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Numero do processo: 13748.000182/99-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 01 82 /9 9- 31 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 31/01/1999, relativo ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13748.000182/9931 Acórdão n.º 9900000.645 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000993/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.234
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.291.9650, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, para a exigência de contribuições para outras entidades e fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 48 segs., os fatos geradores de contribuições sociais objeto do lançamento foram: a) pagamento de seguro de vida em grupo para os empregados e diretores da empresa, sem que o benefício fosse previsto em norma coletiva de trabalho; b) pagamento de plano de assistência médica para os dependentes dos segurados a serviço da empresa. A empresa ofertou impugnação, fls. 55 segs., tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, fls. 137 e segs, mantido integralmente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 164 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) é equivocado o entendimento da Autoridade Fiscal de que a verba paga a título de seguro de vida em grupo somente poderia ser excluída do saláriodecontribuição, caso estivesse prevista em norma coletiva de trabalho; b) sobre a citada verba não se verifica a ocorrência dos requisitos de retributividade pelo trabalho executado ou habitualidade no pagamento, sem os quais inexiste no mundo fático a hipótese de incidência de contribuições sociais; c) o pagamento do seguro de vida independe dos serviços prestados à empresa, sendo fornecido por esta como mero conforto psicológico para o empregado ou dirigente e a sua família; d) os valores pagos pela empresa a esse título não são recebidos pelo segurado, mas pela seguradora, sendo que o eventual recebimento da indenização somente ocorrerá, caso se concretizem os eventos mórbidos previstos no contrato, afastandose, assim, por completo a sua natureza salarial; e) a jurisprudência é uníssona quando o tema é a não incidência de contribuições sociais sobre os valores relativos a seguro de vida em grupo; f) nem mesmo para fins trabalhistas pode se incluir a referida verba no conceito de salário; g) as exigências para exclusão do seguro de vida em grupo da tributação previdenciária previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, são ilegais, posto que esse ato normativo não poderia inovar no ordenamento, criando empecilhos à fruição de uma benesse, os quais não foram previstos em lei.É esse o entendimento que tem prevalecido no Judiciário; h) do mesmo modo, o oferecimento de planos de saúde pelas empresas aos seus empregados e dependentes não tem finalidade de retribuir o trabalho prestado, sendo considerado um benefício social. Por esse motivo, inadmissível a sua inclusão no saláriode contribuição; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Resolução n.º 2401000.234 S2C4T1 Fl. 291 3 i) a jurisprudência tem manifestado reiteradamente o entendimento contrário à natureza salarial do fornecimento de assistência médica aos segurados; j) considerando que a utilização do plano de saúde pelos segurados e dependentes somente ocorre nos casos de doença, afastase da verba sob comento o requisito da habitualidade; k) não havendo habitualidade não há de se inserir o fornecimento de assistência à saúde no conceito de remuneração, inexistindo incidência de contribuições sobre a mesma; l) nem mesmo a interpretação literal da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 justifica a tributação da verba sob enfoque; m) a jurisprudência do STJ e do TST não faz qualquer distinção entre a natureza jurídica do fornecimento de plano de saúde aos trabalhadores e aos dependentes destes; n) a invocada interpretação literal do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 não se aplica a situação sob comento, posto que não se está diante de norma de isenção, mas clara situação que não se situa no campo de incidência das contribuições sociais; o) mesmo que se considere a norma inserta na alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 regra de isenção, devese adotar a interpretação teleológica para afastar a tributação, posto que seria grande a incoerência de se desestimular a concretização do valor fundamental da saúde, que recebeu da Carta Magna a mais alta consideração; p) por outro lado, há de se convir que a regra que exclui a incidência de contribuição sobre a assistência médica fala na concessão ao trabalhador, que engloba a saúde do próprio obreiro, mas também daqueles que dele dependam; q) a jurisprudência tem se inclinado nesse sentido, reconhecendo que não tem natureza de salário nem o plano de saúde ofertado ao trabalhador, tampouco o disponibilizado aos dependentes; r) não tem amparo legal a aplicação de multa progressiva no tempo; s) em razão da revogação dessa sistemática pela MP n.º 449/2008, a multa deve ficar limitada a 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996. Ao final, requer o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator O recurso merece conhecimento, por atender às exigências de tempestividade e legitimidade. Compulsando cuidadosamente os autos pude perceber uma informação que pode alterar o destino da lide e que não está suficientemente esclarecida. Explico. Consta na fl. 149 tela do sistema informatizado da RFB dando conta de que o crédito discutido encontrase incluído no parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, malgrado o órgão preparador em suas manifestações em nenhum momento tenha se reportado a esse fato. Diante dessa circunstância, é prudente que o processo seja devolvido à origem para que haja pronunciamento sobre a atual situação do crédito objeto da lide. Assim, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11516.001405/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2008
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
Não estando o contribuinte obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo não enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.616
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Não estando o contribuinte obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo não enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.001405/201051 Acórdão n.º 210101.616 S2C1T1 Fl. 119 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 85/109) interposto em 17 de agosto de 2010 contra o acórdão de fls. 79/81, do qual a Recorrente teve ciência em 30 de julho de 2010 (fl. 84), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fl. 22, pela qual foi aplicada multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2007, exercício de 2008. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Ementa: Dispensada de ementa de acordo com a Portaria SRF n. 2 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 79) Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 85/109, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Relativamente à Declaração Final de Espólio, os artigos 6º, 8º, §1º, e 14 da Instrução Normativa n.º 81/2001, com a redação vigente em 2007, assim prescreviam: "Art. 6º. A Declaração Final de Espólio deve ser apresentada até: I o último dia útil do mês de abril do anocalendário a que se refere a declaração, caso o trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.001405/201051 Acórdão n.º 210101.616 S2C1T1 Fl. 120 3 ou adjudicação dos bens inventariados tenha ocorrido até o último dia do mês de fevereiro do referido anocalendário; II 60 (sessenta) dias contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, nas demais hipóteses.” “Art. 8°. A declaração final deve abranger os rendimentos recebidos no período compreendido entre 1° de janeiro e a data da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, aplicando selhe as normas estabelecidas para o anocalendário em que ocorrer o termo final, observado o disposto no inciso I do art. 7º. § 1° O imposto de renda deve ser apurado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva mensal, vigente no anocalendário a que corresponder a declaração final, multiplicados pelo número de meses a partir de janeiro até o da decisão judicial transitada em julgado, ainda que os rendimentos correspondam a apenas um ou alguns meses desse período.” “Art. 14. Nas declarações de espólio, inclusive na final: I – são permitidas todas as deduções previstas na legislação tributária; II os limites anuais relativos a dependentes e despesas com instrução podem ser utilizados pelo total, desde que preenchidos os requisitos legais para a dedução; III – podem ser considerados dependentes o cônjuge ou convivente sobrevivente e demais dependentes, desde que não tenham recebido rendimentos ou, caso os tenham recebido, sejam os mesmos incluídos nas declarações do espólio.” Corroborando com a legislação acima, o prazo para entrega da declaração final do espólio, para o anocalendário de 2007 pode ser verificado facilmente do documento intitulado “Perguntas e Respostas” do IRPF 2012, elaborado pela Secretaria da Receita Federal: “Declaração Final de Espólio prazo de apresentação/pagamento do imposto até 2007 102 Qual é o prazo para a apresentação da Declaração Final de Espólio e do pagamento do imposto nela apurado cuja decisão judicial de partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados prolatadas ou escritura pública de inventário e partilha lavrada até 2007? Até o anocalendário de 2006, a apresentação da Declaração Final de Espólio deveria ser apresentada, pelo inventariante, até 60 dias contados do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados. Para o anocalendário de 2007, o prazo para apresentação da Declaração Final de Espólio foi até: I o último dia útil do mês de abril do anocalendário a que se refere a declaração, caso o trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.001405/201051 Acórdão n.º 210101.616 S2C1T1 Fl. 121 4 ou adjudicação dos bens inventariados, ou lavratura da Escritura Pública de Inventário e Partilha, tenha ocorrido até o último dia do mês de fevereiro do referido anocalendário; II 60 (sessenta) dias contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados ou lavratura da Escritura Pública de Inventário e Partilha, nas demais hipóteses. A Declaração Final de Espólio corresponde ao período de 1º de janeiro à data da decisão judicial e deve ser apresentada com a utilização do Programa Gerador da Declaração Final de Espólio do anocalendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou a lavratura da escritura pública. O prazo para o pagamento do imposto apurado é o mesmo do prazo para a apresentação da Declaração Final de Espólio, não podendo ser parcelado. (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 10; Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007, art. 1º; Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, arts. 6º, 8º e 15, com a redação dada pelas Instruções Normativas RFB nº 711, de 31 de janeiro de 2007, e nº 805 de 28 de dezembro de 2007)” Assim, nos termos da legislação acima citada, corroborada pela orientação produzida pela Secretaria da Receita Federal, verificase que a apresentação da declaração final do espólio no caso sob análise deveria ter ocorrido 60 (sessenta) dias após o trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, uma vez que este ocorreu em 09/10/2007, conforme consta à fl. 26 dos autos. Com a entrega da declaração final do espólio, a relação de dependência entre os dependentes e o espólio termina, ou seja, após o prazo da entrega da declaração final do espólio deveria a Recorrente ter apresentado a declaração do imposto de renda pessoa física individual relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008, até 30 de abril de 2008, com os rendimentos percebidos entre a data do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha e 31/12/2007. Como a Recorrente constou como dependente na Declaração final do espólio, deveria na verdade ter separado os rendimentos percebidos durante o anocalendário de 2007, incluindo uma primeira parte na Declaração Final de Espólio (rendimentos percebidos de 1º de janeiro de 2007 até a data do trânsito em julgado da decisão judicial) e a segunda parte (rendimentos percebidos da data do trânsito em julgado da decisão judicial até 31 de dezembro de 2007) na Declaração de Ajuste Anual individual (que deveria ter sido entregue até 30 de abril de 2008). Todavia, muito embora a Recorrente não tenha procedido desta forma, fato é que, conforme explanado às fls. 100/101 do recurso voluntario apresentado, os rendimentos totais da Recorrente referentes ao anocalendário de 2007 já haviam sido integralmente oferecidos à tributação na Declaração Final de Espólio. Tal afirmação confirmase, ainda, do cotejo entre os rendimentos percebidos e declarados à fl. 27 (Declaração Final do Espólio) e os declarados à fl. 41 dos autos (Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008), com a ressalva de que a Recorrente equivocouse nesta última, lançando indevidamente como rendimentos tributáveis os seguintes rendimentos isentos ou não tributáveis: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11516.001405/201051 Acórdão n.º 210101.616 S2C1T1 Fl. 122 5 CNPJ Fonte Pagadora Rendimento Recebido Fl. dos autos 82.892.274/000105 (PMSJ) R$ 15.764,28 (fl. 60) 82.951.229/000176 (Secretaria Fazenda do Estado) R$ 3.227,90 (fl. 62) 29.979.036/000140 (INSS) R$ 13.466,53 (fl. 64) Assim, resta evidente que a Recorrente acabou por informar, de forma equivocada, na Declaração de Ajuste do exercício de 2008 entregue com atraso, novamente e de forma integral os rendimentos percebidos em 2007 e que já haviam sido oferecidos à tributação na Declaração Final de Espólio. Por esses motivos, a multa lançada tendo por base o valor do imposto devido de R$ 22.230,75 que constou na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2008 não deve prosperar. Desconsiderando os evidentes equívocos cometidos pela Recorrente na declaração em comento e que foram acima apontados, verificase que a contribuinte não estava obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008, principalmente pelo fato de que, como visto, todos os seus rendimentos já terem sido oferecidos à tributação juntamente com a Declaração Final de Espólio. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000299/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. DECADÊNCIA.
O imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de
lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA ARTIGO
61 DA LEI Nº 8.981/1995 CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 2201-001.636
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, ACOLHER a
preliminar de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30/04/2000, inclusive, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. DECADÊNCIA. O imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/1995 CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995.
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PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA COMPROVADA. DECADÊNCIA. O imposto de renda na fonte é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, ocorre no dia dos referidos pagamentos. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981/1995 CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, ACOLHER a preliminar de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30/04/2000, inclusive, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 05/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 102.034.13. A fiscalização apurou dez pagamentos efetuados mediante cheques emitidos pela fiscalizada que não tiveram comprovada a sua operação e/ou causa. Desta forma, foi exigido o imposto devido com base nos art. 674, 725 e 841 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/1999). Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 360/369), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) preliminarmente, argúi a decadência do direito de se efetuar o lançamento vertente, entendendo aplicável ao caso o prazo previsto no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), daí resultando que os fatos geradores anteriores a 07/06/00 estavam definitivamente extintos por ocasião do lançamento, cabendo sua exclusão do auto de infração; b) no mérito, alega que todos os documentos requeridos pela fiscalização foram apresentados, conforme descreveu o próprio auditor, e que nenhum lançamento contábil efetuado pela empresa foi impugnado, apenas foi exigido a comprovação dos pagamentos relativos a uma dezena de cheques emitidos, o que foi feito com os documentos às fls. 48 a 152; c) informa que atua no ramo de “barraca de lã”, ou seja, efetua a compra de couros de bovinos, peles de ovinos e lã, tendo como principal cliente a Paramount Lansul S/A. Que o negócio possui características próprias de comercialização, adquirindose os produtos de pequenos produtores, os quais muitas vezes não possuem nem mesmo conta em banco, e possuem propriedades que distam 100 a 150 quilômetros da sede do município. Desta forma, reunindose com seus vizinhos, repassam os produtos para os comerciantes. d) como os negócios são fechados antecipadamente, sem que haja entrega imediata do produto, há variações de preços em Fl. 584DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11041.000299/200555 Acórdão n.º 2201001.636 S2C2T1 Fl. 2 3 função da qualidade, peso e cotação da lã, e que somente estes fatos não caracterizam pagamento a terceiro não identificado; e) que a fiscalização não apontou nenhum indício de fraude, utilizandose dos documentos da própria impugnante para lavrar o auto de infração; f) que todos os documentos de fls. 48 a 152 encontramse lançados no Livro Registro de Entrada de Mercadorias e, por conseguinte, na conta contábil de “Mercadorias Compras”; g) que não incorreu em nenhuma das hipóteses que autorizam o lançamento, previstas no art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda, entendendo que o simples fato de haver pequenas distorções entre o valor do cheque emitido e o total das notas fiscais não autorizam se considere que os pagamentos não tenham comprovação; h) que não foram demonstrados, minimamente, indícios e constatações que levem a concluir o pagamento a terceiros sem comprovação, tendo sido colocados à disposição da fiscalização a absoluta totalidade dos documentos por ela solicitados. Com isto, e juntado cópias do livro diário e razão da empresa, requer o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: IRRF. DECADÊNCIA. O prazo para constituição do crédito tributário decai em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Demonstrado que os pagamentos efetuados pelo contribuinte não encontram respaldo nas operações alegadas e nos registros contábeis, em face das discrepâncias constatadas, correta a exigência do imposto exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 10/07/2008 (fl. 565), a interessada apresenta Recurso Voluntário em 11/08/2008 (fls. 566/572), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A matéria em discussão, conforme visto do relatório, versa sobre a exigência do Imposto de Renda na Fonte (IRF) por pagamentos sem causa ou em relação a operações não comprovadas, na forma do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995. Antes de adentrarmos no mérito da questão deve ser analisada a preliminar de decadência suscita pela defesa em sua Impugnação e rejeitada pela autoridade recorrida, sob o argumento de que a contagem do prazo decadencial iniciase, por força do inciso I do art. 173 do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, com a devida vênia à 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS entendo que a preliminar de decadência aventada pela recorrente merece uma análise mais acurada. O artigo 61 da Lei n° 8.981/1995 estabelece que: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (grifei) De acordo com dispositivo legal supracitado, surge o fato gerador do IRF com relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada, no dia dos referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora, de forma exclusiva e definitiva. Com efeito, o imposto de renda retido na fonte apurado de acordo com o artigo 61 da Lei n° 8.981/1995 é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe às fontes pagadoras a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento da quantia devida, a título de antecipação ou em caráter definitivo, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. Neste sentido, inexistindo essa homologação expressa ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos a contar do fato gerador do tributo, conforme determina o artigo 150, § 4º, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11041.000299/200555 Acórdão n.º 2201001.636 S2C2T1 Fl. 3 5 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Ressaltese que consta no livro “Diário Geral” às fls. 291,292 e 295 informações sobre o pagamento de imposto de renda relativo ao anocalendário de 2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 07/06/2005 (fl. 08), concluo que efetivamente ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes da ciência do auto de infração. Destarte, devese, assim, excluir da exigência os seguintes valores: R$ 4.456,92 (03/01/2000); R$ 15.230,77 (14/01/2000); R$ 6.153,85 (14/02/2000); R$ 14.615,38 (18/02/2000) e R$ 4.063,08 (03/04/2000). Quanto ao mérito alega a recorrente que comercializa couros de bovinos, peles de ovinos e lã e posteriormente vende as indústrias beneficiadoras. Afirma ainda que efetua a compra de pequenos produtores que na maioria das vezes não possui conta bancária. Esses produtores se reúnem com os "lindeiros" (vizinhos) e efetuam a venda da lã em conjunto. Em diversas ocasiões ocorre o fechamento dos negócios com antecipação de pagamento, sem que o produto seja imediatamente entregue, ensejando pequenas distorções entre o preço tratado e o efetivamente pago, tais distorções, portanto, não caracteriza pagamento a terceiros não identificado. Neste sentido, assevera a suplicante que “... efetuou a comprovação através de Notas Fiscais de Produtor, Livro Diário e Livro Razão, da totalidade dos pagamentos elencados pela fiscalização, demonstrando um a um os produtores que efetuaram a venda de produtos primários à Recorrente, obedecendo às características do mercado”. Pois bem, da análise dos autos verificase que a suplicante não logrou êxito em comprovar, por meio do necessário lastro contábil/documental, que a saída recursos se destinaram a pagamento aos beneficiários indicados nos cheques e registrados pela contabilidade. A Turma Julgadora de primeira instância em detalhada análise concluiu pela ineficácia probante dos documentos apresentados. Pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo os trechos em que a questão é analisada: Pagamento 14/11/00 – R$3.000,00 O pagamento foi realizado com o cheque 001485, emitido em 14/11/00, em favor de Walter Ferreira Hessel, contabilizado a débito da conta caixa na mesma data. Para comprovar o pagamento foram apresentadas duas notas fiscais de entrada, emitidas em 08 e 09/11/00, para dois remetentes diferentes, Fl. 587DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 nenhum deles conferindo com o beneficiário do cheque. As notas fiscais totalizam R$2.942,84. Pagamento 16/11/00 – R$10.000,00 O pagamento foi realizado com o cheque 001499, emitido em 16/11/00, em favor de Luis Carlos Oliveira de Ávila, contabilizado a débito da conta caixa na mesma data. Para comprovar o pagamento foram apresentadas sete notas fiscais de entrada, emitidas entre 10 e 14/11/00, para sete remetentes diferentes, apenas um conferindo com o beneficiário do cheque (nota 14/11/00, valor R$1.106,70). As notas fiscais totalizam R$9.259,72. Pagamento 23/11/00 – R$11.000,00 O pagamento foi realizado com o cheque 001513, emitido em 23/11/00 em favor de Luis Carlos Oliveira de Ávila, contabilizado a débito da conta caixa na mesma data. Para comprovar o pagamento foram apresentadas dezesseis notas fiscais de entrada, emitidas entre 08 e 16/11/00, para dezesseis remetentes diferentes, nenhum deles conferindo com o beneficiário do cheque. As notas fiscais totalizam R$11.100,43. Pagamento 05/12/00 – R$5.000,00 O pagamento foi realizado com o cheque 001604, emitido em 05/12/00 em favor de Alvacir R. Moreira, contabilizado a débito da conta caixa na mesma data. Para comprovar o pagamento foram apresentadas oito notas fiscais de entrada, emitidas em 04/12/00, para oito remetentes diferentes, nenhum deles conferindo com o beneficiário do cheque. As notas fiscais totalizam R$4.881,56. Pagamento 28/11/00 – R$10.500,00 O pagamento foi realizado com o cheque 704034, emitido em 28/11/00 em favor de Luiz Carlos Oliveira de Ávila, contabilizado a débito da conta caixa na mesma data. Para comprovar o pagamento foram apresentadas dezesseis notas fiscais de entrada, emitidas entre 21 e 27/11/00, para dezesseis remetentes diferentes, nenhum deles conferindo com o beneficiário do cheque. As notas fiscais totalizam R$10.517,16. Assim, pelo que se observa do excerto transcrito não se pode afirmar decisivamente, pelo menos com o que consta dos autos, que os valores em tela foram usados para a realização de determinado pagamento. Embora a interessada argumente que em função de sua atividade empresarial possa ocorrer pequenas distorções entre o preço tratado e o efetivamente pago, não é o que se vê desses autos. Em verdade, existem diversas emissões de notas fiscais de entrada para remetentes diferentes sendo que em nenhum dos casos o valor do cheque emitido confere com o beneficiário. Portanto, não resta comprovado, sem outros documentos que a respalde, que as Notas Fiscais de Produtor, Livro Diário e Livro Razão apresentados retratam fielmente os lançamentos contábeis da interessada, relativos ao anocalendário de 2000. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11041.000299/200555 Acórdão n.º 2201001.636 S2C2T1 Fl. 4 7 Isto posto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para o os valores de R$ 4.456,92 (03/01/2000); R$ 15.230,77 (14/01/2000); R$ 6.153,85 (14/02/2000); R$ 14.615,38 (18/02/2000) e R$ 4.063,08 (03/04/2000) e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 589DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11041.000299/200555 Recurso nº: 171.270 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.636. Brasília/DF, 19 de junho de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 590DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10480.909499/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 09 49 9/ 20 09 -6 7 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 24 a 27v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 28v a 38v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como multa por atraso na entrega das declarações. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/DCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração julho de 2003, no valor de R$ 3.612,37 (fls. 03 e 23). A este processo coube o valor de R$ 1.526,35 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 1.526,35, período de apuração julho de 2003, correspondente à COFINS (fls. 04, 26v e 32). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 206,67 (principal), R$ 41,33 (multa) e R$ 166,67 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 4 3 ano base 2003 — exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. É o Relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909499/200967 Resolução nº 1802000.169 S1TE02 Fl. 8 7 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 90DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10540.000843/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
IRPF. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO.
No caso de IRPF retido e não recolhido, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Inteligência do Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002.
Numero da decisão: 2201-001.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. No caso de IRPF retido e não recolhido, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Inteligência do Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 04/09, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.738,78 calculados até 29/06/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.014,73. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese, que: (...) No caso do Impugnante não houve o ingresso de duas receitas, isto é, de uma paga pela TELOS e de outra paga pelo INSS, mas, de uma única receita, que foi aquela que teve como fonte pagadora a TELOS, cujo total percebido pelo contribuinte no anocalendário 2004, foi no importe de R$. 22.823,16 que é o resultado da soma de R$ 9.808,43 mais R$ 13.014,73. Diante das provas apresentadas, constatase que não existe a alegada omissão de rendimentos no valor de R$ 13.014,73 (treze mil, quatorze reais e setenta e três centavos), porque esta quantia, conforme demonstrado de forma muito clara, integra o montante dos R$ 22.823,16, que foi o total do rendimento auferido pelo impugnante em 2004, da TELOS. (...) A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO. Comprovado erro nos rendimentos declarados, cabe retificar o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 17/03/2010 (fl. 45), Antenor Loula Moreira apresenta Recurso Voluntário em 16/04/2010 (fls. 41/43), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: A cobrança do Imposto exarado no demonstrativo de débito relativo ao processo supracitado, é totalmente improcedente, tendo em vista que a quantia reivindicada já foi objeto de retenção pela fonte pagadora, como faz prova o documento em anexo, originado do processo trabalhista no. 01962.1998.611.05.00.0. Nenhuma culpa cabe ao Recorrente, pelo fato de a fonte pagadora não ter informado à Fazenda Nacional, a retenção que procedera nos direitos trabalhistas auferidos pelo mesmo. A Lei que rege à espécie, não autoriza ao contribuinte recolher duas vezes o mesmo Imposto, que, aliás, já é de valor excessivamente elevado. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.000843/200737 Acórdão n.º 2201001.634 S2C2T1 Fl. 2 3 Assim, por ocasião do pagamento dos direitos trabalhistas do Recorrente, a fonte pagadora descontou dele, a importância de R$ 1.776,98 (um mil, setecentos e setenta e seis reais e noventa e oito centavos), a titulo de Imposto de Renda na Fonte. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, exclusivamente, na glosa efetuada pela autoridade fiscal relativa ao imposto de renda retido na fonte sobre os valores recebidos a título de reclamatória trabalhista, no montante de R$ 1.776,98. Em sua peça recursal alega o suplicante, em apertada síntese, que a fonte pagadora, Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A – EMBRATEL, efetuou a retenção do imposto, conforme se observa do documento do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região de fl. 43, contudo, não consignou na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF a referida retenção. Desta feita, asseverou o recorrente que “nenhuma culpa cabe ao Recorrente, pelo fato de a fonte pagadora não ter informado à Fazenda Nacional a retenção que procedera nos direitos trabalhistas auferidos pelo mesmo. A Lei que rege à espécie, não autoriza ao contribuinte recolher duas vezes o mesmo Imposto...”. Pois bem, a matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros deste Órgão Administrativo que em diversas ocasiões já se manifestou, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: IRPF RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso de IRRF retido e não recolhido pela fonte pagadora, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso provido. (Acórdão nº 280200.264 2ª Turma Especial) ... IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APURAÇÃO COM BASE EM DIRF. IMPORTÂNCIA CONTESTADA PELO BENEFICIÁRIO DOS RECURSOS. DOCUMENTOS BANCÁRIOS PROVANDO RENDIMENTOS E RETENÇÕES. VALORES CONTABILIZADOS. PROVAS QUE HÃO DE Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 PREVALECER EM RELAÇÃO ÀS INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DIRF. Entre a informação contida na DIRF, contestada pelo beneficiário dos recursos e o documento bancário identificando o valor resgatado e o IRRF, devidamente contabilizado, tenho que estas provas hão de prevalecer. Nos casos de aplicação financeira, os recibos especificando os montantes das retenções de fonte devidamente contabilizados pelo titular dos recursos são documentos hábeis para provar a existência do crédito. Eventual omissão ou erro no preenchimento da DIRF não pode afastar o direito de quem teve os valores retidos na fonte. (Acórdão nº 140200.565) ... COMPENSAÇÃO. IRRF. PROVA DAS RETENÇÕES. DIVERGÊNCIAS ENTRE A DIRF E OS VALORES EFETIVAMENTE RETIDOS PELA FONTE PAGADORA. ERRO QUE NÃO PODE LIMITAR O DIREITO À COMPENSAÇÃO. Nos casos de aplicação financeira, os recibos especificando os montantes das retenções de fonte devidamente contabilizados pelo titular dos recursos são documentos hábeis para provar a existência do crédito. Eventual omissão ou erro no preenchimento da DIRF não pode afastar o direito de quem teve os valores retidos na fonte. (Acórdão nº 140200.475) É neste mesmo sentido a orientação do Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002: IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Com efeito, o lançamento resultante de glosa do valor declarado como Imposto de Renda Retido na Fonte com base apenas na ausência e/ou divergência com o valor informado na DIRF, sem aprofundamento na ação fiscal, carece de certeza e não pode prosperar. Ressaltese que o documento de fl. 11, elaborado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, confirma a retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 1.776,98. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.000843/200737 Acórdão n.º 2201001.634 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10540.000843/200737 Recurso nº: 869.305 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.634. Brasília/DF, 19 de junho de 2012 Assinado Digitalmente _________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.003611/2005-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS (FLUXO FINANCEIRO) — LUCRO PRESUMIDO. Se do confronto dos elementos correspondentes aos ingressos e saídas de recursos financeiros durante o período-base, fornecidos pela pessoa jurídica, for constatado que as saídas superaram os recursos, a diferença, ficará sujeita à tributação como receita omitida se o sujeito passivo não lograr comprovar que os recursos empregados em tais pagamentos tiveram origem externa ao caixa da empresa. MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1803-001.288
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS (FLUXO FINANCEIRO) — LUCRO PRESUMIDO. Se do confronto dos elementos correspondentes aos ingressos e saídas de recursos financeiros durante o períodobase, fornecidos pela pessoa jurídica, for constatado que as saídas superaram os recursos, a diferença, ficará sujeita à tributação como receita omitida se o sujeito passivo não lograr comprovar que os recursos empregados em tais pagamentos tiveram origem externa ao caixa da empresa. MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e respectivas partes integrantes (fls. 57/63), para formalização e cobrança do crédito tributário, sendo o valor originário do imposto de R$ 94.030,86, acrescido dos encargos legais a titulo dos Juros de Mora no valor de R$ 75.049,02; e da Multa de Oficio (proporcional) de R$ 70.523,13; perfazendo o crédito tributário total de R$ 239.603,01; referente ao ano calendário de 2001, conforme discriminação constante em campo próprio da referida peça impositiva (fls. 60). 2. Referida exigência originouse em função de ter sido detectada, conforme Auto de Infração do IRPJ, a seguinte irregularidade, cujo teor da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal aplicados à matéria, transcrevese abaixo: 2.1 — Omissão de Receita da Atividade 2.1.1 Omissão de receita de atividade, tendo em vista que verificouse insuficiência de recursos do fluxo de movimentação financeira, conforme Termo de Constatação e Verificação Fiscal lavrado em 26/12/2005, com ciência ao contribuinte em na referida data (fls. 54/56), o que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração em apreço; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 3 3 2.1.2 — Assim, de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c o Termo de Constatação acima referenciado e o demonstrativo da receita omitida (Anexo A, fls. 52), foram apurados os seguintes valores tributáveis (TCVF, item IV, fls. 55): (...) 3. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 26/12/2005 (fls. 60/61; 67/68; 74/75; 81/82; e 85/86), o contribuinte, ingressou com impugnação contra o lançamento em 23/01/2006 (fls. 92/117). Alega, em síntese, que: 3.1 Sob o tópico "1 Dos Fatos" argúi que: 3.1.1 — embora tenha sido autuado por suposta insuficiência de recursos do fluxo de movimentação financeira e, ante a suposta ausência de comprovação dos saldos acrescentados, a Autoridade Fiscal considerou, de maneira unilateral e sem uma verificação apurada, a existência de omissão de receita; 3.1.2 — porém, houve por parte da Autoridade Fiscal autuante um erro quanto apreciação jurídica do fato gerador do tributo, bem assim um excesso de rigor na fiscalização, razão pela qual não se pode admitir a cobrança do tributo nos moldes exigidos pelo Fisco, tendo em vista a absoluta inexistência do débito, dai por que ingressa com o presente requerimento administrativo com o propósito de demonstrar que o Auto de Infração deve ser declarado nulo por falta de observância de seus requisitos legais, o que espera que seja reconhecido por este órgão julgador; 3.2 Sob o tópico "2 Da Nulidade dos Autos de Infração por Ausência de Cumprimento dos Requisitos Legais", argúi que: 3.2.1 — houve uma descrição deficitária da suposta infração que lhe foi cominada, pois embora os autos indiquem as penalidades propostas, "não é possível auferir(sic) o fato gerador do crédito pretendido pela União, o que afigura nulidade do autos de Infração."; 3.2.2 inexiste, também, planilha de fundamentação da base de cálculo e da apuração dos valores que seriam considerados como devidos, o que colide com os princípios tributários aplicáveis e obrigatórios em qualquer Auto de Infração, aliado ao fato de que não há qualquer explicação plausível do porquê da utilização dos valores a titulo de base de cálculo; 3.3 Sob o tópico "3 Da Inexigibilidade da Sanção nos Termos Indicados pelo Auto de Infração", argúi que: 3.3.1 verificase também a inexigibilidade da sanção imposta, uma vez que não há divida a ser cobrada, pois à época do pretendo débito lançado pela Autoridade Fiscal, a empresa era optante pelo regime tributário do Lucro Presumido, implicando no levantamento presumido do faturamento auferido pela Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 4 4 empresa, no qual o Imposto devido era calculado com base nesta presunção, até o mês do levantamento do balanço, ajustado pelas adições, exclusões e compensação admitidas pela legislação pertinente, aplicandose pela base presumida e apurada, às alíquotas correspondentes; 3.3.2 — ao proceder dessa forma, com a presunção dos lucros e a conseqüente apuração do rendimento tributável e, tendo apurado saldo devedor do imposto, recolheuo conforme DARF's já entregues, justamente com a declaração de Imposto de Renda — DIRPJ respectiva, dai por que os supostos débitos, referentes aos meses relacionados na certidão de divida ativa são inexistentes (sic) posto que em cima desta presunção, era calculado o percentual do imposto devido e recolhido eficazmente, não sendo possível alegar a existência de omissão de receitas, já que a requerente, nesse aspecto, não deve nada; 3.3.3 — assevera ainda que foi entregue à Secretaria da Receita Federal uma Declaração de Rendimentos na qual indicou todos os valores pagos pela requerente. Assim, cotejandose os débitos indicados na referida declaração e os apurados no procedimento fiscal, concluise que foram declarados e pagos os tributos nos exatos valores de sua incidência, não se configurando a pretensa omissão de receita indicada no Auto de Infração. Não há, portanto, a infração indicada e, por conseguinte, não há divida a ser paga, dado que os valores foram devidamente pagos, conforme indicado na Declaração já entregue; 3.3.4 — a Autoridade Fiscal ao não levar em conta os dados informados na Declaração entregue, que, por si só, determina a invalidade e a injustiça na cobrança executiva, devendo, assim, ser considerada como medida de rigor na conseqüente desconstituição do Mandado e, dada a inexistência da infração e de saldo credor a favor da União, o Auto de Infração deve ser considerado manifestamente infundado. 3.4 Sob o tópico "4 — Da Obrigatoriedade da produção de Prova Pericial Contábil", argúi que: 3.4.1 — além da inexistência de infração, bem assim da ausência de omissão de receitas, conforme já demonstrado, o que por si só indica a correção no procedimento efetuado pela requerente e desnatura o Auto de Infração, aliado ainda ao fato de que há nulidade do procedimento fiscal no tocante A ausência de produção de prova pericial contábil quanto A apuração da omissão de receita a ser realizada por um contador, profissional técnico responsável e capacitado para tanto; 3.4.2 — assim, devido às graves conseqüências de ter sido imputado à impugnante a infração a titulo de omissão de receita sem que a mesma tenha sido apurada por meio de um profissional habilitado para tal, realizando uma perícia contábil na empresa, não se pode admitir num Estado Democrático de Direito, que tal apuração seja feita de forma arbitrária e meramente subjetiva, pois um Auto de Infração Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 5 5 calcado em acusações subjetivas e sem embasamento técnico deve ser considerado nulo, conforme jurisprudência que traz A colação nesse sentido (fls. 97/98); 3.4.3 — sem que tenham sido realizadas as fundamentações técnicas necessárias a dar a legitimidade ao Auto de Infração, há, no caso em tela, ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual o Auto de Infração deve ser nulo de pleno direito, dado que tais princípios devem ser observados tanto no processo judicial quanto no administrativo; 3.5 Sob o tópico "5 — Da Ausência de Elementos Probatórios Suficientes para Caracterizar a Infração", argúi que: 3.5.1 — em face dos argumentos expendidos no item precedente, ou seja, diante da ausência de prova pericial apta a constatar uma suposta omissão de receita, necessário se faz também apontar que toda a prova produzida pela Autoridade Fiscal é frágil e não demonstra de maneira indubitável uma suposta omissão de receitas, até porque esta não ocorreu no caso em tela; 3.5.2 — somese a isso, o fato de que o AuditorFiscal não logrou provar a infração apontada no instrumento de autuação, porquanto apenas efetuou o cotejo de dados numéricos, não tendo realizado uma análise aprofundada para indicar a existência e a origem de uma suposta diferença entre valores apontados e efetivamente apurados na estrutura contábil da empresa a indicar a suposta omissão de receitas; 3.5.3 — sendo, pois, a omissão de receitas; uma acusação de natureza grave para qualquer pessoa jurídica, deve a mesma ser esclarecida de maneira completa e pormenorizada, não se admitindo uma mera comparação de dados, desprovido de substrato fático, ser capaz de indicar a omissão, devendo o Auto de Infração ser considerado nulo, conforme tem entendido a jurisprudência que traz A lume, a qual considera casos análogos ao que aqui se examina trataremse de lançamentos dessa natureza (impugnação, item 5.3, fls. 99/100); 3.6 sob o tópico "6— Da Inexistência de Omissão de Receita", argúi que: 3.6.1 — A luz da legislação pertinente, a omissão de receita somente deveria ser configurada quando inequivocamente provada a supressão deliberada de alguns valores a titulo de lucro por parte da empresa, entretanto, tal não ocorreu no presente caso, conforme passa a demonstrar; 3.6.2 — não se pode imputar à requerente a suposta omissão de receita, dado que ela inexiste, porquanto a empresa sempre efetuou a apuração contábil de seus rendimentos de forma Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 6 6 correta e irrepreensível, declarandoos A Receita Federal, conforme os ditames legais. Assim, as supostas diferenças entre valores não podem determinar de maneira imediata e automática a omissão de receitas, pois tal infração não ocorreu na espécie; 3.6.3 — assevera ainda que não teve a intenção deliberada de escamotear dados, conforme exige a lei para a configuração da infração. Ao contrário, aduz, o que de fato ocorreu foi que a impugnante obteve empréstimos junto a instituições financeiras a fim de buscar o adimplemento de suas obrigações perante a fornecedores e credores. Assim, todas as diferenças já foram provadas, o que afasta a presunção de omissão de receitas e, conseqüentemente a infração a ela imputada, entendimento este respaldado pela vasta jurisprudência que traz colação nesse sentido (impugnação, itens 6.4 e 6.4, fls. 100/102) ; 3.7 — Sob o tópico "7 — Da Ausência de Declaração de Rendimentos Anteriores", argúi que: 3.7.1 — aponta ainda como característica relevante no sentido de macular o procedimento fiscal de nulidade, a falta de comparação completa entre a declaração que serviu para efetuar o presente lançamento e as declarações de exercícios anteriores, denotando, assim, que o Auditor Fiscal simplesmente aferiu aleatoriamente a omissão de receita, sem qualquer dado comparativo com outras declarações entregues pela requerente nos anos anteriores; 3.7.2 — ao se proceder dessa maneira, tudo foi efetuado de forma arbitrária, sem comprovação técnica adequada, o que é inadmissível em um procedimento de apuração de omissão de receitas e, dada a gravidade desta infração, somente se pode admitir sua prática se houvesse um efetivo trabalho técnico por parte do AuditorFiscal responsável, sem, contudo, tal procedimento ter sido adotado, sendo pois necessária como medida de justiça a anulação do Auto de Infração, a teor dos Julgados que traz à colação (defesa, item 7.4, fls. 103/104); 3.7.3 — em função, pois, da existência de empréstimos e operações devidamente comprovadas com outras instituições; é de se afastar a omissão de receita, por representar uma acusação injusta contra a requerente, 6 .que implica na anulação do débito fiscal inscrito em divida ativa, dai derivando a procedência do presente requerimento administrativo; 3.8 Sob o tópico "8 — Da Invalidade do Lançamento", argúi que: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 7 7 3.8.1 — ressalta, neste particular; que nenhum ato administrativo irregular ou viciado, escapa de apreciação jurisdicional, que é uma norma de origem constitucional de defesa dos direitos que visa resguardar a ordem jurídica e a proteção do administrado, abrangendo, assim, todos aqueles atos de autoridade capazes de causar lesão flagrante produzida ou por produzir pela Administração. E, dentro da analise desses atos, o que se espera é legitimidade do ato perante o direito, pois a apreciação da legitimidade depois da verificação dos elementos que informam, constituem e completam o ato administrativo; 3.8.2 — diante dos fatos, os lançamentos efetuados por meio dos referidos Autos de Infração, não procedem, pois lhes faltam os elementos essenciais indispensáveis contidos no art. 142 do Código Tributário Nacional, dado que o Fisco para chegar ao valor exigido, valeuse unicamente de declarações anteriores, por critérios nebulosos de apuração, não tendo atentado para a comprovação de empréstimos, nem para a correta aferição do fato gerador capaz de determinar a obrigação tributária em cada caso concreto, faltando, assim, a prova técnica ou documental da hipótese de incidência do tributo, o que torna nulo de pleno direito o lançamento; 3.8.3 o art. 142 do CTN dispõe que o ônus da prova compete à autoridade lançadora do tributo, de que a matéria tributável existe, a base de cálculo também existe, tendo tais elementos que estar tipificados por inteiro no instrumento de autuação, não podendo, assim, estar baseados em mero palpite ou presunção de que houve sonegação de tributo ou fraude, até porque, fraude não se presume e sim deve ser cabalmente provada, estando, assim o lançamento comprometido pela ilegalidade, consoante doutrina comungada pelos tributaristas, a teor da opinião do Prof. Ives Gandra da Silva Martins, que traz à colação (impugnação, item 8.7, fls. 105); 3.8.4 — compete também ao sujeito ativo a determinação da base de cálculo, ou seja, da matéria tributável, devendo fazêlo de maneira clara, inequívoca e por inteiro, não permitindo dúvidas a respeito de sua apuração. Todavia, ao não proceder dessa forma, baseando a autuação em meras presunções ou palpites para a produção de Autos de Infração "sem determinação da matéria tributável", o Poder Tributário transgrediu o principio da verdade material, pois partiu de premissas falsas para chegar a falsas conclusões, presumindo omissão, onde a lei admite a prova material; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 8 8 3.8.5 — reitera que não existiu a prática de qualquer infração por parte da requerente, tendo recolhido corretamente o Imposto de Renda, não havendo, assim, débito a ser exigido pela inexistência de fato gerador capaz de determinar a sanção, não podendo, dessa maneira a Unido submeter a empresa A divida ativa, porquanto infundada, bem como inexigível também a multa cobrada nos presentes autos; 3.9 Sob o tópico "9 —Da Ofensa ao Principio da Legalidade", argúi que: 3.9.1 — houve também ofensa ao principio constitucional da legalidade, segundo o qual "Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo m virtude de lei.", pois o Fisco ignorandoo, exige que a requerente cumpra com o pagamento de uma obrigação sem qualquer fundamentação fática dos valores determinados, ofendendo os princípios tributários aplicáveis a essa espécie; 3.9.2 — nesse sentido, se superadas as questões levantadas quanto às nulidades de direito, somente para argumentar, impõese : o reconhecimento da nulidade pela impropriedade material que contém o instrumento de autuação, sobretudo pelos erros exageradamente absurdos, com números aleatórios sem qualquer correspondência com a realidade, pelos quais se for o caso, protesta, desde logo pela realização de perícia contábil para aprovação dos serviços e faturas efetivamente realizados. 3.10 Sob o tópico "10 — Da Ausência de Liquidez e Certeza", alega que: 3.10.1 — sob o aspecto apontado neste tópico (ausência de certeza e liquidez), tornase necessária a procedência desse requerimento, uma vez que o Auto de Infração está fundamentado de maneira totalmente inepta, pois o art. 282 do Código de Processo Civil, elenca os requisitos sem o preenchimento dos quais a petição inicial é julgada inepta, figurando no inciso IV do citado dispositivo o inciso IV, posto que no pedido não consta a origem do débito que a exeqiiente se julga credora. Na verdade, argúi, a execução, da forma em que foi apresentada, tem por fundamento um suposto crédito, quando para a sua propositura exigese, muito mais que mera suposição, vale dizer, exigese a sua certeza; 3.10.2 — é manifestamente arbitrário o meio utilizado pelo Fisco para obter os créditos de que se julga credor, pois o valor apresentado por este, desprovido dos requisitos da certeza acerca da existência do crédito e de sua liquidez, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 9 9 não detém a executividade necessária, pois contraria o art. 3° da Lei n° 6.830/80, que regulamenta a cobrança judicial pela Fazenda Pública, dispondo que a divida ativa regularmente inscrita goza da presunção tantum) de certeza e liquidez, admitindo, porém, prova em contrário; 3.10.3 — discorre ainda sobre vários aspectos da Lei de Execuções Fiscais que o Fisco não teria observado, restando claro a inépcia da inicial, bem como o manifesto cerceamento de defesa impingido pelo Fisco, requerendo ao final que a presente ação anulatória seja julgada procedente (sic). 3.11 Sob o tópico "11 — Da Multa Moratória", assevera que: 3.11.1 — ressalta, de plano, que, o excesso na aplicação da multa culmina por afastála de seu escopo precipuo, qual seja, o de exercer, primeiramente, um caráter punitivo e, num segundo momento, coibir a reincidência. Todavia, o mais agravante desse procedimento injusto se reflete no fato de majorar de forma abusiva o débito principal, já elevado pela atualização monetária, pois inviabiliza o pagamento pelo contribuinte, que não pode efetiválo sem comprometer a continuidade de suas atividades; 3.11.2 assim, não há como se justificar a esmagadora multa, aplicada de modo automático e indiscriminado, sem levar em conta qualquer justificativa ou atenuante apresentado pelo contribuinte, a respaldar sua conduta; 3.11.3 — num cenário de inflação galopante, de 80% (oitenta por cento) ao mês, o contribuinte não se ressentia, de forma tão incisiva e contundente, da aplicação de uma multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Porém, num cenário econômico em que a inflação não supera o índice de 1% (um por Cento ) ao mês, a aplicação automática da multa moratória, no percentual absurdo de 75%, é propiciar sob o manto da legalidade o enriquecimento ilícito e, por expediente transverso, a repudiável pena de confisco, devendo tal arbítrio encontrar reparação na atividade jurisdicional, conforme temse manifestado nossa Corte Suprema no sentido de que "o judiciário pode excluir ou graduar multa imposta pela autoridade administrativa", conforme jurisprudência citada (RTJ 44/661 e RE. 55.906, 60.976 e 61.160 (impugnação, itens 11.5 e 11.6, fls. 110); 3.11.4 — considerandose, no caso em tela, que a requerente não agiu com dolo e, dada a inexistência de fato gerador capaz de determinar a sanção tributária, não se Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 10 10 encontra justificativa para que o gravame seja levado as últimas conseqüências, sob pena de se inviabilizar a continuidade das atividades da autora, reforçando tal entendimento à luz da jurisprudência do STF, que atento a abusos do Fisco, temse se manifestado pela redução de penalidades, aplicadas em nível administrativo, determinado sua redução, sem que tal atuação implique em invasão de competência do Poder Executivo, conforme jurisprudência colacionada aos autos (fls. 111); 3.12 Sob o tópico "12 Da Inaplicabilidade da Taxa Selic", argumenta que: 3.12.1 insurgese, também, contra os elevadíssimos valores cobrados a títulos de juros de mora e/ou encargos, que nada mais são do que formas arbitrárias e inconstitucionais de elevar o suposto crédito a patamares insurportáveis para o contribuinte, constituindose num verdadeiro confisco; 3.12.2 — em principio, a Taxa Selic foi criada com a natureza de edição da variação apontada nas operações do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Possuía ainda a referida Taxa a característica de juros remunerat6rios, cujo propósito era premiar o capital investido pelo tomador de títulos da divida pública federal, como rendimento da denominada "Letra do Banco Central do Brasil"; 3.12.3 — o melhor conceito de Taxa Selic se encontra definido na Circular BACEN n° 2.868, de 04 de março de 1999 e na Circular BACEN n° 2.900, de 24 de junho de 1999, ambas no art. 2°, § 1°, segundo o qual "Definese Taxa SELIC como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais." 3.12.4 — aduz ainda que o art. 13 da Lei n° 9.065/95, que alterou o inciso I do art. 84 da Lei n° 8.981/95, não definiu o que seja Taxa Selic, mas apenas determinou a aplicação de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), como igualmente se verificou na redação de outras leis. A referida Lei, portanto, não instituiu a Taxa Selic, uma vez que ausentes os pressupostos constitucionais para a validade e eficácia de lei tributária; 3.12.5 — o legislador, equivocadamente, na Lei n° 9.069/95, ao criar a Taxa Selic, em vez de estabelecer a incidência de.juros moratórios na forma disposta no art. 161, § 1° do CTN, equiparoua a uma taxa de natureza Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 11 11 remuneratória que não pode incidir no caso dos autos, pois tem finalidade diversa. Assim, a TaxaSelic sanciona o contribuinte e, portanto, não pode ser utilizada para o cálculo de juros de mora, dado que em sua configuração houve um desvio de finalidade, posto que é exclusivamente remuneratória; 3.12.6 — assevera ainda que a lei ordinária não criou a Taxa Selic, estabelecendo tãosomente o seu uso. Assim, a lei ordinária que estabeleceu o seu uso nesses termos está contra a lei complementar, pois esta só autorizou juros .diersos de 1% se houver lei dispondo de modo contrário. Nesse sentido, a lei que estabeleça taxa de juros diversa do percentual de 1%, somente seria possível desde que em consonância com/o disposto no art. 161, § 1° do CTN, o que não é o caso da Taxa Selic; 3.12.7 — portanto, é impossível a adoção da Taxa Selic em matéria tributária, dado que sua utilização afronta ao principio constitucional da legalidade em razão da inexistência de lei especifica que regule a questão, bem assim em virtude da natureza remuneratória que a mesma possui, não podendo, assim, o sistema legal pátrio embaralhar os conceitos de investidor e contribuinte, pois enquanto o primeiro pode e deve submeterse Taxa Selic, porque aplica em títulos da divida pública em decorrência de ato de vontade, o segundo, por sua vez, não pode ser coativamente obrigado a pagar taxa não criada por lei, por ato de império, conforme tem entendido o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na jurisprudência que traz â. colação (defesa, itens 12.13 a 12.16, fls. 114/116), o que implica, em afastar, no caso, a aplicação da referida taxa aos créditos tributários objeto da presente autuação; 3.12.8 Ante o exposto, requer o cancelamento do Mandado de Procedimento Fiscal, ante à inexigibilidade dos débitos que consigna.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: Lucro Presumido Omissão de Receitas da Atividade Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a insuficiência de recursos do fluxo financeiro, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tributação Reflexa: PIS, CSLL, Cofins Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 12 12 intima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexo. Juros de Mora: Taxa Selic Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a titulo de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis. Incabível a discussão de princípios constitucionais, ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis e/ou atos normativos, os quais deverão ser observados pelo legislador no momento da criação da lei. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 05/02/2009 (AR de fls. 186). O recurso foi protocolado em 20/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente apenas reitera as alegações contidas na impugnação, sem questionar os fundamentos da decisão recorrida. Apenas acrescenta argumentos genéricos contra a decisão recorrida, tais como o reproduzido logo abaixo: “Data maxima venia, não se pode concordar com tal decisão. 0 débito inexiste na forma e quantidade apresentada, como justificado nos termos da impugnação, que ora se repete.” A recorrente não explicita quais os motivos pelos quais não concorda com a decisão, nem contesta seus fundamentos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 13 13 Logo, só nos resta verificarmos se a decisão de primeira instância está correta. Não vislumbro qualquer equívoco na decisão recorrida, cujos fundamentos reproduzo, como razões de decidir do presente voto: “4. A impugnação é tempestiva e apresentada por parte legitima. Dela, pois, tomo conhecimento. 5. 0 lançamento decorreu do fato de a Fiscalização ter apurado omissão de receitas decorrente de insuficiência de recursos de recursos do fluxo de movimentação financeira no ano calendário de 2001 (janeiro a setembro), em que o contribuinte regularmente intimado, não a comprovou, conforme Termo de Constatação e Verificação Fiscal lavrado em 26/12/2005, parte integrante do instrumento de autuação (fls. 54/56); 6. Ao se insurgir contra a autuação argúi o impugnante, entre outros motivos, que o lançamento não pode prosperar, uma vez que a autoridade administrativa competente (AuditorFiscal), não teria cumprido os requisitos próprios do ato administrativo de lançamento, discriminados no art. 142, caput, parágrafo único do CTN, especialmente quando à demonstração do valor tributável e da base de cálculo do Imposto de Renda, requerendo inclusive por falta de observância desses requisitos a nulidade do feito fiscal; 7. Argúi ainda a impugnante, que não houve a pretensa omissão de receitas, porquanto em função de ter apurado o Imposto de Renda com base no Lucro Presumido o fez de forma correta com base na Declaração própria apresentada e nos DARF's de pagamentos já entregues, de sorte que a exigência é indevida, afrontando entre outros o principio da legalidade da tributação, se insurgindo também contra vários aspectos da autuação, entre os quais destaca a ausência de elementos probatórios suficientes para caracterizar a infração; excessividade do valor na aplicação da multa; ausência de certeza e liquidez na inscrição do débito em divida ativa, necessidade de fazer prova pericial por meio de profissional hábil (contador), entre outras irregularidades apontadas, tudo de acordo com o teor do Relatório supra; 8. Aduz também que é impossível a adoção da Taxa Selic em matéria tributária, dado que sua utilização afronta o principio constitucional da legalidade em razão da inexistência de lei especifica que regule a questão, bem assim em virtude da natureza remuneratória que a mesma possui, afrontando, assim, o art. 161, § 1 0, do CTN. 9. Confrontandose as alegações acima expostas e os demais argumentos da defesa com as peças impositivas em referência Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 14 14 (Auto de Infração — IRPJ e reflexos) e demais partes que a integram, chegase as seguintes conclusões: 9.1 Omissão de Receitas da Atividade 9.1.1 Compulsandose os autos, depreendese que o procedimento fiscal em apreço foi deflagrado, em primeiro lugar, com a lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, por meio do qual o contribuinte foi intimado a apresentar em prazo adequado os livros contábeis e/ou fiscais (Diário, Caixa, Razão, Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias) necessários a apurar a regularidade do cumprimento das obrigações tributárias no ano calendário de 2001, bem como Cópias do contrato social e alterações e da DIPJ da referida empresa relativa ao citado anocalendário, de acordo com os itens 1, 2 e 3 do citado termo de início (fls. 03); 9.1.2 A Fiscalização deu continuidade aos trabalhos com a lavratura dos Termos de Intimação Fiscal, Termos de Reintimação, Termo de Reintimação e Advertência, lavrados entre 13/10/2005 e 19/10/2005 (fls. 31/37), intimando o contribuinte a apresentar planilhas preenchidas informando em demonstrativos denominados "Quadro de Informações Gerais — Despesas Operacionais e Gerais Pagos, no anocalendário de 2001", devendo consolidar os valores por trimestres (1° ao 4° trimestre de 2001); sendo reintimado também a apresentar os livros Caixa e/ou Diário e o razão referente ao mesmo ano calendário (2001), bem como sendo advertido de que caso não cumprisse as solicitações da fiscalização poderia sofrer a tributação pelo Lucro Arbitrado, bem assim, por falta dos esclarecimentos prestados em tempo hábil, ter as penalidades contra si aplicados em a penalidade em percentuais mais gravosos, conforme termos próprios e dispositivos legais citados (fls. 35/36) 9.1.3 Com base, pois, nos "Quadros de Informações Gerais", preenchidos pelo próprio contribuinte, nos quais estão "discriminadas, de janeiro/2001 a dezembro /2001, todas as despesas operacionais e gerais pagas e os saldos de Caixa e demais receitas auferidas pela impugnante no referido ano calendário (fls. 39/50), a Fiscalização procedeu ao cotejo entre tais rubricas (despesas e recursos), retratando em demonstrando próprio (Anexo—A, fls. 52), que houve insuficiência de recursos no fluxo de movimentação financeira, conforme circunstanciado no termo de Constatação e Verificação Fiscal, parte integrante do instrumento de autuação em apreço, evidenciando, assim, nos primeiros três trimestres do anocalendário de 2001, a omissão de receita caracterizada no art. 281 do RIR/99 (fls. 54/56), cujos valores apurados serviram de base para a lavratura da peça impositiva principal (Auto de Infração IRPJ, fls. 57/63), e, conseqüentemente, para a lavratura dos Autos de Infrações Reflexos, a titulo de PIS, Cofins e CSLL (fls. 64/70; 71/77; e 78/84, respectivamente); Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 15 15 9.1.4 Tendo, pois, a Fiscalização, procedido de forma escorreita, seja no tocante ao rito formal adotado para dar inicio, desenvolver e concluir a ação fiscal, de acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal em nível federal (Decreto n° 70.235/72, c/c a Lei n° 8.748/93), seja quanto à caracterização da infração apurada (omissão de receita), atendose, neste aspecto, a caracterização do aspecto valorativo ou quantitativo do fato gerador do Imposto de Renda, necessário a deflagrar a obrigação principal com todos os elementos constitutivos relativos a tal imposto, foram cumpridos, assim, todos os requisitos formais e/ou materiais a que se submete o ato administrativo de lançamento, compatível, portanto, com as regras do art. 142, caput, parágrafo único do CTN; 9.1.5 Não tem sentido, na presente fase processual, a defesa argüir, de forma generalizada e desconexa, a descaracterização do feito fiscal, porquanto nada deixou de ser observado pela autoridade administrativa competente (AuditorFiscal), nem aspecto formal, nem tampouco aspecto material que pudesse macular o lançamento de nulidade. Não há, portanto, nenhum reparo a fazer nesse sentido; 9.1.6 Corroborando o procedimento adotado pela Fiscalização, cabe transcrever no presente tópico parte do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, que em item próprio atinente à descrição dos fatos que resultou na omissão de receita apurada, destacou (fls. 54/56): "Tendo em vista o critério utilizado na seleção do contribuinte (Lucro Presumido — Fluxo Financeiro), o contribuinte foi intimado a apresentar o Levantamento do Fluxo Financeiro Mensal para o período compreendido entre janeiro e dezembro de 2.001. Com base nos valores informados pelo contribuinte, bem como na averiguação (por amostragem)a partir dos Livros Fiscais e documentos que deram base aos valores informados, verificouse insuficiência de recursos do fluxo de movimentação financeira conforme demonstrado no ANEXO A, que faz parte integrante deste termo. Intimado no dia 21 de dezembro de 2005, através do Termo de Intimação, para que comprovasse a origem dos recursos que cobriram os citados saldos, o contribuinte informou que não possui nenhum documento que possam comprovar a origem dos recursos para cobrir as saídas de caixa em montante superior aos ingressos declarados. Desta maneira os citados saldos serão considerados omissão de receita e estarão sujeitos à tributação do IRPJ e reflexos através de Auto de Infração. (grifouse). 9.1.7 A omissão de receita assim obtida, com base nos arts. 281, 282 e 528 do RIR/99 (TCVF, fls. 54/56), constitui disponibilidade econômica ou jurídica em favor do contribuinte, caracterizando, assim, o fato gerador do Imposto de Renda, compatível com a regramatriz constitucional de incidência do referido imposto (CF/88, art. 153, III, § 2°, I), bem assim em consonância com as Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 16 16 regras do Código Tributário Nacional que dispõem sobre o fato gerador e a base de cálculo do Imposto de Renda (CTN, arts. 43, I e II; e 44), coadunandose, portanto, o procedimento fiscal consubstanciado no Auto de Infração — IRPJ (fls. 57/63), com as disposições constitucionais e legais que regem a matéria; 9.1.8 Considerando, pois, que, não foram apresentados outros elementos de prova capazes de descaracterizar o presente instrumento de autuação, inclusive porque as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando este for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não surtem nenhum efeito jurídico, é de se manter a autuação nos mesmos termos do lançamento original. 9.2 Da aplicação da Multa de Oficio — 75% 9.2.1 a defesa tenta descaracterizar a multa de oficio, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o imposto devido, sob a tese, entre outras alegações, de que a mesma tem natureza confiscatória ou foi aplicada em caráter excessivo, o que afasta o referido gravame do seu escopo precipuo, qual seja, o de exercer, primeiramente, um caráter punitivo e, num segundo momento, coibir a reincidência; 9.2.2 não vingam as alegações da defesa nesse sentido, porquanto a multa de oficio em referência, não tem, ao contrário do que aduz a impugnante, natureza de confisco, dado que sua aplicação baseouse em comando legal especifico, compatível com as disposições constitucionais e legais sobre a matéria, sobretudo com as regras do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n° 5.172/66) que disciplinam o assunto; 9.2.3 dizer que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) tem caráter confiscatório, é desconhecer o cumprimento de todos esses princípios, quer pelo legislador, quer pelo aplicador da lei, dado que tal penalidade, ao contrário do que argúi a defesa, guarda compatibilidade com o gravame imposto ao contribuinte, sendo, pois, proporcional ao mesmo; 9.2.4 a propósito, originariamente, a autoridade administrativa competente, ao efetuar o lançamento, nos casos apontados nos autos, ficava obrigada a aplicar a penalidade (multa de oficio) de 100% (cem por cento), nos termos do art. 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91. 0 legislador ordinário reconhecendo, porém, que o referido percentual era incompatível ou desproporcional ao ilícito praticado, reduziua, conforme art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), de acordo com o enquadramento legal citado às fls. 59 dos autos; 9.2.5 justificase, assim, o percentual maior da multa de oficio, em virtude de sua aplicação decorrer do inadimplemento de uma obrigação de direito público — a obrigação tributária principal, cujo crédito, de mesma natureza, se não pago no prazo hábil, impede ao próprio Estado de exercer sua função precipua — prestar o bem público com as receitas decorrentes do pagamento Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 17 17 de tributos e demais gravames, além da característica sancionatória que a mesma tem no sentido de desestimular as práticas evasivas do imposto e/ou contribuição; 9.2.6 não houve, portanto, nenhuma impropriedade e/ou irregularidade na aplicação da referida penalidade.Cumpridos foram todos os requisitos, quer do ponto de vista dos princípios constitucionais atinentés à matéria, quer do ponto de vista legal, conforme se vê da Descrição dos Fatos e Enquadraménto Legal. 9.2.7 Deve, pois, a referida penalidade ser mantida no mesmo percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme art., 44, inciso I da Lei n° 9.430/96 para os Autos de Infração do IRPJ e das contribuições a titulo de PIS, Cofins e CSLL, nos termos do subitem 2.3.1 do Relatório. 9.3 Dos Juros de Mora Taxa Selic. 9.3.1 a impugnante se insurge iambém contra a aplicação dos Juros de Mora calculados com base na Taxa SELIC, nos termos da Lei n° 9.065/95, quando entende que tais gravames deveriam ser calculados sob o percentual máximo de 1% (um por cento) ao mês, conforme o disposto no art. 161, § 1°, do CTN, ou se exigido em percentual acima desse limite somente diante de lei adequada, em nível de lei complementar conforme aduz o Código Tributário Nacional; 9.3.2 Questiona também o caráter remuneratório dado à Taxa Selic, quando entende que tal gravame deveria ter apenas a natureza compensatória ou moratória para ser utilizado com o propósito de corrigir débitos de natureza tributária, o que não foi observado pela lei que a criou, dai se insurgir contra sua utilização para os efeitos pretendidos pelo Fisco; 9.3.3 Como se trata de encargo incidente sobre os débitos apurados, com expressa previsão legal (artigo 84, inciso I e § 1°, da Lei n°8.981, de 1995; artigo 13, da Lei n° 9.065, de 1995; artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996), cabe salientar que não cabe ao julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade e ou ilegalidade de norma legitimamente posta no ordenamento jurídico, tendo em vista o que dispõe a Constituição Federal, em seu artigo 102, incisos I, "a", e III, "b", ao atribuir, com exclusividade, ao Poder Judiciário, competência para se manifestar acerca da matéria. 9.3.4 Coerentemente com esta posição, temse consolidado nos tribunais administrativos o entendimento de que a argüição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação nesta esfera, a menos que já exista manifestação do Supre Tribunal Federal, uniformizando a matéria questionada, o que não é o caso dos autos. 9.3.5 Nessa mesma linha, o Poder Executivo editou o Decreto n° 2.346, de 10/10/1997, o qual, em seu artigo 4°, parágrafo único, determina aos órgãos julgadores, singulares ou coletivos da Administração Fazendária, que afastem a aplicação de lei, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 18 18 tratado ou ato normativo federal, desde que declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 9.3.6 Ressaltese, ademais que, em relação à aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, o 1° e o 3° Conselhos de Contribuintes, órgãos administrativos de julgamento de segunda instancia, já se pronunciaram em definitivo, posto que sumularam a matéria, conforme enunciados a seguir reproduzidos: "Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIG para títulos federais". "Súmula 3° CC n° 4 A partir de 1° de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal" 9.4 Dos demais argumentos contra o lançamento 9.4.1 A propósito, o que a defesa apresentada deixa transparecer em alguns aspectos é que não entendeu a autuação ou se a entendeu dela fez tdbula rasa, pois não tem sentido certas alegações aventadas, como, por exemplo, argüir a certeza e liquidez do crédito na inscrição do débito em divida ativa (impugnação, item 10, fls. 107/109), quando se sabe que a impugnação apresentada em tempo hábil suspende a exigibilidade do crédito tributário e, do resultado de sua apreciação pode haver alteração do lançamento (CTN, arts. 145, I e 151, inciso III), o que impede à autoridade administrativa competente de enviar o crédito tributário em litígio para inscrição divida ativa, até porque não haveria a certeza e liquidez do referido crédito, o que afrontaria outros dispositivos do CTN (arts. 201 e 204), aliada à observância de outros requisitos, a exemplo de ter a autoridade administrativa que aguardar serem expirados todos os prazos para interposição de recursos, para, finalmente, se mantida total ou parcialmente a exigência enviar o débito para inscrição em Divida Ativa da União; 9.4.2 Outra alegação despropositada diz respeito ao fato de requerer que a infração caracterizada no presente procedimento fiscal somente poderia ser efetuada se fosse realizada por um contador, pois somente esse profissional teria a competência técnica para analisar e efetuar a apuração da omissão de receita. Ao contrário do que aduz a defesa nesse aspecto, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), tem além da competência técnica, a competência legal necessária para realizar esse tipo de procedimento, conforme aduz o seguinte artigo do RIR/99: Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003611/200551 Acórdão n.º 180301.288 S1TE03 Fl. 19 19 Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, nos domicilio do contribuintes (Lei n°2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n°2.225, de 10 de janeiro de 1985). 9.4.3 Desnecessário se faz, portanto, rebater os demais argumentos expendidos pela defesa, pois como visto não atacam a essência da infração cominada ao sujeito passivo (omissão de receita por insuficiência de recursos do fluxo de movimentação financeira), apurada de acordo com o teor do AnexoA (fls. 52), de sorte que prescindem de apreciação circunstanciada nos termos do PAF da União, pois em nada contribuem para infirmar o lançamento original. 9.5 Dos Tributos Reflexos: PIS, CSLL e Cofins 9.5.1 Aplicamse As exigências reflexas o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida integralmente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexos, inclusive no tocante à aplicação da multa de oficio e dos juros de mora.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000013/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: IRPF. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A outorga de isenção ou a
criação de hipóteses de não incidência do imposto sobre determinados rendimentos depende de disposição legal expressa.
SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994 não outorga isenção nem
enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A outorga de isenção ou a criação de hipóteses de não incidência do imposto sobre determinados rendimentos depende de disposição legal expressa. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994 não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório ALEXANDRE JOSÉ DE FREITAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SPO II (fls. 16) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 08/11, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2003, que alterou o resultado da DIRPF/2003 de imposto a restituir de R$ 4.742,27 para imposto a restituir de R$ 2.924,66. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DIPF/2003 na qual se apurou omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. O Contribuinte declarou rendimentos tributáveis no valor de R$ 6.391,17 e foi apurado rendimentos tributáveis de R$ 43.983,06, conforme informado na DIRF pela fonte pagadora. A diferença o Contribuinte declarou como rendimentos isentos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que apresentou declaração retificadora, tendo em vista a existência de verbas de caráter indenizatório em seus vencimentos, pagas em decorrência dos riscos a que estava sujeito na realização de suas funções e de danos que pudessem atingir sua saúde física e mental; que com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. 1°, inciso III, alínea "r"); que a própria auditora fiscal que analisou a retificação, reconheceu que tais verbas não fazem parte de sua remuneração; que as parcelas recebidas não são o produto do trabalho, mas, sim, um pagamento a título de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; que não havendo fato gerador a justificar a incidência de imposto de renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário; que, no caso, seriam parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço. A DRJSÃO PAULO/SPO II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a Lei nº 8.852/94 cuida da remuneração das carreiras ali especificadas e não trata de isenção de imposto; que a referida lei se limita a definir os conceitos de remuneração, definindo exclusões deste conceito, mas nada dizem sobre isenção de imposto; que a tributação dos rendimentos independe da denominação da receita ou rendimento, conforme Lei nº 7.713, de 1988. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 05/04/2010 e, em 29/04/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 24/27, que ora se examina, e no qual reitera., em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 32DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13881.000013/200818 Acórdão n.º 220101.689 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da revisão da DITR/2005 da qual foram reclassificados para rendimentos tributáveis valores declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. Tratase, segundo a alegação do Recorrente, de valores recebidos a título de Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço. Sustenta o Recorrente que se trata de verba indenizatória, conforme, segundo seu entendimento, está definido na Lei nº 8.852, de 1994. Reproduzo a seguir os dispositivos da referida lei pertinentes à matéria em discussão: "Art. 1° Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da Unido compreende: III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei n°8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n° 8.237, de 1991; e) saláriofamília; J) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxilio natalidade; i) adicional ou auxilio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; 1) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de Fl. 33DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1° de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3° e o inciso II do art. 6° da Lei n° 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º 0 disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. § 2° As parcelas de retribuição excluídas do alcance do inciso III não poderão ser calculadas sobre base superior ao limite estabelecido no art. 3°. Pois bem, esta Lei dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, sobretudo definindo os conceitos de vencimento básico, vencimento e remuneração para fins de aplicação das próprias disposições do artigo 37, que em momento algum trata de incidência tributária. A eventual exclusão de uma determinada verba do conceito de remuneração não implica, necessariamente, na sua exclusão do campo da incidência tributária e, muito menos, lhe confere a natureza de verba isenta, o que, para tanto, depende de disposição expressa de lei. E também não há nada no dispositivo citado acima que autorize a conclusão de que as verbas ali referidas tenham todas natureza indenizatória. Notese que a incidência do imposto de renda alcança renda e proventos de qualquer natureza, independentemente da sua denominação, a saber: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou Fl. 34DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13881.000013/200818 Acórdão n.º 220101.689 S2C2T1 Fl. 3 5 nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). No caso, as verbas em questão têm natureza salarial, é produto do trabalho, como, aliás, são o 13º salário e as horasextras, também relacionadas no mesmo inciso III e que, a prevalecer o entendimento esposado pelo Recorrente, deveriam ser excluídas da tributação. Assim, a posição esposada pelo Contribuinte, de que as verbas relacionadas no inciso III, acima reproduzido, têm natureza indenizatória e não se sujeitariam à incidência do imposto baseiase apenas numa ilação, sem base legal ou consistência lógica. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000434/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Ano-calendário: 2001
REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA.
O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, não constitui receita decorrente de faturamento e, por conseguinte, não integra a base de cálculo do PIS. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Aplicação direta do art.
79, XII, da Lei nº 11.941, de 2009.
APLICAÇÃO REFLEXA DE MULTA PUNITIVA E JUROS MORATÓRIOS. Constatado que o valor principal do crédito tributário é indevido, descabe cogitar da manutenção da multa punitiva e dos juros moratórios, eis que, no caso concreto, são consectários daquele.
Numero da decisão: 3201-000.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 158 1 157 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000434/200597 Recurso nº 503.917 Voluntário Acórdão nº 3201000 625 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03/02/2011 Matéria PIS ação fiscal (todas) Recorrente CONSTRUTURA HAHNE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 Ementa: REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA. O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, não constitui receita decorrente de faturamento e, por conseguinte, não integra a base de cálculo do PIS. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Aplicação direta do art. 79, XII, da Lei nº 11.941, de 2009. APLICAÇÃO REFLEXA DE MULTA PUNITIVA E JUROS MORATÓRIOS. Constatado que o valor principal do crédito tributário é indevido, descabe cogitar da manutenção da multa punitiva e dos juros moratórios, eis que, no caso concreto, são consectários daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luciano Lopes de Almeida Moraes – Presidente em exercício.. Daniel Mariz Gudiño Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 EDITADO EM: 06/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes (presidente em exercício), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudiño e Mônica Monteiro Garcia de los Rios. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, os demais acontecimentos relevantes: DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação de Infração (fls. 43/48), verificouse que a mesma adquiriu de terceiros créditos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, sendo que o deságio obtido na operação de cessão de crédito no valor de R$ 1.163.408,00 (um milhão, cento e sessenta e três mil e quatrocentos e oito reais) foi contabilizado como receita financeira, no entanto, não compôs a base de cálculo do PIS nos termos dos arts. 2° e 3 0 da Lei n° 9.718/1998. 2. Em razão da falta apurada, o sujeito passivo foi cientificado, em 30/03/2005, do seguinte auto de infração: 2.1. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 49/51): Crédito tributário no valor total de R$ 18.458,44 (dezoito mil, quatrocentos e cinquenta e oito reais e quarenta e quatro centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora calculados até 28/02/2005, com enquadramento legal descrito às fls. 51. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com a referida autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 56/97, acompanhada dos documentos de fls. 98/113, alegando em síntese que: 3.1. Não houve apropriação como receita dos valores apontados como "deságio", pois a operação não tem conteúdo de receita conforme conceituação exposta às fls. 58/69, devendo o auto de infração ser declarado nulo. 3.2. A autuação e os dados nela expressos foram feitos por amostragem, o que não se pode admitir, visto que fatos geradores não podem ser determinados por mera presunção da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13971.000434/200597 Acórdão n.º 3201000 625 S3C2T1 Fl. 159 3 qual resulta a incerteza e iliquidez do débito apontado, não se buscou a verdade material, fatos que violam o art. 142 do CTN e nulificam o procedimento administrativo. 3.3. Não há norma que autorize o fisco a proceder desta forma, o que caracteriza cerceamento de defesa. 3.4. A multa aplicada de 75% é excessivamente onerosa e não difere do tributo que é uma penalidade, portanto, aquela está sujeita aos mesmos princípios deste, logo, a vedação ao confisco aplicase à multa, devendo o fisco obedecer aos pressupostos da legalidade, da moralidade, da impessoalidade, do nãoconfisco, da capacidade contributiva e da eqüidade tributária (fls. 73/84). 3.5. É ilegal a aplicação de juros com base na taxa SELIC, sendo cabíveis apenas juros de mora à taxa de 1% (um por cento) ao mês (fls. 85/96). 3.6. Diante do exposto, requer o cancelamento do auto de infração. Ou, alternativamente, a redução da multa e da taxa de juros. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 16/04/2009, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão n° 1621.096 de fls. 121 a 134: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA. O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, constitui receita que integra a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. MULTA DE OFÍCIO. CAPITULAÇÃO LEGAL. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de violação aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/1972. AÇÃO FISCAL. AMOSTRAGEM. Não existe qualquer ilegalidade ou cerceamento de defesa, quando, no procedimento de fiscalização, é utilizado o critério de amostragem com a finalidade de apurar e apontar ao sujeito passivo os elementos que, efetivamente, serviram de suporte ao lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão supra por A.R., em 06/05/2009 (f1.137), tendo interposto recurso voluntário, em 02/06/2009 (fls. 138/152), com base em parte dos argumentos suscitados na impugnação (fls. 56/97), acrescentandolhes o fato de o Supremo Tribunal Federal ter declarado inconstitucional o art. 3, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, no julgamento dos Recursos Extraordinários nº 390.840 /MG, não sendo possível, pois, entender receita bruta para fins de apuração do PIS como algo diverso de faturamento. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/8/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Presentes os pressupostos de admissibilidade de que trata o Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisar o seu mérito, uma vez que a Recorrente não suscitou questões preliminares como fizera na impugnação. Em síntese, a questão central que se discute no recurso voluntário é o conceito de receita para fins de incidência de PIS e a possibilidade de o deságio de créditos tributário adquiridos de terceiros para amortizar parcelas do REFIS se enquadrar nesse conceito. Tratase de uma questão simples à luz dos julgados do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria e, mais recentemente, do art. 79, XII, da Lei nº 11.941, de 2009, que expressamente revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal já decidiu que, por ter sido editada antes da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que alterou a redação do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal de 1988 para incluir o termo receita como base de cálculo da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13971.000434/200597 Acórdão n.º 3201000 625 S3C2T1 Fl. 160 5 COFINS, o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, padece de inconstitucionalidade. É o que se depreende da ementa do julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840 /MG, in verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, §1°, DA LEI N°9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO 1° DO ARTIGO 3 0 DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE nº 390.840 /MG, STF, Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 09/11/2005, DJ de 15/08/2006, p. 25) Desse modo, somente a partir de 1º de dezembro de 2002, quando teve início a vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu a nãocumulatividade do PIS, a base de cálculo dessa contribuição passou a ser qualquer tipo de receita. Antes disso, as receitas tributáveis eram somente aquelas decorrentes do faturamento, ou seja, aquelas resultantes de venda de mercadorias ou prestação de serviços. Entretanto, como as decisões do Supremo Tribunal Federal não se deram em sede de controle concentrado de constitucionalidade, e tampouco houve resolução do Senado Federal conferindolhes o efeito erga omnes, coube ao legislador ordinário excluir do ordenamento jurídico pátrio o dispositivo da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliava o conceito de receita tributável pela PIS para além do conceito de faturamento. Refirome ao art. 79, XII, da Lei nº 11.941, de 2009. Ainda que não houvesse essa nova legislação, o art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece vedação aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tais normas já tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Considerando que o referido dispositivo legal revogador do preceito inconstitucional apenas ampliou a eficácia da decisão da Corte Constitucional brasileira, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 entendo que a sua aplicação alcança fatos pretéritos, eis que a inconstitucionalidade de uma lei retroage às suas origens. Apenas para que não pairem dúvidas acerca do entendimento ora esposado, transcrevo abaixo algumas ementas do antigo 1º Conselho de Contribuintes, quando PIS e COFINS ainda eram matérias de sua competência: COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Acórdão nº 10195.763, Rel. Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 12/09/2006) ......................................................................................................... PIS/FATURAMENTO LANÇAMENTO BASE DE CÁLCULO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 1998 INCONSTITUCIONALIDADE DECRETADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DECRETO Nº 2.346, DE 10/10/1997 Face ao decidido pelo Tribunal Pleno Supremo Tribunal Federal decretando a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não pode subsistir o lançamento da COFINS e do PIS/FATURAMENTO incidente sobre receitas financeiras. (Acórdão nº 10516.397, Presidente Redator Designado Ad Hoc Conselheiro José Clóvis Alves, Sessão de 25/04/2007) Desse modo, sem entrar no mérito da correta classificação contábil do deságio relativo crédito tributário adquirido de terceiros pela Recorrente, fato é que não se trata de uma receita advinda de faturamento. Assim, considerando que o crédito tributário que se pretende ver exonerado referese ao anocalendário 2001 (anterior à Lei nº 10.637, de 2002), não há dúvidas de que a sua cobrança tornouse inconstitucional. No que se refere à multa punitiva e à aplicação da taxa Selic para fins de atualização do crédito tributário objeto do lançamento de ofício, resta prejudicada a sua análise porquanto são consectários do principal, que, como já visto, não é devido. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido, cancelar o lançamento e exonerar o respectivo crédito tributário. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13971.000434/200597 Acórdão n.º 3201000 625 S3C2T1 Fl. 161 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 14120.000029/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São devidas à seguridade social as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditas aos segurados empregados registrados pela empresa.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE NULIDADE Não incorre em ilegalidade a autuação entendida como parcialmente procedente por parte do julgador de primeira instância.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, portanto, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São devidas à seguridade social as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditas aos segurados empregados registrados pela empresa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE NULIDADE Não incorre em ilegalidade a autuação entendida como parcialmente procedente por parte do julgador de primeira instância. Recurso Voluntário Negado.
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São devidas à seguridade social as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditas aos segurados empregados registrados pela empresa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE NULIDADE Não incorre em ilegalidade a autuação entendida como parcialmente procedente por parte do julgador de primeira instância. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, portanto, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, referentes à contribuição da empresa, segurados, SAT e Terceiros com ciência do contribuinte em 05/2006. O período do lançado compreende as competências 01/1996 a 06/2003. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 84 a 89, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas (ou creditadas, ou devidas) aos segurados empregados registrados no livro de registro de empregados relativas ao período fiscalizado. O livro de registro de empregado contém os salários de admissão dos empregados registrados, bem como, as alterações de salários ocorridas durante o período laboral, permitindo a montagem da folha de pagamento e a sua comparação com os valores lançados na RAIS — Relação Anual de Informações Sociais. Inconformada com a decisão de fls. 170/182 que julgou procedente em parte o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: a) Preliminarmente argumenta que “como a infração, foi parcialmente procedente verificase então que está eivada de nulidade, uma vez que fora aplicada parcialmente ilegalmente.” b) Ainda em sede preliminar suscita a ilegitimidade passiva sob o argumento de que a recorrente não possuía empregados, sendo estes exercentes de atividades laborais para a Igreja Assembléia de Deus. b) No mérito a recorrente não se manifestou; c) Requer que seja declarada a nulidade do lançamento ou a ilegitimidade passiva da recorrente. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000029/200803 Acórdão n.º 2401002.339 S2C4T1 Fl. 214 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES As preliminares suscitadas pela recorrente não merecem ser acolhidas. Com relação ao fato de a decisão de primeira instância ter julgado parcialmente procedente o lançamento, em nada acarreta a nulidade pretendida. Somente foram excluídos do lançamento, os valores cujas competências se encontravam atingidas pelo prazo decadencial de cinco anos. Tal fato não tem o condão de macular a notificação devendo permanecer o crédito com relação as demais competências. Já a alegada ilegitimidade, também é pedido que não merece acolhimento por este colegiado. Do que se depreende dos autos e devidamente delineado no relatório fiscal, a recorrente mantinha registro de empregados no período fiscalizado. O livro de registro de empregado contém os salários de admissão dos empregados registrados, bem como, as alterações de salários ocorridas durante o período laboral. A própria recorrente confessa tal situação no trecho final do seu recurso, quando afirma que mantinha empregados registrados. Se este trabalhavam em outro local, certamente era com a conivência da recorrente. Vejamos a transcrição do parágrafo onde a notificada confirma a existência de registro de empregados: De qualquer forma, esclarecemos que embora os empregados estivessem registrados na SEBE, nunca prestaramna qualquer serviço, apenas a igreja evangélica Assembléia de Deus Mato Grosso, conforme exposto na defesa. (grifei) Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/05/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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