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Numero do processo: 10820.721061/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário negado
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AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 10 61 /2 01 1- 75 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de COFINS não cumulativo vinculado à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Tratandose de ressarcimento de COFINS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.111, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.001239/200862, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.111): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 4 utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 5 da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Não obstante o entendimento desta Relatora, constante no Acórdão nº 3402003.170, de 20 de julho de 2016, no sentido de que "Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004", tratando o presente processo de pleito relativo a período posterior ao início da vigência da suspensão considerado pela autoridade administrativa (04/04/2006), não houve aqui prejuízo à contribuinte. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo remanescente de créditos na escrita da contribuinte. Dessa forma, com relação aos créditos básicos foi concedido à requerente todo o ressarcimento a que tinha direito sobre as receitas não tributadas, não cabendo reforma na decisão recorrida que manteve o despacho decisório. ii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 6 Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 7 I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 8 do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 9 Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iii) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Tais artigos assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 10 De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10820.721061/201175 Acórdão n.º 3402005.116 S3C4T2 Fl. 0 11 Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.005344/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, resolve sobrestar o julgamento do recurso na Unidade de Origem até 29/12/2018, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Edgar Braganca Bazhuni.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Por unanimidade de votos, resolve sobrestar o julgamento do recurso na Unidade de Origem até 29/12/2018, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Edgar Braganca Bazhuni. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 4.1794.375) contra o acórdão nº 0726.822 3ª Turma da DRJ/FNS (fls. 3.9984.159). No referido acórdão, também foi oposto recurso de ofício relativo à parte exonerada pela decisão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 05 34 4/ 20 10 -5 0 Fl. 4551DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.546 2 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 4.429 4.483. Por fim, para apresentar as peças principais do feito, às fls. 4.4994.515, há um pedido de desistência parcial do recurso voluntário. Passamos, então, a discorrer sobre o conteúdo do processo, mas nos deteremos com maior vagar, para este momento processual, apenas à infração relativa a subvenção para investimento. Para as apresentar as partes iniciais, no caso, o termo de verificação fiscal em que se relata a acusação e a impugnação, vamos nos valer do relatório elaborado na decisão recorrida. Abaixo, segue seu teor: Por meio dos Autos de Infração, a seguir indicados, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as seguintes importâncias e a que título: (...) As exigências referemse a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, sob o regime de tributação com base no Lucro Real, apurado de forma anual. Do Auto de Infração – IRPJ, reproduzse a natureza da autuação, e o item correspondente, que consta no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls.1.603 a 1.662, Volume IX): Item 001: Custos ou Despesas Não Comprovadas / Glosa de Despesas de Depreciação ⇒ Item 3.5.1 – Glosa de Despesa sem Comprovação (fls.1.630 a 1.633 do TVF); Item 002: Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários ⇒ Item 3.7 – Doações Não dedutíveis (fls.1.644 a 1.646 do TVF); Item 003: Gratificações / Participações nos Lucros Atribuídas aos Dirigentes ou Administradores ⇒ Item 3.6 – Pagamentos efetuados aos Administradores (fls.1.637 a 1.644 do TVF); Item 004: Amortização – Despesas Indedutíveis – Deságio ⇒ Item 3.3 – Amortização de Ágio não adicionada ao Lucro líquido – MOINHO ILHÉUS (fls.1.621 a 1.624 do TVF); Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.547 3 Item 005: Subvenções – Contabilização Imprópria ⇒ Item 3.4 – Subvenções para Investimentos – contabilização imprópria (fls.1.624 a 1.630 do TVF); Item 006: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real/Custo/Despesa Indedutível – Amortização de Ágio ⇒ Item 3.1 – Amortização de Ágio da incorporação de BUNGE II PARTICIPAÇÕES S/A (fls.1.606 a 1.616 do TVF); Item 007: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Realização da Reserva Especial Não adicionada ao Lucro Líquido ⇒ Item 3.5.3 – Reavaliações / correção monetária especial (fls.1.634 a 1.637 do TVF); Item 008: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Lucros Auferidos no Exterior ⇒ Item 3.11 – Lucro de Controlada no Exterior (fls.1.651 a 1.653 do TVF); Item 009: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Receita extemporânea de PIS e COFINS para 2005 e 2006 ⇒ Item 3.8 – Receitas não contabilizadas – PIS e COFINS (fls.1.646 a 1.647 do TVF); Item 010: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Valor do resultado de empresa incorporada ⇒ Item 3.10 – Exclusão de Lucro de Incorporada (fls.1.648 a 1.651 do TVF); Fl. 4553DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.548 4 Item 011: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Adição Insuficiente de Prejuízo de Incorporada ⇒ Item 3.9 – Adição de Prejuízo de Incorporada (fls.1.648 do TVF); Item 012: Adições Não Computadas na apuração do Lucro Real / Custo/Despesa Indedutível – Amortização de Ágio ⇒ Item 3.2 – Amortização de Ágio da incorporação de BUNGE ALIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA. (fls.1.616 a 1.621 do TVF); Item 013: Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real / Exclusões Indevidas ⇒ Item 3.10 – Exclusão de lucro da incorporada (fls.1.648 a 1.650 do TVF); Item 014: Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real / Exclusões Indevidas – Redução Indevida do Lucro Real em virtude de exclusão não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício referentes a ganhos em operações de hedge ⇒ Item 3.12 – Resultado de Hedge – Exclusão Indevida (fls.1.653 a 1.658 do TVF); Item 015: Multas Isoladas / Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada ⇒ Item 4 – Multa e Juros Isolados (fls.1.659 a 1.661 do TVF); Item 016: Juros Isolados / Falta de Recolhimento dos Juros de Mora (IRPJ) ⇒ Item 4 – Multa e Juros Isolados (fls.1.659 a 1.661 do TVF); A Interessada, por meio de seus representantes legais, apresentou sua impugnação, acostada às fls.1.685 a 1.859 (Volumes IX e X) e documentos, indicados nos Anexos – Parte 1/2, compreendidos nos Volumes X (fls.1.860 a 2.000) e XI (fls.2003 a 2.207), e outros documentos, verificados nos Anexos Parte 2/2, nos Volumes XII Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.549 5 (fls.2.210 a 2.403), XIII (fls. 2.406 a 2.599), XIV (fls.2.602 a 2.799), XV (fls.2.802 a 2.999), XVI (fls.3002 a 3.199), XVII (fls.3.202 a 3.399) e Volume XVIII (fls.3.402 a 3.599). No Volume XIX encontrase o extrato do presente processo e despacho de encaminhamento do mesmo para esta DRJ, em face da tempestividade da impugnação apresentada. Posteriormente à impugnação, a Interessada apresentou novos elementos, em versão digitalizada (em CD) de documentos que entende pertinentes à elucidação de determinadas infrações. Na impugnação original, a Interessada já destacara (fl.1.859) que “... por razões de força maior, uma parte da documentação não foi obtida em tempo hábil para juntada à defesa,” entretanto, ressalvandose o disposto no parágrafo seguinte, não está demonstrada a ocorrência das condições previstas no §4º do art.16 do Decreto para a aceitabilidade desta documentação extemporânea. Entendo que deva ser juntada aos autos e acatada com base em motivo de força maior, apenas a informação digitalizada trazida que se refere às aquisições de imobilizado (depreciações que vieram a ser glosadas item 3.5.1 do TVF). Tendo em vista a extensão do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls.1.603 a 1.662, Volume IX), bem como da Impugnação (fls.1.685 a 1.859 Volumes IX e X), deixo de relatoriar aqui estas peças, que serão detalhadas e comentadas no Voto. Como explicitado no último parágrafo, a continuação do relatório constou do próprio voto condutor da decisão de primeiro grau. Assim, continuaremos a transcrição do relatório com a síntese dos fundamentos do voto, mas apenas no tocante da autuação atinente às subvenções: Auto de Infração: Item 005 (fls.1.549 a 1.552) Subvenções – Contabilização Imprópria Termo de Verificação Fiscal: Item 3.4 (fls.1.624 a 1.630, Vol. IX) A Contribuinte, por possuir valores contabilizados em conta de reserva de capital, a título de subvenções para investimentos, conforme consta no art.443 do RIR/99, foi intimada a esclarecer, por meio do Termo de Intimação Fiscal 006 (fl.793, Vol.IV) o seguinte: 12. Comprovar que os lançamentos efetuados na conta 0300292002970 RESER.DE CAPITA RES.SUBVENCAO P/INVEST. correspondem a subvenções para investimentos nos termos do artigo 443 do RIR/99, detalhando a sistemática de liberação dos recursos, ou seja, se são depositados em conta vinculada, se existem condições para sua liberação, entre outras informações que julgar necessárias. Em atendimento, a Contribuinte apresentou cópias dos convênios celebrados com os Estados, onde esclareceu (fl.806, Vol.V): "Os valores lançados na conta 0300292002970 RESER.DE CAPITA RES.SUBVENÇÃO P/INVEST referemse a subvenções para investimentos concedidas pelos Estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Pernambuco e Piauí, conforme pode ser observado pelos termos de acordo anexos (DOC n° 12/1, DOC n° 12/2, DOC n° 12/3, DOC n° 12/4, DOC n° 12/5, DOC n° 12/6), os quais prevêem a necessidade da empresa cumprir uma série de obrigações/contrapartidas perante os Estados para a manutenção e aproveitamento dos benefícios fiscais concedidos. Inclusive, tais obrigações vêm sendo cumpridas pela Bunge Alimentos S.A. Os benefícios fiscais foram concedidos mediante redução do ICMS para estimular a implantação ou expansão de empreendimentos Fl. 4555DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.550 6 econômicos nos Estados e são registradas como reserva de capital, nos termos do artigo 443 do RIR/99." No Termo Fiscal, a autoridade fiscal, após transcrever os artigos 392 e 443 do RIR/99 (fl.1.624, Vol.IX), que tratam da classificação para fins tributários das subvenções correntes para custeio ou operação e das subvenções para investimentos, respectivamente, e excertos do Parecer Normativo CST nº 112/78 (fl.1.625) considerou que as subvenções para investimentos, assim denominadas e contabilizadas pela Contribuinte (a maioria proveniente de incentivos fiscais concedidos por vários Estados da Federação, por meio de isenção/redução de ICMS) não atendiam ao disposto na legislação citada e, portanto, os recursos seriam, “[...] na maior parte dos casos, de redução do valor a pagar de ICMS, não estão vinculados à aplicação exclusiva em investimentos, nem há qualquer mecanismo de controle da aplicação do benefício.” Eis o relato da autoridade fiscal (fl.1.624) e excertos do Parecer Normativo CST nº 112/78, que, em seu entendimento, impulsiona a desclassificação dos valores contabilizados como subvenções para investimentos: Conforme se depreende dos dispositivos acima, existem duas regras para a tributação das subvenções, uma de caráter geral, consubstanciada no art. 392, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional e, conseqüentemente, sua tributação pelo IRPJ; a segunda, constante do art. 443, uma regra de exceção, que exclui da base de cálculo desse tributo as subvenções que atendam aos requisitos que institui. Resta, portanto, definir os critérios que devem ser analisados para determinar se um valor registrado como subvenção se enquadra em uma ou outra dessas regras. Essa tarefa já foi cumprida pela Administração Tributária através do Parecer Normativo CST n° 112/1978. Esse ato normativo inicia por definir o termo subvenção, afirmando que, sob o ângulo tributário e para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas, seria um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor. [...] Acerca da caracterização das subvenções para investimento, destacase desse ato normativo: “2.10 A segunda conseqüência é que SUBVENÇÕES, neste caso, já não está sendo empregada de maneira ampla e genérica, tal como o foi no art.44 da Lei n° 4.506/64. Ao se incluir a isenção ou redução de impostos como formas de subvenção, fica patente a intenção de identificar as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO com recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público. Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação especifica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio §2° do art. 38 do DL 1.598/77. Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.” [...] O § 2o do art. 38 do Decretolei n° 1.598/77 incluiu a isenção ou redução de impostos como formas de subvenção. Salientese porém que, como bem acentuou o PN CST n° 112, de 1978, Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.551 7 nem todas as isenções ou reduções de impostos podem ser classificadas como Subvenção para Investimento, ou porque não implicam na específica aplicação em bens do ativo imobilizado, ou porque sequer são subvenções. [...] O retorno ao particular de uma quantia já incorporada ao patrimônio do Estado, a título de receita pública, é o que faz com que certas isenções ou reduções de impostos se equiparem às subvenções, e a efetiva aplicação em investimentos a torna subvenção na modalidade "para investimento". O PN CST n° 112, de 1978 dá exemplo de redução de imposto que preenche todos os requisitos para ser considerada como Subvenção para Investimento. [...]Diz o item 3.6 do Parecer: "3.6 — Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do beneficio fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retomam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. " No caso exemplificado no Parecer, a redução do ICM equiparase a subvenção, pois há o retorno de quantias ao patrimônio da beneficiária; e a subvenção, a que foi equiparada, é da modalidade para investimento, haja vista a sua destinação para investimento. Da leitura e interpretação dos dispositivos legais/normativos citados, a autoridade fiscal destacou que as subvenções para investimentos são identificadas pelas seguintes características (fl.1.626): a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, caracterizada pela sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; beneficiar diretamente a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Concluiu, então, a autoridade fiscal: Essas condições não são atendidas nas hipóteses abaixo analisadas, pois os recursos, oriundos, na maior parte dos casos, de redução do valor a pagar de ICMS, não estão vinculados à aplicação exclusiva em investimentos, nem há qualquer mecanismo de controle da aplicação do benefício. A seguir, a autoridade fiscal fez a análise dos benefícios representados pelos documentos entregues, tendo concluído que não se tratam de subvenções para investimentos, a saber (fls.1.627 a 1.630, Vol.IX): INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DE GOIÁS (doc 12.1) Mediante a apresentação de cópia da Resolução n° 234/88 e de cópia do contrato de financiamento com o Banco de Desenvolvimento do Estado de Goiás S.A. BDGOIÁS e a CEVAL AGROINDUSTRIAL S.A., a fiscalizada pretendeu comprovar tratarse de subvenção para investimento os valores lançados na conta 0300292002970 RESER. DE CAPITA RES.SUBVENÇÃO P/INVEST Ocorre que, logo na cláusula primeira do contrato apresentado, intitulada NATUREZA, VALOR E FINALIDADE DO CRÉDITO, fica clara a finalidade da avença: "os recursos oriundos do Fundo de Participação e Fomento à industrialização do estado de Goiás FOMENTAR, que lhe é deferido de acordo com a Lei Estadual n° 9.489/84 e os Decretos nos. 2.453/85 e 2.579/86,bem como o convênio celebrado em 25.06.86, entre FOMENTAR e o BANCO, e que será utilizado no reforço do seu capital de giro...". Logo, está descaracterizada, de plano, a subvenção como para investimento Na impugnação (fls.1.758 a 1.793, Vol.IX), a Contribuinte apresentou seus argumentos. Inicialmente, apresenta um panorama geral acerca do que entende sobre a natureza das subvenções Fl. 4557DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.552 8 para investimentos e, a seguir, se manifesta em cima das conclusões da autoridade autuante relativamente aos incentivos concedidos por cada Estado, então citado no Termo Fiscal. Eis suas alegações, em resumo: as subvenções, tal qual as doações, representam transferências patrimoniais, não sendo, portanto, receitas tributáveis pelo IRPJ e pela CSL; Esta intributabilidade, aliás, no que tange à subvenção para investimento, e especificamente no que atine ao IRPJ, vem estampada no art. 38, parágrafo 2°, do DecretoLei n. 1598 (que transcreve a fl.1.760); segundo o dispositivo legal transcrito, as subvenções para investimento: (i) se concedidas mediante isenção ou redução de tributos, devem estar ligadas à implantação ou expansão de empreendimento econômico; e (ii) não se submetem à tributação quando registradas como reserva de capital (utilizável somente para absorver prejuízos ou para ser incorporada ao capital social), ou quando feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas; notese que o art. 38 do DecretoLei n. 1598 não exige, além da correta contabilização e da adequada destinação da subvenção para investimento, qualquer outro requisito adicional para que a pessoa jurídica deixe de tributar os respectivos valores pelo IRPJ; após transcrever excertos do Parecer Normativo CST n. 112, afirma que o mesmo entende que: as subvenções para investimento, para gozarem do tratamento estatuído no art. 38, parágrafo 2o, do DecretoLei n. 1598, devem: i. ter os correspondentes recursos efetiva e especificamente aplicados em bens ou direitos (do ativo permanente) voltados à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; ii. ter como beneficiário titular de empreendimento econômico; e iii. ser provenientes de um querer do Poder Público de transferir capital com vistas à execução desses empreendimentos. conquanto o art. 38, parágrafo 2°, do DecretoLei n. 1598 não contenha, em sua literalidade, quaisquer dos três requisitos acima elencados, é certo que os dois últimos não conflitam com tal dispositivo legal, tampouco com o conceito de subvenção para investimento; isso porque, de acordo com o art. 38, parágrafo 2°, do DecretoLei n. 1598, se concedidas mediante isenção ou redução de tributos, as subvenções para investimento devem estar ligadas à implantação ou expansão de empreendimento econômico, donde faz todo sentido que, nestes casos, resulte caracterizado, de fato, o querer do Poder Público em prover capital à pessoa jurídica titular de empreendimento econômico; do contrário, isto é, inexistindo tal vinculação ao empreendimento econômico, poderseia estar diante, não de subvenção para investimento, mas, sim, de subvenção corrente, voltada a suprimir gastos usuais da empresa. por outro lado, no que atine ao primeiro requisito estabelecido pelo Parecer Normativo CST n. 112, não há base legal para sua exigência; com efeito, não há na lei qualquer regra no sentido de que a subvenção para investimento dependa, para sua não tributação, da aplicação em bens do ativo permanente; ademais, a lei não requer perfeita e absoluta simetria entre a vantagem percebida pela pessoa jurídica e a aplicação desta vantagem nos investimentos atinentes ao empreendimento econômico; basta, para fins de caracterização da subvenção para investimento, atrelada a incentivos fiscais, que a beneficiária promova a implantação ou expansão de empreendimento econômico, almejada pelo Poder Público ao conceder aqueles benefícios, independentemente de correlação absoluta entre a vantagem recebida pela beneficiária e sua aplicação; assim é que a subvenção, materializada em incentivos fiscais, será para investimento quando houver intenção do Poder Público de transferir capital voltado à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, podendo o beneficiário deixar de oferecer à tributação a vantagem que receber se proceder à correta contabilização dos respectivos numerários e à sua adequada destinação, nos termos do art. 38 do DecretoLei n. 1598. Qualquer outra exigência, fatalmente, será desprovida de base legal; [Grifo é do original] há diversas decisões no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes, que deixaram de empregar o conceito restritivo de subvenções pra investimento, contido no Parecer Normativo CST n. 112 (transcreve excertos destes decisórios às fls.1.763 a 1.765); Fl. 4558DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.553 9 isso demonstra que não possui amparo legal a interpretação levada a cabo pela fiscalização, amparada nos dizeres do Parecer Normativo CST n. 112, no sentido de que deve haver "efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado" (fl. 27 do TVF), sob pena de restar descaracterizado o auxílio dado pelo Poder Público como subvenção para investimento. feitas essas considerações sobre a definição de subvenção para investimento e sobre os seus aspectos fiscais, a impugnante demonstrará, a seguir, que os benefícios que lhe foram assegurados pelos Estados de Goiás, Piauí, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pernambuco correspondem a subvenções para investimento, não podendo ser mantido o lançamento fiscal nesta parte; a) Os incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Goiás A fiscalização alegou que os incentivos concedidos pelo Estado de Goiás à impugnante visam ao reforço de seu capital de giro, o que desnatura a subvenção para investimento; No entanto, o entendimento da fiscalização está equivocado, porquanto a legislação de regência desses incentivos é clara no sentido de que eles se destinam a fomentar o desenvolvimento industrial no Estado de Goiás; É o que a impugnante exporá a seguir. A Lei Estadual n. 9489, de 19.7.1984, criou o "Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR" (doc. 02), com vistas a incentivar a implantação e a expansão de empreendimentos industriais no Estado, nos termos dos art. 1o e 3o, abaixo transcritos: "Art. 1o Fica criado o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, com objetivo de incrementar a implantação e a expansão de atividades que promovam o desenvolvimento industrial do Estado de Goiás". "Art. 3o Os recursos do FOMENTAR serão aplicados em atividades industriais, preferencialmente agroindustriais, mediante apoio financeiro e técnico, em empreendimentos considerados prioritários para o desenvolvimento estadual. Parágrafo único. A prioridade de que trata este artigo será determinada mediante proposta da Diretoria Executiva do Fundo ao Conselho Deliberativo, a que compete a sua homologação, fundamentada na avaliação do Empreendimento". Os recursos do programa FOMENTAR, destinados ao fomento de atividades industriais, mediante a concessão de apoios financeiro e tecnológico às atividades e empreendimentos considerados prioritários e importantes para a economia e o desenvolvimento do Estado de Goiás, compreendem o empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido pelo estabelecimento industrial contribuinte, em cada período de apuração do tributo, devendo os 30% restantes ser arcados com recursos próprios. É o que diz o art. 4o, inciso II, do Decreto n. 3822, que transcreve a fl.1.767, Vol. IX; Até aqui não há que se falar em subvenção para investimento, tendo em vista que a legislação mencionada somente assegurava o financiamento de parte do valor devido pelo contribuinte a título de ICMS; Foi então que sobreveio a Lei Estadual n. 13436, de 30.12.1998 (doc. 06), responsável por instituir a liquidação antecipada dos contratos de financiamento do programa FOMENTAR, mediante oferta pública, voltada à sua quitação, nos termos do art. 1o, "caput", "in verbis": "Art, 1° Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: O art. 1o da Lei n. 13436 vai além, dispondo, em seus parágrafos 1o a 3o, que o montante equivalente ao desconto obtido com a liquidação antecipada do empréstimo deve, necessariamente, ser aplicado na ampliação e/ou modernização do parque industrial incentivado, o que torna tal desconto, segundo definição do próprio dispositivo legal, subvenção para investimento. Vejase o que dizem os citados parágrafos: "Parágrafo 1o A pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário do incentivo do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, Fl. 4559DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.554 10 aplicará o montante equivalente ao desconto obtido com a quitação antecipada do contrato de financiamento firmado com o mesmo Fundo, representado por seu agente financeiro, nos termos deste artigo, na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado, dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da realização do leilão respectivo. Parágrafo 2o O montante a que se refere o parágrafo 1o é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo aí mencionado ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a titulo de lucro. Parágrafo 3o O disposto neste artigo aplicase, igualmente, nos casos de: I quitação antecipada de contrato de financiamento do FOMENTAR cujos direitos creditícios forem adquiridos em oferta pública feita por meio de leilões, por pessoa jurídica na condição de investidora; A legislação goiana revela, de maneira cabal, que o ganho obtido com o pagamento antecipado do valor do empréstimo, representado pela redução do saldo devedor do financiamento firmado no âmbito do programa FOMENTAR, representa verdadeira subvenção para investimento, na medida em que é manifesta a transferência de capital do Poder Público para a pessoa jurídica titular de empreendimento econômico beneficiado pelo programa, ainda que sob a forma de desconto no valor de empréstimo, como também é evidente a intenção do governo goiano de subvencionar; Não por outra razão, o art. 1o, parágrafo 2o, da Lei n. 13.436 assevera, de maneira expressa, que o referido desconto tem a natureza de subvenção para investimento, podendo ou ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo, ou ser mantido em conta de reserva de capital; Diante do exposto, e considerando que a impugnante contabilizou em reserva de capital o valor atinente ao desconto por ela recebido em função da liquidação antecipada de seu contrato de empréstimo relativo ao programa FOMENTAR, é iniludível a natureza de subvenção para investimento de tal valor e, de conseguinte, sua não tributação pelo IRPJ e pela CSL, dado não haver acréscimo patrimonial suscetível de incidência destes tributos. Para o incentivo concedido pelo Estado de Goiás, a decisão de primeira instância manteve a autuação sob o fundamento de inexistir vinculação entre o benefício (descontos concedidos) e os investimentos realizados. Prosseguese a transcrição do relatório da decisão de primeiro grau com o incentivo relativo ao Estado do Piauí: Incentivo concedido pelo Estado do Piauí Eis o relato que consta no Termo Fiscal (Fls.1.627 a 1.628, Vol.IX): INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DO PIAUÍ (doc 12.2) Apresentada cópia do Decreto n° 10.867, de 11 de setembro de 2002, como comprovação da classificação correta como subvenção para investimento dos benefícios recebidos do estado do Piauí. "A Bunge veio para o Piauí em 2002 com uma imposição de 15 anos de isenção fiscal. O governo fez a concessão através do decreto 10867. Isenção para: óleo bruto, gorduras, farelo, rações e outros; mais ainda: importação de máquinas, aparelhos, instrumentos, equipamentos industriais e suas partes, matérias primas secundárias e de embalagens e outros insumos e para o serviço de transporte. A Bunge também não paga nenhum imposto municipal. O fundamento para a concessão dessas isenções seria a geração de emprego e renda, o que não aconteceu. A Fundação Águas entrou com uma representação junto ao Ministério Público Estadual pedindo a suspensão das isenções". O excerto, retirado de notícia veiculada no endereço eletrônico http://www.midiaindependente.org/es/real/2008/03/414072.shtml, dá conta da extensão dos Fl. 4560DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.555 11 benefícios conseguidos pela BUNGE e informa sobre ação do Ministério Público local para cancelamento dos benefícios. Em se considerando subvenções as vantagens recebidas, da análise do decreto se depreende que tais recursos poderiam ter qualquer utilização, sem qualquer sincronia de ação por parte do beneficiário com a intenção de quem concedeu os benefícios, o que os descaracteriza como subvenção para investimento. O auxílio obtido pela empresa beneficiária evidencia, apenas, um não desembolso financeiro, o qual poderia ser utilizado como a ela bem aprouvesse. Nesse caso, tratase de recursos não vinculados a aplicações específicas, os quais devem integrar a receita bruta operacional da empresa beneficiária para efeito de determinar o lucro sujeito à tributação. Na impugnação (fls.1.770 a 1.774), a Contribuinte apresenta suas razões contra a acusação fiscal, a seguir resumidas: b) Os incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Piauí Relativamente aos benefícios fiscais outorgados pelo Estado do Piauí à impugnante, sustentou a fiscalização que o Ministério Público teria ingressado com ação judicial em face da impugnante, visando ao cancelamento de tais benefícios, em virtude de alegado descumprimento de seus requisitos (geração de emprego e renda); A notícia de notório cunho subjetivo e, pois, sem qualquer imparcialidade de fato dá conta da existência de ação civil pública proposta pelo Ministério Público contra a impugnante; Mas a leitura de tal notícia revela que o objeto da ação judicial não é cancelar os benefícios fiscais recebidos pela impugnante do governo piauiense, como afirmado pela fiscalização. Na verdade, tal objeto é de índole ambiental; Como é possível notar, no entender das autoridades fiscais, não se trata, "in casu", de subvenção para investimento, uma vez que inexiste efetiva e específica aplicação da subvenção em ativo imobilizado, atrelado a determinado empreendimento econômico, tal como exigido pelo Parecer Normativo CST n. 112; No entanto, consoante restou demonstrado anteriormente, tal exigência contida no Parecer Normativo CST n. 112 não possui amparo legal, donde não se faz necessário perscrutar sua existência no caso concreto, para efeito de caracterização da subvenção para investimento; O que importa, para tal caracterização, é que o Poder Público intente subvencionar para investimento e que a pessoa jurídica seja titular de projeto de implantação ou expansão de empreendimento econômico, recebendo capital para sua consecução; E esses requisitos se fazem presentes na hipótese vertente. Vejamos. A Lei Estadual n. 4859, de 27.8.1996 (doc. 08), disciplinou os incentivos fiscais, relativos à dispensa de pagamento do ICMS, concedidos pelo Estado do Piauí à pessoa jurídica titular de projeto voltado à implantação, relocalização, revitalização e ampliação de unidades fabris localizadas naquele Estado, nos termos do art. 1o, "in verbis": "Art. 1o O incentivo fiscal de dispensa do pagamento referente ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, a ser concedido aos empreendimentos industriais e agroindustrials, considerados prioritários para o Estado do Piauí, por motivo de implantação, relocalização, revitalização e ampliação de unidades fabris já instaladas, obedecerá a forma e as condições previstas nesta Lei". A concessão desses incentivos fiscais fica condicionada à apresentação de projeto atinente ao empreendimento econômico a ser ampliado ou implantado, como revela o art. 10, "caput", da Lei n. 4859: "Art. 10. O beneficiário do incentivo fiscal, objeto desta Lei, deverá iniciar suas operações no prazo previsto no cronograma constante do projeto apresentado, no período de até 12 (doze) meses, contados da data da publicação do decreto concessivo". O art. 4o, parágrafo 1o, inciso I, do Decreto n. 9591, de 21.10.1996 (doc. 09), igualmente prevê que a fruição dos benefícios fiscais depende da apresentação de prévio projeto do empreendimento, como seja: Fl. 4561DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.556 12 "Art. 4o Para que possam obter o incentivo fiscal pretendido, as empresas interessadas deverão requerêlo nos seguintes prazos: (...) Parágrafo 1° O requerimento para concessão do incentivo (modelo anexo) será dirigido ao Secretário da Fazenda, instruído com os seguintes documentos: I projeto executivo do empreendimento proposto;" Com efeito, a impugnante teve projeto de implantação de empreendimento econômico aprovado pelo Estado do Piauí, razão pela qual lhe restou assegurada a fruição de benefícios fiscais na forma da Lei n. 4859. É o que dispõe o art. 1o do Decreto n. 10867, de 11.9.2002 (doc. 10): "Art. 1° Fica concedido ao estabelecimento da empresa BUNGE ALIMENTOS S/A, inscrito no CNPJ, sob o n. 84.046.101/039561 e no CAGEP sob o n. 19.001.0967, com sede e foro na Rodovia Pi 247, Parte I, S/N, km 23, Cruzete, município de UruçuíPI, incentivo fiscal equivalente à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, para, utilizando o processo de transformação, produzir óleo bruto de soja, óleo refinado de soja, gordura hidrogenada, farelo de soja, ração animal e outros, na forma do disposto no art. 4°, inciso I, alínea "b", da Lei n. 4.859, de 27 de agosto de 1996, combinado com o art. 1°, inciso II, alínea "c" do Decreto n. 9.590, de 21 de outubro de 1996". Por conta disso, foram outorgados à impugnante, em consonância com o art. 4o, inciso I, "b", da Lei n. 4859, benefícios fiscais de dispensa de 100% do pagamento do ICMS apurado durante os 9 primeiros anos, e de 70% do ICMS apurado durante os 3 últimos anos, como dá conta o art. 2o do Decreto n. 10867, que transcreve a fl.1.773, Vol.IX; De acordo com o parágrafo 1o do art. 2o do Decreto n. 10867, o prazo de fruição do incentivo fiscal de dispensa de 100% do ICMS deve ser estendido para 15 anos, quando comprovada, no prazo de 24 meses, contados do início do faturamento, a criação e manutenção de 500 empregos ou mais; Como se vê, os incentivos fiscais outorgados à impugnante decorrem da aprovação de projeto voltado à implantação de unidade fabril no interior do Estado do Piauí, tudo na forma da Lei n. 4859 e do Decreto n. 9591; Daí porque a conclusão só pode ser no sentido de que os benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Piauí à impugnante revelam natureza de subvenção para investimento, dada a manifesta intenção do governo piauiense de subvencionar para investimento, bem como a transferência de capital à impugnante, mediante a concessão de incentivos fiscais, registrados em conta de reserva de capital, por força de projeto de implantação de indústria no interior do Estado; Nessas condições, mostrase indevida a exigência fiscal em foco, sendo, pois, imperioso seu cancelamento, face à não incidência do IRPJ e da CSL sobre a subvenção para investimento concedida pelo governo piauiense. A DRJ também manteve a autuação relativa ao incentivo concedido pelo Estado do Piauí sob o fundamento de que pode utilizar a economia fiscal como lhe aprouver e de não ter comprovado a vinculação dos benefícios em “bens ou direitos na implantação ou modernização/ expansão de empreendimento econômico”. Passase ao relativo atinente aos incentivos concedidos pelo Estado da Bahia: INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DA BAHIA (doc 12.3) Eis o relato que consta no Termo Fiscal (fl.1.628, Vol. IX): Como comprovação de que os benefícios concedidos pelo estado da Bahia se enquadram na categoria subvenções para investimento, apresentou cópia da Resolução n° 17/2000 e cópia da Resolução n° 22/2004. Os diplomas legais estaduais que disciplinam os incentivos fiscais sob exame (DOCUMENTO 47) não estabelecem, à nitidez, a efetiva e específica aplicação deste, por parte do beneficiário, em investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Pelo contrário, os recursos não desembolsados até podem, Fl. 4562DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.557 13 em princípio, reforçar o capital de giro da empresa beneficiária, sem a necessária aplicação em ativo imobilizado. Não se trata, portanto, na espécie, de subvenção para investimento. Na impugnação (fls.1.774 a 1.778), a Contribuinte apresenta suas razões contra a acusação fiscal, a seguir resumidas: c) Os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia No que tange aos incentivos fiscais ou financeirofiscais concedidos pelo Estado da Bahia à impugnante, a fiscalização asseverou que os respectivos diplomas legais "não estabelecem, à nitidez, a efetiva e específica aplicação deste, por parte do beneficiário, em investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos". Como se vê, o entendimento manifestado pela fiscalização decorre do conteúdo do Parecer Normativo CST n. 112, que exige efetiva e específica aplicação da subvenção em ativo imobilizado atrelado a determinado empreendimento econômico. Mas, como visto acima, este ato normativo, ao formular tal restrição, extrapolou os limites da lei, ferindo o princípio da legalidade; Daí porque se mostra descabida a argumentação da fiscalização, não podendo prevalecer o lançamento ora impugnado; Sem prejuízo dessas considerações, a impugnante julga importante esclarecer porque os incentivos que lhe foram outorgados pelo Estado da Bahia constituem subvenção para investimento, não podendo, pois, ser tributados pelo IRPJ e pela CSL. Senão, vejamos; A Lei Estadual n. 7980, de 12.12.2001 (doc. 11), instituiu o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, "com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial. com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado" (art. 1o da Lei n. 7980 destaques da impugnante). A execução de projeto econômico, voltado à implantação ou expansão de indústria no Estado da Bahia, confere à pessoa jurídica titular do projeto o direito à fruição de benefícios de índole fiscal ou financeirofiscal, os quais devem ser mensurados em conformidade com critérios de ordem social, econômica e ambiental, a teor do que prevê o art. 8o da Lei n. 7980 (que transcreve, fl.1.774); A corroborar a assertiva de que o objetivo central do programa DESENVOLVE é promover o crescimento e a modernização industrial, o Decreto n. 8205, de 3.4.2002 (doc. 12), que regulamenta a Lei n. 7980, determina que a fruição dos benefícios estatuídos na legislação depende da prévia aprovação de projeto do empreendimento econômico a ser implantado, ampliado ou modernizado pela pessoa jurídica. Vejase o que dizem, a tal propósito, os art. 7o, inciso I, 8o e 9o, inciso II, do Decreto n. 8205: "Artigo 7o O Conselho Deliberativo, órgão de orientação e deliberação superior do DESENVOLVE, terá as seguintes atribuições: I examinar e aprovar os projetos propostos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios, observando a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim sua compatibilidade com os objetivos fundamentais do programa e o cumprimento de todas as suas exigências;" "Artigo 8o Preliminarmente a empresa apresentará Carta Consulta de Investimento à Secretaria Executiva do Conselho, com as informações básicas do projeto e de acordo com modelo a ser aprovado pelo Conselho Deliberativo". Quanto aos incentivos fiscais ou financeirofiscais concedidos à pessoa jurídica como contrapartida da instalação, ampliação ou modernização de empreendimento econômico, de acordo com o art. 2° da Lei n. 7980, fica autorizada a dilação do prazo de pagamento, de até 90% do saldo devedor mensal do ICMS, limitada a 72 meses, ou ainda, o diferimento do lançamento e pagamento do ICMS devido. Mas, de acordo com o art. 7o da Lei n. 7980, a liquidação antecipada de cada uma das parcelas do ICMS ensejará desconto de até 90% do saldo devedor financiado. Eis o que dispõem os art. 2°e7°, "inverbis": "Art. 2° Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: Fl. 4563DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.558 14 dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; diferimento do lançamento e pagamento do imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Parágrafo único Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei n. 7014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza". "Art. 7° A liquidação antecipada de cada uma das parcelas ensejará desconto de até 90% (noventa por cento)". O art. 16 do Decreto n. 8205 determina que a manutenção dos benefícios concedidos pelo Estado da Bahia depende da comprovação da integral realização do investimento projetado, como seja: "Artigo 16 A manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física da integral realização do investimento projetado, comprovada por laudo de inspeção emitido pela Secretaria Executiva do DESENVOLVE, e, quando necessária, com assistência do DESENBAHIA". Pois bem. A impugnante registrou em conta de reserva de capital o valor correspondente ao desconto concedido pela legislação em foco na hipótese de liquidação antecipada das parcelas do ICMS. E ela o fez, na medida em que tal desconto tem natureza de subvenção para investimento, atrelado que está à implantação ou expansão de empreendimento econômico; Como de depreende da análise das Resoluções n. 22/04 e 8/05 (que transcreve), a impugnante é beneficiária de incentivos fiscais do programa DESENVOLVE, por ser titular de projetos aprovados no âmbito de tal programa, o que lhe permite pagar antecipadamente o ICMS, com descontos de até 80%; Sendo assim, é certo que os valores contabilizados pela impugnante como reserva de capital, a título de desconto pela liquidação antecipada do ICMS por ela devido, ostentam a natureza de subvenção para investimento, uma vez que resulta caracterizada, "in casu", a inequívoca intenção do governo baiano de subvencionar para investimento, bem como a transferência de capital à impugnante, por força dos projetos por ela executados, relativos â ampliação e à implantação de empreendimentos econômicos, ainda que sob a forma de desconto na liquidação antecipada do valor do ICMS; Portanto, é indevida a exigência fiscal ora combatida, face à não incidência do IRPJ e da CSL sobre os valores em foco. Igualmente, a decisão de primeiro grau refutou os argumentos da defesa e manteve a autuação quanto ao incentivo concedido pelo Estado da Bahia. Sustentou sua posição com base no regulamento do programa que não impõe a efetiva aplicação dos recursos na implantação ou expansão da indústria. Aduz ainda que há previsão também, no referido regulamento, para a redução de custos. Passase ao relatório atinente aos incentivos concedidos pelo Estado de Mato Grosso do Sul: INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO de MATO GROSSO DO SUL Eis o relato que consta no Termo Fiscal (fls.1.628 a 1.629, Vol.IX): INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (doc 12.4.1 e 12.4.2) A transferência dos benefícios da MGT BRASIL LTDA para a BUNGE pela assunção por esta do parque fabril outrora ocupado por aquela, por si só já demonstra tratarse de subvenção para custeio operacional. Fl. 4564DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.559 15 A razão para a concessão dos incentivos, nas palavras da BUNGE: "4) Entretanto, para que a requerente possa viabilizar esse projeto e competir com empresas do ramo localizadas em outros estados, é necessário que esse Conselho de Desenvolvimento Industrial transfira os benefícios fiscais da Lei n° 1.239/91 do nome de MGT BRASIL LTDA para o nome de BUNGE ALIMENTOS S.A. estabelecendo o prazo previsto na Deliberação n° 48 do CDI/MS de 29 de setembro de 2003. " Logo, a base para a concessão é a competitividade, que remete a preço de produto competitivo que permita margem de lucro, ou seja, redução de custo, o que significa subvenção para custeio. O CERTIFICADO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO FISCAL N° 238 também não estabelece qualquer contrapartida de investimento, nem vincula os recursos com investimento. O TERMO DE ACORDO Nº 010/2007, por sua vez, estabelece em sua cláusula segunda: "O ESTADO, como incentivo a manutenção do empreendimento industrial, concede à BUNGE benefício fiscal regido pelos seguintes incisos:". Claro está que o incentivo foi concedido para manutenção do empreendimento industrial, o que descaracteriza a subvenção para investimento, conforme já demonstrado. Na impugnação (fls.1.778 a 1.784), a Contribuinte apresenta suas razões contra a acusação fiscal, a seguir resumidas: d) Os incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Mato Grosso do Sul; Para a fiscalização, os incentivos fiscais assegurados pelo Estado de Mato Grosso do Sul à impugnante são subvenções para custeio, e não para investimento, de vez que "a base para a concessão é a competitividade, que remete a preço de produto competitivo que permita margem de lucro, ou seja, redução de custo", bem como porque o "CERTIFICADO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO FISCAL N. 238 também não estabelece qualquer contrapartida de investimento, nem vincula os recursos com investimento"; No entanto, os argumentos lançados pelas autoridades fiscais não resistem à análise da legislação de regência da matéria, a qual evidencia tratarse, na hipótese, de subvenção para investimento, não tributável pelo IRPJ e pela CSL; É o que a impugnante demonstrará a seguir; A Lei Complementar do Estado de Mato Grosso do Sul n. 93, de 5.11.2001 (doc. 15), instituiu o "Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Trabalho, ao Emprego e à Renda", denominado MSEMPREENDEDOR, por meio do qual ficou autorizada a concessão de benefícios fiscais, financeirofiscais ou extrafiscais, como forma de fomentar a industrialização no Estado, consoante dá conta o art. 2° da referida Lei Complementar (que transcreve); Vejase que a Lei Complementar n. 93 é muito clara no sentido de que a instalação, a ampliação, a modernização, a reativação ou a realocação de empresas, uma vez aprovadas pelo órgão competente, dão ao interessado o direito à fruição de benefícios fiscais, financeirofiscais ou extrafiscais. Mostrase, pois, indubitável o objetivo central da norma: crescimento e modernização da indústria sulmatogrossense, conforme atesta o art. 1o, "caput", da Lei Complementar n. 93; É evidente que, como decorrência da instalação, da ampliação e da modernização de indústrias, a lei também busca alcançar finalidades diversas, como a geração de empregos e a criação de empresas competitivas e com tecnologia de ponta; Nem por isto o objetivo central da norma é modificado. Na verdade, a concessão dos incentivos em foco pressupõe a criação, ampliação ou modernização de indústrias, não tendo como finalidade precípua estimular e promover a competitividade, embora esta decorra do desenvolvimento industrial almejado pelo programa MSEMPREENDEDOR. Daí que é descabida a afirmação das autoridades fiscais de que "a base para a concessão é a competitividade"; Não fosse tudo isso o bastante para evidenciar que os incentivos outorgados pelo Estado de Mato Grosso do Sul estão atrelados à realização, pelo titular do projeto, de empreendimento econômico, a caracterizar a natureza de subvenção para investimento destes incentivos, o art. 24 da Lei Complementar n. 93 ainda é categórico no sentido de que o valor financeiro dos benefícios fruídos pela pessoa jurídica deve ou ser incorporado ao capital social, ou contabilizado como reserva de capital, como seja: Fl. 4565DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.560 16 "Art. 24. Findo o exercício social e realizado o balanço patrimonial de empresa de natureza industrial beneficiária de beneficio ou incentivo, o valor financeiro dos benefícios então fruídos no referido exercício social deve ser incorporado ao capital social da empresa ou constituído em reserva de capital. Parágrafo 1° A incorporação ou a constituição de que trata o caput deste artigo deve ocorrer até o final do exercício subseqüente ao da fruição do beneficio ou incentivo, nos termos da legislação especifica e dos atos constitutivos da empresa, observadas as prescrições contidas no regulamento. Parágrafo 2o O descumprimento das regras deste artigo pode ocasionar a suspensão do benefício ou incentivo, até a data do adimplemento, ou sendo o caso, pode ensejar o seu cancelamento". Pois bem. Em 1°.2.2004, a impugnante passou a operar, mediante locação, parque industrial, localizado no Município de Dourados, até então locado à empresa MGT Brasil Ltda. As atividades da MGT Brasil Ltda. foram incentivadas pelo Estado de Mato Grosso do Sul, em consonância com o programa MSEMPREENDEDOR de que trata a Lei Complementar n. 93; O direito da MGT Brasil Ltda. ao gozo de benefícios fiscais deuse por meio do Certificado de Concessão de Benefício Fiscal n. 238, de 31.7.2003 (doe. 16). De acordo com tal Certificado, o benefício fiscal concedido como contrapartida do crescimento e modernização industrial consiste em redução de 67% do saldo devedor do ICMS, conforme revela o Item 1.a do referido Certificado: "01. PRAZO E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO O benefício fiscal corresponderá a 67% do ICMS, resultante da apuração pelo mecanismo de débito e crédito, devendo ser considerado nessa apuração apenas os débitos e créditos relacionados com as operações com produtos resultantes da própria industrialização moageira de soja;" Por ato do governo sulmatogrossense, publicado no Diário Oficial n. 6377, de 1°.12.2004, e objeto do processo n. 21/000003/2004, o benefício concedido à MGT Brasil Ltda foi transferido à impugnante (doe. 17), tendo em vista que a última passou a operar o parque industrial até então utilizado pela primeira, com o compromisso de ampliálo (doc. 18); A fruição de tal benefício foi prorrogada até 30.6.2007, nos termos da Deliberação n. 56, de 21.12.2006 (doc. 19); Outrossim, por meio do Termo de Acordo n. 10, de 18.4.2007, foram concedidos à impugnante novos benefícios fiscais, como estímulo adicional à concretização do objetivo que se pretendeu com o incentivo constante do Certificado n. 238, de 31 de julho de 2003" (doc. 20 destaques da impugnante). Dentre outros, destacamse os seguintes benefícios fiscais, consistentes em crédito presumido de ICMS (transcreve as fls.1.782): Do que se vê, não restam dúvidas sobre a natureza dos benefícios fiscais concedidos à impugnante. Tratase de subvenção para investimento, a uma porque é inegável o querer do governo sulmato grossense de subvencionar com vistas ao crescimento e à modernização da indústria, e a duas porque foram transferidos à impugnante os benefícios fiscais concedidos originalmente pelo Estado de Mato Grosso do Sul à MGT Brasil Ltda. (redução de saldo devedor do ICMS) e, posteriormente, estes benefícios foram ampliados (crédito presumido do ICMS), tudo de modo que a impugnante pudesse concretizar o objetivo almejado pelo Certificado de Concessão de Benefício Fiscal n. 238 quando da concessão de incentivos fiscais à MGT Brasil Ltda e, mais, de modo que a impugnante pudesse aumentar o parque industrial incentivado; Nesse passo, há que se dizer que não se pode dar guarida ao argumento da fiscalização de que "o incentivo foi concedido para manutenção do empreendimento industrial, o que descaracteriza a subvenção para investimento"; Com é possível notar, a própria lei assegura o direito à transferência dos benefícios fiscais. E ela o faz, não somente com vistas à manutenção de empreendimentos industriais, mas, sim, e fundamentalmente, de tal forma que reste assegurado o cumprimento da finalidade precípua da norma, que é o desenvolvimento industrial na região sulmatogrossense. Daí a natureza de subvenção para investimento dos benefícios fiscais concedidos no âmbito do programa MS EMPREENDEDOR; Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.561 17 De mais a mais, como visto, a concessão dos incentivos em foco teve como pressuposto a implantação e a ampliação industrial, fato que, por si só, denota a natureza destes valores de subvenção para investimento, a qual, a toda evidência, não se alterou em função da mera transferência de tais incentivos à impugnante, quando da locação do parque industrial localizado em Dourados, já beneficiado pelo programa MSEMPREENDEDOR; Portanto, a redução do saldo devedor do ICMS e o crédito presumido do mesmo imposto, concedidos à impugnante em conformidade com as disposições da Lei Complementar n. 93, e registrados em conta de reserva de capital, representam subvenção para investimento, não passíveis de tributação pelo IRPJ e pela CSL. Seguindo o mesmo caminho trilhado nas demais itens de autuação de incentivos fiscais, a DRJ manteve a autuação sob o fundamento de que os recursos não foram efetivamente aplicados na expansão empresarial. Passase ao relativo atinente aos incentivos concedidos pelo Estado de Mato Grosso: INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DE MATO GROSSO Eis o relato que consta no Termo Fiscal (fl.1.629, Vol.IX): O TERMO DE ACORDO, doc 12.5.1, foi assinado em 05/05/2008, portanto, em data posterior ao período abrangido pelo procedimento de fiscalização e não será analisado. O PROTOCOLO INTENÇÕES, doc 12.5.2, apesar do compromisso de implantação de nova unidade industrial em Rondonópolis, cláusula segunda, não vincula a aplicação dos recursos ao investimento e estabelece como responsabilidade da BUNGE (cláusula quinta): "I — implantar e manter programas de treinamento, gestão e qualidade, qualificação de mão de obra e de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, diretamente ou em convênio com terceiros; implantar Programas de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, conforme Lei (Federal) n° 10.101 de 19 de dezembro de 2000; — priorizar apoios às políticas de incentivo à cultura através dos instrumentos legais de fomento, a exemplo da Lei Rouanet; patrocínios diretos; e outras formas de apoio, tendo por objeto a participação no desenvolvimento de ações custurais (sic) do Estado do Mato Grosso.". O teor da cláusula revela que as contrapartidas da BUNGE ao incentivo concedido não têm a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Logo, o incentivo não se classifica como subvenção para investimento. Na impugnação (fls.1.784 a 1.790, Vol. IX) apresentada, temse, em resumo: e) Os incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Mato Grosso De acordo com a fiscalização, os incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Mato Grosso à impugnante não se subsumem ao conceito de subvenção para investimento, uma vez que, "apesar do compromisso de implantação de nova unidade industrial em Rondonópolis, cláusula segunda, [o Protocolo de Intenções] não vincula a aplicação dos recursos ao investimento e estabelece como responsabilidade da BUNGE (cláusula quinta)" alguns deveres de índole social (fl. 27 do TVF); Notese que a própria fiscalização reconheceu que os incentivos fiscais com os quais a impugnante foi agraciada dependem, para sua concessão, da implantação de unidade industrial; Contudo, amparado nos dizeres do Parecer Normativo CST n. 112, o fisco entendeu que não há específica e efetiva aplicação dos benefícios fiscais nos investimentos, a desnaturar a subvenção na modalidade investimento; Fl. 4567DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.562 18 Mas, como já demonstrado anteriormente, essa condição imposta pelo Parecer Normativo CST n. 112 padece de ilegalidade, sendo certo que se fazem presentes, "in casu", os requisitos necessários à caracterização da subvenção para investimento, a saber: intenção do Poder Público de subvencionar para investimento e aumento do capital da pessoa jurídica, mediante sua transferência pelo Poder Público. Senão, vejamos; A Lei n. 7958, de 25.9.2003 (doc. 22), do Estado de Mato Grosso, ao tratar do "Plano de Desenvolvimento de Mato Grosso", ao qual a impugnante aderiu, diz que ele será "orientado pelas diretrizes da Política de Desenvolvimento do Estado, com o objetivo de contribuir para a expansão, modernização e diversificação das atividades econômicas, estimulando a realização de investimentos, a renovação tecnológica das estruturas produtivas e o aumento da competitividade estadual, com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais e regionais" (art. 1o, "caput"); Mas, a par desses deveres de índole social (do art.7º da Lei 7.958, que transcreve a fl.1.785), o "Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso PRODEIC", do qual a impugnante faz parte, tem "por finalidade precípua alavancar o desenvolvimento das atividades econômicas definidas como estratégicas, destinadas à produção prioritária de bens e serviços no Estado, considerando os aspectos sociais e ambientais, no intuito de melhorar o índice de Desenvolvimento Humano e o bemestar social da população" (art. 8o, "capuf); É indubitável, pois, que o objetivo central da norma, relativa aos projetos aprovados no âmbito do PRODEIC, consiste em incentivar o investimento nos setores industrial e comercial, de modo a promover desenvolvimento econômico, social e ambiental; No caso específico da impugnante, o Estado do Mato Grosso buscou atingir a "finalidade precípua" do programa, a que se refere a lei, mediante compromisso firmado com a empresa atinente à implantação de indústrias nos Municípios de Rondonópolis e de Nova Mutum, o que garantiu à última o direito à fruição de incentivos fiscais; É o que evidencia o "Protocolo de Intenções" firmado pela impugnante com o Governo do Estado de Mato Grosso (doc. 23), no bojo do qual é afirmado que o objeto da avença constitui na "implantação pela EMPRESA, diretamente ou através de unidade por ela controlada de um complexo industrial para produção e envasamento de alimentos com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, consubstanciado na concessão de incentivos fiscais, nos termos da política industrial estadual vigente e da legislação norteadora da matéria, especialmente a Lei n. 7.958/03 de 25/09/2003 regulamentada pelo Decreto n. 1432, de 29/09/2003, ou de legislação que vier suceder e demais diplomas regulamentares dela" (destaques do original). Esse mesmo "Protocolo de Intenções" firmado pela impugnante com o Governo do Estado de Mato de Grosso também impõe, em sua cláusula quinta, o cumprimento de deveres sociais, à semelhança do que prevê o art. 7o da Lei n. 7958. No entanto, a cláusula segunda é expressa no sentido de que o objeto de tal avença é a instalação de indústria no interior do Estado de Mato Grosso. Vejase o que diz sua cláusula segunda (transcreve às fls.1.786 a 1.787); Outrossim, a impugnante e o Estado de Mato Grosso também firmaram Termo de Acordo (doc. 24) com vistas à "concessão de benefício fiscal à empresa nos termos do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial, em conformidade com a Lei n. 7.958, de 25 de setembro de 2003, regulamentada pelo Decreto n. 1.432, de 29 de setembro de 2003, e nas suas alterações que vierem a suceder e demais diplomas legais, resguardado impedimento de ordem constitucional, na condição de que instale uma indústria no município de Nova Mutum em Mato Grosso"; O Termo de Acordo acima aludido também impõe o cumprimento de deveres sociais, tal qual prevêem o art. 7o da Lei n. 7958 e o "Protocolo de Intenções" referido anteriormente. Contudo, a cláusula segunda diz textualmente que o objeto do acordo é a instalação de indústria no interior do Estado de Mato Grosso, como transcreve a fl.1.787; Com relação à contrapartida concedida pelo governo do Mato Grosso à impugnante em decorrência da implantação da unidade industrial na região de Rondonópolis e de Nova Mutum, tratase de benefício de índole fiscal, consistente em crédito presumido e isenção de ICMS, conforme revela a cláusula quarta do "Protocolo de Intenções" e do Termo de Acordo: Protocolo de Intenções "CLÁUSULA QUARTA DO APOIO DO ESTADO ATRAVÉS DO PROGRAMA PRODEIC Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.563 19 O ESTADO garante à EMPRESA, nos termos previstos no Programa Prodeic criado pela Lei Estadual 7958 de 25/09/2003, regulamentada pelo Dec. 1432/03 de 29/09/2003, ou outro que venha a substituíla, a concessão dos seguintes benefícios fiscais: Farelo de soja: Crédito presumido de 50% do ICMS devido nas operações interestaduais; Oleo de soja degomado: Crédito presumido de 41,67% do ICMS devido nas operações internas e interestaduais; Óleo de soja degomado: Isenção de ICMS quando destinados à produção de adubos, rações e espaihante adesivo para aplicação de defensivos agrícolas; Óleo de soja refinado: Crédito presumido de 90% do ICMS devido nas operações internas e interestaduais, quando destinado a revendas de produtos alimentícios, para consumo humano; Farelo e linter de algodão, óleos vegetais degomados, exceto de soja, e óleos vegetais refinados: crédito presumido de 90% do ICMS debitado nas operações de saídas internas e para os demais Estados da Federação; benefício este que perdurará pelo prazo de 10 (DEZ) anos, contados a partir do início das operações previstas neste protocolo, resguardando impedimento de ordem constitucional." destaques do original Termo de Acordo "CLÁUSULA QUARTA DOS BENEFÍCIOS FISCAIS Com base na Lei 7958 de 25/09/2003 e no Decreto n. 1432/2003 e na Resolução n. 004/2007 do Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso CONDEPRODEMAT fica assegurado à EMPRESA, pelo prazo de 10 (DEZ) anos, contados a partir do início das operações previstas neste Termo de Acordo, a concessão de benefício fiscal até o montante do ICMS devido nas respectivas operações ou prestações, nas seguintes formas: I Crédito presumido de 50% (cinqüenta por cento) do valor do ICMS incidente nas operações de comercialização interna e interestadual das mercadorias efetivamente produzidas no empreendimento industrial referido na Cláusula Segunda deste Termo, abaixo relacionadas: Farelo de Soja; 11 Crédito presumido de 41,67%0 (quarenta e um inteiros e sessenta e sete centésimos percentuais) do valor do ICMS incidente nas operações de comercialização interna e interestadual das mercadorias efetivamente produzidas no empreendimento industrial referido na Cláusula Segunda deste Termo, abaixo relacionadas: Óleo de Soja Bruto;" destaques do original. Assim é que, (i) caracterizada a inequívoca intenção do Governo do Mato Grosso de subvencionar para a realização ou ampliação de empreendimentos; e (ii) tendo a impugnante assegurado seu direito à fruição de benefícios fiscais, em virtude de ser titular de empreendimento aprovado pelo Estado do Mato Grosso, estáse diante de verdadeira subvenção para investimento; Não por outra razão, esses valores foram registrados pela impugnante em conta de reserva de capital, tal como determina o art. 38, parágrafo 2°, do DecretoLei n. 1598, evitandose, assim, a tributação destes valores pelo IRPJ e pela CSL; Nem se alegue que o fato de a legislação determinar, além da execução do empreendimento, também o cumprimento de outros requisitos, como aqueles de cunho social elencados no art. 7o da Lei n. 7958, transmudaria a natureza do benefício, que é de subvenção para investimento; Portanto, os benefícios fiscais cuja concessão restou autorizada à impugnante, consistentes na isenção e crédito presumido de ICMS, representam subvenção para investimento, não estando sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSL, dada sua natureza de transferência patrimonial. Na mesma toada dos benefícios anteriores, a decisão de primeiro grau manteve a autuação sob o fundamento de ausência de vinculação dos recursos com investimentos. Ademais, consignou que há benefícios relativo a “crédito presumido de ICMS”, os quais não se enquadram como subvenção para investimento. Fl. 4569DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.564 20 Passase ao relatório atinente aos incentivos concedidos pelo Estado de Pernambuco: INCENTIVO CONCEDIDO PELO ESTADO DE PERNAMBUCO Eis o relato que consta no Termo Fiscal (fls.1.629 a 1.630): Cópia do Decreto n° 21.603/99 foi apresentada como resposta ao item intimado. Como o aludido decreto encontra fundamento no Decreto n° 19.085/96, que instituiu o PRODEPE, juntei cópia deste ao processo (DOCUMENTO 47). O artigo 5o Do Decreto n° 19.085/96 define: "Art. 5o. O financiamento a ser concedido com recursos do PRODEPE terá as seguintes características: I omissis..... II — quanto a destinação: investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente;...." O artigo 12 esclarece sobre a forma de liberação do financiamento: "Art. 12. A liberação do financiamento será feita de forma automática e simultânea a quitação do montante do ICMS objeto do estímulo. " Portanto, o que acontece, a despeito de constar do Decreto n° 21.603/99 que a natureza do projeto seja implantação, é uma redução no custeio da produção mediante uma diminuição automática do valor a recolher de ICMS, que pode ter a destinação que a BUNGE bem entender; [...] Na impugnação (fls.1.790 a 1.793) apresentada, temse, em resumo: a análise da legislação pernambucana revela que os incentivos fiscais com os quais a impugnante foi agraciada representam verdadeiras subvenções para investimento. Vejamos; A impugnante é integrante do "Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE", de que trata a Lei Estadual n. 11675, de 11.10.1999 (doc. 26), cuja finalidade é atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco, mediante a concessão de incentivos fiscais e financeiros, na forma do art. 1o, como seja: "Art. 1o O Programa de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco PRODEPE, com a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco, mediante a concessão de incentivos fiscais e financeiros, passa a vigorar nos termos previstos na presente Lei. Parágrafo 1o A concessão dos incentivos fiscais e financeiros às empresas interessadas será diferenciada em função dos seguintes aspectos: I natureza da atividade; II especificação dos produtos fabricados e comercializados; (II localização geográfica do empreendimento; IV prioridade e relevância das atividades econômicas, relativamente ao desenvolvimento do Estado de Pernambuco. parágrafo 2° A concessão dos incentivos fiscais e financeiros será autorizada por decreto do Poder Executivo, após prévia habilitação dos interessados, observadas as condições e requisitos estabelecidos nesta Lei e nos demais atos regulamentares destinados à sua execução" destaques da impugnante. O Decreto n. 21959, de 27.12.1999 (doc. 27), que regulamenta o PRODEPE, igualmente dispôs que a concessão dos incentivos fiscais e financeiros fica condicionada à análise e avaliação dos projetos apresentados pelos interessados, voltados à implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos econômicos; transcreve o art. 5o, parágrafo 9o, do Decreto n. 21959, fls.1.791 a 1.792); Do que se vê, resulta caracterizada a natureza de subvenção para investimento dos benefícios concedidos no âmbito do PRODEPE, face à manifesta intenção do governo pernambucano de Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.565 21 subvencionar para investimento, transferindo capital a quem for titular de projeto de implantação ou expansão de empreendimento econômico; No caso da impugnante, uma vez verificada a viabilidade de seu projeto, ela teve assegurada a fruição de incentivos fiscais, consistentes em crédito presumido do ICMS, em decorrência da implantação de empreendimento industrial, na forma dos art. 1o e 2o do Decreto n. 23540, de 29.8.2001 (doc. 28), abaixo reproduzidos (transcreve às fls.1.792); Como se vê, há (i) inequívoca intenção do governo pernambucano de subvencionar para investimento e também há (ii) transferência de capital à impugnante, mediante a concessão de incentivo fiscal, consistente em crédito presumido de ICMS, por ser a impugnante titular de empreendimento econômico aprovado pelo Estado de Pernambuco, donde a conclusão só pode ser no sentido de que se trata, "in casu", de subvenção para investimento, não passível de tributação pelo IRPJ e pela CSL, até porque corretamente registrada em conta de reserva de capital; Face a todo exposto até aqui, resulta demonstrado que os incentivos fiscais e financeirofiscais concedidos pelos Estados de Goiás, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí à impugnante ostentam natureza de subvenção para investimento, não podendo ser tributados pelo IRPJ e pela CSL, razão pela qual é imperioso o cancelamento da exigência fiscal nesta parte. A decisão de primeiro grau, igualmente aos demais itens de autuação, manteve a glosa dos incentivos do Estado de Pernambuco sob o fundamento de ausência de vinculação e de que a lei estadual e o decreto regulamentador deixam claro a natureza de subvenção para custeio, uma vez que prevêem a possibilidade de destinação para capital de giro. Como já havíamos aduzido anteriormente, o recurso voluntário foi oferecido às fls. 4.1794.375 e a Procuradoria apresentou contrarrazões às fls. 4.4294.483, em que constam, dentre muitas outras, as atinentes ao tema das subvenções. É o relatório do essencial para este momento processual. VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Relatei com minúcias apenas a parte da autuação atinente às subvenções em razão da necessidade de sobrestamento do feito. Assim se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme podemos verificar pela Resolução nº 9101000.039 – 1ª Turma, de 18 de janeiro de 2018: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso na Unidade de Origem até 29/12/2018, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que não concordaram com o sobrestamento. Após esse prazo, os autos devem retornar ao Carf para julgamento. Abaixo, transcrevo a parte do voto que conduziu a resolução: Proposta de resolução: Fl. 4571DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.566 22 O recurso especial trata da identificação de benefício fiscal estadual (Bahia, "Desenvolve") como subvenção para investimento, quando o acórdão recorrido tratouo como subvenção para custeio. O benefício fiscal foi assim tratado pelo voto vencedor no acórdão recorrido: Merece destaque o item 2.12 do Parecer Normativo CST nº 112/1978, ao dispor sobre a necessidade de que na subvenção para investimento ocorra uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e que reste demonstrada a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Ao contrário do que considerou o ilustre Conselheiro Relator, não basta que a lei estadual ou os correspondentes atos regulamentares demonstrem a intenção de subvencionar do Estado. Mera menção nos atos normativos estaduais de que o desconto do saldo devedor estaria vinculado ao investimento no setor industrial sob forma de expansão ou implantação de novo empreendimento, por si só, não caracteriza a subvenção para investimento. Busca o impugnante situação bastante cômoda, ao entender que poderia dispor do prazo de vinte anos para prestar satisfações sobre a destinação dos recursos obtidos pela liquidação antecipada do financiamento. Em nenhum momento restou demonstrado nos autos a efetiva aplicação dos recursos para atender às condições estabelecidas em lei. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício do Estado da Bahia, regulado pelo Decreto nº 8.205/2002, que estabeleceu o “Regulamento do Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia Desenvolve”. Este Decreto previa em seus artigos 2º e 3º. : Art. 2º Ficam diferidos o lançamento e o pagamento do ICMS relativo: I às aquisições de bens destinados ao ativo fixo, efetuadas por contribuintes habilitados mediante resolução do Conselho Deliberativo do DESENVOLVE, para o momento de sua desincorporação, nas seguintes hipóteses: a) nas operações de importação de bens do exterior; b) nas operações internas relativas às aquisições de bens produzidos neste Estado; c) nas aquisições de bens em outra unidade da Federação, relativamente ao diferencial de alíquotas; Fl. 4572DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.567 23 II às operações internas referentes ao fornecimento de insumos de origem agropecuária e extrativa mineral, indicados em Resolução do Conselho do Programa, a contribuintes habilitados ao DESENVOLVE, para o momento da saída subseqüente dos produtos resultantes da industrialização. § 1º Os contribuintes destinatários das mercadorias cujas operações estejam sujeitas ao regime de diferimento do imposto deverão providenciar junto a Secretaria da Fazenda habilitação específica para operar com o referido regime. § 2º Aplicase ao diferimento de que trata este Decreto as regras previstas no Regulamento do ICMS que com ele não conflitarem. Art. 3º O Conselho Deliberativo do DESENVOLVE poderá conceder dilação de prazo de até 72 (setenta e dois) meses para o pagamento de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS, relativo às operações próprias, gerado em razão dos investimentos constantes dos projetos aprovados pelo Conselho Deliberativo. Em precedentes desta Turma (acórdão nº 9101003.163, processo nº 13502.001153/200740), manifestei meu entendimento a respeito do Programa “Desenvolve” do Estado da Bahia. À ocasião mencionei que o reconhecimento de subvenção para investimento, que não é computada no lucro real, depende de: (i) intenção do Poder Público (ente subvencionador) em estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (ii) registro como reserva de capital da subvenção para investimentos; (iii) efetiva implantação e expansão de empreendimentos econômicos. Ocorre que foi recentemente aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração Fl. 4573DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.568 24 à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) (grifamos) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Fl. 4574DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.569 25 Art. 3º O convênio de que trata o art. 1º desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1º desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1º desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2º deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. Fl. 4575DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.570 26 § 5º O disposto no § 4º deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantê las atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para a remissão, a anistia e a reinstituição regrada pelo convênio: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Fl. 4576DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.571 27 Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Fl. 4577DF CARF MF Processo nº 13971.005344/201050 Resolução nº 1401000.499 S1C4T1 Fl. 4.572 28 b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. Conclusão Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso e sobrestamento até 29/12/2018, intimandose o contribuinte para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. No presente feito, há também subvenção para investimento do programa da Bahia. Ademais, aos programas dos outros estados, aplicase a mesma razão de decidir, pois estão submetidos aos mesmo comando previsto em lei complementar e convênio CONFAZ. CONCLUSÃO Isso posto, voto para sobrestar o feito até 29/12/2018 com o fim de intimar o contribuinte para comprovar o cumprimento dos requisitos previstos nas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 4578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901660/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 66 0/ 20 14 -3 4 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10675.901660/201434 Resolução nº 1201000.460 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.901660/201434 Resolução nº 1201000.460 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13305.720033/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA
As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais são dedutíveis quando da declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que lhe negou provimento
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais são dedutíveis quando da declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que lhe negou provimento (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente OSVALDINO ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA As importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais são dedutíveis quando da declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que lhe negou provimento (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 5. 72 00 33 /2 01 5- 81 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP): Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2011, anocalendário 2010, do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 26/01/2015, de fls. 31/36. (...) Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada PGBL e Fapi. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 2.491,91, recebido pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 223,79. Complementação da Descrição dos Fatos Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência do BrasilPrev Seguros e Previdência S/A, conforme informações obtidas da declaração do imposto de renda retido na fonte – DIRF dessa fonte pagadora. (...) Dedução Indevida com Dependentes Glosa do valor de R$ 7.233,12, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Nome Data de Nascimento Cód.Dependência Motivo da Glosa Ana Fabíola Martins Rocha 01/06/2010 24 Não comprovou deter a guarda judicial Yago Almeida Rocha 31/10/1994 25 Não comprovou deter a guarda judicial Yan Almeida Rocha 02/07/1997 24 Não comprovou deter a guarda judicial Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13305.720033/201581 Acórdão n.º 2202004.517 S2C2T2 Fl. 79 3 Maria Eduarda Rocha de Almeida 17/11/2008 24 Não comprovou deter a guarda judicial Complementação da Descrição dos Fatos Declarante não apresentou nenhum documento que comprovasse a relação de dependência para fins de imposto de renda. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública Glosa do valor de R$ 18.000,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos Declarante não apresentou nenhum documento previsto na legislação do imposto de renda para comprovar a pensão alimentícia. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fls. 02/03, alegando, em síntese, que: em relação à Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e FAPI, no valor de R$ 2.491,91, da fonte pagadora BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, informa que: “concordo com essa infração”; no tocante à Dedução Indevida com Dependentes, em que foram relacionados Ana Fabíola Martins Rocha, Yago Almeida Rocha, Yan Almeida Rocha e Maria Eduarda Rocha de Almeida, informa que: “concordo com essa infração”; no que concerne ao pagamento de pensão alimentícia judicial, informa que o valor contestado referese a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial; anexa comprovantes de pagamentos realizados a título de Pensão Alimentícia e acordo judicial homologado que trata de pagamento de pensão alimentícia; solicita análise da impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), negou provimento à Impugnação (fls. 40), em decisão cuja ementa é a seguinte: Fl. 80DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. Na declaração de ajuste anual do contribuinte poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, no montante efetivamente comprovado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a infração apontada no lançamento que o contribuinte não tenha expressamente contestado. Cientificado (AR fls. 49), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 50/51), no qual reitera as alegações e junta os documentos já trazidos quando da impugnação É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria objeto do recurso restringese à glosa das despesas com pensão alimentícia, pois o contribuinte não contesta o lançamento relativo à omissão de rendimentos de resgate de rendimentos de previdência privada, no valor de R$ 2.491,91, nem a dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 7.233,12, razão pela qual devem ser consideradas matérias não impugnadas, isto é, partes não litigiosas, conforme dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/1972. As deduções relativas à Pensão Alimentícia encontram previsão legal no no art. 8º . da Lei 9.250/95, que assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13305.720033/201581 Acórdão n.º 2202004.517 S2C2T2 Fl. 80 5 f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas com pensão alimentícia sob os seguintes fundamentos: Nas fls. 17/18 há cópia de acordo de dissolução da sociedade conjugal, datado de 29/09/1987, entre Osvaldino Rocha e Maria de Lourdes da Silva Rocha, esposa à época, em que solicitam a homologação da Separação Judicial Conjugal. Em tal acordo verificase que os três filhos do casal ficariam com a mãe e que Osvaldino Rocha daria, a título de pensão alimentícia para mulher e filhos, uma quantia equivalente a 50% de seus vencimentos, excluídos os encargos sociais, pagos diretamente à Maria de Lourdes da Silva Rocha. Consta nas fls. 19/20 cópia de homologação do acordo na ação de separação judicial de Osvaldino Rocha e Maria de Lourdes da Silva Rocha, ocorrida em 10/12/1987. O contribuinte apresentou cópias de 12 recibos emitidos por Maria de Lourdes da Silva Rocha, fls. 05/16, em que informa que recebeu de Osvaldino Rocha valores neles discriminados, a título de pensão alimentícia, durante o ano de 2010. Conforme visto na motivação da glosa efetuada o contribuinte não apresentou nenhum documento previsto na legislação do imposto de renda para comprovar a pensão alimentícia. Os recibos emitidos pela exesposa não são hábeis a comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia judicial. O contribuinte não trouxe aos autos cópias de transferências bancárias de valores para a conta de Maria de Lourdes da Silva ou então de saques em sua conta bancária referentes aos pagamentos de pensão alimentícia judicial. Os documentos apresentados pelo contribuinte (decisão judicial e recibos) são suficientes para admissibilidade da dedução da referida despesas. Com efeito, a legislação de regência admite a dedução das despesas com pensão alimentícia "quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente". A exigência da comprovação das transferências bancárias constantes da decisão recorrida extrapola o comando legal. Ademais, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos recibos, motivo pelo devem ser aceitos para comprovação da despesa. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 82DF CARF MF 6 Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 13881.720103/2011-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.008
Decisão: Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte o extrato analítico das contribuições, e em sendo apresentado que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que votou contra a realização da diligência, por entender que caberia ao recorrente ter juntado as provas exigidas.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que votou contra a realização da diligência, por entender que caberia ao recorrente ter juntado as provas exigidas. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.51/53) contra decisão de primeira instância (fls.44/47), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .7 20 10 3/ 20 11 -2 4 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13881.720103/201124 Resolução nº 2002000.008 S2C0T2 Fl. 3 2 jurídico perfeito, como o impugnante aposentouse em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação, pois considerou como dedutível dois rendimentos comprovados pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 24 e 25. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boafé. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O acórdão do STJ no REsp nº 669.120 DF, de lavra do Min. João Otávio de Noronha, citado no Recurso Voluntário, restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA LEIS N. 7.713/88 E 9.250/95. IMPOSTO DE RENDA. RESTITUIÇÃO. 1. Na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado, incluindo a parcela referente à contribuição para a previdência privada, assim, não se afigura viável, sob pena de ofensa ao postulado do non bis in idem, haver novo recolhimento de imposto de renda sobre as mencionadas parcelas custeadas pelo empregado para complementação dos proventos de aposentadoria. 2. Na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. 3. Tendo ocorrido a aposentadoria do empregado/participante antes de 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei n. 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito. 4. Se o empregado/participante aposentouse após 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei n. 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei n. 9.250/95. 5. Nos contratos de previdência privada firmados após 1º/1/1996, o imposto de renda incidirá sobre os benefícios quando da aposentadoria. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13881.720103/201124 Resolução nº 2002000.008 S2C0T2 Fl. 4 3 6. A parte que sucumbe na demanda deve arcar com as custas e com os honorários advocatícios. 7. Recurso especial parcialmente provido. Perfilho do entendimento adotado pelo STJ com relação a incidência do imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria, levandose em conta a data da aposentadoria, e explico: Como diz a decisão do C.STJ, na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada), não se afigura viável, sob pena de ofensa ao preceito do non bis in idem, haver novo recolhimento daquela exação (IR) sobre os valores nominais das complementações dos proventos de aposentadoria do beneficiário da previdência privada. Já na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. Assim, se a aposentadoria ocorreu antes de 01/01/96, não incidirá Imposto de Renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito, e no caso de a aposentadoria ter ocorrido após 01/01/96, não incidirá o Imposto de Renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95". Cumpre destacar que o recorrente aposentouse em 15/12/1996, conforme carta de concessão de fl.9, sendo que neste caso há de se aplicar a proporcionalidade pretendida, ou seja, o Imposto de Renda deve incidir somente sobre o proporcional das parcelas correspondente à contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95, pois caso contrário estarseia cobrando o imposto em duplicidade uma vez que anteriormente a lei suso citada, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada). Destaco, por oportuno, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através da edição do Ato Declaratório nº 4/2006 comunga do mesmo entendimento que não incide imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Ocorre que no período compreendido entre 1º de janeiro de 1979 a 31 de dezembro de 1988, por aplicação do DecretoLei nº 1.642/78, as contribuições para planos de previdência privada poderiam ser deduzidas da renda bruta na declaração do imposto sobre a renda, sendo que a tributação sobre estas contribuições também desaguariam no preceito non bis in idem. Assim, quanto a questão de direito, não há dúvidas que o contribuinte o tem, porém para que lhe seja reconhecido o direito ao recálculo do imposto devido mister se faz que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida. A simples regra de três como quer o contribuinte não pode ser aceita, pois inclui as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13881.720103/201124 Resolução nº 2002000.008 S2C0T2 Fl. 5 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e converto em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem, intime o contribuinte a apresentar extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189. Determinase, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004112/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social.
2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA.
Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVER LEGAL DE RETENÇÃO E ARRECADAÇÃO PELA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE MERA ANTECIPAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 02. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
1. A empresa é legalmente obrigada a descontar e arrecadar as contribuições dos segurados empregados, conforme preceitua a alínea "a" do inc. I do art. 30 da Lei 8212/91.
2. Tal retenção e recolhimento é feito de forma definitiva pelo empregador em nome do empregado, não tendo natureza de mera antecipação.
3. Acrescente-se, por fim, não ser possível acolher a tese de inconstitucionalidade suscitada em sede de defesa e recurso, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO.
A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO.
A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva.
2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS.
O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO.
Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração.
Numero da decisão: 2402-006.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade, para, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência para as contribuições cujos fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade, para, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência para as contribuições cujos fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVER LEGAL DE RETENÇÃO E ARRECADAÇÃO PELA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE MERA ANTECIPAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 02. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. 1. A empresa é legalmente obrigada a descontar e arrecadar as contribuições dos segurados empregados, conforme preceitua a alínea "a" do inc. I do art. 30 da Lei 8212/91. 2. Tal retenção e recolhimento é feito de forma definitiva pelo empregador em nome do empregado, não tendo natureza de mera antecipação. 3. Acrescente-se, por fim, não ser possível acolher a tese de inconstitucionalidade suscitada em sede de defesa e recurso, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração.
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 12 /2 00 8- 23 Fl. 517DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVER LEGAL DE RETENÇÃO E ARRECADAÇÃO PELA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE MERA ANTECIPAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 02. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. 1. A empresa é legalmente obrigada a descontar e arrecadar as contribuições dos segurados empregados, conforme preceitua a alínea "a" do inc. I do art. 30 da Lei 8212/91. 2. Tal retenção e recolhimento é feito de forma definitiva pelo empregador em nome do empregado, não tendo natureza de mera antecipação. 3. Acrescentese, por fim, não ser possível acolher a tese de inconstitucionalidade suscitada em sede de defesa e recurso, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de SaláriodeContribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração. Fl. 519DF CARF MF 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade, para, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência para as contribuições cujos fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 4 5 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.159.2585, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. O fato gerador das contribuições foi o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados PLR em desacordo com a lei. No transcorrer da fiscalização, o sujeito passivo apresentou dois diferentes acordos para duas categorias distintas: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas. Em resumo, teriam sido descumpridos os seguintes requisitos legais: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes não existe acordo para a PLR paga em 2005; o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados; com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação; os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados; não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato; não foi demonstrado que os acordos foram arquivados nos sindicatos, mas apenas que houve requerimento; os acordos foram assinados após o período de aferição dos resultados; os acordos não têm regras claras e objetivas; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas o único acordo original foi do ano de 2005; Fl. 521DF CARF MF 6 o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; a outra assinada, mas sem data; o acordo de 2003 não está assinado pelo sindicato; o acordo de 2004 não está assinado pela comissão de negociação; apesar de o acordo ter estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado; alguns empregados receberam quantias acima do estipulado; todos os acordos foram assinados após o período de aferição. Desta forma, a fiscalização concluiu que as parcelas pagas a título de PLR não seriam "isentas". A existência de Gratificação Especial, contabilizada em conta de PLR, foi lançada no Auto de Infração 37.095.5650, que não integra este processo e nem os seus apensos. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas Seguridade Social, na hipótese de inexistência de pagamento utilizase a regra geral do art. 173 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a titulo de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a Lei n°10.101/2000. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração (art. 30, I, alíneas a e b da Lei 8.212/91). PEDIDO DE PERICIA. A perícia solicitada pela empresa deve expor os motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos referente aos exames desejados, considerando não formulado o pedido que não preenche o disposto no art. 16, IV do Decreto 70.235/72. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas exceções do art.16, §4ºdo Decreto n° 70.235/72. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 5 7 INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. Ê descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. (como no original) Intimada da decisão em 08/06/2009, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/07/2009, no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: (a) nulidade do Auto de Infração; (b) os PLRs estabelecidos para os períodos de 2002 a 2005 atendem plenamente a norma constitucional; (c) tendo em vista que os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo; (d) as empresas e os empregados têm a faculdade de se utilizar dos critérios legais para a confecção do plano (índices de produtividade, qualidade ou lucratividades; programas de metas, resultados e prazos); (e) não obstante, as regras foram devidamente cumpridas; (f) enumerou todos os requisitos legais que teriam sido observados; (g) a fiscalização e a DRJ incorreram em formalismo exacerbado e lesaram o espírito da norma; (h) as regras gerais foram acordadas entre a recorrente e seus empregados, ainda que não tenham sido formalizadas antes dos períodos aquisitivos; (i) os acordos foram firmados previamente aos pagamentos; (j) todos os acordos de PLR tiveram a participação e a anuência do sindicato, conforme doc. 05 da impugnação; (k) os PLRs relativos aos horistas e mensalistas foram firmados em papel timbrado do sindicato; (l) a lei não obriga a confecção de documentos tais como ata de eleição de comissão e ata da reunião de PLR; (m) juntamente com o pagamento de PLR, a recorrente efetuou o adimplemento de gratificação especial a certo empregados. Por equívoco, contabilizou tal procedimento como PLR, mas isso não significa que alguns funcionários tenham recebido valores maiores a título de participação. Alega, ainda, que efetuou o recolhimento de contribuições sobre as gratificações; Fl. 523DF CARF MF 8 (n) os pagamentos a título de PLR não se confundem com remuneração; (o) as empresas e os empregados podem tomar livremente por base ou referencial os critérios e elementos que quiserem para estabelecer, nos acordos coletivos, a participação dos empregados; (p) o ato de lhe impor a obrigação de custear a parte que cabe ao empregado é ilegal e inconstitucional, não havendo como imputarlhe a responsabilidade exclusiva no custeio dos encargos, sob pena de enriquecimento ilícito do empregado; (q) o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos contados do fato gerador, de forma que, como o lançamento ocorreu em 25 de agosto de 2008, os créditos tributários relativos aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2003 e agosto de 2003 estão decaídos; (r) houve recolhimento parcial das contribuições devidas, o que pode ser facilmente verificado em consulta ao sistema da Receita. Em 29/03/2011, a recorrente requereu a juntada aos autos do Acordo de Participação nos Resultados do ano de 2004, assinado e ratificado pelas partes envolvidas. Em sessão de julgamento realizada em 19 de março de 2014, o julgamento do feito foi convertido em diligência, a fim de que a autoridade administrativa informasse se houve recolhimentos, ainda que parciais, de contribuições nos períodos de apuração em referência, ainda que não relativos às rubricas especificamente exigidas no Auto de Infração. Através de informação fiscal, a autoridade asseverou que houve recolhimentos parciais para as competências incluídas no débito, referente ao estabelecimento matriz e filial 000608. Intimada, a recorrente reafirmou a decadência dos créditos relativos aos fatos geradores anteriores a setembro de 2003. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade do Auto de Infração A recorrente afirma que o Auto de Infração seria nulo, porque a fiscalização teria falhado em seu dever de busca pela verdade material. Contudo, a autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. Segundo se depreende do relatório fiscal, a desvinculação da PLR da remuneração estaria atrelada à observância de requisitos específicos traçados na legislação, os quais teriam sido descumpridos, dando azo à exigibilidade das contribuições devidas à seguridade social, incidentes sobre as remunerações pagas àquele título. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. Por outro lado, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. 3 Da decadência Ainda que ao final de seu recurso, a recorrente suscita outra tese de natureza preliminar (decadência parcial), a qual deve ser enfrentada antes do mérito (art. 938 do CPC). Fl. 525DF CARF MF 10 O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou art. 173, inc. I, ambos do Código Tributário Nacional) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Aplicável ao caso concreto, deve ser citada a seguinte súmula: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Eis o entendimento do STJ, em sede de recurso repetitivo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 526DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 7 11 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) No caso vertente, a existência de recolhimentos parciais está corroborada na informação fiscal colhida em sede de diligência. Outrossim, o relatório fiscal não registra a existência de dolo, fraude ou simulação. Por tais razões, o prazo decadencial é aquele do art. 150, § 4º, e não do art. 173, inc. I, como equivocadamente decidido em primeira instância. Logo, como o lançamento ocorreu em 27/08/2008 (vide Auto de Infração), estão decaídas as competências anteriores a agosto de 2003, ante o transcurso de prazo superior a cinco anos do fato gerador até o lançamento. Fl. 527DF CARF MF 12 Cabe esclarecer que a competência agosto de 2003 não está decaída, pois o seu fato gerador (prestação de serviço/mês em que for devida a remuneração) somente se encerrou depois do dia 27 daquele mês. 4 No mérito 4.1 DA NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA Deve ser enfrentada, primeiramente, a tese segundo a qual, como os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo. Isso porque tal tese é prejudicial às demais. A não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se conclui pela leitura do texto, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. A própria execução da norma constitucional e o estabelecimento dos requisitos necessários para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da regulamentação mediante lei. O STF e o STJ, a propósito, compartilham de igual entendimento, como se pode ver, respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp 95.339/PA. No plano infraconstitucional, a regulamentação atual está na Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, pois, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, devendo sim ser objeto de acordo mediante comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva. Nesse quadro, equivocouse a recorrente. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 8 13 4.2 DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Outra tese recursal prejudicial às demais é aquela segundo a qual a recorrente não poderia ser cobrada pela ausência de recolhimentos das contribuições devidas pelos segurados. Afirmase sua natureza prejudicial, porque o seu acolhimento implicaria a inexigibilidade do presente Auto de Infração, que abriga exatamente as contribuições devidas pelos segurados empregados. Ocorre que a empresa é legalmente obrigada a descontar e arrecadar as referidas contribuições, conforme preceitua a alínea "a" do inc. I do art. 30 da Lei 8212/91. Tal retenção e recolhimento é feito de forma definitiva pelo empregador em nome do empregado, não tendo natureza de mera antecipação, diferentemente, a propósito, do que ocorre com o imposto de renda pessoa física, o qual pode estar sujeito ao ajuste através da declaração de rendimentos, sujeitandose, conforme o caso, às conclusões do Parecer Normativo COSIT 01/20021, o qual pode excluir a responsabilidade da fonte pagadora após determinado período. Acrescentese, por fim, não ser possível acolher a tese de inconstitucionalidade suscitada em sede de defesa e recurso, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quer dizer, a verificação de que a norma seria inconstitucional exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. 4.3 DO ACORDO PRÉVIO Uma das acusações comuns a ambos os acordos (Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes e Categorias Horistas e Mensalistas) e em todos os anos é a inexistência de acordo prévio ao período de aquisição. Como dito, em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: 1 [...] IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. [...] Fl. 529DF CARF MF 14 Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a legislação realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. No caso concreto, os acordos foram formalizados via comissão paritária (na qual há representantes de ambas as partes) e acordo coletivo, sendo falho o raciocínio segundo o qual os trabalhadores não teriam conhecimento das regras necessárias ao direito de participação nos lucros ou resultados. E não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra constitucional. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Como bem destacado pela recorrente, a propósito, a Constituição incentivou e estimulou as empresas a implementarem planos de tal natureza, como se observa textualmente no § 4º do art. 218 da Constituição. Isto é, a par do estímulo constante do art. 7º, a Lei Maior dedicou outro dispositivo ao tema: Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) § 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (destacouse) Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 9 15 Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais"2. Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal. 3 Deve ser abandonado, pois, o rigor interpretativo e o eventual formalismo exacerbado, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o acordo devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. 2 Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277. 3 Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181182. Fl. 531DF CARF MF 16 A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, embora fosse até possível diante da Lei nº 10.101/2000, não é a mais legítima, vislumbrandose, ademais, outra interpretação igualmente legítima. Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação” –; e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, sem indicar previamente a qual marco temporal) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular (como tem desestimulado) a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não há qualquer necessidade de se declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 10.101/2000, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegerse aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Esta Turma também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Logo, entendese que o fato isolado de os acordos terem sido formalizados no transcorrer do período aquisitivo não é suficiente para descaracterizar os planos, mormente porque (i) sendo o produto das negociações entre a empresa e seus empregados, por comissão paritária ou por sindicatos, os planos obviamente são objeto de tratativas diversas, as quais também criam previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado; (ii) ao imunizar os pagamentos a título de PLR, a Constituição visou a incentivar a sua concessão pelas empresas, propiciando a partipação do trabalhador num crédito (lucros ou resultados) a Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 10 17 que ele naturalmente não teria direito; e criando as condições materiais necessárias ao alcance da isonomia entre o dono do capital e o empregado; (iii) a lei ordinária não prevê, de forma extreme de dúvidas, que o plano deve ser formalizado antes do período aquisitivo; (iv) a criação de exigências exacerbadas apenas tem o condão de desestimular a concessão dos planos, o que contraria as finalidades constitucionais. A propósito, caso fosse possível adotarse o raciocínio da fiscalização, terse ia que considerar como irregular o acordo de fls. 251/259 do PAF 19515.004118/200809, o qual, relativo ao ano de 2003, foi assinado já em 02 de janeiro daquele ano, o que indubitavelmente contraria a razoabilidade. Em sendo assim, serão examinados os demais requisitos legais que, no entender do agente autuante, a recorrente teria descumprido. 4.4 DO ACORDO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS CATEGORIAS SENIORES, EXECUTIVOS E DIRIGENTES Serão analisadas abaixo as demais infrações alegadamente cometidas pela empresa, que ensejaram a descaracterização dos planos relativos às categorias seniores, executivos e dirigentes. 4.4.1 Da inexistência de acordo para o ano de 2005 A inexistência de acordo para o ano de 2005 é expressamente admitida pela recorrente em sede de impugnação e recurso (PAF 19515.004118/200809, fls. 463 e 1071), sendo que a tese recursal, nesse ponto, é que a Constituição não teria exigido a apresentação de acordo. Tal tese, todavia, já foi decidida e rechaçada em tópico específico ("Da norma de eficácia limitada"), negandose provimento ao recurso voluntário a esse respeito. 4.4.2 Do acordo de 2004 De acordo com a autoridade fiscal, o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados. Ocorre que, já em sede de impugnação (PAF 19515.004118/200809, fls. 554/561), a recorrente trouxe aos autos o acordo do ano de 2004, idêntico àquele juntado no transcorrer da fiscalização, mas devidamente assinado pelos representantes da empresa e de todos os empregados. Em sendo assim, a acusação fiscal é improcedente neste ponto. 4.4.3 Dos acordos sem autenticação Segundo a autoridade autuante, com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação. Na dicção do art. 212 do Código Civil, salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante confissão, documento, testemunha, presunção ou perícia. Fl. 533DF CARF MF 18 A participação nos lucros ou resultados, por expressa previsão da Lei 10101, deve ser provada mediante documento (o que exclui, a princípio, os outros meios probatórios relacionados no Código Civil), uma vez que o seu art. 2º, § 1º, expressamente alude aos "instrumentos decorrentes da negociação", os quais, ainda, deverão contar com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e adjetivos. Igualmente se estabelece, demonstrandose a indubitável necessidade de produção documental, que o instrumento de acordo será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Ocorre que a Lei 10101 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. Portanto, é aplicável ao caso a norma do art. 107 do Código Civil, segundo a qual a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Corroborando esse entendimento, o art. 219 do Código preleciona que as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários, o que decorre do próprio princípio da boafé objetiva. Significa dizer que os acordos devidamente assinados pelas partes provam, efetivamente, e até demonstração em contrário, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, de maneira que a eventual falta de autenticação dos documentos não poderia prejudicar nem a citada participação e nem os efeitos tributários dela decorrentes. Expressandose de outra forma, e na dicção legal, o fato jurídico participação nos lucros ou resultados foi provado através dos documentos juntados pelo sujeito passivo, para todos os fins e efeitos de direito, de modo que a eventual desclassificação da verba dependeria do eventual descumprimento de outros requisitos legais. De toda forma, os acordos juntados na impugnação (fls. 499 e seguintes) e aquele juntado às fls. 1125/1128 do PAF 19515.004118/200809 estão autenticados. 4.4.4 Da inexistência de negociação No entender do agente fiscal, os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados. Como anteriormente alegado, entretanto, sendo o produto ou o resultado das negociações entre a empresa e seus empregados, seja por comissão paritária, seja por sindicatos, os planos obviamente são objeto de tratativas, as quais também criam previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado. Noutro giro verbal, os acordos são as materializações das negociações entre as partes; e a exigência das atas de reuniões e de eleições ignoram a circunstância de que qualquer negócio jurídico é justamente um acordo entre duas ou mais pessoas com o fim de criar, modificar ou extinguir uma relação jurídica predominantemente patrimonial. Isto é, a manifestação de vontade das partes envolvidas é um pressuposto de existência do próprio negócio jurídico (não é nem requisito de sua validade, pois os requisitos de validade são aqueles estabelecidos no art. 104 do Código Civil), de forma que não se pode alegar que os acordos não foram objeto de negociação. Improcede, pois, a acusação fiscal nesse tocante. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 11 19 4.4.5 Da participação de um representante indicado pelo sindicato De acordo com o relatório fiscal, não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato. A esse respeito, a recorrente se arvora no suposto doc. 5 da defesa, que seria uma declaração firmada pela entidade, confirmando a sua participação. Todavia, e como destacado no acórdão recorrido, não consta a referida declaração nos autos. A par disso, os instrumentos não estão assinados por um representante indicado pelo sindicato e sequer contêm a sua qualificação ou aludem à sua participação. Em sendo assim, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. E a infringência cometida pelo sujeito passivo não é meramente formal, pois, como destacado pelo recorrente, a participação sindical tem a finalidade de proteger os trabalhadores de eventuais negociações desfavoráveis. Diante disso, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, o que implica a manutenção do Auto de Infração quanto ao lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos às categorias seniores, executivos e dirigentes. Como este relator poderá ser vencido neste ponto, serão enfrentadas as demais teses recursais. 4.4.6 Da inexistência de regras claras e objetivas No entender do agente autuante, os acordos não têm regras claras e objetivas. A DRJ compactuou do mesmo entendimento, afirmando que os documentos anexados pela empresa revelariam que os critérios comportamentais seriam de avaliação subjetiva. No entanto, a clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios de comportamento, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. Analisandose o caso concreto, o melhoramento contínuo, a assunção de responsabilidade e risco, o impacto econômico, a integração e mesmo o comprometimento pessoal podem, sim, ser aferidos de forma objetiva, ainda que dependam do sacrifício pessoal do avaliado. Situando a questão fora do caso vertente, vale citar que os famosos testes de avaliação do quoeficiente de inteligência, tais como a Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS Wechsler Adult Intelligence Scale) e a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC Wechsler Intelligence Scale for Children), consistem justamente numa bateria prédeterminadas de testes e subtestes para a avaliação clínica da capacidade intelectual dos indivíduos, dentro de parâmetros objetivos anteriormente definidos nas escalas. Fl. 535DF CARF MF 20 A par das escalas de avaliações cognitivas, também existem, exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades sociais, de dificuldades comportamentais, de sintomas de transtornos psiquiátricos e psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos, qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas4. Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet5. Isto é, a psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise, a exemplo das escalas acima mencionadas e da avaliação por competências. A eventual subjetividade do comportamento não exclui a objetividade de sua mensuração e avaliação, inclusive para efeito de fixação das regras da PLR. Isso equivaleria a ignorar a ampla experiência da psicologia comportamental e da neuropsicologia sobre o assunto, bem como a gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas. Examinandose os documentos anexados aos autos, observase que as regras eram sim claras e objetivas, além de serem simples e de fácil mensuração. Os documentos de fls. 615 e seguintes do PAF 19515.004118/200809 ainda demonstram que tais comportamentos foram constantemente avaliados por um superior, denotando, nesse ponto, a seriedade e o cumprimento das normas do programa. O cumprimento de prazos, a atenção aos custos, a eficiência no trabalho, dentre outras regras ali estabelecidas, são dotadas de objetividade e clareza. E mais, além de critérios comportamentais, igualmente foram adotados outros critérios de mensuração e avaliação, com diferentes atribuições de pesos. Em suma, as regras eram sim claras e objetivas. 4.5 DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS CATEGORIAS SENIORES, EXECUTIVOS E DIRIGENTES Em suma, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estaria integrada por um representante sindical, de forma que, muito embora tenham sido cumpridos os demais requisitos legais, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, o que implica a manutenção do Auto de Infração quanto ao lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos a essas categorias. 4.6 DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO CATEGORIAS HORISTAS E MENSALISTAS 4.6.1 Da inexistência de acordo original Tal acusação nem mesmo foi analisada pela DRJ e o fato é que, à exceção do acordo coletivo de 2003, todos os demais estão autenticados. 4 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017. 5 https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA, acesso em 16 de outubro de 2017. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 12 21 De toda forma, e como afirmado e demonstrado em tópico anterior, a autenticação nem é mesmo necessária, improcedendo a acusação fiscal a esse respeito. 4.6.2 Do acordo de 2002 A acusação fiscal, mantida pela DRJ, é de que o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; e a outra assinada, mas sem data. Entendese, entretanto, que a inexistência da data de assinatura do acordo coletivo de fls. 271/279 do PAF 19515.004118/200809, o qual está assinado por todas as partes envolvidas, inclusive pelo sindicato e pela comissão, está sanada pela cópia de fls. 281/289, a qual está devidamente datada. Não há nenhuma circunstância nos autos que possa descredibilizar tais documentos, maculandoos, por exemplo, de inidoneidade ou de máfé, de forma que, no entender deste relator, eles devem ser aceitos como prova da pactuação da PLR. 4.6.3 Do acordo de 2003 A acusação de que o acordo coletivo de 2003 não estaria assinado pelo sindicato nem mesmo foi objeto de decisão pela DRJ, uma vez que o acordo juntado na impugnação está sim firmado pela referida entidade, não havendo qualquer infringência nesse tocante. 4.6.4 Do acordo de 2004 Da mesma forma que o acordo de 2003, o acordo de 2004 está firmado por todas as partes legitimadas, não subsistindo qualquer ilegalidade. 4.6.5 Da inexistência de verificação do cumprimento do acordado Nos dizeres do relatório fiscal, apesar de os acordos terem estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado. O mesmo entendimento foi seguido pela instância julgadora de primeira instância. No entanto, vejase que o sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa (PAF 19515.004118/200809, fls. 562 e seguintes) as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. Em sendo assim, igualmente improcede a acusação fiscal. 4.6.6 Do recebimento de quantias em valores acima do estipulado Por fim, e segundo o agente autuante, alguns empregados receberam quantias acima do que teria sido estipulado nos acordos. No entender da DRJ, tal circunstância desvirtuaria a PLR. Fl. 537DF CARF MF 22 Ocorre que o adimplemento de valores excedentes a alguns empregados não pode desnaturar todos os planos, mas sim implicar a desconsideração, como lucros ou resultados, apenas dos montantes em excesso. Dito de outra forma, as quantias pagas em conformidade com os acordos são lucros ou resultados, não se podendo descaracterizar toda a participação em decorrência de irregularidades isoladas. É óbvio que, se a autoridade administrativa tivesse demonstrado que os programas teriam a finalidade de mascarar o pagamento de remuneração, concluirseia de maneira diversa (vide art. 3º da Lei 10101). Mas afastar toda a participação com base em irregularidades esparsas é um rigorismo incompatível com a Constituição, a qual visa a incentivar a concessão de planos de tal natureza. E nem mesmo a lei regulamentadora contém qualquer disposição que chancele o entendimento da DRJ, devendo ser provido o recurso nesse particular. 4.7 DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO CATEGORIAS HORISTAS E MENSALISTAS Em suma, os pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos não devem compor a base de cálculo do lançamento, de forma que o recurso deve ser provido nesse tocante. 4.8 DAS GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS Segundo a recorrente, ao efetuar os pagamentos das referidas gratificações, ela teria lançado tais valores como PLR, razão pela qual pareceria que alguns funcionários teriam recebido valores maiores do que o previamente acordado a este título. Contudo, e como esclarecido no relatório fiscal, tais gratificações foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração. Desta forma, os recebimentos de quantias superiores ao estabelecido a título de PLR não o foram a título de gratificações especiais, as quais, por sua vez, compuseram a base de cálculo de outro lançamento. Não havendo qualquer prova, por parte do sujeito passivo, de que a fiscalização teria feito incidir, neste auto, contribuições sobre as tais rubricas, deve ser negado provimento ao recurso neste tópico. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário para: (a) REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; (b) ACOLHER parcialmente a preliminar de decadência, para reconhecer como decaídas as contribuições cujos fatos geradores sejam anteriores a agosto de 2003; Fl. 538DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 13 23 (c) DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos de trabalho. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões aduzidas no voto do i. Relator, com relação à Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, sobretudo no que diz respeito aos acordos coletivos de trabalho das categorias horistas e mensalistas, entendo que a análise da legislação afeta ao tema deve conduzir a conclusão diversa. A respeito das demais matérias objeto da lide, acompanho o entendimento consignado no voto vencido. De se ressalvar que aqui não será feita qualquer análise a respeito das categorias seniores, executivos e dirigentes visto não haver discordância quanto as conclusões advindas do voto vencido que negou provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento no que se refere à incidência das contribuições lançadas sobre os valores pagos a título de PLR a tais categorias. O exame aqui empreendido se deterá à PLR atribuída às categorias horistas e mensalistas. A alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 excluiu da base de incidência das contribuições previdenciárias as importâncias pagas a título de PLR, desde que em observância ao disposto em norma especificamente editada para regular a matéria. Vejamos: Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica [...] (Grifouse) Nos termos do caput e do § 1º do art. 1º da Lei nº 10.101/2000, norma que disciplina o pagamento da PLR, temse que: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 539DF CARF MF 24 §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Vale mencionar, de início, que a participação nos lucros ou resultados, como instrumento de integração entre capital e trabalho, tem por escopo o incentivo à produtividade dos trabalhadores. Assim, como forma de incrementar seus resultados, a empresa oferece uma retribuição pecuniária com finalidade de estimular o aumento do desempenho de seus empregados. Nos termos da legislação em espeque, para que os valores pagos a título de PLR não sejam alcançados pelas exações previdenciárias os instrumentos decorrentes das negociações havidas entre patrões e empregados devem, dentre outros, conter: a) regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores; b) mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; c) periodicidade de distribuição; d) período de vigência; e e) prazos para revisão do acordo. De outra parte, da leitura dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 constatase que a norma infraconstitucional não buscou detalhar as características dos acordos a serem celebrados, atribuindo essa tarefa às partes envolvidas no processo negocial. Exemplificativamente foram indicados como parâmetros para o pagamento de PLR: a) a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos. Impende ressaltar que esses parâmetros são facultativos, ou seja, para a definição dos direitos substantivos da PLR e das regras adjetivas há de prevalecer a livre negociação, sendo que as regras estabelecidas devem, de conformidade com a lei, ser claras e objetivas. Vejase que os atores envolvidos gozam de certa liberdade para a estipulação dos critérios e condições para o pagamento da PLR. Contudo, a objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000 além de se apresentarem como forma de viabilizar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, garantindo que não haja dúvidas tendentes a dificultar ou impossibilitar cumprimento do que fora acordado, inibem o pagamento de valores denominados inadequadamente de participação nos lucros ou resultados em substituição à remuneração de empregados. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 14 25 Todas essas razões evidenciam a imprescindibilidade de pactuação prévia, visto não se vislumbrar a hipótese de que os trabalhadores possam despender esforços adicionais para alcançar determinados objetivos com vista à percepção da parcela paga a título de PLR sem conhecer os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, os programas de metas, resultados e prazos ou outros critérios que possam vir a ser estabelecidos para a percepção da dessa vantagem pecuniária. Aliás, é exatamente nesse sentido o entendimento que vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se pode extrair do Acórdão nº 9202006.218, de 28/11/2017: E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba o bônus do seu empenho é que vai implementar o esforço necessário para tanto. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos trabalhadores em período prévio à apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na negociação coletiva. (Grifouse) Asseverese que o entendimento aqui exarado nem de longe tem relação com interpretação criativa e muito menos representa a instituição de prérequisito não previsto em lei. Tratase de conclusão por demais evidente de que não há como se despender energia para alcançar um objetivo do qual não se tem conhecimento. Pareceme deveras óbvio que embora a lei não tenha estabelecido uma data limite para a formalização das negociações relacionadas à PLR, não há como se considerar que os instrumentos destinados ao pagamento desse benefício possam ser pactuados após o início do período destinado a aquisição do direito. Do mesmo modo, não é razoável se supor que, por participarem direta ou indiretamente do processo de negociação, os trabalhadores possam ter conhecimento das diretrizes gerais dos planos antes mesmo da celebração dos acordos respectivos. De se observar que, ao possibilitar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresas, a Constituição Federal não instituiu um direito em detrimento de outros. Admitir a hipótese de pagamento de PLR sem que as regras para tal sequer estejam previamente estabelecidas significaria possibilitar a substituição do salário do trabalhador por valores pagos a esse título em detrimento de inúmeros outros direitos sociais e previdenciários previstos no art. 7º da CF/1988, uma vez que a participação nos lucros ou Fl. 541DF CARF MF 26 resultados é desvinculada da remuneração que é a base sobre a qual incidem esses outros direitos constitucionalmente estabelecidos. Quanto a disposição contida no § 4º do art. 218 da CF/1988 sobre o apoio e estimulo legal que se deve dar as empresas que pratiquem “remuneração que assegure[m] ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho”, cabe ressaltar que referido dispositivo não veicula imunidade de quaisquer espécies tributárias, além de depender de lei para sua regulamentação. E mais, a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 estimula essa forma de remuneração, desde que o pagamento seja feito de acordo com a lei que trata especificamente da PLR, o que não se observa no caso concreto. Dito isso, entendo que a ausência de pactuação prévia, por si só, afasta a incidência da regra isentiva inserta na Lei de Custeio da Seguridade Social, o que impõe o pagamento de contribuições previdenciárias em relação valores pagos a título de PLR sem a observância desse requisito. No que se refere aos acordos coletivos de trabalho relativos às categorias horistas e mensalistas, o Relatório Fiscal esclarece que todos aqueles abrangidos no lançamento em questão apresentam datas de assinatura muito posterior ao início do período de aferição. Nos termos do relato Fiscal: 27. Outra questão observada foi a data de assinatura dos acordos da PLR. O período de apuração dos resultados está compreendido entre os meses de janeiro e dezembro, mas os acordos foram assinados após o início do período de aferição dos resultados, em data próxima ao estipulado no acordo para pagamento da primeira parcela do PLR, como segue: PLR 2002: assinado em 01/07/2002 – 1ª parcela a ser paga até 30/07/2002 PLR 2003: assinado em 06/06/2003 – 1ª parcela a ser paga até 15/07/2003 PLR 2004: assinado em 22/07/2004 – 1ª parcela a ser paga até 23/07/2004 PLR 2005: assinado em 22/07/2005 – 1ª parcela a ser paga até 29/07/2005 Conforme restou consignado acima, a inobservância desse requisito (pactuação prévia) vai de encontro ao regramento contido na Lei nº 10.101/2000 e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas sob a denominação de PLR. Nesse ponto, verificase acertado o entendimento da autoridade autuante segundo o qual: 28 Desta forma fica evidente que os empregados desconheciam as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo. O pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência a retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um resultado previamente pactuado. O seu objetivo é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos. Ora, se o empregado não sabe de antemão se terá direito à participação no lucro ou resultado, desconhece as metas e os mecanismos de aferição, o pagamento Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200823 Acórdão n.º 2402006.070 S2C4T2 Fl. 15 27 destes valores não lhe proporciona comprometimento com a empresa e a percepção de que seu trabalho contribui diretamente para o resultado por ela alcançado. 29. Por todo o exposto, concluímos que as parcelas pagas aos empregados ocupantes das categorias seniores, executivos e dirigentes e para as categorias horistas e mensalistas a título de PLR no período de 01/2003 a 12/2005, não estão isentas do pagamento de contribuições previdenciárias, pois não foram seguidas as exigências da Lei 10.101/2000. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exclusivamente para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em competências anteriores a agosto de 2003. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904243/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 43 /2 01 2- 09 Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10746.904243/201209 Acórdão n.º 3301004.322 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.891, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.616. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10746.904243/201209 Acórdão n.º 3301004.322 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10746.904243/201209 Acórdão n.º 3301004.322 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10746.904243/201209 Acórdão n.º 3301004.322 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900611/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.455, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 160 a 167), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 03526.47023.311007.1.3.040220 (fls. 21 a 26), por meio da qual a contribuinte compensou débitos de sua responsabilidade referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos ao 3º trimestre de 2007, no valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 61 1/ 20 11 -5 1 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10746.900611/201151 Resolução nº 1302000.610 S1C3T2 Fl. 320 2 total de R$ 274,99, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo a título de CSLL. O crédito em questão, no valor de R$ 224,78, originarseia de pagamento efetuado em 31/01/2006, no montante de R$ 5.264,27; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 158 e 159, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 160 a 167) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 168/169, foi interposto o Recurso de fls. 171 a 182, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10746.900611/201151 Resolução nº 1302000.610 S1C3T2 Fl. 321 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 31/01/2006, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10746.900611/201151 Resolução nº 1302000.610 S1C3T2 Fl. 322 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumento firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 299/306). Do mesmo modo, vêse que notas fiscais (fl. 298 e 307) são emitidas pela Recorrente, em relação ao contrato firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contrato referente à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10746.900611/201151 Resolução nº 1302000.610 S1C3T2 Fl. 323 5 Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721969/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007, 2008
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.
FUNDEB. BASE DE CÁLCULO.
O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3401-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 19 69 /2 01 1- 51 Fl. 341DF CARF MF 2 Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls.264 e seguintes) contra decisão da DRJ/FNS, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF/Joinville SC referente à insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep devida no período de 12/2007 a 12/2008. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 210 e seguintes e 256/258) de R$ R$255.728,59 (duzentos e cinquenta e cinco mil, setecentos e vinte e oito reais e cinquenta e nove centavos), e mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 539.992,77 (quinhentos e trinta e nove mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e sete centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: (...) a Base de Cálculo do Pasep são todas as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, deduzidos as transferências para as fundações públicas e os repasses a outras pessoas jurídicas de direito público. Sobre a Base de Cálculo aplicase a alíquota de 1% e obtémse o montante de Pasep devido que, após deduzido dos valores de Pasep retidos pelo Tesouro Nacional, resultará no saldo de Pasep a ser pago pela entidade de direito público. Esclareçase que, em última instância, não haverá receitas públicas dentro do território nacional em que não haja a incidência de Pasep, com exceção dos montantes destinados às fundações públicas que não foram utilizados para pagamento de seus funcionários (...) Conforme planilha às fls. 208, apresentada pela fiscalizada e conferida pela autoridade fiscal, levamos a efeito o lançamento do Pasep devido. Para o lançamento do Pasep elaboramos uma Planilha, às fls. 209, cujas explicações encontramse abaixo: 1a. Coluna: Período de Apuração; 2a. Coluna: Receitas Correntes: Receitas Arrecadadas pelo Município somadas a todos as transferências correntes recebidas de outras pessoas jurídicas de direito público (Vide a conta de deveria ter o código: 1.0.0.00.00.00.00.00, às fls. 67 a 137, no documento intitulado de Relatório de Receitas e Deduções); 3a. Coluna: Transferências de Capital: Vide a conta que deveria ter o código: 2.4.0.0.00.00.00.00.00, às fls. 67 a 137, no documento intitulado de Relatório de Receitas e Deduções. 4a. Coluna: Total de Receitas correspondente ao somatório da 2a. e da 3a. Colunas. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10920.721969/201151 Acórdão n.º 3401004.016 S3C4T1 Fl. 342 3 5a. e 6a. Colunas: Repasses a Fundações que correspondem a todas as transferências a duas Fundações Públicas Municipais, conforme às fls. 138 a 146. Os valores repassados encontram se às fls. 147 a 156. 7a. Coluna: Somatório da Coluna 5 e 6. 8a. Coluna: Base de Cálculo do Pasep que corresponde à diferença entre a Coluna 4 e a Coluna 7. 9a. Coluna: Valor do Pasep devido que corresponde à multiplicação da Coluna 8 pela alíquota de 1%. 10a. Coluna: Pasep retido pelo Tesouro Nacional, conforme às fls. 157 a 205. 11a. Coluna: DCTF, às fls. 206 a 207. 12a. Coluna 11: Pasep pago. 13a. Coluna: Lançamento do Pasep que corresponde à diferença entre a Coluna 9 e o somatório da Coluna 10 e 11 (Coluna 9 – (Coluna 10 + Coluna 11). Da Impugnação Irresignada, A Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 246 e seguintes, alegando, em síntese, o seguinte: Suscita a nulidade do auto de infração ante a inconstitucionalidade de dispositivo legal apontado pela autoridade fiscal como fundamento do lançamento, no caso, da Lei n 9.715/98, que instituiu, como base de cálculo do PASEP, a totalidade das receitas correntes próprias e todas as transferências recebidas pelos Municípios, inclusive as determinadas pela Constituição Federal. Nesse sentido, aduz que não poderia uma lei ordinária interferir na repartição das receitas tributárias, considerando que a Constituição recepcionou o PASEP nos moldes como instituído pela LC n 08/70. Assim sendo, defende que a contribuição só poderia incidir, dentre as transferências constitucionais, sobre o Fundo de Participação dos Municípios e não sobre "as transferências constitucionais devidas pelos Estados aos Municípios (ICMS, IPVA) e todas as demais transferências constitucionais devidas pela União aos Municípios (excluído o FPM), os convênios, as operações de créditos, as receitas próprias, entre outras tantas". Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 0730.214, através do qual a Impugnação foi considerada improcedente, nos seguintes termos: Fl. 343DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: Como do relatório se vê, a impugnante não entra no mérito dos valores das receitas apuradas pela autoridade fiscal e incluídos na base de cálculo das contribuições lançadas, mas limitase a contestar a inclusão de alguns (aqueles que não se refiram ao Fundo de Participação dos Municípios), que o foram por força do art. 7º da Lei nº 9.715/98, por considerar tal lei inconstitucional. Bem, ao remeter sua contestação ao campo da constitucionalidades das leis que fundamentam o auto de infração, a impugnante afastou a possibilidade de o julgador administrativo apreciála. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: • Que a contribuinte não se limitou a tratar da inconstitucionalidade, mas fez menção a incongruência na apuração da base de cálculo, uma vez que foram considerados os valores percebidos a título de FUNDEB para a formação de tal base, relativo ao período de 01.2007 a 12.2008. • Entende que é certo o direito da Municipalidade em eximirse da obrigação imposta pelo Auto de Infração, uma vez que a “base de cálculo utilizada considerou as receitas do Fundeb para sua formação, fato equivocado como podemos vislumbrar ao longo do presente recurso, pois o mesmo auditor fiscal que considerou o Fundeb como base de cálculo no corrente processo, em fiscalização seguinte deixou claro que tal tese fora derrubada, e afirmou categoricamente que o FUNDEB não compõe a base de cálculo do PASEP.” É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10920.721969/201151 Acórdão n.º 3401004.016 S3C4T1 Fl. 343 5 Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Sobre a incidência e a base de cálculo da Contribuição Social ao PASEP Embora instituída pela Lei Complementar 8, a base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original (a inserção data de 2013), de modo que não havia previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Frisese que, com relação à inteligência do artigo supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Ainda, a Recorrente deseja ter os recursos destinados ao Fundo de Previdência Municipal e ao FUNDEB excluídos da base de cálculo. 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 345DF CARF MF 6 Em ambos os casos, não estamos falando de destinação a pessoa jurídica diversa. Em especial, lembramos que o FUNDEB foi instituído pela Lei Federal 11.494/20072, para alcançar a efetividade da obrigação prevista no artigo 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Portanto, o FUNDEB, é um fundo especial composto por recursos da União, dos Estados e dos municípios, tendo natureza meramente contábil, Não é, portanto, uma entidade dotada de personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Por fim, restando claro pelos autos que a fiscalização veio a deduzir da base de cálculo todas as retenções, não há o que se falar de exclusão adicional nesse ínterim. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo pretendidas pela Recorrente. Tiago Guerra Machado Relator 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. (...) I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. Art. 2º Os Fundos destinamse à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado o disposto nesta Lei. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10920.721969/201151 Acórdão n.º 3401004.016 S3C4T1 Fl. 344 7 Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000276/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para juntar aos autos a NFLD substituída, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para juntar aos autos a NFLD substituída, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 00 27 6/ 20 07 -8 1 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 14485.000276/200781 Resolução nº 2402000.664 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Em sessão de julgamento realizada em 11 de fevereiro de 2015, este Colegiado deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte por meio do acórdão de fls. 501/514, cuja ementa é a seguinte: NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ACOLHIMENTO DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que encontrase colhido pela decadência o lançamento feito há mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, cabendo seu acolhimento de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública. Basicamente, entendeuse que o presente lançamento, substitutivo ao anteriormente realizado, estaria decaído por força do art. 173, inc. I, do CTN, uma vez que o lançamento anterior teria sido anulado por vício material. Intimada, a União Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, afirmando ter havido contradição entre o acórdão embargado e o relatório fiscal, uma vez que este teria afirmado que o lançamento anterior teria sido anulado por vício formal, e não material. A Fazenda Pública ainda alertou para o fato de que o presente processo não está instruído com a decisão que anulou a NFLD substituída. O então Presidente desta Turma admitiu os embargos para julgamento, conforme decisão de fls. 522 e seguintes, para apreciação da questão e também porque, segundo o relatório fiscal, foi anulada a NFLD 35.657.0240, ao passo que o acórdão embargado menciona que teria sido anulada a NFLD 35.566.6553. Na citada decisão, o então Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo igualmente ressalvou que nem o despacho e nem o acórdão que decidiram pela nulidade constam dos autos. Considerando que o relator originário não integra mais este Colegiado, os autos foram sorteados a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 14485.000276/200781 Resolução nº 2402000.664 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento No entender deste relator, o juízo positivo e prévio de conhecimento dos embargos de declaração, pelo Presidente da Turma, não é definitivo, uma vez que nem o Regimento Interno deste Conselho RICARF e nem o Código de Processo Civil contêm qualquer disposição nesse sentido. Em sendo assim, deve ser preservada a soberania da decisão colegiada, motivo pelo qual estão sendo novamente analisados os pressupostos de admissibilidade recursal. Observase, nesse contexto, que os embargos são tempestivos e que foi objetivamente apontado o ponto que, no entender da embargante, deveria ser clareado, razões pelas quais o recurso deve ser conhecido. 2 Da necessidade de diligência O presente processo não está instruído com o processo no qual foi anulada a NFLD substituída, o que impossibilita a verificação (a) da natureza do vício que ensejou a anulação e (b) da numeração da citada notificação de lançamento originário. Realmente, o relatório fiscal afirma que o lançamento anterior fora anulado por vício formal, ao passo que o acórdão embargado assevera que a anulação foi por vício material. É necessário, portanto, verificar no processo originário os motivos que teriam ensejado a anulação do lançamento e sobretudo a natureza do vício. É igualmente necessário analisar a numeração da NFLD, para que não haja e nem subsista qualquer erro material no acórdão de recurso voluntário. Nesse contexto, votase por converter o julgamento em diligência, para que seja juntado a estes autos o processo no qual foi anulada a NFLD substituída. Na sequência, as partes devem ser intimadas para, querendo, apresentarem sua manifestação no prazo de trinta dias. 3 Conclusão Diante do exposto, votase por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 540DF CARF MF
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