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Numero do processo: 10280.000398/2003-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2002
Configurada a prestação de serviços de metalurgia, os quais não
exigem conhecimento profissional de nível técnico ou superior, não subsiste a exclusão do Simples por motivo de atividade vedada, equivalente a serviços de engenharia.
Na fase de recurso especial está preclusa a possibilidade de apresentação de prova nos autos.
Ultrapassado o limite de receita bruta para enquadramento como
microempresa, o contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples nessa qualidade no ano calendário subsequente, podendo optar pelo enquadramento como empresa de pequeno porte.
Numero da decisão: 9101-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a exclusão do enquadramento como microempresa no ano calendário de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2002 Configurada a prestação de serviços de metalurgia, os quais não exigem conhecimento profissional de nível técnico ou superior, não subsiste a exclusão do Simples por motivo de atividade vedada, equivalente a serviços de engenharia. Na fase de recurso especial está preclusa a possibilidade de apresentação de prova nos autos. Ultrapassado o limite de receita bruta para enquadramento como microempresa, o contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples nessa qualidade no ano calendário subsequente, podendo optar pelo enquadramento como empresa de pequeno porte.
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Na fase de recurso especial está preclusa a possibilidade de apresentação de prova nos autos. Ultrapassado o limite de receita bruta para enquadramento como microempresa, o contribuinte deve ser excluído da sistemática do Simples nessa qualidade no ano calendário subsequente, podendo optar pelo enquadramento como empresa de pequeno porte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a exclusão do enquadramento como microempresa no ano calendário de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) Fl. 200DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Caio Marcos Cândido Presidente. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10280.000398/200390 Acórdão n.º 910100872 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial em face do acórdão no. 30334019, prolatado pela antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de manifestação de inconformidade pela exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. A exclusão, a partir de 01.01.2002, deuse pelo Ato Declaratório de Exclusão nº 21, de 17.04.2003 (fls.72), em virtude de ter sido constatado que a empresa prestava serviços profissionais de engenheiro, e também por haver sido ultrapassado, no anocalendário de 2001, o limite de receita bruta para permanência no Simples na qualidade de microempresa, caracterizando as situações excludentes previstas no art. 9º, inciso XIII, e no §2º do art. 13 da Lei nº 9.317/96. A Câmara recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. As atividades previstas no contrato de constituição da empresa e posteriores alterações não são necessariamente desenvolvidas por profissionais que dependam de habilitação profissional especifica. Considerando a qualificação profissional dos sócios e a documentação trazida aos autos pelo contribuinte (notas ficais emitidas, livros de registro dos empregados e folhas de pagamento), temos uma pequena metalúrgica que presta serviços que não exigem conhecimento técnico ou superior comprovado. Recurso voluntário provido. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, alegando contrariedade à evidência das provas, vez que os elementos contidos nos autos motivaram o ato de exclusão do Simples. Aduz que quando foi publicado o Ato Declaratório nº 21, de 17.04.2003, que excluiu o contribuinte do Simples, não constava dos registros da Secretaria da Receita Federal a alteração que promoveu a exclusão da atividade de indústria de engenharia do contrato social, que não consta dos autos documentação comprobatória da rejeição do DBE e que, da mesma forma, não consta dos autos a documentação comprobatória de que não houve o excesso de receita bruta, conforme alegado pelo contribuinte em sua defesa. Em contrarrazões, o contribuinte propugna pela manutenção integral da decisão recorrida, alegando, em suma: Fl. 202DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 a) nunca ter desenvolvido atividade que fosse realizada por engenheiro, mas apenas serviços de metalurgia executados por operários; e b) no anocalendário de 2001, houve erro no cálculo do faturamento ocorrido no mês de novembro de 2001, quando não foi considerado desconto incondicional de 5% sobre a NF n° 0053, de 16.11.2001, no montante de R$ 505,80. Junta cópia da nota fiscal referida, da comunicação de incorreção ao destinatário e do respectivo protocolo de expediente registrado junto à Secretaria de Estado da Fazenda do Pará. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10280.000398/200390 Acórdão n.º 910100872 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, o recurso deve ser conhecido. Sobre a sistemática do Simples, cabe tecer breves considerações iniciais. Atualmente, evidenciase cada vez mais a correlação entre o direito e a economia. Ao operador do direito cabe interpretar as normas jurídicas sem dissociálas da realidade econômica do País. Assim, a análise das situações de enquadramento na sistemática do Simples deve sempre se pautar nos parâmetros definidos pela Constituição Federal, em seus arts. 170, inciso IX, e 179, ao estabelecer um tratamento não isonômico às micro e pequenas empresas, dado seu caráter fundamental no desenvolvimento da economia brasileira. A Lei nº 9.317/96, atualmente revogada pela Lei Complementar nº 123/06, estabeleceu as regras determinantes ao enquadramento no Simples. No que pertine ao litígio em exame, fundado na possibilidade ou não de enquadramento da pessoa jurídica, interessam os seguintes dispositivos, com a redação vigente à época do ADE: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) [...] Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9; Fl. 204DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 6 [...] § 2° A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), estará excluída do SIMPLES nessa condição, podendo mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte. A exclusão deuse por dois motivos: a) pela verificação da prática de atividade vedada de engenharia ou assemelhados, e b) pela ultrapassagem do limite de receita bruta de R$ 120.000,00 no ano calendário de 2001. É ônus do contribuinte demonstrar a inexistência da causa ou causas da exclusão do SIMPLES. Quanto à exclusão em razão do exercício de atividade de engenharia ou assemelhados, a partir do exame dos elementos constantes dos autos, convencime da inexistência de atividade dessa natureza ou assemelhada, pelo que entendo que não subsistiria o desenquadramento da sistemática do SIMPLES por esse motivo. A previsão de serviços de engenharia no contrato social, posteriormente retificada, não supera a realidade dos fatos atestada pelas notas fiscais de serviços prestados em conjunto com os registros de empregados e as folhas de pagamento juntadas aos autos, a demonstrar a qualificação dos empregados. Restando, assim, configurada a prestação de serviços de metalurgia que não exigem conhecimento profissional de nível técnico ou superior, não subsiste a exclusão. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Quanto ao segundo motivo de exclusão, a Fazenda Nacional afirmou que não foi carreada aos autos a documentação comprobatória do desconto incondicional, cuja concessão se alegou e foi considerada verídica pelo acórdão recorrido. Como atestou o julgador de primeira instância em sua decisão, a tela do sistema eletrônico da Receita Federal de consulta à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJCONS – juntada às fls. 44, verso, demonstra o faturamento mensal declarado, tendo sido totalizado em R$ 120.447,00 no ano calendário de 2001. Podese notar, ainda, que no recurso voluntário o contribuinte inclui uma planilha em que constam as vendas e prestações de serviços mensais, exatamente nos mesmos montantes declarados na DIPJ (vide fls. 88). Acompanham o recurso voluntário todas as notas fiscais emitidas a fim de demonstrar a inexistência de atividade de engenharia, incluindo a nota fiscal de saída nº 53, de 16.11.2001, às fls. 114, que atesta o valor cheio da venda. O recurso voluntário foi provido assumindo como verídica a informação do desconto. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10280.000398/200390 Acórdão n.º 910100872 CSRFT1 Fl. 4 7 Apenas em contrarrazões, às fls.185187, o contribuinte trouxe aos autos a documentação comprobatória da retificação da nota fiscal referida, compreendendo a nota fiscal de saída nº 53, de 16.11.2001, a retificação emitida em 22.11.2001 ao destinatário da mercadoria e o respectivo protocolo de expediente registrado junto à Secretaria de Estado da Fazenda do Pará, todos contendo selo de autenticação cartorária. O tratamento não isonômico dado às micro e pequenas empresas reflete o princípio maior da isonomia, que propugna por tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade, na medida das suas desigualdades. O incentivo concedido pela Constituição Federal de 1988 às microempresas e empresas de pequeno porte não deve ser utilizado como argumento de deliberada desconstituição das normas vigentes, pela desconsideração de violações às regras da sistemática do Simples em determinados casos. Sem prova nos autos, ainda que ultrapassada em um centavo a receita bruta declarada em relação ao limite legal, não poderia o julgador administrativo desconsiderar a exclusão do Simples. No presente caso, o contribuinte, embora ciente da ausência da prova nos autos desde o início do litígio, somente na última oportunidade que teve de se manifestar, veio apresentar a documentação comprobatória do desconto concedido. Inicialmente, manifesteime pela aceitação de tal documentação como comprobatória do erro de fato na declaração do IRPJ, o qual, pela majoração indevida na receita bruta auferida no ano calendário de 2001, deu ensejo ao segundo motivo de exclusão do Simples a partir de 2002. Considerava o princípio do formalismo moderado, que informa o processo administrativo fiscal, para assumir a realidade material dos fatos, comprovada a qualquer tempo do processo. Durante os debates em plenário, ouvidas as ponderações dos meus pares, passei a enxergar o caso sob outro ângulo. Sendo ônus do contribuinte comprovar a inveracidade dos motivos da exclusão, teve diversas oportunidades anteriores de carrear aos autos a prova do erro alegado. Juntou todas as notas fiscais emitidas em 2001, mas não apresentou a documentação da retificação de uma delas, justamente a nota fiscal nº 53, na qual teria sido concedido o desconto não registrado. Tratase o presente de recurso por contrariedade à evidência das provas, privativo da Fazenda Nacional, nos termos do art. 5o, inciso I, do RICARF vigente à época. Extinguiuse com a publicação do novo regimento, o qual não mais prevê tal espécie de recurso, mas apenas o recurso de divergência, facultado a ambas as partes. Analisandose a situação estritamente sob o prisma processual, na hipótese de ter sido julgado em sentido contrário pela Câmara a quo, mesmo à época de sua apresentação, não poderia o contribuinte trazer na instância especial a discussão sobre as provas, mas apenas demonstrar eventual divergência jurisprudencial. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 8 Refletindo melhor, à vista dos fundamentos referidos, chego à conclusão de que a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, dada a previsão regimental restritiva, não pode ser aceita no momento de análise do recurso especial. A possibilidade de apresentação de provas está preclusa nesta fase. Permanece, pois, um dos motivos da exclusão da opção pelo Simples no ano calendário de 2002, apenas em relação ao enquadramento como microempresa, pela extrapolação do limite da receita bruta no ano calendário de 2001. Sem embargo de poder o contribuinte, no ano calendário de 2002, optar pelo enquadramento como empresa de pequeno porte. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão do enquadramento como microempresa no ano calendário de 2002. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 207DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002768/2010-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 1803-001.100
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 171 1 170 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002768/201073 Recurso nº 909.691 Voluntário Acórdão nº 180301.100 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria MULTA ISOLADA AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VIX COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 172 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 173 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 129 a 131): Em ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte em epígrafe, relativa ao anocalendário de 2006, foi apurada falta de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução e, em consequência, foi efetuado lançamento para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 32.872,32 (trinta e dois mil e oitocentos e setenta e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 104/105, para exigir a multa isolada nos seguintes termos: Multa exigida isoladamente: R$ 32.872,32 Enquadramento legal: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, arts. 222 e 843, c/c Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, § 1º, IV, alterado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 14, c/c Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 106, II, “c”. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 91/99 descreve a ação fiscal, informando que a contribuinte optou pelo pagamento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º e §§, deixando de recolhêla espontaneamente, sendo, portanto, constituída a multa isolada correspondente, incidente sobre os valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O lançamento foi efetuado com multa agravada para 112,5%, por considerar a fiscalização a caracterização do nãoatendimento, pela contribuinte, às intimações da fiscalização. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 101/102), em face do senhor Cícero Constantino dos Santos, sóciogerente da empresa. Notificada do lançamento em 30/09/2010, conforme auto de infração, a interessada, representada pelo advogado Marcos Borges Ananias (procuração de fl. 118), ingressou, em 29/10/2010, com a impugnação de fls. 110/117, alegando, em suma: ∙ Compareceu à Receita em todas as vezes que foi chamada, não se esquivando de apresentar explicações, apenas não pode prestar maiores informações porque demais minúcias e informações da declaração daquele exercício só poderiam ser prestadas com os livros contábeis e demais documentos da empresa; ∙ Conforme informado por seu representante, assim como é relatado no Boletim de Ocorrência nº 2373/2007, feito no 33º DP de Pirituba da Capital, os documentos fiscais daquela época foram extraviados; ∙ A ocorrência da perda dos documentos fiscais havia sido feita antes mesmo da entrega da declaração e, conforme legislação, o contabilista encarregado Fl. 178DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 174 4 dos livros fiscais tem obrigação, juntamente com a empresa, de fornecer explicações dos apontamentos à Receita, em especial do motivo pelo qual não lançou na declaração o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); ∙ O contabilista não foi encontrado para prestar esclarecimentos, tampouco apresentou os livros escriturais, faltando com a ética, o dever contratual e legal, não sendo certo aplicação de qualquer penalidade, considerando ainda que a Receita, por si só, possui outros meios de conferir o recolhimento dos tributos; ∙ Diante dessas explicações, não haveria sentido ou amparo legal para aplicação da multa de 112,5%; ∙ No exercício de 2006, não houve nenhuma importação de motocicleta e a cobrança de imposto sobre esse bem é equivocada, dada a ausência de qualquer negócio dessa mercadoria; ∙ Os impostos foram devidamente pagos, uma vez que, por conta de sua natureza empresarial, já existe uma rigorosa fiscalização por parte da Receita desde quando inicia as negociações no exterior, de tal forma que as mercadorias adquiridas somente são liberadas mediante o pagamento dos tributos incidentes; ∙ Transação internacional de mercadorias tem que ser precedida das normas da Receita; assim, para que toda e qualquer empresa de importação comece a comercializar uma mercadoria estrangeira, previamente os valores da mercadoria, seguros, transporte, impostos, tem que haver reserva em “dinheiro” depositada em conta para arcar com todos estes custos; ∙ A arrecadação desses impostos é feita em um único ato, pelo sistema Siscomex, de tal forma que todos os impostos são debitados automaticamente da conta; ∙ É impossível o recolhimento isolado de um tributo, ou seja, se foram recolhidos os demais tributos pelo sistema, necessariamente foi recolhido o IPI; ∙ A forma de cálculo de impostos pela Receita sobre a movimentação financeira, considerando as exposições anteriores, leva à existência de pagamento em duplicidade de impostos, que é vedado pela lei, ou seja, a empresa recolherá novamente imposto sobre as mercadorias que havia importado; ∙ o que ocorreu foi mero esquecimento do contabilista de inserir, no campo próprio, como sendo a Vix contribuinte de IPI; ∙ a impugnante se encontra com suas atividades de comércio encerradas, e nem ela ou seus sócios possuem quaisquer condições de pagamento de tributos e multas; ∙ A Receita Federal, considerando a forma controlada de arrecadação supra mencionada, reúne condições de uma nova análise, por meio de seu banco de dados, para encontrar o recolhimento do imposto, considerando a fundamentação manifestada pelo seu representante de não poder fornecer documentos e livros; ∙ A simples verificação dos bancos de dados da Receita supre a apresentação de livros, haja vista a forma peculiar de arrecadação de tributos incidentes na importação; ∙ Caso não haja possibilidade de a Fazenda rever as informações pelo seu sistema ou de apresentar cópias de informações de arrecadação, a Constituição Fl. 179DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 175 5 Federal (CF) confere a garantia de a Vix promover a exibição de tais informações por meio de habeas data, justificando a impossibilidade de provar por outros elementos; ∙ Mesmo que existisse fundamentação legal para propositura de execução, não haveria efeitos práticos para concretizar o recebimento, dado que nem a empresa nem seus sócios possuem condições de arcar com o pagamento do tributo vultoso arbitrado pela Receita. Requereu: “seja declarada improcedente a cobrança da multa do processo em referência”, uma vez que a empresa foi contribuinte do IPI, e, conforme fundamentações, não haveria possibilidade do não recolhimento do tributo, haja vista que o mesmo é pago junto com demais tributos debitados em conta pelo Siscomex; seja realizada análise nos bancos de dados da Receita para confirmar e validar o recolhimento do respectivo tributo; sejam fornecidas cópias de informações pertinentes aos recolhimentos de tributos; seja suspenso e anulado o auto de infração. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 128): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Impõese a redução para 50% do percentual da multa em face de legislação superveniente ao fato gerador, por força do princípio da retroatividade benigna. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 05/05/2011, por edital (fls. 144), a tempo, em 09/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 146 a 152, instruído com os documentos de fls. 153 a 166, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 176 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Tempestividade do Recurso 4. Ao contrário do que entendeu a DRF de origem, é sim tempestivo o Recurso apresentado, de fls. 146 a 152, em data de 09/05/2011 (fls. 146), uma vez que o respectivo edital, endereçado à Recorrente, foi afixado em 05/05/2011 (fls. 144). 5. No caso, não se trata de “Recurso Voluntário intempestivo pelos sujeitos passivos solidários”, como afirmado (fls. 168), já que a petição de fls. 146 a 152 está em nome da Recorrente, e não daqueles. Mérito 6. Especificamente no que se refere ao presente processo (auto de infração de CSLL), remanesce para discussão apenas a questão de a Recorrente se encontrar com suas atividades de comércio encerradas e nem ela ou seus sócios possuírem quaisquer condições de pagamento de tributos e multas. Esclarecese que a multa de ofício aplicada, de 112,5%, foi reduzida, na instância a quo, para 50% (retroatividade benigna). 7. No tocante a essa questão, faço minhas as palavras do acórdão recorrido, as quais adoto como razões de decidir (fls. 132): Quanto às alegações de que nem ela nem os sócios possuem capacidade financeira para o pagamento de tributos e multa, ponderase que, consoante o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, parágrafo único, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não podem os servidores, seja o lançador, seja o arrecadador, seja o julgador, agregar a seus atos funcionais suas convicções pessoais ou seus estados anímicos subjetivos, se estes colidirem com as normas veiculadas pelos textos legais. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar arguições de cunho pessoal. Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do Fl. 181DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.002768/201073 Acórdão n.º 180301.100 S1TE03 Fl. 177 7 responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento, nenhum reparo haveria de se lhe fazer. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 182DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000509/2004-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES
ANO-CALENDÁRIO: 1986
Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. NÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS DE ENGENHARIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 57 DO CARF. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SUSCITADA.
Nos termos da súmula n° 57 do CARF, é pacífico o entendimento no sentido de que a prestação de serviços de manutenção não se equipara aos serviços de engenharia. Exclusão do SIMPLES que não se sustenta.
Numero da decisão: 9101-000.896
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 1986 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. NÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS DE ENGENHARIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 57 DO CARF. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SUSCITADA. Nos termos da súmula n° 57 do CARF, é pacífico o entendimento no sentido de que a prestação de serviços de manutenção não se equipara aos serviços de engenharia. Exclusão do SIMPLES que não se sustenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 181DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13827.000509/200412 Acórdão n.º 9101000.896 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte foi excluído do SIMPLES por intermédio de Ato Declaratório Executivo da DRF em Bauru, em face da atividade por ele exercida, consistente em instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/07). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 86/89 dos autos, indeferiu a solicitação de permanência no SIMPLES, sob o entendimento que a atividade de prestação de serviços de reforma e manutenção de máquinas e equipamentos industriais equiparase à prestação de serviços de engenheiro, nos termos do Ato Declaratório Normativo n° 04 de 2000. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 94/101 dos autos. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário (fls. 115/121), nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Anocalendário: 1986 Ementa: Simples. Exclusão desmotivada. Prestação de serviços de manutenção, reformas e reparos de máquinas. Atividade permitida. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídicas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços de manutenção, reformas e reparos de máquinas e essa é apenas uma das atividades da sociedade empresária. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam Fl. 182DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13827.000509/200412 Acórdão n.º 9101000.896 CSRFT1 Fl. 3 3 meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado.” A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 127/133). Trouxe à tona, e nesse sentido sustentou suas alegações, decisão da antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuinte em que se entendeu que os prestadores de serviços de manutenção não podem optar pelo SIMPLES, por equipararse a serviços profissionais de engenharia. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 161/163 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que não mais existe a divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. Com efeito, a matéria debatida no recurso especial já se encontra pacificada no âmbito do CARF, através da enunciado n° 57 da sua súmula jurisprudencial. A existência da súmula, em conformidade com a decisão recorrida, destarte, importa no não conhecimento do recurso especial da Fazenda, nos termos do artigo 67, §2°, do Regimento Interno do CARF. O enunciado n° 57 da súmula do CARF tem o seguinte teor: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal Diante disso, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 13827.000509/200412 Acórdão n.º 9101000.896 CSRFT1 Fl. 4 4 Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 184DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000495/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma analisaram questões fáticas distintas (multa isolada exigida pelo não recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão e multa isolada incidente sobre a CSLL devida a título de estimativa mensal), cujas penalidades decorrentes das infrações apuradas têm
fundamentos legais diversos (artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, para o primeiro caso e artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para o segundo).
Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não
conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso do contribuinte e em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma analisaram questões fáticas distintas (multa isolada exigida pelo não recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão e multa isolada incidente sobre a CSLL devida a título de estimativa mensal), cujas penalidades decorrentes das infrações apuradas têm fundamentos legais diversos (artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, para o primeiro caso e artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para o segundo). Recurso especial do Contribuinte negado e da Fazenda Nacional não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Magna Leite Luduvice foi lavrado o auto de infração de fls. 67 75, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 130141). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 10248.773, que se encontra às fls. 182194, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). Fl. 275DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 3 3 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 08/02/2008 (fls. 195), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 200207, acompanhado dos documentos de fls. 208209, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido excluiu a multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da mesma com a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando ambas incidirem sobre base de cálculo idêntica; b) Diferentemente, a 1ª Câmara do 1° Conselho considerou ser legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, que, no caso em tela, eram as multas previstas no art. 44, inciso I, e no § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, mesmo que incidam sobre bases de cálculo idênticas, pois decorrem de infrações diversas, razão por que não há que se falar em bis in idem; c) O acórdão recorrido considera que a multa de ofício e a multa isolada decorrem de infrações idênticas, pois ambas visam penalizar o contribuinte pela omissão de rendimentos; d) Por outro lado, o acórdão paradigma considera que, enquanto a multa de ofício possui o escopo de penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a chamada multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa; e) Vale destacar que a multa isolada prevista no artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96 e aquela prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal possuem a mesma essência: ambas visam penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo; f) O acórdão recorrido, ao afirmar que a multa de ofício e a multa isolada decorrem da mesma infração, diverge do acórdão paradigma, também, quando este conclui que a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos, mas a penalidade isolada decorre do não cumprimento do regime de antecipação mensal do pagamento do imposto; g) A proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ilícito e não a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes; Fl. 276DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 4 4 h) O não recolhimento antecipado do IRPF devido a título de carnêleão é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de rendimentos apurada ao final do anocalendário; i) No caso, não ocorre bis in idem; j) O artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional prevê que somente a lei pode estabelecer a dispensa ou a redução de penalidades. Admitido o recurso (despacho n° 313, fls. 210211), a contribuinte, devidamente cientificada, apresentou contrarrazões às fls. 215224, acompanhadas dos documentos de fls. 225243, onde defendeu, fundamentalmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de divergência jurisprudencial. Interpôs, também, na mesma peça processual, recurso especial de divergência, no qual alegou, em apertada síntese, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos nos 10420.317 e 10614.176. Por intermédio do despacho n° 21010039/2009 (fls. 246247) o recurso restou admitido, sendo que a Fazenda Nacional, quando intimada, apresentou contrarrazões às fls. 255268, pugnando, fundamentalmente, pela improcedência da pretensão do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sob minha ótica, por uma questão lógica, devese apreciar, inicialmente, a insurgência da contribuinte, que cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecida, pois provido tal recurso, perde o objeto a manifestação da Fazenda Nacional. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. A contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento, sob o fundamento de que os rendimentos recebidos de organismo internacional estão isentos do imposto sobre a renda. Passase, então, à análise do recurso interposto pela autuada. O recurso especial da contribuinte A matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços Fl. 277DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 5 5 profissionais a Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil PNUD). A recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pela recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. O recurso especial da Fazenda Nacional Na visão deste julgador, o recurso especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido. A recorrente defendeu, fundamentalmente, que não pode ser afastada a exigência da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Com o objetivo de comprovar a divergência que autorizaria a interposição de recurso especial com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, a Fazenda Nacional trouxe à colação o acórdão n° 10194.858, cuja ementa é a seguinte: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – AC. 1998 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE – Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos Fl. 278DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 6 6 legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL – A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO – CABIMENTO SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO – PROCESSO JUDICIAL EM CURSO – É cabível a manutenção de multa de ofício lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de ofício, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA – DECLARAÇÃO INEXATA CABIMENTO – Cabível o lançamento de ofício de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei nº 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Transcreveu, ainda, às fls. 203, os seguintes excertos do referido acórdão: Quanto à alegada aplicação em duplicidade de multa de ofício sobre a mesma base de cálculo ser vedado pelo ordenamento jurídico, não há que ser acatado, tendo em vista que são duas penalidades por duas infrações à legislação tributária: a uma, a falta de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa Fl. 279DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000495/200518 Acórdão n.º 920201.708 CSRFT2 Fl. 7 7 (artigo 44, parágrafo único, inciso IV); a duas, a falta de recolhimento da CSLL apurada no ajuste do período de apuração (artigo 44, I). Podese perceber que o acórdão apontado como paradigma manteve a exigência da multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para situação em que determinada empresa deixou de recolher a CSLL devida a título de estimativa mensal. No caso em apreço, a decisão recorrida cancelou a exigência da multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, em lançamento no qual a autoridade lançadora apurou omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior sujeitos ao recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. As situações fáticas dos acórdãos são distintas, além do que o fundamento legal das penalidades também é diferente. Diante de tal constatação, penso que o acórdão recorrido não deu à lei tributária interpretação divergente daquela manifestada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 10194.858, na medida em que aquele afastou a penalidade isolada estabelecida no artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, enquanto este manteve a multa isolada prevista no 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Portanto, não pode ser conhecido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte e de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 280DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.100608/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL – NÃO INCLUSÃO – CONDIÇÃO PROIBITIVA Nos
termos da Lei Complementar 123/06, para que a empresa possa optar
pelo SIMPLES deve atender a todas as condições precedentes. O exercício de atividade vedada implica impossibilidade de optar pelo SIMPLES. A contribuinte não logrou comprovar que não exercia tal atividade vedada em 2007.
Numero da decisão: 1302-000.755
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL – NÃO INCLUSÃO – CONDIÇÃO PROIBITIVA Nos termos da Lei Complementar 123/06, para que a empresa possa optar pelo SIMPLES deve atender a todas as condições precedentes. O exercício de atividade vedada implica impossibilidade de optar pelo SIMPLES. A contribuinte não logrou comprovar que não exercia tal atividade vedada em 2007.
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O exercício de atividade vedada implica impossibilidade de optar pelo SIMPLES. A contribuinte não logrou comprovar que não exercia tal atividade vedada em 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, ausente momentaneamente justificadamente Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório A contribuinte quis optar pelo regime SIMPLES Nacional, mas não conseguiu. A razão informada é que os sócios participavam de empresa cuja receita excedia Fl. 68DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 máximo permitindo no regime da microempresa. A empresa pediu reconsideração da autoridade fiscal e aceitação de sua opção pelo SIMPLES em 10/09/2007. Afirmou que exerce a atividade de "8219 Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo" como diversas vezes tentou alterar junto à receita federal sem sucesso. No mais, os sócios participam de outra empresa cuja receita é comprovadamente de R$ 314.314,68, portanto inferior ao limite máximo disposto na Lei Complementar 123/2006. Em 27/03/2009 a autoridade competente da Receita Federal indeferiu o pedido da interessada, afirmando que a empresa não exerceu sua opção ao SIMPLES Nacional no prazo legal que era agosto de 2007 inclusive porque não atendia às condições de admissibilidade nesse regime, sendo impossível indeferir uma inclusão no SIMPLES nessas condições. Vejamos os fatos apurados. Em consulta ao histórico do contribuinte no Simples Nacional (fl. 30), constatase que o contribuinte não efetuou solicitação de opção, em (agosto de) 2007. Verificase apenas uma opção em 16/01/2008, deferida posteriormente, por ter resolvido as pendências dentro do prazo. De acordo com o sistema CNPJ, o contribuinte alterou sua atividade econômica a partir de 31/07/2007 (fl. 31), passando a constar o código CNAE 82199/99 – Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo. Ciente da decisão em 27/04/2009, a interessada manifestou inconformidade em 13/05/2009 ressaltando que o Documento 2 anexado a este processo demonstra que a empresa tentou solicitar a opção pelo SIMPLES Nacional tempestivamente nos dias 02/08/2007 (fls. 8 e 9), 07/08/2007 (fls. 10 e 11), antes do prazo fatal de 20/08/2007 disposto no artigo 17 da Resolução CGSN n° 04/2007. As duas tentativas foram infrutíferas pois o sistema não autorizou a opção do SIMPLES fornecendo a seguinte explicação: Titular ou sócio participante de empresa(s) cuja receita bruta global ultrapassa limite conforme inciso lido artigo 30. da LC 123/2006 CPF (667.786.03020) A empresa não concorda com tal alegação, conforme demonstra, pois entende que a outra empresa na qual seu sócio detém participação não aufere receitas superiores ao limite legal de faturamento da microempresa. Esse é o cerne da questão que deixou de ser apreciado pela autoridade fiscal. É um pedido pertinente e razoável, pelo qual a empresa pede inclusão no SIMPLES Nacional retroativamente a 01/07/2007. Em 29/08/2010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de POA julgou improcedente a manifestação da empresa, já que a opção de inclusão no SIMPLES precisaria ter sido efetuada por internet até o dia 20 de agosto de 2007. Seria impertinente a inclusão da empresa no SIMPLES posteriormente a isso, com efeitos retroativos. A contribuinte não conseguiu optar pelo SIMPLES eletronicamente, pois até 31/07/2007 exercia atividade vedada a essa opção, como ela mesma reconhece em sua manifestação de inconformidade. Para que a Fl. 69DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 11080.100608/200791 Acórdão n.º 1302000.755 S1C3T2 Fl. 67 3 empresa pudesse optar pelo SIMPLES precisaria estar em conformidade com as atividades previstas para esse regime desde 01/07/2007. Ciente da decisão em 29/09/2010, a interessada recorreu a este Conselho em 26/10/2010. Ressaltou que a DRJ inovou no motivo do indeferimento do pedido da contribuinte, cerceando a defesa da contribuinte e sendo nula. (a) A empresa não conseguiu registrar sua opção no SIMPLES no sistema da Receita pois um de seus sócios tinha participação em determinada empresa e o sistema entendia que tal participação resultava em excesso de receita para opção do SIMPLES; (b) A contribuinte comprovou que tal motivo não era pertinente; (c) Avaliando a situação, a autoridade administrativa informou que não poderia reconhecer a inclusão da empresa no SIMPLES pois ela não comprovara que teria feito a opção eletronicamente pela internet até 20/08/2007; (d) Por outro lado, a empresa inconformada pediu revisão do despacho à DRJ, demonstrando que tentou pelo menos por duas vezes, no prazo legal, fazer a opção na internet, sem sucesso, tendo no mais comprovado que o motivo de indeferimento trazido pelo sistema eletrônico da Receita era impertinente; (e) Na decisão da DRJ, a autoridade negou provimento ao recurso da contribuinte inovando nas suas razões, passou a alegar que a empresa não estaria enquadrada em atividade passível de inclusão no SIMPLES em 01/07/2007, razão que não é possível aceitar sua inclusão nesse regime. Não é razoável a decisão da DRJ, é abusiva e desproporcional. A empresa tomou ciência de que não poderia optar pelo SIMPLES Nacional automaticamente, pois exerceria atividade vedada. Como não era o caso, comandou alteração de seus dados cadastrais para constar sua atividade efetiva e procedeu alteração do contrato social. Tudo isso foi feito em 18/07/2007 e registrado ainda antes do final do mesmo mês e bem antes de 20/08/2007, prazo fatal para opção pelo SIMPLES Nacional. Essa alteração formal de atividade social em julho de 2007 não era impedimento para exercício da opção ao SIMPLES, tanto que o sistema da Receita não voltou a acusar tal impedimento. O motivo finalmente alegado pelo sistema foi excesso de receita para optar pelo SIMPLES. Conforme provas não contestadas neste processo, esse motivo não se sustenta na prática, merecendo a empresa ser incluída no SIMPLES nacional desde 01/07/2007. A decisão da DRJ fere jurisprudência que tem aceitado a inclusão no SIMPLES neste tipo de situação, quando a empresa altera seus dados cadastrais ainda antes da data limite para opção pelo regime SIMPLES. Nesse sentido, dada a falta de motivação para não aceitar a inclusão da empresa no SIMPLES desde 01/07/2007, considerando as provas incontestes apresentadas pela contribuinte e as razões de fato e de direito, também pelo princípio da razoabilidade e proporcionalidade, requer a empresa sua inclusão do SIMPLES. É o relatório. Voto Fl. 70DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 4 Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A empresa demonstrou que tentou fazer duas vezes a sua opção pelo SIMPLES Nacional até 20/08/2007. A migração não foi automática e dependeu de manifestação da parte, pois a empresa estava cadastrada em CNAE que não a autorizava optar pelo SIMPLES. Em 18/07/2007 a empresa procedeu à alteração do CNAE. A recorrente estava ciente dessa situação tanto que a manifestou desde o seu primeiro pedido de inclusão no SIMPLES. Contudo, a Lei Complementar 123/06 exige que, para que a pessoa faça a opção ao SIMPLES Nacional, ela atenda a todas as condições precedentes, dentre elas, não exercer atividade vedada. Nessa medida, a recorrente precisaria demonstrar que, no período de vigência do SIMPLES Nacional, ela jamais exerceu a atividade vedada, apesar de ela constar do Contrato Social e CNPJ. Logo, pelo menos desde 01/07/2007, a empresa não deveria mais exercer atividade vedada ao SIMPLES. Embora a empresa tenha alegado que jamais prestou a atividade objeto do referido CNAE, não comprova o quanto alega, notadamente para os dias 01/07/2007 a 18/07/2007, o que poderia ser feito pela apresentação de notas fiscais, contratos, relação de funcionários e Códigos Brasileiros de Ocupação, etc. Na ausência dessa prova material, o Contrato Social acrescido do CNPJ são documentos públicos, que se aceitam como verossímeis, até prova em contrário. A presença desses documentos faz portanto com que o ônus da prova caiba a quem alega diferente (artigo 333 do Código de Processo Civil), ou seja, à contribuinte. Neste processo, a ausência de provas materiais me conduz a analisar as provas documentais e constatar que, de fato, não é viável deferir o pedido da contribuinte de inclusão no SIMPLES Nacional em 2007 pois, em 01/01/2007 ela não comprovou atender às condições necessárias para tanto. Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 71DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
score : 1.0
Numero do processo: 18008.000185/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO
Constitui infração deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua responsabilidade no prazo de 30 dias do início das atividades. Artigo 49, § 1º, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.353
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Artigo 49, § 1º, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 28/02/2003 e cientificado ao sujeito passivo em 14/03/2003, através de registro postal, em virtude do descumprimento do artigo 49, inciso II, parágrafo 1 , letra “b”, da Lei n. 8.212/91, por ter deixado de matricular, junto ao INSS, obra de construção civil de sua propriedade, no prazo de trinta dias do seu início, em 2001. O relatório fiscal de fl.02, diz que a obra referese a reforma do Hospital Universitário, que foi procedida a matrícula de ofício e foram anexadas as folhas de pagamento dos segurados que prestaram serviço na obra, às fls. 03/19. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 132/149, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo em síntese: a) que os diretores tem legitimidade para interpor recurso e por serem pessoas físicas estão dispensados do depósito recursal; b) que a autuação é nula porque as omissões tidas como existentes nas GFIP’s não foram especificadas de forma clara e precisa; c) que o crédito foi lançado por arbitramento, o que não aceita porque não há motivos para desconsiderar a contabilidade; d) que a contabilidade passa pelo crivo da auditoria da CVM; e) que não houve apresentação deficiente de folhas de pagamento; f) que por ser entidade filantrópica a contabilidade só passou a ser exigida após 1998; g) a nulidade do lançamento porque não é cabível a aferição indireta; h) que é necessária a realização de perícia para demonstrar a ilegalidade da aferição; i) a insubsistência do AI por falta de amparo legal; j) que a obra se refere a manutenção, não havendo exigência legal de matrícula; k) que as contribuições estavam em dia , não havendo infringência. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18008.000185/200811 Acórdão n.º 230201.353 S2C3T2 Fl. 2 3 Requer a nulidade do auto de infração, ou a sua relevação por ser primária e não ter agravantes. A nulidade da NFLD e a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conforme documento de fl.153, conheço do recurso e passo a seu exame. A entidade foi autuada por não ter matriculado a reforma procedida no Hospital Universitário, e sua propriedade. É obrigação da empresa matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade, dentro do prazo legal de trinta dias contados do início da mesma.conforme disposto no artigo 49, §1º, alínea “b” da Lei n.º 8.212/91. O INSS procederá à matrícula de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 dias contados do início de suas atividades. No caso presente, a fiscalização constatou que a obra iniciou em 03/2001, de acordo com os registros constantes das folhas de pagamento da autuada, mas não foi efetuada a matrícula da mesma, de forma que se mostrou procedente a autuação, nos termos da legislação acima citada: Art. 49. A matrícula da empresa será feita: (...) II perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no prazo de 30 (trinta) dias contados do início de suas atividades, quando não sujeita a Registro do Comércio. § 1º Independentemente do disposto neste artigo, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS procederá à matricula: a) de ofício, quando ocorrer omissão; b) de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo do inciso II. (...) § 3º O não cumprimento do disposto no inciso II e na alínea "b" do § 1º deste artigo, sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei. De acordo com a legislação vigente á época do fato gerador, Instrução Normativa INSS/DC N.º 18/2000, artigo 4º, temos o conceito de obra de construção civil: Art. 4º Para os efeitos deste ato, considerase: I obra de construção civil: a construção, a demolição, a reforma ou a ampliação de edificação, de instalação ou de qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, observado o disposto no § 1º. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18008.000185/200811 Acórdão n.º 230201.353 S2C3T2 Fl. 3 5 Portanto, a reforma realizada no prédio de propriedade da autuada estava sujeita à matrícula CEI. As demais alegações trazidas pela recorrente não se referem ao motivo desta autuação, razão pela qual não tomei conhecimento das mesmas. Este auto de infração não trata de aferição indireta, desconsideração de contabilidade ou omissões de fatos geradores na GFIP. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002864/2003-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. RESERVA LEGAL. JULGAMENTO DE MATÉRIA NÃO DEVOLVIDA.
O recurso especial da Fazenda Nacional apresentou divergência apenas na parte relativa à área de preservação permanente.
Acolhimento dos embargos opostos para rerratificar o Acórdão n. 920200.130, de 18 de agosto de 2009, para dele excluir a parte relativa à área de reserva legal.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-001.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão embargado, passando a negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. RESERVA LEGAL. JULGAMENTO DE MATÉRIA NÃO DEVOLVIDA. O recurso especial da Fazenda Nacional apresentou divergência apenas na parte relativa à área de preservação permanente. Acolhimento dos embargos opostos para rerratificar o Acórdão n. 9202 00.130, de 18 de agosto de 2009, para dele excluir a parte relativa à área de reserva legal. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão embargado, passando a negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 22/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração [fls. 196/208] opostos pelo Contribuinte em face do Acórdão n° 30300.130 [fls. 178/182], que deu provimento em parte ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para manter a tributação da área declarada como de reserva legal: Assunto; Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício; 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, s'omente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. O embargante alega, com espeque no art. 485, §1º, do CPC, que há erro no decisum proferido, pois o julgado considerou um determinado fato como inexistente (ausência de averbação da área de reserva legal), quando, deveras, consta dos autos evidência do registro. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10835.002864/200358 Acórdão n.º 920201.646 CSRFT2 Fl. 2 3 Por fim, sustenta que na eventualidade de ser superado o erro no julgamento de matéria não admitida do recurso, os embargos devem ser acolhidos para sanar o erro de fato, decorrente da não análise da prova de que houve a averbação da reserva legal antes do fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Tratase de Embargos de Declaração [fls. 196/208] opostos pelo Contribuinte em face do Acórdão n° 30300.130 [fls. 178/182], que deu provimento em parte ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para manter a tributação da área declarada como de reserva legal: Assunto; Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício; 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuído ré ato constitutivo da reserva legal; portanto, s'omente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. O embargante reputa que o objeto do recurso especial da Fazenda Nacional se restringiu à área de preservação permanente, nesse sentido, o julgado considerou um determinado fato como inexistente (ausência de averbação da área de reserva legal), quando, deveras, consta dos autos evidência do registro. Assim, segundo o embargante, contém erro material o trecho do acórdão embargado que deu provimento em parte ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para manter a tributação da área declarada como de reserva legal. Do cotejo entre o acórdão recorrido e os argumentos dispostos nos embargos opostos constato que o recurso deve ser acolhido, haja vista existência de erro material. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Dito isso, voto por acolher os embargos opostos para rerratificar o Acórdão n. 30300.130, de 18 de agosto de 2009, para dele excluir a parte relativa à área de reserva legal, passando, por conseqüência, a negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000919/2001-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E
COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62- do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI,
em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Numero da decisão: 9303-001.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido de votar. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 13 de julho de 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI que trata a Lei nº 9.363/96, referente ao ano de 2000, no valor de R$ 7.779.233,13. A Delegacia da Receita Federal de origem, ao analisar o pedido, o mesmo foi deferido parcialmente em função da glosa das aquisições de produto innatura, laranja adquirido de pessoas físicas, não sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, bem como energia elétrica, bagaço de cana, cavaco de madeira, óleo combustível, material de limpeza e serragem de madeira. Em sua Manifestação de Inconformidade a requerente ataca o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Araraquara, atacando inicialmente a inclusão do cálculo da receita operacional bruta os valores referentes a mercadorias exportadas pela requerente, adquiridas de terceiros, bem como a exclusão do cálculo do crédito presumido dos valores referentes às aquisições de matéria prima de pessoas físicas e cooperativas e referente aos demais insumos (energia elétrica, bagaço de cana, cavaco de madeira, serragem de madeira, óleo combustível, material de limpeza e reagentes químicos), apoiandose em jurisprudência deste Conselho de Contribuintes. Finalizando requer seja deferido o pedido de ressarcimento total dos valores pleiteados devidamente corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95. A DRJ/Ribeirão Preto, indeferiu a solicitação em decisão assim ementada: “Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e COFINS, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000919/200113 Acórdão n.º 930301.371 CSRFT3 Fl. 371 3 BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda.” Cientificada da decisão supra a contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário dirigido a este Colegiado reiterando suas razões já apresentadas nas peças anteriores. Julgando o feito, o Colegiado a quo, deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: IPI. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. O entendimento consolidado desta Câmara converge para o sentido de que a energia elétrica e combustíveis consumidos no processo produtivo não se caracterizam como produtos intermediários e como tal, seu consumo não poder ser incluído no cálculo do crédito presumido. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. BASE DE CÁLCULO. Em não sendo permitida a inclusão no cálculo do crédito presumido das receitas de exportação de produtos adquiridos para simples revenda, também não se justifica a inclusão destas receitas como receita operacional bruta. TAXA SELIC. Em se tratando o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a atualização dos créditos está devidamente reconhecida pelas normas legais e administrativas que regem a matéria. Recurso provido em parte. Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 335 a 351 quanto à questão da inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens efetuadas junto a não contribuintes do PIS e da Cofins pessoas físicas. Insurgiuse, também, a Fazenda Nacional quanto à incidência de Selic sobre os valores a ressarcir. Por meio do despacho de fls. 353/354, o especial fazendário foi admitido. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 357 a 368, defendendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000919/200113 Acórdão n.º 930301.371 CSRFT3 Fl. 372 5 contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e dou provimento ao recurso para admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, determinar a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). É como voto. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001872/00-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA
Ano-calendário: 1997
Ementa: PERC. SÚMULA CARF N° 37.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-000.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano-calendário: 1997 Ementa: PERC. SÚMULA CARF N° 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72.
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SÚMULA CARF N° 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. gar Otacilio Dantas axo - Presidente. Fran o de Sale ibeiro de Queiroz - Relator. Editado em: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano-calendário de 1997 (fl. 02), protocolizada em 18/10/2000 (fl. 01), o qual foi indeferido pela autoridade administrativa, sob a motivação de existência de débitos e contribuições federais, conforme despacho de fls. 154/155, cuja análise foi efetuada tomando- se como base a situação fiscal da contribuinte no momento da sua análise. Dessa forma, o deslinde da controvérsia cinge-se ao pronunciamento por este Colegiado acerca de qual seria o momento a ser considerado para a comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, quando do Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8 Regido Fiscal indeferiu a solicitação fon-nulada pela contribuinte, em razão de, no momento da análise do PERC, ter verificado que a situação fiscal da solicitante estava irregular, em face da existência de débitos não satisfeitos, constantes de sistemas eletrônicos de controle do conta-corrente da RFB, fato que entendeu ser impeditivo ao reconhecimento ou A. concessão de beneficios ou incentivos fiscais, ex vi do art. 60 da Lei n° 9.069/95. Ao apreciar a manifestação de inconformidade da contribuinte, a DRJ/Sdo Paulo I manteve o entendimento adotado pela DEINF/SP, consoante acórdão de fls. 453/458, no sentido de que 18. A ariálise da regularidade fiscal deve ser feita no instante ern que se está proferindo a decisão que lhe confere ou reconhece o beneficio, já que a decisão deve espelhar e estar em harmonia com a regularidade fiscal no momento em que é proferida. (fl. 457) e, mais adiante, que 21. (..) Portanto, os débitos em cobrança no SIEF, conforme se depreende da manifesta cão de inconfbrmidade, foram regularizados pela Interessada, de onde se infere que no momento da análise feita pela Autoridade Administrativa eles eram impeditivos da concessão do beneficio, motivo suficiente para o indeferimento do PERC. (fl. 458) Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário junto ao extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, combatendo os argumentos que até então fundamentaram o não atendimento ao seu pleito, argüindo que quando da protocolização do PERC apresentara certidão positiva com efeito de negativa, tanto da Receita Federal do Brasil quanto da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 17 e 18). A extinta Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do acórdão n° 107-09.202, na sessão de 18/10/2007 (fls. 600/606), prolatou decisão que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para emissão da "Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais", por entender que a contribuinte lograra demonstrar a sua regularidade fiscal em relação à quitação de tributos e contribuições federais, através da Processo n° 10882.001872/00-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.964 Fl. 5 colação aos autos da certidão positiva de débitos corn efeito de negativa, bem assim que débitos fiscais posteriores não justificariam o indeferimento do pedido. Aduziu o voto condutor que a exigência de quitação dos tributos devidos está vinculada ao momento em que o contribuinte faz a opção pelo incentivo, portanto a data da entrega da declaração de rendimentos, tendo ementado sua decisão nos seguintes termos: PERC — DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa corn Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação ã quitação dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido. Outrossim, concluiu que o sentido da lei não é impedir o usufruto do beneficio fiscal pelo contribuinte, porém de condicionar o deferimento do incentivo a quitação do débito. Com isso, mesmo na existência de débitos por ocasião da opção pelo incentivo, não haveria óbice ao deferimento do pleito, se o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal em relação a esses débitos, em qualquer fase do processo. Entendeu a decisão recorrida que em havendo os débitos encaminhados PGFN sido garantidos por fiança junto a. Justiça Federal, suspendendo, consequentemente, o curso da execução fiscal, conforme comprovantes juntados aos autos, e ainda que sendo os débitos constantes do extrato do S1EF posteriores a data da entrega da declaração de rendimentos, não haveria justificativa para o indeferimento do PERC. Insurgindo-se contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 609/612), trazendo a colação, como paradigma de divergência, o Acórdão n" 108- 09.173, de 08/12/2006 (fl. 613), cuja ementa traduz, sucintamente, o entendimento esposado pela recorrente, segundo a qual o despacho do PERC somente seria favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da "Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais", caso o mesmo esteja com situação regular perante a Receita Federal, na data do despacho, ou seja, se estiver ern condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa, nos termos da IN /I 0 93, de 26/1/93, na data do despacho (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n" 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho do PERC. 0 Despacho DEF107157049 200 (fls. 621/622), pronunciou-se pelo seguimento do recurso fazendario, eis que atendidos os pressupostos legais de admissibilidade. De outra parte a interessada aviou suas contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão hostilizada (fls. 628/640). o relatório. 3 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator 0 Recurso Especial foi devidamente analisado quanto h sua admissibilidade, nada mais havendo a acrescentar. Portanto, dele conheço. Ate que a matéria fosse pacificada, mediante a emissão da Súmula CARF n° 37, três eram as principais correntes de entendimento acerca do momento da comprovação da regularidade fiscal pelo contribuinte, corn vistas ao acolhimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. A primeira reportava-se à data da entrega da declaração de rendimentos. A segunda corrente pugnava pela exigência de regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo formulado pelo contribuinte e, por derradeira, considerava que o contribuinte deveria comprovar a sua regularidade fiscal na data em que a análise do PERC fosse efetuada pela repartição da Receita Federal do Brasil - RFB. Com a edição na sobredita Súmula CARF n° 37, a questão foi solucionada da forma corno se lê a seguir: SÚMULA VINCULANTE CARF N" 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n" 70.235/72. No caso sob análise, a situação enquadra-se perfeitamente nos ditames da supra transcrita Súmula CARF n° 37, que possui efeito vinculante, porquanto, consoante extrai- se do relatório, quando da protocolização do PERC a contribuinte apresentara certidão positiva com efeito de negativa, tanto da Receita Federal do Brasil quanto da Procuradoria da Fazenda Nacional (f.'s. 17 e 18). Asseverou, ainda, a decisão recorrida, que, em havendo os débitos encaminhados h. PGFN sido garantidos por fiança junto à Justiça Federal, suspendendo, consequentemente, o curso da execução fiscal, conforme comprovantes juntados aos autos, e ainda que sendo os débitos constantes do extrato do STEP posteriores à data da entrega da declaração de rendimentos, não haveria justificativa para o indeferimento do PERC. Considero, assim, que a decisão recorrida não merece reparo, razão pela qual, aplicando-se ao caso a Súmula CARP IV 37, nego provimento ao Recurso Especial. corno voto. Francisco de '.les Ribei o de Queiroz - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000702/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO.
Permitese
o crédito nãocumulativo
em relação aos valores da energia
elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total
constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços.
CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO.
Até 31/01/2004 não havia autorização legal para apropriação de créditos
sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em
imóveis próprios.
AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO.
À mingua de prova da aquisição de veículo escriturado no Ativo Imobilizado
da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à
despesa de depreciação do bem.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS.
A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura",
mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e
armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez
que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria
de origem animal ou vegetal (agroindústria).
VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL.
Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio
proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno,
aplicase
aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as
receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de
juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de
ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que davam
provimento parcial para autorizar o rateio de todas as despesas com direito a crédito.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CRÉDITO. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. Até 31/01/2004 não havia autorização legal para apropriação de créditos sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em imóveis próprios. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. À mingua de prova da aquisição de veículo escriturado no Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, não há como reconhecer o crédito de PIS relativo à despesa de depreciação do bem. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire de pessoa física e revende produtos "in natura", mesmo tendo realizado operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem (cerealista), não faz jus ao crédito presumido do PIS, uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que davam provimento parcial para autorizar o rateio de todas as despesas com direito a crédito. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 31/10/2005 a empresa AGRÍCOLA COLFERAI LTDA, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, relativo ao 2o trimestre de 2003. A autoridade administrativa competente indeferiu o pedido da interessada porque a interessada incluiu em seu pedido créditos das seguintes operações, tidos por indevidos: 1 aquisição de produtos farmacêuticos para revenda (tributação concentrada); 2 taxa de iluminação pública e outras despesas incluídas na nota fiscal de energia elétrica; 3 encargos de amortização de bens imóveis próprios e encargos de depreciação por falta de comprovação da aquisição de dois veículos; 4 devolução de vendas sujeitas à incidência não cumulativa e com alíquota zero; Fl. 797DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000702/200541 Acórdão n.º 330201.182 S3C3T2 Fl. 797 3 5 crédito presumido de aquisições de produtos agrícolas junto a pessoas físicas que a recorrente, cerealista que é, fez limpeza, padronização, secagem e armazenagem. Não há previsão legal para este tipo de crédito no período de apuração do pedido; 6 inclusão no rateio de créditos (exportação e mercado interno) que foram identificados como totalmente vinculados ao mercado interno. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0628.769, de 13/10/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA. Permitese o crédito nãocumulativo em relação aos valores da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e não o valor total constante da fatura da concessionária, onde são cobrados outros serviços. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/ DEPRECIAÇÃO. IMÓVEL PRÓPRIO. Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 foi autorizada a apropriação de créditos sobre encargos de amortização decorrentes de benfeitorias realizadas em imóveis próprios. AQUISIÇÕES DE VEÍCULOS. GASTOS COM OBRAS. COMPROVAÇÃO. O aproveitamento de créditos no sistema de nãocumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, fica condicionada à comprovação dos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados ã pessoa jurídica domiciliada no pais. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA’ ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica que adquire produtos "in natura" de pessoas físicas residentes no Pais, realizando operação de limpeza, secagem, padronização e armazenagem para futura comercialização (cerealista), não faz jus ao crédito presumido (Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º), uma vez que não se enquadra na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria). VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 798DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos apurados no sistema de nãocumulatividade do PIS/Pasep, por expressa vedação legal. Ciente desta decisão em 01/11/2010, a interessada ingressou, no dia 18/11/2010, com o recurso voluntário de fls. 747/779, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 com relação ao rateio das despesas vinculadas a receitas no mercado interno e a receitas de exportação a decisão recorrida fez uma interpretação pessoal e isolada posto que não existe nenhuma norma que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita. A opção pelo forma de rateio é do contribuinte. 2 a totalidade da fatura de energia elétrica tratase de despesas com energia elétrica e sobre ela incide PIS e Cofins; 3 os veículos FIAT Strada e Volvo os mesmos foram adquiridos com amparo em documentação fiscal, contabilizados e utilizados em atividades da recorrente. Portanto, tem direito ao crédito relativo à despesa de depreciação dos mesmos; 4 a autoridade equivocouse quanto ao direito ao crédito nas despesas de depreciação incidentes sobre os bens “Constr Base 02 Silos Cap 3000 Ton” e “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” porque os incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 autoriza o referido crédito; 5 os §§ 5º e 10º do art. 3º da Lei nº 10.637/02, antes da sua revogação pela Lei nº 10.925/2004, autorizava a escrituração de crédito presumido nas aquisições de produtos in natura diretamente de pessoas físicas; 6 a recorrente atende aos dois requisitos do § 10 acima citado, já que produz mercadorias de origem vegetal ali referidas e efetua o processo de produção/industrialização na modalidade de beneficiamento; 7 discorre sobre a intenção do legislador na concessão do crédito presumido; 8 pleiteia a correção monetária do valor pleiteado por está a cinco anos aguardando a um posicionamento da administração e se não for corrigido o seu crédito ficará caracterizado enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Discorre sobre a natureza do ressarcimento para concluir que é uma espécie de restituição e, portanto, sujeita à incidência dos juros Selic. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 799DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000702/200541 Acórdão n.º 330201.182 S3C3T2 Fl. 798 5 Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivo legais de regência. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos de PIS Exportação, apurado no regime da Lei nº 10.637/02, relativo ao 2º trimestre de 2003. Efetuado a diligência fiscal para comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, a autoridade diligente efetuou glosas de créditos sobre as seguintes despesas: 1 aquisição de produtos farmacêuticos para revenda (tributação concentrada); 2 taxa de iluminação pública e outras despesas incluídas na nota fiscal de energia elétrica; 3 encargos de amortização de bens imóveis próprios e encargos de depreciação de veículos cuja propriedade não fora comprovada; 4 devolução de vendas sujeitas à incidência não cumulativa com alíquota zero. 5 crédito presumido de aquisições de produtos agrícolas junto a pessoas físicas que a recorrente, cerealista que é, fez limpeza, padronização, secagem e armazenagem. Não há previsão legal para este tipo de crédito no período de apuração do pedido; 6 inclusão no rateio de créditos (exportação e mercado interno) que foram identificados como totalmente vinculados ao mercado interno. A empresa recorrente reconhece a procedência da glosa a que se refere os itens 1 (um) e 4 (quatro) acima e contesta as demais, pelas razões relacionadas no relatório. A decisão de primeiro grau indeferiu o pleito da recorrente e manteve as glosas efetuadas pela autoridade administrativas, nos termos dos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, que entendo procedentes e ratifico. Passemos ao exame do mérito das razões do recurso voluntário. Com relação ao rateio das despesas vinculadas a receitas no mercado interno e a receitas de exportação a recorrente que a autoridade administrativa fez uma interpretação pessoal e isolada porque não existe nenhuma norma que estabeleça que a vinculação dos créditos aos tipos de receita deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a vinculação exclusiva dos créditos a cada tipo de receita e, no seu entender, a legislação autoriza Fl. 800DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 o rateio integral de todas as despesas, citando como fundamento legal o art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.637/02, que abaixo se transcreve. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se questiona que é a empresa que escolhe o método de rateio: (i) apropriação direta ou (ii) rateio proporcional. No caso a empresa recorrente fez a opção pelo rateio proporcional. Conforme está claramente dito no inciso II, acima reproduzido, o rateio proporcional aplica “aos custos, despesas e encargos comuns” e não a todas as despesas. Portanto, ao contrário do alegado, é a recorrente que fez uma interpretação pessoal e isolada e as disposições legais acima reproduzidas autorizam o rateio exclusivamente das despesas comuns aos tipos de receita auferida. A vista do exposto, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Também não merece acolhida as razões da recorrente para creditarse do valor total da fatura emitida pelo fornecedor de energia elétrica. A lei autoriza o crédito relativo às despesas de energia elétrica consumida no estabelecimento da recorrente1 e não em relação ao valor total da fatura (ou nota fiscal) emitida pela empresa fornecedora de energia elétrica, que pode conter venda de outros serviços ou receita de terceiros. Aqui também não há reparos a fazer na decisão recorrida. A recorrente alega que os veículos FIAT Strada e Volvo foram adquiridos com amparo em documentação fiscal e contabilizados regularmente. Sua alegação, no entanto, continua desacompanhada das notas fiscais de aquisição desses veículos. Estas notas fiscais foram, inclusive, solicitadas no curso da diligência. À mingua de prova da regular escrituração dos referidos bens no Ativo Imobilizado da recorrente, não há como acolher seus argumentos para reconhecer o crédito relativo às despesas de depreciação. 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 801DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13982.000702/200541 Acórdão n.º 330201.182 S3C3T2 Fl. 799 7 Ainda sobre este tópico, a recorrente alega que a autoridade administrativa equivocouse quanto ao direito ao crédito nas despesas de depreciação incidentes sobre os bens “Constr Base 02 Silos Cap 3000 Ton” e “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” porque os incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637/2002(abaixo transcritos) autorizam o referido crédito Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; A recorrente trata as despesas glosadas como se fossem despesas de depreciação e, conforme se pode constatar no relatório da diligência, tratase de despesas com benfeitorias em imóveis próprios. Para este tipo de despesa não existia, à época do período de apuração objeto deste pedido, previsão legal para aproveitamento do crédito, conforme bem disse a decisão recorrida. Alega a recorrente que §§ 5º e 10º do art. 3º da Lei nº 10.637/02, antes da sua revogação pela Lei nº 10.925/2004, autorizava a escrituração de crédito presumido nas aquisições de produtos in natura diretamente de pessoas físicas. O Julgador relator do voto condutor do acórdão recorrido relaciona toda legislação pertinente à matéria e por ela fica claro que a pessoa jurídica cerealista (aquela que adquire cereais e os revende, efetuando, eventualmente, a secagem, a limpeza e a classificação dos mesmos), a que se refere a legislação do PIS e da Cofins, não tem direito ao crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas, nem antes e nem depois da edição da Lei nº 10.925/04, sendo certo que nas vendas realizadas por ela cerealistas, a partir de fevereiro de 2004, às pessoas jurídicas citadas no art. 8º da Lei nº 10.925/04, há a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins (§ 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04) nestas operações. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.327/02 se refere a pessoas jurídicas “produtoras” de mercadorias de origem vegetal e a recorrente não produz mercadoria alguma de origem vegetal: ela simplesmente adquire as mercadorias de produtos rurais e as revende a terceiros. O fato de secar, limpar e padronizar os grãos que adquire não a torna uma produtora rural de grãos (café, milho, soja, etc.) e muito menos uma produtora de “mercadoria de origem animal ou vegetal” destinada a consumo humano ou animal, a que se refere o dispositivo legal acima citado. Ela compra e revende grãos, uma atividade tipicamente comercial. Quanto à correção monetária no ressarcimento pleiteado, há expressa vedação legal que o administrador tributário, aí incluído a autoridade julgadora, dela não pode se afastar. Portanto, sem respaldo legal a pretensão da recorrente. Fl. 802DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 803DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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