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Numero do processo: 16349.000253/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.367
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2002 A 31/12/2002 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 53 /2 00 8- 48 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16349.000253/200848 Acórdão n.º 3201003.367 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.900, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16349.000253/200848 Acórdão n.º 3201003.367 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004392/2004-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. ACADEMIA DE DANÇAS. OPÇÃO PELO SIMPLES. POSSIBILIDADE.
Atividade exercida pela recorrente, pequena sociedade empresária de "Academia de Dança", não envolvendo profissionais de nível superior ou que dependam de profissões regulamentadas, não é impeditiva de opção pelo SIMPLES, nos termos do disposto na Lei nº 9.317, de 05/12/1996.
Numero da decisão: 1301-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. ACADEMIA DE DANÇAS. OPÇÃO PELO SIMPLES. POSSIBILIDADE. Atividade exercida pela recorrente, pequena sociedade empresária de "Academia de Dança", não envolvendo profissionais de nível superior ou que dependam de profissões regulamentadas, não é impeditiva de opção pelo SIMPLES, nos termos do disposto na Lei nº 9.317, de 05/12/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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ACADEMIA DE DANÇAS. OPÇÃO PELO SIMPLES. POSSIBILIDADE. Atividade exercida pela recorrente, pequena sociedade empresária de "Academia de Dança", não envolvendo profissionais de nível superior ou que dependam de profissões regulamentadas, não é impeditiva de opção pelo SIMPLES, nos termos do disposto na Lei nº 9.317, de 05/12/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 43 92 /2 00 4- 07 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 1301002.769 S1C3T1 Fl. 133 2 Relatório Por bem resumir o litígio, transcrevo o relatório do Acórdão 30239.893, complementandoo ao final: Adoto como parte de meu relato, o quanto relatado pela autoridade julgadora a quo: Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório 560.207, de 07 de agosto de 2003 (fl.03), em virtude de o contribuinte exercer atividade econômica não permitida – Código CNAE 92312/99 (outros serviços especializados ligados às atividades artísticas). Cientificado da exclusão em 25/08/2004 (fl.09), o contribuinte apresentou solicitação de revisão da exclusão do Simples (SRS) em 02/09/2004 (fls. 01), alegando, em síntese, que o ensino de dança não exige professor com registro em conselho regional, nem com formação de nível superior, e pode ser praticado por qualquer pessoa que goste de dança. A SRS, por não se tratar de matéria decorrente de erro de fato, segundo a DRF/Campinas, foi tomada como manifestação de inconformidade, e diretamente remetida por aquela unidade a esta DRJ (fl. 18). A DRJ em CAMPINAS/SP indeferiu o pedido da interessada, mantendo o Ato Declaratório do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal que excluiu a empresa do Simples, e o julgado ficou com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 ACADEMIA DE DANÇA. VEDAÇÃO. As pessoas jurídicas que prestem serviço de ensino de dança não podem optar pelo Simples. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 23 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação e aduz que a LC nº 123/2007, que trata do SUPERSIMPLES, expressamente inclui a atividade da recorrente no elenco de atividades que podem optar pelo SIMPLES, art. 17, § 1º, XX. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para a apreciação deste Colegiado, conforme despachos de fls. 41/42. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 1301002.769 S1C3T1 Fl. 134 3 Levado a julgamento, o colegiado proferiu o Acórdão 30239.893, cuja redação de sua ementa muito bem resume o entendimento firmado: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE APLICÁVEL A ATO AINDA NÃO JULGADO DEFINITIVAMENTE. A exclusão do contribuinte do regime especial de tributação do SIMPLES não pode prosperar, uma vez que no curso do julgamento do ato administrativo sobreveio lei que trata da matéria, e nela consta, literalmente, que a atividade praticada pela recorrente (academia de dança, de atividades físicas e desportivas) não se constitui em vedação à opção pelo indigitado regime especial de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial e a 1ª Turma da CSRF proferiu o Acórdão 9101001.602 dando provimento parcial ao recurso para afastar a retroatividade da Lei Complementar do Simples Nacional e determinar o retorno ao Colegiado recorrido para exame das matérias questionadas no recurso voluntário. Em seguida, os autos foram submetidos a novo sorteio. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 1301002.769 S1C3T1 Fl. 135 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário já foi conhecido quando da prolação do Acórdão 302 39.893 posteriormente reformado parcialmente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Trata a presente lide de discussão a respeito de exclusão da Recorrente do Simples Federal (Lei nº 9.317, de 1996), por supostamente exercer atividade vedada. Segundo a decisão de primeira instância, a exclusão da recorrente deve ser mantida com fulcro no inciso XIII do artigo 9° da Lei nº 9.317, de 1996, in verbis: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Segundo o colegiado a quo, a Recorrente desenvolveria atividade relacionada ao ensino da dança, privativa de professor. A Recorrente refuta tal alegação, argumentando que a prática não exigiria habilitação específica. Entendo assistir razão à Recorrente. O objetivo da norma foi excluir da sistemática do Simples as atividades que requeiram conhecimento especializado, conclusão que se pode extrair da referência a "habilitação profissional legalmente exigida", contida no inciso XIII do artigo 9°, da Lei 9.317/96, acima transcrito. Nesse contexto, a meu ver, deve ser interpretado o conteúdo da expressão "professor". Assim, apenas aquele que possua e transmita conhecimento técnico especializado está incluído no conceito de "professor" para os fins da norma ora tratada. Na espécie, o ensino da dança, até o momento, não consiste em atividade profissional legalmente regulamentada, podendo ser exercido por qualquer pessoa que tenha dominado a técnica, ainda que de forma empírica, sem formação acadêmica específica. Vale mencionar que tal fato, alegado pela Recorrente, não foi contraditado pela autoridade fiscal ou pela DRJ. Logo, entendo que a atividade exercida pela Recorrente não pode ser equiparada àquela exercida por professor, no sentido conferido à expressão pela Lei 9.317/96, uma vez que não requer capacitação técnica ou formação acadêmica especifica, não consistindo, igualmente, em profissão legalmente regulamentada. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10830.004392/200407 Acórdão n.º 1301002.769 S1C3T1 Fl. 136 5 Vale referir que, ao examinar situação idêntica à tratada nos presente autos, decidiu este E. Conselho no mesmo sentido, no Acórdão 30335.093, de 30.01.2008, assim ementado: Atividade exercida pela recorrente, pequena sociedade empresária de "Academia de Dança", não exercida por profissionais de nível superior ou que dependam de profissões regulamentadas, não é impeditiva de opção pelo SIMPLES, nos termos da Lei 9.317 de 05/12/1996. Por fim, é importante ressaltar que em recente decisão (9101003.385 sessão de 05/02/2018) a 1ª Turma da Câmara Superior, por unanimidade de votos, analisando exatamente a situação das academias de dança frente ao inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 19996, decidiu que não havia vedação para que pudessem optar pelo Simples Federal. CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902315/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 05/04/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO.
Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
Numero da decisão: 2201-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 05/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 15 /2 00 6- 44 Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 270 2 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 44/53) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 36/39) que julgou não homologada a compensação pretendida pelo RECORRENTE por não conhecer o crédito tributário declarado em PER/DCOMP nº 07964.66266.270803.1.3.040138, relativo à compensação de débito de CPMF da 3ºsem/agosto/2003, no montante de R$ 384.226,01 com o crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, efetuada em 09/04/2003, no valor total do DARF recolhido de R$ 12.018.428,79. A partir desse ponto, considerando a clareza e didática do relatório dos fatos componentes do despacho de conversão do julgamento em diligência proferido por esta C. 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, acostado às fls. 756/761, passo a adotálo para relatar parte do presente relatório, na forma abaixo: “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 07964.66266.270803.1.3.040138, de fls. 06, apresentado pelo Contribuinte – BANCO SANTANDER – relativo à compensação de débito de CPMF da 3ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 384.226,01, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de IRRF, efetuado em 09/04/2003, sendo de R$ 12.018.428,79 o valor total do DARF recolhido. Por meio do Despacho Decisório de fls. 04, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008 Manifestação de Inconformidade, de fls. 02, aduzindo que: Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 271 3 A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 13/04/2009, pelo Acórdão nº 1621.040, de fls. 36 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 09/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. RETIFICAÇAO DA DCOMP. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, na forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendente de decisão administrativa na data da sua apresentação. O contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 43, em 29/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 44 e seguintes, em 29/05/2009, aduzindo: O Contribuinte é administradora de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. ∙ Em razão de auditoria interna a Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente e não apenas quando do resgate. Esta divergência de critérios resultou em falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houve resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação com outros tributos federais. Assim, a Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de CPMF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar, uma vez que apenas por equívoco o Contribuinte deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2002, o que resultou na Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 272 4 suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 122 e seguintes, o Contribuinte interpôs adendo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, bem como apresentar parecer de auditoria independente que demonstra a existência do crédito alegado. É o relatório. Em 16/07/2014, às fls. 740/743, o RECORRENTE protocolou manifestação informando que a RFB DEINF realizou análise conclusiva acerca da existência do seu direito creditório, após confrontar créditos e débitos no âmbito do sistema SICALC (folhas 1804 a 1818 do EDossiê 10080.000984/091320), vindo constatar a extinção total do valor que havia sido mantido em cobrança contra o si. Ato contínuo, diante das informações prestadas pelo RECORRENTE, esta Turma de Julgamento propôs a conversão do julgamento em diligência (fls. 756/761) para que a autoridade preparadora: i) verificasse a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como que procedesse à solicitação de outros documentos que entendesse necessários; ii) verificasse junto à DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito do RECORRENTE; iii) verificasse se os créditos não eram objeto de processo judicial; iv) promovesse relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Por sua vez, o RECORRENTE apresentou Memoriais ao Recurso Voluntário (fls. 763/776), nos seguintes termos: 1. Não há que se falar em renúncia ao direito de discussão administrativa em razão da propositura de demanda judicial que discuta seu direito creditório; 2. Não foi proposta demanda judicial para reconhecer o direito de crédito deste processo administrativo; 3. O fundamento da discussão judicial é o mesmo (erro na apuração do IRRF das operações do fundo VIP 38). Porém, são diferentes: (a) os períodos de apuração do crédito; (b) os pagamentos indevidos; (c) as PERDCOMP; (d) os tributos compensados; (e) os períodos de apuração dos tributos compensados são completamente distintos, o que afasta qualquer questionamento quanto renúncia do direito de discussão administrativa; 4. O erro cometido no preenchimento da DCTF, cuja retificação espontânea pelo RECORRENTE foi vedada pela RFB por já haver despacho decisório negando compensação pretendida, não pode ser utilizado como subterfugio para negar o direito subjetivo do Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 273 5 contribuinte em ter devolvido valores recolhidos a maior, sob pena de enriquecimento ilícito do erário; 5. Nestes casos, é dever da Administração Tributária (à luz do artigo 149, inciso V, e 150 do CTN) proceder com a revisão de oficio, conforme determina o Parecer Normativo PGFN 8/14; 6. A manifestação de inconformidade equipara se à impugnação administrativa, permitindo que o contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa, demonstre a existência do direito creditório pleiteado, por meio de todas as provas cabíveis; 7. Ao final, o RECORRENTE elencou todas as provas que já juntou aos autos que, no seu entender, demonstram a existência do seu crédito, como: i) Parecer DEINF emitido pelo DIORT, reconhecendo seu direito creditório ; 8. Por força do ingresso da ação anulatória 001758615.2010.4.03.6100, ajuizada pela RECORRENTE em face da União Federal, visando cancelar os débitos controlados nos PAs (16327.902325/200680, 16327.902311/200666 e 16327.904398/200614), a DEINF viu se compelida a analisar os argumentos e demais provas acerca do direito creditório fruto do erro na apuração do IRRF do Fundo VIP 38. Todos os cálculos do procedimento compensatório foram realizados no sistema SAPO (folhas 1.652 a 1.759 do EDossie 10080.000984/091320) Como resultado dessa análise, a DEINF, por meio do Chefe da DIORT, Auditor Fiscal Sr. Eduardo Cerqueira Leite, concluiu pela existência de praticamente todo o indébito pleiteado, com a manutenção de apenas uma pequena parte da cobrança; 9. O valor da exigência tributária mantida, segundo cálculos e critérios da própria DEINF, para todos os demais processos administrativos foi zero; 10. Após análise de todos os documentos carreados aos autos da mencionada ação anulatória, o perito judicial nomeado no processo, Sr. Aléssio Mantovani Filho, emitiu laudo atestando que o RECORRENTE pagou a maior a quantia de R$ 24.329.562,73 (em agosto/2003), apurada mediante recomposição de todo patrimônio líquido do fundo VIP 38, identificação do IRRF devido seguindo o critério de come cotas e comparação do resultado obtido com aquele erroneamente apurado inicialmente pelo RECORRENTE com base no regime de caixa; 11. . O relatório da auditoria independente informou a composição das aplicações do Fundo FIF VIP 38, bem como a evolução do patrimônio líquido e do resultado do período de 01/01/01 até 29/08/03, tendo definido o real valor devido a título de IRRF, em razão da alteração na sistemática de tributação feita pelo RECORRENTE, e concluiu reportando um indébito R$ 24.533.958,00 (em agosto/2003);; Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 274 6 12. . Os valores identificados pelo perito técnico judicial e pela empresa de auditoria independente foram suficientes para confortar e extinguir as compensações realizadas pelo RECORRENTE; 13. Ao final, requereu provimento ao recurso voluntário, com o reconhecimento do seu direito creditório e extinção das compensações realizadas, bem como dos débitos cobrados, além da baixa dos autos para realização de diligência, caso necessário. A pedido da PFN, requerido nos autos da ação anulatória 0017586 15.2010.4.03.6100 em razão do questionamento judicial levado a efeito pelo RECORRENTE, a DEINF/SPO foi instada a se manifestar acerca da validade da inscrição das dívidas reclamadas. O agente preparador vinculado à DIORTDEINF apresentou o Despacho Decisório de fls. 899/909, elaborado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos ligados ao fato em análise. A conclusão do aludido despacho considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Em razão disso, com fundamento no despacho mencionado, através do relatório de diligência, a DIORT/DEINF/SPO respondeu aos quesitos formulados por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF, tendo: i) confirmado que a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito tributário reclamado pelo RECORRENTE e, assim, homologou a DCOMP nº 07964.66266.270803.1.3.040138, controlada no presente processo, mas que, por falha da DIORT, esta deixou de implementar, na prática, os efeitos da decisão; ii) respondido o quesito 2 formulado por esta C. Turma, informando a existência de Despacho Decisório de Reconhecimento do Direito Creditório e homologação das compensações controladas no presente processo; iii) constatado que o crédito controlado no presente processo não é objeto de discussão judicial; e iv) proposto que a DIORT/DEINF/SPO procedesse à execução das compensações conforme constatações do Despacho Decisório proferido nos autos, proposta que foi aprovada e determinada no bojo do mesmo documento, sendo requerida, na sequência, ciência do seu teor ao RECORRENTE para, após decorrido o prazo com ou sem manifestação deste, os autos serem encaminhados a esta C. Turma, conforme fls. 910/919. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 275 7 Pela análise dos documentos produzidos ao longo deste procedimento e encartados aos autos, entendo os mesmos terem cumprido sua função de esclarecimento dos fatos e formação da convicção deste julgador (Dec. nº 70.235/72, art. 29), proporcionando aos autos condição de julgamento. Assim, passo a fazêlo. No curso do presente processo, ocorreram diligências para que o RECORRENTE apresentasse documentos relacionados ao deslinde dos fatos , bem como sobrevieram trabalhos fiscais, todos de extrema importância e relevância para o esclarecimento dos fatos e contribuição para o deslinde do caso. Merece destaque o Despacho Decisório de fls. 899/909, que por sua leitura se percebe ter sido confeccionado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos e documentos vinculados ao fato em análise (DARFs, manifestações fiscais e do RECORRENTE), o qual esclareceu e concluiu o quanto ocorrido neste processo e que, por conta disso, elejo para fundamentar as razões do voto. Vejamos. Decorre da análise do Despacho Decisório que o agente preparador vinculado à DIORTDEINF examinou todos os PER/DCOMPs do RECORRENTE, tendo vinculado as declarações de compensação com os respectivos pedidos de ressarcimento, identificando os tributos envolvidos, seus códigos de arrecadação, períodos de apuração, valores e vencimentos, todos resumidos no Quadro 01(fl. 899). Em seguida, foram indicadas as contas contábeis utilizadas para a composição da base de cálculo do IRRF no regime de competência no período em que se constatou diferenças de recolhimento do imposto pelo fundo de investimento (agosto/2000 a julho/2003), cujos dados foram extraídos dos balancetes mensais do RECORRENTE constantes do EDossiê nº 10080.000984/091320 e descritos nos itens A, B, C e D do Quadro 02 do despacho (fl., 901), cujos itens G e H informaram, respectivamente, a correta base de cálculo reconstituída e o valor do IRRF efetivamente devido. Ato contínuo, foram identificados os pagamentos de IRRF do período, com base nos relatórios apresentados pelo RECORRENTE e no acesso ao sistema da RFB, o qual confirmou os pagamentos reportados, dessa análise gerando o Quadro 03 (fls. 903/904). Posteriormente, foram realizadas as alocações possíveis, restando, todavia, saldos não extintos dos créditos tributários de IRRF recalculados, os quais foram, em momento seguinte, integralmente extintos, mediante alocação de outros pagamentos que haviam sido efetuados pelo RECORRENTE (estranhos ao caso), fato que embasou o despacho a declarar a extinção dos créditos tributários apurados conforme o correto regime de tributação. Em momento seguinte, o trabalho fiscal passou a checar a eventual extinção, por compensação, dos débitos informados pelo RECORRENTE nas suas declarações de compensação e pedidos de ressarcimento, os quais foram confrontados mediante processamento feito pelo sistema SAPO da RFB (folhas 1.652 a 1.759 do EDossiê nº 10080.000984/091320), com a relação de pagamentos confirmados também em sistema da RFB (reportados no Quadro 03), tendo como resultado as informações do Quadro 04 do despacho (fls. 906), que evidenciaram a extinção parcial ou total dos débitos do RECORRENTE. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 276 8 Após isso, o despacho trouxe o Quadro 05 (fls. 908), com o resultado da análise dos PER/DCOMP apresentados pelo RECORRENTE em face do indébito apurado no cálculo e no recolhimento indevido do IRRF em nome do Fundo de Investimento Financeiro VIP 38, cuja análise permite verificar não ter restado valor em aberto passível de cobrança com relação à PER/DCOMP nº 07964.66266.270803.1.3.040138, objeto de análise deste processo. Ao final, a conclusão do aludido despacho (que está registrada no EDossiê n° 10080.000.984/091320) considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Neste ponto, entendo que estas conclusões advindas do Despacho Decisório de fls. 899/909 são suficientes e comprovam realmente a validade do direito creditório do RECORRENTE, capaz de legitimar seus pedidos de compensação e extinguir seu débito. Dessa forma, pelo que foi exposto, tendo as autoridades fiscais competentes constatado a liquidez e certeza do crédito tributário relativo à DCOMP objeto de análise neste expediente, e restando comprovada a extinção do débito do RECORRENTE, entendo por dar provimento ao recurso voluntário. Contudo, cumpre fazer a ressalva de que o débito objeto do presente processo já foi extinto através do EDossiê nº 10080.000984/091320, tendo em vista que houve a homologação da compensação nos autos do mencionado processo. Conforme já explanado acima, a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito e, assim, homologou a compensação pleiteada pelo contribuinte. Neste sentido, resta configurado que o pedido do contribuinte já foi acatado nos autos do EDossiê nº 10080.000984/091320. É importante fazer a ressalva acima a fim de evitar o reconhecimento do crédito em duplicidade ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.902315/200644 Acórdão n.º 2201004.351 S2C2T1 Fl. 277 9 Fl. 944DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000062/2004-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SERVIÇOS ELÉTRICOS DE MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO.
A prestação de serviços elétricos de montagem de equipamentos, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996.
MONTAGEM DE REDE ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO.
A prestação de serviço de montagem de rede elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996.
MANUTENÇÃO ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO.
A prestação de serviço de manutenção elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996.
MONTAGEM DO PAINEL DA SALA DE MÁQUINA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO.
A prestação do serviço de montagem do painel da sala de máquina, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996.
ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO SOBRE CONSUMO DE ENERGIA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO.
A prestação do serviço de elaboração de laudo técnico sobre consumo de energia, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996.
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO.
É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
Numero da decisão: 9101-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SERVIÇOS ELÉTRICOS DE MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviços elétricos de montagem de equipamentos, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MONTAGEM DE REDE ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de montagem de rede elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MANUTENÇÃO ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de manutenção elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MONTAGEM DO PAINEL DA SALA DE MÁQUINA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação do serviço de montagem do painel da sala de máquina, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO SOBRE CONSUMO DE ENERGIA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação do serviço de elaboração de laudo técnico sobre consumo de energia, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
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LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviços elétricos de montagem de equipamentos, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MONTAGEM DE REDE ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de montagem de rede elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MANUTENÇÃO ELÉTRICA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de manutenção elétrica, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. MONTAGEM DO PAINEL DA SALA DE MÁQUINA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação do serviço de montagem do painel da sala de máquina, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO SOBRE CONSUMO DE ENERGIA. LEI Nº 9.317/1996. VEDAÇÃO. A prestação do serviço de elaboração de laudo técnico sobre consumo de energia, por depender de habilitação legalmente exigida, é incompatível com o regime de Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 00 62 /2 00 4- 56 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 170 2 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. APLICAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 110100.598, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE MONTAGEM E REPARAÇÃO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS . SERVIÇOS AUXILIARES E COMPLEMENTARES DA CONSTRUÇÃO CIVIL. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços de montagem e reparação de instalações elétricas, telefônicas e lógicas não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLES sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido: a) a Administração Tributária excluiu indevidamente a recorrida do regime do Simples em razão do exercício de atividade de construção civil e pela prestação de serviços de engenharia. Posteriormente, ao constatar que o motivo da exclusão não estava baseado nos fatos, os julgadores de primeira instância modificaram os fundamentos do ato declaratório da autoridade administrativa, alterando a atividade exercida pela pessoa jurídica, substituindo as anteriores pela prestação de serviços profissionais de engenharia de manutenção de equipamentos industriais; b) os documentos acostados aos autos revelam que a recorrida exerce atividade de prestação de serviços de instalações elétricas, atividade que não requer habilitação profissional legalmente exigida; Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 171 3 c) o Fisco não se desincumbiu do ônus de provar que os serviços prestados pela recorrida são vedados pela Lei nº 9.317/1996, para fins de adesão ao regime do Simples federal; d) a Fiscalização não comprovou que as atividades então exercidas pela Recorrida exigiam a interferência de engenheiro mecânico ou assemelhados; e) os serviços prestados pela recorrida não se ajustam às atividades de engenharia, em razão de sua inexpressiva complexidade; f) a jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes acolhia a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. Nesse sentido, as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos, antes excluídas do Simples federal em razão da equiparação com prestadoras de serviços de engenharia, tornaramse inseridas no mencionado regime. Ciência da decisão recorrida no dia 27/02/2012, à fl. 119. Recurso Especial da PGFN interposto no mesmo dia (fl. 152). Nessa oportunidade, sustenta que a atividade exercida pela recorrida era vedada ao ingresso no Simples, sob o regime da Lei nº 9.317/1996, apresentando, com vistas à comprovação da divergência, os acórdãos nº 30236709 e 202 12794, verbis: acórdão nº 30236709: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços elétricos de manutenção, projetos, assistência técnica, montagens e venda de materiais elétricos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96)” acórdão nº 20212794: “SIMPLES — EXCLUSÃO Mantémse a exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços de montagens elétricas, consertos de máquinas, aparelhos elétricos, eletrônicos e pesquisas, por serem considerados serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados (inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96).” Em seguida, a recorrente defende que a previsão de atividade vedada no objeto social da pessoa jurídica é o bastante para a exclusão do Simples, acrescentando que tal entendimento se extrai do acórdão nº 201212341: “SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA – I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurÍdica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9°, inciso XIII. da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento à ogção ao Sistema Integrado de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 172 4 Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” A Recorrente também se insurge contra a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006, trazendo, em seu apoio, o entendimento divergente que ressai dos acórdãos nº 30335326 e 380100111, verbis: acórdão nº 30335326: “Legislação Superveniente. Inclusão Retroativa. Impossibilidade. A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos a opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.” acórdão nº 380100111: “SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE DESIGN E DECORAÇÃO DE INTERIORES. É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de decorador, assemelhados aos prestados por arquiteto, nos termos do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96. A partir da vigência da Lei Complementar n° 128/2008, o objeto social da Recorrente não a impede de optar pelo Simples Nacional. RETROATIVIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em retroatividade da norma jurídica que dispõe sobre o instituto da exclusão do Simples quando, em função das atividades contidas em seu objeto social, a sociedade empresária não poderia ter optado pelo Simples, tendo em vista a existência do óbice contido no inciso XIII do art. 9° da Lei n°9.317/96.” A recorrente ainda avoca o acórdão nº 302.39613 com o fim de demonstrar a existência de posição interpretativa que segue a corrente segundo a qual o ônus da prova de que não exerce atividade vedada é do próprio contribuinte: “SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL_ FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRÁRIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada.” Por fim, a recorrente traz à baila o acórdão nº 39300004 para comprovar a existência de linha interpretativa que defende a ideia de que a configuração da atividade vedada remanesce, ainda que seja considerada de baixo grau ou de pouca complexidade: “SIMPLES. EXCLUSÃO. MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. SERVIÇO PROFISSIONAL DE ENGENHARIA OU ASSEMELHADO. A prestação de serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por ser atividade específica de engenheiro ou assemelhada, impede a opção pelo Simples.” Em relação ao acórdão nº 39300004, a recorrente destacou o seguinte trecho, assim aclarando a divergência exegética apontada: “ Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 173 5 “Montar e manutenir instrumentação industrial e elétrica para empresas é atividade inerente aos engenheiros da área correspondente, podendo, em casos de reduzida complexidade, ser prestada por técnicos especializados no assunto. Entretanto, nesses casos não restaria afastada a natureza da atividade prestada. se não própria, assemelhada à engenharia.” A defesa da Fazenda Nacional salienta que o contrato de constituição da pessoa jurídica prevê que a atividade econômica a ser exercida é a prestação de serviços elétricos em geral. In casu, tratase de atividade equiparada à de engenheiro, conforme Resolução do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – Confea – nº 218/1973. A Fazenda Nacional consigna a presença, nos autos, de cópias de notas fiscais de prestação de serviços elétricos. A recorrente também assinala: a vedação do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 não está jungido à exigência de habilitação profissional, embora, no caso em julgamento, a atividade exercida é a de engenheiro ou assemelhado; a recorrida teria que provar que não exerce a atividade vedada constante de seu contrato social, o que não ocorreu; para a configuração de atividade vedada pelo inciso XII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, é prescindível a constatação de um elevado grau de complexidade; não cabe a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006, sob pena de restar infringido o disposto no artigo 106 do CTN; as atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais; manutenção eletromecânica de veículos; montagem, manutenção de equipamentos eletrônicos e instalação de sistemas de comunicação e telecomunicação, não podem optar pelo Simples, nos termos da Lei nº 9.317/1996, pois são atividades típicas de engenheiro. Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que seja conhecido o presente recurso, dandose provimento, ao final, para reformar o acórdão recorrido, de forma a indeferir o pleito da recorrida, mantendose a exclusão do Simples. Ciência da Recorrida para apresentação de contrarrazões no dia 22/09/2015. Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 174 6 Consta no Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 38, de 4 de agosto de 2004, que a recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2002, em razão de atividade de engenharia ou assemelhados (inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996), bem como de atividade de construção civil (inciso V do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996). Tal ato não menciona o dia ou o período da ocorrência da irregularidade apontada. Todavia, considerando que as notas fiscais de fls. 12/17 concorreram para fornecer substrato fático ao aludido Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 38/2004, conforme Despacho Decisório de 21/07/2004, às fls. 21/22, podese inferir que o período das citadas ocorrências coincide com aquele que é revelado pelas indigitadas notas fiscais, isto é, entre julho/2002 e julho/2003. Registrese que essas notas fiscais retratam a prestação de dos tipos de serviços: a) os denominados "serviços elétricos nos filtros de manga"; b) serviços elétricos não especificados. É imperioso consignar, ainda, que a autoridade fiscal, escorandose no objeto social informado no contrato de constituição da sociedade, vislumbrou "indícios de prática de atividade vedada à opção ou permanência (sic) ao Simples, qual seja, a prestação de serviços elétricos em geral que caracterizaria prestação de serviço profissional de engenharia, e também atividade complementar da construção civil." Porém, segundo o relato do agente do Fisco, somente o exame das notas fiscais pôde eliminar as incertezas que o contrato social, por si só, não eliminaria, ao possibilitar a percepção, "de forma inequívoca", de que a atividade empresarial da recorrida incluía "atividade complementar na construção civil com serviços de engenharia." Nessa esteira, a autoridade fiscal proclamou, ao cabo, que a exclusão ora em debate produziria efeitos a partir de 01/01/2002, tendo em vista o disposto no inciso II do parágrafo único do artigo 24 da Instrução Normativa SRF nº 355/2003, verbis: “Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBin ario=0[...] http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBin ario=0Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBin ario=0I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBin ario=0II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.” Ora, a aplicação do inciso II do parágrafo único do artigo 24 da IN SRF nº 355/2003 supõe que a situação excludente tenha ocorrido até 31 de dezembro de 2001. No entanto, como já foi dito, as notas fiscais de fls. 12/17 se referem a ocorrências entre julho/2002 e julho/2003. Nessas circunstâncias, é impossível admitir que os fatos descritos nas aludidas notas fiscais sejam dotados de força jurígena para excluir a recorrida do regime do Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 175 7 Simples. Portanto, afastandose a situação refletida nas referidas notas fiscais do quadro exposto no Despacho Decisório, remanesce o objeto social do contrato de constituição da sociedade como causa da exclusão do regime do Simples. Logo, o presente julgamento devese concentrar na solução das seguintes questões que se assomam, no momento, já subtraídos os fatos patenteados nas notas fiscais às fls. 12/17: a) há prova de serviços elétricos prestados até o dia 31/12/2001?; b) a prestação de serviços elétricos "caracteriza a prestação de serviço profissional de engenharia, e também atividade complementar da construção civil". Com o indeferimento da manifestação de inconformidade, a recorrida interpôs recurso voluntário ao 3º Conselho de Contribuintes. Preliminarmente, a 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes expediu resolução para a realização de diligência destinada a apurar “a real atividade do contribuinte.” No relatório denominado Informação Fiscal, às fls. 104/109, o agente fiscal assim resumiu o que pôde coletar, ao realizar a diligência prescrita pela Turma recorrida, bem como as conclusões do trabalho: “Em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal o Contribuinte apresentou os documentos a seguir listados: Livro Caixa de 01/01/2002 a 31/12/2002; Livro de Registro de Empregados; Blocos de Notas Fiscais; NFs n° 401 a 450 emitidas de 08/01/2001 a 25/09/2001; NFs n° 451 a 500 emitidas de 04/10/2001 a 25/06/2002; NFs n° 651 a 700 emitidas de 25/10/2004 a 25/07/2005 ANÁLISE Conforme Alteração Contratual da empresa, fls 54 e 55, o objetivo da mesma é a prestação de serviços elétricos em geral. O mesmo se constata na especificação dos serviços executados constantes das Notas Fiscais apresentadas que ora citamos por amostragem fls 91 a 123 [rectius, 91 a 103]: NF 401 08/01/2001 Serviços Elétricos de Montagem dos Equipamentos da Mineração; NF 402 19/01/2001 Rede Elétrica de aproximadamente 200m; Rede com Cabo de Fibra Ótica "espinada" (sic) com cabo de aço 3/16 de aproximadamente 200m; NF 403 25/01/2001 Manutenção Elétrica durante o mês de Janeiro; Horas Extras durante a reforma A.F.l; NF 404 25/01/2001 Manutenção Elétrica durante o mês de Janeiro; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 176 8 NF 407 01/02/2001 Montagem do Painel da sala de máquina A.F.I colocando cada máquina com partida individual; NF 408 01/02/2001 Laudo Técnico sobre consumo de energia dos Setores que não fazem parte do sistema produtivo; NF 414 02/03/2001 Reparo na Iluminação externa do acampamento; Manutenção corretiva e preventiva nos painéis das usinas de solo e asfalto; NF 472 25/01/2002 Troca de 2 pararaios 15KV AFI, instalação de 3 relés no disjuntor AT da Lagoa e reparo na rede AT A.F.II; NF 473 25/01/2002 Manutenção Elétrica durante o mês de janeiro; NF 474 05/02/2002 Serviços Elétricos no acampamento; Serviços Elétricos no escritório; Manutenção Corretiva e Preventiva nas usinas de solo e asfalto; NF 654 01/11/2004 Serviços de Montagem de painéis em nossa oficina; NF 661 25/11/2004 Memória de calculo para parametrização do relé secundário na cabine de medição; NF 662 24/12/2004 Serviço Elétrico de assistência e plantão. Os segurados empregados, em quase sua totalidade, foram contratados pela empresa para exercer a função de Eletricista ou Auxiliar de Eletricista conforme LRE Livro de Registro de Empregados fls 77 a 90. [...] IV CONCLUSÃO O exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas dela provenientes no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ao Simples, uma vez que não há previsão legal para o pagamento de tributos da forma que poderíamos denominar mista, isto é, parte segundo as regras do sistema tradicional e parte consoante as normas do Simples. De todo o exposto, concluímos que o Contribuinte desenvolveu, no período de 2002 A 2004, atividades atinentes à profissão de engenheiro, tecnólogo ou técnico de grau médio, profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” (grifei) Com efeito, as notas fiscais nº 401, 402, 403, 404, 407, 408 e 414, às 91/97, comprovam os serviços elétricos contemplados no objeto social, prestados até 31/12/2001. No passo subsequente, cabe responder se tais serviços caracterizam a prestação de serviço profissional de engenharia e também atividade complementar da construção civil. Diante disso, é preciso sublinhar o disposto nos artigos 1º e 7º da Resolução nº 218, de 9 de janeiro de 1973, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – Confea, para delinear o círculo de atribuições do engenheiro civil, verbis: “Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 177 9 [...] Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; [...] Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; [...] Art. 7º Compete ao ENGENHEIRO CIVIL ou ao ENGENHEIRO DE FORTIFICAçãO e CONSTRUÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos. Nesse sentido, os serviços de construção civil compreendem quaisquer atividades arroladas nos 01 a 18 da Resolução Confea nº 218/1973, quando referentes a edificações; estradas; pistas de rolamentos; aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos; rios; canais; barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas. As notas fiscais nº 401, 402, 403, 404, 407, 408 e 414, já destacadas, descrevem serviços elétricos que podem ter sido prestados no âmbito da construção civil, aqui entendida segundo o significado delineado no parágrafo precedente. Todavia, os autos são carentes das evidências de que os serviços descritos naquelas notas fiscais foram efetivamente consumidos no contexto da construção civil. Assim, uma vez rechaçada a correspondência entre os serviços representados nas notas fiscais suprarreferidas e as atividades da construção civil, por falta de prova, resta examinar se é possível estabelecer um paralelismo entre tais serviços e qualquer outra atividade profissional de engenharia. Para tanto, recorrese, dessa feita, aos artigos 1º e 8º da antedita Resolução Confea nº 218/1973, para o fim de balizar o círculo de atribuições do engenheiro eletricista, verbis: “Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: [...] Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; [...] Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 178 10 Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; [...] Art. 8º Compete ao ENGENHEIRO ELETRICISTA ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETROTÉCNICA: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes à geração, transmissão, distribuição e utilização da energia elétrica; equipamentos, materiais e máquinas elétricas; sistemas de medição e controle elétricos; seus serviços afins e correlatos.” Tenhase em conta que as atividades especificadas nos itens nº 11, 14, 15, 16 e 17 do artigo 1º da Resolução Confea nº 218/1973 amoldamse à alínea "g" do caput do artigo 7º da Lei nº 5.194/1966, verbis: "Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas e de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisa, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; f) direção de obras e serviços técnicos; g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agropecuária." Já o parágrafo único do artigo 8º da Lei nº 5.194/1966 prevê que as pessoas jurídicas poderão exercer as atividades arroladas no artigo 7º da mesma lei, contanto que haja a participação efetiva e declarada de profissional legalmente habilitado no Conselho Regional de Engenharia: "Art. 8º As atividades e atribuições enunciadas nas alíneas "a", "b", "c", "d", "e" e "f" do artigo anterior são da competência de pessoas físicas, para tanto legalmente habilitadas. Parágrafo único As pessoas jurídicas e organizações estatais só poderão exercer as atividades discriminadas no Art. 7º, com exceção das contidas na alínea "a", com a participação efetiva e autoria declarada de profissional legalmente Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 179 11 habilitado e registrado pelo Conselho Regional, assegurados os direitos que esta Lei lhe confere." No mesmo rumo, não se pode esquecer do técnico industrial de nível médio, aquele que, na forma da Lei nº 5.524/1968, tenha sido diplomado por escola oficial autorizada ou reconhecida, de nível médio, regularmente constituída nos termos da Lei nº 4.024/1961, após concluir um dos cursos de ensino técnico industrial. Coube ao artigo 4º da Lei nº 5.524/1968 estipular que as atribuições do técnico industrial de nível médio somente podem ser exercidas por profissional legalmente habilitado e registrado no respectivo Conselho Profissional (artigo 13 do Decreto nº 90.922/1985). Ao seu turno, o Decreto nº 90.922/1985, ao regulamentar a Lei nº 5.524/1968, dispôs no sentido de que o técnico industrial tem atribuição para: a) executar e conduzir a execução técnica dos trabalhos de sua especialidade, bem como orientar e coordenar equipes de execução de instalações, montagens, operação, reparos ou manutenção (artigo 4º, inciso I); b) executar, fiscalizar, orientar e coordenar diretamente serviços de manutenção e reparo de equipamentos, instalações e arquivos técnicos específicos, bem como conduzir e treinar as respectivas equipes (artigo 4º, inciso III); c) dar assistência técnica na compra, venda e utilização de equipamentos e materiais especializados, assessorando, padronizando, mensurando e orçando (artigo 4º, inciso IV); d) prestar assistência técnica e assessoria no estudo de viabilidade e desenvolvimento de projetos, exercendo, dentre outras, as seguintes atividades (artigo 4º, inciso II): 1) coleta de dados de natureza técnica; 2) desenho de detalhes e da representação gráfica de cálculos; 3) elaboração de orçamento de materiais e equipamentos, instalações e mãodeobra; 4) detalhamento de programas de trabalho, observando normas técnicas e de segurança; 5) aplicação de normas técnicas concernentes aos respectivos processos de trabalho; 6) execução de ensaios de rotina, registrando observações relativas ao controle de qualidade dos materiais, peças e conjuntos; 7) regulagem de máquinas, aparelhos e instrumentos técnicos. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 180 12 Por fim, recordese dos tecnólogos de nível superior de que trata a Resolução Confea nº 313/1986: são profissionais egressos de cursos de 3º Grau cujos currículos, fixados pelo Conselho Federal de Educação, na forma do artigo 23 da Lei nº 5.540/1968, foram dirigidos ao exercício de atividades nas áreas abrangidas pela Lei nº 5.194/1966. A atuação profissional, também nesses casos, está subordinada à habilitação legal e registro no Conselho Regional de Engenharia, a teor do artigo 7º da precitada Resolução Confea nº 313/1986. Em face do exposto, ainda que os serviços relacionados nas notas fiscais nº 401, 402, 403, 404, 407, 408 e 414 não sejam reservados a engenheiros, já que podem ser prestados também por técnicos de nível médio e tecnólogos de nível superior, é indubitável que, na forma da lei, tais notas fiscais refletem, sim, a prestação de serviço profissional de engenharia, afinal serviços elétricos de montagem dos equipamentos da mineração (NF nº 401); montagem de rede elétrica de aproximadamente 200 m, com cabo de fibra ótica "espinada" (sic) com cabo de aço 3/16, de aproximadamente 200 m (NF nº 402); manutenção elétrica (NF nº 403 e 404); montagem do painel da sala de máquina A.F.I, colocando cada máquina com partida individual (NF nº 407); e manutenção corretiva e preventiva nos painéis das usinas de solo e asfalto (NF nº 414), correspondem às atividades nº 11, 16 e 17 do artigo 1º da Resolução Confea nº 218/1973. Já a elaboração de laudo técnico sobre consumo de energia dos setores que não fazem parte do sistema produtivo (NF nº 408) se ajusta à atividade nº 13 produção técnica e especializada do comentado artigo 1º da Resolução Confea nº 218/1973. Em suma, não há erro no aludido Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 38/2004, quanto às referências a serviços de engenharia. Entretanto, o que se deve ressaltar é que, seja pela realização de atividade de engenharia, ou assemelhada, seja pela exigência de habilitação legal para a execução dos serviços prestados, a recorrida não pode permanecer no regime do Simples, em atendimento ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Ademais, a jurisprudência do CARF que se consolidou na Súmula nº 81 do CARF rejeita a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/1986, verbis: “Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.” CONCLUSÃO: conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13609.000062/200456 Acórdão n.º 9101003.384 CSRFT1 Fl. 181 13 Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.978998/2009-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 3002-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 98 /2 00 9- 91 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação (Per/Dcomp), na qual a contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido de Cofins, por meio de Darf no valor de R$ 6.209,80, relativo ao período de apuração de maio/2004, e na qual solicita compensar R$ 2.561,28 com débito de CSLL relativo ao 3º trimestre de 2005. Por meio de despacho decisório à fl1. 6, a unidade de origem indeferiu o pedido porque concluiu que o crédito relativo ao Darf havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização de compensação da CSLL. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 8 a 45), na qual alegou haver cometido erro no preenchimento de sua DCTF. Entretanto, sua impugnação consistiu nessa alegação, acompanhada de cópia do Darf (fl. 13) e da DCTF retificadora (fls. 23 a 38), sem outro documento que se prestasse a comprovar o alegado erro no preenchimento da declaração ou o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento proferiu o acórdão nº 1634.817 (fls. 47 a 52), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão que não homologou a compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP, se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração 1 A numeração informada segue a que foi atribuída pelo eprocesso, e não a realizada manualmente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 4 3 Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 54 a 94), no qual apresentou as seguintes alegações: · a contribuinte pagou indevidamente a Cofins, uma vez que a alíquota da contribuição havia sido reduzida a zero, por meio da Lei nº 10.925, de 2004, e tal pagamento "não se fazia mais idôneo em virtude de Lei anterior que beneficiava a recorrente"; · apesar de a DCTF constituir uma confissão de dívida, não poderia a DRJ afastar o direito da contribuinte à compensação, tendo em vista sua boafé em declarar o débito e pagar uma contribuição que já não devia mais, mas o fez por desconhecimento da alteração de alíquota; · o fato de a contribuinte ter retificado a DCTF após o pedido de compensação não pode ser utilizado como fundamento para negar o pedido de compensação, uma vez que o direito existe; · em relação à alegação pela DRJ de que a DCTF retificadora, por si só, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, juntase ao recurso voluntário "cópia das fls. 64 e 65 do Livro Diário n. 12 da empresa (DOCUMENTO N. 5) e fls. 20, 39 e 54 do Livro Diário n. 13 (DOCUMENTO N. 6) que atestam a veracidade das retificações realizadas"; · entende haver demonstrado seu direito creditório tanto pelo aspecto legal quanto pelo documental, o que não estava suficientemente claro neste processo até então; e · a contribuinte entende que não deve prosperar o entendimento de que a prova documental só pode ser apresentada no momento da impugnação, tornando precluso o direito de fazêlo em momento posterior, tendo em visto os princípios que regem o processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Como abordado pelo próprio contribuinte no recurso voluntário, apenas nesta fase processual esclareceuse qual seria a natureza do alegado direito creditório, com a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 5 4 explicação de que o equívoco no preenchimento de sua DCTF consistiu em informar um débito de Cofins que já não era mais devido desde a publicação da Lei nº 10.925/2004 (conversão da MP nº 183/2004), que reduz a zero a alíquota da contribuição incidente sobre a receita de venda no mercado interno de adubos, sementes e outros produtos utilizados na atividade agropecuária, relacionados no art. 1º. Quanto à documentação comprobatória, agiu a recorrente da mesma forma, providenciando somente agora, nesta fase processual, a juntada de cópias do Livro Diário, referentes ao consolidado do mês 08/2005 (fls. 87 e 88), 03/2006 (fls. 91), 05/2006 (92) e 07/2006 (fl. 93). Cumpre destacar que algumas folhas estão parcialmente ilegíveis e que parecem não abranger toda a movimentação do mês. Protesta a recorrente para que não se entenda precluso o seu direito à juntada de provas, sem apresentar qualquer justificativa para o fato de fazêlo tardiamente – apenas invoca princípios do processo administrativo. Por certo que está precluso o direito de juntar provas, bastando que se leia os dispositivos legais pertinentes para que se adote tal conclusão. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) assim dispõe quanto à impugnação ou manifestação de inconformidade: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) No presente caso, tanto as provas quanto os motivos de direito só vieram a ser apresentados no recurso voluntário. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 6 5 Acrescentese que nos pedidos de restituição, ressarcimento e compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do que se pleiteia é do requerente, estando tal disposição presente nas instruções normativas da RFB que tratam do tema e em diversos diplomas legais, tais como: Código de Processo Civil (CPC) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Lei nº 9.874, de 1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Dito isso, ressalvase que haveria situações em que se poderia aceitar a juntada intempestiva. Para tanto, iria concorrer o fato de o contribuinte ter providenciado uma manifestação de inconformidade bem fundamentada, já com algum elemento de prova efetivo, tudo isso somado à existência de forte indício de direito da recorrente, demonstrado pelos documentos que pretende sejam conhecidos tardiamente. Visando a identificar a ocorrência de algum desses elementos, procedeuse a uma análise preliminar da documentação juntada ao recurso, concluindose que os documentos não atendem a seu propalado objetivo. Vejamos. O crédito que se discute referese ao período de apuração maio/2004. As cópias do Livro Diário trazem montantes consolidados (total mensal) de certos meses de 2005 e de 2006, o que seria a primeira discrepância. Em relação ao conteúdo, temos, como exemplo dos valores constantes desses documentos, despesa mensal com depreciação de máquinas, despesa com previdência social, devoluções de compras, total das duplicatas a receber, caixa (vendas a vista), provisão para pagamento de salários, despesas trabalhistas e previdenciárias, etc. Exceto pela rubrica duplicatas a receber ou caixa (vendas à vista), nenhum outro item guarda relação com o tipo de operação beneficiada pela Lei nº 10.925, de 2004. Entretanto, mesmo essas rubricas não trazem qualquer informação relevante sobre o tema, visto que são o consolidado mensal e não nos permitem conhecer a natureza das transações, não nos permitem saber se estamos diante de receita proveniente da venda de um bem contemplado pela Lei ou sujeito a pagamento normal. Seria necessário juntar aos autos registros das movimentações de maio/2004 que nos permitissem ter certeza de tratarse de venda dos bens relacionados no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. A análise preliminar da documentação demonstrou que ela nada prova. Tendo em vista a fragilidade do que foi apresentado, somado à omissão na fase anterior, aceitar a juntada de documentação probatória neste momento seria protelar desnecessariamente esta lide. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 7 6 Quanto à DCTF retificadora apresentada a título de prova, tal declaração desacompanhada de documentação que demonstre inequivocamente a efetiva ocorrência de erro também não prova o direito. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Assim, eventual retificação dessa confissão de dívida deve estar necessariamente amparada por suporte probatório, sendo tal obrigação afirmada, entre outros dispositivos, pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), nos seguintes termos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Dessa forma, cabe à contribuinte comprovar o erro em sua declaração ou, dito de outra forma, comprovar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, sendo tal responsabilidade confirmada por previsão no art. 373 do CPC. O crédito para o qual não se comprova a liquidez e certeza não pode ser objeto de compensação, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Assim, uma vez que a recorrente não logrou comprovar seu direito creditório, deve ser mantida a decisão de primeira instância na sua integralidade. Pelo exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.978998/200991 Acórdão n.º 3002000.052 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.902918/2009-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Numero da decisão: 9303-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REQUISITOS. Recorrente CARROCERIAS LINSHALM LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/05/2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 29 18 /2 00 9- 04 Fl. 167DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nºº 3301001.645, de 24/10/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2005 INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR. PROVAS. Cabe ao contribuinte demonstrar e provar o pagamento a maior da contribuição, utilizado na compensação do débito tributário, efetuada mediante à transmissão de declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débitos fiscais, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que não é suficiente para a prova do indébito tributário informado na Dcomp, mesmo que retificada a DCTF e o Dacon posteriormente à ciência do despacho decisório, quando ausente outros documentos comprobatórios do direito vindicado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302001.805 e 3302001.355. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 159/162. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 164/165). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Diferentemente do que externado no exame de sua admissibilidade, entendemos que os acórdãos recorrido e paradigmas, de igual teor, abraçaram a mesma interpretação para o fato jurídicotributário debatido, conforme facilmente se pode perceber dos respectivos parágrafos de cada qual: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13971.902918/200904 Acórdão n.º 9303006.249 CSRFT3 Fl. 168 3 Acórdão recorrido: Para comprovar o alegado erro no valor do PIS declarado na DCTF, para a competência de abril de 2004, a recorrente apresentou as cópias do Dacon retificador às fls. 77/90 e da DCTF retificadora às fls. 91/102, esta transmitida em 18/05/2009, bem depois da transmissão da Dcomp em 27/07/2005 e da ciência do despacho que não homologou a compensação declarada, em 30/04/2009. Inexiste impedimento legal à retificação de débito tributário declarado de forma errada e à compensação do indébito decorrente do pagamento a maior. No entanto, a retificação do valor declarado de forma errada e a aceitação do novo valor estão condicionadas a prova do erro material, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, tais como demonstrativo de apuração do valor devido, cópia do livro Razão contendo a escrituração das contas de receitas e/ ou do livro Registro de Saídas de Mercadorias contendo o faturamento das vendas das mercadorias. A simples apresentação de cópias do Dacon retificador e da DCTF retificadora, desacompanhadas daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. (...) Dessa forma, não tendo a recorrente apresentado documentos demonstrando e comprovando o pagamento indevido nem apresentado documentos que permitissem apurar o valor correto e, conseqüentemente, o indébito tributário resultante, para a competência de abril de 2004, não há que se falar em restituição/compensação do valor reclamado. (g.n.) Acórdãos paradigmas: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. (g.n.) A nosso juízo, e isso é de fácil percepção, os acórdãos paradigmas não traduzem efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial, nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF Fl. 169DF CARF MF 4 nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009). Como comprova a transcrição literal do voto do relator, em nenhum momento firmouse o entendimento de que o direito ao crédito estaria condicionado à retificação das declarações, mas, sim, a sua comprovação, mediante a entrega de documentação a tanto suficiente, fato não observado pela Recorrente. Não há dissenso, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908393/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 95, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 39 3/ 20 11 -1 3 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Resolução nº 3201001.123 S3C2T1 Fl. 248 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 11497.19864.221205.1.2.046676 (fls. 002/004), protocolado em 22/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 120,66. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Resolução nº 3201001.123 S3C2T1 Fl. 249 3 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 120,66, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Resolução nº 3201001.123 S3C2T1 Fl. 250 4 A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Resolução nº 3201001.123 S3C2T1 Fl. 251 5 Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908393/201113 Resolução nº 3201001.123 S3C2T1 Fl. 252 6 luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907150/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório 015086643 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 41281.00118.310308.1.1.112568, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 15 0/ 20 11 -1 0 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 62 2 A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos de IRPJ e CSL. Erro no preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de da COFINS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas, quando, de fato, tais créditos vincularseiam, também, com receitas de exportação. A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito da COFINS a compensar seria oriunda de aquisicoes no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON do mês de janeiro de 2006, apresenta informação do crédito de COFINS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito de COFINS relativa ao terceiro trimestre de 2004. Documentos anexados Foram anexados a estes autos: cópia parcial da DACON originária, referente ao terceiro trimestre de 2004 e cópia parcial da DACON do mês de janeiro de 2006 e Per Dcomp. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0833.007 4ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 TIPO DE CRÉDITO. DISCRIMINAÇÃO. PER/DCOMP. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação exigem a formulação de pleitos distintos quando da demonstração de créditos de natureza não cumulativa decorrentes de aquisição no mercado interno e de receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 63 3 O relatório da mencionada decisão, por bem retratar o assunto, é trazido em sua integralidade. Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em oposição ao Despacho Decisório (fl. 33) que deferiu parcialmente o crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 37048.27724.310308.1.1.115145 e homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 04053.30668.310308.1.3.115060. O primeiro PER/DCOMP acima citado continha o Pedido de Ressarcimento e a demonstração do crédito referente a Cofins não cumulativa vinculada a receita não tributada no mercado interno, relativamente ao 3º trimestre de 2004, e lastreava as compensações intentadas. O Despacho Decisório não homologou as compensações sob a justificativa de que o crédito apurado foi inferior ao requerido, sendo o valor reconhecido insuficiente para extinguir os débitos declarados. Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl 37), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse, em duas ocasiões, a saber. Primeiramente, no preenchimento do demonstrativo no PER/DCOMP que discrimina o direito creditório, ao indicar que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, parte do crédito pleiteado decorria de receitas de exportação. Em segundo lugar, alega que cometera o equívoco de preencher o Dacon do período em questão sem segregar os valores de crédito associados a receitas internas daqueles decorrentes de vendas ao mercado externo. Alega, contudo que no Dacon do mês de janeiro de 2006 os créditos pleiteados encontramse devidamente vinculados, de forma segregada, entre receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Cientificado da decisão em 37 (fl 37), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse ao preencher o demonstrativo do crédito no primeiro PER/DCOMP entregue, ao indicar apenas o total do crédito no trimestre, quando deveria ter discriminado o direito creditório mês a mês. Já em trecho de seu voto, destacase tópico no qual expõe a questão central deste caso, a saber: a possibilidade de discussão, em sede de manifestação de inconformidade,sobre a utilização de créditos de natureza distintas; e, a comprovação da existência do crédito alegado. Para tanto, destacase, na primeira tese, os seguintes trechos: De plano, cabe esclarecer que o PER/DCOMP não comporta a utilização de créditos de natureza distintas, como quer o defendente. Se o contribuinte possui créditos decorrentes de aquisições no mercado interno e créditos decorrentes de receitas de exportação deve apresentar um pedido para cada tipo de crédito. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 64 4 Na segunda tese, finaliza sob o seguinte argumento: Destaquese por fim, que o interessado não apresentou, junto com a manifestação de inconformidade, nenhum elemento extraído de seus assentamentos contábeis, visando demonstrar a existência do crédito adicional, no sentido de justificar os alegados erros cometidos no Dacon e no PER/DCOMP. Recurso Voluntário Apresentado a defesa, a recorrente relata que se trata de pedido de compensação cujo resultado foi o indeferimento de parte dos valores, em face do qual, apresenta sua iresignação. Relatou que o crédito reclamado está alocado no mês de competência e estariam vinculados à receitas não tributadas no mercado interno e á atividade de exportação, mas que, conforme relatou em manifestação de inconformidade, reprisando a narrativa da forma como se deu o erro no preenchimento da Per/Dcomp Requer a baixa em diligência para averiguação do crédito tomado. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 65 5 administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 66 6 vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 67 7 pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 68 8 recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 69 9 Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 70 10 O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 71 11 transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 72 12 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 73 13 crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao primeiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 15505.51022.310308.1.3.111807 e no Per/Dcomp 00824.99109.310308.1.3.111568. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao primeiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.907150/201110 Resolução nº 3001000.038 S3C0T1 Fl. 74 14 Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao primeiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 15505.51022.310308.1.3.111807 e no Per/Dcomp 00824.99109.310308.1.3.111568. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720004/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
ISENÇÃO. ENTIDADES DESPORTIVAS PROFISSIONAIS DA MODALIDADE FUTEBOL. SOCIEDADES EMPRESÁRIAS.
As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol não gozam de isenção, por se enquadrarem como sociedades empresárias nos termos da lei, submetendo-se à tributação das demais pessoas jurídicas de acordo com a legislação tributária aplicável, ainda que constituídas sob a forma de associações sem fins econômicos.
CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES RECURSAIS.
Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos expendidos no voto relativo ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais.
Numero da decisão: 1201-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 ISENÇÃO. ENTIDADES DESPORTIVAS PROFISSIONAIS DA MODALIDADE FUTEBOL. SOCIEDADES EMPRESÁRIAS. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol não gozam de isenção, por se enquadrarem como sociedades empresárias nos termos da lei, submetendo-se à tributação das demais pessoas jurídicas de acordo com a legislação tributária aplicável, ainda que constituídas sob a forma de associações sem fins econômicos. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES RECURSAIS. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos expendidos no voto relativo ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.720004/201634 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.073 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SANTOS FUTEBOL CLUBE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ISENÇÃO. ENTIDADES DESPORTIVAS PROFISSIONAIS DA MODALIDADE FUTEBOL. SOCIEDADES EMPRESÁRIAS. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol não gozam de isenção, por se enquadrarem como sociedades empresárias nos termos da lei, submetendose à tributação das demais pessoas jurídicas de acordo com a legislação tributária aplicável, ainda que constituídas sob a forma de associações sem fins econômicos. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES RECURSAIS. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos expendidos no voto relativo ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 00 04 /2 01 6- 34 Fl. 344DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1462.724 da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, com os complementos necessários a seguir: I. Da Autuação Trata o presente processo dos Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 02/16) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 17/32), relativos ao período de apuração 01/2011 a 12/2012, mediante os quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 19.325.814,34 (dezenove milhões, trezentos e vinte e cinco mil, oitocentos e quatorze reais e trinta e quatro centavos), incluindo juros moratórios calculados até abril de 2016, com a seguinte composição (fls. 02 e 17): Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL: Os enquadramentos legais se encontram consignados no campo próprio de cada auto de infração. A infração, que se encontra minuciosamente descrita no Relatório Fiscal de fls. 33/39, foi sintetizada nos autos de infração de IRPJ e CSLL, respectivamente, nestes termos: “IRPJ NÃO DECLARADO INFRAÇÃO: AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA Ausência de declaração do Imposto de Renda devido, ou declaração inexata detectada pelo confronto dos dados Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15983.720004/201634 Acórdão n.º 1201002.073 S1C2T1 Fl. 3 3 escriturados com os valores declarados, gerando insuficiência de recolhimento do imposto, conforme relatório fiscal em anexo.” “FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL OU DO ADICIONAL. INFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL O contribuinte procedeu com inexatidão à apuração da CSLL devida E/OU não efetuou ou efetuou com inexatidão o pagamento ou recolhimento da CSLL devida, e não declarou ou declarou a menor o valor a pagar, conforme relatório fiscal em anexo.” No tocante à fundamentação jurídica dos lançamentos, a Fiscalização assentou as seguintes conclusões: · A entidade fiscalizada se considera uma associação sem fins econômicos, tal como definido em seu Estatuto Social, razão pela qual acredita ser isenta do IRPJ e da CSLL, com base no art. 15 da Lei nº 9.532/97. Contudo, este entendimento diverge do da Receita Federal do Brasil acerca dos clubes de futebol profissional. · Tais entidades desportivas faziam jus à isenção do Imposto de Renda até o ano de 1997, ao amparo da Lei n° 4.506/1964 (art. 30) e no Decretolei n° 5.844/1943 (art. 28, alíneas “a” e “b”); isenção esta que foi expressamente revogada pelo art. 82, inciso II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.532/97. · A Lei nº 9.615/1998 (“Lei Pelé”), estabelece, claramente, que o desporto profissional é atividade econômica e que as entidades desportivas profissionais equiparamse às sociedades empresárias, nos termos de seus artigos 2º, parágrafo único, e 27, §§ 10 e 13 · Por outro lado, a Lei nº 11.345/2006, criou a Timemania e deu nova oportunidade aos clubes de futebol profissional de usufruírem, por cinco anos, da isenção de IRPJ e CSLL, conforme seu artigo 13, que assegura “...às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil.” · Os tipos regulados nos artigos 1039 a 1092 do Código Civil são: a) Sociedade em Nome Coletivo; b) Sociedade em Comandita Simples; c) Sociedade Limitada; d) Sociedade Anônima; e) Sociedade em Comandita por Ações. · Portanto, o benefício em tela não alcança as associações civis que administram diretamente o futebol profissional. E, ainda para aquelas cujas atividades profissionais relacionadas ao futebol sejam administradas por pessoa jurídica nos termos da Lei, o benefício se extinguiu em 15 de setembro de 2011. Fl. 346DF CARF MF 4 · Desta forma, constatouse que os clubes de futebol profissional, organizados sob qualquer natureza jurídica, não gozam de isenção de IRPJ e CSLL. II. Da Impugnação Pessoalmente cientificada dos lançamentos em 15/04/2016, conforme Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal de fls. 110/111, a autuada apresentou, em 09/05/2016, a impugnação de fls. 119/127, argumentando, em síntese, que: · É isenta de IRPJ e CSLL por se tratar de associação civil sem fins lucrativos; · Pretende o fisco conceder nova interpretação à redação do artigo 7º (sic) da Lei nº 9.615/98, reconhecendo a equiparação das entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais às sociedades empresárias, inclusive para efeitos tributários. · O autuante, apegandose ao fato de que a Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), no parágrafo único de seu artigo 3º declarou expressamente que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem atividade econômica, considerou que não seria compatível o exercício de tal atividade por associação sem fins lucrativos. Contudo, seria necessário distinguir os termos “fins” e “atividades”. · Inexiste impedimento para uma organização sem fins econômicos desenvolver atividades econômicas para geração de renda, desde que não partilhe os resultados decorrentes entre os associados, destinandoos integralmente à consecução do seu objetivo social, sendo esta condição o que distingue as associações das sociedades, conforme arts. 53 e 981 do Código Civil em vigor. · Desta forma, estaria vedada qualquer partilha de resultados, mas sem proibição para a realização de atividades econômicas, pois não se pode confundir finalidade com atividade, conceitos presentes, simultaneamente, no aludido art. 981 do novo Código Civil, segundo o qual, na sociedade, os sócios exploram uma atividade econômica com fins de obtenção e partilha de lucros (resultados). · Portanto, o fator a diferenciar a sociedade da associação civil seria a possibilidade de partilha de resultados entre os sócios e não a natureza da atividade exercida. · A Lei nº 12.395/2011 teria limitado a equiparação das entidades desportivas com as sociedades empresárias apenas para fins de fiscalização e controle no tocante à responsabilização de dirigentes e administradores, e não mais para fins tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos, como previa a Lei n° 10.672/2003, revogada por aquela. · Assim, a isenção afastaria a exigibilidade do IRPJ e CSLL, por tratarse a impugnante de entidade desportiva sem fins lucrativos, nos termos da lei. · Citou os artigos 13, incisos IV e V, e 14, inciso X, da MP nº 2.15835, de 24/08/2011, aplicáveis à contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins e o artigo 15 da Lei nº 9.532/97, relativo ao IRPJ e à CSLL. Invocou o princípio da legalidade, sob pena de atribuirse tratamentos antiisonômicos aos contribuintes. · A impugnante é isenta tanto do pagamento de IRPJ quanto de CSLL, pois, conforme estabelece o artigo 1º de seu Estatuto Social, “é uma associação civil, sem fins lucrativos e com personalidade jurídica própria, tendo por objetivos cultivar, praticar e desenvolver atividades sociais, educacionais, recreativas, culturais, cívicas, assistenciais, de benemerência, esportivas e de educação física, em todas Fl. 347DF CARF MF Processo nº 15983.720004/201634 Acórdão n.º 1201002.073 S1C2T1 Fl. 4 5 suas modalidades, podendo exercer outras atividades cuja renda reverta em benefício dos seus objetivos sociais”. · Por fim, requer a anulação do lançamento, por ser associação civil sem fins lucrativos, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.532/97, que lhe concederia a isenção de IRPJ e CSLL. A impugnação foi considerada improcedente, conforme a referida decisão que está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ISENÇÃO. ENTIDADES DESPORTIVAS PROFISSIONAIS DA MODALIDADE FUTEBOL. SOCIEDADES EMPRESÁRIAS. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol não gozam de isenção, por se enquadrarem como sociedades empresárias nos termos da lei, submetendose à tributação das demais pessoas jurídicas de acordo com a legislação tributária aplicável, ainda que constituídas sob a forma de associações sem fins econômicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em face da estreita relação de causa e efeito entre eles existente. No recurso voluntário são repisadas as razões de impugnação acrescentando se: "a decisão de primeira instância consigna que a Lei Pelé (Lei nº 9.615), no parágrafo único do artigo 2º estabelece que 'A exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício da atividade econômica', e conclui que não seria compatível o exercício de atividade econômica por associação sem fins lucrativos"; "O artigo 217, inciso I, da Constituição Federal estabelece 'a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento'”; "A Constituição Federal, ao assegurar expressamente essa autonomia de organização e funcionamento, o fez de forma irrestrita, vedando a intervenção estatal. Com isso, consagrou o princípio da autonomia desportiva; Fl. 348DF CARF MF 6 "Convém observar, por oportuno, que a garantia prevista no artigo 217, I, da CF pressupõe, por óbvio, fim social lícito"; Dispõe o "art. 16 da Lei 9.615/98: 'As entidades de prática desportiva e as entidades de administração do desporto, bem como as ligas de que trata o art. 20, são pessoas jurídicas de direito privado, com organização e funcionamento autônomo, e terão as competências definidas em seus estatutos ou contratos sociais'. Sem grifos no original"; "Dessa forma, a liberdade de organização alcança a liberdade de escolha de uma estrutura jurídica e administrativa propícia aos seus fins. Têm os clubes de futebol, portanto, autonomia constitucional, também garantida pela lei ordinária, de se organizarem quanto aos seus fins sociais"; "Por tais razões, não há que se falar na aplicação às sociedades desportivas das regras do Código Civil concernentes às sociedades empresárias, seja pelas peculiaridades desse tipo de associação, seja pela autonomia e liberdade garantidas constitucionalmente"; "Nesses termos, sendo o recorrente LIVRE para se associar licitamente, estando PREVISTO em seu estatuto tratarse de ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS, não tendo NUNCA dividido lucros, temos que é o auto de infração deve ser anulado"; [...] "É certo que as imunidades tributárias, previstas no inciso VI, letra “c”, do artigo 150 e 195, § 7º, para instituições privadas de educação e assistência social, exigem o preenchimento de certos requisitos decorrentes NECESSARIAMENTE de lei complementar"; "Sendo uma limitação ao poder de tributar – vedação constitucional absoluta , nitidamente, só a lei complementar pode impor requisitos, por força do artigo 146 da lei suprema, que declara, no inciso II, que lhe cabe “regular as limitações constitucionais ao poder de tributar”; "Ora, a imunidade das instituições privadas a que se refere o constituinte, tem os requisitos para seu gozo definidos pelo artigo 14 do CTN, assim redigido: “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais; III — manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”; "Tais requisitos, de rigor, são de 3 ordens, ou seja: a) não distribuir lucros, patrimônio a qualquer título; Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15983.720004/201634 Acórdão n.º 1201002.073 S1C2T1 Fl. 5 7 b) aplicar integralmente os recursos na obtenção de seus objetivos institucionais; c) manter escrituração perfeita para que seja determinada a exatidão de suas receitas e despesas"; "A característica maior de uma entidade sem fins lucrativos, acacianamente concluindo, é não ter fins lucrativos, exatamente como o recorrente"; "É não beneficiar seus instituidores, criadores ou detentores do controle. É preencher suas finalidades estatutárias, sem que haja benefício pecuniário para seus fundadores, senão aqueles decorrenciais do objetivo que as fez surgir"; "Ora, no caso das Associações Civis sem fins lucrativos, cabe ao Código Tributário Nacional definir requisitos que as tornam desoneradas de tributos, e aos poderes públicos a que se subordinam, conferir se tais requisitos estão ou não sendo cumpridos, além de distinguir as atividades próprias, daquelas de outra natureza, cujos recursos, quando obtidos, devem ser destinados, exclusivamente, aos fins institucionais da entidade, que não objetiva lucro"; "Ressaltesse (sic), PODE HAVER LUCRO, PORÉM ESSE DEVE SER INTEGRALMENTE REVERTIDO EM BENEFÍCIO DA ATIVIDADE SOCIAL DESENVOLVIDA PELA ASSOCIAÇÃO, COMO OCORRE NO CLUBE RECORRENTE"; "Em assim sendo, por se tratar a Lei Pelé de lei ordinária, esta não pode estabelecer outros requisitos que não os já existentes, que são estritamente preenchidos pelo clube recorrente, sendo este PORTANTO IMUNE A TRIBUTAÇÃO nos termos expostos". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso foi protocolado tempestivamente e atende aos demais requisitos estabelecidos na legislação, dele devendose conhecer. Mérito. A questão central do processo consiste em se definir se o recorrente, Santos Futebol Clube, é entidade à qual se aplica a isenção quanto ao IRPJ e CSLL. No acórdão recorrido, ficou assentado que a isenção não é aplicável, uma vez que a recorrente classificase como sociedade empresária. A ementa relativa a essa decisão está assim redigida: Fl. 350DF CARF MF 8 As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol não gozam de isenção, por se enquadrarem como sociedades empresárias nos termos da lei, submetendose à tributação das demais pessoas jurídicas de acordo com a legislação tributária aplicável, ainda que constituídas sob a forma de associações sem fins econômicos. A recorrente insurgese quanto a esse entendimento, alegando que "não há que se falar na aplicação às sociedades desportivas das regras do Código Civil concernentes às sociedades empresárias, seja pelas peculiaridades desse tipo de associação, seja pela autonomia e liberdade garantidas constitucionalmente" e, assim, se previsto em seu estatuto que o clube é uma associação sem fins lucrativos, não tendo jamais havido divisão ou distribuição de lucros, aplicável o entendimento quanto ao direito à isenção relativamente ao IRPJ e à CSLL. Invocou, para tanto, o artigo 15 da Lei nº 9.532/1997: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Ocorre que o artigo 111 do Código Tributário Nacional dispõe que as normas que tratam de isenção devem ser interpretadas literalmente. Analisandose dessa forma, os clubes de futebol profissional não se enquadram dentre as entidades mencionadas no caput do dispositivo (Lei nº 9.532/97, artigo 15). Eles não têm caráter filantrópico, científico, cultural ou recreativo, nem podem ser classificados como associações civis prestadoras de serviço. O Santos Futebol Clube obtém suas receitas da exploração do futebol profissional, quais sejam, publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc. O objetivo dos clubes de futebol profissional é o de vencer os diversos campeonatos de futebol dos quais participa, tanto em âmbito nacional, quanto internacional. Não se vislumbra, como já salientado, nenhum caráter filantrópico, científico, cultural ou recreativo nessa atividade, nem qualquer tipo de prestação de serviço. Esse entendimento dirigese ao aspecto fiscal. Por óbvio que há, inclusive por disposição legal, autonomia para que as entidades desportivas definam sua forma de organização e funcionamento. Contudo, não é aceitável o uso dessa autonomia para que os clubes de futebol profissional se eximam de uma legítima incidência tributária. Ocorre que as atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se configuram como aquelas que são exercidas por associações civis sem fins lucrativos. Na realidade, elas se caracterizam como um exercício de atividade econômica. Como exemplo podese citar a venda ou a exploração comercial de imagem, contratos de patrocínio, licenciamento de marcas etc. Desse modo, essas entidades desportivas devem se organizar segundo formas jurídicas que sejam afetas ao exercício das referidas atividades econômicas. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15983.720004/201634 Acórdão n.º 1201002.073 S1C2T1 Fl. 6 9 Transcrevese abaixo excerto do Parecer PGFN/CAT/2567/2012, elucidativo quanto à questão levantada: É verdade que as entidades de desporto profissional têm liberdade para definir seu funcionamento e organização, mas também é verdade que um dos cânones do nosso sistema é o princípio da igualdade, o qual se desdobra na seara tributária no princípio da capacidade contributiva, logo, a leitura da norma de isenção sofre também a inflexão do princípio, de maneira que há uma realidade econômica inegável nas atividades de desporto profissional que não permite que o confundamos com atividade associativa, reforçando a leitura de não incidência da norma de isenção aos clubes de futebol profissional. Logo, permitir a incidência da norma de isenção, contra todos os elementos em contrário, causaria um grave desequilíbrio no sistema, na medida em que permitiria a entidades que exercem a mesma atividade econômica e tem o mesmo porte, a terem tratamentos tributários diferenciados. Além do princípio da igualdade tributária, devemos considerar o principio da capacidade contributiva, afinal, a tributação ocorre a partir de manifestações econômicas, de forma autônoma em relação ao conjunto de relações jurídicas realizadas pelo sujeito passivo, portanto, a relação que demonstre sinais de riqueza é utilizada, em regra, na imposição tributária, a aplicação do tributo em face de relações que demonstrem signos de riqueza é a aplicação do principio da capacidade contributiva objetiva. No presente caso é indiscutível a natureza econômica das atividades desenvolvidas por clubes de futebol e, por consequência, sua aptidão a ensejar a tributação. A capacidade contributiva subjetiva, que inicialmente pressupõe a capacidade contributiva objetiva aplicando o tributo em face das ocorrências de manifestações econômicas, é realizada na distribuição equitativa da carga tributária, distribuindo com toda a sociedade as imposições, variando na medida do montante das riquezas de cada sujeito passivo, razão pela qual não se poderia permitir que um sujeito tivesse riqueza, mas, em razão de uma determinada forma jurídica, conseguisse se eximir da tributação imposta a todos que estão em situação de riqueza similar Assim, o princípio da capacidade contributiva subjetiva tem como objetivo distribuir de forma equitativa a carga tributária, portanto, ela se concretiza na medida em que cada um contribui na medida de sua condição econômica pessoal. No voto condutor da decisão de primeira instância esse aspecto ficou demonstrado de forma cristalina, inclusive com a citação do entendimento da Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal Cosit, evidenciado na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11, de 30 de março de 2004, em que se pronunciou sobre o tratamento tributário das receitas auferidas pelas "federações estaduais de futebol, constituídas sob a forma de associações civis de direito privado, sem fins lucrativos", no que tocante à contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 352DF CARF MF 10 Nessa solução de consulta ficou assentada a interpretação no tocante aos dispositivos da Lei nº 9.615/98 relativos à transformação em sociedades comerciais ou civis de fins econômicos das entidades de prática desportiva participante de competições profissionais” (clubes ou times). Ressaltouse também naquele voto que, "embora a referida SCI verse sobre as aludidas contribuições, observamos que sua fundamentação amoldase perfeitamente ao caso em análise, como se pode depreender da leitura dos seguintes itens": SCI Cosit nº 11, de 30 de março de 2004: [...] 26. Da interpretação sistemática dos arts. 27 e 94, da Lei nº 9.615, de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000, apreendese que foi facultado às “entidades de prática desportiva participante de competições profissionais” (digase os clubes ou times) a transformação em sociedades comerciais ou civil de fins econômicos, com exceção para os clubes de futebol, que ficariam obrigados à transformação. Esta é a interpretação possível para os dispositivos, apesar da péssima técnica legislativa adotada: o caput do art. 94 diz que o art. 27, dentre outros, é obrigatório exclusivamente para as entidades de prática profissional da modalidade de futebol, quando o comando do art. 27, caput, não é de obrigação mas de faculdade. Verificase ainda que o art. 27, com esta nova redação, silenciou sobre as entidades de administração de desportos e as ligas. Assim, e tendo o art. 94 falado em obrigação somente para as entidades de prática profissional da modalidade de futebol (clubes de futebol), concluise que até a Lei nº 9.981, de 2000, ainda não há que se falar em obrigação de constituição de sociedade, para as entidades de administração de desportos, que são as federações e confederações, objeto da presente consulta, quer porque vigia o prazo dado por lei, quer porque se devolveu a faculdade a estas entidades de administração. [...] 28. Em 27 de novembro de 2002, foi editada a MP nº 79, que foi publicada no DOU de 28/11/2002. Esta MP, trouxe dispositivos semelhantes aos da MP nº 39, de 2002, tendo o seu art. 2º disposto que "a exploração e gestão do desporto profissional constituem exercício profissional de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, inclusive para efeito do disposto no Livro II da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil.” O Livro II da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 2002, Novo Código Civil, trata do Direito de Empresa. Ora, o “exercício profissional de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” é justamente a atividade do empresário, tal como definido no art. 966. Transcrevese também outro trecho do voto condutor da decisão de piso elucidativo quanto à não aplicabilidade da isenção quanto ao IRPJ e à CSLL aos clubes de futebol profissional: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15983.720004/201634 Acórdão n.º 1201002.073 S1C2T1 Fl. 7 11 Reforça esta conclusão o fato de que a Lei nº 11.345, de 14.09.2006, conhecida como “Lei da Timemania”, concedeu, excepcionalmente – e porque não dizer, como forma também de promover/fomentar a formalização das entidades que exercem a administração do futebol profissional como sociedades empresárias – a isenção de que trata o art. 15 da Lei 9.532/97 “...às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil.”, quais sejam: a) Sociedade em Nome Coletivo; b) Sociedade em Comandita Simples; c) Sociedade Limitada; d) Sociedade Anônima; e) Sociedade em Comandita por Ações. Ou seja, a regra não é a isenção. A “Lei da Timemania” veio justamente a instituir uma exceção, outorgando a isenção em comento por apenas 5 (cinco) anos para as sociedades formalmente constituídas como empresárias, administradoras dos clubes de futebol profissional. Neste ponto, há de se concordar com o autuante quando afirma que “o benefício em tela não alcança as associações civis que administram diretamente o futebol profissional” (fl. 36). E, para as entidades cujas atividades profissionais ligadas ao futebol sejam administradas por pessoa jurídica nos termos da Lei, a exceção a estas aplicável só esteve vigente até 15 de setembro de 2011. A recorrente invoca ainda a imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c", e no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, alegando atender aos requisitos estabelecidos no artigo 14 do Código Tributário Nacional. Ocorre, todavia, que, como visto acima, os clubes de futebol profissional não se enquadram, para fins fiscais, como entidades de assistência social. Portanto, a eles não se aplicam os dispositivos invocados. Por consequência, o cumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN, embora possa ocorrer, não faz com que as entidades em tela sejam imunes aos tributos lançados. CSLL. Similitude dos motivos de autuação e das razões recursais. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos expendidos no voto relativo ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais. Conclusão. Em face do exposto, conhecese do recurso para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 354DF CARF MF 12 Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.008987/2005-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/07/1995 a 31/05/2005
RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO FUNDAF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
Em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente à requerente, restaram afastados os óbices apontados no despacho decisório para o deferimento do pleito de restituição à contribuinte, razão pela qual a autoridade administrativa, que tem competência originária para analisar o pleito de restituição, deve verificar, no caso concreto, o atendimento aos demais requisitos previstos na legislação para pedidos desta natureza.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/07/1995 a 31/05/2005 RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO FUNDAF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente à requerente, restaram afastados os óbices apontados no despacho decisório para o deferimento do pleito de restituição à contribuinte, razão pela qual a autoridade administrativa, que tem competência originária para analisar o pleito de restituição, deve verificar, no caso concreto, o atendimento aos demais requisitos previstos na legislação para pedidos desta natureza. Recurso Voluntário Provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CONTRIBUIÇÃO AO FUNDAF. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Em face da decisão judicial transitada em julgado favoravelmente à requerente, restaram afastados os óbices apontados no despacho decisório para o deferimento do pleito de restituição à contribuinte, razão pela qual a autoridade administrativa, que tem competência originária para analisar o pleito de restituição, deve verificar, no caso concreto, o atendimento aos demais requisitos previstos na legislação para pedidos desta natureza. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 89 87 /2 00 5- 43 Fl. 551DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/07/1995 a 31/05/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SEDE ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa. O julgamento de matérias dessa natureza é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. JULGAMENTO PRIMEIRA INSTÂNCIA. ATOS ADMINISTRATIVOS E NORMATIVOS. OBSERVÂNCIA. Ao julgador de primeira instância incumbe, no cumprimento de seu oficio, observar o entendimento emanado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, estabelecida a sistemática, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, para fins de calculo e recolhimento dos valores a titulo de ressarcimento para o Fundaf, deve essa ser observada em todos os seus termos e condições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido da contribuinte de restituição, protocolizado em 21/09/2005, no montante de R$ 7.152.304,50, de valores supostamente recolhidos de forma indevida, no período de julho/1995 a maio/2005, a título de Contribuição ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf), com fundamento na Instrução Normativa SRF nº 460/2004. A requerente desempenhava atividades em terminais alfandegados, sendo obrigada ao pagamento da contribuição ao Fundaf, embora entenda que essa exigência seja ilegal e inconstitucional. O pleito foi indeferido pela autoridade administrativa sob os seguintes fundamentos: a) os valores vindicados constituem pagamento devido pelos beneficiários e permissionários tratados na IN SRF n.° 14/93; e b) a contribuição ao Fundaf não tem natureza de tributo, mas de preço público. Em sua manifestação de inconformidade alegou a interessada, em síntese, que: i) A Contribuição ao FUNDAF enquadrase na definição de tributo, assemelhandose à figura do imposto e da taxa; ii) A exação foi instituída por pessoa incompetente, por veículo inadequado e recai sobre materialidade inatingível por gravames tributários, sendo, portanto, ilegal a sua cobrança; iii) Já foram proferidas decisões em segunda instância administrativa reconhecendo a ilegalidade/inconstitucionalidade da cobrança da contribuição ao Fundaf; iv) A exação em comento não se trata de preço público, pois é ela cobrada da Requerente por expressa previsão normativa, e não em virtude de cláusula contratual; v) Conforme previsão da IN n.° 460/04, vigente à época dos fatos (atual IN n.° 600/05) pleiteia a Requerente que os valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, quantificados na planilha acostada a estes autos, e comprovados pelos DARF's também já apresentados, lhe sejam restituídos com os acréscimos legais devidos. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10314.008987/200543 Acórdão n.º 3402005.098 S3C4T2 Fl. 552 3 O processo foi devolvido à Unidade de Origem sob o fundamento de que "as DRJ não têm competência para apreciar manifestações de inconformidade contra decisões proferidas pelas autoridades administrativas da SRF que indeferem pedidos de restituição de quantias referente ao Fundaf". Posteriormente, no Mandado de Segurança nº 500082030.2011.404.7200, distribuído para a 3ª Vara Federal de Florianópolis, a interessada obteve provimento em sentença, nestes termos: "concedo a segurança para ordenar à autoridade coatora a adoção das providências suficientes para o julgamento da manifestação de inconformidade oferecida pela impetrante nos autos do Processo Administrativo n.° 10314.008987/200543 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Florianópolis". Mediante o Acórdão nº 0726.252 2ª Turma da DRJ/FNS, de 7 de outubro de 2011, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente sob o fundamento de que "autoridade julgadora administrativa é impedida de enveredar em seara que trata da inconstitucionalidade das normas legais e da ilegalidade dos atos administrativos e normativos". Cientificada dessa decisão em 07/11/2011, a interessada apresentou recurso voluntário em 30/11/2011, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade. Em 13/12/2016, a interessada apresentou manifestação no sentido de que: (i) não mais pairam dúvidas acerca da natureza jurídica tributária da exação; (ii) inexiste relação jurídica que obrigue a Recorrente a suportar o gravame, inclusive conforme reconhecido em decisão transitada em julgado oriunda de ação declaratória; (iii) a decisão passada em julgado perante o Poder Judiciário merece aplicação pelo Colegiado, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 07/2014 e do Parecer PGFN/COCAT nº 2, de 02/01/2013, item 56); (iv) a natureza jurídica da Contribuição em questão já está definida também no âmbito da própria Administração Fazendária, conforme Despacho do Sr. Ministro da Fazenda de 18/10/2016, publicado em 14/11/2016 e (v) por fim restou publicado, em 17/11/2016, o Ato Declaratório nº 9 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de 04/11/2016, por meio do qual ficou autorizada a dispensa de enfrentamento da matéria por parte daquele órgão. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Consta nos autos cópias de peças relativas à Ação Declaratória nº 2005.61.19.0062872 (fls. 460/540), proposta pela ora recorrente perante a Seção Judiciária de Guarulhos, na qual foi proferida sentença que julgou procedente o pedido para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a autora a recolher a contribuição ao Fundaf. A referida sentença foi mantida pelo TRF 3ª Região, que negou provimento à remessa oficial e à apelação da União, conforme ementa abaixo: Fl. 553DF CARF MF 4 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 0006287 57.2005.4.03.6119/SP 2005.61.19.0062872/SP RELATORA: Desembargadora Federal ALDA BASTO APELANTE: União Federal (FAZENDA NACIONAL) APELADO(A): CIA/ REGIONAL DE ARMAZENS GERAIS E ENTREPOSTOS ADUANEIRO CRAGEA EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNDAF. NATUREZA JURIDICA DE TAXA. DECRETOLEI Nº 1437/75 REVOGADO CONSOANTE ART. 25 DO ADCT POR DISCIPLINAR AÇÃO NORMATIVA. NÃO RECEPÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DO FUNDAP PELA CARTA CONSTITUCIONAL DE 1988. I A ação ajuizada objetivando o reconhecimento da inexigibilidade da contribuição ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF tem cunho unicamente declaratório, uma vez que não foi veiculada na inicial pretensão relativa à restituição, razão pela qual as preliminares de decadência e prescrição suscitadas pela União não comportam conhecimento nesta sede recursal. II O cerne da discussão deriva da natureza jurídica da contribuição ao FUNDAP. Não se cuida de preço público mas sim de taxa cobradas ao contribuinte por serviços prestados ou postos à disposição. A fiscalização e administração das operações aduaneiras não são serviços opcionais ou de utilização facultativa do contribuinte, são atividades típicas do exercício do poder de polícia da Administração Pública frise se, em qualquer situação que se apresente, extraordinária ou não portanto, face à compulsoriedade e imposição de sua remuneração, tal contribuição tem natureza jurídica de taxa, sujeitandose às normas gerais de direito tributário. Precedentes do STJ. III A contribuição ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF foi instituído pelo art. 6º do Decretolei n. 1.437/76, todavia pelo advento da nova C.F. e, redação do art. 25 do ADCT, os Decretoslei que configuram delegação de ação normativa, como é o caso, da instituição de taxa, foram revogados com o decurso do prazo constitucional para sua revalidação. IV Ademais o Regulamento Aduaneiro art. 566 (Decreto n. 91.030/85) delegou ao Secretário da Receita Federal, via Instruções Normativas/SRF n. 14/93 e n. 48/96 definir os fatos geradores, base de cálculo, alíquota ou valores fixos para ressarcimento de serviços de fiscalização em afronta ao principio da legalidade. VContribuição ao FUNDAP não recepcionada pela Constituição Federal de 1988. VI Remessa oficial e Apelação da União desprovidas. O Recurso Especial e o Recurso Extraordinário interpostos pela União Federal não foram admitidos e o acórdão transitou em julgado em 29/07/2016 (fl. 539). Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10314.008987/200543 Acórdão n.º 3402005.098 S3C4T2 Fl. 553 5 Dessa forma, a presente lide administrativa, acerca da verificação da ilegalidade da exigência da contribuição ao Fundaf, restou superada pela superveniência de decisão judicial transitada em julgado favoravelmente à recorrente da qual decorre que foram indevidos os pagamentos efetuados pela contribuinte a título de contribuição ao Fundaf e, em tese, o direito à restituição de tais valores. Nessa esteira, em face da decisão judicial, restaram afastados os óbices apontados no Despacho Decisório, relativamente à natureza jurídica da contribuição ao Fundaf, para o deferimento do pleito de restituição à contribuinte, razão pela qual entendo que a autoridade administrativa, que tem competência originária para analisar o pleito de restituição, deve verificar, neste caso concreto, o atendimento aos demais requisitos previstos na legislação para pedidos desta natureza. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a Unidade de Origem, levando em consideração a decisão transitada em julgado na Ação Declaratória nº 000628757.2005.4.03.6119, analise o pleito de restituição da recorrente quanto ao atendimento aos demais requisitos previstos na legislação atinente à espécie. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 555DF CARF MF
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