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Numero do processo: 16327.001384/2006-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial.
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO. PROCESSO CONEXO. HOMOLOGAÇÃO DEFINITIVA.
Tendo sido omologadas as compensações de estimativas de IRPJ e CSLL, pleiteadas em processo com decisão definitiva no âmbito administrativo, tais valores podem compor o saldo de ajuste anual objeto de pedido de compensação com outros débitos.
Numero da decisão: 9101-003.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto às estimativas referentes ao mês de outubro de 2003, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A sucessor por incorporação de BANCO ABN AMRO REAL S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO. PROCESSO CONEXO. HOMOLOGAÇÃO DEFINITIVA. Tendo sido omologadas as compensações de estimativas de IRPJ e CSLL, pleiteadas em processo com decisão definitiva no âmbito administrativo, tais valores podem compor o saldo de ajuste anual objeto de pedido de compensação com outros débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto às estimativas referentes ao mês de outubro de 2003, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 84 /2 00 6- 39 Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.324 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório A FAZENDA NACIONAL e o contribuinte BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A (sucessor por incorporação de BANCO ABN AMRO REAL S/A) recorrem a este Colegiado contra o Acórdão nº 1402002.179 (efls. 2.515/2.522), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 3/6/2016, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a parcela em litígio do direito creditório indicado e homologando parcialmente as compensações declaradas. Tratase de análise de PER/DCOMP transmitidas pelo contribuinte objetivando compensar débitos próprios de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003, no montante de R$ 58.487.727,95. Algumas PER/DCOMP foram retificadas, mas o órgão de origem não admitiu a retificação porque visavam aumentar valores de débitos anteriormente compensados. Ao analisar o direito creditório o órgão de origem constatou as seguintes inconsistências: a) Compensação de valores de estimativa devidos em 2003 com saldos negativos de períodos anteriores, não homologadas ou pendentes de homologação, tratadas em outros processos administrativos; b) Imposto pago no exterior: o contribuinte consignou na DIPJ de 2004 dedução a título de IRRF "Imposto Pago no Exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital", o valor de R$ 50.301.944,34. Contudo, depois de diversas intimações e esclarecimentos, a autoridade fiscal considerou, pelos documentos apresentados, que o ônus do imposto foi da interessada, não se justificando a dedução; c) IRRF retido no ano: a autoridade lançadora não acatou como dedução parte do IRRF no valor de R$ 880.727,48 relativo a DARFs com código de arrecadação 8045, por considerar que esse código referese em geral a retenção sobre pagamento de comissões e corretagens de responsabilidade da fonte pagadora, e que não teria ficado demonstrado que a Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.325 3 interessada teria assumido esse ônus. Observou, ainda, que parte dos DARFs não poderia ser aceito por se referir ao período de apuração anterior ou a IOF. Conforme despacho decisório (fls. 1.242/1.253 do vol.7), após os ajustes decorrentes das compensações de estimativas não homologadas e do IRRF deduzido indevidamente, foi apurado IRPJ a pagar no montante de R$ 104.893.073,69, conforme demonstrativos de cálculo (fls. 1.251 do vol 7). Considerouse que não houve crédito em favor da contribuinte, o que inviabilizou a homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP de fls. 390/488. Inconformado, o contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 1.261/1.293 do vol. 7), julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 1620.295 (fls. 2.191 e ss do vol 11), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO LEGAL DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO EM LITÍGIO ADMINISTRATIVO. É incabível a compensação de débitos tributários com créditos que estão em litigo administrativo, pois esses não estão revestidos da liquidez e certeza exigida pela legislação tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. APENSAMENTO DE AUTOS. SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal nem para o apensamento de autos e nem para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo principio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL NO EXTERIOR. ESCRITURAÇÃO CONTABIL. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A falta de embasamento em provas documentais, bem como a existência de contradições na documentação apresenta pela contribuinte, acabam por prejudicar a escrituração contábil trazida aos autos pelo sujeito passivo. IRRF. CÓDIGO DE RECEITA 8045. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTOS A TÍTULO DE COMISSÃO E CORRETAGENS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL É improcedente a alegação da contribuinte de que apurou IRRF a titulo de operações de comissão e corretagens, devido à absoluta falta de comprovação por meio de documentos hábeis e Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.326 4 idôneos, como contratos, faturas, comprovantes de depósito, extratos e relações analíticas das operações comerciais. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCOMP FORMALIZADA A PARTIR DE 10/2003. A Declaração de Compensação DCOMP protocolizada a partir da entrada em vigor da Medida Provisória n° 135/2003 constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. PER/DCOMP. ERRO DE DECLARAÇÃO. ONUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao manifestante trazer juntamente com suas alegações todos os documentos que dêem a elas força probante. Na sequência, o contribuinte protocolizou recurso voluntário (fls 2.231 e ss do vol. 12) no qual ratificou as razões deduzidas na manifestação de inconformidade e apresentou algumas justificativas. O recurso voluntário foi julgado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 3/6/2016, que lhe deu parcial provimento para reconhecer a parcela do direito creditório em litígio e homologar as compensações declaradas (efls. 2.515/2.522). No acórdão nº 1402002.179 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores das estimativas quitadas mediante compensação ou pagamento, e o imposto de renda na fonte devidamente albergado por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o saldo negativo no anocalendário de 2003 no montante de R$ 29.970.832,06; homologandose as compensações até este limite. O relator do voto condutor, em relação às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, analisou a situação dos processos que albergavam referidas compensações e registrou a seguinte conclusão: Em resumo, no que se refere às estimativas quitadas mediante compensações não acatada pelo despacho decisório e decisão recorrida (R$ 112.198.229,82), entendo que apenas o valor da estimativa de janeiro (R$ 28.505.938,42) não reúne condições para ser acatado. Em contrapartida aceitase na composição do saldo negativo o valor de R$ 83.692.291,40. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.327 5 No que toca ao IRRF sobre remessas ao exterior, o colegiado entendeu que os contratos de câmbio apresentados pelo contribuinte identificavam que o beneficiário da remessa é a filial do contribuinte nas Ilhas Cayman, como também demonstravam que os recursos foram remetidos à filial em país com tributação favorecida e referiamse à amortização de financiamento. Além disso, teria havido oferecimento à tributação, no contribuinte, dos lucros apurados pela filial, condição necessária para a dedução do IRRF. Concluiuse que o IRRF recolhido pelo contribuinte sob o código 0481 no valor de R$ 50.301.944,34, poderia ser computado na apuração do saldo negativo do período A respeito do IRRF sobre comissões e corretagens (cód. 8045), foi reconhecido o valor de R$ 869.670,01, composto pelo montante de R$ 880.727,48, por ter sido informado na DIPJ, item 0049 da Ficha 53, o rendimento de R$ 51.890.668,67 e retenção na fonte sob o código 8045 no valor de R$ 778.360,03, considerado compatível com os DARFs e detalhado nas planilhas apresentadas pelo contribuinte. Mais o montante de R$ 11.057,47, equivocadamente recolhido em DARF sob o código de IOF. Assinalou, ainda, que a legislação é clara em não permitir a retificação de PER/Dcomps que não seja para corrigir inexatidões materiais, o que não incluiria a alteração para aumento do débito a ser compensado. Por fim, a partir do saldo negativo apurado pela DRJ, considerou o seguinte calculo do direito creditório reconhecido na decisão: A partir do saldo de imposto a pagar apurado pela decisão recorrida, o resultado do período de apuração seria, com as alterações deste voto: 104.893.893.073,69 (83.692.291,40 + 50.301.944,34 + R$ 869.670,01) = (29.970.832.06). Sendo assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 29.970.832.06; homologadose as compensações pleiteadas até esse limite. A PFN foi cientificada dessa decisão e apresentou embargos de declaração (efls. 2.524/2.525), acusando a decisão de omissa por não ter justificado o afastamento dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170, do CTN. Os Embargos foram rejeitados pelo despacho de efls. 2.528/2.529, proferido pelo presidente da turma. Cientificada desse despacho, a PFN, tempestivamente, apresentou recurso especial (efls. 2.531/2.557), em que aponta divergência jurisprudencial em relação aos seguintes temas: 1) Impossibilidade de se Reconhecer Saldo Negativo Correspondente a Estimativas Objeto de Declarações de Compensação que se Encontram sob Discussão Administrativa, indicando como paradigmas o acórdão nº 180100.108, e o acórdão nº 3301 002.191, que registraram as seguintes ementas: Acórdão nº 180100.108 Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.328 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM CRÉDITOS SUB JUDICE. Não homologase declaração de compensação cujo crédito é saldo negativo de IRPJ formado por estimativas mensais cuja quitação foi efetuada por compensação não homologada pela autoridade administrativa, estando os processos pertinentes em trâmite, por carecer o crédito da presunção de liquidez e certeza que o instituto da compensação tributária exige, nos termos do artigo 170 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 PREJUDICIALIDADE NO JULGAMENTO. OUTRAS DCOMP. Não prejudica a apreciação de processo cujo objeto é a não homologação de declaração de compensação de saldo negativo de IRPJ formado por estimativas cujas quitações se deram por meio de outras Dcomp não homologadas e ainda sub judice. Acórdão nº 3301002.191 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO INDEFERIDO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo. 2) Juntada Intempestiva de Documentos, indicando como paradigmas o acórdão nº 3403002.213 e o acórdão nº 3403002.156, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 3403002.213 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.329 7 documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Acórdão nº 3403002.156 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. 3) IRRF exterior, indicando como paradigma o acórdão nº 10517.266, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.330 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercícios: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte que alega, não especifica a data em que teriam ocorrido e não demonstra que as receitas a elas correspondentes foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DEDUÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR OU A RESTITUIR Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a restituir, somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte se as receitas a ele correspondentes houverem sido computadas na determinação do lucro real. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional, após referirse à legislação que rege a compensação, tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não; d) a aceitação de documentos apresentados a destempo viola as disposições dos §§ 4º e § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, porque já existiam e poderiam ter sido apresentados no momento oportuno; e) a apresentação de documentos disponíveis desde a impugnação pelo sujeito passivo somente em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instância do órgão de julgamento inferior; f) em relação ao IRRF adota as razões de decidir da turma julgadora de 1ª instância, que considerou que "os contratos de câmbio apresentados não são documentos hábeis para suprir a falta de comprovação das relações jurídicas por meio de contrato próprio, entre a empresa e a sua filial das Ilhas Cayman" e "a manifestante nem mesmo comprovou que ofereceu à tributação os resultados da filial das Ilhas Cayman". Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.331 9 Pede ao final pelo conhecimento e provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido, de forma a indeferir o pleito da contribuinte. O recurso especial interposto foi admitido pela Presidência da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, conforme despacho de efls. 2.560/2.574. O contribuinte foi cientificado e apresentou embargos de declaração (efls. 2.5802.655), recurso especial (efls. 2.658/2.671) e contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 2.875/2.901). Os embargos de declaração do contribuinte foram rejeitados por despacho da presidência da turma (efls. 3.023/3.024). No recurso especial apresentado o contribuinte invocou divergência jurisprudencial em relação aos seguintes pontos: 1) Ausência de Observância ao Princípio da Verdade Material na Análise do Direito Creditório, apresentando como paradigmas os acórdãos nº 3302001.643 e nº CSRF/03 04.371; 2) Da Necessidade de Reconhecimento do Saldo Negativo Originário da Estimativa Quitada Mediante Compensação Relativa a Janeiro de 2003 sob Pena de Cobrança em Duplicidade, apresentando como paradigmas os acórdãos nº 1102001.197 e nº 1803 002.187; 3) Da Necessidade de Sobrestamento ou Julgamento em Conjunto do Presente Processo Administrativo com os Processos Administrativos Relacionados, indicando como paradigmas os acórdãos nº 10708.101 e nº 10514.270. O recurso especial do contribuinte foi admitido parcialmente, somente em relação ao tema Da Necessidade de Sobrestamento ou Julgamento em Conjunto do Presente Processo Administrativo com os Processos Administrativos Relacionados, como se verifica do despacho de admissibilidade de efls. 3.206/3.218. O agravo apresentado em face desse despacho foi rejeitado pelo despacho de efls. 3.303/3.309. Em sede de contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 2.875/2.901), em preliminares, alega o contribuinte: a) que o despacho que admitiu o REsp da PFN seria nulo por ofensa ao art. 68, § 1º do RICARF, que determina que o exame de admissibilidade de recurso especial deve ser feito pelo presidente da câmara respectiva mas que, no caso, o exame foi feito por conselheiro que não desempenha a função de presidente da 4ª Câmara; b) que o REsp da PFN não cumpriu com o requisito do § 1º, do art. 67, do RICARF, pois se omitiu em demonstrar analiticamente a divergência na interpretação de dispositivos específicos, que teriam sido citados apenas aleatoriamente na peça de defesa. Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.332 10 c) que o REsp da PFN ofendeu o § 8º, do art. 67, do RICARF, porque não demonstrou a divergência de forma analítica, confrontando trechos dos paradigmas com pontos específicos do acórdão recorrido. d) ausência de similitude fática entre os paradigmas de nº 180100.108 e nº 3301002.191 e o recorrido; e) ausência de demonstração de divergência e preclusão em relação ao questionamento da tempestividade dos documentos apresentados; f) a impossibilidade de conhecimento do recurso especial fazendário em razão da tentativa de rediscussão de matéria fáticoprobatória. E, no mérito: a) acerto do acórdão recorrido ao reconhecer a inclusão das estimativas compensadas durante o anocalendário no cômputo do saldo negativo de 2003; b) a inexistência de preclusão do recorrido no presente caso e a necessidade de respeito ao princípio da verdade material; c) que seriam regulares e legais as compensações efetuadas referentes ao IRRF incidente sobre remessas à filial no exterior e que os documentos apresentados teriam força de fazer essa prova. Ao final pede pelo não conhecimento do apelo especial da PFN ou, caso conhecido, que lhe seja negado provimento. Cientificada da admissibilidade do recurso especial do contribuinte, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 3.317/3.319) em que observa que a decisão atacada entendeu ser desnecessário o sobrestamento do presente processo ou sua reunião aos demais processos do contribuinte uma vez foram analisados pelo colegiado os fatos discutidos nos autos dos processos nº 16327.000655/200396 e nº 16327.001506/200344. Ao final, pede o não provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Recurso especial da PFN Conhecimento O recurso é tempestivo. Contudo, o contribuinte apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o apelo especial da PFN, pelo que passo a apreciar a sua admissibilidade. Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.333 11 A primeira alegação preliminar é a que aponta nulidade do despacho que admitiu o REsp da PFN por ofensa ao art. 68, § 1º do RICARF, que determina que o exame de admissibilidade de recurso especial deve ser feito pelo presidente da câmara respectiva. A recorrida argumenta que o exame de admissibilidade foi feito por conselheiro que não desempenha a função de presidente da 4ª Câmara. O despacho de exame de admissibilidade do Recurso Especial da PFN foi proferido em 22/6/2016, época em que vigorava o Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, atualmente em vigor com alterações posteriormente introduzidas. Apesar de modificações perpetradas no texto da referida Portaria MF nº 343/2015, a redação ao art. 8º do Capítulo III mantevese incólume até a presente data, com as seguintes disposições: CAPÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES FINAIS [...] Art. 8º Ato conjunto do Secretário da Receita Federal do Brasil e do Presidente do CARF fixará quadro de servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que colaborará, integral ou parcialmente, nos processos de trabalho do CARF. Com a Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que instituiu novo Regimento Interno do CARF), foi prevista a criação de um quadro de servidores egressos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para colaborar, integral ou parcialmente, nos processos de trabalho do CARF. Como o dispositivo determinada que esse quadro seria fixado por ato conjunto, foram editadas a Portaria Conjunta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nº 812, de 15 de junho de 2015, que fixou o número de integrantes do respectivo quadro e a Portaria Conjunta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF nº 889, de 1º de julho de 2015, que designou os Auditores Fiscais da Receita Federal para comporem o quadro de colaboradores, dentro do qual se encontrava a colaboradora AFRFB Carmen Ferreira Saraiva. Além disso, foi editada a Portaria CARF nº 30, de 12 de agosto de 2015, que alocou os servidores constantes do quadro de colaboradores criado pela Portaria Conjunta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF nº 889, de 1º de julho de 2015, distribuindoos entre as Câmaras das 3 Seções de julgamento do CARF, submetendoos aos trabalhos indicados pelos respectivos presidentes dessas câmaras. Uma das atribuições dos colaboradores é o de justamente realizar o exame de admissibilidade de Recursos Especiais e submeter o parecer elaborado ao presidente da Câmara a que está subordinado para aprovação ou rejeição. Esse parecer deve ser elaborado com observância de um processo organizacional, padronizado e sistematizado pelo órgão em manual de trabalho específico, que serve de orientação técnica e imparcial, em consonância com o Regimento Interno do CARF. Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.334 12 Foi exatamente o que se deu no presente caso em que a colaboradora efetuou o exame de admissibilidade do Recurso Especial da PFN, com o intuito de verificar se o recurso preencheu os pressupostos para ser admitido previstos no RICARF, submetendo seu parecer ao Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que o aprovou. E é exatamente dessa maneira que são examinados todos os Recursos Especiais impetrados no CARF. Vêse, portanto, que o despacho que analisou a admissibilidade do Recurso Especial da PFN não violou qualquer lei, regimento interno, procedimento ou ato administrativo que o pudesse macular de vício de ilegalidade. Rejeitase, portanto, a preliminar. A interessada defende, também em preliminar, que o recurso especial da PFN não cumpriu com o requisito do § 1º, do art. 67, do RICARF, pois se omitiu em demonstrar analiticamente a divergência na interpretação de dispositivos específicos, que teriam sido citados apenas aleatoriamente na peça de defesa. À época que o recurso especial foi apresentado, em junho de 2016, já vigoravam as atuais disposições regimentais aprovadas pela Portaria MF n. 343, de 2015, com alterações posteriormente introduzidas. O §1º do art. 67 do Anexo II, assim dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Notese, pela leitura do dispositivo, que a legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo. Basta que nele se demonstre, sem sombra de dúvida, qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado. A despeito da desnecessidade de se indicar de forma expressa qual legislação estaria recebendo a interpretação divergente, a PFN o fez, demonstrando expressamente, nos seguintes termos constantes do Recurso Especial: 2.1 DO REQUISITO DO ART. 67, § 1º DO RICARF. Inicialmente, convém demonstrar a legislação que foi interpretada de modo divergente: arts. 156, II e 170 do CTN; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da CF; arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72; arts. 300 e 302 do CPC/73 (arts. 336 e 341 do CPC/2015, respectivamente) e art. 923 do RIR/99. Nos tópicos seguintes, a demonstração da divergência ocorrerá de modo detalhado. Como se vê o recurso especial interposto pela PFN cumpriu com o requisito do § 1º, do art. 67, acima mencionado e a alegação do contribuinte é meramente protelatória e deve ser rejeitada. Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.335 13 Em mais uma arguição preliminar, o contribuinte acusa o recurso especial da PFN de ter ofendido o § 8º, do art. 67, do RICARF, porque não demonstrou a divergência de forma analítica, confrontando trechos dos paradigmas com pontos específicos do acórdão recorrido. Esta é mais uma alegação sem qualquer amparo nos fatos, eis que no apelo especial a PFN detalhou, analiticamente, em que pontos específicos os paradigmas divergiriam do acórdão recorrido. E tudo foi transcrito no despacho que examinou a admissibilidade do Recurso Especial, razão pela qual julgase desnecessário estender este voto e reproduzir a transcrição que constou tanto do Recurso Especial quanto do despacho que o admitiu. Preliminar rejeitada. O contribuinte também aponta ausência de similitude fática entre os paradigmas de nº 180100.108 e nº 3301002.191 e o acórdão recorrido, de modo que não teria se configurado a divergência. Vejamos. O presente processo trata de PER/DCOMPs que tem como direito creditório saldo negativo de IRPJ do ano de 2003, composto por antecipações a título de estimativas e IRRF. As estimativas que compõe o referido saldo negativo foram indicadas como débitos em outros PER/DCOMP, em outros processos administrativos, que restaram não homologadas, ocasionando sua glosa do saldo negativo aqui pleiteado. Da mesma forma, parte do IRRF foi considerado não comprovado e também foi excluído do saldo negativo, o que implicou na insuficiência do direito creditório nestes autos e na não homologação das compensações a ele vinculadas. O acórdão recorrido deduziu entendimento no sentido de que devem integrar o saldo negativo pleiteado nestes autos as antecipações a título de estimativas cuja compensação, em outros processos administrativos já teria sido julgada pelo CARF, ainda que sem decisão definitiva, o que levou o relator a analisar cada um dos processos administrativos que tratavam dessas compensações e aplicar aqui a solução dada naqueles. Isto implicou no cômputo, no saldo negativo, das estimativas assim admitidas. Da mesma forma, em relação a antecipações a título de IRRF, entendeu o julgado que estariam comprovadas e aptas a integrar o saldo negativo. O primeiro paradigma indicado para esta divergência é o Acórdão nº 1801 00.108, que também apreciou pedido de restituição cumulado com compensação que teve como direito creditório saldo negativo do ano de 2002 composto por estimativas que não foram confirmadas pelo órgão de jurisdição, porque foram objeto de compensação em outros processos administrativos e restaram não homologadas. É isto o que consta do relatório do acórdão: A empresa em epígrafe interpôs, eletronicamente, Pedido de Restituição e Compensação de Tributos Federais — Per / Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07. O crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03, relativa ao anocalendário de 2002 (apuração anual). A autoridade competente a apreciar a Per/Dcomp exarou o Despacho Decisório de fis. 77 a 80, não homologandoa, porque Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.336 14 o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos supostos recolhimentos das estimativas mensais no ano, não restou confirmado como existente. Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTE — fls. 29/39: as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março e abrilparcial estão vinculadas a outra Deomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ, ano 2001, (processo n" 11020.000426/200564), cuja compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo negativo do ano de 2002; [...] E o colegiado decidiu que referidas estimativas, por se encontrarem ainda sem decisão definitiva a respeito de sua liquidação, não poderiam compor o saldo negativo pleiteado. Observese: "[...] A existência por si só de outro processo judicial ou administrativo, não importa discutindo os créditos, se estes existem ou não, fulmina o direito de ação da contribuinte em pretender homologar compensação com os débitos já vencidos. E essa questão já adentra ao mérito, pois trata da liquidez e certeza dos créditos e do aspecto tributário do instituto da homologação. Pois, na questão da prejudicialidade do julgamento, não entendo que esta seja motivo determinante para sobrestar o presente processo administrativo. Não é possível, no direito processual tributário, estabelecer a conexidade proposta com o fim de sobrestar processos autônomos, sob pena dos contribuintes sempre ficarem, indefinidamente, a atrelar uma compensação a outra e assim por diante. [...] Se o crédito não guarda liquidez e/ou certeza não pode ser objeto de declaração de compensação, ou mesmo pedido de restituição, e aqui encerrase a questão de prejudicialidade lógica proposta. [...] E quanto à sorte dos demais processos administrativos, não importa para se dirimir a lide aqui proposta. Tendo resultado favorável à contribuinte, nas Dcomp não homologadas que refletem neste processo, poderá, após o reconhecimento administrativo, requerer a restituição dos créditos oportunamente ou compensálos com débitos vincendos. Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.337 15 Sendolhe desfavorável, não haverá prejuízo ao fisco no sentido de 'restituir' o que não foi pago, com seqüencial compensação incabível. Por todo o exposto, voto em rejeitar a preliminar suscitada, para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Resta demonstrada a similitude fática entre os casos comparados, assim como a divergência de entendimentos dos colegiados, o que caracteriza a divergência. De fato, o paradigma seguinte Acórdão nº 3301002.191 tratou de situação fática distinta. Aqui apreciouse PER/DCOMP em que foi indicado direito creditório a título de pagamento a maior ou indevido de PIS não cumulativo e a não homologação da compensação deuse porque o valor constante do DARF do valor supostamente recolhido a maior ou indevidamente fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para a compensação declarada, e também porque não foram acrescentados aos débitos os encargos legais decorrentes de sua intempestividade. Dessa forma, este paradigma não caracteriza a divergência por tratar de situação fática distinta daquela analisada pelo recorrido. Mas, como dito, a divergência restou demonstrada na comparação com o primeiro paradigma, de modo que deve ser conhecido o apelo especial. Preliminar rejeitada. A interessada apresenta dúvidas também em relação à demonstração de divergência pela PFN quanto à tempestividade dos documentos apresentados pela defesa, afirmando que o tema se encontra precluso e não poderia mais ser questionado na esfera administrativa Com efeito, afirma a PFN que o acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário por ter levado em consideração documentos que já estavam disponíveis, e assim poderiam ter sido apresentados desde a impugnação, mas que somente foram juntados na fase recursal. Por outro lado, o paradigma sustentaria que não se encontra no universo contemplado pelo art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, documento que poderia ser disponibilizado desde a impugnação, e não foi. Vistoriandose as decisões o acórdão recorrido (efls. 2.515/2.522) e o acórdão da turma julgadora de 1ª instância (fls. 2.191 e ss do volume 11), bem como a própria manifestação de inconformidade (fls 1.261 e ss do volume 7) e o recurso voluntário (fls. 2.231 e ss do volume 12), constatase que os documentos da defesa a que se refere o voto proferido no acórdão recorrido já haviam sido apreciados pela turma julgadora de 1ª instância e, portanto, foram ofertados com a manifestação de inconformidade e não apenas junto ao recurso voluntário. De fato, alguns elementos complementares foram trazidos aos autos junto ao recurso voluntário. Mas, como se verá, esses elementos não foram imprescindíveis para formar a convicção do colegiado que levou em consideração aqueles que já se encontravam acostados aos autos, emitindo juízo de valor distinto do colegiado de primeira instância, como se nota dos seguintes trechos do voto, com destaques acrescidos: Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.338 16 A decisão recorrida, por sua vez, entendeu que os documentos apresentados seriam apenas os contratos de câmbio das remessas, que não seriam hábeis a demonstrar que o fluxo financeiro envolveria o pagamento de juros sobre empréstimos, nos termos suscitados pela interessada. [...] Entendo que tal fato não se constitui em irregularidade pois, se a decisão recorrida entende que os contratos de câmbio sequer são hábeis a demonstrar as operações realizadas, qualquer outro argumento apresentado pelo sujeito passivo mostrase irrelevante. [...] De qualquer forma, claro está que a análise das autoridades que me precederam abstraiu de questões jurídicas e envolveu, fundamentalmente, um juízo de valoração probante quanto aos documentos apresentados. Tendo em vista que a força probante dos documentos acostados aos autos foi questionada no que tange à habilidade mas não à idoneidade, podemse ter como fatos incontroversos as informações constantes dos contratos de câmbio e dos DARFs. Quanto a esses últimos foram efetuados diversos recolhimentos sob o código 0481 com identificação da interessada. Em relação aos contratos de câmbio, esses documentos identificam que, de fato, o beneficiário da remessa é a filial da interessada nas Ilhas Cayman. Na descrição da operação a que se referem, os contratos fazem menção à remessa de juros referente a commercial papers ou notes, que são modalidades de captação de recursos aqui ou no exterior. A decisão recorrida traz quadro resumo dessas informações. Repitase: a idoneidade dos contratos de câmbio não foi questionada. Sob esse prisma, com a informação de que os recursos estão sendo remetidos à filial em país com tributação favorecida e referemse à amortização de financiamento, não vejo como questionar o objeto do IRRF. [...] Em relação ao IRRF sobre comissões e corretagens (código 8045) no montante de R$ 880.727,48; a decisão recorrida entendeu como insuficientes os demonstrativos apresentados correspondentes a planilhas e registros contábeis, pela inexistência de contratos de prestação de serviços. Na peça recursal foram trazidos alguns contratos nos moldes requeridos. Considero relevante nessa questão os valores informados na DIPJ. No item 0049 da Ficha 53, foi informado o rendimento de 51.890.668,67 e retenção na fonte sob o código 8045 no valor de R$ 778.360,03; compatível com os DARFs e detalhado nas planilhas apresentadas. Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.339 17 A informação contida na DIPJ contrasta com a manifestação da decisão recorrida quanto à inexistência de indício de que o valor do IRRF sob discussão corresponderia à prestação de serviços de corretagem. Se o valor da DIPJ não foi contestado especificamente deve ser tido como verdadeiro. Ressalvese o DARF no valor de R$ 11.057,47 que foi recolhido com o código de IOF. Nesse caso, não vislumbrei nos autos elementos que demonstrassem o equívoco cometido na indicação do código de arrecadação. Além do mais, caberia a adoção dos procedimentos para retificação do documento de arrecadação o não foi demonstrado. Sob o mesmo raciocínio, o item 0050 da Ficha 53 indica um rendimento de R$ 6.817.830,00 e retenção na fonte para o mesmo código 8045 no valor de R$ 102.267,45. Tratase do valor correspondente aos DARFs não acatados por se referirem ao anocalendário de 2002. Assim, a DIPJ indica que, apesar das operações se referirem ao anocalendário de 2002, o rendimento e o IRRF correspondente foram contabilizados em 2003. [...] A PFN partiu, assim, de uma premissa equivocada, a de que o desfecho dado ao litígio pelo colegiado a quo levou em consideração elementos que somente foram apresentados com o recurso voluntário, o que não é verdade, como se demonstrou acima. Os elementos apresentados objetivando demonstrar que o contribuinte faria jus à dedução do IRRFExterior são os seguintes: 1) Cópias de contratos de contrato de câmbio e respectivos registros nos sistemas do Banco Central (fls. 1.716/1.980 do volume 9 como "doc. 14"). Com esses contratos pretendeu a interessada demonstrar que os juros contratualmente estipulados com sua filial sediada nas Ilhas Cayman eram de 8%; 2) Cópia da DIPJ/2004 (fls. 1.982/2.089 do volume 9, apresentado como "doc. 15"), com o fito de demonstrar o oferecimento à tributação os lucros auferidos no exterior: Lucros de R$ 304.553.671,40 (linha 04 da ficha 09B fls. 1.988 volume 9 digitalizado) e IRRF de R$ 50.301.944,34 ficha 43 fls. 2.031 do volume 9); 3) Cópia da nota explicativa (fls. 2.091 do volume 9 anexado como "doc. 16"), demonstrando que do valor de lucros auferidos no exterior no montante de R$ 304.553.671,40, declarados à linha 04 da ficha 09B, uma parcela, de R$ 253.252.000,00, seria referente ao lucro de 2003 gerado pela filial das Ilhas Cayman; 4) Cópia de planilha de composição de resultado e de balancetes, (fls. 2.093/2.106 "doc.17"), apresentados com o objetivo de servirem como lastro para demonstrar as compensações realizadas; 5) Demonstração do oferecimento à tributação dos lucros apurados pela filial, no montante de R$ 304.553.671,40, identificada na Ficha 09B da DIPJ, lucro esse composto por: R$ 304.357.942,22 filial Ilhas Cayman e R$ 195.729,18 Filial Real Paraguaya de Seguros (Linha 04 Ficha 09B). Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.340 18 Tratandose de premissa equivocada, não há como o comparar com outra decisão em que a premissa se fez presente. Assim, entendo que não restou demonstrada a divergência relativamente à segunda matéria trazida pela PFN, qual seja a "juntada intempestiva de documentos". Voto, assim, por não conhecer do recurso especial nesta matéria. Por derradeiro, o contribuite acusa o recurso especial da PFN de ser inapto quanto ao tema "DO IRRFEXTERIOR", em razão da tentativa de rediscussão de matéria fáticoprobatória. Inicialmente, notase das razões recursais que a PFN deduz extensas razões de defesa antes de invocar a divergência jurisprudencial a respeito desse ponto, o que denota a dificuldade em identificar com precisão a divergência alegada. Em verdade, as razões de defesa voltamse especialmente contra a valoração das provas contidas nos autos feita pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido. Transcrevo, abaixo, exatamente as alegações da recorrente a respeito desse tema: 2.2.3 DO IRRFEXTERIOR. Também serviram de base para o cálculo do saldo negativo do IRPJ, usado como crédito nas DCOMP’s apresentadas nos autos, deduções de IR, na importância de R$ 50.301.944,34, a título de imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. A empresa recorrida celebrou, com sua filial localizada nas Ilhas Cayman, contratos de câmbio para transferências financeiras ao exterior. Nos registros de operações feitos junto ao Banco Central e juntados pelo contribuinte, está indicada a natureza de tais operações: rendas de capitais – juros. Estas operações teriam dado causa ao “imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital”. Às fls. 24, o contribuinte foi intimado a comprovar o pagamento de tal imposto. Na ocasião, juntou aos autos cópias de DARF’s relativos ao recolhimento de IRRF pago no exterior (fls. 284/306). Com o fim de reunir mais elementos necessários à apreciação do pedido de compensação, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT intimou novamente o contribuinte, desta vez para apresentar documentos que comprovassem as operações que teriam dado origem ao referido imposto, bem como cópia das folhas do Livro Razão em que estivessem registradas tais operações (fls.848). Em resposta a esta intimação, o contribuinte anexou aos autos planilhas que se referem aos números dos contratos de câmbio, bem como cópia do registro das operações junto ao sistema gerenciador de ativos de câmbio (fls..850/1016). Considerando a insuficiência de tais documentos, a DIORT, mais uma vez, intimou o contribuinte, agora para que apresentasse Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.341 19 cópia dos Livros Contábeis que especificassem a contabilização dos recolhimentos do IRRF incidente sobre os contratos de câmbio e, ainda, para que informasse e comprovasse a forma de contabilização, pela filial beneficiada, dos recursos financeiros transferidos no anocalendário de 2003 (fls. 1038). Nesta ocasião o contribuinte quedouse inerte, não atendendo à solicitação da Delegacia da Receita Federal. Diante desta situação, de completa ausência de provas que permitissem concluir quais foram as operações realizadas entre a matriz e a filial no exterior que, supostamente, geraram o imposto recolhido, somente restou à DIORT decidir que a dedução das verbas relativas ao imposto pago no exterior, feitas no cálculo da apuração do IRPJ do anocalendário de 2003, fosse desconsiderada para a quantificação do efetivo resultado de IRPJ. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte afirma que realizou operações de transferências financeiras com sua filial nas Ilhas Cayman e que, para tanto, emitiu notas remuneradas a juros de 8%. Porém, restringiuse, mais uma vez, a apresentar contratos de câmbio e respectivos registros do Banco Central, bem como balancetes e planilhas, deixando, novamente, de comprovar quais operações foram realizadas entre a empresa brasileira e sua filial no exterior, limitandose, apenas, a mencionar os contratos previamente celebrados, e que teriam dado causa aos contratos de câmbio apresentados. Na verdade, o que se verifica nos autos é que o contribuinte juntou, diversas vezes, os mesmos documentos, que por sinal restaram imprestáveis à demonstração do que realmente se fazia necessário (as operações realizadas entre matriz e filial e sua relação com o IRRF), na tentativa de convencer os julgadores de que as operações financeiras alegadas teriam, de fato, ocorrido e gerado o recolhimento do tributo. Ora, é sabido que os contratos de câmbio registrados junto a Banco Central, insistentemente apresentados pelo recorrida, não são documentos hábeis, por si só, a demonstrar as relações jurídicas existentes entre a matriz e a filial domiciliada nas Ilhas Cayman. É oportuno ressaltar que o registro de operações no Banco Central é meramente declaratório. Isso significa que o BACEN realiza primeiramente um controle meramente quantitativo e para fins estatísticos. Nada impede, porém, que posteriormente o BACEN exija a documentação comprobatória das operações registradas em seus sistemas ou que, até mesmo, questione a correição ou efetividade das mesmas. Sendo assim, tais operações somente poderiam ser comprovadas por meio da apresentação dos contratos originários, que deram Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.342 20 causa aos contratos de câmbio. E estes contratos somente mereceram, por parte do contribuinte, simples menção. Estranho nos parece que o contribuinte refirase às operações que deram causa aos contratos de câmbio, mas, por mais de uma vez, deixe de comproválas, apesar de instado a fazêlo. Ora, por que um contribuinte que, de fato, esteja na posse dos documentos solicitados pela fiscalização e indispensáveis à demonstração do seu direito deixaria de apresentálos? Por que não apresentar a contabilização dos recolhimentos do IRRF incidente sobre os contratos de câmbio e a forma de contabilização, pela filial beneficiada, dos recursos financeiros transferidos? Preferiria, o recorrida, ver seus demonstrativos contábeis serem desconsiderados em razão da ausência de documentos que pudessem embasálos, a juntar aos autos tais documentos, se os mesmos, realmente, existissem? A única conclusão que se pode tirar de toda esta situação, aplicandose, inclusive, a máxima de que “fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente”, é que os referidos documentos não existem e que tais operações não teriam qualquer relação com o imposto de renda retido na fonte. Com efeito, não restou provada a vinculação dos valores recolhidos a título de IRRF com as operações de transferência financeira realizada entre matriz e filial. Sendo assim, é possível concluir que o fato gerador do IRRF não tem relação com as referidas operações. Nesse sentido, inclusive, a DIORT identificou que o IR não foi ônus para o beneficiário do exterior. Na verdade, os valores remetidos referemse aos juros contratados, sem qualquer dedução, tendo sido o tributo pago e suportado pelo devedor, a empresa sediada no Brasil. Em situação normal, seria o caso de se aplicar o artigo 725 do RIR/99 e proceder ao reajustamento da base de cálculo para fins de atualizar o valor do IRRF recolhido. Todavia, esta não foi a providência adotada. E nem poderia ter sido. O Sr. Auditor Fiscal não poderia proceder a reajustamento de base de cálculo de uma operação que sequer foi provada. Outrossim, além de não restarem provadas as operações que deram origem aos contratos de câmbio, devese destacar que, mesmo os documentos juntados pelo contribuinte não são hábeis a provar coisa alguma. Isto porque, foram evidenciadas diversas contradições entre as alegações da manifestante e as provas documentais apresentadas, minuciosamente explicadas em trecho do voto de lavra do Sr. Auditor Fiscal, o qual pedimos vênia para transcrever: “Ademais, verificandose a tabela acima apresentada, que discrimina os contratos de câmbio apresentados pela Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.343 21 contribuinte, bem como a escrituração contábil trazida pela empresa aos autos, ficam evidentes contradições entre as alegações da manifestante e as provas documentais apresentadas, de forma que: a) Embora a contribuinte faça menção exclusivamente a notas remuneradas a juros de 8%, na descrição dos contratos de câmbio nº 03/006928 e 03/017095 há menção não a “notes”, mas a “commercial papers”; b) As relações de contratos de câmbio apresentados (i) antes do despacho decisório (fls.851/1016) e (ii) juntamente com a manifestação de inconformidade (fls.1716/1980) são divergentes, como se demonstrará a seguir: b.1) Antes do despacho decisório foram apresentados uma série de contratos de câmbio de compra – tipo 03, que não foram trazidos junto com a manifestação de inconformidade (a saber, contratos de nº 02/057703, 02/066376, 03/003510, 03/004601, 01/068505, 03/017008, 03/014914, 03/014575, 03/013528, 03/011474, 03/018499, 03/032145, 01/056845). Da mesma maneira, juntamente com a manifestação de inconformidade foram apresentados os contratos de câmbio de compra – tipo 03, de nº 03/032144 e 03/009847, que não foram apresentados antes do despacho decisório. De qualquer forma, é essencial destacar que em nenhum momento a contribuinte esclareceu qual a correlação dos referidos contratos de câmbio de compra com a operação que a empresa pretendia comprovar, realizada entre a própria contribuinte e a sua filial das Ilhas Cayman. b.2) A manifestação de inconformidade inovou, ao apresentar os contratos de câmbio de venda – tipo 04, de nº 03/068546, 03/098171, 03/104733. É facilmente observável que tais contratos não fazem parte daqueles relacionados pela contribuinte no resumo de fls.850, dado que da tabela de fls.850 constam 23 contratos de câmbio de venda e da documentação trazida na manifestação de inconformidade constam 26 contratos de câmbio de venda. Cabe destacar que a manifestação de inconformidade não trouxe um novo memorial de cálculos, nos moldes daquele apresentado às fls.850, razão pela qual fica evidente uma nova contradição introduzida aos autos pela manifestante, tendo em vista que, ao se somar os valores dos três novos contratos de câmbio de venda à tabela de fls.850, conseqüentemente são obtidos valores divergentes daqueles calculados originariamente pela contribuinte, o que contradiz os valores declarados pela contribuinte na DIPJ/2004 (ficha 12B – fls.1993 e ficha 43 – fls.2031). c) O valor declarado pela contribuinte na linha 04, da ficha 09B, da DIPJ/2004 (fls.1988), referente a “Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior”, foi de R$304.553.671,40. Tal valor corresponde à soma entre os lucros disponibilizados pela filial das Ilhas Cayman (R$ 304.357.942,22 – fls.2031) e pela empresa Real Paraguaya de Seguros (R$195.729,18 – fls.2033). No entanto, a informação das notas explicativas de fls.2091 Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.344 22 indica outra evidente contradição, pois, embora a manifestante tenha declarado o valor de R$304.357.942,22 como rendimento da filial das Ilhas Cayman, na verdade essa filial teria apurado um lucro no exercício de 2003 no montante de somente R$ 253.252.000,00. d) Ainda quanto às notas explicativas de fls.2091, cabe observar que o valor de imposto de renda relativo à filial das Ilhas Cayman, apurado no anocalendário de 2003, teria sido de R$76.669.000,00, o que diverge das informações prestadas pela contribuinte tanto na linha 07, da ficha 12B, da DIPJ/2004 (fls.1993), quanto na ficha 43, da referida declaração (fls.2031).” A par de tudo isso, é de ser ver, ainda, que o contribuinte deixou de informar, por escrito, bem como de comprovar, os recursos financeiros transferidos ao exterior. Sequer comprovou os resultados fiscais efetivamente atingidos pela filial das Ilhas Cayman e se tais resultados foram oferecidos à tributação. Ora, para gozar do benefício da compensação previsto no artigo 9° da Medida Provisória nº 18072, de 25/03/1999, o contribuinte deveria ter demonstrado, de forma cabal, que a empresa no exterior, efetivamente, recebeu os recursos transferidos. Apesar de todas essas constatações, a decisão recorrida acolheu as alegações da recorrida, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Nesse ponto, divergiu do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, em caso semelhante, se manifestou pelo indeferimento do pedido de compensação. Eis a ementa do paradigma: Processo e 10768.018629/0061 Recurso n° 155.909 Voluntário Matéria IRPJ EXS.: 1999 e 2000 Acórdão n° 10517.266 Sessão de 15 de outubro de 2008 Recorrente PEUGEOTCITROÊN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. (sucessora por incorporação de PEUGEOTCITROÊN DO BRASIL S/A) Recorrida r TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercícios: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte que alega, não especifica a data em que teriam ocorrido e não demonstra que as receitas a Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.345 23 elas correspondentes foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DEDUÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR OU A RESTITUIR Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a restituir, somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte se as receitas a ele correspondentes houverem sido computadas na determinação do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Destaque nosso) Seguindo o raciocínio desenvolvido no paradigma, diante da ausência de provas e de tantas inconsistências naquelas que foram produzidas, claro está que os valores de IR pago no exterior não poderiam ter sido deduzidos, para se chegar ao crédito que se presente utilizar nestes autos, uma vez que sequer podese certificar as operações que geraram o recolhimento do referido tributo. Com efeito, não se pode aplicar ao caso concreto a faculdade prevista no artigo 9º da Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, que permite a compensação de IRRF sobre rendimentos pagos à filial, com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e que seja observado o limite legal imposto para tal compensação. Isso porque, não é qualquer crédito que gera o direito à compensação em discussão. Somente os créditos efetivamente existentes e decorrentes de operações legais e devidamente comprovadas é que poderiam ser utilizados para esse fim. E esta certeza não foi demonstrada pela recorrida. Ao contrário, a sua conduta omissiva quanto às provas solicitadas gera, na verdade, mais dúvidas quanto às operações supostamente realizadas e, em consequência, aos créditos. Percebase que a estrita observância aos requisitos para a compensação previstos na Medida Provisória nº 1.8072, de 25/03/1999 (prova da operação que gerou o IRF, demonstração dos resultados da empresa sediada em país com tributação favorecida, com a inclusão das receitas auferidas e tributadas no Brasil) impede a fraude à finalidade legal, com uma rede de compensações indevidas. Além disso, devese repetir aqui que o artigo 170 do CTN apenas permite a compensação com créditos líquidos e certos. Se tais requisitos não estiverem presentes, não surge ao contribuinte o direito a compensar seus débitos. Para recorrer dessa matéria, a recorrente indicou como paradigma o acórdão nº 10517.266, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.346 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercícios: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte que alega, não especifica a data em que teriam ocorrido e não demonstra que as receitas a elas correspondentes foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DEDUÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR OU A RESTITUIR Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a restituir, somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte se as receitas a ele correspondentes houverem sido computadas na determinação do lucro real. As razões recursais atacam diversos pontos da decisão recorrida, alegando a ausência de apresentação dos contratos que deram origem às transferências de recursos ao exterior, a falta de força probatória dos contratos de câmbio, dentre outras supostas irregularidades no conjunto probatório acatado pelo voto recorrido, enquanto o acórdão paradigma limitase a um único fundamento, qual seja, a falta de comprovação da tributação das receitas correspondentes às retenções na fonte. Ainda que se realizasse o cotejamento entre as decisões, a comprovação da divergência em relação a essa matéria restaria prejudicada, uma vez que o próprio acórdão recorrido assim consignou: As contradições levantadas pela decisão recorrida foram enfrentadas a contento na peça recursal e merecem guarida. Nessa questão cabe registro específico do oferecimento à tributação na interessada dos lucros apurados pela filial (condição necessária para a dedução do IRRF), devidamente demonstrado. (grifouse) Na verdade, toda a alegação da recorrente demonstra sua irresignação contra o fato de que o colegiado a quo admitiu como válidas e suficientes a comprovar o IRRF Exterior, os documentos apresentados pela defesa em atendimento às intimações lavradas pelo órgão de jurisdição e que não foram aceitos pela turma julgadora de primeira instância. Trata se, pois, de valoração de provas, o que não se presta a caracterizar divergência jurisprudencial. Em assim sendo, discordo da admissibilidade também em relação ao terceiro item deduzido no recurso especial da PFN "DO IRRFEXTERIOR", razão pela qual voto por não conhecer do recurso nesta matéria. Mérito No mérito, na questão conhecida, tratase de reapreciar a parcela do direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 reconhecido pelo Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.347 25 colegiado a quo, no valor de R$ 29.970.832.06, em razão de que foram admitidos na sua composição, estimativas quitadas via compensação em outros processos anda que não definitivamente julgados, que somaram R$ 83.692.291,40. Sobre a questão das estimativas compensadas em outros processos administrativos, a PFN discorda da decisão a quo que admitiu o cômputo, no saldo negativo aqui pleiteado, das estimativas cujos valores foram indicados para compensação com saldos negativos de períodos anteriores em outros processos, por entender que referidas parcelas não detinham os atributos de liquidez e certeza, em razão de os processos não terem decisão definitiva. Contudo, alguns desses processos que tratavam dessas compensações de estimativa já se encontravam concluídos por ocasião da prolação do acórdão recorrido e, quanto aos demais, pesquisas recentes demonstram que todos eles já tem solução definitiva na esfera administrativa. Em relação ao processo nº 16327.001507/200399, já havia sido apurado, por ocasião do julgamento pelo colegiado a quo, que nesse processo foram compensadas as estimativas de fevereiro de 2003, no valor de R$ 25.285.403,87, de março de 2003, de R$ 37.414.167,13, e de abril, no montante de R$ 20.174.304,00. A compensação não foi homologada e os débitos foram inscritos em dívida ativa. No âmbito da execução fiscal o sujeito passivo efetuou depósito considerado pela autoridade administrativa como garantidor da execução. Essa situação não se modificou. Sendo assim, os valores podem compor o saldo negativo. Também já havia sido apurado que no processo nº 16327.900918/200610 foi compensada parte da estimativa de setembro de 2003, no valor de R$ 3.065,08. A compensação não foi homologada pela Unidade Local mas, em apreciação da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP prolatou o Acórdão 1623.371 deulhe provimento e homologou a compensação, habilitando a utilização do valor compensado na formação do saldo negativo. Consulta ao site do Comprot (www.comprot.fazenda.gov.br) revela que esse processo se encontrava no arquivo DAMF, desde 10/6/2010, pelo prazo de 5 anos. Isto permite que esse valor seja incluído no saldo negativo pleiteado. Em relação ao processo 16327.001622/200626, restou consignado no voto recorrido que foram compensadas parte das estimativas referente ao mês de outubro de 2003 nas parcelas de R$ 360.460,99 e R$ 454.890,33. Em análise de recurso especial interposto pelo sujeito passivo, a CSRF prolatou o Acórdão 9101001.269 dando–lhe provimento e homologando as compensações. Novas pesquisas demonstram que essa situação está mantida, o que permite a inclusão desse valor no saldo negativo de IRPJ aqui pleiteado. Assim, no presente caso, não se trata de aplicação de decisão administrativa não definitiva, pois, como visto, todos os processos acima mencionados já se encerraram na esfera administrativa, ora a favor da homologação das estimativas de 2003, ora pela não homologação. Mas já há solução em todos. Por tal razão é que a solução dada naqueles processos deve ser aqui adotada. Assim, nessa matéria, não cabe reparos à decisão recorrida, a qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, acrescidos das razões aqui explicitadas. Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.348 26 Em face do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso da PFN e, na parte conhecida, negar provimento. Recurso Especial do Contribuinte O recurso especial do contribuinte foi conhecido apenas em relação à necessidade de sobrestamento deste julgamento para que ocorra em conjunto com os processos administrativos relacionados às compensações das estimativas. Consoante o respectivo despacho de admissibilidade, o recorrente apresentou como paradigmas de divergência com relação a este ponto os Acórdãos 10708101 e 105 14270, aduzindo o seguinte: O Recorrente ainda demonstrou no tópico 2.1.6 do recurso voluntário (fls. 15 e seguintes) a necessidade de se sobrestar o presente processo administrativo até que seja definitivamente encerrada a discussão travada nos processos 16327.000655/200396 e 16327.001506/200344, tendo em vista que as decisões a serem proferidas naqueles autos certamente impactarão no presente caso. Ocorre que, ao analisar o referido argumento, o acórdão recorrido não entendeu pelo aludido sobrestamento, consignando que "a(s) decis(ões) lá prolatada(s) podem ser aqui aplicadas, sem necessidade de juntada dos processos'. De fato, o i. relator do recorrido consignou: A situação dos processos é a seguinte: Processos 16327.000655/200396 e 16327.001506/200344: Foram compensadas nesses processos partes da estimativa correspondente ao mês de janeiro nos valores de R$ 20.893.155,76 e R$ 7.612.782,66; respectivamente. Registrando que os processos estão apensados, houve julgamento no CARF consubstanciado no Acórdão 1402002.141 pelo qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer o direito ao crédito adicional de IRRF no montante de R$ 226.825,45 na composição do saldo negativo do anocalendário de 2001. Esse resultado não afeta a estimativas que teriam sido indevidamente compensadas com IRRF incidente sobre remessas ao exterior. Portanto, tais valores não podem compor o saldo negativo. Verificase que no acórdão 1402002141, que julgou os processos nº 16327.000655/200396 e 16327.001506/200344 (apensados) o relator do voto condutor reproduziu as razões do voto da DRJ nos seguintes termos: Ora, a lei é clara ao permitir a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos enviados a filial ou sucursal domiciliada no exterior, apenas com imposto devido incidente sobre o lucro real da matriz. Como foi apurado prejuízo fiscal, não houve incidência de imposto sobre o lucro da matriz, estando correto o Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 16327.001384/200639 Acórdão n.º 9101003.944 CSRFT1 Fl. 3.349 27 despacho decisório que não homologou a compensação efetuada com débitos de imposto de renda incidente sobre a receita da matriz. Ressaltamos que o crédito de IRRF é da filial com domicílio fiscal no exterior, cuja tributação, se não fosse a previsão legal do art. 9o da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999, seria exclusiva na fonte. Contrariamente ao alegado pela Manifestante, a autoridade administrativa não ofendeu ao princípio da legalidade ao admitir tão somente a hipótese de compensação do IRRF, código 0481, com o lucro real da matriz, apurado ao final do ano calendário. É a Manifestante que pretende efetuar compensação sem expressa previsão legal, e desconformidade com o art. 170, caput, do CTN: [...] Ao final, acolheu parcialmente o pedido da recorrente "para reconhecer os créditos relativos ao IRRF dos comprovantes em que constam os CNPJs das empresas sucedidas/incorporadas, até o valor de R$ 226.825,45, mantendo o restante do v. acórdão recorrido." Dessa decisão houve apenas recurso especial da PFN, consoante extrato de acompanhamento processual disponível no site do CARF nesta data (www.carf.fazenda.gov.br). Logo, concluise que foi definitivamente negada na órbita administrativa a inclusão das retenções na fonte do imposto para fins de compensação de estimativas que comporiam o saldo negativo aqui analisado. Sendo assim, quanto ao recurso do contribuinte, voto por conhecer e negar provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 3349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13154.000016/2007-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
JUROS SELIC.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-000.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
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Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 00 16 /2 00 7- 95 Fl. 110DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2002, anocalendário de 2001, por meio do qual foram glosadas despesas médicas, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar acrescido de juros e multa de oficio. A interessada foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando documentos para tentar comprovar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Questiona aplicação da taxa Selic e Multa supostamente confiscatória. Argumenta que a forma de notificação não foi adequada. Solicita retificação da declaração. A DRJ Campo Grande, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que no que se refere a forma de notificação e ao pleito de retificação da declaração, não fazem sentido eis que a única hipótese em que seria possível admitirse a espontaneidade de retificação seria a de não estar a contribuinte intimada do lançamento em 07/12/2006, data de sua petição. Mas, conforme apontado inicialmente neste tópico a ciência se deu em 27/11/2006, motivo pelo qual não lhe assiste razão. Quanto às despesas médicas, foram parcialmente restabelecidas e consideradas como dedutíveis. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente demonstra concordância com o crédito tributário principal lançado no valor de R$ 5.006,85. No entanto, segue argumentando que a notificação não se deu de forma adequada, motivo pelo qual devem ser excluídos o juros e a multa, além de serem abusivos e supostamente terem caráter confiscatórios. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito SELIC Juros e multa aplicada Como muito bem colocado pela DRJ na decisão a quo, merece seja repetido a legalidade acerca da notificação de lançamento. Pois bem , o auto de infração em análise foi datado de 14/08/2006 e devido ao aviso de recebimento postal de f. 47 (Correios informaram Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13154.000016/200795 Acórdão n.º 2001000.974 S2C0T1 Fl. 3 3 "Não existe o número") a ciência do lançamento resultou infrutífera. Assim, conforme autorizado pelo § 1°, do art. 23, do Decreto 70.235/72, adotou a Administração Tributária a forma de ciência editalícia, que se concretizou em 27/11/2006, conforme consta da f. 53. A Recorrente sustenta ter tentado efetuar espontaneamente a retificação da declaração em análise, não logrando sucesso neste intento. Trouxe na impugnação um relatório impresso da retificação pretendida, sem trazer nenhum elemento de prova da tentativa de retificação. Assim, a alegação não comprovada resta inábil para promover alteração na exigência regularmente constituída. Destarte, a única hipótese em que seria possível admitirse a espontaneidade de retificação seria a de não estar a contribuinte intimada do lançamento em 07/12/2006, data de sua petição. Mas, conforme apontado claramente pela DRJ a ciência se deu em 27/11/2006, motivo pelo qual não lhe assiste razão. No que se refere a aplicação da multa e Selic, vale frisar logo de início que aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Vale dizer, para os tributos federais deve ser aplicada a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. O termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. A Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Vejamos: Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange à multa, em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Apenas a título de ratificação, o STJ já se manifestou diversas vezes no sentido de que é legal o arbitramento realizado pelo Fisco, quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis a afastar a infração. A multa de oficio de 75% não se confunde com a multa de mora. Esta decorre do não pagamento no prazo do tributo. A multa de oficio é Fl. 112DF CARF MF 4 aplicada quando, em decorrência de fiscalização, é lavrado auto de infração, apurado o quantum devido e efetuado o lançamento de oficio. Inteligência do art. 44 , da Lei nº 9.430 /96. Ademais, conforme determinado no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de 27/12/96, nos lançamentos de oficio serão aplicadas as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando das ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, no que tange à multa de 75%, em face do lançamento de oficio, a respectiva penalidade não pode ser reduzida nem dispensada, pois foi expressamente determinada pela legislação de regência. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo nos exatos termos da DRJ. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário lançado a quo. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720205/2012-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/07/2011
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE.
Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis.
PLR. COMISSÕES PARITÁRIAS. NÃO PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE DO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A ausência de membro do sindicato representativo da categoria nas comissões constituídas para negociar o pagamento de PLR implica descumprimento da lei que regulamenta o benefício e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título.
Numero da decisão: 9202-007.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/07/2011 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE. Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis. PLR. COMISSÕES PARITÁRIAS. NÃO PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE DO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A ausência de membro do sindicato representativo da categoria nas comissões constituídas para negociar o pagamento de PLR implica descumprimento da lei que regulamenta o benefício e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/07/2011 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE. Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis. PLR. COMISSÕES PARITÁRIAS. NÃO PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE DO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A ausência de membro do sindicato representativo da categoria nas comissões constituídas para negociar o pagamento de PLR implica descumprimento da lei que regulamenta o benefício e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 02 05 /2 01 2- 50 Fl. 1053DF CARF MF 2 Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento para cobrança de Contribuições Sociais cota patronal e destinadas a Outras Entidades e Fundos não declaradas em GFIPs nas competências 02/2007 a 07/2011, incidentes sobre o pagamento efetuado a empregados a título de participação nos resultados (PPR) que, no entendimento da fiscalização, se deu em desacordo com a determinação da Lei 10101/2000, integrando o salário de contribuição (art. 28, inciso I, § 9o, "j" da Lei 8.212/91). O relatório fiscal aponta duas irregularidades: a) Ausência do representante do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias no Acordo de Participação dos Resultados (PPR) da Unidade de Três Marias/MG, e b) Nos acordos não há regras claras e objetivas na fixação dos valores pagos a título de PLR, sendo constatado grande diferença de valores pagos aos cargos de Gerentes Gerais, Gerentes, Engenharia e "equivalentes", em relação aos demais trabalhadores de salários mais baixo pertencentes a áreas de apoio; Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento ao Recurso Voluntário entendendo pelo cumprimento do disposto na Lei nº 10.101/00. O acórdão 2401004.365, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/07/2011 Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.054 3 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa ou vício material, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. COMUNICAÇÃO FORMAL PELA EMPRESA. FALTA DE PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL. RECUSA DO SINDICATO. EFEITOS. Na hipótese de negociação da participação nos lucros ou resultados mediante comissão paritária escolhida pelas partes, a recusa do sindicato sem motivos plausíveis para participar da negociação, a despeito de ter havido comunicação pela empresa para a indicação de um representante a fim de integrar a comissão eleita, não autoriza que se reconheça, por si só, a invalidade do acordo firmado devido à falta de participação do sindicato da respectiva categoria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. PAGAMENTOS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DO CARGO E DA ÁREA DE ATUAÇÃO DO TRABALHADOR. Compete à fiscalização, que invoca os fatos como fundamento à sua pretensão, demonstrar, em linguagem de provas, quais as regras estipuladas no acordo de participação nos lucros ou resultados que não estão claras e objetivas, e deixam margem à subjetividade do empregador no cumprimento do acordado. A discrepância de valores pagos a título de participação, em função do cargo do trabalhador e da área que atua, valorizando os ocupantes de cargos gerenciais e equivalentes em detrimento dos empregados com salários mais baixos, é razão insuficiente, por si só, para desqualificar o acordo e incidir a tributação sobre os pagamentos realizados. Recurso Voluntário Provido Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresenta recurso especial. Com base nos acórdãos paradigmas nº 2401003.405 e 2803002.020, a Recorrente defende que a participação do sindicato no plano de PLR é requisito legal inafastável, devendo o contribuinte com base no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho e diante da recusa daquele em participar da negociação coletiva, ter dado ciência ao Ministério do Trabalho para as providências cabíveis. Fl. 1055DF CARF MF 4 Em sede de contrarrazões pugna o Contribuinte pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fáticas entre os acórdãos. Segundo exposto o acórdão recorrido teria fundamentado sua decisão de relativização do requisito da participação do sindicato na negociação em razão da opção deste em ajuizar ação anulatória para debater as cláusulas fixadas, neste cenário e considerando ter sido o acordo firmado por comissão paritária seria inaplicável ao caso o art. 616 da CLT. Tais especificidades não estão presentes nos acórdãos paradigmas. No mérito, requer o contribuinte a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de se analisar o mérito, diante das considerações feitas na peça de contrarrazões, passo à avaliação dos requisitos formais para conhecimento do Recurso. No entendimento da recorrida as situações fáticas analisadas pelos Colegiados paradigmáticos são distintas daquelas ocorridas no presente caso. Neste lançamento temos o pagamento de PLR efetuado com base em acordo firmado entre a empresa e comissão paritária composta nos termos da Lei nº 10.101/00, sendo que o vício apontado ausência de participação do sindicato se deu por culpa exclusiva do sindicato que não concordando com as regras fixadas optou por ajuizar ação anulatória, ação esta julgada improcedente. Segundo argumenta o recorrido esta seria a principal fundamentação que teria levado o Colegiado recorrido a decidir pela relativização da regra que exige a participação de representante sindical. Ocorre que, embora tal situação tenha sido considerada pelo Relator, entendo não ser ela o pilar da fundamentação do acórdão. Ao longo do seu voto o Conselheiro Relator expõe seu entendimento acerca da participação do sindicato ser regra de caráter formal e sua ausência seria motivo suficiente para descaracterizar a PLR da empresa como parcela imune à incidência da contribuição previdenciária; defende, porém, que cabe ao intérprete do direto examinar as particularidades do caso concreto, e neste ponto afirma: 25. A recorrente faz prova da convocação da entidade sindical para participar da comissão prevista no inciso I do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, relativa ao acordo aplicável ao ano de 2008 (fls. 105/107). Em resposta à intimação fiscal, o próprio Sindicato confirma a convocação (fls. 110/112). 25.1 Expôs o Sindicato que se recusou a participar das negociações para elaboração das regras do acordo referente ao ano de 2008. Alegou a rotina de imposições patronais prejudiciais aos trabalhadores e de vícios na eleição dos representantes dos trabalhadores na comissão, tanto que optou por ingressar na via judicial com a finalidade de buscar a anulação dos acordos referentes aos anos de 2003 a 2006 (Autos nº 006142007.056.03.00.4), demanda que acabou sendo julgada improcedente pelo Poder Judiciário. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.055 5 25.2 Em manifestação complementar, o Presidente do Sindicato acrescentou que a empresa não permitia o acesso da entidade sindical às informações indispensáveis ao estabelecimento de regras claras e mecanismos de aferição dos dados pertinentes ao cumprimento do acordado, estabelecendose uma discrepância entre os valores pagos aos níveis de chefia e operadores, chegando os primeiros trabalhadores a receber até mais de 20 (vezes) que os demais (fls. 114/116). 26. Nesse contexto fático, no que diz respeito aos planos vigentes para 2009, 2010 e 2011, não localizei nos autos cópias das correspondências enviadas pela empresa ao Sindicato informando o início das negociações e solicitando a indicação de representante sindical para compor a respectiva comissão. 27. Acontece que os elementos probatórios revelam, em meu ponto de vista, que o Sindicato, em que pese formalmente convocado pela empresa, negouse a participar das negociações em todos os anos citados, pelas mesmas razões acima explicadas para o ano de 2008. ... 28. Pois bem. Como antes dito, a participação do sindicato na negociação tem por objetivo resguardar os interesses dos trabalhadores, de maneira que não me parece aceitável que a entidade sindical se recuse a participar da negociação, deixando os trabalhadores desassistidos, ressalvada a ocorrência de motivo relevante e comprovado, que constitui, evidentemente, exceção à regra. 29. Em linhas gerais, as acusações descritas pelo Sindicato na resposta à intimação fiscal são graves, porém são desprovidas de indícios concretos da ocorrência dos fatos narrados. Mesmo a ação judicial impetrada pelo Sindicato foi julgada improcedente, como noticiou. ... 34. Logo, não podem as partes ficarem à mercê do posicionamento da entidade sindical, a qual se recusa a participar das tratativas para o acordo, a meu sentir, sem motivos plausíveis, descumprindo sua função constitucional (art. 8º, inciso III, da Carta Política de 1988). 34.1 Eleita a via da comissão paritária, a intimação do sindicato da categoria dos empregados é medida suficiente para comprovar a adoção das providências possíveis pela empresa. 34.2 Nessa hipótese, é inaplicável o art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovado pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, o qual prevê que, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações, tinha a empresa como dever legal suscitar a convocação compulsória do sindicato ao Ministério do Trabalho. O dispositivo legal dirige Fl. 1057DF CARF MF 6 se à negociação coletiva, prevista no inciso II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, situação distinta da ora examinada. 35. Dessa feita, adotadas pela recorrente as medidas de comunicação ao sindicato, a negativa da entidade em participar das negociações, demarcada pelas razões expostas, deixando de indicar representante para integrar a comissão paritária e acarretando, por conseguinte, a falta de assinatura no instrumento e ausência de arquivamento junto a entidade sindical, não tem o condão de invalidar os acordos firmados, por falta de requisito formal previsto na Lei nº 10.101, de 2000. A leitura dos trechos acima descritos nos leva ao entendimento de que a conclusão do Colegiado recorrido foi no sentido de que havendo uma recusa injustificada do respectivo sindicato em participar das comissões paritárias previstas no art. 2º, I da Lei nº 10.101/00, para evitar prejuízos aos empregados, a regra deve ser mitigada para prevalecer o objetivo constitucional. Apenas para ilustrar a similitude fática, tomamos com base o primeiro acórdão paradigma, o de nº 2401003.405. Neste caso, mesmo reconhecendo como plausível o argumento do contribuinte de ter havido convite formal ao sindicato, aquele Colegiado concluiu pela invalidade do programa da PLR entendendo que para tais situações deve ser cumprida a formalidade do art. 616 da CLT. Vale destacar parte do voto citado na peça recursal: A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8º da Carta Magna, o qual se reporta ao sindicato como legítimo defensor dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Outra questão que se mostra de suma relevância é a comprovação da empresa de que o Sindicato dos Empregados em Estabelecimento Bancários do Rio de Janeiro fora convocado para participar das negociações, todavia, não se fez presente nas tratativas. De fato, o próprio relatório fiscal já dá conta de que o próprio Sindicato manifestouse no sentido de que não participou das negociações em razão de não concordar com a eleição da comissão de empregados nem com a forma das negociações. Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. É que o ordenamento pátrio prevê remédio para este tipo de situação. Eis a norma da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT que trata da questão: Nos termos do art. 616 da CLT: ... Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.056 7 Assim, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações em questão, tinha a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Não tendo a recorrente adotado essa providência, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, em ambos os julgados temos uma situação onde o sindicado não atendeu ao convite para compor a comissão paritária, neste cenário o Colegiado do acórdão recorrido se manifesta no sentido de manter o plano de PLR, pois os empregados não poderiam ser penalizados em razão da recusa imotivada da entidade de classe; em contrapartida o Colegiado paradigmático concluiu que uma vez havendo a recusa do sindicato deve o contribuinte se socorrer do art. 616 da CLT. Diante do exposto, ratifico o despacho de admissibilidade e conheço do recurso. Do mérito: O recurso interposto devolve a este Colegiado a discussão acerca da melhor interpretação a ser dada ao art. 28, §9º, alínea 'j' da Lei nº 8.212/91 e art. 2º, caput, inciso I da Lei nº 10.101/00, em relação aos valores pagos a empregados a titulo de participação nos lucros e resultados segundo regras fixadas por acordo firmado entre empresa e comissão paritária sem a participação do Sindicato. Apurou a fiscalização que o sindicato se recusou a participar da negociação. O direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Provocado a se manifestar sobre o citado dispositivo legal e seus efeitos sobre a Lei nº 8.212/91, o Supremo Tribunal Federal, no acórdão proferido no Ag. Reg. no Recurso Extraordinário nº 393.7642/RS, concluiu que o citado art. 7º, inciso XI seria norma constitucional de eficácia limitada. Portanto, nos casos de relação de emprego somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão dos valores pagos a título de PLR do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Fl. 1059DF CARF MF 8 Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível com sua realidade e os seus interesses". Vale destacar que essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pela Reforma Trabalhista feita pela Lei nº 13.467/17, valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, partindose da premissa de que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, somente nos casos em que restar demonstrado abuso que leve a sua descaracterização será possível admitir a incidência da Contribuição Previdenciária. A Lei 10.101/00, no meu entender, possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observadas. É o que ocorre com a exigência de o acordo ser celebrado com a presença de sindicado ou comissão eleita pelos empregados, vedando assim a instituição de regras unilaterais e cumprindo com o objetivo de assegurar a representatividade do empregado garantindolhe apoio para negociar no mesmo patamar do seu empregador. Entretanto, tal obrigatoriedade de participação do sindicato não deve ser tomada como um requisito intransponível, podendo ser relativizada nos casos onde o pagamento favorecer ao trabalhador. O próprio Superior Tribunal de Justiça, já se manifestou neste sentido, valendo citar parte do voto proferido pelo então Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº 865.489/RS: Destarte, a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na forma acordada. O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.057 9 sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente. Da passagem do voto acima é possível concluir pelo caráter contratual das negociações relativas ao PLR e a ausência de participação do sindicato, na verdade, é mais prejudicial à empresa do que ao trabalhador, afinal o acordo firmado sem a participação da entidade sindical não vincula os empregados, admitindose no entender do Tribunal sua re discussão. Assim e não sendo mais objeto de discussão a validade das cláusulas dos respectivos acordos, não se pode deixar de considerar que os empregados do Recorrido foram favorecidos com o pagamento dos valores objetos do lançamento. Temos então um pagamento que atendeu a finalidade essencial do instituto da participação dos lucros e resultados nos termos em que previsto na Constituição Federal. No caso concreto ainda temos a comprovação de que o sindicato se recusou a participar da negociação. Ou seja, embora as partes interessadas empresa e empregados tenham cumprido a formalidade, o sindicato deliberadamente deixou de indicar seu representante. Neste cenário, não nos parece razoável que as partes sejam prejudicadas pela ausência de terceiro cuja função se limitaria ao acompanhamento da negociação. Explico: O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 faculta que o plano de PLR seja fixado por meio de dois instrumentos. Cabe a empresa e aos empregados de comum acordo optar por negociar suas condições ou por meio de comissão paritária ou por meio de acordo/convenção coletiva de trabalho. No caso dos acordos e convenções, nos termos dos art. 611 da CLT, o sindicato assume a discussão na condição de parte da negociação: Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acôrdo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. § 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações representativas de categorias econômicas ou profissionais poderão celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as relações das categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito de suas representações. Considerando o caráter normativo das convenções e dos acordos coletivos o legislador definiu que as partes não podem se recusar a participar das negociações. Segundo o texto do art. 616, também da CLT, os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. Fl. 1061DF CARF MF 10 Para viabilizar a negociação coletiva com força normativa, nas hipóteses em que ocorre a recusa, o texto da CLT menciona sobre a possibilidade da convocação compulsória da parte por intermédio do Ministério do Trabalho: Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as emprêsas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou emprêsas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou emprêsas recalcitrantes. § 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou emprêsas interessadas a instauração de dissídio coletivo. ... Ao tratar dos acordos coletivos o art. 617 ainda prevê: Art. 617 Os empregados de uma ou mais emprêsas que decidirem celebrar Acôrdo Coletivo de Trabalho com as respectivas emprêsas darão ciência de sua resolução, por escrito, ao Sindicato representativo da categoria profissional, que terá o prazo de 8 (oito) dias para assumir a direção dos entendimentos entre os interessados, devendo igual procedimento ser observado pelas emprêsas interessadas com relação ao Sindicato da respectiva categoria econômica. § 1º Expirado o prazo de 8 (oito) dias sem que o Sindicato tenha se desincumbido do encargo recebido, poderão os interessados dar conhecimento do fato à Federação a que estiver vinculado o Sindicato e, em falta dessa, à correspondente Confederação, para que, no mesmo prazo, assuma a direção dos entendimentos. Esgotado êsse prazo, poderão os interessados prosseguir diretamente na negociação coletiva até final. ... Percebemos que até mesmo quando o Sindicato é parte interessada sua presença pode ser mitiga em razão da sua recusa em participar das negociações. Nestes casos ou se apela para as regras da mediação da Lei nº 10.192/2001 ou se faculta às partes representadas deliberarem diretamente sobre o tema. Havendo impasse o 'dissídio coletivo' deverá ser submetido ao Poder Judiciário. É necessário destacar que as regras do art. 616 somente se aplicam aos casos de acordos e convenções de trabalho e, assim se faz, pelo fato das mesmas assumirem caráter normativo e evolverem direitos sensíveis aos trabalhadores, condição que não está presente nos acordos de PLR firmados pelas empresas e seus empregados por meio da comissões paritárias. Como exposto acima, nos dizeres do Superior Tribunal de Justiça, tais planos assumem o Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.058 11 caráter contratual e a presença do sindicato tem como finalidade assegurar a igualdade de condições entre empresa e empregados, sua participação não se dá como parte. Tanto não é parte que o representante do sindicato pode 'ficar vencido' nas negociações e neste caso prevaleceria a vontade dos demais integrantes da comissão paritária eleita (empresa e empregados). Assim devemos nos perguntar: um plano de PLR firmado por meio de comissão paritária assinado pelas partes e ainda pelo representante do sindicato, este último fazendo ressalva expressa de que não concorda com as cláusulas fixadas, seria inválido? Acredito que não, neste caso o sindicato nem mesmo conseguiria instaurar o dissídio coletivo. Observase que, sob todos os prismas de estudo, devese concluir que a participação da entidade sindical na comissão paritária, prevista no inciso I do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tem uma finalidade específica de proteção do interesse dos empregados e pode ser mitigada nos casos em que não restar comprovado prejuízo ou violação ao objetivo primordial da PLR de integração entre o capital e trabalho. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator Designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, peço vênia para delas discordar por entender que as normas relativas à matéria objeto do Recurso Especial conduzem a conclusão diversa. As contribuições destinadas ao custeio da Previdência Social, incidentes sobre a folha de salários, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do art. 195 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 1063DF CARF MF 12 [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Apercebase que, como forma de resguardar a previdência pública, o legislador constituinte tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser atribuído. À luz do que estabelece o texto constitucional, o caput do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 tratou de constituir a base de cálculo das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (saláriodecontribuição) como sendo “a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma”. Não restam dúvidas de que a PLR paga aos empregados tem por objetivo retribuir o trabalho. Via de regra, essa verba tem como desígnio premiar o esforço adicional empreendido pelos obreiros no intuito de incrementar os resultados da empresa. Desnecessários, pois, grandes esforços interpretativos para se concluir que a participação nos lucros ou resultados encontrase inserida no conceito de saláriodecontribuição. Aliás, entendimento em sentido diverso não encontra baliza na doutrina especializada, tampouco na jurisprudência consolidada. É certo que a própria Constituição da República elencou entre os direitos sociais do trabalhadores a participação nos lucros ou resultados das empresas, porém, a desvinculação de referida parcela da remuneração está subordinada à observância dos requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifouse) Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 estabelece que a exclusão da parcela paga a título de PLR da composição do saláriodecontribuição (base cálculo da contribuição previdenciária) está condicionada à submissão dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos: Art. 28. [...] [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.059 13 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. [...] (Grifouse) A regulamentação reclamada pelo inciso XI de seu art. 7º da CF/1988 somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso, tendo em vista a eficácia limitada da disposição constitucional, era perfeitamente cabível a tributação das parcelas pagas sob a denominação de PLR pelas contribuições previdenciárias. Ademais, foi exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do tema. Confirase: RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7º, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Os valores pagos a título de PLR têm natureza retributiva e sua desvinculação do saláriodecontribuição, repisese, está subordinada ao estrito cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei específica. Fl. 1065DF CARF MF 14 Pois bem. A questão devolvida a este Colegiado diz respeito aos efeitos da não participação de representante do sindicato representativo da categoria na comissão paritária responsável pela negociação da PLR. De acordo com o voto condutor da decisão recorrida, o Sindicato, em que pese formalmente convocado pela empresa, negouse a participar das negociações levadas a efeito por meio das comissões constituídas para tal fim. Essa situação restou evidenciada tanto no Relatório Fiscal quanto nos esclarecimentos prestados pela entidade sindical à autoridade autuante no documento de fls. 110/112. Em vista disso, concluiu o Colegiado recorrido que“a falta de assinatura no instrumento e ausência de arquivamento junto a entidade sindical, não tem o condão de invalidar os acordos firmados, por falta de requisito formal previsto na Lei nº 10.101, de 2000”. A Fazenda Nacional, por seu turno, argumenta que, no caso de recusa do sindicato em participar das negociações relacionadas à PLR, deveria a empresa recorrer ao art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e comunicar o fato ao Departamento Nacional do Trabalho para que fosse providenciada a convocação compulsória da entidade sindical. Não tendo sido adotada tal providência, e, “ante a ausência de demonstração da participação efetiva do sindicato específico representante da categoria, a contribuinte não pode se valer do benefício legal do programa de participação nos lucros e resultados pelos empregados”. A Lei 10.101/2000, ao versar sobre as negociações entre trabalhadores e empregadores com vistas ao pagamento de PLR possibilitou a celebração de ajustes por meio de acordo, convenção coletiva, ou ainda por comissão constituída por representantes do empregador e dos empregados, mas com a necessária participação do sindicato representativo dos trabalhadores. Confira o teor do dispositivo na sua versão original: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. De se notar que, conquanto o inciso I acima tenha sido alterado pela Lei nº 12.832/2013 para garantir a paridade na comissão, a obrigatoriedade de participação de representante do sindicato no processo levado a efeito à luz desse dispositivo mantevese indene. Abaixo transcrevese o teor da disposição modificado: I – comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) É incontroverso que não houve participação de representante do sindicato dos trabalhadores na comissão que ajustou os termos para o pagamento de PLR no período de apuração objeto do lançamento. Claro está, portanto, que restou descumprida a regra insculpida no inciso I do art. 2º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13609.720205/201250 Acórdão n.º 9202007.364 CSRFT2 Fl. 1.060 15 Acerca desse assunto, o inciso III do art. 8º da Constituição Federal estabelece que “ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”. Necessário esclarecer que ao preconizar a participação de representante do sindicato dos trabalhadores nos acordos de PLR celebrados a partir de comissões paritárias, pretendeu o legislador dar efetividade ao disposto na Lei Maior. Até porque, também há norma constitucional (art. 8º, VI) que impõe aos sindicatos a obrigação de participar das negociações coletivas de trabalho. As disposições acima referidas não deixam dúvidas de que a participação dos sindicatos em processos de negociação não se trata de mera faculdade. Tratase de diretriz de caráter obrigatório cujo propósito é “a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria” ou das categorias profissionais representadas pela entidade, sendo a ela defeso, por determinação constitucional, escusarse de cumprir o seu mister. Não se pode olvidar, contudo, do argumento que a empresa vem apresentando desde a impugnação segundo o qual a ausência de representante no sindicato na comissão paritária teria decorrido da recusa deliberada da entidade representativa dos trabalhadores em participar do processo negocial. Todavia, embora reconheça bastante razoável esse argumento, não o considero como suficientemente hábil a justificar o descumprimento da regra contida no inciso I da Lei 10.101/2000. É que a Lei nº 10.101/2000 exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações. Eventual recusa da entidade em participar das tratativas a respeito da PLR não tem o condão de excluir a exigência legalmente estatuída uma vez que há norma voltada para a resolução de situações dessa natureza. Verificada a recusa do sindicato em cumprir seu dever constitucional, deveria o sujeito passivo recorrer às soluções fixadas no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, cuja reprodução mostrase imperiosa: Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) § 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) § 3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 Fl. 1067DF CARF MF 16 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) § 4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Com base na norma trabalhista, diante da negativa do sindicato em atender à convocação feita pelo contribuinte, deveria esse ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, para que se procedesse sua convocação compulsória. Não tendo sido adotada a medida ora mencionada, e sem a presença, em referidas comissões, de um representante indicado pela entidade de classe, temse que o pagamento da PLR foi feito em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. A respeito da premissa estampada no voto vencedor da decisão fustigada e repisada nas contrarrazões do sujeito passivo, de que, ao caso concreto, não seria inaplicável o art. 616 da CLT, pois referido dispositivo se dirigiria especificamente à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, entendo que, muito embora esse artigo esteja inserido no título da norma trabalhista relacionado às convenções coletivas de trabalho, o texto legal em momento algum faz esse tipo de restrição, sendo, por essa razão, aplicável às negociações coletivas em geral, na esteira do que estabelece o inciso VI do art. 8º da Constituição. Concluise assim, que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR caracterizase como descumprimento injustificável da lei que regulamenta o benefício (Lei 10.101/2000, art. 2º, I), atraindo a incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do desatendimento o disposto a alínea “j” 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721715/2015-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DMSN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. APRESENTAÇÃO INDEVIDA.
Não cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração Anual ou Mensal do Simples Nacional, quando a contribuinte comprova o cumprimento tempestivo da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1001-001.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. APRESENTAÇÃO INDEVIDA. Não cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração Anual ou Mensal do Simples Nacional, quando a contribuinte comprova o cumprimento tempestivo da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 15 /2 01 5- 36 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.721715/201536 Acórdão n.º 1001001.073 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 126 a 139) interposto contra o Acórdão nº 0442.850, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 111 a 114), que, por unanimidade, julgou parcialmente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DMSN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. APRESENTAÇÃO INDEVIDA. Não cabe a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração Anual ou Mensal do Simples Nacional, quando a contribuinte comprova o cumprimento tempestivo da obrigação acessória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Contra a contribuinte acima identificada foram formalizadas as Notificações de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da Declaração Anual ou Mensal do Simples Nacional dos anoscalendário 2011 a 2013, conforme abaixo: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.721715/201536 Acórdão n.º 1001001.073 S1C0T1 Fl. 4 3 Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação em 04/05/2015 (f. 02) alegando, em síntese, que: a) ao acessar o PDDAS anocalendário 2011 e DEFIS anocalendário 2012 para entrega das declarações foi informada de que não se encontrava como optante pelo Simples Nacional; b) sendo assim, entregou as declarações de DSPJ Inativa dos anoscalendário 2011 e 2012 dentro do prazo; c) no anocalendário seguinte, ou seja, 2013, ao entregar a DSPJ Inativa, foi informada que se encontrava como optante pelo Simples Nacional; d) ou seja, ela estava como optante do Simples Nacional, foi excluida e retornou para o Simples Nacional e, com isso, foram aplicadas multas indevidamente, já que tentou entregar corretamente, mas foi impossibilitada pelo sistema da RFB; e) para comprovar tal situação, informa que se ela estivesse no período mencionado como optante pelo Simples Nacional, a RFB não aceitaria a entrega como Inativa e viceversa." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando que agiu com máxima diligência, contudo não conseguiu apresentar a declaração devida no prazo correto por culpa exclusiva dos sistemas da RFB. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente admite que a declaração só foi entregue no dia 14/03/2015 quando o prazo final seria o dia 31/03/2014. No entanto, pede a reconsideração do auto de infração alegando que o atraso no cumprimento da obrigação acessória decorreu única e exclusivamente de falha dos sistemas da Receita Federal do Brasil que teria impedido a transmissão na data correta. Não há qualquer elemento nos autos que demonstre a efetiva ocorrência de qualquer falha no sistema ou qualquer outra circunstância de força maior que justificasse todo o atraso incorrido pela Recorrente. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.721715/201536 Acórdão n.º 1001001.073 S1C0T1 Fl. 5 4 Ora, conforme cediço, é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é função deste julgador zelar pela boa aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Em outras palavras, não cabe aos julgadores deste Conselho fazerem considerações de ordem política e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicálas aos casos que lhes são postos à análise. Desta feita, considerando que é inconteste nos autos o atraso incorrido pela Contribuinte, e que não há elementos suficientes ou justificativa capaz de eximilo desta responsabilidade, não há que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) A contribuinte afirmou que tentou apresentar a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa 2014 e não teve sucesso, por constar como optante do Simples Nacional (f. 11). O prazo de entrega dessa DSPJ foi no período de 02 de janeiro até 31 de março de 2014. Portanto, se ela tentou tempestivamente transmitir a DSPJ Inativa 2014, referente ao anocalendário 2013, a data limite ocorreu em 31/03/2014. As Declarações Mensais do Simples Nacional – DMSN referentes a janeiro a dezembro/2013 foram transmitidas em 30/03/2015, ou seja, um ano após o prazo de transmissão da DSPJ Inativa 2014. Concluise, portanto, que a empresa em questão estava obrigado à apresentação das DMSN dos meses de janeiro a dezembro de 2013, tendo as apresentado intempestivamente. (...)" Conforme apontando, resta assentado o inescusável atraso na entrega da declaração por parte da Recorrente. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.721715/201536 Acórdão n.º 1001001.073 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915359/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.013
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal: a) manifeste-se sobre os documentos juntados em recurso voluntário; b) verifique a natureza da operação bancária que gerou a incidência da CPMF, o efetivo estorno e a demonstração de eventual indébito; c) afira a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; d) informe se o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito; e) esclareça se eventual crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada no total ou em parte e f) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal: a) manifestese sobre os documentos juntados em recurso voluntário; b) verifique a natureza da operação bancária que gerou a incidência da CPMF, o efetivo estorno e a demonstração de eventual indébito; c) afira a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; d) informe se o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito; e) esclareça se eventual crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada no total ou em parte e f) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 15 35 9/ 20 09 -8 7 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 16327.915359/200987 Resolução nº 3301001.013 S3C3T1 Fl. 76 2 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A 3ª Turma da DRJ/CPS, acórdão nº 0532.411, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em recurso voluntário, a Recorrente aponta a origem do indébito: (..) crédito ora guerreado decorre de valor recolhido indevidamente no montante de R$ 571.654,03, cujo valor original na época da retenção indevida era de R$ 503.260,88 (doc.03). Isso porque o Recorrente, na qualidade de substituto tributário, efetuou retenção e o respectivo recolhimento de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Fl. 76DF CARF MF Processo nº 16327.915359/200987 Resolução nº 3301001.013 S3C3T1 Fl. 77 3 Financeira CPMF em face de operação financeira praticada pelo cliente Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros (...) Anexa os documentos de efls. 70 a 73. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, tomo conhecimento. Sobre a negativa de reconhecimento de crédito da Recorrente, a DRJ assim se manifestou: Importante, de início, destacar que o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o Darf indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Vale lembrar que a partir da redação conferida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação (DCOMP), da qual constariam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevêm a homologação confirmando a extinção. Inconsistentes as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica e a compensação não é homologada. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, D1PJ, etc.), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc.), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 16327.915359/200987 Resolução nº 3301001.013 S3C3T1 Fl. 78 4 Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Concordo com os termos da decisão recorrida no sentido de que a simples alegação de erro na DCTF que serviu de base para o despacho decisório de não homologação, o qual posteriormente teria sido corrigido, não dá suporte ao direito de pleiteado. Isso porque há de ser demonstrada a liquidez e certeza do direito de crédito, como prescrito pelo art. 170 do CTN. A retificadora por si só não se presta a atestar o direito ao crédito. Ocorre que em sede de recurso voluntário, a Recorrente aponta a origem do indébito: o valor recolhido indevidamente no montante de R$ 571.654,03, cujo valor original na época da retenção indevida era de R$ 503.260,88, decorreu da retenção e recolhimento de CPMF de operação financeira de titularidade da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros, entidade imune da contribuição, nos termos do art. 195, §7°, da CF/88 e art. 3°, V, da Lei n° 9.311/96: Art. 195. (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Art. 3º A contribuição não incide: V sobre a movimentação financeira ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira das entidades beneficentes de assistência social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Para tanto, anexou em sua peça recursal o CNPJ da Entidade (efl. 70) e a Resolução n° 03 de 23/01/2009 do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), que comprova o seu caráter beneficente (efls.7172). Ademais, a Recorrente sustenta que comprovou o estorno de CPMF, ao anexar o extrato bancário da Entidade (efl.73). Dessa forma, o extrato anexado comprovaria que a Entidade recebeu a devolução do valor retido indevidamente a título de CPMF, logo o Banco teria assumido o ônus financeiro do pagamento da CPMF. Diante disso, por se tratarem de fatos novos, com suporte em documentos trazidos em sede de recurso voluntário, entendo que a unidade de origem deve analisar tais alegações, com vistas a identificar ou não o valor de R$ 503.260,88, a título de recolhimento indevido de CPMF. Conclusão Do exposto, voto pela conversão do julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 16327.915359/200987 Resolução nº 3301001.013 S3C3T1 Fl. 79 5 a) Manifestese sobre os documentos juntados em recurso voluntário; b) Verifique a natureza da operação bancária que gerou a incidência da CPMF, o efetivo estorno e a demonstração de eventual indébito; c) Afira a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; d) Informe se o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito; e) Esclareça se eventual crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada no total ou em parte e f) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dêse vista ao Banco para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.720021/2004-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 00 21 /2 00 4- 16 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 265 2 Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ Ribeirão Preto: Em datas de 09/04/99 e 27/10/99 a contribuinte Brasil Warrant Representação e Participações Ltda., inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n° 62.355.698/0001 15, aviou as autorizações de fls. 05 e 24 para que parte de sua restituição de R$ 2.128.234,09, pleiteada nos autos do processo administrativo Fiscal n° 13851.000228/9961, fosse compensada com débitos da interessada, quais sejam, de Contribuição social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor de R$ 1.476,01, apurada em março de 1999; de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), na importância de R$ 319,80, apurada em março de 1999 e de Imposto de Renda Retido na Fonte na quantia de R$ 46,54, apurado em outubro de 1999. Também integram os autos as autorizações de fls. 02/04 e 06/20, protocoladas em 04/03/99, 10/03/99, 24/03/99, 07/04/99, 10/05/99, 16/06/99, 15/07/99, 04/08/99, 18/08/99, 15/09/99, 29/09/99, 06/10/99, 04/11/99, 01/12/99 e 15/12/9915/12/99 e 29/12/99, pelas quais a contribuinte Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas, inscrita no CNPJ n° 33.744.277/000188, permite que parte do crédito de R$ 761.953,06, pleiteado nos processos administrativos fiscais es 13851.000227/9907 e 13851.000634/9861, seja compensado com débitos da interessada, quais sejam, de Contribuição social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor de R$ 2.801,27, apurada em abril, junho e novembro de 1999; de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), na importância de R$ 908,51, apurada em junho e novembro de 1999 e de Imposto de Renda Retido na Fonte, na quantia de R$ 13.321,90, apurado em fevereiro, março, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1999. Referidos instrumentos também foram assinados pelos representantes da interessada que, de forma expressa, exteriorizam pedidos de compensação e a assunção da responsabilidade pelas dividas. Em 14/06/2005 a Delegacia da Receita Federal em Araraquara remeteu interessada a comunicação DRF/AQA/Sorat n° 568/2005 dandolhe ciência do indeferimento do direito creditório pleiteado por Brasil Warrant Representação e Participações Ltda. e Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas Ltda e que, por decorrência, as dividas haveriam de ser adimplidas. Alertoua, ainda, sobre o não cabimento de manifestação de inconformidade, bem como, que a eventual interposição de recursos pelas postulantes dos créditos não teria o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos fiscais. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 266 3 Cientificada em 20 seguinte a interessada ingressou com a peça recursal de fls.34/47, acompanhada dos documentos de fls. 48/146, dentre os quais, a propósito, não figura cópia do contrato social e nem tampouco instrumento de mandato, pedindo o cancelamento da cobrança. Argumenta, em síntese, preliminares de cabimento da manifestação de inconformidade e de decadência e prescrição dos débitos. Assevera que o direito à apresentação da manifestação de inconformidade decorre de disposição legal expressa, no caso o § 7° do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 10.833, de 2003, e que a despeito do crédito objeto da compensação ter sido adquirido de terceiros tal procedimento foi adotado em janeiro de 2000, quando vigia a permissão prevista no artigo 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997. Além disso, não seria o Chefe da Sorat da Delegacia da Receita Federal em Araraquara a autoridade competente para apreciar dita questão, mas sim as autoridades da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a par de flagrante ofensa ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal estatuído no artigo 50, incisos LIV e LV, da Constituição Federal. Realça que o § 40 do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 10.637, de 2002, o qual trata da transformação dos pedidos de compensação pendentes de decisão administrativa em declarações de compensação, não faz qualquer diferenciação entre as compensações de créditos próprios e as compensações de créditos de terceiros, dai o entendimento de que não cabe ao intérprete fazer distinções onde a lei não distingue. Pugna pela integral aplicabilidade do regime jurídico instituído pela Lei n° 10.637, de 2002, e também pelo prazos de cinco anos fixados 6. autoridade Fiscal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, que na hipótese de não ser exercida implica na extinção definitiva do crédito tributário, consoante ditado pelo § 5° da norma em comento, na redação dada pela da Lei n° 10.833, de 2003. Relativamente à decadência do direito fiscal de lançar aduz que o tributo cobrado regese pelo regime do lançamento por homologação, que se encontra previsto no § 4° do artigo 150, do Código Tributário Nacional (CTN), de forma que o prazo de cinco anos contase da ocorrência do respectivo fato gerador. Assim, em se tratando de fatos ocorridos entre fevereiro a novembro de 1999, não mais caberia qualquer lançamento e que, mesmo se aplicando a contagem do prazo decadencial a partir de 1° de janeiro do exercício seguinte ao fato gerador, na forma do artigo 173, inciso I, do código, ainda assim teria ocorrido o fenômeno em 1° de janeiro de 2005, não mais cabendo o lançamento. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 267 4 Argumenta, mais, que não seria aplicável o prazo decadencial de dez anos previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, para exigirse a COFINS e o PIS, uma vez que a matéria é da alçada exclusiva da lei complementar, contrariando, portanto, o Código Tributário Nacional. No que diz respeito à prescrição salienta que os tributos foram objeto de declaração nas DCTFs correspondente aos quatro trimestres civis do ano de 1999. Assim, em se considerando que referida declaração é hábil à constituição definitiva do crédito tributário e que a cobrança dos tributos ocorreu após o prazo qüinqüenal ditado pelo artigo 174 do CTN, qual seja em 20/06/2005, devem ser declarados extintos. Quanto ao mérito, invoca e tem por integrante todas as razões apresentadas nas manifestações de inconformidade aviadas pelas peticionarias dos créditos (Brasil Warrant Participações e Brasil Warrant Administração) em busca do reconhecimento do direito creditório, e para tanto junta cópia daquelas peças, entendendo, mais, que dada a conexão existente entre as questões somente após proferida decisão definitiva nos autos n's 13851.000227/9907, 13851.000228/9961 e 13851.000634/98 61 é que poderia ser intentada qualquer exigência fiscal, pena de incorrerse no solve et repete, já banido do ordenamento jurídico. Por fim, protestou pela juntada de documentos e pela realização de diligências. Entranharamse as fls. 149/172, que se constituem em cópia da petição inicial que originou o processo n° 2005.61.20.0083301 na 1ª Vara Federal de Araraquara, como também da decisão judicial nele proferida, antecipatória da tutela, no sentido de que a manifestação de inconformidade seja recebida e processada, inclusive com suspensão da exigibilidade do crédito tributário alvo da cobrança fiscal. As fls. 173 e seguintes encontrase petição da interessada carreando nova cópia da decisão judicial já citada, bem como de instrumento de procuração e de seu contrato social. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto, conforme acórdão n. 1417.352, de 19 de outubro de 2007 (efl. 206), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 AÇÃO JUDICIAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 268 5 TÁCITA. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO DO DÉBITO INFORMADO NA COMPENSAÇÃO. A propositura de ação judicial versando sobre o direito de processamento de manifestação de inconformidade aviada por terceiro impede a apreciação dessa específica razão pela autoridade administrativa. A homologação tácita da compensação, pelo decurso do prazo previsto no § 50 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não aproveita o terceiro em débito para com a Fazenda Nacional, ainda que o pedido de compensação tenha sido formulado quando existente norma administrativa permissiva do encontro de contas com pessoa não postulante do direito creditório. Em se tratando de crédito tributário constituído por confissão de divida, em DCTF, descabe cogitar o fenômeno da decadência. O prazo prescricional é suspenso enquanto pendente discussão administrativa que, direta ou indiretamente, trave a cobrança do tributo já lançado. Negado o direito de restituição de tributo ao titular do pedido, idêntica decisão se aplica ao terceiro que tenha compensado dividas com o pretenso indébito fiscal daquele. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de diligências quando efetuado sem a formulação dos quesitos, por não se coadunar As regras insculpidas no artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235, de 1972, bem como, quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário estruturado por tópicos (efls. 216), oferecendo os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Homologação tácita da compensação Como preliminar de mérito, o Recorrente sustenta "...a ocorrência de homologação tácita das compensações por ela realizadas, haja vista que a glosa fiscal em questão foi concluída após o decurso de cinco anos, a partir do protocolo dos respectivos pedidos, nos termos do art. 74, parágrafo 5°, da Lei n. 9430/96". Aduz que "...com o intuito de uniformizar os procedimentos relativos compensação, o legislador introduziu o parágrafo 4° ao art. 74 da Lei n. 9430/96" e que "Com a edição da norma acima transcrita, todas as compensações pendentes de apreciação foram Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 269 6 submetidas ao regime instituído pela Lei n. 10637/02, uma vez que o parágrafo 4° do art. 74 não fez qualquer diferenciação entre as compensações de créditos próprios e as compensações de créditos de terceiros". Acrescenta que "Diante disso, independentemente de quem era o titular do crédito, todo e qualquer pedido de compensação pendente de apreciação deve ser considerado como declaração de compensação, nos termos do referido parágrafo 4° e, conseqüentemente, todas as alterações do art. 74 da Lei n. 9430/96 devem ser aplicadas" e que "No caso dos autos, o pedido de compensação com créditos de terceiros foi realizado na vigência do art. 15 da Instrução Normativa SRF n. 21/97 e estava pendente de apreciação no momento em que foram introduzidas as alterações da Lei n. 10637/02". Relata que "Na hipótese destes autos, os pedidos de compensação foram apresentados entre março e dezembro de 1999", que "...o comunicado "SORAT' glosando a compensação somente foi recebido pela recorrente no dia 20.6.2005, quando já havia transcorrido período superior ao de cinco anos de que trata o parágrafo 5° em questão" e que "...não há sequer um comando jurídico vigente no ordenamento que exclua os pedidos de compensação de créditos de terceiros, pendentes de apreciação em 2002, da sistemática geral aplicável as demais compensações". A decadência do direito de lançar Noutra preliminar, o Recorrente diz que "...o prazo decadencial relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, contados da ocorrência do respectivo fato gerador", que "No caso destes autos, os fatos geradores dos tributos exigidos da recorrente ocorreram em fevereiro, março, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1999 (IRF); em junho e novembro do mesmo ano (Contribuição para o Pis); e em março, abril, junho e novembro também de 1999 (Cofins)" e que "...a cobrança ora impugnada somente foi recebida no dia 20.6.2005, quando o prazo decadencial já havia expirado". Prescrição do crédito tributário "sub judice" Ainda como preliminar de mérito, o Recorrente Relata que "...as d. autoridades julgadoras 'a quo' sustentam que a contagem do prazo de prescrição não poderia ter sido iniciada antes do encerramento da discussão acerca do crédito, que, no caso dos autos, é objeto dos processos n. 13851.000227/9907, n. 13851.000228/9961 e n. 13851.000634/9861". Sustenta que "...a constituição do crédito [tributário], por meio de DCTF, é definitiva desde a entrega daquele documento, já que nos exatos termos do art. 5º, parágrafo 1°, do Decretolei n. 2124/84: 'o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito'", que "... o termo inicial do prazo de prescrição tem inicio com a entrega da DCTF, a interrupção do prazo em questão somente pode ser implementada em virtude da ocorrência de uma das hipóteses previstas no parágrafo único do referido art. 174", que "No entanto, a existência de discussão quanto ao crédito objeto de compensação não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas naquele dispositivo" e que "Portanto, considerando que a DCTF é forma de constituição definitiva do crédito tributário, cuja entrega dá inicio à contagem do prazo de prescrição, e considerando que não houve interrupção do prazo prescricional no caso dos autos, devese reconhecer a improcedência da alegação da r. decisão recorrida". Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 270 7 Os créditos objeto da compensação Com relação ao mérito, o Recorrente reitera os termos de sua Manifestação de Inconformidade, aduzindo que "O crédito utilizado nas compensações em questão nos presentes autos estão em discussão nos processos n. 13851.000227/9907, n. 13851.000228/9961 e n. 13851.000634/9861", que "Dessa forma, todos os fundamentos utilizados pela BW Adm. e pela BW Repr. para justificar o direito à restituição ali discutida são inteiramente aplicáveis ao caso 'sub judice' " e que "em face da conexão existente entre as questões discutidas neste processo e aquelas que são objeto dos processos n. 13851.000227/9907, n. 13851.000228/9961 e n. 13851.000634/9861, qualquer cobrança relativa as compensações 'sub judice' somente deve ocorrer após ser proferida uma decisão definitiva no que diz respeito ao crédito compensado". Como forma de lastrear os fundamentos do Recurso Voluntário, colaciona acórdãos de jurisprudência e cita escólio de doutrina. Por fim, requer o provimento do Recurso Voluntário e a reforma direito decisão recorrida. É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade na sextafeira, dia 07/12/2007 (efl. 215), e apresentou seu recurso voluntário somente na quartafeira, dia 09/01/2008 (efl. 216), portanto, um (01) dia após o Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13851.720021/200416 Acórdão n.º 1002000.565 S1C0T2 Fl. 271 8 vencimento do prazo, o Recurso Voluntário é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728779/2011-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento.
Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 79 /2 01 1- 53 Fl. 957DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2301004.189, proferido na sessão de 04 e novembro de 2018, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2009 CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração. NULIDADE AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Como determina a Lei 8.212/1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 9202007.493 CSRFT2 Fl. 3 3 aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; b) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, por ausência de dolo, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que votou em manter a multa isolada, pela presença do dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Multa isolada de 150% em razão de compensação indevida. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 839 a 843. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que no caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de multa e juros de mora; que sendo constatada falsidade da declaração apresentada, estará sujeita a multa de ofício isolada de 150%; que essa penalidade está prevista no art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; que no caso presente foi comprovada a falsidade da declaração apresentada em decorrência da compensação, considerando que a contribuinte transacionou cessão de crédito com pessoas jurídicas diversas da autora da ação judicial; que a referida sentença determinava que os créditos deveriam ser apurados por meio de arbitramento, o que não havia sido levado a efeito até então; que não há decisão judicial reconhecendo a legitimidade da cessão dos créditos; que não há dúvidas de que as GFIPs entregues pela contribuinte veicularam informações sabidamente falsas. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 959DF CARF MF 4 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto ao mérito, como se depreende do próprio acórdão recorrido, a contribuinte compensou créditos decorrentes de cessão de créditos que transacionou com pessoas jurídicas diversas da autora da ação judicial, sem que houvesse decisão judicial reconhecendo a legitimidade da cessão dos créditos; que a decisão judicial determinava que os créditos deveriam ser apurados por meio de arbitramento, o que sequer havia acontecido. Enfim, que a contribuinte realizou a compensação com supostos créditos, que não eram líquidos e certos. Os fundamentos do Acórdão Recorrido para glosar a compensação são os seguintes: A recorrente anexa aos autos decisão judicial a qual liberaria a autora (Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda) a negociar livremente os créditos oriundos da decisão judicial. Contudo, não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que as cedentes possuíam, de fato, o direito a estes créditos. Ou seja, não há prova nesses autos que comprovem a legitimidade jurídica das empresas Servport Serviços e Participações e Administração de Bens Ltda e Investplan Agroindustrial Importação Exportação S/A a obtenção prévia desses créditos. Outra questão a ser considerada diz respeito à liquidez e certeza dos créditos. Segundo a sentença transitada em julgado naqueles autos a autora deveria promover a liquidação dos valores por meio de arbitramento. Ademais, no curso do processo dúvidas surgiram acerca da legitimidade do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. em firmar cessões de crédito, tanto que o DD. Juízo em que trâmite a ação judicial aqui em comento determinou a suspensão dos autos até que essa questão fosse definida, haja vista que pendia disputa judicial sobre os poderes do representante. Resolvida a questão acerca do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, foi proferida a seguinte decisão judicial: [...] Duas importantes informações extraemse da decisão judicial: i) houve cessões de crédito firmadas entre a autora Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda e outras empresas por quem não detinha poderes para representála; ii) até a data da decisão supra (10/07/2013) não havia nos autos elementos que comprovavam que a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda detinha créditos a compensar com o Fisco; e iii) A Procuradoria da Fazenda Nacional informava que não havia mais crédito desde 01/03/2000. Todos esses elementos comprometem a liquidez e certeza dos créditos inseridos em GFIP pela recorrente, haja vista que está em xeque a sua existência inclusive em relação à parte que Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 9202007.493 CSRFT2 Fl. 4 5 moveu originariamente a ação judicial 94.00493690, quanto mais, segundo a decisão judicial acima, a validade das cessões de créditos efetuadas, eis que verificouse a inexistência de poderes de representação legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. Como se vê, o Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário quanto à compensação, sob o fundamento de inexistência de liquidez e certeza do crédito. Todavia, considerou indevida a exigência da multa isolada, sob o fundamento de que a penalidade, prevista no art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991,'' requer a comprovação de que a empresa agiu com máfé, conforme o seguinte trecho do seu voto condutor (voto vencedor): Para a exigência de multa tão elevada, 150%, há a necessidade de comprovação de que a empresa agiu com máfé, dolosamente, a fim de prejudicar o erário, com subterfúgio, o que, no nosso entender, não está comprovado. Cumpre, portanto, mediante a interpretação do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido, decidir sobre a(s) multa(s) aplicável(eis) no caso de redução do pagamento de contribuições em GFIP mediante compensação indevida. Reza o art. 89, da lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário Fl. 961DF CARF MF 6 maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, o art. 89, caput, da Lei n° 8.212/1991, prevê que as contribuições somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o § 9º prevê que sobre o valor da compensação indevida deve incidir os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da mesma lei, e que tem a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a incidência da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, aplicada em dobro, no caso de declaração falsa. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 9202007.493 CSRFT2 Fl. 5 7 Pois bem, antes de examinar o caso concreto, convém analisar a possibilidade jurídica da incidência cumulativa das multas previstas no § 9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e no § 10 da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.320, de 1.996. Da leitura dos §§ 9º e 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, constatase facilmente que o primeiro cuida de acréscimos legais pela mora em relação às contribuições que deixaram de ser pagas tempestivamente em decorrência da compensação indevida. Tais acréscimos seriam os mesmos devidos em qualquer circunstância em que houvesse pagamento de tributo fora do prazo. Já o § 10 referese a uma multa punitiva em razão da prática de apresentar declaração falsa. São duas penalidades distintas para duas infrações distintas: multa de mora pelo pagamento do tributo a destempo e multa punitiva pela apresentação de declaração falsa. Notese que essa situação não se compara à da aplicação da multa moratória em razão do pagamento espontâneo fora do prazo versus a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Tratase aqui de lançamento de ofício, mas não do tributo que deixou de ser pago, posto que este já fora declarado, mas das penalidades. Fique claro também que não se trata no caso de aplicação da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O § 10, do art. 89, da Lei 8.212, de 1991 referese a esse dispositivo apenas para determinar o percentual da multa aplicável, vale dizer, apenas diz que a multa deverá ser aplicada no percentual ali mencionado. Poderia, inclusive, apenas ter se referido ao percentual de 75%, sem referirse à Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, não é o caso de aplicação de uma ou de outra penalidade, da multa de mora ou da multa isolada, mas de, verificadose que, além da falta de pagamento da contribuição no prazo em razão de compensação indevida situação que enseja a incidência da multa e dos juros de mora – houve a prática de apresentação de declaração falsa, exigir, em razão desta conduta, também da multa isolada. Superada essa questão cumpre, então, verificar o cabimento, no caso, da multa prevista no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991. No caso concreto a Contribuinte reduziu o valor da contribuição a pagar mediante compensação de supostos créditos os quais tinham à disposição como líquidos e certos. tratase de supostos créditos adquiridos de terceiros os quais não podia dispor, para compensar com débitos tributários próprio, e que sequer eram líquidos e certos. A Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos, trazia orientações expressas sobre a compensação: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Fl. 963DF CARF MF 8 Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; [...] XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Como se vê, a Instrução Normativa vedava expressamente a compensação de créditos que não fossem passíveis de restituição ou de ressarcimento, e, no caso, os créditos pleiteados não eram passíveis de restituição ou ressarcimento. Ao pleitear a compensação desses créditos, que, repitase, a Contribuinte sabia indevidas, incorreu sim em prestação de declaração falsa. Declaração falsa é aquela que, conscientemente, não corresponde à verdade. É diferente do erro, do mero engano, em que o agente insere informação inverídica, porém, pensando estar inserindo informação verdadeira. Informar em declaração entregue ao Fisco que detém um crédito passivo de restituição ou ressarcimento quando não tem o reconhecimento de que esse crédito é passível de restituição, configura efetivamente falsidade da declaração. E não cabe, em sede de simples pedido de compensação, analisar o mérito quanto a eventuais questionamentos sobre a incidência dos tributos anteriormente pagos com os quais se pretende subtrair valores a pagar. No pedido de compensação devem ser informados créditos restituíveis, portanto, com direito creditório reconhecido. Se o contribuinte entendia indevidos certos pagamentos, poderia pleitear a restituição mediante procedimento próprio. Nesse ponto é importante distinguir a condição de prestar declaração falsa, prevista no § 10 , do art. 89, da lei nº 8.212, de 1991 da exigência de demonstração do evidente intuito de fraude, prevista no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Conforme referido Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 9202007.493 CSRFT2 Fl. 6 9 acima, a Lei nº 8.212, de 1991 reportase ao inciso I, do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 apenas para indicar o percentual da multa, logo, também não atrai a aplicação do § 1º do mesmo artigo. Aliás, quisesse o legislador que a multa fosse devida apenas nos casos de evidente intuito de fraude, teria dito isso, ou apenas invocado o § 1º do artigo 44, como vez em relação ao inciso I do mesmo artigo. Portanto, não se cogita aqui de demonstração de evidente intuito de fraude, mas apenas de falsidade de declaração, conforme referido linhas acima. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer a multa isolada. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 965DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001783/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 83 /2 00 8- 11 Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.290, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001783/200811 Acórdão n.º 9303007.595 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15892.000024/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO.
A relevação de multa por descumprimento de obrigações acessórias é cabível em determinadas situações, dentre as quais não haver falta de recolhimento do tributo, além da correção dos erros cometidos, o que não ocorreu na hipótese, de modo que não é possível acolher o pedido de relevação.;
JUROS SELIC.
Os juros SELIC são devidos nos termos da legislação de regência e nos termos da jurisprudência do CARF.
Numero da decisão: 2201-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. A relevação de multa por descumprimento de obrigações acessórias é cabível em determinadas situações, dentre as quais não haver falta de recolhimento do tributo, além da correção dos erros cometidos, o que não ocorreu na hipótese, de modo que não é possível acolher o pedido de relevação.; JUROS SELIC. Os juros SELIC são devidos nos termos da legislação de regência e nos termos da jurisprudência do CARF.
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RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO. A relevação de multa por descumprimento de obrigações acessórias é cabível em determinadas situações, dentre as quais não haver falta de recolhimento do tributo, além da correção dos erros cometidos, o que não ocorreu na hipótese, de modo que não é possível acolher o pedido de relevação.; JUROS SELIC. Os juros SELIC são devidos nos termos da legislação de regência e nos termos da jurisprudência do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 00 24 /2 00 8- 02 Fl. 373DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 249/257, a qual julgou procedente o lançamento a contribuições previdenciárias, devidas ao INSS e destinadas à Seguridade Social, referente a parte (não retida), à parte da empresa, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, inclusive com adicionais devidos em face de exposição dos segurados empregados a agentes nocivos e terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEBRAE, SESI E SENAI), no período de 05/1998 a 07/2004. Os Fatos geradores das contribuições previdenciárias são: 2.1 As remunerações pagas aos segurados, discriminadas em folhas de pagamento, recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho e escrituração contábil, anterior a implantação da GFIP, no período de 07/98 a 13/98. 2.2 As remunerações pagas aos segurados, discriminadas em folhas de pagamento, recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho e escrituração contábil, declaradas em GFIP, no período de 01/99 a 07/04. 2.3 As remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, lançadas na escrituração contábil, período de 05/98 a 12/98, anterior à implantação da GFIP, conforme descrito no subitem 3.3 do Relatório Fiscal, fls. 112 dos autos. 2.4 As remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, lançadas na escrituração contábil, conforme descrito no subitem 3.4 do Relatório Fiscal, fls. 112 dos autos. 2.5 Acordo trabalhista homologado no processo trabalhista da Junta de Conciliação e Julgamento de Avaré n° 322/98, em quatro parcelas, nos meses de 05/98 a 08/98, conforme descrito no subitem 3.5 do Relatório Fiscal, fls. 113 dos autos. 2.6 Pagamentos efetuados a diversas empresas relativo a serviços prestados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, sendo devida a retenção de 11% sobre o valor da mãodeobra constante das notas fiscais/faturas e que a Notificada, na condição de contratante não o fez, conforme narrado no subitem 3.6 do Relatório Fiscal, fls. 113 dos autos. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, apresentou a impugnação de fls. 120/127 , alegando em síntese: 3.1 Faz referência à exigência fiscal como se fosse esta NFLD relativa a contribuições previdenciárias, correspondente a parte dos segurados, arrecadada pela Recorrente, mediante desconto na remuneração de seus empregados, e retenção de 11% sobre o valor da mãodeobra contida em notas fiscais de serviços. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 15892.000024/200802 Acórdão n.º 2201004.811 S2C2T1 Fl. 374 3 3.2 Preliminarmente declara não ter precedentes de outros autosde infração, oriundos de fiscalização anterior, bem como aduz que não ocorreram outras circunstâncias agravantes. Que sempre observou e cumpriu a legislação tributária pertinente, não existindo em seu procedimento administrativo qualquer intenção que buscasse a afronta ao ordenamento fiscal. 3.3 Contesta os juros aplicados, a multa e a taxa SELIC sob o prisma da ilegalidade ou inconstitucionalidade de tais exigências, sustentando que, no caso da multa moratória, houve a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional — CTN), trazendo entendimentos jurisprudenciais no sentido da inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros moratórios nas obrigações tributárias. 3.4 Ao final, requer que a impugnação seja acolhida integralmente, para anular NFLD e determinar o arquivamento do processo. Da Decisão da Secretaria da Receita Previdenciária Quando da apreciação do caso, a Secretaria da Receita Previdenciária julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 136): CRÉDITO PREVIDENCIARIO — Salário ern Folhas/GFIP e Contabilidade Juros Taxa SELIC e Multa. São devidos Juros Moratórios equivalentes A. taxa de SELIC por disposição do art. 34 da Lei no 8.212/91 bem corno Multas aplicadas por disposição do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei no 9.528/97 e pelo artigo 1° da Lei n° 9.876/99.Não cabe A. Administração Pública o Controle da legalidade ou Inconstitucionalidade de leis. LANÇAMENTO PREOCEDENTE. Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão, conforme aviso de fls. 148, recebido em 06/01/2005, apresentou o recurso voluntário de fls. 149/152 em 14/02/2005, praticamente repetindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. No caso, não havia sido exigido o depósito prévio de 30%, tendo em vista que o MM. Juiz Federal da 2° Vara Federal em Bauru/SP, da 8 Subseção Judiciária de São Paulo, julgou procedente o pedido, nos autos da Ação Civil Pública n°.1999.61.08.0029770, de autoria do Ministério Público Federal, para que o INSS abstenhase de exigir o recolhimento do depósito prévio de 30% para dar seguimento a recursos administrativos, declarando a inconstitucionalidade do artigo 10, da Lei n° 9.639/98, que prevê tal exigência. Tal fato foi informado à empresa através da Ordem de Intimação da Decisão Notificação, em 28/12/2004. Contudo, em 05/01/2005, em resposta à consulta formulada pela Secretaria da Receita Previdenciária, a Procuradoria Federal Especializada do INSS em Bauru informou que a eficácia territorial da referida decisão abrange os municípios pertencentes à área de Fl. 375DF CARF MF 4 abrangência da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Bauru na data de prolação da sentença (15/07/1999). Tendo em vista que a Unidade de Atendimento à qual pertence a empresa recorrente (Avaré) não estava abrangida por esta Unidade Descentralizada de Bauru na data de prolação da sentença, o entendimento é de que ela deve efetuar o depósito recursal para que suas razões fossem apreciadas por aquela Câmara de Julgamento. No entanto, em razão da reposta 5 consulta formulada ter sido exarada posteriormente à intimação da empresa (na qual consta a dispensa do referido depósito), os presentes autos foram remetidos ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS para apreciação da admissibilidade do recurso interposto. Em sede de julgamento, converteuse o julgamento em diligência para que o Recorrente efetuasse o recolhimento do depósito recursal no prazo de 30 (trinta) dias. O contribuinte não fez o depósito recursal e o recurso não foi conhecido. O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a norma que exigia o depósito recursal e foi proferida decisão judicial para que o processo fosse analisado em sede administrativa. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama A alegação do recorrente é de que sempre cumpriu a legislação e por isso deveria ser beneficiado pela relevação da multa. Entretanto, não merece prosperar suas alegações, tendo em vista que os presentes autos contempla diversas infrações, muitas delas com falta de pagamento de tributo o que por si só já afastaria a possibilidade de relevação da multa nos termos do que dispõe o artigo 291, em vigor à época: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou Fl. 376DF CARF MF Processo nº 15892.000024/200802 Acórdão n.º 2201004.811 S2C2T1 Fl. 375 5 outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Observese que a legislação (revogada pelo Decreto nº 6.727/2009) previa que para a multa fosse relevada, o infrator deveria: a) ser primário; b) corrigido a falta e c) não tivesse ocorrido nenhuma circunstância agravante. Além disso, não se aplicaria caso houvesse falta ou insuficiência do recolhimento tempestivo de contribuições, o que não se subsume ao caso em discussão. O recorrente também questiona a incidência da taxa SELIC. Este assunto já é objeto de Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sendo assim, não merecem prosperar as alegações do Recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000222/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR.
O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual opera-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º).
Não comprovado o pagamento antecipado, ou tendo ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I).
DEPÓSITOSBANCÁRIOS.FATOGERADOR.SÚMULACARFNº38.
OfatogeradordoImpostosobreaRendadaPessoaFísica,relativoàomissãode rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada,ocorrenodia31dedezembrodoano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
Numero da decisão: 2401-005.930
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual opera-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º). Não comprovado o pagamento antecipado, ou tendo ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I). DEPÓSITOSBANCÁRIOS.FATOGERADOR.SÚMULACARFNº38. OfatogeradordoImpostosobreaRendadaPessoaFísica,relativoàomissãode rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada,ocorrenodia31dedezembrodoano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 793 1 792 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000222/200791 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.930 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente BEATRIZ APARECIDA PINARELLI ARAÚJO FERRARI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual operase em 31 de dezembro de cada ano calendário. Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º). Não comprovado o pagamento antecipado, ou tendo ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I). DEPÓSITOSBANCÁRIOS.FATOGERADOR.SÚMULACARFNº38. OfatogeradordoImpostosobreaRendadaPessoaFísica,relativoàomissãode rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada,ocorrenodia31dedezembrodoanocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 02 22 /2 00 7- 91 Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 794 2 como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 3/11, anoscalendário 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, que apurou imposto suplementar de R$ 207.911,21, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação. Consta do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 12/31) que: · A movimentação financeira da contribuinte é incompatível com os rendimentos declarados. · A contribuinte movimentou valores no periodo de 1° de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2005 junto aos Bancos ABN Amro Real S/A, Nossa Caixa S/A, BCN S/A, Rural S/A e Bradesco, em contas correntes mantidas em conjunto com seu cônjuge, Sr. Luiz Femando Ferrari, CPF 057.342.328 82, a quem foi imputado metade dos valores depositados/creditados nas contas conjuntas. Em impugnação apresentada às fls. 688/698, a contribuinte alega decadência do crédito tributário relativo ao anocalendário 2001 e, no mérito, afirma que os recursos depositados são de propriedade de seu cônjuge e que o valor declarado é superior à movimentação financeira do casal. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 795 3 A DRJ/SPII, julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão 1729.882 de fls. 763/775, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2002, 2003,2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 3l de dezembro de cada anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CarnêLeão. Inexistindo retenção do imposto de renda na fonte pagadora ou recolhimento do carnêleão, a regra da decadência deslocase para o art. l73, I do CTN. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Conforme legislação do contencioso administrativo fiscal, é preclusivo o prazo para apresentação das provas por parte do autuado. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCARIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/Ol/1997 A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/0l/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 13/3/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 778), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/4/09, fls. 779/790, que contém, em síntese: Preliminarmente, alega decadência do ano calendário 2001, pois se aplica a regra do CTN, art. 150, § 4º. Cita doutrina, jurisprudência e decisões administrativas. No mérito, afirma que a maioria dos recursos são de propriedade de seu marido e foram movimentados nas contas conjuntas entre eles que são originários de pró labores, lucros, alienação de bens e empréstimos. Diz que o montante total declarado é superior às movimentações financeiras, não havendo omissão de receitas. Cita decisões administrativas. Requer a nulidade do auto de infração. É o relatório. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 796 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECADÊNCIA Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso dos rendimentos submetidos à tributação no ajuste anual, a data de ocorrência do fato gerador corresponde ao dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 797 5 Quando se trata de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários, assim dispõe a Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Logo, para fins de contagem do prazo decadencial nos tributos lançados por homologação, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, salvo na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, situação que atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, no exercício seguinte ao ano da entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA. No presente caso, conforme Declaração de Ajuste Anual DAA, fls. 37/39, verificase que a contribuinte não sofreu retenção do imposto de renda, tampouco efetuou recolhimentos a título de carnêleão. Logo, a contagem do prazo decadencial é feita aplicando se o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O fato gerador ocorreu em 31/12/01. Aplicandose a regra do citado art. 173, I, o prazo decadencial de cinco anos começou a fluir em 1/1/2003, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, pois o prazo para entrega da DAA e pagamento do imposto devido é até dia 30 de abril do ano seguinte ao fato gerador, no caso, 30/4/02. Assim, a fiscalização teria até 31/12/07 para efetuar o lançamento. Como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 28/2/07, não se operou a decadência. DOUTRINA, JURISPRUDÊNCIA E DECISÕES ADMINISTRATIVAS Em que pese o respeito aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados no recurso, eles não têm o condão de vincular este órgão julgador. O CTN, art. 100, II, dispõe que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; [...] Assim, quanto às decisões judiciais e administrativas citadas no recurso, elas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MÉRITO Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 798 6 Afirma a recorrente que o montante total declarado é superior às movimentações financeiras, não havendo omissão de receitas. A legislação tributária define o fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art.43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Diante da situação fática que se apresenta, nos termos do CTN, art. 142, a autoridade administrativa, apurou o crédito tributário, conforme determina a Lei 9.430/96, art. 42: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10865.000222/200791 Acórdão n.º 2401005.930 S2C4T1 Fl. 799 7 § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada à falta de comprovação dos recursos. Permitiuse que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o sujeito passivo não comprovasse os créditos efetuados em sua conta bancária. Desta forma, presumese o rendimento quando o titular da conta não comprova, individualmente, a origem dos créditos efetuados, caracterizando o fato gerador e, consequentemente, sobre tais rendimentos deve incidir o imposto sobre a renda. Sendo assim, não podem ser aceitos os esclarecimentos do contribuinte sobre valores recebidos genericamente em montantes integrais. O que foi solicitado foi a demonstração de cada depósito efetuado em suas contas, o que não foi atendido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 799DF CARF MF
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