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Numero do processo: 12965.001804/2008-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2001-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que a mesma proceda ao atendimento das solicitações de informações conforme quesitos estabelecidos no voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que a mesma proceda ao atendimento das solicitações de informações conforme quesitos estabelecidos no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura. Relatório Do Lançamento Trata o presente de Notificação de Lançamento (e-fls. 7/10), lavrada em 01/09/2008, em desfavor da recorrente acima citada, no qual a autoridade fiscal, durante procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, relativa ao exercício de 2007, formalizou o lançamento suplementar de ofício contendo as infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 22.493,93. Da Impugnação A interessada apresentou a impugnação (e-fls. 2/3), alegando, em síntese, os seguintes argumentos, extraídos do relatório do julgamento anterior: A notificada apresentou impugnação, às fls. 2/3, na qual contesta o lançamento argumentando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 65 .0 01 80 4/ 20 08 -7 2 Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2001-000.047 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001804/2008-72 • Não omitiu o rendimento apontado pela Fiscalização, mas, sim, o informou, por engano, em campo errado, conforme pode ser observado em sua declaração de ajuste anual. • “É a primeira vez que recebe uma ação judicial e por ser leiga, lançou-a no campo errado. (Vide documentos apresentados na defesa)”. • “O valor do crédito tributário apurado é por demais alto. Esse valor fá-la-á dispor de um valor que não tem. É servidora pública federal com salário que deixa muito a desejar. Mesmo porque não gerou aumento patrimonial, porquanto o valor recebido é de cunho eminentemente alimentar”. • Solicita o cancelamento da notificação, bem assim dos juros e multa, e que seja verificada a documentação apresentada no ato da entrega da SRL. Do Julgamento em Primeira Instância No Acórdão nº 09-36.785 (e-fls. 29/36), os membros da 4ª Turma de Julgamento, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por unanimidade de votos, decidiram pela improcedência da impugnação e, do voto da relatora a quo, podemos destacar o seguinte: ... Após análise da DIRPF/2007 entregue pela impugnante, às fls. 16/18, observa-se que ela informou a importância de R$ 21.809,42 no quadro de Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, no item 07 – Precatório Judicial. Tal valor refere-se à diferença entre o que foi recebido do Banco do Brasil S/A, em março de 2006, a título de “rendimento decorrente de decisão Justiça Federal” (código 5928), R$ 22.483,93, e o IRRF de R$ 674,51, ou seja, R$ 22.483,93 – R$ 674,51 = R$ 21.809,42. Todavia, em que pesem os reclamos passivos, não se trata de tributação exclusiva ou definitiva. Ao contrário, tal rendimento, além de ser tributado na fonte, está sujeito ao ajuste anual, em conformidade com a legislação tributária à época do fato gerador, março/2006, a seguir mencionada. E como isso não foi feito pela declarante, a autoridade fiscal, acertadamente, detectou e lançou a infração apurada. O fato gerador do imposto de renda está definido no art. 43 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: ... Estabelece o art. 37 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 – RIR/99, o que constitui o rendimento para fins de incidência tributária: ... Assim, as diferenças de salários e/ou de proventos de aposentadoria recebidas em processos judiciais são tributáveis, na forma preconizada nos artigos reproduzidos acima. Ressalte-se que a regra geral é a tributação na fonte com a antecipação do imposto devido. As hipóteses de isenção estão expressamente enumeradas no art. 6º, da Lei 7.713/88 e alterações posteriores (art. 39 do RIR/99) e não alcançam os rendimentos aqui em discussão. Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2001-000.047 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001804/2008-72 Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, registre-se que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, com base no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287, de 2009 e do Ato Declaratório PGFN nº 1 publicado no DOU de 14/05/2009, dispensou a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Com respeito à eficácia do Ato Declaratório da PGFN nº 1, de 2009, deve-se considerar o que dispõe o art. 19, caput, inc. II, e §§ 4º e 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, com a redação atual dada pela Lei nº 11.033, de 2004: ... Assim sendo, a partir da publicação do Parecer PGFN nº 01, desde que solicitado pelo contribuinte, o IRPF sobre os rendimentos recebidos cumulativamente passou a ser calculado pelo regime de competência. Cabe esclarecer, todavia, que o entendimento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional acima citado, que redundou na emissão do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, embasava-se em jurisprudência pacífica favorável à apuração do IRPF sobre rendimentos recebidos de forma acumulada pelo regime de competência, sem, no entanto, que o Supremo Tribunal Federal reconhecesse a existência de repercussão geral destes decisórios favoráveis ao contribuinte. Entretanto, o STF, em 10/06/2010, mudou o entendimento que sustentara até então. Após o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988 em julgamento de caso análogo ao aqui tratado, e instado pela União que interpusera Agravo Regimental naquele Tribunal em dois recursos cujas decisões da Suprema Corte foram pela inadmissibilidade desses pela falta de repercussão geral do objeto, o Plenário do STF resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral do objeto daqueles recursos, qual seja, de que no cálculo do IRPF incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente devem ser consideradas as alíquotas das épocas próprias a que se referirem tais rendimentos (apuração do IRPF pelo regime de competência). Dessa forma, em razão da decisão do STF pela existência de repercussão geral da matéria, o Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010, de maneira que os Procuradores da Fazenda voltaram a contestar e recorrer das decisões judiciais favoráveis à aplicação do regime de competência na apuração do IRPF sobre rendimentos pagos acumuladamente, exceto quando recebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, tendo em vista que o art. 12A da Lei nº 7.713/1989 determinou que, a partir desta data, os rendimentos acumulados serão tributados exclusivamente na fonte. A suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 impede que a RFB aplique os §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, já transcritos. Volta, por este motivo, a viger a aplicação do regime de caixa na apuração do IRPF sobre os aludidos rendimentos, conforme o que se explana a seguir. Regra geral, os rendimentos auferidos por pessoa física são tributáveis apenas no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda. Vale dizer, a Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2001-000.047 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001804/2008-72 tributação da pessoa física se dá pelo regime de caixa, e não pelo de competência. O imposto só atinge o rendimento quando os valores já se encontram à disposição do contribuinte. É o que se pode extrair do disposto nos arts. 37, 38 e 39, do Regulamento do Imposto Renda RIR/ 1999 Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999: ... Adicionalmente, no que concerne à tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, cabe observar as disposições dos arts. 56 e 640, do RIR/1999, in verbis: ... De acordo com a legislação anteriormente transcrita, resta claro, portanto, que os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos acumuladamente, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Considerando que a legislação pertinente determina que a tributação deve se dar no momento da percepção do rendimento (regime de caixa) e não em relação a cada um dos períodos (mês a mês) a que o rendimento se referir (regime de competência) e que, no caso em tela, o rendimento foi recebido acumuladamente no ano-calendário de 2006, correto o lançamento que considerou tributável no exercício 2007 o rendimento decorrente de Ação Judicial, submetendo-os à aplicação das alíquotas da tabela progressiva anual vigente para o ano-calendário de 2006. Alega a interessada que a documentação comprobatória de sua defesa já fora encaminhada quando da apresentação de sua SRL. Assim, foi solicitado à DRF/Poços de Caldas que fizesse a juntada aos presentes autos desses documentos, o que foi feito às fls. 23/25, a saber: => fl. 23: SRL, na qual a requerente apresenta os mesmos argumentos de defesa constantes da impugnação de fls. 2/3. => fl. 24: cópias da Cédula de Identidade e do CPF. => fl. 25: Extrato de Conta Judicial Banco do Brasil – Justiça Federal, no qual identifica-se o valor recebido pela impugnante, no ano de 2006, em face da Ação Ordinária nr. 000009500138514, Precatório nr. 200501000522130. Não se confirma nesse último, o argumento da peticionária de que o “valor recebido é de cunho eminentemente alimentar”. Quanto à alegação de que não houve aumento patrimonial, cabe dizer que tal fato não foi cogitado no trabalho fiscal. Caso o fosse, a infração, a legislação e os cálculos apontados pela autoridade fiscal certamente seriam outros. ... Do Recurso Voluntário Inconformada com o resultado do julgamento de 1ª instância e amparado pelo contido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, a interessada interpôs o recurso tempestivo (e-fls. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 2001-000.047 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001804/2008-72 42), aduzindo que recebeu verba indenizatória judicial e o valor a declarar do imposto de renda foi lançado no campo errado, por engano. Solicita que seja observado a MP 449/2008, anistia de dívidas com a União até R$ 10.000,00 e parcelamento. Roga que seja reformada a decisão anterior, cancelando a notificação de lançamento, concedendo-lhe anistia. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos recebidos de Banco do Brasil S.A., CNPJ nº 00.000.000/0001-91, no valor de R$ 22.493,93. Do Mérito Da Proposta de Diligência A matéria constante desta infração tributária é a omissão de rendimentos originados de demanda judicial sobre os quais houve incidência de imposto de renda pessoa física possivelmente pelo regime de caixa, ou seja, calculado sobre o montante recebido. Da observação das características da documentação destes autos (e-fls. 25) e pelos argumentos utilizados no voto condutor da decisão de primeira instância, podemos supor que a demanda judicial nº 950013851-4 refere-se, em princípio, à verbas recebidas de forma acumulada. Desta forma, com vistas a possibilitar melhor convicção no julgamento deste recurso voluntário e dirimir dúvidas acerca das verbas recebidas, constantes desta omissão de lançamento, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem providencie o seguinte: - Intimar a interessada a apresentar documentos/tabelas extraídas dos autos judiciais onde constem: a discriminação da natureza dos rendimentos; o período correspondente; e respectivos montantes mensais dos créditos apurados na demanda judicial nº 950013851-4. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 2001-000.047 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12965.001804/2008-72 Conclusos, retornem os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13660.000574/2009-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
ISENÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2001-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 ISENÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura. Relatório Do Lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 05 74 /2 00 9- 01 Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 Trata o presente de Notificação de Lançamento (e-fls. 5/8), lavrada em 05/01/2009, em desfavor da recorrente acima citada, que durante procedimento de verificação das obrigações tributárias do interessado, referente ao exercício de 2005, formalizou o lançamento suplementar de ofício contendo a infração de omissão de rendimentos recebidos do exterior, no valor de R$ 62.820,00. Da Impugnação A interessada apresentou a impugnação (e-fls. 2/4), alegando, em síntese, os seguintes argumentos extraídos do relatório do julgamento anterior: A ciência da Notificação de Lançamento deu-se em 20/05/2009 (fls. 29 e 30), e o interessado apresentou impugnação de fls. 01 a 03, em 16/06/2009, alegando que informou os rendimentos ditos omissos como rendimentos isentos e não-tributáveis, como prevê a legislação (art. 22 do Decreto 3.000/99) e conforme orientações do PNUD, que não efetuou qualquer retenção na fonte. Ainda, cita decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da Ia Região. Do Julgamento em Primeira Instância No Acórdão nº 09-37.688 (e-fls. 34/42), os membros da 6ª Turma de Julgamento, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por unanimidade, decidiram pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário e, do voto da relatora a quo, podemos destacar o seguinte: ... Trata-se de lançamento de omissão de rendimentos recebidos de fonte situada no exterior (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD/ONU), indevidamente classificados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis. O impugnante argumenta que faz jus à isenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos auferidos do PNUD, baseando suas alegações no art. 22 do Decreto 3.000/99. Assim, será analisada a legislação citada, qual seja, art. 5° da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, reproduzido no art. 22 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, litteris: ... Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os "servidores de organismos internacionais", nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5º da Lei n° 4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do defendente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. No caso em questão, os rendimentos foram recebidos do PNUD, disciplinado pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto n° 59.308, de 23 de setembro de 1966. Dispõe o artigo V do referido acordo: ... Visto que o PNUD confunde-se com a própria ONU, com relação aos seus funcionários, aplica-se a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, adotada em Londres, em 13/02/1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, e recepcionada pelo direito pátrio, por meio do Decreto n° 27.784, de 16 de fevereiro de 1950, que a promulgou. A seguir transcreve-se os artigos V e VI da mencionada Convenção: ... Da análise das alíneas acima descritas, relativamente à seção 22, do artigo VI, verifica-se que ali não existe previsão para isenção de impostos. Observa-se, ainda, que o conjunto das prerrogativas disciplinadas nas alíneas da seção 18 do artigo V não se coaduna com a situação do indivíduo contratado no local para prestar serviços ao PNUD. Na forma como enunciadas, deixam claro que se está disciplinando a situação de representantes da ONU em missões internacionais. Nota-se que não se tem notícias da existência de pleitos dos prestadores de serviços do PNUD relacionados às outras prerrogativas da Seção 18 do Artigo V da citada Convenção Internacional, que não a da alínea "b", referente à isenção de IRPF. Isso se dá, pois a norma possui um destinatário bastante diferente do prestador de serviço contratado pelo PNUD: o perfil do destinatário da norma é daquele que possui status diplomático, representante da organização internacional, de alta hierarquia, do quadro de funcionários neutros. Dessa forma, sabe-se que o prestador de serviços, contratado no local, não teria direito à imunidade de jurisdição, nos termos da alínea "a" da Seção 18 do Artigo V da citada Convenção, tendo em vista que a atividade exercida é meramente executória ou técnica. Conforme se verifica, a Convenção que rege o tema exige que o beneficiário da isenção seja funcionário da ONU, distinguindo três classes de pessoas que trabalham para ONU: os representantes dos Membros (artigo IV), os funcionários (artigo V) e os técnicos a serviço da ONU (artigo VI), e que conste na lista elaborada pelo Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 Secretário Geral, sujeita à comunicação periódica aos Governos dos Estados Membros. O nome contido na lista e a comunicação da mesma ao Governo são requisitos para o gozo da isenção. Explica-se tal exigência pelo fato de nem todos os funcionários da ONU fazerem jus ao privilégio, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. A determinação da categoria de funcionários beneficiados com os privilégios cabe ao Secretário Geral da ONU, a ser submetida à Assembleia Geral e comunicada periodicamente aos Governos dos Membros (Decreto n° 27.784, de 1950, art. V, Seção 17). Ressalte-se, conforme já visto, que para os técnicos que prestam serviços a estes Organismos, sem vínculo empregatício, a isenção de impostos não foi arrolada dentre os privilégios e imunidades a que têm direito (Decreto n° 27.784, de 1950, art. VI, Seção 22). É pertinente mencionar, também, a Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002, vigente. ... A IN/SRF n° 208, de 2002 confirma a interpretação feita da Convenção, isto é, os rendimentos auferidos de Organismos Internacionais pelos residentes no Brasil estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório, exceto os recebidos por pessoas físicas aqui residentes relacionadas nas listas enviadas à Receita Federal pelos Organismos. Neste momento, cabe aqui ressaltar que o interessado se equivoca quando entende que o reconhecimento do direito à isenção não pode estar condicionado a uma obrigação acessória da agência para com a Secretaria da Receita Federal do Brasil- RFB. Ressalte-se que é a própria Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada pelo direito pátrio por meio do Decreto n° 27.784, de 1950, que assim o exige. Deste modo, a IN/SRF n° 208, de 2002, confirma a interpretação feita da Convenção, não havendo, portanto, qualquer tipo de incompatibilidade, ou seja, os rendimentos auferidos de Organismos Internacionais pelos residentes no Brasil estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório e ao ajuste anual, exceto os recebidos por pessoas físicas aqui residentes relacionadas nas listas enviadas à Receita Federal pelos Organismos. Por fim, cite-se a publicação denominada "Imposto de Renda Pessoa Física 2007 - Perguntas e Respostas", editada pela Receita Federal, que esclarece acerca do tratamento tributário dos rendimentos auferidos pelos servidores do PNUD (Pergunta n° 137): ... Não restam dúvidas, de acordo com as alegações e provas contidas nos autos, de que o contribuinte não pertencia ao quadro efetivo do PNUD, ou seja, não era funcionário do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção. O vínculo de trabalho do interessado com o PNUD era temporário e específico, de modo Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 que a natureza jurídica de sua relação contratual (transitória e vinculada a determinado projeto específico) não se confunde com a condição dos funcionários efetivamente pertencentes ao quadro efetivo do PNUD. Assim, pode-se concluir que sua relação era apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional. Sendo assim, haja vista o acima exposto, resta esclarecido que os rendimentos auferidos pelo interessado estão sujeitos à incidência do imposto de renda, devendo, assim, ser tributados no ajuste anual da declaração de rendimentos, independentemente se foram declarados como isentos ou se foram omitidos na declaração por esquecimento ou falha. No que concerne às jurisprudências invocadas, há que ser esclarecido que as decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se apenas sobre a questão em análise e vinculando apenas as partes envolvidas naqueles litígios, consoante o disposto no Parecer Normativo CST n° 390/1971: De qualquer forma, recentemente o Conselho de Contribuintes adotou entendimento diverso sobre o tema, conforme julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais que decidiu da seguinte forma: ... Há que se ressaltar que a matéria aqui tratada foi objeto de súmula aprovada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcrita abaixo, a qual foi atribuído efeito vinculante em relação à administração tributária federal pela Portaria n° 383, de 12 de julho de 2010: ... Diante do exposto, encaminho o voto no sentido de se julgar IMPROCEDENTE a impugnação da Notificação de Lançamento de fls. 17 a 19. Do Recurso Voluntário Inconformada com o resultado do julgamento de 1ª instância e amparado pelo contido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, a interessada interpôs o recurso tempestivo (e-fls. 46/49), no qual demonstra sua insatisfação com a manutenção do lançamento, pronunciando-se nos seguintes termos: ... 5. A Recorrente não concorda com as razões de direito proferidas no acórdão do Fisco por motivo de que, como demonstrado em sua declaração de IRPF 2005, lançou como rendimentos isentos os valores recebidos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no ano calendário de 2004, exatamente como prevê a legislação e conforme orientações daquele Órgão que, como já informado na defesa da Recorrente, não efetuou qualquer retenção na fonte. 6. O entendimento legal em que o Fisco baseou-se para indeferir a defesa da Recorrente, ou seja, o artigo 5° e seu inciso II, bem como o seu parágrafo único, da Lei n.º 4.506/1964, reproduzido no artigo 22 do Decreto 3000/1999, que abaixo Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 transcrevemos, não excluiu os servidores porventura "brasileiros" que trabalham em organismos internacionais. O Decreto 3000/1999, que recepcionou em seu artigo 22 o que já estava previsto na Lei 4.506/1964, no artigo 5°, assim dispõe: ... 7. A legislação pertinente informada pelo Fisco no acórdão, ao contrário da interpretação deste, alinha-se nesse sentido ao prever a isenção dos rendimentos recebidos de organismos internacionais, como é o caso dos rendimentos isentos auferidos pela Contribuinte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 8. O artigo 55 do mesmo decreto, utilizado pelo Fisco quando do fundamento de sua notificação, prevê a tributação de rendimentos recebidos de organismos internacionais no território nacional, mas em seu inciso V dispõe que deverá ser observada a isenção prevista no artigo 22, acima descrito, que como citado não excluiu expressamente o servidor porventura brasileiro, que, conforme dispõe o parágrafo único do art. 5° da Lei 4.506/1964, "serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país". 9. Com base na legislação vigente citada acima, a Recorrente efetuou o lançamento dos rendimentos isentos recebidos devidamente em sua declaração de IRPF 2005 (documentos constantes dos autos). 10. Não bastasse a previsão de isenção contida nas legislações pertinentes, o Judiciário já se posicionou no mesmo sentido defendido pela tese da Recorrente na prolação do acórdão abaixo transcrito, dentre outros que poderão ser consultados, do Tribunal Regional Federal da 13 Região, proferido pela Juíza Eliana Calmon: ... 11. Portanto, ficou demonstrada nas razões de direito da Impugnação ofertada pela Recorrente que esta agiu nos limites da legislação, tendo inclusive o organismo internacional que a pagou, ou seja, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sido reconhecido pelo Judiciário, em decisões proferidas em acórdãos, como órgão internacional abrangido pela imunidade tributária, como é o presente caso, não cabendo a notificação para recolhimento do imposto dos valores recebidos pela Recorrente, como entendeu o Fisco em seu acórdão. ... É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Da Admissibilidade Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em julgamento A matéria constante na presente autuação e objeto do Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos recebidos do exterior, no valor de R$ 62.820,00. Do Mérito Da omissão de rendimentos recebidos de Organismos Internacionais Bem, a matéria em discussão nesta lide é a incidência de isenção do imposto de renda pessoa física sobre rendimentos recebidos de organismos internacionais, a consultores independentes residentes no País. O Decreto n° 5.151/04, trata dos procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal direta e indireta, para fins de gestão de projetos, no âmbito dos acordos de cooperação técnica com organismos internacionais. Como sabido, esta controvérsia já encontra-se resolvida no âmbito dos Tribunais Superiores. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando do julgamento do REsp. nº 1.306.393/DF (relator Ministro Mauro Campbell Marques) submetido ao regime de recurso repetitivo, proferiu a seguinte decisão TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08”. (STJ, 1ª Seção, REsp 1306393/DF, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 24/10/2012, DJe 07/11/2012). Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-004.379 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13660.000574/2009-01 Desde a decisão do STJ este Conselho vem decidindo a matéria, com a aplicação do §2° do artigo 62 do RICARF, transcrito abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Inclusive, diante da consolidação deste posicionamento jurisprudencial, este Conselho, por meio da Portaria MF nº 578, de 27/12/2017, revogou a Súmula CARF nº 39 que dispunha em sentido diametralmente contrário ao entendimento daquela Egrégia Corte. Denota-se pelo exposto que são procedentes as razões apresentadas pelo sujeito passivo, no tocante à isenção tributária sobre os rendimentos deste natureza recebidos de fonte pagadora do exterior. Conclusão Isto posto, voto pela exoneração integral da notificação de lançamento. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722150/2019-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 19 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo.
JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
No âmbito da legislação tributária aplicada às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a manifestação do contribuinte se dá somente por escrito nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existindo previsão legal para sustentação oral.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. BENS PARA COMERCIALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. ALÍQUOTA DE 4,6%.
Os créditos não cumulativos decorrentes de aquisição de bens para comercialização de empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus devem ser calculados aplicando-se a alíquota de 4,6% sobre o custo de aquisição dos referidos bens, de acordo com a legislação de regência.
COMPRA DE MERCADORIA PRODUZIDA POR PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. REMESSA À EMPRESA DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS. POSSIBILIDADE.
A remessa de mercadoria produzida por empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus para depósito em armazéns gerais ou empresas de operações logísticas localizadas em outros Estados da Federação para posterior entrega ao adquirente não descaracteriza a operação de compra de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016
MESMA MATÉRIA E MESMOS FATOS.
O mesmo conteúdo da Ementa utilizada para o Pis é adequado para a Cofins, visto que tratam dos mesmos fatos e matérias.
Numero da decisão: 3201-008.594
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito da legislação tributária aplicada às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a manifestação do contribuinte se dá somente por escrito nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existindo previsão legal para sustentação oral. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. BENS PARA COMERCIALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. ALÍQUOTA DE 4,6%. Os créditos não cumulativos decorrentes de aquisição de bens para comercialização de empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus devem ser calculados aplicando-se a alíquota de 4,6% sobre o custo de aquisição dos referidos bens, de acordo com a legislação de regência. COMPRA DE MERCADORIA PRODUZIDA POR PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. REMESSA À EMPRESA DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS. POSSIBILIDADE. A remessa de mercadoria produzida por empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus para depósito em armazéns gerais ou empresas de operações logísticas localizadas em outros Estados da Federação para posterior entrega ao adquirente não descaracteriza a operação de compra de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 MESMA MATÉRIA E MESMOS FATOS. O mesmo conteúdo da Ementa utilizada para o Pis é adequado para a Cofins, visto que tratam dos mesmos fatos e matérias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
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LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito da legislação tributária aplicada às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a manifestação do contribuinte se dá somente por escrito nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existindo previsão legal para sustentação oral. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. BENS PARA COMERCIALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. ALÍQUOTA DE 4,6%. Os créditos não cumulativos decorrentes de aquisição de bens para comercialização de empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus devem ser calculados aplicando-se a alíquota de 4,6% sobre o custo de aquisição dos referidos bens, de acordo com a legislação de regência. COMPRA DE MERCADORIA PRODUZIDA POR PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. REMESSA À EMPRESA DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS. POSSIBILIDADE. A remessa de mercadoria produzida por empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus para depósito em armazéns gerais ou empresas de operações logísticas localizadas em outros Estados da Federação para posterior entrega ao adquirente não descaracteriza a operação de compra de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 MESMA MATÉRIA E MESMOS FATOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 21 50 /2 01 9- 58 Fl. 6013DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 O mesmo conteúdo da Ementa utilizada para o Pis é adequado para a Cofins, visto que tratam dos mesmos fatos e matérias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente procedimento administrativo fiscal tem como objeto o julgamento do Recurso Voluntário de fls. 5977 apresentado em face da decisão de primeira instância, proferida no âmbito da DRJ/PR de fls. 5941, que negou provimento à Impugnação de fls. 367 apresentada em face dos Autos de Infração de Pis e de Cofins. Por bem descrever os fatos, matérias e trâmite dos autos, transcreve-se o relatório apresentado na decisão de primeira instância: “Lavrou-se, em face da contribuinte identificada em epígrafe, Autos de Infração, relativos à Cofins, no montante de R$ 20.727.284,66 e à contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 4.490.731,56 – somados o principal, multa de ofício e juros de mora, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2015 a dezembro de 2016. A autuação ocorreu devido à insuficiência de recolhimento das contribuições, em razão de a interessada haver apurado créditos das referidas contribuições em valores maiores do que o previsto na legislação quando da aquisição de produtos da Zona Franca de Manaus. Em 28/03/2019 a interessada teve ciência dos autos de infração e, tempestivamente, ingressou com a impugnação de fls. 367/381, a seguir sintetizada. Na impugnação, a interessada, inicialmente, trata da tempestividade da defesa apresentada e, no tópico - Nulidade da autuação por incompetência da Delegacia da Receita Federal de Novo Hamburgo, argumenta que sendo empresa que tem domicílio Fl. 6014DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 em Três Lagoas/MS, submete-se à jurisdição fiscal da DRF/Campo Grande, a qual detém a competência para fiscalizar os contribuintes da referida cidade, conforme o Anexo I da Portaria RFB nº 2466/2010, com a redação da Portaria RFB nº 1170/2018. Sendo assim, o procedimento fiscal foi conduzido e lavrado por ente sem competência para tanto, o que enseja a sua nulidade. No tópico seguinte apontado com argumento subsidiário - A não aplicação das alíquotas reduzidas de crédito à totalidade das aquisições de produtos - traz primeiramente um arrazoado acerca da aplicação de alíquotas não cumulativas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para concluir que a legislação prevê um regramento específico para os bens que são adquiridos da ZFM. E, nesse contexto, aduz que a maior parte das operações selecionadas pela fiscalização como aquisições da ZFM, na realidade não se subsumem à hipótese normativa descrita nos parágrafos 12 e 17 dos art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz que dos R$ 340.570.687,78 de custos com compras de bens para revenda, apenas R$ 44.130.000,00 referem-se, efetivamente, a aquisições desse local. Relata que as operações consubstanciadas pelas notas fiscais anexas (Doc 07) indicam que as mercadorias foram adquiridas de pessoas jurídicas situadas fora da ZFM uma vez que (i) as operações (CFOP) consistem em venda de mercadorias, (ii) a emitente da NF é empresa situada fora da ZFM, (iii) há destaque do ICMS e subsquente recolhimento do imposto e (iv) a destinatária é a impugnante. Conclui que é descabida a exigência de PIS/Cofins relativamente ao aproveitamento do crédito com base na alíquota de 9,25%, porquanto as mercadorias já não mais se encontravam na ZFM, tendo sido alienadas a terceiros previamente. Também como argumento subsidiário, no item - As vendas desfeitas/devolvidas - reclama que a fiscalização, ao promover a glosa dos créditos, não considerou as hipótese de cancelamento/devolução de vendas e indevidamente glosou os valores superiores a 5,6%. E no item - Deve ser afastada a incidência de juros sobre a multa de ofício - ainda como argumento subsidiário, alega que os juros de mora sobre a multa de ofício não devem subsistir, porque o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 somente autoriza a incidência de juros sobre débitos de tributos. Por último, defende e pleiteia o direito de realizar a sustentação oral no âmbito do julgamento desta impugnação. Requer a nulidade material dos presentes autos e, subsidiariamente, o cancelamento dos débitos de PIS/COFINS que correspondem a créditos que foram apurados em razão de operações de aquisição que não tiveram origem na Zona Franca de Manaus, na medida em que foram remetidos pelos operadores logísticos situados em outros estados; o cancelamento dos débitos de PIS/COFINS relativos aos créditos glosados que dizem respeito a devoluções de venda, cujo direito creditório a legislação assegura; e o afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Adicionalmente, requer seja deferida a possibilidade de acompanhar o julgamento e realizar sustentação oral. É o relatório.” A Ementa da decisão de primeira instância foi publicada com o seguinte conteúdo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR- FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE. Fl. 6015DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito da legislação tributária aplicada às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a manifestação do contribuinte se dá somente por escrito nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existindo previsão legal para sustentação oral. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. BENS PARA COMERCIALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. ALÍQUOTA DE 4,6%. Os créditos não cumulativos decorrentes de aquisição de bens para comercialização de empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus devem ser calculados aplicando-se a alíquota de 4,6% sobre o custo de aquisição dos referidos bens, de acordo com a legislação de regência. COMPRA DE MERCADORIA PRODUZIDA POR PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. REMESSA À EMPRESA DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS. POSSIBILIDADE. A remessa de mercadoria produzida por empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus para depósito em armazéns gerais ou empresas de operações logísticas localizadas em outros Estados da Federação para posterior entrega ao adquirente não descaracteriza a operação de compra de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR- FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito da legislação tributária aplicada às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a manifestação do contribuinte se dá somente por escrito nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existindo previsão legal para sustentação oral. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. BENS PARA COMERCIALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. ALÍQUOTA DE 1,0%. Os créditos não cumulativos decorrentes de aquisição de bens para comercialização de empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus devem ser calculado aplicando-se à alíquota de 1,0% sobre o custo de aquisição dos referidos bens, de acordo com a legislação de regência. COMPRA DE MERCADORIA PRODUZIDA POR PESSOA JURÍDICA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. REMESSA À EMPRESA DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS. POSSIBILIDADE. A remessa de mercadoria produzida por empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus para depósito em armazéns gerais ou empresas de operações logísticas localizadas em outros Estados da Federação para posterior entrega ao adquirente não descaracteriza a operação de compra de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em Recurso o contribuinte nem mesmo reforçou os argumentos apresentados anteriormente e se ateve a pedir dilação de prazo. Fl. 6016DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes determinados pelo regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. - Preliminares de Nulidade. Com base nos mesmos fundamentos da decisão de primeira instância é válido reconhecer que não há nulidade decorrente da não aceitação da sustentação oral durante o julgamento de primeira instância administrativa fiscal: “Do direito de realizar a sustentação oral Quanto ao requerimento para sustentação oral, cumpre destacar que não existe, no âmbito da legislação processual tributária a ser aplicada aos julgamentos efetuados pela Delegacias de Julgamento, dispositivo legal regulando a matéria. A manifestação da contribuinte se dá, tão somente, por escrito, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Indefere-se, portanto, o pedido de sustentação oral por falta de previsão legal a respeito do assunto.” É evidente que não há nenhum cerceamento de defesa decorrente da negativa da sustentação oral. Com relação à alegação de ocorrência de nulidade em razão da alegada incompetência da delegacia da receita federal de região diversa, este conselho já assentou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 27 Fl. 6017DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com base no que dispõe o Art. 59 do Decreto 70.235/72 é forçoso reconhecer que não há nulidade nos autos. - Compras de empresas situadas na ZFM e devoluções de compras. O contribuinte não cumpriu com que foi determinado no Art. 16 do Decreto 70.235/72, visto que a decisão proveniente da DRJ/PR analisou os documentos apresentados em Impugnação pelo contribuinte e fez os seguintes apontamentos: “E, em relação à contestação da contribuinte assim manifestou-se a fiscalização: a) o crédito glosado demonstrado no Anexo II deste Relatório tem por base as aquisições informadas pelo próprio contribuinte na EFD-Contribuições com CST 50 (e que estão totalizadas no Anexo I, discriminadas por fornecedor). Ou seja o crédito integral foi efetivamente apropriado. b) Os fornecedores dessas aquisições (CNPJ estão indicados no Anexo I e foram obtidos na própria EFD transmitida pela contribuinte) são todos localizados na Zona Franca de Manaus; c) A Fiscalização efetuou o confronto dessas operações indicadas na EFDContribuições com as Nf-e emitidas pelos fornecedores (consulta direta no SPED) e verificou que os valores informados em EFD apresentam conformidade com as Nfe de venda para a Riquena emitida por esses fornecedores da ZFM (Cfop 6.101 e 6.102 quando remetidas diretamente à Riquena e 6.105 quando o produto transita por armazém geral antes da remessa à Riquena) (...) d) Os fornecedores indicaram em suas Nf-e de venda à Riquena (Cfop 6.101, 6.102 e 6.105) a tributação com as alíquotas reduzidas (3,00% de Cofins e 0,65 para o PIS/Pasep); e) A alegação do contribuinte de que as mercadorias seriam originadas de outros estados, principalmente São Paulo, é improcedente. Como bem demonstram as notas fiscais anexadas como exemplo de sua alegação (ver fls. 77a 80), trata-se de Nf-e de remessa de mercadorias adquiridas na ZFM (que estão incluídas na quantificação no Anexo I) e que estavam provisoriamente depositadas em Armazém Gerais localizados em São Paulo. A tributação do ICMS sobre essas remessas do Armazém Geral obedece aos ditames do Regulamento daquele tributo, em nada se confundindo com as regras que regem a tributação do PIS/Pasep e da Cofins (crédito na aquisição, que no caso foi efetuada na ZFM, e débito na venda) ... Nas notas fiscais anexadas no Doc 07 para comprovar o seu entendimento sobre a matéria sob análise, ao contrário do quer fazer crer a impugnante, a natureza da operação nas notas fiscais emitidas pelas empresas de operações logísticas e/ou armazéns gerais não corresponde à "venda de mercadorias", mas de "remessa por conta e ordem" da empresa situada na ZFM que vendeu as mercadorias, conforme assinalado no rodapé da própria nota fiscal nas "informações complementares" que traz a Fl. 6018DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 informação da razão social e o número da Nota Fiscal emitida pela empresa depositante, situada na ZFM. ... Deve, primeiramente, ser enfatizado que a fiscalização ao proceder à recomposição da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins já considerou todos os créditos e débitos informados pela própria contribuinte nas EFD apresentadas para o período fiscalizado, os quais estão consolidados nos Anexos III e IV do Relatório de Ação Fiscal. Nesses anexos não se vislumbra a existência de créditos decorrentes da devolução de vendas informados em EFD, na forma do art. 3º, inciso VIII das Leis º 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. As notas fiscais que a contribuinte anexou à impugnação tampouco comprovam a devolução de vendas do período, de vez que se referem à devolução de compras. Pela simples leitura dos trechos transcritos da decisão a quo acima, nota-se que que os apontamentos do relator foram específicos e cirúrgicos na medida em que: 1 - as mercadorias que o contribuinte indicou como mercadorias que não foram adquiridas da ZFM, em acordo com a EFD-Contribuições, com a CST 50, SPED e CFOP, foram todas adquiridas na ZFM e tiveram um mero período transitório nos armazéns gerais (entre muitos outros apontamentos relevantes); 2 – As notas fiscais anexadas como devoluções de “vendas” são, na realidade, devoluções de compras. Em Recurso Voluntário a recorrentes simplesmente reforçou os genéricos argumentos da Impugnação e não rebateu os pontos levantados na decisão de primeira instância. Deve ser negado provimento aos tópicos. - Juros sobre Multa. Após a publicação da Sumúla CARF n.º 108 o assunto deixou de ter controvérsia neste Conselho, visto que o entendimento consubstanciado nos precedentes que a formaram e seu texto vinculam os conselheiros para que repliquem o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Deve ser negado provimento ao tópico. - Conclusão. Fl. 6019DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.594 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.722150/2019-58 Diante do exposto, as preliminares devem ser rejeitadas e, com base nos mesmos motivos da decisão de primeira instância, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 6020DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.009636/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004, 2005
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar de nulidade do lançamento por vício formal quando observados os requisitos legais.
ITR. AUTO DE INFRAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO TEMPESTIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. LAUDO TÉCNICO.
O Ato Declaratório Ambiental (ADA) representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), impondo-se, para este fim, a sua apresentação tempestiva, dentro do prazo estipulado na legislação pertinente.
O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR.
Numero da decisão: 2402-009.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004, 2005 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar de nulidade do lançamento por vício formal quando observados os requisitos legais. ITR. AUTO DE INFRAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO TEMPESTIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. LAUDO TÉCNICO. O Ato Declaratório Ambiental (ADA) representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), impondo-se, para este fim, a sua apresentação tempestiva, dentro do prazo estipulado na legislação pertinente. O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-06-08T17:42:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-06-08T17:42:43Z; Last-Modified: 2021-06-08T17:42:43Z; dcterms:modified: 2021-06-08T17:42:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-06-08T17:42:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-06-08T17:42:43Z; meta:save-date: 2021-06-08T17:42:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-06-08T17:42:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-06-08T17:42:43Z; created: 2021-06-08T17:42:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-06-08T17:42:43Z; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-06-08T17:42:43Z | Conteúdo => SS22--CC 44TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10980.009636/2008-40 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2402-009.908 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 11 de maio de 2021 RReeccoorrrreennttee ECIRLEI ARNAEZ GIMENES IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004, 2005 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS FORMAIS. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar de nulidade do lançamento por vício formal quando observados os requisitos legais. ITR. AUTO DE INFRAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO TEMPESTIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. LAUDO TÉCNICO. O Ato Declaratório Ambiental (ADA) representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), impondo-se, para este fim, a sua apresentação tempestiva, dentro do prazo estipulado na legislação pertinente. O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (documento assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima – Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 36 /2 00 8- 40 Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.908 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.009636/2008-40 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Cuida-se de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve em parte o crédito tributário constituído em 25/07/2008 e consignado no Auto de Infração – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – Exercícios 2004 e 2005 – valor total de R$ 38.275,73 – com fulcro em falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, conforme descrição dos fatos consignada no auto de infração. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/06/2010, a Impugnante, agora Recorrente, mediante procurador devidamente qualificado nos autos, apresentou recurso voluntário em 12/07/2010, alegando, em apertada síntese, preliminarmente, a nulidade do lançamento por vícios formais; e, no mérito, a existência de área de preservação permanente através do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e laudo técnico. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima - Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/1972, portanto, dele conheço. Passo à apreciação. Por bem descrever a lide, resgato o relatório da decisão recorrida: Contra a interessada supra, foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 23 a 33, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR dos Exercícios 2004 e 2005 acrescidos de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 38.275,73, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Mandaguari, com área total de 234,7 ha, NIRF 3.737.042-1, localizado no município de Paranaguá/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 30 a 32) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que: houve falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural dos exercícios de 2004 e 2005; que a contribuinte foi intimada por via postal em 12/09/2007 a apresentar documentos que comprovassem os dados declarado nas DITR dos referidos exercícios; respondeu a intimação, requerendo prorrogação de prazo para a apresentação da documentação solicitada na intimação. Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.908 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.009636/2008-40 A contribuinte dentro do novo prazo estipulado não atendeu a intimação recebida, não apresentou a documentação comprobatória solicitada e não manifestou qualquer justificativa para não apresentar os documentos pedidos. Apesar de constar na base de dados referentes aos ADAs entregues, protocolo para o imóvel em questão, efetivado em 16/09/1998, indicando 209,7 ha de área de preservação permanente, foi procedida a glosa das áreas não tributáveis declaradas a título de preservação permanente, nos exercícios em espécie, pela não apresentação dos documentos solicitados na intimação. Quanto ao Valor da Terra Nua, tendo em vista a não apresentação de Laudo de Avaliação, o VTN relativo ao exercício de 2005 foi arbitrado considerando as informações do SIPT. Cientificada do lançamento em 28/07/2008, conforme AR de fl. 36, a interessada apresentou, impugnação, às fls. 38 a 49, aduzindo, em síntese, que: • O Auto de Infração é nulo, porque não foram expressos todos os dispositivos legais a que se refere o fato narrado pelo Auditor Fiscal, muito menos da multa aplicada, existe ausência dos elementos de prova indispensáveis para a comprovação do ilícito, contrariando então o art. 9° e o art. 10 do Decreto no 70.235/1972, também o art. 2°, § único, inciso I, da Lei n o 9.784/1999; • O lançamento fere o contraditório e a ampla defesa, previstas no art. 5°, LV. • Os juros e a multa aplicados não são devidos, porque a totalidade da área do imóvel é preservação ambiental, comprovada mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, expedido pelo Ibama, no valor de 209,7 hectares; • Transcreve ementas de vários julgados do Conselho de Contribuintes para justificar que as áreas de preservação permanente e reserva legal não dependem da prévia comprovação mediante apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA; • O fiscal autuante deve juntar ao presente processo prova hábil de que não são verdadeiros os dados informados nas declarações de ITR dos exercícios de 2004 e 2005, e Laudo de Avaliação que comprove que no imóvel não existe área de preservação permanente; • Solicita perícias/diligências, inclusive, designando o nome do profissional e quesitos a serem respondidos; • Por derradeiro, protesta por todos os meios de provas em direito admitidas e requer prazo para juntado do Laudo de Avaliação. Instruiu os autos com os documentos de fls. 51 a 106. No julgamento da impugnação, a DRJ decidiu por dar-lhe parcial procedência, reconhecendo área de preservação permanente equivalente a 22,3 ha, em ambos os Exercícios (2004 e 2005). Perante a segunda instância, a Recorrente reitera, em sede de preliminar, a nulidade do lançamento, e, no mérito, reclama pelo reconhecimento da área de preservação permanente informada nas DITR. Pois bem. Em face da preliminar de nulidade arguida pela Recorrente, de plano, entendo inexistir os vícios atribuídos ao lançamento. Com efeito, ao contrário do que alega a Recorrente, da simples leitura do auto de infração verifica-se, com clareza, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável (art. 10, IV, do Decreto n. 70.235/1972), bem assim todos os pressupostos de fato e de direito que lhe deram respaldo, possibilitando-lhe total conhecimento das infrações que lhe foram atribuídas (área de preservação indevidamente considerada e arbitramento do VTN), e, por consequência, amplo direito de defesa e ao contraditório (art. 2º. I, VII e VIII, da Lei n. 9.784/1999). Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.908 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.009636/2008-40 Ademais, foi exatamente a precisão do lançamento, quando da tipificação da infração atribuída à Recorrente, que permitiu a esta a perfeita compreensão dos fatos, bem assim da respectiva fundamentação legal, como se observa da profundidade e detalhamento da peça impugnatória e do recurso voluntário que ora se analisa, observando-se ainda que, em face dos argumentos aduzidos pela autoridade lançadora quanto ao arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), sequer a Recorrente se insurgiu. No que diz respeito ao mérito, a Recorrente aduz aos autos Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado no IBAMA em 16/09/1998, informando área de preservação permanente (APP) de 209,7 ha, relativo ao imóvel rural de NIRF 3.737.042-1(e-fls. 61/62), bem assim laudo técnico emitido por profissional habilitado (Engenheiro Florestal) em 26/09/2008 (não há informação de anotação de responsabilidade técnica no CREA) no qual é informada área de preservação permanente de 22,3737 ha (mapa de e-fl. 124), embora tenha sido afirmado no próprio laudo que a área da propriedade é de total preservação permanente. Todavia, para a exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR é imprescindível a apresentação do ADA ao IBAMA e que as áreas assim declaradas atendam ao disposto na legislação pertinente. Com efeito, de acordo com a Lei n. 4.771/65 (vigente à época dos fatos), é necessário para o enquadramento da área como de preservação permanente que se localize nas áreas geográficas discriminadas em seu art. 2º., sendo que, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, além de observar tais requisitos, deve, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA, no prazo estabelecido por aquela autarquia, bem assim enquadrar-se no modal deôntico (obrigatório) que qualifica a conduta prevista no art. 17-O, § 1º., da Lei n. 6.938/1981, com a redação dada pela Lei n. 10.165/2000. No mesmo sentido, o art. 10, § 3º., inciso I, do Decreto n. 4.382/2002, igualmente tratou da obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente. Na espécie, sequer consta ADA relativo aos Exercícios 2004 e 2005, tornando incontroversa a procedência da glosa da área de preservação permanente realizada pela autoridade fiscal. De observar, por relevante, que da leitura a contrario sensu do enunciado prescritivo 41 de Súmula CARF, de natureza vinculante, conclui-se que, a partir do Exercício 2001, a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado, é fundamento para o lançamento de ofício de ITR. Senão vejamos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). (grifei) Entretanto, não obstante a ausência de ADA, bem assim que laudo técnico não se constitui documento hábil a comprovar área de preservação permanente, a DRJ entendeu por aceitar como comprovada a área de preservação permanente de 22,3 ha, com base em informação consignada no mapa de e-fl. 124. Uma vez presente a impossibilidade de reapreciação desse ponto por este relator, em virtude da proibição de reformatio in pejus, prevalece a área de preservação permanente reconhecida pela decisão recorrida no montante de 22,3 ha. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.908 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.009636/2008-40 Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11686.000387/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jun 25 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-002.964
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-002.954, de 28 de abril de 2021, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 002.954, de 28 de abril de 2021, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para PIS, cumulado com declaração de compensação. A Unidade de Origem, embasada em Relatório Fiscal proferiu Despacho Decisório, no qual foi concedido parcialmente o crédito solicitado e homologada parcialmente a declaração de compensação. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 38 7/ 20 08 -1 4 Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.964 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000387/2008-14 O indeferimento parcial decorreu da constatação de supostas irregularidades, como a conclusão da Autoridade Fiscal pela não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros, bem como a apuração de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções, por não serem permitidos pela legislação. Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Os argumentos de defesa estão resumidos no respectivo relatório do acórdão recorrido e, na ementa, sumariados os fundamentos da decisão, devidamente detalhados no voto condutor. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando o recurso voluntário, pelo qual reiterou os argumentos da peça de manifestação de inconformidade, e pediu o provimento para que seja reconhecido o direito de constituir e descontar créditos de PIS e COFINS referente aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja de produto acabado, seja de matéria prima, bem como para excluir os créditos de ICMS da base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1. Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 2. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência Conforme relatado, a DRF de origem concedeu parcialmente o crédito solicitado pela Contribuinte, sob a conclusão de que foram constatadas as seguintes irregularidades: Não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros; Apuração indevida de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções; Com relação à cessão onerosa de ICMS, argumentou a Fiscalização que essa operação equipara-se a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e origina receita tributável, devendo compor a base de cálculo para a contribuição para o PIS e da COFINS. Argumentou, ainda, que ao realizar a aquisição de produto sujeito à incidência do ICMS, está comprando a mercadoria propriamente dita, bem como comprando o crédito do imposto inerente àquele produto e, posteriormente, será alienado juntamente com a mercadoria, além de alienação do crédito fiscal, não sendo possível dispensar tratamento tributário diferenciado, devendo incidir PIS/COFINS sobre tais operações para restabelecer o equilíbrio tributário na operação. Por sua vez, argumenta a Recorrente que: Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.964 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000387/2008-14 Não houve alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a Autoridade Fiscal, a quem incumbiria o ônus de provar tal alegação; É titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a título de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas interestaduais de fertilizantes; Em processos com igual discussão, referentes a outros semestres, a Fiscalização reconheceu que os créditos de ICMS constantes da escrita fiscal da impugnante referiam ao benefício fiscal outorgado pelo Estado do Rio Grande do Sul e não de cessão onerosa de ICMS, de acordo com documento anexado aos autos; Caso fosse cessão de ICMS a terceiros não haveria tributação, pois deveria aplicar a Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008, que desonera a incidência de PIS e Cofins sobre cessão onerosa de ICMS, tendo aplicação retroativa, por ser norma mais benéfica, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional; A DRJ rejeitou os argumentos da Contribuinte, concluindo que bastaria a demonstração fidedigna de que o destino de qualquer uma das transferências identificadas no demonstrativo fiscal teria sido diverso daquele relatado pela Fiscalização para evidenciar o alegado equívoco ou que não houvesse outra operação. Ocorre que a Recorrente apresentou nos autos o Termo de Acordo firmado com o estado do Rio Grande do Sul, pelo qual concede à Recorrente crédito presumido de ICMS em montante igual ao que resultar da aplicação do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria. Por sua vez, a Fiscalização fez menção à cessão de onerosa de créditos de ICMS, passando a discorrer sobre a natureza de tais operações e sem, no entanto, apontar detalhadamente a origem dos valores sobre os quais efetuou os ajustes, incluindo a tributação a título de PIS/COFINS. Igualmente cabe salientar que os documentos solicitados pela Unidade de Origem foram entregues por ocasião do termo de Início de Fiscalização, motivo pelo qual não pode ser considerada a omissão quanto ao ônus da prova sustentada pelo ilustre julgador de primeira instância. E a matéria de defesa trazida pela Recorrente neste processo, ou seja, a existência de crédito presumido de ICMS, foi objeto de análise em outros processos da mesma Contribuinte, a exemplo do PAF nº 11080.917958/2011-76, igualmente sorteado para esta relatora. Diante de tais fatos, resta demonstrada dúvida acerca da origem dos valores apurados pela Fiscalização, a qual deve ser sanada antes de se proceder ao julgamento deste litígio. Esclareço que esta Relatora não afasta a necessária aplicação da regra do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, uma vez que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Todavia, diante dos indícios acima, tornando possível o erro ventilado, aplica-se o Princípio da Verdade Material, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, devendo prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. O Ilustre Doutrinador MEIRELLES (2003, p. 660) 1 assim preleciona: O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro, 28. ed. atualizada. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 660. Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.964 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000387/2008-14 Observo igualmente a necessária atenção aos Princípios da Finalidade e Razoabilidade na busca pela verdade material. No mesmo sentido, destaco a lição de Leandro Paulsen 2 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Com isso, antes de proceder ao julgamento, é necessário que a Unidade de Origem preste esclarecimentos sobre a motivação exposta na Informação Fiscal, em especial por não ter considerado o Acordo firmado com o Estado do Rio Grande do Sul para concessão do crédito presumido de ICMS, cujo incentivo fiscal a Contribuinte identifica como os valores que a Fiscalização aponta se tratar de cessão onerosa de créditos de ICMS. Observo, ainda, que não estão nos autos os documentos apontados pelo ilustre Julgador a quo, passíveis de fazer concluir que, de fato, deveria a Contribuinte afastar o argumento da Fiscalização quanto à origem dos ajustes realizados sobre os valores levados à compensação. Por outro lado, a Fiscalização menciona a glosa dos créditos originados de fretes de transferências e fretes de devolução, sem especificar a que títulos se deram tais transportes, ou seja, se referem a transferências de matéria-prima, embalagens ou produto acabado. Entendo que seja imprescindível tal detalhamento, evitando inviabilizar a discussão individual de cada item glosado, especialmente em razão de eventuais divergências sobre o tipo de cada operação e, principalmente, em razão do novo conceito de insumo trazido pelo Superior Tribunal de Justiça através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, para o qual a tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.964 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000387/2008-14 d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN- MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10855.900086/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3301-010.311
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.310, de 27 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 10855.900085/2014-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO RECORRIDA. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER. FUNDAMENTAÇÃO NÃO IMPUGNADA. “TRÂNSITO EM JULGADO”. OCORRÊNCIA. A falta de impugnação, no recurso voluntário, do motivo principal em que a decisão recorrida foi fundamentada, erro no preenchimento do Pedido de Ressarcimento (PER), torna aquela decisão definitiva na esfera administrativa. CRÉDITOS PLEITEADOS. DEDUÇÃO EM OUTRO PROCESSO. ANÁLISE E JULGAMENTO. PREJUDICADOS. A análise e julgamento, nesta fase recursal, da alegação de que os créditos do ressarcimento pleiteados, que haviam sido utilizados pela Fiscalização, na apuração de diferenças da contribuição, exigidas em outro processo, por meio lançamento de ofício, com decisão favorável ao contribuinte, ficaram prejudicados, em face da concordância tácita da recorrente com a fundamentação de erro no preenchimento do PER em que se fundamentou a decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.310, de 27 de maio de 2021, prolatado no julgamento do processo 10855.900085/2014-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, e Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 86 /2 01 4- 89 Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.311 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.900086/2014-89 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento, objeto deste processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP deferiu parcialmente o pedido, sob o fundamento de que, analisadas as informações constantes do PER, apurou-se um valor inferior ao solicitado, conforme consta do despacho decisório e do resultado da análise do valor do direito creditório. Inconformada com o deferimento parcial do PER, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que a DRF, na apuração do valor do ressarcimento pleiteado, não levou em conta os créditos passíveis de descontos sobre bens importados, vinculados a receitas de exportação. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a improcedente, sob o fundamento de que o contribuinte incluiu indevidamente no PER/Dcomp em discussão créditos decorrentes de operações de importações; o ressarcimento de créditos descontados de insumos importados deve ser objeto de PER vinculado a operações no mercado interno e não de operações do mercado externo; por outro lado, os créditos reclamados já foram utilizados para dedução das contribuições lançadas e exigidas no lançamento de ofício, objeto do processo nº 10855.724216/2016-32. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, requerendo a sua reforma para que seja reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, que o processo 10855.724216/2016-32 no qual os créditos, ora reclamados, foram utilizados para a apuração das diferenças da contribuição, exigidas por meio de lançamento de ofício, já transitou em julgado com decisão favorável a ela. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim dele conheço. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.311 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.900086/2014-89 A DRJ manteve o indeferimento do PER sob o fundamento de erro no seu preenchimento e, subsidiariamente, pelo fato de os créditos pleiteados terem sido utilizados pela Fiscalização na dedução dos valores das contribuições lançadas e exigidas no processo administrativo nº 10855.724216/2016-32. O PER transmitido pelo contribuinte refere-se ao saldo credor trimestral da Cofins não cumulativa, decorrente da aquisição de insumos, nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, vinculados a operações do mercado externo. No recurso voluntário, a recorrente silenciou-se, quanto ao erro no preenchimento do PER, e limitou sua razão de impugnar à alegação de que o processo nº 10855.724216/2016-32 em que os créditos foram utilizados na apuração de diferenças da contribuição, exigidas de ofício, já transitou em julgado na esfera administrativa com decisão favorável a ela. Ao silenciar, quanto ao fundamento de erro no preenchimento do PER, utilizado pela Autoridade a quo, para manter o indeferimento do PER, a recorrente concordou tacitamente com a decisão decorrida neste ponto, tornando-a definitiva na esfera administrativa. Já, quanto a segunda razão interposta nesta fase recursal, decisão favorável no processo administrativo nº 10855.724216/2016-32, sua análise e julgamento ficaram prejudicados, tendo em vista que a fundamentação utilizada pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, erro no preenchimento do PER, não foi impugnada o que torna aquela decisão definitiva na esfera administrativa, independentemente, da decisão sobre aquele processo. A título de esclarecimento, cabe informar que, ao contrário do alegado pela recorrente, o processo administrativo nº 10855.724216/2016-32 ainda não possui decisão definitiva na esfera administrativa. Consulta feita ao sistema e-Processo, neste mês de maio de 2021, comprova que ele se encontra na DISOR-CEGAP- CARF-CA03, na atividade “Verificar CONTENCIOSO-Distribuição”. Cabe ainda ressaltar que o crédito exigido no processo nº 10855.724216/2016-32, diferenças de PIS e Cofins, decorreu do procedimento administrativo fiscal em que, além destas contribuições, foram também exigidos IRPJ e CSLL por meio do processo nº 10855-724215/2016-98. Em ambos os processos, os recursos que subiram para o CARF analisar e julgar foram somente os recursos de ofícios interpostos pela DRJ. No processo do IRPJ e da CSLL, já houve decisão administrativa definitiva favorável à recorrente, nos termos do Acórdão nº 1302-003.276, de 11/12/2018. Assim, considerando que a recorrente não impugnou nesta fase recursal o fundamento em que a decisão recorrida foi fundamentada, o indeferimento do PER deve ser mantido. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.311 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.900086/2014-89 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13631.000068/99-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 19 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1302-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator) que conheceu do recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator) que conheceu do recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPETÊNCIA RESIDUAL. PREVENÇÃO. Recorrente INCOMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO MATIPO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator) que conheceu do recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 31 .0 00 06 8/ 99 -1 7 Fl. 737DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 738 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1675.071, de 24/11/2016, da 21ª Turma da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/07/1999 Restituição de valores recolhidos a título de Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café. Diante da decisão judicial, já transitada em julgado, restou garantido à interessada o direito à restituição do indébito. O SEORT/ALFSTS homologou parcialmente o direito creditório, não reconhecendo a correção monetária pleiteada. O interessado ingressou com manifestação de inconformidade, a fim de que o crédito reconhecido em seu favor fosse acompanhado da plena correção monetária. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. Recolhimentos atribuídos ao BANCO BANESPA não foram confirmados face à informação do agente arrecadador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Assim, adoto os seguintes trechos do relatório do Acórdão recorrido, tendo em vista que apresentam de forma objetiva os fatos e fundamentos sobre os quais insurge a recorrente: Tratase de processo no qual o interessado em epígrafe solicita às fls. 1 a 23, a restituição de R$ 24.847.906,53 (vinte e quatro milhões, oitocentos e quarenta e sete mil, novecentos e seis reais e cinqüenta e três centavos), importância recolhida a título de quotas de contribuição sobre exportações de café de que trata a Instrução n° 205, de 12 de maio de 1961 da antiga Superintendência da Moeda e do Crédito, com as alterações do DecretoLei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986. Para instrução do Pedido de Restituição o interessado apresenta os seguintes documentos: a) requerimento de Pedido de Restituição subscrito pelo procurador da empresa (...) protocolizado na ARF/MAU/MG em 25/08/1999 (fl. 1); (...) f) coletânea de cópias de extratos de acórdãos, pareceres, portarias, instruções normativas, normas de execução e outros textos legais (fls. 38 a 128); Fl. 738DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 739 3 g) planilha de atualização monetária contendo cálculos de coeficientes de atualização e expurgos inflacionários aplicados a valores indicados como originais (fls. 130 a 140); h) DARFs originais referentes ao período de 04/10/1988 a 07/03/1990 (fls. 142 a 716); i) petição de análise parcial dos alegados créditos tributários (fls. 842). A Alfândega do Porto de Santos assim se pronunciou sobre o pleito, em 05/11/2007: Um dos prérequisitos para apreciação de mérito da petição objeto deste processo é a confirmação, ou não, de todos os pagamentos informados pelo contribuinte. Não estando concluída a pesquisa junto às instituições bancárias e/ou controles de arrecadação no âmbito da RFB (exSRF), e não havendo despacho decisório versando sobre o mérito do pedido, não há como considerar que seja devida qualquer importância ao contribuinte, sendo, portanto, inoportuno cogitar a antecipação de restituição, mesmo que parcial, uma vez que se trata ainda de mera expectativa de direito. Ademais, caso se constate que um ou mais pagamentos não foram confirmados, submetese o contribuinte a procedimentos complementares para apuração plena da autenticidade de todos os DARFs apresentados e a conseqüente confirmação dos pagamentos indicados, verificandose a existência ou não de fraude com todas as conseqüências previstas em lei para tais casos, acarretando óbvia repercussão também para a conclusão do presente processo. Assim sendo, descarto, de plano, o atendimento à solicitação de fls. 842. face à inexistência de previsão legal para tal procedimento e às impropriedades acima observadas. (...) Ao caso em apreciação no presente processo aplicase o Ato Declaratório SRF n° 096, pois: a) as quotas de contribuição sobre operações de exportação de café de que tratam ia Instrução n° 205/61, da antiga Superintendência da Moeda e do Crédito, com as alterações do DecretoLei n° 2.295/86, foram objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal, que declarou a sua inconstitucionalidade; b) os pagamentos hipótese de extinção do crédito tributário prevista no inciso I do artigo 168 do CTN ocorreram no período de outubro/1988 a março/1990, o que configura, portanto, a ocorrência da hipótese de decadência, por decurso de prazo, em vista da data de protocolização do processo, agosto/1999. Desta forma, sob amparo dos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), do artigo I do Ato Declaratório SRFn° 096, de 26/11/1999 (D.O.U. de 30/11/1999), artigos 2o e 42 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, e com fulcro em todo o exposto acima, sem adentrar o mérito de validação Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 740 4 ou não dos pagamentos alegados bem como quanto à metodologia de cálculo utilizada pelo contribuinte para a sua atualização monetária (...) Por fim, decidiu: 28. Com fundamento no parecer/proposta supra, que aprovo na íntegra, e no uso da competência outorgada pelo artigo 42 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, e ainda com fundamento nos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), do artigo I do Ato Declaratório SRF n° 096, de 26/11/1999 (D.O. U. de 30/11/1999), artigos 2o da IN SRF n° 600, DECIDO INDEFERIR a solicitação de análise parcial dos valores tidos como "confirmados" constante às folhas 842; INDEFERIR, por ocorrência do prazo decadencial, o pedido de restituição da importância de R$ 24.847.906,53 (vinte e quatro milhões, oitocentos e quarenta e sete mil, novecentos e seis reais e cinqüenta e três centavos) referente a quotas de contribuição sobre operações de exportação de café requerido através de formulário (fls. 1) e petição fundamentada (fls. 2 a 23). Ressalvese que a presente decisão não abrange considerações de mérito sobre a validação ou não dos pagamentos alegados bem como a metodologia de cálculo utilizada pelo contribuinte para a sua atualização monetária. O interessado foi cientificado da decisão, via Aviso de Recebimento, em 09/01/2008 (folhas 858). Foi apresentada Manifestação de Inconformidade à Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo, em 31/01/2008, de folhas 858/888. Em 15/05/2008, através do Acórdão n° 1724.954, a 1a Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, assim se manifestando: I DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO STF E OS ÓRGÃOS JULGADORES ADMINISTRATIVOS O Parecer PGFN n° 948/98, estipula que "devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato administrativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal". Tal procedimento só seria possível, nas decisões sem eficácia erga omnes, se houvesse expedição de súmula pela Advocacia Geral da União (artigo 2o do Decreto n° 2.346/97) ou determinação do Secretário da Receita Federal ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional (artigo 4º do Dec. n° 2.346/97), no âmbito de suas competências. Os órgãos que administram a fiscalização e a arrecadação dos tributos e contribuições federais possuem obrigações típicas de sua missão funcional, além da necessidade da rigorosa observância às orientações legais de seus superiores hierárquicos. (...) II DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DE PRAZO DECADENCIAL O instituto da decadência é calcado no princípio da segurança das relações jurídicas, onde a inércia acarreta a perda do direito. Com a declaração de Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 741 5 inconstitucionalidade de uma lei tributária, o efeito da decisão, em princípio, retroage até a edição do ato (efeito "ex tunc"), conforme consta do texto do Dec. nº 2.346/97, embora essa retroatividade comporte exceção: "Art. 1º, § 1°: Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia "ex tunc"produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional, não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2°: O disposto no parágrafo anterior aplicase igualmente, a lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão da execução pelo Senado Federal. " Dessa forma, num primeiro raciocínio, diríamos que os tributos pagos em razão de lei posteriormente declarada inconstitucional, deveriam ser restituídos. Entretanto, a possibilidade de o direito retroagir no tempo, modificando situações cujo desfazimento seria impossível, ou no mínimo inconveniente, é questão a ser examinada mais profundamente face às disposições da legislação em vigor. Isso porque, se o direito pudesse retroagir a qualquer tempo, e por períodos indefinidos, o próprio princípio da segurança das relações jurídicas ficaria desatendido. Às vezes, situações consolidadas no passado há muito tempo, não podem e não devem mais ser desfeitas, sob pena de a própria sociedade ficar desamparada face à impossibilidade de confiar nas situações que o próprio direito criou e cristalizou. Por fim, assim decidiu: Ao final, de todo o exposto, concluo no sentido de que o pedido não pode ser apreciado em seu mérito (pagamento efetuado, cálculos, acréscimos legais, não transferência a terceiro do ônus financeiro etc.) pela existência de duas preliminares impeditivas: a primeira, a inconstitucionalidade invocada não tem efeito para o contribuinte deste processo e não pode beneficiálo e a segunda, pelo transcurso do prazo decadencial. Por esse motivo VOTO pelo INDEFERIMENTO da SOLICITAÇÃO de restituição. Regularmente intimado, o interessado apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, em 07/07/2008, de folhas 1.015 à 1.055. O Acórdão de Recurso Voluntário foi prolatado pelo Conselho de Contribuintes, em 31/01/2013, que por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a prejudicial de decadência relativamente aos recolhimentos efetuados em data anterior a 24/08/1989 e devolver o processo à instância recorrida, para análise das demais questões de mérito. Esse é o disposto no artigo 233 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, normatizado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 742 6 (...) IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. O mérito do pleito não foi enfrentado pela Alfândega do Porto de Santos, quanto ao Pedido de Restituição e em particular quanto à metodologia de cálculo utilizada pelo contribuinte para atualização monetária dos pagamentos. Portanto, a 23ª Turma do DRJ/SPO, à ocasião, invocando os mesmos motivos que a 2 ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, determinou o retorno dos autos à Alfândega do Porto de Santos para o exame do Mérito, sob a mácula de supressão de instância caso assim não se proceder. Através de novo Despacho Decisório, a Alfândega do Porto de Santos, DEFERIU PARCIALMENTE a restituição pleiteada, que conforme critérios de atualização expostos no parecer supra correspondem, até o mês de agosto/2016, a R$898.008,07 (oitocentos e noventa e oito mil e oito reais e sete centavos) Regularmente intimado, via Aviso de Recebimento, em 25/09/2016 (folhas 591), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/10/2016, de folhas 618 a 635, a qual, nos termos da ementa retro transcrita, foi julgada improcedente, por unanimidade. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido em 09/12/2016 e interpôs Recurso Voluntário tempestivamente em 15/12/2016 (art. 33, Dec. nº. 70.235/72). Destacamse as seguintes razões de recurso: 2.2. NO MÉRITO 2.2.1. DO DIREITO DA RECORRENTE À PLENA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE EM SEU FAVOR Como já mencionado, o v. acórdão recorrido manteve a decisão da Inspetoria da Alfândega do Porto de Santos no sentido de aplicar à correção do crédito a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 em detrimento dos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561/2007. Para aquele Colegiado os "expurgos inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite". Data maxima venia, tal posicionamento não se sustenta, porquanto em total descompasso com a já consolidada jurisprudência desse Conselho, do E. STJ, e da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, desde dezembro de 2008. Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 743 7 Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais (os quais não constam da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97), como fator de atualização monetária de créditos tributários recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. Seguem alguns julgados do STJ que podem ilustrar o posicionamento já consolidado: RESP 445630, RESP 709810, Ação Rescisória 568/SP, RESP 256704, RESP 952809. Isso se deve ao fato de que a correção monetária tem por escopo, tão somente, manter no tempo o valor real da moeda, sendo, fundamentalmente, mero mecanismo de manutenção do poder aquisitivo em face do processo inflacionário, o que, de fato, não gera acréscimo nenhum ao valor objeto do pedido de restituição, tampouco traduz sanção punitiva ao Erário. A correção monetária nada acrescenta ao patrimônio das pessoas, esmerandose por traduzir a valor presente a expressão monetária de idêntico quantitativo do conteúdo original. A sua falta, esta sim, mutila direitos e agride os princípios basilares que devem nortear as relações entre o Fisco e o Contribuinte. Logo, imperativo é que se aplique sobre o indébito a respectiva atualização monetária, mormente num país que já teve inflação descontrolada, sob pena de se depreciar o conteúdo econômico da pretensão, podendo, até mesmo, reduzila a nada, pela habitual demora da administração tributária na satisfação de processos dessa natureza. Nesse contexto, o critério objetivo para determinação dos índices de correção monetária aplicáveis ao indébito tributário, conforme a farta jurisprudência judicial e administrativa, encontrase na Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561, de 02 de julho de 2007, a qual aprovou o Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal (em suas diretrizes gerais para liquidação de sentença, Capítulo IV do referido Manual, assim está disposto acerca da correção monetária). Isso porque as determinações do Conselho Nacional de Justiça estão em consonância com a natureza jurídica da correção monetária, que não se constitui em um plus, mas em mera recuperação do valor do indébito, permitindo a integral devolução do tributo pago a maior, e inibindo o enriquecimento ilícito do devedor. Sendo assim, pelo critério mais objetivo possível, ou seja, a simples aplicação das determinações de cálculo da Justiça Federal, os índices de correção monetária devem ser aqueles recompostos pelos expurgos inflacionários. Nesse sentido, importa rememorar que a Corte Especial do C. Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria em julgamento submetido ao rito dos Recursos Repetitivos, destacando que a plena correção monetária com aplicação dos expurgos inflacionários, conforme Manual aprovado pela Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal, é matéria de ordem pública e deve ser observada "independentemente do querer da Fazenda Nacional", conforme se vê da ementa a seguir reproduzida: "RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3o, DA Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 744 8 LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4o, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP1.002.932/SP). (...) 3.A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4.A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, 'os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamsef independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos' (REsp 66733/DF, Rei. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). (...)" (REsp 1.112.524 DF, Corte Especial, Rei. Min. Luiz Fux, DJe 30/09/2010) (grifouse) Não é demais lembrar que esse E. Conselho, por força do disposto no art. 62, § 2o do RICARF, está obrigado a reproduzir o entendimento adotado pelo STJ sob o rito dos repetitivos. E foi justamente com base nas decisões reiteradas do Superior Tribunal de Justiça que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fulcro no inciso II do artigo 19 da Lei n° 10.522/02, emitiu o Parecer PGFN/CRJ n° 2601/2008, dispensando a apresentação de impugnação e recursos, assim como a desistência dos já interpostos, em ações judiciais que: "visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 745 9 Justiça federal, aprovada pela Resolução n.° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007". Frisese que a Procuradoria da Fazenda Nacional reconhece expressamente que o STJ entende pela incidência dos expurgos inflacionários para fins de atualização monetária de débitos judiciais, determinando a aplicação dos índices previstos na Tabela Única da Justiça Federal. E o quanto dispõe o item 8 do Parecer ora tratado: A análise da jurisprudência acima colacionada permite a conclusão de que o STJ tem se posicionado de forma bastante complacente a respeito da matéria, não apenas reconhecendo a incidência dos expurgos inflacionários para fins de atualização monetária de débitos judiciais, mas também estatuindo que devem ser aplicados os índices previstos na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, verificase que, em face da ausência de qualquer perspectiva de sucesso, a Fazenda Nacional passou a adotar o posicionamento pacificado do STJ, reconhecendo a aplicação dos indexadores e expurgos inflacionários aos créditos tributários oriundos de decisão judicial transitada em julgado. Vale observar que o aludido Parecer foi devidamente aprovado pelo D. Procurador Geral da Fazenda Nacional, por meio do Ato Declaratório PGFN n° 10, de 1o de dezembro de 2008, assim como pelo Exmo. Ministro da Fazenda, por meio de Despacho publicado Diário Oficial da União de 08/1^20085 (Seção I, pág. 11): Aprovo o PARECER PGFN/CR]/N° 2601/2008, de 20 de novembro de 2008, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos, bem como pela autorização de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.° 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. De acordo com o artigo 19 da Lei n° 10.522/02, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, sendo que eventual sentença não se subordinará ao duplo grau de jurisdição. Ou seja, por respeito à economia processual e com o objetivo de evitar a sobrecarga do Judiciário com matérias já pacificadas pelo Superior Tribunal de Justiça, como ocorre no presente caso, a Fazenda Nacional encontrase obrigada, por força do Ato Declaratório n° 10/2008, a reconhecer o direito do contribuinte de reaver o indébito tributário devidamente corrigido mediante a aplicação dos indexadores e expurgos inflacionários previstos no Manual aprovado pela já mencionada Resolução n° 561. O Ato Declaratório aprovado pelo Ministro da Fazenda, como ocorre in casu, também produz efeitos na esfera administrativa. Segundo o artigo 19 do mencionado diploma legal, a Receita Federal deve se abster de constituir créditos consubstanciados na utilização supostamente indevida dos expurgos inflacionários nas compensações. Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar o crédito tributário, aplicandose os índices plenos de correção monetária, em obediência ao Parecer PGFN/CRJ n° 2601/2008. Leiase: Fl. 745DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 746 10 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004) Como se vê, a teor do § 4° supratranscrito, a Receita Federal está obrigada a observar o disposto em Ato Declaratório aprovado pelo Ministro da Fazenda, de modo que a realização do cálculo sem considerar os expurgos inflacionários, como ocorre in casu, implica em desobediência ao mencionado dispositivo legal. Nesse contexto, o decisum ora combatido merece ser reformado para que sejam aplicados os índices constantes da Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n° 561/2007, pois o tributo em questão foi pago indevidamente e, como tal, deve ser atualizado monetariamente para fins de restituição ou compensação. O princípio da moralidade administrativa exige que os créditos dos sujeitos passivos tenham seus valores preservados até a sua efetiva utilização, sendo abominável que a administração tributária possa mutilar esse direito, deliberando pelo retardamento da restituição / compensação, como pretendido no presente caso. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicando o entendimento consolidado pelo C. STJ no já citado REsp 1.112.524/DF, em observância ao art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF vigente à época, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em caso análogo ao presente, determinandose expressamente a inclusão dos expurgos inflacionários mediante a aplicação dos índices de correção monetária constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, nos termos da ementa a seguir: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Por força do disposto no art. 62A do Anexo IÍ da Portaria MF n° 256/2009, a decisão exarada no Recurso Especial n° 1.112.524/DF (Representativo de Controvérsia) deve ser reproduzida por esta instância de julgamento, razão pela qual o direito creditório da contribuinte deve ser corrigido conforme índices estabelecidos na Tabela Única aprovada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ). (Acórdão n° 990000.297, Pleno da CSRF, Rei. Alberto Pinto Souza Júnior, em 08/12/2011) Não é demais ressaltar que esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem acompanhando o entendimento pacificado do STJ, como se vê nas seguintes ementas de recentes julgados: Fl. 746DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 747 11 "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 14/11/1997 a 10/03/1998 PIS SEMESTRALIDADE. SUMULA CARF 15. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. (...) COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, impõese a aplicação, nos pedidos de restituição/ compensação em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.° 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF." (Acórdão: 3401003.230, Rei. Eloy Eros da Silva Nogueira, j. em 26/09/2016) Diante dessa remansosa jurisprudência, a própria Advocacia Geral da União, por meio do Parecer NAGU/MF n.° 01/96 (Doe. 03), ratificou o direito dos contribuintes à aplicação dos expurgos inflacionários ao indébito tributário, nos seguintes termos: "PARECER AGU N° 0196 ASSUNTO INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA NAS PARCELAS DEVIDAS EM RAZÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE À LEI 8.383/91 EMENTA: Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida a correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. E, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da Lei não cobre tudo o que seu espírito se contém, a interpretação interativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores a Lei 8.383/91 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção monetária em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito à atualização do valor reclamado. O poder Judiciário não cria, mas, tão somente, aplica o direito porque ele existe." O Parecer em tela presta homenagem ao princípio constitucional da moralidade, aplicável à Administração Pública. Consigna também o entendimento da impossibilidade de haver enriquecimento ilícito ou confisco, definindo ser a correção monetária plena medida de justiça, presente por si só no ordenamento jurídico. Cumpre ressaltar, nesse aspecto, que, porquanto devidamente aprovado e publicado, o citado Parecer vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento, nos termos do § 1.° do art. 40 da Lei Complementar n.° 73, de 10/02/1993, litteris: "Art. 40 Os pareceres do Advogado Geral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1o O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento." Fl. 747DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 748 12 Ou seja, diferentemente do quanto asseverado no acórdão ora combatido, existe expressa autorização legal para aplicar os índices de correção monetária constantes da Tabela da Justiça Federal, vez que, como mencionado, o Parecer da AGU supramencionado vincula a Administração Federal. Assim, mostrase totalmente descabida a restrição imposta pela decisão combatida quanto à aplicação dos índices de correção monetária pleiteados pela Recorrente. Ou seja, a correção monetária do crédito deve, em atenção à pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do CARF, além do próprio posicionamento da Procuradoria da Fazenda Nacional aprovado pelo Ministro da Fazenda, e da Advocacia Geral da União, ser aplicada com base nos índices que reflitam a real inflação do período. DOS RECOLHIMENTOS REALIZADOS NO BANCO BANESPA O v. acórdão, ora combatido, entendeu que os recolhimentos atribuídos ao Banco Banespa não foram confirmados, vinculandose, assim, ao art. 10 da Portaria Codac n° 89, tendo em vista a informação do agente arrecadador em resposta à intimação para esclarecimentos. Pois bem. Como se sabe, à época eram realizados leilões das cotas de café pela BM&F, sendo considerada vitoriosa a empresa que pagasse o maior ágio. Os corretores da bolsa então enviavam para a empresa as informações para pagamento (números dos lotes e quantidades de sacas e valores da contribuição a serem pagos). A empresa então procedia ao recolhimento e enviava a guia ao IBC, que só liberava a guia de exportação após a confirmação de que o pagamento havia sido creditado. É de se concluir, portanto, que as guias de exportação referentes aos recolhimentos contestados jamais teriam sido emitidas se o IBC não tivesse confirmado os pagamentos; Além disso, não é demais lembrar que todos os DARF ORIGINAIS encontramse acostados aos autos e, como se sabe, o DARF original é documento suficiente à comprovação do recolhimento indevido. Mais do que isso, o próprio Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, conforme ementa a seguir, que a cópia autenticada do documento de arrecadação é suficiente para comprovação do recolhimento indevido, com muito mais razão, portanto, o original; "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FINSOCIAL. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.383/91 E LEI N. 9.430/96. TAXA SELIC INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1.A cópia autenticada de DARF é documento hábil para a comprovação do recolhimento indevido de tributo em sede de ação de repetição do indébito. 2.Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e, de 5 (cinco) anos a contar da homologação, se esta for expressa. 3.A sistemática introduzida pela redação original do art. 74 da Lei n. 9.430/96, que possibilita a compensação de tributos de espécie e destinação diferentes, exige necessariamente prévio requerimento administrativo do contribuinte à Receita Federal. 4.Na repetição do indébito, aplicase a taxa Selic a partir de 171/1996, conforme o disposto no art. 39, § 4o, da Lei n. 9.250/95. Fl. 748DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 749 13 5.Recurso especial parcialmente provido." (REsp 513.244/RJ, Rei. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2006, DJ 20/10/2006, p. 325) Não bastasse a suficiência da documentação coligida aos autos, há que se considerar o fato de que a instituição financeira só foi oficiada para atestar que os valores entraram efetivamente nos cofres públicos no ano de 2006, ou seja, mais de 17 anos depois dos recolhimentos contestados; Por óbvio os bancos não teriam controles tão antigos, ainda mais o Banespa que sequer existe mais! Mas isso não ilide a prova de que as contribuições foram pagas, conforme comprovado nos próprios autos. Por certo, não pode a Requerente ser prejudicada em seu direito de reaver as quantias indevidamente recolhidas em razão da demora na análise e processamento do pedido, de modo que devem ser considerados no montante a restituir também os valores pagos no Banco Banespa, que representam 35% do valor total dos recolhimentos (Doc. 04). Por fim, ad argumentandum, a partir da página 13, o acórdão tece considerações acerca de supostas "acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou a autuação". Ora, com a devida vênia, em momento algum isso foi arguido pela Recorrente ou posto em discussão nos autos, até mesmo porque não se trata de auto de infração! DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer seja dado provimento à presente recurso voluntário, a fim de que sejam incluídos no montante a restituir os valores recolhidos junto ao Banco Banespa e, além disso, seja aplicada ao crédito a plena correção monetária, o que somente ocorrerá com a recomposição dos expurgos inflacionários correspondentes aos índices de 42,72% jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 21,87% (fev/91), bem como da taxa SELIC a partir de janeiro de 1996, conforme constam da Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561/2007, a qual aprovou o Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. Na forma relatada, a Recorrente obteve parcial deferimento de Pedido de Restituição de valores recolhidos a título de Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café, decorrentes de sentença transitada em julgado, nos termos da qual houve o reconhecimento da inconstitucionalidade de tal cobrança. Os pontos controvertidos a serem analisados são os seguintes: a) direito do recorrente à correção monetária do crédito, incluindose os expurgos inflacionários; e Fl. 749DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 750 14 b) o reconhecimento dos recolhimentos realizados no Banco Banespa (Darfs/Autenticações). Verificase, portanto, que está assegurado à Recorrente o direito à restituição dos valores relativos à referida Contribuição sobre Exportação de Café. Remanesce, somente, o exame quanto às regras que devem ser observadas na atualização dos respectivos valores. Há, ainda, a necessidade de se concluir a respeito da validade das autenticações inscritas sobre os Darfs juntados, tendo em vista a negativa quanto a sua autenticidade declarada pelo extinto Banco do Estado de São Paulo (Banespa S.A.), na qualidade de instituição financeira arrecadadora. Assim, analisamos se seria de competência dessa 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, o exame de tais questões e, com base nas disposições do Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 2º, inc. VII, abaixo transcritas, concluímos que, tal contribuição estaria compreendida pela competência residual desta 2ªTO, dada a possibilidade de ser considerada como matéria correlata não incluída na competência julgadora das demais Seções. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Com esse entendimento, concluo que cabenos a apreciação das referidas matérias controversas, sobre as quais passo à análise. Do Pedido de Correção Monetária incluindose os Expurgos Inflacionários Com relação à correção monetária, adoto as seguintes razões de decidir da DRJ: Os expurgos inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. Assim já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão nº 30335716 Sessão de 15 de outubro de 2008 Recurso nº: 137738 Voluntário Processo: 13805 .00 15S1/9862 Matéria; FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/1989 a 30/06/1991 Ementa: EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA, CORREÇÃO MONETÁRIA, NÃO CABIMENTO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Expurgos inflacionários somente podem ser aplicados na execução administrativa quando determinados judicialmente. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR ND 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. (...) Fl. 750DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 751 15 Como já mencionamos anteriormente, tratase de uma faculdade do contribuinte optar pela execução administrativa como alternativa à via judicial e, quando assim opta, deve submeterse aos procedimentos e índices de correção legalmente autorizados à Administração, cuja atividade é vinculada. Para o período a que se refere o presente processo, tanto na exigência de créditos tributários eventualmente cobrados do contribuinte, quanto nas restituições de valores pagos indevidamente, a Secretaria da Receita Federal utiliza, a título de acréscimos para atualização monetária, os índices previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho de 1997. Assim, no que se refere aos chamados "expurgos inflacionários", reclamados pela recorrente, que pleiteia a correção do seu crédito de acordo com índices conforme Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561, de 02 de julho de 2007, a qual aprovou o Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, não há autorização legal para a Administração corrigir o valor do indébito demonstrado, mediante a utilização daqueles índices mencionados pela recorrente. A própria União Federal, ao cobrar dos contribuintes créditos tributários não recolhidos até a data de vencimento, não aplica aqueles índices, utilizando, apenas, os que são previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. Portanto, salvo nos casos em que haja decisão judicial que especifique a aplicação desses "expurgos", o que não aconteceu no presente processo, entendo que a administração tributária não está autorizada a aplicar qualquer índice de atualização fora daqueles previstos na citada Norma de Execução Conjunta. Assim, não encontro fundamento para, nesta esfera administrativa, acolher o tal pedido da recorrente. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nesse ponto. Do Pedido de Reconhecimento dos Recolhimentos Realizados no Banespa Da mesma forma, adoto as seguintes razões de decidir da DRJ: O Banco do Estado de São Paulo BANESPA S/A, através da Diretoria Operacional de Serviços Centrais/Diretoria Adjunta de Arrecadação e Convênios Pirituba/São Paulo/SP, em resposta à intimação EQCRA n° SAARF 0086/01 (fls. 316), datada de 14 de agosto de 2002, onde atesta o seguinte: "Em atenção a sua solicitação, informamos que as guias questionadas não foram arrecadadas pelo Banco. Esclarecemos que não encontramos nenhum equipamento do Banco com esse padrão de autenticação. " A Portaria Codac n° 89, de 19 de julho de 2013, que estabelece procedimentos para confirmação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de pagamentos e depósitos arrecadados e dá outras providências, traz dentre os seus dispositivos, o seguinte: CAPÍTULO I DA CONFIRMAÇÃO DE ARRECADAÇÃO "Art. 2° Os registros de arrecadação de receitas federais estão armazenados: I quando se tratar de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) ou Documento para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE): b) em microfichas de arrecadação, quando processados até 1995. Fl. 751DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 752 16 CAPÍTULO IV DA ARRECADAÇÃO NÃO CONFIRMADA Seção I Das Providências Preliminares Art. 8° Não sendo localizado um registro de pagamento ou de depósito, após esgotadas todas as formas de pesquisa conforme o art. 2°, deverão ser adotadas as seguintes providências: V encaminhar cópia legível do documento retido à área de controle da Rede Arrecadadora da delegacia que jurisdiciona a matriz do agente arrecadador, informando o número do processo correspondente e indicando tratarse de "arrecadação não confirmada"; VI encaminhar o processo ao setor de administração do crédito tributário da unidade que jurisdiciona o contribuinte. Seção III Da Chancela não Reconhecida Art. 10. Se, em decorrência do previsto no inciso V do art. 8°, a delegacia que jurisdiciona a matriz do agente arrecadador encaminhar documento da instituição financeira informando que a chancela aposta no documento retido não foi reconhecida, o setor de administração do crédito tributário da unidade que jurisdiciona o contribuinte deverá: I juntar o documento da instituição financeira ao processo correspondente; II intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos acerca da informação da instituição financeira, conforme Anexo X; III juntar a Intimação ou o Edital ao processo. Art. 12. Se o contribuinte não se manifestar ou apresentar informações ou elementos insuficientes para contrapor a informação prestada pela instituição financeira, o setor de administração do crédito tributário da unidade que jurisdiciona o contribuinte deverá: II providenciar a Representação Fiscal para Fins Penais, observandose a legislação específica. Seção IV Da dispensa de prestar informação Art. 13. Se, em decorrência do previsto no inciso V do art. 8°, a delegacia que jurisdiciona a matriz do agente arrecadador informar que o mesmo está dispensado de prestar informações sobre a arrecadação por decurso de prazo, conforme o previsto no § 1° do art. 50 da Portaria SRF n° 2.609, de 20 de setembro de 2001, o setor de administração do crédito tributário da unidade que jurisdiciona o contribuinte deverá: I juntar o documento da instituição financeira ao processo correspondente; II elaborar despacho decisório para declarar a extinção do crédito tributário, com base na presunção de que houve o recolhimento; III adotar as providências necessárias à extinção do crédito tributário, controlado no processo de suspensão, conforme disposto no inciso III do citado art. 8°." A Portaria SRF n° 2.609, de 20 de setembro de 2001, que disciplina as atividades da Rede Arrecadadora, por sua vez, estabelece: Seção IV Da Falta de Recolhimento de Arrecadação ou de Pagamento de Encargos Fl. 752DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 753 17 Art. 34. A falta de recolhimento de produto arrecadado ou de pagamento de remuneração ou de encargos de mora devidos, enseja o encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, e inclusão no "Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal" (Cadin), nos termos da legislação em vigor. Art. 35. O recolhimento do produto arrecadado e os encargos de mora poderão ser exigidos a qualquer tempo. Art. 50. O agente arrecadador deverá fornecer as informações sobre documentos e atividades relacionadas com a arrecadação de receitas federais sempre que solicitado pela SRF. § 1° Observado o disposto no art 35, o agente arrecadador fica dispensado de prestar informações acerca de arrecadação supostamente realizada há mais de 10 (dez) anos e não confirmada nos sistemas de controle da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB n° 1947, de 14 de agosto de 2009) § 5° Na hipótese de as informações de que trata o caput, relativas à arrecadação realizada em prazo inferior ao previsto no § 1°, não serem prestadas, o agente arrecadador ficará sujeito às condições estabelecidas no art. 34, e os dados constantes do documento apresentado pelo contribuinte como comprovante de pagamento serão considerados verdadeiros e incluídos no processamento da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB n° 1272, de 06 de setembro de 2013)" Assim, os recolhimentos atribuídos ao BANCO BANESPA, por sua vez, não foram confirmados, vinculandose ao art. 10 da Portaria Codac n° 89, face à informação do agente arrecadador em resposta à intimação EQCRA n° SAARF 0086/01 (fls. 316). Verificase, portanto, que diante da informação da DRF de que os sistemas da RFB não registram os valores indicados nos referidos DARFs e considerando a resposta do Banespa S.A. de que tais documentos não foram autenticados naquela instituição financeira, não há como acolher tal pedido da recorrente. Sendo assim, também neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Com a devida vênia ao entendimento externado pelo D. Relator, e entendendo a sua preocupação com a eficiência deste órgão na prestação jurisdicional administrativa, o caso, todavia, não se afeiçoa à competência regimental desta Turma. Fl. 753DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13631.000068/9917 Resolução nº 1302000.700 S1C3T2 Fl. 754 18 Isto porque, a teor dos preceitos do art. 4º, IX, observase a competência exclusiva da 3ª Seção para o julgamento de feitos que revolvam as exigências tributárias concernentes à importação e exportação, incluindose, neste particular, a contribuição tratada nestes autos. Vejase: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julg ar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância qu e versem sobre aplicação da legislação referente a: XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação (...). É, portanto, inegável a incompetência desta turma para apreciação da matéria em testilha. A luz do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de, declinando a competência para a análise da matéria posta em exame, determinar a remessa dos autos à 3ª Seção de julgamentos deste CARF. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 754DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11030.720865/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos que embasaram o auto, quando toda a documentação encontra-se anexada ao processo, tendo o contribuinte direito de ter vista e solicitar cópia.
OMISSÃO DE RECEITAS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS CALÇADAS.
A comprovação de emissão de notas fiscais calçadas, cujos valores de venda constante da primeira via eram superiores aos valores das vias do vendedor e que serviram de base para sua escrituração contábil, configura omissão de receita em relação à diferença do valor de venda constante da primeira via e o escriturado.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Há de se indeferir o pedido de perícia que versa sobre fato que se mostra irrelevante para a comprovação do ilícito tributário.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Cabível aplicação da multa de ofício qualificada, quando resta comprovada a fraude, através de emissão de notas fiscais calçadas.
CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1301-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: Giovana Pereira de Paiva Leite
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos que embasaram o auto, quando toda a documentação encontra-se anexada ao processo, tendo o contribuinte direito de ter vista e solicitar cópia. OMISSÃO DE RECEITAS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS CALÇADAS. A comprovação de emissão de notas fiscais calçadas, cujos valores de venda constante da primeira via eram superiores aos valores das vias do vendedor e que serviram de base para sua escrituração contábil, configura omissão de receita em relação à diferença do valor de venda constante da primeira via e o escriturado. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Há de se indeferir o pedido de perícia que versa sobre fato que se mostra irrelevante para a comprovação do ilícito tributário. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Cabível aplicação da multa de ofício qualificada, quando resta comprovada a fraude, através de emissão de notas fiscais calçadas. CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos que embasaram o auto, quando toda a documentação encontra- se anexada ao processo, tendo o contribuinte direito de ter vista e solicitar cópia. OMISSÃO DE RECEITAS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS “CALÇADAS”. A comprovação de emissão de notas fiscais calçadas, cujos valores de venda constante da primeira via eram superiores aos valores das vias do vendedor e que serviram de base para sua escrituração contábil, configura omissão de receita em relação à diferença do valor de venda constante da primeira via e o escriturado. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Há de se indeferir o pedido de perícia que versa sobre fato que se mostra irrelevante para a comprovação do ilícito tributário. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Cabível aplicação da multa de ofício qualificada, quando resta comprovada a fraude, através de emissão de notas fiscais calçadas. CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 08 65 /2 01 4- 69 Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ n. 02-61.747, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte. Da Autuação Contra o contribuinte, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente aos anos-calendários 2009 a 2012, decorrentes da infração de omissão de receitas da atividade de prestação de serviços de transportes. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte emitiu notas fiscais calçadas, ou seja, um valor lavrado nas primeiras vias e outro valor nas demais vias dos blocos da empresa. Sendo que as 1ª s vias entregues aos clientes possuíam valor superior às demais vias que permaneciam com o contribuinte, sendo estas utilizadas para fins de escrituração contábil e pagamento dos tributos. Em razão da fraude, aplicou-se multa de ofício qualificada (150%). Vide quadro resumo da autuação: Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Ciente do auto, o contribuinte apresentou impugnação, através da qual arguiu cerceamento do direito de defesa, bem como inconsistências na acusação fiscal. Requereu perícia e a desconstituição do lançamento. A Turma da DRJ julgou improcedente a impugnação, através de acórdão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Fica afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando o acusado é cientificado dos fatos que lhe são imputados, tem acesso a toda documentação que serviu de fundamento para a exigência fiscal e, no exercício pleno de sua defesa, manifesta contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA “CALÇADA”. CIRCULARIZAÇÃO. Ficando comprovado nos autos a existência de “nota fiscal calçada” e a prática de adulteração por meio de rasuras na totalização dos valores em uma das vias do documento fiscal, deve ser levado a efeito o lançamento, como omissão de receitas, da diferença entre o valor grafado na 1a via, obtida por meio de processo de circularização com parceiro comercial regular do contribuinte, e o valor a menor indicado nas vias fixas ao bloco, que serviu de base para a escrituração do autuado. MULTA QUALIFICADA. ADULTERAÇÃO DE NOTA FISCAL. FRAUDE. Comprovada nos autos a prática pelo contribuinte, de forma reiterada e sistemática, de consignar valores divergentes nas vias fixas do talonário das notas fiscais e na via do destinatário das mercadorias ou contratante dos serviços, com o consequente registro na escrituração comercial de valores inferiores aos efetivamente auferidos como receitas, fica evidenciado o intuito de fraude e justificada a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. No caso de omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Fl. 850DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Em 27/11/2014, o sujeito passivo teve ciência do acórdão (AR fl. 824) e, em 18/12/2014, interpôs Recurso Voluntário, através do qual aduz: - Impossibilidade de exercício do amplo direito de defesa, pois não houve intimação do contribuinte acerca da vista do processo fiscalizador e em razão da manutenção dos documentos fiscais com o ente fiscalizador; - Reitera que a recorrente não teve e continua não tendo acesso aos referidos registros para poder prestar eventuais esclarecimentos e demonstrar a correção dos lançamentos realizados; que as informações, supostamente, divergentes oriundas da contabilidade da tomadora do serviço não se encontram disponíveis à recorrente; - Entende que não há "adulteração" e o chamado "'calçamento' da nota fiscal", havendo excesso do agente fiscal quando apontou irregularidades que somente poderiam ser apuradas por perito; - Questiona como poderia a fiscalização ter certeza que foi a mesma pessoa que "adulterou" as notas fiscais? Com base em qual laudo pericial foi constatado que a impressão e grafia são iguais? - Aduz que pelo relato, não consegue verificar se há supressão de escrita, inclusão de escrita, alteração de escrita ou outra forma de "adulteração" das notas fiscais mencionadas; - Questiona que se as notas foram rasuradas, como poderia ter havido as seguintes alterações de valor? - Argumenta ser necessária a realização de perícia para que se vislumbre se as rasuras são da mesma qualidade de impressão e grafia e para que se possa detectar se foi, efetivamente, a mesma pessoa que preencheu as notas fiscais; - Defende que eventual rasura é "mero erro" ou "reaproveitamento do documento fiscal"; Por fim, o sujeito passivo pugna pela insubsistência do lançamento tributário. É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente aos anos-calendários 2009 a 2012, decorrentes da infração de omissão de receitas da atividade de prestação de serviços de transportes, com multa de ofício qualificada. O procedimento teve início a partir de inconsistências constatadas, uma vez que o valor de receita informado pela Autuada encontrava-se muito aquém do valor de receita informado em DIRF pelo seu principal parceiro comercial (BRF Food Brasil S/A), e também pela movimentação financeira declarada em DIRF pelas instituições financeiras. A fiscalização, através de diligência realizou procedimento de circularização, e constatou que o contribuinte emitiu notas fiscais calçadas, ou seja, um valor lavrado nas primeiras vias entregue ao cliente era superior ao valor das demais vias dos blocos da empresa. Diante da fraude, foi aplicada multa qualificada. O sujeito passivo impugnou a autuação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ciente da decisão, apresentou recurso no qual demonstra irresignação com a decisão de 1ª Instância e reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, que em síntese arguem cerceamento de direito de defesa e inconsistências na acusação fiscal. Da Alegação de Cerceamento de Defesa A Recorrente alega impossibilidade de exercício do amplo direito de defesa, pois não houve intimação do contribuinte acerca da vista do processo fiscalizador e em razão da manutenção dos documentos fiscais com o ente fiscalizador. Reitera que não teve e continua não tendo acesso aos referidos registros para poder prestar eventuais esclarecimentos e demonstrar a correção dos lançamentos realizados; que as informações, supostamente, divergentes oriundas da contabilidade da tomadora do serviço não se encontram disponíveis à recorrente. As alegações da Recorrente não procedem. No que diz respeito à inexistência de intimação do contribuinte acerca da vista do processo fiscalizador, tem-se que o contribuinte foi intimado pessoalmente do auto de infração através de sua sócia gerente (fl. 3). Quanto à vista da íntegra do processo como um todo, consta do documento entregue ao contribuinte, quando do encerramento da ação fiscal, intitulado “Orientações ao Sujeito Passivo” (fl 769) que o mesmo poderá ter vista do processo, vide: Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Outrossim, o contribuinte tem direito a solicitar cópia do processo, não constando nenhuma informação de recusa neste sentido. Quanto à alegada manutenção dos documentos fiscais com o ente fiscalizador, tem-se que os documentos foram devolvidos ao contribuinte, conforme consta do Termo de Encerramento de fl. 770: A Recorrente também questiona não dispor dos documentos que foram obtidos perante as tomadoras de serviço, que não lhe foram disponibilizados. Em relação a este ponto, o contribuinte possui toda a informação necessária para sua defesa, qual seja, a planilha com as divergências com informação do número da nota fiscal, valores informados na 1ª e 3ª via da nota fiscal, valor informado na DIRF pelos tomadores de serviço, por ano-calendário. Tais planilhas foram anexadas às fls.109 a 121. Segue abaixo trecho da planilha relativa ao ano-calendário 2009: No que concerne às 1ª s e 3 ª s vias das notas fiscais citadas na planilha e que deram ensejo ao lançamento, tiveram sua imagem anexadas às fls. 230-443. O contribuinte teve acesso a toda a documentação necessária à sua defesa, foi intimado das decisões, tendo sido oportunizada a apresentação de recursos, logo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Do mérito. Da Omissão de Receitas de Atividades – Emissão de notas fiscais “calçadas” Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 A Recorrente argumenta que não houve "adulteração" e o chamado "calçamento" da nota fiscal, havendo excesso do agente fiscal quando apontou irregularidades que somente poderiam ser apuradas por perito. Questiona como poderia a fiscalização ter certeza que foi a mesma pessoa que "adulterou" as notas fiscais e com base em qual laudo pericial foi constatado que a impressão e grafia seriam iguais. Aduz o Contribuinte que pelo relato, não consegue verificar se há supressão de escrita, inclusão de escrita, alteração de escrita ou outra forma de "adulteração" das notas fiscais mencionadas. Questiona que se as notas foram rasuradas, como poderia ter havido as seguintes alterações de valor: Argumenta a Autuada ser necessária a realização de perícia para que se vislumbre se as rasuras são da mesma qualidade de impressão e grafia e para que se possa detectar se foi, efetivamente, a mesma pessoa que preencheu as notas fiscais. Defende que eventual rasura é "mero erro" ou "reaproveitamento do documento fiscal". Pois bem. A Recorrente alega possíveis inconsistências acerca dos fatos relatados na acusação fiscal, tais como se a rasura foi cometida pela mesma pessoa, conforme teria declarado a autoridade fiscal, e para tal seria necessária a realização de perícia. A questão da autoria das adulterações das notas fiscais é irrelevante do ponto de vista tributário, tendo relevância apenas para representação para fins penais. A persecução para fins penais caberá ao Ministério Público, que se entender necessário, solicitará perícia para determinar a autoria da adulteração das notas fiscais. A Autoridade Fiscal apenas fez uma suposição de que as rasuras poderiam ter sido realizadas pela mesma pessoa, mas sem que isto fosse uma certeza, tanto que utilizou-se da expressão SMJ (salvo melhor juízo), vide trecho abaixo: Diante disso, realizamos diligência fiscal (circularização) com sua principal parceira comercial BRF Food Brasil S/A, constante nos blocos da Fiscalizada. Primeiramente à BRF Food Brasil S/A, remeteu por nossa solicitação, cópias em PDF das primeiras vias das notas fiscais. Nelas foi observado que a maioria continham rasuras nos valores totais. Diante disso, reintimamos a BRF Food Brasil S/A, com o devido termo de apreensão das primeiras vias e que nos remetesse-ás a fim de apurar a realidade das rasuras. Em análise das primeiras vias, constatamos que: Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 - a cor da caneta em todas as rasuras conserva-se, S.M.J. a mesma qualidade de impressão e grafia; - que na nota fiscal n° 606, de 24/11/2010, foi emitida em dois momentos: (A) primeiro momento podemos ver na nota fixa do bloco, que na terceira (3a) via, o valor esta lavrado em R$ 8.000,00, sem qualquer rasura ou borrão e (B) no segundo momento, analisamos a primeira (Ia ) via da NF em tela, em que o valor lavrado é de R$ 32.713,20, sem qualquer rasura ou borrão; - que a maioria da primeiras vias houve escrita de valores que elevam o valor a receber na casa de dezena de milhares; - as rasuras são grotescas e de fácil visualização; - S.M.J., a pessoa que preencheu a nota fiscal foi a mesma que as adulterou.(grifei) Veja que a pessoa que preencheu a nota e a qualidade da grafia são fatos irrelevantes para configuração do ilícito tributário. O fato que se apresenta incontroverso é o de que várias primeiras vias das notas fiscais apresentam valor diferente das demais vias, seja por rasura, aproveitando-se do valor das demais vias, ou simplesmente com a escrita de um valor completamente diferente. A expressão “calçada” advém da prática de se colocar entre a Primeira via e as demais um “calço”, que consiste num pedaço de cartão ou outro material firme, para ao escrever no bloco de notas, a escrita da primeira via não passe através do carbono para as demais vias, permitindo que o emissor da nota coloque valores diferentes nas diversas vias. A Nota Fiscal é “calçada” quando na via que acompanha a mercadoria e na via que fica em poder do vendedor há divergência quanto ao preço, alíquota, descrição da mercadoria, destinatário etc., com intenção deliberada de burlar o Fisco, não importando se a diferença entre as vias é resultado de rasura ou de utilização de calço. A Autoridade Fiscal relata que a maioria das notas possuía rasura, mas não eram todas. Isto justifica valores completamente discrepantes como a alteração de R$ 8.000,00 para R$ 32.713,20 (nota fiscal 606). Enquanto que as rasuras podem ter sido realizadas para valores de grafia mais parecida, como na nota fiscal 493 (de 13.552,72 para 63.552,72). Vide: Nota fiscal 606 – 1ª e 2ª vias Fl. 855DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 Nota Fiscal 493 - 1ª e 2ª vias Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.333 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11030.720865/2014-69 De toda forma, mostra-se irrelevante se a adulteração da nota foi por rasura ou calço e se foi a mesma pessoa que rasurou, ou com qual caneta. Para fins de configuração da fraude e da omissão de receita por utilização de nota “calçada”, basta a comprovação de que os valores constantes da Primeira via foram superiores aos valores das vias que remanescem com o vendedor. Dessarte, mostra-se despicienda a perícia requerida pela Recorrente, por se mostrar irrelevante para a configuração do ilício tributário. Além do mais, há de se ressaltar que essa conduta foi reiterada durante 4 anos, de 2009 a 2012 (período fiscalizado), afastando assim, a possibilidade de mero erro de preenchimento. Ainda que houvesse rasura por “erro de preenchimento”, essa “rasura” deveria constar de todas as vias das notas fiscais. Não há qualquer justificativa para a diferença de valores entre vias de uma mesma nota fiscal. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, devendo ser mantido o lançamento tributário em sua íntegra, inclusive do que diz respeito à multa qualificada, uma vez que restou configurada a fraude através da utilização de notas fiscais calçadas. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, por indeferir o pedido de perícia, por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10218.000461/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO.
Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL.
O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3302-010.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Denise Madalena Green, Raphael Madeira Abad, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus e Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa-se como definitiva a decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Denise Madalena Green, Raphael Madeira Abad, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus e Larissa Nunes Girard.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO EFETIVA. FALTA DE PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. O recurso deve satisfazer certos pressupostos, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão recorrida. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Sem contestação efetiva, reputa- se como definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 04 61 /2 00 5- 11 Fl. 705DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-010.890 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.000461/2005-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Jorge Lima Abud, Walker Araújo, Denise Madalena Green, Raphael Madeira Abad, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus e Larissa Nunes Girard. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (Dcomp), cujo crédito provém do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não-cumulativa, referente ao 2º Trimestre/2004, no valor de R$ 599.132,08. A DRF/Marabá-PA, por meio do despacho decisório de fl. 396/397, reconheceu parte do direito creditório, no valor de R$ 301.562,75, homologando as compensações até o limite do crédito deferido. De acordo com o termo de informação fiscal, de fls. 339/395, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada, conforme descrição abaixo. - Créditos relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. No caso concreto, o barro e o concreto refratário. - Notas fiscais de compra de insumos referentes a competências diversas das informadas no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). - Notas fiscais lançadas em duplicidade. - Notas fiscais de créditos não apresentadas após intimação e mesmo após prorrogação do prazo para fazê-lo. - Valores de aquisição de combustíveis, lubrificantes e GLP informados na linha 3, ficha 4 (Serviços Utilizados como Insumos) do Dacon. Glosados por serem incompatíveis com o tipo de crédito previsto nessa ficha. - Gastos com energia elétrica glosados quando a nota fiscal apresentada se refere a mês diverso do apurado no Dacon. - Notas fiscais referentes à locação de máquinas e equipamentos, glosadas por serem de competência diversa da informada e/ou por se referirem à prestação de serviços e não à locação de máquinas e equipamentos. - Valores referentes a frete e armazenagem na operação de venda, glosados valores cujas notas fiscais são de períodos diferentes dos informados no Dacon e/ou referentes a prestação de serviços não caracterizados como frete ou armazenagem, bem assim valores cujas notas fiscais não foram apresentadas. - Créditos relativos ao ativo imobilizado informados na linha 13 (Outras Operações com Direito a Crédito) quando deveriam ter sido informados na linha 9 (Base de Cálculo de Créditos a Descontar Relativos a Bens do Ativo Imobilizado). Ademais, em outros procedimentos administrativos a interessada informou que os seus bens do ativo imobilizado foram adquiridos antes de maio de 2004, assim não dariam direito a créditos. - Crédito presumido relativo ao estoque de abertura, glosado por impossibilidade de se fazer o levantamento detalhado conforme descrito no Dacon. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 399/435, alegando, preliminarmente, em resumo, quanto à definição de insumos e fatos tributários, que “ficaram entregues a linha de interpretação subjetiva quando decisões que formam jurisprudências, tanto no administrativo quanto no poder judiciário, são afastadas, sem qualquer razão, sendo que o cerne das decisões são todas de definição de como aplicar o direito positivo.” Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-010.890 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.000461/2005-11 Prossegue trazendo entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que dispõe que a regra de constituição dos créditos da não-cumulatividade se dá pela legislação do Imposto de Renda, donde a base de cálculo das contribuições sociais segue o conceito de custos e despesas, retirando a limitação constante na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Em seguida, aduz ato normativo da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo dispondo sobre a aplicação do regime da não cumulatividade sobre materiais, produtos intermediários e embalagens, relativo ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Posteriormente, apresenta as definições de insumo, matéria-prima e material intermediário ou secundário à luz do citado ato do ICMS e da legislação do IPI. Aduz também Instrução Normativa da Superintendência de Tributação do Estado de Minas Gerais que dispõe “sobre a apropriação de crédito do ICMS relativo à aquisição de mercadorias que serão empregadas como matéria-prima ou produto intermediário na produção de ferro gusa”. Alega que os insumo glosados, como o barro e o concreto refratário, assim como o combustível e o óleo lubrificante, são usados diretamente no processo produtivo e que a Solução de Divergência Cosit nº 15/2008 dispõe que, diferentemente do IPI, todos os gastos pagos a pessoa jurídica referentes a produtos ou serviços que diretamente se refiram ao funcionamento da usina siderúrgica são, na ótica do PIS e da Cofins, insumos. E que não se exige mais o desgaste direto com o produto industrializado. Argumenta que tal raciocínio se coaduna com o disposto no RIR/1999, art.290. Em suma, tais gastos, além dos serviços de manutenção, reparo e substituição não podem ser excluídos do conceito de serviços que geram direito aos créditos. Argúi que ainda que os serviços relativos ao transbordo, armazenagem na área portuária e frete são despesas inerentes e necessárias ao transporte de mercadorias vendidas, incluso os serviços de despacho. Quanto à glosa de locação de veículos e equipamentos, alega que esta ocorreu por ignorância da autoridade fazendária, haja vista que tais locações estão vinculadas às atividades industriais e de reflorestamento que a usina tem que cumprir. Em relação às glosas por erro de competência do crédito, argumenta que dentro do trimestre o Fisco deveria realocar os créditos de ofício ou permitir ao contribuinte sua alocação e não agir unilateralmente realizando glosa de um direito passível de correção, o mesmo ocorrendo com a fatura de energia elétrica. Quanto à não apresentação de notas fiscais em papel, alega que foi apresentada a escrita comercial da empresa, comprovando o ingresso de matéria-prima, com a juntada dos livros contábeis e, agora, dos livros fiscais. Além disso, as notas faltantes não teriam sido expressamente requeridas, por isso pede prazo para sua juntada ou ainda termo de declaração do fornecedor comprovando ter entregue o insumo, haja vista que são milhares de notas. Posteriormente, aduz decisões judiciais, que, no seu entender, vão de encontro à IN SRF nº 404, de 2004. Finalmente, requer a reversão total das glosas aplicadas, com a aplicação da lei de regência, ou seja do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). Reconhece as falhas relativas às notas fiscais lançadas em duplicidade. Enfatiza que: ... embora a legislação do PIS e a do COFINS, utilizem a legislação do IPI e do IR como legislação subsidiária, o regime da não cumulatividade destas contribuições é próprio. Não se pode simplesmente comparar os créditos presumidos do IPI com a não cumulatividade do regime do Pis e da Cofins. São institutos distintos, sendo que a não cumulatividade visa tributar o processo produtivo por etapas, ou seja, se em uma fase do processo produtivo houve tributação, esta será descontada na fase seguinte e assim sucessivamente. Reforça ainda que o CARF mudou recentemente seu entendimento quanto à apuração dos créditos, adotando a legislação do imposto de renda, assim as unidades administrativas de julgamento também podem seguir tal entendimento. Requer prazo para juntada dos documentos não requisitados formalmente e que estão sendo obtidos junto aos fornecedores. Apresenta, em anexo, entre outros documentos, notas fiscais não apresentadas e comprovação por meio dos livros contábeis e fiscais. Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-010.890 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.000461/2005-11 A 4ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. POSSIBILIDADE. A juntada posterior de provas somente é possível em casos específicos previstos no PAF. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, no qual discorre, inicialmente, sobre o conceito no âmbito do PIS/COFINS não-cumulativos, para depois trazer as considerações a seguir reproduzidas: Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-010.890 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.000461/2005-11 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo apresenta explanação genérica acerca do conceito de insumos, citando decisões administrativas para embasar seu posicionamento, sem trazer, contudo, qualquer argumento elaborado para demonstrar a improcedência da decisão recorrida, em especial para refutar, de forma específica e fundamentada, as glosas realizadas a título de bens e serviços utilizados como insumos. Nesse ponto, compulsando o recurso voluntário, resta evidente que não há qualquer contestação efetiva contra a decisão recorrida. Caberia ao sujeito passivo articular, em sede recursal, argumentos para afastar os fundamentos que sustentam a decisão de primeira instância, demonstrando, sobretudo, porque os itens glosados se enquadram no conceito de insumos por ela defendido, trazendo provas de sua relevância e essencialidade para o processo produtivo da empresa: não há qualquer esforço da recorrente para demonstrar a natureza, extensão e efetividade dos gastos relativos aos créditos de insumos glosados. Além das glosas de créditos supostamente vinculados à aquisição de insumos, pode-se observar que o acórdão recorrido traz detalhada fundamentação para sustentar outras glosas, como, por exemplo, aquelas relacionadas a créditos que não foram devidamente apurados no DACON – com notas fiscais fora da competência, gastos informados em linha incorreta, ausência de retificação do DACON e ausência de documentos hábeis e idôneos para amparar as alterações -, gastos com frete e armazenagem – caso de serviços diversos e não comprovados -, gastos com locação de veículos – em face de erros na apuração dos créditos -, despesas relativas a notas fiscais não apresentadas – diversas notas, apesar de intimações realizadas no curso do procedimento fiscal. Contra os fundamentos da decisão recorrida, o sujeito passivo não traz impugnação específica, limitando-se a discorrer, de forma vaga e lacônica, que os valores glosados que se “referem a compra de insumos e a prestação de serviços que visem a produção e a efetivação da venda do produto acabado e o recebimento dos valores da mesma devem ser restabelecidos”, que o DACON é demonstrativo acessório e deve ser corrigido de ofício pelo Fisco, em face da verdade real, que a verdade material permite a juntada de provas até a fase recursal e que as provas foram juntadas antes da manifestação de inconformidade. Com tais alegações inespecíficas, o sujeito passivo não se ocupa de justificar a natureza dos gastos com insumos, a inexistência de retificação e a necessidade de ter de comprovar, com documentação hábil e idônea, as informações a serem alteradas no DACON, a ausência de diversas notas fiscais, não apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e também não juntadas no recurso voluntário, a inexistência de comprovação da natureza e existência de serviços que teriam sido creditados, de forma indevida, a título de fretes e armazenagem, a existência de erros na apuração com despesas com locação de veículos e a própria impossibilidade de apresentar, após a manifestação, provas, tendo em vista que o aresto recorrido assinala a preclusão probatória em seu voto condutor, fundamentando sua decisão em expresso dispositivo do decreto que rege o processo administrativo-fiscal. Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-010.890 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.000461/2005-11 Em suma, o que se vê, em sede recursal, é uma precária defesa, com argumentação genérica, a qual não contrapõe o núcleo dos fundamentos consignados na decisão de primeira instância. Nessa esteira, importa lembrar que, nos termos do parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, são definitivas as decisões de primeira instância na parte em que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Eis o teor da norma: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Sublinhe-se que o recurso deve satisfazer certos pressupostos para ser conhecido, dentre os quais está, sem dúvida, a existência de contestação efetiva contra a decisão a quo. Isso se traduz na identificação, na peça recursal, dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, com a delimitação específica das matérias de discordância e das razões e provas pertinentes. Tal lógica é encapsulada pelo art. 16, inciso III, e art. 17, ambos do Decreto nº. 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17.Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Naturalmente, os dispositivos transcritos traduzem lógica intrínseca do sistema recursal: sem contestação real - específica, expressa e fundamentada (razões de fato e de direito, provas) -, não há que se falar em recurso. Considerando, pois, que nada foi apresentado no recurso capaz de infirmar a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11831.002422/2007-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.226
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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