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Numero do processo: 10880.016451/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO
Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTFs que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas.
Numero da decisão: 1302-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTFs que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
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PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTF’s que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 64 51 /0 0- 73 Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 765 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relatório Tratase de embargos de declaração para sanar omissão no Acórdão nº 1302001.882 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relativamente à preliminar de decadência, posto tratarse de matéria de ordem pública que deve ser analisada, mesmo quando a Embargante interponha recurso fora do prazo. Pois bem, reconhecida a omissão relativamente à preliminar de decadência através do despacho de admissibilidade fls. 762/763, objeto dos Embargos de Declaração em análise, a Embargante alega ter realizado compensações “sem processo” diretamente nas DCTF´s, em relação aos 4 trimestres de 2000, apresentadas respectivamente em 15/05/2000 (em relação ao 1°TRI/2000), em 11/08/2000 (em relação ao 2°TRI/2000), em 14/11/2000 (em relação ao 3°TRI/2000) e em 02/05/2001 (em relação ao 4°TRI/2000). No entanto, afirma que apenas em 01/09/2006 a Receita Federal se pronunciou sobre as compensações realizadas diretamente nas referidas DCTF (por meio do despacho recorrido de fls. 351), momento este posterior ao transcurso do prazo decadencial de 5 anos para a constituição dos créditos pelo lançamento, com relação a todas as declarações realizadas em 2000. Aduz que, tanto o CARF quanto o STJ, sedimentaram o entendimento de que nas hipóteses em que o contribuinte realizou compensações via DCTF, apresentada antes de 31/10/2003, é necessário que a autoridade fiscal realize o Lançamento de Ofício para cobrança de eventuais compensações indevidas (diferença de tributo). Assim, concluiu que se o referido crédito não foi constituído por lançamento de ofício, todos os “débitos” das compensações “sem processo” diretamente em DCTF foram alcançados pela decadência. Por consequência lógica, o saldo creditório remanescente neste processo nunca poderia ter sido utilizado para compensações de ofício, uma vez que a referida compensação se deu com débitos não constituídos e alcançados pela decadência. Finaliza requerendo a declaração da decadência do direito do Fisco de constituição dos créditos tributários relativos aos débitos das compensações “sem processo” diretamente em DCTF´s nos 4º trimestres do ano de 2000 e, consequentemente, quanto à improcedência das compensações de ofício efetuadas (com esses débitos não constituídos e decaídos) e também quanto à improcedência da cobrança adicional no montante de R$ 5.684.281,92, eis que tais débitos não foram constituídos pelo lançamento no prazo quinquenal da entrega das respectivas DCTF´s em 2000. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 766 3 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade, de acordo com o despacho exarado às fls.762/763 dos autos, por isso deles conheço. Em sua peça de Recurso Voluntário, a Embargante alega que as DCTFS dos trimestres de 2000 foram apresentadas respectivamente em 15/05/2000, 11/08/2000, 14/11/2000 e 02/05/2001, dandose a decadência respectivamente em relação a esses trimestres em 15/05/2005, 11/08/2005, 14/11/2005 e 02/05/2006 (fl. 573). Para a devida análise da preclusão do direito do Fisco em autorizar/homologar a compensação efetuada pelo sujeito passivo, é indispensável a verificação da data em que foram apresentadas tais declarações, conforme previsão do próprio art. 74, §5º da Lei 9.430/96, à seguir: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifos aditados) No entanto, devese ter em conta que os documentos juntados nos autos deste processo não são suficientes a conferir a certeza necessária quanto à data da entrega das DCTF’s ao Fisco, constatação indispensável à análise da prejudicial de mérito aventada. Desta feita, insta lembrar que a preliminar de decadência mencionada não consta dos pedidos feitos nas Manifestações de Inconformidade de fls. 295/302 e fls. 358/366, tendo sido arguido apenas no Recurso Voluntário de fls. 555/579. A esse respeito, o art. 18, caput, do DecretoLei nº 70.235/72 determina o seguinte: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Como visto, o referido DecretoLei, que dispõe sobre o processo administrativo tributário, estipula que incumbe à autoridade julgadora de primeira instância a determinação de diligências necessárias ao enfrentamento da questão, que no caso seria a verificação da data da efetiva entrega das referidas DCTF’s. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 767 4 Ora, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública, não cabe a esta instância recursal determinar a realização de diligências que deveriam ter sido procedidas pelo órgão julgador de primeira instância caso o contribuinte tivesse arguido a preliminar de decadência naquela ocasião. Verificase que o administrado não suscitou a questão na ocasião apropriada, não sendo a matéria de ordem pública suficiente a suprimir a primeira instância do processo administrativo. Com efeito, as perícias e diligências destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo. Desta forma, as DCTF’s, já constantes nos autos do processo quando do julgamento pela primeira instância julgadora, não poderiam ter sido suprimidos da análise dessa instância, sob pena de configurarse verdadeira manipulação do processo administrativo por parte dos contribuintes, máxime no que tange à afronta direta ao caput do art. 18 do DecretoLei nº 70.235/72, transcrito alhures. Assim, fato é que nessa instância, através das provas carreadas aos autos do processo, não se alcançou a certeza necessária para a declaração da decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. Por todo o exposto, CONHEÇO dos Embargos para no mérito, REJEITÁ LOS. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.723327/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/01/2008 a 02/08/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS.
No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.
Numero da decisão: 3401-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a existência do vício detectado pela DRJ, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b) por unanimidade de votos, pela classificação como formal do vício detectado majoritariamente pelo colegiado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/01/2008 a 02/08/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a existência do vício detectado pela DRJ, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b) por unanimidade de votos, pela classificação como formal do vício detectado majoritariamente pelo colegiado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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E EXP. DE MÁQUINAS PARA MADEIRAS LTDA E OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2008 a 02/08/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a existência do vício detectado pela DRJ, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b) por unanimidade de votos, pela classificação como formal do vício detectado majoritariamente pelo colegiado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 33 27 /2 01 2- 90 Fl. 1694DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 1285 a 13001, lavrado em 18/12/2012, para aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro, de R$ 3.567.673,95, em substituição à pena de perdimento, em virtude de não ter sido possível apreender a mercadoria (importada de 02/01/2008 a 02/08/2010), que foi objeto de revenda. No Relatório Fiscal de fls. 17 a 59, narrase que: (a) a ação da fiscalização deriva de procedimento anterior, que culminou no auto de infração lavrado no processo administrativo no 15165.000449/2011 23, no qual foi aplicada a pena de perdimento por interposição fraudulenta comprovada nas declarações de importação (DI) no 10/13750510 e no 10/14880671; (b) no presente caso, restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo, dos reais compradores e responsáveis pela operação, mediante simulação, na importação amparada pelas 86 DI relacionadas à fl. 19; (c) a empresa “ORION Comércio e Exportação de Máquinas para Madeiras LTDA” (doravante “ORION”), que tem em seu quadro societário Cecília Dallagnol Zotz (75%) e Roberto Zotz (25%), declarouse como importador direto, por conta própria, situação que restou descaracterizada no curso da ação fiscal, verificandose que tal empresa objetivava ocultar o real responsável pela operação comercial; (d) submetida a procedimento especial de controle aduaneiro finalizado em 24/05/2011, a empresa “ORION” foi objeto de diligência, na qual se verificou que no domicílio tributário informado ao fisco não havia qualquer funcionário, ou indício de que ali se encontrava uma empresa (informando a imobiliária que o imóvel estava desocupado desde o início de 2010); (e) a empresa “ORION”, de janeiro de 2008 a agosto de 2010, importou cerca de 4 milhões de reais em mercadorias, 88,95% destas sendo partes e peças para bombas injetoras, sendo o principal fornecedor a empresa uruguaia RIKUR S.A. (96,81% do valor total de tais mercadorias), sendo as 86 DI analisadas referentes a mercadorias que custaram R$ 4.888.751,82 (no mínimo, pois em tal valor não foram computadas despesas de armazenagem, demurrage, AFRMM, ICMS, despachante e fretes internos); (f) cotejando as mercadorias importadas nas 86 DI com as notas de venda, percebese diferença de R$ 1.469.441,59, significando que a empresa “ORION” deu entrada aos produtos importados a um preço, em média, 30,06% menor que o mínimo possível (exemplos e dados individualizados das notas às fls. 31 a 36); (g) apesar do considerável volume de vendas, vez que a empresa “ORION” dá saída a mercadorias abaixo do próprio preço de custo, esta acumula 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.695 3 prejuízos crescentes (tabela à fl. 37), e seus sócios também não apresentam recursos para fazer frente às importações (rendimentos declarados ainda à fl. 37); (h) em investigação das citadas DI no 10/13750510 e no 10/14880671, foi realizada diligência na empresa “BMM Distribuidora de Peças LTDA” (doravante “BMM”), onde foram encontrados extratos de DI da “ORION”, documentos que indicam que um dos sócios da “BMM” é também o proprietário da exportadora uruguaia RIKUR S.A., documentos relacionados à propriedade das marcas (FLÜB e WSK, entre outras, marcas registradas e de propriedade da “BMM”), e informações, nos produtos, de que a importadora seria a “BMM” (fotos à fl. 40); (i) nas DI analisadas na ação fiscal, 3.116 produtos em 50 DI ostentam a marca FLÜB, e durante a conferência da DI no 10/14880671, verificouse que as mercadorias já vinham embaladas em caixas da marca; (j) a última DI registrada pela “BMM”, alvo de procedimento especial aduaneiro de 2007, foi em 21/01/2008, só voltando a operar no período em que a “ORION” encontravase sob procedimento especial, sendo os produtos importados por ambas os mesmos, e provenientes do mesmo exportador uruguaio – RIKUR S.A.; (k) a empresa “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” (doravante “MULLER”), informa ser distribuidora oficial das marcas WSK, ZY, SEVEN, OMS, BULL e SPACO DIESEL, todas importadas pela “ORION”, a maioria das quais a empresa “BMM” requer registro, e de 6.552 produtos importados pelas DI em análise, 87,15% são de marcas constantes dos pedidos de registro no INPI pela BMM (FLUB, BULL, ZY, WSK e OMS – tabela à fl. 43); (l) outra empresa do grupo, a “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” (doravante “PARTS”), também menciona em seu sítio web ser tradicional importador das marcas FIRAD, SEVEN, FLÜB, ZY, WSK e OMS, entre outras, embora jamais tenha registrado operação de importação, tendo sido habilitada para operar no comércio exterior apenas em 20/09/2010, quando a “ORION” estava sob procedimento especial; (m) as três empresas adquirentes (“BMM”, “MULLER” e “PARTS”), destinatárias de 98,38% das importações de peças para motores diesel em análise, fazem parte de um mesmo grupo empresarial controlado por Ricardo Muller, André Luiz de Souza Bormann e Juan Francisco Morellato, este proprietário da RIKUR S.A. (empresa uruguaia que tem 90% de suas exportações para o Brasil destinadas à “ORION”) e sócio da “BMM” (relações entre quadros societários e operacionais às fls. 45/46); (n) analisandose os contratos de câmbio referentes às importações, percebe se que houve, para várias DI (tabela à fl. 48), remessas em valores superiores aos declarados nas importações em mais de 100%; Fl. 1696DF CARF MF 4 (o) o esquema de importações fraudulentas, com ocultação, é sintetizado na figura de fl. 49, restando na sujeição passiva da autuação as empresas “ORION”, “BMM”, “MULLER” e “PARTS”; e (p) tendo em vista a impossibilidade de apreensão das mercadorias, que já haviam sido revendidas, foi apurado seu valor aduaneiro (tabela às fls. 55/56), para fins de aplicação da multa substitutiva do perdimento, prevista no artigo 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976. A documentação de amparo do relatório fiscal se encontra às fls. 60 a 1283. A empresa “ORION” foi cientificada da autuação em 22/12/2012 (AR à fl. 1307) e em 29/12/2012 (termos de fl. 1301 a 1304), e apresentou impugnação em 22/01/2013 (fls. 1455 a 1476, com documentação de amparo às fls. 1483 a 1525), argumentando, em síntese, que: (a) a substituição da pena de perdimento por multa, no caso de revenda, passou a ser prevista somente na redação dada ao artigo 23, § 3o do Decreto Lei no 1.455/1976 pela Lei no 12.350, de 20/12/2010, não sendo aplicável ao caso em análise (que trata de importações de 02/01/2008 a 02/08/2010), pelo que é nula a autuação, em função do princípio da irretroatividade da lei; (b) mesmo na redação anterior, o artigo 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 não se aplica ao caso em análise, pois os produtos a serem apreendidos são duráveis, sem prazo de validade, e com marcação que possibilita a sua identificação; (c) a empresa sempre operou no mesmo endereço, onde ainda se encontra instalada e em funcionamento, não tendo o fisco tentado contato com a empresa, mas somente com imobiliária, entendendo equivocadamente a resposta, que não versava sobre o barracão da empresa, ao fundo, no endereço em que a empresa recebeu inclusive diversas intimações da RFB, como a do presente auto de infração; (d) o valor total da nota de entrada já inclui os tributos, que foram computados novamente pelo fisco, chegando a um valor mínimo equivocado, sendo o preço competitivo em função de benefício fiscal de ICMS/PR; (e) a empresa possuía habilitação para operar no SISCOMEX, e possuía recursos financeiros, conforme extratos bancários apresentados à fiscalização e comprovantes de empréstimo, e as operações objeto da autuação foram adquiridas para pagamento a prazo; (f) as marcas FLÜB e WSK foram registradas apenas em 2009, sendo que a empresa “BMM” jamais comunicou esse fato à “ORION”, que importava os produtos de boafé, sendo o registro da marca ZY indeferido, nem aparecendo as demais marcas na busca, e não podendo a fiscalização alastrar as conclusões da DI no 10/14880671 às demais; (g) a conclusão de que o valor de câmbio remetido é superior ao das importações declarada é equivocada, devendo ser tomado em conta, no cômputo, o INCOTERM® correspondente; (h) não há qualquer ilegalidade em adquirir mercadoria chinesa e europeia de exportador uruguaio; Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.696 5 (i) não houve qualquer tentativa de ocultação e nem fraude nas importações, que foram por conta própria, para revenda a terceiros; e (j) a alegação de quebra na cadeia no IPI na operação de venda não encontra guarida normativa, visto que o TRF da 4ª Região vem decidindo, com base em precedente do STJ, que não deve ser cobrado IPI na venda de produtos importados, e a ocultação do real adquirente ou exportador deve ter o dolo específico de suprimir tributos. Os responsáveis solidários foram cientificados e apresentaram impugnações conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa dos três responsáveis foram aqui reunidos, pela similaridade das peças de defesa), argumentando, basicamente, que: Responsável solidário Ciência da autuação (data/fls.) Impugnação (fls. / razões de defesa) “BMM Distribuidora de Peças LTDA” 21/12/2012 (AR à fl. 1305) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1355 a 1386) “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” 21/12/2012 (AR à fl. 1310) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1313 a 1343) “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” 21/12/2008 (AR à fl. 1312) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1403 a 1433) (a) não houve adiantamento de recursos para que a empresa “ORION” efetuasse as importações em análise, não se aplicando a presunção de que trata o artigo 27 da Lei no 10.637/2002; (b) incumbe ao fisco demonstrar que o risco inerente à operação de importação e posterior revenda seria transferido aos adquirentes, o que não ocorre no caso; (c) não há prova nem de ocultação nem de dolo, nem de participação da empresa, calcandose a autuação em operações similares objeto de autuação anterior; (d) a aplicação da pena de perdimento sem tomar em conta as peculiaridades do caso concreto (fundado em indícios e suposições) afigura violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; (e) para caracterização de “interposição fraudulenta”, há necessidade de prova de dolo, inexistente nos autos; (f) a penalidade aplicada é desproporcional, devendo ser relevada a pena, com fulcro nos artigos 736 e 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009); Fl. 1698DF CARF MF 6 (g) não se aplica ao caso o artigo 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), sendo equivocado o entendimento fiscal sobre o que seria “interesse comum”, que não se confunde com interesse econômico, sendo afeto ao interesse jurídico; e (g) alternativamente, a responsabilidade da empresa deve limitarse às operações das quais ela participou (como adquirente ou encomendante), e não aos valores globais, que incluem operações de terceiros, sendo que, no próprio termo de verificação, a autoridade aduaneira afirma que do valor total das notas fiscais de saída da “ORION”, 40.16% foram à “BMM”; 33,82% à “MULLER”, e 24,4% à “PARTS”; Em 20/02/2014, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 1552 a 1564), no qual a DRJ decidiu, pelo voto de qualidade, pela nulidade do lançamento, por vício formal (por ter sido lavrado um único auto de infração em face das quatro pessoas envolvidas, que respondiam por diferentes parcelas do crédito, e não todas pela integralidade do valor lançado, e em observância à Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013), vencidos a relatora e outro julgador, que entendiam haver vício material na autuação. Em função do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. A empresa “ORION” foi cientificada do julgamento de piso em 07/04/2014 (AR à fl. 1584). Os responsáveis solidários, por sua vez, foram cientificados da decisão da DRJ nas datas relacionadas na tabela a seguir: Responsável solidário Ciência da decisão da DRJ (data/fls.) “BMM Distribuidora de Peças LTDA” 31/03/2014 (AR à fl. 1581) “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” 01/04/2014 (AR à fl. 1582) “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” 01/04/2014 (AR à fl. 1583) Após a ciência, a empresa “MULLER” apresentou, em 24/04/2014, a peça de fls. 1585 a 1625, intitulada de “recurso voluntário”, e que será aqui encarada como contrarrazões ao recurso de ofício, o mesmo acontecendo em relação à empresa “PARTS”, no documento de fls. 1634 a 1674, apresentado em 25/04/2014 (ambas as peças trazendo, ao final, cópia da Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013), acrescendo tais peças de defesa aos tópicos já relacionados nas impugnações os seguintes argumentos (que, pela similaridade, serão aqui reunidos): (a) não ocorreu erro na identificação do sujeito passivo, ou erro de fato, mas erro de direito, ensejando a anulação da autuação por vício material, decorrente de interpretação extensiva não permitida no ordenamento, como sustentou a relatora do processo na DRJ; e (b) há necessidade de apreciação de mérito, sendo ele favorável à parte que da nulidade se beneficiaria. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.697 7 O processo foi distribuído, no CARF, por sorteio, ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, para relatoria, tendo sido suscitada suspeição (fl. 1692), em 30/07/2016. Em setembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por novo sorteio. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro, março e abril o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício foi interposto dentro dos patamares normativamente estabelecidos, e, portanto, dele se toma conhecimento. Detecta a DRJ, no presente caso, seguinte vício (independente da classificação adotada): a autuação lavrada contra a ocultante “ORION” se refere a operações nas quais são ocultadas, basicamente, três empresas, em diferentes declarações de importações/mercadorias: “BMM”, “MULLER” e “PARTS”. Mesmo sabendo exatamente quais importações tiveram como destino cada uma das empresas (o que se percebe do excerto de fls. 33/34 do relatório fiscal, abaixo), a autuação incluiu todas as quatro empresas no polo passivo, como responsáveis pela integralidade do crédito tributário: Fl. 1700DF CARF MF 8 Nos Anexos 5 a 7, e 12, do relatório fiscal, poderiam facilmente ser individualizadas as operações por empresa. É certo que a “ORION”, adotadas as premissas da autuação, seria efetivamente responsável pela integralidade do crédito tributário, enquanto as outras três empresas responderiam apenas no que se refere às operações nas quais figuram como destino (se caracterizada a operação como ocultação). O caso é substancialmente semelhante a outro, recentemente analisado por este colegiado (com seis dos oito conselheiros que hoje o compõem), no qual atuei como redator designado para o voto vencedor: “AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e dois responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas duas autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.” (Acórdão no 3401003.293, de 25/01/2017) (grifo nosso) Na ocasião, três dois oito julgadores (Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeidarelator, e os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira) entenderam que sequer havia vício no lançamento, podendo haver a segregação por sujeito passivo no momento da execução do julgado, como se revela no teor do voto vencido: “Novamente, sem muito esforço, notase que não se trata de questão que eive o lançamento de vício na identificação do sujeito passivo. Os sujeitos passivos foram perfeitamente identificados e, se os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito, isso passa ser uma questão de simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal, mesmo porque, competência da PGFN incluir todos os solidários nos documentos de dívida ativa, cabendo a RFB apontar os fatos e os fundamentos jurídicos necessários e suficientes à Fazenda Nacional cumprir seu munus, em razão da jurisprudência que formouse no sentido da inclusão prévia à execução fiscal. Perfeitamente possível a segregação por DI dos montantes em relação aos quais cada solidário responde e, ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir os responsáveis solidários do polo passivo da exação, não implicando a situação em (sic) nulidade do auto de infração, ao menos, contra o sujeito passivo principal do lançamento: CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A.” (grifo nosso) Mas o posicionamento majoritário, externado pelos cinco julgadores restantes, e revelado no voto vencedor, de minha lavra, foi no seguinte sentido: “Externo, no presente voto, as razões pelas quais divergi do nobre relator em relação a duas das matérias que ensejaram a nulidade do lançamento, segundo a decisão de piso. No que se refere à exigência de autorização específica para segundo exame, apenas endosso o entendimento do relator, acolhido unanimemente no seio do colegiado. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.698 9 Trato, assim, a seguir, de dois vícios identificados pela DRJ, um referente a incompetência jurisdicional da autoridade autuante, e outro versando sobre sujeição passiva, pelo qual inicio. O auto de infração em análise foi lavrado, pela IRF Rio de Janeiro, indicando como sujeito passivo a empresa “Cervejaria Petrópolis S.A.”, em relação a crédito que totaliza R$ 433.039.339,66, resultante da substituição da pena de perdimento por multa no valor aduaneiro da mercadoria, prevista no artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (reproduzido no artigo 689 do Decreto no 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro), em relação às 52 declarações de importação (DI) relacionadas à fl. 21, no Relatório da Fiscalização, anexo à autuação: (...) No item 6 do mesmo relatório fiscal (intitulado “Responsabilidade Solidária”, fls. 170 a 174), a autoridade aduaneira defende, com fundamento nos artigos 121, 124, 125 e 128 do Código Tributário Nacional, e nos artigos 95, 104 e 106 do DecretoLei no 37/1966 (reproduzidos no Regulamento Aduaneiro), que há responsabilidade solidária, no caso, das empresas “Barley Malting Importadora LTDA” (CNPJ no 09.193.169/000180) e Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA” (CNPJ no 00.851.567/000171), concluindo (fls. 173/174) que: Não atenta o autuante, no entanto, para o fato de que, entre as 52 DI relacionadas na autuação, nas quais a empresa oculta na transação seria a “Cervejaria Petrópolis S.A.”, algumas foram registradas pela “Barley Malting Importadora LTDA” e outras pela “Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA”. E uma dessas empresas arroladas na condição de responsável solidária jamais poderia arcar com o crédito tributário lançado em relação à DI registrada por outra. Fl. 1702DF CARF MF 10 Deveriam, assim, ter sido lavradas duas autuações, uma em relação à “Cervejaria Petrópolis S.A.”, que teria sido ocultada nas DI registradas por “Barley Malting Importadora LTDA”, e que seria responsável solidária em relação à integralidade do crédito lançado, e outra contra a “Cervejaria Petrópolis S.A.”, que teria sido ocultada nas DI registradas por “Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA”, que, por seu turno, também seria responsável solidária em relação à integralidade do crédito lançado na segunda autuação. Não se crê, aqui, na viabilidade da figura da “responsabilidade solidária parcial”, a ser desmembrada em fase de execução. Por isso, concordamos com o relator quando este afirma que “... os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito”, mas divergimos no momento em que sustenta ser o desmembramento viável mediante “simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal”. Esclareçase que, em relação às três empresas, paira, para o fisco, uma dívida (sob litígio) de R$ 433.039.339,66, com todas as consequências daí advindas (em relação à situação fiscal, quitação da dívida e possibilidade de obtenção de parcelamento etc.). Afirma ainda o relator, endossando as contrarrazões da PGFN (fl. 15530) que seria “[p]erfeitamente possível a segregação por DI dos montantes em relação aos quais cada solidário responde”, e que, “... ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir os responsáveis solidários do polo passivo da exação, não implicando a situação em nulidade do auto de infração, ao menos, contra o sujeito passivo principal do lançamento: CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A”. Até concordamos que, em eventual afastamento da responsabilidade de ambos os indicados como solidários, restando a imputação exclusivamente em relação à empresa “Cervejaria Petrópolis S.A.”, não haveria que se falar em vício na sujeição passiva, pois a única empresa remanescente no polo passivo responderia efetivamente pela integralidade do crédito lançado. Mas isso não está sob análise, ainda, no presente processo, que sequer ingressou na apreciação do mérito da autuação. Entendemos, assim, que devem ser lavradas autuações distintas para cada conjunto ocultante/ocultado, para que não se imponha responsabilidade solidária a sujeito passivo que sequer participou efetivamente da operação de importação objeto do lançamento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e dois responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, há nulidade formal, devendo ser lavradas duas autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. A nulidade faz com que, além de haver cerceamento de defesa (por certo que uma empresa sequer tem meios de impugnar lançamento na parte que não lhe corresponde), haja risco de divulgação de dados indevidos (o Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.699 11 que é minimizado, no presente processo, por haver imputação de que todas as empresas comporiam um mesmo grupo econômico). Daí concordarmos com a afirmação do julgamento de piso em relação a este tópico (fl. 15505): Deve ser negado provimento, então, ao recurso de ofício, nesse aspecto, mantendose a decisão de piso.” Endosso cada palavra de tal voto vencedor, estendendoas ao caso aqui em análise, no qual resta inviabilizada a continuidade do julgamento, no mérito, frustrando a demanda de contrarrazões ao recurso de ofício apresentada pelas empresas “MULLER” e “PARTS”. A única diferença é que no presente caso, ao invés de dois, temse três responsáveis solidários. Mas, de forma idêntica, fica inviabilizada a defesa de cada um deles em relação à parte que sequer lhe diz respeito, criandose uma espécie de “responsabilidade solidária parcial”, incompatível com os atributos de tal instituto no Direito Tributário e no Direito Aduaneiro. Sobre ser formal ou material o vício, o que, hoje, implica, indiretamente, a possibilidade ou não de lavratura de nova(s) autuação(ões), tendo em vista o prazo decorrido, conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional, cabe destacar que mantemos o posicionamento por ser formal o vício. Apesar de não haver nenhuma obrigação de classificação dos vícios na legislação de regência (classificação essa, digase, doutrinária ou jurisprudencial, porque não há critério normativo explícito para a distinção), a manifestação do colegiado, no presente caso, é demandada não só pelo próprio teor do recurso de ofício e das contrarrazões apresentadas, mas para facilitar a evidenciação das providências a serem tomadas pela unidade local, na execução administrativa do julgado. E, para empreender tal análise, necessitamos de algo mais do que a proposta de classificação da Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013 (que, digase, não resolve a discussão aqui presente, e permite tanto a conclusão presente no voto vencido, na DRJ, quanto a que figura no voto vencedor), de fácil assimilação, mas de difícil aplicação ao caso concreto. Entendemos que um grande passo foi dado na uniformização dos critérios a serem considerados na classificação dos vícios no lançamento tributário com obra recentemente publicada, fruto da dissertação de mestrado do conselheiro deste CARF Luís Eduardo Garrossino Barbieri, na qual são estabelecidos pressupostos teóricos de classificação dos Fl. 1704DF CARF MF 12 vícios, seguidos de visão pragmática (Capítulo 6), com exemplos de julgamentos do STJ e do CARF.2 E, na citada obra, tenho um indicador claro de que o vício detectado no presente processo seria de ordem formal, pois, no caso em análise, é possível lavrarse nova(s) autuação(ões) sem investigação adicional, visto que basta que, com os elementos que já figuram no processo, seja apartada em três a presente autuação, por grupo “ocultante/ocultado”, nas operações de importação, visto que "o vício formal não admite investigações adicionais" (conforme entendimento endossado unanimemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão no 9202002.731). Mantenho, assim, o entendimento externado no Acórdão no 3401003.293, de 25/01/2017, endossado aqui com estudo científico sobre o tema e com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan 2 BARBIERI, Luís Eduardo Garrossino. Lançamento tributário: vícios e seus efeitos. Critérios para diferenciar os vícios formais dos vícios materiais. Novas Edições Acadêmicas, 2015. Disponível em: https://www.nea edicoes.com/catalog/details/store/us/book/9783639848373/lan%C3%A7amentotribut%C3%A1rio: v%C3%ADcioseseusefeitos?search=Abuso%20sexual%20em%20crian%C3%A7a. Acesso em 08.fev.2015. Fl. 1705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902802/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.172
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 02 /2 01 2- 22 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.013. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904089/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 89 /2 01 4- 53 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721611/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Somente se verifica a concomitância e a respectiva renúncia à instância administrativa quando o objeto do processo judicial guarde identidade com a matéria tratada na lide administrativa.
MATÉRIA TIDA POR CONCOMITANTE. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A consideração equivocada de que matéria tratada em ação judicial tem o mesmo objeto de impugnação administrativa, redundando no não conhecimento do apelo interposto pelo sujeito passivo, consubstancia-se em motivo apto a ensejar a nulidade da decisão de primeiro grau, por implicar em supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões.
Numero da decisão: 2402-005.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de que os autos retornem à primeira instância para apreciação de todas as questões suscitadas na peça recursal.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INOCORRÊNCIA. Somente se verifica a concomitância e a respectiva renúncia à instância administrativa quando o objeto do processo judicial guarde identidade com a matéria tratada na lide administrativa. MATÉRIA TIDA POR CONCOMITANTE. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A consideração equivocada de que matéria tratada em ação judicial tem o mesmo objeto de impugnação administrativa, redundando no não conhecimento do apelo interposto pelo sujeito passivo, consubstanciase em motivo apto a ensejar a nulidade da decisão de primeiro grau, por implicar em supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 11 /2 01 3- 46 Fl. 738DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de que os autos retornem à primeira instância para apreciação de todas as questões suscitadas na peça recursal. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2402005.829 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 683/706) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA (fls. 671/673), que não conheceu da impugnação do sujeito passivo, por considerar que o apelo interposto versava sobre matéria objeto de ação judicial. Consta do Auto de Infração (fls. 600/605) que o crédito tributário, constituído com o fim de evitar a decadência, está com sua exigibilidade suspensa por força do depósito judicial efetuado em decorrência do processo nº 2008.61.00.01921414, em trâmite na 10ª Vara Federal Civil de São Paulo. Consta ainda do Auto que o lançamento decorreu da falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável, tendo em vista que o fiscalizado informou o imposto na Declaração de Ajuste Anual – DAA, mas não efetuou seu recolhimento. Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento alegando, em síntese, que: a) com relação aos fatos geradores ocorridos em 17/07/2008, 18/07/2008 e 22/07/2008, teria operadose a decadência, visto que a cientificação do lançamento somente teria se dado em 23/07/2013; e b) quanto à parte do crédito tributário discutido, o Auto de Infração aponta como fundamento legal da exação norma jurídica absolutamente estranha ao fato jurídico enquadrado pela autoridade autuante para constituir a exigência a título de IRPF. Pede o autuado, por fim, que seja conhecida e provida a impugnação, para o fim de ser cancelada a exigência na sua totalidade e consequentemente, arquivado o processo administrativo instaurado, em função da nulidade do Auto de Infração por erro de capitulação legal, ou, alternativamente, seja cancelada a exigência correspondente aos fatos geradores de 17, 18 e 22 de julho de 2008, considerandose a ocorrência de decadência. A DRJ/POA não conheceu da impugnação por considerar que houve renúncia às instâncias administrativa, em razão da propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Consoante ementa do Acórdão nº 1048.405, da 4ª Turma da DRJ/POA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à notificação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 740DF CARF MF 4 Impugnação Não Conhecida Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 683/706) com as razões abaixo mencionadas: a) de modo a resguardar o seu direito adquirido à isenção do IRPF sobre a alienação de participação societária, impetrou Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0192144, no qual realizou depósito judicial das quantias objeto de discussão, para assegurar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II, do CTN; b) mediante processo de fiscalização foi lavrado Auto de Infração com fundamento no art. 63 da Lei nº 9.430/96, com o intuito de prevenir a decadência, sem lançamento de valores a título de multa, pois realizou depósito judicial do valor correspondente; c) apresentou, na oportunidade, a competente impugnação, demonstrando, basicamente, que o lançamento ora impugnado deve ser cancelado, tendo em vista a decadência de parte do crédito tributário e a nulidade do lançamento, por indicação equivocada de fundamentação legal; d) a impugnação trata de matérias completamente diversas das apresentadas no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0192144, uma vez que este versa sobre o direito do contribuinte à isenção do IRPF sobre alienação de participação societária sobre a égide do art. 4º, alínea “d” do DecretoLei nº 1.510/1976; e) não há identidade de objetos entre a presente demanda administrativa e o Mandado de Segurança. O processo judicial pugna pela isenção do ganho de capital em razão do art. 4º, alínea d, do DecretoLei n° 1.510/76 e o presente recurso administrativo requer, basicamente, o cancelamento do auto de infração, tendo em vista (í) a decadência de parte do crédito tributário e (ii) a nulidade do lançamento, por indicação equivocada de fundamentação legal; g) ao discorrer sobre a matéria, cita doutrina e decisões administrativa e judicial a seu respeito; h) repisa questões trazidas na impugnação acerca da decadência e da nulidade do lançamento por erro na capitulação legal; e i) reitera os pedidos feitos na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.721611/201346 Acórdão n.º 2402005.829 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Com relação à concomitância entre matérias tratadas simultaneamente em âmbito administrativo e judicial, a Súmula CARF nº 1 estabelece: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De se notar que, de acordo a Súmula transcrita, no caso de propositura de ação judicial pelo contribuinte, independentemente da modalidade, antes ou depois do lançamento do crédito tributário, caracterizada estará a renúncia à instância administrativa, a menos que as matérias abordas no processo judicial sejas diferentes daquelas tratadas na lide administrativa. Assim, o deslinde da controvérsia constante do recurso voluntário passa necessariamente pelo exame das questões tratadas na ação judicial impetrada pelo recorrente e no processo administrativo fiscal que ora se analisa, a fim se verificar a existência ou não da identidade de objetos. Consta do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0192144 (fls. 511/599), mais especificamente no item da peça judicial denominado “V – PEDIDO”: V – DO PEDIDO 43. Por todo o exposto, é a presente para, respeitosamente, requerer a V.Exa.: Preliminarmente: a) decretação do segredo de justiça, em face dos documentos e informações que instruem estes autos serem sigilosas, nos termos do artigo 155, do CPC; e b) prioridade no andamento do processo, nos termos dos artigos 1211A e 1211B, ambos do CPC e 71, do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03); No mérito: c) a concessão de liminar determinando que a D. Autoridade Impetrada se abstenha da prática de qualquer ato tendente à cobrança do Imposto de Renda sobre parcela do ganho de capital apurado na alienação, derivada da integralização em quotas de Fundos de Investimentos, das ações da ITAUSA, totalizando a quantidade de 12.270.458 (doze milhões, duzentos Fl. 742DF CARF MF 6 e setenta mil, quatrocentos e cinqüenta e oito), adquiridas até 31/12/1988, em face do isenção prevista no artigo 4º, alínea d, do DecretoLei nº 1.510/76; d) seja expedido ofício à D. Autoridade Impetrada, dando ciência da concessão da Medida Liminar requerida, bem como concedendolhe o competente prazo para que preste as Informações que julgar cabíveis; e e) após ouvido o D. Representante do Ministério Público, seja, ao final, CONCEDIDA DEFINITIVAMENTE A SEGURANÇA, ratificando a liminar ora requerida e determinando e reconhecendo, por sentença, o direito do Impetrante ao não recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre parcela do ganho de capital apurado na alienação, derivada da integralização em quotas de Fundos de Investimentos, das ações da ITAUSA, totalizando a quantidade de 12.270.458 (doze milhões, duzentos e setenta mil, quatrocentos e cinqüenta e oito), adquiridas até 31/12/1988, em face da isenção prevista no artigo 42, alínea d, do DecretoLei nº 1.510/76. Por outro lado, conforme já se destacou no relatório integrante desta decisão, o recurso administrativo referese exclusivamente à decadência de parte dos fatos geradores abragidos no lançamento e à pretensa nulidade do Auto de Infração em razão de alegado erro na fundamentação legal. Vejase que inexiste a identidade de objetos exigida pela Súmula CARF nº 1 para que seja verificada a concomitância e caracterizada a renúncia à instância administrativa. Assim, entendo que deva decretar a nulidade da decisão de primeiro grau em razão do não enfrentamento da impugnação relativa à decadência e ao erro na fundamentação legal da autuação, devendo os autos retornarem àquela instância para o exame de referidas matérias. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL no sentido de que os autos retornem à primeira instância para apreciação das questões suscitadas na peça recursal. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000979/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA.
Não tendo sido apresentados elementos que afastem o direito do Fisco em constituir o crédito tributário, é procedente o lançamento de ofício lastreado em omissão de rendimentos.
NULIDADE. VÍCIOS FORMAIS.
Tendo sido o Auto de infração lavrado por servidor competente e sem preterição ao direito de defesa e observando fielmente os requisitos fixados na legislação, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.
DOLO. MULTA QUALIFICADA.
Verificada a intenção do sujeito passivo em impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, é devida a qualificação da multa relativa ao lançamento de ofício.
JUROS DE MORA. SELIC.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. EXCESSO.
Tendo amparo em Lei em vigor, incabível o questionamento administrativo sobre excesso em relação ao percentual da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 20/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 20/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PESSOA FÍSICA. Não tendo sido apresentados elementos que afastem o direito do Fisco em constituir o crédito tributário, é procedente o lançamento de ofício lastreado em omissão de rendimentos. NULIDADE. VÍCIOS FORMAIS. Tendo sido o Auto de infração lavrado por servidor competente e sem preterição ao direito de defesa e observando fielmente os requisitos fixados na legislação, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Verificada a intenção do sujeito passivo em impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, é devida a qualificação da multa relativa ao lançamento de ofício. JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. EXCESSO. Tendo amparo em Lei em vigor, incabível o questionamento administrativo sobre excesso em relação ao percentual da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 79 /2 00 7- 29 Fl. 241DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 20/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente do Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa aos anoscalendário de 2001 e 2002, fl. 112 a 117, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário, consolidado em 30 de março de 2007, no valor de R$ 261.307,20, incluindo multa por lançamento de ofício qualificada (150%). No Termo de Verificação Fiscal de fl. 105 a 111, é possível identificar os motivos em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, dos quais merecem destaque: a) que o procedimento fiscal fundase em trabalho desenvolvido a partir de decisão judicial que, a pedido da Polícia Federal, autorizou a quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior por instituições financeiras que atuavam como prepostos de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, dentre os quais o recorrente, que figurou como beneficiário de recursos financeiros movimentados no exterior; b) que o caso em tela estaria relacionado às investigações realizadas a partir da CPMI do BANESTADO, de cujo histórico é possível ressaltar: b1) que a Suprema Corte Americana divulgou, para a CPMI do BANESTADO e para o Ministério da Justiça, documentos e provas havidos em suas investigações e procedimentos; b2) que a Justiça Federal decretou a quebra de sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas, relativas a contas mantidas no MTBCBCHUDSON Bank e outros, recebidos da CPMI do BANESTADO, a qual os havia recebido da Promotoria Distrital de Nova York. Na mesma decisão, o Juíz também autorizou a utilização do referido material pela Força Tarefa Policial CC5 e o compartilhamento de todos os dados com a Receita Federal, Banco Central e Coaf; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 242 3 b3) que autoridades americanas autorizaram representantes do Congresso e da Polícia Federal brasileiros a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre as quais constam os nominados Beacon Hill, PJ Morgan e Chase Bank; b4) que o MTB Bank teria sido adquirido pelo CBCConnecticut Bank od Commerce e este, por sua vez, pelo Hudson United Bank. c) que foram identificados diversos contribuintes nacionais, dentre os quais o ora autuado, que enviaram ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando operações ou se beneficiando de tais procedimentos; d) que o autuado foi intimado, em 09 de novembro de 2006, a apresentar documentos comprobatórios da origem dos recursos financeiros movimentados no exterior através de conta mantida no JP Morgan pela empresa Beacom Hill Serviçe Corporation, tendo recebido, em anexo à intimação, detalhes das operações onde figura como remetente e/ou beneficiário dos valores; e) que em correspondência datada de 14 de novembro de 2006, o contribuinte esclareceu que nunca teve conta fora do país e que jamais solicitou ou efetuou qualquer remessa ao exterior, sustentando, ainda que parte da movimentação identificada pela fiscalização pertenceria a outro contribuinte, titular de outro CPF; f) que, confirmada a procedência de alegação de valores de titularidade de outro contribuinte, foi efetuada a devida exclusão, permanecendo, ainda, a constatação de que o sujeito passivo havia sido o beneficiário de cinco operações entre os anos de 2001 e 2002 que somavam US$ 143.000,00 g) que os trabalhos foram desenvolvidos mediante verificação documental e da mídia eletrônica compartilhados judicialmente com a Receita Federal, do qual resultou Representação Fiscal às unidades locais contendo resumos das operações de remessa contendo CPF; identificação do ordenante, remetente ou beneficiário; valor em dólares americanos na data da operação; número de referência; banco; número e conta beneficiária; banco; conta originária, dentre outros informações. Além de tal resumo, foram enviados às unidades locais: g1) laudos Periciais Federais elaborados pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, para cada conta/subconta onde foram localizadas transações; g2) relação das ordens de pagamento das contas em que o fiscalizado constou como beneficiário; g3) cópias das ordens de pagamento de conta em que o fiscalizado constou como beneficiário. h) que mesmo intimado, o contribuinte limitouse a alegar desconhecimento das transações relacionadas, não apresentando quaisquer elementos que pudessem ser utilizados pela Fiscalização.(que confere com cópia fornecida i) que considerando que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos; considerando que não há no CPF nenhum homônimo e no mesmo domicílio fiscal; considerando que está plena e suficientemente caracterizado que o contribuinte remeteu recursos ao exterior, não declarados e sem utilizar o Sistema Financeiro Nacional; Fl. 243DF CARF MF 4 considerando sentenças que determinaram a quebra do sigilo fiscal; e considerando, por fim, a omissão de rendimentos nas declarações de IRPF dos anoscalendários de 2001 e 2002, constituiuse o crédito tributário controlado no presente processo; j) que foi aplicada multa qualificada de 150% pois o contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de fraude e simulação, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, e art. 957, inciso II, do RIR/((, complementados com toda a documentação criminal recebida do exterior, laudos da Polícia federal e os demais elementos já exaustivamente mencionados no presente Termo. Ciente do lançamento em 18 de abril de 2007, fl. 115, inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 119 a 145, onde apresenta as razões que entende suficientes para lastrear sua convicção sobre a improcedência do lançamento. No julgamento de 1ª Instância, fl. 173 a 194, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II julgou procedente o lançamento, com base nas conclusões abaixo resumidas: Preliminar: Do cerceamento do Direito de Defeza e da nulidade formal do Auto de Infração e do Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 182) (...) Em relação à afirmação, feita pelo impugnante, de que a falta de descrição da infração no Mandado de Procedimento Fiscal enseja a nulidade do Auto de Infração, por violação ao principio do contraditório e da ampla defesa, não há sustentação legal, uma vez que tal falta, somente traria tais prejuízos se ocorresse no Auto de Infração.(...) Já quanto ao prazo de cinco dias para apresentação de documentos, constante do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 04 e 05), recebido pelo impugnante em 09/11/2006 (fls. 13), embora exíguo, obedece ao disposto no art. 19, § 1° da Lei n° 3.470/58, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001. (...) Quanto à movimentação financeira em nome de “Elie Hamoui”, CPF n° 667.536.86800, conforme se observa do Termo de Verificação Fiscal (fls. 104 a 110), a autoridade fiscal reconheceu a divergência de nome e CPF e simplesmente excluiu tais valores, por ocasião do lançamento. (...) Conforme é possível concluir, não houve qualquer violação às garantias do contraditório e da ampla defesa no caso em análise. Preliminar: Do direito do Impugnante oferecer documentos adicionais no curso do processo (fl. 181) Quanto ao pedido de realização de produção suplementar de provas, não há amparo legal, uma vez que o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito, estabelece que as provas devam ser produzidas por ocasião da impugnação, precluindo o direito da apresentação após tal data. Preliminar: Da multa aplicada. com efeito confiscatário Fl. 244DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 243 5 Por força do princípio da hierarquia, a Autoridade Julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal tem sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em leis em pleno vigor, atos nomativos do Sr. Ministro de Estado da Fazenda e do Sr. Secretário da Receita Federal, ressalvado, nos precisos ternos do Parecer, o dever de afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal eventualmente declarados inconstitucionais pela Suprema Corte, não cabendo manifestar se sobre eventual ferimento, por parte de dispositivos da legislação, a princípios esculpidos na Constituição Federal. Mérito Alegou o contribuinte, em suma, que tributouse entradas em contacorrente mantida no exterior, como “rendimentos omitidos”, ampliandose indevidamente o conceito de renda tributável. (...) Ao analisarmos o Termo de Verificação Fiscal, de fl. 104 a 1 10, é possível concluirse que o contribuinte foi identificado como ordenante de envio de recursos ao exterior, por meio ilegal, e se vislumbra a perfeita correlação da movimentação financeira apontada com a omissão de rendimentos, na forma de acréscimo patrimonial. Estabeleceu o art. 43, II do CTN que qualquer acréscimo patrimonial é passível de tributação, não restringindose somente no acréscimo patrimonial a descoberto, vez que os recursos e aplicações podem muito não ter sido declarados pelo contribuinte. (...) Dos juros de mora (...) Desta forma, havendo previsão legal para o cálculo dos juros de mora, efetuado em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida, carecendo, assim, de amparo legal a discordância do impugnante em relação ao cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Ciente do Acórdão da DRJ em 15 de setembro de 2008, fl. 197, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 208 a 239, no qual apresenta suas razões para entender a necessidade de reforma do Acórdão recorrido, as quais serão tratadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 245DF CARF MF 6 Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Sustenta o recorrente que o Auto de Infração e o MPF está eivados de vícios insanáveis que existem o reconhecimento de sua nulidade. Alega que a forma do Auto de Infração e do MPF estariam previstas naus art. 7 a 10 do Decreto 70.235/72 e que, neste sentido, o Mandado de Procedimento Fiscal deixou de apresentar corretamente a descrição fática. Afirma que o Acórdão recorrido não enfrentou tal argumento, permanecendo silente sobre o mesmo, apenas corroborando as alegações realizadas no Auto de Infração, em evidente afronta ao principio do procedimento administrativo de busca da verdade material. Aduz o recorrente a existência de outra irregularidade de gravidade bastante superior, que seria o fato de que depósito em conta corrente no exterior não estaria contemplado dentre os dispositivos legais que justificaram o lançamento. Inicialmente, em relação à suposta omissão da Decisão recorrida em relação a alegada falta de motivação no MPF, cumpre ressaltar que o julgador de 1ª Instância tratou do tema com maestria, que se mostrou além da necessária para afastar a alegação de nulidade, conforme se verifica em fl. 182/184. Pontuou o Julgador o equívoco da impugnação ao buscar fundamentação do MPF no Decreto nº 70.235/72, quando, à época do procedimento fiscal, a legislação de regência seria a Portaria SRF nº 6.087/2005; discorreu sobre os requisitos de validade do auto de infração contidos nos art. 8º e 9º do Decreto nº 70.235/72; apresentou considerações sobre a essência do MPF, afirmando tratarse de instrumento que tem o objetivo de comunicar, dar publicidade, ao contribuinte da decisão tomada pela Administração de Incluílo em procedimento de fiscalização; concluiu que a alegação de nulidade em razão da falta de descrição da infração no MPF não tem sustentação legal, afirmando que tal falta somente traria prejuízos se ocorresse no Auto de Infração. Acima, afirmei que o tratamento dado pelo Julgador de 1ª Instância ao tema se deu além do necessário, por simples razão lógica, já que o Mandado de Procedimento Fiscal nada mais significava que um ato da administração determinando quem seria fiscalizado, em que período, em que tributos e quem deveria fiscalizar. Jamais tal documento poderia trazer a descrição dos fatos que justificaram a autuação, pois estes elementos só seriam conhecidos ao final dos trabalhos da auditoria fiscal. Em relação à alegação de irregularidade no lançamento por não ter especificado a legislação relativa a depósito em conta corrente no exterior, há de se ressaltar que a autuação se deu em razão da convicção da Autoridade Fiscal sobre a ocorrência de omissão de rendimentos ocorrida nas declarações apresentadas para os exercícios de 2002 e 2003. Naturalmente, apenas a título de exemplo, tivesse o contribuinte demonstrado que os valores movimentados decorrem de rendimentos de trabalho assalariado, a norma que prevê a natureza tributável de tais valores seria citada. Fossem tais rendimentos decorrentes de pensão alimentícia, da mesma forma, seria citada a norma respectiva. Caso correspondessem a distribuição nos lucros, sequer teria sido constituída qualquer exigência, em razão da natureza Fl. 246DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 244 7 isenta do numerário. Mas o que se viu, é que o contribuinte não demonstrou a origem de tais valores, levando à necessidade de indicação ampla da legislação que impõe a incidência tributária, o que, por si só, não configura qualquer forma de nulidade. Feitas essas breves considerações exclusivamente por simpatia ao debate, é imperioso ressaltar que esta alegação é fruto de inovação dos argumentos da defesa, pois não foi suscitada por ocasião da apresentação da impugnação. Assim dispõe o Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, forçoso reconhecer que, sobre tal tema, não se instaurou o litígio administrativo, razão pela qual deixo de conhecêla. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do MPF e não conheço da preliminar de nulidade do Auto de Infração, a qual está amparada em matéria não impugnada. DO DIREITO O recorrente inicia suas argumentações tratando de aspectos legais que atribuem à atividade de fiscalização um caráter vinculado estrito, tudo para concluir que não cabe ao AuditorFiscal qualquer espécie de escolha no exercício de sua função, devendo pautarse exclusivamente nos limites impostos pela lei. A partir daí, fraciona suas alegações: a) Do cerceamento de Defesa, Vício do Procedimento Fiscal. Alega que a falta de motivação do Auto de Infração gera nulidade por importar prejuízo à defesa, afirmando que este não seria o único vício contido no procedimento, insurgindose contra o prazo de 5 (cinco) dias consignado na intimação inicial para apresentação de documentos. Afirma que tomou todas as medidas para cumprir as determinações no prazo arbitrário imposto, não sendo possível a apuração do ocorrido, o que impediu que o contribuinte apresentasse quaisquer documentos. Afirmando que o contribuinte agiu de boafé, colaborando dentro de suas possibilidades com o processo de fiscalização. Embora já muito bem aclarado pela decisão recorrida, convém transcrevermos o texto do art. 19 da Lei 3.740/1958, com a redação dadas pela Medida Provisória 2.15835/2001: Fl. 247DF CARF MF 8 Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. Portanto, como se vê, a ação do Agente Fiscal tem total amparo na legislação de regência. Valendo ressaltar que nada impediria que, no caso de eventuais dificuldades na apresentação da resposta, fosse requerida a dilação do prazo para atendimento da intimação, situação mais do que comum no curso de qualquer procedimento de fiscalização. Ocorre que ainda que o prazo do contribuinte se estendesse até o dia 16, já no dia 14 de novembro apresentou sua resposta, para a qual, pelo seu teor abstrato, não necessitaria de qualquer prazo, já que se limitou a negar genericamente sua participação nas operações identificadas. Ademais, conforme partes reproduzidas no Relatório acima, juntamente com o Auto de Infração, o contribuinte teve acesso ao Termo de Verificação Fiscal de fl. 105 a 111, o qual traz com detalhes os motivos que levaram ao lançamento. Já em relação a alegada falta de motivação do MPF, já vimos que esta não merecem prosperar. Assim, não observo a ocorrência do alegado cerceamento de defesa. b) Do Termo Inicial da Ação Fiscal Seque o contribuinte a tratar de supostas nulidades que viciam o auto de infração, dentre elas o fato de que, no Termo de Início do Procedimento Fiscal, havia movimentações financeiras em nome do contribuinte Elie Hamoui, CPF 667.536.86800. Afirma que o erro foi reconhecido pela Autoridade Fiscal, mas que se constitui em vício insanável, trazendo nulidade absoluta ao termo de fiscalização e, conseqüentemente, ao auto de infração. A intimação fiscal, neste caso, teve o objetivo de buscar elementos que apontassem a ocorrência de infração à legislação tributária ou a afastála. Notase que tal intuito foi alcançado, mediante a oportunidade dada ao contribuinte de se manifestar quanto na forma que entendesse devida em relação as movimentações financeiras. Quando da resposta à intimação, os argumentos foram avaliados e, neste caso, considerados pertinentes, sendo prontamente excluídos da ação fiscal os valores que haviam sido movimentados por outro contribuinte, frisese quase que homônimo. Ademais, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 245 9 Portanto, não importando qualquer prejuízo à parte, não identifico a nulidade apontada. c) Da Indevida Presunção de Receitas Alega o contribuinte que a mera posse de valores, na questionável hipótese de assim se admitir, não gera por si só disponibilidade econômica que possa dar ensejo à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Utilizandose da previsão do art. 153, inciso III da CF, que trata da competência da União para instituir impostos, afirma que a expressão "renda" e "proventos de qualquer natureza" delimita o que pode e o que não pode ser tributado a este título, alegando que não pode o legislador ordinário extrapolar a amplitude de tais conceitos, tampouco o AuditorFiscal, que precisa confrontar entradas e saídas para chegar ao saldo positivo a configurar com exatidão a "renda". Afirma que sequer o legislador infraconstitucional poder definir como acréscimo patrimonial aquilo que evidentemente não seja. Assim, não poderia a fiscalização inovar supondo a ocorrência de acréscimo patrimonial com fins à exigência de imposto. Que o Imposto de Renda não incide sobre movimentação financeira, mas apenas sobre o que efetivamente somarse ao patrimônio. Cita precedentes deste Conselho sobre arbitramento de lucros e transcreve Acórdão que afirma refletir perfeitamente a situação do caso concreto, destacando: ... Não prospera o lançamento com base no lucro arbitrado se a fiscalização considerou como receita gruta para fins de arbitramento o somatório dos depósitos efetuados nas contas correntes bancárias da empresa, acrescidos das respectivas remunerações, juros e correções. (Acórdão 101.92138, de 04/06/1998) Conclui afirmando que não pode o Imposto sobre a Renda incidir sobre mera movimentação financeira, principalmente se considerados apenas os créditos, pois tais valores dificilmente corresponderão à efetiva renda ou acréscimo patrimonial. Não vejo adequação dos precedentes administrativos à presente demanda, por evidente falta de identidade fática. Ora, não estamos falando aqui em tributação de lucro arbitrado. Conforme já expresso acima, a autuação em questão decorre da constatação de omissão de rendimentos da pessoa física nos exercícios de 2002 e 2003, já que em tais Ajustes não foram identificadas as quantias comprovadamente enviadas ao exterior. Nos termos do art. 43 da Lei 5.172/66 ( CTN), o Imposto sobre a Renda incide sobre o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e também sobre os demais acréscimos patrimoniais. Mas não se confunde acréscimo patrimonial com acumulação de riqueza, sob pena de ficarem fora do alcance da tributação todos aqueles que gastam tudo o que conseguem produzir. Fl. 249DF CARF MF 10 No caso da pessoa física, esse cotejamento alegado pelo recorrente entre entradas e saídas é efetuado no Ajuste Anual, onde, nos exatos limites da legislação, valores são excluídos da base de cálculo do tributo, para que este não corrompa uma de suas facetas mais nobres e, no lugar de ser instrumento de redução de desigualdade social, acabe por agravála. Desta forma, como as exclusões da base de cálculo do tributo já foram consideradas pelo contribuinte em seus ajustes anuais, concluise que o rendimento omitido seja integralmente submetido à tributação, com a ressalva de que outro poderia ser o desfecho se optasse o contribuinte por aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. d) Da Responsabilidade de Terceiro, Da Base de Cálculo e da Verdade Material Trazendo à balha excerto de Termo de Intimação emitido, em que a Autoridade Fiscal o orientou a identificar o real proprietário ou beneficiários dos recursos movimentados, caso tivesse operado em nome de terceiros, o recorrente afirma "se o Auditor Fiscal, dotado de todos os recursos da Receita Federal e instrumentos de última geração, não é capaz de localizar o terceiro para cobrança do crédito tributário, o recorrente que sequer reconhece a movimentação, não pode comprovar a titularidade de bem de terceiro. Afirma que, com tal ato, a Receita Federal do Brasil estaria transferindo sua responsabilidade de fiscalizar ao contribuinte. Alega erro em relação à base de cálculo apresentada pelo auditor, em particular em razão de lançamento de suposto débito do contribuinte Elie Hamoui em nome do recorrente e sustenta que a autoridade não cumpriu o seu dever na busca da verdade material, o que se comprovaria pela ausência de fiscalização e diligências efetuadas ou requeridas pelo Agente. Afirma que o recorrente foi acusado de prática de infração sem qualquer exame real da situação. Os argumentos da defesa não encontram lastro nos presentes autos. Como já bem pontuado no Relatório, o procedimento em tela constituiu uma das peças finais de um longo e trabalhoso levantamento, em que se envolveram autoridades e instituições do Brasil e do Exterior, públicas e privadas, com envolvimento direto de todos os Poderes constituídos (Legislativo, Executivo e Judiciário) com emissão de relatórios, perícias, coleta informações e auditoria de documentos, até se chegar à Representação às unidades locais, onde passa a atuar no cenário o AuditorFiscal autor do lançamento contestado. Depois de todo esse envolvimento, o contribuinte apontado por todas estas respeitáveis instituições e autoridades, mediante apresentação de documentos formais, apenas se dá ao trabalho de negar genericamente a movimentação do numerário. Não trouxe aos autos uma única demonstração de que, eventualmente, tenha tomado alguma providência sobre a movimentação de numerário em seu nome. E mais, tenta macular o procedimento fiscal valendose da orientação de procedimento da Autoridade Lançadora que deveria ser utilizada apenas se em tais movimentações de recursos estivesse operando em nome de terceiro. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 246 11 É claro que tal orientação nada mais fez que tornar a questão bastante transparente, tendo o Agente Fiscal, ao mesmo tempo em que apresentou documentos comprobatório, informado ao contribuinte a identificação de movimentações por ele efetuadas que deveriam ser comprovadas ou justificadas. Tais justificativas poderiam passar pela identificação de eventuais reais beneficiários. Ou seja, não há dúvidas quanto à titularidade das movimentações, tendo a máquina pública, eficientemente, neste caso, utilizado de seus recursos para chegar às pessoas que movimentam valores à margem do Sistema Financeiro Nacional, gerando repercussões em todas as esferas, dentre elas a fiscal. e) Da Produção de Provas Adicionais.. Insurgindose contra a decisão de 1ª Instância, que afirmou precluso o direito à produção de provas suplementares por entender que estas deveriam ter sido apresentadas juntamente com a impugnação, o recorrente manifesta sua convicção da possibilidade de juntada de novas provas e as ampara no art. 3º da Lei 9.784/99, que reserva direito ao Administrado de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão. Sustenta que a decisão recorrida funda suas conclusões no Decreto 70.235/72 e que a Lei 9.784/99, por ser norma posterior teria revogado tacitamente a previsão de preclusão do direito de apresentar provas. Pessoalmente, filiome ao seguimento de julgadores administrativos que analisa com bastante flexibilidade a questão do momento de apresentação de provas. Não penso que limitação imposta pelo Decreto 70.235/72 tivesse a intenção de transformar em direito da Fazenda algo que, de fato, não fosse, em prejuízo do contribuinte. Estando claramente evidenciada em elementos juntados aos autos a improcedência da imposição fiscal, mesmo que a prova inequívoca seja extemporânea, não veria qualquer problema em considerála no presente julgamento. O comando legal citado pelo contribuinte e contido na lei 9.784/99 prevê que o Administrado tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente. Sem entrar no mérito da questão da especialização do Decreto 70.235/75 e os efeitos sobre este de eventuais previsões legais de caráter geral, temos que, sabendo o contribuinte do alegado direito de apresentar documentos, por que não o fez? A impugnação foi protocolizada há mais de dez anos, tempo mais do que suficiente para levantamento de novos documentos e juntada nos autos. Após o Julgamento em 1ª Instância, houve a apresentação do Recurso Voluntário, quase que exclusivamente com alegações de vícios formais absolutamente improcedentes e sem a juntada de um único elemento adicional. Assim, se tais provas adicionais capazes de fulminar o lançamento ainda não chegaram ao presente processo, é porque não existem, o que apenas confirma a procedência dos motivos que levaram à autuação. f) Dos Juros e da Multa Aplicados. Fl. 251DF CARF MF 12 Questiona o recorrente a aplicação da taxa Selic sobre os débitos lançados, classificandoa como inconstitucional para fins moratório ou compensatórios. Sustenta a inaplicabilidade da multa de ofício de 150%, por desconsiderar a boafé do recorrente e por violar o princípio constitucional do não confisco, afirmando que o fato de a multa estar prevista em lei não dispensa a análise da validade do dispositivo. Alega que inexiste impedimento legal para que se reduza a multa excessiva, expurgando o excesso inconstitucional. Em sede administrativa, não há como tratarmos a questão na forma pretendida pelo contribuinte, dada a natureza vinculada da atividade. Vejamos como a legislação trata do tema: Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.(...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Lei 4.502/64 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 19515.000979/200729 Acórdão n.º 2201003.680 S2C2T1 Fl. 247 13 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Em relação às questões relacionadas à inconstitucionalidade de lei tributária, excesso da alíquota da multa de ofício e da incidência dos juros de mora com base na Selic, é certo que os temas já foram objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitidas Súmulas de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O que restaria seria a avaliação da correta aplicação da penalidade qualificada nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, acima reproduzido. A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte, de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a despeito da alegada boafé do contribuinte, entendo que é inequívoco que este agiu com dolo, seja por promover movimentação financeira à revelia do Sistema Financeiro Nacional, valendose de intermediações pouco convencionais, seja por se manter na posição de tudo negar mesmo diante dos elementos probatórios gerados pelas investigações, perícias e auditorias que envolveram as mais diversas instituições do Brasil e do Exterior. Assim, devida a qualificação da exigência. Fl. 253DF CARF MF 14 Portanto, ausentes dos autos os elementos que pudessem demonstrar inequivocamente a improcedência do lançamento, há que se manter a exigência fiscal e a decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720748/2008-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial, quando não demonstrada a divergência interpretativa em face da legislação tributária.
Numero da decisão: 9202-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial, quando não demonstrada a divergência interpretativa em face da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 48 /2 00 8- 68 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, consubstanciada no Acórdão n° 2101002.073, em que o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. PARCELAS INCORPORADAS PO FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL AOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Hipótese em que os requisitos da isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88 foram comprovados. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O acórdão recorrido foi integrado pelo Acórdão n.º 2102002.700, que apreciou os embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 20/02/2015. Cientificada do acórdão trinta dias após o encaminhamento, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 06/04/2015, o Recurso Especial em análise. Na origem, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 6/10) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006; anocalendário 2005, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual (Dirpf), no qual detectouse omissão de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.720748/200868 Acórdão n.º 9202005.250 CSRFT2 Fl. 165 3 rendimentos tributáveis pagos pelo Banco do Brasil S/A de R$ 378.016,14 e imposto de renda retido na fonte a compensar de R$11.340,48, bem como compensação indevida de imposto de renda na fonte, de R$11.340,48, relacionada ao Ministério da Fazenda. Apurouse imposto de renda suplementar de R$ 86.843,85. Na impugnação (fls. 2/5), o contribuinte alega ter direito à restituição pleiteada, de R$ 11.340,48, imposto de renda retido indevidamente quando do pagamento de precatórios pelo Banco do Brasil (3% de R$ 378.016,14), porque além de servidor aposentado do Ministério da Fazenda desde 1987, e, por dois anos, desde 02/12/2003, atende à condição pessoal de portador de moléstia grave, conforme laudo (fl. 12). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgou a impugnação improcedente por falta de comprovação de que os rendimentos recebidos eram provenientes de aposentadoria. Vejase a ementa da r. decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção decorrente da condição pessoal de portador de moléstia grave exige a comprovação de que os rendimentos recebidos questionados são proventos de aposentadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário. A Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF deu provimento à insurgência do contribuinte, por meio do acórdão nº 2101002.073, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. PARCELAS INCORPORADAS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL AOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Fl. 166DF CARF MF 4 Hipótese em que os requisitos da isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88 foram comprovados. Recurso provido. Intimada, esta Procuradoria opôs embargos de declaração suscitando omissão e contradição no acórdão nº 2101002.073. Defendeuse que inexistia a comprovação, pelo contribuinte, de que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estariam relacionados com a ação judicial do Processo 96.00.196508, com apelação no Processo 1998.01.00.0145917 (relativa a diferenças de remuneração reduzidas pela Lei nº 9.030, de 1995), razão pela qual se imporia o indeferimento da isenção pleiteada, diante da falta de comprovação de que os rendimentos tributados eram provenientes de aposentadoria. O Colegiado a quo conheceu os embargos de declaração, mas negoulhe provimento com base nas seguintes razões, consubstanciadas no acórdão nº 2102002.700: O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido. No presente caso, a Embargante aduz que o contribuinte não comprovou que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estariam relacionados com a ação judicial do Processo 96.00.196508, com apelação no Processo 1998.01.00.0145917 (relativa a diferenças de remuneração reduzidas pela Lei nº 9.030/95), devendo, portanto, ser indeferida a isenção pleiteada. Cumpre observar que há documentos acostados aos autos aptos a comprovar que o contribuinte é parte nos autos do Processo nº 96.00.196508 (com apelação autuada sob o nº 1998.01.00.0145917), relativo a diferenças de remuneração decorrentes da Lei n. 8.911/94, reduzidas pela Lei n. 9.030/95. Entretanto, inexiste comprovação de que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estão relacionados ao supra referido processo. Com razão a Embargante ao aduzir que não guardam relação entre si o processo mencionado acima e a Execução n° 2003.34.00.0425887 (Precatório n° 2004.01.00.0243360). Em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, observase que o processo a que está atrelada a execução aduzida acima não é o mencionado pelo contribuinte, mas sim o de n° 2000.34.00.0419555, o que também se pode observar do documento de fl. 90 dos autos. Na realidade, é fato incontroverso nos autos que os valores de que trata a notificação de lançamento de fls. 06/10 são os mesmos aos quais se refere o demonstrativo de fl. 90 dos autos, relacionado ao Processo 2000.34.000419555. Em pesquisa ao sítio do TRF da 1a. Região, verificouse que o objeto deste processo (funcionário público: reajuste salarial – Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.720748/200868 Acórdão n.º 9202005.250 CSRFT2 Fl. 166 5 calcular a GADF conf. art. 14 da Lei n. 13/92) poderia estar relacionado à aposentadoria do Recorrente, pois esta GADF (Gratificação de Atividade pelo Desempenho de Função) incorporase, nos Termos do art. 14 da Lei n. 13/92, aos proventos de aposentadoria. Assim, tudo recomendava a conversão do julgamento em diligência, para que fossem trazidas aos autos as cópias dos Processos 2000.34.000419555 e 2003.34.000425887, referidos no documento de fl. 90 dos autos (PDF), que demonstrariam se os rendimentos recebidos pelo contribuinte têm ou não natureza de proventos de aposentadoria. Não obstante, a diligência foi infrutífera. Considerandose, todavia, as informações constantes no sítio do TRF da 1ª. Região e que, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92, a referida GADF incorporase aos proventos de aposentadoria, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, apenas e tão somente para suprir a omissão/contradição apontada, sem alteração do resultado, ratificando o Acórdão 2101002.073. Verificase, pois, que apesar de reconhecer que o contribuinte não logrou comprovar de forma inconteste que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, o Colegiado a quo resolveu considerálos isentos. Isto é, diante da dúvida quanto à origem dos rendimentos, houve por bem aplicar a regra isentiva, em afronta ao disposto no art. 111 do CTN. Entendeu, assim a Procuradoria, que a decisão merece ser reformada, apresentando os seguintes paradigmas: Confirase, por oportuno, a ementa do acórdão paradigma nº 280101.983, bem como o acórdão paradigma nº 10246.230, com as seguintes ementas, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. Nos termos do art. 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3000/99, a isenção para portador de moléstia grave somente alcança os rendimentos de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado. IRRF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CONTRIBUINTE PORTADOR DE DOENÇA ISENTIVA AUSÊNCIA DE Fl. 168DF CARF MF 6 PROVA – O reconhecimento da isenção está condicionado à apresentação das seguintes provas: (1) Laudo Médico que identifique a data em que a doença foi contraída e (2) se os valores recebidos correspondem àqueles recebidos a título de proventos por aposentadoria ou reforma ou pensão. A pretensão do Contribuinte não pode ser atendida quando este não carreia aos autos qualquer prova das condicionantes acima especificadas. Recurso negado. Admitido o recurso, o contribuinte foi intimado, não apresentando contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo, em relação a sua admissibilidade, destaco as considerações constantes no exame de admissibilidade de efls. 141/145, conforme transcrito abaixo: Segundo o recorrente, apesar de reconhecer que o contribuinte não logrou comprovar de forma inconteste que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, o Colegiado a quo resolveu considerálos isentos. Explica que, diante da dúvida quanto à origem dos rendimentos, houve por bem aplicar a regra isentiva, em afronta ao disposto no art. 111 do CTN. Destaca o seguinte trecho do Acórdão n.º 2102002.700, que conheceu os embargos interpostos, mas negoulhe provimento: O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido. No presente caso, a Embargante aduz que o contribuinte não comprovou que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estariam relacionados com a ação judicial do Processo 96.00.196508, com apelação no Processo 1998.01.00.0145917 (relativa a diferenças de remuneração reduzidas pela Lei nº 9.030/95), devendo, portanto, ser indeferida a isenção pleiteada. Cumpre observar que há documentos acostados aos autos aptos a comprovar que o contribuinte é parte nos autos do Processo nº 96.00.196508 (com apelação autuada sob o nº 1998.01.00.0145917), relativo a diferenças de remuneração decorrentes da Lei n. 8.911/94, reduzidas pela Lei n. 9.030/95. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.720748/200868 Acórdão n.º 9202005.250 CSRFT2 Fl. 167 7 Entretanto, inexiste comprovação de que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estão relacionados ao supra referido processo. Com razão a Embargante ao aduzir que não guardam relação entre si o processo mencionado acima e a Execução n° 2003.34.00.0425887 (Precatório n° 2004.01.00.0243360). Em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, observase que o processo a que está atrelada a execução aduzida acima não é o mencionado pelo contribuinte, mas sim o de n°2000.34.00.0419555, o que também se pode observar do documento de fl. 90 dos autos. Na realidade, é fato incontroverso nos autos que os valores de que trata a notificação de lançamento de fls. 06/10 são os mesmos aos quais se refere o demonstrativo de fl. 90 dos autos, relacionado ao Processo 2000.34.000419555. Em pesquisa ao sítio do TRF da 1a. Região, verificouse que o objeto deste processo (funcionário público: reajuste salarial – calcular a GADF conf. art. 14 da Lei n. 13/92) poderia estar relacionado à aposentadoria do Recorrente, pois esta GADF (Gratificação de Atividade pelo Desempenho de Função) incorporase, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92, aos proventos de aposentadoria. Assim, tudo recomendava a conversão do julgamento em diligência, para que fossem trazidas aos autos as cópias dos Processos 2000.34.000419555 e 2003.34.000425887, referidos no documento de fl. 90 dos autos (PDF), que demonstrariam se os rendimentos recebidos pelo contribuinte têm ou não natureza de proventos de aposentadoria. Não obstante, a diligência foi infrutífera. Considerandose, todavia, as informações constantes no sítio do TRF da 1ª. Região e que, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92, a referida GADF incorporase aos proventos de aposentadoria, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, apenas e tão somente para suprir a omissão/contradição apontada, sem alteração do resultado, ratificando o Acórdão 2101002.073. Apresenta paradigma que, analisando caso em tudo idêntico ao presente, referente inclusive ao mesmo contribuinte, decidiu que, diante da dúvida se os rendimentos provêm de aposentadoria, não pode ser reconhecida a isenção estabelecida para os portadores de moléstia grave, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar que os rendimentos originamse de aposentadoria. Frisa que, na falta de prova incontestável da origem dos rendimentos, não pode ser aplicada a regra isentiva. Segue abaixo a ementa do Acórdão n.º 280101.983: Fl. 170DF CARF MF 8 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. Nos termos do art. 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3000/99, a isenção para portador de moléstia grave somente alcança os rendimentos de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado. Destaca o seguinte trecho do paradigma: Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de, em procedimento de revisão de declaração de rendimentos, terse apurado omissão de rendimentos tributáveis pagos ao Recorrente pelo Banco do Brasil S/A, no montante de R$ 64.474,28. Em sua defesa, alega o Recorrente que tais rendimentos seriam isentos, na medida em que, apesar de terem sido recebidos ao final de processo judicial, tratavamse de complementação de aposentadoria, percebida por ocasião de moléstia grave adquirida. A primeira instância administrativa, em que pese ter reconhecido a condição de aposentado e portador de moléstia grave do Recorrente, negou provimento à sua Impugnação por não ter restado comprovado que o rendimento pago pelo Banco do Brasil em razão da ação proposta pelo contribuinte efetivamente rendeulhe o valor omitido. Para a produção dessa prova, bastaria que o Recorrente anexasse ao processo uma cópia do Alvará de levantamento por ele recebido. Nada obstante a facilidade na produção dessa prova a na imprescindibilidade da mesma para comprovarse a isenção do Recorrente, o mesmo não foi capaz de produzila nem na instância a quo, tampouco perante esse E. Conselho de Contribuintes. O Recorrente limitouse a juntar ao processo Alvará emitido em favor de outro contribuinte (fl.100), deixando de apresentar o que foi emitido em seu favor. Portanto, diante dessa inexistência de provas, deve ser mantida a autuação, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Apresenta um segundo paradigma, o Acórdão n.º 10246.230: IRRF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CONTRIBUINTE PORTADOR DE DOENÇA ISENTIVA AUSÊNCIA DE PROVA O reconhecimento da isenção está condicionado à apresentação das seguintes provas: (1) Laudo Medido que identifique a data em que a doença foi contraída e (2) se os valores recebidos correspondem àqueles recebidos a título de proventos por aposentadoria ou reforma ou pensão. A pretensão do Contribuinte não pode ser atendida quando este não carreia aos autos qualquer prova das condicionantes acima especificadas. Recurso negado. Pondera que no presente caso o contribuinte não conseguiu demonstrar, de forma inconteste, que os rendimentos recebidos, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.720748/200868 Acórdão n.º 9202005.250 CSRFT2 Fl. 168 9 tributados no presente processo, eram decorrentes de aposentadoria. Ao final, requer o provimento do seu pedido. Os acórdãos apresentados a título de paradigma foram proferidos por colegiado distinto e não foram reformados quanto à matéria recorrida, prestandose portanto para análise da divergência alegada. Analisando o teor da divergência apontada pela recorrente, verificase que há identidade fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e nos paradigmas indicados. De fato, nos casos em comento não houve comprovação de que os rendimentos recebidos tinham origem em aposentadoria. Nesse contexto, a decisão recorrida deu provimento ao recurso do contribuinte, enquanto que os paradigmas mantiveram a glosa dos valores declarados como isentos da incidência de IR em decorrência de moléstia grave. Portanto, resta comprovada a divergência indicada. Diante de todo exposto, conheço do Recurso Especial Interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Tratase de comprovação do direito à isenção relativa a rendimentos de aposentadoria/pensão recebidos por portador de moléstia grave, prevista em lei. No caso do acórdão recorrido, considerouse comprovado o direito, conforme a seguir: "O Recorrente pleiteia a restituição de R$ 11.340,48, valor este retido indevidamente na fonte pelo Banco do Brasil S/A, por ocasião do pagamento de R$ 378.016,14, a título de levantamento de precatório (Precatório n.º 2004.01.00.0243360, fl. 81), oriundo da Execução n.º 2003.34.00.0425887, da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 87/91). O rendimento que ensejou a autuação (R$ 378.016,14) teve origem no Mandado de Segurança n.º 96.00.196508, que posteriormente deu azo à Apelação n.º 1998.01.00.0145917, a Fl. 172DF CARF MF 10 qual tramitou perante o TRF da 1ª Região. Tal ação foi ajuizada pelo contribuinte (servidor público aposentado do Ministério da Fazenda desde 1987) e outros servidores inativos visando condenar a União a repor as parcelas incorporadas aos proventos de aposentadoria. Com efeito, restou devidamente comprovado pelo laudo de fl. 12 que o Recorrente foi portador de moléstia grave entre 02/12/2003 e 31/10/2005, fato incontroverso inclusive para a decisão recorrida, de modo que o contribuinte entende que faria jus à isenção prevista no art. 39, XXXIII, do Decreto n.º 3.000/1999 (RIR/99), que reproduz o inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. (...) A decisão recorrida, ipsis litteris, rejeitou a impugnação apresentada, pois '(...) inexiste qualquer documento de ação judicial de execução, a exemplo de alvará de levantamento, comprovando que os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estariam relacionados à ação judicial mencionada, o que os faria rendimentos isentos como alegado na impugnação.' (fl. 65). Por meio dos documentos de fls. 81/93, restaram devidamente comprovados (i) a existência da Execução n.º 2003.34.00.0425887, da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, (ii) a autorização para pagamento d Precatório n.º 2004.01.00.0243360 (fl. 81), (iii) o alvará de levantamento de fl. 89. Enfim, o documento de fl. 92 comprova, sobremaneira, a correlação entre os valores, pagos e retidos na fonte pelo Banco do Brasil, com a ação de execução acima citada." (grifei) Por meio de Embargos de Declaração, a Fazenda Nacional manifestou dúvida acerca da natureza dos valores objeto da autuação, se seriam provenientes de aposentadoria, assim aduzindo: "Para fins de reconhecimento da isenção, caberia ao contribuinte a prova de que os rendimentos recebidos pelo Banco do Brasil em 2005 são decorrentes da ação judicial no Processo 96.00.196508, (com apelação no Processo 1998.01.00.0145917), referente a d iferenças de remuneração decorrentes da Lei nº 8.911, de 1994 (55% DAS), reduzidas pela Lei nº 9.030, de 1995, rendimentos provenientes de aposentadoria." Assim, foi solicitada diligência, por meio da Resolução nº 2101000.156, de 18/03/2014 (fls. 111 a 113), que resultou infrutífera. Finalmente foi proferido o Acórdão de Embargos nº 2101002.700, de 10/02/2015 (fls. 123 a 126) que, sanando o vício apontado, assim registra: "Na realidade, é fato incontroverso nos autos que os valores de que trata a notificação de lançamento de fls. 06/10 são os mesmos aos quais se refere o demonstrativo de fl. 90 dos autos, relacionado ao Processo 2000.34.000419555. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10580.720748/200868 Acórdão n.º 9202005.250 CSRFT2 Fl. 169 11 Em pesquisa ao sítio do TRF da 1a. Região, verificouse que o objeto deste processo (funcionário público: reajuste salarial – calcular a GADF conf. art. 14 da Lei n. 13/92) poderia estar relacionado à aposentadoria do Recorrente, pois esta GADF (Gratificação de Atividade pelo Desempenho de Função) incorporase, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92, aos proventos de aposentadoria. (...) Considerandose, todavia, as informações constantes no sítio do TRF da 1ª. Região e que, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92, a referida GADF incorporase aos proventos de aposentadoria, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido." (grifei) Assim, entendeuse que, uma vez que os rendimentos objeto da autuação eram oriundos do processo judicial nº 2000.34.000419555, e que este se referia efetivamente a verba que se incorpora à aposentadoria, o provimento ao Recurso Voluntário deveria ser mantido. Quanto ao paradigma, a Fazenda Nacional indicou o Acórdão nº 2801 01.983, de interesse do mesmo Contribuinte ora autuado, que assim registra: "A primeira instância administrativa, em que pese ter reconhecido a condição de aposentado e portador de moléstia grave do Recorrente, negou provimento à sua Impugnação por não ter restado comprovado que o rendimento pago pelo Banco do Brasil em razão da ação proposta pelo contribuinte efetivamente rendeulhe o valor omitido. Para a produção dessa prova, bastaria que o Recorrente anexasse ao processo uma cópia do Alvará de levantamento por ele recebido. Nada obstante a facilidade na produção dessa prova a na imprescindibilidade da mesma para comprovarse a isenção do Recorrente, o mesmo não foi capaz de produzila nem na instância a quo, tampouco perante esse E. Conselho de Contribuintes. O Recorrente limitouse a juntar ao processo Alvará emitido em favor de outro contribuinte (fl.100), deixando de apresentar o que foi emitido em seu favor. Portanto, diante dessa inexistência de provas, deve ser mantida a autuação, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário." (grifei) De plano, constatase que o Recurso Especial em tela visa a revaloração do conjunto probatório constante dos processos, sendo que a divergência jurisprudencial se dá em face da interpretação da lei e não em matéria de prova. Nesse passo, verificase que, no caso do paradigma, as provas apresentadas não lograram o convencimento dos Julgadores, exigindose alvará em nome do Contribuinte e rechaçandose alvará em nome de terceiro, embora no caso do acórdão recorrido agregouse a expressão "e outros". Fl. 174DF CARF MF 12 Quanto ao acórdão recorrido, integrado pelo Acórdão de Embargos, o exame das provas conduziu à constatação de lapso quanto ao número do processo judicial informado pelo Contribuinte. Entretanto, examinandose o processo correto, de nº 2000.34.000419555, logrouse efetuar a correlação entre este e os rendimentos objeto da autuação: "Na realidade, é fato incontroverso nos autos que os valores de que trata a notificação de lançamento de fls. 06/10 são os mesmos aos quais se refere o demonstrativo de fl. 90 dos autos, relacionado ao Processo 2000.34.000419555." E em pesquisa no sítio do TRF, verificouse que o objeto do processo nº 2000.34.000419555, relativo à verba autuada, era efetivamente de natureza salarial, incorporável à aposentadoria, de sorte que por meio de uma construção lógica, apoiada nas informações constantes do presente processo, complementadas por informações acessíveis e de domínio público, concluiuse que os rendimentos eram efetivamente aqueles asseverados pelo Contribuinte. Destarte, verificase que, longe de demonstrar divergência interpretativa, ou seja, em face da lei, o que a Fazenda Nacional demonstra é a diversidade de procedimentos na análise das provas, particularidade esta que envolve a própria busca da formação da convicção do Julgador. Diante do exposto, por entender que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000420/98-77
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE
ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no
bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de
constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei nO2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. n] 1.621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto nO2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4° e Lei nº 9.784/99; art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento,' planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.025
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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DRJ/BELO HORIZONTE/MG FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei nO2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nO 1.621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto nO2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8.429/92, art. 4° e Lei nO 9.784/99; art. 2°, caput e parágrafo único). :. ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de Qcorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da R~ceita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento,' planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCElRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMElRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 ~EIROS Presidente 4~ JOSÉ LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 127.133 301-31.025 CEREALISTA IRMÃos SILVA LTDA. DRJIBELO HORIZONTE/MG JOSÉ LENCE CARLUÇI RELATÓRIO • • A contribuinte requereu em 19/06/1998 junto à Delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG, a compensação de valores recolhidos a título de FINSOCIAL' nos períodos de apuração de setembro/89 a novembro/91 (fi. 03), com débitos da COFINS do período de apuração de 06/95 a 08/95 (fi. 07), nos termos da IN 32/97. .•.. . . Tendo sido apreciado e indeferido seu pedido, sob aràumento de haver transcorrido o prazo prescricional para a compensação, contado da data do pagamento. (Decisão de fis. 38/42), da qual teve ciência em 06105/2002 (fi. 43), a autuada não se manifestou. Posteriormente, em 15/07/2002, apresentqu pedido de restituição dos mesmos pagamentos considerados a maior, às fis. 52/57, defendendo, ainda, subsidiaríamente, o inicio do prazo prescricional de cinco anos a partir da declaração de inconstitucionalidade, que, no caso, seria contado a partir do ato administrativo que reconheceu a ilegalidade da cobrança. Tal pedido originou o processo nO 10665.000889/2002 -35, o qual foi juntado por anexação ao Processo, tendo a DRF Divinópolis sobre ele se pronunciado à fi. 87, manifestando o entendimento de que trata-se de matéria já decidida no processo 10665. 000420/98-}7 . Tomando ciência do despacho decisório de fi. 87 em 01108/2002 (fi. 93v), a autuada apresente em 20/08/2002, manifestação de inconformidade às fis. 88/93, com as argumentações abaixo sintetizadas. . Discorre sobre a gênese do processo, enfatizando o fato de a DRF/ Divinópolis não ter reconhecido, originariamente, o direito à compensação da FINSOCIAL com os débitos da COFINS, sob argumento de haver tra~scorrido o prazo prescricional para a compensação, contado da data do pagamento. Afirma que, ciente daquele indeferimento, manifestou seu inconformismo, sendo que sua "impugnação ficou prejudiéada quando, consultada pela impugnante, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento informou que estava declinando da competência para julgar os pedidos relativos à matéria abordada no requerimento de Regularização de Compensação FINSOC!ÁL/COFINS". Em virtude disso, resolveu protocolizar outro requerimento, pleiteando a restituição da 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • importância recolhida indevidamente, na forma do 9 2° do artigo 18 da Medida Provisória nO1621-36/98. Questiona o fato de a DRF Divinópolis ter se pronunciado no sentido de o pedido de restituição referir-se a matéria já decidida no Processo 10665.000420/98-77, quando poderia ter sido impugnàCla. Reafirma que não impugnou aquela Decisão em virtude do pronunciamento precipitado da DRJ BHE. Aduz que os seus pedidos são diferentes, sendo que o pedido do primeiro requerimento se restringe a regularizar a compensação FINSOCIAL/COFINS, ao passo que o segundo refere-se à restituição da quantia indevidamente paga . A DRJ/BHE indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que "O prazo prescricional para pleitear a restituição/compensação extingue-se em cinco anos, contados do pagamento do crédito tributário." Inconformada com a decisão tempestivamente, impetrou Recurso Voluntário reiterando os argumentos anteriormente expostos, CSRF/ 01-03.239 para embasar seu pedido. Encerra afirmando: da DRJ/BHE a contribuinte, ao Conselho de Contribuintes e transcrevendo o Acórdão n° " . • • "Assim pelo que se expôs em' terinos de doutrina e pela decisão acostada insofismável o caráter interpretativo do ~ r do artigo 18 da Medida Provisória nO1621-36 /98, que teve como escopo o esclarecimento ao contribuinte sobre a possibilidade de pleitear a restituição da exação tributária recolhida indevidamente, abrindo-se novo prazo decadencial de 05 (cinco) anos (inteligência do artigo 168 do CTN), tendo como "dies ad quem" para o exercicio deste direito 12/06/2003. • Por outro lado, se um mero ato administrativo é capaz de fazer nascer um novo prazo decadencial de restituição, como vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, com muito mais razão deve-se atribuir esse poder a uma Medida Provisória, sobretudo quando ela disciplina a restituição de uma contribuição social cuja., cobrança foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 127.133 301-31.025 Portanto, a recorrente ratifica o pedido original, requerendo a restituição da contribuição social destinada ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, paga indevidamente, abrindo-se novo prazo decadencial de 5 (cinco) anos (inteligência do artigo 168 do CTN) a partir da edição da Medida Provisória nO1621-36/98. " • • É o relatório . 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face d'a legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. 'I - ALGUMAS CONSIDERACÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte.forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11I. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão aa decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nas alíneas lI, 11I e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 11I. Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos .acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática . Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 142). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 7 ,. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • • judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do DL Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contTa-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REP ARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força d~. novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; lU. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e.II do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; 11. Na hipótese prevista na alínea UI do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; ID. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." . Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. o Relatório da Comissão esclarece as razões da exclus~o e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 n° I) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto nO20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto n° 20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei nO5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a' regrar fatos concretos "ex nunc 'I. A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do 'texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 127.133 301-31.025 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11 do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto n° 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, "in casu" se ongmou da declaração de inconstituci onalidade. • o Código Tributário Nacional vigente passou, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. fi - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei n° 9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, r'azoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. . Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário. Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstituci onalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO 2/93, pp. 267/276). 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • Pode o poder executivo deixar de cumprira lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurado r-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180). E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em f1,lnção de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário n° 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstituci onalidade . (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 - p. 143) 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • Ao prefaciar seu admirável. Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores . Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que. se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema .de comandos. É a mais grave forma. de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRA TIVA 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada adm~nistrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • • A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepçâo de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e d~ dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos adíninistrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. Ê certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, eni nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" .. Constatada essa realidade constitucionaL resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA l RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA • A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpiO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios' jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). . Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais,. particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a servidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 6a ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que nórteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos'.privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. o princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma ;efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que, a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que dev~m presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p ...98). A moralidade se relaciona, ademais, coiu a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributárià ou ao aplicá-lá não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legal, buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade, pÚblica. Não 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIl\1ENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais; visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO O interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios m:denadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica" . Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público n° 13/96, pp. 16). o interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 • Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.a.U de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RES~ITUIÇÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL a direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. a renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 33Região 63 T. e o Acórdão n° AMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto 23 :MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no DJU de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. IH - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Se1ic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exerCÍcio da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do. poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - DJU 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA ," RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto n° 20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. n° 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data, do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se origÍnou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, IH, "b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168, Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, p'erdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação aO'FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. nO1.110/95 e suas reedições pos.teriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo n~o implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. nO1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: S 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantias pagas. '. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito aÇ>pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãó~s nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso lI, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se ó de n° IH, verbis: "IH - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. Há também o Parecer AGU nO02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos,~ cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, 'nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF F Região que é a da 'publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação d:a Resolução do Senado Federal na via incidental. 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 127.133 301-31.025 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei nO20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos' C.C., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões 'do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva" ... constante do art. 1o do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • • 127.133 301-31.025 o Senado não conferiu a eficácia "erga omnes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução s~~pensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relatOr em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga omnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada , que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. O Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. .. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas ..'decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribúintes, estes' não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar~ a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: . "Art. 2° : . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. . ; Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRA TIVOS . DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita .Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Além disso, o Dec. n° 2346/98 em seu art. 4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: l. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; lI. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; lIl. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pelaPortaria :MFn° 227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria :MF nO259/01, artigos 1° e 209. Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 1°, inciso V e artigo 209, incisos 30 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 XXVII e XXVIII, da Portaria :MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursais. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT nO58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VID- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a áplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 t I I A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150, lI, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S lOdo art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de "lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei n° 9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o S 3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S lOdo art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 32 _:. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 , I No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 1° do Decreto n° 20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar . Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146,111, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei n° 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 33 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.133 301-31.025 , !-- I observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2004 ~ Ab~ÉLENCE C~UC~ Relator 34 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901062/2013-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T14:28:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T14:28:44Z; Last-Modified: 2017-07-26T14:28:44Z; dcterms:modified: 2017-07-26T14:28:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:d62ff40c-468a-4979-9149-b224d40ed094; Last-Save-Date: 2017-07-26T14:28:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T14:28:44Z; meta:save-date: 2017-07-26T14:28:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T14:28:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T14:28:44Z; created: 2017-07-26T14:28:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T14:28:44Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T14:28:44Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901062/201332 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.216 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 62 /2 01 3- 32 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901062/201332 Acórdão n.º 1302002.216 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901062/201332 Acórdão n.º 1302002.216 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901062/201332 Acórdão n.º 1302002.216 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908042/2009-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 42 /2 00 9- 06 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 9303005.083 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803003.494, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. PROVAS EXTEMPORÂNEAS O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. A divergência suscitada no recurso especial centrase na possibilidade de apresentação de provas já no âmbito do recurso voluntário. O Recurso especial foi admitido conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo. Contrarrazões foram apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.080, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.080): "Conhecimento do Recurso Especial A Fazenda Nacional, em contrarrazões, pede o não conhecimento do recurso especial do contribuinte alegando que não fora comprovada a divergência jurisprudencial. Afirma que, muito embora os acórdãos Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 9303005.083 CSRFT3 Fl. 4 3 paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da prova no âmbito do processo administrativo fiscal, fizeramno em contexto fático e jurídico distintos, já que o acórdão recorrido tratava de análise de DCOMP e os paradigmas tratavam de lançamento de ofício, o primeiro Notificação de Lançamento (NFLD) de Contribuição Previdenciária e o segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso o fato de que nos processos de compensação a produção da prova é essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco. Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora, quando ela é apresentada somente quando da interposição do recurso voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam se. Pois estamos tratando da mesma norma legal, qual seja o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e a norma não diferencia se o processo é de impugnação ou de manifestação de inconformidade. Em ambos os casos, a análise literal da norma somente permite a apresentação dos elementos de prova no prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. Sendo certo que em ambas situações podem ocorrer a necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de primeira instância administrativa. De forma, que convalido o entendimento exarado no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, por entender que foi demonstrada a divergência jurisprudencial e o recurso especial deve ser conhecido. Mérito Como relatado o acórdão recorrido não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte somente por ocasião da apresentação do recurso voluntário em face da aplicação do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Importante então relembrarmos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou PER/DCOMP com a intenção de compensar indébitos, que entendia estarem comprovados, com créditos Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 9303005.083 CSRFT3 Fl. 5 4 tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após a entrega do PER/DCOMP, recebeu Despacho Decisório eletrônico com a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. " Veja que se trata de uma fundamentação bastante resumida e cujo entendimento de seu inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em sua manifestação de inconformidade, também bastante resumida, o recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para a conclusão de sua compensação e tal entendimento está expressamente relatado na sua manifestação de inconformidade. No item 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade assim se pronunciou: (...) 5. Se necessário a apresentação de outros documentos ou mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição para cumprir a pendências que porventura houver. 6. O contato é com o senhor EULER, fone 33473277. (...) Apresentou junto com sua Manifestação de Inconformidade cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora, espelho do DARF do suposto pagamento a maior, cópia dos PER/DCOMP, além de seus documentos de identificação. Veio então o Acórdão da DRJ/Brasília julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente por insuficiência de provas, sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da prova é do contribuinte que pleiteia a compensação. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a correção de seu procedimento de compensação. Como já vimos, o acórdão recorrido considerou preclusa a apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso. O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e bastante justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 9303005.083 CSRFT3 Fl. 6 5 Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, da ampla defesa e da verdade material. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que a descrição dos fatos no despacho decisório não é clara o suficiente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material à medida em que aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação da existência do direito de compensação do contribuinte. Semelhante raciocínio foi apresentado em voto do exconselheiro Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803004.325, de 27/06/2013, o qual transcrevo parcialmente, por concordar inteiramente com suas conclusões (grifos meus). O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 9303005.083 CSRFT3 Fl. 7 6 Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade os documentos de que dispunha naquele momento e que entendia aptos a comprovar seu direito, requerendo a posterior juntada de novas provas, acaso se fizessem necessárias. E, não tendo o julgador a quo reconhecido naqueles documentos a necessária força probante, trouxe o contribuinte novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a apresentação das provas no recurso voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Notese que as provas apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete contábil do período em discussão, as quais demonstrariam supostamente o seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas apresentadas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 97DF CARF MF
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