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Numero do processo: 10950.006695/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1202-000.214
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar julgamento do recurso voluntário, vencida a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plínio Rodrigues Lima que foi substituído por Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar julgamento do recurso voluntário, vencida a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plínio Rodrigues Lima que foi substituído por Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 06 69 5/ 20 08 -1 3 Fl. 242DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Cocamar Cooperativa Agroindustrial teve contra si lavrado Auto de Infração exigindo IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Como narrado no Termo de Verificação Fiscal, através da revisão da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ), referente ao anocalendário de 2005, da contribuinte Paraná Citrus S.A. (incorporada pela Recorrente), verificouse que: “A citada DIPJ trata de situação especial, qual seja, de evento de incorporação. O sistema Sincor, por sua vez, registra que a contribuinte Paraná Citrus S.A. encontrase na situação "BAIXADA EM 30/09/2005” (fl. 64) pelo motivo de incorporação pela pessoa jurídica Cocamar Cooperativa Agroindustrial. Assim, a ação fiscal iniciouse (em 25/09/2008) mediante intimação (fls. 0203) à Cocamar Cooperativa Agroindustrial, responsável por sucessão, consoante disposto nos artigos 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e doravante denominada de "sujeito passivo". Em atendimento à intimação, o sujeito passivo apresentou cópia dos documentos referentes à incorporação (fls. 0849), que demonstram, inclusive, que a Paraná Citrus S.A., na data da incorporação (30/09/2005), era "subsidiária integral da Cocamar Cooperativa Agroindustrial" (item 01 da Ata da 82ª Assembléia Geral Extraordinária; fl. 38). Após o procedimento, foram encontradas as seguintes irregularidades: Compensação a maior de prejuízo fiscal de períodosbase anteriores na apuração do Lucro Real, com base no artigo 15 da Lei 9065/95, assim determinado pelo TVF: “ À luz do referido dispositivo legal, resta caracterizado o excesso de compensação de prejuízo fiscal (de períodos de apuração anteriores, referente a atividades em geral), como pode ser verificado na linha 44 da Ficha 09A da DIPJ do anocalendário de 2005 (fl. 74), que registra o valor de R$ 18.962.397,23, quando o limite compensável era de R$ 5.688.719,17, correspondente a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação (R$ 18.962.397,23). Dessa forma, constatase que houve a compensação integral do Lucro Real apurado no período (01/01 a 30/09/2005), excedendo de R$ 13.273.678,06 o limite passível de compensação. Importa ressaltar a inexistência de controvérsia quanto à compensação a maior (de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL) do que o limite estabelecido na legislação, conforme se depreende da manifestação do sujeito passivo. Dessa resposta, também se infere, e importa destacar, que o procedimento adotado pela incorporada Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 4 3 (excesso de compensação) foi realizado sem amparo em decisão judicial.(...)” Compensação a maior da Base de Cálculo Negativa de períodosbase anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: “De forma análoga, houve excesso de compensação de base de cálculo negativa de CSLL (de períodos de apuração anteriores, referente a atividades em geral), como se pode verificar na linha 34 da Ficha 17 da mesma DIPJ (fl. 82), que registra o valor de R$ 18.962.397,23, quando o limite compensável era de R$ 5.688.719,17, correspondente a 30% da base de cálculo da CSLL antes da compensação, ajustada pelas adições e exclusões previstas na legislação (R$ 18.962.397,23). Assim, verificase ter havido compensação integral da base de cálculo de CSLL apurada no período (01/01 a 30/09/2005), excedendo de R$ 13.273.678,06 o limite passível de compensação. (...)” Prossegue, indicando ainda que: “ A responsabilidade pelo crédito tributário, inclusive em relação à multa de ofício (75%) e juros moratórios, é do sujeito passivo, na qualidade de responsável por sucessão, nos termos dos artigos 129 e 132 do CTN. Importa notar que, à data da incorporação (30/09/2005), a Paraná Citrus S.A. era "(...) subsidiária integral da Cocamar Cooperativa Agroindustrial (..) ", e que "(..) a Administração da Paraná Citrus já e exercida pela Cocamar (...)", de forma que, em suma, "(..) Hoje, a Cocamar é proprietária de 100% das ações da Paraná Citrus, administrandoa como as demais Unidades de Negócios da Cooperativa" (excertos dos itens 01 e 04 da Ata da 82º Assembléia Geral Extraordinária; fls. 38 e 41, respectivamente)”. Com isto, procedeuse a lavratura dos Autos de Infração a seguir descritos: IRPJ (fl. 117/119) R$ 7.026.923,16. Fundamento Legal: artigo 15 da Lei nº 9.065/1995; artigos 247, 250, III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99 CSLL (fl. 123/125) – R$ 2.543.488,89. Fundamento Legal: artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; artigo 58 da Lei nº 8.981/95, artigo 16 da Lei nº 9.065/95; artigo 37 da Lei nº 10.637/02. Cientificado da lavratura dos Autos de Infração, apresentou sua Impugnação em 12.08.08, que contém os argumentos a seguir sintetizados. Aduz inicialmente que o limite à compensação do prejuízo fiscal, estabelecido em 30%, foi instituído pelas Leis nºs 8981/95 e 9065/95, sem fazer menção a exceções ou a situações específicas que determinassem ou não sua aplicação, mas que também não indicava sua aplicação indiscriminada, sob pena de ser utilizada injustamente e impedir o direito da contribuinte, em contrariedade a própria norma. Disto, aponta que cabe na interpretação da norma perquirir sua finalidade, considerandose sempre o conjunto do ordenamento jurídico, afastando uma mera interpretação literal. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 5 4 Desta exposição, conclui: “ verificase que a mesma tem sua aplicabilidade condicionada à possibilidade de compensação futura do prejuízo fiscal não compensado em razão da imposição do limite de trinta por cento, já que o objetivo do referido limite não é o de impedir a mencionada compensação (...)”. Cita, nesse sentido, o artigo 514 do RIR/99, que veda a compensação de prejuízos fiscais da sucedida pela sucessora por incorporação, mencionando idêntica vedação para fins de CSLL, nos termos do artigo 22 da Medida Provisória nº 2.15835. Diz que não poderia se apropriar do prejuízo fiscal da Paraná Citrus S.A. após a incorporação e que, por isso, promoveu a compensação integral antes da incorporação, sem aplicação da “trava”, considerando que era a última oportunidade de exercer seu direito à compensação. Entende que não é objeto da “trava” o impedimento à compensação, trazendo jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes. Afirma que, além de existir desvio de finalidade na aplicação do limite de compensação, há outro fator que impede a aplicação do aludido limite, eis que aplicálo à pessoa jurídica em situação de descontinuidade, sem que esta possa compensar todo prejuízo acumulado antes da extinção equivale a aceitar a incidência do IRPJ sobre o patrimônio da pessoa jurídica e, não, sobre sua renda, já que não haverá outra oportunidade de compensação, assinalando para uma base de cálculo maior que a renda propriamente obtida até a extinção da pessoa jurídica. Lecionando sobre o conceito de renda e incidência do IRPJ, relembra que este deve se dar somente em relação ao acréscimo patrimonial, respeitandose os limites contidos no artigo 153, III da Constituição Federal e artigo 43, I e II do CTN, não cabendo ao legislador ampliar tais limites infraconstitucionalmente. Cita doutrina de Hugo de Brito Machado. Assim, aponta que só é possível a exigência do IR se efetivamente se verificar o acréscimo patrimonial. Porém, aponta que apurar um resultado positivo em determinado período não é indicativo deste acréscimo, mencionando que: “ ...se nos períodos anteriores a pessoa jurídica obteve prejuízo, o resultado positivo representará mera recomposição da parte do património que foi consumida pelos prejuízos anteriores, não configurando acréscimo patrimonial. Considerando que a Paraná Citrus S.A. tinha prejuízos a serem compensados em sua última declaração de rendimentos, era necessário que estes fossem integralmente compensados a fim de que o IRPJ incidisse exclusivamente sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o património, o que configuraria uma ilegalidade, já que a existência do património em seu sentido estático, não configura fato gerador daquele imposto e tampouco da CSLL” Isto posto, a manutenção das duas restrições ao direito de compensação pode gerar a incidência do imposto sobre o patrimônio da pessoa jurídica, sendo que, no caso concreto, o correto é o procedimento adotado. Por fim, aponta que a inaplicabilidade da mencionada trava também tem lugar na compensação da base de cálculo negativa de período base anterior na apuração de CSLL, eis que o limite fora instituído também pela mencionada Lei nº 9065/95, cujo escopo, como já dito é de garantir ao Estado uma arrecadação mínima. Não obstante tal fato, indica que a compensação integral da base de cálculo é necessária para que a CSLL incida efetivamente sobre o lucro líquido da pessoa jurídica. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 6 5 Pede pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, com o cancelamento dos débitos fiscais reclamados. Ao julgar o feito, no Acórdão n. 0621.371 (fl.174/177), a 2ª Turma da DRJ/CTA manteve integralmente as exigências. Discorrendo sobre a compensação de prejuízos fiscais e base negativa anterior de CSLL, aponta que não há, na legislação tributária, permissão para exceder o limite legal de compensação de 30% do lucro líquido ajustado, previsto na legislação apontada, ainda que haja apresentação de declaração de rendimentos final, por extinção da pessoa jurídica. Em relação ao acréscimo patrimonial, de onde se origina a obrigação de pagar o IRPJ, surge de apuração contábil onde obrigatoriamente se acresce as adições e facultativamente, diminuemse as exclusões previstas legalmente e que de tal procedimento, se origina o chamado lucro real, de onde ainda se permite a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Indica ainda que a aferição deste acréscimo patrimonial é feita ao término de cada período de apuração, e que na hipótese de prejuízo fiscal, não se tributa o IRPJ. Aponta que o prejuízo apurado em um exercício não deveria interferir em outro subsequente, mas que por liberalidade do legislador (previsão do artigo 15 da Lei nº 9065/95) foi permitida a compensação destes prejuízos fiscais anteriores, observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado, destacando que o legislador poderia suprimir tal situação, eis que, a rigor, o acréscimo patrimonial é analisado dentro de determinado período de apuração. Indica que, para a demanda ou invocação de tratamento fiscal favorecido, deve haver a interpretação literal da legislação sobre o tema, consoante o artigo 111 do CTN, não cabendo a interpretação sistemática e teleológica das regras que criaram a exceção prevista na Lei nº 9065/95. Traz jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes em consonância com tal entendimento. Ante tais exposições, entende que não há amparo legal para a pretendida compensação de prejuízos fiscais e base negativa anterior de CSLL sem respeitar o limite de 30% do lucro líquido ajustado por pessoa jurídica extinta por incorporação, mantendo integralmente as exigências de lançamento de IRPJ e CSLL. A contribuinte foi intimada da decisão em 02.04.09, apresentando seu Recurso Voluntário (fl. 181/190) contra a decisão em 30.04.2009. Sinteticamente, explicita que há incorreção em considerar o tratamento previsto na legislação ordinária acerca da compensação de prejuízos fiscais como tratamento fiscal favorecido. Aponta que a compensação dos prejuízos fiscais surgiu da necessidade de considerar a realidade das empresas, ante o intuito de continuidade destas, apontando que : “O sistema tributário, ao estabelecer a forma de aferir e arrecadar tributos adota períodos base estanques devido à necessidade de estabelecer um método eficiente de exigência do tributo considerando se para tanto, regras contábeis utilizadas na organização das operações e património da empresa. Contudo essa delimitação temporal é de ordem meramente instrumental, não alterando o fato de que, em regra, as empresas empreendem esforços no sentido de permanecer no mercado tanto quanto possível, ainda que em determinado ano obtenha resultados negativos. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 7 6 Assim, considerando que o exercício fiscal é uma delimitação temporal artificial instituído para organizar as contas das empresas, é preciso contar com a correção de eventuais incongruências decorrentes desta situação, como a compensação dos prejuízos fiscais obtidos em períodos anteriores, que permitem a incidência de tributos como o IRPJ e a CSLL incidam sobre um resultado nivelado ao longo dos anos. Ou seja, permitese aproximarse de um conceito de acréscimo patrimonial que coaduna com a Constituicao Federal, que embora não seja expresso pela Carta Magna, é constatado pela interpretação harmônica de suas normas e princípios, conforme art. 153, III , artigos 43 e 110 do CTN e 189 da Lei n. 6404/76.” Fecha sua conclusão indicando que : “ ... no caso presente em que a incorporada teve prejuízos acumulados, significa dizer que parte do seu patrimônio foi utilizado no cumprimento das obrigações assumidas no exercício cujo resultado foi negativo, de modo que o fato de se obter resultado positivo no exercício subsequente não significa ter havido acréscimo patrimonial, pois o referido resultado pode ter correspondido unicamente à recomposição patrimonial do que foi consumido pelo prejuízo obtido em exercício anterior. Sendo a recomposição do patrimônio absolutamente diferente do conceito de acréscimo patrimonial que, configura a hipótese de incidência do IRPJ, com reflexo direto sobre a CSLL, é inaceitável o argumento apresentado na decisão recorrida ,de que a possibilidade de compensar. prejuízos fiscais de períodos anteriores "é uma liberalidade do , legislador", pois se trata na verdade, de direito do contribuinte constitucionalmente garantido por meio do conceito constitucional de renda, o qual impede a incidência dos mencionados tributos sobre o patrimônio da pessoa jurídica.” No mais, reitera os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Vencido Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora Conheço do Recurso porque é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tratamse os autos de exigência de IRPJ e CSLL, relativa ao anocalendário de 2005, em virtude da não aceitação, por parte da autoridade lançadora, da compensação integral do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de anos anteriores, sem considerar o limite de 30%, contrariando os artigos 42 e 56 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95. Adentraremos, assim, à discussão do mérito relativo à limitação de 30% das compensações dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Como se verifica dos autos, a compensação integral sem a observância do limite de 30%, deuse uma vez que a empresa Paraná Citrus S.A. foi incorporada pela contribuinte, em 30 de setembro de 2005. A contribuinte, assim, é sua sucessora em direitos e em obrigações daquela. A legislação fiscal sempre regulou os efeitos que os prejuízos fiscais e as bases negativas, acumulados pela pessoa jurídica, gerariam a apuração do IRPJ e CSLL, impondo lhes restrições de natureza temporal ou de natureza quantitativa. Com base na legislação atual, temos duas limitações: (i) a limitação introduzida pelo Decreto nº 2.341/87, que veda a possibilidade da empresa resultante de fusão ou incorporação aproveitar os prejuízos fiscais da empresa extinta; e (ii) a limitação prevista na Lei nº 8.981/95 (artigos 42 e 58), cumulada com a Lei nº 9.065/95 (artigos 15 e 16), as quais estabeleceram, em substituição à limitação temporal (quatro anoscalendários), uma limitação percentual (quantitativa) anual, autorizando a utilização do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em até 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado obtido, sem limitação de prazo no tempo. Essa limitação quantitativa atende à necessidade de fluxo de caixa do Erário e não retira da contribuinte o seu direito à utilização do prejuízo fiscal e da base negativa, mas limita sua utilização em 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Outro ponto importante de se considerar é que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL tem origem no lucro líquido contábil, o qual advém da contabilidade, logo, tem origem nas apurações e demonstrações contábeis. Por sua vez, a contabilidade se baseia no Princípio da Continuidade da pessoa jurídica, o qual pressupõe que a pessoa jurídica continuará a operar, ou seja, suas atividades terão continuidade. Todavia, a existência de exercícios financeiros (assim como de períodos de apuração) é mera ficção, “determinada pela necessidade de se tomar o pulso do empreendimento de tempos em tempos” (conforme NPC 27 do IBRACON). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 9 8 Também, nesse sentido, temos o Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e tornado obrigatório pela CVM, através da Deliberação nº 539/08, sobre a continuidade da pessoa jurídica: “Continuidade 23. As demonstrações contábeis são normalmente preparadas no pressuposto de que a entidade continuará em operação no futuro previsível. Dessa forma, presumese que a entidade não tem a intenção nem a necessidade de entrar em liquidação, nem reduzir materialmente a escala das suas operações; se tal intenção ou necessidade existir, as demonstrações contábeis terão que ser preparadas numa base diferente e, nesse caso, tal base deverá ser divulgada. ” (grifamos) A recorrente trouxe esse mesmo argumento em seu Recurso ao expor que o pressuposto da continuidade e a consideração dos efeitos interperíodosbase(ou anos calendários) é evidente para apuração da renda/lucro, donde se pode depreender que renda pode ser a diferença entre receitas e despesas/custos num determinado período, mas também pode ser considerada como um acréscimo de valor apurado pela comparação entre os balanços de abertura e fechamento de período diferente do anocalendário. Com base nessa premissa e tendo em vista o Princípio da Continuidade, o artigo 189 da Lei nº 6.404/64 diz que, do resultado do exercício, devem ser deduzidos os resultados negativos (prejuízos), a fim de que seja apresentada a real situação patrimonial, como segue: "Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. O prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem,"(grifamos) Como vemos, também no âmbito da Lei das S.A., o efeito interperíodosbase é verificado: o lucro líquido de um período não pode ser distribuído aos sócios, sem a consideração dos prejuízos acumulados, assim como o cancelamento de dívida para com o sócio deve ser utilizado para a absorção de prejuízo acumulado, sempre na finalidade de preservação do patrimônio da pessoa jurídica. Temos assim que o patrimônio líquido da pessoa jurídica espelha os efeitos interperíodosbase uma vez que representa o resultado do capital investido e os resultados, positivos ou negativos apurados ao longo dos anos. Reforçamos que a mesma Lei das S/A determina que a distribuição de dividendos pressupõe que os prejuízos de anos anteriores sejam absorvidos pelos lucros dos períodos subseqüentes, de forma que a compensação é imprescindível para se apurar se é possível ou não distribuir dividendos. O lucro líquido disponível para os acionistas/quotistas deve absorver os prejuízos apurados em anos anteriores. Seguindo o mesmo entendimento, a incidência do imposto de renda sobre os acréscimos obtidos num determinado anocalendário ou período, sem comunicarse com outros anos ou períodos anteriores, sem que se apure o acréscimo verdadeiro ocorrido, não resulta em incidência sobre a renda gerada pelo valor investido pelos acionistas/quotistas, tanto que não podem ser distribuídos ou mesmo tributados, pois não são considerados renda. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 10 9 O patrimônio é afetado pelos resultados negativos apurados nos diversos períodosbase, para evitar essas distorções é que são considerados esses efeitos interperíodos, da mesma forma temos os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas. Os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas são direito dos contribuintes, desconsiderálos seria como expropriálos desses ativos. No caso sob análise, houve a extinção da empresa por sua incorporação na recorrente. A incorporação impede a utilização dos prejuízos fiscais nos anos subseqüentes e, logo, autoriza a compensação integral no ano da incorporação. Se a compensação integral não é admissível no caso de incorporação, que resulta em extinção da empresa, estarseia subtraindo um direito da contribuinte, a incidência dos tributos não se dará sobre um aumento patrimonial, mas sobre o patrimônio, mormente porque se trata de excepcional situação em que o “ativo” da contribuinte deixará de ser um ativo, em razão da impossibilidade de transferência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a pessoa jurídica sucessora nos termos do Decretolei nº 2341/87. O acréscimo patrimonial importa para a tributação da renda, mesmo que o momento da ocorrência do fato jurídico tributário se consume num determinado tempo (31 de dezembro de cada anocalendário), deve comportar todo o conjunto de elementos necessários a caracterizar o acréscimo patrimonial, respeitandose, certamente, as regras de apuração para tanto. Não se pode, assim, segregar a tributação da renda de tais pressupostos, sobretudo, como disse a recorrente, em razão do Princípio da Capacidade Contributiva e da Continuidade da pessoa jurídica. Repetindo, o prejuízo fiscal e a base negativa são imprescindíveis para a aferição da renda, materialidade de incidência tributária, e, no caso, de comprovada impossibilidade de utilização futura desses prejuízos, o limite de 30% não é aplicável. Portanto, devese ter em mente que o limite de 30% foi introduzido para ser aplicado no pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. Assim sendo, quando da extinção da pessoa jurídica, no caso de sua incorporação, não há o que se falar em limites ou trava na compensação, posto que não é aplicável. Não é aplicável porque, comprovadamente, não seráé mais possível a utilização futura dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL e, também, observado que não implique em transferências às avessas de tais resultados negativos para a sucessora. O Superior Tribunal de Justiça analisou a questão sob o ponto de vista do conceito de renda e da continuidade da pessoa jurídica, quando a Ministra Eliana Calmon asseverou, nos autos do Recurso Especial nº 993.975: "limitada a dedução de prejuízos ao exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. (...) Como visto no início deste voto, não houve subversão alguma, porque não olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que tornouse escalonado". Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 11 10 No Acórdão citado, a legalidade do limite ou da “trava” tem por premissa a postergação, no tempo, da utilização do prejuízo/base negativa, não implicando na sua eliminação, visto que seria sempre mantida a possibilidade de seu aproveitamento futuro. Assim, o entendimento é que um “não acréscimo patrimonial” não poderia estar sujeito ao IRPJ ou CSLL, pois se assim não fosse, seria tributável o patrimônio/capital aplicado. Também na própria exposição de motivos de Medida Provisória nº 998 (posteriormente convertida na Lei nº 9.065/1995), há o entendimento de que se houver limitação temporal (por falta de continuidade da pessoa jurídica), não há que se aplicar o limite/trava na utilização de prejuízo fiscal. Vejase claramente na redação da exposição de motivos da Medida Provisória: “Arts, 15 e 16 do Projeto, ‘decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar; até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.”(grifamos) A possibilidade de se aproveitar integralmente dos resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, estando expressa na exposição de motivos da Medida Provisória acima transcrita. Se não houvesse a limitação do artigo 33 do Decretolei nº 2.341/87 e fosse possível a transferência do prejuízo para a sucessora, não haveria que se discutir a inaplicabilidade do limite de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que tal extinção não implicaria na perda do direito à utilização dos prejuízos fiscais no futuro. Como expôs a recorrente, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a despeito de algumas decisões que recentemente entenderam pela impossibilidade de aproveitamento integral, sempre foi esmagadoramente majoritária no sentido de ser possível a utilização integral do prejuízo fiscal e das bases negativas quando há extinção da pessoa jurídica, relativamente aos resultados gerados até a sua extinção. Nesse sentido, peço vênia para citar algumas decisões: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003, 2004. Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 12 11 valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. (Acórdão nº 110300.619, sessão de 31/01/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. (Acórdão nº 1103 00.617, sessão de 31/01/2012) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — LIMITE DE 30% — INCORPORAÇÃO — À empresa extinta por incorporação não se aplica, no período do evento, o limite de 30% do lucro líquido ajustado em relação ao prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores. (Acórdão nº 120100.165, sessão de 27/08/2009) INCORPORAÇÃO – DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA – LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Recurso provido. (Ac. 10806.682) IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES.CISÃO.INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho. (Ac. 10709.447) Compensação Prejuízo e Base Negativa — No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. (Ac. CSRF/0104.258) IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO — LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA — À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Recurso provido. (Ac. CSRF/0105.100) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (Ac. 10195.872) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 13 12 Ementa: COMPENSAÇÃO — PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — INCORPORAÇÃO E CISÃO — A. empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. (Ac. 120100.108, sessão de 18/06/2009). A motivação das decisões deste Colegiado, que concordaram com a não aplicação do limite de 30%, não divergem do que foi apresentado nesse voto, a norma que limita não se aplica quando se verifica a extinção e não continuidade da pessoa jurídica. Poderseia trazer à tona a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 545.308/SP e 344.994/PR. Todavia, é mister apontar aqui que o STF não analisou caso semelhante ao presente, onde haja extinção de pessoa jurídica, portanto, não pode servir como jurisprudência indutora das decisões desse colegiado. Não houve análise da questão para os casos em que não há continuidade da pessoa jurídica. O Supremo Tribunal Federal, nos mencionados Recursos Extraordinários, apenas decidiu pela constitucionalidade da denominada “trava de 30%” em um contexto de continuidade da pessoa jurídica, mas não decidiu que esta deve ser aplicada nos casos de extinção da pessoa jurídica detentora dos prejuízos/bases negativas, tampouco fez quaisquer considerações acerca da intertemporalidade dos anoscalendários ou mesmo analisou a questão sob o ponto de vista do Princípio da Capacidade Contributiva. Nesse sentido, entendo que podemos dar prosseguimento ao julgamento dessa questão, que é item sob discussão neste Recurso Voluntário, uma vez que não há semelhança aos casos analisados pelo STF, nem mesmo o tratado no Tema de nº 117 listado no sítio do Supremo Tribunal Federal, cuja repercussão geral foi reconhecida em 18 de novembro de 2008. Como não guarda qualquer semelhança, o voto para esse item, é no sentido de dar provimento em relação à possibilidade de compensar integralmente os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, quando há extinção mediante incorporação da pessoa jurídica. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 14 13 Voto vencedor Viviane Vidal Wagner, Redatora Designada A ilustre relatora restou vencida na votação, tendo a maioria do colegiado decidido por sobrestar o julgamento, através de uma resolução, ao verificar que o exame de mérito fica prejudicado neste momento. Como relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e da CSLL em face à inobservância, pela recorrente, do limite de 30% do lucro líquido ajustado na compensação de seus prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, nos termos dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 (art. 510 do RIR/99). Caso semelhante foi solucionado por este colegiado com a edição da Resolução nº 1202000.153, de 04/12/2012, cujo voto vencedor, da lavra do ilustre Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, assim tratou a questão: Atualmente, discutese no Supremo Tribunal Federal STF, em sede de Recurso Extraordinário RE 591340, a constitucionalidade da limitação em 30% na compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL – arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, conforme manifestação do ilustre Ministro MARCO AURÉLIO, relator do RE: RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S): POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S): FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PRONUNCIAMENTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. 1. A Assessoria assim explicitou as balizas deste recurso extraordinário: Eis a síntese do que discutido no Recurso Extraordinário nº 591.3406/ SP, da relatoria de Vossa Excelência, para análise da conveniência de inclusão no sistema da repercussão geral. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região assentou não terem os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no que limitaram em 30%, para cada anobase, o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, implicado ofensa à Carta da República. Abaixo a íntegra dos dispositivos legais mencionados: Lei 8.981/95 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 15 14 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...]Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...]Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. No extraordinário interposto com alegada base na alínea a do permissivo constitucional, a contribuinte articula com a transgressão dos artigos 145, § 1º, 148, 150, inciso IV, 153, inciso III, e 195, inciso I, alínea c, do Diploma Maior. Aduz terem as limitações impostas pelas Leis nº 8.981/95 e 9.065/95 configurado tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Afirma ter sido instituído verdadeiro empréstimo compulsório, pois o contribuinte desembolsa antecipadamente o recolhimento dos tributos para, posteriormente, recuperálos com a compensação da base de cálculo negativa não utilizada. Sob o ângulo da repercussão geral, a contribuinte sustenta a relevância da questão constitucional debatida, pois a limitação da compensação de prejuízos fiscais reflete em milhões de contribuintes, tendo um imenso efeito econômico. No que diz respeito à constitucionalidade das limitações aplicáveis ao IRPJ, registro encontrarse pendente de julgamento no Pleno, a versar a matéria, o Recurso Extraordinário nº 344.9940/ PR, da relatoria de Vossa Excelência, com julgamento suspenso em virtude do pedido de vista da ministra Ellen Gracie. 2. Atentem para a importância do instituto da repercussão geral, próprio ao recurso extraordinário: [...] cumpre encarar o instituto da repercussão geral com largueza. O instrumental viabiliza a adoção de entendimento pelo Colegiado Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 16 15 Maior, com o exercício, na plenitude, do direito de defesa. Em princípio, é possível vislumbrarse grande número de processos, mas, uma vez apreciada a questão, a eficácia vinculante do pronunciamento propicia a racionalização do trabalho judiciário. Conforme ressaltado pela recorrente, tratase de matéria umbilicalmente ligada à Constituição Federal, a envolver um sem número de contribuintes. Tudo recomenda o pronunciamento do Supremo, já agora sob o ângulo da repercussão geral, valendo frisar que, até aqui, não houve a seqüência da apreciação do Recurso Extraordinário nº 344.9940/ PR, no qual proferi voto no sentido da inconstitucionalidade da limitação. 3. Admito a repercussão geral. Lancem no sistema. 4. Ao Gabinete, para acompanhar no sítio do Tribunal o processamento cabível. 5. Publiquem. Brasília, 15 de setembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Despacho do ilustre Relator publicado no DJE de 02/12/2008, abaixo reproduzido, confirma que a matéria teve sua “Repercussão Geral” reconhecida: DESPACHO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO– COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – AUDIÇÃO DO PROCURADORGERAL. 1. O Tribunal concluiu pela repercussão geral do tema versado neste processo. Ouçam o ProcuradorGeral da República, conforme previsão do artigo 325 do Regimento Interno do Supremo. 2. Publiquem. Brasília, 18 de novembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Consulta efetuada no sítio do STF na internet, em 17/04/2013, revela que o referido RE 591340 ainda aguarda julgamento de mérito. (grifos no original) Ainda que o caso dos autos traga a peculiaridade de se tratar de momento do encerramento da pessoa jurídica, a maioria do colegiado tem entendido que a discussão na Suprema Corte alcança os fatos aqui analisados, visto que o exame da matéria no âmbito do Poder Judiciário pautase na discussão sobre os conceitos de lucro e renda, de interesse ao deslinde da lide tributária, consoante bem destacado, pelo ilustre relator citado, no trecho que se reproduz abaixo: Em que pese o entendimento da ilustre relatora do voto vencido, no sentido de que a matéria do presente processo é distinta daquela examinada no STF, a discussão da constitucionalidade limite de 30% envolve o exame pela Corte Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 17 16 Superior da tese de que o limite legal acarretaria a tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Assim, o tema a ser discutido pelo STF no RE 591340 tem relação com a tese apresentada pelo recorrente nas suas razões do recurso (não tributação do patrimônio/capital) e a sua definição pela mais alta Corte do País se mostra imprescindível para a solução do presente litígio. Dessa forma, é mais do razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade da aplicação do “limite de 30% na compensação de prejuízos”, uma vez que essa limitação encontra identidade de objeto com a “compensação integral” de prejuízos quando da incorporação de empresa, ora pleiteada pela recorrente. Por seu turno, o Regimento Interno do STFRISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todas as causas com questão idêntica sejam sobrestadas, até que a Suprema Corte decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele Poder até decisão final da matéria com repercussão geral. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 18 17 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2º, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Como se vê, por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral, o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do julgamento do recurso (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento pela Turma, nos termos do art. 2º, §2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10950.006695/200813 Resolução nº 1202000.214 S1C2T2 Fl. 19 18 acerca da constitucionalidade do limite de 30% para a compensação de prejuízos. Dessa forma, reconhecido que a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário. (grifos no original) Adotandose os mesmos fundamentos expostos acima, determinase o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, em face do art.62A, §1º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 2009), até que seja proferida decisão final nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº 591340, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner, Redatora Designada Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15555.000155/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/03/2007
RELEVAÇÃO DE MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. REGULARIZAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
O parágrafo primeiro do artigo 291 do decreto nº 3.048/99 não autoriza a relevação da multa aplicada pela falta de apresentação de documentos quando o infrator corrige a falta após o prazo de impugnação.
Numero da decisão: 1002-000.235
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
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REGULARIZAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. O parágrafo primeiro do artigo 291 do decreto nº 3.048/99 não autoriza a relevação da multa aplicada pela falta de apresentação de documentos quando o infrator corrige a falta após o prazo de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 5. 00 01 55 /2 00 8- 11 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto parte do relatório produzido pela DRJ/Rio de Janeiro II (RJ): Tratase de AutodeInfração AI (DEBCAD 37.044.1311) encaminhado para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II, cuja competência para julgamento dos processos das unidades da Receita Federal do Brasil situadas no município de Nova Iguaçu e suas jurisdicionadas foi estabelecida pela Portaria RFB n° 283, de 21/02/2008. 2. A autuação tem fundamento nos §§ 2° e 3°, do artigo 33, da Lei 8.212/91 c/com artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. 3. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 06 , em fiscalização na Câmara Municipal de Japeri, não foram apresentadas as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF dos anos bases de 2001 a 2005, solicitadas por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos —TIAD. 4. Informa o Relatório Fiscal da Multa Aplicada, de fls. 07, que a penalidade foi aplicada em nome do Diretor de Recursos Humanos e Patrimônio, Vagner Trajano Alves, uma vez que a Resolução n° 004/2005 da Câmara Municipal de Japeri determinou que uma das tarefas dessa diretoria é zelar pelo cumprimento de pessoal e guarda de documentos pertinentes. 5. A multa de R$ 11.569,42 (onze mil quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos) foi apurada conforme previsto nos arts. 92 e 102 da Lei 8212/91 e no artigo 283, inciso II, alínea "j", e art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, sem a ocorrência das circunstâncias agravantes, como informado no referido relatório. 6. A autuação foi efetuada em 15/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, de fls. 16, compatível com o período de fiscalização e com a devida ciência do contribuinte. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/RJ II, conforme acórdão n. 1320.887 da 7ª Turma (efl. 77), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/03/2007 Matricula CEI: 42.970.00427/02 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15555.000155/200811 Acórdão n.º 1002000.235 S1C0T2 Fl. 3 3 O contribuinte que não apresenta os documentos solicitados pela fiscalização descumpre a obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3° da Lei 8212/91, constituindose um crédito decorrente da multa. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efl. 84) no qual, faz as seguintes alegações (in verbis): 11.1 PRELIMINAR O comprovante de entrega das DIRFs na Receita Federal e os dados do sistema de folha de pagamento foram entregues ao auditor, porém o mesmo solicitou os arquivos enviados a Receita Federal na época e nos orientou a solicitar cópia a Receita Federal dos que estavam faltando. Tal orientação foi seguida e as DIRFs de 2003, 2004 e 2005 que já estavam no órgão na época da auditoria e o protocolo da solicitação feita a Receita Federal dos anos faltantes foi remetido através do oficio n° 039/2007 datado em 09 de Abril de 2007, ou seja,somente os anos de 2001 e 2002 ficaram faltando. No dia 20 de Abril de 2007, onze dias depois, foi remetido os arquivos de 2001 e 2002 através do oficio n° 043/2007 que estavam faltando, ficando assim sanada a pendência da entrega dos arquivos. II. 2 MÉRITO Portanto, estou enviando cópia dos ofícios que comprovam as referidas entregas das DIRFs dos anos de 2001 à 2005, devidamente protocolado junto a Secretaria da Receita Previdenciária, cópia do oficio enviado pelo Delegado da Receita Federal remetendo os dados solicitados pela Câmara Municipal, na esperança de que este recurso seja acatado e a multa aplicada seja relevada. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Recorrente não contesta qualquer dos fundamentos exarados no acórdão de impugnação da DRJ/RJ II. Simplesmente afirma que as DIRFs faltantes exigidas pela fiscalização e correspondentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, foram apresentadas no dia 20/04/2007, o que, no seu entendimento, sanaria a irregularidade apontada e permitiria a relevação da multa aplicada. Não assiste razão ao Recorrente. Fl. 94DF CARF MF 4 Isso porque a relevação da multa só é admitida pelo artigo parágrafo 1° do 291 do Decreto nº 3.048/99 na hipótese de o infrator corrigir a falta dentro do prazo de impugnação e desde que observadas certas condicionantes. Esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/RJ II, motivo pelo qual peço vênia para extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do RICARF, também adoto como razões de decidir (grifos do original): 8. Para fazer jus à relevação da multa, o sujeito passivo tem que cumprir as determinações contidas no art. 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, que assim dispõe: Art.291. §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação , ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 01/02/07) (grifos nossos) 9. Cabe ressaltar que os requisitos expressos no artigo reproduzido são cumulativos e devem ser integralmente cumpridos. No caso em análise, o contribuinte requereu a relevação da multa aplicada no AutodeInfração AI no prazo de defesa, além de ser primário, conforme consta no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e não ter ocorrido nenhuma circunstância agravante da penalidade, no entanto, o requisito da correção da falta não foi observado. 10. O sujeito passivo trouxe em sua defesa apenas as DIRF dos anos calendários 2003 a 2005, quando a autuação se deu pela não apresentação destes documentos do período de 2001 a 2005, não podendo ser acatada correção parcial da falta para fins de relevação da penalidade. Assim, considerando que o auto de infração foi lavrado em 15/03/2007 (efls. 4) e que só houve a apresentação dos documentos faltantes exigidos pela fiscalização no dia 20/04/2007, conforme afirmado acima pelo próprio Recorrente, claro está que não faz jus à relevação da multa prevista no parágrafo 1° do artigo 291 do Decreto nº 3.048/99, eis que a correção da falta ocorreu após o dia 16/04/2007, data de vencimento do prazo de impugnação da multa. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.720002/2013-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 43 67 .7 20 00 2/ 20 13 -0 5 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 14367.720002/201305 Resolução nº 1301000.579 S1C3T1 Fl. 828 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido/CSLL, ano calendário 2008, com crédito total apurado no valor de R$ 211.621.148,73. incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição da parcela dos custos de bens adquiridos no exterior que excede ao preço parâmetro de transferência. Assevera a Autoridade Lançadora que a Interessada utilizou o método de cálculo Preço de Revenda Menos Lucro de 60% (PRL60) no ajuste do preço de transferência, sem adotar, todavia, a sistemática de cálculo prevista na IN SRF 243/2002. Razão porque os ajustes calculados pela fiscalização, com base nas informações fornecidas em arquivos magnéticos pelo próprio sujeito passivo, foram superiores aos apurados por este, resultando no lançamento. O contribuinte apresentou sua impugnação ao(s) lançamento(s) na qual alegou em síntese que: Da ilegalidade da IN/SRF 243/2006 A Lei nr 9.959/2000 permitiu a aplicação do método PRL para bens importado aplicados à produção. utilizando uma margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda, diminuído das deduções previstas na Lei n°9.430/96 e do valor agregado no país; As IN SRF 113/2000 e 32/2001 determinavam que o método PRL deveria ser calculado com base no preço de venda do bem produzido, e que este valor deveria ser tomado em seu valor absoluto. Com base neste valor, seriam feitas as deduções previstas em lei e diretamente calculada a margem de lucro. Finalmente a margem de lucro seria diretamente diminuída do preço liquido de venda para apuração do preço parâmetro, sem qualquer adicional; IN SRF 243/2002 modificou a estrutura do PRL 60 ao introduzir no cálculo elementos que não estavam previstos no art. 18, II, da Lei n°9.430/96 (Incisos II,III, IV e V do § 11 do art 12 da IN SRF 243/2002), tornadoo mais oneroso ao contribuinte. A alteração promovida pela IN SRF 243/2002 afeta diretamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que não se pode admitir, já que não se pode aumentar a carga tributária através de simples Instruções Normativas, como se verá em detalhes a seguir. O PREÇO PRATICADO NA IMPORTAÇÃO A D. Fiscalização entendeu que a Requerente deveria ter adicionado os valores de frete, seguro e imposto de importação ao preço FOB para efeito de apuração do PRL 60; ou seja, entendeu que deveria ter sido aplicado o preço CIF. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 14367.720002/201305 Resolução nº 1301000.579 S1C3T1 Fl. 829 3 A aplicação do preço CIF pretendida pela D. Fiscalização resulta em ajuste a maior do que o verificado pela Requerente com base no preço FOB. O artigo 18 da Lei 9.430/96 contém as normas gerais de aplicação das regras de preços de transferência na importação de bens, serviços ou direitos. O seu parágrafo 6o estabelece a inclusão do valor do frete, seguro e tributos na importação no custo dedutível dos bens importados, como segue: " ( . . . ) § 6o Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...)"O texto transcrito esclarece que, dentre os diversos "custos" possivelmente envolvidos na aplicação das regras de preços de transferência e.g., efetivo custo de aquisição, custo de aquisição para comparação com preço parâmetro etc., o custo dedutível é o eleito pela legislação e, portanto, o custo ao qual tais valores deverão ser somados. Por sua vez, os parágrafos 4o e 5o , do artigo 4o , da IN 243/02 estabelecem tratamentos distintos para a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos não recuperáveis na aplicação dos métodos PIC, CPL e PRL. Da multa A multa de 75% ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida.. Impossibilidade de exigência de multa da sucessora Entretanto, em relação às hipóteses de incorporação de sociedades, existe norma específica, contida no artigo 132 do CTN que estabelece que "a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas". Os juros SELIC No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Confirase, a esse propósito, a decisão proferida pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, nos autos do Recurso Especial n° 450.422/PR. A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício Ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a Requerente, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, vem esclarecer o quanto segue. A Lei n° 9.250, de 26.12.1995 ("Lei 9.250/95"), que instituiu a taxa SELIC como parâmetro para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, isto é, tributos e contribuições propriamente ditos. A multa aplicada não é débito decorrente de tributos e contribuições a possibilitar a aplicação da norma legal. Repita se: multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16, § 4o, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. A DRJ/BRASILIA apreciando a lide, julgou improcedente a impugnação (Acórdão 03 59.624, de 28/02/2014), tendo sido lavrado a seguinte ementa: Fl. 841DF CARF MF Processo nº 14367.720002/201305 Resolução nº 1301000.579 S1C3T1 Fl. 830 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. MULTA SUCESSORA Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. JUROS SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Em sessão de 05 de maio de 2016, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.339, para que a unidade de origem determine, por meio de verificação da documentação subsidiária juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, relativamente aos cálculos do preço parâmetro total calculado pela fiscalização, se, de fato, conforme alegado pelo contribuinte utilizouse da quantidade de produtos acabados em detrimento da quantidade de insumos conforme determina a IN/SRF n° 213/2002. Em observância à Resolução CARF nº 1301000.339, foi apresentado Relatório de Diligencia (fl. 682) e, uma vez cientificado, o contribuinte se manifestou em relação ao referido relatório (fl. 716). É o relatório. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 14367.720002/201305 Resolução nº 1301000.579 S1C3T1 Fl. 831 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O exame de admissibilidade do Recurso Voluntário já foi realizado por este Colegiado, motivo pelo qual se passa a analisar seus argumentos. Diligência Em analise ao Relatório de Diligencia Fiscal, em que pese este ter reformado os cálculos originalmente realizados pela Fiscalização, adotando e reconhecendo os erros apontados pela contribuinte em sede recursal, observase que ainda há vícios em relação aos cálculos apresentados. Conforme bem observado pela Manifestação da contribuinte ao Relatório de Diligencia Fiscal, temos que: (i) a Fiscalização majorou, sem justificativa, as "quantidades importadas" de insumos no anocalendário de 2008 (refletindo no cálculo da "quantidade consumida"), para diversos itens objeto da autuação, o que resultou em redução do preço parâmetro do PRL 60 e aumento dos ajustes de preços de transferência que deveriam ser observados, conforme as premissas consideradas no lançamento original; e (ii) a Fiscalização, embora tenha refeito os cálculos conforme diretrizes da Resolução n° 1301000.339 para 6 dos 35 insumos, deixou de refazer, sem justificativa, os cálculos para 29 dos 35 insumos, ficando pendente o refazimento dos cálculos para os demais insumos. Neste sentido, voto por converter novamente o processo em diligencia para que a autoridade fiscalizadora refaça os cálculos considerando: (i) todos os itens (35 amostras) e (ii) as quantidades de mercadorias importadas considerando dados efetivos relativos aos estoques de acordo com a documentação acostada aos autos pelo contribuinte. Que conste justificativa caso tais quantidades de mercadorias difiram das originalmente consideradas no auto de infração. Caso tais medidas não sejam possíveis ou resultem em valores idênticos ao Relatório de Diligencia emitido, que eventuais esclarecimentos relativos sejam oferecidos de forma a ofertar a este colegiado todos os elementos necessários ao julgamento da lide. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 14367.720002/201305 Resolução nº 1301000.579 S1C3T1 Fl. 832 6 Concluída a diligência, a contribuinte deverá ser cientificada de seu resultado, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 844DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720036/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SUDENE - BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DO IRPJ
Conforme Decreto nº 4.213/2002, a revogação do benefício de redução do IRPJ no âmbito da SUDENE não alcança as parcelas reduzidas no período do gozo do incentivo tacitamente deferido pela inércia da administração ao não decidir, em até 120 (cento e vinte) dias, acerca do requerimento formulado.
GLOSA DE EXPURGO INFLACIONÁRIO
Provimento judicial que defere aumento do índice inflacionário resulta o aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. Este aumento pode também resultar em lucro inflacionário, mas um efeito não está necessariamente atrelado ao outro. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado e mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores.
Numero da decisão: 1401-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Breno do Carmo Moreira Vieira, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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GLOSA DE EXPURGO INFLACIONÁRIO Provimento judicial que defere aumento do índice inflacionário resulta o aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. Este aumento pode também resultar em lucro inflacionário, mas um efeito não está necessariamente atrelado ao outro. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado e mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 36 /2 01 1- 16 Fl. 1531DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Breno do Carmo Moreira Vieira, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório O presente feito já foi enfrentado neste colegiado, ocasião em que foi baixado em diligência pela resolução nº 1401000.312 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de julho de 2014 (fls. 1.2281.234, eprocesso como as demais numerações desta decisão). Naquela oportunidade, assim se relatou: Cuidase de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos em face do acórdão de n° 1240.669, da 6ª Turma da DRJ/RJ, proferido em sessão de 21 de setembro de 2011. Tratase de Autos de Infração Complementares para o IRPJ (fls. 556/564) e CSLL (fls. 565/570), para a exigência de supostos débitos dos referidos tributos referentes aos 03 (três) primeiros trimestres do períodobase de 2007, no montante de, respectivamente, R$ 304.989.399,05 e R$ 9.935.374,68, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. Em 27 de dezembro de 2007, o contribuinte foi intimado do acórdão de n° 1217.330, da 2ª Turma da DRJ/RJ, nos autos do Processo Administrativo de n° 13770.000305/200301, que cancelou benefício fiscal de que gozava. Como resultado de tal cancelamento, foi lavrado Auto de Infração que deu origem ao Processo Administrativo de n° 15578.000407/200754 para a cobrança de supostos débitos de IRPJ referentes aos períodosbase de 20032006. O presente processo, de n° 15586.720036/2011 16, versa somente sobre o Auto de Infração Complementar, lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL dos 03 (três) primeiros trimestres do período de 2007. As infrações atribuídas à Recorrente foram as seguintes: Utilização indevida do benefício de redução do IRPJ e adicional, calculados sobre o lucro da exploração, concedido a empresas situadas na área da antiga SUDENE; e Redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Glosa de Ajustes realizados a título de correção monetária do balanço – diferença IPC/BTNF (Expurgo do Plano Verão de 1989). O contribuinte apresentou Impugnação às fls. 600/673 na qual aduziu em sua defesa, dentre outros, os seguintes pontos em relação à utilização do benefício fiscal: O direito de ter o IRPJ e adicionais não restituíveis reduzidos em 75% sobre os lucros tributáveis decorrentes da modernização total e diversificação de sua unidade produtiva foi reconhecido não somente pela Inventariança da extinta SUDENE, mas também pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, por despacho decisório, e posteriormente ratificado pela própria Advocacia Geral da União, em atuação junto à Autarquia. Portanto, não podem prosperar as conclusões e efeitos do acórdão de n° 1217.330, que negou o direito ao benefício. Somente em novembro de 2003 o Consultor Jurídico do Ministério da Integração foi requisitado a se manifestar acerca da possibilidade de concessão de benefícios fiscais no Estado do Espírito Santo, em relação a municípios que não se localizavam originariamente na área da extinta SUDENE. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.532 3 Como conseqüência, em dezembro de 2003, foi emitido parecer pelo qual o Sr. Consultor Jurídico do Ministério da Integração Nacional, revendo o seu entendimento anterior e em evidente alteração de critério jurídico (vedada pelo Código Tributário Nacional), formalizou novo entendimento quanto à extensão e alcance da norma que concedia o benefício. Em 20 de janeiro de 2004, por meio do Ofício de n° 1405/2003, o contribuinte foi notificado da cassação de seus laudos constitutivos, em razão de alteração dos critérios interpretativos. Ainda que aplicada a norma geral de correção monetária do balanço, como pretende a fiscalização, em detrimento da norma individual e concreta decorrente da coisa julgada, não é possível ignorar os efeitos que seriam produzidos nos períodos seguintes em função da realização dos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente corrigido, que acabam por anular a suposta falta de tributação da diferença de saldo credor da correção monetária. Eventuais ganhos apurados em decorrência da correção monetária deveriam ter sido lançados conforme legislação aplicável. A existência desses ganhos não legitima a glosa das exclusões realizadas. De acordo com a fiscalização, a dedução dos efeitos do expurgo do Plano Verão sobre as depreciações, amortizações e baixas do ativo permanente deveria gerar prejuízos fiscais, cuja compensação estaria limitada a 30% do lucro real. Ademais, qualquer compensação realizada a maior geraria postergação. Sobreveio o acórdão de n° 1240.669, da 6ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Na ausência de vícios que justifiquem eventual nulidade, incabível nova análise de matéria já definitivamente julgada na esfera administrativa. ISENÇÃO EM CARÁTER INDIVIDUAL. CANCELAMENTO. DIFERENÇAS DEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO. Cancelada a isenção concedida em caráter individual, em virtude de apurarse que a beneficiária não atendia, de fato, às condições impostas, cabível a cobrança das diferenças devidas até então, sem a incidência de multa de ofício. CORREÇÃO MONETÁRIA. PLANO VERÃO. O provimento obtido com o trânsito em julgado é definido pelos limites firmados na decisão que se torna definitiva. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O acórdão prolatado, no que tange à 1ª infração utilização indevida do benefício fiscal fundamentouse no fato de que o cancelamento do benefício de que usufruía o contribuinte foi definitivamente apreciado na esfera administrativa, uma vez que do acórdão de n° 1217.330/2007, não mais caberia recurso. Logo, consoante artigos 179 e 155 do Código Tributário Nacional, seriam exigíveis do contribuinte as diferenças devidas pela utilização do benefício, acrescidas dos juros de mora, uma vez que a isenção concedida em caráter individual foi cancelada. Quanto à 2ª infração – indexação pelo IPC fundamentou o acórdão recorrido que o provimento jurisdicional obtido, apesar de garantir à interessada a indexação de suas contas de natureza credora, também lhe obrigava a corrigir as contas de natureza devedora. Considerando a correção das contas devedoras, o resultado de correção monetária do ano de 1989 seria credor, não havendo que se falar em dedução após o trânsito em julgado da ação. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1054/1129), no qual reiterou as razões de sua impugnação quanto à impossibilidade de cobrança do IR e adicionais não restituíveis em período no qual estava em pleno gozo de redução tributária. Quanto à primeira infração, enfatiza que não se está objetivando rever decisão transitada em julgado (AC n° 1217.330/2007), mas sim, os limites da eficácia do julgado que não considerou as disposições do Dec. 4213/02 e da IN n° 267/02, que vedam a exigibilidade retroativa do tributo. Quanto à segunda infração, reafirma o reconhecimento de seu direito de realizar a correção, pelos índices de 42,72% (janeiro de 1989) e 10,14% (fevereiro de 1989) para fins fiscais, e não para fins contábeis, de sorte que não há saldo credor. Ainda, reiterou que os efeitos da aplicação dos índices expurgados sobre o saldo do ativo permanente em janeiro de 1989 concederam ao contribuinte inegável direito à dedução das parcelas de depreciação, amortização e baixas, tanto em consonância com a decisão judicial transitada em julgado (Ação Ordinária 95.0087464), quanto por força das normas gerais de correção monetária de balanço, ignoradas pela fiscalização. A Fazenda Nacional, às fls. 1.202, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, insurgindose apenas quanto à inobservância do requisito geográficoespacial para fruição de benefício fiscal. Fl. 1533DF CARF MF 4 Argumentou que no caso vertente não houve mera revogação de ato concessivo, mas sim, anulação dos laudos em que se fundou o Despacho Decisório que deferiu o benefício, o que em última instância teria levado à anulação deste. Ainda, sustentou que seriam inócuas as alegações do contribuinte ao pleitear o reconhecimento de seu direito à fruição do benefício, uma vez que transitou em julgado a decisão administrativa da DRF de Vitória que cancelou o benefício. Em relação ao relatório acima transcrito, cumpre aditálo para consignar que houve recurso de ofício em razão de a DRJ ter exonerado a multa de ofício relativa à parte da autuação decorrente da revogação do benefício fiscal da SUDENE. O teor da resolução citada pode ser aferido pelo voto condutor, o qual transcrevo na integralidade em face de não ser extenso: O Recurso Voluntário do contribuinte insurgese contra dois pontos: (i) a cobrança de IRPJ e adicionais decorrentes de revogação de benefício fiscal concedido a empresas situadas na área da antiga SUDENE e, (ii) contra a glosa de Ajustes realizados a título de correção monetária do balanço – diferença IPC/BTNF (Expurgo do Plano Verão de 1989). Em sessão, a despeito de ter proferido meu entendimento sobre o Recurso de Ofício e também sobre o primeiro item do Recurso Voluntário (a exigência do IRPJ sobre a revogação do benefício fiscal), quando da discussão do segundo item do Recurso glosa de ajustes realizados a título de correção monetária de balanço – a Turma entendeu que seria necessária a conversão do julgamento em diligência, antes que as demais questões de mérito fossem apreciadas, dada a impossibilidade de segregação do julgamento. Assim, deixo de me manifestar sobre os mencionados itens, para esclarecer a controvérsia sobre a qual deve recair a diligência (glosa de ajustes decorrentes da correção monetária). Quanto à segunda infração, a controvérsia residiu em compreender a extensão do provimento jurisdicional obtido pelo contribuinte na Ação Ordinária 95.0087464. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal conclui que o contribuinte jamais teria obtido permissão para corrigir, exclusivamente, as suas despesas com depreciação, amortização e baixas, uma vez que o provimento jurisdicional não teria sido integralmente favorável ao contribuinte. Teria sim sido reconhecido o direito de corrigir a integralidade (e não parte) das demonstrações financeiras pela diferença IPC/BTNF, o que até lhe seria, segundo a fiscalização, desfavorável. Nessa linha, a conclusão alcançada seria de que o saldo de correção monetária do ano de 1989 foi credor, não havendo, portanto, diferenças a serem deduzidas de bases tributáveis posteriores ao trânsito em julgado da ação. Durante o julgamento, o debate se deu quanto aos efeitos da correção monetária das demonstrações e o alcance do provimento jurisdicional, se seria favorável à Recorrente, uma vez que o saldo credor de correção monetária de um ano acresceria o patrimônio da empresa, de forma que o efeito se anularia nos exercícios seguintes. De fato, conforme afirma a fiscalização, da coisa julgada interpretase que “o provimento jurisdicional obtido autorizou a indexar, utilizando os índices referidos na sentença, a integralidade das demonstrações financeiras, e não apenas as contas de natureza credora”. Por essa razão e tendo em vista que o lançamento se reporta a pedido posterior (2007) ao ano referência (1989) para a correção monetária, posto que aguardouse o trânsito em julgado da decisão judicial, a Turma entendeu oportuno averiguar os efeitos do provimento jurisdicional por meio dos seguintes quesitos, formulados à d. fiscalização: Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF. Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário diferido em relação a esses expurgos. Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007. Após realizada a diligência e elaborado relatório, encaminhar para ciência da Procuradoria e do contribuinte. O resultado da diligência consta das fls. 1.2521.253, cujo teor abaixo transcrevo: Tendo em vista a solicitação de diligência pelo CARF, conforme resolução nº 1401000.312, com o objetivo de elucidar alguns questionamentos, os quais detalhamos abaixo: Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.533 5 1. Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF. Resposta: O acórdão do Tribunal Regional da 1a Região Fiscal, informa: “I – Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72% II – Apelação da autora parcialmente provida.” O acórdão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, informa: “1 – Este tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,41%. 2 – Recurso especial provido.” Da leitura do Balanço Patrimonial consolidado em 31/12/1998 (fls. 341e 342) e da Declaração de Imposto de Renda relativa ao exercício de 1990 (fls. 443 a 536), observase que o Ativo Permanente, cuja correção monetária gera receita passível de tributação, totaliza Cz$ 1.831.511.337.133,60 e o Patrimônio Líquido, cuja correção monetária gera despesa dedutível, totaliza Cz$ 1.581.013.583.114,94. Abaixo apresentamos a tabela com os efeitos da correção monetária pelo IPC/BTNF no ano de 1989: Data Índice (%) Ativo Permanente (1) Patrimônio Líquido (2) Saldo Credor de C.M. (1) – (2) 31.12.1988 Cz$ 1.831.511.337.133,60 Cz$ 1.581.013.583.114,94 Cz$ 250.497.754.018,66 31.01.1989 42,72% NCz$ 2.613.932.980,38 NCz$ 2.256.422.585,82 NCz$ 357.510.394,53 31.02.1989 10,14% NCz$ 2.878.985.784,59 NCz$ 2.485.223.836,02 NCz$ 393.761.948,5 Obs: Em janeiro de 1989 houve alteração da moeda Cruzado (Cz$) para Cruzado Novo (NCz$), dividindoa por 1.000. 2. Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário em relação a esses expurgos: Resposta: Para correção monetária dos valores do Ativo Permanente, Patrimônio Líquido e Saldo Credor da Correção Monetária (Lucro Inflacionário), utilizamos a tabela “Anexo I – Atualização Monetária”, conforme legislação pertinente descrita no anexo. Resumo da Atualização Monetária: Período Moeda Ativo Permanente Patrimônio Líquido Saldo Credor C.M. Dez/88 Cz$ 1.831.511.337.133,60 1.581.013.583.114,94 250.497.754.018,66 Dez/07 R$ 30.335.527.623,07 26.186.505.237,85 4.149.022.385,22 3. Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007 Resposta: A glosa efetuada pela fiscalização se refere aos valores deduzidos como “outras exclusões – Exclusão dos efeitos decorrentes de ação judicial Plano Verão”, informados pelo contribuinte (fls. 40, 44 e 66) em resposta aos Termos de Intimação Fiscal. A glosa realizada está correta segundo, conforme determina o artigo 185 da Lei nº 6.404/76, portanto não há que se falar em limite, pois tratase de exclusões indevidas, tendo em vista que o contribuinte apenas havia realizado a correção monetária do Patrimônio Líquido em 1988, deixando de realizar a mesma para o Ativo Permanente. Diante desta situação, ao considerarmos a correção monetária do Ativo Permanente, chegamos a um saldo credor de correção monetária, em 31.12.1988, no valor de Cz$ 250.497.754.018,66 (cruzados), de forma que o contribuinte não possui direito às exclusões solicitadas. Venho ainda informar que existem processos neste CARF que versam sobre o mesmo assunto, são eles os processos 15578.000407/200757 (IRPJ) e 15578.000406/200718 (CSLL). Ambas as partes foram intimadas e se manifestaram nos autos acerca da diligência. Fl. 1535DF CARF MF 6 O contribuinte apresentou a peça de fls. 1.2621.277, que pode ser assim sintetizada: A fiscalização não teria respondido a contento nenhum dos quesitos da diligência, de modo que se obrigada a tecer suas próprias respostas e apresentar os documentos que as comprovam. Com relação ao primeiro quesito (Apurar os efeitos da correção monetária de balanço no ano de 1989, conforme decisão do TRF, complementadas pela decisão do STJ, que deferiu a correção da diferença do IPC/BTNF), não teria sido respondido pela fiscalização, uma vez que a fiscalização teria recalculado os saldos do ativo permanente e do patrimônio líquido sem se ater a situações específicas. A primeira delas diz respeito a itens do ativo permanente que não se submetiam à correção monetária, como terrenos e ativos diferidos; a segunda é relativa à necessidade de se subtrair do saldo utilizado as contas devedoras (depreciações e amortizações acumuladas em 1988). Ademais, discorreu sobre um suposto equivoco na conversão de valores. Abaixo, reproduzo a parte pertinente: Então apresentou o quadro. Seguiu ao aduzir que tributou (não diferiu, portanto) a tributação do saldo credor da correção monetária original, o que estaria comprovado pela DIPJ e LALUR apresentados (Anexo II). Assim, a fiscalização teria duas opções: (i) apurar o diferimento do novo saldo credor da correção monetária, ou (ii) tributar de imediato, mas respeitandose a decadência e os saldos controlados pelo LALUR na época, especialmente, os prejuízos fiscais. Desse modo, ainda que o índice expurgado alcançasse todo o balanço e não apenas o ativo permanente como pedido na inicial, não haveria tributo a ser pago, uma vez que os prejuízos registrados no LALUR 1989 eram suficientes para compensar a diferença. Apresenta no Anexo IV como entende que se daria a compensação com o saldo de prejuízos fiscais. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.534 7 Segue ainda com as considerações abaixo reproduzidas: Com relação ao segundo quesito (Projetar os efeitos dessa correção monetária nos anos seguintes até 2007, inclusive considerando a receita de lucro inflacionário em relação a esses expurgos), aduz que os cálculos apresentados pela autoridade fiscal estão errados pelos seguintes motivos: (i) não aplicou a diferença IPC/BNFF, (ii) aplicou índices posteriores à extinção da UFIR. Passa então a explanar o que deveria ter sido apurado acerca dos efeitos da correção monetária do balanço para 2007: a) se houvesse saldo credor a ser tributado em 1989, este seria compensado com prejuízos fiscais ou seria convertido em lucro inflacionário a ser tributado na medida da realização dos itens do ativo permanente; b) deveria ter sido apurado toda a movimentação (depreciação, por exemplo) dos bens existentes no ativo permanente de 1989 com base na decisão judicial; c) o eventual saldo credor ou lucro inflacionário deveria ser recalculado e deduzido, ano a ano, com direitos e créditos fiscais existentes no LALUR e, posteriormente, com as despesas de depreciação, amortização e baixas decorrentes da decisão judicial transitada em julgado; d) essa movimentação demonstraria se, em 2007, a correção monetária determinada pela decisão passada em julgado produziria efeitos positivos ou negativos; Aduz, então, o valor a que teria direito a depreciar. Com relação ao terceiro quesito (Limitar a glosa ao montante do reflexo da correção monetária de 1989 em 2007), contesta a conclusão da autoridade fiscal e entende que deixou de cumprir o que determinava a resolução de diligência. Passa então a discorrer sobre como apurar o efeito líquido entre a tributação do saldo credor apurado em 1989 e a dedução de despesas de depreciação, amortização e baixas entre 1989 e 2007. A manifestação da PFN foi apresentada na peça de fls. 13771388, cujos razões são as que se seguem. A PFN parte do seguinte pressuposto: Fl. 1537DF CARF MF 8 Não há controvérsia acerca dos índices aplicáveis. Não há tampouco, lide sobre os valores envolvidos na autuação. O interessado não nega que tenha feito, em 2007, as deduções glosadas, referentes a saldo negativo de correção monetária do ano de 1989, confirmando, ainda, que este saldo resultou da indexação, tão somente, de suas contas credoras. Assim, discorre sobre os efeitos da decisão judicial na ação ordinária de nº 95.00087464, cujos principais trechos valem ser colacionados: Portanto, contrariamente ao que afirma todo o tempo o interessado, ele jamais obteve permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir “as demonstrações financeiras” pelo IPC. E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme se pode precisar dos valores do ativo permanente e do patrimônio líquido informados em sua DIRPJ e através das planilhas de folhas 443 a 536 (...) (...) Noutros termos, seja por meio das informações prestadas pelo próprio interessado, seja em virtude da análise dos termos do provimento judicial, seja pela conclusão externada no Relatório Fiscal sob análise, constatase que, em qualquer dos períodos acima (objeto da ação do IPC), ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste, QUANDO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, razão pela qual a decisão de primeira instância não merece reparos nesse ponto. É o relatório. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.535 9 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeiro grau exonerou a multa de ofício relativa à autuação decorrente do benefício fiscal anulado. Assim fundamentou essa parte: Por fim, ressalto que, por força dos arts. 179 e 155 do CTN, não cabe a incidência de multa de ofício relativamente aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2007, data da ciência da decisão administrativa final que revogou o benefício. Deve, portanto, ser integralmente exonerada a parcela do lançamento concernente à multa de ofício, já que os fatos geradores tributados correspondem aos três primeiros trimestres do ano de 2007. Os artigos citados possuem a seguinte redação: Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. (...) Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. De fato, os dispositivos são claros pela exoneração da multa no caso. Deve, pois, ser negado provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Glosa de incentivo fiscal Fl. 1539DF CARF MF 10 O benefício foi cancelado por meio do processo administrativo nº 13770.000305/200301. Houve idêntica autuação para períodos anteriores no processo administrativo nº 15578.000407/200754. Naquele feito, a Primeira Turma da Segunda Câmara deu provimento ao recurso voluntário por meio do Acórdão 1201000.736, em 8 de agosto de 2012. O voto condutor assim se posicionou: A segunda questão diz respeito à retroatividade ou não do despacho que cancelou o benefício da SUDENE. Segundo o entendimento da Receita Federal, o ato jurídico que concedeu o benefício da SUDENE era contrário à lei que o regulamentava. E, por dispor de maneira antagônica, foi corretamente declarado a sua nulidade. Sendo que, uma vez declarado nulo, o ato não pode produzir efeitos no mundo jurídico, desde o momento da sua formação. Dessa forma, os efeitos da nulidade devem retroagir à data da concessão, produzindo efeitos ex tunc. Ocorre que, para o deslinde da questão é indispensável a análise do Decreto 4.213/2002, o qual regulamenta o benefício da redução do imposto de renda para os empreendimentos prioritários nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE. De acordo com o artigo 3º do decreto supracitado, o direito ao benefício da redução do imposto de renda será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, sendo que, o chefe da unidade decidirá sobre o pedido no prazo de cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. Aduz, os parágrafos do artigo 3º que expirado o prazo de cento e vinte dias, sem que a requerente tenha sido notificada de decisão contrária ao seu pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente em pleno gozo da redução pretendida. E, em caso de decisão posterior que denegue o pedido, as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteve em pleno gozo da redução não poderão ser objeto cobrança. Art. 3º O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.536 11 § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Analisando a legislação acima se verifica que a autoridade fiscal tem o prazo de cento e vinte dias para apreciar o pedido e, caso esse prazo seja extrapolado, a requerente estará em pleno gozo do benefício até decisão contrária irrecorrível de seu pedido. Sendo que, as parcelas dos benefícios que foram utilizadas durante o período de gozo não poderão ser cobradas. No caso em tela, o pedido foi protocolado pela empresa em 27/05/2003, sendo que, em 31/07/2003, foi publicado o despacho decisório fundamentando o parecer SEORT nº 1.007/2003, reconhecendo o direito da empresa usufruir o benefício da redução do IRPJ e adicionais. Em 05/03/2004, foi publicado o despacho decisório nº 342/2004 cancelando a concessão do benefício anteriormente reconhecido pela autoridade fiscal. A empresa foi intimada no dia 12/04/2004, tomando conhecimento do prazo de 10 dias para manifestação. Após todos os trâmites administrativos, em 13/07/2007, sobreveio a decisão irrecorrível da Delegacia da Receita Federal através do Parecer SEORT 714/2007 determinando o cancelamento do despacho Decisório que resultou no Parecer SEORT 1.007/2003. Assim, ainda que se utilizássemos o raciocínio exarado pela própria Receita Federal de que o ato nulo deve ser extraído do mundo jurídico sem produzir efeitos, temos que a empresa enquadrase na regra geral do Decreto 4.213/2002. Ou seja, se a empresa protocolou seu pedido em 27/05/2003, a autoridade administrativa teria que manifestarse contrariamente ao pedido até o dia 24/09/2003 e não o fez. Dessa forma, a partir de 25/09/2003 a empresa legitimou se a utilizar o benefício fiscal pleiteado até a notificação de decisão contrária e irrecorrível. Decisão esta, que ocorreu apenas em 13/07/2007. Dessa forma, temos que a cobrança não se aplica às parcelas de imposto reduzidas até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva do benefício, pela regra estampada no artigo 3º, §§ 2º e 6º do Decreto 4.213/2002. Concordo com a referida decisão, exceto quanto a um ponto. Como consignou a DRJ em seu voto, a ciência da decisão administrativa que revogou o benefício ocorreu em dezembro de 2007. Logo, a autuação é indevida para os três primeiros trimestres do ano de 2007. Fl. 1541DF CARF MF 12 Glosa de expurgo inflacionário No próprio termo de verificação fiscal (fls. 587), a autoridade fiscal assim consigna: Através da ação ordinária 9500087464, o contribuinte requereu o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989, substituindose a OTN de Ncz$ 6,92 pela de Ncz$ 10,51 ou outro índice que a juíza julgasse adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a correção dos prejuízos fiscais, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 (cinco) anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Depois aduziu que a autora modificou seu pedido inicial no recurso com base no seguinte trecho da apelação: A Autora propôs a presente ação ordinária visando ao reconhecimento de seu direito constitucional de utilizar, em suas demonstrações financeiras e para efeitos de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, um índice de correção monetária que efetivamente, correspondesse à realidade da variação econômica no período ...” A seguir reproduziu partes do provimento final do STJ: “Em sua petição inicial a Recorrente pediu a declaração do seu direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC ..... ................................... A ação foi julgada improcedente em 1ª instância e parcialmente procedente no Egrégio TRF, que reconheceu o direito da Recorrente apenas à aplicação do índice de 42,72%, de janeiro deste ano.” .................................. ... A Recorrente requer a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras ...” Daí conclui: E daí ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme se pode precisar dos valores do ativo permanente e do patrimônio líquido e através das planilhas, apresentadas quando das respostas aos termos de intimação, (...) O Julgador de primeira instância, a PFN e, pelos termos do voto condutor da diligência que foi baixada seguiram pela mesma linha. Nada obstante e com a devida vênia a todos, as premissas estão equivocadas em função da confusão entre dois itens de resultado. Uma coisa é o resultado da correção monetária do balanço de um determinado ano, que poderá ser credor e, portanto, aumentar o resultado tributável do período em questão (no caso dos autos, o anocalendário de 1989) ou devedor e, assim, reduzir o Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201116 Acórdão n.º 1401002.186 S1C4T1 Fl. 1.537 13 referido resultado. Em termos genéricos, o saldo é credor quando o ativo permanente é maior que o patrimônio líquido, e é devedor quando ocorre o contrário. Outra coisa é a apropriação ao resultado de exercícios posteriores da redução dos itens do ativo permanente por depreciação, amortização, exaustão e simples baixa. Pois bem, ao se aumentar, como foi feito pela decisão judicial, o índice de correção monetária do período em questão (1989), o resultado da correção monetária do balanço e, conseguintemente, do chamado lucro inflacionário pode ser credor ou devedor. Isso dependerá da composição do balanço da interessada. No entanto, o provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. Claro que este aumento poderia resultar num lucro inflacionário, mas um efeito não está necessariamente atrelado ao outro. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado. Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores. A autuação, pois, também não merece prosperar quanto ao presente item. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1543DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722490/2011-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Não verificada a existência de vício, omissão/obscuridade e ou vício que reclama saneamento no julgado, os Embargos de Declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 9303-006.790
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração sem necessidade de saneamento do processo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração sem necessidade de saneamento do processo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração sem necessidade de saneamento do processo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 90 /2 01 1- 24 Fl. 1165DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto, tempestivamente, pelo Contribuinte, em face do Acórdão n.º 9303004.905 (fls. 1065 a 1081), com fulcro nos arts. 64, inc. I, e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 9 de junho de 2015, buscando sanar os vícios de omissão e contradição/obscuridade existentes na decisão, que negou provimento ao recurso especial do Contribuinte. O decisum foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Datado fato gerador: 28/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI N° 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI N° 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei nº11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas.” Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 9303006.790 CSRFT3 Fl. 1.166 3 O Embargante sustenta existir vício de omissão de pronunciamento quanto à necessidade de comprovação do efetivo dano ao erário para a aplicação da pena de perdimento. Ademais, o Acórdão embargado também conteria “... relevante contradição (...) ao utilizar da premissa de que a pena de suspensão do CNPJ não poderia mais ser aplicada, sendo tal argumento motivo único para negar provimento ao Recurso Especial, quando, de fato, a Embargante/Recorrente teve a pena de suspensão do seu CNPJ aplicada em outro processo administrativo, (...)”. Os Embargos de Declaração do Contribuinte foram rejeitados nos termos do Despacho em Embargos de 05/06/2017 (fls.1160), mas admitiu o processo ao CSRF, para que o Colegiado volte a apreciar o apelo, levando em conta que não houve o exame prévio da admissibilidade da segunda divergência pelo Presidente da 3ª Câmara, in verbis: “2 Contradição A embargante ainda acusa a decisão recorrida de ser contraditória ao utilizar da premissa de que a pena de suspensão do CNPJ não poderia mais ser aplicada, sendo tal argumento motivo único para negar provimento ao Recurso Especial, quando, de fato, a Embargante/Recorrente teve a pena de suspensão do seu CNPJ aplicada em outro processo administrativo. Releva notar no entanto que a suspensão do CNPJ do recorrente foi referida no voto apenas em passant e, absolutamente, não foi o motivo pelo qual se negou provimento ao apelo. Na verdade, quanto à inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, inc. V, do DecretoLei nº 1.455. de 7 de abril de 1976, ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais específica seria a penalidade descrita no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, o voto condutor da decisão embargada defendeu que o art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, foi incluído no ordenamento jurídico visando a penalizar com multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, não inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a conduta de cessão do nome pelo importador ostensivo visando a ocultar os reais intervenientes da operação de importação, caso em que não se encontraria o ora embargante.. Fl. 1167DF CARF MF 4 Assim, no caso, não vislumbro a contradição alegada pelo embargante, vez que a premissa adotada – de que a suspensão do CNPJ seria o motivo único para o improvimento do recurso – é falsa. Nada obstante, ao revisar os autos detectei alguns problemas que merecem menção. Refirome, em primeiro lugar, ao Despacho S/N° 3ª Câmara, de 9 de julho de 2015, fls. 1.139 a 1.141. Como detectou a Relatora (fls. 1.175), o Recurso Especial suscitou 2 (dois) dissídios jurisprudenciais: (1) Quanto à necessidade de comprovação do dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76); (2) Quanto à inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do DecretoLei n° 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais especifica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n° 11.488/07. O Despacho S/N° 3ª Câmara, inexplicavelmente, passou ao largo da segunda matéria. E o mais grave: o voto condutor do embargado Acórdão nº 9303004.905 conheceu da divergência, sem que sua admissibilidade tivesse passado pelo necessário crivo do Presidente da Câmara recorrida, em flagrante infração das disposições regimentais. Desnecessário dizer, o exame procedido pela n. Relatora não supre o exame de prelibação requerido pelo art. 71 do RI CARF. Há portanto vício que reclama saneamento pela via dos embargos.” Ademais, transcrevo trecho do voto desta relatora, ora designada: (...) O paradigma acordão n.º 3402002.362 trata que é imprescindível a comprovação de dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, bem como da “ocultação” mediante ‘fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta. Verificase situação fática totalmente diversa daquela constante nos autos, em que a importação se deu forma simulada, havendo comprovadamente falta de pagamento parcial de tributos. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 9303006.790 CSRFT3 Fl. 1.167 5 O Recurso Especial de divergência pressupõe a indicação de caso semelhante ao que se discute nos autos, e ao qual, no entanto, tenha sido atribuída solução jurídica diversa. Da análise dos autos confrontados, verificase que o acórdão n.º 3402.002.362 não tem o condão de reforma o acórdão recorrido. A conclusão diversa em que se chegou o acórdão paradigma, não se deu em razão de interpretação de lei, mas sim de contexto fático diferente daquele aqui verificado. Referente a segunda tese suscitada pelo contribuinte, quer seja a inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, que no entendimento do contribuinte mais específica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei nº 11.488/07, neste caso, verificase que foi apresentada a divergência, através do acórdão paradigma. Diante do exposto, entendo que somente deve ser conhecido o Recurso Especial do Contribuinte com relação a segunda matéria: a inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do DecretoLei nº 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais específica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n.º 11.488/07. (...)” É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Os Embargos foram opostos tempestivamente pelo Contribuinte, com fulcro nos arts. 64, inc. I, e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, sendo que estes foram Fl. 1169DF CARF MF 6 rejeitados nos termos do despacho exarado de 05 de junho de 2017, restando neste caso, analisar o vício apontado no despacho supramencionado, que seria do voto condutor do embargado acórdão n.º 9303004.905 ter conhecido da divergência, sem que sua admissibilidade tivesse passado pelo necessário crivo do Presidente da Câmara recorrida. Realmente ao analisar o Recurso Especial do Contribuinte essa relatora encontrou duas matérias a serrem analisadas, quais sejam: (1) Quanto à necessidade de comprovação do dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76); (2) Quanto à inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do DecretoLei n° 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais especifica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n° 11.488/07. A primeira matéria referente à necessidade de comprovação do dano ao erário para aplicação da pena de perdimento (art. 23 do DecretoLei n.° 1.455/76), não foi admitida pelo colegiado. Quanto à segunda matéria referente à inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do DecretoLei n.° 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais especifica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n.° 11.488/07, essa foi admitida e analisada pelo Colegiado. Diante disto, não vejo vício que reclama saneamento pela via dos embargos, pois, a matéria foi apreciada pelo colegiado suprimindo a necessidade de analisar a admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte. Portanto, rejeito os embargos, conforme despacho exarado em 05 de junho de 2017, fls.1160, sem necessidade de saneamento do processo. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 9303006.790 CSRFT3 Fl. 1.168 7 Érika Costa Camargos Autran Fl. 1171DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004610/2006-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INSUMOS UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Na produção da Alumina, pelo chamado "Processo BAYER", o carvão energético, o óleo BPF, o ácido sulfúrico e os inibidores de corrossão são utilizados diretamente no processo produtivo (ainda que não necessariamente em contato físico com o produto em fabricação, já não mais exigido pela própria RFB, na Solução de Divergência Cosit nº 6/2017), pelo que se admite o direito ao crédito na sua aquisição.
SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE LAMA VERMELHA, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado Processo BAYER, faz-se essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, lama vermelha, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização.
Numero da decisão: 9303-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha").
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO AO CRÉDITO. Na produção da Alumina, pelo chamado "Processo BAYER", o carvão energético, o óleo BPF, o ácido sulfúrico e os inibidores de corrossão são utilizados diretamente no processo produtivo (ainda que não necessariamente em contato físico com o produto em fabricação, já não mais exigido pela própria RFB, na Solução de Divergência Cosit nº 6/2017), pelo que se admite o direito ao crédito na sua aquisição. SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE “LAMA VERMELHA”, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado “Processo BAYER”, fazse essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, “lama vermelha”, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha"). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 10 /2 00 6- 31 Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 807 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 724 a 744), contra o Acórdão 3402003.173, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 653 a 678), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. Citase como exemplo de insumos, no caso analisado, o óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais. COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS. As despesas com o transporte para a aquisição de insumos devem integrar a base de cálculo dos créditos da COFINS por integrarem o custo de produção, na forma do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 808 3 Na não cumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortizacão, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Ao Recurso Especial foi dado seguimento (fls. 746 a 751) sendo que a PGFN, basicamente, defende o conceito de insumos aplicável pela legislação do IPI, dizendo que "Sendo assim, para efeito de crédito do tributo, a legislação citada esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente". O Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 758 a 764) nas quais diz que os acórdãos paradigmas trazidos pela PGFN foram publicados em 2003 e em 2009, "e o entendimento hoje, que esta turma e outras turmas vem adotando é o de ser legitima a tomada de crédito ... em função da evolução jurisprudencial". Combate somente a glosa das despesas com serviço de transporte e remoção de rejeitos industriais, alegando que a sua remoção e destinação final são uma necessidade premente e indissociável do processo produtivo da alumina, de sorte que está plenamente compreendido na noção atualmente aceita administrativamente de "custo de produção" (como, aliás, viria sendo reconhecido em vários outros processos), já que sua presença resultaria em perda de pureza e comprometimento da qualidade mínima exigida para a subseqüente aplicação industrial da alumina. Diz ainda que "está comprovada a inexistência de quaisquer das pretendidas divergências jurisprudenciais que, em tese, poderiam justificar o Apelo Especial, pelo que não cabe o conhecimento do mesmo tampouco o seu provimento ... " Ao final, requer que "não seja conhecido o Recurso Especial manejado pela União Federal, ou acaso, a tanto se chegar, que lhe seja negado provimento ...". É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Se a mudança de jurisprudência após a interposição do Recurso Especial fosse motivo para o seu não conhecimento, certamente muitos, tanto de um lado como de outro, o não o seriam, além do que a “linha” entre o que se considera vencido ou não seria tão tênue que, mesmo admitida a hipótese, praticamente impossível poderia ser delimitada, a não ser no caso da superveniência de normas vinculantes, como Súmulas, por exemplo. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 809 4 Não é o caso, pelo que entendo que os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e foram respeitadas a formalidades previstas no RICARF, razões pelas quais dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento Pis/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI. Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção?? Sim. São utilizadas diretamente na produção?? Não. São indispensáveis?? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. Mas inconteste é que devem ser utilizados no processo produtivo. Como já visto, a discussão aqui limitase a se considerar, ou não, para fins de creditamento PIS/Cofins, se, nos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003), incluem ou não: Óleo BPF; Carvão Energético; Ácido Sulfúrico Inibidores de corrosão; Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como “lama vermelha”). Obviamente não há com se julgar algo do que se não tem conhecimento, mas, neste caso, esta necessidade é bem suprida pela detalhada descrição do processo produtivo, feita pelo contribuinte, às fls. 74 a 106. Para resumila, utilizome do voto que teve como relator o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, no Processo nº 10280.722549/201174 (Acórdão nº 9303 004.657, de 15/02/2017), no qual são citadas as alegações trazidas no Acórdão recorrido, que transcrevo a seguir (observando que o carvão energético tem a mesma função, de modo alternativo, do óleo BPF): Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 810 5 "O Recorrente apresentou, em relação ao óleo BPF, ao ácido sulfúrico e ao inibidor de corrosão, o circunstanciamento de sua participação no processo produtivo ... ... explicou que o óleo BPF é utilizado como combustível, sendo aplicado no funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e para a geração de vapor nas caldeiras, e assim, participando diretamente do processo de produção de alumina. O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. Quanto aos Inibidores de Corrosão, são destinados a formar uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento, que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário. Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. Também assiste razão ao Recorrente quando sustenta que a aquisição do óleo BPF não pode ser confundida com a hipótese de aquisição de energia térmica, prevista no inciso IX do art. 3º das Lei nºs 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, com efeitos apenas a partir de 15/06/2007. Com efeito, o referido inciso IX coloca ao lado da energia elétrica a energia térmica, assegurando o direito de crédito para as duas modalidades de energia, o que não se confunde, contudo, com a operação de aquisição de combustível. A aquisição de combustível gera direito de crédito por força do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bastando que seja aplicado no contexto da atividade produtiva, independente de ser utilizado como fonte de calor ou de geração de energia elétrica. Assim, a aquisição de óleo combustível não está fundada no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, não se lhe aplicando a referida restrição temporal.” Há o tão alentado "contato direto" destes insumos com o bem em fabricação?? Na realidade, para o fim que aqui se busca, não é necessária esta informação, já que a mais recente norma da RFB que versa sobre o assunto (a qual, de certa forma, "elasteceu" um pouco o conceito restritivo da legislação do IPI), qual seja, a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, preconiza o seguinte (algumas colocações grifadas também servem ao propósito de dar fundamento a este voto): Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 811 6 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. 15. No caso de bens consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço (item “a.4” acima), ressaltase que o fator relevante para a concessão de créditos é a ocorrência de alterações materiais em razão de ação diretamente exercida sobre o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço e não a ocorrência de contato físico entre estes e os referidos bens consumidos. Em relação aos rejeitos industriais, em vários acórdãos proferidos nesta mesma Turma, com composição quase idêntica, versando sobre o mesmo assunto e a mesma empresa (nos quais, em regra, restei vencido), entendi que os mesmos não podem fazer parte do processo produtivo. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10280.004610/200631 Acórdão n.º 9303006.088 CSRFT3 Fl. 812 7 É pura lógica. Se são rejeitos do processo, dele já participaram os seus componentes, mas de outra forma. Ocorre que, pesquisando mais a fundo o processo produtivo da ALUNORTE, utilizandome, como um dos meios, de buscas na Internet, via Google, me deparei com uma realidade um pouco diversa, no precioso estudo feito pela “Revista Matéria”, vol. 12, nº 2, pp. 322 – 338, 2007, http://www.materia.coppe.ufrj.br/sarra/artigos/artigo10888 (o qual anexei às fls. 793 a 805), do chamado “Processo BAYER”, do qual a empresa se utiliza, e, que, em seus “Comentários Finais”, diz o seguinte: “Os custos com a disposição e o gerenciamento da lama vermelha representam grande parte dos custos de produção da alumina. Os custos ambientais associados à disposição da lama vermelha também são altos. Apesar dos avanços tecnológicos obtidos nos últimos anos, a disposição da lama vermelha ainda é um grande problema para a indústria de beneficiamento do alumínio. Portanto, a busca por novas tecnologias, que visem o aproveitamento da lama vermelha representando alternativas capazes de senão solucionar, pelo menos amenizar o problema é fundamental para o Brasil, sexto maior produtor mundial de alumina, e, portanto um dos maiores geradores de lama vermelha no mundo.” Todos sabem do que relativamente recente desastre ambiental potencialmente similar causou em Minas Gerais – mas, isto não seria, em si, o mais importante, pois a tributação segue os estritos limites da legalidade. No entanto, à vista do que vejo na essencialidade no processo produtivo (apesar de, rigorosamente, “paralelo” a ele), voto por admitir também os créditos relativos ao transporte de lama vermelha. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 812DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720648/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreou-se em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras.
NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa.
INSUBSISTÊNCIA DAS GLOSAS. IMPROCEDÊNCIA.
Comprovando-se que, em sede de julgamento foi determinada a realização de diligência na qual foram analisados os documentos apresentados pelo impugnante e que refletiram na redução da autuação, improcede o pedido de insubsistência das glosas pela não consideração dos documentos apresentados.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA.
Improcede alegação de improcedência do lançamento quando se comprovada que no procedimento de fiscalização a apuração do lucro foi realizada sob a sistemática do lucro real.
MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se constatando a existência de fato específico que demonstre a realização de atos caracterizadores das hipóteses dos arts. 72 a 74, da Lei nº 4.502/64, improcede a aplicação da qualificação da multa.
PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO. PROCEDÊNCIA.
Comprovado nos autos que a atuação dos imputados decorria de uma ação de um grupo econômico, com comprovação robusta, mantém-se esta acusação.
Numero da decisão: 1401-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram sa presente sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, (Presidente Em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreou-se em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. INSUBSISTÊNCIA DAS GLOSAS. IMPROCEDÊNCIA. Comprovando-se que, em sede de julgamento foi determinada a realização de diligência na qual foram analisados os documentos apresentados pelo impugnante e que refletiram na redução da autuação, improcede o pedido de insubsistência das glosas pela não consideração dos documentos apresentados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA. Improcede alegação de improcedência do lançamento quando se comprovada que no procedimento de fiscalização a apuração do lucro foi realizada sob a sistemática do lucro real. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se constatando a existência de fato específico que demonstre a realização de atos caracterizadores das hipóteses dos arts. 72 a 74, da Lei nº 4.502/64, improcede a aplicação da qualificação da multa. PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO. PROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos que a atuação dos imputados decorria de uma ação de um grupo econômico, com comprovação robusta, mantém-se esta acusação.
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QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreouse em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. INSUBSISTÊNCIA DAS GLOSAS. IMPROCEDÊNCIA. Comprovandose que, em sede de julgamento foi determinada a realização de diligência na qual foram analisados os documentos apresentados pelo impugnante e que refletiram na redução da autuação, improcede o pedido de insubsistência das glosas pela não consideração dos documentos apresentados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXISTÊNCIA. Improcede alegação de improcedência do lançamento quando se comprovada que no procedimento de fiscalização a apuração do lucro foi realizada sob a sistemática do lucro real. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não se constatando a existência de fato específico que demonstre a realização de atos caracterizadores das hipóteses dos arts. 72 a 74, da Lei nº 4.502/64, improcede a aplicação da qualificação da multa. PARTICIPAÇÃO EM GRUPO ECONÔMICO. PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 06 48 /2 01 3- 71 Fl. 18850DF CARF MF 2 Comprovado nos autos que a atuação dos imputados decorria de uma ação de um grupo econômico, com comprovação robusta, mantémse esta acusação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram sa presente sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, (Presidente Em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. DO PROCEDIMENTO FISCAL 01. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, foram lavrados em 17/12/2013 (fl. 17649) o Auto de Infração do Imposto de Renda (fls. 17583 a 17586), o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 17596 a 17600), o Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 17608 a 17612) e o Auto de Infração da Contribuição para o PIS (fls. 17617 a 17622). O “Enquadramento Legal” encontra se às folhas 17583 a 17627 dos autos. O crédito tributário total lançado foi de R$ 33.473.857,61 (trinta e três milhões, quatrocentos e setenta e três mil, oitocentos e cinqüenta e sete reais e sessenta e um centavos), conforme abaixo demonstrado: Fl. 18851DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.851 3 02. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no “Relatório de Verificação Fiscal – IRPJ, CSLL PIS E COFINS” (fls. 17629 a 17648), a seguir sintetizados. 03. A Autoridade Fiscal informou que foram identificados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil fortes indícios do descumprimento da legislação tributária pelo Contribuinte (cruzamento de informações com DMA da SefazBA), motivando a formalização do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. 04. Além disso, o Contribuinte foi alvo de operação conjunta da Polícia Federal com o Ministério Público Federal, onde os documentos apreendidos foram enviados à Receita Federal, sendo objeto de análise no presente processo. 05. A Autoridade Fiscal tentou dar ciência do Termo de Início de Fiscalização ao Contribuinte por via postal, mediante Aviso de Recebimento – AR, mas o AR foi devolvido com o motivo de endereço desconhecido. Em seguida, a Autoridade tentou dar Fl. 18852DF CARF MF 4 ciência do Termo de Início de Fiscalização ao Contribuinte pessoalmente e verificou que o estabelecimento não estava mais em atividade (Termo de Constatação). 06. Em 16/04/2013, o procurador da Contribuinte, Marcelo Silva Bomfim, CPF 349.383.46591, mediante apresentação de procuração, compareceu à Receita Federal e tomou ciência pessoal do Termo de Início de Fiscalização. 07. O Contribuinte solicitou prazo adicional para entrega da documentação solicitada, que foi concedido. 08. A Autoridade elenca no Relatório de Verificação Fiscal a documentação apresentada e reintima o Contribuinte a apresentar documentos, elementos e esclarecimentos considerados pertinentes, solicitados no Termo de Início de Fiscalização, e que ainda não tinham sido entregues. Além disso, foi intimada a entregar os arquivos magnéticos, conforme o Ato Declarativo Cofis n° 25/2010. Foi solicitado prazo adicional para a entrega da documentação, que foi concedido. Devido à falta de entrega dos arquivos anobase 2008, e devido os arquivos entregues, ano base 2009 e 2010, conterem muitos erros, inviabilizando qualquer análise, a contribuinte foi reintimada a corrigir os erros e apresentar os arquivos magnéticos, anosbase 2008, 2009 e 2010. 09. Como não foram apresentados os arquivos magnéticos e a base de dados do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, foi apresentada incompleta, o Contribuinte foi intimado a apresentar os Livros de Registro de Entrada, Saída e Apuração de ICMS. Foi solicitado e concedido novo prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, que foi concedido. Além disso, a Autoridade Fiscal alertou o Contribuinte de que não seria possível outra prorrogação de prazo. 10. Informa a Autoridade Fiscal que o Contribuinte entregou 3 mídias contendo os arquivos magnéticos no formato SINTEGRA, anosbase 2008, 2009 e 2010. Porém, as mídias foram recusadas em virtude de os arquivos estarem protegidos por senha. Nesta ocasião, o Contribuinte entregou novas mídias, mas os arquivos não estavam validados. 11. Da análise dos arquivos entregues, foi constatado que as informações contidas nestas mídias estavam completamente diferentes às contidas nos arquivos no formato Sintegra obtidas junto aos sistemas da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. 12. Dos fatos até aqui relatados, a Autoridade Fiscal entendeu que o Contribuinte tentou claramente atrapalhar os trabalhos Fiscalização. Em seguida, relatou nova apresentação de documentos, no caso os livros de Entrada, Saída e Apuração de ICMS. Solicitou nova prorrogação de prazo para a entrega da parte faltante, mas esta não foi apresentada. 13. Em seguida, o Contribuinte foi intimado a apresentar justificativas, conforme Termo de Constatação Fiscal e Solicitação de Esclarecimentos, mas foi solicitada nova prorrogação de prazo e até a data da autuação as justificativas solicitadas não tinham sido apresentadas. ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO 14. Após, a Autoridade Lançadora passou à análise da documentação que tinha em sua posse. Esclareceu que, devido o contribuinte somente ter começado a entregar a documentação solicitada através do Termo de Início de Fiscalização, em 20/06/2013, ou seja, Fl. 18853DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.852 5 60 dias após a sua ciência, foi analisada a base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, no período de 2008 a 2010. Essa coleta foi feita por meio de acesso, regulado por convênio entre a Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia. 15. No ano de 2009, a análise ficou prejudicada, pois não havia informações de todos os meses do ano. Em 2008 e 2010, as informações foram coletadas para posterior batimento com as informações contidas nos livros contábeis e fiscais. 16. Através da análise das informações entregues pelo Contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, em Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, constatouse que as informações contidas na DMA e no Sintegra eram completamente divergentes. 17. Em seguida, narra a Autoridade Fiscal que analisou as demais informações contidas nos Livros Razão e Diário do ano de 2008 e das informações contidas na Escrituração Contábil Digital ECD, relativas aos anos base 2009 e 2010. 18. Novamente, foi constatada uma total divergência das informações, contidas nas diversas bases, declarações, livros e ECDs. São apresentadas tabelas com as divergências encontradas (fl. 17634). 19. A Autoridade Fiscal ressaltou que os arquivos magnéticos não foram entregues pelo Contribuinte; os Livros de Entrada, Saída e Apuração de ICMS foram entregues parcialmente, o que impossibilitou a utilização das informações na apuração da base de cálculo dos tributos objetos da fiscalização. 20. Lembrou que os arquivos de notas fiscais no formato do Sintegra, foram inicialmente, embora validados, entregues com senha; após, foram entregues sem validação e contendo algumas poucas informações de compras nos anos de 2009 e 2010, além de os valores serem totalmente diferentes dos arquivos no formato Sintegra entregues à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. À fl. 17635, é apresentada tabela com os valores. 21. Assim, a Autoridade Lançadora, na apuração da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, utilizou as informações contidas nos Livros Diário e Razão, para o ano base de 2008; e na Escrituração Contábil Digital ECD, para os anosbase 2009 e 2010. Também foi utilizada a base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, além das declarações: Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Federais DACON. COMPRAS E VENDAS 22. O Contribuinte foi intimado a apresentar justificativas para as diferenças encontradas entre as compras e as receitas de vendas de mercadorias escrituradas nos livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, anoscalendário 2008 a 2010, com as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal em DIPJ, DCTF e DACON. Fl. 18854DF CARF MF 6 23. Como as justificativas solicitadas pela Fiscalização não foram apresentadas, os valores apurados conforme livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, foram utilizados na apuração da base de cálculo do IRPJ e reflexos (tabela fls. 17635 a 17636 dos autos). GLOSA DE DESPESAS 24. Intimado, o Contribuinte não apresentou justificativas ou comprovação das despesas indicadas no Termo de Intimação. Por esse motivo, as despesas foram glosadas, conforme tabelas de fls. 17636 a 17637. 25. Observou a Autoridade que as despesas estavam escrituradas nos livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário. As diferenças entre os valores constantes no Termo de Solicitação de Esclarecimentos e no Relatório de Verificação Fiscal são devidas a alguns dos valores daquela solicitação terem sido baseados nas DIPJs, pois poderia haver outras contas que pudessem justificar a diferença. Como não houve manifestação, foram utilizados apenas os valores escriturados nos livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário. 26. Foram confirmados, de acordo com relatório dos sistemas informatizados, pagamentos de ordenados nos valores de R$ 2.527.492,93 e R$ 2.462.113,93, para os anos de 2009 e 2010 respectivamente. Sendo glosados os valores não comprovados na ordem de R$1.899.948,83 em 2009 e R$ 2.493.427,93 em 2010. 27. O total das despesas glosadas foi de R$ 3.177.825,27 em 2008, R$2.605.333,26 em 2009 e R$3.016.365,06 em 2010. OMISSÃO DE RECEITAS Diferença do Estoque Final de 2008 e Estoque Inicial de 2009 28. O Contribuinte foi intimado a justificar o motivo da diferença de R$ 17.011.534,67, apurada entre os valores constantes do estoque final de 2008 e do estoque inicial de 2009 (EF 2008 = R$ 47.297.920,15; EI 2009 = R$ 30.286.385,48). Não houve justificativa para o fato apurado, sendo, então, lançado como omissão de receita de vendas R$ 17.011.534,67, conforme livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário (fl. 17638). Crédito da Conta de Mercadoria em Estoque em contrapartida de Débito na Conta Caixa 29. O Contribuinte foi intimado a justificar o motivo pelo qual debitava a conta Caixa em contra partida da conta Mercadorias, quando deveria debitar a conta Custo de Mercadoria Vendida, conforme lançamentos escriturados nos livros Razão e Diário, ano calendário 2008. 30. Não houve apresentação de justificativas, restando, então, caracterizada a omissão de receita de vendas dos valores apurados, no valor de R$ 5.500.000,00, conforme livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário (vide fls. 17638 a 17639). DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO APURADA 31. A Autoridade Fiscal informou que o Contribuinte retificou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJs em 10/06/2013, 04/09/2013 e Fl. 18855DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.853 7 09/09/2013. Nessas declarações, houve prejuízo em todos os anos relativos aos anos fiscalizados. 32. Em decorrência das infrações apuradas, glosas de despesas não comprovadas, omissões de receita, e de acordo com os valores escriturados em DIPJ, exercícios 2009 a 2011, nos livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário, anobase de 2008 a 2010, e na Escrituração Contábil Digital ECD, anosbase 2009 e 2010, foram apurados novos valores a título de Lucro Líquido para os anos calendários 2008 a 2010, conforme planilha de fl. 17640. DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS 33. No Processo Administrativo Fiscal n° 10508.000669/201024, foi constatado que os reais proprietários do Contribuinte são o Sr. Herbert Moreira Dias e a Sra. Valdeana Meira Souto E Dias. Esta constatação foi corroborada pelo deferimento da Medida Cautelar Fiscal nº 284023.2011.4.01.3301. 34. Em seguida, a Autoridade Fiscal reúne informações, acerca das pessoas físicas Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias, que levam à conclusão de que são os proprietários da empresa. São fatos que levam a essa conclusão: entrevista prestada por Herbert Moreira Dias; sócios da empresa “laranjas” (por exemplo, pedreiro, empregados de outras empresas do “Grupo Meira”); salário de contribuição dos diversos sócios da empresa em média pouco superior ao salário mínimo vigente na época; fichas cadastrais da pessoa jurídica em instituições financeiras, procurações assinadas pelos sócios, outorgando poderes a terceiros para movimentar as contascorrentes da empresa, dando amplos poderes às pessoas físicas Herbert Moreira Dias, CPF n°: 163.914.54515, e Valdeana Meira Souto e Dias, CPF n° 426.972.12515, inclusive para representálas perante qualquer órgão público e instituições financeiras. 35. As procurações feitas pelos sócios que entravam no quadro societário da empresa apontam fortes indícios da utilização de interpostas pessoas, visando a encobrir a identidade dos reais proprietários da empresa, Herbert e Valdeana, que apesar de não aparecerem como sócios da empresa, tinham amplos poderes para transacionar em nome dela, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido. 36. Continuando, a Autoridade Fiscal constatou que a empresa está sediada no mesmo endereço (ou em endereços próximos de outras empresas do Grupo), com o mesmo objeto social (fl. 17643). 37. A sede da empresa Comercial de Estivas Matos Ltda se localizava na Rua Uruguaiana, n° 896, Malhado, IlhéusBA, estando, atualmente fechada. Na Rua Uruguaiana, n° 898, conforme cadastro CNPJ, está localizada a empresa Comercial de Géneros Alimentícios Shauana Ltda ME. Porém, neste mesmo endereço, conforme Termo de Constatação, funciona atualmente o depósito da filial da empresa Dalnorde, CNPJ 04.259.757/000317, localizada nesta mesma rua no n° 220. 38. Segundo a Fiscalização, há indícios de que o Sr. Herbet Moreira Dias e a Sra. Valdeana Meira Souto Dias somente alteraram o número do imóvel junto à Prefeitura, Fl. 18856DF CARF MF 8 sendo que, na realidade, se trata do mesmo imóvel em que havia sido constituída a sede da empresa Comercial de Estivas Matos Ltda. 39. Em seguida, a Fiscalização apresenta a composição do quadro societário do Contribuinte (fl. 17644), com base em informações constantes do Cadastro CNPJ, CNIS, e das DIPJ anoscalendário 2008 a 2010. 40. Conclui, da análise do quadro societário, que a empresa Comercial de Estivas Matos Ltda foi a primeira empresa a ser utilizada pelo Sr. Herbet Moreira Dias e a Sra. Valdeana Meira Souto Dias, sendo que os mesmos nunca figuraram no quadro social da mesma; as antigas sócias da contribuinte, Larissa Dias (sobrinha de Herbert) e Shauana Dias (filha de Herbert), são as atuais sócias da empresa Dalnorde. Este fato demonstra o revezamento dos sócios nas outras empresas de Herbert e Valdeana. 41. Dos fatos acima resumidos, a Fiscalização concluiu não restar dúvidas de que Herbert e Valdeana, desde o início, são os verdadeiros sócios da empresa fiscalizada, sócios de fato, que possuíam amplos poderes para dirigir, controlar e administrar, da forma que bem entendessem, as sociedades do Grupo. DAS PROVAS COLHIDAS PELA DELEGACIA DE POLÍCIA FEDERAL EM ILHÉUS/BA 42. A Autoridade Fiscal informa que o Contribuinte, uma das empresas do Grupo Meira, bem como os seus reais proprietários, o Sr. Herbet Moreira Dias e a Sra. Valdeana Meira Souto Dias, foram objeto de Mandados de Busca e Apreensão n° 138/2012, deferido pelo MM Juízo, nos autos do IPL n° 0420/2009, tombado na Vara Única da Subseção Judiciária de Ilhéus sob o n° 95622.2012.4.01.3301, o qual foi encaminhado à equipe de fiscalização da Autoridade Lançadora. 43. Segundo a Autoridade Fiscal, diversos documentos foram apreendidos, os quais comprovam que os reais proprietários da empresa contribuinte são o Sr. Herbert e a Sra. Valdeana. 44. A seguir, os fatos principais e as conclusões tiradas pela Autoridade Fiscal dos documentos citados. Utilização de duas razões sociais por loja. Indicação das pessoas jurídicas que seriam utilizadas para a exploração das lojas. agenda apreendida com escritos diversos, relativos ao ano de 2008. A partir da análise desenvolvida pela Delegacia da Polícia Federal em Ilhéus constatouse que da referida agenda há algumas páginas com anotações de códigos para cada loja do grupo empresarial investigado, além de relações com os valores associados às empresas do grupo. Dos referidos documentos podese atestar a referência específica à empresa contribuinte, bem como a comprovação de administração, do Sr. Herbert Moreira Dias e da Sra. Valdeana Meira Souto e Dias, em relação à empresa fiscalizada. Comunicação entre Shauana e Luciana Oliveira, para a realização de um depósito autorizado por Beto (Herbert Moreira Dias). Ao analisar o referido documento a Delegacia da Polícia Federal em Ilhéus constatou que se tratava de autorização feita por Herbert Moreira de depósitos mensais automáticos nas Contas Correntes de Mariene Moreira Dias e Larissa Dias Matos, com referência ao pagamento do FGTS. Fl. 18857DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.854 9 Do referido documento, verificase que a gerência da empresa era exercida pelo Sr. Herbert Moreira Dias, na medida em que o mesmo era quem autorizava a realização dos referidos depósitos, se do que a Sra. Mariene Moreira Dias, que constava do Contrato Social, era uma pessoa interposta. A apreensão dos documentos (Auto de Apreensão n° 63/2012) foi efetuada na Rua Uruguaiana, 896, Malhado, Ilhéus/BA. Esse endereço é o da sede das empresas Comercial de Estivas Matos Ltda e Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda, bem como o do depósito de uma das filiais da empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. A empresa Comercial de Estivas Matos Ltda (CNPJ 03.751.706/000183) é utilizada de forma fictícia para explorar a Rede de Supermercados Meira. Da análise de outra agenda apreendida (de cores azul marinho e cinza), pode ser constatado que a administração de todas as lojas da Rede de Supermercados Meira é centralizada na pessoa de Herbert Moreira Dias. Também de outra agenda apreendida, na qual consta que seria de propriedade de Shauana Souza Dias, há um discriminativo das razões sociais utilizadas para a exploração da Rede de Supermercados Meira e das procurações outorgadas pelas pessoas físicas interpostas. Das anotações da agenda, extraemse informações referentes as três empresas do Grupo Meira, quais sejam, Comercial de Estivas Matos Ltda, Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda e Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Do Item 54 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a referência de diversas procurações particulares e públicas em que há transferência de poderes entre as pessoas referidas na fiscalização, existindo preponderância na outorga de poderes para gerir as diversas pessoas jurídicas ao Sr. Herbert Moreira Dias. As procurações se referem à empresa Comercial de Estivas Matos Ltda. Do Item 58 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a informação de que fora apreendida uma relação de telefones, na qual figura o Sr. Herbert como diretor. Outras procurações foram apreendidas, tendo como outorgante a empresa Comercial de Estivas Matos Ltda e outorgado o Sr. Herbert Moreira Dias. Em outra procuração o Sr. Rafael Alves de Jesus outorga poderes ao Sr. Herbert Moreira Dias. Foram apreendidas fotocópias do documento de Ricardo Domingos Santos e de Rafael Alves de Jesus, os quais foram utilizados como pessoas interpostas para a composição dos quadros societários da empresa Comercial de Estivas Matos Ltda Foram apreendidas 02 (duas) cópias de solicitação de patrocínio para evento recreativo/cultural, sendo que ambas foram direcionadas ao Sr. Herbert Moreira Dias, o que evidencia ser ele o proprietário e diretor das empresas da Rede de Supermercados Meira. 45. Dos documentos aprendidos, em conjunto com os demais documentos obtidos por esta fiscalização e pela fiscalização anterior, a Autoridade Fiscal conclui que houve a utilização de pessoas interpostas no Contribuinte fiscalizado; a empresa Contribuinte é gerida pelo o Sr. Herbet Moreira Dias e pela Sra. Valdeana Meira Souto Dias, os quais são seus reais proprietários. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 46. Dos fatos reunidos na fiscalização e dos outros elementos acima resumidos, a Autoridade Fiscal elegeu Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias como sujeitos passivos solidários do crédito tributário lançado, de acordo com o art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), aplicandose também a responsabilidade Fl. 18858DF CARF MF 10 prevista no art. 135, incisos II e III da mesma lei, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei e contrato social. QUALIFICAÇÃO DA MULTA 47. Para a Autoridade Lançadora, restaram caracterizados o evidente intuito de fraude e a prática reiterada de sonegação fiscal, conforme definido nos arts. 68, 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO 48. Cientificado do auto de infração em 17/12/2013 (fl. 17649), o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 17653 a 17692 em 14/01/2014. Também foi apresentada em 14/01/2014 (fls. 18069 a 18086) a defesa de Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias. A seguir, a síntese das defesas apresentadas. IMPUGNAÇÃO COMERCIAL DE ESTIVAS MATOS LTDA DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL 49. Inicialmente, a Impugnante protestou pela nulidade do procedimento administrativo fiscal contra ela instaurado, em decorrência da utilização de informações protegidas por sigilo processual e bancário sem autorização judicial, o que afronta o art. 5º, X e XII, da Constituição Federal. 50. A impugnante argumenta que os Auditores da Receita Federal receberam documentos apreendidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, sem qualquer autorização para tanto. 51. Trechos do Inquérito Policial nº 0420/2009, instaurado pela Polícia Fedral e a Medida Cautelar Criminal que havia sido distribuída na Justiça Federal – Seção Bahia, Subseção de Ilhéus, sob o nº 95622.2012.4.01.3301, sem que tenha obtido autorização, foram reproduzidos, fazendo julgamento antecipado, afirmando que o Contribuinte faz parte do Grupo Meira e que seus reais proprietários são o Sr. Herbert Moreira Dias e a Sra. Valdeana Meira Souto e Dias. 52. A Impugnante cita o art. 5º, X, da CF, para afirmar que houve, no presente caso, ofensa ao princípio constitucional nele contido, ocorrendo, assim, a nulidade do procedimento fiscal que foi baseado em informações protegidas por sigilo, sem a devida autorização judicial, o que demonstra a ilicitude das provas carreadas ao procedimento fiscal ora combatido. 53. Para ela, também houve ofensa ao art. 5º, LIV, da CF, pois não foi respeitado o devido processo legal. Cita, em sua defesa, entendimento da doutrina e da jurisprudência que julga favoráveis a sua tese. 54. A atividade fiscal encontra limitações que se encontram na Constituição Federal, as quais foram ultrapassadas no presente caso. A impugnante diz que o inquérito policial instaurado contra o Contribuinte está eivado de vícios que estão sendo discutidos por via judicial e que, por isso, representam meros indícios. Fl. 18859DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.855 11 55. Argumenta a Impugnante que o inquérito policial ainda não se findou, o processo cautelar ainda tramita e não houve sentença. Assim, não está comprovado que as alegações lançadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal reproduzem a verdade dos fatos. Assim, não se deve levar em consideração afirmações inconclusivas, valendo a regra da presunção de inocência e idoneidade até prova em contrário. 56. Tanto a Polícia Federal, como o Ministério Público Federal e a Receita Federal não possuem competência para quebrar o sigilo bancário e processual, que somente poderia ser afastada por ordem judicial, sob pena de nulidade de todo o procedimento administrativo fiscal e todos os atos e procedimentos dele derivados, porquanto lastreados em informações obtidas ao arrepio de vedação constitucional. 57. Em seguida, a Impugnante apresentou ementas de julgamentos sobre o tema, que entende favoráveis à tese por ela defendida. 58. Além da nulidade defendida pelos motivos acima indicados, a Impugnante também defendeu a ocorrência de nulidade do procedimento fiscal pela falta de intimação dos sócios da empresa contribuinte. 59. A Impugnante diz que o legislador não pode eleger responsáveis de forma aleatória, sob pena de acarretar uma insegurança jurídica. Também não possui poderes ilimitados para eleger os responsáveis, devendo haver um vínculo entre o sujeito passivo e o fato gerador tributário. 60. No presente procedimento fiscal, não houve qualquer intimação dos sócios do Contribuinte para que se manifestassem acerca do seu teor. Tratandose de crédito tributário, a lei não imputa responsabilidade a todos os sócios da sociedade limitada, mas tão somente àqueles que exerçam poder de gerência. Porém, deve haver, ao menos, intimação destes, para que possam se manifestar acerca do procedimento fiscal, sob pena de nulidade. 61. A Fiscalização deveria ter respeitado a regra do art. 134, VII, do CTN, incluindo os sócios da empresa no presente procedimento fiscal; ao contrário, direcionaram para terceiros, fundado em um julgamento antecipado de informações inconclusivas recebidas. 62. Ao agir assim, a Fiscalização cerceou o direito de defesa dos sócios da empresa, ao considerálos sem capacidade econômica. Nos procedimentos investigatórios da Polícia Federal, assim como na Ação Cautelar, os sócios do Contribuinte foram devidamente citados e apresentaram as suas defesas nos prazos concedidos. A Impugnante entende que no procedimento fiscal não poderia ser diferente. 63. Dos argumentos acima resumidos, a Impugnante requereu a nulidade do procedimento administrativo fiscal, pela ausência de intimação dos sócios para manifestação, bem como o redirecionamento a pessoas estranhas a seu quadro societário. 64. Ainda propugnando pela nulidade do procedimento administrativo fiscal, a Impugnante alegou o não cumprimento do prazo para execução e encerramento dos trabalhos após a citação do Contribuinte. 65. Discorre a Impugnante que a Fiscalização não respeitou os prazos para o encerramento ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Este se iniciou 16/04/2013, Fl. 18860DF CARF MF 12 com a citação válida do Contribuinte por seu procurador legalmente constituído, conforme documentação acostada ao processo, e teria o seu prazo findo em 16/08/2013, data na qual o Auditor Fiscal deveria efetuar a prorrogação, por quantas vezes necessárias. 66. Portanto, o Auto de Infração é insubsistente, por não observar os requisitos legais previstos na própria legislação da Receita Federal, com base nos arts. 11 a 20 da Portaria RFB nº 4.066/2007, alterada pela Portaria RFB nº 10.382/2007. 67. Como o procedimento fiscal ultrapassou o prazo legal de 120 dias, tendo se iniciado em 16/04/2013 e se encerrado em 12/12/2013 (253 dias), a Impugnante requer a sua nulidade por decurso do prazo. MÉRITO GLOSA INDEVIDA DE DESPESAS DAS ATIVIDADES 68. Quanto ao mérito, a Impugnante iniciou a sua defesa contestando a totalidade dos débitos apurados pela Fiscalização. 69. A documentação referente ao FGTS, juros financeiros, energia elétrica, ordenados e salários, pagos nos anos de 2008, 2009 e 2010, foi glosada pela Fiscalização. Diz a Impugnante que ela havia sido apresentada à Fiscalização, que a desconsiderou, e é novamente apresentada. 70. Às fls. 17673 a 17675, é apresentada tabela com os valores que a Impugnante entende estarem devidamente comprovados. 71. Diz a Impugnante que os valores contidos nas tabelas estão devidamente contabilizados nas respectivas contas, e que foram comprovadas pela documentação apresentada pelo Contribuinte quando da fiscalização. 72. As despesas pagas foram consideradas em conta de resultado pela Fiscalização, o que representa um afronte aos princípios gerais de contabilidade emanados pelo Conselho Federal de Contabilidade, pela Lei nº 6.404/76, pelo art. 1.179 do Código Civil, bem como às normas internacionais de contabilidade. São reproduzidas ementas de julgamentos administrativos que se entende favoráveis à tese defendida. 73. Em decorrência do exposto, afirmou estarem comprovadas “despesas de manutenção e investimentos na atividade comercial”, nos seguintes montantes: R$ 1.333.463,80 em 2008; R$ 2.316.314,91 em 2009; R$ 2.824.958,96 em 2010. DA NÃO OMISSÃO DE RECEITA PELO CONTRIBUINTE 74. Para a Impugnante, não houve omissão de receitas relativas a suposta irregularidade apurada através dos estoques da empresa. Houve confusão da Fiscalização, que considerou como Estoque Final de 2009 o valor do Estoque Inicial, o que teria causado a divergência em relação ao Estoque Final do exercício 2008. 75. Diante da confusão causada pela inversão dos valores, não houve omissão de receita, além de não atender o disposto no art. 10, III e IV, do Decreto 70.235/72, que trata dos requisitos da lavratura do auto de infração. DO NÃO CABIMENTO DO ARBITRAMENTO DE LUCRO Fl. 18861DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.856 13 76. Além do até aqui exposto, foi defendido pela Impugnante que é incabível no caso o arbitramento do lucro feito pela Fiscalização. 77. A legislação tributária relaciona de forma taxativa as hipóteses em que a autoridade administrativa pode desconsiderar a grandeza oferecida à tributação pelo Contribuinte – Lucro Líquido – e passe a mensurar este mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. 78. A impugnante citou doutrina e jurisprudência administrativa em seu socorro. 79. Como o Contribuinte apresentou toda a documentação válida de sua movimentação financeira (livros contábeis), não há que se falar em arbitramento de lucros pela Autoridade Fiscal, não podendo a imputação que lhe foi atribuída prosperar. DO NÃO CABIMENTO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 80. Como a Autoridade Fiscal utilizouse de lastro probatório nulo, por vício de ilegalidade, conforme acima relatado, resta prejudicada a sustentação da referida qualificadora da multa prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicado o percentual de 75% no presente caso. DA NÃO PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA EM GRUPO ECONÔMICO 81. Segundo discorreu a Impugnante, grupo econômico pode ser conceituado como uma “concentração de empresas, sob a forma de integração (participações societárias, resultando no controle de uma ou umas sobre as outras), obedecendo todas a uma única direção econômica”. 82. A empresa Contribuinte nunca fez parte de nenhum grupo empresarial, nem de fato nem de direito. Possuía administração própria, patrimônio, sendo que em nenhuma fase de sua vida empresarial sofreram interferência de qualquer outra pessoa jurídica. 83. A Fiscalização, baseada em informações viciadas, tentaram fazer uma relação entre algumas empresas, as quais nunca ocorreram e não demonstram formação de grupo econômico. 84. Diz a Impugnante que a doutrina e a jurisprudência, sobretudo do STJ, têm caminhado na busca de soluções mais consentâneas com os preceitos constitucionais que tratam da ordem econômica e que, em última análise, objetivam a preservação das empresas e de suas unidades produtivas. 85. Entender que a existência de apenas um sócio em comum configura um grupo econômico, afronta o princípio da livre iniciativa, pois impediria que pessoas físicas participantes de uma sociedade adentrassem ou criassem empresa diversa, já que isso acarretaria a responsabilização em cadeia de todas as empresas com as quais tivesse qualquer vínculo. Fl. 18862DF CARF MF 14 86. Dessa forma, para a Impugnante resta evidenciado que a alegação de grupo econômico não merece prosperar, pois é fundada em alegações inconclusivas e viciadas, não estando presentes os requisitos previstos em lei. DO REQUERIMENTO 87. De todo o exposto, a Impugnante requereu o acolhimento das preliminares apresentadas, com as suas conseqüências; se ultrapassadas as preliminares, seja julgada procedente a impugnação, para fins de se reconhecer a improcedência dos autos de infração lavrados. 88. Por fim, requereu que fosse realizado o julgamento simultâneo dos autos de infração do processo nº 10508.720647/201347 e dos autos de infração do processo 10508.720648/201371, em razão da conexão e das provas acostadas ao presente auto de infração, conforme determina o § 1º do art. 9º do Decreto 70.235/72. IMPUGNAÇÃO HERBERT MOREIRA DIAS E VALDEANA MEIRA SOUTO E DIAS DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL 89. Inicialmente, os Impugnantes protestaram pela nulidade do procedimento administrativo fiscal, em decorrência da utilização de informações protegidas por sigilo processual e bancário sem autorização judicial, o que afronta o art. 5º, X e XII, da Constituição Federal. 90. Os Impugnantes argumentam que os Auditores da Receita Federal receberam documentos apreendidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, sem qualquer autorização para tanto. 91. Trechos do Inquérito Policial nº 0420/2009, instaurado pela Polícia Federal e a Medida Cautelar Criminal que havia sido distribuída na Justiça Federal – Seção Bahia, Subseção de Ilhéus, sob o nº 95622.2012.4.01.3301, sem que tenha obtido autorização, foram reproduzidos, fazendo julgamento antecipado, afirmando que os Impugnantes são os reais proprietários da empresa Comercial de Estivas Matos Ltda. 92. Os Impugnantes citam o art. 5º, X, da CF, para afirmar que houve, no presente caso, ofensa ao princípio constitucional nele contido, ocorrendo, assim, a nulidade do procedimento fiscal que foi baseado em informações protegidas por sigilo, sem a devida autorização judicial, o que demonstra a ilicitude das provas carreadas ao procedimento fiscal ora combatido. 93. Também houve ofensa ao art. 5º, LIV, da CF, pois não foi respeitado o devido processo legal. Citam, em sua defesa, entendimento da doutrina e da jurisprudência que julgam serem favoráveis a sua tese. 94. A atividade fiscal encontra limitações que se encontram na Constituição Federal, as quais foram ultrapassadas no presente caso. Os Impugnantes dizem que o inquérito policial instaurado contra o Contribuinte está eivado de vícios que estão sendo discutidos por via judicial e que, por isso, representam meros indícios. Fl. 18863DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.857 15 95. Argumentam os Impugnantes que o inquérito policial ainda não se findou, o processo cautelar ainda tramita e não houve sentença. Assim, não está comprovado que as alegações lançadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal reproduzem a verdade dos fatos. Assim, não se deve levar em consideração afirmações inconclusivas, valendo a regra da presunção de inocência e idoneidade até prova em contrário. 96. Tanto a Polícia Federal, como o Ministério Público Federal e a Receita Federal não possuem competência para quebrar o sigilo bancário e processual, que somente poderia ser afastada por ordem judicial, sob pena de nulidade de todo o procedimento administrativo fiscal e todos os atos e procedimentos dele derivados, porquanto lastreados em informações obtidas ao arrepio de vedação constitucional. 97. Em seguida, os Impugnantes apresentaram ementas de julgamentos sobre o tema, que entende favoráveis à tese por ela defendida. DA ILEGITIMIDADE PARA FIGURAR NO PÓLO PASSIVO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL – AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 98. Os Impugnantes discorrem acerca da questão da responsabilidade tributária, mencionando que o legislador não pode eleger responsáveis de forma aleatória, sob pena de acarretar uma insegurança jurídica. Também não possui poderes ilimitados para eleger os responsáveis, devendo haver um vínculo entre o sujeito passivo e o fato gerador tributário. 99. No presente procedimento fiscal, não foi demonstrada ou comprovada qualquer responsabilidade dos Impugnantes, referente à constituição do crédito tributário objeto deste processo. 100. Os Impugnantes nunca fizeram parte do quadro societário da empresa Contribuinte, não tendo qualquer responsabilidade pelos supostos débitos apurados. Foram incluídos como sujeitos passivos solidários no procedimento fiscal com base em informações sigilosas e parciais, colhidas sem qualquer autorização. 101. A Fiscalização deveria ter respeitado a regra do art. 134, VII, do CTN, incluindo os sócios da empresa no presente procedimento fiscal; ao contrário, direcionaram para terceiros, fundado em um julgamento antecipado de informações inconclusivas recebidas. 102. Ao agir assim, a Fiscalização cerceou o direito de defesa dos sócios da empresa, ao considerálos sem capacidade econômica. 103. Dos argumentos acima resumidos, os Impugnantes requereram as suas exclusões do presente procedimento administrativo fiscal. MÉRITO 104. Quanto ao mérito, os Impugnantes alegam restarem prejudicados quaisquer questionamentos acerca dos supostos tributos apurados, pelos motivos acima resumidos, visto que não têm qualquer ingerência sobre a empresa Contribuinte. Fl. 18864DF CARF MF 16 105. Se ultrapassadas as teses defendidas, requereu que a defesa apresentada por Comercial de Estivas Matos Ltda fizesse parte da sua impugnação. DO REQUERIMENTO 106. De todo o exposto, a Impugnante requereu o acolhimento das preliminares apresentadas, com as suas conseqüências; se ultrapassadas as preliminares, seja julgada procedente a impugnação, para fins de se reconhecer a improcedência dos autos de infração lavrados. DA RESOLUÇÃO Nº 446 DA 3ª TURMA DA DEJ/SP 107. Em 30/04/2014, o julgamento administrativo do presente processo fiscal foi convertido em diligência, através da Resolução nº 446 da 3ª Turma da DRJ/SPO (fls. 18096 a 18120), de forma a serem solucionadas determinadas questões surgidas com a impugnação apresentada pelo Contribuinte. 108. Abaixo, reproduzimos a parte final da Resolução. “RESOLUÇÃO Conforme relatado, a Impugnante (e os responsáveis pelo crédito tributário) concentrou a sua defesa nos seguintes pontos: 1) Nulidade do procedimento fiscal por quebra de sigilo processual e bancário; cerceamento de defesa; falta de intimação dos sócios; desrespeito ao prazo contido no MPF e a sua não prorrogação. 2) Glosa indevida de despesas com juros financeiros, energia elétrica e ordenados, salários, FGTS. Junto com a impugnação, apresentou diversos documentos referentes aos citados gastos, os quais, segundo afirmou, tinham sido apresentados no procedimento fiscal, mas que foram desconsiderados pela Autoridade Fiscal. 3) Apontou a ocorrência de equívoco quanto ao valor considerado como Estoque Final de 2009. 4) Alegou ser incabível o arbitramento do lucro na autuação. 5) Alegou ser incabível a qualificação da multa lançada. 6) Alegou que a empresa não faz parte de grupo econômico. 7) Ilegitimidade dos responsabilizados pelo crédito tributário. Dos pontos acima indicados, dois deles (“2’ e “3”) devem ser destacados: a questão da glosa de despesas e a do suposto equívoco do valor considerado como estoque. A Impugnante afirmou ter apresentado a documentação para a Fiscalização, que a teria desconsiderado. Não há nos autos análise dessa documentação. Ao contrário, a Autoridade Fiscal disse que, intimado, o Contribuinte não apresentou a documentação e as justificativas solicitadas sobre as despesas, restando à Autoridade, conforme prescreve a legislação, a sua glosa. Ocorre que, junto com a impugnação, foi apresentada documentação que não foi apreciada pela Autoridade Fiscal. A simples apresentação pelo Contribuinte de documentação em conjunto com a impugnação não comprova que a glosa (ou parte dela) tenha sido indevida, pois essa documentação deve ser auditada em conjunto com os demais elementos da contabilidade, de forma que se tenha certeza de que os valores contidos nos documentos constituam diminuição do resultado da empresa. Fl. 18865DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.858 17 De qualquer maneira, é fato que foram juntados aos autos pela Impugnante documentos que podem modificar a base de cálculo apurada. O processo, conforme se encontra, não permite a continuidade do julgamento, em respeito ao direito de defesa do Contribuinte e ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. As análises que devem ser feitas da documentação apresentada pela Impugnante implicam a realização de tarefas e atos típicos de auditoria, como a verificação da efetividade dos valores, do fluxo financeiro, da habilidade e idoneidade da documentação apresentada, etc. Ao Contribuinte, é seu dever colaborar com a Fiscalização, de modo que o trabalho possa ser realizado de forma efetiva, devendo apresentar todos os elementos que a Autoridade Lançadora entender necessários à realização da auditoria, caso sejam exigidos, conforme previstos na legislação tributária federal. Dessa forma, os autos do presente processo administrativo devem ser encaminhados ao setor de Fiscalização da Delegacia de jurisdição do Contribuinte, para que sejam implementadas as medidas necessárias à análise da documentação juntada aos autos pelo Contribuinte, devendo este, caso haja solicitação, prestar todos os esclarecimentos e apresentar todos os livros e/ou documentos necessários à auditoria solicitados pela Autoridade Fiscal. Caso, após auditoria da documentação apresentada, haja alteração nas bases se cálculo originalmente lançadas, decorrente da comprovação das despesas cuja documentação foi apresentada com a impugnação, deverá ser elaborada tabela com as novas bases de cálculo do imposto e das contribuições lançados. Ao final, deverá ser elaborado relatório conclusivo (i) dos resultados da diligência/auditoria empreendida, incluindo os demonstrativos das bases de cálculo apuradas do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, antes e depois da diligência; (ii) manifestação quanto ao possível equívoco quanto ao valor do estoque da empresa; (iii) bem como quaisquer outros esclarecimentos que a Autoridade Fiscal entenda pertinentes ao caso. Em conclusão, voto no sentido de transformar em diligência o presente julgamento, com o encaminhamento dos autos do presente processo administrativo fiscal à Delegacia de jurisdição do Contribuinte, conforme exposto, para implementação das medidas propostas e outras que se fizerem necessárias, concedendo ao Contribuinte, após realização do trabalho, o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, de acordo com o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011.” DA DILIGÊNCIA REALIZADA 109. Após intimar o Contribuinte e realizar a diligência, a Autoridade Fiscal elaborou o “Relatório de Diligência” (fls. 18711 a 18718), cujos pontos principais destacamos a seguir. 110. Em 26/06/2014, o procurador do contribuinte, Jacob Bitar Junior, compareceu à Inspetoria da Receita Federal para tomar ciência pessoal do Termo de Início de Diligência, sendo então intimado a apresentar os documentos originais das cópias anexadas na impugnação. Além disso, retificou o endereço para a entrega de futuras intimações. Fl. 18866DF CARF MF 18 111. Como o Contribuinte não apresentou a documentação original das cópias anexadas na impugnação, a Autoridade Fiscal o reintimou em 02/09/2014. Em 11/09/204, o Contribuinte apresentou extratos bancários, planilha de juros e despesas financeiras (ano base 2008), relativos aos Juros e Encargos de Financiamentos. 112. Em 02/10/2014, o Contribuinte compareceu à Inspetoria da Receita Federal e apresentou segundas vias de contas da COELBA dos anos de 2009 e 2010; e extratos do FGTS dos anos de 2008 a 2010. 113. Antes da análise da documentação apresentada pelo Contribuinte no curso da diligência fiscal realizada, a Autoridade Fiscal esclareceu que os documentos anexados juntamente com a impugnação ao Auto de Infração não tinham sido apresentados durante a fiscalização. Além disso, destacou que o Contribuinte comportouse de modo a tentar retardar o curso do processo. 114. Analisada a documentação apresentada, a Autoridade Fiscal concluiu pela aceitação dos valores conforme explicado no Relatório. Assim, os montantes de despesas glosadas antes e depois da realização da diligência são os seguintes: 115. Com relação à omissão de receitas, derivada da diferença de estoque final de 2008 e inicial de 2009, a Autoridade Fiscal disse não ter ocorrido o alegado equívoco. 116. No ano de 2008, foi apurada uma diferença de R$ 17.011.534,67 entre os valores constantes do estoque final de 2008, no montante de R$ 47.297.920,15, e os do estoque inicial de 2009, no montante de R$ 30.286.385,48. Esses valores foram retirados do livro Razão e do Diário. os valores constantes do estoque final de 2008 totalizam R$ 47.297.920,15, os do estoque inicial de 2009 totalizam R$ 30.286.385,48. A diferença totaliza R$ 17.011.534,67. 117. Da mesma forma, não há que se falar em equívoco em relação aos valores de estoque inicial e final de 2009. Os valores de estoque inicial de 2009 totalizam R$ 30.286.385,48, e os do estoque final de 2009 totalizam R$ 29.473.519,34, valores esses também comprovados nos livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário. 118. Ressaltou a Autoridade Fiscal, novamente, a intenção do Contribuinte em retardar o processo. Fl. 18867DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.859 19 119. Pelas razões acima expostas, a Autoridade Fiscal manteve a posição inicial sobre a omissão de receitas de vendas, no montante de R$ 17.011.534,67, por estar em harmonia com os livros Razão, Diário, e balancetes dos Livros Diário (fl. 18716). 120. A seguir, reproduzimos o Lucro Líquido apurado pela Autoridade Fiscal antes e depois da diligência realizada (fl. 18717). 121. Dada ciência ao Contribuinte dos resultados da diligência realizada (AR à fl. 18720), foi a ele concedido o prazo legal de 30 dias para manifestação, a qual não foi apresentada, de acordo com o despacho de fl. 18722. Após a análise dos argumentos de acusação e de defesa a Delegacia de Julgamento proferiu acórdão julgando procedente em parte a impugnação apenas para reduzir os valores da autuação de acordo com as informações apresentadas no resultado da diligência, mantendo todos os demais termos da autuação. Cientificado do acórdão da impugnação o contribuinte apresentou recurso voluntário apresentando as seguintes alegações: Nulidades Fl. 18868DF CARF MF 20 1. Ilicitude do Procedimento por Utilização de Informações protegidas por sigilo bancário sem autorização judicial => Argumenta que os documentos utilizados pela fiscalização para a autuação foram apreendidos pela Polícia Federal e Ministério Público e encaminhados sem qualquer autorização judicial. Entende que este procedimento desrespeitou o devido processo legal, sendo causa de nulidade do procedimento de fiscalização. Alega também a quebra do sigilo processual visto que foi transcrito nos autos do processo trechos da peça inicial da Medida Cautelar Penal impetrada contra a empresa. 2. Falta de Intimação aos sócios da empresa => Alega que foram indicados os responsáveis solidários sem nenhum critério. Alega que não houve intimação aos sócios da empresa para se manifestar no curso do procedimento e que foram indicados terceiros como responsáveis sem maiores explicações e fundamentação. Mérito 1. Da insubsistência das Glosas => Alega que apresentou documentos para demonstrar suas despesas e que, por isso, deveriam ser consideradas insubsistentes as glosas tendo em vista a comprovação das despesas e os precedentes do CARF a este respeito. 2. Do não cabimento do arbitramento do lucro => Alega que a escrituração de sua movimentação financeira estava registrada no livro caixa e no livro caixa auxiliar e que assim, descaberia o arbitramento do lucro. Entende que a empresa não deixou de apresentar sua documentação contábil e que, por isso, seria impossível o arbitramento. 3. Do não cabimento da qualificação da multa => Entende que a imposição de multa qualificada ocorreu sem embasamento probatório e fundamentação legal. Entende, também, que não seria moral o estabelecimento de multa em patamar de 150%. 4. Da não participação de grupo econômico => Alega que para se caracterizar a existência de grupo econômico as empresas deveriam estar submetidas a um controle único. Que esta participação foi apenas suposta pela fiscalização, não fazendo a empresa parte de nenhum grupo. A delegacia de origem, verificando que os responsáveis solidários não foram intimados do acórdão da impugnação, solicitou o retorno do processo para suprir a irregularidade. Cumpridas as intimações, não foram apresentados recursos por parte dos responsáveis solidários. É o relatório. Voto Fl. 18869DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.860 21 Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomamos conhecimento. Iniciaremos a análise recursal a partir dos pontos de discordância levantados pelo recorrente. 1. Ilicitude do Procedimento por Utilização de Informações protegidas por sigilo bancário sem autorização judicial Com relação à alegação de utilização de informações protegidas pelo sigilo bancário, este argumento foi apreciado em sede do julgamento da impugnação conforme transcrito abaixo: 129. Sobre o sigilo processual e bancário quebrado sem autorização judicial, a alegação de nulidade igualmente não procede. As informações foram encaminhadas por órgãos competentes para tal, tanto a Polícia Federal como o Ministério Público Federal. Se alguma ilegalidade tivesse ocorrido, caberia à Impugnante ter apresentado alguma tutela judicial, o que não foi o caso. 130. Neste ponto é importante destacar que as informações recebidas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal têm relação com as questões da multa qualificada e da responsabilidade tributária atribuída a Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias e não com o crédito tributário lançado. 131. A base de cálculo apurada pela Auditoria Fiscal não utilizou informações recebidas dos órgãos citados, nem de depósitos bancários de extratos obtidos de instituições financeiras. São incabíveis as acusações de quebra de sigilo bancário ou processual apresentadas pela Impugnante. A base de cálculo foi apurada através de livros fiscais, declarações e documentos fornecidos pelo próprio Contribuinte (e não de extratos bancários), o que pode ser facilmente verificado com a simples leitura do Relatório de Verificação Fiscal. No meu entendimento, correta a análise procedida pela Delegacia de Julgamento. Não houve quebra de sigilo bancário conforme alegado pelo recorrente. O que houve, isto sim, foi a utilização de informações decorrentes de inquérito, encaminhadas ao órgão tributário pela Polícia Federal e Ministério Público, para que fossem adotadas medidas de apuração das irregularidades tributárias. Estas informações não serviram de base para a autuação pura e simplesmente. Ao contrário, a partir delas foi realizado todo o procedimento de fiscalização por meio do qual foram apuradas as irregularidades, coletados os documentos, estes fornecidos pela empresa, e quantificadas as irregularidades ora imputadas á empresa. Estas informações e as conclusões dela decorrentes foram cientificadas à empresa e destas esta pode proceder sua defesa. Mais ainda, a jurisprudência deste CARF é tranquila no sentido de não se caracterizar a nulidade a utilização de informações fornecidas por outros órgãos de estado para Fl. 18870DF CARF MF 22 o início de procedimento de fiscalização contra o contribuinte. Vejase precedentes do CARF respeito. PROVA EMPRESTADA. FUNÇÃO AUXILIAR. LICITUDE. Considerar o conteúdo de prova emprestada é conduta lícita e válida, desde que tal instrumento seja auxiliar, ou seja, que sirva como indício para a autuação fiscal, que não enseje, apenas por si, a lavratura do auto de infração. Acórdão nº 1402002.747, de 19/09/2017. PROVA EMPRESTADA. UTILIZAÇÃO. Disponibilizadas às partes as provas chamadas “emprestadas” e tendo sido permitido à fiscalizada e aos sujeitos passivos solidários inteiro acesso a elas, podendo exercer o direito de ampla manifestação sobre as mesmas, improcedente o reclamo sobre uma possível utilização indevida de provas e documentos trazidos de outros processos. Acórdão nº 1301002.561, de 15/08/2017. PROVAS EMPRESTADAS. RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. OBSERVÂNCIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO. A utilização de conjunto probatório produzido por órgão público em processos instaurados por autoridades fiscais de outra esfera de poder, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico e não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal. Acórdão nº 1301 002.271, de 14/04/2017. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. Acórdão nº 3302003.365, de 27/09/2016. Desta forma é que entendo não ter ocorrido a nulidade apontada pelo recorrente e por isso rejeito esta preliminar. 2. Falta de Intimação aos sócios da empresa Esta outra nulidade apontada pelo recorrente prendese à alegação de que os sócios da empresa não foram intimados durante o procedimento de fiscalização e que, além disso, foram apontados como responsáveis solidários terceiros que não os sócios da empresa. Com relação à falta de intimação aos sócios da empresa, assim se pronunciou a delegacia de Julgamento a respeito. 132. A alegação de cerceamento de defesa é igualmente improcedente. O Contribuinte foi representado em todo o procedimento fiscal por seu procurador, indicado por ele próprio. Foi ele regularmente intimado de todos os termos do processo, teve deles plena ciência e oportunidade para apresentar documentos, provas, explicações e justificativas. Exerceu, Fl. 18871DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.861 23 conforme quis, plenamente o seu direito de defesa, sendo incabível agora alegar cerceamento de defesa. 133. Ainda sobre nulidade, a Impugnante também defendeu a ocorrência de nulidade do procedimento fiscal pela falta de intimação dos sócios da empresa contribuinte, os quais não puderam se manifestar quanto ao seu teor. 134. Não procede a tese da Impugnante. Durante o curso do procedimento fiscal, o Contribuinte foi representado por um procurador, o qual foi designado pelo próprio Contribuinte. Uma vez que o contribuinte esteja legalmente representado por um procurador, não há norma que imponha, no curso de um procedimento fiscal, a intimação dos sócios. Logo, o Contribuinte teve, através de seu mandatário, conhecimento de tudo o que ocorria na fiscalização, não havendo qualquer motivo para supor o contrário. 135. Quanto ao “direcionamento para terceiros” atacado pela Impugnante, esta questão está relacionada com a responsabilidade tributária, que será discutida adiante. Mas, desde já, deixamos nosso posicionamento pelo acerto da Fiscalização em atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas indicadas. Consultando a documentação anexada ao processo verificamos, com base na procuração juntada às fls. 9715/9717, que a empresa foi representada, durante todo o procedimento, pelo Sr. Marcelo Silva Bonfim, devidamente outorgado por meio de instrumento de mandato público para representar a empresa perante os órgãos federais. Ora, se a própria empresa, por meio de seus sócios, fazse representar por procurador, como agora pode apresentar preliminar de nulidade por falta de intimação aos sócios da empresa. Restando evidente que houve intimação ao representante da empresa, não há que se falar em nulidade por falta de intimação aos sócios. Quanto à menção de que a responsabilidade foi atribuída a terceiros que não fazem parte da empresa, analisaremos mais abaixo este tema. Pelo exposto, voto no sentido de igualmente rejeitar esta preliminar. 3. Mérito Da insubsistência das Glosas Com relação à insubsistência das glosas pela alegação de que os documentos apresentados pela empresa não foram analisados a este respeito a Delegacia de Julgamento já se pronunciou determinando a realização de diligência na qual todos os documentos foram objeto de análise e, ao final, foram revistos os valores das glosas de despesas e refeita a apuração do lucro tributável. Assim, não há reparos na decisão de Piso com relação a este ponto. Os documentos apresentados apenas em sede de impugnação foram analisados e aceitos como comprovantes de despesas, levando à redução da autuação. Fl. 18872DF CARF MF 24 Não existindo outros documentos não apreciados anteriormente, e em face dos argumentos, neste ponto, serem os mesmos apresentados na impugnação, não existem outros motivos para se aprofundar esta análise. À vista do exposto, voto, neste ponto, por negar provimento ao recurso. 4. Do não cabimento do arbitramento do lucro Em relação a esta alegação formulada pelo recorrente, não existem motivos para sua apresentação e este fato já foi devidamente constatado pela Decisão de Piso. Equivocase o recorrente ao alegar arbitramento do lucro. Na verdade, toda a autuação foi realizada por meio de apuração do lucro real, até mesmo porque houve glosa de despesas que simplesmente inexistiriam se acaso o lançamento tivesse ocorrido na sistemática do lucro arbitrado. Desta forma, verificandose que a alegação neste ponto carece de qualquer fundamento factual em razão de inexistir arbitramento do lucro, há de se negar provimento ao recurso. 5. Do não cabimento da qualificação da multa Acerca da qualificação da multa vejamos o que informa a fiscalização em sua autuação. Analisandose o lançamento realizado verificase que o lançamento decorreu de glosa de despesas não comprovadas, diferença de estoques de encerramento do ano 2008 e de abertura do ano 2009 e, por fim, lançamentos incorretos a crédito da conta caixa. Pela análise das infrações cometidas podese constatar a existência de infrações à legislação tributária decorrentes de ação intencional tendente a reduzir a imputação tributária. Notese que não se trata de um simples equívoco cometido pela empresa, mas sim atos intencionais de indevida redução da tributação, como, por exemplo os lançamentos realizados a crédito da conta de caixa. No TVF a fiscalização consegue demonstrar cabalmente que os sócios reais da empresa são diferentes dos sócios que constam nos contratos sociais, no entanto este fato não implica, sem maiores comprovações, que os atos praticados por estes estariam caracterizados como atos de fraude ou sonegação, posto que não houve análise da realização dos atos irregulares para benefício específico de alguém. Por estas razões, e por entender a prática dos atos de evidente intuito de redução indevida da tributação, juntamente com a tentativa de ocultar os reais proprietários da Fl. 18873DF CARF MF Processo nº 10508.720648/201371 Acórdão n.º 1401002.295 S1C4T1 Fl. 18.862 25 empresa com vista a não se responsabilizarem pelas intencionais infrações cometidas, voto no sentido de manter a qualificação da multa aplicada. 6. Da não participação de grupo econômico A recorrente, neste ponto, alega que não restou comprovada a sua participação em grupo econômico como fora alegado pela fiscalização. Em verdade este tópico diria mais respeito à responsabilização solidária dos sócios de fato da empresa. De toda forma para evitar a interposição de embargos declaratórios, remetemos, neste ponto à leitura dos itens 6 e 7 do TVF, relatado às fls. 17640/17648, no qual a fiscalização apresente extensa narrativa demonstrando que: 1 – A direção de fato da empresa era exercida pelos sócios de fato Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias, por meio de procurações emitidas pelos sócios de direito da empresa; 2 – Que os sócios que constavam no contrato social eram pessoas que constavam como empregados da empresa, parente dos sócios de fato ou pessoas sem qualificação em administração ou vinculação com a atividade da empresa; 3 – Que os sócios de fato era quem exerciam a movimentação das contas bancárias da empresa; 4 – Que os sócios de fato eram sócios de outras empresas do mesmo grupo conforme verificado na própria página da internet da empresa, onde consta como componente do grupo econômico. Por estas razões é que os sócios de fato foram enquadrados como responsáveis solidários pelas infrações cometidas pela empresa e cuja responsabilização foi mantida em sede de julgamento da impugnação. À vista de todo o demonstrado pela fiscalização e entendendo que estão mais do que comprovadas suas alegações, concordo com a decisão de piso, e entende estar caracterizada a participação da empresa em grupo econômico e, mais ainda, deve ser mantida a responsabilização solidária dos sócios de fato Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias, tendo em vista a prática de atos para não se apresentar como os reais administradores da empresa e participantes de todo um grupo econômico, conforme ficou extensamente comprovado. Por todo o exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO apenas para excluir a qualificação da multa imposta. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Relator Fl. 18874DF CARF MF 26 Fl. 18875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724088/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
"IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de despesas médicas, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto.
Numero da decisão: 2202-004.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir a dedução de despesas médicas comprovadas pelos recibos de fls. 12/24. Votaram pelas conclusões, no que diz respeito à dedução vinculada à prestadora de serviços Paloma Zagonel Kreuz, os conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente VENANCIO AGUIAR CEZAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de despesas médicas, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir a dedução de despesas médicas comprovadas pelos recibos de fls. 12/24. Votaram pelas conclusões, no que diz respeito à dedução vinculada à prestadora de serviços Paloma Zagonel Kreuz, os conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 40 88 /2 01 5- 13 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP): O processo referese à Notificação de Lançamento relativa ao ano calendário de 2013, fls. 40/45, na qual a restituição solicitada pelo contribuinte de R$ 4.783,17 foi ajustada para R$ 82,32. Sendo pleiteada neste processo a restituição complementar de R$ 4.700,85. Valores confirmados pelo extrato de fl. 47. A Notificação de Lançamento, lavrada em 16/11/2015, decorreu da Dedução Indevida de Despesas Médicas. Foi glosado o valor de R$ 17.094,00, das seguintes despesas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: (...) (1) Não há previsão legal para dedução de despesas com sessões/aulas de Pilates. Além disso, o documento hábil a comprovar despesas pagas a empresas é a nota fiscal de serviço e não recibo. (2) No recibo apresentado não consta o carimbo com o nº de inscrição da profissional no respectivo conselho regional da profissão. Sendo assim, não há como se aferir a dedutibilidade da despesa, conforme as hipóteses legais. (3) Os recibos apresentados não observam os requisitos legais: não há indicação do endereço do profissional. Também não há discriminação do paciente do tratamento realizado. (4) Não há, nos recibos apresentados, discriminação do paciente do tratamento. Com efeito, no recibo datado de 03/10/2013 há menção a ROGERIO S CEZAR, não relacionado como dependente neste exercício. A ciência da Notificação de Lançamento pelo contribuinte ocorreu em 25/11/2015, fl 46. Da Impugnação O contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 4/5, em 15/12/2015, alegando, em síntese: · Concorda com a glosa da despesa CENTRO DE FISIOTERAPIA KlRITA SOCIEDADE SIMPLES LTDA ME ORTHOFISIO CNPJ 04.485.513/000190. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11065.724088/201513 Acórdão n.º 2202004.527 S2C2T2 Fl. 96 3 · .Em relação a glosa da despesa médica para PALOMA ZAGONEL KREUZ, a despesa referese a sua dependente IVONE MARIA SALTON CEZAR. · Em relação a glosa das despesas médicas para ANATEREZ CATARINA ARTUS e GIULIANO PEDRON SIMAS, as despesas são próprias. Da Declaração de Ajuste Anual A Declaração de Ajuste Anual consta nos autos às fls. 28/37, nela foi informada a seguinte dependente: A dependente não apresentou Declaração de Ajuste Anual própria Do Dossiê da Malha O Dossiê da Malha Fiscal consta nos autos às fls. 52/75 . Do Termo de Intimação Fiscal O Termo de Intimação Fiscal encontrase à fl. 39. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), deu parcial provimento à Impugnação (fls. 76), pelas seguintes razões: O contribuinte apresentou para comprovar o pagamento a PALOMA ZAGONEL KREUZ, referente a despesa médica que tem como beneficiária do serviço sua dependente IVONE MARIA SALTON CEZAR, o recibo de fl. 11. Todavia, persiste no documento o vício apontado pela fiscalização, ausência do requisito legal de indicação do número de inscrição da profissional no respectivo conselho regional de classe. Para comprovar os pagamentos realizados a ANATEREZ CATARINA ARTUS e GIULIANO PEDRON SIMAS, o contribuinte apresentou os recibos de fls. 12/20 e fls. 21/24, respectivamente, os quais não indicam o beneficiário dos serviços. Portanto, também essas glosas devem ser mantidas. Cientificado (AR fls. 82), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 84), no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) que o fisco alega que nos recibos não consta o nome do favorecido podendo ser outra pessoa. Todavia, os recibos são claros. Tanto é assim que as despesas relativas a dependente do declarante, Sra Ivone Salton Cesar, estão devidamente nomeadas a ela. Sendo assim, as despesas constantes dos recibos são relativas às pessoas neles nominadas. b) Se a lei 9.250/95, em seu artigo 8º, §2º, inciso III, permite que, na falta de documentação, a despesa possa ser comprovada por cheque nominativo, no qual nunca seria colocado o CRM ou CRO, não faz sentido entender que a ausência do CRM/ CRO seja suficiente para manutenção da glosa da despesa; Fl. 97DF CARF MF 4 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratada pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11065.724088/201513 Acórdão n.º 2202004.527 S2C2T2 Fl. 97 5 dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) Em relação à manutenção da glosa em razão da ausência de discriminação dos beneficiários dos serviços, entendo que podese presumir que esse foi o próprio contribuinte. Nesse mesmo sentido já se manifestou a Coordenação Geral de Tributação COSIT, na Solução de Consulta Interna nº 23 de 30/08/2013, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Fl. 99DF CARF MF 6 No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. (grifamos) Em relação ao recibo de fls. 11 emitido por a PALOMA ZAGONEL KREUZ, que tem como beneficiária do serviço a dependente IVONE MARIA SALTON CEZAR a decisão recorrida indeferiu a dedutibilidade em razão da ausência, do requisito legal de indicação do número de inscrição da profissional no respectivo conselho regional de classe. Entendo que a ausência do número de inscrição não é motivo para impedir a glosa se esse puder ser localizado por outras formas. No entanto, verificase que profissional em questão presta os serviços de quiropraxia e acupuntura. Tais serviços não estão dentro dos serviços prestados pelos profissionais listados no art. 8º, inciso II, "a" (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais), motivo pelo qual, a glosa deverá ser mantida. Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para admitir a dedução das despesas médicas comprovadas pelos recibos fls. 12/24. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729056/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 28/02/2006 a 28/02/2007
AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta.
CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADOS. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR EM GFIP.
Incide contribuição previdenciária, patronal e dos trabalhadores, sobre os valores pagos a título de remuneração pelo trabalho. Sujeita-se ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em Gfip e identificados pela fiscalização, através de documentos apresentados pela empresa.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. ÔNUS DO DECLARANTE.
É correta a compensação, em Gfip, da contribuição previdenciária com créditos líquidos e certos da mesma contribuição. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação, cuja prova não se faz pela mera declaração em Gfip de créditos compensáveis. É correta a glosa de valores compensados quando não comprovados, os créditos, por meios hábeis.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Não cabe perícia para fazer prova de fatos cujo ônus probante é da defesa e ela tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia. Nulidade do acórdão inexistente.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALE-TRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI.
Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do vale-transporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. ALUGUEL. EMPREGADO TRANSFERIDO.
A habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência é isenta da contribuição previdenciária quando atendidos os requisitos legais. A transferência do empregado para outra localidade implica a alteração do seu domicílio e, portanto, da sua residência. Configura salário indireto o pagamento de aluguel a empregado transferido, nos termos da CLT, para outra localidade.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. CARTÃO DE PREMIAÇÃO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. Excluem-se do salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O pagamento habitual de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei.
Numero da decisão: 2301-005.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DENEGAR o pedido de perícia e REJEITAR as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de vale-transporte, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas De Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que davam provimento ao recurso voluntário em maior extensão.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 28/02/2006 a 28/02/2007 AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta. CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADOS. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR EM GFIP. Incide contribuição previdenciária, patronal e dos trabalhadores, sobre os valores pagos a título de remuneração pelo trabalho. Sujeita-se ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em Gfip e identificados pela fiscalização, através de documentos apresentados pela empresa. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. ÔNUS DO DECLARANTE. É correta a compensação, em Gfip, da contribuição previdenciária com créditos líquidos e certos da mesma contribuição. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação, cuja prova não se faz pela mera declaração em Gfip de créditos compensáveis. É correta a glosa de valores compensados quando não comprovados, os créditos, por meios hábeis. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Não cabe perícia para fazer prova de fatos cujo ônus probante é da defesa e ela tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia. Nulidade do acórdão inexistente. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALE-TRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do vale-transporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. ALUGUEL. EMPREGADO TRANSFERIDO. A habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência é isenta da contribuição previdenciária quando atendidos os requisitos legais. A transferência do empregado para outra localidade implica a alteração do seu domicílio e, portanto, da sua residência. Configura salário indireto o pagamento de aluguel a empregado transferido, nos termos da CLT, para outra localidade. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. Excluem-se do salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O pagamento habitual de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei.
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Cabe ao sujeito passivo a comprovação da liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação, cuja prova não se faz pela mera declaração em Gfip de créditos compensáveis. É correta a glosa de valores compensados quando não comprovados, os créditos, por meios hábeis. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Não cabe perícia para fazer prova de fatos cujo ônus AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 90 56 /2 01 0- 08 Fl. 2160DF CARF MF 2 probante é da defesa e ela tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia. Nulidade do acórdão inexistente. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALETRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale transporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do valetransporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. ALUGUEL. EMPREGADO TRANSFERIDO. A habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência é isenta da contribuição previdenciária quando atendidos os requisitos legais. A transferência do empregado para outra localidade implica a alteração do seu domicílio e, portanto, da sua residência. Configura salário indireto o pagamento de aluguel a empregado transferido, nos termos da CLT, para outra localidade. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. Excluemse do salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O pagamento habitual de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplicase a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DENEGAR o pedido de perícia e REJEITAR as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de valetransporte, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas De Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que davam provimento ao recurso voluntário em maior extensão. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.161 3 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Tratase de lançamento de ofício, Auto de Infração nº 37.280.6090, para a exigência das contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social, nos termos do artigo 22, inc. I, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos do inciso II daquele artigo. O lançamento decorreu de ação fiscal, relativa ao período de 2/2006 a 2/2007, na qual a Autoridade Lançadora identificou que a empresa havia declarado, em Gfip, valores inferiores aos valores efetivamente devidos de contribuição previdenciária, parte patronal e dos segurados, bem como os valores reflexos relativos às contribuições a terceiros. Da ação fiscal, resultaram os seguintes autos de infração: Nº do auto de infração (Debcad) Período Valor Nº do PAF Matéria lançada 372806139 09/2010 1.000,00 10580.729062/201057 Multa por deixar de declarar em GFIP (art. 32A). 372806082 09/2010 1.431,79 10580.729053/201066 Multa por deixar de descontar contribuição devida pelos segurados (art. 92). 372806368 09/2010 551.239,15 10580.729052/201011 Multa por deixar de declarar em GFIP (art. 32, §§ 4º e 5º). 372806090 2/2006 a 2/2007 2.784.318,36 10580.729056/201008 Contribuições da empresa para a previdência social. 372806104 5/2006 a 2/2007 128.486,40 10580.729057/201044 Contribuições dos segurados descontadas, mas não declaradas e nem recolhidas. 372806112 2/2006 a 2/2007 493.208,37 10580.729059/201033 Contribuições a terceiros. 372806120 2/2006 a 2/2007 957.210,48 10580.729061/201011 Contribuições dos segurados não descontadas, não declaradas e nem recolhidas. O processos encontramse vinculados, sendo que o processo principal é o de nº 10580.729056/201008, ao qual os demais estão apensos. Na ação fiscal, a Autoridade Lançadora constatou que a empresa não havia informado corretamente as bases de cálculo, contribuições e demais dados que deveriam constar das Gfip do período fiscalizado. Verificou, também, que o contribuinte não havia tributado os valores pagos a segurados relativos a despesas de alimentação por meio de Fl. 2162DF CARF MF 4 empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), valetransporte, alugueis e cartão de premiação. A Fiscalização apurou, ainda, que a empresa possuía créditos e os considerou para efeito de cálculo do montante tributável, bem como levou em conta todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte sob o CNPJ da matriz e das filiais. Em decorrência das constatações, a Autoridade Lançadora constituiu os pertinentes créditos tributários relativos a tais parcelas que, no seu entender, integrariam o salário de contribuição. Assim, surgiram os autos de infração para a constituição da contribuição previdenciária patronal e dos segurados, bem como das contribuições a terceiros e das multas relacionadas a incorreções nas Gfip. Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, em cada um dos processos, impugnações nas quais, em síntese, questionou a tributação das verbas tidas por salárioutilidade, alegou que seus créditos e pagamentos não haviam sido considerados pela Autoridade Lançadora e solicitou perícia para a verificação dos valores levantados pela Fiscalização. Também insurgiuse contra o cálculo das multas devidas. Por fim, a Recorrente pleiteou, em cada um dos processos, a anulação dos respectivos autos de infração e, subsidiariamente, a aplicação das multas na forma que, segundo a Recorrente, lhe seria mais benéfica. A instância a quo analisou as impugnações e, de tudo o que foi questionado, deu provimento ao pedido de exclusão dos valores pagos a título de despesas de alimentação, mantendo hígidas todas as demais infrações apontadas pela Autoridade Lançadora. A Recorrente, então, apresentou recursos voluntários repisando as alegações das impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital 1. Preliminar de nulidade por realização de aferição indireta pela Fiscalização A Recorrente alegou que o auto de infração deveria ser anulado porquanto a aferição indireta, no caso, não seria cabível porque feriria o regime de competência e, ainda, não teria havido justificativa para o uso daquele instituto e que isso teria inviabilizado o pleno exercício de seu direito de defesa. Destaquese que a Recorrente reproduziu, no recurso voluntário, quanto à matéria, os exatos termos que havia manifestado na impugnação. O colegiado a quo muito bem tratou da questão e peço vênia para reproduzir o pertinente trecho do voto do acórdão recorrido (efls. 2066 e 2067), com cuja conclusão concordo e cujos fundamentos também assumo como meus: 8. Em que pese o entendimento da impugnante, o Relatório Fiscal traz de forma clara e precisa, a matéria tributável (descrição dos fatos geradores), as contribuições devidas, o período do lançamento e todas as razões que ensejaram a lavratura do auto de Infração, indicando a origem das Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.162 5 exigências lançadas, seus fatos geradores, o período a que se referem, como foram apurados os valores lançados e as razões dos procedimentos adotados. 8.1. Especificamente, quanto ao critério da aferição indireta utilizada em relação aos levantamentos (VT, VT1, AL, AL1), foi constatado pela fiscalização por meio do exame da contabilidade da empresa, que esta forneceu salárioutilidade na forma de habitação a alguns de seus trabalhadores sem demonstrar que a moradia era necessária ao deslocamento do seu trabalho. Também foi informado no Relatório Fiscal que uma parte dos empregados da impugnante teria participado com apenas 1% (um por cento) de desconto sobre seu salário para o custeio do vale transporte, procedimento este em desconformidade com a Lei 7.418/85 que regula a concessão do Vale Transporte. 8.2. Assim, com o objetivo de identificar os fatos geradores e verificar a consistência dos registros contábeis e Folhas de Pagamento, a Fiscalização intimou o contribuinte, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal e nos demais Termos de Intimação Fiscal, (fls.239/263), a prestar informações e fornecer cópias dos documentos (contratos de aluguel, esclarecimentos quanto aos beneficiários pelo pagamento, bem como sobre a destinação do imóvel locado, além dos comprovantes de fornecimentos de Vale transporte), que deram ensejo aos registros da contabilidade e folhas de pagamento, cujos lançamentos contábeis, no caso dos aluguéis estão relacionados no Relatório Fiscal. 8.3. No entanto, a empresa não atendeu a totalidade das intimações feitas no procedimento fiscal, obstando à ação da Fiscalização e impedindo a auditoria fiscal de identificar a totalidade dos atos e fatos da contabilidade. Assim, diante da recusa da empresa em apresentar a documentação solicitada, a autoridade fiscal não teve alternativa a não ser lançar de ofício a importância que reputou devida, considerando a totalidade dos pagamentos registrados nos lançamentos contábeis discriminados no item 4.4.8.3 do Relatório Fiscal (Salário Utilidade na modalidade de Aluguel – Conta Razão 31101040015 e 31201020013), e nas Folhas de Pagamento da Matriz, em relação ao valor de Vale Transporte concedido a alguns empregados em percentual menor que o exigido em Lei, com base no art. 33, parágrafo 3º, da Lei 8.212/91, invertendose o ônus da prova, que passou a ser da autuada. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) Fl. 2164DF CARF MF 6 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(grifei) (...) §6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 8.4. Vale destacar, ainda o que diz o Relatório Fiscal de Diligência em relação à rubrica Vale Transporte, fls. 2041/2046, sobre o qual a impugnante não se manifestou: “Para que fosse utilizado o método de aferição direta, seria necessário que a empresa tivesse disponibilizado o valor fornecido em vale transporte, empregado a empregado, mês a mês. Assim, a auditoria poderia aplicar ao valor do salário, o valor do vale transporte, verificando qual o percentual a ser ressarcido pelo empregado, ou seja, até o percentual máximo de 6% do salário e a seguir, confrontando esse percentual, com o valor da rubrica 046. A diferença encontrada, empregado a empregado, mês a mês, seria o valor do salárioutilidade considerado como base de cálculo”. 8.5. Desta forma, a aferição indireta, conforme praticada pela fiscalização no presente caso, está completamente amparada na legislação vigente. 8.6. Por fim, deve ser ressaltado também que os anexos “DD – Discriminativo do Débito”, “RL – Relatório de Lançamentos”, e os ANEXOS de fls. 91/402 do Relatório Fiscal, ao indicar a base de cálculo apurada, as alíquotas aplicadas, e as contribuições exigidas, por competência, propiciaram o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo, pelo que deve ser afastada tal preliminar de nulidade. (Grifos e negritos do original.) Entendo, pois, que não há nulidade no auto de infração em razão do uso de aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, já que foram observados os requisitos legais para a sua aplicação, sem que tenha havido qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. 2. Diferenças entre as remunerações e contribuições de segurados da matriz, constantes da folha de pagamento e as declaradas na Gfip (levantamentos MT e MT1), glosa na compensação de créditos de competências anteriores (levantamento CG) e pedido de perícia Por serem intrinsecamente relacionados, merecem uma análise conjunta os seguintes tópicos indicados pela Recorrente em sua peça recursal: a) diferenças entre as Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.163 7 remunerações e contribuições de segurados da matriz, constantes da folha de pagamento e as declaradas na Gfip (levantamentos MT e MT1), b) glosa na compensação de créditos de competências anteriores (levantamento CG) e c) pedido de perícia. Nos termos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a Recorrente solicitou perícia, e indicou perito, para a) o refazimento dos cálculos constantes dos levantamentos MT e MT1, considerando os valores das Gfip que apresentara já sob o procedimento de ofício, e b) para esclarecer a origem dos valores e procedimentos adotados pela Fiscalização no caso do levantamento CG. Em relação aos valores identificados nos levantamentos MT (efls. 25 a 143) e MT1 (efl. 143 a 154), a Recorrente alegou que as diferenças apuradas na ação fiscal teriam sido resultantes de mero erro cometido pela empresa na transmissão das Gfip e que isso não teria resultado em falta de recolhimento. Afirma que, ao pretender retificar as Gfip para incluir informações faltantes, teria, inadvertidamente, transmitido as declarações como se novas Gfip fossem, o que teria ocasionado a sobreposição das informações anteriormente declaradas. Também sustentou, a Recorrente, que a Fiscalização teria deixado de considerar as informações sobre recolhimentos e compensações que resultaram sobrepostas pelo alegado erro de retificação de Gfip. Para sanar o erro cometido com a retificação das Gfip, a Recorrente tornou a apresentar as declarações, embora já sob procedimento de ofício, na tentativa de restabelecer as informações que enviara e que haviam sido substituídas. Na verdade, a apresentação das Gfip, as suas substituições indevidas e posteriores retificações intempestivas não têm a menor influência no deslinde da questão tratada neste ponto dos autos (embora tenha relevância quanto a outros aspectos tributários, resultantes da mesma ação fiscal e que serão tratados nos respectivos processos fiscais). Ao analisar os levantamentos MT e MT1, constatase que a investigação fiscal não se baseou nas Gfip para efetuar o lançamento, mas diretamente nas situações que configuraram fatos geradores das contribuições. A partir daí, a Autoridade Lançadora determinou as bases de cálculo, calculou o tributo correspondente, deduziu os pagamentos informados e os créditos identificados e lançou as diferenças devidas. Sobre a matéria, assim se manifestou o acórdão a quo (efl. 2069): 10.2. As bases de cálculo das contribuições foram extraídas das folhas de pagamento, cujas bases foram comparadas com as bases declaradas em GFIP’S, e as diferenças lançadas nos levantamentos DC e DM, para possibilitar a apropriação de possíveis sobras de guias. Nestes dois levantamentos, foram lançados os valores de remuneração, desconto de segurados, salário família, salário maternidade e compensação, conforme declarados em GFIP. Nestes termos, as eventuais sobras de recolhimento foram utilizadas para abatimento dos levantamentos MT e MT1, que contêm as diferenças entre as remunerações e as contribuições de segurados da matriz, constantes da Folha de Pagamento e as não declaradas em GFIP, bem como os demais levantamentos apurados nesta ação fiscal. 10.3. Assim, todos os créditos constantes no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e os comprovados pela contribuinte durante a ação fiscal foram devidamente Fl. 2166DF CARF MF 8 considerados e abatidos dos lançamentos vinculados aos Autos de Infração de descumprimento de obrigação principal, sendo que a autuada teve acesso a todas as informações necessárias ao oferecimento de sua defesa administrativa. (Sem grifo no original.) Ao que se vê, a Autoridade Fiscal foi diligente em buscar, a partir das fontes primárias, e não das Gfip, as bases de cálculo das contribuições e, em relação aos levantamentos MT e MT1, essas bases de cálculo não foram contestadas no recurso voluntário. O Fisco também agiu com correção ao considerar, em favor do contribuinte, todos os pagamentos apresentados e créditos que foram identificados. Alegou, a Recorrente, que seus pagamentos não teriam sido aproveitados. Não procede a alegação, pois os valores efetivamente recolhidos pela empresa a título de contribuição previdenciária foram devidamente considerados no lançamento, para efeito de calcular o montante devido. Os recolhimentos informados pela empresa constam do Relatório de Documentos Apresentados (RDA) (efls. 163 a 167) e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Rada) (efls. 168 a 183). Os mesmos valores constam do auto de infração, na coluna de créditos, a reduzir o valor do tributo lançado (efls. 7 a 22). Também alegou, a Recorrente, que seus créditos não foram compensados no cálculo da contribuição devida. A alegação é descabida, pois o que se verifica no Levantamento CG, que corresponde ao item 4.4.11 e respectivos subitens (efls. 199 a 201) do relatório fiscal, é que os saldos remanescentes dos créditos informados foram integralmente aproveitados. Observase, a partir das informações da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (efls. 273 a 279) e do relatório fiscal, o seguinte: a) o contribuinte teve, nos processos nº 35013.003375/200661 e 35013.003667/200601, reconhecido o direito de compensar sobras de recolhimentos de vários estabelecimentos, no valor total de R$ 4.200.318,26, que foram integralmente utilizados na operação concomitante que consta do processo nº 35013.003667/200601; b) dos créditos reconhecidos, restaram inaproveitados quatro recolhimentos do estabelecimento 14.306.831/002063, no valor total de R$ 33.428,78 (item 4.4.11.2 do relatório fiscal, Tabela A, efl. 199); c) a empresa, ao invés de informar nas Gfip, para compensação, o saldo dos pagamentos inaproveitados na operação concomitante, informou valor muito maior, R$ 135.203,86, além de informar, indevidamente, como compensações nas Gfip, valores que já haviam sido utilizados para a operação concomitante; d) a Autoridade Lançadora corrigiu o saldo dos créditos remanescentes (R$ 33.428,78), refez os cálculos das compensações e glosou o que estava em excesso. Notase, pois, que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, os seus créditos foram aproveitados no procedimento fiscal. Destaquese que a Recorrente apresentou planilha intitulada Acompanhamento Saldo INSS Recuperar 2006 (efl. 1113), na qual constam valores muito diferentes dos que estão nos documentos emitidos pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (efls. 273 a 279). Porém, a Recorrente não apresentou qualquer comprovação dos valores que apontou e nem explicou, em seu apelo, qual a finalidade daquela planilha. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.164 9 A Recorrente solicitou perícia para levantar os valores refazer os cálculos dos levantamentos MT e MT1 e para verificar a origem dos valores constantes do levantamento CG. Ora, quanto aos levantamentos MT e MT1, os dados foram extraídos dos documentos fornecidos pela própria empresa e que estão nos autos, sendo absolutamente desnecessária qualquer perícia para esse fim pois os documentos fundamentais pertencem à Recorrente. Pretende, a Recorrente, que uma perícia venha considerar as Gfip entregues sob procedimento de ofício, quando, na verdade, esses documentos inexistem, para efeitos jurídicos, por força do disposto no parágrafo único art. 138 do CTN. O que quer a Recorrente é que sejam aproveitadas as informações de créditos compensáveis que constam das Gfip extemporâneas; mas, se os créditos são hígidos, caberia à Recorrente fazer prova deles, pois a Gfip (tempestiva ou não) não é documento hábil para provar a origem dos créditos utilizados em eventuais compensações. Os documentos que amparariam os créditos alegados nas Gfip intempestivas, se existem, deveriam estar sob a guarda da própria Recorrente. Quanto ao levantamento CG, os documentos e informações também constam dos autos, sobretudo a informação da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (efls. 273 a 279) que subsidiou o referido levantamento. Não há necessidade de perícia para evidenciar o que já está evidente. O que se percebe é que a Recorrente apenas alega que os créditos diligentemente buscados pela Fiscalização não estão corretos, sem apresentar qualquer contraprova e invocando uma perícia para que cumpra o papel que seria da Recorrente. Para bem fundamentar meu entendimento, socorrome do voto do que conduziu o Acórdão nº 2301005.129, desta turma, da lavra do Conselheiro João Bellini Júnior: A teor do disposto no o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Portanto, indefiro o pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, por considerála despicienda porquanto todos os elementos necessários à decisão já se encontram nos autos. A despeito de toda a argumentação trazida no recurso e da juntada de centenas de folhas, a Recorrente não se desincumbiu, ao meu ver, do essencial, que seria provar que o débito lançado estaria errado ou que algum pagamento ou crédito não teria sido considerado na determinação do montante devido. Entendo que os valores das diferenças entre folha de pagamento e Gfip informados nos levantamentos MT e MT1 estão corretos, porquanto ali se indicam exatamente os valores calculados das contribuições devidas deduzidas de eventuais pagamentos e créditos Fl. 2168DF CARF MF 10 conhecidos e comprovados pela Recorrente. Não cabe, pois, neste ponto, reparo no lançamento ou na decisão a quo. 3. Salárioutilidade valetransporte (levantamentos VT e VT1) No que concerne ao valetransporte, o acórdão recorrido entendeu procedente o lançamento porquanto o empregador não teria observado a legislação de regência quanto ao desconto de 6% do salário do empregado. É o que está nos seguintes trechos do voto condutor daquele julgado (efl. 2073): 11.6. Assim, observase, pela leitura de texto legal acima, que o empregador é obrigado a adquirir os valestransporte para fornecêlos aos seus empregados, ficando evidenciado ainda, que o empregador deverá participar do custeio do benefício com a parcela que exceder 6% do salário básico do trabalhador, o que significa dizer, que são proibidas quaisquer outras formas de prestação do benefício, entre elas, o fornecimento do vale transporte em espécie, além da participação do trabalhador em percentual inferior a 6% do seu salário básico. (Grifo do original.) ......................................................................................................... 11.8. Assim, a legislação transcrita não deixa dúvidas: o vale transporte, quando concedido nas condições e limites definidos na lei, possui natureza indenizatória, não incorporando a remuneração para quaisquer efeitos. No entanto, a inobservância da legislação específica transforma o pagamento do vale transporte em verba salarial que se incorpora à remuneração do empregado para todos os fins e efeitos. Porém, entendo que, neste ponto, reside razão à Recorrente. A questão dos autos é a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores descontados do empregado em percentual menor do que 6% do seu salário. Sob o raciocínio do colegiado a quo, estariam excluídos da base de cálculo da contribuição apenas os valores suportados pela empresa menos a parcela descontada dos empregados, à razão de 6% de seus salários, não mais e não menos. Porém, a correta exegese do parágrafo único do art. 9º do Decreto nº 95.247, de 17 de novembro de 1987, que regulamentou a Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, é que o desconto do empregado é uma faculdade do empregador, e não um requisito legal: Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo.(Sem grifo no original.) Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.165 11 Assim, se o empregador optar por arcar, sozinho, com os custos de transporte de seus empregados, sem com eles dividilo ainda que autorizado, não terá desnaturado o benefício concedido pela lei, desde que os valores pagos sejam compatíveis com o custo do transporte do empregado de e para o trabalho. Portanto, entendo que os valores pagos ao empregado para a sua locomoção, mesmo que não tenha havido desconto de seu salário ou que esse desconto tenha sido menor do que 6%, subsumemse ao conceito de valetransporte e têm caráter indenizatório, razão pela qual entendo aplicarse, ao caso, Súmula Carf nº 89: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. (Sem grifo no original.) No mesmo sentido, decidiu unanimemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no Acórdão nº 9202005.387, cujo voto condutor encerra: Assim, a partir da edição das Súmula CARFs e AGU citadas, a mera inexistência de desconto nas remunerações dos segurados, em percentual diferente, aquém dos 6% legalmente citados, não é suficiente para que se conclua acerca da incidência das contribuições previdenciárias, tal como se admitiu no Acórdão paradigma, uma vez, repitase, permitido, na forma das Súmulas, o recebimento em pecúnia para que os segurados, posteriormente, fizessem frente às suas despesas de transporte. Daí entender este Conselheiro que a tributação aqui baseada somente na existência de desconto em percentual diferente dos 6%, mesmo quando acompanhada, no paradigma, de rejeição do caráter indenizatório da verba não poderia, à luz da Súmula CARF no. 89, subsistir e, assim, voto, por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Entendo, pois, que os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1 devem ser excluídos do lançamento por, a despeito do quantum descontado dos empregados, se tratarem de valetransporte, verba de natureza indenizatória consoante Súmula Carf nº 89, sobre a qual não incide contribuição previdenciária. 4. Salárioutilidade aluguel pago a empregados (levantamentos AL e AL1) No caso dos autos, a Fiscalização identificou, nos registros contábeis da empresa, o pagamento de alugueis. Intimada a apresentar os respectivos contratos de locação, informando, no caso de aluguel residencial, a quem se destinava a moradia, a empresa não apresentou os documentos. Por consequência, a Autoridade Lançadora considerou os valores dos pagamentos escriturados como salários indiretos. 4.1. Dos alugueis pagos a Reginaldo Moreno dos Santos Quanto aos pagamentos de aluguel a Reginaldo Moreno dos Santos, a Recorrente alega que ele nunca foi seu empregado, senão o locatário de um imóvel que locara para ser utilizado como canteiro de obras em ItamarajuBA. Entretanto, apesar de haver sido intimada, no curso da ação fiscal a apresentar o contrato de locação, e podendo fazêlo inclusive na fase impugnatória ou mesmo nesta fase recursal, a Recorrente em nenhum momento apresentou o documento ou qualquer outro elemento para comprovar a natureza do aluguel. Fl. 2170DF CARF MF 12 O acórdão recorrido manteve o lançamento sob o seguinte argumento: 11.30. Com relação aos valores lançados de locação ao Sr. Reginaldo Moreno dos Santos, a impugnante afirma que esta pessoa nunca foi segurado da mesma, sendo, na realidade, apenas, proprietário de um imóvel situado na Avenida ACM, 1020, ItamarajuBA, o qual foi locado pela impugnante no período de 15/06/2006 a 15/11/2006 para utilização como canteiro de uma de suas obras. (Grifo do original.) 11.31. Contudo, verificase dos autos, que os recibos trazidos pela empresa, (fls. 2005/2010), vieram desacompanhados do contrato de locação, documento este que poderia comprovar suas alegações. 11.32. Neste sentido, cumpre destacar, novamente que as alegações da defesa que não estiverem acompanhadas da produção das provas competentes e eficazes desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que deve prosperar a exigibilidade fiscal. A parte que apenas alega, mas não produz prova, ou pelo menos indícios convincentes, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Para afastar o lançamento, são necessárias provas que infirmem o que consta do auto de infração, não bastando meras alegações, sobretudo quando os fatos são facilmente comprováveis e toda a eventual documentação estaria de posse da Recorrente. Bastaria apresentar o contrato de locação, ou outro elemento a confirmar que o imóvel teria sido destinado à instalação do canteiro de obras. Mas a Recorrente não logrou comprovar sequer se, de fato, teria havido uma obra naquela localidade. Ao omitir tais documentos, a Recorrente abre espaço para se rechaçar sua alegação e se admitir como absoluta a verdade apresentada pela Autoridade Lançadora. Portanto, em relação aos valores de aluguel pagos a Reginaldo Moreno dos Santos, constantes dos levantamentos AL e AL1, entendo correto o lançamento que os considerou de salário indireto. 4.2. Dos alugueis pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval A Recorrente admitiu, no recurso voluntário, que Neide Jane e Cristiano de Souza Bila eram seus empregados e que foram transferidos para a filial de MaringáPR, provenientes, respectivamente, de SalvadorBA e NiteróiRJ. Do recurso voluntário e da análise dos contratos locatícios (efls. 677 a 683 e 716 a 722) depreendese que a empresa locou dois imóveis na cidade de MaringáPR para habitação de seus empregados. Destaquese que os objetos de ambos os contratos são imóveis de uso residencial e que os locadores eram, em ambos os casos, representados pela imobiliária Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda. Quanto aos valores pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval, a Recorrente sustentou que não integrariam o salário de contribuição, porquanto estariam enquadrados no que assevera o inc. XII do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, in verbis: §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ......................................................................................................... Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.166 13 XIIos valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego; Não assiste razão à Recorrente. Conforme ela mesmo afirma, seus empregados foram transferidos para novo município, em outro estado da federação, a fim de trabalharem em uma filial da empresa. O art. 469 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define que a transferência implica a mudança do domicílio do empregado, como se vê: Art. 469 Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio . (Sem grifo no original.) A regra isentiva estabelece que a habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência não integra o salário de contribuição. Entendese por residência o local onde a pessoa habitualmente é encontrada. O domicílio é, segundo o art. 70 do Código Civil Brasileiro, o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. A residência é, pois, um dos elementos do domicílio. É como a doutrina assevera: O conceito de domicílio civil se compõe, pois, de dois elementos: o objetivo, que é a residência, mero estado de fato material; e o subjetivo, de caráter psicológico, consistente no ânimo definitivo, na intenção de aí fixarse de modo permanente. A conjunção desses dois elementos forma o domicílio civil. A residência é, portanto, apenas um elemento componente do conceito de domicílio, que é mais amplo e com ela não se confunde. (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, volume 1: parte geral. 10ª edição São Paulo: Saraiva, 2012.) A alteração do domicílio, por força do disposto no art. 469 da CLT, corresponde também à alteração da residência para o novo local de trabalho. A rigor, não é possível conceber que os empregados, saindo um de SalvadorBA e outro de NiteróiRJ para trabalharem em MaringáPR, município a centenas de quilômetros daqueles dois, não tenham transferido suas residências. Portanto, não se trata de habitação fornecida para empregado em razão de ele trabalhar distante de onde mora, mas de mudança da residência para próximo do novo local de trabalho, em razão da transferência do trabalhador, razão pela qual não se aplica o inc. XII do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048, de 1999. Além disso, o fornecimento de habitação aos empregados em cidade onde não há limitação de moradia, como na hipótese dos autos, não ocorreu para o trabalho, mas pelo trabalho, o que caracteriza uma contraprestação e dá caráter salarial ao benefício, como já foi decidido por esta turma, em caso semelhante, no Acórdão n º 2301003.996, verbis: Fl. 2172DF CARF MF 14 No que tange ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação fornecida pode ser considerada como salárioutilidade, in verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso por conta da aplicação do art. 110 do CTN, exige que o fornecimento de habitação seja dispensável para a realização do trabalho. Tal dispensabilidade, em regra, depende de prova que o fisco deve providenciar, salvo os casos em que for fato notório. In casu, os contratos que constam dos autos apontam que os imóveis locados localizavamse em cidades com boa disponibilidade de imóveis, como Brasília. Como qualquer trabalhador, os diretores ao serem convidados para trabalhar fora de seu domicílio devem ter considerado se o novo salário tornaria vantajosa sua nova situação. Em cidades com ampla oferta de imóveis, dispondo de salário adequado, os diretores poderiam providenciar seu novo domicílio. Com relação às utilidades, boa parte da doutrina e da jurisprudência do TST se alinhou à teoria finalística – originalmente defendida entre nós por José Martins Catharino na década de 1950 – que distingue as utilidades fornecidas “para o trabalho” das utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras , “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. Não nos parece que o fornecimento de habitação em cidades com boa oferta de imóveis possa ser considerado de maneira similar a um equipamento de trabalho, pois a esmagadora maioria dos trabalhadores que lá trabalham arcam com o custo da habitação com seu próprio salário. Situação diferente seria o fornecimento de habitação em uma localidade inóspita e que não permitisse que o próprio trabalhador, de qualquer nível, acomodasse a si e a sua família. Concluo, portanto, existir nítido caráter contraprestativo no fornecimento de habitação para o caso em análise. Assim, entendo que a inclusão dos valores despendidos com habitação de diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária atende aos desígnios da lei. Portanto, o lançamento está correto ao considerar os valores de habitação pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval, Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.167 15 constantes dos levantamentos AL e AL1, como salários indiretos e integrálos à base de cálculo da contribuição previdenciária. 5. Salárioutilidade prêmio de incentivo (levantamentos CP, CP1, CM e CM1) Por intermédio da empresa Mark Up, a Recorrente realizou pagamentos a funcionários, a título de premiação, mediante crédito de valores em cartão magnético, cartões tais com disponibilidade de saque em terminais de atendimento bancário. Enfim, o pagamento dava em pecúnia, por meio de créditos disponíveis. Segundo a Recorrente, a premiação seguia critérios eminentemente meritórios, ou seja, o empregado estaria sendo remunerado pelo seu trabalho (efl. 2137). Afirma, ainda, que tais verbas constituem mera liberalidade da empresa empregadora e que não foram diretamente foram pagas pela Recorrente, mas por meio de uma empresa especializada (efl. 2138). Aduz que o pagamento não cria ou modifica direitos, que possui caráter excepcional vinculado ao alcance de metas e que, por isso, carece de habitualidade (e fl. 2139), o que colocaria a verba fora do conceito de saláriodecontribuição. A Recorrente afirmou que as verbas pagas não seriam habituais, mas esporádicas, e, por conseguinte, estariam enquadradas na exclusão prevista no item 7 da alínea e do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ......................................................................................................... 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Não assiste razão à Recorrente. De acordo com o art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212, de 1991, os valores pagos a qualquer título para retribuir o trabalho integram o salário decontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; A Recorrente faz a comum confusão entre eventualidade e habitualidade. De fato, as verbas recebidas eventualmente não estão sujeitas à contribuição previdenciária, sendo que o mesmo não acontece com as inabituais. Reproduzo o trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044 que assim abordou o tema: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,I da Lei nº 8.212/91 e do art. 201, § 1º do RPS, que somente é exigido o Fl. 2174DF CARF MF 16 requisito da habitualidade no que diz respeito ao “salário in natura”, por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os “ganhos habituais sob a forma de utilidades”, sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura). Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7” prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: “Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...).” Assim sendo, podese afirmar que “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho”, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais” encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.168 17 A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Entendo, pois, que o requisito da habitualidade não se aplica a recebimentos em pecúnia ocorridos em razão do trabalho. Mas, ainda que se aplicasse, não seria o caso dos prêmios pagos na hipótese dos autos. Esses prêmios, embora, em tese, fossem variáveis, nada tinham de eventuais e nem de inabituais; na verdade, eram pagos regularmente aos empregados, conforme se constata nos documentos dos autos (efls. 292 a 517). Em uma rápida análise, por amostragem, verificase que os empregados e respectivos valores recebidos se repetiram em praticamente todos os meses considerados na ação fiscal (2/2006 a 2/2007): eFolhas 292 a 329 330 a 385 399 a 465 466 a 517 Empregado Ângelo Mercury Garcia Ducineia Silva Conceição Jorge Lima de Deus Jaciara Balbino dos Santos Celso Antônio Majchrovicz Luiz Abrahao Filho Nivaldo Canella Antônio Carlos Fontana José Vogt fev/06 140,00 140,00 250,00 600,00 4.020,00 4.020,00 4.020,00 3.090,00 1.242,00 mar/06 140,00 140,00 250,00 600,00 4.982,79 4.020,00 3.090,00 1.242,00 abr/06 100,00 140,00 250,00 600,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 mai/06 100,00 200,00 250,00 600,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 jun/06 100,00 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 jul/06 100,00 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 ago/06 116,67 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 set/06 116,70 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 out/06 116,70 200,00 200,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 nov/06 116,70 200,00 250,00 933,34 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 dez/06 155,56 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 jan/07 116,67 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 fev/07 116,67 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 Essa modalidade de remuneração já foi, reiteradas vezes, objeto de análise no Carf, que coleciona vasta jurisprudência (a exemplo dos acórdãos nº 9201003.044, 2401 003.921 e 2301004.955) no sentido de considerar os cartões de premiação, exatamente como na espécie dos autos, como componente do saláriodecontribuição e, portanto, como elemento da base de cálculo da contribuição previdenciária, porquanto tratamse de rendimentos auferidos pelo trabalho, compondo, assim,a remuneração do empregado. Reproduzo a conclusão, na matéria, do voto condutor do acórdão recorrido (efl. 2079), por bem expressar o meu entendimento: Fl. 2176DF CARF MF 18 11.38. Do exposto, entendese que os créditos em discussão foram pagos aos segurados, com habitualidade (02/2006 a 02/2007), em função do resultado de seus trabalhos junto à impugnante, sendo evidente que não se tratou de distribuição de premiação sem causa, mas de pagamentos com caráter tipicamente remuneratório, formalizados impropriamente por intermédio de cartões de incentivo, devendo sujeitarse em virtude disso à incidência de contribuição previdenciária. Portanto, o lançamento está correto ao considerar os pagamentos de cartão de premiação como saláriosdecontribuição. 6. Aplicação das multas de mora e de ofício A Recorrente sustenta que a comparação das multas, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, estaria incorreta porque compara multas de mora com multas de ofício. Alega que a comparação deveria se dar somente entre as sistemáticas de cálculo de multa de mora vigentes à época dos fatos geradores com as vigentes à época do lançamento, pois, sempre segundo a Recorrente, a legislação da época não previa a aplicação de multa de ofício. Segundo o seu entendimento, por ter havido entrega de Gfip contendo informações incorretas ou omissão de dados (efl. 2148), deveria ser aplicada, no caso, a multa prevista no inc. I do art. 32A da Lei nº 8..212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, e ............................................................................................................. A Recorrente justifica, em seu apelo, que a multa devida seria a prevista no inc. I do art. 32A da Lei nº 8..212, de 1991, porque se trata de multa com a mesma natureza da penalidade anteriormente prevista para a hipótese de entrega de GFIP contendo omissão de dados (efl. 2153) (sem grifo no original). De fato, acerta a Recorrente ao afirmar que devem ser comparadas as multas de mesma natureza, mas essa comparação conduz a conclusão de que a multa aplicada no caso dos autos está correta e o raciocínio da Recorrente, por conseguinte, está equivocado. Confunde, a Recorrente, a natureza da multa com a sua nomenclatura. A multa aplicada no lançamento sob análise não teve caráter moratório, devida pelo pagamento do tributo a destempo, mas tratouse de multa resultante da ação estatal que, por meio da medida fiscal, efetuou o lançamento nos termos do art. 142 do CTN. No Direito Tributário, as multas se classificam em dois gêneros: as multas de mora e as multas punitivas. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.169 19 As multas de mora são destinadas a reparar a impontualidade do contribuinte que, embora a destempo, adimpliu, espontaneamente, sua obrigação tributária. Têm efeito desestimulador do pagamento em atraso, de modo a compelir o contribuinte a pagar o tributo no prazo legalmente previsto, sob pena de arcar com ônus econômico adicional. As multas moratórias não se confundem com os juros de mora, cuja finalidade é a remuneração do capital no tempo. Tanto as multas quanto os juros moratórios integram o crédito tributário. As multas punitivas são sanções aplicadas ao contribuinte que deixou de, espontaneamente, cumprir a obrigação tributária, seja ela acessória ou principal. São aplicáveis quando, em atividade plenamente vinculada, o poder público identifica o descumprimento da obrigação e procede ao lançamento, como previsto no art. 142 do CTN, o que implica a imposição legal de penalidade pecuniária, na forma de multa, que integra o crédito tributário. As multas punitivas possuem duas distintas espécies: a multa de ofício e a multa isolada. A multa de ofício surge com o descumprimento da obrigação principal e é a ela vinculada, geralmente representando um percentual do tributo não recolhido. A multa isolada decorre do descumprimento de obrigação acessória e, com o lançamento, convertese em obrigação principal. No caso dos autos, independentemente da nomenclatura utilizada pela legislação de fundamento ou pelo auto de infração (efl. 2), tratamse de multas aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigações tributárias principais, consistentes no não recolhimento dos valores de contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, apuradas mediante ação fiscal. Portanto, não há dúvidas de que multas constantes do discriminativo do débito (efl. 5 a 22), que compõe o auto de infração, têm natureza de multas de ofício. Não se trata de recolhimento espontâneo de tributos ocorrido após o vencimento, o que descaracteriza a natureza moratória das multas. Diante da constatação de que o encargo é, materialmente, multa de ofício, vale invocar o posicionamento da CSRF sobre a matéria, cujo entendimento encontrase pacificado. Reproduzo, pois, parte do voto condutor do Acórdão nº 9202006.028, com cuja fundamentação concordo e assumo como parte das razões de decidir: De inicio (sic), cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 2178DF CARF MF 20 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Pois bem, a Autoridade Fiscal, acertadamente, comparou, período a período, as multas calculadas sob as sistemáticas vigentes antes e depois da Medida Provisória nº 449, de 2008, conforme demonstrou Relatório Fiscal de Aplicação da Multa de Mora e da Multa Punitiva por Descumprimento das Infrações Relacionadas à Gfip (efls. 206 a 214), do qual destacase o seguinte trecho: O somatório das multas calculadas pela sistemática antiga (§5º do art. 32 da Lei 8.212/91; alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99; e § 6° do art. 32, da lei n° 8.212/91) deve ser confrontado com a nova forma de cálculo introduzida pela Lei n° 11.941/09 (art. 35A na Lei 8.212/91 e art. 32A na Lei 8.212/91), aplicandose a multa menos gravosa. Ficou incontestemente evidenciado, nos cálculos nos itens onze e doze (efls. 210 e 211), que, dentre as duas opções possíveis, a Autoridade Lançadora utilizouse da mais benéfica ao contribuinte, retroagindo a aplicação da legislação inovadora apenas em relação às Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10580.729056/201008 Acórdão n.º 2301005.193 S2C3T1 Fl. 2.170 21 competências 2, 3 e 13 de 2006. Para as demais, manteve a legislação vigente quando dos fatos geradores. Destaquese que essa comparação deverá ser feita novamente, quando do efetivo pagamento das contribuições. É o que estabelece a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Conclusões Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para: rejeitar a preliminar de nulidade em razão da utilização de aferição indireta e negar o pedido de perícia, por desnecessária e, no mérito, a) excluir do lançamento os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de vale transporte, e b) negar provimento nas demais matérias. João Maurício Vital Relator Fl. 2180DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721361/2017-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corre^a Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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LEGALIDADE. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 61 /2 01 7- 10 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 454 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1202001.191 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Câmara, 2 Turma Ordinária, 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que figura como interessado TEL TELEMÁTICA E MARKETING LTDA (TEL CENTRO DE CONTATOS LTDA) (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, apenas para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A PFN, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo para o restabelecimento do juros de mora sobre a multa de ofício (efls. 421 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 435 e seg.). O contribuinte foi intimado, mas não apresentou contrarrazões ao recurso especial da PFN ou, ainda, interpôs recurso próprio quanto às matérias que lhe foram julgadas desfavoravelmente pela Turma a quo (efls. 446; 451 e seg.). Por fim, notese que a matéria em julgamento originalmente foi analisada no processo n. 10580.722488/200865, o qual foi encaminhado para a cobrança da matéria cuja discussão administrativa já chegou ao fim. Dessa forma, foi apartada a matéria do recurso especial da PFN (juros de mora sobre multa de ofício) nos autos 10580.721361/201710, ora sob julgamento (efls. 451 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. Quanto ao mérito do recurso, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 455 3 Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à materia, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 456 4 de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça. Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005) (grifo nosso) Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 457 5 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa – Redator designado Coubeme o voto vencedor da questão que discute a incidência de juros de mora sobre a multa proporcional de ofício. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 458 6 ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve ser aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 459 7 A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 460 8 da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 461 9 tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, impõese reconhecer a legalidade da incidência dos juros de mora, calculado com base na taxa SELIC, sobre a multa aplicada. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10580.721361/201710 Acórdão n.º 9101003.452 CSRFT1 Fl. 462 10 CONCLUSÃO: devese conhecer do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 462DF CARF MF
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