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Numero do processo: 15563.720044/2017-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.746
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 547 1 546 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720044/201716 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.746 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente HNK BR BEBIDAS LTDA (RAZÃO SOCIAL ANTERIOR "BRASIL KIRIN BEBIDAS LTDA") Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 04 4/ 20 17 -1 6 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15563.720044/201716 Resolução nº 3402001.746 S3C4T2 Fl. 548 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0134.986, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que por unanimidade julgou parcialmente procedente a impugnação interposta, mantendo parte do crédito tributário constituído, conforme Ementa abaixo reproduzida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014 INSUMOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. GLOSA DE CRÉDITO. ERRO DE ALÍQUOTA. LANÇAMENTO. A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota na aquisição de insumos (quando isentos ZFM), justifica o lançamento de ofício do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014 MERCADORIAS. CLASSIFICAÇÃO. FABRICAÇÃO INDUSTRIAL DE BEBIDAS. Consoante art. 16 do Decreto n. 4.544, de 2002 (RIPI/2002), reproduzido pelo art. 16 do Decreto n. 7.212, de 2010 (RIPI/2010), atualmente em vigência, a classificação de mercadorias, no âmbito da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), é realizada com o emprego das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), como também das duas Regras Gerais Complementares (RGC) e das Notas Complementares (NC). Assim, a classificação fiscal de determinado produto é inicialmente levada a efeito em conformidade com o texto da posição e das notas que lhe digam respeito. Uma vez classificado na posição mais adequada, passase a classificar o produto na subposição de 1o nível (5o dígito) e, dentro desta, na subposição de 2o nível (6o dígito). O sétimo e oitavo dígitos referemse a desdobramentos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. À luz da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), para efeito da classificação de componentes individuais destinados à fabricação industrial de bebidas, incorreto considerálos como se mercadoria única fossem, em vista da futura preparação que eventualmente vierem a originar após deixarem a esfera da contribuinte, no lugar de individualmente atribuir a cada qual de precitados integrantes os códigos apropriados. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15563.720044/201716 Resolução nº 3402001.746 S3C4T2 Fl. 549 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo parcialmente o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado contra o estabelecimento acima identificado, no valor total de R$ 36.159.072,67 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora), em que foi lançado IPI referente aos períodos de apuração de 2012, 2013 e 2014. Segundo a fiscalização a empresa escriturou e aproveitou irregularmente créditos do imposto (IPI) calculados como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados) destinados à fabricação de bebidas, recebidos da empresa Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda, CNPJ 05.254.957/006895, fornecedora de concentrados da fiscalizada e localizada em Manaus. Conforme o que consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 186/214, pelas verificações realizadas nos Termos de Intimação, respostas e demais documentos apresentados na diligência efetuada junto à fornecedora do fiscalizado, Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda CNPJ 05.254.957/006895, o Auditor Fiscal constatou a necessidade de complementar o lançamento anteriormente realizado (processo 15563.720289/201654), para exigir o IPI não pago em razão da utilização de créditos indevidos na aquisição de concentrados de itubaína, guaraná e guaraná zero. Consigna a autoridade fazendária no termo de verificação fiscal (fls. 186/214): (...) Cientificada em 27/02/2017, a interessada apresentou, tempestivamente, em 30/03/2017, impugnação (fls. 251/266) na qual, em síntese, alega que: (...) Por fim, requer: a) Seja dado provimento a impugnação para que seja desconstituído o crédito tributário. b) Alternativamente, pedese o acolhimento da tese subsidiária a fim de que se reduza do valor do crédito tributário constituído. c) Juntada de outros documentos probatórios. Os autos foram baixados em diligência, face à alegação de erro na quantificação do crédito tributário, tendo a autoridade fiscal concluído que na apuração dos débitos foram glosados indevidamente os créditos relacionados no demonstrativo de fls. 348/349. Cientificado do resultado da diligência o sujeito passivo não se manifestou. Por aplicação do artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, em virtude de o crédito exonerado ultrapassar o limite de alçada, recorreuse de ofício a este Tribunal Administrativo. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15563.720044/201716 Resolução nº 3402001.746 S3C4T2 Fl. 550 4 A Contribuinte recebeu eletronicamente a Intimação nº 304/2018 (fls. 387), com abertura de mensagem em data de 12/03/2018 (fls. 394). O Recurso Voluntário de fls. 405 a 436 foi interposto em data de 10/04/2018 (fls. 401), através do qual pede pelo provimento do recurso para que sejam revertidas e consequentemente canceladas as exigências fiscais de IPI, conforme argumentos abaixo sintetizados: i) É empresa que tem por objeto social, dentre outras coisas, a produção e comercialização de refrigerantes, enquadrados no item 22.021 da Nomenclatura Comum do Mercosul (“NCM”); ii) Para a fabricação desses produtos e regular desenvolvimento de suas atividades sociais, a Recorrente adquire matérias primas de fornecedores localizados em Manaus, Estado do Amazonas, em especial o insumo denominado “concentrado”, composto por extratos, óleos essenciais e destilados de frutas e vegetais, caracterizando se por conferir sabor, cor e aroma ao refrigerante/produto final; iii) O “concentrado” utilizado na produção dos refrigerantes comercializados pela Recorrente é adquirido, via de regra, da Brasil Kirin Logística e Distribuição Ltda. (“Kirin/AM”), atualmente denominada HNK BR Logística e Distribuição Ltda., empresa pertencente ao mesmo Grupo Econômico da Recorrente; iv) A venda do “concentrado” realizada pela Kirin/AM é isenta de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), nos termos do artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75, refletido no artigo 95, III, do Regulamento do IPI (“RIPI”). Adicionalmente, e em que pese a isenção na venda, esses normativos também permitem a apropriação do crédito do imposto pelo adquirente, desde que o insumo seja empregado na industrialização de produto posteriormente sujeito à tributação pelo IPI, tal como ocorre no presente caso. v) Possuiu projeto aprovado pela SUFRAMA para produção de concentrado na Zona Franca de Manaus (“ZFM”) e consequente utilização dos benefícios fiscais do DecretoLei nº 1.435/75, conforme Resolução nº 285/2003 (fls. 292/293), Parecer Técnico de Projeto nº 118/2003 (fls. 294/304) e Portaria nº 371/2016 da Superintendência da ZFM, vigente desde a época dos fatos geradores em discussão nestes autos; vi) O “concentrado” adquirido da Kirin/AM pela Recorrente é insumo classificável no NCM 21.06.90.10 Ex 01 (“preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”), a sua venda é realizada com isenção e a destinatária (no caso, a Recorrente) apropria os respectivos créditos de IPI, nos exatos termos da legislação de regência; vii) Ao restringir o aproveitamento de créditos de IPI sobre aquisição de produto produzido na Zona Franca de Manaus, por empresa com projeto aprovado pela SUFRAMA, violouse a jurisprudência consolidada no sentido de impedir qualquer restrição a incentivo fiscal concedido àquela região; viii) Impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre as multas aplicadas. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15563.720044/201716 Resolução nº 3402001.746 S3C4T2 Fl. 551 5 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Inicialmente, cabe observar que a Recorrente apresentou em data de 28/01/2019, Laudo Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (“IPT”), salientando que o documento confirma a classificação fiscal dos concentrados adquiridos no código NCM 21.06.90.10 Ex 01, ratificando os argumentos do Recurso Voluntário. Constatase do laudo em referência a seguinte conclusão: 3. Não obstante o laudo em referência ter sido anexado aos autos após a publicação da pauta para esta sessão e, considerando a possibilidade de o resultado da perícia influenciar na decisão deste Colegiado, bem como em atenção ao Contraditório e Ampla Defesa, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja concedido o prazo de 30 (trinta) dias para que a Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN) se manifeste sobre os documentos juntados pela Recorrente às fls. 515 a 546, caso tenha interesse. 4. Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000636/2009-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. PARCELAMENTO.
Não se conhece de recurso interposto pelo Contribuinte, por ausência de interesse recursal, nos casos em que restar caracterizada a extinção do litígio pela inclusão do débito em programa de parcelamento especial.
Numero da decisão: 9202-007.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. PARCELAMENTO. Não se conhece de recurso interposto pelo Contribuinte, por ausência de interesse recursal, nos casos em que restar caracterizada a extinção do litígio pela inclusão do débito em programa de parcelamento especial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. PARCELAMENTO. Não se conhece de recurso interposto pelo Contribuinte, por ausência de interesse recursal, nos casos em que restar caracterizada a extinção do litígio pela inclusão do débito em programa de parcelamento especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 36 /2 00 9- 31 Fl. 238DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.220.1229) por meio do qual cobrase contribuições devidas à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte destinadas a outras entidades e fundos incidente sobre parcela in natura de alimentação fornecida aos segurados empregados e sobre remuneração paga à pessoa física cuja contratação seu de forma supostamente abusiva, haja vista utilização de pessoa jurídica. Após o trâmite processual a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão 2403001.076 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO AI. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. DESCONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. MULTA DE MORA. A relação dos coresponsáveis no Relatório de CoResponsáveis CORESP não atribui responsabilidade tributária aos representantes legais da empresa, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração fazendária em razão do seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando tipo de vinculo existente e o período correspondente. O Auto de Infração AI, contém todas as informações necessárias para o exercício da ampla defesa. Deve incidir a Contribuição Previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, sem a incrição no PAT. Deve ser desconsiderada a Pessoa Jurídica se verificada a relação empregatícia através de fatos e provas. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte, por força do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15586.000636/200931 Acórdão n.º 9202007.427 CSRFT2 Fl. 239 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Contra o acórdão a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial visando rediscutir o critério para aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o Contribuinte apresenta contrarrazões de efls. 171/173 pugnando pela manutenção do julgado e, tempestivamente, apresenta o seu próprio Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento para devolver a este Colegiado a discussão acerca da incidência de Contribuições Previdenciárias sobre fornecimento de alimentação in natura por empresas sem inscrição no PAT. Contrarrazões da Fazenda Nacional pelo não provimento do recurso. Às efls. 234/236 são juntados extratos do sistema da Receita Federal do Brasil noticiado a inclusão dos débitos exigidos neste processo em programa de parcelamento especial. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora De início destaco que, tecnicamente os recursos preenchem os requisitos formais, razão pela ambos deveriam ser conhecidos. Entretanto, em que pese a apresentação de recurso por ambas as partes, recurso do Contribuinte visando rediscutir a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre fornecimento de alimentação in natura, e recurso da Fazenda Nacional sobre o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Conforme descrito no relatório e demonstrado pelos extratos de efls. 234/236, os débitos abrangidos por este processo foram parcelados pelo Contribuinte. Vale transcrição da informação de efls. 236: Fl. 240DF CARF MF 4 Destacamos ainda que referida informação foi ratificada pela Autoridade Fiscal no processo de nº 15586.000635/200997, julgado nesta mesma data. Às efls. 263 do referido processo consta manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, com o seguinte teor: Em consulta ao sistema de parcelamento da Lei 12.996/2014, folha anterior, consta que o contribuinte fez adesão ao parcelamento especial para a categoria de débitos previdenciários no âmbito da Receita Federal e incluiu o Debcad 37.220.1210 deste processo, bem como o Debcad 37.220.1229 referente ao processo 15586.000636/200931, atualmente em julgamento no CARF. Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno que possui a seguinte redação: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15586.000636/200931 Acórdão n.º 9202007.427 CSRFT2 Fl. 240 5 unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Pelo exposto, devese declarar a definitividade do crédito tributário haja vista adesão do Contribuinte ao programa especial de parcelamento de débitos federais. Neste cenário, a meu ver, não há interesse recursal que justifique o conhecimento do recurso de divergência interposto pelo Contribuinte. Os processualistas Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha (in Curso de Direito Processual Civil, V. 3 3ª ed.), esclarecem que para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada e necessidade que lhe seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo. Conclusão: Pelo exposto, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento; consequentemente, deixo de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.721836/2017-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
Numero da decisão: 2001-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
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Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplicase a regra geral de tributação exclusiva na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 18 36 /2 01 7- 90 Fl. 391DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 14.688,75, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não ter separado o valor dos rendimentos recebidos por ação trabalhista, mesmo que o cálculo do imposto na fonte tenha sido de uma única vez, por se tratar de rendimentos de parcelas mensais recebidos acumuladamente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na forma declarada de rendimentos recebidos acumuladamente na DAA e na ausência de apropriação por anocalendário, como segue: Foi lavrada notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física contra o contribuinte acima identificado, do exercício de 2014, no valor total de R$ 30.974,16, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 355 a 365. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 128.264,00, auferidos pelo titular, face ao número de meses utilizados nos anos 2012 e 2013. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 53,34. Os rendimentos referentes à ação judicial 38028201065109 002 movida contra a Caixa Econômica Federal no total de R$ 128.264,00, gerando o imposto de renda tributado exclusivamente na fonte no valor de R$ 18.031,70. Assiste razão em parte ao contribuinte pelos motivos abaixo: A recomposição da base de cálculo efetuada pela Autoridade Fiscal é devida, considerando que os rendimentos acumulados referemse à mesma ação trabalhista, cujo recebimento deuse em dois períodos anuais, sendo a parte incontroversa recebida em 2012 e a parte controversa em 2013. Sendo partes de um todo, o impugnante corretamente declarou a parte incontroversa recebida em 2012, não tendo recomposto o rendimento acumulado em 2013, utilizandose o mesmo período de 59 meses do ano anterior. No entanto, a Autoridade Fiscal não aproveitou o imposto de renda retido na fonte do ano calendário de 2012 no valor de R$ 6.622,34, o que deve ser acatado para a recomposição do crédito tributário. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19985.721836/201790 Acórdão n.º 2001000.826 S2C0T1 Fl. 392 3 Pelos motivos acima voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, mantendose o crédito tributário no valor de R$ 8.066,41 que deverá ter os mesmos acréscimos legais na forma do lançamento de ofício. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter o Lançamento no valor de R$ 8.066,41. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O contribuinte foi intimado a proceder o pagamento de R$ 128.264,00 por suposta omissão de valores recebidos acumuladamente. Contra tal intimação manejou impugnação a qual foi provida em parte, reduzindo o valor para R$ 8.066,41. Porém, ainda irresignado, vem apresentar a presente impugnação nos termos dos artigos 14 a 17 e 23 do Decreto 70.235/72 com alterações introduzidas pelas Leis nº 8.748/93, 77708A e nº 9.532/97, pelos motivos a seguir expostos. PRELIMINAR – NULIDADE O acórdão deixou de expor de forma matemática clara e precisa de como chegou ao valor de R$ 8.066,41, pelo que impossibilita ou ao menos dificulta o direito de defesa e contraditório do contribuinte, padecendo de nulidade absoluta, o que requer seja reconhecido e extinto o processo administrativo. MÉRITO Sem qualquer base legal o sr. Auditor procedeu à transferência do valor de R$ 94.407,33 para rendimento tributável acumulado no ano calendário de 2012, somandoo ao declarado no ano base de 2013, perfazendo o total de R$ 232.562,97 como rendimentos recebidos acumuladamente, chegando à conclusão de que foram omitidos R$ 128.264,00 como RRA no ano calendário 2013. Porém, o c. STF já decidiu no recurso extraordinário com repercussão geral RExt 614.406, que “a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos (Tema n. 368)”, pelo que totalmente ilegal e incorreta a transposição/soma de valores de exercícios diferentes levada a efeito pelo sr. Auditor, erro que persistiu no acórdão, ainda que em menor escala. Ressaltese, por fim, que os valores/retenções declarados jungemse a comando judicial exarado na ação trabalhista antes citada (cópia já anexada), sendo vedada ao ora apelante a iniciativa de alteração dos valores homologados. Requer, pois, seja conhecido e provido o presente recurso pelo Conselho Administrativo Recursos Fiscais por total ausência de fundamento legal para tanto. Fl. 393DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINAR Alega o Recorrente que o Acórdão deixou de expor de forma matemática clara e precisa de como chegou ao valor de R$ 8.066,41, pelo que impossibilita ou dificulta o exercício do direito de defesa e o contraditório, sendo requerida sua nulidade e extinto o processo administrativo. O fato de não ter sido exposta a metodologia de cálculo adotada pelo Agente Fiscal não se pode entender que tivesse havido cerceamento de direito de defesa ou exercício do contraditório que tenha prejudicado a defesa do Recorrente. Em razão disso, rejeitase a preliminar, devendo a questão ser abordada integralmente e diretamente no mérito. MÉRITO Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. O tratamento legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, especialmente o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, assim estabelece: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19985.721836/201790 Acórdão n.º 2001000.826 S2C0T1 Fl. 393 5 § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6º Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (...) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. O Acórdão da DRJ reconhece a inapropriada interpretação de parte do Lançamento razão pela qual torna extinto parcialmente o crédito tributário no valor de R$ 6.622,34, o que corresponde ao imposto de renda retido na fonte no ano calendário de 2012, período anterior, portanto, ao referido neste processo, com a seguinte justificativa: No entanto, a Autoridade Fiscal não aproveitou o imposto de renda retido na fonte do ano calendário de 2012 no valor de R$ 6.622,34, o que deve ser acatado para a recomposição do crédito tributário. Pelos motivos acima voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, mantendose o crédito tributário no valor de R$ 8.066,41 que deverá ter os mesmos acréscimos legais na forma do lançamento de ofício. Assim, a lide se reduz ao valor de R$ 8.066,41, que seria o resultante de cálculos levados a efeito de maneira divisionada entre dois exercícios em que ocorreram recebimentos de rendimentos oriundos de ação judicial impetrada pelo Recorrente. A recomposição da base de cálculo efetuada pela Autoridade Fiscal é indevida, exatamente porque os rendimentos acumulados se referem à mesma causa e mesma ação trabalhista, formando um só cálculo para o período abrangido pela demanda do Contribuinte, independentemente de o valor dos rendimentos terem sido pagos em dois períodos fiscais diferentes. O cálculo é um só e a tributação calculada na fonte no mês de referência mediante utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal. Fl. 395DF CARF MF 6 Ademais, sendo parte de um todo, a Autoridade Fiscal lançadora não deveria bipartir o valor dos rendimentos calculados de forma única, assim como também inapropriado considerar imposto de renda retido na fonte em 2012 no anobase de 2013 objeto desta lide, desfazendo a opção do Contribuinte, expressa ou tacitamente, o que lhe for mais benéfico, a luz do que permite o § 5º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. O dever de pagar o tributo não pode ser dissociado da observância dos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, agregados em cada espécie, praticados na cobrança do imposto sobre a renda, segundo o regime de competência e obedecido o anocalendário a que se refira. Neste sentido, não é razoável que o Contribuinte seja penalizado por recomposição de base de cálculo que lhe seja mais desfavorável que aquela que lhe foi imposta pela tributação na fonte, quando fica assegurado o recolhimento do imposto que pode ser considerado de forma exclusiva na fonte pagadora, forma que a legislação permite. Assim, como a análise se restringe ao exame das provas juntadas e à forma de cálculo e procedimento fiscalizatório que resultou na lavratura do crédito tributário lançado e na decisão do Acórdão da DRJ, forçoso concluir que a extinção do feito penalizante deve ocorrer como forma justa de decidir, de vez que a documentação apresentada pelo Contribuinte respalda de forma consistente suas alegações, pelo que se deve considerar como satisfatórios os elementos trazidas aos autos pela parte recursante. Neste sentido, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário pela improcedência do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37367.002347/2007-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/12/2005
PRAZO DECADENCIAL, CINCO ANOS, TERMO A QUO PENALIDADE ISOLADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LANÇAMENTO DE OFICIO ART 173, 1NCI50 I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art 45 da Lei. nº 8..212 de 1991. No caso de aplicação de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória há que se Observar o prazo para se efetuar o lançamento de oficio previsto no art, 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Credito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-000.622
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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SEÇÃO DEJU LGAMENTO Processo n" 37367,002347/2007-22 Recurso 7 5 7 ,532 Voluntilrio Acórdão a 2302-00.622 — 3" Ciimara / 2" Turma OrdinAria Sessão de 23 de setembro de 2010 Matéria AU FO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS LM GERAL Recorrente OPTISOL INDUSTRIA ÓTICA LIDA Recorrida SRP - SECRLIARIA DA REC.1q1Ã PREVIDENCIARIA ASSUNIO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Eito gerador: 15/12/2005 PRAZ() DECADENCIAL, CINCO ANOS, TERMO A QUO PENALIDADE ISOLADA. DESCUMPRIIVIENIO DE OBRIGAÇÃO AC ESSORIA I ANÇAMEN 10 DE OFICIO AR I 173, 1NCI50 I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, con forme entendimento sumulado, Sninula Vineulante de n `) 8, no julgamento profetido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art 45 da Lei. n " 8..212 de 1991. No caso de aplicação de multa isolada por descurnprimento de obrigação acessória há que se Observar o prazo paia se efetuar o lançamento de oficio previsto no art, 173, inciso I do C FN. Eneontram-se atingidos pela fluencia do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela tiscalização.. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Camara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado RAMOS- WA— Piesidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Liege Lacroix Thom.asi, Eduardo Oliveira (suplente), Arlin& Costa e Silva, Amilear .Rarea Junior (suplente), Thiago D'Av ila Melo Fernandes e Marco Andre Ramos Vieira (presidente). Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do aft. 3.3, § 2" da I,ei n (-) 8,212/1991, emu a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 28.3, 11, "j" do RPS • Regulamento da Previdência aprovado pelo Decreto a .3.048/1999. Segundo a fiscalizaeito previdenei(tria, a recorrente iiíio apresentou a docrancatação referente ao período de 1996 a 1999, conforme relação LI 14 Nfio conformado com a auttração, a recoriente apresentou impugnação, Lis 41 a 48. A Delegacia da Reccifa. Previdenciária emitiu a Decisão, Us. 65 a 71, mantendo a autuação em sua integralidade. A autuada não concordando corn a decisão emitida pelo órgão fazenddrio interpOs Jeciuso, Ils 79 a 95 Foi dado seguimen10 ao recurso voluntário, conforme informação íis Us. 226 a ”8 Não tOrain apresentadas contra-I azões 1 r.. o relato suficiente. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator 0 i ecurso é tempestivo, conforme informação à ti. 226; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares no mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto questao pteliminar relativa à fluência do prazo decadencial, mesma deve ser reconhecida. 0 Supremo Tribunal Fecleial, con fOi me entendimento sumulado, Súmula Vinculante de ii " 8. no julgamento pioterido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991, nestas palavras: Stimidet Vinculemie tOCOu t1tuctOnil O parcigiaJO imic.:o do di ti ,co cio Dccrefo-lei /569/77e 05 aril go.s 45 c 46 da Lei 8 2.12/91, que alum ri c:?jn esei içilu e decadência de credito tributdrio" Conforme pre -visto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n vincula toda a AdministraeAo Pública, devendo este i.olegiado aplica-la. o 8 2 Proceso n0 37367.002347/2007-22 s2-C312 Aeórda) ii 2302-00,622 H Aii 103-.A 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio por provococão, media-me decisoo de dois terços dos S. C.7.1 membros, apfis reiteradas decisões sobre inatc'Tia considucionol, aprovar sámuia que, a poi tit- de sua publicação na in-livens(' lerá efeito vinculante cm te/ação oos demais órgiias do Porter Judiciário e á administração pUblica direta e indireta, nas esl eras federal, estadual c municipal, bem como proceder à sua revisao OU cancelamento, fin-ma estabelecido em lei. lima vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da 1,ei n 0 8,212, ha que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, paragrald 4 0 do CI N Contudo, em se tratando de lançamento de o ficio para aplicar penalidade pecuniária (multa isolada por deseumprimento de obrigação acessória), previsto no art. .149, inciso VI do CFN, há que se observar sempre a regra do art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo nine° desse artigo.. No presente caso o lançamento .foi cientificado ao sujeito passivo em 15 de dezembro de 2005, 11. OL A. documentação solicitada que ernbasou a autuação foi referente ao período de 1996 a 1999, conforme relatório fiscal a 1.1., 14; portanto la atingido pela .flueneia do .prazo d.ecadencial para se realizar a autuação, CONCLUSAO: Pelo exposto, voto por CONCIDER PROVIMEN I-0 ao recurso interposto E como voto, Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010. /1 V Ii IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900940/2011-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.721047/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra -Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo -Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls. 629/662, que constituíram o crédito tributário total de R$ 2.933.692,64, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/05/2013. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 04 7/ 20 13 -4 0 Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 11516.721047/201340 Resolução nº 3402001.757 S3C4T2 Fl. 1.893 2 No Termo de Verificação Fiscal, fls. 593/628, a autoridade elenca as infrações detectadas em sua auditoria: exclusão indevida de receitas da base de cálculo das contribuições oriundas de comissões sobre intermediação de negócios entre seus clientes e instituições financeiras. A esta infração foi aplicada multa qualificada calcada no que foi entendido como conduta reiterada da contribuinte; falta de tributação de bonificações comerciais concedidas por montadoras sob condição de cumprimento de metas; falta de tributação de receitas decorrentes de “bônus por adimplência”, mecanismo de fomento estabelecido por montadora para aquisição de veículos pelas concessionárias. Cientificada, a interessada apresentou Impugnação, fls. 670/722, requerendo, em sua própria síntese: Preliminarmente, seja cancelado o lançamento no que diz respeito a Comissões Sobre Financiamentos, tendo em vista carregar vício material sobre a apuração do crédito; No mérito, sejam canceladas integralmente as exigências referentes ao PIS e à COFINS, referentes às devoluções recebidas pelo Sistema de Fomento Renault e Sistema Hold Back, assim como dos valores recebidos a título de Incentivos de Vendas no Varejo e Comissões Sobre Financiamentos, por não se encontrarem no campo de incidência do PIS e da COFINS (iii) Subsidiariamente, em sendo mantido o lançamento sobre as Comissões sobre Financiamentos, seja cancelada a multa agravada, uma vez que não praticou qualquer ato de fraude ou simulação, estando devidamente registrados e declarados os valores recebidos Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 Lançamento de Ofício. Nulidade. Condições. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. Base de Cálculo. Faturamento. Comissões. Prestação de Serviço. Comissões recebidas em remuneração por intervenção no processo de obtenção de financiamentos por clientes constituem receitas por serviços prestados e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições. Declaração Inexata. Reiteração. Multa Qualificada. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 11516.721047/201340 Resolução nº 3402001.757 S3C4T2 Fl. 1.894 3 A prática deliberada e inescusável da declaração reiterada de receitas tributáveis como se fossem passíveis de incidência de alíquota zero, representa prática dolosa passível de aplicação da multa qualificada por intuito de fraude. Base de Cálculo. Faturamento. Bonificações Comerciais. O faturamento, universo representativo da base de cálculo das contribuições apuradas pela sistemática não cumulativa, engloba os bônus recebidos pelo sujeito passivo em função do cumprimento de metas de comercialização e prestação de serviços. Com efeito, tratase de valores incorporados definitivamente ao patrimônio do sujeito passivo e, portanto, passível de tributação a título de receita bruta. Base de Cálculo. Faturamento. Fomento. Financiamento. O recebimento de valores a título de fomento comercial, proveniente de fundo comum gerido por terceiros, constitui apropriação de receita tributável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 Lançamento de Ofício. Nulidade. Condições. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. Base de Cálculo. Faturamento. Comissões. Prestação de Serviço. Comissões recebidas em remuneração por intervenção no processo de obtenção de financiamentos por clientes constituem receitas por serviços prestados e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições. Declaração Inexata. Reiteração. Multa Qualificada. A prática deliberada e inescusável da declaração reiterada de receitas tributáveis como se fossem passíveis de incidência de alíquota zero, representa prática dolosa passível de aplicação da multa qualificada por intuito de fraude. Base de Cálculo. Faturamento. Bonificações Comerciais. O faturamento, universo representativo da base de cálculo das contribuições apuradas pela sistemática não cumulativa, engloba os bônus recebidos pelo sujeito passivo em função do cumprimento de metas de comercialização e prestação de serviços. Com efeito, tratase de valores incorporados definitivamente ao patrimônio do sujeito passivo e, portanto, passível de tributação a título de receita bruta. Base de Cálculo. Faturamento. Fomento. Financiamento. O recebimento de valores a título de fomento comercial, proveniente de fundo comum gerido por terceiros, constitui apropriação de receita tributável. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 11516.721047/201340 Resolução nº 3402001.757 S3C4T2 Fl. 1.895 4 Impugnação Improcedente Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito alegadas na Impugnação, repetindo as mesmas argumentações. É o Relatório. VOTO Contra a Recorrente foram lavrados autos de infrações de PIS e da COFINS porque o Auditor Fiscal constatou em procedimento fiscal que não foram oferecidas a incidência das contribuições algumas receitas entendidas como tributáveis relativas a comissões sobre intermediação de negócios, bonificações comerciais e receitas decorrentes de “bônus por adimplência” A Recorrente se insurge contra o lançamento aduzindo, em suma, que tais rubricas não são receitas ou estão sujeitas a alíquota zero por terem natureza de receita financeira ou estarem sujeitas ao regime monofásico. Quanto a primeira matéria lançada, relativa a comissões sobre intermediação de negócios entre os seus clientes e as instituições financeiras, argumenta a Recorrente que houve erro material na apuração dos valores no lançamento, isso porque o Auditor Fiscal deixou de observar que a partir de junho de 2009 a empresa passou a tributar parte dos valores recebidos a título de comissões de financiamento bancários, exclusivamente aqueles ligados às vendas de veículos novos, constantes da conta 3.2.1.1.005. Assim, entre junho a dezembro de 2009, parte dos valores recebidos a título de comissão, no total de R$ 1.481.826,47, registrados na conta 3.2.1.1.005, foram devidamente declarados no respectivo campo do DACON: "Demais ReceitasAlíquota 1,65% (PIS/PASEP) e 7,6% (COFINS)", sendo integralmente oferecido a tributação. A instância a quo não acolheu no julgamento da impugnação esse pleito da Recorrente, manifestandose nos seguintes termos: Segundo sustentou a interessada durante a auditoria e na peça impugnatória, tais valores não representariam receita tributável ou estariam submetidas à alíquota zero. Esse entendimento defendido pela contribuinte é coerente com as informações que lhe foram solicitadas ainda por ocasião do início da auditoria, fl. 05. Naquele momento, a conta 3211005 é incluída dentre aquelas tributadas à alíquota zero, cujo montante anual de receita declarada do Dacon alcançou R$ 18.341.078,51 e a base de cálculo foi zerada. (...) No entanto, na impugnação, a contribuinte vem alegando que, contrariamente a tudo o que defendera, uma parte das comissões teria sido levada à tributação, no Dacon, na rubrica “Demais Receitas – Alíquota de 1,65%” e não na rubrica “Receita Tributada à Alíquota Zero”, em uma dissociação cuja razão não foi explicada. Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 11516.721047/201340 Resolução nº 3402001.757 S3C4T2 Fl. 1.896 5 Dado o contexto em que tal linha de defesa é adotada, mais do que nunca, cabe à impugnante a prova do que alega. (...) Nos demais meses, de junho a dezembro, os documentos parece conferir aos argumentos da defesa uma maior consistência, uma vez que os valores levados à tributação no Dacon, a título de Demais Receitas – Alíquota de 1.65%, teriam por suporte contábil lançamentos nas contas 3.2.1.1.005 – Outras Receitas Financeiras e 3.2.3.1.006 – Receitas de Aluguel, cujos valores somados coincidem com os declarados. Como se disse, o contexto em que tais documentos são apresentados é importante para sua avaliação. Nesse sentido, dados os precedentes já alinhavados, a coincidência dos valores não é suficiente para que se admita a tese da impugnante. De fato, considerando o entendimento sustentado ao longo da auditoria e da impugnação, bem como a falha na demonstração da tese de defesa no que se refere aos primeiros cinco meses do ano, remanesce a possibilidade de que os valores lançados na contabilidade à conta 3.2.1.1.005 – Outras Receitas Financeiras estejam embutidos na rubrica “Receita Tributada à Alíquota Zero” do Dacon, possibilidade que a coincidência de valores mencionada não afasta. Tanto mais que a novel classificação daquelas receitas não daria conta nem mesmo da totalidade dos valores tributados. Ou seja, por sobre ter alterado seu entendimento sobre a forma de tributar suas receitas advindas da intermediação de negócios a partir do sexto mês do ano, essa conversão não se fez integralmente, conforme expressa o próprio demonstrativo encartado na Impugnação às fls. 672/673. Efetivamente, tendo a fiscalização encontrado lançamentos da ordem de R$ 2.815.670,25, a contribuinte imputa como não considerado apenas um montante de R$ 1.541.826,47. Para que se admitisse a tese da contribuinte, haveria ela de ser acompanhada da demonstração da composição das receitas tributadas à alíquota zero no Dacon para que se pudesse aferir se o valor que reivindica como tendo sido tributado ali não estivesse embutido, como faz crer todo o seu comportamento ao longo do presente processo. Por tudo o que aqui se disse, não tem razão a impugnante ao pedir a redução da base de cálculo da infração já que não houve prova do erro da fiscalização. Da mesma forma, retornando à preliminar, ficou demonstrado que não se tratava de questão a ensejar a nulidade do ato, mas de questão probatória própria do exame de mérito. Percebese que o Julgador a quo entendeu como contraditória a argumentação da Recorrente em sua Impugnação de que teria oferecido a tributação parte das comissões de intermediação recebidas, tendo em vista que durante todo o procedimento fiscal expressou o entendimento de que tais receitas não estariam sujeitas a incidência das contribuições. Também fundamentou o indeferimento no fato da empresa não ter comprovado suficientemente, por meio de documentação, que as receitas declaradas no campo da DACON "Demais Receitas" se Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 11516.721047/201340 Resolução nº 3402001.757 S3C4T2 Fl. 1.897 6 tratavam realmente de comissões de intermediação e não estariam embutidas na rubrica da DACON relativa a "Receitas Sujeitas a Alíquota Zero". Observase que, embora realmente a Recorrente tenha sido contraditória nas suas argumentações, não se pode ignorar que ela trouxe aos autos elementos contábeis e fiscais, no mínimo, indiciários de que ofereceu parte das receitas de comissões a tributação das contribuições, fato que ensejaria a necessidade de confirmação pela unidade de origem. Assim, tendo em vista os documentos constantes dos autos que sugerem a existência do direito a redução do lançamento na parte relativa a comissões sobre intermediação de negócios, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da exclusão proposta pela Recorrente na apuração das contribuições. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721 e do princípio da verdade material, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar que as receitas registradas na conta 3.2.1.1.005 – Outras Receitas Financeiras no montante de R$ 1.481.826,47 têm natureza de comissões sobre intermediação financeira. Caso necessário, intimar a empresa a apresentar documentação adicional que comprove a sua natureza; II) Informar se, após a referida análise, é possível se concluir que a referida parcela não compõe a rubrica da DACON relativa a "Receitas Sujeitas a Alíquota Zero", estando corretamente registrada na rubrica "Demais Receitas". III) Informar se a referida parcela já foi oferecida a tributação das contribuições, devendo, no caso de confirmação, ser excluída do lançamento fiscal; IV) Realizar qualquer outra verificação que entender necessária para atingir os objetivos da diligência; V) Por fim, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório com os resultados da diligência fiscal; e VI) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1897DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.904780/2009-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
Como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada.
Numero da decisão: 1003-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 29271.40880.061206.1.3.041039 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 47 80 /2 00 9- 16 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 112 2 em 06.12.2006, fls. 7781, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$4.944,85 recolhido em 31.08.2003 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 7276, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 4.944,85 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no Per/DComp, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0234.919, de 27.09.2011, efls. 8588: Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 17.11.2011, efls. 9192, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.12.2011, efls. 93109, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 3. Observando esta sistemática, ao final do anocalendário 2002, apurado o lucro real / líquido e deduzidas as retenções na fonte sofrida no exercício, além das antecipações realizadas, a ora Recorrente apurou para este período saldo negativo do Imposto de Renda IRPJ no importe de R$ 77.143,32 (setenta e sete mil, cento e quarenta e três reais e trinta e dois centavos), consoante informado em sua DIPJ — 2003, ficha 12A. 4. Desta forma, tal como permitido pela legislação, a Recorrente transmitiu Pedido Eletrônico de Compensação PER/DCOMP, a fim de que lhe fosse deferida a compensação de débitos consolidados em seu desfavor com o crédito apurado e acima especificado. Ocorre que por mero erro material, ao indicar a origem do crédito apurado quando da transmissão do aludido pedido de compensação eletrônico acima citado, ao invés de se indicar a existência do saldo devedor apurado a Recorrente informou suposto "Pagamento Indevido ou a Maior". Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 113 3 5. Tal erro material motivou o indeferimento da compensação pretendida pelo Órgão competente pela análise ante a não constatação da suposta guia que suportasse o noticiado "pagamento a maior ou indevido ". 6. Apresentada a devida manifestação de inconformidade em face do r. despacho decisório, pela qual restou demonstrada a materialidade do crédito apurado pela Recorrente, não obstante os erros materiais ocorridos quando da transmissão do pedido, a 02a Turma da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte entendeu por não acolhêla ao argumento, em suma, que (i) não foi comprovado mediante documentos hábeis o crédito informado e que (ii) a inexatidão verificada na PER/DCOMP não se tratava de erro material passível de retificação, mas, sim de créditos de natureza distinta, o que impossibilitaria a análise do pleito. 7. Todavia, conforme será exposto a seguir, principalmente sob o fundamento do princípio da verdade material com que se norteia a Administração Tributária, a r. decisão recorrida não pode prosperar. Vejamos. II DO DIREITO: DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO A SUSTENTAR A COMPENSAÇÃO ALMEJADA. 8. A despeito do que se entendeu a Turma julgadora, é impossível se falar na ausência da comprovação do crédito apurado pela Recorrente a sustentar as declarações, bem como impossibilidade de correções dos erros materiais constatados. 9. Quanto à ausência de documentos, da simples leitura dos documentos carreados aos autos quando da manifestação de inconformidade, é possível verificar que foi anexada DIPJ 2003, mais especificamente na ficha 12A, na qual indicada o saldo devedor hábil a sustentar a compensação pretendida. Na declaração consta, inclusive, a composição do saldo devedor, com a devida indicação das retenções na fonte sofridas pela Recorrente e antecipações por estimativas realizadas. Ainda que não se tenha feito indicar a origem exata do crédito consolidado no preenchimento da declaração eletrônica, assim como já informado na narrativa de fatos, e que eventuais informações lançadas pelo Contribuinte não tenham sido confirmadas pela análise superficial realizada pela DRJ pelos "bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários DCTF (...)", o crédito restou devidamente discriminado na DIPJ, tratandose, pois, em suma de meros erros materiais e divergências de informações que não tem o condão de indeferir a pretensão da Recorrente. É cediço que, conforme o princípio da instrumentalidade das formas, não devem ser invalidados atos, sejam eles processuais ou administrativos, que contenham simples irregularidade, desde que atinjam sua finalidade, e que dele não resulte qualquer prejuízo à parte adversa ou, in casu, ao Fisco. Portanto, não prospera a assertiva contida na r. decisão recorrida no sentido de que não consta devidamente comprovado o crédito informado pela Recorrente. 10. O que se verifica, pois, é que a despeito de eventuais erros materiais verificados na transmissão da declaração pela Recorrente e juntada de eventuais documentos que demonstrassem à exaustão a origem do crédito apurado, a DRJ não tratou de verificar da forma que se exigia todas as informações contidas nas Declaração Econômico Fiscais da empresa, apegandose essencialmente aos erros Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 114 4 materiais para afastar as razões aduzidas pelo Contribuinte em sua manifestação de inconformidade. A bem da verdade, em atendimento ao princípio da verdade material, aplicável ao processo administrativo como um todo, deveria a autoridade julgadora, ante as informações não confirmadas na análise e irregularidades no preenchimento da compensação eletrônica, repitase, superficialmente realizada pela DRJ nas Declarações Econômico Fiscais da empresa e base e dados da RFB tomar providências tendentes a confirmar e sanar as divergências, tais como intimar o sujeito passivo a prestar os esclarecimentos necessários a suportar as informações lançadas em sua DIPJ. Em não procedendo desta forma, todavia, a ilustre DRJ deixou de impulsionar o processo da forma mais adequada e, por tal razão, não emprestou a validade devida à prova trazida aos autos, em manifesto prejuízo ao direito de ampla defesa do contribuinte, frisese. A respeito da aplicação do princípio da verdade material no contencioso administrativo como um comando imperativo a partir do qual a Administração Tributária tem o dever de proceder à devida investigação exaustiva das informações contidas nas provas trazidas aos autos, [...] Até porque, como é de conhecimento, em rigor, as Declarações Fiscais não alteram a realidade dos fatos ou são aptas a constituir, por si só, fatos jurídicos. A qualificação jurídica de um fato, isto é, a aptidão dele para produzir efeitos tributários, a exemplo do surgimento de uma obrigação tributária ou a existência de crédito compensável, não decorre da vontade declarada do contribuinte, por se tratar de competência exclusiva das autoridades administrativas, em razão do artigo 142 do CTN. [...] Agasalhando a tese sustentada pela Recorrente, as decisões administrativas respaldam o presente recurso. Como se extrai do julgado abaixo ementado, que tratou de situação similar a destes autos nele, o ressarcimento foi indeferido por inconsistências verificadas na DCTF o órgão julgador, pautado no princípio da busca da verdade material, reconheceu o direito do contribuinte, a despeito de tal circunstância, [...]. 11. É de ver porquanto, tendo a Recorrente juntado prova hábil a evidenciar a origem do crédito que embasaria a compensação intentada, por força do princípio da verdade material), há de ser conhecido e provido este recurso voluntário, cancelandose o crédito tributário ora exigido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 12. Diante do exposto, requer a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso, com vistas a que seja decretada a total insubsistência da autuação, para é a presente para requerer seja reformado o Despacho Decisório, homologando se as Declarações de Compensação [...], e anulando o Processo de Cobrança [...]. É o Relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 115 5 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que deve ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 no valor de R$77.143,32 e que pelos documentos juntados aos autos restou comprado o erro material. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 116 6 Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A Recorrente recebeu o Termo de Intimação em 10.03.2009 previamente à ciência do Despacho Decisório em 20.07.2007, fls. 1924: O DARF indicado abaixo, não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verifique se todos os dados da Ficha DARF,informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do DARF objeto do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. [...] Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 117 7 Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado. Base legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. (grifos acrescentados) Ocorre que a Recorrente teve a oportunidade de apresentar o documento retificador dentro do prazo legal e permaneceu silente. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas relativamente a inexatidões materiais. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Por conseguinte não cabe razão a Recorrente, uma vez que há necessidade de apresentação dos documentos que serviram de fundamento para o registro para os lançamentos contábeis, mesmo porque os dados confessados devem refletir a verossimilhança com os registros efetivados. Nesse sentido, a produção do conjunto probatório robusto é indispensável para que a autoridade administrativa possa se pautar no princípio da verdade material, conforme princípio da legalidade insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0234.919, de 27.09.2011, efls. 8588, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): A Manifestante, por sua vez, alega ter cometido erro no preenchimento da Dcomp quanto à especificação do tipo de crédito tributário e que o crédito tributário se refere à saldo negativo da IRPJ apurado no anocalendário de 2002 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Na DIPJ 2003 apresentada pelo contribuinte em 30/06/2003, especificamente na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, verificase que o contribuinte apurou o imposto de renda com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. O imposto e renda devido em meses anteriores totalizou R$158.683,84. Na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda Mensal sobre o Lucro Real (fl. 04) o contribuinte deduziu na linha 16 o IRPJ mensal pago por estimativa no valor de R$158.683,84 o que resultou na apuração de um saldo negativo no valor de R$ 77.143,32. Pesquisando os bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF correspondentes aos meses do ano de 2002, não foram encontrados débitos de imposto de renda Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 118 8 declarados e, ainda, não foram localizados pagamentos com código 2362, para o respectivo ano de 2002, [...] Ou seja, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo apontado pela manifestante. No caso, o contribuinte não anexou ao processo documento hábil a comprovar a apuração do saldo negativo que informou nas DIPJ do exercício de 2003, ano calendário de 2002. Esclarecese que a retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa nº SRF nº 600, de 28/12/2005, vigente à época da transmissão da DCOMP. No presente caso, o erro quanto à origem do crédito não se trata de inexatidão material. É uma questão de direito, posto que a natureza dos créditos é diferente. A análise eletrônica de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é diferente do exame eletrônico para a aferição do saldo negativo. No caso de pagamento indevido, primeiramente é verificado a existência do pagamento representado pelo DARF e posteriormente é realizado o confronto com outros sistemas informatizados da RFB para verificar a disponibilidade de sua utilização. Já o saldo negativo requer a análise de todas as parcelas que compõem o referido saldo, entre elas, todos os pagamentos mensais das estimativas, o imposto de renda retido na fonte, as DCTFs de todo o período de apuração, etc. Além disso, a título de exemplificação, destacase que as datas de valoração do crédito podem ser diferentes. Assim, para exercer o direito à restituição, o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito. Registrese que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Assim, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório de fl. 03, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais. Ante o exposto e o contido nos autos deste procedimento administrativo fiscal, reconheço por tempestiva e improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13609.904780/200916 Acórdão n.º 1003000.391 S1C0T3 Fl. 119 9 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720461/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITA. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE PEDIDOS DE EMPRÉSTIMOS E DE FINANCIAMENTOS. TERCEIRA PESSOA.
O farto conjunto probatório trazido pela fiscalização demonstra de forma cabal que as funções de correspondente no País, com vistas à prestação dos serviços de recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos, eram exercidas pela Impugnante que, indevidamente tentou atribuir as receitas a terceiros sem a comprovação da efetiva realizaçaõ dos serviços por estes.
INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO. RATEIO DE RECEITAS. POSSSIBILIDADE.
Como cada uma das onze empresas fiscalizadas (grupo econômico) deveria ter reconhecido como sua as receitas decorrentes das intermediações financeiras, e que foram desviadas para a Autosistem (que se negou a indicar quanto cada revenda deveria ter recebido); o quantum atribuído a cada uma resume-se a uma questão de critério objetivo de rateio, procedimento realizado como método substitutivo para a apuração do montante devido, respeitando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e baseado em elementos próximos da realidade, cujos valores foram apurados partindo-se do montante de receitas conhecidas pela Autosistem para chegar a um montante de receitas que deveriam ser reconhecidas na Impugnante.
MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO DE FRAUDE, MAS SIM NÃO COMPROVAÇÃO DOS CONTRATOS CELEBRADOS.
Para a aplicação da multa qualificada faz-se necessário a existência do evidente intuito de fraude. Na hipótese verifica-se que o negócio contratualmente produzido não contém ilegalidades, no entanto não foram apresentadas provas da realização do serviço pela autosistem. Tal tipo de infração não condiz com a tipificação de dolo, fraude ou simulação para fins de imposição de qualificação de multa.
UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS E RETENÇÕES NA FONTE PAGOS OU SOFRIDOS PELA AUTOSISTEM NA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO DA RECORRENTE. POSSIBILIDADE.
Considerando-se que as receitas auferidas pela autosistem foram atribuídas às outras empresas do grupo, o pagamento e as retenções na fonte relativos a estas mesmas receitas devem ser aproveitados para fins de redução do lançamento do imposto devido pelas mesmas operações, fazendo-se a atribuição destes pagamentos/retenções com a mesma proporção utilizada para a atribuição das receitas.
Numero da decisão: 1401-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício e autorizar a compensação dos valores recolhidos em nome da empresa AUTOSISTEM com o crédito tributário ora exigido, devendo esta imputação ser realizada de forma proporcional, adotando-se o mesmo critério utilizado pela Autoridade Fiscal quando apurou as receitas atribuídas à Recorrente, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, que lhe deram provimento integral ao recurso. Vencidos também os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira que votaram para manter a qualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE PEDIDOS DE EMPRÉSTIMOS E DE FINANCIAMENTOS. TERCEIRA PESSOA. O farto conjunto probatório trazido pela fiscalização demonstra de forma cabal que as funções de correspondente no País, com vistas à prestação dos serviços de recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos, eram exercidas pela Impugnante que, indevidamente tentou atribuir as receitas a terceiros sem a comprovação da efetiva realizaçaõ dos serviços por estes. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO. RATEIO DE RECEITAS. POSSSIBILIDADE. Como cada uma das onze empresas fiscalizadas (grupo econômico) deveria ter reconhecido como sua as receitas decorrentes das intermediações financeiras, e que foram desviadas para a Autosistem (que se negou a indicar quanto cada revenda deveria ter recebido); o quantum atribuído a cada uma resumese a uma questão de critério objetivo de rateio, procedimento realizado como método substitutivo para a apuração do montante devido, respeitando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e baseado em elementos próximos da realidade, cujos valores foram apurados partindose do montante de receitas conhecidas pela Autosistem para chegar a um montante de receitas que deveriam ser reconhecidas na Impugnante. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO DE FRAUDE, MAS SIM NÃO COMPROVAÇÃO DOS CONTRATOS CELEBRADOS. Para a aplicação da multa qualificada fazse necessário a existência do evidente intuito de fraude. Na hipótese verificase que o negócio contratualmente produzido não contém ilegalidades, no entanto não foram apresentadas provas da realização do serviço pela autosistem. Tal tipo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 61 /2 01 4- 73 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 762 2 infração não condiz com a tipificação de dolo, fraude ou simulação para fins de imposição de qualificação de multa. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS E RETENÇÕES NA FONTE PAGOS OU SOFRIDOS PELA AUTOSISTEM NA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO DA RECORRENTE. POSSIBILIDADE. Considerandose que as receitas auferidas pela autosistem foram atribuídas às outras empresas do grupo, o pagamento e as retenções na fonte relativos a estas mesmas receitas devem ser aproveitados para fins de redução do lançamento do imposto devido pelas mesmas operações, fazendose a atribuição destes pagamentos/retenções com a mesma proporção utilizada para a atribuição das receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício e autorizar a compensação dos valores recolhidos em nome da empresa AUTOSISTEM com o crédito tributário ora exigido, devendo esta imputação ser realizada de forma proporcional, adotando se o mesmo critério utilizado pela Autoridade Fiscal quando apurou as receitas atribuídas à Recorrente, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, que lhe deram provimento integral ao recurso. Vencidos também os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira que votaram para manter a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 763 3 Contra a empresa PONTO K COMERCIO DE VEICULOS LTDA, identificada no preâmbulo e doravante denominada de Revenda, foram lavrados os autos de infração às fls. 332/528, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário relativo aos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, abaixo discriminado, no montante de R$ 8.353.240,73 (oito milhões trezentos e cinquenta e três mil duzentos e quarenta reais e setenta e três centavos), incluindo juros de mora e multa proporcional qualificada: Da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 312/321) extraise que o presente feito decorreu de ação fiscal previamente realizada na empresa AUTOSISTEM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA (nos autos do processo administrativo nº 10935.720496/201458), doravante denominada de Autosistem. Naquela ocasião, a fiscalização entendeu que parte das receitas escrituradas na empresa Autosistem (comissões ou taxas de retorno pagas por bancos e/ou financeiras a título de prêmio ou remuneração pelos serviços de cadastro e recepção de propostas de financiamento) pertencia a empresas ligadas (concessionárias e revendedoras de veículos, doravante denominadas Concessionárias), entre elas a ora Impugnante, que as realizava em nome das instituições financeiras, concluindo ao final do procedimento que: O desvio das receitas dos verdadeiros titulares para a empresa intermediária, a Autosistem, deuse única e exclusivamente com o propósito de reduzir os tributos devidos, mediante artifício, e assim proporcionar uma distribuição de lucros significativamente superior. Constatado o “desvio de receitas” das diversas Concessionárias, a Autosistem foi intimada a apresentar a verdadeira origem e titularidade das mesmas, ocasião em que restou silente. Assim, a “receita desviada das concessionárias ou revendedoras de veículos” foi obtida, em relação a cada empresa, por arbitramento quando a fiscalização levou em consideração as receitas provenientes da venda de veículos novos e usados. Tudo demonstrado, de forma cristalina, nas planilhas de dados, anexadas aos autos, assim destacado pela Autoridade Fiscal (fl. 316): No ANEXO 01 demonstramos o resultado do arbitramento. O Quadro A mostra a compilação, mês a mês, da receita auferida por cada uma dessas onze empresas com a venda de veículos novos e usados. O Quadro B mostra a participação percentual de cada empresa no montante auferido pelo Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 764 4 conjunto dessas empresas. O Quadro C mostra a receita escriturada pela Autosistem correspondente às comissões recebidas de bancos e financeiras, objeto do arbitramento. E, finalmente, o Quadro D mostra o resultado do arbitramento, isto é, o total da receita expurgada da Autosistem e as parcelas de receita a serem acrescidas a cada uma das onze empresas envolvidas. Desta forma, as parcelas de receitas arbitradas para a PONTO K COMERCIO DE VEÍCULOS LTDA, totalizaram R$ 1.411.642,34 em 2009, R$ 3.394.486,13 em 2010 e R$ 3.125.751,24 em 2011. O regime de tributação da fiscalizada é o do lucro real trimestral e a receita omitida foi adicionada ao lucro declarado antes da compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores respeitando a trava dos 30%. Lavraramse, ainda, os respectivos autos de infração decorrentes: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, os dois últimos pelo regime não cumulativo. Em face da conduta da empresa, configurando, em tese, sonegação e intuito de fraude, a multa aplicada foi qualificada nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430 de 27/12/1996. Também restou configurada compensação indevida de prejuízo com resultado da atividade geral, resultando na lavratura da segunda infração, 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no relatório fiscal anexo. Cientificado pessoalmente das exigências em 14/03/2014 (fl. 531), apresentou em 15/04/2014 petição impugnativa, acostada às fls. 541/576, contrapondose ao procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados. Inicialmente vem aos autos para requer que a Representação Fiscal, contra si lavrada, não seja encaminhada ao Ministério Publico até o transito em julgado administrativo. DA IMPUGNAÇÃO 1 DOS FATOS Segundo a Impugnante, o lançamento efetuado partiu de equivocada premissa, utilizou critério subjetivo, ilógico e ilegal de arbitramento para ratear as receitas, afastadas de Autosistem, entre esta e outras interligadas. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 765 5 Por conseguinte teria feito refletir em terceiras empresas, por intermédio de rateio arbitrado, receitas auferidas, escrituradas, declaradas e tributadas pela Autosistem. 2 DA DELIMITAÇÃO DOS CONTORNOS DA CONTROVÉRSIA Entende a Impugnante que a controvérsia se restringe a quatro pontos: a) Indevido afastamento de parte das receitas, decorrentes da prestação de serviços, auferidas, escrituradas, declaradas e tributadas na Autosistem; b) Indevida inclusão, na base de cálculo dos tributos da Impugnante, de receitas escrituradas, declaradas e já tributadas por terceira empresa (Autosistem), nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011; c) Não compensação dos tributos recolhidos pela Autosistem, mediante DARF's, incidentes sobre as receitas dela afastadas e incluídas na Impugnante, bem como não compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre as mesmas; e; d) Indevida aplicação de penalidade majorada, da ordem de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre os tributos exacionados. 3 DO DIREITO 3.1 DA AUTOSISTEM Neste quesito, vem aos autos para reafirmar que a Autosistem, Pessoa Jurídica da qual a receita ora tributada foi afastada, é sociedade empresarial com existência de direito e de fato, possuindo endereço certo e registro na Junta Comercial do Estado do Paraná – JUCEPAR (sob n° 41205553693, desde 02/09/2005); bem como empregados registrados e quatro (4) sócios. Não se trata, portanto, de empresa constituída meramente de direito e com o objetivo de evadir tributo. A Autosistem tem como fim específico centralizar atividades relativas à prestação de serviços comuns às empresas interligadas, tais como criação e manutenção de softwares, agenciamento de empréstimos e financiamentos a clientes, agenciamento de seguros, etc. Portanto, uma vez que Autosistem existe de fato e de direito, prestou os serviços relativos às receitas objeto do litígio, possui empregados e conta com o trabalho de seus sócios, não se justifica o afastamento de parte de suas receitas e a tributação delas em terceiras empresas. 3.2 DA CENTRALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS NA AUTOSISTEM Como todas as empresas interligadas possuem afinidade, a manutenção de estrutura individual em cada uma delas, para elaborar e manter softwares corporativos, bem como intermediar junto às instituições financeiras a Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 766 6 viabilização de financiamento para venda de veículos a seus clientes, ofende à mais elementar regra de econômica e organização corporativa empresarial. No caso em tela, a centralização dos serviços por elas demandados, se faz necessária, pois, caso contrario, haveria um considerável aumento nos custos e depreciaria os administradores perante a comunidade empresarial. Lista um rol das sociedades interligadas (revendedoras de veículos das marcas Volkswagen, Ford, Chevrolet, Renault, Fiat e Kia) para as quais a Autosistem agenciou, perante os bancos e entidades financeiras, os financiamentos aos respectivos clientes para a compra de veículos por elas vendidos. A Autosistem cumpre integralmente a função e a atividade para a qual foi constituída. Na área de criação e manutenção de softwares, elaborou, registrou e mantém sistemas corporativos que atendem todas as interligadas. No campo da representação junto às entidades financeiras com o objetivo de viabilizar o financiamento de veículos aos clientes de todas as interligadas, agilizou e aperfeiçoou os procedimentos, elaborando ou pesquisando e contratando sistemas de terceiros, a ponto de, atualmente, possuir software que permite identificar qual das financeiras contratantes oferece a melhor taxa de juros ao cliente no dia em que o financiamento está sento pleiteado. O que se buscou com a criação da Autosistem foi a otimização, especialização e agilização dos negócios das interligadas, como efetivamente ocorreu e está ocorrendo. 3.3 DA LIVRE INICIATIVA E LIVRE FORMATAÇÃO DO NEGÓCIO. Os negócios na esfera privada, respeitadas as normas de regência, não se submetem aos interesses subjetivos da Fazenda. Assim, não se pode obrigar o contribuinte a formatálos, visando a maximização da arrecadação tributária; mesmo com prejuízo da eficiência organizacional das empresas. Ao contrário, eles são adequados à forma de organização corporativa que o negócio requer, o tributo é mera consequência decorrente. A rigor, nenhum grupo empresarial, do porte do qual fazem parte a Impugnante e demais interligadas, molda seus negócios a conveniências tributárias. O objetivo sempre é a maximização dos resultados das atividades operacionais. Nesse sentido, o arcabouço jurídico nacional consagra o princípio da livre iniciativa, conforme disposto no artigo 170 da Constituição Federal vigente. No caso em tela, não se vislumbra a hipótese de abuso das formas jurídicas, pois os fatos geradores relativos aos períodos de afastamento das receitas são todos posteriores à criação da Autosistem. Colaciona Acórdão, nº 101 80.801, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que trata da desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 767 7 Na hipótese dos autos, por um lado, a Fazenda desconsiderou e abandonou todos os pressupostos citados e expurgou as receitas auferidas pela Autosistem decorrente da prestação dos serviços de análise de crédito, etc; tributandoas de ofício e equivocadamente em terceiras empresas interligadas. Por outro lado, manteve na Autosistem as receitas decorrentes dos serviços de manutenção de software prestados às interligadas. Assim, não pode prosperar o afastamento das receitas, devendo elas ser mantidas na Autosistem, onde já foram escrituradas, declaradas e tributadas. Por conseguinte, há que ser cancelada a exação objeto dos presentes autos. 3.4 DO ILEGAL CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO PARA FINS DE RATEIO DAS RECEITAS Para fins de rateio das receitas afastadas da Autosistem e tributadas nesta e nas demais interligadas, a Fazenda adotou como parâmetro o montante da receita bruta auferida com a venda de veículos novos e usados. Contudo, tal forma de arbitramento não tem conexão precisa com as comissões ou taxas de retorno pagas pelas instituições financeiras. Conquanto, nem todos os veículos vendidos são financiados e nem sempre o valor total do veículo é financiado. Regra geral, respeitadas raras exceções, em transações de venda de veículos parte do valor é paga à vista. A fiscalização teve à sua disposição todas as informações necessárias para identificar precisamente quais foram os veículos financiados pelas concessionárias interligadas e, por conseguinte, encontrar a receita efetiva que, segundo seu equivocado entendimento, caberia a cada uma delas. Nas condições em que foi efetuado o arbitramento teria ocorrido afronta ao disposto no artigo 148 do Código Tributário Nacional, que permite apenas arbitrar o valor ou preço de bens, direitos e serviços ou atos jurídicos dentro da própria pessoa jurídica, visando refletir as consequências decorrentes na base de cálculo de seu próprio tributo; sem extrapolar para terceiros. Portanto, em não havendo sustentação legal, o arbitramento se converte em arbitrariedade. O arbitramento deve ser empreendido antes do lançamento, ocasião em que a autoridade administrativa desconsiderando os valores declarados pelo contribuinte, sempre limitado ao seu próprio universo e sem refletir em terceiros, estipula para o bem ou direito preço compatível com o praticado pelo mercado. Somente ao fim de tal processo a autoridade administrativa estaria autorizada a calcular o montante do crédito e proceder ao lançamento. O processo de arbitramento deve necessariamente respeitar o devido processo legal. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 768 8 Nos presentes autos os procedimentos citados não foram respeitados, razão pela qual o arbitramento do rateio das receitas, como realizado pela Fazenda, contamina e invalida o procedimento perante a Autosistem, bem como contamina e invalida a exação nas terceiras empresas interligadas, haja vista a adoção de base de cálculo fictícia, divorciada da realidade, além do evidente cerceamento ao direito de ampla defesa na fase de arbitramento, antecedente ao lançamento, fatos que causam a nulidade do lançamento. Ao invés de identificar os valores exatos das receitas que equivocadamente entende deveriam ser alocadas às terceiras empresas, a autoridade fiscal arbitrouas em valores completamente divorciados da realidade fática. Esclarece que os financiamentos intermediados pela Autosistem são concedidos aos compradores dos veículos (pessoas físicas ou jurídicas) e creditados nas contas correntes bancárias das concessionárias vendedoras. As comissões e/ou taxas de retorno são creditados à Autosistem, uma vez que ela é quem presta os serviços de assessoramento e viabilização dos financiamentos. O arbitramento não se sustenta também porque no montante de valor das comissões rateadas estão inseridas receitas advindas da prestação de serviços para a interligada Bigger Caminhões Ltda., CNPJ 02.937.451/000347, que não foi incluída no referido rateio. Colaciona cópia do contrato entre o Banco Finasa S/A e Bigger Caminhões Ltda., datado de 18/08/2008, onde consta Autosistem como beneficiária das comissões. Ou seja, a Fazenda rateou a totalidade das receitas afastadas entre onze (11) pessoas jurídicas interligadas, quando na verdade as comissões foram recebidas por serviços prestados a doze (12) interligadas. Tal equívoco teria contaminado o critério de rateio e resultado na indevida majoração da base de cálculo dos tributos exacionados nas interligadas, inclusive nesta, prejudicando de forma insanável o lançamento efetuado. Aduz que tanto Autosistem quanto a ora Impugnante mantém escrituração fiscal e contábil regular e cumprem com as obrigações principais e acessórias a seus cargos, via de conseqüência, caberia à autoridade administrativa provar a eventual inveracidade dos fatos registrados, já que a escrituração mantida pelo sujeito passivo, com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados. Considera que as receitas tributadas e expurgadas na Autosistem e novamente tributadas nesta empresa interligada, sem a compensação dos tributos anteriormente pagos, ocasionam dupla tributação da mesma receita e pelos mesmos tributos, postura inaceitável perante a doutrina e a legislação tributária brasileira. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 769 9 3.5 AS FINANCEIRAS EFETUARAM OS PAGAMENTOS DAS COMISSÕES À IMPUGNANTE PORQUE FOI ELA QUEM PRESTOU OS SERVIÇOS. Continua sua defesa argumentando que foi a Autosistem quem prestou os serviços relativos ao agenciamento de financiamentos aos clientes das empresas interligadas para a aquisição de veículos, embora a fiscalização tenha sustentado que os contratos de representação bancária teriam sido lavrados entre a as financeiras e as Concessionárias, e não com a Autosistem. Os negócios com instituições financeiras ocorrem sempre por adesão, ou seja, o cliente se submete às condições das referidas entidades ou o negócio não se realiza. Assim, quando os serviços de representação para agenciamento dos financiamentos passaram a ser efetuados pela Autosistem, todos os bancos e financeiras foram cientificados e consultados a respeito das providências que deveriam ser adotadas para que os pagamentos das comissões, a partir de então, passassem a ser efetuado para a efetiva prestadora dos serviços. Nesta seara, alguns bancos e financeiras informaram que para regularizar o pagamento das comissões, bastava simples comunicado informando a alteração do credenciado prestador dos serviços e a inclusão dele, no caso Autosistem, como beneficiária dos rendimentos. Enfim, cada banco e financeira ajustouse à realidade como lhe convinha. O Banco do Brasil, por exemplo, elaborou contrato no qual inclui, Autosistem na condição de “Intermediário/Vendedor/Representante” (fls. 421/432); a Financeira Alfa S/A preferiu elaborar contrato incluindo Autosistem na condição de “Interveniente/Anuente” (fls. 261/289); o Banco Itaú S/A elaborou “Aditamento” incluindo Autosistem (fls. 442/492), bem como incluiu Autosistem na condição de “Conta Espelho” de todas as interligadas (fls. 811/850); o Banco Finasa S/A optou por incluir Autosistem como “Favorecida” (fls. 504/616); O Banco Volkswagem S/A, por seu turno, solicitou apenas autorização para que os pagamentos fossem efetuados à Autosistem, bem como contrato desta com as concessionárias (fls. 936/1018); enfim, reiterando, cada banco e financeira ajustouse à realidade conforme lhes convinha, mantendose Autosistem à disposição para cumprir as condições impostas pelas entidades, como simples aderente em negócios por adesão. Todos os bancos e financeiras confirmaram formalmente que a Autosistem é quem efetivamente prestou os serviços, a exemplo do Banco Volkswagem, que assim se manifestou: “AUTOSISTEM é uma empresa que presta serviços de intermediação, ou seja, ela é responsável pelo relacionamento por meio de captação de informações, cadastro, suporte administrativo de clientes para o Banco Volkswagem”. Os bancos e financeiras jamais efetuariam o pagamento das comissões à Autosistem caso não fosse ela quem efetivamente prestasse os serviços. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 770 10 Evidente que tais entidades estão resguardadas. Se assim não fosse, ficariam expostas a demandas por parte das concessionárias interligadas, demandas essas no sentido de obter o pagamento das comissões que segundo a Fazenda teriam sido indevidamente pagas à Impugnante. 3.6 A FAZENDA TRANSFERIU AS RECEITAS DA AUTOSISTEM PARA AS INTERLIGADAS PORÉM NÃO TRANSFERIU O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PELOS BANCOS E FINANCEIRAS SOBRE ELAS INCIDENTES. Neste ponto, destaca que a Fazenda afastou as receitas auferidas pela Autosistem e tributouas nas interligadas, inclusive nesta; contudo, não compensou nos lançamentos o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF incidentes sobre tais receitas e retidos pelos bancos e financeiras, admitindo, por vias transversas, que as receitas realmente pertencem à Autosistem porque correspondem a serviços por ela prestados, na medida em que manteve os créditos relativos ao IRRF incidente sobre tais receitas. Também por essa razão o lançamento de todos os tributos aqui efetuados está irremediavelmente contaminado e deve ser cancelado. 3.7 A FAZENDA TRANSFERIU RECEITAS DA AUTOSISTEM PARA AS INTERLIGADAS PORÉM NÃO TRANSFERIU OS TRIBUTOS PAGOS POR AUTOSISTEM SOBRE REFERIDAS RECEITAS. As receitas transferidas para a Impugnante e demais interligadas foram tributadas integralmente, pelo Lucro Presumido, na Autosistem. A tributação abrangeu o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/Pasep; mesmos tributos lançados por intermédio dos autos de infração que integram o presente processo. A Fazenda, entretanto, não compensou referidos tributos por ocasião dos lançamentos que efetuou na Impugnante. Nesse particular, limitouse a recomendar que Autosistem solicitasse restituição dos mesmos. Causando significativo prejuízo à Impugnante, na medida em que, deixando de efetuar a compensação, majorou o montante do tributo aplicando juros e da multa, estas no percentual de 150%. Evidente que caso a compensação tivesse sido efetuada, haveria uma redução no montante dos tributos e na base de cálculo dos juros e da multa, e por decorrência os respectivos valores exacionados. Também por essa razão os lançamentos não podem prosperar e devem ser integralmente cancelados, ou então devem ser refeitos para compensar os tributos pagos por Autosistem sobre as receitas acrescidas. 3.8 DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DE MULTA QUALIFICADA. A Fazenda aplicou multa qualificada de 150%, por entender que estaria caracterizada fraude e conluio em razão de terem sido tributadas pela Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 771 11 Autosistem receitas que, no equivocado entender da União, deveriam ter sido tributadas pela ora Impugnante. Tanto Autosistem quanto BEVEL cumpriram suas obrigações fiscais, principal e acessória, e a respeito nada foi contestado pela Fazenda; exceto o ilegal deslocamento das receitas de uma para outra pessoa jurídica. Consoante disposto no artigo 72 da Lei n° 4.502/64, a fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de moto a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. O fato gerador da obrigação principal na Autosistem foi demonstrado às claras, com escrituração regular, apresentação da declaração anual de rendimentos e pagamento de tributos, não se vislumbrando qualquer tentativa de impedir ou retardar total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação principal. A tributação das receitas na Autosistem pelo lucro presumido decorre da legislação tributária em vigor, não representando descaracterização do fato gerador da obrigação principal. A suposta infração apontada pela Fazenda poderia, quando muito, ser caracterizada como declaração inexata, jamais como fraude e conluio. A jurisprudência administrativa neste aspecto é pacifica. Colaciona acórdãos. Considera que não teria sido demonstrada a ocorrência, por parte de BEVEL, de qualquer conduta passível de ser classificada como fraude ou conluio, portanto, não cabe a aplicação de multa qualificada. Desta forma, na improvável hipótese de ser mantida a exação, pede desde logo que a multa seja reduzida para 75% (setenta e cinco porcento), por tratarse de simples omissão de receita apurada por arbitramento em terceira empresa, classificada como declaração inexata. 4 DOS PEDIDOS Em face dos fatos e provas expostos, que contaminam de forma insanável as exações integrantes deste processo, e o que mais suprir o tirocínio dos Ilustres Julgadores, ROGA pelo recebimento e processamento desta e requer: a) A manutenção na Autosistem das receitas dela ilegalmente afastadas e tributadas nesta pessoa jurídica; b) O cancelamento integral de todos os lançamentos de ofício materializado por intermédio dos autos de infração e seus anexos que integram o presente processo, com suporte em qualquer dos fundamentos mencionados; Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 772 12 c) A compensação, neste lançamento, de todos os tributos recolhidos pela Autosistem mediante DARF's (IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins), incidentes sobre as receitas dela afastadas e incluídas nesta Impugnante, bem como sejam compensados o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidentes sobre as mesmas; d) Que a multa aplicada seja reduzida para 75% (setenta e cinco por cento). Fim da transcrição do relatório da DRJ. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento manteve integralmente a autuação. Cientificada da Decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes razões e pedidos: 1. Ilegal afastamento das receitas da Autosistem. Tributação por rateio arbitrado a terceiras empresas. Que a empresa Autosistem existe de fato e possui funcionários. Que as receitas não podem ser excluídas da Autosistem pois esta se dedica a tal atividade. Que a Autosistem foi criada para intermediar a realização de financiamentos junto às instituições financeiras e que o objetivo era o da redução de custos que é legitimamente permitido. Que a atividade da Autosistem é essencial para a realização dos financiamentos. Que há de se atender ao princípio da Livre Iniciativa e de Formação de Negócio. Que os negócios se ajustam para maximizar as operações e não somente para reduzir tributos. Que a Fazenda não porderia desconsiderar a personalidade jurídica da Autosistem. O critério de arbitramento do rateio de despesas foi ilegal. Que o valor das receitas de comissões não é proporcional ao das vendas de veículos, assim o critério utilizado não é justo. Que existia contrato da Autosistem com outra empresa do grupo e que, assim, o critério de rateio estaria incorreto. Que a Fazenda teve acesso à escrituração da recorrente e de todas as empresa e que poderia fazer a apuração correta. Que não houve a compensação dos tributos pagos pela Autosistem em relação às receitas que foram atribuídas às outras empresas para reduzir o valor das autuações. 2. As financeiras Efetuaram pagamentos à Impugnante (sic) pois foi ela quem efetivamente prestou os serviços. Alega que os contratos com os bancos são feitos por adesão e, a partir do momento em que a Autosisten passou a operar as concessionárias, que já possuíam contratos com os bancos, informaram que as comissões deveriam ser pagas à Autosistem. Apresenta contratos em que consta a Autosistem como intermediária vendedora junto aos bancos nos contratos de venda de veículos firmados junto aos bancos. 3. A Fazenda transferiu as receitas para as concessionárias, porém não transferiu, na mesma proporção os valores dos impostos retidos na fonte quando do recebimento das comissões, nem os valores dos tributos pagos pela Autosistem em suas apurações. 4. Da Indevida exigência da Multa Qualificada. Que entende que os fatos apontados não caracterizam o intuito de dolo, fraude ou simulação à imputar a multa Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 773 13 qualificada de 150%. Que o percentual aplicado é excessivo conforme demonstra em jurisprudência judicial. 5. Dos fundamentos equivocados da DRJ para manter a autuação. Alega novamente as razões econômicas para a formatação do negócio e que não tinham objetivo de reduzir tributos. Alega que o conceito de receita utilizado pela DRJ está equivocado. Alega que a prestação de serviços era realizada pela Autosistem e, assim, a ela pertenciam as receitas. Quanto ao Rateio das receitas, alega novamente os pontos antes já aduzidos por considerar ilegal o procedimento. Também alega que a Decisão não admitiu a compensação dos tributos pagos nos lançamentos das demais empresas. Também questiona a multa qualificada mantida. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexos, lavrado em função da acusação de planejamento fiscal abusivo da recorrente e de outras empresas do mesmo grupo com vistas ao desvio de receitas da recorrente para a empresa Autosistem. De acordo com a fiscalização assim funcionava o planejamento (estou simplificando para facilitar o entendimento): 1) A recorrente e as demais concessionárias do grupo desenvolviam as atividades normais de venda de veículos novos e usados, nas quais, como é comum na atividade, eram utilizados financiamentos bancários nas operações de compraevenda; 2) Quando ocorriam financiamentos bancários nas operações as instituições financeiras remuneravam, como é corriqueiro, as concessionárias de acordo com os valores dos financiamentos. Essas receitas, sendo auferidas em razão do serviços executado pelos próprios vendedores das concessionárias deveriam ser a elas atribuído e tributado; 3) Eis que entra o planejamento tributário em cena. Por meio da empresa Autosistem que realizava prestação de serviços de sistemas de informática as concessionárias passaram a autorizar que as instituições financeiras realizassem o pagamento destas comissões devidas à Autosistem, embora não existisse vínculo formal entre as instituições e a Autosistem. 4) Assim procedendo, as receitas de comissões eram recebidas pela Autosistem e tributadas pela sistemática do lucro presumido, em vez de serem oferecidas pelas Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 774 14 concessionárias que eram tributadas pelo Lucro Real. Resultado desta economia é que a Autosistem, empresa que contava apenas com quatro funcionários auferia lucros desproporcionais ao seu porte e realizava o pagamento de distribuição de lucros aos seus sócios que, inobstante, também eram sócios das concessionárias também. Este é, em minhas palavras, o planejamento fiscal que foi objeto de autuação pela fiscalização Tendo impugnado a autuação a Delegacia de Julgamento manteve in totum o valor lançado, razão pela qual a empresa apresentou recurso voluntário que agora passaremos a analisar de acordo com os pontos apresentados à discussão pela recorrente. 1. Ilegal afastamento das receitas da Autosistem. Tributação por rateio arbitrado a terceiras empresas. Que a empresa Autosistem existe de fato e possui funcionários. Que as receitas não podem ser excluídas da Autosistem pois esta se dedica a tal atividade. Que a Autosistem foi criada para intermediar a realização de financiamentos junto às instituições financeiras e que o objetivo era o da redução de custos que é legitimamente permitido. Que a atividade da Autosistem é essencial para a realização dos financiamentos. Que há de se atender ao princípio da Livre Iniciativa e de Formação de Negócio. Que os negócios se ajustam para maximizar as operações e não somente para reduzir tributos. Que a Fazenda não poderia desconsiderar a personalidade jurídica da Autosistem. O critério de arbitramento do rateio de despesas foi ilegal. Que o valor das receitas de comissões não é proporcional ao das vendas de veículos, assim o critério utilizado não é justo. Que existia contrato da Autosistem com outra empresa do grupo e que, assim, o critério de rateio estaria incorreto. Que a Fazenda teve acesso à escrituração da recorrente e de todas as empresa e que poderia fazer a apuração correta. Que não houve a compensação dos tributos pagos pela Autosistem em relação às receitas que foram atribuídas às outras empresas para reduzir o valor das autuações. Neste ponto a irresignação da recorrente se baseia no fato de entender que a atribuição de receitas da Autosistem para a recorrente não é devida pois as receitas eram da própria Autosistem como detentora dos direitos dos softwares utilizados na realização dos contratos de intermediação, ou seja, era a Autosistem quem efetivamente realizava os serviços e, assim, é quem deveria ser remunerada. Tendo em vista que já apresentamos, no início deste voto, as alegações apresentadas pela fiscalização para descaracterizar as receitas como pertencentes à Autosistem, iremos, com base nas argumentações da recorrente, fazer uma explanação melhor do funcionamento do sistema de financiamento de veículos. É de conhecimento de qualquer pessoa que já tenha adquirido um veículo em concessionária que, escolhido o veículo, o vendedor pergunta se parte do mesmo será financiado ou não. Em havendo a opção de financiamento, o vendedor solicita os documentos do comprador e envia para a realização de cadastro e autorização pela instituição financeira. Nos dias de hoje, não havendo problemas, a autorização é bastante rápida. Aqui a recorrente alega que este trabalho de realização do financiamento é realizado não pelo vendedor da concessionária, mas sim por funcionários seus e com a utilização de seus softwares e não os das entidades financeiras. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 775 15 Não há ilicitude aparente no fato de existir uma empresa prestadora de serviços de intermediação de financiamento dentro das concessionárias como faz crer o recorrente. Entretanto, não só neste caso (de terceirização da intermediação) como no caso em que o financiamento é intermediado diretamente pelo vendedor da concessionária e sua equipe, há um fator decisivo que o recorrente não alega nem produz prova em seu favor. A identificação da pessoa que realizou o financiamento. A quem não entenda os mecanismos de funcionamento dos sistemas de intermediação financeira de financiamentos, que hoje em dia são muito comuns, neste casos a instituição financeira contrato com terceiros o serviços de intermediação, qual seja, obtenção de documentos, formatação do preço e do prazo de financiamento, garantias, etc. Estas empresas, por meio de seus funcionários, realizam o serviço e são remuneradas pelo mesmo por meio de comissão sobre os valores financiados. Além disso há outro detalhe: cada empregado que realiza o trabalho também recebe comissão da intermediadora com o objetivo de estimular o trabalho e premiar os melhores funcionários. Temos então que a recorrente insiste que era a Autosistem quem realizava os referidos serviços de intermediação. Alega que esta possuía funcionários e estrutura, além dos programas. Somente não esclarece um ponto que era de muito fácil comprovação. Existindo o serviço prestado por empresa do grupo econômico e realizado pelos funcionários da mesma, poderia facilmente a recorrente produzir prova demonstrando que eram pagas comissões aos funcionários da Autosistem pela realização dos serviços. Ora, se as comissões se referem ao serviço de intermediação dos financiamentos bancários entre os bancos e as concessionárias, algum funcionário era responsável pela realização do serviço. Se os funcionários eram da Autosistem, bastaria comprovar o vínculo de trabalho e o recebimento das comissões. Mais ainda, já adentrando no fato de a recorrente contestar o critério de rateio adotado pela fiscalização para atribuir receitas da Autosistem às concessionárias, a recorrente alega que a fiscalização teve acesso a toda a contabilidade das empresa e que poderia ter identificado corretamente as receitas de cada uma, assim o critério seria ilegal. Tanto em relação a um fato (demonstração dos reais prestadores de serviços que foram remunerados) quanto ao outro (demonstração da imputação de receitas a cada concessionária) era bastante fácil à recorrente demonstrar a improcedência da autuação. Poderia demonstrar de forma cabal que os serviços eram prestados por funcionários da Autosistem e assim que as receitas a ela pertenciam ou, por outro lado, poderia demonstrar que as receitas estavam proporcionalmente mal atribuídas e, por meio de demonstrativos próprios, poderia demonstrar a correta distribuição das comissões. Entretanto, mesmo entendendo perfeitamente os motivos da autuação e da fiscalização e mesmo alegando possuir avançados sistemas de gerenciamento dos financiamentos que eram tão imprescindíveis que tinham de ser utilizados pelas concessionárias por meio da Autosistem, a recorrente não teve o cuidado de bem demonstrar estes fatos. Caracterizase que a recorrente tinha fundamentadas razões para não apresentar as planilhas porque nelas não teria como demonstrar que os serviços eram prestados por funcionários da Autosistem e, assim, que efetivamente a fiscalização estaria correta no seu entendimento. Vejase trecho do TVF em que a fiscalização demonstra a falta de interesse da Autosistem em efetivamente comprovar a prestação dos serviços e a quem beneficiava com os mesmos. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 776 16 Na resposta ao Termo nº 2 lavrado no âmbito da diligência, a Autosistem se referiu às “Outras receitas” como “receitas de intermediação de negócio” creditadas diretamente em contacorrente pelos bancos financiadores das operações comerciais. Acrescentou que, a despeito de alguns bancos não terem exigido nota fiscal, toda a receita teria sido regularmente submetida à tributação. Objetivando conhecer a natureza e a regularidade desses serviços, decidiu a fiscalização requisitar todos os contratos para exame, o que foi feito pelo Termo nº 3 no âmbito dessa mesma diligência. Na resposta recebida, a contribuinte tentou justificar as operações mediante a anexação de apenas alguns contratos e não todos, conforme solicitado. Em outros casos a contribuinte se referiu a notas fiscais anexadas para comprovar as operações, só que muitas dessas notas fiscais não foram de fato anexadas, conforme apontamentos inseridos pela fiscalização em sua resposta. Resumindo: ao invés de realmente procurar esclarecer e comprovar a origem das receitas, a contribuinte preferiu tergiversar e não colaborar com a fiscalização. ........(Foi realizada circularização junto aos bancos)Informação nossa. De conclusivo, basta dizer que as investigações nos levaram à convicção de que as “Outras receitas”, acima referidas, embora escrituradas na Autosistem, na verdade não lhe pertenciam. Pertenciam, isto sim, a empresas ligadas, todas concessionárias ou revendedoras de veículos. Tratase de comissões ou taxas de retorno pagas por bancos e/ou financeiras a título de prêmio ou remuneração pelos serviços de cadastro e recepção de propostas de financiamento realizadas dentro desses estabelecimentos em nome das instituições financeiras. O desvio das receitas dos verdadeiros titulares para a empresa intermediária, a Autosistem, deuse única e exclusivamente com o propósito de reduzir os tributos devidos, mediante artifício, e assim proporcionar uma distribuição de lucros significativamente superior. Ante a essas conclusões, e ainda no âmbito da diligência, decidiu a fiscalização intimar a Autosistem, através do Termo nº 4, para que esta segregasse os valores por empresa concessionária ou revendedora, na qualidade de reais titulares da receita. Na resposta entregue na Agência de Francisco Beltrão em 12/11/2013, um dia após o prazo regulamentar, a contribuinte preferiu contestar as conclusões da fiscalização e alegar impossibilidade no atendimento do solicitado. Com base nos excertos acima demonstrase que, ao contrário do que tentar fazer crer o recorrente, a Autosistem não prestava efetivamente os serviços de intermediação financeira. Contra suas próprias alegações que asseveram a prestação dos serviços pela Autosistem às concessionária e o recebimento, como receita sua, sobre os serviços prestados de intermediação, nem a recorrente nem a Autosistem se desincubem desta prova. A recorrente simplesmente ataca o trabalho da fiscalização sem apresentar prova de suas razões. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 777 17 Ora, é princípio basilar do direito que cabe a prova a quem à alega. A fiscalização, ao alegar que a Autosistem estava recebendo receitas que a ela não pertenciam, posto que pertenciam às concessionárias que efetivamente prestavam os serviços de intermediação apresentou a distorção evidente entre os valores recebidos pela Autosistem relativos a suas atividades e "outras receitas", além do elevado valor de distribuição de lucros aos sócios. Solicitou prova dos contratos e dos serviços, além de planilhas para demonstrar os beneficiários dos serviços contratados, não sendo atendida. Assim, como conclusão lógica acusou e autuou a recorrente com base na omissão das receitas que foram auferidas pela Autosistem e que eram, em verdade, pertencentes às concessionárias que realizavam o serviço. Por seu turno o recorrente alega que a Autosistem era a efetiva prestadora dos serviços de intermediação e que as receitas a ela eram pertencentes, vez que as receitas pertencem a quem presta os serviços. Ora, assim, qual a prova que a recorrente trouxe aos autos para comprovar que os serviços eram efetivamente prestados pela Autosistem? Até o momento nada que convencesse este relator. Foram anexados alguns contratos em que consta a Autosistem como intermediária ou outra designação. Ocorre que a simples menção em contrato não serve de prova da efetiva prestação de serviço. A intermediação dos financiamentos depende do trabalho pessoal de algum agente de forma individual, posto que é feita diretamente com o comprador do veículo. Será que não é possível à recorrente demonstrar o vínculo pessoal da prestação de serviços dos funcionários da Autosistem, vez que esta é quem é a alegada prestadora de serviços. Seria possível se assim o fosse de fato. Se a alegação da recorrente de que era a Autosistem a efetiva prestadora dos serviços de intermediação, porque não junta prova do fato? À falta da demonstração subsume se que não existe a prova. Por isso, entendo que não é viável a alegação de que a atribuição das receitas da Autosistem às concessionárias é ilegal. Não havendo prova da efetiva prestação de serviços por parte da Autosistem, é decorrência lógica que o serviço era de fato prestado pelas concessionárias e seus funcionários e, assim, a estas pertenciam as receitas de intermediação de serviços. Por isso, não socorre à recorrente alegar e repisar a existência de propósito negocial na realização da centralização dos serviços na Autosistem se não consegue provar o fato. Mais ainda, passa a recorrente a maior parte do tempo a criticar não só as alegações da fiscalização, quanto o seu critério de rateio quando nem a recorrente nem a Autosistem apresentaram os relatórios solicitados pela fiscalização nem a íntegra dos contratos. Por isso entendo que o critério do rateio para fins de atribuição das receitas a cada uma das concessionárias foi bastante justo e capaz de repartir igualitariamente as comissões, à vista da falta de discriminação da origem das comissões por parte da recorrente. Mais ainda, a alegação de que existia uma outra concessionária que se beneficiava dos serviços e que não foi apontada na autuação poderia até servir de base para a redução da autuação, Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 778 18 entretanto, até mesmo neste caso a recorrente sequer apresenta o valor das receitas que entende serem atribuídas à concessionária BIGGER. Assim, não há como acolher as alegações do recorrente posto que desacompanhadas de elementos probatórios que as justifiquem, notadamente quanto à alegada prestação de serviços por parte da Autosistem. Pelo exposto e entendendo não haver reparos também quanto ao critério de rateio utilizado, nego provimento ao recurso neste ponto. 2. As financeiras Efetuaram pagamentos à Impugnante (sic) pois foi ela quem efetivamente prestou os serviços. Alega que os contratos com os bancos são feitos por adesão e, a partir do momento em que a Autosistem passou a operar as concessionárias, que já possuíam contratos com os bancos, informaram que as comissões deveriam ser pagas à Autosistem. Apresenta contratos em que consta a Autosistem como intermediária vendedora junto aos bancos nos contratos de venda de veículos firmados junto aos bancos. Em relação à alegação de que a Autosistem é que prestava serviços aos bancos e, por isso, os bancos pagavam à mesma, volto à toda a argumentação acima apresentada. Além disso, aos bancos não importa a quem ele vai pagar a comissão. O que importa, na qualidade de vendedor do serviço, é que receba os contratos de financiamento que vão lhe gerar o rendimento. Se o valor das comissões devidas será pago às concessionárias ou a quem estas atribuir a condição de responsáveis não é relevante para o deslinde da prova da prestação dos serviços. A existência de contratos, por melhor que sejam redigidos, não comprova a efetiva prestação dos serviços. O serviços em comento, de intermediação dos financiamentos, como já dissemos antes é de natureza eminentemente pessoal vez que parte da remuneração das comissões atribuídas à empresa é recebida pelas pessoas físicas que tratam dos financiamentos com os compradores. Assim, havendo dúvida acerca de a quem cabe as receitas de comissões, há de se demonstrar que os empregados da Autosistem realizaram o serviço e não apenas que existia contrato com a Autosistem de intermediação. Diante disso e da falta de apresentação de prova eloquente da demonstração da efetiva prestação de serviço por parte da Autosistem, ainda mais neste caso, que tratamse de pessoas jurídicas vinculadas, entendo que não há demonstração de que os serviços foram efetivamente prestados pela Autosistem e, assim, deve ser rejeitada a argumentação do recorrente de que somente os contratos e os pagamentos realizados à esta comprovariam a prestação dos serviços. Por isso, nego provimento ao recurso neste ponto. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 779 19 3. A Fazenda transferiu as receitas para as concessionárias, porém não transferiu, na mesma proporção os valores dos impostos retidos na fonte quando do recebimento das comissões, nem os valores dos tributos pagos pela Autosistem em suas apurações. Em relação a este ponto a recorrente entende que a autuação é improcedente porque a fiscalização não deduziu, dos valores da autuação, os montantes pagos ou retidos na fonte pela Autosistem em relação às suas receitas auferidas e atribuídas às concessionárias. A Delegacia de julgamento entendeu que não caberia a dedução por se tratar de recolhimento de terceiras empresas e que não poderiam se comunicar. Entendo de maneira diversa. Não se trata aqui de que pessoa jurídica realizou o recolhimento, mas sim a que fatos geradores se referem os rendimentos. Ora, a acusação fiscal se baseia no fato de que as receitas percebidas pela Autosistem a ela não pertenciam e, desta maneira, realizou o rateio proporcional das receitas e as levou à tributação em cada uma das concessionárias vinculadas aos fatos geradores das comissões recebidas. Em assim agindo e constatando a existência de um grupo empresarial envolvido no negócio ficou entendido que as receitas se referiam, de fato, a outras empresa que não a Autosistem. Assim, no meu entender, a consequência lógica é a de que os valores dos tributos pagos ou retidos na fonte sobre estas receitas também não pertenciam à Autosistem e, assim, os valores referentes aos tributos pagos ou retidos na fonte dos recebimentos desta relativos às comissões também deveriam ter sido rateados entre as empresas que foram imputadas como detentoras das receitas. A DRJ, ao entender que à Autosistem caberia pedir restituição dos valores, me faz crer estar imputando obrigações desnecessárias ao imputado e à Autosistem. Para tanto, valhome de acórdão de minha relatoria que trata de tema semelhante. Vejamos a transcrição de excerto do acórdão nº 1401002.196, desta mesma 1a Turma da 4a Câmara, de 21/02/2018 Revendo minha posição (manifestada em outras ocasiões semelhantes) acerca de tal questão, entendo ser possível e legal que se permita deduzir do imposto ora apurado de ofício contra a pessoa jurídica, aquele imposto pago pelas pessoas físicas dos sócios, ambos vinculados ao mesmo fato gerador. Por uma razão simples. A reclassificação do sujeito passivo da operação que gerou ganho de capital, implica que o imposto devido passa a ser atribuído, no caso, à pessoa jurídica, de forma que eventual recolhimento/pagamento de imposto (exclusivo na fonte!) deste mesmo fato gerador, então realizado por pessoas que não o sujeito passivo, deve ser deduzido do IRPJ. Se a Administração Tributária tratou de reclassificar a natureza da sujeição passiva da obrigação tributária do fato gerador em questão (alienação de participação societária), de pessoa física para pessoa jurídica, não faz Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 780 20 sentido manter a tributação da pessoa física no que se refere ao valor transferido para a pessoa jurídica. Estamos diante de um erro de direito, uma interpretação equivocada da legislação acerca do assunto, entre a Interessada e seus sócios, não tendo havido uma intenção deliberada de fraudar o Fisco, absolutamente, como já me manifestei anteriormente ao analisar a questão da qualificação da multa de ofício. Se a Administração Tributária transferiu o fato gerador para a pessoa jurídica, e neste aspecto concordei com a reclassificação posta, legítima, evidente que o imposto de renda recolhido na pessoa física, sobre o mesmo fato gerador, deveria ser objeto de compensação do IRPJ ora apurado de ofício, sob pena de enriquecimento ilícito da União (afinal, ela estaria recebendo duas vezes pelo mesmo fato gerador). Acrescentese a isto que, caso a Autosistem, de imediato solicitasse a restituição dos valores pagos, inclusive em razão da possível prescrição eminente deste possível direito de crédito, tal fato poderia ser alegado pela própria administração tributária como demonstrativo de que havia o reconhecimento de que sendo indevidos os recolhimentos a empresa poderia estar admitindo que as receitas não eram efetivamente suas. Por isso, por critério de consequência lógica da atribuição de receitas a outros sujeitos passivos em função da sua vinculação aos fatos geradores das obrigações tributárias, há de se atribuir, em consequência, os valores das retenções e recolhimentos realizados sobre estas mesmas receitas como forma não de compensação (que é afeita às normas da Lei nº 9.430/96) mas sim de imputação aos valores dos tributos devidos apurados como redução proporcional destes valores e das respectivas multas. Assim, neste ponto, entendo assistir razão ao contribuinte quanto à possibilidade de utilização, na mesma proporção em que foram realizadas as atribuições de receitas, dos valores dos pagamentos e das retenções na fonte de tributos vinculados diretamente ao recebimento das comissões pela intermediação dos serviços. Por estas razões, dou provimento ao recurso neste ponto para determinar que quando do retorno do processo à Delegacia de Origem, sejam deduzidos dos valores dos tributos apurados pela fiscalização os montantes dos tributos retidos na fonte ou recolhidos pela Autosistem na mesma proporção dos valores de atribuição de receitas. 4. Da Indevida exigência da Multa Qualificada. Que entende que os fatos apontados não caracterizam o intuito de dolo, fraude ou simulação à imputar a multa qualificada de 150%. Que o percentual aplicado é excessivo conforme demonstra em jurisprudência judicial. Com relação à qualificação da multa de ofício pela fiscalização por entender que: a) A empresa sob exame é coligada da Autosistem que tem como sócios Edson Luiz Casagrande, Gerson Rigo, Joseti Antonio Meimberg e Angela Maria Meimberg; Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 781 21 b) Os sócios da Autosistem possuem participação societária em diversas outras empresas: Edson Luiz Casagrande possui participação em outras quarenta e uma, Gerson Rigo em mais dez, Joseti Antonio Meimberg em mais quarenta e Angela Maria Meimberg em outras seis. As informações foram extraídas do cadastro de contribuintes da Receita Federal (fls. 308 311); c) Grande parte dessas empresas atua no ramo de compra e venda de veículos onde os financiamentos representam a mola propulsora de seus negócios diante dos altos preços das mercadorias comercializadas. Essas empresas, concessionárias ou revendedoras de veículos, cientes da necessidade de crédito por partes de seus clientes, firmaram convênios ou parcerias com bancos e financeiras no sentido de direcionar a elas essa necessidade de seus clientes. Em contrapartida, as instituições de crédito prometeram remunerálas mediante uma comissão ou taxa de retorno vinculada ao fechamento de cada operação de crédito. Esses pagamentos foram realizados em contacorrente indicada pelas revendedoras; d) O mecanismo relatado no que diz respeito à parceria existente entre as revendedoras de veículos e as instituições de crédito, assim como respectiva remuneração, ficou demonstrado e comprovado no âmbito da diligência MPFD nº 09.1.03.002013000533, levado a efeito na empresa Autosistem no período de 21/02/2013 a 19/11/2013, conforme já mencionado; e) Em determinado momento, entretanto, ao perceberam que essas comissões ou taxas de retorno estavam sendo tributadas integralmente em suas empresas, os administradores decidiram implementar, digamos, um esquema alternativo de tributação, objetivando incrementar os lucros a serem distribuídos. Para se compreender isso, basta observar que, nas empresas optantes pelo lucro presumido, a receita acessória é adicionada integralmente ao lucro presumido calculado sobre o faturamento e, nas empresas do lucro real, essa receita acessória é acrescida à receita operacional sem incremento de novas despesas ou custos, eis que a receita adicional é obtida com a mesma estrutura operacional já existente nas revendedoras. Tratase, na verdade, de um plus sem qualquer custo adicional. f) Além do citado, que trata da base de cálculo do IRPJ e CSLL, vale mencionar também as vantagens que seriam obtidas em relação às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Nas empresas optantes pelo Lucro Presumido — como é o caso da Autosistem — as alíquotas aplicáveis sobre o faturamento são de 0,65% e 3,0%, respectivamente. Já nas empresas do Lucro Real — como é o caso de dez das onze empresas envolvidas no caso —, obrigadas ao cálculo das contribuições pelo regime nãocumulativo, as alíquotas aplicáveis são de 1,65% e 7,6%, também respectivamente. g) Uma vez traçado o propósito, os empresários citados se aglutinam numa empresa criada em 01/09/2005 por Edson Luiz Casagrande e Ronaldo José Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 782 22 Pocai com o objetivo original de desenvolver e vender programas para computador. O nome dessa empresa é Autosistem Sistema de Informação Ltda. Em 23/02/2006, sai o sócio Ronaldo José Pocai para dar espaço a Joseti Antonio Meimberg. Em 01/02/2008, o empresário Gerson Rigo é admitido e, finalmente, em 29/09/2010, Angela Maria Meimberg também ingressa na sociedade; h) O plano é simples: redirecionar para a Autosistem todas as comissões ou taxas de retorno devidas pelas instituições de crédito às empresas revendedoras de veículos do mesmo grupo econômico. Essa empresa intermediária receberia os créditos com custo zero e ofereceria à tributação apenas 32% desse montante, que é o lucro presumido definido pela legislação para as empresas prestadoras de serviço; i) Duas providências foram tomadas para a concretização do plano: primeira, ampliar o objetivo social da Autosistem para que esta pudesse comportar a nova atividade, o que foi feito em 23/02/2006, com a primeira alteração do contrato social; e, segunda, formalizar um comando junto às financeiras para que estas não mais creditassem as comissões em contas correntes das revendedoras, mas sim em contascorrentes da Autosistem, a empresa intermediária, o que foi feito em diversos momentos, conforme demonstrado no curso da citada diligência; j) Como providência acessória, foram forjados alguns contratos de prestação de serviço entre revendedoras e Autosistem, com a anuência das financeiras (suas parceiras), objetivando dar a entender que os serviços de captação de financiamentos estariam sendo prestados pela Autosistem e não pelas revendedoras. Dentre os diversos indícios e provas da fraude relatadas no dossiê da diligência já mencionada, extraímos, para demonstrar aqui, o básico: se efetivamente a Autosistem tivesse sido contratada pelas diversas revendedoras de veículos para prestar serviços junto às financeiras em seu nome, o pagamento por esses serviços deveria ter sido feito por essas empresas revendedoras e não pelas financeiras, tudo devidamente escriturado, o que não foi feito; k) Utilizandose dessa estrutura, a Autosistem distribuiu aos seus sócios, a título de lucros, os montantes de R$ 5.866.761,20 em 2009, R$ 9.006.153,71 em 2010 e R$ 6.660.594,10 em 2011; l) Os efetivos lucros da Autosistem disponíveis para distribuição, apurados pela fiscalização a partir de sua receita própria e somados ao saldo de lucros acumulados, são significativamente inferiores e somam R$ 42.470,86 em 2009, R$ 48.987,90 em 2010 e R$ 69.513,21 em 2011; m) A receita expurgada da Autosistem foi adicionada pela fiscalização à receita declarada pelas onze empresas envolvidas no caso objetivando o recálculo dos tributos e a apuração dos lucros adicionais disponíveis para distribuição. O montante dos tributos suplementares apurados nessas onze empresas atingiu a cifra de R$ 2.230.977,15 em 2009, R$ 3.865.162,92 em 2010 e R$ 3.531.568,23 em 2011, conforme demonstrado no ANEXO 03; Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 783 23 n) Além disso, a fiscalização apurou um excesso de lucro pago a dois dos quatro sócios da Autosistem nos montantes de R$ 2.024.982,12 em 2009, R$ 2.505.298,85 em 2010 e R$ 1.327.557,17 em 2011, conforme demonstrado no ANEXO 04. Esses valores foram declarados pelos beneficiários como isentos em suas Declarações de Ajuste Anual, mas uma vez submetidos à tributação, a fiscalização apurou um imposto de renda suplementar de R$ 555.833,53 em 2009, R$ 688.957,19 em 2010 e R$ 365.076,85 em 2011, conforme demonstrado no ANEXO 03; e o) No que diz respeito especificamente à contribuinte sob exame, a receita omitida mediante artifício foi de R$ 1.411.642,34 em 2009, R$ 3.394.486,13 em 2010 e R$ 3.125.751,24 em 2011, conforme demonstrado no ANEXO 01. Não há como atribuir tais ocorrências a lapsos ou malentendidos. Notase, pela conduta dos administradores comprovada no curso da diligência, que o objetivo pretendido foi o de reduzir os tributos devidos, mediante artifício, pelas onze revendedoras de veículos comandadas pelo mesmo grupo que administra a Autosistem, a empresa operadora do esquema. Observese que não estamos nos referindo a uma ocorrência isolada, mas de uma prática reiterada que perpetrou por, pelo menos, quatro anos, que corresponde ao período fiscalizado. O elemento vontade, portanto, esteve presente em todo o período em que se deu a conduta delituosa da fiscalizada. O Código Penal, em seu artigo 18, inciso I, especifica que há dolo “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. A doutrina, por sua vez, ao clarificar o sentido da lei, identificou os elementos componentes do dolo como sendo “consciência da conduta e do resultado, consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado e vontade de realizar a conduta e produzir o resultado”. Entendemos que, no presente caso, esses elementos estiveram presentes e objetivaram, ao que tudo indica, reduzir artificialmente os tributos. A conduta das onze empresas ligadas, ao apresentar as DIPJs dos anos calendário 2009 a 2011 com valores inferiores aos reais, caracterizou, na nossa opinião, uma omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, tal qual descrito pelo artigo 71 da Lei nº 4.502 de 30/11/1964, acima transcrito. Já a omissão do registro dessa receita adicional na escrituração, o desvio das comissões ou taxas de retorno para uma empresa intermediária e a apresentação de contratos de prestação de serviço forjados ou inconsistentes para tentar dar respaldo à receita desviada, caracteriza a prática da fraude tal qual descrita no artigo 72 do mesmo mandamento legal. Face ao exposto, entendemos que a conduta da contribuinte configura, em tese, sonegação e intuito de fraude tipificadas pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502 de 1964, não restando à fiscalização outro caminho senão o de aplicar Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 784 24 a multa em dobro, em conformidade com o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Verificase, conforme a argumentação da fiscalização, que a atribuição da qualificação da multa decorreu do entendimento de que foi arquitetado um projeto com o objetivo primordial de reduzir tributos e aumentar os lucros da empresa. Por óbvio o fiscal autuante atua com a emoção de quem vivencia os fatos de frente e, assim, normalmente o seu entendimento é afetado por este enfrentamento. Analisando a operação com mais frieza verificamos, no entanto, que se esta operação se realizasse com a Autosistem pertencendo a outras pessoas seria uma operação legítima. Claro que sim. O que a fiscalização entende, com certa razão, é que houve um planejamento para reduzir tributos. No entanto o fato de existir um planejamento não implica em ser um planejamento fraudulento ou simulado ou doloso. O intuito de reduzir o tributo, por si só não caracteriza uma das infrações passíveis de aplicação de multa qualificada. Em verdade, mesmo que a contragosto dos que fazem parte da administração tributária, as empresa não só podem como devem realizar estudos e projetos para reduzir a imposição tributária. Por isso os planejamentos podem ser lícitos ou ilícitos, a depender da forma como são realizados e da intenção dos partícipes. Neste caso a intenção de reduzir tributos não é, por si só ilegal. O fato que torna a autuação procedente é a falta da apresentação de provas da prestação de serviço pela Autosistem e não a existência de atos comissivos que levam à descaracterização das receitas como pertencentes a esta. Entendo, no presente caso, que o planejamento fiscal realizado pelo grupo econômico não foi abusivo e, assim, não pode se enquadrar nas hipóteses de qualificação exigidas pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Por isso, à vista do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto para excluir a qualificação da multa de ofício. 5. Dos fundamentos equivocados da DRJ para manter a autuação. Alega novamente as razões econômicas para a formatação do negócio e que não tinham objetivo de reduzir tributos. Alega que o conceito de receita utilizado pela DRJ está equivocado. Alega que a prestação de serviços era realizada pela Autosistem e, assim, a ela pertenciam as receitas. Quanto ao Rateio das receitas, alega novamente os pontos antes já aduzidos por considerar ilegal o procedimento. Também alega que a Decisão não admitiu a compensação dos tributos pagos nos lançamentos das demais empresas. Também questiona a multa qualificada mantida. Finalmente em relação aos pontos em que o recurso ataca os fundamentos apresentados pela impugnante, entendo que a decisão de Piso, em si, não contém nulidades que Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10980.720461/201473 Acórdão n.º 1401003.100 S1C4T1 Fl. 785 25 afetem sua validade. Os argumentos utilizados são plausíveis, mesmo que o recorrente com eles não concorde. Assim, não havendo nulidades a enfrentar em relação à decisão recorrida este voto se manifestou em desacordo com a Decisão de Piso apenas nos pontos em que entendeu não ser adequada a análise por ela realizada, mantendose os pontos que entendemos estarem corretos. Por todo o exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso apenas para excluir a qualificação da multa de ofício e autorizar a dedução, dos valores lançados, dos montantes dos tributos recolhidos ou retidos na fonte pela Autosistem, devendo esta imputação ser realizada de forma proporcional ao faturamento atribuído à recorrente, igualmente como realizado quando da autuação. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004683/2007-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRESCRIÇÃO. INICIO DE CONTAGEM DO PRAZO.
As antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro, assim no caso de apuração do Lucro Real Anual. O prazo prescricional para restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extingue-se após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do ano-calendário subsequente ao do encerramento do respectivo período de apuração.
Numero da decisão: 9101-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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PRESCRIÇÃO. INICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. As antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro, assim no caso de apuração do Lucro Real Anual. O prazo prescricional para restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extinguese após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do respectivo período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 46 83 /2 00 7- 97 Fl. 371DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 301) interposto pela contribuinte acima identificada, cujo ponto de discórdia referese à forma de contagem do prazo prescricional para o contribuinte solicitar restituição ou compensação de saldo negativo de IRPJ ou CSLL. O acórdão n°1402001.975 de 08/12/15 (fls.287), ora recorrido, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. O prazo para que a pessoa jurídica possa pleitear a restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extinguese após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do respectivo período de apuração. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados quanto ao momento em que iniciase a contagem do prazo prescricional para que o contribuinte possa restituirse ou compensar saldo negativo de IRPJ e CSLL. O acórdão ora recorrido aplicou entendimento de que o prazo prescricional de 05 anos passa a ser contado a partir do 1°dia do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração no qual o crédito fora apurado. Contudo, segundo a ora Recorrente, os acórdãos paradigmas trazem 02 entendimentos distintos no sentido de que iniciase a contagem do prazo prescricional: i) no momento em que o contribuinte ficar impossibilitado de aproveitar o crédito gerado em razão de mudança de modalidade de apuração (abandono da modalidade do Lucro Real) ou de extinção da pessoa jurídica ou ii) após a entrega da DIPJ. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de CSLL, uma vez que, mantido no regime de Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11610.004683/200797 Acórdão n.º 9101003.988 CSRFT1 Fl. 3 3 apuração do lucro real, poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento, renovados a cada período de apuração. (Acórdão nº 910100.522, da 1ª Turma da CSRF). SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. (Acórdão nº 910100.347, da 1ª Turma da CSRF) RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. O prazo para que o contribuinte proceda à apresentação de pedido de restituição decai em 05 anos contados da entrega da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, nos casos de restituição de IRPJ e CSLL. Somente após a apuração final do tributo, que se consubstancia no momento da entrega da declaração é que antecipações tornamse, eventualmente, indébitos tributários. (Acórdão nº 10808.205, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 359), o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo deu seguimento ao recurso. A Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 363) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial da contribuinte mas no mérito traz, em síntese, as seguintes alegações: i) conforme art. 168 do CTN, quando houver pagamento a maior, terá o contribuinte cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, para exercer seu direito potestativo de compensação; ii) a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento, nos moldes traçados pelo art. 156, inciso I do CTN; iii) no caso de tributo cuja sistemática de lançamento se dê por homologação, a contagem do prazo decadencial para a restituição deve obedecer o art. 3º da LC nº 118/05 que determina que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado do tributo; iv) não cabe ao CARF afastar a aplicação da lei e v) relaciona jurisprudência que ratifica seu entendimento (Acórdãos nº 107 09123 e nº 10322042). Fl. 373DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial ora em análise referese à contagem do prazo prescricional para restituição ou compensação tributária de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e CSLL. A ora Recorrente apresentou pedido de restituição em 15/05/2007 decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, no valor de R$ 6.488.138,07. Contudo, a DIORT/SP emitiu Despacho Decisório no qual indeferiu o pedido de restituição em razçai da ocorrência da decadência, tendo em vista a fluência do prazo de 05 anos. Segundo o racional da DIORT/SP e que fora mantida pelos julgadores da DRJ e também pela Turma Ordinária no acórdão recorrido , o prazo prescricional, no presente caso, iniciariase em 01/01/02 e findaria em 31/12/06, tendo em vista que o prazo prescricional passa a ser computado no primeiro dia do ano seguinte ao que o crédito fora gerado. Apresentou a Recorrente os acórdãos paradigma n. 910100.522 e n. 9101.00.347, ambos da 1ª Turma da CSRF, que concluíram que a contagem do prazo prescricional sequer iniciase enquanto o contribuinte for optante pelo lucro real, vez que enquanto não houver mudança de regime, não há que se falar em fluência do prazo prescricional para aproveitamento do saldo negativo. Trouxe ainda a Recorrente o acórdão paradigma n. 10808.205 da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes cuja ementa define que o prazo prescricional seria contado a partir da entrega da DIPJ, conforme disposto no artigo 6º, §1º, II, c.c. artigo 28 da Lei n.º 9.430/1996. No caso concreto, a contagem iniciariase em 01/07/02 e findaria em 30/06/2007, após a entrega do pedido de restituição ocorrida em 17/05/2007. Me parece claro que os 02 primeiros paradigmas trazidos pela Recorrente (910100.522 e n. 9101.00.347) trouxeram a mesma conclusão quanto à regra de contagem do prazo prescricional no caso de saldo negativo de IRPJ e CSLL (iníciase apenas após alteração de regime de apuração ou de extinção), contudo, apesar de ter analisado a mesma matéria, o terceiro acórdão paradigma trazido (acórdão n. 10808.205) adotou conclusão distinta (início de contagem do prazo prescricional apenas após a entrega da DIPJ). Entendo neste caso ser aplicável o disposto no art. 67, § 6°e 7°do Regimento Interno do CARF que assim dispõe: § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11610.004683/200797 Acórdão n.º 9101003.988 CSRFT1 Fl. 4 5 Desta forma, para fins de análise do presente recurso, o presente julgador limitarseá à análise de divergência apenas em relação aos acórdãos n. 910100.522 e n. 9101.00.347. Diante do exposto, entendo devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial quanto à matéria em debate. Assim, não merece qualquer reparo o despacho de admissibilidade que admitiu o recurso. Mérito O Recurso Especial ora em análise trata especificamente de controvérsia formada sobre a forma de contagem do prazo prescricional previsto no artigo 168, I do CTN no caso de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e CSLL. O ponto nuclear da discussão referese ao termo inicial da contagem do prazo prescricional. A Recorrente defende que iniciase a contagem do prazo somente a partir do momento em que o contribuinte deixar de apurar tais tributos sob a modalidade do Lucro Real. Já o acórdão recorrido e a Procuradoria da Fazenda defendem que o termo " a quo" é o 1°dia do exercício seguinte em que o saldo negativo fora apurado. Inicio aqui minha análise de mérito com a transcrição dos dispositivos legais que julgo de essencial importância para a presente controvérsia que são o art. 168 e incisos do CTN e o art. 3°da LC n°118/05: "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” "Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.” A partir daqui, para facilitar a fluidez da leitura do presente voto, desenvolverei meu raciocínio com menção expressa ao imposto (IRPJ), contudo, é certo que todo o racional do presente voto aplicase tanto ao IRPJ quanto à CSLL. Pois bem, o saldo negativo apurado pelo contribuinte optante pelo Lucro Real decorre das comparação entre as antecipações efetuadas durante o ano e o imposto devido ao final do período. Se as antecipações são maiores que o imposto apurase então o saldo negativo a ser aproveitado em períodos subseqüentes. Acaso o saldo do imposto a pagar ao final do Fl. 375DF CARF MF 6 período seja maior que os valores das antecipações pagas até então, tem o contribuinte a obrigação de efetuar o chamado recolhimento de ajuste. Não me restam dúvidas em relação ao IRPJ que as antecipações apuradas durante o ano somente têm sua destinação definida no momento do encerramento do exercício, pois, até lá, não se sabe ao certo se as antecipações originarão um crédito do contribuinte ou não. Me parece claro aqui, portanto, que as antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro no caso de apuração do Lucro Real Anual. Assim, é neste momento do encerramento do período de apuração que o montante das antecipações que superarem o imposto devido tornamse indébito passível de restituição ou compensação. Tenho para mim que a prescrição, assim como a decadência, é instituto de direito material e não processual, pois, tratam e definem a perda de direitos subjetivos. Faço tal ressalva, pois, em dado momento do presente processo, instaurase controvérsia acerca da obrigatoriedade da utilização do PerDComp, o que a meu ver é irrelevante para definição do momento em que iniciase a contagem do prazo prescricional que é o tema a ser analisado neste recurso. Logicamente, a questão do PerDComp é importante para formalização do pedido de restituição ou compensação e conseqüentemente para análise se tal providência foi efetivada dentro do prazo de 05 anos. Contudo, o que se discute aqui é o momento em que iniciase a contagem do prazo prescricional. É indubitável que a prescrição é instituto fundamental de nosso ordenamento jurídico para alcance da chamada Segurança Jurídica que é princípio basilar que rege as relações humanas na sociedade. O que se busca na prescrição é o balanceamento dentre garantir aos indivíduos e ao Estado a chance para exercer seus direitos e limitar tal direito no tempo que passa ser o vetor do início, manutenção e fim do direito, tendose assim um status quo para que indivíduos e estado não sejam surpreendidos em relações futuras pelo exercício de eventuais direitos eternos. Posto este racional, não vejo sentido na tese de que o prazo prescricional para restituição/compensação do saldo negativo do IRPJ não correria enquanto o contribuinte permanecesse na sistemática do Lucro Real. Isso porque, tal tese poderia resultaria no tal direito eterno, visto que pode ocorrer do contribuinte nunca deixar a sistemática do lucro real. Nesta hipótese, pode ocorrer do contribuinte permanecer no Lucro Real por anos a fio 20 ou 30 anos na sistemática do Lucro Real e por algum motivo esquecerse de aproveitar os saldos que tem a compensar e vir a requerer a restituição após 30 anos. Tal hipótese traria insegurança jurídica, pois, o Estado em seu sentido lato, ficaria impossibilitado sequer de planejar seu orçamento, meta de arrecadação, investimento ou pagamento de dívidas, pois, sempre haveria o risco do aparecimento de créditos a devolver do passado. Ora, quando o titular do direito permanece inerte, resta criada uma insegurança e não fosse a limitação trazida pela prescrição e fosse possível o exercício a qualquer tempo do direito, restaria um ônus excessivo para a contraparte que deve cumprir a Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11610.004683/200797 Acórdão n.º 9101003.988 CSRFT1 Fl. 5 7 obrigação que passaria a ter de manter por período indeterminado em seu poder documentos, informações ou mesmo provisões referentes às relações jurídicas em que foi parte, ou pior, em que eventuais sucedidos foram partes, em razão da possibilidade eterna de futuro exercício de direito. Além disso, tal tese trazida pela Recorrente traz, ainda que de forma não intencional, um conceito de contacorrente entre fisco e contribuinte no que se refere aos saldos negativos, de forma a transformar a modalidade Lucro Real em espécie de período de apuração ampliado o que me parece totalmente desconectado de toda a sistemática atual que rege a relação entre fisco e contribuinte. Ressalto também o fato que ao contribuinte não é imposto nenhum obstáculo à busca da imediata restituição do saldo negativo apurado. Na época em que apurado o saldo negativo ora em discussão, já era possibilitado ao contribuinte solicitar a respectiva recuperação logo no mês de janeiro do ano seguinte, conforme previsão do art. 6°da IN 210/01, in verbis: Art. 6° Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. No mesmo sentido, destaco também o disposto no Ato Declaratório SRF nº 03/2000 a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação. Fl. 377DF CARF MF 8 Entendo também que a discussão aqui posta foi analisada pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinária nº 561.908, julgado no rito de repercussão geral que restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna a LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11610.004683/200797 Acórdão n.º 9101003.988 CSRFT1 Fl. 6 9 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ainda que num primeiro momento pareça tratar de matéria diversa, entendo que tal julgamento é aplicável ao caso em tela, pois, muito embora o foco tenha sido a LC 118/05, o STF acabou por definir o termo inicial do prazo de prescrição estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN. A este respeito, faço minhas as palavras da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão n° 1101001.127: Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado, de 13/01/2006 a 31/07/2007, direito creditório apurado em 31/12/2000. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte posterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do prazo nela previsto. Assim, mesmo observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, conclui se que em 13/01/2006 já havia expirado o prazo de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2001, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/2000. Por todo exposto, entendo que a contagem do prazo prescricional para recuperação por meio de pedido de restituição ou compensação de saldo negativo do IRPJ e da CSLL no caso de contribuinte optante pelo Lucro Real, iniciase no mês de janeiro do ano seguinte em que apurado o saldo negativo, não merecendo acolhida as alegações da Recorrente. Fl. 379DF CARF MF 10 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902147/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.600
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 14 7/ 20 13 -1 0 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10850.902147/201310 Resolução nº 3401001.600 S3C4T1 Fl. 3 2 inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10850.902147/201310 Resolução nº 3401001.600 S3C4T1 Fl. 4 3 seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 222DF CARF MF
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