Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10245.000115/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Anos-calendários: 2000 a 2005
Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
IMPROCEDÊNCIA.
Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo
contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo
da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito
de defesa do impugnante. (Acórdão nº 1101-00.172/09).
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização
da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora
afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA.
Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de
Procedimento Fiscal de diligência (MPF-D), sendo este destinado à coleta de
informações.
DOCUMENTO INIDÔNEO.
Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de
documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007.
PAGAMENTO SEM CAUSA.
É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à
obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para
considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento
nestes documentos descritos.
DÉBITOS NÃO GARANTIDOS.
As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam
regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados.
FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas
tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação
da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da
ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.623
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira
Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anos-calendários: 2000 a 2005 Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 1101-00.172/09). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPF-D), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento nestes documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10245.000115/2009-21
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5132872
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.623
nome_arquivo_s : 110100623_10245000115200921_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10245000115200921_5132872.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747680
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231117864960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.000115/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110100.623 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente OURO VERDE AGROSILVOPASTORIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anoscalendários: 2000 a 2005 Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 110100.172/09). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPFD), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento nestes documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório A ação fiscal foi conduzida com o objetivo de apurar eventuais infrações à legislação tributária regente dos tributos IRPJ, IRRF, e IOF, sendo que este último teve sua apuração formalizada através do PAF nº 10245.000.077/200915. É importante a observação de que a presente autuação se deu no âmbito da operação conjunta entre a RFB, DPF e MPF, motivada pela existência de Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 2 3 "indícios" de um esquema de recepção e lavagem de recursos oriundos do exterior, conforme relatório banco Central do BrasilBACEN (ANEXO I – fls. 147172). A operação se denominou EXODUS e ocorreu em 18/08/2006. Como resultados do trabalho de fiscalização, foram apuradas as seguintes infrações: 1 Com base no descrito no art. 61, § 1° da lei 8.981, de 20/01/1999, pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, às empresas: Eletroacácia Eletricidade Ltda, CNPJ 04.299.121/000137, item v.1.1 do termo de verificação fiscal; Mecamp Serviços Agrícolas Ltda., CNPJ 03.094.126/000160, item v.1.2 do termo de verificação fiscal; Seagri Serviços Agrícolas Ltda., CNPJ 06.010.505/000113, item v.1.3 do termo de verificação fiscal; Souza e Albuquerque Ltda., CNPJ 06.088.312/000185, item v.1.4 do termo de verificação fiscal item v.1.; Construtora Ouro Prata Ltda., CNPJ 06.024.117/000191, item v.1.5 do termo de verificação fiscal, fl 643 do processo; Thaiti Indústria Alimentícia Ltda., CNPJ 07.225.200/000134, item v.1.5 do termo de verificação fiscal, 11 645 do processo; Pinho e Santos Ltda. EPP, CNPJ 03.382.469/000120, item v.1.6 do termo de verificação fiscal; Agrosul Agropecuária Ltda., CNPJ 04.262.600/000189, item v.1.7 do termo de verificação fiscal; .I.A.L.Ferreira —ME, CNPJ 04.683.099/000124, item v.1.8 do termo de verificação fiscal; Mozaniel B Silva Química Ambiental, CNPJ 01.242.598/000198, item v.1.9 do termo de verificação fiscal; Extremo Norte Agro Industrial, CNPJ 04.932.062/000192, item v.1.10 do termo de verificação fiscal; Redução do saldo em caixa no período de 01/01/2006 a 31/07/2007, em virtude ausência de comprovação, item v.1.11 do termo de verificação fiscal; 2 Omissão de receitas, em relação às seguintes situações: Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 passivo fictício em relação à empresa H P DE M REZENDE ME , CNPJ 04.315.430/000153, item v.2.1 .a do termo de verificação fiscal; passivo fictício em relação à empresa OLIVEIRA E PAIVA LTDA, CNPJ 05.620.028/000145, item v.2.1.a do termo de verificação fiscal; pagamentos não contabilizados, em situações diversas; item v.2.2 do termo de verificação fiscal; 3 insuficiência de recolhimento de débitos declarado item v.3 do termo de verificação fiscal; 4 distribuição de lucros aos sócios por empresa com débito não garantido, item v.4 do termo de verificação fiscal; 5 aplicação de multa qualificada, em virtude de situação caracterizadora de fraude, conluio ou simulação, item v.5 do termo de verificação fiscal. Em antítese à cognição dos fatos pela fiscalização, o impugnante apresentou, em sua defesa, os seguintes argumentos: Nulidade do Auto de Infração, em virtude de ilicitude da obtenção das provas, em especial a "Teoria da árvore envenenada". O impugnante argumenta que os atos de obtenção das provas foram praticados por autoridade incompetente, por estarem desprovidos de "Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)" regular. No caso específico, não poderia, no entender do impugnante, o procedimento fiscal ter se iniciado através de MPFD (Mandado de Procedimento Fiscal de diligência). Em decorrência, o auto de infração teria sido constituído com abuso de poder, por falta das formalidades essenciais; Nulidade do Auto de infração por violação dos arts. 116 e 142 do CTN, basicamente por entender que, sendo a atividade do lançamento tributário vinculada, na situação de a fiscalização ter se convencido da simulação dos negócios jurídicos da impugnante, deveriam ter sido instaurados procedimentos específicos, estabelecidos em lei ordinária, o quê, mais uma vez no entender do impugnante, não existe no ordenamento jurídico; Ausência de declaração de inaptidão das empresas cujos documentos foram considerados inidôneos pela fiscalização, em afronta, segundo entendimento do impugnante, ao art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007; Improcedência do Auto de Infração, alegando que a utilização do instituto do art. 61 da lei 8981/95 não dispensa a Administração Tributária de investigar a ocorrência do fato gerador do tributo, conforme art. 142 do CTN. A impugnante apresenta justificativas e contra argumentos ao entendimento da fiscalização, em relação aos seguintes pagamentos: i) Eletroacácia Eletricidade Ltda, CNPJ 04.299.121/000137; Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 3 5 ii) Seagri Serviços Agrícolas Ltda, CNRI 06.010.505/000113; iii)Thaiti Indústria Alimentícia Ltda, cnpj 07.225.200/000134; iv) Pinho e Santos Ltda EPP, cnpj 03.382.469/000120; v) Agrosul Agropecuária Ltda, cnpj 04.262.600/000189; vi) Demais pagamentos; Em relação à redução do saldo de caixa, entre 01/01/2006 e 31/07/2007, alega o impugnante que nem todos os documentos apreendidos durante a operação EXODUS foram devolvidos integralmente pela autoridade policial, o que impossibilitaria sua defesa; O impugnante pleiteia pela improcedência da aplicação da multa regulamentar descrita no art. 32 da lei 4.357/64, alegando aplicação indevida pela fiscalização do termo "débito garantido", descrito no artigo acima, uma vez que possuía, no período da distribuição dos lucros questionados, certidão negativa de tributos; Em relação à multa qualificada de 150%, o impugnante afirma que a lei exige dolo específico do agente, ou seja, que ele tenha deliberadamente agido com o objetivo, no caso, de suprimir ou reduzir tributos. No entender do impugnante, a fiscalização não logrou êxito na demonstração do dolo específico; A impugnante requer deferimento de diligência, consistindo no depoimento de pessoas físicas que especifica, bem como com as perguntas pertinentes; Ao final, a impugnante requereu: a) seja decretada a nulidade do auto de infração, pois lavrado por pessoa incompetente; b) se rejeitadas as preliminares, seja julgado improcedente o auto de infração, à vista das justificativas dos pagamentos relacionados no item V da fiscalização; c) seja julgado improcedente o auto de infração em relação à redução de caixa, porque a redução do saldo se deu por motivo de força maior; d) seja julgado improcedente o auto de infração em relação à aplicação do art. 32 da lei 4537/64, pois provada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; e) o agravamento da multa seja rejeitado, por não haver prova do dolo específico da impugnante. Em sede de julgamento, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém – PA houve por bem manter integralmente a impugnação, ementando o julgamento segundo moldes assim formatados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPFD), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento neste documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. A prova de regularidade fiscal feita pelas certidões negativa ou positiva com efeito de negativa, prova regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. É necessário provar o ânimo interno do autuado em reduzir tributos para a aplicação da multa qualificada do art. 44 da lei 9.430/96, independente da ocorrência e demais exações no procedimento fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificado, por meio de seu procurador, em 23/02/2010 (f. 1667), interpôs o contribuinte, tempestivamente, o Recurso Voluntário em apreço (fls. 1679 e ss.), reiterando os argumentos expendidos em primeira instância e pugnando, ainda, pela nulidade do aresto recorrido, sob adução de que não teria sido motivada a conclusão de inexistência de violação aos artigos 142 e 116 do CTN, de um lado, e de ausência de motivo para a denegação do pleito de produção de prova pericial, de outro. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Os autos de infração em análise cerram origem em labor investigativo que fora desenvolvido, em conjunto, pelo Ministério Público Federal, pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal. A autuada, nos termos detalhadamente expostos pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 608/680), é sociedade que compõe grupo empresarial formado por quase uma centena de pessoas jurídicas, todas vinculadas ao Sr. Walter Vogel (CPF/MF nº 703.513.92904). Tais sociedades Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 4 7 representariam, segundo as conclusões fazendárias, instrumentos destinados a acobertar a recepção e a distribuição interna de recursos oriundos do exterior, em típico esquema de “lavagem de dinheiro”, com vistas a legitimar o recebimento de montantes que, sob outro pálio, não teriam causa para ingressar no patrimônio das pessoas físicas envolvidas. Na forma constatada pela Fazenda, ocorreriam, corriqueiramente, aportes fraudulentos de recursos advindos de supostos investidores estrangeiros. Tais remessas de pecúnia eram operadas mediante empréstimos, de um lado, ou de investimentos diretos (mormente integralizações de capital social), de outro – todas com destino à autuada ou a empresas coligadas. Uma vez recebidos os valores em questão, procedia o Sr. Walter Vogel, juntamente com outras pessoas naturais, à quase imediata transformação dos valores em numerário, a fim de evitar a fiscalização desenvolvida pelos órgãos do Sistema Financeiro Nacional. Subsequentemente, procediase à distribuição de lucros (rendimentos isentos) aos sócios brasileiros das variadas empresas, sem que iguais pagamentos fossem feitos aos aventados acionistas e quotistas estrangeiros (investidores diretos). Outrossim, a fim de encampar os trânsitos de pecúnia realizados entre as variadas sociedades do grupo, realizavamse inúmeros negócios supostamente simulados, operacionalizados sob a forma de mútuos, compras e vendas e prestações de serviços – operações estas em que se empregava moeda em espécie, a despeito do vulto dos valores envolvidos. A recorrente, em tal cenário, seria, então, a sociedade na qual se concentraria quase toda a distribuição de lucros às pessoas físicas. A análise de todo o cenário em tela levou o Fisco a apurar variadas infrações à ordem tributária, a saber: i) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, representado pela remessa de pecúnia desprovida de comprovação da realidade das operações econômicas subjacentes; ii) passivo fictício, em decorrência da manutenção, na escrituração fiscal, de passivos cuja exigibilidade não fora comprovada; e iii) pagamentos não contabilizados, conforme apurado em diligências realizadas junto à sociedade Pinho e Santos Ltda. EPP; iv) insuficiência de recolhimento, face à divergência existente entre as receitas apuradas por cotejo de notas fiscais de saída, entregues pelo contribuinte, e as cifras informadas em DCTF; e v) distribuição de lucros por empresa em débito não garantido. Em oposição às conclusões fazendárias – e aos lançamentos delas derivados –, apresentou o contribuinte variadas arguições. Tratemos, então, segregadamente, de cada uma delas. (1) Preliminarmente: da falta de fundamentação parcial do aresto recorrido A recorrente alega, inicialmente, que o aresto recorrido é nulo, porquanto carecedor de suficiente fundamentação. Como se explicou sucintamente, os lançamentos perpetrados partiram do suposto de que as operações societárias e comerciais praticadas pela autuada eram simuladas, voltadas a acobertar esquema de “lavagem internacional de dinheiro”. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 8 O cerne do entendimento fiscal estaria repousado, segundo aventa o contribuinte, no parágrafo único do artigo 116 do CTN, enunciador de norma geral antielisiva. A recorrente afirmou, pois,em primeira instância, que este dispositivo não seria autoaplicável, dado ser necessária, para que surta efeitos, a promulgação da pertinente regulamentação, encampada por legislação ordinária. O colegiado a quo, ao dispor sobre o tópico, não explicitou, de fato, o porquê de a construção da então impugnante ser incorreta. Optou, pois, apenas por afastar tal sorte de ilação, afirmando que as hipóteses que autorizam a declaração de inidoneidade de documentos fiscais não se limitam àquela em que a própria empresa emissora é decretada inapta, consoante leitura do artigo 48, §§ 4º a 6º, da Instrução Normativa RFB nº 748/07. Pois bem. De fato, o colegiado inferior calou sobre a possibilidade de desconsideração, por simulados, dos negócios jurídicos praticados pela autuada, na forma do estresido artigo 116, parágrafo único, do CTN. Acontece, no entanto, que tal aparente omissão não importa em nulidade do acórdão. Vale lembrar, nesse sentido, que a autoridade julgadora não está obrigada a rebater cada um dos argumentos recursais, individualmente, desde que adote fundamentação suficiente a dirimir, de forma global, a controvérsia instaurada nos autos. Assim já decidiu este Conselho, em outras oportunidades: “DESNECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO INDIVIDUALIZADA ACERCA DE TODOS OS ARGUMENTOS. Não viola a legislação que rege o processo administrativo tributário, nem importa negativa de prestação das alegações da recorrente, a decisão administrativa que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos no recurso interposto, adotou fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia ora posta nos autos. (Acórdão nº 2402 01.049/10)” “NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA IMPROCEDÊNCIA Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 110100.172/09)” Ora, a falta de análise do argumento em estudo não ensejou qualquer cercamento de defesa. Assim é, afinal, como se explicará à frente, porquanto o permissivo insculpido pelo artigo 116, parágrafo único, do CTN sequer foi empregado para fundamentação dos trabalhos realizados. Ainda que assim não fosse, ele autoriza, de pronto, a desconsideração de negócios jurídicos simulados ilícitos, independentemente de regulamentação por lei ordinária. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 5 9 (2) Preliminarmente: da preterição do direito de defesa derivada da falta de oportunidade de produção de prova testemunhal Também consoante se explicou, a autuada efetuou variados pagamentos a outras sociedades, reputados como injustificados pela Fiscalização, pelos motivos descritos no Termo de Verificação Fiscal acima indigitado. Os motivos que levaram o Fisco a desconsiderar os documentos apresentados pelo contribuinte, como supedâneo das operações praticadas, foram de distintas ordens. A ele nos debruçaremos, mais detidamente, no momento em que analisarmos as razões de mérito contrapostas aos lançamentos pertinentes. Por ora, porém, importante ressaltar que a peticionária pleiteou, em primeira instância, a produção de prova testemunhal, sob o suposto motivo de que tal elemento probatório seria capaz de elidir as conclusões fiscais, tendentes a entrever as beneficiárias como incapazes, materialmente, de prestar os serviços ou realizar as vendas pelos quais foram remuneradas. O pleito formulado foi denegado pelo aresto recorrido, em decorrência de sua aduzida imprestabilidade para o deslinde da verdade. Calcado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, adiante transcrito, o colegiado a quo entendeu como despiciendo o requerimento de prova testemunhal, uma vez que a demonstração da realidade das operações deveria, por evidente, ter índole documental: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Com razão, a meu ver, o acórdão em debate. As averiguações feitas pela Fazenda levaramna a crer que as prestações de serviços e os demais negócios subjacentes aos pagamentos efetivados pela autuada jamais ocorreram. Quer porquanto desprovidas de estrutura física compatível com as atividades aduzidas, quer porque simplesmente carentes de movimentação operacional e financeira nos períodos estudados, houve o fiscal, por bem, reputar as sociedades beneficiárias como não prestadoras de qualquer atividade que pudesse render, a elas, as cifras que lhe foram remetidas pela recorrente. Ora, não parece difícil perceber que tais indícios, objetivos e sólidos, não podem ser sobrepostos por simples provas testemunhais. Assim, o pedido do contribuinte se mostrou totalmente dispensável, não existindo outra saída que não sua vedação sumária. Tal conduta não configura cerceamento de defesa, mas, sim, mero instrumento de resguardo da higidez e da celeridade do processo administrativo fiscal, em detrimento de diligências desnecessárias ou meramente protelatórias. Superadas então, as preliminares suscitadas, passemos à análise do mérito recursal. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 10 (3) Da nulidade dos MPFD. Da ilicitude das provas colhidas. No mérito, a autuada iniciou pela afirmação de que os elementos probatórios arregimentados pelo Fisco, junto às beneficiárias dos pagamentos injustificados, seriam ilícitos, porquanto coletados no bojo de procedimento de investigação arvorado em Mandados de Procedimento Fiscal – Diligência eivados de nulidade. Por consequência, não teria o i. autuante competência concreta para tal sorte de fiscalização, eis que tais atribuições só surgiriam com a emissão do regular MPF. Duas seriam, no entender do contribuinte (fl. 1689), as principais claudicações formais verificáveis da leitura dos MPFD’s juntados aos autos. De um lado, estariam ausentes a descrição do tributo fiscalizado e o respectivo período de apuração. De outro, também não estaria satisfatoriamente definido o objeto da diligência fiscal, uma vez ter se limitado o i. fazendário a descrever o escopo do procedimento como sendo o de “acompanhamento/constatação previstos na legislação tributária”. Ora, parece, a mim, que as aduções recursais ora resenhadas em nada infirmam o trabalho impositivo. Como se depreende do próprio artigo 7º, § 4º, da Portaria RFB nº 11.371/07, trazido à baila pela insurgente, o MPFD deve indicar, somente, a “descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria”: “Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. (...) § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o:modelo aprovado por esta Portaria.” Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 6 11 Descabe afirmar, ao contrário do que quis o contribuinte, que os requisitos imanentes ao § 1º do citado artigo se apliquem também ao MPFD. A redação do dispositivo é clara e, em tal diapasão, não deixa dúvidas de que aquelas informações pertinem apenas ao MPFE e ao MPFF. Nada há, pois, algo a se retocar nos MPF’s que instruíram as investigações fiscais. Inexiste falar em nulidade do procedimento ou, em última análise, em ilicitude de qualquer das provas colhidas. (4) Da suposta violação aos artigos 116 e 142 do CTN Ato contínuo, o contribuinte aventou que os lançamentos em debate inobservaram os lindes dos artigos 116 e 142 do CTN. No que atine ao primeiro dispositivo, afirma a postulante que a Fazenda, para efetivar as exigências guerreadas, desconsiderou, por alegadamente simuladas, variadas operações comerciais e societárias praticadas entre autuada e terceiras sociedades. Para reputar como sem causa os pagamentos feitos a outras empresas, o Fisco entendeu, por exemplo, que eram simuladas diversas prestações de serviços e variadas compras e vendas de mercadorias; em igual esteira agiu, outrossim, para caracterizar a existência de pagamentos não contabilizados ou de passivos cuja exigibilidade não estaria demonstrada. O supedâneo normativo para tal raciocínio, aduz a recorrente, só poderia ser identificado à norma geral antielisiva esculpida pelo artigo 116, parágrafo único, do CTN. Tal mandamento, no entanto, só poderia ser aplicado depois de regulamentado pela legislação ordinária, nos termos do próprio enunciado em questão: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.“ Não creio que o contribuinte tenha retidão em sua exegese. O fiscal lançador não calcou suas diligencias, em nenhum momento, no permissivo ora cuidado. As inferências assim realizadas são da lavra do contribuinte, sem qualquer arrimo nos autos. Todos os argumentos despendidos partem de uma premissa errônea, eis que outros dispositivos foram elencados, na verdade, a legitimar as desconsiderações dos negócios simulados. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 12 Ainda que assim não fosse, não há dúvidas, como se pode depreender da mais rasa leitura do dispositivo encimado, que a desconsideração de atos ou negócios jurídicos, quando praticados com fins de simulação de sua causa econômica – dissimulando a ocorrência do fato imponível, lado um, ou camuflando a natureza dos elementos componentes da obrigação fiscal, lado outro – pressuporia procedimento específico apenas nos casos em que o contribuinte, ao praticar atos lícitos, prefere fazêlo sob o manto de outro instituto jurídico, visando à economia tributária. Noutras palavras, parece certo que a norma ora cuidada inovou, apenas, na medida em que autorizou o Fisco a descortinar atos que, embora legais, estavam simulados pela prática de outras operações, com fito único de reduzir a carga tributária. Sem entrarmos no mérito da constitucionalidade desta regra, acredito que o parágrafo único do artigo 116 do CTN veio inaugurar, apenas, permissivo antielusivo, que lidima a Fazenda a desconstruir planejamentos tributários calcados na simulação. A necessidade de regulamentação, nessa hipótese, é, repitase, inquestionável. Conclusão similar não se aplica, no entanto, quando os atos subjacentes sejam, desde sempre, ilícitos. Neste caso, creio que o artigo 116 nada fez mais do que explicitar regra antievasiva que, por evidente, já imperava desde sempre em nosso ordenamento, como decorrência lógica dos princípios de direito tributário. Ora, nos termos explicados pelo agente fiscal, circunscritos pelo Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos infracionais, remanesce claro que as operações ora desconsideradas faziam parte de um esquema complexo de “lavagem de dinheiro”, destinado a internalizar e a distribuir, a pessoas naturais residentes no País, pecúnia recebida de paraísos fiscais diversos. Não se está, pois, desqualificando mero planejamento tributário, engendrado via simulação. Cuidase, sim, de desmascarar práticas ilícitas e sonegatórias, dissimuladas mediante documentação contábilfiscal fraudulentamente empregada. Para tal fim, não é preciso rito específico, porquanto a desconsideração do negócio camuflado prescinde de lei específica que a autorize. Por tudo o que se expôs, parece evidente que não tem cabimento a alegação recursal de que só poderia ser reputado inidôneo qualquer documento fiscal se a própria empresa emissora também fosse declarada inapta, junto ao Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). A identificação de simulação documental não pressupõe a irregularidade cadastral da pessoa jurídica que a ensejou. Uma nota fiscal que acoberte operação inexistente, para fins de justificação de pagamento sem causa econômica, é inábil, para todos os fins fiscais, ainda que o emissor esteja em posição regular no que concerne a outras operações. Assim, igualmente insubsistente é a leitura que o sujeito passivo intenta fazer do artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 748/07. (5) Dos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Da redução imotivada do saldo de caixa. Adentrando, especificamente, na questão da demonstração dos substratos econômicos dos adimplementos feitos em prol das sociedades arroladas pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 608/680, aduz a autuada que há provas cabais, nos autos, da efetividade das atividades comerciais de compra e venda e de prestação de serviços por ela contratadas. Em resumo, são os seguintes os argumentos para tanto apresentados: Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 7 13 i) Eletroacácia Eletricidade Ltda.: ainda que não tenha mantido escrituração contábil regular, esta empresa prestou, sim, serviços à autuada, conforme se pode provar pelas notas fiscais carreadas aos autos; ii) Seagri Serviços Agrícolas Ltda.: os préstimos desenvolvidos se provam pelos correspondentes recibos – documentos que foram emitidos em lugar das notas fiscais de serviços, em razão da confusão da emissora acerca da Municipalidade credora do ISS. Outrossim, conforme livro Caixa, de um lado, e GFIP’s dos anosbase de 2003 a 2006, de outro, dita sociedade operava regularmente, com utilização de quadro regular de funcionários; iii) Thaiti Indústria Alimentícia Ltda.: eventuais deficiências na escrituração contábil fiscal desta sociedade não representam prova de não prestação de serviços. Esta empresa desenvolvia idênticos préstimos a outras tomadoras roraimenses, na forma das notas fiscais amostralmente juntadas aos autos; iv) Pinho e Santos Ltda. EPP: similarmente, há, nos autos, notas fiscais que evidenciam que esta sociedade desenvolvida atividades junto a outras empresas, na época em que ajustava operações com a recorrente; v) Agrosul Agropecuária Ltda.: há, mais uma vez, nos autos, cópias de algumas notas fiscais que demonstravam a existência de negócios operados com outras sociedades, distintas da autuada. Cópias de contracheques de funcionários, ademais, mostrariam a operacionalidade da empresa, à época dos fatos apurados. Quanto aos demais pagamentos, pugnou a peticionária pela posterior juntada de documentos, que jamais se materializou. Acerca da redução imotivada do saldo credor de seu caixa, entre 01/01/06 e 31/07/07, limitouse a autuada a asseverar que os recibos e comprovantes correlatos foram apreendidos pela Polícia Federal, sem que nunca mais tivessem sido devolvidos. Argui que tais elementos documentais poderiam explicar as minorações constatadas, acaso não tivessem sido extraviados durante as apreensões realizadas no transcurso da Operação Exodus. A respeito, primeiramente, dos pagamentos sem causa, guardo posição no sentido da correção do labor de lançamento. A simples juntada das notas fiscais emitidas pelas empresas beneficiárias não representa, evidentemente, contraprova hábil a todas as constatações e as diligências realizadas pela Fazenda – realizadas, em sua maioria, in loco. São robustos os indícios de que os ajustes comerciais feitos entre a autuada, de um lado, e as favorecidas pelos pagamentos imotivados, de outro, jamais ocorreram. Documentos fiscais emitidos em favor de terceiras empresas, mormente em quantidades ínfimas, não comprovam que, de fato, as específicas operações ora cuidadas efetivamente ocorreram. Por oportuno, colacionemse, abaixo, as considerações a que chegou o i. AFR lançador, naquilo que toca aos fornecedores elencados no recurso: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 14 “Ao tratarmos de causa, o fazemos, referindonos ao fato motivador do pagamento do qual se exige comprovação. A análise da comprovação foi efetuada em cada evento, com os elementos característicos à operação praticada, e nos casos em que ficou evidenciada a falta de idoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o lançamento contábil, ou não, do pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, houve a apuração de ofício do crédito tributário decorrente do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, pagamento sem causa, pela empresa ora fiscalizada, com base no artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. Conforme já mencionado, é significativa a redução do saldo da conta Caixa no ano 2005, passando de um saldo no início do período de R$ 13.273.410,02, para R$2.657.379,32 em 31/12/2005. Analisando as possíveis causas dessa redução, além da distribuição de lucros aos sócios que totalizou R$5.186.445,42 em 2005, verificamos a existência de diversos pagamentos a fornecedores. No decorrer do procedimento, intimamos a fiscalizada a comprovar as saídas de Caixa/Banco no período de 2004 a 2005, para as quais apresentou como prova tão somente cópias de notas fiscais de prestação de serviços ou fornecimento de materiais, relativos a pagamentos em valores vultosos para alguns fornecedores, sem trânsito pelo sistema financeiro. Desta feita, realizamos procedimentos de diligência nos fornecedores mais relevantes, onde pudemos constatar algumas inconsistências que nos permitiram concluir que os produtos / serviços descritos nas notas fiscais não foram de fato entregues, e os repasses financeiros não foram efetivamente efetuados, tais como: Incapacidade operacional e financeira do suposto fornecedor Incompatibilidade entre o faturamento da empresa e o patrimônio de seus sócios Pessoa jurídica declarada inativa Negativa de emissão do documento fiscal Indisponibilidade em estoque dos produtos para os quais foi dada saída A seguir detalhamos, por fornecedor, os pontos mais relevantes observados na diligência, os quais nos levaram a concluir pela improcedência dos pagamentos, cujos documentos formam os ANEXOS IX ao XXIII. V.1.1. ELETROCÁCIA ELETRICIDADE LTDA. Os documentos da Diligência Fiscal realizada na Eletrocácia compõem o ANEXO XII, fls. 02 a 141. De acordo com as notas fiscais e escrituração apresentadas pela Ouro Verde, verificamos que todos os desembolsos efetuados para a Eletrocácia ocorreram em espécie e que, em suma, os serviços prestados eram de natureza de manutenção elétrica em fazendas e prédios, e aluguéis de caminhão e gerador. Os pontos principais observados na Diligência, conforme relatório, foram os seguintes: Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 8 15 1) A empresa não apresenta qualquer atividade operacional contínua ao longo dos AC 2003 a 2006; 2) No AC 2005, ano de prestação de serviços à Ouro Verde Agrosilvopastoril, a empresa tinha apenas a sócia responsável como funcionária (em 2003, eram 3 funcionários para um faturamento de 1/3 ao apresentado em 2005); 3) A Eletrocácia não era proprietária de qualquer veículo no AC 2005; a atividade de locação de bens não consta em seu objeto social. Somente há um caminhão de propriedade da responsável pela empresa, transferido para Joinville/SC em 2000. 4) Os supostos recebimentos pelos serviços prestados à Ouro Verde no AC 2005 eram efetuados em espécie, sem comprovarse a efetiva transferência dos recursos. Intimado para tal, justifica a saída do montante apenas mediante a apresentação da NF correspondente. Considerando os elementos pontuados acima, concluiuse que não houve a prestação dos serviços pela Eletrocácia à Ouro Verde no AC 2005, devendo os valores registrados como saída de numerário na Ouro Verde serem lançados como Pagamento sem Causa / a Beneficiário não Identificado, de acordo com a tabela abaixo, na data do pagamento, com base no art. 61 da Lei n o 8.981/95: (...) V.1.3. SEAGRI SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO IX. A seguir relacionamos os pontos principais levantados: 1) No AC 2004, somente houve a "suposta" prestação dos serviços para a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, sendo a liquidação financeira em espécie. 2) Analisandose os talonários fiscais, percebemos que é praxe da empresa manter NF em branco, sem nenhuma evidência de rasuras ou erros de preenchimento, constando simplesmente o carimbo de "cancelada". 2) A empresa não apresenta conta bancária no período. 3) Seus sócios não apresentam rendimentos e bens que se compatibilizem com os valores movimentados pela empresa. Por fim, concluiuse que não houve as saídas de recursos da empresa Ouro Verde, como também não foi comprovado o vínculo com os supostos serviços prestados pela SEAGRI Serviços Agrícolas Ltda. Portanto, as saídas de numerário registradas na contabilidade da Ouro Verde devem ser consideradas pagamentos sem causa / a beneficiário não identificado, sendo exigido o Imposto de Renda na Fonte mediante a aplicação da alíquota de 35% sobre o rendimento reajustado, de acordo com o art. 61 da Lei n o 8.981/95, conforme detalhado na tabela abaixo: (...) V.1.5. THAITI INDUSTRIA ALIMENTÍCIA LTDA Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 16 Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO X. Segundo o Relatório de Encerramento de Diligência, restou descaracterizada a prestação de serviços à Ouro Verde pela empresa Thaiti Indústria Alimentícia, relativos a fornecimento de alimentação a trabalhadores daquela, devendo as saídas de numerário da fiscalizada, conforme tabela abaixo, ser considerados pagamentos sem causa ra beneficiário não identificado, com base no art. 61 da Lei no 8.981/95. Alguns pontos relevantes levantados no Relatório da Diligência: 1) Existe incompatibilidade entre a movimentação da empresa e a capacidade econômica e patrimonial dos sócios; 2) Os sócios sequer possuem conta bancária no período analisado; 3) Não existem contratos escritos e a liquidação financeira se dava mediante a apresentação das notas fiscais pela prestadora, com o pagamento em espécie; 4) Inexiste comprovação da efetiva transferência dos recursos. (...) V.1.6. PINHO E SANTOS LTDA EPP Os documentos desta Diligência Fiscal compõem os ANEXOS XIX, XX e XXI. Segundo o Relatório de Encerramento de Diligência, podemos destacar os seguintes aspectos mais relevantes: 1) Cuida da averiguação de documentos fiscais apresentados pela Ouro Verde, como comprovação de saídas de numerário, de emissão da empresa Pinho e Santos, relativos a suposta prestação de serviços de manutenção e poda de árvores; 2) Houve emissão de NF de forma fraudulenta, conforme análise dos talonários de numeração 51 a 100 e 101 a 150. Verificase que o talonário das NF 51 a 100 apresenta datas de emissão entre 16 de fev/2004 à 28 de maio/2007 (data da emissão da última NF, a 82), enquanto o outro bloco apresenta datas de emissão de 31 de jan/2004 à 19 de ago/2005 (data de emissão da NF 132; todas as NF, a partir da 133, estão em branco). Além disso, todas as NF de numeração 1 a 21 estão canceladas, sem qualquer rasura que evidenciem erros em seu preenchimento; 3) Devidamente intimado, manifestou os recebimentos pelos supostos serviços prestados somente pela emissão de NF, sem comprovalos efetivamente; alegou, ainda, que alguns clientes exigiam recibos. Todos os recebimentos ocorreram em espécie; 4) Os sócios não apresentam bens, rendimentos declarados ou movimentação financeira que apresente razoabilidade com a propriedade de uma empresa que faturou receitas da ordem de R$812.479,50 (AC 2003), R$713.848,80 (AC 2004) e R$434.216,82 (AC 2005); Considerando os elementos citados acima, pudemos concluir que não houve a comprovação dos repasses dos recursos em referência aos supostos serviços prestados pela Pinho e Santos Ltda EPP, tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços. Devese tributar a empresa Ouro Verde mediante repasse de recursos sem a identificação do beneficiário, exigindo o IRRF de 35% sobre o valor reajustado, de acordo com a tabela a seguir: Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 9 17 (...) Adicionalmente, a Ouro Verde registrou repasses de recursos a Pinho e Santos por serviços prestados conforme notas fiscais n o 60, 62 e 63. Todavia, em análise dos registros contábeis e dos talonários fiscais da suposta prestadora de serviços, constatamos que estes foram prestados para empresas diversas da Ouro Verde, senão vejamos: Razão da Ouro Verde Data Valor Histórico contábil 30.04.2005 14.666,30 Pago na data ref a NF 000060 Pinho e Santos Ltda EPP 31.05.2005 15.046,57 Pago na data ref a NF 000062 Pinho e Santos Ltda EPP 30.06.2005 19.348,80 Pago na data ref a NF 000063 Pinho e Santos Ltda EPP Talonário Fiscal da Pinho e Santos DATA NF EMPRESA 15.05.2004 60 Construtora Blokus Ltda, 02.066.112/000170 01.06.2004 62 Engexata Engenharia, 07.654.734/000133 01.06.2004 63 Engexata Engenharia, 07.654.734/000133 Pelo exposto, restou caracterizada a saída de recursos da fiscalizada com finalidade diversa do que foi registrado na contabilidade, cabendo à fiscalização exigir de ofício o Imposto de Renda na Fonte sobre pagamento sem causa / a beneficiário não identificado, aplicando a aliquota de 35% sobre a base reajustada, de acordo com o art. 61 da Lei n o 8.981/95, conforme quadro a seguir: (...) V.1.7. AGROSUL AGROPECUARIA LTDA EPP Segundo a contabilidade da Ouro Verde, verificamos o repasse de valores à empresa Agrosul pela suposta prestação de serviços de podagem, adubação e manutenção no ano 2005. Em procedimento de diligência fiscal realizado na Agrosul, encontramos fortes evidências de que esta não prestou efetivamente os serviços à Ouro Vede, conforme pontuado abaixo. Os documentos desta Diligência Fiscal compõem o ANEXO XIII, fls. 02 a 158. 1) A Agrosul não apresentou contratos referentes aos serviços prestados no ano 2005, informando apenas que os mesmos seriam feitos por meio de acertos verbais. Tal conduta vai de encontro aos procedimentos empresariais típicos para essas operações, em que se têm valores relevantes envolvidos, como no caso em pauta; 2) Levese em conta ainda que, até o ano 2004 o contribuinte realizava os serviços via contratos formais, e, no ano seguinte, passa a realizalos mediante acertos verbais, sem que se apresente uma justificativa plausível; Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 18 3) Não foi comprovado o efetivo repasse dos valores, os quais não transitaram, em sua grande maioria, pelo sistema bancário; 4) A Agrosul apresenta uma redução drástica no seu quadro de pessoal a partir do ano 2004, não acompanhada por uma redução proporcional da receita, o que não parece coerente para uma empresa prestadora de serviços, totalmente dependente de sua mão de obra; 5) Para justificar a variação da receita desalinhada com a redução no quadro de pessoal, o contribuinte atribui a fatores climáticos, condições do trabalho, complexidade das tarefas, acesso ao local de trabalho. Todavia, de acordo com os contratos apresentados, as atividades exercidas pela empresa são de baixa complexidade. Em resumo, concluímos que o contribuinte informou ter prestado serviços os quais não se concretizaram, e também não comprovou o efetivo recebimento pelos mesmos, sendo que tais valores não transitaram pelo sistema bancário. Portanto, os saídas de numerário registradas na contabilidade da Ouro Verde tendo como destinatária a Agrosul Agropecuária no anocalendário 2005, devem ser tributadas como pagamento sem causa / a beneficiário não identificado, de acordo com a tabela abaixo: (...)” Por outra vertente, naquilo que respeita à inexplicada redução do saldo em caixa, mister é recordar que as justificativas apresentadas foram exclusivamente retóricas. Escorase o contribuinte em suposto extravio de documentos, a que teria dado causa a Polícia Federal, para justificar eventual impossibilidade de defenestrar a omissão de receitas apurada. Evidentemente, tal sorte de arguição, porquanto incomprovada e abstrata, não pode ser acolhida por este Conselho. (6) Da multa regulamentar. Da distribuição de lucro por pessoa jurídica em débito não garantido Foi cominada ao contribuinte, ainda, multa regulamentar, em virtude da distribuição de dividendos a sócios residentes no País, em concomitância com a existência de débitos fiscais federais insolvidos e não garantidos. A penalidade em foco calcou fundamento no artigo 32, alínea b, § 1º, inciso I, da Lei nº 4.357/64, in verbis: “Art. 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: (...) b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; (...) Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 10 19 § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; (...)” Para tentar afastar dita sanção, alega a peticionária que “manteve a exigibilidade suspensa da dívida mantida com o Regime Geral de Previdência Social na maior parte do interregno, registrado pela autoridade administrativa às fls. 665/667”. Em diapasão similar, “protesta pela juntada, a posteriori, das certidões negativas de débito e positiva com efeito de negativa, emitidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Ocorre, em primeiro lugar, que os passivos em aberto, à época das distribuições de lucro, tocavam tanto a débitos previdenciários quanto a nãoprevidenciários, na forma detidamente exposta às fls. 661/674. Não bastasse isso, em segundo posto, não obsta a impingência da multa tratada a eventual existência de Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa, uma vez que estas não impedem que Fisco apure e cobre, no período de sua vigência, passivos outros que venham a se tornar exigíveis. Nesta hipótese, vencido o débito, de um lado, e não existindo garantia ou parcelamento, de outro, pode a Fazenda, sim, obstar a distribuição de dividendos, haja vista a necessária destinação destes recursos ao adimplemento das dívidas tributárias federais. Não há, portanto, motivo para se afastar a pena aplicada. (7) Da qualificação da multa de ofício Por derradeiro, insurgese a autuada contra a qualificação da multa oficiosa aplicada pelo fiscal autuante. É cediço, neste colegiado, o entendimento de que a dobra da sanção de 75% (setenta e cinco por cento) só se justifica nas hipóteses em que resta caracterizado dolo específico, atinente à prática dos delitos previstos pelos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A simples apuração de omissão de receitas, ainda que reiterada, não consubstancia causa suficiente para a majoração, segundo disposto pela própria Súmula CARF nº 14. Acontece, entretanto, que este não é o caso dos presentes autos. O detalhado trabalho investigativo levado a efeito pelo i. AFR, instruído à exaustão, sintetizado em Termo de Verificação Fiscal, evidencia, com clareza, a existência de esquema fraudulento, operado mediante simulação de investimentos diretos e de empréstimos estrangeiros, destinados a pessoas jurídicas nacionais, com o desiderato de concretização de posterior distribuição de dividendos espúrios a pessoas naturais aqui residentes. Seria repetitivo reproduzir, aqui, todas as conclusões fazendárias que instruíram a lavratura dos autos infracionais em debate. No entanto, para fins de ilustração, creio ser indispensável a colação de alguns excertos, capazes de evidenciar as razões de qualificação da multa punitiva. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 20 Inicialmente, transcrevase a descrição do cenário fático averiguado pela Operação Exodus, subjacente à lavratura dos AII’s em estudo: “A fiscalizada é a principal de um grupo de 98 (noventa e oito) empresas que apresentam ligação com o 1empreendimento WALTER VOGEL", o qual tem sobre si indícios de existência de um esquema de recepção de recursos do exterior, integrado por dezenas de sociedades pertencentes ao Grupo, inclusive a empresa ora fiscalizada, cujo objetivo era darlhes um caráter legal, motivo pelo qual se faz necessário uma exposição sobre o modo de operação do Grupo conforme relatado no item II. (...) O empreendimento abrange diversas empresas, as quais estão ou estavam de alguma forma, ligadas ao Sr. Walter Vogel WV, empresário suíço, naturalizado brasileiro, CPF n o 703.513.92904, o qual, segundo sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta ou já constou como sócio ou representante de 98 empresas, sendo ainda, procurador no Brasil dos investidores/credores estrangeiros que aportavam recursos originários de paraísos fiscais em tais empresas. Pela existência de indícios de um esquema de recepção de recursos do exterior (lavagem de dinheiro), desencadeouse em 18 de agosto de 2006 a operação denominada EXODUS, realizada de forma conjunta entre Secretaria da Receita Federal do Brasil, Departamento de Policia Federal e Ministério Público Federal. Segundo informação do Banco Central do Brasil BACEN, de acordo com Relatório do Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros (Gerencia Técnica de Recife ANEXO I fls. 147172), os recursos originários do exterior e recebidos pelas 98 empresas do Grupo, totalizavam em 28/07/2004 US$ 41.774.273,34, dos quais, US$ 32.280.605,28 ingressaram sob a forma de empréstimos e US$ 9.493.668,06, sob a forma de investimentos diretos no Brasil, como participações societárias. Várias empresas participavam do mencionado esquema, sendo que, em um dos extremos, algumas agiam ativa e exclusivamente na captação de recursos externos oriundos de países com tributação favorecida (os chamados paraísos fiscais, definidos pela Instrução Normativa SRF n o 188, de 06 de agosto de 2002), que, embora ingressados no país legalmente, via BACEN, tais recursos possuem origem duvidosa; outras, intermediando a movimentação de recursos no País, e finalmente, um reduzido número de empresas recepcionando o capital de todas as empresas do grupo. Em relação à constituição das 98 empresas ligadas ao empreendimento WALTER VOGEL, via de regra, eram formadas inicialmente com pequeno capital social, integralizados pelo Sr. Walter Vogel ou uma das pessoas relacionadas ao grupo, tendo alguns sócios características de interposta pessoa, os quais eram substituídos pelos supostos investidores estrangeiros, seja pessoa física ou jurídica. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 11 21 Os sócios estrangeiros, em sua grande maioria, têm domicílio na Suíça, e em paraísos fiscais São Vicente e Granadinas, e Anguilla, e desses lugares enviavam para o Brasil os valores sob título de integralização/aumento de capital, e como empréstimos. O endereço indicado como sede, de quase todas as empresas domiciliadas no exterior é "TRUST HOUSE 112, BONADIE STREET, EM KINGSTON/ SAINT VICENT (fls. 0710). Os investidores estrangeiros passaram a injetar recursos nas empresas do grupo, tanto a título de integralização de capital, como de empréstimos, e, com o ingresso desses valores, houve a necessidade de criarem mais empresas no Brasil ligadas ao grupo para que dessem suporte contábil e fiscal à circulação dos montantes que ingressavam por meio de operações diversas, e que geralmente findavam na contabilidade da empresa OURO VERDE AGROSILVOPATORIL LTDA, que é a centralizadora da distribuição dos lucros aos sócios residentes no Brasil. É importante ressaltar que a suposta circulação de recursos entre as empresas do grupo ocorreu, quase em sua integralidade, em espécie, com pouquíssimas operações realizadas com a utilização do sistema financeiro nacional. Em relação aos empréstimos às empresas do empreendimento, estes foram comumente contratados sob condições especiais de pagamento de juros, os quais, mesmo quando vencidos, em sua grande maioria, não foram pagos. A partir do ano 2004, a maior parte das empresas obteve perdão dos juros por parte do credor, conforme informações repassadas pelo Banco Central e pelo próprio contribuinte. Verificase o cuidado que os gestores do empreendimento têm, em causa justificada, em retirar os recursos dos controles dos órgãos competentes do sistema financeiro nacional. (...) Das poucas empresas do empreendimento WV que distribuíram lucros no período, nenhuma delas reportou dividendos aos seus acionistas estrangeiros, evidenciando, mais uma vez, as dúvidas que pairam sobre os "investidores internacionais com sede em paraísos fiscais", como podemos verificar nos registros contábeis da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, ‘alma’ das operações do grupo. Inexiste a comprovação da efetividade de algumas transações entre as empresas do grupo localizadas no Brasil. Os repasses monetários em razão das causas contabilizadas não se comprovam, visto que quase todas as transações efetuadas foram informadas como ocorridas em espécie, existindo somente os registros contábeis que dão suporte aos caixas da empresa, constando como documentação comprobatória apenas recibos e escrituras, documentos nos quais encontramos o Sr. Walter Vogel, ou outra pessoa ligada ao grupo, como representante de ambas as partes.” Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 22 Não parece haver dúvidas, destarte, de que a conduta do sujeito passivo pode, ao menos em princípio, ser tipificada como sonegação, fraude ou conluio, para escorreita qualificação da multa oficiosa: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” “Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Todo o cenário apurado deixa clara a existência de circunstâncias qualificadoras. Não há, pois, como minorar a penalidade em tela. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso interposto, mantendo o auto de infração na íntegra. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 110100.623 S1C1T1 Fl. 12 23 Relator Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003644/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/04/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a salário família, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação.
MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA
O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa.
DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA.
Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.006
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/04/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a salário família, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18050.003644/2008-95
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4803200
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.006
nome_arquivo_s : 2401002006_18050003644200895_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 18050003644200895_4803200.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744027
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231179730944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 116 1 115 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.003644/200895 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.006 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TRACOL SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/04/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Ao deixar de apresentar documentos relacionados em documento TIAD, sejam folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e documentos relacionados a saláriofamília, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTO QUE OS MESMOS FORAM RETIDOS POR FISCALIZAÇÃO ANTERIOR NÃO COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento, por si sóM utilizado para refutar a autuação. MULTA APLICADA CARÁTER CONFISCATÓRIO PREVISÃO LEGAL PARA A ATUAÇÃO E MULTA Fl. 111DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ART. 173, I CTN MULTA ÚNICA FALTAS NÃO INCLUÍDAS EM PERÍODO DECADENCIAL MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA. Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o acolhimento da decadência; II) rejeitar preliminar de nulidade; III) rejeitar os pedidos de perícia e oitiva de testemunhas; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 117 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.056.9008, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar os lançamentos contábeis descritos no Termo de Intimação para apresentação de documentos. Mais precisamente, segundo relatórios fiscal da infração, a empresa TRACOL deixou de atender à solicitação fiscal de exibição de todas as folhas de pagamento da empresa, das competências de 05/1998 a 13/2002, indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Essa solicitação foi feita mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD emitido em 11/09/2006. Em 24/11/2006 foi emitido um novo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, em anexo, solicitando, especificamente as folhas de pagamento não apresentadas da matriz das competências 05/1998, 06/1998, 07/1998, 08/1998, 09/1998, 10/1998, 12/1998, 13/1998, 04/1999, 11/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 04/2000, 08/2000, 09/2000, 12/2003, 13/2000, 02/2001, 03/2001, 04/2001, 06/2001, 08/2001, 09/2001, 11/2001, 12/2001, 03/2002, 04/2002, 11/2002,12/2002, 13/2002; da filial 0002 das competências 02/2002, 04/2002, 06/2002, 11/2002, 12/2002, 13/2002; da filial 0003 da competência 13/2002; para a verificação das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Cabe ressaltar, a empresa só forneceu posteriormente as folhas de 13/2002 das filiais 0002 e 0003. Foi solicitado da empresa, mediante TIAD de 27/03/2007, certidões de nascimento, atestado de invalidez, cartão de vacinação e/ou comprovante de freqüência escolar para a verificação se a TRACOL está pagando saláriofamília de acordo com a legislação previdenciária. A empresa não forneceu nenhum desses documentos, alegando que não possuía essas informações. Em 11/09/2006 foi emitido um Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, solicitando da TRACOL os contratos prestações de serviços celebrados com terceiros. Tal solicitação foi feita novamente através dos TIADs de 02/03/2007 e de 06/03/2007, os quais solicitavam os contratos celebrados com as empresas citadas nas relações contidas explicitamente nesses TIADs A empresa não forneceu todos os contratos, já que havia notas fiscais sem os devidos contratos. Cabe ressaltar que esses contratos são muitos importantes para verificar o instituto da retenção (contribuição de 11%) sobre notas fiscais de prestação de serviços. Em 27/03/2007 e em 29/03/2007 foram emitidos novos TIADs intimando a apresentação dos contratos celebrados com as empresas prestadoras de serviços, contidas no próprio termo, e que a TRACOL ainda não tinha fornecido a essa fiscalização. Mesmo após 5(cinco) TIADs, a empresa TRACOL deixou de fornecer a fiscalização todos os contratos celebrados com as seguintes empresas prestadoras de serviços, conforme relatório fiscal, fls. 13 e 14. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/04/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/04/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 63 a 67. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 73 a 81. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 86 a 96. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: Da Insubsistência do Auto de Infração. Ocorre que em meados de 2006, a impugnante foi intimada através de TIAD expedido pela Auditora Fiscal Sra. Nazilda, tendo sido entregues os originais de todos os documentos disponíveis para a apuração da regularidade fiscal e previdenciária da contribuinte entre agosto de 1998 (início das atividades) e dezembro de 2002, inclusive folhas de pagamento, contratos com terceiros c GPS, dentre os quais parte jamais foi devolvida. Ou seja, a impugnante, em atendimento ao que foi determinado por um Auditor Fiscal do INSS, entregou os documentos que possuía à fiscalização, que, por sua vez, não se desincumbiu de devolvêlos, como poderá ser comprovado por oitiva de funcionários da contribuinte e da Auditora Fiscal, Sra. Nazilda ou, ainda, pela juntada dos autos e registros da ação fiscal que antecedeu a de n° 09330040, nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784/99. Fazse necessário ressaltar que a lei não exige que todos os negócios jurídicos sejam formalizados em instrumento contratual e, por via reflexa, não há amparo para que a fiscalização exija os contratos firmados entre o contribuinte e terceiros, sem prejuízo, evidentemente, da obrigatoriedade dos registros fiscais e contábeis. Os documentos outrora objetos de TIAD — contratos com prestadores de serviços, folhas de salários, certidões de nascimento, atestado de invalidez, cartão de vacinação e/ou comprovante de freqüência escolar para verificar a regularidade do pagamento do saláriofamília, entre outros, foram resgatados, e constam anexos às NFLD n° 37.056.8966, 37.056.8958, 37.056.8931, 37.056.8974 e 37.056.8923, o que permite a aplicação do art. 291, §1°, do RPS. Requer que seja determinada a oitiva de funcionários da empresa contribuinte e da Auditora Fiscal, Sra. Nazilda, ou, ainda, a juntada dos autos e registros da ação fiscal que antecedeu a de n° 09330040, conforme art. 37 da Lei 9.784/99. Requer, nos termos do art. 37 da Lei n° 9.784/99, a juntada, aos autos, dos documentos que acompanham as NFLD's 37.056.8931, 37.056.8923, 37.056.8966, 37.056.9874 e 37.056.8958 e nos AI's n° 37.056.8982, 37.056.8990, 37.056.9008 e 37.056.9016, e, em especial as GPS's, a fim de que sejam considerados/compensados os recolhimentos efetuados pela Contribuinte com o débito tributário eventualmente apurado, ressalvada, ainda, ajuntada posterior de documentos, nos termos do art. 38 da Lei n° 9.784/99. Finalmente, requer, ainda, a realização de perícia contábil. Assim, requer seja julgado nulo o presente auto de infração nos termos e razões expostas ou, ainda, que seja relevada a multa, nos termos do art. 291, §1°, do RPS. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 118 5 Requer, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial, aquelas descritas no item 5 da presente defesa. Em 23/10/2009 a empresa apresentou requerimento para que os AI e NFLD lavrados fossem julgados em conjunto, considerando que apresentou defesa conjunta no processo 18.050000022/200724. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 115. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE PELA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAR DOCUMENTOS RETIDOS Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por estar a empresa impossibilitada de apresentar os documentos retidos em outo procedimento fiscal, entendo que razão não assiste ao recorrente. Conforme destacado pela autoridade julgadora, a empresa não trouxe aos autos qualquer prova de que os documentos foram retidos em fiscalização anterior, não podendo ser esse argumento por si só utilizado para refutar a autuação. Importante destacar que a fiscalização não se apropria de documentos originais, ou mesmo os anexa a NFLD ou AI. Quando estritamente necessário é lavrado o respectivo documento de Retenção de Documentos, mas sempre é deixada uma via com a empresa para que a mesma faça prova da retenção do mesmos. Assim, a mera argumentação não elide ou justifica a não apresentação de diversos documentos durante procedimento fiscal. No mesmo sentido, entendo que a oitiva de testemunhas não seria capaz de refutar a autuação que lhe foi apontada, tendo em vista que não restou demonstrado por meio de documentos as alegações. Quanto ao julgamento conjunto, competiria a empresa apresentar defesas distintas para cada autuação, e além disso demonstrar que os documentos apresentados Fl. 116DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 119 7 possuem correlação direta com o auto aqui descrito, razão porque entendo não haver necessidade de julgamento conjunto. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no Fl. 118DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 120 9 que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória necessária a apreciação do feito já consta nos autos. E como principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente quando diponibilizada e a notificação seguiu o procedimento previsto, portanto não reconheço sua nulidade. DA DECADÊNCIA DE PARTE DA AUTUAÇÃO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 119DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Fl. 120DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 121 11 Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o Fl. 121DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do Fl. 122DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 122 13 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida de alguns pagamentos feitos ainda no ano de 1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 123 15 Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 26/04/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/04/2007, os fatos geradores ocorreram no período de 05/1998 a 13/2002, dessa forma a exigência em relação ao período até 11/2001 encontrarseia decadente. Todavia, conforme já mencionado pela autoridade julgadora em suas razões de decidir, ao contrário de outras autuações em que o cálculo da multa depende do n. de infrações, como o caso de omissão em GFIP, no auto em questão a multa aplicada é única, tendo seu valor estipulado independente do n. de faltas cometidas, sendo que em restando competências não abrangidas pela decadência não há de se afastar a autuação. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não apresentação da documentação durante o procedimento fiscal acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 33, § 2º, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.§ 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.§ 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Contudo, não apresentou o recorrente os documentos, conforme alegou em sede de defesa, descrevendo que os mesmos teriam sido acostados a outra defesa, lavrada durante o mesmo procedimento. Contudo, tal fato não é suficiente para desconstituir a autuação, nem tão pouco afastar a autuação. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.003644/200895 Acórdão n.º 240102.006 S2C4T1 Fl. 124 17 Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de decadência, de nulidade e de perícia e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 127DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000481/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação.
Numero da decisão: 1201-000.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos,
ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108,
de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO. Acolhem-se os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16327.000481/2008-76
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4794493
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.574
nome_arquivo_s : 120100574_16327000481200876_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 16327000481200876_4794493.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108, de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4744841
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231195459584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 313 1 312 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000481/200876 Recurso nº 173.763 Embargos Acórdão nº 120100.574 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2011 Matéria IRPJ e outro Embargante Fazenda Nacional Interessado Banco Santander S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 EMBARGOS RESULTADO DO JULGAMENTO REGISTRO DA DECISÃO. Acolhemse os embargos de declaração para corrigir contradição em razão de o Acórdão, no registro da decisão, não ter indicado corretamente o resultado da votação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o Acórdão nº 120100.108, de 18.06.2009, para constar, em substituição a "por unanimidade de votos", a expressão "por maioria de votos", nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 120100.574 S1C2T1 Fl. 314 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório Mediante a peça de fl. 311, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõe embargos de declaração ao acórdão de fls. 300 a 306, no qual aduz as seguintes razões: A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no art. 65 do RICARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: A 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da P Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário. Vejamos: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto, que dava provimento parcial tãosomente para afastar a multa de oficio, e a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que negava provimento integral ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Carlos Pelá declarouse impedido de participar do julgamento". (Grifos nossos) A leitura do dispositivo indica a principio, que houve uma unanimidade no entendimento. Contudo, mais à frente, consta que a Conselheira Adriana Gomes foi vencida por negar provimento ao recurso. Essa contradição dificulta a identificação do tipo de recurso especial que será apresentado, pois, no caso de ser confirmada a maioria de votos, ainda há permissão para o oferecimento de recurso por contrariedade à lei, na forma do art. 4 0 do Regimento Interno do CARF, vez que o acórdão foi proferido na sessão de 18/06/2009. Desse modo, requer a Unido (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja sanado o vicio no dispositivo da decisão. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Processo nº 16327.000481/200876 Acórdão n.º 120100.574 S1C2T1 Fl. 315 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A contradição é facilmente percebida pelos próprios termos do acórdão reproduzido pela embargante e a sua solução não exige maiores esforços interpretativos. Em razão de haver um voto vencido e um vencedor, evidentemente, o equívoco que produziu a contradição está justamente na expressão também destacada pela embargante, qual seja, “por unanimidade de votos”. Em seu lugar deveria ter constado: “por maioria de votos”. Isso posto, voto por conhecer os embargos para, no mérito, darlhes provimento com o fito de retificar o acórdão nº 120100.108, de 18 de junho de 2009, para no lugar da expressão ““por unanimidade de votos” conste “por maioria de votos”. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 11075.900193/2006-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-001.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11075.900193/2006-47
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5132091
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.778
nome_arquivo_s : 930301778_11075900193200647_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Rodrigo da Costa Possas
nome_arquivo_pdf_s : 11075900193200647_5132091.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
id : 4748573
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231249985536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 172 1 171 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11075.900193/200647 Recurso nº 261.073 Especial do Contribuinte Acórdão nº 930301.778 – 3ª Turma Sessão de 9 de novembro de 2011 Matéria Crédito presumido do IPI Exportação de produtos NT Recorrente FRIZON E FRONZA LTDA Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo acima qualificado, que solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI, instiuído pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, cumulado com declaração de compensação. Em despacho decisório proferido pela DRF, não se reconheceu o direito creditório e, por conseguinte, não se homologou as compensações declaradas em DCOMP. O interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade, que foi indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que também foi negado. Agora em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do Presidente da Câmara, pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Voto A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 173 3 Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 174 5 É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 175 7 Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 176 9 tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 177 11 Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Tratase de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 178 13 O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto voto pelo não provimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Declaração de Voto A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis “NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Em que pesem as razões aduzidas no acórdão recorrido, entendo que as mesmas não mereçam prosperar eis que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”, não o restringiu apenas aos produtos industrializados, não cabendo, com a devida venia, ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Nesse sentido, peço a devida licença para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarseia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11075.900193/200647 Acórdão n.º 930301.778 CSRFT3 Fl. 179 15 todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Dessa forma, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. NANCI GAMA Conselheira 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digita lmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009068/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
RETENÇÃO IRPF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que sofreu retenção de imposto de renda no valor informado em DIRPF.
Ademais, não há previsão legal para o reajustamento da base de cálculo do imposto pela pessoa física beneficiária do rendimento quando a fonte pagadora não assumiu o ônus do imposto.
Numero da decisão: 2102-001.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2001 RETENÇÃO IRPF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que sofreu retenção de imposto de renda no valor informado em DIRPF. Ademais, não há previsão legal para o reajustamento da base de cálculo do imposto pela pessoa física beneficiária do rendimento quando a fonte pagadora não assumiu o ônus do imposto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11080.009068/2005-41
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 5014208
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.483
nome_arquivo_s : 210201483_11080009068200541_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 11080009068200541_5014208.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744460
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231257325568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 133 1 132 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.009068/200541 Recurso nº 502.233 Voluntário Acórdão nº 2102001.483 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria IRPF – RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE Recorrente NAELE OCHOA PIAZZETA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RETENÇÃO IRPF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que sofreu retenção de imposto de renda no valor informado em DIRPF. Ademais, não há previsão legal para o reajustamento da base de cálculo do imposto pela pessoa física beneficiária do rendimento quando a fonte pagadora não assumiu o ônus do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 21/09/2011 Fl. 138DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 134 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 121 a 128, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 112 a 116, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 102 a 109 dos autos, lavrado em 16/08/2005, relativo ao anocalendário 2001, com ciência da RECORRENTE em 06/10/2005 (fl. 63). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 70.457,24, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a multa de ofício de 75% (fl. 102). De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 105,, o lançamento teve origem a partir da seguinte constatação: “DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CONFORME SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/10 RF/DISIT 125, A CONTRIBUINTE DEVERIA APRESENTAR O COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDO PELA FONTE PAGADORA, PARA PODER COMPENSAR O IMPOSTO NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. CONFORME INFORMAÇÃO DA CONTRIBUINTE, ELA NÃO RECEBEU TAL COMPROVANTE, NÃO SENDO COMPENSÁVEL O VALOR DO IMPOSTO. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 12, INCISO V DA LEI 9.250/95.” A fiscalização também efetuou a seguinte alteração, sem, contudo, imputar infração (fl. 104): “** ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA ** O VALOR DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS .JURÍDICAS FOI ALTERADO, CONFORME DESCRITO NAS MENSAGENS CONSTANTES DESTE DOCUMENTO. CONFORME SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/10 RF/DISIT 125, O REAJUSTE DO VALOR RECEBIDO ATRAVÉS DO TERMO DE ACORDO, ESTÁ VINCULADO A APRESENTAÇÃO DO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS, EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. COMO A CONTRIBUINTE NÃO O POSSUI, O VALOR RECEBIDO Fl. 139DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 135 3 DO TERMO DE ACORDO A SER DECLARADO NÃO PODE SER REAJUSTADO, DEVENDO A CONTRIBUINTE DECLARAR O VALOR DO ACORDO, OU SEJA R$ 120.000,00.” (Os grifos não constam no original.) Em decorrência do auto de infração, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos pessoas jurídicas de R$ 278.152,08 para R$ 233.131,40; e (ii) imposto de renda retido na fonte de R$ 66.065,47 para R$ 21.044,79. Assim, foi apurado o imposto suplementar no valor de R$ 29.838,33 em substituição ao valor de imposto a restituir de R$ 2.801,66 inicialmente apurado pela RECORRENTE (fls. 103 e 106). DA IMPUGNAÇÃO Em 01/11/2005, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a sua impugnação de fls. 01 a 06, através de procurador constituído à fl. 65. Em suas razões, a RECORRENTE alegou, em suma, a matéria de defesa transcrita a seguir: “Cuidase de auto de infração procedido em razão de alegada falta de pagamento de imposto de renda retido na fonte, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 12/2001, no dia 18/12/2001, correspondentes ao pagamento de acordo trabalhista firmado entre a impugnante e o Sindicato dos Profissionais de Enfermagem Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio Grande do Sul. A impugnante, à época em que exercia a advocacia, e nessa qualidade, foi contratada pelo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio Grande do Sul (...) para representar, perante a Justiça do Trabalho, os interesses jurídicos de filiados à nominada entidade sindical. Ocorrendo a quebra da relação contratual em decorrência de denúncia desmotivada por parte do Sindicado, a impugnante propôs distintas ações de cobrança de honorários, (...) firmaram acordo extrajudicial visando terminarem os indicados litígios entre as partes, mediante o qual ficou reconhecido o direito da impugnante à percepção dos honorários postulados judicialmente, cujos valores foram estabelecidos no total de R$120.000,00 (cento e vinte mil reais), sendo ainda que a impugnante responsabilizouse exclusivamente, pelo pagamento dos honorários advocatícios devidos aos profissionais por ela contratados para patrocínio das mencionadas ações de cobrança, tudo conforme disposto nas Fl. 140DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 136 4 cláusulas do instrumento de Termo de Acordo em anexo (doc. 1). O pagamento foi efetuado no total de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), não tendo sido procedida, pelo sindicato, qualquer retenção do Imposto sobre a Renda na modalidade fonte, o que ensejou, posteriormente, o envio de correspondência àquela entidade solicitandose a entrega do correspondente Comprovante dos Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. Até agora não recebido. Tendo em conta que a transação acima noticiada foi estabelecida de forma a que a impugnante fosse paga em importância inferior àquela a que teria direito, visto que a sentença de mérito condenou o Sindicato no pagamento de R$ 175.965,88, acrescidos de juros e correção monetária, é certo afirmar que a vontade de contratar, como é fácil pressupor, esteve conduzida pela anuência em receber R$ 120.000,00 líquidos de qualquer desconto, ademais que, em sentido contrário nada se dispôs no instrumento contratual. Merece relevo a atitude da ora Impugnante que, antes do prazo final da obrigação tributária, protocolou consulta (interpretação da Legislação) IRRF junto a Secretaria da Receita Federal de sua comarca no dia 16/04/2002, a qual recebeu o numero 11080.004565/200218 de processo administrativo, sendo proferida a solução da consulta, SRRF/ 10ª RF/DISIT Nº 125 em 30 de outubro de 2002. (...) quanto a responsabilidade tributária no caso de pagamento de rendimentos sujeitos ao imposto de renda na fonte o Código Tributário Nacional define precisa e claramente esta obrigação tributária em seu artigo 121 c/c art. 45 § único, bem assim também o Parecer Normativo nº 1 SRF DOU 25/09/2002 (doc. 3), cuja observância é obrigatória aos servidores da Receita Federal, pois exprime a posição de seu superior hierárquico máximo: (...) Vejase que a falta de retenção do imposto foi verificada e comunicada quando da consulta da Impugnante, realizada antes do prazo final de sua obrigação tributária, ocorrida em 30/04/2002. E, na medida em que a consulta cientifica o fisco, ou seja, comunicada a Secretaria da Fazenda em 16/04/2002, conforme protocolo de Consulta de interpretação da Legislação IRRF (doc. 4), recaiu a partir de então sobre a fonte pagadora a responsabilidade da retenção e o devido recolhimento do tributo, conforme determinação legal e jurisprudencial. (...)” (Os grifos não constam no original). Fl. 141DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 137 5 Com base, em síntese, nos argumentos transcritos, a RECORRENTE defende a improcedência do lançamento. O acordo mencionado pela RECORRENTE encontrase acostado às fls. 08 a 13. Já a consulta formulada pela mesma, bem como a resposta da Superintendência Regional da Receita Federal, encontramse às fls. 45 a 48 e fls. 90 a 98, respectivamente. A cópia da declaração de ajuste anual da RECORRENTE, referente ao anocalendário 2001, compõem as fls. 71 a 73. DA DECISÃO RECORRIDA A DRJ, às fls. 112 a 116 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. Não há previsão legal para o reajustamento da base de cálculo do imposto quando a fonte pagadora não assumiu o ônus do imposto. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora observou que, nos termos do da Cláusula Terceira do acordo de fls. 08 a 13, a RECORRENTE recebeu o valor líquido de R$ 120.000,00, não tendo sido efetuado, pelo Sindicato, qualquer retenção do imposto retido na fonte. E continuou afirmando que: “(...) A autuada na DIRPF/2002 (fl.84) procedeu ao reajuste da base de cálculo, tributando o montante de R$ 165.020,68, ou seja: R$ 120.000,00 mais o IRF de R$ 45.020,68 sem que houvesse a retenção e o recolhimento de tal valor compensado com o imposto devido apurado na declaração. Também pleiteou ela a dedução (livro Caixa) da quantia de R$ 20.000,00 correspondente aos honorários advocatícios de que trata o § 1° da cláusula terceira acima transcrita. O art. 725 do RIR/99 determina que: Reajustamento do Rendimento Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo Fl. 142DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 138 6 rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n2 4.154, de 1962, art. 52, e Lei n2 8.981, de 1995, art. 63, § 2º). Dessa forma, somente cabe o reajustamento da base de cálculo quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, o que no presente caso não ocorreu. Além do mais, tal reajustamento compete à fonte pagadora e não à pessoa física beneficiária do rendimento, como pretende a litigante. Portanto, tendo a interessada percebido o valor líquido estabelecido no referido ‘Acordo’ e não tendo a fonte pagadora procedido qualquer retenção na fonte, o montante correto a tributar é de R$ 120.000,00 não cabendo, como quer a defesa, compensar imposto não retido e nem imposto cujo ônus não foi efetivamente assumido pelo Sindicato. (...) Portanto, com base na legislação retro citada e tendo a interessada auferido a quantia líquida de R$ 120.000,00 e inexistindo imposto a compensar correspondente a esse rendimento, não cabe alteração alguma no lançamento. Quanto às alegação de que ‘sua anuência em receber R$ 120.000,00 líquidos de qualquer desconto’ e de que ‘em sentido contrário nada se dispôs no instrumento contratual’, deve ser observado que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123 da Lei n° 5.172/66 do CTN). Importante ressaltar que tal entendimento está em conformidade com a Solução de Consulta (processo n° 11080.004565/200218) formulado pela contribuinte relativamente a essa matéria. (...)” Desta forma, a autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento de IRPF. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 08/06/2009, através do “Aviso de Recebimento” de fl. 120, apresentou o recurso voluntário de fls. 121 a 128, em 01/07/2009. Em suas razões, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação, e destacou: Fl. 143DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 139 7 “(...) 11. O não recolhimento, ou recolhimento e não envio da declaração de retenção e DIRF pela Pessoa Jurídica que pagou o rendimento à Recorrente, nada tem a ver com crédito, eis que a porcentagem de 27,5% do valor do IRFonte, nunca incorporou o patrimônio da Recorrente. 12. Deve ficar muito claro que a decisão recorrida somente não reconheceu o reajuste da base e a compensação do IRFonte pelo fato da ausência das declarações de retenção na fonte, cujo ônus de emissão é da fonte pagadora. 13. A regra do Art. 55 da Lei 7.450/85 não se aplica ao caso concreto, dado que, como a própria decisão recorrida confirma, a obrigada à retenção na fonte não apenas não o fez, como não recolheu o valor ao fisco. 14. A relação do tomador com o Fisco, englobando a obrigação do recolhimento do IRFonte e envio de declarações ao Fisco (DIRF) e declaração de retenção à Recorrente, jamais podem limitar o direito ao crédito da Recorrente. 15. O envio da declaração de retenção na fonte pelo tomador ao prestador de serviço constitui obrigação sobre a qual a Recorrente não tem controle. (..) 17. A fonte pagadora é quem tem relação jurídica obrigacional para com o Fisco. (...) 20. Os créditos de IRFonte utilizado para fins de compensação no presente feito estão suficientemente comprovados. 21. Deve ficar claro que a obrigação de informar e realizar a retenção na fonte é da fonte pagadora, sendo que a não apresentação configura desrespeito a dever instrumental à fiscalização acarretando inclusive em multa como previsto na Instrução Normativa SRF 146/99 em seu Art. 10º. (...)” Este recurso voluntário compôs o lote, sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 144DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 140 8 Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A demanda se resume ao aproveitamento de valor que corresponderia à retenção de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 45.020,68, referente ao rendimento recebido pela RECORRENTE – pago pelo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio Grande do Sul –, no valor de R$ 120.000,00, nos termos do acordo de fls. 08 a 13. A RECORRENTE afirma que o valor recebido seria líquido. Assim, como não recebeu da fonte pagadora qualquer comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto na fonte, formulou consulta perante a Receita Federal (fls. fls. 45 a 48) questionando se deveria “informar em sua Declaração de Ajuste Anual, relativa ao ano de 2001, quanto aos valores objeto do acordo extrajudicial, um rendimento bruto tributável equivalente a R$ 165.020,68 e um Imposto de Renda Retido na Fonte no total de R$ 45.020,68”. No entanto e contrariamente à interpretação da RECORRENTE, em resposta à sua consulta, a Receita Federal orientoua a informar/aproveitar na sua declaração de ajuste do imposto tão somente o valor verdadeiramente retido; verbis: “(...) 14.1. A consulente somente deve informar em sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, ‘quanto aos valores objeto do acordo extrajudicial’ firmado entre ela e o citado Sindicato, o rendimento pelo seu valor reajustado, compensando o imposto considerado ônus do referido Sindicato, caso possua comprovante de rendimentos emitido em seu nome por esse Sindicato, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto correspondente – efetivamente assumido pelo Sindicato. 14.2. Caso a consulente não possua mencionado documento (o Sindicato não o teria fornecido), ela deve informar nessa Declaração de Ajuste Anual, como rendimento tributável, a quantia efetivamente percebida, ou seja, R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), não existindo, nesse caso, imposto a compensar correspondente a esse rendimento. (...)” No entanto, não há nos autos qualquer comprovação de que o referido Sindicato recolheu o imposto retido na fonte no valor de R$ 45.020,68. Ao contrário, pelas razões da RECORRENTE é possível constar ser sua tese a “responsabilidade tributária” exclusiva da fonte pagadora, como se tivesse suportado o ônus do tributo; o que não é verdade. Sendo assim, não se pode afirmar com certeza que a RECORRENTE recebeu o valor bruto de R$ 165.020,68, e que foi descontado, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 45.020,68. Da análise dos fatos e informações extraídas dos autos, a única interpretação Fl. 145DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 141 9 possível é que a RECORRENTE recebeu o valor de R$ 120.000,00, como estava previsto e acordado em instrumento particular. Portanto, agiu certo a autoridade lançadora ao tributar o valor de R$ 120.000,00 no lugar da quantia de R$ 165.020,68, tendo em vista que aquela foi a efetivamente recebida pela RECORRENTE. Consequentemente, como não houve qualquer retenção do imposto sobre o valor de R$ 120.000,00, a fiscalização glosou, corretamente, o valor de R$ 45.020,68 declarado pela RECORRENTE como imposto retido na fonte. Ora, se foi houvesse o desconto do valor de R$ 45.020,68 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte quando do pagamento dos valores homologados por acordo extrajudicial, a RECORRENTE deveria documentalmente provar. Sobre a comprovação do imposto retido na fonte, importante transcrever o teor do art. 87, § 2º, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), que possui fundamentação legal no art. 55 da Lei nº 7.450/85, verbis: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55).” Portanto, sem a comprovação de que houve a efetiva retenção de R$ 45.020,68 a título de IRF, não pode a RECORRENTE pretender deduzir tal valor em sua declaração de ajuste anual. Ademais, o art. 725 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) prevê que: “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Portanto, acertou a autoridade julgadora de primeira instância, devendo ser Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo em sua integralidade a decisão da DRJ. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 146DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.009068/200541 Acórdão n.º 2102001.483 S2‐C1T2 Fl. 142 10 Fl. 147DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000626/2005-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCORPORAÇÃO ATÍPICA - SIMULAÇÃO RELATIVA
A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária não é vedada por lei, mas se restar demonstrado que a declaração de vontade expressa nos atos de incorporação era enganosa para produzir efeito diverso do ostensivamente indicado, a autoridade fiscal não está jungida aos efeitos jurídicos que os atos produziram, mas A verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes.
Numero da decisão: 9101-000.904
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para restabelecer o lançamento de oficio, nos termos da decisão proferida pela DRJ.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : INCORPORAÇÃO ATÍPICA - SIMULAÇÃO RELATIVA A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária não é vedada por lei, mas se restar demonstrado que a declaração de vontade expressa nos atos de incorporação era enganosa para produzir efeito diverso do ostensivamente indicado, a autoridade fiscal não está jungida aos efeitos jurídicos que os atos produziram, mas A verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13971.000626/2005-01
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4858192
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jan 30 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.904
nome_arquivo_s : 9101000904_13971000626200501_201105.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 13971000626200501_4858192.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o lançamento de oficio, nos termos da decisão proferida pela DRJ.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4746321
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231282491392
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-09T12:00:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-09T12:00:41Z; Last-Modified: 2011-06-09T12:00:41Z; dcterms:modified: 2011-06-09T12:00:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:104ef075-2a3b-4ad1-b6eb-acbb56e0dcdb; Last-Save-Date: 2011-06-09T12:00:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-09T12:00:41Z; meta:save-date: 2011-06-09T12:00:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-09T12:00:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-09T12:00:41Z; created: 2011-06-09T12:00:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-06-09T12:00:41Z; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-09T12:00:41Z | Conteúdo => CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Interessado 13971.000626/2005-01 156.202 Especial do Procurador 9101-000.904 - la Turma 28 março de 2011 IRPJ e CSLL FAZENDA NACIONAL QUIMISA S/A Ementa: INCORPORAÇÃO ATÍPICA - SIMULAÇÃO RELATIVA A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária não é vedada por lei, mas se restar demonstrado que a declaração de vontade expressa nos atos de incorporação era enganosa para produzir efeito diverso do ostensivamente indicado, a autoridade fiscal não está jungida aos efeitos jurídicos que os atos produziram, mas A verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o lançamento de oficio, nos termos da decisão proferida pela DRJ. Caio Marcos Cândido- Presidente. almir-Sándri - Relator. Editado em: o 5 PI A1 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. 1 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão contida no Acórdão n° 105-16.677, de 16 de outubro de 2007, que, por maioria de votos deu provimento ao recurso voluntário, impetrou RECURSO ESPECIAL com fulcro no art. 56, II, do RICC, e artigos 70 inciso I e 15, §1° do RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2.007. 0 credito exigido resultou da glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de empresa incorporada, por ter a fiscalização concluído que, na realidade, a verdadeira incorporadora foi a empresa superavitária, e não a deficitária. A decisão de primeira instância manteve a exigência, mas a Quinta Camara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, sob a tese de que, não regulamentado o § único do artigo 116 do CTN, não existem meios legais para tornar nulo, no âmbito tributário, negócio jurídico praticado em conformidade com a lei. Em seu apelo, argumenta a PFN que a decisão proferida contraria o artigo 514 do RIR199, que veda o aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da sucedida pela sucessora. A presidência da antiga Quinta Câmara deu seguimento ao recurso, por tempestivo e por ter a recorrente demonstrado fundamentadamente a contrariedade A. lei que entendeu ter ocorrido. É o relatório. 2 Processo n° 13971.000626/2005-01 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.904 Fl. 2 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como visto do relatório, o presente recurso foi interposto com base nos permissivo do art. 70 ., inciso I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147 - Anexo II, sob alegação de que a decisão recorrida seria contrária à lei e as provas dos autos, consoante o disposto no §1 0, art. 15, do RICSRF. A questão levantada pela PFN é a contrariedade ao art. 514 do RIR199, que veda a compensação de prejuízos fiscais da sucedida pela sucessora (e art. 22 da Medida Provisória n° 1.991/00, no que se refere as bases negativas da CSLL). As empresas envolvidas são Quimisa S/A. Indústria e Comércio e Eloquimica Anilinas e Produtos Químicos Ltda. Preliminarmente, alega a contribuinte que o presente recurso não deve ser conhecido por intempestivo, eis que no seu entender, a ciência formal da Fazenda Nacional ocorreu na data de 24/01/2008 pelos seus servidores, e o protocolo do recurso especial deu-se no dia 13.02.2008, portanto, depois de transcorridos 15 dias para a sua protocolização. Não é bem assim. Conforme disposto no art. 44, da Lei n. 11.457/2007, nos casos em que os respectivos autos forem remetidos e entregues, mediante protocolo, A Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação, tem o prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues A Procuradoria, e sendo assim, o prazo para a interposição do recurso encerrar-se-ia apenas no dia 23.02.2008, não havendo, portanto, no que se falar em intempestividade para o presente recurso. No mérito, conforme narrado pelo autor do procedimento, a empresa Eloquimica Anilinas e Produtos Químicos Ltda., tinha sede no Município de Jandira - São Paulo, desempenhava suas atividades desde 01/06/1973, e até 11/04/2003 não possuía qualquer vinculo com a empresa Quimisa S/A. Indústria e Comércio que, por sua vez, opera no mercado desde junho de 1966. Até 11/04/2003, as empresas japonesas Nicca e Emori eram as únicas sócias da empresa Eloquimica. Pelas alterações de Contrato Social ocorridas em 11/04/2004, o capital social da Eloquimica foi transferido quase que integralmente para a Quimisa (11.878.393 quotas para Quimisa e 20 quotas para duas pessoas fisicas, sendo 10 para cada uma). Em junho de 2004 foi firmado Protocolo de Intenção e Justificação de Incorporação, segundo o qual a controlada (Eloquimica) incorpora a controladora (Quimisa). Uma vez que a incorporada detinha 99,99% do capital da incorporadora, a incorporação seria feita mediante simples substituição das ações que compõem o capital social da empresa a ser incorporada, pelas quotas que compõem o capital social da incorporadora. Os motivos declinados no Protocolo para a referida incorporação estão assim descritos: "analisando com profundidade as dificuldades conjunturais, entendem que é mais conveniente, por motivos de ordem econômica e financeira, bem como administrativa, a 3 junção das duas empresas, especialmente para redução de custos operacionais e de efeitos Tributários". Na primeira Assembléia Geral da Eloquimica realizada em 30/06/2004, foi decidida a alteração da denominação social da empresa, que passou a ser Quimisa S. A., sendo alterada também a sede social da empresa incorporadora, que passou a ser aquela correspondente á. da incorporada, sendo as instalações operacionais e a sede da empresa incorporadora transformada na filial 01. 0 item 7 da Ata descreve os nomes dos membros do Conselho de Administração da empresa incorporadora (fl. 197), os quais são os mesmos da empresa que foi incorporada (fl. 231). Questionada pela fiscalização, a fiscalizada destacou dois aspectos que entende relevantes à incorporação da Quimisa pela Eloquimica, o primeiro relacionado com a transferência de tecnologia e o segundo seria a economia tributária de ICMS, IPI, PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, pois desapareceriam as vendas e revendas entre as sociedades, que deixariam de existir com a concentração das atividades em uma única pessoa jurídica. Sobre a questão da tecnologia, alegou que a Nicca, que detém tecnologia de ponta a nível mundial para produção de anilinas e pigmentos para fios sintéticos, mantinha acordos tácitos de fornecimento de tecnologia e assistência técnica, essenciais para o desenvolvimento/produção de produtos pela Eloquimica e que a incorporação da Quimisa pela Eloquimica implicou a continuidade da pessoa jurídica portadora do CNPJ n°43.683.069/0001-70, mantendo o registro histórico da origem da tecnologia já transferida pelos antigos controladores da Eloquimica, que ao final passariam a condição de acionistas minoritários da atual Quimisa, e preservou a absoluta necessária continuidade de transferência de tecnologia, bem como mantendo a continuidade dos acordos vigentes e a origem histórica da tecnologia já transferida originalmente A. Eloquimica. Analisando as explicações do contribuinte, a fiscalização argumentou que, ao passar o controle da Eloquimica para a Quimisa, a Nicca demonstrou não mais acreditar nos destinos econômicos da Eloquimica, não havendo justificativa para manter a alegada transferência de tecnologia da Nicca para a Eloquimica, além do quê a mencionada transferência de tecnologia não constava de qualquer contrato escrito, tratando-se apenas de acordos tácitos. Conclui a fiscalização que a explicação dada constitui uma alegação vazia que, por isso, presta-se apenas a escamotear o principal motivo. Sobre a questão tributária, argumenta a fiscalização que a Quimisa não se incluía entre os maiores destinatários de produtos da Eloquimica, nem entre os seus maiores fornecedores de insumos, para que pudesse ser considerado como relevante o aspecto de vendas e revendas entre as referenciadas empresas. Ressalta que mais de 50% dos insumos da Eloquimica eram adquiridos via importação. A Autoridade Fiscal, entendendo que a reorganização societária efetivada pela contribuinte visou burlar a lei que veda o aproveitamento de prejuízos fiscais/bases negativas da sucedida pela sucessora, considerou ter havido simulação na incorporação da contribuinte pela empresa Eloquimica Anilinas e Produtos Químicos Ltda. (a verdadeira operação teria sido incorporação da Eloquimica pela Recorrente), e lavrou o auto de infração com multa qualificada. A decisão de primeira instância considerou ter, de fato, ocorrido simulação, representada por vicio de causa ou motivo, mantendo a exigência, mas reduziu a multa ao percentual de 75%. 4 Processo n° 13971.000626/2005-01 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.904 Fl. 3 A antiga Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes cancelou a exigência. Assim se expressou o Relator, Conselheiro Wilson Fernandes: Nessa linha, se a autoridade de primeira instância, pronunciando-se, de forma definitiva no âmbito administrativo, ex vi do disposto no parágrafo único do I art. 42 do Decreto n° 70.235, de 1972, reduz a multa qualificada aplicada por entender que, no caso dos autos, se o intento doloso de fraude ou sonegação pode ser colocado ern dúvida não há como subsistir o lançamento tributário, visto que, aqui, o feito fiscal tem suporte na prática de atos tidos como simulados. Ainda que se interprete o decidido enz primeiro grau por outra ótica, qual seja, a de que a constatação de atos simulados não impõe, necessariamente, a aplicação de multa qualificada, eis que tais práticas não estariam absorvidas pelas disposições dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, (com o que, em particular, não concordamos), o lançamento tributário principal (e, por decorrência, os seus reflexos) não pode subsistir, eis que, considerada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos e, até mesmo a atual, não existe meios legais capazes de tomar nulo, ao menos no âmbito tributário, o negócio jurídico praticado em conformidade com a lei. Para isso, como bem sustentou a recorrente, seria necessária a regulamentação da disposição constante do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional. Vê-se assim que, considerados os termos da decisão recorrida, a única possibilidade de sustentaçã 0 dos lançamentos ora apreciados seria considerar que, apesar da ilicitude dos atos praticados pela recorrente, inexistiria base legal para se aplicar a multa qualificada. Quanto a isso, em convergência coin o decidido ern primeira instância, entendemos que não se encontra nos autos qualquer indicação de violação à lei por parte da recorrente, repousando o feito fiscal, tão-somente, na ilação de que o objetivo único da empresa, ao se reorganizar societariamente, era reduzir a sua carga tributária. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento a recurso voluntário interposto. A Fazenda Nacional alega que a reorganização societária implicou violação a lei que veda a compensação de prejuízos da sucedida pela sucessora. Portanto, o que se deve ser objeto de análise são os procedimentos utilizados pelo contribuinte, os seus propósitos e os resultados alcançados, e se o conjunto de atos e fatos jurídicos implementados constituem infração à legislação fiscal. Em síntese, tem-se uma empresa superavitária incorporada por outra deficitária e, segundo entendeu a fiscalização, o propósito foi contornar a proibição legal de a incorporadora compensar os prejuízos da incorporada. Valmir-Sandri - Relator Essa estruturação de reorganização societária ensejou que os prejuízos acumulados pela deficitária (incorporadora), fossem compensados com resultados dos períodos subseqüentes. A fiscalização acusa a empresa de ter praticado simulação relativa, em que o verdadeiro ato querido e praticado (dissimulado) teria sido a incorporação da Eloquimica (deficitária) pela Quimisa, porém, para contornar a vedação legal quanto A. compensação de prejuízos da incorporada, formalizou-o sob a roupagem de incorporação da Quimisa pela Eloquimica. Os elementos apontados pela fiscalização me conduzem A convicção de que, realmente, as operações realizadas configuram simulação relativa. Veja-se que no mesmo mês em que foi fi rmado o protocolo de intenção e justificação da incorporação (junho 2004), a empresa incorporadora assumiu a denominação social da incorporada, de tal sorte que para o mundo dos negócios a empresa extinta continuou a operar, pois o nome é o elemento distintivo da pessoa (fisica ou jurídica), enquanto que a empresa incorporadora teve sua razão social eliminada. A sede social da empresa também foi alterada para a sede da incorporada (Quimisa), e os membros do Conselho de Administração da incorporadora passaram a ser os mesmos da incorporada. As alegações trazidas pela interessada quanto A motivação do ato (manutenção do registro histórico da origem da tecnologia, necessidade de continuidade de transferência de tecnologia, continuidade dos acordos vigentes, etc.) são frágeis e insuficientes para abalar essa convicção, mesmo porque, o Contrato de Transferência de Tecnologia firmado em fevereiro de 2003, só reforça a tese de que o que iria subsistir era a Quimisa e não a Eloquimica. Portanto, caracterizado o procedimento dissimulatório para mascarar situação que se tipifica no art. 514 do RIR/99 (vedação à compensação de prejuízos da incorporada), o fisco fica autorizado a rever o lançamento, para ajustá-lo ao verdadeiro ato praticado, como autoriza o art. 149, inciso VII, do CTN, verbis: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (.) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro ern beneficio daquele, agiu conz dolo, fraude ou simulação;" Dessa forma, entendo que merece reforma a r. decisão recorrida, eis que as operações estruturadas para compensar os prejuízos fiscais configuram simulação relativa, e sendo assim, CONHEÇO do recurso especial da D. Procuradoria da Fazenda Nacional por tempestivo, para no mérito, DAR-LHE provimento. Sala das Sessões, 28 março de 2011. 6
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000389/2004-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1999
CSLL - CORREÇÃO MONETÁRIA - DIFERENÇA IPC/BTNF - o saldo
devedor da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada em 1990, entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei nº 8.200, de 1991, e do Decreto nº 332, de 1991, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (Precedentes da CSRF: Acórdãos nº 01-05.616, de 23.03.2007; nº 01-05.814, de 14.04.2008; nº 01-05.892, de 23.06.2008 e nº 01-06.043, de 10.11.2008)
FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL
sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada
cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9101-000.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento parcial para manter a multa isolada reduzindo o percentual a 50%. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Participou ainda do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior (substituto convocado).
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 CSLL - CORREÇÃO MONETÁRIA - DIFERENÇA IPC/BTNF - o saldo devedor da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada em 1990, entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei nº 8.200, de 1991, e do Decreto nº 332, de 1991, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (Precedentes da CSRF: Acórdãos nº 01-05.616, de 23.03.2007; nº 01-05.814, de 14.04.2008; nº 01-05.892, de 23.06.2008 e nº 01-06.043, de 10.11.2008) FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 14041.000389/2004-53
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4830472
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.713
nome_arquivo_s : 9101000713_14041000389200453_201011.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
nome_arquivo_pdf_s : 14041000389200453_4830472.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento parcial para manter a multa isolada reduzindo o percentual a 50%. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Participou ainda do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior (substituto convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
id : 4746023
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231333871616
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-20T19:05:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2599581_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-20T19:05:51Z; Last-Modified: 2011-01-20T19:05:51Z; dcterms:modified: 2011-01-20T19:05:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2599581_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:747db274-1c5d-42f9-9908-81d529ffa0d3; Last-Save-Date: 2011-01-20T19:05:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-20T19:05:51Z; meta:save-date: 2011-01-20T19:05:51Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2599581_0.doc; modified: 2011-01-20T19:05:51Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-20T19:05:51Z; created: 2011-01-20T19:05:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2011-01-20T19:05:51Z; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-20T19:05:51Z | Conteúdo => CSRF-T1 Fl. 1 1 CSRF-T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000389/2004-53 Recurso nº 147.517 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101-00.713 – 1ª Turma Sessão de 9 de novembro de 2010 Matéria CSLL - Diferença IPC-BTN-F e MULTA ISOLADA Recorrentes FAZENDA NACIONAL BRB - BANCO DE BRFASILIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 CSLL - CORREÇÃO MONETÁRIA - DIFERENÇA IPC/BTNF - o saldo devedor da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada em 1990, entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei nº 8.200, de 1991, e do Decreto nº 332, de 1991, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (Precedentes da CSRF: Acórdãos nº 01-05.616, de 23.03.2007; nº 01-05.814, de 14.04.2008; nº 01-05.892, de 23.06.2008 e nº 01-06.043, de 10.11.2008) FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento parcial para manter a multa isolada reduzindo o percentual a 50%. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Participou ainda do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior (substituto convocado). (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Trata-se de recursos especiais simultâneos impetrados pela Fazenda Nacional e pela contribuinte, com fundamento no art. 7º, inciso I e II, respectivamente, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, em face do acórdão nº 101-96.736, de 28 de maio de 2008, proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: “ASSUNTO: CSLL Anos-calendário: 1997 a 1999 Ementa: DECADÊNCIA - CSLL - Conforme jurisprudência no Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, a CSLL se submete às regras de decadência previstas no CTN, cujo prazo é de cinco anos. ERROS MATERIAIS NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - Os erros materiais comprovados em procedimento de diligência devem ser considerados para redução da exigência. JUROS DE MORA- SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula 1° CC n° 4) FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicá-la nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2).” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 3 3 O auto de infração lavrado em 20.12.2004 (fls. 15/28) promoveu o lançamento da CSLL relativa aos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999, que o sujeito passivo deixou de apurar e de recolher. Foi também lançada a multa isolada, por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada (sujeito passivo obrigado à apuração do lucro real, com opção pela apuração do IRPJ e da CSLL por estimativa). Consoante consta dos autos, a Fiscalização constatou, em consulta ao sistema SINAL, que não houve qualquer recolhimento de CSLL por parte da fiscalizada referente aos anos-calendários de 1997 a 1999, bem como que nenhum débito de CSLL declarado, seja em DCTF, seja em DIPJ. Impugnada a autuação, a DRJ-Brasília entendeu impertinentes as preliminares levantadas e, no mérito, julgou procedente o lançamento (fls. 1.940/1.969) Ciente da decisão da DRJ em 24 de junho de 2005, a contribuinte ingressou com recurso a este Conselho em 25 de julho. Na peça recursal reedita a preliminar de decadência e aborda as seguintes questões: (i) não sujeição do BRB à CSLL (existência de coisa julgada); (ii) exigência indevida do adicional; (iii) exigência descabida de multa isolada; (iv) efeito confiscatório da multa de oficio no percentual de 75%; (v) descabimento de utilização da taxa Selic para juros de mora; (v) erros materiais do lançamento e da requisição da prova pericial negada. No que diz respeito à matéria abordada pelos recursos simultâneos da Fazenda Nacional e da contribuinte, a decisão recorrida assim se manifestou: a) DECADÊNCIA – afastou a exigência em relação aos anos-calendários de 1997 e 1997 e manteve o crédito referente ao ano-calendário de 1999; b) ERRO MATERIAL – ao manter a exigência da CSLL relativa ao ano- calendário de 1999, a Câmara aquo não considerou na base de cálculo a parcela correspondente à correção monetária IPC/BTN-F, que seria dedutível segundo a contribuinte; c) MULTA ISOLADA – afastou a multa isolada pela fala de recolhimento da estimativa, lançada concomitantemente à multa de ofício. No seu recurso especial, a Fazenda insurge-se contra o afastamento da multa isolada lançada pela falta de recolhimento da estimativa mensal. Sustenta, em síntese, que as infrações sancionadas pela “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A primeira decorre do não pagamento do tributo pelo contribuinte e a segunda do descumprimento do regime de estimativa. Em suas contrarrazões, a contribuinte sustenta que a decisão está de acordo com o entendimento consolidado tanto no Conselho de Contribuinte como na Câmara Superior, os quais rechaçam a aplicação conjunta das multas sobre a mesma base de cálculo. Ao recurso da fazenda, foi dado seguimento conforme despacho PRESI nº 392, de 17.10.08. A contribuinte, ao seu turno, insurge-se contra a mesma decisão ora recorrida, no que diz respeito à preliminar de decadência que foi acatada parcialmente em relação aos anos-calendários de 1997 e 1998, mas afastada em relação ao ano de 1999, mantendo-se a exigência correspondente. Alega a contribuinte que a decisão recorrida “destoa totalmente da doutrina recente e da jurisprudência atual do Conselhos de Contribuintes...” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 4 4 (fls. 2.976), configurando a divergência requerida para o processamento do recurso especial sem, contudo, indicar a decisão paradigma. Argumenta também a contribuinte, sob o princípio da eventualidade, que caso mantida a exigência da CSLL no ano de 1999, a base de cálculo necessita ser corrigida, uma vez que a Fiscalização incorreu em erro material ao não considerar como dedutíveis a parcela relativa a correção monetária IPC/BTNF. Por meio do despacho nº 1101-00.270, o Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso, apenas em relação à matéria “correção monetária IPC/BTNF”. Quanto à decadência, apesar da contribuinte indicar a divergência, não apontou acórdão paradigma, tendo sido negado o seguimento quanto a esta matéria. Em sede de reexame da admissibilidade do recurso, por meio do despacho nº 1101-270R, de 04.01.2010, o Presidente Substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmou o despacho anterior, dando seguimento parcial ao recurso da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Do Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do art. 15, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão submetida à análise deste Colegiado versa sobre a possibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento da CSLL devida ao final do ano-calendário de 1999 e pela falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. A Fazenda Nacional insurge-se contra a decisão da Câmara a quo, que na parte que interessa a esta análise, restou assim ementada: FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. A decisão recorrida afastou a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa ao argumento. Citando alguns julgados, o voto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 5 5 vencedor sustenta que está “consolidado no âmbito do Conselho de Contribuinte e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais “o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta, sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art 44 da Lei nº 9.430/96, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, §1º, IV), prevista para aplicação isoladamente do tributo” (fls. 2.945). Em suas razões, a Fazenda Nacional argumenta que “as infrações apenadas pela chamada ‘multa de ofício’ e pela ‘multa isolada’ são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa.” Aduz a recorrente que a Lei nº 9.430/96 prevê claramente que a multa decorrente do descumprimento do regime de estimativa não possui nenhuma relação com o pagamento ou não de imposto pelo contribuinte. Inclusive, alega a recorrente, o inciso IV do seu art. 44 dispõe que a multa será devida ainda que o contribuinte “tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente, ou seja, cabe a multa ainda que ao final do período não exista tributo a recolher” (fls. 2.953/4). Não obstante a argumentação trazida pela Fazenda Nacional, entendo que não assiste razão à recorrente pelas razões que seguem. O disposto no inciso IV, § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 1 , na redação vigente à época dos fatos, estabelecia sanção a ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balanceies mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Em torno desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaram-se no âmbito desse Conselho, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções nele prevista. Em alguns julgados, tem sido sustentada a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Tais decisões se fundamentam no fato de que a sanção 1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; (...)” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 6 6 foi estabelecida para assegurar efetividade do regime da estimativa e preservar o interesse público. Como bem destacou o i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima 2 , cuja argumentação acerca do assunto, adoto como razão deste voto, “a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizá-lo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos." Pois bem, a partir da literalidade dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1º, IV, referem-se todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do que argumenta a recorrente Fazenda Nacional. Com efeito, em que pesem as argumentações da recorrente, no âmbito do nosso ordenamento jurídico, não há como sustentar a incidência concomitante das duas penalidades, aplicadas sobre a mesma base de incidência, quando os fatos que ensejam a penalidade estão relacionados. Seguindo o mesmo entendimento do voto condutor do Acórdão CSRF nº 01-05.838, relativo ao processo nº 13629.000292/2003-04, da lavra do i. conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, peço licença para transcrição dos fundamentos daquela decisão: “Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo – só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores 2 Acórdão n° CSRF 01-05.838, de 15 de abril de 2.008. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 7 7 tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportando-me a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita refere-se ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 pelo não-recolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, deve-se investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano- calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 8 8 Segundo as lições de Miguel Reale Junior 3 : "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passando-se de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. É cabível, portanto, apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Além destes argumentos, é necessário destacar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I - (revogado); II - (revogado); III- (revogado); IV - (revogado); V - (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). 3 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 9 9 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.” As alterações introduzidas recentemente estabelecem que a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de ofício passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao ano-calendário 1999, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação à CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla penalização, por força do princípio da consunção, não pode subsistir. Por todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo afastada a multa isolada, não alterando, neste ponto, a decisão recorrida. Do Recurso Especial da Contribuinte O recurso da contribuinte (fls. 2.966/2.982), com fundamento no art. 7º, inciso II do RICSRF, apresenta duas matérias, a saber: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 10 10 a) em sede preliminar, invoca o instituto de decadência para tornar improcedente o lançamento da CSLL, relativa aos fatos geradores ocorridos no ano de 1999; b) no mérito, caso não seja acolhida a tese da decadência, aponta a existência de erro material na determinação da base de cálculo da CSLL, por não considerar a exclusão da parcela relativa correção monetária IPC/BTNF. Conforme Despacho (fls 2.995), foi dado seguimento parcial ao recurso, apenas em relação à matéria “correção monetária IPC/BTNF”, item “b”. Quanto à matéria do item “a”: decadência, foi negado seu seguimento. Passo então à análise da parte conhecida do recurso. A contribuinte insurge-se contra a decisão da Câmara a quo, que na parte que interessa a esta análise, restou assim ementada: ERROS MATERIAIS NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - Os erros materiais comprovados em procedimento de diligência devem ser considerados para redução da exigência. De início, cumpre observar que na decisão recorrida, a matéria foi tratada pelo relator conforme suscitado pela recorrente, ou seja, na forma de “erro material”, trazendo subjacente a dedutibilidade para fins de CSLL das diferenças de correção monetária IPC/BTNF. No corpo da decisão, encontra-se o seguinte: “Sobre a diferença IPC/BTNF, no curso da fiscalização a empresa apresentou observação quanto à não consideração da dedução referente à diferença da correção monetária IPC/BTN, nos termos da Lei nº 8.200/91 e Decreto nº 332/91 (2/96, 3/97 e 4/98) A autoridade fiscal anotou que a fiscalizada apresentou diversos documentos que comprovaria os valores por ela apresentados como referentes à diferença da correção monetária IPC/BTNF (fls. 622/637). Entretanto, como o art. 41 do Decreto nº 332/91, que dispõe que o resultado da correção monetária de que se trata não influirá na base de cálculo da CSLL, continua em plena eficácia, disse não caber à fiscalização a consideração dos valores para fins de base de cálculo da CSLL.”(fls. 2.940) O voto condutor do acórdão recorrido entendeu que “ao vedar que os efeitos do art. 3º da Lei nº 8.200/91 atingissem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, o Decreto nº 332/91 se conteve dentro das finalidades do diploma legal (benefício fiscal do IRPJ, como definiu o STF)” (fls. 2.940/1). Ou seja, considerou que o saldo devedor da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada em 1990, entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei nº 8.200, de 1991, e do Decreto nº 332, de 1991, não pode ser deduzido da base de cálculo da CSLL. Passo, então, à análise. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 11 11 A questão ora submetida a este Colegiado já foi objeto de inúmeras decisões no âmbito deste Conselho. Está circunscrita em definir se o art. 41 do Decreto nº 332/91 4 , que regulamentou a Lei nº 8.200/91 5 , que autorizou a correção monetária especial IPC/BTNF, ultrapassou ou não a lei ao vedar a dedução do saldo devedor de correção para efeito de apurar a base de cálculo da CSLL. A divergência de interpretação está patente entre o acórdão recorrido e a tese trazida pelos acórdãos nº 101-94.799, CSRF/01-04701 e CSRF/01-04739 trazidos como paradigmas. As decisões colacionadas entenderam que a contribuinte poderia deduzir o saldo devedor de correção monetária da diferença IPC/BTNF para determinação da base de cálculo da CSLL, decidindo pela inaplicabilidade do art. 41 do Decreto nº 332/91, que vedou a aplicação do disposto no art. 3º da Lei nº 8.290/91, confrontando até com o art. 2º da Lei nº 7.689/88, na redação do art. 2º da Lei nº 8.034/90. O judiciário já se posicionou sobre o tema em diversos julgados. Por atribuir- lhes caráter elucidativo acerca da matéria, tomo por base, neste voto, algumas destas decisões. Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 199.338 - PR (1998/0097670-1) VOTO DO EXMO. SR. MINISTRO FRANCISCO FALCÃO (RELATOR): O recurso merece ser conhecido, porquanto satisfeitos os requisitos formais, assim como o prequestionamento das matérias constantes dos regramentos indicados como malferidos. Quanto à divergência, também a entendo como configurada, de rigor então a admissão deste recurso pela alínea "c", do permissivo constitucional. No que concerne à alegada nulidade do acórdão recorrido, não merece guarida a tese defendida pela recorrente, eis que o Tribunal a quo julgou satisfatoriamente a lide,solucionando a questão dita controvertida tal qual esta lhe foi apresentada. Destarte, não há que se falar em embargos de declaração cabíveis, por falta de fundamentação, haja vista não ser o julgador obrigado a rebater um a um todos os argumentos trazidos pelas partes, visando à defesa da teoria que apresentaram, podendo decidir a controvérsia observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido, destaco os seguintes julgados, verbis : 4 DECRETO Nº 332/91 Art. 41. O resultado da correção monetária de que trata este capítulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88 e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35). 5 LEI 8.200/91 Art. 1º Para efeito de determinar o lucro real - base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas - a correção monetária das demonstrações financeiras anuais, de que trata a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, será procedida, a partir do mês de fevereiro de 1991, com base na variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1º A correção de que trata este artigo somente produzirá efeitos fiscais quando efetuada no encerramento do período-base. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º A correção aplica-se, inclusive, aos valores decorrentes da correção especial prevista no art. 2º desta Lei. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de preços. Art. 6º O Poder Executivo regulamentará, no prazo de sessenta dias, o disposto nesta lei. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 12 12 "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARA TÓRIOS. OMISSÃO. VIOLAÇÃO AO ARE 535 DO CPC. NULIDADE INOCORRÊNCIA. I - Se não havia defeito a ser sanado, não incorre em ofensa ao art. 535 do CPC o acórdão que rejeita os embargos declaratórios, não se podendo falar em recusa à apreciação da matéria suscitada pelo embargante. Precedentes. II - Não padece de nulidade, nos termos do art. 458 do CPC, o acórdão que contém a necessária fundamentação, embora de maneira sucinta. Recurso não conhecido" (REsp n° 285.958/MG, Relator Ministro FELIX FISCHER, DJ de 12/02/2001, pág. 00140). "AGRAVO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO — PROCESSUAL CIVIL - ART. 535, DO CPC - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - INEXISTÊNCIA — ACÓRDÃO RECORRIDO - FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO - CDC - FORNECEDOR - RESPONSABILIDADE OBJETIVA. I - Inexiste violação ao art. 535, do CPC, se o acórdão recorrido, assentando em fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada, pronunciou-se acerca das questões suscitadas. II - Não se conhece o recurso especial no ponto em que vai de encontro ao entendimento do acórdão recorrido que se assentou em fundamento que não foi especificamente impugnado pelo recorrente. III - Tratando-se de relação de consumo, a responsabilidade do fornecedor perante o consumidor é objetiva, sendo prescindível a discussão quanto à existência de culpa" (AGA nº 268.585/RJ, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJ de 05/02/2001, pág. 00108). No mérito, também não assiste razão à recorrente. Recentemente, no REsp nº 505.471/RS, de minha relatoria, publicado no DJ de 31/05/2004, a colenda 1a Turma julgou caso semelhante ao dos autos, no qual restou explicitado que a Lei nº 8.200/91, ao autorizar em seu artigo 2º a efetivação de correção monetária, refletindo no balanço do ano-base de 1990, dirigiu-se ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não prevendo o mesmo tratamento para a Contribuição Social sobre o Lucro. No ponto, transcrevo excerto do voto proferido no Resp nº 386.908/CE, Relator Ministro CASTRO MERA, DJ de 25/02/2004, pág. 00134, verbis : "Pretende o Recorrido, com base na Lei n.° 8.200/91, obter provimento judicial que lhe autorize a deduzir da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro - CSL, a parcela de correção monetária das demonstrações financeiras relativa ao período-base de 1990. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 13 13 Sustenta a Recorrente, em contrapartida, que a autorização concedida pela Lei n.° 8.200/91 para que o contribuinte proceda à dedução da correção monetária nas demonstrações financeiras de balanço somente se aplica ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não tendo qualquer reflexo sobre a Contribuição Social sobre o Lucro - CSL. A correção monetária das demonstrações financeiras relativas ao ano base 1990 foi autorizada pela Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. O Decreto nº 332/91, ao regulamentar a Lei nº 8.200/91, fixou em seu art. 41, caput e parágrafo segundo, o seguinte: "Art. 41. O resultado da correção monetária de que trata este Capitulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido (Lei nº 7.713/88, art.35)"; § 2º Os valores a que se refere o art. 39, computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro liquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto sobre o lucro liquido (Lei nº 7.713/88, art.35)". A controvérsia dos autos está a exigir seja avaliada a regra contida no art. 41 do Decreto nº 332/91, para que então se possa concluir se a norma regulamentar excedeu ou não os limites impostos pela lei de regência. A exegese da Lei nº 8.200/91 conduz à conclusão tranqüila de que a correção monetária das demonstrações financeiras do ano base 1990 refere-se, essencialmente, ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não tendo qualquer reflexo sobre a apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro - CSL. Tanto é assim que o art. 1º da referida Lei traz a seguinte redação: "Art. 1º - Para efeito de determinar a lucro real — base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas — a correção monetária das demonstrações financeiras anuais, de que trata a Lei nº 7.799, de 10 de junho de 1989. será procedida, a partir do mês de fevereiro de 1991, com base na variação mensal do índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC." (sem grifos no original) A Lei n.° 8.200/91 admitiu uma única hipótese em que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro - CSL, sofre a incidência das deduções da correção monetária de balanço. Cuida-se da norma contida no art. 2° e parágrafos da Lei, que traz a seguinte redação: "Art. 2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índices que reflita, a nível nacional, variação geral de preços. § 1º A correção monetária de que trata este artigo poderá ser efetuada exclusivamente, em balanço especial levantado, para esse efeito, em 31 de janeiro de 1991, após a correção com base no BTN Fiscal de Cr$ 126,8621. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 14 14 § 2º A correção deverá ser registrada em subconta distinta da que registra o valor original do bem ou direito, corrigido monetariamente, e a contrapartida será creditada à conta de reserva especial. § 3º O valor da reserva especial, mesmo que incorporado ao capital, deverá ser computado na determinação do lucro real proporcionalmente à realização dos bens ou direitos, mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título. § 4º O valor da correção especial, realizada mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 5º O disposto nos §§ 3º e 4º deste artigo aplica-se, inclusive, à determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n.° 7.689, de 15-12-1998) e do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713, de 22-12-1988, art. 35)." Fácil perceber que a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro somente é afetada pela correção monetária de balanço prevista na Lei nº 8.200/91 nas hipóteses expressamente por ela contempladas (art. 2º, §5º c/c §§ 3º e 4º), restando ajustado a essa disciplina o disposto no art. 41, § 2º, do Decreto nº 332/91. Da leitura dos dispositivos indicados, extrai-se ai conclusão de que a Lei nº 8.200 só permite, relativamente à apuração da CSL, a correção monetária da conta "ativo permanente", excluindo-a de qualquer outra demonstração financeira. Não há, assim, qualquer ilicitude que possa ser reconhecida quanto à norma contida no art. 41 do Decreto nº 332/91. Primeiramente, porque a Lei nº 8.200/91, ao cuidar da correção monetária de balanço relativamente ao ano-base de 1990, limitou-se ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não estendendo al previsão legal à CSL. Em segundo lugar, porque a Lei nº 8.200/91, quando quis estender a correção monetária de balanço à CSL o fez expressamente, limitada, entretanto, à conta do "ativo permanente", a teor do disposto no art. 2º, § 5º c/c §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.200/91." (os destaques não constam do original) No mesmo diapasão, os seguintes julgados, verbis : "Tributário. Processual Civil. Recurso Especial. IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro. Imposto de Renda retido na fonte. Apuração da Base de Cálculo. Correção Monetária. Lei 8.200/91. Decreto 332/91 (arts. 39 e 41). Omissão. 1. A finalidade da jurisdição é compor a lide e não a discussão exaustiva ao derredor de todos os pontos e dos padrões legais enunciados pelos litigantes. Incumbe ao Juiz estabelecer as normas jurídicas que incidem sobre os fatos arvorados no caso concreto (jura novit curia e da mihi factum dabo tibi jus). Inocorrência de ofensa ao art. 535, CPC. 2. O Decreto nº 332/91 não exorbitou dos termos da legislação regulamentada. 3. Precedentes jurisprudenciais. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 14041.000389/2004-53 Acórdão n.º 9101-00.713 CSRF-T1 Fl. 15 15 4. Recurso não provido" (REsp nº 168.677/RS, Relator Ministro MILTON LUIZ PEREIRA, DJ de 11/03/2002, pág. 00170). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LEI 8.200, DE 1991. DEC. 332, DE 1991. A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO SÓ É AFETADA PELA LEI a 200, DE 1991, NAS HIPÓTESES QUE ELA EXPRESSAMENTE CONTEMPLA (ART. 2., PAR. 5. C/C PARS. 3. E 4.), ESTANDO AJUSTADO A ESSA DISCIPLINA O DISPOSTO NO ARE 41, PAR. 2., DO DEC. 332, DE 1991. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO"(REsp nº 101.862/PR, Relator Ministro ARI PARGENDLER, DJ de 08/06/1998, pág. 00071)." (os destaques não constam do original) A decisão do STJ está realmente de acordo com a melhor interpretação da matéria, isso porque o STF já decidiu, RE 201.465-6 MG, que o conceito de lucro tributável é puramente legal, sendo que a legislação na assegurou a aludida dedução. Ressalto que o entendimento desta Primeira Turma da CSRF, era na mesma linha do acórdão recorrido, porém em virtude de reiterada e uniforme manifestação no sentido contrário do Superior Tribunal de Justiça, o colegiado houve por bem modificar o entendimento, no sentido de que o Decreto nº 332/91, no caso, não extrapolou a lei que regulamentou. Destarte, o saldo devedor da correção monetária complementar, decorrente da diferença verificada em 1990, entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei nº 8.200, de 1991, e do Decreto nº 332, de 1991, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Por todo exposto, quanto ao recurso da Fazenda Nacional, voto no sentido de negar-lhe provimento, mantendo-se afastada a multa isolada, não alterando, neste ponto, a decisão recorrida. E, quanto ao recurso da contribuinte, na parte conhecida, voto por negar-lhe provimento, mantendo-se o acórdão recorrido. É como voto. Sala das sessões, 9 de novembro de 2010. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000016/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2005
Ementa:
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma,
conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. A
inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2005 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11474.000016/2007-47
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 5034957
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.331
nome_arquivo_s : 230201331_11474000016200747_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 11474000016200747_5034957.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4745111
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231342260224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11474.000016/200747 Recurso nº 254.605 Voluntário Acórdão nº 230201.331 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente LABORATÓRIO CATARINENSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2005 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000016/200747 Acórdão n.º 230201.331 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 31/10/2006, com ciência na mesma data, por ter deixado de prestar esclarecimentos necessários à fiscalização, em especial porque não apresentou os valores pagos por segurado e competência relativos às notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House S/A, a fim de se identificar os beneficiários do sistema de premiação, no período de 05/2000 a 12/2005. Os documentos foram formalmente solicitados através da emissão do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 07. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls.31/32 , julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a) a inconstitucionalidade do depósito recursal; b) que não pode ser aplicada a penalidade prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social quando a mesma omissão já foi punida com a multa prevista no artigo 239, do mesmo Regulamento; c) que não incluiu as verbas citadas nas folhas de pagamento porque não as entendia como remuneração e caso a NFLD seja julgada improcedente não há obrigação acessória a ser cumprida. Requer a reforma da decisão exarada e a improcedência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Das Preliminares A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Embora não argüido pela recorrente, é de se destacar a existência de período decadente na presente autuação, já que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a Fl. 66DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000016/200747 Acórdão n.º 230201.331 S2C3T2 Fl. 3 5 revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2000, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. Não há impedimento legal para a aplicação da multa quando do recolhimento por atraso das contribuições sociais incluídas em notificação fiscal de lançamento, conforme disposto no artigo 239, inciso III do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 (descumprimento da obrigação principal) e a multa punitiva constante do artigo 283, inciso I do mesmo Regulamento, quando houver o descumprimento de obrigação acessória, no caso a falta de confecção de folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a serviço da empresa. No caso em tela, a empresa, em processo distinto, foi notificada pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo. Esta matéria já foi julgada reiterada vezes por este Colegiado, que entende ter a verba paga natureza salarial. Entretanto, no caso da presente autuação, é irrelevante o desfecho da obrigação principal porque a recorrente foi autuada por não prestar os esclarecimentos necessários para uma eficaz ação fiscalizatória por parte da Seguridade Social. Os documentos foram devidamente solicitados através de termo próprio, fls. 07 e se mostravam indispensáveis à fiscalização, para a apuração das contribuições previdenciárias. O artigo 32, inciso III da Lei n.º 8.212/91, diz expressamente que a empresa é obrigada a prestar ao INSS as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, assim como os esclarecimentos necessários à fiscalização Também o artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, dispõe: Art.225 A empresa é também obrigada a : (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse dos mesmos, na forma por eles Fl. 68DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000016/200747 Acórdão n.º 230201.331 S2C3T2 Fl. 4 7 estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Desta forma ao não apresentar os documentos solicitados que são de sua posse, guarda e responsabilidade dentro do período fiscalizado, a autuada infringiu o dispositivo legal acima referido. Relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, me reporto ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “b”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. O artigo 283, inciso II, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 342, de 16/08/2006, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 69DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13794.000031/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
VALE TRANSPORTE CONCEDIDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O vale transporte, quando concedido em desacordo com a legislação de regência, integra o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária
elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRO LABORE. SALÁRIO
DE CONTRIBUIÇÃO.
Constitui fato gerador da contribuição previdenciária os valores pagos a título de pro labore aos sócios da empresa, na qualidade de segurados contribuintes individuais, ficando a empresa obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados dessa categoria a seu serviço, descontando-as das respectivas
remunerações, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. PRECLUSÃO.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce.
O art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, somente se aplica às hipóteses de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória consistente na não entrega de GFIP ou da entrega desse documento com informações incorretas ou omissas, mas, não, no caso de falta de recolhimento de tributo obrigação tributária principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.309
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, lhe negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. VALE TRANSPORTE CONCEDIDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O vale transporte, quando concedido em desacordo com a legislação de regência, integra o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRO LABORE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária os valores pagos a título de pro labore aos sócios da empresa, na qualidade de segurados contribuintes individuais, ficando a empresa obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados dessa categoria a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. PRECLUSÃO. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. O art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, somente se aplica às hipóteses de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória consistente na não entrega de GFIP ou da entrega desse documento com informações incorretas ou omissas, mas, não, no caso de falta de recolhimento de tributo obrigação tributária principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13794.000031/2008-89
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4987077
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.309
nome_arquivo_s : 230201309_13794000031200889_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 13794000031200889_4987077.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, lhe negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4743978
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231392591872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C3T2 Fl. 361 1 360 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13794.000031/200889 Recurso nº 001.309 Voluntário Acórdão nº 230201.309 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NFLD Recorrente RACHEL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. VALETRANSPORTE CONCEDIDO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O valetransporte, quando concedido em desacordo com a legislação de regência, integra o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRO LABORE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária os valores pagos a título de pro labore aos sócios da empresa, na qualidade de segurados contribuintes individuais, ficando a empresa obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados dessa categoria a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Fl. 366DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. PRECLUSÃO. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN somente é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. O art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, somente se aplica às hipóteses de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória consistente na não entrega de GFIP ou da entrega desse documento com informações incorretas ou omissas, mas, não, no caso de falta de recolhimento de tributo obrigação tributária principal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida, lhe negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Data da lavratura da NFLD : 12/11/2008. Data da Ciência da NFLD : 19/11/2008. Fl. 367DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 362 3 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados incidentes sobre valores fornecidos a segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos em desacordo com a legislação, e a cargo dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre valores de retiradas a título de pro labore, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 22/28. Informa a Autoridade Lançadora haver constatado não ter havido qualquer tipo de desconto por parte do empregador sobre os respectivos salários base ou sobre quaisquer outras bases e sob quaisquer títulos, relacionado ao custeio parcial e na forma da lei, dos vales transporte entregues para os empregados assim beneficiados. Aduz que as bases de cálculo foram obtidas dos valores de salário básico oriundos das folhas, aplicandose a alíquota de 6% sobre os mesmos e os beneficiários foram identificados a partir da análise dos recibos de entrega dos vales transporte. De outro canto, relata a fiscalização que o presente lançamento contempla, igualmente, os valores pagos à sócia Itamara Lopes Martins Sales sob o título de retiradas, não relacionados em folha e GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 33/41, acompanhada dos documentos a fls. 42/321. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ lavrou Decisão Administrativa a fls. 323/332, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 23 de junho de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 335. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 337/359, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a Lei nº 8.212/91 é inconstitucional, eis que as contribuições sociais objeto do lançamento deveriam ter sido instituídas mediante Lei Complementar, e não por lei ordinária; • Que a fundamentação legal do Auto de Infração não se mostra compatível com a sistemática constitucional adotada em nosso país, tendo em vista que se baseou em regulamento do INSS e, também, em Lei Ordinária e não em Lei Complementar, como determina a Carta Magna; • Que o pro labore de R$ 240,00 referente à competência março/2004 foi declarado em GFIP, havendo sido descontada do segurado e recolhida a importância de R$ 26,40. • Que o valetransporte não tem natureza jurídica de salário; Fl. 368DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que a fiscalização não identificou o desconto de 6% nos recibos de pagamento de salários nem nas GFIP, porém como o Livro Caixa da empresa recorrente contém todos os registros contábeis, condensando o Livro Razão, o Livro Diário, o Balanço e o DER, nos termos da legislação comercial, o valetransporte encontrase devidamente escriturados mês a mês; • Que o Recorrente optou por não descontar dos seus empregados os 6% referente à parte do custeio do ValeTransporte que lhes cabe e decidiu custear 100% do valetransporte para beneficiar ainda mais os seus empregados, não existindo na legislação qualquer norma que o obrigue a não fazêlo; • Que o Auditor fiscal estaria autuando a empresa por presunção, eis que, ao não encontrar o desconto dos valestransporte nos recibos de pagamento, nas folhas de pagamento e na GFIP, presumiu que tal benefício teria sido pago em espécie, fazendo parte dos salários e, consequentemente, criando um débito com as contribuições previdenciárias. • Requer a realização de todas as provas permitidas em direito, mormente a pericial; • Que a multa de mora de 30% do principal tem natureza de confisco; • Requer a incidência da retroatividade benigna para fazer incidir o art. 32 A da Lei nº 8.212/91, inserido pela MP nº 449/2008; Ao fim requer a declaração da insubsistência da presente autuação. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 23/06/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 363 5 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Pondera o Recorrente que a Lei nº 8.212/91 é inconstitucional, eis que as contribuições sociais objeto do lançamento deveriam ter sido instituídas mediante Lei Complementar, e não por lei ordinária. Aduz que a fundamentação legal do Auto de Infração não se mostra compatível com a sistemática constitucional adotada em nosso país, tendo em vista que se baseou em regulamento do INSS e, também, em Lei Ordinária e não em Lei Complementar, como determina a Carta Magna. De outro canto, assevera ainda o Recorrente que a multa de 30% sobre o principal tem natureza de confisco. Compulsando a impugnação ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, aventadas pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe, de forma hialina, que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 370DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte, a fls. 2/3. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, ou a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do plenário do Poder Judiciário. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 364 7 Por tais razões, a matéria abordada nos primeiros dois parágrafos deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, deste conheço parcialmente. Passamos então ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DOS FATOS GERADORES – VALETRANSPORTE. Alega o Recorrente que o vale transporte não tem natureza jurídica de salário. Pondera que a fiscalização não identificou o desconto de 6% nos recibos de pagamento de salários nem nas GFIP, porém como o Livro Caixa da empresa recorrente contém todos os registros contábeis, condensando o Livro Razão, o Livro Diário, o Balanço e o DER, nos termos da legislação comercial, o valetransporte encontrase devidamente escriturados mês a mês. Aduz que a empresa optou por não descontar dos seus empregados os 6% referente à parte do custeio do ValeTransporte que lhes cabe e decidiu custear 100% do valetransporte para beneficiar ainda mais os seus empregados, não existindo na legislação qualquer norma que o obrigue a não fazêlo. Afirma ainda que o auditor fiscal estaria autuando a empresa por presunção, eis que, ao não encontrar o desconto dos valestransporte nos recibos de pagamento, nas folhas de pagamento e na GFIP, presumiu que tal benefício teria sido pago em espécie, fazendo parte dos salários e, consequentemente, criando um débito com as contribuições previdenciárias. As alegações da empresa, no entanto, não tem poderio bélico suficiente para desconstituir o lançamento que ora se opera. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos a título de valetransporte, sem o efetivo desconto da parcela exigida por lei da remuneração dos beneficiários, ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de tais verbas serem pagas a um, a alguns ou à totalidade dos empregados. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas Fl. 372DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452, lá nos idos de 1943, que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 373DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 365 9 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do Fl. 374DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 366 11 Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 377DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 367 13 d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (grifos nossos) g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 378DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 379DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 368 15 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do §10º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Regulamento da Previdência Social Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) VI a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...) §10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. §11. Para a identificação dos ganhos habituais recebidos sob a forma de utilidades, deverão ser observados: I os valores reais das utilidades recebidas; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘f’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui de forma expressa que não integra o Salário de contribuição a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 380DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76; (...) f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Estatui o Diploma Normativo em realce que a parcela recebida a título de auxílio transporte somente será excluída da base de incidência das contribuições previdenciárias caso seja fornecida na forma da legislação própria. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 7.418/85, publicada no D.O.U. de 17/12/1985, posteriormente alterada pela Lei nº 7.619/87, instituiu o ValeTransporte assim dispondo sobre o seu tema nuclear: Lei nº 7.418, de 17 de dezembro de 1985 Art. 1º Fica instituído o valetransporte, (Vetado) que o empregador, pessoa física ou jurídica, antecipará ao empregado para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais. Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (grifos nossos) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; (grifos nossos) c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 369 17 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos Vales Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619/87) (grifos nossos) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a exclusão da incidência da exação em exame somente ocorrerá nos casos em que o empregador adquirir os vales transporte e fornecêlos diretamente ao trabalhador no montante necessário aos seus deslocamentos no percurso residência trabalho e viceversa, e desde que o beneficiário arque no custo de aquisição com uma parcela correspondente a 6% do seu salário básico. Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo Decreto nº 95.247/87, que apontam para o mesmo norte. Decreto nº 95.247, de 18 de novembro de 1987 Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. (grifos nossos) Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de Vale Transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Art. 6° O ValeTransporte, no que se refere à contribuição do empregador: I não tem natureza salarial, nem se incorpora a remuneração do beneficiário para quaisquer efeitos; II não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; III não é considerado para efeito de pagamento da Gratificação de Natal (Lei n°4.090. de 13 de julho de 1962, e art. 7° do DecretoLei n° 2.310. de 22 de dezembro de 1986); IV não configura rendimento tributável do beneficiário. Art. 9° O ValeTransporte será custeado: Fl. 382DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder a parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo. Art. 10. O valor da parcela a ser suportada pelo beneficiário será descontada proporcionalmente à quantidade de Vale Transporte concedida para o período a que se refere o salário ou vencimento e por ocasião de seu pagamento, salvo estipulação em contrário, em convenção ou acordo coletivo de trabalho, que favoreça o beneficiário. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) Desta forma, as disposições balizadas em Convenções e Acordos Coletivos de trabalho não projetam consequências afora da órbita trabalhador empresa em que foi celebrada, não irradiando efeitos inibidores sobre as regras dispositivas estabelecidas na legislação tributária. No caso em exame, a legislação que rege a regra de não incidência tributária em foco exige que o empregado participe do custo de aquisição dos valestransporte contribuindo com a parcela de 6% do seu salário básico, para que tal rubrica seja alcançada pela hipótese de exclusão tributária sob comento, ou seja, que a concessão de tal benefício seja realizada nos estritos limites traçados pela legislação própria, o que de fato, conforme detalhadamente demonstrado, não ocorreu no caso em debate. Nessas circunstâncias, à luz da estratificação do conceito global de REMUNERAÇÃO disposta no início deste tópico, razão parcial parece assistir ao Recorrente ao asseverar que não existe legislação que proíba a empresa de arcar integralmente com o custo valetransporte. Certamente não há. Só que, ao assim proceder, a empresa culminou por fornecer tal utilidade em desacordo com a legislação de regência do benefício, fato que deságua, inexoravelmente, na incidência do preceito inscrito no §10 do art. 214 do Fl. 383DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 370 19 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, fazendo com que o valor relativo a tal parcela passe a integrar o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos. O entendimento sustido pelo Recorrente só peca no detalhe de que tais verbas remuneratórias não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Compõem sim, eis que encampadas pelo conceito de Salário de Contribuição, não figurando expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Por todo exposto, improcede o argumento da impugnante de que a autuação em questão teria se originado pela presunção de que a empresa teria pago o valetransporte em espécie, fazendo parte dos salários. Não, não o foi. o auditor fiscal apurou o débito referente aos valores não descontados dos empregados a título de valetransporte não pelo fato de este ter sido pago em espécie, mas sim, pelo fato da ausência de desconto da parcela exigida por lei da remuneração dos segurados beneficiários. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 2.2. DOS FATOS GERADORES – RETIRADAS PRO LABORE Que o pro labore de R$ 240,00 referente à competência março/2004 foi declarado em GFIP, havendo sido descontada do segurado e recolhida a importância de R$ 26,40. Tal assertiva, todavia, não encontra espelho nas provas acostadas aos autos. Compulsando a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP da competência março/2004, a fls. 206/212, verificamos não haver sido declarada pelo Recorrente qualquer informação pertinente a retiradas sob o rótulo de pro labore pagas à sócia Itamara Lopes Martins Sales, rubrica essa que deu origem ao débito em questão. Cumpre assentar, não se confunda, que a fl. 207 consta o registro de pagamento de salário à segurada em questão, na qualidade de segurado empregado, no valor de R$ 831,54 , sendolhe descontada, nessa qualidade, a quantia de R$ 74,83 a título de contribuição previdenciária a cargo do segurado empregado. Mas não foi esse o fato gerador lançado pela fiscalização no presente lançamento, mas, sim, o pagamento de pro labore, paga à sócia em realce na qualidade de segurado contribuinte individual, no montante de R$ 240,00 , cujo registro e desconto do segurado não foi comprovado no vertente processo, não logrando, assim, o Recorrente a elidir o lançamento em apreciação. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 2.3. DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Requer a realização de todas as provas permitidas em direito, mormente a pericial. Tal pedido não pode ser atendido. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. Fl. 385DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 371 21 §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 386DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais e/ou periciais no processo administrativo, mas, sim, produzi las. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tem o Recorrente, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13794.000031/200889 Acórdão n.º 230201.309 S2‐C3T2 Fl. 372 23 2.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Recorrente requer a incidência da retroatividade benigna para fazer incidir o art. 32A da Lei nº 8.212/91, inserido pela MP nº 449/2008. O benefício da retroatividade benigna encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração em realce. Ocorre que o art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, somente se aplica às hipóteses de Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária acessória consistente na não entrega de GFIP ou da entrega desse documento com informações incorretas ou omissas, mas, não, no caso de falta de recolhimento de tributo – obrigação tributária principal. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 388DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006996/2004-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2000
DECLARAÇÃO ENTREGUE EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
INAPLICABILIDADE.
É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2000
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000
MULTA POR ATRASO/ DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C
DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC.
Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso
concreto, em se tratando de multa aplicada de ofício por
atraso/descumprimento de obrigação acessória, impõe-se
a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 1301-000.706
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de decadência, não conhecer das matérias não questionadas em primeira instância, por preclusão, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 DECLARAÇÃO ENTREGUE EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO/ DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, em se tratando de multa aplicada de ofício por atraso/descumprimento de obrigação acessória, impõe-se a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10880.006996/2004-94
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4859452
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.706
nome_arquivo_s : 130100706_10880006996200494_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10880006996200494_4859452.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência, não conhecer das matérias não questionadas em primeira instância, por preclusão, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4744804
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044231404126208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 45 1 44 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.006996/200494 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.706 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ADVOCACIA ANDRADE E PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 DECLARAÇÃO ENTREGUE EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 MULTA POR ATRASO/ DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 46 2 legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, em se tratando de multa aplicada de ofício por atraso/descumprimento de obrigação acessória, impõese a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência, não conhecer das matérias não questionadas em primeira instância, por preclusão, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório ADVOCACIA ANDRADE E PEREIRA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1617.657, de 01/07/2008, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do sintético e objetivo relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 1999 (fl. 06), no valor de R$ 2.053,25. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 05, na qual alega, em apertada síntese, que as DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 47 3 A 5ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1617.657, de 01/07/2008 (fls. 27/29), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Ciente da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário postado em 21/10/2008 conforme carimbo à folha 42. À fl. 43 a Autoridade Preparadora atesta a tempestividade do recurso. No recurso interposto (fls. 34/41), a interessada alega preliminarmente os pontos que se seguem: a) Reclama contra a retroatividade do valor das multas (R$ 500,00 para cada trimestre e R$ 523,25 para o último trimestre), tratandose de multas referentes a 1999. Esses valores não corresponderiam àqueles previstos nas Instruções Normativas da SRF, de R$ 57,34 por mêscalendário ou fração de atraso. Conclui que seria nulo o auto de infração “posto que, comprovados todos os pagamentos dos tributos, não há que se falar em débito tributário da obrigação principal muito menos pela obrigação acessória”. b) Argúi que teria ocorrido a prescrição, porque, até a data da lavratura do auto de infração em 2004, já teriam transcorrido mais de cinco anos, contados a partir do dia seguinte ao término do prazo para a entrega das DCTFs dos quatro trimestres do anocalendário 1999. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: c) A multa por entrega no atraso da DCTF careceria de base legal. A Instrução Normativa da Receita Federal e os DecretosLei nº 1.968/82 e nº 2.065/83 não prevêem aplicação de multa por atraso na entrega das informações a respeito dos rendimentos pagos ou creditados, mas apenas penalidades relacionadas à DIRF. A IN 129/86 seria letra morta, e a multa igualmente não estaria prevista no art. 27, § único, alíneas a e b, da Lei nº 9.532/1997. Prossegue argumentando que o arcabouço normativo que criou a DCTF não teria fundamento em lei, seria ilegal e contrariaria normas da Constituição Federal. d) A recorrente entende que estaria desobrigada da apresentação de DCTF no ano calendário em questão. e) A interessada pede a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea (art. 138 do CTN), visto que a entrega das declarações se teria dado sem qualquer auto de infração ou procedimento administrativo que descaracterizasse a espontaneidade. Com isso, as multas deveriam ser afastadas. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 48 4 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. No argumento identificado como (b) no relatório, quando se refere à prescrição, devese entender decadência, a perda do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Tratase de matéria de Ordem Pública, passível de apreciação independentemente de questionamento, pelo que passo a analisála. Por sua argumentação, entendese que a interessada considera a aplicação do prazo de que trata o art. 150, § 4º, do CTN. A controvérsia, então, é sobre o dispositivo legal aplicável para estabelecimento do marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 49 5 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 50 6 Em oportunidade posterior, o próprio STJ revisou seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma essa decisão deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das novéis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, tratase de multa por descumprimento de obrigação acessória, situação em que não se há de cogitar de dever de antecipar a exação. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que as circunstâncias verificadas e acima expostas são suficientes para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 173, I, do CTN, ou Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 51 7 seja, o dies a quo deve ser considerado como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento. O prazo final de entrega da DCTF do primeiro trimestre de 1999 foi em 21/05/1999 (fl. 06). Constatado o atraso, o lançamento poderia ter sido efetuado dentro desse mesmo ano calendário. O termo inicial para contagem do prazo quinquenal é, então, o primeiro dia do exercício seguinte, a saber, 01/01/2000, expirando tal prazo em 31/12/2004. Desde que a ciência do lançamento se deu em 18/10/2004 (fl. 20), constato que não ocorreu a decadência, o mesmo se podendo constatar para as multas com prazos de entrega mais recentes. De se observar, a seguir, que o contribuinte inovou em seus argumentos recursais, em relação àqueles apresentados na fase impugnatória. Isso aconteceu para os argumentos identificados no relatório que antecede a este voto como itens (a), (c) e (d). Apenas o argumento (e) corresponde a matéria questionada desde a impugnação. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Para que a interessada não fique totalmente sem resposta, cumpre apenas informar que: a) A retroatividade contra qual se insurge a recorrente é em seu favor, ao aplicar penalidade mais branda do que aquela estabelecida pela legislação pretérita. Decorre do princípio da retroatividade benigna em termos de penalidades, de que trata o art. 106, II, c, do CTN. c) A base legal para a imposição das multas consta claramente do lançamento e integrava o ordenamento jurídico pátrio por ocasião das infrações, não competindo a este Colegiado apreciar questionamentos acerca da constitucionalidade de leis, entendimento pacificado mediante a súmula CARF nº 2, publicada na Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010). d) A recorrente não explica por qual motivo se considera desobrigada da apresentação da DCTF, limitandose a transcrever quatro hipóteses de dispensa, sem dizer em qual delas estaria enquadrada. Não consta que se trate de empresa enquadrada no SIMPLES, nem de pessoa jurídica imune, isenta ou inativa, muito menos de órgão público. Finalmente, deve ser examinado o pedido de afastamento das multas, por terem sido as declarações entregues espontaneamente, antes de auto de infração ou da instauração de qualquer procedimento de ofício. A matéria dos autos, a saber, o instituto da denúncia espontânea e a extensão de seu alcance, especificamente às multas por atraso na entrega de declarações, tem sido objeto de reiterados exames tanto por parte do Poder Judiciário quanto pelos extintos Conselhos de Contribuintes, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e, mais recentemente, por este CARF. No âmbito do Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 52 8 multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal. A decisão de primeira instância, com muita propriedade, já havia registrado esse ponto, reforçado com as recentes decisões cujas ementas transcrevo a seguir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. (AgRg no REsp nº 916.168SP, de 24/03/2009, DJ 19/05/2009 – STJ, 2ª Turma) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. (AgRg no REsp nº 884.939 MG, de 05/02/2009, DJ 19/02/2009 – STJ, 1ª Turma) Na esfera administrativa, embora no passado tenha havido alguma oscilação no posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mais recentemente a jurisprudência se estabilizou, também na linha da não aplicabilidade da denúncia espontânea à situação em tela, como evidenciam os seguintes julgados: [...] DENUNCIA ESPONTÂNEA. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Precedentes do STJ. (Ac. CSRF/0305.211, de 12/02/2007, processo 13839.000998/0041) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.006996/200494 Acórdão n.º 130100.706 S1C3T1 Fl. 53 9 [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do STJ e dos Conselhos de Contribuintes). [...] (Ac. CSRF/0400.199, de 14/03/2006, processo 13675.000313/2001 66) (Com idêntico teor, Ac. CSRF/0400.234, de 14/03/2006, processo 10120.006478/200120; e Ac. CSRF/0400.432, de 12/12/2006, processo 10166.006994/200217) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal consistente na entrega, com atraso, da Declaração de Operações Imoibiliárias, uma vez que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. (Ac. CSRF/0400.302, de 12/06/2006, processo 10980.006491/2001 59) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DOI – ANO CALENDÁRIO DE 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É cabível a exigência da multa por atraso na entrega da DOI, visto que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal (precedentes do STJ, dos Conselhos de Contribuintes e da CSRF).(Ac. CSRF/0400900, de 27/08/2008, processo 10980.006442/200116) Na esteira dessa pacificada jurisprudência, não faço reparos à decisão de primeira instância, ao decidir que o instituto da denúncia espontânea não tem o alcance pretendido pela interessada e não tem o condão de afastar a multa pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, ato formal e desvinculado do fato gerador tributário. Desta forma, voto por rejeitar a preliminar de decadência, não conhecer das matérias não questionadas em primeira instância, por preclusão, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
