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Numero do processo: 10283.902819/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.183
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 19 /2 01 2- 80 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.030. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.902819/201280 Acórdão n.º 3302004.183 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902818/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 18 /2 01 2- 35 Fl. 88DF CARF MF 2 Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação, onde alegou em síntese: 1. Afirma que, em 01/02/2008, ela transmitiu Pedido de Restituição, que originou o processo de crédito nº 10283.902.818/201235, informando crédito no valor de R$ 958.104,86 (novecentos e cinquenta e oito mil, cento e quatro reais, e oitenta e seis centavos), decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de 31/03/2007; 2. Pleiteia e fundamenta o crédito com base na inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Ela diz que o ICMS devido e apurado não compõe o seu faturamento, sendo, efetivamente, receita de terceiro, (qual seja, do Fisco Estadual). Logo, ela defende que não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; 3. Faz uma distinção entre receita e faturamento. Afirma que o ICMS destacado nas notas fiscais não pode compor a base de cálculo do PIS e da COFINS; 4. Ela diz que ao incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS está se criando novo custeio da seguridade social e que pelo artigo 195, §4º, da Constituição Federal, tal ampliação ocorrerá somente mediante criação via lei complementar; 5. Suscita que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS desrespeita o preceito do artigo 110, do Código Tributário Nacional, afirmando que o conceito de receita e faturamento não podem ser interpretados de modo diverso; 6. Afirma que o STF, por meio do RE 240.785/MG, já possui o referido entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. É vedada a discussão sobre a inconstitucionalidade de normas no âmbito administrativo. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e rebateu a argumentação da autoridade julgadora que foi no sentido de que não há previsão legal que possibilite a exclusão do ICMS Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902818/201235 Acórdão n.º 3302004.158 S3C3T2 Fl. 3 3 da base de cálculo do PIS e da COFINS e defendeu que não há necessidade de previsão legal para a referida exclusão, já que ela não compõe o conceito de receita e/ou faturamento. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso Fl. 90DF CARF MF 4 representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902818/201235 Acórdão n.º 3302004.158 S3C3T2 Fl. 4 5 efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Fl. 92DF CARF MF 6 DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902818/201235 Acórdão n.º 3302004.158 S3C3T2 Fl. 5 7 (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 94DF CARF MF 8 Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002803/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 09/06/1999
EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. INTERPOSTAS PESSOAS.
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema.
O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317/1996. Os efeitos serão retroativos, observadas as hipóteses previstas no art. 15 desta mesma lei.
A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas impõe sua exclusão de ofício do Simples, com efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato.
Numero da decisão: 1302-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 09/06/1999 EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. INTERPOSTAS PESSOAS. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317/1996. Os efeitos serão retroativos, observadas as hipóteses previstas no art. 15 desta mesma lei. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas impõe sua exclusão de ofício do Simples, com efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato.
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INTERPOSTAS PESSOAS. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317/1996. Os efeitos serão retroativos, observadas as hipóteses previstas no art. 15 desta mesma lei. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas impõe sua exclusão de ofício do Simples, com efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 28 03 /2 01 0- 43 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 3 2 Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão nº 1047.433, de 13/11/2013, da 6ª Turma da DRJ de Porto Alegre RS que, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade mantendo o Ato Declaratório Executivo nº 43, de 08/06/2010, por meio do qual a recorrente foi excluída do Simples Federal, a partir de 09/06/1999, fls. 50, em virtude de constituição de empresa por interpostas pessoas. Fundamentouse a exclusão nas disposições do artigo 14, inciso IV, e no artigo 15, inciso V da Lei n° 9.317/1996. O acórdão recorrido destaca os seguintes registros da fiscalização A fiscalização registrou que, após iniciados os trabalhos de fiscalização nas empresas Blumenau Fio Têxtil Ltda., CNPJ 02.870.693/000107, Fios Blumenau Ltda., CNPJ 02.908.624/000137, Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda., CNPJ 03.204.563/000150, Tecelagem e Embalagens Salto Ltda., CNPJ 03.204.489/000101 e Timbó Industrial de Fios Ltda., CNPJ 01.461.998/000101, concluiuse essas empresas teriam sido constituídas por pessoas que não seriam os verdadeiros sócios; que o intuito teria sido o de apenas atender às condições formais para optarem pelo regime de tributação simplificada. Após análise de documentos de todas as empresas envolvidas, a fiscalização concluiu que a empresa "Luli Indústria e Comércio de Confecções Ltda", CNPJ 78.644.424/000186, doravante denominada "Luli", era sucessora da "JC Industrial Têxtil Ltda", doravante denominada "JC", no ramo da indústria têxtil e detinha o poder sobre as demais, optantes do Simples. Consta do relatório fiscal que o faturamento da "JC", quando da ação fiscal, era proveniente apenas da comercialização de mercadorias e aluguel de máquinas. No presente processo está sendo discutida somente a exclusão do Simples da empresa "Tecelagem e Embalagem Salto Ltda". As evidências destacadas no acórdão recorrido, relativamente ao Relatório Fiscal de fls. 05/43, foram as seguintes: 1 todas as empresas fiscalizadas e mais a "JC" e a "Luli" estão relacionadas à família Cordeiro; 2 todas as fiscalizadas atuam no ramo da indústria têxtil; 3 a partir da constituição de duas empresas da família Cordeiro "Tecelagem e Embalagens Salto Ltda", no endereço da antiga sede da "JC", e "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda", endereço contíguo e que faz parte do mesmo parque industrial, houve uma evolução dos vínculos dos respectivos empregados. Os empregados continuaram a trabalhar no mesmo endereço, até serem demitidos ou recontratados pelas novas empresas. As variações do total no número de empregados não são significativas e oscilam dentro do normal para o porte da empresa. O quadro Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 4 3 de fl. 8 demonstra bem esta evolução do número de empregados. Da análise das admissões e demissões das empresas envolvidas, verificou a fiscalização a migração de vários empregados da "JC" para a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; 4 a "Luli" contratou seguro de vida e na condição de estipulante mantém como subestipulantes as empresas sob seu controle; 5 um empregado da "JC" fazia a entrega das GFIPs de todas as empresas do grupo; 6 a empresa "Luli", não optante do Simples, tinha em torno de 80 vínculos empregatícios, enquanto que as demais empresas do grupo detêm juntas aproximadamente 900 empregados; 7 a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" foi constituída em 09/06/1999 com o objetivo de exploração do ramo de prestação de serviço de tinturaria para empresas do ramo têxtil. Foi constituída pelo Sr. Maurício Luciano Buse, empregado à época da "Fios Blumenau" no cargo de almoxarife e exempregado da "JC" na função de Auxiliar de Talhação, com 50% das cotas e por Camila Thaiana Cordeiro, assistida por sua mãe Luzia Cordeiro, sócia com 99% das cotas da "Luli". Em 10/11/1999 sai a Camila Thaiana Cordeiro, assumindo o Sr. Ildefonso Beckauser, empregado da "JC" de 01/07/1996 a 08/06/1999 e empregado sem registro da "Luli" de 30/07/1999 a 09/05/2001, o que originou uma ação trabalhista contra a mesma. Em 05/2001 o Sr. Ildefonso é desligado da "Lili" e em seu lugar assume a Sra. Rosemarie Kopsel, gerente financeira da "Luli". A"Luli", por sua vez, foi constituída pelo Sr. Jair Cordeiro e sua esposa, Sra. Luzia Cordeiro, em 21/01/1985. Em 01/12/1986 o Sr. Jair passa suas cotas para suas filhas, porém continua na administração da sociedade até 18/08/1997, representandoas. Em 18/08/1997 as filhas se retiram, ficando a sócia Sra. Luzia Cordeiro com 99% das ações e sua irmã, Sra. Isaltina Machado Buse com 1% das ações; 8 o controle administrativofinanceiro e de produção de todas as empresas era inteiramente realizado a partir da "Luli", por empregados ligados diretamente a ela ou que assumiram apenas formalmente a condição de sócios das outras empresas do grupo; 9 analisando os centros de custo da "Luli" fica evidente que a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" é tratada como filial dela: os gastos realizados pela "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" são alocados em um destes centros; 10 a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" presta contas e solicita pagamentos de todas as suas despesas ao departamento financeiro da "Luli". Estes pagamentos a fornecedores tanto são realizados pela "Luli" ou depositados na conta da "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; 11 a "Luli" controla o departamento pessoal da empresa "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; 12 a "Luli" mantém o controle e o pagamento das despesas com lanches e refeições dos empregados vinculados à empresa "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; 13 não há registro de ativo permanente na empresa "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda", nem conta de manutenção de máquinas e equipamentos. A "Luli" contabiliza os valores a título de despesas com manutenção de máquinas e equipamentos utilizados pela "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 5 4 14 na análise do controle de caixa da "Luli" fica evidente que esta paga a energia utilizada pela "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda". Nas autorizações para pagamento de energia elétrica consta a alocação para o departamento próprio da empresa "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda"; 15 com relação a despesas com telefone, a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" registra apenas lançamentos fixos de R$ 100,00 mensais, mas quem paga e registra contabilmente esta despesa, que em 2001 girava em torno de R$ 4.200,00 mensais, é a Luli"; 16 na contabilidade da "Luli" consta um adiantamento à "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda." no valor de R$ 266.335,90 em 12/2000 e R$ 307.913,61 em 12/2001; 17 desde sua constituição a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda." acumula prejuízos, sendo R$ 45.513,67 em 12/1999, R$ 129.342,35 em 12/2000 e R$ 142.390,55 em 12/2001; 18 embora a relação entre as empresas seja revestida formalmente de prestação de serviço, vários itens demonstram a subordinação existente entre a contratante "Luli" e a contratada "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda."; e 19 Consta à fl. 47 dos autos que a "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda." foi incorporada, após o encerramento da ação fiscal, pela "Luli". O acórdão recorrido registrou que os elementos acima relacionados e outros constantes da representação fiscal evidenciam que a empresa "Tecelagem e Embalagem Salto Ltda" e as demais fiscalizadas e citadas anteriormente formam um grupo econômico, sendo atingidas pelo instituto da solidariedade. À vista do referido Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 043/2010, do qual foi intimada em 11/08/2010, fls. 53, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 01/09/2010 (fls. 64/74), cujas alegações podem ser sintetizadas nos termos a seguir: a) a caducidade do prazo para emitir o ADE, vez que a representação foi recepcionada pelo Delegado da Receita Federal em maio/2002, que emitiu o ato de exclusão apenas em 2010, ou seja, por que transcorridos mais de 5 anos entre o surgimento da causa e sua concretização, o ato tornouse perempto; b) a inexistência de provas a legitimar o ato de exclusão; c) a legítima constituição da pessoa jurídica excluída; d) a independência administrativa e financeira da excluída; e e) a impossibilidade de aplicar efeito retroativo ao ADE. Não obstante, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 64/74), com base nos fundamentos da fiscalização e em consonância com os fundamentos da DRF, conforme retro citados. À vista desse resultado (AR de fl. 102, recebido em 12/12/2013), a recorrente interpôs recurso voluntário, em 19/12/2013 (fl. 104), cujas principais razões são sintetizadas a seguir: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 6 5 1 os elementos apontados como motivo para a exclusão do Simples não se caracterizam como suficientes, bem como levanta a caducidade do prazo para praticálo; 2 a representação administrativa para fins de exclusão foi recepcionada pelo Delegado da Receita Federal em 15/05/2002 e nenhuma providência tomou até junho/2010. À luz do que preconizam os artigos 150, parágrafo 4°, artigo 173, parágrafo único e artigo 156 inciso V, todos do Código Tributário Nacional CTN, bem como o artigo 54 da Lei n° 9.784/1999, o direito do fisco tomar uma decisão extinguiuse pelo decurso de prazo, tornouse perempto; 3 meras coincidências, como as apontadas no relatório fiscal, podem levar à presunção de que a constituição da empresa foi irregular. No entanto, não dão certeza disso. Ao lavrar a representação administrativa que ensejou a exclusão do Simples, o agente fiscal deixou de sedimentar o ato em prova material inequívoca, que comprovasse cabalmente a ocorrência do ilícito; 4 os sócios da empresa são reais, verdadeiros, capazes, possuem identificação, declaram imposto de renda, têm domicílio conhecido e não possuem restrições comerciais. Não há nenhuma prova de interposição de pessoas na constituição da empresa, com o propósito de suprimir o recolhimento de tributos; 5 é uma pessoa jurídica independente e autônoma administrativa e financeiramente. A falta de aprofundamento da ação fiscal faz com que os fatos apontados como indícios de constituição por interpostas pessoas sejam desprezíveis diante da evidente autonomia e independência da "Tecelagem e Embalagens Salto Ltda.; e 6 a cobrança retroativa é inconstitucional, já que a Receita Federal anuiu com a inclusão da empresa no Simples à época da inscrição. Referese ao princípio constitucional da irretroatividade da norma jurídica tributária. Na pior das hipóteses, o efeito retroativo não pode ultrapassar de cinco anos, ou seja, os efeitos não podem afetar fatos ocorridos antes de junho/2005. Ao final, requer a nulidade integral do ato administrativo ora combatido, com a conseqüente manutenção da empresa no Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A recorrente está devidamente representada e o recurso voluntário é tempestivo. Conheço do recurso. O acórdão recorrido concluiu que havia interrelação das várias empresas relacionadas à família Cordeiro, empresas que atuavam no mesmo ramo de atividade. Ao analisar o centro de custos da Luli, verificou que o controle gerencial daquela empresa sobre a recorrente, relacionavase, de fato, como se a recorrente fosselhe uma filial. O controle de todos os gastos da recorrente eram alocados diretamente nesse centro. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 7 6 Em recurso voluntário, a recorrente alega que não há prova cabal da ocorrência do ilícito, que meras coincidências, como as apontadas no relatório fiscal, poderiam até levar à presunção de que a constituição da empresa foi irregular, mão não poderia contradizer nada do que teria sido levantados pelos fiscais. A constatação da fiscalização que gerou a exclusão baseouse, além dos objetos sociais constantes dos atos constitutivos das empresas "Luli" e "Tecelagem e Embalagem Salto Ltda.", também no exame de diversos outros elementos, não justificados pela recorrente. A fiscalização demonstrou que a recorrente não se constitui pessoa jurídica independente autônoma administrativa e financeiramente. Destacouse que seu departamento pessoal é controlado pela "Luli", que também faz o controle e o pagamento com despesas com lanches e refeições de seus empregados e a contabilização de valores a título de despesas com manutenção de suas máquinas e equipamentos. Comprovouse que a recorrente depende também do departamento financeiro da "Luli" para pagamento de todas as suas despesas. A energia elétrica utilizada pela recorrente é paga pela "Luli", assim como o telefone. Certificouse, ainda, que a recorrente e as demais empresas relacionadas anteriormente foram constituídas por interpostas pessoas. O acórdão recorrido destacou que, com o intuito de optar pelo Simples e aproveitar seus benefícios, transferiramse os empregados da "JC", antecessora da "Luli", para as empresas do grupo. Em junho/1999 a "JC" tinha 429 empregados, a "Luli" 65, enquanto que a recorrente não tinha empregado algum. Em dezembro/1999 a "JC" tinha 55, a "Luli" 60 e a recorrente, 103 empregados. Sem se manifestar sobre tais pontos essenciais, a recorrente sustenta a extinção do ADE, por decurso de prazo do direito de o fisco tomar uma decisão. Alega que, pelo fato de a representação fiscal ser de 15/05/2002, o ato de exclusão havido somente em junho/2010, teriam decaído os efeitos jurídicos do ADE. Cita o CTN e a Lei n° 9.784/1999. Observase que, os artigos do CTN citados pela recorrente dizem respeito à constituição do crédito tributário, a decadência e a prescrição. Todavia, esse PAF cuida tão somente de exclusão do Simples. Não há referência a crédito tributário. No que diz respeito à alegação de teria ocorrido a decadência, prevista no art. 173 e no § 4° do art. 150 do CTN, da mesma forma, não há como acolher a pretensão da recorrente, eis que, tais dispositivos limitamse ao direito de lançar crédito tributário. Esse instituto de direito, não alcança as constatadas situações configuradoras de vedação à permanência no Simples. Verificase, portanto, que a fiscalização deve certificarse da regularidade do ingresso no Simples; deve proceder à respectiva exclusão, caso seja constatada a existência de fato impeditivo, inclusive fazendo retroagir os efeitos da exclusão. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 8 7 Com relação à Lei n° 9.784/1999, cumpre frisar que o processo administrativo fiscal se rege pelo Decreto n° 70.235/1972 e não pela lei geral do processo, a Lei n° 9.784/1999 conforme, aliás, dispõe seu artigo 69: "Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Mas mesmo que assim não fosse, na espécie não cabe a aplicação do art. 54 da lei n° 9.784/1999, como se passa a demonstrar. Dispõem os artigos 53 e 54 da Lei n° 9.784/1999: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, Art. 54. O direito de a Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Observase que o artigo 54 complementa o artigo 53. Neste, está claro que a Administração deve anular seu ato quando eivado do vício de legalidade. De outro modo, no presente caso, as evidências colhidas pela fiscalização indicam que a recorrente inscreveuse irregularmente no Simples. Sendo assim, não se trata de invalidar ato administrativo praticado pela Administração. Tratase de regularizar situação irregular mantida pela recorrente. No tocante à alegação de que a exclusão não poderia ser retroativa, é de se registrar que o fato de ter sido efetuada opção pela sistemática simplificada de tributação, sem que houvesse manifestação do Fisco, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose à fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente as pessoas jurídicas que atendam às condições previstas na lei podem exercer esse direito. O princípio da irretroatividade invocado pela recorrente, não é pertinente porque diz respeito à vedação de se aplicar uma lei a fatos anteriores à sua publicação e no presente caso, a lei que determina a eficácia da exclusão retroativa à emissão do ADE, vigora desde a edição da Lei n° 9.317/1996. Logo, não ocorreu aplicação retroativa de lei. Quanto ao momento a partir do qual surtirá efeito a exclusão da sistemática do Simples, o artigo 15, V da Lei n° 9.317/1996 dispõe que será no mês em que ela incorrer na hipótese de constituição por interposta pessoa. Tendo sido constituída por interpostas pessoas, correta a exclusão da empresa "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda" do Simples, nos termos do art. 15, V, da Lei n° 9.317/1996. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13971.002803/201043 Acórdão n.º 1302002.070 S1C3T2 Fl. 9 8 Concluise, assim, que está demonstrado o não cumprimento das condições necessárias para usufruir do regime simplificado. Dessa forma, é devida a manutenção da exclusão de tal sistemática e a ratificação do Ato Declaratório de exclusão. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723862/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE REMUNERAÇÕES.
É obrigatória a declaração em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados empregados, acompanhada do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. As parcelas pagas a título de tarefa, quebra de caixa e bichos integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO-CRECHE.
Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. INCIDÊNCIA.
Uma vez desconsideradas as parcelas pagas a título de remuneração pela cessão direito de imagem, os valores passam a integrar o salário-de-contribuição do atleta e dos demais profissionais do clube de futebol profissional, independentemente do título e da forma que pactuado.
MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, o valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.
Numero da decisão: 2301-004.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação ao auxílio-creche; acompanhou pelas conclusões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário; (c) pelo voto de qualidade, em relação às parcelas relacionadas ao direito de imagem, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos a relatora e os conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior; designado para redigir o voto vencedor nesta questão o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; (d) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor nesta questão a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator designado
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE REMUNERAÇÕES. É obrigatória a declaração em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados empregados, acompanhada do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. As parcelas pagas a título de tarefa, quebra de caixa e bichos integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO-CRECHE. Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxílio-creche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, a, da Lei 8.212/91. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. INCIDÊNCIA. Uma vez desconsideradas as parcelas pagas a título de remuneração pela cessão direito de imagem, os valores passam a integrar o salário-de-contribuição do atleta e dos demais profissionais do clube de futebol profissional, independentemente do título e da forma que pactuado. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, o valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação ao auxílio-creche; acompanhou pelas conclusões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário; (c) pelo voto de qualidade, em relação às parcelas relacionadas ao direito de imagem, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos a relatora e os conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior; designado para redigir o voto vencedor nesta questão o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; (d) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor nesta questão a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes - Redator designado (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior.
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É obrigatória a declaração em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados empregados, acompanhada do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. As parcelas pagas a título de “tarefa”, “quebra de caixa” e “bichos” integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIOCRECHE. Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. Constatação de que os serviços foram prestados com exclusividade pelos sócios gerentes das pessoas jurídicas. Prevalência da verdade na relação contratual e aplicação do art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/91. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO.CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. INCIDÊNCIA. Uma vez desconsideradas as parcelas pagas a título de remuneração pela cessão direito de imagem, os valores passam a integrar o saláriode contribuição do atleta e dos demais profissionais do clube de futebol profissional, independentemente do título e da forma que pactuado. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. Aos processos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 62 /2 01 0- 68 Fl. 1141DF CARF MF 2 lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, o valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação ao auxíliocreche; acompanhou pelas conclusões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à incidência do tributo sobre as contribuições previdenciárias relacionadas à desconsideração da personalidade jurídica (pejotização); vencidos na questão os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário; (c) pelo voto de qualidade, em relação às parcelas relacionadas ao direito de imagem, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos a relatora e os conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior; designado para redigir o voto vencedor nesta questão o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; (d) quanto à multa previdenciária, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isso, as multas restaram mantidas como constam no lançamento; designada para redigir o voto vencedor nesta questão a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator designado (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fabio Piovesan Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 11080.723862/201068 Acórdão n.º 2301004.734 S2C3T1 Fl. 3 3 Bozza, Marcela Brasil de Araujo Nogueira, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior. Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Cuida o recurso voluntário aviado à fls. 1058 a 1083 em que o RECORRENTE insurgese em face de decisão oriunda da DRJ(RS) de fls. 1031 a 1049. A discussão tem origem por conta de fato relatado no auto de infração de fls. 02 em que ficou constatado que o RECORRETNE não informou à GFIP pagamentos efetuados a seus colaboradores recebidos por meio de pessoa jurídica interposta, além de ter omitido informação referente às verbas referentes a TAREFA; AUXILIO CRECHE e QUEBRA DE CAIXA (vide descrição do débito não declarado à GFIP de fls. 5 a 18). Conforme restou apurado no auto de infração também não houve informação à GFIP acerca de remunerações pagas a colaboradores e atletas referentes a direito de imagem. Deste modo houve omissão de dados à GFIP restando inconteste o não recolhimento de contribuições sociais elencadas no parágrafo único do art. 11 da lei 8.212/91 atraindo para o ora RECORRENTE as penalidades constantes do art. 35 da Lei 8.212/91 – penalidade de multa, calculada na forma do art. 34A do citado diploma legal, destacandose, por fim que foi observado o critério da penalidade mais benéfica ao contribuinte atendendo ao mandamento insculpido na alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). Os autos contam com recibo de entrega de arquivos ao contribuinte fl. 144, restando assegurado o direito de informação ao contribuinte bem como seu direito à ampla defesa, insculpidos no art. 5º inciso LV da Constituição da República. À fls. 736 a 785 veio a impugnação sustentando suposta nulidade do auto de infração por não correlação dos fatos ao fundamento legal, dificuldade de descrição da multa; ausência de requisitos ensejadores da obrigação jurídico tributária; não demonstração das razões de inviabilidade dos contratos de direito de imagem; inexigibilidade fiscal incidente sobre verbas supostamente indenizatórias (AUXILIO CRECHE; TAREFA E QUEBRA DE CAIXA); legalidade dos pagamentos efetuados a pessoa jurídica interposta; não incidência de verbas referentes ao INCRA e SEBRAE. Fl. 1143DF CARF MF 4 Pugnou ainda o RECORRENTE, em sua impugnação pela redução da multa aplicada por lei posterior mais benéfica. À fls. 1031 a 1049 foi proferida decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), vindo o recurso voluntário de fls. 1058 a 1083. Em seu recurso voluntário, em apertada síntese o RECORRENTE sustenta estar sujeito ao pagamento de contribuições devidas a terceiros (FNDE; INCRA; SESC E SEBRAE) asseverando, entretanto que não estaria sujeito a tais contribuições porquanto seus pagamentos foram efetuados a pessoas jurídicas interpostas, não havendo, pois, vínculo empregatício apto a gerar dever de informação e recolhimento de tais verbas. Menciona o RECORRENTE a suposta presença de vícios formais no auto de infração, cobrança de contribuições sobre verbas consideradas indenizatórias por acordo coletivo de trabalho, suposta cobrança sobre verbas já pagas, suposta cobrança indevida de contribuições incidentes sobre direito de imagem, pugnando também pela redução da penalidade de multa aplicada. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/02/2017, em face de a conselheira relatora, Gisa Barbosa Gambogi Neves, ter renunciado ao seu mandato antes da formalização do acórdão. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 11080.723862/201068 Acórdão n.º 2301004.734 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, relatora, ter renunciado ao seu mandato no CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Conheço do recurso por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade. Argumenta o RECORRENTE a suposta presença de vícios formais no auto de infração, o que não tem razão de ser vez que o auto de infração contem todos os requisitos legais, não havendo de se falar em nulidade. No que se refere a cobrança de contribuições sobre verbas consideradas indenizatórias por acordo coletivo de trabalho, a saber as verbas TAREFA, AUXILIO CRECHE E QUEBRA DE CAIXA não procede o argumento teriam natureza indenizatória e, portanto, inexistiria obrigação de recolhimento previdenciário incidente sobre as mesmas, exceto em relação ao AUXÍLIO CRECHE, nos termos da SÚMULA 64 do CARF. Resta evidente que qualquer remuneração destinada a retribuir o trabalho gera a obrigação da empresa de proceder a contribuição nos moldes da lei 8.212/92 sendo expressa tal obrigação no art. 28 do citado diploma legal. Cabe aqui asseverar que no que diz respeito ao AUXILIO CRECHE assiste razão ao RECORRENTE posto que tal verba realmente tem natureza indenizatória sendo tal questão matéria sumulada neste Conselho, senão vejase: “Súmula CARF nº 64: Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7o, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatória” (sem grifos no original) No que se refere a suposta cobrança de verbas já pagas, não merece prosperar o argumento do RECORRENTE tendo em vista a falta de amparo probatório para tal argumento nos presentes autos. No que se refere ao argumento de que seriam indevidas contribuições sociais destinadas ao SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC e SEBRAE, não se sustenta a tese do Fl. 1145DF CARF MF 6 RECORRENTE de que tais contribuições não seriam devidas porquanto o pagamento teria ocorrido a pessoas jurídicas, e não a colaboradores com vínculo empregatício. Restou apurado nos presentes autos que o recebimento de tais verbas por intermédio de pessoas jurídicas, notadamente as e empresas NAD – Assessoria de Esporte S/C LTDA; CANF – Assessoria de Esporte S/C LTDA e P.P. Araújo Esportes LTDA se deu unicamente na pessoa de seus sócios gerentes os quais prestavam serviço com exclusividade ao RECORRENTE, questão que foi objeto de fiscalização também nos autos 11080.723861/2010 13, apensos ao presente. Deste modo temse que a prestação e serviços ao RECORRENTE deuse unicamente pelos sócios gerentes das referidas empresas de forma pessoal em período integral estando presente também o elemento subordinação. Desta forma não pode o fisco considerar tão somente o aspecto formal da relação entabulada entre o RECORRENTE e as empresas que supostamente lhe prestariam serviços. Ao contrário deve ser levada em conta a realidade, ou seja, os serviços eram prestados pelos sócios gerentes das referidas empresas restando caracterizada relação empregatícia incidentes, portanto, no caso vertente os arts. 12, I “a”; 30, I “a”, 20 e 28 todos da Lei 8.212/91. Ressaltase também que toda e qualquer remuneração, inclusive gratificações denominadas “BICHOS” apresentam natureza salarial sendo certo que restou evidenciado que a percepção de tais remunerações por pessoa jurídica interposta tinham tão somente o objetivo de induzir o fisco a erro elidindo os pagamentos devidos. A legislação previdenciária, conforme já mencionado, inclui no ganho do empregado, para efeito de salário de contribuição, a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título durante o mês. Como prêmio condicionado ao êxito do clube (vitória, empate, classificação, título obtido, etc.), as verbas pagas a título de“gratificações, premiações, bonificações, bicho” integram a remuneração do atleta profissional ou técnico para todos os fins tributários e previdenciários. A natureza salarial das verbas ora em discussão, com base no conceito contido no artigo 28 , inciso I, da lei 8.212/91, se constituem em uma vantagem econômica ao beneficiário, auferida como retribuição ao trabalho prestado ao clube."(grifamos) Face a todo o exposto temse que a parcial procedência do Recurso Voluntário é medida que se impõe. Desta forma, o encaminhamento dado é por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para CANCELAR os valores referentes a AUXILIO CRECHE bem como percentuais de multa sobre ele incidentes tendo em vista previsão expressa de sumula deste Conselho, limitando as multas no percentual de 20%, com fundamento no artigo 106, inciso II do CTN. Considerando que não restou comprovada a SIMULAÇÃO, bem como a necessidade de aplicar a legislação vigente à época dos fatos geradores, a dou provimento ao recurso para em relação ao direito de imagem. É o voto ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 11080.723862/201068 Acórdão n.º 2301004.734 S2C3T1 Fl. 5 7 João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 1147DF CARF MF 8 Voto Vencedor Julio Cesar Vieira Gomes Redator designado Com o devido respeito, divirjo da relatora quanto a incidência da contribuição previdenciária sobre o direito de imagem. Resta evidente que no presente caso a conduta adotada pela recorrente visa dissimular salários. Não se está aqui examinando a natureza jurídica em tese do direito de imagem, mas que no presente caso as remunerações como contraprestação por uma suposta cessão do direito de imagem do atleta profissional devem ser desconsideradas como tal para que, em razão da dissimulação, sejam consideradas salários de contribuição. Conforme demonstrado no relatório fiscal, a recorrente formaliza contratos de cessão de uso de imagem para pagar salário de forma indireta aos atletas e técnicos, buscando se elidir da incidência contributiva. A recorrente substituiu o salário de seus atletas e outros profissionais pela contraprestação a cessão do direito de imagem. Esse fato fica evidenciado pela comparação entre a remuneração salarial com os valores recebidos a título de cessão de imagem, item 5.2.2 do relatório fiscal. As diferenças são "estratosféricas" e os valores dos supostos “contratos de imagem” são pagos através de uma empresa interposta, cujos titulares ou sócios são os próprios atletas e técnicos que são empregados do clube, recebendo por folha de pagamento parte do salário e o restante pelas notas fiscais de serviços prestados emitidas contra o empregador. Não se pode crer que o atleta, com todos os seus compromissos desportivos com o clube, dedicação aos treinos e partidas de futebol em vários campeonatos ao longo do ano, tenha uma remuneração de natureza salarial tão ínfima quando comparada justamente ao que se supõe uma contraprestação pela cessão do direito de imagem, com se a atividade principal de um atleta seja a sua imagem e não o que produz como atleta. Nesse sentido, Mauricio Godinho Delgado explica que "há figuras que não tem originalmente natureza salarial, mas que, em virtude de uma conformação ou utilização fraudulenta no contrato da relação empregatícia, passam a ser tratadas como salário: são parcelas salariais dissimuladas..." A fiscalização também constatou pagamentos efetuados por intermédio de pessoas jurídicas a título de “gratificações, premiações, bonificações, bicho”, os quais são direitos inerentes à prática desportiva e não decorrentes de uso de imagem destinada a fins comerciais. Vale lembrar que nos termos do art. 118, inciso I, do CTN , a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. A verificação da existência de uma contraprestação pela cessão do direito de imagem deve ser de acordo com o caso concreto. Por essa razão que o STJ, 2ª Seção, no julgamento do Conflito de Competência n° 345041/SP, entendeu que o exame caberia a justiça do trabalho: Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 11080.723862/201068 Acórdão n.º 2301004.734 S2C3T1 Fl. 6 9 CONFLITO DE COMPETÊNCIA — CLUBE ESPORTIVO — JOGADOR DE FUTEBOL — CONTRATO DE TRABALHO — CONTRATO DE IMAGEM Celebrados contratos coligados, para prestação de serviço como atleta e para uso de imagem, o contrato principal é o de trabalho, portanto, a demanda surgida entre as partes deve ser resolvida na Justiça do Trabalho. Conflito conhecido e declarada a competência da Justiça Trabalhista Por tudo, entendo que no presente caso, as provas nos autos evidenciam que os valores não podem ser considerados com remuneração pela cessão do direito de imagem. Voto por negar provimento nessa parte. É como voto. Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora designada Retroatividade Benigna. Critério de Apuração. Peço vênia para discordar do posicionamento adotado pela conselheira relatora, no que tange ao critério de aplicação da retroatividade benigna em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, na Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros, referente ao período de 09/2005 a 12/2006 sendo que, no momento da aplicação da multa (autuação), já foi observado o princípio da retroatividade benigna, aplicandose a multa vigente à data da ocorrência dos fatos geradores (24%), conforme se depreende do Anexo Discriminativo do Débito (efls. 5/18). Tal procedimento encontra respaldo na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, art. 4º: Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o art. 4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. Fl. 1149DF CARF MF 10 É como voto. Fl. 1150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000755/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Incide em descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Numero da decisão: 2201-003.621
Decisão:
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
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decisao_txt : Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 399 1 398 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000755/200987 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.621 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 55 /2 00 9- 87 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 400 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Belo Horizonte, que julgou procedente em parte a impugnação, com a manutenção do crédito tributária, apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória por ter a empresa apresentado a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009 (GFIP), com informações incorretas ou omissas. A interessada apresentou impugnação, a julgada procedente em parte pela DRJ, para a exclusão das competências anteriores a 12/2004, com a manutenção do crédito tributário lançado através da multa. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls.2345/2392), tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 401 3 Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 402 4 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472 do processo da obrigação principal, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 403 5 Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 404 6 faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 405 7 valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 406 8 constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 407 9 IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 408 10 Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 409 11 Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 410 12 Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação às fls. 2480/2490, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 411 13 Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPS apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. As cópias das GPSs em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que o Contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais do pedido de parcelamento A desistência à impugnação ou recurso na esfera administrativa foi efetuada de forma apenas parcial, eis que apenas parte dos valores lançados foi incluída em parcelamento. Dessa forma, não há definitividade dessa autuação na esfera administrativa. Assim sendo, o recurso voluntário deverá ser julgado normalmente. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 412 14 Da decadência Em relação à decadência, cumpre ressaltar que em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória, o lançamento deve ocorrer no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a infração poderia ter sido conhecida nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A ciência do presente lançamento se deu em 01/2010. Como as competências em discussão se restringem a 13/2005 e 13/2006, não há que se falar em decadência. Da alegação de imputação de dupla penalidade A recorrente repetiu os argumentos esposadas por ocasião da interposição do recurso voluntário objetivando desconstituir os autos de infração lavrados por descumprimento da obrigação principal. Tais argumentos já foram refutados por ocasião do julgamento dos citados recursos. Não obstante o provimento parcial, não há consequência para os processos em que se discute a multa por descumprimento da obrigação acessória. No presente caso, é incontroversa a conduta de deixar de lançar, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em relação à possibilidade da aplicação da penalidade por descumprimento da obrigações acessórias de forma autônoma à obrigação principal, vale tecer as seguintes considerações. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular . O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 413 15 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Pelas definições acima, não há dúvida de que a obrigação principal e a obrigação acessória são autônomas e podem coexistir de forma independente. Para essa seara do direito tributário, não vale a máxima de que o acessório segue o principal, como sustenta o arrazoado recursal. É definida como acessória, qualquer de obrigação imposta pela legislação tributária que não seja recolher tributos. Tais obrigações formais, ditas de acessórias, não dependem da efetiva existência de uma obrigação principal. Desse modo, tinha o sujeito passivo o dever instrumental de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Deixando de fazêlo em relação à retenção da cessão de mão de obra, incorreu no descumprimento da mencionada obrigação acessória, violando, assim, o disposto no artigo 32, II da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Desse modo, a decisão de primeira instância não merece nenhum reparo. Conclusão Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10976.000755/200987 Acórdão n.º 2201003.621 S2C2T1 Fl. 414 16 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000124/2002-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo.
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida para dar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 01 24 /2 00 2- 20 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 192 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida para dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 177 a 181), interposto pelo sujeito passivo, contra o Acórdão nº 9303003.143, de 25 de setembro de 2014, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 160 a 166), que negou provimento ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO DE CRÉDITO DECLARADO EM DCTF. LEGITIMIDADE. Embora não rigorosamente necessário, o lançamento de ofício de créditos tributários declarados em DCTF, não se mostra ilegítimo quando se constata que não contém vício essencial e a própria autoridade lançadora faz as devidas ressalvas para sua cobrança, no sentido de evitar prejuízo ao contribuinte. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. A embargante alegou omissão no referido acórdão, pois o recurso especial versou sobre a desnecessidade de requerimento prévio à autoridade administrativa, bem como a desnecessidade da desistência da execução judicial. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da CSRF, conforme despacho de fls. 188/190. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os embargos são tempestivos e apontam omissão, merecendo ser conhecidos. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 193 3 O exame de admissibilidade (fls. 188/190), que acolheu os embargos, constatou a omissão na decisão embargada. A omissão, fundamento legal dos presentes declaratórios, encontravase prevista no art. 65 do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, segundo o qual “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. Com relação à omissão, seu surgimento se faz presente quando houver pontos sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado e não o fez. De fato, assiste razão à embargante. Compulsando o voto condutor do acórdão embargado, verifico que o litígio foi circunscrito nos seguintes termos: “Em relação ao fato de os valores lançados terem sido declarados em DCTF, única questão trazida a este colegiado, deve ser feitos uma analise dos efeitos da DCTF.” Verificase que o despacho de admissibilidade delineou o escopo do recurso e da divergência, conforme transcrito abaixo: “A decisão recorrida negou o direito à compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado, conforme o trecho abaixo, extraído do acórdão recorrido. ‘A data do trânsito em julgado da ação que reconheceu o direito de crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública ocorreu em 31/08/1999, posterior, portanto, à data de compensação com os débitos exigidos. Ademais, pacífico o entendimento de que a compensação depende da adoção de procedimentos que impeçam a utilização do direito de crédito em duplicidade, como bem lecionado no voto condutor da decisão recorrida.’ A decisão paradigma reconheceu o direito à compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado, conforme o trecho abaixo. ‘Ocorre que, no caso presente, a compensação está também amparada por decisão favorável na Ação Declaratória no 97.12.023079, cumularia com Ação Ordinária de Compensação com pedido de Tutela Antecipada que tramitou perante a 2ª Vara da Justiça Federal de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, objeto do Acórdão proferido no Tribunal Regional Federal da 4° Região (Ap. 1999.04.01.0403743/ RS). Por outro lado, inexiste na decisão judicial observação de que essa compensação se dê apenas após o trânsito em julgado. Portanto, considerando o acima exposto e em respeito à decisão judicial, há de se dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à compensação e, conseqüentemente, homologar a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 194 4 compensação de acordo com a utilização dos índices fixados na decisão judicial.’ O confronto das ementas e a leitura das duas decisões comprovam o dissenso jurisprudencial. Enquanto no paradigma foi reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado, o acórdão recorrido decidiu pela impossibilidade de tal compensação.” Dessa forma, o acórdão embargado, de fato, omitiuse quanto ao direito à compensação antes do trânsito em julgado. O próprio despacho reconheceu que a questão divergente tratava do direito à compensação antes do trânsito em julgado, enquanto no acórdão recorrido, a única questão trazida ao colegiado foi a discussão sobre a possibilidade de se efetuar o lançamento de valores declarados em DCTF. A matéria devolvida ao Colegiado e que não foi analisada no acórdão prolatado pela 3ª turma da CSRF cingese à compensação realizada antes do trânsito em julgado da ação judicial que reconhecera créditos em favor do Sujeito Passivo. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que o art. 170A do CTN só se aplica às ações propostas posteriormente a sua publicação. Para que não paire dúvida do aqui mencionado, reproduzo excerto do voto do eminente Conselheiro Júlio César Alves Ramos que transcreve parte do acórdão do julgamento do Resp 1.164.452, cujo relator foi o Ministro Teori Albino Zavaski: Há, por isso mesmo, julgamento já realizado na sistemática do art.; 543C do CPC que o reitera. Tratase do REsp 1.164.452, relator o Ministro Teori Albino Zavaski. Em seu voto, pontificou o i. Ministro: ... (...) 4. Esse esclarecimento é importante para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas. Aqui, com efeito, o que se examina é a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 195 5 um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra a Fazenda: esse crédito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. O novo qualificador, bem se vê, tem por pressuposto e está diretamente relacionado à existência de uma ação judicial em relação ao crédito. Ora, essa circunstância, inafastável do cenário de incidência da norma, deve ser considerada para efeito de direito intertemporal. Justificase, destarte, relativamente a ela, o entendimento firmemente assentado na jurisprudência do STJ no sentido de que, relativamente à compensabilidade de créditos objeto de controvérsia judicial, o requisito da certificação da sua existência por sentença transitada em julgado, previsto no art. 170A do CTN, somente se aplica a créditos objeto de ação judicial proposta após a sua entrada em vigor, não das anteriores. Nesse sentido, entre outros: EREsp 880.970/SP, 1ª Seção, Min. Benedito Gonçalves, DJe de 04/09/2009; PET 5546/SP, 1ª Seção, Min. Luiz Fux, DJe de 20/04/2009; EREsp 359.014/PR, 1ª Seção, Min. Herman Benjamin, DJ de 01/10/2007. 5. Não custa enfatizar que a compensação que venha a ser realizada antes do trânsito em julgado traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte, condição essa que, se não ocorrer, acarretará a ineficácia da operação, com as conseqüências daí decorrentes. 6. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1998, razão pela qual não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, a exigência do art. 170A do CTN, cuja vigência se deu posteriormente. Não tendo adotado esse entendimento, merece reforma, no particular, o acórdão recorrido. 7. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial. Considerando tratarse de recurso submetido ao regime do art. 543C, determinase o envio do inteiro teor do presente acórdão, devidamente publicado: (a) aos Tribunais Regionais Federais (art. 6º da Resolução STJ 08/08), para cumprimento do § 7º do art. 543C do CPC; (b) à Presidência do STJ, para os fins previstos no art. 5º, II da Resolução STJ 08/08; (c) à Comissão de Jurisprudência, com proposta de aprovação de súmula nos seguintes termos: "A vedação prevista no art. 170A do CTN não se aplica a ações judiciais propostas antes da sua vigência". É o voto. Este voto, a meu ver, esgota todos os argumentos da representação fazendária, com os quais, aliás, concordo. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 196 6 Em primeiro lugar, não se trata de mera interpretação: segundo o Ministro, a lei introduz exigência não presente no ordenamento anterior. Ademais, ela se aplica apenas às compensações que tenham por base direito creditório somente obtido por meio de ação judicial. Para aquelas que se postulem administrativamente, tem aplicação o entendimento de que é essa data do encontro de contas que serve de marco para a verificação da legislação cogente. Por fim, deixa registrada a conseqüência da adoção desse procedimento, pelo interessado: revogada a decisão, ficará ele sujeito às conseqüências do inadimplemento da obrigação tributária. É evidente que a Administração terá de agir preventivamente para evitar a decadência. Destarte, em face da obrigatoriedade atribuída aos Conselheiros pelo art. 62A do Regimento Interno do CARF de adotar o entendimento esposado pelos tribunais superiores no julgamento de recursos na sistemática dos arts. 543B e 543C, dobrome ao quanto expressado pelo i. Ministro Teori e mantenho, na íntegra, a decisão de que a PFN recorre. Pelo que consta nos autos, o contribuinte impetrou Ação de Repetição de Indébito, visando a restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de Finsocial, julgada procedente. Após o tramite processual a referida ação transitou em julgado em 31/08/1999 (fl. 68). Alega ter efetivado espontaneamente a compensação de acordo com os termos do artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991, a qual independeria de prévia autorização, seja administrativa ou judicial. O art. 66 da Lei 8.383, de 30/12/1991, estipulava que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, administrados pela Receita Federal, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento da importância correspondente a períodos subseqüentes, desde que a compensação fosse realizada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1º. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Assim, a compensação entre tributos da mesma espécie era efetivada mediante lançamento na escrita fiscal e o débito era declarado na DCTF vinculado a “compensação sem darf”, informando o número da respectiva ação judicial autorizativa da compensação. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 197 7 Neste sentido ia também a jurisprudência do STJ, como no julgamento do EREsp 78301/BA, ao estabelecer que a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser feita apenas com o registro na escrita fiscal do contribuinte: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação (CTN, art. 150), a compensação constitui um incidente desse procedimento, no qual o sujeito passivo da obrigação tributária, ao invés de antecipar o pagamento, registra na escrita fiscal o crédito oponível à Fazenda, que tem cinco anos, contados do fato gerador, para a respectiva homologação (CTN, art. 150, § 4º); esse procedimento tem natureza administrativa, mas o juiz pode, independentemente do tipo de ação, declarar que o crédito é compensável, decidindo desde logo os critérios da compensação (v.g., data de início da correção monetária). Embargos de divergência acolhidos. Brasília, 11 de dezembro de 1996 (data do julgamento). A IN/SRF 32, de 09/04/1997, que, em seu art. 2º, convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte, da Cofins, devida e não recolhida, com os créditos do Finsocial: Art. 2°. Convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte, com a contribuição para o financiamento da Seguridade Social – COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mista, com fundamento no art. 9º da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis n°s 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do DecretoLei n°2.397, de 21 de dezembro de 1987. Essa modalidade de compensação vigeu até a entrada em vigor da MP 66, de 28/08/2002, convertida na Lei 10.637/02, que instituiu a Declaração de Compensação, que derrogou o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei 9.069, de 1999, no que este se referia à dispensabilidade de pedido de compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB. Verificase, assim, que o contribuinte possui ação judicial que reconheceu o seu direito creditório, que foi utilizado para fins de compensação nos termos do art. 66 da Lei 8.383, de 1991 e o débito declarado na DCTF. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial e considerando que a ação judicial foi proposta antes da entrada em vigor do art. 170A do CTN, não se aplica a vedação a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê esse dispositivo. Assim, estando o débito compensado em DCTF com a exigibilidade suspensa, apenas se cogita da desistência da execução do título judicial quando este estiver em fase de execução, após o trânsito em julgado da decisão judicial. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10875.000124/200220 Acórdão n.º 9303004.931 CSRFT3 Fl. 198 8 Cabe observar que, para a utilização do crédito decorrente do Finsocial cabe à Delegacia de origem apurar o montante desse crédito, a partir da base de cálculo cotejada com os pagamentos efetuados, inclusive averiguando se não houve duplicidade na utilização ou restituição via precatório, verificando a legitimidade dos créditos a serem compensados e mantendo a autuação apenas do saldo eventualmente devido. Diante de exposto, e considerando que a ação judicial foi proposta antes da entrada em vigor do art. 170A do CTN, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Esse passa a ser o novo resultado do julgamento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.000896/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do Fato Gerador:09/09/2004
FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE ÍNDICES QUE MELHOR REFLITAM A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A RICARF.
Nas ações relativas ao reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que não exista, nas decisões judiciais, a menção expressa à aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários sobre repetidos, esta é matéria de ordem pública e deve ser observada tanto pelo Poder Judiciário quanto pela Administração Tributária. Aplicável o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos do entendimento do STJ (Recurso Especial nº 1.112.524/DF, Rel. Min. Luiz Fux). Aplicação do artigo 62-A do RICARF.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REPETIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ETEMP ENGENHARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador:09/09/2004 FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE ÍNDICES QUE MELHOR REFLITAM A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A RICARF. Nas ações relativas ao reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que não exista, nas decisões judiciais, a menção expressa à aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários sobre repetidos, esta é matéria de ordem pública e deve ser observada tanto pelo Poder Judiciário quanto pela Administração Tributária. Aplicável o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos do entendimento do STJ (Recurso Especial nº 1.112.524/DF, Rel. Min. Luiz Fux). Aplicação do artigo 62A do RICARF. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 08 96 /2 00 4- 10 Fl. 1065DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402001.976, de 29/11/2012, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2003 Ementa: FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE ÍNDICES QUE MELHOR REFLITAM A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A RICARF. Nas ações relativas ao reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que não exista nas decisões judiciais a menção expressa da aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários, esta é matéria de ordem pública e deve ser observada tanto pelo Poder Judiciário quanto pela Administração Pública. Aplicável o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos do entendimento do STJ (Recurso Especial nº 1.112.524/DF, Rel. Min. Luiz Fux). Aplicação do artigo 62A do RICARF. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência quanto ao cômputo dos expurgos inflacionários no cálculo do indébito tributário. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20177.649 e 320100.632. Contra a decisão, a PFN interpôs embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados (fls. 987/991). O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1001/1004. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1035/1056). É o Relatório. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10850.000896/200410 Acórdão n.º 9303005.038 CSRFT3 Fl. 1.066 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. Enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que, no reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que inexista, na decisão judicial, a menção expressa à aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários, é de se aplicar o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, que contempla a aplicação dos expurgos, nos acórdãos paradigmas chegouse a uma conclusão diversa: os expurgos inflacionários somente podem ser aplicados aos valores repetidos se assim constar expressamente na decisão judicial. A divergência, portanto, é manifesta. E deve ser resolvida em desfavor da Recorrente. Primeiramente, sabese já estar pacificado no Poder Judiciário que a correção monetária é matéria de ordem pública, de forma que, implicitamente, integra o pedido formulado pelo autor da demanda, tal como comprova a seguinte ementa de acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg Fl. 1067DF CARF MF 4 no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). (...) 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (g.n.) (STJ, Corte Especial, Rel. Min. Luiz Fuz, REsp nº 1112524/DF, DJe 30/09/2010. Ademais, é matéria também pacífica, os índices de correção a serem aplicados na repetição do indébito tributário objeto de decisão judicial são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Os motivos de sua aplicação encontramse bem delineados no voto condutor do Acórdão 9303004.202, de 07 de julho de 2016, da lavra da il. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, razão pela qual passamos a adotálo como razão de decidir: Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicados para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008 Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10850.000896/200410 Acórdão n.º 9303005.038 CSRFT3 Fl. 1.067 5 Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. I O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. II 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação Fl. 1069DF CARF MF 6 dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2008 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria –Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. (g.n.) Em conclusão, nada há o que reparar no acórdão recorrido. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10850.000896/200410 Acórdão n.º 9303005.038 CSRFT3 Fl. 1.068 7 Fl. 1071DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.030295/99-84
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FlNSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE
RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO.
o direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude
de lei que se lenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE.
Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de
jurisdição.
ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 303-31.061
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a arguição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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DRJ/SÃO PAULOISP FlNSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUiÇÃO. o direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se lenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° l.1 10, de 30108/95. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÃNCIA, INCLUSIVE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto. IRINEU BIANCHI R'elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLl e NANCI GAMA (Suplente). Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. tme MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR 126.524 303-31.061 PANIFICADORA E CONFEITARIA DO COBRE LTDA. DRJ/SÃO PAULO/SP IRINEU BIANCHI RELATÓRIO O relatório da decisão recorrida é o seguinte: Adoto na integra o relatório da decisão recorrida: "Trata o presente processo de pedido de restituição de valores recolhidos a título de contribuição para o Fundo de Investimento Social - F1NSOCIAL (fls. OI) no valor total de R$ 7.015,97, cumulado com um pedido de compensação com débitos vincendos (fls. 02), realizados pela empresa em epígrafe, através de seu procurador legalmente habilitado (fls. 3 e 35/41). Os pedidos foram protocolados em 08/10/1999. A planílha apresentada pela interessada (fls. 4) traz o cálculo do valor total a restituir, o qual corresponderia à diferença entre o efetivamente pago e o devido, tendo-se por base a alíquota de 0,5% no periodo de setembro de 1989 a março de 1992, conforme DARFs. Ocorre que a autoridade administrtiva, às fls. 67, indeferiu o pedido, sob a alegação de que o direito do contribuinte estaria decai do, pois o parazo para a repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucíonal pelo Supremo Tribunal Federal, no exercício dos controles difuso e concentrado da constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contado da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. Inconformada com esta decisão, a interessada, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 71176, representada pelo signatário do pedido inicial. Alegou, em síntese, que: I) Eivados de inconstitucionalidades, e e o nascedouro, os malfadados diplomas legais que m dific ram a alíquota da contribuição destinada ao FINSO. IAL foram declarados inconstitucionais pela Corte Suprema. ====================2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 2) Acrescente-se, por oportuno, que os recolhimentos indevidos têm a natureza dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 3) A contagem do prazo prescricional submete-se ao art. 150, ~ 4°, do CTN, de sorte que o crédito será extinto após homologação, ou, caso esta não ocorra, após o decurso de 5 anos contados da ocorrência di fato gerador. Ou seja, contados 5 anos da data da ocorrência do fato gerador, considera-se homologado o lançamento, aos quais se acrescenta mais cinco anos relativos ao prazo prescricional. Resulta que não estão atingidos os pagamentos indevidos efetuados nos 10 anos anteriores à data do pedido. 4) Ademais, a jurisprudência pretoriana sedimentou-se no entendimento de que o prazo prescricional para repetir tributo declarado inconstitucional pela Corte Suprema tem como termo inicial a data da própria decisão que assim o considerar (fls. 75). 5) De conseguinte, poderá a requerente se utilizar das diferenças pagas a maior, decorrentes dos excessos recolhidos em razão do aumento indevido nas aliquotas, compensando-as com as contribuições devidas, vincendas ou vencidas. Tais diferenças deverão ser corrigidas monetariamente. 6) Até porque inexiste divergência sobre o tema no Superior Tribunal de Justiça (Resp. n° 183.280-CE, Ia Turma, ReI. Ministro José Delgado, j. 20/1 0/1998, DJU-e I, 07/12/1998, p. 54). 7) É indu vidoso, também, que os pagamentos indevidos reclamam juros e atualização monetária, com base na taxa Selic, tal como previsto no art. 39, ~ 4°, da Lei n° 9.250/95, em substituição à UFIR, a partir de janeiro de 1996. 8) Requer a Contribuinte que lhe seja deferido o direito de proceder à compensação escrituraI das diferenças apuradas entre os valores pagos a maior, com base nos demonstrativos contábeis e guias de recolhimento, com tributos vincendos ou vencidos, obedecido o art. 66 da Lei 8383/1991, sem imposição de qualquer restrição quantitativa .. Remetidos os autos à DRJ/SPO, seguiu-se a decisão singular de fls. 82/89, que indeferiu o pedido, mediante os fundamentos assim ementados: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNC . O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou c ntribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o de ido, xtingue-se após 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONfRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA -----REeuRSO-N°--:-126.524---------- _ ACÓRDÃON° : 303-31.061 o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Cientificada da decisão (fls. 90), tempest' interpôs o recurso voluntário de fls. 103/108, ratificando os te É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° recurso. 126.524 _ 303-31.061 VOTO Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, conhcço do A decisão guerreada afastou a pretensão do contribuinte, sob o entendimento de que o direito para pleitear a restituição de tributo pago indevidamentc extingue-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, considerada esta como sendo a data do efetivo pagamento. Primeiramente há que se estabelecer o marco inicial para a contagem do prazo de que dispõe o contribuinte para pedir a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. Segundo a letra fria da lei (CTN, art. 168, I, c/c art. 165, I), o direito de pleitear a restituição de tributo indevido ou pago a maior, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário (grifei). A corrente jurisprudencial dominante nos tribunais superiores fixou- se no sentido de que a extinção do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, podendo ser sintetizada na seguinte ementa: À luz do CTN esta Corte desenvolveu entendimento no sentido de computar a partir do fato gerador, prazo decadencial de cinco anos e, após, mesmo não se sabendo qual a data da homologação do lançamento, se este não ultrapassou o quinqüidio, computar mais cinco anos (STJ, AgRg-Resp. 251.831/GO, 2" T. ReI" Min. ELIANA CALMON, DJU 18.02.2002). Para corroborar o entendimento, observe-se que na data de 29 de julho do corrente ano, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, em caráter de urgência, o Projeto de Lei Complementar nO73, cujo artigo 3° diz: Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nO5.172, de 1966 - Código Tributário nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ~ I° do art. 150. Ora, a introdução no CTN de dispositivo legal dotado de mero caráter interpretativo, representa o reconhecimento inequívoco o parte do Poder Executivo da linha de entendimento majoritário dos tribunais su erio s, pretendendo justamente com a alteração legal emprestar-lhe entendimento co trário 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 Então, à primeira vista e em condições nonnais, o direito de pleitear a restituição inicia-se na data do pagamento do crédito tributário e estende-se por 10 (dez) anos. No entanto, o próprio STJ tem entendido que, nos casos em que houver declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, o dies a quo do prazo prescricional da ação de restituição de indébito não está prevista no CTN. Criou-se, então, corrente jurisprudencial segundo a qual o inicio do prazo prescricional de 5 (cinco) anos é a declaração de inconstitucionalidade na via incidental, que no meu entender não se aplica aos pedidos de restituição nas vias administrativas. É o caso dos autos. Ocorreu a declaração de inconstitucionalidade do Finsocial pago a maior em relação ao aumento de aliquotas, veiculada pela Lei na 7.689/88, declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Acórdão RE na 150.7864- IIPE, DJU de 02/04/93. Tal circunstância por si só não modificou o entendimento jurisprudencial supra, segundo o qual o prazo se alarga por 10 (dez) anos, uma vez que não houve a expedição de Resolução pelo Senado Federal. É cediço que toda lei traz como pressuposto elementar a sua confonnidade com a Lei Maior. Os tributos assim exigidos não podem ser rotulados de indevidos ou pagos a maior, e enquanto a lei não for retirada do mundo juridico, não pode o contribuinte eximir-se da obrigação de que é destinatário. Desta maneira, não se pode considerar inerte o contribuinte que, em razão da presunção de constitucionalidade da lei, obedeceu aos seus ditames, já que a inércia é elemento indispensável para a configuração do instituto da prescrição. Tanto isto é verdade que o direito à restituição da parte que litigou com a União Federal no processo que originou o RE na 150.764-IIPE, nasceu apenas a partir do julgamento do mencionado recurso, enquanto que os demais contribuintes não foram alcançados pelos efeitos erga onllles daquela decisão. Embora o Pretório Excelso tenha cumprido o ritual estabelecido pela Carta Magna, comunicando o julgamento ao Senado Federal, este demitiu-se do seu dever constitucional, deixando de expedir a competente Resolução para extirpar do mundo jurídico a nonna inquinada de inconstitucional. Os argumentos do relator da matéria, Senador Almir Lando atentam contra a independência dos Poderes, porquanto, o que qualifica o jUI~nto não é o resultado obtido na votação (que in casll deu-se por seis votos contra inc ) mas o que se decidiu. Seria o mesmo que o STF retirar do mundo jurídico U~l i que fosse aprovada no Congresso Nacional por maioria simples. ,. <' 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 Assim sendo, o prazo para pleitear a restituição, ao menos na via administrativa, continuou sendo de 5 (cinco) anos a contar da homologação - expressa ou tácita - do tributo pago de forma antecipada, consoante o entendimento jurisprudencial suso referido. Com o advento da Medida Provisória n° 1.110, publicada no D.O.U. de 31 de agosto de 1995, a exigência do Finsocial em percentual superior a 0,5% tomou-se indevida, já que o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade daquela nonna, explicitando na respectiva mensagem ao Congresso Nacional, verbis: Cuida, também, o projeto, no art. 17, do cancelamento de débitos dc pequeno valor ou cuja cobrança tenha sido considerada inconstitucional por reiteradas manifestações do Poder Judiciário, inclusive decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. Em sendo assim, o tributo indevido ou pago a maior a que alude o art. 165, I, do CTN, passou a ser assim considerado a partir da publicação da MP 1.110/95. Logo, somente a partir desse momento é que nasceu efetivamente o direito dos contribuintes postularem perante a Administração Tributária a restituição dos valores recolhidos a maior. De outra parte, se é certo que a MP em questão não refere a hipótese de restituição de tributos, também é certo que desde a Medida Provisória nO1.621-36, de 10 de junho de 1998, bem assim suas sucessivas reedições, até o advento da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, ficou estabelecido que o disposto no capt/t não implica em restituição ex offieio de quantia paga. Ademais, o art. 27, da citada Lei nO 10.522, diz que "não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas. pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo. em processos relativos a restituição de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados ". Ora, se a Lei diz expressamente que o que nela se dispõe não implica em restituição ex ojJicio, e se não comporta recurso de oficio acerca das decisões prolatadas em processos relativos à restituição de impostos e contribuições administrados pela SRF, segue-se que a restituição pleiteada na via administrativa é de todo pertinente. Outrossim, o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da MP 1.110/95, teve respaldo oficial através do Parecer Cosit nO58 e 27 de outubro de 1998. Analisando dito Parecer, fica claro que tal ato abordou ass to de forma a não deixar dúvidas, razão pela qual transcrevo o seu inteiro te r, ad ando-o como fundamentos do presente voto: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tunc. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUiÇÃO. HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não- participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da lei. Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato específico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Dispositivos Legais: Decreto n' 2.346/1997, art. I'; Medida Provisória n' 1.699-40/1998, art. 18, 9 2'; Lei n' 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 168. RELATÓRIO As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude de lei declarada inconstitucional, com os seguintes questionamentos: a) Com a edição do Decreto n' 2.346/1997, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional passam a admitir eficácia ex tunc às decisões do Supremo Tribunal Federal que declaram a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção? b) Nesta hipótese, estariam os delegados e ins Federal autorizados a restituir tributo cobrad declarada inconstitucional pelo STF? 8 MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 126.524 303-31.061 c) Se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo inicial para a contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 168 do CTN : a data do pagamento efetuado ou a data da interpretação judicial? d) Os valores pagos à título de Finsocial, pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas no que excederam à 0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n° 7.689/1988, art. 9° e conforme Leis nOs 7.787/1989 e 8.147/1990, acrescidos do adicional de O, I% (zero virgula um por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exerCÍcio de 1988, nos tennos do Decreto- lei 2.397/1987, art. 22, podem ser restituidos a pedido dos interessados, de acordo com o disposto na Medida Provisória n° 1.621-36/1988, art. 18, 92°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para o pedido de restituição? e) Na ação judicial o contribuinte não cumula pedido de restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis nOs 2.445/1988 e 2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei Complementar nO7/1970. Para que seja afastada a decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de restituição do indébito? f) Considerando a IN SRF n' 21/1997, art. 17, 9 1", com as alterações da IN SRF n" 73/1997, que admite a desistência da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário, para pleitear a restituição/compensação na esfera administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o ajuizamento da ação ou da data do pedido na via administrativa)? Há que se tàlar em prazo prescricional ("prazo para pedir")? O ato de desistência, por parte do contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de direito já conquistado pelo autor, vez que o CTN não prevê a data do ajuizamento da ação para contagem do prazo decadencial, o que justificaria o autor a prosseguir na execução, por ser mais vantajoso? FUNDAMENTOS LEGAIS 2. A Constituição de 1988 firmou no Brasil o sistema jurisdicional de constitucionalidade pelos métodos do controle concentrado e do controle difuso. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 126.524 303-31.061 inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta de inconstitucionalidade ADIn e pela ação declaratória de constitucionalidade, onde o autor propõe demanda judicial tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou constitucionalidade da lei, e não um caso concreto. 4. O controle difuso - também conhecido por via de exceção, controle indireto, controle em concreto ou controle incidental (incidenter tQntllm) - ocorre quando vários ou todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a inconstitucionalidade de lei ou norma. 4.1 Esse controle se exerce por via de exceção, quando o autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja, paralelamente à discussão principal, o debate sobre a inconstitucionalidade da norma, querendo, com isso, fazer prevalecer a sua tese. 5. Com relação aos efeitos das declarações de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade, no caso de controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga omnes); no plano temporal, efeitos ex tllnc (efeitos retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da norma); e, administrativamente, têm efeito vinculante. 5.1 Os efeitos da ADIn se estendem além das partes em litigio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma, desvinculada de um caso concreto. Tal declaração atinge, portanto, a todos os que estejam implicados na sua objetividade. 5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de Inconstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda a execução da lei ou do ato normativo inquinado de inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts. 169 a 178). 6. Passando a analisar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, devem ser consideradas duas possibilidades, posto que, no tocante ao caso concreto, à lide em si, os efeitos da declaração estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no processo, vale dizer, têm efeitos interpartes; em sua dimensão temporal, para essas mesmas partes, teria efeito ex tllnc. 6.1 No que diz respeito a terceiros não-partici?~ da lide, tais efeitos somente seriam os mesmo depois da inte:~:~~ do Senado ================F=e=d.=er=a=l,=p=o=rq=u=a=n=t=o=a=le=iou==o=a==to=co=nt=i=n=u=an='=am==~=V=i=g=e=r,==i;:;n,=d=a=q=:=e=:='á======~ 10 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 pronunciada a sentença de inconfonnidade com a Constituição. É o que se depreende do art. 52 da Carta Magna, verbis: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: x - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; 7. Vale dizer, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade obtida pelo controle difuso somente alcançam terceiros, não- participantes da lide, se for suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo Senado Federal. 7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constitucionalista José Afonso da Silva: H ••• A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos tennos do artigo 52, X; ..." 8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação ao controle difuso, a doutrina não é pacífica, entendendo alguns que seriam ex tunc (como Celso Bastos, Gilmar Ferreira Mendes) enquanto outros (como José Afonso da Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex nunc (impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não desconstituiria, por si só, os atos juridicos perfeitos e acabados e as situações definitivamente constituídas). 9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na mais autorizada doutrina, conforme o Parecer PGFN nO1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição definida no sentido de que a Resolução do Senado Federal que declarasse a inconstitucionalídade de lei seria dotada de efeitos ex nunc. 9.1 Contudo, por força do Decreto nO 2.346/1997, aquele órgão passou a adotar entendimento diverso, manifestado no Parecer PGFN/CAT/no 437/1998. 10. Dispõe o art. I° do Decreto nO2.346/1997: Art. I° As decisões do Supremo Tribunal F~era que fixem, de forma inequívoca e definitiva inte retaça do texto constitucional deverão ser uniformemen e ob rvadas pela MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 Administração Pública Federal direta ou indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. ~ I° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia "ex tunc", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetivel de revisão administrativa ou judicial. ~ 2° O dispositivo no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. I!. O citado Parecer PGFN/CAT/no 437/1998 tomou sem efeito o Parecer PGFN nO 1.185/1995, concluído que "o Decreto nO 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a Administração Pública Federal, o efeito ex tune ao ato do Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato nonnativo declarado inconstitucional pelo STF". 11.1 Em outras palavras, no controle de constitucionalidade difuso, com a publicação do Decreto nO2.346/1997, os efeitos da Resolução do Senado foram equiparados aos da ADIn. 12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, seja por via de controle concentrado, seja por via de controle difuso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato normativo declarado inconstitucional. 12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4°, que o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional possam adotar, no âmbito de suas competências, decisões definitivas do STF que declarem a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo que teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado. 13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem sempre os delegados/inspetores da Receita Federal dem autorizar a restituição de tributo cobrado com bas e lei declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de ontribuintes que 0'0 fommp,rt~ """ pro'=" q"' ~"'jl~O d, 12 -,Çl=\======== MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 inconstitucionalidade - no caso de controle difuso, evidentemente - para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido pago com base em lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeitos erga omnes, o que, já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese prevista no art. 4" do Decreto nO2.346/1997. 14. Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção à ela, determinada pela Medida Provisória n" 1.699- 40/1998, art. 18 ~ 2" , que dispõe: Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: ~ 2" O disposto neste artigo não implicará restituição "ex ojJicio" de quantias pagas. 15. O citado artigo consta da MP que dispõe sobre o CADlN desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n" 1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde então, três alterações em sua redação. 15.1 Duas das alterações incluiram os incisos VIII (MP n" 1.244, de 14/12/95) e IX (MP nº 1.490-15, de 31/10/96) entre as hipóteses de que trata o caput. 16. A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP n" 1.621-36), acrescentou ao ~ 2" a expressão "ex ojJicio". Essa mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao entendimento de que, só a partir de então, poderia ser procedida a restituição, quando requcrida pelo contribuinte; antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto ao Poder Judiciário. 16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei nº 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil), art. Iº, ~ 4", as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 17. Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no ~ 2° "consiste em nonna a ser observada pela Administração Tributaria, pois esta não pode proceder ex ojJicio, até por impossibil' e material e insuficiência de informações, eventual resti ição devida". O acréscimo da expressão ex ojJicio visou, portan o, tão- omente, dar mais clareza e precisão à nonna, pois os contribu'ntes já aziam jus à =========13======= MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° -: -126.524 : 303-31.061 restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova, razão pela qual não há que se falar em lei nova. 18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder á restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP n" 1.699/1998. art. 18, antes mesmo que fosse incluída a expressão "ex ojJicio" ao S 2". 19. Com relação ao questionamento da compensação/restituição do Finsocial recolhido com alíquotas majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram declaradas inconstitucionais pelo STF em diversos recursos - como as decisões do STF são decorrentes de incidentes de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes envolvidas no processo (a União e o contribuinte que ajuizou a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito tributário neste caso. 19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é uma das hipóteses em que a MP n" 1.699-40/1998 permite, expressamente, a restituição (art. 18, inciso 1\1), razão pela qual os delegadoslinspetores estão autorizados a procede-la. 19.2 O mesmo raciocínio vale para a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela SRF, devendo ser salientado que o interessado deve, necessariamente, pleiteá-Ia administrativamente, mediante requerimento (IN SRF n" 21/1997, art.12), inclusive quando se tratar de compensação Finsocial x Cofins (o ADN COSIT n" 15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma espécie). 20. Ainda com relação à compensação Finsocial x Cofins, o Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF n" 32/1997, art. 2", havia decidido, verbis: Art. 2" - Convalidar a compensação efetiva pelo contribuinte, com a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9" da Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis n"' 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de O, I% ( d cimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao ex cíci de 1988, nos 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 termos do art. 22 do Decreto-lei nO2.397, de 21 de dezembro de 1987. 20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei nO9.430/1996, art. 77, e no Decreto nO2.194/1997, !l 1° (o Decreto nO2.346/1997, que revogou o Decreto nO2.194/1997, manteve, em seu art. 4°, a competência do Secretário da Receita Federal para autorizar a citada compensação). 21. Ocorre que a IN SRF nO32/1997 convalidou as compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a Cofins, que tivessem sido realizadas até aquela data. Tratou-se de ato isolado, com fim específico. Assim, a partir da edição da IN, como já dito, a compensação só pode ser procedida a requerimento do interessado, com base na MP nO1.699-40/1998. 22. Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art. 168 do CTN estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a decadência ou caducidade é tida como o fato juridico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo" (Curso de Direito Tributário, 7' ed., 1995, p.311). 24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10' ed., Forense, Rio, p. 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência. 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, era a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partÍr do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga 011lnes, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas a . a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de a específico da Secretária da Receita Federal (hipótese do Dbcret nO2.346/1997, art. 4°). \ ~ ~-=o=========15- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO NO ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por meio de ADIn, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF. 27. Com relação às hipóteses previstas na MP n' 1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o contribuinte não- participante da ação possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação: a) da Resolução do Senado n' 11/1995, para o caso do inciso I; b) da MP n' 1.110/1995, para os casos dos incisos 11a VII; c) da Resolução do Senado n' 49/1995, para o caso do inciso VlII; d) da MP n' 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. 28. Tal conclusão leva, de imediato, à resposta à quinta pergunta. Havendo pedido administrativo de restituição do PIS, fundamentando em decisão judicial específica, que reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n'" 2.445/1988 e 2.44/1988 e declara o direito do contribuinte de recolher esse contribuição com base na Lei Complementar n' 7/1970, o pedido deve ser deferido, pois desde a publicação da Resolução do Senado n' 49/1995 o contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação o respectivo pedido de restituição - tem esse direito garantido. 29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do Finsocial, o Decreto n' 92.698/1986, art. 122, estabeleceu o prazo de lO (dez) anos, conforme se verificar em seu texto: Art. 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados (Decreto-lei nO2.049/83. art. 9'). I - da data do pagamento ou recolhimento indevido; 11- da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." 30. Inobstante o fato de os decretos terem força vinculante para a administração, conforme assinalado no propalado Parecer PGFN/CAT/n' 437/1998, o dispositivo aci a -o foi recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razr pel qual o prazo para qo,o ",'ribo'," P"",~lci"",",~"'"'~=I=~=id=O=S=====_ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRll3UINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.524 303-31.061 indevidamente a titulo de contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os demais tributos e contribuições administrados pelo SRF, ou seja, 5 (cinco) anos (CTN, art. 168), contado da forma antes detenninada. 30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cofins, o prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto n" 2.173/1997, art. 78 (este Decreto revogou o Decreto n" 612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo). 31. Finalmente a questão acerca da IN SRF n" 21/1997, art. 17, com as alterações da IN SRF nº 73/1997. Neste caso, não há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista que a desistência do interessado só ocorreria na fase de execução do titulo judicial. O direito à restituição já teria sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não cabendo à administração a análise do pleito de restituição, mas, tão-somente, efetuar o pagamento. 3 1.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do título judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor, trata-se de juízo a ser firmado por ele, tendo em vista que a desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na esfera administrativa pode ser medida interessante para alguns, no sentido de que pode acelerar o recebimento de valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em geral, mais demorado (emissão de precatório). CONCLUSÃO 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo que: a) As decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade de lei ou de ato nonnativo, seja na via direta, seja na via de exceção, têm eficácia ex tunc; b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, desde que a declaração de inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta; ou, se na via indireta: 1. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato nonnativo pelo Senado; ou 2. quando o Secretário da Receita Federal âitar to específico, no uso da autorização prevista no Decreto n" 2.34 ainda, 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRII3UINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 3. 126.524 303-31.061 nas hipóteses elencadas na MP nQ 1.699-40/1998, art. 18; c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação dc tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não- participantes da lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto nQ 2.346/1997, art. 4Q), bem assim nos casos permitidos pela MP nQ 1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicacão: 1. da Resolução do Senado nQ 11/1995, para o caso do inciso I; 2. da MP nQ1.110/1995, para os casos dos incisos II a VII; 3. da Resolução do Senado nQ 49/1995, para o caso do inciso VIII, 4. da MP nQ 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. d) os valores pagos indevidamente a título de Finsocial pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP nQ 1.699- 40/1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de pedido de restituição/compensação desde a edição da MP nQ 1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco anos); e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a maior com base nos Decretos-leis nos 2.445/1988 e 2.449/1988, fundamentados em decisão judicial específica, devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contando da data de publicação da Resolução do Senado nQ 49/1995; f) f) na hipótese da IN SRF nQ 21/1997, art. 17, g 1", com as alterações da IN SRF nQ 73/1997, não há que se falar em prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se de decisão já transitada em julgado, constituindo, apenas, uma prerrogativa do contribuinte, com vistas ao recebimento, em prazo mais ágil, de valor a que já tem direito (a desistência se dá na fase de execução do título judicial). Assim, o entendimento da administração trib tária azado no citado Parecer vigeu até a edição do Ato Declaratório SRF n° 096, e 26 e novembro de =~=======~~~=- 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° . 126.524 :-303-3f061 1999, publicado em 30/11/99, quando este pretendeu mudar o entendimento acerca da matéria, desta feita arrimado no Parecer PGFN n° 1.538/99. O referido Ato Declaratório dispôs que: I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Sem embargo, o entendimento da administração tributária era aquele consubstanciado no Parecer COSIT n° 58/98. Se debates podem ocorrer em relação à matéria, quanto aos pedidos formulados a partir da publicação do AO SRF n° 096, é indubitável que os pleitos formalizados até aquela data deverão ser solucionados de acordo com o entendimento do citado Parecer, pois quando do pedido de restituição este era o entendimento da administração. Até porque os processos protocolados antes de 30/11199 e julgados, seguiram a orientação do Parecer. Os que embora protocolados mas que não foram julgados haverão de seguir o mesmo entendimento, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual. Entendo, outrossim, que mesmo após o advento do AO SRF 096/99, o inicio da contagem do prazo prescricional é da publicação da MP 1.110, uma vez que naquele diploma legal, expressamente, o Sr. Presidente da República admitiu que a exigência era inconstitucional, como adrede referido. Entendo ainda que não se aplica ao caso presente o disposto no art. 73 da lei 9.430/66, porquanto o S 3°, do art. 18, da lei de conversão da MP 1.110- (Lei nO10.522) que lhe é posterior, dispõe sobre a restituição, vedando que a mesma se dê ex aflieia e silenciando quanto às demais formas, enquanto que o art. 27 veda o recurso oficial das decisões administrativas que concedam a restituição. Logo, interpretando o diploma legal de forma harmônica, fica afastada a incidência do art. 73 retro mencionado, bem como, fica evidenciada a possibilidade da restituição nas vias administrativas. Finalmente, as restrições apontadas no Parecer PGFN/CRJIN° 340112002, aprovado no Despacho do Exmo. Sr. Ministro da Fazenda, publicado no D.O.U. de 2 de janeiro de 2003, não podem obstar o reconhecimento do direito creditório do recorrente. Consta do Despacho do Sr. Ministro da Fazenda que: I) os pagamentos efetuados relativos a crédit tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, m r ão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda transitadas em j gado, não são suscetiveis de restituição ou de compens lção em corrência de ==========19 ~d:A='= MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 126.524 303-31.061 a norma vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória n. 2.176-79/2002, convertida na lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários que ainda não estivessem extintos pelo pagamento No item "I", estão englobados os casos que são objetivados pelo Parecer, ou seja, onde houve o questionamento judicial e as decisões foram favoráveis à Fazenda Nacional, o que não é o caso dos presentes autos, vez que não há qualquer notícia de que a parte interessada pleiteou a restituição perante o Poder Judiciário, sem sucesso. Já o item "2" pretende dizer mais do que a própria Medida Provisória n° 1.110/95, que admitiu a inconstitucionalidade da exigência de que tratam os presentes autos. Há que se dizer também que as conclusões do Parecer em comento, na parte que restringe o direito à restituição fora dos casos já analisados pelo Poder Judiciário, encontram-se a descoberto de qualquer motivação, o que o toma inválido neste particular, porquanto a motivação é elemento obrigatório na constituição de qualquer Ato Administrativo. Fixada a data de 31 de agosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000. 1/1 caSI/, o pedido ocorreu na data de 8 de outubro de 1999, logo, dentro do prazo prescricional. Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que afasto a preliminar levantada pela Turma Julgadora e anulo o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, determinando que seja examinado o seu pedido, apurando-se a existência ou não dos alegados créditos, bem como, em se apurando a existência dos mesmos, se já foram utilizados pela contribuinte e/ou se foram objeto de a erior apreciação judicial. É c mo voto. das Sessões, em 06 de novembro de 2003 IRINEU BlANCHI - Relator _==~20===== 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020
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Numero do processo: 13830.901088/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 88 /2 01 3- 81 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901088/201381 Acórdão n.º 1302002.242 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901088/201381 Acórdão n.º 1302002.242 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901088/201381 Acórdão n.º 1302002.242 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720129/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Numero da decisão: 2202-003.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 29 /2 01 4- 93 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Foi lavrada Notificação de Lançamento contra CYRO TEIXEIRA, com a exigência de crédito tributário no montante de R$ 7.309,92, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/06/2013, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Cientificado da Notificação de Lançamento em 05/07/2013, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 31, o Contribuinte apresentou Impugnação em 16/01/2014 (fl. 2), por meio de sua curadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) não conheceu da impugnação, por intempestividade (Acórdão de Impugnação às fls. 51/55). O Contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 02/10/2015 (fl. 59) e apresentou Recurso Voluntário em 26/10/2015 (fls. 70/81), por meio da sua curadora, no qual informa que esqueceu do prazo previsto na legislação para impugnar, por ser um casal de idosos. Argumenta que o contribuinte é aposentado e recebeu um precatório, mas por estar acometido do mal de Alzheimer não o declarou. Afirma, ainda, ser isento do imposto de renda em virtude de ser portador de moléstia grave, conforme laudo anexo. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por essa ser intempestiva. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.720129/201493 Acórdão n.º 2202003.896 S2C2T2 Fl. 86 3 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Nesse caso, a ciência do Auto de Infração deuse em 05/07/2013, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 31. Assim, ao apresentar a sua impugnação somente em 16/01/2014 (fl. 2), estava exaurido o prazo legal. O Recorrente alega que esqueceu do prazo previsto na legislação para impugnar, por ser um casal de idosos. No entanto, não existe previsão legal para suspensão ou prorrogação do prazo para impugnação. Portanto, é de se manter a decisão de primeira instância no sentido de que a impugnação apresentada pelo Contribuinte é intempestiva. Em sendo intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Dessa forma, não há que se analisar os demais argumentos do contribuinte em relação ao mérito da autuação. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 87DF CARF MF 4 Fl. 88DF CARF MF
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