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Numero do processo: 16327.001759/2004-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
TRIBUTAÇÃO DE LUCROS ANTERIORES A 1996. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que pessoa jurídica domiciliada no Brasil tenha auferido lucro, rendimentos e ganhos de capital no exterior, anteriormente a 1º de janeiro de 1996 e/ou os tenha disponibilizados posteriormente a referida data, por força do principio da irretroatividade das leis, bem como, da IN 38/96 que vincula a atividade do Fisco, o Imposto não poderá ser cobrado.
RESERVA LEGAL. DESTINAÇÃO ESPECÍFICA.
O valor da reserva legal não deve compor o lucro da pessoa jurídica no exterior para fins de tributação do lucro supostamente disponibilizado, quando comprovada a existência de obrigação legal para a sua constituição.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE.
A Fiscalização deve abater do Lucro Bruto o valor pago pela pessoa jurídica no exterior a título de imposto, ou seja, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício é correta, pois a multa punitiva constitui a obrigação principal. Destaca-se que tal fato não ocorre da autuação, mas sim, do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento espontâneo do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, no qual se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pauta-se o afirmado pela Súmula CARF nº 4.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL - TRIBUTAÇÃO DE LUCROS APURADOS ANTES DE 01/10/1999. IMPOSSIBILIDADE.
Com o advento da MP 1.858-6, de 29.06.99, por força de seu artigo 19 (21 da MP 2.158-35, de 24.08.2001) foi estendido à CSLL o tratamento de tributação universal para fins de IRPJ previsto nos artigos 25 a 27 da Lei 9.249/95, 15 a 17 da Lei 9.430/96 e art. 1° da Lei 9.532/97. Assim, somente os lucros apurados no exterior a partir de 01/10/1999, data em que a MP n° 1.858-6/99 passou a produzir efeitos, devem ser adicionados ao lucro para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL (quando disponibilizados para a empresa nacional).
Numero da decisão: 1402-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 197.925.098,88 relativo a lucros apurados em períodos anteriores ao ano-calendário de 1996; ii) excluir da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 909.921.258,60; sendo R$ 392.357.162,60 referentes a lucros apurados até 31/12/1998 e R$ 517.564.086,00 referentes a lucros apurados no ano-calendário de 1999 até 01/10/1999; iii) excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 15.978.567,92 referente à Reserva Legal; e: iv) reconhecer que a dedução do imposto pago no exterior (10% de R$ 4.801.334,15 = R$ 480.133,41), já acatada pelo Órgão julgador de primeira instância, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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IMPOSSIBILIDADE. Ainda que pessoa jurídica domiciliada no Brasil tenha auferido lucro, rendimentos e ganhos de capital no exterior, anteriormente a 1º de janeiro de 1996 e/ou os tenha disponibilizados posteriormente a referida data, por força do principio da irretroatividade das leis, bem como, da IN 38/96 que vincula a atividade do Fisco, o Imposto não poderá ser cobrado. RESERVA LEGAL. DESTINAÇÃO ESPECÍFICA. O valor da reserva legal não deve compor o lucro da pessoa jurídica no exterior para fins de tributação do lucro supostamente disponibilizado, quando comprovada a existência de obrigação legal para a sua constituição. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE. A Fiscalização deve abater do Lucro Bruto o valor pago pela pessoa jurídica no exterior a título de imposto, ou seja, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício é correta, pois a multa punitiva constitui a obrigação principal. Destacase que tal fato não ocorre da autuação, mas sim, do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento espontâneo do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, no qual se iniciará o cômputo de juros sobre a multa. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pautase o afirmado pela Súmula CARF nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 59 /2 00 4- 07 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL TRIBUTAÇÃO DE LUCROS APURADOS ANTES DE 01/10/1999. IMPOSSIBILIDADE. Com o advento da MP 1.8586, de 29.06.99, por força de seu artigo 19 (21 da MP 2.15835, de 24.08.2001) foi estendido à CSLL o tratamento de tributação universal para fins de IRPJ previsto nos artigos 25 a 27 da Lei 9.249/95, 15 a 17 da Lei 9.430/96 e art. 1° da Lei 9.532/97. Assim, somente os lucros apurados no exterior a partir de 01/10/1999, data em que a MP n° 1.8586/99 passou a produzir efeitos, devem ser adicionados ao lucro para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL (quando disponibilizados para a empresa nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 197.925.098,88 relativo a lucros apurados em períodos anteriores ao anocalendário de 1996; ii) excluir da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 909.921.258,60; sendo R$ 392.357.162,60 referentes a lucros apurados até 31/12/1998 e R$ 517.564.086,00 referentes a lucros apurados no anocalendário de 1999 até 01/10/1999; iii) excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 15.978.567,92 referente à Reserva Legal; e: iv) reconhecer que a dedução do imposto pago no exterior (10% de R$ 4.801.334,15 = R$ 480.133,41), já acatada pelo Órgão julgador de primeira instância, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 908 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 1999, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 51.910.404,17 (f!s. 24/27 e 28/31). Neste período a Cia Cervejaria Brahma, incorporada pela autuada Cia Brasileira de Bebidas (e esta mais recentemente incorporada pela AMBEV), detinha 96.174.615 ações ordinárias da Jalua S/A, com sede na cidade de Montevideo, Uruguai, equivalendo a 51,255% do total. Em 31/12/1999 transferiu 10% do Capital Social da empresa uruguaia (19.154.154 de ações, no valor de R$ 174.246.389,23), a título de aporte de capital na Eagle Distribuidora de Bebidas S/A, sediada no Brasil. Com o advento da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, a legislação do imposto de renda passou a tributar os lucros auferidos no exterior em seu art. 251, a partir de sua vigência em 01/01/1996. A Lei n° 9.532/97, por sua vez, em seu artigo 1°, previu que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil.2 A questão da disponibilização foi tratada nos parágrafos 1° e 2° do mesmo artigo 1° da Lei, in verbis: "§ 1o Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior; § 2o Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: (...) b) pago o lucro, quando ocorrer: (...) 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior." 1 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. 2 O tema encontravase regulamentado pela instrução normativa SRF n° 38/96. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A recorrente foi então autuada à razão de 10% do lucro obtido no exterior, pois foi esta a proporção da capitalização das ações da empresa sediada no Uruguai (Jalua) na sua subsidiária no Brasil (Eagle). Segundo a fiscalização, tal valor teria sido disponibilizado com base no critério legal do "emprego do valor" contido na legislação acima mencionada. O tema foi objeto de impugnação e posteriormente Recurso Voluntário. Nesta segunda instância o julgamento foi favorável ao contribuinte, mediante o acórdão nº 1103000.246 proferido pelos membros da 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara do CARF, nos seguintes termos: APORTE DE CAPITAL DA CONTROLADA NO BRASIL, PELA CONTROLADORA NO BRASIL, MEDIANTE ENTREGA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA CONTROLADA NO EXTERIOR EMPREGO DE VALOR EM FAVOR DA BENEFICIÁRIA. Emprego do valor, em favor da beneficiária, na forma e no contexto do item "4" da alínea "b" do § 2o do art. I o da Lei 9.532/97, significa: emprego, pela controlada no exterior (investida), ainda que por exercício do poder de controle da controladora no Brasil, do lucro em favor desta. Supor que a entrega do investimento no exterior pela recorrente, em conferência ao capital social de outra controlada da recorrente no Brasil, implique um ato de pagamento pela controlada no exterior significaria além de agredir a dicção legal admitir que a controlada no exterior permanece com a obrigação de pagar (por ato seu) aquilo que já está pago (por ato da controlada no exterior, se pagamento fosse a entrega de investimento). A entrega de participação societária no exterior, pela controladora no Brasil, para aumento de capital de outra controlada sua no Brasil, não é emprego, pela controlada no exterior, de seu lucro em favor da controladora no Brasil.” Tal decisão foi objeto de Recurso Especial da FAZENDA NACIONAL, que por sua vez, resultou na REFORMA do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (fls. 790/801), cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. Nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni). Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 909 5 O Recurso Especial foi provido em parte apenas pelo fato de que o relator do Acórdão do Recurso Voluntário, não examinou todas as questões articuladas pela recorrente, tais como, a exigência da CSLL, em relação aos lucros apurados antes de 01/10/99, a incidência de juros de mora sobre multa de oficio, entre outros, deixando de apreciálas por entender prejudicadas. Para evitar supressão de instância, portanto, a CSRF encaminhou o processo para esta Turma, a fim de examinar os temas remanescentes e sobre isso proferir nova decisão. Incluído o presente processo em pauta de julgamento, na reunião de Maio de 2016, propus que o processo fosse baixado em diligência, para obter esclarecimentos sobre os impostos recolhidos no exterior (Uruguai) que a Recorrente alega serem dedutíveis do auto de infração e eu entendo não serem. Esta turma julgadora, porém, entendeu que o processo já está maduro para julgamento, decidindo que tal providencia seria desnecessária, considerando especialmente que a DRJ já teria se manifestado sobre o tema, favoravelmente ao contribuinte, e o mesmo não foi objeto de Recurso de Ofício em virtude de não ter atingido a alçada mínima. Diante disso, retorna agora o processo para o seu julgamento de mérito. É o Relatório. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O Recurso Voluntário é tempestivo e, por atender os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Diante do retorno dos autos em mesa, buscando no processo os argumentos articulados pelo contribuinte que ainda esperam exame desta Turma Julgadora, identifiquei os seguintes: 1. Que a fiscalização incorreu em manifestos erros na apuração dessa base de cálculo supostamente tributável, pois: (i) teria adicionado, indevidamente, o valor a título de reserva legal; que, embora seja constituída pela apropriação de parte do lucro líquido do exercício, a reserva legal tem destinação específica (dar proteção aos credores), não podendo ser utilizada para qualquer outro fim. Assim, não pode compor o lucro da pessoa jurídica no exterior para fins de tributação do lucro supostamente disponibilizado; (ii) considerou R$ 545.206.409,73 como lucro bruto, quando na verdade deveria ter considerado o lucro do exercício de 1999 no valor de R$ 540.405.075 (fl. 12); 2. Que isso ocorreu porque a fiscalização não abateu do lucro bruto apontado o valor de R$ 4.801.334,15, valor pago pela pessoa jurídica no exterior a título do imposto sobre o patrimônio (art. 7o da Ley 11.073 do Uruguai); que a fiscalização não teria considerado esse imposto pago, pois não se trataria de imposto sobre a renda, mas sim sobre o patrimônio, logo não seria compensável no Brasil; que não há óbice algum para que tal valor seja compensado com o imposto de renda no Brasil, conforme expressamente autoriza o art. 14 da IN SRF n° 213/2002; 3. Que na hipótese do imposto sobre o patrimônio pago no exterior não ser compensável com o imposto de renda devido no Brasil, como sustenta equivocadamente a fiscalização, de qualquer forma tal valor (R$ 4.801.334,15) não pode compor o lucro supostamente disponibilizado para a impugnante, pois representa despesa para a pessoa jurídica no exterior. Dessa forma, esse valor pago a título de imposto no exterior ou é imposto compensável com o imposto de renda devido, devendo ser abatido, ou então é despesa, devendo ser excluído do lucro disponibilizado. De modo que, por uma ou outra razão não pode prevalecer a base de cálculo apontada pela fiscalização; 4. Que, quanto à CSLL, a fiscalização incorreu em mais erros, pois, até o advento da MP n° 1.8586, de 29.06.1999, por falta de previsão legal, a CSLL não incidia sobre os lucros oriundos do exterior, como de resto, claramente explicitado no art. 15 da IN SRF n° 38/96, então em vigor, e o AD n° 75/99; logo, somente os lucros apurados no exterior a partir de 01/10/1999 devem, quando disponibilizados creditados ou pagos para a empresa nacional, ser adicionados ao lucro para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL; 5. Que, sendo assim, a fiscalização deveria ter excluído, para fins de composição do lucro auferido no exterior e para fins de incidência da CSLL, todo o resultado acumulado anterior ao anocalendário 1999 (R$ 392.357.162,60) e, também, quanto ao resultado do exercício de 1999, os lucros apurados até 01/10/99 (R$ 517.564.086,00, conforme Fl. 913DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 910 7 informado à fl. 211). Logo, da impossibilidade da exigência sobre os lucros apurados antes de 01/10/1999; 6. Que não é cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício imposta; 7. Que é imprestável a aplicação da taxa SELIC para efeito de cômputo dos juros de mora, pois extrapola, em muito, o percentual de 1 % previsto no art. 161 do CTN; 8. Que é incabível a redução do estoque dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL como pretendida pela fiscalização às fls. 21 22, porque as exigências em causa seriam improcedentes como já demonstrado acima. 9. Finalmente, que haveria erros de fato no lançamento que teriam acarretado exigência de valor superior ao que seria devido. Isso porque, em primeiro lugar, o valor base da autuação de que partiu a fiscalização inclui resultados apurados desde o início da operação da empresa, anteriores, inclusive, a janeiro de 1996, que jamais poderiam ter sido tributados; em segundo lugar, porque o valor da reserva legal tributada no montante de R$ 15.978.567,92, compreende o valor de R$ 1.134.257,92 que, portanto, foi computado em duplicidade, de modo que o valor tributável seria de R$ 14.835.311,00. Examinando o processo, notei que o primeiro relator designado para examinar o Recurso Voluntário converteu o julgamento em diligência (fls. 596 e segs.), para esclarecer os seguintes fatos: 1. "Se os lucros acumulados nos anos de 1996, 1997 e 1998 corresponderiam a R$ 195.575.332,00; 2. Se o saldo da reserva legal a ser considerado, para evitar a duplicidade de valores antes exposta, deveria ser de R$ 14.835.311,00; ainda, se este também incluiria valores correspondentes a resultados auferidos anteriormente a 1996 e em que montante; 3. Se, comprovado que o saldo da reserva legal efetivamente estaria incluindo valores auferidos anteriormente a 1996, qual seria o saldo da reserva legal acumulado dos anos de 1996, 1997 e 1998. Além disso, irrelevante o mérito que na contenda final se terá, considerando o fato de que no julgamento "a quo" se reconheceu à recorrente a possibilidade de compensação do imposto de renda pago no exterior mas que, efetivamente, não se deu efetiva concretude ao direito reconhecido e, ainda, o princípio da eventualidade, que se possibilite à recorrente o cumprimento dos ditames na legislação para que a referida compensação efetivamente possa se concretizar. (grifei)" A diligência foi realizada, emitiuse o relatório correspondente, a recorrente foi intimada, manifestouse em relação a mesma afirmando que o resultado do procedimento corrobora com suas alegações. Passo então a enfrentar as matérias não analisadas pelo Acórdão 1103 000.246, em estrito atendimento à decisão da CSRF. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Tributação de lucros anteriores a 1996 Conforme comprovado em sede de diligência fiscal (fls. 655) o valor de R$392.357.162,60 de que partiu a fiscalização como resultado acumulado em 31/12/1998 (item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal) inclui resultados apurados desde o início da operação da empresa, anteriores inclusive a 01/01/1996 e não poderiam ser tributados porque a tributação sobre lucros auferidos por controladas ou coligadas no exterior só passou a ter vigência a partir de 1996, por força da Lei n° 9.249/95. No mesmo sentido caminhou a Instrução Normativa n° 38/96, in verbis: "Art. 1° A partir de 1° de janeiro de 1996 os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, serão tributados pelo Imposto sobre a Renda na forma da legislação vigente, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1° Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. (...) Art. 16. As disposições dessa Instrução Normativa não se aplicam em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos antes de 1° de janeiro de 1996, ainda que posteriormente disponibilizados." (grifos nossos) A esse respeito, não bastasse o efeito vinculante da Instrução Normativa referida, como bem destacou a Recorrente, a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já reconheceu que a tributação em bases universais, por ter sido instituída pela Lei n° 9.249/95, não alcança os lucros auferidos em anoscalendário anteriores a 1996. Senão vejamos: "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ANTERIORMENTE À TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. A tributação do lucro no exterior em bases universais apenas foi instituída com a Lei n° 9.249/95, não se podendo tributar os lucros auferidos anteriormente à vigência da lei, ainda que posteriormente disponibilizados. (...) 2) Por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso do contribuinte, para excluir os lucros auferidos até o ano de 1995 do montante lançado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri." Fl. 915DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 911 9 (CSRF 1 a Turma Acórdão n° 9101001.388 Rel. Cons. Karem Jureidini Dias Sessão de 17 de julho de 2012 grifos nossos) Compulsando o relatório de diligencia da fiscalização (fls. 655/656), os lucros acumulados nos anos de 1996 a 1998 de fato correspondem ao valor de R$ 392.357.162,60 (fls 10) deduzido dos valores de R$197.925.098,88. Assim, acolho o argumento de defesa da recorrente nesta questão em específico, para excluir o valor de R$197.925.098,88 da base de cálculo dos tributos lançados, conforme apurado em diligência. CSLL lucros apurados antes de 01/10/1999 A Recorrente argumenta que, até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 29.06.1999, por falta de previsão legal, a CSLL não incidia sobre os lucros oriundos do exterior, o que foi confirmado pelo artigo 15 da Instrução Normativa n° 38/96 então em vigor: "Art. 15 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, não integram a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988". Com o advento da MP 1.8586, de 29.06.99, por força de seu artigo 19 (21 da MP 2.15835, de 24.08.2001) foi estendido à CSLL o tratamento de tributação universal para fins de IRPJ previsto nos artigos 25 a 27 da Lei 9.249/95, 15 a 17 da Lei 9.430/96 e art. 1° da Lei 9.532/97. Como conseqüência, somente os lucros apurados no exterior a partir de 01/10/1999, data em que a MP n° 1.8586/99 passou a produzir efeitos, deveriam ser adicionados ao lucro para efeito de apuração da base de cálculo da CSL (quando disponibilizados para a empresa nacional). Tem razão a Recorrente. Este, aliás, é o entendimento da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. A tributação da CSLL em bases universais para respeitar em sua plenitude o princípio da irretroatividade da lei só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1° de outubro de 1999." (Acórdão n° 9101001.791 Rel. Cons. João Carlos de Lima Júnior Sessão de 17.10.2013) Fl. 916DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Entendo portanto que, por esta razão, deve ser excluído, para fins de composição do lucro auferido no exterior e incidência de CSLL, todo o resultado acumulado inequivocamente apurado antes de 31/12/1998 (R$392.357.162,60 destacado no item anterior), bem como, do resultado de 1999, os lucros apurados antes de 01/10/1999 (R$517.564.086,00 fls. 210/211) Reserva Legal Considerando que no final do anobase de 1999 a empresa Uruguaia Jaluá S/A possuía R$15.978.567,92 a título de reserva legal (fls. 10 dos autos), a fiscalização adicionou referido valor para a composição do suposto lucro (R$ 953.542.140,25). De fato, o artigo 93 da Ley 16.060, do Uruguai, quando trata da reserva legal, estabelece que: "Artículo 93. (Reserva legal y outras) — Las sociedades deberán destinar no menos del 5% (cinco por ciento) de las utilidades netas que arroje el estado de resultado del ejercicio, para la formación de un fondo de reserva hasta alcanzar el 20% (veintepor ciento) del capital social. Cuando esta reserva quede disminuida por cualquier razón, no podrán distribuirse ganancias hasta su reintegro. En cualquer tipo de sociedad podrán constituirse otras reservas siempre que las mismas sean razonables, respondan a una prudente administración y resulten aprobadas por socios o accionistas que representen la mayoria del capital social, sin perjuicio de las convenidas en el contrato." Argui a Recorrente que a "reserva legal" na legislação uruguaia tem a mesma natureza jurídica da reserva legal prevista na legislação societária brasileira, mais especificamente no artigo 193 da Lei n° 6.404/76, tendo por fim assegurar a integridade do capital social. Tal como previsto na legislação brasileira, a legislação uruguaia estabelece que referida reserva é constituída pela destinação de 5% do lucro líquido do exercício, até o montante de 20% do capital social. Alega que, embora seja constituída pela apropriação de parte do lucro líquido do exercício, tal reserva tem destinação específica (dar proteção aos credores), não podendo ser utilizada para qualquer outro fim. Para reforçar seu entendimento, junta precedente da 4a Câmara do extinto 1° Conselho de Contribuintes, que decidiu que o valor da reserva legal deve ser excluído dos lucros da filial de sociedade estrangeira estabelecida no Brasil pois é considerado automaticamente disponibilizado à sua matriz no exterior: Fl. 917DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 912 11 "LUCROS DE PESSOAS JURÍDICAS ESTRANGEIRAS FILIAL NO BRASIL LUCROS APURADOS ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 1995 BASE DE CÁLCULO RESERVA LEGAL EXCLUSÃO A base de cálculo para o imposto de fonte incidente sobre lucros de pessoas jurídicas estrangeiras filial), apurados até 31 de dezembro de 1995, devem corresponder aos resultados econômicos apurados pela entidade no exercício social e que, face à sua disponibilidade efetiva, possam ser pagos, remetidos, creditados, empregados ou entregues à ou por conta da matriz, ou que tenham sido destinados a reinvestimento. Desta forma, não se integram à base de cálculo para a incidência do imposto de renda na fonte os recursos transferidos para a contribuição de reserva legal, dentro do limite estabelecido na Lei das Sociedades Anônimas." (Acórdão n° 10421.893, recurso n° 150.277, Relator Conselheiro Nelson Mallmann). Neste ponto entendo que também assiste razão à Recorrente. Uma vez comprovada a existência de obrigação legal para a sua constituição, o valor da reserva legal não deve compor o lucro da pessoa jurídica no exterior para fins de tributação do lucro supostamente disponibilizado De todo modo, mesmo que fosse possível a adição da reserva legal para efeitos de tributação, o valor adicionado de R$15.978.567,92 compreende valores relativos a resultados auferidos anteriormente ao ano de 1996, de forma que, com base nos mesmos fundamentos do item anterior deste voto ("Tributação de lucros anteriores a 1996"), caso esta turma julgadora não acompanhe meu entendimento acima e decida por manter o valor da reserva de legal no lucro, deve o mesmo ser reduzido do valor de R$8.683.926,77, por imposição das conclusões obtidas em diligência fiscal (fls. 655/656). Imposto pago no exterior Alega a Recorrente que a fiscalização teria incorrido em erro, pois considerou R$545.206.409,73 como Lucro Bruto no anocalendário de 1999, quando na verdade deveria ter considerado, quando muito, o Lucro do Exercício de R$540.405.075,00 (fls. 12). Isso teria ocorrido, segundo a Recorrente, porque a fiscalização não abateu do Lucro Bruto apontado no valor R$4.801.334,15, pago pela pessoa jurídica no exterior a título de imposto. Segundo admite a Recorrente, a decisão da DRJ, nesse particular, reconheceu a procedência da argumentação da Recorrente, nos seguintes termos: "Não obstante, quanto a compensação, o valor do imposto pago no exterior (proporcional ao lucro disponibilizado) poderá ser compensado com o imposto devido no Brasil. Portanto, por ocasião do pagamento do crédito tributário aqui no Brasil, o sujeito passivo poderá compensar com o imposto pago no exterior (art. 13, e §§, da INSRF n° 38/96), verbis:" Fl. 918DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Entende a Recorrente que, uma vez reconhecendo expressamente o seu direito de compensálo com eventual imposto devido no Brasil, este Conselho deveria determinar o refazimento o auto de infração para o fim de excluir a parcela relativa ao imposto pago no exterior. Tem razão a Recorrente. Mesmo entendo que o imposto efetivamente pago no exterior pela Recorrente, salvo melhor juízo, não equivaleria ao nosso Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por se tratar de Imposto sobre Patrimônio cobrado dos contribuintes uruguaios e sem correspondente no Brasil., por outro lado tal discussão resta absolutamente prejudicada pois, como bem observou a Recorrente, a DRJ já reconheceu o seu direito, nos termos da decisão de primeira instância, e esta vitória do Contribuinte não sujeitouse a Recurso de Ofício, possivelmente devido ao não atingimento da alçada mínima para sua propositura. Faço a ressalva para que esta decisão não possa futuramente ser interpretada no sentido de reconhecer a natureza jurídica do imposto sobre patrimônio do Uruguai como imposto sobre a renda. Dito isso, entendo que, se a DRJ reconheceu o direito a compensação a fiscalização não poderia ter incluído tais valores na autuação. Se o entendimento de primeira instancia estivesse correto, o Contribuinte teria que injustamente amargar os juros e a multa sobre este mesmo valor, posto que integram o auto de infração e não seriam compensáveis. Juros sobre Multa de Ofício e Taxa SELIC Finalmente, alega a Recorrente que não é cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício imposta, bem como é imprestável a aplicação da taxa SELIC para efeito de cômputo dos juros de mora, pois extrapola, em muito, o percentual de 1 % previsto no art. 161 do CTN. A respeito do tema, curvome ao entendimento mais recente, consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho e amplamente adotado por esta Turma Julgadora, refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou Fl. 919DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 913 13 obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, Fl. 921DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 914 15 incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Afasto ainda a alegação de ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC. Por todo o exposto, dou PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos da fundamentação para: iv) reconhecer que a dedução do imposto pago no exterior (10% de R$ 4.801.334,15 = R$ 480.133,41), já acatada pelo Órgão julgador de primeira instância, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução. 1) excluir da base de cálculo do IRPJ o valor de R$197.925.098,88 relativo a lucros apurados em períodos anteriores ao anocalendário de 1996; 2) excluir da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 909.921.258,60, sendo R$392.357.162,60 referentes a lucros apurados até 31/12/1998 e R$517.564.086,00 referentes a lucros apurados no anocalendário de 1999 até 01/10/1999. 3) excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$15.978.567,92 referente à Reserva Legal; 4) reconhecer que a dedução do imposto pago no exterior (10% de R$ 4.801.334,15 = R$ 480.133,41), já acatada pelo Órgão julgador de primeira instância, deve se dar diretamente do IRPJ lançado de ofício (e na CSLL residual, se for o caso), exonerando a parcela de multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre tal dedução. É o voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 923DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11065.100826/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 26 /2 00 9- 86 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100826/200986 Acórdão n.º 3301002.855 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 8.487,33, referente a junho de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 16/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100826/200986 Acórdão n.º 3301002.855 S3C3T1 Fl. 12 3 TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100826/200986 Acórdão n.º 3301002.855 S3C3T1 Fl. 13 4 Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100826/200986 Acórdão n.º 3301002.855 S3C3T1 Fl. 14 5 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722195/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2009, ano calendário de 2008, onde foi exigido o montante de R$ 3.020,18 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 22 19 5/ 20 11 -6 3 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10825.722195/201163 Resolução nº 2202000.671 S2C2T2 Fl. 67 2 Na "descrição dos fatos" (fl. 13), narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatou a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.728,10. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou primeiro uma SRL (solicitação de retificação de lançamento – fl. 19), que foi indeferida, e, posteriormente, Impugnação, onde alega ser portador de moléstia grave definida em lei e por isso beneficiário de isenção tributária, e que o problema residiria na questão da não apresentação de Laudo Oficial pericial, não apresentado em tempo à Receita Federal em razão de “burocracia”. Entretanto, naquela ocasião estava juntando tal documento. Ao julgar a manifestação da contribuinte, a DRJ São Paulo I/SP disse que o documento trazido aos autos relacionado à condição de ser portador de moléstia grave era o laudo médico pericial de fl. 04, que, ao informar como a doença se designa, não informava nominalmente nenhuma daquelas que constam no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988. O CID informado no Laudo (I 25) é relativo a “doença isquêmica do coração” e a lista constante da lei é exaustiva. Cientificado dessa decisão em 30/08/2012 (AR na folha 30), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/09/2012 (protocolo na folha 33) onde, em suma, repisa as mesmas alegações da Impugnação e acrescenta que sua moléstia é “cardiopatia grave”, que submeteuse a diversas perícias médicas, que o perito do INSS reconheceu sua condição e o direito à isenção do imposto de renda. Fala da CID 10, que engloba “as doenças isquêmicas do coração” e que a Receita Federal, ao invés de restituirlhe os valores “retidos indevidamente”, estavalhe cobrando “o mesmo tributo” com multa de ofício. REQUER que seja reconhecida a procedência de seu recurso e o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos de aposentadoria, restituindose os valores pagos indevidamente a título do imposto. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Nestes autos, não se discute que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, mas está em litígio a questão da comprovação documental da moléstia, através de laudo médico com os requisitos previstos em lei, e a designação específica da doença, enquadrandoa nos estritos termos legais. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10825.722195/201163 Resolução nº 2202000.671 S2C2T2 Fl. 68 3 Quando à questão de ser o Laudo emitido por serviço médico oficial, observo que o documento de folha 4 é um Laudo Médico Pericial assinado por um perito médico do INSS. Contudo, referindose tal documento a “isquemia miocárdica” e designando a moléstia como “doença isquêmica do coração CID 10: I 25”, entendeu o Julgador de 1ª instância que não era possível interpretar literalmente, conforme artigo 111 do CTN, tratarse da “cardiopatia grave” listada na lei isentiva. Contudo, antes de partir para a solução da controvérsia, observo que não consta dos autos a cópia da DIRF que serviu de base para o lançamento, uma vez que a infração baseiase exatamente na discrepância entre os rendimentos informados nessa declaração apresentada pela fonte pagadora e os rendimentos declarados em DIRPF pelo contribuinte, conforme descrito no relatório. Aliás, não localizei também cópia da DIRPF/2009, ano calendário de 2008, do contribuinte. Por que isso é necessário? Não são todos os rendimentos do contribuinte que são isentos do imposto de renda, apenas aqueles provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. É possível que um contribuinte aposentado pelo INSS continue exercendo atividade laboral e recebendo rendimentos de outras fontes, na condição de rendimento do trabalho assalariado. Segundo, o Laudo médico do INSS expressamente fixa como data de diagnóstico da doença o dia 11/06/2008. Assim, de acordo com o artigo 39, § 5º, do Regulamento do Imposto de Renda, a isenção aplicase aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificado no laudo pericial. Portanto, não são todos os rendimentos do contribuinte, percebidos no ano calendário de 2008, que têm o benefício da isenção, mas apenas aqueles decorrentes da aposentadoria ou seu complemento e recebidos a partir de junho de 2008, não se estendendo àqueles recebidos entre janeiro e maio. Mas não dispondo da cópia das DIRF e da DIRPF do contribuinte, não é possível fazer essa análise, principalmente porque a Notificação de Lançamento referese a uma omissão parcial, tendo o contribuinte declarado em parte os rendimentos recebidos da fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social (R$ 29.752,89, fl. 13) e também verifico no demonstrativo de folha 14, que essa não foi a única fonte de rendimentos do contribuinte em 2008, uma vez que o total dos rendimentos declarados importa em R$ 41.318,69. Assim, há outras fontes? Ao declarar, o contribuinte atentouse para o fato de que a isenção dos rendimentos, de acordo com a lei, só lhe é favorecida a partir de junho de 2008, e não pelo ano todo? O Lançamento já considerou isso? Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade responsável pela autuação providencie a anexação das DIRF com informação dos rendimentos, natureza e período, pagos ao contribuinte no ano de 2008, bem como a cópia da DIRPF/2009, ano calendário de 2008. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 12 /04/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721836/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura.
O art. 113, § 1º, do CTN aduz que A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente.
Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis.
Ressalte-se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.
O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN.
IRPJ - CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA.
O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização.
Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99).
A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II).
MULTA DE OFÍCIO. CONDUTA ACATADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE.
Constatado que o procedimento adotado pelo contribuinte, à época dos fatos geradores, era referendado pelas decisões do CARF, não se pode falar em dolo, e, consequentemente, em fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se, no que couber, ao lançamento da CSLL, quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
Recursos de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência com redução da multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por negar provimento ao recurso de ofício e o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento em menor extensão quanto ao mérito, para restabelecer apenas a exigência referente ao ágio da AES GAS.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressalte-se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. IRPJ - CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II). MULTA DE OFÍCIO. CONDUTA ACATADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que o procedimento adotado pelo contribuinte, à época dos fatos geradores, era referendado pelas decisões do CARF, não se pode falar em dolo, e, consequentemente, em fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se, no que couber, ao lançamento da CSLL, quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Recursos de Ofício Provido em Parte.
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FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. IRPJ CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 36 /2 01 1- 31 Fl. 3410DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.410 2 O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). MULTA DE OFÍCIO. CONDUTA ACATADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que o procedimento adotado pelo contribuinte, à época dos fatos geradores, era referendado pelas decisões do CARF, não se pode falar em dolo, e, consequentemente, em fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. TRIBUTOS DECORRENTES. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, ao lançamento da CSLL, quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Recursos de Ofício Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência com redução da multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por negar provimento ao recurso de ofício e o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento em menor extensão quanto ao mérito, para restabelecer apenas a exigência referente ao ágio da AES GAS. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior. Fl. 3411DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.411 3 Relatório Tratase de autos de infração pelos quais foram lançados créditos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o LucroLíquido CSLL referentes aos anoscalendário de 2006 a 2008. Segundo a autoridade fiscal, a empresa autuada teria deduzido indevidamente despesas de amortização de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Concluiu a autoridade fiscal autuante que contribuinte teria burlado o cumprimento do requisito legal à dedutibilidade do ágio por meio de operações artificiais. Tendo sido caracterizado o evidente intuito de fraude, aplicouse a multa qualificada de 150%. Devidamente cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação na qual, em resumo, elencou as seguintes razões: decadência; validade das operações de reorganização societária realizadas; e inexistência de simulação ou abuso de direito. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua procedente, cancelando integralmente o crédito tributário constituído de ofício. Eis a ementa de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PRIVATIZAÇÃO. ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. “EMPRESA VEÍCULO”. PUBLICIDADE DOS ATOS, SEU REGISTRO E AVAL EM ÓRGÃOS PÚBLICOS. CONFORMIDADE À LEI E INSTRUMENTOS NORMATIVOS DE INFERIOR HIERARQUIA. PREENCHIMENTO D’UM PROPÓSITO GOVERNAMENTAL D’UMA ÉPOCA (DESESTATIZAÇÃO). NÃO COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO CONDUCENTE À SIMULAÇÃO. IMPROPRIEDADE DO MANEJO DA FIGURA DO ABUSO DE DIREITO. RECONHECIMENTO DO APROVEITAMENTO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. Na ambiência das privatizações, considerada a respectiva formação de ágio, assim pago por interessado investidor que, para tanto, se valeu da tomada de empréstimos junto a órgãos públicos e/ou a seus pares no negócio, transferida a participação societária assim adquirida (mais o correspectivo ágio) para terceiro (empresa veículo), com o cuidado de livrar dito direito (participação societária mais ágio) da dívida de raiz que viabilizou a operação inicial (participação no leilão de privatização ou aquisição posterior junto aos primeiros adquirentes), isso tudo à vista de todos (sócios, acionistas, Jucesp, CVM, ANEEL), segundo o vetor indutor de explícita e forte política governamental de orientação privatizante, assim balizada em Lei (Lei nº 9.532, de 1997) e normativos infralegais (Instrução CVM nº 319, de 1999), vindo enfim a investida a incorporar aqueles terceiros em que aportada a participação societária mais ágio livres de ônus (ainda que, em essência, ações de si própria), não há como ver na espécie seja a hipótese de simulação, seja a de abuso de Fl. 3412DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.412 4 direito. Nessa ordem de ideias, sim, é admissível o aproveitamento da amortização do dito ágio para efeito de redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Em razão do valor dos tributos e multa exonerada ter superado R$ 1.000.000,00, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 3370 3399 requerendo o provimento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 3413DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.413 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O Presidente da 1ª Turma da DRJ em em São Paulo I – DRJ/SP1 recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 1645.266 julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Preenchidos os requisitos legais, conheço, portanto, do recurso de ofício. 2 PRELIMINAR DE MÉRITO DECADÊNCIA Em sua impugnação o contribuinte alega que, como a amortização do ágio se iniciou no ano de 2000, em face da incorporação da AES GÁS pela AES TIETE S.A., o direito do Fisco de questionar tal “mais valia” teria sido extinto pela decadência em 31/12/2005. Não lhe assiste razão. O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não Fl. 3414DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.414 6 resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Considerandose que a exigência diz respeito a fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2006, e a ciência do lançamento se deu em 22 de novembro de 2011, portanto, em período inferior a cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, não há que se falar em decadência. Nesse cenário, voto por rejeitar a arguição de decadência cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da formação dos ágios, e não de sua efetiva amortização. 4 DA AMORTIZAÇÃO DOS ÁGIOS Antes de adentrar ao mérito das amortizações de ágio contestadas pelo Fisco, valhome do breve histórico das operações muito bem sintetizado pela PFN em suas contrarrazões: De antemão destacase que o ágio em discussão decorreu de duas aquisições distintas das ações COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETE (cuja denominação foi posteriormente alterada para AES TIETE S.A.) pelo Grupo AES. 27/10/1999 – durante a “privatização do setor elétrico”, a empresa AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS LTDA (AES EMPREENDIMENTOS), do grupo americano AES, adquire o controle acionário da empresa COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ, que passa a se denominar AES TIETÊ S.A., pelo valor de R$ 938 milhões. Em face dessa aquisição a AES EMPREENDIMENTOS registra um ágio de R$ 808 milhões. 24/03/2000 – a AES EMPREENDIMENTOS aumenta e integraliza o capital da empresa AES GÁS EMPREENDIMENTOS LTDA (AES GÁS) com o controle acionário da empresa AES TIETÊ S.A. Em decorrência dessa operação, a AES GÁS passa a registrar o ágio de R$ 808 milhões. 30/03/2000 – a AES TIETÊ S.A. incorpora a AES GÁS, absorve o ágio pago pelas suas próprias ações no valor de R$ 808 milhões, e passa a amortizálo e deduzilo fiscalmente. Tal operação recebeu a chancela da ANEEL somente em 19/12/2000. ainda durante o ano de 2000 – ainda em decorrência da chamada “privatização do setor elétrico”, o Grupo AES adquire, por meio de uma Oferta Pública para Aquisição de Ações (OPA), 4,98% das ações da COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ do Clube de Investimento I E C C SP CESP C TIETE pelo valor de R$ 96 milhões. Tal aquisição foi realizada por meio da empresa AES TIETÊ PARTICIPAÇÕES LTDA (AES PARTICIPAÇÕES), a qual registrou um ágio no valor de R$ 82 milhões, contudo, os recursos Fl. 3415DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.415 7 utilizados foram todos enviados pela empresa estrangeira AES IHB CAYMAN LTD (AES IHB). 28/09/2007 – o patrimônio da AES PARTICIPAÇÕES é cindido e absorvido pelas empresas COMPANHIA BRASILIA DE ENERGIA (empresa que nesse mesmo ano havia incorporado a AES EMPREENDIMENTOS em face da renegociação da dívida das empresas do grupo no Brasil com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES) e AES TIETÊ S.A. A AES TIETÊ S.A. absorve os 4,98% de sua participação acionária, o correspondente ágio no valor de 82 milhões, e passa a amortizálo e deduzilo fiscalmente. Para amortização do ágio, conforme vem se decidindo nesta turma, diversas premissas necessitam ser cumpridas. Em diversas situações como as ora tratadas, há citações de que esta Egrégia Turma teria firmado entendimento no sentido de que a amortização do ágio pago com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com fulcro no art. 7º, inciso III da Lei nº 9.532/97, deveria atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Contudo, desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, alterou seu posicionamento. Fixouse o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação/extinção de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Reproduzo, assim, alguns dos argumentos por mim entabulados em tal voto (acórdão nº 1402001.460): Não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Amortização do Ágio ou Deságio Fl. 3416DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.416 8 Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.417 9 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Saliento ainda que a tese de que os artigos 7º e 8º Lei nº 9.532/97 trouxeram um benefício fiscal relativo à amortização do ágio não prospera. A esse respeito, reproduzo excerto do voto do i. Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no bojo do acórdão 1102 000.873: A profunda alteração levada a efeito pela Lei no 9.532/97 consiste no seguinte: antes dela (na vigência do art. 34 do DecretoLei no 1.598/77), era absolutamente irrelevante (nos casos de incorporação, fusão ou cisão) o fundamento no qual baseavase o anterior registro do ágio ou deságio. Bastaria à pessoa jurídica avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio. Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.418 10 imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente anti elisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Este ponto merece ser melhor explicitado, visto que há muitos juristas e doutrinadores — quiçá a maioria, até — que tratam os referidos artigos 7o e 8o como um incentivo fiscal às privatizações. Contudo, o entendimento aqui exposto não é isolado, e, neste sentido, transcrevo excerto de manifestação de Luís Eduardo Schoueri em recente livro1 a respeito do tema: “Muitos acreditam que a referida lei constituiu incentivo fiscal às privatizações. Neste sentido é o entendimento de Roberto Quiroga Mosquera e Rodrigo de Freitas, quando estes assinalam que o tratamento fiscal conferido ao ágio pela Lei no 9.532/1997 ‘foi estabelecido no contexto de incentivo às privatizações, em que o Estado brasileiro tinha interesse em oferecer condições vantajosas aos adquirentes e, com isso, conseguir melhores preços’. O mesmo raciocínio pode ser visto em Marcel e Michel Gulin Melhem, segundo os quais uma (e talvez a principal) das razões para a criação das normas sobre dedutibilidade do ágio na incorporação teria sido o incentivo ao “então chamado Programa Nacional de Desestatização, tornando as empresas estatais mais atraentes aos investidores privados, uma vez que o ágio eventualmente pago nos leilões de privatização poderia ser deduzido fiscalmente”. É, ainda, o mesmo entendimento de João Dácio Rolim e de Frederico de Almeida Fonseca, para quem um dos 1 SCHOUERI, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 6668. Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.419 11 motivos para o tratamento dado ao ágio pela Lei no 9.532/1997 “foi o de fomentar o chamado ‘Programa Nacional de Desestatização do Governo Federal’”. Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse intuito de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipótesese em que fossem acarretados efeitos econômicotributários que os justificassem. Segundo as palavras utilizadas à época pelo Poder Executivo para justificar a introdução de disciplina diferenciada para o ágio conforme sua fundamentação, houve a necessidade de se coibir planejamentos tributários consistentes na aquisição com ágio de empresas deficitárias e posterior incorporação que fizesse com que o ágio fosse deduzido na empresa lucrativa. Como antigamente não havia qualquer coerência e consistência para a dedução do ágio, a falta de regulamentação específica estava sendo utilizada para distorcer a lógica do sistema, o que gerou motivação suficiente para que o legislador barrasse esses artifícios prejudiciais à completude do ordenamento jurídico.” Ainda que possa não ser o entendimento dominante, também no CARF se encontram manifestações no mesmo sentido do quanto exposto no presente voto. Peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão no 10195.786, de 18 de outubro de 2006, à época acompanhado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Antigamente, o Decreto 1.598/77, em seu artigo 34, atual artigo 430 do RIR/99 (...) Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda, certo que alguns contribuintes, fortes na avaliação apenas de bens tangíveis e ignorando a valorização de intangíveis, registravam perdas quase pela totalidade do ágio pago na aquisição. E isso em operações muitas das vezes instantâneas. (...) A motivação para a nova regra teve caráter antielisivo, conforme a exposição de motivos ao artigo 8° da MP 1.602/97, convertido no artigo 7° da Lei 9.532/97, verbis: (...) A única conclusão possível, portanto, é que a nova regulamentação, além de tomar despicienda qualquer avaliação de acerco líquido quando existente ágio ou deságio, criou prazo mínimo para a amortização, no caso 5 anos, como forma de evitar o Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.420 12 ganho fiscal imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento a um só tempo da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido. No entanto, não há na norma qualquer permissão para que tal efeito represente um ajuste ao lucro líquido, mediante exclusão no LALUR. O fato é contábil, representativo do controle na escrituração da amortização do ágio após a incorporação. Como bem observou a decisão recorrida, apenas se a amortização ultimarse em período anterior a cinco anos, haverá necessidade de ajustes por adição e exclusão, para respeito ao prazo mínimo definido na norma.” O entendimento, data vênia equivocado, de que o referido artigo veicularia incentivo fiscal foi tão veemente e reiteradamente alardeado, que na própria Câmara de Deputados foi debatido um projeto de lei visando à revogação do “benefício fiscal” previsto no inciso III do artigo 7o (que trata da amortização do ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros). De fato, o então Deputado Valdemar Costa Neto apresentou o Projeto de Lei n° 2.922A, de 2000, por meio do qual propunha, em seu artigo 1°, a revogação do inciso III do art. 7o da Lei n° 9.532/97, ao argumento de ser “completamente absurdo o beneficio fiscal que ela concedeu as empresas vencedoras dos leilões de privatização de empresas estatais”. Ainda, posteriormente, foi apresentada emenda, pelo Deputado Luiz Antonio Fleury, a este projeto de lei, propondo a supressão da revogação antes proposta, na qual, mais uma vez, deuse ao referido artigo a conotação de incentivo fiscal, verbis: “Inclusive, a forma de contabilização atualmente prevista no inciso III do art. 7o da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, representou um incentivo para que as empresas privadas participassem dos programas de desestatização. Neste sentido, podemos até dizer que um dos principais incentivos apresentados pelos processos de privatização está inserido na seara fiscal, eis a razão pela qual o beneficio fiscal do inciso III do art. 7o da Lei n° 9.532, de 1997, se faz necessário.” O Relator da matéria na Comissão de Finanças e Tributação, Deputado Antonio Cambraia, em seu voto, acolheu integralmente as ponderações apresentadas pela emenda supressiva, ressaltando que, por meio do artigo da Lei n° 9.532/97 em questão, “estimulase o investimento em outras empresas e a reorganização societária, tão importantes num contexto de baixo crescimento econômico do pais”. O Projeto de Lei n° 2.922A foi rejeitado, no mérito, por unanimidade, tendo sido arquivado em 02/12/2004, consoante informações obtidas em www.camara.gov.br. O entendimento de que se trata de um incentivo fiscal tem permeado as mais recentes decisões do CARF a respeito do tema. Neste Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.421 13 contexto foram proferidos diversos dos acórdãos citados pela recorrente em sede de recurso e memoriais apresentados, bastando a tanto citar o Acórdão no 1301000.711 (Tele Norte Leste, de relatoria do ilustre Conselheiro Valmir Sandri) e o Acórdão no 1402000.802 (Banco Santander, de relatoria do ilustre Conselheiro Antônio José Praga de Souza). Transcrevo abaixo breve excerto do Acórdão no 1301 000.711: “Na verdade, o Programa Nacional de Desestatização, juntamente com as regras atinentes à dedutibilidade do ágio fizeram parte de todo um contexto para a formulação dos preços ofertados nos leilões de privatização e para as sucessivas reorganizações societárias realizadas pelas empresas objeto da desestatização, servindo como atrativo e motivo para o aumento substancial dos valores auferidos pelo Governo com a privatização. Noutro giro, a dedutibilidade do ágio e a possibilidade de a empresa realizar a reorganização societária para o seu aproveitamento fez parte do pacote de condições ofertadas às empresas que participaram das privatizações, tendo, todas elas, conforme pesquisa na internet, adotado a política incentivada acima.” Não me sensibilizam, contudo, os argumentos expendidos neste sentido. Identifico nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97 tão somente uma nova normatização atinente ao registro e amortização do ágio — a propósito, sem sombra de dúvidas, mais restritiva que a anterior. Além disto, não há nenhum elemento na Lei n° 9.532/97 que expressamente a vincule ao Programa Nacional de Desestatização. Pelo contrário, suas regras são válidas para todo e qualquer evento de fusão, incorporação ou cisão que implique a extinção de participação societária anteriormente adquirida com ágio. Outro ponto merece ainda análise: a utilização de empresa veículo para transferência de tal ágio. Novamente valhome da fundamentação por mim utilizada no voto condutor do acórdão 1402001.460: Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.422 14 de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco2: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.423 15 Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.3 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. 3 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.424 16 O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar do pagamento dos tributos. O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.425 17 seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 4 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 5 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 6 (grifo nosso) Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 7. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.8 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: 4 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. 5 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.426 18 [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 9 (grifo nosso) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.427 19 No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. Greco10 trata o tema com a maestria peculiar: Operação Estruturada em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462) Uso de Sociedades [...] o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquirido. (vide a importância que o Código Civil dá à noção de empresa – artigos 966 e segs.). (p. 468/469) Conduit companies A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criadas apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (p. 470) [...] Salientase que sem a utilização das denominadas “empresas veículo” não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se as 10 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462476. Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.428 20 “empresas veículos” efetivamente operavam, ou se suas existências foram efêmeras. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada. Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no caso concreto, pois as operações perpetradas pela Recorrente foram estruturadas em sequência . Ou seja, utilizouse de sociedades de passagem a fim de que a mais valia na aquisição de ações contabilizada como ágio e que deveria compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital , após imediata incorporação reversa, se transformasse em despesa dedutível na Recorrente.11 Por esses motivos, nego provimento ao recurso quanto a amortização dos ágios mediante utilização de empresas veículo. [...] Por fim, é imperioso esclarecer que a autuação baseiase exclusivamente nos passos intermediários da reorganização societária e dos seus efeitos tributários. Não se contestam, pois, os demais aspectos da reorganização, bem como suas consequências em outras searas. Tecidas as observações pertinentes, peço vênia a Marco Aurélio Greco para tomar como minhas suas conclusões, que muito se encaixam no fechamento do meu entendimento sobre o caso, em especial o conflito entre livre iniciativa e solidariedade: Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 12 11 Novamente, a menção à incorporação reversa naquele caso não impede a adoção das mesmas conclusões nos presentes autos. 12 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.429 21 A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, que talvez nunca seja alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Deuse, assim, a denominada “transferência de ágio”, hipótese não prevista em lei, uma vez que somente ao adquirente do investimento com mais valia cabe o direito à amortização do ágio, ou, em caso de incorporação reversa, à investida, desde que haja confusão patrimonial com a real adquirente do investimento. Corroborando com tal entendimento, colaciono o decidido no Acórdão nº 130200.834, de relatoria do i. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, o qual, em hipótese análoga à analisada nos presentes autos, firmou entendimento sobre a impossibilidade de transferência do ágio de uma empresa para outra: Ementa: [...] ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida. (...) Voto condutor [...] Alinho‑me, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. (...) Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. [grifos nossos] Uma vez esclarecido meu entendimento sobre o tema, passo a analisar o ocorrido no caso concreto. 4.1 ÁGIO AES GÁS No que diz respeito à amortização do ágio de R$ 808 milhões, conforme já descrito acima, o surgimento da mais valia originouse da aquisição das ações da COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ (posteriormente AES TIETE, sujeito passivo do lançamento) pela AES EMPREENDIMENTOS no bojo da denominada “privatização do setor elétrico”. Não há dúvidas de que o ágio em que questão foi efetivamente pago por AES EMPREENDIMENTOS. Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.430 22 Contudo, após essa aquisição constatase que o ágio foi transferido para AES GÁS. Naquele momento, quem passou a deter as ações de AES TIETE, juntamente com o ágio referente à aquisição, foi AES GÁS. Ato contínuo, AES GÁS foi incorporada reversamente por AES TIETE, permitindo a partir daí, no entender da autuada, a dedutibilidade da amortização desse ágio. Segundo a autoridade fiscal autuante AES GÁS não desempenhou qualquer atividade de forma comprovada, concluindo, a partir das DIPJs apresentadas que tal empresa [...] nunca exerceu qualquer tipo de atividade relevante, permanecendo praticamente inativa durante toda sua curta existência. Não foram apresentados quaisquer livros ou documentos dessa empresa pelo contribuinte, tendo sido alegado que a referida empresa não apresentou movimento até o ano 2000. AES GAS, tratase, na realidade de mera empresa veículo, como consta explicitamente inclusive nas Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis da autuada. Analisando a reestruturação societária levada a efeito pela autada, é fácil constatar que não houve confusão patrimonial entre o adquirente das ações (AES EMPREENDIMENTOS) e a (AES TIETE), sendo utilizado a empresa veículo AES GÁS para transferência do investimento original, e o respectivo ágio, sendo realizada operação de incorporação reversa entre AES GÁS e AES TIETE, ora autuada. Visto por outro prisma: investidora (AES EMPREENDIMENTOS) e investida (AES TIETE) permaneceram existentes, tendo sido utilizada a interposição de empresa veículo (AES GÁS) com o único intuito de, artificialmente, buscarse a amortização de ágio por suposta extinção do investimento. A operação de transferência do ágio para AES GÁS, e sua incorporação por AES TIETE, durou exattos seis dias (entre 24/03/2000 e 30/03/2000) restando evidente a efemeridade das operações realizadas em sequência com o único propósito de reduzir, artificialmente, a carga tributária incidente sobre os resultados de AES TIETE. Por essas razões, voto por prover o recurso de ofício nesse ponto, restabelecendo a exigência correspondente. 4.2 ÁGIO AES PARTICIPAÇÕES O ágio de R$ 82 milhões decorrente da aquisição dos 4,98% das ações da COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ (posteriormente AES TIETE, ora autuada) por AES PARTICIPAÇÕES. Em princípio, vêse que como houve incorporação de AES PARTICIPAÇÕES por AES TIETE, restarseia cumprida a exigência legal contido nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.431 23 Contudo, há um passo anterior à aquisição realizada por AES PARTICIPAÇÕES que necessita ser melhor analisada. AES PARTICIPAÇÕES foi constituída momentos antes da aquisição dos 4,98% das ações da COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ. Ocorre que os recursos utilizados na aquisição dessa participação acionária foram remetidos pela empresa estrangeira AES IHB, que à época também era controlada pela AES EMPREENDIMENTOS (holding do Grupo AES no Brasil). Conforme salienta a autoridade fiscal autuante, o contrato de opção de compra foi assinado por Andréa Cristina Rushmann, à época, sócia administradora de TIETE Participações (posteriormente convertida em AES PARTICIPAÇÕES) e também diretora de AES TIETE (autuada). Convém transcrever excerto do Termo de Verificação Fiscal: Observase [...] que as decisões de compra do lote de ações do contribuinte representativo de 4,98% de seu capital foram tomadas por uma diretora do contribuinte, e que o capital necessário para a compra originouse de uma empresa do GRUPO AES sediadas nas Ilhas Cayman (AES IHG), e o empréstimo teve a ciência e a garantia da AES TIETE EMPREENDIMENTOS LTDA, controladora do contribuinte e líder das operações do Grupo AES no Brasil, e controladora da própria AES IHB Cayman Ltd. A empresa Tiete Participações Ltda, posteriormente denominada AES Tiete Participações S/A, não tinha na época, e nunca teve, autonomia administrativa, sendo sua administração sempre exercida por diretores do contribuinte, e nunca dispôs de capital próprio para efetuar a compra do lote de ações do contribuinte aqui tratado, tendo recebido aporte de recursos do exterior com aval da AES Tiete Empreendimentos Ltda oriundo de empresa estrangeira por esta controlada, para poder honrar a operação de aquisição de participação societária. A autoridade fiscal analisou as demonstrações contábeis do período concluindo que todas as receitas e despesas contabilizadas por AES PARTICIPAÇÕES diziam respeito única e exclusivamente à aquisição das ações da autuada (juros sobre capital próprio, resultados positivos da participação societária, receita de aplicações financeiras obtidas a partir dos recursos oriundos da autuada, amortização de ágio não dedutível decorrente da mesma aquisição de participação societária, variações cambiais dos empréstimos obtidos para aquisição do investimento e resultados negativos dessas mesmas participações societárias). Segundo o Termo de Verificação Fiscal: [...] a empresa Tiete Participações S/A tem sua existência diretamente ligada à aquisição da participação de 4,98% do capital total do contribuinte, tendo sido criada pouco antes dessa operação, recebido empréstimo externo de pessoas ligadas em montante incompatível com seu capital social apenas para realizar a compra das ações, e movimentado aplicações financeiras com os recursos resultantes de lucros e juros sobre o capital próprio distribuídos pelo contribuinte. Pelos fatos analisados, verificase que a AES Participações S/A foi, desde sua criação, “empresa veículo” utilizada pelo Grupo AES para realizar a aquisição da parcela de 4,98% do capital total do contribuinte. Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.432 24 Essa condição da AES Tiete Participações S/A de “empresa veículo” foi ainda ressaltada pela operação de cisão parcial que antecedeu sua incorporação pelo contribuinte, pois nessa cisão a empresa foi dividida, transferindo para a Companhia Brasiliana de Energia todos os ativos financeiros, e restando no patrimônio da AES Tiete Participações S/A tão somente a participação societária correspondente a 4,98% do capital total do contribuinte, e o ágio originado na aquisição dessa participação societária. Vale destacar que, ainda que tenha agido como “empresa veículo” desde sua criação, a AES Tiete Participações S/A poderia ter sido diretamente incorporada pela Companhia Brasiliana de Energia, caso o objetivo da reorganização societária fosse efetivamente buscar ganhos administrativos e operacionais como alegado. Todavia, o que ocorreu foi a cisão parcial da AES Tiete Participações S/A, preparandoa para a “incorporação reversa” que seguiria. [...] Com isso, a função da AES Tiete Participações S/A de “empresa veículo” nessa operação estruturada fica clara, tendo a operação estruturada se originado na realidade em 2000 quando da aquisição da parcela de 4,98% do capital total do contribuinte e culminando com a incorporação da AES Tiete Participações S/A pelo contribuinte após sua cisão parcial. A cisão tem justamente o objetivo de segregar do patrimônio da AES Tiete Participações S/A apenas a parcela de 4,98% do capital total do contribuinte, e permitir a absorção, pelo contribuinte, do ágio na aquisição dessas ações, bem como, através da posterior incorporação, “burlar” a vedação legal à apropriação como despesa da amortização desse ágio. Se a intenção fosse outra que não o mero auferimento de benefício tributário, desnecessária seria a cisão parcial, e a incorporação da AES TIETE PARTICIPAÇÕES S/A poderia ter sido feita diretamente pela Companhia Brasiliana de Energia, o que atenderia integralmente o objetivo da operações expresso nos protocolos de intenções. Nesse cenário, constatase que AES PARTICIPAÇÕES não foi a real adquirente dessas ações, mas sim AES IHB (em face da relação de controle, em última instância, a própria AES EMPREENDIMENTOS, à época, já controladora de AES TIETE). Tratase de situação muito semelhante à analisada por este colegiado na sessão de 19 de janeiro de 2016, na qual, por meio do acórdão 1402002.090 (Caso “Cosan”), entendeuse que a interposição de empresa de passagem entre a real adquirente e a investida não dão guarida à amortização do ágio após a incorporação de tal empresa veículo pela própria investida. Portanto, entendo restar comprovado que o Grupo AES não cumpriu o requisito legal para a dedutibilidade do ágio. Isso porque AES PARTICIPAÇÕES não foi a real adquirente dos 4,98% das ações da AES TIETE S.A., e, como consequência, a confusão patrimonial entre essas empresas não autoriza a dedutibilidade da correspondente “mais valia”. Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.433 25 Isso porque AES PARTICIPAÇÕES não foi a real adquirente dos 4,98% das ações da AES TIETE S.A., e, como consequência, a confusão patrimonial ocorrida entre AES PARTICIPAÇÕES e a autuada não autoriza a dedutibilidade do ágio em questão. Por fim, para que os ágios das duas operações pudessem ser amortizados, AES TIETE S.A. deveria ter incorporado a AES EMPREENDIMENTOS e a AES IHB, ou vice versa, aliás, como muito bem destacado pela autoridade autuante em seu Termo de Verificação Fiscal. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso de ofício também nesse ponto, restabelecendo o crédito tributário correspondente. 5 MULTA DE OFÍCIO No que diz respeito à penalidade, o lançamento foi realizado com multa de 150%. Analisando o caso, entendo não restar caracterizado o dolo a justificar a exasperação da penalidade. À época em que os atos contestados foram praticados a jurisprudência do CARF agasalhava o procedimento adotado pela RECORRENTE. A própria decisão recorrida cita o acórdão 1301000.711, julgado na sessão de 20 de novembro de 2011, que deu provimento a recurso voluntário, por unanimidade, em situação muito similar à tratada nos presentes autos. O próprio fato de estarmos analisando um recurso de ofício em razão do provimento integral à impugnação já na primeira instância de julgamento, denota que há forte corrente que entende que sequer há infração no caso concreto. Esta própria turma julgadora, ainda que em composição bem distinta da atual, em situações idênticas ao presente caso, não só não mantinha a multa qualificada como considerava legitimas operações como as perpetradas pela RECORRENTE, cancelando integralmente os respectivos créditos tributários (por exemplo, Acórdão 140200.802 – Caso Santander). Somente no julgamento do Caso Bunge – Acórdão 1402001.460, realizado na sessão de 08/10/2013, esta turma passou a incluir nova premissa para amortização do ágio (necessidade de extinção do investimento), não aceitando a interposição de “empresa veículo” para aquisição do investimento e posterior incorporação reversa a fim, de que, de modo artificial, se pudesse deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o ágio efetivamente pago em razão de rentabilidade futura. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721836/201131 Acórdão n.º 1402002.183 S1C4T2 Fl. 3.434 26 Saliento que não se trata da hipótese de ágio inexistente, como nos casos de “ágio interno”, mas sim de ágio efetivamente pago e de uma interpretação da legislação, ainda que equivocada, aceita, inclusive, por boa parte da doutrina. Nesse cenário, considero não restar caracterizada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%. 6 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício, restabelecendo parcialmente o crédito tributário constituído, reduzindo a multa aplicada para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.722229/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando as alegadas omissão, obscuridade e contradição, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1301-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães..
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando as alegadas omissão, obscuridade e contradição, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães..
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 6.423 1 6.422 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722229/201279 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.046 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2016 Matéria Decadência Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado WHIRLPOLL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando as alegadas omissão, obscuridade e contradição, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos para, no mérito, NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 29 /2 01 2- 79 Fl. 6423DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.424 2 Tratase de embargos declaratórios (fls. 6306/6334) opostos pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face do Acórdão nº 1301001.702, de 15/11/2014 (fls. 6264/6282), o qual deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. O aresto recorrido restou assim ementado (grifos no original): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 Imposto de renda de Pessoa Jurídica IRPJ NULIDADE DA DECISÃO INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR AQUISIÇÃO DA DISPONIBILIDADE DA RENDA O conceito de disponibilidade está vinculado à possibilidade de poder empregar, aproveitar, servirse, utilizarse, lançar mão, usar. A aquisição de disponibilidade de renda deve ser entendida como aquisição de renda que pode ser empregada, aproveitada, utilizada. A decisão definitiva que reconhece o direito da pessoa jurídica a crédito prêmio a ser utilizado para dedução do valor do IPI em suas operações no mercado interno e, havendo excedente de crédito, utilização mediante compensação para pagamento de outros tributos federais e, havendo excedente após essas compensações, pagamento mediante precatório, configura efetiva disponibilidade econômica ou jurídica do valor integral da condenação, pois na data em que se configura como definitiva a decisão judicial, a autora poderia aproveitar/utilizar a totalidade do crédito prêmio a que a União foi condenada a reconhecer em seu favor. IRPJ DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E JURÍDICA DE RENDA MOMENTO DO FATO GERADOR Para efeito de apuração do fato gerador do imposto de renda, o art. 43 do CTN adota como princípio o da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, independentemente da disponibilidade financeira, ao consagrar como regra, salvo exceções expressas, o registro e a apuração dos resultados pelo regime de competência, desvinculado do efetivo ingresso ou dispêndio do caixa da pessoa jurídica. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE – Aplicase no que couber, no processo decorrente, a mesma decisão do processo principal, quando não houver fatos ou argumentos ha ensejar decisão diversa. Fl. 6424DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.425 3 Ao final, o acórdão foi redigido como segue: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. O Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes votou pelas conclusões e apresentará declaração de voto. Fizeram sustentação o Procurador da Fazenda Nacional Cláudio Xavier Seefelder Filho e o advogado Giancarlo Chamma Matarazzo. OAB/SP nº 163.252 O processo foi encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN – em 12/05/2015 (despacho de encaminhamento à fl. 6305). Em 26/05/2015 foram opostos os presentes embargos de declaração (despacho de encaminhamento à fl. 6359). Mediante sorteio, o processo foi distribuído a este Conselheiro para análise de admissibilidade dos embargos, nos termos da Portaria CARF nº 34/2015, art. 5º, inciso II, alínea “b”. À fl. 6414 encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente desta 1ª Turma Ordinária concordou com a proposta deste Conselheiro no sentido de que os embargos fosse admitidos e submetidos à apreciação do Colegiado. Nos embargos, após historiar, sob sua ótica, o acórdão embargado, inclusive a declaração de voto, a embargante conclui que o entendimento do Colegiado foi de que “ocorreu a decadência uma vez que no regime de competência, a embargada adquiriu a ‘disponibilidade efetiva’ sobre o total da condenação ainda no processo de conhecimento (inclusive ação rescisória), uma vez que houve uma decisão definitiva em seu favor que reconheceu o seu direito ao créditoprêmio de IPI”. Sustenta, então, que o acórdão embargado teria sido obscuro, omisso e contraditório, além de partir de premissa equivocada. A alegada omissão residiria na falta de abordagem dos processos judiciais, especialmente no que tange à liquidação por artigos, sua complexidade, valores envolvidos, volume absurdo de documentos e o comando contido na decisão exarada na liquidação por artigos. Acrescenta que: Em resumo, fundouse o acórdão embargado na premissa de que com a suposta “disponibilidade efetiva” ocorrida no processo de conhecimento (inclusive ação rescisória) surgiu o momento em que devem ser escrituradas e reconhecidas as receitas da pessoa jurídica que apuram seus lucros com base no lucro real, situação que exerce forte influência no aspecto temporal da obrigação tributária. A embargante aduz uma série de considerações e argumentos acerca da liquidação da sentença no processo judicial movido pela Whirlpool com o objetivo de reconhecimento de créditoprêmio de IPI, no intuito de demonstrar que seria possível à contribuinte compensar esses créditos por sua conta e risco, apesar de ainda não haver sido encerrada a liquidação. No entanto, o pressuposto para tal procedimento seria o reconhecimento como receita desse mesmo créditoprêmio de IPI. Conclui que “nenhum desses fatos, considerações e argumentos foi analisado pela e. Turma”. Fl. 6425DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.426 4 A embargante tem, assim, por “demonstrado e configurado que o acórdão embargado restou obscuro em sua fundamentação, contraditório quanto a definição e aplicação do regime de competência para o reconhecimento de receitas, omisso quanto a iliquidez de sentença que reconheceu o créditoprêmio do IPI (inclusive ação rescisória), contraditório quanto aos elementos fáticos dos autos e sua conclusão pela decadência, bem como se baseou/fundou em premissas equivocadas – liquidez da sentença de conhecimento (inclusive ação rescisória) e mensuração e liquidez no regime de competência”. Com isso, pretende que seus embargos sejam conhecidos e acolhidos com efeitos modificativos, para afastar a decadência. Superado esse ponto, deveriam a seguir ser analisados os demais pontos do recurso voluntário, que deixaram de ser apreciados pelo acórdão embargado em função da decadência lá admitida. Acrescenta razões e jurisprudência do STJ que, a seu ver, confirmariam a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores recebidos a título de crédito prêmio de IPI (via BEFIEX) – principal e acessório. A interessada Whirlpool S/A tomou conhecimento dos embargos opostos pela Fazenda Nacional e houve por bem apresentar suas contrarrazões (fls. 6393/6411). Em apertada síntese, sustenta que os embargos não atenderiam objetivamente aos requisitos regimentais, refletindo tão somente a insatisfação da embargante quanto à decisão proferida que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O processo foi encaminhado à PGFN em 12/05/2015, terçafeira (despacho de encaminhamento à fl. 6305). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 11/06/2015 (quinta feira). Em 26/05/2015 foram opostos os embargos de declaração de fls. 6306/6334 (despacho de encaminhamento à fl. 6359). Os embargos são, pois, tempestivos, à luz do prazo de 5 dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Constato, ainda, que a embargante apontou omissão, obscuridade e contradição que pretende ver sanadas. Conheço, pois, dos embargos e passo a apreciálos. Inicialmente, destaco o conteúdo do caput do art. 65 do Anexo II do RICARF vigente, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. “Premissa equivocada” Fl. 6426DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.427 5 Como se vê, entre os vícios que ensejam os embargos declaratórios não se inclui estar o acórdão embargado supostamente fundado em premissa equivocada, como alega a embargante. Com todo o respeito devido à citada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, colacionada pela Fazenda Nacional, no modesto entendimento deste Conselheiro, tal fato poderia, se devidamente comprovado, caracterizar um erro de julgamento, a ser corrigido mediante recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do RICARF. Da leitura atenta dos embargos, depreendese que a suposta “premissa equivocada” seria a existência de uma “disponibilidade efetiva” ocorrida no processo de conhecimento (inclusive ação rescisória), com o que surgiria o momento de reconhecimento das receitas por parte da contribuinte e, ao final do período de apuração, o início da contagem do prazo decadencial. No entender da embargante, tal premissa seria equivocada porque não teria levado em consideração todos os complexos aspectos atinentes à liquidação por artigos em sede do processo judicial. Mas observese que isso se confunde com a alegada omissão. Confirase o parágrafo no qual a embargante descreve a omissão que deseja ver sanada: Não houve nenhuma análise ou menção aos efeitos, para esse reconhecimento do crédito, da execução do julgado, dos valores astronômicos envolvidos, do volume exorbitante dos documentos juntados, da complexidade da liquidação por artigos do créditoprêmio de IPI, da inexistência de valor mensurável e líquido em 1996 e 2005 – exigidos pelo regime de competência, dos judiciosos argumentos e fatos levantados pelo acórdão da DRJ, o comando contido na decisão na execução judicial quanto à decadência, dos recursos no processo de liquidação, e da pendência de apreciação de recurso pelo STJ/STF na liquidação por artigos. A “premissa equivocada”, portanto, não serve como fundamento para os presentes embargos. Quando muito, isso poderá vir a ser apreciado no bojo da alegada omissão. Contradições As alegadas contradições, embora objetivamente mencionadas, não são demonstradas analiticamente pela Fazenda Nacional. Sua menção se dá ao final de seu arrazoado, quando a embargante tem esses pontos por “demonstrados e configurados”. São duas as supostas contradições: · Contradição quanto a definição e aplicação do regime de competência para o reconhecimento de receitas; e · Contradição quanto aos elementos fáticos dos autos e sua conclusão pela decadência. Não vislumbro as alegadas contradições. No que toca à primeira, o acórdão guerreado assim se pronunciou: Dessa forma, a questão posta preliminarmente é sobre qual o momento em que devem ser escrituradas e reconhecidas as receitas da pessoa jurídica que apuram seus tributos com base no lucro real, e neste caso é importante examinar a legislação vigente, ou seja, o Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR, que dispõe: [...] Fl. 6427DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.428 6 Assim, seja na legislação comercial ou na legislação civil, a pessoa jurídica deverá reconhecer as suas receitas pelo regime de competência, aquele em que há o ganho do direito ou valor, independentemente da sua realização em moeda. [...] De fato, com a decisão definitiva da ação em seu favor, a Recorrente adquiriu a disponibilidade efetiva sobre o total da condenação, independentemente da ação rescisória impetrada pela Fazenda Nacional com o objetivo de desconstituir o direito ao crédito prêmio de IPI, reconhecido na decisão transitada em julgado. De se registrar que em 09/12/2005, a ação rescisória transitou em julgado favoravelmente às pretensões da Recorrente, de modo que o direito reconhecido não é mais passível de discussão no âmbito do Poder Judiciário. [...] Logo, quando se tornou definitiva a sentença, a Recorrente adquiriu a disponibilidade efetiva do correspondente ao crédito prêmio de IPI, relativo ao período de 1988 a 1998, bem assim os juros de mora devidos até o trânsito em julgado da ação rescisória. [...] No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal informa que os valores apurados compõemse de duas partes: "valor nominal" que inclui o crédito prêmio e a correção monetária até dezembro 1998 e, "juros". A primeira parte somou, em dezembro de 1998, a importância de R$ 592.532.218,10, relativamente aos créditos até então não aproveitados. A parcela dos juros somou a importância de R$ 131.790.152,79, também em dezembro de 1998. A soma dessas duas parcelas resulta no montante de R$ 724.322.370,89, valor que foi considerado disponível para compensação. Com isso, todos os valores compensados no período de apuração em debate, deveriam ter sido reconhecidos como receita no momento em que houve a sua efetiva disponibilidade jurídica, qual seja, ao final do anocalendário de 2005. Dessa forma, inquestionavelmente, o fato gerador das receitas que foram objeto de exclusão nos anoscalendários de 2007 a 2011, foi na data em que houve a disponibilidade jurídica da renda, a qual se deu com o trânsito em julgado da ação rescisória e, consequentemente, deveria ter sido reconhecida pela contribuinte ao final do anocalendário de 2005, em respeito às normas legais que determinam o reconhecimento da receita pelo regime de competência. O acórdão embargado, portanto, fixou o entendimento de necessidade de observância ao regime de competência para o reconhecimento das receitas, independentemente de sua realização em moeda. Fixou também que, no caso concreto, esse momento seria aquele em que transitou em julgado em favor da contribuinte a ação rescisória movida pela Fazenda Nacional (final de 2005), com o que cessou qualquer possibilidade de questionamento judicial quanto ao direito. No que toca aos valores, também o acórdão embargado foi explícito quanto à existência de parcela (R$ 724 milhões) disponível para compensação, não obstante ainda inconcluso o processo de execução. Fl. 6428DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.429 7 Como se vê, houve definição (com base na lei comercial e tributária) do regime de competência e coerente aplicação ao caso concreto, conforme o entendimento majoritário do Colegiado. A primeira alegação de contradição deve, pois, ser rejeitada. A segunda alegada contradição seria entre os elementos fáticos dos autos e sua conclusão pela decadência. Observese que não é qualquer contradição que dá ensejo aos embargos declaratórios. Nos termos regimentais anteriormente transcritos, somente são cabíveis os embargos no caso de contradição entre a decisão e seus fundamentos. Ora, os elementos fáticos dos autos não se confundem com os fundamentos da decisão. Os fundamentos da decisão são a apreciação dos aspectos fáticos à luz do direito e dos argumentos aduzidos pelas partes, conforme o entendimento do Colegiado. E essa apreciação, por certo, pode ser diferente daquela desejada pela Fazenda Nacional. Quanto aos elementos fáticos dos autos, quando muito se poderia reclamar que o Colegiado terseia equivocado ao apreciálos, mas isso não seria passível de solução pela estreita via dos embargos. Não demonstrada qualquer contradição entre os fundamentos da decisão e sua conclusão, também esta alegação deve ser rejeitada. Obscuridade Alega a embargante que o acórdão embargado teria sido “obscuro em sua fundamentação”. De idêntica forma ao ocorrido com as alegadas contradições, a obscuridade, embora objetivamente mencionada, não é demonstrada analiticamente pela Fazenda Nacional. Sua menção se dá ao final de seu arrazoado, quando a embargante tem esses pontos por “demonstrados e configurados”. Apenas isto já seria suficiente para a rejeição, de plano, dessa alegação. O excerto do voto condutor do acórdão embargado, anteriormente transcrito, é bastante para demonstrar que os fundamentos da decisão do Colegiado foram expostos com clareza que considero suficiente. Aqui, o que transparece é a irresignação da embargante com a decisão, o que não dá azo à oposição de embargos declaratórios, nos termos regimentais. Rejeito, pois, essa alegada obscuridade. Omissão Resta, afinal, examinar a alegação de omissão, descrita pela embargante como segue: Não houve nenhuma análise ou menção aos efeitos, para esse reconhecimento do crédito, da execução do julgado, dos valores astronômicos envolvidos, do volume exorbitante dos documentos juntados, da complexidade da liquidação por artigos do créditoprêmio de IPI, da inexistência de valor mensurável e líquido em 1996 e 2005 – exigidos pelo regime de competência, dos judiciosos argumentos e fatos levantados pelo acórdão da DRJ, o comando contido na decisão na execução judicial quanto à decadência, dos recursos no processo de liquidação, e da pendência de apreciação de recurso pelo STJ/STF na liquidação por artigos. Fl. 6429DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.430 8 Esclareçase desde logo que os “valores astronômicos envolvidos” e o “volume exorbitante dos documentos juntados” ao processo de execução não devem ser, como não foram, objeto de preocupação ou de manifestação por parte do Colegiado administrativo, desde que tais aspectos fazem parte tão somente da lide submetida à apreciação do Poder Judiciário. No que tange aos efeitos da execução judicial, ainda inconclusa, sobre a autuação aqui discutida, tenho por certo que foram levados em consideração pelo Colegiado, muito embora não no sentido pretendido pela ora embargante. O trecho do voto condutor do acórdão embargado, anteriormente transcrito, deixa claro que o Colegiado compreendeu e estava ciente de que a execução judicial, com todas as dificuldades e complexidades que lhe são inerentes naquele caso concreto, ainda se encontrava em curso no momento da autuação. Não obstante, entendeu a maioria da Turma Julgadora pela existência de parcela do direito creditório (R$ 724 milhões) disponível para compensação, leiase, revestida de liquidez (porque quantificada) e certeza (porque decorrente da decisão judicial de mérito já transitada em julgado). E essa informação foi extraída do Termo de Verificação Fiscal, lavrado pela autoridade autuante. Havendo parcela de crédito líquida e certa, o momento para o reconhecimento da receita correspondente foi tido como aquele em que a ação rescisória transitou em julgado em desfavor da Fazenda Nacional. Acrescentese, afinal, que o exame aprofundado de todos os aspectos pretendidos pela embargante se mostrou desnecessário, desde que os aspectos abordados se mostraram suficientes para fundamentar a decisão. Nesse sentido a jurisprudência administrativa e judicial, a seguir transcrita, a título exemplificativo. CARF Acórdão nº 3202001.615, de 19/03/2015: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. STJ – AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.019.589 – RJ (2008/00392026) Publicado no DJe em 17/05/2010: Fl. 6430DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722229/201279 Acórdão n.º 1301002.046 S1C3T1 Fl. 6.431 9 AGRAVO REGIMENTAL. ART. 535 DO CPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. SÚMULA 7 DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JUROS DE MORA. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL OBJETIVA. SÚMULA 54 DO STJ. DANOS MORAIS. INDENIZAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535, do CPC caso o órgão julgador aprecie todas as questões pertinentes ao deslinde da controvérsia, não lhe sendo imposto responder todas as alegações expendidas pelas partes, desde que os fundamentos adotados sejam suficientes para embasar a decisão. Precedente. [..] Diante disso, considero que inexiste qualquer omissão a ser sanada. De fato, também aqui a pretensão da embargante é de rediscutir questão já decidida administrativamente, para o que não se prestam os embargos declaratórios. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 6431DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10283.006589/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Rodal Construções e Comércio Ltda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto em face do Acórdão nº 5.858 da 1ª Turma da DRJ/BEL (a efls. 165 e segs. do Vol. 1), o qual foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 06 58 9/ 20 05 -0 5 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 225 2 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO "JURIS TANTUM". A presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada admite prova em contrário (presunção "júris tantum"). Se a própria autoridade fiscal identificou a disponibilização de pagamentos cujo beneficiário tenha sido o sujeito passivo, efetuados por meio da mesma instituição bancária em que se deram os depósitos, em datas compatíveis, deve ser afastada a presunção de omissão de receita. SUPRIMENTO DE CAIXA NÃO COMPROVADO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INADEQUAÇÃO À HIPÓTESE LEGAL. O disposto no art. 282 do RIR/99 autoriza a presunção de omissão de receita no valor do suprimento de caixa somente quando os recursos tiverem origem de pessoas ligadas (sócios, administradores etc). Se o suprimento não é comprovado, a operação tem reflexo na apuração de saldo de caixa. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. A apresentação de documentação inidônea a lastrear os registros contábeis de custos afasta a presunção de legitimidade da escrituração do contribuinte e justifica a glosa dos custos não comprovados. LANÇAMENTOS REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS E GLOSA DE CUSTOS. Os lançamentos reflexos de PIS, Cofins e CSLL seguem a sorte do principal (IRPJ), à medida da identidade entre as respectivas bases de cálculo. Lançamento Procedente em Parte”. Vale a transcrição do seguinte trecho do relatório do acórdão recorrido, in verbis: “Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente aos anos de 2000 e 2001, no valor consolidado de R$14.367.501,71, com imposição de multa de ofício dc 75%. A autuação decorreu de três infrações distintas: 1) omissão de receitas, verificada pelo suprimento de caixa sem comprovação de origem ou a efetividade da entrega do numerário; 2) omissão de receitas verificada a partir de depósitos bancários sem comprovação da origem; e 3) glosa de custos não comprovados.”. A decisão recorrida cancelou os lançamentos referentes aos 1 e 2 acima, ou seja, referentes à omissão de receitas com base em suprimento de caixa não comprovado e a omissão de receita com base em depósito bancário sem comprovação da origem. Quanto à omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados, o voto condutor do acórdão recorrido cancelou este item da autuação, pelas seguintes razões: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 226 3 “Inicialmente, a fiscalização levantou os pagamentos efetuados pela Prefeitura Municipal de Manaus (PMM) à impugnante, conforme demonstrativos de fls. 53 a 56. Os montantes liberados pela PMM em 2000 e 2001 foram, respectivamente, de R$13.985.929,14 e R$10.378.417.23. Ao mesmo tempo, a fiscalização levantou os depósitos em contas correntes mantidas junto ao BEA, também relativos aos anos de 2000 e 2001, cujos montantes foram de, respectivamente, R$11.168.628,59 e R$8.669.676,59. Sobre os montantes acima (depósitos na conta da impugnante e pagamentos liberados pela PMM), a defendente foi intimada a se manifestar (termo de fl. 51, de 8.4.2005) e quedouse inerte. Apesar de não ter sido juntada aos autos nenhuma justificativa apresentada pelo sujeito passivo, a fiscalização entendeu como depósitos de origem não comprovada apenas aqueles discriminados nos demonstrativos de fls. 79 e 80, relativos aos anos de 2000 e 2001, nos montantes respectivos de R$7.436.569,99 e R$3.794.775,46. Agora, em sede de impugnação, a defendente argumenta que a justificativa para aqueles depósitos efetuados em dinheiro (demonstrativos de fls. 79 e 80) foram exatamente os pagamentos efetuados pela PMM, sempre via cheque ou ordem bancária contra o BEA. A fragilidade das provas trazidas aos autos pela fiscalização me desautoriza a infirmar os argumentos da defendente. Com efeito, para cada um dos depósitos indicados às fls. 79 e 80 há sempre uma ou mais liberações da PMM, anteriores à data de cada depósito, em montante suficiente para fazer justificar o crédito bancário. O fato de que os pagamentos efetuados pela PMM foram realizados por intermédio do BEA corrobora, a um só tempo, três argumentos apresentados pela defendente: justifica a divergência entre os valores liberados pela PMM e os depositados (estes eram menores do que aqueles, ou iguais); justifica os depósitos terem sido efetuados em dinheiro (os cheques sacados contra o BEA não se sujeitaram à compensação bancária, pois foram depositados no próprio banco); justifica, no mais dos casos, a origem dos recursos recebidos em dinheiro pelo caixa da impugnante, que corresponderiam às diferenças entre as liberações da PMM e os depósitos. A título de ilustração, cito o depósito em dinheiro de R$282.497,79, datado de 25.8.2000, que a impugnante o justifica pelo cheque BEA n° 59593/4, de R$482.497,79, relacionado pela fiscalização à fl. 53; e Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 227 4 ainda, o depósito em dinheiro de R$1.046.405,18, datado de 7.2.2001, justificado pelo cheque BEA n° 74910/6, de idêntico valor, também relacionado pela fiscalização à fl. 55. Por tudo isso, e acrescentado o fato de que as liberações efetuadas pela PMM à impugnante nos anos de 2000 e 2001 superaram em muito os montantes dos valores depositados, tidos ou não pela fiscalização como justificados (em mais de dois milhões de reais em 2000, e mais de um milhão de reais em 2001), entendo que as justificativas trazidas pela defendente devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários.”. Quanto à omissão de receitas com base em suprimentos de numerários não comprovados, o voto condutor do acórdão recorrido cancelou este item da autuação, pelas seguintes razões: “A outra parcela da omissão de receitas, ao que tudo indica, tem a ver com a natureza desses pagamentos recebidos pela impugnante via BEA, referente a contratos com a PMM. A fiscalização levantou os ingressos no caixa da empresa e os considerou suprimentos de caixa não justificados. A defendente, como já assinalei acima, sustenta que os ingressos de numerário em seu caixa provieram da diferença entre os valores pagos pela PMM e os efetivamente depositados em sua contacorrente. Como tanto os pagamentos efetuados pela PMM como os depósitos foram feitos no mesmo banco (BEA), e aqueles foram superiores a estes, conforme levantamento efetuado pela própria fiscalização, existe uma razoável verossimilhança na justificativa trazida. Contudo, o que aniquila por completo a pretensão fiscal no tocante à omissão de receitas por suprimentos de caixa é a errônea identificação da infração cometida. A fiscalização fundamentou a exigência no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999 (RIR/99), abaixo transcrito: ART. 282. PROVADA A OMISSÃO DE RECEITA, POR INDÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO DO CONTRIBUINTE OU QUALQUER OUTRO ELEMENTO DE PROVA, A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA PODERÁ ARBITRÁLA COM BASE NO VALOR DOS RECURSOS DE CAIXA FORNECIDOS À EMPRESA POR ADMINISTRADORES, SÓCIOS DA SOCIEDADE NÃO ANÔNIMA, TITULAR DA EMPRESA INDIVIDUAL, OU PELO ACIONISTA CONTROLADOR DA COMPANHIA, SE A EFETIVIDADE DA ENTREGA E A ORIGEM DOS RECURSOS NÃO FOREM COMPROVADAMENTE DEMONSTRADAS (DECRETOLEI N" 1.598, DE 1977, ART. 12, § 3O, E DECRETOLEI N° 1.648, DE 18 DE DEZEMBRO DE 1978, ART. IO, INCISO II). Notese que o mero suprimento de caixa não comprovado não autoriza que os valores supridos sejam considerados receita omitida. É preciso que os supridores sejam um daqueles indicados na norma legal: administrador, sócio, titular ou acionista controlador. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 228 5 Não foi esse o caso dos autos. Embora a fiscalização entendesse que os suprimentos de caixa não tivessem sido comprovados, para tributálos como receita omitida seria necessário aprofundar as investigações para comprovar que os recursos tenham sido fornecidos pelos sócios ou administradores. Caso não optasse por essa via, a fiscalização poderia, ainda, ter glosado aqueles suprimentos e refeito o fluxo financeiro, para verificar se houve saldo credor de caixa. Daí sim, caberia a omissão sobre o eventual saldo credor. Em razão disso, deve ser excluída a exigência decorrente da presunção de omissão de receitas por suprimentos de caixa não comprovados.”. Com relação à glosa de custo, a DRJ manteve este item da autuação, com base nos seguintes fundamentos: “Quanto à glosa de custos, a infração foi caracterizada pela utilização de documentação inidônea para comprovar a aquisição de matéria prima. Constam dos autos as cópias de notas fiscais emitidas em 2000 e 2001 por empresa extinta desde 1999, a Saara Construções e Comércio Ltda., conforme fls. 83 a 87. A empresa sustenta que para proceder à glosa, a fiscalização necessitaria de aprofundar as investigações, além de que os responsáveis pela Saara deveriam responder pelos tributos devidos pela empresa extinta. Essas alegações, porém, não merecem guarida. A sorte da Saara, ou de seus exsócios, no que se refere aos seus débitos tributários, não diz respeito à impugnante, pois não ficou comprovado nenhum vínculo entre esta e a empresa extinta. E quanto à natureza das provas apresentadas pela impugnante para justificar seus custos, é necessário que possua os atributos de idoneidade para tanto. Evidentemente, uma nota fiscal emitida por uma empresa extinta não se apresenta hábil e nem idônea, muito embora é ressalvado à impugnante comprovar os seus custos por outras formas, como o efetivo pagamento daquelas compras, etc. A inidoneidade daquelas notas fiscais tem o efeito de afastar a presunção de veracidade de sua escrita fiscal mantida pelo contribuinte, prevista no art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 229 6 Resta, portanto, evidenciada a incapacidade de as notas fiscais de lis. 84 a 87 comprovarem os custos incorridos pela impugnante, razão pela qual deve ser mantida a glosa.” Quanto a este item mantido pela decisão de primeira instância, a contribuinte não apresentou recurso voluntário, embora devidamente intimada do Acórdão nº 5.858, conforme AR a fls. 177. Estes autos vieram a julgamento na sessão de 7 de dezembro de 2006 da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo que, naquela assentada, os membros do Colegiado resolveram, por unanimidade, converter o julgamento em diligência (Resolução nº 153.000 a fls. 194 do Vol. 1), para as seguintes providências: “ISTO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligências para que através da repartição de origem, seja realizada diligência junto à Prefeitura Municipal de Manaus com o seguinte objetivo: a) Esclarecer se todos os pagamentos realizados através de cheques e/ou ordens bancárias (fls. 71/78) sujeitavamse à retenção de ISS e INSS; b) Em caso positivo, informar se os valores dos cheques e/ou ordens bancárias (fls. 79/82) representavam o valor do débito em sua integralidade ou se era líquido, já descontadas as parcelas de ISS e INSS; c) Informar, caso os valores representavam o valor total do débito, como era procedida a reversão dos valores informados a título de ISS e INSS.”. Em resposta à diligência, a DRF/Manaus informou o seguinte (doc. a fls. 220): “Tratase de diligência solicitada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, com objetivo de esclarecer junto à Prefeitura Municipal de Manaus sobre algumas alegações levantadas pelo contribuinte na sua impugnação. Em resposta a PM Manaus informou (ofício 1119/2014 GPG/PGM; Despacho 184/2014 DEFIN/SEMEF anexados ao processo) em relação ao item a, que há retenção na fonte conforme o tipo do serviço prestado; em relação ao item b, que os relatórios de pagamentos constam os valores líquidos; em relação ao item c, não há resposta devido a resposta do item anterior.” É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 230 7 O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. A matéria sob análise deste Colegiado limitase aos itens da autuação objetos do recurso de ofício, ou seja as omissões de receitas com base em suprimento de numerários não comprovado e em depósito bancário de origem não comprovada. Quanto à autuação com base em depósitos bancários de origem não comprovados, a Fiscalização sustenta que “no cruzamento efetuado pela fiscalização, entre os desembolsos materializados pela Prefeitura, e os ingressos efetivos nas contas bancárias do BEA movimentadas pela empresa, constantes das planilhas objeto das intimações de abril e junho de 2005, constatamos não haver nenhuma correspondência de documentos, datas, valor e principalmente da forma de pagamento. Todos os desembolsos foram realizados pela Prefeitura, na grande maioria, por cheques, e OB (ordem bancária), discriminados nas planilhas, ao passo que os ingressos nas contas da empresa o foram através de depósitos em dinheiro em datas e valores não coincidentes com as liberações”. Por sua vez, a decisão recorrida sustenta que são frágeis as provas trazidas aos autos pela fiscalização, pois: a) para cada um dos depósitos considerados não comprovados (indicados às fls. 79 e 80), há sempre uma ou mais liberações da Prefeitura de Manaus, anteriores à data de cada depósito, em montante suficiente para fazer justificar o crédito bancário; b) que o fato de que os pagamentos efetuados pela Prefeitura de Manaus terem sido realizados por intermédio do Banco do Estado do Amazonas corrobora, a um só tempo, três argumentos apresentados pela defendente: b.1) justifica a divergência entre os valores liberados pela Prefeitura de Manaus e os depositados (estes eram menores do que aqueles, ou iguais); b.2) justifica os depósitos terem sido efetuados em dinheiro (os cheques sacados contra o BEA não se sujeitaram à compensação bancária, pois foram depositados no próprio banco); b.3) justifica, no mais dos casos, a origem dos recursos recebidos em dinheiro pelo caixa da impugnante, que corresponderiam às diferenças entre as liberações da Prefeitura de Manaus e os depósitos. É verdade que a Fiscalização deveria ter cotejado as liberações de pagamento feitas pela Prefeitura de Manaus não somente com os ingressos em conta bancária, mas também com os ingressos em caixa relativos a tais pagamentos, já que os pagamentos superaravam os valores depositados. Todavia, por se trata de presunção legal que inverte o ônus da prova, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) a DRF/Manaus intime a recorrente a demonstrar de forma cabal a vinculação dos depósitos com os pagamentos feitos pela Prefeitura de Manaus e que tais valores foram oferecidos à tributação, com a respectiva juntada aos autos da documentação que faça prova do alegado; b) a DRF/Manaus se pronuncie sobre a resposta da recorrnte, dandolhe ciência do relatório final de diligência e concedendolhe prazo para falar nos autos. Após cumprida a diligência, retornemse os autos a este Colegiado, para prosseguimento do feito. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.006589/200505 Resolução nº 1302000.425 S1C3T2 Fl. 231 8 Alberto Pinto S. Junior Relator. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728483/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF - RESTITUIÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - ALIENAÇÃO MENTAL - DOENÇA DE ALZHEIMER O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF - RESTITUIÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - ALIENAÇÃO MENTAL - DOENÇA DE ALZHEIMER O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada).
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 83 /2 01 3- 11 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.728483/201311 Acórdão n.º 2201003.115 S2C2T1 Fl. 69 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 45), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: A interessada, através do seu representante legal, impugna lançamento do anocalendário 2008, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 51.002,81, pagos pela Secretaria de Estado de Administração do Estado do Maranhão, reduzindose a restituição pleiteada de R$ 7.507,29 para R$ 3.422,51. De acordo com o relatório fiscal, o laudo pericial apresentado pela contribuinte relatava que sofreria de doença de Alzheimer, moléstia não enumerada na lei de isenção, e que a alienação mental atestada no laudo se referia ao estado atual da paciente, prevalecendo por isso a data de emissão do laudo (09/05/2013). A impugnante afirma apresentar um novo laudo em que estaria especificada mais detalhadamente a condição de alienação mental. Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. INÍCIO. A condição de portador de moléstia especificada em lei de isenção deve ser comprovada com laudo pericial emitido por órgão oficial, valendo a isenção a partir da data da emissão do laudo, ou a partir da data de diagnóstico da doença, quando estabelecida no laudo. Cientificada em 16/12/2014 (Fls. 64), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/01/2015 (fls. 50 a 55), argumentando em síntese: (...) 7. Neste diapasão, da análise do laudo previamente acostado, extraemse elementos suficientes para justificar a concessão do benefício da isenção do Imposto sobre a Renda da ora Recorrente, sendo este, portanto, prova suficiente para atender aos requisitos legais necessários para a isenção pretendida. 8. Todavia, ainda que a jurisprudência adote o entendimento que o laudo médico que demonstre a patologia a ensejar a isenção do imposto não precise ser expedido por serviço médico oficial, a Recorrente carreia aos autos um novo laudo médico, emitido por profissional vinculado a serviço médico oficial do Município de Salvador, qual seja a médica Patrícia Maria Moura, inscrita no CRM sob nº 12004 e matrícula municipal nº 989179, atestando que a Recorrente é portadora de alienação mental progressiva, diagnosticada em 2000, secundária a doença de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.728483/201311 Acórdão n.º 2201003.115 S2C2T1 Fl. 70 3 Alzheimer, patologia crônica, progressiva, degenerativa, apresentando déficit motor e neurológico de grau severo, CID G30, desde o ano de 2000 (doc. 02). 9. Dessa forma, entende a Recorrente que agiu corretamente ao informar os valores auferidos como rendimentos isentos, referentes aos seus proventos de pensão, no campo relativo aos rendimentos não tributáveis da sua Declaração Anual de Imposto de Renda, motivo pelo qual não há que se falar em "omissão de rendimentos". 10. Ao contrário do que sustentou o Fiscal Autuante, não há que se falar em "omissão de rendimentos" no caso em apreço, no que se refere às verbas referentes a pensão recebida pela ora Recorrente, já que tais rendimentos foram devidamente informados como rendimentos não tributáveis, haja vista a Recorrente ter direito à isenção do Imposto sobre a Renda, prevista no art. 6º, inciso XIV, Lei nº 7.713/88, em decorrência de ser acometida por alienação mental.. (...) É o Relatório. Voto Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte defonnante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.728483/201311 Acórdão n.º 2201003.115 S2C2T1 Fl. 71 4 XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados, não restam dúvidas quanto ao fato de que a restituição pleiteada se refere a Imposto incidente sobre pensão; conforme documento acostado à f1.06 dos autos. Resta então analisar se, à época dos recolhimentos, a recorrente era portadora de moléstia que lhe garantisse a isenção do Imposto de Renda. Segundo o laudo médico oficial, juntado pela recorrente às fls. 62, em conjunto com o laudo de pág. 04, emitido pela Secretaria de Saúde de Salvador; Unidade de Saúde da Família Joanes Leste, concluise: Declaro, sob as penas da Lei, que Maria da Graça Aguiar Pereira Pimenta, 81 anos de idade é portadora de alienação mental progressiva, diagnosticada em 2000, secundária a Doença de Alzheimer, patologia crônica, progressiva, degenerativa, apresentando déficit motor e neurológico de grau severo, completamente dependente de AVDs, CID G30. Podemos então constatar que, desde 2000, a recorrente já era portadora da Doença de Alzheimer, caracterizada pela síndrome demencial, constituída da demência senil, e Fl. 72DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.728483/201311 Acórdão n.º 2201003.115 S2C2T1 Fl. 72 5 comprometimento da memória; é de ser entendido, desta forma, que a contribuinte já se encontrava em estado de alienação mental. Destaco, por oportuno, que a Recorrente apresenta um termo de curatela, deferido em 2011, em processo judicial iniciado em 2010. Esta matéria — alienação mental em face da Doença de Alzheimer — foi objeto de assentado estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 10613.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: IRPF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ISENÇÃO DEMÊNCIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER 1. A demência na Doença de Alzheimer tem como uma de suas manifestações o que, na falta de melhor expressão, tratase como "alienação mental"; via de conseqüência, segundo dispõem os incisos XIV e XXI do artigo 6° da Lei n° 7.713/1988, na redação que lhes foi dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.451/92, estão isentos do imposto de renda os valores que o doente receber a titulo de pensão. 2. A fixação de um termo no qual se tem como estabelecida determinada enfermidade, na falta de informação constante de laudo oficial, deve levar em conta outros elementos de convicção, desde que não impugnados pelo Estado Administração e merecedores de fé. Recurso provido. Dito Acórdão da Sexta Câmara foi submetido à Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 29.11.2004, que sob a relatoria do Conselheiro Remis Almeida Estol, foi confirmado nos termos do Acórdão CSRF/01 05.165, ementa, in verbis: IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER Quando o quadro clinico de "alienação mental e/ou demência" decorrer da Doença de Alzheimer, fica caracterizado o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre os rendimentos da aposentadoria percebidos pelo paciente. Recurso especial negado. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito da recorrente à isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de pensão. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.728483/201311 Acórdão n.º 2201003.115 S2C2T1 Fl. 73 6 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10882.724009/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Luís Pagano Gonçalves que votavam por dar provimento parcial para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Cicone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado.
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C. NIELSEN DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Juros sobre o Capital Próprio. Dedutibilidade. Regime de Competência. Na determinação do lucro real serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 Na determinação da base de cálculo da CSLL serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 40 09 /2 01 3- 16 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 485 2 DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo Luís Pagano Gonçalves que votavam por dar provimento parcial para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Cicone. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 486 3 Relatório A. C. NIELSEN DO BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0258.998 da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a impugnação apresentada. O litígio pode ser assim sintetizado: o contribuinte contabilizou no ano de 2010 juros sobre capital próprio JCP referentes ao próprio período de apuração, mas tambem relativos a períodos de apuração já encerrados (anoscalendário de 2005 e 2006); a aprovação do pagamento de JCP se deu durante o anocalendário de 2010. Exceto quanto ao momento de contabilização dos juros sobre capital próprio, os valores de JCP referentes a cada um dos anoscalendário foi corretamente apurado pela recorrente, respeitando os limites impostos pela legislação; contudo, entendeu a autoridade fiscal que lavrou a exigência, que não houve respeito ao regime de competência, sendo vedada a dedução como despesa, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desses juros calculados sobre o patrimônio líquido da empresa relativos a períodos anteriores. Tal entendimento foi corroborado pela decisão de primeira instância; a recorrente, por sua vez, entende que o regime de competência foi respeito, uma vez que somente no anocalendário de 2010 deliberouse pelo pagamento de JCP; exigiuse ainda multa isolada, em concomitância com a multa de ofício, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Conforme já salientado, a turma julgadora a quo considerou a impugnação improcedente, mantendo a totalidade da exigência. Em análise da impugnação apresentada, a 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 20 de agosto de 2014 (fl. 407), apresentando em 17 de setembro de 2014 o recurso voluntário de fls. 409458. Reforça todos os argumentos expendidos em sua impugnação, que podem ser assim sintetizados: Em que pese a Fiscalização ter constatado que a DELIBERAÇÃO para o pagamento de JCP foi realizada, de fato, somente em setembro e novembro de 2010 e dentro dos limites de dedutibilidade referentes a cada período de apuração (além de ter havido a correta individualização dos beneficiários e retenção do correspondente imposto sobre a renda retido na fonte devido), houve a glosa das despesas de JCP relativas aos anoscalendário de 2005 (no valor de R$10.088.062,38) e 2006 (de R$1.300.000,00), com a consequente adição do montante de R$11.388.062,38 ao lucro real e à base de cálculo da CSLL; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 487 4 seria absolutamente descabida a presente autuação com base nos seguintes elementos: o art. 9º da Lei nº 9.249/95 não veda a dedução, no anocalendário em que é feita a deliberação societária de seu crédito ou pagamento, de JCP relativos a períodos de apuração anteriores, nem exige, sob qualquer forma, que sua contabilização seja feita até o final do anocalendário do respectivo cálculo; no presente caso a recorrente observou o regime de competência, pois efetuou a dedução da despesa de JCP no exato período de apuração que houve a deliberação de suas sócias para pagamento dos JCP, e, mesmo que tivesse respeitado o regime de competência, a recorrente só poderia ter sido autuada com fundamento em sua inobservância se tivesse gerado prejuízo ao Fisco o que na ocorreu no presente caso , nos exatos termos do artigo 273 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99); e a metodologia de cálculo adotada pela recorrente com relação ao JCP de todos os anoscalendário seguiu rigorosamente os ditames do art. 9º da Lei nº 9.249/95, além de não ter gerado qualquer prejuízo ao Fisco, sob qualquer ângulo que se analise o presente caso. por fim, em pedido subsidiário, pugnou pela impossibilidade de aplicação concomitante entre multa de ofício e multa isolada. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 488 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 DA DEDUÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Pretende a contribuinte apropriar e deduzir, para efeito de apuração do lucro real, no anocalendário de 2010, valores das despesas de juros sobre o capital próprio de 2005, 2006, que não teriam sido pagas ou creditadas nos anos correspondentes; bem como despesa de juros sobre o capital próprio do respectivo ano de 2010. No âmbito deste Conselho, essa matéria vem sendo discutida calorosamente e está longe de ser pacificada. De um lado, defendese que o período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há a deliberação para seu pagamento ou crédito. Podendo, nesse sentido, os JCP remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Assim, nada obstaria a distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. Representativos dessa linha, temse o Acórdãos nº 1801001.128, sessão de 8 de agosto de 2012 (por maioria de votos); nº 1402001.179, sessão de 11 de setembro de 2012 (decisão unânime) e nº 1401000.901, sessão de 04 de dezembro de 2012 (por maioria de votos). Transcrevese a seguir, ementa do Acórdão nº 1801001.128/2012. DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. De outro lado, considerase que, apesar de a remuneração do capital próprio ser uma faculdade da pessoa jurídica, sendolhe lícito apropriar a despesa no momento em que Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 489 6 melhor lhe aprouver, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão devem ser ditados pela norma tributária de regência, que lhe impõe limites objetivos. Não atendidos tais limites, correta a glosa das despesas de juros sobre o capital próprio de períodos anteriores. Representativos dessa corrente são os Acórdãos nº 1401000.734, sessão de 14 de março de 2012 (por maioria de votos); nº 1301001.118, sessão de 05 de dezembro de 2012 (por voto de qualidade) e nº 1201000.857, sessão de 10 de setembro de 2013 (por voto de qualidade). Vejase as conclusões do Acórdão nº 1301001.118/2012, representativo dessa linha de pensamento. 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; ... Amparado por tais fundamentos, o Colegiado considerou absolutamente correta a glosa empreendida pela autoridade fiscal, uma vez que restou evidente a inobservância por parte da Recorrente dos requisitos de dedutibilidade na apropriação da despesa com juros sobre o capital próprio. Tratase, em suma, de despesa incorrida por ocasião do pagamento e/ou crédito aos beneficiários, em que a contribuinte deixou de observar as condições de dedutibilidade impostas pela lei. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 490 7 Filiome a esta segunda corrente. Passo a fundamentar meu entendimento. Impõese estabelecer, de início, que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95, a seguir transcrito, que disciplina a dedução dos JCP na apuração do lucro real artigo esse reproduzido pelo artigo 347 do RIR/99, tendo ambos sido consignados como fundamento legal do lançamento , é norma tributária concessiva de faculdade, que autoriza o contribuinte a deduzir, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em determinado anocalendário, despesas de JCP incidentes sobre o Patrimônio Líquido PL do ano, consoante limites e condições que fixa. Até a edição dessa lei, tal tipo de dedução era expressamente proibido pelo artigo 49 da Lei nº 4.506/64, também a seguir transcrito, que não admitia como despesas operacionais os valores creditados a sócios da pessoa jurídica, a título de juros sobre o capital social. Leinº 9.249/95 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, a Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 30.12.1996) [...] § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. (grifos nossos) Lei 4.506/64 Art. 49. Não serão admitidas como custos ou despesas operacionais as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital social, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. [...] Por força desse comando legal, o autuado possuía, então, direito, tanto no anocalendário de 2005, como no de 2006, a faculdade de deduzir despesas com JCP na apuração do lucro real do ano. Pelos demonstrativos apresentados, porém, verificase que optou por não exercer a referida faculdade, acumulando tais valores e procedendo à sua dedução em período posterior, qual seja, o anocalendário de 2010, o que veio dar causa à parte da glosa referente aos JCP. Cabe notar, a este ponto, que, a par do conteúdo facultativo da norma em questão, deve ser considerado, também, que, na ordem tributária vigente, a apuração de tributos é regida pelo princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 491 8 Tal princípio está consagrado pelo STJ consoante o decidido no RESP 168379/PR, cujo excerto relevante é abaixo reproduzido. Decidiuse que, tratandose do sistema de compensação de prejuízos fiscais, a cada período de apuração do IRPJ corresponde um fato gerador, com base de cálculo própria e independente. Daí se infere que, para aquela Egrégia Corte, não é admissível a transferência de valores pertinentes a um período de apuração de IRPJ, para outro, a não ser mediante expressa autorização legal. RESP 168379 / PR (04/06/1998) IMPOSTO DE RENDA DE PESSOAS JURÍDICAS COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LEI Nº 8.981/95. [...] A vedação do direito à compensação de prejuízos fiscais pela Lei nº 8.981/95 não violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após o transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. [...] VOTO [...] Esclarecem as informações (fls. 80) que : [...]. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como já demonstrado (supra nºs 06/07), abrange o período de 01 de janeiro a 31 de dezembro. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período anual corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “crédito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração. [...] A questão foi muito bem examinada e decidida pelo venerando acórdão recorrido (fls. 146/151) e, de seu voto condutor, destaco o seguinte trecho : [...] Ora, o lucro definido como base de cálculo de tributos é apurado ou é relativo a determinado período. Se houve prejuízo neste período, a pessoa jurídica não pagará imposto e contribuição, não lhe assistindo o direito de transferir para períodos subseqüentes, além do limite legalmente autorizado, tal prejuízo, com o propósito de reduzir a base de cálculo do tributo em períodos futuros. Ou seja, a possibilidade de compensação é faculdade que pode ou não ser concedida pelo legislador, não se podendo falar, desta forma, em confisco ou ofensa ao princípio da capacidade contributiva, esta não comportando aferição caso a caso e nem se relacionando com a execução da lei.” (grifos nossos) No caso do IRPJ e da CSLL, a periodicidade de apuração do lucro real é trimestral, sendo possível apenas convertêla em anual mediante antecipação mensal de recolhimento dos tributos sob a forma de pagamento de estimativas, conforme disciplinamento dado em leis e em atos normativos infralegais específicos. Cada período de apuração, trimestral ou anual, é único e independente de outro qualquer, possuindo fato gerador e bases de cálculo próprias. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado trimestre ou ano não podem se compor, por definição, com as receitas e despesas de trimestres ou anos anteriores, a não ser mediante expressa autorização legal. O lucro tributável lucro real é aquele apurado Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 492 9 no trimestre ou no ano, resultante do lucro líquido apurado sob o regime de competência, com as adições e exclusões autorizadas em lei. E o regime de competência, sendo critério básico para registro das operações da pessoa jurídica, tanto na contabilidade societária como na fiscal, por força do estipulado no artigo 177 da LSA, a seguir reproduzido e pelo qual devem ser registradas, na apuração do Resultado do ano, as receitas e despesas incorridas no ano , é a tradução, no plano contábil, do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e sua independência. Lei nº 6.404/76 Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (grifos nossos) Portanto, se, in casu, a própria recorrente decidiu creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônios líquidos de períodos anteriores, tal decisão não pode ter validade para fins fiscais, visto que se referem a despesas que poderiam ser incorridas em anos anteriores, 2005 e 2006, não no período em que foi realizada suas dedução (2010). A observância do regime de competência implica o reconhecimento, como despesas dedutíveis, apenas em relação aos juros incorridos no ano de sua contabilização. A faculdade de pagamento ou crédito de JCP a acionista ou sócio deve ser, então, exercida no anocalendário de apuração do lucro real. É imperioso, nesta circunstância, para a legitimidade de dedução das correspondentes despesas, ao contrário do pretendido pelo autuado, que os juros pagos ou creditados se restrinjam aos juros incidentes sobre o patrimônio líquido do ano, e não incluam juros incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores, respeitandose, assim, o regime de competência e o princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência. Esta é a razão porque nem o artigo 9º, da Lei 9.249/95, nem o artigo 347, do RIR/99, aos quais o autuado se refere como não impondo limites a deduções, não necessitam explicitar a subordinação dos JCP ao regime de competência. E, de fato, a IN SRF 11/96, no artigo 29, a seguir reproduzido, ao estipular a observância do regime de competência para tais deduções, expressou apenas o que já estava implícito no artigo 9º, da Lei 9.249/95 como condição para a dedução desse tipo de despesas. Tal disposição é repetida, ainda, no artigo 4º, da IN SRF 41/98, também abaixo transcrita. Tratase de faculdade que somente pode ser exercida no anocalendário de competência, quando se apuram os valores passíveis de serem pagos ou creditados a título de JCP, aqueles incorridos no ano. IN SRF 11/96 Juros Sobre o Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 493 10 capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. [...] § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. [...] (grifos nosso) IN SRF 41/98 Dispõe sobre os juros remuneratórios do capital próprio. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, resolve: Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. [...] Art. 4º Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica, o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios. (grifos nossos) Assim, por força dos expressos teores do caput do artigo 9º da Lei 9.249/94 e do artigo 29 da IN SRF nº 11/96, acima reproduzidos, não é suficiente, para caracterizar a observância do regime de competência, que as despesas de JCP sejam reconhecidas no mesmo período da deliberação social que determina o pagamento ou creditamento, consoante defende o autuado. Isso porque falta a condição necessária para legitimar a dedução, a saber: o pagamento ou crédito contabilmente reconhecido deve se referir exclusivamente aos juros incidentes sobre o PL do mesmo exercício para o qual se apura o lucro real em que se fará a dedução, por serem o que se pode conceber como juros incorridos no período, conforme anteriormente explanado. Não podem se referir a juros incidentes sobre o PL de períodos anteriores, e, portanto, a juros incorridos em períodos anteriores. Tal entendimento é corroborado, inclusive, por doutrinadores de renome. Transcrevese a seguir artigo publicado pelo Dr. Edmar Oliveira Andrade Filho1: “IRPJ e CSLL: Juros sobre o Capital Próprio calculado sobre a Movimentação do Patrimônio Líquido os fatos e a consulta Edmar Oliveira Andrade Filho* 1 Disponível em: <http://www.fiscosoft.com.br//main_online_frame.php?home=federal&secao=1&page=/bf/bf.php?s=1¶ms= F::expressao=Juros%20sobre%20o%20Capital%20Pr%F3prio%20calculado%20sobre%20a%20Movimenta%E7 %E3o%20do%20Patrim%F4nio%20L%EDquido>. Artigo – Federal – 2003/0534. Acesso em: 04 jan 2016. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 494 11 Conforme nos foi relatado, uma renomada empresa de auditoria apresentoulhes uma opinião legal sobre a aplicação da legislação que rege a dedutibilidade, para fins de IRPJ e CSLL, do montante dos juros sobre o capital próprio calculado sobre a movimentação do patrimônio líquido ocorrida em anos anteriores ao do efetivo pagamento. Segundo o relato, aqueles auditores entendem que: a) esse procedimento não implica violação do regime de competência porquanto esse tipo de despesa deve ser considerada incorrida no períodobase em que houver a deliberação do órgão competente sobre o pagamento: b) não existe norma legal alguma que impeça o pagamento dos juros e a sua conseqüente dedutibilidade, que tome como base de referência a movimentação do patrimônio líquido ocorrida em períodos anteriores ao do efetivo pagamento. Segundo o nosso entendimento, quando se pretende o cálculo dos juros sobre a movimentação do patrimônio líquido em períodos base anteriores, o que se quer, na verdade, é o cômputo, num determinado períodobase, de juros que não foram contabilizados nos períodos anteriores. Em suma o que se pretende é ‘recuperar’ a dedutibilidade de uma despesa ou encargo que, por qualquer razão, não foi suportado pela empresa em anos anteriores. Diante desse quadro, somos consultados sobre a validade jurídica dos argumentos acima apresentados e dos eventuais riscos decorrentes da adoção do procedimento recomendado. NOSSOS COMENTÁRIOS 1 Da legislação aplicável De acordo com o caput do art. 347 do RIR/99, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. O § 1º do art. 347 do RIR/99 estabelece que ‘o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados’. Para explicitar como deveria ser determinado o limite de dedutibilidade, para fins do IRPJ e da CSLL, foi editada a Instrução Normativa nº 93/97, que no art. 29 dispõe: ‘Art. 29. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 495 12 I 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou II 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, o lucro líquido do exercício será aquele após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da dedução da provisão para o imposto de renda.’ Sobre a adoção do regime de competência para fins de dedutibilidade dos juros sobre o capital há o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96. Com base nos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. A remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nesta esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode no presente deliberar sobre o pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. Como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um outro que diz respeito montante máximo do encargo que pode ser deduzido. Além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm ou não a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. É que será analisado a seguir. 2 Regime de competência Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 496 13 Como visto, o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência. Existe uma dúvida razoável sobre a validade (legalidade) desse preceito, posto que a Lei nº 9.249/95 e a Lei nº 9.430/96 não impõem tal exigência. Desde o advento do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, que é a matriz legal do § 2o do art. 247 e do caput do art. 273, ambos do RIR/99, o lucro líquido do exercício (para fins fiscais) deverá ser apurado de acordo com os preceitos da legislação comercial, o que leva à conclusão inexorável de que a observância do regime de competência é obrigatória. Com efeito, na legislação societária, o dispositivo legal que se refere a esse princípio contábil é o art. 177, o qual prescreve que a escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Tratase de critério objetivo e obrigatório de ‘imputação temporal dos fatos tributários’, para adotar a expressão de Alberto Xavier.(1) O ‘regime de competência’ é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em ‘cash basis’ e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Exemplo desse último critério é, na lição de Alberto Xavier, o art. 17 do Decretolei nº 1.598/77, em relação ao regime de apropriação das receitas financeiras, que adotou o sistema de rateio (averaging) em lugar do regime de competência como é normalmente conhecido e aplicado. Para observância estrita do regime de competência é necessária que a despesa, custos ou perda em geral esteja incorrida. Para fins fiscais, o conceito de ‘despesa incorrida’ consta do item 3 do Parecer Normativo CST nº 07/76. Assim, devem ser consideradas despesas incorridas as relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual e que perfeitamente caracterizadas e quantificadas no períodobase. Em outras palavras, a condição para que uma despesa seja considerada incorrida é o recebimento ou uso de bens ou direitos em beneficio da empresa. Em face da eficácia atual do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, não há dúvida de que a legislação tributária determina a obrigatória adoção do regime de competência para o registro de todas as mutações patrimoniais. As exceções são aquelas explicitadas na própria lei. O preceito normativo citado que constitui verdadeira norma geral não foi revogado pela Lei nº 9.249/95 e nem pela Lei nº 9.430/96. Embora posteriores ao Decretolei nº 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressa ou tacitamente aquele Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 497 14 diploma normativo. De fato, não há que se cogitar da aplicação do disposto no § 1o do art. 2o da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior ‘quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior’. As Leis nºs 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do § 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual ‘a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior’. As leis, neste caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nº 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüências porque a observância e a eventual inobservância desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade.(2) A rigor, a questão do regime de competência é apenas uma das diversas nuanças do problema submetido à nossa apreciação e não a mais importante, como será visto. 3 Período de competência dos juros sobre o capital Como visto, o chamado ‘regime de competência’ está intrinsecamente ligado à idéia de um período de tempo. É a esse período de tempo que uma mutação patrimonial pertence e deve ser refletida e considerada do ponto de vista contábil e fiscal. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito sujeito e a correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. O direito aos dividendos é, na lição de WALDIRIO BULGARELLI(3) , um direito abstrato e perspectivo, que só se torna efetivo (exigível) após a deliberação da assembléia dos acionistas. Diz o consagrado autor: ‘É de salientar, em tema de direito ao dividendo, que esse direito que a doutrina discute e a maioria considera como um direito Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 498 15 abstrato e perspectivo concretizase e tornase efetivo após a deliberação da assembléia geral, de distribuílos, é chamado, então, crédito dividendual; portanto, existe potencialmente como direito a participar dos lucros, e tornase factível quando haja tais lucros e quando se decida a sua distribuição’. (Manual das sociedades anônimas). Se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser exercida pelos próprios sócios, razão pela qual eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem aquela deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. Em princípio não existem normas que proíbam que os sócios ou acionistas deliberem o pagamento de juros tendo como base de cálculo o patrimônio líquido de outro exercício já encerrado, ou sobre a movimentação do patrimônio líquido para adotar a expressão acima utilizada. Todavia, o fato de tomar como parâmetro um fator do passado não significa que a decisão retroage a esse passado para fazer com que os juros fossem devidos desde então. O ato jurídico que delibera sobre o pagamento dos juros outorga ao beneficiário um direito subjetivo que nasce com ele próprio, salvo se houver convalidação de ato anterior produzido por erro ou com defeito jurídico de qualquer natureza. Sem aquele ato jurídico não existe relação jurídica válida, isto é, não há o direito subjetivo do beneficiário e, em contrapartida, não há obrigação para a sociedade. Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 499 16 faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas ‘ato jurídico perfeito’, impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. CONCLUSÕES Fundamentados em todo o acima exposto, concluímos que: a) por força do disposto no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, todas as mutações patrimoniais devem ser reconhecidas segundo o regime de competência. A Lei nº 9.249/95 e a Lei nº 9.430/96, não revogaram de forma expressa ou tácita o art. 6º do Decreto lei nº 1.598/77, de modo que o encargo denominado ‘juro sobre o capital social’ se submete para fins de dedutibilidade ao regime de competência; b) o período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos. Assim, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente; c) a aferição das condições e limites de dedutibilidade do encargo relativo aos juros sobre o capital deverá ser feita no período em que ocorrer a deliberação de seu pagamento ou crédito, de forma incondicionada. De fato, é neste nesse período que o encargo existe do ponto de vista jurídico e a aferição de sua dedutibilidade para fins fiscais será feita de acordo com as condições vigentes neste mesmo período; e d) é impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. Em face do exposto cabe referir que não existe amparo legal para sustentar a dedutibilidade do montante dos juros sobre o capital que vier a ser declarado, pago ou creditado e que se reporte a exercícios anteriores, salvo se os resultados pudessem ser retificados em razão de erro, dolo ou fraude. Todavia, isto não impede que a empresa decida remunerar o capital tomando por base o valor existente em anos anteriores, mas, se isto ocorrer, a dedutibilidade será aferida com base nos critérios e Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 500 17 limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. NOTAS 1. XAVIER, Alberto. Distinção entre fornecimentos a curto e longo prazo, para efeitos do Imposto de Renda. Revista de Direito Tributário nº 23/24. S, 1983, p. 104. 2. Conseqüências poderiam advir no caso de empresa que apura prejuízos fiscais em face da limitação do montante que pode ser compensado em cada períodobase, segundo a legislação vigente. 3. BULGARELLI, Waldírio. Manual das Sociedades Anônimas. 8. ed. São Paulo : Atlas, 1996, p. 204. No mesmo sentido: LEÃES, Luiz Gastão Paes de Barros. Estudos e pareceres sobre sociedades anônimas. 1. ed. São Paulo: RT, 1989, p. 173, e VIVANTE, Cesare. Tratado de derecho mercantil. V. 2. Trad. Ricardo E. de Hinojosa. 1. ed. Madri: Reus, 1932, p. 335.” Como não poderia deixar de ser, também em sua obra, cujos excertos de interesse transcrevese abaixo, o mesmo doutrinador conclui que o não pagamento ou o não creditamento de JCP relativos a determinado exercício social evidencia a opção da pessoa jurídica, através de seus órgãos deliberativos, pelo não pagamento ou crédito de JCP, o que configura renúncia à faculdade concedida pela lei: “Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas, é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia, e considerando que demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas, são consideradas “ato jurídico perfeito”, impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. [...]”2 (grifos nossos) Também o renomado Hiromi Higuchi3 assim dispõe sobre a matéria: “Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. 2 ANDRADE FILHO, EDMAR OLIVEIRA. IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2005. Pg. 230. 3 HIGUCHI, Hiromi.Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática – Editora Atlas – 27ª Edição 2002, pág. 90. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 501 18 Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento.” Desta forma, não possui respaldo nas normas de regência o argumento do autuado de que teria observado o regime de competência pelo fato de ter decidido o creditamento do montante de JCP em questão no mesmo período em que levou a efeito a dedução no lucro real de juros incorridos em anos anteriores. Entendo que o prazo fatal para decidirse sobre o pagamento de JCP deve ser aquele em que se propõe a destinação final do lucro, a teor do que dispõe o art. 192 da Lei nº 6.404/76. A esse respeito, peço vênia à ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa para transcrever seu entendimento sobre o tema proferido no bojo do acórdão 1101000.904: Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléia geral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 502 19 superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Acrescentese ainda que, caso prevalecesse o entendimento da recorrente, em tese poderseia distribuir juros sobre capital próprio a sócios/acionistas que sequer participavam do capital social da empresa no período a que se referiam tais juros. E não há como se comparar tal situação com os lucros não distribuídos, uma vez que na aquisição de uma ação "cheia", já se conhece o lucro não distribuído e que o futuro acionista fará jus, ao contrário do JCP que, por não ser despesa incorrida, o adquirente jamais poderia contar com tais valores no momento de sua aquisição. A fim de evitaremse quaisquer futuros embargos de declaração suscitando omissões em relação aos argumentos da recorrente, esclarecese que o fato de cálculo do JCP, considerandose os limites possíveis para cada um dos anos calendário isoladamente, ter sido efetuado corretamente, bem como a tese de que não houve postergação no recolhimento de IRPJ e de CSLL, não são aptas a interferir no raciocínio neste voto desenvolvido, uma vez que não se admite a contabilização de JCP, juros ficticiamente criados pela legislação fiscal, em período distinto ao que se refere o patrimônio líquido sobre o qual os juros serão imputados. Pertinente observar que, neste contexto, não há que se falar em inobservância do regime de escrituração, e de eventual antecipação de pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não optou por destacar parte da base de cálculo como juros sobre capital próprio, e assim descaracterizála como lucro. A respeito da pretensa postergação, como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 130200.465: As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação com a matéria submetida a exame, eis que não estamos diante nem de valores que competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto. Despicienda, assim, a análise dos efeitos decorrentes da aplicação dos dispositivos acima mencionados. No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas, destacar a ausência de efeito vinculante. Além do mais, tal precedente somente permite a dedução pelo regime de caixa, ou seja, quando do efetivo pagamento, e pelo mero creditamento do JCP em conta de passivo, como requer a recorrente. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso em relação à matéria. 3 DA EXIGÊNCIA DE MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 503 20 recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Contudo, com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. No caso concreto, considerandose que os fatos geradores ocorreram no ano calendário de 2010, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 504 21 É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 505 22 Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Desse modo, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso também em relação às multas de ofício. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.724009/201316 Acórdão n.º 1402002.114 S1C4T2 Fl. 506 23 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10680.722748/2012-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1° do caput do artigo 3° da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RECEITA DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. INCLUSÃO.
A base de cálculo da contribuição apurada pelas instituições financeiras é a receita bruta operacional, conforme definição da legislação do Imposto de Renda, incluindo todas as receitas oriundas de sua atividade-fim.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1° do caput do artigo 3° da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RECEITA DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. INCLUSÃO. A base de cálculo da contribuição apurada pelas instituições financeiras é a receita bruta operacional, conforme definição da legislação do Imposto de Renda, incluindo todas as receitas oriundas de sua atividadefim. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 48 /2 01 2- 51 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.722748/201251 Acórdão n.º 9303003.393 CSRFT3 Fl. 227 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3403002.365, de 24/07/2013, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995 AÇÃO JUDICIAL. DIREITO CREDITÓRIO. COISA JULGADA. Tratandose de tutela judicial, a existência do direito creditório é certificada a partir dos estritos termos do dispositivo da decisão que transitou em julgado, sob pena de conspurcação da coisa julgada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RECEITA DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. INCLUSÃO. A base de cálculo da contribuição apurada pelas instituições financeiras é a receita bruta operacional, conforme definição da legislação do Imposto de Renda, incluindo todas as receitas oriundas de sua atividadefim. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs o já referido recurso especial, no qual sustentou que a decisão recorrida não só interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, como contrariou a coisa julgada obtida pelo contribuinte que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como aquelas provenientes da “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”.. Foi dado seguimento ao recurso especial pelo Presidente da Câmara recorrida através do despacho de fls. 818/819. Cientificado, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 821/833. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 94.00267207/RJ. Segundo relatado no acórdão recorrido, a Recorrente obteve sentença judicial autorizandoo que apurasse a Contribuição para o PIS de acordo com o inciso V, do art. 72, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, sem levar em conta a alteração instituída pela Medida Provisória nº 517, de 31 de maio de 1994, e suas sucessivas reedições, computandose o prazo da anterioridade nonagesimal conforme disposto no §1º do artigo 72 do ADCT, acrescentado pela Emenda Constitucional de Revisão nº 01, de 1º de março de 1994. A decisão transitou em julgado nesses termos em 18/08/2005. No recurso especial apresentado alega a Recorrente que a decisão judicial a autoriza a efetuar o recolhimento da contribuição para o PIS com base somente em suas receitas de prestação de serviços (tarifas), anexando acórdão paradigma que defini que, no caso de instituição financeira que possui ação judicial transitada em julgado, os valores recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou prestação de serviços são indevidos. Em situação idêntica ao paradigma colacionado esta Câmara Superior já se pronunciou sobre a matéria, cujo entendimento está expresso no Acórdão nº.9303002.934, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.722748/201251 Acórdão n.º 9303003.393 CSRFT3 Fl. 228 5 Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Processo administrativo nº. 10675.720829/201023. Acórdão nº.9303002.934. Redator designado: Ricardo Paulo Rosa. Sessão de 03/06/2014). O voto vencedor do referido acórdão traz as seguintes considerações: " Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário n° 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3°, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional n° 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3° da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1° de seu artigo 3°, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que Fl. 841DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse "a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional", nem o reconhecimento de "um específico conceito constitucional de faturamento11". A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2° ao parágrafo 9° do artigo 3°, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar n° 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. (...) Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema Não Cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3° da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3° da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0112. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição Fl. 842DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.722748/201251 Acórdão n.º 9303003.393 CSRFT3 Fl. 229 7 da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário n° 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades." Apesar de no presente caso o provimento judicial foi no sentido de estabelecer que a base de cálculo do PIS seria a "receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda", cabe abordar a amplitude desse conceito. Segundo o STF, existe identidade entre os termos "receita bruta" e "faturamento". Ambos designam a mesma realidade e significam o total das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conforme consignou o Ministro Cezar Peluso no RE 400.4798, submetido à repercussão geral, in verbis: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na (sic) sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.”(g.n.) No mesmo julgado, esclarece no relatório o Min. Cezar Peluso que: “Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, Fl. 843DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE no 346.084PR, Rel. orig. Min. Ilmar Galvão; RE no 357.950RS; RE no 358.273RS e RE no 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF no 408, p.1).”(g.n.) Portanto, o conceito de faturamento (ou de receita bruta) adotado pelo STF não se restringe ao produto da prestação de serviços como entendeu a recorrente, mas sim às receitas provenientes da atividade típica desempenhada pela pessoa jurídica, o que abrange tanto às receitas decorrentes da prestação de serviços de intermediação, quanto as demais receitas (rendas de operações de créditos, rendas de arrendamento mercantil, rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez, rendas de títulos e valores mobiliários e outras receitas operacionais), que o recorrente classifica como “receitas financeiras”. E isto é assim porque o STF entende que as contribuições ao PIS e COFINS, sendo destinadas ao custeio do seguro social, se sujeitam ao princípio da solidariedade, segundo o qual é dever de toda a sociedade contribuir para o financiamento da seguridade social. Este entendimento do STF, no sentido de que as instituições financeiras devem recolher as contribuições ao PIS e COFINS sobre as receitas operacionais, tem encontrado eco nas demais instâncias do Poder Judiciário, in verbis: "TRIBUTÁRIO. PIS. ART 3o, § 1o, DA LEI 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS sobre a receita bruta operacional de acordo com legislação específica (art. 1o, III da Lei 9.701/1988 e art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei 9.718/1998). 2. O reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei 9.718/1998 pelo Supremo Tribunal Federal não influenciou a apuração da base de cálculo das instituições financeiras. 3. Apelação da União Provida." (TRF1, 8a Turma, AC no 2006.38.00.0049780/ MG, Rel. Des. Novély Vilanova da Silva Reis, unânime, 18.out.2013). (g.n.) Assim, considerandose que as receitas recebidas pela Recorrente em razão da realização de seu objeto social constituemse em receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.722748/201251 Acórdão n.º 9303003.393 CSRFT3 Fl. 230 9 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 17546.000922/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, além do disposto na Súmula CARF n º 99, com a regra de decadência da norma do art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO -PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 28, § 9º, "p", LEI 8.212/1991
Nos termos do art. 28, § 9º, p da Lei 8.212/1991, não integram o salário-de-contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - ENQUADRAMENTO
A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE - Classificação nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, em cada estabelecimento distinto da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.156
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a PRELIMINAR de decadência em relação às competências até 08/2001, inclusive. No MÉRITO, em relação à cobrança do SAT/GILRAT, pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento nessa matéria; em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre o plano de previdência complementar, por maioria, negar provimento, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento nesse ponto. Foi designado o Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Márcio Henrique Sales Parada - Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 09 22 /2 00 7- 37 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, além do disposto na Súmula CARF n º 99, com a regra de decadência da norma do art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 28, § 9º, "p", LEI 8.212/1991 Nos termos do art. 28, § 9º, p da Lei 8.212/1991, não integram o saláriode contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT ATIVIDADE PREPONDERANTE ENQUADRAMENTO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE Classificação nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Considerase preponderante a atividade que ocupa, em cada estabelecimento distinto da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a PRELIMINAR de decadência em relação às competências até 08/2001, inclusive. No MÉRITO, em relação à cobrança do SAT/GILRAT, pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento nessa matéria; em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre o plano de previdência complementar, por maioria, negar provimento, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento nesse ponto. Foi designado o Conselheiro MÁRCIO Fl. 702DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 702 3 HENRIQUE SALES PARADA para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Márcio Henrique Sales Parada Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 703DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1722.471 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I – SP que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.017.0121, no montante original de R$ 5.753.665,03. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 128 a 133, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas às outras entidades, abrangendo o período de 01/2000 à 07/2005, relativas às contribuições do Patrocinador Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda ao fundo de pensão denominado PREVIGM, condicionando, em Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, a participação de empregados com mais de 60 dias de vínculo empregatício. Ou seja, o Relatório Fiscal, às fls. 128 a 133 mostra que o levantamento de débito se deu em virtude da constatação de que a empresa Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda, no REGULAMENTO COMPLEMENTAR PARA O PLANO DE APOSENTADORIA, item A.3.1 assim determinou: "são participantes todos os empregados das patrocinadoras ou da Sociedade, com mais de 60 dias de vinculo empregatício e seus exempregados, cuja participação seja admitida neste Regulamento." Nos termos do Relatório Fiscal: Considerando a carência de 60 dias imposta aos novos empregados, e que nenhum dos dispositivos legais retro citados fazem qualquer ressalva à alguma condição para que todos os empregados tenham acesso ao Plano de Benefícios, esta fiscalização conclui que o Plano PREVIGM não é extensivo a todos„ ou seja fere o caráter de universalidade das normas retro mencionadas, e, portanto os valores dos pagamentos efetuados pela empresa Patrocinadora, integram a base de cálculo para incidência de contribuições previdenciárias e de contribuições por lei devidas a terceiros Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09250891, às fls. 98 a 103. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 18, é de 01/2000 a 07/2005. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 14.09.2006, às fls. 01. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 703 5 No Relatório de Documentos Apresentados – RDA às fls. 32 a 91, a AuditoriaFiscal relaciona os recolhimentos feitos pela Recorrente, em todas as competências, de 05/1999 a 06/1999 e 01/2000 a 07/2005. A Recorrente apresentou Impugnação, tempestiva, na qual, segundo o Relatório da decisão de primeira instância: 1 — Não há que se falar na incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores destinados ao custeio de planos de previdência complementar posto que a Impugnante disponibilizou a todos os empregados o direito à participação, estipulando um prazo de carência relativo ao período de experiência que possuem um contrato de trabalho por prazo determinado, sendo certo que todos os empregados que ultrapassam este prazo e passam a manter um contrato de trabalho por prazo indeterminado, têm direito ao plano sem qualquer distinção. 2 — O plano de previdência em comento foi submetido à análise da Secretaria de Previdência Complementar — SPC, a qual homologou e autorizou o seu funcionamento, sem qualquer restrição, sendo que tal órgão é o único que tem competência para verificar se os planos de previdência complementar estão em plena adequação à legislação em vigor. 3 — Não obstante, o art. 202 da Constituição Federal, c/c art. 68 da Lei Complementar 109/2001 e art. 457 da CLT, alterado pela Lei 10.243/2001, revogaram a previsão constante da Lei 8.212/91 acerca da necessidade de extensão da previdência privada a todos os empregados para que não tenha natureza remuneratória, não havendo que se falar em caráter salarial da verba paga pela empresa Notificada, o que também enseja a declaração de insubsistência da presente NFLD. 4— Não há como prosperar a apuração da alíquota de 3% para o SAT ressaltandose que será apresentada defesa em outra NFLD lavrada referente a diferença de alíquota, requerendo o sobrestamento do presente feito até a análise da defesa da NFLD 37.017.0130. 5 A atividade preponderante da empresa, considerandose todos os estabelecimentos, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, não envolvendo a fabricação de fios e/ou cabos elétricos, mas tão somente a montagem dos fios entre eles e aos conectores das extremidades. A Impugnante menciona Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT informando que as atividades preponderantes de quatro estabelecimentos que representam 85%, são montagens mecânicas com uso de mãodeobra, classificadas no grau de risco médio e que o CNAE que enquadra de forma mais específica a atividade preponderante da empresa é o de n° 34.490502 — Fabricação de peças e Acessórios para Veículos Automotores, não classificados em outra subclasse. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 6 — A autuação foi realizada somente com base em documentos e o Parecer do IPT fez ampla pesquisa de campo e, por se tratar de tributo feito por meio de autolançamento, o que deve ser considerado é a atividade preponderante de fato realizada e não àquela cadastrada na Receita Federal. 7 — A exclusão dos empregados que exercem atividademeio, na determinação da atividade preponderante da empresa, nos termos da Orientação Normativa n° 02/97, é ilegal e inconstitucional, incluindo conceito inexistente na lei e no decreto regulamentador. 8 — A apuração da alíquota do SAT, por se tratar de contribuição de natureza securitária, pode e deve ser feita de acordo com cada estabelecimento e não com base na globalidade dos empregados, desde que possuam CNPJ próprios, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça — STJ. 9 — Requer improcedência da exigência fiscal, provar o alegado por todos os meios em direito admitidos e que todas as intimações sejam encaminhadas para o advogado da Defendente. Ainda assim, nos Anexos à Impugnação referente ao processo nº 15760.000003/200884, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318. Os autos foram baixados em diligência fiscal, às fls. 210, com os seguintes quesitos: 3. De forma que estamos restituindo os autos à fiscalização, a fim de que sejam observados os seguintes procedimentos, caso haja alguma modificação no presente: a) Os mesmos procedimentos, critérios e parâmetros utilizados por ocasião da lavratura da Notificação, tais como, padrão monetário, valor originário, etc., devem ser mantidos na retificação; b) Caso a retificação ocorra com base em comprovantes de recolhimento, é de se observar que somente o recolhimento efetuado até a data da lavratura da Notificação, inclusive, será considerado para fins de retificação do lançamento, devendo tal ocorrência ser informada através da Informação Fiscal; c) Os documentos de recolhimentos juntados aos autos, devem ser confirmados através do Conta Corrente ou da escrituração da empresa, devendo tal ocorrência ser consignada na Informação Fiscal; d) As modificações que porventura ocorram no valor do débito, precisam estar demonstradas parcela por parcela, a fim de permitir ao contribuinte, a visualização da nova composição do débito. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 704 7 A Autoridade Fiscal se manifestou em resposta à Diligência Fiscal, às fls. 211 a 214, abordando dentre outros aspectos: A empresa alega em sua defesa as fls. 146 do processo que não há qualquer discriminação na disponibilização do plano de previdência privada, pois os empregados que não são elegíveis ao plano possuem na verdade, um contrato de trabalho por prazo determinado (destaque nosso) , sendo certo que todos os empregados que ultrapassam este prazo e passam a manter um contrato de trabalho por prazo indeterminado, tem direito a participar do plano de previdência privada, sem qualquer distinção de cargo, salário ou localidade. Que além disso, é importante destacar que a referida carência é aplicada uniformemente a todos os empregados que ingressaram na empresa. Ao se examinar a questão suscitada pela Defendente nos deparamos com a alegação de que a empresa celebra dois contratos distintos, ou seja, um contrato por prazo determinado (conforme suas próprias palavras) e outro contrato por prazo indeterminado; vencido o prazo da experiência, no seu entender, extinto está o contrato por prazo determinado, e iniciase outro contrato por prazo indeterminado; há que se ressaltar que o contrato celebrado nos moldes da CLT, embora haja previsão para contrato determinado para o período da experiência , contudo o art.453 assevera: (...) Assim, vemos que mesmo o contrato de experiência é um apêndice do contrato de prazo indeterminado, e a contagem de tempo somase ao do contrato por prazo indeterminado e portanto, seu caráter do início ao fim é de contrato por prazo indeterminado; o fato de conter no seu interregno a contemplação de um período de experiência não retira a sua natureza essencial de contrato por prazo indeterminado; assim vemos que, a empresa discrimina sim o acesso de todos os empregados ao plano de previdência privada, não cabendo a alegação de dois contratos com prazos diferenciados. (...) Depois a empresa passa a questionar a aplicação da alíquota de 3% neste débito, enumerando todo o arrazoado contido na NFLD DEBCAD n° 37.017.0130. Cabe salientar que o referido Parecer encomendado pela Defendente foi elaborado e concluído pelo IPT — Instituto de Pesquisas Tecnologicas , peça de caráter eminentemente técnica assinada por engenheiros de diversas especialidades. Ainda que os fiscais autores do feito tivessem capacitação técnica para adentrar ao mérito do referido Parecer, mesmo assim não poderiam emitir juízo de valor sobre o laudo apresentado, posto que estariam como que sob "SUSPEIÇÃO", vez que a nossa tradição processual manda que pareceres ou laudos sejam apreciados por pessoas não diretamente envolvidas no litígio, mas por pessoa com capacidade técnica compatível e Fl. 707DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 principalmente que não tenha envolvimento com as partes do processo. A despeito da questão supra mencionada, há que se ressaltar que quaisquer que sejam as conclusões do referido Parecer, nenhuma delas terá o condão de afastar aquilo que está estabelecido na norma legal no que respeita ao enquadramento do SAT. A empresa se auto enquadrou para a contribuição do SAT, a partir de 01.07.1997 , na aliquota geral de 2%, que no dizer da Defendente as fls. 473 do presente, o SAT utilizado é relativo ao CNAE 34.495 — ou seja: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA VEICULOS AUTOMOTORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA SUBCLASSE (grifo nosso), porquanto enfatiza que a atividade preponderante da empresa não é a fabricação dos cabos elétricos para o chicote, mas a montagem desses cabos, os quais já são comprados acabados, restando tão somente a construção dos chamados chicotes a partir desses cabos. A Defendente ao advogar o CNAE 34.495 omitiu habilmente a palavra chave (de METAL) da descrição do CNAE pretendido, pois que a denominação constante da listagem do CNAE para esta classificação é: 34.495 — FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE. Ora, o chicote como produto acabado da DELPHI, não é de METAL mas sim produto eminentemente de matedake1étrico.0 fato da empresa asseverar que os materiais elétricos já chegam prontos/acabados, nas fábricas, não desconstitui o fato de que o chamado CHICOTE, produto acabado da empresa, é composição de material elétrico/eletrônico, e portanto tal auto elnquadramento jamais poderia se dar como "PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL", conforme pretende. Sendo o CHICOTE, produto acabado primordial da empresa, mesmo que se admita por um instante a montagem do produto a partir de fios e cabos comprados de terceiros, essa montagem (que é uma das modalidades das atividades da industria) jamais se enquadraria como produto de METAL, fato esse que desautoriza meridianamente a sua pretendida classificação naquele CNAE. Ora o produto de maior relevância da empresa, o CHICOTE, é de conhecimento universal como sendo um produto eminentemente de composição elétrica, jamais como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL. Em nenhum momento se disse que a empresa fabrica ou fabricou fios ou cabos elétricos, mas que fabrica sem sombra de dúvidas os CHICOTES de composição predominantemente elétrico. Para corroborar o erro do auto enquadramento da empresa na escolha do CNAE, basta tão somente que analisemos a classificação geral e a especifica do código do CNAE por ela escolhido: CLASSIFICAÇÃO GERAL: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 705 9 34.410 FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA O SISTEMA MOTOR 34.428 — FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA OS SISTEMAS DE MARCHA E TRANSMISSÃO. 34.436 — FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA O SISTEMA DE FREIOS. 4.444 — FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA O SISTEMA DE 15IREÇÃO E SUSPENSÃO. 34.495 — FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE É notória a intenção do legislador ao descrever este CNAE, que as peças e acessórios dos sistemas motor, marcha, transmissão, freios, direção e suspensão são de composição METÁLICA. A empresa fabrica chicotes (mesmo que assevere que não fabrique os fios e cabos que compõem o chicote) e estes chicotes não são de METAIS, e sim de composição eminentemente elétrico. Portanto inadequada e completamente descabida a pretendida classificação como peças e acessórios de METAL, porquanto o CHICOTE é de composição predominantemente elétrica. Seria o mesmo sustentar que na fabricação de motores elétricos montado a partir inclusive de fios e cabos elétricos, a empresa que os fabricasse dissesse que não fabrica os tais cabos e fios tão somente recebe a matéria prima já pronta, para dizer que o seu produto acabado não é fabricação de motores elétricos no conceito tradicional, a fim de pretender outra classificação de seu processo produtivo. Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades .sinônimas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim, é importante destacar que.'o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portando, comprovada que a atividade, da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". , Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 — FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS —EXCLUSIVE BATERIAS. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1722.471 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2005 NFLD Debcad n°37.017.0121 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A exigência de que o pagamento de Plano de Previdência Privada deva ser extensivo a todos os segurados da empresa, é requisito essencial para que tal parcela seja incluída no rol das não incidências do art. 28, § 9°, alínea "p", da Lei 8.212/91. SAT/RAT O enquadramento no código destinado ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa é de responsabilidade da empresa, sendo fixado a partir da atividade preponderante da empresa na Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE e sujeito à revisão pela Auditoria Fiscal, nos termos do art. 202 do Decreto n° 3.048/99. ILEGALIDADE A declaração de inconstitucional idade ou ilegal idade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega, em apertada síntese: (i) Da decadência do direito do lançamento Primeiramente, é importante destacar que se operou a decadência em relação às competências anteriores a 09/2001. Isto porque referida NFLD abrange supostos débitos das competências de 01/2000 a 07/2005. Porém, esta NFLD somente foi lavrada pela Fiscalização em setembro de 2006, sendo certo portanto que a notificação visa constituir créditos relativos a uma competência anterior ao prazo decadencial de 5 anos estipulado pela legislação. (ii) Da ilegalidade da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores destinados à previdência complementar. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 706 11 Isto porque, a empresa sempre disponibilizou a todos empregados o direito a participar do plano de previdência complementar, sendo certo que jamais privou determinado grupo de empregados ao recebimento de referido direito. O que a empresa faz, isso sim, é estipular um prazo de carência exatamente o mesmo prazo relativo ao contrato de experiência dos novos empregados para que estes sejam elegíveis à participação no plano de previdência complementar. (...) Assim, verificase que não há qualquer discriminação na disponibilização do plano de previdência privada, pois os empregados que não são elegíveis ao plano possuem, na verdade, um contrato de trabalho por prazo determinado, sendo certo Que todos os empregados Que ultrapassam este prazo e passam a manter um contrato de trabalho por prazo indeterminado, têm direito a participar do plano de previdência privada, sem qualquer distinção de cargo, salário ou localidade. (...) Assim sendo, não só o plano em análise foi previamente submetido ao crivo da SPC mas também foi aprovado, sem qualquer restrição, Por tal órgão que, repitase, é o único que tem competência para verificar se os Planos de previdência complementar estão em plena adequação à legislação em vigor. Ora, se a própria SPC autorizou o funcionamento deste plano, como pode o INSS, agora, contestar a cláusula de elegibilidade, agindo inclusive além de sua competência legal?? Portanto, resta claro que o benefício em comento, da forma como é concedido, respeita as determinações do artigo 202 da Constituição Federal, bem como da Lei Complementar 109/2001 e da Lei 8212/91, devendo a presente Notificação ser julgada insubsistente, o que se requer desde já. (iii) Da inexistência de obrigatoriedade de disponibilização de previdência complementar a todos empregados. Também neste aspecto, v. acórdão recorrido sequer analisou e manifestouse a respeito deste tópico argüido em defesa, razão pela qual, passa a recorrente a demonstrar que, ainda que se entenda que o plano de previdência privada não era disponibilizado a todos empregados, o que se admite apenas por amor ao argumento, a necessidade de concessão da elegibilidade a esse direito a todos empregados, previsto no artigo 28, § 90, "p", da Lei 8212/91, foi revogada. Com efeito, em dezembro de 1998, foi publicada a Emenda Constitucional n o 20, que modificou o sistema de Previdência Social. Referida Emenda alterou o artigo 202 da Constituição Federal que, em seu parágrafo 20, passou a prever, expressamente, que a parcela paga pelo empregador ao empregado a título de previdência complementar não integra o salário dos participantes (empregados), não fazendo, contudo, a Fl. 711DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 ressalva de que referido benefício deva ser concedido a todos empregados para que deixasse de integrálo, (iv) Da alíquota a ser utilizada para o SAT – da atividade preponderante da empresa. Neste sentido, é importante ressaltar que o Auditor Fiscal, nesta mesma fiscalização, também lavrou Notificação Fiscal de Lançamento de Débito para Recolhimento de diferenças das contribuições do SAT NFLD no 37.017.0130, por entender que a alíquota aplicável seria 3%, e não 2% conforme adotado pela empresa. Conforme dito acima, a decisão recorrida sustenta que a atividade preponderante da empresa á aquela que, nas competências abrangidas pela autuação, estava descrita no código 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias, correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%. Para justificar esse enquadramento, a decisão recorrida informa que a apuração da atividade preponderante da empresa não pode ser feita por estabelecimento, e que não devem ser considerados os empregados que exercem atividadesmeio da empresa. (...) Com efeito, sustenta a decisão recorrida que, de acordo com levantamento efetuado, a atividade preponderante da empresa, como um todo, é a "fabricação de material elétrico para veículos, exceto bateria", cadastrada no CNAE sob no 31607 00, a qual está enquadrada no grau de risco máximo (3%). Porém, razão não lhe assiste, conforme será demonstrado. Assim, é importante destacar, aqui, a diferenciação entre fabricação de chicotes elétricos e fabricação de materiais elétricos. O chicote elétrico nada mais é do que um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados, sendo que as extremidades destes cabos recebem conectores. A função do chicote elétrico é realizar conexões elétricas dos automóveis, tais como: luzes de sinalização do veículo, vidros elétricos, cd players, etc. Neste contexto, a montagem destes chicotes não envolve a fabricação de fios e/ou cabos elétricos, mas tão somente a MONTAGEM dos fios entre eles (entrelaçamento ou amarração) e aos conectores das extremidades. Entendendose do que se trata o produto fabricado pela Recorrente, fica mais fácil compreender que o enquadramento realizado pela Fiscalização no CNAE 31607/00 fabricação de material elétrico para veículos exceto baterias, nas unidades fabris localizadas em Paraisópolis, São José dos Pinhais e Espírito Santo do Pinhal é equivocado. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 707 13 (v) Do parecer técnico do IPT Neste aspecto, a recorrente anexou à defesa apresentada um Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT, órgão técnico de ilibada reputação na área de pesquisas tecnológicas, o qual constatou, após análise detalhada de todos os estabelecimentos fabris da recorrente, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de peças elétricas, como alegado pelo Sr. Fiscal. Conforme se verifica do Parecer anexado à defesa, o IPT analisou os principais estabelecimentos industriais da Recorrente, quais sejam: Paraisópolis (001201); Itabirito (000302); Espírito Santo do Pinhal (0010 31); e São José dos Pinhais (001465). (...) E, em sua conclusão, o Parecer é absolutamente claro: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é carecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" loual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de angu 2." (...) Os quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT Paraisópolis (001201); Itabirito (000302); Espírito Santo do Pinhal (0010 31); e São José dos Pinhais (001465) possuem, por sua vez, 5648 empregados que, considerando o índice de 85% destacado no parecer, aproximadamente 4800 empregados da recorrente exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos, pois, repitase, conforme destacado pelo Parecer, os materiais elétricos já chegam prontos e acabados nestas fábricas da recorrente, nas quais seus empregados apenas realizam a montagem para a composição do chicote. (vi) Da exclusão dos empregados das chamadas "atividade meio" apuração da atividade preponderante Neste aspecto, o v. acórdão recorrido rechaçou a alegação da recorrente de ilegalidade da exclusão dos empregados que trabalham nas atividades meio da empresa para apuração da atividade preponderante, sob o fundamento de que o artigo 33 da Lei 8212/91 confere poder e validade às normas editadas pela autarquia previdenciária. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 (...) Neste sentido, sustenta a fiscalização que a Orientação Normativa 2/97 determinou os critérios para a definição da atividade preponderante da empresa com mais de uma atividade ou mais de um estabelecimento. Dentre os critérios indicados, destacase a determinação de que sejam excluídos dos cálculos os dados referentes aos empregados que ocupam funções nas denominadas "atividade meio", conforme mencionado na nota constante da página 7 do relatório da fiscalização, nos seguintes termos: "Para se determinar a atividade preponderante no caso de atividades econômicas distintas não serão considerados os empregados que prestam serviços em atividades meio, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, como por exemplo: administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, etc." Em que pese o entendimento exarado por meio de referida Orientação Normativa, confirmado pelo v. acórdão recorrido, a exclusão dos empregados que exercem "atividademeio" é flagrantemente ilegal e inconstitucional. (vii) da apuração por estabelecimento apuração do grau de risco Também neste aspecto, o v. acórdão recorrido não acolheu as alegações defensivas, no sentido de que a apuração do grau de risco deve ser feita por estabelecimento, sob fundamento de que as normas internas do INSS determinam que esta apuração deve ser feita de forma globalizada, e que o artigo 33 da Lei 8212/91 confere tal poder às normas do INSS. Porém, também aqui, não há como prosperar as alegações do v. acórdão recorrido. (...) Neste sentido, é importante destacar o STJ, em recentes julgados, firmou posicionamento no sentido de que "A alíquota da contribuição para o seguro de acidente de trabalho SAT deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa apenas quando cada um possuir CNPJ (antigo CGC) próprio. Assim, na hipótese de a empresa possuir apenas um CNPJ, a alíquota deve corresponder à sua atividade preponderante", derivado do precedente representado pelo ERESP 478.1004 (...) Da mesma forma, também conforme relação anexada à defesa, a atividade preponderante dos estabelecimentos situados em Piracicaba (0009 06), Gravataí (001384) e Piracicaba (001546) também é administrativa, razão pela qual estes estabelecimentos também deveriam utilizar a alíquota de 1%. Portanto, de acordo com o entendimento firmado pelo STJ, a alíquota do SAT pode ser apurada de acordo com a atividade de cada estabelecimento da empresa, desde que possua CNPJ próprio, não havendo que se falar em diferenças no recolhimento do SAT, razão pela qual há que ser reformado o v. acórdão recorrido, julgandose insubsistente a presente NFLD, cancelandose os débitos lançados contra a empresa. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 708 15 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.108, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 658 a 680, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, nestes termos em síntese: (...) Assim, vêse de maneira clara e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias, na amostra acima, representa quase a totalidade, ou seja, 77% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 23% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos (31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias)). Importante salientar que no dito “Quadro Demonstrativo”, a Recorrente afirma com todas as letras que “durante o período fiscalizado, todos os estabelecimentos da empresa possuíam como atividade preponderante a fabricação de chicotes elétricos e outras peças para veículos automotores, exceto o estabelecimento situado em São Caetano do Sul, que possui como atividade preponderante serviços administrativos.” (Grifo nosso) Ressaltese ainda que no mesmo relatório a Recorrente enfatiza textualmente que: “De acordo com o laudo do IPT, juntado aos autos, embora houvesse a informação de que o CNAE seria, à época, o 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias”, esta classificação era equivocada, na Fl. 715DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 medida em que a fabricação de chicotes envolve, tão somente, a montagem de cabos já produzidos, não havendo qualquer processo de fabricação de material elétrico. Conclui o IPT, portanto, que o CNAE que mais se aproxima da atividade preponderante exercida pela empresa é o CNAE 34.495 (Fabricação de Peças e Acessórios para Veículos Automotores”. Notase que tanto o laudo do IPT quanto a conclusão do “Quadro Demonstrativo” omitem a descrição completa do CNAE 34.495 cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE. (grifo nosso). Tal omissão é de importância capital para o deslinde da questão aqui tratada e já sobejamente demonstrada neste processo; ora, FABRICAÇÃO DE CHICOTE, não é peça de METAL, mas é fundamentalmente uma peça de fabricação elétrica, portanto, jamais comporta um enquadramento como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL, conforme ousa e insiste em se enquadrar a Recorrente. Mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o CHICOTE, fato é que, o CHICOTE não é produto de METAL; é essencialmente produto final classificado como material elétrico. Portanto completamente equivocada tanto a conclusão do laudo do IPT quando do relatório do “Quadro Demonstrativo”. Se o laudo IPT demonstrou que a Recorrente não fabrica os cabos elétricos que compõem o CHICOTE, por outra não demonstrou em nenhum momento de sua conclusão que o CHICOTE é PEÇA DE METAL. Assim sendo, constitui verdadeira afronta ao bom senso a conclusão do referido laudo do IPT. (...) Ora, o chicote como produto acabado da DELPHI não é de METAL mas sim produto eminentemente de material elétrico. O fato da empresa asseverar que os materiais elétricos já chegam prontos/acabados, nas fábricas, não desconstitui o fato de que o chamado CHICOTE, produto acabado da empresa, é composição de material elétrico/eletrônico, e portanto tal auto enquadramento jamais poderia se dar como "PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL", conforme pretende. Sendo o CHICOTE, produto acabado primordial da empresa, mesmo que se admita por um instante a montagem do produto a partir de fios e cabos comprados de terceiros, essa montagem (que é uma das modalidades das atividades da indústria) jamais se enquadraria como produto de METAL, fato esse que desautoriza meridianamente a sua pretendida classificação naquele CNAE. Ora, o produto de maior relevância da empresa, o CHICOTE, é de conhecimento universal como sendo um produto eminentemente de composição elétrica, jamais como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL. Em nenhum momento se disse que a empresa fabrica ou fabricou fios ou cabos elétricos, mas que fabrica sem sombra de dúvidas os CHICOTES de composição predominantemente elétrico Fl. 716DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 709 17 Para corroborar o erro do auto enquadramento da empresa na escolha do CNAE, basta tão somente que analisemos a classificação geral e a específica do código do CNAE por ela escolhido. (...) Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades sinônimas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim é importante destacar que o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portanto, comprovada que a atividade da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS EXCLUSIVE BATERIAS”. (...) Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos. A seguir, após a emissão da Informação Fiscal, o processo administrativo fiscal prossegue com a intimação do contribuinte acerca do resultado da Informação Fiscal, com a Manifestação do contribuinte no sentido de manter os argumentos deduzidos em sede de Recurso Voluntário, de forma a concluir que, às fls. 680: "Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de Fl. 717DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos." Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 710 19 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Como primeira questão preliminar, abordase a necessidade de Diligência Fiscal. (a) DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 128 a 133, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas às outras entidades, abrangendo o período de 01/2000 à 07/2005, relativas às contribuições do Patrocinador Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda ao fundo de pensão denominado PREVIGM, condicionando, em Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, a participação de empregados com mais de 60 dias de vínculo empregatício. Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 4, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE 31607, o qual corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT se refere às competências 01/2000 a 07/2005. Acerca da diferença de alíquota SAT/RAT, o Relatório Fiscal às fls. fls. 211 a 214 expõe a fundamentação da diferença de alíquota SAT/RAT sendo cobrada. Desta forma, a AuditoriaFiscal fez o lançamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT em função do código CNAE 31607 (corresponde uma alíquota de 3%) que Fl. 719DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 estava cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, vide Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5. Entretanto, o Relatório Fiscal não fez prova material de que a atividade preponderante do sujeito passivo de fato se encontrava no Código CNAE 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com aliquota de 3%. Por outro lado, nos Anexos à Impugnação referente ao processo nº 15760.000003/200884, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453 301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318. Deste modo, a Recorrente apresenta prova técnica na forma de um Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT que constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de pegas elétricas: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." Ainda assim, a partir do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, a Recorrente aduz que, considerando todos os estabelecimentos, possui um total aproximado de 6.900 empregados, sendo que 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.108, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 711 21 (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 658 a 680, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal. Desta forma, em um primeiro momento, considerandose os princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como o disposto no art. 28, Lei 9784/1999, surge a prejudicial de se intimar o contribuinte da Diligência Fiscal realizada e da determinada neste presente julgado, bem como se abrir prazo para Manifestação do sujeito passivo. Lei 9784/1999 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Em um segundo momento, em que pese a detalhada e bem fundamentada Manifestação Fiscal já exarada pela Autoridade Fiscal em atendimento à solicitação de Diligência Fiscal anterior do CARF, para que esta Colenda 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF possa proferir uma decisão se faz necessário que a Unidade da Receita Federal do Brasil faça uma análise contraditória e conclusiva acerca do Parecer Técnico 10.453301 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT, demonstrando, fundamentadamente, o motivo da discordância do Laudo do IPT que concluiu às fls. 207 a 208: "as atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." (a.1) DOS DEBATES ACERCA DA DILIGÊNCIA FISCAL Esta Colenda Turma de Julgamento considerou superar a necessidade de Diligência, posto que, em debate oral, o Colegiado deliberou pela continuação do julgamento com fundamento no princípio da celeridade processual e também pelo fato da questão controvertida já ter sido examinada em sede de anterior Diligência Fiscal. Portanto, em função dos debates ocorridos, passo a me filiar ao posicionamento da maioria. Desta forma, passemos ao exame das demais Questões Preliminares e ao exame do Mérito. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas às outras entidades, abrangendo o período de 01/2000 à 07/2005, relativas às contribuições do Patrocinador Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda ao fundo de pensão denominado PREVIGM, condicionando, em Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, a participação de empregados com mais de 60 dias de vínculo empregatício. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.017.0121 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.017.0121) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 722DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 712 23 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.017.0121, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Da decadência do direito do lançamento Primeiramente, é importante destacar que se operou a decadência em relação às competências anteriores a 09/2001. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas às outras entidades, abrangendo o período de 01/2000 à 07/2005, relativas às contribuições do Patrocinador Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda ao fundo de pensão denominado PREVIGM, condicionando, em Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, a participação de empregados com mais de 60 dias de vínculo empregatício. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, Fl. 724DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 713 25 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso II, alínea a do Regimento Interno do CARF RICARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que fundamente crédito tributário objeto de Súmula Vinculante: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 714 27 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Neste sentido, a Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No Relatório de Documentos Apresentados – RDA às fls. 32 a 91, a AuditoriaFiscal relaciona os recolhimentos feitos pela Recorrente, em todas as competências, de 05/1999 a 06/1999 e 01/2000 a 07/2005. Desta forma, adoto o posicionamento de se considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte por competência e não por rubrica, para efeitos de aplicação do critério de decadência. Desta forma, exsurge a aplicação do art. 150, § 4º, CTN posto ter havido recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a homologar pela autoridade fiscal em todas as competências, de 05/1999 a 06/1999 e 01/2000 a 07/2005. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 18, é de 01/2000 a 07/2005. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 14.09.2006, às fls. 01. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 08/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 DO MÉRITO (iv) Da alíquota a ser utilizada para o SAT – da atividade preponderante da empresa. (v) Do parecer técnico do IPT (vi) Da exclusão dos empregados das chamadas "atividade meio" apuração da atividade preponderante (vii) da apuração por estabelecimento apuração do grau de risco Analisemos conjuntamente os tópicos (iv), (v), (vi) e (vii). Da cobrança do SAT/GILRAT A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 715 29 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 729DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assentou a constitucionalidade da contribuição para o SAT incidente sobre o total das remunerações pagas aos empregados e trabalhadores avulsos: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para Fl. 730DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 716 31 definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Da atividade preponderante da empresa. De plano, devemos considerar que a atividade preponderante da empresa deve ser determinada em cada estabelecimento distinto da mesma, conforme o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, de observância obrigatória pelo Colegiado nos termos do art. 62, § 1º, c do RICARF: Ato Declaratório PGFN nº 11/2011 “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.108, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Fl. 731DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 658 a 680, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, nestes termos em síntese: (...) Assim, vêse de maneira clara e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias, na amostra acima, representa quase a totalidade, ou seja, 77% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 23% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos (31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias)). Importante salientar que no dito “Quadro Demonstrativo”, a Recorrente afirma com todas as letras que “durante o período fiscalizado, todos os estabelecimentos da empresa possuíam como atividade preponderante a fabricação de chicotes elétricos e outras peças para veículos automotores, exceto o estabelecimento situado em São Caetano do Sul, que possui como atividade preponderante serviços administrativos.” (Grifo nosso) Ressaltese ainda que no mesmo relatório a Recorrente enfatiza textualmente que: “De acordo com o laudo do IPT, juntado aos autos, embora houvesse a informação de que o CNAE seria, à época, o 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias”, esta classificação era equivocada, na medida em que a fabricação de chicotes envolve, tão somente, a montagem de cabos já produzidos, não havendo qualquer processo de fabricação de material elétrico. Conclui o IPT, portanto, que o CNAE que mais se aproxima da atividade preponderante exercida pela empresa é o CNAE 34.495 (Fabricação de Peças e Acessórios para Veículos Automotores”. Notase que tanto o laudo do IPT quanto a conclusão do “Quadro Demonstrativo” omitem a descrição completa do CNAE 34.495 cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE. (grifo nosso). Tal omissão é de importância capital para o deslinde da questão aqui tratada e já sobejamente demonstrada neste processo; ora, FABRICAÇÃO DE CHICOTE, não é peça de METAL, mas é fundamentalmente uma peça de fabricação elétrica, portanto, jamais comporta um enquadramento como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL, conforme ousa e insiste em se enquadrar a Recorrente. Mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o CHICOTE, fato é que, o CHICOTE não é produto de METAL; é essencialmente produto final classificado como material elétrico. Portanto completamente equivocada tanto a conclusão do laudo do IPT quando do relatório do “Quadro Demonstrativo”. Se o laudo IPT demonstrou que a Recorrente não fabrica os cabos elétricos que compõem o CHICOTE, por outra não demonstrou em Fl. 732DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 717 33 nenhum momento de sua conclusão que o CHICOTE é PEÇA DE METAL. Assim sendo, constitui verdadeira afronta ao bom senso a conclusão do referido laudo do IPT. (...) Ora, o chicote como produto acabado da DELPHI não é de METAL mas sim produto eminentemente de material elétrico. O fato da empresa asseverar que os materiais elétricos já chegam prontos/acabados, nas fábricas, não desconstitui o fato de que o chamado CHICOTE, produto acabado da empresa, é composição de material elétrico/eletrônico, e portanto tal auto enquadramento jamais poderia se dar como "PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL", conforme pretende. Sendo o CHICOTE, produto acabado primordial da empresa, mesmo que se admita por um instante a montagem do produto a partir de fios e cabos comprados de terceiros, essa montagem (que é uma das modalidades das atividades da indústria) jamais se enquadraria como produto de METAL, fato esse que desautoriza meridianamente a sua pretendida classificação naquele CNAE. Ora, o produto de maior relevância da empresa, o CHICOTE, é de conhecimento universal como sendo um produto eminentemente de composição elétrica, jamais como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL. Em nenhum momento se disse que a empresa fabrica ou fabricou fios ou cabos elétricos, mas que fabrica sem sombra de dúvidas os CHICOTES de composição predominantemente elétrico Para corroborar o erro do auto enquadramento da empresa na escolha do CNAE, basta tão somente que analisemos a classificação geral e a específica do código do CNAE por ela escolhido. (...) Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades sinônimas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim é importante destacar que o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portanto, comprovada que a atividade da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS EXCLUSIVE BATERIAS”. (...) Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos. Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE 31607, o qual corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT se refere às competências 01/2000 a 07/2005. Acerca da diferença de alíquota SAT/RAT, a Autoridade Fiscal em sede de Manifestação Fiscal, às fls. 211 a 214, em atendimento à Diligência Fiscal determinada pela decisão de primeira instância, assim expõe a fundamentação da diferença de alíquota SAT/RAT sendo cobrada: Depois a empresa passa a questionar a aplicação da alíquota de 3% neste débito, enumerando todo o arrazoado contido na NFLD DEBCAD n° 37.017.0130. Cabe salientar que o referido Parecer encomendado pela Defendente foi elaborado e concluído pelo IPT — Instituto de Pesquisas Tecnologicas , peça de caráter eminentemente técnica assinada por engenheiros de diversas especialidades. Ainda que os fiscais autores do feito tivessem capacitação técnica para adentrar ao mérito do referido Parecer, mesmo assim não poderiam emitir juízo de valor sobre o laudo apresentado, posto que estariam como que sob "SUSPEIÇÃO", vez que a nossa tradição processual manda que pareceres ou laudos sejam apreciados por pessoas não diretamente envolvidas no litígio, mas por pessoa com capacidade técnica compatível e principalmente que não tenha envolvimento com as partes do processo. A despeito da questão supra mencionada, há que se ressaltar que quaisquer que sejam as conclusões do referido Parecer, nenhuma delas terá o condão de afastar aquilo que está estabelecido na norma legal no que respeita ao enquadramento do SAT. A empresa se auto enquadrou para a contribuição do SAT, a partir de 01.07.1997 , na alíquota geral de 2%, que no dizer da Defendente as fls. 473 do presente, o SAT utilizado é relativo ao CNAE 34.495 — ou seja: FABRICAÇÃO DE PEÇAS Fl. 734DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 718 35 E ACESSÓRIOS PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA SUBCLASSE (grifo nosso), porquanto enfatiza que a atividade preponderante da empresa não é a fabricação dos cabos elétricos para o chicote, mas a montagem desses cabos, os quais já são comprados acabados, restando tão somente a construção dos chamados chicotes a partir desses cabos. A Defendente ao advogar o CNAE 34.495 omitiu habilmente a palavra chave (de METAL) da descrição do CNAE pretendido ... (...) Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades .econômicas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim, é importante destacar que.'o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portando, comprovada que a atividade, da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". , Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 — FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS —EXCLUSIVE BATERIAS. Desta forma, a AuditoriaFiscal fez o lançamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT em função do código CNAE 31607 (corresponde uma alíquota de 3%) que estava cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, vide Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5. Entretanto, o Relatório Fiscal e Anexos, bem como a Manifestação Fiscal em resposta à solicitação de Diligência Fiscal em sede de decisão de primeira instância, não fez prova material de que a atividade preponderante do sujeito passivo de fato se encontrava no Código CNAE 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%. Por outro lado, nos Anexos à Impugnação, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318, no conexo processo nº. 15760.000003/2008 84, Fl. 735DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 Deste modo, a Recorrente apresenta prova técnica na forma de um Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT que constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de peças elétricas: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...)." "Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." Por outro lado, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 658 a 680, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, de forma a ratificar os termos e conclusões da Manifestação Fiscal, decorrente da solicitação de Diligência Fiscal em sede de decisão de primeira instância, no tocante à classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 Fabricação de material elétrico para veículos exclusive baterias”. No entanto, a partir do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, a Recorrente aduz que, considerando todos os estabelecimentos, possui um total aproximado de 6.900 empregados, sendo que 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente. Portanto, em que pese a detalhada e fundamentada Manifestação da AuditoriaFiscal, considero que ter restado comprovado pelo Parecer Técnico nº 10 453 301, de maio/2006, do IPT que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos. Da correta classificação do CNAE Analisemos. Diante da conclusão de que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos, resta se determinar qual a classificação adequada do código CNAE para a empresa. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 719 37 A Recorrente argumenta que inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34.495, que compreende a “Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe" (alíquota de 2%) no período objeto deste lançamento. Por outro lado, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, de forma a ratificar os termos e conclusões da Manifestação Fiscal exarada em sede de decisão de primeira instância, no tocante à classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 Fabricação de material elétrico para veículos exclusive baterias”. Por outro lado, a Manifestação do contribuinte no sentido de manter os argumentos deduzidos em sede de Recurso Voluntário, de forma a concluir que, às fls. 680: "Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos." Neste sentido, o Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, acostado aos autos pelo contribuinte, demonstra que a empresa não fabrica fios, cabos, ou nenhuma espécie de material elétrico, mas faz, tão somente, a montagem de fios já acabados, o seja, montagem de chicotes elétricos. De forma que, conforme o Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis, ensejando que a montagem de chicotes elétricos não envolve a fabricação de fios ou cabos elétricos pois a empresa somente monta os fios e cabos elétricos, os quais chegam prontos para a produção, amarrandoos uns aos outros e aos conectores das extremidades. Então, a atividade preponderante do contribuinte amoldase à montagem de fios e cabos elétricos, e não à sua fabricação. Diante do exposto, em que pese a Manifestação Fiscal emanada da Autoridade Fiscal, em função dos argumentos fundamentados emanados das provas técnicas produzidas pela Recorrente, vide Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, considero correto o enquadramento da Recorrente no código CNAE 34.495 (Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe alíquota de 2%), no período objeto deste lançamento, qual seja, 01/2004 a 11/2004. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 38 (ii) Da ilegalidade da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores destinados à previdência complementar. (iii) Da inexistência de obrigatoriedade de disponibilização de previdência complementar a todos empregados. Analisemos os tópicos (ii) e (iii) conjuntamente. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 128 a 133, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas às outras entidades, abrangendo o período de 01/2000 à 07/2005, relativas às contribuições do Patrocinador Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda ao fundo de pensão denominado PREVIGM, condicionando, em Regulamento Complementar para o Plano de Aposentadoria, a participação de empregados com mais de 60 dias de vínculo empregatício. Ou seja, o Relatório Fiscal, às fls. 128 a 133 mostra que o levantamento de débito se deu em virtude da constatação de que a empresa Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda, no REGULAMENTO COMPLEMENTAR PARA O PLANO DE APOSENTADORIA, item A.3.1 assim determinou: "são participantes todos os empregados das patrocinadoras ou da Sociedade, com mais de 60 dias de vinculo empregatício e seus exempregados, cuja participação seja admitida neste Regulamento." Nos termos do Relatório Fiscal, o Plano PREVIGM não é extensivo a todos os empregados: devido à carência de 60 dias imposta aos novos empregados Considerando a carência de 60 dias imposta aos novos empregados, e que nenhum dos dispositivos legais retro citados fazem qualquer ressalva à alguma condição para que todos os empregados tenham acesso ao Plano de Benefícios, esta fiscalização conclui que o Plano PREVIGM não é extensivo a todos„ ou seja fere o caráter de universalidade das normas retro mencionadas, e, portanto os valores dos pagamentos efetuados pela empresa Patrocinadora, integram a base de cálculo para incidência de contribuições previdenciárias e de contribuições por lei devidas a terceiros Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09250891, às fls. 98 a 103. Em relação às disposições da legislação, o art. 458, § 2º, VI, CLT, aplicando se às relações de emprego, dispõe que não se considera salário a utilidade concedida pelo empregador a título de previdência privada: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) Fl. 738DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 720 39 § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) No entanto, a legislação previdenciária como norma especial, aplicável neste ponto tanto a empregados quanto a contribuintes individuais, em relação aos valores pagos a título de programa de previdência complementar, assim dispõe no art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (gn) Por outro lado, o artigo 16 da LC 109/2001 estabelece que os planos de benefícios da previdência complementar devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Após definir que a previdência complementar deve ser ofertado a todos, os artigos 68 e 69, da LC 109/2001 apresentados nas disposições gerais, estabelecem que não integram a remuneração e não são tributados. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1oOs benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2oA concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 40 Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Ora, não se observa qualquer conflito entre o disposto na LC 109/2001 e o art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991, lei esta específica para o custeio do Regime Geral da Previdência Social.. Desta forma, a legislação previdenciária, no art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991, dispõe que o valor pago a título de previdência complementar deve estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, o que entendo não se verificar no presente caso concreto em função da não participação dos empregados com menos de 60 dias de vínculo empregatício. O Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 238, reconhece que o pagamento de Previdência Complementar foi disponibilizado aos empregados apenas após o período de carência (60 dias): O que a empresa faz, isso sim, é estipular um prazo de carência exatamente o mesmo prazo relativo ao contrato de experiência dos novos empregados para que estes sejam elegíveis à participação no plano de previdência complementar. Neste sentido, é importante destacar que o objetivo da legislação, ao determinar que referido plano deve ser estendido a todos empregados da empresa, foi justamente evitar discriminações entre classes de empregados, como, por exemplo, as empresas que somente tornavam elegíveis à participação no plano de previdência complementar os empregados que ocupavam cargo de gerência ou diretoria. No caso em tela, a empresa apenas vincula a obtenção da elegibilidade ao plano de previdência complementar ao término do prazo de experiência do contrato de trabalho. Ou seja, os únicos que não são elegíveis e apenas por determinado tempo são aqueles empregados que estão no prazo de experiência do contrato de trabalho Ademais, entendo que no art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991 não há hipótese de isenção para se considerar os 60 dias de carência para o empregado com vínculo empregatício poder participar do Plano de Previdência Complementar. Tal seria conceder uma isenção não prevista na legislação. Ora, a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 721 41 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Neste sentido, há precedente na jurisprudência do CARF que reconhece a impossibilidade de se excluir a tributação incidente em pagamentos a plano de previdência complementar no caso de pagamento em desacordo com a legislação de regência: "O programa de previdência complementar não contemplava a totalidade dos empregados estando em desacordo com o e art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991 e arts. 9º e 468 da CLT (...)" (CARF, 2ª Seção, 3ª Câmara, 2ª TO, Rec. 142.621, decisão por maioria, em 20.08.2010, Relator Marco André Ramos Vieira). "Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública.(...)" (CARF, 2ª Seção, 4ª Câmara, 3ª TO, Acórdão 2403002.771, decisão por maioria, em 09.10.2014, Relator Ivacir Júlio de Souza). (iii).1) Da inconstitucionalidade do art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991 Analisemos. O contribuinte alega, no tópico (iii) Da inexistência de obrigatoriedade de disponibilização de previdência complementar a todos empregados que o art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991 não foi recepcionado pela Constituição Federal: Também neste aspecto, v. acórdão recorrido sequer analisou e manifestouse a respeito deste tópico argüido em defesa, razão pela qual, passa a recorrente a demonstrar que, ainda que se entenda que o plano de previdência privada não era disponibilizado a todos empregados, o que se admite apenas por amor ao argumento, a necessidade de concessão da elegibilidade a esse direito a todos empregados, previsto no artigo 28, § 90, "p", da Lei 8212/91, foi revogada. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 42 Com efeito, em dezembro de 1998, foi publicada a Emenda Constitucional n o 20, que modificou o sistema de Previdência Social. Referida Emenda alterou o artigo 202 da Constituição Federal que, em seu parágrafo 20, passou a prever, expressamente, que a parcela paga pelo empregador ao empregado a título de previdência complementar não integra o salário dos participantes (empregados), não fazendo, contudo, a ressalva de que referido benefício deva ser concedido a todos empregados para que deixasse de integrálo. (...)Como se vê, a Norma Constitucional prevê, por si só, que a parcela referente à previdência privada, paga pelo empregador, não integra a remuneração dos participantes, não fazendo qualquer ressalva quanto à necessidade de extensão deste direito a todos empregados. Além disso, é importante ressaltar que esta Emenda Constitucional foi promulgada posteriormente à Lei que incluiu o artigo 28, § 90, "p", na Lei 8212/91, restando claro, portanto, que a previsão contida neste dispositivo infra constitucional não foi recepcionada pela Constituição Federal. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido, há precedente na jurisprudência do CARF que reconhece a impossibilidade de se excluir a tributação incidente em pagamentos a plano de previdência complementar por considerar o art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991 não recepcionado pela Constituição Federal: Fl. 742DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 722 43 "Ementa CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD sob nº 37.341.9112, nº 37.341.9120 e nº 37.341.9139 Consolidado em 30/01/2012 PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR REVOGAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA POR LEI COMPLEMENTAR HIERARQUIA DAS LEIS Inconstitucionalidade de lei não compete ao CARF o julgamento. Matéria sumulada. Súmula CARF nº 2: ‘O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.’ Hierarquia das leis. Para a Recorrente a Lei Complementar nº 109/2001 foi posterior a alínea ‘p’, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, deve também este Colegiado reconhecer que a LC revogou a LO de 91. Julgamento que também agride a Súmula CARF 02. Entretanto, quanto à existência de hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária, não há hierarquia entre elas, pois nenhuma delas tem sua origem e seu fundamento de existência na outra. O legislador originário indicou expressamente na Constituição, os temas a serem postulados, por meio de lei complementar. Tal conjunto de matérias não pode ser objeto de lei extravagante, sob pena de se recair em inconstitucionalidade. No caso de invasão do campo destinado à legislação ordinária, por meio da edição de lei complementar, não é perceptível a inconstitucionalidade da norma, pois esta foi além do pedido, seguindo um processo legislativo mais dificultoso. O que a ditada norma não teria é a proteção de só ser revogada por uma lei complementar, tendo em vista que no aspecto material nunca deixou de ser norma ordinária.(...) (CARF, 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO, Acórdão 2301004.137, decisão por maioria, em 10.09.2014, Relator Wilson Antônio de Souza Corrêa). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Conclusão dos tópicos (ii) e (iii) De forma que, considero caracterizado o descumprimento da legislação previdenciária, no art. 28, § 9º, p, Lei 8.212/1991, pois o valor pago a título de previdência complementar não está disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes à medida da não participação dos empregados com menos de 60 dias de vínculo empregatício. Portanto, diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 44 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para: (a) em Preliminar, reconhecer a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 08/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN; No MÉRITO, (b) MANTER a tributação incidente do plano de previdência complementar; e (c) reconhecer o enquadramento da Recorrente no código CNAE 34.495 (Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe alíquota de 2%), com isso excluindose o lançamento referente à diferença de contribuições SAT/GILRAT. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. A par do muito bem traçado voto do ilustre Conselheiro relator, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, divirjo em relação a ponto nodal da questão de mérito, no seguinte sentido, que discorro a seguir. A questão repousa na diferença de 1% nas alíquotas de recolhimento, como colhese do relatório e voto do relator: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 723 45 ... cujo débito foi reconhecido pela empresa, e recolhido durante a ação fiscal, excetuandose 1% de SAT/GILRAT, apurado como diferença, uma vez que a empresa recolheu apenas 2%.(grifei) Entende a Recorrente que: Ao contrario do sustentado pelo Sr. Fiscal, a atividade preponderante da empresa, considerandose todos os seus estabelecimentos, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não 'fabricação de material elétrico para veículos, exceto bateria cadastrada no CNAE sob n° 3160 700, a qual está enquadrada no grau de risco máximo (3%). 2.5. É importante destacar a diferenciação entre montagem de chicotes elétricos e fabricação de materiais elétricos. ANEXA: Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT, que descreve o processo produtivo da Impugnante Conforme restou esclarecido na defesa apresentada, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis (suas luzes de sinalização, cd players, etc.). Tais fios são amarrados uns aos outros, e a extremidade destes cabos recebem conectores. O debate reside não em ser a grande parte da mão de obra empregada na produção de chicotes elétricos para veículos, mas sim se o chicote elétrico é um produto novo, fabricado e de característica elétrica ou se tratase apenas de um produto resultante de operação de montagem, a partir de fios elétricos, "amarrados entre si", com a colocação de conectores nas extremidades. Quanto a uma classificação específica no CNAE para chicotes elétricos para veículos, noto convergência de que não há. Transcrevo do voto do Relator: Diante da conclusão de que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos, resta se determinar qual a classificação adequada do código CNAE para a empresa. A Recorrente argumenta que inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34.495... Em pesquisa no sítio do IBGE, verifico que materiais elétricos para veículos têm tratamento diferenciado, mas vejamos (www.cnae.ibge.gov.br) que o código 27333/00 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 46 que trata de fabricação de fios, cabos e condutores elétricos compreende chicotes elétricos, apesar da ressalva "exceto para veículos" e também: A fabricação de fios, cabos, barramentos, cordoalhas e outros condutores elétricos isolados; fios telefônicos; fios coaxiais e fios magnéticos para enrolamento de motores, bobinas, transformadores, etc.e a fabricação de cabos de fibra ótica compostos de fibras recobertas individualmente com material isolante. Ocorre que "Chicote Elétrico" é um conjunto de cabos condutores e conectores para gerenciar o suprimento de energia elétrica e também a transferência de informações dos dispositivos periféricos ao produto final e integrar os sistemas de veículos automotores, máquinas e equipamentos. Chicotes elétricos são complexos e demandam uma grande experiência na mão de obra manual e equipamentos específicos para montagem e atendimento as normas técnicas. Qualidade e funcionalidade são fatores importantes na produção de chicotes elétricos, pois são utilizados em funções de produção e segurança, como controlar os dispositivos de avanço e parada de uma colheitadeira de cana de açúcar, por exemplo. Chamo a atenção para o ponto destacado na informação fiscal sobre a completa descrição do CNAE a que chegou a conclusão do laudo técnico apresentado. Alega o Auditor Fiscal que foi omitida a classificação completa do CNAE 34.495, cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE (grifo nosso), dizendo que mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o chicote, fato é que o chicote não é produto de metal. A análise da RFB considerou desnecessário ir à fábrica. Baseouse, em princípio, na questão do enquadramento "peças de metal". Insta concordar que o chicote feito a partir de uma seqüência ordenada e sistematizada de cabos elétricos, não é uma peça de metal para veículos. Minha divergência em relação ao voto do relator, portanto, se concentra na operação industrial que redunda no objeto "chicote elétrico" e sua independência em relação a uma mera "junção de fios elétricos". Pensando na indústria moderna, pouca coisa seria então considerada fabricação, uma vez que a diversificação de atividades faz com que produtos eletrônicos sejam oriundos de uma junção de peças fabricadas previamente. Entretanto, não são uma mera "montagem" de componentes, mas um arranjamento altamente técnico dos mesmos, que resulta em um produto com características próprias e funções complexas e específicas, como são os chicotes elétricos aqui em caso. Enfim, concluo que um chicote elétrico não é um simples emaranhado de fios elétricos, ou uma "montagem", é um produto novo, que surge a partir de uma operação que requer conhecimento e treinamento específico, e aplicação diferenciada dos simples fios que o compõem. Assim, não se "monta" um chicote elétrico, mas se "fabrica" um chicote elétrico para uso em veículos, como demonstram a divisão, categoria, grupo, classe e subclasse da atividade econômica, conforme acima citado, e, indubitavelmente, como já concluiu o Auditor Fiscal, não é uma peça de metal, mas um material elétrico diverso. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 17546.000922/200737 Acórdão n.º 2202003.156 S2C2T2 Fl. 724 47 (cnae.ibge.gov.br/?option=com_cnae&view=atividades&Itemid=6160&chave=chicotes+elétric os+exceto+para+veículos&tipo=cnae&chave=chicotes+elétricos+exceto+para+veículos&versa o_classe=7.0.0&versao_subclasse=, pesquisa em 16/02/2016) Código Descrição CNAE 27333 CHICOTES ELÉTRICOS, EXCETO PARA VEÍCULOS; FABRICAÇÃO DE Dessa feita, entendo que está correta a classificação correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%, como feito pela fiscalização. Marcio Henrique Sales Parada Fl. 747DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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