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Numero do processo: 16682.721095/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA HOLDING. LAUDO COM BASE NO RESULTADO DA EMPRESA OPERACIONAL COLIGADA.
Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Se a empresa holding detém participação na empresa operacional com base na qual foi elaborado o laudo de avaliação, o resultado dessa última se refletirá naquela na mesma proporção.
Numero da decisão: 1402-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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EMPRESA HOLDING. LAUDO COM BASE NO RESULTADO DA EMPRESA OPERACIONAL COLIGADA. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Se a empresa holding detém participação na empresa operacional com base na qual foi elaborado o laudo de avaliação, o resultado dessa última se refletirá naquela na mesma proporção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 95 /2 01 3- 30 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de autos de infração em face da pessoa jurídica REPSOL SINOPEC BRASIL S.A., referentes aos anos de 2008 e 2009, para a exigência de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 61.847.545,56, bem como a redução de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, nos montantes de R$ 113.701.862,84 e R$ 116.196.533,61, respectivamente. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL : Segundo o agente fiscal, a REPSOL, empresa fiscalizada, deduziu indevidamente, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização de ágio, nos anos de 2008 e 2009, no montante de R$ 72.365.897,62, em cada ano. Ressalta a autoridade fiscal que o ágio foi derivado da incorporação da empresa REFISOL S.A, pela fiscalizada, em 07/06/2002, e que a incorporada detinha como único patrimônio 30% das ações da Refinaria Alberto Pasqualini REFAP S.A., as quais foram transferidas para a fiscalizada com o advento da citada incorporação. Assevera que o único propósito da REFISOL foi servir de veículo para a transferência de 30% do capital social da REFAP para a fiscalizada, pois “(...) A REFISOL não tinha outro ativo, nem fatores de produção, logo o ágio não poderia ter como fundamento econômico a previsão de resultados futuros, como, de fato, não teve, pois o laudo de avaliação comprova que a perspectiva de resultados futuros está fundada no desempenho da Alberto Pasqualini REFAP S.A.” Destaca o autor do procedimento que a BDO Directa Auditores, responsável pelo laudo, efetuou a avaliação da REFISOL, em 30 de setembro de 2001, em R$ 861.322.000,00, e que a própria fiscalizada justificou "a finalidade de estabelecer um valor de referência, face à necessidade de transferir 30% das referidas ações (da Alberto Pasqualini REFAP S.A.) para a Refisol S.A. para a posterior troca de ativos com a Repsol YPF Brasil S.A., como parte do acordo firmado entre a Repsol YPF SA., Repsol YPF Brasil S.A. e Petróleo Brasileiro S.A, Petrobrás Distribuidora S.A.BR e Downstream Participações S.A." Ressalta o agente fiscal que a Downstream (holding, controlada pela Petrobrás S.A, que possui como ativos a empresa REFAP) foi criada em 27/11/2000 para facilitar a permuta de ativos entre a Petrobrás S.A. e a RepsolYPF. A REFISOL, por sua vez, foi constituída em 22/11/2000, e tem como objetivo a participação no capital social de outras empresas. Em 06/02/2001, a Downstream transferiu 81.571.776 ações do capital social da REFAP para a REFISOL, a título de integralização de aumento de capital no valor de R$ 81.570.776,00. As ações transferidas correspondem a 30% do capital social da REFAP. A fiscalizada, por seu turno, com a aludida incorporação da REFISOL, efetuou o competente registro contábil, com o lançamento de ágio de R$ 723.658.976,22 que vem sendo amortizado à razão de 10% ao ano. Aduz o auditor fiscal que os ajustes de equivalência patrimonial têm como premissa a neutralidade tributária e que, nesse contexto, é que deve ser interpretado o art. 386, inciso III, do RIR/1999. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721095/201330 Acórdão n.º 1402002.190 S1C4T2 Fl. 618 3 Segundo o autor do procedimento, este dispositivo “tem aplicação limitada aos casos em que o acervo vertido na fusão, cisão ou incorporação venha a efetivamente contribuir para a formação dos resultados sujeitos à tributação na empresa de destino. Tal ocorre apenas quando é absorvido o conjunto de fatores de produção que gera os resultados futuros esperados que deram fundamento ao ágio.” Assevera que, no presente caso, “as atividades que geraram as expectativas de lucros futuros são todas desenvolvidas pela Refinaria Alberto Pasqualini REFAP S.A., cujo conjunto de fatores de produção permanece sob seu domínio e em nada contribui para a formação dos resultados tributáveis do interessado”, e que, como a REFISOL tinha como único elemento patrimonial os 30% das ações da REFAP, transferidos ao interessado na incorporação, restou configurada a utilização de empresa veículo, através da qual a amortização do ágio, com base em previsão de resultados futuros, é usada para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ressalta, por fim, o autuante, que em decisão em processo administrativo fiscal sobre o mesmo tema, referente a anoscalendário anteriores, a DRJ/RJ1, no Acórdão 1232.483, se posicionou a favor da procedência dos autos de infração (transcreve a ementa do acórdão). II. DA IMPUGNAÇÃO: Cientificada dos autos de infração em 08/10/2013, a contribuinte, irresignada, apresentou, em 06/11/2013, a impugnação de fls. 204/228. Ressalta que a glosa das despesas com ágio foi fundamentada na presunção de que a REFISOL seria uma mera empresa veículo, e na circunstância de que o ágio pago em sua aquisição (fundamentado em sua lucratividade futura) estaria relacionado indiretamente com as atividades desenvolvidas pela REFAP, investida da REFISOL. Protesta, de plano, a impugnante pela improcedência da conclusão da Fiscalização pelos seguintes motivos: 1) a REFISOL não foi criada pela ora autuada, nem era uma simples empresa veículo, na medida em que sua existência teve um propósito econômico, que foi a segregação de ativos a serem permutados pelo grupo Petrobrás em operação totalmente transparente, entre partes não relacionadas, independentes, e consoante valores de mercado, atestado em laudo específico para esse fim; 2) Após a aquisição da REFISOL, a impugnante, observando o art. 385 do RIR/1999, procedeu ao desdobramento do valor da aquisição, entre investimento (R$ 137.663.023,78) e ágio (R$ 723.658.976,22), sendo que o ágio teve como fundamentação a perspectiva de lucros futuros (art. 385, § 2O, II, do RIR/1999); 3) Em 2002, a impugnante procedeu à incorporação da REFISOL, razão pela qual o ágio pago na sua aquisição passou a ser amortizado, à razão de 10% ao ano; 4) O art. 386, inciso III, do RIR/1999, estabelece que a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação adquirida com ágio, cujo fundamento econômico seja o valor da rentabilidade futura, hipótese que ora se cuida, poderá amortizar o ágio em, no mínimo, 5 anos; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 5) À luz da doutrina e dos recentes precedentes do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a REFISOL não pode ser qualificada como empresa veículo; 6) A legislação tributária vigente não apresenta qualquer objeção quanto à utilização de empresas veículos, estando o contribuinte autorizado a organizar suas operações da forma que lhe parecer mais eficiente; e 7) O ágio pago pela impugnante na aquisição da REFISOL está efetivamente fundamentado na sua lucratividade futura, derivada de sua atividade, correspondente à sua participação na REFAP. A seguir, presta a impugnante diversos esclarecimentos sobre as operações que resultaram na amortização do ágio, valendo destacar os seguintes aspectos: “A REFISOL foi adquirida pela IMPUGNANTE através de permuta de ativos realizada com empresas do Grupo PETROBRÁS (PETRÓLEO BRASILEIRO S.A., DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A., e PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A. conforme documentos em anexo, Doc. N° 03), a qual, à época, foi amplamente noticiada nos jornais de grande circulação do país. Tal operação de permuta teve uma importância crucial para as empresas envolvidas: o propósito negocial da operação combinava o interesse da REPSOL da Espanha de entrar no mercado brasileiro, através de sua subsidiária no País (a IMPUGNANTE), e o do Grupo PETROBRÁS, de entrar no mercado argentino, em ambos os casos de forma sólida e competitiva. Ou seja, com a permuta de ativos realizada, se, por um lado, o Grupo PETROBRÁS adquiriu 12% do mercado argentino de combustíveis, por outro, a REPSOL YPF S.A. pôde entrar no mercado brasileiro de petróleo, através de sua subsidiária, a ora IMPUGNANTE. Como medida preparatória da permuta de ativos, a IMPUGNANTE transferiu para a empresa denominada 5283 PARTICIPAÇÕES LTDA. os ativos na Argentina, a saber: (a) 219.144.038 ações da EG3 S.A. (equivalentes a 99,6109% de seu capital social); (b) 30.000 ações da EG3 ASFALTOS (equivalentes a 1,2% de seu capital social); e (c) 2 ações da EG3 RED S.A. (equivalentes a 0,0004% de seu capital social). O mesmo se deu com o Grupo PETROBRÁS, que efetuou uma reorganização de seus ativos, com o objetivo de segregar aqueles a serem transferidos para a IMPUGNANTE. Assim é que a Refinaria Alberto Pasqualini — até então uma unidade de negócios — foi transferida para a REFAP, empresa investida da DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A. A etapa subsequente para a segregação desse ativo foi a transferência, pela DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A., para a REFISOL, de 30% do capital social da REFAP (justamente o percentual que seria objeto da permuta). A PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A. BR, por sua vez, transferiu para a empresa POSTOS ESTAÇÕES DE SERVIÇOS S.A., os ativos imobilizados e direitos contratuais de fornecimento de combustíveis, com centenas de postos de abastecimento. Nesse sentido, a PETROBRÁS publicou fato relevante, dando conta não apenas da permuta a ser celebrada com a IMPUGNANTE, mas também da reorganização prévia dos ativos a serem permutados, acima mencionada, nos seguintes termos: (...) Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721095/201330 Acórdão n.º 1402002.190 S1C4T2 Fl. 619 5 O laudo de avaliação elaborado pela BDO DIRECTA AUDITORES S/C da REFAP também explica como a DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A., empresa que permutou as ações da REFISOL com a IMPUGNANTE, antes tinha transferido 30% do capital social da REFAP para a REFISOL (Doc. N° 05): (...) Assim, a IMPUGNANTE permutou 100% das quotas da 5283 PARTICIPAÇÕES LTDA.,nas seguintes proporções: 67,5% com a DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A.;20,2% com a PETROBRAS; e 12,3% com a PETROBRAS DISTRIBUIDORA S.A. BR, recebendo, em troca: • 100% das ações da REFISOL (permutadas com a DOWNSTREAM PARTICIPAÇÕES S.A. (99,9993% do capital social), sendo que os outros 0,0007% foram recebidos pela IMPUGNANTE com a transferência da POSTOS ESTAÇÕES DE SERVIÇOS S.A.); • 10% dos direitos e obrigações sobre Albacora Leste (permutados com a PETROBRAS); e • 100% das ações da POSTOS ESTAÇÕES DE SERVIÇOS S.A. (permutadas com a PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S.A.BR (99,9847% do capital social) e com a PETROBRÁS (0,0153% do capital social)). A operação de permuta de ativos também foi avaliada e relatada no parecer elaborado pela Deloitte Touche Auditores Independentes, referente às demonstrações financeiras da IMPUGNANTE relativas aos exercícios findos em 31/12/2001 e 2002, o qual deu conta, inclusive, da forma como tais ativos foram contabilizados. (...) Prosseguindo, assevera a impugnante que nem a lei nem os dispositivos regulamentares que tratam da amortização de ágio vinculam o aferimento da rentabilidade futura à existência de fatores de produção na sociedade adquirida, mas apenas determinam que as sociedades empresárias incorporadas, fusionadas ou cindidas tenham sido adquiridas com o 6 pagamento de ágio devidamente fundamentado, para que se possa proceder à amortização do ágio. Cita ensinamentos doutrinários. A seguir, passa a suplicante a abordar o conceito de empresa veículo na ótica da atual jurisprudência do CARF. Assevera que, no caso dos autos, o propósito negocial da operação realizada combinava o interesse da REPSOL da Espanha de entrar no mercado brasileiro, através de sua subsidiária no País (a impugnante), e o do Grupo PETROBRÁS, de entrar no mercado argentino, em ambos os casos de forma sólida e competitiva. Ou seja, com a permuta de ativos realizada, para o Grupo PETROBRÁS ingressar no mercado argentino de combustíveis, e, por outro lado, a impugnante participar no mercado brasileiro de petróleo. Conclui, então, que, presente propósito indiscutivelmente empresarial, a REFISOL não pode ser considerada como uma empresa veículo. Ademais, pondera a suplicante que, ainda que a REFISOL pudesse ser caracterizada como uma empresa veículo, se aplicaria o entendimento que Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 afinal prevaleceu nos acórdãos nos 1102000.875 e 1301001.224, segundo os quais, seguindo a recente tendência do CARF, reconheceuse a legitimidade de amortização de ágio decorrente de reorganizações societárias, em que foram usadas as tais "empresasveículos". Ao final, pede a impugnante que sejam cancelados os autos de infração, restaurandose os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, e cancelandose os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF prolatou o Acórdão 0360.745, tendo com base o Acórdão 1232.583 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro em processo que analisou o impacto dessas mesmas operações nos anoscalendário de 2005 e 2006, considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 MATÉRIA JÁ DECIDIDA EM OUTRO PROCESSO. APLICAÇÃO AO PRESENTE PROCESSO. Tratandose de matéria já decidida no âmbito da primeira instância de julgamento, em outro processo administrativo, no qual foram examinados os efeitos tributários decorrentes dos mesmos atos e negócios jurídicos e concluiuse pela procedência da mesma acusação fiscal em face do mesmo sujeito passivo, não compete a esta Turma de Julgamento reabrir a discussão, não lhe cabendo outra decisão que não a de aplicar aqui o que já foi decidido lá, sob pena de a presente impugnação configurar verdadeiro pedido de reconsideração, não previsto na lei processual administrativa, mormente porque, no presente processo, não foi suscitada qualquer questão preliminar ou prejudicial de mérito, além do fato de o recurso voluntário interposto naqueles autos se encontrar pendente de julgamento. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado ratificando as razões de mérito explanadas na peça impugnatória. Argúi, em preliminar, a nulidade da decisão primeira instância por cerceamento do direito de defesa pois, ao replicar o decidido em outro acórdão, teria deixado de apreciar as razões de defesa colocadas na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721095/201330 Acórdão n.º 1402002.190 S1C4T2 Fl. 620 7 Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A argüição de nulidade da decisão de primeira instância não merece prosperar. Ainda que o acórdão tenha tomado como base o decidido em outro processo – tratando da mesma matéria – houve a transcrição das principais partes que embasaram a decisão aqui prolatada, deixando claras as razões de decidir e os pontos de divergência com a defesa. No mérito, de imediato importa registrar que, para fins de dedução das despesas com ágio, as premissas básicas a serem verificadas são: a independência entre as partes, a efetiva existência do ônus que justifique o ágio e a ausência de empresas veículo com fins exclusivamente tributários. A justificativa da Fiscalização para não aceitar a dedução das despesas com ágio voltouse para o laudo de avaliação da Refisol S/A, incorporada pela autuada. De acordo com o Fisco, tendo em vista que as atividades que geraram as expectativas de lucros futuros seriam desenvolvidas pela REFAP (da qual a Refisol detinha 30% das ações) não haveria como imputálas à Repisol pois o conjunto de fatores de produção lhe seriam estranhos. Assim, nos dizeres do Fisco, a Repisol seria meramente uma empresa veículo. Em relação às premissas para dedutibilidade a questão da independência entre as partes é incontroversa e sequer foi cogitada pela Fiscalização como limitador. A decisão recorrida reconhece tal fato (ainda que com base em acórdão proferido por outra Unidade): [...] No caso concreto, tal fato não ocorreu. A Refisol S/A não foi criada pelo interessado, mas sim pelo grupo Petrobrás, e a Refisol S/A não serviu de instrumento para transportar o ágio, mas sim, para receber um ativo segregado do grupo Petrobrás (30% da Alberto Pasqualini Refap S/A) a ser transferido para o interessado, em razão da permuta de ativos. [...] Além de registrar a independência entre as partes, a transcrição supra mostra que a decisão recorrida estabelece que a Repisol foi utilizada não para transportar o ágio mas para receber um ativo segregado da Petrobras. No meu sentir essa distinção não descaracterizaria a empresa veículo e a lide deveria ser analisada sobre esses moldes. Entretanto, a Fiscalização voltouse ao questionamento do laudo e a decisão recorrida caminhou na mesma linha e ainda ressaltou que a classificação da Refisol como empresa veículo não seria relevante, conforme transcrição abaixo: [...] Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Todavia, toda essa discussão de se a Refisol S/A poderia ser ou não classificada como “empresa veículo” é irrelevante, pois o fato é que o único propósito da Refisol S/A foi servir de instrumento para transferir 30% do capital social da Alberto Pasqualini Refap S/A para o interessado. Sendo assim, e considerando que a Refisol S/A não tinha outro ativo e nem fatores de produção, o ágio não poderia ter como fundamento econômico a previsão de seus resultados futuros, como, de fato, não teve. Como já foi abordado anteriormente, o laudo de avaliação comprova que a perspectiva de resultados futuros está fundada no desempenho da Alberto Pasqualini Refap S/A. [...] Vêse portanto que, com base na decisão recorrida, restou como questão impeditiva para a dedução o fato de que os resultados que serviriam de base para o cálculo da rentabilidade futura da Repisol pertenceriam à Refap. A meu ver, o posicionamento do Fisco – e da decisão recorrida – só teria fundamento se não existisse qualquer vínculo entre a Repisol e a REFAP. Dito de outra forma, um incremento de rentabilidade na REFAP não poderia ter qualquer impacto na Repisol. Ora, se a Repisol detém 30% da participação acionária na REFAP, os resultados dessa última se refletirão naquela na mesma proporção. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Correta a interessada em argumentar que não há restrição quanto à natureza do ativo que gerará a rentabilidade. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000003/2006-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTOS SEM CAUSA. CONTAS PATRIMONIAIS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES.
Quanto às inúmeras exigências fiscais relativas a pagamentos sem causa, todos os casos referiam-se a movimentações em contas patrimoniais. Além disso, a Recorrida comprovou os pagamentos por meio de documentos juntados à Impugnação.
PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS PATRIMONIAIS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES.
Também houve comprovação do passivo da Recorrida e, mais uma vez, ficou claro se tratar de movimentação em contas patrimoniais.
Numero da decisão: 1401-001.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTOS SEM CAUSA. CONTAS PATRIMONIAIS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Quanto às inúmeras exigências fiscais relativas a pagamentos sem causa, todos os casos referiamse a movimentações em contas patrimoniais. Além disso, a Recorrida comprovou os pagamentos por meio de documentos juntados à Impugnação. PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS PATRIMONIAIS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Também houve comprovação do passivo da Recorrida e, mais uma vez, ficou claro se tratar de movimentação em contas patrimoniais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 03 /2 00 6- 02 Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 2 Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto por meio de declaração que consta do próprio Acórdão da DRJ, conforme determina o art. 1º da Portaria MF nº 3/2008. Na origem, este processo tem como objeto Autos de Infração lavrados contra a contribuinte para a exigência dos tributos abaixo com aplicação da Taxa Selic e de multa de ofício de 75%: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: 297.941.713,81 Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF: 167.870.271,58 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: 98.812.008,86 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS 5.315.374,70 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 24.532.498,76 Para uma descrição dos fatos, valhome de parte do relatório do Acórdão da DRJ: "Consoante a descrição dos fatos da exigência principal (fls. 768 e 770), complementada pelo Termo de Verificação e Constatação lavrado às fls. 752/756, que se faz acompanhar das planilhas de cálculo às fls. 757/763, a contribuinte foi acusada do cometimento das seguintes infrações: a) PAGAMENTOS SEM CAUSA – Pagamentos desprovidos de qualquer documentação que identificasse a causa e os beneficiários, ou, mesmo que apresentadas, consideradas insuficientes para efeito de comprovação, consoante demonstrado nas planilhas às fls. 757/758; b) OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO – Falta de comprovação de obrigações contraídas com as empresas Wishaw Trading e Exterbanca, conforme demonstrativos constantes das planilha anexadas às fls. 760/762, tendo como motivação a não apresentação do registro dos contratos no Banco Central, bem como a não comprovação de que tais recursos tenham sido disponibilizados à fiscalizada, nem onde teriam sido, no Brasil ou no exterior; e c) DESPESAS INDEDUTÍVEIS – (a) Despesas e encargos de pessoal da Parmalat SpA (matriz italiana) assumidas pela contribuinte, no valor de R$ 2.442.720,00, sem comprovação de sua real ocorrência e efetiva necessidade; (b) despesas financeiras e (c) variações cambiais apropriadas em razão das obrigações não comprovadas contraídas com as empresas. Wishaw Trading e Exterbanca, no valor de R$ 33.610.271,17. Sobre as receitas consideradas omitidas (passivo fictício), foram lançadas por via reflexa as contribuições sociais respectivas (CSLL, PIS e Cofins), alcançando a incidência da CSLL as infrações capituladas como pagamentos sem causa e despesas indedutíveis, tendo ainda incidido a tributação de IRRF sobre a base reajustada dos referidos pagamentos considerados sem causa ou a beneficiários não identificados. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 16 3 Cientificada em 29/12/2005 (fls. 767 e outras), a autuada apresentou em 30/01/2006 a petição impugnativa acostada às fls. 829/883, contestando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. QUESTÕES PRELIMINARES a) Documentação Rejeitada sem Expressa Motivação Introdutoriamente, a interessada pugna pela nulidade dos autos de infração, por cerceamento do direito de defesa, alegando que as peças acusatórias não explicam as razões pelas quais uma parcela da documentação apresentada foi rejeitada pela fiscalização, de modo a permitirlhe defenderse adequadamente desta acusação. Frisa que essa lacuna desrespeita o que determina expressamente o art. 2º., VII, da Lei nº. 9.784, de 1999, citando posicionamento doutrinário acerca da necessidade da motivação como pressuposto de validade do ato administrativo e acórdão da 3ª Câmara do então 1º. Conselho de Contribuintes, que adotou o entendimento de que a falta de identificação individualizada dos elementos que motivaram a rejeição de documentos apresentados pelo sujeito passivo implica tolhimento do exercício do direito de defesa. b) Decadência Parcial (PIS, Cofins e IRRF) Em seguida, a peticionária questiona a decadência parcial das exigências de PIS, Cofins e IRRF, alegando que as contribuições tem natureza tributária, e, assim como o IRRF, tem o prazo decadencial regido pelo disposto no art. 150, § 4º., do CTN. Assim, na data da notificação dos autos ao sujeito passivo, em 29/12/2005, as exigências cujos fatos geradores ocorreram de janeiro a 29 de dezembro de 2000 estariam alcançados pela decadência, haja vista que as contribuições são apuradas mensalmente e a incidência do IRRF ocorre quando do efetivo pagamento. Destaca que, no caso da infração rotulada como “Passivo Fictítio” (sic), o valor tributável apurado provém de diversas parcelas mensais, mas o lançamento de PIS e Cofins considerou erroneamente o total dos saldos existentes em 31/12/2000. Lembra que o prazo decadencial de cinco anos se aplica às contribuições sociais (inclusive ao PIS e à Cofins), não prevalecendo o prazo de dez anos previsto na Lei nº. 8.212, de 1991, conforme julgados do STJ, do TRF4 ª Região, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do 2º. Conselho de Contribuintes. QUESTÕES DE MÉRITO a) Pagamentos sem Causa Em relação às operações esmiuçadas pela fiscalização no Anexo 1 (fls. 757/758), a impugnante traz os seguintes esclarecimentos: a.1) Etti Jundiaí Futebol Ltda. – Esta empresa, no ano 2000, era controlada indiretamente pela impugnante, como holding do grupo, conforme demonstra o diagrama à fl. 905, e, nessa condição, quando a controlada necessitava de caixa, a controladora lhe transferia recursos, numa espécie de conta corrente existente entre as partes. Tanto isto é verdade que os próprios lançamentos contábeis indicados no Anexo 1 ao Termo de Verificação e Constatação, elaborado pelo fisco, demonstram que a impugnante creditava a conta bancos e, em contrapartida, debitava a Etti Jundiaí, evidenciando que os pagamentos tem relação judídica (sic) lícita, com beneficiário identificado e não afetaram o resultado da impugnante, de tal sorte que as exigências daí resultantes devem ser julgadas improcedentes. a.2) Transferência entre contas – O valor de R$ 271.610,35 se trata de mera transferência entre contas bancárias de titularidade da impugnante, efetuada através de DOC (doc. 03), que não afetou seu patrimônio ou Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 4 resultado, e, dessa forma, não afeta a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nem se sujeita à tributação de IRRF. a.3) Bank of América 31/01/00 9.027.359,42 31/07/00 9.103.983,75 Os valores acima se referem ao pagamento de juros incidentes sobre financiamento no valor original de US$ 75,000,000.00 devido pela impugnante, razão pela qual há um crédito na conta “bancos” no ativo e um débito na conta “Bank of America” no passivo.Há inúmeros documentos que comprovam o passivo em questão, que continua pendente de quitação final e foi incluído na recuperação judicial da impugnante, como se pode depreender dos documentos anexos (doc. 04) 31/01/00 3.287.900,00 31/03/00 3.173.499,99 30/09/00 (*)3.490.513,88 30/11/00 3.619.299,45 De forma semelhante, os valores acima estão relacionados a empréstimo de US$ 100,000,000.00, concedido pela mesma instituição financeira. A impugnante está trazendo aos autos pedidos de pagamento, cópias de contratos de câmbio, bem como cartas emitidas pelo credor (doc. 05), com o objetivo de justificar a causa e o beneficiário das operações, bem como a composição dos valores questionados. Ressalva que o valor de R$ 3.490,513,88 (*) está sendo considerado em duplicidade no mencionado Anexo 1. 30/06/00 (*)4.638.033,05 / 31/12/00 / 4.792.618,23 Do mesmo modo, os valores supra relacionamse com um empréstimo de US$ 24,000,000.00, estando trazendo aos autos cópia de pedido de pagamento e planilhas (doc. 06), para justificar a causa e o beneficiário da operação, assim como a composição dos valores. Observa que, a exemplo do caso anterior, o valor de R$ 4.638.033,05 (*) está computado em duplicidade no levantamento fiscal (Anexo 1). a.4) Pagamentos de Tributos 15/02/00 / 328.356,81 / 29/02/00 / 369.988,82 O primeiro valor equivale à soma de recolhimento de PIS no importe de R$ 58.474,50 e Cofins na quantia de R$ 269.882,31, como se depreende pela cópia dos DARF colacionados no doc. 07. Quanto ao segundo, corresponde a IRRF sobre juros de financiamento contraído pela impugnante junto ao Bank of Boston, como mostra a cópia do DARF quitado (doc. 08). a.5) Adiantamento de Despesas (Viagem) 30/03/00 100.000,00 30/03/00 100.000,00 Os valores acima foram transferidos a título de adiantamentos de despesas de viagem para o então presidente da impugnante, Sr. Gianni Grisendi, tendo sido restituídos quando da rescisão do contrato de trabalho do mencionado executivo (doc. 09). a.6) Mútuo Wishaw Como se pode inferir do lançamento contábil questionado, o valor de R$ 2.337.389,44 (30/11/00) corresponde a quantia paga pela Wishaw para quitar passivo da impugnante junto ao Banco de Boston. Aliás, em razão de tal pagamento a impugnante se tornou devedora da Wishaw, advindo daí o passivo que também é questionado pelo fisco, no Anexo 3 do Termo de Verificação. A relação jurídica foi formalizada por meio do anexo contrato de mútuo (doc. 10). a.7) Empréstimo Banco Chase O valor de R$ 10.105.395,00 (31/03/00) referese a pagamento de juros em razão de empréstimo contraído pela impugnante junto ao Chase Manhattan Bank, no valor de ITL 115.000.000.000,00, como mostram cópia do Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 17 5 certificado de registro emitido pelo Departamento de Capitais Estrangeiros do Bacen e do extrato emitido pela instituição financeira credora (doc. 11). a.8) Deutsche Bank O valor de R$ 12.448.781,25 (30/06/00) equivale a encargos financeiros decorrentes de notas emitidas pela impugnante em favor do Deutsche Bank. A fim de comprovar esse pagamento, junta cópia de pedido de pagamento, contrato de câmbio e correspondência enviada pela instituição financeira em 12/06/2000, notificando a impugnante a realizar o pagamento no valor de US$ 6,843,750.00 em favor do Japan Bank Trust (doc. 12). a.9) Transferência para a Parmalat Alimentos Como holding do grupo Parmalat no Brasil, a impugnante realizava empréstimos para suas controladas, e, nesta circunstância transferiu para a Parmalat do Brasil S/A Indústria de Alimentos a quantia de R$ 21.868.000,00 (30/09/00), como se pode extrair dos anexos extratos bancários e de cópia do livro razão da destinatária dos recursos (doc. 13). a.10) Dívida com o Banco do Brasil A quantia de R$ 2.728.093,30 (29/02/00) reflete o pagamento pela impugnante de passivo junto ao Banco do Brasil e os documentos juntados comprovam a existência da dívida e seu pagamento (doc. 14). a.11) Dívida com o BankBoston O valor de R$ 4.254.178,38 (29/02/00) demonstra o pagamento pela impugnante de passivo junto ao BankBoston. Os documentos apresentados comprovam a existência da obrigação e seu pagamento (doc. 15). b) Despesas de Consultoria não Comprovadas Como salientado no curso da fiscalização, a Parmalat SpA, controladora da impugnante no exterior, disponibilizava funcionários para executar atividades em benefício da controlada, razão pela qual repassava despesas para a impugnante, que até o momento não conseguiu localizar documentos que evidenciam que as atividades em questão eram desenvolvidas em seu proveito, nem a forma de cálculo das despesas. Contudo, está em contato com a controladora para produzir essa prova, e, com base no princípio da verdade material, requer a juntada de novos documentos para afastar a acusação. De toda forma, ainda que se considere o pagamento em questão desnecessário para apuração do IRPJ e da CSLL, não caberá incidência do IRRF, porque o beneficiário está identificado e a causa esclarecida, ainda que eventualmente não tenha sido devidamente documentada. c) Passivo Fictício c.1) Wishaw Trading Relativamente aos créditos efetuados na conta gráfica da Wishaw Trading, elencadps pela fiscalização no demonstrativo à fl. 760, esclarece que os contratos de mútuo foram fornecidos aos autuantes, que simplesmente os desconsideraram (fls. 389/544). Em notificação datada de 19/09/2005 (fls. 227/229) a impugnante esclareceu, de maneira clara e precisa, que esses créditos decorrem da compra pela Wishaw Trading, em nome e por conta e ordem da impugnante, de títulos do tesouro norteamericano, denominados TBills. Ademais, em relação ao lançamento no valor de R$ 2.337.389,44 (30/11/00), o mesmo está computado em duplicidade na autuação, pois tal parcela integra a infração capitulada como “Pagamentos sem Causa”, cuja comprovação consta do doc. 10. A fiscalização menciona dois motivos para não considerar a documentação exibida: (i) falta de apresentação dos registros dos contratos no Bacen; e (ii) não ter sido comprovada a disponibilização de recursos. Em relação à primeira motivação, a leitura do art. 22 da Lei nº. 9.430, de 1996, deixa claro Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 6 que os contratos internacionais podem ou não ser registrados no Bacen, e, quanto à segunda, os contratos que constituem o doc. 17 mostram que os títulos adquiridos foram posteriormente alienados a terceiros não vinculados à impugnante, o que comprova a disponibilização dos recursos e sua destinação. Frisa, ainda, que o fisco se contradiz neste aspecto, ao ter autuado a impugnante por IOFCâmbio supostamente devido sobre a operação do empréstimo tomado. c.2) Exterbanca Para comprovar a efetiva existência do passivo em questão, a impugnante junta cópia dos contratos firmados com a aludida instituição financeira (doc. 18), os quais não trazem tradução juramentada por exigüidade de tempo; contudo, caso seja necessário, a impugnante poderá providenciar tal tradução juramentada, em respeito ao princípio da verdade material. Ademais, a impugnante está trazendo, no doc. 19, cópia das fls. 513/555 dos autos do processo nº. 000.05.0680919 (Pedido de Recuperação Judicial), em que se verifica que os laudos emitidos pelo Administrador Judicial, devidamente nomeado pelo MM. Juízo da Primeira Vara de Falências e Recuperação Judicial da Comarca da Capital, acatam os pedidos de crédito da Extrabanca, como obrigações da impugnante, que decorrem da rolagem da dívida por vários anos. d) Encargos Financeiros Demonstrada a efetiva existência dos passivos questionados, devem ser, conseqüentemente, reconhecidos os encargos financeiros sobre eles incidentes, que foram glosados em decorrência da infração rotulada como “Passivo Fictício”. e) Dedutibilidade de PIS, Cofins, IRRF e Multa Na improvável hipótese de ser devido algum valor a título de PIS, Cofins e IRRF, acrescido de juros, a quantia devida deverá ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL, ou, se nenhuma quantia de IRPJ e CSLL for devida, adicionada ao prejuízo fiscal da impugnante, pois, com efeito, o PIS, a Cofins, o IRRF e os respectivos juros são dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL segundo o regime de competência, como determina o caput do art. 41 da Lei nº. 8.981, de 1995. Neste sentido, transcreve a ementa do Ac. 10807187, do 1º. Conselho de Contribuintes. f) Inaplicabilidade dos Juros de Mora pela Taxa Selic Argumenta a interessada a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como indexador dos juros de mora, reproduzindo, com este entendimento, Acórdão proferido pelo STJ. DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS O julgamento foi convertido em diligência, em 26/06/2008, nos termos do despacho à fl. 1.293, tendo em vista que a peça acusatória, ao descrever a infração capitulada como PAGAMENTOS SEM CAUSA (fl. 752), limitase a informar, em relação aos eventos listados no Anexo 1 (fls. 757/758), que a autuação se fundamenta em ausência de documentação ou em documentação que, embora apresentada, foi considerada insuficiente para comprovação dos fatos, sem contudo explicar a motivação da rejeição, de modo a permitir a ampla defesa da autuada, como reclamado na impugnação. Assim, os autos retornaram ao órgão de origem, a fim de que essa lacuna fosse sanada, detalhandose à interessada, mediante termo, quais as parcelas autuadas por falta de comprovação documental, e, nos casos em que esta foi apresentada, os motivos que levaram à fiscalização considerála inábil ou deficiente para a comprovação da operação, reabrindo o prazo legal para que a interessada, se lhe conviesse, aditar a impugnação, exclusivamente no que diz respeito à matéria em foco, com a juntada de provas documentais que entendesse necessárias. Em decorrência da diligência requerida, foi lavrado em 01/04/2010 o Termo de Constatação Fiscal acostado às fls. 1.305/1.308, em que o autor do trabalho Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 18 7 fiscal detalha as situações de falta de documentação comprobatória, falta de comprovação da efetividade da operação de transferência de numerário e da motivação para a operação, falta de comprovação da causa da transferência de numerário e falta de comprovação dos beneficiários da operação de transferência de numerário e da motivação da operação. No referido termo, o autor do trabalho de diligência faz referência a um demonstrativo denominado “Quadro 1 Pagamento Sem Causa”, que estaria anexo ao citado relatório, contendo as informações necessárias. O sujeito passivo foi cientificado do aludido termo em 09/04/2010 (fl. 1.308) e sobre ela, na condição de massa falida, se manifestou em 19/04/2010, por meio de sua administradora judicial Capital Consultoria e Assessoria Ltda., conforme peça documental às fls. 1.309/1.311), argumentando, em síntese, que permanece cerceado o amplo direito de defesa da falida, na medida em que não são explicadas as razões pelas quais uma parcela da documentação apresentada foi rejeitada pela fiscalização, insistindo, ao final, na tese de nulidade dos autos de infração lavrados. Retornando os autos a esta DRJ em 05/05/2010 (fl. 1312), foi verificado que o demonstrativo designado como “Quadro 1”, mencionado no Termo de Constatação Fiscal resultante do trabalho de diligência, e fundamental para esclarecer a motivação da não aceitação de documentos apresentados pela contribuinte à fiscalização, não foi entranhado aos autos, como também não consta que tenha sido encaminhado à autuada, razão porque em 14/03/2011 os autos retornaram novamente à repartição lançadora, para anexação da peça denominada “Quadro 1” e ciência de seu conteúdo à interessada, com devolução do prazo legal para aditamento da defesa. Novo Termo de Intimação foi lavrado (fls. 1432/1446), encaminhando à interessada o Termo de Constatação Fiscal resultante da diligência, desta feita acompanhado do referido “Quadro 1”, com ciência à administradora judicial da massa falida em 17/05/2010, sendo concedido o prazo legal de dez dias para aditamento da impugnação. Não houve pronunciamento da parte autuada, retornando os autos a esta DRJ em 31/05/2011 (fl. 1450). O Acórdão da DRJ, decorrente de julgamento acontecido na sessão de 16 dezembro de 2011, ficou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. OMISSÕES SANÁVEIS. REJEIÇÃO. Eventuais omissões passíveis de saneamento, na forma do art. 60 do Dec. nº. 70.235, de 1972, não implicam nulidade do procedimento. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Operação financeira contabilizada entre contas patrimoniais ativas e/ou passivas, cuja movimentação não afeta a apuração do resultado, não pode servir de base imponível para a exigência do imposto. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria tributária cujo mérito não é expressamente contestado pelo sujeito passivo em sua petição impugnativa. PASSIVO FICTÍCIO. INEXISTÊNCIA. Lançamentos contábeis efetuados a crédito de rubrica contábil do ativo circulante não podem configurar passivo fictício. OMISSÃO DE RECEITA.PASSIVO FICTÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 8 Por presunção legal, considerase omissão de receita a obrigação mantida no passivo cuja origem o contribuinte não logra comprovar mediante documentos hábeis. CONSULTORIA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Legítima a glosa de despesas de consultoria cuja contabilização o sujeito passivo não comprova com documentos hábeis. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGILIDADE (SIC) SUSPENSA. Não pode ser deduzido na apuração do resultado o crédito tributário suja exigibilidade se encontra suspensa por força de impugnação. JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos julgadores administrativos é vedado o pronunciamento acerca de argüição de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da contribuição social o decidido em relação à exigência do imposto de renda, formalizada a partir dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não havendo pagamento espontâneo concernente à espécie tributária objeto da autuação, o prazo decadencial segue a regra de contagem do art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O passivo fictício nasce no encerramento do período de apuração, quando o saldo da obrigação não é comprovado, sendo este o momento em que se configura o aspecto temporal do fato gerador da infração capitulada como omissão de receita, por presunção legal, quando podem ser exigidos o imposto e as contribuições sociais incidentes sobre a dita omissão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da Cofins o decidido em relação à exigência da contribuição para o PIS, formalizada a partir dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, a contribuinte decidiu parcelar os valores que não foram cancelados pelo Acórdão da DRJ, de modo que sequer interpôs Recurso Voluntário. São eles: a) COFINS (R$ 6.016440,00); b) IRRF (R$ 493.821,32) e IRRF (R$ 195.720,00); c) IRPJ (R$ 38.009,467,87); d) PIS (R$ 1.303.652,00); e) CSLL (R$ 12.293.913,82). Analisase, portanto, unicamente os montantes de créditos tributários vencidos pela contribuinte, ou seja, cancelados pela DRJ em primeira instância, que são: a) diferença do débito de COFINS (R$ 3.424.219,88); b) diferença do débito de IRRF (R$ Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 19 9 6.846.678,14); c) Diferença de IRPJ (R$ 76.645.236,20); d) diferença do débito de PIS (R$ 741.914,30) e CSLL (R$ 25.731.180,00). É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS DE AGUIAR VILLASBÔAS Relator. O Recurso de Ofício foi devidamente interposto com expressa menção no Acórdão da DRJ, conforme impõe a legislação. Passo, então, à sua análise. Para tornar mais didática a exposição dos temas, seguirei a mesma ordem e os mesmos títulos do Acórdão da recorrido. a) Da Acusação de Pagamentos sem Causa a.1) Etti Jundiaí Futebol Ltda. e outras Tratase de cobrança de IRPJ, CSLL e IRRF por não comprovação de pagamentos realizados pela Recorrida à Etti Jundiaí Futebol Ltda., Parmalat Participação e Santal Prosport no valor de R$ 10.825.423,79. Como bem coloca o Acórdão da DRJ, tratase aqui de operações que não afetaram o resultado da Recorrida. Conforme planilha (fls. 757/758) elaborada pelos próprios Autuantes, as operações em questão foram registradas a crédito de conta do ativo do grupo disponível 1.01.01.02 (BANCOS) e a débito de conta igualmente ativa do grupo realizável a longo prazo 1.02.02.02 (CRÉDITOS COM OUTRAS EMPRESAS). As operações tributadas, conforme explicado na Impugnação, eram recorrentes, pois havia uma espécie de contaconcorrente pelo fato de a Recorrida ser a holding do grupo no Brasil e a Etti Jundiaí Futebol Ltda. era indiretamente controlada por ela. Como a Etti precisava de recursos com frequência, eram feitas operações de crédito para ela. A Recorrida afirma, portanto, que sequer consegue entender o motivo da exigência fiscal e explica que havia uma relação jurídica lícita entre empresas ligadas com operações todas devidamente registradas e sem repercussão no resultado dela. Os planos de conta que se encontram nas fls. 143 a 158 dos autos ajudam a reforçar a comprovação sobre o que afirmou a Recorrida, conforme reconhecido também pela DRJ. Deve ser, enfim, mantido o Acórdão recorrido quanto a esse item. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 10 a.2) Transferência entre contas de titularidade da autuada O valor de R$ 271.610,35 também foi considerado pela Autoridade Fiscal como pagamento sem causa realizado pela Recorrida, com tributação pelo IRPJ, CSLL e IRRF, mas, segundo a DRJ, houve comprovação de que se trata de transferências entre contas da mesma titularidade. Como corretamente constatou a DRJ, foi comprovado que houve transferência (Doc D) entre contas da Recorrida no Banrisul e no ABC Brasil por via do documento de crédito de fl. 723 e 907. O Acórdão da DRJ também deve ser mantido em relação a esse item. a.3) Bank of America Os valores de R$ 9.027.359,42 e R$ 9.103.983,75 também foram considerados pagamentos sem causa, porém, segundo a DRJ, assim como nos casos anteriores, a Recorrida logrou comprovar que tais montantes não causaram impacto sobre o seu resultado, de modo que também obteve procedência a Impugnação quanto a esse ponto. Segundo a Recorrida, houve pagamentos de juros sobre financiamento obtido junto ao Bank of America no valor de USD 75.000.000,00. Os registros relativos a essas operações de pagamentos de juros são feitos por meio de crédito na conta "bancos" no ativo e crédito na conta "Bank of America" no passivo. Foram juntados documentos (docs. 4 e 5 da Impugnação) para comprovar o alegado. Aliás, como em outros casos, na própria fiscalização já era possível afastar a exigência em questão, conforme atestou o Acórdão da DRJ. O Anexo I (fl. 757) revela a inclusão de um valor de R$ 3.490.513,88 em duplicidade. Os demais valores estão suportados em documentos apresentados pela Recorrida às fls. 995/991. Os demais valores exigidos referemse a outro financiamento obtido junto ao Bank of America, desta feita no valor de USD 24.000.000,00. No doc. 6 da Impugnação, foram juntados o pedido de pagamento e planilhas que demonstram o cálculo dos juros. Deste modo, não houve alteração do resultado pelas operações em questão e estão todas devidamente registradas, motivo pelo qual deve ser mantido o Acórdão da DRJ no tocante a esse item. a.4) Pagamentos de Tributos O valor de R$ 328.356,81 não teria sido comprovado documentalmente pela Recorrida e o valor de R$ 369.988,82 seria juros cuja origem não foi comprovada. Aceitando aquilo que fora alegado pela Recorrida, a DRJ entendeu que os DARFs (fl. 998) apresentados por ela comprovariam que o primeiro valor referese à soma de Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 20 11 pagamentos de PIS (código de receita 8109) e de COFINS (código de receita 2172), conforme demonstra a DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2000, documentos juntados no doc. 07 da Impugnação. O segundo valor referese a IRRF sobre pagamento de juros ao Bank Boston no valor de USD 17.136.000,00, conforme comprovado pelo DARF de fl. 1012, juntado ao doc. 8 da Impugnação. Assiste razão à Recorrida e ao Acórdão da DRJ, devendo ele ser mantido quanto a esse ponto. a.5) Adiantamento de Despesas (Viagem) Dois registros de R$ 100.000,00 não teriam sido comprovados. Segundo a DRJ, a Recorrida comprovou que se trata de adiantamento de despesas de viagens que foram depois restituídas. Segundo a Recorrida, os adiantamentos foram feitos ao Sr. Gianni Grisendi, então presidente da empresa, conforme o seguinte trecho da Impugnação: "Como salientado acima, tais valores foram transferidos a título de adiantamento de despesas para o então presidente da Impugnante, o Sr. Gianni Grisendi. A composição de tais valores encontrase nos anexos termos de rescisão do contrato de trabalho do referido executivo, tendo sido a quantia de R$112.312,53 (relativa a vales e empréstimos) deduzida do valor pago pela Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos e a quantia de R$87.667,47 subtraída do valor pago pela Impugnante, quantias essas que totalizam R$200.000,00". Assiste razão à Recorrida e à DRJ mais uma vez. Foram comprovados os descontos dos valores, a título de restituição, quando dos pagamentos na rescisão do contrato de trabalho do Sr. Gianni Grisendi pela Parmalat Brasil S/A e pela Recorrida. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ também no tocante a esse ponto. a.6) Mútuo Wishaw Foi também questionado o valor de R$ 2.337.389,44, que, mais uma vez, segundo a DRJ, não teve interferência no resultado da Recorrida, tendo determinado o cancelamento da cobrança de IRPJ, CSLL e IRRF. A Recorrida demonstrou que se trata de pagamento feito pela Wishaw para quitação de passivo dela junto ao Bank Boston. A partir daí, surgiu um passivo da Recorrida perante a Wishaw, também questionado pela Fiscalização, que está suportado por contrato de mútuo (fls. 1020/1021) juntado ao doc. 10 da Impugnação. A Recorrida, como ela mesma afirma, não junta o contrato com o Bank Boston. Também não comprova as transferências, mas, pelo contrato de mútuo juntado e de Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 12 acordo com os registros contábeis, realmente não houve efeito no resultado, porém, mais uma vez, operações com registros apenas no Balanço Patrimonial. Também deve ser mantido o Acórdão DRJ em relação a esse ponto. a.7) Empréstimo Banco Chase O valor de R$ 10.105.395,00 questionado pela Autoridade Fiscal, segundo a Recorrida, se referiria a empréstimo contraído por ela junto ao Chase Manhattan Bank no valor de ITL R$ 115.000.000.000,00. A Recorrida juntou ao doc. 11 da Impugnação: a) cópia do registro de operação financeira; b) cópia do registro do Banco Central; c) cópia do extrato do Chase. A DRJ entendeu que, independentemente do acervo probatório, apenas houve registros em contas patrimoniais. Assiste razão à DRJ, mas as provas, nesse caso, suportam com clareza as operações e afastam a tributação peremptoriamente, devendo ser mantido o Acórdão recorrido quanto a esse item. a.8) Deutsche Bank Quanto a este ponto, conforme o Acórdão da DRJ: "Afirma a defendente que o valor de R$ 12.448.781,25 (30/06/00) equivale a encargos financeiros decorrentes de notas emitidas pela impugnante em favor do Deutsche Bank. A fim de comprovar esse pagamento, junta cópia de pedido de pagamento, contrato de câmbio e correspondência enviada pela instituição financeira em 12/06/2000, notificando a impugnante a realizar o pagamento no valor de US$ 6,843,750.00 em favor do Japan Bank Trust (doc. 12). Aqui, especificamente, além da comprovação efetividade da operação, documentada no contrato de câmbio, também se nota que a movimentação contábil, mais uma vez, envolveu contas de natureza patrimonial, com débito em conta passiva e crédito em conta ativa, o que não repercute na apuração de resultado sujeito à tributação do IRPJ ou da CSLL, tampouco do IRRF". Conforme documentos juntados à Impugnação (doc. 12) e explicado pelo Acórdão da DRJ, mais uma vez não havia motivo para exigência fiscal, que sequer deveria ter sido constituída. Houve operações que não afetaram o resultado e que estão comprovadas pela Recorrida. Deve ser mantido, novamente, o Acórdão da DRJ. a.9 Transferência para a Parmalat Alimentos Quanto a esse item, o Acórdão da DRJ decidiu o seguinte: "Explica a impugnante que, na condição de holding do grupo Parmalat no Brasil, realizava empréstimos para suas controladas, e, nesta circunstância Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 21 13 transferiu para a Parmalat do Brasil S/A Indústria de Alimentos a quantia de R$ 21.868.000,00 (30/09/00), como se pode extrair dos anexos extratos bancários e de cópia do livro razão da destinatária dos recursos (doc. 13). Novamente aqui, afora os elementos probatórios trazidos na impugnação, constatase que o registro contábil dessa operação movimentou uma conta de ativo a crédito e outra da mesma espécie a débito, não afetando a apuração de resultado e nem justificando sua tributação". Como em todos os casos anteriores, ficou comprovado documentalmente que a Recorrida realizou operações sem efeitos no seu resultado. Houve um empréstimo para sua controlada, conforme demonstram os documentos contábeis juntados e o demonstrativo de movimentação no período. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ quanto a esse item. a.10 Dívida com o Banco do Brasil Quanto a esse item, o Acórdão da DRJ decidiu o seguinte: "Segundo a interessada, o lançamento contábil de R$ 2.728.093,30 (29/02/00), efetuado a crédito de sua conta no Banco do Brasil, representa pagamento de passivo junto à instituição financeira e os documentos juntados (doc. 14) comprovam a existência da obrigação e seu pagamento. Em relação a esse lançamento, o extrato da conta anexado à fl. 1050, baixado do sistema de consulta da instituição financeira, demonstra que embora a contabilização tenha sido feita em 29/02/2000, o valor em questão referese a débito efetuado na conta da interessada em 08/0200, para pagamento de dívida, tendo o registro sido escriturado a crédito de conta do passivo (fl. 1054), não interferindo no resultado do período, razão porque não se sustenta a tributação". Seguindo a linha dos casos anteriores, conforme confirmado pelo Acórdão da DRJ, houve pagamento de passivo junto a instituição financeira (Banco do Brasil), com comprovação por meio documentos (extrato e pedido de pagamento) juntados como doc. 14 da Impugnação. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ quanto a esse item. a.11) Dívida com BankBoston Quanto a esse item, o Acórdão da DRJ decidiu o seguinte: "Justifica a autuada que o valor de R$ 4.254.178,38 (29/02/00) corresponde ao pagamento de passivo junto ao BankBoston e os documentos apresentados (doc. 15) demonstram a existência da obrigação e seu pagamento. Neste item, mais uma vez, verificase que a tributação recai sobre a movimentação de contas patrimoniais (crédito de um ativo e débito de um passivo), que não repercute na apuração do resultado, não comportando, portanto, as exigências tributárias". Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 14 Novamente, comprovase o pagamento a instituição financeira por meio de documentos (extrato bancário, pedido de pagamento e autorização de débito), desta feita juntados ao doc. 15 da Impugnação. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ quanto a esse item. Quanto às matérias impugnadas pela Recorrida em relação ao item "a", todos os créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF foram cancelados pela DRJ. Proponho, portanto, com base nas razões acima, a manutenção do Acórdão de primeira instância em relação esses créditos. Parte do crédito tributário exigido pelo Auto de Infração nesse item "a" não foi contestado pela Recorrida em Impugnação e, então, a cobrança foi mantida, de forma que essa parte ingressou no parcelamento já anteriormente referido. b) Das Despesas de Consultoria Não Comprovadas Quanto a esse item, a Recorrida havia pedido para apresentar suas provas em outro momento, porém decidiu parcelar o crédito tributário exigido em decorrência dele. Deste modo, não faz parte do Recurso de Ofício. c) Do Passivo Fictício c.1) Wishaw Trading De acordo com o Acórdão da DRJ, os valores que deram base a esse item estão registrados no Ativo Circulante (código 1.02.01.02.007) da Recorrida, de modo que não há omissão de receitas. Foram, portanto, afastadas a acusação fiscal sem sequer ser necessário aprofundar nos argumentos da Recorrida. A DRJ sequer aprofundou nas alegações e documentos da Recorrida, pois entendeu que os registros contábeis demonstravam haver créditos em conta de ativo, não havendo que se falar em omissão de receitas. Não bastasse isso, a Recorrida comprovou (questão já analisada anteriormente e prova juntada no doc. 10 da Impugnação) que houve celebração de mútuo com a empresa Wishaw Trading e realização de pagamento de juros. O objetivo do mútuo era a compra, por conta e ordem da Recorrida, de títulos do tesouro norteamericano denominados TBills, conforme doc. 16 da Impugnação. Sendo assim, não há passivo fictício. Deve ser mantido o Acórdão da DRJ quanto a esse item. c.2) Exterbanca Esse item foi mantido pelo Acórdão e, portanto, parcelado pela Recorrida. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16327.000003/200602 Acórdão n.º 1401001.599 S1C4T1 Fl. 22 15 d) Encargos Financeiros Está vinculado ao item anterior. Foi mantido pelo Acórdão e, portanto, parcelado pela Recorrida. e) Da Pretensão de Dedutibilidade de PIS, COFINS, IRRF e Multa Não houve Recurso Voluntário, então não cabe analisar esse item em sede de Recurso de Ofício. f) Dos Juros de Mora pela Taxa Selic Outro item que não está mais em discussão. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 26 /04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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Numero do processo: 10715.721211/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. REGISTRO DE ARMAZENAGEM. IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE NO CASO DE COMPROVAÇÃO DE ARMAZENAMENTO DA CARGA EM RECINTO ADUANEIRO DE TERCEIRO, CASO QUE NÃO INCUMBE RESPONSABILIDADE À CONTRIBUINTE.
O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Não incumbe responsabilidade à contribuinte no caso de se tratar de recinto alfandegado de terceiro, ou se efetivamente comprovado, no curso da fiscalização, a tempestividade do registro.
Numero da decisão: 3401-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA, ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO (Vice-Presidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, ELIAS FERNANDES EUFRASIO.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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REGISTRO DE ARMAZENAGEM. IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE NO CASO DE COMPROVAÇÃO DE ARMAZENAMENTO DA CARGA EM RECINTO ADUANEIRO DE TERCEIRO, CASO QUE NÃO INCUMBE RESPONSABILIDADE À CONTRIBUINTE. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Não incumbe responsabilidade à contribuinte no caso de se tratar de recinto alfandegado de terceiro, ou se efetivamente comprovado, no curso da fiscalização, a tempestividade do registro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL (Presidente), AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA, ROSALDO TREVISAN, WALTAMIR BARREIROS, LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO (Vice Presidente), ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, ELIAS FERNANDES EUFRASIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 12 11 /2 01 2- 29 Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 2 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 10314.730109/201318, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de multa por registros intempestivos de armazenagem de carga por parte da depositária, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 12.948.000,00. 2. Da leitura do Relatório de Fiscalização, depreendese que a recorrente, entre os meses de maio e dezembro de 2007, deixou de realizar o registro de armazenagem de cargas no devido prazo, de maneira a descumprir norma instrumental no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão). 3. Da análise dos termos de entrada e cópias de telas da situação da carga dos conhecimentos aéreos (Siscomex Mantra Importação), verificouse o registro de armazenagem em prazo superior a 12 horas, contados a partir da chegada do veículo transportador, em desconformidade com o caput do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 102, de 20/12/1994. 4. Assim, foi aplicada a multa prevista na alínea 'f' do inciso VII do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, regulamentada pela alínea 'e' do inciso VII do art. 728 do Decreto nº 6.759/2009, que estabelece prazo máximo para registro no "Sistema Mantra". 5. A ora recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, alegando: (i) violação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, passados 4 anos do armazenamento das cargas, (ii) violação do princípio da imediaticidade da punição, (iii) a inviabilidade prática de analisar a intempestividade de 2.781 cargas, (iv) que procedeu à armazenagem conforme as informações disponibilizadas pelo transportador, (v) analisa 3 termos em especial (que denomina situações "A", "B" e "C") de maneira a demonstrar que, para estes casos, o cálculo da intempestividade foi realizado de maneira incorreta, (vi) que, na situação "A", a carga não foi informada no Mantra/Siscomex, tendo sido recebida por Documento Subsidiário de Carga (DSIC), tendo havido várias interveniências no decorrer do processo até o registro final no Mantra, (vii) que, nos casos "B" e "C", o conhecimento aéreo foi recepcionado no recinto alfandegado designado à antiga Varig, e não à recorrente (Infraero), (viii) que para um mesmo termo de chegada de veículo há registro e distribuição das cargas para outros recintos que não exclusivamente o da recorrente; (ix) que a multa aplicada em decorrência da lei foi regulamentada em 2009, ou seja, em momento posterior à suposta irregularidade verificada. 6. O acórdão da impugnação, proferido em sede de primeira instância administrativa, entendeu que a conduta imputada encontra fundamento de validade na alínea 'f' do inciso VII do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Entendeu, ainda, ser descabido o argumento de regulamentação extemporânea, tendo em vista que o art. 77 da Lei nº 10.833/2003 entrou em vigor em 30/12/2003 e que o Regulamento Aduaneiro disposto no Decreto nº 6.759/2009 nada faz mais além de reproduzir o texto legal. 7. Afastou o argumento de imediaticidade da punição com fundamento no artigo 173 do Código Tributário Nacional e nos artigos 138 e 139 do DecretoLei nº 37/1966, que definem o prazo decadencial para a Fazenda efetuar o lançamento em cinco anos. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3401003.118 S3C4T1 Fl. 1.763 3 8. Emprestou, ainda, como razão de sua decisão, que o contraditório e a ampla defesa foram respeitados com a cientificação do auto de infração e apresentação de impugnação por parte da interessada, conforme disposto no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972. Entende, ademais, não haver vício formal que macule o auto de infração apto a conduzir à decretação de sua nulidade, e que o responsável pelo armazenamento de carga está corretamente identificado, tendo em vista que a impugnante, ora recorrente, encontravase na condição de depositária, em conformidade com o art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 102/1994. 9. Afastou, ainda, a insuficiência de tempo para a análise dos documentos alegada pela recorrente uma vez que o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 não prevê exceção ou proporção do prazo em razão da quantidade de dados inserta no auto de infração. 10. Considerou, todavia, a necessidade de se exonerar o crédito tributário referente às situações "A", "B" e "C", acolhendo as razões da impugnação, de maneira a reduzir o crédito de R$ 12.948.000,00 para R$ 9.956.000,00. 11. Tendo em vista a decisão do colegiado a quo, à unanimidade, pela exoneração parcial, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por supedâneo do Recurso de Ofício, nos seguintes termos: 12. A recorrente apresentou, ainda, recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância administrativa alegando, em síntese: (i) cerceamento de defesa do auto de infração em desrespeito à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa; (ii) infração ao princípio da imediaticidade da punição, que constitui princípio elementar de direito administrativo sancionador; e (iii) a impossibilidade ou impraticabilidade de produção probatória no sentido de fundamentar a sua alegação de que várias cargas eram, na verdade, de atribuição do recinto alfandegado da antiga Varig, e não da recorrente (Infraero), razão pela qual requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração. 13. No Acórdão CARF nº 3202001.104, proferido por este Conselho, a Conselheira Relatora rejeitou a preliminar suscitada e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário com fundamento nas razões já devidamente expostas pelo acórdão recorrido, tendo sido seguida, à unanimidade, pelo colegiado, e lavrada a seguinte ementa, que transcrevemos em sua integralidade: Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 4 "NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras Razões. REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Cabe multa regulamentar ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". 14. Em 24/09/2014, após ciência do acórdão prolatado por este Conselho, manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional informando não ter interesse em interpor recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais: 15. Em seguida à baixa do presente feito à unidade de origem, o chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Alfândega do Aeroporto Internacional do Galeão/RJ exarou o despacho de fls. 17581.759 em 02/10/2014 nos seguintes termos: 16. Em 09/12/2015, com a finalidade de apreciar o recurso de ofício, o processo foi redistribuído por sorteio e encaminhado à minha relatoria. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3401003.118 S3C4T1 Fl. 1.764 5 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator. 17. Tratase de recurso de ofício decorrente do Acórdão nº 0730.108, de 13 de agosto de 2012, situado às fls. 1461 a1473, proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação da contribuinte. 18. O objeto do presente recurso se restringe, portanto, à análise da parcela exonerada do crédito tributário, referente a três termos de entrada, nas situações "A", "B" e "C". I. SITUAÇÃO "A" 19. Quanto à situação "A", o acórdão de primeira instância administrativa entendeu que a Instrução Normativa SRF nº 102/1994 não exclui da responsabilidade do depositário as cargas recebidas e armazenadas sob documento subsidiário de identificação de carga (DSIC). Ademais, prevê expressamente a responsabilidade de armazenamento das cargas sob DSIC e as equipara ao manifesto informatizado. 20. Contudo, depois de minucioso arrazoado, situado às fls. 1612 a 1617 do presente processo, observa que, mesmo armazenada sob DSIC em 03/08/2007, a carga teria sido visada pela fiscalização em 22/08/2007, "(...) estando pronta para finalização de seu armazenamento naquele momento", em conformidade com o §3º do art. 7º na Instrução Normativa nº 102/1994 e em consonância com o extrato de "Situação de Carga" apresentado pela contribuinte: Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 6 21. Com base nesta informação, prossegue em seu arrazoado nos seguintes termos (fl. 1615): "(...) Há de se notar que a fiscalização não está cobrando o armazenamento da carga sob DSIC, que como já fora explanado encontravase com seu armazenamento aperfeiçoado e visado pela fiscalização, mas sim do conhecimento aéreo MAWB nº 006 61853326. Como se percebe pelo extrato da situação de carga do MAWB 006 6185 3326 trazido pela impugnante, a carga fora chegada em 01/08/2007 tendo seu registro visado e encerrado em 20/02/2008". 22. A autoridade julgadora tem por fundamento para esta afirmação o relatório de Termos de chegada de Veículos apresentado pela própria fiscalização. 23. Observa, ainda, que, apesar de caber ao depositário a obrigação de informar no sistema as retificações de dados da carga DSIC vinculada a um conhecimento de carga, conforme parágrafo único do art. 25 da Instrução Normativa nº 102/1994, e que, ao se compulsar o extrato de situação de carga do MAWB 006 6185 3326, verificase que não houve indicação de solicitação de vinculação do DSIC nº 791 0700 6285 ao referido MAWB, "(...) tal informação estava presente no extrato da situação da carga apresentado pela impugnante no DSIC nº 791 0700 6285", conforme destaca à fl. 1616: Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3401003.118 S3C4T1 Fl. 1.765 7 24. Concluiu, portanto, que, no caso vertente, a carga fora armazenada no prazo, tendo chegado no dia 03/08/2007 e no mesmo dia registrada, encerrada e avalizada a armazenagem, ficando pendente o visto da fiscalização que se confirmaria no dia 20/02/2008. Destacamos da fl. 1617 do acórdão recorrido o seguinte trecho: 25. Desta feita, decidiu pela exoneração do crédito no valor de R$ 1.010.000,00 referente à situação "A". Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL 8 II. SITUAÇÕES "B" E "C" E DEMONSTRATIVO DAS CARGAS ARMAZENADAS FORA DO PRAZO 26. Diante da alegação da ora recorrente no tocante às situações "B" e "C" no sentido de que o reconhecimento aéreo estava recepcionado para outro recinto alfandegado, há de se observar que o julgador de primeiro piso diligenciou à unidade de origem, conforme fls. 12081209, para que apresentasse as cargas que estavam no recinto alfandegado da contribuinte. 27. A Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro apresentou demonstrativo das "cargas armazenadas fora do prazo", totalizando apenas o crédito de R$ 10.966.000,00 (discrepando, portanto, do valor de R$ 12.948.000,00 apontado no auto de infração). 28. Constatou, ainda, que de fato os termos de entrada das situações "B" e "C" não estavam relacionados entre as cargas extemporaneamente armazenadas do demonstrativo. Entendeu, portanto, conforme fundamentação trazida a conhecimento à fl. 1618, conferir razão à interessada neste particular, confirmandose a alegação de que "(...) havia outros recintos aduaneiros que não incumbem responsabilidade à impugnante". III. CONCLUSÃO 29. Excluídas as situações "B" e "C", a DRJ alcançou o crédito remanescente de R$ 10.966.000,00, conforme discriminado no demonstrativo de cargas armazenadas fora do prazo. 30. Deste montante, o julgador de primeira instância subtraiu, ainda, o crédito no valor de R$ 1.010.000,00, referente à situação "A", julgando, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação de maneira a manter o crédito tributário no valor de R$ 9.956.000,00. 31. Parecenos bem fundamentado o acórdão objeto do presente recurso de ofício, devendo ser mantido em sua integralidade. Com base nestes fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3401003.118 S3C4T1 Fl. 1.766 9 Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 01/06/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por R OBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10865.003727/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 10865.000657/200310, 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475 e 10865.000627/200567. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 10865.000657/200310, 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475 e 10865.000627/200567. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 72 7/ 20 07 -1 5 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1402000.249 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, abaixo relacionadas, com utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 15.021.920,52. A apreciação da procedência do crédito envolveu fundamentalmente a verificação do recolhimento dos valores informados a título de estimativas no anocalendário, sendo que todas elas teriam sido quitadas mediante compensação. A autoridade administrativa que primeiro apreciou o feito reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 7.749.422,70, por meio do despacho decisório de folhas 306/313. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento reconheceu o direito creditório adicional no valor de R$ 1.941.867,19. Na apreciação do recurso voluntário, no qual a interessada pleiteou o reconhecimento do crédito remanescente, esta turma julgadora converteu o julgamento do recurso em diligência para que fossem juntados aos autos os processos em que estavam sendo apreciados os pedidos de compensação das estimativas. Em resposta, a unidade Local informou a impossibilidade de cumprimento da solicitação, tendo em vista que os processos estavam em distintas localização e atividade, além de sob responsabilidade de servidores diversos. É o Relatório. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1402000.249 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O saldo negativo do IRPJ a que se refere o crédito pleiteado, foi composto por valores do imposto devido a título de estimativas que teriam sido quitadas mediante compensação. Nos termos da Resolução 140200.080 prolatada por este colegiado, o pedido aqui analisado só poderia ser analisado após o julgamento, no CARF, dos processos de compensação que tratam da quitação das estimativas, Assim, o julgamento foi convertido em diligência para que aqueles processos fossem juntados aos presentes autos. Entretanto, conforme Relatório de Diligência, a juntada mostrouse impossível em função dos processos estarem em situações distintas. Tendo em vista já ter sido atestada a dependência da apreciação destes autos do resultado da apreciação daqueles, proponho o sobrestamento do julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 10865.000657/200310, 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475 e 10865.000627/200567. É como voto. Leonardo de Andrade Couto Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720027/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Cancela-se a exigência se a análise do procedimento fiscal evidencia que a contribuinte apresentara justificativas coerentes com as provas documentais juntadas no curso do contencioso, compatíveis com sua escrituração e confirmadas, por amostragem, no curso de diligências.
REAVALIAÇÃO DE BENS. Mantém-se parcialmente a exigência se a contribuinte não logra provar documentalmente todos os valores considerados como custo contábil de imóveis baixados. A parcela tributável remanescente é, ainda, reduzida pela perda que a contribuinte deixou de registrar contabilmente por erro no valor atribuído aos imóveis, erro do qual resultou a majoração do ganho de capital verificado no outro imóvel baixado.
RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. Reconstitui-se a apuração fiscal se o sujeito passivo logra demonstrar outros registros contábeis a serem considerados na determinação das receitas de serviços declaradas, bem como a existência de erro na apuração das receitas de serviços escrituradas no Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços. EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Mantém-se a exoneração promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância se da reconstituição da apuração fiscal não subsistem valores tributáveis.
GLOSA DE DESPESAS NÃO OPERACIONAIS. Cancela-se a exigência se a contribuinte demonstra que a parcela glosada foi regularmente adicionada às bases tributáveis.
GLOSA DE OUTRAS DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Cancela-se a exigência na parte cuja regular escrituração foi documentalmente provada pela recorrente. BAIXA DE APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA. Inexistindo autorização legal para amortização de títulos da dívida pública, o lucro tributável somente pode ser afetado pela eventual perda decorrente da baixa do ativo, cuja ocorrência não foi regularmente provada na forma da legislação de regência. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Afasta-se a glosa mediante prova da regular adição das despesas. OUTRAS DESPESAS. Mantém-se a glosa se o sujeito passivo não logra demonstrar sua correspondência com as ocorrências alegadas.
Numero da decisão: 1302-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema I; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema II; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente ao tema III; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IV; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema V; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VI; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VII; 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VIII; 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IX, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema I; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema II; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente ao tema III; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IV; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema V; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VI; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VII; 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VIII; 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IX, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Cancelase a exigência se a análise do procedimento fiscal evidencia que a contribuinte apresentara justificativas coerentes com as provas documentais juntadas no curso do contencioso, compatíveis com sua escrituração e confirmadas, por amostragem, no curso de diligências. REAVALIAÇÃO DE BENS. Mantémse parcialmente a exigência se a contribuinte não logra provar documentalmente todos os valores considerados como custo contábil de imóveis baixados. A parcela tributável remanescente é, ainda, reduzida pela perda que a contribuinte deixou de registrar contabilmente por erro no valor atribuído aos imóveis, erro do qual resultou a majoração do ganho de capital verificado no outro imóvel baixado. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. Reconstituise a apuração fiscal se o sujeito passivo logra demonstrar outros registros contábeis a serem considerados na determinação das receitas de serviços declaradas, bem como a existência de erro na apuração das receitas de serviços escrituradas no Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços. EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Mantém se a exoneração promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância se da reconstituição da apuração fiscal não subsistem valores tributáveis. GLOSA DE DESPESAS NÃO OPERACIONAIS. Cancelase a exigência se a contribuinte demonstra que a parcela glosada foi regularmente adicionada às bases tributáveis. GLOSA DE OUTRAS DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Cancelase a exigência na parte cuja regular escrituração foi documentalmente provada pela recorrente. BAIXA DE APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA. Inexistindo autorização legal para amortização de títulos da dívida pública, o lucro tributável somente pode ser afetado pela eventual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 27 /2 01 1- 94 Fl. 5689DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 3 2 perda decorrente da baixa do ativo, cuja ocorrência não foi regularmente provada na forma da legislação de regência. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Afastase a glosa mediante prova da regular adição das despesas. OUTRAS DESPESAS. Mantémse a glosa se o sujeito passivo não logra demonstrar sua correspondência com as ocorrências alegadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema I; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema II; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente ao tema III; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IV; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao tema V; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VI; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VII; 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema VIII; 9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao tema IX, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Fl. 5690DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório O presente processo retorna depois da realização de diligências determinadas pela extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho. Da Resolução nº 1101000.115 colhese o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos, bem como o voto condutor da Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri em favor da primeira conversão do julgamento em diligência: RELATÓRIO HOTEIS OTHON S.A, já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ que, por UNANIMIDADE de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação interposta contra lançamento lavrado em 10/02/2011 e cientificado em 15/02/2008 (fls. 210 a 245), exigindo crédito tributário no valor total (imposto/contribuição, multas e juros de mora) de R$39.457.414,33. Imposto de Renda Pessoa Jurídica.................... R$ 26.983.119,33 Programa de Integração Social..........................R$ 489.050,61 Contribuição para Financiamento S. Social.......R$ 2.252.596,82 Contribuição Social s/ lucro líquido ...............R$ 9.732.647,57 Consta da decisão recorrida o seguinte relato: A interessada apresentou declaração com base no Lucro Real Anual e foi autuada nas seguintes infrações: 1 Glosa de despesas não comprovadas A interessada foi intimada a comprovar o valor deduzido na DIPJ/2007, na Ficha 06 A Linha 41 (Valor Contábil dos bens e direitos alienados) no valor de R$ 16.334.338,79 e respondeu que se tratava de baixa de provisão de créditos tributários. Foi apresentada folha do razão da conta 4.8.1.01.001 – Baixa Créditos Tributários com o seguinte histórico: valor referente a baixa provisão do IR conforme relatório, contudo, não apresentou documentos, nem esclareceu a composição do valor. Foi também intimada a comprovar o valor declarado na linha 42 da ficha 06 A (Outras despesas não operacionais), no valor de R$ 14.312.130,75, e em resposta encaminhou relatório demonstrativo dos registros contábeis e informou que os valores reportamse a Reversões de diversas provisões. Foi apresentado um balancete parcial, não foram apresentados documentos, nem esclareceu a composição do valor. 2 Glosa de despesas financeiras A interessada foi intimada a comprovar o valor deduzido na DIPJ/2007 na Ficha 06 A, Linha 33 ( Outras despesas financeiras), no valor de R$ 22.778.033,76 a empresa informou que os valores referemse a Juros sobre empréstimos, juros sobre impostos em atraso e fornecedores, apresentou um balancete parcial, não apresentou a documentação que suporta os lançamentos, nem esclareceu a composição do valor. 3 – Reavaliação de bens O imóvel BAHIA OTHON PALACE HOTEL foi incorporado ao capital social da empresa HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, CNPJ: 08.018.417/000193, com valor superior ao contabilizado. Além do valor da reavaliação de 2002, a empresa procedeu a nova reavaliação no valor de R$ 6.031.183,57 , sem observar os requisitos legais, que não foi oferecido a tributação. Fl. 5691DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 5 4 O valor de mercado segundo o Laudo de 30/09/2002 foi de R$ 77.719.000,00. Em 2006 alcançou R$ 74.262.923,96. A incorporação ao capital da empresa HBBH ocorreu pelo valor de R$ 80.294.107,53. 4 Resultados Operacionais não declarados A interessada foi intimada a comprovar as diferenças apuradas pela fiscalização conforme planilha de DIVERGÊNCIA DOS LIVROS DE ISS COM A ESCRITURAÇÃO, no total de R$ 13.676.371,39. Em resposta informou que: “Em relação às diferenças tratase de diferenças temporárias, tendo em vista, que os registros das receitas das unidades são contabilizadas diariamente de acordo com a ocupação dos clientes e as receitas do ISS são apuradas por ocasião da emissão da Nota Fiscal de Hospedagens. Em relação a unidade de Belo Horizonte Othon, a escrituração do Livro Fiscal será revisada pois alguns valores estão sendo informados no Livro Fiscal da unidade que está apresentando duplicidade”. A fiscalização concluiu que a empresa não ofereceu a tributação o valor de R$ 13.676.371,39 que é decorrente do valor informado pela empresa R$ 85.231.114,10, no livro de ISS, subtraído dos dois subgrupos que se referem as Notas Fiscais de Serviço emitidas. A saber: 3.1.1.01 e 3.1.1.03 (R$ 68.452.386,08 + 3.102.356,63= 71.554.742,71) que são os Subgrupos constantes da planilha do Termo de Intimação de 24/01/2011. A interessada foi cientificada em 15/02/2011 e apresentou impugnação (fls. 289/321) em 17/03/2011 alegando em síntese: A – Da composição das despesas constantes das linhas 41 e 42 da ficha 06 A da DIPJ 2007 Não houve discordância quanto à natureza das despesas, mas alegação de ausência de comprovação . Quanto ao valor de R$ 16.334.338,79 tratase de composição de provisões relativas ao IRPJ e à CSLL, apurados em períodos anteriores nos valores de R$ 10.960.879,31 e R$ 5.373.459,48 O valor de R$ 16.334.338,79 faz parte da conta nº 4.8.1.01.001 denominada “baixa de créditos tributários”. A impugnante escriturou na parte A do LALUR, como adição ao Lucro Líquido, o montante de R$ 17.116.559,10 do qual faz parte o valor de R$ 16.334.338,79. Aquele valor acrescido de R$ 11.064,00 (doações e brindes) e 580.207,79 (multas não dedutíveis) totalizam R$ 17.707.840,89 que foi adicionado na linha 3 da ficha 09 A da DIPJ/2007. A interessada cita a pergunta 17 do Perguntas e Respostas, alegando que o procedimento foi correto , quando adicionou a linha 41 o valor de R$ 16.334.338,79, uma vez que as despesas relativas ao IRPJ e à CSLL não são consideradas como dedutíveis das suas próprias bases de cálculo. A fiscalização utilizouse de orientação da Lei 11.941/2009 que determinou a inserção do subgrupo do ativo permanente no grupo ativo não circulante,contudo, a Lei citada não pode ser aplicada retroativamente. Os documentos fiscais mostramse suficientes para comprovar que o IRPJ e a CSLL incidentes sobre o montante de R$ 16.334.338,79 foram contabilizados de modo adequado para efeito de apuração do montante devido. Quanto ao valor de R$ 14.312.130,75 informado na linha 42 da DIPJ/2007 a composição é a seguinte: Despesa Valor Acordo Extrajudicial firmado com o Banco do Brasil para pagamento do Escritório de Advocacia Dutra e Santos e Henrique Rodrigues e Jorge Ricardo R$ 5.362.612,49 Honorários advocatícios pagos ao escritório ZVEITER S/C R$ 1.575.000,00 Fl. 5692DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 6 5 Baixa de Apólices da Dívida Pública R$ 6.303.277,32 Multas ao INSS relativa ao Auto de infração 37.043.4609 R$ 482.191,19 Sub Total R$ 13.723.081,00 Outras despesas R$ 589.049,75 Total R$ 14.312.130,75 Quanto ao valor de R$ 6.303.277,32 , ele tem origem na reversão da atualização de título da dívida pública. Segundo a DIPJ/2000, foi contabilizado na ficha 25 A, linha 17 (Valores Mobiliários) o valor R$ 31.516.387,07. Tal valor foi dividido em 60 parcelas de R$ 525.273,11 para fins de amortização. Em 2006, houve a apropriação de 12 parcelas de R$ 525.273,11 que totalizam R$ 6.303.277,32, valor glosado pela fiscalização. A impugnante errou o preenchimento da DIPJ/2007 quando informou tal valor na linha 42 da ficha 06 A (Outras despesas não operacionais). B – Da composição das despesas constantes da Linha 33 da Ficha 06 A da DIPJ: outras despesas financeiras Foram glosadas as despesas financeiras, no total de R$ 22.778.033,76, por falta de comprovação. A composição da conta é a seguinte: No da Conta Natureza das contas Valores (R$) 4.5.1 DESPESAS DE JUROS 22.185.034,44 4.5.2 DESPESAS DE MULTA 130.761,83 4.5.3 OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS 462.237,49 4.5 DESPESAS FINANCEIRAS 22.778.033,76 A impugnante alega que anexa o razão analítico das referidas contas. C – Da ausência de Ganho de Capital em decorrência da avaliação do imóvel Bahia Othon Palace A impugnante não efetuou reavaliação em 2006, mas apenas transferiu o ativo da conta imobilizado para a conta investimento, em decorrênia da subscrição de quotas do capital social da empresa HBBH, a teor da Ata de Reunião do Conselho de Administração. A subscrição ocorreu mediante utilização dos imóveis registrados nas matrículas nº 15.248 e nº 3.879 representativos do valor de R$ 144.815.387,15 e aporte de capital no valor de R$ 10.434.522,85. O imóvel localizado na Bahia está registrado pelo valor de R$ 78.515.610,76 e o imóvel localizado em Belo Horizonte está registrado por R$ 66.299.776,39. Cita as soluções de consulta nº 42/2002 e 288/2006 e o artigo 7º da Lei nº 6.404/76. Alega que houve erro na autuação quando afirmou que transferiu o imóvel pelo valor de R$ 80.294.107,53 quando o valor de transferência foi de R$ 78.515.610,76 tal como registrado no livro Diário. O imóvel foi avaliado em 2002 por R$ 77.719.000,00, passou por diversas depreciações e melhorias resultando em um valor de R$ 78.515.610,76, mesmo valor da transferência para incorporação ao capital. Fl. 5693DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 7 6 Inexistindo diferença entre o valor de subscrição e o valor contabilizado, não se legitima o lançamento que baseouse em números estranhos à contabilidade da Impugnante. D – Do resultado operacional não declarado A interessada alega que declarou a título de receitas de revendas o valor de R$ 23.505.991,27 e a título de receita de serviços o valor de R$ 79.399.040,61 totalizando R$ 102.905.031,88. O valor de R$ 79.399.040,61 é resultante da soma das seguintes contas: Nº da Conta Valores (R$) 3.1.1.01 68.452.386,08 3.1.1.03 3.102.356,63 3.1.1.04 1.285.825,14 3.1.2 2.625.972,21 3.1.3 3.932.500,55 Total 79.399.040,61 Tais receitas são relativas à efetiva prestação de serviços de hotelaria., tal como indicado na linha 04 da Ficha 06 A da DIPJ/2007, razão pela qual não pode prosperar o argumento utilizado pelo Auditor para sustentar a cobrança dos valores impugnados, qual seja, de que o subgrupo 3.1.1.02 denominado “receita de alimentos e bebidas” e declarado na linha 03 da Ficha 06 A da DIPJ/2007 estava englobado nas receitas de serviços prestados pela Impugnante. O subgrupo 3.1.1.02 denominado “receita de alimentos e bebidas” foi levado a tributação sob a rubrica “receita de prestação de serviços” E – Da nulidade do lançamento relativo ao PIS e à COFINS diante da errônea fundamentação legal A maior parte da receita auferida advêm da prestação de serviços de hotelaria, e que a alíquota do PIS e da COFINS é de 0,65% e 3% respectivamente. O auto aplicou as alíquotas de 1,65% e 7,60%. Acrescenta ainda que a prestação de serviços de hotelaria não está sujeito à sistemática não cumulativa, a teor dos artigos 10, XXI e 15, V da Lei nº 10.833/2003. Cita ainda, o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Cita Acórdão do CARF. O incorreto enquadramento legal, portanto, viola o inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.253/72 e os artigos 142 e 144 do CTN, sendo razão suficiente para que seja declarada a nulidade do lançamento tributário ora impugnado. F Da Insubsistência do Lançamento: a observância ao princípio da verdade material A verdade material, princípio norteador de Direito Tributário, permite concluir que as verdadeiras informações fiscais devam prevalecer em detrimento de meros erros formais cometidos pelo contribuinte no cumprimento de obrigações acessórias ou, no caso em debate, premissas equivocadas, em desalinho com a contabilidade do contribuinte. Cita doutrina e jurisprudência. A DRJ acolheu parcialmente os argumentos da impugnação exarando o Acórdão n. 1241.851 para i) exonerar a exigência de PIS e COFINS devido enquadramento legal incorreto, considerando que as receitas decorrentes dos serviços de hotelaria estão sujeitas à sistemática cumulativa, ao invés da não cumulativa a teor a Lei 10.833/2003, e ii) manter os valores relativos ao IRPJ e à CSLL, lavrando o acórdão 12.41.851 em 27 de outubro de 2011, nos termos da ementa ora reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PIS. COFINS. CUMULATIVIDADE Fl. 5694DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 8 7 As receitas auferidas decorrentes de serviços de hotelaria conforme definido na Portaria Interministerial dos Ministérios da Fazenda e do Turismo nº 33, de 3 de março de 2005 estão sujeitas a incidência do PIS e da COFINS pela incidência da cumulatividade. AUSÊNCIA DE PROVAS Nos termos do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão, coube recurso de ofício ao CARF. Cientificada em 31/01/2012 (fl. 1576), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/03/2012, contra o acórdão recorrido, com as seguintes alegações de defesa: III – DO MÉRITO – do correto procedimento levado a efeito na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IIIa da composição das despesas constantes das linhas 41 e 42 da ficha 06A da DIPJ 2007. Alega que se depreende a suposta infração decorrente da não comprovação das despesas indicadas na DIPJ, foi apurada pela não comprovação das despesas durante o trabalho de fiscalização, não havendo eventual discordância quanto à natureza das despesas classificadas como operacionais pelo declarante. Os valores sobre os quais os lançamentos recaíram são de R$16.334.338,7579 e R$14.312.130,75, declarados nas linhas 41 e 42 da DIPJ 2007 (doc 4). Informa que transmitiu DIPJ retificadora referente ao anocalendário 2006 em 27/12/2011 visando informar os demonstrativos de créditos oriundos de retenções por ela sofridas, os quais não haviam constado da DIPJ originária, o que resultou na alteração das linhas 12 e 13 da ficha 12A e 49 da ficha 17, dentre outras correções (doc 2). Ressalta que constatou que o valor constante da Ficha 09A da linha 03 da DIPJ originária (R$17.707.840,89) não correspondia ao valor declarado como parcela não dedutível na linha 32 da Ficha 05 (R$1.326.634,79) e que na transmissão da DIPJ retificadora houve a regularização do erro visto que as demais adições ao Lucro Líquido, além do valor de R$1.326.634,79, concernente às parcelas não dedutíveis das despesas operacionais constantes da linha 32 da ficha 05, deveriam ser informadas na linha 22 da ficha 09A, como “outras Adições”. Revela que o valor informado na DIPJ originária na ficha 09A, linha 03 (R$17.707.840,89) equivale à soma de: R$1.326.634,79 + R$16.381.206,10 (inserido na retificadora na linha 22 da ficha 09A e que, por sua vez, o valor de R$16.381.206,10 é composto por: R$16.334.338,79 que fazia parte da conta 4.8.1.01.001, denominada “baixa créditos tributários” somados à R$580.207,79 (informado na parte A do Lalur a título de multas não dedutíveis) e deduzidos R$533.340,48, que por equívoco a recorrente deixou de adicionar na parte do saldo da conta 4.6.1.01.999. O valor de R$580.207,79 é composto por: Conta Valor (R$) 4.8.1.04 – despesas dedutíveis 577.715,15 4.3.9.98.002 – multas de trânsito 515,02 4.3.9.98.004 – multas fiscais 625,24 4.3.9.98.999 outras despesas indedutíveis 1.352,38 total 580.207,79 O valor de R$530.340,08 é composto por: Fl. 5695DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 9 8 Conta Valor (R$) 4.6.1.01.001 contingências trabalhistas 341.041,59 Parte da conta 4.6.1.01.999 Outra provisões – perdas de créditos 192,298,89 Total 533.340,08 Acosta o livro Razão Analítico pertinente ao período autuado a fim de comprovar a origem dos valores de R$17.116.569,19 (doc. 3) e que a partir da análise do Razão, identificase que o montante de R$17.116.569,19 se refere a R$16.334.338,79 (lançados na conta de créditos tributários) somados ao saldo da conta “4.6.1.01.999 – outras provisões – perda de créditos (R$17.224,31). Afirma que estes valores são coerentes com o Balancete Consolidado de Verificação de dezembro de 2006, às fl. 1.546 dos autos. Aduz que é inegável que o valor R$17.116.569,19, foi corretamente declarado na Parte A do LALUR em face das demonstrações apresentadas. Elabora nova planilha da qual se conclui que somente R$533.340,48 poderia ter sido objeto de questionamento por parte da fiscalização: [...] Informa que o valor de R$14.312.130,75, declarado na linha 42 da Ficha 06A da DIPJ 2007, está assim composto: [...] Esclarece que os valores das contas 481.04.002 – multa de trânsito; 481.04.003 – multa sem comprovantes; 481.04.004 multas fiscais e 481.04.999 – outras não dedutíveis, totalizam R$577.715,15 e que foram corretamente adicionadas na parte A do LALUR. Aduz que as despesas de R$5.362.612,49 correspondem ao pagamento a título de honorários advocatícios decorrente do Acordo Extrajudicial firmado entre a recorrente e o Banco do Brasil S/A (doc. 8) em favor do: i) Escritório de Advocacia Dutra e Santos (R$4.363.612,49); ii) de Henrique Rodrigues da Silva (R$500.000,00); e iii) Jorge Ricardo da Costa Ribeiro Muniz, no valor de R$500.000,00. Cita a cláusula Nona do contrato que o mesmo tinha objetivo de “encerrar as ações judiciais acima enumeradas, nas quais se encontram em posições antagônicas, em decorrência de divergência nas operações financeiras desenvolvidas entre o BANCO e os PROPONENTES e que acarretaram a instauração dos processos entre os mesmos. Anexa ao recurso, diversas petições apresentadas nos autos do processo judiciais citados no dito documento e também algumas outras decisões judiciais (doc. 4), por amostragem e que homologaram a transação efetuada entre as partes e reconheceram a validade de tal iniciativa extrajudicial a fim de rechaçar qualquer alegação de que não suportara o pagamento dos honorários advocatícios e cita exemplo de petição constante no processo n. 2001.084.00008202. Cita que a despesa de R$1.575.000,00 se refere ao pagamento de honorários advocatícios em favor do Escritório de Advocacia Zveiter S/C. Junta nota fiscal (doc. 9) e contrato de prestação de serviços. Adiciona que o contrato prevê o pagamento de R$200.000,00 e de R$750.000,00 pela recorrente, diante do acordo extrajudicial com o Banco do Brasil S.A. E que o valor de R$950.000,00 corrigido pelo IGPM para set/2006 (65,78), corresponde da nota fiscal emitida em 15/09/2006 no valor de R$1.575.000,00 e também o valor do pagamento efetuado, conforme cópias dos comprovantes de pagamento anexados (doc. 6). Que o valor de R$6.303.277,32, tem origem na reversão da atualização de títulos da dívida pública, nos exatos termos do livro Razão anexado à impugnação (doc 11). Fl. 5696DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 10 9 Destaca que o valor de R$31.516.387,07 foi devidamente contabilizado na Ficha 25A linha 17, da DIPJ 2000 e que este ativo foi adquirido por R$1.394.829,97, conforme doc 7, que atualizado (doc 8) atingiu R$31.516.387,07 em 31/12/1999 e que dividida em 60 parcelas iguais de R$525.273,11, para fins de amortização, são dedutíveis. Apropriou 12 (doze) parcelas de R$525.273,11, totalizando R$6.303.277,32, valor este que foi glosado pela fiscalização. Porém, devido a erro de preenchimento da DIPJ/2007, o valor foi declarado na linha 42 ficha 06A como outras despesas não operacionais, em dissonância com a própria natureza do investimento sob análise. Ressalta que os juros e atualizações do ativo citado, foram oferecidos à tributação nas DIPJs referentes aos anos de 1999 a 2006 (doc. 09), mas não se detecta a exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Sendo defeso ao Fisco prosseguir na cobrança do IRPJ e CSLL com base no erro de preenchimento da DIPJ/2007. Alega que se trata de erro material, incapaz de fundamental o lançamento do tributo. Cita ementas do CARF. Aduz que foram elucidadas a composição das despesas que totalizam os valores indicados nas linhas 41 (R$16.334.338,79) e 42 (R$14.312.130,75) da Ficha 06A da DIPJ 2007, não restando dúvidas de que os lançamentos foram improcedentes. III.b – DA COMPOSIÇÃO DAS DESPESAS CONSTANTES DA LINHA 33 DA FICHA 06A DA DIPJ 2007; OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS. A recorrente afirma que foi autuada por não ter demonstrado a composição das receitas financeiras, ou seja, não ter apresentado os documentos, pelo que se procedeu à glosa de despesas no valor de R$22.778.033,76. Diz que no balancete de verificação do período de dezembro/2006 (doc. 13), é possível compor as contas que resultam no valor glosado e que boa parte tratase de juros incidentes sobre impostos que deixaram de ser recolhidos, com destaque para aqueles incluídos no REFIS que estavam sujeitos, a partir de sua consolidação, à incidência da TJPL nos termos do art. 2o do §4o, inciso I, da lei 9.964/2000: [...] Demonstra que R$8.344.169,07 (juros do REFIS em 2006) corresponde a 36,63% das despesas glosadas. Traz a título de exemplo, planilha que mostra sua tentativa de demonstrar a associação entre os vários lançamentos atinentes às despesas financeiras e aos respectivos documentos comprobatórios. Diz ser impossível juntar todos os lançamentos. [...] Diz que organizou todos os documentos para facilitar a conferência (doc. 10) e que não pairam maiores dúvidas sobre a possibilidade de as despesas financeiras serem deduzidas da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Requer o reconhecimento da improcedência do lançamento tributário. III.c – DA AUSENCIA DE GANHO DE CAPITAL EM DECORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DO IMÓVEL BAHIA OTHON PALACE Alega que o acórdão manteve a exigência do IRPJ e CSLL incidentes sobre suposto ganho de capital não tributado, no valor de R$6.031.183,57, resultante da avaliação do imóvel Bahia Othon Palace (registro n. 15.248), realizada em 2006. Afirma que não procedeu a uma nova avaliação do bem, mas apenas transferiu o valor da “conta imobilizado” para a “conta Investimento”, em decorrência da Fl. 5697DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 11 10 subscrição de quotas do capital social na empresa HBBH – Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, teor da Ata da 1a Alteração Contratual de HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, realizada em 02 de outubro de 2006 (doc. 14). Tece considerações acerca de deliberações consignadas na Ata de Reunião do Conselho de Administração. Informa que a subscrição de quotas de capital ocorreu mediante a utilização dos imóveis registrados na matrículas n. 15.248 do 1o ofício do RGI de Salvador BA (Bahia Othon Palace Hotel) e n. 3879 do 2o ofício de Registro de Imóveis de Belo Horizonte – MG (Belo Horizonte Othon Palace Hotel), representando no total de R$144.815.387,15, estando o procedimento em harmonia com as soluções de consulta n. 42 e 288, cuja teor transcreve. Alega que por um mero erro material no momento da citada Ata, os valores dos imóveis foram individualizados no item “1” subitem ª2 alínea i e ii e no item 2, de forma equivocada sendo atribuído ao primeiro imóvel o valor de R$80.294.107,53 quando estava avaliado por R$78.515.610,76 e ao segundo imóvel foi atribuído o valor de R$64.521.279,62 quando o correto seria R$66.299.776,39 e que estes valores corretos estão registrados no Livro Diário (doc 15). Menciona que o imóvel em questão foi avaliado em 2002 através e Laudo de Avaliação (doc. 16) por R$77.719.000,00 e que à época da subscrição o imóvel (Bahia Othon Palace) passou por diversas depreciações e melhorias, que resultam no valor de R$78.515.610,76, devidamente atestadas nas contas 1.3.2.01.001 – terrenos e 1.3.2.02.003 – depreciação de benfeitoria em imóvel pelo IPC. Conclui que não existe uma nova avaliação e tampouco ganho de capital e que o valor de subscrição é o mesmo valor do imóvel contabilizado: [...] Diz que a contribuinte incorreu em nítido erro material, e que a informação relativa ao valor de avaliação dos imóveis objeto da Ata da 1a Alteração Contratual da HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, foi reduzida a termo de forma equivocada pela Recorrente. Cita ensinamentos e entendimento dos tribunais administrativos e aduz que o princípio da verdade material dos fatos deve prevalecer em detrimento de mero formalismo das provas. Passa a demonstrar a suposta improcedência da alegação fazendária quanto ao ganho de capital em virtude da subscrição de quotas do capital social mediante a utilização do imóvel Bahia Othon Palace. Informa que a contabilidade da recorrente é realizada de forma descentralizada, composta pelo Escritório Central (parte Administrativa) e pelas unidades operacionais (hotéis), e são mensalmente consolidadas para apuração do resultado do período, como mostra o exemplo a seguir:, [...] Que em função da descentralização há valores transitórios escriturados nas contas de raiz “2.1.9.10”, os quais no final da consolidação, se anulam. Mostra que realizando nova operação de adição quanto aos valores consolidados na contabilidade das unidades operacionais “Bahia Othon Palace Hotel” e “Belo Horizonte Othon Palace Hotel”, os valores de avaliação apurados naquele período totalizam os mesmos R$144.815.387,15, registrados na ATA da 1a Alteração Contratual de HBBH. Diz que há erros materiais cometidos pela contribuinte quanto aos valores atribuídos aos imóveis das respectivas unidades operacionais, dando a impressão de que houve ganho de capital. Que a diferença entre o suposto “Valor de Transferência” considerado pela fiscalização p. 1565 do acórdão, e o correto valor Fl. 5698DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 12 11 do imóvel registrado nos livros Diário e Razão, acrescido dos valores transitórios nos estabelecimentos central e operacional localizados na Bahia (R$4.252.686,80), afasta qualquer dúvida quanto à existência de ganho de capital não tributado no valor de R$6.031.183,07. Conclui que o lançamento referente à cobrança de ganho de capital está equivocado. III.d – DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE IRPJ E CSLL, ORIUNDO DE DECLARAÇÃO RELATIVA AOS RESULTADOS OPERACIONAIS OBTIDOS EM 2006. Insiste que a integralidade das receitas auferidas no ano base de 2006 foram declaradas na DIPJ 2007 e tributadas. Informa que em fase de impugnação, elaborou planilha demonstrando o raciocínio utilizado pelo autuante para efetuar a lavratura do auto de infração: [...] Alega que o livro fiscal não contempla o valor de R$85.231.114,10, mas sim R$83.220.556,38, existindo uma diferença de R$2.010.558,33 que decorre da apuração das unidade BHOP, São Paulo OTH e TROCADEIRO, e que o fiscal autuante considerou que a base de cálculo do ISS correspondia ao total da nota emitida para efeito de recolhimento de imposto municipal, esquecendose que são receitas relativas ao consumo, sujeitas ao ICMS, e que Foram deduzidas da base de cálculo do ISS. [...] O valor escriturado nos livros do ISS e de que se valeu a fiscalização (R$85.231.114,71) subtraído de R$2.010.558,33 perfaz R$83.220.556,38 e que deste valor devem ser subtraídas as verbas de taxa de turismo, que são repassadas ao Rio Convention Bureau, apesar de constarem nas Notas Fiscal. Em 2006 foram repassados R$567.263,13, conforme balancete anexo (doc 11). Não se tratando de receitas da empresa não devem ser tributadas. Que as receitas das contas 3.11.02.005 – Ev. Alug, Salas e Equip e 3.1.1.02.004 – café da manhã cobrado, geram nota fiscal, compõem o livro de ISS, mas são excluídas, posto que são tributadas pelo ICMS. Conclui que a fiscalização errou ao partir da premissa de que o valor declarado na DIPJ como receita de prestação de serviços (R$79.399.040,61) deveria ser idêntico ao valor do livro de ISS, apesar deste último também constar valores que se sujeitarão ao ICMS e serão excluídas para efeito de ISS. Elabora a composição dos valores sujeitos ao ISS: [...] Além da diferença apontada de R$2.010.558,33, bem como as demais inconsistências, o fiscal autuante deixou de considerar as contas 3.1.1.04 – Receitas Hotéis Adm/Similares e 3.1.3 – impostos cobrados nas vendas, cujos valores nelas incluídos advém da prestação de serviços, os quais, registrase , também compõem o montante escriturado no Livro do ISS, como mostrase a seguir: [...] Atenta que as contas estão no balancete de verificação de dezembro/2006 (fls. 1534 a 1535) mas o auditor fiscal errou ao somar à receita operacional o valor objeto da conta 3.1.1.01 – receita de hospedagem de R$68.452.386,08 porque esta conta não revela a efetiva receita de diária (conta 3.1.1.01.001) decorrente da prestação de serviços, e sim, a soma das receita de hospedagem com as receitas de café da Fl. 5699DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 13 12 manhã e meia pensão, englobadas nas contas 3.1.1.01.002 (R$4.443.281,38) e 3.1.1.01.003 (R$178.028,30), respectivamente, e que totalizam R$73.073.695,76. Esclarece que o valor contabilmente registrado relativo às receitas operacionais é assim ilustrado: [...] Conclui que a diferença entre os valores do livro ISS (R$79.996.345,25) e o decorrente da prestação de serviços (R$81.394.378,08), perfaz R$1.428.032,83 que resulta da própria atividade hoteleira e da incompatibilidade entre a apuração do ISS (MENSAL) e do IRPJ (ANUAL), derivada de hospedagem ocorrida em dezembro de 2006, para efeito contábil, e para fiscais, a receita tomará como base a nota fiscal emitida no check out. IV – DA INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO: A OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Aponta que o auto de infração se baseia no pressuposto de que a recorrente não logrou êxito em demonstrar, durante o período de fiscalização, a composição das despesas glosadas, por este motivo, a impugnação foi instruída com vasta documentação, que legitima o procedimento realizado pela recorrente durante o período autuado e que a verdade deve prevalecer sobre a forma. Aduz que quando o auditor lavra auto de infração partindo de premissas equivocadas, em desalinho com a contabilidade do contribuinte, a verdade material deve prevalecer sobre a formal. Cita jurisprudência administrativa. Ressalta que ainda que tenha cometido erro ao prestar informações, tal vício não desnatura o pagamento dos débitos, uma vez que o princípio da verdade material obriga a autoridade administrativa a agir com diligência e apuração dos fatos. Cita doutrina. Adiciona que o auditor fiscal não poderia ter deixado de reconhecer a legitimidade das informações fiscais e a validade dos valores tidos por devido e ignorar os dados disponibilizados pela recorrente. Cita jurisprudência dos tribunais superiores. Afirma que os débitos cobrados são indevidos. V – DA CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA. Requer a conversão do feito para realização de diligência, caso a documentação acostada não servir para declarar totalmente insubsistente os lançamentos originários e que tal pedido decorre do fato de o auditor fiscal ter partido de premissas equivocadas ao efetuar o lançamento tributário, eis que: i) as despesas adicionadas e deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL podem ser efetivamente comprovadas; iii) não houve reavaliação do imóvel Bahia Othon Palace Hotel, de modo que não há que se cogitar de descumprimento dos requisitos legais e tampouco de ganho de capital; e iii) todas as receitas sujeitas à tributação foram devidamente declaradas. VI – DO PEDIDO Pede o recebimento do Recurso Voluntário com efeito suspensivo, sustandose quaisquer atos tendentes ao prosseguimento da cobrança administrativa ou judicial dos débitos debatidos no presente processo até ulterior decisão definitiva em contrário, nos termos do artigo 151, II, do CTN, bem como a inscrição de seu nome no CADIN ou outro órgão de proteção ao crédito. Pede seja dado provimento ao recurso para declarar totalmente insubsistente o auto de infração e lançamentos dele decorrentes. VOTO Fl. 5700DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 14 13 [...] Em que pesem as explicações e argumentações apresentadas, não é possível afirmar com segurança que as despesas glosadas no procedimento fiscal, infrações 1 e 2, relacionamse com explicações e os documentos apresentados, porque necessário correlacionar os originais com os registros contábeis que resultaram nos totais glosados, não havendo segurança para decidir pois, no auto de infração não constam maiores esclarecimentos devido à falta de apresentação de documentação à época do procedimento fiscal. Além disso, a contribuinte incluiu retenções de IRPJ e CSLL que poderiam ser passíveis de dedução no período autuado desde que comprovadas e correspondentes a receitas computadas na base de cálculo autuada. Ademais, as alegações referentes à infração n. 4 (omissão de receitas) necessitam de confirmação nos livros fiscais e contábeis originais da contribuinte. [...] Assim, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade competente: 1) analise os documentos de fls. 1644 a 3845 confrontandoos com a escrituração comercial do sujeito passivo, e informando se correspondem a custos/despesas que foram glosados no procedimento fiscal (infração 1 e 2), individualizando sua repercussão no crédito tributário lançado); 2) informe os dados dos parcelamentos, datas, tributos e valores dos tributos tomados junto à RFB, informados pelo contribuinte como REFIS, que ensejariam despesas financeiras no ano calendário 2006, bem como o valor das despesas de juros relacionadas a estes parcelamentos; 3) confirme as retenções na fonte alegadas, verificando sua correspondência com receitas incluídas na base de cálculo autuadas; e 4) confirme na escrituração contábil e fiscal a correspondência entre as receitas declaradas e os valores apontados pela contribuinte de modo a determinar se outras contas contábeis representativas de receitas e outros registros de vendas em livros fiscais devem ser considerados na comparação originalmente feita para apuração das receitas que teriam sido omitidas; 5) confirme se o valor de R$R$567.263,13 corresponde à taxa de turismo repassada ao Rio Convention Bureau. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, inclusive quantificando a repercussão dos valores comprovados no lançamento, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho. Os autos retornaram a este Conselho com as providências assim relatadas na Resolução nº 1101000.144: A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação dos livros contábeis e da documentação original das cópias juntadas à defesa da contribuinte (fl. 3880/3881). A resposta da contribuinte consta às fls. 3882/3924. Analisando os elementos apresentados, a autoridade fiscal elaborou o relatório de fls. 3925/3935, instruído com os anexos de fls. 3936/3976, manifestandose acerca do conteúdo probatório dos documentos apresentados. Em suma, negou qualquer efeito às alegações da contribuinte, e apenas reconheceu informadas em DIRF as retenções por ela alegadas. Cientificada, a contribuinte manifestouse às fls. 3989/4012, juntando os elementos de fls. 4013/4741 e asseverando que embora a Fiscalização tenha reconhecido a comprovação de algumas despesas, em sua maior parte, simplesmente ignorou os documentos apresentados, deixando de analisálos pormenorizadamente, como foi Fl. 5701DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 15 14 determinando por esse E. Conselho, a demandar a declaração de nulidade do referido relatório e a determinação de nova diligência. De outro lado, diz ter contratado serviços de auditoria independente, do qual resultou “Termo de Constatação” acerca de cada ponto apresentado pela diligência, no qual concluiuse pela correção dos procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente. Na seqüência, reafirma suas razões, expostas em recurso voluntário, e corroboradas no referido parecer, para infirmar a acusação fiscal. Pede, assim, que sejam declarados insubsistentes os lançamentos. Como a Conselheira Relatora original não mais integrava este Conselho, procedeuse a novo sorteio com a atribuição da relatoria dos recursos a esta Conselheira. Confrontando a acusação fiscal com os esclarecimentos prestados pela contribuinte e com as apurações realizadas em razão da primeira diligência, esta Relatora expressou suas conclusões acerca de cada item debatido, e concluiu pela necessidade de nova diligência para as providências assim sintetizadas no dispositivo da Resolução nº 1101000.144: Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: · Relativamente à glosa de despesas financeiras, junte aos autos os registros do Livro Razão, de modo a demonstrar as contas integrantes do grupo nº 4.5, bem como aquelas que integram os subgrupos nº 4.5.1, 4.5.2 e 4.5.2, detalhando os valores contabilizados; · Relativamente ao ganho de capital decorrente da reavaliação de bens: o Intime a contribuinte a demonstrar a composição da conta nº 2.1.9.10.004 até a transferência de seus valores no momento da baixa do imóvel Bahia Othon, como evidenciado à fl. 1434, apresentando não só o Razão Contábil desta conta como também os documentos de suporte da escrituração, para que a autoridade fiscal encarregada da diligência confirme a compatibilidade dos valores escriturados com a alegação de que eles integrariam o custo contábil do imóvel baixado; o Intime a contribuinte a demonstrar que baixou o outro imóvel envolvido na operação pelo valor de R$ 66.299.776,39, deixando de apurar a perda de capital que poderia se verificar caso considerado o valor atribuído ao imóvel no documento de fls. 93/100 (R$ 64.521.279,62); · Relativamente aos resultados operacionais não declarados: o Avalie as constatações da consultoria contratada acerca da alegada diferença de R$ 2.010.558,33 na informação das receitas de prestação de serviços em livros fiscais, e demonstre que os valores considerados nos cálculos do valor tributário correspondem, de fato, apenas ao valor do serviço tributável pelo ISS, mediante juntada aos autos dos Livros de Apuração do ISS de todas as filiais do sujeito passivo ou declaração de seu conteúdo pela autoridade administrativa; o Informe se houve cobrança de taxa de turismo consignada nas notas fiscais de serviços do anocalendário 2006, e se estes valores foram excluídos no momento da apuração do valor tributável dos serviços nos Livros de Apuração do ISS; Fl. 5702DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 16 15 o Informe se as receitas de aluguéis de salas/equipamentos, no valor total de R$ 2.574.109,64, foram classificadas como receitas de prestação de serviços e computadas no valor tributável de serviços nos Livros de Apuração do ISS, a demandar o cômputo do saldo da conta contábil nº 3.1.1.02.005 nas fontes contábeis das receitas de prestação de serviço oferecidas à tributação; o Confirme se as notas fiscais de débito escrituradas na conta contábil nº 3.1.1.04 (Receitas Hotéis Adm/Similares), no valor total de R$ 1.285.825,14, foram computadas no valor tributável dos serviços no Livro de Apuração do ISS como indicado na amostragem elaborada pela consultoria contratada; o Analise a sistemática contábil adotada pela contribuinte para reconhecimento das receitas correspondentes a café da manhã e meiapensão inclusos na diária, para apurar se estes valores foram indicados de forma destacada nas notas fiscais de serviços, ou se integraram o valor da diária e, por conseqüência, o valor tributável dos serviços informado nos Livros de Apuração do ISS; · Relativamente à dedução de retenções junte aos autos as informações extraídas de DIRF, ou declare a compatibilidade das receitas auferidas com as receitas oferecidas à tributação no anocalendário 2006; e · Relativamente à glosa de despesas não comprovadas: o Com vistas à aferição da dedutibilidade do valor consignado na Linha 41 da Ficha 06A da DIPJ/2007, junte aos autos o detalhamento das despesas escrituradas no anocalendário 2006, e se manifeste acerca da existência de outros valores indedutíveis que poderiam ter sido adicionados em montante equivalente à sobra de R$ 15.800.998,31 demonstrada neste voto; o Com vistas à aferição da dedutibilidade do valor consignado na Linha 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007, faculte à contribuinte: o Demonstrar os lançamentos contábeis de reconhecimento do direito ao recebimento dos valores objeto do acordo firmado com Banco do Brasil S/A e de sua liquidação, de modo a evidenciar que a parcela de R$ 5.362.512,49 também foi reconhecida como receita no anocalendário 2006, e integrada ao lucro tributável, mediante prova de que seu saldo foi levado ao resultado do exercício; o Provar a correlação das Apelações Cíveis de nºs 3918/01 e 3921/01 com as ações objeto do acordo firmado com o Banco do Brasil S/A e esclarecer a razão de ter sido pago ao escritório de advocacia contratado valor superior àquele que seria esperado em razão da atualização dos honorários pelo IGPM; o Provar o cômputo das receitas de atualização monetária das apólices da dívida pública no lucro contábil expresso nas DIPJ dos anoscalendário 1998 e 1999, bem como que as apólices em referências não foram utilizadas em compensações com tributos administrados pela Receita Federal, ou mesmo em cobrança administrativa ou judicial; o Provar que os demais valores integrantes da parcela de R$ 577.715,15 teriam a natureza de multas indedutíveis; e Fl. 5703DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 17 16 o Afastar documentalmente as deficiências apontadas acerca da dedutibilidade da despesa registrada na conta nº 4.8.1.02.002. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade fiscal encarregada da diligência lavrou a intimação de fls. 4783/4786, obtendo em resposta os esclarecimentos de fls. 4787/5552 e lavrando o Termo Circunstanciado de fls. 5538/5552 cientificado à contribuinte em 21/12/2015. Em 19/01/2016 a contribuinte manifestouse às fls. 5604/5608. Observou que as conclusões fiscais evidenciam que a maior parte do Auto de Infração fora realmente lavrado de forma equivocada, e resultam em relatório opinativo pela revisão substancial do lançamento, com consequente cancelamento de grande parte da autuação. A parcela remanescente, cujo cancelamento não foi sugerido, estaria adstrita àquela que o Requerente não conseguiu carrear ao processo a documentação correlata comprobatória de seu direito, as quais afirma não mais possuir, dado que já transcorridos mais de 10 (dez) anos das ocorrências, muito além do prazo decadencial, de modo que a Requerente não teria mais obrigação de mantêlos em sua posse, de modo que se desfez dos mesmos. Destaca sua boafé ao demonstrar, por meio das provas que possuía, a insubsistência da maior parte da autuação fiscal, diz que a Fiscalização apenas presumiu as infrações imputadas, em desrespeito ao art. 333 do Código de Processo Civil. Pede, assim, o provimento integral do recurso voluntário. Fl. 5704DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 18 17 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Glosa de despesas financeiras (Tema I) Por meio da intimação de fls. 49/50 foi exigido da contribuinte a apresentação de todos os contratos de mútuos referentes a CC 1.2.1.01 acompanhados das planilhas de memórias de cálculo, bem como documentação e memória de cálculo dos grupos contábeis 4.5 e 3.2. Em resposta, a contribuinte apresentou os contratos, planilhas de cálculo, resumo de contabilização dos mútuos, bem como razão contábil das receitas e despesas financeiras escrituradas nos grupos 4.5 e 3.2. A autoridade exigiu a documentação de suporte dos lançamentos escriturados em algumas contas dos grupos 3.2 e 4.5, bem como o demonstrativo de débitos incluídos em todos os parcelamentos no curso do ano de 2006, acompanhado das memórias de cálculo individualizados (fls. 52/53). Posteriormente requereu, também, toda a documentação referente ao LEASE BACK realizado junto ao Banco do Brasil (fls. 54/55), mas na resposta de fl. 56 nada foi indicado acerca desta exigência. Na sequência, a autoridade fiscal exigiu a comprovação documental dos valores registrados na Ficha 06A da DIPJ/2007, na linha 33 (Outras Despesas Financeiras, no valor de R$ 22.778.033,76), tudo acompanhado dos lançamentos contábeis individualizados, conforme fls. 57/59. Concedeu 5 (cinco) dias úteis para apresentação destes documentos, observando que todos os itens assim indicados eram complementos de intimações anteriores não inteiramente atendidas pela empresa. Por meio da intimação de fls. 186/188 a autoridade fiscal reiterou a exigência de comprovação documental dos valores que integraram a linha 33 da Ficha 06A da DIPJ/2007. A contribuinte apresentou relatórios demonstrativos da origem dos valores registrados na linha 33 da Ficha 06A da DIPJ/2007, indicando tratarse de Juros s/ empréstimos, Juros s/ impostos em atraso e fornecedores. A autoridade fiscal glosou a dedução destes valores na apuração do lucro tributável porque a contribuinte não apresentou a documentação que suporta os lançamentos, nem esclareceu a composição do valor indicado na DIPJ/2007. Em impugnação, a contribuinte assim decompôs o valor glosado: Nº da Conta Natureza das contas Valores (R$) 4.5.1 DESPESAS DE JUROS 22.185.034,44 4.5.2 DESPESAS DE MULTA 130.761,83 4.5.3 OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS 462.237,49 4.5 DESPESAS FINANCEIRAS 22.778.033,76 Fl. 5705DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 19 18 Examinando os documentos apresentados e juntados às fls. 511/1425, a autoridade julgadora de 1a instância observou que não foi apresentado o Razão Contábil completo, e que não foi demonstrada a correlação dos registros contábeis com os documentos apresentados. Exemplificou como os históricos contábeis não permitiam identificar qual documento justificaria o lançamento e destacou que diversos contratos não apresentam assinatura do credor ou informação de taxa de juros, além de outros estarem ilegíveis. Em recurso voluntário, a contribuinte alegou que boa parte das despesas correspondem a juros sobre tributos parcelados no âmbito do REFIS (R$ 8.344.169,07), sujeitos à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Apresentou, também, planilha na qual buscou correlacionar os lançamentos com as despesas financeiras e respectivos documentos comprobatórios, reconhecendo ser impossível fazêlo por completo. E defendeu a dedutibilidade integral dos valores por ter organizado todos os documentos para conferência, nos termos do doc. nº 10. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência apurou que os tributos parcelados no âmbito do REFIS ensejaram juros no montante de R$ 9.343.686,90, no ano calendário 2006. Além disso, informou que os tributos parcelados no âmbito do PAES se sujeitaram a juros no valor total de R$ 178.486,17. Acrescentou, ainda, que houve registro contábil de juros no valor de R$ 8.334.167,67, aí incluídos registros sob o histórico ATUALIZ. PAES. Os demonstrativos de juros foram juntados como Anexos A e B. Manifestandose acerca do resultado da diligência, a contribuinte alegou que a Fiscalização desconsiderou os juros com parcelamento de ISS junto ao Município do Rio de Janeiro e Belo Horizonte; juros contraídos em empréstimos de instituições financeiras; juros incorridos sobre débitos de PIS e COFINS não parcelados; INSS e etc. Reportouse ao termo de constatação elaborado pela consultoria contratada, no qual estão quantificados os valores assim incorridos, restando não analisada apenas a parcela de R$ 3.568.003,88. Ainda assim, pediu o cancelamento integral da glosa. No referido termo de constatação, para além da abordagem acerca dos juros decorrentes dos parcelamentos no âmbito do REFIS e do PAES, concentrandose na validação de grandes saldos, a auditoria contratada identificou correspondência entre os lançamentos contábeis de despesas e as ocorrências que justificariam sua dedutibilidade. Ocorre que, embora a contribuinte tenha apresentado à Fiscalização os registros do Livro Razão acerca do grupo de despesas nº 4.5, onde estão incluídas as despesas financeiras aqui em debate, estes elementos não foram juntados aos autos. Em impugnação, a contribuinte apresentou registros incompletos, deixando de juntar especialmente as contas do subgrupo nº 4.5.1, com exceção de alguns extratos mensais de contas integrantes daquele conjunto. Por fim, os documentos aos quais se reporta a auditoria contratada são integrados pela reprodução de lançamentos contábeis do Livro Diário, inexistindo a reprodução completa do Livro Razão referente às contas do grupo nº 4.5. Por tais razões, para se confirmar a correspondência alegada no termo de constatação, necessário se fez requerer, no segundo pedido de diligência, que fossem juntados aos autos os registros do Livro Razão, de modo a demonstrar as contas integrantes do grupo nº 4.5, bem como aquelas que integram os subgrupos nº 4.5.1, 4.5.2 e 4.5.3, detalhando os valores contabilizados a partir dos quais a contribuinte, desde a impugnação, pauta a sua defesa. Fl. 5706DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 20 19 Em resposta à intimação que lhe foi dirigida com vistas à demonstração acima, a contribuinte: 1) apresentou os razões contábeis dos grupos 4.5.1, 4.5.2 e 4.5.3 em meio magnético; 2) observou que na diligência anterior já fora confirmada a possibilidade de apropriação de juros no montante de R$ 9.522.173,07; 3) informou ter concentrado esforços em levantar os documentos do grupo 4.5.1 que representa 97,40% do total das despesas financeiras; 4) relacionou os comprovantes até então reunidos, no montante de R$ 17.820.887,19, representando assim 78,24% do total das despesas financeiras. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 1: Razão da conta contábil dos sub grupos 4.5.1; 4.5.2 e 4.5.3 detalhando os valores contabilizados a partir dos quais o contribuinte pauta a sua defesa: Em anexo a este relatório, estamos apresentando os razões das Despesas Financeiras Consolidadas (grupo 4.5....) e os razões analíticos por filiais que serviram para selecionar a comprovação das despesas auditadas. Apresentamos a seguir um quadro resumo das despesas contabilizadas e os valores auditados: N° da Conta Descrição Despesas Contabilizadas (R$) Despesas Auditadas e Comprovadas (R$) 4.5.1.01.001 Financ. Curto Prazo 3.013.042,99 1.630.376,10 4.5.1.01.002 Financ. Longo Prazo 462.161,94 0,00 4.5.1.02.001 REFIS 8.347.296,93 8.344.169,97 4.5.1.02.002 Juros s/ Passivo Fiscal 2.309.939,50 1.577.717,03 4.5.1.02.003 Juros s/ Impostos 7.202.533,85 3.229.740,06 4.5.1.03.001 Fornec.s/ Serv. Público 850.059,23 0,00 Subtotal c/4.5.1.... 22.185.034,44 14.782.003,16 4.5.2.01.001 Impost/Taxas/Contrib. 45.142,44 0,00 4.5.2.01.002 Fornec./ Serv. Público 80.420,89 0,00 4.5.2.01.003 Obrigações Contratual 5.198,50 0,00 Subtotal c/ 4.5.2.... 130.761,83 0,00 4.5.3.01.001 Descontos Concedidos 450.248,64 0,00 4.5.3.01.002 Taxas s/Desc. Título 11.988,85 0,00 Subtotal c/4.5.3.... 462.237,49 0,00 4.5...... ........... Despesas Financeiras 22.778.033,76 14.782.003,16 Em relação ao montante contabilizado pelo contribuinte no valor de R$ 22.778.033,76, auditamos os valores mais relevantes num total de R$ 14.782.003,16 que estão representados principalmente pelas seguintes despesas: a) Conta 4.5.1.02.001: Despesas com Juros (TJLP) sobre as dívidas tributárias aderidas aos REFIS e PAES, devidamente comprovado no montante de R$ 8.344.169,97 (fls. 4289 a 4851 dos autos); b) Conta 4.5.1.01.001: Despesas com Juros e Correção do Empréstimo contraído junto ao Banco BIC no montante de R$ 674.454,11 (fls. 4852 a 4899 dos autos); c) Conta 4.5.1.01.001: Despesas com Juros sobre Financiamento de Capital de Giro contraído junto ao Banco Bradesco no montante de R$ 574.814,30 dos autos (fls. 4900 a 4959 dos autos); d) Conta 4.5.1.01.001: Despesas com Juros do Empréstimo contraído junto ao Banco Daycoval no montante de R$ 381.107,72 (fls. 4960 a 5029 dos autos); Fl. 5707DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 21 20 e) Conta 4.5.1.02.003: Atualização da dívida de PIS e COFINS, referente ao período de Janeiro de 2003 a dezembro de 2006 no montante de R$ 2.197.130,03 (fls. 5030 a 5087 dos autos); f) Conta 4.5.1.02.002: Juros referentes ao Auto de infração sobre falta de recolhimento de INSS lavrado em 30/10/2006 no montante de R$ 876.021,82 (fls. 5088 a 5093 dos autos); g) Conta 4.5.1.02.002: Juros referentes à dívida de ISS, junto a prefeitura de Belo Horizonte no montante de R$ 454.361,64 (fls. 5094 a 5111 dos autos); h) Conta 4.5.1.02.002: Juros referentes à dívida de IPTU, junto a prefeitura de Belo Horizonte no montante de R$ 247.333,57 (fls. 5112/5127 dos autos); i) Conta 4.5.1.02.003: Juros referentes à dívida de IPTU referente aos anos de2005 e 2006, junto a prefeitura do Rio de Janeiro no montante de R$ 1.032.609,87 (fls. 5128/5147 dos autos). Nos razões contábeis juntados às fls. 4795/4828 estão confirmados os saldos que resultam no valor indicado na Ficha 06A da DIPJ/2007, na linha 33 (Outras Despesas Financeiras, no valor de R$ 22.778.033,76). No resumo mensal de seus registros por filial constatase que, de fato, as contas dos grupos 4.5.2 e 4.5.3 reúnem diversos lançamentos de despesas financeiras, cujos valores mensais oscilam entre R$ 6,10 e R$ 208.321,83, sendo que os valores mais expressivos são seguidos de lançamentos a crédito de valor próximo reduzindo significativamente a despesa inicialmente apropriada. Os títulos das contas apontam juros sobre tributos e obrigações com fornecedores, além de descontos concedidos e taxas sobre descontos de títulos. Os saldos são normais frente à atividade operacional do sujeito passivo. Razoável, portanto, o critério adotado pela contribuinte e pela autoridade encarregada da diligência ao concentrar a verificação do suporte documental dos registros contábeis nas contas integrantes do grupo 4.5.1. Com referência aos registros nas contas integrantes do grupo 4.5.1, constam às fls. 4900/5029 os documentos examinados no curso da diligência acerca da comprovação das despesas decorrentes de financiamentos, bem como às fls. 5030/5147 os comprovantes referentes às despesas decorrentes de tributos parcelados. O extrato detalhado da conta nº 4.5.1.01.001 (Financiamentos Curto Prazo) evidencia a grande quantidade de lançamentos de baixo valor que compõem o saldo final de R$ 3.013.042,99 e a razoabilidade da amostragem promovida pela autoridade encarregada da diligência para confirmação documental das operações. Acrescentese que no termo de constatação lavrado por consultoria contratada pela recorrente há, também, referências a juros incorridos em função da adesão a parcelamentos fiscais, relativos ao ISS do município do Rio de Janeiro (R$ 2.167.744,29), além de um montante maior que o analisado pela autoridade encarregada da diligência atribuído a juros decorrentes de IPTU e ISS parcelados referentes ao município de Belo Horizonte e INSS (R$ 2.309.939,50), que justificariam outra parcela dos valores contabilizados na conta nº 4.5.1.02.003, de cujo total de R$ 7.202.533,85 foi submetida a comprovação documental por amostragem a parcela de R$ 3.229.740,06. Assim, apesar de neste item especificamente ser menor a parcela destacada para análise por amostragem, há evidências de que os registros não analisados teriam a mesma natureza daqueles confirmados por ocasião da diligência. Os exames e provas assim reunidos evidenciam a complexidade das operações da contribuinte e o volume de registros decorrentes de suas diversas filiais, a dificultar a prova documental exigida durante o procedimento fiscal. Acrescentese, ainda, que apesar de as respostas apresentadas às intimações inicialmente mencionadas se reportarem a demonstrativos e documentos apresentados à Fiscalização, tais elementos não foram juntados Fl. 5708DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 22 21 aos autos, impedindo a confrontação entre tais respostas e os elementos que seriam esperados em face das intimações lavradas. Inexistem, assim, referências que pudessem desmerecer o critério de amostragem adotado pela autoridade encarregada da diligência para exame documental das operações. Diante de tais circunstâncias específicas e uma vez confirmado que as despesas contabilizadas correspondem ao montante indicado na Ficha 06A da DIPJ/2007, na linha 33 (Outras Despesas Financeiras, no valor de R$ 22.778.033,76), restam infirmados os motivos apresentados para a glosa, razão pela qual deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Reavaliação de bens Ganho de Capital (Tema II) Por meio da intimação de fls. 49/50 foi exigido da contribuinte a apresentação de documentação (escritura, contrato, memória de cálculo da equivalência patrimonial, irpj sobre reavaliação, etc) referente a participação no capital da empresa HBBH EMPRESA BRASILEIRA DE NOVOS HOTÉIS LTDA, CNPJ 08.018.417/000193. Em resposta, a contribuinte apresentou a alteração contratual e os cálculos de equivalência patrimonial, além de memória de cálculo IRPJ e CSSL sobre reavaliação (fl. 51). A autoridade fiscal exigiu a complementação da documentação apresentada (escritura, irpj sobre reavaliação, etc), além da individualização dos lançamentos contábeis de realização dos bens, inclusive o IRPJ e a CSLL (fls. 52/53). Posteriormente, requereu também a apresentação dos laudos de reavaliações por imóvel (fls. 54/55). Na resposta de fl. 56 consta que a contribuinte apresentou laudos de avaliação dos Imóveis Bahia Othon e Belo Horizonte Othon. Posteriormente, o fiscal autuante requereu informações sobre a evolução patrimonial, mensal, dos bens que foram incorporados a empresa HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, em demonstrativo contendo no mínimo as seguintes informações/documentos: escrituras, depreciações, conta contábil, todas as reavaliações, valores, datas, ganho de capital), tendo por referência os valores consignados na alteração contratual e nos instrumentos de alienação dos imóveis. Questionou, ainda, se a variação das reavaliações procedidas nos referidos imóveis foi oferecida à tributação (RIR/99 art. 435 e 439; Lei 9590/00 art. 4o), conforme fls. 57/59. Concedeu 5 (cinco) dias úteis para apresentação destes documentos, observando que todos os itens assim indicados eram complementos de intimações anteriores não inteiramente atendidas pela empresa. Consta às fls. 184/185 que a contribuinte apresentou evolução patrimonial dos bens incorporados na empresa HBBH Razão analítico das contas contábeis do Imobilizado e Patrimônio Líquido e alteração conta. Por meio da intimação de fls. 186/188 a autoridade fiscal observou que no LALUR apresentado pela contribuinte não constava o oferecimento à tributação da parcela de R$ 130.257.056,28 à tributação, e exigiu a comprovação do pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL escriturados em sua contabilidade. Indicou, também, a apuração de ganho de capital no valor de R$ 6.031.183,57, referente à transferência do imóvel Bahia Othon Palace Hotel, questionando o pagamento dos tributos correspondentes. Por fim, exigiu demonstração das deliberações acerca das reavaliações e a apresentação das notas explicativas ao Balanço Patrimonial relativamente às reavaliações. Fl. 5709DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 23 22 A contribuinte informou que não recolheu o IRPJ e a CSLL escriturados em razão de seus consultores terem entendido que a tributação somente ocorreria proporcionalmente à realização do bem, na forma do art. 439 do RIR. Esclareceu a forma de escrituração da transferência do imóvel Bahia Othon Palace Hotel, apontando sua contrapartida em conta de Investimentos, sem apuração de ganho de capital. E apresentou ata e balanço patrimonial publicado (fl. 192). Posteriormente entregou nova ata (fl. 193). A autoridade fiscal concluiu que parte da reavaliação do imóvel Bahia Othon Palace Hotel, no valor de R$ 6.031.183,57, teria sido promovida sem observar os requisitos legais, e assim deveria ter sido oferecida à tributação. Relacionou as contas contábeis representativas do custo deste imóvel, totalizandoas em R$ 74.262.923,96, e confrontou este montante com o valor da transferência do imóvel extraído da alteração contratual da pessoa jurídica à qual foi destinado o imóvel em aumento de capital (R$ 80.294.107,53), apurando ganho de capital tributável. Destacou, ainda, que, ao contrário da parcela autuada, a reavaliação promovida em 2002 foi regular, não se sujeitando a tributação no momento em que o imóvel foi incorporado ao capital social da empresa HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda. Contudo, o que aparentava ser um ganho de capital no momento de tal incorporação, evidenciou nova reavaliação sem observância dos requisitos legais, no valor assim demonstrado: Em impugnação, a contribuinte alegou que o imóvel foi transferido pelo valor de R$ 78.515.610,76, equivalente ao seu valor contábil em razão de depreciações e benfeitorias verificadas depois da reavaliação em 2002 para o valor de R$ 77.719.000,00. A autoridade julgadora de 1a instância confirmou que o imóvel foi transferido para HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda pelo valor de R$ 80.294.107,53, e que o custo considerado pela Fiscalização também estaria correto, observando que a conta contábil acrescida pela contribuinte ao custo do imóvel teria natureza de passivo, e que as alegações da impugnante estavam dissociadas de qualquer prova documental. Em recurso voluntário, a contribuinte reitera os argumentos anteriores, mas acrescenta que houve erro material na Ata da Reunião do Conselho de Administração que deliberou sobre a utilização dos imóveis para subscrição de capital de HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, sendo atribuído ao imóvel em questão o valor de R$ 80.294.107,53, quando o correto seria R$ 78.515.610,76, ao passo que o segundo imóvel envolvido na operação teria sido valorado em R$ 64.521.279,62, quando o correto seria R$ Fl. 5710DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 24 23 66.299.776,39. Complementa que o custo contábil do primeiro imóvel, consideradas as benfeitorias e descontadas a depreciação das benfeitorias, seria R$ 78.515.610,76. Reportase, ainda, a ajustes decorrentes de sua contabilidade descentralizada, consignados na conta transitória nº 2.1.9.10, que afetariam o custo dos imóveis baixados. Diz que consolidados os valores, os imóveis estariam avaliados pelos mesmos R$ 144.815.387,15, adotados para alteração do capital social de HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda. Consta às fls. 93/100 a 1a Alteração Contratual de HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, na qual é deliberado o aumento de seu capital social em R$ 155.749.910,00, composto, dentre outros valores, pelo imóvel em referência, ao qual foi atribuído o valor de R$ 80.294.107,53. Por sua vez, as atas juntadas à impugnação (fls. 1426/1430) fazem menção à autorização da Diretoria para subscrever quotas do capital social na empresa HBBH – Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, da seguinte forma: (a) mediante a utilização dos imóveis registrados nas matrículas [...], cujo valor total importa em R$ 144.815.387,15 [...] constante dos documentos contábeis datado de 29/09/2006 [...]. Ocorre que, mesmo se a contabilidade espelhasse outra distribuição do valor total dos imóveis, a receita nãooperacional decorrente de sua baixa continuaria a ser representada pelo valor individualizado do imóvel indicado no documento de fls. 93/100, fonte do custo contábil do bem a ser registrado por HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda. De outro lado, porém, se a contribuinte apurou o resultado da baixa do imóvel em referência considerando, como alegado, a receita nãooperacional de R$ 78.515.610,76, possivelmente confrontou o custo do outro imóvel baixado com receita não operacional de R$ 66.299.776,39, e não com o valor indicado no documento de fls. 93/100, qual seja, R$ 64.521.279,62. Significa dizer que parte do ganho de capital aqui tributado poderia ser anulado pela perda que a contribuinte teria desconsiderado ao baixar o outro imóvel envolvido na operação por um valor equivalente ao seu custo contábil, e não inferior. Este aspecto demandava confirmação. A contribuinte também apresentou, em impugnação, registros do Livro Diário em 31/10/2006, acerca da baixa do imóvel Bahia Othon (fl. 1434), nos quais se observa, ao lado dos demais itens considerados como custo contábil do bem, a indicação dos valores consignados na conta nº 2.1.9.10.004. Em razão dos valores computados nesta rubrica, a conta contábil nº 1.3.1.01.008, na qual possivelmente foi registrado o investimento em HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, verificase o aporte de R$ 78.515.610,76, superior ao custo contábil apurado pela Fiscalização, de R$ 74.262.923,96. A autoridade lançadora nada mencionou acerca da natureza dos valores consignados na conta nº 2.1.9.10.004 possivelmente porque buscou o custo contábil do imóvel nas contas integrantes do Ativo, sem atentar para todos os lançamentos contábeis promovidos para baixa do imóvel. É certo que a apuração fiscal foi previamente cientificada à contribuinte (fl. 186), e que em resposta foi esclarecido à Fiscalização que o imóvel foi baixado em contrapartida a investimentos, mas também observase que foi apresentada planilha contábil acerca deste esclarecimento, que não foi juntada aos autos. No mais, é crível a alegação da recorrente, no sentido de que a conta nº 2.1.9.10.004 representaria registros transitórios em razão de sua contabilidade descentralizada, e não, necessariamente, um passivo, podendo abrigar acréscimos do custo do imóvel ainda não transferidos para as contas contábeis pertinentes. Fl. 5711DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 25 24 Estes aspectos, embora não tenham suscitado dúvida à Conselheira Relatora que determinou a primeira conversão do julgamento em diligência, eram de confirmação imprescindível para o melhor julgamento da lide. Necessário se fez, assim, requerer que a autoridade fiscal intimasse a contribuinte a demonstrar a composição da conta nº 2.1.9.10.004 até a transferência de seus valores no momento da baixa do imóvel Bahia Othon, como demonstrado à fl. 1434, apresentando não só o Razão Contábil desta conta como também os documentos de suporte da escrituração, para que a autoridade fiscal encarregada da diligência confirmasse a compatibilidade dos valores escriturados com a alegação de que eles integrariam o custo contábil do imóvel baixado. Para além disso, como antes demonstrado, necessário se fez averiguar se a contribuinte efetivamente baixou o outro imóvel envolvido na operação pelo valor de R$ 66.299.776,39, deixando de apurar a perda de capital que poderia se verificar caso considerado o valor atribuído ao imóvel no documento de fls. 93/100 (R$ 64.521.279,62). No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 2: Demonstrar a composição da conta n° 2.1.9.10.004 até a transferência de seus valores no momento da baixa do Imóvel Bahia Othon, apresentando não só o Razão Contábil desta conta como também os documentos de suporte da escrituração, demonstrando a compatibilidade dos valores escriturados com a alegação de que eles integrariam o custo contábil do imóvel baixado. Em resposta ao nosso Termo de Diligência Fiscal de 11/06/2015 (fls. 4787 a 4794 dos autos), o contribuinte informa que o funcionamento do grupo de contas 2.1.9...., registra o valor das transações ocorridas entre as unidades, e entre estas e o Escritório Central, provenientes de rateios de despesas, transferências de passivos, etc. Por sua natureza, ela terá o seu saldo anulado no balancete consolidado. Adicionalmente, o contribuinte apresentou o Razão Analítico da filial Bahia Othon Palace Hotel em 31/10/2006, com as baixas do Imobilizado (créditos) na conta1.3.2.01... e (débitos) na conta 1.3.2.10, em contrapartida da conta Passiva 2.1.9.10.001 no montante de R$ 4.252.686,80. Foi também apresentado o Livro Diário dos Hotéis Othon (Escritório Central), demonstrando a transferência em 31/10/2006 do Imobilizado para o Investimento do montante de R$ 78.515.610,76, com respectiva baixa do valor de R$ 4.252.686,80 da conta passiva 2.1.9.10.004. Portanto, pelo que pudemos apurar o valor do Imobilizado em 31/10/2006 dos Hotéis Othon estava representado pelo valor de R$ 74.262.923,96 registrados no Escritório Central, acrescido do valor de R$ 4.252.686,80 da filial Bahia Othon Palace Hotel. Quanto a comprovação do custo contábil do imóvel do Bahia Othon Palace Hotel no valor de R$ 6.601.534,09 foi comprovado através de Notas Fiscais o montante de R$ 4.810.263,75. O saldo restante no montante de R$ 1.791.270,34 é referente a aquisições anteriores a 2002, conforme demonstrado pelo razão. A documentação não foi localizada (fls. 5148 a 5180 dos autos). 3: Demonstrar a baixa do outro imóvel envolvido na operação (Belo Horizonte Othon) pelo valor de R$ 66.299.776,39 comprovando que deixou de apurar a perda de capital, caso considerasse o valor atribuído ao imóvel de R$ 64.521.279,62. Em resposta o contribuinte demonstra a baixa do imóvel pelo valor de R$ 66.299.776,39 suportados pelos lançamentos contábeis efetuados à época conforme Livros Diários dos Hotéis Othon Escritório Central e Belo Horizonte Othon Palace Hotel e ainda pelo relatório do sistema de controle patrimonial RM, ficando Fl. 5712DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 26 25 evidenciado que não foi apurado nenhuma perda de capital na ocasião da integralização do imóvel (fls. 5181a 5213 dos autos). Na resposta à intimação lavrada no curso da segunda diligência, a contribuinte apresentou o seguinte demonstrativo dos valores representativos do custo contábil do imóvel Bahia Othon: A parcela comprovadamente oriunda da conta 2.1.9.10.004 equivaleria, assim, ao montante líquido de R$ 4.252.686,80, resultante dos acréscimos brutos de R$ 6.601.534,09 diminuídos pelas contas redutoras no total de R$ 2.348.847,29. Tais contas redutoras estão identificadas às fls. 5150/5153 como depreciação em edificações (conta 1.3.2.10.001, saldo de R$ 496.153,11), em benfeitorias imóveis próprios (conta nº 1.3.2.10.002, saldo de R$ 343.371,58) e em benfeitorias imóveis terceiros (conta nº 1.3.2.10.010, saldo de R$ 1.509.322,60), e não houve ressalvas acerca de seus registros pela autoridade encarregada da diligência. Já quanto aos valores aplicados em tais edificações e benfeitorias, a contribuinte apresentou comprovantes por amostragem admitidos pela autoridade encarregada da diligência, e informou que não teria como comprovar a parcela de R$ 1.791.270,34, correspondente aos acréscimos em benfeitorias imóveis terceiros anteriores a 2002 (fl. 5159). Contudo, o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 RIR/99, associando as prescrições do DecretoLei nº 486/69 e da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). [...] § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). A pessoa jurídica, assim, é obrigada a manter os comprovantes do custo de ativo que, no momento de sua alienação, afetará o resultado tributável. Transcorrido o prazo decadencial para conferência desta repercussão da baixa do ativo no resultado, a contribuinte está desobrigada da guarda dos documentos, salvo se esta operação foi tempestivamente questionada pelo Fisco e impugnada pela interessada, caso em que a guarda dos documentos deve ser mantida enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Assim, se a recorrente apresentou defesa administrativa pleiteando o cômputo, no custo do imóvel alienado, das parcelas ativadas e transferidas para a conta 2.1.9.10.004, cumprialhe manter a guarda dos documentos de suporte destas ativações. Fl. 5713DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 27 26 Por tais razões, embora confirmado pela autoridade fiscal encarregada da diligência que a conta 2.1.9.10.004 abrigava parcelas do custo do imóvel baixado, os acréscimos dela decorrentes são reduzidos pelas ativações não comprovadas de R$ 1.791.270,34, de modo que do tal pleiteado de R$ 4.252.686,80 somente se agrega aos cálculos da Fiscalização a parcela de R$ 2.461.416,46. Além disso, confirmada a disparidade entre os registros contábeis e os valores atribuídos contratualmente aos dois imóveis destinados a aumento de capital social da HBBH Empresa Brasileira de Novos Hotéis Ltda, não só no que tange ao Bahia Othon Hotel, como também em relação ao Belo Horizonte Othon Hotel, concluise que, embora no cálculo do ganho de capital em debate o valor da transferência do Bahia Othon Hotel deva permanecer em R$ 80.294.107,53, devese admitir como redutor do valor tributável a perda correlata também não contabilizada, resultante da atribuição do valor de R$ 64.521.279,62 à alienação do Belo Horizonte Othon Hotel, considerandose o custo contábil deste imóvel em R$ 66.299.776,39. Por tais motivos, a base tributável aqui atuada é reduzida em R$ 1.778.496,77. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do ganho de capital apurado as parcelas de R$ 2.461.416,46 e R$ 1.778.496,77, subsistindo a exigência sobre o montante de R$ 1.791.270,34. Resultados Operacionais não declarados (Tema III) Por meio da intimação de fls. 57/59 a autoridade fiscal exigiu a apresentação dos Livros Registro de Apuração do ICMS e ISS da matriz e das filiais da contribuinte. A resposta da contribuinte consta às fls. 184/185, detalhando os Livros Registro de Apuração do ICMS e ISS existentes para apresentação, esclarecendo que algumas filiais estavam desobrigadas da escrituração do Livro Registro de Apuração de ICMS, e que outras filiais já estavam sem movimentação em 2006. Por meio da intimação de fls. 186/188, a autoridade fiscal requereu a apresentação da declaração de faturamento prestada ao Fisco Estadual nos Estados em que a contribuinte estava desobrigada de escrituração, bem como exigiu justificativas para as divergências apuradas entre os Livros de ISS e a escrituração (contas 3.1.1.01 e 3.1.1.03), detalhadas às fl. 189/191. Na resposta de fl. 192 consta que a contribuinte apresentou planilha demonstrativa dos faturamentos da Unidade, bem como Balancete Consolidado com a receita apurada no exercício. Posteriormente apresentou GIA do período de janeiro a dezembro – Unidades do Rio de Janeiro. Quanto às divergências mencionadas, disse tratarse de diferenças temporárias, tendo em vista, que os registros das receitas das Unidades são contabilizadas diariamente de acordo com a ocupação dos clientes e as receitas de ISS, são apuradas por ocasião da emissão da Nota Fiscal de Hospedagens, acrescentando que foram encontrados registros duplicados no Livro Fiscal da unidade Belo Horizonte Othon, e encaminhando livros de apuração do ISS das unidades Trocadero Othon e São Paulo Othon Classic (fl. 193), que a Fiscalização informou ser, apenas, uma impressão não autenticada. Consta à fl. 194 planilha demonstrativa das receitas escrituradas. A autoridade fiscal identificou as contas contábeis que, somadas, deram origem à receita de prestação de serviços informada na DIPJ (R$ 79.399.040,61), e excluiu Fl. 5714DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 28 27 desse conjunto as receitas reconhecidas sem emissão de nota fiscal (registradas nas contas nº 3.1.1.04, 3.1.1.05, 3.1.2.01, 3.1.2.02 e 3.1.3), apurando o montante de R$ 71.554.742,71, confrontado com o valor das notas fiscais de serviços informadas em resposta a intimação fiscal (R$ 85.231.114,10). Concluiu, assim, que a escrituração fiscal da contribuinte revelava receita superior àquela declarada, promovendo a tributação do montante de R$ 13.676.371,39 no anocalendário 2006, exigindo IRPJ e CSLL incidentes sobre o lucro real anual, bem como Contribuição ao PIS e COFINS sobre aquele montante alocado em dezembro/2006, mas em sistemática nãocumulativa. A Turma Julgadora de 1a instância afastou as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS, e submeteu sua decisão a reexame necessário. As exigências de IRPJ e CSLL foram mantidas no julgamento de 1a instância porque a contribuinte apenas alegou que “receita de alimentos e bebidas” estaria englobada na receita de prestação de serviços, assim como argumentou que a receita total declarada superaria o valor apurado pela Fiscalização, olvidandose que este contemplava apenas receitas de prestação de serviços com emissão de notas fiscais, e ainda inferior aos valores informados nos Livros de ISS. A contribuinte argumentou em recurso voluntário que a autoridade fiscal não observou que parte dos valores consignados em notas fiscais de serviços não se sujeitavam à incidência do ISS, por não caracterizarem prestação de serviços. De outro lado, deixou de incluir na comparação as receitas escrituradas nas contas nº 3.1.1.04 – Receitas Hotéis Adm/Similares e 3.1.3 – impostos cobrados nas vendas, cujos valores também compõem o montante escriturado no Livro do ISS. Questionada acerca da existência de outros valores a serem considerados na comparação promovida, a autoridade fiscal encarregada da primeira diligência afirmou a regularidade de suas apurações. Cientificada destes esclarecimentos, a contribuinte insistiu nas inconsistências antes apontadas, com suporte no termo de constatação elaborado pela consultoria contratada. Passouse, então, à análise individualizada dos aspectos alcançados pelos recursos voluntário e de ofício: · Diferença de R$ 2.010.558,33: As receitas de prestação de serviços informadas nos livros fiscais totalizariam R$ 83.220.556,38, e não R$ 85.231.114,10 (equivocadamente informado pela recorrente como R$ 85.231.114,71), indevidamente tomado pela Fiscalização em seus cálculos por considerar que a base de cálculo do ISS correspondia ao valor total da nota emitida, olvidandose das receitas relativas ao consumo, ali computadas e passíveis de exclusão. A contribuinte apresentou comparativos das receitas mensais de três de seus hotéis, evidenciando que a base de cálculo do ISS era inferior à receita tomada pela Fiscalização. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência insistiu que o livro de apuração do ISS não registra o total das NF emitidas, e sim de valores que servem de Base de Cálculo (BC) do imposto de serviços, que servem de receita para a tributação do IRPJ/CSLL na rubrica serviços. Complementou que a diferença sob análise não faz parte da base de cálculo do ISS, por se tratar de revenda de mercadoria, já lançado na CC 3.1.1.02.003, no valor de R$ 4.443.281,38. A consultoria contratada, porém, demonstrou a partir do Livro de Apuração do ISS da unidade de Belo Horizonte (doc. 21) que o agente fiscal considerou em seus cálculos o valor da base de cálculo do ISS antes das deduções informadas no citado Livro, que correspondiam, na realidade, aos valores de venda de mercadorias não sujeitas ao ISS. O Fl. 5715DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 29 28 exame do mencionado “doc. 21” evidencia, de plano, a partir do resumo analítico do Livro de Apuração do ISS (fls. 4523/4534), que a Fiscalização tomou em seus cálculos os montantes ali indicados como “total de documentos declarados”, superior ao valor indicado como “valor tributável”. Como a autoridade fiscal não juntou aos autos os registros do Livro de Apuração do ISS que orientaram seus cálculos, necessário se fez submeter à sua apreciação os elementos assim juntados para novos esclarecimentos. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 4: Avalie as constatações da consultoria contratada pelo contribuinte acerca da alegada diferença de R$ 2.010.558,33 na informação das receitas de prestação de serviços em livros fiscais. Estamos anexando aos autos, o resumo da apuração mensal dos Livros de Apuração do ISS de todas as filiais do sujeito passivo, demonstrando os valores considerados nos cálculos do valor tributável do ISS. Os somatórios dos Livros Fiscais contemplam o montante de R$ 83.220.556,38 (oitenta e três milhões, duzentos e vinte mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e trinta e oito centavos). Após análise de várias Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, constatamos que principalmente as Notas emitidas pela unidade de Belo Horizonte constam os valores referentes ao consumo de venda de mercadorias, sujeitas a cobrança somente de ICMS. Apuramos que a diferença de R$ 2.010.558,33 se refere basicamente a este fato (fls. 5214 a 5242 dos autos). Considerando que: 1) a apuração fiscal teve por objeto as receitas de prestação de serviço escrituradas (hospedagem, serviços acessórios, locação e lavanderia) e submetidas à incidência do ISS; 2) na acusação fiscal, não há justificativas para se considerar, nos montantes extraídos da escrituração fiscal, os valores referentes ao consumo/venda de mercadorias; 3) a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência confirmou, como demonstrado à fl. 5214, que, especialmente as notas fiscais consideradas pela Fiscalização para a unidade de Belo Horizonte, contemplavam venda de mercadorias; e 4) o confronto da planilha que compõe o total de receitas do livro fiscal em R$ 85.231.114,10 (fl. 194) com a planilha resultante das apurações na segunda diligência (fl. 5214) evidencia o descompasso entre as receitas de serviços da unidade de Belo Horizonte, que representariam apenas R$ 8.875.582,25, e não R$ 10.891.444,47 como informado inicialmente pela contribuinte à Fiscalização; concluise que deve ser excluída da base tributável a parcela alegada de R$ 2.010.558,33. · Parcela de R$ 567.263,13: Este valor corresponderia à taxa de turismo repassada ao Rio Convention Bureau no anocalendário 2006, e não integraria a receita de prestação de serviços. Sob esta argumentação, a contribuinte elabora quadro descontando este montante do valor das receitas de prestação de serviços acima alegado (R$ 83.220.556,38). A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência disse que o valor alegado representaria passivo de anos anteriores e a consultoria contratada afirmou que o valor em referência seria parte do montante total da dívida, integrado ao saldo contábil do passivo em 2006, mas a ser pago em 200 parcelas. No acordo apresentado à Fiscalização e novamente juntado às fls. 4698/4741 há referências à arrecadação de taxas reconhecida em termos firmados em 1993 e 1994. De toda sorte, se houve arrecadação da taxa de turismo por meio de emissão de notas fiscais de serviços no ano Fl. 5716DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 30 29 calendário 2006, possivelmente seus valores teriam sido excluídos do valor tributável pelo ISS, aspecto que integrou a averiguação em razão do item precedente. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 5: Informar se houve cobrança de taxa de turismo consignada nas Notas Fiscais de Serviço do anocalendário de 2006, e se estes valores foram excluídos no momento da apuração do valor tributável dos serviços nos Livros de Apuração do ISS. Segundo informação do contribuinte a taxa de turismo foi cobrada pela unidade do Hotel Othon do Rio de Janeiro, porém as Notas Fiscais não foram localizadas o que inviabiliza a verificação se a cobrança da taxa constava da Nota Fiscal e se foram excluídos da base de cálculo do ISS. Portanto, o fiscalizado não comprovou a afirmação do seu consultor que o montante de R$ 567.263,13 deve ser excluído o montante de receita apurado pela fiscalização. Recordese que, como exposto no tema precedente, o art. 264 do RIR/99 impunha a guarda, pela contribuinte, dos documentos não localizados. Assim sendo e considerando que a alegação da recorrente e a afirmação de seu consultor não restaram comprovadas, inexiste justificativa para a exclusão da parcela de R$ 567.263,13 do montante tributável. · Parcelas de R$ 2.574.109,64 e R$ 112.838,36: Estes valores seriam referentes a aluguéis de salas/equipamentos (conta 3.1.1.02.005) e à cobrança de café da manhã (conta 3.1.1.02.004), computados nas notas fiscais de serviços e compondo o Livro do ISS, mas depois deduzidas para se sujeitarem à incidência de ICMS. A contribuinte aduz que a emissão de notas fiscais de faturamento não se restringe ao grupo de receitas de hospedagem ou diária, mas também ao grupo de venda de mercadorias. Sob esta argumentação, elabora quadro descontando estes montantes do valor das receitas de prestação de serviços acima alegado (R$ 83.220.556,38). A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência disse que esses valores não fazem parte da base de cálculo do ISS, por se tratar de revenda de mercadoria, já lançado na CC 3.1.1.02.003, no valor de R$ 4.443.281,38. A consultoria contratada não se manifestou sobre os valores decorrentes de cobrança de café da manhã, mas quanto aos alugueis de salas/equipamentos disse que seus testes indicaram que realmente tais receitas compunham os saldos indicados nos livros fiscais de apuração do ISS. Os elementos que compõem o “doc. 23” referido pela consultoria evidenciam que o valor das notas fiscais seriam diferentes do valor dos serviços, mas não permitem aferir se a diferença aqui alegada já estaria contemplada naquela tratada no primeiro item desta abordagem, a justificar uma segunda exclusão como pretendido pela recorrente. Observase, porém, que os aluguéis de salas/equipamentos representariam receita superior à primeira diferença alegada e assim poderiam, eventualmente, ter sido computados na base de cálculo do ISS. Esta circunstância precisava ser investigada, pois se assim fosse a conta contábil nº 3.1.1.02.005 deveria ser somada àquelas que a Fiscalização adotou como fontes contábeis das receitas de prestação de serviço oferecidas à tributação. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: Fl. 5717DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 31 30 6: Informar se as receitas de alugueis de salas/equipamentos, no valor total de R$ 2.574.109,64, foram classificadas como receita de prestação de serviços e computadas no valor tributável de serviços no Livro de Apuração do ISS. Auditamos algumas Notas Fiscais de Prestação de Serviços e constatamos que a cobrança de Salas/Equipamentos foi inclusa nas respectivas Notas Fiscal, assim como, lançados no Livro de Registro de Prestação de Serviço. Adicionalmente, verificamos que estes valores foram lançados contabilmente na conta 3.1.1.02.005 (fls. 5243 a 5262 dos autos). Os testes promovidos pela autoridade fiscal encarregada da segunda diligência evidenciam que, nas notas fiscais examinadas, os valores correspondentes a locação de equipamentos eram classificados como serviços e submetidos à incidência de ISS. Das notas fiscais decorrentes de eventos realizados nas unidades da contribuinte, apenas os valores correspondentes a consumo de refeições eram excluídos da incidência de ISS. Por sua vez, no Livro de Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços, os valores de locação eram computados no montante de serviços referenciado como base de cálculo do ISS. Sob esta ótica, como a autoridade lançadora apurou o valor tributável a partir das receitas de prestação de serviço extraídas do livro fiscal (R$ 85.231.114,10, reduzida acima a R$ 83.220.556,38), cumprialhe, para definir o outro referencial na comparação, selecionar na contabilidade as receitas de locação de equipamentos. Na descrição dos fatos contida no auto de infração, verificase que, para definir o valor das receitas de serviços escrituradas contabilmente, a autoridade lançadora somou os saldos advindos das contas 3.1.1.01 (Receita de Hospedagem) e 3.1.1.03 (Rec. Serviços Oper. Acessorios). Desconsiderou, assim, os valores de locação de equipamentos que, como confirmado na segunda diligência, foram contabilizados na conta 3.1.1.02.005 (Eventos/Alug. Salas e Equip), sendo possível inferir, a partir da acusação fiscal, que a justificativa para tal procedimento seria o fato de tais receitas integrarem o subgrupo contábil 3.1.1.02, reproduzido na DIPJ como receita de revenda de mercadorias: Esclarecemos que recebemos uma impressão, não autenticada, dos Livros ISS mencionados. Embora a empresa tenha apresentado parcialmente as GIA solicitadas e nenhum DECLAN, mas tendo em vista que o valor de R$ 23.505.991,27 constante na linha 03 da Ficha 06A da DIPJ/2007 Receita Revenda de Mercadorias e constante, também, no Subgrupo Contábil 3.1.1.02 Receita de Alimentos e Bebidas, SÃO IGUAIS, concluímos que o subgrupo 3.1.1.02 está todo incluído neste item da DIPJ, contradizendo o argumento da empresa em sua resposta de 02/02/2011, que afirmou que a Conta Analítica 3.1.1.2.006 pertence a Receita de Prestação de Serviço, como iremos demonstrar em planilha abaixo. Considerando que a linha 04 Ficha 06A da DIPJ/2007 Receita de Prestação de Serviço estampa o valor de R$ 79.339.040,61 que é composto pelos subgrupos Contábeis demonstrados: 3.1.1.01 Receita de Hospedagem 68.452.386,08 3.1.1.03 Rec. Serviços Oper. Acessorios 3.102.356,63 3.1.1.04 Receitas Hoteis Adm. Similares 1.285.825,14 3.1.2.01Rec. Locs. Util Espçao Fisico 1.185.769,73 3.1.2.02Receitas de Lavanderia Sto. Aleixo 1.440.202,48 3.1.3 Receitas Imposto Cobrado na Venda 3.932.500,55 TOTAL R$ 79.399.040,61 Fl. 5718DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 32 31 [...] Diante de todo o exposto, concluímos que a empresa não ofereceu à tributação o valor de R$ 13.676.371,39 que é decorrente do valor informado pela empresa (R$ 85.231.114,10) subtraído dos dois grupos que se referem as Notas Fiscais de Serviços emitidas, a saber: 3.1.1.01 e 3.1.1.03 (R$ 68.452.386,08 + 3.102.356,63 = R$ 71.554.742,71) Confirmase na DIPJ à fl. 7 a declaração de receitas de revenda de mercadorias no citado montante de R$ 23.505.991,27, assim como constatase nos balancetes juntados pela Fiscalização à fl. 190 que tal montante tem origem nas contas do subgrupo 3.1.1.02, dentre as quais está a conta 3.1.1.02.005 (Eventos/Alug.Salas e Equip): Ocorre que as receitas de prestação de serviços consideradas não declaradas foram apuradas mediante confronto entre a escrituração contábil e as notas fiscais de serviços extraídas dos livros fiscais. Somente haveria justificativa inafastável para desconsideração das receitas informadas em DIPJ como receitas de revenda de mercadorias se a Fiscalização confrontasse as receitas de serviços escrituradas na contabilidade com aquelas informadas em DIPJ. O fato de a contribuinte classificar contabilmente as receitas no subgrupo "Receitas de Alimentos Bebidas" é um indício de que tais valores se sujeitarem à incidência do ICMS, e não do ISS, mas não é prova suficiente para afastar a possibilidade de erro na classificação contábil. No presente caso, as alegações da contribuinte no sentido de que as receitas de alugueis de salas e equipamentos em eventos deveriam ser consideradas na comparação fiscal, corroboradas pelo termo de constatação lavrado por consultoria contratada, e confirmadas por amostragem pela autoridade encarregada da segunda diligência, impõem a conclusão de que os valores consignados na conta 3.1.1.02.005 devem ser somados aos registros das contas 3.1.1.01 e 3.1.1.03 para confronto com as receitas de serviços reconhecidas nos livros fiscais. Já com referência aos valores decorrentes de cobrança de café da manhã (conta 3.1.1.02.004), a recorrente não logrou constituir prova em favor de suas alegações, sendo certo que a consultoria contratada sequer se manifestou a respeito deste item. Recorde se, ainda, que já a base tributável já foi a parcela de R$ 2.010.558,33, correspondente a receitas de revenda de mercadorias excluídas da base de cálculo do ISS nos livros fiscais, na qual poderia estar contemplada a diferença alegada, assim como, se verá adiante, as parcelas Fl. 5719DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 33 32 correspondentes a café da manhã computados na diária (alegada em outro ponto da defesa) também foram consideradas para reduzir a diferença apurada pela autoridade fiscal. Por tais razões, deve ser admitida nos cálculos da receita de serviços apenas a parcela de R$ 2.574.109,64 referente à conta 3.1.1.02.005 (eventos aluguéis de salas/equipamentos). · Parcela de R$ 1.285.825,14: Este valor estaria escriturado na conta contábil nº 3.1.1.04 (Receitas Hotéis Adm/Similares) e seria decorrente de prestação de serviços, compondo o montante escriturado no Livro de Apuração do ISS. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência disse que este valor faz parte da base de cálculo do ISS, mas não decorreu da emissão de notas fiscais, mas sim de notas de débitos, não consideradas no Livro de Apuração do ISS. A consultoria contratada indicou que os elementos reunidos sob “doc.24” (fls. 4649/4697) evidenciariam que as notas de débito antes referidas foram escrituradas no Livro de Apuração do ISS. Neles é possível observar que a numeração das notas de débito indicada nos lançamentos contábeis está contemplada no intervalo escriturado no Livro de Apuração do ISS, mas não havia elementos nos autos que permitissem afastar a possibilidade de as notas fiscais de serviço seguirem numeração semelhante, e esta circunstância precisava ser investigada. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 7: Confirme se as Notas Fiscais de débitos escrituradas na conta contábil n° 3.1.1.04 (Receita de Hotéis Adm/Similares) no valor total de R$ 1.285.825,14 foram computadas no valor tributável dos serviços no Livro de Apuração do ISS. Constatamos a contabilização das Receitas de Adm./Similares escrituradas na conta contábil n° 3.1.1.04 e os valores lançados no Livro de Apuração de ISS e nas Notas Fiscais (fls. 5263 a 5309 dos autos). A autoridade fiscal, na já mencionada descrição dos fatos integrada ao auto de infração, assim justificou a desconsideração da conta 3.1.1.04 nos cálculos promovidos: Considerando que a linha 04 Ficha 06A da DIPJ/2007 Receita de Prestação de Serviço estampa o valor de R$ 79.339.040,61 que é composto pelos subgrupos Contábeis demonstrados: 3.1.1.01 Receita de Hospedagem 68.452.386,08 3.1.1.03 Rec. Serviços Oper. Acessorios 3.102.356,63 3.1.1.04 Receitas Hoteis Adm. Similares 1.285.825,14 3.1.2.01Rec. Locs. Util Espçao Fisico 1.185.769,73 3.1.2.02Receitas de Lavanderia Sto. Aleixo 1.440.202,48 3.1.3 Receitas Imposto Cobrado na Venda 3.932.500,55 TOTAL R$ 79.399.040,61 Considerando que para os Subgrupos Contábeis 3.1.1.04 e 3.1.2.01 não há a emissão de Notas Fiscais, os mesmos não foram incluídos na planilha do Termo de Intimação de 24/01/2011. Fato confirmado pela resposta da empresa na confecção de sua planilha; Fl. 5720DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 34 33 A planilha apresentada pela contribuinte, juntada à fl. 194, prestouse a confrontar o demonstrativo fiscal de fl. 189, por meio do qual a autoridade lançadora confrontou valores extraídos de Livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços (ISS) com as receitas de serviços contabilizadas nas contas 3.1.1.01 e 3.1.1.03. Em seu demonstrativo, a contribuinte indicou, por meio de referência no cabeçalho dos quadros, ter somado receitas de serviços advindas das contas 3.1.1.01.001, 3.1.1.02.006, 3.1.3 e 3.1.1.03 (no total de R$ 82.082.662,58) para confronto com os valores extraídos dos livros fiscais, momento em que, como constatado no início deste tópico, errou ao indicar, a partir dos livros fiscais, o total anual de R$ 85.231.114,10, e não R$ 83.220.556,38. De plano constatase que, se a apuração da contribuinte tivesse considerado, apenas, os saldos das contas 3.1.1.01.001 (R$ 73.073.695,76), 3.1.1.02.006 (R$ 14.625,00), 3,1,3 (R$ 3.932.500,55) e 3.1.1.03 (R$ 3.102.356,63), o total esperado, a partir dos registros do balancete à fl. 190, não seria R$ 82.082.662,58. Razoável, portanto, admitir que outras contas contábeis possam ter sido consideradas em tal apuração. Assim, fragilizado o indício apresentado pela Fiscalização para desconsiderar em seus cálculos os registros da conta 3.1.1.04, e confirmado o procedimento da contribuinte de computar no Livro de Apuração de ISS as notas de débito que originaram aqueles registros contábeis, deve ser admitido nos cálculos comparativos o saldo da conta 3.1.1.04 (Receitas Hoteis Adm. Similares), no valor de R$ 1.285.825,14. · Parcelas de R$ 4.443.281,38 e R$ 178.028,30: Tais valores corresponderiam a receitas de hospedagem registradas nas contas nº 3.1.1.01.002 e 3.1.1.01.003, e decorreriam da prestação de serviços de café da manhã e meia pensão, ignorados pela Fiscalização que considerou em seus cálculos apenas as receitas de diárias indicadas na conta nº 3.1.1.01.001 (R$ 68.452.386,08). A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência não se manifestou expressamente acerca desta questão, e a consultoria contratada também nada disse a respeito. Observase na acusação fiscal que foram considerados como receitas de prestação de serviços contabilizadas os valores consignados no subgrupo 3.1.1.01, no valor líquido de R$ 68.452.386,08, demonstrado no balancete de verificação à fl. 190 e equivalente ao valor das receitas de diárias (R$ 73.073.695,76) reduzido pelo saldo das contas aqui alegadas, de natureza retificadora. De outro lado, há contas correlatas, no grupo nº 3.1.1.02 (Receitas de Alimentos Bebidas), que poderiam estar descrevendo o valor do café da manhã e da meia pensão inclusos na diária, cujo destaque poderia não constar das notas fiscais de serviço. Assim, foi necessário aferir a sistemática contábil adotada pela contribuinte para reconhecimento das receitas correspondentes a café da manhã e meiapensão inclusos na diária, e apurar se estes valores foram indicados de forma destacada nas notas fiscais de serviços, ou se integraram o valor da diária e, por conseqüência, o valor tributável pelo ISS, a ser apurado na forma do primeiro item desta abordagem. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 8: Apurar se os valores correspondente a café da manhã e meiapensão inclusos na diária, foram indicados de forma destacada na Nota Fiscal ou se integram o valor da diária e, por consequência o valor tributável dos serviços informados nos Livros de Apuração do ISS. Fl. 5721DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 35 34 Constatamos que os valores correspondentes ao café da manhã e a meiapensão estão inclusos no valor das diárias, quando da emissão das Notas Fiscais de Serviços e constam no Livro de Apuração do ISS. A sistemática contábil adotada pelo contribuinte para reconhecimento da receita de diária é apropriada diariamente, enquanto a emissão da Nota Fiscal ocorre na saída do hospede. Diariamente o contribuinte apropria (credita) o valor da receita de diária através da conta contábil 3.1.1.01.001 com contrapartida de uma conta Ativa. Para efeito de uma melhor demonstração contábil o valor do café da manhã e da meiapensão (inclusos no valor da diária) é transferido para a conta contábil 3.1.1.02... Receitas de Alimentos Bebidas. Portanto, verificamos que contabilmente o valor do café da manhã e a meia pensão estão registrados definitivamente no grupo de Receitas de Alimentos e Bebidas conta n° 3.1.1.02 (fls. 5310 a 5348 dos autos). Os valores em referência correspondem a café da manhã ou meia pensão que não são cobrados destacadamente na nota fiscal, integrando o valor das diárias. As alegações da contribuinte, confirmadas em diligência, são no sentido de que a autoridade lançadora não considerou, em seus cálculos, o valor bruto das diárias, mas sim o valor líquido consignado na contabilidade, depois de destacados da diária aqueles valores embutidos, correspondentes a receitas de alimentos/bebidas. Para maior clareza, reproduzse, novamente, o balancete de verificação que orientou os trabalhos fiscais (fl. 190): Embora a contribuinte tenha indicado em sua planilha de fl. 194 que confrontou as receitas de serviços obtidas nos livros fiscais com as receitas contabilizadas, dentre outras, na conta 3.1.1.01.001, a autoridade lançadora não adotou o saldo desta conta em seus cálculos, mas sim o referenciado no grupo 3.1.1.01, como descrito no auto de infração, novamente a seguir transcrito: Considerando que a linha 04 Ficha 06A da DIPJ/2007 Receita de Prestação de Serviço estampa o valor de R$ 79.339.040,61 que é composto pelos subgrupos Contábeis demonstrados: 3.1.1.01 Receita de Hospedagem 68.452.386,08 3.1.1.03 Rec. Serviços Oper. Acessorios 3.102.356,63 3.1.1.04 Receitas Hoteis Adm. Similares 1.285.825,14 Fl. 5722DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 36 35 3.1.2.01Rec. Locs. Util Espçao Fisico 1.185.769,73 3.1.2.02Receitas de Lavanderia Sto. Aleixo 1.440.202,48 3.1.3 Receitas Imposto Cobrado na Venda 3.932.500,55 TOTAL R$ 79.399.040,61 [...] Diante de todo o exposto, concluímos que a empresa não ofereceu à tributação o valor de R$ 13.676.371,39 que é decorrente do valor informado pela empresa (R$ 85.231.114,10) subtraído dos dois grupos que se referem as Notas Fiscais de Serviços emitidas, a saber: 3.1.1.01 e 3.1.1.03 (R$ 68.452.386,08 + 3.102.356,63 = R$ 71.554.742,71) Recordese que, como antes mencionado, a autoridade fiscal observou que informação de receitas de revenda de mercadorias em DIPJ (R$ 23.505.991,27, fl. 07) corresponderia aos saldos das contas vinculadas ao grupo 3.1.1.02, para o qual foram transferidos os valores consignados nas contas retificadoras que reduziram o saldo do grupo 3.1.1.01. Todavia, esta circunstância não autoriza que tais valores sejam desconsiderados no cálculo porque, como já dito, a Fiscalização não confrontou as receitas de serviços escrituradas na contabilidade com aquelas informadas em DIPJ, mas sim as receitas de prestação de serviços informadas na escrituração contábil e nas notas fiscais de serviços extraídas dos livros fiscais. Evidenciado, desta forma, que as diárias computadas em nota fiscal foram integralmente submetidas à incidência do ISS, e somente por procedimento contábil posterior foram reduzidas em valores correspondentes a café da manhã e meia pensão computados nas diárias, deve ser retificada a apuração fiscal para considerar na comparação o saldo da conta 3.1.1.01.001, e não do grupo 3.1.1.01. · Parcela de R$ 3.932.500,55: Segundo a recorrente, este valor estaria escriturado na conta contábil nº 3.1.3 (Impostos Cobrados nas Vendas) e seria decorrente de prestação de serviços, compondo o montante escriturado no Livro de Apuração do ISS. Neste sentido, a contribuinte, durante o procedimento fiscal, apresentou a planilha de fl. 194 para confrontar o demonstrativo fiscal de fl. 189, nela indicando, por meio de referência no cabeçalho dos quadros, ter somado receitas de serviços advindas das contas 3.1.1.01.001, 3.1.1.02.006, 3.1.3 e 3.1.1.03 (no total de R$ 82.082.662,58). Na descrição dos fatos contida no auto de infração, a autoridade lançadora observa que os registros da conta 3.1.3 integraram o montante informado como receitas de serviços na DIPJ, mas assim esclarece porque desconsiderou tais registros em seu cálculo: Considerando que a linha 04 Ficha 06A da DIPJ/2007 Receita de Prestação de Serviço estampa o valor de R$ 79.339.040,61 que é composto pelos subgrupos Contábeis demonstrados: 3.1.1.01 Receita de Hospedagem 68.452.386,08 3.1.1.03 Rec. Serviços Oper. Acessorios 3.102.356,63 3.1.1.04 Receitas Hoteis Adm. Similares 1.285.825,14 3.1.2.01Rec. Locs. Util Espçao Fisico 1.185.769,73 3.1.2.02Receitas de Lavanderia Sto. Aleixo 1.440.202,48 Fl. 5723DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 37 36 3.1.3 Receitas Imposto Cobrado na Venda 3.932.500,55 TOTAL R$ 79.399.040,61 Considerando que o Subgrupo Contábil 3.1.3 referese ao Imposto de Serviço cobrado na Nota Fiscal, mas não serve de Base de Cálculo para o próprio ISS, o mesmo não foi incluído na planilha do Termo de Intimação de 24/01/2011. Como a empresa não logrou confirmar o valor deste item, o mesmo não está sendo considerado como Base de Cálculo da Nota Fiscal; [...] Diante de todo o exposto, concluímos que a empresa não ofereceu à tributação o valor de R$ 13.676.371,39 que é decorrente do valor informado pela empresa (R$ 85.231.114,10) subtraído dos dois grupos que se referem as Notas Fiscais de Serviços emitidas, a saber: 3.1.1.01 e 3.1.1.03 (R$ 68.452.386,08 + 3.102.356,63 = R$ 71.554.742,71) A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência disse que este valor, por se tratar de ressarcimento do ISS, não integra a base do próprio imposto, diferente da interpretação dada pela RFB, que considera o valor de ressarcimento como receita. A consultoria contratada indicou que esses valores também compuseram os valores indicados nos Livros de Apuração do ISS conforme “doc. 23” e “doc. 24”. A planilha à fl. 4612 trouxe amostragem de notas fiscais nas quais, destacado o valor correspondente a consumo, o valor remanescente é classificado como valor dos serviços, ali incluída a parcela correspondente ao ISS. Observase nas notas fiscais analisadas durante a segunda diligência (fls. 5227/5242) que todas elas apresentam a cobrança de "taxa de ISS" integrada ao saldo devido pelo cliente. Referido saldo, ao final, é rateado entre as rubricas de serviço e consumo, sem qualquer separação da referida "taxa de ISS". Ao final, o saldo devido pelo cliente é indicado como "tot. debitos", seguindose a informação do "tot. ISS" em valor equivalente ao incluído no saldo reproduzido em "tot. debitos". Vejase, a título de exemplo, a descrição da nota fiscal nº 702.226, à fl. 5230: Neste caso, embora os serviços representem, apenas, R$ 450,00, o valor indicado como "TT. SERV." corresponde a R$ 472,50, acrescido da "TAXA DE ISS" no valor de R$ 22,50. Por sua vez, no Livro de Registro de Notas Fiscais, o valor dos serviços também é Fl. 5724DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 38 37 indicado por R$ 472,50, resultando em ISS devido de R$ 23,62 (fl. 5228). E, na contabilidade, os elementos reunidos na segunda diligência às fls. 5233/5262 evidenciam a prática de somente registrar nas contas próprias de receitas de serviços os valores correspondentes a diárias e locações para eventos, sem o acréscimo da "taxa de ISS". Frente a tais circunstâncias, cumpria à autoridade lançadora, para desconsiderar os esclarecimentos prestados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, demonstrar que na conta 3.1.3 não foram registrados os valores computados nas notas fiscais a título de "taxa de ISS". E, evidenciado que os valores assim recebidos foram computados no montante de receita de serviços consignado no Livro de Registro de Notas Fiscais, nada há que autorize a desconsideração, no comparativo fiscal, dos valores consignados na conta 3.1.3 (Receitas Imposto Cobrado na Venda, R$ 3.932.500,55). · Descompassos entre as receitas contabilizadas e aquelas expressas nas notas fiscais: A recorrente especifica que se um hóspede faz o check in em dezembro de 2006, para efeito contábil, são registradas na contabilidade diariamente, enquanto que, para efeitos fiscais, a receita tomará como base a nota fiscal emitida por ocasião do check out. A apreciação desta alegação, porém, se faz desnecessária porque o recálculo abaixo evidencia que as retificações admitidas são suficientes para anular a infração apurada: Fiscalização Ajustes Julgamento Receita de serviços informada nos Livros Fiscais 85.231.114,10 (2.010.558,33) 83.220.555,77 Receita de serviços contabilizada 3.1.1.01 Receita de Hospedagem 68.452.386,08 4.621.309,68 73.073.695,76 3.1.1.03 Rec. Serv. Oper. Acessorios 3.102.356,03 3.102.356,03 3.1.1.02.005 Eventos Aluguéis de salas/equipamentos 2.574.109,64 2.574.109,64 3.1.1.04 Receitas Hoteis Adm. Similares 1.285.825,14 1.285.825,14 3.1.3 Receitas Imposto Cobrado na Venda 3.932.500,55 3.932.500,55 Subtotal 71.554.742,11 83.968.487,12 Resultado tributável 13.676.371,99 Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar as exigências de IRPJ e CSLL decorrentes de resultados não operacionais não declarados no valor de R$ 13.676.371,99. · Recurso de ofício: A Turma Julgadora de 1a instância afastou as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS pelas razões a seguir expostas, e submeteu sua decisão a reexame necessário. 1 Da alegação de nulidade do lançamento relativo ao PIS e à COFINS A interessada alega que a receita de serviço de hotelaria não está sujeita à incidência não cumulativa conforme dispõe o art. 10, XXI e 15, V da Lei nº 10.833/2003. De fato a interessada tem razão. O inciso XXI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, vigora com a seguinte redação: Fl. 5725DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 39 38 “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ........................................................................................................... XXI – as receitas auferidas por parques temáticos, e as decorrentes de serviços de hotelaria e de organização de feiras e eventos, conforme definido em ato conjunto dos Ministérios da Fazenda e do Turismo. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (Grifouse) Referido inciso aplicase igualmente à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme o inciso V do art.15 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação introduzida pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004. A definição dos serviços de hotelaria está disposta na Portaria Interministerial dos Ministérios da Fazenda e do Turismo nº 33, de 3 de março de 2005, abaixo transcrito, orienta o inciso XXI, art.10 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis. “Art. 1º As receitas auferidas por pessoa jurídica, decorrentes da exploração de parques temáticos, da prestação de serviços de hotelaria ou de organização de feiras e eventos, ficam sujeitas ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Art. 2º Para os fins do disposto no art. 1º considerase: I – exploração de parque temático, os serviços de entretenimento, lazer e diversão, com atividade turística, mediante cobrança de ingresso dos visitantes, prestados em local fixo e permanente e ambientados tematicamente; II serviço de hotelaria, a oferta de alojamento temporário para hóspedes, por meio de contrato tácito ou expresso de hospedagem, mediante cobrança de diária pela ocupação de unidade habitacional com as características definidas pelo Ministério do Turismo; A receita omitida lançada referese à prestação de serviços, assim sendo, caberia a aplicação da incidência cumulativa na forma da Lei 9.715/98 para o Pis e na forma da LC Nº 70/1991 e Lei 9.718/98 para COFINS. Tratase de erro de direito material, uma vez que houve aplicação errônea da norma jurídica, por consequência, tornase improcedente o lançamento relativo ao PIS e a Cofins não cumultativos. Contudo, como visto nos tópicos precedentes, a base de cálculo apurada pela Fiscalização foi infirmada, afetando também as exigências de COFINS e Contribuição ao PIS e constituindo motivação suficiente para NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Glosa de despesas não comprovadas Por meio da intimação de fls. 54/55 exigiuse da contribuinte a apresentação de demonstrativo de débitos acompanhado das memórias de cálculo individualizadas (imposto/contribuição/dia/mês/ano/valor/número do processo de parcelamento, se houver/pagamento/dctf) relativamente a contas contábeis dos grupos 2.1 e 2.2 representativas de obrigações tributárias (fls. 54/55). Consta da resposta de fl. 56 que a contribuinte apresentou planilha demonstrativa dos débitos pendentes em 31/12/2006 nas contas referidas. A autoridade fiscal exigiu a complementação da comprovação antes exigida, bem como a comprovação documental dos valores registrados na Ficha 06A da DIPJ/2007, nas linhas 41 (Valor Contábil de Bens e Direitos Alienados, no valor de R$ 16.334.338,79) e 42 (Outras Despesas não Operacionais, no valor de R$ 14.312.130,75), tudo acompanhado dos Fl. 5726DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 40 39 lançamentos contábeis individualizados, conforme fls. 57/59. Concedeu 5 (cinco) dias úteis para apresentação destes documentos, observando que todos os itens assim indicados eram complementos de intimações anteriores não inteiramente atendidas pela empresa. A resposta da contribuinte consta às fls. 184/185, indicando a apresentação de planilha demonstrativa com os históricos dos tributos computados nos saldos das contas contábeis representativas de obrigações tributárias. Por meio da intimação de fls. 186/188, a autoridade fiscal exigiu a apresentação do demonstrativo de débito e/ou confissão de dívida, incluído no REFIS IV, tendo em conta que a empresa optou pela não inclusão da totalidade dos débitos no Parcelamento. Também reiterou a exigência de comprovação documental dos valores que integraram as linhas 41 e 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007. Na resposta de fl. 192 consta que a contribuinte apresentou o demonstrativo de débitos incluídos no REFIS IV. Posteriormente (fls. 194/193) apresentou relatórios demonstrativos da origem dos valores indicados nas linhas 41 (indicando tratarse de baixa de provisão de créditos tributários) e 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007 (indicando tratarse de reversões de diversas provisões). À fl. 196 há cópia do Razão Contábil da conta nº 4.8.1.01.001 (Baixa Créditos Tributários), com saldo final de R$ 16.334.338,79. Às fls. 204/207 há cópia do Razão Contábil de contas do mesmo grupo 4.8. Na descrição dos fatos integrada aos autos de infração, a autoridade lançadora justificou a glosa dos valores consignados nas linhas 41 e 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007 em razão da falta de apresentação dos documentos de suporte dos valores contabilizados. Embora exigidos estes elementos, a contribuinte apresentou apenas o Razão Contábil da conta nº 4.8.1.01.001 para justificar os valores indicados na linha 41 da Ficha 06A, e quanto à linha 42 apresentou apenas balancete parcial sem sequer esclarecer a composição do valor indicado na DIPJ. A autoridade fiscal acrescenta que a linha 41 é destinada ao valor contábil classificados nos grupos subinvestimento, imobilizado e intangível do ativo não circulante baixado no curso do período de apuração cuja receita tenha sido indicada na linha 39 da mesma ficha. Por sua vez, na linha 39 somente foi informado o valor de R$ 100,00, que não aparenta qualquer correlação com o valor consignado na linha 41. A recorrente principia sua defesa alegando que não houve discordância quanto à natureza das despesas informadas na DIPJ, mas apenas alegação de ausência de comprovação. Contudo, como se vê, as informações prestadas à Fiscalização eram tão precárias, que seria impossível sequer cogitar de algum impedimento legal à dedução dos valores que poderiam estar contemplados nas linhas 41 e 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007. De toda sorte, ainda assim a autoridade lançadora observou a incompatibilidade entre a despesa não operacional indicada na linha 41, e a receita correspondente que deveria estar consignada na linha 39. Passando aos argumentos dirigidos contra a glosa da despesa consignada na Linha 41 da Ficha 06A da DIPJ/2007 (R$ 16.334.338,79, Tema IV) temse que, em impugnação, a contribuinte afirmou haver coincidência entre o valor contabilizado na conta nº 4.8.1.01.001 e o montante indicado na linha 41 da Ficha 06A da DIPJ, esclareceu que tais registros contábeis se referem à composição de provisões de IRPJ e CSLL, apurados em períodos anteriores, e complementou que eles teriam sido objeto de adição juntamente com outras despesas. Fl. 5727DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 41 40 Indicou que a adição, promovida na linha 3 da Ficha 09A da DIPJ/2007, no montante de R$ 17.707.840,089, estaria integrada não só pela provisão em referência, como também pelas parcelas de R$ 11.064,00 (doações e brindes) e R$ 580.207,79 (multas não dedutíveis). A adição decorreria da indedutibilidade das despesas de IRPJ e CSLL na apuração de suas próprias bases de cálculo. No mais, a contribuinte se opôs à incompatibilidade mencionada pela Fiscalização em razão da vinculação entre as linhas 39 e 41 da Ficha 06A da DIPJ, argumentando que as despesas adicionadas jamais poderiam ser consideradas operacionais e estariam corretamente declaradas na linha 41 da Ficha 06A da DIPJ/2007. Subsidiariamente aduziu que eventual erro no preenchimento da DIPJ não poderia justificar a glosa. A contribuinte juntou documentos à impugnação e, apreciandoos, a autoridade julgadora de 1a instância consignou que: Verificando a Ficha 9 A Demonstração do Lucro Real, linha 03 – Despesas Operacionais – Soma parcelas não dedutíveis verificase que foi adicionado o valor de R$ 17.707.840,89. A interessada alega que o valor de R$ 16.334.338,79 comporia o valor adicionado, entretanto, não discrimina que outros valores também comporiam tal adição, uma vez que não há coincidência de valores. De acordo com o LALUR apresentado na impugnação (fl. 442) houve uma adição de provisões não dedutíveis no valor de R$ 17.116.569,10, uma adição de multas não dedutíveis no valor R$ 580.207,79, e adição de doações e brindes no valor de R$ 11.064,00 que somadas alcançam o valor de R$ 17.707.840,89 que foi o valor adicionado na DIPJ. A interessada não apresenta cópia do razão das contas que comporiam os R$ 17.116.569,10 apenas alega que os R$ 16.334.338,79 estariam lá incluídos. Em recurso voluntário a contribuinte informa que retificou a DIPJ em 27/12/2011, depois do julgamento de 1a instância, por ter constatado erro na composição das adições originalmente informadas nas linhas 03 e 22 da Ficha 09A da DIPJ. Isto porque na Linha 03 da Ficha 09A da DIPJ deveria ter sido informada a adição da parcela não dedutível de despesas operacionais, transportada da Linha 32 da Ficha 05, no valor de R$ 1.326.634,79, e não de R$ 17.707.840,89, como informado, integrado pela parcela correspondente à glosa aqui em discussão (R$ 16.334.338,79) ajustado por registros de multas indedutíveis e outra parcela referente à conta 4.6.1.01.999, totalizando R$ 16.381.206,10. Ao final, reconhece que apenas deixou de adicionar provisões não dedutíveis no montante de R$ 533.340,48. Na execução da primeira diligência requerida, a autoridade fiscal informou que os dados permanecem inconsistentes com a escrituração contábil, restando incomprovada a despesa. A contribuinte aduziu que a análise fiscal foi superficial e requereu nova diligência, mas juntou termo de constatação elaborado por KPMG Assessores Tributários Ltda, acerca da alegada adição da despesa glosada. Necessário se fez, assim, avaliar detidamente o conteúdo dos documentos juntados aos autos. No LALUR apresentado durante o procedimento fiscal consta que o prejuízo contábil foi ajustado, dentre outras, por adição correspondente a “provisões não dedutíveis” no montante de R$ 19.005.991,96, tanto para fins de apuração do IRPJ como da CSLL, mas apenas em dezembro/2006 (fls. 60/86). Em que pese a possibilidade de a despesa glosada ter sido adicionada mediante sua soma a outras integrantes daquele montante, observase no Razão Contábil apresentado à Fiscalização que os registros correspondentes à glosa de R$ 16.334.338,79 foram promovidos em 30/06/2006, sob o histórico VLR REF. BAIXA PROV. IR Fl. 5728DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 42 41 CONF. RELAT. Considerando a opção da contribuinte pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, elaborando balancetes de suspensão para deixar de recolher as estimativas mensais (fls. 03/35), a adição alegada deveria ter sido promovida desde o balancete de junho/2006. Em impugnação, a contribuinte fundamentou sua defesa nos documentos de nº 4 a 7. Na DIPJ originalmente apresentada (doc. nº 4, fls. 400/434), observase que a despesa em referência não foi computada na linha destinada às demais provisões que afetaram o lucro operacional (Linha 24 da Ficha 05A), dado o registro ali apenas da parcela de R$ 550.564,79. Porém, sua indicação na linha 41 da Ficha 06A (aqui admitida em razão da resposta apresentada à Fiscalização e da coincidência de valores) seria compreensível, caso não se tratasse de uma obrigação provisionada, mas sim de um direito de crédito antes reconhecido e posteriormente baixado, dado que a linha em referência se destina ao Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados, integrante dos resultados não operacionais. Neste sentido, aliás, observa se no Balanço Patrimonial reproduzido na DIPJ que a contribuinte apresentava, no ano calendário anterior, ativos correspondentes a Créditos Fiscais CSLL/IRPJ – Difer. Temp. Base de Cálculo Negativa/Prejuízos Fiscais, nos valores de R$ 5.657.524,75 e R$ 11.749.949,45, cujos saldos foram zerados ao final do anocalendário 2006 (fl. 418). Por sua vez, no doc. nº 5 (fls. 435/438) constam os lançamentos contábeis da referida baixa, promovidos em contrapartida a contas possivelmente integrantes do Ativo Realizável a Longo Prazo, em razão de sua codificação (1.2.3.01.001 e 1.2.3.01.002). Os valores baixados de cada conta são um pouco inferiores àqueles indicados no Balanço Patrimonial em 31/12/2005 (R$ 10.960.879,31 e R$ 5.373.459,48). Estas evidências, portanto, operam contra a alegação veiculada em impugnação, no sentido de que os valores glosados corresponderiam a provisões indedutíveis, sujeitas a adição. É razoável crer que os valores deduzidos corresponderiam, de fato, a ativos baixados no período fiscalizado, e que as provisões indedutíveis reconhecidas pela contribuinte seriam apenas de R$ 550.564,79. Neste sentido, aliás, a conta nº 4.8.1.01.001 integra o sub grupo nº 4.8.1.001, correspondente a CUSTO REALIZAÇÃO AT. PERMANENTE (fl. 513), assim como a consultoria contratada pela recorrente indica em seu termo de constatação que a despesa em questão realmente correspondia à reversão/baixa de IRPJ diferido, ou seja, direito à redução do IRPJ e da CSLL no futuro, em razão de bases negativas e prejuízos fiscais a compensar. O doc. nº 7 juntado à impugnação (fls. 442) traz registros no LALUR diferentes daqueles apresentados à Fiscalização. As provisões indedutíveis passam a representar R$ 17.116.569,10, valor próximo, mas inferior à adição decorrente de despesas operacionais indedutíveis, indicada na DIPJ no valor de R$ 17.707.840,89. O quadro abaixo espelha as diferenças entre as apurações constantes no LALUR apresentado à Fiscalização (fls. 60/86), na DIPJ original (fls. 3/35) e no LALUR trazido com a impugnação (fl. 442): Fl. 5729DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 43 42 LALUR (fls. 60/86) DIPJ (fls. 3/35) LALUR (fl. 442) CSLL IRPJ CSLL IRPJ CSLL IRPJ Prejuízo Contábil (23.231.996,87) (23.231.996,87) (25.168.096,96) (25.168.096,96) (25.168.096,96) (25.168.096,96) Provisões não dedutíveis 19.005.991,96 19.005.991,96 17.116.569,10 17.116.569,10 17.116.569,10 Realização de Reserva de Reavaliação 6.220.392,02 6.220.392,02 6.220.392,02 6.220.392,02 6.220.392,02 6.220.392,02 Ajustes por Dim Inv Aval pelo PL 241.321,79 241.321,79 164.179,73 164.179,73 164.179,73 164.179,73 Despesas não dedutíveis 66.719,99 66.719,99 Doações e Brindes 11.064,00 11.064,00 11.064,00 11.064,00 11.064,00 Multas não Dedutíveis 513.487,80 513.487,80 580.207,79 580.207,79 Despesas Operacionais não dedutíveis 17.707.840,89 Custos e Desp Vinc Patr. Afetado 580.207,79 Reversão de Provisões Indedutíveis (49.885,64) (49.885,64) (695.331,22) (695.331,22) (695.331,22) (695.331,22) Ajustes por Aum Inv Aval pelo PL (77.142,06) (77.142,06) (77.142,06) (77.142,06) Lucro antes da compensação 2.777.095,05 2.777.095,05 (1.848.157,60) (1.848.157,60) (1.848.157,60) (1.848.157,60) Compensação prejuízos/BCN (833.128,52) (833.128,52) Lucro Tributável 1.943.966,54 1.943.966,54 O LALUR apresentado à Fiscalização parte de um prejuízo contábil inferior ao apontado nos demais documentos e sofre ajustes por diminuição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido em valores diferentes daqueles consignados na DIPJ original e no LALUR trazido com a defesa. De outro lado, as apurações espelhadas na DIPJ original e no LALUR apresentado na defesa partem do mesmo prejuízo contábil e apuram o mesmo prejuízo fiscal/base de cálculo negativa, a evidenciar que as diferenças entre eles são apenas de distribuição dos valores nas linhas destinadas às adições e exclusões. E no que importa à glosa sob análise, é possível concluir que a adição consignada na linha 3 da Ficha 09A, para fins de apuração do lucro real, reúne as adições correspondentes a provisões não dedutíveis de R$ 17.116.569,10, as multas não dedutíveis de R$ 580.207,79 e as doações/brindes de R$ 11.064,00, totalizando R$ 17.707.840,89, informado como provisões não dedutíveis no LALUR juntado à defesa e na apuração da CSLL informada na DIPJ original. Considerando que a apuração dos créditos tributários exigidos teve como referência o lucro tributável informado em DIPJ, e esta apuração é compatível com LALUR apresentado na impugnação, deve ser desconsiderado o LALUR apresentado à Fiscalização. Quanto à retificação da DIPJ, tratase de formalidade irrelevante para o deslinde da questão, porque promovida depois do lançamento, e com vistas a incorporar informações trazidas pela contribuinte a partir de escrituração contábil e fiscal, esta sim passível de análise neste julgamento. Neste contexto, tendo em conta as despesas operacionais consignadas na Ficha 05A da DIPJ original, seriam esperadas adições de parcelas indedutíveis no total de R$ 1.326.634,79, composta por doações de R$ 11.064,00, perdas em operações de crédito de R$ 765.006,00 e provisões indedutíveis de R$ 550.564,79. Somadas estas adições àquela correspondente a multas indedutíveis, não destacada dentre as despesas operacionais da Ficha 05A da DIPJ original, chegarseia ao total de R$ 1.906.842,58, que confrontado com a adição invocada pela contribuinte, no montante de R$ 17.707.840,89, evidenciaria a sobra de R$ 15.800.998,31, inferior à despesa não operacional glosada (R$ 16.334.338,79) e que a recorrente afirma ter adicionado ao lucro tributável. À diferença entre aqueles valores, equivalente a R$ 533.340,48, a recorrente atribui a natureza de outras provisões indedutíveis, com contingências trabalhistas e provisões para perdas de créditos, que não teriam sido adicionadas. Na primeira diligência requerida, a autoridade fiscal confrontou estas alegações com os registros contábeis de provisões indicadas Fl. 5730DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 44 43 e concluiu que as despesas representariam R$ 534.485,44, inferior à adição que não teria sido promovida (R$ 533.340,48). A consultoria contratada, de outro lado, diz que as adições no total de R$ 17.707.840,89 abrigariam a despesa glosada e as demais despesas indedutíveis, com exceção da provisão com outras perdas de crédito, de cujo saldo total de R$ 209.523,20, somente teriam sido adicionadas as parcelas de junho a dezembro/2006, no valor de R$ 17.224,31. Assim decompõe as adições promovidas (fls. 4099/4102): Observase que no curso da primeira diligência a contribuinte apresentou significativo volume de documentos, relacionado às fls. 3884/3924. Examinandoos, a Fiscalização asseverou que a contribuinte não comprovou o valor glosado, mas nada opôs às evidências contábeis de que o registro corresponderia a uma baixa de ativo. Para além disso, pretendeu infirmar a alegação de que a despesa não operacional teria sido adicionada apontando a divergência pouco representativa antes mencionada. Considerando que não foi juntado aos autos o balancete de verificação que precedeu a elaboração da Demonstração de Resultado e do Balanço Patrimonial em 31/12/2006, e que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedentes, afirmouse importante que viesse aos autos o detalhamento das despesas escrituradas no anocalendário 2006, e que a autoridade lançadora se manifestasse acerca da existência de outros valores indedutíveis que poderiam ter sido adicionados em montante equivalente à sobra de R$ 15.800.998,31 acima demonstrada, de modo a infirmar a alegação da recorrente de que adicionou ao lucro tributável a despesa aqui glosada. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 10: Com vistas à aferição da dedutibilidade do valor consignado na Linha 41 da Ficha 06A da DIPJ/2007, junte aos autos o detalhamento das despesas escrituradas no anocalendário de 2006, e se manifeste acerca da existência de outros valores indedutíveis que poderiam ter sido adicionados em montante equivalente à sobra R$ 15.800.998,31. Quanto ao montante de R$ 17.707.840,89 declarados na Linha 03 da Ficha 09A da DIPJ/2007 original como "Despesas Operacionais Soma Parcelas Não Dedutíveis", constatamos que o valor está representado pela parcela não dedutível Fl. 5731DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 45 44 na Linha 32 da Ficha 05 no valor R$ 1.326.634,79, acrescido com o montante posteriormente inserido na linha 22 da Ficha 09A , a título de "Outras Adições" no valor de R$ 16.381.206,10. O valor de R$ 17.707.840,89, por sua vez, é composto pelo montante de R$ 232,00 conta 4.3.9.07.003 Doações e Entidades Filantrópicas; R$ 10.832,00 conta 4.3.9.07.999 Outras Doações; R$ 16.334.338,79 conta 4.8.1.01.001 Baixa de Crédito Tributário; R$ 765.006,00 conta 4.6.1.01.004 Provisão para Devedores Duvidosos; R$ 17.224,31 conta 4.6.1.01.999 Outras Provisões de Créditos; R$ 515,02 conta 4.3.9.98.002 Multas de Transito; R$ 625,24 conta 4.3.9.98.004 Multas Fiscais; R$ 1.352,38 conta 4.3.9.98.999 Outras Despesas Indedutíveis; R$ 1.076,86 conta 4.8.1.04.002 Multa de Transito; R$ 372,73 conta 4.8.1.04.003 Multa Sem Comprovantes; R$ 511.270,68 conta 4.8.1.04.004 Multas Fiscais; R$ 64.994,88 conta 4.8.1.04.999 Outras Não Dedutíveis. Adicionalmente, apuramos um montante de R$ 533.340,48, que é composto pelo valor de R$ 341.041,59 conta 4.6.1.01.001 Contingências Trabalhistas e R$ 192.298,89 conta 4.6.1.01.999 Outras Provisões Perdas de Créditos, que são Despesas Indedutíveis, porém, seus valores não foram adicionados na Linha 03 da Ficha 09A da DIPJ/07. Segundo Parecer dos auditores Independentes sobre o Balanço de 31/12/2006, a empresa baixou do ativo Realizável a Longo Prazo, a débito do resultado do exercício de 2006, o saldo de R$ 16.904 mil, relativo a Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos, sobre respectivamente, prejuízos fiscais e bases de cálculos de Contribuição Social. Portanto, constatamos por tudo que podemos apurar, que o valor de R$ 533.340,48 não foram adicionados na apuração do Lucro Real do anocalendário de 2006. Estamos juntando aos autos, razão analítico da conta 1.2.3.01.001 Imposto de Renda sobre Prejuízo Fiscal e conta 1.2.3.01.002 Contribuição Social sobre Base Negativa com saldos em 30/06/2006 respectivamente de R$ 10.960.879,31 e R$ 5.373.459.48 num total de R$ 16.334.338,79. Adicionalmente, juntamos aos autos todos os razões que compõem os valores que devem ser adicionados na apuração do Lucro Real no anocalendário de 2006, Balancetes e Balanços (fls. 5354 a 5455 dos autos). Antes da segunda diligência já era possível concluir, apesar da ausência de comprovação documental da efetiva natureza da despesa não operacional informada em DIPJ, que os lançamentos contábeis demonstrados pela contribuinte operavam em favor da ocorrência de uma baixa de ativo, inexistindo outra despesa do período, passível de adição, que representasse um montante tão significativo para infirmar a alegada anulação de seus efeitos na apuração do lucro tributável. Seria razoável crer, assim, que as diferenças mencionadas decorressem da falta de adição de outras provisões indedutíveis, matéria não questionada no lançamento original. A autoridade fiscal encarregada da segunda diligência, por sua vez, confirmou contabilmente a correspondência dos saldos de despesas por ela relacionadas (fls. 5359/5392) com a adição de R$ 17.707.840,89, e dentre eles incluiu a despesa aqui glosada, de R$ 16.334.338,79, registrada na conta 4.8.1.01.001 (Baixa de Crédito Tributário), em contrapartida aos ativos de IRPJ e CSLL diferidos sobre prejuízo fiscal/base negativa, controlados até 30/06/2006 nas contas 1.2.3.01.001 e 1.2.3.01.002 (fls. 3395). Em consequência, vinculou as adições não promovidas a outras despesas indedutíveis não questionadas neste lançamento. Fl. 5732DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 46 45 Assim, confirmada a adição da despesa glosada, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base tributável a parcela de R$ 16.334.338,79. Quanto à glosa referente ao item 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007, desde a impugnação a contribuinte alega que o montante de R$ 14.312.130,75 seria composto por diferentes despesas: Despesa Valor Acordo Extrajudicial firmado com o Banco do Brasil para pagamento do Escritório de Advocacia Dutra e Santos e Henrique Rodrigues e Jorge Ricardo R$ 5.362.612,49 Honorários advocatícios pagos ao escritório ZVEITER S/C R$ 1.575.000,00 Baixa de Apólices da Dívida Pública R$ 6.303.277,32 Multas ao INSS relativa ao Auto de infração 37.043.4609 R$ 482.191,19 Sub Total R$ 13.723.081,00 Outras despesas R$ 589.049,75 Total R$ 14.312.130,75 Para justificar os valores computados no item questionado, a contribuinte apresentou à Fiscalização cópia do Livro Razão referente a contas do grupo “4.8” (fls. 204/207). Constam ali os registros contábeis referentes aos quatro primeiros itens acima relacionados, bem como os registros nas contas 4.8.1.02.999 (Outros), 4.8.1.03.001 (Terreno Praia Gravatá), 4.8.1.03.002 (Prov. p/ Perdas Mútuos), 4.8.1.04.002 (Multas de Trânsito) e 4.8.1.04.003 (Despesas sem Comprovação Hábil). É possível, portanto, que estes outros registros contábeis tenham ensejado o cômputo da parcela de R$ 589.049,75, cuja glosa não foi objetivamente questionada pela contribuinte. Neste sentido, aliás, ao interpor o recurso voluntário a contribuinte ampliou a parcela vinculada a multas, assim como fez referência expressa a outras despesas do mencionado grupo “4.8” para alcançar o total de despesas glosadas. Passase, então, ao exame individual das despesas cuja dedução a contribuinte pretendeu justificar: · Parcela de R$ 5.362.512,49 (Tema V): Este montante foi extraído pela contribuinte da conta 4.8.1.02.005 (Provisão Honor. – Lease Back), e corresponde a registros em 31/10/2006 sob os históricos “Pagto. Dutra e Santos” (R$ 4.362.512,49), “Pagto. Henrique Silva” (R$ 500.000,00) e “Pagto. Jorge Ricardo” (R$ 500.000,00). Na mesma conta está registrado o pagamento de R$ 1.575.000,00, que será apreciado na seqüência. O documento que comprovaria a despesa é o Instrumento Particular de Acordo Extrajudicial juntado à impugnação (fl. 444/456) , firmado entre o Banco do Brasil S/A e vários proponentes do grupo empresarial do qual a contribuinte faz parte, em razão de Fl. 5733DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 47 46 créditos judiciais que a contribuinte detinha em face do Banco do Brasil S/A. A contribuinte invocou o disposto na cláusula nona do acordo, mas a autoridade julgadora de 1a instância afirmou que a despesa seria do Banco do Brasil S/A, em razão da sua cláusula sexta. Dizem tais cláusulas: Cláusula Sexta – Em contrapartida ao levantamento pelo BANCO DO BRASIL S/A do depósito judicial vinculado ao processo de execução de sentença nº 1997.001.0639624/D, em trâmite perante o Juízo da 38a Vara Cível desta Capital, conforme ajustado na cláusula quinta, o BANCO DO BRASIL S/A pagará – simultaneamente ao deferimento pelo Juízo da Expedição de Alvará Judicial de Levantamento e/ou Mandado de Pagamento da importância penhorada nos autos supra referidos , a HOTÉIS OTHON S/A, a importância total de R$ 23.425.224,98 (vinte e três milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e quatro reais e noventa e oito centavos), da seguinte forma: i) 3 (três) cheques administrativos, no valor unitário de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), nominais a HOTÉIS OTHON S/A; ii) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 5.013.435,11 (cinco milhões, treze mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e onze centavos), nominal a HOTÉIS OTHON S/A, e iii) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 4.362.612,49 (quatro milhões, trezentos e sessenta e dois mil, seiscentos e doze reais e quarenta e nove centavos), a ser emitido em nome de Escritório de Advocacia Dutra e Santos, CNPJ 05.680.591/000109; iv) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a ser emitido em nome de Henrique Rodrigues da Silva e v) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a ser emitido em nome de Jorge Ricardo da Costa Ribeiro Muniz. Parágrafo único – Fica ressalvado que, na hipótese de existir penhora em favor de terceiros e contra HOTÉIS OTHON S/A, no rosto dos autos da execução de sentença nº 1997.001.0639624/D, em trâmite perante o Juízo da 38a Vara Cível desta Capital, a importância que porventura ficar retida pelo Juízo da sobredita execução será deduzida do valor de R$ 23.425.224,98, a ser pago a HOTÉIS OTHON S/A pelo BANCO DO BRASIL S/A, conforme ajustado no caput desta cláusula, implicando o fato na redução do valor correspondente àquele retido no somatório dos cheques a serem nominalmente emitidos em favor de HOTÉIS OTHON S/A, certo que, em havendo o levantamento da penhora e liberação do valor porventura retido, este será de titularidade do Exeqüente HOTÉIS OTHON S/A, em nome de quem deverá ser expedido o Alvará Judicial de Levantamento e/ou Mandado de Pagamento. [...] Cláusula Nona – Fica estabelecido que as partes se responsabilizarão de per si, pelo pagamento dos honorários de seus patronos em todos os processos relacionados neste instrumento, ficando isento o BANCO DO BRASIL S/A e HOTÉIS OTHON S/A, de qualquer ônus de sucumbência de honorários advocatícios e obrigações decorrentes dos processos objetos deste acordo, em que o BANCO DO BRASIL S/A e HOTÉIS OTHON S/A sejam respectivamente devedores. Para tanto os patronos comparecem ao presente ato, anuindo em todos os seus termos, nada mais podendo reclamar, dando por firme e valioso o presente ajuste. Extraise do assim exposto que a contribuinte recebeu pagamento de R$ 23.425.224,98 em razão da execução judicial por ela promovida contra o Banco do Brasil S/A, mas apenas parte deste montante lhe foi entregue como beneficiária final. Para o restante foram indicados os patronos da causa como beneficiários finais, cumprindo à autuada entregarlhes os Fl. 5734DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 48 47 cheques administrativos emitidos em nome deles, dada a anuência destes, na cláusula nona, em nada mais exigir das partes antes litigantes. Assim, as disposições contratuais não são suficientes para afirmar que a contribuinte não poderia ter escriturado as despesas glosadas como próprias. Necessário se fez averiguar a contabilização do direito que lhe foi reconhecido no acordo, no montante de R$ 23.425.224,98, pois seu reconhecimento integral como receita permitiria a dedução das parcelas questionadas como despesas. A contribuinte, porém, limitouse a juntar outros documentos para demonstrar a homologação do acordo (fls. 1701/1738), e não cogitou de provar o reconhecimento contábil do direito em sua integralidade. Na primeira diligência, por sua vez, a autoridade fiscal constatou que a contribuinte contabilizou como receita apenas o valor líquido dos honorários advocatícios e do ajuste de R$ 18.933,79 promovido no pagamento. Indicou que o valor de R$ 18.043.678,70 teria sido contabilizado como receita financeira na conta nº 3.2.2.01.999. Reportandose ao termo de constatação elaborado pela consultoria contratada, a contribuinte disse que tais valores foram registrados em conta de resultado, no mês de outubro de 2006 (# 4.8.1.02.005 – doc. 06), indicando o lançamento contábil de fl. 4188, no qual o valor de R$ 5.362.512,49 é contabilizado a débito da conta nº 4.8.1.02.005 e a crédito da conta nº 1.1.5.01.014. Ocorre que a conta nº 4.8.1.02.005 (Provisão Honor. – Lease Back) tem natureza de despesa, e seu Razão Contábil, inclusive, foi apresentado à Fiscalização como antes descrito. Por esta razão, aliás, ela foi debitada, e não creditada, no lançamento apontado pela consultoria contratada. Eventualmente a conta nº 1.1.5.01.014 (cuja estrutura indica tratar de uma conta de disponibilidades) poderia apresentar, até então, saldo devedor em razão dos recebimentos resultantes do acordo, contabilizados a débito daquela conta e a crédito de outra representativa de receita. Porém, a autoridade fiscal evidenciou, na diligência, que a receita financeira reconhecida em razão do acordo limitouse ao montante de R$ 18.043.678,70. Novas investigações acerca destes fatos seriam desnecessárias para julgamento da lide, tendo em conta que a contribuinte já teve quatro oportunidades para fazer prova consistente do direito à dedutibilidade da despesa questionada (no curso do procedimento fiscal, em impugnação, em recurso voluntário e na manifestação em razão do resultado da diligência), valendose inclusive de assessoria de empresa especializada na matéria, mas ainda assim não demonstrara seu direito à dedução. Todavia, tendo em conta que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedentes, permitiuse que fosse oportunizado à contribuinte a demonstração dos lançamentos contábeis de reconhecimento do direito ao recebimento dos valores objeto do acordo e de sua liquidação por parte do Banco do Brasil S/A, de modo a evidenciar se a parcela de R$ 5.362.512,49 foi também reconhecida como receita no ano calendário 2006, e integrada ao lucro tributável. Intimada, a contribuinte informou à fl. 4792 que: 12. Conforme informado na cláusula terceira o valor do acordo extrajudicial foi fixado em R$ 35.651.362,15, desse montante R$ 17.607.694,00 foi creditado na conta 1.1.2.10.001 Lease Back Banco do Brasil para baixar saldo existente de contas a receber na data do acordo, também foi registrado a crédito a título de Fl. 5735DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 49 48 receita na conta 3.2.2.01.999 Outras Receitas Financeiras o valor de R$ 18.043.668,15. Para uma melhor visualização dos lançamentos estamos disponibilizado em formato de razonetes o desdobramento de todos os lançamentos referentes ao acordo, bem como cópia do acordo e das páginas do livros diários. Analisando os documentos apresentados, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência consignou no Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565 que: 11: Demonstrar os lançamentos contábeis de reconhecimento do direito ao recebimento dos valores objeto do acordo afirmado com o Banco do Brasil S/A e de sua liquidação, de modo a evidenciar que a parcela de R$ 5.362.512,49 também foi reconhecida como receita do anocalendário de 2006, e integrada ao lucro tributável. De acordo com o Instrumento Particular de Acordo Extrajudicial firmado entre o Banco do Brasil e os Hotéis Othon S/A, ficou estabelecido que o fiscalizado receberá a importância total de R$ 35.651.362,15, da seguinte forma: a) 3 (três) cheques administrativos, no valor unitário de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), nominais a HOTÉIS OTHON S/A; b) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 5.013.435,11 (cinco milhões, treze mil, quatrocentos e trinta e cinco e onze centavos), nominal a HOTÉIS OTHON S/A; c) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 4.362.612.49(quatro milhões, trezentos e sessenta e dois mil, seiscentos e doze reais e quarenta e nove centavos) a ser emitido em nome de Escritório de Advocacia Dutra e Santos; d) 1 (um) cheque administrativo, no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a ser emitido em nome de Henrique Rodrigues da Silva; e) 1 (um) cheque administrativo no valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a ser emitido em nome de Jorge Ricardo da Costa Ribeiro Muniz. Complementando sua contrapartida ao levantamento do depósito judicial, conforme Cláusula Sétima, o BANCO DO BRASIL S/A procederá a cessão integral a HOTÉIS OTHON S/A de seus créditos contra as Proponentes, COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA BARCELOS, USINA CUPIM, E OUTROS, pelo valor total de R$ 12.226.137,17 (doze milhões, duzentos e vinte e seis mil, cento e trinta e sete reais e dezessete centavos). Os lançamentos contábeis de reconhecimentos do direito ao recebimento dos valores objeto do acordo firmado junto ao Banco do Brasil S/A e de sua liquidação ocorreram da seguinte forma: a) inicialmente em 30/09/2002 ocorreram débitos na conta ativa " Lease Back Banco do Brasil" no valor de R$ 17.607.694,00 contra créditos "Diversos" Receita de Lease Back conta "3.4.1.03.001" no valor de R$14.329.160,00 e conta Passiva "Provisão de Honorários" no valor de R$ 3.278.534,00. Posteriormente no fechamento do acordo em 30/06/2006 ocorreram débitos "Diversos"em contas ativas no valor de R$ 35.651.362,15, contra créditos "Diversos" conta ativa"Lease Back Banco do Brasil" no valor de R$ 17.607.694,00 e "Outras Receita Financeiras" conta 3.2.2.01.999 no valor de R$ 18.043.668,15. Portanto, concluímos que a parcela de R$ 3.278.534,00 contabilizadas em Passivo "Provisão de Honorários" não foi reconhecida como receita no anocalendário de 2006, muito menos integrado ao lucro tributável (fls. 5456 a 5474 dos autos). A abordagem assim apresentada não foi esclarecedora, demandando o exame dos lançamentos contábeis submetidos à apreciação da autoridade fiscal e esquematizados à fl. 5456: Fl. 5736DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 50 49 Constatase nestes lançamentos que em 30/09/2002 a contribuinte reconheceu receita líquida de R$ 14.329.160,00 em contrapartida ao direito de R$ 17.607.694,00, já considerando o passivo de honorários advocatícios no montante de R$ 3.278.534,00. Deixou, assim, de apropriar a despesa de honorários lançando, como receita, o valor líquido de R$ 14.329.160,00. À fl. 5459 consta extrato da DIPJ do anocalendário 2002, no qual a contribuinte destacou o cômputo, no resultado do período, do valor de R$ 14.329.160,00 a título de outras receitas não operacionais. Já em 30/06/2006, a contribuinte: 1) debitou várias contas ativas, possivelmente representativas dos direitos a receber e dos créditos cedidos pelo Banco do Brasil S/A, no valor total de R$ 35.651.362,15; 2) baixou o direito constituído em 2002 no valor de R$ 17.607.694,00; e 3) creditou receitas financeiras de R$ 18.043.668,15, as quais, juntamente com outras auferidas em 2006 (fl. 5458), foram computadas no resultado do período, conforme extrato da DIPJ do anocalendário 2006 à fl. 5460, coincidente com a DIPJ juntada pela Fiscalização à fl. 7 e dissociada de exclusões que pudessem anular este procedimento conforme DIPJ à fl. 8. Na sequência, parcelas dos direitos a receber são baixadas de 07 a 26/06/2006 (R$ 2.859.582,75, R$ 4.000.000,00 e R$ 8.000.000,00) e, em 31/10/2006, as despesas de honorários no valor total de R$ 5.362.512,49 são debitadas em contrapartida aos direitos a receber. Concluise, do exposto, que os direitos a receber e os créditos cedidos à contribuinte, no valor total de R$ 35.651.362,15, foram registrados em contrapartida às receitas de R$ 14.329.160,00 e R$ 18.043.668,15. Por sua vez, o acordo judicial impunha ao Banco do Brasil S/A o pagamento total de R$ 23.425.224,98 (aí consignadas as parcelas devidas aos patronos da causa), além da cessão de créditos no valor de R$ 12.226.137,17, como mencionado na cláusula sétima destacada pela autoridade encarregada da segunda diligência, e a seguir reproduzida: Cláusula Sétima Complementando sua contrapartida ao levantamento do depósito judicial vinculado ao processo de execução de sentença nº 1997.001.0639624/D em trâmite perante o Juízo da 38ª Vara Cível desta Capital, conforme acordado na cláusula quinta deste ajuste, o BANCO DO BRASIL procederá a cessão integral a HOTEIS OTHON S/A de seus créditos contra as PROPONENTES, COMPANHIA Fl. 5737DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 51 50 AÇUCAREIRA USINA BARCELOS, USINA CARAPEBUS S/A E COMPANHIA AÇUCAREIRA USINA CUPIM, E OUTROS, pelo valor total de R$ 12.226.137,17 (...), e que são objeto das execuções adiante relacionadas, comprometendose a, tão logo deferido o levantamento em seu nome da importância penhorada e descrita na Cláusula Quinta, requerer a extinção dos feitos a seguir, pelo pagamento: [...] Tais obrigações, somadas, equivalem aos direitos reconhecidos pela contribuinte, mas superam as contrapartidas em receitas. Em verdade, ao contabilizar a receita pelo valor líquido em 30/09/2002, em lançamento equivalente ao registro bruto da receita e da despesa de honorários, parte da despesa agora pretendida já foi considerada para reduzir o lucro daquele período. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para não admitir a dedução da parcela de R$ R$ 3.278.534,00, que já afetou o lucro de período anterior. · Parcela de R$ 1.575.000,00 (Tema VI): Este valor também foi extraído pela contribuinte da conta 4.8.1.02.005 (Provisão Honor. – Lease Back), e corresponde a registro em 31/10/2006 sob o histórico “Pagto. NF. 3495 Zveiter” (fl. 204). Em impugnação, a contribuinte apresentou a nota fiscal de prestação de serviços de advocacia, acompanhada dos comprovantes de pagamento (fls. 457/461). A autoridade julgadora de 1a instância não reconheceu a dedutibilidade da despesa porque a contribuinte não apresentou o contrato de Prestação de Serviços, nem discrimina a quais ações se referem e se tal ação foi proposta nos interesses da empresa. Ao recurso voluntário a contribuinte disse anexar cópia do Contrato que ensejou o pagamento da verba em questão, o qual contém, inclusive, os números dos respectivos processos judiciais que eram de seu interesse e estavam sob a responsabilidade da Banca de Advogados. Destacou que o pagamento está previsto no item “c” da cláusula 2 do contrato para o caso de acordo judicial, e que o valor original de R$ 950.000,00, foi atualizado desde 2001 pelo IGPM, resultando no valor acima indicado. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência observou que alguns documentos apresentados pela contribuinte estavam ilegíveis, e que os demais apenas justificariam os pagamentos das primeiras parcelas em 2001 e 2003 (no total de R$ 1.250.000,00), sendo que o pagamento do restante, no valor de R$ 750.000,00, ficou condicionado ao recebimento da indenização, fato não comprovado. A contribuinte não compreendeu esta observação, e disse não proceder a alegação de que tal pagamento, no valor de R$ 1.575.000,00 (hum milhão, quinhentos e setenta e cinco mil reais), ocorreu nos idos de 2001. No termo de constatação elaborado pela consultoria contratada foi consignado que o pagamento em questão também está relacionado ao caso citado acima, onde houve o acordo extrajudicial firmado com o Banco do Brasil S/A. Todavia, como evidenciado nas cláusulas antes reproduzidas, os patronos das causas objeto de acordo naquele instrumento dele estavam cientes, e inexiste qualquer referência expressa a representantes do Escritório de Advocacia Zveiter naquele documento (fls. 444/455). Demais disso, o documento de fls. 1740/1741 (classificado pela contribuinte como contrato, mas equivalente a uma Fl. 5738DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 52 51 correspondência dirigida pelo escritório de advocacia à contribuinte com sua ciência), faz referência à defesa contra o Banco do Brasil S/A nas Apelações Cíveis de nºs 3918/01 e 3921/01, ambas em curso na 12a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, ao passo que o acordo firmado com o Banco do Brasil S/A tem por objeto ações em curso na 15a e na 38a Varas Cíveis da Capital (RJ), impedindo a correlação aventada pela consultoria contratada. Registrese, por fim, que o documento de fls. 1739/1741 menciona a correção das parcelas devidas pelos índices oficiais que vierem a ser editados pelo governo, sem fazer referência ao IGPM, e mesmo admitindose a variação deste de setembro/2001 a outubro/2006, não se alcança o valor pago de R$ 1.575.000,00, consoante cálculo extraído da página do Banco Central do Brasil (https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigir PorIndice.do?method=corrigirPorIndice): Resultado da Correção pelo IGPM (FGV) Dados básicos da correção pelo IGPM (FGV) Dados informados Data inicial09/2001 Data final10/2006 Valor nominalR$ 750.000,00 ( REAL ) Dados calculados Índice de correção no período1,6371756 Valor percentual correspondente63,7175600 % Valor corrigido na data finalR$ 1.227.881,70 ( REAL ) Aqui também novas investigações acerca destes fatos seriam desnecessárias para julgamento da lide, tendo em conta que a contribuinte já teve quatro oportunidades para fazer prova consistente do direito à dedutibilidade da despesa questionada, valendose inclusive de assessoria de empresa especializada na matéria, mas ainda assim sem demonstrar seu direito à dedução. Todavia, tendo em conta que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedentes, permitiuse que fosse oportunizado à contribuinte provar a correlação das mencionadas Apelações Cíveis de nºs 3918/01 e 3921/01 com as ações objeto do acordo antes mencionado, bem como esclarecer a razão de ter sido pago ao escritório de advocacia contratado valor superior àquele que seria esperado em razão da atualização dos honorários pelo IGPM. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 12: Provar a correlação das Apelações Cíveis de n°s 3918/01 e 3921/01 com as ações objeto do acordo afirmado com o Banco do Brasil e esclarecer a razão de ter sido pago ao escritório de advocacia valor superior àquele que seria esperado em razão da atualização dos honorários pelo IGPM. Através de um acordo de 13 de setembro de 2001 celebrado entre os Hotéis Othon S/A e o Escritório de Advocacia Zveiter, foram confirmados os serviços e Fl. 5739DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 53 52 honorários advocatícios para defesa de seus interesses contra o Banco do Brasil nas Apelações Cíveis de n°s 3918/01 e 3921/01, ambas em curso na 12a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Em sua resposta a nossa intimação o contribuinte afirma que no Instrumento Particular de Acordo Extrajudicial celebrado entre o Banco do Brasil S/A e Hotéis Othon S/A, em sua Cláusula Primeira, "a" se depreende a Ação de Execução Provisória de Sentença, processo n° 1997.001.0639624, em curso na 38a vara Cível da Capital/RJ. Ocorre que no ano de 2009 os números de processos sofreram alterações e o processo acima referido recebeu outro número, qual foi 0067387 35.1997.8.19.0001, conforme demonstrado no extrato de Consulta Processual de Primeira Instância, em anexo a este relatório. Do processo da Ação originária n° 1997.001.0639624, surgiu a Apelação Cível n° 2001.001.03918, conforme demonstrado no extrato de Consulta Processual de Segunda Instância e Termo de Recebimento, Registro e Autuação, em anexo a este relatório. Afirma ainda, que no mesmo Instrumento Particular de Acordo Extrajudicial, também em sua Cláusula Primeira, item "b" se depreende o processo n° 1997.001.1144412, que por sua vez mudou para 012050353.1997.8.19.0001, conforme demonstrado no extrato de Consulta de Primeira de Primeira Instância, em anexo a este relatório. Desse processo, surgiu a Apelação n° 012053 53.1997.8.19.0001, originário da Apelação Cível n° 2001.001.03921, conforme demonstrado no extrato de Consulta Processual de Segunda Instância. Visando provar a correlação das Apelações das Ações Cíveis n°s 2001.001.03918 e 2001.001.03921 com o Instrumento Particular de Acordo Extrajudicial celebrado entre o Banco do Brasil, foram apresentados pelo contribuinte extrato de Consulta do Processo em 1a e 2a Instância, Termo de Recebimento, Registro e Autuação do Poder Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, referente ao processo n° 2001.001.03918. Analisando o acordo (não existe contrato) assinado entre o fiscalizado e o Escritório de Advocacia Zveiter S/C, constatamos que foi pactuado a título de honorários o montante de R$ 2.000.000,00, sendo que no período de outubro de 2001 a março de 2003 seriam pagos R$ 1.050.000,00 e o saldo restante seria pago após o julgamento ou acordo. Portanto, o acordo menciona que o valor de R$ 950.000,00 seria pago após o julgamento e recebimento da indenização. Posteriormente, auditamos todos os pagamentos efetuados no período de outubro/2001 a maio/2003 que totalizavam o valor de R$ 1.050.000,00. Ainda, segundo o acordo todos os valores serão corrigidos por índices oficiais a ser editados pelo governo. E segundo interpretação do contribuinte somente o saldo restante no montante de R$ 950.000,00 seriam corrigidos pelo IGPM (FGV) acumulado no período de set/2001 a set/2006 obtendo um montante de R$ 1.548.040.96,correspondendo ao percentual de 62,95 de correção. Como o valor pago totalizou o montante de R$ 1.575.000,00, constatamos que mesmo adotando a interpretação do fiscalizado sobre a correção da dívida junto ao Escritório de Advocacia Zveiter foi pago um valor a maior de R$ 26.959,04, que podemos considerar uma despesa desnecessária (fls. 5475 a 5494 dos autos). A correspondência entre o número das ações mencionadas pelo Escritório de Advocacia Zveiter e daquelas vinculadas ao acordo firmado com o Banco do Brasil S/A está claramente demonstrada nos documentos de fls. 5475/5494). Cumpre, assim, verificar as demais circunstâncias que comprovariam a despesa escriturada. Os documentos apresentados na impugnação evidenciam o pagamento da nota fiscal nº 3495, emitida por Escritório de Advocacia Zveiter em 15/09/2006, por serviços Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 54 53 de advocacia prestados, no valor bruto de R$ 1.575.000,00, que reduzido por retenções de imposto de renda (R$ 23.625,00) e PIS/COFINS (R$ 73.273,50), equivale ao valor consignado na cópia do cheque nº 153.357 (R$ 1.478.137,50), que descreve o motivo do pagamento como referente a honorários de serviços advocatícios processo Banco do Brasil. Contudo, como já observado, inexistia referências ao mencionado escritório de advocacia no acordo firmado entre a contribuinte e Banco do Brasil S/A. O documento apresentado à autoridade fiscal encarregada da segunda diligência é o mesmo juntado por ocasião do recurso voluntário (fls. 1740/1741), no qual o Escritório de Advocacia Zveiter firma em 13/09/2001, com a concordância da contribuinte, os seguintes honorários em razão de serviços vinculados Apelações Cíveis nºs 3918/01 e 3921/01: 2) Os honorários serão pagos da seguinte forma: a) A título de prólabore, o valor de R$ 200.000,00 (...) a serem pagos após o julgamento no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, mais 3 (três) parcelas de R$ 100.000,00 (...) mensais e sucessivas, vencendose a primeira em 15/10/2001; b) Na obtenção da dobra do valor da indenização, o valor equivalente a R$ 1.500.000,00 (...), em dez parcelas de R$ 75.000,00 (...), com vencimento em 15/02/2002; 15/03/2002; 15/04/2002; 15/05/2002; 15/09/2002; 15/10/2002; 15/11/2002; 15/12/2002; 15/02/2003; 15/03/2003 e os restantes R$ 750.000,00 (...) quando do efetivo recebimento da indenização. c) Em caso de acordo prevalecem as condições estabelecidas nos itens "a" e "b"; d) Todos os valores acima serão corrigidos, se o caso, pelos índices oficiais que vierem a ser editados pelo governo, na data da assinatura desta, até o dia de seu efetivo pagamento. A análise inicial deste documento ensejou a conclusão, também compartilhada pela autoridade fiscal encarregada da primeira diligência, de que o saldo devedor da contribuinte em 2006 representaria, apenas, a parcela de R$ 750.000,00, cujo pagamento se verificaria quando do efetivo recebimento da indenização. Todavia, como se vê na alínea "a", acima, também foi estipulado o pagamento da parcela de R$ 200.000,00 a ser paga após o julgamento no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Consulta ao processo nº 006738735.1997.8.19.0001, no sítio do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, permitiu identificar que em 11/09/2001 já havia sido julgada a apelação nº 2001.001.03918, nos seguintes termos: ACORDAM os Desembargadores que compõem a egrégia Décima Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao 1º apelo, para condenar o apelado a devolver em dobro o que o apelante lhe houvera pago; condenar, ainda, o apelado nos honorários advocatícios referentes à ação de reintegração de posse, em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, mantida, no mais, a sentença recorrida; quanto ao 2º apelo, preliminarmente, em negar provimento ao agravo retido e rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, em negar provimento ao apelo. Custas ex lege. O acórdão foi publicado em 08/02/2002, mas há, naquele sítio, registro de embargos de declaração opostos pelo Banco do Brasil S/A, rejeitados em acórdão de 12/03/2002. Na sequência, seguese recurso especial interposto pelo Banco do Brasil S/A e agravo de instrumento por provável negativa de admissibilidade àquele recurso, ao qual o Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 55 54 Superior Tribunal de Justiça teria negado provimento em 05/10/2006. Já com referência ao processo nº 012050353.1997.8.19.0001, constatase no mesmo sítio que no julgamento da apelação nº 2001.001.03921, também proferido em 11/09/2001 e publicado em 08/02/2002, o Tribunal afirmou prejudicado o apelo em razão do que decidido na apelação nº 3.918/2001. Frente a tais evidências, é possível concluir que à época da formalização do acordo extrajudicial em 24/05/2006, a contribuinte ainda aguardava decisão do Superior Tribunal de Justiça acerca da admissibilidade de recurso especial interposto pelo Banco do Brasil S/A contra o acórdão que decidiu as apelações nº 3918/2001 e 3921/2001, e assim poderia ter postergado a parcela de R$ 200.000,00 acima citada. Ressaltese que a autoridade fiscal encarregada da primeira diligência disse que restavam apenas R$ 750.000,00 a serem pagos pela contribuinte, mas firmou sua conclusão a partir dos mesmos documentos que a contribuinte apresentara em impugnação, sendo certo que às fls. 1742/1802 constam apenas três pagamentos de R$ 100.000,00, nove pagamentos de R$ 75.000,00 e três pagamentos de R$ 25.000,00, acompanhados das respectivas notas fiscais. Por sua vez, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência confirma que apenas R$ 1.050.000,00, do total inicialmente acordado, foi pago entre 2001 e 2003. Tais constatações permitem a conclusão de que a contribuinte, de fato, devia ao Escritório de Advocacia Zveiter o valor original de R$ 950.000,00. Admitindose, como alega a recorrente, que tais valores foram corrigidos pelo IGPM, em observância ao acordo de correção das parcelas devidas pelos índices oficiais que vierem a ser editados pelo governo, novo cálculo extraído da página do Banco Central do Brasil (https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIn dice) evidencia que: Resultado da Correção pelo IGPM (FGV) Dados básicos da correção pelo IGPM (FGV) Dados informados Data inicial09/2001 Data final09/2006 Valor nominalR$ 950.000,00 ( REAL ) Dados calculados Índice de correção no período1,6295168 Valor percentual correspondente62,9516800 % Valor corrigido na data finalR$ 1.548.040,96 ( REAL ) A recorrente, por sua vez, ao prestar esclarecimentos à autoridade fiscal encarregada da segunda diligência a contribuinte reconhece que por um erro de cálculo, foi pago a maior ao Escritório Advocacia Zveiter apenas R$ 26.959,04. Todavia, como não se vislumbra no acordo apresentado a alegada fixação do IGPM como índice de atualização e, ao final, foi emitida nota fiscal atestando o recebimento do valor final de R$ 1.575.000,00, é razoável concluir, ante a proximidade dos valores, que outra foi a forma de atualização adotada, admitindose a dedutibilidade integral do valor escriturado. Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 56 55 Por tais razões, admitese comprovada a despesa escriturada de R$ 1.575.000,00. · Parcela de R$ 6.303.277,32 (Tema VII): Este montante foi extraído pela contribuinte da conta 4.8.1.03.003 (Títulos da Dívida Pública), e corresponde à soma de registros mensais no valor de R$ 525.273,11. Nos primeiros lançamentos há indicação, nos históricos contábeis, de provisões de cotas numeradas de 09/60 a 14/60. Nos lançamentos seguintes somente há referência ao mês de apropriação. Em impugnação, a contribuinte disse tratarse de reversão da atualização de título da dívida pública, apropriada em 60 (sessenta) parcelas e considerando a contabilização do montante de R$ 31.516.387,07 no anocalendário 1999, indicado na Ficha 25A, linha 17 da DIPJ/2000. Acrescentou que o valor foi impropriamente indicado, na DIPJ/2007, na linha destinada a “outras despesas não operacionais”, em dissonância com a própria natureza do investimento sob análise. A autoridade julgadora de 1a instância observou que a interessada apresenta o Razão (fl. 468), sem qualquer documentação, e que deveria apresentar os títulos para que se verifique se tal valor é passível de amortização. Acrescentou, ainda, que tal valor não está sujeito a qualquer tipo de amortização, visto que títulos da dívida pública são papéis emitidos pelo governo para captar dinheiro do público, para financiar gastos, não se enquadrando no artigo 325 do Decreto 3.000 de 1999. De fato, os documentos juntados à impugnação foram apenas o Razão Contábil da conta de despesa, e algumas fichas da DIPJ/2000, sem qualquer destaque dos fatos alegados (fls. 467/510) Em recurso voluntário, a contribuinte esclarece que o valor atualizado dos títulos (R$ 31.516.387,07, em 31/12/99) vem sendo amortizado em 60 (sessenta) parcelas iguais, e acrescenta que os juros e atualizações do referido ativo teriam sido oferecidos à tributação de 1999 a 2006, vez que não constatou a exclusão destas parcelas nas DIPJ apresentadas. Juntou o contrato de compra e venda de apólices da dívida pública, datado de 12/08/99, no qual está indicado o preço de R$ 982.629,97, acompanhado de solicitação para emissão de cheques destinados à aquisição de ADP´S para o débito com IRR Fonte de HOSA, notas promissórias e recibo, bem como de planilha de atualização de ADP´s, de acordo com laudos da Fundação Getúlio Vargas, que totaliza os valores atualizados em R$ 9.087.735,80 na data de 31/03/99, e indica acréscimo contábil decorrente de reavaliação no total de R$ 2.534.281,18. Há documentos referentes a uma outra aquisição que aparenta ter ocorrido em junho/99 e extrato do Razão Contábil referente ao anocalendário 1999, com registros correspondentes à aquisição e atualização monetária do valor das referidas apólices, até elevar o saldo inicial de R$ 6.492.254,62 para R$ 21.215.177,07, transferido para L.P. ao final do período, na conta de nº 1.2.3.03.001, onde recebe o acréscimo de novas atualizações, até alcançar o saldo de R$ 31.516.387,07. Na seqüência há extratos dos lançamentos contábeis que resultaram no saldo antes referido, incluindo os registros do anocalendário 1998 (fls. 1803/1855). Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 57 56 A contribuinte também juntou o laudo de avaliação do valor de face das apólices até 31/12/98 (fls. 1856/1859) e cópia de parte da DIPJ dos anoscalendário 1998 a 2006 referente ao registro de exclusões na apuração do lucro real (fls. 1860/1868). Analisando estes elementos, a autoridade fiscal encarregada da primeira diligência observou que a amortização alegada não está prevista no art. 325 do RIR/99, bem como destacou informações do sítio da Procuradoria da Fazenda Nacional acerca da invalidade destas apólices desde 1969. Contra estas constatações, a contribuinte reiterou que a atualização promovida no anocalendário 1999 foi levada ao resultado daquele período, fato reconhecido no termo de constatação elaborado pela consultoria contratada, que dividiu este resultado nas parcelas de R$ 6.281.254,62 em 1998 e R$ 23.840.302,48 em 1999. E complementa que ao constatar, em 2005, que tais títulos não tinham qualquer valor de mercado, iniciou a baixa contábil dessa perda, mas de forma parcelada, para não impactar diretamente no resultado. O termo de constatação elaborado pela consultoria contratada expressa que o parecer emitido pelos auditores independentes da Sociedade à época (Delloite Touche Tohmatsu) não deixa qualquer dúvida sobre a atualização das apólices (fl. 4089) A consultoria reportase, neste caso, à publicação dos balanços da autuada nos anoscalendário 1998 e 1999, nas quais há indicação de que as apólices da dívida pública foram registradas por seu valor atualizado (fls. 4222/4235). E diz que, embora sem realizar uma análise completa das DIPJ da época, não identificou qualquer exclusão das receitas de atualização monetária do lucro tributável. De outro lado, porém, a consultoria observa que ao constatar que os títulos da dívida pública não tinham qualquer valor econômico, a sociedade deveria ter constituído uma provisão para perda do montante integral dos títulos ou ainda baixálos contabilmente. Contudo, para evitar afetar o resultado de forma tão drástica, a sociedade teria optado por registrar a perda em 60 (sessenta) parcelas. De plano constatase que a autuada, em momento algum, logra demonstrar que a atualização monetária das apólices teria sido incorporada a conta de receita computada no resultado do exercício nos anoscalendário 1998 e 1999. Este seria o primeiro aspecto a ser demonstrado, antes de se alegar que não houve exclusão das correspondentes receitas na apuração do lucro tributável. Os registros antes citados somente evidenciam a evolução da conta patrimonial na qual teriam sido contabilizados os títulos, mas sem referência à contrapartida de tais créditos em conta de resultado. Para além disso, a partir da citação feita pela autoridade encarregada da primeira diligência acerca da invalidade destas apólices, sem justificar documentalmente a decisão de lançar em resultado parcelas do valor das apólices adquiridas, a contribuinte passou a classificar as despesas como apropriação parcelada de baixa daqueles ativos. Recordese que em impugnação a contribuinte dissera que era um erro de preenchimento o cômputo destes valores na linha destinada a “outras despesas não operacionais”. Ademais, não se pode olvidar que as apólices foram adquiridas, como expresso nas ordens de pagamento do preço convencionado, para liquidar débitos de IRRF, e inexiste qualquer notícia acerca da desistência da contribuinte em dar este destino aos títulos. Aqui também novas investigações acerca destes fatos seriam desnecessárias para julgamento da lide, tendo em conta que a contribuinte já teve quatro oportunidades para fazer prova consistente do direito à dedutibilidade da despesa questionada, valendose inclusive Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 58 57 de assessoria de empresa especializada na matéria, mas ainda assim não demonstrara seu direito à dedução. Todavia, tendo em conta que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedente, permitiuse que fosse oportunizado à contribuinte provar o cômputo das receitas de atualização monetária das apólices no lucro contábil expresso nas DIPJ dos anoscalendário 1998 e 1999, bem como que as apólices em referências não foram utilizadas em compensações com tributos administrados pela Receita Federal, ou mesmo em cobrança administrativa ou judicial. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 13: Provar o cômputo das receitas de atualização monetária das apólices da dívida pública no lucro contábil expresso nas DIPJs dos anoscalendários de 1998 e 1999, bem como as apólices em referências não foram utilizadas em compensação com tributos administrados pela Receita Federal, ou mesmo em cobrança administrativa ou judicial. Em resposta ao nosso termo de intimação fiscal o contribuinte informa que o valor pago pelas Apólices da Dívida Pública correspondeu ao montante de R$ 1.394.829.97. Informa ainda, que esse valor foi atualizado em 1998 pelo valor de R$ 6.281.254,62 a crédito da conta contábil 3.5.1.02.999 (Outras Receitas) cujo razão está demonstrado na pág. 1833 deste processo e posteriormente em 1999 o saldo foi atualizado em R$ 23.840.302,48 a crédito da conta contábil 3.5.1.02.999 no montante de R$ 23.190.302,48 e na conta 3.2.2.02.001 no montante de R$ 650.000,00, cujos razões estão demonstrados nas págs.1838, 1841, 1845, 1851 e 1854. Adicionalmente informa que a atualização ocorrida em 1998 foi declarada na Linha 39 da ficha 07 da DIPJ/99, enquanto a atualização ocorrida em 1999 foi declarada nas Linhas 24; 40 e 41 da Ficha 07. Contabilmente, verificamos que os lançamentos contábeis foram baixados contra o Resultado na conta 4.8.1.03.003 (Títulos da Dívida Pública) em 2005 no valor R$ 4.202.184,88, em 2006 no valor de R$ 6.303.277,32, e contra Prejuízos Acumulados a título de ajuste de exercícios anteriores na conta 2.4.5.02.002 em 2007, o valor de R$ 21.010.924,24. Verificamos que no Balanço de 2006 demonstrado na DIPJ/2008 Ficha 36A Linha 17 está registrado como Realizável a Longo Prazo (Valores Mobiliários) o valor de R$ 31.516.387,07 e na Linha 22 está registrado como Realizável a Longo Prazo (Conta Retificadora) o valor de R$ 10.505.462,20 (fls. 5495 a 5516). Vejase que dois esclarecimentos foram demandados na conversão do julgamento em diligência: prova do cômputo das receitas de atualização monetária no lucro e demonstração de que as apólices não foram utilizadas em compensação com tributos. Contudo, intimada a se manifestar neste sentido (fl. 4783/4786), a contribuinte afirmou que: Verificando os lançamentos contábeis de baixas nos razões anexos, fica evidente que tais valores não foram utilizados em compensação de nenhum tributo administrado pela Receita Federal, bem como em cobrança administrativa ou judicial, uma vez que os mesmos foram baixados contra o resultado na conta 4.8.1.03.003 Títulos da Dívida Pública em 2005 (R$ 4.202.184,88) e em 2006 (R$ 6.303.277,32), e também contra prejuízos acumulados a título de ajuste de exercício anterior na conta 2.4.5.02.002 em 2007 (R$ 21.010.924,24). Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 59 58 Contudo, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência demonstra, por meio da reprodução do balanço à fl. 5516, que até 31/12/2006 os títulos permaneciam consignados no Ativo Realizável a Longo Prazo, apesar de vinculados a conta retificadora no valor de R$ 10.505.462,20. Referido documento indica que o ativo somente foi baixado no anocalendário 2007. Assim, a evidência suscitada pela contribuinte contra a possibilidade de que tais créditos tenham sido destinados a compensações com tributos não está presente no período sob exame. E, inexistindo autorização legal para amortização de tais títulos, na forma do art. 325 do RIR/99, a contribuinte somente poderia pretender, antes da baixa contábil do ativo, a apropriação de provisões para perdas, que também seriam indedutíveis por não se classificarem dentre aquelas autorizadas na forma dos arts. 335, 336 e 405 do RIR/99. Além disso, a baixa do ativo apenas afetaria o lucro tributável se justificada por uma das ocorrências previstas no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. (negrejouse) A contribuinte, porém, comprou apólices da dívida pública acompanhadas de laudo de avaliação do valor de face das apólices até 31/12/98 e atualizou seu valor contábil com base em laudos da Fundação Getúlio Vargas, para depois promover sua "amortização" com base em informações do sítio da Procuradoria da Fazenda Nacional acerca da invalidade destas apólices desde 1969, a ensejar a conclusão de que tais títulos não tinham qualquer valor de mercado. O resultado tributável, assim, foi parceladamente afetado desde 2005, mas sem a baixa efetiva do ativo e, por consequência, sem a comprovação documental de uma das hipóteses previstas no art. 418 do RIR/99. De fato, se a contribuinte se valeu de dois laudos atestando o valor dos ativos registros desde 1998, a baixa contábil também deveria estar suportada por documentos equivalentes. Considerando, assim, que as amortizações promovidas não encontram amparo na legislação tributária, e somente há evidências de baixa do ativo em 2007, e ainda dissociada da prova de uma das hipóteses admitidas pela lei, subsistem incomprovadas as despesas no montante de R$ 6.303.277,32. · Parcela de R$ 482.191,19, ajustada no recurso voluntário para R$ 577.715,15 (Tema VIII): A parcela de R$ 482.191,19 foi extraído pela contribuinte da conta 4.8.1.04.004 (Multas Fiscais), e corresponde a registro datado de 30/11/2006, sob o histórico Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 60 59 VLR. REF. DOC 141106 – INSS REF. MULTA. CFE NFLD – 37.043.5619. Em impugnação, alegou que o valor teria sido recolhido em 14/06/2006. A autoridade julgadora de 1a instância observou que tal multa não seria dedutível na forma do art. 344, §5o do RIR/99. Em recurso voluntário a contribuinte agregou a este item as outras multas registradas nas contas nº 4.8.1.04.002 (Multa de Trânsito, R$ 1.076,86), 4.8.1.04.003 (denominada pela contribuinte “Multa sem comprovantes”, R$ 372,73) e 4.8.1.04.004 (Multas Fiscais, R$ 511.270,68), totalizandoas em R$ 577.715,15, e afirmou que tais parcelas foram integralmente adicionadas na apuração do lucro tributável. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência observou que a contribuinte não esclareceu qual LALUR deveria ser considerado para fins de comprovação da adição, nem demonstrou os registros contábeis nos Livros Razão/Diário, estando presente no processo apenas Balancete de 17/02/2011. E reportandose aos valores consignados nos documentos juntados ao processo, afirmou não haver coincidência entre os valores alegados. Contudo, como já demonstrado neste voto, a autoridade lançadora tomou como referência para o lançamento a apuração consignada na DIPJ de fls. 3/35, coincidente com o LALUR juntado à fl. 442. E nesta apuração há, indiscutivelmente, adição ao lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL de multas indedutíveis no montante de R$ 580.207,79. De outro lado, porém, os registros do Livro Razão apresentados em resposta à intimação fiscal de comprovação da origem de tais despesas, não espelham os valores alegados em recurso voluntário. As multas de trânsito representam R$ 286,89, a conta nº 4.8.1.04.003 é denominada “Despesas sem comprovação hábil” e as multas fiscais totalizam R$ 482.506,97. Assim, à míngua de outros esclarecimentos acerca das divergências presentes nos registros contábeis alegados pela recorrente, somente a glosa dos valores correspondentes a multas de trânsito (R$ 286,89) e multas fiscais (R$ 482.506,97) restaria infirmada pela adição promovida no anocalendário 2006. Aqui também novas investigações acerca destes fatos seriam desnecessárias para julgamento da lide, tendo em conta que a contribuinte já teve quatro oportunidades para fazer prova consistente do direito à dedutibilidade da despesa questionada, valendose inclusive de assessoria de empresa especializada na matéria, mas ainda assim não demonstrara seu direito à dedução. Todavia, tendo em conta que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedentes, permitiuse que fosse oportunizado à contribuinte provar que os demais valores alegados teriam a natureza de multas indedutíveis, para assim estarem contempladas na adição alegada. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 14: Provar que os demais valores integrantes da parcela de R$ 577.715,15 teriam a natureza de multas indedutíveis. Analisando o LALUR devidamente assinado e os razões de Despesas Indedutíveis "conta 4.8.1.04....", constatamos que os razões inicialmente apresentados a fiscalização conta 4.8.1.04.002 Multa de Trânsito no valor de R$ 286,89 e conta 4.8.1.04.004 Multas Fiscais no valor de R$ 482.506,97, são referentes somente a despesas com a unidade Escritório Central. Adicionalmente apuramos que não Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 61 60 foram consideradas pela fiscalização as seguintes despesas: conta 4.8.1.04.002 Despesas de Multa de Trânsito unidade Lavanderia Esther no valor de R$ 789,97, conta 4.8.1.04.003 Multas Sem Comprovantes unidades Escritório Central e Rio Othon Pálace no valor de R$ 322,73, conta 4.8.1.04.004 Multas Fiscais unidades Aeroporto, Belo Horizonte e Rio Othon Pálace no valor de R$ 28.763,71 e conta 4.8.1.04.999 Outras Despesas indedutíveis unidades Belo Horizonte, Lancaster Othon, Rio Othon Pálace, Lavanderia Esther e São Paulo Othon Classic no montante de R$ 64.994,88. Os saldos dos razões analisados totalizam o valor de R$ 580.207,79. Em resposta a nossa Intimação Fiscal o contribuinte comprovou a natureza de multas indedutíveis de R$ 495.625,83, que representa aproximadamente 86% do saldo analisado (fls. 5517 a 5537). O demonstrativo de fl. 5519 detalha a origem das adições no valor total de R$ 580.207,79, e nele constatase que apenas a parcela de R$ 577.715,75 tem origem no grupo de despesas 4.8.1.04. Consoante informado à fl. 4794, a contribuinte selecionou uma amostra que comprova 85,79% do montante acima, e a partir do seu exame a autoridade fiscal encarregada da diligência confirmou tratarse de multas indedutíveis. Confirmada a correspondência de valores deduzidos e adicionados e a natureza a eles atribuída pela contribuinte, deve ser afastada a glosa da parcela de R$ 577.715,75. · Parcela de R$ 589.049,75, ajustada no recurso voluntário para R$ 493.625,79 (Tema IX): A contribuinte não apresentou justificativas em impugnação para esta parcela remanescente da glosa referente ao registro na Linha 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007. Em recurso voluntário, destinou parte deste valor à alegação anterior, referente às multas indedutíveis adicionadas, e vinculou o restante às seguintes contas contábeis: o 4.8.1.02.002 – Indenização de hóspedes (R$ 436.429,63) o 4.8.1.02.005 – Doações (R$ 520,00) o 4.8.1.02.999 – Outras (R$ 43.035,13) o 4.8.1.03.001 – Terreno Gravatá (R$ 436,02) o 4.8.1.03.002 – Perdas mútuo (R$ 13.205,01) o 4.8.1.04.999 – Outras não dedutíveis (R$ 64.994,88) Contudo, não estruturou qualquer argumentação para justificar esta vinculação, ou mesmo explicitar a natureza dos valores escriturados em tais registros contábeis, para assim defender sua dedutibilidade. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência ressaltou a ausência de manifestação da contribuinte, e na complementação de sua defesa esta somente se reportou à dedutibilidade dos valores registrados na conta nº 4.8.1.02.002 (Indenização de hóspedes, R$ 436.429,63). Neste sentido, reportouse ao termo de constatação elaborado pela consultoria contratada, no qual afirmase que parte daquele valor (R$ 318.716,56) corresponderia a Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 62 61 indenização a um hóspede específico, por furto de seus equipamentos nas dependências do hotel. Observase que a conta nº 4.8.1.02.002 sequer foi indicada na resposta apresentada pela contribuinte quando intimada a comprovar os valores computados na Linha 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007 (fls. 197/207). Impossível, portanto, saber se este valor não teria sido deduzido em outra linha de despesa da DIPJ/2007. Para além disso, a comprovação documental citada pela consultoria contratada consiste em uma sentença proferida em 09/12/2002, os registros contábeis da despesa no anocalendário 2006, e uma transferência bancária em favor de Neici Trading Company, seguida de um recibo assinado pelo alegado beneficiário, cuja autenticidade não é possível aferir (fls. 4242/4289). Portanto, não há qualquer demonstração acerca do trânsito em julgado daquela decisão, de sua liquidação e de seu efetivo pagamento. Aqui também novas investigações acerca destes fatos seriam desnecessárias para julgamento da lide, tendo em conta que a contribuinte já teve quatro oportunidades para fazer prova consistente do direito à dedutibilidade da despesa questionada, valendose inclusive de assessoria de empresa especializada na matéria, mas ainda assim não demonstrara seu direito à dedução. Todavia, tendo em conta que nova diligência se fez necessária em razão do que exposto nas infrações precedente, permitiuse que fosse oportunizado à contribuinte afastar documentalmente as deficiências acima apontadas acerca da dedutibilidade da despesa registrada na conta nº 4.8.1.02.002. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: 15: Em relação as despesas registrada na conta n° 4.8.1.02.002 (Indenização de Hospedes) no valor de R$ 436.429,63, apresentar documentação que comprove a sua dedutibilidade. Em resposta a nossa Intimação Fiscal o contribuinte informa que a maioria das indenizações registradas na conta é de valores imateriais, porém foram selecionadas três indenizações que correspondem a 75% do saldo da conta (fls. 5538 a 5552). Analisamos a sentença judicial com transito em julgado e os respectivos pagamentos aos favorecidos. A contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos à autoridade fiscal encarregada da segunda diligência: Considerando que a maioria das indenizações registradas na conta são de valores imateriais, selecionamos três indenizações que correspondem a 74,85% do total de R$ 436.429,63 e anexamos os acordos/sentença, conforme demonstrado no quadro abaixo: Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 63 62 Contudo, como consignado no voto condutor da segunda diligência, na medida em que a contribuinte, no curso do procedimento fiscal, não vinculou os registros da conta nº 4.8.1.02.002 ao montante informado na Linha 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007, cumprialhe evidenciar que seu saldo não foi informado em outra linha de despesa da DIPJ. Insuficiente, portanto, a amostragem apresentada com vistas a demonstrar a natureza dos valores escriturados na conta nº 4.8.1.02.002. Sem os demais esclarecimentos exigidos, não é possível admitir as justificativas apresentadas para afastar parcela remanescente das glosas referentes ao item 42 da Ficha 06A da DIPJ/2007. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para manter as glosas de despesas a seguir discriminadas: Despesas não comprovadas Glosadas Mantidas Linha 41 da Ficha 06 A 16.334.338,79 Honorários advocatírios em acordo extrajudicial 5.362.512,49 3.278.534,00 Honorários a Escritório de Advocacia Zveiter 1.575.000,00 Amortização de ADP 6.303.277,32 6.303.277,32 Multas indedutíveis 577.715,15 Outras despesas 493.625,79 493.625,79 Linha 42 da Ficha 06 A Total 14.312.130,75 10.075.437,11 Dedução de retenções A recorrente, reportandose à DIPJ retificadora apresentada em 27/12/2011, disse que ali foram consignadas retenções por ela sofridas, as quais não haviam constado da DIPJ originária. Em consequência, foram alteradas as linhas 12 e 13 da Ficha 12 A e 49 da Ficha 17. A autoridade fiscal encarregada da primeira diligência observou que a diferença alegada corresponderia a R$ 506.956,62, e confirmou em DIRF os valores retidos. Todavia, não juntou aos autos o resultado das pesquisas promovidas, nem informou o código de retenção, para evidenciar a natureza das receitas auferidas e sua compatibilidade com os valores declarados e oferecidos à tributação. Assim, fezse necessário requerer manifestação da autoridade fiscal acerca desta compatibilidade. No Relatório Circunstanciado Elaborado com Base na Diligência Fiscal de fls. 5553/5565, a autoridade fiscal encarregada da segunda diligência esclareceu que: Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 64 63 9: Relativamente à dedução de retenções, junte aos autos as informações extraídas de DIRF, ou declare a compatibilidade das receitas auferidas com as receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2006. Do montante de R$ 506.956,62 de retenções de IRRF retificada pelo contribuinte estamos apresentando os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retida na Fonte pela empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S/A do ano calendário de 2006 que totalizam uma retenção de imposto no valor de R$ 492.560,02 Não conseguimos identificar contabilmente as receitas que originaram as Retenções declaradas em DIRF, porém constatamos que as Receitas Operacionais contabilizadas são bem superiores ao valor declarado nas DIRFs. Portanto, concluímos que o valor de R$ 506.952,62 declarados na Ficha 12A da DIPJ retificadora em 27/12/2011 foi devidamente justificado (fls. 5349 a 5353 dos autos). Observase na DIPJ original que as retenções sofridas foram informadas na Ficha 54 (Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte). Tais registros são idênticos àqueles refletidos na DIPJ retificadora, noticiada no recurso voluntário: Fonte Pagadora CNPJ Nome Empresarial Código de Retenção Rendimento Bruto IRRF CSLL Retida 00.000.000/000191 BANCO DO BRASIL 6190 504,00 24,19 5,04 00.001.180/000126 ELETROBRAS 6190 8.704,58 417,82 87,05 00.073.957/000168 ELETROSUL 6190 4.474,78 214,79 44,75 00.322.818/000120 INDUSTRIA NUCLEARES DO BRASIL 6190 3.450,00 165,63 34,51 00.357.038/000116 ELETRONORTE 6190 36.521,65 1.753,04 365,22 00.360.305/008199 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 6190 94,50 4,54 0,95 00.393.272/000107 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA 6190 153,30 7,36 1,53 02.341.467/000120 MANAUS ENERGIA 6190 1.360,40 63,30 13,60 28.152.684/000166 BBTUR VIAGENS E TURISMO 6190 47.103,24 2.260,96 471,03 33.000.167/000101 PETROBRAS 6190 10.261.666,98 492.560,02 102.616,67 34.028.316/000103 EMP BRAS CORREIOS E TEL 6190 185.478,43 8.902,96 1.854,78 34.164.319/000174 CASA DA MOEDA 6190 5.279,00 253,39 52,79 Subtotal 10.554.790,86 506.628,00 105.547,92 00.580.230/000177 AMERICAN TRAVEL 8045 4.684,92 224,88 02.341.470/000144 BOA VISTA 8045 2.128,06 102,15 76.604.032/000168 ANJOTOUR 8045 33,20 1,59 Subtotal 6.846,18 328,62 Total 10.561.637,04 506.956,62 105.547,92 A retificação da DIPJ, portanto, limitouse à transposição das retenções totais de R$ 506.956,62 para as Ficha 12 A e 17, de modo a indicar a apuração de saldos negativos de IRPJ e CSLL naqueles valores. Intimada no curso da segunda diligência, a contribuinte informou que: 9. O valor de R$ 506.956,62 havia sido informado na ficha 54 A Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte da DIPJ Original, porém na ocasião não foi informado nas linhas 12 e 13 da ficha 12A, sendo esse erro de preenchimento corrigido através da Declaração Retificadora apresentada em 27/12/2011. Nessa mesma data foi transmitida a PER/DCOMP nº Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 65 64 32262.34792.271211.1.3.027872, retificada em 03/09/2012 pela declaração nº 42511.39800.030912.1.7.024990, cuja compensação dos valores demonstramos no quadro abaixo: [...] Retornando à abordagem do tema em recurso voluntário, constatase que, em verdade, a contribuinte não pleiteou o aproveitamento das referidas retenções na determinação da exigência aqui em debate, mas apenas informou que promoveu a retificação para demonstrar os saldos negativos originalmente apurados, e ao realizar tal procedimento constatou outros equívocos de preenchimento relacionados às despesas glosadas, oportunamente abordados neste voto. Frente a tais circunstâncias, optando a contribuinte por destinar tais retenções à constituição de crédito aproveitado em compensação declarada, sujeita a análise pela autoridade local competente, não cabe a este Colegiado manifestarse sobre o procedimento noticiado. Conclusão A manutenção parcial das infrações aqui analisadas resulta na seguinte redução do crédito tributário lançado: IRPJ Anocalendário 2006 Lançado Mantido Prejuízo declarado (1.848.157,60) (1.848.157,60) Glosa de despesas financeiras 22.778.033,76 Reavaliação de bens 6.031.183,57 1.791.270,34 Resultados não declarados 13.676.371,39 Glosa de despesas (L41/F06A) 16.334.338,79 Glosa de despesas (L42/F06A) 14.312.130,75 10.075.437,11 Lucro Ajustado 71.283.900,66 10.018.549,85 Prejuízo compensado (21.385.170,20) (3.005.564,96) Lucro Real 49.898.730,46 7.012.984,90 IRPJ 7.484.809,57 1.051.947,73 Adicional 4.965.873,05 677.298,49 IRPJ total 12.450.682,62 1.729.246,22 CSLL Anocalendário 2006 Lançado Mantido Prejuízo declarado (1.848.157,60) (1.848.157,60) Glosa de despesas financeiras 22.778.033,76 Reavaliação de bens 6.031.183,57 1.791.270,34 Resultados não declarados 13.676.371,39 Glosa de despesas (L41/F06A) 16.334.338,79 Glosa de despesas (L42/F06A) 14.312.130,75 10.075.437,11 Lucro Ajustado 71.283.900,66 10.018.549,85 Prejuízo compensado (21.385.170,20) (3.005.564,96) Base de cálculo 49.898.730,46 7.012.984,90 CSLL 4.490.885,74 631.168,64 Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.720027/201194 Acórdão n.º 1302001.840 S1C3T2 Fl. 66 65 Diante de todo o exposto, e considerando a exoneração integral das exigências de Contribuição ao PIS e COFINS promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância e aqui confirmada, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15586.720555/2012-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - COMPENSAÇÃO - REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 55 /2 01 2- 57 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura de Auto de Infração de Obrigação Principal, (AI) DEBCAD n° 51.013.3878, em desfavor do recorrente, que tem por objeto multa isolada de 150% devida em razão de falsidade na declaração em GFIP de compensação indevida. O lançamento compreende competências entre o período de 02/2009 a 12/2010. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 12/38) o contribuinte declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de janeiro de 2009 a abril de 2011, a compensação de uma parte dos valores devidos a título de contribuição previdenciária. Assim, descreveu o auditor: 2.2. O contribuinte foi intimado através de TIPF a apresentar documentos e esclarecimentos acerca do procedimento de compensação que realizou em GFIP, com intuito verificar a regularidade da operação; 2.3. No prazo legal para resposta ao TIPF, o contribuinte enviou, através do Ofício GAB/PMC nº 141/2012, esclarecimentos e documentos incompletos e insuficientes para a verificação da regularidade da compensação, o que já seria suficiente para justificar a glosa dos valores compensados; 2.4. Ante a resposta insatisfatória, renovou a solicitação de esclarecimentos e documentos, mediante a lavratura do TIF nº 1, onde reiterou a apresentação das GPS/GRPS e memórias de cálculo, bem como solicitou informar se efetuou o procedimento autorizado por decisão judicial, e se compensou rubricas não relacionadas aos agentes políticos; 2.5. Mediante Ofício GAB/PMC nº 235/2012, o contribuinte informou somente que a compensação foi realizada por empresa contratada, mas aparentemente sem amparo de medida judicial. Não apresentou documentos ou esclarecimentos sobre a compensação realizada; 2.6. O contribuinte respondeu insatisfatoriamente à solicitação reiterada pelo TIF nº 1, de maneira que emitiu o TIF nº 2, solicitando novamente informação sobre a realização de compensação com valores oriundos de rubricas não relacionadas ao agentes políticos, tais como 1/3 de férias, horasextras, auxíliodoença, gratificações, etc.; 2.7. O prazo para resposta ao TIF nº 2 expirou em 21/06/2012, sem que o contribuinte tenha respondido à solicitação veiculada pelo TIF nº 2. Somente em 25/06/2012 o contribuinte postou a resposta ao TIF nº 2, a qual chegou à fiscalização em 28/06/2012, após a lavratura do auto de infração, informando que a compensação foi realizada com base em rubricas de salários e vantagens, e não somente de agentes políticos, o que não alteraria o resultado do procedimento fiscal; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 2.8. Apesar da informação do contribuinte de que não havia autorização judicial para compensação, consultou o processo nº 000088082.2007.4.02.5002, em 19/06/2012, constatando que ainda não havia sentença prolatada pelo juízo; 2.9. A compensação foi realizada no período de 05/2007 a 09/2010, relativamente aos supostos indébitos do período de 02/1998 a 09/2004. Porém, do cotejo entre as disposições legais e o procedimento efetuado pelo contribuinte, resulta como matéria compensável somente os recolhimentos espontâneos nos termos da Lei nº 9.506/97 (agentes políticos), realizados no período de 05/2002 a 09/2004. 2.10. Considerando a prescrição quinquenal, a teor do artigo 3º c/c 6º, V da IN MPS/SRP nº 15/2006, e que a compensação se iniciou em 05/2007, os recolhimentos indevidos efetuados no período de 02/1998 a 04/2002 foram alcançados pela prescrição; 2.11. Além da prescrição, o sujeito passivo não observou o disposto no artigo 6º, I, da IN MPS/SRP nº 15/2006, que condiciona o procedimento de compensação à prévia retificação das GFIP, a fim de excluir os agentes políticos; 2.12. A compensação declarada em GFIP foi realizada com evidente falsidade. O contribuinte afirmou que os valores compensados diziam respeito às contribuições dos agentes políticos, mas, quando intimado a apresentar comprovação documental, não exibiu as guias de recolhimento e respectivas memórias de cálculo, que permitisse aferir a exatidão e procedência dos valores compensados; 2.13. Não apresentou qualquer recolhimento, relativo aos exercentes de mandato eletivo, da Câmara Municipal, o que resulta na ausência de comprovação de todos os valores planilhados no item I.21 do relatório fiscal. Vários recolhimentos pelo sujeito passivo não se referem a contribuições dos agentes políticos 2.14. A inexistência de fundamento de fato para compensação efetivada é comprovada pela patente contradição entre os valores planilhados levados à compensação e o incompleto material trazido como comprovantes; 2.15. A partir das informações prestadas pelo contribuinte, mas não comprovadas, elaborou a planilha de fls. 32/35. Confrontou com os valores compensados pelo sujeito passivo em GFIP e colocou na planilha de fls. 36/37. Como resultado, obteve a planilha de fls. 35/36, onde demonstrou os valores a serem glosados, num montante de R$ 1.350.482,10, por excesso na compensação. Esse fato demonstra que houve compensação de crédito inexistente, o que evidencia a falsidade. Em decorrência deste procedimento, o valor das contribuições previdenciárias que o contribuinte deveria pagar em cada um destes meses foi reduzido, uma vez que uma parte dos valores devidos teria sido quitada por meio da compensação realizada. A DRJ Rio de Janeiro em 30/01/2013 entendeu por DAR PROVIMENTO à impugnação, proferindo decisão, assim ementada: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 4 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2010 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em sessão plenária de 15/10/2013, foi NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, prolatandose o Acórdão nº 2302002.793 (fls. 333 a 335), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2010 MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsimir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Negado O processo foi encaminhado à PGFN em 23/04/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 343) e, em 02/06/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 344 a 350 com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 383 a 387. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: · A aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº. 9.430/96. · A análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%. · No caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza. Nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais. Uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 incidência prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que, repita se, não exige dolo do agente. · Ressaltese que o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...)VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. (Grifos nossos) · Assim, ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. · Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão no ponto impugnado, restabelecendose a exigência da multa isolada. O contribuinte foi cientificado em 30/09/2015, conforme AR, fls. 388, tendo apresentado em 20/10/2015, contrarrazões, intempestivamente, fls. 390 a 393, onde o contribuinte traz as mesmas alegações apresentadas em sua impugnação, pleiteado basicamente: · A manutenção da decisão originária , posto que a compensação indevida das contribuições previdenciárias é considerada tão somente como inadimplemento de tributo, e não quer dizer que havendo compensação indevida, estará configurada a falsidade para, de maneira ardilosa, ludibriar o fisco. Para aplicação da multa isolado, é mister que reste demonstrada e comprovada a fraude praticada pelo sujeito passivo, não bastando apenas que se faça mera menção à existência de compensação indevida. · Como consta dos autos houve, mas não está demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente, inserindo dados falsos na GFIP, dessa maneira, estando consciente de que não havia direito creditório. · Não restou demonstrado nos autos que o município agiu dolosamente ao informar em GFIP valores que entendia compensáveis. Portanto, ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco não pode ser aplicada a multa de forma isolada sem a demonstração do dolo, da fraude cometida, para se subsumir ao disposto no art. 89, §10º. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO DAS COMPENSAÇÕES Antes de adentrarmos ao mérito da procedência da multa isolada, importante identificar o resultado do lançamento da glosa de compensações. Para isso, vale transcrever trecho da decisão da DRJ, que esclarece a questão: 6. O presente processo abarca crédito decorrente da aplicação de multa isolada no percentual de 150%, sobre a glosa da compensação realizada pelo Impugnante, o qual asseverou, em sua peça de defesa, que se utilizou de valores oriundos de contribuições previdenciárias recolhidas sobre a remuneração de agentes políticos, bem como sobre as rubricas pagas aos seus segurados empregados, em folha de pagamentos, tais como 1/3 de férias, horas extras e gratificação de assiduidade. 7. As contribuições, que o Impugnante considerou indevidas, foram recolhidas entre 02/1998 e 09/2004, e a compensação realizada no período de 05/2007 a 09/2010. Neste auto de infração, consta apenas o crédito decorrente da multa isolada, pois os créditos oriundos da glosa da compensação constam do AI nº 51.013.3860 (período de 01/2009 a 09/2010) e AI nº 37.315.8084 (período de 05/2007 a 12/2008). 8. No mérito a compensação já foi analisada e considerada indevida, nos autos de infração supracitados, de maneira que é prescindível a reanálise dos mesmos argumentos já enfrentados anteriormente naqueles processos, passandose à apreciação das questões suscitadas pelo Impugnante, relacionadas à aplicação da multa isolada. O lançamento consubstanciado na Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes (digase que apenas suscitou o recorrente, sem trazer qualquer decisão a respeito do tema, ou que amparasse sua compensação, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na hipótese dos autos, não se vislumbra essa condição para as compensações efetuadas pela contribuinte. Não bastasse isso, consoante restou circunstanciadamente demonstrado pela fiscalização, em seu relatório fiscal: 2.12. A compensação declarada em GFIP foi realizada com evidente falsidade. O contribuinte afirmou que os valores compensados diziam respeito às contribuições dos agentes políticos, mas, quando intimado a apresentar comprovação documental, não exibiu as guias de recolhimento e respectivas memórias de cálculo, que permitisse aferir a exatidão e procedência dos valores compensados; 2.13. Não apresentou qualquer recolhimento, relativo aos exercentes de mandato eletivo, da Câmara Municipal, o que resulta na ausência de comprovação de todos os valores planilhados no item I.21 do relatório fiscal. Vários recolhimentos pelo sujeito passivo não se referem a contribuições dos agentes políticos 2.14. A inexistência de fundamento de fato para compensação efetivada é comprovada pela patente contradição entre os valores planilhados levados à compensação e o incompleto material trazido como comprovantes; 2.15. A partir das informações prestadas pelo contribuinte, mas não comprovadas, elaborou a planilha de fls. 32/35. Confrontou com os valores compensados pelo sujeito passivo em GFIP e colocou na planilha de fls. 36/37. Como resultado, obteve a planilha de fls. 35/36, onde demonstrou os valores a serem glosados, num montante de R$ 1.350.482,10, por excesso na compensação. Esse fato demonstra que houve compensação de crédito inexistente, o que evidencia a falsidade. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 6 9 Registrese, que ao admitir a compensação na forma pretendida pela contribuinte, estaríamos não só malferindo o disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, mas também interpretando àquela norma de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado, sobretudo em face da impossibilidade de compensação que não provou o recorrente ter efetivamente recolhido, bem como evidente ausência de liquidez e certeza do crédito utilizado pela contribuinte para promover as compensações. Nesse sentido, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, de maneira a homologar as compensações pleiteadas, tendo a autoridade recorrida agido da melhor forma, com estrita observância à legislação previdenciária. Embora o alvo do Resp da Fazenda não seja esse, fazse necessário a apreciação da questão para adentrarmos a questão da comprovação de falsidade. DA MULTA ISOLADA Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, no meu entender a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 da lei 8212/91, no patamar de 150%. A argumentação da autoridade fiscal para glosa e aplicação da multa isolada refletese em diversas frentes: prescrição, não retificação do documento GFIP e ausência de comprovação do recolhimento indevido. Alías esse último ponto, é utilizado como base para a sua conclusão, qual seja: parte da inexistência de comprovação dos recolhimentos que gerariam o direito creditório e por conseguinte a falsidade de declaração em GFIP. Senão vejamos alguns tópicos do relatório: · Nada foi apresentado a título de fundamentos de fato da compensação, não tendo sido apresentado qualquer GPS seja no que toca a contribuições previdenciárias sobre exercentes de mandato eletivo, seja no que toca a contribuições previdenciárias sobre outras rubricas, eventualmente compensadas e regular de objeto de solicitação na forma mencionada no TIPF. · Nada foi apresentado sobre as memórias de cálculo de todos os recolhimentos previdenciários eventualmente objeto de compensação, especificamente as bases de cálculo, contribuições de segurados, eventuais deduções que resultaram nos valores recolhidos. Como dito seuqer foi apresentada a prova de recolhimento e/ou lançamento de ofício. Resumiuse a apresentar planilhas desacompanhadas da fonte documental de onde foram supostamente extraídos os valores originários. · Nada afirmou sobre eventual compensação sobre supostos recolhimentos previdenciários incidentes sobre outras rubricas. Por outro lado, vejamos a base da argumentação da decisão que gerou a decisão que hoje buscase rever: 13. Analisando os elementos de convicção da autoridade fiscal, especialmente as citadas planilhas de fls. 32/37, que o fizeram Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 concluir pela compensação de crédito inexistente, notase que constam somente valores referentes aos recolhimentos dos agentes políticos da Prefeitura e da Câmara Municipal. Consta dos autos a informação de que o Impugnante também compensara recolhimentos relativos a rubricas da folha de pagamentos, Processo 15586.720555/201257 Acórdão n.º 1252.367 DRJ/RJ1 Fls. 8 8 que considerou serem indevidos. Ora, se, além da compensação dos recolhimentos sobre agentes políticos, houve compensação de recolhimentos sobre verbas indenizatórias, é razoável pensar que o excesso de compensação seja explicado por estes valores não constantes das planilhas supracitadas. 14. É verdade que o Impugnante deixou de apresentar diversos documentos e esclarecimentos sobre os valores compensados, que comprovariam o seu direito e a regularidade da compensação, mas isso não significa que o crédito é inexistente, menos ainda, que houve intenção de fraudar. Em razão da falta de comprovação pelo Impugnante, a compensação foi glosada e a contribuição que deixou de recolher está sendo exigida, com juros e multa, na forma do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, em autos de infração próprios. Constatada a declaração em GFIP com informações incorretas, devese aplicar as multas do artigo 32A, da Lei de Custeio, mediante lavratura de auto de infração próprio, por descumprimento de obrigação acessória. 15. A Lei nº 8.212/91 não definiu o que seria falsidade de declaração, mas parece razoável admitir que seja aquela realizada sem lastro documental para as informações nela inseridas. Não seria configurada, nem presumível, pela mera falta de apresentação de documentos, mas pela efetiva comprovação, através dos meios disponíveis, de que o sujeito passivo inseriu informação diversa da real para reduzir, afastar, retardar o recolhimento do tributo. 16. Além disso, a constatação de que houve a inserção de informação diversa da realidade somente configurará a falsidade de declaração, quando restar comprovado o dolo específico, elemento subjetivo do tipo, o ânimo de reduzir, afastar, retardar o recolhimento do tributo. Nas várias reiterações buscou a autoridade fiscal esclarecer: a existência de ação judicial que amparasse as compensações, informar se houve compensação previdenciária de qualquer rubrica que não se refira a supostos recolhimentos efetuados nos termos da lei 9.506/97. Digase, pela análise do relatório que o contribuinte não apresentou os esclarecimentos necessários a esclarecer referidos fatos, indicando apenas uma planilha sem a demonstração da origem dos valores. Notese que a aplicação da multa isolada não foi fundamentada apenas na prescrição das competências 02/1998 a 04/2002, mas especialmente não ausência de demonstração do recolhimento indevido. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de jurisprudência que poderia levar ao entendimento do recorrente, não há como afastar o fato que a empresa realizou as compensações ao seu “bel prazer”, sem qualquer amparo, ou seja, não buscou judicialmente o direito a compensação. Não falo com isso que a empresa deva sempre buscar seu direito perante o judiciário, pelo contrário a própria lei autoriza a compensação direta do tributo recolhido indevidamente, porém essa definição de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 7 11 recolhimento indevido estará sujeita a posterior homologação, por parte da DRFB. Dessa forma, entendo que compete ao sujeito passivo, demonstrar de forma clara e objetiva o seu direito creditório, para que só então a autoridade fiscal rebata afastando o direito o direito e efetivando não apenas o lançamento da glosa, como aplicando a multa isolada. Devese, analisando pontualmente, cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como destacado na decisão recorrida, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita. Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. Até concordo que a indicação de prescrição em relação a declaração de inconstitutciolidade da contribuição dos agentes políticos e a necessidade de retificação em GFIP não seriam elementos suficientes a indicação da falsidade, posto existirem discussões no passado acerca de qual o termo inicial para contagem da prescrição e a possibilidade de atuar o sujeito passivo por informação inexata em GFIP. Contudo, analisando detidamente o relatório fiscal e os termos de intimação, entendo não ter sido esse o elemento caracterizador da multa. Requereu a autoridade fiscal, por mais de uma vez, a intimação para apresentação clara dos valores pagos indevidamente, contudo, não apresentou o recorrente os documentos pertinentes a demonstrar o seu direito, fato esse destacado no relatório fiscal, senão vejamos: 2.2. O contribuinte foi intimado através de TIPF a apresentar documentos e esclarecimentos acerca do procedimento de compensação que realizou em GFIP, com intuito verificar a regularidade da operação; 2.3. No prazo legal para resposta ao TIPF, o contribuinte enviou, através do Ofício GAB/PMC nº 141/2012, esclarecimentos e documentos incompletos e insuficientes para a verificação da regularidade da compensação, o que já seria suficiente para justificar a glosa dos valores compensados; 2.4. Ante a resposta insatisfatória, renovou a solicitação de esclarecimentos e documentos, mediante a lavratura do TIF nº 1, onde reiterou a apresentação das GPS/GRPS e memórias de cálculo, bem como solicitou informar se efetuou o procedimento autorizado por decisão judicial, e se compensou rubricas não relacionadas aos agentes políticos; 2.5. Mediante Ofício GAB/PMC nº 235/2012, o contribuinte informou somente que a compensação foi realizada por empresa contratada, mas aparentemente sem amparo de medida judicial. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 8 13 Não apresentou documentos ou esclarecimentos sobre a compensação realizada; 2.6. O contribuinte respondeu insatisfatoriamente à solicitação reiterada pelo TIF nº 1, de maneira que emitiu o TIF nº 2, solicitando novamente informação sobre a realização de compensação com valores oriundos de rubricas não relacionadas ao agentes políticos, tais como 1/3 de férias, horasextras, auxíliodoença, gratificações, etc.; 2.7. O prazo para resposta ao TIF nº 2 expirou em 21/06/2012, sem que o contribuinte tenha respondido à solicitação veiculada pelo TIF nº 2. Somente em 25/06/2012 o contribuinte postou a resposta ao TIF nº 2, a qual chegou à fiscalização em 28/06/2012, após a lavratura do auto de infração, informando que a compensação foi realizada com base em rubricas de salários e vantagens, e não somente de agentes políticos, o que não alteraria o resultado do procedimento fiscal; [...] 2.12. A compensação declarada em GFIP foi realizada com evidente falsidade. O contribuinte afirmou que os valores compensados diziam respeito às contribuições dos agentes políticos, mas, quando intimado a apresentar comprovação documental, não exibiu as guias de recolhimento e respectivas memórias de cálculo, que permitisse aferir a exatidão e procedência dos valores compensados; 2.13. Não apresentou qualquer recolhimento, relativo aos exercentes de mandato eletivo, da Câmara Municipal, o que resulta na ausência de comprovação de todos os valores planilhados no item I.21 do relatório fiscal. Vários recolhimentos pelo sujeito passivo não se referem a contribuições dos agentes políticos 2.14. A inexistência de fundamento de fato para compensação efetivada é comprovada pela patente contradição entre os valores planilhados levados à compensação e o incompleto material trazido como comprovantes; 2.15. A partir das informações prestadas pelo contribuinte, mas não comprovadas, elaborou a planilha de fls. 32/35. Confrontou com os valores compensados pelo sujeito passivo em GFIP e colocou na planilha de fls. 36/37. Como resultado, obteve a planilha de fls. 35/36, onde demonstrou os valores a serem glosados, num montante de R$ 1.350.482,10, por excesso na compensação. Esse fato demonstra que houve compensação de crédito inexistente, o que evidencia a falsidade. Importante salientar que debruçandome sobre a impugnação, não identifiquei a apresentação, mesmo que tardia, dos documentos e esclarecimentos capazes de comprovar o direito creditório e afastar a imputação de falsidade de declaração em GFIP que originou a aplicação da multa isolada aqui discutida. A declaração em GFIP de créditos a compensar gera a consequente diminuição da contribuição devida, todavia, está sujeita a posterior homologação. Nesse sentido, compete a autoridade fiscal intimar o contribuinte a esclarecer a base dos valores Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 declarados, informações essas que devem estar disponíveis à fiscalização, tão logo seja o contribuinte intimado para tanto. E não venha alegar que contratou terceira empresa para proceder ao cálculo das compensações. O mínimo a ser apresentado seria os documentos pertinentes a folha de pagamentos dos agentes políticos, valores que poderiam ser conferidos com as GPS. De igual forma, alegar em sede de impugnação que compensou valores à título de 1/3, horas extras e gratificações carece de respaldo, se a lei previdenciária, em momento algum, excluiu ditas rubricas do conceito de salário de contribuição. Nesse caso, proceder a compensação de valores sem amparo judicial, sem declaração de inconstituciode que destaque serem indevidos os valores e sem nem mesmo deixar claro qual o montante que compensou a este título, não pode ser aceito. Assim, a não comprovação do direito creditório a esse título gera tbm falsidade de declaração. Pelos fatos descritos, fica fácil identificar que não se desincumbiu o sujeito passivo de provar que os valores indicados como crédito em sua GFIP, realmente existiram. É nesse caso, que resta demonstrada a falsidade. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15586.720555/201257 Acórdão n.º 9202003.931 CSRFT2 Fl. 9 15 Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430, No meu entender a previsão de multa isolada pela falsidade de declaração, visa justamente coibir a prática de compensação de valores, sem que o contribuinte, ao ser inquirido para tanto, prove que os valores lançados em GFIP são seu direito. Se assim não o fosse, veríamos a criação de uma prática de que contribuinte se daria o direito de compensar tudo aquilo que até então recolhia de contribuição previdenciária sobre sua folha, por simplesmente entender que indevida a inclusão das verbas no conceito de remuneração. Importante destacarmos, que dois são os fundamentos para imposição da multa aplicada, considerando a falsidade das declarações em GFIP: a) se considerarmos que o recorrente compensou valores, amparado em jurisprudência esparsa, estaríamos chancelando que pode o recorrente “de acordo com sua interpretação da lei” a partir de hoje, definir o alcance do conceito de remuneração, mesmo inexistindo qualquer amparo legal ara suas exclusões; b) segundo, conforme trazido pelo auditor, não restou demonstrado que os valores compensados haviam efetivamente sido recolhidos pelo ente público, pela qual devida a multa pela falsidade de indicação de valores recolhidos indevidamente, sem que o recorrente demonstrasse o recolhimento efetivo. De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que se restabeleça a multa isolada. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11128.003481/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/02/2003
VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação.
BÔNUS CONTRATUAL. A quantia referida no contrato de compra e venda como "Prêmio para Embarque Antecipado" como contrapartida do comprador à presteza do vendedor em disponibilizar o objeto da compra e venda antecipadamente, consubstancia-se como acréscimo ao preço, compondo dessa forma, o valor aduaneiro.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação. BÔNUS CONTRATUAL. A quantia referida no contrato de compra e venda como "Prêmio para Embarque Antecipado" como contrapartida do comprador à presteza do vendedor em disponibilizar o objeto da compra e venda antecipadamente, consubstanciase como acréscimo ao preço, compondo dessa forma, o valor aduaneiro. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 34 81 /2 00 5- 16 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da decisão recorrida: O interessado foi autuado em face da infração "declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto)". A autoridade aduaneira informa que o interessado efetuou remessa financeira adicional de CHF 2.657.363,00 pelas mercadorias importadas, a título de prêmio por embarque antecipado (cláusula 5.3 do contrato fl. 80). Alega que a remessa em questão tratase de preço efetivamente pago, em face de condição de venda estipulada no contrato, e que integra o valor aduaneiro. Foram lançados imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, juros de mora e multas de ofício. Intimado em 6/6/2005, o interessado apresentou impugnação em 5/7/2005, juntada às fls. 207 e ss. Alega que: 1. Preliminarmente, o lançamento carece de provas, documentos e esclarecimentos suficientes. 2. O auto de infração está desacompanhado de fundamentação fática e jurídica. Não foi demonstrado ilícito tributário. Cita doutrina e julgado administrativo (fls. 108 e 109). 3. A ausência de provas é vício material. 4. É nulo o lançamento, pois utiliza como base de cálculo do imposto sobre a importação e do imposto sobre produtos industrializados valores pagos em decorrência de bonificação contratual. 5. Como o exportador providenciou embarque antecipado do equipamento, faz jus ao bônus contratual. 6. O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), consultado pelo impugnante, informou nada ter a opor às remessas financeiras para pagamento de bônus contratuais, salientando que nenhuma alteração deveria ser promovida nas declarações de importação, em razão de se tratarem de valores que não podem ser intitulados como valor aduaneiro. 7. O auto de infração é desacompanhado de provas e fundamentação, indispensáveis à ampla defesa. A nulidade diz respeito à inexistência de fato jurídico tributável. 8. A base de cálculo do imposto sobre a importação é o valor aduaneiro, definido pelo valor FOB do bem importado, acrescido de valores de transporte e seguro internacional. A legislação impede que outros valores, que não digam respeito ao Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 12 3 custo de produção, sejam agregados ao valor aduaneiro. Cita artigos 1 e 8 do Acordo de Valoração Aduaneira. 9. O pagamento de bônus contratual é consequência de antecipação do embarque da mercadoria, enquanto o valor aduaneiro é decorrência do processo de importação iniciado com o contrato de compra e venda. São realidades distintas. 10. Aceitando como verdadeira a tese da autoridade fiscal, poderíamos concluir que na hipótese de o exportador disponibilizar o equipamento em data posterior ao avençado, respondendo pelo pagamento por danos apurados por atraso, estarseia diante de uma redução do valor aduaneiro, vez que as cláusulas de pagamento por atraso e bonificação por antecipação refletem os interesses de ambas as partes contratantes. Tal assertiva não pode ser admitida. 11. Não são conhecidos os argumentos que levaram a autoridade a concluir pela existência de ilícito tributário. Porém, existem disposições legais que fixam os métodos de valoração aduaneira, onde não se inclui o pagamento de bônus contratual. 12. O valor pago pelas mercadorias não se confunde com o devido a título de bônus contratual. A bonificação diz respeito à entrega antecipada do produto. 13. O imposto sobre produtos industrializados tem como fato gerador desembaraço aduaneiro, a saída dos estabelecimentos do importador, industrial, comerciante o arrematante e a arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. No caso em tela não há tais hipóteses. 14. O pagamento de bonificação contratual sujeitase apenas ao imposto de renda, pois é acréscimo patrimonial do exportador. Essa também foi a posição adotada pela Decex, quando solicitada orientação sobre a remessa financeira ao exterior. 15. Incide o imposto de renda conforme artigo 682 do RIRPJ 1999 (Decreto nº 3.000/1999). 16. No que diz respeito à incidência do imposto sobre produtos industrializados, o impugnante gozava de benefício fiscal previsto no Decreto nº 3.827/2001, concedido pelo Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT), instituído pelo Decreto nº 3.371/2000 e autorizado pela Resolução Aneel nº 142/2001 e pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 23/2001, item 109. 17. A multa é confiscatória e inconstitucional. Cita doutrina e decisão judicial. 18. A taxa Selic é inconstitucional. A 2ª Turma da DRJ/SPOII, no acórdão 1731.164, manteve a autuação fiscal em sua integralidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 13 4 Data do fato gerador: 12/02/2003 VALOR ADUANEIRO. Parcela referida no contrato de compra e venda como "Prêmio para Embarque Antecipado" constitui valor devido pelo comprador na hipótese de os equipamentos serem disponibilizados antecipadamente pelo vendedor. Depreendese do contrato, em face do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), que referido "prêmio" é contrapartida do comprador à presteza do vendedor em disponibilizar o objeto da compra e venda antecipadamente. Concluise que o "prêmio" constitui um acréscimo ao preço devido pelo objeto se a entrega ocorrer nos termos previstos em cláusula contratual. Noutros termos, o "preço" depende do momento em que é entregue a coisa. Assim, como o "prêmio" é vinculado aos equipamentos, bem como o fato que lhe dá ensejo é "condição de venda", posto que expressamente prevista no contrato, encontra subsunção ao artigo 1º do AVA, nos termos do parágrafo 7º de seu anexo III: "o preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição da venda das mercadorias importadas, pelo comprador ao vendedor". JUROS DE MORA. MULTAS DE OFICIO. Os juros (Selic) e as multas lançadas estão previstas em lei. Não compete à instância administrativa apreciar questões de constitucionalidade. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Enunciado nº 4 da Súmula do Terceiro Conselho de Contribuintes. Em seu recurso voluntário, a autuada reitera as alegações postuladas em sua impugnação: · O pagamento de bonificação não interfere nas condições de venda ajustadas pelas partes. E, não compondo o preço do equipamento adquirido, a sua inclusão na base de cálculo do imposto sobre importação é inválida; ao celebrar contrato de fornecimento de turbinas termelétricas com a empresa suíça Alstom Ltd, a Recorrente consigna hipóteses de pagamento de bônus contratual em favor do exportador, envolvendo a antecipação do embarque do equipamento, e a obtenção de desempenho superior ao garantido pelo fabricante. Em se operando quaisquer das situações contempladas no contrato, arcaria a Recorrente sobre o pagamento de bônus contratuais, valores estes que não interferiram na formulação do valor do contrato. · A nulidade alegada diz respeito à inexistência de fato jurídico tributável pelo imposto sobre importação e produtos industrializados, ou seja, versa sobre a incidência tributária. · Em se tratando do imposto sobre importação, conhecidamente a base de cálculo do tributo é o valor aduaneiro da mercadoria importada, definido pelo valor FOB do bem importado, acrescido de valores de transporte e seguro internacional (este último, apenas quando contratado). Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 14 5 · Ao que parece, a autoridade fiscal pretende sustentar que eventuais bonificações contratuais passaram a integrar o valor aduaneiro da mercadoria, tese que não guarda qualquer amparo legal, já que a legislação que regulamenta a matéria impede que outros valores; que não aqueles que digam respeito ao custo da produção da mercadoria, sejam agregados ao valor aduaneiro. · O pagamento de bônus contratual é consequência de antecipação do embarque da mercadoria enquanto o valor aduaneiro é decorrência do processo de importação iniciado com o contrato de compra e venda. São duas realidades distintas que não se submetem ao mesmo tratamento jurídico de condição de venda. · O pagamento de bonificação contratual sujeitase apenas ao imposto de renda, eis que tratase de acréscimo patrimonial do exportador, devendo a Recorrente, como adquirente da mercadoria e responsável tributária, providenciar a retenção sobre o montante a ser pago, nos termos da legislação pertinente. O contribuinte do imposto de renda, nesta hipótese, é o fornecedor da mercadoria, a quem compete o recebimento da renda e o ônus da carga fiscal. Essa também foi a posição adotada pelo DECEX, quando solicitada a orientação sobre a remessa financeira ao exterior. Sendo assim, nos termos do art. 682 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a renda decorrente do pagamento de bônus contratual se sujeita ao imposto sobre a renda retido na fonte, cuja alíquota corresponde a 15%. · A multa de 75% imposta pela autoridade fiscal inviabiliza o cumprimento da obrigação tributária, pois se aproxima do valor da obrigação principal, o que, de acordo com a posição da doutrina dominante e do Poder Judiciário constitui hipótese de confisco. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração por considerar que a bonificação contratual não interfere no valor aduaneiro do bem importado, por não constituir base de cálculo do imposto de importação e do IPI. Em 21 de agosto de 2012, 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/3ª Seção, através da Resolução nº 3101000.248, converteu o feito em diligência para ver sanados os seguintes pontos: 1) confirme se o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, Código 0422, em 23/02/2005, no valor de R$ 2.628.455,23, referese à remessa financeira efetuada ao exterior a título de pagamento do bônus previsto no contrato de fornecimento do qual adveio a interpretação do Fisco de que compõe o valor aduaneiro das mercadorias importadas. 2) Intime a Recorrente a trazer aos autos as correspondências que encaminhou à DECEX em 22/04/2004 e 29/04/2004, referidas no Ofício DECEX/CGME/SETEL 2004/395, de 16.08.2004, bem como, a manifestarse acerca do resultado da diligência, se quiser, no prazo de 30 dias. A diligência foi cumprida com a juntada dos documentos. Na efl. 451, consta a informação da autoridade fiscal que: analisando a DCTF nº 100.0000.2008.1810392213 Retificadora Ativa, referente ao PA 0122/fev/2005 para o código de receita 0422, referente a IRRF – Royalties e Assistência Técnica – Residentes no Exterior, conforme pesquisas de efls. 450, teve o débito apurado no valor total de R$ 4.602.953,03 e composto de dois pagamentos, sendo um deles no valor de R$ 2.628.455,23 efetuado em 23/02/2005, confirmando assim a indicação deste recolhimento para quitação do débito apurado. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 15 6 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, tratase de lançamento tributário para constituição do Imposto de Importação e do IPI vinculado sobre remessa financeira ao exterior a título de prêmio por embarque antecipado de mercadorias importadas, por entender o Fisco que tal pagamento integraria o valor aduaneiro. A remessa feita pela Recorrente decorre de cláusula contratual estabelecida entre as partes, pela qual a importadora comprometiase a pagar um bônus em dinheiro à exportadora a cada dia antecipado na entrega dos conjuntos de turbo geradores, tendo em vista a urgência na instalação das máquinas na termelétrica de Piratininga. Determinação do Valor Aduaneiro O valor aduaneiro é apurado na forma prevista no artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira ou, simplesmente, AVAGATT), aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30/94 e promulgado pelo Decreto Executivo nº 1.355/94, o qual possui status de lei e estabelece as normas fundamentais sobre valoração aduaneira no Brasil. A aplicação do AVAGAT é disciplinada pelos artigos 76 a 83 do vigente à época dos fatos Decreto nº 4.543/02, atualmente pelos artigos 76 a 83 do Decreto nº 6.759/2009 e pela Instrução Normativa SRF nº 327/03. O artigo 1º do AVA –GATT estabelece que: 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8º, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; (ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou (iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 16 7 (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8º; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2º deste Artigo. Artigo 8º 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador, mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mão de obra e com materiais; (b) o valor, devidamente atribuído, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação de mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de “design”, e planos e esboços, necessários à produção de mercadorias importadas e realizados fora do país de importação. (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 17 8 (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) custo do seguro. 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto neste artigo. O AVAGATT estabelece seis diferentes métodos para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Esse acordo determina que, sempre que não for possível a utilização do primeiro método de valoração, devese passar sucessivamente aos métodos seguintes, até que se chegue ao primeiro que permita determinar o valor aduaneiro. O acordo estabelece ainda que o valor aduaneiro de mercadorias importadas seja determinado, preferencialmente, pelo primeiro método, ou seja, o valor de transação, que é o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do seu Artigo 8º. Os seis métodos do Acordo de Valoração Aduaneira a serem aplicados sequencialmente e sucessivamente são: 1º Método: método do valor aduaneiro de mercadorias importadas (valor de transação); 2º Método: método do valor de transação de mercadorias idênticas; 3º Método: método do valor de transação de mercadorias similares; 4º Método: método do valor da revenda (ou do valor dedutivo); 5º Método: método do custo de produção (ou do valor computado); 6º Método: método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O preço efetivamente pago compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar como condição da venda das mercadorias e não necessariamente feitos em dinheiro. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 18 9 Dessa forma, toda e qualquer forma de pagamento indireto que eventualmente seja realizado é parte integrante do valor aduaneiro, conste ele ou não da fatura comercial apresentada à autoridade aduaneira. Dessa forma, o valor aduaneiro da mercadoria não se confunde com o valor faturado nem com o valor para fins de licenciamento das importações, embora muitas vezes eles possam ter o mesmo valor. O valor aduaneiro das mercadorias importadas significa o valor das mercadorias para fins de incidência de direitos aduaneiros ad valorem sobre mercadorias importadas. Observese o teor da nota ao Artigo 1º: Preço Efetivamente Pago ou a Pagar 1. O preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a ser efetuado pelo comprador ao vendedor, ou em beneficio deste, pelas mercadorias importadas. O pagamento não implica, necessariamente, em uma transferência de dinheiro. Poderá ser feito por cartas de crédito ou instrumentos negociáveis, podendo ser efetuado direta ou indiretamente. Exemplo de pagamento indireto seria a liquidação pelo comprador, no todo ou em parte, de um débito contraído pelo vendedor. Ademais, o parágrafo 7º, do anexo III assevera: 7. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição da venda das mercadorias importadas, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a um terceiro para satisfazer uma obrigação do vendedor. Citese ainda, a IN SRF nº 318/2003, que em seu art. 1º estabelece que na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA). A Decisão 4.1 dispõe que: COMENTÁRIO 4.1 CLÁUSULAS DE REVISÃO DE PREÇOS. 1. Na prática comercial, alguns contratos preveem uma cláusula de revisão de preços, segundo a qual o preço é fixado apenas provisoriamente, ficando o preço definitivo a pagar sujeito a certos fatores previstos nas disposições do contrato. 2. A situação pode se apresentar de diferentes maneiras. A primeira é aquela em que as mercadorias são expedidas após o decurso de um prazo considerável do momento do pedido original (é o caso de bens de capital produzidos sob encomenda); o contrato Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 19 10 especifica que o preço final será determinado com base em uma fórmula acordada que leve em conta acréscimos ou diminuições do custo de elementos como: mãodeobra, matériasprimas, despesas gerais e outros fatores que intervenham na produção das mercadorias. 3. A segunda situação é aquela em que as mercadorias encomendadas são fabricadas e expedidas durante um determinado período de tempo; tendo em conta que as especificações do contrato são semelhantes àquelas descritas no parágrafo 2 supra, o preço definitivo da primeira remessa é diferente da última e de todas as outras, embora cada preço derive da mesma fórmula especificada no contrato original. 4. Outra situação é aquela em que o preço das mercadorias tenha sido fixado provisoriamente, porém novamente de conformidade com as disposições do contrato de venda, o preço definitivo depende de um exame ou de uma análise no momento da entrega (por exemplo, do grau de acidez dos óleos vegetais, da proporção de metal nos minérios, do teor puro da lã etc.). 5. O valor de transação das mercadorias importadas, definido no Artigo 1 do Acordo, baseiase no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias. Segundo a Nota Interpretativa a este artigo, o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a efetuar pelo comprador ao vendedor pelas mercadorias importadas. Por conseguinte, nos contratos com cláusulas de revisão de preços, o valor de transação das mercadorias importadas deve ser baseado no preço definitivo total pago ou a pagar de conformidade com as estipulações contratuais. Dado que o preço efetivamente a pagar pelas mercadorias importadas pode ser determinado com base nos dados especificados no contrato, as cláusulas de revisão de preços, do tipo das descritas neste comentário, não devem ser consideradas como uma condição ou contraprestação cujo valor não possa ser determinado (ver Artigo 1.1 b) do Acordo). 6. Na prática, quando as cláusulas de revisão de preços já tiverem produzido pleno efeito no momento da valoração, nenhum problema surge, posto que se conhece o preço efetivamente pago ou a pagar. A situação e diferente quando as cláusulas de revisão de preços dependem de variáveis que intervém algum tempo após a importação das mercadorias. 7. Entretanto, posto que o Acordo recomenda que a valoração aduaneira se baseie, na medida do possível, no valor de transação das mercadorias objeto de valoração, e dado que o Artigo 13 prevê a possibilidade de retardar a determinação definitiva do valor aduaneiro, mesmo quando não seja sempre possível determinar o preço a pagar no momento da importação, as cláusulas de revisão de preços não deverão, por si só, impedir a determinação do valor das mercadorias segundo o Artigo 1 do Acordo. O "bônus contratual" é previsto na cláusula 5.3 do contrato firmado entre a Petrobrás e a Alstom (efls. 8283), nos seguintes termos: 5.3 Se os Equipamentos Principais estiverem prontos para embarque ex Fabrica (INCOTERMS 2000), no local de Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 20 11 fabricação, antes das datas previstas no Artigo 5.1 acima, a Compradora deverá pagar à Vendedora como prêmio (Prêmio para Embarque Antecipado'), uma quantia calculada de acordo com a tabela abaixo, por dia em que os Equipamentos Principais estiverem prontos para embarque ex Fabrica (INCOTERMS 2000), no local de fabricação, antes das datas previstas no Plano de Embarque. Portanto, não deve prosperar o pleito da Recorrente, pois a Nota Interpretativa ao Artigo 1º e o parágrafo 7º do Anexo III estabelecem claramente que o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a efetuar, direta ou indiretamente, pelo comprador ao vendedor ou em benefício deste, pelas mercadorias importadas. Este preço compreende todos os pagamentos efetivamente realizados ou a realizar, como condição de venda das mercadorias importadas, pelo comprador ao vendedor ou pelo comprador a um terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor. Dessa forma, o bônus contratual integra o valor da transação, como "preço" das mercadorias importadas, por isso integra o valor aduaneiro. Nesse sentido bem fundamentou a DRJ: O "bônus contratual", na verdade, "Prêmio para Embarque Antecipado", constitui valor devido pelo interessado na hipótese de os equipamentos serem disponibilizados antecipadamente pelo vendedor. Depreendese do contrato, em face do Acordo de Valoração Aduaneira, citado anteriormente, que referido "prêmio" é contrapartida do comprador à presteza do vendedor em disponibilizar o objeto da compra e venda antecipadamente. Concluise que o "prêmio" constitui um acréscimo ao preço devido pelo objeto se a entrega ocorrer nos termos previstos na cláusula 5.3 citada. Noutros termos, o "preço" depende do momento em que é entregue a coisa. Assim, como o "prêmio" é vinculado aos equipamentos, bem como o fato que lhe dá ensejo é "condição de venda", posto que expressamente prevista no contrato, encontra subsunção ao artigo 1 do Acordo de Valoração Aduaneira, nos termos do parágrafo 7 de seu anexo III: "o preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição da venda das mercadorias importadas, pelo comprador ao vendedor”. Alega a Recorrente que se o "prêmio" deve ser acrescido ao valor aduaneiro, então (fl. 213): "poderíamos concluir que na hipótese de o exportador disponibilizar o equipamento em data posterior ao avençado, respondendo pelo pagamento por danos apurados por atraso, estarseia diante de uma redução do valor aduaneiro, vez que as cláusulas de pagamento por atraso e bonificação por antecipação refletem os interesses de ambas as partes contratantes". Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 21 12 Contudo, não é necessário que o Acordo de Valoração Aduaneira faça referência expressa ao "prêmio" em questão em seu artigo 8 (ajustes), dado que o mesmo, por sua natureza, integra o "preço efetivamente pago ou a pagar" pelas mercadorias. Incidência do IRRF Alega a Recorrente que: O pagamento de bonificação contratual sujeitase apenas ao imposto de renda, eis que tratase de acréscimo patrimonial do exportador, devendo a Recorrente, como adquirente da mercadoria e responsável tributária, providenciar a retenção sobre o montante a ser pago, nos termos da legislação pertinente. O contribuinte do imposto de renda, nesta hipótese, é o fornecedor da mercadoria, a quem compete o recebimento da renda e o ônus da carga fiscal. Essa também foi a posição adotada pelo DECEX, quando solicitada a orientação sobre a remessa financeira ao exterior. Sendo assim, nos termos do art. 682 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a renda decorrente do pagamento de bônus contratual sujeitase ao imposto sobre a renda retido na fonte, cuja alíquota corresponde a 15%. O valor ajustado no contrato de compra e venda do equipamento a ser empregado na termelétrica contempla todos os custos inerentes a produção, expressando a real dimensão econômica da importação, e se perfaz independentemente da implementação da situação que 'autoriza o pagamento do bônus contratual. Os valores a serem remetidos ao exterior como pagamento de bonificação contratual sujeitamse tão somente ao imposto sobre a renda retido na fonte, já que se trata de proventos adquiridos, pelo exportador, fornecedor da mercadoria adquirida pela Recorrente. Especialmente por essa razão não se pode impor ao prêmio pago pela Recorrente a natureza jurídica de condição de venda, eis que ausente qualquer negociação ou qualquer influência deste sobre o valor do equipamento importado que perfaz e se subsume ao conceito previsto no art. 1° do Acordo de Valoração Aduaneira. Na efl. 300, consta a manifestação da DECEX nos seguintes termos: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 22 13 Não se observa nessa manifestação qualquer tom de orientação tributária a respeito da tributação pelo IRRF, pelo imposto de importação ou pelo IPI, nem mais sobre a definição de “valor aduaneiro”. Apenas foi dito que o órgão não se opunha à realização do pagamento e que era contrário às retificações solicitadas, ou seja, nada de relevante para o deslinde deste processo. Não poderia ser diferente, considerando a delimitação das competências do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Ministério da Fazenda prescrita no artigo 27 da Lei nº 10.683/2003: Art. 27. Os assuntos que constituem áreas de competência de cada Ministério são os seguintes: IX Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: a) política de desenvolvimento da indústria, do comércio e dos serviços; b) propriedade intelectual e transferência de tecnologia; c) metrologia, normalização e qualidade industrial; d) políticas de comércio exterior; e) regulamentação e execução dos programas e atividades relativas ao comércio exterior; f) aplicação dos mecanismos de defesa comercial; g) participação em negociações internacionais relativas ao comércio exterior; h) formulação da política de apoio à microempresa, empresa de pequeno porte e artesanato; i) execução das atividades de registro do comércio; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 23 14 XII Ministério da Fazenda: b) política, administração, fiscalização e arrecadação tributária e aduaneira; g) fiscalização e controle do comércio exterior; Por fim, salientese que no auto de infração não consta qualquer cobrança de IRRF, bem como na impugnação e no recurso voluntário também não há qualquer pedido de compensação do IRRF comprovadamente pago com os débitos de Imposto de Importação e IPI, tampouco foram ventiladas questões como bitributação ou bis in idem. IPI Como mencionado, a Recorrente alega que gozava de benefício fiscal previsto no Decreto nº 3.827/2001, concedido pelo Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT), instituído pelo Decreto nº 3.371/2000 e autorizado pela Resolução Aneel nº 142/2001 e pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 23/2001, item 109. Contudo, a autoridade fiscal, no lançamento, não desconsiderou esse benefício fiscal, consubstanciado na redução da alíquota do imposto para 5%, conforme se observa nas fls. 8, 162, 164 e 165. Não assiste razão, portanto, à Recorrente. Alegação da confiscatoriedade da multa aplicada Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, constatado o valor de transação incorreto, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente, que neste caso foi de 75%. A caracterização da multa com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deve ser afastado também esse pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 22 de junho de 2016. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.003481/200516 Acórdão n.º 3301003.007 S3C3T1 Fl. 24 15 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 12266.720065/2011-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2011
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 00 65 /2 01 1- 02 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 320 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.850. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 321 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 322 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 323 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 324 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 325 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 326 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 327 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 328 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 329 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 9303003.723 CSRF‐T3 Fl. 330 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11128.001052/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 52 /2 00 9- 20 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 209 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.272, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 210 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 211 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 212 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 213 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 214 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 215 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 9303003.615 CSRF‐T3 Fl. 216 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.728065/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. OCORRÊNCIA.
A autoridade fiscal está obrigada, por força do artigo 20-A da Lei 9.430/96, a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável.
Tratando-se de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável.
A ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento.
Numero da decisão: 1301-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Waldir Veiga Rocha e Paulo Jakson da Silva Lucas, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo (voto vencedor restrito à nulidade - art. 20-a). Fez sustentação oral o Sr. Roberto C. Leite Pereira, OAB/SP Nº 299.994.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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NULIDADES. OCORRÊNCIA. A autoridade fiscal está obrigada, por força do artigo 20A da Lei 9.430/96, a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Tratandose de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável. A ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Waldir Veiga Rocha e Paulo Jakson da Silva Lucas, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo (voto vencedor restrito à nulidade art. 20a). Fez sustentação oral o Sr. Roberto C. Leite Pereira, OAB/SP Nº 299.994. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 80 65 /2 01 3- 11 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.676 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.677 3 Relatório GEMALTO DO BRASIL CARTÕES E TERMINAIS LTDA, já devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. A referida Turma Julgadora, de igual modo, por ter exonerado crédito tributário em montante superior ao seu limite alçada, impetrou recurso de ofício. Aproveito o relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever a matéria tributária apurada e as razões aportadas ao processo por meio de peça impugnatória. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, constatou se que ele, no anocalendário de 2008, apurou o IRPJ pela sistemática do lucro real e importou insumos junto a pessoas vinculadas, razão pela qual é necessária a apuração dos preços parâmetro desses insumos, consoante as regras que regulam os preços de transferência, para avaliar a dedutibilidade dos custos com eles incorridos. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 13051343, para a realização dos trabalhos de auditoria foram consideradas as regras relativas a preços de transferência previstas na Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959/2000, regras essas regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. O método utilizado pelo contribuinte é o do Preço de Revenda menos Lucro, previsto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original. Relata a autoridade autuante que o contribuinte, conforme documento de fl. 789, reconhece que, para o cálculo do preço parâmetro e do preço praticado, não adota a sistemática prevista na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, por considerar não ter ela respaldo na Lei nº 9.430/1996. Diante disso, conclui a autoridade autuante (fl. 1316) que “é justamente esta divergência de interpretação das normas que regem a determinação do ‘PREÇO PARÂMETRO’ que originou a infração tributária autuada”. Em seguida, a autoridade autuante descreve a metodologia utilizada pelo contribuinte, afirmando que, no tocante ao preço praticado, adotou ele uma taxa de dólar, para conversão do valor expresso em moeda estrangeira na importação de bens, serviços e direitos, diferente da prevista no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, segundo (ele) deve ser adotada a taxa de câmbio de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao do registro da declaração de importação. Ao descrever o método utilizado pelo contribuinte para o cálculo do preço parâmetro, ressalta a autoridade autuante que, para ele, o valor agregado corresponde à diferença entre o custo total de fabricação do produto e o custo total das matériasprimas importadas que o compõem. Em seguida, o contribuinte calcula a diferença entre o valor líquido das vendas e o valor agregado e, sobre o resultado, aplica o percentual de 60% previsto no art. 18, inciso II, “d”, da Lei nº 9.430/1996, Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.678 4 encontrando a margem de lucro. O preço parâmetro total corresponde à diferença entre o preço líquido de venda de todos os produtos considerados e a referida margem de lucro. Finalmente, para calcular o preço parâmetro unitário da matéria prima, extraise do preço parâmetro total o quanto corresponde à matériaprima em análise e dividese o valor encontrado pela quantidade vendida da matériaprima. Ressalta a autoridade autuante que o valor agregado, que deve ser excluído no cálculo do preço parâmetro, é a parcela do preço líquido de venda que corresponde à proporção dos demais custos de produção, que não o custo do insumo importado cujo preço parâmetro se pretende calcular, no custo total de produção. No tocante à apuração do preço praticado dos insumos importados sujeitos às regras de preços de transferência, a autoridade autuante observa que os insumos selecionados são componentes fundamentais e desempenham a mesma função nos produtos fabricados pelo contribuinte. Esses insumos correspondem a módulos, sendo que apenas um módulo compõe o produto produzido. O cálculo dos preços parâmetros está evidenciado no “Demonstrativo de Cálculo do Preço Parâmetro Ponderado – 2008” de fls. 13551365. Após as devidas verificações, a autoridade autuante apurou, pelo método Preço de Revenda menos Lucro de 60%, os valores admissíveis de custos, despesas e encargos, relativos aos principais insumos importados junto a pessoas vinculadas, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.430/1996, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. A diferença, por unidade e total, entre o preço praticado e o preço parâmetro, para cada insumo, está demonstrada à fl. 1341. Em seguida, das diferenças apuradas a autoridade autuante subtraiu os valores já adicionados pelo contribuinte ao lucro real e à base de cálculo da CSLL na DIPJ do anocalendário de 2008, remanescendo o saldo de R$ 21.998.336,59, a ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL para o referido anocalendário. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa de ofício de 75%. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 13961449, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Nos termos do art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 12.715/2012, caso o método eleito pelo contribuinte ou um de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, deve o sujeito passivo ser intimado para apresentar, no prazo de trinta dias, novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Tratase de norma de caráter eminentemente procedimental, que instituiu novo processo de fiscalização, razão pela qual, com base no art. 144, § 1º, do CTN, deve ser aplicada a todas as fiscalizações concluídas após a sua vigência. No caso presente, a ausência de intimação da impugnante para apresentar novo método mais favorável, em razão da desclassificação dos critérios de cálculo do método originalmente eleito, importa em nulidade do lançamento de ofício, pela inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. O “Termo de Verificação Fiscal” TVF anexo ao auto de infração é inconclusivo na descrição de diversas infrações imputadas à impugnante. A má fundamentação ultrapassou a fronteira do aceitável e do razoável e trouxe prejuízo concreto ao direito de defesa. Às fls. 1415 do TVF, a autoridade autuante disserta Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.679 5 sobre o componente “valor agregado” utilizado na fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60, mas não conclui se, de fato, há alguma infração relacionada a esse aspecto. A apuração do preço praticado evidencia prejuízo em concreto ao direito de defesa, pois a autoridade autuante se limitou a afirmar que a impugnante teria adotado taxa de dólar, para a conversão dos valores dos insumos importados, diversa daquele prevista no art. 7º da IN SRF nº 243/2002. Não há demonstração precisa de qual seria a taxa de câmbio correta para cada operação de importação bem como o reflexo da infração no ajuste efetuado de ofício pela autoridade autuante. Essas deficiências na descrição da suposta infração relacionada ao cálculo do preço praticado impedem o exercício do direito de defesa para questionar a metodologia adotada pela autoridade autuante. Tratase de causa de nulidade do lançamento, conforme prescreve o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. O art. 18 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959/2000, ao prescrever a fórmula de cálculo do preço parâmetro para o método PRL 60, determina que o percentual de 60%, incidente sobre o valor do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país, seja deduzido do valor líquido de venda integral. A Instrução Normativa SRF nº 243/2002, por outro lado, determina, em seu art. 12, § 11, que o percentual de 60% seja excluído de uma base menor, qual seja, a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, do que decorre um resultado invariavelmente menor. Diversamente do que prevê a Lei, a IN SRF nº 243/2002 estabelece um cálculo em três etapas. Na primeira delas, partese do preço líquido de venda para se identificar uma grandeza intermediária, não contemplada pelo texto legal, correspondente à participação do bem importado no produto revendido. Em virtude dessa operação, exigese do contribuinte a prática de margem de lucro que fere a razoabilidade e a proporcionalidade. Partindose da interpretação dada pela IN SRF nº 243/2002, como conseqüência do superfaturamento do insumo importado a participação desse insumo no produto final crescerá e, portanto, maior será o preço parâmetro autorizado. Isso vai de encontro ao objetivo da norma, que é evitar que haja superfaturamento nas importações de pessoas ligadas. Mais que isso, a Lei buscou incentivar a produção local, enquanto a regulamentação administrativa da matéria eliminou esse efeito indutor, pois, quanto menor o valor agregado, menor será o ajuste. Na redação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/1996, a menção ao valor agregado está inserida no período que descreve a margem de lucro (item “1” da alínea “d”). Assim, a margem de lucro de 60% é o sujeito da oração principal, à qual se segue uma oração subordinada adjetiva explicativa, que, por definição, vem entre vírgulas: “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. Diante disso, o valor agregado não é uma qualidade à “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos”, mas ao preço de revenda, que, por sua vez, é a base para o cômputo da margem de lucro de 60%. Por essas razões, é equivocada a interpretação segundo a qual o valor agregado haveria de ser deduzido da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos” para o cálculo do preço parâmetro, interpretação esta que diverge inclusive da fórmula prevista na IN SRF nº 243/2002. A Medida Provisória nº 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei nº 9.430/1996, a sistemática de cálculo do preço parâmetro prevista na IN SRF nº 243/2002. Isso revela que (a) disciplina do PRL 60 nesta IN não está de acordo com a sistemática originalmente prevista na Lei nº 9.430/1996, conforme reconhece a própria Exposição de Motivos da referida MP. A metodologia Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.680 6 de cálculo prevista na IN SRF nº 243/2002 somente veio a ter respaldo legal com a publicação da Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012. Cita a impugnante diversas decisões judiciais e administrativas em abono a seus argumentos, concluindo que faz juz à apuração dos preços parâmetro dos seus insumos importados segundo a sistemática prevista pela Lei nº 9.430/1996, conforme a interpretação fixada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, uma vez que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 carece de base legal. Houve erro no cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60, do qual resultou ajuste maior do que o devido. A autoridade autuante não considerou que, ao longo do processo produtivo das mercadorias fiscalizadas, foram utilizados diferentes tipos de insumos que, por serem substitutos perfeitos entre si, foram aplicados em distintos momentos da cadeia produtiva. Em conseqüência disso, é necessário que, no cálculo do preço parâmetro, o custo total seja considerado de maneira proporcional à participação de cada um dos insumos na produção anual. O cálculo do percentual de participação de cada insumo no custo de produção total pode ser obtido a partir da divisão da quantidade aplicada de determinado insumo na produção pela quantidade total de mercadorias produzidas a partir da sua utilização. A autoridade autuante, porém, efetuou o cálculo do preço parâmetro como se os insumos fossem aplicados consistentemente desde o início até o final de toda a produção anual. Isso porque a IN SRF nº 243/2002, ao disciplinar o cálculo do “percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido” (art. 12, § 11, inciso II), se limita a prever que tal percentual será obtido a partir da “relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido”. Assim, a regulamentação da matéria pela SRF pressupôs a utilização uniforme de um mesmo insumo para a produção de uma mercadoria ao longo de toda a produção anual. Para manter a correlação entre o custo do insumo e o custo total, considerandose o cenário de substituição de insumos, o custo total deve ser “proporcionalizado” em função do percentual de participação de cada insumo no custo total de produção. Às fls. 15601568, a impugnante apresenta “Demonstrativo de Cálculo dos Preços Parâmetro Ponderados por Insumo”, no qual os cálculos dos preços parâmetro dos insumos obtidos pela autoridade autuante foram divididos pelo percentual de participação do custo do insumo no custo total da mercadoria industrializada, atingindo o mesmo resultado a que se chegaria mediante a “proporcionalização” do custo total de produção. As diferenças dos valores dos preços parâmetro obtidos a partir dos cálculos elaborados pela autoridade autuante e pela impugnante são indicadas no demonstrativo de fls. 15691570. É descabida a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, em consonância com o art. 161 do CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. Cita decisões administrativas que corroboram seus argumentos. Alega a impugnante que, nas hipóteses em que os julgamentos de órgãos colegiados resultem em empate de votos, sendo necessário o recurso ao voto de qualidade, evidenciase a ocorrência de dúvida, razão pela qual, com base no art. 112 do CTN e no princípio da presunção de inocência, deve ser cancelada a aplicação das penalidades. Por fim, pede a impugnante que seja dado provimento ao seu recurso, declarandose nulo o auto de infração, em virtude das duas causas de nulidade apontadas. Caso assim não se entenda, requer o cancelamento do crédito tributário, em razão da ilegalidade da fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.681 7 60 prevista na IN SRF nº 243/2002. Subsidiariamente, pede a diminuição do montante do crédito tributário, tendo em conta os equívocos apontados na apuração dos ajustes decorrentes da aplicação das normas pertinentes aos preços de transferência, bem como o reconhecimento da não incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Requer que as intimações sejam dirigidas ao endereço do escritório do procurador signatário da impugnação, com envio de cópias à impugnante. Protesta, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1453.888, de 29 de setembro de 2014, pela procedência parcial das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PREVISTA NO ART. 20A DA LEI Nº 9.430/1996, INTRODUZIDO PELA LEI Nº 12.715/2012. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE A regra prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzida pelo art. 51 da Lei nº 12.715/2012, é aplicável apenas aos fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO PRECISA DA INFRAÇÃO PRATICADA. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não é requisito de validade do lançamento a demonstração pela autoridade administrativa das razões que levaram o contribuinte a praticar a infração. Para a caracterização da infração, basta, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972, a descrição do fato e a indicação da disposição legal infringida, acompanhados da comprovação do ilícito. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. ERRO NO CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO PELO MÉTODO PRL60. INSUMOS SUBSTITUTIVOS Na hipótese de aplicação de insumos substitutivos (para cada produto produzido é utilizado um único insumo importado, sendo que distintas espécies de insumos são utilizadas na produção da mesma categoria de produto), para o correto cálculo do preço parâmetro, há que se considerar que, na apuração do percentual de participação do insumo importado no custo total do bem produzido, devem ser computados apenas os produtos finais que, de fato, foram produzidos com a utilização de cada um dos insumos substitutivos. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.682 8 EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA, CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC, SOBRE A MULTA. O CTN, em seu art. 113, § 1º, estabelece que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. O art. 161, por sua vez, prescreve que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Destarte, o conceito de crédito utilizado pelo CTN alcança não apenas o tributo, mas também a penalidade pecuniária. AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Irresignada com a manutenção de parte dos lançamentos, a fiscalizada interpôs o recurso voluntário de fls. 1.622/1.675, em que, em apertada síntese, sustenta: a nulidade do auto de infração, em vista de erro na determinação da base de cálculo e o equívoco cometido pela autoridade julgadora de primeira instância; nulidade do auto de infração em virtude do descumprimento do disposto no art. 20 A da lei nº 9.430, de 1996; a ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL 60 prevista na IN 243/2002; a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício; e a aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional em caso de voto de qualidade, haja vista a existência de dúvida concreta. É o Relatório. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.683 9 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida a lide de exigências relativas a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas em virtude da realização, de ofício, de ajustes decorrentes das normas de preços de transferência. Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO A matéria submetida ao recurso necessário pode ser extraída dos seguintes fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância: [...] A impugnante sustenta que houve erro no cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60, do qual resultou ajuste maior do que o devido, pois a autoridade autuante não teria considerado que, ao longo do processo produtivo das mercadorias fiscalizadas, foram utilizados diferentes tipos de insumos que, por serem substitutos perfeitos entre si, foram aplicados em distintos momentos da cadeia produtiva. Alega que, em conseqüência disso, é necessário que, no cálculo do preço parâmetro, o custo total seja considerado de maneira proporcional à participação de cada um dos insumos na produção anual. Aduz que a SRF, ao regulamentar a matéria no art. 12, § 11, inciso II, da IN nº 243/2002, pressupôs a utilização uniforme de um mesmo insumo para a produção de uma mercadoria ao longo de toda a produção anual. Apresenta, às fls. 15601568, “Demonstrativo de Cálculo dos Preços Parâmetro Ponderados por Insumo”, no qual, segundo alega, os cálculos dos preços parâmetro dos insumos obtidos pela autoridade autuante foram divididos pelo percentual de participação do custo do insumo no custo total da mercadoria industrializada, atingindo o mesmo resultado a que se chegaria mediante a “proporcionalização” do custo total de produção. Conclui que as diferenças dos valores dos preços parâmetro obtidos a partir dos cálculos elaborados pela autoridade autuante e pela impugnante são indicadas no demonstrativo de fls. 15691570. O art. 12, § 11, da IN nº 243/2002, ao regular a apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60, prevê, como etapa inicial do cálculo (inciso I), a apuração do preço líquido de venda, que corresponde à média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas. A segunda etapa (inciso II) consiste na apuração do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido e corresponde à relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa. Em seguida (inciso III), é calculada a participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido, mediante a aplicação do Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.684 10 percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total (inciso II) sobre o preço líquido de venda (inciso I). A etapa seguinte (inciso IV), é o cálculo da margem de lucro, que se dá mediante a aplicação do percentual de 60% sobre o resultado do cálculo determinado pelo inciso III. Finalmente, é calculado o preço parâmetro, que corresponde à diferença entre o valor calculado nos termos do inciso III e a margem de lucro de 60%, calculada de acordo com o inciso IV. Na situação de que trata o presente processo administrativo, houve, conforme alega a impugnante, ao longo do processo produtivo dos produtos vendidos que receberam os insumos importados de pessoas ligadas, utilização de diferentes tipos de insumos que, por serem substitutos perfeitos entre si, foram aplicados em distintos momentos da cadeia produtiva. Diante disso, na apuração do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido (inciso II), é preciso que se ajuste o cálculo. Às fls. 13261327, a autoridade autuante consigna a seguinte afirmação: Registrese que os insumos selecionados são componentes fundamentais e possuem a mesma função no funcionamento dos produtos fabricados pela FISCALIZADA, pois tratamse de módulos, conforme constou no TIF nº 003. Além disso, frisese que apenas um módulo compõe o produto produzido. (sublinhado no original) Em síntese, para cada produto produzido é utilizado um único insumo importado (módulo), sendo que distintas espécies de módulos são utilizadas na produção da mesma categoria de produto. Assim, para o correto cálculo do preço parâmetro, há que se considerar que, na apuração do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido (art. 12, § 11, inciso II, da IN nº 243/2002), devem ser computados apenas os produtos finais que, de fato, foram produzidos com a utilização de cada um dos insumos substitutivos. A autoridade autuante, porém, conforme atestam os demonstrativos de fls. 13551365, ao efetuar o cálculo do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total dos bens produzidos, considerou a participação de cada espécie de insumo no custo de produção total dos produtos vendidos. De fato, o cálculo apresentado nos demonstrativos referidos considera a participação do custo total do insumo aplicado na produção sobre o custo total de produção dos produtos vendidos, inclusive daqueles nos quais foi utilizado algum dos insumos substitutivos. Ao assim proceder, o resultado encontrado acaba por diminuir o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido. (GRIFEI) Um exemplo numérico facilita o entendimento da questão. Suponhase que um produto “X” possa ser produzido com o insumo “A”, cujo custo é de R$ 15,00, ou com o insumo “B”, cujo custo é de R$ 25,00, sendo ambos importados de pessoa vinculada. No exemplo hipotético, considerese que são produzidas e vendidas apenas duas unidades de “X”, sendo uma com o insumo “A” e outra com o insumo “B”. Considerese, ainda, que para a produção de cada unidade de “X” há custos internos no montante de R$ 30,00. Seguindo a metodologia aplicada pela autoridade autuante nos demonstrativos de fls. 13551365, o cálculo do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido seria realizado da seguinte forma: Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.685 11 Custo Total de Produção dos Produtos “X” Vendidos = (R$ 15,00 + R$ 30,00) + (R$ 25,00 + R$ 30,00) = R$ 100,00 Custo Total do Insumo “A” Aplicado na Produção = 1 x R$ 15,00 = R$ 15,00 Custo Total do Insumo “B” Aplicado na Produção = 1 x R$ 25,00 = R$ 25,00 Porcentagem do Insumo “A” no Custo Total de Produção = R$ 15,00/R$ 100,00 = 15% Porcentagem do Insumo “B” no Custo Total de Produção = R$ 25,00/R$ 100,00 = 25% Porém, o cálculo correto deve considerar a participação de cada insumo substitutivo no custo de produção do produto no qual foi utilizado. Assim, no exemplo hipotético apresentado, o cálculo seria realizado da seguinte forma: (GRIFEI) Custo Total de Produção dos Produtos “X” Vendidos = (R$ 15,00 + R$ 30,00) + (R$ 25,00 + R$ 30,00) = R$ 100,00 Custo Unitário de Produção dos Produtos “X” Vendidos = R$ 100,00/2 = R$ 50,00 Porcentagem do Insumo “A” no Custo Unitário de Produção = R$ 15,00/R$ 50,00 = 30% Porcentagem do Insumo “B” no Custo Unitário de Produção = R$ 25,00/R$ 50,00 = 50% Os resultados acima apresentados revelam que a forma de cálculo utilizada pela autoridade autuante distorceu o percentual de participação de cada insumo importado junto a pessoa vinculada no custo de produção do bem produzido. No anexo a este acórdão, intitulado “DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO PONDERADO POR INSUMO – 2008” e como parte integrante dele são apresentados os cálculos do preço parâmetro, para cada insumo, observando a sistemática de cálculo acima apresentada como correta. Nele, após o cálculo do custo total de produção do produto vendido, é calculado o custo total de produção do produto vendido com o insumo. O percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido é calculado mediante a divisão entre custo total do insumo aplicado na produção e o custo total de produção do produto vendido com o insumo. Os resultados alcançados coincidem com aqueles apresentados pela impugnante nos demonstrativos de fls. 15601568. A partir dos novos preços parâmetro apurados, são calculadas, no demonstrativo que segue, as diferenças não informadas em DIPJ decorrentes da aplicação das regras de preços de transferência sobre os insumos importados pela impugnante, em 2008, junto a pessoas vinculadas: ... A partir da “Diferença Apurada” total de R$ 9.141.519,36 acima apontada, são apurados os seguintes créditos tributários de IRPJ e de CSLL, com as respectivas multas de ofício, a serem mantidos (valores em R$): Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.686 12 [...] Irretocável, a meu ver, o decidido em primeira instância, pois, como assegurou a própria autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.326/1.327), os insumos selecionados para averiguação (MÓDULOS), por possuírem a mesma função (substitutos), foram utilizados unitariamente no produto final. Assim, como acertadamente assinala o ato decisório de primeiro grau, em tal circunstância, em que distintas espécies de MÓDULOS são utilizadas no produto final, mas apenas uma compõe cada um desses produtos, o cálculo do preço parâmetro deve considerar, na determinação do percentual de participação do insumo importado no custo total do bem produzido, apenas os produtos finais que efetivamente foram produzidos com cada um dos insumos substitutos. No caso vertente, contudo, a autoridade fiscal efetuou o cálculo do percentual de participação do insumo importado no custo total considerando o custo total do insumo aplicado na produção sobre o custo total de produção dos produtos vendidos, distorcendo com isso o percentual de participação do insumo importado no custo total do bem produzido. Comparandose as tabelas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. fls. 1.355/1.365, com as que foram trazidas por meio da decisão de primeira instância (fls. 1.605/1.613), constatase que a autoridade fiscal, de fato, determinou o percentual do insumo no custo total de produção por meio da relação entre o custo total do insumo aplicado na produção e o custo total de produção do produto vendido, quando, consideradas as circunstâncias versadas nos autos, deveria ter apurado o percentual do insumo no custo total do produto vendido com esse insumo, extraído da relação entre o custo total do insumo aplicado na produção e o custo total de produção do produto vendido com o insumo. Tenho, pois, por procedentes as retificações empreendidas em primeira instância, motivo pelo qual nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E EQUÍVOCO COMETIDO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO Argumenta a Recorrente que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, após ter reconhecido o equívoco cometido pela Fiscalização, aplicou solução inadequada, eis que deveria decretar a nulidade da autuação. Alega que, no caso, houve uma reapuração do ajuste, o que, a seu ver, não podia ser feito, eis que: a referida unidade não detém competência para efetuar o lançamento; erro de interpretação é erro de direito que só pode ser alterado em relação a fatos geradores futuros; e já havia operado a decadência para que a reapuração fosse realizada. Não é merecedora de acolhimento a argumentação expendida pela Recorrente. Resta evidente que a atuação da Delegacia da Receita de Federal deuse no limite de suas atribuições, vez que, impulsionada por peça impugnatória regularmente interposta, confirmou ter havido erro no cálculo de valores que integram a matéria tributária Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.687 13 apurada, razão pela qual promoveu a devida retificação, reduzindo, com isso, o montante do crédito tributário constituído. Diferentemente do sustentado pela Recorrente, a autoridade julgadora de primeira instância não promoveu lançamento tributário de qualquer natureza. No exercício de suas atribuições regimentais, limitouse a conhecer e julgar o litígio instaurado a partir da interposição da peça inaugural de defesa. É importante destacar que a própria Recorrente admite ter havido tão somente ERRO MATEMÁTICO, e, o que é mais importante, que a Fiscalização tinha pleno conhecimento da cadeia produtiva submetida a exame, o que evidencia que, no caso, a Turma Julgadora de primeiro grau cuidou apenas de retificar os cálculos espelhados nas peças acusatórias. Descabe, assim, falar em lançamento em sede de julgamento, por decorrência, de caducidade, e, por fim, em erro de direito. Não custa destacar que, se de erro de direito estivéssemos tratando, ainda assim não se poderia falar em nulidade in totum do lançamento, mas tão somente da parte eventualmente contaminada por pronunciamento inovador da autoridade julgadora. Rejeito a nulidade arguída. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DO DISPOSTO NO ART. 20 A DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Sustenta a Recorrente que a autoridade fiscal está obrigada, por força do dispositivo legal em relevo, a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Diz que, tratandose de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável. Penso que aqui também não merece acolhimento a alegação da Recorrente. O art. 20A da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Medida Provisória nº 563, de 2012 (Lei nº 12.715, de 2012), estabelece: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2o A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.688 14 I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. § 3o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. Diferentemente do sustentado na peça recursal, o procedimento trazido pela Lei nº 12.715, de 2012, só é aplicável a partir do ano calendário de 2012, cabendo salientar que "os novos critérios de apuração ou de fiscalização" a que alude o § 1º do artigo 144 do CTN, no qual a contribuinte buscou amparo para sustentar a retroatividade da aplicação da norma em referência, são aqueles que ampliam os poderes de investigação do Fisco ou dão mais garantias ou privilégios ao crédito tributário, de modo que não pode servir de fundamento para a pretensão declinada na peça de defesa. Entendo também que o procedimento reclamado pela Recorrente, quando relacionado à desqualificação de critérios de cálculo, só é aplicável na situação em que tal desqualificação provoca a do método aplicado, eis que o comando normativo é direcionado para a apresentação de novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Rejeito, de igual forma, a nulidade suscitada. ILEGALIDADE DA SISTEMÁTICA DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL 60 PREVISTA NA IN 243/2002 Argumenta a Recorrente que os ajustes realizados com base na sistemática trazida pela IN 243 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei nº 9.430/96. Destaco, primeiramente, que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro relativo ao denominado método PRL 60%. As fórmulas, sejam as porventura referenciadas pela contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal (Instruções Normativas nºs 113/2000; 32/2001; e 243/2002), representam expressões matemáticas do exercício interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do citado art. 18 da Lei nº 9.430/96. Portanto, a análise do presente item deve ser direcionada no sentido de se aferir se a Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer fórmula para determinação do denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que objetivou complementar. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.689 15 Digo que a questão limitase à análise das prescrições trazidas pela Instrução Normativa nº 243/2002, pois, neste item, em que pese a variação de argumentos, a linha de defesa da Recorrente tem por premissa a invalidade do referido ato normativo. Aqui, é importante ressaltar, não existe questionamento relacionado aos cálculos, em si, efetuados pela autoridade fiscal. Pontuo que, no que tange à legalidade IN 243, já tive a oportunidade de me pronunciar nos autos do processo administrativo nº 16643.000266/201015, razão pela qual, adiante, promovidas as devidas adaptações aos questionamentos veiculados por meio da peça recursal, repisarei argumentos ali expendidos. Registro que este Colegiado detém competência para, se for o caso, afastar atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, na parte em que o referido ato revelarse contrário a lei. Retornando à questão da “fórmula”, reitero que, a meu ver, não estamos diante de instituição, por meio de Instrução Normativa, de fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60% diversa da estabelecida pelo art.18 da Lei nº 9.430/1996, vez que, como já dito, a lei não estabeleceu “fórmula” no sentido empregado pela ora Recorrente, isto é, não exprimiu por meio de símbolos os elementos que compunham o chamado preço parâmetro (a rigor, nem mesmo a Instrução Normativa nº 243/2002 fez isso). Vejamos, então, o disposto em cada um dos atos antes referenciados, relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002). Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: ... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; ... Instrução Normativa nº 243/2002 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.690 16 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: ... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.691 17 II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. ... § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Para fins de solução da controvérsia, o que importa apreciar é se a interpretação feita pela Recorrente efetivamente traduz a disposição da lei. Cabe, da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a trazida pela ora Recorrente. Não me parece restar dúvida que o valor resultante da aplicação da “fórmula” descrita pela Recorrente não tem qualquer relação com o denominado preço parâmetro almejado pela lei. As regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.692 18 majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.693 19 VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.694 20 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.695 21 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.696 22 resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. O fato de a margem de lucro fixada pela lei ser tida como elevada, provocando, com isso, efeitos econômicos indesejáveis, a meu ver, não autoriza a Recorrente a buscar, na tentativa de atenuar tais efeitos, formulação de expressão distinta da prevista em lei na determinação do preço de comparação. Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN 243, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. A proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. No que diz respeito a eventuais distorções econômicas decorrentes da aplicação da fórmula trazida pela IN 243, penso que isso decorre da margem de lucro fixa trazida pela lei, motivo pelo qual, como se verá adiante, a legislação superveniente cuidou de flexibilizála segundo a natureza da atividade explorada. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontrase baseada em normas complementares, não autoriza concluir que referida Medida pretendeu, como quer crer a Recorrente, corrigir ilegalidades da IN 243. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, penso que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.697 23 Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563 (Lei nº 12.715), não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012 (Lei nº 12.715), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Esclareço que, aqui, não se está negando que, do ponto de vista econômico, a fórmula estampada na IN 243 traz algumas distorções, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. A Recorrente, por sua vez, ciente de que a margem de lucro fixada pela lei revelouse excessiva e de que a autoridade administrativa julgadora encontrase impedida de atenuar os efeitos decorrentes de tal excessividade, empresta interpretação equivocada na aplicação do método, procurando, por via oblíqua, reduzir o ajuste tributário. Repiso que, relativamente às eventuais distorções econômicas que possam ser geradas a partir da aplicação da metodologia estampada na IN 243, não cabe à autoridade administrativa, no exercício da atividade revisional, pronunciarse sobre tais efeitos, competindo à ela, apenas, verificar se a interpretação retratada na norma complementar guarda absoluta conformidade com o texto da lei. Nesse particular (conformidade com o texto da lei), reitero o entendimento no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. Sou, pois, pela procedência dos ajustes promovidos pela Fiscalização. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.698 24 IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sustenta a Recorrente que os juros de mora sobre a multa de ofício carece de fundamento legal, já que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, em consonância com o art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), é claro ao restringir a incidência do encargo em referência sobre o valor do principal lançado. Relativamente ao juros sobre a multa de ofício, embora tenha me pronunciado em outras ocasiões pela procedência da sua incidência, não com base na taxa selic, mas, sim, com aplicação do percentual de 1% a que alude o parágrafo primeiro do art. 161 do Código Tributário Nacional, em razão de reiterados pronunciamentos desta Corte Administrativa, revi meu posicionamento, de modo que passei a acolher o entendimento de que efetivamente existe lastro legal para que a incidência se dê com base na taxa selic. No que diz respeito à referida matéria (juros sobre a multa de ofício), dentre inúmeros no mesmo sentido, adoto como razões de decidir o pronunciamento do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto nos autos do processo administrativo nº 19515.720343/2012 64 (acórdão nº 1402001.750, sessão de 30 de julho de 2014), que, amparado em manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consignou: [...] Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.699 25 enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.700 26 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3° A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.701 27 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 – SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins,DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Alega a Recorrente que, havendo empate no julgamento, o voto de qualidade deve dar aplicação ao art. 112 do CTN, garantindo que a decisão do Colegiado interprete a legislação de maneira mais favorável ao contribuinte. Entende que, no caso, o voto de qualidade deve sempre acompanhar a posição mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação das penalidades, de modo que, "para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o art. 112 do CTN, torna se mandatório o cancelamento das multas veiculadas no presente Auto de Infração". O requerido pela Recorrente, à evidência, não tem respaldo, nem legal, nem regimental. O voto de qualidade, ou voto de desempate, atribuído pela lei processual vigente aos presidentes das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, das Câmaras e das Turmas Ordinárias do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (§ 9º do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.941, de 2009), não expressa dúvida de qualquer natureza, mas, sim, a ocorrência de EMPATE na colheita de votos. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.702 28 Absolutamente impróprio, portanto, vislumbrar a aplicação das disposições do art. 112 do CTN na circunstância em que, na votação de determinada proposição, seja necessária a prolação do denominado VOTO DE QUALIDADE. Com suporte nas razões antes expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.703 29 Voto Vencedor Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Em que pese o brilhante voto do ilustre relator, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, data máxima vênia, dele ouso divergir no que diz respeito à nulidade do auto de infração por descumprimento, por parte da autoridade lançadora, dos ditames previstos no artigo 20A da Lei 9.430/06. Sustenta o relator, em seu brilhante voto o que se segue: Diferentemente do sustentado na peça recursal, o procedimento trazido pela Lei nº 12.715, de 2012, só é aplicável a partir do ano calendário de 2012, cabendo salientar que "os novos critérios de apuração ou de fiscalização" a que alude o § 1º do artigo 144 do CTN, no qual a contribuinte buscou amparo para sustentar a retroatividade da aplicação da norma em referência, são aqueles que ampliam os poderes de investigação do Fisco ou dão mais garantias ou privilégios ao crédito tributário, de modo que não pode servir de fundamento para a pretensão declinada na peça de defesa. Entendo também que o procedimento reclamado pela Recorrente, quando relacionado à desqualificação de critérios de cálculo, só é aplicável na situação em que tal desqualificação provoca a do método aplicado, eis que o comando normativo é direcionado para a apresentação de novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Diferentemente, sustenta a Recorrente que a autoridade fiscal está obrigada, por força do referido dispositivo legal (artigo 20A da Lei 9.430), a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Diz que, tratandose de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável. Penso que razão assiste à recorrente. O artigo 20A da Lei n° 9.430/96 determina que, caso o método eleito pelo contribuinte ou um de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, o sujeito passivo deverá ser intimado para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, novo cálculo de acordo com outro método previsto na legislação. Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.704 30 § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2o A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. § 3o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. Ao criar para Fiscalização o dever de intimar o contribuinte para apresentar novo método de cálculo, na hipótese em que sejam desqualificados o método adotado ou algum dos seus critérios de cálculo, a norma acima transcrita dispõe sobre o lançamento de ofício, que é procedimento administrativo plenamente vinculado. Ademais, entendo que a norma trazida no bojo do referido artigo 20A tem caráter eminentemente procedimental, dispondo sobre o procedimento a ser adotado pela autoridade lançadora quando, diante de suposta irregularidade, decida por desqualificar o método ou critério de cálculo adotado(s) pelo contribuinte. A meu ver, diante desta hipótese, a autoridade fiscal está obrigada a intimar o contribuinte para que em 30 dias apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Este é o único procedimento possível de ser adotado pela autoridade lançadora, nos estritos termos da lei vigente. Nesse contexto, creio ser de vital importância analisar a disciplina contida no CTN no que tange ao procedimento de lançamento do crédito tributário. Com efeito, o artigo 144 assim dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10980.728065/201311 Acórdão n.º 1301002.051 S1C3T1 Fl. 1.705 31 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. (grifos meus) Considerando que a norma contida no artigo 20A é eminentemente procedimental, disciplinando o processo de fiscalização em matéria de preços de transferência, não há dúvida que a mesma encontrase abarcada pelo comando do art. 144 do CTN. No caso presente, a ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. Diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, decretando a nulidade do lançamento de ofício realizado sem a observância da norma que disciplina o seu procedimento. Sala de Sessões, 08 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Redator Designado Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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