 a 3.638), no qual: a) rejeitou a aplicação ao presente caso de decisão administrativa relacionada com o mesmo sujeito passivo, por não constituir norma complementar da legislação tributária, conforme Parecer Normativo Cosit nº 23, de 2013; Fl. 3851DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.852 21 b) refutou as justificativas apresentadas para a realização das operações na forma desencadeada, "pois o que justificaria a existência e atuação desta deveria guardar correlação com o seu objeto social e operações normais, e não com os benefícios que as reais adquirentes teriam no negócio"; c) considerou que a EXPERIAN foi criada apenas para cumprir condição para a aquisição da atual participação societária da incorporada na incorporadora, com as vantagens sendo auferidas pelas reais adquirentes, GUS EUROPE e GUS OVERSEAS; d) não acatou a justificativa para a elaboração do laudo de avaliação posteriormente à aquisição do investimento, por contrariar o §3º do art. 385 do RIR/99, considerandoo inválido; e) concluiu que as reais adquirentes da SERASA, e que suportaram o ágio, não foram incorporadas, continuando existindo, bem como que a EXPERIAN não possuía recursos para a aquisição; f) rejeitou a alegação de que a autuação teria se baseado no art. 116 do CTN, afirmando que o fundamento do lançamento foi o art. 149, inciso VII, da mesma Norma; g) considerou que a tributação do ganho de capital não valida a amortização fiscal do ágio, nem é incompatível com a glosa desta; h) corroborou a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que a "sequência de operações revela a artificialidade dos negócios jurídicos praticados" e a "intenção de reduzir o tributo de maneira dolosa"; i) validou a imposição da multa isolada pela ausência de recolhimento das estimativas em conjunto com a multa de ofício, uma vez que as penalidades decorrem de infrações distintas a obrigações autônomas; que o princípio da consunção não é aplicável, ante a obrigatoriedade da autoridade fiscal para realizar o lançamento de ofício; e, por fim, que a Súmula CARF nº 105 não tem efeito vinculante e se refere à redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; j) concluiu que os juros de mora incidem sobra a totalidade do crédito tributário, do qual faz parte a multa de ofício, conforme conclusão da Solução de Consulta Cosit nº 47, de 2016; k) finalmente, rejeitou a produção posterior de provas, por contraria o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Intimado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.644 a 3.703, por meio do qual repete, basicamente, o teor da Impugnação apresentada, acrescentando que: a) o Acórdão nº 1302002.534, de 14/03/2018, também considerou improcedentes as alegações do Fisco e a glosa das despesas de amortização do ágio tratado nos presentes autos; b) na hipótese de decisão por voto de qualidade, terseia igualmente clara a dúvida objetiva, de modo que não deveria haver a incidência de qualquer multa e juros. Fl. 3852DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.853 22 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 25 de maio de 2018, sextafeira (fl. 3.641), tendo apresentado Recurso Voluntário em 26 de junho de 2018, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos conforme fls. 3.704 a 3.715. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DOS FUNDAMENTOS DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO O Termo de Verificação Fiscal de fls. 790 a 819 traz como fundamentos para a glosa das despesas de amortização registradas pela Recorrente as seguintes constatações: "1. O laudo apresentado, por ter sido formulado depois da apuração do ágio, é imprestável para atestar que se trata de ágio pautado na rentabilidade futura das participações societárias avaliadas. 2. Não houve confusão dos patrimônios das reais investidoras GUS EUROPE e GUS OVERSEAS com o patrimônio da investida SERASA" Passemos à analise de cada um deles. 3. DA COMPROVAÇÃO DO ÁGIO A possibilidade de amortização do ágio pago com base em expectativa de rentabilidade futura, em situações que envolvam a incorporação de sociedades nas quais se detenha participação societária, encontra previsão nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997: "Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) Fl. 3853DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.854 23 IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." (grifos não originais) A forma de apuração do ágio, como destacado, é prescrita pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que, à época da incorporação de que tratam os autos, possuía a seguinte redação: "Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº Fl. 3854DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.855 24 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978)." Como se constata, a exigência posta pela referida norma é o lançamento do ágio "deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração". Inexistia, portanto, à época a exigência de que o ágio estivesse baseado em laudo, o que somente veio ocorrer com a nova redação do §3º, conferida pela Lei nº 12.973, de 2014. No caso sob análise, a autoridade fiscal entendeu que, por haver sido elaborado após a data de ocorrência da aquisição da SERASA, o Laudo de autoria da KPMG não seria hábil a comprovar que o negócio se pautou na rentabilidade futura desta empresa. A Recorrente, porém, sustenta que: "Os estudos internos preparados pelo grupo Experian em março de 2007 (meses antes da aquisição das ações da Requerente) são documentos hábeis e idôneos a comprovar a fundamentação econômica desses valores, servindo para fins do disposto no artigo 20, § 3°, do DL 1.598/77." A matéria foi examinada pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto no processo administrativo nº 10880.734249/201179, relativo aos anocalendários de 2007 a 2010. Por concordar inteiramente com os fundamentos ali expostos, passo a transcrever a abordagem da matéria, conforme constante do Acórdão nº 1201001.507, de 14 de setembro de 2016, da lavra do Conselheiro Luiz Fabiano Alves Penteado: "Conforme constam dos autos, a avaliação acerca da rentabilidade futura da empresa Serasa que serviu como ponto de partida para a formação do preço pago na aquisição das ações, foi primeiramente efetuada pela própria Experian. Neste sentido, consta dos autos, um trabalho interno de 28/03/2007, no qual se verifica que o valor de mercado calculado do objeto de aquisição fora de R$ 3,45 bilhões. O fato é que uma vez conhecidas as premissas econômicas e financeiras que envolviam a Serasa (anteriormente detidas por bancos que certamente, sabem planejar de forma estruturada seus negócios), a Experian se comprometeu contratualmente a pagar o valor de R$ 2,24 bilhões pela parcela de 65% das ações. Posteriormente, foi elaborado um Laudo de Avaliação pela empresa KPMG datada de 22.10.2007, antes da data de incorporação da Experian Brasil pela Recorrente. Tal laudo Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.856 25 consta dos autos e traz de forma estruturada o racional de cálculo de rentabilidade futura da empresa Serasa. O Fisco contesta o fato do laudo ter sido elaborado em data posterior à aquisição das ações pela Experian Brasil. Em primeiro lugar, é necessário observar que a legislação não traz a obrigação de elaboração de um "laudo", mas sim de demonstrativo da rentabilidade futura da empresa, o que no caso em tela, se materializou através do estudo interno elaborado pela própria Experian. E isso ocorreu antes da aquisição das ações. De fato, não podemos deixar de considerar que o objetivo principal do legislador foi garantir a clara e transparente demonstração do motivo econômico que levou o comprador a pagar determinado preço. Do ponto de vista fático (ou na essência), é importante destacar que, no caso em tela, uma empresa estrangeira não faria um investimento de R$ 2,5 bilhões no Brasil se não tivesse sólidas razões para tanto. Já no aspecto formal, inicio lembrando as lições dos Prof. Luis Eduardo Schoueri e Roberto Codorniz Leite Pereira (artigo A Figura do Laudo nas Operações Societários com Ágio Obra O Ágio no Direito Tributário e Societário Questões Atuais Editora Quartier Latin, 2015, pg. 184): " No entanto quanto ao momento em que deve ser feita a demonstração do fundamento do ágio, cumpre observar que o § 3°do art. 20 do Decretolei n. 1.598/77 nada estabelece neste sentido. O referido dispositivo legal limitase a estabelecer a obrigação da elaboração da demonstração bem como de seu arquivo, mas não impede que ela seja feita em momento posterior à escrituração do lançamento contábil do ágio. Assim revelase correto o entendimento de que o demonstrativo pode ser feito a qualquer momento desde que seja fiel às circunstâncias do negócio, respaldandose em elementos de prova contemporâneos à operação. O importante é que a demonstração permita aferir qual foi a motivação do adquirente na data de aquisição da participação societária. Para tanto, o critério temporal que deverá ser rigidamente observado referese à prova da motivação do adquirente haja vista que a motivação sempre precederá o negócio e não à elaboração do laudo o qual pode ser elaborado a qualquer tempo." (nossos grifos) Neste sentido, também já existem julgados neste Conselho: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. Fl. 3856DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.857 26 A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. (Acórdão 1102001.018 1° Câmara 2° Turma Ordinária Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araújo) Diante do exposto, entendo que o estudo interno elaborado pela empresa Experian antes da aquisição das ações, somado ao Laudo de Avaliação elaborado pela empresa KPMG posteriormente à aquisição das ações mas previamente à incorporação reversa, atende o requisito legal de forma a permitir a dedução do ágio." De fato, a fundamentação da autoridade fiscal é inadmissível, na medida em que centrase na posterioridade do laudo, sendo que a existência deste não era uma exigência da legislação, à época, e não desconstitui o resultado do estudo interno realizado pelo Grupo Experian e validado, posteriormente, pelo referido laudo. Neste ponto, portanto, não se sustenta o lançamento fiscal. 4. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO FUNDAMENTOS A outra controvérsia posta nos autos diz respeito à possibilidade de a Recorrente amortizar ágio pago na sua aquisição por meio da pessoa jurídica Experian Brasil Aquisições Ltda, posteriormente incorporada pela Recorrente, quando os recursos para a referida aquisição foram provenientes de terceiras empresas, com sede no exterior (GUS OVERSEAS e GUS EUROPE). A dedutibilidade do ágio em situações semelhantes àquela sob análise tem sido, recorrente e uniformemente, repelida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdãos nº 9101002.213 1ª Turma (sessão de 3 de fevereiro de 2016, Relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), nº 9101002.301 1ª Turma (sessão de 6 de abril de 2016, Relator Conselheiro André Mendes de Moura), nº 9101002.470 1ª Turma (sessão de 21 de novembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), nº 9101 002.803 1ª Turma (sessão de 10 de maio de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura), nº 9101002.960 1ª Turma (sessão de 4 de julho de 2017, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo), nº 9101002.962 1ª Turma (sessão de 4 de julho de 2017, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo), nº 9101003.006 1ª Turma (sessão de 8 de agosto de 2017, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), nº 9101003.060 1ª Turma (sessão de 12 de setembro de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura), Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.858 27 e nº 9101003.074 1ª Turma (sessão de 12 de setembro de 2017, Relator Conselheiro André Mendes de Moura), cujas ementas basicamente repetem o teor das seguintes decisões: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.859 28 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável." (Acórdão nº 9101 003.130 1ª Turma, sessão de 3 de outubro de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.860 29 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razões que ensejem tratamento diverso, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ." (Acórdão nº 9101003.132 1ª Turma, sessão de 3 de outubro de 2017, Redator designado Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) A matéria, portanto, se não está pacificada (posto que a maior parte das referidas decisões foi tomada pelo chamado "voto de qualidade"), encontrase consolidada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Não obstante, esta Turma Julgadora, ao examinar o lançamento fiscal referente ao anocalendário de 2011, em relação ao mesmo "ágio" ora sob exame, decidiu, por meio do Acórdão nº 1302002.634, de 14 de março de 2018, pela possibilidade de sua amortização fiscal. Após aquela data, contudo, a 1ª Turma da CSRF voltou a se pronunciar, pelo menos, mais cinco vezes, no sentido da indedutibilidade do ágio constituído em semelhantes situações, conforme Acórdãos nº 9101003.465 1ª Turma (sessão de 7 de março de 2018, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura), nº 9101003.543 1ª Turma (sessão de 4 de abril de 2018, Relator Conselheiro André Mendes de Moura), nº 9101003.533 1ª Turma (sessão de 4 de abril de 2018, Redator designado Conselheiro Flávio Franco Corrêa), nº 9101003.561 1ª Turma (sessão de 5 de abril de 2018, Redator designado Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) e nº 9101003.571 1ª Turma (sessão de 8 de maio de 2018, Redator designado Conselheiro Flávio Franco Corrêa). Por igual modo, desde aquela data, pelo menos duas das cinco Turmas Ordinárias da Primeira Seção de Julgamento do CARF se posicionaram alinhadas ao posicionamento da CSRF: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO; AQUISIÇÃO COM RECURSOS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A autorização de dedução das despesas de amortização do ágio, no art. 386 do RIR, de 1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição; não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outras empresas e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve as pessoas jurídicas que efetivamente desembolsaram os valores que propiciaram o surgimento dos Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.861 30 ágios, ainda que as operações que os originaram tenham sido celebradas entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço." (Acórdão nº 1201002.670, 21 de novembro de 2018, Relatora Conselheira Eva Maria Los) "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO GERADO EM OPERAÇÃO ENVOLVENDO EMPRESA DO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a amortização fiscal do ágio é nacional, devendo ser aplicada tão somente às empresas domiciliadas internamente, que adquirem investimentos com ágio. A extensão ao alcance das regras fiscais a reais adquirentes domiciliados no exterior deve ser afastada pela fiscalização e o ágio amortizado deve ser objeto de glosa fiscal. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas." (Acórdão nº 1401002.197, 21 de fevereiro de 2018, Redator designado Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa) Conquanto o entendimento da CSRF não seja vinculante, entendo que a almejada segurança jurídica em relação à matéria sob discussão é melhor alcançada por esta Turma não pela repetição da decisão proferida quanto ao anocalendário de 2011, mas pela submissão ao posicionamento consolidado na CSRF. Trago, portanto, a lição do eminente Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.130, traçando com clareza e densidade, a análise histórica e sistêmica sobre o tema, e cujas razões adoto como fundamento do meu voto: "1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.862 31 Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotandose os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondose que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considerase para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, temse, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do 'goodwill'. E como darseia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.863 32 jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteou se pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do 'goodwill'. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídico tributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase, portanto, de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.864 33 Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.865 34 I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.866 35 (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.867 36 expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista que trabalhou na edição da MP 1.602, de 1997: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.868 37 O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegou se a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.869 38 Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.870 39 I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (grifei) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.871 40 E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.872 41 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.873 42 consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.874 43 Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifei) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.875 44 fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência 'se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade'. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da 'qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária'. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.876 45 desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.877 46 sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, 'em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio', ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Registrese que a consumação do aspecto temporal não se confunde com o termo inicial do prazo decadencial. Isso porque, partindose da construção da norma conforme operação no qual "Se A é, B deveser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente, a consumação da hipótese de incidência localizase no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que a hipótese de incidência, no caso concreto, mediante aperfeiçoamento dos aspectos pessoal, material e temporal, concretizouse em sua plenitude. Assim, passase para a etapa seguinte, o consequente ("B deveser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido o contribuinte (lucro real trimestral ou anual), efetuase o lançamento fiscal com base na repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da base de cálculo, e, por consequência, determinase o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.878 47 Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostrase insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.879 48 Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990." 5. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO CASO CONCRETO Como reconhecido em diversos momentos nos autos, a criação e capitalização da Experian Brasil Aquisições Ltda teve por objetivo a aquisição da participação societária na Recorrente. Fica evidente, desde logo, portanto, que a decisão de adquirir a referida participação societária e a expectativa sobre a rentabilidade futura da Recorrente jamais foram da Experian Brasil Aquisições Ltda, mas daqueles que realizaram a sua criação e capitalização. Como se lê no Recurso Voluntário, a aquisição da Recorrente foi decisão do grupo EXPERIAN, que, então, operava no Brasil por meio das pessoas jurídicas Experian Brasil Ltda e Experian Marketing Services Ltda. Conforme se constata das 2ª a 5ª alterações contratuais da Experian Brasil Aquisições Ltda (fls. 56 a 102), os recursos para a capitalização da Experian Brasil Aquisições Ltda tiveram como origem as sociedades GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV (após uma aquisição simbólica por R$ 100,00), integrantes do grupo EXPERIAN, conforme fls. 126 e 127. A Experian Finance, PLC (Controladora do Grupo EXPERIAN) figura como Garantidora no Contrato firmado para a compra e venda da Recorrente (fls. 1.170 a 1.219), sendo que a demonstração da capacidade financeira para a operação é baseada em suas demonstrações financeiras, conforme cláusula 7.1(d). A Experian Finance, PLC figura, ainda, na Cláusula 11.5(a) como "principal pagadora das obrigações de pagamento da Compradora". Fica evidente, portanto, que tanto do lado dos alienantes, quanto do lado dos adquirentes, não havia dúvidas de que a aquisição estava sendo realizada pelo Grupo EXPERIAN, com o sacrifício financeiro suportado por empresas integrantes deste grupo (na prática, GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV). Neste contexto, a Experian Brasil Aquisições Ltda era mero instrumento de realização da transação. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.880 49 Jamais a Experian Brasil Aquisições Ltda foi a investidora, aquela que "efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a aquisição". As pessoa jurídicas investidoras, como bem apontado pela autoridade fiscal, são a GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV: "Na essência, o negócio constituiuse na venda de participação da empresa brasileira SERASA para as empresas holandesas GUS EUROPE e GUS OVERSEAS. Em que pese a empresa brasileira EXPERIAN ter figurado como compradora, as reais adquirentes das ações foram as holandesas GUS EUROPE e GUS OVERSEAS. Todos os recursos financeiros que a EXPERIAN utilizou para comprar ações da Fiscalizada provieram das controladoras. (...) Ao final das operações encadeadas, observase que a situação organizacional corresponde exatamente àquela pretendida, na essência: a GUS EUROPE e GUS OVERSEAS se tornarem proprietárias de 70% da brasileira SERASA. (...) De forma alguma as disposições do artigo 386 do RIR/99 transformaram o potencial direto (sic) à dedução dessa despesa em um 'título' transferível a quem o seu detentor desejasse. A replicação do ágio em pessoa diversa daquela que efetivamente suportou o seu pagamento, assim entendida aquela situação em que não se verifica a necessária 'confusão patrimonial', não autoriza a dedutibilidade tributária de despesa com a sua amortização, visto que não atende às condições estabelecidas na legislação vigente." Assim, o fato de a Recorrente incorporar a Experian Brasil Aquisições Ltda jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela Recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.881 50 A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa e, tendo em vista o que discorremos nos itens 5 e 6 do Tópico anterior, podemos concluir que, in casu, houve a odiosa construção artificial do suporte fático de modo a conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Tal fato já se evidencia pela efemeridade e artificialidade da empresa Experian Brasil Aquisições Ltda. Criada como "empresa de gaveta", em 2006, foi adquirida pela EXPERIAN em junho de 2007, pelo valor de R$100,00. Recebeu aportes para aumentar seu capital social em julho de 2007 (R$ 2.251.021.660,00), agosto de 2007 (R$ 73.811.248,00) e setembro/outubro de 2007 (R$ 81.248.299,00), ao mesmo tempo em que adquiriu o controle acionário da Recorrente. Finalmente, foi incorporada pela Recorrente em dezembro de 2007. Fica patente a utilização de empresa sem nenhuma substância, com o propósito deliberado de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Independentemente de a opção pela aquisição por meio da utilização da "empresaveículo" ser uma opção válida do Grupo EXPERIAN, sob a ótica econômica, não pode ser utilizada como subterfúgio para conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. O atendimento a requisitos legais nos ramos civil e empresarial não tem repercussão na esfera tributária. As supostas razões extrafiscais da Recorrente foram examinadas e refutadas adequadamente pela autoridade fiscal e pelo Acórdão recorrido (sem que qualquer contraponto relevante tenha sido apresentado no Recurso Voluntário) e, mais importante, não se sustentam frente ao desfecho da operação, que foi a incorporação da Experian Brasil Aquisições Ltda pela Serasa (com a contestada amortização do ágio), distante do efetivo negócio ocorrido, a aquisição da Serasa pelas GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV. Jamais há como se reconhecer, portanto, que a despesa de amortização do ágio criado em tais circunstâncias é usual, normal e necessária à atividade da Recorrente, de modo a ser admitida como redutora da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por mais essa razão, portanto, deve ser negado provimento ao Recurso quanto à amortização do ágio e mantido o lançamento. 6. DA IMPOSIÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A aplicação da multa qualificada de 150% foi fundamentada pela autoridade fiscal na presença de fraude, conforme art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, nos seguintes termos: "No caso presente, a GUS OVERSEAS e a GUS EUROPE poderiam ter comprado as ações da Fiscalizada diretamente. Se tivessem feito isso, o lucro real e a base de cálculo da CSLL da Contribuinte, no anocalendário 2012. teriam sido, respectivamente, de R$ 512.454.691,46 e 509.018.028,35. Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.882 51 Por terem optado intencionalmente (dolosamente) por utilizar o artifício de realizar as aquisições das ações da SERASA indiretamente através da EXPERIAN. o lucro real e a base de cálculo da CSLL de 2012 da Fiscalizada se reduziram, irregular e significativamente, para 255.679.566.62 e 252.242.903.51. Ou seja, tal conduta modificou dolosamente as bases de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL. características essenciais das correspondentes obrigações tributárias, de modo a reduzir os montantes devidos, situação descrita no artigo 72 da Lei n" 4.502/64 como fraude e punível com multa qualificada." A tentativa do sujeito passivo de enquadrar a situação como mera divergência de interpretação da legislação aplicável foi refutada pelo julgador a quo. De fato, o dolo da Recorrente na prática dos atos é plenamente evidenciado nos autos, em seus elementos cognitivo e volitivo. Desde o princípio, a operação foi engendrada com o propósito definido de fazer parecer a situação abrangida pela norma permissiva da amortização do ágio, quando sabidamente não se estava diante dela. A situação, portanto, enquadrase perfeitamente às hipóteses dos dispositivos legais que fundamentam a qualificação da multa: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Diversos passos foram tomados, situações jurídicas fictícias foram formalizadas, tudo com o propósito de induzir o Fisco ao erro na apreciação dos fatos. Não há como tal conduta receber a mesma punição prevista para os casos em que o contribuinte tãosomente deixa de realizar o pagamento ou faz uma declaração inexata isoladamente. Há um plus na conduta, que faz merecer um plus na penalidade. Em caso similar (Acórdão nº 9101002.802 1ª Turma, sessão de 10 de maio de 2017), a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela qualificação da multa, cabendo destacar trechos do voto da Relatora, Conselheira Adriana Gomes do Rego: "Pois bem, entendo que a qualificação da multa de ofício é devida no presente processo pois, em que pesem todos os fatos terem sido registrados e contabilizados, sob o aspecto tributário, não se tem dúvida de que todo o planejamento visou alterar as características do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Para tanto, conforme demonstrado nos autos, a aquisição da PRODESMAQ S/A pela CCL INC (negócio real) foi dissimulada pela interposição de uma empresa meramente escritural, como se fosse a verdadeira compradora Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.883 52 (negócio fictício), a qual somente serviu para viabilizar o mecanismo de transferência do ágio para a PRODESMAQ S/A, tanto que desapareceu em poucos dias. (...) Apesar de a redução do custo tributário ser uma meta válida na atividade empresarial, observase que aqui não está em discussão a ética empresarial, mas sim a legislação tributária, em cujo âmbito, a dissimulação do fato gerador ou a redução dissimulada do valor devido são considerados ilícitos tributários qualificados que dão ensejo à exasperação da multa de ofício." É totalmente descabida a invocação da Recorrente ao art. 112 do CTN, posto não existir qualquer dúvida no caso em apreço. Também não afasta a imposição da penalidade o fato de o ágio efetivamente ter sido pago, bem como o fato de os acionistas haverem submetido o ganho de capital à incidência do imposto de renda. Tais fatos tem relevância naqueles planejamentos tributários em que há dúvida sobre a existência do próprio pagamento do ágio, como notadamente ocorre nas situações que envolvem pessoas relacionadas (o chamado "ágio interno"). No caso em apreço, não é disto que se trata. O pagamento do ágio não é contestado, mas a criação de uma pessoa jurídica e de atos negociais para camuflar uma operação que não possibilitava, à luz da legislação, a amortização do ágio pago. Isto posto, voto pela manutenção da imposição da multa qualificada. 7. DA IMPOSIÇÃO DA MULTA ISOLADA Adicionalmente, a pessoa jurídica argumenta, em seu Recurso, que a multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL não poderia ser imposta após o encerramento do anocalendário e em concomitância com a exigência de tais tributos com multa de ofício de 150%, uma vez que isso configuraria duplicidade de penalidade. Ademais, no seu entender, a falta de pagamento do tributo estimado seria meio preparatório para a supressão do tributo apurado ao final do exercício. A argumentação da Recorrente não merece ser acolhida. Conforme art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não há impedimento para a aplicação concomitante das referidas penalidades, que possuem bases de cálculo distintas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.884 53 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" A multa de ofício sobre o ajuste anual é embasada no inciso I c/c o §1º do referido dispositivo e calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do exercício; a multa isolada tem por base o inciso II, e é calculada sobre o valor devido no mês correspondente. A primeira alegação da Recorrente é totalmente despida de sentido, já que o momento de aplicação da penalidade isolada é exatamente após o encerramento do ano calendário. Antes disso, a autoridade fiscal exigirá o próprio tributo devido por estimativa. É essa a justificativa, portanto, para a Súmula CARF nº 82. Quanto à concomitância e subsunção de penalidades, também não há razão para acolhêlas. Os argumentos trazidos pela Recorrente para fundamentar a sua tese se referem à redação anterior do referido art. 44 (e que se apresentam em consonância com a Súmula CARF nº 105). É que na redação original do dispositivo legal, a multa de ofício aplicada ao final do exercício e a multa pelo não recolhimento da estimativa tinham, ambas, como fundamento legal o inciso I do citado art. 44, razão pela qual se firmou a tese da inaplicabilidade concomitante. Após a alteração da redação, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, entendese plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. O Princípio da Subsunção, por outro lado, constituise em princípio geral do Direito Penal, sem transposição para o Direito Penal Tributário, dadas às especificidades da norma penal tributária. Cabe neste momento a transcrição de trecho do voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no Acórdão nº 9101002.438 (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 20 de setembro de 2016), de sua relatoria, que rejeita tanto a aplicação do Princípio Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.885 54 em questão, quanto a vedação à concomitância das penalidades, como invocado pela Recorrente: "Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o 'in dubio pro reo' do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.886 55 A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI –Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delitofim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...]Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.887 56 inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.888 57 redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem." Essa tem sido a jurisprudência dominante sobre o tema, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa a seguir referenciada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 (...) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.889 58 pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." (Acórdão nº 9101003.060 1ª Turma, sessão de 12 de setembro de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura) Após a alteração da redação, entendese, como já dito, plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Desta forma, rejeito o Recurso apresentado também quanto a este tópico. 8. DA APLICAÇÃO DOS JUROS SOBRE A MULTA Por fim, a Recorrente defende a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício imposta. Mais uma vez, não há como se concordar com a tese defendida. A incidência dos juros de mora sobre as multas é extraída diretamente da interpretação lógicosistêmica do próprio texto do CTN, conforme se observa pela leitura dos arts. 113, 139 e 161 daquela Norma: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." (Destacouse) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." (Destacouse) Se o art. 113 designa de obrigação principal o tributo e a penalidade pecuniária; e se o art. 139 identifica a obrigação principal com o crédito tributário, outra não Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.890 59 pode ser a interpretação senão que, de acordo com o art. 161, os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário (o texto não fala em tributo ou em principal), razão pela qual se inclui o tributo e as penalidades a ele relacionadas. Tratando do tema das multas como obrigação principal, Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. pp. 414415) leciona: "Tem sido motivo de censura a decisão do legislador de incluir as multas na obrigação tributária 'principal'. Com efeito, como considerar compreendido no gênero de 'obrigação tributária' algo que não é tributo? A crítica não é justa. O legislador complementar não utilizou o adjetivo 'tributária' para qualificar o conteúdo da obrigação (obrigação de pagar tributo), mas apenas com o intuito de identificar sua origem (obrigação de pagar, em virtude da legislação tributária). Afinal, é certo que as normas tributárias prevem o pagamento de tributo, também é certo que elas ( as mesmas normas tributárias) preveem sanções, no caso de seu descumprimento. Não se previssem sanções, faltarlhesia o principal requisito para se verem obedecidas. Há, assim, sanções por ilícitos tributários. Tais sanções podem, por sua origem, ser qualificadas sanções tributárias, nada impedindo, daí, que estejam compreendidas no gênero das obrigações tributárias. (...) Ocorre que o legislador complementar quis assegurarse de que a instituição e cobrança de multas estaria sujeita à mesma rigidez dos tributos. Assim, ao incluir a penalidade pecuniária na obrigação tributária, nada mais houve que remissão da disciplina jurídica da obrigação tributária às penalidades pecuniárias." A lição de Regina Helena Costa (Curso de Direito Tributário, 1ª ed. São Paulo: SAraiva, 2009, pp. 174175) é muito próxima: "O CTN, assim, emprega o conceito de obrigação como 'gênero', a significar relação jurídica que pode assumir caráter patrimonial ou não patrimonial, de acordo com a natureza da prestação correspondente: na primeira hipótese, o objeto é o 'pagamento de tributo' ou 'penalidade pecuniária (obrigação principal)'; na segunda, um 'comportamento positivo ou negativo do sujeito passivo (obrigação acessória)'. Portanto, para o direito tributário, a patrimonialidade não constitui elemento necessário à configuração de vínculo obrigacional. A concepção ora adotada repele, assim, a crítica doutrinária dirigida às normas contidas nos §§1º e 3º, 'in fine', do art. 113, CTN, segundo as quais a penalidade pecuniária cuja imposição é legitimada à vista do nãopagamento de tributo ou do não atendimento de obrigação acessória não pode constituir objeto da obrigação principal, pois representaria contradição ao disposto no art. 3º, que, ao definir o conceito de tributo, destaca Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.891 60 que este não se confunde com multa.. O caráter pecuniário do objeto da relação jurídica é, singelamente, a nota necessária à configuração da obrigação principal." A mesma autora (Op. cit, p. 247), expressamente, manifesta aquilo que é fundamento para a imposição dos juros de mora sobre as multas de ofício: "O crédito tributário, como sabido, compõese do valor do tributo e de seus consectários (correção monetária, juros moratórios e multa),..." Também no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1.996, o fato de a multa integrar o crédito tributário fica explícito: "Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (Destacouse) "Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (Destacouse) Por fim, ao contrário do sustentado pela Recorrente, o entendimento pacífico no âmbito do CARF é no sentido da incidência dos juros de mora, conforme Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.892 61 Deste modo, não deve ser acatado o Recurso Voluntário, quanto a esta matéria. 7. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Com a devida vênia às sempre judiciosas e técnicas ponderações do D. Relator, mas ouso, aqui, discordar de suas conclusões (no que fui acompanhado pela maioria de meus pares), mesmo considerando as premissas comumente utilizadas tanto pela Fiscalização, como por aqueles que se embasam na teoria da substância econômica para emprestar efeitos tributários válidos à planejamentos societários/fiscais. É verdade, e não tenho deixado de fazer as críticas que entendo cabíveis à tese acima suscitada, que tem, hoje, talvez, como o seu maior expoente, o celebrado professor Marco Aurélio Grecco. Não pretendo, no feito em análise, discorrer novamente sobre os preconceitos que permeiam o meu entendimento, seja quanto a regra encartada nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/96, seja sobre a extensão dos preceitos do art. 116, parágrafo único, do CTN. Isto porque, diferentemente dos casos em que este Colegiado vem, hodiernamente, se debruçando, o processo sub examine não revela a existência de operações complexas, recheadas de etapas sem fim, como troca de ativos ou pagamentos em dação de quotas ou ações. O caso, vejam bem, comporta apenas três operações (pelo que, inclusive, se vê desnecessária a reprodução gráfica do "passoapasso" dos negócios engendrados): a) a constituição, por empresas sediadas no exterior, de uma holding no Brasil (Experian Brasil Aquisições Ltda.), de vida efêmera, é verdade; b) a aquisição pela citada holding da empresa Serasa S/A, cujo investimento foi avaliado por expectativa de rentabilidade futura e adquirido mediante emprego de recursos em espécie, gerando aí, de um lado, ganho de capital tributado e, de outro turno, um custo de aquisição superior ao valor contábil da empresa adquirida. registrado na contabilidade da adquirente (desdobrado em patrimônio líquido e, obviamente, no ágio em si); c) a incorporação reversa da holding pela Serasa S/A, concretizandose, neste particular, a confusão patrimonial exigida pelo art. 386 do Decreto 3.000/99 que, ao fim e ao cabo, permitiu a amortização do ágio, objeto desta demanda. O fundamento único, digase, utilizado pela D. Auditoria para inquinar de ilegalidade as operações acima, e, consentaneamente, para glosar as despesas deduzidas pela Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.893 62 recorrente a título de amortização de ágio, foi o uso de uma "empresa de passagem", de vida curta, para efetuarse a aquisição do investimento mencionado alhures; ao ver da fiscalização, da DRJ, da PGFN e, também, do D. Relator, a criação de aludida empresa veículo não teria, em si, um fundamento econômico suficiente para justificar os negócios pactuados, tal qual como concebidos, identificandose, assim, um intuito exclusivamente fiscal. Venia concessa, mas tal entendimento, na minha opinião e com o devido respeito aos que dela divergem, a criação de uma empresa de passagem para a aquisição, por empresas estrangeiras, de investimento lotado em território nacional está adstrita à liberdade de reorganização empresarial, calcada, inclusive, na garantia constitucional posta no art. 170 da CF88. Dizerse, neste particular, que determinadas companhias estrangeiras estão obrigadas à efetuar a compra de ativos instalados no Brasil de forma direta e sem interposição de qualquer outra entidade, revela, insisto, na minha visão, pretensão de pautar a estrutura societária e institucional de entes privados. Mais que isso, vale o destaque, o simples fato de se verificar o uso de uma empresa veículo, não é, per se, suficiente para retirar dos negócios pactuados, sob a ótica fiscal, a necessária substância econômica dos negócios, mormente quando, as próprias "normas" (entendase "orientações") contábeis usualmente invocadas para considerar inválidas determinadas operações societárias, admitem, de forma explícita, o uso de empresas veículos na combinação de negócios. É o que se infere do item 27 do CPC 15, cujo teor reproduzo a seguir: Nos casos em que há incorporações da controlada na controladora e que a controladora é somente uma empresa “veículo” sem operações, o saldo do ágio deve ser baixado, por meio de provisão, em contrapartida ao patrimônio líquido, no momento da incorporação. Quando aplicável e houver evidência de recuperação devem ser registrados o imposto de renda e a contribuição social diferidos ativos, de acordo com as práticas contábeis sobre esse tipo de ativo. Daí, também, se verificar a existência de decisões deste mesmo Conselho afirmando que, o simples uso de empresasveículo, não afasta, de per si, o propósito negocial inerente às operações societárias idealizadas para, além da própria reorganização institucional, aproveitar determinados ganhos do ponto de vista tributário: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESAVEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. Bem como, notase que tal regra não está presente em nenhum outro dispositivo legal de nosso sistema jurídico, seja nacional ou federal. Neste tom, registrase, nenhuma norma pátria veda que a realização de negócios tenha por finalidade a redução da carga tributária de forma lícita. É o que se observa no §3º, art. 2 o da Lei das SA, o qual dispõe que a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades (empresa veículo), também, como forma de beneficiarse de incentivos fiscais. Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.894 63 Somese a tal assertiva o fato de que a contribuinte possuía motivação negocial, clara, posto que encontravase impedida, por regras da ANEEL, de realizar a incorporação diretamente. Motivo pelo qual se valeu de uma empresa veículo. (Acórdão nº 1302001.978;Relatora: Talita Pimenta Felix; Data da Sessão: 14/09/2016) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. (Acórdão nº 1201001.507; Relator: Luis Fabiano Alves Penteado; Data da Sessão: 14/09/2016). Insisto e repiso que, se estivéssemos diante de uma sucessão de operações criadas de sorte a tentar ocultar fatos ou dissimular atos (na acepção estritamente objetiva e técnica do art. 167 do Código Civil), sem o emprego de recursos em espécie e sem se observar efeitos concretos tanto sob o plano econômicosocietário, como no plano fiscal, o uso da empresa veículo poderia ser considerado como prova adicional da ausência de substância econômica dos negócios (ou ausência do alardeado "intento negocial"); não é, contudo, o que se observa no caso em testilha. Lado outro, como afirmado acima, ainda que os valores utilizados na aquisição da recorrente tenham advindo de empresas situadas no exterior, tais valores foram enviados ao Brasil pelo canais legais e obrigatórios e, uma vez empregados, geraram, ganho de capital oferecido à tributação. Este fato, na minha concepção, é suficiente inclusive para afastar eventual alegação de simulação (ou, de outra sorte, terseia que admitir, também, o direito da empresa adquirida pleitear a restituição do IR/recolhido sob o aludido ganho de capital dado que o imposto não pode incidir sobre fato ilícito, conforme definição do art. 3º do CTN). Em resumo, não vejo nas operações aqui tratadas qualquer mácula que possa, a luz dos preceitos dos artigos 116, parágrafo único, e 167 do Código Civil, autorizar a desconsideração dos negócios avençados, dotados que foram de efeitos econômicos e tributários efetivamente concretizados. As despesas com amortização de ágio licitamente formado, o foram com a estrita observâncias das regras encartadas nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532, pelo que, entendo, descabível a sua glosa, venia concessa. Por tais razões, voto pelo provimento integral do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.895 64 Gustavo Guimarães da Fonseca Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em que pese o bem fundamentado voto, do i. conselheiro relator, entendo que, desta feita, se está diante de uma operação de aquisição de participação societária em que foi gerado um ágio que atende aos requisitos de amortização como despesas, nos termos da legislação fiscal. A operação em análise nestes autos já foi objeto de decisão deste colegiado no Processo nº 16561.720143/201691, no qual foi proferido o Acórdão nº 1302002.634, , relativo ao anocalendário 2010. Com o devida respeito ao v. entendimento que vem sendo dado pela 1ª Turma da CSRF sobre questões relacionadas à amortização de ágio similares às ora examinadas, como bem destacado pelo i. relator, não vejo razão para alterar o posicionamento que venho adotando nestes casos e que já tive a oportunidade de manifestar em minha declaração de voto no Acórdão nº 1302002.634, a qual peço vênias para transcrever como minhas razões de decidir também nestes autos, por se tratar da mesma situação, verbis: A acusação fiscal, no presente caso, centrouse na utilização, por parte de duas empresas estrangeiras que integram o mesmo grupo econômico, de uma empresa veículo para a aquisição da participação societária de uma empresa brasileira, com o único propósito de economia tributária e que a falta de outros propósitos negociais na utilização dessa empresa, vicia a operação do ponto de vista tributário, e impede o reconhecimento e a dedução do ágio pago. A fiscalização aponta que a real adquirente da participação societária na empresa Serasa, não seria a empresa Experian Brasil Aquisições Ltda (empresa veículo), mas sim duas empresas do grupo Experian situadas no exterior (GUS EUROPE HOLDINGS BV e GUS OVERSEAS HOLDINGS BV), que foram as responsáveis pela capitalização da sua controlada no Brasil. Ressalta, também, a fiscalização o curto espaço de duração da empresa Experian Brasil e a incorporação reversa ocorrida como elementos demonstrativos da falta de substância econômica daquela empresa na operação. A recorrente, por sua vez, defende a dedutibilidade do ágio, na medida em que a aquisição ocorreu entre partes não relacionadas (independentes: 40 vendedores); que houve efetivo pagamento (por meio de 57 TEDs); que houve a tributação de ganho de capital pelos vendedores; que foram apresentados os estudos prévios quanto à rentabilidade futura que deu ensejo ao pagamento do ágio, confirmados em laudos posteriores; que existiram propósitos negociais na aquisição. Com relação à utilização da holding Experian Brasil para efetuar a aquisição, a recorrente aponta que esta tinha entre seus propósitos: 1 o pagamento local do preço a um número indeterminado de vendedores (57 TEDs a 40 vendedores); 2 mitigar riscos financeiros de variação cambial; 3 facilitar registro de investimento no Banco Central; 4 adquirir investimentos com recursos próprios; e, 5 confidencialidade dos banco de dados Experian. Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.896 65 Com relação ao fundamento principal da autuação, concernente à utilização de empresa veículo como forma de viabilizar a posterior amortização do ágio pago, entendo que estando devidamente comprovado nos autos que houve o efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) para a aquisição do investimento por parte da empresa adquirente e tendo a própria lei reguladora permitido a incorporação reversa para fins de amortização da despesa, a forma utilizada pela recorrente para a realização do negócio encontrase dentro dos limites da liberdade de organização de seus negócios, não lhe sendo vedado utilizar aquela que lhe propicie, dentro do ordenamento legal, o menor custo tributário (maior vantagem tributária, em verdade). É oportuno registrar que não estou entre aqueles que defendem que os contribuintes podem fazer tudo que a lei não veda. Entendo que os negócios jurídicos realizados devem respeitar os princípios da boafé e a função social da empresa. Assim, não se admitem negócios puramente formais, sem qualquer substância, que visam unicamente a obtenção de benefícios fiscais, como os observados na criação de ágio em operações internas ao grupo econômico. No presente caso, entendo que a operação se amolda à previsão legal que autoriza a amortização do ágio. Existe um valor efetivamente pago que supera o valor patrimonial, amparado na expectativa de rentabilidade futura. Por outro lado, a adquirente foi absorvida por incorporação pela adquirida, verificandose a confusão patrimonial exigida por lei para viabilizar a amortização da despesa. Neste passo, com a devida vênia do entendimento fiscal e do adotado pelo i. relator, o meu entendimento é o de que a utilização da empresa chamada "veículo" para a aquisição do investimento encontra respaldo no ordenamento societário e fiscal e, efetivamente, encontrase dentro da esfera de liberdade que a empresa tem para conduzir os seus negócios, inclusive de modo a lhe propiciar o menor custo ou a maior vantagem tributária. Notese que o negócio de compra e venda é real. O que se discute é se o contribuinte poderia adotar a estrutura societária que utilizou para a sua concretização. Ora, ao par dos motivos apresentados pela recorrente quanto a utilização da empresa holding, ainda que esta tenha tido efêmera existência, o objetivo de aproveitar o benefício fiscal do ágio, previsto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (arts. 385 e 386 do RIR/1999), me parece legítimo neste caso e é parte da própria estruturação do negócio realizado, levando em conta o ordenamento societário e fiscal. Entendo que a lei fiscal deve ser interpretada, especialmente aquelas que tratam de renúncia fiscal, em consonância com seus objetivos, não se limitando à sua literalidade. Daí meu entendimento no sentido de afastar a sua aplicação em operações internas, realizadas entre partes dependentes, sem qualquer sacrifício patrimonial e justificativa econômica. No entanto, não se pode buscar um sentido à lei que a afaste dos institutos que ela pretende regular ou a eles se refira. No presente caso, a possibilidade legal de aproveitamento do ágio (uma vez que este tenha ocorrido e sido demonstrado legitimamente) decorre da absorção do patrimônio de um pessoa jurídica pela outra, em virtude de incorporação, fusão ou Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.897 66 cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio apurado na forma do § 2º. Inc II do art. 385 do RIR/1999, inclusive quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a participação. Assim dispõe o art. 386 do RIR/1999: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.898 67 II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Analisando o dispositivo acima, verificase que a confusão patrimonial decorre da absorção do patrimônio de uma pessoa jurídica pela outra. É este o requisito que, uma vez atendido, permite a utilização do benefício de amortização antecipada do ágio pago. E, no caso, concreto, a pessoa jurídica que detinha o investimento era, indubitavelmente, a empresa holding que foi a responsável pela aquisição da participação societária no Brasil, ainda que os recursos tenham vindo, confessadamente, de empresas situadas no exterior. Portanto, os reais detentores do investimento no Brasil eram as empresas do grupo Experian situadas no exterior, mas ao contrário do que sustenta a fiscalização e o i. relator do voto vencido, a lei não estabelece a confusão patrimonial entre investidora (de fato) e investida, mas, sim e expressamente, entre a "pessoa jurídica" que detém a participação societária na outra "pessoa jurídica" adquirida com ágio com esta última, ou viceversa, por meio de processos de incorporação, fusão ou cisão. A figura da companhia holding encontrase prevista no art. 2º, § 3º da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), verbis: Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. § 1º Qualquer que seja o objeto, a companhia é mercantil e se rege pelas leis e usos do comércio. Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.899 68 § 2º O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo. § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. Da mesma forma os institutos da incorporação, fusão e cisão, estão previstos em diversos dispositivos da Lei nº 6.404/1976, em especial os seguintes: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. [...] Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. [...] Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Com efeito, todos estes institutos estão expressamente previstos na lei comercial, não podendo ter a sua definição, conteúdo e alcance serem interpretados de forma diversa para definição de seus efeitos tributários, nos termos dos art. 109 e 110 do CTN1. A referência às companhias e sociedades pela Lei das S/A, que detém participações em outras companhias e às operações societárias (incorporação, fusão e cisão), acima descritas, remetem à relação imediata de umas com as outras sociedades, independente do seu controle direto ou indireto por outras pessoas jurídicas. Dito de outro modo. A lei regula, por meio dos dispositivos citados, institutos que disciplinam o objeto das sociedades mercantis e suas transformações em caráter individual, como entidades autônomas, não importando sua condição dentro de um grupo econômico ou quem detenha o seu controle. Ora, a lei tributária, nos casos os arts. 385 e 386 do RIR/1999 (amparados nos arts. 7ª e 8º da Lei nº 9.532/1997), simplesmente remete a estes institutos previstos 1 CTN: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 16561.720161/201754 Acórdão n.º 1302003.339 S1C3T2 Fl. 3.900 69 na lei comercial para fins de definição do benefício fiscal de amortização antecipada do ágio, não existindo espaço para interpretálos de forma diversa. Decorre daí, também, o meu entendimento já manifestado em outros julgamentos, quanto a impossibilidade de transferência do ágio pago por uma empresa para outra criada unicamente para permitir o aproveitamento fiscal do ágio. Embora considere que a previsão legal que autoriza a amortização antecipada do investimento como despesa, conflite com princípios de justiça fiscal em face dos demais contribuintes, e, ainda, que não se justifica tal incentivo tanto do ponto de vista da política fiscal quanto do ponto de vista econômico, entendo que enquanto vigente a lei, nos casos que nela se enquadrem, tal dedução deve ser respeitada pelo Fisco. Diante desses pressupostos, estando, ao meu ver, atendidos os requisitos para a dedutibilidade do ágio no presente caso, a glosa efetuada pela fiscalização deve ser cancelada. Pelas razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto da autuação. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.902555/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 25 55 /2 00 9- 66 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.902555/200966 Acórdão n.º 3302006.403 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do pedido de restituição (PER) e de não homologação da compensação declarada (DComp), pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte informou que, quando do envio do PER/DComp, ainda não havia sido corrigida a informação atinente ao crédito empregado na compensação declarada em DCTF, declaração essa retificada posteriormente, mas antes da ciência do despacho decisório, conforme podiase verificar das cópias da DCTF e do Dacon retificadores trazidos aos autos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1132.972, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, sustentando, ainda, que a DCTF retificadora transmitida após o PER/DComp era suficiente para comprovar seu direito e invocando o princípio da verdade material. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos demonstrativo de cálculo e cópia de parte de um documento denominado Razão Analítico. É o Relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.400, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10410.902552/200922, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.400): A presente controvérsia gravita em torno do direito da Recorrente à compensação de créditos que afirma possuir com a União Federal em razão de supostos recolhimentos de tributos a maior. Isto porque a Recorrente, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que negou o seu direito ao crédito por ela pleiteado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10410.902555/200966 Acórdão n.º 3302006.403 S3C3T2 Fl. 4 3 capaz de demonstrar a origem do referido crédito, à exceção da DCTF e da DACON retificadoras. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. Contudo, não é esta a realidade dos Autos. Quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não juntou documentos comprobatórios ou indiciários do seu direito. Este colegiado possui o entendimento consolidado no sentido de que o momento da apresentação de provas ou indícios é da apresentação do Recurso Voluntário. Isto porque a aferição do direito a um crédito não leva em consideração apenas a declaração do Contribuinte, mas principalmente o fato gerador, que por sua vez é materializado a partir das provas da sua ocorrência no mundo fenomênico. Em outras palavras, não basta que a Contribuinte afirme que recolheu valor a maior, sendo necessário que ela demonstre, por meio de provas idôneas, especialmente documentação contábil e notas fiscais, qual era o valor devido para que, comparado com o valor já recolhido, seja possível calcular o montante do crédito. Esta prova, por ser constitutiva do direito de quem requer o crédito, é um ônus do contribuinte, neste caso a Recorrente, segundo a distribuição preconizada pela legislação processual civil e pelo Decreto 70235/72. Efetivamente, não foi oportunamente juntado aos autos qualquer documento de seus registros contábeis que permitisse à autoridade fiscal, e a este Colegiado, aferir a veracidade de suas alegações, à exceção de um demonstrativo da Receita Cumulativa (efls. 116) e uma página do Livro Razão (efls. 117), todos trazidos apenas com o Recurso Voluntário. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando oportunamente os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram o direito pleiteado. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos. Neste sentido salientou a DRJ. "Consignese, por oportuno, que a eventual devolução à DRF de Origem, para realização de diligência/perícia determinada de ofício no sentido de produção de provas do indébito tributário, cujo ônus processual é da contribuinte, sem que esta, principal interessada na questão, tenha anexado aos autos sequer uma única prova que revelasse, ainda que fragilmente, a pertinência do direito reivindicado, importaria, num contexto global e diante de um possível efeito multiplicador, em indesejável acúmulo de processos junto às Delegacias da Receita Federal Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10410.902555/200966 Acórdão n.º 3302006.403 S3C3T2 Fl. 5 4 do Brasil para solução de aspectos em relação aos quais a principal interessada se quedou inerte. Tal procedimento, prejudicaria sobremaneira a celeridade da tramitação dos demais processos administrativos nos quais, em linha oposta, a parte interessada tenha atuado com diligência e dinamismo na defesa de seus interesses." Interessante destacar que apesar da Recorrente haver alegado, em seu Recurso Voluntário, que possui o direito de retificar a DCTF, ainda que passados anos do envio da original, tal direito foi expressamente reconhecido pela DRJ. Esta matéria recursal, por carecer de sucumbência, sequer pode ser conhecida por este colegiado. E quanto as provas trazidas apenas quando da interposição do Recurso Voluntário, este Colegiado possui entendimento de que o momento correto para a produção de provas é a “manifestação de inconformidade”. Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso e na parte conhecida negar provimento ao Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso por força da falta de interesse recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902160/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.613
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 0/ 20 13 -6 1 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.902160/201361 Resolução nº 3401001.613 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10850.902160/201361 Resolução nº 3401001.613 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF
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