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Numero do processo: 10680.912800/2009-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2004
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2004 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 00 /2 00 9- 63 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3201001.259, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foi apresentado e apreciado o acórdão 3403002.500, nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 5 4 entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 6 5 Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 8 7 PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 9 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 10 9 todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 11 10 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 12 11 Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10680.912800/200963 Acórdão n.º 9303006.561 CSRFT3 Fl. 13 12 PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002186/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 86 /2 01 0- 40 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19515.002186/201040 Acórdão n.º 2201004.196 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 147DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19515.002186/201040 Acórdão n.º 2201004.196 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 149DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.721160/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 01/10/2008, 07/08/2009, 17/08/2009
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não existindo nos autos qualquer de suas hipóteses.
ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA.
Evidenciada a interposição fraudulenta pela existência de robusto conjunto probatório, o fato da comprovação da existência da pessoa interposta, realizada em processo penal motivada por representação fiscal, não tem o condão de provar a existência de erro de identificação do sujeito passivo, mas sim de evidenciar a intrincada operação visando a ocultar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO.
A apuração do ganho de capital de imóveis rurais deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Não constituem interesse comum, por outro lado, as posições antagônicas em um contrato, mesmo quando em virtude deste surja um fato jurídico tributário
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
O não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos o sujeita ao agravamento da multa (Lei 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, I).
Numero da decisão: 2301-005.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em conhecer do recurso da responsável tributária AGK5, vencido o conselheiro João Mauricio Vital, que dele desconhecia; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; (iii) pelo voto de qualidade, manter os lançamentos sobre o ganho de capital em todos os períodos, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato; (iv) por unanimidade de votos, afastar a responsabilidade tributária da sociedade AGK5; votaram pelas conclusões os conselheiros Andrea Brose Adolfo, João Mauricio Vital, Antônio Sávio Nastureles e João Bellini Júnior; (v) pelo voto de qualidade, manter os juros sobre a multa, vencidos o conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: 31336549858 - CPF não encontrado.
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INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não existindo nos autos qualquer de suas hipóteses. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Evidenciada a interposição fraudulenta pela existência de robusto conjunto probatório, o fato da comprovação da existência da pessoa interposta, realizada em processo penal motivada por representação fiscal, não tem o condão de provar a existência de erro de identificação do sujeito passivo, mas sim de evidenciar a intrincada operação visando a ocultar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóveis rurais deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Não constituem “interesse comum”, por outro lado, as posições antagônicas em um contrato, mesmo quando em virtude deste surja um fato jurídico tributário MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interposta pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 11 60 /2 01 3- 12 Fl. 2913DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos o sujeita ao agravamento da multa (Lei 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, I). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em conhecer do recurso da responsável tributária AGK5, vencido o conselheiro João Mauricio Vital, que dele desconhecia; (ii) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; (iii) pelo voto de qualidade, manter os lançamentos sobre o ganho de capital em todos os períodos, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato; (iv) por unanimidade de votos, afastar a responsabilidade tributária da sociedade AGK5; votaram pelas conclusões os conselheiros Andrea Brose Adolfo, João Mauricio Vital, Antônio Sávio Nastureles e João Bellini Júnior; (v) pelo voto de qualidade, manter os juros sobre a multa, vencidos o conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 4ª Turma da DRJ Curitiba que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2009, em razão do ganho de capital por venda de bens imóveis. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fl. 1463), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 8.334.761,73, que compreende imposto (R$ 2.277.534,28), juros de moras (R$ 932.775,31), multa proporcional (R$ 5.124.452,14), valores consolidados em março de 2013. Foi imputada responsabilidade solidária à empresa AGK 5 Empreendimentos e Participações Ltda., conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1471), por suposto interesse comum na ocorrência do fato gerador, ganho de capital na alienação de bens imóveis em face da venda de propriedades rurais pelo devedor principal. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 3 3 A ciência do auto de infração ocorreu em 08 de abril de 2013 para o devedor principal, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 1575. A ciência do devedor solidário, se dá em 02 de abril de 2013, também por meio postal (AR de fls. 1547). Em 02 e 06 de maio de 2013, foram apresentadas as impugnações ao lançamento, pelo devedor solidário (fl. 1581), e pelo sujeito passivo (fls. 2348), respectivamente. Em 19 de novembro do mesmo ano, a 4ª Turma da DRJ de Curitiba por meio de decisão consubstanciada no Acórdão 0644.299 (fl. 2384), de forma unânime, julgou parcialmente procedente o crédito tributário impugnado. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls. 2394): Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 1.463/1.470, que exige R$ 2.277.534,28 de imposto, R$ 5.124.452,14 de multa de ofício de 225% e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração às fls. 1.465 e Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.471/1.543, foi constatada apuração incorreta de Ganho de Capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, ocorridas em 01/10/2008, 07/08/2009 e 17/08/2009, nos valores de R$ 14.588.823,86, R$ 527.250,00 e R$ 67.488,00, respectivamente. Cientificado em 08/04/2013 (fls. 1.575/1.576), o interessado apresentou, em 06/05/2013, a tempestiva impugnação de fls. 2.338 a 2.347, instruída com os documentos de fls. 2.348 a 2.353, onde alega que o Auto de Infração não obedeceu ao normativo do art. 9º do Decreto 70.232 (sic), de 25 de março de 1972, na redação dada pelo art. 25 da Lei 11.941, de 27 de outubro de 2009, resultado da conversão da MP 448, de 2008, cognominada a “MP do Bem”, que institui uma diversidade de prescrições editadas com a finalidade de proporcionar aos contribuintes meios eficazes de fazer frente às conseqüências da crise econômica internacional, dentre as quais se destaca um parcelamento de débitos fiscais em condições até então inéditas. A observância estrita ao referido dispositivo é regra de natureza cogente, imbricada com o sobre princípio constitucional da ampla defesa, trazendo implícita a sanção da invalidade do ato administrativo que a transgredir. A seguir, relata os fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração na versão dos autuantes para, relativamente à alegação de que teria assumido a identidade fictícia de Paulo Roberto da Rosa, CPF 714.373.39115, e praticado vários atos jurídicos com esse nome, expõe particularidades da vida familiar para argumentar que, nos idos de 2006, teria sido procurado por um homem desconhecido que apresentava traços fisionômicos semelhantes aos seus, que dizia ser seu meioirmão. O referido cidadão, órfão de mãe aos três anos, não teria sido aceito por sua mãe e por essa razão foi amparado por outro casal, tendo indicado o nome desses como seus progenitores quando do Registro Civil. Teria esclarecido que na escola primária fora identificado por uma certidão que indicava apenas o nome da mãe, com a qual obteve seus documentos e foi Fl. 2915DF CARF MF 4 aventurar a vida no Paraguai, radicandose numa Colônia de “Brasiguaios” aprendendo tudo sobre o cultivo da soja. Casouse e, com o sogro, corretor de imóveis, aprendeu a avaliar terras para compras e vendas, abandonando praticamente as lides agrícolas. A esposa o abandonou e, sem nunca ter tido visto de permanência no país vizinho, retornou ao Brasil. Afirma que, embora ignorasse a existência desse irmão, ofereceulhe o melhor amparo possível e o entrosamento entre ambos foi facilitado pelo conhecimento que o mesmo possuía acerca de corretagem de imóveis rurais. Sugeriu ao seu meio irmão que se submetessem ao exame de DNA, o qual concordou, no entanto, não tiveram oportunidade de ir a um laboratório e, também porque, de sua parte, tal providência não revestia caráter de urgência dada a semelhança física entre ambos. Procurou cercarse do máximo de cautela, adiantou lhe uma pequena quantia para que se estabelecesse e efetuasse as primeiras despesas; garantiulhe um empréstimo de grande porte, mas exigiu que lhe fosse outorgada procuração a si e a seu advogado, cabendolhe a última palavra em relação aos negócios. Assim, não teve prejuízo nem lucro, posto que as comissões de intermediação foram apropriadas ao irmão. Dele sabe apenas que estaria viajando de carro para o Paraguai, onde iria vender propriedades que adquiriu em nome de terceiros, por carência de documentos de identificação paraguaios. Sustenta que não cometeu transgressão alguma, eis que tudo resultou da intenção de reparar uma injustiça cometida ao seu meioirmão. As decantadas transações de terras supostamente subavaliadas não resistem a um exame à luz da razão. Comprar e vender imóveis rurais, em época em que os invasores de terra granjeiam o apoio dos políticos, importa sempre em um negócio de risco. Quando alguém aparece com dinheiro é sempre bem vindo e o preço pode ser convidativo; os cartórios são estritamente fiscalizados pelas Secretarias da Fazenda dos Estados, os valores subavaliados são prontamente impugnados. Como homem de negócios, tem o direito de se associar ou consorciarse com quem quer que seja, com propósito de lucro. Se houver alguma infringência fiscal, descarta o dolo, que exige a intenção de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Na hipótese de divergência quanto à base tributável, é de se lhe exigir a complementação, acrescida no máximo de multa simples, jamais da alíquota exacerbada. Transcreve doutrinas para insurgirse contra as penalidades pecuniárias por consideralas confiscatórias, porquanto aplicadas a contribuinte que declarou as operações efetuadas, previamente fiscalizadas pelo poder competente para apreciar o valor tributável. Dizse surpreendido pelo fisco federal que não concordou com o valor julgado justo pela Fazenda Estadual, que detém poder de instituir e fiscalizar o Imposto de Transmissão de Propriedade Inter Vivos. Por fim, requer o acatamento da preliminar, reconhecendo a invalidade do auto de infração e que seja ordenado o preceptivo do art. 9º do Decreto 70.232/72 (sic), reabrindose prazo para a defesa, se desde logo não preferir decidir pela improcedência da autuação. Se não for este o Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 4 5 entendimento, pelo menos que se determine a redução da penalidade ao valor mínimo, em face de ausência de dolo. A autoridade fiscal lavrou, em 27/03/2013, o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1.544/1.545), em nome da empresa AGK 5 Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 10.197.422/000152, com fundamento no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em face de a empresa ter agido em conluio com o sujeito passivo (Joselito Golin), visando obter vantagens em transações imobiliárias. O interesse comum se consubstanciou na economia de IRPF decorrente de ganho de capital, o que possibilitou o fechamento de contratos milionários de transferências de imóveis, conforme amplamente descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.471/1.543. Consta dos itens 68/70 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.510/1.512) que, as empresas I.C.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 jamais fizeram qualquer negócio com “Paulo Roberto da Rosa” (não havia, em seu nome, patrimônio para garantir as operações de empréstimos, notadamente nos casos dos primeiros empréstimos), mas sim, com o Sr. Joselito Golin. Este sim, um conhecido empresário que tem patrimônio (transferido em parte para as suas filhas) e administra várias empresas. Portanto, houve conluio entre essas empresas e o Sr. Joselito Golin (que compareceu nos negócios sob o manto de procurador da pessoa fictícia “Paulo Roberto da Rosa”) o que dificultou e retardou o conhecimento do fato gerador (notadamente quanto ao seu aspecto subjetivo) das obrigações tributárias abordadas no item IV deste Termo de Verificação Fiscal. Isso porque: a) essas empresas de renome, de enorme patrimônio, sabiam ou deviam saber da irregularidade (interposição de uma terceira pessoa, fictícia, com a finalidade de haver economia tributária) pois não iriam emprestar valores milionários a alguém com quem não mantiveram nenhum contato e nem tinha patrimônio para garantir os empréstimos; b) a justificativa dada para a escolha de “Paulo Roberto da Rosa” foi, em apertada síntese, o conhecimento detido por ele sobre as condições do mercado e a sua experiência na negociação dos preços de imóveis rurais na região. Entretanto, ficou amplamente demonstrado que, até então, “Paulo Roberto da Rosa” jamais teve uma movimentação financeira que o permitisse realizar as referidas operações; c) a I.C.G.L e AGK 5 afirmaram ter tido contato pessoal com “Paulo Roberto da Rosa”, apesar de estar comprovado, neste TVF, ser “Paulo Roberto da Rosa”, pessoa fictícia, criada por Joselito Golin (vide item II.III, mais especificamente o parágrafo 66); d) as garantias dadas aos empréstimos por “Paulo Roberto da Rosa” são visivelmente precárias. A maior parte desses empréstimos foi garantida por notas promissórias emitidas por “Paulo Roberto da Rosa”. Entretanto ficou comprovado que, em nome de “Paulo Roberto da Rosa”, no momento da operação, os bens e direitos existentes eram ínfimos quando comparados ao valor dos mútuos contratados; Fl. 2917DF CARF MF 6 e) a AGK 5 adquiriu de “Paulo Roberto da Rosa” a Fazenda Angelim juntamente com a Golin Empreendimentos Imobiliários – empresa ligada a Joselito Golin – o que demonstra o interesse comum entre essa empresa e o Sr. Joselito Golin; f) a garantia substancial dada aos mútuos contratados consistiu na responsabilização de Joselito Golin (este sim pessoa com nome e patrimônio), como devedor solidário e principal pagador, sem benefício de ordem, de todas as obrigações assumidas por “Paulo Roberto da Rosa”; g) as empresas I.C.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 compartilham o mesmo endereço do “Grupo Vision, que, segundo informações na imprensa, possui um vínculo empresarial com o “Grupo Golin”. Da análise dos contratos de compra e venda dos imóveis rurais referidos, são patentes as enormes diferenças entre os valores de aquisição desses imóveis, por “Paulo Roberto da Rosa”, o VTN médio (informado pela Secretaria do Estado de Agricultura) e o valor atribuído às fazendas na dação em pagamento aos mútuos contraídos, conforme se evidencia a seguir: a) a Fazenda Santa Rosa, por exemplo, foi adquirida, por R$ 176.000,00 (valor que consta no registro do imóvel) e alienada à AGK 5 por R$ 25.000.000,00; b) as Fazendas Chapadão (I a X e XII a XVI) e Terçado (Fazendas Cabeceira, Fazenda Pirajazinho II e Fazenda Engano) foram adquiridas por R$ 2.247.400,00 (valor que consta no registro do imóvel) e alienadas à I.C.G.L por R$ 46.464.188,39; c) as Fazendas Piauí (Fazenda Olho D’Água, Fazenda Brejo da Onça II, Fazenda Esteio I, Fazenda Esteio II, Fazenda Duas Meninas, Fazenda Piauí I, Fazenda Piauí II, Fazenda Piauí III, Fazenda Piauí IV e Fazenda Piauí V) foram adquiridas por R$ 960.000,00 (valor que consta no registro de imóvel) e alienadas à I.C.G.L e I.C.G.L 2 por R$ 54.735.988,46. Cientificada em 02/04/2013 (fls. 1.547/1.548), a empresa AGK 5 Empreendimentos e Participações Ltda., por meio de representante (fls. 1.556/1.557), apresentou, em 02/05/2013, a impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.581/1.712, instruída com os documentos de fls. 1.713/2.320, onde, inicialmente, relata os fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração e do referido Termo, faz um breve apanhado acerca de suas atividades, bem como da empresa Vision, responsável pela sua gestão no Brasil, para fins de deixar clara a incompatibilidade das acusações fiscais com o seu perfil de atuação e a total ausência de conluio com o Sr. Joselito Golin ou interesse comum em eventual sonegação de IRPF por ele praticada. Salienta que a Vision Brasil Investments (“Vision”).é uma empresa de gestão de investimentos, aprovada e supervisionada pela “CVM” e membro da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (“ANBIMA”), que adota as melhoras práticas de governança Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 5 7 e transparência de atuação existentes no mercado, com um padrão de excelência no exercício de sua atividade fiduciária. A grande maioria de seus clientes são investidores institucionais internacionais com interesse em ativos reais no Brasil, cujos recursos são aplicados em áreas inovadoras e de alto potencial de valorização, buscando gerar valor agregado a seus acionistas, clientes, colaboradores, mediante o desenvolvimento de projetos de atividades agrícolas, aquisição de Fazendas no intuito de obter resultados positivos da atividade agrícola e valorização da Fazenda para futura venda. Faz um breve resumo dos acontecimentos mais importantes da empresa desde a sua criação em 2003 até 2012 e aduz que foi no exercício dessa atividade que adquiriu Fazendas do Sr. Paulo Roberto da Rosa, cuja alienação gerou o suposto ganho de capital não oferecido à tributação pelo alienante. Em que pese a Impugnante não ter concedido qualquer empréstimo ao Sr. Paulo Roberto da Rosa, diferentemente das outras empresas relacionadas (I.C.G.L e I.C.G.L 2) que são acusadas no mesmo Termo de Verificação Fiscal, entende ser importante tecer alguns esclarecimentos acerca das operações de empréstimo, com subsequente dação em pagamento por Paulo Roberto da Rosa, até porque mencionadas e utilizadas para, indevidamente, imputarlhe responsabilidade tributária. Conhecendo as peculiaridades do mercado de imóveis rurais na região norte do país, percebeu que a melhor forma de atuar nesse mercado seria contar com a expertise de proprietário local que pudesse auxiliála na negociação, pois, assim, manteria a sua identidade oculta para que os proprietários das Fazendas desejadas não elevassem os preços em demasia. Nessas circunstâncias, por intermédio dos seus gestores, foi apresentada ao Sr Joselito Golin, conhecido proprietário de imóveis na região, que por sua vez, apresentou o Sr. Paulo Roberto da Rosa, em reunião presencial no escritório Pinheiro Neto Advogados. Segundo o Sr Joselito, o Sr. Paulo era um empresário que teria enriquecido com a aquisição, exploração e venda de grandes propriedades rurais naquela região; seria, ainda, pessoa de sua confiança, parceiro de negócios e que figuraria nos contratos atinentes às operações para aquisição de Fazendas. Para viabilizar os negócios contratou o escritório de advocacia Pinheiro Neto Advogados que ficou responsável pela elaboração dos Contratos de Empréstimo e verificação de toda a documentação necessária, tendo sido estruturada uma operação de land loan (empréstimo de terras), onde, inicialmente, as empresas I.C.G.L e I.C.G.L 2 celebravam contrato de mútuo, pelo qual concediam um empréstimo ao Sr. Paulo Roberto da Rosa, no valor equivalente ao da propriedade de seu interesse onerados com juros préestabelecidos. Em garantia da quitação o mutuário outorgava a tais empresas garantia hipotecária de outros imóveis de sua propriedade, que à época, possuíam valor de mercado suficiente para garantir os empréstimos. Em seguida o Sr. Paulo Roberto Rosa efetivava a aquisição do imóvel, tomando todas as providências necessárias à sua regularização e, depois de efetuada, utilizava o imóvel para quitar o contrato de mutuo, transferindoo à Fl. 2919DF CARF MF 8 impugnante mediante dação em pagamento por valor ligeiramente superior ao montante inicialmente emprestado, ou seja, com o acréscimo dos juros pactuados. Sustenta que as empresas I.C.G.L e I.C.G.L 2 fizeram quatro empréstimos firmados em 24/07/2007, 10/09/2007, 04/12/2007 e 10/04/2008, os três primeiros, no valor de R$ 20.000.000,00 cada, liberados da seguinte forma: o primeiro, em duas parcelas de R$ 10.000.000,00 cada, em 27/07/2007 e 21/08/2007; o segundo em 11/09/2007, em parcela única; o terceiro, em uma parcela de R$ 6.000.000,00 em 04/12/2007 e outra de R$ 1.500.000,00 em 13/12/2007, e os R$ 12.500.000,00 restantes não foram disponibilizados, conforme Contrato às fls. 87 a 102 e os comprovantes de transferência financeira à fls. 130/134. O 4º Contrato, no valor de R$ 35.000.000,00, foi liberado em uma parcela de R$ 16.000.000,00 e outra de R$ 18.751.417,00, conforme fls. 584/600, e comprovantes de transferência às fls. 630/631. Teria constado, expressamente, nos referidos contratos que os recursos mutuados destinavamse, única e exclusivamente, à aquisição de imóveis rurais previamente selecionados e indicados nos contratos, os quais após regularização, seriam transferidos às empresas para quitação dos empréstimos. À fl. 1.599, relaciona os imóveis integrantes da “Fazenda Chapadão” e da “Fazenda Terçado” que teriam sido transferidos para quitar os empréstimos contraídos em 24/07/2007 e 10/09/2007, conforme Certidão de Escritura às fls. 135 a 158. Os empréstimos contraídos em 04/12/2007 e 10/04/2008 teriam sido quitados pela transferência dos imóveis relacionados à fl. 1.600, denominados coletivamente como “Fazenda Piauí”, consoante Certidão de Escritura às fls. 161/176. Observa que do montante de R$ 54.735.988,46 recebidos como dação em pagamento, coube a fração de 18,94% à I.C.G.L e de 81,06% a I.C.G.L 2, pelas quais deram a quitação dos empréstimos de R$ 7.500.000,00 e R$ 35.000.000,00, respectivamente. Enfatiza que todas as tratativas das operações eram feitas com o Sr. Joselito Golin, e que a única ocasião em que o administrador da impugnante, Sr. Fábio Greco, esteve presente com o Sr. Paulo Roberto da Rosa, ocorreu na sede do Escritório Pinheiro Neto Advogados, para a discussão dos documentos atinentes às operações de land loan. Essa pessoa seria a constante na ficha de identificação acostada pela fiscalização às fls. 1319/1324. Como o Sr. Joselito Golin contava com instrumento de procuração pública para representar os interesses do Sr. Paulo (fls. 1307/1308), não tinha motivos para suspeitar da lisura das operações pactuadas, bem como da inexistência do Sr. Paulo Roberto da Rosa, a quem conheceu. Rechaça o Termo de Sujeição Passiva Solidária por não subsistir a uma análise acurada de seus fundamentos, seja pela ausência de prova quanto ao seu interesse econômico na suposta sonegação, seja pela interpretação errônea e aplicação do disposto no art. 124, inciso I, do CTN. Sustenta que o referido dispositivo requer a existência de interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária e não o interesse econômico, como quis a fiscalização, o que significa que o sujeito passivo deve realizar a hipótese de incidência tributária, isto é, praticar o fato gerador. Não há nos autos qualquer prova que dê sustentação à alegação de que teve proveito econômico com a suposta Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 6 9 sonegação praticada pelo Sr. Paulo Roberto da Rosa, ou como alegado pela fiscalização, pelo Sr. Joselito Golin. Quanto à afirmação da fiscalização de que o Sr. Paulo Roberto da Rosa não tinha patrimônio, reitera que não concedeu empréstimo algum, apenas celebrou contratos de compra e venda. Salienta que adotou todas as medidas que qualquer parte interessada adotaria na celebração desses negócios jurídicos, com a efetivação de due diligences, mediante a contratação de um dos mais respeitados escritórios de advocacia para representala nesses negócios, e, de forma alguma, tinha como suspeitar de qualquer irregularidade, não só pelo fato de confiar no Sr. Joselito, mas também pelas evidências documentais e físicas, assim como a análise jurídica de todos os documentos pelo escritório de advocacia contratado. Acrescenta que, não obstante os baixos valores de custo histórico registrado na declaração de bens, desde 2000, o mesmo era proprietário de lotes rurais localizados em MateirosTocantins, conhecidos por “Fazenda Santa Rosa” de altíssimo valor econômico, conforme laudo de avaliação da empresa de auditoria Deloitte que, em 31/12/2008, era de R$ 30.290.000,00, a qual foi concedida em garantia hipotecária à I.C.G.L no Contrato de Empréstimo firmado em 10/09/2007, conforme escritura de dação em pagamento de 10/04/2008 que, em função da entrega das Fazendas Chapadão e Terçado, ficaram canceladas as hipotecas que recaiam sobre as matrículas da Fazenda Santa Rosa (fl. 157, item 8.2), tendo sido, na mesma data, lavrada nova escritura pública de garantia hipotecária à empresa I.C.G.L 2, em virtude do empréstimo concedido no valor de R$ 35.000.000,00 (fls. 592/593). Além disso, era proprietário da “Fazenda Alto da Serra”, avaliada em R$ 46.590.000,00, conforme laudo elaborado pela Deloitte, não alienada às empresas, e sim dada como garantia hipotecária aos empréstimos realizados em 24/07/2007 e 04/12/2007, conforme Certidões de Registro de Imóvel e Escritura Pública de garantia hipotecária, datada de 13/12/2007 e, escritura de dação em pagamento, datada de 23/10/2009, que confirma a alienação da Fazenda Piauí à impugnante, o cancelamento da hipoteca da Fazenda Alto da Serra, já que efetivada a transferência da propriedade pretendida (fls. 175/176, item 8.3). Repisa que o escritório Pinheiro Neto Advogados teria recebido e analisado os documentos e certidões das operações relativos ao Sr. Paulo Roberto da Rosa, relacionados às fls. 1.619/1.622, não tendo constatado problemas para realização das operações. Teria contratado, ainda, o escritório Rulli&Moretti Advogados, especializado na aquisição de Fazendas, que analisou a documentação não tendo apontado nenhuma restrição quanto ao Sr. Paulo Roberto da Rosa. A bem da verdade, apontou apenas a existência de processos no COMPROT, o que, em princípio, não é revelador de qualquer fraude (doc 13). Quanto à área tributária, tinha preocupação em proceder de forma correta, assim, contratou o escritório Souza, Schneider, Pugliese & Sztokfisz que analisou os aspectos tributários envolvidos na operação, Fl. 2921DF CARF MF 10 descreveu as incidências fiscais e sugeriu alternativa que implicaria redução (lícita!) dos tributos incidentes. Relativamente à afirmação do fisco de que o Sr. Paulo Roberto da Rosa não tinha movimentação financeira compatível com a realização de compra e venda de imóveis rurais, alega que não teria como saber acerca dessa movimentação já que tal movimentação não é pública, bem como de informação comumente solicitada aos vendedores em operações de aquisição de terras, ou aos tomadores de empréstimos em operações de mútuos, o que se pede, e isso foi feito, é a apresentação de garantias. Analisando a movimentação financeira do Sr. Paulo, às fls 1486/1488, constatase haver, no ano de 2007, lançamentos a crédito no valor de R$ 54.166.844,19, sendo que os empréstimos da impugnante teriam sido de R$ 47.500.000,00, havendo um ingresso de R$ 6.666.844,19, com o qual nada tinha a ver. Em 2008, os valores creditados foram de R$ 62.931.951,99, enquanto as operações com a I. C. G.L 2 e AGK 5 totalizaram R$ 60.000.000,00. Em 2009, houve um ingresso de R$ 4.966.806,23, enquanto a única operação com empresa relacionada à impugnante (AGK 5) fora de R$ 3.200.000,00. No que concerne à afirmação de que a AGK 5 teria adquirido a Fazenda Angelim juntamente com a Golin Empreendimentos Imobiliários – empresa ligada a Joselito Golin – o que comprovaria o interesse comum de ambos, esclarece que a empresa AGK 5 não adquiriu a Fazenda Angelim em conjunto com a Golin Empreendimentos Imobiliários Ltda.. Em verdade, teria adquirido a Fazenda Santa Rosa e como esta tinha pendências em sua documentação, solicitou que fosse trocada por outra devidamente regularizada. Como a AGK 5 já havia pago R$ 25.000.000,00 ao Sr. Paulo Roberto da Rosa, acordaram que a Fazenda Angelim seria vendida em substituição àquela, pelo preço de R$ 37.800.000,00, e a diferença de R$ 12.800.000,00 paga em duas parcelas de R$ 6.400.000,00 (fls. 910928), como a AGK não pretendia desembolsar o montante total, cedeu parte de seus direitos à empresa Golin Empreendimentos Imobiliários Ltda., ficando coproprietários na proporção de 83,07% (AGK 5) e 16,93% (Golin), o que no seu entender não revela qualquer interesse comum entre a AGK e o Sr. Joselito Golin na suposta fraude com a criação do Sr. Paulo Roberto da Rosa e a alegada sonegação de IRPF. Quanto à alegação de as empresas I.C.G.L. I.C.G.L. 2 e AGK 5 compartilharem o mesmo endereço do Grupo Vision, alega não haver qualquer irregularidade no fato, tendo em vista que as referidas empresas são geridas pela Vision. Um dos administradores da impugnante (Fabio Greco) é também administrador da I.C.G.L. e I.C.G.L. 2, e o Sr. Amaury Fonseca Junior é também administrador da impugnante, sendo ambos sócios fundadores da Vision. A impugnante, a I.C.G.L. e a I.C.G.L. 2 foram constituídas para viabilizar as atividades agrícolas, todas geridas pela Vision. Afirma nunca ter havido “união” ou “conluio” entre a Vision, as empresas por elas geridas e o Sr. Joselito Golin. No tocante às notícias extraídas da Internet de que a Tiba Agro, da qual os Srs. Amaury Fonseca Junior e Fabio Greco eram sócios em 25%, e que Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 7 11 teriam se unido a dois produtores rurais, os irmãos Francioni da Bahia, e o Grupo Golin da região Centro Oeste, alega imprestáveis para fundamentar uma acusação fiscal, uma vez que inacuradas não refletindo a realidade. Afirma que o Sr Joselito Golin ou o Grupo Golin nunca tiveram participação na Tiba Agro, conforme documentos societários que relaciona às fls. 1.639/1.642. Em relação à alegação de que o custo de aquisição das Fazendas era excessivamente baixo, inferior ao VTN médio e ao valor atribuído na dação em pagamento, alega não ser de sua responsabilidade o custo de aquisição considerado por seus anteriores proprietários ou mesmo o informado pelo Sr Paulo Roberto da Rosa, no entanto, tem certeza de que os valores das alienações eram os de mercado, até mesmo muito superiores ao VTN médio, conforme quadro à fl. 1.644. É evidente que não teria adquirido as Fazendas pelo exato valor de mercado apontado pela Deloitte, mas por valores justos e próximos aos de mercado. Quanto à conclusão da fiscalização de que “a economia de imposto obtida com o uso desse subterfúgio (atribuir a uma pessoa fictícia a sujeição passiva do IRPF relativa ao ganho de capital) aproveita a todos os envolvidos nas operações, alega não haver um único documento que prove que a impugnante obteve uma redução no preço das Fazendas, como também de que teve qualquer tipo de Ganho Financeiro com a alegada sonegação de IRPF! Muito ao contrário: pagou preço de mercado e muito superior ao VTN. Tece considerações acerca do instituto da solidariedade tributária, prevista no art. 124, inciso I, do CTN, alegando que o referido dispositivo requer a existência de interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador e não interesse econômico, como quis a Fiscalização, o que significa que o sujeito passivo deve realizar a hipótese de incidência tributária, isto é, praticar o fato gerador. Como pessoa jurídica não poderia realizar o fato gerador do IRPF, bem como é logicamente impossível que tenha auferido renda na alienação de Fazendas por outrem. Aduz ser ponto pacífico na doutrina e jurisprudência (transcrita) que a comprovação de “proveito comum” é imprescindível para configurar o interesse comum previsto em lei como caracterizador da solidariedade. Não se pode atribuir solidariedade tributária a duas pessoas sem antes demonstrar que a ocorrência do fato imponível é proveitosa para ambos, no mesmo sentido. A multa de ofício não se aplica à solidariedade, em especial o agravamento em 50%, pois a impugnante atendeu a todas as intimações. O próprio art 124, I do CTN, prevê que o instituto da solidariedade é restrito à cobrança da obrigação principal. As multas de ofício foram aplicadas em percentual qualificado (150%), e agravado à metade (75%), totalizando 225%, o que reforça a impossibilidade de responsabilização da impugnante, uma vez que o “evidente intuito de fraude” é atribuído tão Fl. 2923DF CARF MF 12 somente ao Sr. Joselito Golin, que na visão do fisco teria criado ”pessoa fictícia”. Alega ser flagrantemente ilegal a determinação contida na IN SRF nº 84/01 de tomar como base para apuração do ganho de capital os valores reais da transação envolvendo os imóveis rurais, já que a Lei 9.393, de 1996, em seus art. 14 e 19, estabelece como base de cálculo tão somente o VTN do imóvel rural nos anos da aquisição e da alienação, seja aquele indicado pelo próprio contribuinte no DIAT (auto avaliação do VTN, como parte da atividade de lançamento por homologação), seja aquele obtido no SIPT (no caso de lançamento de ofício). A Instrução Normativa não pode se sobrepor aos ditames legais, disciplinando diversamente do estabelecido em lei, sob pena de acarretar inversão de hierarquia das normas e majorar ilegalmente a base de cálculo do imposto em tela. Conforme quadros às fls. 1.683/1.684, alega que, em relação à Fazenda Santa Rosa, o ganho auferido foi imensamente inferior ao indicado pela fiscalização, conforme a base de cálculo que encontra respaldo em lei – o VTN extraído do SIPT e, embora a fiscalização tenha mencionado que apurou o suposto ganho de capital com base em informações obtidas nas Certidões fornecidas pelos órgãos de registro (§ 128 do TVF), as aludidas matrículas não foram juntadas, ou seja, mesmo que fosse legalmente autorizada a cobrança do IRPF com base nos valores de aquisição ou alienação, baseouse em documentação que não consta dos autos, em especial o alegado custo de aquisição. No que se refere à Fazenda Angelim, como a alienação se deu em data anterior a da entrega do DIAT, a fiscalização nem sequer apresentou os VTN de aquisição e alienação, resumindose a calcular o IRPF com base nos valores efetivamente pagos e recebidos, impossibilitando a demonstração das eventuais diferenças, já que o acesso aos dados do SIPT é restrito aos servidores da RFB. A base de cálculo empregada pelo fisco é ilegal, de modo que o respectivo lançamento não pode prosperar. No que tange à alegação de que a DITR da Fazenda Santa Rosa não poderia ser utilizada para fins de apuração do ganho de capital, por ter sido apresentada por pessoa supostamente fictícia, alega que a fiscalização não provou a inexistência do Sr. Paulo Roberto da Rosa, preferindo valerse de conjecturas e presunções do que provas concretas e cabais, o que é incompatível com o processo administrativo tributário (princípios da verdade material e da legalidade), assim, não poderia ser desconsiderada. Ainda que prevalecesse a acusação fiscal no sentido de erro na identificação do sujeito passivo nas aludidas declarações, caberia a Fiscalização retificálas de ofício, a teor do art. 147, § 2º do CTN, para que constassem como transmitidas pela pessoa física do Sr. Joselito Golin, apontado como o verdadeiro sujeito passivo, de modo a prevalecer a confissão de dívida nelas contida e, se fosse o caso, lançar eventuais diferenças apuradas com base no SIPT. É inconteste que as DITR relativas aos imóveis em apreço foram efetivamente transmitidas à RFB, com o efeito de possibilitar à Fiscalização o conhecimento dos fatos geradores da obrigação tributária de ITR e de IRPF, de modo que caberia à Fiscalização, quando muito, lançar as eventuais diferenças apuradas com base no SIPT. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 8 13 Alega incabível a aplicação da multa em 150%, uma vez que a acusação de fraude recai apenas sobre o Sr Joselito Golin e não ficou provado que teria agido em conluio e, muito menos, que tenha tido alguma responsabilidade com a alegada sonegação. Insurgese, ainda, sobre os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, que considera ilegais, na medida em que essa não retrata a obrigação principal, mas em encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. Por fim, requer o provimento da impugnação, para determinar o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do próprio Auto de Infração e, se não for esse o entendimento, protesta pela posterior juntada de documentos adicionais, que estão sendo diligentemente levantados pela impugnante em seus registros. Cientificados da decisão que contrariou parcialmente seus interesses em 06 e 13 de dezembro de 2013, o sujeito passivo (fls. 2432) e o devedor solidário (fls. 2482), respectivamente, apresentaram tempestivamente, em 26 de dezembro de 2013 e 14 de janeiro de 2014 recursos voluntários. Antes, porém, em 14 de novembro de 2013, o Contribuinte apresenta aditamento de sua impugnação, folhas 2415, na no qual apresenta nova argumentação contra o lançamento tributário ainda não julgado, mas que apenas 5 dias depois, viria a sêlo. Tal peça, por meio de despacho de folhas 2425 que reconheceu o recebimento tardio em face da ciência do acórdão de impugnação não foi apreciada pela decisão recorrida. Em 26 de março de 2015 foi juntado aos autos (fls. 2676), pelo devedor solidário, cópia de decisão do Juiz do DIPO da Justiça Estadual de São Paulo que, acatando a posição do Ministério Público Estadual, determinou o arquivamento por falta de provas, uma vez que constatouse a existência do Sr Paulo Roberto da Rosa do Inquérito Policial nº 004343146.2014 que tinha por finalidade apurar o crime de falsificação de documento público e de falsidade ideológica noticiado por meio de Representação Fiscal para Fins Penais decorrente da ação fiscal que lançou o tributo que aqui se discute. Na petição de juntada, o devedor solidário reitera as alegações de seu recurso voluntário em especial quanto a solidariedade imputada, posto que fundada no interesse comum e conluio. A Procuradoria da Fazenda Nacional, noticia (fls. 2745), em 13 de janeiro de 2016, o ajuizamento de ação cautelar fiscal nº 006176688.2015.403.6182, junto à 11ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal de São Paulo e que houve concessão de decisão liminar nos referidos autos. Por fim, houve em 13 de setembro de 2016, pedido de conexão (fls. 2758) nos termos do artigo 6º do Anexo I do RICARF, por parte da empresa AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda, à qual também foi imputada responsabilidade solidária pelos créditos discutidos no processo nº 10880.721159/201380. Tal pedido foi indeferido por despacho fundamentado (fls. 2910), assinado em conjunto pela Sra. Presidente desta 2ª Câmara e pelo Sr. Presidente desta 2ª Seção de Julgamento do CARF. Fl. 2925DF CARF MF 14 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Alexandre Evaristo Pinto Os recursos voluntários atendem aos requisitos de admissibilidade e portanto, deles conheço e passo a apreciálos na ordem de suas alegações. Das Preliminares de Nulidade por Cerceamento de Defesa A AGK 5 Empreendimentos e Participações Ltda requer a nulidade do lançamento uma vez que não foi intimada para apresentar documentos ao longo da fiscalização, assim como nem todas as razões de defesa suscitadas foram apreciadas no Acórdão da DRJ, sendo que isso configura cerceamento de defesa. Também alega que o acórdão da DRJ não se debruçou sobre o fato de que inexiste interesse jurídico que entre a AGK 5 Empreendimentos e Participações Ltda e o Sr. Joselito Golin, que justifique a responsabilidade solidária do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, visto que o responsável solidário foi regularmente notificado e apresentou extensos argumentos tanto Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 9 15 na impugnação quanto no recurso voluntário. No tocante à questão da não apreciação de todos argumentos apresentados na impugnação, vale notar que o Acórdão da DRJ enfrentou a questão da solidariedade da AGK5 inclusive em tópico específico (fls. 2402 a 2405). Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são incabíveis as pretendidas nulidades, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Do Erro de Identificação do Sujeito Passivo Constato que a maior parte da defesa do Recorrente se funda na premissa de que há erro na sujeição passiva, posto que o Sr Paulo Roberto da Rosa é pessoa natural viva. Como relatado, tratamse de apelos interpostos pelo devedor principal e pelos solidários em oposição a decisão de primeira instância que manteve o lançamento tributário relativo ao pretenso IRPF devido em razão do ganho de capital ocorrido pela alienação de bens do devedor principal. Assim se inicia o Termo de Verificação Fiscal (fls 1472): "1. Cumpre informar, inicialmente, que a fiscalização em epígrafe é decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.1.85.0020120001147 em nome de "Paulo Roberto da Rosa", CPF 714.373.39115. Essa ação fiscal teve começo com o: ,Termo de Início recebido, por via postal, em 09/04/2012, que demandou do intimado a apresentação dos seguintes documentos: (...) 2. Tendo em vista a ausência de resposta a este. Termo, "Paulo Roberto da Rosa" foi intimado, novamente, por mais seis vezes (ver quadro abaixo), no domicílio fiscal constante no Cadastro da Pessoa Física da Receita Federal do Brasil, isto é: Rua Anita Garibaldi, n° 29, Sala 401, Centro, São Paulo (SP) e, até a presente data,não recebemos a' documentação/esclarecimentos solicitados e/ou qualquer pronunciamento a respeito. (...) 3. Entretanto, conforme se demonstrará nesse Termo de Verificação Fiscal (item II), "Paulo Roberto da Rosa" é uma pessoa fictícia, que foi criada por Joselito Golin, cuja alcunha é "Paulo Golin". (...)" (destaques não constam do original) A leitura do excerto acima é determinante no deslinde do presente processo administrativo tributário. Como veremos, a Fiscalização entendeu que o sujeito passivo, por ela eleito, alienou bens imóveis de sua propriedade, como procurador do Sr. Paulo Roberto da Rosa, posto que tais bens estavam registrados em nome deste. Fl. 2927DF CARF MF 16 Dito de modo diverso: O Sr Joselito Golin, eleito pela Autoridade Autuante como sujeito passivo, criou a pessoa física Paulo Roberto da Rosa por meio da utilização de documentos falsos, realizando diversas alienações ensejadoras de ganho de capital e consequente incidência de IRPF, sempre em nome da pessoa fictícia por ele criada, consoante se verifica no item 5 do TVF. Alega a Autoridade Fiscal (fls. 1474): "5. Destacase que o objetivo dessa ação fiscal é apurar o real Ganho de Capital e o imposto respectivo, decorrente das alienações ocorridas, em 2008 e 2009, de diversos imóveis rurais, adquiridos em 2007 e 2008, em nome de."Paulo Roberto da Rosa", CPF 714.373.39115, com parte.dos recursos provenientes de empréstimos concedidos por "I.C.G.L Empreendimentos (e Participações S.A (CNPJ 08.692.712/000120), doravante também referida como I.C.G.L, no valor de R$ 47.500,000,00 e por I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 09.060.869/000104), doravante também referida como I.C.G.L 2, no valor de R$ 35.000.000,00. (...) 6. Registrase que o Sr Joselito Golin, em flagrante desprezo à intimação já exarada, erigida em Termo formal .e regular, quando intimado a apresentar os demonstrativos/esclarecimentos referentes à apuração do ganho de capital decorrente das : operações mencionadas no, parágrafo anterior, mantevese silente, sem apresentar qualquer manifestação, apesar de estar demonstrada, nesse Termo, a responsabilidade direta dele quanto a essas infrações " Tal a certeza do ocorrido, que a Fiscalização, no item II (Identificação Correta do Sujeito Passivo), folhas 1475, assevera: "7. 0 artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), assim dispõe sobre a constituição do crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. II.I) COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS 8. Nas DIRPF (Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física)apresentadas em nome de. "Paulo Roberto da Rosa", CPF 714.373.39115, .há a informação referente à aquisição de diversos imóveis rurais (vide tabelas a seguir) nos anoscalendário 2007 e 2008. Esses imóveis, de acordo com as aludidas declarações(informações confirmadas por documentos apresentados "pelas mutuantes), teriam sido adquiridos com parte dos recursos provenientes de empréstimos concedidos por I.C.G.L Empreendimentos e Participações S A (CNPJ;08.692.712/000120), no valor de R$ 47.500,000,00'e por I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Itda Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 10 17 (CNPJ09.060.869/000104), no valor de R$ 35.000.000,00 (apresenta extensa tabela folhas 1475 e 1476) 9.Uma informação que merece ser destacada são os baixos valores de aquisição dos imóveis rurais relacionados no parágrafo anterior em comparação com os dados constantes do SIPT (Sistemas de Preços de Terras) tendo por base o VTN (valor da Terra Nua) informado pela Secretaria de Agricultura dos Estados. Com base no SIPT, os imóveis, que foram transferidos; em 2008 (dação em pagamento) e adquiridos em 2007 por R$ 2.247.400,00, deveriam ter um VTN de aquisição médio de R$ 36.199.976,00, enquanto que os adquiridos em .2008 por R$ 960.000,00 e transferidos em 2009 (dação em pagamento) deveriam ter um VTN de aquisição médio de R$ 6.572.794,00. 10. De acordo com as DIRPF apresentadas em nome de"Paulo Roberto da Rosa", teriam sido realizadas benfeitorias nos imóveis rurais adquiridos com recursos de empréstimos obtidos de pessoas jurídicas não financeiras. Após; teria havido a liquidação desses empréstimos, via dação, de quase todos os imóveis .adquiridos, em, pagamento. Registrase aqui que as alegadas benfeitorias realizadas não foram comprovadas, e que o imposto relativo ao ganho de capital apurado não foi recolhido em sua totalidade (vide Item IV)11, Em análise aos registros de imóveis, verificase que yários dos imóveis" adquiridos em nome de "Paulo Roberto da Rosa" (Duas Meninas, Piauí I, Piauí II,y Piauí III, Piauí IV e Piauí V,;Olho D' Agua II,e,Brejo da Onça II) teriam sido alienados a ele pelo Sr.Ronaldo Lisboa de Freitas (Sr Ronaldo), CPF 566.578.54315, que teve relação de emprego com a Eldorado Agroindustrial Ltda (informação constante de sua DIRPF/2009), CNPJ 37.224.433/000130, empresa essa que possui como, sócios o Sr Joselito Golin, Aria Paula Schimitz Golin, Judiliane Schimitz Golin e Rafaela Schimitz Golin. 12. As informações constantes do Cadastro de Pessoa Física (CPF) da; Receita Federal do Brasil (CPF) permitem depreender que Ana Paula Schimitz Golin, CPF 056.547.84943, Judiliane Schimitz Golin, CPF 726.184.00178 e Rafaela Schimitz Golin, CPF 057.631.90904, são filhas do Sr Joselito Golin 13. As informações contidas nos parágrafos 11 e 12 constituem indícios de que;pelo menos parte das fazendas adquiridas em nome de "Paulo Roberto da Rosa" , pertenciam a Joselito Golin que as vendeu, então, para empresas do Grupo Vision" Ao longo de várias páginas, a Fiscalização demonstra a ligação do Sr. Joselito Golin com as empresas I.C.G.L Empreendimentos e Participações SA e I.C.G.L 2 e AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda. Demonstra ainda, que a movimentação bancária de Paulo Roberto da Rosa era incompatível com sua estrutura patrimonial e atividade. Ressalta a grande quantidade de empréstimos concedidos pelas empresas mencionadas ao Sr Paulo Roberto da Rosa. Menciona, citando reportagens de jornais de grande circulação que dois executivos de grande banco internacional constituíram empresa com objetivo de captar Fl. 2929DF CARF MF 18 recursos no exterior para aquisição de grandes extensões de terra em fronteiras agrícolas do Centro Oeste e nordeste brasileiros e que o Sr Paulo Roberto da Rosa, por indicação de J Golin, foi contratado por essa empresa, para adquirir, em seu nome, grande extensão de terras. Conclui (folhas 1491): "32. Pelos fatos já narrados, depreendese haver uma estreita relação entre o Sr Joselito Golin e as empresas I.C.G.L, I.G.G.L 2 e AGK 5, destacandose os seguintes fatos: a) o Sr Joselito Golin e a empresa AGK 5 adquiriram," em conjunto, a Fazenda Angelim, sendo, portanto, condôminos; b) Há vínculo empresarial entre o Grupo Vision e o " Grupo Golin", confirmado, por informações da Imprensa e por declaração prestada pelo Sr Carlos Alberto Casseb (vide Item II.Ill deste Termo de Verificação Fiscal). c)As empresas do Grupo Vision e as empresas IX.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 compartilham o mesmo endereço cadastral d)As empresas LC.G.L e I.C.G.L 2 declararam ter feito empréstimos.milionários a "Paulo: Roberto da.Rosa" devido aos seus conhecimentos para escolha de imóveis rurais na região e.de sua experiência na negociação dos preços desses imóveis. Entretanto, a sua movimentação financeira, até a data dós referidos empréstimos,era incompatível com essa atividade. Assim, o mais razoável é concluir que I.C.G L, I.C.G.L 2 e. AGK 5 não quiseram contratar"Paulo Roberto da Rosa", mas Joselito Golin, este sim,, pessoa com reconhecida experiência no mercado de"compra e venda de imóveis rurais (vide informações da imprensa citadas nos parágrafos'55 a 57deste Termo de Verificação Fiscal). A corroborar tal conclusão depõe o documento referente a Contrato de Empréstimo e Hipoteca assinado por Joselito Golin e encaminhado à I.C.G.L 2.onde o signatário declara ter conhecimento e experiência profissional na atividade de aquisição de imóveis rurais nos Estados do Piauí e Mato Grosso e assume ser responsável, devedor solidário, garantidor e principal pagador, sem benefício de ordem, de todas as obrigações assumidas em nome de "Paulo Roberto da Rosa". Ademais, quase todos os documentos (há documentos assinados por Carlos Alberto Casseb advogado do Grupo Golin) envolvendo "Paulo Roberto da Rosa" e a I.C.G.L., I.C.G.L 2 e AGK 5 sempre foram assinados por Joselito Golin, alegadamente na condição de procurador. O referido documento coloca o Sr Joselito Golin na condição de PARTE no contrato a que faz referência e) As empresas I.C.G.L e AGK 5, declaram ter tido contato pessoal com "Paulo Roberto dá Rosa" apesar de ficar comprovado, nesse Termo, que "Paulo Roberto da Rosa", nascido em 12/12/1962, é pessoa fictícia (vide Item II.Ill deste Termo de Verificação Fiscal)." A partir deste ponto o Auditor Fiscal responsável pelo lançamento tributário passa, segundo se observa nas folhas 1492/1508, a demonstrar que a pessoa de Paulo Roberto da Rosa é ficta, criada por Joselito Golin para fins escusos. Transcrevo a conclusão da Autoridade Fiscal (fls 1506): Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 11 19 "Conclusão: Paulo Roberto da Rosa". CPF 374.361.63000.RG 11.615.29586 SSP/BA. é Pessoa Fictícia criada por Joselito Golin Diante do exposto, concluise que "Paulo Roberto da. Rosa" é , uma pessoa fictícia, que foi criada por JOSELITO GOLIN, CPF 374.361.63000, empresário, conhecido do ramo imobiliário rural e do agronegócio, possivelmente, para ocultar o verdadeiro sujeito passivo de eventuais obrigações tributárias. Os fatos narrados que permitem essa conclusão podem ser sintetizados da seguinte forma: a) Ausência de assento de nascimento em nome de "Paulo Roberto da Rosa", data de nascimento 12/12/1962; filho de Almerica .Silva da Rosa b) Inexistência de Título de Eleitor em nome de "Paulo Roberto da Rosa", data de nascimento em 12/12/1962 e filho de Almerica Silva da Rosa c) Procuração outorgada por. "Paulo Roberto da Rosa", no ano de 2002, com prazo indeterminado, conferindo ao Sr Joselito Golin 'amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive, para abrir, movimentar;, é encerrar contas bancárias" d) Joselito Golin assume a responsabilidade solidária por empréstimos, contraídos em, nome de "Paulo Roberto da Rosa",sem benefício de ordem e) Joselito Golin comparece verdadeiramente como "PARTE" num contrato em que apenas "Paulo Roberto, da Rosa" inicialmente havia sido contratado f)"Paulo Roberto, da Rosa" .participa de vários atos sempre; representado por um procurador (vide todos os documentos firmados por "Paulo Roberto da Rosa" e as empresas I.C.G".L, I.C.G.L 2 e AGK) , tais como. contratos :de empréstimos, escritura de dação e imóveis em pagamento ;e instrumentos de compra é venda de imóveis, além de informações do síndico da massa falida das Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A. g) A criação do CPF de "Paulo Roberto da Rosa", em 1999, aos 36 anos de idade, nascido em .12/12/1962 h) O registro da suposta Certidão de Nascimento e da Carteira de Identidade em nome de "Paulo Roberto da Rosa",.quando ele teria, respectivamente, 32 e 36 anos de idade i) As tentativas de inserir o nome Paulo ao de Joselito Golin, em 1998, no cadastro de CPF. j) Domicílio Tributário informado para "Paulo Roberto da Rosa" pertence a outro contribuinte. Entretanto as correspondências; encaminhadas a ele estão sendo interceptadas pelo escritório de advocacia do Sr Casseb, Escritório esse que possui como clientela. JAP empresa ligada a Joselito Golin Fl. 2931DF CARF MF 20 k) As assinaturas de "Paulo Roberto da Rosa" constantes do CPF, da Carteira de Identidade e da Ficha do Instituto de Identificação Pedro;Mello do Departamento de Polícia do governo do Estado da Bahia, são divergentes I) Os documentos de "Paulo Roberto da Rosa" (CPF, Carteira de Identidade, Certidão de Nascimento e Procuração) foram emitidos em: diferentes estados (Mato Grosso do Sul, Bahia, Amazonas e Distrito Federal, respectivamente) m) Forte suspeita levantada pelo síndico da Massa Falida da Boi Gordo de que Paulo Roberto da Rosa nem sequer existe, tendo sido criado por Joselito Golin n) Realização de vultosos empréstimos de Paulo Roberto da Rosa a Gérson Luiz de Oliveira (Gérson faz parte do Quadro Societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin o) O endereço constante no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica de Empresa ligada a Joselito Golin (JAP) é o mesmo daquele eleito como domicílio tributário para "Paulo Roberto da Rosa", sendo que esse endereço pertence a outro contribuinte p) Joselito Golin é empresário conhecido no ramo do agronegócio e do comércio de imóveis rurais, enquanto Paulo Roberto da Rosa é pessoa desconhecida até mesmo em seu endereço tributário q)Várias fazendas adquiridas em nome de Paulo Roberto da Rosa pertenciam a pessoas ligadas a Joselito Golin, como por exemplo, as fazendas Duas Meninas, Piauí I, Piauí II, Piauí III, Piauí IV, Piauí V, Olho D'Agua II e Brejo da Onça II que tinham como proprietário o Sr Ronaldo Lisboa de Freitas, CPF 566.578.54315" Assim, é claro o posicionamento da autoridade lançadora no sentido que o Sr Paulo Roberto da Rosa não existe. Nesse sentido, cabe mencionar o seguinte trecho (fls 1540): "154.No item "II.Ill RELACIONAMENTO DE JOSELITO GOLIN COM "Paulo Roberto da Rosa" deste TVF, ficou amplamente demonstrado o evidente intuito de fraude, via criação de um sujeito passivo fictício ("Paulo Roberto da Rosa") por Joselito Golin, para, dentre outros objetivos, ocultar o verdadeiro sujeito passivo das obrigações, tributárias analisadas no item "IV ; APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL", e com isso impedir ou retardar o conhecimento por parte, da Autoridade Tributária do fato gerador da obrigação tributária. Ante o exposto, estáse diante da hipótese de sonegação, prevista no inciso II do.art. 71 da lei n° 4.502/1964, uma vez que a criação de um sujeito passivo fictício foi uma ação dolos, .que teve, dentre, outros; o objetivo de impedir o.conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis, de afetar a obrigação tributária, principal ou o crédito tributário correspondente" Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 12 21 Como consequência de suas constatações, os Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento, elaboraram representações fiscais para fins penais que foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, visando a apuração da prática, em tese, do crime de uso de documento falso e falsidade ideológica. Como consta do Relatório, em 26 de março de 2015, a devedora solidária I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda, requer a juntada da Manifestação do Ministério Público do Estado de São Paulo nos autos do Inquérito Policial nº 322/2014, seguida da decisão do MM Juíz do Foro Central Criminal da Barra Funda da Comarca de São Paulo DIPO Sandro Rafael Barbosa Pacheco, determinando o arquivamento do Inquérito Policial (fls. 2709). Assim se manifestou o Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 2706): "Observase, assim, que o presente procedimento administrativo deve ser arquivado, pois o conjunto probatório mostrase precário quanto a caracterização dos delitos em questão. Ressaltese que a Receita Federal acreditava que Joselito Golin teria criado pessoa fictícia para omitir sujeito passivo da obrigação tributária. Todavia, restou demonstrado que não restou evidenciado, pois se revelou que Paulo Roberto da Rosa é, de fato, uma pessoa, titular de direitos e obrigações. Atentese que Paulo Roberto explicou que a suspeita da Receita Federal se deu em virtude de um número equivocado quanto a sua certidão de nascimento, fazendo, inclusive, com que ele sofresse prejuízos financeiros e morais. Por fim, os sócios da Vision Brasil de Investimenos relataram que quando fizeram negócios com Paulo Roberto, todos os seus documentos foram supervisionados por escritórios de advocacia especializados, bem como empresas de auditoria, não sendo encontrada nenhuma falsidade nos referidos documentos. Assim, apesar dos esforços da polícia, o cenário probatório e precário quanto a caracterização dos delitos em exame e não vislumbro novas diligências cabíveis, razão pela qual requeiro o arquivamento dos autos, sem prejuízo, contudo, do disposto no artigo 18 do Código de Processo Penal" Dessa forma, é cristalina a conclusão da autoridade competente para verificação da existência da pessoa natural: Paulo Roberto da Rosa é pessoa física viva e titular de direitos e obrigações. Houve erro da identificação do sujeito passivo pelas Autoridades Lançadoras. Os negócios jurídicos ensejadores de obrigações tributárias constantes do Auto de Infração que aqui se discute foram praticados pelo Sr Paulo Roberto da Rosa como reconhecido pelo próprio Fisco e o lançamento tributário foi realizado em nome de Joselito Golin e dos demais devedores solidários mencionados. Inegável a existência de vício no lançamento. Vício de índole material. Fl. 2933DF CARF MF 22 Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriamos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias, decorrente da verificação da prática do fato gerador pelo sujeito passivo, deve ser corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, não se aplica no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é que todo o lançamento tributário parte da premissa de que aquele que praticou o fato gerador não existe como pessoa natural. Consta do prelúdio do Termo de Verificação Fiscal tal afirmação. Não obstante as diligências efetuadas pelas Autoridades Lançadoras no tocante a intimação do contribuinte e dos demais partícipes dos negócios jurídicos praticados, em que pese o caráter inusual destes, denotarem a prática de determinados atos simulados, a Fiscalização optou por eleger somente o Sr Joselito Golin como contribuinte assim entendido aquele que tem relação pessoal e direta com o fato gerador, posto que o Fisco assumiu como verdade a inexistência do Sr Paulo Roberto da Rosa. Instada, por imperativo processual, a comprovar a sujeição passiva, a Recorrente soube se desvencilhar do ônus, comprovando para a autoridade competente, no caso a autoridade policial, a existência com vida daquele que praticou os negócios jurídicos ensejadores do ganho de capital. Ante o exposto, não resta dúvida de que o Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, não identificou o sujeito passivo da obrigação tributária. Vale citar que este foi o entendimento manifestado no Acórdão n. 2201 003.698 da 1a Turma da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, no qual também a mesma situação do Recorrente foi analisada, mas para um período diferente. Nesse sentido, cumpre mencionar o voto do conselheiro relator Carlos Henrique de Oliveira que cita a doutrina de Celso Antonio Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), acerca a irregularidade dos atos administrativos: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos Ainda no referido voto, o conselheiro relator Carlos Henrique de Oliveira assinala que os lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta, de modo que tendo em vista que houve ofensa às determinações do artigo 142 do CTN há vício no conteúdo do ato, pois são requisitos do Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 13 23 lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário, tal qual no caso em que é indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Assim, verificase que a autoridade fiscal não comprovou quem efetivamente praticou os fatos geradores da obrigação tributária, errando ao eleger o Contribuinte, quando deveria apontar o real sujeito passivo. Da Questão da Solidariedade Tributária do Sr. Joselito Golin Embora o Sr. Joselito Golin traga argumentação no sentido de que ele não deve ser sujeito passivo solidário em virtude da inexistência de interesse comum, cumpre lembrar que no presente processo, ele foi considerado sujeito passivo, de modo que tal questão não carece ser enfrentada. Da Questão da Base de Cálculo do Ganho de Capital na Alienação de Imóvel Rural Com relação à apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, o Recorrente alega que o dispositivo legal aplicável é o artigo 19 da Lei n. 9.393/96, que assim dispõe: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considera se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Dessa forma, há regra específica de ganho de capital para imóvel rural que toma por base o valor da terra nua tanto no momento da aquisição quanto no momento da alienação. Tal regra é reiterada no artigo 9º da Instrução Normativa SRF n. 84/01, nos seguintes termos: Art. 9o Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1o Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2o Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Fl. 2935DF CARF MF 24 A dúvida surge quando não houve a entrega da Declaração do ITR com a respectiva informação acerca do VTN, de modo que o artigo 14 da Lei n. 9.393/96 assim dispõe: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Por sua vez, o §2º do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n. 84/01 estabelece que caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação, conforme pode ser observado abaixo: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3o O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Nesse sentido, o artigo 14 da Lei n. 9.393/96 não deixa margem para que seja usado como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação, de modo que a Receita Federal deverá proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 14 25 do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização, no caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Ainda que possa ser entendido que o artigo 14 da Lei n. 9.393/96 seja aplicável somente ao cálculo do ITR, não pode ser olvidado que tal dispositivo deve ser lido de forma sistemática inclusive para fins de apuração do ganho de capital de imóvel rural. Ante o exposto, a argumentação trazida pelo Recorrente merece ser acolhida. Da Questão da Falta de Interesse Comum entre a AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda e o Sr. Joselito Golin A solidariedade tributária está prevista no artigo 124 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Como se vê, o artigo 124, I, do Código Tributário Nacional prevê a solidariedade para as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ao analisar o conteúdo da expressão “interesse comum”, Luís Eduardo Schoueri assinala que: “Interesse comum só tem as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos têm “interesse comum” na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos. Notese que o débito é um só, mas todos os condôminos se revestem da condição de sujeitos passivos solidários. Não constituem “interesse comum”, por outro lado, as posições antagônicas em um contrato, mesmo quando em virtude deste surja um fato jurídico tributário. Assim, comprador e vendedor não têm “interesse comum” na compra e venda: se o vendedor é contribuinte do ICMS devido na saída da mercadoria objeto da compra e venda, o comprador não será solidário com tal obrigação”. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. P. 581) No caso em tela, não há como enquadrar a situação como de “interesse comum”, de modo que a solidariedade tributária não deve alcançar a AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda. Fl. 2937DF CARF MF 26 Vale ressaltar que na hipótese em que a solidariedade tributária seja considerada possível, é fundamental que sejam cancelados os lançamentos relativos aos valores já declarados e pagos pelo Sr. Paulo Roberto da Rosa a título de ganho de capital. Da Questão da Multa Qualificada e da Multa Majorada Deixo de apreciar as questões de incidência da multa qualificada e majorada, alegadas somente no Recurso Voluntário da AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda, uma vez que a solidariedade tributária da AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda foi afastada no presente Acórdão. Da Questão da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Por fim, a Lei n° 9.430/97, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (.) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", sendo que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, decorrendo, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: “a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Dessa forma, a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no tocante ao mérito, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a improcedência do lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, pelas razões que passo a expor. DA SUJEIÇÃO PASSIVA / INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA O recurso voluntário se limita a repetir, por diversas vezes, a seguinte tese: uma vez que o Sr. Paulo Rosa foi localizado, o lançamento não pode subsistir. O recorrente parece crer, ou quer fazer crer, que o fato de o Sr. Paulo Rosa haver sido localizado seria bastante para descaracterizar a interposição fraudulenta. Em seguida, o recorrente tece considerações genéricas e expõe sua opinião sobre o art. 124 do CTN, afirmando não ser cabível incluílo no pólo passivo apenas porque era parceiro negocial. Quanto a este segundo argumento, importa deixar clara a sua impertinência, pois a fiscalização não imputa a Joselito Golin a condição de responsável tributário, mas sim de contribuinte. Paulo Rosa foi afastado do pólo passivo por ser considerado pessoa interposta. Voltando ao argumento principal, cumpre observar que, apesar de insistir em dizer que, em razão da localização de Paulo Rosa, este deveria ocupar o pólo passivo, o recurso não enfrenta os fundamentos que levaram ao reconhecimento da interposição fraudulenta. Com efeito, o recorrente falsamente afirma que a imposição tributária se fundou na inexistência de Paulo Rosa. Não foi isso que ocorreu. A fiscalização baseou o lançamento tributário: (i) na prestação de declarações falsas/incorretas nas declarações de rendimento e Diat o que levou à omissão de ganho de capital em valores significativos e (ii) na interposição fraudulenta de pessoa, interposição de um laranja, Paulo Rosa. De fato, restou provado que o Sr. Paulo Roberto da Rosa é pessoa natural, não fictícia; porém, tal fato, por si só, não possui o condão de caracterizar erro de identificação do sujeito passivo, uma vez que o fato de o Sr. Paulo Roberto da Rosa existir não significa que esteja errada a fiscalização ao afirmar estarmos diante de operação perpetrada pelo Sr. Joselito Golin para se eximir de suas obrigações tributárias; é necessário, portanto, analisar o conjunto probatório dos autos para verificarmos que é o sujeito passivo do crédito tributário em questão. Em o fazendo, entendo existir provas contundentes de ser o Sr. Joselito Golin o sujeito passivo, como constou no lançamento, sendo o Sr. Paulo Roberto Rosa mero intermediário, ou “laranja”. Passo a abordálas. (a) falta de capacidade financeira do Sr. Paulo Roberto Rosa: restou constatada a falta de capacidade financeira do Sr. Paulo Roberto Rosa, uma vez que sua movimentação financeira e seu patrimônio são incompatíveis com o porte das operações realizadas; o Sr. Paulo Roberto Rosa só teve movimentação financeira significativa pouco antes de se iniciarem as operações em questão e enquanto essas perduraram.; em 2006, o saldo total da conta que detinha no Banco da Amazônia era de R$ 65,00; em 2007, tinha R$ 1.077,35 no Unibanco e R$ 68,00 no Banco da Amazônia. A conta junto ao Banco do Brasil começou a Fl. 2939DF CARF MF 28 receber movimentação absolutamente desproporcional com o período anterior (R$ 54.166.884,19) (efls. 1486/1488): Em 2008, quando começam as operações, a movimentação total foi de R$ 63 milhões a débito e valor similar a crédito; em 2009, a movimentação foi de cerca de R$ 4,9 milhões e em 2010 em torno de R$ 2,5 – 3 milhões. Após esse interregno, não houve mais movimentação financeira em contas em nome do Sr. Paulo Roberto Rosa, conforme pesquisa na base nas Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof). (b) O Sr. Paulo Roberto Rosa conferiu, ao Sr. Joselito Golin, em instrumento datado de 18/10/2002, por prazo indeterminado, procuração de com poderes amplos amplos, gerais e ilimitados a esse, inclusive para abrir, movimentar e encerrar contas bancárias. A longa narrativa sobre o encontro entre irmãos que não se conheciam pode até ser contato com a realidade, mas, pelos elementos dos autos, concluise que se tal fato ocorreu, dele decorreu que o Sr. Joselito Golin utilizou o Sr. Paulo Roberto Rosa, supostamente seu irmão, como laranja, para não figurar diretamente nos contatos. (c) O Sr. Joselito Golin era o efetivo responsável pelas negociações e fechamento dos contratos com as empresas adquirentes dos imóveis, de acordo com as informações prestadas pelas sociedades empresárias adquirentes das propriedades rurais (efl. 1484): Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 16 29 (c.1) Ainda mais contundente, por revelar que o Sr. Joselito Golin assumiu a responsabilidade pela consecução dos negócios em razão de sua expertise, é o Contrato de Empréstimo assinado pelo Sr. Joselito Golin e encaminhado à ICGL2: Fl. 2941DF CARF MF 30 (d) O Sr. Joselito Golin assumiu responsabilidade solidária por empréstimo concedido ao Sr. Paulo Roberto Rosa. O trecho acima reproduzido demonstra que, além de assumir a responsabilidade por efetivar o negócio em razão de seu conhecimento, o Sr. Joselito Golin assumiu responsabilidade pelo pagamento do empréstimo contraído pelo Sr. Paulo Roberto Rosa, empréstimo este no valor de R$ 35 milhões (efls. 1482 e 1.484). (e) A negociação de grandes imóveis rurais era a especialidade do Sr. Joselito Golin. Conforme informa o TVF à efl. 1500, em entrevista, Sr. Joselito Golin afirma que, dentre as suas atividades estão "compra fazendas, formálas e revendelas". (f) O Sr. Joselito Golin era conhecido empresário no agronegócio enquanto o Sr. Paulo Roberto Rosa nunca participou de nenhuma sociedade e não há qualquer elemento que demonstre que tenha trabalhado, sob qualquer forma, na área. Enquanto o Sr. Paulo Roberto Rosa não consta no quadro societário de nenhuma empresa ligada ao Agronegócio ou ao ramo imobiliário rural, o Sr. Joselito Golin é conhecido operador da área. É sócio de diversas empresas. Esteve à frente, inclusive, da falida Fazendas Reunidas Boi Gordo. A inscrição do Sr. Paulo Roberto Rosa, no cadastro CPF, nº 714.373.39115, somente foi realizada em 28/04/1999, o que é incompatível com atividade empresarial anterior a esse fato. Além de toda a série de indícios que demonstram que ao Sr. Paulo Roberto Rosa faltariam tanto condições financeiras quanto capacidade técnica para tomar parte nos negócios realizados, enquanto o Sr. Joselito Golin possuía ambas, há uma série de indícios a demonstrar a relação entre o Sr. Joselito Golin e o Sr. Paulo Roberto Rosa e o Sr. Joselito Golin e as empresa adquirentes. (g) O vendedor de diversos imóveis adquiridos por o Sr. Paulo Roberto Rosaera empregado (informação da DIRPF/2009) do Grupo Eldorado Agroindustrial Ltda, empresa da qual Sr. Joselito Golin era sócio, juntamente com suas filhas. Vejase: Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 17 31 (h) Há empréstimo do Sr. Paulo Roberto Rosa para empregado do Grupo Golin. Das declarações de rendimentos referentes ao anocalendário 2008 constam empréstimos do Sr. Paulo Roberto Rosa em favor de Gerson Luiz de Oliveira. Gerson é sócio de empresas ligadas ao Grupo Rolim (Proterra Empreendimentos e Vale Verde Transporte e Turismo) e Gerson Oliverira, no mesmo exercício, fez empréstimos em favor das filhas DE Sr. Joselito Golin, como informa o TVF à fl. 1498. Há aí forte indício de circularização de valores em favor das filhas de Sr. Joselito Golin. Ademais, é de se perquirir a origem dos valores emprestados por Paulo Roberto Rosa, que, como visto, não detinha capacidade financeira, ao contrário do Sr. Joselito Golin. (i) O domicílio fiscal da JAP Empreendimentos, empresa cujas sócias são as filhas de Sr. Joselito Golin é o mesmo indicado pelo Sr. Paulo Roberto Rosa. De acordo com o advogado que presta serviços à JAP no mesmo prédio, a JAP nunca funcionou naquele condomínio, mas não sabe indicar o seu endereço. No domicílio fiscal indicado pelo Sr. Paulo Roberto da Rosa, esse é desconhecido do porteiro ou dos advogado que exercem ali sua profissão; no entanto, outro escritório de advocacia que recebe sua correspondência fiscal, no mesmo condomínio, se recusa a informar seu domicílio. O Sr. Joselito Golin é o administrador de fato de empresa em que o Sr. Paulo Roberto Rosa figura como administrador de direito. o Sr. Paulo Roberto Rosa figura como diretorpresidente da Fazendas Reunidas Boi Gordo, adquirida, após a falência pelos Grupos Golin e Sperafico. Todavia, conforme apurado, toda a atividade de administração é exercida por Sr. Joselito Golin. (relatório do síndico da falência da sociedade Fazendas Reunidas Boi Gordo). Vejase: Fl. 2943DF CARF MF 32 (j) de acordo com o relatório do síndico dativo referente à falência das Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A, Joselito Golin, juntamente com o Grupo Golin e as empresas ligadas a ele (principalmente a Eldorado Agroindustrial Ltda), é "responsável por crimes falimentares e 'está sendo, citado no Processo 583.00.2002.1711313, da 1a Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo: (l). Ligação das empresas do Grupo Golin com o Grupo Vision. As sociedades do Grupo Golin mantinham relação com o Grupo econômico do qual faziam parte as empresas ICGL, ICGL2 e AK5. (efl. 1490): Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 18 33 (m) Joselito Golin também era conhecido por Paulo Golin (item 55 do auto de infração, entrevista à repórter, efl. 1500). Matéria do colunista Arimatéia Azevedo, informando que Joselito Golin, ou “Paulo Golin” está eolvido com a grilagem de terras no Piauí, possuindo “laranja” que opera na região (item 56 do auto de infração, efl. 1501). Reportagem que se refere a Joselito Golin como Paulo Golin e afirma ser este, juntamente com Júlio Lourenço Golin, donos de grande grupo econômico e perpetradores de invasões de terras públicas e provadas em municípios do sul do Piauí (item 57 do auto de infração, efl. 1502). Fl. 2945DF CARF MF 34 Desse modo, o conjunto probatório coligido demonstra fartamente a falta de capacidade do Sr. Paulo Roberto Rosa, seja econômica, seja operacional, para realizar as negociações em que figurou como parte. Demonstra também que se tratava de atividades tipicamente desenvolvidas pelo Sr. Joselito Golin, conforme reconhecido por esse. Por fim, ficou evidenciada a relação entre o Sr. Paulo Roberto Rosa e o Grupo Golin. Ademais, há múltiplas relações entre as partes a ensejar confusão, tal como a compra de imóveis que eram de propriedade de funcionário do Grupo Golin, o empréstimo de valores a funcionário do grupo que repassava as quantias às filhas de Sr. Joselito Golin e o fato de que o Sr. Joselito Golin administrava as Fazendas Reunidas Boi Gordo, embora o Sr. Paulo Roberto figurasse como seu diretor. Diante desse conjunto probatório, resta evidente que o Sr. Paulo Roberto Rosa era um “laranja”, pessoa interposta para ocultar a participação do Sr. Joselito Golin nos negócios. A interposição desse laranja objetivava, claramente, impedir e/ou dificultar o trabalho da Administração Fiscal. Por força dessa interposição, ainda que fossem constatadas as informações falsas nas declarações Diat, DITR, DIRPF, não seria possível encontrar o suposto devedor, de forma a turbar, assim, o procedimento de lançamento. O objetivo de ocultarse mediante a interposição fraudulenta resta demonstrado mediante a recusa da pessoa interposta em comparecer para prestar qualquer esclarecimento. Vejase que, além do Termo de Início de Ação Fiscal recebido por via postal em 09/04/2012, foram encaminhados inúmeros termos de intimação sem que tenha havido qualquer resposta. Ainda que a fiscalização lograsse concluir o lançamento em face do laranja, Sr. Paulo Roberto Rosa, não seria possível encontrálo, obstruindo a cobrança, o que, de fato ocorreu no caso, uma vez que o Sr. Paulo Roberto Rosa não foi localizado no domicilio fiscal por ele declarado, apesar de se tratar de escritório de advocacia que admitia ser responsável pelo recebimento da correspondência. Ademais, o representante do escritório se recusava a informar como contactar o intimado. Tal sistemática mostrase consentânea com o esquema de fraude fiscal. Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 19 35 Em contínuo, por se tratar o laranja de pessoa sem capacidade financeira, ainda que localizada, essa pessoa não teria bens para fazer face aos vultosos créditos fiscais, exercendo, assim, a função precípua da pessoa interposta. Ou seja, a interposição fraudulenta buscava, por diferentes vias, tornar inócuo qualquer esforço por parte da Administração Tributária. A manobra adiou o desenvolvimento dos trabalhos em cerca de nove meses. Somente em 15/02/2013, após as diligências fiscais paralelas que resultaram na identificação de que o real beneficiário do rendimento era o Sr. Joselito Golin, foi esse intimado. Cumpre recordar que o fato gerador do Imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade da renda, é o acréscimo patrimonial. Ao determinar o sujeito passivo da obrigação tributária constituída por meio do procedimento em epígrafe, a fiscalização constatou que o sujeito passivo da obrigação tributária é JOSELITO GOLIN. Assim o fez em estrita aplicação ao art. 118, I, do CTN e o art. 167 do CC, que tratam de simulação, os quais preconizam que, diante de simulação em que se aparenta conferir direitos a uma pessoa e não aquela que é o real titular, devese retirar o ato simulado e considerar o que se dissimulou. No caso, a dissimulação consistiu em aparentar conferir a Paulo Rosa renda que, na verdade, pertencia a Joselito Golin. O ato efetivamente ocorrido foram aquelas mesmas operações, mas figurando Joseelito Golin como parte e não como representante de outrem. É este o aspecto relevante para definição da sujeição passiva tributária. Quanto ao ato simulatório, à pessoa interposta, pouco importa qual seja sua efetiva situação, pois o ato jurídico que contava com sua presença, porque viciado, é afastado. Dessa forma, se evidencia a irrelevância das alegações recursais, pois é indiferente, para o fim de caracterizar a simulação, se a pessoa interposta inexistia de fato, se existiu e faleceu e seus documentos eram utilizados indevidamente ou se era mero laranja, como no presente caso. O que importa para aplicação da norma de tributária é que sua presença naqueles contratos foi ato simulado. Assim, as repetidas alegações relativas à existência de PAULO ROSA, são inteiramente irrelevantes para o deslinde da controvérsia recursal. Com base em tais fundamentos, entendo não haver erro de identificação do sujeito passivo. DA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL DE IMÓVEIS RURAIS No tocante à apuração do ganho de capital de imóveis rurais, a legislação de regência é o art. 19 da Lei 9.393, de 1996: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Fl. 2947DF CARF MF 36 A mesma Lei 9.393, de 1996 traz outros preceitos relevantes para a presente demanda: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. A Instrução Normativa SRF 84, de 2001 regula o art. 14, dispondo sobre as hipóteses de não entrega da DIAT nos termos que seguem: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 20 37 II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3o O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Como se infere da leitura da legislação de regência, o valor de alienação da propriedade rural será baseado no conceito de Valor da Terra Nua (VTN), o qual deve ser somado ao valor das benfeitorias. O VTN corresponde ao valor do solo com sua superfície e respectiva floresta nativa, despojado das construções, das instalações, das benfeitorias, das pastagens cultivadas, das florestas plantadas, etc. Portanto, no caso imóveis rurais, há duas grandezas distintas, o valor da terra nua e o valor de tudo mais que a ela for agregado, incluídas neste conceito as benfeitorias. O tratamento das benfeitorias quando da apuração do ganho de capital na apuração do imóvel rural condicionase ao tratamento que lhe foi anteriormente conferido. Quando os valores relativos à benfeitorias foram deduzidos como despesas da atividade rural, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada como resultado da atividade rural, ao passo que, não tendo sido deduzida como despesas, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada como valor de alienação. O VTN, por sua vez, será apurado de acordo com a informação prestada na DIAT, exceto quando não houver entrega de DIAT ou quando se apurar incorreção, inexatidão ou prestação de informações fraudulentas. Com estas premissas em mente, passase ao exame das infrações apuradas pela fiscalização para, em seguida, tratar da interposição fraudulenta da pessoa física. As omissões de rendimento apuradas se referem à atividade negocial do contribuinte. O contribuinte atuava, associado com grandes empresas de investimento, na compra e venda de imóveis rurais, ICGL Empreendimentos e Participações S.A., ICGL2 Empreendimentos e Participações Ltda e AGK5. O modelo de negócios se desenvolvia conforme as seguintes etapas: (i) a empresa de investimento emprestava ao sujeito passivo o valor a ser utilizado na aquisição; (ii) o interessado adquiria o imóvel em nome próprio e promovia as regularizações eventualmente necessárias e (iii) a operação se encerrava com a entrega do imóvel em dação em pagamento para quitação do empréstimo. O referido modelo explica a existência de diversas alienações na mesma data, como se constata ao examinar as infrações apuradas. Passase a seu exame em separado: Fl. 2949DF CARF MF 38 1ª infração A primeira infração diz respeito a imóveis adquiridos em 2007 e alienados em 2008. Os imóveis correspondem a 22 matrículas, foram adquiridos a partir de 30/07/2007 e foram todos alienados, mediante dação em pagamento, em 10/04/2008. Uma vez que a alienação desses imóveis se deu antes da apresentação da DIAT para o respectivo anocalendário, a apuração do ganho de capital se deu com base nos valores da transação, conforme preconiza o art. 10, §2º, da IN SRF n. 84 de 11/10/2001 c/c art. 14 da Lei n. 9.393/96. A data em que ocorreram as alienações, bem como seus valores, foram apurados a partir da escritura da dação em pagamento, registrada no 15º cartório de notas de São Paulo. Já os valores de aquisição foram obtidos em diligência junto aos registros de imóveis do 1º Tabelionato de Notas, Ofício do Registro e Imóveis e Anexos da Comarca de Bom Jesus/PI e do Cartório de Palmeira do Piauí, conforme narra o TVF. A partir da documentação já mencionada e aplicandose a legislação pertinente, chegouse a um ganho de capital de R$ 43.011.831,91 e IRPF devido de R$ 6.451.774,00. Não obstante, o responsável pelas declarações dessas operações de alienação declarou ganho de capital de R$ 667.236,04 e recolheu IR no montante de R$ 100.000,00 apenas. Consequentemente, promoveuse o lançamento de ofício do valor apurado a maior, acompanhado da respectiva multa. Considerando que a declaração e o recolhimento foram feitos pela pessoa interposta, a fiscalização lançou a totalidade do valor devido em face do real contribuinte JOSELITO GOLIN. 2ª infração A segunda infração diz respeito a imóveis que foram adquiridos em 2008 e vendidos em 2009. A pessoa interposta apresentou declaração de rendimentos (DIRPF2010) informando que auferiu ganho de capital no montante de R$ 9.515.281,22, o que resultou num imposto de renda a pagar de R$ 1.427.292,18, que, todavia, não foi recolhido. Para este ano, assim como no ano anterior, também não foi apresentada DIAT para os imóveis alienados, circunstância esta que que, por si, basta para apuração do ganho de capital a partir dos documentos de aquisição e alienação. Além disso, a fiscalização observa que os valores de VTN declarados nas DITRs dos respectivos anoscalendários eram irreais quando cotejados com os valores constantes do SIPT informado pela Secretaria de Agricultura dos Estados. Destaca o TVF que as DITRs informavam para o VTN os valores de R$ 146.000,00 e R$ 285.000,00 em 2008 e 2009, respectivamente, enquanto o Sistema de Preços de Terra indicava que o VTN deveria ser de R$ 6.572.794,00. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 21 39 Diante dessa discrepância, as DITRs não foram consideradas como documentos aptos para embasar a apuração dos valores das transações. Prosseguindo, a fiscalização verificou que a alienação dos imóveis constou da DIPF de 2010 da pessoa interposta, em cujo demonstrativo do ganho de capital foi incluído, a título de benfeitoria, o valor de R$ 11.223.198,21. Tais valores, de acordo com os normativos de regência, a princípio, deveriam compor o custo de aquisição do imóvel. Todavia, a declaração apresentada ostentava inconsistência patente entre o valor declarado no demonstrativo de apuração do ganho de capital e o valor do imóvel declarado. Além disso, intimados a pessoa interposta e o contribuinte a apresentarem documentos comprobatórios das benfeitorias realizadas, nenhum dos dois atendeu a intimação, nem mesmo quando da apresentação de impugnação. Pelas razões postas, a fiscalização concluiu que a DIPF careceria de idoneidade para embasar a apuração da base de cálculo do tributo. Não bastasse a ausência de prova a corroborar a informação constante da declaração, o valor das benfeitorias lá lançados é infirmado por laudo de avaliação elaborado pela Deloitte por ocasião da dação em pagamento das fazendas para as empresas adquirentes ICGL e ICGL2. Nesse laudo consta apenas uma benfeitoria avaliada em R$ 436.000,00 reais. Diante da imprestabilidade das informações constantes das declarações, o valor das operações foi apurado a partir dos registros obtidos em diligência junto ao 15º Cartório de Notas de São Paulo, no qual registrada a escritura da dação em pagamento, e no 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais e Anexos da Comarca de Cristiano Castro/PI e 1º Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Manuel Emídio/PI. Apurouse ganho de capital de R$ 51.003.446,77, o que resultou num valor de IR devido de R$ 7.650.000,006. Verificouse, assim, que fora declarado ganho de capital a menor em R$ 41.488.165,55. Consequentemente, foi lançado o valor não declarado, acompanhado da respectiva multa de ofício, em sua forma qualificada, haja vista a série de informações falsas prestadas nas declarações, além da interposição fraudulenta de pessoa, adiante tratada com mais detalhes. 3ª infração A terceira infração corresponde à operação de alienação da Fazenda Santa Rosa. Tratase de imóvel adquirido em 17/03/2000 em nome de Paulo Roberto Rosa e objeto de instrumento particular de promessa de compra de venda firmado com a empresa AGK5 em 30/09/2008. A operação não foi declarada na DIRPF/2009 de Paulo Roberto Rosa. Foi apresentada DIAT referente ao imóvel, na qual não foram consignadas despesas de custeio. Na DIRPF/2009 também não foram informados valores atinentes a benfeitorias. Fl. 2951DF CARF MF 40 Houve apresentação de DIAT e DITR para os exercícios mas não foi utilizado o VTN constante da declaração porque: (i) entregue por pessoa fraudulentamente interposta e (ii) os valores da Terra Nua registrados nas DITRs apresentam grandes divergências em relação ao VTN Médio registrado no SIPT para região, de forma caracterizar se situação prevista no art. 14 da Lei n. 93.93/96 (subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas). Notese que, também em relação a esta infração, o contribuinte, não obstante intimado, deixou de apresentar documentação que corroborasse os valores lançados. O cálculo do tributo de acordo com os parâmetros da transação efetivamente realizada chegou a ganho de capital de R$ 14.588.823,66 e imposto apurado de R$ 2.188.323,58. 4ª infração Alienação da Fazenda Angelim. A Fazenda Angelim foi adquirida em 03/08/2009 pelo valor de R$ 37 milhões. Em 07/08/09, foi assinado "Aditivo ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel Rural" pelo qual é acertada a venda da Fazenda à AGK5 pelo valor de R$ 37,8 milhões. Parte do pagamento foi feito com a entrega da Fazenda Santa Rosa e parte em dinheiro. A alienação ocorreu antes da entrega da Diat, motivo pela qual se fez a apuração do ganho de capital com base nos valores da transação, aplicandose o art. 10, §2º, da IN SRF 84 de 11/10/2001. O ganho de capital apurado foi de R$ 800.000,00 e o imposto correspondente foi de m R$ 99.000,00, considerando as parcelas do contrato efetivamente pagas. Todos os lançamentos foram acrescidos de multa de ofício qualificada haja vista a interposição fraudulenta de pessoa com vistas a ocultar o real beneficiário da renda e a prestação de informações falsas nas declarações de rendimentos. A multa foi também agravada ante a recusa de atender as intimações fiscais e a tentativa de ocultar o verdadeiro sujeito passivo. O recorrente não trouxe nenhuma alegação quanto às imputações fiscais relativas aos valores constantes da Diat. Não buscou, de qualquer forma, demonstrar a veracidade das informações prestadas em Diat. DA MULTA QUALIFICADA A base legal do multa qualificada é o art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 22 41 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Grifouse.) De acordo com Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177), dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa: § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. Fl. 2953DF CARF MF 42 No caso presente, são abundantes as provas de interposição fraudulenta, como já abordado, a evidenciar a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda (art. 72 da Lei 4.502, de 1964), impondo à autoridade lançadora, por conseguinte, o dever de aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996. DA MULTA AGRAVADA A multa de ofício foi agravada em face do não atendimento às intimações para prestar esclarecimentos por parte do contribuinte. No tocante ao agravamento da multa de oficio, dispõe o art. 44, § 2°, da Lei 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte não responda às intimações da autoridade fiscal nos prazos por essa assinalados. É o que ocorre no caso em apreço, pelo que o agravamento da multa deve ser mantido DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE A MULTA O recorrente alega ser descabida a incidência de juros sobre a multa. Não lhe assiste razão. Para o deslinde da questão, devese discernir os conceitos de tributo e de crédito tributário veiculados no Código Tributário Nacional (CTN). Tributo é definido em seu art. 3°: Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 23 43 Art. 3°. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Por sua vez, os artigos 113, § 1°, 139 e 142 do CTN dispõem sobre o crédito tributário: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (Grifouse.) Assim, a multa, apesar de não ser tributo, integra o crédito tributário e, em vista desse fato, se subsume ao tratamento dispensado ao crédito tributário pelo CTN. O art. 161 do CTN estabelece que, ao crédito tributário não pago no vencimento, devem ser acrescidos os juros moratórios à taxa disposta em lei ou, em sua falta, à taxa de um por cento ao mês:: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse.) Assim, ao contrário do que alega o interessado, o CTN determina a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” esclarece que a imposição de juros e de multa não são excludentes entre si. A previsão legal da incidência de juros sobre as multas de ofício constou nas Leis 9.430, de 1996 e 10.522, de 2002, que disciplinaram o assunto de maneira diversa ao que acontecia até então. Vejamos, inicialmente, o que diz o § 3° do art. 61 da Lei 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 2955DF CARF MF 44 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os arts. 29 e 30 da Lei 10.522, de 2002, resultante da conversão da Medida Provisória 162131, de 1998 (reedição da Medida Provisória 154217, de 18 de dezembro de 1996, arts. 25 e 26), dispõem: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A multa de ofício proporcional, lançada em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, é débito decorrente de tributos e contribuições, estando a eles vinculada. Logo, as expressões “débitos decorrentes de tributos e contribuições” e “débitos de qualquer natureza”, utilizadas, respectivamente, nas Leis 9.430/1996 e 10.522/2002, incluem a multa de ofício. Também tratam especificadamente do assunto, determinando a cobrança de juros sobre a multa, os pareceres MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 1998 e PGFN/CAT nº 1834, de 2013: Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10880.721160/201312 Acórdão n.º 2301005.258 S2C3T1 Fl. 24 45 Parecer PGFN/CAT nº 1834, de 2013 21.Por todo o exposto, respondendo à consulta apresentada pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional da 3ª Região, por meio da Consulta Interna identificada pelo nº. 20138000CI00002, que veicula questionamentos a respeito da incidência de juros de mora sobre créditos tributários resultantes de multa de ofício aplicada pela RFB, referentes a fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, entendemos, salvo melhor juízo, que há incidência dos mencionados juros de mora sobre as multas de ofício, seja por aplicação do § 1º do artigo 161 do CTN, seja por determinação de norma legal específica, o que se resume nas seguintes situações: a) para a hipótese de haver créditos ainda não inscritos em dívida ativa (sob administração da RFB), decorrentes de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, em razão da ausência de lei específica, incidirá a norma geral prevista no § 1º do artigo 161 do CTN, aplicandose o índice de 1% ao mês; b) para os créditos inscritos em dívida ativa da União (sob administração da PGFN), aplicase a taxa SELIC a partir de 31 de agosto de 1995, data de início da vigência do § 8º, inserido no artigo 84 da Lei nº. 8.981, de 1995, por determinação do artigo 16 da MP nº. 1.110, de 1995, objeto de sucessivas reedições e confirmado pelo artigo 17 da Lei nº. 10.522, de 2002; e c) para os créditos inscritos em dívida ativa da União, referentes a fatos geradores ocorridos entre 1 de janeiro e 30 de agosto de 1995, por ausência de norma legal específica, aplicase o índice de 1% ao mês, com base no § 1º do artigo 161 do CTN. Também nesse sentido a jurisprudência da CSRF: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.700) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. (Nº Acórdão 9101000.539) Conclusão Com base em tais argumentos, acompanho o relator na questões (a) conhecer do recurso da responsável tributária AGK5 e (b) rejeitar as preliminares e dele discordo para Fl. 2957DF CARF MF 46 (c) manter os lançamentos sobre o ganho de capital em todos os períodos e para (d) manter os juros sobre a multa. João Bellini Júnior Fl. 2958DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.901368/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 68 /2 00 9- 59 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901368/200959 Acórdão n.º 1201002.061 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901368/200959 Acórdão n.º 1201002.061 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901368/200959 Acórdão n.º 1201002.061 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901368/200959 Acórdão n.º 1201002.061 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901368/200959 Acórdão n.º 1201002.061 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724478/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 24 47 8/ 20 10 -5 1 Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AIs) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.272.0439 PAF 10680.724478/201051, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação e com a contratação de Diretor Administrativo Financeiro. Ainda foram constituídas as contribuições dos segurados contribuintes individuais; (b) AI 37.272.0420 PAF 10680.724477/201014, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação e cartões de premiação. Também foram constituídas as contribuições da mesma natureza incidentes sobre a contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como aquelas resultantes do confronto entre as folhas de pagamento e as GFIPs. Por fim, também foram constituídas as contribuições patronais incidentes sobre a contratação de contribuintes individuais; (c) AI 37.272.0447 PAF 10680.724481/201074, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro e aquelas atinentes às reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização; (d) AI 37.272.0501 PAF 10680.724489/201031, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado as GFIPs com informações incorretas ou omissas, mais precisamente pela falta de declaração das remunerações atinentes às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como a remuneração de contribuintes individuais; (e) AI 37.272.0544 PAF 10680.724493/201007, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização e aquelas resultantes do confronto entra as folhas de pagamento e as GFIPs. Para fins ilustrativos, segue uma tabela das autuações: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 4 3 PAF AI Créditos Contribuições ou Multa Rubricas 10680.724477/201014 37.272.0420 Patronal + SAT/RAT Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor + Folha x GFIP 10680.724478/201051 37.272.0439 Segurados Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor 10680.724481/201074 37.272.0447 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas 10680.724489/201031 37.272.0501 CFL 78 Informações incorretas ou omissas: Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Contr. Ind. 10680.724493/201007 37.272.0544 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas + Folha x GFIP Doravante, adotase parte do relatório do acórdão de impugnação: Consta no relatório fiscal [...] conforme segue: ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT [...] CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa remunerou contribuintes individuais declarados na DIRF Declaração de Imposto de Retido na Fonte que não foram incluídos/declarados em folhas de pagamento e GFIP. Os salários de contribuição dos contribuintes individuais relativos a transportadores rodoviários autônomos foram apurados aplicandose uma alíquota de 20% sobre os valores declarados na DIRF. [...] CARTÃO PREMIAÇÃO A empresa remunerou seus empregados por meio de cartões eletrônicos oferecidos como prêmio no Programa de estímulo ao aumento de produtividade. Os cartões foram fornecidos pela Incentive House S. A, CNPJ 00.416.126/000303 [...] DIRETOR EMPREGADO Foi constatada a contratação de Fernando Luiz Gomes Filho NIT 12288536154 – admitido em 1/10/2003 e demitido em 1/05/2008, para ocupar o cargo de diretor administrativo financeiro. Tal constatação deuse por meio da análise do cadastro de pessoal da empresa, das folhas de pagamento apresentadas em meio digital, das informações constantes das GFIP referentes às competências 12/2003 e 05/2008, e Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 5 4 das informações constantes dos atos constitutivos da empresa conforme segue: [...] As remunerações desse segurado foram apuradas, por aferição, com base nas remunerações recebidas ou creditadas para outro diretor representante legal da empresa, tendo em vista que o Sr. Fernando Luiz Gomes Filho foi incluído nas folhas de pagamento com salário zerado acompanhado da seguinte expressão "Folha Confidencial Diretoria" (que não foi apresentada à fiscalização). Especificamente, optouse, para fins de aferição, por utilizar como referência, as remunerações percebidas pelo diretor de logística que está menos sujeito as variações de produtividade. [...] O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 29/11/2010, conforme assinatura aposta à fl. 3 e apresentou impugnação em 29/12/2010 [...], na qual, essencialmente: DECADÊNCIA Diz que parte do crédito tributário cobrado referese ao ano de 2005, período abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Acrescenta que, como o auto de infração foi lavrado em 12/2010, os valores referentes às competências de 01/2005 a 11/2005 encontramse alcançados pela decadência. AUXILIO ALIMENTAÇÃO Diz que os auxílios de natureza alimentar fornecidos a seus empregados compreendem o gasto na manutenção de restaurante dentro de seu estabelecimento para servir refeições a empregados, gastos com o fornecimento de cestas básicas distribuídas e tickets refeição e alimentação. Afirma que, em relação à sua exclusão do PAT, conforme se verifica dos acordos coletivos de trabalho dos anos de 2005 a 2007, apenas o pagamento do ticket alimentação estava atrelado à assiduidade do empregado (inexistência de faltas injustificadas). Acrescenta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ é pacífica no sentido de que o pagamento de auxílioalimentação in natura, como no caso, não integra a base de calculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Cita jurisprudência. Alega que não há como se cogitar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos com a manutenção de restaurante interno, bem como gastos a titulo de cesta básica, alimentação, lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho, devendo o lançamento fiscal ser julgado improcedente quanto a esses itens. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 6 5 Aduz que além de estar restrita ao ticket alimentação, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação, para descaracterizar o benefício dado. Diz que não havia metas a serem recompensadas com um prêmio, mas simplesmente, cumprida a carga horária contratada o empregado fazia jus ao benefício. Diz que condicionar o pagamento do ticket alimentação à assiduidade do empregado passa pela avaliação de que o benefício tem por objetivo alimentar o trabalhador que está efetivamente prestando serviço e não remunerálo pelo alcance de determinada meta de produtividade, de modo que se não comparece ao trabalho, não há que se falar em pagamento do valor necessário para se alimentar. Aduz que o fato de possuir um programa de prêmios para os empregados visando a uma maior produtividade, demonstra que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado. Afirma que não há lei ou decreto que proíba essa condição (assiduidade) para a concessão do benefício, sendo que tal vedação foi estabelecida por meio de portaria. Disserta e cita jurisprudência sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre vale transporte para subsidiar sua afirmação de que o Poder Executivo tenta, há muito tempo, implementar, sem amparo na lei, restrições às formas usualmente aceitas de pagamento de benefícios a empregados, buscando descaracterizar sua natureza indenizatória. Diz ainda que a Portaria nº 87, que o teria excluído do PAT é datada de 19/3/2009, tendo sido publicada no Diário Oficial da União – DOU de 23/3/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008. Conclui que tal circunstância revela ilegalidade. Aduz que os fundamentos para a cassação das inscrições não decorrem de atos que lhes houvessem sido posteriores, justificando sua revisão, mas de disposições já existentes nos seus sucessivos acordos coletivos que não a haviam impedido. Afirma que a exclusão do PAT não se tratou de mera inovação interpretativa das normas por parte da administração pública, mas de nova limitação à permanência das empresas no programa. Cita legislação e doutrina que trata de segurança jurídica. Conclui que deve ser julgado improcedente o lançamento no que se refere aos gastos com alimentação in natura ou, ao menos, devese restringir a cobrança da contribuição previdenciária aos valores gastos com a concessão de ticket alimentação a seus empregados. DIRETOR ADMINISTRATIVO FINANCEIRO Diz que a AFRFB abstevese de tecer qualquer consideração a respeito dos esclarecimentos que lhe foram prestados no desenvolvimento do procedimento fiscal, decidindo arbitrar um salário mensal do Diretor Fernando Luiz Gomes Filho com base nas remunerações pagas aos demais diretores. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 7 6 Alega que a autuação não tem qualquer amparo legal já que o referido diretor foi cedido à impugnante pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Diz que no documento denominado Secondment Service Agreement, a Recofarma comprometese a ceder um diretor à impugnante, o qual continuaria vinculado a ela, responsável pelo pagamento do seu salário. Apresenta o que seria a tradução livre de um trecho do documento como segue: [...] Em razão das alegações do impugnante, os autos do presente processo foram baixados em diligência para que a fiscalização prestasse esclarecimentos [...]. Em 23/12/2013 a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. [...] na qual, essencialmente: esclareceu que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, identificada nos autos com o código de levantamento AL foram fornecidas in natura. O contribuinte foi cientificado da diligência e de seu resultado, [...], e se manifestou [...], basicamente, conforme segue: Diz concordar parcialmente com a conclusão da diligência realizada. Afirma que a não incidência de contribuições previdenciárias, por força do conteúdo do Ato Declaratório PGFN nº 3, além se de aplicar à rubrica “AL – alimentação e lanches” também se estende aos valores lançados por meio do auto de infração com os códigos de levantamento “RE – restaurante” e “CB – cesta básica”, pois todas elas se referem a alimentação fornecida in natura. Reitera seus argumentos apresentados por ocasião da impugnação acerca de fornecimento de alimentação a empregados. Reitera seus argumentos acerca da decadência em relação às competências de 01/2005 a 11/2005. Diz que a aplicação do disposto no CTN, artigo 150, § 4º, aos lançamentos por homologação, foi consagrada pelo STJ no Resp 973.733, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no CPC, artigo 543C. Aduz que, por essa razão, tal entendimento se tornou de aplicação obrigatória pelo Carf, por força do seu Regimento Interno desse órgão, artigo 64A e pelas DRJ em razão do que dispõe o Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396/2013. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 8 7 empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3, de 20/12/2011. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Houve a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi eletronicamente intimado da decisão em 10/06/2014 e interpôs recurso voluntário em 18/06/2014, no qual apenas reafirmou as teses atinentes à decadência e à contratação do diretor empregado. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Da necessidade de diligência Conforme preceitua o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, não havendo necessidade de pedido expresso de desistência: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Como se vê, o RICARF preleciona que basta o pedido de parcelamento para que se tenha como consequência a desistência do recurso. Desta forma, é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Neste caso concreto, há uma informação expressa, à fl. 255 (PAF 15504.020542/200941), de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento: Todavia, a informação contida à fl. 254 (PAF 15504.020542/200941) é a de que a empresa não teria incluído a totalidade dos débitos da PGFN e da RFB no parcelamento. Ou seja, tais informações aparentemente se contradizem e é necessário verificar se houve a inclusão da totalidade dos débitos, e, se não tiver havido a inclusão da totalidade, se houve pedido de inclusão dos débitos controlados neste processo no parcelamento, ainda que o parcelamento tenha sido posteriormente rescindido. Lembrese: é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Realizada a diligência, o contribuinte deve ser intimado para, querendo, apresentar sua manifestação no prazo legal. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.724478/201051 Resolução nº 2402000.658 S2C4T2 Fl. 10 9 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos nele abrangidos. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908205/2009-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/09/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente CLINICA PRÓVIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/09/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 05 /2 00 9- 19 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10983.908205/200919 Acórdão n.º 3002000.132 S3C0T2 Fl. 36 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 41617.51139.200606.1.3.040653, transmitido em 20/06/2006, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 04), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 29/06/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 13/07/2009 (fl. 02/03), na qual informou que foi retificada a DCTF, referente 3° Trimestre/2004, e entregue em 30/06/2009, com as devidas correções dos débitos do PIS, objetivando comprovar o seu direito creditório. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou apenas cópia da DCTF retificadora à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 . COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 31/33), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional c/c Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10983.908205/200919 Acórdão n.º 3002000.132 S3C0T2 Fl. 37 3 o art. 34 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não haveria vedação legal ao procedimento realizado pela ora recorrente e, assim, devendo ser pressuposta sua validade. Ademais, a recorrente assevera que as leis tributárias somente têm o condão de determinar a forma de sua tributação, porém, sem jamais interferir em sua própria natureza jurídica, a ponto de restringir ou atingir o patrimônio do contribuinte para pagamento de débitos, que não são por ele devido. A recorrente não apresenta mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Assim, desde logo, refuto os argumentos jurídicos apresentados pela recorrente. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10983.908205/200919 Acórdão n.º 3002000.132 S3C0T2 Fl. 38 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10983.908205/200919 Acórdão n.º 3002000.132 S3C0T2 Fl. 39 5 No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, limitouse a juntar cópia da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório. Dessa forma, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Por isso, entendo que a decisão atacada foi correta. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917001/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.282
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 17 00 1/ 20 11 -6 0 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13888.917001/201160 Resolução nº 3201001.282 S3C2T1 Fl. 184 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13888.917001/201160 Resolução nº 3201001.282 S3C2T1 Fl. 185 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.011253/2005-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/10/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/10/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 12 53 /2 00 5- 41 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 380200.064, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10314.011253/200541 Acórdão n.º 9303006.639 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004602/2006-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
INSUMOS UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Na produção da Alumina, pelo chamado "Processo BAYER", o carvão energético, o óleo BPF, o ácido sulfúrico e os inibidores de corrossão são utilizados diretamente no processo produtivo (ainda que não necessariamente em contato físico com o produto em fabricação, já não mais exigido pela própria RFB, na Solução de Divergência Cosit nº 6/2017), pelo que se admite o direito ao crédito na sua aquisição.
SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE LAMA VERMELHA, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado Processo BAYER, faz-se essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, lama vermelha, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização.
Numero da decisão: 9303-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha").
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO AO CRÉDITO. Na produção da Alumina, pelo chamado "Processo BAYER", o carvão energético, o óleo BPF, o ácido sulfúrico e os inibidores de corrossão são utilizados diretamente no processo produtivo (ainda que não necessariamente em contato físico com o produto em fabricação, já não mais exigido pela própria RFB, na Solução de Divergência Cosit nº 6/2017), pelo que se admite o direito ao crédito na sua aquisição. SERVIÇOS PARA TRANSPORTE DE “LAMA VERMELHA”, INERENTES À EFETIVA CONCLUSÃO DO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O transporte de resíduos industriais, em regra, não dá direito a crédito, pois não é diretamente ligado ao processo produtivo. No entanto, na atividade da empresa, referente à de produção de Alumina pelo chamado “Processo BAYER”, fazse essencial a remoção dos resíduos da, também chamada, “lama vermelha”, não somente em função dos riscos ambientais evitados, mas, também, pela própria possibilitação da normal continuidade da industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas quanto aos Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como "lama vermelha"). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 02 /2 00 6- 94 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 771 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 685 a 708), contra o Acórdão 3402003.172, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 614 a 639), sob a seguinte ementa (da qual extraio somente os excertos de interessa para este julgamento): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. (...) COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. Citase como exemplo de insumos, no caso analisado, o óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais. COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS. As despesas com o transporte para a aquisição de insumos devem integrar a base de cálculo dos créditos da COFINS por integrarem o custo de produção, na forma do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. (...) Ao Recurso Especial foi dado seguimento (fls. 710 a 715) sendo que a PGFN, basicamente, defende o conceito de insumos aplicável pela legislação do IPI, dizendo que Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 772 3 "Sendo assim, para efeito de crédito do tributo, a legislação citada esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente". O Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 723 a 728), nas quais diz que os acórdãos paradigmas trazidos pela PGFN foram publicados em 2003 e em 2009, "e o entendimento hoje, que esta turma e outras turmas vem adotando é o de ser legitima a tomada de crédito ... em função da evolução jurisprudencial". Combate somente a glosa das despesas com serviço de transporte e remoção de rejeitos industriais, alegando que a sua remoção e destinação final são uma necessidade premente e indissociável do processo produtivo da alumina, de sorte que está plenamente compreendido na noção atualmente aceita administrativamente de "custo de produção" (como, aliás, viria sendo reconhecido em vários outros processos), já que sua presença resultaria em perda de pureza e comprometimento da qualidade mínima exigida para a subseqüente aplicação industrial da alumina. Diz ainda que "está comprovada a inexistência de quaisquer das pretendidas divergências jurisprudenciais que, em tese, poderiam justificar o Apelo Especial, pelo que não cabe o conhecimento do mesmo tampouco o seu provimento ... " Ao final, requer que "não seja conhecido o Recurso Especial manejado pela União Federal, ou acaso, a tanto se chegar, que lhe seja negado provimento ...". É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Se a mudança de jurisprudência após a interposição do Recurso Especial fosse motivo para o seu não conhecimento, certamente muitos, tanto de um lado como de outro, o não o seriam, além do que a “linha” entre o que se considera vencido ou não seria tão tênue que, mesmo admitida a hipótese, praticamente impossível poderia ser delimitada, a não ser no caso da superveniência de normas vinculantes, como Súmulas, por exemplo. Não é o caso, pelo que entendo que os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e foram respeitadas a formalidades previstas no RICARF, razões pelas quais dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento Pis/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI. Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 773 4 que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção?? Sim. São utilizadas diretamente na produção?? Não. São indispensáveis?? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. Mas inconteste é que devem ser utilizados no processo produtivo. Como já visto, a discussão aqui limitase a se considerar, ou não, para fins de creditamento PIS/Cofins, se, nos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003), incluem ou não: Óleo BPF; Carvão Energético; Ácido Sulfúrico Inibidores de corrosão; Serviços de Transporte de Rejeitos Industriais (conhecidos como “lama vermelha”). Obviamente não há com se julgar algo do que se não tem conhecimento, mas, neste caso, esta necessidade é bem suprida pela detalhada descrição do processo produtivo, feita pelo contribuinte, às fls. 74 a 106. Para resumila, utilizome do voto que teve como relator o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, no Processo nº 10280.722549/201174 (Acórdão nº 9303 004.657, de 15/02/2017), no qual são citadas as alegações trazidas no Acórdão recorrido, que transcrevo a seguir (observando que o carvão energético tem a mesma função, de modo alternativo, do óleo BPF): "O Recorrente apresentou, em relação ao óleo BPF, ao ácido sulfúrico e ao inibidor de corrosão, o circunstanciamento de sua participação no processo produtivo ... ... explicou que o óleo BPF é utilizado como combustível, sendo aplicado no funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e para a geração de vapor nas caldeiras, e assim, participando diretamente do processo de produção de alumina. O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 774 5 Quanto aos Inibidores de Corrosão, são destinados a formar uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento, que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário. Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. Também assiste razão ao Recorrente quando sustenta que a aquisição do óleo BPF não pode ser confundida com a hipótese de aquisição de energia térmica, prevista no inciso IX do art. 3º das Lei nºs 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, com efeitos apenas a partir de 15/06/2007. Com efeito, o referido inciso IX coloca ao lado da energia elétrica a energia térmica, assegurando o direito de crédito para as duas modalidades de energia, o que não se confunde, contudo, com a operação de aquisição de combustível. A aquisição de combustível gera direito de crédito por força do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bastando que seja aplicado no contexto da atividade produtiva, independente de ser utilizado como fonte de calor ou de geração de energia elétrica. Assim, a aquisição de óleo combustível não está fundada no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, não se lhe aplicando a referida restrição temporal.” Há o tão alentado "contato direto" destes insumos com o bem em fabricação?? Na realidade, para o fim que aqui se busca, não é necessária esta informação, já que a mais recente norma da RFB que versa sobre o assunto (a qual, de certa forma, "elasteceu" um pouco o conceito restritivo da legislação do IPI), qual seja, a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, preconiza o seguinte (algumas colocações grifadas também servem ao propósito de dar fundamento a este voto): 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 775 6 a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. 15. No caso de bens consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço (item “a.4” acima), ressaltase que o fator relevante para a concessão de créditos é a ocorrência de alterações materiais em razão de ação diretamente exercida sobre o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço e não a ocorrência de contato físico entre estes e os referidos bens consumidos. Em relação aos rejeitos industriais, em vários acórdãos proferidos nesta mesma Turma, com composição quase idêntica, versando sobre o mesmo assunto e a mesma empresa (nos quais, em regra, restei vencido), entendi que os mesmos não podem fazer parte do processo produtivo. É pura lógica. Se são rejeitos do processo, dele já participaram os seus componentes, mas de outra forma. Ocorre que, pesquisando mais a fundo o processo produtivo da ALUNORTE, utilizandome, como um dos meios, de buscas na Internet, via Google, me deparei com uma realidade um pouco diversa, no precioso estudo feito pela “Revista Matéria”, vol. 12, nº 2, pp. 322 – 338, 2007, http://www.materia.coppe.ufrj.br/sarra/artigos/artigo10888 (o qual anexei às fls. 757 a 769), do chamado “Processo BAYER”, do qual a empresa se utiliza, e, que, em seus “Comentários Finais”, diz o seguinte: “Os custos com a disposição e o gerenciamento da lama vermelha representam grande parte dos custos de produção da alumina. Os custos ambientais associados à disposição da lama Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10280.004602/200694 Acórdão n.º 9303006.087 CSRFT3 Fl. 776 7 vermelha também são altos. Apesar dos avanços tecnológicos obtidos nos últimos anos, a disposição da lama vermelha ainda é um grande problema para a indústria de beneficiamento do alumínio. Portanto, a busca por novas tecnologias, que visem o aproveitamento da lama vermelha representando alternativas capazes de senão solucionar, pelo menos amenizar o problema é fundamental para o Brasil, sexto maior produtor mundial de alumina, e, portanto um dos maiores geradores de lama vermelha no mundo.” Todos sabem do que relativamente recente desastre ambiental potencialmente similar causou em Minas Gerais – mas, isto não seria, em si, o mais importante, pois a tributação segue os estritos limites da legalidade. No entanto, à vista do que vejo na essencialidade no processo produtivo (apesar de, rigorosamente, “paralelo” a ele), voto por admitir também os créditos relativos ao transporte de lama vermelha. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000094/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deve-se manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido.
Numero da decisão: 9303-006.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, devese manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 00 94 /2 00 8- 12 Fl. 260DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 380200.320 da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 COFINS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO INDEFERIDO. DECADÊNCIA RECONHECIDA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS PREJUDICADA. Comparando a decisão recorrida com o despacho decisório, não se vê, nesse caso concreto, alterações nas razões de decidir. Em ambos, o fundamento determinante para não acolher o pleito foi a decadência. Ainda que a decisão recorrida tenha agregado mais um argumento, não se afigura nula, pois, mesmo que afastado esse segundo fundamento, restaria incólume o primeiro, ou seja, a reconhecida decadência, e que sozinho, no entender das instâncias inferiores, tem força suficiente para respaldar o indeferimento da Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13002.000094/200812 Acórdão n.º 9303006.758 CSRFT3 Fl. 260 3 compensação. Se entre a data em que ocorreu o alegado pagamento a maior, cuja restituição é buscada, e o protocolo do pedido de restituição observar se o transcurso de mais de 5 (cinco) anos, temse por operada a decadência, nos termos previstos nas normas pertinentes (CTN, art. 165, e 168, I). ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Em 15.1.08, a recorrente protocolou pedido de compensação para compensar débitos de PIS e Cofins, do período de apuração 12/07 com créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99; · O acordão recorrido afirma que o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do pagamento (aplicou o prazo de 5 anos); · Há entendimento pacífico do STJ que considera que quando não houver homologação expressa, o direito à compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente extinguese após o decurso do prazo de 5 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, cujo termo final consubstanciase no prazo para homologação tácita do crédito pelo fisco. E somente após o decurso desse prazo, contase mais 5 anos para preclusão do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito. Em Despacho às fls. 242 a 243, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe que o suposto indébito é de 9.4.99 e o pedido é de 15.1.08 – o que, por conseguinte, temse por operada a decadência, pois transcorridos mais de 5 anos. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF 4 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13002.000094/200812 Acórdão n.º 9303006.758 CSRFT3 Fl. 261 5 FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive Fl. 264DF CARF MF 6 definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13002.000094/200812 Acórdão n.º 9303006.758 CSRFT3 Fl. 262 7 normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 266DF CARF MF 8 Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de foi protocolado em 15.1.08 relativo a créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99. Sendo o pedido posterior a 9.6.05, devese manter a aplicação do prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Sendo assim, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13002.000094/200812 Acórdão n.º 9303006.758 CSRFT3 Fl. 263 9 Tatiana Midori Migiyama Fl. 268DF CARF MF
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