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Numero do processo: 11610.014310/2002-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
Ementa:
LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA.
Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente.
LANÇAMENTO FISCAL BASE EM DECLARAÇÃO FISCAL DA CONTRIBUINTE. VALIDADE.
Não constitui razão suficiente para invalidar o lançamento o fato dele se basear em informações prestadas pela contribuinte ao Fisco, cabendo à contribuinte comprovar que prestou informações incorretas.
Numero da decisão: 3401-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. LANÇAMENTO FISCAL BASE EM DECLARAÇÃO FISCAL DA CONTRIBUINTE. VALIDADE. Não constitui razão suficiente para invalidar o lançamento o fato dele se basear em informações prestadas pela contribuinte ao Fisco, cabendo à contribuinte comprovar que prestou informações incorretas.
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REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. LANÇAMENTO FISCAL BASE EM DECLARAÇÃO FISCAL DA CONTRIBUINTE. VALIDADE. Não constitui razão suficiente para invalidar o lançamento o fato dele se basear em informações prestadas pela contribuinte ao Fisco, cabendo à contribuinte comprovar que prestou informações incorretas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 43 10 /2 00 2- 10 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de auto de infração que constitui e exige a contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de 01/07/1997 a 31/12/1997, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autoridade lançadora, ao analisar as DCTF do 3º e do 4º trimestre de 2007, constatou irregularidades nos créditos vinculados aos débitos relacionados a essa contribuição. A contribuinte apresenta manifestação por meio da qual explica: o parcela significativa dos débitos contemplados pelo lançamento fiscal teria sido incluída no Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000. O saldo remanescente teria sido recolhido aos cofres públicos. o A controvérsia, supõe a impugnante, estaria relacionada às dificuldades cadastrais que a Administração Tributária estaria enfrentando com relação ao histórico societário da interessada, alvo de incorporação, em 20 de novembro de 1998, pela pessoa jurídica TESA EMBALAGENS LTDA CNPJ n. 77.961.431/000149, a qual, mantido o último CNPJ, alterara a razão social para TROMBINI PAPEL E EMBALAGENS S.A. O cancelamento do CNPJ n. 88.209.697/000156 teria sido requerido na data de 30 de abril de 1999. o No que especialmente respeita ao débito de R$ 136.808,07, cujo período de apuração equivale ao mês de setembro de 1997, devidamente incluído no Refis, ressalta que, embora a DCTF indique o valor de R$ 148.337,48, este último não corresponderia à realidade. A DCTF teria sido preenchida com fulcro em base de cálculo incorreta, vez que incluídas quantias relativas a receitas provenientes de exportações. o Quanto ao débito de R$ 1.085,00, concernente ao mês de dezembro de 1997, sustenta o recolhimento de tal importância em 30 de janeiro de 1998, acrescida dos encargos legais. A autoridade de jurisdição (fls. 189) confirmou que a contribuinte havia aderido ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS (Lei n.º 9.964, de 2000), com montante que contempla quase a totalidade dos débitos exigidos através do lançamento fiscal. Informações constantes na declaração de recuperação fiscal às fls. 3846 e no demonstrativo dos débitos consolidados às fls. 90/91 e 187. Também ela confirmou que a contribuinte quitara o débito de dezembro de 1997. A respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, após apreciar a impugnação e demais documentos que instruem os autos, concluiu pela procedência parcial da impugnação e pela manutenção de parte do crédito tributário exigido. No caso, os julgadores de 1º piso apenas não acolheram as alegações da contribuinte quanto ao débito de setembro de 1997, por entenderem que ela não as provou. o Acórdão n.º 0127.940, de 03/09/2013 ficou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO FISCAL. REFIS. ADESÃO. COINCIDÊNCIA. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11610.014310/200210 Acórdão n.º 3401002.998 S3C4T1 Fl. 3 3 Demonstrado pela interessada que parcela dos débitos exigidos por meio do lançamento fiscal integra montante consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis instituído pela Lei n. 9.964, de 2000, de se exonerar, sob pena de dupla e indevida exigência, a pretensão fazendária correspondente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RESPONSABILIDADE. EXCLUSÃO. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Não possuem eficácia normativa as decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros, vez que não integrantes da legislação tributária a que se referem os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ATOS NORMATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Aos agentes administrativas não é dado apreciar questões que importem na negação da eficácia de preceitos normativos, em especial as que versem acerca da consonância de tais preceitos com a Constituição da República, de inarredável competência do Poder Judiciário, seu intérprete qualificado. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE. PREVISÃO NORMATIVA. AUSÊNCIA. Nos termos do art. 23, §3o, do Decreto n. 70.235, de 1972, milita em favor do Fisco o direito de optar por qualquer das modalidades de intimação previstas nos incisos do caput do precitado artigo. Considerandose que o inciso II determina que a intimação por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, deve ensejar prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; e que referido domicílio, consoante §4o, corresponde ao endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, ao Fisco, ou ao endereço eletrônico ao sujeito passivo atribuído, desde que por ele autorizado, de se concluir pela ausência de previsão normativa no sentido de que sejam as intimações levadas a efeito na pessoa de representante pelo contribuinte eventualmente constituído. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia de Julgamento recorre de ofício. Inconformada com a parte do crédito tributário mantido, a contribuinte ingressa com recurso voluntário, por meio do qual repisa os argumentos da impugnação, que está errada a informação constante da DCTF para o mês de setembro de 1997, não podendo ser base para se determinar a contribuição devida no período. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso voluntário, atendidos os demais requisitos de admissibilidade de ambos os recursos. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Apreciando o recurso de ofício: Analisando os documentos que instruem este processo, verifico que mui provavelmente a controvérsia esteve relacionada com as alterações substantivas ocorridas no cadastro CNPJ da contribuinte e que implicaram em dificuldades para tratar as informações dos débitos em aberto e parcelados. Sublinhese que a contribuinte, consoante seu histórico societário, foi incorporada, em 20/11/1998, pela pessoa jurídica TESA EMBALAGENS LTDA CNPJ n. 77.961.431/000149, a qual, mantido o último CNPJ, alterara a razão social para TROMBINI PAPEL E EMBALAGENS S.A. O cancelamento do CNPJ n. 88.209.697/000156 teria sido requerido na data de 30 de abril de 1999. Ademais, também verifico que, exceto a diferença do valor exigido de setembro de 1997 conforme decisão de 1ª instância, o restante do exigido no lançamento em questão, de fato, havia sido objeto de parcelamento e, no caso da exigência de dezembro de 1997, esse foi quitado por pagamento. Os despachos da autoridade de jurisdição assim o atestam. Pareceme correta a decisão dos julgadores a quo que considerou procedente a impugnação nesta parte e recorreu de ofício. Portanto, proponho a este Colegiado negar provimento ao recurso de ofício. Tendo em vista que a contribuinte aderiu validamente a parcelamento e não contestou, em seu recurso voluntário, a exigência do que foi parcelado, considero que se trata de matéria definitiva e incontroversa. Com relação ao recurso voluntário: O objeto do recurso voluntário se cinge a exigência da contribuição PIS do mês de setembro de 1997, no valor originário de R$ 12.164,42, pendente de multa de ofício e juros de mora. A recorrente afirma que esse crédito tributário, mantido pelo Acórdão, não deve prosperar, por que ele se baseia em dados equivocados da DCTF. Ela explica que a base de cálculo do tributo incorretamente incluiu as receitas da exportação, e que a diferença mantida pelo Acórdão corresponde exatamente a essas receitas. Que se elas fossem excluídas da base de cálculo, o valor do PIS nesse mês seria igual ao submetido a parcelamento, nada restando em aberto. Ocorre que o argumento da contribuinte está desacompanhado de documentação que o comprove. Nesse ponto, afiliome ao entendimento posto pelos julgadores de 1º piso, que disseram: Não se vislumbra, em conseguinte, diante da ausência de elementos seguros a sustentar a inexistência, mesmo que parcial, de débito pela interessada confessado através da respectiva DCTF, razão a ensejar, neste aspecto, reforma do auto de infração. Remanesce, assim, exigência equivalente à diferença entre o valor objeto de lançamento fiscal (R$ 148.337,48) e aquele incluído no Refis (R$ 136.173,06), de R$ 12.164,42, relativo ao mês de setembro de 1997. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11610.014310/200210 Acórdão n.º 3401002.998 S3C4T1 Fl. 4 5 Portanto, por falta de provas que permitam concluir contrariamente, proponho a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário e a manutenção do crédito tributário exigido do mês de setembro de 1997. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001501/2003-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2000
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Ocorrendo a retenção e o não recolhimento, o imposto, a multa de ofício e os juros de mora deverão ser exigidos da fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte poderá oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 18.780,00.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2000 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO. COMPENSAÇÃO. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento, o imposto, a multa de ofício e os juros de mora deverão ser exigidos da fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte poderá oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 18.780,00. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 474 1 473 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001501/200369 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.892 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria IRRF Recorrente PASQUALE MAURO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2000 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO. COMPENSAÇÃO. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento, o imposto, a multa de ofício e os juros de mora deverão ser exigidos da fonte pagadora, hipótese em que o contribuinte poderá oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 18.780,00. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 15 01 /2 00 3- 69 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001501/200369 Acórdão n.º 2201002.892 S2C2T1 Fl. 475 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF por meio do qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 149.019,72, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Não concordando com a autuação o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 3. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJII converteu o julgamento em diligência, por duas vezes, determinando que as fontes pagadoras fossem intimadas a informar o valor efetivamente retido a título de imposto de renda na fonte (despachos às fls. 127 e 371 deste processo digital). Após ser intimado o contribuinte apresentou a petição de fl. 248, alegando que em virtude de as empresas não terem entregues em época oportuna os Informes Anuais de Rendimentos correspondentes aos valores de aluguéis do anobase de 1999, bem como de valores retidos na fonte a titulo de imposto de renda, como determinava a legislação vigente à época, valeuse dos recibos mensais emitidos contra as mesmas, com a finalidade de elaborar a sua declaração de ajuste anual para que não incorresse em omissão fiscal. Posteriormente, apresentou a petição de fls. 280/285 aduzindo que a documentação acostada aos autos comprova que os valores informados na declaração de ajuste anual estavam corretos em relação a algumas empresas e tecendo considerações a respeito das divergências apresentadas em relação às demais empresas. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 421/429. Entenderam os julgadores da instância de piso que deveriam ser restabelecidas glosas no montante de R$ 12.328,00, referentes aos recolhimentos de R$ 12.180,00 da fonte pagadora Centro de Reabilitação e Estética Rio Mar e R$ 148,00 da fonte pagadora Vithi Construções. Tais recolhimentos foram confirmados pela Fiscalização no curso das diligências requeridas pela DRJ/RJII. Foram mantidas glosas de R$ 18.957,25 de imposto de renda retido na fonte. Cientificado da decisão de primeira instância em 31/01/2013 (fl. 431), o Interessado interpôs, em 28/02/2013, o recurso de fls. 433/438, acompanhado dos documentos de fls. 439/466. Na peça recursal aduz, em síntese, que: O Auto de Infração pautouse somente em informações prestadas por terceiros. A maior parte da glosa diz respeito aos valores retidos e deduzidos de aluguéis da empresa “O Vidrão Comércio de Vidros Ltda”, no valor de R$ 18.780,00. Foi juntado à fl. 43 o comprovante de rendimentos e retenção de imposto de renda fornecido pela referida empresa, relativo ao anocalendário de 1999, informando o citado valor. O Fisco ignorou a validade desse documento sob o argumento de que o mesmo encontravase com data rasurada e sem identificação da pessoa que o assinou. Facilmente é possível verificar que se trata de documento assinado no ano de 2000 (escrito à caneta), uma vez que no tópico 03 do mesmo documento está expresso o anocalendário de Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001501/200369 Acórdão n.º 2201002.892 S2C2T1 Fl. 476 3 1999. Logo, não seria possível que a data de entrega do mesmo fosse em 15/02/1999, data que foi erroneamente expressa no documento. O que ocorreu foi apenas a correção de um erro material ocorrido na impressão do comprovante, incapaz de retirar a sua validade, uma vez que se refere ao ano calendário de 1999. Ademais, o responsável pela assinatura se chamava Antônio Leite de Souza e era sócio da empresa “O Vidrão Comércio de Vidros Ltda.”. Pelo documento acostado ao recurso é possível comparar a sua assinatura. Não recebeu os informes de rendimentos das demais fontes pagadoras sobre os quais ainda pendem diferenças de dedução. Nada obstante, se valeu dos recibos mensais já acostados aos autos para preencher a sua declaração, para que não ocorresse em omissão fiscal. Nesta oportunidade traz aos autos cópias dos contratos de locação com as fontes pagadoras Colégio Barão de Lucena e Garcia Comércio de Frutas. À fl. 284 foi juntada planilha na qual identifica os nomes dos locatários, imóveis, índices de reajustes, descontos de IRRF e etc., com base nos recibos trazidos ao processo. Ao final, requer o cancelamento integral do Auto de Infração. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Observo, por primeiro, que não existe previsão legal que obrigue o Fisco a intimar o contribuinte antes da feitura do lançamento, caso disponha de elementos que revelem o descumprimento da legislação tributária, principalmente quando estes elementos decorram de informações prestadas por terceiros na qualidade de responsáveis tributários por substituição. A intimação referida no art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999, é mera faculdade atribuída à Fiscalização para as hipóteses em que os elementos à sua disposição não evidenciem a certeza em relação ao inadimplemento da obrigação tributária. Pois bem. A quase totalidade da glosa de IRRF mantida pela decisão recorrida referese ao valor que teria sido retido pela empresa “O Vidrão Comércio de Vidros Ltda.”. O Recorrente apresentou o “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” da referida empresa (fl. 43), que demonstra retenção de R$ 18.780,00 correspondentes a rendimentos que estariam incluídos na base de cálculo do tributo lançado. Os julgadores da instância de piso não acataram o documento, porquanto com data de emissão rasurada e sem identificação da pessoa que o assinou. Consideraram, ademais, que as informações do comprovante apresentado não encontram respaldo nos registros informatizados da RFB (pesquisa DIRF à fl. 420). Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001501/200369 Acórdão n.º 2201002.892 S2C2T1 Fl. 477 4 Nesta sede recursal o Interessado apresenta o “Contrato Particular de Locação” de fls. 452/456, firmado entre ele, na condição de locador, e a empresa “O Vidrão Comércio de Vidros Ltda.”, na condição de locatária. A Cláusula II do contrato evidencia que o valor do aluguel pactuado era de R$ 7.000,00 e a Cláusula I revela que o prazo contratual teve início em 23/09/1998 e término em 22/09/2003, abarcando, portanto, o período do crédito tributário discutido no presente processo administrativo (anocalendário de 1999). Segundo o artigo 631 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, o contribuinte pessoa física que perceber rendimentos pagos por pessoa jurídica, decorrentes de alugueis ou royalties, terá o imposto de renda retido por ocasião do pagamento. O cálculo do imposto retido é feito com base na Tabela Progressiva. Compulsando a “Tabela Progressiva para Cálculo Mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física” relativa ao anocalendário de 1999, constatei que os valores acima de R$ 1.800,00 estavam sujeitos à alíquota de 27,5%, com parcela a deduzir de R$ 360,00. Assim, o imposto a ser retido mensalmente importaria no total de R$ 1.565,00, que corresponde a 27,5% de R$ 7.000,00 (R$ 1.925,00) menos o valor da parcela a deduzir (R$ 1.925,00 R$ 360,00 = R$ 1.565,00). Multiplicando este valor por 12, chegase ao total de R$ 18.780,00 (R$ 1.565,00 x 12 = R$ 18.780,00), que coincide exatamente com o valor de IRRF que consta do “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” de fl. 43. Acrescento, por oportuno, que a assinatura do representante legal da empresa lançada no “Comprovante” pode ser reconhecida, por semelhança, com a assinatura do representante legal da empresa que assinou o contrato de locação de fls. 452/456, no qual consta reconhecimento de firma da fiadora com data de 07/12/1998, o que demonstra que o contrato fora pactuado anteriormente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999. Nesse contexto, é forçoso reconhecer que houve a retenção de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 18.780,00, embora tal montante não tenha sido recolhido aos cofres públicos. Nessas hipóteses, o contribuinte tem o direito de compensar o imposto retido, conforme orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB constante do Parecer Normativo nº 1/2002. Confira: IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Quanto às glosas referentes às fontes pagadoras Colégio Barão de Lucena, no valor de R$ 39,18, e Garcia Comércio de Frutas Ltda., no valor de R$ 111,11, embora o Recorrente tenha apresentado contratos de locação com estas empresas, não apresentou nenhum documento que pudesse comprovar que houve a retenção (comprovante de rendimentos ou DARF com vinculação), motivo pelo qual entendo que as respectivas glosas devem ser mantidas. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001501/200369 Acórdão n.º 2201002.892 S2C2T1 Fl. 478 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 18.780,00, referente à fonte pagadora “O Vidrão Comércio de Vidros Ltda.”. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000047/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/07/1998
SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE.
Súmula 732 do STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96.
FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1997 a 31/07/1998 SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. Súmula 732 do STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. Súmula 732 do STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 47 /2 00 9- 84 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 256 3 Relatório Período de apuração: 01/12/1997 a 31/07/1998 Data da lavratura da NFLD: 18/08/1998. Data da Ciência da NFLD: 03/09/1998. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 32.092.1760, consistentes em contribuições patronais destinadas SalárioEducação – FNDE, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados de dezembro/1997 a julho/1998, devidas pela empresa e não recolhidas em sua época própria, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/19. Informa a Fiscalização que a Notificada houvera impetrado Mandado de Segurança perante a 18ª Vara Federal em São Paulo, Processo n° 9700581608, visando a proceder à compensação de crédito advindo dos recolhimentos efetuados a titulo de Salário Educação, sem ter de se submeter aos limites impostos pela lei. O pedido foi deferido tão somente para suspender a exigibilidade do tributo questionado. Todavia, na sequência, a Empresa Impetrante requereu a desistência do citado Mandamus, a qual foi homologada por sentença publicada em 21/08/1998. Em seguida, a empresa ajuizou o Mandado de Segurança n° 98.00389644, em trâmite na 18ª Vara Federal de São Paulo, requerendo a concessão de medida liminar para que pudesse exercer o seu direito de solver o valor do principal da NFLD nº 32.092.1760 até o dia 21 de setembro de 1998, sem os acréscimos de juros e multa de mora, nos termos do §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a sentença homologatória da desistência do Mandado de Segurança nº 9700581608 teria sido publicada no dia 21/08/1998. Sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 98.00389644 decidiu por manter suspensa a exigibilidade da multa de mora, mas não os juros de mora. A Empresa ajuizou ação cautelar nº 97.603679 para o depósito dos valores devidos para os meses dez/97 (R$ 452.060,45), inclusive sobre 13° (R$ 380.983,07), jan/98 (R$ 451.304,46) e fev/98 (R$ 450.778,51). Todavia, nos montantes recolhidos não se encontrava contemplada a contribuição para o FNDE. Conforme informações fornecidas pela CEF, a fl. 105, todos os valores foram convertidos em renda em favor do Instituto Nacional do Seguro Social, ficando em aberto, todavia, as Contribuições Sociais destinadas ao Salário Educação. Após tomar ciência da autuação, por via postal, em 03/09/1998, conforme Aviso de Recebimento a fl. 30, a Autuada apresentou impugnação a fls. 32/38. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.025.0/0247/2001, a fls. 127/130, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/01/2002, conforme recibo a fl. 132. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 134/161, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Inconstitucionalidade da contribuição para o FNDE desde o seu nascedouro; · Que a legislação referente ao SalárioEducação não foi recepcionada pela CF/88; Ao fim, requer com toda a serenidade a declaração de improcedência da NFLD e o seu arquivamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 257 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/01/2002. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/02/2002, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS Informa a Fiscalização que a Notificada houvera impetrado Mandado de Segurança perante a 18ª Vara Federal em São Paulo, Processo n° 9700581608, visando a proceder à compensação de crédito advindo dos recolhimentos efetuados a titulo de Salário Educação, sem ter de se submeter aos limites impostos pela lei. O pedido foi deferido tão somente para suspender a exigibilidade do tributo questionado. Todavia, na sequência, a Empresa Impetrante requereu a desistência do citado Mandamus, a qual foi homologada por sentença publicada em 21/08/1998. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Os autos já se encontram arquivados. Isso quer dizer que a empresa não obteve judicialmente qualquer direito a compensação de nenhum valor recolhido a título de salário educação, bem como que a liminar concedida mediante o Mandado de Segurança nº 9700581608 perdeu a sua eficácia. Assim sendo, a suspensão da exigibilidade do Salário Educação ficou sem efeito. A Empresa ajuizou ação cautelar nº 97.603679 para o depósito dos valores devidos para os meses dez/97 (R$ 452.060,45), inclusive sobre 13° (R$ 380.983,07), jan/98 (R$ 451.304,46) e fev/98 (R$ 450.778,51). Todavia, nos montantes recolhidos não se encontrava contemplada a contribuição para o FNDE. Com efeito, o código de terceiros indicado nas GRPS a fls. 110/122 foi o 3138, o qual implica o recolhimento para o INCRA (0,2%), SEBRAE (0,6%), SEST (1,5%) e SENAT (1,0), perfazendo um total de 3,3 % incidente sobre a base de cálculo, enquanto que o código de terceiros 3139 importa em destinações para o FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SEBRAE (0,6%), SEST (1,5%) e SENAT (1,0), conforme tabela abaixo. COMP BASE DE CÁLCULO 3138 (3,3%) 3139 (5,8%) FNDE (2,5%) 12/97 1.162.340,40 38.357,23 67.415,74 29.058,51 13/97 1.045.333,40 34.496,00 60.629,34 26.133,34 01/98 1.160.092,67 38.283,06 67.285,37 29.002,32 02/98 1.160.777,23 38.305,65 67.325,08 29.019,43 A diferença entre a 4ª coluna (cod. 3139) e a terceira (cod. 3138) representa, exatamente, a parcela que deixou de ser recolhida em favor do FNDE, a qual corresponde aos valores lançados na vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Conforme informações fornecidas pela CEF, a fl. 105, todos os valores recolhidos mediante as GRPS acima indicadas foram convertidos em renda em favor do Instituto Nacional do Seguro Social, ficando em aberto, todavia, as Contribuições Sociais destinadas ao Salário Educação. Em seguida, a empresa ajuizou o Mandado de Segurança n° 98.00389644, em trâmite na 18ª Vara Federal de São Paulo, requerendo a concessão de medida liminar para que pudesse exercer o seu direito de solver o valor do principal da NFLD nº 32.092.1760 até o dia 21 de setembro de 1998, sem os acréscimos de juros e multa de mora, nos termos do §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a sentença homologatória da desistência do Mandado de Segurança nº 9700581608 teria sido publicada no dia 21/08/1998. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 258 7 §2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 98.00389644 decidiu por manter suspensa a exigibilidade da multa de mora, mas não os juros de mora. Todavia, conforme informado pela Procuradoria Regional em Mogi das Cruzes, a fl. 123, não foram identificadas quaisquer guias de recolhimento. Também a Notificada não fez acostar aos autos qualquer indício de prova material de que, efetivamente, tenha efetuado os recolhimentos destinados ao FNDE no prazo previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Perdeu assim a Notificada o prazo legal para o recolhimento, sem multa de mora, para o recolhimento das contribuições destinadas ao FNDE (objeto do presente lançamento), sendo devido, portanto, não somente o Principal como também os juros e a multa de moratória devidos desde o vencimento da exação. 2.2. DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. O Recorrente alega a Inconstitucionalidade da contribuição para o FNDE desde o seu nascedouro. Aduz que a legislação referente ao SalárioEducação não foi recepcionada pela CF/88. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salárioeducação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, §5º, da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social, nos termos do §3º do art. 1º da Lei nº 9.766/98, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Lei nº 9.766, de 18 de dezembro de 1998 Art. 1o A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. §1o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do SalárioEducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 259 9 IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. §2o Integram a receita do SalárioEducação os acréscimos legais a que estão sujeitos os contribuintes em atraso. §3o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999. Art.1o A contribuição social do salárioeducação obedecerá aos mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE sobre a matéria. Parágrafo único. O contribuinte do salárioeducação sujeitar seá às mesmas sanções administrativas e penais previstas na legislação previdenciária, nos moldes do caput deste artigo. Art.2o A contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, §5o, da Constituição e devida pelas empresas, será calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos por cento, incidente sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais. §1o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do salárioeducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. §2o Considerase entidade pública, para os efeitos deste Decreto, a sociedade de economia mista, a empresa pública, bem assim as demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2o, da Constituição. §3o Para fins da contribuição social do salárioeducação, são considerados como empregados os seguintes segurados obrigatórios da Seguridade Social: I Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; II Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; III O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; IV Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o nãobrasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; V O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. §4o A alíquota reduzida da contribuição social do salário educação, incidente sobre a remuneração dos empregados contratados por prazo determinado, nos termos do inciso I do art. 2o da Lei no 9.601, de 21 de janeiro de 1998, é de um inteiro e vinte e cinco centésimos por cento. Art.3o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, inclusive no que se refere à remuneração paga aos servidores públicos ocupantes de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias, inclusive em regime especial, e fundações públicas federais; II As instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação; III As escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV As organizações de fins culturais, que tenham sido reconhecidas nos termos dos Decretos no76.923, de 26 de dezembro de 1975, e no 87.043, de 22 de março de 1982; V As organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; c) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 260 11 e) apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES está isenta do pagamento da contribuição social do salário educação, nos termos do art. 3o, §4o, da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 No caso dos autos, a definição dos contribuintes da contribuição destinada ao Salário Educação encontrase expressamente estabelecida no art. 15 da Lei 9.424/96 c.c. §3º do art. 1º da 9.766/98, e apenas reproduzida no §1º do art. 2º do Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999, assim como no art. 2º do Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. E não se desdenhe do poder normativo dos Decretos nº 3.142/99 e 6.003/2006. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que os Decretos nº 3.142/99 e 6.003/2006 decorrem da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 261 13 DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. Nesse contexto, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social, consubstanciamse contribuintes do Salário Educação, e nessa condição devem verter suas contribuições para o FNDE. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000047/200984 Acórdão n.º 2401004.010 S2C4T1 Fl. 262 15 Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10830.917828/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 28 /2 01 1- 41 Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.695, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 57/63 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 17676.46254.100406.1.2.044047, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917828/201141 Acórdão n.º 3402002.752 S3C4T2 Fl. 2.977 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 66). Inconformada, a mesma apresentou, em 29/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 68/88), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.168 (fls. 137/139), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.168 (fls. 137/139), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917828/201141 Acórdão n.º 3402002.752 S3C4T2 Fl. 2.978 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal às fls. 2.921/2.922 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 17676.46254.100406.1.2.044047, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 18.292,82 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 10/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 5.338.796,86, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 5.402.938,03, concluise que Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 integrou a base de cálculo o montante de R$ 0 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 0. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 0. Em sua manifestação (fls. 2.927/2.930), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.929: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamento no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que não restou demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante ao todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.001809/2003-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO.
Realização incentivada do lucro inflacionário em cota única, prevista no art. 30, V, da Lei n. 8.541/92, com o correspondente pagamento, em 31/03/1993. Auto de infração lavrado em 29/04/2003, para a cobrança de suposta diferença na apuração do aludido lucro inflacionário, com a recomposição do respectivo saldo de 1997. Decadência consumada, conforme o prazo estabelecido no art. 150, par. 4o, do CTN. Incidência da Súmula n. 10, do CARF, e do REsp n. 973.733/SC, STJ (recurso repetitivo). Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional desprovido.
Numero da decisão: 9101-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, por maioria de votos, negado provimento, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUÍS FLÁVIO NETO - Redator designado.
EDITADO EM: 18/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Realização incentivada do lucro inflacionário em cota única, prevista no art. 30, V, da Lei n. 8.541/92, com o correspondente pagamento, em 31/03/1993. Auto de infração lavrado em 29/04/2003, para a cobrança de suposta diferença na apuração do aludido lucro inflacionário, com a recomposição do respectivo saldo de 1997. Decadência consumada, conforme o prazo estabelecido no art. 150, par. 4o, do CTN. Incidência da Súmula n. 10, do CARF, e do REsp n. 973.733/SC, STJ (recurso repetitivo). Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e, no mérito, por maioria de votos, negado provimento, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 09 /2 00 3- 38 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO Redator designado. EDITADO EM: 18/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial da Procuradoria Nacional contra o Acórdão 120100.589, exarado pela 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara 1ª Seção, que deu provimento integral ao recurso voluntário interposto, cancelando o lançamento de ofício realizado, relativo à obrigatória realização mínima anual do lucro inflacionário, pertinentemente ao ano calendário 1997. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 Decadência. Reconhecimento. Lucro inflacionário apurado e recolhido em 1993. Lançamento efetuado em 2003. Extinção do direito da Fazenda de constituir o crédito acolhida, mediante a aplicação do artigo 173, inciso I, CTN. Aplicação da Súmula 10 do CARF. Recurso conhecido e provido. Inconformada, a recorrente, às fls. 512/515 (numeração digital), apresentou Recurso Especial de divergência arguindo dissenso jurisprudencial entre Turmas do CARF quanto ao tema “decadência” quando o contribuinte deixa de comprovar, com documentação hábil e idônea, a realização integral do lucro inflacionário. Na análise de admissibilidade concluiuse que restou presente a dissensão invocada, na forma dos excertos abaixo (fls. 572/576): “Na contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, verificase que, de fato, as circunstâncias eram as mesmas. Em ambos os casos ficou constatado que inexistiam provas de que as autuadas teriam efetivamente realizado a alegada quitação integral do lucro inflacionário em 1993. Além dessa, foi possível identificar outra circunstância comum, não explicitada no relatório do paradigma, mas descrita na decisão de primeira instância. Assim como no caso do acórdão recorrido, a contribuinte alegou ter optado pela realização incentivada de todo o lucro inflacionário existente em 31/12/1992, conforme previsão expressa no art. 454 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001809/200338 Acórdão n.º 9101002.176 CSRFT1 Fl. 635 3 do Regulamento do Imposto sobre a Renda – Decreto no 3.000, de 1999 (RIR/99). Essa circunstância é relevante para estabelecer a divergência uma vez que a opção pela realização incentivada constou como motivação para a decisão de tomar 1993 como marco para a contagem da decadência no acórdão recorrido. Assim sendo, foi sob mesmas circunstâncias que, no acórdão recorrido, considerouse que cabia ao fisco exigir crédito decorrente do lucro inflacionário que deixou de ser realizado em 1993; e que, no paradigma, considerouse que caberia à autuada comprovar que havia realizado integralmente o lucro inflacionário em 1993, para afastar a exigência de IRPJ de período posterior referente à realização mínima do lucro inflacionário cuja realização não foi comprovada. (acrescido o destaque) Devidamente cientificada, a contribuinte contrapôs contrarrazões (fls. 582/595), insistindo que a Fiscalização equivocouse na apuração dos valores e que já teria procedido à realização integral do lucro inflacionário acumulado à alíquota de 5%, utilizando se do incentivo trazido pela Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. É o relatório, em síntese apertada. Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo que a divergência restou comprovada e por isso conheço do especial. A discordância objeto do recurso especial é a forma de contagem do prazo de decadencial quando da realização do chamado “lucro inflacionário acumulado”, entendendo a Fiscalização e a Instância de 1º Piso que esta se fixa a partir do momento de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação de regência, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos e a autuada pugnando que a “conforme atestam os documentos anexos, em março de 1993, efetuou a Impugnante realização incentivada do lucro inflacionário acumulado, prevista pela Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, optando pela realização integral, à aliquota de 5%, nos termos do artigo 31, inciso V”, e que, por isso, “qualquer questionamento das autoridades fiscais, no que concerne ao saldo de lucro inflacionário acumulado em períodos anteriores a 1993, forçosamente, deveria ter sido efetuado no prazo de 5 anos, contados a partir de referida realização incentivada”. Para concluir: “O direito de constituir o crédito tributário extinguiuse, pois, em dezembro de 1998, não havendo falar em lançamento originado em abril de 2003” (fls. 82/84). Subindo os autos à apreciação da Tuma recorrida, por unanimidade foi dado provimento ao voluntário da contribuinte, acolhendose os argumentos discorridos em preliminares e acatandose a decadência suscitada. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Excertos do voto condutor mostram o quadro: “Quanto à questão da decadência alegada pelo Recorrente, entendo que a mesma deve ser acolhida. O fato é que a questão da decadência quanto ao lucro inflacionário está consolidada no CARF na Súmula n° 10, e por dever, devemos aplicála. (...) Como sabido, a legislação fiscal autoriza as empresas a diferir a tributação do lucro inflacionário, postergando o momento do reconhecimento dos efeitos da inflação para períodos posteriores. No caso concreto, as diferenças apuradas por ocasião da verificação da realização do lucro inflacionário em 1997 referemse à falta de inclusão da parcela de correção do lucro inflacionário do períodobase de 1993, correspondentes à diferença da variação do IPC e do BTNF no período base em Dez/91. O caso em análise aponta para o início da contagem do prazo decadencial a partir de março de 1993, quando a Recorrente efetuou de forma integral a realização incentivada do Lucro inflacionário acumulado, efetuando inclusive o seu recolhimento conforme guia juntada à fl. 37 dos autos (sob o código 3320). Nestes termos, sob esse prisma, teria ocorrido a decadência em 31/12/1998, considerando a jurisprudência firmada do Superior Tribunal de Justiça, que aplicou o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. (...) Isso porque, a realização incentivada do lucro inflacionário se amolda à espécie de lançamento por homologação. Uma vez que o Recorrente optou pela modalidade de realização integral do lucro inflacionário e do saldo, antecipando o pagamento do tributo, caberia à Receita Federal ter fiscalizado no prazo de 5 anos. Como não o fez, ocorreu a decadência”. A questão posta nos autos é, então: a) o prazo decadencial surge da efetiva realização espontânea feita pelo contribuinte; ou, b) o prazo decadencial tem seu termo a quo marcado pela data em que a lei previa que ele deveria ter sido realizado? Antes de qualquer outro aprofundamento, há que se considerar, no caso, a Súmula CARF nº 10 (cf. Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010), que tem a seguinte dicção: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001809/200338 Acórdão n.º 9101002.176 CSRFT1 Fl. 636 5 Há, ainda, a incidência do REsp nº 973.733/SC (publicado em 18/09/2009), decidido como recurso repetitivo, que concluiu pela aplicação, nos casos de lançamento por homologação, quando não há pagamento, da regra do art. 173, inciso I, do CTN. Tal decisão é de aplicação obrigatória no âmbito do CARF em face do art. 62A do RICARF, Anexo II. Ou seja, pela Súmula (que uniformiza e vincula a jurisprudência a respeito do tema) o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido (acumulado) é contado de duas formas alternativas e excludentes, a saber: 1. do período de apuração de sua efetiva realização; ou, 2. do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Para o decidido no REsp nº 973.733/SC, inexistindo pagamento, inaplicável o deslocamento da contagem do prazo decadencial para os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, devendose assumir o disposto na regra geral do artigo 173, I, do Estatuto: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Pois bem, dentro desta linha raciocínio, parece sem mácula a decisão recorrida e restaria homologado o pensamento da autuada e, por lógica, infundados estariam os argumentos expostos pela recorrente no seu Recurso Especial. Entretanto, uma mais aprofundada análise mostra um cenário diverso. Explico. É inegável que a autuada procedeu ao recolhimento de parcela de seu lucro inflacionário acumulado utilizandose dos benefícios da Lei nº 8.541, art. 31, inciso V, consoante comprova DARF acostado aos autos (fls. 38), de forma que a contagem do lustro decadencial fluiria a partir de tal realização (Súmula 10). Também é inquestionável que, a teor da decisão do STJ pacificada no REsp nº 973.733/SC, tendo havido pagamento, o dispositivo a ser adotado é o artigo 150, § 4º do CTN e não o 173, I, do mesmo Estatuto. Sob esta ótica, tendo o recolhimento sido efetuado em 31/03/1993 e o lançamento perpetrado em 29/04/2003, a decadência estaria consumada. Entretanto, como dito antes, uma mais profunda compulsação dos autos mostra aspectos relevantes e que afetam o quadro antes exposto. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O primeiro deles, a indesmentível realidade que, ainda que intimada diversas vezes, inclusive em diligência determinada pela DRJ/São Paulo, a autuada não trouxe aos autos a composição detalhada do saldo da conta de lucro inflacionário acumulado de forma a demonstrar, cabalmente, que o recolhimento (vale dizer, a realização) efetuado em 31/03/1993 teria sido feito sobre o total do mencionado saldo ou somente sobre parte dele. A questão é relevante na medida em que os controles internos da Receita Federal, sistematizados no sistema SAPLI (que nada mais é que cópia e consolidação do que os contribuintes informam em suas DIPJ) apontam números divergentes daqueles tomados pelo sujeito passivo, quadro explicita e detalhadamente exposto à autuada e que dele não se safou com documentos hábeis, idôneos e contemporâneos, como bem apontado no voto condutor da decisão de 1º Piso, “verbis”: “A citação realizada pelo AFRFB no curso dos trabalhos fiscais objetivou somente certificar as informações levadas a efeito nos sistemas da RFB (fls. 405/408), fielmente refletidas e controladas no Sistema de Acompanhamento do Lucro Inflacionário, conforme demonstrativo de fls. 46 e 54, e acentuar a falta de lastro da informação assinalada na petição firmada pela empresa, em 14/04/2003 (fl. 40). O lançamento, na verdade, tal como expressamente relatou a autoridade fiscal por intermédio do supracitado Termo de Constatação (fls. 43/45), ante a falta de exibição de apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) requisitada através do Termo de Intimação lavrado e cientificado ao contribuinte em 16/04/2003, promoveu a elaboração de novo Demonstrativo do Lucro Inflacionário, a partir de janeiro de 2003, tomando como base os dados constantes de DARF pertinente ao recolhimento efetuado em 31/03/1993, associado ao IRPJ correspondente à realização do Lucro Inflacionário apurado no encerramento do anocalendário de 1992 (fl. 37), dimanando a recomposição evidenciada nos demonstrativos de fls. 55/60. Assim, defronte a nova composição dos valores de controle do Lucro Inflacionário do sujeito passivo, constatouse que, ao final do anocalendário de 1997, o Lucro Inflacionário Diferido em 31/12/1997 no montante de R$ 23.295.274,64, e o importe de realização do Lucro Inflacionário no valor de R$ 6.418.047,29, circunstâncias que implicaram na caracterização da base imponível e da infração legal qualificada no auto de infração em litígio”. Exprimase, o lançamento perpetrado fundouse na “diferença” entre a base imponível apurada pelo Fisco e aquela tomada pela interessada, não sem antes, como relatado, darse à contribuinte, inclusive em diligência prévia ao julgamento de 1º Piso, a possibilidade de demonstrar e comprovar que o montante por ela assumido tinha lastro escriturado e documental. Nesta estampa, a realização incentivada que a contribuinte teria feito, com supedâneo no artigo 31, V, da Lei nº 8.541/1992, restaria incompleta, ou, melhor afirmando, teria sido feita em valor menor que o correto, impondo ao Fisco, obedecido o interregno Fl. 639DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001809/200338 Acórdão n.º 9101002.176 CSRFT1 Fl. 637 7 temporal da decadência, perpetrar, por dever de ofício, o lançamento para exigir a diferença apurada. Neste panorama, certo que o lapso temporal deslocase para o momento da apuração da diferença, no caso, o anocalendário de 1997 (ex/1998), pois foi ali, na DIPJ/1998, Ficha 13 – Demonstração do Lucro Inflacionário Realizado (fls. 28 – numeração digital), que a autuada inseriu valor diverso do constante no SAPLI e permitiu ao Fisco questionar tal divergência, sem encontrar resposta consistente. Vejase cópia da Ficha 13 e de uma das intimações da Fiscalização a respeito: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal (...), reitero a intimação lavrada em 17/03/03, para que, no prazo adicional de 5 (cinco) dias, a empresa acima identificada demonstre e comprove o valor de R$ 12.333.927,19, correspondente ao Lucro Inflacionário Diferido de Períodos Base Anteriores, consignado na linha 15, ficha 13, da Declaração do IRPJ do exercício de 1998 (anocalendário 1997), devendo ser apresentado os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) referentes aos anoscalendário de 1991 a 1997. (fls. 42 – numeração digital) Também inequívoco que a regra da contagem decadencial passa da regra excepcional do artigo 150 para a regra geral do 173, do Códex, posto se estar diante de informações incorretas do sujeito passivo, só detectadas quando da ação fiscal, em relação a período em relação ao qual não houve pagamento. Vale dizer, o deslocamento da contagem do intervalo decadencial só estaria amoldado à excepcionalidade do artigo 150, § 4º, se os valores estivessem corretamente informados e o recolhimento tivesse sido feito parcialmente. Neste caso, ainda que parcial, haveria pagamento e a transposição parta o art. 150 estaria acobertada pela decisão do STJ. Todavia, como concretamente estampado, não havendo tal informação por parte da contribuinte, ao revés, só sendo apurada a divergência por força da ação fiscal desencadeada, certo que a diretriz a ser perfilada é a do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a contagem do lustro decadencial flui a partir do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. De se destacar, ainda e por relevante, que não ocorreu qualquer pagamento antecipado pertinente aos fatos geradores correlatos aos meses do anocalendário de 1997, conforme se observa pelas informações integrantes das folhas 409/410 (Sistema de Controle de Pagamentos), circunstância que torna inadmissível a aplicação do preceito fixado pelo art. 150, § 4°, do CTN, justificando a utilização da regra do art. 173, inciso I, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de decadência. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Assim, referindose o fato gerador ao anocalendário de 1997, tendo a contribuinte optado pelo regime “anual” de apuração do IRPJ (fls. 04), não existindo pagamentos, o termo inicial para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/1999 e findouse em 31/12/2003. Lavrado o auto de infração em 29/04/2003 (fls. 64), inexistente a decadência aventada. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito, e determinar o retorno do processo à turma recorrida para julgamento do mérito (matéria do lucro inflacionário não realizado). (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencedor Conselheiro Luís Flávio Neto Redator designado. Na reunião de janeiro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida a VOITH PAPER MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA (doravante “VOITH”, “contribuinte” ou “recorrida”), no processo n. 19515.001809/200338. Em tal recurso, a PFN requer a reforma do acórdão n. 120100.589 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). No julgamento do recurso especial interposto pela PFN, a CSRF, por maioria de votos, decidiu negarlhe provimento. Como a posição adotada pelo i. Conselheiro Relator foi vencida, fui designado como relator do voto vencedor, por me afiliar àqueles que compreendem ter ocorrido a decadência em relação ao crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Em período de descontrole inflacionário, o legislador tributário atribuiu consequências fiscais aos seus efeitos verificados nos balanços das pessoas jurídicas, como se observa do art. 3 da Lei n. 8.200/91, de 28.06.1991: Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor.1 1 Redação dada pela Lei nº 8.682, de 1993. Redação original: I poderá ser deduzida na determinação do lucro real, em quatro períodosbase, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, quando se tratar de saldo devedor; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001809/200338 Acórdão n.º 9101002.176 CSRFT1 Fl. 638 9 II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Nesse seguir, a Lei n. 8.541/92 estabeleceu as seguintes regras para determinação do lucro inflacionário para fins do art. 3o da Lei n. 8.200/91: Do Imposto Calculado Sobre o Lucro Inflacionário Acumulado Art. 30. A pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/240, ou o valor efetivamente realizado, nos termos da legislação em vigor, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°). Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. (...) Outros dispositivos normativos foram posteriormente enunciados sobre a matéria2, mas não são aplicáveis ao caso concreto, que tem como evento nuclear a realização em cota única do lucro inflacionário pela VOITH, ocorrida em 1993. No caso, a contribuinte, valendose do art. 31, V, da Lei n. 8.541/92, procedeu a realização incentivada do lucro inflacionário em cota única, com o correspondente pagamento, realizado em 31/03/1993. Por decorrência lógica dessa realização integral, em cota única, acompanhada do respectivo pagamento, o contribuinte não computou, na apuração do lucro real dos períodos subsequentes, mais nenhuma fração do lucro inflacionário em questão. Em 29/04/2003, por sua vez, a fiscalização lavrou auto de infração em face da contribuinte, por entender que não estaria correto o cálculo do lucro inflacionário realizado naquele pagamento em cota única, ocorrido em 31/03/1993. Por conseguinte, a fiscalização recompôs o saldo do lucro inflacionário do ano de 1997, de forma a adicionar, na base de cálculo do tributo, frações de lucro inflacionário supostamente ainda não tributadas. Nesse sentido, destacase o seguinte trecho do acórdão recorrido: “No caso concreto, as diferenças apuradas por ocasião da verificação da realização do lucro inflacionário em 1997 referemse à falta de inclusão da parcela de correção do lucro inflacionário do períodobase de 1993, correspondentes à diferença da variação do IPC e do BTNF no período base em 2 Vide, em especial, Lei 9.532/97, em seu art. 9 o, Fl. 642DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Dez/91. O caso em análise aponta para o início da contagem do prazo decadencial a partir de março de 1993, quando a Recorrente efetuou de forma integral a realização incentivada do Lucro inflacionário acumulado, efetuando inclusive o seu recolhimento conforme guia juntada à fl. 37 dos autos (sob o código 3320)”. No entanto, em 2003, quando foi lavrado o auto de infração, a pretensão fiscal já havia sido consumada pela decadência. Notese que, em 14.07.2010, foi publicada a Súmula n. 10 do CARF, que dispõe: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. A referida súmula foi enunciada a partir de julgados como os que seguem: Acórdão nº 10514773, de 21/10/2004 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a sua realização, e não imediatamente após o termo do anocalendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Acórdão nº 10808208, de 25/02/2005 CORREÇÃO MONETÁRIA DIF. IPC/BTNF TRIBUTAÇÃO O resultado da correção monetária pela diferença IPC/BTNF de 1990 poderá ser deduzida na determinação do lucro real, se devedor o saldo, ou será obrigatoriamente computada, se credor, a partir do anocalendário de 1993. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO DECADÊNCIA Tratandose de lucro inflacionário, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é contado a partir de cada exercício em que sua tributação deva ser realizada, devendo ser deduzidas, para efeito de determinação do lucro inflacionário a realizar, as parcelas já alcançadas pela decadência. Recurso negado. Notese, ainda, que o e Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”), pela sistemática dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, art. 543C), enunciou o REsp n. 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 643DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001809/200338 Acórdão n.º 9101002.176 CSRFT1 Fl. 639 11 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Como a maioria, entendo que os fatos presentes no caso subsumemse à hipótese de aplicação da Súmula n. 10 do CARFe do REsp n. 973.733/SC, enunciado pelo STJ, Fl. 644DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 os quais, portanto, nos vinculam por força dos arts. 45 e 62 do RICARF. Consignase que os i. Conselheiros que votaram pelo provimento do recurso especial da PFN não negaram a cogência das referidas normas, mas compreenderam que a situação fática do caso concreto não daria ensejo à incidência destas. Nesse seguir, como foi realizado pagamento pela contribuinte – ainda que supostamente parcial –, deve ser adotado a regra do art. 150, par. 4o, do CTN. Assim, considerando que o contribuinte realizou o lançamento do IRPJ em 31/03/1993, com o respectivo pagamento, caberia à administração fiscal, até 31/03/1998, verificar se a apuração foi realizada adequadamente, de forma a homologála expressamente, ou, então, realizar o lançamento tributário de adicional eventualmente apurado, com multa e juros. Como o lançamento tributário apenas foi realizado em 29/04/2003, não cabe sequer discutir o mérito da cobrança em questão, pois consumouse a decadência, com a homologação tácita do lançamento realizado pela contribuinte. O acórdão recorrido reconheceu a decadência no presente caso. No entanto, compreendeu aplicável o art. 173, I, do CTN, como se observa de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Decadência. Reconhecimento. Lucro inflacionário apurado e recolhido em 1993. Lançamento efetuado em 2003. Extinção do direito da Fazenda de constituir o crédito acolhida, mediante a aplicação do artigo 173, inciso I, CTN. Aplicação da Súmula 10 do CARF. Recurso conhecido e provido. Nesse seguir, voto para que seja negado provimento ao recurso especial da PFN, de forma a manter o cancelamento dos correspondentes débitos do auto de infração pelo acórdão a quo, com o reconhecimento da decadência conforme a contagem do prazo prevista no art. 150, par. 4o, do CTN. Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO Redator designado. (assinado digitalmente) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000387/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1993 a 31/12/2002
APENSAÇÃO DE PROCESSOS. LANÇAMENTOS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS/COMPENSADOS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO. NECESSIDADE.
Nos termos dos arts. 68 e 69 da IN SRF 460/2004, os débitos compensados anteriormente a 31/10/2003 que não tenham sido lançados ou confessados deverão ser constituídos mediante lançamento de ofício, com a subseqüente apensação dos processos, todavia, a previsão deste procedimento não afasta a possibilidade de apresentação dos recursos cabíveis, tampouco dispensa os órgãos competentes de julgá-los, de maneira que, uma vez detectada a omissão nesse mister, cabível a devolução ao órgão julgador a quo para manifestação, evitando com isso a supressão de instância.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3401-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo à delegacia de julgamento competente para julgar as impugnações apresentadas nos processos apensos, nos termos do voto.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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LANÇAMENTOS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS/COMPENSADOS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO. NECESSIDADE. Nos termos dos arts. 68 e 69 da IN SRF 460/2004, os débitos compensados anteriormente a 31/10/2003 que não tenham sido lançados ou confessados deverão ser constituídos mediante lançamento de ofício, com a subseqüente apensação dos processos, todavia, a previsão deste procedimento não afasta a possibilidade de apresentação dos recursos cabíveis, tampouco dispensa os órgãos competentes de julgálos, de maneira que, uma vez detectada a omissão nesse mister, cabível a devolução ao órgão julgador a quo para manifestação, evitando com isso a supressão de instância. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo à delegacia de julgamento competente para julgar as impugnações apresentadas nos processos apensos, nos termos do voto. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 03 87 /2 00 3- 07Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, formalizado em 29/04/2003, pela aquisição de “insumos”, produtos intermediários, combustíveis e lubrificantes tributados, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, no período abril/1993 a dezembro/2002, com lastro no art. 155, § 2º, I da CF/88; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 11 da Lei nº 9.779/99. Na instrução do processo o contribuinte se limitou a apresentar demonstrativos de atualização monetária dos valores requeridos, sem indicação dos produtos intermediários a que se referiam. Paralelamente foram protocoladas várias declarações de compensação, formalizadas em processos apartados e que, posteriormente, foram juntados por apensação. Em 06/05/2003 o processo foi distribuído para execução do procedimento fiscal pertinente. Em 26/04/2004, sem que fosse realizada qualquer diligência fiscal ou mesmo expedida qualquer intimação para prestação de informações acerca do ressarcimento, foi lavrado parecer propondo o indeferimento do pleito, onde se consignou não haver previsão legal para o aproveitamento de créditos de IPI pela aquisição de produtos isentos, não tributados e ou tributados à alíquota zero; que o direito ao ressarcimento pretendido alcançaria apenas as aquisições tributadas de MP, PI e ME a partir de 01/01/99 e desde que não absorvidos pelos débitos do imposto, na sua escrita fiscal, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99; que haveria defeito formal no pedido aviado, por abranger créditos “originalmente diferenciados” e inobservar o disposto no art. 19 da IN SRF 210/02; que, mesmo em relação aos possíveis créditos de IPI, seria pertinente alertar para a possibilidade de serem os produtos industrializados pelo contribuinte tributados pelo IPI, o que não restara claro nos autos; que havia inconsistência do objeto do pedido, o que dispensaria a verificação fiscal, e, que o processo deveria ser encaminhado ao SAORT/DRF CARUARU/PE para manifestação conclusiva. Em 04/05/2004 foi exarado despacho decisório não reconhecendo o direito creditório vindicado, com suporte no aludido Parecer Fiscal, porém, não cientificado ao interessado. Às fls. 390/395 consta demonstrativo de compensações realizadas. Em 20/07/2005 foi proferido novo despacho decisório não homologando as compensações declaradas pelo contribuinte, em face do indeferimento do seu pedido de ressarcimento de IPI, e determinando o lançamento de valores não constituídos. Em atenção à determinação supra, foram lavrados autos de infração de PIS/Pasep (19647.000912/200616) e Imposto de Exportação (10435.001048/200500), juntados por apensação ao presente processo. Em manifestação de inconformidade o contribuinte aduziu que não foi cientificado do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de ressarcimento e da não Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10435.000387/200307 Acórdão n.º 3401003.059 S3C4T1 Fl. 11 3 homologação das compensações, dandose por intimado em 13/03/2006, data da ciência dos lançamentos efetuados; que o ressarcimento diz respeito a créditos de insumos adquiridos no processo de industrialização do couro; que parte destes insumos é tributada, não tributada, isenta e, a maior parte, submetida à alíquota zero; que o seu pedido de ressarcimento foi indeferido sem qualquer fundamentação, mas tãosomente porque o direito de crédito se circunscreveria a insumos tributados aplicados na industrialização a partir de 01/01/99, nos moldes do art. 11 da Lei nº 9.779/99; que este não é o entendimento do STJ e STF, citando jurisprudência; que restringir o ressarcimento equivaleria a desprestigiar o princípio da não cumulatividade; que o reembolso pretendido não decorreria da Lei nº 9.779/99, mas sim da natureza não cumulativa do imposto, englobando não só os insumos tributados como também, os isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, com espeque em trecho do voto proferido no REsp 746.768/MG; que não há como ser afastado o direito de crédito do contribuinte, haja ou não incidência do imposto; que em relação aos insumos tributados com alíquotas positivas sequer foram objeto de apreciação na decisão administrativa impugnada; e, que todos os documentos foram disponibilizados para comprovação do crédito pleiteado, não havendo razão para o seu indeferimento. Em 28/06/2006 a DRJ Recife/PE lançou despacho devolvendo o processo à DRF Caruaru/PE para providências, pois entendeu que a ciência do despacho ocorreu em 22/08/2005, quando houve pedido de extração de cópias dos autos, e a manifestação de inconformismo, por seu turno, apresentada apenas em 12/04/2006, o que impossibilitaria sua apreciação, esclarecendo que a sua devolução somente caberia se a unidade preparadora entendesse tempestiva a peça. Em 18/07/2006 o titular da DRF Caruaru/PE devolveu o processo à unidade julgadora mantendo os termos do seu despacho original. A DRJ Salvador/BA, por transferência regimental de competência, examinou a decisão administrativa e manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações, através de aresto assim redigido: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/02/2003 a 11/03/2005 ATO PROCESSUAL. TEMPESTIVIDADE. PRAZO PRECLUSIVO. CONTAGEM. TERMO INICIAL. INTIMAÇÃO. O prazo para que a contribuinte apresente manifestação de inconformidade começa a fluir apenas a partir da ciência da intimação. RESSARCIMENTO DO CRÉDITO DE IPI. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito creditório. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 12/02/2003 a 11/03/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional.” Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pela realização de diligência para aferição dos seus documentos fiscais atinentes às aquisições de insumos tributados, e, quanto aos demais insumos, isto é, aqueles não tributados, isentos ou tributados à alíquota zero, reiterou os argumentos deduzidos na manifestação de inconformismo. Na sessão de 27/10/2010, através da Resolução nº 340300.096, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse realizado o procedimento fiscal de aferição do direito creditório pleiteado, reputado dispensável por ocasião do despacho decisório. Cumprida a diligência determinada e cientificado o contribuinte de seu resultado, que não se manifestou, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os requisitos de admissibilidade da peça recursal já foram atestados por ocasião de sua primeira inclusão em pauta. Como adiantado no relatório, a conversão da diligência se justificou pela inexistência de qualquer procedimento fiscal tendente a aferir, ainda que minimamente, a procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. Por ocasião do despacho decisório, a unidade preparadora entendeu despiciente qualquer verificação documental, denegando o direito, em tese, do contribuinte aos créditos escriturais do IPI requeridos. Em que pese a providência acima descrita, exigível para o deslinde da questão posta nos autos principais, após examinar o estado dos processos apensados, concernentes aos lançamentos de PIS/Pasep (19647.000912/200616) e Imposto de Exportação (10435.001048/200500), constatei que, mesmo o contribuinte tendo apresentado impugnação específica para cada qual, a DRJ Salvador/BA se limitou a fazer referência genérica ao procedimento da unidade preparadora, sem exame expresso de aludidos recursos, nestes termos: “Destaquese o tratamento dado às declarações de compensação apresentadas pela contribuinte (tanto em formulário como de maneira eletrônica) até 30/10/2003 e após aquela data. Em relação às declarações apresentadas anteriormente a 30/10/2003, os débitos a compensar confessados em DCTF foram considerados devidos, com os respectivos encargos legais, conforme item 3 do Despacho Decisório (fl. 425). Por sua vez, os débitos a compensar não confessados em DCTF foram objeto de lançamento de ofício (processos n° 19647.000912/200616 e 10435.001048/200500), conforme determinado no item 4 do referido Despacho Decisório. Nenhum reparo a se fazer neste aspecto, em observância do disposto na Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004: Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10435.000387/200307 Acórdão n.º 3401003.059 S3C4T1 Fl. 12 5 Art. 68. A unidade da SRF na qual for proferido o despacho de nãohomologação da compensação objeto de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, bem como da compensação objeto de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 30 de outubro de 2003, promoverá o lançamento de ofício do crédito tributário que ainda não tenha sido lançado nem confessado, cientificará o sujeito passivo da nãohomologação da compensação e, se for o caso, do lançamento de oficio (simultaneamente) e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento do débito indevidamente compensado. § 1 Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFNpara inscrição em Dívida Ativa da União, salvo se instaurado o litígio administrativo fiscal em decorrência da apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação ou de impugnação do lançamento. § 2 Os processos de compensação e de lançamento de oficio serão apensados para fins de julgamento do litigio e de cobrança do crédito tributário. Art. 69. Na hipótese de pedido de compensação que não tenha sido convertido em Declaração de Compensação, a autoridade da SRF que indeferiu o pedido deverá dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário já lançado de oficio ou confessado, independentemente de o sujeito passivo ter apresentado manifestação de inconformidade contra o indeferimento de seu pedido de compensação. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de oficio do crédito tributário. Com relação às declarações apresentadas após 31/10/2003, também inexiste reparo a se fazer no Despacho Decisório ora guerreado.” Noto, principalmente pelo último parágrafo transcrito, que a remissão da decisão de piso atrelase ao procedimento e ao despacho decisório, enquanto formalidades administrativas, não havendo qualquer enfrentamento pontual das questões levantadas nas impugnações patrocinadas pelo contribuinte, a saber, legalidade do lançamento, possibilidade da compensação aviada, suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído e descabimento da multa de ofício imposta. Ou seja, a decisão apenas ressaltou o acerto do procedimento adotado à luz das regras editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não, porém, ante os questionamentos erigidos pelo recorrente em recurso administrativo. Registro, por oportuno, que não houve recurso voluntário em relação a estas matérias, o que, no entanto, credito à forma como abordada a situação pela decisão recorrida, que não foi clara em julgar preditas impugnações, a não ser de forma bastante oblíqua, o que induziu o recorrente a concluir que estes recursos sequer haviam sido julgados. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 Há uma nulidade no julgamento, se considerado um conjunto indecomponível, dada a ausência de julgamento de certos recursos, entretanto, reconheço que, nada obstante aludida insuficiência decisória, tocante aos lançamentos, o julgamento das questões respeitantes ao direito de crédito, despacho decisório e manifestação de inconformidade apresentase hígido, não exigindo qualquer reparo. O que se infere, então, é a necessidade de complementação do julgamento de primeiro grau administrativo. Destarte, ainda que os arts. 68 e 69 exijam o lançamento nas circunstâncias verificadas no processo, bem assim a apensação dos processos respectivos, esta providência formal não tem o condão de expungir o direito de defesa do sujeito passivo e tampouco dispensar o julgamento ordinário dos recursos apresentados, sob pena de vilipêndio ao processo administrativo fiscal. Diante do contexto descrito, tenho que a deficiência de julgamento é patente e não pode ser suprida na forma do art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, dadas as questões próprias das autuações, o que acarretaria indesejável supressão de instância, se julgado por este Conselho Administrativo no estado em que encontram os autos, em verdadeiro cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Diante do quadro estampado, voto por determinar a devolução destes autos e apensos à DRJ Salvador/BA, ou ao órgão julgador competente, para que prolate julgamento expresso acerca das impugnações interpostas nos autos de infração PIS/Pasep (19647.000912/200616) e Imposto de Exportação (10435.001048/200500). Robson José Bayerl Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19647.013800/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF.
Confirmado em diligência fiscal, a improcedência do lançamento de oficio, deve o lançamento ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Confirmado em diligência fiscal, a improcedência do lançamento de oficio, deve o lançamento ser cancelado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23878. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 38 00 /2 00 8- 89 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 0611 para cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativamente aos períodos supra especificados, a seguir detalhado (valores em reais): ... 2. A autoridade fiscal expõe na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06) os elementos que justificaram os lançamentos acima: 001— FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA COFINS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO 3. Acompanha o mencionado auto de infração o Termo de Encerramento de fls. 1213, constando o desenvolvimento da ação fiscal levada a efeito, notadamente para expor que o lançamento de ofício foi motivado pelas representações fiscais (MEMO n° 85, de 01/07/2008; MEMO n2 89, de 02/07/2008, MEMO n° 91, de 07/07/2008 e MEMO n° 93, de 09/07/2008) elaboradas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife_ (DRF/REC) pela diferença entre os valores (débitos) informados em pedidos de compensação, constantes do processo n° 10480.005921/200318, cujas compensações foram consideradas indevidas e aqueles declarados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Do Termo de Informação Fiscal, também elaborado pelo SEORT, constante deste processo às fls. 1820, é importante destacar as seguintes informações: 3.1. que os débitos da empresa Mercofricon S/A, constantes do processo nº 10480.005921/200318, foram transferidos para controle no processo n ª 19647.003308/200552; 3.2. que em 17/10/2007 a empresa retificou os débitos em análise, reduzindo consideravelmente seus valores, mas tal retificação não foi considerada, no caso de débitos vencidos há mais de cinco anos; 3.1. os débitos cujos vencimentos são posteriores ao 4º trimestre de 2002, tiveram os seus valores alterados no sistema SINCOR/PROFISC e as diferenças entre os débitos constantes nos pedidos de compensação e os declarados nas DCTF retificadoras, de 17/10/2007, deverão ser apuradas para o devido lançamento de ofício. 4. Devidamente cientificado da autuação em 23/07/2008 (fls. 09), a empresa insurgese contra o lançamento em 14/08/2008, apresentando suas razões de defesa (fls. 5382), por intermédio de seu procurador (instrumento às fls. 99113 e 116), a seguir sucintamente expostas: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19647.013800/200889 Acórdão n.º 3201001.979 S3C2T1 Fl. 284 3 4.1. faz um breve resumo dos fatos, para informar que apurou corretamente a base de cálculo da COFINS do anocalendário 2003, períodos de apuração janeiro junho, em conformidade com a legislação vigente e que os valores dos tributos devidos foram devidamente indicados em DCTF apresentadas, informando inclusive as respectivas compensações; 4.2. aduz que utilizou créditos de tributos adquiridos de terceiros, na forma autorizada por sentença judicial, para compensar débitos de Cofins informados como devidos nas DCTF apresentadas nestes períodos; 4.3. afirma que no levantamento efetuado a autoridade fiscal desconsiderou os cálculos da impugnante apresentados em DCTF, afirmando que o auditorfiscal se equivocou e lançou a diferença entre o valor declarado em DCTF e o declarado nos pedidos de compensação, quando na realidade essa diferença se tratava de multa e juros; 4.4. aponta que a leitura do auto de infração e dos demonstrativos a ele anexados tornaram confuso o entendimento sobre os verdadeiros motivos que ensejaram a autuação, invocando o cerceamento de defesa e aduz que pretende tentar fazer a sua defesa contestando as várias hipóteses que poderiam se apresentar e que teriam ensejado interpretação equivocada; 4.5. suscita a anulação do auto de infração, tendo em vista que o processo administrativo n° 10480.005921/200318 cuida de pedido de restituição de tributos formulados pela empresa DGB Distribuidora Guararapes de Bebida Ltda e no qual existem pedidos de compensação formulados por diversas empresas utilizandose do mencionado crédito, assegurados judicialmente, daí ter o impugnante dele se utilizado; 4.6. ocorre que o mencionado processo administrativo tramitou sem qualquer comunicação às empresas interessadas, tendo havido somente comunicações formais endereçadas à DGB; 4.7.informa que alguma das decisões no Processo n° 10480.005921/200318 eram danosas aos interesses das empresas que se utilizaram, legitimamente, do crédito da DGB para pagamento de seus tributos, sendo que qualquer procedimento de comunicação lhes foi feito; 4.8. cita e transcreve dispositivo de lei sobre a legitimação em processo administrativo para argumentar a existência de previsão legal para intimação dos interessados no processo n° 10480.005921/200318, ainda que não sejam requerentes do mesmo; 4.9. afirma que o auto de infração que ora se impugna tem origem no processo citado e, caso se constate a ocorrência de nulidade do processo originário, obviamente os atos conseqüentes serão, da mesma forma, nulos, tal como o auto de infração que se impugna; 4.10. referindose à falta de intimação dos interessados das decisões no processo 10480.005921/200318, especialmente àquela que indeferiu o pedido de restituição formulado pela DGB, discorre sobre a publicidade dos atos administrativos e os princípios da Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 legalidade, devido processo legal, contraditório e ampla defesa e, mirando no lançamento tributário, conclui que não se pode prosseguir em exigência calcada em atos administrativos nulos de pleno direito; 4.11. discorre sobre o direito à compensação tributária como garantia individual do cidadão, alegando que devem ser devolvidos os valores que não são tributos, que forem recolhidos indevidamente ou maior que o devido, pois prevalece o interesse público na segurança da devolução, mesmo sob a forma de compensação de crédito, citando e transcrevendo os arts. 165 e 170 do CTN e o arts. 368 e 369 do Código Civil; 4.12. cita os comandos da Lei n° 8.383, de 1991, da Lei n° 9.430, de 1996, e da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, sustentando que o seu direito à compensação e líquido e certo e está devidamente assegurado por toda a legislação tributária e, especialmente, pelas sentenças judiciais que reconhecem expressamente esse direito, independente de qual tenha sido o motivo da autuação; 4.13. aponta que as bases de cálculo sobre as quais estão sendo exigidas diferenças da Cofins estão inteiramente equivocadas, porque a exigência da Cofins consubstanciada no auto de infração, ora impugnado, tem como fundamento legal a Lei n° 9.718, de 1998, diploma que alterou substancialmente a disciplina do PIS e da Cofins; 4.14. aponta que a Lei n° 9.718, de 1998, padece de inconstitucionalidades reconhecidas pelo STF (RE 357.950), afirmando que o impugnante tem recurso neste sentido, o qual terá o mesmo desfecho, não sendo prático e racional seguirse adiante com créditos tributários já natimortos deste auto de infração; 4.15. alega que o art. 3º2 da Lei n° 9.718, de 1998, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da Cofins, previsto no art. 195 da Constituição Federal, o fez em total inobservância às normas e princípios constitucionais que regem a matéria, posto que faturamento não é receita bruta da empresa; 4.16. ao ampliar a base de cálculo do PIS e da Cofins fora dos limites da competência legal fixados no texto constitucional, em verdade, a Lei n° 9.718, de 1998, instituiu um novo tributo e, por se tratar de uma nova fonte de custeio é imprescindível a edição de lei complementar, nos termos do §4º do art. 195, combinado com o art. 154 da Constituição Federal, citando ainda o RE 346.084/PR; 4.17. conclui que a partir da Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998, a eventual instituição de contribuição social cuja base de cálculo seja a receita só terá fundamento de validade se for criada após 16/12/1998, o que não ocorreu com a Lei n 9 9.718, de 1998, que instituiu contribuição com base de cálculo não prevista, à época, na Constituição Federal, afirmando ainda que a alteração constitucional promovida pela EC citada não teve o condão de convalidar a Lei nº 9.718, de 1998, uma vez que ao tempo da sua edição este diploma legal estava em manifesta desconformidade com o texto constitucional então em vigor, padecendo de vício de inconstitucionalidade; 4.18. afirma que o STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 9.718 nos RE 357950, 390840, 359273 e 346084, pois fixou entendimento que o dispositivo legal não dispunha de fundamento constitucional de Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19647.013800/200889 Acórdão n.º 3201001.979 S3C2T1 Fl. 285 5 validade quando de sua edição e que por esta razão não estava apto a produzir efeitos no ordenamento jurídico brasileiro; 4.19. menciona que o julgado administrativotributário deve reconhecer de ofício a inconstitucionalidade de lei já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal; 4.20. assevera que no período de julho de 2003 a maio de 2004 o contribuinte, ora impugnante, enviou DCTF à Receita Federal para informar a ocorrência do fato gerador, bem como para quantificar o valor do tributo devido, mas o pagamento só veio ocorrer a partir de dezembro de 2003, quando o autuado havia enviado pedido de compensação dos referidos tributos com crédito da DGB, objeto do processo administrativo 10480.005921/200318, tendo a autuada, na data do envio do pedido de compensação atualizado o valor devido, incluindo multa e juros de mora, indicando para comprovar sua tese a DCTF, pedidos de compensação, DARF e relatório do SICALC; 4.21. aduz que com o indeferimento dos pedidos de compensação a Receita Federal está entendendo que deve haver o lançamento de multa e juros de mora incidentes quando dos pedidos de compensação, acrescentando a atualização monetária, bem como a incidência de multa de ofício de 75% sobre a mencionada diferença; 4.22. aponta que o cálculo está inteiramente equivocado uma vez que a atualização do valor supostamente devido deve ocorrer com a incidência de multa de mora (20%) e juros sobre o valor principal, que é aquele constante da DCTF, porém o cálculo do auditorfiscal responsável pela lavratura do auto levou em consideração o valor constante do pedido de compensação, o qual já continha a aplicação de multa e juros, em função de que foi formulado posteriormente ao envio da DCTF e, portanto, necessária a atualização monetária do valor quando do envio do pedido de compensação, contestando que o método utilizado pelo agente fiscalizador está havendo a cobrança de juros sobre juros e multa sobre multa, indicando um demonstrativo de cálculo; 4.26. indica que, ao se cotejar os valores da diferença do valor declarado em DCTF e do valor constante nos pedidos de compensação, os quais são exatamente os mesmos valores da Cofins (principal) lançada pelo auditor com os valores das multas de mora e juros constantes nos cálculos do SICALC e dos DARF, verificase que tais valores são idênticos; 4.27. ao final, requer a procedência total de sua impugnação, determinando a anulação do auto de infração e, caso não acatada esta tese, que o mesmo seja julgado improcedente." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas nos valores escriturados e declarados devem ser lançados de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. No lançamento de ofício é aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, incidindo também juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. VALORES DECLARADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E DCTF. DIFERENÇA. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verificasse se as diferenças apuradas pela Fiscalização entre os pedidos de compensação e aqueles declarados em DCTF correspondem a multas e juros de mora. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado em Relatório Fiscal (fls. 230 a 233). Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria confirmando as alegações da Recorrente, que foram assim detalhados no relatório. "12. DA CONCLUSÃO Ressaltandose que nesta diligência fiscal não foi examinada a contabilidade do contribuinte e as observações referentes a cada um dos períodos de apuração, concluise que as diferenças apuradas pela Fiscalização entre os pedidos de compensação e aqueles declarados em DCTF correspondem a multas e juros de mora." Nos termos constantes da relatório fiscal, a Recorrente foi cientificada do Relatório fiscal e apresentou suas considerações, concordando com as conclusões da diligência e pedindo o cancelamento do auto de infração. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19647.013800/200889 Acórdão n.º 3201001.979 S3C2T1 Fl. 286 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, a discussão que ora se apresenta trata de matéria de fato, qual seja a comprovação informações declaradas em DCTF. A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo CARF, procedeu à verificação das compensações declaradas pelo contribuinte e em informação fiscal concluiu pela procedência das alegações da Recorrente de improcedência da exigência fiscal, conforme pode ser verificado na conclusão do relatório fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18470.720865/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2011 a 31/12/2012
Ementa:
REPRESENTAÇÃO. LEGITIMIDADE. NÃO COMPROVADA. RECURSO. NÃO CONHECIDO.
Não se toma conhecimento de recurso interposto sem a comprovação da legitimidade do seu signatário para representar a contribuinte, mormente quando foi oferecida a oportunidade de saneamento e a contribuinte não logrou êxito em fazê-lo.
Numero da decisão: 3402-002.985
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausentes os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2011 a 31/12/2012 Ementa: REPRESENTAÇÃO. LEGITIMIDADE. NÃO COMPROVADA. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Não se toma conhecimento de recurso interposto sem a comprovação da legitimidade do seu signatário para representar a contribuinte, mormente quando foi oferecida a oportunidade de saneamento e a contribuinte não logrou êxito em fazê-lo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausentes os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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LEGITIMIDADE. NÃO COMPROVADA. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Não se toma conhecimento de recurso interposto sem a comprovação da legitimidade do seu signatário para representar a contribuinte, mormente quando foi oferecida a oportunidade de saneamento e a contribuinte não logrou êxito em fazêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Ausentes os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 08 65 /2 01 3- 48 Fl. 37790DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, abaixo transcrito, relativamente ao período de 14 de novembro de 2011 a 31 de dezembro de 2012: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. Conforme consta na autuação, a contribuinte explora a atividade de industrialização e comercialização de bebidas classificadas na TIPI nos códigos 21.06 90.10 ex 02, 22.02.10.00 e 22.02.90.00 e, em face do disposto no art. 58T da Lei 10.833/2003, a empresa ficou obrigada a instalar equipamentos contadores de produção, para identificação do tipo de produto, de embalagem e marca comercial. A contribuinte não vinha ressarcindo o valor referente à realização dos procedimentos de manutenção preventiva pela Casa da Moeda do Brasil. Assim, em 19/10/2011, a empresa foi intimada a regularizar, no prazo de 10 dias, o referido ressarcimento, o que não foi efetuado, tendo sido, em 14/11/2011, publicado o Ato Declaratório Cofis n°65, de 11 de novembro de 2011, caracterizando como anormal o funcionamento do Sistema de Controle de Produção SICOBE na empresa. Como conseqüência, a partir de 14/11/2011, a contribuinte ficou sujeita a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/JFA, mediante o Acórdão nº 0943.530, de 19 de abril de 2013, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/2011 a 31/12/2012 IPI. SICOBE. FALTA DE RECOLHIMENTO À CASA DA MOEDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Fl. 37791DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 18470.720865/201348 Acórdão n.º 3402002.985 S3C4T2 Fl. 37.791 3 A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 da IN RFB nº 869/2008 caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do citado sistema, estando o infrator sujeito a multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. Tendo sido cientificada em 14/10/2014 da decisão da primeira instância administrativa pela abertura dos arquivos correspondentes no eprocesso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/10/2014, subscrita pelo Dr. Paulo Roberto Vigna. Mediante o Despacho nº 3400000.036 4ª Câmara, de 9 de fevereiro de 2015, o Presidente da 1ª Turma Ordinária desta Câmara devolveu os autos à autoridade preparadora para saneamento em face da ausência de procuração nos autos para o subscritor do recurso voluntário. A contribuinte foi intimada a apresentar procuração válida à época do protocolo ao signatário do recurso voluntário. Tendo sido cientificada dessa intimação em 09/03/2005, a interessada não apresentou resposta. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Conforme relatado acima, a contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância, nos termos do art. 23, III do Decreto nº 70.235/72, e apresentou recurso voluntário, mas sem a comprovação da legitimidade do seu signatário. Não obstante a contribuinte tenha tido a oportunidade, mediante regular intimação, de sanear a representação processual, não logrou êxito em fazêlo. Assim, nos termos do art. 63, III da Lei nº 9.784/99, voto por não conhecer o recurso voluntário, eis que interposto por pessoa não legitimada para representar a contribuinte no presente processo. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 37792DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 Fl. 37793DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10768.720328/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Observado o prazo legal para edição, válida, do primeiro ato de não-homologação, os débitos compensados permanecem com exigibilidade suspensa até que o contencioso administrativo decida sobre a sua homologação, não se cogitando, mais, de homologação tácita da compensação.
REDUÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO EM RAZÃO DE DECISÃO FAVORÁVEL, EFICAZ MAS AINDA NÃO DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial que confere suspensão à exigibilidade do crédito tributário não autoriza que sua existência seja desconsiderada para fins de apuração de indébito passível de restituição ou compensação, dado que a lei veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. POSTERGAÇÃO DO INDÉBITO. Não cabe à autoridade administrativa suprir a inércia do sujeito passivo e recompor sua apuração para deslocar o indébito pretendido para momento futuro no qual ele poderia ter se verificado. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. TERMO DE INICIO. O prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação somente se expira cinco anos depois de sua formalização em DCOMP.
Numero da decisão: 1302-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de homologação tácita das compensações, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do despacho decisório; 3) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência do direito de revisar o crédito, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Observado o prazo legal para edição, válida, do primeiro ato de nãohomologação, os débitos compensados permanecem com exigibilidade suspensa até que o contencioso administrativo decida sobre a sua homologação, não se cogitando, mais, de homologação tácita da compensação. REDUÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO EM RAZÃO DE DECISÃO FAVORÁVEL, EFICAZ MAS AINDA NÃO DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial que confere suspensão à exigibilidade do crédito tributário não autoriza que sua existência seja desconsiderada para fins de apuração de indébito passível de restituição ou compensação, dado que a lei veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. POSTERGAÇÃO DO INDÉBITO. Não cabe à autoridade administrativa suprir a inércia do sujeito passivo e recompor sua apuração para deslocar o indébito pretendido para momento futuro no qual ele poderia ter se verificado. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. TERMO DE INICIO. O prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação somente se expira cinco anos depois de sua formalização em DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 28 /2 00 7- 11 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de homologação tácita das compensações, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do despacho decisório; 3) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência do direito de revisar o crédito, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de janeiro/2005. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 19.157.240,85, referente à estimativa de IRPJ de janeiro de 2005. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 07905.96785.010705.1.3.047478. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos 10768.720329/200757 e 10768.720215/200715, ambos apensados ao presente. O despacho decisório de fls. 27, baseado no parecer conclusivo n.º 232/2008 (fls. 22/26), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04. Cientificada do despacho decisório em 16/12/2008 (fls. 35), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia quinze do mês seguinte. Alegou, em síntese: · que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação; · que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas. Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 1223.234 (fls. 130/138), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/04/2009, a interessada interpôs, em 14/05/2009, o recurso voluntário de fls. 148/155. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou: · que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; · que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04; · que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificálo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 5 4 como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN; · que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa. Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. 195/2008), por maioria de votos, “dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 212/232, para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com pedido para “reformar o r. acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela nãohomologação da compensação”. Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 15/04/2011, na decisão de fls. 240/244, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho. Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 245/246). A interessada foi cientificada desta decisão em 06/09/2011 (fls. 257). Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 005/2012 (fls. 414/418), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados): · que, tendo constatado “que o crédito em questão originouse da liquidação do primeiro débito confessado em DCTF de Estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005 que era de R$ 30.821.222,61 e foi reduzido para R$ 16.896.792,98 em outra declaração”, intimou o interessado a “demonstrar e comprovar, com documentação hábil e idônea a improcedência do primeiro débito confessado e a exatidão do segundo”; · que, em resposta, a interessada informou apresentar o “Livro de Apuração do Lucro Real, bem como a ficha 11 da DIPJ, nos quais evidenciam que os valores apurados como devidos na estimativa foram aquém do recolhimento realizado.”. Complementando, teria dito a interessada: “informamos que neste período, erramos o preenchimento dos DARF’s que por fim aglutinaram outros pagamentos no mesmo código de recolhimento, logo, após identificarmos o erro sistêmico, verificamos a existência do crédito tributário que foi objeto de pedido de compensação.”; · que “no Lalur apresentado não há registro de nenhuma outra operação que tenha sido estornada. O contribuinte não apresentou o diário onde poderiam constar as modificações ocorridas na apuração do valor da estimativa do mês de janeiro/2005. A não apresentação de qualquer outro documento é coerente com a alegação de que não houve nenhuma alteração. Só erro de preenchimento de DARF. Entretanto, é incompatível com as DCTF apresentadas”; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 6 5 · que, no Lalur apresentado, a interessada, sem apresentar qualquer decisão judicial que respaldasse seu ato, compensou prejuízos fiscais do ano calendário 1999 da ordem de 62% do lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais, sendo que o art. 510 do RIR/99 limita este abatimento em até 30%; · que, considerado o imposto a pagar reconstituído pelo emprego do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, os meses de janeiro e fevereiro revelariam insuficiência de recolhimento, e não crédito. Ou seja, “cumprida a legislação, não haveria crédito, em janeiro, para ser usado na compensação e o débito de fevereiro seria maior que o confessado”; · que, embora a interessada tenha informado erro no preenchimento dos DARF, o que teria ocasionado pagamentos maiores do que os realmente devidos, não especificou qual era o período em que houve o erro. Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 26/01/2012 (fl. 420), a interessada apresentou, em 27/02/2012, nova manifestação de inconformidade (fls. 421/438), alegando (grifos do original retirados): · que, “quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo”, mesmo porque “a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações”, ressalvada “a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação”; · que “é vedado ao Fisco em 2012 (ano em que proferido o despacho decisório), pretender reapurar a estimativa mensal devida em janeiro/2005, em razão do decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN”, pois “o Fisco teve o prazo de cinco anos contados do fato gerador para atestar a regularidade dos procedimentos levados a efeito pela Requerente”. Assim, “a Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto)”; · que “ainda que a empresa tenha compensado prejuízo fiscal (amparada por medida judicial) acima do limite em janeiro/2005, essa conduta não redundou em pagamento a menor de imposto ao final do anocalendário já que o prejuízo utilizado em dezembro/2005 foi inferior a 30%”. “A empresa obteve medida judicial autorizando a compensação nos autos do Mandado de Segurança n.º 99.00089855 (doc. 03). Ocorre que a liminar autorizando a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% só veio a ser revogada em junho/2008, quando já encerrada a apuração do IRPJ devido no anocalendário 2005. (...) Nesse contexto, com base na liminar a empresa compensou prejuízos fiscais na ordem de R$ 185.875.641,23 em janeiro (62% do lucro real apurado em janeiro/2005), como destacado pelo despacho decisório: (...) Ocorre que esses R$ 185.875.641,23 utilizados na apuração de janeiro correspondem a todo o prejuízo fiscal utilizado no ano calendário 2005, ainda que a empresa tenha apurado lucro real na ordem de R$ 1.660.487.014,80. Ou seja, a empresa compensou prejuízos fiscais à razão de apenas 10% do lucro real apurado no ano. (...) Houve, no caso, mera postergação do imposto devido em janeiro em razão da utilização de Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 7 6 prejuízos fiscais em valor superior a 30%. Nesses casos, a DEMAC deveria realocar o prejuízo indevidamente compensado em janeiro/2005 nos meses posteriores. Verificando que no final do anocalendário não houve utilização de prejuízo fiscal acima do limite legal, deveria exigir da empresa a SELIC decorrente da postergação do imposto devido em janeiro, jamais glosar todo o prejuízo fiscal e não reconhecer o crédito”. Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos: · de “diligência para a verificação de todas as retenções por ela (e suas filiais) sofridas em janeiro/2005 encontradas no sistema da Receita Federal”; · de declaração de “integral provimento à presente manifestação de inconformidade, para homologar a compensação aqui discutida. Caso não seja esse o entendimento deste órgão julgador, requerse a declaração de nulidade do despacho decisório”. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A diligência seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria têlas juntado tempestivamente; · Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificouse antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP; · Somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos decadenciais estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; · No mérito, a interessada não desmente ter compensado prejuízos acima do limite legal, mas afirma que, à época, estava amparada por medida liminar, a fazêlo. Admite, contudo, que o provimento judicial fora revertido em junho de 2005; · Quanto à postergação que deveria ter sido reconhecida pela DEMAC/RJ, observar que o provimento judicial liminar não se constitui em antecipação de sentença, razão pela qual, uma vez revertido, seus efeitos cessam no escopo da relação jurídica objeto do litígio. Sendo assim, caberia à interessada a retificação do modo que empregou na utilização do prejuízo fiscal – o que ela denominou “realocação”. Não o fazendo, beneficiouse, indevidamente, da postergação do imposto devido, como admite na própria manifestação. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/05/2013 (fl. 567/568), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/06/2013 (fls. 571/595). Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 8 7 Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF. Reportase a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita. Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que “Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares” não há como se admitir que o Fisco analise em 2012 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado. Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2012 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa no art. 295, inciso VI do Regimento Interno da RFB e o art. 63 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2012. Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente. Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o “sinal trocado”. Reportase ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento. No mérito, reitera que estava amparada judicialmente para promover compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, e que a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00089855 só veio a ser revogada em junho/2008, quando já encerrada a apuração do IRPJ devido no anocalendário 2005. Considerando que naquele período fez uso de balancetes de suspensão/redução, e que em janeiro/2005 utilizara todo o Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 9 8 prejuízo fiscal disponível, aproveitando no ajuste anual o mesmo montante equivalente a 10% do lucro do período, houve mera postergação do imposto devido em janeiro/2005, e assim discorda da argumentação exteriorizada na decisão recorrida porque se o único prejuízo ao Fisco foi a postergação do tributo devido, a consequência não poderia ser a não homologação da compensação e cobrança do débito compensado acrescido de multa e juros. Argumenta que: Se um contribuinte utiliza prejuízos fiscais acima do limite legal de 30%, mas, nos períodos de apuração seguintes, não tem prejuízo fiscal a compensar, não há que se falar em prejuízo ao Fisco. Se por um lado houve antecipação da compensação dos prejuízos fiscais, por outro, nos meses seguintes o contribuinte não utilizou o prejuízo fiscal a que teria direito (se não tivesse compensado a maior anteriormente). É exatamente o que ocorreu no presente caso já que a Recorrente compensou prejuízos fiscais acima de 30% em janeiro/2005, mas na apuração anual essa compensação se deu em patamar inferior a 10%. Assim, a autoridade fiscal deveria ter considerado no cálculo do imposto devido no período fiscalizado (janeiro/2005) a ocorrência de postergação do IRPJ para períodos posteriores, o que ensejaria a cobrança apenas dos juros moratórios. É o entendimento reiterado deste CARF em casos semelhantes: [...] Também vale destacar que o valor transportado a título de estimativa mensal de janeiro para compor o saldo negativo do anocalendário 2005 foi apenas o valor reconhecido como devido na DCTF, ou seja, R$ 16.896.792,28 (e não o valor do DARF de R$ 19.157.240,85), conforme DIPJ. Dessa forma, o não reconhecimento do crédito compensado importaria, necessariamente, na necessidade do reconhecimento do valor pago a maior no DARF na composição do saldo negativo do anocalendário 2005. Ou seja, de um lado o Fisco não vai homologar a presente compensação utilizando crédito de estimativa a maior em janeiro/2005, e do outro teria que reconhecer esse mesmo montante acrescido no saldo negativo apurado em dezembro/2005. Vêse, mais uma vez, que se o Fisco não teve qualquer prejuízo com a conduta fiscal da empresa, esta poderia sair prejudicada pela manutenção do despacho decisório que não considerou essas questões. Sucessivamente afirma a homologação das bases tributáveis do IRPJ referente ao anocalendário de 2005 pelo decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, dado que o Fisco pretendeu, na verdade, foi reapurar a estimativa mensal de IRPJ de janeiro/2005 registrado pela Recorrente em sua declaração fiscal (DCTF), revisando apuração já alcançada pela decadência. Descreve seu procedimento de primeiro apurar, declarar e recolher débito de R$ 19.157.240,85, posteriormente reduzido para R$ 16.896.792,98 mediante retificação da DCTF, evidenciando crédito de R$ 2.260.447,87, sendo que o Fisco teve o prazo de cinco anos contados do fato gerador para atestar a regularidade dos procedimentos levados a efeito pela Recorrente. Observa que da extinção do crédito tributário pela homologação inferese a certeza e a exatidão da apuração feita pelo contribuinte, pois se reconhece, ainda que por ficção, que todo o tributo devido no período foi pago. Apresentadas as declarações, caso desconfie que há recolhimento a menor, deverá o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte, para aferir se as informações apresentadas nas declarações estão ou não corretas, e se há ou Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 10 9 não tributo devido. Assim, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a eventual análise de eventual tributo em aberto. Cita doutrina e jurisprudência administrativa em apoio a sua tese, e conclui que, como o crédito da Recorrente apurado em sua DCTF de janeiro/2005 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal, deve ser reconhecido o saldo negativo da empresa tal como informado na DCTF, e, por consequência, a validade da compensação realizada, de modo a extinguir todos os débitos quitados através da PER/DCOMP. Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente. Os autos foram originalmente atribuídos, por sorteio, para relatoria do Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, que requereu a redistribuição a esta Conselheira em razão do disposto no art. 49, §7º do Anexo II do RICARF. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi a homologação tácita da compensação em razão da nulidade do despacho decisório anterior. Em seu entendimento, o fato de esta Turma de Julgamento ter concluído pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações representaria a anulação do mesmo. A extinta 1ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, acolhendo proposta de voto apresentada por esta Relatora, já declarou a nulidade de despachos decisórios por vícios de motivação. Neste sentido, o Acórdão nº 1101000.332 restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DOS MOTIVOS PARA NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que omite os motivos do nãoreconhecimento do direito creditório. A não homologação, naquele caso, resultou de alegada falta de comprovação de parcelas de composição do crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ, na medida em que retenções na fonte não haviam sido comprovadas ou apenas comprovadas parcialmente. A ausência de qualquer esclarecimento fundamentando estas constatações restou demonstrada quando, no julgamento de 1a instância, foram expostos na decisão recorrida os procedimentos que teriam sido adotados para as correspondentes glosas. De toda sorte, as evidências assim reunidas ainda se mostravam inferências promovidas pela autoridade julgadora de 1a instância, em face das quais esta Relatora assim se manifestou: De toda sorte, resta patente que a autoridade julgadora de 1a instância somente conseguiu apreciar as razões de defesa da contribuinte porque dispunha de acesso aos sistemas informatizados da Receita Federal, de modo a agregar conteúdo às justificativas apresentadas no despacho decisório. Em conseqüência, somente ao tomar ciência desta decisão em 27/02/2012, a contribuinte pôde se defender plenamente dos motivos agregados ao despacho decisório como justificativas para nãohomologação das compensações declaradas de 14/01/2004 a 20/10/2006. É certo que relativamente aos efeitos da não homologação, ou indeferimento, da compensação veiculada no processo administrativo nº 13708.001134/200383, possivelmente a contribuinte tivera ciência das razões para aquele ato, de modo que poderia inferir as razões para a confirmação parcial da estimativa utilizada na composição do saldo negativo. Todavia, a ausência desta justificativa expressa no despacho decisório impede a apreciação, pela autoridade julgadora, das razões de defesa da contribuinte. De fato, não é possível dar ou deixar de dar razão à recorrente no suposto de que fosse aquele o motivo para a glosa da estimativa na determinação do saldo negativo. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 12 11 Diante deste contexto, clara está a nulidade do despacho decisório de não homologação das compensações, resultante da omissão das razões de convencimento daquele ato, consoante lecionam Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002): A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. O resultado desta omissão é o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não tem a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Daí a nulidade prevista no Decreto nº 70.235/72: Art 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Considerando que a nulidade afeta o ato que impediria a homologação tácita das compensações, impõese reconhecer que nesta data não é mais possível erigir qualquer questionamento contra as compensações aqui apreciadas. Inócuo, assim, declarar a nulidade, apenas, da decisão recorrida, com vistas a restabelecerse integralmente o direito de defesa da contribuinte a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar o ato de nãohomologação questionado. Nestes termos, os vícios que conduzem à nulidade do ato decisório são, apenas, aqueles que resultam em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Naquele caso, a omissão das razões de convencimento da autoridade administrativa que produziu o ato de nãohomologação impediu que o sujeito passivo de defendesse das glosas de deduções computadas na composição do saldo negativo utilizado em compensação. Naquela mesma sessão de julgamento também foi exarado o Acórdão nº 1101000.883, declarando a nulidade de despacho decisório de não homologação, também por omissão dos motivos de não reconhecimento do direito creditório, nos mesmos termos acima expostos. Todavia, referido acórdão foi embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em razão de obscuridade, requerendo esclarecimentos acerca do motivo pelo qual a Turma não Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 13 12 considerou, como causa interruptiva do prazo previsto no citado dispositivo legal, o despacho decisório emitido em 04/05/2011, que não homologou as DCOMPs apresentadas. Para suprir o vício apontando, os embargos foram acolhidos, assim expondo esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.933: Assim, ante a omissão das razões de convencimento daquele ato, declarouse a nulidade do despacho decisório de nãohomologação das compensações, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, dado o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não teve a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Neste ponto, esta Relatora entendeu pertinente esclarecer que a declaração de nulidade do despacho decisório se impunha por não ser mais possível reparar os efeitos do cerceamento ao direito de defesa mediante declaração de nulidade, apenas, da decisão recorrida, de modo a facultar nova defesa à interessada a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. E isto porque na data do julgamento do recurso voluntário (11/04/2013), já havia transcorrido o prazo previsto para formulação do ato de nãohomologação das compensações, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...]§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] (negrejouse) Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 14 13 Nestes termos, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário. Esta extinção somente deixa de existir se a autoridade competente edita o ato de nãohomologação da compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP. Transcorrido este prazo sem a manifestação da autoridade competente, o crédito tributário está definitivamente extinto pela compensação. Contudo, para desfazer o efeito extintivo da DCOMP, o ato de nãohomologação deve ser válido, ou ao menos passível de convalidação. E requisito essencial de validade dos despachos ou decisões administrativas – modalidade na qual se inclui o ato de nãohomologação – é a sua elaboração sem cerceamento ao direito de defesa do interessado, ou seja, com exposição dos motivos que sustentam o ato, como bem exposto por Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002), no excerto doutrinário transcrito no acórdão embargado: A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. E, caso não se admita a classificação do ato de nãohomologação como despacho ou decisão na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, importa ter em conta que sua subsistência como ato administrativo de qualquer espécie dependeria, necessariamente, de motivação nos termos da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] Nestes termos, a motivação deve ser explícita, clara e congruente para sustentar a afirmação de inexistência do direito creditório apontado pelo sujeito passivo na DCOMP. Isto porque, se assim não fosse, bastaria à autoridade administrativa iniciar os trabalhos de análise da compensação, e apontar algum vício aparente, para se desincumbir do ônus que o legislador lhe impôs de declarar a inadmissibilidade da compensação no prazo legal. Por certo há despachos decisórios que, mesmo não abordando por completo o mérito da compensação, prestamse como causa interruptiva do prazo legal de nãohomologação. É o caso, por exemplo, das análises que se restringem a aspectos preliminares da compensação, como legitimidade, prescrição ou possibilidade do pedido. O mesmo se diga em relação aos atos de não homologação decorrentes da impossibilidade de análise do direito creditório por falta de colaboração do sujeito passivo que tem o dever de guarda da documentação de suporte do crédito tributário. E também os atos de não homologação que se fundam em expressos indícios consistentes e convergentes acerca da inexistência do direito creditório. Contudo, em tais circunstâncias há Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 15 14 ato válido, devidamente motivado, que permite a defesa pelo interessado, e assim impede a homologação tácita da compensação pelo transcurso do prazo legal. Em tais condições, novas análises pela autoridade administrativa são possíveis durante o contencioso administrativo, de modo a solucionar dúvidas decorrentes da defesa que o sujeito passivo pode validamente produzir. Mas, se aqueles óbices preliminares não são opostos, e a análise da compensação centrase na própria existência do direito creditório, a nãohomologação somente existe, como ato administrativo, quando expressa motivos que a sustentem. A existência formal do ato, praticado por autoridade competente e cientificado ao sujeito passivo, de nada vale quando o seu conteúdo não reúne razões compreensíveis para a nãohomologação da compensação. Haveria burla ao prazo legal de nãohomologação das compensações caso se admitisse irrestritamente que novas análises fossem exteriorizadas pela autoridade administrativa durante o contencioso administrativo, ou a partir da declaração de nulidade do despacho decisório. No presente caso, a análise material do direito creditório possivelmente foi realizada, mas como não foi exteriorizada por completo no ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, ela não integrou sua motivação em tempo hábil. Ou seja, motivos existem, mas eles não integram o ato administrativo em debate. Trata se de um vício à primeira vista formal – na formatação do ato –, mas que repercute no próprio conteúdo do ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, e assim revela seus reais contornos de vício material, que somente poderia ser convalidado se o Fisco ainda dispusesse de tempo para nãohomologação das compensações. Por sua vez, a DCOMP transmitida mais recentemente pelo sujeito passivo data de 03/12/2007, e o prazo para sua nãohomologação expirou em 03/12/2012. Logo, em 11/04/2013, quando apreciado o recurso voluntário, nada mais poderia ser feito para suprir o vício de motivação constatado no despacho decisório que motivou o presente litígio. Como referido despacho decisório não reunia os requisitos de validade para caracterizarse como causa interruptiva do prazo legal de não homologação, pertinente foi a declaração de sua nulidade no voto condutor do acórdão embargado. Por estas razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, mas sem lhes dar efeitos infringentes, subsistindo o provimento dado ao recurso voluntário. (negrejouse) No presente caso, o primeiro despacho decisório resultou de análises preliminares da compensação, nas quais se constatouse não ser possível a formação de qualquer indébito a partir de um recolhimento a título de estimativa. A motivação, neste contexto, foi válida e coerente com as conseqüências dela decorrentes, permitindo à contribuinte compreender as razões da não homologação e manifestar sua defesa contra o ato decisório que lhe foi cientificado. Evidente, portanto, que a anterior decisão da extinta 1ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, ao acolher as alegações da recorrente e afastar a motivação exposta pela autoridade administrativa competente, não está declarando a nulidade do despacho decisório anteriormente editado. Se assim fosse, todas as decisões favoráveis aos sujeitos passivos, no âmbito do contencioso administrativo, resultariam em nulidade dos atos decisórios contestados. A nulidade somente se verifica quando o ato administrativo é inválido para produzir qualquer efeito, em razão da inobservância dos requisitos essenciais para sua conformação regular. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 16 15 Destaquese, inclusive, que o voto de lavra desta Relatora, condutor do Acórdão nº 110100.330 proferido nestes autos, assim antecipou a abordagem da questão agora posta pela recorrente: E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Significa dizer que o primeiro ato de não homologação foi válido mas, superada a preliminar que o justificou, a homologação da compensação fica dependente da análise do direito creditório utilizado pelo sujeito passivo, subsistindo o litígio administrativo em torno da compensação até que a autoridade administrativa dê continuidade na análise de mérito e, caso constate aspectos em desfavor do sujeito passivo, permitalhe produzir a competente defesa nas duas instâncias administrativas de julgamento. Como bem observado na decisão recorrida, se a Turma Julgadora pretendesse declarar a nulidade do despacho decisório inicialmente produzido nestes autos, outra deveria ter sido a condução do julgado: É cediço que, sempre que declarada a nulidade do ato, a autoridade julgadora expressamente manifesta o fato, apontando os atos inquinados e determinando as providências necessárias à regularização do feito. Este é o comando que se extrai do art. 59, § 2º, do PAF, bem como do caput do art. 249 do CPC: PAF, art. 59, § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. CPC, art. 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados. No caso em tela, o colegiado de instância superior houve por bem limitarse a “reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Fez, assim, incidir a hipótese consignada no § 1º do já transcrito artigo do CPC, que assim estabelece: CPC, art. 249. § 1.º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. Ou seja, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa – locus do prejuízo para a interessada no despacho decisório – foi, de Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 17 16 plano, afastada pelo CARF, restando ao E. Conselho, por conseguinte, determinar o avanço da análise do caso, sem que se fizesse necessário, tanto que não feito, pronunciar a nulidade do despacho decisório. Impróprio, também, afirmar nulo o ato decisório porque nele estão veiculados fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. A mencionada “inadequação” deve ser avaliada sob a ótica do direito de defesa do sujeito passivo, de modo que uma motivação, mesmo inadequada, não resultará em nulidade do ato se sua exposição permitir ao sujeito passivo se defender regularmente. Quanto à ausência de previsão legal para suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações, cumpre esclarecer que a lei apenas fixa prazo para a nãohomologação da compensação, e mantém os débitos compensados com exigibilidade suspensa até que o contencioso administrativo decida sobre a sua homologação. O mencionado prazo foi observado, editandose o primeiro ato de não homologação válido e, assim, hábil a impedir a homologação tácita da compensação. A partir daí, a extinção definitiva do crédito tributário objeto de compensação somente poderá se verificar por homologação expressa, quer pela autoridade administrativa que venha a reconhecer o direito creditório utilizado em compensação, quer pela autoridade julgadora que assim declare. Neste interregno, o crédito tributário permanece com exigibilidade suspensa, e ao final do contencioso administrativo poderá ser extinto pela mencionada homologação expressa, ou restabelecido para cobrança, em razão de decisão desfavorável ao sujeito passivo. Logo, não têm lugar, aqui, as referências trazidas pela recorrente acerca da homologação tácita de compensações depois de transcorridos 5 (cinco) anos da apresentação da DCOMP, porque concernentes a decisões que declararam a nulidade do despacho decisório que pretendeu não homologálas, circunstância ausente nestes autos. Mais à frente, a recorrente invoca o disposto no art. 146 do CTN, e doutrina acerca do tema, para oporse à adoção de novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Assevera que o CARF verificou a existência de erro de direito no despacho decisório anterior – impossibilidade de compensação de pagamento a maior de estimativas antes do encerramento do anocalendário – o que não autoriza a revisão do ato administrativo pela DRF. Como já dito, a análise da compensação foi interrompida em aspectos preliminares, e o primeiro ato de não homologação restou validamente motivado pelas constatações nele expostas. Esta preliminar foi superada durante o contencioso administrativo, e o julgamento acerca desta matéria tornouse definitivo no âmbito administrativo. Assim, apenas em relação a este aspecto preliminar a autoridade administrativa está impedida de deduzir outros critérios jurídicos para sustentála. Admitida a possibilidade de compensação de indébito resultante de pagamento a maior de estimativas antes do encerramento do ano calendário, a autoridade administrativa pode retomar as análises antes interrompidas, manifestandose pela primeira vez a respeito do mérito da compensação, o que não caracteriza a revisão aventada pela recorrente. Tem razão a recorrente quando discorre sobre a impossibilidade de alteração de critério jurídico do lançamento, especialmente porque o Decreto nº 7.574/2011 assim orienta: Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 18 17 Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b)não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. (negrejouse) Os limites assim fixados para o lançamento complementar implicitamente vedam a alteração da interpretação jurídica acerca de fatos que já eram de conhecimento da autoridade lançadora. Já no âmbito do processo decisório da compensação, a autoridade administrativa dispõe de um prazo decadencial para se manifestar e evitar a homologação tácita prevista na lei. Por sua vez, inexiste qualquer vedação à fundamentação do ato de não homologação em aspectos preliminares, de modo que a contribuinte permanece sujeita a verificações acerca de seu indébito enquanto esta análise não for realizada, ou restar dispensada por decisão administrativa que, definitivamente, acolha a preliminar suscitada pela autoridade administrativa como impeditiva da compensação. Somente se a autoridade administrativa supera as preliminares, e esgota sua competência manifestandose acerca do mérito da compensação, é possível cogitar da adoção de critérios jurídicos, implícitos ou explícitos, não mais passíveis de alteração. Já no presente caso, sendo a primeira vez que a autoridade administrativa se manifesta acerca do mérito do Fl. 674DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 19 18 direito creditório, não se verifica qualquer alteração de critério jurídico, mas apenas o regular desenvolvimento do procedimento de análise da compensação, dentro da dialética processual no âmbito administrativo. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações aqui veiculadas. Prosseguindo, a recorrente afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, e inclusive suscitando a nulidade do despacho decisório proferido, caso ele tenha sido lavrado por autoridade incompetente. Disse a autoridade julgadora de 1a instância: Não por acaso, para cumprir a decisão de segunda instância, a autoridade preparadora não precisou se valer de novo despacho decisório, documento que – necessariamente da lavra do titular da Unidade da circunscrição do sujeito passivo – decide, sempre com base em parecer conclusivo emitido por AFRFB, pela homologação ou não da compensação revisada. Tal procedimento foi realizado somente quando da análise inicial, ocasião em que o despacho de fls. 27 aprovou e adotou o parecer nº 223/08. Para a complementação da análise determinada pelo acórdão CARF nº 110100.330, bastou a emissão de novo parecer, que entendo como instrumento meramente complementar ao de número 223. Não procede a argumentação assim exposta. A análise do mérito da compensação, depois de superada a preliminar de possibilidade da compensação, é ato decisório que deve observar os requisitos legais e normativos para sua produção. Ainda que complementar, referido ato somente pode ser praticado por autoridade competente. Por sua vez, o Decreto nº 7.574/2011 assim regulamenta a matéria: Art.112.A autoridade administrativa competente para promover a homologação da compensação declarada será definida em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, §§ 2o e 7o). E a Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, à época, assim dispunha: Art. 75 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a compensação é o titular da DRF, da Derat, da Demac/RJ ou da Deinf que, à data do despacho decisório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. §1º Tratandose de compensação de crédito relativo a tributo incidente sobre operação de comércio exterior, será competente para reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, para fins do disposto no caput , a autoridade a que se refere o caput ou o § 1º do art. 70. §2ºA homologação de compensação de crédito do IPI com débito relativo aos tributos administrados pela RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Demac/RJ que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou os referidos créditos. §3º A homologação de compensação de crédito relativo ao ITR com débito relativo aos tributos administrados pela RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat, da Demac/RJ ou da Deinf em cuja jurisdição territorial estiver localizado o imóvel. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 20 19 §4º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º aplicase inclusive à compensação de débito relativo ao ITR. §5º O AFRFB que, em procedimento de fiscalização, verificar que o sujeito passivo promoveu compensação indevida de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB deverá imediatamente representar à autoridade da RFB competente para proceder à análise da compensação. (negrejouse) Por sua vez, o despacho decisório em discussão foi editado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lotada na DIORT/DEMAC/RJO, que assim explicitou sua competência para decidir a matéria: Diante de todo o exposto, no uso da competência prevista no artigo 295, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 6º , inciso I da Portaria DEMAC/RJO n° 102, de 29/09/2011, publicada no D.O.U. De 06/10/2011, em consonância com o que dispõe o artigo 63 parágrafo 2º da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, DECIDO: [...] Por sua vez, às fls. 44/45 da Seção 1 do Diário Oficial da União nº 193, publicado em 6 de outubro de 2011, consta o que segue: DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO PORTARIA Nº 102, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011 O DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 295 e 307 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 23 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e 12 do DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, regulamentado pelo Decreto nº 83.937, de 6 de setembro de 1979, com as alterações do Decreto nº 86.377, de 17 de setembro de 1981, resolve: [...] Art. 5º Delegar Competência aos AuditoresFiscais Chefes das Equipes de Arrecadação e Cobrança da Diort e, em suas faltas ou impedimentos, ao substituto eventual, para: I reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de declaração de compensação, bem assim homologar compensação de créditos tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo valor histórico creditício a restituir e a compensar encerrem a importância igual ou inferior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais); [...] Art. 6 º Delegar Competência aos AuditoresFiscais em exercício na Diort para: I reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de declaração de compensação, bem assim homologar compensação de créditos tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo Fl. 676DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 21 20 valor histórico creditício a restituir e a compensar encerrem a importância igual ou inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); [...] Art. 13 As competências delegadas no inciso I do art. 4º, no inciso I do art. 5º, no inciso I do art. 6º e nos artigos 8º e 9º independem de limite de alçada nos casos de indeferimento de pedido de restituição, ressarcimento e não homologação de declaração de compensação, e reconhecimento de compensação não declarada ou inexistente (negrejouse) Nestes termos, qualquer AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em exercício na DIORT/DEMAC/RJ poderia nãohomologar compensação, independentemente do direito creditório em litígio, o que evidencia a competência da autoridade que produziu o despacho decisório aqui em debate. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade do despacho decisório de fls. 314/318, sob a alegação de incompetência da autoridade que o exarou. No mérito, constatase que, ao transmitir a DCOMP nº 07905.96785.010705.1.3.047478, a contribuinte afirmou ter pago indevidamente a parcela de R$ 2.260.447.87, por ocasião do recolhimento de R$ 19.157.240,85 em 28/02/2005, a título de estimativa de IRPJ devida em janeiro/2005 (código de arrecadação 2362). Em DCTF, a contribuinte prestou 3 (três) informações diferentes acerca deste débito: · Em 04/03/2005 declarou débito de R$ 30.821.222,61 vinculado a pagamento de R$ 19.157.240,85 e compensação de R$ 11.548.496,79; · Em 24/06/2005 declarou débito de R$ 30.442.354,46 vinculado a pagamento R$ 20.201.731,64 e compensação R$ 10.240.622,82; e · Em 04/07/2005 declarou débito de R$ 16.896.792,98 vinculado apenas a pagamento de R$ 16.896.792,98, reafirmando esta declaração na retificação promovida em 26/11/2009. As DCOMP apresentadas para liquidação de parcelas do débito informadas nas DCTF de 04/03/2005 e 24/06/2005 foram canceladas, e as DCOMP sob análise têm origem na diferença entre o débito de R$ 16.896.792,98 informado na DCTF de 04/07/2005 e o pagamento de R$ 19.157.240,85, efetivamente promovido em 28/02/2005. Intimada a esclarecer as razões da redução do débito declarado (fls. 239/240), a contribuinte apresentou o LALUR do anocalendário 2005, no qual expôs a seguinte apuração final para janeiro/2005: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 22 21 A base de cálculo acima apurada constou da DIPJ retificadora apresentada em 29/03/2007, e resultou no débito de R$ 16.896.793,52 (fl. 298): Tem razão a autoridade fiscal quando aduz que as informações assim prestadas não esclarecem os motivos da redução do débito declarado para janeiro/2005: A intimação era para demonstrar as mudanças ocorridas na apuração. Não foi atendida. A mera apresentação do registro contábil que mostra que o valor liquidado era superior ao devido, nada acrescenta. A apresentação dos registros contábeis das alterações não seria suficiente, mas era imprescindível. Não apresentou os registros das alterações, nem a documentação que explicasse os diversos cálculos que ele teria feito. Apenas alega que o valor constante no Lalur está correto, que ele somente errou no preenchimento dos DARF. No Lalur apresentado não há registro de nenhuma outra operação que tenha sido estornada. O contribuinte não apresentou o diário onde poderiam constar as modificações ocorridas na apuração do valor da estimativa do mês de janeiro/2005. A não apresentação de qualquer outro documento é coerente com a alegação de que não houve nenhuma alteração. Só erro de preenchimento de DARF. Entretanto, é incompatível com as DCTF apresentadas. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 23 22 De toda sorte, mesmo admitidose que a contribuinte apenas errou ao preencher a DCTF, o DARF e as DCOMP destinadas à liquidação do débito original, informando nestes documentos um débito que não havia apurado em qualquer ponto de sua escrituração comercial ou fiscal, o fato é que a base de cálculo exposta no LALUR está em descompasso com a legislação tributária, porque apresenta compensação de prejuízos acima do limite de 30%, e, se respeitada a trava legal, a estimativa de IRPJ devida em janeiro/2005 seria elevada para R$ 38.955.319,63, como demonstrado pela autoridade fiscal: A recorrente aduz que estava amparada judicialmente a promover a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, consoante registros da movimentação processual do Mandado de Segurança nº 99.0089855 juntados à manifestação de inconformidade, a partir dos quais é possível aferir que em 28/04/99 foi deferido efeito suspensivo ativo ao agravo interposto contra o indeferimento da liminar pleiteada naqueles autos, subsistindo esta decisão até ser negado seguimento ao agravo em 11/06/2008. Posteriormente, em 08/07/2010, foi denegada a segurança pretendida, sem assim afastar as limitações dos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, e alterações posteriores, pleiteada a partir do exercício tributário de 1999. Assim, no momento da apresentação da primeira DCOMP (01/07/2005), a contribuinte estaria amparada pelo efeito suspensivo ativo concedido em sede de agravo para promover compensações de prejuízos acima do limite legal de 30%. Consta do despacho decisório que a contribuinte não apresentou qualquer decisão judicial que autorizasse seu procedimento contrário lei. Assim, cabe aos órgãos julgadores apreciarem a prova apresentada em defesa. E, neste sentido, cumpre recordar que o art. 170 do Código Tributário Nacional já havia sido alterado para impedir a utilização de indébitos nas circunstâncias aventadas pela defesa: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O dispositivo legal restringe o direito à compensação que tenha por objeto tributo considerado indevido por decisão ainda não transitada em julgado. O sujeito passivo não pode se valer de créditos cuja certeza ainda depende de manifestação judicial, e assim extinguir outros débitos, cuja cobrança pode se tornar irreversível conforme o momento em que se torne pública a decisão definitiva acerca do crédito utilizado. Assim, os elementos apresentados pela defesa confirmam que era devida estimativa de IRPJ no valor de R$ 38.955.319,63 em janeiro/2005, ao passo que a contribuinte promoveu recolhimento de, apenas, R$ 19.157.240,85. A redução daquele débito a R$ 16.896.792,98 dependeria dos efeitos da decisão judicial, ainda precária à época, de modo que o contexto exposto pela recorrente em nada lhe socorre. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 24 23 A recorrente prossegue asseverando que a compensação de prejuízos promovida ao final do anocalendário 2005 observou o limite legal, de modo que teria havido mera postergação do imposto devido em janeiro/2005. Entende, assim, que a autoridade fiscal deveria ter considerado no cálculo do imposto devido no período fiscalizado (janeiro/2005) a ocorrência de postergação do IRPJ para períodos posteriores, o que ensejaria a cobrança apenas dos juros moratórios. Ocorre que os mencionados efeitos da postergação somente devem ser considerados pela autoridade fiscal no lançamento de crédito tributário, sob pena de exigirse, indevidamente, valores já pagos pelo sujeito passivo. A determinação de direito creditório a ser compensado é procedimento do sujeito passivo, que assim deve ter em conta as repercussões das antecipações no ajuste anual e as consequências das decisões judiciais que afetam sua apuração. No presente caso, se o sujeito passivo deixou de se valer dos efeitos da decisão judicial na apuração final do anocalendário 2005, poderia ter deduzido integralmente a estimativa paga para o mês de janeiro/2005 e ampliado seu saldo negativo em 31/12/2005. Todavia, antes disso, a partir de 01/07/2005, entendeu que poderia se valer de indébito talvez sustentado em decisão judicial precária, e apresentar as DCOMP aqui sob análise para extinção de débitos vencidos de 31/03/2005 a 15/07/2005. Em consequência, aparentemente levou apenas a estimativa minorada para o ajuste anual, e mesmo questionado a partir de 16/12/2008, não promoveu qualquer revisão em sua apuração para adequar seus procedimentos após o ajuste anual, nem mesmo depois de cassada a decisão precária que autorizava a compensação de prejuízos acima do limite de 30%. Cumprialhe cancelar as DCOMP em referência e transpor o pagamento, não mais tido como indevido, para o ajuste anual, arcando com os acréscimos moratórios na liquidação dos débitos aqui compensados. Ao deixar de fazêlo, somente restalhe, verificada a prescrição do indébito, pretender que as autoridades administrativas supram sua inércia, reconhecendolhe o crédito como saldo negativo apurado em 31/12/2005, para liquidação de débitos vencidos de 31/03/2005 a 15/07/2005. Vejase que não se trata de erro de fato no preenchimento da DCOMP, circunstância em que é possível alterar as consequências do ato praticado pelo sujeito passivo para adequálo à real pretensão do interessado. No presente caso, a intenção da contribuinte era utilizar o indébito verificado no recolhimento da estimativa de janeiro/2005 para liquidação de débitos vencidos de 31/03/2005 a 15/07/2005, estancando a mora dos primeiros com a apresentação das DCOMP a partir de 01/07/2005. Assim, demonstrada a inexistência de qualquer indébito passível de compensação naquela apuração, a consequência é a não homologação das compensações. Acrescentese, ainda, que a pretensão da contribuinte de deslocar seu indébito para momento posterior, de modo a limitar sua perda aos encargos moratórios aplicáveis sobre os débitos compensados até o momento da apuração deste novo indébito, traz oculta a premissa de que sua apuração final de 31/12/2005 não merece reparos, e o direito creditório poderia ter apenas a data de sua apuração alterada. Evidente que mesmo se fosse possível esta retificação, necessária seria a confirmação da apuração do IRPJ devido naquele período e das antecipações que, contra ele, formariam eventual indébito naquele momento. A recorrente também aduz, sucessivamente, a homologação das bases tributáveis do IRPJ referente ao anocalendário de 2005 pelo decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, dado que o Fisco pretendeu, na verdade, foi reapurar a estimativa mensal de IRPJ de janeiro/2005 registrado pela Recorrente em sua declaração fiscal (DCTF), revisando apuração já alcançada pela decadência. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 25 24 Contudo, o prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito alegado, indispensável à homologação das compensações, somente se expiraria cinco anos depois da sua formalização pela contribuinte. É o que consta na Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] O caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nesta nova redação, exige que o crédito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5o do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se Fl. 681DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 26 25 tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o crédito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordese que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em indébito de estimativa de IRPJ, não poderá lançar a multa isolada sobre a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de ofício. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4º do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito específico de atingir o dever/poder de o Fisco efetuar o lançamento de ofício, e não o de fazer prova absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. A legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Daí porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo Fl. 682DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 27 26 prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Aliás, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, senão na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei no 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito creditório deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, à exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 1o. É certo que a evidenciação do crédito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do crédito. Se utilizasse mais rapidamente seu crédito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720328/200711 Acórdão n.º 1302001.762 S1C3T2 Fl. 28 27 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Por estas razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a alegação de decadência do direito de revisar a apuração da estimativa de IRPJ devida em janeiro de 2005 e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a nãohomologação das compensações em razão da inexistência de indébito no período de apuração indicado pelo sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 684DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10880.030846/98-65
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 08 46 /9 8- 65 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.030846/9865 Acórdão n.º 9900000.922 CSRFPL Fl. 211 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Elias Sampaio Freire, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0305.832, proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de Finsocial, referente ao período de apuração compreendido entre 1º de dezembro de 1991 e 31 de março de 1992, sob o argumento de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em cinco anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110, ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo o prazo em 31 de agosto de 2000. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 205/206. Regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.030846/9865 Acórdão n.º 9900000.922 CSRFPL Fl. 212 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do Finsocial objeto destes autos seria da edição da Medida Provisória 1.110/95, e o final seria 31/08/2000. A seu turno, a Fazenda Nacional em seu extraordinário defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/2005. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre 1º de dezembro de 1991 e 31 de março de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 9 de dezembro de 1998. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.030846/9865 Acórdão n.º 9900000.922 CSRFPL Fl. 213 4 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.030846/9865 Acórdão n.º 9900000.922 CSRFPL Fl. 214 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, na data em que protocolado o pedido de repetição (9/12/1998), os créditos a ele pertinentes não haviam sido alcançados pela prescrição. Com base nesses fundamentos, o Colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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