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Numero do processo: 10850.904394/2012-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 3002-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 NULIDADE DA DECISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a nulidade arguida quando demonstrada na decisão a motivação quanto ao indeferimento do pleito e quando consideradas todas as matérias suscitadas pela recorrente, em pleno atendimento ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a demonstração da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. APRESENTAÇÃO DE PROVA APÓS O RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 43 94 /2 01 2- 61 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 15.900,09, relativos ao período de apuração julho/2011, com débitos de IRPJ e CSLL. O Per/Dcomp foi transmitido em abril/2012 (fls. 2 a 6). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a DRF/São José do Rio Preto decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, preliminarmente, nulidade do despacho decisório por falta de motivação e cerceamento de defesa e, em relação ao mérito, que teria direito à compensação por ter recolhido a contribuição sobre base de cálculo alargada, cuja inconstitucionalidade já havia sido reconhecida pelo STF. Por fim, requereu o direito à apresentação oportuna de provas, por motivo de força maior (fls. 10 a 23). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração, peças de identificação dos procuradores e contrato social (fls. 24 a 50). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 54.622 (fls. 54 a 62), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista a inocorrência das nulidades alegadas e, também, a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/08/2011 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 4 3 Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.§ 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo plenário do STF, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543B do CPC, e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº 1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir em suas decisões o entendimento adotado pelo STF, ou seja, que o PIS/Pasep e a Cofins devem incidir somente sobre o faturamento, escapando da incidência dessas contribuições as demais receitas. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 5 4 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 05/12/2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 69, e protocolizou seu recurso voluntário em 05/01/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 70. O recurso voluntário é cópia da manifestação de inconformidade, apenas com alguns endereçamentos atualizados, ao qual se juntou os mesmos documentos contratuais e de representação (fls. 71 a 93). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Alega a recorrente nulidade da decisão da DRJ/RPO por ausência de análise do direito da recorrente ao crédito e de motivação da decisão, o que acarreta a preterição do seu direito de defesa e a consequente nulidade do ato, nos termos do art. 59 do PAF. Ainda, o cerceamento de defesa também se manifestou pela ausência de intimação para que a empresa esclarecesse os motivos de seu pedido de compensação. A mera leitura da ementa do Acórdão DRJ já demonstra, sem sombra de dúvida, que todas as alegações da recorrente foram consideradas e que a decisão encontrase claramente fundamentada. Nela são abordadas oito matérias, todas extensamente desenvolvidas no voto, entre preliminares de nulidade à preclusão para a produção de provas, diligência, força probatória da DCTF, inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ônus probatório nos pedidos de compensação e liquidez e certeza na compensação de tributos. A alegação de falta de análise e de motivação da decisão da DRJ está totalmente desconectada da realidade. Em tendo a referida decisão sido lavrada por autoridade competente e tendo considerado todos os argumentos arguidos pelo contribuinte, não cabe falar em nulidade da decisão por descumprimento do art. 59 do PAF, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 6 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao eventual cerceamento de defesa por ausência de intimação para que a empresa esclareça suas razões de pedir, tenta a recorrente inverter o ônus da prova que lhe cabe. Tratase de matéria pacífica que a demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) O contribuinte teve duas oportunidades para apresentar suas razões e provas, mas nada fez, sendo completamente descabido falarse em cerceamento de defesa quando o que se constata é apenas inércia de sua parte. Assim, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Mérito O contribuinte alega que teria direito à compensação por ter se utilizado de uma base de cálculo alargada na apuração da Cofins, na qual foram incluídas receitas que não a deveriam ter integrado, como se tal fato tivesse sido fundamento de decidir no Acórdão de primeira instância. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins é decisão definitiva do STF, em julgamento afetado pela repercussão geral, o que a torna vinculante para este Colegiado por força de Regimento Interno do CARF. Quanto a esse ponto, é de se ressaltar que não houve qualquer divergência ao longo deste processo, pois essa questão jamais foi trazida pela Administração Fazendária como fundamento para a não homologação do crédito. Ao contrário, na ementa do Acórdão da DRJ consta o reconhecimento de vinculação da Receita Federal à decisão do STF. Assim, tratase de alegação descabida. Dessa forma, temse que o ponto central desta lide reside na ausência de demonstração, pelo contribuinte, do seu alegado direito creditório. Não está a Fazenda autorizada a restituir ou a compensar um crédito pleiteado pelo contribuinte que esteja em contradição com sua própria declaração de débitos perante a Receita Federal e que não esteja amparado por nenhuma documentação que demonstre a ocorrência de erro. No caso em tela, a DCTF jamais foi retificada, permanecendo em desacordo com a declaração de compensação, e nenhum documento foi juntado com o intuito de demonstrar que haveria algum erro a ser corrigido. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 7 6 A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, e sua eventual retificação deve vir acompanhada por suporte probatório, como dispõe o CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) A isso se some, com igual importância, que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Dessa forma, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo, regra geral, é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 8 7 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Não obstante a clareza do dispositivo, nenhum preceito foi atendido. Ao longo deste processo, o contribuinte se limita a repisar os mesmos argumentos, ao mesmo tempo em que alega cerceamento de defesa. Nos §§ 4º e 5º do art. 16 do PAF, acima transcritos, estão explicitadas as hipóteses em que, mediante petição fundamentada, podese aceitar a apresentação de prova documental após a manifestação de inconformidade: quando impossível a sua apresentação oportuna, por força maior; quando se refira a fato ou direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. O contribuinte não realizou o mínimo esforço para produzir provas do seu direito, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, apenas repetindo o pedido para vir a produzilas em momento posterior, por motivo de força maior, sem explicar que força maior o haveria impedido de desempenhar o papel que lhe cabia na contenda. A alínea “a” do § 4º dispõe de forma clara que a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando ficar demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior. A mera alegação, sem quaisquer esclarecimentos ou evidências, não se presta a demonstrar nada. Em não se configurando que a recorrente foi impossibilitada de apresentar provas por motivo de força maior, está precluso do direito de produzilas. Da mesma forma, Tendo em vista a omissão do contribuinte em todas as fases processuais e a ausência de justificativa sobre essa omissão, determinar diligência neste momento, como requerido, estendendo por tempo indefinido este julgamento, significaria prolongar esta lide sem motivação legal. Concluise que a recorrente não demonstrou o seu direito ao crédito e que está configurada a preclusão para a produção de provas, uma vez não demonstrada a ocorrência da exceção prevista na alínea “a” do § 4º do art. 16 do PAF. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Relatora Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10850.904394/201261 Acórdão n.º 3002000.091 S3C0T2 Fl. 9 8 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000183/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Tratando-se dos créditos do regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins, deve a contribuinte contextualizar minimamente a utilização dos produtos adquiridos na obtenção de suas receitas para que seja possível a identificação dos valores e natureza dos dispêndios.
Numero da decisão: 3401-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, por entenderem não ter o colegiado a obrigação de acolher as matérias já apreciadas pelo colegiado no Acórdão 3803-03.054, embora com elas concordem. O relator deverá agregar ao seu voto e à ementa as conclusões do colegiado, na forma regimental.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Tratandose dos créditos do regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, deve a contribuinte contextualizar minimamente a utilização dos produtos adquiridos na obtenção de suas receitas para que seja possível a identificação dos valores e natureza dos dispêndios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões, por entenderem não ter o colegiado a obrigação de acolher as matérias já apreciadas pelo colegiado no Acórdão 380303.054, embora com elas concordem. O relator deverá agregar ao seu voto e à ementa as conclusões do colegiado, na forma regimental. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 01 83 /2 00 7- 71 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 557 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 06 a 11, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Contribuição para o PIS/Pasep, referente aos períodos de apuração compreendidos de 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, e 01/12/2003 a 31/12/2003 (fevereiro, março, maio, outubro e dezembro de 2003), acrescido de juros de mora e multa proporcional de 75%, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 92.761,09. 2. Em conformidade com a termo de verificação e encerramento de ação fiscal, situada às fls. 265 a 267, o auto de infração foi lavrado em virtude da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição. 3. A contribuinte, intimada pessoalmente em 08/01/2007, conforme declaração situada à fl. 267, apresentou, em 06/02/2007, impugnação, situada às fls. 271 a 291, na qual argumentou, em síntese, que: (i) é pessoa jurídica de direito privado que exerce a atividade de prestação de prestação de serviços de agenciamento de mãodeobra temporária (Lei n° 6.019/74) e, como tal, é contribuinte da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, calculada mediante a aplicação do percentual de 1,65% incidente sobre a receita bruta mensal, de forma nãocumulativa, nos termos da Lei n° 10.637, de 30.12.2002; (ii) sempre ofereceu à tributação do PIS o somatório dos valores brutos das suas notas fiscais, o que fez com que passasse a ter um impagável débito tributário perante o Fisco; (iii) a base de cálculo utilizada pela recorrente para o cálculo do PIS devido sempre foi calculada de forma errada, sobre: (a) as remunerações dos trabalhadores temporários, (b) os encargos sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores, e, (c) a taxa administrativa; (iv) a jurisprudência tem consolidado o entendimento de que apenas a taxa administrativa representa o faturamento/receita das empresas de agenciamento de mãodeobra temporária; (v) as empresas que autuam no agenciamento de mãodeobra temporária, por determinação legal e contratual, estão compelidas a faturar em seu nome os valores que pertencem aos trabalhadores e os encargos sociais e trabalhistas; (vi) a receita bruta não pode ser apurada pelo somatório dos valores brutos das suas notas fiscais, sob pena de nela incluir, equivocamente, valores que pertencem aos trabalhadores e ao próprio fisco, bem como valores não decorrentes da efetiva prestação de serviços, mas sim apenas a recomposição do patrimônio da autuada; (vii) a base de cálculo da Contribuição para o PIS devido deve se restringir ao valor da taxa administrativa/comissão auferida pela intermediação dos trabalhadores da empresas tomadoras dos serviços da contribuinte recorrente; (viii) o auto de infração é nulo por ter tomado como base de cálculo o simples somatório dos valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços e por não ter a autoridade fiscal levado em consideração que o PIS, previsto na Lei n° 10.637/2002, é calculado de forma nãocumulativa, o que implica direito de abater os créditos Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 558 3 de energia elétrica, bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e de outras operações com direito ao crédito, conforme notas fiscais e faturas. 4. Em 09/12/2009, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Recife (PE) proferiu o Acórdão DRJ nº 1128.433, situado às fls. 440 a 451, de relatoria do AuditorFiscal Lúcio Flávio Pessoa Coutinho, que entendeu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA.TRIBUTAÇÃO.BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa que presta serviços de locação de mãode obra temporária, a base de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que os contrata e aluga a respectiva mãodeobra para outra pessoa jurídica , razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo do PIS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. PIS NÃO CUMULATIVO. Com o advento da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real passaram a ser tributadas pelo PIS com a incidência não cumulativa, o qual passou a viger a partir de 1 o de dezembro de 2002. TRIBUTOS CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 559 4 Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 31/03/2010, em conformidade com aviso de recebimento situado à fl. 455, e, em 22/04/2010, interpôs recurso voluntário, protocolado, por equívoco, no processo 19647.003692/201051, que se encontra apensado digitalmente, em conformidade com o despacho de 25/01/2012 da Agência da Receita Federal do Brasil em Jaboatão dos Guararapes (PE), situado à fl. 459. 6. Em 24/05/2012, foi proferido, pela extinta 3ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, o Acórdão CARF nº 380303.054, de relatoria do Conselheiro Helcio Lafetá Reis que, por unanimidade de votos, decidiu por "(...) rejeitar as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão recorrida, para que uma nova seja proferida", conforme resultado de julgamento levado a termo, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 JULGAMENTO A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA. Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Na apuração da contribuição para o PIS, na sistemática da não cumulatividade, devemse considerar os créditos apurados de acordo com a legislação de regência. 7. Em 18/07/2012, a Fazenda Nacional protocolou petição em que afirmou estar ciente do acórdão e que não tem interesse em interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 560 5 8. A contribuinte foi intimada via postal em 13/06/2013, em conformidade com aviso de recebimento situado à fl. 473. 9. Em 21/05/2014, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Recife (PE) proferiu o Acórdão DRJ nº 11046.181, situado às fls. 485 a 500, de relatoria do AuditorFiscal Emanuel Carlos Dantas de Assis, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃODEOBRA. NÃO EXCLUSÃO No caso de empresa que presta serviços de locação de mãodeobra temporária, a base de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que os contrata e aluga a respectiva mãodeobra para outra pessoa jurídica , razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, serve como base de cálculo para apuração dos débitos do PIS nãocumulativo. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES A DEDUZIR E DO DACON. DENEGAÇÃO. Tratandose dos créditos do regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o ônus de provar o direito alegado é de quem o reclama, não servindo para tanto apenas cópias de notas fiscais referentes a dispêndios diversos, desacompanhadas de qualquer demonstrativo quanto aos valores que o contribuinte pretende deduzir em cada período de apuração. Não demonstrados os valores e natureza dos dispêndios, tampouco apresentado o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), o aproveitamento dos créditos é negado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 561 6 DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE FATOS A ESCLARECER. DESNECESSIDADE. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador e as provas quanto a alegados créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins deviam ter sido carreadas aos autos junto com a impugnação. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade, como o de suposto caráter confiscatório do tributo, constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 10. A contribuinte foi intimada via postal em 22/09/2014, em conformidade com aviso de recebimento situado à fl. 509, e, em 30/09/2014, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 512 a 528, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco,Relator Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 562 7 11. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com as seguintes ressalvas. 12. O Acórdão CARF nº 380303.054, proferido em 24/05/2012, entendeu que decisão recorrida não analisou provas relevantes para a verificação da existência de eventuais créditos a serem abatidos na apuração da contribuição na sistemática da não cumulatividade, nos termos autorizados pela Lei nº 10.637/2002, determinando, assim, que fosse realizado novo julgamento de primeira instância administrativa quanto a esta matéria,de acordo com o seguinte trecho do voto do relator: "No entanto, em um ponto, assiste razão ao Recorrente, pois, conforme se verifica do demonstrativo elaborado pela Fiscalização, presente à fl. 228, foi considerada na apuração da contribuição apenas a receita bruta declarada na DIPJ, não tendo sido levado em conta qualquer valor a título de crédito, nos termos autorizados pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Na ficha 05A da DIPJ (fls. 193 a 194), consta dos demonstrativos que o contribuinte incorreu em despesas operacionais, como despesas com a prestação de serviços por pessoas jurídicas, aluguéis, despesas com depreciação etc., que não foram consideradas pela Fiscalização. A depender de verificações mais acuradas, tais dispêndios podem se subsumir em algumas das hipóteses legais que autorizam o creditamento. Além disso, junto à sua Impugnação, o contribuinte trouxe aos autos cópias de notas fiscais (fls. 278 a 397) relativas à aquisição de cheque refeição, valetransporte, uniformes, botas, luvas, confecção de crachás, manutenção de relógio de ponto, material de limpeza etc., que não foram analisados pela Delegacia de Julgamento, tendo esta se fundado apenas no fato de que a Fiscalização havia se pautado nas informações declaradas pelo contribuinte em DIPJ, ignorando as informações adicionais acima apontadas. O procedimento do Recorrente se deu em conformidade com o contido no art. 16, § 4º, do PAF, em que se determina que as provas serão trazidas aos autos no momento da Impugnação. Constatase que a autoridade julgadora de piso não analisou as cópias de documentos trazidas aos autos pelo contribuinte, contendo informações relevantes no que se refere à possibilidade de existência de eventuais créditos a serem abatidos na apuração da contribuição na sistemática da não cumulatividade, nos termos autorizados pela Lei nº 10.637/2002. Nesse contexto, voto no sentido de reformar a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 563 8 serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento" (seleção e grifos nossos). 13. O Acórdão CARF nº 380303.054 decidiu, por unanimidade, que, diante das premissas estabelecidas pelo colegiado, seria necessário o revolvimento de provas não analisadas pela decisão recorrida, o que, como determina a boa técnica processual, demandaria: (i) o conhecimento, pelo órgão ad quem, dos documentos já presentes nos autos, e cuja análise não foi feita por não responder às questões julgadas necessárias para a formação do convencimento do julgador de primeira instância; ou (ii) a conversão do julgamento em diligência para a produção de material probatório ausente nos autos, em conformidade com os arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972 e normas regimentais contemporâneas à decisão aplicáveis à espécie: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 14. Não obstante, optou a extinta 3ª Turma Especial, acolhendo proposta de voto do relator, pelo heterodoxo caminho de ordenar o rejulgamento em primeira instância administrativa sem declarar nula a decisão anterior, o que não encontra amparo legal ou regimental. Tal decisão, na verdade, invade a esfera de livre convencimento da 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Recife (PE): é possível reformar a decisão objurgada, mas, enquanto não anulada, não pode ser devolvida à cognição de quem a proferiu, pois esgotada a competência e a jurisdição da autoridade administrativa de primeiro piso. Implica, ainda, violação, pelo órgão de segunda instância, da vedação ao non liquet consistente na inafastabilidade da prestação jurisdicional prevista no inciso XXXV do art. 5º da Constituição de 1988, no art. 4º do DecretoLei nº 4.657/1942 com redação dada pela Lei nº 12.376/2010 e pelo art. 126 do Código de Processo Civil, uma vez que deixa de decidir matéria de sua competência no momento processual oportuno, uma vez que a corte administrativa nada mais é do que a materialização do exercício, por parte do Poder Executivo, daquilo que se usou chamar de função jurisdicional atípica. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 564 9 15. Ademais, o Acórdão CARF nº 380303.054 não apenas ordenou o rejulgamento da matéria como também introduziu no mundo jurídico regras processuais novas ao determinar que, da nova decisão proferida pela instância a quo, caberia manifestação do interessado, como se mero relatório de diligência fosse, como se lê da parte dispositiva: "(...) o interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento". A confusão se explica pelo seriado de problemas decorrentes da decisão que, por discordar do julgamento, decide não reformálo (i.e., não decidir), mas ordenar que o ato seja refeito pela mesma instância prolatora, sem no entanto apontar qualquer nulidade no ato anterior que, não retirado do mundo jurídico, deve ser simplesmente ignorado. E a perplexidade diante deste modo de decidir ocorre justamente porque este Conselho não é um tribunal de cassação. 16. Uma vez que a extinta 3ª Turma Especial não detinha competência para ordenar o "rejulgamento" da matéria, entendo que o Acórdão CARF nº 380303.054, proferido em 24/05/2012, encontrase inquinado de nulidade nos termos do inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, o que igualmente prejudica o novo acórdão prolatado pela delegacia de julgamento, o Acórdão DRJ nº 11046.181, proferido em 21/05/2014, em conformidade com o preceptivo normativo do § 1º do dispositivo em apreço, pois se trata de ato posterior praticado por conseqüência da decisão nula, e dela diretamente dependente, uma vez que se trata da norma individual e concreta que fundamenta a sua competência jurisdicional, ora derruída. Neste sentido, a jurisdição deste tribunal administrativo se restringiria a julgar o Acórdão DRJ nº 1128.433, proferido em 09/12/2009, e unicamente quanto à matéria de mérito não decidida. 17. Contudo, em que pese tal constatação, e apesar do dever da Administração de anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade, conforme preceitua o art. 53 da Lei nº 9.784/1999, entendo também que o órgão competente apenas poderá anular a decisão recorrida, nos termos do art. 64 do diploma legal. Neste caso, não cabe a este colegiado decretar nulidade de decisão de idêntica instância, pois não detém competência jurisdicional para fazêlo, uma vez que a matéria não se encontra arrolada entre as hipóteses do § 3º do art. 485 do Código de Processo Civil. Tal decretação desembocaria, quase que paradoxalmente, na mesma trincheira em que se encontra o acórdão reputado nulo: a do inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Evidentemente, uma vez que o prazo para recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais será franqueado às partes apenas a partir da intimação deste novel acórdão, poderão, caso queiram, tanto contribuinte como Fazenda Nacional, alegar a nulidade do Acórdão CARF nº 380303.054 e de seus sucedâneos. Por estes motivos, restringese a presente assentada à cognição da matéria que lhe foi devolvida, abstendose de declarar, por ressentirse de competência, a referida nulidade. 18. Uma vez que a decisão em referência prossegue hígida, necessário se fixarem as matérias já objeto de decisão por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobre as quais este colegiado não poderá se pronunciar. Assim, foram apreciadas e não serão conhecidas: (i) as preliminares de nulidade, afastadas; (ii) as alegações de inconstitucionalidade, afastadas; e, quanto ao mérito (iii) a alegação da contribuinte no sentido de que a apuração da contribuição para o PIS deva se dar somente em relação à comissão recebida pelo agenciamento da mão de obra temporária, excluindose, portanto, as despesas trabalhistas e os encargos sociais, "(...) pois, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.637/2002, a contribuição para o PIS deve ser calculada sobre o faturamento mensal, incluindo todas as receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 565 10 contábil", restando, portanto, afastadas as alegações "(...) relativas à incidência restrita da contribuição à comissão recebida pela intermediação da mão de obra temporária", e julgado improcedente o pleito recursal neste particular, nos termos do trecho do voto a seguir transcrito, acompanhado, como se referiu mais acima, pela unanimidade dos membros do colegiado: "Quanto à argüição preliminar de nulidade do auto de infração, registrese, de pronto, que inexiste qualquer irregularidade formal no lançamento de ofício, dado que realizado em conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido pelo Decreto nº 70.235/1972, precipuamente em seu art. 10, tendo sido lavrado por servidor competente, com observância das regras garantidoras do contraditório e da ampla defesa, nos termos determinados pelo art. 59 do mesmo decreto. No que se refere à alegada ofensa a princípios constitucionais, devese registrar que o lançamento se deu com base em lei vigente e válida, cujos comandos são de observância obrigatória pela Administração tributária, sob pena de responsabilidade. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Afastamse, portanto, as preliminares de nulidade argüidas. No mérito, há que se destacar que improcede a alegação do Recorrente de que a apuração da contribuição para o PIS deva se dar somente em relação à comissão recebida pelo agenciamento da mão de obra temporária, excluindose as despesas trabalhistas e os encargos sociais, pois, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.637/2002, a contribuição para o PIS deve ser calculada sobre o faturamento mensal, incluindo todas as receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A tributação das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e sobre as demais receitas tem como hipótese de incidência o resultado da venda de produtos ou da prestação de serviços, assim como da obtenção de outras receitas, independentemente dos desdobramentos contábeis subseqüentes. A tributação de receitas não se confunde com a tributação do lucro, pois, nesta, admitese a dedução de todos os dispêndios (custos e despesas) necessários e usuais ao funcionamento da sociedade empresária. Uma vez auferida uma receita, sobre ela incidirão as contribuições para o PIS e a Cofins, independentemente de se consubstanciarem, ao final, em lucro ou prejuízo. Toda atividade empresarial envolve custos que impactarão negativamente o saldo das receitas auferidas, o que, contudo, não significa que a parcela da receita absorvida pelos custos Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 566 11 deixará de ser receita para fins de incidência da Cofins e da contribuição para o PIS. O critério que deve orientar a identificação de uma receita é o jurídico e não o econômico ou empresarial, pois parte significativa do que vier a ser auferido pelas pessoas jurídicas será vertida a terceiros a título de pagamento pelos serviços prestados, pelos bens adquiridos ou por outros custos e despesas incorridos. Não bastassem tais constatações, temse que, conforme consta do REsp nº 1.141.065, cujo julgamento se deu na sistemática dos recursos repetitivos, a “base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares nº 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei nº 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários”. Por força do disposto no art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos) devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A matéria relativa à incidência do regime da não cumulatividade para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) – RE 607.642, tendo sido reconhecida a existência de repercussão geral, mas não se determinou o sobrestamento dos processos versando sobre a mesma questão que estivessem em andamento, em razão do que, por força do contido no § 1º do art.1º e no art. 4º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, em que se determina que, nos casos da espécie, inexistindo determinação do STF no sentido de sobrestar todos os processos em andamento que versem sobre a matéria, eles devem ser submetidos a julgamento, não se lhes aplicando o sobrestamento. Portanto, afastamse as alegações do Recorrente relativas à incidência restrita da contribuição à comissão recebida pela intermediação da mão de obra temporária" (seleção e grifos nossos). 19. Nenhuma das questões acima, por já restarem decididas, foi devolvida ao conhecimento deste Conselho e não merecem, portanto, apreciação, no entendimento deste Relator, em que pese a maioria do colegiado desta turma, na presente sessão, ter entendido não estar este plenário obrigado a acolher as matérias já apreciadas pelo colegiado no Acórdão 380303.054, embora com elas concordem, nos termos do § 5º do art. 63 do RICARF. Sendo por um ou outro fundamento, será objeto de decisão, unicamente, portanto, a matéria sobejante, ou seja, a alegação sobre ter sido "(...) considerada na apuração da contribuição Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 567 12 apenas a receita bruta declarada na DIPJ, não tendo sido levado em conta qualquer valor a título de crédito, nos termos autorizados pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002". Observa o voto, neste sentido, que, na ficha 05A da DIPJ constam despesas operacionais (prestação de serviços por pessoas jurídicas, aluguéis, despesas com depreciação etc.) que não foram consideradas e que podem caracterizar creditamento, e tampouco teriam sido levadas em consideração as notas fiscais trazidas tempestivamente pela ora recorrente relativas à aquisição de chequerefeição, valetransporte, uniformes, botas, luvas, confecção de crachás, manutenção de relógio de ponto, material de limpeza etc. 20. Sobre este ponto, manifestase o julgador de primeira instância no voto do Acórdão DRJ nº 11046.181 nos seguintes termos: Na Impugnação a alegação quanto aos créditos é tratada sem maiores detalhes (...) a contribuinte nem ao menos informou o quantum a abater em cada período de apuração. Apenas colacionou cópias de inúmeras notas fiscais, relativas, por exemplo, a “cheque refeição”, “tarja magnética alimentação”, vestuário (camisas, calças etc), serviços de informática, veiculação de anúncios, honorários profissionais, assessoria contábil, energia elétrica etc, sem maiores justificativas e nenhum detalhamento quanto ao crédito alegado. Não elaborou qualquer demonstrativo informando quanto pretende deduzir em cada mês a título de créditos da não cumulatividade, apesar de na espécie o ônus de provar o direito ser de quem o reclama. Tampouco apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Para mim, as cópias de notas fiscais referentes a dispêndios os mais diversos, acostadas aos autos, não servem como prova suficiente ao abatimento almejado. A contribuinte podia – e devia – ter juntado à Impugnação demonstrativo com os valores individuais e mensais de cada crédito da nãocumulatividade, relacionandoos aos documentos fiscais, bem como ter entregue o Dacon. Não se pretende, aqui, indeferir o direito aos créditos porque descumprida a obrigação acessória consistente na escrituração e entrega do Dacon. Para esse descumprimento há penalidade própria, inconfundível com a negativa aos créditos que nele deviam ter sido demonstrados. Ressalto que na situação destes autos a contribuinte, além de não apresentar o Dacon, não quantificou os créditos alegados. 21. De fato, as alegações realizadas pela contribuinte quanto aos produtos é genérica e não possibilitam uma compreensão mínima sobre o seu uso ou relevância na obtenção das suas receitas, conforme abaixo se transcreve integralmente: B) DA NÃO OBSERVÂNCIA DOS CRÉDITOS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 568 13 Além do erro na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, a Impugnante chama atenção para outro erro crasso cometido pelo r. Fiscal, qual seja, não ter levado em consideração os créditos para que fossem procedidas as deduções do débito da Contribuição para o PIS. Sendo assim, a Impugnante colaciona todas as Notas Fiscais e Faturas que lhes dão direito ao crédito da Contribuição para o PIS, mas que não foram levadas em consideração pelo r. Fiscal (Docs. 0 8 a 11). Em razão do exposto, só resta a Impugnante aguardar que V. Exa. comungue do mesmo entendimento, acolhendo o pedido que se segue em todos os seus termos. III DO PEDIDO: Ante a todo o exposto, a Impugnante requer, que essa Egrégia Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ em Recife PE se digne de dar provimento à presente Impugnação, no sentido de declarar nulo o Auto de Infração ora questionado, tendo em vista ter apurado a base de cálculo da Contribuição para o PIS através do simples somatório dos valores brutos das Notas Fiscais de prestação de serviços de locação de mãode obra e de agenciamento de mãodeobra, sem levar em consideração, que os serviços prestados pela Impugnante são remunerados tãosomente através da Taxa Administrativa. Além disso, o Auto de Infração é nulo, tendo em vista não ter levado em consideração os valores dos bens e serviços utilizados como insumos, as despesas com energia elétrica e outros custos que dão direito ao crédito da Contribuição para o PIS para ser abatido do débito em decorrente da prestação dos serviços, tal como determina a Lei n.° 10.637/2002. 22. Quanto à DIPJ, prossegue a decisão a quo nos seguintes termos: Quanto à DIPJ inicialmente entregue pela contribuinte, não contempla qualquer valor na “Ficha 20 – Apuração dos Créditos do PIS/PASEP – Regime Não Cumulativo”, nos meses de janeiro a dezembro de 2003 (ver fl. 135/146), enquanto a linha “27 () Créditos Descontados no Mês” da “Ficha 21 – Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP –Regime Não Cumulativo”) apresentase zerada, mais uma vez em todos os meses de 2003 (ver fls. 147/158). Não demonstrados os valores e natureza dos dispêndios, tampouco apresentado o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), o aproveitamento dos créditos é negado Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 3401005.038 S3C4T1 Fl. 569 14 23. Em primeiro lugar, necessário se apontar que a correção ou não do auto de infração lavrado com relação aos produtos que a contribuinte alega terem natureza de insumo não implicará, como requer o pedido acima transcrito do recurso voluntário nulidade do lançamento, mas resolução de mérito. 24. Em segundo lugar, em que pese o esforço de compreensão do aplicador sobre as notas fiscais e demais documentos trazidos pela contribuinte, de fato não se verifica qualquer esforço argumentativo no sentido de contextualizálos na lógica da obtenção de suas receitas, e não é possível se afirmar, com a necessária segurança, a respeito de sua pertinência para fins de creditamento nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, motivo pelo qual o recurso voluntário não merece provimento neste particular. 25. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto para, na parte conhecida (procedência de créditos, nos termos autorizados pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002), negar provimento ao recurso voluntário interposto em virtude de carência probatória. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.733168/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011
DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011
REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA.
As declarações de importação, mesmo aquelas parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de fiscalização aduaneira, estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira, ato de conclusão do despacho aduaneiro, objetivando a verificação da regularidade dos tributos e demais gravames, exatidão de informações e aplicação de benefícios fiscais, não havendo qualquer ressalva legal, regulamentar ou normativa à sua realização, muito menos alteração de critérios jurídicos em relação ao desembaraço aduaneiro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) para reconhecer a preclusão da discussão sobre classificação fiscal, conforme apreciado na sessão de fevereiro de 2018, vencidos o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, e o Conselheiro Cássio Schappo; e (b) para afastar a alegação de alteração de critério jurídico, vencidos o relator e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (que indicou a intenção de apresentar declaração de voto). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado (na votação de mérito), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Em relação à preliminar o Conselheiro Cássio Schappo votou em 27/02/2018, em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. As declarações de importação, mesmo aquelas parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de fiscalização aduaneira, estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira, ato de conclusão do despacho aduaneiro, objetivando a verificação da regularidade dos tributos e demais gravames, exatidão de informações e aplicação de benefícios fiscais, não havendo qualquer ressalva legal, regulamentar ou normativa à sua realização, muito menos alteração de critérios jurídicos em relação ao desembaraço aduaneiro. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/04/2011 a 13/07/2011 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. As declarações de importação, mesmo aquelas parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de fiscalização aduaneira, estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira, ato de conclusão do despacho aduaneiro, objetivando a verificação da regularidade dos tributos e demais gravames, exatidão de informações e aplicação de benefícios fiscais, não havendo qualquer ressalva legal, regulamentar ou normativa à sua realização, muito menos alteração de critérios jurídicos em relação ao desembaraço aduaneiro. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) para reconhecer a preclusão da discussão sobre classificação fiscal, conforme apreciado na sessão de fevereiro de 2018, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 31 68 /2 01 2- 45 Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.144 2 vencidos o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, e o Conselheiro Cássio Schappo; e (b) para afastar a alegação de alteração de critério jurídico, vencidos o relator e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (que indicou a intenção de apresentar declaração de voto). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado (na votação de mérito), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Em relação à preliminar o Conselheiro Cássio Schappo votou em 27/02/2018, em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de auto de infração, decorrente de procedimento de revisão aduaneira, exigindo do sujeito passivo, o Imposto de Importação (II), PISImportação e a COFINSImportação, recolhidos a menor, devido ao erro de classificação fiscal da mercadoria CIMENTO PORTLAND CP IIF40, referente a várias DIs (fls. 29/31), entendendo a fiscalização que esta deveria ser classificação sob o código NCM 2523.29.90 (II de 4%, fl. 48) e não no código NCM 2523.29.10 (0%, fl. 48); exigindose multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria (fl. 22); multa de 75% sobre os 3 (três) tributos e juros de mora (SELIC). Às fls. 542 e seguintes, o Contribuinte apresentou sua impugnação, tecendo as seguintes considerações: 1) Que as mercadorias objeto das DI's relacionadas no Auto de Infração foram desembaraçadas no ano de 2011, tendo a Fiscalização Aduaneira, apenas em 2012, procedido à revisão dos critérios jurídicos então adotados no momento do desembaraço. 2) Ser indevida a alteração do critério jurídico adotado pela Fiscalização Aduaneira ao determinar o regular desembaraço das mercadorias, motivo pelo qual merece ser anulado o presente lançamento, sob pena de violação aos arts. 145, 146 e 149, do CTN, bem Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.145 3 como aos princípios da segurança jurídica, proteção da confiança e irretroatividade do ato administrativo. Cita a Súmula n° 227 do TFR, segundo a qual, "a mudança no critério jurídico adotado pelo fisco, não autoriza a revisão de lançamento". 3) Que a Fiscalização Aduaneira teve a oportunidade de fiscalizar tais mercadorias e as Declarações de Importação correspondentes, de modo que o efetivo desembaraço das mercadorias, com a sua consequente liberação, configurou a homologação das declarações prestadas e o reconhecimento de que não havia qualquer irregularidade no procedimento de importação. 4) Que a Fiscalização Aduaneira concordou com a classificação adotada pelo contribuinte ao realizar o desembaraço das mercadorias. 5) Que a última operação colacionada no auto de infração se deu em 07/2011 e o auto de infração foi lavrado em 10/2012. Pugnou pelo cancelamento integral do lançamento. Às fls. 817 e ss., a DRJ em Fortaleza/CE, por meio da Resolução 2.718, por maioria de votos, converteu o julgamento em diligência (fls. 827 e ss.), para se realizar: I – PERÍCIA a) Promover a realização de perícia na mercadoria importada através das DIs de fls. 76/482, a fim de que, mediante supervisão fiscal, seja efetuado exame técnico por dois profissionais com habilitação compatível com o exame, de um lado o designado pela autoridade administrativa do órgão aduaneiro para atuar em nome da União, de outro o perito a ser indicado pelo sujeito passivo, cabendo a ambos apresentarem os respectivos laudos técnicos que apreciem objetivamente os quesitos a seguir formulados, com vistas a fornecer uma descrição completa da mercadoria, características, propriedades e tipos: 1 Qual a identificação técnica da mercadoria “CIMENTO TIPO CP IIF40 “descritas nas DIs de fls. 76/482? 2 A mercadoria identificada no item 1 é tecnicamente considerada Cimento Portland Comum? 2.1 Se positivo, quais as características, propriedades, utilizações e subespécies, se existirem; 2.2 se negativo, como se denomina tecnicamente a mercadoria efetivamente importada na DI em referência? Quais as características, propriedades, utilizações e subespécies, se existirem? 3 Está consignado nos autos:a ) que os cimentos se diferenciam de acordo com a proporção de clínquer e sulfatos de cálcio, material carbonático e de adições, tais como escórias, pozolanas e calcário; b) que o próprio Cimento Portland Comum (CP I) Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.146 4 pode conter adição (CP IS), neste caso, de 1% a 5% de material pozolânico, escória ou fíler calcário. Os Cimentos Portland Compostos, CP II E, CP IIZ e CP IIF, têm adições de escória, pozolana e fíler, respectivamente, mas em proporções um pouco maiores que no CP IS. No caso do CP IIF, a composição de fíler varia entre 6 e 10%. Com base nessa afirmativa indagase: 3.1 O que diferencia o Cimento Portland Comum dos outros tipos de cimento? 3.2 – Partindo da premissa de que o cimento comum pode conter adição, qual a proporção de clínquer e sulfatos de cálcio, material carbonático e de adições, tais como escórias, pozolanas e calcário, acrescentadas no processo de moagem é fundamental para a diferenciação entre o Cimento Portland Comum dos outros tipos de cimento? 4 O cimento importado através das DIs de fls. 76/482 é do tipo composto com adição de fíler? 5 O CP IIF40 tem utilização de cimento comum? Caso exista a adição de fíler, esta o torna composto? b) Intimar o contribuinte a indicar o seu perito, bem como formular os quesitos para serem respondidos pelos peritos para consecução da providência acima; II – DILIGÊNCIA a) Na impossibilidade de realização da perícia (em razão de eventual alienação da mercadoria, destruição etc), solicitar parecer técnico sobre a mercadoria em questão, com base em manuais técnicos, catálogos ou quaisquer outros documentos que visem respaldar o feito fiscal; b) Anexar aos autos cópias das Normas ABNT NBR 11578 e Norma ABNT NBR 5732, que segundo a fiscalização “fixam as condições exigíveis para os cimentos Portland compostos” (CP IIE, CP IIZ e CP IIF) de classes 25, 32 e 40 e “as condições exigíveis para os cimentos Portland comuns” (CP I e CP IS) de classes 25, 32 e 40; ou transcrever os trechos das referidas normas que correspondem à fundamentação utilizada no relatório fiscal. Conclusão Assim, diante do exposto, com escopo no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações posteriores, VOTO PELA CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade de origem adote as seguintes condutas: I Se na adoção das providências acima solicitadas, ocorrer inovação na descrição dos fatos e/ou no enquadramento legal, deverá ser lavrado auto de infração complementar, com descrição detalhada dos fatos, inclusive expondo os fatos novos Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.147 5 que decorrerem da diligência ora solicitada, reabrindo o prazo de trinta dias, para impugnação no concernente à matéria modificada, observandose o teor do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993; II Caso não se verifiquem as hipóteses de lavratura de auto de infração complementar, tendo em vista os fatos ou razões que serão trazidos aos autos pela fiscalização como resultado da diligência, cabe cientificar o sujeito passivo acerca da diligência e das informações dela decorrentes, assegurandolhe o prazo de trinta dias para se manifestar, visando garantir o exercício do contraditório e da ampla defesa (art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/97 c/c na Portaria RFB nº 1.022, de 29/07/2013, Anexo I, alínea “m”, item 1, subitem 1.2. Às fls. 923 e seguintes consta o Relatório de Informação Fiscal, o qual, em síntese, disse à fl. 931 que a primeira demanda da diligência perícia não seria possível de se realizar, em razão da possibilidade de a mercadoria ter sido consumida após quase 4 (quatro) anos, e a segunda, por meio de pesquisas em sites da Internet e cópia das Normas ABNT NBR 11578 e 5732. O sujeito passivo apresentou manifestação sobre o referido Relatório Fiscal (a partir da fl, 967), dizendo que, embora determinado fosse intimada para indicar perito e formular quesitos, isto não aconteceu, porém, juntou parecer técnico de engenharia civil e química. No mais, reiterou seu entendimento sobre a impossibilidade de modificação dos critérios jurídicos e que a classificação correta é a que fora por ele (contribuinte), qual seja, NCM 2523.29.10 (cimento comum). Às fls. 1.027 e ss., a DRJ de Fortaleza/CE, à unanimidade de votos, julgou totalmente improcedente a impugnação, mantendo integralmente a exigência fiscal. À fl. 1.055, o Contribuinte, no dia 02/02/2016, recebeu a intimação do acórdão por meio de sua caixa postal; apresentando recurso voluntário no dia 03/03/2016 (fl. 1.059 e seguintes), no qual, basicamente, repisa suas razões articuladas em sede de impugnação e na manifestação ao Relatório Fiscal. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, logo, dele tomo conhecimento. A celeuma instalada no presente feito é quanto à correta classificação fiscal do chamado "cimento Portland CP IIF40", de um lado, pelo entendimento fiscal, sob o código NCM 2523.29.90 ("outros"), por outro, pelo Recorrente, no código NCM 2523.29.10 ("cimento comum"). Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.148 6 Vêse, pois, que, tanto, fisco, quanto contribuinte, convergem no tocante aos 6 (seis) primeiros dígitos da classificação, ou seja, quanto ao Capítulo (25: "sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento"); quanto à posição [2523: "cimentos hidráulicos (incluindo os cimentos não pulverizados, denominados clinkers), mesmo corados"]; quanto à subposição de 1o nível (quinto dígito 25.23.2: "cimentos Portland") e quanto à subposição de 2o nível (sexto dígito 25.23.29: "cimentos brancos, mesmo corados artificialmente e outros"), havendo divergência nos 2 (dois) últimos dígitos, portanto, uma divergência Regional (Mercosul). Importante mencionar o que consignou o relatório feito na DRJ/FOR (efl. 1.029): Depois de fazer um histórico sobre a classificação fiscal de mercadorias, citar a legislação de regência e explicar a sistemática de utilização das nomenclaturas de mercadorias, a fiscalização diz que identificou as mercadorias importadas como Cimento Portland do tipo composto com adição de fíler, classe 40 (Cimento Composto Portland CP IIF 40), a partir da descrição declarada das mercadorias importadas, dos documentos instrutivos das DI, e dos conceitos de cimento da Wikipédia, da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP e das normas ABNT NBR 11578 e 5732, conforme trecho do relatório fiscal adiante transcrito. (grifo do Relator). (...) Identificadas as mercadorias importadas como Cimento Portland do tipo composto com adição de fíler, classe 40 (Cimento Composto Portland CP IIF 40), a autoridade fiscal explicitou como chegou à conclusão de que tal produto se classifica sob o código NCM 2523.29.90 e não no código NCM 2523.29.10 declarado pela empresa importadora nas DI fiscalizadas: • Pela aplicação da RG n.º 1 que diz: “os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo e que para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras subseqüentes”, classificase no capítulo 25 e na posição 2523 da TEC que abrange os “cimentos hidráulicos (incluídos os cimento não pulverizados, denominados” clinkers “) mesmo corados”. • Aplicada a RG nº 6 por meio da qual a classificação das mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível, chegou à subposição de; o 1º nível (5º dígito da NCM), que é 2523.2 cujo texto é “Cimentos Portland”. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.149 7 o 2º nível (6º dígito da NCM) entre duas opções possíveis: a 2523.21Cimentos brancos, mesmo corados artificialmente e a 2523.29Outros, em razão da descrição da mercadoria importada não falar em ser o cimento da coloração branca, a subposição de 2º nível para a mercadoria importada é a definida pelo código “2523.29 Outros”. • Com a utilização da Regra Geral Complementar (RGC1) nº 01 por meio do qual as regras gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível, definiu, por exclusão o item 2523.29.90Outros como o código tarifário em que se enquadra o cimento Portland CP IIF 40, tendo em vista que o item 2523.29.10 , corresponde ao cimento comum, e o importado é cimento composto, e que não existem desdobramentos de subitens nesse item”: [...] Na determinação de qual item seria aplicável à mercadoria restaram duas opções: 2523.29.10, cujo texto é ”Cimento comum” e 2523.29.90, cujo texto é “Outros’”. Pela aplicação da RGC1 devemos nos ater ao texto do item da subposição. Tendo em vista que a mercadoria importada é cimento do tipo composto, descartase o item 2523.29.10 que corresponde ao cimento comum, chegandose portanto ao item que corresponde à mercadoria descrita como cimento Portland CP IIF 40, qual seja 2523.29.90 “‘Outros”, sendo esta a classificação fiscal que desejávamos encontrar, já que não há desdobramento em subitem. (grifei) • De forma subsidiária utilizou as Normas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, cujo texto consolidado encontrase disposto no Anexo único da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil– IN RFB n.º 807, de 11/01/2008. O caso dos autos possui 11 (onze) Declarações de Importação DI sob o canal verde e 17 submetidas ao canal amarelo, sendo que a fiscalização aduaneira, no momento do desembaraço aduaneiro, não identificou qualquer irregularidade nestas DIs. Reduzindose o raciocínio, ficaria a indagação: seria a mercadoria "cimento comum" ou "outros"? A fim de se dar objetividade ao julgamento, bom se diga que a pergunta já foi respondida por este Conselho, dentre outros precedentes, cito o acórdão 3403003.511, no qual, por unanimidade de votos, assim decidiu: (...) CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO DO TIPO CP II F. CIMENTO COMUM. O cimento portland do tipo CP II F, embora seja considerado um cimento composto à luz das normas técnicas brasileiras (ABNT), Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.150 8 é um cimento comum à luz das regras para interpretação do Sistema Harmonizado de classificação de mercadorias, enquadrandose no código 2523.2910 Cimento comum, por força da aplicação das RGI n° 1 e 6, combinadas com a RGC n° 1. (...) Ademais, o Recorrente também obteve provimento de um recurso voluntário, sobre caso envolvendo idêntica mercadoria, recurso este julgado na sessão de 17/05/2016, desta Colenda Turma, por meio do acórdão 3401003.173, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CIMENTO PORTLAND CP IIF DO TIPO COMPOSTO. A mercadoria denominada "cimento Portland CP IIF do tipo composto" não se classifica no código NCM 2523.29.90 da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex n° 94/2011 (CIMENTOS "PORTLAND" / CIMENTO COMUM), pois não é possível, à luz do artigo 94, caput, e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, a utilização de fontes estranhas à NCM e ao SH, pra fins interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM, salvo na hipótese de expressa remissão pelas fontes admitidas. Registro que fora vencido na oportunidade, apenas o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, sendo que, daquela data para hoje, continuam exercendo seus mandatos nesta E. Turma, os e. conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira (relator) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Comungo do mesmo entendimento e cito parte dos bem lançados fundamentos do voto do relator, conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, como razão de decidir: Afastado o critério do lançamento para conceituar "cimento comum", cabe buscar elementos para fazêlo. Como já decidido por esta Seção de Julgamento, em julgado adiantedetalhado,"nosilênciodaNomenclaturaquantoaosignificad oquedeveseratribuído aos seus termos, deve ser empregado o significado corrente do vernáculo, pois a Nomenclaturanãoéutilizadaportécnicoseexperts,massimporpesso ascomunsqueoperam no comércio internacional"1 . Seguindo tal linha de entendimento, verificase que, no Dicionário Aurélio, "comum"temos seguintes significados: "1 O maior número. 2 O que é considerado geral, habitual, normal.(...) 7 Que acontece ou se encontra com freqüência ou com facilidade. 8 Que tem características que se encontram em muitos exemplares.(...)" Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.151 9 Considerando que o espanhol é língua oficial da NCM, assim como o português, verifico que as posições aqui controversas lá são descritas da seguinte forma: "2523.29.10 Cemento normal"e"2523.29.90 Los demás".Segundo o Dicionário Aurélio, "normal" possui o seguinte significado: "(...) 2 Usual. (...)". Já, de acordo com o Dicionário Michaelis: "5 Biol, Psicol, Social. Conforme a um tipo dado e, portanto, presente na generalidade dos casos.(...)". Portanto, comum pode ser entendido como aquilo que é normal, presente na generalidade dos casos, em maior número, algo geral. Por outro lado, analisando as informações que constam nos autos, notadamente, o Parecer Técnico de Engenharia acostado pela Recorrente, por ocasião da conversão do julgamento de primeiro piso em diligência,é possível seaferir queo "cimento Portland CP IIF do tipo composto" é o mais vendido, o mais utilizado e o que tem maior aplicação do mercado. É o cimento geral, em contraponto àqueles cimentos especiais, cujas aplicações são específicas e restrita se, por conseguinte, são menos vendidos e utilizados. Nesse cenário,entendo que o"cimento Portland CPIIF do tipo composto" se qualifica como um "cimento comum", descrito no Código 2523.29.10, podendo ser classificado nesse código, por força da aplicação das RGI nº1 e 6 e RGC nº 01,in verbis: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contráriasaostextosdasreferidasposiçõeseNotas,pelasRegrassegu intes: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível". Por outro lado, importante registrar também que em 2011, quando as DIs foram registradas no SISCOMEX, nenhum questionamento sobre a classificação fiscal fora feito, além do que, o caso, como se viu acima, diz respeito à DIs submetidas aos canais verde e amarelo. Havendo o desembaraço das mercadorias, implicaria, num momento posterior, fixação de um novo critério jurídico, afrontando os artigos 145, 146 e 149, do CTN. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.152 10 Neste contexto, incorreta a classificação fiscal NCM 2523.29.90 eleita no lançamento. Dispositivo Com estas considerações, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. André Henrique Lemos Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Inicialmente, peço licença ao i. Relator para dele divergir quanto ao conhecimento da questão meritória classificação fiscal do chamado “cimento Portland CP II F40” por entender que se trata de matéria preclusa na esfera contenciosa administrativa, porquanto não expressamente deduzida na primeira oportunidade recursal franqueada. Com efeito, a impugnação apresentada (efls. 542/553) contestou exclusivamente a impossibilidade de “alteração de critério jurídico” em relação ao desembaraço aduaneiro, a teor dos arts. 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, pretensamente ocorrida na revisão aduaneira, nada aduzindo acerca da novel classificação fiscal adotada no lançamento. Pois bem, assim como no processo civil, vige no processo administrativo fiscal o princípio da eventualidade, que estabelece a necessidade de argüição de toda a matéria de defesa já no recurso inaugural, in casu, a impugnação. A inserção desse postulado se faz nos arts. 16, III, e 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.153 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Nesse passo, a preclusão consumativa configura a perda de uma faculdade (oportunidade) processual que, por conseqüência, não pode mais ser aproveitada em momento posterior àquele destinado ao seu exercício. Como a questão atinente à classificação fiscal não foi textualmente arrolada em impugnação, convolouse em ponto incontroverso da autuação e, nessa condição, não pode ser reclamado em recurso voluntário, como ocorreu, razão pela qual não conheço dessa parcela da contestação. Por pertinente, acentuo que o fato da decisão reclamada – erroneamente, digase haver abordado o tema “classificação fiscal”, não indagado no recurso vestibular, não tem o condão de superar a ocorrência da preclusão, como restou decidido na sessão plenária de 27/02/2018, muito menos permitir a reabertura de prazo para colação de argumentos até então não ventilados, a partir de manifestação em resultado de diligência, frisese, equivocadamente determinada. Ora, se o interessado não argüiu especificamente a reclassificação fiscal imputada pelas autoridades autuantes ao produto importado, mas tãosomente a possibilidade jurídica de sua realização, completamente descabida a altercação levada a cabo pelo colegiado a quo sobre o assunto, consubstanciando claro julgamento ultra petita. Na seqüência, concernente à modificação dos critérios jurídicos pelo lançamento, único ponto controvertido adequadamente devolvido ao conhecimento desse colegiado, dado o fato das declarações de importação terem sido, a seu tempo, desembaraçadas normalmente sem qualquer questionamento quanto à posição tarifária adotada, acentuo que o procedimento de revisão aduaneira, antecedente e originário do lançamento, conta com respaldo na legislação tributária, a teor o art. 638, caput do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), calcado no art. 54 do DL 37/66, prevê o seguinte “Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º).” Não sem razão o DL 37/66, na redação dada pelo DL 2.472/88, trata a revisão aduaneira como ato de “conclusão do despacho aduaneiro”, que, segundo o art. 44 do mesmo diploma, iniciase com o processamento da declaração de importação registrada pelo importador. Portanto, distintamente do que parece vislumbrar o recorrente, o despacho aduaneiro não se encerra com o desembaraço, que é mero ato de disponibilização da mercadoria ao interessado, não configurando essas providências em “lançamento”, nos moldes do art. 142 do Código Tributário Nacional, ao passo que, nos termos do mencionado DL 37/66, o despacho aduaneiro principia pelo registro da declaração de importação e se encerra com a Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.154 12 cognominada “revisão aduaneira”, ex vi dos indigitados arts. 44 e 54 do decretolei em comento: “Art.44 Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” A esse respeito, oportuna a transcrição de voto proferido pelo eminente Cons. Rosaldo Trevisan, integrante deste sodalício, no Acórdão 3401003.136, proferido na sessão de 16/03/2016: “Sobre o tema, já tivemos a oportunidade de externar entendimento em artigo publicado em 2012. Aproveitase para reproduzir excerto de tal estudo, plenamente aplicável ao caso aqui analisado (ainda que não verse sobre classificação de mercadorias):1 ‘O art. 638 do Regulamento Aduaneiro, com base no art. 54 do DecretoLei no 37, de 1966, com a redação com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, estabelece que revisão aduaneira ‘é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação’. A revisão aduaneira assume crescente importância, na medida em que se está selecionando para conferência aduaneira, no despacho, um percentual cada vez menor de declarações de importação. Chegase até a cogitar a impropriedade da denominação do instituto, visto que o termo ‘revisão’ sugere que já tenha havido uma primeira análise, o que nem sempre ocorre nas importações. No canal verde, por exemplo, sequer houve verificação da mercadoria ou exame documental; no amarelo, não ocorreu a verificação da mercadoria; e, mesmo no vermelho, pode ser que a verificação, feita por amostragem, não tenha abarcado especificamente o tópico que venha a ser discutido futuramente em procedimento de ‘revisão’ aduaneira. Assim, a revisão aduaneira (cuja denominação fica cada vez mais inadequada), em verdade, tornase frequentemente a primeira oportunidade em que as informações prestadas pelo importador na declaração de importação são checadas pelo fisco. 1 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.155 13 São numerosas as reclassificações de mercadorias desembaraçadas em canal verde (ou seja, sem qualquer intervenção humana).’ (op. cit, p. 364) (…) Equivocado, de qualquer modo, o argumento generalizado de que a autoridade conhecia os fatos, sendo o erro de direito, ocasionando ‘alteração de critério jurídico’ o que remeteria à jurisprudência utilizada na peça recursal. As contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a ‘lançamento por homologação’. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações (como a alíquota, se ad rem), e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é, então, sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). É míope e desconectada da realidade do comércio internacional a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante ‘revisão’ aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado (v.g., pela própria inexistência de fato do importador ou do real adquirente da mercadoria). É essa a realidade, hoje, no Brasil e em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento do mundo, que passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, repitase, protagonista nessa discussão (em face de o crédito poder ser exigido a posteriori).2 Assim, aquele que invoca a Súmula no 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), no Brasil, para tratar de ‘revisão’ aduaneira, está meio século atrasado na análise da questão, pois está a raciocinar na realidade da redação original do DecretoLei no 37/1966, e no contexto em que todas as mercadorias e todos os documentos de todas as declarações de importação eram (ou, ao menos, deveriam ser) examinados, quando hoje, a regra é a ausência de exame. 2 Como não é possível (nem efetivo) fiscalizar um percentual elevado das cargas que chegam ao País ou dele saem, investese em mecanismos de seleção fundados em parâmetros objetivos previamente cadastrados, permitindo que se verifiquem em despacho as mercadorias sobre as quais recai o mais alto grau de risco, ou as mercadorias com indícios de prática de fraude para a qual a fiscalização a posteriori seja improdutiva. Algumas infrações, como as relativas a propriedade intelectual, a saúde, ou que possam resultar em contrabando, devem ser tratadas em tempo de despacho. Outras, como o simples erro de classificação fiscal, ou o simples preenchimento incorreto de campo, poderiam ser objeto de fiscalização a posteriori (a menos que haja elementos que levem à convicção de que a empresa infratora é inexistente de fato, ou não disporá de patrimônio para saldar a dívida a posteriori, v.g.). Assim, a exemplo do que ocorre em diversos países, o Brasil prioriza, em despacho, o tratamento de um quantitativo reduzido de declarações, dando maior fluidez ao comércio internacional. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.156 14 Não é preciso muito esforço para perceber que a Aduana brasileira mudou em relação àquela que existia há meio século, à época em que se consolidou o entendimento expresso na súmula no 227, inadvertidamente mantido em realidade diversa, inclusive pelo STJ, como se depreende dos precedentes colacionados pela recorrente. (...) Aliás, o período em que eram atuais e pertinentes tais discussões foi a década de 80 do século passado. E tais discussões levaram justamente à alteração do DecretoLei no 37/1966, em 1988. O Capítulo III do DecretoLei no 37/1966 (referente a ‘Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias’) era originalmente subdividido em quatro seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 47; ‘conferência’, arts. 48 a 52; ‘desembaraço’ art. 53; e ‘revisão’ art. 54), estabelecendo este último artigo (54), único a compor a Seção IV, que: (...) O Decretolei no 2.472/1988, porém, deu nova redação a todo o Capítulo III do DecretoLei no 37/1966, que passou a contar com apenas duas seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 53; e ‘conclusão do despacho’ art. 54), dispondo, a partir de então, o artigo 54: (...) Percebase que o legislador, em 1988, não desejou somente retirar dos funcionários o percentual das diferenças apuradas, mas também libertarse da tradicional visão eminentemente tributária do despacho. E desejou ainda deixar claro que o despacho não termina com o desembaraço. Por isso intitulou o antigo artigo que tratava da ‘revisão’, na nova redação, como ‘da conclusão do despacho’.3 Assumese, com tal comando normativo, ainda vigente, que a fiscalização não se esgota com o desembaraço, e que a ‘apuração da regularidade’ (sem utilizar mais o texto de estatura legal a palavra ‘revisão’) da declaração desembaraçada não é efetuada fora, mas dentro do despacho, que ainda não está concluído até que haja manifestação expressa (com a ‘revisão’) ou tácita (com o decurso do prazo para sua realização). O termo ‘revisão’ aduaneira, inexistente na nova redação do art. 54, continuou a ser usado pelas normas de hierarquia inferior (v.g., Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009), mas deve se advertir que não se está, de fato, naquilo que ficou conhecido como ‘revisão aduaneira’, revisando algo, mas simplesmente apurando, em continuidade das verificações efetuadas (se efetuadas) antes do desembaraço, a regularidade da operação, em seus aspectos tributários ou aduaneiros, inclusive no que se refere a restrições/proibições à importação. (...) O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento ‘efetuado pelo importador’. Tal homologação ocorre apenas com a ‘revisão aduaneira’ (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A 3 Para deixar ainda mais claro que o despacho aduaneiro não termina com o desembaraço, tal Decretolei, ao dar nova redação ao art. 102, § 1o do Decretolei no 37, de 1966, dispôs que “não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ...". Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.157 15 homologação expressa, por meio da ‘revisão aduaneira’ de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que ‘a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento’). Ademais, se o julgador do CARF está a analisar matéria aduaneira, deve tomar como vigente o art. 54 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 2.472/1988, e que não apresenta a restrição defendida pela recorrente e por julgados do STJ, não podendo o julgador administrativo negar vigência ao referido artigo 54, ainda que por afronta a dispositivo do CTN ou da própria Constituição, por determinação da Súmula CARF no 2 (que, por certo, não se refere somente a ‘lei tributária’, mas também a lei ‘aduaneira’, ou mesmo de outro ramo jurídico).” (grifos no original) Assim, a revisão da classificação fiscal empregada, ou mesmo a correta aplicação de benefício fiscal, consiste em simples exercício de direito legalmente previsto, dentro do despacho aduaneiro, não representando qualquer inovação de critério jurídico, como defende o recorrente, dispondo a Administração Tributária do prazo de 05 (cinco) anos para sua realização, nos termos do já citado art. 638, § 2º, I. O acatamento da classificação fiscal pelas autoridades aduaneiras, à época do desembaraço, mesmo que direcionadas as importações aos canais amarelo e vermelho de fiscalização alfandegária, não é impeditivo à realização do procedimento de revisão aduaneira, não representando qualquer exceção à regra, ao passo que inexiste “lançamento” anterior a ser revisto, mas, isso sim, simples aferição de “apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador (...) prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração”, com a conclusão do despacho aduaneiro. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 1. Já conhecida por este colegiado nossa posição a respeito do convívio harmônico dos institutos da revisão fiscal e da revisão tributária do lançamento, como minudentemente externado, e.g., no Acórdão CARF nº 3401004.020, de nossa relatoria, Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.158 16 proferido em sessão de 28/11/2017, passamos a registrar e sintetizar nossas convicções para, em seguida, partir à análise do caso concreto. 2. A revisão fiscal, ou aduaneira, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. 3. Diversa é a revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se reavalia são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 4. Assim, a revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, em uma relação de completa compatibilidade. Na dicção do decretolei, o Estado, no exercício da função aduaneira, deverá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, como norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos quanto ao entendimento firmado respeitante aos efeitos tributários dos fatos conhecidos e reputados como fidedignos pela autoridade fiscal. 5. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. 6. Se todos os elementos do produto são conhecidos pelo Estado no momento da importação, não havendo sequer indícios de que os dados fornecidos contrariam a realidade, ou, dito de outra forma, para nos valermos de vocabulário de uma específica tradição de pensamento, diante da convergência entre eventos e fatos, a classificação fiscal da mercadoria em um determinado código da nomenclatura é um ato de aplicação do direito por excelência, que em nada difere de qualquer ato jurídico de concreção. Tal entendimento não é estranho a este Conselho, que aplica idêntico vetor racional ao entender, corretamente, que a perícia não pode jamais classificar o produto importado, mas apenas fornecer subsídios ao Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.159 17 aplicador ao esclarecer os atributos e as características do material a se classificar. Isto ocorre porque a decisão de vincular um produto a um código se trata de um típico ato de aplicação do direito. 7. O classificador se volta às regras e metaregras de seu repertório normativo, enquanto que o perito se volta aos elementos constitutivos do produto. Logo, indiferente é, ao profissional que realiza a perícia, a classificação correta, padecendo de qualquer propósito a pretensão de que, por meio de um laudo técnico, "tipifiquese" ou "classifiquese" o produto, pois não é tarefa do químico, do engenheiro ou do matemático aplicar o direito: podem participar da confecção da norma concreta, mas jungidos, restritos e atrelados a seu especialíssimo campo de atuação. Suas considerações técnicas acerca do produto deverão ser, sempre que pertinentes, acolhidas com redobrado interesse pelo direito, que envidará esforços para compreendêlas. Contudo, quaisquer suposições no que pertine à sua inserção em uma ou outra posição da nomenclatura deverão ser relegadas ao esquecimento no momento da fundamentação da decisão. 8. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".4 Assim, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito"5 e, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem", ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento".6 9. Não há dúvidas de que a Administração necessita empregar esforços para a rápida liberação dos produtos importados, o que demanda a criação de uma logística adequada. Contudo, tal argumento, de caráter extrajurídico, não nos parece ser suficiente, com todas as vênias, para afastar a vigência do Código Tributário Nacional, que disciplina tributos, inclusive aqueles que incidem sobre o comércio internacional. E é justamente por este motivo que a crítica à aplicação da Súmula nº 227 do Tribunal Federal de Recursos é limitada quando afirma que sua redação, ao tornar defesa a modificação dos critérios jurídicos que deram origem ao lançamento, padece de senilidade e anacronismo, pois feita para um tempo em que a autoridade fiscal poderia vistoriar in loco a maioria das cargas importadas, e que a sua aplicação nos dias de hoje entravaria portos e aeroportos. A crítica, de lege ferenda, ainda que importante, está em desconformidade com o direito, tema sobre o qual já escrevemos em artigo acadêmico.7 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 8ª edição, 2018, pp. 620622. 5 Ibidem. 6 Ibidem. 7 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org): "A postura de fato é consentânea com a concepção materializada na expressão nemo potest venire contra factum proprium, ou nulli concedictur venire contra factum proprium, ora entendida como corolário da segurança jurídica, da proteção da confiança e da previsibilidade, entendido pelo Supremo Tribunal Federal como vera vedação a comportamentos contraditórios. Tal vetor proibitivo de comportamento dissonante opera naqueles casos em que a contribuinte "(...) tem a sua confiança, gerada por um ato estatal anterior, frustrada por uma nova manifestação estatal posterior contraditória", com algum parentesco com duas velhas conhecidas do Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.160 18 10. Para Rubens Gomes de Sousa, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,8 aquilo que chamamos mais acima de "revisão tributária" (que revolve os critérios fundacionais do próprio lançamento), e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável.9 11. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão tributária deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".10 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário nº 37.141, cujo acórdão foi prolatado em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".11 12. A revisão do lançamento merece maiores reflexões no específico sentido de que se passe a estabelecer um diálogo mínimo entre os campos aduaneiro e tributário, sobretudo porque o tema tem despertado o interesse da comunidade jurídica, como é possível se constatar na produção especializada mais recente, e citamos, e.g., profícuo estudo empreendido por Túlio Terceiro Neto Parente Miranda, que retoma a discussão em torno da chamada verificação retificativa ao plano da proteção da confiança legítima "(...) relacionada ao dever de manutenção do comportamento estatal", o que mantém estreita relação "(...) com a boafé objetiva, na medida em que esta se presta como fundamento daquela".12 Irreprochável a sua análise, com supedâneo na obra de Castanheira Neves, quanto à incorreção da já superada cisão entre erro de fato e erro de direito no sentido de que algumas asserções devam ser provadas (alegações de fato), outras conhecidas (alegações de direito),13 pois o ato de classificar é, como se argumentou, um ato de decidir e não pode ser relegado para fora das fronteiras do campo do direito, mas é sobretudo feliz o autor ao identificar que parte do direito privado, a surrectio e a supressio, que igualmente tutelam a confiança no decurso do tempo. As preocupações em torno da bona fide são frequentes no direito e na reflexão sobre o seu abuso, e se manifestam em expressões antigas como tu quoque ou exceptio doli, sobretudo nas relações entre os particulares, consistindo em vetores interpretativos importantes para iluminar as relações jurídicas pautadas antes pelo primado do direito do que por disposições de império". 8 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 9 Ibidem. 10 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. 11 Ibidem. 12 MIRANDA, Túlio Terceiro Neto Parente. "Limites à revisão do lançamento e a segurança jurídica". In: SOUZA, Pedro Guilherme G. de. e DANTAS, Rodrigo N. Dubourcq (coords.). Obrigação tributária e segurança jurídica. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2016, pp. 85 a 87. 13 NEVES, Antonio Castanheira. Questãodefacto e questãodedireito. O problema metodológico da juridicidade Ensaio de uma reposição crítica. Coimbra: Almedina, 1967, p. 587: "(...) o facto não tem existência senão a partir do momento em que se torna matéria de aplicação do direito, o direito não tem interesse senão no momento em que se trata de aplicar o facto; pelo que, quando o jurista pensa o facto, pensao como matéria do direito" Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.161 19 problema em torno da revisão tributária se explica pela dificuldade em torno do lançamento: sua definição, suas modalidades e seus efeitos conforme cada uma das modalidades. 13. No caso em apreço, o que se denota é que a contribuinte teve parte de suas mercadorias desembaraçadas pelo canal verde e parte pelo canal amarelo de parametrização e que, em um segundo momento, procedeuse à revisão fiscal, em conformidade com o relatório de informação fiscal, situado às fls. 923 a 931, elaborado por determinação da Resolução nº 2.718 proferida pela autoridade julgadora de primeiro piso: 14. Entendemos que, para o exercício da liberdade ser considerado intangível, é necessário que haja uma base de confiança exercida e posteriormente frustrada. O art. 44 do DecretoLei nº 37/1966 prevê que as mercadorias provenientes do exterior estão sujeitas a despacho aduaneiro e, nos termos dos incisos I e II do art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, dispensase verificação física da mercadoria nos casos de parametrização pelos canais verde ou amarelo, segundo os critérios de seleção estatuídos pelo art. 50 do decretolei em referência e do art. 568 do RA/2009. 15. A revisão do lançamento tem como pressuposto a viabilidade do conhecimento, por parte da autoridade aduaneira, dos pressupostos fáticos que deram origem à obrigação tributária e, assim, cabe indagar se 17 DIs desembaraçadas pelo canal amarelo, que pressupõe o exame documental, seriam suficientes para se estabelecer uma base de confiança na relação em disputa. 16. Tal base é regida por critérios orientadores e, de fato, a permanência, no sentido de nãomodificabilidade, bem como a durabilidade da relação no tempo, podem conduzir a uma aparência de legitimidade que não sem razão operara no sentido de aumentar a confiança depositada pela contribuinte em seu relacionamento com as autoridades fiscais e aduaneiras ao realizar a importação sob uma determinada classificação. 17. Nos termos dos anexos da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, diversas são as informações que devem ser prestadas pelo importador, tais como a espécie ou tipo de embalagem utilizada no transporte da mercadoria, o número de volumes (quantidade), a somatória dos pesos brutos e dos pesos líquidos das mercadorias expresso em Kg e fração de cinco (5) casas decimais, além de detalhes como se o produto se trata de material usado, bem sob encomenda, a espécie, tipo, marca, número, série, referência, medida, nome científico e/ou comercial, etc. da mercadoria, o número de unidades da mercadoria na unidade de medida comercializada, entre um vasto seriado de informações. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10480.733168/201245 Acórdão n.º 3401004.446 S3C4T1 Fl. 1.162 20 18. Ainda que todas estas informações tenham sido prestadas pela contribuinte no período de apuração compreendido entre 15/04/2011 e 13/07/2011, e devidamente vistoriados pela autoridade aduaneira em 17 oportunidades, número de mercadorias desembaraçadas pelo canal amarelo, em nenhum momento se obstou a importação por meio da classificação indicada na DI. 19. Desnecessário se faz a vistoria física possibilitada, e.g., pela seleção ao canal vermelho, pois não está em disputa a veracidade das informações prestadas pela contribuinte ora recorrente o que, de toda sorte, atrairia a aplicação de outros dispositivos do ordenamento, como acima se descreveu. Em 17 oportunidades a autoridade aduaneira, diante deste quadro de eventos, franqueou a entrada das mercadorias pela classificação reputada como correta pelo particular. 20. Assim, ao perscrutarmos os indícios para a reconstrução da intensidade da confiança, deparamonos com uma manifestação em grau elevado, pois construída sobre uma sucessão de registros de desembaraço não automático de mercadorias, pois, apesar da dispensa de verificação física, exame documental houve, o que possibilita se falar em manifestação estatal posterior contraditória por parte da Administração, que dispunha da plenitude do repertório fático em concreto. 21. É evidente que existem graves e severas restrições ao poder de revisão dos atos administrativos, fundadas na crença na palavra do Estado, e a proteção da confiança do cidadão, como um dos fatores materiais da boafé, deve ser avaliada de acordo com os seus respectivos requisitos de aplicação e, no presente caso, vislumbrase a cristalização de um critério anterior: o procedimento de revisão aduaneira previsto pelo Regulamento Aduaneiro não implica (pois não pode implicar) revisão de critério jurídico, mas ato de aplicação do direito a partir do conhecimento ou possibilidade de conhecimento dos fatos, o que se deu em momento anterior ao procedimento de revisão. De maneira coerente, e diante da inexistência de controvérsia quanto aos fatos, uma vez que as demais declarações de importação, parametrizadas pelo canal verde, têm idêntica descrição quanto aos produtos importados, também a eles deve ser reconhecida a intangibilidade da classificação. 22. Assim, voto por conhecer, e julgar procedente o recurso voluntário neste particular. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1162DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000211/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FIRMADOS ANTES DE 31/10/2003.
A permanência no regime cumulativo da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do preenchimento de todos os requisitos exigidos pela referida norma.
Numero da decisão: 3301-004.359
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FIRMADOS ANTES DE 31/10/2003. A permanência no regime cumulativo da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do preenchimento de todos os requisitos exigidos pela referida norma. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Valcir Gassen. e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 11 /2 00 8- 30 Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.818 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório da DRJ/RJ1 no Acórdão 1260.718 17ª Turma da DRJ/RJ1 (flS. 1723/1764): Trata o presente processo de auto de infração de Cofins referente ao anocalendário 2004, no valor total de R$ 132.221,60, sendo que em relação ao período de janeiro de 2004, foi lançado o valor de R$ 2.958,47 a título de principal, multa de ofício no valor de R$ 2.218,85 e juros de mora calculados até 28/11/2008; em relação ao período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2004 foi lançado o valor de R$ 78.967,21, a título de principal e os juros de mora, calculados até 28/11/2008. O enquadramento legal consta às fls. 280/281. Do termo de Verificação Fiscal nº 5 (fls. 289/294), cabe transcrever o seguinte trecho: “1.1. A presente ação fiscal, em face do contribuinte acima qualificado, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2004, é decorrente do despacho constante do processo administrativo n° 15374.002583/200555, cujo objeto é o acompanhamento da tramitação, na 23ª Vara Federal, Seção Judiciária no Rio de Janeiro, do Mandado de Segurança n° 2005.51.01.0255810... ... Foi impetrada, em 05/12/2005, com vistas a formular pedido no intuito de afastar a incidência das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram o regime nãocumulativo para as contribuições para o PIS e COFINS, .... 1.2. Tendo havido êxito inicial na ação citada, diante da concessão, em 01/02/2006, de medida liminar, em favor das entidades impetrantes, no sentido de autorizálas a recolher as contribuições na sistemática anterior, com base nos mandamentos das leis n° 9.715/98 (PIS) e 9.718/98 (COFINS), vale dizer, de acordo com as regras do regime cumulativo, cujas alíquotas são menores do que as previstas no regime não cumulativo. Além disso, a liminar determinou a abstenção, a ser observada pela autoridade administrativa impetrada, no sentido de "não lavrar auto de infração, penalidades, ou qualquer ato tendente a punir as impetrantes em razão da liminar concedida". Em 18/08/2006, houve a concessão de segurança, confirmandose o afastamento da nova sistemática de apuração, sem, contudo, nada mencionar quanto à vedação de lavratura de auto de infração. 1.3. Inconformada, a União Federal ingressou com Apelação em Mandado de Segurança, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o qual foi recebido, em 25/03/2008, no efeito meramente Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.819 3 devolutivo, sendo esta a última movimentação processual descrita na certidão de objeto e pé, de 14/08/2008, disponibilizada pela fiscalizada. A pesquisa processual no site da justiça federal extraída em 27/12/2008, não sinaliza alteração no status quo processual. 1.4. Verificada a situação fiscal da empresa, observouse que a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica realizouse através do lucro real, conforme comprova extrato do sistema IRPJ, anexo. Assim, tomando em conta a natureza da atividade operacional da empresa (prestadora de serviços), salvo alguma previsão legal específica, o regime de tributação das receitas deveria ser o nãocumulativo, para fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2004. 1.5. Neste cenário, a ação fiscal teve início em 12/08/2008, ... foram requisitados diversos elementos documentais, em especial quadro demonstrativo mensal da base de cálculo da COFINS, referente ao anobase 2004, segregando a receita total entre as oriundas do regime cumulativo e do nãocumulativo. 1.6. Em 28/08/2008, o representante legal da empresa disponibilizou os elementos de interesse da Fiscalização, inclusive o demonstrativo solicitado, no qual ficou evidenciado o auferimento de receitas integrantes de ambos os regimes de tributação, as quais foram mensuradas em bases mensais. Por meio deste demonstrativo intitulado "Relatório de Pagamentos COFINS", verificouse, outrossim, que as receitas integrantes do regime cumulativo eram correspondentes a faturamentos oriundos de contratos "antigos", celebrados anteriormente a 31/10/2003, e que de acordo com a interpretação do sujeito passivo, não deveriam ser tributadas pelo regime não cumulativo. 1.7. No intuito de cotejar as bases mensais da COFINS, a fiscalizada foi intimada, em 13/10/200(8, por intermédio do Termo n° 02 Intimação Fiscal, de 11/10/2008, a apresentar planilha mensal, em meio digital e em papel devidamente assinado, intitulada "Mapa de Faturamento Por Ordem de Emissão de Nota Fiscal", na qual deveria constar o faturamento por nota fiscal emitida em cada mês do anocalendário auditado, os clientes contratantes, a data de emissão, o tipo de data de celebração do contrato referente à operação individualizada, bem assim os impostos efetivamente retidos em cada transação e o valor líquido recebido. Além disso, no mesmo termo, foi determinada a apresentação das notas fiscais emitidas naquele ano e os contratos a elas pertinentes. 1.8. Acatando pedido formulado pelo sóciogerente, acima qualificado, foi lavrado o Termo n° 03 Prorrogação de Intimação Fiscal, de 24/10/2008, tendo em conta a necessidade de tempo adicional para atendimento do Termo n° 02/2008, passando o novo prazo para o dia 06/11/2008. A apresentação das planilhas, referentes aos meses de fevereiro a dezembro de 2004, ocorreu apenas em 11/11/2008, ficando pendentes de Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.820 4 disponibilização, além da planilha referente a janeiro, os arquivos magnéticos (referentes às planilhas entregues impressas), as notas fiscais e os contratos celebrados. Destarte, alertado sobre as tais omissões o sóciogerente fez protocolar, em 01/12/2008, documento de apresentação das notas fiscais numeradas de 7707 a 8396, vias originais (posteriormente xerocopiadas) de alguns dos contratos mais antigos, ainda vigentes em 2004, bem como Mapa de Faturamento referente ao mês de janeiro de 2004. 1.9. Em 23/12/2008, o sóciogerente recebeu a ciência do Termo n° 04 Prosseguimento da Ação Fiscal, indicativo da continuidade do procedimento em tela. , ... 2.1. De posse de toda a documentação, foi verificado o seu teor, examinandose, em especial, os livros contábeis, os documentos fiscais (notas fiscais) e negociais (contratos), bem assim as declarações prestadas à Administração Tributária, notadamente as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF's)... ... a ação judicial em que a fiscalizada conta a seu favor de segurança, ainda não definitiva, eis que não apreciado até o presente a Apelação em Mandado de Segurança proposta pela União. Contudo, a medida, ora eficaz, gira no sentido de garantir à impetrante o recolhimento da COFINS desconsiderando as inovações introduzidas pela Lei n° 10.833/03, que inaugurou o regime nãocumulativo para a contribuição em comento. Todo o recolhimento efetuado pela fiscalizada poderia, então, ser efetuado com base no regime cumulativo, à alíquota de 3%. Bem verdade que a empresa não valeuse desse direito, como se verifica do primeiro demonstrativo apresentado (Relatório de Pagamentos COFINS), que aponta segregação da receitas de ambos os regimes e valor total apurado para COFINS, que foram integralmente informados em DCTF, vinculados a pagamentos através de DARF's, sem informação acerca de suspensão de exigibilidade. Isso porém não altera o quadro jurídico da situação, posto que, a qualquer tempo, enquanto eficaz a tutela judicial, a empresa pode valerse daquele direito... ... não há dúvidas de que a emanação judicial referenciada no subitem 1.2 acima quer apenas vedar possível punição a ser aplicada pelo fisco, em face dos impetrantes, por conta da liminar obtida, pois aí estaria a se atingir outro princípio constitucional, que confere a todos, sem possibilidade de exclusão, o acesso ao Poder Judiciário, ante lesão ou ameaça a direito. Nesse sentido, a atividade de lançamento, que é plenamente vinculada aos ditames da lei, não poderia sobreporse à Carta Maior. E o dispositivo de lei que regula a matéria (art. 63, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória n° Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.821 5 2.15835, de 2001), em perfeita harmonia com o ordenamento vigente, determina que na hipótese de lançamento com vistas a prevenir a decadência, como se afigura no caso vertente, enquanto eficaz medida judicial em favor do sujeito passivo, deverá ser efetuado sem imposição de multa de ofício, que possui caráter notoriamente punitivo. Assim, a possibilidade limitase à constituição do crédito tributário do principal (mais juros de mora), sem nenhum conteúdo sancionatório. ... verificada, no caso concreto, a necessidade de constituição do crédito tributário, pelas razões adiante explicitadas, inexiste lançamento de multa punitiva (multa de ofício, exceto em relação a janeiro de 2004, em que a ação não produz efeitos, por se referir ao regime cumulativo). Outrossim, nos termos do art. 63, da Lei n° 9.430/96, a exigibilidade deverá ser suspensa até decisão final da demanda judicial... ... De acordo com os demonstrativos apresentados pelo sócio gerente (Relatórios de Pagamento COFINS e Mapas de Faturamento), a maior parte das receitas deveriam ser tributadas segundo as regras do regime cumulativo, de vez que oriundas de contratos "antigos". De fato, o art. 10, XI, ‘b’ da Lei n° 10.833/03 (e alterações posteriores), reserva tratamento especial relativamente às receitas de contratos celebrados anteriormente a 31/10/2003, data de início da vigência do referido diploma. Contudo, a previsão legal em tela aponta para o que podemos didaticamente sintetizar em quatro requisitos, abaixo enumerados, os quais devem ser cumulativamente satisfeitos: a) Celebração até 31/10/2003; b) Fornecimento de bens ou prestação de serviços; c) Prazo de execução superior a um ano; d) Preço predeterminado. O não atendimento de qualquer dos requisitos acima, importa considerar, nos termos do Art. 111 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), a tributação da receita do contrato em análise dentro da regra geral, vale dizer, dentro do regime não cumulativo, em essência mais oneroso, eis que aplicável a alíquota de 7,6%. ... relativamente ao conceito de preço predeterminado, que, nos termos da IN SRF n° 658/2006, existem os seguintes aspectos a serem observados: i) As receitas relativas à prorrogação do contrato, válido e eficaz em 31/10/2003, permanecerão tributadas no regime cumulativo (respeitados os demais requisitos) até seu término, passando para o regime nãocumulativo, na hipótese de nova prorrogação (art. 4º); Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.822 6 ii) Contrato com alteração de preço, após 31/10/2003, decorrente de cláusula de reajuste ou para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro da avença, passará para o regime nãocumulativo (art. 3º, 2°), a partir da implementação do reajuste; iii) Reajuste de preços, após 31/10/2003, até o limite correspondente ao acréscimos dos custos de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado (art. 3º, § 3º, acima citado). O assunto já foi objeto de avaliação em inúmeras decisões administrativas, em especial pela Nota Técnica Cosit n° 1, de 16/02/07, a qual se debruça detidamente pela matéria ora em discussão... ... A maior parte das receitas auferidas em 2004 foram tributadas espontaneamente pelo contribuinte no regime cumulativo, baseandose no fato exclusivo de se referirem a contratos firmados até 31/10/2003. Intimado a apresentar todos os contratos vigentes naquele exercício fiscal, foram exibidos apenas os referentes ao regime cumulativo, ainda assim somente parte deles. Nesse aspecto, em relação aos contratos inicialmente considerados (pelo contribuinte) no regime cumulativo, que deixaram de ser apresentados, cumpre considerar não comprovados os requisitos legais determinantes para o referido regime e, em conseqüência, proceder a tributação das receitas correspondentes dentro do regime não cumulativo. Nesse contexto, deixaram de ser apresentados os contratos celebrados com: CAHDAM VOLTA GRANDE S/A; ZAMBONI DISTRIBUIDORA LTDA; CHOCOLATES GAROTO S/A; SOTREQ S/A; UNILEVER BRASIL LTDA (cessão de direitos não pertinente, pois assinada em 2006) e NEUTRAL (razão social não foi discriminada corretamente no Mapa). Em relação a todos os contratos, foi elaborado uma planilha intitulada "Quadro de Apuração do Regime de Tributação dos Contratos", que sintetiza diversas informações, como data de celebração; prazo de vigência e cláusula de prorrogação para efeito de verificar o limite temporal da avença anterior, contrato principal ou aditivo. A propósito, independente de assinatura de aditivo ou termo equivalente, a vigência do contrato em decorrência de prorrogação automática configura nova avença, devendo ser considerado no regime nãocumulativo, a partir da prorrogação. Outras informações constantes desta planilha são: o preço contratado; a previsão de reajuste; total dos pagamentos auferidos em 2004 (para efeito de verificar o preço efetivamente praticado); observações gerais do contrato e a conclusão quanto ao regime de tributação que deva ser aplicado ao mesmo. Sem embargo, insta fazer algumas considerações adicionais relativamente aos contratos apresentados. Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.823 7 i) UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA Celebrado em 12/06/2003, com prazo até 30/06/2004, sua prorrogação estava prevista a partir de 01/07/2004, o que representaria nova avença a partir desta data. Contudo, o exame do instrumento demonstra que o preço não era predeterminado ab initio, eis que negociado em cada Ordem de Serviço (OS), conforme cláusula 4ª. Assim, contrariamente à pretensão do contribuinte, devem as receitas dele decorrentes ser tributadas no regime nãocumulativo. ii) GILLETTE DO BRASIL LTDA Apresentados dois contratos, o primeiro assinado em 01/05/2001 e o segundo em 01/08/2003. Ambos com vigência de 1 ano, e com cláusula de prorrogação automática. Nos Mapas de Faturamento, as datas de celebração neles assinadas, em relação a tais contratos, há divergências (06/08/1991 e 06/08/1996), além de contrato "novo", sem indicação de data, cujo instrumento não foi exibido. A característica mais marcante de ambos diz respeito ao preço efetivamente praticado, que difere substancialmente dos valores contratados, o que determina descaracterização do preço predeterminado. Ademais, o preço efetivamente praticado apresenta uma grande variação mês a mês. Assim, contrariamente à pretensão do contribuinte, devem as receitas deles decorrentes ser tributadas no regime nãocumulativo. iii) FRIGORÍFICO TAMOYO LTDA Celebrado em 01/06/2001, com prazo de vigência de ano, e com cláusula de prorrogação automática. A característica mais marcante diz respeito ao preço, que, de acordo com a cláusula 4ª, deve ser estabelecido em termos aditivos referentes a cada operação de prestação de serviços, o que não se coaduna com o conceito de preço predeterminado. Assim, contrariamente à pretensão do contribuinte, devem as receitas dele decorrentes ser tributadas no regime nãocumulativo. iv) UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A Celebrado em 01/03/1998, com prazo de vigência de 1 ano, sem cláusula de prorrogação automática, deixando de atender o requisito que determina prazo superior a um ano. Além disso, o contrato não está assinado e o preço efetivamente praticado apresenta uma grande variação mês a mês. Por tudo, é inábil para justificar fatos geradores ocorridos em 2004 e a tributação pelo regime cumulativo. Assim, contrariamente à pretensão do contribuinte, devem as receitas dele decorrentes ser tributadas no regime não cumulativo. v) NESTLÊ DO BRASIL LTDA Apresentados dois contratos, o primeiro assinado em 01/05/1999 e o segundo em 01/02/2000, ambos com prazo indeterminado. Considerando que, embora o preço não esteja fixado em cifras predefinidas (só o 1º contrato, pois o 2º o preço é de R$ 28.791,84) o preço pode ser considerado predeterminado, pois a clausula 4ª, neste caso, prevê remuneração proporcional aos custos dos serviços prestados, vale dizer em razão da folha de salários, havendo previsão de reajuste sempre na mesma proporção. Além disso, o preço efetivamente praticado sofre variação discreta mês a mês. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.824 8 Cumpre ressaltar, que embora os vários contratos apresentados pelo representante legal tenham característica semelhante ao presente, eles recaem em algum aspecto impeditivo de se aplicar o regime cumulativo, o que não ocorre no caso desses dois contratos. Assim, de acordo com a pretensão do contribuinte, devem as receitas deles decorrentes ser tributadas no regime cumulativo. vi) COMPANHIA INDUSTRIAL SÃO PAULO E RIO CISPER Celebrado em 03/02/1991 com prazo indeterminado. A remuneração contratual segue as regras semelhantes ao contrato com a empresa anteriormente referida, ou seja, o preço pode ser considerado predeterminado pois a clausula 5ª, neste caso, prevê remuneração proporcional aos custos dos serviços prestados, vale dizer em razão da folha de salários, havendo previsão de reajuste sempre na mesma proporção. Além disso, preço efetivamente praticado sofre variação discreta mês a mês. Assim, de acordo com a pretensão do contribuinte, devem as receitas dele decorrentes ser tributadas no regime cumulativo. 2.4. Determinação da base de cálculo De acordo com as considerações acima expostas, cumpre recalcular as bases mensais da COFINS, tendo em vista a migração da maior parte das receitas do regime cumulativo para o nãocumulativo. Para tanto, foi necessária a elaboração de outras planilhas intituladas "Resumo Mensal do Mapa de Faturamento Por Contratante Anocalendário 2004 Regime de Tributação Apurado Pela Fiscalização" e "Demonstrativo de Apuração da COFINS a Pagar". A primeira planilha sintetiza os valores mensais recebidos pela prestação de serviços com cada contratante. Os valores mensais nela constantes foram consolidados a partir dos Mapas de Faturamento apresentados e assinados pelo sóciogerente, tendo sido realizado, previamente, o cotejo de cada nota fiscal com os montantes expressos nos Mapas, donde se observou perfeita identidade. As receitas foram segregadas entre as que devam ser tributadas sob o regime não cumulativo e o cumulativo, de acordo com a argumentação acima descrita, que foi sintetizada no Quadro de Apuração do Regime de Tributação dos Contratos. Os valores então consolidados foram transpostos para o Demonstrativo de Apuração da COFINS a Pagar. Aquele exame de cotejo das notas com os Mapas revelou, por outro lado, inconsistência dos valores informados a título de retenção na fonte (da COFINS e demais tributos federais), tendo o representante legal se limitado a inserir fórmula na planilha (formato excell), sem que os valores informados traduzissem a efetiva retenção ocorrida. Assim, os valores informados nos Mapas nas colunas referentes à retenção e COFINS foram desconsiderados, recorrendose, para efeito de informação e compensação à contribuição mensalmente devida, ao Livro Razão n° 12, fls. 18. Nesta segunda planilha, também foram aproveitados os créditos referentes ao consumo com energia elétrica, consoante disposição legal (art. 3º, III, da Lei n° 10.833/03), aplicando aos valores pagos à concessionária (LIGHT), informados no Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.825 9 Relatório de Pagamentos COFINS e constantes das Dacon entregues pela empresa, o percentual de 7,6%. Sem embargo, do valor da contribuição devida foi subtraída, outrossim, os valores declarados em DCTF, não sujeitos a lançamento de ofício. 2.5. De acordo com a exposição do subitem 2.2 acima, inexiste lançamento de multa punitiva (multa de ofício, exceto em relação a janeiro de 2004, em que a ação não produz efeitos, por se referir ao regime cumulativo) no presente auto de infração. Outrossim, nos termos do art. 63, da Lei n° 9.430/96. a exigibilidade deverá ser suspensa até decisão final da demanda judicial.” Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou com a manifestação de inconformidade de fl. 237 a 262, na qual alega, em síntese, que: o auto de infração foi lavrado tãosomente para prevenir a decadência, conforme previsto no art. 63, da Lei n. 9.430/1996, tendo a fiscalização deixado de constituir a multa de oficio ante a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários sob exame, nos termos do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional, até o trânsito em julgado da decisão judicial favorável ou até a cassação da liminar concedida nos autos do aludido Mandado de Segurança. Sem renunciar a discussão em curso na esfera judicial, entende que não merecem prosperar os fundamentos adotados pelo Sr. Fiscal ao pretender, equivocadamente, afastar o regime da cumulatividade da COFINS em relação às receitas oriundas de alguns contratos apontados no auto de infração (abaixo referidos), violando, diretamente, a regra do art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003. Preliminarmente, requer sejalhe devolvido o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar uma nova impugnação a este auto de infração, podendo assim exercer o seu direito à mais ampla defesa, em respeito ao devido processo legal, considerando que os livros contábeis e fiscais da impugnante, bem como as centenas de notas fiscais (diretamente relacionadas à lavratura do auto de infração em questão) ficaram apreendidos com a fiscalização até o dia 22.01.2009 (ou seja, por vinte e quatro dias após a ciência do auto de infração havida em 29.12.2008), quando finalmente foram devolvidos à impugnante (Doc.4 Termo s/n Devolução de Documentos pela SRF em 22.01.2009). Sobre o tema, a jurisprudência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), em especial a DRJ no Rio de Janeiro, e dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda é pacífica no sentido de que, em havendo demora na devolução dos documentos apresentados pelo contribuinte à Fiscalização, necessários à elaboração de defesa, o prazo deve ser devolvido, evitando a declaração de nulidade dos atos subsequentes, decorrente do cerceamento do direito de defesa. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.826 10 DO CONTRATO CELEBRADO COM A UNILEVER BEST FOODS BRASIL LTDA. A Lei n° 10.833/2003 instituiu o novo regime da não cumulatividade da Cofins, aumentando a alíquota desta contribuição de 3 para 7,6%. Contudo, esse mesmo diploma legal, em seu art. 10, XI, "b", determinou que as receitas oriundas de contratos firmados anteriormente a 31.10.2003, desde que preenchidos determinados requisitos, permanecem sob a incidência da Cofins no anterior regime da cumulatividade, sob a alíquota de 3%, como dispunha a Lei 9.718/1998. Da simples leitura do art. 10, XI, da "b", da Lei 10.833/2003, verificase que os seguintes requisitos devem ser atendidos a fim de que as receitas dos contratos continuem a ser tributadas pelo regime anterior da cumulatividade da COFINS: (i) a celebração do contrato (início da relação contratual) deve ser anterior a 31 de outubro de 2003; (ii) prazo de vigência do contrato deve ser superior a 1 (um) ano; (iii) o objeto contratual deve referirse a fornecimento de bens e serviços; e (iv) o preço dos bens/serviços deve ser predeterminado. Ocorre que, para a surpresa da impugnante, o auto de infração afastou o regime da cumulatividade da Cofins em relação a todos os contratos firmados com a UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA (doravante "UNILEVER BESTFOODS"). A impugnante celebrou com a UNILEVER BESTFOODS dois contratos com características e objeto absolutamente distintos, quais sejam: (i) Contrato n° 10733 de Prestação de Serviços de Reposição de Produtos de Merchandising, celebrado em 18.06.2003, com preço mensal predeterminado de R$ 1.370,00 (mil, trezentos e setenta reais) por promotor (Contrato da UNILEVER n° 10733 – Doc 5 fl. 302) (ii) Contrato n° 10734 de Prestação de Serviços Temporários, celebrado em 12.06.2003, com preço negociado pelas partes a cada O.S. (Contrato da UNILEVER n° 10734 Doc.6 – fl. 312) A fiscalização, ao adotar como premissa "o exame do instrumento demonstra que o preço não era predeterminado ab initio, eis que negociado em cada Ordem de Serviço (OS), conforme cláusula 4ª", deixou de verificar que a grande parte das receitas auferidas pela impugnante em relação ao cliente UNILEVER BESTFOODS referiuse ao Contrato 10733 (e não ao Contrato 10734) em que o preço é predeterminado conforme disposto no item "C" "Preço Mensal". Para demonstrar que, efetivamente, a maior parte dos valores pagos pela UNILEVER BESTFOODS no períodobase de 2004 Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.827 11 referiuse, em verdade, à prestação de serviços de reposição de produtos de Merchandising (objeto do Contrato n° 10733 com preço fixo de R$ 1.370,00), será necessário que todas as notas fiscais emitidas no anobase de 2004 sejam objeto de perícia contábil a ser realizada nos autos deste processo administrativo, permitindo, assim, que seja aferido adequadamente a que contrato (n° 10733 ou 10734) cada nota fiscal realmente se refere. No que toca ao outro fundamento adotado pelo Fiscal segundo o qual o contrato só seria eficaz até 30.06.2004 e que, após essa data, haveria uma nova avença é relevante esclarecer que essa conclusão não prospera, porquanto o contrato levado em conta pelo Fiscal foi o Contrato n° 10734 (celebrado em 12.06.2003 e sem preço predeterminado) e não o Contrato n° 10733 (celebrado em 18.06.2003, com preço mensal predeterminado de R$ 1.370,00), a que se refere a grande totalidade das receitas auferidas pela impugnante e pagas pela UNILEVER BESTFOODS no anobase de 2004. Além disso, em relação ao Contrato n° 10733 (de Prestação de Serviços de Reposição de Produtos de Merchandising, celebrado em 18.06.2003), é importante mencionar, conforme consta dos anexos aditivos contratuais (Doc 5), que: (i) o Contrato n° 10733/000 de Prestação de Serviços de Reposição de Produtos de Merchandising foi celebrado em 18.06.2003 com vigência entre 01.06.2003 até 30.06.2004, ou seja, com prazo superior a 01 ano; (ii) o mesmo Contrato n° 10733/000 de Prestação de Serviços de Reposição de Produtos de Merchandising foi prorrogado por meio do Aditamento Contratual n° 10733/001, prorrogando a sua vigência até 01.12.2005, com o mesmo preço de R$ 1.370,00. O reajuste do preço de R$ 1.370,00 para R$ 1.687,12, conforme previsto no Aditivo Contratual n° 10733/001, somente foi levado a efeito a partir do ano de 2005 (período que não está abrangido pelo presente auto de infração), em razão dos reajustes dos custos de preços em função da variação ponderada dos custos para a prestação do serviço pela impugnante, conforme disposto no art. 109 da Lei n° 11.196/2005 combinado com o art. 27, §1°, II, a Lei n° 9.069/1995. No que se refere ao outro requisito do art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003, atinente ao prazo de duração do contrato ser superior a 01 ano, é desnecessário maiores ilações para concluir que o prazo do Contrato n° 10733/000 (Doc 5), celebrado em 18.06.2003, e com vigência entre 01.06.2003 até 30.06.2004 possui vigência superior a um ano. O mesmo Contrato n° 10733/000 foi prorrogado por meio do Aditamento Contratual n° 10733/001 (também anexado ao Doc 5) para ampliar a sua vigência até 01.12.2005, permanecendo em vigor a mesma relação contratual iniciada desde 01.06.2003. Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.828 12 A previsão de prorrogação do Contrato n° 10733/00 pelo Aditamento Contratual n° 10733/001, mantendose a mesma relação jurídica, não poderia ter o condão de cindir o contrato celebrado entre a UNILEVER BESTFOODS e a ora impugnante em dois contratos distintos e estanques. Isso porque o termo prorrogação (alongar, dilatar) tem significado oposto ao de novação, que, como se sabe, pressupõe a extinção de uma relação jurídica para o surgimento de outro negócio jurídico, conforme previsto no art. 360 do Código Civil. As receitas auferidas pela IMPUGNANTE no curso anobase de 2004 e pagas pelo cliente UNILEVER BESTFOODS, sujeitamse à incidência do regime da cumulatividade, sob a alíquota de 3%, conforme previsto nos artigos 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03, 109, da Lei 11.196/2005 e 27, §1°, II, da Lei n° 9.069/1995. DOS CONTRATOS CELEBRADOS COM A GILLETTE DO BRASIL LTDA. E COM O FRIGORÍFICO TAMOYO LTDA. O Sr. Fiscal também entendeu descabida a incidência da regra do art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003 em relação aos contratos firmados com a GILLETTE DO BRASIL LTDA. (doravante "GILLETTE") e com o FRIGORÍFICO TAMOYO LTDA. Da leitura da cópia dos Contratos de Prestação de Serviços celebrados com a GILLETTE (Doc 7 – fl. 326) e com o FRIGORÍFICO (Doc 8 – fl. 364), depreendese que os contratos foram celebrados antes de 31.10.2003 e com prazo de vigência superior a um ano, considerando a cláusula de prorrogação automática. No que se refere ao requisito do preço predeterminado, a impugnante pondera ser totalmente infundada a premissa adotada pelo Sr. Fiscal segundo a qual "A característica mais marcante de ambos diz respeito ao preço efetivamente praticado, que difere substancialmente dos valores contratados, o que determina descaracterização do preço predeterminado. Ademais, o preço efetivamente praticado apresenta uma grande variação mês a mês". Ao deixar de considerar que os contratos em questão têm os seus preços predeterminados, o Sr. Fiscal, por equívoco, não atentou para o disposto nos Anexos contratuais (Doc 7 e 8) apontando os montantes predeterminados para cada classe profissional, deixando evidente, com isso, a predeterminação dos preços em questão. É relevante aduzir que o contrato firmado com a NESTLÉ BRASIL LTDA. (em relação ao qual, frisese, o Sr. Fiscal concluiu acertadamente que estavam preenchidos todos os requisitos do art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/2003, para a aplicação do regime da cumulatividade da COFINS, sob a alíquota de 3%) tem o mesmo formato jurídico dos contratos acima mencionados, onde está estabelecido o preço Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.829 13 predeterminado, que poderá variar mês a mês, dependendo do aumento da necessidade do serviço (cópia do contrato da NESTLÉ – Doc 9). O Sr. Fiscal, por lapso, deixou de verificar que os preços efetivamente praticados equivalem exatamente aos valores predeterminados previstos nos anexos contratuais. Vale dizer, a "variação de preços praticados mês a mês" a que se referiu a fiscalização decorreu tãosomente da variação do volume mensal de empregados que foi demandado pelos clientes GILLETTE e FRIGORÍFICO, sendo certo que tal diferença no volume do serviço prestado mensalmente jamais poderia ter o condão de afastar o caráter predeterminado previsto contratualmente e efetivamente praticado. Para demonstrar que o preço predeterminado do serviço contratado correspondeu exatamente àquele cobrado e recebido pela impugnante, será necessária prova pericial a ser realizada nos autos deste processo administrativo sobre as notas fiscais (juntadas no Doc 12) e sobre outros documentos contábeis e fiscais à disposição da perícia no estabelecimento da impugnante. O preço predeterminado do contrato não perde tal natureza simplesmente pelo reajuste decorrente da correção ante o aumento dos custos necessários à consecução do objeto do contrato. Se a pretensão do legislador, ao editar os artigos 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03, 109, da Lei 11.196/2005 e 27, §1°, II, da Lei n° 9.069/1995, fosse a de não abranger os contratos em que os preços predeterminados tivessem a possibilidade de reajuste, o termo legal apropriado seria o de preço fixo, que não se confunde com preço predeterminado. O preço fixo, diferentemente do predeterminado, não admite reajustes a partir do aumento dos custos necessários à prestação dos serviços objeto do contrato. DO CONTRATO CELEBRADO COM A UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A (UFE) O Sr. Fiscal também entendeu descabida a incidência da regra do art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003 em relação ao contrato firmado com a UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A (Doc 10) Apesar de o contrato prever que o seu prazo de duração seria de 01 ano, na realidade, ele foi prorrogado automaticamente, de modo que as obrigações nele previstas foram cumpridas integralmente por ambas as partes no curso do anobase de 2004. Como nenhum outro instrumento foi assinado pelas partes, é evidente e inquestionável que a relação jurídica existente durante o períodobase de 2004 permaneceu sendo regida pelo contrato de prestação de serviços sob exame, não havendo, portanto, qualquer razão para desconsiderar a sua legalidade, validade e eficácia. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.830 14 O item "E" do Preâmbulo do Contrato em questão prevê que os "Reajustes seguintes" seriam "anuais", sendo inequívoco que a intenção das partes, desde a assinatura do instrumento particular, era de dar prosseguimento à relação iniciada desde 01.03.1998 por um período muito superior a 1 ano, o que foi levado a cabo na prática, conforme se depreende da rápida leitura das anexas notas fiscais emitidas no anobase de 2004 (Doc. 12). Quanto à inexistência de assinatura das partes no instrumento do contrato original em março de 1998, impõese concluir que se trata de mera irregularidade formal, que não desnatura a vontade das declarantes, nem a prática comercial efetivamente havida no período. Em vista disso, tal lapso pôde ser sanado pelos sujeitos contratuais a menos de sete meses depois, em outubro de 1998, quando da assinatura do aditivo contratual (Doc 10). Logo, tal mero equívoco não poderia jamais se sobrepor à efetiva relação contratual havida no período sob exame e que foi respeitada nos exatos termos do instrumento celebrado. Quanto à variação do preço praticado, tal fato ocorreu, exclusivamente, em razão da variação da demanda dos serviços contratados em cada um dos períodos, bem como em virtude da simples correção dos seus custos necessários à prestação dos serviços, sendo certo que o mero reajuste do preço não desnatura o seu caráter "predeterminado". Desse modo, ao contrário da equivocada conclusão do Sr. Fiscal, (i) o contrato celebrado com a UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A e (ii) as notas fiscais emitidas em razão dessa relação jurídica havida no anobase de 2004 são idôneos para justificar a tributação pelo regime cumulativo, nos termos do art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/2003. DOS CONTRATOS CELEBRADOS COM (I) CAHDAM VOLTA GRANDE S/A, (II) SOTREQ S.A. E (III) INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA. O Sr. Fiscal também afastou o regime da cumulatividade da COFINS previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003 em relação às receitas oriundas dos contratos firmados com as sociedades (i) CAHDAM VOLTA GRANDE S/A (doravante "CAHDAM"), (ii) SOTREQ S.A. (doravante "SOTREQ") e (III) INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA., (doravante "NEUTRAL"). Provavelmente por equívoco, o Fiscal, entre as centenas de documentos objeto da fiscalização, deixou de verificar que os contratos relativos a essas três sociedades foram regularmente apresentados pela impugnante. Logo, é certo que a apresentação desses instrumentos contratuais por meio desta impugnação (Doc 11) Contratos da CAHDAM, da SOTREQ e da NEUTRAL) não pode ser rejeitada pela autoridade julgadora. A possibilidade de juntada de documentos (que não foram verificados pela Sr. Auditor no curso da fiscalização) no momento da impugnação administrativa também se coaduna com Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.831 15 o princípio da verdade material que, como se sabe, é aplicável aos processos administrativos a fim de que a tributação se restrinja à hipótese de incidência legal. Da simples leitura das seguintes cláusulas contratuais referentes às sociedades CAHDAM, SOTREQ e NEUTRAL, concluise que tais contratos de prestação de serviço (i) foram celebrados antes de 31.10.2003, (ii) têm preços predeterminados, (iii) tendo vigência maior que 1 (um) ano, daí porque as receitas auferidas pela impugnante no períodobase de 2004 deveriam ter sido submetidas ao regime da cumulatividade da COFINS (alíquota de 3%), conforme previsto no art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/2003. Tendo sido preenchido todos os requisitos do art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003, é inequívoco que os valores auferidos em razão da relação contratual havida entre a impugnante e as três mencionadas sociedades devem se sujeitar ao regime da cumulatividade da COFINS, sob a alíquota de 3%. DA PERÍCIA A impugnante apresentou provas robustas dos fatos e do seu direito, que determinam o cancelamento do Auto de infração, mas, caso o julgador entenda ainda necessário, a verdade material poderá ser confirmada através da realização de perícia técnica, com fundamento no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 07.03.1972. Assim sendo, requerse que o Sr. Perito esclareça os seguintes quesitos: 1) Queira o Sr. Perito proceder ao exame das notas fiscais emitidas pela IMPUGNANTE bem como de outros documentos fiscais e/ou contábeis pertinentes aos pagamentos efetuados pela UNILEVER BESTFOODS no períodobase de 2004 e discriminar quais se referem à prestação de serviços de reposição de produtos de Merchandising (objeto do Contrato n° 10733 com preço fixo de R$ 1.370,00) e quais se referem ao Contrato 10734, cujo objeto era a prestação de serviços temporários; 2) Queira o Sr. Perito proceder ao exame das notas fiscais emitidas no períodobase de 2004 pela IMPUGNANTE, bem como de quaisquer outros documentos fiscais e/ou contábeis que ora estão disponíveis à perícia no estabelecimento da IMPUGNANTE, a fim de esclarecer se é possível então concluir que os preços ajustados nos contratos referidos na impugnação eram predeterminados, e que as variações apontadas pela fiscalização mês a mês referemse, na verdade, à variação do volume mensal de empregados que foi demandado pelas sociedades destinatárias dos serviços prestados pela ora IMPUGNANTE; 3) Queira o Sr. Perito prestar quaisquer outros esclarecimentos que entenda necessários a partir do exame dos documentos fiscais e contábeis da IMPUGNANTE acerca da insubsistência do crédito tributário constituído através do auto de infração sob exame. Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.832 16 Nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 07.03.1972, a impugnante nomeia como seu assistente técnico, o Sr. Claudio Fernandes Lino Da Costa (RG n° 322721 MM, CPF/MF n° 628.392.09772, tel 91133243), e protesta pela apresentação de quesitos adicionais aos acima formulados, quando do deferimento da realização da perícia, no curso da sua realização e, inclusive, após a elaboração do laudo pericial. Por fim, requer: (i) seja concedida a devolução do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de uma nova impugnação até 21.02.2009 com a possibilidade de juntada de novos documentos, considerando o termo inicial de 22.01.2009, quando da entrega, pela fiscalização, dos elementos probatórios necessários à elaboração da defesa, conforme exposto na Seção 3 acima; (ii) seja o auto de infração integralmente cancelado pelas razões exposta nas Seções 3 a 7 acima; (iii) caso o eminente julgador considere necessário, requerse, respeitosamente, seja o presente feito convertido em diligência a fim de ser realizada a perícia técnica, nos termos em que foi requerido acima, permitindo que sejam verificadas as provas colacionadas com esta impugnação e quaisquer outros documentos contábeis e fiscais que o perito entenda pertinente, sem prejuízo da produção de outras provas, inclusive a documental suplementar. Em 24/01/2012, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 190/2012, para que a autoridade fiscal, com base nas alegações da interessada, nas notas fiscais, nos contratos de prestação de serviço, bem como quaisquer outros documentos fiscais e/ou contábeis pertinentes, esclarecesse se os preços ajustados em todos os contratos referidos na impugnação eram predeterminados, e se os demais requisitos previstos no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003 foram atendidos pela interessada em cada um dos contratos. No caso de terem sido atendidos ou parcialmente atendidos os requisitos previstos no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/2003, deveria ser elaborado um novo Demonstrativo de Apuração da COFINS. Do Termo de Encerramento de Diligencia Fiscal, cabe transcrever o seguinte trecho: “[...] 3. De acordo com a Resolução DRJ/RJO II n° 190/2012, o objeto da diligência é o esclarecimento quanto ao caráter predeterminado dos preços ajustados em razão dos contratos celebrados pelo contribuinte, mormente em relação àquele havido com a empresa UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA, CNPJ n° 01.615.814/000101,cujo instrumento negocial não fora apresentado no curso da auditoria fiscal. Portanto, cumpre Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.833 17 destacar, as ponderações apresentadas em sede de impugnação, ora apreciadas, cingemse aos pontos e documentação trazidos à colação, somente quando da impugnação, os quais não foram exibidos no curso da auditoria fiscal, ocorrida no período de julho a dezembro de 2008, em prestígio ao princípio da Verdade Material que preside o processo administrativofiscal. Neste contexto, também foram objeto de apreciação os contratos e documentos de suporte referentes às empresas CAHDAM VOLTA GRANDE S/A, CNPJ n° 00.422.450/000178; INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA, CNPJ n° 34.166.223/000145; SOTREQ S/A, CNPJ n° 61.064.689/000102 e GILLETTE DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 04.490.850/000176, eis que os documentos a elas relacionados não tinham sido exibidos no curso da fiscalização. No caso, desta última empresa, dois contratos na verdade tinham sido apresentados no decorrer do procedimento de fiscalização; contudo, na impugnação, foram aditados mais três, fato que ensejou o reexame documental a fim de se verificar em relação a cada qual deles vinculavamse às notas fiscais emitidas pela fiscalizada. [...] 2.1.2. Para o desenvolvimento da diligência em apreço, cumpre reafirmar a posição do fisco no sentido de que a análise se restringiu aos pontos impugnados, para os quais houve alguma inovação probatória no decorrer da impugnação em relação à etapa desenvolvida na ação fiscal propriamente dita, como assinalado no subitem 3 acima, em prestígio ao principio da Verdade Material. Não obstante, na prática, necessário se tornou verificar os pontos impugnados in totum, até mesmo no escopo de avaliar o que se tratava ou não de inovação probatória. Neste cenário, é que foi verificada a necessidade de intimação fiscal em relação aos contratos e documentação de suporte vinculados às empresas mencionadas no aludido subitem (3). Como não restasse evidenciada qualquer produção documental distinta da que a Fiscalização tivesse em seu poder, no decorrer da ação fiscal, para feitura do auto de infração, despicienda foi a intimação em relação às empresas FRIGORIFICO TAMOYO LTDA, CNPJ n° 20.395.778/000154, e UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A, CNPJ n° 33.393.133/000124. A despeito do fato de não ter havido na impugnação nenhum fato novo, é de salientar os termos do Termo n° 05 Verificação Fiscal, de 29/12/2008, que constitui parte integrante dos auto de infração lavrado, em cujo subitem 2.3.2, subitem "iii" foi assinalado um dos fundamentos para desconsideração do preço predeterminado em relação ao contrato com FRIGORÍFICO TAMOYO LTDA (fl. 366/378 Vol. 2, do eProcesso), vale dizer, os preços eram negociados por termos aditivos produzidos a partir da efetiva prestação de cada serviço. Tal conclusão encontra respaldo nos termos do instrumento contratual apresentado (preâmbulo, itens “C” e "D", e cláusula 4ª). Isso, por si só, desqualifica o enquadramento do contrato em apreço ao comando do art. 10, XI, 'b", acima reproduzido, de vez que o instrumento negocial sequer cumpre os requisitos formais previstos na norma legal. O caráter Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.834 18 predeterminado do preço encontrase desnaturado desde sua origem, tornando insuscetível qualquer interpretação em sentido contrário, por absoluta incompatibilidade de estar presente qualquer definição de preço, no momento da celebração do negócio jurídico, como a norma exige, diante de fatos futuros a serem ainda objeto de ajuste negocial. Tanto foi assim que foram observadas sucessivas alterações de preço em relação aos sete aditivos anexados na impugnação. No caso então da FRIGORIFICO TAMOYO LTDA sequer foi preciso mencionar que o prazo de duração não era superior a um ano (Preâmbulo item F), embora suscetível de prorrogação; que o reajuste seria realizado mediante acordo entre as partes (Preâmbulo item G) e, portanto, não necessariamente através de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. No que se refere à UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A, o subitem 2.3.2, subitem Miv" indicou que entre os fundamentos para desqualificação do contrato (fl. 390 Vol. 2, do eProcesso) além do preço que não se caracterizava como predeterminado, tínhamos o fato de que o instrumento era nulo de pleno direito, pois que não contava sequer com a manifestação de vontade dos pactuantes (assinatura das partes). Assim, em princípio, as receitas auferidas teriam por suporte outro instrumento contratual não apresentado pela fiscalizada (nem durante a ação fiscal nem quando da impugnação). Para contraditar tal ponto, referido no Termo de Verificação, a impugnante alegou estar superado o vício em decorrência do aditivo assinado pelas partes, em 01/10/1998 (fl. 398 Vol. 2, do eProcesso). Poderia até prosperar a alegação, caso o referido aditivo tivesse pertinência com o contrato principal. A simples observação de ambos os instrumentos demonstra que, em princípio, eles não têm correlação, pois o preço constante do contrato principal é de R$ 6.516,00, enquanto que no aditivo apresentado na impugnação é de RS 10.860,00, o qual foi mantido no aditivo, tendo apenas sido reajustado o número de empregados disponibilizados para a contratante (de 10 para 11). Logo, ambos não têm relação entre si, salvo a existência de outros aditivos também não apresentados. Isso, entretanto, afigurase improvável, de vez que o periodo mensal entre os dois ê de apenas sete meses, com alteração de valor desproporcional ao índice convencionado no contrato principal (IGPM). Assim, verificada a falta de correlação entre contrato principal e aditivo, permanece o vício detectado na ação fiscal, o qual não foi devidamente esclarecido pela impugnante. Ainda que superada esta deficiência, outros aspectos formais do contrato também o remetem ao regime nãocumulativo: O contrato tem prazo de duração de apenas um ano, vedada a prorrogação automática. Logo o contrato apresentado é, de plano, inadequado para a tributação cumulativa. Assim, as receitas auferidas teriam obrigatoriamente suporte em outro instrumento negocial, que não foi apresentado (o aditivo como visto não tem correlação). Além disso, há previsão de reajuste (item "E" do preâmbulo e cláusula 4.3) com base no IGPM, o que representa, como acima relatado, cláusula de reajuste ou para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro da avença, que caracteriza a Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.835 19 hipótese impeditiva para manutenção do regime cumulativo, nos termos do art. 3o, 2o, da IN RFB n° 655/2006. 2.1.3. Na verificação da documentação (contratos, notas fiscais e demais documentos correlatos) foi observado, no mais das vezes, um cenário de incerteza, primeiramente pela falta de apresentação completa de tais documentos na fase de fiscalização (e mesmo quando da impugnação). Em segundo lugar, porque, via de regra, as notas fiscais não continham a necessária vinculação com os contratos que dariam causa à emissão das mesmas. Invariavelmente, a discriminação dos serviços, nelas constante, era vaga, imprecisa, e correspondia a expressão "Prestação de Serviços ref. ao Mês tal, conforme Relação Anexa". Em terceiro lugar, pois os documentos de suporte (A "Relação Anexa" descrita na nota) constituíamse em meros demonstrativos de cálculo, documentos internos da impugnante, normalmente sem referência ao contrato, sem data, assinatura, timbre da empresa, nem o aval dos contratantes, um para cada nota fiscal emitida. [...] Considerados os apontamentos acima enumerados, relatamos adiante as conclusões referentes aos contratos com as empresas citadas no subitem 3, examinados em sede de diligência: 2.2. UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA A principal controvérsia assinalada na impugnação referese ao fato de que a maior parte das receitas auferidas em 2004 teria origem no contrato n° 10.733, tendo a Fiscalização se baseado apenas no único contrato à época disponibilizado, o de n° 10.734 (fls. 314/326 Vol. 2, do eProcesso). Este último é francamente tributável pelo regime nãocumulativo, eis que o preço era negociado em cada Ordem de Serviço emitida. Quanto ao contrato 10.734 não foi instaurado litígio, de vez que a impugnante não ofereceu qualquer manifestação de inconformidade quanto a este instrumento, tendo inclusive reconhecido que o preço correspondente não era predeterminado, como consta do item 4.6 da impugnação (fl 245 Vol. 2, do eProcesso). No que tange ao contrato 10.733 (fls. 304/312 Vol. 2, do eProcesso), visualizamos as seguintes características: Data de Celebração: 18/06/2003 Objeto: Serviço de Reposição de Produtos e Mershandising Vigência: 01/06/2003 a 30/06/2004 Prorrogação: sem previsão contratual Preço Contratado: R$ 1.370,00 mensais por promotor nas cidades preestabelecidas (Anexo 1) Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.836 20 Índice de Reajuste do Preço e Periodicidade: Não definido no preâmbulo Aditivos: Assinado em 18/07/2005, com efeitos contratuais a partir de 01/07/2004 As características acima revelam cumprimento dos requisitos formais estabelecidos na lei. Contudo, cabia verificar a obediência aos requisitos materiais: Após a coleta da documentação, objeto do Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de 20/03/2013, o trabalho no curso da diligência, então, encaminhouse para a análise das notas fiscais, uma a uma, para aferição quanto à vinculação das mesmas com os contratos apresentados. Embora tenha havido expressa solicitação para a impugnante apresentar documentos hábeis a comprovar a vinculação das notas fiscais emitidas com os contratos celebrados, o cotejo levado a efeito indicou o não atendimento na forma solicitada, deixando de haver perfeita correlação, contrariando o que era de se esperar. Os únicos documentos e suporte, além dos próprios contratos e notas fiscais, eram os demonstrativos de cálculo referente à apuração do valor faturado de cada nota, com as precariedades anotadas no subitem 2.1.3 acima. A despeito disso, constatouse haver, em relação à parte das notas fiscais, nexo de causalidade destas com o contrato n° 10.733. Todavia, a aquiescência ao regime pretendido pela impugnante se deu tão somente em relação àquelas receitas em cujos demonstrativos de cálculo houvesse indicação, com exatidão, do valor contratado por promotor e cuja descrição do serviço prestado, na nota fiscal correspondente, estivesse de acordo com o objeto do aludido contrato. Nesse sentido, notas fiscais referentes a despesas com locomoção, prêmios, ou preços diferentes do contratado devem ser tributadas no regime geral (nãocumulativo). Mesmo que a alteração seja para menor (como é o caso da NF 7907), não há como prevalecer a pretensão da impugnante, pois, neste caso, a vinculação não se estabelece em relação a qualquer dos contratos apresentados. Até porque, na elaboração do Mapa de Faturamento, de autoria da própria fiscalizada, está apontada a existência de "contratos novos" (designados por "N" no Mapa), assim por ela definidos como aqueles celebrados após 31/10/2003, os quais não foram apresentados em momento algum, nem durante a ação fiscal, nem na fase litigiosa, porquanto foram espontaneamente reconhecidos pela própria fiscalizada como submetidos ao regime nãocumulativo, conforme retrata o "Relatório de Pagamento Cofins", à época apresentado pela fiscalizada e anexado aos autos (fls. 114/116 Vol. 1, do eProcesso). Tais contratos "novos" devem permanecer sob o regime nãocumulativo, como informado pela própria fiscalizada, assim como em relação às notas fiscais cuja vinculação ao contrato não pode ser estabelecida (considerado "Indefinido"). Outro grupo de notas que deve permanecer sob o regime nãocumulativo diz respeito àquelas em foi apurada infração de caráter doloso e que gerou apuração de omissão de receitas (IRPJ) em outro processo administrativo Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.837 21 (12898.0001503/200971), embora referente ao mesmo ano de 2004, devido à constatação da prática de notas fiscais "calçadas". Sendo objeto de outro processo administrativo, as notas fiscais 7762, 7912 e 7913 foram nele tributadas (pela diferença entre o valor da via do cliente e da via subfaturada da fiscalizada). Logo, as notas fiscais desse grupo, cujos valores estão subfaturados no Mapa de Faturamento, não podem ser submetidas ao regime cumulativo, pois as diferenças decorrentes do subfaturamento já foram tributadas no regime geral e as dívidas constituem objeto de outro processo alusivo ao IRPJ. Exceção fica por conta das notas fiscais 7710, 7711, 7740, também subfaturadas. Entretanto, estas permanecem no regime cumulativo, pois referemse a fatos geradores de janeiro de 2004. Outro aspecto crucial que não pode ser olvidado remonta ao fato de que o contrato n° 10.733 tinha como limite temporal a data de 30/06/2004. Ainda que o aditivo tenha o mesmo objeto do contrato principal e possa ser considerado uma continuidade deste, conforme alegação no item 4.13 da peça impugnatória (fl. 248 Vol. 2, do eProcesso), para a lei fiscal e a norma regulamentar, transcorreu o tempo suficiente para o contribuinte se acomodar diante da nova realidade atinente à incidência tributaria. Destarte, as receitas havidas pela impugnante a partir de 01/07/2004 são submetidas, para fins tributários, à nova hipótese de incidência, devendo ser tributadas sob o regime nãocumulativo, independente de alteração de preço, nos termos do art. 4º, da IN RFB n° 658/2006 (subitem 2.1.1 acima). Diante de tudo, somente as notas fiscais 7708, 7709, 7760, 7761, 7776, 7777, 7821, 7822, 7831, 7859, 7860. 7861 e 7909, em face de UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA, foram consideradas de conformidade com o contrato n° 10.733, e dentro de seu período original de vigência, cabendolhes, a nosso juízo, tributação sob o regime cumulativo. Todas as demais devem ser tributadas através do regime nãocumulativo. No intuito de facilitar a análise levada a efeito no curso da presente diligência, foi elaborada a planilha intitulada "UNILEVER BESTFOODS DO BRASIL LTDA VINCULAÇÃO DAS NF's COM OS CONTRATOS", a partir dos dados do Mapa de Faturamento, comacréscimo das colunas "Contrato" para fins de identificação em relação a que contrato pertence cada nota fiscal; "Observações quanto à Vinculação das Notas Fiscais com o Contrato", para elucidação dos pontos que ensejaram considerar a tributação em um ou outro regime de apuração, e "Regime Após Diligência", que define a conclusão quanto ao regime cumulativo ou nãocumulativo, de acordo com as evidências observadas para cada nota fiscal. Apenas para fins de esclarecimento, convém ressaltar que quatro das notas fiscais (NF's: 7821, 7822, 7823, 7831) computadas no Mapa de Faturamento e respectivo Resumo Mensal do Mapa de Faturamento por Contratante (fl. 196 Vol. 1, do eProcesso), Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.838 22 como integrantes da base de cálculo de outra empresa do grupo econômico, a UNILEVER BRASIL LTDA, CNPJ n° 61.068.276/000104, no mês de abril, correspondem, na verdade, à empresa aqui tratada, ou seja, à UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA, CNPJ n° 01.615.814/000101. Contudo, o equívoco não tinha gerado repercussão alguma no crédito tributário apurado, pois como se vê no Resumo Mensal do Mapa de Faturamento por Contratante, a soma delas (R$ 47.637,70) foi considerada na primeira empresa mas excluída da segunda. No novo Resumo Mensal, elaborado conforme subitem 2.7, os ajustes foram realizados com a devida precisão. 2.3. GILLETTE DO BRASIL LTDA Na peça impugnatória, o contribuinte esboça a pretensão de retomar a tributação das receitas referentes a dois contratos (um "administrativo" e outro "financeiro") para a modalidade concernente ao regime cumulativo. Diante da apresentação de outros três contratos com a mesma empresa (fl. 342/363 Vol. 2, do eProcesso), embora os mesmos não tenham sido expressamente referenciados na peça impugnatória, conquanto apenas foram anexados, reputouse necessária a conferência das notas fiscais e sua vinculação ao conjunto dos contratos, para aclaramento da realidade dos fatos ocorridos, fim colimado pela autoridade julgadora. [...] Vêse que a exemplo do caso anterior, a fiscalizada apresentou durante a ação fiscal apenas parte dos contratos que manteve com a cliente. Na oportunidade, foram exibidos apenas os contratos administrativo (1) e financeiro (2), deixando de apresentar outros três, afora os denominados contratos "novos" (após 31/10/2003), tributados no regime não cumulativo, também presentes no Mapa de Faturamento para este cliente. Quanto ao aspecto formal constante dos contratos, notase que o financeiro (2), já deixa de atender, desde o início de sua vigência, os requisitos legais para permanência do regime cumulativo. Isso porque, como já relatado no Termo de Verificação Fiscal (item 2.3.2, “ii”) o contrato da área financeira já foi gestado com prazo de vigência não superior a um ano, não obstante a cláusula de prorrogação automática, produzindo efeitos a partir de 01/08/2003 até 31/07/2004. Ocorre, porém, que a prorrogação, no cenário vigente na data de 31/10/2003, era, sob o aspecto jurídico, evento futuro e incerto. Assim, nos termos dos arts. 105 e 116, II, da Lei n° 5.172/66 (CTN), os efeitos da continuidade do contrato, quando estaria configurada a vigência superior a um ano, só poderiam ser considerados a partir da efetivação da prorrogação automática que só ocorreu em 01/08/2004. Até essa data, assim, forçosamente, período em que os fatos geradores já estavam acabados, o contrato deve estar submetido ao regime não cumulativo. Após a aludida data, todavia, as receitas devem Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.839 23 continuar também do regime nãocumulativo, de conformidade com o disposto no art. 4º da IN RFB n° 658/2006. Note que a situação em exame difere da de outros contratos em que a vigência inicialmente prevista era de um ano, havendo cláusula de prorrogação automática, como o contrato da área administrativa (1). Isso porque como este (administrativo) se trata de contrato celebrado há mais tempo, quando se efetivou a sua prorrogação (01/05/2002) sem que tenha havido determinação quanto à futura vigência após a prorrogação, ainda não fora atingida a data de 31/10/2003, ou seja, nesta data em 2003, estavam reunidos os requisitos quanto à aspecto temporal (mais de um ano). Semelhante situação ocorreu relativamente aos contratos de Supervisão de Vendas (4) e de Limpeza (5), mas não em relação ao Financeiro (2), que, assim, não cumpriu o requisito temporal previsto na lei e no diploma normativo. Em relação aos demais contratos (1, 3, 4 e 5) os mesmos até poderiam, a nosso juízo, serem classificados dentro do regime mais benéfico; contudo, na verificação levada a efeito, apenas as receitas correspondentes ao contrato administrativo (1) mostraramse aptas a gozar, ainda assim parcialmente, o benefício referente ao regime cumulativo. Nesse sentido, para efeito de apuração no regime cumulativo, apenas foram considerados os faturamentos, cujos demonstrativos de cálculo indicassem coincidência de valor unitário por profissional cedido, conforme definido no aditivo ao referido contrato administrativo (1), cujos montantes estão assinalados na tabela acima. A partir da NF 7898 (04/06/2004), observouse alteração de preço em relação ao aditivo celebrado, decorrendo a partir de então o tratamento próprio do regime não cumulativo, para este contrato administrativo (1), por força do art. 3º, § 2º, da IN RFB n° 658/2006. Em relação aos outros contratos (2 a 5), não se constatou esta necessária coincidência no demonstrativo de cálculo, em momento algum, no ano de 2004, sendo este o único parâmetro existente para vinculação das notas e contratos. Dentre todas as notas fiscais e demonstrativos de cálculo analisados, para este cliente, constatouse, amiúde, falta de clareza quanto à vinculação entre tais elementos, o que ensejou caracterizar, na planilha elaborada (coluna "Contrato"), a expressão "Indefinido" (não identificado), para boa parte das notas faturadas, acarretando tributação pelo regime nãocumulativo. Além disso, os contratos "novos" (N), como assim assinalado pela impugnante no Mapa de Faturamento, apenas informados (mas não apresentados), devem ser também submetidos ao regime nãocumulativo. No caso específico do contrato o financeiro (2), que já não atendia ab initio o requisito temporal (de um ano), como acima relatado, e que pode ser identificado em alguns faturamentos, observouse que os preços praticados eram divergentes dos constantes no contrato principal, sem que tenha sido apresentado qualquer termo aditivo, tampouco comprovação de Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.840 24 que a alteração tenha sido decorrente do acréscimo dos custos de produção ou de variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados (até porque a cláusula vigente para alteração de preço era mediante acordo entre as partes). A impugnante foi evasiva na resposta referente ao item 2.3 do Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de 20/03/2013. Reafirmamos, assim, pelos vários motivos expostos, que a tributação deste contrato (2) também deva se fazer pelo regime nãocumulativo. Em relação ao contrato de limpeza (5) também identificado por conta do cabeçalho dos demonstrativos que fazia menção expressa ao contrato foi verificado que o preço praticado também estava em desacordo com o aditivo assinado em 01/08/2003, o que caracterizou alteração do preço vigente em 31/10/2003, acarretando, portanto, a impossibilidade de subsistir o caráter predeterminado do mesmo, consoante teor do já citado art. 3º, § 2º, da IN RFB n° 658/2006. Os contratos referentes à Locação de Mãodeobra (3) e Supervisão de Vendas (4) não tiveram correspondência no tocante às notas fiscais emitidas em 2004, em virtude da absoluta falta de vinculação dos instrumentos negociais com as notas e respectivos demonstrativos de cálculo, podendo estar abrangidos entre os "Indefinidos". Embora, tais demonstrativos, em muitos casos, viessem assinados com a taxa de 78% (o que indicaria se tratar do contrato 3), não há um mínimo de segurança quanto a este fato. Tratase de mera conjectura, em face da imprecisa descrição das notas fiscais, demonstrativos de cálculo (sem cabeçalho e referência ao contrato) e em razão da existência, inclusive, de contratos não apresentados com esta mesma taxa, como é o caso dos "novos". No caso dos contratos que puderam ser identificados (1, 2 e 5), a vinculação se deu não só pelos valores monetários praticados (o que já representa um avanço na tarefa de vinculação em relação a um mero percentual de lucro, que tende a se confundir com uma meta comercial, passível de ser praticada em outros contratos). Complementando o vínculo que pudemos observar, identificamos a associação também com as denominações das funções exercidas pelos funcionários cedidos ("Assistente administrativo", "Auxiliar e Serviços Gerais", "Secretária II", etc), além dos cabeçalhos quando existentes. Nos itens 2.1 e 2.2 do Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de 20/03/2013, houve solicitação expressa no sentido da impugnante comprovar a relação de vinculação das notas fiscais aos contratos, bem como identificação, para cada período mensal, o n° de funcionários efetivamente cedidos, bem como a carga horária efetivamente cumprida, acompanhada de demonstrativo de cálculo dos valores faturados, individualizando cada contrato, para depois consolidálos adequadamente em demonstrativo de cálculo mais abrangente. Nada disso foi providenciado, e diante da omissão da impugnante, coube à Fiscalização a tarefa de compilação dos dados então disponíveis. A busca da verdade real esbarra no limite do possível, sobretudo quando a iniciativa do interessado afigurase esmaecida. Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.841 25 Portanto, as notas fiscais emitidas em face de GILLETTE DO BRASIL LTDA, no ano de 2004, devem ter a tributação mantida segundo o regime nãocumulativo, exceto as referentes ao mês de janeiro, porquanto o aludido regime não tinha entrado em vigor, e as referentes ao contrato administrativo (1), até o mês de maio (NF's 7755, 7781, 7818 e 7858). No intuito de facilitar a análise levada a efeito no curso da presente diligência, foi elaborada a planilha intitulada "GILLETTE DO BRASIL LTDA VINCULAÇÃO DAS NF's COM OS CONTRATOS", a partir dos dados do Mapa de Faturamento, com os acréscimos de informações semelhantes ao descrito no caso da primeira empresa analisada (UNILEVER). 2.4. CAHDAM VOLTA GRANDE S/A Neste caso, o objeto da autuação ficou por conta, mais uma vez, da falta de apresentação do contrato correspondente (fls. 403/407 Vol. 2, do eProcesso), o qual só foi disponibilizado na fase contenciosa. As principais características do único contrato apresentado com a empresa em epígrafe são: Data de Celebração: 10/09/2001 Objeto: Serviço de Mershandising Vigência: 10/09/2001 a 09/09/2002 Prorrogação: Automática Preço Contratado: R$ 17.912,00/mês referente a 20 (vinte) promotores, ao custo individual de R$ 895,60 mensais nas lojas e supermercados do Estado de São Paulo Índice de Reajuste do Preço e Periodicidade: Mediante acordo entre as partes Aditivos: Nenhum apresentado A aferição dos requisitos formais do contrato permitenos classificá lo dentro do regime cumulativo, especialmente em relação ao preço, virtualmente predeterminado, e no que tange ao aspecto temporal, uma vez que em 31/10/2003, a vigência do contrato (prorrogado automaticamente em 10/09/2002) era indefinida, ou seja, superior a um ano, nas condições estabelecidas no art. 5º, da IN RFB n° 658/2006. Destarte, cumpria efetuar o cotejo nota a nota, juntamente com os demonstrativos de cálculo, para verificação quanto à efetiva execução do conteúdo avençado (requisitos materiais). Neste particular, ficou patenteado que os preços praticados em 2004 eram distintos daqueles contratados, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo, tampouco comprovação de que a variação observada fosse em decorrência do acréscimo dos custos de produção ou de variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. As notas fiscais emitidas, em 2004, correspondiam a faturamento por promotor ao custo individual de R$ 1.138,90, ao passo que o preço predeterminado no contrato era de R$ 895,60. Na resposta ao quesito 3.3, do Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.842 26 20/03/2013, a impugnante afirmou que em 2004 não houve alteração de preço. Isso é verdadeiro, porém, o teor da intimação não poderia se limitar ao ano de 2004, pois tinha relação com caráter predeterminado do preço desde o início do negócio jurídico e, principalmente, em relação ao preço praticado em 31/10/2003, como determinam as normas de regência. Remota é a possibilidade de que a alteração no preço tenha ocorrido em função de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, de vez que o reajuste estava respaldo em acordo entre as partes, como convencionado através da cláusula 4.3 e item "E" do preâmbulo. Ademais, é despiciendo ressaltar que o contribuinte contou com inúmeras oportunidades para comprovar que o preço em exame era predeterminado, tanto na fase de fiscalização, como na fase litigiosa e, recentemente, no âmbito da diligência fiscal. Como as despesas e locomoção, também computadas para fins de ressarcimento da contratada, constituem item acessório do serviço principal prestado (Mershandising) devem seguir tratamento tributário idêntico. Portanto, as notas fiscais emitidas em face de CAHDAM VOLTA GRANDE S/A, no ano de 2004, devem ter a tributação mantida segundo o regime nãocumulativo, exceto as referentes ao mês de janeiro, porquanto o aludido regime não tinha entrado em vigor. No intuito de facilitar a análise levada a efeito no curso da presente diligência, foi elaborada a planilha intitulada "CAHDAM VOLTA GRANDE LTDA VINCULAÇÃO DAS NFs COM CONTRATO", a partir dos dados do Mapa de Faturamento, com os acréscimos de informações semelhantes ao descrito no caso da primeira empresa analisada (UNILEVER). 2.5. INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA No caso em apreço (fls. 408/416 Vol. 2, do eProcesso), o objeto da autuação ficou por conta da recorrente falta de apresentação do contrato correspondente, o qual só foi disponibilizado na fase contenciosa. As principais características do único contrato apresentado com a empresa em epígrafe são: Data de Celebração: 01/08/2001 Objeto: Serviço de Reposição de Produtos e Mershandising e outros serviços a serem negociados (cláus. 7.5) Vigência: um ano (de 01/08/2001 a 31/07/2002) Prorrogação: Mediante manifestação de interesse das partes Preço Contratado: R$ 4.482,00/mês referente a 10 (dez) promotores, ao custo individual de R$ 448,20 mensais nas lojas e supermercados do Estado do Rio de Janeiro. Outros serviços a serem negociados (cláus. 7.5) Índice de Reajuste do Preço e Periodicidade: Mediante acordo entre as partes Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.843 27 Aditivos: Nenhum apresentado A aferição dos requisitos formais do contrato, de plano, não nos autoriza classificálo dentro do regime cumulativo, especialmente em razão do preço, virtualmente indefinido por conta da cláusula 7.5 que prevê a possibilidade de "outros serviços" a serem ressarcidos pela contratante, o que retiralhe o caráter predeterminado. Além disso, o aspecto temporal encontrase descoberto, eis que sua vigência encerrouse em 31/07/2002, não tendo sido apresentado qualquer instrumento aditivo, que seria necessário em função da cláusula 5.1, que não prevê prorrogação automática, mas tão somente possibilidade de continuidade mediante manifestação de interesse pelas partes. A consecução de faturamentos contumazes em 2004 não pode ser atribuída a contrato que findou em 31/07/2002 apenas porque havia possibilidade contratual de prorrogação que não se efetivava automaticamente. Além de tudo, não foram localizadas as notas fiscais emitidas, bem como a documentação de suporte, no meio das peças integrantes da impugnação. Tampouco, foram apresentadas as notas fiscais originais, como solicitado no Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de 20/03/2013, muito embora tenha sido concedida dilação de prazo para tanto. Ao fim do pedido de prorrogação para atendimento deste termo fiscal, apenas houve a apresentação da NF 7717, referente ao mês de janeiro, cuja tributação no regime cumulativo não muda o quadro decorrente da autuação fiscal. Ademais, é despiciendo destacar que o contribuinte contou com inúmeras oportunidades para apresentar, mas deixou de fazêlo, os elementos sobre os quais o próprio interessado pretende sejam periciados. Pelo exposto, as notas fiscais emitidas em face de INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA, no ano de 2004, devem ter a tributação mantida segundo o regime nãocumulativo, exceto a única nota referente ao mês de janeiro, porquanto o aludido regime não tinha entrado em vigor. Neste caso, sequer foi preciso elaborar as planilhas, como no caso das demais empresas, visto que não houve trabalho de cotejo de documentos fiscais e respectivos demonstrativos, em razão da falta destes. 2.6. SOTREQ S/A No caso em apreço (fl. 417/421 Vol. 2, do eProcesso), o objeto da autuação ficou por conta da reiterada falta de apresentação do contrato correspondente, durante a ação fiscal, o qual só foi exibido na fase de impugnação. As principais características do único contrato apresentado com a empresa em epígrafe são: Data de Celebração: 25/01/2001 Objeto: Locação de mãodeobra Vigência: Prazo indeterminado Prorrogação: Não se aplica Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.844 28 Preço Contratado: Reembolso salário, encargos sociais e taxa administrativa de 93%, estando todos os encargos sociais já incluídos nessa taxa. Índice de Reajuste do Preço e Periodicidade: Dependente da remuneração bruta consignada das cartasaditivas Aditivos: Nenhum apresentado A aferição dos requisitos formais do contrato permitenos classificálo dentro do regime cumulativo, especialmente em relação ao preço, considerado predeterminado, na medida em que foi fixado em moeda nacional individualmente por funcionário cedido. Destarte, cumpria efetuar o cotejo nota a nota, juntamente com os demonstrativos de cálculo, para verificação quanto à efetiva execução do conteúdo avençado (requisitos materiais). Neste particular, foi verificado que os preços praticados em 2004 eram distintos daqueles contratados, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo anterior a 31/10/2003, tampouco comprovação de que a variação observada fosse em decorrência do acréscimo dos custos de produção ou de variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Os demonstrativos de cálculo apresentados junto com as notas fiscais emitidas, em 2004, embora não muito esclarecedores, indicavam taxa administrativa diversa, aparentemente superior, daquela contratada (93%). Conforme entendimento definido no contrato, o percentual de 93% correspondia à taxa administrativa somada aos encargos sociais sobre a remuneração bruta de cada funcionário locado ao cliente. Os demonstrativos apresentados sugerem que a taxa mais encargos, efetivamente praticados, alcançam cerca de 98% (vfc demo calc), conforme se depreende da tabela abaixo, que destaca os valores de algumas das notas fiscais emitidas: Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.845 29 Em outras notas, a taxa praticada é de 112%, conforme expressamente informado nos demonstrativos. Ou porque decorrem de outro contrato não apresentado ou em razão de alteração de preço que o descaracteriza o seu caráter predeterminado, conforme a data em que tenha ocorrido. Na resposta ao quesito 5.3, do Termo n° 01 Inicio de Diligência Fiscal, de 20/03/2013, a impugnante se limitou a afirmar que em 2004 não houve alteração de preço. Como dito alhures, o teor da intimação não poderia se limitarão ano de 2004, pois tinha relação com caráter predeterminado do preço desde o início do negócio jurídico e, principalmente, em relação ao preço praticado em 31/10/2003, como determinam as normas de regência. A mudança do valor residual da taxa administrativa não se coaduna com a alteração em função de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, de vez que se trata de verdadeira margem de lucro da contratada, frequentemente negociada com a contratante. Ademais, é despiciendo ressaltar que o contribuinte contou com inúmeras oportunidades para comprovar que o preço em exame era predeterminado, tanto na fase de fiscalização, como na fase litigiosa e, recentemente, no âmbito da diligência fiscal. Outro grupo de notas emitidas pela impugnante em face da cliente em epígrafe corresponde a ressarcimentos de despesas, via de regra, Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.846 30 com materiais de limpeza, as quais estão totalmente fora do alcance do objeto do contrato apresentado, sendo insuscetíveis de serem tributadas sob o regime cumulativo. Pelo exposto, as notas fiscais emitidas em face de SOTREQ S/A, no ano de 2004, devem ter a tributação mantida segundo o regime nãocumulativo, exceto as duas referentes ao mês de janeiro (NF 7729 e 7730), porquanto o aludido regime não tinha entrado em vigor. No intuito de facilitar a análise levada a efeito no curso da presente diligência, foi elaborada a planilha intitulada "SOTREQ S/A VINCULAÇÃO DAS NF's COM CONTRATO", a partir dos dados do Mapa de Faturamento, com os acréscimos de informações semelhantes ao descrito no caso da primeira empresa analisada (UNILEVER). 2.7. Quantificação da Matéria Tributável após a Diligência Finalizando as apurações da presente diligência fiscal, e de acordo com as conclusões acima expostas, em relação aos contratos e documentos analisados, bem como apoiado nas planilhas produzidas relativamente a cada empresa que manteve relações negociais com a impugnante, foi elaborado o novo "2º Resumo Mensal do Mapa de Faturamento por Contratante", que substitui o anterior (de fl. 196 Vol. 1, do eProcesso). Através deste, foram sintetizadas as alterações referentes ás receitas revertidas do regime nãocumulativo para o cumulativo, em decorrência da análise acima exposta. Para o cálculo da Cofins a pagar, após as aludidas verificações, foi elaborado o novo demonstrativo de cálculo "2° DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA COFINS A PAGAR 2004", no qual estão retratados os valores mensais da contribuição a pagar. Para fins de instrução processual, tendo em vista o princípio de economia processual, deixam de ser anexadas as cópias das notas fiscais solicitadas no Termo de Início de Diligência, uma vez que as mesmas já foram acostadas (a partir de fls. 422, do volume 2 do eprocesso), e apenas foram solicitadas no curso da Diligência em razão de que parte delas não se encontram adequadamente legíveis. Contudo, o exame nos originais apresentados não indicou qualquer alteração, constituindose as cópias presentes no processo perfeitamente hábeis para compreensão e elucidação dos fatos. Por outro lado, os demonstrativos de cálculo, observados como únicos elementos passíveis de dimensionar algum vínculo das notas com os contratos, foram aditados ao processo, ainda que se tenha alguma repetição em relação ao que nele já constava. [...]” Cientificada do resultado da diligência, a Interessada manifestou se, novamente, alegando, em síntese, que: Considerando que o Mandado de Segurança n° 2005.51.01.0255810 ainda pende de decisão definitiva, ante o Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.847 31 principio da unidade da jurisdição, o presente processo deve ter a sua tramitação sobrestada, até o advento de decisão final transitada em julgado nos autos da demanda judicial. O procedimento fiscal determinado pela Resolução n° 190 foi realizado pelo mesmo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que efetuou a lavratura do auto de infração objeto do presente processo, o Sr. Wagner de Oliveira Freire (Matrícula n° 58.029), o que se afigura inteiramente incompatível com os princípios norteadores do processo, ante a ausência de imparcialidade. Evidente, portanto, que o Termo de Diligência é nulo, o que, por si só, determina (i) a sua desconsideração e o seu desentranhamento dos autos, a fim de que não influencie o julgamento do presente processo; (ii) bem como que os presentes autos sejam, novamente, baixados, a fim de que nova diligência fiscal, sem qualquer influência da diligência guerreada, seja realizada por um fiscal que não tenha qualquer vinculo com a autuação objeto deste processo, garantindose, assim, a segurança jurídica merecida. Noutro giro, as informações e argumentos levantados no Termo de Diligencia estão fundamentados na Instrução Normativa da (então) Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) n° 658, de 04.07.2006, norma infra legal interpretativa posterior à ocorrência dos fatos geradores (que datam do anocalendário de 2004). Como cediço, segundo o principio da irretroatividade, estampado no art. 150, III, da Constituição Federal de 1988 (CF/88), a norma tributária não pode ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes de sua edição e publicação (exceto quando se tratar de processo ou procedimento relacionado à aplicação de penalidade por infração à legislação tributária e a norma legal for mais benéfica ao contribuinte, situação manifestamente diversa da discutida nesse caso concreto). Nesse diapasão, o Termo de Diligência deve ser declarado nulo de pleno direito, tanto pelo manifesto impedimento do AFRFB em realizar a diligência fiscal, pois ele foi o responsável pela lavratura do auto de infração em comento, bem como por ter sido utilizada norma editada e publicada em 2006 para possibilitar a tributação de fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004. Sendo declarada nula a diligência realizada, requer a impugnante sejam baixados os autos em novo procedimento de diligência, a ser realizada por AFRFB que não tenha participado do procedimento de fiscalização, da lavratura do auto de infração, da instrução e/ou apreciação do presente processo administrativo, com vistas â análise imparcial da documentação. Caso não se entenda pela nulidade do Termo de Diligencia, as conclusões constantes do Termo de Diligência não merecem ser acolhidas quando do julgamento do presente processo Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.848 32 administrativo, uma vez que é inequívoco que o AFRFB, intuído a manter o lançamento que ele próprio realizou, partiu de meras premissas e presunções desprovidas de fundamentação fática e jurídica e alcançou conclusões sem qualquer lastro na farta documentação apresentada pela impugnante desde o procedimento de fiscalização. Toda a documentação solicitada foi devidamente apresentada, tanto durante o procedimento de fiscalização, como no decorrer da diligência fiscal realizada, tendo a impugnante, inclusive, prestado todos os esclarecimentos requeridos e se colocado à disposição do fisco para esclarecer quaisquer outras eventuais dúvidas e apresentar outros documentos necessários ao deslinde da questão. em relação à maior parcela das notas fiscais desconsideradas pelo AFRFB, como beneficiárias do regime cumulativo, houve desatenção por parte do Fisco, quando do cotejo nota a nota, em relação aos acréscimos e descontos devidamente indicados nos demonstrativos, muitos deles referentes à taxa de administração, cobrada a maior ou não cobrada em meses anteriores, despesas extraordinárias relacionadas ao contrato (não computadas no preço predeterminado) etc, o que se afigura de grande pertinência, uma vez que a presença dos referidos valores faz variar, a cada mês, o valor total cobrado pela impugnante, sem que isso permita afirmar que não existia um preço predeterminado. Feitos os esclarecimentos gerais acerca, do Termo de Diligência, que por si só comprovam ser inviável a sua utilização quando do julgamento do processo, a impugnante entende que, especificamente, em relação aos contratos firmados com seus clientes, alguns esclarecimentos merecem ser trazidos aos autos: Comprovada a continuidade do Contrato n° 10.733, firmado entre impugnante e a UNILEVER, em virtude de Aditivo Contratual n° 10.733/001, com o mesmo objeto do Contrato original, o lançamento referente a tal Contrato não merece prosperar, devendo ser cancelado. A propósito do Contrato Financeiro firmado entre a impugnante e a GILLETTE, o AFRFB presumiu que já teria sido "gestado com prazo de vigência não superior a um ano, não obstante a cláusula de prorrogação automática... a prorrogação, no cenário vigente na data de 31/10/2003, era, sob o aspecto jurídico, evento futuro e incerto". Ora, o contrato foi firmado com duração de 01 (um) ano, sendo prorrogável automaticamente. Assim, a simples prorrogação do contrato por mais 01 (um) mísero dia, já permite que ao mesmo seja aplicado o regime da cumulatividade. Além disso, quando a legislação previu um prazo superior a 01 (um) ano, a ratio legis, certamente, não foi a de vedar que os contratos com prazo de duração de exatamente 01 (um) ano fossem submetidos ao regime cumulativo, mas, sim o de Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.849 33 submeter os contratos firmados com duração menor que 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias menos de 01 (um) ano) à sistemática da nãocumulatividade, pois, ao que parece, o limite de 01 (um) ano foi o considerado como razoável pelo legislador ordinário para que se pudesse admitir ou não a benesse do regime menos gravoso. Assim, a exigência legal deve ser lida como "igual ou superior a um ano". Mas não é só! O AFRFB presumiu que a prorrogação do contrato seria um evento futuro e incerto. Analisando suas palavras, é de se constatar que ele tem razão ao expor que a prorrogação automática é um evento futuro, pois somente acontecerá quando do término do prazo predeterminado no contrato, todavia, equivocase ao afirmar categoricamente tratar se de um evento incerto, já que a certeza da prorrogação, no caso concreto, se deu quando não houve qualquer manifestação das partes em sentido contrário. Em síntese, o contrato foi prorrogado e teve sua vigência aumentada, perdurando, então por prazo superior a 01 (um) ano. Ora, a prorrogação automática de um contrato faz garantir, de plano, a continuidade da relação jurídicacontratual, inclusive nos exatos termos da origem, devendo o tempo de vigência do contrato prorrogado, acrescido de sua prorrogação, ser computado para todos os fins legais, inclusive, para os fins da Lei n° 10.833/2003. Ainda quanto ao Contrato Financeiro, firmado com a UNILEVER, o AFRFB assevera que os preços praticados após a prorrogação seriam divergentes dos constantes no contrato principal. Contudo, o AFRFB não considerou a existência de correção dos valores, conforme permitido pela legislação, bem como acréscimos e descontos, em decorrência de erros materiais quando da cobrança da taxa administrativa, em meses anteriores. Tais dados poderiam ter sido analisados pelo AFRFB através dos demonstrativos apresentados, tendo o mesmo, simplesmente, optado por manter o lançamento sob o fundamento de suposta divergência de valores. Cumpre esclarecer que, no que tange á correção monetária, o AFRFB, ao intimar a IMPUGNANTE durante o procedimento de diligência solicitou informações e documentos relativos, especificamente, ao anocalendário de 2004, não tendo solicitado qualquer informação concernente a anos anteriores. Se houvesse solicitado, exatamente como foi feito desde o procedimento de fiscalização, teria sido atendido e teria condições de constatar que a IMPUGNANTE cumpre todas as exigências legais para ter os seus contratos tributados na sistemática da cumulatividade. Em relação ao Contrato Administrativo, firmado com a GILLETTE, consta do Termo que a IMPUGNANTE não faria jus à permanência no regime cumulativo a partir da Nota Fiscal n° 7898 (emitida em 04.06.2004), tendo em vista a alteração do preço em relação ao Aditivo Contratual celebrado em 01.08.2003. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.850 34 Acontece que o AFRFB não atentou ao fato de que a alteração do preço foi para reduzir o valor cobrado, com vistas a manter a relação contratual, já que outras empresas atuantes no mercado ofereciam valores mais baixos do que os praticados pela impugnante. Ora, observese que nas Notas Fiscais dos meses subsequentes a 06/2004, o valor reduzido se manteve reduzido pelo restante do ano, não havendo qualquer variação. Em outras palavras, houve uma alteração do preço predeterminado, para menor, por convenção das partes (ato equiparado a um aditivo), não havendo que se falar, nesse caso, em divergência de preços e sujeição à sistemática não cumulativa. Ademais, o AFRFB fundamentou suas conclusões, acerca do Contrato Administrativo, na malfadada IN/SRF n° 658/2006, mais especificamente no § 2º do seu art. 3º, que fixa critérios para a aferição da predeterminação do preço. No entanto, como já aduzido na presente manifestação, a IN em questão não é aplicável ao caso concreto, por ser posterior ao contrato, às notas fiscais e ao fatos geradores. Relativamente ao Contrato de Cessão de Mão de Obra, o AFRFB alega que só seria possível atrelar o contrato às notas fiscais pela presença, em algumas delas, da taxa de administração de 78% (setenta e oito por cento), e que, por isso, não teria certeza da efetiva vinculação. Ora, a conclusão do AFRFB é manifestamente descabida, pois, dentre todos os contratos firmados entre a IMPUGNANTE e a GILLETTE, apenas um deles, o Contrato de Cessão de Mão de Obra em comento, tem pactuada a taxa de administração de 78% (setenta e oito por cento), de modo que não poderia vincular as notas fiscais a qualquer outro contrato. Noutro giro, é cediço que a existência de dúvidas do AFRFB ensejaria, no mínimo, a expedição de uma intimação à impugnante, a fim de que prestasse os devidos esclarecimentos. Ocorre, todavia, que o AFRFB, mais uma vez, optou por adotar a medida mais fácil para si (a manutenção do lançamento que ele próprio realizou) e a mais prejudicial para a impugnante (a sujeição à sistemática menos benéfica de recolhimento de tributo). Sem qualquer dúvida, se intimada, a impugnante teria esclarecido ao i. AFRFB que as notas fiscais, em que aparecem a taxa de administração de 78% (setenta e oito por cento), referem se ao Contrato de Cessão de Mão de Obra, pelo fato de ser o único contrato com previsão da taxa em tal percentual. Ocorre que preferiu permanecer inerte e manter o lançamento a buscar a verdade material, contrariando, mais uma vez, o disposto no art. 2° da Lei n° 9.784/99. Esclarecidos todos os pontos levantados pelo AFRFB, em relação aos contratos firmados entre a impugnante e a GILLETTE, é de se reconhecer que as receitas auferidas em decorrência de tais contratos merecem ser tributadas pela COFINS no regime cumulativo. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.851 35 A respeito do único contrato firmado pela impugnante com a CAHDAM, o AFRFB se manifestou ao final da diligência fiscal, expondo que teria ficado "patenteado que os preços praticados em 2004 eram distintos daqueles contratados, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo", pois segundo ele, remota seria a "possibilidade de que a alteração no preço tenha ocorrido em função de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados". Como se observa, também em relação ao contrato firmado com a CAHDAN o AFRFB parte de meras presunções para negar à impugnante o benefício legal de não se sujeitar ao regime não cumulativo da COFINS. Percebese, assim, que a diligência fiscal foi realizada em total desacordo com a real finalidade do processo e dos procedimentos administrativos tributários que é, em todas as instâncias, a busca pela verdade material, ou seja, a verificação do fato exigido pela lei para que a pretensão tributária seja legítima. Verificase, assim, que o AFRFB não poderia, sob nenhuma hipótese, reputar como remota a possibilidade de que a alteração no preço tenha ocorrido "em função de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" sem oferecer prova concreta em contrário, aliás, sequer apresentou uma planilha de cálculos que comprovasse seu argumento. Como cediço, deve fazer prova quem alega. Ante o exposto, as conclusões do AFRFB não merecem ser acolhidas, sendo certo que o reajuste do preço do contrato, sem qualquer dúvida, deuse em função de índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na prestação dos serviços, motivo pelo qual a parcela do lançamento relativa ao contrato firmado entre a IMPUGNANTE a CADHAN não merece prosperar, devendo ser cancelada. No que concerne ao contrato firmado entre a IMPUGNANTE e o FRIGORÍFICO TAMOYO, o AFRFB concluiu que não teria sido cumprido o requisito da predeterminação do preço, já que a previsão não consta do contrato, mas, sim, de aditivo contratual. No entanto, esclarecese que, como escriturado no Termo Aditivo n° (fls. 371), todo aditivo é "parte integrante do contrato", de modo que, urna vez firmado, ambos passam a reger conjuntamente a mesma relação jurídica, complementandoa, ratificandoa, retificandoa, prorrogandoa etc. Assim, considerando os aditivos ao contrato, anexados à impugnação, forçoso que se reconheça o caráter predeterminado do preço, já que o último aditivo firmado, o de n° 7, é datado de 01.07.2003, ou seja, antes do limite legal de 31.10.2003, estabelecendo o preço de R$ 539,28, devidamente cobrado pela impugnante. Desse modo, também a parcela do lançamento relativa ao contrato firmado entre a impugnante e o FRIGORÍFICO Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.852 36 TAMOYO merece ser excluída do lançamento, já que as receitas oriundas deste contrato devem ser tributadas pela sistemática cumulativa de recolhimento da COFINS. No que toca aos contratos celebrados entre a impugnante e a SOTREQ, entre a impugnante e a UNIÃO FABRIL e entre a impugnante e a SABÕES NEUTRAL, considerando que o Termo de Diligência em nada inova em relação ao que já havia sido aduzido pelo fiscal no Termo de Verificação Fiscal, a impugnante se reporta às alegações apresentadas em sua impugnação, que demonstram cabalmente que as receitas deles decorrentes devem ser tributadas pela COFINS segundo a sistemática do regime cumulativo. A DRJ/RJ1 considerou a manifestação de inconformidade procedente em parte, com a seguinte Ementa (fl. 1723/1724): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPUGNAÇÃO. ALCANCE. Consideramse impugnadas somente as matérias expressamente contestadas na impugnação PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. DILIGÊNCIA REALIZADA PELA AUTORIDADE FISCAL AUTORA DO LANÇAMENTO.NULIDADE.INEXISTÊNCIA A autoridade fiscal autora do lançamento contestado não está impedida pela ordenamento jurídico pátrio de realizar a diligência determinada pelo órgão julgador. Eventuais juízos de valor emitidos pela autoridade lançadora não maculam o procedimento, uma vez que não vinculam o julgador, que formará a sua convicção, devidamente fundamentada, com base nos elementos dos autos. Inexiste nulidade do procedimento fiscal relativo à diligência se não ocorreu violação das disposições contidas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, ou em demais normas do ordenamento jurídico. Ademais, o termo de diligência foi lavrado por pessoa competente, e o autuado teve ciência do inteiro teor desse termo e apresentou a manifestação em sua defesa, exercitando o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.853 37 dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FIRMADOS ANTES DE 31/10/2003. A permanência no regime cumulativo da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do preenchimento de todos os requisitos exigidos pela referida norma. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário, fls 1772/1800, no qual alegou em síntese: 4. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. 5. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A GILETTE DO BRASIL S/A 6. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM O FRIGORÍFICO TAMOYO S/A 7. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A 8. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A (I) SOTREQ S.A., (II) INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA. E (III) CAHDAM VOLTA GRANDE S/A É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.854 38 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao mérito, cabe colacionar esclarecimento inicial, elucidativo, constante da decisão recorrida (fl. 1756): Reside a controvérsia na definição do regime aplicável às receitas auferidas relativas em razão dos contratos firmados até 31 de outubro de 2003 apresentados pelo sujeito passivo, se Cofins cumulativo ou nãocumulativo. As normas que regem a matéria estão contidas na alínea ‘b’, inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03 e nas Instruções Normativas pertinentes. Abaixo, os dispositivos relevantes são reproduzidos. Lei nº 10.833/03 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; As instruções normativas relevantes são a IN SRF 468/04 e a IN SRF 658/06, mas esta revogou expressamente a primeira, regulamentando inteiramente a matéria. Assim, apenas parte dos dispositivos da última são abaixo reproduzidos: Instrução Normativa SRF nº 658/2006 Do Âmbito de Aplicação Art.1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art.2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.855 39 (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...) Depreendese dos dispositivos citados que a adoção do regime cumulativo para certas receitas dependem dos seguintes requisitos: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/2003; 3. contrato com prazo de execução superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. O não atendimento a qualquer dos requisitos acima, importa considerar a tributação da receita do contrato em análise dentro da regra geral, ou seja, pelo regime nãocumulativo, em essência mais oneroso, eis que aplicável a alíquota de 7,6%. Analisaremos agora essas questões em relação a cada um a um os tópicos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. 4. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. A questão é se a Recorrente poderia, na prorrogação do contrato, continuar no regime nãocumulativo para apuração da Cofins. Defendese no Recurso Voluntário que se trata de um contrato de prestação de serviços que foi celebrado em 18.03.2003 com vigência superior a um ano e foi prorrogado até 01.12.2005. Defende que, segundo a Lei, é garantida a permanência no regime cumulativo dos contratos firmados até outubro de 2003, pelo tempo que durarem e que esse entendimento seria válido na prorrogação. Ou seja: poderia a recorrente continuar no regime não cumulativo na prorrogação? Entendeu a Fiscalização e a decisão recorrida que não. Na decisão recorrida, com apoio no Relatório de Diligência, concluise: A interessada alega que comprovada a continuidade do Contrato n° 10.733, firmado entre impugnante e a UNILEVER, em virtude de Aditivo Contratual n° 10.733/001, com o mesmo objeto do Contrato original, o lançamento referente a tal Contrato não merece prosperar, devendo ser cancelado. Sobre esta questão, o fiscal autuante no Relatório de Diligência consignou que o contrato n° 10.733 tinha como limite temporal a data de 30/06/2004, e, ainda que o aditivo tenha o mesmo objeto do contrato principal e possa ser considerado uma continuidade deste, conforme alegado pelo interessado, para a lei fiscal e a norma regulamentar as receitas havidas pela impugnante a partir de 01/07/2004 são submetidas, para fins tributários, à nova Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.856 40 hipótese de incidência, devendo ser tributadas sob o regime não cumulativo, independente de alteração de preço, nos termos do art. 4º, da IN RFB n° 658/2006. Está perfeito entendimento do fiscal autuante. O art. 4o da IN/RFB nº 658/2006 diz exatamente isto: Art. 4 º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Sendo assim, não se verifica qualquer irregularidade na apuração feita pelo fiscal no que diz respeito às receitas decorrentes do contrato 10.733. Verificase, portanto, que o dispositivo normativo citado é diametralmente oposto à posição defendida pela recorrente: determina expressamente que no caso de prorrogação dos contratos vigentes em 31 de outubro de 2003 aplicase o regime não cumulativo. Dessarte, é de se concluir que carece razão à recorrente nesta matéria. 5. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A GILETTE DO BRASIL S/A A lide constante deste item abrange os seguintes contratos: administrativo (1), financeiro (2), locação de mãodeobra (3), supervisão de vendas (4) e limpeza (5). Em relação ao contrato financeiro, conforme consta do Recurso Voluntário, as receitas foram consideradas sujeitas ao regime da nãocumulatividade da Cofins porque o contrato não tinha prazo superior a um ano (01.08.2003 a 31.07.2004). Defende a Recorrente que o contrato já foi firmado com uma cláusula de prorrogação e que por essa razão teria prazo superior a um ano (fl. 1782): Assim, em resumo, tendo o contrato financeiro prazo superior a um ano, aplicase o regime da cumulatividade; não tendo, não se aplica. Considerando a hermenêutica do contrato e da legislação,verificase que o contrato financeiro foi firmado com prazo de vigência não superior a um ano e possuía uma cláusula de prorrogação automática, a qual poderia, inclusive, não se efetivar, se assim desejassem as partes. Portanto, a vigência inicial do contrato na data de 31/10/2003 era inferior a um ano. Propõese dessa forma, manter a decisão recorrida neste ponto. Ainda no que concerne ao contrato financeiro, especificamente em relação ao contrato de Limpeza e Administrativo, defende a Recorrente que deve ser afastado o entendimento da decisão recorrida de que não se trata de contrato com preço predeterminado porque os preços após a prorrogação seriam divergentes do preço inicial. Esclarece que essas Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.857 41 diferenças referemse a reajustes de valores, o que, defende, é permitido pela legislação. Assevera que o preço predeterminado do contrato não perde tal natureza simplesmente pelo reajuste decorrente de correção ante o aumento dos custos necessários à consecução do objeto. Contudo, esse ponto da discussão não se apresenta relevante para o deslinde da questão. Para ter direito ao regime da cumulatividade, a Recorrente tem que cumprir concomitantemente quatro condições: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/2003; 3. contrato com prazo de execução superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado Conforme se verificou, o contrato em pauta não se trata de contrato com prazo de vigência superior a um ano, não sendo necessário concluir a análise em relação aos preços predeterminados pois, independentemente desses preços, não se aplica a esse contrato o regime cumulativo. De todo modo, assentase que perfilhamos o entendimento da decisão recorrida de que preço predeterminado não comporta variações em função de aumento dos custos. Em relação aos contatos de locação de mãodeobra, afirma a Recorrente (fl. 1788) que a decisão recorrida apenas ratificou o argumento da fiscalização de que não foi possível fazer a correspondência entre as notas fiscais emitidas em 2004 e os respectivos contratos; defende que toda a documentação solicitada foi apresentada; alega que se há necessidade de novos documentos, estes deveriam ter sido solicitados, o que não ocorreu; se o Fiscal não foi capaz de fazer a relação entre as notas fiscais e não acolheu os esclarecimentos prestados, deveria ter sido acolhido o pleito da Recorrente e ter designado outro fiscal para fazer a diligência e reanalisar tais documentos; e reitera o pedido de que seja feita nova diligência com Auditor Fiscal. Cabe aqui trazer as observações constantes da decisão recorrida de que no curso da ação fiscal o interessado foi intimado diversas vezes a apresentar documentos e prestar esclarecimentos (itens 1.6 a 1.9 do Termo de Verificação Fiscal). No Termo de Início de Diligência Fiscal, o contribuinte foi, ainda, instado a apresentar a seguinte documentação: i) Notas fiscais originais emitidas e outros documentos que vinculem as NF's com os contratos firmados; ii) Documentação de controle que demonstre para cada período mensal o n° de funcionários efetivamente cedidos, bem como a carga horária efetivamente cumprida, acompanhada de demonstrativo de cálculo dos valores faturados; iii) Se for o caso, Demonstração de que eventual alteração dos valores contratados se refere a reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.858 42 produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. No Termo de Diligência, o fiscal afirmou ainda que “nada disso foi providenciado, e diante da omissão da impugnante, coube à Fiscalização a tarefa de compilação dos dados então disponíveis.” Dessa forma, acompanhamos a conclusão da decisão recorrida de que, claramente se verificou que o interessado teve numerosas oportunidades para se defender e contestar, juntando os documentos para sua defesa e o Fisco examinou sua escrituração, inclusive foi aberta diligência para esclarecer o afirmado na impugnação, por isso são descabidas as afirmações da impugnante. Agregamos que a atividade do Auditor Fiscal deve ser exercida nos termos da legislação e de forma impessoal, não cabendo a este CARF e muito menos ao contribuinte indicar ou excluir o Auditor Fiscal competente segundo a lei, a não ser que seja efetivamente comprovada suspeição ou impedimento. Propõese, portanto, manter a decisão recorrida no sentido de que não se verifica qualquer irregularidade na apuração feita pelo fiscal no que diz respeito às receitas decorrentes dos contratos firmados com a Gillete do Brasil Ltda. 6. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM O FRIGORÍFICO TAMOYO S/A Conforme consta do Recurso Voluntário, o contrato com o FRIGORÍFICO TAMOYO S/A foi celebrado em 01.06.2001, com prazo de vigência de um ano e cláusula de prorrogação automática. Para cada ano, foi elaborado um termo aditivo, fixando o valor do serviço: Termos Aditivos 1 a 7 (fls. 372/378). Em 01.07.2003, foi elaborado o TERMO ADITIVO NO. 007 (FL. 372), que, para a carga horária semanal estabelecida, fixou o valor do serviço (R$ 539,28). Segundo a Recorrente, esses termos aditivos são partes integrantes do contrato e que, portanto, o preço previsto nos termos aditivos caracterizase como preço predeterminado. Faz referência também ao contrato da Nestlé, em que o preço varia mensalmente dependendo do aumento da necessidade do serviço e que este teria sido devidamente aceito pela Fiscalização. Em relação ao preço deve ser observado o seguinte: 1 o prazo de vigência do contrato é de um ano conforme item F (fl. 366), sendo prorrogável automaticamente caso não haja comunicação em contrário (item 5, fl. 370); 2 o item D do Preâmbulo dispõe que o preço está discriminado no Aditivo e o item G dispõe que o reajuste será Mediante acordo entre as partes (f. 366); Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.859 43 3 a própria definição dos serviços prestados e das horas trabalhadas são definidas pelo Aditivo e estas ainda podem ser alteradas unilateralmente (item 4.2 do contrato). Cumpre retomar os requisitos para que os contratos em pauta possam se submeter ao regime da cumulatividade: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/2003; 3. contrato com prazo de execução superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado Neste caso, conforme se verifica originalmente nos contratos e se corrobora tanto na Diligência Fiscal quanto na decisão recorrida, não foram atendidos os itens 3 e 4, ou seja: o prazo de execução não era superior a um ano nem o preço dos serviços era predeterminado. Consignese que não cabe aqui manifestação em relação ao contrato celebrado com a Nestlé porque este não foi submetido a este CARF. 7. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AO CONTRATO FIRMADO PELA RECORRENTE COM A UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A Verificou a Fiscalização que o contrato firmado com a UFE UNIÃO FABRIL EXPORTADORA S/A, foi celebrado em 01.03.1998, com prazo de vigência de um ano, sem cláusula de prorrogação. Além disso, o contrato não estava assinado e o preço efetivamente praticado apresentava uma grande variação. Alega a Recorrente o seguinte: 1. O contrato foi, na realidade, prorrogado automaticamente; 2. Evidente que se o contrato é de 1998 e foi cumprido em 2004, ele foi prorrogado por prazo superior a um ano; 3. o fato de nenhum outro instrumento ter sido assinado corrobora o entendimento da Recorrente de que o contrato teve vigência por prazo superior a um ano; 4. constava do item E do Preâmbulo que haveria reajustes anuais; 5. a falta de assinatura das partes no contrato original, de 1998, configura mera irregularidade formal; 6. o mero reajuste de preço não configura variação no preço praticado; Cumpre retomar uma vez mais os requisitos para que os contratos em pauta possam se submeter ao regime da cumulatividade: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.860 44 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/2003; 3. contrato com prazo de execução superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado Não há outra conclusão a não ser a de que a Recorrente neste caso sequer provou haver um contrato celebrado entre as partes, muito menos que tinha prazo de execução superior a um ano e que praticava preços predeterminado; descumprindo portanto os requisitos para que pudesse utilizar o regime cumulativo. Portanto, por essas razões e pelos seus próprios fundamentos, propõese neste item manter a decisão recorrida. 8. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM RELAÇÃO AOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE COM A (I) SOTREQ S.A., (II) INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA. E (III) CAHDAM VOLTA GRANDE S/A Alega a Recorrente que a Fiscalização afastou o regime da cumulatividade da Cofins em relação aos contratos com SOTREQ S.A., INDÚSTRIA DE SABÕES NEUTRAL LTDA. e ) CAHDAM VOLTA GRANDE S/A porque estes contratos não foram apresentados à Fiscalização. Alega também que a decisão recorrida manteve o afastamento porque a Recorrente não fez prova "de que tais contratos se sujeitavam ao regime da cumulatividade da COFINS" (fl. 1794). Defende que esses contratos foram devidamente apresentados pela Recorrente por meio da impugnação e foram simplesmente ignorados pela autoridade julgadora e pugna pela prevalência da verdade material. Contudo, conforme se observa na decisão recorrida, o lançamento relativo ao contrato com a CAHDAM VOLTA GRANDE S/A foi mantido não porque foram desconsiderados os documentos apresentados na impugnação, mas porque não foram prestadas as devidas informações sobre a variação de preço em 2004. Vejamos: A interessada alega, que em relação ao contrato firmado com a CAHDAN o AFRFB parte de meras presunções para negar à impugnante o benefício legal de não se sujeitar ao regime não cumulativo da COFINS. Conclui que o reajuste do preço do contrato deuse em função de índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na prestação dos serviços, motivo pelo qual a parcela do lançamento relativa a tal contrato deve ser cancelada. Em relação ao contrato em questão, no Termo de Diligencia o fiscal afirmou que: “...ficou patenteado que os preços praticados em 2004 eram distintos daqueles contratados, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo, tampouco comprovação de que a variação observada fosse em decorrência do acréscimo dos custos de produção ou de variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. As notas fiscais emitidas, em 2004, correspondiam a faturamento por promotor ao custo Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.861 45 individual de R$ 1.138,90, ao passo que o preço predeterminado no contrato era de R$ 895,60. Na resposta ao quesito 3.3, do Termo n° 01 Início de Diligência Fiscal, de 20/03/2013, a impugnante afirmou que em 2004 não houve alteração de preço. Isso é verdadeiro, porém, o teor da intimação não poderia se limitar ao ano de 2004, pois tinha relação com caráter predeterminado do preço desde o início do negócio jurídico e, principalmente, em relação ao preço praticado em 31/10/2003, como determinam as normas de regência.” Cabe lembrar que no Termo de Início da Diligência o contribuinte foi instado a demonstrar, se fosse o caso, que eventual alteração dos valores contratados se refere a reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. A simples alegação de o reajuste do preço do contrato deuse em função de índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na prestação dos serviços, não pode ser considerada, principalmente diante do fato de que o contribuinte contou com inúmeras oportunidades para comprovar tal fato. Diante disto, não se verifica qualquer irregularidade na apuração feita pelo fiscal no que diz respeito às receitas decorrentes do contrato firmado com a Cahdam Volta Grande S/A. Dessarte, como a Recorrente teve amplas oportunidades de se manifestar, inclusive durante a Diligência, e não conseguiu demonstrar que cumpria os requisitos legais para continuar utilizando o regime de não cumulatividade, propõese manter a decisão recorrida neste aspecto. Em relação aos demais contratos, também concluiuse que, apesar de ter tido amplas oportunidades, a Recorrente não logrou provar que cumpria os requisitos legais para utilização do regime cumulativos. Dessa forma, propõese manter a decisão recorrida neste ponto, pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto por mas negar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 12898.000211/200830 Acórdão n.º 3301004.359 S3C3T1 Fl. 1.862 46 Fl. 1862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000020/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição à Cofins, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 20 /2 00 4- 05 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10954.000020/200405 Acórdão n.º 9303005.930 CSRFT3 Fl. 347 2 Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.593, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.833/03, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativo ao primeiro trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações (fls. 108/122) e Despacho Decisório (fls. 125/126), os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10954.000020/200405 Acórdão n.º 9303005.930 CSRFT3 Fl. 348 3 A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 259 a 274), suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matéria prima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 276 a 278. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 285 a 296. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 276 a 278. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10954.000020/200405 Acórdão n.º 9303005.930 CSRFT3 Fl. 349 4 como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o Fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10954.000020/200405 Acórdão n.º 9303005.930 CSRFT3 Fl. 350 5 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911852/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório pleiteado em DCOMP contra a Fazenda Nacional é do autor do pedido.
Não restando comprovado pela contribuinte, nesta instância recursal ordinária, o alegado erro de fato, - que teria implicado equívoco na apuração da base de cálculo, pagamento e confissão de débito a maior ou indevido em DCTF -, resta afastada a aplicação da Súmula CARF nº 84 pela preclusão da faculdade processual de produção de prova nesse sentido. Entretanto, em face da alegação nas razões do recurso de existência de saldo negativo, cabe afastar o óbice do pedido na DCOMP de restituição de estimativa mensal, e determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB para analisar a formação do crédito a título de saldo negativo do respectivo ano-calendário quanto à exação fiscal indicada como supostamente recolhida a maior; que se apure, se na data de transmissão da DCOMP, havia saldo negativo e se atendia aos requisitos de certeza, liquidez e caso ainda disponível.
Numero da decisão: 1301-002.992
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do direito creditório da contribuinte a título de saldo negativo levando em consideração todas as estimativas pagas no respectivo ano-calendário, retomando a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PER/DCOMP Recorrente MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLÓGICOS E HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório pleiteado em DCOMP contra a Fazenda Nacional é do autor do pedido. Não restando comprovado pela contribuinte, nesta instância recursal ordinária, o alegado erro de fato, que teria implicado equívoco na apuração da base de cálculo, pagamento e confissão de débito a maior ou indevido em DCTF , resta afastada a aplicação da Súmula CARF nº 84 pela preclusão da faculdade processual de produção de prova nesse sentido. Entretanto, em face da alegação nas razões do recurso de existência de saldo negativo, cabe afastar o óbice do pedido na DCOMP de restituição de estimativa mensal, e determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB para analisar a formação do crédito a título de saldo negativo do respectivo anocalendário quanto à exação fiscal indicada como supostamente recolhida a maior; que se apure, se na data de transmissão da DCOMP, havia saldo negativo e se atendia aos requisitos de certeza, liquidez e caso ainda disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do direito creditório da contribuinte a título de saldo negativo levando em consideração todas as estimativas pagas no respectivo anocalendário, retomando a partir daí o rito processual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 52 /2 00 9- 41 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911852/200941 Acórdão n.º 1301002.992 S1C3T1 Fl. 3 2 habitual, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Nesta instância recursal ordinária, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em face do Acórdão da DRJ/São Paulo I (4ª Turma) que julgara a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao manter o Despacho Decisório eletrônico da DRF/Salvador que não homologara a compensação tributária por inexistência do direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: a contribuinte informou em PER/DCOMP débito (s) para compensação com crédito de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL; o Despacho Decisório da DRF/Salvador denegou o crédito demandado, por estar inteiramente consumido, alocado ao débito de estimativa mensal confessado na DCTF, relativo ao respectivo período de apuração; que não há crédito disponível para ser utilizado na compensação tributária informada. Na manifestação de inconformidade apresentada na instância a quo, a contribuinte alegou: que cometera erro de fato quando da apuração da exação fiscal, efetuando recolhimento a maior ou indevido; que, ainda, confessara o débito de estimativa, assim apurado, na DCTF do respectivo período de apuração. que o crédito utilizado existe, decorreu de pagamento indevido ou a maior; que, portanto, efetuou corretamente a compensação tributária informada ao fisco. A DRJ//São Paulo I (4ª Turma), enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório demandado, pois: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911852/200941 Acórdão n.º 1301002.992 S1C3T1 Fl. 4 3 a) os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida; b) a contribuinte não comprovou nos autos, com documentação hábil e idônea, o alegado erro de fato na apuração do débito de estimativa mensal que teria implicado pagamento indevido ou a maior e que, ainda, teria implicado confissão indevida ou a maior do débito na DCTF; c) inexistência de direito creditório disponível, totalmente alocado, consumido, pelo débito de estimativa confessado na DCTF do respectivo período de apuração. Ciente desse decisum e irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, argumentando: que o crédito pleiteado é flagrantemente legítimo e suficiente para lastrear a compensação declarada; que o débito do imposto/contribuição foi recolhido e confessado na DCTF, apurado por estimativa mensal; que, entretanto, encerrado o anocalendário em tela, restou apurado saldo negativo do imposto e da CSLL com base em balancete de suspensão/redução, conforme DIPJ; que, portanto, faz jus ao crédito pleiteado e à homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.990, de 12/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911851/2009 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.990): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a analisar o mérito da lide. Conforme relatado, a contribuinte pleiteou na DCOMP, nestes autos, o direito creditório que teria pago a maior ou indevido de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911852/200941 Acórdão n.º 1301002.992 S1C3T1 Fl. 5 4 estimativa mensal do IRPJ ou CSLL, porém não comprovou o alegado erro de fato para que: a) pudesse justificar o reconhecimento do crédito como pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, nos termos da Súmula CARF nº 84; b) pudesse justificar a revisão do débito confessado na DCTF, nos termos do art. 147,§§ 1º e 2º, do CTN. Por isso, as decisões anteriores nestes autos denegaram o direito creditório pleiteado, por estar alocado, inteiramente consumido pelo débito de estimativa mensal confessado na DCTF do respectivo período de apuração. Nesta instância recursal, nas razões do recurso a contribuinte voltou a reiterar os mesmos argumentos deduzidos na instância a quo e, novamente, não produziu prova do alegado erro de fato. Porém, alegou nas razões do recurso a existência de saldo negativo. Ora, no processo de compensação tributária a contribuinte é autora do pedido de aproveitamento de suposto direito creditório para encontro de contas com débitos confessados na DCOMP. Como autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional, a contribuinte tem o ônus de provar, demonstrar nos autos, o fato constitutivo do alegado direito de crédito. Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 373, I, do novo CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária nas lides tributárias federais, in verbis: (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) O momento para produção da prova é por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade na instância a quo, conforme art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda, a contribuinte tem que comprovar que na data da transmissão da DCOMP o crédito utilizado na compensação, sob condição resolutória, atendia ao requisitos de liquidez e certeza (CTN, art. 170) e disponíbilidade. Porém, tanto na instância a quo, quanto nesta instância recursal, a recorrente não se desincumbiuse do seu ônus probatório, ou seja, deixou de comprovar o alegado erro de fato. Não obstante, em face do princípio da verdade material e do formalismo moderado e tendo alegado na razões do recurso existência de saldo negativo, entendo cabível se afastar o óbice Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911852/200941 Acórdão n.º 1301002.992 S1C3T1 Fl. 6 5 do pedido na DCOMP de restituição de estimativa mensal, e determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB par analisar a formação do crédito a título de saldo negativo do respectivo anocalendário, para que se apure, se na data de transmissão da DCOMP, o saldo negativo atendia aos requisitos de certeza, liquidez e caso ainda disponível. Quanto à aplicação da Súmula CARF nº 84, houve preclusão nestes autos da faculdade processual de fazer prova do alegado erro de fato que pudesse justificar sua aplicação e revisão da DCTF, pois a contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório de provar o fato constitutivo do direito alegado, ou seja, o alegado erro de fato. Para repetição do saldo negativo não há que se falar em erro de fato e/ou pagamento indevido e/ou confissão a maior ou indevida em DCTF, mas apenas analisar a formação do saldo negativo, ou seja, se o crédito preenchia os requisitos de liquidez e certeza nos termos do art. 170 do CTN, na data de transmissão da DCOMP e ainda disponível. Como o processo demanda instrução complementar, a contribuinte não juntou aos autos sequer cópia completa da DIPJ respectiva, pois juntou apenas fragmento da Ficha 11 e cópias dos DARF de pagamentos, não juntou os balancetes de suspensão/redução (Lei 8.981, art. 35), não juntou aos autos a sua escrituração contábil e fiscal, entendo que: se deve afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal, falta de comprovação do alegado erro de fato), pois para restituição de saldo negativo não há que se falar em erro de fato na apuração da base de cálculo, pagamento indevido e ou confissão de débito a maior ou indevido em DCTF, basta tão somente analisar a formação do saldo negativo do ano calendário respectivo, se atendia doravante, nestes autos, faça se a análise do direito creditório pleiteado como pedido de saldo negativo. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Salvador, para que analise, doravante, o pedido do direito creditório da contribuinte a título de saldo negativo (se atendia, na data de transmissão da DCOMP, os requisitos de certeza e liquidez e se ainda disponível) e para tanto que proceda a intimação da contribuinte a fim de que produza as provas do fato constitutivo do direito creditório a título de saldo negativo do respectivo ano calendário quanto à exação fiscal indicada como recolhida a maior (Decreto nº 70.235, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373,I). É como voto." Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911852/200941 Acórdão n.º 1301002.992 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do direito creditório da contribuinte a título de saldo negativo levando em consideração todas as estimativas pagas no respectivo anocalendário, retomando a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724785/2015-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico e a comprovação de aposentadoria apresentados pela Recorrente suprem a exigência legal.
Numero da decisão: 2001-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico e a comprovação de aposentadoria apresentados pela Recorrente suprem a exigência legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 47 85 /2 01 5- 96 Fl. 117DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 12.236,16, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: Tratase de impugnação a lançamento fiscal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2012 (fls. 50/53), que apurou imposto de renda suplementar de R$ 12.236,16, em substituição a saldo de imposto de renda a restituir declarado, de R$ 8.610,50. O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (fl. 2) alegando a isenção dos rendimentos porque rendimentos de aposentadoria ou pensão de portador de moléstia grave, neoplasia maligna, conforme laudos e exames (fls. 10/14). (...) A isenção do imposto de renda de proventos de aposentadoria, reforma e/ou pensão em virtude de condição pessoal de portador de moléstia grave está disciplinada na Lei nº 7.713, de 1988, incisos XIV e XXI (pensão) e alterações supervenientes. A Instrução Normativa RFB Nº 1.500, de 2014, assim sintetiza a questão. (...) Enfim, a isenção capitulada nestes dispositivos alcança exclusivamente os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19985.724785/201596 Acórdão n.º 2001000.290 S2C0T1 Fl. 118 3 portador de doença grave especificada em lei e comprovada por laudo pericial de serviço médico oficial. Inicialmente, observase que a condição pessoal de portador de moléstia grave (neoplasia maligna) é comprovada com laudo médico oficial (fls. 76/77), corroborada por exames (fls. 78/91). Cabe esclarecer que a isenção concedida na Lei nº 7.713, de 1988, a rendimentos de portadores de moléstia grave alcança, exclusivamente, os rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão e mesmo alertado pela Fiscalização (Termo Circunstanciado) da falta de comprovação de que todos os rendimentos considerados omitidos teriam esta natureza, devido à baixa qualidade da cópia do Diário Oficial (fls 15), o contribuinte nada apresentou. Enfim, não foi comprovado documentalmente o outro requisito da isenção. (...) Isto posto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação e por manter o imposto de renda suplementar exigido com os acréscimos legais pertinentes. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 119DF CARF MF 4 (...) (...) Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19985.724785/201596 Acórdão n.º 2001000.290 S2C0T1 Fl. 119 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": Fl. 121DF CARF MF 6 "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 19985.724785/201596 Acórdão n.º 2001000.290 S2C0T1 Fl. 120 7 Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. A Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. A Recorrente é portadora de moléstia grave desde 11/02/2011, conforme laudo médico pericial oficial nº 482/2015, firmado pela Dra. Raquel Fernandes dos Prazeres Stadler, emitido pelo departamento de Perícia Médica da Diretoria de Previdência do Estado do Paraná que tem no texto afirmativo de responsabilidade técnica, as seguintes afirmações (fl.11): Também confirmado por despacho da Coordenadoria de Manutenção de Benefícios da Diretoria de Previdência do Estado do Paraná, de 15/06/2015, que menciona o laudo médico pericial nº 482/2015 com afirmação da existência da doença prevista em lei para a isenção do imposto de renda desde 11/02/2011. Por sua vez, o Acórdão contestado não se opõe a aceitação do laudo médico pericial tendo em vista que o documento apresentado possui os dados necessários para constatação da existência da moléstia grave atestada, no que resume nos seguintes termos (fl.96): Fl. 123DF CARF MF 8 Inicialmente, observase que a condição pessoal de portador de moléstia grave (neoplasia maligna) é comprovada com laudo médico oficial (fls. 76/77), corroborada por exames (fls. 78/91). Contudo, o Fisco se opõe a aceitação da comprovação referente à aposentadoria sob a alegação de que a prova juntada aos autos é de baixa qualidade visual, não permitindo leitura que comprove o alegado quanto identificação da Recorrente e data da publicação. Assim, temse que o contencioso se limita a comprovação de que os rendimentos a serem considerados isentos do imposto de renda devem ser provenientes de aposentadoria, nos termos da legislação vigente. Neste sentido, a Recorrente reapresentou cópia do Diário Oficial do Paraná de 30 de abril de 2004, onde consta a publicação da Resolução de sua Aposentadoria de nº 3588. Como reforço probatório, a Contribuinte junta aos autos documento emitido pela Diretoria de Previdência do Estado do Paraná em que é confirmada a informação da aposentadoria, mediante declaração, nos termos seguintes: Por fim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da moléstia grave ocorrem desde 11/02/2011 e, satisfeita a exigência fiscal de comprovação inequívoca de que a data da aposentadoria reportase a Resolução nº 3588, de 22/04/2004, constatase, como comprovado, o direito ao beneficio fiscal pleiteado do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, ao amparo dos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19985.724785/201596 Acórdão n.º 2001000.290 S2C0T1 Fl. 121 9 Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720166/2013-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 01 66 /2 01 3- 11 Fl. 114DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 20/25), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2008, anocalendário 2007, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF (sujeito à multa de mora) – R$ 233.037,45; multa de mora (não passível de redução) – R$ 46.607,49; juros de mora (calculados até 28/12/2012) – R$ 109.247,95, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 388.892,89 (trezentos e oitenta e oito mil, oitocentos e noventa e dois reais, oitenta e nove centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na Notificação de Lançamento, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 233.037,45, referente às seguintes fontes pagadoras: Associação Nacional de Bancos – Asbace – no valor de R$ 106.981,78; e Banco Bradesco S.A. – no valor de R$ 126.055,67. O autuado apresentou impugnação onde alega que os valores considerados como deduções indevidas correspondem a retenções de Imposto de Renda sobre rendimentos recebidos de ação trabalhista, sendo das respectivas fontes pagadoras a obrigatoriedade do recolhimento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/04/2016, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.349 (fls. 75/79), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10508.720166/201311 Acórdão n.º 9202006.701 CSRFT2 Fl. 3 3 adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 06/07/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 19/07/2016, o Recurso Especial (fls. 81/87). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 28/07/2016 ( fls. 98/99), com o confronto do paradigma 9202003.695. · Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. · Afirma que não é justificável a derrubada integral do auto de infração, e que devese recalcular o valor do imposto, tomandose como base o decidido recentemente em sede de recurso repetitivo, uma vez que aplicandose essa metodologia, poderá haver ainda imposto a ser recolhido, não havendo justificativa para sua dispensa, até porque a atividade de Fiscalização é vinculada (art. 142 do CTN). · Acrescenta que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. E finaliza: “Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores”. Cientificado do Acórdão nº 2202003.349, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 09/06/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 98. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a decisão do STJ quanto ao regime de tributação aplicável e não ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Consoante se verifica pela notificação de lançamento, a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que a fiscalização não localizou a retenção na fonte do imposto de renda e veio a glosar o contribuinte de tal tributo. Todavia, o lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10508.720166/201311 Acórdão n.º 9202006.701 CSRFT2 Fl. 4 5 em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 75 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, bem como a decisão do STJ, em sede de julgamento repetititvo seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS Fl. 118DF CARF MF 6 ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10508.720166/201311 Acórdão n.º 9202006.701 CSRFT2 Fl. 5 7 mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Fl. 120DF CARF MF 8 Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Notese que o relator recebeu documentos apresentados, mas não os apreciou apropriadamente em confronto com os argumentos recursais apresentados, bem como, submeter esse recebimento ao colegiado, vejamos trecho do acórdão que faz referência e essa questão: " Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado." Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721308/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 31/12/2011
SAÍDAS NÃO COMPUTADAS NO FATOR DE RATEIO. REDUÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS PRESUMIDOS
Correto o Relatório da Diligência determinada pela DRJ, que identificou saídas de veículos e peças que não haviam sido computadas no fator de rateio, cujo impacto foi o de redução do valor das glosas de créditos presumidos de IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO.
É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados.
ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ.
O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente.
CONVÊNIO ICMS Nº 51/00. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97.
De acordo com o Convênio ICMS n° 51/00, havia que serem destacados na nota fiscal emitida pelo estabelecimento industrial os valores do ICMS próprio e o pelo qual era responsável por substituição.
A fiscalização glosou a exclusão da base de cálculo do rateio proporcional o valor que identificou nos documentos contábeis e fiscais como sendo o ICMS próprio.
VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97.
As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/97.
Numero da decisão: 3301-004.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 31/12/2011 SAÍDAS NÃO COMPUTADAS NO FATOR DE RATEIO. REDUÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Correto o Relatório da Diligência determinada pela DRJ, que identificou saídas de veículos e peças que não haviam sido computadas no fator de rateio, cujo impacto foi o de redução do valor das glosas de créditos presumidos de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. CONVÊNIO ICMS Nº 51/00. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. De acordo com o Convênio ICMS n° 51/00, havia que serem destacados na nota fiscal emitida pelo estabelecimento industrial os valores do ICMS próprio e o pelo qual era responsável por substituição. A fiscalização glosou a exclusão da base de cálculo do rateio proporcional o valor que identificou nos documentos contábeis e fiscais como sendo o ICMS próprio. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/97. As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/97.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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REDUÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Correto o Relatório da Diligência determinada pela DRJ, que identificou saídas de veículos e peças que não haviam sido computadas no fator de rateio, cujo impacto foi o de redução do valor das glosas de créditos presumidos de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 13 08 /2 01 3- 14 Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.436 2 CONVÊNIO ICMS Nº 51/00. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. De acordo com o Convênio ICMS n° 51/00, havia que serem destacados na nota fiscal emitida pelo estabelecimento industrial os valores do ICMS próprio e o pelo qual era responsável por substituição. A fiscalização glosou a exclusão da base de cálculo do rateio proporcional o valor que identificou nos documentos contábeis e fiscais como sendo o ICMS próprio. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.437 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Impugnação, fls. 2.737/2.801, em que consta carimbo de recepção datado de 17/01/2014 (e naquela mesma data juntada aos autos, fl. 2.736) 1 contra o lançamento de fls. 02/17, do qual a autuada foi cientificada aos 18/12/2013 (fl. 04), por intermédio do qual são exigidos os valores totais abaixo descritos, a título do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), atinentes aos períodos de apuração de julho/2009, abril/2010 e junho/2010 a dezembro/2011: 2. De acordo com sobredito Auto de Infração, foi detectada falta de recolhimento do IPI em virtude de incorreta apuração do crédito presumido instituído pela Lei nº 9.440, de 14/03/1997, consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 18/53, também cientificado à autuada aos 18/12/2013, fl. 53, e que está acompanhado de diversos anexos, fls. 54/77. I. Do Termo de Verificação Fiscal: 4. Registra o TVF que a contribuinte apresentou Pedidos de Ressarcimento alusivos aos 1º trimestre de 2009 ao 4º trimestre de 2011, por meio dos quais requereu o reconhecimento de direito creditório, num total de R$ 882.807.837,91, a título de: (i) crédito básico de IPI; (ii) crédito presumido de IPI correspondente a 3% do valor do imposto destacado nas Notas Fiscais (art. 56, da MP 2.15835, de 24/08/2001); e (iii) crédito presumido de IPI equivalente ao dobro do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas (Lei nº 9.440/97). 5. Noticia haver sido confirmada a exatidão dos créditos correspondentes às duas primeiras parcelas acima discriminadas, tendo sido, contudo, detectadas irregularidades na apuração do crédito presumido da Lei nº 9.440/97, consistentes no cálculo do incentivo em relação à revenda de produtos importados e, ainda, na apuração de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em desacordo com a legislação aplicável. I.1. Da indevida apuração do benefício em relação à revenda de veículos importados: 6. Explica o TVF que a contribuinte é fabricante de veículos e possui fábricas em diversos municípios dentre elas a situada em Camaçari/BA, que goza de incentivo fiscal, previsto na Lei nº 9.440/97, equivalente ao dobro do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas. Tal benefício, 1 Além da Impugnação de fls. 2.737/2.801, há outra idêntica, fls. 2.840/2.904, na qual há carimbo de recepção datado de 16/01/2014 e que foi anexada aos autos aos 20/01/2014, fl. 2.839. Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.438 4 inicialmente atribuído à Troller Veículos Especiais Ltda, foi transferido, após a incorporação desta pessoa jurídica pela autuada, ao estabelecimento desta em Camaçari pelo Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, de 28/02/2002. 7. Reproduz os seguintes dispositivos da Lei nº 9.440/97, que instituiu o incentivo em questão2: “Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: (...) IX crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no § 1º, deste artigo. §1º. O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; c) veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhõestratores; (...) Art. 11. O Poder Executivo poderá conceder, para as empresas referidas no § 1º do art. 1º, com vigência de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2010, os seguintes benefícios: (...) IV extensão dos benefícios de que tratam os incisos IV, VI, VII, VIII e IX do art. 1º. Art. 11A. As empresas referidas no § 1 º do art. 1º , entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, poderão apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: ( Incluído pela Lei nº 12.218, de 30 de março de 2010) I 2 (dois), no período de 1 º de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2011; (...) 2 Acrescentei o inciso I, do art. 11A Fl. 4438DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.439 5 § 1º No caso de empresa sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de que trata o caput será calculado com base no valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda. § 2 º Para os efeitos do § 1º , o contribuinte deverá apurar separadamente os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com a venda no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n º 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º Para apuração do valor da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas na forma do § 1º, devem ser utilizados os créditos decorrentes da importação e da aquisição de insumos no mercado interno”. 8. Cita que o enfocado incentivo foi regulamentado pelos Decretos nº 2.179, de 18/03/1997, e 3.893, de 22/08/2001 (este, revogado pelo de nº 7.422, de 31/12/2010), com disposições também nos Decretos nº 4.544, de 26/12/2002, e 7.212, de 15/06/2010. 9. Expõe que o art. 1º, da Lei nº 9.440/97, exige que, para gozo do incentivo, a empresa: (i) já estivesse instalada ou que viesse a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste; e (ii) fosse montadora e fabricante de veículos automotores, tratores, colheitadeiras, dentre outros. Externa, ainda, que este artigo impõe que as condições para a concessão do benefício sejam fixadas em regulamento. 10. Argúi que “o Decreto nº 2.179/97, que regulamentou a Lei nº 9.440/97, diz que as empresas beneficiárias poderão obter crédito presumido como ressarcimento do PIS e da COFINS no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento. O inciso IV do art. 2º define como beneficiárias as empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste ou CentroOeste e que sejam montadoras e fabricantes de veículos automotores, tratores, colheitadeiras, entre outros”. 11. Fala que o art. 1º, do Decreto nº 3.893/2001, que regulamentou o art. 11, da Lei nº 9.440/97, dispõe que o incentivo corresponde à aplicação da alíquota de 7,30% sobre o faturamento com a venda de produtos de fabricação própria e que o art. 1ºA, deste Decreto, incluído pelo de nº 5.710, de 24/02/2006, preceitua que, sob o regime nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o benefício corresponde ao dobro das contribuições devidas, decorrentes de vendas no mercado interno. 12. Acentua que o art. 112, do Decreto nº 4.544/2002, e o art. 135, do Decreto nº 7.212/2010, também estabelecem que o benefício equivale ao dobro das contribuições que incidiram sobre o valor do faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria. 13. Consigna que o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, preconiza que o crédito presumido corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante equivalente ao dobro das contribuições devidas em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno. Fl. 4439DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.440 6 14. Menciona que o Decreto nº 7.422/2010 regulamentou o artigo 11A da Lei nº 9.440, dispondo que o incentivo corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV, do art 2º, do Decreto nº 2.179/1997. 15. Ademais, reportase o TVF às cláusulas 4a e 5a, do Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02. 16. A partir dos dispositivos normativos acima, conclui que o incentivo examinado apenas recai sobre as vendas, no mercado interno, de produtos de fabricação própria. 17. Diz que a exigência de que as empresas beneficiadas devam exercer atividades de montagem e de fabricação decorre do objetivo do incentivo, qual seja: (i) de acordo com a Exposição de Motivos da Lei nº 9.440/97 (EM Interministerial nº 613/1996 MF), fomentar o desenvolvimento regional, aumentar o nível de emprego e descentralizar o setor industrial no Brasil e neutralizar as desvantagens naturais existentes nas regiões incentivadas em relação às demais do País; e (ii) consoante Exposição de Motivos da Lei nº 12.218/2010 (EM nº 166/2009 MF/MCT/MDIC), que incluiu o art. 11A na Lei nº 9.440/97, implementar medidas complementares à política de desenvolvimento produtivo no País, reforçando a regionalização da indústria automotiva Brasileira. 18. Comenta, ainda, que, de acordo com a “Prestação de Contas Anual” do exercício de 2012, emitida pela Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o crédito presumido analisado objetiva contribuir para a instalação de unidades da indústria automotiva, fomentar o desenvolvimento regional, o aumento de empregos e a descentralização industrial no Brasil. 19. Salienta que sobredita Prestação de Contas traz demonstrativo do número de empregos gerados pelos beneficiários do comentado crédito presumido e que, no caso da FORD, figura um total de 12.806 empregos, o que a Fiscalização tem como conseqüência direta da atividade de fabricação e de montagem de automóveis. 20. Fala que, aos moldes do art. 3º, da Portaria Interministerial nº 258, de 14/10/2001 (que, consoante inclusive anotado no Termo de Compromisso acima aludido, rege o crédito presumido aqui tratado), “Poderão solicitar o benefício (...) as empresas que estejam fabricando produtos automotivos nas regiões de abrangência da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997”, sendo que, na forma do Anexo I desta Portaria, os beneficiados devem prestar informações concernentes à linha de produção, à capacidade produtiva e ao número de empregos. 21. Registra, ainda, que as Cláusulas 7a a 9a, de supradito Termo de Compromisso, bem como o art. 8º, da Lei nº 11.434, de 28/12/2006 (abaixo reproduzido), exigem a manutenção dos níveis de produção e emprego, sob pena de perda da habilitação e do incentivo: “Art. 8o Os incentivos e benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições a pessoa jurídica que vier a ser incorporada poderão ser transferidos, por sucessão, à pessoa jurídica incorporadora, mediante requerimento desta, desde que observados os limites e as condições fixados na legislação que institui o incentivo ou o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados: Fl. 4440DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.441 7 I ao tipo de atividade e de produto; II à localização geográfica do empreendimento; III ao período de fruição; IV às condições de concessão ou habilitação. § 1o A transferência dos incentivos ou benefícios referidos no caput deste artigo poderá ser concedida após o prazo original para habilitação, desde que dentro do período fixado para a sua fruição. § 2o Na hipótese de alteração posterior dos limites e condições fixados na legislação referida no caput deste artigo, prevalecerão aqueles vigentes à época da incorporação. § 3o A pessoa jurídica incorporadora fica obrigada, ainda, a manter, no mínimo, os estabelecimentos da empresa incorporada nas mesmas Unidades da Federação previstas nos atos de concessão dos referidos incentivos ou benefícios e os níveis de produção e emprego existentes no ano imediatamente anterior ao da incorporação ou na data desta, o que for maior. § 4o Na hipótese do art. 11 da Lei no 9.440, de 14 de março de 1997, é vedada a alteração de benefício inicialmente concedido para a produção dos produtos referidos nas alíneas a a e do § 1o do art. 1o da citada Lei, para os referidos nas alíneas f a h, e viceversa” (grifo constante do TVF) 22. Reflete que a legislação claramente condiciona o gozo do benefício à manutenção dos níveis de emprego e produção, o que a contribuinte aceita ao assinar o Termo de Compromisso, sendo a industrialização e não a simples revenda de veículos importados a única atividade que vai ao encontro do objetivo pretendido pelas Leis 9.440/97 e 11.434/2006, conclusão que vê reforçada pela disposição contida no art. 7º, da Lei nº 9.440/97, c/c o art. 12, do Decreto nº 2.179/97, que determinam índice médio anual de nacionalização, no percentual mínimo de 60%, para beneficiárias montadoras e fabricantes de veículos e autopeças em cuja produção sejam utilizados insumos importados. 23. Visualiza a impossibilidade de apuração do incentivo analisado em relação às vendas de veículos importados como decorrência do §3º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, e do art. 1ºA, §2º, do Decreto nº 3.893/2001, pois, segundo o TVF, ao definir que no cálculo do benefício devem ser considerados os créditos decorrentes da importação e da aquisição de insumos no mercado interno, o legislador diz, ainda que indiretamente, que o produto cuja venda gera o benefício é o veículo fabricado pela empresa beneficiária a partir desses insumos. 24. Destaca que o art. 1º, caput, IX e §1º, da Lei nº 9.440/97, dispõe que o incentivo poderá ser concedido apenas a empresas montadoras ou fabricantes de veículos ou autopeças noutras palavras, estabelecimentos industriais, sendo que, consoante art. 9º, do RIPI, os importadores não são industriais, mas apenas a estes equiparados, pelo que quando uma montadora/fabricante importa produtos para revenda no mercado interno, sem realizar qualquer operação de industrialização, ela não é beneficiária do crédito presumido de IPI em relação a tais operações, cujas correspondentes vendas no mercado interno não devem ser incluídas na base de cálculo do incentivo fiscal de que trata a Lei nº 9.440/97. 25. Assevera que a importação/revenda de produtos acabados, em que inexiste industrialização, desatende o maior objetivo da instituição do incentivo fiscal: o Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.442 8 incremento de empregos na indústria; a melhoria dos níveis de investimento, produção e competitividade industrial; e a descentralização e desenvolvimento de economia dos estados beneficiados. 26. Complementa que, na diretriz acima trilha o parecer elaborado por Ives Gandra da Silva Martins, bem como a Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 17, de 26/07/2012, cuja ementa (que foi transcrita) está assim redigida: “As receitas decorrentes das vendas no mercado interno de veículos acabados importados não devem ser utilizadas na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997”. 27. Menciona o TVF que, pelas razões acima expostas, foram excluídas, no cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida, as receitas de vendas de produtos acabados importados (códigos CFOP nº 5.102 e 6.102), bem como os custos vinculados a tais receitas. I.2. Da análise dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS calculados pela contribuinte: 28. Sobre a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida para fins de determinação do crédito presumido analisado, o TVF afirma que as normas peculiares do incentivo criaram duas exceções à regra geral de cálculo de supraditas contribuições: (i) o benefício deve ser levantado apenas no estabelecimento incentivado, com segregação das parcelas da filial, ao passo que a regra geral é a apuração centralizada na matriz; e (ii) na apuração feita pela matriz, os custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação são considerados para definição dos créditos, enquanto na filial não. 29. Assegura que o cálculo do incentivo deve observar as suas normas específicas e, em caso de ausência, lacuna ou omissão, as da apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, pois o valor destas contribuições da filial de Camaçari é base de cálculo do benefício. 30. Narra haver sido constatado que a contribuinte incorreu nos seguintes equívocos na apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, os quais afetaram, conseqüentemente, o cálculo do crédito presumido de IPI: (i) erro no método de determinação dos créditos destas contribuições; (ii) equívoco no cálculo dos créditos oriundos de outras filiais; e (iii) erro na determinação do fator de rateio em função de quatro circunstâncias: (iii.1) redução da receita de vendas no mercado interno decorrente da exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (iii.2) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (iii.3) inclusão de vendas para o exterior de CKD (“Complete Knocked Down”) que não sofreram qualquer industrialização no estabelecimento incentivado; e (iii.4) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.1. Erro no método de determinação dos créditos: 31. Comenta o TVF que, para o cálculo do incentivo fiscal avaliado neste processo administrativo, incidente sobre as receitas de vendas no mercado interno, os Decretos nº 3.893/2001 (art. 1ºA, §1º) e nº 7.422/2010 (art. 2º, §2º) determinam que o contribuinte apure, separadamente, os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas no mercado interno dos demais custos relacionados às receitas de exportação, o que deve ser realizado mediante a Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.443 9 adoção de um dos métodos previstos nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, ambos assim redigidos: “§ 8º. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º. O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal”. 32. Registra que esta forma de apuração é igualmente utilizada para calcular os créditos vinculados à receita de exportação, consoante art. 6º, §3º, da Lei nº 10.833/2003. 33. O TVF também se remete ao art. 21, da IN SRF nº 404, de 12/03/2004, bem como ao 40, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, in verbis: IN SRF nº 404/2004: Art. 21. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da Cofins, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito deve ser apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I dos custos, das despesas e dos encargos de que trata a alínea b do inciso I e os incisos II e III do art. 8º, observado o disposto no art. 9º; e II do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata a alínea "b" do inciso I do art. 8º, adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 10 e 11. § 2º Para efeito do disposto no § 1º, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 4443DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.444 10 § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, aplicase sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, a relação percentual existente entre os custos vinculados à receita sujeita à incidência nãocumulativa e os custos totais incorridos no mês. § 4º O método eleito pela pessoa jurídica deve ser aplicado consistentemente por todo o anocalendário. IN SRF nº 594/2005: “Art. 40. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito deve ser apurado, exclusivamente, tendo por base os custos, as despesas e os encargos vinculados a essas receitas, que deverão ser registrados separadamente daqueles vinculados às receitas sujeitas à incidência cumulativa das contribuições. § 1º Para efeito do disposto no caput, os valores a serem registrados devem ser determinados, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, com a utilização do método de custo real de absorção, mediante a aplicação de critérios de apropriação por rateio que dêem uma adequada distribuição aos custos comuns; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, às despesas e aos encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 2º O método referido no § 1º, eleito pela pessoa jurídica, deve ser aplicado consistentemente por todo o anocalendário para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins.” 34. A partir dos dispositivos acima, conclui que a pessoa jurídica deve optar, no mês de janeiro, por um dos métodos previstos na legislação para cálculo dos créditos, e aplicar a opção, feita no DACON, para todo o anocalendário restante. 35. Diz que o art. 15, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, estipula que a apuração e o pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ocorra de modo centralizado no estabelecimento matriz da pessoa jurídica. 36. Qualifica como falha na apuração do incentivo a distinção entre o método utilizado pela filial (que, segundo a Fiscalização, não segue o disposto na IN SRF nº 594/2005) para determinar os créditos decorrentes dos insumos utilizados na industrialização e o usado pela matriz (rateio proporcional) para calcular os créditos dos mesmos insumos que influenciam na apuração dos mesmos tributos. 37. Reflexiona que, como a filial é parte de um todo – a matriz, “o crédito do mesmo insumo da filial de Camaçari é calculado de uma forma na apuração centralizada (feita pela matriz) e de outra forma no cálculo do benefício (pela filial). Ou ainda, o mesmo insumo pode impactar positivamente na apuração centralizada, gerando mais crédito, ou negativamente na apuração da filial, gerando menos crédito, porém, neste caso, sendo benéfico para a empresa, uma vez que o incentivo fiscal corresponde ao dobro das contribuições devidas (débitos menos créditos)”. Fl. 4444DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.445 11 38. Diz ser ilógica e desarrazoada a distinção acima e que, sendo a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS apuradas e pagas de modo centralizado na matriz e, ainda, como a filial nada mais é que parte de uma única pessoa jurídica, a filial deve seguir os métodos e os critérios que são usados pela matriz na apuração de tributos de cujo resultado a filial participa. 39. Fala que o incentivo analisado corresponde ao dobro das contribuições devidas e que, segundo determina a Lei n° 9.779/99, quem apura e paga as contribuições é a matriz, sendo que “a apuração nada mais é que a soma das parcelas das filiais. Logo, o cálculo do PIS e Cofins devidos pela filial devem estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive, e principalmente, o cálculo do incentivo, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado”. 40. Cita exemplo concreto da citada distorção ocorrido no mês de abril de 2010, relativamente ao qual pontua que: 40.1. considerando as apurações do contribuinte e excluindo a operação de venda de veículos importados, a filial de Camaçari calculou, para fins do incentivo, contribuições devidas no valor de R$ 16.172.625,66, o que resultou num incentivo de R$ 32.345.251,32 (nesta operação, o total de crédito foi de R$ 19.904.183,88 e o débito foi de R$ 36.076.809,32); 40.2. na apuração feita pela matriz (DACON), e ainda considerando a exclusão dos veículos importados, os créditos, referentes a custos e vendas no mercado interno e externo, da filial de Camaçari totalizaram R$ 30.933.646,56, sobre o qual, aplicandose o fator de rateio de vendas no mercado interno apurado pelo contribuinte (79,85%), obtémse crédito no mercado interno no montante de R$ 24.700.516,77 e contribuições devidas no valor total de R$ 11.376.369,23 (o valor do débito foi o mesmo: R$ 36.076.809,32); 40.3. assim as contribuições devidas pela filial incentivada, conforme apurado no DACON, importaram em R$ 11.376.369,23, enquanto no cálculo do incentivo o valor devido atingiu R$ 16.172.625,66 (e o crédito presumido R$ 32.345.251,32); 40.4. considerandose as contribuições efetivamente devidas pela filial (ou seja, os R$ 11.376.369.32 apurados em DACON e declarados em DCTF), o valor do incentivo deveria ser de R$ 22.752.738,64 (dobro das contribuições devidas), em vez dos R$ 32.345.251,32 apurados pela contribuinte (3,52 vezes as contribuições devidas). 41. Rememora que a filial aproveita o saldo credor de IPI, fortemente influenciado pelo incentivo analisado, para compensar débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados pela matriz: ou seja, a filial de Camaçari utiliza um incentivo, cuja base de cálculo é estas contribuições devidas, para pagar débitos destes mesmos tributos. 42. Cita, ainda, que o art. 251, do RIR/99, impõe que a escrituração deva abranger todas as operações da contribuinte, sendo que o seu art. 252, embora faculte a adoção de escrituração descentralizada, exige que os resultados das filiais sejam incorporados na escrituração da matriz ao final de cada mês. 43. Ademais, referencia a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.6 (aprovada pela Resolução nº 684, de 14/12/1990, do Conselho Federal de Contabilidade): Fl. 4445DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.446 12 “01. A Entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, que como filial, agência, sucursal ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração descentralizado, deverá ter registros contábeis que permitam a identificação das transações de cada uma dessas unidades, observado o que prevê a NBC T 2 – Da Escrituração Contábil. 02. A escrituração de todas as unidades deverá integrar um único sistema contábil, com a observância dos Princípios Fundamentais da Contabilidade aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 03. O grau de detalhamento dos registros contábeis ficará a critério da Entidade. (...)” 44. Externa que a filial (ou estabelecimento) nada mais é que a descentralização das atividades da empresa, fazendo parte de um patrimônio único, e cita o conceito de estabelecimento previsto no art. 1.142, do Código Civil, como “todo complexo de bens organizados para exercício da empresa, por empresário ou sociedade empresária” e comenta que o Código Civil, em seus arts. 1.179, 1.184 e 1.188, referese à empresa ao tratar das demonstrações financeiras e do balanço patrimonial. 45. E conclui que, uma vez que, de acordo com a informação constante do DACON entregue pelo sujeito passivo e com aquela prestada em resposta a Intimação expedida aos 20/05/20133, a matriz elegeu o rateio proporcional, deveria esta mesma metodologia ter sido adotada pela filial em Camaçari para determinar o crédito presumido examinado. 46. Menciona que, em resposta aos itens 2 e 3, da sobredita Intimação, a contribuinte afirmou que, com fundamento no §2º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 (o qual se remete aos incisos II, do §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), realizou, para o cálculo dos créditos utilizados na apuração do incentivo discutido, o rateio dos créditos “proporcionalmente às receitas auferidas de acordo com sua natureza, quais sejam, receitas de veículos produzidos, importados e exportados” e que as receitas proporcionalizadas foram aquelas contabilmente reconhecidas e destacadas no SPED Contábil (esta informação foi posteriormente retificada, conforme será relatado no item 56 abaixo). 47. Aduz que a contribuinte apresentou demonstrativo com segregação, por estabelecimento, da apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, de modo a espelhar o DACON entregue à RFB e que este demonstrativo exibe que “a apuração dos créditos foi feita efetivamente por meio das aquisições de insumos, utilizando o método de rateio proporcional”, mas que, da análise da apuração feita pela filial em Camaçari para fins de levantamento do incentivo tratado nos correntes autos, evidenciase a adoção de dois métodos na determinação de créditos: o rateio proporcional, no tocante às despesas com energia elétrica, armazenagem e fretes, bens do ativo imobilizado e serviços; e o denominado “Bill of material (BOM)”, no tangente aos insumos dos veículos fabricados. 48. Expõe que a técnica do “Bill of material” (também designada estrutura de produtos) consiste em uma lista de peças ou componentes e a respectiva quantidade dos itens necessários à industrialização do produto final e, in casu, foi feita por chassis, com listagem de todas as peças e componentes integrantes do veículo. 3 Fls. 102/103 e 176/177, do processo administrativo nº 13502.721308/201314. Fl. 4446DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.447 13 49. Menciona que o método adotado pela contribuinte se aproxima da apropriação direta, mas que a legislação impõe que esta apropriação seja efetivada por intermédio de “sistema de contabilidade de custo integrada e coordenada com a escrituração, com a utilização do método de custo real de absorção, mediante aplicação de critérios de apropriação por rateio que dêem uma adequada distribuição aos custos comuns”. 50. Reportase ao conceito de sistema de contabilização de custo integrado e de custo de produção, constantes, respectivamente, dos arts. 294 e 2904, do RIR/99, a partir dos quais conclui que, ao optar pelo método de apropriação direta, deve ser atribuído ao custo do produto final todos os custos diretos (matériaprima, mão de obra, e outros) e indiretos (energia, seguros de depreciação, almoxarifado, etc), o que alude não ter ocorrido na sistemática empregada pela filial em Camaçari para cálculo do incentivo em exame, pois os gastos indiretos não foram computados ao custo dos produtos, mas contabilizados em grupos que englobam todos os custos e despesas da Unidade, o que demonstra, detalhadamente, ter efetivamente ocorrido com a despesa de energia elétrica de julho de 2009. 51. Aponta o TVF diversas irregularidades no plano de contas adotado pela contribuinte, dentre elas a falta de divisão por subgrupos, mas apenas um segundo nível analítico – o que contraria a Resolução CFC nº 1.299/2010, que determina um mínimo de 4 níveis com as contas analíticas a partir do nível 4. 52. Outra irregularidade descortinada seria a contabilização de despesas com serviços e outros, as quais, “segundo informações da contribuinte, são escrituradas nas contas de cada serviço contratado, e os créditos descontados são escriturados nas contas de ativo 06M_PISCPR e 06M_COFCPR”, tendo as autoridades fiscais constatado que “os lançamentos não estão classificados pelo centro de custo de cada filial, e sim o da unidade matriz (0664)”, em virtude do que a Fiscalização conclui inviável a apuração dos valores referentes à filial de Camaçari. 4 "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (...) Art.294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). § 1º O contribuinte que mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14, § 1º). § 2º Considerase sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele: I apoiado em valores originados da escrituração contábil (matériaprima, mãodeobra direta, custos gerais de fabricação); II que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados; III apoiado em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal; IV que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos”. Fl. 4447DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.448 14 53. Indica que a circunstância acima não ocorreu na conta de energia, em que os gastos do estabelecimento incentivado estão classificados no centro de custo 0667. 54. Narra que a contribuinte apresentou planilha por meio da qual tenta demonstrar as contas que registraram as despesas e lista os documentos que deram suporte aos lançamentos e as diversas contas contábeis em que os valores teriam sido escriturados. 55. Comenta que os dados da planilha acima evidenciam que “a mesma conta contábil recebeu lançamentos de custo 0664 e 0667, ou seja, de São Bernardo e Camaçari” e, além disto, “trazem gastos que foram escriturados em conta contábil com somente a indicação do centro de custo 0664”, o que revela a falta de separação contábil dos custos da filial de Camaçari, bem como a nãoapropriação dos gastos à conta de custos de produção. 56. Diz que, como o método acima estava em desacordo com o informado pela fiscalizada em resposta à Intimação expedida aos 20/05/2013, ela foi reintimada aos 21/11/20135 a noticiar qual o método utilizado para apurar os créditos relativos aos custos dos insumos dos produtos fabricados e, na hipótese de realizar apropriação direta, a apresentar os espelhos das contas contábeis (esta Reintimação se refere ao método usado no cálculo do incentivo), sendo que, em atendimento, a contribuinte comunicou que utiliza a apropriação direta, por meio de contabilidade integrada e coordenada com a escrituração e, para corroborar esta assertiva, anexou resumo do SPED contábil da conta “23B01A00” atinente ao mês de janeiro de 2009, bem como planilha FIRS e cálculo do incentivo examinado6. 57. Menciona o TVF que os dados apresentados pela contribuinte exibem que, no cálculo do incentivo do mês de janeiro de 2009, o custo dos veículos fabricados na Unidade de Camaçari foi de R$ 202.255.744,56 e o valor líquido (excluídos o ICMS, a contribuição para PIS/PASEP e a COFINS) seria de R$ 173.147.608,10. 58. Expõe ter sido constatado que a conta contábil “23B01A00” recebeu, em janeiro de 2009, lançamentos a débito e a crédito de R$ 189.879.887,65 e R$ 8.732.279,55, que geraram saldo de R$ 181.147.608,10, tendo apresentado a contribuinte uma reconciliação para fins do incentivo, com ajustes contábeis de R$ 5.973.818,92, além de outros dois acertos no total de R$ 1.919.807,40, com os quais o custo no mês importou em R$ 173.253.981,78. 59. O TVF aponta três problemas nos dados examinados: (i) os ajustes denominados “outros custos” e “veículos não elegíveis” não estão contabilizados, não restando, assim, patenteada a contabilização integral dos custos vinculados ao incentivo da Lei nº 9.440/97; (ii) os ajustes contábeis na conta “23B01A00” dizem respeito a veículos faturados que ainda se encontram no pátio da empresa, sendo que as receitas de vendas respectivas foi considerada no cálculo do incentivo, tendo a contribuinte considerado o correlato débito, mas não levou em conta o custo (crédito), o que aumentou as contribuições devidas; (iii) contabilização de custos pelo valor líquido (excluída a contribuição para o PIS/PASEP, a COFINS e o ICMS), enquanto o cálculo do incentivo deve ser realizado pelo valor bruto, não tendo a contribuinte exibido escrituração dos tributos de modo a permitir correta apropriação e dedução dos valores. 5 Fls. 109/110, do processo administrativo n° 13502.721308/201314 6 Fls. 227/229 do Processo Administrativo n° 13502.721308/201314 Fl. 4448DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.449 15 60. Complementa o TVF que a conta contábil “23B01A00” também é usada para escriturar custos dos veículos importados, cujos lançamentos indicam o centro “0664”, de São Bernardo do Campo, o que inviabiliza a verificação dos custos associados à filial de Camaçari (centro de custo “0667”). 61. Assevera que, em razão do exposto, a contabilidade da contribuinte não permite a identificação dos custos integrados de produção do estabelecimento incentivado, inviabilizando a apuração de créditos pelo método de apropriação direta, não podendo o método empregado pelo sujeito passivo ser considerado como apropriação direta, tal como disciplinado pelo art. 3º, §8º, I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e nas IN SRF 404/2004 e 594/2005, pois não lastreado em sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, nem se trata do método de custeio por absorção. 62. Complementa o TVF que o emprego de dois métodos distintos para o cálculo de créditos infringe o ditame dos arts. 3º,§9º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, taxativos ao determinarem que “o método eleito deve ser um só, sendo aplicável a todo o anocalendário”, bem como o do §8º deste artigo, que preconiza que o sujeito passivo deve optar por um ou outro método (determinação também gravada no programa Dacon mensal). 63. Destaca, também, que os insumos utilizados na industrialização são comuns aos veículos vendidos pelo estabelecimento em Camaçari no mercado interno e no externo. 64. Em face de todo o exposto, conclui que a apuração dos créditos vinculados ao custo dos insumos dos veículos fabricados pela contribuinte não pode ser aceita, pelo que a Fiscalização utilizou o método de rateio proporcional. I.2.2. Créditos oriundos de outras fábricas: 65. O TVF anuncia que a unidade em Camaçari recebe, em transferência, insumos (tais como motor de transmissão, estamparia, dentre outros), produzidos pelos seus estabelecimentos situados em Taubaté e em São Bernardo do Campo e que são integrados aos veículos produzidos em Camaçari. 66. Noticia que, pelo método “Bill of material”, utilizado pelo estabelecimento incentivado, os créditos sobre estes insumos transferidos não são apropriados pela peça inteira (por exemplo, um motor), mas pelas peças individuais (parafusos, correias, pistões, etc) que compõem o insumo (no exemplo citado, o motor), sendo a transferência realizada por meio de Notas Fiscal com código CFOP 6151 (Transferência de produção do estabelecimento), sendo que a base de cálculo do ICMS indicada nesta Nota observa o disposto no art. 39, II, do Decreto Estadual nº 45.490/2000 (RICMS/2000) 7, e, assim, são retiradas parcelas que foram incluídas no preço. 67. Ilustra a afirmação acima com um caso concreto e, em seguida, aduz que, pela sistemática adotada pela empresa, outros custos envolvidos na fabricação dos motores tais como materiais indiretos (graxa, estopa, etc), energia elétrica, 7 "Artigo 39 Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em.outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (Lei 6.374/89, art. 26, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, XV, e Convênio ICMS 3/95): (...) II o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, do material secundário, da mãodeobra e do acondicionamento, atualizado monetariamente na data da ocorrência do fato gerador;" Fl. 4449DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.450 16 armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc – são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo), circunstância esta que é indiferente para o cálculo das contribuições apuradas de forma centralizada pela matriz, mas que impactam na apuração do crédito presumido de IPI discutido. 68. Pondera que a distorção decorrente da sistemática acima não ocorreria se a filial em Camaçari fabricasse os referenciados insumos, pois os correspondentes custos seriam totalmente suportados por esta Unidade, o mesmo ocorrendo se tais insumos fossem adquiridos de uma empresa independente, pois no seu preço estariam encartados todos os custos e despesas que foram incorridos na fabricação. 69. Elucida que, para corrigir a situação, foi ajustada a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS da filial em Camaçari de modo a apropriar os custos e as despesas que arcaram as filiais em Taubaté e São Bernardo vinculados à produção de peças destinadas à industrialização naquele estabelecimento. 70. No item 5.5 “Créditos das filiais de Taubaté e São Bernardo (Anexos E a H)”, pág. 32 e 33 do TVF, é explicado como se procedeu ao ajuste acima: 70.1. extraiuse do DACON segregado os valores de bens e serviços utilizados como insumos, de despesas com energia elétrica, com armazenagem e frete, bens do ativo permanente, assim como os valores de outras operações com direito a crédito, e, à soma destas rubricas, aplicouse o percentual de 9,25%; 70.2. levantouse as saídas de produtos fabricados pelos estabelecimentos em Taubaté e São Bernardo do Campo, para o que foram utilizados os CFOP vinculados à produção (5.101, 5.151, 6.101, 6.151 e 7.127), segregados por destinatário; 70.3. dividiuse a saída para Camaçari pelo total das saídas, e, desta maneira, encontrouse o percentual correspondente às saídas para a filial de Camaçari, que foi aplicado ao total dos créditos vinculados à produção das filiais em Taubaté e São Bernardo do Campo, e, assim, definiuse o crédito relacionado à produção de peças fabricadas e que foram destinadas à filial de Camaçari, cuja correspondente importância foi transportada para o anexo C. 71. Ressalvou que a filial em Taubaté utilizou o CFOP 6.101 para emitir Notas destinadas à empresa Benteler Comp. Autom. Ltda, mas que, de acordo com resposta da contribuinte, as vendas destinadas a esta empresa têm natureza de revenda de mercadoria, pois não sofrem qualquer processo de industrialização, pelo que tais saídas foram excluídas do rateio da filial em Taubaté (33ª pág. Do TVF, primeiro parágrafo). I.2.3. Dos Erros na determinação do fator de rateio: 72. O TVF assinala que, pelo método do rateio proporcional, a parcela dos créditos comuns vinculados às receitas de vendas no mercado interno é assim definida: (i) somase as vendas do mercado interno e externo; e (ii) dividese as vendas internas pelo total das vendas para obtenção do percentual de rateio; (iii) aplicase este percentual ao total dos créditos vinculados a custos, despesas e encargos comuns e, assim, obtémse a parte destes créditos relacionados às vendas no mercado interno. 73. Narra que, segundo planilhas de apuração entregues pela contribuinte (utilizadas para determinar a base de cálculo dos créditos sobre energia elétrica, Fl. 4450DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.451 17 armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços), o fator de rateio foi por ela calculado da seguinte forma: 73.1. foram apuradas “por meio de conta contábil representativa das vendas locais, as vendas brutas do mês, ajustada por lançamentos contábeis feitos ao final e ao início do mês, referentes aos veículos faturados mas que ainda estavam no pátio da empresa”; 73.2. das receitas acima foram abatidas as vendas canceladas e os tributos sobre vendas (IPI, ICMS, PIS e COFINS) e foi obtido o valor líquido das vendas no mercado interno; 73.3. foram extraídas da contabilidade as vendas para o mercado externo (tanto de produtos fabricados, quanto as do chamado “CKD”), que foram somadas às vendas no mercado interno para apuração do total das receitas; e 73.4. foram divididas as receitas das vendas internas pelo total das receitas, apurandose o fator de rateio. 74. Consigna que a apuração feita pelo sujeito passivo contém quatro erros que distorceram e reduziram o percentual de rateio: (i.1) redução da receita de vendas no mercado interno decorrente da exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii.2) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (ii.3) inclusão de vendas para o exterior de CKD que não sofreram qualquer industrialização na filial da FORD em Camaçari; e (ii.4) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.3.1. Redução da receita de vendas no mercado interno: 75. O TVF narra que, da receita bruta apurada para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS consideradas devidas no cálculo do incentivo, a contribuinte excluiu não apenas o ICMS por substituição tributária, mas também o imposto por responsabilidade própria, além dos valores de supraditas contribuições. 76. As exclusões do ICMS (por responsabilidade própria), da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a autoridade fiscal tem por indevidas, com fundamento nos arts. 3º, §8º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, no art. 31, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, no art. 2º, da Lei nº 9.718/98, pois a legislação não prevê a exclusão de outros tributos além do IPI e do ICMS substituição, pelo que somente estes impostos foram excluídos pelas autoridades fiscais na determinação de ofício do fator de rateio. I.2.3.2. Erro na determinação da receita de vendas no mercado interno: 77. Expõe o TVF que a contribuinte extratou a receita de vendas no mercado interno da conta contábil “23A01A00LOCAL”, o que distorceu o cálculo, porque nesta conta figuram os seguintes lançamentos que modificam o montante da receita bruta: (i) ajustes de veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento; e (ii) ICMS destacado na Nota Fiscal Eletrônica a título de substituição tributária, mas que, na realidade, tratase de ICMS normal. 78. Quanto ao ponto inicial, salienta que, como os ajustes feitos no primeiro e no último dia de cada mês, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”) não foram considerados pela contribuinte na definição da receita de vendas para cálculo do Fl. 4451DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.452 18 débito das contribuições, também não devem ser considerados para cálculo do rateio. 79. Relativamente ao segundo ponto, aduz que, conforme Convênio ICMS n° 51/00: (i) nas vendas de veículos novos, em que ocorra faturamento direto ao consumidor pela montadora “e a operação esteja sujeita a regime de substituição tributária em relação às demais vendas, a montadora deverá emitir nota fiscal, de faturamento direto, contendo, no campo informações complementares, o detalhamento das bases de cálculo relativas à operação do estabelecimento emitente e a operação sujeita ao regime de sujeição passiva por substituição, seguidas das parcelas do imposto decorrentes de cada uma delas”; (ii) “a parcela do imposto relativa à operação sujeita ao regime de sujeição passiva por substituição é devida à unidade federada de localização da concessionária que fará a entrega do veículo ao consumidor”. 80. Explica que o Convênio visa a repartir o ICMS incidente nas operações de vendas de veículos do fabricante diretamente a consumidor final situado em outra unidade da federação, pois nesta operação, em que ocorre só uma circulação de mercadoria, inexiste substituição tributária, por não haver operação posterior a ser substituída (pelo que o imposto da venda do veículo ficaria todo para o Estado produtor) e que, em razão disto, o Convênio instituiu regime de partilha, em que “a base de cálculo do imposto é obtida a partir da aplicação de determinados percentuais, e, do total de ICMS apurado, parte fica com o estado de origem do produto e a outra parte com o estado de destino”. 81. Menciona que a própria Nota Fiscal emitida deixa claro que, na circunstância examinada, é normal – e não por substituição – a tributação pelo ICMS, o que exemplifica por meio da Nota Fiscal nº 165.291, cujo texto foi apresentado e abaixo transcrevo: “FATURAMENTO DIRETO AO CONSUMIDOR. CONV ICMS Nº 51/00. ART. 304 DO RICMS/SP E CONV 58/2008. BASE CALC ICMS ORIGEM 40.989,55. ICMS ORIGEM 4.918,75 72,74000% BASE CALC. ICMS DESTINO : 15.571,16 ICMS DESTINO 1.868,54 27,53000 % BASE DE CÁLCULO. ICMS TOTAL 56.560,71 – CAMPOS DE ICMS SUBST USADOS P/ DEMONST ICMS A SER RECOL AO ESTADO DEST, ASSIM CONSIDERADO O EST. DO DISTR. CONV 58/08”. 82. Diz que, por não se tratar de substituição tributária, o valor destacado na nota fiscal não pode reduzir a receita de vendas, mas que, na conta contábil utilizada pela contribuinte, esta parcela é lançada a débito da conta de receita, reduzindoa, o que, no cálculo do rateio proporcional, reduz o valor da receita de vendas no mercado interno, alterando o percentual que será aplicado aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. 83. Realça que a própria contribuinte, na apuração da receitas de vendas para o cálculo do débito da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não considerou o valor destacado na nota a título de substituição tributária, excluindo somente o IPI da receita. 84. Conclui que os dois fatores acima inviabilizam a utilização da conta contábil “23A01A00LOCAL” para determinar a receita de vendas no mercado interno com vistas a definir o rateio proporcional. 85. O TVF também menciona que, nos termos da legislação aplicável, a receita bruta é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica e, no cálculo Fl. 4452DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.453 19 do incentivo da Lei 9.440, o contribuinte reconheceu a receita de vendas de acordo com as Notas Fiscais emitidas no mês e, consequentemente, apropriou os créditos correspondentes a estas vendas de acordo com a emissão de tais Notas; daí porque foi utilizada a receita de vendas apurada pela própria contribuinte quando do cálculo do incentivo fiscal da Lei 9.440, que está devidamente ajustada pelos cancelamentos, IPI e ICMS substituição tributária. I.2.3.3. Erro na composição da receita de exportação: 86. O TVF expõe que, na receita de exportação, a contribuinte, além da venda de produtos fabricados pela filial em Camaçari, considerou as de “CKD” 8. 87. Fala que a filial em Camaçari adota sistema de condomínio industrial em que a participação dos fornecedores ocorre diretamente na montagem e no processo de produção, num contexto de logística unificada que reduz o número de componentes fabricados dentro das montadoras (que priorizam o desenho, a montagem e a distribuição dos veículos) e deixa para os fornecedores a fabricação dos componentes e peças e a montagem dos módulos. 88. Menciona que, no caso da FORD, a maior parte dos módulos e peças são produzidos pelos fornecedores, cabendo à filial em Camaçari apenas a compra dos “kits” para exportação, fato corroborado pela resposta ao Termo de Intimação que foi lavrado em 21/11/2013, ocasião em que a intimada apresentou planilha identificando quais peças foram produzidas (e quais não) pela empresa (este relator não localizou nos presentes autos, nem no do processo administrativo nº 13502.721308/201314, este documento). 89. Exterioriza que a definição do fator de rateio é importante para a adequada distribuição dos créditos das contribuições, aqui vinculados aos custos de industrialização, e que o incentivo da Lei nº 9.440/97 deve ser calculado sobre as vendas de produtos de fabricação própria, pelo que os créditos devem ser calculados somente sobre os custos, despesas e encargos vinculados a estas vendas, o que inclusive foi observado pela contribuinte no cálculo do fator de rateio, em que considerou apenas as vendas de produtos fabricados no cômputo das vendas no mercado interno. 90. Aduz que a fiscalizada deveria adotar o mesmo critério para apurar as receitas de vendas no mercado interno e no externo e, assim, como não considerou as vendas no mercado interno de veículos importados (revenda), também não deveria incluir no cômputo das receitas de exportação a venda de CKD adquiridos prontos. 91. Conclui que “da forma como procedeu, a recorrente reduziu o valor das vendas internas e, ao considerar todas as vendas de CKD aumentou o valor das exportações, reduzindo, dessa forma, o percentual de vendas no mercado interno”. 92. Finaliza este item expondo que na apuração de ofício do fator de rateio, não serão incluídas as vendas de CKD relativamente aos quais a filial não efetuou qualquer industrialização, mas tãosomente àqueles em ela realizou alguma industrialização, para o que foi utilizada a informação prestada pela própria empresa. I.2.3.4. Nãoinclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus: 8 Processo de produção consistente em enviar um veículo desmontado para ser finalizado no país onde será vendido. Fl. 4453DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.454 20 93. O Termo de Verificação Fiscal proclama que a contribuinte não considerou, nas vendas no mercado interno, aquelas efetuadas para revendedores localizados na Zona Franca de Manaus ZFM, que são tributadas à alíquota zero (art. 2º, da Lei nº 10.996, de 15/12/20049), mas apenas as realizadas a consumidores finais e tributadas sob alíquotas positivas. 94. Menciona que o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21/12/200410, garantiu a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, alíquota zero e não incidência, razão por que na apuração de ofício as vendas para os revendedores localizados na ZFM compuseram as vendas internas para fins de cálculo do fato de rateio, de modo a apropriar os créditos correspondentes. I.3. Apuração do incentivo da Lei nº 9.440/97: 95. No item “5 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO INCENTIVO DA LEI 9.440”, o TVF explica como procedeu ao cálculo do benefício, reportandose aos anexos do Termo. 96. Elucida que as receitas de vendas no mercado interno (Anexo B) foram obtidas nos demonstrativos de cálculo apresentados pela contribuinte, atestados por amostragem pela Fiscalização e feitos a partir do valor da Nota Fiscal, com exclusão do IPI, do ICMS substituição tributária e das comissões pagas aos vendedores. 97. Aclara que os bens utilizados como insumos (Anexo C) foram levantados a partir das aquisições efetuadas pela contribuinte, conforme dados do SPEDFiscal e também de planilhas demonstrativas do DACON segregado, entregue pelo sujeito passivo. 98. Esclarece, ainda, que foram aproveitadas as informações constantes da apuração feita pela fiscalizada (tanto no cálculo do incentivo, quanto no Dacon segregado, cujos valores foram conferidos com os registros contábeis) para a definição dos créditos da filial em Camaçari atinentes aos seguintes itens: (i) outros serviços utilizados como insumos; (ii) despesas com energia elétrica; (iii) armazenagem e frete; (iv) bens do ativo permanente, e (v) outras operações com direito a créditos. 99. Alude que, sobre a soma das operações citadas nos dois parágrafos anteriores, foi aplicado o percentual de 9,25% para obtenção dos créditos gerados diretamente pela filial em Camaçari, que foram adicionados aos créditos oriundos das filiais de Taubaté e São Bernardo do Campo, levantados aos moldes relatados nos itens 65 a 71 acima. 100. Relativamente ao fator de rateio, elucidou que: (i) foi considerada a receita de vendas no mercado interno apurada pela contribuinte (vide item 96 acima) 9 Art. 2º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo (...)" 10 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 4454DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.455 21 para obtenção da receita bruta, da qual foram excluídos os montantes do IPI e do ICMS substituição tributária; (ii) as receitas de exportação foram apuradas a partir das Notas Fiscais emitidas (não tendo sido nesta rubrica considerada todas as receitas de exportações de CKD, mas apenas aquelas em que houve industrialização por parte da contribuinte). 101. Quanto ao demais, explica o TVF que procedeu à apuração do total de créditos, aplicou sobre este valor o fator de rateio encontrado acima e calculou os créditos cabíveis. Por fim, dos débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas no mercado interno foram abatidos os correlatos créditos apurados, e, por derradeiro, foram obtidos os montantes das contribuições devidas, que foram multiplicados por dois para definição do incentivo a que a contribuinte faz jus. I.4. Da apuração do IPI: 102. Noticia o TVF que, após a apuração de ofício do crédito presumido de IPI, os valores do benefício sofreram redução, influenciando na apuração do saldo do imposto, o que resultou na exigência, de ofício, do IPI devido aqui tratada. I.5. Dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação: 103. Por fim, o TVF noticia que, em virtude do recálculo do incentivo ora analisado, concluise que, dos R$ 891.905,837,91 requeridos pela contribuinte a título de ressarcimento de créditos de IPI atinentes aos 1º trimestre de 2009 ao 4º trimestre de 2011, apenas seria procedente a importância de R$ 251.226.453,63 (vide tabela da penúltima lauda de reportado Termo). II. Impugnação: II.1. Da base de cálculo do benefício: 102. A recorrente diz que o incentivo aqui tratado corresponde, no regime da não cumulatividade, ao dobro da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas em cada mês incidentes sobre o faturamento decorrente de suas vendas no mercado interno, inexistindo distinção da natureza ou origem das receitas componentes do faturamento. 103. Comenta os objetivos, sobre os quais já se discorreu no item 15 deste Relatório, da Lei nº 9.440/97 e alude que os benefícios listados nos nove incisos do art. 1º desta Lei seriam correlacionados e possibilitariam uma adequada proporção entre a política de desenvolvimento regional mediante estímulos à produção de bens manufaturados, tanto destinados ao mercado interno, quanto ao externo, assegurando balanço cambial positivo entre as importações e as exportações. 104. Fala que o art. 6º, IV, do Decreto nº 2.179/97, preconizou que incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, corresponde ao dobro do valor destas contribuições que incidem sobre o faturamento, que deve ser o foco na interpretação do comentado incentivo. 105. Externa ser incontroverso que o faturamento, várias vezes citado no TVF, inclui o valor das receitas auferidas pela pessoa jurídica com a venda de bens e mercadorias, a prestação de serviços ou com ambas e sobre isto reproduziu o texto do caput do art. 1°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como ementa de decisão do STF no RE 390.840/MG. Fl. 4455DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.456 22 105. Comenta os objetivos, sobre os quais já se discorreu no item 17 deste Relatório, da Lei nº 9.440/97 e alude que os benefícios listados nos nove incisos do art. 1º desta Lei seriam correlacionados e possibilitariam uma adequada proporção entre a política de desenvolvimento regional mediante estímulos à produção de bens manufaturados, tanto destinados ao mercado interno, quanto ao externo, assegurando balanço cambial positivo entre as importações e as exportações. 106. Fala que o art. 6º, IV, do Decreto nº 2.179/97, preconizou que incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, corresponde ao dobro do valor destas contribuições que incidem sobre o faturamento, que deve ser o foco na interpretação do comentado incentivo. 107. Externa ser incontroverso que o faturamento, várias vezes citado no TVF, inclui o valor das receitas auferidas pela pessoa jurídica com a venda de bens e mercadorias, a prestação de serviços ou com ambas e sobre isto reproduziu o texto do caput do art. 1°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como ementa de decisão do STF no RE 390.840/MG. 108. Anota ser vedado “à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente” e fala que, porquanto a Lei nº 9.440/97 determina que o benefício contendido corresponde ao dobro das contribuições incidentes sobre o faturamento, não pode o intérprete restringir ou alargar o conceito e a natureza jurídica deste instituto; ademais, afiança inexistir norma que imponha excluir do faturamento receitas que o integra, legal e materialmente. 109. Continuando, aduz que, consoante consta da EM n° 166, de 19/11/2009, houve significativa evolução do nível de empregos formais nas Regiões onde situadas as plantas da indústria automotiva beneficiada pela Lei n° 9.440/97 e que o desempenho das relações comerciais ligadas ao setor automotivo nestas localidades demonstra o acerto das medidas até então adotadas, pelo que os signatários de citada Exposição de Motivos justificaram a prorrogação da política instaurada por esta Lei. 110. Aponta que, dentre outros, pelos fundamentos constantes da EM nº 166/2009, foi editada a MP 471, de 20/11/2009 (convertida na Lei nº 12.218/2010), que introduziu o art. 11A à Lei nº 9.440/97, estendendo o prazo para fruição do crédito presumido analisado, que passou a ser calculado a partir do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em cada mês, decorrentes de “vendas no mercado interno” (destaca a recorrente que, de acordo com o disposto em seu art. 3º, a Lei nº 12.218/2010 apenas passou a produzir efeitos ao 1º/01/2011). 111. Pondera que, apesar de o legislador ter usado expressão diversa, a base de cálculo do incentivo é a mesma do inciso IX, do art. 1°, da Lei n° 9.440/97, pois o valor das “vendas no mercado interno” tem natureza jurídica e econômica igual a de faturamento (receitas auferidas como resultado das vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços). 112. Diz que o art. 2°, caput e §§ 1°, 2° e 3°, do Decreto n° 7.422, de 31/12/2010, reitera que o incentivo analisado deve ser calculado a partir das vendas no mercado interno: Art. 2° As empresas de que trata o § 1° do art. 1° da Lei n° 9.440, de 1997 , instaladas nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, poderão apurar, entre 1° de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 4456DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.457 23 COFINS, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 2.179, de 18 de março de 1997, multiplicado por: I dois, no período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2011; (...) §1° No caso de empresa sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de que trata o caput será calculado com base no valor das contribuições efetivamente devidas em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda. § 2°Para efeitos do §1°, o contribuinte deverá apurar separadamente os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com as vendas no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§ 8° e 9° do art. 3° da Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8° e 9° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 . § 3° Para a apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas na forma do § 1°, devem ser descontados os créditos decorrentes da importação e da aquisição de insumos no mercado interno. 113. Conclui que a base de cálculo do crédito presumido contendido é o faturamento, sem distinção da origem das receitas que o compõem, a não ser a de que elas decorram de vendas no mercado interno. II.2. Da alegação de que o benefício deve ser apurado sobre as receitas de vendas de veículos importados: 114. A recorrente diz que “na interpretação de normas está consagrado o emprego do método sistemático, que orienta o estudioso a não examinar o dispositivo de forma isolada senão correlacionandoo dentro da pirâmide normativa que encerra o sistema jurídico, como leciona KELSEN, para extrair o alcance, a finalidade e o objetivo da norma sob investigação”. 115. Em seguida, articula que o art. 1º, do Decreto nº 3.893/2001, bem como os arts. 112 e 135, dos RIPI/2002 e 2010, respectivamente, encerram disposição sem amparo no art. 11, da Lei nº 9.440/97 (nem nos demais dispositivos desta lei), que emprega a expressão “faturamento” ao se referir à base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS a partir da qual deve ser calculado o crédito presumido de IPI. 116. Remetese ao art. 99, do CTN10, e fala que se a lei, expressamente e sem restrição de qualquer natureza, preceitua que o faturamento é a base de cálculo das contribuições para fins de apuração do incentivo, descabe ao Decreto delimitar ou alterar o alcance do beneficio legal em função da qual foi expedido. 117. Consigna, também, que, aos moldes do art. 1A, do Decreto n° 3.893/2001, a vigência da disposição embutida em seu art. 1° é taxativamente limitada: 10 Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Fl. 4457DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.458 24 "Art. 1A. A partir da efetiva aplicação pelo contribuinte, do regime de incidência não cumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do credito presumido de IPI de que trata o art. 1° corresponderá ao dobro do valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, no regime de não cumulatividade, decorrente das vendas no mercado interno, considerandose os créditos e os débitos referentes a essas operações de venda" (grifo no original) 118. Registra que a recorrente se enquadra na hipótese acima, pois desde os anos de 2003 e 2004 apura, pela ordem, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sob o regime nãocumulativo e, portanto, o crédito presumido de IPI a que tem direito corresponde ao dobro do valor dessas contribuições calculado sobre as vendas no mercado interno. 119. Articula que, segundo inclusive expresso na EM nº 166/2009, a instalação do estabelecimento da recorrente em Camaçari acrescentou e contribuiu com números impares para a participação do Estado da Bahia, a nível nacional, nos indicadores de empregos formais na indústria automobilística, nos volumes de exportação e de importação, na participação no PIB e na competitividade dos fabricantes nela instalados, o que se corrobora pela informação inserida no próprio TVF de que a FORD gerou 12.806 empregos formais, circunstância que a manifestante tem como consequência direta da atividade de fabricação, montagem e venda de veículos, inclusive dos importados. 120. Justifica que a importação de veículos e a sua subseqüente venda no mercado interno se inserem e complementam a política desenvolvimentista de regionalização industrial da Lei n° 9.440/97, pois esta atividade é desempenhada de forma integrada, dentro de um contexto de relações comerciais amplas que agregam tanto o mercado interno quanto o de exportação, aliado à colaboração de técnicos e demais pessoas habilitadas, com a realização de investimentos necessários para a adaptação e a concretização de facilidades portuárias necessárias à operação de desembaraço dos bens, para ambos os mercados. 121. Comenta que a indústria automotiva não se estabelece nem se desenvolve sem complementação entre as diversas plantas situadas em inúmeros países e os respectivos mercados e que, neste aspecto, a recorrente projeta e desenvolve modelos no Centro de Desenvolvimento de Produtos em Camaçari (um dos oito centros globais de criação de veículos e um dos especializados em carros compactos da FORD, no âmbito do projeto Amazon). Ademais, cita que o modelo Eco Sport é o primeiro carro global de passageiros da marca FORD criado na América do Sul e exportado para outros países, o que demonstraria que a esta indústria pressupõe fluxo de importações e de exportações, não sendo a planta industrial em Camaçari uma unidade isolada, mas inserida em uma organização mundial. 122. Expressa que vários dispositivos regulamentares estabelecem comandos cujos sentidos são aperfeiçoados mediante a integração entre os mercados interno e externo. Nessa diretriz, reproduz os seguintes artigos do Decreto nº 2.197/97: “Art. 5º As ‘Montadoras de Veículos’ poderão realizar ‘Importações Diretas’ ou ‘Indiretas’, até 31 de dezembro de 1999, de ‘Veículos de Transporte’ com redução de cinqüenta por cento do imposto de importação. Parágrafo único. A redução prevista neste artigo não poderá resultar em pagamento de imposto de importação em valor inferior ao que seria devido mediante aplicação da alíquota correspondente constante da Tarifa Externa Comum. Art. 6º Os ‘Beneficiários’ poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: Fl. 4458DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.459 25 (...) III isenção do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante; IV isenção do IOF nas operações de câmbio realizadas para pagamento dos bens importados; (...) VI crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. (...) Art. 9º. O valor total FOB das importações de matériasprimas e dos produtos relacionados nas alíneas ‘ a’ a ‘h’ do inciso IV do art. 2º, procedentes e originários de países membros do MERCOSUL, adicionado às importações de ‘lnsumos’ e ‘Veículos de Transporte’ com redução do imposto de importação, não poderá exceder, por ano calendário, o das ‘Exportações Líquidas’. Parágrafo único. Será admitida, até 31 de dezembro de 1998, variação de até dez por cento, para mais ou para menos, na proporção a que se refere o caput deste artigo, para utilização ou compensação no ano calendário imediatamente seguinte. Art. 11. No caso de ‘Newcomers’, as proporções a que se referem os arts. 7º a 10 serão calculadas tornandose por base um período de cinco anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data do primeiro desembaraço aduaneiro das importações com redução do imposto de importação de ‘Insumos’ ou de ‘Veículos de Transporte’ e 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual utilizarseá o critério do ano calendário. Art. 15. A inobservância ao disposto neste Decreto sujeitará o ‘Beneficiário’ ao pagamento de multa de: (...) VI 120% sobre o valor FOB das importações de ‘Insumos’ e de ‘Veículos de Transporte’, realizadas nas condições previstas no inciso II do art. 4º e no art. 5º, respectivamente, que exceder a proporção estabelecida no art. 9º;” 123. Adiante, fala que a autoridade fiscal respalda seu posicionamento na SCI COSIT nº 17/2012, que a recorrente reputa em desacordo com a interpretação literal imposta pelo art. 111, do CTN (que inviabiliza interpretação extensiva ou integração analógica), e cita que as Leis nº 9.440/97 e 12.218/2010 definem o faturamento ou as vendas no mercado interno como parâmetro para apuração das contribuições sociais e, assim, do crédito presumido de IPI. 124. Historia que o art. 6º, VI, do Decreto nº 2.179/97, fixou o faturamento como base do incentivo analisado e que, em seguida, o art. 1º, do Decreto n° 3.893/2001, restringiu o benefício ao faturamento da venda de produtos de fabricação própria, limitação que a recorrente entende ilegal, mas que não figura no art. 1ºA, do Decreto nº 2.179/97, introduzido pelo Decreto nº 5.710, de 24/02/2006. Fl. 4459DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.460 26 125. Consigna que o art. 2º, do Decreto nº 7.422, de 31/12/2010 (que estabelece que a base de cálculo do incentivo é o faturamento “decorrente das vendas no mercado interno”), alude aos produtos referidos no art. 2º, IV, do Decreto n° 2.179/97 remissão que o sujeito passivo tem por equivocada, já que tal dispositivo faz menção aos beneficiários dos incentivos, dentre os quais se incluem as montadoras e fabricantes de veículos automotores. 126. Assevera que a manifestante é montadora e fabricante de veículos automotores e, portanto, pode gozar do incentivo fiscal, sendo que os demais veículos por ela comercializados, ainda que importados, estão listados nas alíneas do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 2.179/97, e que, também neste particular, inexistiria margem para interpretação que autorize a conclusão de estarem fora do âmbito do crédito presumido de IPI o faturamento auferido com a venda no mercado interno de veículos importados. 127. Reportandose ao argumento, adotado pela já comentada SCI, de que o alcance da Lei nº 9.440/97 deveria ser definido no contexto em que editada (raciocínio a partir do qual concluiu que, por ser uma norma voltada ao desenvolvimento regional e intimamente relacionada ao aumento dos postos de trabalho afastaria o benefício em relação aos veículos importados), a recorrente repisa a impossibilidade de “interpretação extensiva ao se tratar de benefícios fiscais”, além do que pondera que, ao ativar porto marítimo para concretizar suas operações de comércio exterior, estaria fomentando o desenvolvimento regional e proporcionando o aumento de postos de trabalho. 128. Quanto ao índice mínimo da nacionalização de bens em cuja produção forem utilizados insumos importados (cuja possibilidade de fixação foi conferida ao Poder Executivo pelo art. 7°, da Lei n° 9.440/97), articula não ter havido a definição deste índice, sendo possível apenas a conclusão que o Poder Executivo não entendeu necessário utilizar tal faculdade e que, ao contrário da conclusão atingida pela SCI, isto milita em favor da manifestante, pois não há como prever que, se regulamentação houvesse, excluiria por completo os veículos importados. 129. Vitupera, ainda, a SCI no ponto em que conclui que a possibilidade, preceituada no art. 11A, §3º, da Lei nº 9.440/97, de utilização, na base de cálculo do incentivo, de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da importação e da aquisição de insumos seria bastante para concluir ser inviável o cômputo do faturamento auferido com a venda de veículos, pois, segundo a recorrente, tal utilização sinaliza, apenas, a intenção do legislador de permitir crédito das contribuições sobre custo, despesa ou encargo suportado pelo adquirente, mas “em absoluto quer representar a vedação do PIS e da COFINS incorridos na importação de veículos, para venda no mercado interno, compondo o faturamento”. 130. A última desaprovação à enfocada SCI se dirige a ventilada analogia entre a Leis n° 9.826/99 e 9.440/97, pois, segundo a contribuinte, o benefício da primeira lei tem por base, na forma de seu art. 1º, §2º, o próprio IPI incidente na venda de veículos, o que não tem relação o benefício dos arts. 1º, 11 e 11A da segunda lei, apurado sobre o faturamento, o que inviabiliza a comparação entre estes institutos. Ademais, reflexiona que, mesmo que assim não fosse, a analogia pressupõe a ausência de norma (art. 108, I, do CTN) o que aqui inocorre e, além disto, de seu emprego não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (§1º), nem, mutatis mutandis, na glosa de crédito tributário efetuado em conformidade com a lei. 131. Destaca, ademais, que a SCI não vincula a manifestante, que não formulou o questionamento, de iniciativa da CoordenaçãoGeral de Fiscalização – Fl. 4460DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.461 27 COFIS e dirigido à CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, sendo submetida, a princípio, a exame pela DITIP e pela COTEX e, por fim, aprovada pelo CoordenadorGeral da COSIT (ressalva, após reproduzir os arts. 82 e 85 a 87, do Regimento Interno da RFB, que, quando muito, a DITIP tem atribuição para elaborar projeto de atos administrativos ou atos normativos e de emitir pareceres, cabendo à COTEX supervisionar suas atividades). 132. Aduz, ainda, que, mesmo que obrigasse a ora defendente, a SCI somente poderia produzir efeitos a partir da data de sua publicação, o que ainda não ocorreu validamente, pois o ato apenas foi divulgado na internet, o que desatenderia o ditame do art. 37, da CF/88, da Lei Complementar n° 95, de 26/02/1998, do art. 1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, c/c o art. 101, do CTN, e, especialmente, o comando do art. 48, § 4°, da Lei n° 9.430/96, pois apenas a veiculação por intermédio do Diário Oficial da União é que teria o condão de tornar o ato válido para todos os efeitos legais. 133. Finalizando este tópico, diz carecer de respaldo legal e ser resultado de errônea interpretação a conclusão do TVF (págs. 9 e 13) e do item 26 da SCI nº 17/2012 no sentido de que o incentivo abordado nos presentes autos recairia apenas sobre as vendas de produtos de fabricação própria no mercado interno e de que na apuração do incentivo não poderiam ser consideradas as vendas de veículos importados. II.3. Da alegação de exatidão dos critérios adotados para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 134. Fala a recorrente que, segundo a legislação disciplinadora do benefício contendido, receitas não decorrentes de vendas no mercado interno não devem ser computadas na apuração dos valores a recolher da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS e, assim, devem ser desconsiderados os custos, as despesas e os encargos vinculados a estas receitas. 135. Advoga que, até a edição da Lei n° 12.218/2010, com vigência a partir de 01/01/2011 e que incluiu à Lei n° 9.440/97 o art. 11A, inexistia disposição legal ou regulamentar (Decreto nº 2.179/97) que determinasse a opção por um dos métodos para a apuração dos créditos e dos créditos das contribuições, e , em relação ao período posterior ao início da vigência daquela lei, verificarseia a correção do procedimento adotado pela manifestante, conforme orientado pela IN SRF nº 404/2004, cujo art. 21 reproduziu. 136. Consigna que, por força da Lei nº 9.440/97, está obrigada, na apuração do incentivo analisado, a segregar os créditos atinentes às vendas no mercado interno daqueles relativos às exportações e frisa que, como apenas parte de suas receitas está sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (sobre as vendas no mercado interno, com exclusão das exportações), um dos procedimentos objeto da IN SRF n° 404/2004 é no sentido da utilização do método de apropriação direta para a apuração do crédito decorrente de encargos comuns. 137. Sustenta que o art. 40, da IN SRF n° 594/2005, que reputa tecnicamente mais apropriada, elucidou a correta forma da apuração dos créditos pela apropriação direta (a contribuinte destaca a expressão “aplicação de critérios de apropriação por rateios que dêem uma adequada distribuição dos custos comuns”, constante do inciso I, §1º, deste artigo). 138. Diz que “o legislador ofertou ao contribuinte, a utilização de métodos de rateio que pudessem, de forma mais adequada, segregar os custos comuns em seu Fl. 4461DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.462 28 processo de produção, por entender que mesmo com a adoção de uma contabilidade coordenada e integrada, utilizando o custeio por absorção, nem todos os custos, despesas e encargos são passíveis de rateio direto ao produto”. 139. Articula que "a apropriação direta com a utilização do método de custo real de absorção, procedimento que adotou, é respaldada por normas da própria autoridade fiscal, inexistindo base legal para que a Fiscalização exija o método de rateio proporcional, com desprezo daquele igualmente permitido pelas normas complementares”. 140. E assevera que, na forma dos arts. 108 e 111, ambos do CTN, é desautorizado o uso de analogia para impor à manifestante um só dos métodos previstos nas nupercitadas normas para a apuração de créditos das contribuições, quando há dois permitidos. 141. Pelo exposto, por entender inexistir norma que discipline critério específico de apuração das contribuições ou que vede o método por ela adotado para segregar os créditos relativos aos custos e despesas e os débitos decorrentes das receitas de vendas no mercado interno, a manifestante se insurge, relativamente ao período de Janeiro/2009 até Dezembro/2010, em que não vigorava a Lei n° 12.218/2010, contra a desconsideração do método por ela adotado, e pugna pelo restabelecimento de escrita fiscal original do IPI e pela reconstituição do “Anexo A”, que acompanha a autuação, mas ressalva que sua insurgência é no sentido de haver autorização para o emprego da apropriação direta, com a utilização do custo real de absorção, com o rateio dos custos comuns, consagrado na IN SRF n° 594/2005. II.4. Da alegação de inocorrência de erro no método para determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 142. A defendente argúi que a Lei nº 9.779/99 não teria aplicabilidade no cálculo do incentivo de que trata a Lei nº 9.440/97. 143. Comenta que, como afirmado na 14ª lauda do TVF, a recorrente, por ser beneficiária do incentivo aqui examinado, deve apurar a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS de modo segregado no estabelecimento em Camaçari, em contraposição à regra geral de apuração centralizada na matriz. Tal assertiva a recorrente tem por correta, porque, por estar submetida à Lei nº 9.440/97, deve apurar estas contribuições de forma específica e singular. 144. Assegura ser distinto o cálculo das contribuições a que está submetida a matriz (Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), que não está habilitada ao incentivo da Lei nº 9.440/97, e o do benefício fiscal previsto nesta Lei, que utiliza subsidiariamente apenas dois parágrafos das normas gerais de citadas contribuições. 145. Julga impertinente a afirmação, contida na 17a. lauda do TVF, de que a manifestante deveria “adotar o método de rateio proporcional que fora empregado pela matriz para apuração do PIS e da COFINS” (46ª lauda, terceiro parágrafo, do recurso), pois a filial está submetida a regra própria e específica que excepciona a regra geral que vincula a apuração de suas contribuições à matriz. 146. Sustenta que “Não socorre o despacho decisório a circunstância de a Requerente ser estabelecimento filial e o crédito em relação a determinado insumo ser calculado de uma forma pela matriz e de outra por ela. A questão não é de lógica ou de razoabilidade, como aduz o TVF, mas sim de ordem legal”. Fl. 4462DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.463 29 147. Afirma que um aspecto é a apuração das contribuições pelo estabelecimento da manifestante e outro é a quantificação das mesmas contribuições em relação à pessoa jurídica da qual ele é parte integrante como filial. 148. Exemplifica que, na apuração das contribuições nãocumulativas, que serão integradas aos resultados da matriz com o das demais filiais, podem ser apropriados créditos atinentes a custos, despesas e encargos dos produtos exportados, enquanto na apuração do crédito presumido de IPI somente podem ser computadas as vendas no mercado interno (o que exclui as exportações). 149. Fala que o método “Bill of material” atende à apropriação direta, com a utilização de custo real de absorção conforme sistema de contabilidade integrada e coordenada com a escrituração, pois apura os créditos relativos aos custos com a aquisição de insumos para a fabricação de veículos faturados pelo estabelecimento incentivado por numeração de cada chassi, listando todas as peças e componentes que integram cada veiculo faturado. 150. Ventila que desrespeitaria “a Lei n° 9.440/97, sendo ainda materialmente impróprio, caso tivesse adotado o mesmo método pelo qual optou o estabelecimento matriz”, pois há custos, despesas e encargos que são inerentes à matriz, mas não ao estabelecimento situado em Camaçari (48a lauda, primeiro parágrafo, da Manifestação de Inconformidade) e assevera a defendente que o método por ela adotado está em conformidade com o art. 3º, §8º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e “encontra pouso na Instrução Normativa RFB (sic) nº 594/2005, sem contestação”. 151. Pondera que se, consoante mencionado na pág. 21, do TVF, a aplicação do “BOM” segrega os custos de produção do estabelecimento em Camaçari daqueles de outras filiais, a fim de permitir a correta aferição do crédito presumido de IPI examinado, eventuais divergências quanto aos critérios para apuração dos gastos indiretos (como, no caso, da energia elétrica) não têm “o condão de contaminar por completo o procedimento adotado pela Requerente”. 152. Com fundamento no art. 16, §5º, do Decreto n° 70.235/72, requereu, por motivo de força maior, a posterior juntada de laudo técnico de natureza contábil, já em elaboração, que visa a comprovar a consistência, do ponto de vista dos princípios contábeis, do método empregado pela manifestante para a apuração do benefício aqui tratado e, desde logo, juntou declaração, firmada por um de seus diretores e por seus contadores, de que a defendente possui e mantém contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, que permite apurar o referido incentivo mediante o método de apropriação direta. 153. Diante das razões esposadas, assevera ser “impróprio o levantamento realizado pela Fiscalização para a quantificação dos créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos suportados pela Requerente, tomando em consideração o método de rateio proporcional pelo qual optara o estabelecimento Matriz, para fins de apuração do valor das contribuições que irão compor a base do crédito presumido de IPI a que faz jus a Requerente” (50ª lauda, segundo parágrafo, da Manifestação de Inconformidade). II.5. Quanto aos créditos originados de outros estabelecimentos: 154. A contribuinte articula que o estabelecimento da FORD em Taubaté transfere insumos para a manifestante para emprego na produção e, nestas operações, o remetente utiliza a base de cálculo para fins do ICMS, conforme o RICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490, de 30/11/2000, que assim dispõe: Fl. 4463DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.464 30 “Artigo 39 Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (Lei 6.374/89, art. 26, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, XV, e Convênio ICMS3/95): (...) II o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, do material secundário, da mãodeobra e do acondicionamento, atualizado monetariamente na data da ocorrência do fato gerador;” 155. Desfia que o RICMS/BA, baixado pelo Decreto n° 6.824, de 14/03/1997, assim estabelece a base de cálculo nas operações de transferências entre estabelecimentos: “Art. 56 A base de cálculo do ICMS, nas operações internas e interestaduais realizadas por comerciantes, industriais, produtores, extratores e geradores, quando não prevista expressamente de forma diversa em outro dispositivo regulamentar, é: (...) V na saída de mercadoria em transferência para estabelecimento situado em outra unidade da Federação, pertencente ao mesmo titular: (...) b) o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, material secundário, acondicionamento e mãodeobra;” 156. Diz que são divergentes os dispositivos regulamentares acima, pois enquanto o primeiro determina a atualização monetária do custo, o segundo não contempla essa majoração e menciona que, como a manifestante está situada no Estado da Bahia, submetese à emanada do sujeito ativo ao qual está jurisdicionada e, neste sentido, nas operações de transferência de insumos provenientes de Taubaté, não reconhece na base de cálculo adotada pelo estabelecimento remetente aquelas parcelas não autorizadas pela legislação baiana. 157. Aponta que os signatários do TVF têm entendimento mais liberal e extensivo quanto à interpretação do que se deve considerar custo, despesa ou encargos para fins de apuração de créditos da contribuição (acolhendo créditos sobre graxa, estopa, serviços não especificados e despesas com frete/armazenagem), quando é notório que a RFB adota conceito restritivo de insumo [exemplifica o fato com o acolhimento créditos com frete entre estabelecimentos da mesma empresa (item 5.5., do TFV), não admitido pela RFB]. 158. Encerra o assunto afirmando que a adoção da apropriação direta, com utilização do método de custo real de absorção (aqui consistente no emprego do Bill of material”) é mais acertada e condizente com a legislação a que está imperativamente submetida. II.6. Do erro no cálculo da receita bruta: 159. Neste item, a recorrente defende que a exclusão de tributos não cumulativos, que por ela são recuperáveis, seria coerente com o método de apropriação direta para determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Fl. 4464DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.465 31 160. Expõe que a Fiscalização verificou que a manifestante contabiliza o custo dos veículos pelo valor líquido, excluídos os impostos recuperáveis (ICMS, PIS e COFINS) 11 e que na determinação da receita bruta foram também excluídos os tributos recuperáveis, mantendose, assim, o mesmo critério usado para o cálculo dos créditos relativos às contribuições. 161. Ademais, tem como descabida a inclusão do ICMS como parcela integrante do faturamento, pois não é legal nem juridicamente possível admitirse que no conceito de faturamento possa ser incluída outra parcela que não o integre. 162. Fala que o ICMS não constitui riqueza da contribuinte com as operações de venda de produtos e/ou mercadorias, sendo ônus fiscal a que está submetida por imperativo legal, sendo o mesmo raciocínio aplicável à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS. 163. Giza que, segundo palavras do Ministro Marco Aurélio, “se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria”, e sustenta ser incabível, aos moldes do art. 111, do CTN, a alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, “utilizados expressa ou implicitamente pela legislação que engloba o sistema jurídico pátrio, para definir ou limitar competências tributárias”. 164. Reportase à repercussão geral em torno da questão, declarada nos RE n° 574.7069 e n° 592.616, bem como à concessão de medida cautela na Ação Direta de Constitucionalidade n° 18. 165. Em razão do exposto, afirma inexistir erro na determinação da receita bruta. II.7. Da contestação da alegação de erro na determinação da receita de vendas no mercado interno: 166. Quanto aos ajustes de veículos faturados, mas que não deram saída do estabelecimento, externa que “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. 167. Ademais, faz críticas à exclusão do ICMS relatada nos itens 79 a 82 acima, pois reputa que a Fiscalização teria interpretado de modo inusitado o Convênio ICMS n° 51/2000. 168. Diz que a própria Fiscalização expõe, na pág. 28 do TVF, que supradito Convênio objetiva estabelecer repartição, com a unidade da Federação de destino, de uma parte do ICMS (suportado pelo destinatário) que integralmente seria devido à unidade da Federação em que situada a montadoraremetente e que, para tanto, consoante registrado pela Fiscalização na 29a. lauda do TVF, o citado Convênio “atribuiu ao fabricante de veículos a condição de contribuinte substituto, obrigado a reter e recolher o valor que corresponde à unidade da Federação de destino”. 169. No intuito de eliminar quaisquer dúvidas de suas assertivas, a recorrente reproduziu as seguintes disposições de citado Convênio: 11 Remetese a recorrente ao item 4.2.1, do TVF, pág. 22 deste Termo. Fl. 4465DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.466 32 “Cláusula primeira Em relação às operações com veículos automotores novos, constantes nas posições 8429.59, 8433.59 e no capítulo 87, excluída a posição 8713, da Nomenclatura Brasileira de Mercadoria/Sistema Harmonizado NBM/SH, em que ocorra faturamento direto ao consumidor pela montadora ou pelo importador, observarseão as disposições deste convênio. § 1º O disposto neste convênio somente se aplica nos casos em que: I a entrega do veículo ao consumidor seja feita pela concessionária envolvida na operação; II a operação esteja sujeita ao regime de substituição tributária em relação a veículos novos. § 2º A parcela do imposto relativa à operação sujeita ao regime de sujeição passiva por substituição é devida à unidade federada de localização da concessionária que fará a entrega do veículo ao consumidor. (...) Cláusula Segunda. Para a aplicação do disposto neste convênio, a montadora e a importadora deverão: I emitir a Nota Fiscal de faturamento direto ao consumidor adquirente: a) com duas vias adicionais, que, sem prejuízo da destinação das demais vias prevista na legislação, serão entregues: 1. uma via, à concessionária; 2. uma via, ao consumidor; b) contendo, além dos demais requisitos, no campo ‘Informações Complementares’, as seguintes indicações: 1. a expressão ‘Faturamento Direto ao Consumidor Convênio ICMS Nº 51/00, de 15 de setembro de 2000’; 2. detalhadamente as bases de cálculo relativas à operação do estabelecimento emitente e à operação sujeita ao regime de sujeição passiva por substituição, seguidas das parcelas do imposto decorrentes de cada uma delas; 3. dados identificativos da concessionária que efetuará a entrega do veículo ao consumidor adquirente; II escriturar a Nota Fiscal no livro próprio de saídas de mercadorias com a utilização de todas as colunas relativas a operações com débito do imposto e com substituição tributária, apondo, na coluna ‘Observações’ a expressão ‘Faturamento Direto a Consumidor’. (...) Parágrafo único. A base de cálculo relativa à operação da montadora ou do importador que remeter o veículo à concessionária localizada em outra unidade federada, consideradas a alíquota do IPI incidente na operação e a redução prevista no Convênio ICMS 50/99, de 23 de julho de 1999, e no Convênio ICMS 28/99, de 09 de junho de 1999, será obtida pela aplicação de um dos percentuais a seguir Fl. 4466DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.467 33 indicados sobre o valor do faturamento direto a consumidor, observado o disposto na cláusula seguinte: (...) II veículo saído das Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste ou do Estado do Espírito Santo para quaisquer unidades federadas, bem como veículo saído das regiões Sul e Sudeste para essas mesmas regiões, exceto para o Estado do Espírito Santo: (...)”. 170. Conclui que o entendimento fiscal usado para “glosar a exclusão” do ICMS calculado e retido por substituição tributária da receita de vendas da recorrente contraria o Convênio ICMS n° 51, de 2000, sendo, portanto, improcedente. II.8. Da irresignação no tocante à alegação de erro na composição das receitas de exportação: 171. A recorrente diz que o TVF, em sua pág. 30, afirma que “No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores’” e pondera que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Requerente, o que aliás encontrase corroborado pela resposta a intimação de 21/11/2013 e acolhida pela Fiscalização”. 172. Ratifica que o CKD corresponde a kit composto por diversas partes necessárias à montagem de veículos, que são produzidas tanto pelos fornecedores como pela manifestante, que pela recorrente são reunidas para exportação e, em seguida, menciona as definições de industrialização e montagem constante do art. 3°, caput e inciso III, do RIPI/2002, a partir das quais tem como claro “que não se trata de simples revenda de bens para exportação como equivocadamente entendeu a Fiscalização, sendo desarrazoada a glosa perpetrada neste item, quanto à exclusão das receitas de exportação de CKD's do cálculo do rateio”. 173. Alude que “Segundo a Fiscalização, no cálculo do rateio que entendeu seria o correto, foram excluídas as receitas do que equivocadamente considerou como sendo simples revenda, pois ainda a seu ver, a definição do rateio é importante para a adequada distribuição dos créditos das contribuições, sendo que estes estariam vinculados aos custos de industrialização”, o que a recorrente tem por incorreto “pois o direito ao crédito das contribuições é oriundo dos custos, despesas e encargos necessários à atividade da Requerente, não somente aqueles decorrentes da industrialização, mas todos aqueles relacionados ao faturamento ou às receitas de vendas no mercado interno”. 174. Aduz que como a Fiscalização, no rateio, excluiu parte das exportações de CKD, caracterizadas, segundo a recorrente erroneamente, como revenda de partes produzidas por seus fornecedores no estabelecimento da recorrente, os valores estornados não poderiam ser acrescidos às vendas no mercado interno (Anexo D) e influenciar os créditos das contribuições. II.9. Da contestação à inclusão das receitas de vendas de veículos à Zona Franca de Manaus para fins de cálculo do percentual de rateio: Fl. 4467DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.468 34 175. A contribuinte especula que, conforme art. 40, do Ato das Disposições Transitórias da CF/88, a Zona Franca de Manaus tem características de área de livre comércio, de exportação e importação e que o art. 4°, do Decreto Lei n° 288, de 28/02/1967 (recepcionado pela ordem constitucional, consoante decidido na ADI n° 2.348 MD/DF), assim preconiza: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. 176. Exterioriza que o art. 5°, I, da Lei n° 10.637/2002, e o art. 6°, I, da Lei n° 10.833/2003, determinam, respectivamente, a não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre as receitas de exportação; logo, julga correta e legal a exclusão das vendas realizadas para destinatários localizados na Zona Franca de Manaus, equiparadas a exportação. II.10. Da alegação de equívocos nos cálculos constantes da exigência fiscal e do pedido de juntada de documentos após a Manifestação de Inconformidade: 177. A recorrente enuncia que a autoridade fiscal incidiu em quatro equívocos na metodologia por ela mesma eleita, os quais resultariam na incorreção dos valores lançados: (i) um, relativo aos veículos faturados que não deram saída do estabelecimento da manifestante; (ii) outro, relacionado à afirmação de que a contribuinte cometeu erro ao adotar a receita líquida no rateio; (iii) o terceiro engano consistiria na nãoconsideração, pela Fiscalização, de todas as saídas do estabelecimento de Camaçari; e (iv) o último, a não adoção da totalidade dos CFOP de vendas de mercadorias e dos de revenda. 178. Acerca do primeiro aspecto, aduz que a “a Fiscalização se equivoca ao afirmar, no TVF, fl. 22, que, em relação aos veículos já faturados, mas que não deram saída do estabelecimento da Requerente, ‘a receita da venda desses veículos foi considerada no cálculo do incentivo. Ou seja, o contribuinte considerou a receita (débito), mas não considerou o custo (crédito), aumentando (sic) ‘o PIS e COFINS devidos’” e que “A improcedência de tal afirmação pode ser verificada da Resposta da Requerente n° 5, de 16/12/2013, referente ao Termo de Intimação recebido em 21/11/2013”. 179. Sustenta que, do arquivo resumo do SPED relativo ao mês de janeiro de 2009, preparado pela recorrente a partir do sistema FIRS e exemplo de Bill of material, adotado pela Fiscalização como amostra, seria possível se constatar que os ajustes de “revenue recognition”, atinentes a veículos faturados e não entregues, considerados pela manifestante no referido mês se vinculam a períodos anteriores, tratandose de veículos cuja receita foi reconhecida no mês analisado, mas anteriormente faturados. 180. Afirma que, dado o acima exposto, “a base para cálculo do custo de veículos vendidos foi ajustada com o objetivo de não considerar créditos em duplicidade, já que, sendo o PIS/COFINS e o incentivo calculado com base nos veículos faturados, os créditos correspondentes aos custos também seguem o mesmo critério. Logo, tais custos já teriam sido apropriados em períodos anteriores para fins de apuração de PIS/COFINS”. 181. Sobre o segundo ponto, relembra que, na apuração dos créditos presumidos de IPI, elegeu o método da apropriação direta e que somente para os encargos comuns, realizou rateio (como previsto na IN SRF 594/2005) e menciona Fl. 4468DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.469 35 que “a legislação aplicável à matéria, quando da adoção da apropriação direta, autoriza a apropriação por rateio para os custos comuns, sem contudo impor a adoção da receita líquida (sic) para tanto, diferentemente do que se dá quando da eleição do método do rateio proporcional”. 182. Realça que foi a própria Fiscalização que, ao eleger determinadas saídas para a aplicação de seu rateio proporcional, deixou de adotar a receita bruta, imposição esta não aplicável à manifestante, que usou a apropriação direta para apuração do benefício. 183. O terceiro suposto engano cometido pela Fiscalização está no fato de que, no cálculo da proporção de créditos gerados no estabelecimento incentivado, constante do Anexo “D” do TVF, foram eleitas apenas as seguintes operações: (i) Vendas no Mercado Interno; (ii) Vendas para ZFM; (iii) Exportações Produção e Exportação – CKD. 184. Diz que, contrariamente ao “mencionado no TVF, pág. 33, 3° parágrafo, foi utilizado, tanto para o denominador quanto para o numerador do fator, a receita de vendas de veículos incentivados extraída do ‘Anexo A Venda de veículos nacionais incentivados’, fornecida pela própria manifestante e não aquela registrada nos livros fiscais de saídas”. E pondera que, uma vez que a Fiscalização seguiu nova metodologia para calcular o incentivo, no denominador do fator deveria ter considerado o livro de saídas (e não ter apenas selecionando as vendas sujeitas ao incentivo). 185. Aponta que, tal como feito no cálculo do rateio proporcional de créditos de Taubaté e São Bernardo do Campo, deveriam ser consideradas outras operações de saída para compor o denominador do cálculo do rateio, tais como: “TRANSFERENCIA DE PRODUÇÃO DO ESTABELECIMENTO (CFOP 5.151/6.151), TRANSFERENCIA DE MERCADORIA ADQ. RECEB. TERCEIROS (CFOP 5.152/6.152), VEN. MERC. ADQ/REC TER MERC SUJ. REG. ST, SUBSTITUTO”, pois, ao se considerar a totalidade de créditos informados no DACON, foram também considerados créditos relacionados às demais operações exercidas pela filial (como transferências de peças para o mercado de reposição da Filial em Pirajá). 186. A recorrente apresentou, para o mês de janeiro de 2009, quadro demonstrativo das diferenças entre os fatores atingidos a partir das duas metodologias. 187. Na seqüência, a recorrente indica outros dois aspectos que revelariam equívoco do levantamento da Fiscalização, quais sejam: (i) não adoção da totalidade dos CFOP de vendas de mercadorias produzidas; e (ii) não adoção de CFOP de revenda. Tais circunstâncias a recorrente pretende evidenciar por intermédio de Parecer Técnico em que são apurados equívocos no levantamento fiscal (mais adiante, nos itens 191 a 197, discorrerei sobre o que diz este Parecer). II.11. Do pedido de diligência: 188. O sujeito passivo requereu, com espeque no art. 30, do Decreto n.° 70.235/72 c/c os arts. 36 e 57, caput e inciso IV, do Decreto n° 7.574/2011, a realização de diligência, no sentido de demonstrar que: (i) a apropriação direta, com uso do método de custo real de absorção, permite a apuração do crédito presumido de IPI da Lei n° 9.440/97; (ii) o método utilizado pela Fiscalização não permite auferir este incentivo. Fl. 4469DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.470 36 Nomeou assistente técnico para a diligência e formulou os seguintes quesitos: 188.1. tendo em vista que a recorrente mantém contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, esclarecer se o critério da apropriação direta com a utilização do método de custo real de absorção permite apurar, adequadamente, segundo as normas contábeis, o crédito presumido de IPI da Lei n° 9.440/97; 188.2. se os critérios do rateio em relação aos custos comuns utilizados pela manifestante atendem aos critérios previstos pela IN/SRF n° 594/2005. 189. Ademais, pugnou pela posterior juntada de pareceres técnicos contábeis que objetivam o exame da contabilidade da recorrente de custo integrada e dizer se ela atende as práticas e aos princípios de contabilidade, bem como sobre os cálculos do levantamento fiscal (fundamentou esta pretensão no art. 16, §5º, do Decreto n° 70.235/72, por motivo de forca maior, pois já pleiteou a elaboração do documento à empresa de consultoria, mas sua conclusão exige mais que os 30 dias de prazo para Manifestação de Inconformidade). II.12. Do pedido final: 189. Ao final, a recorrente pleiteou: (i) a posterior juntada de documentos; (ii) a realização de diligência; e (iii) a improcedência do Auto de Infração. III. Do Primeiro Parecer Técnico: 190. Por meio de petição de fls. 2.954/2.956, entregue aos 10/04/2014, a contribuinte: 190.1. requereu a juntada de Parecer Técnico, fls. 2.957/2.971, por intermédio da pretende comprovar a existência de equívocos cometidos pela Fiscalização e em função do qual requer seja declarada totalmente improcedente a autuação, ou, se assim não entender este Colegiado, ao menos seja determinada a realização de diligência solicitada na Impugnação, cuja necessidade teria restado corroborada em razão deste Parecer; 190.2. solicitou a autorização para posterior juntada, assim que finalizado, de outro Parecer, naquela ocasião em elaboração, por meio do qual objetiva evidenciar que tem contabilidade coordenada e integrada para utilização do método de apropriação direta na apuração do incentivo discutido e da correção do procedimento adotado pela suplicante. 191. O Parecer de fls. 2.957/2.971 contextualiza a autuação e, em seguida, ressalva que a análise feita pela empresa de consultoria se baseou em documentos, fatos e informações prestados pela contribuinte (que se alterados poderiam implicar a modificação das conclusões do Parecer Técnico), cuja precisão e completude solicitou fossem confirmados. 192. Avante, registra que a Fiscalização, no rateio que fez, deixou de adotar a relação percentual da receita bruta e, na verdade, elegeu determinados CFOP. 193. Consigna que, no cálculo da proporção das saídas das filiais da contribuinte em Taubaté e em São Bernardo do Campo para a filial em Camaçari, existiriam dois equívocos: (i) filial em Taubaté: não teriam sido consideradas as vendas para a empresa Benteler Componentes Automotivos Ltda atinentes a mercadorias industrializadas em terceiro por encomenda da Ford; e (ii) filial em São Bernardo do Campo: não teriam sido consideradas vendas de mercadorias Fl. 4470DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.471 37 produzidas sujeitas a substituição tributária do ICMS (CFOP 5.401 e 6.401), tampouco vendas de mercadorias produzidas destinadas à ZFM. 194. Destaca que a nãoconsideração dos CFOP acima acarretou a elevação da proporção das saídas para Camaçari em relação às vendas totais, reduzindo o benefício (ao Parecer, foi juntada planilha relativa ao mês de janeiro/2009 e quadro resumo dos anos de 2009 a 2011, além de diversos anexos, que diz estarem embasados em informações do Sped Fiscal, contendo a relação entre as transferências para Camaçari e todos os CFOP de produção de São Bernardo do Campo e Taubaté e o recálculo dos créditos transferidos por estas duas filiais). 195. Em seguida, o Parecer Técnico discorre sobre o cálculo dos créditos da filial de Camaçari feito pela aplicação, sobre a totalidade dos créditos, apurados pela FORD, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes à produção de veículos, da relação percentual entre as receitas da filial em Camaçari com a venda local de veículos por ela produzidos (excluídas, portanto, as receitas de exportações e as receitas de veículos importados) e o total das receitas da FORD e diz que, considerando os créditos da filial em Camaçari levantados segundo esta metodologia, foi encontrada, nos anos de 2009 a 2011, a diferença total de R$ 457.647.363. 196. Externa o Parecer Técnico que a correta aplicação do rateio proporcional pela receita bruta depende da verificação desta grandeza na contabilidade, mas, como a Fiscalização considerou as informações contidas no DACON, foi feito o rateio proporcional descrito no parágrafo antecedente para se aproximar o máximo possível das premissas da autuação. 197. Ao final, sintetiza que: (i) ao adotar determinados CFOP para determinar os créditos referentes a bens e mercadorias transferidos de outras unidades para a filial em Camaçari, a fiscalização teria se equivocado no cálculo; e (ii) ainda que assim não fosse, ao optar pela adoção de CFOP, a fiscalização estaria contrariando as conclusões do próprio TVF, pois a legislação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS impõe que o método de rateio seja aplicado com a utilização de relação percentual da receita bruta. IV. Do segundo Parecer Técnico: 198. À fl. 394 consta petição, protocolizada aos 11/07/2014, por meio da qual é solicitada a prorrogação, por mais 60 (sessenta) dias, do prazo para entrega de segundo Parecer Técnico, que, posteriormente, foi enviado aos 17/09/2014, fls. 401/479, através da petição acostada às fls. 399/400, que requereu a desconstituição do Despacho Decisório recorrido. IV.1. Questões iniciais, afirmação de existência de sistema de custo integrado e coordenado com a contabilidade e de adoção do método de apropriação direta: 199. Inicialmente, o Parecer de fls. 401/479 relata, brevemente, as atividades da FORD, sua estrutura no Brasil e a produção/importação de veículos da empresa nos anos de 2009, 2010 e 2011 e, além disto, resume o contexto da autuação e faz a mesma observação do final do item 191 acima. 200. Adiante, registra que o Parecer Técnico objetivou: (i) entender os sistemas adotados pela contribuinte e constatar a integração e a coordenação dos sistemas de custeio com a contabilidade da empresa, com a realização de testes; (ii) examinar a legislação do incentivo e do caso concreto da FORD; e (iii) rever os cálculos da Ford “referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2011, que foram objeto de questionamento fiscal” (item “3. Escopo”). Fl. 4471DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.472 38 201. Em seguida, discorre longamente sobre os sistemas utilizados pela FORD para o controle e o registro de suas operações de aquisição de materiais produtivos (inclusive importados) e intermediários e de peças/acessórios, tendo apresentado testes relativos às aquisições de materiais produtivos e intermediários [itens 5.1.1 e 5.1.2 (e subitens) do Parecer]. 202. Na seqüência, diferencia custos de despesas e apresenta as seguintes classificações de custos: 202.1. quanto à apropriação: (i) custos diretos, os apropriados diretamente aos produtos fabricados, porque possível a mensuração objetiva do valor consumido nos produtos (exemplo clássico: matériaprima); e (ii) custos indiretos, os cuja apropriação aos diferentes produtos depende de cálculos, rateios ou estimativas (exemplos clássicos: depreciação de produtos utilizados na fabricação de mais de um produto, gastos com limpeza, etc); 202.2. acerca dos níveis de produção: (i) custos fixos, aqueles cujos valores não se alteram em função do volume de produção; (ii) variáveis, os que se modificam em função deste volume; e (iii) semifixos ou mistos, os que não de modificam desde que a produção se mantenha em determinada faixa. 203. Alude que há diferentes processos para apuração de custos, dentre os quais: (i) custeio variável: contabilização dos custos fixos diretamente em conta de participação de resultado e dos variáveis apenas quando vendidos os produtos fabricados; (ii) custeio padrão: registro dos gastos por valores estimados de cada produto (e não pelos efetivamente incorridos); e (iii) custeio por absorção: rateio de todos os custos (fixos e variáveis) em cada fase da produção (pág. 33, do Parecer Técnico). 204. Narra o Parecer que as pessoas jurídicas devem adotar o custeio por absorção em atendimento ao art. 177, da Lei n° 6.404, de 15/12/1976, que determina, dentre outras questões, que a escrituração da companhia deve ser mantida em registros permanentes, com observância de métodos e critérios uniformes ao longo do tempo, e registrar as mutações patrimoniais de acordo com o regime de competência. 205. Reportase: (i) ao Princípio da Competência aos moldes dispostos no art. 9°, da Resolução CFC n° 750, de 29/12/1993, que estipula o reconhecimento das transações e outros eventos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento e a simultaneidade da confrontação das receitas e das correlatas despesas; (ii) ao Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis, em razão do qual devem ser diferidos os gastos que proporcionarão receitas futuras na medida em que tais receitas sejam auferidas; e (iii) ao Princípio da Realização da Receita, segundo o qual “A receita é considerada realizada, e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela Entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento”. 206. Conclui que os gastos incorridos em contas de resultado devem ser reconhecidos conjuntamente com as receitas de venda, motivo por que a legislação societária usa o custeio da absorção e registra que a legislação tributária estabelece que a apuração do lucro real deve ser precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com a observância das leis comerciais (artigo 247, do RIR/99), pelo que, também para fins tributários, as empresas devem adotar o custeio por absorção. Fl. 4472DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.473 39 207. Depois, passa a arrazoar sobre as disposições contidas nos arts. 289 a 297 do RIR/99, que dispõe sobre “Custos de Bens e Serviços” da pessoa jurídica e, na seqüência, sobre o sistema de custeio da FORD. 208. Sustenta que a empresa possui sistemas e rígido controle da quantidade de materiais e valores dos materiais produtivos (matérias primas) e intermediários (demais bens do processo produtivo não encaixados no conceito de matérias primas), e que tais sistemas têm interface com a contabilidade, o que possibilita que todas as suas operações sejam anotadas nos livros societários. 209. Expõe que a contribuinte efetua o registro dos materiais produtivos e intermediários por intermédio de “lançamento a débito em conta de Ativo (estoque) com base no valor da nota fiscal de aquisição, líquido dos tributos recuperáveis” e que, em contrapartida, “escritura a obrigação de pagar em conta de Passivo”. 210. Descreve teste exemplificativo feito para evidenciar a existência de controle das quantidades de matériasprimas em estoque e as de produtos em elaboração. 211. Observa que, após a sua utilização na fabricação dos veículos, a FORD escritura os valores das matériasprimas em conta contábil de produtos acabados por meio de redução da conta de produtos em elaboração e que, por ocasião da venda do veículo, a correspondente receita é consignada em conta de resultado do exercício, o que também faz para o custo das matériasprimas (reconhecidos na conta contábil de resultado “23B01A00 – Custo VeículosRevend/Cons”, em que os custos das peças são escriturados pelo valor do último pedido de compras na data da fabricação do veículo, sendo que a diferença entre o custo de aquisição constante das notas fiscais e o do valor do pedido é reconhecida na conta contábil 24A01). 212. Afirma que o “BOM” é obtido pela contribuinte mediante relatórios extraídos do sistema FIRS, sendo que, como a diferença entre o efetivo custo de aquisição e o valor do pedido é escriturada em conta de resultado, o custo das matériasprimas dos produtos vendidos é reconhecido pelo seu efetivo valor de aquisição. 213. Diz que os custos indiretos (gastos com energia elétrica, armazenagem, fretes, depreciação e mãodeobra) são registrados em conta de resultado do exercício e que, para expurgar o montante pertinente aos veículos não vendidos “a Empresa, com base em critérios de rateio, determina a parcela de custo correspondente a tais veículos e realiza a escrituração a débito em conta de ativo e a crédito em conta de resultado” (58ª Lauda do Parecer Técnico), objetivando estes lançamentos a ativação dos gastos de produtos fabricados mas não vendidos, procedimento este que, consoante a empresa de consultoria, observa os princípios citados no item 205 acima e relevam a aderência ao custeio por absorção, em que os gastos incorridos em produtos não vendidos são ativados. 214. Registra o comentado Parecer Técnico que, para atender aos citados princípios, a contribuinte emprega a metodologia denominada “reconhecimento de receita” (ou “revenue recognition”), a qual “consiste em excluir do resultado do exercício os valores das receitas e custos dos bens cuja transferência do título legal ou posse não foram realizadas aos clientes”. Além disto, assegura que este método é relevante para atendimento das regras contábeis, mormente as da Norma de Procedimento Contábil – NPC nº 14/01, emitida pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IBRACON. Fl. 4473DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.474 40 215. Expressa que, à maneira do item 4, da NCP 14, receita é a entrada bruta de benefícios econômicos relacionados às atividades ordinárias da pessoa jurídica e que incrementam seu patrimônio, excluídas as contribuições dos sócios/acionistas, estando estabelecido nos arts. 15, 16, 20 e 23 desta Norma que: 215.1. a receita somente deve ser reconhecida quando for provável que os benefícios econômicos relativos à transação serão recebidos pela empresa; e 215.2. a receita de venda de produtos/mercadorias deve ser registrada, dentre outros, desde que (i) os riscos e benefícios significativos decorrentes da propriedade já tenham sido transferidos ao comprador; (ii) o valor da receita possa ser medido com segurança; (iii) seja provável que o benefício econômico decorrente da transação seja percebido pela empresa; e (iv) os custos referentes à transação possam ser medidos com segurança. 216. Consigna que, normalmente, “a transferência dos riscos e benefícios da propriedade coincide com a transferência do título legal ou da passagem da posse para o comprador” e que a recorrente, que escriturou a receita e os respectivos custos antes da tradição do veículo, adotou o “revenue recognition”, para que sua contabilidade refletisse os princípios contábeis que orientam o tema. 217. Relembra ter sido identificada a existência de rígido sistema de controle das matériasprimas utilizadas no processo produtivo, da quantidade de peças em seus estoques e dos correspondentes valores e que, como a FORD extrai dos seus sistemas relatórios com informações dos itens adquiridos, quantidade de entradas, movimentos para a produção, estoques diários, e, além disto, adota custeio por absorção, podese inferir que a contribuinte possui custeio integrado e coordenado com a contabilidade. IV.2. Do cálculo do crédito presumido de IPI: 218. Em seu item 5.5, o Parecer Técnico narra que foram analisados os “cálculos preparados pela Ford e que foram objeto de questionamento fiscal, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2011”, tendo sido detectada a necessidade de revisão dos cálculos, aos moldes adiante relatados, sendo que, no recálculo, foi “utilizada a metodologia da apropriação direta”. Ademais, narra haver sido verificada “a materialidade da diferença entre os cálculos originais da Ford e o valor do recálculo”. IV.2.1. Das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS para fins de apuração do incentivo: 219. Desfia o Parecer Técnico que o benefício tratado nos correntes autos é regional, devendo ser apurado a partir da contribuição para o PIS/PASEP e na COFINS devidas pelo estabelecimento de Camaçari. 220. Articula que, como o incentivo corresponde ao dobro das contribuições incidentes sobre as vendas no mercado interno, seria o benefício cabível tanto em relação ao faturamento dos veículos nacionalmente produzidos, quanto o dos veículos importados comercializados no Brasil. 221. Justifica que, em face de expressas previsões nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, na base de cálculo do incentivo não devem ser consideradas as receitas: (i) de vendas para o exterior (que representem ingresso de divisas) e para a ZFM; (ii) de vendas canceladas; e (iii) de vendas de veículos da frota, que possuem natureza não operacional. Fl. 4474DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.475 41 222. O Parecer Técnico acentua que a contribuinte, na apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, computou receitas de vendas de veículos de fabricação própria e importados na base de cálculo do crédito presumido de IPI e, além disto, receitas de vendas para a ZFM, sendo que estas últimas receitas, que seriam equiparadas a exportação, foram excluídas pela empresa de consultoria para cálculo do incentivo, o que ocasionou pequenas diferenças em relação às bases de cálculo levantadas pela empresa. Reporta que, no mais, foi constatada, a partir de testes, a exatidão das informações constantes das listagens de notas fiscais. IV.2.2. Dos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 223. Sobre o direito a creditamento no âmbito da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o Parecer Técnico, inicialmente, lista as hipóteses de creditamento previstas no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 224. Após, diz que a contribuinte deve apurar, separadamente, os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com as vendas no mercado interno e aqueles vinculados às receitas de exportação, observados, a critério da pessoa jurídica, os métodos e apropriações de créditos constantes nos §§8° e 9°, dos arts. 3°, da das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, quais sejam: apropriação direta (cujo emprego pressupõe sistema de custo integrado e coordenado) e rateio proporcional. 225. Depois de repisar o entendimento de que a FORD possui sistema de custo integrado e coordenado com a contabilidade – e que , assim, estaria apta a adotar o método de apropriação direta ressalta que, embora no DACON dos meses de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, a contribuinte informou que usou o método de rateio proporcional, “na prática, ao se utilizar da BOM (vide item 5.1.5 Do Sistema de Custeio da Ford), forma de apropriação direta, pois leva em conta as matérias primas efetivamente utilizadas no processo produtivo no mês da venda de cada veículo, para o cálculo do crédito do PIS e da COFINS, a Ford adotou metodologia da apropriação direta”. 226. Ademais, realça que “o valor das matérias primas é significativamente superior aos demais gastos gerais de fabricação, evidencia que na essência, a Ford optou pela apropriação direta” e, assim, “deve ser considerado o cálculo do crédito pela apropriação direta” e, por conseqüência, devese “buscar na contabilidade os montantes passíveis de cálculo do crédito”. 227. O Parecer Técnico reproduziu o seguinte trecho de orientação relacionada à apropriação direta colhida do sítio, na internet, da RFB12: “Observação: No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa, os créditos serão determinados, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: apropriação direta, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual entre os custos vinculados à receita sujeita à incidência nãocumulativa e 12 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/pispasepcofins/regincidencianaocumulativa.htm Fl. 4475DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.476 42 os custos totais incorridos no mês, apurados por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou rateio proporcional, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas no mês”. 228. Perfilha o entendimento de que, de acordo com orientação acima, a contribuinte “deve apurar a relação percentual entre os custos vinculados à receita sujeita à incidência nãocumulativa (no presente caso, sobre os custos dos veículos computados na base de cálculo do incentivo) e os custos totais incorridos no mês” e que, para tanto, devem ser identificadas na contabilidade as contas contábeis que registram os custos totais incorridos no mês. 229. Continua expondo que, uma vez que o benefício foi concedido para o estabelecimento de Camaçari e não para toda a pessoa jurídica , o método de apropriação previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, deve considerar, na apropriação direta, os custos incorridos em Camaçari. 230. Anota que “Para a identificação do percentual mencionado na manifestação da RFB, a Ford deve dividir o custo das mercadorias vendidas no mercado interno pelo estabelecimento de Camaçari pelo custo total do estabelecimento de Camaçari (fórmula Custo da Mercadoria Vendida no Mercado Interno do Estabelecimento de Camaçari/ Custo da Mercadoria Vendida total do Estabelecimento de Camaçari)”. 231. No item 5.5.3.9, o Parecer Técnico consigna que “A Ford, em seu cálculo original, utilizouse de percentual sobre a receita para identificar os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com a venda no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação”, sendo que, para identificação destes valores, a empresa de consultoria adotou o critério aludido nos itens 224 a 228 acima e realizou “os ajustes no valor dos créditos a serem considerados para fins do cálculo do incentivo”. 232. Menciona que os créditos sobre as matériasprimas dos veículos fabricados pela FORD no Brasil são reconhecidos por intermédio do “BOM”, no qual figura a relação de todas as matériasprimas utilizadas na montagem de cada um dos veículos e o respectivo custo, considerandose o valor do último pedido de compra na data de fabricação do veículo e destaca que no sistema FIRS constam os valores (tanto líquidos como com inclusão dos tributos recuperáveis) de cada uma das peças utilizadas no processo produtivo. 233. Realça que como o “BOM” considera o valor das peças na data de fabricação dos veículos – e não o custo de aquisição efetivamente incorrido na data da compra da matériaprima – devese realizar ajuste, como aquele procedido na contabilidade e que “devese considerar o saldo da conta contábil 24A01 do estabelecimento de Camaçari para fins de ajustes”, sendo que tais acertos, de baixos percentuais, não produzem efeitos significantes no cálculo do incentivo. 234. Garante ser possível adotar o “BOM” para apuração das bases de cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e que os créditos sobre veículos importados podem ser obtidos na Declaração de Importação. Fl. 4476DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.477 43 235. Elucida, outrossim, que, como as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus foram excluídas do cálculo do incentivo, o mesmo fez a empresa de assessoria no tocante aos correspondentes custos. 236. O Parecer Técnico salienta, ainda, que o crédito da contribuição para o PIS/ PASEP e da COFINS é calculado, na apropriação direta, a partir dos valores dos insumos escriturados na contabilidade, sendo que “os custos contabilizados não levam em conta os tributos recuperáveis incidentes sobre os bens adquiridos”, ao passo que “a legislação aplicável do PIS e da COFINS possibilita o cálculo do crédito sobre o valor da aquisição dos insumos no qual se incluem os tributos recuperáveis”, razão por que “sobre os valores escriturados na contabilidade devem ser imputados os tributos recuperáveis para a determinação da base de cálculo de crédito do PIS e da COFINS” (item 5.3, 71ª lauda do Parecer). 237. Quanto aos insumos indiretos, diz que a contribuinte pode apurar créditos com: (i) gastos com PDI13; (ii) despesas de frete incorridas na distribuição (vendas de veículos) e nas aquisições de matériasprimas; (iii) gastos gerais de fabricação [serviços de manutenção, materiais intermediários (graxa, luvas, etc) e energia elétrica]; (iv) retroativo de preços; e (v) depreciação de bens do ativo. Sobre estas rubricas, atestadas pela empresa de consultoria junto ao SPED/Fiscal e outros documentos e cujos créditos esta empresa calculou créditos por meio de apropriação direta, extraio os seguintes registros constantes do Parecer Técnico: 237.1. gastos com PDI: não apurados originalmente pela FORD e, embora inexpressivos, devem ser admitidos; 237.2. fretes na distribuição: calculado pela FORD com base nas notas fiscais de aquisição, tendo sido constatada “a necessidade de alteração do procedimento para considerar o método da apropriação direta, devese identificar o montante a ser computado na base de cálculo do crédito”; 237.2.1. para tanto, foi utilizado o relatório denominado “CS 783”, extraído do sistema CAPS (Sistema de contas a pagar) que apresenta os gastos incorridos com frete distribuição e identifica as correspondentes Notas Fiscais, tendo sido identificado, por meio de análise e testes, a consistência dos valores constantes do relatório com aqueles escriturados no SPED contábil, e, assim, foram calculados os créditos a partir dos registros contábeis com utilização do método de apropriação direta. 237.3. fretes incorridos nas compras: “Do mesmo modo do ocorrido para o frete distribuição, para o crédito do frete compras, a Ford realizou o cálculo do montante com base nas notas fiscais, enquanto para a identificação dos custos relacionados aos veículos exportados foi aplicado o fator de rateio apurado com base nas receitas líquidas” e que, constatada a “necessidade de alteração do procedimento, adotamos a mesma metodologia acima apresentada para identificar qual montante deve ser computado na base de cálculo do crédito”, sendo que, ao final, após igualmente ter sido detectada a consistência dos dados apresentados nos relatórios com os escriturados no SPED contábil, foram calculados os créditos pela apropriação direta através dos registros contábeis; 237.4. gastos gerais de fabricação: sobre os gastos gerais de fabricação [identificados no item 5.2.5.4 do Parecer Técnico como serviços de manutenção, materiais intermediários (graxa, luva, etc) e energia elétrica], “a Ford realizou o cálculo do crédito com base nas notas fiscais, enquanto para a identificação dos 13 Gastos com costumização de veículos vendidos (adesivos específicos, Santo Antônio, etc) Fl. 4477DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.478 44 custos relacionados aos veículos exportados foi aplicado o fator de rateio apurado com base nas receitas líquidas”, sendo que “na apropriação direta, deve o contribuinte considerar os saldos contábeis para fins de determinação dos créditos. Para a identificação dos valores dos gastos gerais de fabricação a serem considerados no cálculo do incentivo realizamos os mesmos testes mencionados nos tópicos acima e verificamos a aderência dos valores considerados” (item 5.5.3.4 do Parecer Técnico). 237.5. retroativo de preço: diferenças pactuadas a título de pagamentos complementares feitos pela FORD a seus fornecedores atinentes a aquisições pretéritas de insumos; 237.5.1 sobre esta parcela, não foram inicialmente calculados créditos pelos estabelecimentos em Taubaté e em São Bernardo do Campo, o que foi feito pela empresa de consultoria, que afirma para tanto ter adotado os mesmos procedimentos descritos anteriormente; 237.6. depreciação de bens do ativo: créditos descontados à fração de 1/24 e 1/48 sobre o valor de aquisição de ativo fixo. IV.2.3. Dos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre transferências realizadas entre estabelecimentos: 238. Relativamente aos créditos das nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre insumos transferidos por outras filiais da empresa ao estabelecimento incentivado, ressalva que a FORD não considerou os valores de gastos gerais de fabricação, tais como serviços de manutenção, materiais intermediários, energia elétrica, frete incorrido nas compras e crédito sobre ativo imobilizado. 238.1. Narra que a Lei nº 9.440/97 não prevê a necessidade de segregar os créditos e débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes de operações do estabelecimento situado na região incentivada dos demais estabelecimentos situados nas demais regiões, e, por conseqüência, não indica a forma pela qual deve ser calculado crédito no caso em que o estabelecimento recebe insumos de outras regiões. 238.2. Diferencia que a segregação dos créditos vinculados às receitas no mercado interno e às receitas de exportação por um dos no tocante à qual há obrigatoriedade de adoção de um dos métodos previsto nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 é imposta pela legislação. 238.3. Em face do que consta acima, o Parecer Técnico apresenta entendimento no sentido de que, como a legislação não prevê um método específico para que a FORD transfira créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de outros estabelecimentos para aquele situado em Camaçari, tal transferência, , sendo necessária, pode ser realizada por um ou mais métodos razoáveis e não vedados pela lei, na trilha da inteligência adotada pela Solução de Divergência COSIT nº 23, de 23/09/2013. 238.4. Logo, o Parecer Técnico que, no cálculo dos créditos referentes aos insumos transferidos para a filial em Camaçari pelos estabelecimentos da FORD em São Bernardo do Campo e em Taubaté, considerou “o percentual obtido mediante o somatório das saídas de venda/revenda e transferências de SBC e Taubaté dividido pelo total das transferências de produção para Camaçari” e aplicou este percentual “sobre o valor dos insumos dos estabelecimentos de São Bernardo do Campo e de Fl. 4478DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.479 45 Taubaté e o resultado obtido foi considerado no cálculo para fins de apuração do incentivo”. IV.2.4. Do “revenue recognition” – reconhecimento de receita: 239. Consigna o Parecer Técnico que o método “revenue recognition”, adotado pela FORD, “é aderente à legislação na medida em que a receita e correspondentes custos são reconhecidos na contabilidade apenas quando satisfeitos determinados requisitos (no caso a concretização da venda por meio da tradição dos bens)” e que, deste modo, “os saldos contábeis mensais não contemplam as receitas decorrentes das vendas já faturadas, mas cujas mercadorias não foram entregues aos clientes”. 240. Acentua que “Como para a base de cálculo do PIS e da COFINS são considerados os valores das vendas faturadas, o ajuste do efeito do ‘revenue recognition’, para o cálculo dos créditos de PIS e COFINS, é um procedimento que oferece equilíbrio entre as receitas tributadas e os custos deduzidos” e que eventual equívoco na aplicação desta sistemática implicaria, em tese, “apenas antecipação ou postergação do crédito, isto é, não produziria efeito ao longo do tempo quanto à apuração do valor do principal do crédito. Isto porque, os custos correspondentes às vendas tributadas em mês anterior serão computados como crédito no mês subseqüente”. 241. Quanto à questão, diz, no item 5.4, que “Independentemente do ‘revenue recognition’ produzir, em tese, efeito temporal, para o cálculo do incentivo, deve ser considerado o ‘revenue recognition’ para fins de apuração do cálculo dos créditos de PIS e COFINS”; contudo, mais adiante no item 5.5.3.10, articula que “Conforme demonstrado no item 5.4, os ajustes de ‘revenue recognition’ escriturados na contabilidade devem ser desconsiderados para fins de apuração do PIS e da COFINS” e que “Deste modo, desconsideramos os ajustes do ‘revenue recognition’ escriturados na contabilidade, referentemente aos veículos elegíveis ao benefício, para fins de determinação dos valores a serem considerados no cálculo do incentivo”. IV.3. Conclusão: 242. Conclui o segundo Parecer Técnico que a Ford: (i) possui sistema de custeio integrado e coordenado com a contabilidade; e (ii) referentemente aos meses do ano de 2011, calculou crédito em valor superior ao que apuramos, em “valores imateriais” quando comparados com a totalidade de créditos passíveis de utilização por este Incentivo. V. Da Resolução: 243. Em sessão realizada aos 20/10/2014, decidiu esta Turma converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 001.895, fls. 685/724. 244. Na ocasião, ponderouse que: 244.1. No recurso interposto, a recorrente assevera que, no cálculo do fator de rateio dos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS da filial em Camaçari efetuado para fins de definição do crédito presumido de IPI aqui tratado, a autoridade fiscal teria incorrido em equívoco, consistente na nãoconsideração, dentre outras saídas daquele estabelecimento, de transferências de produtos para outras filiais; Fl. 4479DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.480 46 244.2. De forma assemelhada, a manifestante disse que a definição, pela Fiscalização, dos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS atinentes a insumos oriundos da filial em São Bernardo do Campo14 apropriados na filial em Camaçari com vistas ao cálculo do reportado incentivo também apresentaria engano, materializado na nãoconsideração, no total das saídas daquela Unidade, de vendas de mercadorias sujeitas à substituição tributária do ICMS (CFOP 5.401 e 6.401) e de vendas de mercadorias produzidas destinadas à ZFM e à Área de Livre Comércio (CFOP 6.109), o que teria acarretado uma maior proporção das saídas para Camaçari em relação às vendas totais, o aumento dos créditos a serem transferidos para a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e, consequentemente, a diminuição da base de cálculo do incentivo. Tal afirmação é corroborada por Parecer Técnico anexado pela contribuinte aos 10/04/2014 sobre o qual acima já se relatou; 244.3. Inobstante acostada, às fls. 1.133/1.291, do processo administrativo nº 13502.721308/201314, cópia de “Registros Fiscais de Apuração dos Valores de IPI” concernentes à filial em Camaçari, naqueles autos inexistem elementos suficientes para formação do convencimento relativo à alegação de que, no cálculo do fator de rateio, não teriam sido consideradas todas as saídas da filial em Camaçari: primeiramente, porque este documento não possui, relativamente ao ano de 2009, detalhamento das saídas por CFOP; depois, porquanto, apesar de neste documento haver, para os anos de 2010 e 2011, esta especificação, os registros correlatos devem ser conferidos com a escrituração fiscal/contábil da contribuinte (o que também deve ocorrer para o ano de 2009); 244.4. Ainda que estivesse comprovado que, no cálculo do rateio, não foram incluídas determinadas saídas de produtos fabricados, seria necessário verificar se o universo dos insumos que estão sendo rateados compreende aqueles empregados na industrialização dos produtos cujas saídas a requerente diz não terem sido consideradas; 244.5. Não há elementos que viabilizem a apreciação do argumento discorrido no item 244.2 acima, pois não constam dos presentes autos (nem nos do processo administrativo nº 13502.721308/201314) os Livros de Apuração de IPI (nem os correspondentes elementos da escrita contábil/fiscal que corroborem estas anotações) da unidade da contribuinte em São Bernardo do Campo (neste ponto, vale a mesma observação do parágrafo anterior). 245. Diante dos fatos acima narrados, com fundamento no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, o julgamento foi convertido em diligência pela Turma e, por consequencia, os presentes autos à Unidade de Origem no sentido de que a autoridade fiscal: 245.1. verificasse, no Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento em Camaçari e nos demais pertinentes Livros/Documentos da escrita fiscal/contábil, a eventual existência de saídas de produtos fabricados nesta filial que acaso não tivessem sido consideradas, quando do cálculo do fator de rateio, no total das saídas de citado estabelecimento e, com atenção para a observação do item 244.4 acima e para eventuais outros aspectos que tivessem interferência na questão, elaborasse, se fosse o caso, demonstrativo mensal de crédito presumido de IPI adicional a ser reconhecido além daqueles já apurados no curso da fiscalização; 14 Por evidente lapso, constou, aqui e em outros pontos da Resolução, referência a "São José dos Campos", o que foi devidamente corrigido por meio de Despacho proferido nos autos por este julgador, na condição de Presidente Relator. Fl. 4480DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.481 47 245.2. confirmasse, no Livro de Apuração do IPI da filial em São Bernardo do Campo e nos demais pertinentes Livros/Documentos da escrita fiscal/contábil que legitimassem as anotações consignadas neste Livro, a eventual existência de saídas de mercadorias fabricadas neste estabelecimento sujeitas à substituição tributária do ICMS (CFOP 5.401 e 6.401) ou destinadas à ZFM e à Área de Livre Comércio (CFOP 6.109) que acaso não tivessem sido consideradas para fins de apuração da parcela de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a serem transferidos para a filial em Camaçari e, com atenção para a observação do item 244.4 acima e para eventuais outros aspectos que tivessem interferência na questão, elaborasse, se fosse o caso, demonstrativo mensal de crédito presumido de IPI adicional a ser reconhecido à contribuinte além daqueles já apurados no curso da Fiscalização antes efetuada; 245.3. na hipótese de serem apurados valores adicionais a título do crédito presumido de IPI discutido neste processo, reconstituísse a escrita fiscal do IPI da contribuinte e informasse a repercussão de tal reconstituição no Auto de Infração (indicando os valores do imposto lançado cujas exigências deveriam ser mantidas) e no Pedido de Ressarcimento objeto deste processo administrativo, informando, se fosse o caso, as importâncias a serem ressarcidas em complemento àquelas inicialmente admitidas; 247.4. da Resolução e do resultado da diligência fosse dada ciência o sujeito passivo e lhe facultasse se pronunciar a respeito dos aspectos alvo da diligência determinada, no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual deveria este processo administrativo ser devolvido, com ou sem manifestação da diligenciada, a esta DRJ para continuidade do julgamento. VI. Do Relatório de Diligência: 246. Concluída a diligência, as autoridades fiscais elaboraram o Relatório de fls. 788/796, em que, inicialmente, expõem os termos da diligência solicitada e comentam as premissas e a metodologia da ação fiscal originária. 247. Na sequência, o Relatório de Diligência discorre sobre a questão exposta no item 245.1: inicialmente, quanto às saídas sob os CFOP nº 5152, 5403, 6152 e 6403 e, após, sobre as saídas das mercadorias sob os CFOP nº 5151 e 6151. 248. Relativamente às saídas de mercadorias sob o CFOP nº 5152, 5403, 6152 e 6403, esclarece que elas não foram incluídas – nem deveriam em face da metodologia adotada no cálculo do rateio, pois se referem a produtos simplesmente revendidos, o que a própria descrição dos aludidos CFOP evidenciaria. Sobre a questão, complementa que: 248.1. a contribuinte foi intimada a apresentar a relação de Notas Fiscais de entrada e de saída dos bens classificados sob os supraditos CFOP, tendo apontado os seguintes detalhamentos: (i) CFOP 5.152: Veículo importado pela Ford em Camaçari e incorporado à frota desta planta; (ii) CFOP 6.152: Transferência de veículos importados para as plantas de São Bernardo, Jaguar e Land Rover. Ainda, existem algumas peças transferidas para testes na filial de Tatuí (campo de provas); (iii) CFOP 5.403: Venda de veículos importados para clientes localizados dentro do estado da Bahia no regime de ICMS Substituição Tributária; (iv) CFOP 6.403: Venda de veículos importados para clientes localizados fora do estado da Bahia no regime de Substituição Tributária; 248.2. os dados apresentados pela contribuinte foram verificados no SPED Fiscal e foi constado que as entradas dos produtos, que posteriormente saíram sob os Fl. 4481DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.482 48 CFOP mencionados no subitem antecedente, foram classificadas sob o CFOP 3102 – Compras para comercialização, com o NCM 87033290 – Automóveis de passageiros e outros veículos; 248.3. a contribuinte informou – e a Fiscalização confirmou – que tais entradas se referem a veículos importados e foram registradas, no DACON segregado, na Ficha 06B – Pis e Cofins na importação alíquotas diferenciadas; 248.4. a planta de Camaçari apenas fabrica os modelos Ecosport e Fiesta Flex e, assim, todos os demais veículos saídos deste estabelecimento foram importados; 248.5. caso fossem consideradas as saídas de mercadorias sob os CFOP nº º 5152, 5403, 6152 e 6403 o percentual correspondente aos veículos importados apropriaria uma parcela de créditos dos custos, despesas e encargos vinculados à fabricação de bens, sem que, para isto, tivesse utilizado quaisquer destes insumos. 249. Já no tocante às saídas de mercadorias sob os CFOP nº 5151 e 6151, da filial em Camaçari, consiga que: 249.1. a contribuinte foi intimada a informar a destinação dos produtos saídos sob os códigos acima e a apresentar a relação das Notas Fiscais de saída e, em resposta, disse tais saídas se destinavam a filiais e/ou centro de distribuição de peças; 249.2. o sujeito passivo também foi intimado a informar se os insumos constantes da linha 06A, item II, do DACON segregado, foram integralmente destinados à fabricação de veículos ou foram transferidos para outras filiais e, em atendimento, disse que: “A regra geral é que cada planta efetue sua própria aquisição para a realização de sua atividade (fabricação/comercialização), não obstante o exposto, na relação de insumos comprados para industrialização pela planta de Camaçari, temos alguns casos específicos de transferências de materiais para as plantas de São Bernardo do Campo, Tatuí e Pirajá, as quais demonstramos nas planilhas elaboradas no item 1.2 do grupo TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS”; 249.3. em resposta ao item 1.2 da intimação, que solicitou planilha discriminativa dos valores mensais das transferências e a relação de Notas Fiscais, a contribuinte apresentou a seguinte explicação: “Com base nos arquivos de compras – ficha 06A, item II, incluímos o número da peça (part number) e a descrição. Em seguida, comparamos com o Sped fiscal (notas fiscais de transferências) e desenvolvemos as planilhas mensais, demonstrando os CFOP’s de transferências, quais sejam: 5.151, 5.152, 6.151 e 6.152, assim como, identificação do produto transferido e destino dos mesmos. A identificação destes insumos está no grupo superior do arquivo com o item TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. Ressaltamos ainda, que há peças transferidas que não referemse a insumos, tais como, veículos produzidos que são incorporados a frota e/ou insumos que são transformados em outras peças, e essas estão identificadas como TRANSFERÊNCIA DE PRODUÇÃO”. 249.4. “Foi apresentada planilha com a relação das notas fiscais (planilha item 1.2), discriminando, entre outros, o código do produto, CFOP, classificação, NCM, CNPJ destinatário. Em relação à classificação, o contribuinte atribuiu a origem dos bens a: veículos (V), importados (I), peças e assessórios importados (lP&A), Fl. 4482DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.483 49 comprados (C) e fabricados (F). Também foi atribuída a denominação "#N/D, referindo aos bens cuja origem o contribuinte não localizou/classificou”; 249.5. a análise foi feita considerando as duas verificações apontadas na Resolução da DRJ: se houve saídas de produtos fabricados que não foram consideradas no cálculo do rateio, e se os insumos rateados foram utilizados na industrialização de tais produtos; 249.6. em relação à saída, foi constatado que os bens saídos sob os CFOP nº 5151 e 6151 não foram incluídos no fator de rateio; 249.7. a planilha apresentada evidencia que a contribuinte deu saída, sob os CFOP acima, a veículos e peças cujas origem/entradas se referem tanto a bens utilizados como insumos, como a bens oriundos de outras filiais; 249.8. para atender ao disposto no item 245 acima, é necessário que os produtos transferidos tenham utilizado, na sua fabricação, insumos que foram rateados e, consequentemente, incluídos na apuração do crédito da filial em Camaçari, realizada pela Fiscalização e expresso no demonstrativo de fls. 60 a 62 do processo; 249.9. o demonstrativo acima se baseou em informações do DACON segregado apresentado pela contribuinte, que demonstra a aquisições de insumos nas fichas 06A, item II, e 06B – Pis e Cofins na importação de insumos; 249.10. “Em relação aos veículos, a planilha apresentada pelo contribuinte mostra a saída de veículos fabricados na filial de Camaçari (Ecosport e Fiesta flex), que foram incorporados ao ativo permanente da empresa. Os insumos utilizados na fabricação desses produtos foram incluídos no rateio elaborado de ofício (fls. 60 a 62). Ou seja, os créditos dos insumos foram concedidos ao contribuinte. Ocorre que, de acordo com a metodologia estabelecida no trabalho fiscal, o incentivo da Lei 9.440/97 incide somente sobre a receita da venda de veículos. Consequentemente, só podem ser considerados créditos em relação a estas receitas”; 249.11. “a legislação do PIS e COFINS só admite o desconto dos créditos relativos aos bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Como os veículos foram destinados ao ativo imobilizado, o crédito relativo aos insumos utilizados na fabricação não poderia ser utilizado”; 249.12. as saídas dos supraditos veículos devem compor o cálculo do fato de rateio, de modo a destacar a parcela dos créditos vinculados à fabricação destes bens, com reflexos na reconstituição do crédito presumido de IPI, sendo que os valores utilizados no cálculo do fator de rateio serão líquidos do IPI, consoante metodologia empregada no trabalho fiscal; 249.13. sobre as saídas de peças, foi constatado que parte delas foi adquirida pela filial de Camaçari e estão incluídas nas Fichas 06A, item II, e 06B Pis e Cofins na importação insumos, do DACON segregado e, portanto, fizeram parte do rateio elaborado de ofício, sendo que outra parcela foi proveniente das filiais de São Bernardo do Campo e Taubaté (motor e transmissão), e o crédito correspondente foi apropriado à filial de Camaçari, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, item 5.5 (fls. 49 e 50), pelo que também fizeram parte do rateio elaborado pela fiscalização, com a consequente concessão dos créditos ao contribuinte; Fl. 4483DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.484 50 249.14. “Em que pese estas peças não terem sido utilizadas na fabricação de veículos, concluímos que as saídas devem ser incluídas no cálculo do fator de rateio, de forma a segregar a parcela dos créditos correspondentes às peças que foram transferidas e as que foram utilizadas no processo produtivo. Tal providência se faz necessária devido à metodologia utilizada no cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.440/97, onde foi determinado que o incentivo incide somente sobre a receita de venda dos veículos fabricados no estabelecimento de Camaçari”; 249.15. “Nesse sentido, como somente as vendas dos veículos fabricados foram utilizadas no cálculo do incentivo, conforme folhas 57 a 59, então somente os créditos vinculados às estas vendas devem ser considerados”; 249.16. pelas razões acima, as saídas de peças sob os CFOP 5151 e 6151 comporão o cálculo do fator de rateio, com reflexo na reconstituição do crédito presumido de IPI, consoante anexo I, no qual são demonstrados os valores concernentes a veículos e peças saídos sob referidos CFOP, cujos totais foram adicionados ao Anexo “D”. 250. Avante, passa do Relatório de Diligência à saídas, da filial de São Bernardo do Campo, realizadas sob os CFOP nº 5401, 6401 e 6109. Sobre o assunto, comenta que: 250.1. por meio dos arquivos de Notas Fiscais extraídos do SPED Fiscal, constatouse que os bens saídos sob os códigos acima são veículos modelos Ka e Courier, além de pickups e caminhões, fabricados naquela Unidade; 250.2. “A exemplo da filial Camaçari, os insumos utilizados na fabricação dos aludidos veículos foram informados no DACON segregado, fichas 06A, item II, e 06B Pis e Cofins na importação insumos. Conforme demonstrado na apuração dos créditos da filial de SBC (fls. 72 a 74), os valores correspondentes a essas fichas compuseram o montante que foi apropriado na definição dos créditos transferidos para a filial de Camaçari”; 250.3. logo, concluise que as saídas sob os comentados CFOP, promovidas pela filial de São Bernardo do Campo, devem compor o cálculo do fator de rateio do Anexo “H” (fls. 75 a 77), com reflexo na reconstituição do crédito presumido de IPI (registra o Relatório de Diligência que “Os valores que serão utilizados no cálculo do fator de rateio serão líquidos de IPI e ICMS substituição tributária, conforme metodologia utilizada no trabalho fiscal. Também excluiremos o seguro destacado na nota fiscal, por ser cobrado separadamente do preço do produto”). 251. Noticia que, em função de fatos novos apurados, efetuouse lançamento complementar de IPI (meses de novembro/2010 e fevereiro/2011), fls. 3.462/3.467. 252. Alfim, expõem as autoridades fiscais diligenciantes que, diante de todo o exposto: (i) alterouse os Anexos A, B, C, D, G e H; (ii) reconstituiuse a escrita fiscal do IPI da contribuinte, restando os valores devidos a título do imposto abaixo detalhados: Fl. 4484DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.485 51 VIII. Do pronunciamento da contribuinte em relação ao Relatório de Diligência: 253. Cientificada da conclusão da diligência realizada, a contribuinte, por meio da petição de fls. 809/816, alegou, preliminarmente, que esta Turma teria se olvidado de requerer que a autoridade diligenciante efetuasse verificações concernentes à transferência de créditos da filial da contribuinte em Taubaté para o estabelecimento incentivado, razão por que requereu que fosse determinada nova diligência para levantamento completo do cálculo do rateio, com abrangência da filial em Taubaté, sob pena de cerceamento do direito de defesa. 254. Adiante, quanto às conclusões da autoridade fiscal diligenciante no tocante às saídas sob os CFOP nº 5.152, 5.403, 6.152 e 6.403 da filial em Camaçari, criticou a conclusão da Fiscalização de que tais saídas não deveriam ser consideradas pois atinentes a simples revenda de mercadorias (que não de produtos Fl. 4485DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.486 52 fabricados em Camaçari) porque o pressuposto do lançamento de ofício é o de que, da receita de venda de veículos, deveriam ser excluídas as vendas de produtos importados. 255. É que a recorrente reputa que a questão acima é matéria controvertida nos autos, cuja decisão é de exclusiva competência desta DRJ, sendo descabido à Fiscalização se recusar a atender à determinação objeto da Resolução expedida por este Colegiado por supostamente contrariar a metodologia empregada na apuração que levou ao lançamento de ofício. Por isto, requereu o retorno dos autos à Origem para completa instrução, em cumprimento aos princípíos da verdade material e do direito de ampla defesa. 256. Na sequencia, opôsse à inclusão, no Anexo D, da parcela correspondente às vendas para a ZFM como integrante da receita de venda no mercado interno, na medida em que, por força de lei, tais vendas são, para todos os efeitos legais, equiparadas a exportação. 257. Sobre o fator de rateio, queixouse que não deveriam seus cálculos considerar as parcelas atinentes ao ICMS, à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, por se tratarem de tributos que têm por natureza jurídica a não cumulatividade, e, por isto mesmo, recuperáveis pelo contribuinte, não integrando a receita de vendas no mercado interno. 258. Acerca do lançamento complementar, reportase às razões de defesa que foram deduzidas na Impugnação interposta contra aludida exigência. 259. Requereu o refazimento dos Anexos A, B, C, D, G e H e da reconstituição da escrita fiscal do IPI para expressar a correção dos supostos equívocos apontados. VIII. Do Auto de Infração Complementar: 260. Segundo comentado, em razão de fatos novos detectados durante a realização da diligência, foi expedido Auto de Infração complementar para exigência dos seguintes valores: 261. Expõe o TVF correspondente ao lançamento complementar, fls. 3.468/3.475, que, ao responder intimação que lhe foi dirigida aos 03/03/2015 durante a realização da diligência requerida por esta Turma, a contribuinte apresentou relação de veículos importados e incorporados ao ativo permanente, ocasião em que informou que, ao abrir os DACON dos meses de março/2009, janeiro/2010, março/2010, novembro/2010 e fevereiro/2011, constatouse que os valores constantes de sua Ficha 06B – Pis e Cofins na Importação – Alíquotas Diferenciadas também continham importações de peças, identificadas por processo e informadas no bloco “Peças importadas Ficha 06B – DACON” – o que foi confirmado nas planilhas e no DACON segregado entregues na fiscalização anterior. 262. Após sintetizar o contexto do lançamento inicial e a metodologia nele adotada, expõe que dentre as entradas/aquisições/despesas espelhadas no DACON Fl. 4486DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.487 53 segregado, a partir do qual foram apurados os créditos da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, figuram as entradas de veículos importados, discriminadas na Ficha 06B “Pis e Cofins na importação alíquota diferenciada”. 263. Explica que, como o trabalho fiscal antes realizado parte da premissa da impossibilidade de apuração do incentivo de IPI sobre a revenda de veículos importados, os créditos referentes à Ficha acima não foram considerados e tais importações não foram analisadas ou auditadas. 264. No entanto, durante a diligência realizada a pedido desta Turma, foi necessária a análise das importações de veículos no intuito de verificar se os créditos atinentes a veículos que foram incorporados ao ativo imobilizado foram mantidos pela empresa na apuração centralizada das contribuições, e, nas respostas às intimações expedidas, a contribuinte prestou, dentre outras informações, aquela referenciada no item 261 acima. 265. Narra que o exame das planilhas apresentadas pela contribuinte patenteia que, nos meses de março/2009, janeiro/2010, março/2010, novembro/2010 e fevereiro/2011, os valores da Ficha 06 – B “Pis e Cofins na importação alíquota diferenciada”, são compostos não só de veículos, mas também de peças e componentes utilizados no processo produtivo; ou seja, o DACON segregado apresentado pela contribuinte apresentava erro em susomencionados meses, correspondente à inclusão, na aludida Ficha, de peças utilizadas como insumos na fabricação de veículos na filial em Camaçari, quando estas deveriam estar em outra Ficha. 266. Relembra que o DACON segregado divide as importações em duas fichas; entrada de veículos importados e de insumos importados e que apenas a segunda foi considerada no cálculo do incentivo da Lei n° 9.440/97, pelo que, nos retrocitados meses, as peças importadas não compuseram o cálculo do incentivo, porquanto erroneamente informadas na ficha vinculada à importação de veículos, o que poderia ser certificado no Anexo C, fls. 61/62, e no DACON segregado apresentado pela contribuinte, nos quais a linha de bens importados utilizados como insumos está em branco no tocante aos comentados meses. 267. Desfia que, diante do que consta acima, foi refeita a apuração do incentivo da Lei n° 9.440/97 para considerar os créditos referentes a peças importadas e utilizadas na fabricação de veículos, cujos valores foram extraídos das planilhas apresentadas pela contribuinte (nas quais foram discriminadas as importações de peças, o número do registro de importação, a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e o valor das contribuições devidas), dados estes confrontados com os do SPED Fiscal, dos Despachos de Importação e dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo sob os códigos 5602 e 5629, após o que foi obtido o seguinte demonstrativo da base de cálculo das contribuições: Fl. 4487DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.488 54 268. Expressa que, para cálculo do lançamento complementar, o valor mensal encontrado foi adicionado ao Anexo “C” (apuração de créditos da filial em Camaçari) e, em decorrência, foi alterado o Anexo “B” (apuração de ofício do incentivo de IPI), bem como foi refeita a apuração do IPI (Anexo “A”), o que resultou na exigência das diferenças abaixo descritas: 269. Explica que, em face do que dispõe o art. 41, §4º, do Decreto nº 7.474/2011, o lançamento complementar foi formalizado no corrente processo administrativo e, por fim, reportase aos Anexos que integram o TVF. IX. Da Impugnação ao Lançamento Complementar: 270. Cientificada do lançamento complementar, a autuada interpôs tempestiva Impugnação, fls. 3.801/3.865, em que, em essência, repisa os fundamentos do recurso inicialmente interposto nos presentes autos, adicionando, em síntese, que: “Como demonstrado acima (...), as vendas de veículos importados integram a receita de produtos no mercado interno para fins de apuração do incentivo da Lei nº 9.440/97. Ocorre que, quando do levantamento que deu origem ao primeiro lançamento, a Fiscalização externou sua posição contrária a este entendimento e excluiu da receita de vendas no mercado interno o valor correspondente a vendas de veículos importados, e também os créditos aos mesmos relativos. Agora, no levantamento que instruiu o lançamento complementar, a Fiscalização apurou que no total dos créditos relativos à importação dos veículos antes informados pela Impugnante achamse incluídos insumos importados para aplicação no processo produtivo de veículos, cuja receita de vendas influencia no cálculo do incentivo da Lei nº 9.440/97. Desta forma, se vier a ser decidido ao final, ser incorreto o procedimento da Impugnante quanto a computar no total da receita de vendas no mercado interno o valor de venda de veículos importados, há que ser refeito o lançamento fiscal objeto da primeira autuação para refletir no cômputo dos créditos da contribuição para o PIS e a COFINS valor menor do que o então considerado, no exato valor relativo aos insumos importados, agora identificados no levantamento que deu origem ao 2º lançamento, complementar, ora contestado”. (fl. 3.838)." A DRJ no Recife (PE) julgou a impugnação improcedente em parte e o Acórdão n° 1151.625, datado de 19/10/15, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 31/12/2011 Fl. 4488DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.489 55 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. CONVÊNIO ICMS Nº 51/00. PARCELA DO ICMS REPARTIDA COM O ESTADO DA CONCESSIONÁRIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. É devida por responsabilidade própria da montadora e não por substituição a parcela do ICMS que, na forma do Convênio ICMS nº 51/00, é repartida com o Estado de localização da concessionária que fará a entrega do veículo diretamente faturado ao consumidor pela montadora, devendo referida parcela integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO Á ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/97. As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Fl. 4489DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.490 56 COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ADICIONAL APURADO EM DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecese, adicionalmente ao montante originalmente admitido pela Unidade de Origem, a diferença de crédito presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/97 apurada em diligência em função da diminuição, em relação ao procedimento fiscal inicial, da apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo estabelecimento incentivado e de seus reflexos no incremento do mencionado benefício e na recomposição da escrita fiscal do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 31/12/2011 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de realização de diligência em relação a aspectos tidos como prescindíveis pela autoridade julgadora. DECRETO. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA PELOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado, ressalvadas exceções não configuradas nos autos, afastar, sob fundamento de inconstitucionalidade, a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que ratificou os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, em que apresenta argumentos para sustentar a glosa de créditos presumidos de IPI. É o relatório. Fl. 4490DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.491 57 Fl. 4491DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.492 58 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos legais de admissibilidade, pelo que devem ser conhecidos. RECURSO DE OFÍCIO Por meio da Resolução n° 11.001.894, datada de 20/10/14, a DRJ no Recife (PE) determinou a realização de diligência, para que fossem respondidos os seguintes quesitos, produzidos a partir de questões suscitadas na impugnação: "(. . .) 242.1. verifique, no Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento em Camaçari e nos demais pertinentes Livros/Documentos da escrita fiscal/contábil que legitimem as anotações consignadas neste Livro, a eventual existência de saídas de produtos fabricados nesta filial que acaso não tenham sido consideradas, quando do cálculo do fator de rateio, no total das saídas de citado estabelecimento e, com atenção para a observação do item 240 e para eventuais outros aspectos que tenham interferência na questão, elabore, se for o caso, demonstrativo mensal de crédito presumido de IPI adicional a ser reconhecido além daqueles já apurados no curso da fiscalização; 242.2. confirme, no Livro de Apuração do IPI da filial em São José dos Campos e nos demais pertinentes Livros/Documentos da escrita fiscal/contábil que legitimem as anotações consignadas neste Livro, a eventual existência de saídas de mercadorias fabricadas neste estabelecimento sujeitas à substituição tributária do ICMS (CFOP 5.401 e 6.401) ou destinadas à ZFM e à Área de Livre Comércio (CFOP 6.109) que acaso não tenham sido consideradas para fins de apuração da parcela de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a serem transferidos para a filial em Camaçari e, com atenção para a observação do item 240 e para eventuais outros aspectos que tenham interferência na questão, elabore, se for o caso, demonstrativo mensal de crédito presumido de IPI adicional a ser reconhecido à contribuinte além daqueles já apurados no curso da Fiscalização antes efetuada; 242.3. na hipótese de serem apurados valores adicionais a título do crédito presumido de IPI discutido neste processo, reconstitua a escrita fiscal do IPI da contribuinte e informe a repercussão de tal reconstituição no Auto de Infração (indicando os valores do imposto lançado cujas exigências devem ser mantidas) e nos Pedidos de Ressarcimento objeto dos processos administrativos relacionados aos trimestres autuados e apreciados nesta mesma sessão6 (informando, se for o caso, as importâncias a serem ressarcidas em complemento àqueles inicialmente admitidas); (. . .)" Fl. 4492DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.493 59 Antes de adentrar no resultado da diligência, cumpre fazer breve descrição do benefício fiscal em discussão, considerando as premissas adotadas pelo agente responsável pela diligência e que estão em linha com a interpretação dada pela fiscalização. O contribuinte contesta alguns destes conceitos, o que será objeto de discussão, quando apreciarmos o recurso voluntário. O contribuinte goza do direito de registrar crédito presumido de IPI equivalente ao dobro do PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas no mercado interno dos produtos de fabricação própria (artigos 1°, 11 e 11A da Lei n° 9.440/97), produzidos pela fábrica localizada em Camaçari (BA). E as contribuições devidas são as resultantes do cotejo entre débitos e créditos, sob o regime não cumulativo de apuração. Ocorre que o contribuinte apresentava custos diretos e indiretos de fabricação, base de cálculo dos créditos, comuns às receitas de venda no mercado interno e de exportação. Nestas circunstâncias, determina o § 2° do art. 11A da Lei n° 9.440/97 que os custos sejam rateados, de acordo com as regras previstas nos §§ 8° e 9° das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02., quais sejam: "§ 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal." Como a matriz do contribuinte, em sua apuração consolidada, adotava para todos os fins o método do rateio proporcional (inciso II), este também foi o adotado pela fiscalização e, por conseguinte, pelo agente responsável pela diligência: determinação da participação percentual das vendas dos produtos de fabricação própria no mercado interno no somatório destas com as de exportação. O percentual encontrado (fator de rateio) foi aplicado sobre os custo de fabricação. Dito isto, passemos ao resultado da diligência. O Relatório de Diligência (fls. 3.486 a 3.495) identificou os seguintes erros nos cálculos da fiscalização, que redundaram no aumento do crédito presumido de IPI e, por conseguinte, redução dos valores de IPI lançados de ofício: Fl. 4493DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.494 60 i) A filial Camaçari (BA) transferiu veículos e peças para outras filiais. Os custos da produção destes veículos foram computados na base de cálculo dos créditos, porém o valor da saída para outras filiais não foi incluído no somatório das saídas não incentivadas, para fins de determinação do fator de rateio. i a) O agente fiscal propôs que os valores das transferências para outras filiais fosse computado como vendas não incentivadas, o que reduziu o fator de rateio e, consequentemente, aumentou o valor do crédito presumido. ii) Houve transferência para a filial de Camaçari (BA) de veículos produzidos na filial São Bernardo do Campo (SP). Com base nos mesmos parâmetros de rateio adotados para cálculo do incentivo fiscal, foram calculados e transferidos para a filial de Camaçari (BA) os custos dos veículos, os quais foram computados no cálculo do crédito presumido. Contudo, para cálculo do fator de rateio da filial de São Bernardo do Campo (SP), não foram computadas as saídas de produtos sujeitos ao regime de substituição tributária e para a Zona Franca de Manaus (ZFM). ii b) O agente fiscal propôs que tais saídas fossem computadas no fator de rateio da filial de São Bernardo do Campo (SP), o que reduziu o valor dos créditos transferidos para a filial de Camaçari e, por conseguinte, aumento o do crédito presumido de IPI. A PGFN não apresentou manifestação sobre o Relatório de Diligência ou qualquer outro argumento para a manutenção do lançamento original. Os ajustes propostos pela diligência, e implementados pela DRJ, redundaram nas seguintes diminuições dos valores de IPI lançados de ofício: Fl. 4494DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.495 61 O Relatório de Diligência não merece reparos, pelo que nego provimento ao recurso de ofício. Cumpre mencionar que, no curso do trabalho de diligência, foram identificados fatos novos, os quais foram objeto de auto de infração complementar, enfrentado pela recorrente e sobre o qual tratamos adiante. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 4495DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.496 62 Tratase de lançamento de ofício de IPI, relativo aos anos de 2009 a 2011, motivado pela glosa de créditos presumidos de IPI (Lei n° 9.440/97) apurados nos 1° trimestre de 2009 ao 4° trimestre de 2011. Com efeito, a presente contenda é apenas um dos resultados do trabalho de auditoria dos cálculos dos créditos presumidos de IPI do período compreendido entre o 1° trimestre de 2009 ao 4° trimestre de 2011. Por se tratarem de processos conexos, os que abrigam indeferimentos de PER e parte das multas isoladas por não homologação de compensações vinculadas aos PER encontramse nesta pauta para julgamento. Há duas questões de mérito no centro desta contenda, acerca do cálculo do crédito presumido do IPI: i) se pode ou não ser calculado sobre a receita da revenda de produtos importados; e ii) os critérios para identificação dos créditos de PIS e COFINS relativos às receitas de vendas nos mercados interno ou externo , a serem deduzidos das contribuições devidas sobre as vendas no mercado interno, bases de cálculo do incentivo fiscal. Passo então ao exame de cada um dos argumentos de defesa, na ordem e sob os títulos utilizados no recurso voluntário. "V AS RECEITAS DE VENDA DE VEÍCULOS IMPORTADOS INTEGRAM O FATURAMENTO PARA FINS DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS, BASE DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI DA LEI N° 9.440/97" Os argumentos apresentados na peça recursal são essencialmente os mesmos da manifestação de inconformidade, os quais foram criteriosamente apreciados pela DRJ, com cuja decisão concordo e dela faço minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) X.1.2. Da impossibilidade de apuração do créditopresumido de IPI previsto na Lei nº 9.440/97 em relação a revenda de bens importados: 282. O inciso IX, do art. 1º, caput, da Lei n 9.440/97, reconhece o direito ao crédito presumido corresponde ao dobro da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS que incidiram sobre o faturamento das “empresas referidas no §1º”, o qual, por seu turno, preceitua que “O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes” dos produtos descritos nas alíneas “a” a “h” deste parágrafo legal. 283. A primeira questão a ser dirimida é se a contribuinte tem, ou não, direito a apurar o incentivo aqui analisado em relação à revenda de bens importados. 284. O questionamento acima não se resolve pela simples análise textual do art. 1º, IX e §1º, da Lei nº 9.440/97, pois este dispositivo autoriza o alcance de duas conclusões totalmente conflitantes, a depender da maior (ou menor) ênfase que for conferida a cada um dos termos contidos na lei: (i) a atingida pela manifestante, que se apega ao significado da expressão “faturamento” inserta no texto legal; e (ii) e a Fl. 4496DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.497 63 alcançada pela autoridade fiscal, que se concentra na expressão “sejam montadoras e fabricantes” embutida nestes dispositivos. 285. Aliás, a própria recorrente, conquanto, sobremaneira inspirada no art. 111, do CTN, critique a SCI COSIT nº 17/2012 por ter se valido de uma interpretação não tão literal – e mais teleológica do incentivo fiscal em análise (27a/28ª e 33a laudas da Manifestação de Inconformidade), de modo um tanto contraditório sustenta, na 22ª laudas deste recurso, que o texto do art. 1º e 1A, do Decreto nº 3.893/2001 (assim como os dos arts. 112 e 135, do RIPI/2002 e 2010, respectivamente) deveria ser sistematicamente analisado – o que só vem a reforçar a impossibilidade de se interpretar, apenas de forma textual, o benefício fiscal contendido, até porque, tal como ensina Carlos Maximiliano e outros tantos doutrinadores, tal interpretação é a mais pobre e precária. 286. O benefício fiscal deve ser visualizado nos seus múltiplos aspectos, porquanto ele encerra, em essência, uma perda de arrecadação. O incentivo não pode gerar desequilíbrio, tampouco criar condições mais favoráveis aos beneficiados sem uma contraprestação ao Estado e à sociedade, sob pena de flagrante afronta ao interesse público inerente ao crédito tributário. Daí o cabimento da interpretação teleológica e sistemática sobre o assunto, desde que não amplie o alcance do favor fiscal expressamente previsto na lei. 287. Neste contexto, o art. 111, do CTN, embora fale em interpretação literal, está se referindo a interpretação restritiva, de modo a inviabilizar, nas situações ali descritas, interpretação que estenda a suspensão/exclusão do crédito tributário, a isenção e a dispensa do descumprimento de obrigações acessórias a outras situações que não aquelas expressas em lei. Nesta diretriz, confirase ementa do STJ no RESP n° 1.410.259/PR, DJ de 09/10/2015: “TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ART. 1º, XIV, DA LEI N. 10.925/2004. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. 1. As disposições tributárias que concedem benefícios fiscais demandam interpretação literal, a teor do disposto no art. 111 do CTN. 2. O art. 1º, XIV, da Lei n. 10.925/2004 reduz à alíquota zero de PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI, o que restringe o benefício apenas ao produto especificamente enquadrado no indigitado código classificatório. 3. A farinha de rosca não pode ser enquadrada no apontado código, pois as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), no Capítulo 11, ao explicitar as Considerações Gerais, apenas estabelecem que a farinha de rosca devem submeterse à posição 1101 (Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio) para fins classificatórios, mas em nada a equiparam à farinha de trigo prevista no código 1101.00.10. 4. Ou seja, a farinha de rosca enquadrase na posição 11.01, mas não se pode deduzir deste fato que sua classificação seja no específico código 1101.00.10, o que afasta a pretensão recursal Fl. 4497DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.498 64 da parte de beneficiarse da alíquota zero, porquanto inviável a interpretação extensiva almejada. Recurso especial improvido” (g.n.). 288. A propósito da possibilidade de o intérprete se socorrer de outros métodos, que não o exclusivamente gramatical, para atingir o alcance da norma que dispõe sobre incentivos fiscais, reproduzo excerto do voto condutor do Acórdão n º 20177.690, proferido pela Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes no processo administrativo n º 13962.000040/9894: “No caso do crédito presumido de IPI, que é incentivo fiscal criado com a finalidade específica de anular, ao menos em parte, o efeito indesejável da ‘exportação de tributos’, não se pode prescindir da interpretação teleológica, pois se trata da própria razão de ser do incentivo” (g.n.) 289. Assim, no caso vertente, não se deve menoscabar, na interpretação do benefício examinado, a sua finalidade, que, de forma incontroversa, é, aos moldes descritos na Exposição de Motivos da Lei nº 9.440/97 (EM nº 613/1996 MF), o de fomentar o desenvolvimento regional, aumentar o nível de emprego e descentralizar o setor industrial no Brasil, bem como neutralizar as desvantagens naturais existentes nas regiões incentivadas em relação às demais do País. 290. E pergunto: em que a revenda de produtos importados proporciona a descentralização de setor industrial no Brasil??? Respondo sem dificuldades: em nada! 291. Ademais, concordo com a afirmação das autoridades fiscais lançadoras no sentido de que é a industrialização na Região incentivada que tem maiores condições potenciais de oportunizar o fomento do desenvolvimento regional e incrementar o nível de empregos, o que somente de forma extremamente discreta e totalmente desproporcional em relação ao incentivo ocorre por intermédio de mera operação de revenda de bens importados. 292. Portanto, dentre as duas interpretações que se pode extrair dos termos literais do art. 1º, caput e §1º, da Lei nº 9.440/97, é a da autoridade fiscal recorrida, na senda de que o crédito presumido é indevido em relação às operações de revenda de bens importados, já que o benefício pressupõe a “montagem ou fabricação”, a que mais se afina com a interpretação teleológica do benefício e, por isto, deve ser sobrepor àquela dada pela manifestante. 293. Não bastassem as razões acima, a impossibilidade de apuração do incentivo sobre a revenda de produtos importados está categoricamente disposta no art. 1º, caput, do Decreto nº 3.893/2001, in verbis: Art. 1º Às empresas referidas no §1º do art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, poderá ser concedido, até 31 de dezembro de 2010, o incentivo fiscal do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, nº 8, de 3 de dezembro de 1970 e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante correspondente à aplicação da alíquota de 7,30% (sete vírgula trinta por cento) sobre o valor do faturamento Fl. 4498DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.499 65 decorrente da venda de produtos de fabricação própria, desde que as referidas empresas tenham: (...) (g.n.) 294. Com efeito, o art. 1º acima é de meridiana clareza ao acentuar que benefício analisado corresponde à aplicação da alíquota de 7,30% sobre o faturamento “decorrente de vendas de produtos de fabricação própria” – o que, sem margens para incertezas, afasta o faturamento decursivo da revenda de bens (importados ou não), que, com evidência, não são de fabricação própria da empresa incentivada. 295. Em semelhante diretriz, o art. 1A, do Decreto nº 3.893/2001, incluído pelo art. 1º, do Decreto nº 5.710, de 24/02/2006, que passou a disciplinar o cálculo do crédito presumido por pessoa jurídica submetida ao regime de incidência não cumulativa: “Art. 1A. A partir do início da efetiva aplicação, pelo contribuinte, do regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º corresponderá ao dobro do valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, no regime de nãocumulatividade, decorrente das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda” (g.n.) 296. Realmente, o comando normativo faz expressa remissão ao “montante do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º”, e, por seu turno, este art. 1º, como patenteado acima, cuida de crédito presumido de IPI a ser calculado sobre o faturamento restrito às vendas de produtos de fabricação própria, não tendo o art. 1A trazido qualquer alteração expressa nesta limitação. 297. Por fim, temse que, com a edição da Lei nº 12.218/2010, foi incluído o art. 11A à Lei nº 9.440/97, com vigência a partir de 01/01/2011, consoante ressalva o art. 3º daquela lei: "Art. 11A. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, poderão apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: (...) § 1º No caso de empresa sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de que trata o caput será calculado com base no valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda." Fl. 4499DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.500 66 298. Para o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, valem as mesmas ressalvas feitas ao art. 1º desta Lei acerca da impossibilidade de se adotar uma interpretação unicamente gramatical do dispositivo, bem como é aproveitada a mesma conclusão relativa ao incentivo do art. 1º no tocante à impossibilidade do benefício ser calculado em relação a operações de revenda de produtos importados, pois, de modo semelhante ao primeiro analisado, o objetivo do incentivo do aludido art. 11A é, de conformidade com a Exposição de Motivos da Lei nº 12.218/2010 (EM nº 166/2009 MF/MCT/MDIC), o de implementar medidas complementares à política de desenvolvimento produtivo no País, reforçando a regionalização da indústria automotiva Brasileira. 299. A restrição também se extrai do Decreto nº 7.422/2010 (que regulamentou o aludido art. 11A), o qual, em seu art. 2º, reportase aos produtos referidos no inciso IV, do art. 2º, do Decreto nº 2.179/97, que, por seu turno, refere se a produtos montados ou fabricados pelas empresas beneficiárias: Decreto nº 7.422/2010: “Art. 2. As empresas de que trata o § 1º do art. 1º da Lei no 9.440, de 1997, instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, poderão apurar, entre 1o de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV do art. 2º do Decreto nº 2.179, de 18 de março de 1997, multiplicado por (...)”(g.n.) Decreto nº 2.179/97: “Art. 2º Para os fins deste Decreto, consideramse: (...) IV "Beneficiários": as empresas instaladas e que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste e que sejam montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores de quatro rodas ou mais para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; c) veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhõestratores; d) tratores agrícolas e colheitadeiras; e) tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras; Fl. 4500DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.501 67 f) carroçarias para veículos automotores em geral; g) reboques e semireboques utilizados para o transporte de mercadorias; h) partes, peças e componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores; (...)” 300. Ainda no plano regulamentar, destacase que o art. 135, do Decreto nº 7.212/2010, também restringe, incisivamente, o benefício aos produtos de fabricação própria: “Art. 135. Poderá ser concedido às empresas referidas no § 1º, até 31 de dezembro de 2010, o incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, no 8, de 3 de dezembro de 1970, e no 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o valor do faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria (Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, art. 11, caput e inciso IV)” (g.n.). 301. Não se olvide que, consoante art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora administrativa está proibida de “afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, ressalvadas apenas as hipóteses (aqui não configuradas) taxativamente listadas no § 6º deste dispositivo. 302. Sendo ainda mais exato, saliento que, nos casos em que a inconstitucionalidade haja sido proferida pelo STF no controle difuso de inconstitucionalidade – ainda que sob repercussão geral o afastamento, pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa, da norma nestes termos declarada inconstitucional pela Suprema Corte depende de manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (art. 19, §5º, da Lei nº 10.522/2002). 303. Outrossim, realço que, aos moldes do art. 7º, IV, da Portaria RFB nº 341, de 12/07/2011, a autoridade administrativa de julgamento de primeira instância deve observar as normas legais e regulamentares, dentre as quais se incluem os decretos, que integram a legislação tributária (art. 96, do CTN). 304. Complementado os fundamentos acima, mencionase a Portaria Ministerial nº 258, de 14/10/2001, e as cláusulas constantes do Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, de 02/02/2002 assinado pela ora manifestante, que têm como pressuposto, aos moldes referenciados pela autoridade fiscal recorrida, a realização de industrialização pela beneficiária do incentivo. 305. Destaco, ainda, que o TVF em que se fundamentou o Despacho Decisório combatido se fundamenta, dentre outras normas, nos Decretos regulamentares acima citados e na Lei 9.440/97 e alterações, não tendo adotado como base legal a SCI COSIT nº 17/2012, de que reproduziu a ementa. O que, no máximo, verificase é a coincidência de parte dos argumentos usados pela autuação Fl. 4501DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.502 68 em relação aos constantes da SCI – mas não de todos, já que, por exemplo, diferentemente da SCI, a Fiscalização não faz comparação do benefício examinado com o incentivo da Lei nº 9.826/99. Isto não significa, todavia, que a Fiscalização tenha adotado a SCI como fundamento legal de sua conclusão, pelo que as críticas da recorrente dirigidas especificamente a este ato administrativo caem no vazio, assim como ocorre em relação à alegação de que a manifestante não estaria submetida à referida Solução de Consulta Interna. 306. Pelos fundamentos acima, improcedente a pretensão da contribuinte em calcular o crédito presumido debatido em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidente sobre as receitas decorrentes de revenda de produtos importados. Isto posto , nego provimento aos argumentos contidos no presente tópico. "VI OS CRITÉRIOS LEGAIS PARA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS E DA INOCORRÊNCIA DE ERRO NA ADOÇÃO DO MÉTODO UTILIZADO PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI" Conforme mencionado no item anterior, de acordo com o art. 11A da Lei n° 9.440/97, o crédito presumido de IPI equivale ao dobro das contribuições devidas sobre as vendas no mercado interno de produtos de fabricação própria. Contudo, para a apuração do incentivo, o contribuinte deve segregar de sua apuração consolidada o PIS e a COFINS devidos (resultado do cotejo de débitos e créditos) e incidentes sobre as vendas dos produtos de fabricação própria dos que recaem sobre as demais, tais como receitas de revenda de produtos e exportação. Assim, verificase que, quanto maior forem os valores dos créditos, menores serão as contribuições devidas e, por conseguinte, a base de cálculo do crédito presumido de IPI. O dispositivos legais assim dispõem: Lei n° 9.440/97, §§ 1° e 2° do art. 11 A "§ 1º No caso de empresa sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de que trata o caput será calculado com base no valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda. (Incluído pela Lei nº 12.218, de 2010) § 2º Para os efeitos do § 1º, o contribuinte deverá apurar separadamente os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com a venda no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º Fl. 4502DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.503 69 e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.218, de 2010) Lei n° 10.833/03, §§ 8° e 9° do art. 3° § 3º Para apuração do valor da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas na forma do § 1º, devem ser utilizados os créditos decorrentes da importação e da aquisição de insumos no mercado interno." "§ 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal." A controvérsia reside no critério de apuração dos créditos relativos a cada tipo de receita. A recorrente, para fins de cálculo do incentivo fiscal em comento, adotou dois métodos distintos: i) o "método do rateio proporcional" foi utilizado para calcular os créditos vinculados às despesas de energia elétrica, armazenagem, frete, serviços e bens do imobilizado; e ii) o método denominado de Bill of Material (BOM), para determinação dos demais insumos, o qual, segundo apurado pela fiscalização, aproximase do "método da apropriação direta" (inciso II do § 8° do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Em sua defesa, a recorrente alegou que não havia dispositivo legal que a obrigasse a adotar o mesmo método da matriz. E por meio de argumentos e pareceres técnicos, sustenta que o método de custos adotado pode ser considerado como de apropriação direta, pois coordenado e integrado com o restante da escrituração mercantil, nos termos do art. 294 do RIR/99. A fiscalização e a DRJ, por seus turnos, entendem que o contribuinte deveria ter utilizado o método do rateio proporcional (inciso I do § 8° do art. 3° da Lei n° 10.833/03), Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.504 70 pois o estabelecimento matriz o utilizava para outros fins (provavelmente, para fins de determinação do saldo de créditos de PIS e COFINS que, para fins de compensação, não requeriam que se esperasse pelo fim do respectivo trimestre calendário, porém poderiam ser imediatamente compensados). Adicionalmente, a fiscalização apontou várias inconsistências no cálculo dos custos, por meio do método Bill of Material, concluindo que não poderia ser considerado como coordenado e integrado ao restante da escrituração. Concordo com a fiscalização e a DRJ. Entendo que, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, deveria ter sido adotado o método aplicado pela matriz, qual seja, o do rateio proporcional. Assim, não adentrei na discussão acerca da adequação ou não à legislação do IRPJ do método Bill of Material. Desta forma,, faço do respectivo trecho do voto condutor da decisão da DRJ minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99): "X.4. Da vinculação do método a ser adotado pelo estabelecimento incentivado na determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativas para cálculo do benefício analisado àquele empregado pela matriz: 307. A questão a ser aqui inicialmente elucidada é se o método usado pelo estabelecimento beneficiado pelo incentivo previsto nos arts. 1º, IX, 11 e 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar os créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativas referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incetivados, está, ou não, vinculado ao método adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos quando da apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. 308. Para resolver o questionamento, devese atentar para três questões extremamente relevantes: 309. A primeira é que, a depender do método adotado, haverá alteração dos valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a pagar no regime não cumulativo. Este aspecto, bastante evidente, não foi debatido pela defendente, apesar de a autoridade fiscal ter apresentado exemplo concreto para demonstrar esta circunstância (vide item 40 acima). 310. A segunda, é que, nos termos do art. 15, da Lei nº 9.779/99, a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pelo regime não cumulativo deve ser feita de forma centralizada pela matriz: “Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: (...) III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS” (g.n.). Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.505 71 311. E a terceira questão é que, nos termos do art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, o benefício é calculado “no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento” (g.n.) – o que, à toda evidência, pressupõe a efetiva incidência da contribuição devida sobre o faturamento, tal como disciplinado pelo art. 1ºA do Decreto nº 3.893, de 2001, incluído pelo Decreto nº 5.710, de 2006, que assim estipula (reproduzo novamente o dispositivo): “o montante do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1o corresponderá ao dobro do valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, no regime de não cumulatividade, decorrente das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda” (g.n.). 312. No mesmo sentido acima, está o art. 11A, § 1º , da Lei nº 9.440/97, que preceitua que “o montante do crédito presumido de que trata o caput será calculado com base no valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda” (g.n.) 313. Destarte, como a adoção, pelo estabelecimento beneficiado, de método de cálculo das contribuições devidas sobre as operações incentivadas distinto daquele empregado pela matriz na apuração centralizada da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre estas mesmas operações (agregadas às demais da pessoa jurídica) resulta em valores devidos distintos destas contribuições, concluise que o método adotado pela matriz vincula o da filial, de modo que o crédito presumido possa realmente corresponder ao dobro das contribuições efetivamente devidas. 314. Pensar de modo diverso é subverter a força normativa da linguagem empregada, bem como aceitar resultado não condizente com o bom senso, o razoável, o racional. 315. Ademais, não se pode desprezar que a instituição de um benefício fiscal é orientada por parâmetros de renúncia fiscal, que, no caso vertente, está correlacionado com os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidos, não podendo ser adotado outro parâmetro do qual resulte o indevido alagamento do incentivo e, por conseqüência, da renúncia fiscal. 316. Não menos importantes sobre a questão são as ponderações entalhadas no TVF acerca do fato de que a pessoa jurídica constitui uma unidade só, e de que a contabilidade da pessoa jurídica deve integrar um único sistema contábil, até mesmo porque os resultados das filiais devem ser incorporados na escrituração da matriz (itens 37 a 39 e 41 a 46 acima), argumentos estes que também adoto, ao lado dos aqueles acima já esposados, no presente Voto. 317. Elucidese que o fato de a filial não poder se aproveitar de créditos referentes a produtos por ela exportados e de ela eventualmente possuir custos, despesas e encargos distintos da matriz não inviabiliza a adoção do mesmo método de rateio proporcional utilizado na apuração devida de modo centralizado pela matriz, desde que respeitadas, quando do emprego deste método, as características da filial. 318. A mesma lógica dos itens 298 a 306 acima impõe, independentemente de disposição normativa expressa, que, no cálculo do incentivo, a segregação dos créditos da nãocumulatividade de todo e qualquer veículo não incentivado – não apenas dos exportados – seja feita pelo mesmo método adotado pela matriz. Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.506 72 319. Neste ponto, chamo a atenção que a Solução de Divergência Cosit n° 23/2013 (citada no segundo Parecer Técnico), não trata da questão específica aqui analisada. De todo modo, a invocada Solução de Divergência ressalva, em seu item 15, que “a forma de despesas administrativas pode, em tese, ficar a critério do contribuinte, desde que tais operações estejam de acordo com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos, ou que não levem a resultado diferente do legítimo, assim como devem permitir a suficiente clareza e segurança para a verificação e so controles por parte da autoridade fiscal” (g.n.). Logo, concluise que, no caso vertente, é impossível a adoção de critério de rateio proporcional que não embasado na receita bruta, pois a adoção de distintos critérios conduz à divergentes resultados. 320. Saliento, particularmente no tangente à separação dos créditos relacionados ao mercado interno e ao externo que, apesar de, originariamente, a Lei nº 9.440/97 não tenha expresso que fosse feita por um dos métodos previsto nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/ 2003, o art. 1º, do Decreto nº 5.710, de 01/03/2006, que acrescentou o art. 1A ao Decreto nº 3.893/2001 (sobre o qual cabem as observações dos itens 290 a 292 acima) faz literal menção a respeito: “Art. 1º. O Decreto n° 3.893, de 22 de agosto de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte artigo: ‘Art. 1 º A. A partir do início da efetiva aplicação, pelo contribuinte, do regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o montante do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º corresponderá ao dobro do valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, no regime de nãocumulatividade, decorrente das vendas no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações de venda. § 1º Para os efeitos do caput , o contribuinte deverá apurar separadamente os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com a venda no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2º Para apuração do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas na forma do caput, devem ser utilizados os créditos decorrentes da importação e da aquisição de insumos no mercado interno.’ (g.n.) 321. Logo, desde o Decreto n° 5.710/2006 já havia disposição regulamentar determinando, para segregação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS vinculados ao mercado interno e ao externo, a adoção de um dos métodos previstos nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que, posteriormente, tal determinação foi incluída pela Lei nº 12.218/2010 no art. 11A, da Lei nº 9.440/97. 322. Ora, no caso vertente, consoante se observa nos documentos de fls. 1.292/2.713 do processo administrativo nº 13502.721308/201314, a própria contribuinte, na Ficha 01 – “Dados Iniciais”, inseriu, no campo “Método de Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.507 73 Determinação dos Créditos”, de todos os 36 (trinta e seis) DACON entregues em relação aos meses de janeiro/2009 a dezembro/2011 a informação “Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida” (g.n.), o que, como foi relatado por este Relator, foi confirmado pelo sujeito passivo em resposta à intimação que lhe foi dirigida no curso do procedimento fiscal. 323. No recurso interposto, mais uma vez, a recorrente, em mais de uma passagem, é peremptória ao dizer que usou o rateio proporcional. Apenas para exemplificar: 323.1. na 46ª lauda, terceiro parágrafo, da Manifestação de Inconformidade, ao registrar que “Logo, carece de qualquer fundamento legal a afirmação feita às págs. 17 do TVF quando sugere que a Requerente deveria adotar o método de rateio proporcional que fora empregado pela matriz para apuração do PIS e da COFINS” (g.n.); 323.2. na 50ª lauda, segundo parágrafo, da Manifestação de Inconformidade, em que conclui que “Desta forma, é impróprio o levantamento realizado pela Fiscalização para a quantificação dos créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos suportados pela Requerente, tomando em consideração o método de rateio proporcional pelo qual optara o estabelecimento Matriz, para fins de apuração do valor das contribuições que irão compor a base do crédito presumido de IPI a que faz jus a Requerente” (g.n.). 324. Aqui destaco que, conquanto o segundo Parecer Técnico concentre, quase que totalmente, seus esforços em evidenciar que a contribuinte disporia de sistema de contabilidade de custo integrada e coordenada com a escrituração, em nenhum momento é comprovado que, de fato, contrariamente ao que foi dito pelo próprio sujeito passivo nos DACON por ele entregues, no curso do procedimento fiscal e na Manifestação de Inconformidade interposta nos autos, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica também tenha adotado o mesmo método supostamente inicialmente usado pela filial incentivada (apropriação direta). Aliás, referido Parecer Técnico – que, conforme ele mesmo ressalva, apenas se limitou ao ano de 2011, enquanto a autuação envolve os anos de 2009, 2010 e 2011 –, sequer se fez acompanhar de demonstrativos nos quais estivesse evidenciado que, realmente, a matriz tenha realizado apropriação direta. 325. Aliás, o Parecer Técnico é contraditório sobre a questão, pois, embora afirme, em seu item 5.2.3., que a FORD teria realizado apropriação direta, posteriormente diz em seu item 5.3.3.9 que “A Ford, em seu cálculo original, utilizouse de percentual sobre a receita para identificar os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas auferidas com a venda no mercado interno e os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação” e que “Para a identificação das parcelas dos citados valores, utilizamos o critério mencionado no item 5.2.7 acima e realizamos os ajustes no valor dos créditos a serem considerados para fins de cálculo do incentivo”!!! 326. Anoto que a contribuinte, na Impugnação ao Auto de Infração Complementar objeto do processo administrativo nº 13502.721308/201314, bem como na Manifestação de Inconformidade interposta em face do segundo Despacho Decisório proferido no processo administrativo nº 13819.904873/201262, ambos os recursos interpostos após a apresentação do comentado Parecer Técnico, continua a dizer que a matriz adotou o método de rateio proporcional. Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.508 74 327. Portanto, concluo que o estabelecimento matriz da pessoa jurídica utilizou, para apurar, de forma centralizada, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devida na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o rateio proporcional previsto no art. 40, § 1º, I, da IN SRF nº 594/2005; então, pelos fundamentos esquadrinhados, deve usar este mesmo método para definir os créditos (e, por consequência, o valor efetivamente devido) destas contribuições para fins de levantamento do crédito presumido de IPI tratado na Lei nº 9.440/97. 328. Patenteado que a contribuinte deve aplicar, no cálculo do incentivo analisado, o mesmo método empregado pela matriz para segregar os créditos da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e, ainda, evidenciado que a matriz adotou o método de rateio proporcional, perde sentido analisar se o chamado método “Bill of material”, adotado pela manifestante, permite, ou não, apurar adequadamente o crédito presumido de IPI debatido. 329. No entanto, apenas para argumentar, registro estarem caracterizadas diversas inconsistências no método de segregação de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS utilizado pela contribuinte no cálculo do benefício. Para exemplificar: 329.1. exclusão, nos custos contabilizados, do ICMS devido por responsabilidade própria, da contribuição para o PIS e da COFINS da base da receita de vendas, circunstância que distorce os cálculos e, inclusive, o Parecer Técnico diz ter ajustado (vide item 236 acima); 329.2. efeito de antecipação/postergação do gozo do incentivo advindo da utilização do “Revenue Recognition”, conforme inclusive admitido no Parecer Técnico; 329.3. exclusão, da base de cálculo das contribuições, de ICMS supostamente a título de substituição tributaria, mas que, na verdade, é devido por responsabilidade própria; 329.4. consideração do valor das peças na data de fabricação dos veículos – e não o custo de aquisição efetivamente incorrido na data da compra da matériaprima – o que exige a realização de ajustes; 330. Ademais, anoto, ainda para argumentar, que o método empregado pelo Parecer Técnico para segregar os créditos da nãocumulatividade foi distinto daquele utilizado pela contribuinte, como se verifica, por exemplo, no tocante aos fretes nas compras, aos fretes nas vendas aos gastos gerais de fabricação, relativamente aos quais, consoante relatado nos itens 237.2, 237.3 e 237.4 acima, a contribuinte teria realizado rateio a partir da receita líquida e o Parecer procedeu à apropriação direta. 331. Não me alongo sobre as circunstâncias citadas nos dois parágrafos antecedentes, nem me debruço sobre as demais supostas irregularidades da contabilidade da contribuinte denunciadas no TVF, porque o exame destas questões perde sentido a partir das conclusão de que aqui devem os créditos serem segregados por meio do método do rateio proporcional em relação à receita bruta. E, por esta mesma razão, perde sentido avaliar o argumento da contribuinte de que, na apropriação direta, seria possível a rateio proporcional de determinados custos comuns. 332. Feitas as observações acima, julgo improcedente as Manifestação de Inconformidade, na parte em que pretendem afastar o método de rateio proporcional para segregação dos créditos referentes aos produtos incentivados. Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.509 75 X.1.4. Do Primeiro Parecer Técnico: 333. O primeiro Parecer Técnico, inovando os termos da defesa apresentada pela contribuinte, sugere que os créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a ser considerado no cálculo do incentivo aqui abordado fosse estabelecido mediante a aplicação, sobre a totalidade dos créditos da FORD, da relação percentual da receita bruta da venda de produtos incentivados (ou seja, excluindose as exportações e a receita de veículos importados do estabelecimento em Camaçari) e a receita total da Ford. 334. No entanto, o procedimento adotado pela Fiscalização permite calcular, com melhor exatidão, o crédito presumido de IPI, eis que, na metodologia inovadora proposta pelo primeiro parecer técnico – que sequer foi defendida pela recorrente na Impugnação , a apuração da filial em Camaçari, estabelecimento incentivado, é fortemente influenciada pelas receitas e pelos créditos de outros estabelecimentos da pessoa jurídica, aos quais não se estende o comentado incentivo. Em razão do exposto, mantémse a metodologia empregada pela Fiscalização. 335. Outra inovação trazida pelo primeiro Parecer Técnico em relação à defesa, é a alegação de que o rateio realizado teria segregado custos comuns às atividades de revenda e de produção (como energia elétrica e fretes), o que teria distorcido a alocação de créditos para Camaçari. 336. Ocorre, primeiro, a que questão acima não foi ventilada na Impugnação e configura matéria preclusa que não poderia ser atravessada tardiamente pelo Parecer Técnico, que sequer apresentou qualquer demonstrativo, a título exemplificativo que fosse, de qual seria o eventual incentivo adicional a que faria jus a contribuinte em razão da comentada circunstância. Ambas as circunstâncias são suficientes para rejeitar a alegação. 337. Atentese que o segundo Parecer Técnico, no terceiro parágrafo de sua 66ª lauda, deixa claro que “o valor das matérias primas é significativamente superior aos demais gastos gerais de fabricação”, o que leva a crer que, plagiando os termos deste Parecer, que eventual diferença de incentivo analisado em razão da situação comentada é “imaterial” quando comparado com os valores totais envolvidos, especialmente quando se atenta para o fato de que as atividades da FORD são essencialmente industriais. Não fosse assim, decerto a recorrente e a empresa de consultoria teria tido o cuidado de melhor conduzir a questão e teria elaborado mínimos demonstrativos que viabilizassem o atendimento do pleito. 338. As demais questões ventiladas no primeiro Parecer Técnico, naquilo que interessa à solução da presente lide, foram objeto de diligência cuja conclusão ensejarão a redução da autuação inicialmente formalizada, nos termos adiante expostos." Portanto, nego provimento aos argumentos da recorrente. "VII QUANTO AOS CRÉDITOS ORIGINADOS DE OUTROS ESTABELECIMENTOS" Peças já submetidas à industrialização são transferidas das filiais de Taubaté e São Bernardo do Campo para a de Camaçari, onde o processo produtivo é concluído. Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.510 76 Para fins do cálculo do crédito presumido de IPI, em relação às peças transferidas, são computados créditos tão somente relacionados aos custos diretos (ex: matéria prima), desconsiderandose, os demais, tais como, como graxa, estopa, energia elétrica, armazenagem, frete etc.. Tal fato, como vimos, redunda no aumento do valor do incentivo fiscal. Diante disto, a fiscalização apurou os demais custos e ajustou o cálculo do crédito presumido de IPI, adotando o método do rateio proporcional. A DRJ, motivada por contestação do contribuinte, requereu diligência para, entre outros motivos, verificar se havia transferências de mercadorias, cujos custos de fabricação e respectivas receitas de venda não haviam sido computadas nos cálculos dos créditos presumidos de IPI. A diligência não propôs retificação dos cálculos dos citados demais custos de fabricação de peças transferidas. A recorrente, por sua vez, limitouse a reiterar que entende que o método de apropriação direta seria o mais adequado (questão tratada no tópico anterior) e a consignar que a fiscalização teria computado custos como o de frete entre estabelecimentos da mesma empresa os quais a RFB notoriamente não aceita na base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Em outras palavras, não contestou o procedimento da fiscalização de adicionar ao cálculo do crédito presumido de IPI os demais custos de fabricação das peças transferidas. Assim, nego provimento aos argumentos da recorrente, que, com efeito, não têm relação direta com a questão central discutida neste tópico. "VIII QUANTO AO SUPOSTO ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATOR DE RATEIO" A fiscalização identificou que o contribuinte adotou dois métodos de rateio dos custos, para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS a serem computados no cálculo do crédito presumido de IPI: i) para os custos com energia elétrica, armazenagem, frete e bens do imobilizado, adotou o rateio proporcional, qual seja, a participação percentual das receitas com vendas de produtos de fabricação própria, que estão dentro do escopo do incentivo fiscal, na receita total; e ii) nos cálculo dos custos diretos, adotou o método que denominou de Bill of material, cujo resultado se aproxima do método da apropriação direta. Conforme discutido anteriormente, a fiscalização recalculou o incentivo fiscal, adotando, para todos os fins, o método do rateio proporcional. Não obstante, na parte em que o contribuinte adotou o método que o agente fiscal julgava como correto (rateio proporcional), teria cometido erros no cálculo, que são tratados nos tópicos seguintes. "VIII a Sobre o item X 1 6 da decisão recorrida" Para fins do rateio proporcional, a recorrente excluiu o ICMS das receitas com vendas no mercado interno, procedimento que sustentou em todos os momentos processuais, pois entende que o tributo não compõem a receita e, por conseguinte, não pode sofrer tributação pelo PIS e a COFINS. Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.511 77 A fiscalização recorreu às Lei n° 10.637/03 e 10.833/03, nos dispositivos em que definiram que a base de cálculo é receita bruta, da qual somente poderia ser excluído o ICMS devido por substituição tributária. A DRJ ratifica este posicionamento, acrescentando menções às Súmulas STJ 68 e 94. Já manifesteime perante esta turma no sentido de que devemos aplicar o Acórdão publicado no Diário de Justiça de 02/10/2017, relativo ao RE n° 574.706PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, que dispõe que o ICMS não compõe as bases de cálculo do PIS e da COFINS. Contudo, no presente caso, para que pudesse dar provimento aos argumentos da recorrente, teria de constar na peça de defesa evidências documentais de que: i) o contribuinte comprovadamente não pagava e tampouco contabilizava PIS e COFINS sobre ICMS; ii) ao calcular as contribuições devidas, sobre as quais calculou o crédito presumido de IPI, também não computou o ICMS, pois, caso contrário, haveria distorções no cálculo do incentivo fiscal. Isto posto, não tenho fundamento para propor alterações nos cálculos da fiscalização, efetuado com base nos registros contábeis e fiscais do contribuinte. "VIII b Sobre o item X 1 7 da decisão recorrida" Para fins do rateio proporcional, a recorrente excluiu das receitas as que diziam respeito a veículos faturados, porém que, até então, não haviam saído do estabelecimento. Adicionalmente, excluiu a parcela do ICMS incidente sobre vendas em que teria figurado exclusivamente como responsável por substituição tributária, nos termos do Convênio ICMS 51/00. No primeiro caso, a fiscalização não acatou tal exclusão, em razão de as receitas correspondentes terem sido computadas no cálculo das contribuições devidas, base de cálculo do crédito presumido de IPI. Pelo mesmo motivo apresentado pela fiscalização, não dou provimento aos argumentos da recorrente. Ademais, cumpre mencionar que o simples fato de os bens não terem saído do estabelecimento não significa que ainda não havia disponibilidade econômica e jurídica da renda correspondente, isto é, que a receita ainda não havia sido auferida. No segundo, a fiscalização consignou que não aceitou a exclusão, pois o valor se referia a ICMS próprio. A meu ver, o Convênio ICMS n° 51/00 determina que a montadora destaque na nota fiscal o ICMS próprio e o ICMS sujeito ao regime da substituição tributária, que é o incidente sobre a venda da concessionária para o consumidor final. Assim, em tese, está correta a recorrente. Contudo, segundo a fiscalização, o ICMS objeto da controvérsia foi contabilizado a débito de conta de resultado, tal qual é registrado o ICMS "próprio" o valor integra a receita com venda e é contabilizado como despesa com ICMS, para que então seja conhecida a receita líquida com vendas. O ICMS substituição tributária, por seu turno, não é Fl. 4511DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.512 78 contabilizado em conta de resultado não integra a receita com vendas e tampouco é registrado como despesa com ICMS. E, neste ponto, o que a fiscalização consignou não foi contestado. Portanto, os lançamentos contábeis evidenciam que o indigitado ICMS era o devido por operações próprias, tal qual concluiu a fiscalização, e não o relativo à parcela em que figurava como sujeito passivo por substituição. Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. "VIII c Sobre o item X 1 8 da decisão recorrida" Reproduzo abaixo o respectivo trecho do Termo de Verificação Fiscal, em que a controvérsia é detalhadamente descrita e cuja conclusão foi ratificada pela DRJ: Fl. 4512DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.513 79 Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que, ao computar as vendas com CKD no somatório das receitas com exportação, reduziu o percentual de participação das vendas de produtos de fabricação própria no total das receitas. Com isto, o percentual de créditos de PIS e COFINS a serem deduzidos das contribuições devidas sobre as vendas de produtos de fabricação própria também diminuiu. Como resultado final, houve aumento do incentivo fiscal, equivalente ao dobro das contribuições devidas sobre as vendas de produtos de fabricação própria. A recorrente afirma, porém sem comprovar, que os CKD constituem "kits" de fabricação própria. E aduz que, se a diligência pleiteada em primeira instância tivesse sido realizada, tal questão teria sido esclarecida. Se a recorrente tivesse carreado aos autos provas do que afirma, esta turma poderia ou acatar suas alegações ou, caso fosse necessário (ex: as provas fossem constituídas Fl. 4513DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.514 80 por grande número de documentos e de alto nível de complexidade), converter o julgamento em diligência, para obtenção dos esclarecimentos adicionais que fossem necessários. Contudo, não podemos dar provimento a argumentos infundados ou mesmo determinar a realização de diligências para produção de provas em favor do contribuinte, o que não encontraria respaldo no decreto n° 70.235/72. Portanto, nego provimento. "VIII d Sobre o item X 1 9 da decisão recorrida" A controvérsia foi bem descrita e enfrentada pela DRJ, de cujos argumentos faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99): "X.1.9. Das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus: 379. Sobre o assunto, a polêmica gira em torno da inclusão, ou não, das receitas de veículos de fabricação própria da ora recorrente, que foram vendidos a pessoas jurídicas revendedoras domiciliadas na Zona Franca de Manaus, na receita de vendas no mercado interno para fins de rateio dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. 380. Tem razão a Fiscalização ao considerar que a operação comentada está sujeita à alíquota zero, diante da meridiana clareza do disposto no art. 2º, caput e § 1º, da Lei nº 10.996/2004: “Art. 2º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...)” 381. Notese que, se o legislador considerasse, para fins da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativas, que as operações de remessa de produtos para consumo na Zona Franca de Manaus caracterizassem operações de exportação, nenhum sentido teria que a Lei nº 10.996/2004 atribuísse alíquota zero a tais operações, pois em data anterior à edição desta lei, quando foi implantada a sistemática nãocumulativa de referidas contribuições, elas não incidem sobre receitas de exportação (art. 5º, I, da Lei nº 10.637/2002, e art. 6º, I, da Lei nº 10.833/2003). 382. Acrescentese que o comando do art. 4º, do DL nº 288/67, apenas é aplicável aos tributos “constantes da legislação em vigor” quando de sua edição, consoante não deixa margens para incertezas o texto deste dispositivo legal, assim redigido: Fl. 4514DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.515 81 “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro” (g.n.) 383. Como tanto a contribuição para o PIS/PASEP e como a COFINS (seja pelo regime nãocumulativo aqui tratado, seja pelo regime cumulativo) apenas foram criadas após a edição do Decretolei nº 288/67, o art. 4º deste diploma legal não tem qualquer efeito sobre mencionadas contribuições. 384. Portanto, não tem razão a recorrente ao afirmar que os valores por ela auferidos com as vendas para a Zona Franca de Manaus equivaleriam a receitas de exportação, pois tais importâncias representam, na realidade, receitas de vendas no mercado interno sobre as quais recai a alíquota zero. 385. No sentido acima, reproduzo o voto condutor do julgado proferido aos 20/05/2013 pela 1ª Turma, 2ª Câmara, da 3ª Seção do CARF proferido no processo administrativo nº 10670.001491/200590: "Em relação à isenção das receitas ora tributadas, a contribuinte sustenta que, conforme previsto no artigo 4º Decretolei nº 288/67, as operações que destinam a ZFM mercadorias nacionais são, "para todos os efeitos fiscais", equivalentes a uma exportação brasileira para o exterior. Observase, contudo, que o citado DL 288/67, ao estabelecer esta equiparação, restringiu seus efeitos a legislação em vigor: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (grifo nosso) Referese, portanto, apenas aos tributos vigentes à data da promulgação deste Decretolei, no ano de 1967. As contribuições sociais, por sua vez, foram instituídas posteriormente; o PIS em 1970, por meio da Lei Complementar nº 07, e a Cofins em 1991, pela Lei Complementar nº 70. Constatase ainda que o DL 288/67, mesmo que tivesse este teor, não poderia modificar a legislação superveniente que instituísse novos tributos, projetando os efeitos desta isenção para o futuro indiscriminadamente. Ademais, o fato de ter sido publicada lei posterior, qual seja a MP n° 202, convertida na Lei n° 10.996, de 2004, reduzindo a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para as receitas em comento necessariamente significa que antes desta publicação estas receitas eram tributadas, caso contrário a nova lei seria totalmente desnecessária, hipótese não recomendada pela hermenêutica jurídica. Concluise, desta forma, que as receitas de vendas a empresas situadas na ZFM não podem ser equiparadas às receitas de vendas de exportação para fins de incidência destes tributos” (Acórdão nº 3201001.281). Fl. 4515DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.516 82 386. Ocorre que, apesar de submetidas à alíquota zero, as operações aqui tratadas autorizam a manutenção do crédito da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a partir da edição da Lei nº 11.033/2004, que assim preceitua em seu art. 17: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 387. Diante do exposto, também improcede a Manifestação de Inconformidade quanto ao aspecto abordado." Concluo por negar provimento aos argumentos. "IX DOS EQUÍVOCOS DOS CÁLCULOS CONSTANTES DA EXIGÊNCIA FISCAL" Apesar de discordar de sua aplicação entende que poderia adotar dois diferentes métodos de apropriação de custos na filial Camaçari e o rateio proporcional na matriz a recorrente aponta três supostos erros nos cálculos do rateio proporcional efetuado pela fiscalização, os quais, abaixo enumero e aprecio: i) Cômputo das receitas de veículos faturados, porém não saídos do estabelecimento: os argumentos foram examinados e rechaçados, no tópico "VIII b Sobre o item X 1 7 da decisão recorrida". ii) Adoção do método de rateio "Bill of Material" e cômputo do ICMS próprio no cálculo do rateio proporcional: os argumentos foram apreciados e rechaçados nos tópicos "VI OS CRITÉRIOS LEGAIS PARA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS E DA INOCORRÊNCIA DE ERRO NA ADOÇÃO DO MÉTODO UTILIZADO PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI" e "VIII a Sobre o item X 7 da decisão recorrida". iii) Vendas de Camaçari não computadas no rateio proporcional e inclusão indevida das vendas para a Zona franca de Manaus: reproduzo a resposta dada pela DRJ, de que faço minha razão de decidir: "391. A terceira questão acima – as saídas da filial em Camaçari que a recorrente disse não teriam sido consideradas no denominador do fato de rateio foi objeto de diligência solicitada por esta Turma, ocasião em que a autoridade diligenciante prestou, em relação às saídas sob os CFOP n° 5152, 5403, 6152 e 6403, as informações contidas nos itens 248 (e subitens) acima e no tocante aos CFOP n° 5151 e 6151, as informações dos itens 249 (e subitens) acima. 392. Em relação às primeiras saídas acima, têm razão os diligenciantes ao asseverarem que, por se referirem a produtos importados simplesmente revendidos ou incorporados à frota da contribuinte, elas não deveriam ser consideradas no rateio, pois é óbvio que nestes produtos não foram empregados os insumos a serem rateados. Fl. 4516DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.517 83 393. Sobre as saídas acima, a contribuinte, na manifestação sobre o resultado da diligência, limitouse a falar que a questão é exatamente a matéria controvertida nos autos e que seria descabido à autoridade fiscal se recusar a atender a diligência solicitada por esta DRJ. 394. Ocorre que, como bem anotado no Relatório de Diligência, esta DRJ solicitou que fosse verificada, no Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento em Camaçari e nos demais pertinentes Livros/Documentos da escrita fiscal/contábil que legitimassem as anotações consignadas neste Livro, a eventual existência de saídas de produtos fabricados nesta filial que acaso não tivessem sido consideradas, quando do cálculo do fator de rateio, no total das saídas de citado estabelecimento e, com atenção para a observação do item 244.4 acima e para eventuais outros aspectos que tivessem interferência na questão, e elaborasse, se fosse o caso, demonstrativo mensal de crédito presumido de IPI adicional a ser reconhecido além daqueles já apurados no curso da fiscalização. 395. Portanto, nada mais fez a autoridade fiscal que dar fiel cumprimento ao requerido por esta DRJ. Ademais, acima este Relator já votou contrariamente ao direito à consideração do incentivo sobre a revenda de veículos importados, sendo os mesmos fundamentos em que se baseia a conclusão a respeito aplicáveis aos veículos importados incorporados à frota da recorrente (CFOP nº 5.152, fl. 791). 396. Saliento que muito pertinente é a ponderação embutida no Relatório de Diligência no sentido de que caso fossem consideradas as saídas de mercadorias sob os CFOP nº 5152, 5403, 6152 e 6403 o percentual correspondente aos veículos importados apropriaria uma parcela de créditos dos custos, despesas e encargos vinculados à fabricação de bens, sem que, para isto, tivesse utilizado quaisquer destes insumos. 397. Destarte, as saídas ora examinadas não devem ser consideradas na definição do fator de rateio aos moldes pretendidos pela recorrente. 398. Já no tocante às saídas de mercadorias sob os CFOP nº 5151 e 6151 da filial em Camaçari, as autoridades diligenciantes concluíram que elas realmente deveriam fazer parte do fator de rateio, consoante fundamentos e nos moldes descritos no item 249 (e subitens) acima, que aqui acato. 399. A propósito das saídas acima, a única irresignação diligenciada no que pertine à inclusão, no Anexo D, das vendas para a ZFM como integrante das receitas de vendas. No entanto, segundo fundamentos esquadrinhados no item “X.1.9. Das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus”, sobre as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus incide a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sob a alíquota zero, não se podendo tais vendas serem tratadas como operações de exportação." Nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. "X AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR" No curso da diligência tratada por ocasião da apreciação do recurso de ofício, foi identificado "fato novo", o qual motivou a lavratura de auto de infração complementar: importação de insumos (peças) pela filial de Camaçari (BA), cujos créditos foram aproveitados Fl. 4517DF CARF MF Processo nº 13502.721308/201314 Acórdão n.º 3301004.692 S3C3T1 Fl. 4.518 84 para fins da apuração consolidada de PIS e COFINS, porém não foram computados na apuração do crédito presumido do IPI. Como já vimos, a adição de créditos de PIS e COFINS diminui o valor das contribuições incidentes sobre as vendas no mercado interno, e, por conseguinte, do incentivo fiscal. Como decorrência, houve aumento do IPI lançado de ofício. Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a recorrente pleiteou o seguinte: Com a devida vênia, tal qual a DRJ, não encontro sentido no pedido da recorrente. O auto de infração complementar foi lavrado, justamente porque foram identificados no trabalho de diligência créditos de PIS e COFINS Importação não considerados no primeiro cálculo do crédito presumido de IPI efetuado pela fiscalização. Assim, não há créditos de PIS e COFINS computados em duplicidade. Portanto, nego provimento. CONCLUSÃO Nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira (assinado digitalmente) Fl. 4518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11843.000013/2007-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PERDCOMP. DCTF. RETIFICAÇÃO. TRIBUTO. DIMINUIÇÃO.
A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito através de PERDCOMP. Mas, a alteração para menor de tributo lançado, mediante retificação da DCTF originalmente entregue, deve ser acompanhado por documentação e escrituração que a embase.
Numero da decisão: 1001-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva(relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente e redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: 47751797720 - CPF não encontrado.
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DCTF. RETIFICAÇÃO. TRIBUTO. DIMINUIÇÃO. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito através de PERDCOMP. Mas, a alteração para menor de tributo lançado, mediante retificação da DCTF originalmente entregue, deve ser acompanhado por documentação e escrituração que a embase. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva(relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 00 13 /2 00 7- 68 Fl. 187DF CARF MF 2 Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0336.226, da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da declaração de compensação DCOMP, cujo voto reproduzo a seguir: Voto A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Como se deduz da síntese do Relatório, a contribuinte quer ver efetuada a compensação declarada por conta de que retificou as declarações, alterando o valor do débito apurado, tendo assim direito ao crédito do recolhimento efetuado a maior (referente a Darf pago em 20/07/2006 no valor principal de 28.716,80). Examinandose os autos concluise que a compensação pretendida não pode ser efetuada. Senão vejamos. De início, constatase que o pretenso crédito do sujeito passivo se funda em redução do valor do débito declarado em DIPJ e DCTFs retificadoras que foram apresentadas em 25/04/2007, após a ciência do Despacho Decisório em 16/04/2007, portanto, fora do prazo que dispunha para retificação das declarações originais. Contudo, a' retificação "da DCTF, por si só, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, tendo em vista que a redução do débito declarado deve ser sustentada na escrituração e documentação da contribuinte. No caso, a Fiscalização da DRF/Palmas intimou a contribuinte para apresentar comprovantes fiscais e contábeis que sustentam as exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A contribuinte, por sua vez, justifica a exclusão em função de ter aderido ao PROUNI (Programa Universidade para Todos Prouni), cuja legislação prevê este beneficio. Da análise da documentação apresentada pelo contribuinte e pelo Ministério da Educação, concluiu aquela Delegacia: (1) É regular a inscrição do contribuinte n PROUNI, sendolhe facultado utilizarse das isenções previstas no art. 8° da Lei 11.096/2005; (2) O contribuinte possui receitas decorrentes de atividade nao incentivada nos anoscalendário de 2005 e 2006 que não estão demonstradas separadamente em sua contabilidade como exigido no art. 3° da IN SRF 456/2005. Assim, o intento da interessada não pode ser considerado, primeiro porque as retificadoras não substituem a original quando apresentadas a destempo, segundo, ficou demonstrado nos autos que a contribuinte Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11843.000013/200768 Acórdão n.º 1001000.628 S1C0T1 Fl. 188 3 descumpre as condições para fruição do beneficio da isenção, sendolhe vedado então excluir da base de cálculo o lucro da exploração resultante da atividade incentivada. Confirase a IN SRF 456/2004, arts. 1°, 3° e 5°, “litteris”: Art. 1°A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5° da Medida Provisória n” 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: 1 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); 11 Contribuiçao para o PIS/Pasep; III Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL); e IV Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (lRP.D. § 1°A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos 1 e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais deformação especifica. § 2° Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2” e na 1egislação_do imposto de, Art. 2° Omissis. Art. 3” Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida total Art. 4° Omissis. Art. 5° Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que trata o art. 1°darseá a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto ou das contribuições. § 1° Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação Fl. 189DF CARF MF 4 fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2“ao § 9” Omissis. Além disso, examinandose a questão à luz da legislação de regência, temos que, “verbis”: Art. 170 (CTN). A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade formulada, para não reconhecer o crédito pleiteado e não homologar a compensação efetuada, mantendose o decidido pelo Sr. Delegado da DRF PAL TO, folhas 15. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · as DCTF possuem a capacidade/obrigação de espelharem os efetivos valores devidos pelos contribuintes, por óbvio, devem ser passíveis de retificação, quando, por qualquer razão, não indicarem com correção os valores que efetivamente retratam os registros contábeis da sociedade vinculada. · Diante deste contexto, para prever e regular esta possibilidade de retificação das DCTF's. a Medida Provisória n.° 2.18949, de 23.08.2001, dispôs, em seu artigo 18, 0 seguinte, in litteris Art. 18. A retificação de dec/araçâo de impostos e contribuições administrados pela Secreta/ia da Receita Federal nas hipóteses em que admitida, tera' a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pe/a autoridade administrativa. · cita, ainda, nesta linha, as IN 695/2006, 786/2007 e, por último, o parágrafo 1°, do artigo 11, da Instrução Normativa RFB 903/2008, in verbis: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11843.000013/200768 Acórdão n.º 1001000.628 S1C0T1 Fl. 189 5 §1°. A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa, integralmente, e servirá para declarar novos débitos,aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. · Desta forma, o procedimento adotado pelo Recorrente, ao contrário do alegado no Acórdão n.° O336.226 da 4.” Turma da DRJ/BSB, seguiu as determinações e prerrogativas legalmente constituídas. · Ademais, o §2.°, do artigo 11, da Instrução Normativa RFB 903 em seus incisos de I a III, estabeleceu quase seriam as limitaçoes de acatamento das alterações por retificação das DCTF's, que são as seguintes, in verbis §2°. A retificação não produz/'ra' efeitos quando tiver por objeto a/terar os débitos re/ativos a impostos e contribuições: I cujos sa/dos a pagar já tenham sido enviados á Procuradoria Gera/ da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses sa/dos' II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, re/ativos a`s informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em re/ação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de inicio de procedimento fiscal. · Notadamente, quanto às limitações das retificações das DCTF)s, nenhum dos três incisos, acima transcritos, se enquadra no caso em questão. · Desta forma, a desconsideração, por parte do Acórdão n.° 0336.226 da 4.” Turma da DRJ/BSB, dos valores? apresentados nas DCTF's retificadas, importou em violação literal das prerrogativas e garantias legais do Recorrente, impondolhe sanção em desacordo com a legislação que rege a matéria. E continua: · Quanto à questão dos benefícios fiscais relativos à adesão ao PRO UNI, não se poderia glosar tais prerrogativas do Recorrente em análise superficial e não amparada por Mandado de Procedimento Fiscal Específico, ou seja, somente através de ação fiscal previamente determinada e com finalidade específica, poderia a autoridade fiscal desconsiderar estas prerrogativas do Recorrente, até mesmo porque, haveria de existir Ato Declaratório especifico de exclusão, cabendo direito de ampla defesa e princípio do contraditório regularmente constituído e assegurado. · Entretanto, apesar da total inexistência de dolo ou má fé, 0 Agente Fiscal desconsiderou totalmente a lisura de procedimento do Fl. 191DF CARF MF 6 Recorrente, para imporlhe uma sanção extremamente gravosa, em se tratando de fato que não decorre de falta de recolhimento de tributos, mas sim, da compensação de valores recolhidos a maior. · Ante tais circunstâncias, espera o Recorrente que suas razoes sejam acatadas, tanto quanto ao acolhimento da justificativa da compensação, quanto pela inexistência de dolo ou má'fé, bem como, pela total ausência de prejuízo à União. Por último, requer: · Diante de todo o exposto, requer seja reconhecido seu direito, julgando procedente o presente Recurso Voluntário, com o consequente cancelamento do crédito tributário constituído (Auto de Infração) em questão, vez que, não houve qualquer prejuízo ao Fisco Federal, bem como, o Recorrente não promoveu qualquer medida com dolo ou má fé, estando amparada pela legislação federal que rege a matéria. · Ainda, requer seja aplicado o efeito suspensivo à autuação e suas consequências, bem como, que o Recorrente seja efetivamente intimado da data de realização do julgamento, para os efeitos de sustentação oral. A discussão travada no presente feito possui origem na DCTF relativa ao 2° trimestre de 2003, entregue em 31.10.2005 pela Recorrente, que informa como devido a título de IRPJ o montante de R$ 58.147,65. Em relação a esse valor, foram informados como vinculados dois pagamentos realizados através de DARF's, nos montantes de R$ 38.488,59 e R$ 19.659,06. A DRF intimou a recorrente a (fl 51): · 1)Em relação aos débitos presentes nas DCOMPS não homologadas: AJUSTAR a situação de suas DCTFs as quais mostram vinculação incorreta dos débitos compensados com números de DCOMPS indevidas ou não está mostrada vinculação através de DCOMP. · 2) Em relação à sua DIPJ 2006/2005 retificadora: APRESENTAR em 15 dias após a ciência desta intimação, comprovantes fiscais e contábeis que sustentam as OUTRAS EXCLUSÕES indicadas na linha 31 da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido e na linha 39 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (para TODOS os trimestres). Observase que a DRF procedeu à análise da documentação apresentada, não tendo havido contestação quanto a apresentação das DCTF retificadoras. No entanto, houve contestação, por parte daquela autoridade, quanto à exclusão do benefício fiscal denominado de PROUNI, previsto na MP 213/2004 (convertida na Lei 11.096/2005), concluindo que (fl 63): As Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) dos exercícios 2006 e 2007 indicam que o contribuinte lançou a toda a sua receita liquida e lucro de operação, Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11843.000013/200768 Acórdão n.º 1001000.628 S1C0T1 Fl. 190 7 respectivamente, nas fichas 08 (Demonstração do Lucro da Exploração) e 09A (Demonstração do Lucro Real). Tal constatação «sugere que 0 contribuinte exerceu unicamente atividades voltadas aos cursos de graduação e aos cursos seqüenciais de formação específica nos anoscalendário 2005 e 2006 e que todo 0 lucro obtido é oriundo destas atividades, fato que necessita ser verificado, pois se contradiz à oferta de cursos de extensão e de pós graduação divulgados pela própria instituição em seu sítio na lntemet. Considerandose a existência de procedimento fiscal em andamento junto ao referido contribuinte, encaminho o presente para a SAF IS/DRF PalmasTO para apurar se houve a correta contabilização referente às atividades sobre as quais recaia a isenção das contribuições e do imposto, em consonância ao disposto no art. 3° da IN SRF n° 456. Após, retornese o presente processo à SAORT/DRF PalmasTO. Assim sendo, a DRF, então, determinou (fl 64): Processo n° : 11841000013/200768 Interessado: ITPAC INST. TOC, PRES, ANTONIO CARLOS CNPJ/CPF : 02.941.990/000198 Encaminhese à responsável pela Programação, Seleção e Análise da Fiscalização Fazendária para à vista do despacho de fis. 52 e 53 analisar o interesse fiscal, o que sendo constatado adotar providências para abertura de fiscalização conjunta, tendo em vista que esta entidade já encontrase com MPF aberto para fiscalização das contribuições previdenciárias. O que feito, devolver o processo à SAORT/DRF/PalmasTO. Extensa documentação, relativamente ao benefício fiscal do PROUNI, foi anexada ao processo (fls 65 a 141), relativamente às bolsas concedidas aos alunos, consoante requerido pela DRF, a seguir (fl 143):. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO PalmasTO, 21 de julho de 2009. Assunto: Lista de alunos Senhor Secretário. A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil ín fine subscrita, sob o pálio do artigo 6° da Lei n° 10.593/2002, com redação dada pela Lei n° 11.457/2007, vem solicitar a informação abaixo' discriminada em relação ao contribuinte |ITPCA INSTITUTO Fl. 193DF CARF MF 8 TOCANTINENSE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS LTDA CNPJ; 02.941.990/000198: 1 Lista nominal dos alunos que concluíram cursos de pósgraduação, ou outros exceto graduação, pela instituição de ensino acima especificada, com identificação do curso realizado e do ano de conclusão do mesmo. A informação deverá ser prestada por escrito e a documentação poderá ser enviada por via postal ou ser entregue diretamente na Delegacia da Receita Federal de Palmas, situada na Quadra 202 Norte, Av LO04, Conj 03, Lotes 05/06, Centro, Palmas/TO, CEP 77.006218, Seção de Fiscalização SAFIS, aos cuidados da AuditoraFiscal Maria Teresa Souza da Costa, com quem poderão ser obtidos outros esclarecimentos pelo telefone (63)39011186. Por fim, DRF, examinou a documentação apresentada pela recorrente e, também, pelo Ministério da Educação, tendo concluído (fl147): Da analise da documentação apresentada pelo contribuinte e pelo Ministério da Educação, concluímos: a) É regular a inscrição do contribuinte no PROUNI, sendolhe facultado utilizarse das isenções previstas no Art. 8° da Lei l 1.096, de l3 de janeiro de 2005. b) O contribuinte possui receitas decorrentes de atividade não incentivada nos anoscalendário de 2005 e 2006 que não estão demonstradas separadamente em sua contabilidade como exigido no art. 3° da IN/SRF N° 456, O5 de outubro de 2005. A Seção de Analise e Orientação Tributária SAORT, para conclusão. A DRJ, em seu acórdão, decidiu inicialmente (acima transcrito), que: De início, constatase que o pretenso crédito do sujeito passivo se funda em redução do valor do débito declarado em DIPJ e DCTFs retificadoras que foram apresentadas em 25/04/2007, após a ciência do Despacho Decisório em 16/04/2007, portanto, fora do prazo que dispunha para retificação das declarações originais. Embora apresentadas após o prazo da intimação, é fato que a recorrente tem o direito de retificar a DCTF no prazo de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração (artigo 9°, parágrafo 5°, IN 1110/2010). De fato, não restam mais dúvidas de que a DCTF constitui confissão de dívida. A jurisprudência é farta, neste sentido, tanto na esfera administrativa como na judicial. A alteração do lançamento se dá mediante a retificação da DCTF originalmente entregue. Se isto ocorre, o crédito tributário nela lançado torna~se definitivo, deixando de existir o anteriormente declarado, consoante as normas em vigor. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11843.000013/200768 Acórdão n.º 1001000.628 S1C0T1 Fl. 191 9 líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. O disposto no referido PN corrobora o fato de que a DCTF é confissão de dívida. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, nã assiste razão à DRJ, nesta alegação. Baseou a sua decisão, também, na presunção do descumprimento, por parte da recorrente, das condições estabelecidas pela IN SRF 456/2004, para fruição do benefício do PROUNI, conforme versa: Art. 3” Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. Parágrafo único. Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela instituição de ensino não oferecer condições para apuração do lucro líquido e do lucro da exploração por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades isentas e a receita líquida tal. /L. A esta conclusão chegou baseada na afirmação da DRF, a qual, novamente, transcrevo: b) O contribuinte possui receitas decorrentes de atividade não incentivada nos anoscalendário de 2005 e 2006 que não estão demonstradas separadamente em sua contabilidade como exigido no art. 3° da IN/SRF N° 456, O5 de outubro de 2005. Entretanto, não consta nos autos, que tenha havido um processo de fiscalização regular onde tenha sido apurado um débito tributário, contra a recorrente, mediante a lavratura de um auto de infração, o qual constituiria tal débito que, evidentemente, impediria a compensação dos créditos apresentados na(s) DECOMP, consoante artigo 49 e seguintes,da IN 900/2008 e alterações posteriores. Em não havendo o lançamento, entendo não haver como negar a compensação pleiteada. Por último, a recorrente pleiteia o cancelamento do auto de infração (SIC). Isto não é objeto da presente lide e não há por que considerar este pleito. Fl. 195DF CARF MF 10 A seguir requer que seja intimado da data da realização do julgamento para efeitos de sustentação oral. Quanto ao pedido de sustentação oral de suas razões de defesa, a recorrente deverá seguir o § 2º, do art. 61A, do RICARF Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe da forma e do momento oportuno para tal, verbis: § 2º (...) eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, (...). (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Portanto, dou provimento ao presente recurso e reconheço o direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor. Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão número 0336.226 da 4ª Turma da DRJ/BSB que indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da declaração de compensação DCOMP que requereu direito a crédito do recolhimento efetuado a maior (referente a Darf pago em 20/07/2006 no valor principal de 28.716,80), por conta de retificação de DCTF correspondente alterando o valor do débito apurado para menor. Mas, conforme já decidido na decisão de origem, a retificação da DCTF, por si só, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, tendo em vista que a redução do débito declarado deve ser sustentada na escrituração e documentação da contribuinte (art. 147 do CTN). A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. Mas, a alteração para menor de tributo lançado, mediante retificação da DCTF originalmente entregue, deve ser acompanhado por escrituração que a embase (art. 147 do CTN). Neste sentido também o Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11843.000013/200768 Acórdão n.º 1001000.628 S1C0T1 Fl. 192 11 Ressaltese que a Fiscalização da DRF/Palmas (intimação às fls. 51 e 143) apurou que os comprovantes fiscais e contábeis apresentados pelo contribuinte não sustentavam as exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e a diminuição dos tributos requerida. Desta forma, a DCTF é confissão de dívida e sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito, mas não é suficiente. Em procedimento de fiscalização ficou comprovado que o contribuinte possui receitas decorrentes de atividade não incentivada nos anoscalendário de 2005 e 2006 que não estavam demonstradas separadamente em sua contabilidade como exigido no art. 3° da IN/SRF N° 456/2006. Logo não cabe a redução pleiteada de tributos e não há crédito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 197DF CARF MF
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