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Numero do processo: 12466.002662/2007-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO.
Responde solidariamente pela multa aplicada quem, de qualquer forma, contribuir para a prática de ato tipificado como infração, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decreto-lei nº 37, de 1966.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Responde solidariamente pela multa aplicada quem, de qualquer forma, contribuir para a prática de ato tipificado como infração, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decretolei nº 37, de 1966. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 62 /2 00 7- 19 Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tempestivamente manejado, em face do Acórdão nº 3102000.956, de 01/03/2011, cuja ementa abaixo se transcreve parcialmente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. Responde solidariamente pela multa aplicada quem, de qualquer forma, contribuir para a prática de ato tipificado como infração, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decretolei nº 37, de 1966. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Parcialmente Provido Somente a PGFN interpôs recurso especial e visando unicamente o retorno das pessoas que tinham sido consideradas responsáveis solidariamente e foram excluídas no acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Pela minúcia e precisão na analise dos fatos e provas, adotarei o voto do conselheiro Luís Marcelo Guerra, relator da instância anterior, que teve o voto condutor seguido por unanimidade. Como dito o recurso especial interposto pela procuradas visa unicamente ao retorno de responsáveis solidários ao processo, posto que foram excluídos na votação do acórdão recorrido. Tratase meramente da apreciação dos fatos e provas já que o direito aplicado é consenso, inclusive por parte da PGFN, tanto que a fundamentação do voto é a mesma do acórdão recorrido. Não há, portanto, divergência quanto ao direito aplicado. Eis o voto do conselheiro Luís Marcelo Guerra, que usarei como razões de decidir do presente voto, já que se trata, como já evidenciado, somente da análise probatória. Antes de adentrar na análise dos argumentos de mérito, é preciso demarcar o conteúdo do presente litígio. Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 12466.002662/200719 Acórdão n.º 9303003.530 CSRFT3 Fl. 1.837 3 Quanto a esse aspecto, é preciso destacar que, segundo consignado no relatório fiscal, pende sobre a autuada e os responsáveis solidários a acusação da prática da infração tipificada no art. 83, II da Lei nº 4.502, de 1964, que tem a seguinte redação (original não destacado): Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Nessa linha, a par das acusações relativas à prática de exportação fictícia, por meio de despachos de exportação falsos, alvo de autos de infração diversos, aqui discutese exclusivamente a imposição da penalidade sobre as condutas de emitir nota que não corresponda à efetiva saída de produtos ou de utilizar, de receber e de registrar tais notas para qualquer fim. Confirase o trecho do auto de infração que consubstancia tal acusação: 001 EMISSÃO DE NOTA FISCAL QUE NÃO CORRESPONDA À SAÍDA EFETIVA DOS PRODUTOS NELA DESCRITOS Aplicação de multa igual ao valor comercial das mercadorias, expresso nas notas fiscais n.º's 108 a 121 e 123 a 131 que instruíram as declarações de exportação n.°s 2040821180/6, 2040821228/4, 2040821274/8, 2040810617/4, 2040810657/3, 2040810698/2 e 2040810720/0, em razão de ter sido comprovado no RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO N.°502/4, que é parte integrante deste auto, que referidas notas, bem como a própria declaração e os documentos que a instruem, foram fraudulentamente produzidos, tendo presente que não houve o embarque dos bens para o exterior, ou seja, não se processou a efetiva saída dos produtos na forma descrita nas mencionadas notas fiscais, que apontam como adquirente pessoa jurídica domiciliada no exterior É sobre esse enfoque que se procederá à análise do mérito. Feitos esses esclarecimentos, passase à análise dos argumentos manejados em sede de recurso. 2.2 Falha na Eleição do Sujeito Passivo Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 4 O suporte legal para a inclusão das recorrentes no pólo passivo foi extraído dos artigos. 124, I, do Código Tributário Nacional3 e 95, I do Decretolei nº 37, de 19664. O primeiro dispositivo, como é cediço, trata do que a Doutrina convencionou denominar “solidariedade de fato”. Tomo emprestada a definição de Marcos Vinicius Neder: No inc. I do art. 124, do CTN, foram definidos como devedores solidários aqueles que tenham interesse comum “na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Assim, o antecedente da norma individual e concreta de responsabilidade descreve um fato não tributário interesse comum, cuja efeito jurídico será a inclusão de terceiro interessado no pólo passivo da obrigação principal de forma solidária aos demais devedores, sem necessidade de outra previsão legal. O cerne da questão, portanto, estaria na avaliação da presença ou não de interesse comum na “situação que constitua o fato gerador” da obrigação principal, definida no parágrafo 1º do art. 113 do mesmo CTN, sem perder de vista que, no presente processo, discutese a aplicação de penalidade regulamentar, pelo descumprimento de obrigação acessória. Ou seja, obrigação tributária consubstanciada nos autos decorre da “conversão” instituída no § 3º do mesmo art. 113. Quanto a esse ponto, reconhecendo a excelência do trabalho de investigação realizado, me permito discordar das Autoridades Autuantes, pois não consigo divisar o referido “interesse comum” em situação que constitua o fato gerador de tributo, simplesmente porque não consta do presente lançamento qualquer parcela relativa a tributo. O que se discute, com efeito, é a imposição de multa por infração. No intuito de melhor explicitar meu ponto de vista, recorro à Doutrina, no caso, de Luciano Amaro: “Com certeza, ninguém duvidará de que o contribuinte seja pessoa que recolhe tributo, mas é inconcebível a idéia de contribuinte referida a alguém não na condição de pagador de tributos, mas na de pagador de multas pecuniárias [..]Aproveitando a linguagem do Código, se alguém que tem ‘relação pessoal e direta’ com o fato gerador é contribuinte, quem tem a ‘relação pessoal e direta’ com uma infração é infrator, nunca contribuinte” (...) Fica evidente que as categorias de ‘contribuinte’ e de ‘responsável’ foram estruturadas a partir do fato gerador do tributo (e não ‘fato gerador da penalidade pecuniária’, qualificação que o Código acaba, pelo menos implicitamente, dando à infração tributária) (...) A questão do vínculo entre o infrator (agente) e a infração (ação ou omissão) não se põe em termos de ‘relação pessoal e direta’ ou relação oblíqua com o ‘fato gerador’. O problema é de autoria, tout court. É infrator Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 12466.002662/200719 Acórdão n.º 9303003.530 CSRFT3 Fl. 1.838 5 (agente) quem tenha o dever legal de adotar certa conduta (comissiva ou omissiva) e descumpre esse dever, sujeitandose, por via de consequência, à sanção que a lei comine. [...]Responsável, no que tange à responsabilidade por infrações, é a pessoa (não necessariamente o contribuinte de algum tributo) que, por ter praticado uma infração, deve responder por ela, vale dizer, deve submeterse às consequências legais do seu ato ilícito. Caberia, então, focar a análise do presente recurso no segundo dispositivo apontado pelas Autoridades Fiscais, no caso os arts. 602 e 603 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, que regulamentam os artigos 94, caput e § 2º, e 95, I do Decretolei nº 37, de 1966, e estão, por outro lado, em consonância com o comando do art. 136 do CTN, que tratam da responsabilidade por infração. Dizem os dispositivos: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Sendo certo que encontrase superado o questionamento acerca da efetividade da infração, restaria avaliar se a participação que lhes foi imputada concorrera para a perpetração da conduta ilícita. Dada a ausência de bibliografia acerca da coautoria no plano das infrações tributárias, recorrese às considerações consagradas no Direito Penal. Como é possível perceber, o art. 29 do Código Penal possui redação bastante semelhante ao do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966. No Direito Penal, a doutrina e a jurisprudência consolidadas inclinamse no sentido de condicionar a caracterização da co autoria à verificação de dois elos: o psicológico e o causal. Já para efeito do Direito Aduaneiro, por força do parágrafo único do art. 602 do RA 2002, que reproduz o parágrafo 2º do Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 6 art. 94 do DL 37, de 1966, não se faz necessária qualquer investigação acerca do elo psicológico: no presente processo, relembrese, não se discute infração tributária onde o dolo é condição para sua caracterização. Se não se discute o dolo do autor, igualmente desnecessária é a discussão do dolo dos co autores ou partícipes. O foco da presente análise, assim, estaria no nexo causal entre as condutas apontadas e a infração objeto do litígio. Para esse mister, tomo emprestadas as conclusões de Julio Fabbrini Mirabete, em comentário ao art. 29 do CP (original não destacado): Existentes condutas de várias pessoas, é indispensável, do ponto de vista objetivo, que haja um nexo causal entre cada uma delas e o resultado. Havendo essa relação entre a ação de cada uma delas e o resultado, ou seja, havendo relevância causal de cada conduta, concorreram essas pessoas para o evento e por ele serão responsabilizadas. Resumidamente, segundo consta do relatório fiscal 502/4, as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis principal e solidários foram acusadas de atuar direta ou indiretamente na formulação de despachos de exportação que, posteriormente, demonstraramse simulados. Ainda segundo tal relatório, a elaboração de tais despachos fraudulentos viabilizariam especialmente: a) a baixa irregular de atos concessórios de drawback e o consequente prejuízo tributário decorrente do reconhecimento indevido do benefício; b) o ingresso de divisas irregularmente mantidas no exterior; c) introdução irregular de mercadorias no mercado interno; Ocorre que, no presente processo, relembrese, não está em debate quaisquer dessas infrações, mas exclusivamente a emissão irregular de documento fiscal e a utilização de tal documento irregularmente emitido. Sob essa ótica, é que deve ser avaliada a participação atribuída aos recorrentes e à interessada. No intuito de orientar essa avaliação, cito as condutas imputadas aos recorrentes e interessados no Relatório de Fiscalização 502/4: a) recorrente Vitor Luciano de Mello: sócio da pessoa jurídica Intervix Despachos e Serviços, onde estariam instalados os terminais de computador (endereços IP 172.030.002.139 a 172.030.002.142) nos quais foram realizadas operações de habilitação, atribuição de perfis e trocas de senha que viabilizaram a utilização do Siscomex por pessoas físicas que não reuniriam condições legais; despachante aduaneiro responsável pela elaboração de despachos e registros de exportação falsos; Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 12466.002662/200719 Acórdão n.º 9303003.530 CSRFT3 Fl. 1.839 7 b) recorrente Colina Verde Café Ltda.: pessoa jurídica onde estaria instalado o Terminal GVKE82BC, no qual foram realizadas trocas de senha de pessoas físicas que não reuniriam condições legais para registrar operações no Siscomex nos perfis utilizados; c) interessada Edma Cristina Stein: despachante aduaneira responsável pela retirada das licenças e softwares associados a terminal de computador instalado na pessoa jurídica Colina Verde Café Ltda. Analiso separadamente a relação de subsunção entre a conduta imputada e a infração que é alvo do presente recurso: No que se refere ao Recorrente Vitor Luciano de Mello, que, segundo os registros de “log” do sistema, foi o responsável pela elaboração dos despachos instruídos com as notas falsas, a meu ver, não há como desvincular a conduta imputada e o tipo. De fato, as notas foram utilizadas na instrução daqueles registros e, indiscutivelmente, contribuíram para sua capacidade de simulação. Consequentemente, com relação a este recorrente, devem ser enfrentadas as alegações relativas à negativa de autoria. Essencialmente, relembrese, sustenta que foi sócio da pessoa jurídica Intervix, Despachos e Serviços, mas que só atuara no setor de importação e que não conhece qualquer das pessoas físicas e jurídicas arroladas, com exceção do Sr. Ubirajara Pantoja Mendes e da Sra. Edma Cristina Stein. Por outro lado, recusa o caráter probatório decorrente do registro da senha em face da necessidade de acessar o Siscomex, todos os funcionários da Empresa Intervix eram conhecedores das senhas dos despachantes que lá trabalhavam, fato normal e corriqueiro em qualquer Comissária Aduaneira. Ademais, a fragilidade dos controles permitiria que tal senha fosse capturada e utilizada para qualquer fim. Rejeita, portanto, a acusação de que tenha sido o responsável pela formulação dos registros/despachos de exportação. Com o devido respeito, penso que as alegações carreadas ao processo não afastam a responsabilidade do Sr. Vitor Luciano pela infração. Em primeiro lugar, há que se registrar que, de acordo com art. 4º do Decreto nº 646, de 1992, então vigente, as atividades relacionadas com o despacho aduaneiro só poderiam ser exercidas pelo despachante aduaneiro, pela próprio importador ou exportador, se pessoa física, ou, em se tratando de pessoa jurídica, por intermédio de pessoa física que apresente um dos vínculos enumerados nas alíneas do inciso II. Confirase: Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 8 Art. 4° O interessado, pessoa física ou jurídica, somente poderá exercer atividades relacionadas com o despacho aduaneiro: I por intermédio do despachante aduaneiro; II pessoalmente, se pessoa física, ou, se jurídica, também mediante: a) dirigente; b) empregado; c) empregado de empresa coligada ou controlada, tal como definida nos §§ 1° e 2º do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; d) funcionário ou servidor especificamente designado, quando for órgão da administração pública, missão diplomática ou representação de organização internacional. Como é possível verificar, por definição normativa, afora as demais pessoas físicas enumeradas, quem atua no despacho é sempre o despachante aduaneiro. Não há, portanto, margem para a atuação da agência de despacho por meio de um de seus empregados, salvo, evidentemente, se qualificados como despachantes aduaneiros. Ou seja, apesar de alegadamente corriqueira, a “distribuição” de senha pessoal do despachante para que empregado da agência de despacho opere o sistema representa violação à norma. Nessa linha, se o próprio recorrente foi responsável pelo compartilhamento indevido de sua senha, efetivamente contribuiu para que a infração ocorresse, ainda que se admitia que à sua revelia. Cabe aqui empregar o princípio de que “ninguém pode se opor a fato a que ele próprio deu causa”, de pacífica aplicação nas diversas esferas do Poder Judiciário. À guisa de exemplo, citese voto proferido pela Min. Nancy Andrighi, nos autos do REsp nº 605.687/AM13, onde, valendose da doutrina de Pontes de Miranda, concluiu: " ... nos termos de princípio invocável em nosso sistema jurídico, 'a ninguém é lícito venire contra factum proprium, isto é, exercer direito, pretensão ou ação, ou exceção, em contradição com o que foi a sua atitude anterior, interpretada objetivamente, de acordo com a lei" (cfr. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, Campinas: Bookseller, 2000, p. 64). " Por outro lado, não foi trazido ao processo qualquer elemento apto a demonstrar que a senha em questão tivesse sido “capturada” por algum de seus funcionários, até porque, se ela era de conhecimento de todos , não haveria motivo para fazêlo. Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 12466.002662/200719 Acórdão n.º 9303003.530 CSRFT3 Fl. 1.840 9 Entretanto, analisando a descrição das condutas de que são acusadas a pessoa jurídica Café Verde Ltda. e a pessoa física Edma Cristina Stein, não vejo como atribuir nexo causal relevante entre os fatos que lhes são imputados e as ações de emitir nota irregular ou utilizar tal nota emitida irregularmente. Com efeito, as trocas de senha promovidas mediante a utilização de terminal de computador instalado no estabelecimento da pessoa jurídica Colina Verde Café, utilizando programa de computador recebido pela Sra. Edma Maria Stein, indiscutivelmente, colaboraram para o uso indevido do Siscomex por pessoas físicas relacionadas no processo. Ocorre que, independentemente das discussões relativas ao dolo, repitase despiciendas em face da natureza objetiva da infração, tais ações não se subsumem aos tipos descritos na norma, nem representam vínculo causal com os mesmos. De fato, seja porque o uso do Siscomex não seria condição para emissão da nota fiscal, seja em função de que a utilização de tal nota fiscal para instruir falsos despachos de exportação, pelo menos segundo os documentos carreados ao processo, foi levada a efeito por meio de acesso realizado por despachante aduaneiro regularmente credenciado (ou seja, que não se beneficiou da irregularidade que se alega praticada no referido estabelecimento), não se poderia atribuir a coautoria da infração objeto deste processo à pessoa jurídica Café Verde Ltda., nem à pessoa física Edma Cristina Stein. Assim, a conduta imputada aos mesmos não guarda relação com a emissão irregular das notas ou registro das notas irregularmente emitidas no Siscomex, realizado por meio da senha de um despachante regulamente credenciado. Evidentemente, isso não significa desconsiderar as conclusões assentadas pelas Autoridades Fiscais com relação a outras infrações já elencadas anteriormente. Aqui, cuidase de apurar a coautoria na ação de emitir nota fiscal em desacordo com o que preconiza a legislação ou utilizar tais notas para qualquer fim. Apenas com relação a essas condutas, não consigo divisar a relevância causal nas ações imputadas aos contribuintes Café Verde Ltda. e Edma Cristina Stein. Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e dou parcial provimento ao recurso voluntário, para manter a exclusão da contribuinte Edma Cristina Stein do rol dos co responsáveis pelo crédito objeto do presente processo, excluir a coresponsabilidade do recorrente Colina Verde Café Ltda. e, finalmente, manter a coresponsabilidade do recorrente Vitor Luciano de Mello, além, é claro, das demais pessoas físicas e jurídicas que não apresentaram recurso voluntário ou impugnação. Sala das Sessões, em 1 de março de 2011 (assinado digitalmente) Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 10 Luis Marcelo Guerra de Castro Como podemos depreender da leitura do presente voto, foi feita uma exaustiva e minuciosa análise dos fatos e das provas apresentadas. Não há que se fazer nenhum reparo no voto proferido pelo referido conselheiros. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 13971.721884/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2012
ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. MULTA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado, inclusive multas.
DIRETOR NÃO SÓCIO DE SOCIEDADE LIMITADA DESIGNADO EM CONTRATO SOCIAL. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A designação de administrador não sócio da sociedade limitada, em contrato social, com poderes para representá-la, corroborado com outros elementos apontados no relatório fiscal, demonstram a ausência de subordinação, o que é incompatível com a condição de segurado empregado. Inteligência do art. 1060 e 1061 do Código Civil de 2002.
PAGAMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES POR EMPRESA INTERPOSTA. APROPRIAÇÃO INADMISSÍVEL.
Os pagamentos feitos por terceiros, e em nome destes, não são eficazes para extinguir a obrigação tributária do contribuinte.
PAGAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO PROCESSO.
O pagamento parcial realizado após a ciência do lançamento deve recair sobre os créditos tributários incluídos no lançamento em relação aos quais tenha havido desistência do processo pelo contribuinte, conforme ressalvado na impugnação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Nathália Correia Pompeu, que entendem que deve haver o aproveitamento dos recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Dujutex.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. MULTA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado, inclusive multas. DIRETOR NÃO SÓCIO DE SOCIEDADE LIMITADA DESIGNADO EM CONTRATO SOCIAL. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A designação de administrador não sócio da sociedade limitada, em contrato social, com poderes para representála, corroborado com outros elementos apontados no relatório fiscal, demonstram a ausência de subordinação, o que é incompatível com a condição de segurado empregado. Inteligência do art. 1060 e 1061 do Código Civil de 2002. PAGAMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES POR EMPRESA INTERPOSTA. APROPRIAÇÃO INADMISSÍVEL. Os pagamentos feitos por terceiros, e em nome destes, não são eficazes para extinguir a obrigação tributária do contribuinte. PAGAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO PROCESSO. O pagamento parcial realizado após a ciência do lançamento deve recair sobre os créditos tributários incluídos no lançamento em relação aos quais tenha havido desistência do processo pelo contribuinte, conforme ressalvado na impugnação. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 18 84 /2 01 3- 27 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Nathália Correia Pompeu, que entendem que deve haver o aproveitamento dos recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Dujutex. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 744 3 Relatório Tratamse de recursos voluntários interpostos por Dulcemar Baumgarten, fls. 72734, e Buzatex Têxtil Ltda, fls. 735742, em face do Acórdão n.º 0733.050 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis (SC), f. 704 722, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o debcad nº 51.024.1999. De acordo com o relatório fiscal de fls. 350376, o AIOP se refere à exigência de contribuições a cargo da empresa, devidas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga, no período de 01/2009 a 07/2012, aos segurados empregados registrados na sociedade empresária Dujutex Têxtil Ltda EPP, CNPJ 08.243.599/000104, mas que, segundo a fiscalização, são, de fato, segurados empregados da sociedade empresária Buzatex Têxtil Ltda, CNPJ 01.381.782/000119. A fiscalização relata que realizou Auditorias Fiscais nas empresas Buzatex Têxtil Ltda, CNPJ 01.381.782/000119, localizada em Blumenau/SC, e Dujutex Têxtil Ltda EPP, CNPJ 08.243.599/000104, localizada em Petrolândia/SC, as quais tem como atividade econômica a indústria de confecção têxtil, tendo concluído que os empregados formalmente registrados na Dujutex, eram, de fato, empregados da Buzatex. Foi aplicada multa agravada, no percentual de 150% do valor do tributo, pois, segundo a fiscalização, o contribuinte teve intenção de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, constatando que a sociedade empresária Dujutex Têxtil Ltda, empresa optante pelo regime diferenciado de tributação do SIMPLES NACIONAL, de acordo com a Lei Complementar nº 123/2006, foi constituída apenas com o objetivo de se beneficiar da dispensa de recolhimento da contribuição previdenciária social incidente sobre a remuneração dos empregados por ela formalmente registrados. Foram arrolados como sujeitos passivos do lançamento, na condição de contribuinte, Buzatex Têxtil Ltda, CNPJ 01.381.782/000119, e, na condição de responsável solidária, Dulcemar Baumgarten Busarello, CPF 738.656.21953, que era administradora das sociedades empresárias no período do lançamento. Buzatex Têxtil Ltda apresentou impugnação, contendo os seguinte pontos relevantes: a) é inadmissível a realização de Representação Fiscal para Fins Penais antes da constituição definitiva do crédito tributário; b) devem ser abatidos os recolhimentos feitos por Dujutex na sistemática do SIMPLES; c) inexistência de contribuição previdenciária a partir da competência 12/2011, período em que ocorreu a substituição da contribuição incidente sobre a folha de salários pela receita bruta da empresa, nos termos da Lei 12.546/11; d) incorreta incidência de SAT sobre valores pagos a contribuintes individuais. Dulcemar Baumgarten apresentou impugnação, alegando, em síntese, que não ficaram demonstradas as hipóteses de responsabilização solidária de administradores e sócios e que não há previsão legal para atribuir responsabilidade tributária em relação à multa. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, excluindo a exigência da contribuição de 20% a cargo da empresa, no período de 12/2011 a 07/2012, e mantendo a contribuição para o SAT/RAT da competência 07/2012. Ficou consignado no voto condutor do acórdão que houve pagamento parcial do crédito tributário lançado, subsistindo as competências 03/2011 a 07/2012, para a cota patronal, e 07/2012, para a contribuição para o SAT/RAT, conforme guias de recolhimento às fls. 403404, com data de recolhimento em 20/08/2013, extrato do processo às fls. 650657, e Discriminativo Analítico do Débito (DAD), fls. 702703. O acórdão recorrido adotou os seguintes fundamentos: a) a DRJ não tem competência para examinar sobre a oportunidade de se encaminhar representação fiscal para fins penais; b) é defeso o aproveitamento de recolhimentos feitos na sistemática do SIMPLES, art. 44, § 6º, da IN RFB 900/2008; c) a contribuição para o SAT/RAT não foi alterada pela MP nº 540/11, convertida na Lei nº 12.546/2011; d) os contribuintes individuais relacionados nas folhas de pagamento de Dujutex Têxtil Ltda foram caracterizados segurados empregados da Buzatex Têxtil Ltda, cabendo incidência do SAT/GILRAT sobre a remuneração a eles pagas, devidas ou creditadas; e) a responsabilidade solidária decorreu da prática de atos com infração à lei (simulação), configurada no relatório fiscal; f) a responsabilidade solidária engloba a multa, nos termos do art. 113 do CTN. A ciência do auto de infração foi dada aos sujeitos passivos em 23/07/2013, e eles foram cientificados do acórdão em 08/11/2013, sextafeira, fls. 725726, de modo que o prazo para recurso teve início em 11/11/2013, segundafeira, e término em 10/12/2013. Em 09/12/2013, Dulcemar Baumgarten e Buzatex Têxtil Ltda, interpuseram recurso, fls. 729734, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega ser inaplicável a solidariedade do art. 124, I, do CTN, pois foi a sociedade isoladamente quem praticou o suposto fato gerador tributário, inexistindo interesse jurídico da administradora, e que a responsável solidária não agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, o que afasta o art. 135, III, do CTN, considerando a jurisprudência do STJ, no sentido de que o mero inadimplemento do tributo não constitui infração à lei que autorize a responsabilização dos administradores. A administradora da sociedade empresária sustenta que não cometeu a infração, não lhe sendo possível imputar responsabilidade pelo pagamento da multa, que é pessoal ao agente. Argumenta que a multa só pode ser exigida do responsável se não ficar comprovado o adimplemento pelo contribuinte. Cita a Súmula nº 76 do CARF, no sentido de ser devido o aproveitamento dos pagamentos realizados na sistemática do Simples. Alega que não é devida a incidência da contribuição do GILRAT sobre a remuneração paga à contribuinte individual Dulcemar Baumgarten, com base no art. 12, V, "f", da Lei 8.212/91. Sustenta que não foi apropriada ao lançamento a totalidade dos valores pagos após a lavratura do auto de infração, e que a apropriação dos pagamentos foi feita em relação às competências mais antigas, ao passo que deveria ter sido feita em relação aos valores não impugnados. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 745 5 Pede que seja excluída, do pólo passivo do lançamento, a administradora Dulcemar Baumgarten, ou, alternativamente, que seja afastada a responsabilidade tributária em relação à multa de ofício. Pede, também, o aproveitamento dos recolhimentos feitos na sistemática do SIMPLES, a exclusão dos valores exigidos a título de GILRAT, incidentes sobre a remuneração de contribuinte individual, a totalidade dos pagamentos feitos por meio de DARF, após a lavratura do auto de infração, e, por fim, que os pagamentos sejam alocados aos débitos não impugnados. É o relatório. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Responsabilidade da Administradora da Sociedade Empresária De acordo com os autos, Dulcemar Baumgarten Busarello era administradora da Buzatex desde 03 de agosto de 2005, amparada por procuração da empresa, concedendolhe amplos poderes de gestão, fls. 89 e ss, sendo que em 25 de janeiro de 2006, passou a figurar no contrato social da Buzatex na condição de administradora da sociedade empresária Bidulce Participações Ltda, admitida na sociedade Buzatex naquela data, e, por meio da 3ª alteração contratual, de 12 de janeiro de 2006, fls. 27 e ss, foi formalmente conduzida à administração da Buzatex. Em agosto de 2006 foi constituída a sociedade empresária Dujutex, cuja administração coube à sócia Dulcemar Baumgarten Busarello, conforme disposto no contrato social. A fiscalização demonstrou que ambas as empresas eram, de fato, uma única sociedade administrada pela mesma pessoa, Dulcemar Baumgarten Busarelli, sendo que a Dujutex foi constituída somente para registrar formalmente a maior parte dos empregados da Buzatex, conforme trecho do relatório fiscal a seguir transcrito: A gestão administrativofinanceira da Buzatex e da firma vinculada era exercida pelos administradores do negócio Srs. Alexandre Busarello e Dulcemar Baumgarten Busarello. Seu empregado estava no contrato social da vinculada com 0,01% apenas como parte figurativa do processo, isto é, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estiveram registrados os trabalhadores. Tudo era feito na sua administração: o atendimento, a compra, a venda, o expediente, a produção, o pagamento, a execução do serviço etc tem a marca BUZATEX e são realizados pelos administradores da sociedade. A Dujutex, na verdade, existiu para registrar a maior parte dos empregados da produção. O objetivo do grupo era desenvolver a atividade com duas empresas paralelas, a do SIMPLES para registrar 75% dos trabalhadores e a outra para registrar os outros 25% e para o faturamento. De fato, a Dujutex não tinha patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Tratase de uma “simulação” quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; “desenvolve” suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas Fl. 749DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 746 7 operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens; possui sócios comuns etc. Este contexto tem revelado, via de regra, a prática adotada por muitas empresas que se utilizam do artifício da abertura de empresas do SIMPLES que abrigam o quadro funcional com objetivo de se elidirem da contribuição patronal sobre a folha de pagamento. Reiteradamente essas empresas têm sido autuadas por se tratar não de elisão, mas de simulação com vistas à sonegação fiscal. Os segurados trabalhavam para o mesmo patrão, os pagamentos eram feitos pela mesma pessoa, o dono de uma firma era o procurador e administrador da outra, o RH, o sistema de informação e o financeiro são os mesmos, enfim tudo era e é BUZATEX e atendia a todas as firmas, ou seja, era único. Prova disso foi a incorporação ocorrida em agosto de 2012 em que a Dujutex passou a ser a filial 000208 da empresamãe. Todos os empregados trabalharam para o crescimento financeiro da Buzatex e o reconhecimento comercial de suas marcas DUDUKA, DDK, Duduca Baby e B Z X. Em vez de abrir a filial, a empresa tratou de simular a constituição de nova pessoa jurídica (do SIMPLES NACIONAL) com a intenção de deixar de pagar as contribuições geradas sobre a folha de pagamento. Essas situações de fato não foram contestadas nos recursos das recorrentes, tornandose, dessa forma, incontroversas. A fiscalização imputou à administradora aqui citada, a responsabilidade tributária, com base no art. 124, I, do CTN, conforme trecho do relatório fiscal a seguir transcrito: A pessoa que, não revestindo formalmente a condição de sócio, responsabilizase de modo amplo e irrestrito pela realização dos negócios da empresa, vinculase ativamente às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração, o que revela o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação”, previsto no inciso I do art. 124 do CTN. A imputação da responsabilidade tributária pessoalmente à administradora da Buzatex foi também enquadrada no art. 135, III, do CTN, em decorrência da constatação de ato fraudulento, consistente na formalização, na empresa Dujutex, dos contratos de trabalho dos empregados cujo vínculo jurídico, caracterizado pela pessoalidade e subordinação na prestação dos serviços, existia, de fato, em relação à Buzatex. A caracterização do vínculo empregatício na Buzatex, levada a efeito pela fiscalização, em relação aos trabalhadores formalmente registrados na Dujutex, não foi contestada pelas recorrentes, tornandose fato incontroverso, com exceção da caracterização do vínculo empregatício de Dulcemar Baumgarten, o que será apreciado adiante. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Convém mencionar que a fraude nas relações empregatícias é objetiva, decorrente da presença material dos requisitos da relação de emprego, conforme ficou assentado no voto proferido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, acórdão nº 2402 004.380, sessão de 04/11/2014, cujas razões de decidir, abaixo transcritas, adoto aqui: Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação "(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica ("pejotização") pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes" (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15a Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que "(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor" (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). A ilicitude na contratação dos empregados através de empresa interposta (Dujutex) foi praticada com a intenção de sonegar tributos, considerando que a contratante não estava sujeita ao recolhimento de contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento, na condição de optante pelo regime diferenciado de tributação SIMPLES. A imputação da autoria dos fatos aqui narrados, à mencionada administradora, decorre de sua condição de efetiva gestora das empresas envolvidas no período considerado no lançamento (anos de 2009 a 2012), conforme já citado neste voto. Portanto, foram demonstrados, nos autos, os pressupostos da responsabilidade pessoal, decorrente de atos praticados por Dulcemar Baumgarten Busarello, em nome do contribuinte Buzatex, com infração à lei e com excesso de suas atribuições de Fl. 751DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 747 9 gestão, e restou configurada materialmente a prática dolosa de ato ilícito, o que a torna responsável pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes desses atos. Esclarecese que a relação de responsabilidade tributária do art. 135 do CTN alcança todos os créditos tributários correspondentes às obrigações tributárias resultados dos atos praticados com excesso ou com infração à lei (são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos), abrangendo, portanto, o tributo e a multa. Confirma, essa assertiva, a doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes1: Créditos correspondentes a obrigações tributárias: tributos e multas moratórias ou punitivas. “A responsabilidade pessoal será pelo crédito tributário resultante dos respectivos atos, abrangendo a dívida decorrente de tributo, com os acréscimos decorrentes do tempo, e mais os acréscimos punitivos.” (RIBEIRO DE MORAES, Bernardo. Compêndio de Direito Tributário, segundo volume, 3ª edição, 1995, p. 523) Entendo que a responsabilidade dos sóciosgerentes e administradores da pessoa jurídica, no caso do art. 135, III, do CTN, é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário, de modo que não há benefício de ordem. Adoto, neste sentido, o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivar se da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” Em suma, mantenho Dulcemar Baumgarten Busarello no pólo passivo do lançamento, na condição de responsável tributário. 1 Ob. Cit. PAULSEN, Leandro. Diireito Tributário Constituição e Código Trbutário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 GILRAT. Base de Incidência A Recorrente alega que Dulcemar Baumgarten Busarello era sócia gerente da empresa Dujutex, por conseguinte, está enquadrada na categoria de contribuinte individual. A fiscalização, por sua vez, enquadrou essa trabalhadora como segurada empregada da sociedade empresária Buzatex, com base nos seguintes fundamentos de fato: a) a segurada figurou no Contrato Social da Dujutex como sócia administradora, no período de 16/08/2006 a 20/08/2012, mas tal empresa era, de fato, uma filial da sociedade empresária Buzatex Têxtil Ltda. b) a Buzatex, por sua vez, no período do lançamento era administrada por Dulcemar Baumgarten Busarello, na condição de procuradora com amplos poderes de gestão (cf. capítulo anterior deste voto). c) Dulcemar não figurava no Contrato Social como sóciagerente da Buzatex e estava formalmente registrada como empregada nessa última, nos termos do registro de contrato de trabalho juntado às fls. 79. A questão de fundo é desvendar a natureza do vínculo de Dulcemar Baumgarten Busarello com a sociedade empresária Buzatex Têxtil Ltda, em relação aos atos praticados em nome da Dujutex. A subordinação jurídica é o elemento essencial da configuração da relação de emprego. Primeiramente, constatase que a procuração outorgada pela Buzatex à Dulcemar, dandolhe plenos poderes de gestão, comprova que ela detinha autonomia para condução dos negócios da sociedade empresária, o que é incompatível com a subordinação. Ademais, o Código Civil de 2002 criou a figura do administrador não sócio na sociedade limitada, art. 1.0612, cujo vínculo não gera relação de emprego com a sociedade empresarial: Art. 1.061. Se o contrato permitir administradores não sócios, a designação deles dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de dois terços, no mínimo, após a integralização. (revogado pela Lei nº 12.375, de 2010). Adequandose à norma civil, em junho de 2003 foi editado o Decreto nº 4.729/2003 que alterou o RPS/99, incluindo, na categoria de contribuinte individual da Previdência Social, o administrador não empregado na sociedade limitada: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: 2 Em sua redação original, esse dispositivo exigia que o contrato social autorizasse a designação do administrador não sócio. Pela nova redação dada ao artigo pela Lei n. 12.375/2010, não há mais necessidade de que o contrato social expressamente autorize a delegação dos poderes de administração a terceiro não sócio: Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) Fl. 753DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 748 11 ... V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) ... h) o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (g,n.) A designação dos administradores da sociedade limitada, sócios ou não, deve ser feita no contrato social ou em ato separado, como ata de assembléia de sócios ou documento assemelhado, conforme “caput” do art. 1.060 do Código Civil de 2002: Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa qualidade. Foi o que ocorreu no caso. Consta na 3ª alteração contratual da Buzatex, de 12 de janeiro de 2006, fls. 27 e ss, cláusulas 10, 11 e 12, a designação de Dulcemar para administração da sociedade no cargo de diretora não integrante do quadro societário, competindolhe, isoladamente, todos os atos de gestão necessários ao funcionamento da sociedade. A designação de administrador não sócio da sociedade limitada, em contrato social, com poderes para representála, corroborado com outros elementos apontados no relatório fiscal, demonstram a ausência de subordinação. Por conseguinte, entendo não haver fundamento fáticolegal para a exigência da contribuição, incluída no lançamento tributário, destinada ao GILRAT, incidente sobre a remuneração paga a Dulcemar Baumgarten Busarello. Aproveitamento de Recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES No presente caso, a Recorrente Buzatex, identificada no lançamento como contribuinte, não foi excluída do SIMPLES, até porque ela não era optante por esse regime de tributação. Portanto, inaplicável, ao caso, o enunciado da Súmula CARF nº 76, que traz entendimento pacificado neste Conselho, aplicável aos casos de exclusão do contribuinte do SIMPLES: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os Fl. 754DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada3. Entendo que a Recorrente não se aproveita dos recolhimentos realizados pela empresa interposta (Dujutex) na sistemática do SIMPLES, uma vez que os pagamentos realizados em nome da Dujutex não são eficazes para extinguir a obrigação tributária da Buzatex. Neste sentido, cito o seguinte precedente deste Conselho: ... COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS VERTIDOS POR INTERPOSTA PESSOA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, pelo titular do crédito reclamado, das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 Da Lei nº 8.212/91. ... (Acórdão nº 2302003.284, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Rel. Cons. Arlindo da Costa e Silva, Sessão de 12 de agosto de 20140. Apropriação do Pagamento A Recorrente efetuou o pagamento parcial do débito, conforme guias de recolhimento às fls. 403404, com data de recolhimento em 20/08/2013, portanto, dentro do prazo de impugnação. Extraise do art. 26 da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, a qual "Disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)", que a extinção sem ressalva do débito importa a desistência do processo: 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do processo. Vale dizer que há desistência do processo em relação aos débitos que não tiverem sido excetuados, pelo contribuinte, dos efeitos do pagamento. No caso, os débitos não abarcados pelo pagamento foram ressalvados na impugnação apresentada por Buzatex, fls. 385: 3. Registrase que, mesmo sem concordar com a imputação, a empresa pagou à vista os valores autuados (conforme guia anexa doc nº 2), salvo aqueles que serão expressamente impugnados pela contribuinte. 3 Súmula consolidada/aprovada pelo Pleno em Sessão de 10/12/2012. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13971.721884/201327 Acórdão n.º 2301004.532 S2C3T1 Fl. 749 13 Portanto, houve desistência do processo em relação aos valores não contestados na impugnação, sobre os quais deve recair a imputação do pagamento. Na impugnação são contestados os valores das contribuições a cargo da empresa anteriores à competência 12/2011, exceto os valores já recolhidos por Dujutex na sistemática do SIMPLES, e todo o período referente à contribuição devida ao SAT/RAT sobre os valores pagos à administradora Dulcemar Baumgartem Busarello. Na apropriação dos pagamentos deve ser considerado o valor total recolhido e, se for o caso, a redução da multa de ofício pelo pagamento realizado dentro do prazo de impugnação. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento parcial, excluindo a contribuição destinada ao GILRAT incidente sobre a remuneração de Dulcemar Baumgarten Busarello. Além disso, a apropriação do pagamento deve recair sobre os débitos relativos à parte não contestada. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 756DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 19647.005989/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.528 1 2.527 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.005989/200411 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.667 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de março de 2016 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente USINA PETRIBU SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 05 98 9/ 20 04 -1 1 Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.529 2 Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, relativo a períodos de apuração compreendidos nos exercícios de 1999 a 2002, através do qual foi constituído crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 2.444.106,98, incluídos multa de ofício e juros de mora. 2.No campo “DESCRIÇÃO DOS FATOS”, constam as seguintes infrações, ao final tipificadas: “001 – CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO”: o estabelecimento industrial não teria recolhido IPI, por ter se utilizado de crédito básico indevido, constatado após a reconstituição da escrita fiscal, conforme descrito no Termo de Informação Fiscal de fls. 55/80. “002 – CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITO PRESUMIDO INDEVIDO”: conforme descrito no mesmo Termo de Informação Fiscal, o contribuinte teria se utilizado de crédito presumido indevido; 3.No Termo de Informação Fiscal acima aludido, a autoridade autuante consignou, em síntese, aqui relatado no que interessa ao deslinde do litígio, dentre outras informações, as seguintes: 3.1.Depois de inúmeras intimações para entrega de livros e documentos fiscais em meio magnético – todas infrutíferas –, foi determinado o arquivamento do processo n.º 10480.000765/9816, referente a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI do ano de 1997, com ciência do contribuinte. Como o aludido crédito não pôde ser quantificado, foi “incluído no presente procedimento de fiscalização”; A fiscalização referente ao período de 1998 a 2002 foi realizada através Sistema “Audita – Notas Fiscais”, resultando na constatação de aproveitamento de créditos indevidos (crédito básico indevido, crédito presumido de IPI indevido e créditoprêmio de IPI indevido); 3.3.Ao procederse à análise dos créditos de IPI escriturados pela empresa, a partir do cotejamento dos dados inseridos nas notas fiscais de aquisição relacionados com os valores escriturados no Registro de Apuração do IPI – RAIPI, encontraramse indevidamente escriturados créditos básicos de IPI destacados em várias notas fiscais relativos a produtos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tais como: rolamentos, fluidos para radiador, cimentos, concretos, tijolos refratários, engrenagens buchas, borrachas de vedação, manômetro, filtros, parafusos etc. (lista completa à fl. 67); 3.4.O contribuinte utilizouse irregularmente de crédito presumido de IPI, relativo ao período de abril de 1995 a dezembro de 1996, de que trata a Lei n.º 9.363/96, pleiteado nos processos administrativos n.ºs 10480.000767/98 41 e 10480.000766/9889, os quais foram indeferidos em sua quase totalidade. Como a empresa apresentou manifestação de inconformidade contras as decisões neles prolatadas e considerando que estão pendentes de solução, foram lançados, com suspensão da exigibilidade, os valores resultantes das glosas efetuadas, correspondentes à diferença entre o escriturado e o efetivamente deferido. No que respeita ao período de janeiro de 1997 a março de 1999, tendo a empresa escriturado e aproveitado o Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.530 3 crédito presumido “sem, no entanto, ter logrado cumprir as exigências previstas na legislação quanto à manutenção e disponibilização de informações imprescindíveis à apuração e possível homologação dos referidos créditos por parte do fisco”, tais créditos foram glosados e lançados com multa de ofício, “não prejudicada sua ulterior comprovação, caso a empresa venha a demonstrar a sua exigência através da apresentação dos elementos necessários à sua apuração, aberta a fase litigiosa”. A empresa, ao invés de apurar o crédito presumido ao final de cada mês em que houve exportação e escriturálo no RAIPI para posterior compensação com o IPI nas operações de venda, preferiu controlálo extrafiscalmente, de forma semelhante a uma contacorrente. Tal se deu, também, quanto ao crédito presumido referente ao período de janeiro de 1997 a março de 1999; 3.5.O sistema de custos adotado pela empresa não distingue os valores referentes aos insumos adquiridos sujeitos à incidência do PIS e da COFINS daqueles que não sofreram a sua incidência. Em alternativa, adotouse a metodologia prevista na legislação de regência (art. 3º da Portaria MF n.º 38/97; art. 1º, §1º, da Instrução Normativa – IN SRF n.º 103/97 e IN SRF n.º 23/97); 3.6.Conforme prevê o art. 2º, §2º, da IN SRF n.º 23/97, o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural deve ser calculado exclusivamente às aquisições efetuadas junto a pessoas jurídicas; 3.7.Quando do cálculo da receita operacional bruta e dos estoques utilizados na apuração do crédito presumido, a empresa apresentou documentos extracontábeis na forma de formulários contínuos, nos quais desmembrados, de forma analítica, os produtos que compõem os valores indicados no Livro de Registro de Inventário. Ao examinálas, constatouse que os valores registrados se referiam não só a insumos empregados na industrialização, mas a toda uma gama de aquisições, que vão desde material de consumo, peças de reposição de veículos até adubos e defensivos agrícolas; A empresa não recolheu o IPI em virtude de ter utilizado de créditos indevidos com origem no denominado créditoprêmio de IPI, sendo que, após a reconstituição da escrita, o saldo apresentouse devedor. O lançamento foi constituído com a exigibilidade suspensa, em respeito às decisões judiciais prolatadas nos autos da apelação em Mandado de Segurança n.º 79452PE (2000.83.00.0173198). 4.Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, impugnação ao lançamento (fls. 1915/1936), na qual alega, preliminarmente, com base em doutrina, que o lançamento seria nulo, “por falta de clareza e precisão e ausência de prova”, pois a fiscalização teria apenas arrolado valores, obtidos junto aos Livros de Registro de Entradas e de Apuração de IPI, sem preocuparse com os documentos apresentados e com o que a legislação define como sendo matériaprima e produto intermediário na fabricação de açúcar. Nesse sentido, afirma que a fiscalização teria glosado insumos de modo aleatório, sem verificar se os produtos foram realmente consumidos, deterioraramse ou desgastaramse Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.531 4 no processo de fabricação do produto final. Outrossim, alega cerceado o seu direito de defesa, pois, além de o auto de infração não ter trazido prova alguma, apenas imputou a prática de ilícito tributário, “sem demonstrar que os produtos intermediários relacionados não participam do processo de fabricação do produto final”. No mérito, aduz, em síntese: 4.1.Para fabricar açúcar, adquire insumos que se integram no processo produtivo ou nele são consumidos. Assim, tem direito ao denominado “crédito básico”, em homenagem ao princípio da nãocumulatividade (tece considerações sobre o referido princípio e alega que o art. 147, I, do Regulamento do IPI de 1998 – RIPI/98 promoveu uma limitação ao creditamento, o que não se encontraria na Constituição Federal nem no Código Tributário Nacional – CTN); 4.2.Não procederiam as glosas efetuadas, pois se refeririam a matérias primas e produtos intermediários ligados diretamente ao produto final (cita os Pareceres COSIT n.ºs 214/95 e 170/96). Tais insumos, em função da ação diretamente exercida pelo açúcar em fabricação, ou viceversa, teriam sido desgastados, destruídos, como seriam os casos, por exemplo: chapa de aço, tubo galvanizado, borracha de vedação, rolamento, chapa cromoníquel, tubo de alumínio e muitos outros. Estes seriam produtos intermediários que são consumidos no processo produtivo, mas que não se incorporam no produto final (transcreve, parcialmente, aresto do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no qual se fundamenta); 4.3.Laudo Técnico do Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco – ITEP teria qualificado como intermediários vários dos insumos glosados; 4.4.A fiscalização teria feito uma análise do Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP, para definir quais os produtos dão direito ao crédito. Porém, de forma aleatória, sem nenhum critério. Num momento, considerou os insumos adquiridos como produto intermediário; noutro, entendeu que seriam partes e peças de máquinas e materiais de manutenção e consumo, que não dariam direito ao crédito, sem se importar com o código utilizado; 4.5.Interpretando o art. 117 do RIPI/98, a fiscalização teria entendido que referido dispositivo excluiu do cálculo do crédito os produtos tributados à alíquota zero, uma vez que não haveria imposto para tais produtos. Embora não se tenha glosado qualquer insumo com alíquota zero, não tributado ou isento, existiriam, em seu processo produtivo, tais produtos, como óleo diesel, canadeaçúcar e oxigênio. Se adquire, para o processo produtivo do açúcar, insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, deveria ter direito ao crédito presumido, equivalente ao imposto que teria que suportar nas entradas, caso o IPI fosse devido, pelo fato de que tais custos integram o preço final do açúcar, base de cálculo do IPI; 4.6.Por ser indústria agropecuária açucareira que também exporta, gozaria de estímulo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n.º 9.363/96, incidentes sobre as suas aquisições, independentemente da tributação do insumo, devendo apenas calcular o crédito sobre tais aquisições; Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.532 5 4.7.O período abrangido pelo lançamento vai de junho de 2001 a agosto de 2002. O período anterior foi objeto de outro auto de infração. As confusões em relação ao período autuado demonstrariam a imprecisão do presente auto e cerceariam o seu direito de defesa. A fiscalização teria se utilizado das mesmas informações, aplicandoas aos autos de infração lavrados, de modo que teve que adivinhar à qual deles está se referindo o fisco. Quanto ao período de janeiro a março de 2002, a imprecisão e falta de clareza continuariam, visto que se relata que a empresa teria escriturado e aproveitado o benefício do crédito presumido de IPI, no período de janeiro de 1997 a março de 1999, sem cumprir as exigências previstas na legislação, quanto à manutenção e disponibilização de informações imprescindíveis à apuração e possível homologação dos créditos. No entanto, referido período não é objeto do presente auto de infração; 4.8.A fiscalização alegou que a empresa apurou o crédito presumido ao final de cada mês em que ocorreu a exportação e que preferiu controlálo em documento extrafiscal. Ocorre que, ainda que não utilizasse o sistema previsto no §5º do art. 3º da Portaria MF n.º 38/97, existiria metodologia alternativa prevista no §7º do mesmo artigo, o qual teria sido utilizado pelos Auditores para apurar os custos de produção, baseado na posição dos estoques e nos valores das aquisições. De uma forma ou de outra, o certo é que a empresa não poderia perder o direito ao crédito presumido do IPI, cabendo até o ressarcimento em espécie, quando não haja possibilidade de compensação com o mesmo imposto; 4.9.A fiscalização afirmou que o sistema de custos adotado pela empresa não distinguiria os valores referentes aos insumos sujeitos à incidência do PIS e da COFINS daqueles que não sofreram tal incidência. O §5º do art. 3º da Portaria MF n.º 38/97, contudo, não exigiria que se identifiquem referidos produtos. Ademais, o art. 2º da Lei n.º 9.363/96, combinado com o art. 3º da Portaria MF n.º 38/97, determina que o crédito presumido deve ser determinado sobre o valor total das aquisições. O fisco excluiu as aquisições de matériasprimas a pessoas físicas, com base nas Instruções Normativas – IN n.º 23/97 e 103/97. Para ele, referidos atos normativos teriam modificado o texto de lei ao estabelecerem que o crédito presumido seria calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas a pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições do PIS e da COFINS, e que os insumos adquiridos de cooperativas não gerariam direito ao crédito presumido. Contudo, somente uma lei ou uma Medida Provisória – MP poderiam determinar as exclusões, visto que as INs não podem inovar ou modificar o texto que complementam (cita decisões do Conselho para corroborar o seu entendimento); 4.10.O Decretolei n.º 1.248/72 e a Lei n.º 9.363/96 são normas de Direito Público, cuja interpretação não pode ser restringida; 4.11.O direito ao ressarcimento em dinheiro poderia se dar depois de compensado com o próprio IPI, como preconiza o art. 4º da Lei n.º 9.363/96; Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.533 6 4.12.O CTN somente autorizaria a cobrança de juros de mora em 1% (um por cento). Acima desse limite, a taxa aplicada estaria sendo aplicada como remuneração de capital, não como juros moratórios, o que afrontaria a Constituição Federal e o CTN. Ademais, estarseia alterando a base de cálculo, com o conseqüente aumento de tributo de forma transversa, sem autorização constitucional, bem como a aplicação da taxa Selic configuraria puro anatocismo (referencia decisões judiciais contrários à aplicação da taxa Selic); 4.13.Em vista dos equívocos cometidos, o débito exigido seria ilíquido e incerto, tornando inexigível o título correspondente. 5.Ao final, depois de suplicar pela aplicação do art. 112 do CTN, requer a nulidade do lançamento ou, alternativamente, a sua improcedência. Protestou, ainda, pela juntada posterior de documentos e realização de perícia, para a qual formulou quesitos e indicou assistente técnico. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1127.016 de 22/07/2009, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 20/05/1999 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS. Os insumos admitidos no cálculo do valor do benefício são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, assim conceituados pela legislação do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS A PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. Por força de disposição legal expressa, as aquisições de insumos não tributadas pelo PIS e pela COFINS estão excluídas do cálculo do incentivo fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/05/1999 a 31/12/2002 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. PERÍCIAS E PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Dispensável a realização de perícias ou produção de novas provas quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.534 7 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde repisa basicamente os termos da impugnação. Argumenta que as provas acostadas foram produzidas pela recorrente. Suplica a aplicação do art. 112 do CTN, em vista da fiscalização estar autuando com base em presunção, além do que a lei descreve, logo, requer que seja dado provimento ao presente recurso. Consta despacho, à efl. 2513 deste processo, cujo assunto trata de solicitação de desistência de recurso consoante petição constante dos autos, ao amparo do disposto no § 1° do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. E decidido pelo presidente deste CARF, nos seguintes termos: Dessa forma, em razão da petição constante dos autos e à luz do disposto no § 1°, art. 78, Anexo II do RICARF, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se fundou o recurso interposto pelo sujeito passivo, objeto da desistência, devendo o processo retornar à unidade da administração tributária de origem para: a) prosseguir na exigência do crédito tributário objeto da desistência; b) se parcial, apartar os autos e retornar o processo ao CARF para apreciação da matéria não contemplada pela desistência. Observase na efl. 2526 o disposto: Encaminho presente processo ao GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF para seguimento do julgamento da parte não alcançada pela desistência apresentada pelo contribuinte. Os valores que constam de sua desistência encontramse controlados através do Processo 18208.086364/201179. O processo 18208.086364/201179. referese a parte subentendida da parte do acompanhamento da desistência (não está digitalizado). Por sua vez, o processo 19647.005989/200411, que foi apensado a este; e compulsando ao mesmo, observase que há o pleito da desistência parcial do recurso voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 19647.005989/200411 Resolução nº 3201000.667 S3C2T1 Fl. 2.535 8 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Verificase, inicialmente, que o pleito de desistência encontrase no processo 18208.086364/201179, bem como seu acompanhamento, por conta do parcelamento. Da mesma forma, o processo 19647.005989/200411, que foi apensado a este; observase que há o pleito da desistência parcial do recurso voluntário, e que se verifica a permanência do débito de R$ 900.578,21, do período de apuração de agosto de 2002, pois todos os valores outros foram objeto do parcelamento. No entanto, a recorrente, insiste que houve erro de fato, e que deve ser enfrentado, em nome da verdade material, pois o valor devido no primeiro decêndio de 08/2002 seria o valor de R$ 23.611,26 , restando um recolhimento de R$ 20.132,95; cujo valor está sendo cobrado no Auto de Infração de outro processo o de n° 19647.005991/200481. À vista dos argumentos, da documentação acostada e as referências aos diversos processos, sugiro que este seja baixado em diligência para a unidade de origem possa prestar os seguintes esclarecimentos : a) precisar o montante do saldo de parcela (valor), bem como o período de apuração; parte esta que não houve desistência, por conta do seguimento do recurso voluntário, tendo em vista desistência parcial; b) analisar a procedência do argumento da recorrente que por erro de fato, a parcela seria de R$ 23.611,26 e não de R$ 900.578,21 e mesmo assim, já estaria sendo cobrado em outro processo, o de n° 19647.005991/200481, em nome da empresa. Sendo positivo, esta alegação, confirmar, no sentido de que não haja a cobrança do mesmo débito. Esclareça os fatos acima através de relatório fiscal e posteriormente, dêse ciência à recorrente, para se quiser, manifestar. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para atender ao demandado acima. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001710/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente processo para aguardar o desfecho dos processos nºs 16327.001263/2005-14, 165610.00190/2007-24, 165610.00190/2007-24,16561.000189/2007-08, 16327.001263/2005-14.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente processo para aguardar o desfecho dos processos nºs 16327.001263/2005-14, 165610.00190/2007-24, 165610.00190/2007-24,16561.000189/2007-08, 16327.001263/2005-14. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente processo para aguardar o desfecho dos processos nºs 16327.001263/200514, 165610.00190/200724, 165610.00190/200724,16561.000189/2007 08, 16327.001263/200514. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 71 0/ 20 10 -9 4 Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001710/201094 Resolução nº 1401000.280 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário 2005, decorrente de glosa de perdas relativas a operações de crédito, por não observância do disposto no art. 9º da lei nº 9.430/96. Em sua defesa, alega a Recorrente, nulidade absoluta do auto de infração, por erro de direito, em especial por não ter considerado valores relacionados a prejuízos acumulados em anos anteriores. Em julgamento perante a DRJ, o argumento da Recorrente foi afastando, sob o argumento de que os valores registrados no LALUR divergiam dos valores constantes do SAPLI, vez que o prejuízo por ele acumulado no curso dos anos havia sido objeto de glosa em outros processos administrativos. A princípio, quando a lavratura de autos de infração anteriores promovem a redução de prejuízo fiscal registrado pela empresa, e o mesmo acaba sendo esgotado pelos lançamentos fiscais promovidos, os lançamentos subseqüentes à extinção de referido saldo não devem, de fato, levar em consideração do prejuízo fiscal consumido pelos outros processos administrativos. Assim, não haveria, em si, um erro de lançamento per se, ao se deixar de considerar, na apuração do tributo devido, o saldo de prejuízo fiscal absorvido em lançamentos fiscais precedentes. Todavia se as glosas pretéritas não se sustentam, e o saldo de prejuízo fiscal se consolida, é possível promoverse o ajuste mediante a dedução dos respectivos valores, com a absorção do prejuízo fiscal remanescente, prejudicando a manutenção do crédito tributário objeto de lançamento. É o relatório, no essencial. Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001710/201094 Resolução nº 1401000.280 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO: O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: No SAPLI os prejuízos fiscais foram alterados em função dos seguintes processos (fl.4543): Processo 200514: já foi julgado procedente e o resultado já foi estornado no próprio SAPLI (última linha). Processo 200724: já foi julgado, mas ainda não está disponível a decisão. Processo 200708: já foi julgado, mas parece que foram interpostos embargos de declaração. Na decisão, o Relator determina a tramitação conjunta desse processo com o 2007 24, conforme se verifica da fl. 10 da decisão anexa. Por outro lado, identifico, entre as alegações da Recorrente, de que os valores objeto de lançamento poderiam ter sido absorvidos pelas estimativas pagas no curso do ano calendário, mediante a redução do saldo negativo formado no respectivo ano calendário. De fato, somente existe lançamento tributário se o saldo de tributo a pagar no final do ano calendário apontar a existência de débito tributário inadimplido, salvo quando o contribuinte se utiliza do saldo negativo para compensação com outros tributos. De fato, apurado saldo negativo ao final do ano calendário, eventual lançamento tributário que identifica imposto a pagar poderá: (i) ser constituído para reduzir o saldo negativo acumulado não utilizado pela empresa ou (ii) ser constituído para fins de cobrança, Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001710/201094 Resolução nº 1401000.280 S1C4T1 Fl. 5 4 caso o saldo negativo tenha sido utilizado pela empresa para fins de compensação com outros tributos. Isso evita que um lançamento fiscal promovido após uma compensação de saldo negativo possa interferir no reconhecimento do direito creditório existente quando a declaração de compensação foi apresentada. Diante do exposto, proponho seja o sobrestamento do presente até o trânsito em julgado administrativo dos processos. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720674/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
IPI. BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. SIMULAÇÃO.
Não há falar em aplicação do entendimento firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo quanto à não incidência de IPI na saída de mercadorias remetidas em bonificação, quando se verifica, com base em amplo conjunto probatório, que a operação de saída constituía simulação destinada à mascarar os preços efetivamente praticados.
DELIMITAÇÃO DO JULGADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
O acórdão proferido pelo CARF deve ficar adstrito à matéria impugnada pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 3201-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 IPI. BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. SIMULAÇÃO. Não há falar em aplicação do entendimento firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo quanto à não incidência de IPI na saída de mercadorias remetidas em bonificação, quando se verifica, com base em amplo conjunto probatório, que a operação de saída constituía simulação destinada à mascarar os preços efetivamente praticados. DELIMITAÇÃO DO JULGADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O acórdão proferido pelo CARF deve ficar adstrito à matéria impugnada pelo Contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. SIMULAÇÃO. Não há falar em aplicação do entendimento firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo quanto à não incidência de IPI na saída de mercadorias remetidas em bonificação, quando se verifica, com base em amplo conjunto probatório, que a operação de saída constituía simulação destinada à mascarar os preços efetivamente praticados. DELIMITAÇÃO DO JULGADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O acórdão proferido pelo CARF deve ficar adstrito à matéria impugnada pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 06 74 /2 01 4- 15 Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS): Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marília/SP, no valor total de R$ 14.562.770,39, à data da autuação, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal discriminado no referido documento. Os fatos que amparam o lançamento estão relatados no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal e anexos, bem como no próprio auto de infração, que serão a seguir sintetizados. A empresa tem por objeto social a industrialização, comercialização, importação e exportação de cervejas, chopp, refrigerantes, água gaseificada, bebida energética e bebidas alcoólicas. É optante pelo regime especial de tributação previsto na Lei 10.833/2003, art. 58J, regulamentado pelos Decretos 6.707/2008 e 7.455/2011, segundo o qual o IPI é apurado em função do valorbase expresso em R$/litro do produto, no caso das bebidas classificadas nos códigos e posições 2106.90.10, Ex 02, 22.01, 22.02, exceto Ex 01 e 02 do código 22.02.90.00 e 22.03, da Tabela de Incidência do IPI aprovada pelo Decreto 6.006/2006 (TIPI/2007). No curso da auditoria foram constatadas as irregularidades a seguir descritas: falta de lançamento de IPI em saídas de produtos tributados, nas quais foi informado, nas respectivas notas fiscais, o Código Fiscal de Operações – CFOP 5910 e 6910, relativo a remessas em bonificação, doação ou brinde; falta de lançamento de imposto em virtude de utilização indevida de suspensão, em vendas para empresa comercial exportadora, sob o CFOP 5501 e 6501, sem que tenha havido comprovação das efetivas exportações; falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI; falta de declaração/recolhimento do IPI destacado nas notas fiscais e não escriturado, relativas a operações sob CFOP 5401 e 6401, sujeitas ao regime de substituição tributária, em que o imposto é apurado por item do produto; aproveitamento de crédito básico extemporâneo indevido, cuja legitimidade não foi comprovada. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, assinada por procurador habilitado nos autos, em que contesta a inclusão das mercadorias bonificadas na base de cálculo do IPI. Sustenta que de acordo com o art. 146, III, “a” da Constituição Federal, e os arts. 46, inc. II e 47, inc. II do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), a base do cálculo desse tributo é o valor da operação mercantil de que decorreu a saída de mercadoria, o qual inexiste no caso de bonificação incondicional. Cita Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13830.720674/201415 Acórdão n.º 3201002.149 S3C2T1 Fl. 2.599 3 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de reconhecer o direito à exclusão das bonificações da base de cálculo do IPI. A seguir, invoca os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, que devem ser assegurados da maneira mais ampla possível, alegando ainda que o arbitramento constante do auto de infração, em montante incompatível com a capacidade produtiva instalada da impugnante, deve ser verificado mediante a realização de perícia, que requer. Solicita o acolhimento da impugnação para que seja cancelado o auto de infração em face da fundamentação jurídica exposta. O acórdão proferido julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o lançamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Considerase definitiva a parcela da exigência que não tenha sido expressamente contestada, nos termos das normas que regem o processo administrativo fiscal. PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. FATO GERADOR DO IPI. BONIFICAÇÕES. As saídas de produtos a título de bonificações configuram fato gerador do IPI, uma vez que o imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de Recurso Voluntário, questiona apenas a incidência do IPI sobre as mercadorias bonificadas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica da peça recursal, o único argumento trazido pelo Recorrente diz respeito à incidência do IPI sobre as mercadorias bonificadas. Por essa razão, o presente voto limitase também à tal aspecto, deixando de apreciar demais questões abordadas pela DRJ, à míngua de impugnação específica. Inicialmente, cumpre esclarecer que a questão relativa à não incidência do IPI sobre mercadorias remetidas em bonificação já está pacificada, tanto pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543C, quanto pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO DE DESCONTOS INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1149424/BA, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 07/05/2010) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº 7.798/89 – INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. (RE 567935, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 04/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe216 DIVULG 03112014 PUBLIC 04112014) Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13830.720674/201415 Acórdão n.º 3201002.149 S3C2T1 Fl. 2.600 5 Não obstante, noto que a questão ora em exame não se submete às decisões supra referidas. Isso porque, muito embora, de fato, o contribuinte tenha procedido à saída de mercadorias em bonificação sobre as quais, em princípio, não incidiria o IPI a Fiscalização constatou que esta se deu de forma à mascarar o efetivo preço da mercadoria. Vejase o seguinte trecho do Relatório Fiscal (fls. 2504 e 2506), que resume o amplo conjunto probatório existente nos autos: Tal conclusão está fundamentada no Termo de Diligência Fiscal de fls. 24/25: Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13830.720674/201415 Acórdão n.º 3201002.149 S3C2T1 Fl. 2.601 7 A seu turno, o acórdão da DRJ consignou (fl. 2566): Por outro lado, a par da discussão a respeito do cabimento da exclusão pretendida pelo interessado, também é importante considerar a peculiaridade da alegada bonificação que teria sido concedida: tratase simplesmente de um artifício utilizado pelo contribuinte para diminuir a base de cálculo do IPI. A diligência efetuada pela fiscalização junto a empresa adquirente Classe A Distribuidora de Bebidas de Marília Lida. inscrita no CNPJ sob n° 06.139.027/000146, resultou na constatação de que o contribuinte aplica um sobrepreço na cerveja vendida para compensar a bonificação que efetivamente não ocorreu. De sua parte, o contribuinte, ao manifestarse a respeito desse procedimento, confirmou, com suas próprias palavras, a conclusão exposta pelo agente fiscal. Logo, diante dos fatos e provas constantes dos autos, verifico não se tratar, em efetivo, de remessa de mercadorias em bonificação ou aplicação de descontos incondicionais, mas, sim, verdadeiramente "mascarar" os preços efetivamente praticados, assim como concluiu a Fiscalização. Ou seja, a mercadoria à qual o contribuinte deu saída em bonificação, está sendo tributada pelo fato de ter se constatado, durante o trabalho fiscal, que constituiu em prática destinada à mascarar o efetivo custo da mercadoria. Desse modo, entendo que, no caso concreto, tratase, em verdade, de aplicação do parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Importante pontuar que o Recorrente, em nenhum momento, seja durante o trabalho fiscal, seja em suas peças impugnatória e recursal, contestou a alegada prática de mascarar os preços, limitandose a discorrer acerca da matéria de direito, constante no reconhecimento jurisprudencial da não incidência do IPI sobre descontos incondicionais ou bonificação. No entanto, na atividade de julgamento, o dever do julgador vai muito além da simples aplicação da lei, seja ela em termos literais, ou em conformidade com a interpretação auferida pelos tribunais. É essencial que esta se dê em estrita consonância com os fatos apurados durante a instrução do feito. O fato jurídico não se caracteriza pelo nome que se lhe atribui, mas pelas circunstâncias pelas quais se constitui. Chamar de "bonificação" o que não é bonificação, não faz com que esta esteja amparada pela não incidência do imposto. É a interpretação que se faz, a contrario sensu, da máxima cunhada pelos mestres Geraldo Ataliba e Aires Barreto, já consagrada na doutrina e na jurisprudência pátria, de que "Importa subverter o conceito constitucional de serviço, com o propósito fiscalista de tributar como serviço o que serviço não é". Também consistiria em subverter a ordem jurídica chancelar como "bonificação" o que bonificação não é. Desse modo, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, mantendo o lançamento fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10580.012104/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/10/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
É condição fundamental para a homologação de compensações efetuadas pelo contribuinte, a respectiva entrega da Declaração de Compensação por meio de PER/DCOMP.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Presidente Substituto.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. É condição fundamental para a homologação de compensações efetuadas pelo contribuinte, a respectiva entrega da Declaração de Compensação por meio de PER/DCOMP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Presidente Substituto. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Elias Fernandes Eufrásio, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 21 04 /2 00 5- 50 Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (AI Cofins fls. 04/13), relativa aos períodos de apuração de jul/2000, out/2000 a dez/2000, jun/2001 a jul/2001, set/2001, nov/2001, fev/2002, mai/2002 a jul/2002, set/2002, nov/2002, jan/2003 a fev/2003, mai/2003 a jun/2003, ago/2003, nov/2003, mai/2004 a jul/2004, set/2004 a out/2004, dez/2004, mar/2005, jun/2005, ago/2005 e out/2005. Em face da edição da Portaria SRF no 6.129, de 02 de dezembro de 2005, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (Auto de Infração PIS fls. 378/386), pertinente aos períodos de apuração de jul/2000, out/2000 a dez/2000, jun/2001 a jul/2001, set/2001, nov/2001, fev/2002, mai/2002 a jul/2002, nov/2002, jan/2003 a fev/2003, mai/2003, dez/2003, mai/2004, jul/2004 a ago/2004, mar/2005, jun/2005, ago/2005 e out/2005. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/19 ou 387/392), anexo aos Autos de Infração, o autuante faz referência detalhada aos os passos do procedimento fiscal e dos conseqüentes lançamentos de PIS e Cofins. Cientificada da exigência fiscal em 27/12/2005, a autuada apresenta em 25/01/06 as Impugnações (fls. 122/125 e 480/484), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • As divergências apontadas quanto ao recolhimento das contribuições aconteceram em virtude da compensação de valores pagos a maior em meses anteriores, conforme escriturado nos Livros Diário e Razão; • A empresa manteve a compensação de tributos da mesma espécie nos moldes das Instruções Normativas n° 21 e 73, de 1997, ou seja, através do registro contábil; • A partir de dezembro de 2002 a empresa passou a apurar o PIS nãocumulativo, e, nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, o fato gerador e a base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, informação essa obtida de forma incontestável nos Livros Diário e Razão; • A partir de fevereiro de 2003 a empresa passou a apurar a Cofins nãocumulativo, e, nos termos da Lei n° 10.833, de 2003, o fato gerador e a base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, informação essa obtida de forma incontestável nos Livros Diário e Razão." Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.012104/200550 Acórdão n.º 3201002.159 S3C2T1 Fl. 1.742 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação. A decisão da foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÃRIA Período de apuração: 01/07/2000 a 31/10/2005 PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. 0 sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos i quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB, devendo tal pretensão ser efetuada, a partir de outubro de 2002, mediante o encaminhamento à RFB da Declaração de Compensação. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatado no procedimento fiscal que a contribuinte deixou de recolher, parcial ou integralmente, o PIS e a Cofins, é de se efetuar, por ato próprio da Administração Fiscal, o lançamento das diferenças apuradas. Lançamento Procedente.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A lide se prende a possibilidade alegada pela Recorrente da compensação de tributos ocorrer de forma direta na contabilidade sem apresentação de Declaração de Compensação, nos termos previstos na Lei nº 8.383/91. Inicialmente, cabe lembrar as disposições legais que trouxeram a possibilidade da utilização da compensação para extinção dos débitos tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN instituiu a compensação. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A efetiva de utilização do instituto da compensação, deuse a partir da edição da Lei nº 8.383/91, que somente permitia a compensação de tributos da mesma espécie, dispensando a autorização administrativa, sendo efetivada, por iniciativa do contribuinte com assentamentos na contabilidade. Posteriormente, o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 30 de agosto de 2002, (convertida na Lei nº 10.637/2002), alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, permitindo a compensação entre tributos diversos, desta feita, com autorização administrativa, por meio de entrega obrigatória de Declaração de Compensação, inicialmente apresentada a Receita Federal utilizando formulários em papel. A Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003, instituiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), A extinção do crédito tributário, objeto de compensação, realizase conforme determina o art. 170 do CTN, no momento em que acontece a compensação. A partir da existência no mundo jurídico da Declaração de Compensação e depois do seu instrumento eletrônico a PER/DCOMP, temse como compensado o tributo, com o registro da PER/DCOMP. A Recorrente pretende proceder a compensação diretamente na contabilidade sem apresentar DCOMP, nos termos já expostos, com a edição da MP nº 66/2002 a compensação passou a ser possível somente por meio de apresentação de Declaração de Compensação. A autoridade autuante, também adotou este entendimento, tanto assim, que considerou as compensações realizadas pela Recorrente até o ano de 2002, conforme consta do trecho abaixo extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 37) "Assim, para fins de cumprimento do procedimento denominado "Verificações Obrigatórias", foram consideradas na apuração do PIS e COFINS cumulativos e nãocumulativos todas as compensações efetuadas até 30 de setembro de 2002 e devidamente escrituradas no Livro Razão do contribuinte. A partir desta data, entretanto, em face da ausência de entrega da Declaração de Compensação, as compensações realizadas, mesmo que acompanhadas do correspondente registro contábil, por carecerem de validade jurídica em face do descumprimento de formalidade essencial, foram consideradas inexistentes." Assim, não procede as alegações do recurso, a partir da edição da MP 66/2002, a compensação somente pode ocorrer com a apresentação da PER/DCOMP. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10580.012104/200550 Acórdão n.º 3201002.159 S3C2T1 Fl. 1.743 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 15277.000348/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005
Constatado que a matéria discutida em âmbito administrativo fora levada para discussão no âmbito judicial, aplica-se a Súmula CARF nº 1, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 Constatado que a matéria discutida em âmbito administrativo fora levada para discussão no âmbito judicial, aplica-se a Súmula CARF nº 1, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Gerson Macedo Guerra - Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 676 1 675 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15277.000348/200971 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.889 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Recorrente FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR VALE DO SAPUCAÍ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 Constatado que a matéria discutida em âmbito administrativo fora levada para discussão no âmbito judicial, aplicase a Súmula CARF nº 1, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 27 7. 00 03 48 /2 00 9- 71 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à cota patronal (Empresa e SAT/RAT), devidas no período de 01/07/2004 a 30/06/2005. O cerne da questão consiste no não recolhimento das contribuições pelo contribuinte, fundamentado no fato de de entidade beneficente de assistência social, isenta, nos termos do artigo 195, § 7º, da Constituição da República de 1988. No curso do regular processo administrativo, ao analisar o Recurso do Contribuinte a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), julgou recurso voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no acórdão nº 230201.480, assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2005 Ementa: RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. FORMULAÇÃO DE PEDIDO. REQUISITO ESSENCIAL.De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade entre outros requisitos formulasse o requerimento, o que somente foi realizado em 29 junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. A negativa do recurso deveuse, em síntese, à recorrente não ter solicitado, ao órgão previdenciário, na época dos fatos geradores, à isenção, conforme determinava a Lei 8.212/1991, em seu art. 55, em lançamento lavrado após a Lei 12.101/2009, conforme trecho do acórdão recorrido: "Assim, é irrelevante o fato de a entidade cumprir ou não os requisitos do CNAS, pois não cumprindo todos os demais requisitos junto ao INSS, pode haver o não reconhecimento do direito à isenção. Conforme redação legal vigente à época dos fatos geradores. Por todo o exposto, foi correta a decisão do órgão previdenciário. A recorrente errou ao se enquadrar como Fl. 677DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15277.000348/200971 Acórdão n.º 9202003.889 CSRFT2 Fl. 677 3 entidade beneficente sem ter o reconhecimento do órgão previdenciário." Cientificado do acórdão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Especial de divergência, em relação à ausência de necessidade de pedido de isenção antes da Lei 12.101/2009, conforme paradigma 2402003.246 e 2402004.374. Em sede de contrarrazões a União pugna pela manutenção do Acórdão recorrido, pela aplicação da norma vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, qual seja, Lei 8.212/91, por não ser aplicável a retroatividade das normas prevista no artigo 106, do CTN, à Lei 12.101/09. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Constatase dos autos que a questão trazida para essa Turma para discussão consiste no reconhecimento do direito à imunidade tributária prevista no artig0 195, §7º, da CR/88, ao contribuinte recorrente, no período de 01/07/2004 a 30/06/2005. Pois bem. Como relatado nos presentes autos, objetivando garantir seu direito à obtenção do CEBAS em período que compreende o período dos fatos geradores contidos no lançamento ora analisado, o contribuinte impetrou o mandado de segurança de nº 10.375. A decisão do referido processo, já transitada em julgado, possui a seguinte ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ARTIGO 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMUNIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. I É vedada a alteração, por meio de Decreto federal, dos critérios de imunidade erigidos por lei com base na Constituição Federal, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. II Recentemente a Primeira Seção, no julgamento do MS nº 10.375/DF, em 27/04/2005, ratificou, por maioria, o posicionamento anteriormente exarado no MS nº 8.888/DF, DJ de 05/04/2004, no sentido de que a entidade filantrópica tem direito adquirido ao regime fiscal anterior à modificação inserida com o Decreto nº 792/93. III Segurança concedida. Posteriormente, o ora recorrente propôs no STJ a Reclamação nº 15.624, contra decisão do Juiz Federal da 1ª Vara de Pouso Alegre SJ/MG, que rejeitou exceções de pré executividade manejadas com o objetivo de reconhecimento de inexistência de créditos tributários passíveis de cobrança, face ao reconhecimento do direito adquirido do contribuinte à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CR/88. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 Ao julgar referida reclamação, o Ministro Benedito Gonçalves, acompanhado pela totalidade dos Ministros da 1ª Seção do STJ, assim se manifestou em seu voto: Registro, desde logo, que a pretensão deduzida no aludido mandado de segurança apreciado pelo STJ deve ser depreendida de todo o contexto traçado na petição inicial e não apenas de seu requerimento final. Isso porque, "[s]egundo lição já antiga na jurisprudência desta Corte, o pedido é o que se pretende com a instauração da demanda e se extrai da interpretação lógico sistemática da petição inicial, sendo de levarse em conta os requerimentos feitos em seu corpo e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica dos pedidos, sendo certo que o acolhimento de pedido extraído da interpretação lógico sistemática da peça inicial não implica julgamento extrapetita " (MS 18.037/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, DJe 1º/2/2013). No caso em apreço, não obstante o mandado de segurança da reclamante tenha sido impetrado em razão do indeferimento, pelo Ministro de Estado da Previdência Social, da renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, retirase do corpo da impetração a necessidade do reconhecimento de seu direito líquido e certo à imunidade tributária, para afastar as exigências contidas nos Decretos 752/93 e 2.536/98, como pressuposto para a concessão da ordem e, por consequência, do referido certificado. Vejase (fls. 161 163, grifos nossos) (...) Em face desses elementos, concluo que a decisão mandamental emanada deste STJ, nos autos do MS 10.375/DF, ostenta provimento declaratório o qual reconheceu o direito adquirido da impetrante à imunidade tributária, afastando as exigências dos Decretos 752/93 e 2.536/98, sendo que a determinação à autoridade coatora para a concessão do CEBAS decorreu de tal reconhecimento. Ante o exposto, julgo procedente a presente reclamação, para cassar as decisões reclamadas que indeferiram as exceções de préexecutividade nos autos das execuções fiscais de nº 2392 07.2013.4.01.3810 e 250189.2011.4.01.3810, determinado à autoridade reclamada que observe a autoridade da decisão mandamental prolatada pelo STJ nos autos do MS 10.375/DF, ora explicitada. Vêse, pois, que a questão aqui posta em julgamento já foi objeto de análise pelo Poder Judiciário, o que nos leva à aplicação da Súmula CARF nº 1, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15277.000348/200971 Acórdão n.º 9202003.889 CSRFT2 Fl. 678 5 Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso para declarar a definitividade do crédito lançado, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, ficando prejudicadas todas as decisões administrativas anteriores. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 680DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000679/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 79 /2 01 0- 44 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 19/04/2011 (fl. 562), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 562 a 603) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.189, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 667 a 677), e Resolução CARF nº 2803000.273, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 917 a 919), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 927/929 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.922 a 925), na matrícula CEI nº 38.720.05895/70, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.921). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 944DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000679/201044 Acórdão n.º 2402005.410 S2C4T2 Fl. 943 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 09346.13045.181209.1.2.154604, referente à competência 03/2006, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo (fl.926): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 09346.13045.181209.1.2.154604, referente à competência 03/2006, no valor originário de R$ 69.757,67 (sessenta e nove mil setecentos e cinqüenta e sete reais e sessenta e sete centavos)." É o relatório. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001060/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVALATA BENEFICIAMENTO E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente
(documento assinado digitalmente)
FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 224 1 223 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001060/200833 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.337 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 5 de maio de 2016 Assunto RESTITUIÇÃO MULTA ISOLADA Recorrente NOVALATA BENEFICIAMENTO E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVALATA BENEFICIAMENTO E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 06 0/ 20 08 -3 3 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 225 ___________ Trata o presente de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo o lançamento da multa isolada aplicada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO). Pela clareza do relatório do orgão a quo, às fls. 144/148, reproduzoo para, em seguida, adotálo: "O presente processo versa acerca de auto de infração (fls. 47/50), emitido em 20/03/2008, atinente à MULTA ISOLADA constituída em janeiro daquele ano base, correspondendo ao importe de R$ 8.983.082,14 (oito milhões, novecentos e oitenta e três mil, oitenta e dois reais e quatorze centavos). O referido auto de infração decorreu de infração caracterizada em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, ante o contexto norteado pelo Processo Administrativo n° 10830.000477/200599, cujos autos ampararam a análise do Pedido de Restituição e da Declaração de Compensação formulados em 31 de janeiro de 2005, que pleiteavam a utilização de créditos oriundos de títulos denominados Obrigação ao Portador nº: 03434123, 0440381, 0632069, 0719788/92, 1171592, 1195868, 1373938/40, série P, emitidos em 1969; e, 1081854/78 e 1157701/45, série S, de emissão de 1970, atinentes do empréstimo compulsório destinado entidade Centrais Elétricas do Brasil S/A ELETROBRAS, instituído pelo art. 4° da Lei nº 4.156, de 1962, oriundo de cobrança imputada no custo de conta mensal de consumo de energia elétrica. Sob este prisma, ante a negativa de admissão das compensações declaradas pelo contribuinte, consoante cópia do Despacho Decisório integrante das folhas 11/14, restou configurada a hipótese de infração sujeita à aplicação de penalidade fixada pelo art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, em decorrência da formalização de compensação indevida de tributos federais mediante aproveitamento de créditos não administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como qualificados na condição de créditos de terceiros. Neste panorama, configurouse que o requerente impulsionou procedimento que encontra expressa vedação legal, tipificada pelo (I) art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, alterado pelo art. 18, da Lei n° 11.488, de 2007, combinado com o art. 30, Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 226 3 §1º da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, alterado pela redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 534 de 05/04/2005; e (II) pelo art. 74, §12°, incisos II, alíneas "a" e "e" da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, alterada pela redação dada pelo art. 4º da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontramse detalhados no corpo do mencionado auto de infração e pormenorizados no Termo de Constatação (fls. 16/22) que faz parte integrante do lançamento [...]." Acórdão da DRJ/SPI às fls. 143/155, assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA. NÃO DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE DO LANÇAMENTO. É aplicável o lançamento de multa isolada nas hipóteses em que restar configurado o exercício do contribuinte em proceder a utilização de créditos de natureza não tributária para fins de compensação de impostos e contribuições administrados pela RFB. MULTA ISOLADA. AFRONTA DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 227 4 pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Ciência da decisão de primeira instância em 27/11/2009, à fl. 159. Recurso ao CARF às fls. 160/201, com entrada no órgão preparador no dia 22/12/2009. Nesta oportunidade: 1) inicialmente, sustenta que é proprietária e detentora de títulos denominados Obrigação da Eletrobrás, emitidos pela Eletrobras com fundamento na Lei n° 4.156/1962, como forma de promessa de pagamento de empréstimo compulsório, sendo de responsabilidade da União o adimplemento das referidas obrigações, conforme artigo 40, §3°, daquele diploma legal, razão pela qual entende ser possível a restituição do crédito por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo em conta a natureza tributária da exigência e o tempo de ocorrência dos recolhimentos; 2) entretanto, explana que a turma julgadora não apreciou todas as matérias mencionadas na Manifestação de Inconformidade apresentada, em especial sobre a natureza jurídica das Obrigações da Eletrobras. Daí segue sua opinião de que o único modo de se afastar a multa aplicada é demonstrar, no presente recurso, que seu crédito tem natureza tributária, que não se trata de titulo público e tampouco de crédito de terceiro, pois é administrado pela RFB; 3) como consequência da omissão citada no item anterior, objetiva a acolhida à sanção de nulidade da decisão recorrida, consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que, de plano, argui, em sede de preliminar, forte na fé à reprovação à nulidade referida, em ordem a implicar o retorno do processo à DRJ para a prolação de novo acórdão; 4) antes, porém, requer que se envie o feito à 3ª Câmara do extinto Conselho de Contribuintes para julgamento deste apelo, desde logo pleiteando, caso seja negado provimento quanto ao vício anteriormente apontado, que se verifique, no tocante ao mérito, que obedeceu escorreitamente a legislação então em vigor, particularmente os artigos 26 a 38 da Instrução Normativo SRF n° 460, de 2004, assinalando que as Obrigações da Eletrobras utilizadas para compensação com tributos têm natureza tributária, conquanto originadas de empréstimos compulsórios exigidos pela União, que é o ente federativo competente para instituir tais tributos; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 228 5 5) nesse sentido, afirma que ilidiu as razões para capitulação no artigo 18, caput e parágrafos, da Lei n° 10.833, de 2000, bem como no § 12° do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, refutando, desse modo, a punição imposta, a ser afastada com supedâneo no parágrafo único do artigo 100 do CTN, já que cumprira a norma complementar antedita, expedida pela RFB; 6) no mais, acrescenta que, pelo exercício dos princípios da moralidade, razoabilidade, segurança jurídica, interesse público e isonomia, ainda que se negasse a natureza tributária das Obrigações da Eletrobras, o Fisco teria de proceder à compensação de oficio de seu crédito, tributário ou não, com débitos tributários pendentes em face da União, à vista do preceito normativo que determina a compensação de ofício dos créditos do contribuinte com débitos deste, tributários ou não, a favor do mesmo ente político; 7) já ao reagir contra a multa aplicada com base no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, retrata que o caso em apreço não se subsome à hipótese típica descrita no precitado dispositivo normativo. Isso porque – argumenta a imposição de multa isolada está limitada, nos termos prefigurados pelo tipo legal destacado, às situações em que, além da negativa, pela autoridade fiscal, à homologação da Declaração de Compensação do sujeito passivo, restar caracterizada a prática de quaisquer das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964; 8) sendo assim, relata que a autoridade que impôs a sanção ora em debate não efetuou qualquer registro de que houvesse sonegado, fraudado ou agido em conluio, circunstâncias necessárias à incidência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, já comentado; 9) por conseguinte acentua estando visível que a autoridade fiscal não expendeu mínima narrativa a qualquer conduta tipificada nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, tornase evidente que a multa isolada aplicada no auto de infração é ilegal; 10) em outra senda, assegura que o artigo 44, I, da Lei n° 9.430/1996, autoriza a multa de lançamento de ofício somente nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; falta de declaração e declaração inexata, circunstâncias também não atribuídas à Recorrente; 11) em vista disso e vislumbrandose que o presente auto de infração decorreu da imposição de multa isolada e não de multa de lançamento de oficio, conclui que é indevida a aplicação dos artigos 43 e 44 da Lei 9.430/96, sabendose que tais dispositivos são fontes normativas apenas das últimas e não das primeiras; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 229 6 12) ainda tangenciando o tema, explica que a autoridade fiscal que confeccionou o auto de infração deixou de observar a alteração no texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, cujos efeitos imediatos atingiram o auto de infração, de modo a livrála da sanção, porque mais benéfica que a legislação anterior; 13) com fulcro nos argumentos que expõe, defende que o auto de infração ofende as normas jurídicas em vigor à época dos fatos, o que traz a reboque a configuração do crime de excesso de exação previsto no Código Penal pátrio, em razão da cobrança de valores cuja carência de apoio legal não é desconhecida pelo os agentes do Fisco; 14) adicionalmente, elucida que a RFB é o órgão responsável pela restituição dos impostos e contribuições com destinação constitucional prevista para os cofres da União; 15) nesse rumo, sinaliza para o fato de que o empréstimo compulsório sobre energia elétrica fora instituído pela Lei nº 4.156, de 1962, e é considerado um tributo federal, uma vez que a Lei nº 2.308, de 1954 dispôs no sentido de que 40% (quarenta por cento) do total arrecadado a esse título destinavase à União; 16) portanto, adverte, sendo incontroversa a solidariedade entre a União e a Eletrobras, o contribuinte pode satisfazer sua pretensão mediante cobrança da devolução a qualquer dos devedores, sem benefício de ordem; 17) nessa linha de raciocínio, salienta que poderia intentar a restituição do empréstimo compulsório em espécie em face do que prevê o parágrafo 11 do artigo 4° da Lei n° 4.156/62, que estabeleceu o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do sorteio ou do vencimento das obrigações, para o consumidor de energia elétrica entregar os originais de suas contas, devidamente pagas, à Eletrobras; 18) no entanto, considerando a solidariedade entre os supracitados devedores, optou por exigir o resgate à União, fato que atrai a atuação da RFB, pela competência legal que lhe é própria, enquanto administradora de todos os impostos e contribuições que competem à União; 19) em seguida, ao coligir doutrina do Direito Tributário e julgados proferidos pelo STF, planeja atestar a existência de entendimento consolidado a respeito da natureza jurídica dos empréstimos compulsórios recolhidos em prol da União. Nesse cenário, ressalta que a própria obrigação da Eletrobras traz em seu bojo a compulsoriedade da subscrição da emissão das cautelas mediante contribuições pagas pelos consumidores de energia elétrica; 20) tais obrigações emitidas ao portador esclarece não caracterizam pagamento do empréstimo compulsório, mas, sim, uma promessa de pagamento conversível Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 230 7 em ações preferenciais da Eletrobras, o que jamais aconteceu com as Obrigações objeto do presente pedido de restituição; 21) à luz dessa assertiva, menciona que os portadores de tais Obrigações são credores da sociedade emissora. No caso em testilha, em razão da previsão legal que estipula a responsabilidade solidária da União, o portador também constituiuse credor do ente estatal federal; 22) nessa prumada, manifesta que a Obrigação juntada ao pedido de restituição não fora reembolsada por qualquer dos devedores solidários (Eletrobras e União), a lhe conferir e preservar, por decorrência, o direito de restituição e compensação administrativas nos termos das Leis 9.430/96 e da Instrução Normativa n° 460/2004, uma vez definido que tanto os débitos como os créditos, in casu, conservam a natureza tributária; 23) por todo o exposto, clama pela ilação de que há direito creditório reconhecível por este Conselho em face do portador das Obrigações da Eletrobras, sob pena de caracterizarse a negação do Estado Democrático de Direito, porquanto, se resultar da decisão, afinal, a conclusão de que ao Estado não há exigibilidade para suas obrigações, ao particular, analogicamente, serão estendidas idênticas razões; 24) avançando nesse tópico, alerta para o fato de que a instância a quo desconsiderou o princípio da vedação ao confisco, malgrado a percepção de que a cobrança coativa de quantias sob a máscara de tributos, para restituílas na forma e no tempo em que o Fisco julgar convenientes, rompe a barreira da razoabilidade e fere o principio da moralidade; 25) noutro rumo, resgatando a redação do artigo 124, inciso II e parágrafo único do CTN, e do artigo 4°, § 3°, da Lei n° 4.156, de 1962, profere que são despiciendas as alegações aventadas pela autoridade administrativa, em face da disciplina legal que fixou a responsabilidade solidária entre a União e a Eletrobras, em qualquer hipótese, o que a faz ressaltar o caráter sofismático das conclusões emanadas do Fisco, ao valerse da própria torpeza e do abuso da prerrogativa da autotutela para declinar, em concreto, de sua competência administrativa, e assim sentenciar que o crédito imanente às Obrigações ao portador, emitidas pela Eletrobras, não se reveste de natureza tributária; 26) no ponto, observa que parcela dos recursos provenientes dos empréstimos compulsórios de que trata a Lei no 4.156/1962 foi destinado aos cofres da União, em sintonia com o artigo 5º da Lei n° 2.308/1954, o que acarretou perda patrimonial involuntária à estatal e enriquecimento à União, com o ingresso de receitas ao erário, tudo a embasar, em última Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 231 8 análise, a convicção de que o órgão responsável pela administração das receitas da União também é o responsável para decidir o pedido de restituição de empréstimos compulsórios; 27) também reforça que suas assertivas dos itens 28 e 29 podem ser traçadas pela observância (i) da Instrução Normativa SRF n° 47, de 1999 — Anexo 4, que autoriza o oferecimento de Obrigações da Eletrobras (código 4201) em garantia de provisões técnicas ao Programa do PIS/PASEP e COFINS, considerando tal ativo como garantidor, e (ii) das disposições contidas na Medida Provisória n° 2.15845, de 24/08/2001, que autoriza a União (artigo 9°), até o limite de R$ 19.000.000.000 (dezenove bilhões de reais), a receber os créditos de outras Obrigações da Eletrobras, em dação de pagamento; 28) ainda, ao interpretar o artigo 73 da Lei n° 9.430/1996, destaca que a utilização de créditos do contribuinte e a extinção de seus débitos tributários, por meio de um encontro de contas, devem ser efetuadas em procedimento interno da RFB. Nessa toada, complementa seus argumentos com a previsão contida no artigo 7º do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de acordo com o qual o Ministro da Fazenda atribuiu ao órgão a competência para o julgamento de pedidos de restituição relacionados a empréstimos compulsórios, carreando decisão proferida em 02/12/2003, da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo objeto versou sobre a restituição do empréstimo compulsório instituído pelo DecretoLei n° 2.288, de 1986; 29) continuando, aduz que o entendimento esposado pela atual jurisprudência do Pretório Excelso cristalizouse na compreensão de que as Obrigações referentes à Lei nº 4.502/1962 são originárias de empréstimo compulsório de que União Federal é responsável solidária pelo seu pagamento, circunstância que não foi refutada pela autoridade administrativa; 30) no passo seguinte, ao realçar citação de decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes, infere, ante o fato de que a instância julgadora administrativa superior declarou se competente para julgar conflitos referentes a empréstimos compulsórios, que a unidade administrativa de jurisdição do contribuinte, similarmente, deve julgar litígios administrativos que versem sobre créditos provenientes da Eletrobras, sendo, portanto, defeso manifestarse incompetente para apreciar tal matéria; 31) em outra trilha, combate o argumento de que a RFB só pode restituir valores que tenham sido recolhidos por DARF, face à circunstância de que a criação da obrigação relativa ao empréstimo compulsório para a Eletrobrás data de 1962, enquanto a criação do DARF data de 1974. Alude, nesse plano, ao Decreto 52.888, de 1.963, que determinou o Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.001060/200833 Resolução nº 1301000.337 S1C3T1 Fl. 232 9 recolhimento desse empréstimo em guia especial, conjuntamente com o Imposto Único de Energia Elétrica, que era administrado pela RFB, sem deixar de trazer à discussão a importante observação segundo a qual a União obteve benefícios com as receitas arrecadadas a título de empréstimo compulsório, conforme revela a Lei nº 5.073, de 1966; 32) por fim, contesta o raciocínio da instância a quo, quando esta assinalou que a RFB não tem vinculação com a União, ao intento de se desvencilhar da atribuição de restituir o empréstimo compulsório em tela, afinal o órgão referido integra a estrutura do Ministério da Fazenda e é o responsável pela administração de todos os tributos com destinação constitucional. Diante do relatado, requer que seja conhecido e provido o Recurso Voluntário, decretandose, preliminarmente, a nulidade do acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo, e, caso não seja esse o entendimento deste Colegiado, que se julgue improcedente o auto de infração, no mérito. Requer, outrossim, que a decisão, nos moldes do artigo 31 do Decreto n° 70.235/ 1972, refirase expressamente às razões de defesa suscitadas pelo manifestante, contra todas as exigências, sob pena do malsinado cerceamento de defesa. É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na verificação da regularidade da interposição do Recurso Voluntário, anotouse a inexistência de instrumento de mandato mediante o qual foram outorgados os poderes de representação aos advogados que assinam a peça de defesa, à fl. 201. Diante disso, propõese CONVERTER o julgamento em diligência, devolvendose o feito à repartição de origem para que se intime a Recorrente a comprovar a outorga de poderes de representação aos advogados que assinam o Recurso Voluntário (fls. 201). (documento assinado digitalmente) FLÁVIO FRANCO CORRÊA Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13839.003637/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
LEI Nº 10.174/2001. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, nem se discutir a aplicabilidade retroativa ou não da Lei Complementar nº 105/2001, quando o próprio Contribuinte fornece os extratos bancários à fiscalização.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. A simples alegação de que não há relação natural entre a existência de depósitos de origem não comprovada e a omissão de receitas não é suficiente para afastar a presunção relativa criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES PEQUENOS. DESCONSIDERAÇÃO. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO. Uma vez inobservada a obrigação acessória, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor de R$ 7.800,00, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento em maior extensão.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
EDITADO EM: 01/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARTIN DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. “O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” (Súmula CARF nº 35). QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, nem se discutir a aplicabilidade retroativa ou não da Lei Complementar nº 105/2001, quando o próprio Contribuinte fornece os extratos bancários à fiscalização. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. A simples alegação de que não há relação natural entre a existência de depósitos de origem não comprovada e a omissão de receitas não é suficiente para afastar a presunção relativa criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES PEQUENOS. DESCONSIDERAÇÃO. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF nº 61) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO. Uma vez inobservada a obrigação acessória, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 36 37 /2 00 2- 17 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor de R$ 7.800,00, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento em maior extensão. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. EDITADO EM: 01/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARTIN DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Em breves traços, tratase de lançamento de ofício que aponta como infração a omissão de rendimentos baseada em depósitos de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/1996). Insatisfeito, o Contribuinte apresentou impugnação e, após a manutenção integral do lançamento pela DRJ, recurso voluntário argumentando pela irretroatividade da Lei nº 10.174/2001 e da Lei Complementar nº 105/2001, entre outros argumentos. Feito o breve resumo, passamos ao relato pormenorizado do processo. Conforme o auto de infração (fls. 111/117), a autoridade fiscal constituiu crédito fiscal a título de IRPF o total de R$ 35.971,40, além de juros e multa de 75%. O lançamento, realizado em 12/11/2002, foi baseado nos seguintes fatos: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 205 3 “001 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeiras(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação bancária, Termos de Intimação, respostas aos mesmos, tudo consignado no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, anexo. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: art. 42 da Lei nº 9.430/96; art. 4º da Lei nº 9.481/97; art. 21 da Lei nº 9.532/97” No Termo Conclusivo de Ação Fiscal (fls. 107/110), a autoridade fiscalizadora explicou que: · A fiscalização se limitou ao anocalendário de 1998, tomando a análise da movimentação financeira a partir das informações oriundas do CPMF; · O Contribuinte apresentou os extratos bancários de suas contas no anocalendário de 1998; e · O lançamento se restringiu aos valores creditados e não comprovados. Cientificado pessoalmente em 12/11/2002 (fl. 113), o Contribuinte apresentou Impugnação em 12/12/2002 (fls. 124/148 e docs. anexos fls. 149/150), alegando em síntese: 1. Ter havido nulidade da autuação, uma vez que se baseou em prova ilícita: · O fisco extrapolou sua competência, uma vez que a Lei Complementar nº 105/2001 é de 11/01/2001, mas a fiscalização teve acesso aos extratos bancários de período anterior, especificamente do anobase de 1998; · Que à época, apenas o poder judiciário poderia permitir acesso a tal informação; · Que é inquestionável a irretroatividade das leis pátrias; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 · Ainda que a LC nº 105/2001 tivesse efeitos retroativos, a fiscalização não respeitou as regras estabelecidas no Decreto nº 3.724/2001, que regulamenta a referida LC, no momento em que solicitou diretamente ao Contribuinte as informações sobre suas contas bancárias. · Que o Contribuinte apresentou as contas correntes por se sentir coagido; e · Ainda que o Contribuinte tenha apresentado as contas correntes, o Fisco não poderia têlas analisado em razão do sigilo bancário. 2. Depósito bancário não sustenta a presunção legal de omissão de rendimentos: · Que a presunção não pode ser resultado da iniciativa criativa do legislador, devendo estar apoiada, isso sim, na repetida e comprovada correlação natural entre o fato conhecido e o fato desconhecido; · Que há precedentes do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no sentido de que a mera observação de depósitos bancários não é fato gerador do imposto de renda; · Que a súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos (TFR) também afasta o lançamento arbitrado exclusivamente em extratos ou depósitos bancários; e · Que aceitar tal presunção significa transferir todo o ônus probatório para o Contribuinte, o que é demasiado oneroso. 3. Ter comprovado a origem dos depósitos bancários: · Que parte dos créditos advieram de doações de seu genitor; · Que, sendo dentista, era normal receber de seus pacientes o valor integral dos procedimentos, repassando a terceiros (auxiliares em cirurgias, outros dentistas, fabricantes de próteses) as suas respectivas remunerações; · Que vendeu carro (recebendo, portanto, o seu pagamento), e encerrou uma empresa; Analisando o processo, o acórdão DRJ/SPOII nº 1727.622 (fls. 153/170), de 24/09/2008, manteve integralmente o lançamento realizado. A referida decisão restou assim ementada: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 206 5 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Os extratos que serviram de base para o lançamento do imposto foram providenciados pelo próprio contribuinte em atendimento à intimação fiscal expedida, não havendo que se falar em quebra de sigilo bancário, tampouco em necessidade de autorização judicial nessa circunstância. OBTENÇÃO DE PROVA. LICITUDE. A obtenção dos extratos de movimentação bancária junto ao contribuinte, em procedimento fiscal regularmente instaurado, sem colisão com o disposto no Decreto 3.724, de 2001, confere licitude às provas utilizadas para o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lançamento Procedente.” Os fundamentos para a decisão foram os seguintes: 1. Reserva de jurisdição sobre o sigilo bancário: · A Lei nº 9.311/1996, alterada pela Lei nº 10.174/2001, permite ao Fisco obter e utilizar informações relativas ao CPMF; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 · Os dados do CPMF foram utilizados apenas para instaurar o procedimento de fiscalização; · O lançamento foi realizado com base nos extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte, não havendo que se falar em quebra de sigilo bancário ou de requisição às instituições financeiras; 2. Da aplicação retroativa da LC nº 105/2001: · A fiscalização não precisou recorrer à LC nº 105/2001 porquanto os dados bancários foram fornecidos pelo próprio Contribuinte; 3. Do Decreto nº 3.724/2001: · A solicitação de esclarecimentos, pela autoridade fiscal ao Contribuinte, não está sujeita ao Decreto nº 3.724/2001, mas sim ao Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99); · Somente as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) realizada diretamente perante as instituições financeiras é que estão regulamentadas pelo referido Decreto de 2001; · Uma vez que o próprio Contribuinte forneceu os dados bancários, não houve necessidade de recorrer às instituições financeiras; 4. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada: · A presunção de omissão de renda é estabelecida apenas em relação aos depósitos bancários que o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem; · Se o depósito não constitui renda, pode sim o Contribuinte comprovar a sua origem, não se tratando de prova impossível; pelo contrário, o Contribuinte tem obrigação de guardar a documentação relacionada às suas operações econômicofiscais; · A presunção é juris tantum; gera, efetivamente, inversão do ônus da prova, podendo ser afastada pelo Contribuinte; · A jurisprudência colacionada é decorrente de momento anterior à Lei nº 9.430/1996; · E que a administração pública não pode questionar a Lei, sendo obrigada a seguila; se Contribuinte deseja afastar a aplicação da Lei, deve recorrer ao Poder Judiciário; 5. Da comprovação da origem dos depósitos: · Não tendo informado as doações nas Declarações do IRPF, deve o Contribuinte apresentar prova inequívoca de que os valores depositados em sua conta efetivamente representam doações paternas, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 207 7 não sendo a declaração materna e a coincidência de datas e valores suficiente; e · O Contribuinte não apresentou provas: (i) de que repassava os valores recebidos de seus pacientes pelas consultas de dentista; (ii) que que recebeu recursos provenientes da venda do carro ou do encerramento da empresa. Intimado do acórdão da DRJ em 17/10/2008 (fl. 174), o Contribuinte, insatisfeito, apresentou Recurso Voluntário (fls. 175/199), alegando, em suma: · Reserva de jurisdição sobre o sigilo bancário (irretroatividade da LC nº 105/2001); · Que o art. 38 da Lei nº 4.595/1964 impedia a obtenção dos dados da CPMF sem autorização judicial; · Que o art. 11 da Lei nº 9.311/1996 vedava a utilização de informações da CMPF para constituir outros créditos tributários; · Que a Lei nº 10.174/2001 – que autorizou a utilização das informações do CPMF – não poderia retroagir; · Que o Contribuinte não entregou espontaneamente os extratos, mas o fez sob coação de que a Receita Federal requisitasse diretamente às instituições financeiras; · Que não pode ser aceita a presunção de omissão de receita simplesmente pela ocorrência de depósitos bancários (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), indicando, inclusive, o DecretoLei nº 2.471/1988, a Súmula nº 182 do extinto TFR e acórdão do 1ª CC, datado de 2004; · Que inexiste Lei obrigando o Contribuinte, pessoa física, a manter escrituração contábil, tornando assim impossível produzir as provas exigidas pela fiscalização; · Que cabia à fiscalização, além de demonstrar os depósitos bancários, evidenciar sinais exteriores de riqueza; · Que o Contribuinte comprovou boa parte dos depósitos; · Que o próprio art. 42, da Lei nº 9.430/1996, em seu §3º, estabelece que, nos casos de Pessoas Físicas, não serão analisados créditos de valor individual inferior a R$ 12.000,00, regra repetida na IN SRF nº 246/2002; e · Que não devem ser cobrados juros moratórios sobre a multa de ofício. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 8 É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Uma vez que conhecemos do recurso, passamos à análise das questões suscitadas: · É possível usar as informações do CPMF para instaurar processo de fiscalização de IRPF referente a exercício anterior à entrada em vigor da Lei nº 10.174/2001? · É permitido ao fisco analisar os extratos de contas correntes fornecidos pelo próprio contribuinte, independentemente de processo judicial ou da LC nº 105/2001? · É possível afastar a aplicabilidade da presunção de omissão de receitas nos depósitos bancários não explicados (art. 42 da Lei nº 9.430/1996)? · É possível desconsiderar valores depositados em valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais)? É aplicável o limite de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) ao ano? · A origem dos depósitos foi comprovada? o Doações paternas; o Sendo dentistas, repasse a terceiros de pagamentos feitos por clientes; o Alienação de carro; o Encerramento da empresa; o É possível aplicar juros sobre a multa? Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 208 9 DA UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES DA CPMF: Segundo o Contribuinte, a autoridade fiscalizadora extrapolou suas competências, aplicando retroativamente o comando da Lei nº 10.174/2001. Explicou que, até o advento dessa Lei, a Fazenda Nacional estava proibida de utilizar as informações obtidas no lançamento da CPMF para constituir qualquer outro tributo. Admite que o novo Diploma Legal alterou a Lei nº 9.311/1996, ampliando os poderes da administração pública, mas argumenta que não se restringe a mera regra procedimental, tratandose de verdadeira regra material, o que afastaria os preceitos do art. 144, §1º, do CTN. O lançamento ora analisado se refere ao anocalendário de 1998; sendo anterior à entrada em vigor dessa nova Lei, o Recorrente defende que a administração pública não poderia utilizar os dados da CPMF para inaugurar a fiscalização. A verdade é que o CARF já tem jurisprudência consolidada no sentido de que essa Lei tem sim aplicabilidade retroativa. Foi editada, inclusive, súmula estabelecendo o entendimento: Súmula CARF nº 35: “O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Ainda que assim não fosse, o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa tese em sede de Repercussão Geral, no Tema nº 225. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e definiu por maioria de votos a seguinte tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN” Em suma, seja pela decisão do STF, seja pela súmula do CARF, fazse necessário reconhecer a retroatividade da norma insculpida na Lei nº 10.174/2001, sendo necessário afastar a nulidade suscitada. DO SIGILO BANCÁRIO O Recorrente alega ainda que a Lei Complementar nº 105/2001 não poderia ter efeito retroativo e, consequentemente, a autoridade fiscalizadora não estaria autorizada a Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 10 analisar os extratos bancários do Contribuinte referentes ao anocalendário de 1998 sem autorização judicial, mesmo que ele os tenha fornecido. Equivocase duplamente o Recorrente. Da Retroatividade da Lei Complementar nº 105/2001: A verdade é que, a despeito de nossas ressalvas pessoais referentes à adequação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no mesmo RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Ademais, o STJ já se pronunciou especificamente acerca da possibilidade de aplicação retroativa da referida LC, concluindo tratarse exatamente da hipótese do art. 144, §1º, do CTN. Fêlo em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1134665/SP, que restou assim ementado: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. (...) 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). (...) 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 209 11 de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). (...) 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. (...) 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 12 (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Curioso anotar, inclusive, que o caso analisado naquele Tribunal judicial é bastante parecido com a situação fática dos presentes autos: fiscalização do anocalendário de 1998 em decorrência de informações obtidas por meio da CPMF. Nos termos do art. 62, §2º, do RICARF, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, como é o caso. Nessa esteira, já tendo o STJ se pronunciado sobre a questão – determinando que a LC nº 105/2001 pode sim ter efeitos retroativos – não há como reconhecer qualquer irregularidade na forma do lançamento. Da não aplicação da Lei Complementar nº 105/2001 ao caso concreto: Ainda que tivesse razão o Contribuinte na questão da irretroatividade da LC nº 105/2001, é necessário apontar que, como bem fundamentou o acórdão recorrido, foi o próprio Contribuinte quem apresentou os extratos bancários, não havendo que se falar em quebra do sigilo bancário. O Recorrente argumentou, em sua defesa, que somente apresentou a documentação porquanto se sentiu coagido, frente à forma como foi redigido o Termo de Início de Fiscalização (fl. 6). Efetivamente, a autoridade fiscalizadora afirma ali que, se os extratos não fossem fornecidos pelo próprio contribuintes, seriam requeridos diretamente às instituições financeiras, por meio da quebra do sigilo bancário. Ainda assim, não altera o fato de que foi o próprio contribuinte quem apresentou as provas utilizadas para o lançamento. Ao fazêlo, abriu mão de seu sigilo bancário; não concordasse com a exigência, poderia ter recorrido às vias judiciais para ver seu direito (ao sigilo bancário) protegido. Assim, não havendo aplicação da LC nº 105/2001, e inexistindo Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), impossível exigir que a autoridade fiscal aplicasse o Decreto nº 3.724/2001. Interessante observar, de qualquer forma, que a autoridade fiscal – em que pese não tenha afirmado expressamente qual dos incisos do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 utilizaria fundamentou no Termo de Início de Fiscalização a possibilidade da quebra do sigilo bancário na “incompatibilidade entre a movimentação financeira e os valores declarados na Declaração de Ajuste Anual”, fundamentação essa que se aproxima, sobremaneira, do inciso V: “realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível”. Portanto, necessário concluir que não houve quebra de sigilo bancário, não sendo necessário aplicar as regras constantes na LC nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS – ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 210 13 O Recorrente buscou argumentar em desfavor do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, explicando que não havia relação natural na presunção ali estabelecida, e que a inversão do ônus da prova em desfavor do Contribuinte era inaceitável. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22 092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando sobre a matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. DA DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES DEPOSITADOS INFERIORES A R$ 12.000,00 E R$ 80.000,00: Até como forma de fundamentar o peso que é a inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte, estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o Recorrente indica o §3º, II, desse mesmo comando legal, buscando cancelar assim o lançamento. Conforme argumenta, o limite de R$ 80.000,00 não deve ser aplicado, uma vez que a Lei reconheceu a dificuldade de o Contribuinte lembrar a origem de cada um dos depósitos, especialmente aqueles de pequena monta – aqueles em valor inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 14 Mais uma vez, não podemos dar provimento ao pedido do Recorrente em razão da existência de jurisprudência consolidada neste e.CARF. É o que se observa a seguir: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Convém, inclusive, analisar um dos acórdãos que serviram de precedente para a referida súmula: Acórdão CARF nº 210200.252, de 30/07/2009: “No caso da pessoa física, a Lei acima simplesmente assevera que não devem ser considerados como rendimentos omitidos os depósitos abaixo de R$ 12.000,00, desde que seu somatório não exceda R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Inegavelmente, tratase de uma benesse legal que exclui um conjunto definido de depósitos bancários da presunção legal, devendo tal benesse ser reconhecida em qualquer instância, sempre que houver depósitos dentro de tais limites, já que a lei os considera não passíveis de incidência na presunção em foco. Obviamente, ainda que haja depósitos de origem não comprovada de valor superior a R$ 12.000,00 no ano calendário, aqueles de valores inferiores a este limite citado e cujo somatório não excedam R$ 80.000,00 devem ser excluídos da tributação, remanescendo apenas a omissão de rendimentos dos depósitos que excedam R$ 12.000,00. A Lei não excluiu da benesse o contribuinte que tem depósitos dentro dos limites acima e que detém também depósitos de maiores valores. Casso assim se procedesse, como exemplo, um contribuinte que tivesse 80 depósitos de R$ 1.000,00 e um depósito de R$ 12.001,00 estaria obrigado a comprovar todos os depósitos. Não há razoabilidade nesta última interpretação. Este último contribuinte deve ser obrigado a comprovar, apenas, a origem do depósito de R$ 12.001,00, sendolhe deferido a benesse legal em relação aos demais. A benesse em destaque deve ser interpretada objetivamente, ou seja, sempre que houver depósitos dentro dos limites legais, deve ser deferida.” Enfim. É, efetivamente, um ônus grande para o Contribuinte manter a documentação e indicar especificamente as provas para cada lançamento, especialmente Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 211 15 quando não é obrigado a manter livrocaixa. Exatamente por isso é que o legislador ofereceu a benesse fiscal – buscando mitigar a obrigação de comprovar a origem dos recursos e afastando os valores considerados pequenos. Contudo, não se aplicando um limite, o Contribuinte poderia omitir valor qualquer valor, simplesmente realizando diversos depósitos pequenos, ao invés de um único depósito grande. Assim, exatamente para evitar essa distorção, é que se estabeleceu o limite anual de R$ 80.000,00 para a dispensa dos valores pequenos: se os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 somarem mais do que R$ 80.000,00 ao ano, a benesse fiscal não pode ser aplicada, devendo ser comprovada a origem de todos os valores. Ressaltamos, ademais, que os valores de referência são R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00 em função da Lei nº 9.481/1997, que aumentou o teto em relação aos valores originalmente insculpidos no art. 42, §3º, II da Lei nº 9.430/1996. No caso concreto, ainda que nenhum dos depósitos tenha sido em valor superior a R$ 12.000,00, a verdade é que foram identificados um total de R$ 134.158,08 (fl. 109 e 111) em depósitos cuja origem o Recorrente não logrou comprovar à autoridade fiscalizadora. Consequentemente, incabível a aplicação do benefício fiscal contido no art. 42, §3º, II, da Lei nº 9.430/1996. DA COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS: O Recorrente afirma, ainda, ter comprovado a origem dos depósitos feitos em sua conta corrente. Divideos em quatro categorias: (i) doações paternas; (ii) sendo dentistas, repasse a terceiros de pagamentos feitos por clientes; (iii) alienação de carro; e (iv) encerramento de uma empresa. A verdade, contudo, é que apresentou provas simplesmente em relação ao primeiro desses itens. Os demais, em que pese tenha afirmado na impugnação, apresentada em 12/12/2002, que os “documentos serão juntados ao processo em questão, tão logo sejam providenciados” (fl. 147), não o fez até a data do julgamento na DRJ, em 24/09/2008. Tampouco juntou tais documentos em sede de Recurso Voluntário, protocolado em fins de 2008, ou desde então, até esse ano de 2016. Em relação aos valores que afirmou ter recebido como doação, é interessante anotar o que a própria autoridade fiscalizadora registrou no Termo Conclusivo da Ação Fiscal: “Juntos foram apresentados os extratos bancários em nome do pai do fiscalizado, Sr. Carlos Domingues de Oliveira, também da NOSSA CAIXA, agência 00817, conta corrente nº 002.9350, na tentativa de comprovar doações do pai ao filho nas seguintes datas e valores: 01/abril/1998 = R$ 2.500,00 17/abril/1998 = R$ 1.000,00 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 16 14/maio/1998 = R$ 1.500,00 07/outubro/1998 = R$ 2.000,00 19/outubro/1998 = R$ 800,00 Em que pese a correspondência de datas e valores de créditos na conta corrente nº 004.7935, da NOSSACAIXA, agência 00817, tal coincidência desprovida de outras provas mais contundentes, não possibilita a sua aceitação, até porque, nada constou da declaração apresentada pelo ora fiscalizado, tampouco da declaração do doador, conforme pesquisas internas feitas nos controles da Receita Federal. Ademais, ainda que não declaradas pelo doador e o donatário, se elas materialmente tivessem existido, agora era o momento oportuno de assim demonstrar, apresentando documento firmado pelo doador de que efetivamente efetuou tais doações, que lhes foram possíveis pelas disponibilidades que possuía, configurando em definitivo aquela manifestação de vontade unilateral do doador. Mais ainda, documentos obtidos diretamente da NOSSACAIXA possibilitariam comprovar definitivamente e de forma inequívoca, trataremse realmente dos mesmos valores, datas e pessoas. Por tudo, não serão aceitas tais comprovações de créditos.” – fls. 108/109. Em outras palavras, a autoridade lançadora reconhece que 5 (cinco) depósitos, perfazendo um total de R$ 7.800,00 (sete mil e oitocentos reais), coincidem com movimentações de saída das contas do genitor. O motivo que justifica a sua negativa é a ausência de comprovação de que os valores foram depositados a título de doação pelo pai, frente à não apresentação de contrato ou de outro documento atestando tal fato. Diante da afirmação, o Contribuinte explicou que o genitor havia falecido, mas apresentou declaração da mãe, ratificando trataremse de doações (fl. 150). Pois bem. A relação entre pai e filho raramente é pautada pelas formalidades exigidas para a comprovação dos negócios jurídicos. Em geral, exatamente como consequência da confiança mútua, os tratos são feitos de maneira verbal ou mesmo implícita. Consequentemente, não é de se estranhar que inexistam documentos atestando a contratação da doação. Ademais, conforme nos ensina Orlando Gomes, a “doação pode ser feita: a) verbalmente; b) por instrumento particular; c) por escritura pública. A primeira forma só se admite nas doações de coisas móveis de pequeno valor”1. Assim, nada impede que os valores tenham sido efetivamente doados pela simples declaração verbal. Em suma, as situações do caso concreto – coincidência entre os valores e datas; a relação de filiação entre o creditante e o creditado; a declaração materna – reúnem indícios suficientes para convencer que pode ter havido doação. De outro lado, inexistem quaisquer provas ou indícios que afastem tal crença. 1 GOMES, Orlando, Contratos, 26ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 2009, p. 258. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 212 17 Por essa razão, aceitamos como provados os depósitos indicados no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, perfazendo o total de R$ 7.800,00 (sete mil e oitocentos reais), os quais deverão ser deduzidos da base de cálculo do lançamento. DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA: Por fim, o Contribuinte pleiteia em seu recurso o afastamento da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. Argumenta que os juros moratórios servem para remunerar o débito decorrente do tributo, exclusivamente, uma vez que esse é o valor que a Fazenda Nacional esperava receber. A multa de ofício, sendo punição, está fora do escopo do orçamento planejado, razão pela qual dispensa os juros moratórios. Ademais, aceitar aplicação dos juros sobre a multa de ofício não difere de aceitar a incidência dos juros sobre a multa moratória, algo que, segundo ele, é inconcebível e não é aplicado pela administração tributária. Não assiste razão ao pleito do Recorrente. Em que pese a argumentação levantada pela Contribuinte, o CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Muitos dos acórdãos que embasaram tais súmulas tratam de “crédito tributário”, sem distinguir se se referem aos exclusivamente àqueles decorrentes de tributos ou a todos os crédito. Citamos: “JUROS DE MORA — TAXA SELIC — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 18 percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.” (Acórdão nº. 10412.935) Interessante, sobretudo, é o acórdão nº 30130.738, em cujo voto se afirmou que: “São várias as jurisprudências no sentido de que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o que no caso em questão não ocorreu. Portanto, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral do crédito tributário, tornase cabível a exigência formalizada na notificação de lançamento de fls. 01/05, no que concerne aos juros de mora.” Ora, somente o depósito do valor integral do crédito tributário é suficiente para suspenderlhe a exigibilidade e consequentemente a aplicação dos juros. Neste “crédito integral” a ser depositado, necessariamente está incluso o valor da multa. De outro lado, analisando o Código Tributário Nacional, saltam aos olhos o art. 139 que, combinado ao art. 113 do mesmo diploma, sustentam a nossa posição: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também de eventuais penalidades pecuniárias. Consequentemente, o entendimento sumulado, compreendendo o crédito tributário lançado indistintamente, abarca tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Há outros julgados que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 13839.003637/200217 Acórdão n.º 2202003.392 S2C2T2 Fl. 213 19 constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011) No mesmo sentido já se pronunciou também o STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência de juros sobre a multa de ofício, não sendo possível dar provimento ao recurso do contribuinte nesse quesito. DISPOSITIVO: Diante de tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a base de cálculo do tributo lançado em R$ 7.800,00, em decorrência da comprovação de parte dos depósitos feitos nas contas correntes, nos termos do voto acima. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 20 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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