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Numero do processo: 13896.720110/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. OCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO. EXISTÊNCIA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A operação de incorporação é uma sub-rogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa. Tal operação, ao gerar benefício para o contribuinte por qualquer forma, atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos dos parágrafos 3º e 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A apuração do custo de aquisição no caso de distribuição de ações decorrentes de aumento do capital deve ser igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado correspondente ao acionista. ISENÇÃO PREVISTA NO DECRETO Nº 1.510/76. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A revogação do Decreto nº 1.510/76 pela Lei nº 7.713/88 extinguiu o direito a isenção prevista na norma revogada a partir de 01/01/89. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada) e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora). Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte, o Dr. Rodolfo Gregório de Paiva Silva, OAB/SP 296.930/SP e pela Fazenda Nacional o Procurador Arão Bezerra Andrade. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Redator designado. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 02/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     2  Designado  para  fazer  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Carlos  Henrique  de Oliveira.  Fizeram  sustentação  oral  pelo  Contribuinte,  o  Dr.  Rodolfo  Gregório  de  Paiva  Silva,  OAB/SP  296.930/SP e pela Fazenda Nacional o Procurador Arão Bezerra Andrade.  Assinado digitalmente.  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente e Redator designado.   Assinado digitalmente.  ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ ­ Relatora.  EDITADO EM: 02/08/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente  convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos  (Suplente convocada), Denny Medeiros da  Silveira  (Suplente  convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e  Ana Cecília Lustosa da Cruz.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Em  15/01/2014,  foi  lavrado  auto  de  infração  referente  aos  fatos  geradores  ocorridos entre 01/07/2009 a 31/07/2009 decorrente da omissão/apuração  incorreta de ganhos  de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores.  Conforme constam dos autos, em 30 de maio de 2012, foi emitido Mandado  de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização n.º 06.1.85.00­2012­00244­5 com o fim de averiguar o  cumprimento das obrigações tributárias referente ao IRPF do ano­calendário 2009.  Posteriormente,  em  08/06/2012,  por  meio  do  Termo  de  Início  de  Procedimento Fiscal (TIPF) n.º 1, fls. 4 a 6, o contribuinte foi instado a apresentar os seguintes  documentos e informações:  ­  documentos  relacionados  a  alienações  de  bens  e  direitos,  ocorridas  fora  do  ambiente  de  bolsa  de  valores,  no  ano­ calendário de 2009;  ­  data  e  forma  de  integralização  do  capital  social  da  HFF  Participações  S/A  subscrito  pelo  sujeito  passivo,  apresentando,  para  a  devida  comprovação,  o Boletim  de  Subscrição  e  outros  documentos hábeis e idôneos;  ­  a  quantidade  e  valor  das  ações  recebidas  pela  contribuinte  quando  da  incorporação  das  ações  de  emissão  da  HFF  Participações S/A pela BRF – Brasil Foods S/A;  ­ informar o estado civil e apresentar documento idôneo para a  respectiva comprovação.  Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.230          3  Por meio do Termo n.º 2, em 04/07/2012, foi prorrogado o prazo estabelecido  inicialmente no Termo n.º 1, devido à solicitação justificada do procurador.  Com  o  intuito  de  atender  ao  disposto  no  Termo  n.º  2,  em  11/08/2012,  a  contribuinte encaminhou, pelos correios, documentos e esclarecimentos.  Tendo em vista a necessidade de esclarecimentos adicionais, o sujeito passivo  foi  intimado,  por meio  do  Termo  n.º  3,  fls.  53  a  55,  para  que  fossem  prestados  os  devidos  esclarecimentos.  Atendendo à intimação, o sujeito passivo aduziu o seguinte:  ­ que possuía em 08/07/2009 o total de 11.144.741 ações ON da  Sadia S/A ao custo total de R$ 12.543.122,13;  ­ em 08/07/2009, integralizou 905.350 ações ON da Sadia S/A ao  capital  da HFIN Participações  S/A  (HFIN)  e  10.239.391  ações  ON da Sadia S/A ao capital da HFF Participações S/A;  ­  que  em  substituição  às  10.239.931  ações  ON  da  Sadia  S/A,  integralizadas  ao  capital  social  da  HFF,  devido  ao  evento  de  incorporação de ações, recebeu 1.702.268 ações BRF.  Em  seguida,  sucederam  vários  Termos  de  Constatação  e  Continuidade  de  procedimento  fiscal,  tendo  a  contribuinte  apresentado  um  controle  de  ações  contendo  a  quantidade e o valor total das ações, fls. 60 a 62, demonstrando que o custo médio ponderado  das ações de emissão da Sadia ON conferidas à HFF Participações S/A era de R$ 1,12, bem  como  que  as  10.239.391  ações  da  HFF  que  constavam  do  patrimônio  da  fiscalizada,  no  momento  da  incorporação  dessas  ações  pela  BRF,  eram  bens  privados  da  contribuinte  incomunicáveis com os bens de seu cônjuge.  Foram  também  realizadas  várias  diligências  a  fim  de  obter  informações  relativas  ao  processo  de  reorganização  societária  e  da  incorporação  das  ações,  conforme  descreveu  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Brasília  (DF),  nos  termos abaixo transcritos:  AÇÕES  DA  HFF  PARTICIPAÇÕES  S/A  PERTENCENTES  A  CONTRIBUINTE EM 08/07/2009  A  fiscalização apurou que em 08/07/2009 ocorreu a subscrição  de  capital  social  da  HFF  Participações  S/A  e  a  contribuinte  passou  a  ser  proprietária  de  10.239.391  ações  ordinárias  da  HFF.  Ainda  a  fiscalização  afirma  que  após  sucessivos  aumentos  aprovados  na  AGE  de  08/07/2009,  o  capital  social  da  HFF  Participações  S/A  passou  de R$  800,00,  divido  em  04  (quatro)  ações,  para  R$  226.395.804,55,  relativo  a  226.395.405  ações,  sendo que 10.239.391 pertenciam a contribuinte. 1,00, conforme  boletim de subscrição de 215.840.122 ações ordinárias da HFF,  cuja emissão foi aprovada em AGE realizada em 08/07/2009.  INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES DA HFF PARTICIPAÇÕES S/A  PELA BRF BRASIL FOODS S/A  Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     4  Afirma  a  fiscalização  que  a  incorporação  da  totalidade  das  ações  da HFF Participações  S/A  pela BRF  ­  Brasil Foods  S/A  (reorganização societária) foi prevista no Acordo de Associação  firmada  em  19/05/2009  entre  a  Perdigão  S/A  (anterior  denominação  social  da  BRF  ­  Brasil  Foods  S/A,  vigente  até  07/07/2009), a Sadia S/A e a HFF Participações S/A.  O Acordo frisou que o propósito da operação de reorganização  societária  (a  incorporação das ações da HFF pela BRF)  era a  iminente  associação  entre  as  sociedades  Perdigão  S/A  e  Sadia  S/A, sendo, assim, uma das etapas da futura junção.  Estava previsto no Acordo a relação de substituição de 01(uma)  ação da HFF por 0,166247 ação da futura BRF.  Esta  operação  de  reorganização  societária  acarretou  a  alienação, pelos acionistas da HFF, para a BRF, da  totalidade  de  suas  ações,  mediante  o  recebimento  de  0,166247  ações  da  BRF,  com  preço  unitário  de R$  39,40,  por  cada  ação  da HFF  alienada.  Descreve  a  fiscalização  que  o  evento  resultou,  ainda,  no  aumento  de  R$  1.482.889.902,75  no  capital  social  da  BRF  (correspondente ao valor econômico atribuído a HFF no  laudo  de  avaliação)  –  por  meio  da  emissão  de  37.637.557  ações  ordinárias,  a  R$  39,40  a  serem  integralizadas  pelos  (ex)  acionistas da HFF com suas ações, bem como na conversão da  HFF em subsidiária integral da BRF, que passou a ser sua única  acionista.  GANHO  DE  CAPITAL  DECORRENTE  DO  EVENTO  INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES DA HFF PARTICIPAÇÕES S/A  PELA BRF BRASIL FOODS S/A  Em 08/07/2009, a contribuinte alienou à BRF Brasil Foods S/A,  por meio da incorporação das ações, 10.239.391 ações da HFF  Participações  S/A,  das  quais  ela  era  proprietária.  Em  contrapartida,  recebeu  1.702.268  novas  ações  ordinárias  da  BRF ­ Brasil Foods S/A, emitidas em aumento de capital social,  nos  valores  unitário  de  R$  39,40  e  total  de  R$  67.069.359,20  (produto  da  multiplicação  do  número  de  ações  recebidas  –  1.702.268 – pelo preço unitário de R$ 39,40).  O  custo  de  aquisição  das  ações  da  HFF  Participações  S/A  incorporadas pela BRF,  foi  de R$ 10.239.391,00  (10.239.391 x  R$  1,00,  que  é  o  preço  unitário  das  ações  da  Sadia  S/A  conferidas ao patrimônio da HFF Participações S/A, a título de  integralização do capital social por ela subscrito).  Conclui  a  fiscalização  que  o  ganho  de  capital  auferido  pela  contribuinte  foi  de  R$  56.829.968,20  (R$  67.069.359,20  –  R$  10.239.391,00).  O  imposto  de  renda  devido  pela  contribuinte  corresponde a R$ 8.524.495,23 (R$ 56.829,968,20 x 15%).  O enquadramento legal encontra­se nos autos.  Inconformada  com  o  auto  de  infração  apresentado,  a  contribuinte  protocolizou impugnação, fls. 472­532, alegando, em síntese, o que segue:  Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.231          5  a)  impossibilidade  de  enquadramento  da  operação  de  incorporação de ações como espécie de alienação;  b)  inexistência  de  hipótese  de  incidência  do  imposto  de  renda  para casos de incorporações de ações;  c)  inexistência  de  acréscimo  patrimonial  na  incorporação  de  ações e consequente não incidência de IRPF;   d) ausência de realização de renda da pessoa física;  e) isenção do IRPF;  f) insubsistência do valor principal apurado;  g) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício;  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília  julgou  improcedente  a  impugnação,  restando  mantido  o  auto  de  infração,  com  as  seguintes  considerações:  a)  a  impugnação  foi  protocolizada  em  21/02/2014  e  até  o  momento  não  consta  que  a  interessada  tenha  apresentado  petição  requerendo  a  juntada  de  documentos,  apesar  de  já  extrapolado  o  prazo  mencionado  nos  documentos  de  fls.  658­ 662.  Portanto,  o  processo  será  julgado  no  estado  em  que  se  encontra;  b) quanto ao pedido de realização de diligência solicitado pela  contribuinte, considera­se que os elementos constantes dos autos  são  suficientes  para  a  formação  da  convicção  deste  julgador,  principalmente pela juntada do Livro de Registro de Ações e do  Boletim  de  Subscrição  de  Ações,  não  devendo  a  inércia  da  contribuinte  ser  substituída  pela  atuação  da  Receita  Federal,  razão pela qual indefere­se o pedido;  c) a fiscalização apurou que a contribuinte obteve um ganho de  capital no processo de reorganização societária que objetivou a  associação  entre  as  sociedades  empresárias  Perdigão  S/A  (posteriormente denominada BRF Brasil Foods S/A) e Sadia S/A;  d)  na  incorporação  de  ações,  há  alienação  das  ações  incorporadas,  nos  termos  do  §  3º  do  art.  3º  da  Lei  7.713,  de  1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e  avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva entre o  valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, essa deve  ser  tributada  como  ganho  de  capital,  independentemente  da  existência de fluxo financeiro;  e)  também  não  serve  como  fundamento  para  a  inexistência  de  alienação  a  alegação  de  ausência  de  manifestação  de  vontade  dos acionistas da companhia cujas ações são incorporadas;  f)  previamente à  incorporação de ações,  a assembléia­geral da  companhia  incorporadora  aprovando  a  operação,  nomeia  peritos  para  a  avaliação  das  ações  a  serem  incorporadas  e  autoriza o aumento do capital a ser realizado com essas ações.  Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     6  Aprovado  o  laudo  de  avaliação  pela  assembléia­geral  da  incorporadora,  é  efetivada  a  incorporação  das  ações  e  os  titulares  das  ações  incorporadas  recebem  da  incorporadora  novas ações por ela emitidas. Embora não haja fluxo financeiro  na  operação,  ocorre  a  transmissão  de  ativos  e  o  valor  da  operação é quantificado em moeda corrente;  g)  a  contribuinte  alienou  o  total  de  10.239.391  ações  da HFF  Participações S/A (custo de aquisição de R$ 10.239.391,00) para  a  BRF  –  Brasil  Foods  S/A  e  recebeu  1.702.268  novas  ações  ordinárias no valor total de R$ 67.069.359,20;  h)  a  entrega  de  ações  ou  quotas  societárias  a  título  de  integralização  de  capital  se  amolda  perfeitamente  à  hipótese  descrita no artigo 23 da Lei n° 9.249/1995;  i)  na  incorporação  de  ações,  surge  para  o  acionista  disponibilidade sobre as ações da incorporadora recebidas, que  passam a integrar seu patrimônio. No caso, inegável a aquisição  de  disponibilidade  econômica  pela  acionista  que  teve  seu  patrimônio  aumentado,  podendo  fruir  do  valor  agregado  das  ações recebidas;  j)não ampara a contribuinte a invocação de atos normativos, que  tratam da não incidência do imposto de renda, em hipóteses que  configurariam permuta, pois não se aplicam ao caso concreto;  k) não há que se falar em inobservância do regime de caixa, uma  vez  verificado  o  acréscimo  patrimonial,  ainda  que  não  haja  circulação de moeda;  l) a  incorporação de ações caracteriza operação de subscrição  de capital com integralização em bens, porquanto os acionistas  da companhia cujas ações são incorporadas as transferem para  a  companhia  dita  incorporadora,  a  título  de  integralização  de  capital;  m) uma vez que a transferência é efetuada pelo valor constante  do  laudo de avaliação,  se o  valor atribuído às ações  entregues  pela pessoa física for superior ao informado em sua declaração  de  bens  (custo  de  aquisição),  a  variação  positiva  é  sujeita  à  tributação como ganho de capital, com fundamento no artigo 3o  da Lei n° 7.713/1988 e no artigo 23 da Lei n° 9.249/1995, por  configurar acréscimo patrimonial;  n) conforme consta dos autos, a transferência das ações se deu  por  valor  de mercado,  superior  ao  custo  de  aquisição. Não  há  como acolher  a argumentação de  que  não  houve acréscimo no  patrimônio  da  impugnante  por  ocasião  da  incorporação  das  ações;  o) não prevalece o entendimento defendido pela contribuinte de  que  as  ações  incorporadas  são  substituídas  por  ações  da  incorporadora  por  sub­rogação  real.  A  sub­rogação  real  decorre de previsão  legal e não há disposição nesse sentido no  art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976 – Lei das S/A;  p) não se pode olvidar que a incorporação de ações é sujeita à  tributação  pelo  alienante  pessoa  física,  se  apurado  ganho  de  Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.232          7  capital na operação, considerado como  tal a diferença positiva  entre o valor atribuído às ações transferidas e o respectivo custo  de aquisição;  q) a  evolução  acionária  da  contribuinte  encontra­se  registrado  no Livro de Registro de Ações Nominativas, o qual comprova a  quantidade  de  10.239.391,  realizadas  pelo  valor  de  R$  10.239,391,00 (10.239.391 x R$ 1,00), que é o preço unitário das  ações  da  Sadia  S/A  conferidas  ao  patrimônio  da  HFF  Participações  S/A,  a  título  de  integralização  do  capital  social  por ela subscrito), conforme fls. 183­184;  r)  também  o  Boletim  de  Subscrição  de  Ações  confirma  a  subscrição  de  ações  na  quantidade  de  10.239.391  pelo  valor  total de R$ 10.239,391,00;  s) mesmo na vigência do Decreto­lei nº 1.510, de 1976, antes de  efetivada a venda da participação societária, o que existe é uma  expectativa  de  direito.  Houvesse  a  alienação  ocorrido  na  vigência da  indigitada norma, estaria resguardado o direito do  contribuinte à não­incidência;  t) à época da ocorrência do fato gerador do imposto, qual seja, a  alienação da participação societária, o artigo 4º do Decreto­lei  nº  1.510,  de  1976,  já  havia  sido  expressamente  revogado  pelo  artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, que entrou em vigor em 1o de  janeiro de 1989;  u) inexiste direito adquirido à não­incidência prevista na alínea  “d” do Decreto­lei n° 1.510/1976, por não ter sido concedida a  prazo  certo  e  sob  condição  onerosa,  conforme  se  extrai  do  disposto no artigo 178 do Código Tributário Nacional;  v) no tocante à alegação de que não incidem juros de mora sobre  a multa  de  ofício  e  que,  por  conseguinte,  a  incidência  da  taxa  SELIC sobre a referida multa deva ser afastada, ressalte­se que,  consoante Demonstrativo de Multa e Juros de Mora constante do  auto de infração, fl. 443, o percentual determinante dos juros de  mora  até  janeiro  de  2014  foi  aplicado  tão­somente  sobre  o  imposto apurado, não havendo o que se alterar no lançamento.  Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário, no qual a contribuinte reitera os argumentos ventilados em sede de impugnação.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     8  Conforme  relatado,  foi  lavrado  auto  de  infração  em  decorrência  do  não  recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) supostamente devido sobre ganho de  capital auferido pela contribuinte no processo de reorganização societária que objetivou a  associação  entre  as  sociedades  empresárias  Perdigão  S/A  (posteriormente  denominada  BRF Brasil Foods S/A) e Sadia S/A.  A  fim  de  cumprir  as  condições  impostas  para  a  efetivação  da  Associação,  acionistas  da  Sadia,  conforme  o  que  havia  sido  decidido  em Assembléia  Geral,  aportaram  ações ordinárias da Sadia S/A de sua titularidade ao capital social da HFF Participações  S/A,  tornando­se  acionistas  desta  sociedade,  de  acordo  com  o  que  se  depreende  da  Ata  de  assembléia Geral datada de 8/2009 (documento n.º 4 da Impugnação).  Em seqüência, foi deliberada e aprovada a incorporação da totalidade das  ações da HFF Participações S/A pela BRF  ­ Brasil Foods S/A,  consoante  as Assembléias  Gerais das duas sociedades, sendo que os acionistas originais da Sadia, como a Recorrente,  receberam ações da BRF em substituição às ações HFF incorporadas pela BRF.  Em  18/8/2009,  meses  após  a  efetivação  da  operação  de  incorporação  das  ações  HFF  pela  BRF,  foi  implementada  a  incorporação  da  totalidade  das  ações  Sadia  remanescentes no mercado pela BRF (documento n.º 5 da Impugnação).  Nesse contexto, a fiscalização, conforme o contido no Termo de Verificação  Fiscal,  fl.  453,  buscou  demonstrar que a  contribuinte  alienou a  totalidade  de  suas  ações  da  empresa  HFF  Participações  S/A  para  a  BRF  Brasil  Foods  S/A  e,  nesta  operação,  auferiu  ganho  de  capital,  o  qual  se  subsume à  hipótese  de  incidência  tributária,  sendo,  assim,  fato  gerador do imposto de renda.  Narra a fiscalização que a evolução acionária da Sra. Carla Maria Carvalho  Fontana na HFF está registrada no Livro de Registro de Ações Nominativas da HFF, o qual  corrobora a quantidade informada pela contribuinte. Portanto, em 08/07/2009, a contribuinte  era titular de 10.239.391 ações ordinárias da HFF Participações S/A.  Além disso, detalhou a fiscalização a operação da seguinte forma:  59.  A  incorporação  da  totalidade  das  ações  da  HFF  Participações  S/A  pela  BRF  Brasil  Foods  S/A  ­  operação  de  reorganização societária que converteu a HFF em subsidiária  integral  da  BRF  ­  foi  prevista,  inicialmente,  no  Acordo  de  Associação  firmado  em  19/05/2009  entre  a  Perdigão  S/A  (anterior denominação social da BRF Brasil Foods S/A, vigente  até 07/07/2009),  a Sadia  e a HFF Participações S/A,  cujo  teor  está sintetizado no Fato Relevante de 19/05/2009 (fls. 185/192).  60.  Este  acordo  ressaltou  que  o  propósito  mediato  desta  operação de reorganização societária (a incorporação das ações  da HFF pela BRF) era a iminente associação entre as empresas  Perdigão  S/A  (doravante  também  referida  como  Perdigão)  e  Sadia S/A, sendo, portanto, uma das etapas da futura junção.  61. Neste Acordo estava prevista a relação de substituição de 1  ação para HFF por 0,166247 ação da (futura) BRF.  62.  Ulteriormente,  em  22/06/2009,  a  ainda  Perdigão  e  HFF  celebraram  o  Protocolo  e  Justificação  da  Incorporação  das  Ações de Emissão da HFF Participações S/A pela Perdigão S/A  (fls.  193/202),  que  é  documento  obrigatório  e  inerente  à  Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.233          9  incorporação de ações, por disposição expressa do caput do art.  252  da  Lei  n.º  6.404/1976,  o  qual  remete  às  prescrições  dos  artigos 224 e 225 desta lei.  63.  O  protocolo  e  justificação  previu,  como  condição  suspensiva  da  efetivação  da  operação  de  reorganização  societária,  a  HFF  tornar­se  proprietária  de  ações  da  Sadia  (131.070.000  ações,  no  mínimo,  e  231.236.725  ações,  no  máximo) até 08/07/2009, que foi a data eleita para a aprovação,  em  Assembléia  Geral  da  Perdigão,  da  incorporação  de  ações  (item "c" da Cláusula Primeira).  64.  Em  sintonia  com  o  Acordo  de  Associação,  a  Cláusula  Segunda do Protocolo e Justificação destacou a incorporação de  ações  como  uma  das  etapas  da  iminente  associação  entre  a  Perdigão  S/A  e  a  Sadia  S/A,  enquanto  a  Cláusula  Terceira  dispôs sobre a relação de substituição, já previamente definida,  de  1  ação HFF por  0,166247 ação ordinária  da  (futura) BRF,  tendo  em  vista  as  conclusões  alcançadas  nos  laudos  de  avaliação econômico­financeira. (...).  74. Esta operação de reorganização societária consubstanciou  a alienação, pelos acionistas da HFF, para a BRF, com preço  unitário de R$ 39,40 por cada ação da HFF alienada.  75.  O  evento  resultou  no  aumento  de  R$  1.482.889.902,75  no  capital  social  da  BRF  (correspondente  ao  valor  econômico  atribuído à HFF no laudo de avaliação) ­ por meio da emissão  de  37.637.557  ações  ordinárias,  a  R$  39,40,  a  serem  integralizadas  pelos  acionistas  da HFF  com  suas  ações,  assim  como na conversão da HFF em subsidiária integral da BRF, que  passou a ser sua única acionista. (...).  77.  Em  08/07/2009,  a  Sra  Carla  Maria  Carvalho  Fontana  alienou à BRF ­ Brasil Foods S/A, por meio da  incorporação  de  ações,  10.239.391  ações  da  HFF  Participações  S/A,  das  quais  ela  era  proprietária.  Como  contraprestação,  recebeu,  dentre  as  novas  ações  originárias  da  BRF Brasil  Foods  S/A,  emitidas  em  aumento  de  capital  social,  1.702.268  ações,  nos  valores  unitários  de  R$  39,40  e  total  de  R$  67.069.359,20  (produto  da  multiplicação  do  número  de  ações  recebidas  ­  1.702.268 ­ pelo preço unitário destas ­ R$ 39,40). (...).  79. O  custo  de  aquisição  de  suas  ações  da HFF Participações  S/A  incorporadas  pela  BRF  foi  de  R$  10.239.391,00  (10.239.391,00X R$ 1,00,  que  é  o  preço  unitário  das  ações  da  Sadia S/A conferidas ao patrimônio da HFF Participações S/A a  título de integralização do capital social por ela subscrita). (...).  82. Neste auto de infração houve o lançamento de imposto sobre  a renda da pessoa física no valor de R$ 8.524.495,23 acrescido  de  juros  e multa  de  ofício  de  75%  (art.  44  da Lei  n.º  9.430/96  com  redação  dada  pela  Lei  n.º  11.488/2007),  no  período  de  apuração  de  julho/2009  9vide  tabela  1  do  parágrafo  81),  controlado  pelo  Processo  Administrativo  Fiscal  13896.720.110/2014­18.  Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     10  Diante do processo de reorganização societária, segundo o relato de ambas as  partes, a  controvérsia  em questão  restringe­se  à  ocorrência  ou não do  ganho do  capital  apontado pela fiscalização, na operação de incorporação de ações, como fato gerador do  Imposto de Renda Pessoa Física.  A  situação  em  análise  enquadra­se  na  denominada  incorporação  de  ações  prevista  no  artigo  252  da  Lei  n.º  6.404/76,  que  dispõe  sobre  as  Sociedades  por  Ações,  nos  seguintes termos:  Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao  patrimônio de outra companhia brasileira, para convertê­la em  subsidiária  integral,  será  submetida  à  deliberação  da  assembléia­geral  das  duas  companhias  mediante  protocolo  e  justificação, nos termos dos artigos 224 e 225.  §  1º  A  assembléia­geral  da  companhia  incorporadora,  se  aprovar  a  operação,  deverá  autorizar  o  aumento  do  capital,  a  ser  realizado  com as  ações  a  serem  incorporadas  e nomear  os  peritos  que  as  avaliarão;  os  acionistas  não  terão  direito  de  preferência  para  subscrever  o  aumento  de  capital,  mas  os  dissidentes  poderão  retirar­se  da  companhia,  observado  o  disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas  ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 2º A assembléia­geral da companhia cujas ações houverem de  ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto  de  metade,  no  mínimo,  das  ações  com  direito  a  voto,  e  se  a  aprovar,  autorizará  a  diretoria  a  subscrever  o  aumento  do  capital  da  incorporadora,  por  conta  dos  seus  acionistas;  os  dissidentes  da  deliberação  terão  direito  de  retirar­se  da  companhia,  observado  o  disposto  no  art.  137,  II,  mediante  o  reembolso  do  valor  de  suas  ações,  nos  termos  do  art.  230.  (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997)  §  3º  Aprovado  o  laudo  de  avaliação  pela  assembléia­geral  da  incorporadora,  efetivar­se­á  a  incorporação  e  os  titulares  das  ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as  ações que lhes couberem.  §  4o  A  Comissão  de  Valores  Mobiliários  estabelecerá  normas  especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações  de  incorporação  de  ações  que  envolvam  companhia  aberta.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  O  fisco  identificou  ganho  de  capital  na  operação  realizada  e  autuou  a  contribuinte, essencialmente, com base nas disposições abaixo transcritas:  Artigos 2º, 3º, 16 e 19 da Lei n.º 7.713/88  Art.  2º  O  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente,  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital forem percebidos.  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei.   Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.234          11  §  3º  Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações  que  importem alienação,  a  qualquer  título,  de  bens  ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas  por  compra  e  venda,  permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão  de  direitos  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  e  contratos afins.  Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou  valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso:  I  ­  o  valor  atribuído  para  efeito  de  pagamento  do  imposto  de  transmissão;  II ­ o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto  de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de  desembaraço aduaneiro;  III ­ o valor da avaliação do inventário ou arrolamento;  IV ­ o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo  do ganho de capital do alienante;  V ­ seu valor corrente, na data da aquisição.(...).  Art. 19. Valor da  transmissão é o preço efetivo de operação de  venda ou da cessão de direitos, ressalvado o disposto no art. 20  desta Lei.   Parágrafo  único.  Nas  operações  em  que  o  valor  não  se  expressar  em  dinheiro,  o  valor  da  transmissão  será  arbitrado  segundo o valor de mercado.  Artigo 21 da Lei 8.981/95  Art.  21.  O  ganho  de  capital  percebido  por  pessoa  física  em  decorrência  da  alienação  de  bens  e  direitos  de  qualquer  natureza sujeita­se à incidência do imposto sobre a renda, com  as seguintes alíquotas: (...).  Artigo 23 da Lei n.º 9.249/95  Art.  23.  As  pessoas  físicas  poderão  transferir  a  pessoas  jurídicas,  a  título  de  integralização  de  capital,  bens  e  direitos  pelo  valor  constante  da  respectiva  declaração  de  bens  ou  pelo  valor de mercado.  § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de  bens,  as  pessoas  físicas  deverão  lançar  nesta  declaração  as  ações  ou  quotas  subscritas  pelo  mesmo  valor  dos  bens  ou  direitos  transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do  Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20,  II, do Decreto­Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     12  §  2º  Se  a  transferência  não  se  fizer  pelo  valor  constante  da  declaração  de  bens,  a  diferença  a  maior  será  tributável  como  ganho de capital.  Artigos 117,123,132 e 138 do RIR/99  Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este  Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação  de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988,  arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21).  § 1  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  ao  ganho  de  capital auferido em operações com ouro não considerado ativo  financeiro (Lei nº 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único).  § 2ºOs ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e  tributados  em  separado,  não  integrando  a  base  de  cálculo  do  imposto  na  declaração  de  rendimentos,  e  o  valor  do  imposto  pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº  8.134,  de  1990,  art.  18,  § 2º,  e  Lei  nº  8.981,  de  1995,  art.  21,  § 2º).  § 3ºO ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no  exterior  será  apurado  e  tributado  de  acordo  com  as  regras  aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. 18).  § 4ºNa  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos  afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º).  § 5ºA tributação independe da localização dos bens ou direitos,  observado o disposto no art. 997.  Art. 123.Considera­se valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988,  art. 19 e parágrafo único):  I ­ o preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117;  II ­ o  valor  de  mercado  nas  operações  não  expressas  em  dinheiro;  III ­ no caso de alienações efetuadas a pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  em  países  com  tributação  favorecida  (art. 245), o valor de alienação será apurado em conformidade  com o art. 240 (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 19 e 24). (...).  Art. 132.  As  pessoas  físicas  poderão  transferir  a  pessoas  jurídicas,  a  título  de  integralização  de  capital,  bens  e  direitos,  pelo  valor  constante  da  respectiva  declaração  de  bens  ou  pelo  valor de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23).  § 1º  Se  a  transferência  for  feita  pelo  valor  constante  da  declaração  de  bens,  as  pessoas  físicas  deverão  lançar  nesta  declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos  Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.235          13  bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art.  464 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, § 1º).  § 2º  Se  a  transferência  não  se  fizer  pelo  valor  constante  da  declaração  de  bens,  a  diferença  a  maior  será  tributável  como  ganho de capital.  Art. 138.  O  ganho  de  capital  será  determinado  pela  diferença  positiva,  entre  o  valor  de  alienação  e  o  custo  de  aquisição,  apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988,  art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de  1995, art. 17).  Artigo 16 da IN SRF 84/2001  Art.  16.  Na  hipótese  de  integralização  de  capital  mediante  a  entrega de bens ou direitos, considera­se custo de aquisição da  participação adquirida o valor dos bens ou direitos transferidos,  constante  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  ou  o  seu  valor  de  mercado. (...).   A partir da leitura dos dispositivos citados, observa­se que, para a tributação  do ganho de capital, se faz necessária a ocorrência de alienação de bens ou direitos ou cessão  ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição.  Também,  conforme o  disposto  no  art.  23  da Lei  n.º  9.249/95,  consta  como  essencial a transferência de bens e direitos, a título de integralização de capital, entre pessoa  física e pessoa jurídica.  Identificados os fatos e a legislação aplicada ao caso concreto, cabe averiguar  a operação realizada (incorporação de ações), diante dos conceitos de direito privado, e avaliar  os  efeitos  atribuídos  pela  legislação  tributária,  em  consonância  com o  artigo  109  do Código  Tributário Nacional,  segundo o qual os princípios gerais de direito privado utilizam­se para  pesquisa da definição, do  conteúdo e do alcance de  seus  institutos,  conceitos  e  formas, mas  não para definição dos respectivos efeitos tributários.  Considerando  as  normas  mencionadas,  cumpre  esclarecer  os  seguintes  conceitos oriundos do direito privado:  a) alienação ­ é forma voluntária de perda da propriedade. É o  ato  pelo  qual  o  titular  transfere  sua  propriedade  a  outro  interessado.  Dá­se  a  alienação  de  forma  voluntária  ou  compulsória, sendo exemplo de alienação voluntária a dação em  pagamento,  e  de  alienação  compulsória  a  arrematação.  Ela  ainda  pode  ser  a  título  oneroso  ou  gratuito,  configurando­se  alienação a título oneroso a compra e venda, e a título gratuito a  doação. Cumpre ressaltar que a  transferência do bem alienado  só  poderá  ocorrer  por  meio  de  contrato,  isto  é,  por  meio  de  negócio jurídico bilateral que expresse a  transmissão do bem a  outra  pessoa.(GONÇALVES,  Carlos  Roberto.  Direito  Civil  Brasileiro  ­  Direito  das  Coisas.  v.  V,  São  Paulo:  Editora  Saraiva, 2007).  b)  incorporação  de  ações  ­  como  ensina  Ricardo  Mariz  de  Oliveira,  em  sua  obra  Incorporação  de  Ações  no  Direito  Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     14  Tributário,  o  termo  incorporação  é  utilizado  impropriamente  pelo  art.  252,  e,  caso  não  entendido  corretamente,  presta­se  a  confusão  com  o  ato  jurídico  típico  de  incorporação  de  outra  pessoa jurídica.  A  incorporação  de  ações  disciplinada  pelo  artigo  252  não  se  confunde  com  a  incorporação  de  outra  sociedade,  regida  especialmente  pelo  artigo  227,  uma  vez  que  nesta  a  sociedade  incorporada  desaparece,  deixando  de  existir  como  pessoa  jurídica  autônoma  para  ser  sucedida  universalmente  pela  incorporadora, ao passo que na incorporação de ações ambas as  sociedades continuam a coexistir, sem que uma suceda a outra.  A incorporação de ações do art. 252, embora acarrete aumento  de  capital  da  sociedade  dita  incorporadora,  não  se  confunde  com  os  aumentos  de  capital  a  que  alude  o  art.  170,  principalmente  porque  neste  há  direito  de  preferência,  que  inexiste no art. 252, e também porque no art. 252 há direito de  retirada  para  os  dissidentes,  normalmente  não  corrente no  art.  170,  além  de  que  seus  objetivos  são  distintos,  eis  que  a  incorporação  de  ações  visa  constituir  outra  sociedade  como  subsidiária  integral  da  companhia  e  o  aumento  de  capital  visa  apenas o incremento da capitalização de uma única sociedade.  c) capital social ­ em se tratando de capital social em sociedades  anônimas  é  relevante  citar  que:  “O  capital  das  sociedades  anônimas  pode  compreender  qualquer  espécie  de  bens,  móveis  ou imóveis, corpóreos ou incorpóreos, susceptíveis de avaliação  em dinheiro” (LIMA, 1969, p. 221).   O  capital  social  na  sociedade  anônima  pode  ser  subscrito  ou  integralizado.  O  primeiro  é  a  mensuração  do  montante  de  recursos  prometidos  pelos  sócios  para  a  sociedade,  a  título  de  capitalização,  o  segundo  corresponde  aos  recursos  já  transferidos para o patrimônio social. (COELHO2 2016, p. 171).  d) subscrição ­ é ato unilateral de vontade da pessoa interessada  em se tornar titular da ação emitida. Por meio dele o subscritor  adere às condições estabelecidas pela sociedade emissora, isto é,  manifesta  a  sua  concordância  com  o  preço  de  emissão,  condições  de  pagamento,  datas  de  vencimentos  das  obrigações  etc. Quando se trata de ingresso de novo investidor no quadro de  acionista, o ato de subscrição  também tem o sentido de adesão  às regras do estatuto da sociedade emissora. (COELHO2 2016,  p. 129).   e) preço de emissão ­ ao examinar­se a questão do valor da ação  (cap.  19,  item  I),  distinguiu­se  preço  de  emissão  do  valor  nominal. o primeiro corresponde à importância a ser paga pelo  investidor  para  se  tornar  titular  da  ação,  enquanto  o  segundo  resulta da operação aritmética de divisão do capital social pelo  número de ações.(COELHO2 2016, p. 173).  Analisando  inicialmente  os  argumentos  acerca  da  alienação,  observa­se  claramente que a  reorganização societária ocorrida não  implicou em alienação de ações, mas  sim em mera substituição de ações, pois não se vislumbra, no presente caso, a  transferência,  por ato de alienação, de bens de pessoa física para uma pessoa jurídica.  Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.236          15  Para  a  caracterização  do  instituto  da  alienação,  diante  do  conceito  estabelecido pelo direito privado, faz­se imperiosa a transmissão da propriedade e a vontade do  alienante  em  transmiti­la,  situação  que  não  se  identifica  na  incorporação  de  ações,  pois  na  reorganização societária há manifestação coletiva da pessoa jurídica, por meio da deliberação  da  maioria  em  assembléia  geral,  no  interesse  da  companhia,  não  havendo  manifestação  individual dos sócios, com interesse particular, sobre o elemento volitivo necessário para que  se consubstancie a alienação.  Nesse sentido, leciona Sacha Calmon Navarro Coelho:   Na  incorporação  de  ações,  os  sócios,  pessoas  físicas,  não  praticam nenhum ato de alienação de suas ações, pois apenas as  pessoas societárias envolvidas atuam. (...)  O contribuinte pessoa física não pratica qualquer ato; não vende  nem  aliena  as  suas  ações.  Quem  pratica  todos  os  atos  são  as  pessoas sociais (pessoas jurídicas envolvidas), motivo pelo qual  os sócios pessoas físicas, independentemente de terem aprovado  a operação ou dela discordado na assembléia de acionistas que  a  aprovou,  limitar­se­ão  a  modificar,  nas  respectivas  declarações de bens,  a qualificação  da  participação,  que antes  era na incorporada e agora passa a ser na incorporadora  O que se verifica, na operação narrada, é uma sub­rogação, no patrimônio da  acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa (ações da HFF pelas ações  da BRT), não havendo que se falar em ganho de capital, pois não há disponibilidade efetiva da  renda, que pode acontecer, caso a contribuinte efetue a alienação da participação societária.  Assim,  o  ganho de  capital  depende  da  realização  do  ganho  e,  de  fato,  pelo  que consta dos autos, o sujeito passivo não recebeu numerário com a incorporação das ações.  O art. 2º da Lei 7.713/88 determina que Imposto de Renda Pessoa Física será  devido  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  forem  percebidos.  Assim,  inexistindo  ganho  efetivo,  embora  aferível  ganho  potencial,  evidencia­se  como  indevido  o  imposto em comento.  Destaca­se  que  a  atribuição  de  valor  às  ações  é  requisito  do  ato,  conforme  dispõe a legislação já mencionada, inexistindo fixação de preço das ações, mas sim avaliação  para fins societários específicos.  Relevante  ressaltar  que  o  mercado  de  capitais  possui  a  característica,  de  conhecimento notório, de ser sazonal, sendo possível, quando da alienação da participação, a  ocorrência de valorização ou desvalorização das ações, razão pela qual poderá ou não ocorrer o  ganho de capital, posteriormente.  Ademais,  torna­se  relevante  esclarecer  a  distinção  entre  a  operação  de  incorporação  de  ações  e  a  constituição  de  subsidiária  integral  com  aquisição  de  ações  da  futura subsidiária mediante a entrega de ações da futura controladora, conforme dispõe o §  2º, artigo 251, da Lei n.º 6.404/76:  Art. 251. A companhia pode ser constituída, mediante escritura  pública, tendo como único acionista sociedade brasileira.  Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     16  (...).  §  2º  A  companhia  pode  ser  convertida  em  subsidiária  integral  mediante  aquisição,  por  sociedade  brasileira,  de  todas  as  suas  ações, ou nos termos do artigo 252.  Assim, resta claro que uma subsidiária integral pode ser constituída mediante  a aquisição de ações ou nos termos do art. 252 (pela operação de incorporação de ações), de  modo que se tratam de operações distintas (subscrição de capital ¹ incorporação de ações).  Nesse  sentido,  pondera  o  trecho  extraído  da  obra  de  Fábio  Ulhoa  (  COELHO2 2016, p. 468:  Subsidiária  integral.  É  uma  sociedade  unipessoal  não  temporária,  que  adota  sempre  a  forma  de  anônima  (art.  251).  Ela pode ser originariamente unipessoal, quando constituída por  escritura  pública,  cujas  ações  são  todas  subscritas  por  uma  sociedade  empresária  brasileira  (de  qualquer  tipo);  ou  pode  resultar  da  incorporação  de  suas  ações,  operação  que  não  se  confunde com a incorporação de sociedades.  Também  se  mostra  oportuno  salientar  a  distinção  entre  a  incorporação  de  ações  e  a  permuta,  pois  a  causa  jurídica  da  permuta  é,  essencialmente,  trocar  bens;  não  se  confundindo com a causa jurídica da  incorporação de ações, que é a conversão da sociedade  em subsidiária integral.  Portanto,  a  incorporação  de  ações  possui  contornos  próprios,  não  se  enquadrando  no  instituto  da  subscrição  de  capital  seguida  de  integralização  de  bens;  no  instituto  da  permuta;  ou  na  alienação,  embora  possua  elementos  comuns  aos  referidos  institutos.  Com  suas  peculiaridades,  a  incorporação  de  ações,  diversamente  de  outros  institutos de Direito Societário, nunca foi objeto de expressa regulação em matéria tributária,  como se observa com a transformação (Decreto ­ Lei n. 5844, de 23 de setembro de 1943, art.  54, alíneas b e c), a incorporação, fusão e cisão ( Lei n. 9249, de 23 de setembro de 1995, art.  21  e  Lei  n.  9430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  art.  1°,  parágrafo  1°),  da  integralização  de  capital, por pessoa física, com bens e direitos (Lei n. 9249, art. 23) assim como da devolução  de capital social à pessoa física, em bens e direitos (Lei n. 9249, art. 22).   Cabe esclarecer que a ausência de norma determinando os efeitos tributários  da  incorporação  de  ações  não  é  por  acaso,  considerando  que  tal  operação  não  implica  em  solução de continuidade da incorporadora ou da empresa que teve suas ações incorporadas, o  que  torna  a  incorporação  de  ações  diversa  de  outras  operações,  como  se  depreende  da  exposição de motivos da Lei n.º 6.404/76, conforme segue:  Seção V  Subsidiária Integral  A  companhia  que  tem  por  único  acionista  outra  sociedade  brasileira  é  expressamente  admitida  e  regulada  no  artigo  252,  que dá juridicidade ao fato diário, a que se veem constrangidas  as  companhias  de  usar “homens  de  palha”  para  subscreverem  algumas ações, em cumprimento ao requisito formal de número  mínimo de acionistas (...).  Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.237          17  A  incorporação  de  ações,  regulada  pelo  artigo  253  é  meio  de  tornar  a  companhia  subsidiária  integral,  e  equivale  à  incorporação  de  sociedade  sem  extinção  da  personalidade  jurídica da incorporada.  Assim,  apesar  de  a  incorporação  de  ações  possuir  pontos  em  comuns  com  outros institutos, como já asseverado, nem por isso devem ser aplicadas as disposições a eles  pertinentes, sob pena de inobservância dos termos do § 2º do art. 108 do CTN (o emprego da  analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei), decorrência lógica  do princípio da legalidade tributária (art. 150, I).  Nota­se,  diante  de  toda  controvérsia,  que  a  utilização  do  valor  de mercado  das ações para a prática da incorporação é o detalhe que vem gerando reação das autoridades  fiscais  no  sentido  da  ocorrência  de  ganho  tributável  na  pessoa  dos  sócios. Contudo,  a  rigor,  nada se modifica para os sócios da sociedade cujas ações estão sendo  incorporadas, havendo  apenas substituição de suas ações pelas ações da incorporadora.  Corroborando o  exposto,  vale  destacar  o Parecer  emitido  pela Procuradoria  Federal especializada junto à Comissão de Valores Mobiliários, autarquia instituída pela Lei n.º  6.385/76, vinculada ao Ministério da Fazenda, nos seguintes termos:  Não  há  que  se  falar,  portanto,  em  alienação  de  ações  da  incorporada para posterior compra de ações da incorporadora,  até  mesmo  porque  a  incorporação,  até  mesmo  porque  a  incorporação  (e  a  consequente  substituição  das  ações)  pode  ocorrer  sem  o  consentimento  do  acionista,  uma  vez  que  não  depende  de  unanimidade  na  deliberação  da  Assembléia  Geral,  prescindindo, dessa forma, da manifestação de vontade do sócio  na sua qualidade de subscritor. (...). (citando doutrina de Alberto  Xavier).  O  titular  das  ações  a  serem  objeto  de  incorporação  nada faz, nada transmite, nada permuta: limita­se passivamente  a  receber  da  sociedade  incorporadora  ações  substitutivas  das  originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar  equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de sub­ rogação real.  O Câmara Superior de Recursos Fiscais, embora a matéria seja controvertida,  proferiu, na sessão realizada em 03 de março de 2015, entendimento no sentido da inexistência  de  fundamento  legal para exigência do  IRPF por ganho de capital na  incorporação de ações,  conforme ementa baixo transcrita:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF   Exercício:2008   IRPF  ­  OPERAÇÃO  DE  INCORPORAÇÃO  DE  AÇÕES  ­  INEXISTÊNCIA  DE  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL.   A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei  n°  6.404/76,  difere  da  incorporação  de  sociedades  e  da  subscrição  de  capital  em  bens.  Com  a  incorporação  de  ações,  ocorre  a  transmissão  da  totalidade  das  ações  (e  não  do  patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da  incorporadora,  sem  ser  extinta,  ou  seja,  permanecendo  com  direitos  e  obrigações.  Neste  caso,  se  dá  a  substituição  no  patrimônio do sócio, por  idêntico valor, das ações da empresa  Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     18  incorporada  pelas  ações  da  empresa  incorporadora,  sem  sua  participação,  pois  quem  delibera  são  as  pessoas  jurídicas  envolvidas  na  operação.   Os  sócios,  pessoas  físicas,  independentemente  de  terem ou  não  aprovado  a  operação  na  assembléia  de  acionistas  que  a  aprovou,  devem,  apenas,  promover  tal  alteração  em  suas  declarações  de  ajuste  anual.   Ademais,  nos  termos  do  artigo  38,  §  único,  do  RIR/99,  a  tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está  sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte  não  recebeu  nenhum  numerário  em  razão  da  operação  autuada.   Não se aplicam à  incorporação de ações o artigo 3°,  § 3°,  da  Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95.  Inexistência  de  fundamento  legal  que  autorize  a  exigência  de  imposto  de  renda  pessoa  física  por  ganho  de  capital  na  incorporação  de  ações  em  apreço.Recurso  especial  negado.  (Acórdão n.º9202­003.579, Redator Conselheiro Manoel Coelho  Arruda Junior, CARF, sessão de 03 de março de 2015).  Extrai­se do voto vencedor citação elucidativa acerca do  tema  incorporação  de ações constante do artigo de autoria de Alberto Xavier  (Incorporação de Ações; Natureza  Jurídica e Regime Tributário), nos termos seguintes:  A configuração da operação de incorporação de ações como um  contrato  entre  duas  sociedades,  e  não  como  um  contrato  entre  sócio  sociedade  (como  é  a  conferência  de  bens),  resulta  da  necessidade  de  permitir  que  ela  seja  aprovada  pela  maioria  e  não  pela  unanimidade  dos  sócios,  sendo  que  a  maioria  na  sociedade  cujas  ações  houverem  de  ser  incorporadas  é  uma  maioria qualificada, exigindo o voto da metade, no mínimo, da  ações com direito a voto (art. 252, § 2º). (...).  Um  dos  efeitos  típicos  do  contrato  de  incorporação  de  ações  consiste precisamente na substituição no patrimônio dos  sócios  das ações previamente  existentes,  representativas do  capital  da  sociedade  da  qual  originariamente  participavam,  por  ações  da  sociedade  incorporadora  emitidas  em  conseqüência  da  incorporação das mesmas ações.  O  titular  das  ações  a  serem  objeto  de  incorporação  nada  faz,  nada  transmite,  nada  permuta:  limita­se  'passivamente'  a  receber  da  sociedade  incorporadora  ações  substitutivas  das  originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar  equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de sub­ rogação real.  Das  considerações  precedentes  acerca  da  natureza  jurídica  da  incorporação  de  ações  resulta  claramente  que  se  trata  de  um  instituto de direito societário dotado de características próprias  e  que  impedem  a  sua  identificação,  seja  com  a  figura  da  incorporação de sociedades, seja com a figura de subscrição de  aumento de capital em bens.  Por  oportuno,  cumpre  mencionar  o  entendimento  do  Tribunal  regional  Federal  da  4ª  Região,  no  julgamento  da  Apelação  n.º  5052793­42.2011.4.04.7000,  sobre  a  matéria em questão:  Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.238          19  Não há a alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta,  mas  sim  a  sub­rogação  legal  dos  acionistas  cujas  ações  houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. (...)  A  alienacão  importa  na  renúncia  de  um  direito  e  é,  portanto,  voluntária. Tendo em vista que na sub­rogação real derivada de  lei  há  a  substituição  de  uma  coisa  por  outras  em  razão  de  expressa previsão legal, não há que se confundir alienação com  sub­rogação real. (...).  Mesmo que  se  considerasse a  incorporação de ações  como ato  de  alienação,  não estaria a  situação dos  autos  enquadrada no  âmbito  da  regra matriz  de  incidência  do  IRPF.  Pela  simples  e  óbvia  razão  de  que  nem  toda  alienação  implica  em  ganho  de  capital. Em outras palavras, a realização de uma alienação. por  si só, não gera ganho de capital. cujo exemplo típico é a permuta  sem  torna,  ainda  que  não  coincidentes  os  valores  dos  bens  permutados.  (2ª Turma, ReI. Des. Otávio Roberto Pamplona, J: 11/10/2015 ­  grifos nossos ­ íntegra anexa ­ doc. 01).  Nesse  contexto,  diante  da  inexistência  de  fundamento  legal  que  autorize  a  exigência do  Imposto de Renda Pessoa Física por ganho de capital na  incorporação de ações  em apreço, impõe­se o cancelamento da exigência.  Assim,  voto  por CONHECER  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  DAR  PROVIMENTO.  Assinado digitalmente.  Ana Cecília Lustosa da Cruz­ Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado  Em  que  pese  o  costumeiro  acerto  do  entendimento  esposado  pela  ilustre  Conselheira  Relatora,  ouso,  com  a  devida  vênia,  dela  discordar  pelos  motivos  que  passo  a  apresentar.  Como bem apontado a questão fulcral para o deslinde da controvérsia sobre o  lançamento  tributário  cinge­se  "à  ocorrência  ou  não  do  ganho  do  capital  apontado  pela  fiscalização, na operação de incorporação de ações, como fato gerador do Imposto de Renda  Pessoa Física."  Após respeitável construção teórica, a eminente Relatora assevera (fls 1237):  "Também  se  mostra  oportuno  salientar  a  distinção  entre  a  incorporação  de  ações  e  a  permuta,  pois  a  causa  jurídica  da  permuta é, essencialmente, trocar bens; não se confundindo com  a causa jurídica da incorporação de ações, que é a conversão da  sociedade em subsidiária integral.  Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     20  Portanto,  a  incorporação  de  ações  possui  contornos  próprios,  não  se  enquadrando  no  instituto  da  subscrição  de  capital  seguida  de  integralização de  bens;  no  instituto  da  permuta;  ou  na  alienação,  embora  possua  elementos  comuns  aos  referidos  institutos."  Como  consequência  das  distinções  apontadas,  e  após mencionar  parecer  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  e  alguma  jurisprudência  desta  Corte  e  de  Tribunais  Federais, a Conselheira Relatora conclui que (fls. 1238):   "Nesse contexto, diante da inexistência de fundamento legal que  autorize  a  exigência  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  por  ganho de capital na incorporação de ações em apreço, impõe­se  o cancelamento da exigência."  Esses são os pontos essenciais da nossa divergência. Entendo, pelos motivos  abaixo,  que  há  equiparação  entre  os  negócios  jurídicos  realizados  e  previsão  de  incidência,  ambos com estrita base legal.  Como cediço as regras de interpretação da legislação tributária se encontram  definidas,  consoante  determinação  expressa  do  artigo  146,III  da Carta da República,  em Lei  Complementar,  status  com  o  qual  o  Código  Tributário  Nacional,  Lei  nº  5.172/66,  foi  recepcionado. Em seu artigo 108, encontramos:   "Art.  108.  Na  ausência  de  disposição  expressa,  a  autoridade  competente  para  aplicar  a  legislação  tributária  utilizará  sucessivamente, na ordem indicada:  I ­ a analogia;  II ­ os princípios gerais de direito tributário;  III ­ os princípios gerais de direito público;  IV ­ a eqüidade.  § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de  tributo não previsto em lei.  § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do  pagamento de tributo devido."  O comando  legal é claro em asseverar que somente cabe a  interpretação da  legislação tributária no caso de ausência de disposição expressa, ou seja, ao interprete só resta  o  preenchimento  de  lacunas,  não  restando  margem  para  construções  interpretativas  quando  existente disposição legal sobre a questão.   E  não  poderia  ser  diferente,  é  importante  realçar,  em  face  do  princípio  da  estrita legalidade que enfaixa todo o sistema tributário brasileiro.  Com essa consideração é necessário perquirimos a legislação de regência do  imposto  sobre  a  renda.  De  plano,  encontramos  no  artigo  3º  da  Lei  nº  7.713/88,  a  seguinte  determinação:  "Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei.  Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.239          21  § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  §  2º  Integrará  o  rendimento  bruto,  como  ganho  de  capital,  o  resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de  alienação  de  bens  ou  direitos  de  qualquer  natureza,  considerando­se como ganho a diferença positiva entre o valor  de  transmissão  do  bem  ou  direito  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido monetariamente,  observado  o  disposto  nos  arts. 15 a 22 desta Lei.  §  3º Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações  que  importem alienação,  a  qualquer  título,  de  bens  ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas  por  compra  e  venda,  permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão  de  direitos  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  e  contratos afins.  § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte por qualquer forma e a qualquer título."   (destaques não constam do texto legal)  A leitura atenta do parágrafo 3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88, nos permite a  imediata  constatação  da  aplicabilidade  do  mesmo  ao  caso  em  apreço,  uma  vez  que  versa  justamente sobre a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física no caso de ganho de  capital.  Nesse dispositivo de lei encontramos a equiparação à alienação das operações  que  importem  em  transferência  de  titularidade  de  qualquer  bem  ou  direito,  seja  qual  for  o  negócio  jurídico.  Tal  afirmação  encontra  amparo  na  constatação  de  um  rol  exemplificativo  existente  no  texto  legal  precedido  de  comando  de  larga  abrangência  representado  pela  expressão "operações que importem alienação, a qualquer título de bens ou direitos ou cessão  ou...tais como...".  Nítido  que  o  legislador  quis  que  o  ganho  de  capital  sofresse  a  incidência  qualquer que fosse a forma de transmissão do bem ou do direito do contribuinte para outrem.  Somente  tal  interpretação da norma pode  lhe  emprestar concretude, pois  é cediço que há no  texto legal equiparação entre negócios jurídicos reconhecidamente distintos como a alienação,  cessão, compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação,  procuração em causa própria, promessa de compra e venda e contratos afins.  Ora, além de rol extenso e juridicamente díspar, o legislador termina sua lista  exemplificativa  com  verdadeiro  reforço  de  seu  intento  extensivo  ao  mencionar  a  expressão  contratos afins.  Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     22  É  inegável,  portanto,  o  aspecto  ampliativo  do  comando  constante  do  parágrafo  3º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  7.713/88.  Mister  ressaltar  que  não  houve,  em  nosso  raciocínio,  nenhum  tipo  de  analogia,  ao  reverso,  apenas  análise  sistêmica  do  texto  legal,  buscando  uma  interpretação  teleológica,  vez  que  não  há  utilização  de  supressão  de  lacuna  normativa.  Como  ensina  Tércio  Sampaio  Ferraz  (Introdução  ao  Estudo  do  Direito:  Técnica, Decisão, Dominação. Ed.Atlas, pg. 271):  "Via  de  regra,  fala­se  em  analogia  quando  uma  norma,  estabelecida  com  e  para  uma  determinada  'facti  species',  é  aplicável a uma conduta para qual não há norma, havendo entre  ambos os supostos fáticos uma semelhança"  De  certo  que  o  uso  de  analogia,  ainda  mais  por  ser  técnica  de  integração  jurídica,  pressupõe  a  ausência de norma  jurídica  aplicável  ao  caso que  se precisa analisar,  o  que, como visto, não se observa no caso presente.  Como  bem  dito  pela  Conselheira  Relatora,  fls  1236,  na  operação  que  nos  interessa temos:  "O que  se  verifica,  na operação narrada,  é uma  sub­rogação,  no  patrimônio  da  acionista,  das  ações  de  uma  empresa  pelas  ações  de  outra  empresa  (ações  da  HFF  pelas  ações  da  BRT),  não  havendo  que  se  falar  em  ganho  de  capital,  pois  não  há  disponibilidade  efetiva  da  renda,  que  pode  acontecer,  caso  a  contribuinte  efetue  a  alienação  da  participação  societária"  (destaquei)  Dois  pontos merecem  destaque  da  arguta  observação:  em  primeiro  lugar  e  corroborando nosso entendimento, há efetiva substituição de bens no patrimônio do acionista,  no caso o sujeito passivo.   Em  segundo  lugar,  por  expressa  disposição  do  §  4º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  7.713/88, tal substituição de bem, que cause 'benefício do contribuinte por qualquer forma e a  qualquer título' atrai a incidência do imposto sobre a renda.  Não pode ser outra a inteligência da leitura conjunta dos parágrafos 3º e 4º do  mencionado artigo 3º da lei do imposto sobre a renda incidente sobre os ganhos de capital.   Nem  se  diga  que  não  se  observa  a  incidência  por  ausência  de  ganho  de  capital,  uma  vez  que  não  houve  disponibilidade  efetiva  de  renda. O  texto  legal  é  claro  em  asseverar  que  há  incidência  independentemente  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando  que  exista  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer  forma,  o  que  se  observou no caso concreto pela variação patrimonial positiva constatada pelo Fisco.   Em que  pese minha  opinião  pessoal  sobre  a  justiça da  incidência  tributária  nas  situações  como  a  aqui  analisada,  não  cabe  ao  aplicador  do  direito,  quanto  mais  ao  do  direito tributário, se imiscuir no conteúdo axiológico da norma positivada. Deve­se, ao reverso,  aplicar  a  norma como posta,  interpretando­a  nos  termos  dos  princípios  aplicáveis,  o  que,  no  caso em apreço, nos obriga a verificar a incidência tributária do imposto sobre a renda.   Do  exposto,  entendo  haver  incidência  do  imposto  sobre  a  renda  da  pessoa  física  decorrente  do  ganho  de  capital  em  razão  da  incorporação  de  ações  e  portanto,  nego  provimento ao recurso nessa parte.  Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.240          23  Em razão da incidência reconhecida, passemos a analisar o recurso voluntário  quanto às demais questões, na ordem de sua apresentação (fls. 781 do processo digitalizado).    DO REGIME DE CAIXA  Alega  a  recorrente  que,  caso  se  entenda  pela  tributação,  esta  só  poderia  ocorrer  quando  do  efetivo  ingresso  no  patrimônio  da  contribuinte  em  face  da  aplicação  do  regime de caixa à apuração do imposto sobre a renda da pessoa física. Apoia seu argumento no  artigo 2º da Lei nº 7.713/88.  Não cabe razão ao Recorrente.  Como acima exposto, quando da análise da incidência tributária, o parágrafo  4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 é claríssimo ao determinar que a  incidência  independe da  forma de percepção dos proventos, bastando mero benefício do contribuinte.  E  isso  foi  constatado  pela  Fiscalização,  consoante  se  observa  no  quadro  constante do item 81 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 466).   Importante  ressaltar  que  a  motivação  constante  do  mencionado  Termo  de  Verificação se coaduna com todo o entendimento acima esposado, não restando, no entender  deste Conselheiro, nenhum reparo a ser realizado.  Assim, não cabe razão ao recorrente nesse ponto.    DA INCORREÇÃO NO CUSTO DE AQUISIÇÃO  Segundo consta do  recurso há uma  incorreção na determinação do custo de  aquisição das ações incorporadas, uma vez que deveria ter­se adotado como custo unitário das  ações da HFF o custo unitário das ações da Sadia devidamente corrigidos, já contemplando as  capitalizações de lucro realizadas por esta Sociedade, nos termos do artigo 16, § 3º da Lei nº  7.713/88.  Alega  ainda  a  Recorrente  (item  213  do  recurso  voluntário,  fls.  832),  que,  'revisitando sua documentação contábil, constatou a Recorrente erro de fato na apuração do  custo  de  aquisição  no  seu  investimento  detido  na  Sadia'.  Anexa  ao  Voluntário  relatório  elaborado  por  contador  independente  visando  o  levantamento  contábil  das  mutações  patrimoniais  ocorridas.  Alega  ainda  a  possibilidade  de  anexação  tardia  da  documentação  mencionada.  Não assiste razão à Recorrente. A apuração do custo de aquisição das ações  seguiu os preceitos constantes na legislação de regência (Lei nº 9.249/95, artigo 10). Segundo o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  tais  valores  foram  obtidos  diretamente  no  Boletim  de  Subscrição anexo à ata da AGE da HFF, valores que também constam do Livro de Registro de  Ações Nominativas (fls 465 e 466).  Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     24  Ainda  segundo  o  TVF  (item  57,  fls.  460),  a  evolução  acionária  da  Contribuinte se encontra registrada no mencionado Livro de Registro de Ações Nominativas, o  qual corrobora as informações prestadas.  Ora, não há que se falar em erro na determinação no custo de aquisição das  ações  se  tal  valor  foi  retirado,  segundo  os  ditames  legais,  do  documentos  escriturados  e  mantidos pelo Recorrente, quanto mais ao se considerar que se  trata de  alguém devidamente  assessorado por profissionais especializados e contratados especificamente para esse fim.  Tal  condição  não  permite  que  se  pleiteie  juntada  de  provas  de  forma  absolutamente  intempestiva,  provas  essas  de  total  conhecimento  da  contribuinte,  por  ela  mantidas,  e  solicitadas  pela  Autoridade  Autuante  desde  o  processo  fiscalizatório.  Mister  reconhecer­se a preclusão prevista no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Portanto, nego provimento ao Recurso nessa parte.    DAS ISENÇÕES  Consta do recurso a alegação da isenção do imposto sobre a renda decorrente  de  ganho de  capital  pela  alienação das  ações  em  face do direito  adquirido pela Contribuinte  uma vez que ela possuía as ações da Sadia, objeto da discussão desde 1983, ou seja, antes da  revogação do Decreto nº 1.510/76, pela Lei nº 7.713/88  Não se observa tal direito. Não há direito adquirido a regime jurídico. Nesse  sentido já se pronunciou o Pretório Excelso, quando do julgamento das ADIN's nº 3.105/DF e  3.128/DF e mais recentemente quando do julgamento das ADC's 29 e 30.  O CTN é claro em asseverar que:  “Art. 178 ­ A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em  função  de  determinadas  condições,  pode  ser  revogada  ou  modificada por  lei,  a qualquer  tempo, observado o disposto no  inciso III do art. 104.” (destaquei)  Não há,  quanto  ao Decreto  nº  1.510/76,  nenhuma  condição  para  o  gozo  da  isenção,  tampouco  prazo  determinado  para  a  duração  do  benefício.  Ofende  a  melhor  interpretação jurídica a afirmação que a manutenção por um prazo das ações é condição para o  gozo  da  isenção.  Trata­se  de  mero  interstício  temporal,  e  nunca  de  um  ônus,  ou  seja,  um  'facere',  um  encargo  do  contribuinte.  Essa  é  a  lição  de  Luís  Eduardo  Schoueri  (Direito  Tributário, Ed. Saravia, 3ª ed. pg. 659:  "Em  tais  casos,  entendeu  o  legislador  complementar  que  seria  necessário ter em conta que o contribuinte poderá ter efetuado  investimentos contando com o regime excepcional que lhe teria  sido  assegurado  durante  aquele  intervalo  temporal"  (destaques  não são originais)  Durante  a  vigência  do  Decreto  nº  1.510/76,  se  houve  alienação  de  participação societária passados 4 anos, 11 meses e 29 dias, haveria incidência tributária. Caso  tal alienação se desse após esse interregno, por expressa disposição legal, ocorreria a  isenção  tributária.   Revogado o Decreto, findo o direito. Simples assim.  Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 13896.720110/2014­18  Acórdão n.º 2201­003.254  S2­C2T1  Fl. 1.241          25  Logo, também não assiste razão ao recorrente nessa parte.    DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Alega  o  recorrente  a  ilegalidade  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício.  Sobre  tal  tema  já  se  consolidou  a  jurisprudência  deste  Colegiado.  Tal  consolidação decorre de explicitação constante do CTN:  "Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária."  Por sua vez, a Súmula CARF nº 5, esclarece:   São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante  integral.  A  CSRF  por  meio  de  sua  2ª  Turma,  recentemente  decidiu  nesse  sentido  (Acórdão 9202­003.962, de 10/05/2016):  Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Data do fato gerador: 20/07/2007, 01/08/2007, 05/11/2008  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo a multa de ofício,  incidem juros de mora, devidos à  taxa Selic.  Recurso Especial do Contribuinte negado  Recurso Voluntário negado também nessa parte.    CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto  e  com  base  nos  fundamentos  apresentados,  voto  por  conhecer do recurso e negar­lhe provimento.  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado.      Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ     26                Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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Numero do processo: 16539.720010/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. A Cofins incide sobre os atos ou negócios praticados por sociedade cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Cofins o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RECEBIDOS PELAS MENSALIDADES DOS PLANOS DE SAÚDE E PELOS GUIAS MÉDICOS. IMPOSSIBILIDADE. A comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Cofins, por tratar-se de prestação de serviços. Adota-se os mesmos fundamentos sobre as receitas decorrentes da comercialização dos guias médicos. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Cofins o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE (OPS). RESULTADO DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. VALORES QUE NÃO TRANSITAM PELAS CONTAS DE RESULTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não transitam pelas contas de resultado, porque representam, respectivamente, recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações a outras OPS congêneres, logo, o resultado obtido a título de intercâmbio eventual não integra a base de cálculo da Cofins, por não representar receita nem despesa. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS PATRIMONIAIS, FINANCEIRAS E DE CORREÇÃO DE TRIBUTOS AUFERIDAS POR COOPERATIVAS MÉDICAS. ENQUADRAMENTO NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As receitas patrimoniais, financeiras e de atualização monetária de tributos não integram a base de cálculo da Cofins, por não se enquadrar na definição de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços nem da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde, conforme consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), explicitada no julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. EXCLUSÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE. O art. 10, § 4º, da Lei 9.430/1996 interpretado de acordo com a Instrução Normativa SRF 247/2002 permite a dedução dos valores recebidos pelos títulos incobráveis. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep incide sobre os atos ou negócios praticados por sociedade cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RECEBIDOS PELAS MENSALIDADES DOS PLANOS DE SAÚDE E PELOS GUIAS MÉDICOS. IMPOSSIBILIDADE. A comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por tratar-se de prestação de serviços. Adota-se os mesmos fundamentos sobre as receitas decorrentes da comercialização dos guias médicos. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE (OPS). RESULTADO DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. VALORES QUE NÃO TRANSITAM PELAS CONTAS DE RESULTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não transitam pelas contas de resultado, porque representam, respectivamente, recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações a outras OPS congêneres, logo, o resultado obtido a título de intercâmbio eventual não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por não representar receita nem despesa. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS PATRIMONIAIS, FINANCEIRAS E DE CORREÇÃO DE TRIBUTOS AUFERIDAS POR COOPERATIVAS MÉDICAS. ENQUADRAMENTO NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As receitas patrimoniais, financeiras e de atualização monetária de tributos não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se enquadrar na definição de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços nem da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde, conforme consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), explicitada no julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. EXCLUSÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE. O art. 10, § 4º, da Lei 9.430/1996 interpretado de acordo com a Instrução Normativa SRF 247/2002 permite a dedução dos valores recebidos pelos títulos incobráveis. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos títulos incobráveis; às receitas financeiras e o valor das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, incluindo-se neste total os valores correspondentes aos beneficiários da própria operadora e aos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferências assumidas, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que incluía na base de cálculo a receita decorrente de intercâmbio eventual e os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que mantinham a tributação de parte das receitas financeiras, referentes à atualização monetária, juros, multas e demais encargos recebidos em decorrência do atraso no pagamento das mensalidades integrantes do subgrupo “3.4.2 - RECEITAS FINANCEIRAS C/OP ASS A SAÚDE”. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Cavalcanti de Gusmão - OAB 127.082 - RJ (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO

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É dedutível da base de cálculo da Cofins o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RECEBIDOS PELAS MENSALIDADES DOS PLANOS DE SAÚDE E PELOS GUIAS MÉDICOS. IMPOSSIBILIDADE. A comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Cofins, por tratar-se de prestação de serviços. Adota-se os mesmos fundamentos sobre as receitas decorrentes da comercialização dos guias médicos. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Cofins o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE (OPS). RESULTADO DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. VALORES QUE NÃO TRANSITAM PELAS CONTAS DE RESULTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não transitam pelas contas de resultado, porque representam, respectivamente, recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações a outras OPS congêneres, logo, o resultado obtido a título de intercâmbio eventual não integra a base de cálculo da Cofins, por não representar receita nem despesa. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS PATRIMONIAIS, FINANCEIRAS E DE CORREÇÃO DE TRIBUTOS AUFERIDAS POR COOPERATIVAS MÉDICAS. ENQUADRAMENTO NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As receitas patrimoniais, financeiras e de atualização monetária de tributos não integram a base de cálculo da Cofins, por não se enquadrar na definição de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços nem da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde, conforme consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), explicitada no julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. EXCLUSÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE. O art. 10, § 4º, da Lei 9.430/1996 interpretado de acordo com a Instrução Normativa SRF 247/2002 permite a dedução dos valores recebidos pelos títulos incobráveis. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep incide sobre os atos ou negócios praticados por sociedade cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RECEBIDOS PELAS MENSALIDADES DOS PLANOS DE SAÚDE E PELOS GUIAS MÉDICOS. IMPOSSIBILIDADE. A comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por tratar-se de prestação de serviços. Adota-se os mesmos fundamentos sobre as receitas decorrentes da comercialização dos guias médicos. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRAS OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor integral das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE (OPS). RESULTADO DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. VALORES QUE NÃO TRANSITAM PELAS CONTAS DE RESULTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não transitam pelas contas de resultado, porque representam, respectivamente, recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações a outras OPS congêneres, logo, o resultado obtido a título de intercâmbio eventual não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por não representar receita nem despesa. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. RECEITAS PATRIMONIAIS, FINANCEIRAS E DE CORREÇÃO DE TRIBUTOS AUFERIDAS POR COOPERATIVAS MÉDICAS. ENQUADRAMENTO NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. As receitas patrimoniais, financeiras e de atualização monetária de tributos não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se enquadrar na definição de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços nem da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde, conforme consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), explicitada no julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. EXCLUSÃO. VALORES RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE. O art. 10, § 4º, da Lei 9.430/1996 interpretado de acordo com a Instrução Normativa SRF 247/2002 permite a dedução dos valores recebidos pelos títulos incobráveis. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   2 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE  PLANO  DE  SAÚDE.  INDENIZAÇÕES  REFERENTES  A  EVENTOS  OCORRIDOS  COM  BENEFICIÁRIOS  DA  PRÓPRIA  E  DE  OUTRAS  OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE.  É  dedutível  da base  de  cálculo  da Cofins  o  valor  integral  das  indenizações  correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, compreendendo  o  total  dos  custos  assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos  de  beneficiários  da  própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.  OPERADORA  DE  PLANO  DE  SAÚDE  (OPS).  RESULTADO  DE  INTERCÂMBIO  EVENTUAL.  VALORES  QUE  NÃO  TRANSITAM  PELAS  CONTAS  DE  RESULTADO.  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.  Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não  transitam  pelas  contas  de  resultado,  porque  representam,  respectivamente,  recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações  a  outras  OPS  congêneres,  logo,  o  resultado  obtido  a  título  de  intercâmbio  eventual não integra a base de cálculo da Cofins, por não representar receita  nem despesa.  BASE  DE  CÁLCULO.  REGIME  CUMULATIVO.  RECEITAS  PATRIMONIAIS,  FINANCEIRAS  E  DE  CORREÇÃO  DE  TRIBUTOS  AUFERIDAS  POR  COOPERATIVAS  MÉDICAS.  ENQUADRAMENTO  NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.  As  receitas  patrimoniais,  financeiras  e  de  atualização monetária  de  tributos  não integram a base de cálculo da Cofins, por não se enquadrar na definição  de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, uma vez que  não  são  receitas  decorrentes  da  prestação  de  serviços  nem  da  atividade  principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde, conforme  consolidada  jurisprudência do Supremo Tribunal Federal  (STF),  explicitada  no  julgamento  dos  RREE.  357.950/RS,  346.084/PR,  358.273/RS  e  390.840/MG.  BASE  DE  CÁLCULO.  PIS  E  COFINS.  EXCLUSÃO.  VALORES  RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE.  O  art.  10,  §  4º,  da  Lei  9.430/1996  interpretado  de  acordo  com  a  Instrução  Normativa  SRF  247/2002  permite  a  dedução  dos  valores  recebidos  pelos  títulos incobráveis.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  BASE  DE  CÁLCULO.  COOPERATIVA  MÉDICA  OPERADORA  DE  PLANO  DE  SAÚDE.  INCIDÊNCIA  SOBRE  O  ATOS  OU  NEGÓCIOS  PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO.  A Contribuição para o PIS/Pasep incide sobre os atos ou negócios praticados  por  sociedade  cooperativa  prestadora  de  serviço  médico  com  terceiros  tomadores  do  referido  serviço,  asseguradas  as  exclusões  e  deduções  legalmente previstas.  Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.385          3 BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE  PLANO  DE  SAÚDE.  INDENIZAÇÕES  REFERENTES  A  EVENTOS  OCORRIDOS  COM  BENEFICIÁRIOS  DA  PRÓPRIA  E  DE  OUTRAS  OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE.  É  dedutível  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  o  valor  integral  das  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  compreendendo  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos de saúde, incluindo­se neste total os custos de beneficiários da própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência de responsabilidade assumida.  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RECEBIDOS PELAS  MENSALIDADES  DOS  PLANOS  DE  SAÚDE  E  PELOS  GUIAS  MÉDICOS. IMPOSSIBILIDADE.   A  comercialização  de  planos  de  saúde  por  empresa  operadora  desta  modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da Contribuição para  o  PIS/Pasep,  por  tratar­se  de  prestação  de  serviços.  Adota­se  os  mesmos  fundamentos  sobre  as  receitas  decorrentes  da  comercialização  dos  guias  médicos.  BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVAS MÉDICAS OPERADORAS DE  PLANO  DE  SAÚDE.  INDENIZAÇÕES  REFERENTES  A  EVENTOS  OCORRIDOS  COM  BENEFICIÁRIOS  DA  PRÓPRIA  E  DE  OUTRAS  OPERADORAS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. POSSIBILIDADE.  É  dedutível  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  o  valor  integral  das  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  compreendendo  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos de saúde, incluindo­se neste total os custos de beneficiários da própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência de responsabilidade assumida.  OPERADORA  DE  PLANO  DE  SAÚDE  (OPS).  RESULTADO  DE  INTERCÂMBIO  EVENTUAL.  VALORES  QUE  NÃO  TRANSITAM  PELAS  CONTAS  DE  RESULTADO.  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.  Os valores recebidos e pagos pelas OPS a título de intercâmbio eventual não  transitam  pelas  contas  de  resultado,  porque  representam,  respectivamente,  recebimento de direito de outras OPS congêneres e pagamento de obrigações  a  outras  OPS  congêneres,  logo,  o  resultado  obtido  a  título  de  intercâmbio  eventual não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por  não representar receita nem despesa.  BASE  DE  CÁLCULO.  REGIME  CUMULATIVO.  RECEITAS  PATRIMONIAIS,  FINANCEIRAS  E  DE  CORREÇÃO  DE  TRIBUTOS  AUFERIDAS  POR  COOPERATIVAS  MÉDICAS.  ENQUADRAMENTO  NA DEFINIÇÃO DE RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.  As  receitas  patrimoniais,  financeiras  e  de  atualização monetária  de  tributos  não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se  Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   4 enquadrar na definição de receita bruta, veiculada no caput do art. 3º da Lei  9.718/1998,  uma  vez  que  não  são  receitas  decorrentes  da  prestação  de  serviços nem da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de  plano  de  saúde,  conforme  consolidada  jurisprudência  do  Supremo Tribunal  Federal  (STF),  explicitada  no  julgamento  dos  RREE.  357.950/RS,  346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG.  BASE  DE  CÁLCULO.  PIS  E  COFINS.  EXCLUSÃO.  VALORES  RECEBIDOS PELOS TÍTULOS INCOBRÁVEIS. POSSIBILIDADE.  O  art.  10,  §  4º,  da  Lei  9.430/1996  interpretado  de  acordo  com  a  Instrução  Normativa  SRF  247/2002  permite  a  dedução  dos  valores  recebidos  pelos  títulos incobráveis.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial  provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores correspondentes  aos títulos incobráveis; às receitas financeiras e o valor das indenizações correspondentes aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  deduzido  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades,  incluindo­se  neste  total  os  valores  correspondentes  aos  beneficiários da própria operadora e aos beneficiários de outra operadora atendidos a título de  transferências assumidas, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que incluía na  base de cálculo a receita decorrente de intercâmbio eventual e os Conselheiros José Fernandes  do  Nascimento  e  Ricardo  Paulo  Rosa,  que  mantinham  a  tributação  de  parte  das  receitas  financeiras, referentes à atualização monetária,  juros, multas e demais encargos recebidos em  decorrência  do  atraso  no  pagamento  das  mensalidades  integrantes  do  subgrupo  “3.4.2  ­  RECEITAS  FINANCEIRAS  C/OP  ASS  A  SAÚDE”.  O  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento fará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Leonardo Cavalcanti de Gusmão  ­ OAB 127.082 ­ RJ  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado ­ Relatora.  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  Paulo Guilherme Déroulède, Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do Nascimento,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker  Araújo. Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto pela UNIMED­ Rio Cooperativa de  Trabalho  Médico  do  Rio  de  Janeiro  Ltda.  contra  acórdão  proferido  pela  17ª  Turma  de  Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (RJ) oportunidade em  que foi julgada parcialmente improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte.  Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.386          5 A questão tem início nas exigências de COFINS e PIS lavrados em autos de  infrações  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos  no  período  de  01/01/2009  a  31/12/2009,  importando na cobrança de R$ 121.134.779,56 e R$ 26.247.829,26, respectivamente, acrescido  a esses valores multa de ofício (de 75%) e juros de mora.  A contribuinte  apresentou  seus  argumentos de defesa  contra  a  exigência de  COFINS (impugnação de fls. 3852/3920) e de PIS (impugnação de fls. 3945/4013).  A  instância  de  origem  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação  em  acórdão assim ementado:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário.  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  Cooperativa de médicos. Ato cooperativo. Ato­não cooperativo.  Receitas  obtidas  com  vendas  de  plano  de  saúde,  com  mensalidades  ou  com  outros  consectários  daí  decorrentes,  na  medida  que  são  conseqüência  de  negócio  mantido  entre  a  cooperativa de médico e o cliente (paciente), que compra e paga  por serviços de saúde, mas de nenhum modo é cooperado, devem  ser tratadas como receitas tributáveis, porque decorrem de atos  não­cooperativos.   PIS/COFINS. Planos de Saúde. Incidência.  Incidem  PIS  e  COFINS  cumulativos  sobre  o  faturamento  constituído das  receitas decorrentes dos contratos de planos de  saúde,  não  apenas  das  receitas  correspondentes  às  mensalidades,  mas  também  daquelas  decorrentes  de  tais  contratos.  PIS/COFINS. Cooperativa de médicos. Operadoras de Planos de  Saúde. Base de Cálculo.  O procedimento de apuração da base de cálculo do PIS/COFINS  das  cooperativas  de  médicos  operadoras  de  planos  de  saúde  consiste em somar  todas as  receitas e depois efetuar os ajustes  (deduções  e  exclusões)  expressamente  previstos,  não  havendo  falar  em  rateio,  que  não  encontra  respaldo  na  legislação  tributária pertinente.  PIS/COFINS. Regime cumulativo. Receitas financeiras.  Por  força da Lei n. 11.941/09 que revogou o § 1º do art. 3º da  Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998, restou carente de base  legal o  lançamento de PIS/COFINS  sobre  tais  receitas a partir  de 01/06/2009.  Impugnação Procedente em Parte.   Crédito Tributário Mantido em Parte..  A  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  contra  o  acórdão  proferido  pela  instância de origem (fls. 4072/4109) oportunidade na qual esclarece que "o numerário recebido  Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   6 pela ora Recorrente (decorrente dos pagamentos dos planos dos usuários ­sejam contratações  individuais/familiares,  sejam  coletivas)  trata­se  de  mero  ingresso  (mas  não  de  receita  própria)" motivo pelo qual não podem se equiparar a atos mercantis, o que afasta a exigência  tributária.  Defende  que  "os  atos  cooperativos  alcançados  tomados  como  base  para  a  constituição do crédito tributário exigido são restritivamente atos próprios, típicos e clássicos  do  cooperativismo,  não  sendo  passíveis  de  tributação  por  caracterizarem­se  como  meros  ingressos  na  cooperativa,  sem  exteriorizar  conteúdo  econômico  proveniente  de  atividade  mercantil, não alcançados pelo conceito de receita bruta" (fl. 4081).  Refuta  a  exigência  de  PIS  e  COFINS  de  forma  global,  fazendo  incidir  as  contribuições sobre "os atos cooperativos principais, atos cooperativos auxiliares e atos não  cooperativos, sem qualquer tipo de segregação" por entender que esta conduta vicia de forma  insanável a base de cálculo das contribuições exigíveis.   Aponta  como  razoável  a  interpretação  sobre  a  definição  de  ato  cooperativo  aquele que "tem por finalidade o exercício social do objeto da cooperativa, sem finalidade de  lucro, de caráter  social e  solidário, onde, em ao menos dois pólos da relação  triangular, se  encontram a cooperativa e o cooperado" (fl. 4094).  Aduz  quer  por  ter  natureza  dúplice  (cooperativa  e  operadora  de  planos  de  saúde) é beneficiada pelas deduções da base de cálculo das contribuições previstas na Medida  Provisória n. 2.518­35/2001, que foram indevidamente glosadas pela fiscalização.  Refuta  a  exigência  das  contribuições  sobre  as  receitas  financeiras  ante  o  pronunciamento  da  Suprema Corte  no  julgamento  do Recurso Extraordinário  n.  357.950/RS  que  consolidou  o  entendimento  que  os  vocábulos  faturamento  e  receita  bruta  não  são  sinônimos.  Em julgamento realizado em 15/09/2014, a 2ª Turma ordinária da 2ª Câmara  desta 3ª Seção decidiu por converte o julgamento em diligência "para que a unidade de origem  discrimine e defina, por natureza, cada espécie dos valores  lançados, classificando­os como  cooperados  (praticados  entre  cooperativa  e  associados)  e  atos  não  cooperados  (praticados  entre cooperativa e terceiros)".  Consta  no  Relatório  Conclusivo  da  Diligência  Fiscal  (fls.  4199/4201)  as  seguintes informações:  ­ A exigência do PIS e da COFINS lavradas nos autos de infração objeto do  presente processo "se deu exclusivamente sobre as receitas auferidas pela autuada decorrentes  da práticas de atos  não cooperados" mas  sobre as  receitas direta ou  indiretamente  advindas  das vendas de planos de saúde. As receitas tributáveis são, na concepção adotada pelos agentes  fiscais:  *as  receitas  decorrentes  do  recebimento  das mensalidades  dos  planos de saúde, contabilizadas na conta 3.1.1;  *receitas operacionais advindas das vendas dos planos de saúde,  como  taxas  de  implantação  dos  planos  de  saúde,  receitas  de  intercâmbio  eventual  e  receitas  com  manual  de  guia  médico,  essas lançadas na conta 3.3;  *receitas decorrentes das recuperações de  títulos  incobráveis  e  de assistência médica escrituradas no grupo 3.6.  Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.387          7 ­ As receitas financeiras (grupo contábil 3.4) e as receitas patrimoniais (grupo  contábil 3.5) foram integral e espontaneamente tributadas pela fiscalizada;  ­ Foram promovidas as cobranças de COFINS sobre o somatório das parcelas  das receitas vinculadas à atividade operacional (vendas de planos de saúde) em decorrência da  revogação do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 promovida pela Lei n. 11.249/2009.  Sobre as informações contidas no Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal,  a contribuinte apresentou sua manifestação1,oportunidade na qual alega que:  "a  fiscalização  se  limitou a  repetir  o Auto  de  Infração  (...)  sem  discriminar  e  definir,  por  natureza,  cada  espécie  dos  valores  lançados,  classificando­os  como  cooperados  (praticados  entre  cooperativa  e  associados)  e  atos  não  cooperativos  (praticados  entre cooperativa e terceiros) realizando uma tributação global e  indiscriminada de todas as receitas auferidas pela Recorrente" (fl.  4217).  A  recorrente  se  insurge  contra  a  incidência  do  PIS  e  da COFINS  sobre  as  receitas  de  intercâmbio  (registradas  nas  contas  3.1.  e  3.3)  pois  "não  corresponde  a  um  verdadeiro  ingresso  em  seu  faturamento,  mas  mero  repasse  de  valores,  estando,  por  isso,  incluída no conceito de ato cooperativo próprio, na forma do art. 79 da Lei n. 5.764/1971" (fl.  4220).  Requer  a  aplicação  do  art.  19  da  Lei  n.  12.873/2013  ao  caso  em  concreto,  diante do que prevê o inciso I, do art. 106 do Código Tributário Nacional.  Invoca o Princípio da Verdade Material para requerer o pronunciamento das  autoridades  sobre  a  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  as  receitas  financeiras  e  patrimoniais, porque o pagamento das exações não tem o condão de permitir o alargamento da  base de cálculo das contribuições pro futuro.  Defende que é 'indevida a tributação de receitas escrituradas no Grupo 3.3 e  3.6  tais  como  (i)  o  'manual  do  guia  médico';  (ii)  atualizações  do  IOF;  (iii)  atualização  monetária do PIS/COFINS e também do IRPJ/CSSL; e (iv) PIS a compensar, uma vez que não  se tratam de receitas oriundas de faturamento, mas sim, meros ingressos, e, por isso, não são  passíveis de tributação pelo PIS/COFINS" (fl. 4233).  Esclarece que as receitas decorrentes das recuperações de títulos incobráveis  (grupo  3.6)  corresponde  "a  uma  recomposição  patrimonial  que  não  apresenta  nova  receita,  uma vez que já foi  tributada em momento anterior", e que há previsão legal que determina a  exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS dos valores baixados como perda (art. 3º, § 2º, II,  da Lei n. 9.718/1998) (fl. 4236)  Encerrada a diligência fiscal, os autos retornaram a esse Conselho.  É o relatório.                                                              1 Fls. 4214/ 4237.  Fl. 4390DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   8 Voto             Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora.  A  autuada  foi  considerada  intimada  sobre  os  termos  insertos  no  acórdão  proferido  pela  instância  de  origem  em  11/10/2013,  sexta­  feira,  (fl.4068)  e  interpôs  o  tempestivamente o recurso voluntário em 11/11/2013, segunda­feira (fls.4171).   Presentes  os  pressupostos  extrínsecos  de  admissibilidade  do  recurso,  é  de  rigor o seu conhecimento.  PRELIMINAR  A  recorrente  se  insurge  contra  as  informações  prestadas  pela  autoridade  fiscalizadora em seu Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal, porque entende que trata­se de  mera  reprodução das  informações  já  registradas nos autos de  infração, mantendo o  equívoco  que  deveria  ser  sanado  que  é  "(não)  discriminar  e  definir,  por  natureza,  cada  espécie  de  valores  lançados,  classificando­os  como  cooperados  (praticados  entre  cooperativa  e  associados) e atos não cooperativos (praticados entre cooperativa e terceiros), realizando uma  tributação global e indiscriminada de todas as receitas auferidas pela Recorrente" (fl. 4217).  No entanto, a agente fiscal anexa ao Relatório Conclusivo planilhas contendo  as informações (foram agrupadas pelas contas contábeis) sobre:  a) o total das receitas escriturado na contabilidade;  b) a parcela das receitas escrituradas espontaneamente pela fiscalizada;  c) a parcela das receitas escrituradas tributada pela fiscalização;  d) o valor devido espontaneamente apurado e pago pela fiscalizada;  e) o valor devido objeto da exigência de ofício, e;  f)  a  classificação  das  receitas  autuadas  como  receitas  decorrentes  de  atos  NÃO COOPERADOS, eis que, como afirmado, se tratam de receitas direta ou indiretamente  advindas das vendas de planos de saúde e não de atos praticados entre a cooperativa e seus  médicos associados.  Analisando  as  informações  contidas  nas  planilhas  mencionadas  (fls.  4202/4213) e as constantes no Termo de Verificação Fiscal (fls. 3802/ 3820), entendo que há  substrato  fático  suficiente  para  decidir  a  questão  submetida  a  esse  Conselho,  que  pode  ser  resumida  como  sendo quais  despesas  podem  ser  deduzidas/excluídas  da  base  de  cálculo  do  PIS e da COFINS devidas pelas cooperativas que atuam como Operadoras de Planos de Saúde  (OPS)?  MÉRITO  A questão tem início em autos de infração lavrados contra a recorrente, onde  são  exigidos  montantes  referentes  ao  PIS  e  COFINS  devidos  pelo  período  de  janeiro  a  dezembro de 2009.   Fl. 4391DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.388          9 O  agente  autuante  considerou  que  a  medotologia  contábil  adotada  pela  contribuinte não é correta, pelos seguintes motivos:  "De  fato,  conforme  esclarecimentos  prestados  em  resposta  ao  solicitado  no  Item 8  do Termo de  Intimação  n.  02,  no  qual  foi  requerido  que  informasse  os  critérios  utilizados  para  rateio  das  receitas  quando  da  determinação  das  bases  de  cálculo  das  exações, a fiscalizada confirmou que 'analisa e segrega, para  fins  de  definição  da  base  de  cálculo  ,  o  ato  cooperativo,  distinguindo do ato auxiliar e do ato não­cooperativo, tudo em  conformidade com a Lei 5.764/1971, que versa sobre a tributação  do ato cooperativo' e ainda que 'segrega, em sua despesa, todos  os  custos  em virtude da contabilização por atos  (custos  com  médicos  e  prestadores  =  ato  cooperativo;  com  laboratórios,  diagnoses e terapia, dentre outros = ato auxiliar, demais atos  = atos não cooperativos) e reflete este percentual (segregação)  sobre a receita para a determinação da base de cálculo'. Ou  seja, o método adotado pela fiscalizada consiste no rateio das  receitas/custos  com  base  nos  percentuais  de  proporção  obtidos  em  relação  aos  valores  dos  custos/despesas  escriturados nas contas do Grupo 4.1, de modo que assim resta  tributada somente uma diminuta parte de suas receitas, quais  sejam,  aquelas  que  considera  vinculadas  ao  'ato  não  cooperativo.  (...)  Verificado  então  que  o  método  de  apuração  utilizado  pela  fiscalizada  estava  em  total  desacordo  com  a  legislação  de  regência,  a qual,  conforme demonstrado  no  Item  II  do  presente  Termo, determinava à época, e ainda determina, a incidência do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  receita  bruta  mensal,  ajustada  tão  somente  pelas  deduções/exclusões  legalmente  permitidas,  procedemos  à  identificação  dos  valores  das  receitas  e  das  deduções/exclusões para  fins  de  apuração  das  corretas  bases de  cálculo". (fl.3810/ 3811 ­ grifos nossos).  Calculou  não  terem  sido  recolhidos  os  valores  devidos  a  título  de  PIS  e  COFINS sobre as:   ­ Receitas advindas direta ou  indiretamente das vendas de planos de saúde  (pagamentos  de mensalidades  dos  planos  de  saúde,  as  relativas  ao  recebimento  de  taxas  de  implantação desses planos, as receitas com vendas de guias médicos para clientes dos planos);   ­ Receitas da recuperação de títulos incobráveis;   ­ Receitas financeiras referentes aos juros recebidos de planos particulares e  coletivos e às aplicações financeiras.  Destaque­se  que  a  fiscalização  considera  que  dentro  das  receitas  advindas  direta ou indiretamente dos planos de saúde devem ser compreendidas também  "as receitas originárias da execução de contratos (panos  de  saúde) que  têm por objeto o  fornecimento de  cobertura  Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   10 geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental do  cliente  contratante  do  plano,  o  que  engloba  serviços  médicos, como consultas e exames clínicos; hospitalares,  como  internação  e  cirurgia;  ambulatoriais,  como  pronto­socorro  e  pequenas  intervenções  cirúrgicas,.  serviços  de  laboratórios;  além  dos  serviços  de  outros  profissionais  da  saúde  como  protéticos,  ortopedistas,  fisioterapeutas  etc,  prestados  por  associados  ou  não  associados  (as  cópias  dos  contratos  praticados  pela  fiscalizada  no  período  fiscalizado  foram  anexadas  ao  respectivo  processo  administrativo),  contratos  esses  cujo  Item  3.2  do  Parecer  Normativo  38/1980,  da  então  Coordenação  do  Sistema  de  Tributação  da  Receita  Federal,  há  muito  esclareceu  serem  relativos  a  atividades  que  não  se  compreendem  entre  os  atos  cooperativos  e,  portanto,  cujos  resultados  devem  ser  tributados" (fl.3815 ­ grifos nossos).  Por sua vez a recorrente questiona a interpretação dada pelo agente fiscal que  compreende que indenizações pagas (dedutíveis da base de cálculo das contribuições) seriam  somente as receitas oriundas das operações realizadas com beneficiários de outras operadoras  de plano de saúde que implique em transferência de responsabilidade.   Defende  em  seu  recurso  voluntário  a  anulação  dos  autos  de  infração  pelos  seguintes argumentos:  1.) As receitas recebidas a título de pagamento dos planos de saúde são mero  ingresso e não receita própria, o que afasta a tributação pretendida;  2.)  Não  é  possível  admitir  a  tributação  global  feita  pela  autoridade,  essa  compreendida como todos os ingressos que ocorreram na Cooperativa, independente se diziam  respeito  a  valores  relativos  a  atos  cooperativos  principais,  atos  cooperativos  auxiliares  ou  atos não cooperativos (fl. 4085);  3.) Com  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  n.  9.718/1998 pelo STF2  houve  o  reconhecimento  expresso  que  as  pessoas  jurídicas  devem  ser  tributadas  em  PIS  e  COFINS  somente  sobre  seu  faturamento  ,  assim  entendido  como  o  resultado  da  venda  de  mercadorias  e  serviços,  excluindo­se  a  incidência  das  referidas  contribuições das receitas não operacionais. Desse modo, não há ser cobrado PIS ou COFINS  sobre as receitas financeiras ou aquelas decorrentes de venda do ativo imobilizado, sob pena de  se admitir o alargamento da base de cálculo das exações.  Após ter ciência dos esclarecimentos prestados pela autoridade fiscalizadora  no  Relatório  Conclusivo  de  Diligência  Fiscal,  a  recorrente  questiona  a  tributação  sobre  as  seguintes rubricas:  4.) Receitas de intercâmbio, porque essa "não corresponde a um verdadeiro  ingresso  em  seu  faturamento,  mas  mero  repasse  de  valores,  estando,  por  isso  incluída  no  conceito de ato cooperativo próprio" (fl. 4220);  5.) Receitas escrituradas nos Grupos 3.3 e 3.6,  tais como " (i) o  'manual do  guia médico', (ii) atualizações de IOF; (iii) atualização monetária do PIS/COFINS e também                                                              2 Recursos Extraordinários n. 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084.  Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.389          11 do IRPJ/CSLL, e;  (iv) PIS a compensar, uma vez que não se tratam de receitas oriundas de  faturamento,  mas  sim,  meros  ingressos,  e,  por  isso,  não  são  passíveis  de  tributação  pelo  PIS/COFINS" (fl. 4233);  6.) Não devem  ser  tributadas  os  valores  lançados  na  conta de  perdas  ­  que  correspondem aos títulos incobráveis inseridos no Grupo 3.6 ­ por violar expressa disposição  prevista no § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998  Considerando  que  o  Princípio  do  Formalismo  Moderado3  deve  reger  o  Processo Administrativo Federal e que a sua  finalidade é a busca da verdade material,  adoto  por analogia a permissão contida na alínea c do § 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, para  conhecer  das  alegações  trazidas  pela  recorrente  em  sua  manifestação  sobre  o  Relatório  Conclusivo de Diligência Fiscal acima descritas nos itens 4 a 6.  Deixo  de  apreciar  as  alegações  da  Recorrente  sobre  a  inexigibilidade  das  contribuições  sobre  as  receitas  escrituradas  nos  Grupos  3.3  e  3.6,  que  correspondem  as  atualizações de IOF, atualização monetária do PIS/COFINS e também do IRPJ/CSLL, e sobre  o PIS a compensar4, porque sobre esse montante não foi lavrada a exigência de PIS e COFINS  nesse processo administrativo.  1. SOBRE OS ATOS COOPERADOS OU COOPERATIVOS.  O desempenho da  atividade  econômica  através das  sociedades  cooperativas  foi alçado ao patamar dos direitos fundamentais ao ser previsto no art. 5º, XVIII5 e art. 174, §  2º  da Carta Magna6. A  inserção  do  conceito  cooperativo  na Constituição Federal  decorre  da  evolução histórica legislativa, que tem origem na edição da Lei n. 5.764, de 16 de dezembro de  1971, a qual estabelece as normas para sua criação e funcionamento e também regulamenta as  atividades próprias desse segmento econômico.  O art. 79 da Lei n. 5.764/1971 define ato cooperado como sendo:  Art. 79. Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aqueles  e  pelas  cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos  objetivos sociais.                                                              3 Para a Prof. Odete Medauar "o princípio do formalismo moderado consiste, em primeiro lugar, na previsão de  ritos  e  formas  simples,  suficientes  para  propiciar  um  grau  de  certeza,  segurança,  respeito  aos  direitos  dos  sujeitos, o contraditório e a ampla defesa. Em segundo lugar, se traduz na exigência de interpretação flexível e  razoável  quanto  as  formas,  para  evitar  que  estas  sejam  vistas  como  um  fim  em  si  mesmas,  desligadas  das  verdadeiras  finalidades  do  processo".  In  Direito  Administrativo  Moderno.  8ª  ed.  São  Paulo:  Revista  dos  Tribunais, 2004, p. 203.   4 Folha 4233.  5  Art.  5º.  Todos  são  iguais  perante  a  lei,  sem  distinção  de  qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade,  à  igualdade,  à  segurança  e  à  propriedade, nos termos seguintes:  XVIII. a criação de associações e, na forma da lei, as de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a  interferência estatal em seu funcionamento.  6 Art. 174. Como agente normativo e  regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na  forma da  lei,  as  funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o  setor privado.  § 2º. A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo.  Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   12 O  ato  cooperado  (ou  cooperativo)  é,  portanto,  aquele  praticado  pela  cooperativa com seus associados, ou com outras cooperativos. Considerando que o que prevê o  art.  86  da  já  citada  Lei  n.  5.764/19717,  as  cooperativas  podem  realizar  atos  negociais  com  terceiros (que não são cooperativas) desde que tenha o propósito de atender os objetivos sociais  da cooperativa. Essa possibilidade foi regulamentada pelo art. 87 da própria lei, verbis:  Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não  associados, mencionados  nos  artigos  85  e  86,  serão  levados  à  conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e  serão contabilizados em separados, de molde a permitir cálculo  para incidência de tributos.  Como se percebe da leitura do artigo transcrito, quando praticado atos entre  cooperativas  e  terceiros  (não  cooperados)  a  norma  determina  que  os  resultados  desses  atos  devem ser contabilizados em separado, para que seja possível incidir os  tributos. A contrario  sensu,  quando  os  resultados  são  referentes  as  operações  realizadas  entre  cooperados  e  cooperativas (que não precisam de contabilidade distinta) não deve haver incidência tributária.  É,  também,  nesse  sentido,  o  entendimento  consolidado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  reconhece  que  nas  "operações  praticadas  entre  as  cooperativas  e  terceiros, independentemente de estarem tais operações seguindo os objetivos da cooperativa,  a regra é da incidência tributária, porque não se tem, na espécie, ato cooperativo puro"8.  Conclui­se, portanto, que a legislação vigente isentou os atos cooperados da  tributação, mas permite a tributação sobre a realização de atos das cooperativas com terceiros,  ainda que em beneficio de seus cooperados. O propósito da atual normatização é, ao que tudo  indica,  coibir  a  utilização  das  cooperativas  como  mecanismo  para  evitar  a  tributação  de  serviços  porque,  caso  admitida  a  não  incidência  tributária  no  recebimento  dos  valores  pela  cooperativa e no repasse ao cooperado, estar­se­ia admitindo que os serviços prestados através  das cooperativas nunca seriam tributados.    2.  SOBRE  AS  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO  MÉDICO  E  OPERADORAS  DE  PLANOS DE SAÚDE.  A contribuinte é operadora de plano de assistência à saúde, que encontra sua  definição  e  classificação  legal na Resolução RDC n. 39/2000. Por  sua natureza e disposição  legal expressa (Lei n. 9.656/1998) é fiscalizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar,  órgão vinculado ao Ministério da Saúde e criado pela Lei n. 9.961/2000.  O segmento de saúde se submete ao método contábil conhecido como Plano  de Contas Próprio, que é exigido e fiscalizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.  Desse modo as questões fiscais decorrentes da atuação das empresas que operam no segmento  de saúde devem ser analisadas considerando tanto as normas tributárias gerais quanto as regras  próprias do segmento, entabuladas no Plano de Contas.  A  Resolução  RDC  n.  39/2000,  em  seu  art.  15,  classifica  as  operadoras  de  saúde  como  "medicina  de  grupo"  já  que  operam  planos  privados  de  assistência  à  saúde. As  operadoras  classificadas  nessa  modalidade  oferecem  basicamente  dois  tipos  de  coberturas  assistenciais:  planos  de  saúde  e  seguros  de  saúde,  sendo  ambos  de  assistência  médico­ hospitalar.                                                              7 Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos  objetivos sociais e estejam em conformidade com a presente lei.  8 Trecho extraído do voto do Ministra Eliana Calmon, relatora do Recurso Especial n. 819.242.  Fl. 4395DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.390          13 Os  planos  de  saúde9  oferecem  aos  seus  usuários  o  direito  de  usufruir  da  assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da  operadora,  por  profissionais  por  ela  empregados  (denominados  rede  própria)  e  estabelecimentos de terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados).   Já  os  seguros  de  saúde  proporcionam  aos  associados  a  livre  escolha  de  profissionais,  hospitais,  clínicas  e  laboratórios,  e  os  custos  são  ressarcidos  por  meio  de  reembolso (parcial ou integral). Não é utilizada rede própria.  A  diferença  entre  os  produtos  reside  na  opção  do  reembolso  das  despesas  médicas aos associados e na existência de rede própria da Operadora de Plano de Saúde (OPS).  Importa  notar  que  nas  duas  hipóteses  há  utilização  de  serviços  de  terceiros,  mas  apenas  os  planos de saúde possuem rede própria.  Na hipótese dos autos a contribuinte é Operadora de Plano de Saúde (OPS)  que comercializa planos de saúde e atua na forma de cooperativa e, por isso, requer a exclusão  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  dos  custos  referentes  ao  resultado  econômico  da  prestação  de  serviços  a  usuários  (clientes)  através  de  médico  cooperado,  pretensão  essa  arrimada no § 9º, do art. 3º da Lei n. 9.718/1998.  Diante dessa ressalva, é pertinente trazer a conhecimento as previsões legais  sobre  as  deduções  permitidas  as  cooperativas  no  que  concerne  as  contribuições  do PIS  e  da  COFINS:    3. SOBRE A LEGISLAÇÃO PERTINENTE.  Como  já  foi  esclarecido,  a  recorrente  é  Operadora  de  Plano  de  Saúde  de  Assistência à Saúde, enquadrando­se, portanto, no inciso II do art. 1º da Lei n. 9.596/199810.  Ainda  que  definida  pelo  que  dispõe  a  Lei  n.  9.596/1998,  a  contribuinte  recorrente é cooperativa e, por esse motivo, a apuração do PIS/PASEP era calculado de acordo  com o que previa a Lei n. 9.715/1998, no § 1º de seu artigo 2º, que previa que essas sociedades  deveriam  recolher  a  contribuição  calculado  sobre  a  folha  de  salários,  bem  como  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações  realizadas  com  não  associados.  Já  no  caso  da COFINS  a  norma de regência (inciso I do art. 6º da Lei Complementar n. 70/1991) isentava as sociedades  cooperativas  de  seu  recolhimento  no  que  se  referia  aos  atos  cooperativos  próprios  de  suas  finalidades.   Essas  formas  especiais de  tributação das  contribuições  ao PIS e  a COFINS  foram extintas com a edição da Medida Provisória n. 1.858­6, em 29/06/1999  (equivalente a  Medida Provisória n. 2.518­35/2001).                                                              9 Adota­se o entendimento consignado pela Cons. Fabíola Cassiano Keramidas no Acórdão n. 3302­001.765.  10 Art.  1º. Submetem­se  às  disposições  desta Lei  as  pessoas  jurídicas de direito privado  que operam planos  de  assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando­se,  para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições:  II ­ Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou  comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I  deste artigo (com a redação conferida pela Medida Provisória n. 2.177­44/2001).  Fl. 4396DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   14 As alterações  legislativas acima descritas mantiveram o que dispõe a Lei n.  9.718/1998:  Art. 1º Esta aplica­se no âmbito da legislação tributária federal,  relativamente às contribuições para os Programas de Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  de  que  tratam  o  art.  239  da  Constituição e a Lei Complementar n. 70, de 30 de dezembro de  1991.  Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta lei.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  art.  2º  compreende  a  receita bruta de pessoa jurídica.  §  1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada paa  as receitas.  O Decreto n. 4.524/2002, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP  e a COFINS, ao tratar sobre as exclusões e deduções específicas (Subseção II), dispõe que:  Art.  3211.  As  sociedades  cooperativas,  para  efeito  de  apuração  da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita  bruta o valor:   I.  repassado  ao  associado,  decorrente  da  comercialização,  no  mercado  interno,  de  produtos  por  ele  entregues  à  cooperativa,  observado o disposto no § 1º;  II. das receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  III.  das  receitas  decorrentes  da  prestação,  aos  associados,  de  serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a  assistência  técnica,  extensão  rural,  formação  profissional  e  assemelhadas;  IV. das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento  e industrialização do produto do associado;  V.  das  receitas  financeiras  decorrentes  de  repasse  de  empréstimos  rurais  contraídos  junto  a  instituições  financeiras,  até o limite dos encargos a estas devidos; e  VI.  das  sobras  apuradas  na  Demonstração  do  Resultado  do  Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de  Reserva  e  do  Fundo  de  Assistência  Técnica,  Educacional  e  Social, previstos no art. 28 da Lei n. 5.764/1971.  Percebe­se que o legislador pretendeu desonerar as cooperativas de produção  (em  especial  as  da  agroindústria),  remetendo  o  item VI  às  cooperativas  médicas.  Esse  item  deve ser analisado sob o prisma da Lei n. 10.676/200312 que em seu art. 1º dispõe:                                                              11 Com a redação conferida pela Medida Provisória n. 2.518­35 e Medida Provisória n. 66/2002.  Fl. 4397DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.391          15 As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de  cálculo  da  contribuição  para  o PIS/PASEP e  da COFINS,  sem  prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n. 2.158­ 35,  de  24  de  agosto  de  2001,  as  sobras  apuradas  na  Demonstração  do Resultado  do Exercício, antes  da  destinação  para  a  constituição  do  Fundo  de  Reserva  e  do  Fundo  de  Assistência Técnica, Educacional  e Social,  previsto no  art.  28  da Lei n. 5.764, de 16 de dezembro de 1971.  §  1º.  As  sobras  líquidas  da  destinação  para  constituição  dos  Fundos referidos no caput somente serão computados na receita  bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas,  distribuídas  ou  capitalizadas  pela  sociedade  cooperativa  de  produção agropecuária.  § 2º Quanto às demais  sociedades cooperativas, a exclusão de  que  trata  o  caput  ficará  limitada  aos  valores  destinados  à  formação dos Fundos nele previstos.  §  3º  O  disposto  neste  artigo  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n. 1.858­10,  de 26 de outubro de 1999 (grifos nossos).  Indiscutível  a  diferenciação  feita  pelo  legislador  entre  as  cooperativas  voltadas à atividade da agro indústria das demais cooperativas. E essa distinção é mantida no  texto da Medida Provisória n. 2.158­35, de 2001, que reproduzo no que interessa:  Art.  2º. O art.  3º  da Lei n.  9.718, de 27 de novembro de 1998,  passa a vigorar com a seguinte redação:  (...)  II.  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  dos  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido computados como receita;  (...)  § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à  saúde poderão deduzir:  I ­ co­responsabilidade cedidas;  II  ­  a  parcela  das  contraprestações  pecuniárias  destinadas  à  constituição de provisões técnicas;  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas a título de transferência de responsabilidade.  (...)                                                                                                                                                                                           12 A Medida Provisória n. 101, de 2002, foi convertida na Lei n. 10.676/2003.  Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   16 Art.  15.  As  sociedades  cooperativas  poderão,  observado  o  disposto nos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718 de 1998, excluir da base  de cálculo da COFIS e do PIS/PASEP:  I  ­  os  valores  repassados  aos  associados,  decorrentes  da  comercialização de produto por eles entregues à cooperativa;  II ­ as receitas de venda de bens e mercadorias a associados;  III  ­  as  receitas  decorrentes  da  prestação,  aos  associados,  de  serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a  assistência  técnica,  extensão  rural,  formação  profissional  e  assemelhadas;  IV ­ as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e  industrialização de produtos do associado;  V  ­  as  receitas  financeiras  decorrentes  de  repasse  de  empréstimos  rurais  contraídos  junto  a  instituições  financeiras,  até o limite dos encargos a estas devido.  §  1º  Para  fins  do  disposto  no  inciso  II,  a  exclusão  alcançará  somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias  vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo  associado e que seja objeto da cooperativa.  O  Plano  de  Contas  Contábil  das  Operadoras  (elaborado  e  exigido  pela  Agência Nacional de Saúde Suplementar) inseriu a rubrica dos Custos Incorridos com Outras  Operadoras (Congêneres) no mesmo Grupo de Contas de Faturamento/Receita das Operações e  alocou as rubricas de Faturamento Contra outras Operadoras (Congêneres) no mesmo Grupo de  Contas de Custo/Despesa. É o caso, respectivamente:  a)  dos  CUSTOS  INCORRIDOS  COM  OUTRAS  OPERADORAS  (CONGÊNERES)  que  são  contabilizados  no  Grupo  3  ­  RECEITAS  ­  (conta  3117  e  3118)  reduzindo o montante do Faturamento/Receitas Operacionais da Operadora (conta redutora); e  b)  das  receitas  advindas  do  FATURAMENTO  CONTRA  OUTRAS  OPERADORAS  (CONGÊNERES)  que  são  classificadas  no Grupo  4  ­ DESPESAS  ­  (conta  4123  e  4124)  reduzindo  o montante  dos Custos  e Despesas  dos  eventos  assistenciais  (conta  redutora).  Desta  forma,  o  faturamento  das  Operadoras  de  Plano  de  Saúde  não  é  encontrado apenas nas rubricas contábeis do Grupo 3 ­ Contas de Receitas.  Por  sua  vez  a  legislação  geral  sobre  PIS  e  COFINS  ­  Lei  n.  9.718/1998­  assim dispõe:  Art.  2º.  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art.  3º.  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  § 9º. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à  saúde poderão deduzir:  Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.392          17 I . co­responsabilidades cedidas;  II  .  a  parcela  de  contraprestação  pecuniárias  destinadas  à  constituição de provisões técnicas;  III  .  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pagos,  deduzidos  das  importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  A  nomenclatura  adotada  pelo  legislador,  no  que  concerne  as  deduções  passíveis da base de cálculo do PIS e da COFINS foram tomadas das definições encontradas  nos contratos de seguro13 e, por esse motivo, deve ser interpretada em conformidade. Assim, é  possível afirmar que:  1) Sobre o inciso I ­ Co­responsabilidade cedida é o repasse total ou parcial  do risco contratado e da mensalidade do contrato respectivo de uma operadora para outra (na  modalidade conhecida como  intercâmbio). São consideradas congêneres Operadoras de Plano  de Saúde credenciadas contratadas de forma indireta, mas que são do mesmo gênero que a OPS  contratante. As congêneres são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de  assistência  à  saúde  de  determinados  grupos  de  beneficiários  ou  usuários  do  plano  de  saúde  contratante  O  dispositivo  legal  permite  que  sejam  excluídos  da  base  de  cálculo  os  valores  pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários  das Operadoras de Plano de Saúde contratante,  do que se  conclui,  por óbvio,  que os valores  pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram na hipótese de isenção  do inciso I. Vale destacar que o pagamento aos credenciados é feito mensalmente pelos eventos  ocorridos, enquanto o pagamento aos congêneres é feito mensalmente mas apurado de acordo  com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere.  2) Sobre o inciso II ­ auto explicativo.  3)  Sobre  o  inciso  III  ­  indenização  deve  ser  compreendida  como  o  pagamento  das  despesas  decorrentes  dos  eventos/sinistros  ocorridos  e  contratualmente  previstos. Assim, o montante pago em decorrência da utilização do plano de saúde pelo usuário  poderá  ser  abatido  da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  deduzido  do  valor  eventualmente recebido pelo atendimento do beneficiário.  Sobre essa questão, trago a conhecimento trecho do voto condutor proferido  no  julgamento  do  Processo Administrativo  n.  13971.002373/2004­11,  de  onde  foi  lavrado  o  Acórdão  n.  3302­001.765,  oportunidade  na  qual  a  Conselheira  Fabiola  Cassiano Keramidas  leciona:  "Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a  rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma  vez  que  se  refere  à  abrangência  geográfica  da  prestação  do  serviço.  Logo,  as  regras  aplicáveis  às  congêneres  são  denominadas regras de PRODUTO.  Toda esta introdução é necessária porque a redação do 'inciso I'  do citado § 9º, menciona que serão excluídos da base os valores  referentes  à  'co­responsabilidade  cedida'.  Trata,  portanto,  de                                                              13 Art. 757 do Código Civil de 2002.   Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   18 responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal  mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo dos  valores  pagos  justamente  para  estas  congêneres,  que  se  responsabilizam  por  determinados  beneficiários  da  OPS  contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que  os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta)  não se enquadram neste 'inciso 1'.  No  Plano  de  Contas  adotado  pela  ANS,  a  percepção  de  qual  seria este número está evidente ­ e por isso mesmo não costuma  gerar  dúvidas  para  a  fiscalização,  é  que  estes  valores  estão  registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e  3.1.1.8.  São  os  CUSTOS  COM  CONGÊNERES  e  estão  classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS.  A mera análise do Plano Contábil é suficiente para constatar­se  que,  na  prática,  este  valor  seria  naturalmente  deduzido  do  montante  das  Receitas,  uma  vez  que  se  trata  de  uma  'conta  redutora'  de  receita,  com  a  necessária  aposição  do  sinal  negativo,  melhor  dizendo,  valor  inverso  ao  das  contas  de  receitas, verbis:  CONTA: 3.1.1.7  (­)  CONTRAPRESTAÇÃO  DE  CORRESPONSABILIDADE  TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR.  A  providência  legislativa,  portanto,  ao  definir  a  exclusão  da  conta  3.1.1.7,  responsável  pelo  registro  do  'custo'  com  a  contratação  de  congêneres  como  prestadores  de  serviços,  ajustou  o  valor  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  das  OPS,  retirando do  total  faturado o montante  'repassado'  (pago  ou prometido pagar) aos terceiros que 'assumiram' a assistência  de determinados beneficiários" (grifos nossos).  Essa  interpretação  foi  patenteada  com  a  edição  da  Lei  n.  12.873,  de  24  de  outubro de 201314, que assim dispõe:  Art.  19.  A  Lei  n.  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998,  passa  a  vigorar com as seguintes alterações:  Art. 3º (...)  §  9º  ­  A.  Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos  de  que  trata  o  inciso  III  do  §  9º  entende­se  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos  de  beneficiários  da  própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência de responsabilidade assumida (grifos nossos).  Inconteste,  portanto,  que  os  valores  que  podem  ser  deduzidos  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS são os decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura  oferecida pelos planos de saúde, incluindo­se neste total os custos de beneficiários da própria  operadora e os beneficiários de outra operadora (intercâmbio).                                                              14 Resultado da conversão da Medida Provisória n. 619/2013 em lei.  Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.393          19 4.  ARGUMENTOS  DE  DEFESA  DO  CONTRIBUINTE  ­  OBJETO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 3802/3820) que fundamentou os  autos de infração ora questionados, que:  "Note­se que para proporcionar a assistência médica contratada  pelos clientes dos planos de saúde, a fiscalizada conta com todo  um universo de profissionais não associados  (não cooperados),  hospitais,  clínicas  e  laboratórios  (terceiros,  contratados  e  remunerados,  denominados  nos  contratos  praticados  pela  fiscalizada como 'rede assistencial contratada'), mesmo porque o  fornecimento  desses  serviços  de  terceiros  não  associados  é  elemento  essencial  para  a  captação  de  clientes  no  plano  de  saúde. Trata­se de uma realidade de mercado.  Desse  modo,  quando  garante  os  serviços  destes  terceiros,  a  fiscalizada  atua  em  verdadeira  intermediação  comercial  entre  terceiros, não associados, e os clientes contratantes dos planos  de  saúde,  intermediação  esta  que  além  de  fugir  totalmente  do  objetivo  social  de  uma  cooperativa,  escapa  integralmente  dos  limites da definição do ato cooperativo, que afasta as chamadas  operações  de  mercado  e  exige,  nas  duas  pontas  da  relação  jurídica estabelecida, cooperativas ou cooperados.  Em  resumo,  se  por  um  lado  a  execução  dos  contratos  envolve  operação  de  mercado,  por  outro  as  receitas  advindas  do  pagamento das mensalidades neles acordadas (mensalidades dos  planos de saúde) não decorre da prática do ato cooperado, uma  vez que não têm relação com a prestação de serviços médicos. O  cliente paga a mensalidade do plano independentemente do uso  da estrutura de serviços contratada, mas a cooperativa se obriga  a  prestar  toda  assistência  contratada,  caso  se  faça  necessária,  ainda  que  o  custo  da  assistência  exceda  aos  das mensalidades  pagas, ainda que o serviço tenha que ser prestado por terceiros  não cooperados". (grifos nossos)  Pretendendo esclarecer os motivos que ensejaram a autuação da recorrente, o  agente  fiscal  esclarece  no  Relatório  Conclusivo  que  a  tributação  exigida  incide  unicamente  sobre os atos não cooperados, que resultam nas receitas direta ou indiretamente advindas das  vendas de planos de saúde, listadas da seguinte forma:  "1) às receitas decorrentes do recebimento das mensalidades dos  planos de saúde, escrituradas no grupo contábil 3.1.1;  2)  às  outras  receitas  operacionais  advindas  das  vendas  de  planos  de  saúde,  tais  como  receitas  com  taxas  de  implantação  dos planos de saúde, receitas de intercâmbio eventual e receitas  com manual de guia médico, escrituradas no grupo contábil 3.3;  3)  às  receitas  decorrentes  das  recuperações  de  títulos  incobráveis  (planos  de  saúde)  e  de  assistência  médica,  escrituradas no grupo contábil 3.6" (fl. 4199)  Contra as exigências, a recorrente alega:  Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   20 4.1.) As receitas recebidas a título de pagamento dos planos de saúde são mero ingresso e  não receita própria, o que afasta a tributação pretendida.  A recorrente sustenta que por se  tratar de cooperativa, as atividades por ela  praticadas  e  que  são  destinadas  ­  direta  ou  indiretamente  ­  a  consecução  de  seus  objetivos,  configuram  ato  cooperativo,  o  que  afastaria  a  natureza  de  comércio  e,  portanto,  não  se  enquadra no conceito de faturamento necessário para a incidência de PIS e COFINS.  No entanto, o pagamento das mensalidades dos planos de saúde é  feito por  terceiro não cooperado e desse montante não necessariamente serão destinados valores para os  médicos  cooperados,  já  que  não  é  garantido  que  em  todos  os meses  o  cliente  (paciente)  irá  usufruir dos serviços prestados pela cooperativa.  Sobre  o  tema  trago  a  conhecimento  o  precedente  adotado  pelo  Superior  Tribunal de Justiça, onde prevalece o entendimento que  'os atos praticados pela cooperativa  com  terceiros  não  se  inserem  no  conceito  de  atos  cooperativos  ao  PIS  e  à  COFINS.  Ato  cooperativo  é  aquele  que  a  cooperativa  realiza  com  os  seus  cooperados  ou  com  outras  cooperativas. Esse é o conceito que se depreende do disposto no art. 79 da lei que instituiu o  regime jurídico das sociedades cooperativas ­ Lei n. 5.764/71"15.  Ademais, é entendimento pacífico neste Conselho que "a comercialização de  planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  por  tratar­se  de  prestação  de  serviços"  (Acórdão  n.  3102­ 001.712, Processo Administrativo n. 10283.721458/2009­77)  4.2.) As  receitas  financeiras  ou aquelas decorrentes de  venda do ativo  imobilizado, não  podem  ser  tributadas  sob  pena  de  se  admitir  o  alargamento  da  base  de  cálculo  das  exações.  No  que  concerne  os  argumentos  sobre  a  exclusão  das  receitas  financeiras,  entendo que deve prosperar a pretensão do recorrente.  Como já foi esclarecido, a contribuinte, por sua atividade, é cooperativa e é  também Operadora de Planos de Saúde. A caracterização de atos como cooperativos deflui do  atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com  seus associados ou com outras cooperativas, não se  revelando suficiente o preenchimento de  apenas um dos aludidos requisitos.  É cediço que ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi  do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei n. 5.764/1971. Por sua vez a fiscalização  pretende tributar as receitas elencadas no item 3.4.2.3 e seguintes do Plano de Contas da ANS  (agrupamento  que  corresponde  às  receitas  financeiras  com operações  de  assistência  a  saúde,  receitas com depósitos e fundos retidos e juros e atualização monetária).  Sobre  o  assunto  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  definiu  que  "as  aplicações  financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que,  indiretamente,  em  busca  da  consecução  do  objeto  social  da  cooperativa),  consubstanciam  'atos  não­cooperativos',  cujos  resultados  positivos  devem  integrar  a  base  de  cálculo  do  imposto de renda" (Recurso Especial representativo de controvérsia n. 58.265/SP, de relatoria  do Ministro Luiz Fux).                                                               15 Recurso Especial n. 1.192.187/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 17/08/2010.  Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.394          21 Diante  dessa  conclusão  é  correto  afirmar  que  os  resultados  das  aplicações  financeiras devem ser classificados como renda e não faturamento, o que afasta a cobrança das  exações sob discussão (PIS e COFINS).  Ultrapassando a questão da definição do ato cooperativo, o Superior Tribunal  de  Justiça  se  alinhou  ao  pronunciamento  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  considera  inconstitucional o alargamento da definição de faturamento para fins tributários.  A propósito, trago a conhecimento o seguinte julgado:  COOPERATIVA  DE  CRÉDITO.  COFINS.  ISENÇÃO  SOBRE  ATO COOPERATIVO. LEI 9.718/98. CONCEITO DE RECEITA  BRUTA.  AMPLIAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  ART.  97  DA  CF.  INVIABILIDADE.  I  ­  Buscando  o  financiamento  da  seguridade  social,  a  Constituição previu a criação de contribuição social a cargo da  empresa  ou  entidade  a  ela  equiparada  ,  sobre  a  receita  ou  faturamento  (art.  195.  I,  "b",  da  CF).  A  Lei  Complementar  n.  70/91,  em  face  do  mandamento  constitucional,  instituiu  a  COFINS  a  incidir  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias e serviço e de serviços de qualquer natureza.  II  ­ A Lei n.  9718/98, no artigo 3º, parágrafo 1º,  definiu que o  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  e  que  o  conceito  de  receita  bruta  é  a  totalidade  das  receitas  auferidas  ,  sendo  irrelevante o tipo de atividade e classificação  contábil adotada para as receitas.  III ­ O Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, ao  julgar  os  REs  n.  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG, considerou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei  n. 9.718/98, ao tempo em que reconheceu a constitucionalidade  do  artigo  8º,  caput,  do mesmo  diploma  legal.  Com  tal  decisão  restou definido que o conceito de receita bruta não poderia ter  sido ampliado pelo § 1º do art.  3º  da Lei n. 9.718/98, devendo  permanecer o conceito definido pela legislação anterior (art. 2º  da LC n. 70/91), que considera como faturamento a receita bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço de qualquer natureza.  IV ­ Verificado, por definição legal (art. 79 da Lei n. 5.764/71),  que  o  ato  cooperativo  não  implica  em  operação  de  mercado  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria,  consigna­se que não há incidência da COFINS sobre tais atos.  V  ­ Na  hipótese  das  cooperativas  de  crédito,  já  está  assentado  que toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito,  incluindo a  captação de  recursos,  a  realização de  empréstimos  aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras  no mercado,  constitui  ato  cooperativo,  não  havendo  incidência  da COFINS.  Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA   22 VI ­ É desnecessária a apreciação acerca da constitucionalidade  da  norma  legal  discutida  uma  vez  que  o  STF  já  realizou  o  mencionado controle, declarando a inconstitucionalidade do § 1º  do artigo 3º do referido diploma legal.   VII ­ Agravo regimental improvido.  (AgRg no Recurso Especial n. 983.061/ AL, Ministro Francisco  Falcão, 1ª Turma, DJe 07/04/2008 ­ grifos nossos)  Em consonância com os precedentes acima reproduzidos, entendo que devem  ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras e as receitas  4.3.) Não pode incidir PIS ou COFINS sobre as receitas de intercâmbio, porque essa "não  corresponde a um verdadeiro  ingresso  em  seu  faturamento, mas mero  repasse  de  valores,  estando, por isso incluída no conceito de ato cooperativo próprio" (fl. 4220).  Como já  informado, a alteração promovida pela Lei n. 12.873/2014 ao § 9º  do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 elimina qualquer dúvida sobre o alcance da exclusão da base de  cálculo  das  contribuições,  confirmando  que  podem  ser  deduzidos  os  valores  decorrentes  da  utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo­se neste  total  os  custos  de  beneficiários  da  própria  operadora  e  os  beneficiários  de  outra  operadora  (intercâmbio).  Deste modo, há ser reconhecido o direito da contribuinte.  4.4.)  Devem  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  das  contribuições  as  receitas  advinda  da  comercialização  do manual  do  guia médico,  uma  vez  que  não  se  trata  de  faturamento,  mas sim, de meros ingresso (fl. 4233).  Nega­se a pretensão da recorrente sob os mesmos fundamentos elucidados no  item 4.1. acima.  4.5.)  Não  devem  ser  tributadas  os  valores  lançados  na  conta  de  perdas  ­  que  correspondem aos títulos incobráveis ­ por violar expressa disposição prevista no § 2º do  art. 3º da Lei n. 9.718/1998.  De acordo com a Lei n. 9.430/1996 (§ 4º do art.10), são  títulos  incobráveis  aqueles que registrados na conta redutora do crédito e que podem ser baixados definitivamente  em  contrapartida  à  conta  que  registre  o  crédito,  a  partir  do  período  de  apuração  em  que  se  completar cinco anos do vencimento do crédito  sem que o mesmo  tenha sido  liquidado pelo  devedor.  Consta na Instrução Normativa SRF n. 247, de 21 de novembro de 2002:  Art.  23.  Para  efeito  da  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  incidentes  sobre  o  faturamento,  observado  o  disposto  no  art.  24,  podem  ser  excluídos  ou  deduzidos  da  receita  bruta,  quando  a  tenham  integrado,  os  valores:  VI  ­  das  recuperações  de  créditos  baixados  como  perdas,  limitados  aos  valores  efetivamente  baixados,  que  não  representem ingresso de novas receitas.  Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.395          23 Em atenção à expressa previsão normativa, é de ser reconhecido o direito da  contribuinte  em  excluir  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  os  valores  referentes  aos  títulos incobráveis.   Diante do  exposto,  dou parcial  provimento  ao  recurso da  contribuinte,  para  determinar a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos (i) valores recebidos pela  utilização  dos  beneficiários  da  cobertura oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se neste  total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora; (ii)  dos  valores  recebidos  pelos  títulos  incobráveis;  e  (iii)  as  receitas  financeiras  e  patrimoniais.  Quanto as demais glosas, essas deverão ser mantidas de acordo com os fundamentos lançados  no voto.  (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado                Declaração de Voto  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Declarante.  Em  que  pese  os  bem  postos  argumentos  apresentados  pela  i.  Conselheira  Relatora,  com a  devida  vênia,  este Relator  ousa  discordar  da  conclusão  por  ela  apresentada,  pelas razões a seguir aduzidas.  A  controvérsia  objeto  dos  presentes  autos  envolve  (i)  questões  jurídicas  genéricas, atinentes à tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas  auferidas  pelas  cooperativas  em  geral,  provenientes  da  prática  de  atos  cooperativos,  e  (ii)  questões jurídicas específicas, referentes à tributação das cooperativas médicas, operadoras de  plano de saúde, especificamente, se as receitas provenientes da venda de planos de saúde são  considerados  receitas de atos cooperativos ou não e  se  tais  receitas  integram base de cálculo  das  referidas  contribuições;  assim  como  as  questões  fáticas,  atinentes  a  correta  apuração  da  base de cálculo das referidas contribuições nos meses de janeiro a dezembro de 2009, objeto  das presentes autuações.  1) Da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o  ato cooperativo próprio e impróprio.  Com base no artigo 79 da Lei 5.764/1971 e baseado em doutrina, a recorrente  alegou  que  não  havia  incidência  tributária  das  referidas  contribuições  sobre  os  atos  cooperativos  principais,  porque  os  valores  decorrentes  de  tais  atos  não  representavam  faturamento/receita bruta da atividade exercida pelas cooperativas, mas meros  ingressos, sem  exteriorização de conteúdo econômico inerente à atividade mercantil.  Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     24 Para  a  recorrente,  os  atos  praticados  pelas  cooperativas médicas  dividir­se­ iam  em  atos  cooperativos  (principais  e  auxiliares)  e  atos  não  cooperativos.  Os  primeiros,  segundo a recorrente, estavam fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins, por conseguinte, a receita bruta deles advinda não integrava a base de cálculo dessas  contribuições.  A definição de atos cooperativos adotado pela  recorrente compreende  todos  aqueles  atos  praticados  com  o  objetivo  de  realizar  os  fins  sociais  da  cooperativa  e  ainda  os  dividiu em atos principais e auxiliares. Os atos cooperativos principais são aqueles praticados  entre  cooperativa  e  cooperado  e  os  auxiliares  os  praticados  entre  cooperativa  e  terceiros  ou  entre  terceiros  e  cooperados.  Já  os  atos  não  cooperativos  seriam  aqueles  que  não  tivessem  vinculação direta com o objeto da cooperativa, ou seja, os negócios estranhos ao objeto social  da cooperativa.  Tal  entendimento,  induvidosamente,  amplia o  alcance da definição  legal de  ato cooperativo apresentada no art. 79 da Lei 5.764/1971, que tem o seguinte teor, in verbis:  Art. 79. Denominam­se atos cooperativos os praticados entre as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos  objetivos sociais.  Parágrafo  único.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.  Por se tratar de definição veiculada em diploma legal, em razão do disposto  no art. 26­A do Decreto 70.235/1972, aos integrantes deste Conselho é expressamente vedada  afastá­la,  em detrimento de qualquer outra apresentada na doutrina ou na  jurisprudência, por  mais bem elaborados ou “judiciosos” que sejam. E a propósito, depois de intensa controvérsia,  essa  também  é  a  definição  de  ato  cooperativo  que,  ao  final,  prevaleceu  no  âmbito  da  jurisprudência dos tribunais superiores, conforme a seguir demonstrado.  Assim,  com  base  no  referido  preceito  legal,  as  sociedades  cooperativas  só  praticam dois  tipos  atos  ou negócios,  a  saber:  a) os atos  cooperativos  (típicos,  internos ou  próprios),  celebrado  entre a  cooperativa e o  cooperado ou ainda  entre a  cooperativa  e outra  cooperativa  a  ela  associada,  para  a  consecução  dos  objetivos  sociais;  e  b)  atos  não  cooperativos  (atípicos,  externos  ou  impróprios)  aqueles  praticados  com  terceiros  (não  cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais.  Além  disso,  o  parágrafo  único  do  art.  79  em  comento,  deixa  claro  que  somente  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  o  que,  em  regra,  assegura­o  possível  de  adequado, mas  não  privilegiado,  tratamento  tributário,  conforme previsto  no  art.  146, III, “c”, da CF/1988; a contrario sensu, o ato não cooperativo tem natureza de operação  de  mercado,  o  que,  em  regra,  submete­o  a  normal  tratamento  tributário.  A  propósito,  a  lei  atualmente vigente (Lei 5.764/1971), que dispõe sobre o regime das sociedades cooperativas,  expressamente, prevê a tributação das receitas/resultados obtidos com os atos não cooperativos,  nos termos dos arts. 86 e 111, a seguir transcritos:  Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não  associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais  e estejam de conformidade com a presente lei.  Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.396          25 Art.  111.  Serão  considerados  como  renda  tributável  os  resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de  que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.  Especificamente  em  relação  à  tributação  das  receitas  auferidas  pelas  cooperativas pela Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, depois de longa discussão sobre a  matéria, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos  RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ, realizado sob regime de repercussão geral, nas assentadas dos  dias 5 e 6 de novembro do corrente ano, o Plenário do Supremo Tribunal Federal  (STF) deu  provimento  aos  recursos  interpostos  pela  Fazenda Nacional,  para  reconhecer  que  as  receitas  das  cooperativas  auferidas  da  prestação  serviços  a  terceiros  estava  sujeita  à  tributação  das  referidas contribuições. E esse entendimento, sabidamente, por determinação regimental, deve  ser replicado nos julgamento deste Conselho.  Em apertada síntese, nos referidos julgados, por unanimidade, o que raro em  matéria tributária, o plenário do STF manifestou o entendimento que:  a) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins submetem­se ao mesmo regime  jurídico,  porquanto  aplicável  a mesma  ratio  quanto  à  definição  dos  aspectos  da  hipótese  de  incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota),  e  que  havia  sim  incidência  das  referidas  contribuições  sobre  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  por  cooperativa  prestadora  de  serviço  com  terceiros  tomadores  de  serviço,  resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas;  b) a Lei 5.764/1971 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com  o status de lei ordinária e que o seu artigo 79 apenas definia o que seria ato cooperativo, sem  nada definir quanto ao regime de tributação das cooperativas;  c) a alegação de que as  sociedades cooperativas não possuíam faturamento,  nem  receita  e,  por  essa  característica,  não  estavam  sujeitas  à  incidência  de  qualquer  tributo  sobre suas atividades principais e acessórias, levava ao mesmo resultado prático de se conferir  a elas, sem expressa autorização constitucional, imunidade tributária;  d)  o  tratamento  tributário  adequado  ao  ato  cooperativo  era  questão  política  que  deveria  ser  resolvida  na  esfera  competente,  logo  eventual  insuficiência  de  normas  não  poderia ser tida por violadora do princípio da isonomia; e  e)  não  havia  hierarquia  entre  lei  complementar  e  lei  ordinária,  consequentemente, seria possível que uma lei formalmente complementar, mas materialmente  ordinária,  fosse  revogada  por  lei  ordinária,  o  que  teria  ocorrido  no  caso  da  revogação  da  isenção  veiculada  na  Lei  Complementar  70/1991  pela  Medida  Provisória  1.859/1999  e  reedições seguintes, até a redação definitiva dada pela Medida Provisória 2.158­35/2001, que  validamente  operaram  a  derrogação  da  norma  concessiva  de  isenção  da  Cofins  para  as  sociedades cooperativas.  Para  mais  detalhes  sobre  entendimento  esposado  pelo  STF  nos  referidos  julgados, seguem reproduzidos, respectivamente, os enunciados das ementas dos citados RREE  598.085/RJ e 599.362/RJ:  RE 598.085/RJ:  Fl. 4408DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     26 EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA  DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA  DE  SERVIÇOS  MÉDICOS.  POSTO  REALIZAR  COM  TERCEIROS  NÃO  ASSOCIADOS  (NÃO  COOPERADOS)  VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITA­SE À  INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA  BRUTA  OU  FATURAMENTO  ATRAVÉS  DESTES  ATOS  OU  NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE  “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO  DE  QUE  SÃO  TODOS  OS  ATOS  OU  NEGÓCIOS  PRATICADOS  COM  TERCEIROS  NÃO  ASSOCIADOS  (COOPERADOS),  EX  VI,  PESSOAS  FÍSICAS OU  JURÍDICAS  TOMADORAS  DE  SERVIÇO.  POSSIBILIDADE  DE  REVOGAÇÃO  DO  BENEFÍCIO  FISCAL  (ISENÇÃO  DA  COFINS)  PREVISTO  NO  INCISO  I,  DO  ART.  6°,  DA  LC  Nº  70/91,  PELA  MP  Nº  1.858­6  E  REEDIÇÕES  SEGUINTES,  CONSOLIDADA  NA  ATUAL  MP  Nº  2.158­35.  A  LEI  COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146,  III, “C”,  DA  CF/88,  DETERMINANTE  DO  “ADEQUADO  TRATAMENTO  TRIBUTÁRIO  AO  ATO  COOPERATIVO”,  AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO  AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.  1.  As  contribuições  ao PIS  e  à COFINS  sujeitam­se  ao mesmo  regime  jurídico,  porquanto  aplicável  a  mesma  ratio  quanto  à  definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o  pessoal  (sujeito  passivo)  e  o  quantitativo  (base  de  cálculo  e  alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado.  2.  O  princípio  da  solidariedade  social,  o  qual  inspira  todo  o  arcabouço de  financiamento da seguridade social, à  luz do art.  195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental  com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as  cooperativas.  3.  O  cooperativismo  no  texto  constitucional  logrou  obter  proteção  e  estímulo  à  formação  de  cooperativas,  não  como  norma  programática,  mas  como  mandato  constitucional,  em  especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º,  ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais  ao  poder  de  tributar,  verdadeira  regra  de  bloqueio,  como  corolário  daquele,  não  se  revelando  norma  imunitória,  consoante  já  assentado  pela  Suprema  Corte  nos  autos  do  RE  141.800,  Relator  Ministro  Moreira  Alves,  1ª  Turma,  DJ  03/10/1997.  4.  O  legislador  ordinário  de  cada  pessoa  política  poderá  garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios  fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a  lei  complementar  a  que  se  refere  o  art.  146,  III,  c,  CF/88. O  benefício  fiscal,  previsto  no  inciso  I  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  70/91,  foi  revogado  pela Medida Provisória  nº  1.858  e  reedições  seguintes,  consolidada  na  atual  Medida  Provisória  nº  2.158,  tornando­se  tributáveis  pela  COFINS  as  receitas  auferidas  pelas  cooperativas  (ADI  1/DF, Min.  Relator  Moreira Alves, DJ 16/06/1995).  Fl. 4409DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.397          27 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades  cooperativas e do ato cooperativo  (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e  111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não  conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e  efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação.  6. Acaso  adotado  o  entendimento  de  que  as  cooperativas  não  possuem  lucro  ou  faturamento  quanto  ao  ato  cooperativo  praticado  com  terceiros  não  associados  (não  cooperados),  inexistindo  imunidade  tributária,  haveria  violação  a  determinação  constitucional  de  que  a  seguridade  social  será  financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88,  seria violada.  7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são  aqueles  realizados  pela  cooperativa  com  os  seus  associados  (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais.  8.  A  Suprema  Corte,  por  ocasião  do  julgamento  dos  recursos  extraordinários  357.950/RS,  358.273/RS,  390.840/MG,  Relator  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  DJ  15­08­2006,  e  346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  DJ  01­09­2006,  assentou  a  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  destinadas  ao  PIS  e  à  COFINS,  promovida  pelo  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  o  que  implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o  que  decorra  quer  da  venda  de mercadorias,  quer  da  venda  de  mercadorias e serviços, quer da venda de serviços.  9.  Recurso  extraordinário  interposto  pela  UNIÃO  (FAZENDA  NACIONAL),  com  fulcro  no  art.  102,  III,  “a”,  da Constituição  Federal  de  1988,  em  face  de  acórdão  prolatado  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região,  verbis:  TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  COOPERATIVA.  LEI  Nº.  5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, §  1°  (INCONSTITUCIONALIDADE).  NÃO­INCIDÊNCIA  DA  COFINS  SOBRE  OS  ATOS  COOPERATIVOS.  1.  A  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  15  de  dezembro  de  1998  (DOU  de  16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°,  da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data  de  sua  publicação,  em  28  de  novembro  de  1998.  2.  É  inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que  ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (RREE.  357.950/RS,  346.084/PR,  358.273/RS  e  390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98,  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  Cofins  o  disposto no art.  2° da Lei n° 70/91, que considera  faturamento  somente  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os  atos  cooperativos  (Lei  nº.  5.764/71  art.  79)  não  geram  receita  nem  faturamento  para  as  sociedades  cooperativas.  Não  compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins.  Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     28 5.  Em  se  tratando  de mandado  de  segurança,  não  são  devidos  honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e  105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121).  10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas  e  provenientes  não  de  seus  cooperados,  mas  de  terceiros  tomadores  dos  serviços  ou  adquirentes  das  mercadorias  vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o  produto  de  ato  cooperativo,  por  violação  dos  conceitos  constitucionais  de  “ato  cooperado”,  “receita  da  atividade  cooperativa”  e  “cooperado”,  são  temas  que  se  encontram  sujeitos  à  repercussão  geral  nos  recursos:  RE  597.315­RG,  Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012,  Dje  22/02/2012,  RE  672.215­RG,  Relator  Min.  ROBERTO  BARROSO,  julgamento  em  29/03/2012,  Dje  27/04/2012,  e  RE  599.362­RG,  Relator  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Dje­13­12­2010,  notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da  incidência  da  contribuição  para  o  PIS  sobre  os  atos  cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº  2.158­33,  originariamente  editada  sob  o  nº  1.858­6,  e  nas Leis  nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998.  11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para  declarar  a  incidência  da  COFINS  sobre  os  atos  (negócios  jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de  serviço,  resguardadas  as  exclusões  e  deduções  legalmente  previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido  naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718/98,  no  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta.  (RE  598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em  06/11/2014,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO  GERAL ­ MÉRITO DJe­027 DIVULG 09­02­2015 PUBLIC 10­ 02­2015) ­ Grifos não originais.  RE 599.362/RJ:  EMENTA  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  Artigo  146,  III,  c,  da  Constituição  Federal.  Adequado  tratamento  tributário.  Inexistência de imunidade ou de não  incidência com  relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei  ordinária.  PIS/PASEP.  Incidência.  MP  nº  2.158­35/2001.  Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência.  1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c,  CF  é  dirigido  ao  ato  cooperativo.  A  norma  constitucional  concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos  quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes.  2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação  do  ato  cooperativo  ao  dispor  que  a  lei  complementar  estabelecerá  a  forma  adequada  para  tanto.  O  texto  constitucional  a  ele  não  garante  imunidade  ou  mesmo  não  incidência  de  tributos,  tampouco  decorre  diretamente  da  Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção.  3.  A  definição  do  adequado  tratamento  tributário  ao  ato  cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador.  Até  que  sobrevenha  a  lei  complementar  que  definirá  esse  Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.398          29 adequado  tratamento,  a  legislação  ordinária  relativa  a  cada  espécie  tributária  deve,  com  relação  a  ele,  garantir  a  neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou  prejudicial  ao  ato  cooperativo  e  respeitando,  ademais,  as  peculiaridades  das  cooperativas  com  relação  às  demais  sociedades de pessoas e de capitais.  4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988  com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que  é  ato  cooperativo,  sem  nada  referir  quanto  ao  regime  de  tributação.  Se  essa  definição  repercutirá  ou  não  na  materialidade  de  cada  espécie  tributária,  só  a  análise  da  subsunção do  fato  na  norma de  incidência  específica,  em  cada  caso concreto, dirá.  5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação  com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos ­  não  surge  como  mera  intermediária  de  trabalhadores  autônomos,  mas,  sim,  como  entidade  autônoma,  com  personalidade  jurídica  própria,  distinta  da  dos  trabalhadores  associados.  6.  Cooperativa  é  pessoa  jurídica  que,  nas  suas  relações  com  terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos  receita tributável.  7.  Não  se  pode  inferir,  no  que  tange  ao  financiamento  da  seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir  às  cooperativas  de  trabalho  tratamento  tributário  privilegiado,  uma vez que está expressamente consignado na Constituição que  a  seguridade  social  “será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma direta e  indireta, nos  termos da  lei”  (art. 195, caput, da  CF/88).  8. Inexiste ofensa ao postulado da  isonomia na sistemática de  créditos  conferida  pelo  art.  15  da  Medida  Provisória  2.158­ 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões  e  deduções  de  receitas  da  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo  texto constitucional.  9. É possível, senão necessário, estabelecerem­se diferenciações  entre as cooperativas, de acordo com as características de cada  segmento  do  cooperativismo  e  com  a  maior  ou  a  menor  necessidade de  fomento dessa ou daquela atividade econômica.  O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não  ocorreu no caso concreto.  10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal  dá  provimento  para  declarar  a  incidência  da  contribuição  ao  PIS/PASEP  sobre  os  atos  (negócios  jurídicos)  praticados  pela  impetrante  com  terceiros  tomadores  de  serviço,  objeto  da  impetração.  (RE  599362,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  06/11/2014,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO GERAL  ­ MÉRITO DJe­027  Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     30 DIVULG  09­02­2015  PUBLIC  10­02­2015)  ­  Grifos  não  originais.  Em suma, da  leitura dos referidos enunciados, extrai­se que, diferentemente  do alegado pela recorrente, para a firme jurisprudência do STF os atos cooperativos (próprios  ou  internos)  são  aqueles  realizados  pela  cooperativa  com  os  seus  próprios  associados  (cooperados)  na  busca  dos  seus  objetivos  sociais;  e  que  as  receitas  provenientes  dos  atos  (negócios jurídicos) praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviço integram  o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.  Especificamente no que tange à receita auferida pelas cooperativas médicas,  operadoras  de  plano  de  saúde,  decorrentes  da  venda  de  plano  de  saúde  a  terceiros  não  cooperados, a matéria foi objeto de julgamento, sob regime de repercussão geral, no âmbito do  referenciado RE 598.085/RJ, e a decisão foi no sentido de que tais receitas integravam a base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  resguardadas  as  exclusões  e  deduções  legalmente  previstas.  Cabe  ainda  ressaltar,  que,  embora  não  tenha  sido  objeto  dos  referidos  julgados, a leitura atenta do teor dos votos que respaldaram os respectivos acórdãos revela que,  a partir da revogação dos preceitos legais que isentavam da tributação o ato cooperativo típico  ou interno, as referidas contribuições também passaram incidir sobre as receitas provenientes  dos  mencionados  atos.  Essa  conclusão  pode  ser  extraída  do  excerto  do  voto  condutor  do  acórdão, proferido pelo Relator, Ministro Luiz Fux, no julgamento do citado RE 598.085/RJ, a  seguir transcrito:  O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a  neutralidade tributária, com a concessão de benefícios fiscais às  cooperativas,  tais  como  isenções,  até  que  sobrevenha  a  lei  complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88.  Da leitura do voto da lavra do Ministro Luiz Roberto Barroso, que integra o  referido  julgado,  também  é  possível  extrair  o  mesmo  entendimento,  senão  veja  o  trecho  a  seguir transcrito:  [...]  Afirma  que  o  art.  79  da  Lei  nº  5.764/1971  não  foi  recepcionado  com  status  de  lei  complementar  e  que  os  atos  praticados  pelos  cooperados  passaram  a  ser  disciplinados  por  disposições específicas, que determinam sua sujeição ao âmbito  de  atuação  da  norma  tributária  impositiva.  A  rigor,  os  atos  cooperativos  típicos  foram  reputados  isentos.  A  regra  foi  a  desoneração  enquanto  se  manteve  em  vigor  a  hipótese  de  exclusão  legalmente  prevista.  Ocorre  que  a  legislação  subsequente  disciplinou  a  hipótese  em  sentido  diverso.  Em  que  pese  termine  por  concluir  pela  possibilidade  de  fazer  o  tributo  incidir,  os  argumentos  da  parte  recorrente  merecem  temperamentos.  Dessa forma, como os referidos julgamentos foram realizados sob regime de  repercussão geral, previsto no art. 543­B do CPC, em conformidade com o disposto no art. 62  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  deste  Conselho,  aprovado  pela  Portaria  MF  343/2015,  adota­se  integralmente  os  entendimentos  neles  esposados,  para  fim  de  rejeitar  todas  as  alegações suscitadas pela recorrente no sentido de que a receita obtida pela recorrente na venda  de plano de saúde a terceiros estaria fora do campo de incidência das referidas contribuições.  Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.399          31 2) Da natureza jurídica da operação de venda de planos de saúde pelas  cooperativas operadoras de plano de saúde.  Para  fiscalização,  as  operações  de  venda  de  planos  de  saúde  não  se  caracterizavam como ato cooperativo, mas atos mercantis, conforme explicitado no item 62 do  referido Termo de Verificação Fiscal, que segure transcrito:  62.  Com  efeito,  a  fiscalizada  comercializa  planos  de  saúde,  sendo esse produto  vendido a  terceiro não cooperado,  e presta  serviços médicos por meio de seus associados cooperados e por  meio de rede assistencial não cooperada e, conforme o plano de  saúde contratado, faz a intermediação de serviços com hospitais,  clínicas,  laboratórios e outras empresas e profissionais afins. A  execução de tais contratos de planos de saúde envolve terceiros  não associados (hospitais, laboratórios, clínicas e etc), atuando  a  fiscalizada,  quando  garante  os  serviços  terceiros,  em  verdadeira  intermediação  comercial  entre  esses  tais  terceiros  não  associados  e  os  clientes  contratantes dos  planos  de  saúde,  intermediação esta,  que  como  já  afirmado,  foge  à  definição  de  ato cooperado, o qual afasta as chamadas operações de mercado  e  exige,  nas  duas  pontas  da  relação  jurídica,  cooperativas  ou  associados.  Por  sua  vez,  a  recorrente  manifestou  o  entendimento  de  que  os  valores  provenientes da venda dos plano de  saúde  eram mero  ingresso,  que  se  caracterizavam como  atos  cooperativos,  conforme  se  explicitado  no  excerto  extraído  do  recurso  voluntário  em  apreço:  Essas  considerações  prévias  são  de  extrema  importância  para  definir que grande parte dos valores pecuniários que ingressam  na Cooperativa, em verdade, não compõe o seu patrimônio, mas  servem,  diretamente,  aos  seus  membros,  no  exercício  direto  e  específico da atividade que individualmente exercem. Vale dizer,  grande  parte  o  numerário  recebido  pela  ora  Recorrente,  (decorrente  dos  pagamentos  dos  planos  dos  usuários  ­  sejam  contratações  individuais/familiares, sejam coletivas)  trata­se de  mero ingresso (mas não de receita própria).  Daí  o  erro  cometido  pela  fiscalização,  ao  entender  que  os  valores  recebidos  pela  Recorrente  de  seus  clientes  não  seriam  receitas  provenientes  de  atos  cooperativos,  mas  de  atos  mercantis, pois a essência do cooperativismo adota a  figura da  cooperativa como um veículo para proporcionar a execução de  uma  atividade  negocial  e  não  como  o  próprio  negócio  em  si  gerador de renda (receita bruta da Pessoa Jurídica).  A razão está com a fiscalização. Nos termos do caput do art. art. 79 da Lei  5.764/1971 os atos cooperativos  são somente aqueles praticados  entre  as cooperativas  e  seus  associados e entre as cooperativas associadas entre si, para a consecução dos objetivos sociais  da correspondente  cooperativa. Logo, os atos ou negócios praticados pelas cooperativas  com  terceiros não são atos cooperativos.  Assim,  os  atos  praticados  entre  as  cooperativas  médicas  e  terceiros  adquirentes de planos de saúde, por ser ato não cooperativo, caracteriza­se como operação de  Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     32 mercado, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, em decorrência, as receitas  auferidas da realização dos referidos negócios integram o campo de incidência da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins.  Ainda  sobre  assunto,  cabe  ressaltar  a  evolução  porque  passou  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  que,  inicialmente,  afastou  a  referida  definição legal de ato cooperativo, e adotou definição de sentido e alcance ampliado defendido  por  parte  relevante  da  doutrina,  de  que  o  ato  cooperativo  deve  abarcar  o  conjunto  de  atos  praticados pela entidade cooperativa com os associados (cooperados) ou não, que se revelem  imprescindíveis  para  a  consecução  de  seus  objetivos  sociais,  conforme  se  infere  do  excerto  extraído do voto condutor do REsp 903.699/RJ16, que segue transcrito:  Extrai­se  do  raciocínio  jurídico  do  ilustre  Professor,  portanto,  que o conceito legal de ato cooperativo deve abarcar o conjunto  de  atos  praticados  pela  entidade  cooperativa  em  nome  dos  cooperados,  e  em  benefício  desses,  com  pessoas  físicas  ou  jurídicas não–associadas, sem intuito de lucro nem receita, que  se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos  sociais,  que  é  o  de  auxiliar  os  associados,  organizando  e  planejando  suas  operações  coletivas,  ainda  que  tais  atos  se  apresentem, aparentemente, atípicos.  Nesse  diapasão,  não  destoa  do  conceito  de  ato  cooperativo  a  venda  de  bens  ou  serviços  dos  associados  por  intermédio  da  cooperativa,  pois  em  conformidade  com  o  seu  mister,  sendo  certo  que  o  resultado  positivo  obtido  nessa  operação  não  importa  em  receita  da  sociedade,  pois  transferido,  proporcionalmente, a cada um dos cooperados.  Porém, atualmente, a jurisprudência do STJ firmou­se no sentido de que ato  cooperativo  é  somente  aquele  praticado  entre  a  sociedade  cooperativa  e  associados  (cooperados)  ou  entre  cooperativas  associadas,  para  a  consecução  dos  objetivos  sociais.  Portanto,  em  consonância  com  os  termos  da  definição  veiculada  no  caput do  art.  79  da  Lei  5.764/1971. A título de exemplo cita­se o acórdão proferido no REsp 829.458/MG, de onde se  extrai a parte relevante do enunciado da ementa que segue transcrito:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  PIS SOBRE FATURAMENTO E SOBRE FOLHA. INCIDÊNCIA.  COOPERATIVAS  MÉDICAS.  UNIMED.  REPASSES  PELOS  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  PROFISSIONAIS  COOPERADOS  E  NÃO  COOPERADOS  À  CLIENTELA  DA  OPERADORA  DE  PLANO  DE  SAÚDE.  RECEITAS  DAS  PRÓPRIAS  ENTIDADES  E  NÃO  DOS  PROFISSIONAIS.  PRECEDENTES  DO  STJ  E  DO  STF.  DESPROVIMENTO  DO  RECURSO.  [...]  REPASSES  AOS  MÉDICOS  NÃO  COOPERADOS:  INCIDÊNCIA   18. Como  já dito em  tópico anterior, a  fundamentação  integral  do Min.  Castro Meira  e  parte  dos  argumentos  da Min.  Eliana  Calmon estavam centrados no entendimento de que os arts. 2º e                                                              16  BRSIL.  STJ.  REsp  903.699/RJ,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  22/04/2008, DJe 08/05/2008.  Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.400          33 3º,  §  9º,  III,  da  Lei  9.718/1998  veiculariam  base  legal  de  dedução de valores ­ no que se refere aos repasses aos médicos ­  da base de cálculo do PIS­Faturamento.  19.  Sabe­se  que  atos  não  cooperativos  são  tributados  normalmente.  A  própria  recorrente  afirma  em  sua  inicial,  a  saber: "Em decorrência da natureza sui generis das sociedades  cooperativas,  estas  sempre  tiveram  um  regime  tributário  próprio,  no  qual  o  ato  cooperativo  não  sofre  a  incidência  de  tributos, e os atos não cooperativos são submetidos normalmente  à tributação" (fl. 5).  20.  Isso,  aliás,  está  previsto  expressamente  no  art.  2º,  §  1º,  da  Lei 9.715/1998, a saber: "§ 1º As sociedades cooperativas, além  da  contribuição  sobre  a  folha  de  pagamento mensal,  pagarão,  também,  a  contribuição  calculada  na  forma  do  inciso  I,  em  relação  às  receitas  decorrentes  de  operações  praticadas  com  não associados" (grifo nosso).  21.  O  STJ,  por  sua  vez,  sempre  decidiu  que  os  serviços  prestados por cooperativas médicas a terceiros (não associados)  são passíveis de incidência de PIS, justamente porque aí se tem  ato  não  cooperativo,  conforme  os  seguintes  julgados:  a)  REsp  746.382/MG,  Rel.  Ministro  João  Otávio  de  Noronha,  Segunda  Turma, julgado em 12.9.2006, DJ 9.10.2006, p. 279; b) AgRg no  AREsp  170.608/MG,  Rel.  Ministro  Arnaldo  Esteves  Lima,  Primeira Turma, julgado em 9.10.2012, DJe 16.10.2012; c) AgR  nos EDcl no REsp 84.75/MG, 1ª Turma , Rel. Min. Teori Albino  Zavscki  ,  DJe  16.3.2011;  d)  AgRg  no  Ag  1386385/RS,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  julgado  em  2.6/2011, DJe 9.6.2011.  22. Em relação à própria Unimed, na condição de operadora de  plano  de  saúde,  a  Segunda  Turma  decidiu  na  mesma  linha  acima: "O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados  e  o  fornecimento  de  serviços  a  terceiros  não  associados  inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser  tributados  normalmente"  (AgRg  no  REsp  786.612/RS,  Rel.  Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em  17.10.2013, DJe 24.10.2013).  23. Presente esse contexto, interpretar o art. 3º, § 9º, III, da Lei  9.718/1998 como benefício fiscal (dedução da base de cálculo) ­  em  favor  dos  repasses  feitos  pela  Unimed  aos  médicos  não  cooperados  ­  seria  contrariar  o  longo histórico  de  precedentes  do  STJ  sobre  a  matéria.  A  discussão  sempre  foi  saber  se  os  valores  recebidos  pela  Unimed  de  clientes  e  repassados  a  médicos  cooperados  seriam  passíveis  de  incidência  do  PIS,  ou  não. Não as quantias referentes aos não cooperados.  24.  Além  disso,  se  o  STJ  entender  pela  exclusão  da  base  de  cálculo dos valores repassados aos não associados, com espeque  no  art.  3º,  §  9º,  III,  da  Lei  9.718/1998,  estará  incidindo  em  flagrante contradição. É que soa ilógico admitir a tributação do  valor que vai ser repassado ao médico cooperado, conforme esta  própria  Segunda  Turma  está  decidindo,  inclusive  com base  em  Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     34 julgados do STF, e afastar a tributação do que for transferido ao  médico não cooperado.  25.  Se  o  STJ  e  STF  se  posicionaram  no  sentido  de  que  os  valores  recebidos  das  cooperativas  médicas  dos  seus  clientes  são  receitas  das  próprias  entidades  e  não  dos  médicos  associados,  com  mais  razão  ainda  os  valores  que  serão  repassados aos não associados.  26.  Recurso  Especial  desprovido.  (REsp  829.458/MG,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  Rel.  p/  Acórdão  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  28/04/2015, DJe 24/11/2015) ­ grifos não originais  Não é demais esclarecer que esta mudança de entendimento na jurisprudência  do STJ decorreu dos recentes julgados do STF, proferidos em regime de repercussão geral, nos  RREE 599.362/RJ e 598.085/RJ, em que decidido que as sociedades cooperativas médicas têm  suas  receitas brutas  submetidas  à  incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins,  na  forma  do  ordenamento  em  vigor,  sobre  os  atos  praticados  por  cooperativas  com  terceiros  tomadores de serviços dos cooperados, conforme explicitado no tópico precedente.  Dessa forma, em consonância com a atual jurisprudência consolidada do STF  e do STJ,  tem­se que os valores das mensalidades  recebidos pelas  cooperativas médicas dos  seus clientes beneficiários, provenientes da venda de planos de saúde, são receitas das próprias  entidades cooperativas e não dos médicos que lhe são associados, como entende a recorrente.  Ademais,  tais receitas não são provenientes de atos cooperativos, como defende a recorrente,  mas  de  atos  não  cooperativos,  porque  não  são  provenientes  de  atos  ou  negócios  realizados  entre a cooperativa e terceiros, que não os associados (cooperados) ou cooperativas associadas,  Dada  essa  condição,  os  valores  das  mensalidades  pagas  pelos  filiados  ao  plano de saúde, induvidosamente, representam receita bruta da recorrente proveniente de atos  não cooperativos e, nessa condição, integram a base de cálculo das referidas contribuições, nos  termos  art.  2º,  combinado  com  o  caput  do  art.  3º,  ambos  da  Lei  9.718/1998,  porém,  fica  assegurado  às  entidades  cooperativas  médicas,  operadoras  de  plano  de  saúde,  as  deduções  gerais, previstas no § 2º, e as deduções específicas, previstas no § 9º, ambos do art. 3º da Lei  9.718/1998.  Assim,  uma  vez  dirimidas  as  questões  genéricas  e  específicas  de  natureza  jurídica,  passa­se a  analisar  as questões de  fato,  atinentes  à apuração da  base de  cálculo das  referidas  contribuições,  especificamente,  no  que  tange  às  receitas  adicionadas  e  as  deduções  autorizadas nos citados preceitos legais.  3) Da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins.  Com base no entendimento anteriormente exposto, fica demonstrado que não  tem amparo legal a forma de apuração da base de cálculo das referidas contribuições, realizada  pela  recorrente,  mediante  a  segregação  das  receitas  (tributáveis  ou  não)  com  base  nos  percentuais de rateio calculados com base nos custos com atos cooperativos principais (custo  com médicos e prestadores), atos cooperativos auxiliares  (custo com laboratórios, diagnose e  terapia, dentre outros) e atos não cooperativos (custo com demais atos), com a inclusão na base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  somente  da  parcela  das  receitas  proporcionais  aos  custos/despesas  com  os  atos  não  cooperativos  e  deduziu  da  parcela  das  receitas  tributadas  apenas os custos/despesas referentes aos atos não cooperativos.  Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.401          35 Segundo  a  fiscalização,  o método  de  apuração  da  referida  base  de  cálculo,  adotado  pela  fiscalizada,  consistia no  rateio  das  receitas/custos  com  base  nos  percentuais  de  proporção obtidos em relação os valores dos custos/despesas escriturados nas contas do Grupo  4.1,  de  modo  que  assim  restava  tributada  somente  um  diminuta  parcela  das  suas  receitas  auferidas  com  a  venda  de  planos  de  saúde,  quais  sejam,  aquelas  vinculadas  aos  atos  não  cooperativos, que giram em torno de 3% das referidas receitas.  Dessa  forma,  uma  vez  afastado  o  procedimento  de  apuração  adotado  pela  recorrente, resta analisar se a apuração da base de cálculo das referidas contribuições realizada  pela fiscalização foi feita de forma correta, ou seja, em consonância com o disposto nos citados  preceitos legais.  Inicialmente,  cabe  consignar  que,  por  força  do  disposto  no  art.  1017,  VI,  combinado  com  art.  15,  V,  ambos  da  Lei  10.833/2003,  as  cooperativas  médicas  foram  mantidas,  obrigatoriamente,  no  regime  cumulativo  de  apuração  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e Cofins. De  acordo  com  os  referidos  preceitos  legais,  apenas  as  cooperativas  de  produção agropecuária e as de consumo foram excluídas da obrigatoriedade de permanecer no  referido regime cumulativo.  Assim, em consonância com entendimento exarado pelo STF no julgamento  dos RREE 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG, integrará a base cálculo das  referidas  contribuições  somente  as  receitas  provenientes  da  prestação  de  serviços,  que  se  enquadram nas definições de faturamento e de receita bruta, estabelecidas no art. 2º e art. 3º,  caput, da Lei 9.718/1998. E da referida receita bruta, as cooperativas médicas, operadoras de  plano de saúde, a exemplo da recorrente, estão autorizadas a proceder as deduções previstas no  art. 3º, §§ 2º e 9º, da Lei 9.718/1998, que, no período da autuação, tinham a seguinte redação,  ipsis litteris:  Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  [...]  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias                                                              17 "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se  lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º:  [...]  VI ­ sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art.  15 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de  2003, não  lhes  aplicando  as  disposições  do § 7odo  art.  3º  das Leis  nos 10.637, de 30 de dezembro  de 2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  [...]"  Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     36 e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas,  o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos  avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como  receita;  (Redação dada pela Medida Provisória nº  2.158­35,  de  2001)  III­  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(Vide Medida  Provisória nº 1.991­18, de 2000)(Revogado pela Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001)  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  [...]  § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à  saúde  poderão  deduzir:  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2.158­35, de 2001)  I  ­  co­responsabilidades  cedidas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  II  ­  a  parcela  das  contraprestações  pecuniárias  destinada  à  constituição  de  provisões  técnicas;  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  §  9o­A.  Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata  o  inciso  III  do  §  9º  entende­se  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.873,  de  2013)  [...]  De  acordo  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF)  de  fls.  3802/3817,  a  fiscalização informou que, a partir dos valores informados pela fiscalizada nas planilhas anual  e mensais do ano 2009 (fls. 734/746), e com base nos dados constantes da escrituração contábil  da autuada, elaborou a planilha do Anexo I ao citado TVF (fls. 3818/3819).  Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.402          37 No referido TVF, a fiscalização esclareceu como foram apurados os valores  das  receitas  e  das  deduções  consignados  na  referida  planilha,  com  os  seguintes  dizeres,  in  verbis:  Tais  valores  foram  apurados  acrescentando­se  às  receitas  já  incluídas pela fiscalizada nas bases de cálculo das contribuições  (Grupos Contábeis 3.1, 3.3, 3.4, 3.5 e 3.6) aquelas parcelas que  haviam  sido  por  ela  afastadas  da  tributação  em  virtude  do  indevido rateio de receitas/custos efetuado (não foram alterados  os valores das receitas financeiras ­ Grupo Contábil 3.4 ­ e das  receitas patrimoniais ­ Grupo Contábil 3.5 ­ pois estes já haviam  sido  integralmente  tributados pela  fiscalizada)  e procedendo­se  às seguintes exclusões/deduções:  ­  Resultado  Positivo  da  Avaliação  de  Investimentos  (Subgrupo  Contábil 3.5.1.2);  ­  Lucro  na Alienação de Bens  do Ativo Permanente  (Subgrupo  3.6.1.1.1);  ­  Importância  destinada à  constituição  de Provisão Técnica  de  Riscos (Subgrupo Contábil 3.1.2);  ­  Importância  destinada à  constituição  da Provisão Técnica  de  Eventos Ocorridos e Não Avisados ­ PEONA (Subgrupo Contábil  4.1.4); e  ­  Importância  relativa  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos deduzida das  importâncias  recebidas a  título  de transferência de responsabilidades, esta garantida mediante:  a) inclusão do valor da conta contábil 3311690010001 no valor  relativo às receitas do Grupo 3.3 b) dedução do valor da conta  contábil 3311690010002 no valor relativo às receitas do Grupo  3.3 e b) dedução do valor da conta contábil 4413610011101.  É  de  se  ressaltar  que  também  foram  garantidas  as  exclusões  relativas às vendas canceladas (subgrupo contábil 3.1.1.5) e às  co­responsabilidades  cedidas  (subgrupo  contábil  3.1.1.9)  mediante a  tributação das receitas do grupo 3.1.1, o qual  já se  encontra  líquido  do  valor  de  tais  cancelamentos  e  co­ responsabilidades.  No  presente  recurso,  a  recorrente  questionou  parte  do  valor  das  receitas  incluídos na base de cálculo das referidas contribuições e a não inclusão de parte das deduções  não excluídas da referida base cálculo, a seguir analisadas  3.1) Das receitas incluídas na base de cálculo.  De  acordo  com  a  fiscalização,  na  apuração  do  valor  total  das  receitas  incluídas  na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  foram  adotados  os  seguintes  procedimentos: a) em relação às receitas dos Grupos Contábeis 3.1.1, 3.3 e 3.6, provenientes  dos atos não cooperados, aos valores das parcelas proporcionais aos custos/despesas vinculadas  aos  atos  não  cooperativos,  já  tributados  pela  fiscalizada,  foram  adicionadas  as  parcelas  das  receitas não tributados pela fiscalizada proporcionais os atos cooperativos próprios e auxiliares;  e  b)  em  relação  as  receitas  do Grupos  3.4  (receitas  financeiras)  e 3.5  (receitas  patrimoniais)  Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     38 foram  mantidos  os  mesmos  valores  já  tributados  integralmente  pela  fiscalizada.  Em  outras  palavras,  como  a  fiscalizada  já  havia  tributado  espontaneamente  parte  dos  grupos  contábeis  3.1, 3.3 e 3.6 e  integralidade dos grupos contábeis 3.4 e 3.5, a  fiscalização  lançou apenas as  diferenças apuradas em relação aos três primeiros grupos contábeis.  A  fiscalização  informou  ainda  que não  foram  incluídas,  na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  as  receitas  provenientes  de  atos  cooperativos  próprios,  ou  seja,  aqueles  realizados  entre  a  cooperativa  e  os  médicos  associados  (cooperados),  em  razão  da  decisão  judicial  proferida  pelo  TRF  da  2ª Região,  nos  autos  da  Apelação  em Mandado  de  Segurança  n°  2001.02.01.025101­7  (n°  do  processo  originário  na  1ª  Instância:  2000.51.01.016934­7), que manteve a sentença proferida na 1ª Instância Judicial “para afastar a  incidência da COFINS sobre os atos cooperativos próprios da impetrante”.  Em  decorrência  dessa  decisão,  a  fiscalização  esclareceu  que,  nas  presentes  autuações,  não  foram  computados  as  receitas  decorrentes  de  atos  cooperativos,  conforme  se  extrai do excerto extraído do TVF, que segue transcrito:  A esse respeito, é preciso que se esclareça que o lançamento de  ofício relatado no presente Termo, e levado a efeito por meio dos  respectivos Autos de  Infração, não versa  sobre a  tributação de  receitas  decorrentes  de  atos  cooperativos,  mas  sim  sobre  a  tributação  de  receitas  direta  ou  indiretamente  advindas  das  vendas  de  planos  de  saúde  pela  fiscalizada,  quais  sejam,  as  relativas aos pagamentos das mensalidades dos planos de saúde  (grupo  contábil  3.1);  as  relativas  ao  recebimento  de  taxas  de  implantação  desses  planos,  as  receitas  com  vendas  de  guias  médicos  para  clientes  dos  planos  (grupo  contábil  3.3);  as  recuperações  de  títulos  incobráveis  (grupo  contábil  3.6);  bem  como  as  receitas  financeiras  referentes  aos  juros  recebidos  de  plano particular e coletivo e às aplicações financeiras, todas não  decorrentes pois da prática dos atos cooperativos.  Com base nas referidas informações e tendo em conta os dados apresentados  nas planilhas de fls. 734/746, elaboradas pela fiscalização, observa­se que foram incluídas na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  os  valores  das  receitas  registradas  nos  seguintes  grupos contábeis: a) Grupo Contábil 3.1.1  ­ Contraprestações Líquidas  (Planos de Saúde); b)  Grupo  Contábil  3.3  ­  Outras  Receitas  Operacionais;  c)  Grupo  Contábil  3.4  ­  Receitas  Financeiras; d) Grupo Contábil 3.5 ­ Receitas Patrimoniais (Equivalência Patrimonial, Juros de  Capital  Próprio,  Dividendos,  Participações);  e  e)  Grupo  Contábil  3.6  ­  Recuperação  de  Incobráveis/Assit Médica.  No Relatório Conclusivo da Diligência Fiscal (fls. 4199/4201), a fiscalização  ratifica  a  informação  de  que  a  autuação  deu­se,  exclusivamente,  “sobre  as  receitas  auferidas  pela  autuada  decorrentes  da  prática  de  atos  NÃO  COOPERADOS”;  e  que  (i)  as  receitas  autuadas  “não  se  tratavam  de  receitas  decorrentes  da  prática  de  atos  cooperativos  (ou  cooperados),  uma  vez  que  eram  advindas  direta  ou  indiretamente  das  vendas  de  planos  de  saúde  pela  fiscalizada”  e  (ii)  a  apuração  da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  fora  feita “com fulcro no disposto nos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98, já considerada a revogação do §  1° desse citado art. 3o trazida pela Lei 11.249/2009.”  Com  base  nessas  informações,  corroboradas  pelos  dados  apresentados  nos  autos de  infração  (fls. 3821/3827 e 3830/3836)  e nas planilhas de  fls. 3818/3820, verifica­se  que  foram  objeto  dos  presentes  lançamentos  tanto  os  valores  totais  ou  parciais  das  receitas  confessados  e  recolhidos  pela  recorrente,  como  os  valores  das  receitas  apurados  pela  Fl. 4421DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.403          39 fiscalização  e  não  tributados/confessados  pela  recorrente.  E  tal  fato  fica  nitidamente  evidenciado nas planilhas de fls. 4202/4213, que integram o anexo I do referido Relatório de  Diligência  Fiscal,  em  que,  de  forma  segregada,  foram  apresentados  os  valores  do  “Total  da  Receita  na  Contabilidade”,  da  “Receita  Tributada  pelo  Sujeito  Passivo”  e  da  “Receita  Tributada pela Fiscalização”.  Acontece  que,  em  vez  de  proceder  o  lançamento  apenas  dos  valores  das  receitas  ainda  tributados  e  confessados  pela  recorrente,  desnecessariamente,  a  fiscalização  procedeu  o  lançamento  dos  valores  das  receitas  integrais  registrados  na  contabilidade,  incluindo os valores já tributados, confessados e liquidados pela recorrente.  Ao  assim  proceder,  inequivocamente,  a  autuada  passou  a  ter  o  direito  de  questionar a legalidade da exigência, consignada na referidas autuações, não apenas em relação  às parcelas das  receitas por ela não ofertadas à  tributação, como também no que concerne às  parcelas das receitas tributadas e confessadas previamente aos lançamentos.  Logo, esse Colegiado tem o poder­dever de analisar a legalidade de todas as  receitas  incluídas  na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições.  Da  mesma  forma,  esse  também  foi  o  entendimento  da  Turma  de  Julgamento  primeiro  grau,  que,  com  base  no  entendimento  de  que  não  integrava  o  receita  bruta  das  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  cumulativo, corretamente, excluiu da tributação, em caráter definitivo, a totalidade das receitas  financeiras lançadas pela fiscalização nos questionados autos de infração.  Dada  essa  circunstância,  cabe  a  este  Colegiado  analisar  a  legalidade  da  inclusão na base de cálculo das demais receitas objeto das presentes autuações. Para esse fim,  aqui  a  análise  restringir­se­á  às  receitas  tributadas  pela  fiscalização  e  contestadas  pela  recorrente na manifestação de fls. 4214/4237, a saber:  a) as  receitas oriundas de  intercâmbio  dos  grupo  3.1.1  e  3.3;  b)  outras  receitas  operacionais  do  grupo  3.3,  tal  como  as  receitas  da  venda  do  “manual  do  guia  médico”;  c)  as  receitas  patrimoniais  do  grupo  3.4;  e  e)  receitas  decorrentes das recuperações de títulos incobráveis do grupo 3.6.  a) Do resultado com intercâmbio eventual.  Em relação à este tópico, a recorrente alegou que o resultado obtido a título  de intercâmbio (diferença entre (i) o valor cobrado pelos atendimentos realizados pela sua rede  credenciada aos beneficiários de outras cooperativas e (ii) o valor pago pelos atendimentos aos  seus beneficiários realizados pela rede credenciada de outras cooperativas) não integrava a base  de cálculo das  referidas contribuições, porque não representava faturamento ou receita bruta,  mas mero ingresso provenientes de repasse de valores entre cooperativas integrantes do sistema  Unimed  Brasil.  Ademais,  como  tal  resultado  decorria  de  relação  jurídica  interna  (entre  cooperativas médicas),  o  valor  recebido  a  título  de  intercâmbio  decorria  de  ato  cooperativo  próprio,  conforme  definido  no  art.  79  da  Lei  5.764/1971,  e  não  de  ato  mercantil,  sujeito  à  tributação das referidas contribuições.  Em  suma,  a  recorrente  apresentou  dois  argumentos  para  não  inclusão  do  resultado  de  intercâmbio  na  base  de  cálculo  da  referidas  contribuições.  O  primeiro,  que  o  citado resultado não representava receita bruta. E segundo, que, ainda que fosse receita bruta,  tal  resultada  era  receita  decorrente  de  ato  cooperativo,  portanto,  não  sujeito  à  tributação  das  referidas contribuições.  Fl. 4422DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     40 Dada essa configuração, em relação a este tópico, o deslinde da controvérsia  prescinde de prévio esclarecimento sobre as denominadas operações de intercâmbio realizadas  entre as cooperativas médicas do sistema Unimed e como os fatos contábeis delas decorrentes  são registrados na contabilidade das OPS.  Nesse  sentido,  cabe  esclarecer  que  as  OPS,  incluídas  as  cooperativas  médicas, podem utilizar rede própria, rede conveniada, outras operadoras e o SUS, para prestar  atendimento aos beneficiário do seu plano de saúde. Porém, por  força do disposto no art. 8º,  VII,  da  Lei  9.656/1998,  as  OPS  somente  podem  atuar  na  área  geográfica  de  cobertura  especificada nos contratos, regulamentos ou condições gerais do plano privado de assistência à  saúde  por  ela  operado.  E  no  âmbito  da  sua  área  geográfica  de  cobertura,  a  OPS  realiza  a  prestação  direta  dos  serviços  de  assistência  à  saúde  por  meio  de  sua  rede  própria  ou  credenciada.  Em  face  da  referida  restrição  legal,  para  o  atendimento  dos  seus  clientes/beneficiários fora da sua área geográfica de cobertura, as OPS precisam contratar uma  outra  OPS,  que  opere  na  área  de  cobertura  onde  o  beneficiário  dela  precisa  dos  serviços  assistenciais, de modo que a OPS contratada ou cessionária, por intermédio da sua rede própria  ou credenciada, preste os serviços de assistência à saúde aos segurados da OPS contratante ou  cedente.  Trata­se  de  forma de  contratação  indireta,  em que  os  beneficiários  da OPS  cedente  passam  usufruir  dos  serviços  assistenciais  prestados  pela  rede  própria  e  credenciada  da  congênere (do mesmo gênero da contratante), a OPS cessionária.  Essa  modalidade  de  contratação  de  prestação  de  serviços  entre  OPS  é  denominada  de  operação  de  intercâmbio,  que  se  realiza  sob  a  forma  de  transferência  de  responsabilidade e atendimento eventual.  a.1) Da operação de intercâmbio com transferência de responsabilidade  Na modalidade de intercâmbio com transferência de responsabilidade, a OPS  cedente  transfere os riscos da prestação dos serviços assistenciais para a OPS cessionária,  que, a partir da contratação, é quem assume a responsabilidade e se obriga a atender, na sua  área  de  cobertura,  os  beneficiários  que  lhe  foram  transferidos.  Em  decorrência,  a  OPS  cessionária,  na  sua  área  de  cobertura,  assume  a  responsabilidade  e  os  riscos  da  cobertura  financeira do plano do beneficiário que  lhe  foi  transferido,  incluindo a  responsabilidade pelo  pagamento  do  valor  integral,  a  sua  rede  credenciada,  pelos  atendimentos/eventos  que  esta  prestar ao beneficiário do plano assumido.  Dada  essas  características,  infere­se  que,  no  âmbito  dessa  modalidade  de  operações de intercâmbio, há duas modalidades de receitas das OPS intervenientes. A receita  da OPS cedente é o valor da mensalidade recebida do beneficiário do plano, enquanto que a  receita da OPS cessionário é a parcela do valor transferido­lhe pela OPS cedente, como forma  de  retribuição/remuneração  pelos  custos  financeiros  que  a  cessionário  passa  assumir  pelos  eventos/atendimentos dos beneficiários assumidos.  No mesmo sentido, dispõe o plano de contas padrão das OPS, vigente no ano  200918, que o valor transferido a título de corresponsabilidade é registrado:                                                              18 O referido plano de contas foi instituído pela Resolução Normativa (RN) n.º 136, de 31 de outubro de 2006, e  revisto  pelas RN  n.ºs  147,  de  14 de  fevereiro  de  2007,  e 184,  de  19  de  dezembro  de 2008,  todas  da Diretoria  Colegiada  da  Agência  Nacional  de  Saúde  Suplementar  (ANS).  Disponível  em:  <http://www.ans.gov.br/images/stories/Legislacao/rn/anexo_rn184.pdf>. Acesso em 03 mar. 2016.  Fl. 4423DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.404          41 a)  na  OPS  cedente,  como  despesa  na  conta  redutora/retificadora  de  receita  “3117  ­  (­) CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA  [...]  DE  ASSISTÊNCIA  MÉDICO­HOSPITALAR”.  Este  valor  é,  integralmente,  dedutível  da  receita bruta da OPS cedente, nos termos art. 3º, § 9º, I, da Lei 9.718/1998; e  b) na OPS cessionária, como receita na subconta “31131 ­ Contraprestaçãões  de Co­Responsabilidade Assumida”. Este valor é, integralmente, dedutível do “valor referente  às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago”, nos termos do art.  3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998.  a.2)  Da  operação  de  intercâmbio  com  atendimento  eventual  (sem  transferência de responsabilidade)  Diferentemente  da  anterior,  nessa  modalidade  de  operação  de  intercâmbio  não há transferência de responsabilidade para a OPS cessionária dos custos de atendimento dos  beneficiários da OPS cedente, que continua com a obrigação pela indenização dos eventos dos  seus  beneficiários  atendidos  pelos  prestadores  da  rede  credenciada  da  OPS  cessionária.  Em  outras palavras,  a  rede  credenciada da OPS cessionária presta os  atendimentos  (eventos)  aos  clientes da OPS cedente, mas não há transferência de responsabilidade ou de riscos para a OPS  cessionária. Esta assume apenas o compromisso de atender o beneficiário da OPS cedente, por  intermédio da sua rede credenciada.  Neste tipo de operação, a OPS cedente utiliza, indiretamente, os serviços da  rede  credenciada  da OPS  cessionária,  que  assume  a  obrigação  de  realizar  o  pagamento  aos  prestadores de  serviços da sua  rede credenciada pelos eventos prestados  aos beneficiários da  OPS cedente, que será integralmente cobrado da OPS cedente a título de reembolso. Assim, em  relação  ao  pagamento  dos  eventos  prestados  a  título  de  atendimento  eventual,  a  OPS  cessionária  atua  apenas  como  intermediária  entre  o  prestador  de  serviço  da  sua  rede  credenciada e a OPS cedente.  E  por  esse  serviço  de  intermediação,  a OPS  cessionária  é  remunerada  pela  OPS cedente, mediante o pagamento de taxa de serviços prestados. No referido plano de contas  padrão  das  OPS,  essa  receita  é  registrada  na  subconta  “33311  ­  Receitas  com  Prestação  de  Serviços”.  Acontece  que,  além  da  remuneração  por  meio  de  taxa,  no  âmbito  das  operações de  intercâmbio com atendimento eventual, pode haver cobrança diferença entre os  preços  dos  eventos  da  rede  credenciada  da  OPS  cessionária  e  os  preços  dos  eventos  nas  operações  de  intercâmbio  por  atendimento  eventual  praticados  pela  OPS  cedente.  Essa  diferença  ocorre  quando  a  cedente  pratica  tabela  específica  de  preço,  para  as  operações  de  intercâmbio, diferente da tabela de preço utilizada pela cessionária para indenizar os eventos da  sua rede credenciada. Nessa circunstância, a OPS cessionária cobrará da cedente a diferença de  preço entre as duas tabelas, que pode ser maior ou menor em relação ao valor do serviço a ser  pago ao prestador de serviços da sua credenciado.  Assim,  se  a  diferença  de  preço  for  maior,  a  cessionária  registrará  o  valor  cobrado a mais  como  receita de prestação de  serviços  à OPS  cedente,  na  subconta  “33311  ­  Receitas  com  Prestação  de  Serviços”.  Caso  contrário,  se  a  diferença  de  preço  for  menor,  a  cessionária registrará o valor cobrado a menos como despesa de prestação de serviços à OPS  cedente,  na  subconta  “44211  ­ Despesas  com  Prestação  de  Serviços”. Na OPS  cedente,  tais  valores  serão  registrados nas mesmas contas, porém, de  forma  inversa, de modo que o valor  Fl. 4424DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     42 registrado  como  “receita  de prestação  de  serviços”  na OPS  cessionária  será  registrado  como  “despesa de prestação de serviços” na OPS cedente.  Enfim, no  âmbito das operações de  intercâmbio  com atendimento  eventual,  cabe ainda analisar a natureza contábil dos valores pagos/recebidos a título de reembolso. Para  esse fim, é pertinente trazer à colação o seguinte digrafograma, extraído do anexo ao plano de  contas padrão das OPS do ano 201019, que segue transcrito:    Da análise dos  lançamentos do subitem 18.2, que  trata da forma de registro  dos fatos contáveis atinentes às operações de intercâmbio por atendimento eventual, realizados  pelas  cooperativas  médicas,  verifica­se,  na  OPS  cessionária,  o  valor  registrado  a  título  de  intercâmbio eventual não representa receita nem despesa (e se representassem, o mesmo valor  registrado como receita e despesa se anulariam), como equivocadamente dá a entender os dois  lançamentos  contábeis  simultâneos  apresentados  na alínea  “a”, mas  representa um direito da  OPS  cessionária  de  receber  da OPS  cedente  o  referido  valor.  Logo,  para OPS  cessionário  o  referido valor representa um ativo, um direito perante a OPS cedente, registrado na subconta de  ativo “12341 ­ Operadoras de Planos de Assistência Médico­Hospitalar”.  De  outra  parte,  na  OPS  cedente,  o  referido  valor  é  contabilizado  como  custo/despesa com eventos ocorrido com os beneficiários próprios, registrado na conta “4111 ­  EVENTOS CONHECIDOS  [...] DE ASSISTÊNCIA MÉDICO­HOSPITALAR”,  e obrigação  de  reembolsar a OPS cessionária pelo pagamento dos correspondentes eventos,  registrado na  subconta “21351 ­ Operadoras de Planos de Assistência Médico­Hospitalar”.  Nesse  sentido,  ao  perceber  a  impropriedade  dos  referidos  lançamentos  simultâneos, envolvendo, indevidamente, constas de receita e despesa, no Manual Contábil das  Operações  do Mercado  de  Saúde,  que  consta  do  anexo  ao  vigente  plano  de  constas  padrão                                                              19  O  referido  plano  de  contas  consta  no  anexo  aprovado  pela  Instrução  Normativa  da  Diretoria  de  Normas  e  Habilitação  das  Operadoras  (DIOPE)  nº  36,  de  22  de  dezembro  de  2009,  disponível  em:  <http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=PDFAtualizado&format=raw&id=MTU2 OA==>. Acesso em 03 mar. 2016.  Fl. 4425DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.405          43 ANS20,  tal  equívoco  foi  corrigido  e  o  lançamento  contábil  correto,  representativo  do  fato  contábil,  envolve  apenas  as  contas  patrimoniais  do  ativo  e  do  passivo,  representativas  do  referido direito e  respectiva obrigação, conforme se  lê no excerto extraído do citado manual,  que segue transcrito:  OPERADORA QUE PRESTOU ATENDIMENTO  a)  Registro  dos  eventos  cobrados  pelos  atendimentos  do  Intercâmbio Eventual, no momento do recebimento da conta.  D  –  Contas  a  Receber/Intercâmbio  a  Receber  –  Atendimento  Eventual ­ Reembolso (conta 124119022)  C  –  Prestadores  de  Serviços  de  Assistência  a  Saúde  –  Não  relacionados  com  planos  de  saúde  da  operadora  (conta  214119011)   Dessa  forma,  além  de  corretamente  refletir  o  real  efeito  provocado  pelos  referido  fato  contábil  no  patrimônio  da  OPS  cessionária,  esse  lançamento  também  evita  equívoco  por  parte  daqueles  que  menosprezam  o  aspecto  material  do  fato  contábil  e  supervaloriza os aspectos formais dos registros contábeis.  O  lançamento  em  destaque  ainda  evidencia  que  foi  a  OPS  cedente  quem  arcou com os custos/despesas com os eventos prestados aos seus beneficiários por intermédio  do  prestadores  de  serviço  da  rede  credenciada  da  OPS  cessionária,  que,  na  operação  em  comento, atuou apenas como intermediária entre a OPS cedente e os prestadores de serviço da  sua rede credenciada e, exclusivamente, para realizar os pagamentos aos citados prestadores de  serviço.  Assim,  fica  evidenciado  que  se  há  receitas  no  âmbito  das  operações  de  intercâmbio com atendimento eventual, certamente, elas se resumem a receita de cobrança da  referida taxa ou citado adicional/redutor dos preços dos eventos cobrados.  a.3) Da análise dos argumentos da recorrente.  Inicialmente, cabe esclarecer que, na presente análise, serão levados em conta  as  alegações  da  recorrente  suscitadas  na  manifestação  de  fls.  4214/4237  e  os  dados  apresentados na planilha “Revisão de Base de Cálculo ­ PIS | COFINS 2009”, apresentada pela  fiscalizada,  que  integra  o  arquivo  não  paginável mencionado  no  Termo  de Anexação  de  fl.  4374.  Na  referida  manifestação,  a  recorrente  alegou  que  a  fiscalização  havia  incluído nas receitas do “Grupo Contábil 3.1.1 ­ Contraprestações Líquidas (Planos de Saúde)”  e do “Grupo Contábil 3.3 ­ Outras Receitas Operacionais” receitas de intercâmbio.  Não  procede  a  alegação  da  recorrente,  em  relação  às  receitas  do  “Grupo  Contábil  3.1.1”,  pois,  de  acordo  com  os  dados  apresentados  nos  balancetes  que  integram  a  referida planilha, confirma­se que não houve adição de  receita de  intercâmbio de  tipo algum                                                              20 O vigente plano de contas foi aprovado pela Resolução Normativa nº 290, de de 27 de fevereiro de 2012, da  Diretoria  Colegiada  da  Agência  Nacional  de  Saúde  Suplementar  (ANS).  Disponível  em:  <  http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MTk2MA==>.  Acesso em 03 mar. 2016.  Fl. 4426DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     44 neste  grupo  de  receita.  Ademais,  ainda  segundo  os  referidos  balancetes,  verifica­se  que,  foi  excluída deste grupo de receita o valor da dedução a título de “co­responsabilidades cedidas”,  prevista no art. 3º, § 9º, I, da Lei 9.718/1998, registrada na conta retificadora de receita “3.1.1.9  ­ (­) Contraprestações de Corresponsabilidade Cedida”. Portanto, o valor do referido grupo de  receita já se encontra depurado dos valores repassados às outras OPS (cessionárias) a título de  transferência de responsabilidade cedida.  Logo,  uma  vez  que  fora  deduzida  diretamente  das  receitas  do  “Grupo  Contábil  3.1.1”,  corretamente,  a  fiscalização  não  excluiu  as  referidas  contraprestações  do  Grupo das Exclusões/Deduções, como procedera a  recorrente na citada planilha. Até porque,  assim tivesse procedido, a  fiscalização  teria deduzido em duplicidade  tais valores da base de  cálculo das referidas contribuições. Além disso, independente do grupo onde tais valores foram  deduzidos  (se  diretamente  das  receitas,  como  fez  a  fiscalização,  ou  do  grupo  das  deduções,  como  pretende  a  recorrente),  inequivocamente,  o  resultado  final  da  base  de  cálculo  não  se  altera.  Por  essas  razões,  mantém­se  o  valor  integral  do  “Grupo  Contábil  3.1.1  ­  Contraprestações Líquidas (Planos de Saúde)”, conforme lançado pela fiscalização.  Por  sua  vez,  de  acordo  com  o  detalhamento  apresentado  na  planilha  do  Anexo  I  do  TVF  (fls.  3818/3820),  integram  o  “Grupo  Contábil  3.3”  as  seguintes  receitas/ajustes, in verbis:  Detalhamento do Grupo 3.3  Taxa de Implantação de Plano ­ 3.3.1.1.1  Receita com Intercâmbio Eventual ­ 3.3.1.1.6 (01)  (­) Cancelamento de Receita de Intercâmbio ­ 3.3.1.1.6 (02)  Receita com Manual de Guia Médico ­ 3.3.1.1.8 (11)  Atualização de tributos a compensar ­ 3.3.1.1.8 (12)  No  que  tange  à  receita  de  intercâmbio  eventual,  verifica­se  que  não  há  discrepância  entre  os  valores  lançados  pela  fiscalização  e  os  apresentados  nos  referidos  balancetes do ano 2009. Porém, não há elementos nos autos que possibilitem confirmar se os  valores totais registrados na conta “3.3.1.1.6.90.01.0.0.01 ­ Receita de Intercâmbio Eventual”  foram  provenientes  de  receitas  de  prestação  de  serviços  de  intercâmbio  (taxa  e  adicional)  auferidas pela  recorrente ou se  representam mero  reembolso das OPS cedentes, provenientes  dos eventos prestados aos beneficiários dos planos de saúde destas últimas.   E,  no  caso  em  tela,  essa  informa  tem  relevância,  haja  vista  que,  se  provenientes,  exclusivamente,  de  reembolso  recebidos  das  OPS  cedentes,  certamente,  tais  ingressos  não  integrariam  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  porque  não  se  representavam de receita, muito menos de receita bruta, conforme anteriormente demonstrado.  De  outra  parte,  se  os  valores  totais  ou  parciais  integrantes  da  conta  “3.3.1.1.6.90.01.0.0.01 ­ Receita de Intercâmbio Eventual” foram provenientes da prestação de  serviços  a outras  cooperativas  associadas  (OPS  cedentes),  induvidosamente,  eles  configuram  receita de prestação de serviços à outras OPS (cedentes). Ademais, o fato delas decorrerem de  ato cooperativo próprio, conforme definido pelo art. 79 da Lei 5.764/1971, não as excluem da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  uma  vez  que,  na  data  dos  fatos,  as  receitas  Fl. 4427DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.406          45 provenientes  dos  atos  cooperativos  próprios  estavam  sujeitas  à  tributação  das  referidas  contribuições.  Com  efeito,  no  que  tange  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  devida  pelas  entidades cooperativas, enquanto vigente, o art. 2º, § 1º,  II, da Lei 9.715/1998, previa que as  sociedades cooperativas deveriam recolher a contribuição incidente sobre a folha de salários e  as receitas decorrentes das operações realizadas com não associados. Portanto, com amparo no  referido  preceito  legal,  estavam  excluídas  da  tributação  dessa  contribuição  as  receitas  provenientes  dos  negócios  caracterizados  como  atos  cooperativos  próprios  (celebrados  entre  cooperativas e associados ou entre cooperativas associadas). Já em relação ao Cofins, o art. 6º,  I,  da  Lei  Complementar  70/1991,  enquanto  vigente,  isentava  as  receitas,  auferidas  pelas  sociedades cooperativas, decorrentes dos atos cooperativos próprios de suas finalidades sociais.   Acontece  que,  tais  preceitos  legais,  foram  expressamente  revogadas,  em  caráter provisório, a partir da produção dos efeitos do art. 23 da Medida Provisória 1.858­6/99  e, em caráter definitivo, pelo art. 93, I e II, “a”, da Medida Provisória 2.158­35/2001.  Dessa  forma,  tem­se  que,  a partir  dos  efeitos  da  referida  revogação,  toda  a  receita  bruta  da  atividade  principal  (faturamento)  das  sociedades  cooperativas,  seja  provenientes  de  atos  ou  negócios  cooperativos,  seja  decorrentes  de  atos  ou  negócios  não  cooperativos, passaram a ser submetidas a  tributação das  referidas contribuições. E por  força  do disposto no art. 26­A do Decreto 70.235/1972 e em consonância com a súmula CARF nº 2,  os  integrantes  deste  Conselho  não  podem  afastar  a  aplicação  das  referidas  normas  legais.  Ademais,  conforme  anteriormente  mencionado,  no  julgamento  do  RE  599.362/RJ,  por  unanimidade, a composição plenária do STF  julgou constitucional  referida  revogação do art.  6º, I, da Lei Complementar 70/1991, e como o julgamento foi sob regime de repercussão geral,  o entendimento nele esposa deve ser reproduzido pelos membros deste Conselho.  Entretanto, no caso em tela, em razão da decisão judicial, proferida pelo TRF  da 2ª Região, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.025101­7, que  manteve  a  sentença  proferida  na  1ª  Instância  Judicial  “para  afastar  a  incidência  da COFINS  sobre os atos cooperativos próprios da  impetrante”, a  fiscalização  informou que não  incluíra,  na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  as  receitas  auferidas  pela  recorrente,  provenientes de atos cooperativos próprios, que, sabidamente, compreende as receitas auferidas  de  atos  ou  negócios  praticados  entre  sociedades  cooperativas  associadas,  a  exemplo  das  cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, que integram o sistema Unimed.  Assim, por força da referida medida judicial, nas presentes autuações, embora  sujeitas  à  tributação  das  referidas  contribuições,  as  receitas  de  prestação  de  serviços  de  intercâmbio  eventual  a  outras  cooperativas  médicas  do  sistema  Unimed,  certamente,  estão  excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.  Portanto, em face da especificidade das presentes autuações, a totalidade dos  valores  lançados  pela  fiscalização  na  conta  “Receita  com  Intercâmbio  Eventual  ­  3.3.1.1.6  (01)” deve ser excluída da tributação. E, por falta de amparo legal, também deve ser glosada, o  valor total lançado na conta “(­) Cancelamento de Receita de Intercâmbio ­ 3.3.1.1.6 (02)”, de  modo que o valor integral do resultado com intercâmbio eventual deve ser excluído da base de  cálculo das referidas contribuições, conforme pleiteado pela recorrente.  b) Das outras receitas operacionais integrantes do Grupo Contábil 3.3.  Fl. 4428DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     46 Em relação  às demais  receitas  integrantes do  “Grupo Contábil  3.3  ­ Outras  Receitas  Operacionais”,  sob  argumento  de  que  não  integravam  a  receita  bruta,  a  recorrente  contestou a inclusão na base de cálculo das  referidas contribuições dos valores lançados pela  fiscalização na conta: a) “Receita com Manual de Guia Médico ­ 3.3.1.1.8 (11)” e extraídos da  conta “3.3.1.1.8.11.01.1.1.01 ­­Manual do Cliente ­ Guia Médico” dos referidos balancetes do  ano 2009; e b) “Atualização de  tributos a compensar  ­ 3.3.1.1.8  (12)” e extraídos das contas  “3.3.1.1.8.12.01.1.1.05  ­­  Atualização  Monetária  PIS/COFINS/IRPJ/CSLL  A”  e  “3.3.1.1.8.12.01.1.1.06 ­­ Atualização Monetária ­ IOF” dos referidos balancetes do ano 2009.  Não assiste razão à recorrente no que tange à receita obtida com as operações  de venda de manual do cliente, que, no entendimento deste Conselheiro, faz parte da atividade  principal da recorrente e, nessa condição,  integra a receita bruta da recorrente, nos termos do  caput do art. 3º da Lei 9.718/1998. No mesmo sentido, o entendimento esposado pelo STF no  julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG.  De outra parte, assiste razão à recorrente em relação às receitas provenientes  de atualização monetária de tributos a compensar, pois, assim como as receitas decorrente da  restituição/ressarcimento dos próprios tributos, inequivocamente, tais ingressos não configuram  receita bruta, pois não se enquadram como receitas provenientes da prestação de serviços nem  da atividade principal da recorrente.  Dada essa característica, certamente, tais receitas não integram a receita bruta  da recorrente, definida no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, conforme entendimento do STF  explicitados  nos  referidos  RREE.,  que,  no  julgamento  do  RE  585235,  o  Plenário  do  STF  reconheceu  a  repercussão  geral  da matéria,  conforme  se  infere  do  enunciado  da  ementa que  segue transcrito:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº  9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº  346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235  QO­RG,  Rel.  Min.  Cezar  Peluso,  j.  10/09/2008,  DJe­227  DIVULG 27­11­2008 PUBLIC 28­11­2008)  E,  conforme  já  ressaltado, por  força do disposto no  art.  62 do Anexo  II  do  RICARF, o entendimento exarado nos referidos julgados deve replicado nos julgamentos deste  Conselho.  Dessa  forma,  deve  ser  excluída  do  “Grupo  Contábil  3.3  ­  Outras  Receitas  Operacionais”,  além  do  resultado  com  intercâmbio  eventual,  definido  no  tópico  anterior,  o  valor integral da receita de “Atualização de tributos a compensar ­ 3.3.1.1.8 (12)”, por não se  enquadrar no conceito de receita bruta, definido no caput do art. 3º da Lei 9.718/1998.  c) Da tributação das receitas patrimoniais e financeiras.  No  que  tange  às  receitas  do  “Grupo  Contábil  3.5  ­  Receitas  Patrimoniais  (Equivalência Patrimonial, Juros de Capital Próprio, Dividendos, Participações)” e do “Grupo  Contábil  3.4  ­  Receitas  Financeiras”,  a  recorrente  alegou  elas  estavam  fora  do  campo  de  incidência  das  referidas  contribuições,  respaldada  no  argumento  de  que  os  ingressos  delas  Fl. 4429DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.407          47 provenientes  não  representava  faturamento  ou  receita  bruta  da  atividade  de  prestação  de  serviços ou da atividade principal da recorrente,  conforme entendimento  sufragado pelo STF  no julgamento dos RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG.  Previamente, cabe esclarecer que, a Turma de Julgamento de primeiro grau,  afastou  a  tributação  das  receitas  financeiras  lançadas  a partir  do mês  de  junho  até  o mês  de  dezembro de 2009,  sob o  argumento de que,  a partir  da  revogação do § 1º do  art.  3º  da Lei  9.718/1998,  pela  Lei  11.941/2009,  deixou  de  existir  o  fundamento  legal  para  tributação  das  referidas receitas no âmbito do regime cumulativo das referidas contribuições. E como não foi  interposto recurso de ofício, em razão do valor do crédito exonerado ser  inferior ao limite de  alçada, inequivocamente, a citada decisão ostenta o caráter definitivo na esfera administrativa,  não cabendo a este Colegiado manifestar­se a respeito.  Assim,  a  controvérsia  remanescente  cinge­se  às  receitas  patrimoniais  lançadas de  todos os meses do ano 2009 e, no que  tange às  receitas  financeiras,  a apenas às  receitas dos meses de janeiro a maio de 2009.  E em relação controvérsia remanescente, assiste razão à recorrente quanto à  improcedência dos  lançamentos da totalidade das  receitas patrimoniais, pois, sabidamente, as  mencionadas receitas não integram a receita bruta da recorrente, definida no caput do art. 3º da  Lei 9.718/1998, porque não são  receitas decorrentes da prestação de  serviço de assistência à  saúde  nem  são  provenientes  da  atividade  principal  da  recorrente,  conforme  entendimento  consolidado  na  jurisprudência  do  STF,  em  regime  de  repercussão  geral,  que  obriga  aos  integrantes deste Conselho replicá­lo nos seus julgados.  Porém, no que tange às receitas financeiras remanescentes (meses de janeiro  a maio de 2009), pelo mesmo fundamento aplicado às receitas patrimoniais, não assiste razão à  recorrente em relação as receitas financeiras decorrentes das operações de assistência à saúde,  tais como atualização monetária, juros, multas e demais encargos recebidos em decorrência do  atraso no pagamento das mensalidades pelos seus clientes.  Esse  entendimento  está  em  consonância  com  a  jurisprudência  do  STJ,  conforme  se  extrai  do  enunciado da  ementa do Agravo Regimental  no REsp 1461557/CE,  a  seguir transcrito:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  RECEITAS  FINANCEIRAS  (JUROS,  CORREÇÃO  MONETÁRIA,  MULTA  E  ENCARGOS  POR ATRASO) PROVENIENTES DE CONTRATOS DE VENDA  E  SERVIÇOS.  RECEITAS  ORIUNDAS  DO  EXERCÍCIO  DAS  ATIVIDADES  EMPRESARIAIS  PORQUE  INERENTES  AOS  CONTRATOS.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  INCIDÊNCIA. PRECEDENTES.  A  jurisprudência  entende que a  correção monetária  e os  juros,  bem  como  multas  e  encargos  recebidos  por  atraso  em  pagamento,  decorrentes  diretamente  das  operações  realizadas  pelas  empresas  constantes  de  seus  objetos  sociais,  configuram  rendimentos  e  devem  ser  considerados  como  um  produto  da  venda de bens e/ou serviços.  Logo,  por  constituírem  faturamento,  base  de  cálculo  das  contribuições PIS e COFINS, são receitas inerentes e acessórias  aos referidos contratos e devem seguir a sorte do principal.  Fl. 4430DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     48 Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1461557/CE, Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado em 16/09/2014, DJe 23/09/2014)  No  caso,  de  acordo  os  referidos  balancetes  do  ano  2009,  as  receitas  financeiras  do  grupo  3.4  auferidas  pela  recorrente  compreende  o  somatório  das  receitas  dos  seguintes  subgrupos:  “3.4.1  ­­  RECEITAS  DE  APLICACAO  FINANCEIRAS”  +  “3.4.2  ­­  RECEITAS  FINANCEIRAS  C/OP  ASS  A  SAÚDE”  +  “3.4.4  ­­  OUTRAS  RECEITAS  FINANCEIRAS”.  Assim,  como  base  no  entendimento  aqui  esposado,  integram  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  somente  as  receitas  subgrupo  3.4.2,  que  compreende  o  somatório  dos  valores  registrados  nas  seguintes  contas  (desdobramento  de  último  nível):  “3.4.2.1.1.10.01.1.1.01  ­­  JUROS  RECEBIDOS”,  “3.4.2.1.1.10.01.1.1.02  ­­  JUROS  RECEBIDOS  PLANO  PARTICULAR”  e  “3.4.2.1.1.10.01.1.1.03­­JUROS  RECEBIDOS  PLANO COLETICULAR”.  Com base nessas considerações, por não se enquadrar na definição de receita  bruta, deve ser excluída da tributação: a) o valor integral das receitas do “Grupo Contábil 3.5 ­  Receitas Patrimoniais” de todos os meses do ano 2009; e b) o valor parcial do “Grupo Contábil  3.4 ­ Receitas Financeiras” dos meses de janeiro a maio de 2009, correspondente ao somatório  dos  valores  registrados  nos  subgrupos  “3.4.1  ­­  RECEITAS  DE  APLICACAO  FINANCEIRAS” e “3.4.4 ­­ OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS”.  d) Da tributação das receitas de recuperação de créditos incobráveis.  Em  relação  às  receitas  do  “Grupo  Contábil  3.6  ­  Recuperação  de  Incobráveis/Assit Médica”,  a  recorrente  alegou  que  elas  não  eram  tributáveis  pelas  referidas  contribuições,  porque  não  se  tratavam  de  receita,  mas  mera  recomposição  patrimonial,  tributadas  em momento  anterior,  logo,  a  tributação das  citadas  receitas  implicava verdadeiro  bis in idem. Além disso, a pretensa tributação afrontava o disposto no artigo 3o, § 2o, II, da Lei  9.718/1998, que, expressamente, permitia a exclusão dos valores baixados como perda da base  de cálculo das citadas contribuições.  De acordo com o plano de contas padrão das OPS, o grupo 36 compreende as  receitas  não  operacionais  das  OPS.  Este  grupo  tem  apenas  o  subgrupo  (“361  ­  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS”),  que  se  divide  três  contas,  a  saber:  “3611  ­  LUCRO  NA  ALIENAÇÃO  DE  BENS  DO  ATIVO  PERMANENTE”,  “3612  ­  GANHO  NA  REAVALIAÇÃO DE BENS” e “3619 ­ OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS”.  Com base nos  referidos  balancetes do  ano 2009, verifica­se que  as  receitas  tributadas  pela  fiscalização  foram  registradas  na  conta  “3619  ­ OUTRAS RECEITAS NÃO  OPERACIONAIS”,  divididas  nas  seguintes  subcontas:  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.03  ­­ RECUPERAÇÃO  DE  TITULOS  INCOBRÁVEIS”,  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.04  ­­ RECUPERAÇÃO  DE  ASSISTENCIA  MEDICA”  e  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.06  ­­  RECEITAS  DIVERSAS”.  De acordo com as referidas manifestação e planilha de “Revisão de Base de  Cálculo  ­  PIS  /  COFINS  2009”,  infere­se  que  a  recorrente  não  concordou  apenas  com  os  valores  lançados  pela  fiscalização,  extraídos  da  subconta  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.03  ­­  Recuperação  de  Títulos  Baixados”.  Em  relação  aos  valores  extraídos  das  subcontas  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.04  ­­  Recuperacao  de  Assistencia  Medica”  e  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.06  ­­  Receitas Diversas” a recorrente concordou com a tributação, uma vez que manteve a inclusão  dos referidos valores na base de cálculo revisada apresentada na citada planilha.  Fl. 4431DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.408          49 O  deslinde  da  controvérsia,  necessita  da  prévia  definição  da  natureza  das  receitas provenientes da recuperação de títulos baixados ou incobráveis, em outras palavras, se  as  referidas  receitas  são  ou não da  atividade principal da  titular da pessoa  jurídica  titular do  crédito.  Na atual redação do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 9.718/1998, dada pela  Lei  12.973/2014,  o  legislador  entendeu  que  sim,  tanto  que,  se  atendidas  as  condições  estabelecidas  no  referido  preceito  legal,  foi  autorizada  a  exclusão  do  valor  computado  na  receita  bruta.  Para melhor  compreensão  do  assunto,  seguem  transcritas  a  redação  vigente  na  data dos fatos geradores objeto das presentes autuações e atualmente vigente:  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  [...]  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  [...]  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados como perda, que não representem  ingresso de novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido  computados  como  receita;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de  investimento pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de participações societárias, que tenham sido computados como  receita bruta; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)  [...] (grifos não originais).  Definida que  tais  receitas  integram a  receita bruta da  atividade principal da  pessoa jurídica titular do crédito, da leitura do referido preceito legal infere­se que a dedução  do  valor  computado  como  receita  bruta  somente  é  dedutível  se  atendidas  duas  condições  cumulativas, ou seja, os valores recuperados (i) não representem ingressos de novas receitas e  (ii) tenham sido computados como receita bruta.  A  contrário  senso,  chega­se  a  conclusão  que,  se  há  ingressos  de  valores  adicionais  aos  dos  títulos  baixados  (“novas  receitas”,  segundo  o  preceito  legal),  tais  valores  integram  a  receita  bruta  e,  nessa  condição,  não  são  dedutíveis  da  receita  bruta,  por  falta  de  previsão legal.  De  acordo  com  a  planilha  de  fls.  3817/3820,  verifica­se  que  a  fiscalização  incluiu na base de cálculo das referidas contribuições os valores totais registrados na subconta  “3.6.1.8.1.10.01.1.1.03 ­­ Recuperação de Títulos Baixados” dos balancetes do ano 2009, sem  Fl. 4432DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     50 segregar as parcelas de recuperação dos créditos das parcelas de novas receitas, representativas  dos valores recebidos em acréscimos aos valores dos títulos baixados.  Assim, sem essa informação, não há como admitir a incidência sobre o valor  total extraído da referida subconta dos balancetes do ano 2009, pois, nos termos do inciso II do  § 2º do art. 3º da Lei 9.718/1998, a recorrente é assegurado o direito de excluir da receita bruta  o valor total do crédito recuperado. Logo, apenas o valor residual, resultado da diferença entre  o  valor  recebido  e  o  valor  crédito  recuperado,  que  corresponde  as  parcelas  excedentes  aos  valores dos créditos recuperados, integra a base cálculo das referidas contribuições.  Dadas essas circunstâncias, o valor integral das receitas do ““Grupo Contábil  3.6  ­  Recuperação  de  Incobráveis/Assit  Médica”  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  das  referidas contribuições.  3.2) Da deduções dos custos assistenciais.  Em relação a esse tópico, a recorrente alegou que a fiscalização não deduzira  da base de cálculo das referidas contribuições os custos assistenciais, incluindo os vinculados  às operações de intercâmbio, e assim violara o disposto no art. 3o, § 9o,  III, e § 9°­A, da Lei  9.718/1998, que na data dos fatos, tinham a seguinte redação, litteris:  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  [...]  § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o  PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à  saúde  poderão  deduzir:  (Incluído  pela  Medida  Provisória  nº  2.158­35, de 2001)  [...]  III  ­  o  valor  referente  às  indenizações  correspondentes  aos  eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias  recebidas  a  título  de  transferência  de  responsabilidades.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  §  9º­A.  Para  efeito  de  interpretação,  o  valor  referente  às  indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata  o  inciso  III  do  §  9º  entende­se  o  total  dos  custos  assistenciais  decorrentes  da  utilização  pelos  beneficiários  da  cobertura  oferecida  pelos  planos  de  saúde,  incluindo­se  neste  total  os  custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários  de  outra  operadora  atendidos  a  título  de  transferência  de  responsabilidade  assumida.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.873,  de  2013)  De acordo  com a  planilha  integrante  do Anexo  I  do TVF  (fls.  3818/3820),  verifica­se que, a título de custos assistenciais, a fiscalização deduziu, na rubrica “Indenização  Eventos Ocorridos Efetivamente Pagos ­ conta 4413610011101”, os valores extraídos da conta  “4.4.1.3.6.10.01.1.1.01  ­­  PRESTAÇÃO DE  SERVIÇOS  ­  INTERCÂMBIO”  que  integra  os  referidos balancetes da recorrente do ano 2009.  Acontece  que,  conforme  anteriormente  demonstrado,  os  valores  deduzidos  pela fiscalização, a  título de despesa com prestação de serviços de  intercâmbio eventual, não  Fl. 4433DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16539.720010/2013­50  Acórdão n.º 3302­003.135  S3­C3T2  Fl. 4.409          51 representam custos assistenciais, mas despesas com serviços de intermediação prestados pelas  as outras cooperativas médicas do sistema Unimed (OPS cessionárias) no âmbito das operações  de intercâmbio com atendimento eventual.  Os valores dos custos assistenciais, efetivamente pago, de que trata a primeira  parte do art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 (“o valor referente às indenizações correspondentes  aos  eventos  ocorridos,  efetivamente  pago”),  corresponde  a  diferença  entre  os  valores  registrados nos subgrupos “411 ­ EVENTOS INDENIZÁVEIS” e “412 ­ (­) RECUPERAÇÃO  DE EVENTOS” do plano de contas padrão das OPS do ano 2009. E tais valores compreende  os  custos  assistenciais  dos  eventos  ocorridos  com  os  beneficiários  dos  planos  de  saúde  da  própria  operadora  e  com  os  beneficiários  das  outras  operadoras  atendidos  a  título  de  transferência de responsabilidade assumida.  Nos  referidos  balancetes  da  recorrente  do  ano  2009,  os  valores  das  indenizações  correspondentes  aos  eventos  ocorridos  (ou  custos  assistenciais),  efetivamente  pagos, corresponde a adição/dedução dos valores registrados nas seguintes contas/subgrupo de  contas:  4.1.1.1 ­­ Eventos Conhecidos e Avisados   4.1.1.3 ­­ Despesas com Eventos Conhecidos de Assistência Médica   4.1.1.5 ­­ Evento em Corresponsabilidade Assumida   4.1.2 ­­ (­) Recuperação de Eventos   (=) Total dos custos dos eventos (custos assistenciais), efetivamente pagos.  A este total ainda deveria ser adicionada as importâncias recebidas a título de  transferência de responsabilidades assumidas, conforme determina a segunda parte do art. 3º, §  9º, III, da Lei 9.718/1998, porém, ao analisar os referidos balancetes do ano 2009, constata­se  que  não  houve  qualquer  registro  na  subconta  “31131  ­  Contraprestações  de  Co­ Responsabilidade Assumida” do plano de contas padrão das OPS do ano 2009, designada para  ser a destinatária dos registros dos correspondentes valores.  Com base nesses esclarecimentos, fica demonstrado que a recorrente faz jus a  dedução  do  valor  total  dos  custos  dos  eventos  (ou  custos  assistenciais),  efetivamente  pagos,  calculado da forma acima estabelecida.   4) Da Conclusão.  Por todo o exposto, vota­se pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para:  a) manter a tributação (i) da totalidade das receitas do “Grupo Contábil 3.1.1  ­ Contraprestações Líquidas  (Planos de Saúde)”; conforme planilha do Anexo  I do TVF (fls.  3818/3820); (ii) de parte da receitas do “Grupo Contábil 3.3 ­ Outras Receitas Operacionais”,  especificamente,  as  registradas  nas  contas  “Taxa  de  Implantação  de Plano  ­  3.3.1.1.1”  e  (ii)  “Receita  com Manual  de Guia Médico  ­  3.3.1.1.8  (11)”,  conforme detalhamento  da  planilha  integrante do Anexo I do TVF (fls. 3818/3820); e (iii) de parte das receitas do “Grupo Contábil  3.4  ­  Receitas  Financeiras”  dos  meses  de  janeiro  a  maio  de  2009,  especificamente,  as  registradas  no  subgrupo  “3.4.2  ­­  RECEITAS  FINANCEIRAS  C/OP  ASS  A  SAÚDE”,  Fl. 4434DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA     52 conforme  consignado  nos  balancetes  do  ano  2009,  que  integra  o  arquivo  não  paginável  mencionado no Termo de Anexação de fl. 4374; e  b) excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  em  substituição  ao  valor  deduzido  pela  fiscalização,  na  referida  planilha,  a  título  de  “Indenização  Eventos  Ocorridos  Efetivamente  Pagos  ­  conta  4413610011101”,  o  valor  total  dos  custos  dos  eventos  (ou  custos  assistenciais),  efetivamente  pagos,  ocorridos  com  os  beneficiários da própria operadora e das outras operadoras atendidos a  título de transferência  de responsabilidade assumida, calculados mediante adição/exclusão dos valores registrados, no  balancete  do  ano  2009,  nas  seguintes  contas/subgrupo  de  contas:  (“4.1.1.1  ­­  Eventos  Conhecidos  e  Avisados”)  +  (“4.1.1.3  ­­  Despesas  com  Eventos  Conhecidos  de  Assistência  Médica”)  +  (“4.1.1.5  ­­  Evento  em  Corresponsabilidade  Assumida”)  ­  (“4.1.2  ­­  (­)  Recuperação de Eventos”).  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento      Fl. 4435DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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7348011 #
Numero do processo: 13888.901108/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­003.070  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de abril de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E  PRÉ­MOLDADOS DE CONCRETO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário,  mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 08 /2 01 4- 39 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 3            2     Relatório  A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em  relação  ao  pedido  original  da  contribuinte  expresso  em PER/DCOMP  apresentado  perante  a  Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório  e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade.  O  requerido  foi  indeferido  sob  entendimento  do  DD  de  que  "a  partir  das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos  do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP".  Irresignada,  a  contribuinte  interpôs  manifestação  de  inconformidade  que,  apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi  julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Discordando  do  r.  decisum,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de  1º  Piso  de  forma  a  reconhecer  o  direito  creditório  buscado  e  homologar  a  compensação  requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos:  PRELIMINARMENTE  1.  que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o  contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir,  eis que  haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se  os fossem, certamente permitiriam inferir­se de modo diverso, análise esta que  era  condição  sine  qua  non  para  alicerçar  as  razões  de  decidir  do  despacho  decisório”;  2.  que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a  decisão  do  julgador  de  primeiro  grau,  o  que  é  direito  constitucionalmente  assegurado.  A  falta  destes  elementos  concretos,  fundamentos  embasados  na  legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r.  despacho  rescisório  implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o  amplo  direito  de  defesa  à  recorrente,  o  r.  despacho  decisório  avilta  também,  conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”;  3.  que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defender­se  amplamente  da  r.  decisão  do  órgão  fiscal  originário,  o  presente  processo  administrativo  não  terá  seu  deslinde  normal,  razão  pela  contrariou­se  o  consagrado devido processo legal”;  4.  que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento  em  que  foi  exarado  o  r.  despacho  decisório  o  curso  deste  processo  administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 4            3 através  da  integral  anulação  do  processo  administrativo  desde  o  início,  inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”;  5.  que, “requer­se que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este  processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando  o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os  princípios que norteiam os processos administrativos”.  NO MÉRITO  Depois  de  fazer  breve  histórico  da COFINS  e  do  PIS,  aponta  para  decisão  prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições.  Literalmente:  “Recentemente  a  matéria  foi  definitivamente  arraigada  pelo  C.  Supremo  Tribunal  Federal  quando  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2 MG,  onde  o  contribuinte  se  consagrou  vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se  deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno  ressaltar  os  ensinamentos  do Min. Marco Aurélio  que  nos  autos  do  aludido julgamento cravou:  (...)  Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser  incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído  no  conceito  de  "faturamento", mas mero  "ingresso" na  escrituração  contábil  das  empresas,  razão  pela  qual  por  todas  as  razões  aqui  expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se  faz de  solar  clareza  a  necessidade  de  reformar  a  r.  decisão  guerreada  e  homologar  as  compensações  levadas  a  termo  através  das  PERDCOMPs cotejadas.  Reitere­se,  porque  se  cuida  de  decisão  recente  e  nova  no  mundo  tributário,  posto  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  decidiu  definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e  do  PIS  (Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2 MG),  de  modo  que  a  inclusão do  ICMS na base de  cálculo das Contribuições ao PIS  e à  Cofins  é  ilegítima e  inconstitucional,  pois  fere o princípio da  estrita  legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo  195,  I,  “b”  da  CF/88  e  o  art.  110  do  CTN,  porque  receita  e  faturamento  são  conceitos  de  direito  privado  que  não  podem  ser  alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para  definir  competência  tributária,  pelo  que  resta  evidente  o  crédito  da  Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para  que  sejam  definitivamente  homologadas  as  compensações  levadas  a  termo pelo contribuinte recorrente”.  DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO  Prossegue argumentando  ter direito à compensação em face da exclusão do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade  recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que  se assim o  fizesse a autoridade administrativa  singular,  certamente homologaria a  compensação em  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 5            4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve  mesmo ser reformado, o que se requer adiante”.  DO PEDIDO  E conclui  requerendo “o  regular  processamento,  ulterior  apreciação,  concessão  de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de  reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V.  Acórdão  recorrido  para  que  seja  anulado  o  vertente  processo  administrativo,  nos  moldes  da  fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal,  e  para  que,  no  seu mérito,  seja  reformado o V. Acórdão  recorrido  para  que  sejam homologadas  as  almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”.  É o relatório do essencial, em apertada síntese.          Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.018,  de  11/04/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13888.901078/2014­ 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.018):  "O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos pressupostos  para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço.  Afasto,  de  plano,  a  preliminar  de  nulidade  do  acórdão  a  quo,  tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar  a esta decisão.  De  fato,  o  que  se  observa  é  a  irresignação  da  recorrente  em  razão  da  decisão  de  1º  Piso  lhe  ter  sido  desfavorável  e  não  porque  tenha  o  aresto  qualquer  ponto  ou  item  que  afronte  a  legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação.  Diga­se,  o  acórdão  foi  prolatado  em  estrita  obediência  às  normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 6            5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da  contribuinte.  Se  o  decidido  lhe  foi  desfavorável  não  significa  nulidade.  Só  entendimento da Turma Julgadora.  Preliminar rejeitada.  Passo ao mérito.  Sabidamente,  o  ônus  da  prova  cabe  ao  autor  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito  (Código  do  Processo  Civil  –  CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I).  No  caso  de  pedidos  de  ressarcimento  ou  restituição,  o  interessado  deve  trazer  provas  de  que  possui  direito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública  e  assim  deve  ser  repetido  tributariamente  para  recompor  o  patrimônio  subtraído  por  pagamento de um tributo de forma indevida.  Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e  seu direito se perde.  Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  Pelo  princípio  da  Indisponibilidade  do  Interesse  Público  e  pela  vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a  extinção do  tributo por  compensação com crédito que não  seja  comprovadamente certo nem possa ser quantificado.  Concretamente,  se o DARF  indicado como crédito  foi  utilizado  para  pagamento  de  um  tributo  declarado  pelo  próprio  contribuinte,  a  decisão  da  RFB  de  indeferir  o  pedido  de  restituição ou de não homologar a compensação está correta. No  caso,  o  DARF  foi  utilizado  para  pagamento  do  tributo  confessado  na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte.  É certo que este quadro pode ser alterado.  Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é  ela  a  autora  e  para  modificar  o  ato  administrativo  cabe­lhe  demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos  efetuados pela RFB.  Não o fazendo – como não o fez ­, o indeferimento permanece.  Acresça­se  que,  concretamente,  a  contribuinte  não  acostou  um  documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa  mostrar o direito que alega ter.  Sua  linha  de  argumento  limita­se  em  afirmar  que  a  Suprema  Corte  (em decisão ainda sem efeito erga omnes)  teria decidido  pela  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o  reflexo disso  em seus demonstrativos contábeis.  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 7            6 Ou  seja,  meras  alegações  sem  que  tenham  vindo  aos  autos  quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse.  Sabidamente,  a  base  de  cálculo  das  Contribuições  para  os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento.  E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial,  esta  que  aproveite  individualmente  a  recorrente  ou  que  seja  prolatada com efeito erga omnes.  Não há, no caso, nem um nem outro.  Desse  modo,  especificamente  quanto  ao  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e de Comunicação –  ICMS,  somente podem ser  excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o  ICMS,  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário,  no  regime  cumulativo,  e  a  receita  decorrente da  transferência onerosa  a  outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados  de operações de exportação em ambos os regimes.  Admitir  qualquer  outra  exclusão  equivaleria  a  afastar  a  aplicação  da  lei,  o  que  é  vedado  na  esfera  administrativa.  Portanto,  essa  discussão  é  estéril  em  sede  de  julgamento  administrativo.  Finalmente,  como  bem  observado  pela  decisão  de  1º  Piso,  a  recorrente  transmitiu  inúmeras  declarações  de  compensação  informando  como  crédito  passível  de  compensação  um  único  DARF  e  nos  pedidos  de  compensação  formalizados  pela  recorrente,  os  débitos  que  intenta  compensar  ultrapassam  –  e  muito ­ o valor desse suposto crédito.   Por  fim,  não  se  olvide,  só  se  permite  compensação  com  a  utilização  de  créditos  dotados  de  liquidez  e  certeza  (art.  170, do CTN):  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)   E valores incomprovados não possuem estes requisitos.  A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema:  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.   A  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  repetição  ou  à  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.901108/2014­39  Acórdão n.º 1402­003.070  S1­C4T2  Fl. 8            7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº  103­23579, sessão de 18/09/2008)  Por  todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.'  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar  de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a  decisão recorrida.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                              Fl. 53DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.912686/2012-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.
Numero da decisão: 1001-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 166          1 165  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.912686/2012­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.482  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  08 de maio de 2018  Matéria  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  DCSNET SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2009  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE  DE  PAGAMENTO A MAIOR.  Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior,  comparativamente  com o valor do débito devido a menor,  é  imprescindível  que seja demonstrado na escrituração contábil­fiscal, baseada em documentos  hábeis  e  idôneos,  a  diminuição  do  valor  do  débito  correspondente  a  cada  período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido  e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 26 86 /2 01 2- 07 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 167          2 Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  e  Jose  Roberto  Adelino da Silva.    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  reconhecimento  de  direito  creditório  interposto  pela  recorrente  em  face  de  decisão  proferida  pela  4ª  Turma  da  DRJ/Brasília  (DF),  mediante  o  Acórdão nº 03­56.250, de 17/10/2013 (e­fls. 40/44), objetivando a reforma do referido julgado.  Em 21/06/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa  PER/DCOMP, o Pedido de Restituição nº 00579.44091.210610.1.2.04­0015 (e­fls. 35/37), no  valor de R$ 1.572,26 (valor original), devido ao Pagamento Indevido ou a Maior da CSLL.   O DARF informado apresenta as seguintes características:  PERÍODO DE  APURAÇÃO  CÓDIGO DE  RECEITA  VALOR  PRINCIPAL   VALOR  TOTAL   DATA DE  ARRECADAÇÃO  30/06/2009  2372  63.852,73  63.852,73  31/07/2009  Em 05/12/2012, a DRF/Porto Alegre emitiu Despacho Decisório (eletrônico),  e­fl. 31, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição.  A  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  (e­fls.  02/03),  juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que teria ocorrido erro de preenchimento  na DCTF original e que teria retificado a declaração no intuito de comprovar a existência do  crédito  pleiteado,  relata  fatos  e  solicita  a  revisão  do  Despacho,  bem  como  a  suspensão  da  cobrança do crédito tributário.  Ciente  da  decisão  da  DRJ  de  Brasília,  que  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  em  25/10/2013,  por Aviso  de Recebimento  –AR  (e­fl.  46),  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  48/50,  em  14/11/2013,  juntando  ainda  documentos  e  reiterando  as  razões  já  suscitadas  na  manifestação  de  inconformidade  na  instância a quo, porém acrescentou:  Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 168          3 ­ que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de  documentos  hábeis  e  idôneos  que  pudessem  comprovar  a  CSLL  devida  no  PA  2º  trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido;   ­  que  no  ano­calendário  2009  os  resultados  foram  submetidos  à  tributação  pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa;  ­  que  a base  de  cálculo  da CSLL  são os valores  efetivamente  recebidos  no  período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON;   ­  que  durante  o  ano­calendário  2009  prestou  informações,  mensalmente,  à  RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON;   ­ que, ademais, no ano­calendário 2009, foi intimada pela RFB e passou a ter  condição  de Acompanhamento  Econômico  –Tributário Diferenciado,  sendo  que  entregou  ao  fisco,  entre  outros,  toda  a  sua  escrituração  contábil  em  meio  magnético  (Portaria  RFB  nº  11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010) – e­fl. 53;  ­ que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados  pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB;  ­ que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39,  40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial  de  Florianópolis  e  nº  10  da  filial  de  Parobé,  todos  do  ano­calendário  2009,  devidamente  registrados nas respectivas Juntas Comerciais;  ­  que  pelos  registros  existentes  na  DACON,  além  dos  dados  informados  através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão,  estarrrria  claro  ou  evidente que  os  valores  recebidos  pela  empresa mensalmente  serviram de  base de cálculo para apuração da CSLL devida;  ­  que,  com  base  nessas  razões,  a  recorrente  pediu  reforma  da  decisão  recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso.  Em 25/11/2014, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF,  mediante  Resolução  nº  1802­000.582,  resolvem,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a  seguir:   A DCTF  retificadora,  que  reduziu  o  débito  informado/confessado  na DCTF  primitiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório.  Vale  dizer,  a  DCTF  retificadora,  para  ser  aceita,  é  necessário  comprovar,  primeiro,  o  alegado  erro  de  fato  no  preenchimento  da DCTF primitiva  (CTN,  art.  147, § 1º).  A divergência de apuração, quanto ao valor da CSLL a pagar entre a DCTF  primitiva  e  a DIPJ,  não  se  resolve  pela mera  apresentação  de DCTF  retificadora.  Torna­se  necessário  a  contribuinte  comprovar  o  alegado  erro  de  fato  de  preenchimento  da  DCTF  primitiva,  mediante  apresentação/juntada  aos  autos  de  cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do ano­calendário 2009.  Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 169          4 Compulsando  os  autos,  observa­se  a  existência  falhas  na  instrução  do  processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da  lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado,  pois:  a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do ano­calendário 2009;  b)  sequer  consta  dos  autos  cópia  da  DCTF  primitiva  atinente  ao  PA  2º  trimestre/2009;  c) sequer consta cópia dos darf de pagamento das três quotas da CSLL do 2º  trimestre/2009.  Ou  seja,  não  há  prova  de  pagamento  integral  do  débito  da  CSLL  confessado na DCTF primitiva, quanto PA 2º (segundo) trimestre/2009;  d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas da  CSLL do 2º (segundo) trimestre do ano­calendário 2009;  e)  além  disso,  a  recorrente  informou  nas  razões  do  recurso  que  juntara  aos  autos cópia de sua escrituração contábil do ano­calendário 2009, juntamente com a  peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no  documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de e­fls. 56 e 71, in verbis:  ADENDO  À  INTIMAÇÃO  DRF/POA/SEORT/  COMPENSAÇÃO  2372/2013   DCSNET  Comunicações  Ltda,  empresa  com  sede  em  Porto  Alegre  RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador  apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013  sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207,  11080.912688/201298,  11080.912690/201267,  11080.912707/201286,  11080.912709/201275,  11080.912711/201244  e  11080.912729/201246.  1  Retiram­se  dos  processos  os  Livros  Diários  n°  39,  40,  41  e  42  da  Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da  filial  de  Florianópolis  e  n°  1  0  da  filial  de  Parobé,  todos  do  ano  de  2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais.  2  Anexa­se  ao  processo  os  arquivos  validados  pela  SVA  no  código  4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11.  3  A  troca  dos  Livros  Diários  pelo  arquivo  em  meio  magnético  foi  solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD  1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010.  4  Ressaltamos,  todavia,  que  os  Livros  Diários  encontram­se  a  disposição  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  estando  arquivados  na  sede  da  empresa,  podendo  ser  anexados  ao  presente  processo a qualquer tempo.  (...)  Assim, diversamente do  informado pela  recorrente, não consta dos autos  (e­ processo)  o  arquivo  magnético  ou  digitalização  da  escrituração  contábil  da  recorrente, quanto ao ano­calendário 2009.  Como visto, há necessidade de saneamento do processo.  Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 170          5 Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da  verdade  material,  propugno  pela  realização  de  instrução  complementar,  ou  seja,  baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre  a fim de que a fiscalização:  a)  intime  a  contribuinte  para,  à  luz  da  escrituração  contábil,  comprovar  o  alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos  (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, ano­calendário 2009),  no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012  (e­fls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior;   b)  intime  a  contribuinte  a  comprovar  pagamentos/recolhimentos  das  três  quotas  da  CSLL  do  2º  (segundo)  trimestre/2009,  quanto  ao  débito  confessado  na  DCTF primitiva;  c) junte cópia da DIPJ 2010, ano­calendário 2009;  d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009;  e) confirme os pagamentos/recolhimentos.  f)  elabore, ao  final do procedimento de diligência,  relatório circunstanciado,  pormenorizado,  dos  resultados  da  diligência  em  relação  ao  direito  creditório  pleiteado nos presentes autos  (se o crédito demandado existe, ou não, e  se está ou  disponível para restituição);  g)  intime  a  contribuinte  do  relatório  de  diligência  (resultado  da  diligência),  abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manifestação nos autos, caso  queira.  Decorrido  o  prazo  com  ou  sem  manifestação  da  contribuinte,  retornem  os  autos ao CARF para julgamento da lide.  Com  o  objetivo  de  obter  os  esclarecimentos  necessários  ao  saneamento  do  processo, o Serviço de Orientação Tributária da DRF de Porto Alegre/RS (SEORT/DRF/POA)  promoveu  a  diligência  fiscal  e  emitiu,  em  08/08/2007,  relatório  circunstanciado  (e­fls.  159/160).  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator  Com  o  objetivo  de  delimitar  as  questões  de  mérito  a  serem  analisadas,  transcrevo as palavras da relatora do voto de Resolução de Diligência da Turma a quo, às quais  me alio: "O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do  alegado direito creditório para efeitos da pretendida restituição, não se limitando, portanto, à  análise de consistência de declarações".  Transcrevo,  a  seguir,  a  informação  fiscal,  resultado  da  Diligência,  emitido  pela DRF de Porto Alegre/RS:  Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 171          6 O presente processo foi encaminhado em diligência pela 2ª Turma Especial da  Primeira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­  CARF  (fls.  79  a  85)  para  que  esta  Delegacia  intimasse  o  sujeito  passivo  a  comprovar,  por  meio  de  documentos  de  seus  assentamentos  contábeis/fiscais,  a  efetividade do crédito informado no PER 00579.44091.210610.1.2.04­0015 (crédito  de R$  1.572,26  ­  pagamento  indevido/a maior  código  de  receita  2372, DARF  no  valor total de R$ 64.491,25, período de apuração 30/06/2009 e data de arrecadação  31/07/2009),  juntando  também  as  declarações  DIPJ  e  DCTF  e  todos  os  recolhimentos  efetuados  na  quitação  da  CSLL  apurada  no  2º  trimestre  do  ano­ calendário (AC) 2009, com ciência à contribuinte e reabertura de prazo de 30 (trinta)  dias para manifestação.   2.  Para  fins  de  subsídio  à  analise  do  crédito  pretendido  foram  juntadas  ao  presente processo as declarações originais/retificadoras das DCTF’s (fls. 139 a 147)  e  DIPJ’s  (fls.  87  a  138),  os  DARF’s  recolhidos  relativos  à  CSLL  devida  para  2º  trimestre do AC 2009 (fls. 153 a 155), assim como a DIRF resumo entregue pelas  fontes pagadoras (fls. 148 a 152), onde foi verificado que:  a)  na  declaração DCTF  original  de  junho/2009  (entregue  em  03/08/2009)  a  requerente  não  declarou  CSLL  devida  para  o  2º  trimestre,  mas  nas  retificadoras  entregues em 22/12/2009 e 04/04/2011 já constava débito declarado no valor de R$  186.841,40,  com saldo  a pagar  em quotas.  Já  em  relação à  forma de quitação das  quotas  de  CSLL  (informadas  na  DCTF  de  setembro/2009),  constava  na  DCTF  original (entregue em 04/11/2009) débito no montante de R$ 191.558,19 (três quotas  de R$ 63.852,73), e na DCTF retificadora entregue em 20/12/2012 (após a ciência  do Despacho Decisório de fls. 31 e 38) constava débito no montante R$ 186.841,40  (três quotas de R$ 62.280,47);   b)  tanto  na  declaração  DIPJ  original  quanto  retificadora,  entregues  respectivamente  em 29/06/2010  (fls.  87  a 132)  e 02/08/2010  (fls.  133 a 139), não  houve alteração em relação à base de cálculo da receita bruta sujeita ao percentual  de  32%  (R$ 6.374.076,07)  e  dos  rendimentos  e  ganhos  líquidos  em  aplicações de  renda fixa/variável  (R$ 88.720,02), sendo que, da CSLL apurada à alíquota de 9%  (R$ 191.558,19) não houve dedução de CSLL retida na fonte, chegando­se à CSLL  A PAGAR no montante de R$ 191.558,19; e  c) há o recolhimento de 03(três) DARF’s para a quitação em quotas da CSLL  devida  para  o  2º  trimestre  do  AC  2009:  a  primeira  recolhida  em  31/07/2009  (principal  de R$ 63.852,73),  a  segunda  recolhida  em 31/08/2009  (principal  de R$  63.852,73  e  juros  SELIC  de  R$  638,52),  e  a  terceira  recolhida  em  30/09/2009  (principal de R$ 63.852,73 e  juros SELIC de R$ 1.079,11), conforme extratos dos  sistema SIEF juntados às fls. 153 a 155.   3. Diante das inconsistências verificadas entre os valores dos débitos de CSLL  declarados  em DIPJ  e  DCTF  para  o  2º  trimestre  do  AC  2009  (R$  191.558,19  X  186.841,40), e em atendimento ao determinado na Resolução de Diligência nº 1802­ 000.582  (fls.  79  a  85),  a  contribuinte  foi  intimada  (Intimação  Nº  020/2017/DRF/POA/SEORT – ciência em 11/05/2017 ­ fls. 156 a 158), a apresentar  os  documentos  abaixo  relacionados,  os  quais  não  foram  entregues  pela  contribuinte até a presente data.   “Demonstrar analiticamente, por matriz e filiais, as bases de cálculo  de  IRPJ e CSLL, e detalhar as contas contábeis que compuseram as  linhas  de preenchimento 07  (Receita Bruta  Sujeita ao Percentual de  32%)  e  10  (Rendimentos  e Ganhos  Líquidos Aplicações Renda  Fixa/Renda  Variável)  da  Ficha  14A  (Apuração  do  Imposto  de  Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 172          7 Renda sobre o Lucro Presumido), declaradas em DIPJ para o 2º  trimestre do ano­calendário 2009. Em relação ao IRRF deduzido  do  IRPJ  apurado  no  2º  trimestre  (linha  29  da  ficha  14A  –  R$  95.612,45), detalhar analiticamente os créditos que o compõem,  apresentar  documentação  suporte  (Comprovantes  de  Rendimentos,  DARF,  etc...),  e  especificar  as  contas  em  que  constam  os  registros  contábeis  da  retenção  sofrida  e/ou  da  antecipação do devido pelo recolhimento;   Informar o  regime de reconhecimento das  receitas para  fins de  tributação  no  ano­calendário  2009  (caixa  ou  competência)  e  apresentar  cópias  dos  balancetes  de  verificação  (antes  do  encerramento  das  contas  de  resultado)  e  das  contas  do  Razão  (matriz  e  filiais)  que  registram  a  movimentação  contábil  das  contas  CAIXA/BANCOS,  CLIENTES,  IR  RETIDO  NA  FONTE/ANTECIPAÇÃO  DE  IRPJ  A  COMPENSAR,  e  de  RECEITAS  FATURADAS  NA  APURAÇÃO  DO  RESULTADO,  bem  como  de  outras  contas  porventura  relacionadas  pela  contribuinte  em  resposta  ao  item  anterior,  relativamente  às  operações ocorridas no 2º trimestre do ano­calendário 2009;   Justificar a origem dos créditos de IRPJ e CSLL pleiteados para  o 2º trimestre do ano­calendário 2009 (montantes respectivos de  R$ 10.645,51 e R$ 4.716,79),  bem como esclarecer por que na  DIPJ  retificadora  entregue  em  02/08/2010  (isto  é,  após  a  formalização de  todos  os Pedidos de Restituição – 21/06/2010)  foram declarados IRPJ e CSLL A PAGAR nos mesmos montantes  recolhidos  (R$  430.493,64  e  R$  191.558,19,  respectivamente).  Apresentar cópia autenticada dos Livros Diário e Razão em que  consta  o  reconhecimento  daqueles  créditos  no  curso  do  ano­ calendário 2010.”  Vejamos a conclusão do Auditor­Fiscal ao final do Relatório:  4.  Em  face  do  acima  exposto,  não  dispondo  das  bases  de  cálculo  com  a  demonstração  analítica  das  contas  contábeis  que  integram  as  contas  de  resultado,  tampouco  dos  registros  contábeis  do  2º  trimestre  acima  solicitados,  não  há  elementos  de  prova  suficientes  para  confirmar  o  crédito  pleiteado  no  valor  de R$  1.572,26, relativo à parte do DARF recolhido em 31/07/2009 (período de apuração  2º trimestre AC 2009), no valor total de R$ 63.852,73.  Como depreende­se dos fatos narrados acima, mesmo após a tentativa de se  complementar  a  instrução  processual,  nenhum elemento  de prova  foi  acrescentado  aos  autos  pela recorrente, para que efetivasse a comprovação do seu pleito, tendo a informação fiscal e a  ausência provas, esta por si só, enfrentados, assim, as alegações acrescentadas pela recorrente  no seu recurso voluntário.  Neste sentido, com base no §3º do art. 57 do RICARF e no disposto no § 1º  do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as  razões  de  decidir  do  colegiado  de  primeira  instância,  cujos  excertos  do  voto  transcrevo  a  seguir:  Nos  termos do  inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional  (CTN), o  sujeito  passivo  tem  direito  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  no  caso  de  Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 173          8 “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em  face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do  fato gerador efetivamente ocorrido”.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo.  A fim de comprovar a certeza e  liquidez do crédito, a  interessada deve,  sob  pena  de  preclusão,  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade  com  documentos  que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº  70.235/1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância  das  disposições  legais,  contudo  deve  estar  embasada  em  documentos  hábeis,  segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos  contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora.  Veja­se o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir:  Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  sujeito  passivo  dos  fatos  nela  registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­Lei no  1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º)  Parágrafo  único.  Cabe  à  autoridade  fiscal  a  prova  da  inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto  no caput (Decreto­Lei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º).  Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica  aos  casos  em  que  a  lei,  por  disposição  especial,  atribua  ao  sujeito  passivo  o  ônus  da  prova  de  fatos  registrados  na  sua  escrituração (Decreto­Lei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3º).  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 174          9 No caso em análise, em síntese, a contribuinte alega teria pago valor a maior  do  imposto  apurado  no  período  e  que  teria  retificado  a  DCTF,  no  intuito  de  comprovar suas alegações.  Nota­se, então, que o direito creditório que a  interessada alega possuir  seria  decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época  da entrega das declarações originais.  A declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e  constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispões a legislação tributária  (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos  da RFB pertinentes a DCTF).  Nos  termos  do  §  1º  do  art.  147  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  a  retificação de declaração por  iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir  ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se  funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo.  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame  serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que  competir a revisão daquela.  Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do  crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na  escrituração  contábil­fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  diminuição  do  valor  do  débito  correspondente  a  cada  período  de  apuração.  Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que  deve  trazer  aos  autos  elementos  que  não  deixem  nenhuma  dúvida  quanto  ao  fato  questionado. A  respeito  do  tema,  dispõe  o  Código  de  Processo Civil,  em  seu  art.  333:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou  extintivo do direito do autor.  Logo,  a  simples  entrega  de  declarações  retificadoras,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência  de  pagamento  a  maior,  que  teria  originado  o  crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição.  Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta  circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.912686/2012­07  Acórdão n.º 1001­000.482  S1­C0T1  Fl. 175          10 da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  o  que  não  aconteceu  em  concreto.  A  respeito  do  requerimento  da  impugnante  acerca  da  suspensão  da  exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade – que são objeto do presente pleito  compensatório  –  trata­se  de  medida  desnecessária,  já  que  tal  efeito  decorre  de  expressa  disposição  legal,  independentemente  de  manifestação  desta  instância  administrativa.  Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório  líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não  há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa.  Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni                                Fl. 175DF CARF MF

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7250711 #
Numero do processo: 10746.904178/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO

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3301­004.279  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de março de 2018  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  EXIGÊNCIAS  DA  FISCALIZAÇÃO  QUANTO  À  FORMA  DE  APRESENTAÇÃO  DA  DOCUMENTAÇÃO  VERDADE  MATERIAL.  EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.  A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados,  ainda  que  não  cumpridas  as  exigências  da  fiscalização  quanto  à  forma  de  apresentação,  registrando­se  que  a  norma  faculta  a  apresentação  destes  em  papel.  Recurso Voluntário Provido em Parte        Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos do relatório e voto que integram o presente julgado.     José Henrique Mauri ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho ­ Relator  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 78 /2 01 2- 11 Fl. 954DF CARF MF   2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri  (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  (Suplente  convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  03­52.827,  proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília.   Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial  desta Terceira Sessão  decidiu  pela  conversão  daquele  em diligência,  por meio  da Resolução  3803­000.552.   Por bem descrever os  fatos, adoto o relatório constante dessa Resolução, em  parte:  Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do  Per/DComp  transmitido  pela  contribuinte,  em  razão  da  realização  de  pagamento a maior.  A  fiscalização  contrapondo­se  ao  alegado  pela  parte  interessada,  constatou  a existência de um ou mais débitos,  havendo o  crédito declarado  sido  integralmente utilizado para  a  liquidação desses débitos,  resultando na  insuficiência de saldo credor o suficiente para a  realização da compensação  pretendida.  Manifestando  a  sua  inconformidade,  consubstanciada  no  art.  165,  I,  do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de  acordo  com  as  seguintes  razões  de  defesa:  (a)  o  despacho  decisório  foi  emitido  antes  da  retificação  da  DCTF  e  da  DACON;  (b)  a  partir  da  retificação desses documentos tornou­se possível a Receita localizar o crédito  alegado;  e  (c)  demonstrado  a  existência  do  crédito  aludido  nos  moldes  de  planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente.  A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das  DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do  DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e  pela insubsistência do aludido despacho.  Concluso (sic) foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da  DRJ/BSB,  que  por meio  do Acórdão  nº  03­52.827,  em  27/06/2013,  julgou  improcedente a manifestação de  inconformidade e não reconheceu o direito  creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10746.904178/2012­11  Acórdão n.º 3301­004.279  S3­C3T1  Fl. 955          3 Ano Calendário: 2007   APRESENTAÇÃO  DE  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada em documentos hábeis e  idôneos, a diminuição do valor do  débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega  de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar  a existência de pagamento indevido ou a maior.   DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza pela autoridade administrativa.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo;  no  caso,  o  crédito  pleiteado  é  inexistente.   Em  apertada  síntese,  a  título  de  esclarecimento, menciona  o  relator  que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus  produtos  (sucos)  e  não  aproveitado  do  benefício  quando  da  apuração  das  contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu  à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em  relação  às  receitas  auferidas  por  comerciantes  atacadistas  e  varejistas,  decorrentes  da  venda dos  produtos  especificados  nos  arts.  58­A  e 58­B,  da  Lei nº 10.833/03.   Assim  o  direito  creditório  que  a  contribuinte  alegou  possuir  seria  proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior  à época da entrega das declarações originais.  Concluiu  o  voto  condutor  que  a  simples  entrega  de  declarações  retificadoras,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência  de  pagamento  efetuado  a  maior,  que  teria  originado  o  crédito  pleiteado  pela  contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter  ocorrido  anteriormente  a  qualquer  procedimento  administrativo  ou  notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e  o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza  de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há  o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório.  Fl. 956DF CARF MF   4 Após  ser  cientificado  do  decidido  no Acórdão  nº  (sic),  por meio  de  AR,  conforme  subscrição  em  11/11/13,  contra  o  mesmo  se  insurgindo  a  contribuinte  protocolou  o  seu  recurso  voluntário  na  repartição  preparadora  em 20/12/13, aduzindo sucintamente:  Verificou  que  um  de  seus  produtos  vendidos  (bebida:  refresco  e  energético)  pertenciam  à  sistemática  monofásica  de  PIS  e  Cofins,  enquadradas  no  sistema  NBH/SH  22.02,  e  na  NCM  2202.10.00  e  NCM  22012.90.00,  como  também que  recolheu  a maior valores  atinentes  a  essas  contribuições,  razão  pela  qual  transmitiu  a  Per/DComp  em  30/12/10,  pleiteando  a  restituição  que  entendeu  lhe  era  devida  (PAF  10746.904200/2012­15).  Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e,  para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova  documental qual seja: Livri (sic) Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos  2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos  de  2007  a  2010),  Notas  Fiscais  de  entrada  dos  anos  2007  a  2010,  Blocos  fiscais  dos  anos  2007  a  2010,  Livro  de  Registros  de  Inventário  correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída  dos anos 2007 a 2010.  No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para  requerer pelo provimento do seu recurso.  Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da  SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o  recurso  voluntário  acompanhado  dos  documentos  acima  descritos  em  05/12/2013  e  que  ante  a  impossibilidade  de  juntar  aos  autos  digitais  os  originais dos documentos  entregues,  foi  o mesmo  intimado TIF SAORT nº  180/2013  para  apresentação  dos  itens  discriminados  no  TIF  em  mídia  eletrônica  (arquivo  digital),  ou  alternativamente,  juntamente  com  os  originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados.  Consta ainda desse despacho as seguintes informações:  Em  17/01/2014,  em  resposta  ao  termo  de  intimação,  o  interessado  apresentou  um  DVDR  contendo  vários  arquivos,  os  quais  não  possuem as características necessárias ao processamento no ambiente  do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho  superior  a  15  megabytes).  Além  disso,  não  foram  entregues  os  relatórios/recibos  do  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais,  conforme  orientação  constante  do  Anexo  I  do  termo  de  Intimação  Fiscal  SAORT  nº  108/2013.  Portanto,  em  princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que  torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos.  Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não  atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos  sejam  encaminhados  ao  CARF  sem  os  elementos  apresentados  em  mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso.  Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10746.904178/2012­11  Acórdão n.º 3301­004.279  S3­C3T1  Fl. 956          5 Complemento o relato, com trechos do voto da Resolução, na qual se decidiu  pela diligência, apoiando­se na busca pela verdade material:  A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o  momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo  da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação.  Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da  Lei  nº  9.784/99,  veio  a  propiciar  à  modulação  dos  efeitos  dessa  regra,  sinalizando  com a possibilidade  da  apresentação  de  prova noutro momento  processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da  jurisprudência  administrativa  emanada  do  CARF,  notadamente  quando  a  prova, mesmo que  juntada  a  destempo  é  imprescindível  para  o  deslinde  da  querela, [...]  Portanto  não  há  se  falar  em  preclusão  temporal  neste  caso.  Ao  contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade  de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade  criada  a  partir  da  colação  desses  documentos  aos  autos,  a  permitir  que  dúvidas  por  ventura  existentes  possam  ser  sanadas,  sem  a  necessidade  de  remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo  acolhimento  da  prova  apresentada  a  destempo,  uma  discricionariedade  do  julgador,  notadamente  o  relator  dos  autos,  como  auxílio  para  firmar  a  sua  convicção pessoal ao caso sob análise.  No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos  elementos  materiais  de  prova,  dando  conhecimento  à  autoridade  administrativa de sua iniciativa.  Essa  autoridade  limitou­se  a  alegar  a  impossibilidade  de  juntar  aos  autos  digitais  os  originais  dos  documentos  que  lhe  foram  entregues,  intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de  arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo­lhe o prazo de 20  dias para o cumprimento do desiderato.  Em  atenção  à  intimação  que  lhe  fora  endereçada  a  contribuinte  em  17/01/2014 apresentou um DVD­R contendo vários arquivos, que segundo a  fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no  ambiente  do  sistema  de  Processo Digital  da  RFB,  além  de  não  haver  sido  entregue  os  relatórios/recibos  do  Sistema  de  Validação  e  /autenticação  de  Arquivos Digitais,  conforme orientação constante do Anexo  I do Termo de  Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente.  Conclui  a  autoridade  administrativa  que  os  arquivos  não  foram  gerados  com  o  auxílio  do  SVA  o  que  torna  impossível  a  validação  e  a  autenticação dos mesmos.  Mister  esclarecer  que  a  Recorrente  não  se  furtou  de  reapresentar  os  documentos  em meio magnético,  entretanto  em  plataforma  diversa  daquela  orientada pela fiscalização.  Fl. 958DF CARF MF   6 Igualmente  ao  apresentar  na  repartição  preparadora  os  documentos  originais  para protocolo  (cópia  de  cada documento),  a  recorrente  o  fez  sob  amparo  da  regra  contida  no  §  7º  do  art.  2º  e  art.  8º  da  Portaria  MF  nº  527/2010, que autoriza a  formalização de  recursos mediante a apresentação  de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte.  A  persecução  da  verdade  material  no  âmbito  do  processo  administrativo  tributário,  como  dito,  deve  funcionar  para  ambos  os  lados,  portanto, pugno pela conversão deste  julgamento em diligência à  repartição  de  origem,  para  que  sejam  analisados  todos  os  documentos  indicados  pela  Recorrente no  recurso  voluntário,  com vistas  à  apuração  e  pronunciamento  acerca  da  existência  de  direito  creditório,  e  se  o  mesmo  é  o  bastante  suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido  para,  posteriormente  facultar­lhe  a  oportunidade  , mediante  a  concessão  de  tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver.  Por fim, reproduzo trecho da informação emanada da dita diligência:  1.  [...]No  Quadro  01,  estão  as  informações  relativas  ao  PER  transmitido pela interessada.    [...]  8. Conforme legislação explanada no item 7 (sobretudo, art. 58­B da  Lei  10.833,  de  2003,  combinado  com  os  arts.  58­A  e  58­V,  do  mesmo  diploma  legal)  e  considerando  a  vigência  dos  atos  nela  inserida,  os  comerciantes varejistas e atacadistas dos produtos classificados nos códigos  21.06.90.10  Ex  02,  22.01,  22.02,  exceto  os  Ex  01  e  Ex  02  do  código  22.02.90.00, e 22.03 da Tabela de Impostos sobre Produtos Industrializados ­  TIPI (Quadro 02) podem aplicar a alíquota reduzida a zero sobre a receita de  tais vendas.  Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10746.904178/2012­11  Acórdão n.º 3301­004.279  S3­C3T1  Fl. 957          7     9.  Consoante  documentos  fiscais  (notas  fiscais  de  saída  e  levantamento  digital  de  dados)  acostados  ao  processo  administrativo  fiscal  em comento, a  interessada planilhou as suas mercadorias vendidas em cada  período de apuração,  identificando­as no  tocante à descrição da NCM/TIPI.  Para explicitar o batimento entre as informações constantes no DACON e as  decorrentes dos documentos  fiscais  supracitados, ambas vinculadas  ao PER  constante no Quadro 01, optou­se por expor tais informações nos Quadros  03, 04 e 05.  Fl. 960DF CARF MF   8   CONCLUSÃO   10.  Diante  dos  fatos  expostos  e  dos  autos  constantes  no  processo  epigrafado, considerando QUE a contribuinte está sujeita às penas da Lei nº  4.729, de 14 de julho de 1965, e da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990,  caso as informações prestadas em seu PER e na resposta à Intimação Fiscal  não  correspondam  à  expressão  da  verdade,  QUE  foi  observado  o  prazo  prescricional  de  extinção  do  direito  creditório  (inciso  I  do  artigo  168  do  CTN), QUE foi  realizado o confronto entre as  informações provenientes de  Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as  constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), a  autoridade  fiscal,  in  fine subscrita, propõe, perante o CARF, o deferimento  parcial  do  PER  sob  nº  01179.52590.291210.1.2.04­6407,  reconhecendo  o  direito creditório em favor da  requerente no montante original de R$ 14,76  (quatorze reais e setenta e seis centavos).  (Grifos do original).  Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está  de  acordo  com  os  valores  propostos  pela  autoridade  fiscal  perante  o  CARF,  conforme  Informação  Fiscal  SAORT/DRF/PAL/TO,  onde  propôs  o  deferimento  parcial  do  Pedido  de  Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente".  Foi­me distribuído o presente processo para relatar e pautar.  É o relatório.            Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10746.904178/2012­11  Acórdão n.º 3301­004.279  S3­C3T1  Fl. 958          9 Voto             Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator.    A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou:      A  Delegacia  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  por  entender  que,  para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  supostamente  decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante  e  que  "é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período  de apuração", ônus este, da contribuinte.  Em  seu  recurso  a  esta  decisão  de  primeira  instância,  a  contribuinte  juntou  livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais.   Sucederam­se  então  exigências  da  fiscalização  quanto  à  forma  de  apresentação da documentação. Registre­se que a norma faculta a apresentação desta em papel.  Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se  baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à  apuração  e  pronunciamento  acerca  da  existência  de  direito  creditório,  e  se  o  mesmo  é  o  bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o  que fez acertadamente, a meu ver.   A  norma  em  pauta,  Lei  nº  10.833/03,  artigos  58­A  e  58­B  (revogados  em  2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da  Cofins em relação às  receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes  da  venda  dos  produtos  lá  especificados,  o  que  fora  verificado  em  sede  de  diligência  A  recorrente  traz  indevidamente  tal  questão  como  preliminar.  Seguem  os  dispositivos  legais  referidos:  Fl. 962DF CARF MF   10      Por  fim,  ultrapassada  a  relatada  questão  da  apresentação  de  documentos,  o  resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter  como  crédito,  propondo  "deferimento  parcial  do  PER  sob  nº  01179.52590.291210.1.2.04­ 6407,  reconhecendo  o  direito  creditório  em  favor  da  requerente  no montante  original  de R$  14,76" (grifos do original), com o que concordo.     Assim,  por  todo  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário.    Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho ­ Relator  (assinado digitalmente)                         Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10746.904178/2012­11  Acórdão n.º 3301­004.279  S3­C3T1  Fl. 959          11     Fl. 964DF CARF MF

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Numero do processo: 11060.721896/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 EXCLUSÃO. DESPESAS SUPERIORES EM VINTE POR CENTO EM RELAÇÃO AOS INGRESSOS DE RECURSOS. Deve ser excluída a pessoa jurídica que, durante o ano-calendário, o valor das despesas pagas supere em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. A exclusão produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrido o excesso, impedindo a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos-calendário seguintes.
Numero da decisão: 1301-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 EXCLUSÃO. DESPESAS SUPERIORES EM VINTE POR CENTO EM RELAÇÃO AOS INGRESSOS DE RECURSOS. Deve ser excluída a pessoa jurídica que, durante o ano-calendário, o valor das despesas pagas supere em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. A exclusão produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrido o excesso, impedindo a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos-calendário seguintes.

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.

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Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 284          1 283  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.721896/2016­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.010  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2018  Matéria  ATO EXCLUSÃO SIMPLES. DESPESAS SUPERIORES AOS INGRESSOS  DE RECURSOS  Recorrente  FRIGORIFICO ESTRELA LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012, 2013, 2014  EXCLUSÃO.  DESPESAS  SUPERIORES  EM  VINTE  POR  CENTO  EM  RELAÇÃO AOS INGRESSOS DE RECURSOS.  Deve ser excluída a pessoa jurídica que, durante o ano­calendário, o valor das  despesas  pagas  supere  em  20%  (vinte  por  cento)  o  valor  de  ingressos  de  recursos  no  mesmo  período,  excluído  o  ano  de  início  de  atividade.  A  exclusão produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrido o excesso,  impedindo  a  opção  pelo  Simples  Nacional  pelos  3  (três)  anos­calendário  seguintes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 18 96 /2 01 6- 41 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 285          2 Participaram do presente  julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior,  Jose  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Amelia  Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente,  a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 11­55.799, proferido pela  5ª Turma da DRJ/REC, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de  inconformidade apresentada.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  1. Trata­se de exclusão da sistemática de tributação do Regime  Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples  Nacional),  com  efeitos  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2012, comunicado à pessoa jurídica acima identificada por meio  de  Termo  de  Exclusão  do  Simples  Nacional  de  06/07/2016  lavrado  pela Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Santa  Cruz do Sul – RS (DRF/SCS), em virtude da constatação de que  durante  o  ano­calendário  o  valor  das  despesas  pagas  superou  em  20%  (vinte  por  cento)  o  valor  de  ingressos  de  recursos  no  mesmo período, excluído o ano de início de atividade (fls. 190),  conforme imagem abaixo:  Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 286          3     2. A descrição dos fatos consta do Relatório Fiscal de Exclusão  do  SIMPLES  Nacional  (fls.  02/04),  conforme  excertos  abaixo  transcritos e colados:  Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 287          4   3.  A  autoridade  fiscal  constatou  a  ocorrência  da  situação  de  exclusão  de  ofício  durante  a  o  cumprimento  do  Registro  de  Procedimento  Fiscal  ­  n°  10.1.03.00­2016­00039­1,  de  29/03/2016.  Procedimentos da Fiscalização  4. Ação fiscal determinada através do Registro de Procedimento  Fiscal ­ n° 10.1.03.00­ 2016­00039­1, de 29/03/2016.  5. No Relatório Fiscal de Exclusão do SIMPLES Nacional  (fls.  02/04)  encontramos  a  descrição  do  procedimento  fiscal  realizado, conforme excertos abaixo transcritos:  Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 288          5     6.  Foi  acostado  ao  Relatório  Fiscal  de  Exclusão  do  SIMPLES  Nacional:  a)  Alteração  Contratual  nº  21  da  defendente  (fls.  05/09);  b)  telas  de  consulta  optantes  do  Portal  do  Simples  Nacional (fls. 10/11); c)  telas de consulta do PGDAS do Portal  do Simples Nacional do período de 01/01/2012 a 31/12/2014 (fls.  Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 289          6 012/119); d) telas de consulta do sistema da RFB GFIP Web do  período de 01/01/2012 a 31/12/2014 (fls. 120/187).  7.  O  Contribuinte  foi  cientificado  do  Termo  de  Exclusão  do  Simples  Nacional  DRF/SCS  de  06/07/2016  em  11/08/2016  (AR  às fls. 197).  8.  Apensado  a  este  o  processo  nº  11060.721782/2016­00  referente a Auto de Infração dos tributos devidos em virtude da  exclusão (fls. 201/255), em cumprimento ao disposto no art. 3°,  inciso II da Portaria RFB n° 1.668, de 29/11/2016.  Manifestação de Inconformidade (Impugnação)  9.  A  contribuinte  não  apresentou  manifestação  de  inconformidade  expressa  ao  Termo  de  Exclusão  do  Simples  Nacional.  Porém,  em  09/09/2016,  apresentou  impugnação  ao  lançamento  decorrente  dos  efeitos  da  exclusão,  constante  do  processo apenso nº 11060.721782/2016­00 (fls. 205/210), a qual  tomamos como manifestação de inconformidade, onde alega, em  síntese, que: a) a atividade da defendente decorre de contrato de  prestação  de  serviço  firmado  em  01  de  julho  de  2007  com  COOPERATIVA AGRO­PECUARIA COOPSUL LTDA, e que as  despesas  utilizadas  como base  para  relação  de  proporção  com  as  receitas  são  de  responsabilidade  da  empresa  contratante  (COOPSUL),  anexa  cópia  do  contrato  e  de  demonstrações  contábeis (fls. 220/255) ; b) "os valores ressarcidos de despesas  nos anos calendários analisados foram devidamente reconhecidos  na  contabilidade  da  Impugnante  não  sendo  considerados  pela  fiscalização,  logo  todos  os  valores  das  despesas  ressarcidas  deveriam  ter  sido  abatidos  do  total  de  despesas";  c)  "Importa  frisar,  também, de que ao determinar a exclusão da Impugnante  não  foi  valorizado  o  conceito  de  receita  bruta  para  a  não  consideração  dos  ressarcimentos  de  despesa,  cabendo  ser  transcrito  o  conceitos  de  Receita  Bruta.";  d)  por  fim,  requer  a  revisão da exclusão e manutenção no Simples Nacional.  10. É o relatório  Na  seqüência,  foi  proferido  o  Acórdão  nº  11­55.799,  pela  5ª  Turma  da  DRJ/REC, com o seguinte ementário:  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012, 2013, 2014  EXCLUSÃO.  DESPESAS  SUPERIORES  EM  VINTE  POR  CENTO EM RELAÇÃO AOS INGRESSOS DE RECURSOS.  Deve  ser  excluída  a  pessoa  jurídica  que,  durante  o  ano­ calendário,  o  valor  das  despesas  pagas  supere  em  20%  (vinte  por cento) o valor de  ingressos de recursos no mesmo período,  excluído o ano de início de atividade. A exclusão produz efeitos a  partir  do  próprio  mês  em  que  incorrido  excesso,  impedindo  a  opção  pelo  Simples  Nacional  pelos  3  (três)  anos­calendário  seguintes.  Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 290          7 Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio  Após  intimada  (e­fls.  272),  a  autuada  apresenta,  tempestivamente,  seu  Recurso Voluntário,  pugnando  por  seu  provimento,  onde  apresenta  argumentos  que  serão  a  seguir analisados.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator.  O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço.  Como  relatado,  através  do  Termo  de  Exclusão,  de  06  de  julho  de  2016,  a  recorrente  foi  excluída  do  regime  simplificado  de  pagamentos  de  tributos  denominado  de  Simples  Nacional,  com  efeito  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2012,  em  virtude  de  ter  sido  constatado que durante o ano­calendário o valor das despesas pagas superou em 20% (vinte por  cento)  o  valor  de  ingressos  de  recursos  no  mesmo  período,  excluído  o  ano  de  início  de  atividade.  A  acusação  fiscal  é  de  que  a  empresa  recorrente,  nos  anos­calendário  de  2012,  2013  e  2014,  período  fiscalizado,  teve  despesas  com  a  folha  de  pagamento,  de  seus  empregados,  declaradas  pela mesma  em  suas  GFIPs,  um  valor  cujo montante  é  superior  ao  valor declarado de sua receita bruta, constante em suas Declarações do SIMPLES Nacional ­  Documento de Arrecadação do SIMPLES Nacional ­ DAS, em cada um dos anos calendários  citados, ultrapassando, dessa forma, o  limite determinado pela Lei 123/06, art. 29,  inciso  IX,  conforme demonstrativo a seguir:    Por  seu  turno,  em  sede  de  recurso,  alega  o  contribuinte  a  existência  de  contrato de prestação de serviço, firmado em 01/julho/2007, com a COOPSUL, onde esta seria  a responsável pela despesas, mediante ressarcimento, e, por isso, estas despesas não deveriam  Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 291          8 ser consideradas no cômputo da relação percentual exigida pelo legislador. Como prova do que  alega, a recorrente se  reporta a  juntada, em sede de impugnação, das cópias dos contratos de  prestação de serviços firmados com a COOPSUL e demonstrações contábeis, que registram os  lançamentos de ressarcimento de tais despesas.  Em que pese suas ponderações, entendo que não lhe assiste razão.  A legislação do Simples Nacional (Lei 123/06, art. 29, inciso IX), quanto ao  tema aqui em discussão, assim dispõe:  Lei Complementar nº 123/2006  (...)  Art. 28. A exclusão do Simples Nacional  será  feita de ofício ou  mediante comunicação das empresas optantes.  Parágrafo  único.  As  regras  previstas  nesta  seção  e  o modo  de  sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor.  Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples  Nacional dar­se­á quando:  (...)  IX  ­  for  constatado  que  durante  o  ano­calendário  o  valor  das  despesas  pagas  supera  em  20%  (vinte  por  cento)  o  valor  de  ingressos  de  recursos  no  mesmo  período,  excluído  o  ano  de  início de atividade;  (...)  § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste  artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em  que  incorridas,  impedindo  a  opção  pelo  regime  diferenciado  e  favorecido  desta  Lei  Complementar  pelos  próximos  3  (três)  anos­calendário seguintes.  (...)   Com  efeito,  a  fiscalização  apresentou  diversos  elementos  convergentes  que  demonstram  que  do  confronto  da  receita  bruta  declarada  pelo  contribuinte  com  as  despesas  com  remuneração  de  seus  empregados,  igualmente  devidamente  declaradas  em  GFIP,  encontra­se percentual superior ao limite estabelecido em Lei.  Embora argumente a recorrente que suas despesas com seus empregados não  deveriam ser computadas, em face da existência de contrato de prestação de serviços celebrado  com a COOPSUL, apontando que esta seria a responsável pelas citadas despesas e, ainda, que  os respectivos lançamentos de ressarcimentos encontram­se registrados em suas demonstrações  contábeis (balancetes analíticos de verificação e Livro Razão – conta 3.1.1.1.3.1.01.02.01166  –Ressarcimento de Despesas) (fls. 231/255), tais alegações não afastam os efeitos do Termo de  Exclusão contra ela emitido.  De  fato,  o  contrato  de  prestação  de  serviços  (fls.  226/230)  tem  como  contratante a COOPSUL e como contratada o Frigorífico Estrela. A cláusula que dispõe sobre  Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11060.721896/2016­41  Acórdão n.º 1301­003.010  S1­C3T1  Fl. 292          9 as obrigações acessórias é incisiva ao consignar que cabe à contratada a responsabilidade pelo  pagamento das remunerações aos sues trabalhadores, além dos recolhimentos previdenciários e  do FGTS respectivos, conforme excerto abaixo colacionado:    Embora  os  lançamentos  de  ressarcimento  de Despesas  registrados  em  suas  demonstrações contábeis existam, entendo que tal fato não possui o condão de descaracterizar a  ocorrência das citadas despesas e do real responsável por elas, no caso a recorrente.  Quanto  à  sua  alegação  acerca  do  conceito  de  receita  bruta,  distinguindo  "ingressos" de "receita", penso que não se presta ao fim que se destina, pois, apenas por debate,  acaso  diminua  o  total  da  receita,  por  considerar  que  nem  todos  "ingressos"  significaria  "receita", estaria se reduzindo o montante das receitas, o que evidenciaria um percentual entre  receita e despesa ainda maior do que apurado pela fiscalização.  Desta  forma,  penso  assistir  razão  à  autoridade  fiscal  na  constatação  da  situação motivadora da exclusão do Simples Nacional.  Isso  posto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso,  mantendo  a  exclusão  efetuada  de  ofício  e  consignada  no  Termo  de  Exclusão  do  Simples  Nacional  DRJ/SCS,  de  06/07/2016, e os efeitos daí decorrentes.  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                              Fl. 292DF CARF MF

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7272980 #
Numero do processo: 10580.727061/2009-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que  lhe  deram  provimento.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009­29,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator    EDITADO EM: 05/05/2018  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos  (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 61 /2 00 9- 34 Fl. 304DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  lançamento,  conforme  Auto  de  Infração,  para  cobrança  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Física,  constituído  em  razão  de  ter  sido  apurada  classificação  indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos  isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da  Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia  nº 8.730, de 08 de setembro de 2003.  O  acórdão  recorrido manifestou  o  entendimento  de  que  referida  verba  tem  natureza tributável.  Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente  da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito  passivo,  em  face  do  acórdão  recorrido,  obteve  seguimento  parcial  para  que  a  divergência  relacionada  à  natureza  indenizatória  da  URV  fosse  apreciada  pela  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do  acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos.  É o relatório.    Voto             Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­006.334, de  29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/2009­29, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.    Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202­006.334):    Voto Vencido  Conselheira Ana Paula Fernandes ­ Relatora  O Recurso Especial  interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais  pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido.   Trata­se  de  processo  de  Autuação,  conforme  Auto  de  Infração,  para  cobrança  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Física,  exercícios  de  2005,  2006  e  2007,  para  exigência  de  crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  e  juros  de  mora,  constituído  em  razão  de  ter  sido  apurada  classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo  rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça  do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas  no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia  nº 8.730, de 08 de setembro de 2003.  Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10580.727061/2009­34  Acórdão n.º 9202­006.352  CSRF­T2  Fl. 3          3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário.   O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência  jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV.  IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES  Pois  bem,  como  dito  a  problemática  consiste  na  questão  da  natureza  atribuída  a  verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se  faz analisar o  enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda.   A  interpretação  dada  pela  Fazenda  Nacional  é  a  de  que  na  medida  em  que  a  legislação  federal,  prevê  expressamente  a  isenção  ou  não­tributação  de  certas  verbas  indenizatórias  (como  as  contempladas  nos  incisos  IV  e  V  do  artigo  6°  da  Lei  federal  n.  7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas  as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à  tributação pelo imposto sobre a renda.   Para  os  doutrinadores  esta  afirmação  é  incompatível  com  os  dispositivos  constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional.  Para Aliomar Baleeiro, " a  renda se destaca da fonte sem empobrecê­la", e Marco  Aurélio  Greco  complementa:  "indenizar  é  tornar"  sem  dano"  aquele  patrimônio;  não  é  acrescê­lo, é recompô­lo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não  é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do  âmbito de incidência do imposto sobre a renda".   Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a  não  incidência  de  determinada  indenização  (com  o  perfil  acima)  não  implica  na  sua  tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta  indenização não estar alcançada pela norma constitucional  (art. 153, Ill). Por definição, está  fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que  existirem  terão  caráter  explicitador,  por  vezes,  resultantes  de  dúvidas  surgidas  quanto  à  natureza jurídica de determinada verba.   O  jurista  citado  ainda  ensina  que,  "indenização  que  implique  recomposição  de  patrimônio  passado  economicamente  identificável  (ou  seja,  sem  haver  acréscimo  patrimonial),  não configura hipótese de  incidência do  imposto  sobre a  renda. A  verba  paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a  depender das circunstâncias que a cercam".   A questão  primordial  a  ser  debatida  aqui  é  saber  a  quem  cabe  afirmar  a  natureza  jurídica de determinada verba para  fins de enquadramento na  legislação do imposto sobre a  renda.   Três situações podem ser identificadas:   a)  partes  privadas  (contratualmente  ou  por  outro  instrumento)  qualificam  determinada verba como de caráter indenizatório;   b)  o  Poder  Judiciário,  no  bojo  da  prestação  jurisdicional,  qualifica  a  verba  como indenizatória; e   c) a Lei qualifica a verba como indenizatória.     Na  medida  em  que  a  natureza  jurídica  é  que  determina  a  incidência  ou  não  do  imposto  sobre  a  renda,  importante  compreender  em  quais  hipóteses  o  Fisco  Federal  pode  Fl. 306DF CARF MF     4 recusar  a  qualificação  oriunda  de  qualquer  das  situações  acima  e  afirmar  a  natureza  não  indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto.  A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte  em  questão  teve  a  natureza  de  sua  verba  declarada  como  indenizatória  por  meio  de  Lei  Estadual.  É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba ­ foi editada pelo  legislador através de uma lei específica.   Toda  lei  goza  de  presunção  de  constitucionalidade.  Caso  se  tratasse  de  uma  lei  federal,  o Fisco  também  federal, não  teria competência para  afastar  sua aplicabilidade, pois  não  lhe  é  dado  substituir­se  ao  legislador,  nem  tem  competência  para  declarar  a  inconstitucionalidade de uma norma.  Tratando­se  de  lei  estadual  abre­se  o  debate,  pois  a  qualificação  jurídica  por  ela  veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que ­ por decorrência e em  função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário ­ repercute  na aplicação da lei tributária federal, ao afastá­la no caso de indenizações (que não impliquem  acréscimo patrimonial).   Daí  a  pergunta,  que  responde  toda  a  problemática  aqui  veiculada:  ­pode  a  lei  estadual  interferir  com  a  interpretação  e  aplicação  da  lei  tributária  federal?  Embora  pareça  questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de  que  não  cabe  a Lei  estadual  interferir  nas  hipóteses  de  incidência  (fato  gerador)  de  tributo  federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias.  Para  alguns  juristas,  nos  quais  novamente  cito  Marco  Aurélio  Greco,  a  pergunta  envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm  competência para legislar sobre imposto sobre a renda.   A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação  jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento  jurídico.  E  aqui  neste  ponto,  sem  dúvida  a  resposta  é  não,  por  força  da  presunção  de  constitucionalidade  de  que  se  reveste  toda  lei.  Portanto,  enquanto  subsistir  o  preceito  normativo,  o  Fisco  federal  não  possui  competência  para  afastar  a  qualificação  jurídica  ali  contida.  Para  afastá­la  é  preciso,  previamente,  buscar  a  declaração  da  sua  inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do  Poder Judiciário.  Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente  inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo  contiver  disciplina  inequivocamente  conflitante  com  o  ordenamento,  a  ponto  de  configurar  aquilo que a  jurisprudência denomina de "ato  teratológico", não é o que ocorre no caso em  tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência  do ente estadual.  Assim,  não  há  que  se  falar  que  a  Lei  Complementar  n.  20/2003  ou  a  Lei  n.  8.730/2003,  possua  qualificação  jurídica  teratológica  que  possa  afastar  de  plano  sua  aplicabilidade.  Assim,  além  da  presunção  de  constitucionalidade  de  que  se  revestem  as  leis  em  referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao  funcionamento  das  respectivas  Instituições.  Portanto,  não  é  estranho  que  seja  a  lei  a  reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime  estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever  que:   Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10580.727061/2009­34  Acórdão n.º 9202­006.352  CSRF­T2  Fl. 4          5 “Art. 37. A administração pública direta e  indireta de qualquer dos Poderes da União, dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  obedecerá  aos  princípios  de  legalidade,  impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:   (...)  XI  ­ a  remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos,  funções e empregos públicos da  administração  direta,  autárquica  e  fundacional,  dos  membros  de  qualquer  dos  Poderes  da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo  e  dos  demais  agentes  políticos  e  os  proventos,  pensões  ou  outra  espécie  remuneratória,  percebidos  cumulativamente  ou  não,  incluídas  as  vantagens  pessoais  ou  de  qualquer  outra  natureza,  não  poderão  exceder  o  subsídio mensal,  em  espécie,  dos Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  aplicando­se  como  limite,  nos Municípios,  o  subsídio  do  Prefeito,  e nos  Estados  e  no  Distrito  Federal,  o  subsídio  mensal  do  Governador  no  âmbito  do  Poder  Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e  o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e  cinco  centésimos  por  cento  do  subsídio  mensal,  em  espécie,  dos  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  âmbito  do  Poder  Judiciário,  aplicável  este  limite  aos  membros  do  Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;  (...)  §  11.  Não  serão  computadas,  para  efeito  dos  limites  remuneratórios  de  que  trata  o  inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei."  (grifo nosso)     Ou  seja,  podem  existir  pagamentos  a  agentes  públicos  que  tenham  caráter  indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas  podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a  verba submetida ao regime estatutário.  Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos  Estados  definir  a  natureza  de  tais  verbas,  ainda  é  também  de  sua  competência  a  responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o  direito de cobrá­la. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma  menção neste sentido.  Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado  material  da  atividade  de  reter,  mas  é  sobre  todo  aquele  imposto  que  ­  de  acordo  com  a  legislação pertinente ­ deva ser submetido ao regime de retenção na fonte.   Esta  titularidade  é  atribuída  em  caráter  exclusivo  ao Estado  o que  afasta  qualquer  interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza,  deve submeter­se à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si  só a titularidade da União.   Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na  fonte que incidir (juridicamente) na fonte.   A  circunstância  de  haver  ou  não  no  plano  fático  a  retenção  não  modifica  esta  qualificação  jurídica  da  titularidade  sobre  esse  montante,  posto  que  a  qualificação  advém  diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de  titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado,   Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica  que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União.  A  União  editou  a  lei  que  dispõe  sobre  o  tratamento  tributário  das  diversas  verbas  que  o  contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter  à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado.  Por  fim o  julgamento do caso em tela  implica na aplicação de princípio basilar do  Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração  Fl. 308DF CARF MF     6 Pública  só  pode  fazer  o  que  está  previsto  em  lei,  ao  Administrado,  no  caso  em  tela  Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido.  Ainda, para Hely Lopes Meirelles:    Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração  particular é  lícito  fazer  tudo que a  lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido  fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30.  Ed. São Paulo: Malheiros, 2005).    A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que  ele  próprio  se  submeta  ao  direito,  fruto  de  sua  criação,  portanto  esse  é  o  motivo  desse  princípio  ser  tão  importante,  um  dos  pilares  do  ordenamento.  É  na  legalidade  que  cada  indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres.  A  administração  não  tem  fins  próprios,  mas  busca  na  lei,  assim  como,  em  regra  não  tem  liberdade, escrava que é do ordenamento.  O  Princípio  da  Legalidade  é  uma  das maiores  garantias  para  os  gestores  frente  o  Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que,  os  agentes  da  Administração  Pública  devem  atuar  sempre  conforme  a  lei.  Assim,  o  administrador  público  não  pode,  mediante  mero  ato  administrativo,  conceder  direitos,  estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por  exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por  via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma.  Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou  seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação  dos Agentes Administrativos,  determinando as  tarefas  e  impondo  condições  excludentes  de  escolhas pessoais ou subjetivas.   Por  fim,  esse  princípio  é  vital  para  o  bom  andamento  da  Administração  Pública,  sendo  que  ele  coíbe  a  possibilidade  do  gestor  público  agir  por  conta  própria,  tendo  sua  eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à  norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que  seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça.  No  caso  em  tela,  entendo  que  não  houve  por  parte  do  Estado  da  Bahia  uma  intromissão  quanto  ao  tributo  federal  de  competência  da União  ­  imposto  de  renda  pessoa  física.  Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime  estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por  gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência.  A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe  foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao  pacto federativo constitucionalmente imposto.  Desse  modo,  por  melhor  que  seja  a  construção  jurídica  utilizada  pela  Receita  Federal,  afastar  a  legalidade  ou  a  constitucionalidade  de  norma  válida  no  ordenamento  jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não  contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, negar validade ou aplicabilidade.  Observo  que  o  controle  de  constitucionalidade  pode  ser  realizado  de  modo  preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei  já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional,  logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso.     Assim resume Zeno Veloso:     (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado,  sendo  o  controle  abstrato,  em  tese,  através  de  ação  direta,  a  ser  julgada  pelo  Supremo  Tribunal Federa,  tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto  com  a Constituição Federal,  que  nos Estados­membros,  compete  aos Tribunais  de  Justiça,  Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10580.727061/2009­34  Acórdão n.º 9202­006.352  CSRF­T2  Fl. 5          7 tendo  por  objeto  leis  e  atos  normativos  estaduais  e  municipais,  em  face  da  Constituição  estadual. Servimo­nos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por  qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35)    Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a  natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário,  pois  por  uma  questão  de  competência  constitucional,  legal  e  regimental,  este  Tribunal  Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei.   Ressalte­se aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito  judicial  e  administrativo.  Enquanto  o  juiz  é  dotado de  equidade,  o  conselheiro  do Tribunal  Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade.  Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de  constitucionalidade,  vez  que  conforme  explanado  acima,  a  natureza  das  verbas  percebidas  pelo  contribuinte  foram  legitimamente  declaradas  indenizatórias  por  força  de  lei  estadual,  sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável  pelo Regime estatutário fazê­lo, não usurpando assim competência da União para declarar as  hipóteses  de  incidência  do  imposto de  renda  pessoa  física,  a quem coube  determinar  que  o  imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto,  ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra.  Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do  Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes  Públicos  Estaduais  a  Título  de  Diferença  de  URV,  as  quais  tem  natureza  claramente  indenizatória.    Voto Vencedor  Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Redatora Designada  Em que  pese  o  brilhantismo  e  a  logicidade  do  voto  da  ilustre Relatora,  ouso dela  divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido  a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV).  Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a  diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas.  A  primeira  apreciação  a  ser  feita  refere­se  à  natureza  das  verbas  sob  análise. E  o  segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV.  Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela  falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV  e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos.  Não  obstante  o  meu  entendimento  anteriormente  destacado  acerca  da  natureza  salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi  publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como  indenização.  Tendo  em  vista  que  o  imposto  de  renda  é  regido  por  legislação  federal,  tal  dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a  mencionada  lei  em  plena  vigência,  presta­se  apenas  ao  fim  por  ela  almejado,  qual  seja  o  pagamento de precatório, de forma especial.  Fl. 310DF CARF MF     8 Cabe  destacar  que  a  inaplicabilidade  da  LC  20/2003  não  decorre  de  um  juízo  de  inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância  do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso.  Sobre  a  aplicação  da  Resolução  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  245/2002  pugnada  pela  recorrente,  nota­se  que  foi  conferida  natureza  jurídica  indenizatória  ao  abono  variável  concedido  à  Magistratura  Federal  e  ao  Ministério  Público  da  União,  não  se  confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas.  Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação.  Ainda  que  fosse  caracterizada  como  indenizatória  a  verba  sob  análise,  ressalta­se  que  a  incidência  do  imposto  de  renda  independe  da  denominação  do  rendimento,  pois  as  indenizações  não  gozam  de  isenção  indistintamente,  mas  tão  somente  as  previstas  em  lei  específica concessiva de isenção.  Havendo,  notadamente,  acréscimo  patrimonial,  sob  a  forma  de  diferenças  de  vencimentos  recebidos  a  destempo,  resta  evidente  a  incidência  do  imposto  de  renda,  não  havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso.  Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negar­lhe  provimento.  Aplicando­se  a decisão  do paradigma ao presente processo, nos  termos dos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do RICARF,  voto  em  conhecer  do Recurso Especial  e,  no mérito,  em  negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                                  Fl. 311DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.928620/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

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1401­002.578  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ PAGAMENTO A MAIOR  Recorrente  DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTOS  INDEVIDOS  DE  ESTIMATIVA.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  LUCRO  ARBITRADO.  INEXISTÊNCIA  DE  DÉBITOS  POR  ESTIMATIVA.  VALORES  RECOLHIDOS  COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.  Contatando­se  que  o  período  de  apuração  referente  aos  créditos  solicitados  foi  objeto  de  desclassificação  da  escrita  e  arbitramento,  não  mais  existem  débitos devidos a título de estimativa.  Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em  razão de  todos os pagamentos  terem sido utilizados, durante a autuação, no  abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto­ Relator.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 20 /2 00 9- 25 Fl. 113DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  Julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Lívia  de  Carli  Germano,  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Luciana  Yoshihara  Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa  Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)    Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual  solicita a compensação de pretensos créditos  relativos a pagamento a maior de CSLL devida  por  estimativa.  A  origem  dos  créditos,  consoante  informado  pelo  recorrente  desde  sua  impugnação, baseia­se na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e  DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior.  Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste  processo, a  empresa  realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos  subseqüentes.  Quando  da  análise  do  PER/DCOMP  o  sistema  informatizado  reconheceu  a  existência do crédito mas, no entanto, considerou  improcedente a utilização do crédito posto  que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a  pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses  subseqüentes.  O  contribuinte,  irresignado  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando a existência do crédito.   A  Delegacia  de  Julgamento,  na  análise  da  manifestação,  a  considerou  improcedente.  Ainda  inconformado  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  no  qual  entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja  vista que, quando da prolação do despacho decisório de não­homologação referida norma não  mais estava em vigor.  É o breve relatório.          Voto             Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator  A  análise  do  presente  processo  prende­se,  em  síntese,  à  verificação  da  possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928620/2009­25  Acórdão n.º 1401­002.578  S1­C4T1  Fl. 112          3 mesma  contribuição  de  períodos  subseqüentes  e,  ainda,  a  força  impeditiva  do  art.  10,  da  IN  RFB nº 600/2005.  A  norma  questionada  impedia  a  utilização,  por  parte  do  contribuinte,  dos  valores pagos a maior durante o ano­calendário com outros débitos com base na justificativa de  que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como  se  pagamentos  por  estimativas  fossem,  no  sentido  de  que  estes  pagamentos  a  maior  compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício.  Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos  ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação.  Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período.  A  existência  do  crédito  relativo  a  este  pagamento  a maior  exsurge  desde  a  data  do  referido  recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação.  A  limitação  realizada  pelo  art.  10,  da  IN  600/2005  desborda  dos  limites  impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos  nestas inseridos.  Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de  forma  consolidada,  emitindo  a  Súmula  nº  84,  conforme  abaixo  transcrita  e  consoante  os  acórdão paradigmas precedentes que a justificaram.    Súmula CARF nº 84: Pagamento  indevido ou a maior a título de  estimativa caracteriza indébito na  data de seu recolhimento, sendo  passível de restituição ou  compensação.  Acórdão nº 1201­00.404, de 23/2/2011  Acórdão nº 1202­00.458, de 24/1/2011  Acórdão nº 1101­00.330, de 09/7/2010  Acórdão nº 9101­00.406, de  02/10/2009 Acórdão nº 105­15.943, de  17/8/2006.    Verificado  o  teor da Súmula  acima  apresentada,  há  de  se  rever  as  decisões  atacadas pelo recorrente.  Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração.  Ocorre,  no  entanto,  que  iniciada  a  sessão  de  julgamento  a  representante  do  contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº  11080.732426/2011­61, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de  IRPJ e CSLL por estimativa  realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP,  para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006.  Verifica­se, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de  2006  foi  desconsiderada  a  escrituração  fiscal  da  empresa  e  foi  realizado  o  lançamento  pelo  lucro  arbitrado  trimestral.  Da  realização  do  lançamento  foram  utilizados  os  pagamentos  por  estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835  do processo nº 11080.732426/2011­61). Mais ainda, verifica­se que,  sendo arbitrado o  lucro,  Fl. 115DF CARF MF     4 deixam  de  ser  existentes  os  débitos  por  estimativa  do  ano  de  2006,  dada  a modificação  da  sistemática de apuração do lucro.  Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já  foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já  estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 ­ do processo nº 11080.732426/2011­ 61).  À  vista  do  exposto  temos  então  que  o  PER/DCOMP  objeto  do  presente  processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a  compensação  com débitos  de  estimativa  do mesmo  ano,  perdeu  totalmente  seu  objeto,  tanto  pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração  pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa.  Por estas  razões, deixo de analisar o presente  recurso apenas em  relação às  limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade  material, verificando­se que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto  deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de  sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em  razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo  lucro  arbitrado  que  modificou  integralmente  a  situação  dos  débitos  e  créditos  objeto  do  presente processo.  Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para:  1)  Deixar  de  analisar  os  créditos  solicitados,  relativos  aos  pagamentos  a  maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do  auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados;  2)  Determinar  o  cancelamento  dos  débitos  compensados  no  presente  processo,  tendo  em  vista  tratarem­se  de  débitos  de  estimativa  do  ano  de  2006,  em  face,  também,  da  lavratura  de  auto  de  infração  que  apurou  o  IRPJ  pelo  lucro  arbitrado  e  por  consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa.    (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator                               Fl. 116DF CARF MF

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Numero do processo: 13839.900185/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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3301­004.403  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  PIS/COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO.  Recorrente  QUÍMICA AMPARO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002   COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO. STJ.   Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR,  sob  a  sistemática  de  recurso  repetitivo,  que deu  pela  inclusão  do  ICMS  na  base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este  Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.   Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706,  que  tramita  sob  a  sistemática  da  repercussão  geral,  mas  de  caráter  não  definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela  Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  qualificada  de  votos,  em  negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar  Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini  votou pelas conclusões.    (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 01 85 /2 01 2- 95 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 3          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri  (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  (Suplente  convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  06­051.720,  proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba.   Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí  foi  indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela  contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior.  Em  referido  ato  administrativo,  a  autoridade  fiscal  indeferiu  o  pleito  da  interessada  tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava  integralmente utilizado  para  quitação  do  débito  de COFINS  cumulativa/o,  não  restando  saldo  de  crédito  disponível  para o reconhecimento do crédito solicitado.   A  contribuinte  foi  cientificada  do  citado  despacho  decisório  e  apresentou,  tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir.   A  interessada  defende,  em  apertada  síntese,  o  direito  ao  crédito  solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base  de  cálculo  da  contribuição  recolhida.  Diz  que  o  ato  administrativo  foi  proferido  de  forma  precipitada  e  com  flagrante  desrespeito  à  legislação  tributária,  notadamente  a  que  trata da  necessidade  de  lançamento  tributário  (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito  tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso  não existe óbice à restituição, nos  termos do art. 165, do Código Tributário  Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da  contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito  declarado em DCTF, constitui­se em uma mera informação. Relata que está  juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência  do  pagamento  a maior  do  que  o  devido  e  que  este  documento  faz  a  prova  necessária  para  confirmar  o  indébito  alegado.  Acrescenta  que  em  caso  de  dúvida  quanto  ao  crédito  o  julgamento  pode  ser  convertido  em  diligência  para  que  a  interessada  seja  intimada  a  demonstrar,  através  de  outros  elementos,  o  crédito vindicado. Defende  a  tese  relativa  a  improcedência  da  inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido  tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois trata­se de  mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF,  consoante  o  voto  proferido  pelo  Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu  que o valor do  ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 4          3 (PIS  e  Cofins).  Sustenta  que  a  interpretação  da  autoridade  tributária  relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte  (interpretação  do  art.  3º  da  Lei  9.718,  de  1988)  é  contrária  ao  art.  110  do  CTN, uma vez que não  se  caracteriza  como  juízo de  inconstitucionalidade,  mas  sim  como  controle  administrativo  interno  dos  atos  administrativos.  Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição)  em  referido  RE  é  iminente  e  que  o  proferimento  dela  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  tornará  sua  observância  obrigatória pela Administração Tributária.   Diante  do  exposto,  requer  a  interessada  o  acolhimento  da  manifestação  para  o  fim  de  afastar  o  Despacho  Decisório  questionado  e  deferir integralmente o pedido de restituição.  O  citado  acórdão  decidiu  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa  competência  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária  e  pela  impossibilidade  de  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Inconformada  com  a  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  basicamente,  repetindo  os  argumentos  trazidos  em  sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido.   É o relatório.  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro José Henrique Mauri, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­004.397,  de  22  de  março  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13839.900183/2012­04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­004.397):  "O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade1.  O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base  de cálculo da Cofins.  O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo  não  haver  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  da  Cofins:  Pelas  argumentações  trazidas  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  vê­se,  de  pronto,  que  a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  na  forma  aduzida  pela  interessada,  já  que  esse  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido  mediante  substituição  tributária,  pelo  contribuinte  substituto tributário.   De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar  nº  70,  de  1991,  a  Lei  nº  9.715,  de  1998  (que  resultou  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  1.212,  de  1995  e  suas  reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de  2003,  ao  longo  de  seus  dispositivos,  definem  expressamente  todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS  e  à  Cofins.  As  citadas  normas  definem  os  sujeitos  passivos  da  relação tributária, os casos de não­incidência, a alíquota, a base  de  cálculo,  o  prazo  de  recolhimento,  etc.,  e  submetem  as  contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além  do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as                                                              1  Ressalte­se  ser  desnecessário  responder  todos  as  questões  levantadas  pelas  partes,  em  já  havendo  motivo  suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o  , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315­DF, julgado de  8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi).  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 6          5 subordina,  de  forma  subsidiária,  à  legislação  do  imposto  de  renda.   Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem  expressamente  todas  as  feições  das  exações  instituídas,  nada  deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições  a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão  os  limites  da  remissão;  limites  estes,  aliás,  que,  in  concreto,  jamais  se  estendem sobre a definição das bases de cálculo das  contribuições.   O  conceito  de  faturamento  tem  sua  extensão  perfeitamente  delimitada  pela  explicitação  de  seu  conteúdo  e  pela  expressa  enumeração  das  exclusões  passíveis  de  serem  efetuadas,  não  havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS  devido  pela  venda  de  mercadorias.  Caso  pretendesse  o  legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins,  estaria  a  hipótese  expressamente  prevista  como  uma  das  exclusões da receita bruta.  Sobre o  tema, o STJ decidiu,  em  recurso  especial  sob a  sistemática de  recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições,  já  com  trânsito  em  julgado.  Já  o  STF  entendeu  pela  sua  não  inclusão,  em  recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter  não  definitivo,  pois  pende  de  decisão  sobre  embargos  de  declaração  protocolados  pela  Fazenda  Nacional.  É  o  que  detalha  decisão  recente  deste  Conselho:  PIS/COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO.  STJ.  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  CARF. REGIMENTO INTERNO.  Decisão  STJ,  no  Recurso  Especial  nº  1144469/PR,  sob  a  sistemática  do  recurso  repetitivo,  art.  543­C  do  CPC/73,  que  firmou  a  seguinte  tese:  "O  valor  do  ICMS,  destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela  empresa  compõe  seu  faturamento,  submetendo­se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e  COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas  exações",  a  qual  deve  ser  reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento  Interno.  Em  que  pese  o  Supremo  Tribunal  Federal  ter  decidido  em  sentido  contrário  no  Recurso  Extraordinário  nº  574.706  com  repercussão  geral,  publicado  no  DJE  em  02.10.2017,  como  ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art.  62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso  de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.  Recurso Voluntário Negado  (CARF,  3º  Seção,  4º  Câmara,  2º  Turma  Ordinária,  Ac.  3402­ 004.742,  de  24/10/2017,  rel.  Conselheiro  Jorge  Olmiro  Lock  Freire).  Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 7          6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a  sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  deve  este  Conselho  observá­la,  nos  termos  do  seu  Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o  tema.  A  decisão  do  STF,  em  sentido  contrário,  em  recurso  extraordinário  de  repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito.  Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos  da  decisão  embargada,  para  que  produza  efeitos  ex  nunc,  apenas  após  o  julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, trata­se  de atividade  satisfativa,  incluíndo­se na  solução de mérito nos  termos do art.  487 do atual CPC. E se assim é, pode­se afirmar que não houve ainda decisão  definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado.  A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material  ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76  efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta:  7. Observe­se que, no caso dos autos, alguns votos da corrente  vencedora2  [...]  concederam  grande  relevância  ao  fundamento  de  que  “receita  bruta”,  expressão  a  que  a  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  longo  de  inúmeros  julgados,  equiparou  ao  vocábulo  “faturamento”  (art.  195,  I,  b,  da  Constituição),  possui  um  sentido  próprio  no  direito  privado,  definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76.   8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em  tal  linha de argumentação: o mencionado dispositivo  legal não  estabelece  qualquer  conceito  para  receita  bruta.  Apenas  disciplina  que,  na  demonstração  do  resultado  do  exercício,  deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as  deduções  das  vendas,  os  abatimentos  e  os  impostos”.  A  assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se  referem  a  grandezas  diferentes,  mas  não  afirma  que  uma  não  esteja contida na outra.  Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de  considerar  o  disposto  no  art.  12  do  Decreto­Lei  1.598/77,  reiteradamente  citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta:   art. 12. A receita bruta compreende:   I ­ o produto da venda de bens nas operações de conta própria;   II ­ o preço da prestação de serviços em geral;   III ­ o resultado auferido nas operações de conta alheia; e   IV  ­  as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa  jurídica não compreendidas nos incisos I a III.   § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de:   (...)   III ­ tributos sobre ela incidentes; e   Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 8          7 (...)   § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos  cobrados,  destacadamente,  do  comprador  ou  contratante  pelo  vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição  de mero depositário.   §  5o  Na  receita  bruta  incluem­se  os  tributos  sobre  ela  incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de  que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de  15  de  dezembro  de  1976,  das  operações  previstas  no  caput,  observado o disposto no § 4o.  (Grifos do original).  Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora,  apenas  um  deles  tratando  do  conceito  de  receita,  trata­se  evidentemente  de  questão meritória.  A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo  da  Cofins  "sem  o  ICMS",  com  a  qual,  juntamente  como  os  documentos  mencionados  na  seqüência,  pretende  provar  o  seu  direito  ao  crédito  em  discussão:   (...)  Instrui  o  recurso  voluntário  com  relatórios  "NOVA  GIA"  a  demonstrarem  a  apuração  do  ICMS,  referente  apenas  a  novembro  de  2011,  como também o balancete referente apenas a este período.  O  acordão  recorrido  assim  se manifestou  quando  lhe  fora  levada  dita  planilha:  "não  sendo  hábil  para  a  comprovação  do  direito  à  repetição  do  indébito,  uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil  e  fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo".  Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão  de  direito  que  defende,  de  não  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar  de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também,  a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da  escrituração  e  do  crédito",  somente  mereceria  provimento,  em  caso  de  demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins.   Insurge­se a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o  débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual  consta alocado o pagamento objeto do pedido de  restituição),  foi  constituído,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  através  de  [...]  DCTF  apresentada  pela  interessada,  posto  que  essa  declaração  constituí  confissão  de  dívida  e  instrumento hábil  e  suficiente para a  exigência do  referido  crédito  tributário,  conforme  prevê  o  §  1º  do  art.  5º  do Decreto­lei  nº  2.124,  de  13  de  junho  de  1984".  Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm  entendido  pela  relativização  de  tal  meio  de  prova,  com  as  quais  concordo,  privilegiando­se o princípio da verdade material:  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 9          8 COMPROVAÇÃO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  INFORMAÇÕES  CONSTANTES  DA  DOCUMENTAÇÃO  SUPORTE.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode  ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art.  165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF  seja  instrumento  de  confissão  de  dívida,  a  comprovação  por  meio  de  outros  elementos  contábeis  e  fiscais  que  denotem  erro  na  informação  constante  da  obrigação  acessória,  acoberta  a  declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade  material  Recurso Voluntário Provido  (CARF,  3º  Seção,  3º  Câmara,  1º  Turma  Ordinária,  Ac.  3301­ 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto  Chagas).  O  acórdão  de  piso  entendeu  não  ter  se  configurado  qualquer  das  hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de  tributo,  especialmente  por  que  "não  existe  a  comprovação  de  que  tenha  ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor  a  maior  do  que  o  devido";  como  também  porque  "não  foi  demonstrada  a  existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência  de  indébito  tributário  (relativamente  ao  pagamento  apontado  no  pedido  de  restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de  cálculo da contribuição. não havendo decisão".  Argumenta  a  recorrente  ter  havido  erro  na  composição  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  visto  que  "a  Recorrente  considerou  inadvertidamente  o  ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito  artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que  não ocorre, poder­se­ia falar no dito erro.  Assim,  pelo  exposto  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri                  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.900185/2012­95  Acórdão n.º 3301­004.403  S3­C3T1  Fl. 10          9               Fl. 128DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.004113/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. EXISTÊNCIA DIANTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Quanto às contribuições devidas a terceiros, que é o caso em discussão, o § 3º do art. 3º da Lei 11457/07 preleciona que elas se sujeitam aos mesmos prazos, condições e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8212/91, e das contribuições instituídas a título de substituição. 4. As contribuições de terceiros têm o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo das contribuições previdenciárias (o pagamento de remuneração). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10.101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração.
Numero da decisão: 2402-006.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade para, pelo voto de qualidade, afastar a decadência e negar provimento recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. EXISTÊNCIA DIANTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Quanto às contribuições devidas a terceiros, que é o caso em discussão, o § 3º do art. 3º da Lei 11457/07 preleciona que elas se sujeitam aos mesmos prazos, condições e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8212/91, e das contribuições instituídas a título de substituição. 4. As contribuições de terceiros têm o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo das contribuições previdenciárias (o pagamento de remuneração). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10.101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração.

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2402­006.074  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL  Recorrente  PIRELLI LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade  fiscal, de que o  sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do  pagamento das contribuições devidas à seguridade social.  2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que  ensejaram  a  desconsideração  dos  acordos,  tais  como  a  alegada  ausência  de  negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de  acordos prévios, etc, não  tendo havido qualquer omissão quanto à busca da  verdade real.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  A  OUTRAS  ENTIDADES  E  FUNDOS.  DECADÊNCIA.  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO.  EXISTÊNCIA  DIANTE  DO  RECOLHIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, § 4º, DO CTN.   1. O  prazo  decadencial  para  o  lançamento  é  regido  pelo  art.  150,  §  4º,  do  CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.  2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173,  inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que  parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica  ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.  3. Quanto às contribuições devidas a terceiros, que é o caso em discussão, o §  3º  do  art.  3º  da  Lei  11457/07  preleciona  que  elas  se  sujeitam  aos mesmos  prazos, condições e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  da Lei  8212/91,  e  das  contribuições  instituídas a título de substituição.   4. As contribuições de terceiros têm o mesmo fato gerador e a mesma base de  cálculo das contribuições previdenciárias (o pagamento de remuneração).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 13 /2 00 8- 78 Fl. 518DF CARF MF     2 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA  DE EFICÁCIA LIMITADA.   Como  se  conclui  pela  leitura do  art.  7º,  inc. XI,  da Constituição Federal,  a  norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência  para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou  resultados da empresa.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  PLR.  REQUISITOS  DA  LEI  Nº  10.101/2000.  AUSÊNCIA  DE  FIXAÇÃO  PRÉVIA  DE  CRITÉRIOS  PARA  RECEBIMENTO  DO  BENEFÍCIO.  DESCONFORMIDADE  COM  A  LEI  REGULAMENTADORA.  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.  Os  valores  auferidos  por  segurados  obrigatórios  do  Regime  Geral  de  Previdência  Social  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  pagos  ou  creditados  em  desconformidade  com  a  lei  específica,  integram  o  conceito  jurídico  de  Salário­de­Contribuição  para  todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.  A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e  objetivos  previamente  ao  início  do  período  aquisitivo  do  direito  ao  recebimento de participação nos  lucros e  resultados da empresa,  caracteriza  descumprimento  da  lei  que  rege  a  matéria.  Decorre  disso,  a  incidência  de  contribuição previdenciária sobre a verba.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  PLR.  ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO.   A  Lei  10.101/2000  não  exige  nenhuma  outra  formalidade  especial,  senão  aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade  de autenticação.  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO  VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO  SINDICATO.   A  recorrente  não  demonstrou  que  a  comissão  escolhida  pelas  partes  estava  realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto  no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei  12823/2013.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  PLR.  EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.   1. A clareza e a objetividade  têm que ser das  regras, não havendo qualquer  vedação  quanto  ao  estabelecimento  de  critérios  comportamentais,  cuja  avaliação não é necessariamente subjetiva.  2. A  psicologia  revela  que  comportamentos  podem  sim  ser mensurados  de  acordo com critérios objetivos de análise.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  PLR.  VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS.   O  sujeito  passivo  anexou  à  sua  defesa  administrativa  as  planilhas  demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer  foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento.  Fl. 519DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 3          3 CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE  INFRAÇÃO.   Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto  de lançamento em outro Auto de Infração.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  afastar  a  preliminar de nulidade para, pelo voto de qualidade, afastar a decadência e negar provimento  recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio  Rechmann  Junior  que  deram  provimento  parcial. Designado para  redigir  o  voto  vencedor  o Conselheiro Mário Pereira de  Pinho Filho.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente e Redator Designado    (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho  Filho, Ronnie Soares Anderson,  João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio  Rechmann Junior.   Fl. 520DF CARF MF     4 Relatório  A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do  sujeito passivo:  (a) AI DEBCAD 37.159.260­7, para a constituição das contribuições sociais  do Salário­Educação, destinadas ao FNDE.  O fato gerador das contribuições foi o pagamento de Participação nos Lucros  ou Resultados ­ PLR em desacordo com a lei.   No  transcorrer  da  fiscalização,  o  sujeito  passivo  apresentou  dois  diferentes  acordos para duas categorias distintas:  (a) Acordo de Participação nos Resultados ­ Categorias Seniores, Executivos  e Dirigentes;  (b) Acordo Coletivo de Trabalho ­ Categorias Horistas e Mensalistas.   Em resumo, teriam sido descumpridos os seguintes requisitos legais:  (a)  Acordo  de  Participação  nos  Resultados  ­  Categorias  Seniores,  Executivos e Dirigentes  ­ não existe acordo para a PLR paga em 2005;  ­ o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de  um representante dos empregados;  ­  com  exceção  do  acordo  de  2003,  os  demais  foram  entregues  sem  autenticação;  ­  os  acordos  não  foram  objeto  de  negociação,  uma  vez  que  não  foram  apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados;  ­ não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato;  ­ não foi demonstrado que os acordos foram arquivados nos sindicatos, mas  apenas que houve requerimento;  ­ os acordos foram assinados após o período de aferição dos resultados;  ­ os acordos não têm regras claras e objetivas;  (b) Acordo Coletivo de Trabalho ­ Categorias Horistas e Mensalistas  ­ o único acordo original foi do ano de 2005;  ­ o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a  data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; a  outra assinada, mas sem data;  Fl. 521DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 4          5 ­ o acordo de 2003 não está assinado pelo sindicato;  ­ o acordo de 2004 não está assinado pela comissão de negociação;  ­ apesar de o acordo ter estipulado regras objetivas, conforme determina a lei,  não foi possível a verificação do cumprimento do acordado;  ­ alguns empregados receberam quantias acima do estipulado;  ­ todos os acordos foram assinados após o período de aferição.  Desta  forma,  a  fiscalização  concluiu  que  as  parcelas  pagas  a  título  de PLR  não seriam "isentas".   A  existência  de  Gratificação  Especial,  contabilizada  em  conta  de  PLR,  foi  lançada  no  Auto  de  Infração  37.095.565­0,  que  não  integra  este  processo  e  nem  os  seus  apensos.   A  contribuinte  apresentou  sua  impugnação  tempestivamente  (cujos  fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela  DRJ em decisão assim ementada:  DECADÊNCIA.  INOCORRÊNCIA.  Com  o  entendimento  sumulado da Egrégia Corte  (Súmula  n°  08/2008)  e  do Parecer  PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado  da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial  para  constituição  do  crédito  das  contribuições  devidas  Seguridade  Social,  na  hipótese  de  inexistência  de  pagamento  utiliza­se a regra geral do art. 173 do CTN.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS:  Integram  o  salário­de­contribuição  pelo  seu  valor  total  o  pagamento  de  verbas a titulo de participação nos lucros ou resultados, quando  pagas em desacordo com a Lei n°10.101/2000.  PEDIDO DE PERICIA. A perícia solicitada pela empresa deve  expor os motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos  referente aos exames desejados, considerando não  formulado o  pedido  que  não  preenche  o  disposto  no  art.  16,  IV  do Decreto  70.235/72.  PEDIDO  DE  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  PRECLUSÃO  TEMPORAL.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro momento processual,  salvo nas exceções do art.16, §4ºdo  Decreto n° 70.235/72.  INTIMAÇÃO  DIRIGIDA  EXCLUSIVAMENTE  AO  PATRONO  DA  EMPRESA  NO  ENDEREÇO  DAQUELE.  IMPOSSIBILIDADE.  Ê  descabida  a  pretensão  de  intimações,  publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante  em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em  vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72.  (como no original)  Fl. 522DF CARF MF     6 Intimada  da  decisão  em  08/06/2009,  através  de  aviso  de  recebimento,  a  contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/07/2009, no qual reafirmou as seguintes teses de  defesa:  (a) nulidade do Auto de Infração;  (b)  os  PLRs  estabelecidos  para  os  períodos  de  2002  a  2005  atendem  plenamente a norma constitucional;  (c)  tendo em vista que  os pagamentos  efetuados  a  título de PLR  gozam de  imunidade  constitucional,  nem  mesmo  seria  necessária  a  existência  de  acordo;  (d) as empresas e os empregados têm a faculdade de se utilizar dos critérios  legais  para  a  confecção  do  plano  (índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividades; programas de metas, resultados e prazos);  (e) não obstante, as regras foram devidamente cumpridas;  (f) enumerou todos os requisitos legais que teriam sido observados;  (g) a fiscalização e a DRJ incorreram em formalismo exacerbado e lesaram o  espírito da norma;  (h)  as  regras  gerais  foram  acordadas  entre  a  recorrente  e  seus  empregados,  ainda que não tenham sido formalizadas antes dos períodos aquisitivos;  (i) os acordos foram firmados previamente aos pagamentos;  (j) todos os acordos de PLR tiveram a participação e a anuência do sindicato,  conforme doc. 05 da impugnação;  (k)  os  PLRs  relativos  aos  horistas  e  mensalistas  foram  firmados  em  papel  timbrado do sindicato;  (l)  a  lei não obriga a confecção de documentos  tais como ata de eleição de  comissão e ata da reunião de PLR;  (m)  juntamente  com  o  pagamento  de  PLR,  a  recorrente  efetuou  o  adimplemento  de  gratificação  especial  a  certo  empregados.  Por  equívoco,  contabilizou tal procedimento como PLR, mas isso não significa que alguns  funcionários tenham recebido valores maiores a título de participação. Alega,  ainda, que efetuou o recolhimento de contribuições sobre as gratificações;  (n) os pagamentos a título de PLR não se confundem com remuneração;  (o)  as  empresas  e  os  empregados  podem  tomar  livremente  por  base  ou  referencial  os  critérios  e  elementos  que  quiserem  para  estabelecer,  nos  acordos coletivos, a participação dos empregados;  (p)  o  prazo  decadencial  aplicável  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação é de cinco anos contados do fato gerador, de forma que, como  o  lançamento  ocorreu  em  25  de  agosto  de  2008,  os  créditos  tributários  Fl. 523DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 5          7 relativos aos  fatos  geradores  compreendidos  entre  janeiro de 2003 e agosto  de 2003 estão decaídos;  (q)  houve  recolhimento  parcial  das  contribuições  devidas,  o  que  pode  ser  facilmente verificado em consulta ao sistema da Receita.  Em  29/03/2011,  a  recorrente  requereu  a  juntada  aos  autos  do  Acordo  de  Participação nos Resultados do ano de 2004, assinado e ratificado pelas partes envolvidas.   Em sessão de julgamento realizada em 19 de março de 2014, o julgamento do  feito  foi  convertido  em  diligência,  a  fim  de  que  a  autoridade  administrativa  informasse  se  houve  recolhimentos,  ainda  que  parciais,  de  contribuições  nos  períodos  de  apuração  em  referência, ainda que não relativos às rubricas especificamente exigidas no Auto de Infração.   Através  de  informação  fiscal,  a  autoridade  asseverou  que  não  houve  recolhimento das contribuições ao FNDE, que é o objeto desse débito.   Intimada, a recorrente reafirmou a decadência dos créditos relativos aos fatos  geradores anteriores a setembro de 2003.   Sem contrarrazões.   É o relatório.   Fl. 524DF CARF MF     8   Voto Vencido  Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Conhecimento  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido.  2  Da nulidade do Auto de Infração  A recorrente afirma que o Auto de Infração seria nulo, porque a fiscalização  teria falhado em seu dever de busca pela verdade material.   Contudo, a autuação está baseada no entendimento, da autoridade  fiscal, de  que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento  das contribuições devidas à seguridade social.   Segundo  se  depreende  do  relatório  fiscal,  a  desvinculação  da  PLR  da  remuneração estaria atrelada à observância de requisitos específicos traçados na legislação, os  quais  teriam  sido  descumpridos,  dando  azo  à  exigibilidade  das  contribuições  devidas  à  seguridade social, incidentes sobre as remunerações pagas àquele título.   A acusação  fiscal  arrolou de  forma clara  todos  os  fatos  e  fundamentos  que  ensejaram  a  desconsideração  dos  acordos,  tais  como  a  alegada  ausência  de  negociação  dos  planos, a  falta de participação do sindicato, a  inexistência de acordos prévios, etc, não  tendo  havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real.   Por  outro  lado,  a  ação  fiscal  foi  conduzida  por  servidor  competente,  que  concedeu  à  recorrente  os  prazos  legais  para  a  apresentação  de  documentos  e  prestação  de  esclarecimentos;  a  autuação  foi  devidamente motivada  e  foi  concedido  ao  sujeito  passivo  o  prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato  gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do  sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa  e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal.  Ou  seja,  a  fiscalização  transcorreu  dentro  da mais  restrita  legalidade  e  não  houve  qualquer  inobservância  ao  direito  de  defesa  da  recorrente,  rejeitando­se,  portanto,  a  preliminar de nulidade do lançamento.   3  Da decadência  Ainda que ao final de seu recurso, a recorrente suscita outra tese de natureza  preliminar (decadência parcial), a qual deve ser enfrentada antes do mérito (art. 938 do CPC).   O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou  art. 173, inc. I, ambos do Código Tributário Nacional) é a existência de pagamento antecipado  do  tributo,  ainda  que  parcial,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída  na  sua  base  de  cálculo  a  rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.   Fl. 525DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 6          9 Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao  efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não  com  o  recolhimento  tem  início;  em  não  havendo  concordância,  deve  haver  lançamento  de  ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação,  casos em que se aplica o art. 173, inc. I.   Expirado  o  prazo,  considera­se  realizada  tacitamente  a  homologação  pelo  Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial.   Eis o entendimento do STJ, em sede de recurso repetitivo:   PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  Fl. 526DF CARF MF     10 sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  quinquenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacou­se)  Quanto às contribuições devidas a terceiros, que é o caso em discussão, o § 3º  do  art.  3º  da  Lei  11457/07  preleciona  que  elas  se  sujeitam  aos mesmos  prazos,  condições  e  privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11  da Lei 8212/91, e das contribuições instituídas a título de substituição.   Art.  3o  As  atribuições  de  que  trata  o  art.  2o  desta  Lei  se  estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas  outras  entidades  e  fundos,  na  forma  da  legislação  em  vigor,  aplicando­se  em  relação  a  essas  contribuições,  no  que  couber,  as disposições desta Lei.  § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam­ se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas  referidas  no  art.  2o  desta  Lei,  inclusive  no  que  diz  respeito  à  cobrança judicial.  Desta  sorte,  e  por  força  de  expressa  disposição  legal,  se  porventura  tiver  havido o recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, ainda que parcialmente, a  contagem do prazo decadencial se dará na forma do art. 150, § 4º.   Seria mesmo um contra­senso legal, num determinado caso concreto, fazer­se  a contagem do prazo decadencial das contribuições previdenciárias na forma do art. 150, § 4º, e  a contagem do prazo decadencial das contribuições de terceiros na forma do art. 173, inc. I, na  medida em que há disposição legal expressa determinando a uniformidade no tratamento dos  prazos, condições, sanções e privilégios.   Fl. 527DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 7          11 Lembre­se,  por  outro  lado,  que  as  contribuições  de  terceiros  têm  o mesmo  fato  gerador  e  a mesma  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  (o  pagamento  de  remuneração e o seu valor, respectivamente).   Nesse  sentido,  contando­se  o  prazo  decadencial  das  contribuições  previdenciárias  a  partir  do  fato  gerador,  igualmente  deve  se  contar  o  lustro  decadencial  das  contribuições de  terceiros desde o fato  jurídico  tributário, e não do primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.   Por  fim,  deve  ser  lembrar  que  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias propicia que o Fisco inicie a atividade de homologação do recolhimento ou a  fiscalização para eventual lançamento de ofício, tanto das eventuais diferenças devidas, quanto  das contribuições de terceiros integralmente não adimplidas.  Neste  caso  concreto,  e  examinando­se  todos  os  lançamentos  efetuados  em  face do sujeito passivo, é possível concluir que houve o recolhimento parcial das contribuições  incidentes sobre a folha de salários.   Logo,  como o  lançamento  ocorreu  em 27/08/2008  (vide Auto  de  Infração),  estão decaídas as competências anteriores a agosto de 2003, ante o transcurso de prazo superior  a cinco anos do fato gerador até o lançamento.   4   No mérito  4.1  DA NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA  Deve  ser  enfrentada,  primeiramente,  a  tese  segundo  a  qual,  como  os  pagamentos efetuados a  título de PLR gozam de  imunidade constitucional, nem mesmo seria  necessária a existência de acordo. Isso porque tal tese é prejudicial às demais.   A não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é  uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal.   Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior  criou  uma  norma  negativa  de  competência,  impedindo  o  próprio  exercício  de  atividade  legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  Como se conclui  pela  leitura do  texto,  a norma constitucional  é de eficácia  limitada,  pois  expressamente  atribuiu  à  lei  a  competência  para  estabelecer  os  pressupostos  dessa não vinculação.   A  própria  execução  da  norma  constitucional  e  o  estabelecimento  dos  requisitos  necessários  para  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  Fl. 528DF CARF MF     12 empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da  regulamentação mediante lei.   O STF e o STJ, a propósito,  compartilham de  igual entendimento, como se  pode ver, respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp 95.339/PA.   No  plano  infraconstitucional,  a  regulamentação  atual  está  na  Lei  nº  10.101/2000, que  “dispõe sobre  a participação dos  trabalhadores nos  lucros ou  resultados da  empresa  e  dá  outras  providências”.  Em  seu  art.  2º,  a  lei  prevê  que  a  PLR  será  objeto  de  negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária  escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo.  É  inquestionável,  pois,  que  a  lei  prevê  que  essa  partipação  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  devendo  sim  ser  objeto  de  acordo mediante  comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva.   Nesse quadro, equivocou­se a recorrente.   4.2  DO ACORDO PRÉVIO  Uma  das  acusações  comuns  a  ambos  os  acordos  (Categorias  Seniores,  Executivos  e  Dirigentes  e  Categorias  Horistas  e  Mensalistas)  e  em  todos  os  anos  é  a  inexistência de acordo prévio ao período de aquisição.   Como dito, em seu art. 2º, a  lei prevê que a PLR será objeto de negociação  entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida  pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo.  É  inquestionável,  assim,  que  a  lei  prevê  que  essa  partipação  será  objeto  de  negociação entre a empresa e seus empregados:  Art.2º.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  Todavia,  a  legislação  realmente  não  estabeleceu  uma  data  limite  para  a  formalização dessa negociação.  É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum  demonstram  que  tais  negociações  não  raramente  levam meses  para  serem  concluídas,  sendo  por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias.  É  óbvio,  contudo,  que  os  trabalhadores  têm  conhecimento  das  diretrizes  gerais  dos  planos,  pois  participam  direta  ou  indiretamente  das  negociações  via  comissão  paritária ou sindicatos.   No caso concreto, os acordos foram formalizados via comissão paritária (na  qual há representantes de ambas as partes) e acordo coletivo, sendo falho o raciocínio segundo  o  qual  os  trabalhadores  não  teriam  conhecimento  das  regras  necessárias  ao  direito  de  participação nos lucros ou resultados.   E não compete ao aplicador da lei criar pré­requisito não previsto na norma,  sobretudo para reduzir a eficácia de regra constitucional.  Fl. 529DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 8          13 A  interpretação  criativa  é  vedada  pela  tripartição  dos  poderes­deveres  prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da  República.  Uma  interpretação  restritiva,  com  a  criação  de  exigências  não  previstas  legalmente,  apenas  tem  o  condão  de  dificultar  a  efetiva  concretização  do  direito  social  do  trabalhador  à  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  inibindo  a  concessão  dos  planos, em conflito com as finalidades constitucionais.  Como bem destacado pela recorrente, a propósito, a Constituição incentivou  e  estimulou  as  empresas  a  implementarem  planos  de  tal  natureza,  como  se  observa  textualmente no § 4º do art. 218 da Constituição. Isto é, a par do estímulo constante do art. 7º, a  Lei Maior dedicou outro dispositivo ao tema:  Art.  218. O Estado promoverá e  incentivará o desenvolvimento  científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a  inovação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de  2015)  §  4º  A  lei  apoiará  e  estimulará  as  empresas  que  invistam  em  pesquisa,  criação  de  tecnologia  adequada ao País,  formação  e  aperfeiçoamento  de  seus  recursos  humanos  e  que  pratiquem  sistemas  de  remuneração  que  assegurem  ao  empregado,  desvinculada  do  salário,  participação  nos  ganhos  econômicos  resultantes da produtividade de seu trabalho. (destacou­se)  Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação  nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse  respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que  deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma  constitucional.  Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance  da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador.   Segundo  José  Afonso  da  Silva,  "são  prestações  positivas  proporcionadas  pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam  melhores condições de vida aos mais  fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de  situações sociais desiguais"1.  Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou  o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa.  Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não  teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por  consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono.  Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais.  E  diante  de  interpretações  plausíveis  e  alternativas,  o  exegeta  deve  adotar  aquela que se amolda à Lei Maior.                                                              1 Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277.  Fl. 530DF CARF MF     14 O  ministro  Luís  Roberto  Barroso  decompõe  o  princípio  da  interpretação  conforme a Constituição nos seguintes termos:  1) Trata­se da escolha de uma interpretação da norma legal que  a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra  ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita.  2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a  norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de  seu texto.  3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procede­se à  exclusão  expressa  de  outra  ou  outras  interpretações  possíveis,  que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição.  4)  Por  via  de  conseqüência,  a  interpretação  conforme  a  Constituição  não  é  mero  preceito  hermenêutico,  mas,  também,  um mecanismo  de  controle  de  constitucionalidade  pelo  qual  se  declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal. 2  Deve  ser  abandonado,  pois,  o  rigor  interpretativo  e  o  eventual  formalismo  exacerbado,  para  compatibilizar  a  leitura da Lei  nº  10.101/2000  com a Constituição,  a  qual,  lembre­se, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador.  Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse  sugerir que o acordo devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma  de  incentivar  a  produtividade  e  o  comprometimento  dos  trabalhadores,  fato  é  que  a  Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação  empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento.  A  interpretação  de  que  o  acordo  deve  ser  formalizado  antes  do  início  do  período  aquisitivo,  embora  fosse  até  possível  diante  da  Lei  nº  10.101/2000,  não  é  a  mais  legítima, vislumbrando­se, ademais, outra interpretação igualmente legítima.  Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a  necessidade de negociação – “será objeto de negociação” –; e programas de metas, resultados  e prazos, pactuados previamente, sem indicar previamente a qual marco temporal) e que está  em  descompasso  com  a  realidade  negocial,  podendo  até  mesmo  desestimular  (como  tem  desestimulado) a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais.  Como  se  vê,  não  há  qualquer  necessidade  de  se  declarar  a  inconstitucionalidade da Lei nº 10.101/2000, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis,  eleger­se aquela mais adequada ao texto constitucional.   A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição,  vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202­003.370:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DA  EMPRESA  ­  PLR.  IMUNIDADE.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  ACORDO  PRÉVIO  AO  ANO  BASE.  DESNECESSIDADE.  A  Participação  nos  Lucros  e  Resultados ­ PLR concedida pela empresa aos seus funcionários,  como  forma de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho de  produtividade, não  integra a base de  cálculo das  contribuições                                                              2 Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed.  Saraiva, p. 181­182.  Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 9          15 previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da  CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando  ausentes  os  requisitos  da  habitualidade  e  contraprestação  pelo  trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba  intitulada de PLR não observar os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação  específica,  notadamente  artigo  28,  §  9º,  alínea  j,  da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c  Lei  nº  10.101/2000,  é  que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como Participação nos Lucros  e Resultados.  A  exigência  de  outros  pressupostos,  não  inscritos  objetivamente/literalmente  na  legislação  de  regência,  como  a  necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de  cunho  subjetivo do  aplicador/intérprete  da  lei,  extrapolando os  limites  das  normas  específicas  em  total  afronta  à  própria  essência  do  benefício,  o  qual,  na  condição  de  verdadeira  imunidade,  deve  ser  interpretado  de  maneira  ampla  e  não  restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a)  RYCARDO  HENRIQUE  MAGALHÃES  DE  OLIVEIRA,  sessão  de 17 de setembro de 2014)  Esta Turma também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no  acórdão nº 2402­005.262, de minha relatoria.  Logo, entende­se que o fato isolado de os acordos terem sido formalizados no  transcorrer  do  período  aquisitivo  não  é  suficiente  para  descaracterizar  os  planos,  mormente  porque (i) sendo o produto das negociações entre a empresa e seus empregados, por comissão  paritária  ou  por  sindicatos,  os  planos  obviamente  são  objeto  de  tratativas  diversas,  as  quais  também criam previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado; (ii) ao  imunizar  os  pagamentos  a  título  de  PLR,  a  Constituição  visou  a  incentivar  a  sua  concessão  pelas empresas, propiciando a partipação do  trabalhador num crédito  (lucros ou resultados) a  que ele naturalmente não teria direito; e criando as condições materiais necessárias ao alcance  da  isonomia entre o dono do capital  e o empregado;  (iii)  a  lei ordinária não prevê, de  forma  extreme  de  dúvidas,  que  o  plano  deve  ser  formalizado  antes  do  período  aquisitivo;  (iv)  a  criação  de  exigências  exacerbadas  apenas  tem  o  condão  de  desestimular  a  concessão  dos  planos, o que contraria as finalidades constitucionais.   A propósito, caso fosse possível adotar­se o raciocínio da fiscalização, ter­se­ ia que considerar  como  irregular o acordo de  fls. 251/259 do PAF 19515.004118/2008­09, o  qual,  relativo  ao  ano  de  2003,  foi  assinado  já  em  02  de  janeiro  daquele  ano,  o  que  indubitavelmente contraria a razoabilidade.   Em  sendo  assim,  serão  examinados  os  demais  requisitos  legais  que,  no  entender do agente autuante, a recorrente teria descumprido.   4.3  DO ACORDO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ­ CATEGORIAS SENIORES, EXECUTIVOS  E DIRIGENTES  Serão  analisadas  abaixo  as  demais  infrações  alegadamente  cometidas  pela  empresa,  que  ensejaram  a  descaracterização  dos  planos  relativos  às  categorias  seniores,  executivos e dirigentes.   Fl. 532DF CARF MF     16 4.3.1  Da inexistência de acordo para o ano de 2005  A inexistência de acordo para o ano de 2005 é expressamente admitida pela  recorrente  em sede de  impugnação e  recurso  (PAF 19515.004118/2008­09,  fls.  463 e 1071),  sendo que a tese recursal, nesse ponto, é que a Constituição não teria exigido a apresentação de  acordo.   Tal  tese,  todavia,  já  foi  decidida  e  rechaçada  em  tópico  específico  ("Da  norma de eficácia limitada"), negando­se provimento ao recurso voluntário a esse respeito.   4.3.2  Do acordo de 2004  De acordo com a autoridade fiscal, o acordo de 2004 só tem as assinaturas de  um representante da empresa e de um representante dos empregados.   Ocorre  que,  já  em  sede  de  impugnação  (PAF  19515.004118/2008­09,  fls.  554/561), a  recorrente  trouxe aos autos o acordo do ano de 2004,  idêntico àquele  juntado no  transcorrer  da  fiscalização, mas  devidamente  assinado  pelos  representantes  da  empresa  e  de  todos os empregados.   Em sendo assim, a acusação fiscal é improcedente neste ponto.   4.3.3  Dos acordos sem autenticação  Segundo a autoridade autuante, com exceção do acordo de 2003, os demais  foram entregues sem autenticação.   Na dicção do art. 212 do Código Civil, salvo o negócio a que se impõe forma  especial,  o  fato  jurídico  pode  ser  provado  mediante  confissão,  documento,  testemunha,  presunção ou perícia.   A participação nos lucros ou resultados, por expressa previsão da Lei 10101,  deve ser provada mediante documento (o que exclui, a princípio, os outros meios probatórios  relacionados  no  Código  Civil),  uma  vez  que  o  seu  art.  2º,  §  1º,  expressamente  alude  aos  "instrumentos decorrentes da negociação", os quais, ainda, deverão contar com regras claras e  objetivas quanto aos direitos substantivos e adjetivos.   Igualmente  se  estabelece,  demonstrando­se  a  indubitável  necessidade  de  produção  documental,  que  o  instrumento  de  acordo  será  arquivado  na  entidade  sindical  dos  trabalhadores.   Ocorre que a Lei 10101 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão  aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação.   Portanto, é aplicável ao caso a norma do art. 107 do Código Civil, segundo a  qual a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei  expressamente a exigir.   Corroborando  esse  entendimento,  o  art.  219  do  Código  preleciona  que  as  declarações  constantes  de  documentos  assinados  presumem­se  verdadeiras  em  relação  aos  signatários, o que decorre do próprio princípio da boa­fé objetiva.   Significa  dizer  que os  acordos  devidamente  assinados  pelas  partes  provam,  efetivamente, e até demonstração em contrário, a participação dos trabalhadores nos lucros ou  Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 10          17 resultados,  de  maneira  que  a  eventual  falta  de  autenticação  dos  documentos  não  poderia  prejudicar  nem  a  citada  participação  e  nem  os  efeitos  tributários  dela  decorrentes.  Expressando­se de  outra  forma,  e na  dicção  legal,  o  fato  jurídico  participação  nos  lucros  ou  resultados foi provado através dos documentos juntados pelo sujeito passivo, para todos os fins  e efeitos de direito, de modo que a eventual desclassificação da verba dependeria do eventual  descumprimento de outros requisitos legais.   De  toda  forma, os  acordos  juntados na  impugnação  (fls.  499 e  seguintes) e  aquele juntado às fls. 1125/1128 do PAF 19515.004118/2008­09 estão autenticados.   4.3.4  Da inexistência de negociação  No  entender  do  agente  fiscal,  os  acordos  não  foram  objeto  de  negociação,  uma  vez  que  não  foram  apresentadas  as  atas  de  reuniões  e  de  eleições  das  comissões  de  empregados.   Como anteriormente alegado, entretanto, sendo o produto ou o resultado das  negociações  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  seja  por  comissão  paritária,  seja  por  sindicatos,  os  planos  obviamente  são  objeto  de  tratativas,  as  quais  também  criam  previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado.   Noutro giro verbal, os acordos são as materializações das negociações entre  as  partes;  e  a  exigência  das  atas  de  reuniões  e  de  eleições  ignoram  a  circunstância  de  que  qualquer negócio  jurídico é  justamente um acordo entre duas ou mais pessoas com o  fim de  criar,  modificar  ou  extinguir  uma  relação  jurídica  predominantemente  patrimonial.  Isto  é,  a  manifestação  de  vontade  das  partes  envolvidas  é  um  pressuposto  de  existência  do  próprio  negócio  jurídico  (não  é  nem  requisito  de  sua  validade,  pois  os  requisitos  de  validade  são  aqueles  estabelecidos no  art.  104 do Código Civil),  de  forma que não  se pode  alegar que os  acordos não foram objeto de negociação.   Improcede, pois, a acusação fiscal nesse tocante.   4.3.5  Da participação de um representante indicado pelo sindicato  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  não  houve  a  participação  de  um  representante indicado pelo sindicato.   A esse respeito, a recorrente se arvora no suposto doc. 5 da defesa, que seria  uma declaração firmada pela entidade, confirmando a sua participação.   Todavia,  e  como  destacado  no  acórdão  recorrido,  não  consta  a  referida  declaração nos autos. A par disso, os  instrumentos não estão assinados por um representante  indicado pelo sindicato e sequer contêm a sua qualificação ou aludem à sua participação.   Em sendo assim, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas  partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no  inc. I do art. 2ª da Lei, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013.   E a infringência cometida pelo sujeito passivo não é meramente formal, pois,  como  destacado  pelo  recorrente,  a  participação  sindical  tem  a  finalidade  de  proteger  os  trabalhadores de eventuais negociações desfavoráveis.   Fl. 534DF CARF MF     18 Diante  disso,  deve  ser  negado  provimento  ao  recurso  voluntário,  o  que  implica a manutenção do Auto de Infração quanto ao lançamento das contribuições incidentes  sobre os valores pagos às categorias seniores, executivos e dirigentes.   Como  este  relator  poderá  ser  vencido  neste  ponto,  serão  enfrentadas  as  demais teses recursais.   4.3.6  Da inexistência de regras claras e objetivas  No entender do agente autuante, os acordos não têm regras claras e objetivas.   A DRJ compactuou do mesmo entendimento, afirmando que os documentos  anexados  pela  empresa  revelariam  que  os  critérios  comportamentais  seriam  de  avaliação  subjetiva.   No entanto, a clareza e a objetividade  têm que ser das  regras, não havendo  qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios de comportamento, cuja avaliação não  é necessariamente subjetiva.   Analisando­se  o  caso  concreto,  o  melhoramento  contínuo,  a  assunção  de  responsabilidade  e  risco,  o  impacto  econômico,  a  integração  e  mesmo  o  comprometimento  pessoal podem, sim, ser aferidos de forma objetiva, ainda que dependam do sacrifício pessoal  do avaliado.   Situando a questão fora do caso vertente, vale citar que os famosos testes de  avaliação  do  quoeficiente  de  inteligência,  tais  como  a  Escala  de  Inteligência Wechsler  para  Adultos (WAIS ­ Wechsler Adult Intelligence Scale) e a Escala de Inteligência Wechsler para  Crianças  (WISC  ­  Wechsler  Intelligence  Scale  for  Children),  consistem  justamente  numa  bateria  pré­determinadas  de  testes  e  sub­testes  para  a  avaliação  clínica  da  capacidade  intelectual dos indivíduos, dentro de parâmetros objetivos anteriormente definidos nas escalas.   A  par  das  escalas  de  avaliações  cognitivas,  também  existem,  exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades  sociais,  de  dificuldades  comportamentais,  de  sintomas  de  transtornos  psiquiátricos  e  psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos,  qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas3.   Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo  inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet4.   Isto é, a psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de  acordo  com  critérios  objetivos  de  análise,  a  exemplo  das  escalas  acima  mencionadas  e  da  avaliação por competências.   A eventual subjetividade do comportamento não exclui a objetividade de sua  mensuração e avaliação, inclusive para efeito de fixação das regras da PLR. Isso equivaleria a  ignorar  a  ampla  experiência  da  psicologia  comportamental  e  da  neuropsicologia  sobre  o  assunto, bem como a gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas.                                                               3 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017.  4  https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt­ BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64­CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA,  acesso em 16 de outubro de 2017.   Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 11          19 Examinando­se os documentos anexados aos autos, observa­se que as regras  eram sim claras e objetivas, além de serem simples e de fácil mensuração.   Os documentos de fls. 615 e seguintes do PAF 19515.004118/2008­09 ainda  demonstram  que  tais  comportamentos  foram  constantemente  avaliados  por  um  superior,  denotando, nesse ponto, a seriedade e o cumprimento das normas do programa.  O  cumprimento  de  prazos,  a  atenção  aos  custos,  a  eficiência  no  trabalho,  dentre outras regras ali estabelecidas, são dotadas de objetividade e clareza.   E mais, além de critérios comportamentais, igualmente foram adotados outros  critérios de mensuração e avaliação, com diferentes atribuições de pesos.   Em suma, as regras eram sim claras e objetivas.  4.4  DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ­ CATEGORIAS  SENIORES, EXECUTIVOS E DIRIGENTES  Em suma, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes  estaria  integrada  por  um  representante  sindical,  de  forma  que,  muito  embora  tenham  sido  cumpridos  os  demais  requisitos  legais,  deve  ser  negado provimento  ao  recurso  voluntário,  o  que  implica  a  manutenção  do  Auto  de  Infração  quanto  ao  lançamento  das  contribuições  incidentes sobre os valores pagos a essas categorias.  4.5  DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO ­ CATEGORIAS HORISTAS E MENSALISTAS  4.5.1  Da inexistência de acordo original  Tal acusação nem mesmo foi analisada pela DRJ e o fato é que, à exceção do  acordo coletivo de 2003, todos os demais estão autenticados.   De  toda  forma,  e  como  afirmado  e  demonstrado  em  tópico  anterior,  a  autenticação nem é mesmo necessária, improcedendo a acusação fiscal a esse respeito.   4.5.2  Do acordo de 2002  A acusação fiscal, mantida pela DRJ, é de que o acordo de 2002, apresentado  em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do  sindicato e da comissão; e a outra assinada, mas sem data.   Entende­se,  entretanto,  que  a  inexistência  da  data  de  assinatura  do  acordo  coletivo  de  fls.  271/279  do  PAF  19515.004118/2008­09,  o  qual  está  assinado  por  todas  as  partes  envolvidas,  inclusive  pelo  sindicato  e  pela  comissão,  está  sanada  pela  cópia  de  fls.  281/289, a qual está devidamente datada.   Não  há  nenhuma  circunstância  nos  autos  que  possa  descredibilizar  tais  documentos,  maculando­os,  por  exemplo,  de  inidoneidade  ou  de  má­fé,  de  forma  que,  no  entender deste relator, eles devem ser aceitos como prova da pactuação da PLR.   Fl. 536DF CARF MF     20 4.5.3  Do acordo de 2003  A  acusação  de  que  o  acordo  coletivo  de  2003  não  estaria  assinado  pelo  sindicato  nem  mesmo  foi  objeto  de  decisão  pela  DRJ,  uma  vez  que  o  acordo  juntado  na  impugnação está sim firmado pela referida entidade, não havendo qualquer infringência nesse  tocante.   4.5.4  Do acordo de 2004   Da mesma forma que o acordo de 2003, o acordo de 2004 está firmado por  todas as partes legitimadas, não subsistindo qualquer ilegalidade.   4.5.5  Da inexistência de verificação do cumprimento do acordado  Nos dizeres do relatório fiscal, apesar de os acordos terem estipulado regras  objetivas,  conforme  determina  a  lei,  não  foi  possível  a  verificação  do  cumprimento  do  acordado.   O  mesmo  entendimento  foi  seguido  pela  instância  julgadora  de  primeira  instância.   No entanto, veja­se que o sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa  (PAF 19515.004118/2008­09, fls. 562 e seguintes) as planilhas demonstrativas da mensuração  das  regras  da  PLR,  o  que,  em  verdade,  sequer  foi  objeto  de  análise  pela  Delegacia  de  Julgamento.   Em sendo assim, igualmente improcede a acusação fiscal.   4.5.6  Do recebimento de quantias em valores acima do estipulado  Por fim, e segundo o agente autuante, alguns empregados receberam quantias  acima do que teria sido estipulado nos acordos.   No entender da DRJ, tal circunstância desvirtuaria a PLR.   Ocorre que o adimplemento de valores excedentes a alguns empregados não  pode  desnaturar  todos  os  planos,  mas  sim  implicar  a  desconsideração,  como  lucros  ou  resultados, apenas dos montantes em excesso.   Dito de outra forma, as quantias pagas em conformidade com os acordos são  lucros  ou  resultados,  não  se  podendo  descaracterizar  toda  a  participação  em  decorrência  de  irregularidades isoladas.   É  óbvio  que,  se  a  autoridade  administrativa  tivesse  demonstrado  que  os  programas  teriam  a  finalidade  de  mascarar  o  pagamento  de  remuneração,  concluir­se­ia  de  maneira diversa (vide art. 3º da Lei 10101).   Mas afastar  toda a participação com base em  irregularidades esparsas é um  rigorismo incompatível com a Constituição, a qual visa a incentivar a concessão de planos de  tal natureza.   E  nem  mesmo  a  lei  regulamentadora  contém  qualquer  disposição  que  chancele o entendimento da DRJ, devendo ser provido o recurso nesse particular.   Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 12          21 4.6  DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO ­ CATEGORIAS HORISTAS  E MENSALISTAS  Em  suma,  os  pagamentos  efetuados  em  consonância  com  os  acordos  coletivos não devem compor a base de cálculo do lançamento, de forma que o recurso deve ser  provido nesse tocante.   4.7  DAS GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS  Segundo  a  recorrente,  ao  efetuar os pagamentos das  referidas  gratificações,  ela  teria  lançado  tais  valores  como  PLR,  razão  pela  qual  pareceria  que  alguns  funcionários  teriam recebido valores maiores do que o previamente acordado a este título.   Contudo,  e  como  esclarecido  no  relatório  fiscal,  tais  gratificações  foram  objeto de lançamento em outro Auto de Infração.   Desta forma, os recebimentos de quantias superiores ao estabelecido a título  de PLR não o  foram a título de gratificações especiais, as quais, por sua vez, compuseram a  base de cálculo de outro lançamento.   Não  havendo  qualquer  prova,  por  parte  do  sujeito  passivo,  de  que  a  fiscalização teria feito incidir, neste auto, contribuições sobre as tais rubricas, deve ser negado  provimento ao recurso neste tópico.      5  Conclusão  Diante do exposto, vota­se no sentido de CONHECER do recurso voluntário,  para  REJEITAR  as  preliminares  de  nulidade  do  lançamento  e  de  decadência;  e  DAR­LHE  PARCIAL  provimento,  a  fim  de  excluir  do  lançamento  os  pagamentos  efetuados  em  consonância com os acordos coletivos de trabalho.  (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci  Fl. 538DF CARF MF     22   Voto Vencedor  Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado  Não  obstante  as  razões  aduzidas  no  voto  do  i.  Relator,  com  relação  à  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  –  PLR,  sobretudo  no  que  diz  respeito  aos  acordos  coletivos de trabalho das categorias horistas e mensalistas, entendo que a análise da legislação  afeta ao tema deve conduzir a conclusão diversa. A respeito das demais matérias objeto da lide,  acompanho o entendimento consignado no voto vencido.  De  se  ressalvar  que  aqui  não  será  feita  qualquer  análise  a  respeito  das  categorias seniores, executivos e dirigentes visto não haver discordância quanto as conclusões  advindas  do  voto  vencido  que  negou  provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo  o  lançamento no que se refere à incidência das contribuições lançadas sobre os valores pagos a  título  de  PLR  a  tais  categorias.  O  exame  aqui  empreendido  se  deterá  à  PLR  atribuída  às  categorias horistas e mensalistas.  A  alínea  “j”  do  §  9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/1991  excluiu  da  base  de  incidência das contribuições previdenciárias as importâncias pagas a título de PLR, desde que  em  observância  ao  disposto  em  norma  especificamente  editada  para  regular  a  matéria.  Vejamos:  Art. 28 [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição:  [...]  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica  [...] (Grifou­se)  Nos termos do caput e do § 1º do art. 1º da Lei nº 10.101/2000, norma que  disciplina o pagamento da PLR, tem­se que:  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 13          23 ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Vale mencionar, de início, que a participação nos lucros ou resultados, como  instrumento de integração entre capital e trabalho, tem por escopo o incentivo à produtividade  dos trabalhadores. Assim, como forma de incrementar seus resultados, a empresa oferece uma  retribuição  pecuniária  com  finalidade  de  estimular  o  aumento  do  desempenho  de  seus  empregados.  Nos termos da legislação em espeque, para que os valores pagos a título de  PLR  não  sejam  alcançados  pelas  exações  previdenciárias  os  instrumentos  decorrentes  das  negociações havidas entre patrões e empregados devem, dentre outros, conter:  a) regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores;  b) mecanismos de aferição das  informações pertinentes  ao  cumprimento do  acordado;  c) periodicidade de distribuição;  d) período de vigência; e  e) prazos para revisão do acordo.  De  outra  parte,  da  leitura  dos  incisos  I  e  II  do  §1º  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101/2000 constata­se que a norma infraconstitucional não buscou detalhar as características  dos  acordos  a  serem  celebrados,  atribuindo  essa  tarefa  às  partes  envolvidas  no  processo  negocial. Exemplificativamente foram indicados como parâmetros para o pagamento de PLR:  a)  a  estipulação  de  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b) programas de metas, resultados e prazos.  Impende  ressaltar  que  esses  parâmetros  são  facultativos,  ou  seja,  para  a  definição  dos  direitos  substantivos  da  PLR  e  das  regras  adjetivas  há  de  prevalecer  a  livre  negociação, sendo que as regras estabelecidas devem, de conformidade com a lei, ser claras e  objetivas.  Veja­se que os atores envolvidos gozam de certa liberdade para a estipulação  dos critérios e condições para o pagamento da PLR. Contudo, a objetividade e clareza exigida  pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000 além de se apresentarem como forma de viabilizar a  participação dos  trabalhadores nos  lucros ou  resultados da  empresa,  garantindo que não haja  dúvidas  tendentes a dificultar ou  impossibilitar cumprimento do que fora acordado,  inibem o  pagamento de valores denominados inadequadamente de participação nos lucros ou resultados  em substituição à remuneração de empregados.  Todas  essas  razões  evidenciam  a  imprescindibilidade  de  pactuação  prévia,  visto  não  se  vislumbrar  a  hipótese  de  que  os  trabalhadores  possam  despender  esforços  adicionais para alcançar determinados objetivos com vista à percepção da parcela paga a título  de PLR sem conhecer os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, os programas de  Fl. 540DF CARF MF     24 metas,  resultados  e  prazos  ou  outros  critérios  que  possam  vir  a  ser  estabelecidos  para  a  percepção da dessa vantagem pecuniária. Aliás, é exatamente nesse sentido o entendimento que  vem  prevalecendo  na  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  conforme  se  pode  extrair  do  Acórdão nº 9202­006.218, de 28/11/2017:  E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente  ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba  o  bônus  do  seu  empenho  é  que  vai  implementar  o  esforço  necessário para tanto.  A  inexistência  de  regramento  claro  e  objetivo  desvirtua  a  natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo  constem  os  “mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar  aos  empregados  a  transparência  nas  informações  por  parte  da  empresa, o  fornecimento dos dados necessários à definição das  metas, a adoção de  indicadores de produtividade, qualidade ou  lucratividade  que  sejam  compreendidos  por  todos,  a  possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras  pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do  direito em debate por parte do empregado  Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes  ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos  trabalhadores  em  período  prévio  à  apuração  dos  objetivos  pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o  conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer,  do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e  avaliados os objetivos  estabelecidos pela  empresa  e de  como o  empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na  negociação coletiva. (Grifou­se)  Assevere­se que o entendimento aqui exarado nem de longe tem relação com  interpretação criativa e muito menos representa a instituição de pré­requisito não previsto em  lei. Trata­se de conclusão por demais evidente de que não há como se despender energia para  alcançar um objetivo do qual não se tem conhecimento. Parece­me deveras óbvio que embora a  lei não tenha estabelecido uma data limite para a formalização das negociações relacionadas à  PLR, não há como se considerar que os instrumentos destinados ao pagamento desse benefício  possam  ser  pactuados  após  o  início  do  período  destinado  a  aquisição  do  direito. Do mesmo  modo, não  é  razoável  se  supor que, por participarem direta ou  indiretamente do processo de  negociação, os  trabalhadores possam  ter  conhecimento das diretrizes  gerais dos planos  antes  mesmo da celebração dos acordos respectivos.  De  se  observar  que,  ao  possibilitar  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresas,  a  Constituição  Federal  não  instituiu  um  direito  em  detrimento  de  outros.  Admitir  a  hipótese  de  pagamento  de  PLR  sem  que  as  regras  para  tal  sequer estejam previamente estabelecidas  significaria possibilitar a  substituição do salário do  trabalhador por valores pagos a esse título em detrimento de inúmeros outros direitos sociais e  previdenciários  previstos  no  art.  7º  da  CF/1988,  uma  vez  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  desvinculada  da  remuneração  que  é  a  base  sobre  a  qual  incidem  esses  outros  direitos constitucionalmente estabelecidos.  Quanto a disposição contida no § 4º do art. 218 da CF/1988 sobre o apoio e  estimulo legal que se deve dar as empresas que pratiquem “remuneração que assegure[m] ao  empregado,  desvinculada  do  salário,  participação  nos  ganhos  econômicos  resultantes  da  Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.004113/2008­78  Acórdão n.º 2402­006.074  S2­C4T2  Fl. 14          25 produtividade de seu trabalho”, cabe ressaltar que referido dispositivo não veicula imunidade  de quaisquer espécies tributárias, além de depender de lei para sua regulamentação. E mais, a  alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 estimula essa forma de remuneração, desde  que o pagamento seja feito de acordo com a lei que trata especificamente da PLR, o que não se  observa no caso concreto.  Dito  isso,  entendo  que  a  ausência  de  pactuação  prévia,  por  si  só,  afasta  a  incidência  da  regra  isentiva  inserta  na  Lei  de Custeio  da  Seguridade  Social,  o  que  impõe  o  pagamento de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a  título de PLR sem a  observância desse requisito.  No  que  se  refere  aos  acordos  coletivos  de  trabalho  relativos  às  categorias  horistas  e  mensalistas,  o  Relatório  Fiscal  esclarece  que  todos  aqueles  abrangidos  no  lançamento em questão apresentam datas de assinatura muito posterior ao início do período de  aferição. Nos termos do relato Fiscal:  30.  Outra  questão  observada  foi  a  data  de  assinatura  dos  acordos  da  PLR.  O  período  de  apuração  dos  resultados  está  compreendido  entre  os  meses  de  janeiro  e  dezembro,  mas  os  acordos  foram  assinados  após  o  início  do  período  de  aferição  dos  resultados,  em data próxima ao estipulado no acordo para  pagamento da primeira parcela do PLR, como segue:  PLR 2002: assinado em 01/07/2002 – 1ª parcela a ser paga até  30/07/2002  PLR 2003: assinado em 06/06/2003 – 1ª parcela a ser paga até  15/07/2003  PLR 2004: assinado em 22/07/2004 – 1ª parcela a ser paga até  23/07/2004  PLR 2005: assinado em 22/07/2005 – 1ª parcela a ser paga até  29/07/2005  Conforme  restou  consignado  acima,  a  inobservância  desse  requisito  (pactuação  prévia)  vai  de  encontro  ao  regramento  contido  na Lei  nº  10.101/2000  e  impõe  a  incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas sob a denominação de PLR.  Nesse ponto, verifica­se acertado o entendimento da autoridade autuante segundo o qual:  31 Desta  forma fica evidente que os empregados desconheciam  as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de  vigência do acordo. O pagamento de participação nos lucros ou  resultados tem como essência a retribuição pela colaboração do  empregado  na  obtenção  de  um  lucro  ou  na  realização  de  um  resultado  previamente  pactuado.  O  seu  objetivo  é  estimular  o  empenho  dos  trabalhadores  para  a  geração  de  resultados  previamente  estabelecidos.  Ora,  se  o  empregado  não  sabe  de  antemão  se  terá  direito  à  participação  no  lucro  ou  resultado,  desconhece as metas e os mecanismos de aferição, o pagamento  destes  valores  não  lhe  proporciona  comprometimento  com  a  empresa  e  a  percepção  de  que  seu  trabalho  contribui  diretamente para o resultado por ela alcançado.  Fl. 542DF CARF MF     26 32. Por  todo  o  exposto,  concluímos  que  as  parcelas  pagas  aos  empregados  ocupantes  das  categorias  seniores,  executivos  e  dirigentes e para as categorias horistas e mensalistas a título de  PLR  no  período  de  01/2003  a  12/2005,  não  estão  isentas  do  pagamento  de  contribuições  previdenciárias,  pois  não  foram  seguidas as exigências da Lei 10.101/2000.  CONCLUSÃO  Em razão do exposto voto no sentido de afastar as preliminares e, no mérito,  NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho                  Fl. 543DF CARF MF

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