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Numero do processo: 16561.720001/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. MERA APOSIÇÃO DE ETIQUETAS E INFORMAÇÕES SOBRE O PRODUTO PARA CUMPRIMENTO DE NORMAS REGULATÓRIOS E ACONDICIONAMENTO. AUSÊNCIA DE PROCESSO DE PRODUÇÃO/INDUSTRIALIZAÇÃO. ADOÇÃO DO PRL-20
Nos casos em que o bem importado não é submetido, no país, a um processo de industrialização, do qual decorre a agregação de valor ao custo do produto final, acertada a aplicação do método PRL-20, vez que a operação possui natureza de simples revenda.
A mera aposição de etiquetas e informações sobre o produto para cumprimento de obrigações regulatórias e posterior acondicionamento não desnatura a operação como sendo de simples revenda.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido com relação ao lançamento do IRPJ, em razão da expressa previsão legal a respeito.
Numero da decisão: 1201-001.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Roberto Caparroz e Ester Marques, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano. O Presidente fará declaração de voto.
Documento assinado digitalmente.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Relator.
Documento assinado digitalmente.
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. MERA APOSIÇÃO DE ETIQUETAS E INFORMAÇÕES SOBRE O PRODUTO PARA CUMPRIMENTO DE NORMAS REGULATÓRIOS E ACONDICIONAMENTO. AUSÊNCIA DE PROCESSO DE PRODUÇÃO/INDUSTRIALIZAÇÃO. ADOÇÃO DO PRL20 Nos casos em que o bem importado não é submetido, no país, a um processo de industrialização, do qual decorre a agregação de valor ao custo do produto final, acertada a aplicação do método PRL20, vez que a operação possui natureza de simples revenda. A mera aposição de etiquetas e informações sobre o produto para cumprimento de obrigações regulatórias e posterior acondicionamento não desnatura a operação como sendo de simples revenda. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido com relação ao lançamento do IRPJ, em razão da expressa previsão legal a respeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Roberto Caparroz e Ester Marques, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano. O Presidente fará declaração de voto. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 01 /2 01 1- 10 Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 3 2 MARCELO CUBA NETTO Presidente. Documento assinado digitalmente. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Relator. Documento assinado digitalmente. LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ELI LILLY DO BRASIL LTDA, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São PauloI, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento de ofício, e cuja ementa a seguir se transcreve: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no país, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia / diligência, visto que as questões propostas ou já foram observadas e respondidas nesta decisão ou se mostram irrelevantes. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova." Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 4 3 O caso foi assim relatado pela instância a quo: "DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 502/518, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao ano calendário de 2007), constatouse o seguinte: DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Por meio do Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes elementos: 1) Atos constitutivos e alterações posteriores, acompanhados de procuração; 2) Retificar ou ratificar as informações prestadas pela própria empresa no Siscomex relativas às importações realizadas em 2007; 3) Demonstrativo dos ajustes de preço de transferência realizados em 2006, de acordo com a planilha "Ajustes de Importação do Ano Anterior ao Fiscalizado"; 4) Relação das pessoas jurídicas vinculadas no Brasil e no Exterior conforme planilha "Vinculadas"; 5) Ajustes de preços de transferência realizados e declarados na DIPJ/2008 (anocalendário 2007), conforme "layout" da planilha "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado"; 6) Demonstrativo dos produtos fabricados pela fiscalizada em 2007 e os respectivos insumos da produção, conforme "layout" da planilha "Insumo Produto Anual"; 7) Informação de todas as vendas realizadas, respectivas devoluções e outras hipóteses de saída, conforme planilha "Vendas"; 8) Relação insumoproduto dos produtos e subprodutos fabricados durante o ano, conforme planilha "InsumoProduto" ; 9) Relação de compras no mercado interno, conforme "layout" planilha "compras"; 10) Relação dos custos da produção acabada em 2007, conforme demonstrativo planilha "Custo da Produção Acabada"; 11) Memórias de cálculo para a apuração dos preçosparâmetro e preços praticados, relativos às importações do anocalendário de 2007 e os valores espontâneos de ajuste, bem como a indicação dos métodos escolhidos por item, entre os previstos na legislação de regência. Após análise dos dados entregues, a fiscalização solicitou à contribuinte, por amostragem, documentação comprobatória dos dados informados nas diversas planilhas ACCESS, para conferência documental. Ainda pediu informações a respeito da produção de determinado insumo importado de vinculada (HI0310V01ENU). Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 5 4 Na verificação das Notas Fiscais e demais documentos entregues e analisados por amostragem, não se constatou discrepância relevante com os dados fornecidos em meio óptico pela contribuinte. DO REENQUADRAMENTO DO MÉTODO PRL20 PARA PRL60 INSUMO HI0310V01ENU Da análise dos dados selecionados arquivo vendas e insumoproduto anual a fiscalização constatou a ocorrência de importação de medicamento semielaborado na forma de ampola (frascos de vidro tipo I, com 10 ml de suspensão), faltando a conclusão do processo de embalagem secundária e terciária. Isso significa que este produto importado passa por etapas de produção no país, havendo agregação de valor no Brasil. Por conseguinte, o método para apurar o preço de transferência a ser aplicado deve ser o PRL60 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%). Embalagem é um conjunto de operações, processos, materiais, equipamentos e mãodeobra utilizada com a finalidade de acondicionar, proteger, informar, facilitar o uso, agregar valores, vender e transportar o produto acabado até os pontos de venda e utilização, atendendo as necessidades da população, proporcionado segurança à mesma. São necessários vários tipos de embalagens para o término do processo de industrialização do produto final, são elas: • Embalagem Primária: deve conter o medicamento, proteger o produto e fornecer inviolabilidade, informar e identificar o produto, o lote, a data de fabricação e validade, facilitar o uso com indicações para abertura. As principais embalagens primárias são: ampola, bisnaga, blister, frasco, frascoampola e strip; • Embalagem Secundária: deve conter a embalagem primária. É a embalagem que agrupa ou protege a embalagem primária, geralmente, é a embalagem que fica a mostra nas prateleiras das farmácias e drogarias. O produto é acondicionado numa caixa de apresentação (cartucho) do produto (com aposição da marca, nome comercial do medicamento, instruções, bula). O cartucho é o tipo mais popular de embalagem semirígida. Utilizado para envolver a embalagem primária, com finalidade de proteção e informação. Feito de papelcartão com diferentes tipos de gramatura; e • Embalagem Terciária (embarque): é a embalagem que facilita o transporte e tem por característica a integridade física da embalagem secundária. A embalagem de embarque é uma caixa de papelão. A caixa de papelão é uma caixa tipo maleta feita de papelão de parede simples, composto por um elemento ondulado, colocado entre duas capas de papel semikraft. Uma vez cheias, são armazenadas ou paletizadas e, por fim, transportadas. É importante registrar que cada modelo de embalagem de apresentação recebe um código específico de identificação. Às fls. 506/507, a fiscalização tece algumas considerações sobre o custo de produção da embalagem, sua apuração e estrutura. Conforme se observa na tabela abaixo, diversos insumos foram empregados para chegar ao resultado final do produto HI0310001BLFA, tratandose de um processo de agregação de valor no país e não uma mera revenda. Dentre os insumos utilizados encontrase o HI0310V01ENU que foi importado de vinculada, portanto sujeito ao controle de preços de transferência. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 6 5 Registrese que a contribuinte informou que calculou o preço de transferência através do método PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), porém por não se tratar de mera revenda e sim de agregação de valor e insumo aplicado à produção, a fiscalização reenquadrou o método para o PRL60. DO CÁLCULO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Analisando os documentos e arquivos certificados pela contribuinte, a fiscalização constatou diferenças de ajustes de preço de transferência a adicionar para fins de tributação do IRPJ e CSLL nos produtos elencados no demonstrativo "Consolidação Preço de Transferência" em anexo, além dos valores já oferecidos à tributação pela contribuinte na DIPJ. A base de cálculo foi apurada conforme esclarecido nos itens a seguir. (DESNECESSÁRIO MENCIONAR) Da apuração do preço praticado Para o cálculo do preço praticado, média aritmética ponderada dos preços pelos quais a empresa efetivamente adquiriu do exterior, estabelece o § 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 que “Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação“. Tal entendimento é seguido pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, aplicável ao período sob fiscalização, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação“. A forma de cálculo adotada pela fiscalização foi realizada em conformidade com os artigos 3º e § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, ponderandose a quantidade e o valor do estoque inicial com a quantidade e o valor importado no período. Para os cálculos ver Demonstrativo do Preço Praticado PRL60, anexo. Os preços praticados apurados pela fiscalização foram os seguintes: Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 7 6 Da apuração do preçoparâmetro Para o cálculo do preçoparâmetro na importação, prevê a Lei nº 9.430/96 (artigo 18) os seguintes métodos: PIC (Preços Independentes Comparados); PRL (Preços de Revenda menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro). A fiscalização demonstra, às fls. 512/513, o cálculo dos preçosparâmetro pelo método PRL60. Os preçosparâmetro apurados pela fiscalização foram os seguintes (ver Demonstrativo do Preço Líquido de Vendas e o Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60): Do ajuste unitário A partir da determinação do preço praticado e do preçoparâmetro, para se chegar ao valor de ajuste unitário (PRL60) basta subtrair o preço praticado do preço parâmetro, observando a margem de divergência de 5%, conforme a seguir demonstrado (valores em reais). Das quantidades sujeitas ao ajuste As quantidades revendidas e que estão sujeitas ao ajuste estão demonstradas nas memórias de cálculos, por produto, no Demonstrativo Quantidade de Ajuste PRL60, e estão a seguir sintetizadas: Da conclusão ajuste total Após a análise dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização selecionou, de acordo com os métodos PRL20 e PRL60, todos os itens passíveis de ajuste para fins de preços de transferência. Para todos os cálculos, foi levada em consideração a margem de divergência prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, de modo que só foram ajustados itens cujos preçosparâmetro, acrescidos da margem de 5%, foram inferiores aos respectivos preços praticados. Com base nas premissas expostas, remanesceram para fins de ajuste a título de preços de transferência, apurado pelo método PRL60, 4 itens/produtos, conforme segue (valores em reais): Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 8 7 Portanto, para o período analisado, foi constatada a necessidade de ajustes no valor de R$ 32.028.382,68. Apesar de a contribuinte ter realizado ajustes espontâneos, de acordo com informações constantes da DIPJ anocalendário 2007, no valor total de R$ 135.581,30, a fiscalização constatou que nos produtos acima relacionados, a contribuinte, de acordo com relação sintética por ela apresentada, não efetuou ajustes nestes insumos, razão pela qual devem ser tributados pela fiscalização. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2007: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 30/09/2011, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 01/11/2011, a impugnação de fls. 743/760, alegando, em síntese, o seguinte: DO DIREITO Da utilização do método PRL20 mero processo de acondicionamento por embalagem Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 9 8 A fiscalização partiu da premissa de que o acondicionamento do produto com a inclusão de embalagens implicaria em um processo de produção, com a respectiva agregação de valor no país, razão pela qual pugnou pela adoção do método PRL60. Pelo disposto no artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (alterado pela Lei nº 9.959/2000), não há qualquer dúvida de que o PRL60 deve ser aplicado apenas e tãosomente na hipótese de bens importados aplicados à produção e que o PRL20 é utilizado nas demais hipóteses. Nesse sentido, o simples acondicionamento de embalagem ao produto para fins de revenda no mercado interno, como no presente caso, não configura a hipótese "de bens importados aplicados à produção", razão pela qual é incorreto o entendimento da fiscalização em aplicar no caso em tela o PRL60. É esse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil exarado por meio da Solução de Consulta COSIT nº 22/2008, cuja ementa dispõe que: “PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL. A pessoa jurídica sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e que procede apenas o acondicionamento (embalagem) do produto poderá adotar na apuração do preço parâmetro o método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com margem de lucro de vinte por cento”. Corroborando o referido entendimento, há o posicionamento do então Conselho de Contribuintes, em caso análogo (Primeiro Conselho de Contribuintes, processo nº 16327.001248/200568, Acórdão nº 10517.210). Sendo assim, a adoção do método PRL60 não se justifica no presente caso, tendo em vista que os bens importados não foram aplicados à produção, o que torna incorreta a substituição dos parâmetros de margem de lucro de 20% para 60%, pois o simples acondicionamento ou recondicionamento através do processo de embalagem do produto não transforma ou modifica o produto importado. A impugnante importou os produtos alvo da autuação já prontos, ou seja, os bens importados não sofreram qualquer transformação na sua essência, sendo apenas revestidas com rótulo, bula e embalagens para transporte e revenda no mercado interno. Para demonstrar que o processo de embalagem realizado pela impugnante trata de meros acondicionamentos dos produtos, cumpre observar as definições estabelecidas no artigo 4º da Resolução RDC ANVISA 71/2009. Os rótulos, bula e embalagens que fazem parte do processo de custo agregado no país são incluídos em atendimento à legislação da ANVISA, assim como ao Código de Defesa do Consumidor (artigo 6º, incisos I e III). Como forma de comprovar que os produtos são importados e revendidos sem qualquer alteração ou modificação, ou seja, de que não são aplicados à produção, há que se observar os seguintes documentos e esclarecimentos: • HI0310V01ENU – Insulina: Declarações de Importação (DIs) respectivas Notas Fiscais de Entrada, ora juntadas por amostragem, constantes inclusive às fls. 482/498 do presente processo Administrativo, que trazem a sua classificação fiscal na posição NCM 3004.31.00 (doc. 02). A contraprova de que a composição desse produto não sofre qualquer modificação na sua composição original é realizada através da Nota Fiscal de Saída, constante Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 10 9 às fls. 454/482 dos presentes autos, uma vez que é mantida a mesma classificação fiscal na posição NCM 3004.31.00 (doc. 03). • QA336NV1KECB Monensina Sódica: DIs e respectivas Notas Fiscais de Entrada, por amostragem, trazendo a classificação na NCM 2941.90.71 (doc. 04). A contraprova de que a composição desse produto não sofre qualquer modificação na sua composição original é realizada através da Nota Fiscal de Saída, uma vez que é mantida a mesma classificação fiscal (doc. 05). • QA188G01KBL Outros Macrolidios & seus Sais: DIs e respectivas Notas Fiscais de Entrada, por amostragem, trazendo a classificação na NCM 2941.90.59 (doc. 06). A contraprova de que a composição desse produto não sofre qualquer modificação na sua composição original é realizada através da Nota Fiscal de Saída, uma vez que é mantida a mesma classificação fiscal (doc. 07). • QA255K25KBL – Narasina: DIs e respectivas Notas Fiscais de Entrada, por amostragem, trazendo a classificação na NCM 2941.90.72 (doc. 08). A contraprova de que a composição desse produto não sofre qualquer modificação na sua composição original é realizada através da Nota Fiscal de Saída, uma vez que é mantida a mesma classificação fiscal (doc. 09). Desta forma, fica devidamente comprovado que os produtos importados pela impugnante não sofrem qualquer modificação na sua composição original, razão pela qual não há como se enquadrar o presente caso no método PRL60, hipótese de bem importado aplicado à produção, sendo perfeitamente admitida utilização do método PRL20, conforme já se manifestou, inclusive, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (7ª Turma, Acórdão 1612029, publicado em 04/01/2007). De acordo com a supracitada decisão, o que importa para classificação do método de apuração do PRL é verificar se houve ou não modificação do bem importado na sua essência, resultando na produção de um "outro bem", de natureza diversa do bem importado. Essa também é a definição trazida pela própria IN SRF nº 243/2002. O conceito de "produção de outro bem" foi também alvo da Solução de Consulta COSIT nº 9/2003. Nem mesmo se cogite a remota hipótese de utilização do conceito de "produção de outro bem", industrialização, com base na legislação do IPI, vez que as regras da legislação que tratam do preço de transferência são específicas, conforme já definido no Processo de Consulta n° 51/2006, da SRRF/7ª RF, publicada em 17/07/2006. Como forma de corroborar todo o exposto, a impugnante junta aos autos laudo técnico, elaborado por profissional habilitado para fins específicos dos presentes autos, contendo fotos da linha de produção da insulina (HI0310V01ENU Humulin N100 10 ML), a fim de demonstrar que apenas é realizado o acondicionamento de embalagens ao produto, sem qualquer modificação na essência do produto importado, ou seja, sem que sofra qualquer natureza de industrialização (doc. 10 – Laudo Pericial de Engenharia). O referido laudo conclui que: Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 11 10 “(...) 1) O Sr. Auditor Fiscal equivocase sob o ponto de vista da engenharia, quando afirma que constatou a ocorrência de importação de medicamento semielaborado. Tal afirmação é falsa, pois é constatado que numa emergência este produto, da forma em que se apresenta, trará os mesmos benefícios ao ser humano quando utilizado. 2) Conforme explicado no item IV deste parecer o Sr. Auditor Fiscal equivocase quando classifica o sistema de acondicionamento do medicamento em embalagens como processo de industrialização. Se verificasse a legislação e a finalidade do produto, constataria com facilidade que o sistema de acondicionamento do medicamento HUMULIN N 100 da empresa Eli Lilly é considerado um sistema de embalamento industrial, com ênfase na logística, portanto não visa agregar valor ao produto. 3) O Sr. Auditor Fiscal equivocase novamente quando trata o medicamento como insumo industrial. Sob o ponto de vista da engenharia um insumo industrial é um bem ou serviço utilizado na produção de um outro bem ou serviço, por exemplo, energia elétrica, gases etc, e não um medicamento. 4) Também não pode ser considerado um insumo farmacêutico por não se tratar de uma droga ou matériaprima aditiva ou complementar destinada a emprego em medicamentos, pois este já é, por si só, um medicamento pronto para o uso humano. 5) O medicamento importado vem acondicionado em um frasco de vidro hermeticamente vedado com uma tampa de plástico inviolável que dificulta sua abertura manualmente. Para a retirada do liquido só é possível por sucção através de agulhas, comumente utilizadas por seringas. Da mesma forma para introdução de alguma substância o procedimento, seria o de injeção pelo mesmo procedimento, o que é mais uma razão de comprovar que o produto está acabado e não semi elaborado. 6) O acondicionamento na caixa com a bula não tem objetivo de completar o medicamento como relata o Sr. Auditor Fiscal, mas sim visa cumprir a legislação do Código de Defesa do Consumidor, que obriga através do seu artigo 6º: dar a informação adequada e clara, com a especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, bem como sobre os seus riscos. 7) Além do CDC as indústrias farmacêuticas devem seguir a Resolução RDC N° 71, de 22 de Dezembro de 2009 ANVISA que estabelece regras para a rotulagem de medicamentos. 8) E ao final o acondicionamento do produto não depende de legislações e sim da política de custos da logística e distribuição da empresa. É uma fase necessária do sistema e não faz parte de processos de industrialização. (...)” O processo de embalagem da insulina HI0310V01ENU é demonstrado de forma clara e precisa no laudo pericial juntado à presente impugnação, cujas fotos Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 12 11 do sistema de acondicionamento do produto não deixam margem de dúvida que o produto é importado já pronto para utilização, recebendo apenas o rótulo com a descrição do medicamento, a bula com as informações e a caixa/embalagem de revestimento do produto. Importante acrescentar, ainda, que a insulina HI0310V01ENU foi alvo de concorrência pública, na qual a impugnante, diante da melhor proposta de preço, foi vencedora no certame (doc. 11), conseguindo vender o produto para o Ministério da Saúde (doc. 11). Para essas situações de venda, as embalagens são consideradas especiais, tendo a impugnante observado as regras estabelecidas pelo artigo 4º da Resolução RCD ANVISA n° 168/2002, conforme se pode constatar foto da embalagem anexa e pelas aprovações finais da ANVISA no Diário Oficial (doc. 12). Dessa forma, fica comprovado que a impugnante observou todas as regras de acondicionamento da embalagem ao produto objeto da autuação, com a devida aprovação final da ANVISA, não havendo razões plausíveis para interpretar que os produtos foram aplicados à produção. Os produtos importados pela impugnante não sofreram qualquer alteração na sua composição original, o que comprova não serem aplicados à produção, razão pela qual é incorreta e equivocada a adoção do método PRL60. Portanto, diante do exposto, requer seja declarada a nulidade total do presente processo Administrativo. Da composição do custo no produto final A fiscalização, além de classificar o acondicionamento de embalagem como uma etapa de produção no país, também compôs todo o custo do processo de produção da embalagem dos produtos importados pela impugnante, conforme Termo de Constatação Fiscal. Com base no procedimento de composição do custo do processo de produção da embalagem, a fiscalização apurou o preço praticado e o preçoparâmetro dos produtos importados para fins de cálculo do preço de transferência. Em relação aos custos finais dos produtos importados e revendidos no mercado interno, há que se observar o Parecer Técnico ContábilFiscal, elaborado por profissional habilitado especificamente para o presente fim (doc. 13, anexo), no qual foi constatado o seguinte: “Analisando os documentos disponibilizados pela LILLY, a fiscalização não constatou "discrepância relevante com os dados fornecidos em meio óptico pelo Contribuinte". Vale ressaltar que, conforme concluído em Parecer Técnico de Engenharia, o produto HI0310V01ENU (Insulina) é importado e chega pronto ao Brasil, sem qualquer alteração na sua composição original, o que torna o cálculo do custo, levando em conta o "consumo de matériaprima e de semiacabado", totalmente irreal e incorreto para o presente caso. E o Parecer Técnico ContábilFiscal conclui que: “A fiscalização não constatou "discrepância relevante com os dados fornecidos em meio óptico pelo Contribuinte", Não pode prosperar a alegação da fiscalização que diz ser um "medicamento semielaborado". O medicamento "HUMULIN" é o produto final destinado à revenda no país sem qualquer agregação de insumos aplicados à produção. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 13 12 Então, também não pode prosperar a alegação da fiscalização que diz ser um "processo de agregação de valor no país e não uma mera revenda". (...) Por esses motivos, sob o ponto vista técnicocontábil não pode ser aplicado o método PRL60 para apurar o preço de transferência. Sendo assim, concluise que para calcular o preço de transferência deve prevalecer o método PRL20, utilizado e informado pela LILLY à fiscalização às fls. 7 do Termo de Constatação Fiscal." Portanto, também por mais esse aspecto, deverá ser declarada a nulidade total da presente autuação. Do cálculo do preço de transferência – IN SRF nº 243/2002 inconstitucionalidade Caso se entenda pela correta aplicação do método PRL60 ao presente caso, mesmo assim não deve prosperar a presente autuação, vez que o cálculo do preço de transferência foi realizado com base na IN SRF nº 243/2002, sem observância do disposto na Lei nº 9.430/96, acarretando, por conseqüência, a nulidade da autuação. Nesse sentido, recentemente se pronunciou o Tribunal Regional Federal da 3a Região (Processo n° 2007.61.00.0340487, Terceira Turma). Portanto, requer a impugnante a declaração de nulidade da presente autuação, vez que o cálculo do preço de transferência através da IN SRF nº 243/2002 contraria claramente as disposições contidas na Lei nº 9.430/96. DA PROVA PERICIAL Nessa oportunidade, objetivando comprovar todo o alegado, requer a impugnante a realização de perícia técnica, em atenção ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Desta forma, requer que os peritos nomeados pelo ilustre julgador respondam aos quesitos em anexo (doc. 14 Quesitos de Engenharia / Processo de Produção; e doc. 15 Quesitos Contábeis / Custo de Produção). A impugnante requer que os referidos quesitos sejam respondidos com base nos Laudos Técnicos de Engenharia e Contábil juntados na presente impugnação, como forma de esclarecer o verdadeiro processo de produção dos produtos importados, bem como o custo efetivo de produção dos bens. A impugnante indica, às fls. 759/760, os peritos de sua confiança para apresentar seu parecer técnico, e acompanhar as atividades do perito técnico nomeado pela União. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer a impugnante que (i) seja deferida a realização de perícia técnica, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 e (ii) seja totalmente provida a impugnação apresentada, a fim de que o presente processo seja declarado totalmente improcedente, tornandoo nulo de pleno direito. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 14 13 Ainda, requer que todas as intimações e publicações relativas ao presente feito sejam realizadas exclusivamente em nome dos seus advogados, bem como que as publicações e as intimações veiculadas por correio eletrônico sejam encaminhadas ao endereço indicado à fl. 760." A decisão recorrida, conforme visto na ementa ao norte transcrita, julgou improcedente a impugnação, ao fundamento de que "o método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no país, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos." Em sede de recurso voluntário, a recorrente, em síntese, reprisa os argumentos expostos na impugnação no que toca à inexistência de produção e de agregação de valor, aprofundandose na argumentação e reprodução de excertos do já mencionado Laudo Pericial de Engenharia, bem como na apresentação de precedentes do CARF favoráveis à sua tese, além de manifestações da própria Receita Federal, por meio das Soluções de Consulta que menciona. Acrescenta ainda uma preliminar de nulidade da decisão recorrida, tendo em vista a ocorrência de alteração na fundamentação para a manutenção do lançamento, ou mesmo contradição entre a acusação fiscal e a decisão recorrida. Em síntese, aduz que, embora a DRJ reconheça que a fiscalização se equivocou ao classificar os itens importados como medicamentos semielaborados, ainda assim manteve a exigência sob a singela, porém incomprovada, alegação de que os produtos importados tiveram agregação de valor no país. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Aduz a recorrente a nulidade da decisão recorrida uma vez que esta teria inovado na fundamentação, pois manteve o lançamento a despeito de ter contrariado as afirmações e conclusões da autoridade fiscal que levaram a lavratura de Auto de Infração. Isto posto, cumpre novamente transcrever o que constou do relatório fiscal (grifei): "Da análise dos dados selecionados arquivo vendas e insumoproduto anual a fiscalização constatou a ocorrência de importação de medicamento semi elaborado na forma de ampola (frascos de vidro tipo I, com 10 ml de suspensão), faltando a conclusão do processo de embalagem secundária e terciária. Isso significa que este produto importado passa por etapas de produção no país, havendo agregação de valor no Brasil. Por conseguinte, o método para apurar o preço de transferência a ser aplicado deve ser o PRL60 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%). Embalagem é um conjunto de operações, processos, materiais, equipamentos e mãodeobra utilizada com a finalidade de acondicionar, Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 15 14 proteger, informar, facilitar o uso, agregar valores, vender e transportar o produto acabado até os pontos de venda e utilização, atendendo as necessidades da população, proporcionado segurança à mesma. São necessários vários tipos de embalagens para o término do processo de industrialização do produto final, são elas: (...) Conforme se observa na tabela abaixo, diversos insumos foram empregados para chegar ao resultado final do produto HI0310001BLFA, tratandose de um processo de agregação de valor no país e não uma mera revenda. Dentre os insumos utilizados encontrase o HI0310V01ENU que foi importado de vinculada, portanto sujeito ao controle de preços de transferência. Registrase que a contribuinte informou que calculou o preço de transferência através do método PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), porém por não se tratar de mera revenda e sim de agregação de valor e insumo aplicado à produção, a fiscalização reenquadrou o método para o PRL60. (...)" Diante da transcrição acima, expondo as razões da fiscalização para o lançamento, e de toda a exposição feita pela autoridade recorrida com relação à questão principal sobre a qual versam os autos (sintetizada no excerto da ementa que afirma que "o método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no país, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos"), concluo que resta completamente insubsistente o pleito da recorrente de nulidade da decisão recorrida. O mero fato de a DRJ ter afirmado, em determinado ponto do voto, que a fiscalização teria cometido um equívoco ao "classificar os itens importados como medicamentos semielaborados ou como insumos", não desnatura por completo a fundamentação utilizada pela fiscalização, visto que a decisão recorrida continua a se amparar na fundamentação do fisco no que toca à agregação de valor como critério para a determinação da utilização do PRL 60, em lugar do PRL 20 adotado pela contribuinte. Inexistente, portanto, a alegada contradição. Passo ao mérito. Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 16 15 Cediço que, na redação original da Lei nº 9.430/96, havia tão somente a previsão do método PRL na sua modalidade "PRL 20", ou seja, com a aplicação da margem de lucro de 20% calculada sobre o preço de revenda, consoante o inciso II do caput do seu art. 18: "II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda;" É por demais conhecida a discussão que se instaurou no âmbito do contencioso administrativo em razão de a Receita Federal ter regulamentado, por meio da Instrução Normativa SRF nº 38, de 30 de abril de 1997, a respeito da impossibilidade da aplicação do referido método nos casos em que o bem, serviço ou direito importado se destinasse a "emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito", nos dizeres daquele normativo. Enquanto o órgão fiscalizador sempre entendeu que, em situações tais, não ocorreria uma mera revenda do bem importado, em face da agregação de outros custos no processo produtivo, os contribuintes defenderam que o método poderia ser perfeitamente aplicado nesses casos, pois a lei facultava ao contribuinte três opções de cálculo para os ajustes decorrentes de preços de transferência na importação (Método dos Preços Independentes Comparados PIC, Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, e Método do Custo de Produção mais Lucro CPL), não podendo a instrução normativa restringir onde a lei não o fazia. Na medida em que as primeiras decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes passaram a indicar que a interpretação viria a se consolidar no sentido de que a instrução normativa efetivamente restringira de modo indevido a aplicação do método PRL, o Governo editou a Medida Provisória nº 1.924/99, posteriormente convertida na Lei nº 9.959/00, a qual deu nova redação à alínea 'd' do inciso II do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/96, da seguinte forma: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." A redação acima transcrita, a par de jogar uma "pá de cal" sobre a controversa questão de denominar por "revenda" uma operação em que o bem importado passa por um processo de industrialização, admitindo expressamente, portanto, o uso do método PRL nesses casos, cuidou de estabelecer margens de lucro distintas: uma de 20% nas operações de "simples revenda", como se poderia chamar, e outra de 60% nas operações de "revenda" em Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 17 16 que os bens importados fossem aplicados à produção, havendo agregação de valor no país ao produto. É exatamente neste ponto que reside o cerne da questão. Afirma a recorrente que importou os produtos alvo da autuação já prontos, ou seja, os bens importados não sofreram qualquer transformação na sua essência, sendo apenas "revestidas com rótulo, bula e embalagens para transporte e revenda no mercado interno". Assim, a operação por ela feita não caracteriza a produção de um novo bem, e sim consiste em "simples acondicionamento de embalagem ao produto para fins de revenda no mercado interno". Com relação ao fato de que não houve transformação do produto em sua essência, efetivamente não se há de discordar da recorrente, tendo ela trazido aos autos elementos de prova, em especial as fotografias do processo a que é submetido o bem importado antes da sua revenda no mercado interno. A propósito, digase que, a bem da verdade, nada obstante a fiscalização ter utilizado a denominação de "medicamento semielaborado", expressão esta que tanta repulsa causou à recorrente — que se esforçou em demonstrar que, nos específicos casos dos medicamentos considerados no presente caso, não houve qualquer modificação na sua composição original, de modo que se trata de medicamentos prontos para o uso humano — o fato é que a fiscalização claramente assentou o entendimento de que o produto seria "semi elaborado" em razão de que estaria "faltando a conclusão do processo de embalagem secundária e terciária", e que "isso significa que este produto importado passa por etapas de produção no país, havendo agregação de valor no Brasil." Aliás, a própria tabela inserida pelo fisco no Termo de Verificação Fiscal, relacionando todos os itens que entram na composição final do produto HI0310001BLFA (Humulin), utilizado como exemplo, não deixa margem a quaisquer dúvidas, pois, afora o bem HI0310V01ENU (Insulina), importado de vinculada já acondicionado em um "frasco de vidro hermeticamente vedado com uma tampa de plástico inviolável", somente são agregados ao produto final os seguintes itens: "bula, cartucho (embalagem secundária), rótulo adesivo, lacre adesivo, etiqueta, caixa de embarque e etiqueta de caixa de embarque". Portanto, não há, no caso, efetivo litígio sobre o fato de o produto não ter sofrido "substancial transformação" em sua composição. Na realidade, o conflito existe entre os conceitos do que se possa entender por processo produtivo. A recorrente trouxe diversos precedentes do CARF em que foram analisadas situações fáticas substancialmente equivalentes às dos autos, tendo havido decisão favorável aos contribuintes, na mesma linha da tese de defesa (acórdãos 10194628, 10517210, 1402 001.012, e 1402001.238). Neste sentido, transcrevo abaixo a ementa do acórdão 10517210, representativo deste pensamento: "PREÇO DE TRANFERÊNCIA PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 20 E PRL 60 ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO PARA POSTERIOR REVENDA FRACIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO EM QUE NÃO OCORRE A TRANSFORMAÇÃO DO PRODUTO Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 18 17 – O mero acondicionamento de produtos em novas embalagens para fins de venda para o mercado interno não exclui a aplicação do método PRL 20, por não configurar hipótese de "bens importados aplicados à produção". O fato de haver agregação de valores ao produto importado não resulta em afirmar que os mesmos passaram por processo de industrialização ou que foram aplicados na produção de um produto final. O critério utilizado pela lei n° 9.430/96 que impossibilita a utilização do PRL 20 referese a aplicação do produto importado na "produção", e isto não foi verificado na hipótese dos autos." De acordo com esta corrente de pensamento, a idéia de produção há de estar associada à idéia de transformação do produto (conforme se evidencia pela ementa acima transcrita), ou seja, da obtenção de uma espécie nova. Contudo, a Lei nº 9.959/00, que deu nova redação à alínea 'd' do inciso II do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não trouxe qualquer definição do que seja produção. Destaquese que sequer consta do texto legal qualquer referência a que, por meio do referido processo, haveria de se obter um "outro" bem, serviço ou direito, como o fazia a antiga normatização da Receita Federal, que tanta resistência sofrera por parte dos contribuintes (IN SRF nº 38/97). Neste contexto, com a devida vênia dos entendimentos em contrário, não vejo motivos para que não se aplique, portanto, o conceito de industrialização contido na Lei nº 4.502, de 1964, ora incorporado ao art. 4º do Regulamento do IPI (RIPI/2010): "Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 19 18 produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados." Portanto, a produção ou industrialização se caracteriza não apenas pelos processos em que se obtém espécie nova (transformação), como quer fazer crer a recorrente, mas também pelos diversos outros processos mencionados no dispositivo em questão, inclusive por aqueles em que ocorre apenas a colocação de embalagem (acondicionamento ou reacondicionamento), ressalvadas, nesse caso, as embalagens colocadas que se destinem exclusivamente ao transporte da mercadoria. Assim, em que pesem as alegações da recorrente de que "o acondicionamento do produto não depende de legislações e sim da política de custos da logística e distribuição da empresa", e de que "é uma fase necessária do sistema e não faz parte de processos de industrialização", a lei claramente dispõe em sentido contrário. Registrese, no caso, ser inconteste o fato de que as embalagens apostas no produto para a sua comercialização não são exclusivamente aquelas destinadas ao transporte da mercadoria. Isto é verdadeiro tão somente para os itens "caixa de embarque e etiqueta de caixa de embarque", mas não para os demais itens que se agregam ao custo final do produto. Em que pese o fato de a recorrente alegar que "o sistema de acondicionamento do medicamento HUMULIN N 100 da empresa Eli Lilly é considerado um sistema de embalamento industrial, com ênfase na logística, portanto não visa agregar valor ao produto", não há dúvidas de que um dos itens agregados ao produto é a chamada "embalagem secundária", assim definida no relatório fiscal: "É a embalagem que agrupa ou protege a embalagem primária, geralmente, é a embalagem que fica a mostra nas prateleiras das farmácias e drogarias. O produto é acondicionado numa caixa de apresentação (cartucho) do produto (com aposição da marca, nome comercial do medicamento, instruções, bula)." De fato, a própria fotografia nº 9 do Laudo Pericial de Engenharia, reproduzida no corpo do recurso ("caixas das ampolas", efls. 1475), mostra a embalagem em questão, na qual está aposta a marca do produto, e as fotografias nº 17 e 18 ("caixas de frascos acondicionadas" e "caixas para transporte final", efls. 14771478), mostram as embalagens destinadas ao transporte. Em consonância com o disposto na alínea 'd' do inciso II do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/96, já ao norte transcrito, se encontra também a normatização expedida pela Secretaria da Receita Federal, que assim dispõe: "Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de Novembro de 2002 Art. 12. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 20 19 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção." De todo o exposto, concluise que o bem importado HI0310V01ENU (Insulina), ao chegar à recorrente, é submetido a um processo de industrialização, por meio do qual outros custos são agregados para se chegar ao produto final HI0310001BLFA (Humulin), perfazendose, portanto, as condições previstas em lei para que, no caso, o método do Preço de Revenda menos Lucro, se acaso utilizado, o seja por meio da aplicação da margem de lucro de sessenta por cento, e não de vinte por cento. Alguém poderia objetar que a incorporação da embalagem secundária, entre outros itens aplicados no produto, não constituiria qualquer agregação de valor, mas sim de custo. Neste sentido, aliás, foi também a manifestação do relator do mencionado acórdão 10517210, conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, consoante o seguinte excerto do seu voto: "Não vejo como considerar o acondicionamento de produto como agregação de seu valor, mormente se considerado que o comprador final adquire o produto, e não a embalagem. Este é mero veículo de transporte, indispensável, é verdade, para a aquisição do produto. Mas a embalagem não altera, por si só, a composição do produto adquirido, não podendo ser considerado fato de agregação de valor (ao contrário, seria até de custo) ao valor do produto final." Neste sentido, também a recorrente protesta, no caso concreto, que não teria havido a devida prova, nem por parte da fiscalização, nem por parte da decisão recorrida, acerca da efetiva agregação de valor no país. Esta questão (agregação de valor) pode ser analisada sob duas óticas, chegandose, contudo, à mesma conclusão. Em uma primeira visão, é a própria agregação de custo que representa a agregação de valor ao produto. Ora, é evidente que todos os itens agregados ao produto possuem um custo, o que torna o produto final, por si só, mais caro. E, no caso, conforme visto, não há dúvidas de que todos os itens discriminados na tabela ao norte aqui transcrita integram o custo do produto Humulin. Os únicos itens de custo que, apesar de agregarem algum valor ao produto, não seriam determinantes para a submissão do contribuinte ao método PRL 60, são os custos da etiqueta e embalagem de transporte, em razão dos motivos já expostos. Esta, aliás, foi, basicamente, a visão empregada pela fiscalização, do quanto se extrai do inteiro teor do Termo de Verificação Fiscal, e foi também a visão principal empregada pela decisão recorrida, assim como pelo presente voto. Em outra visão, a "agregação de valor" estaria dissociada da "agregação de custo" (na linha do que expõe o excerto do voto do acórdão 10517210 antes transcrito, a embalagem representaria apenas custo, mas não a agregação de valor). Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 21 20 Ainda que não fique claro se é este o fundamento que está por trás da alegação da recorrente, no sentido de que faltaria a comprovação da agregação de valor ao produto no país, e muito embora não seja esta a ótica utilizada no lançamento, cumpre de qualquer sorte, refutar a alegação, pois não há dúvidas de que, no caso da indústria farmacêutica, a maior agregação de valor ao produto ocorre justamente em razão da aposição da marca ao mesmo. Neste sentido, pela clareza da exposição, transcrevo abaixo excerto da declaração de voto do conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima em caso julgado perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais1: "A OCDE, no 'Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations", edição julho de 1995, item 2.22, não recomenda o uso do PRL quando o vendedor agrega valor substancial ao produto utilizado como insumo. Esta agregação de valor substancial ao produto pode ocorrer basicamente de duas formas: 1) "quando os bens são reprocessados ou incorporados em um produto mais complicado, de tal modo que sua identidade se perde ou se transforma (por exemplo quando componentes se agregam em produtos acabados eu semiacabados)"; 2) "quando o revendedor contribui substancialmente para a criação ou manutenção de propriedade intangível, associada ao produto (por exemplo marcas ou nomes comerciais) que pertencem à empresa associada" Nesta última hipótese, encontrase a indústria farmacêutica, cujo processo de produção é relativamente simples (na maioria dos casos utilizase somente um insumo importado na produção final de um bem), e a maior agregação de valor ocorre devido ao acréscimo de um bem intangível que é a marca. O setor da indústria farmacêutica é composto de tradicionais empresas multinacionais que detém a maior parte das patentes dos medicamentos mais reconhecidos pelos consumidores. Embora os princípios ativos sejam os mesmos utilizados em remédios chamados "genéricos", os preços praticados por esses laboratórios mais renomados são muito superiores aos de seus concorrentes locais e a agregação de valor no processo de produção do medicamento é muito superior a margem de 20%, tanto que foi necessário a Lei n°. 9.959/00 alterar a margem para 60% para incluir a industrialização." Neste mesmo sentido também se encontra, por exemplo, a Solução de Consulta COSIT nº 22/2008, a qual fora mencionada pela contribuinte na sua impugnação, porém apenas com a transcrição do primeiro parágrafo da ementa, cujo teor se apresentaria favorável à sua argumentação: “PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL. A pessoa jurídica sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e que procede apenas o acondicionamento (embalagem) do produto poderá adotar na apuração do preço parâmetro o método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com margem de lucro de vinte por cento. Caso, juntamente com o acondicionamento (embalagem) ocorrer a aposição de marca, com a conseqüente agregação de valor, procederseá à apuração do preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com margem de lucro de sessenta por cento”. 1 Acórdão CSRF/0105.784, sessão de 04 de dezembro de 2007. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 22 21 Também neste mesmo sentido é o teor da resposta à pergunta nº 42, no “Perguntas e Respostas” da DIPJ/2008 (Capítulo XIX – IRPJ e CSLL – Operações Internacionais, disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br): "042. É possível a utilização do método PRL, com margem de lucro de 20% (vinte por cento), nas hipóteses em que, no País, haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados? Não. Para fins de utilização do método PRL, a margem de lucro de 20% (vinte por cento) poderá ser aplicada somente nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. Havendo agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, inclusive na hipótese de a pessoa jurídica que os importa proceder, previamente à sua comercialização no País, à aposição da marca para fins de utilização do método PRL deverá ser aplicada a margem de lucro de 60% (sessenta por cento)." Portanto, seja qual for a ótica sob a qual se enfoque a questão da agregação de valor ao produto, não há dúvidas de que, no caso concreto, houve a referida agregação. Contudo, torno a ressaltar que o enfoque principal dado, tanto pela fiscalização, consoante os excertos do Termo de Verificação Fiscal já ao norte transcritos, quanto pela decisão recorrida, consoante o excerto do voto que a seguir se transcreve (a fim de dirimir quaisquer dúvidas porventura existentes a respeito), foi no sentido de que a própria agregação de custo ao produto representa a agregação de valor ao mesmo: "Analisando o Demonstrativo do Preçoparâmetro PRL60 em anexo, verifica se que, para todos os itens em que houve a desqualificação do método PRL20 para a adoção do método PRL60 (itens HI0310V01ENU, QA188G01KBL, QA255K25KBL e GA336NV1KECB), a participação do item importado no produto final nunca é igual a 100% (o que configuraria uma revenda pura), de modo a se concluir que houve, na formação do produto final, agregação de valor ao item importado, não sendo, portanto, permitida a utilização do método PRL20. Destaquese que a norma supracitada não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante. Os produtos importados tiveram que se submeter a algum processo antes de serem vendidos, de modo que não se trata de simples revenda, como faz crer a impugnante." Em síntese e conclusão, estáse diante de um caso em que houve um processo de industrialização aplicado ao bem importado, do qual decorreu agregação de valor ao produto, sendo irrelevante, para fins de submissão ao método PRL 60, o fato de o bem importado não ter sido submetido a um processo de "transformação" ou de "alteração substancial" de sua composição. De se observar que, por ocasião da impugnação, a contribuinte apresentara alegações no sentido da ilegalidade/inconstitucionalidade da regulamentação administrativa por meio da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de Novembro de 2002, contudo, tais alegações não foram renovadas por ocasião do recurso, não fazendo mais, portanto, parte do litígio. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 23 22 Por fim, registrese que o quanto exposto no presente voto aplicase tanto para o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, quanto para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, em razão da expressa disposição legal a respeito (art. 28 da Lei nº 9.430/96). Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 24 23 Voto Vencedor Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Não obstante o brilhantismo do voto do Conselheiro relator, ouso discordar e passo a explicar minhas razões. Conforme relatado, o presente caso se refere à discussão sobre qual seria o método de cálculo do preço parâmetro correto a ser aplicado sobre na aquisição de insulina em frascos de 10ml (produto HI0310V01ENU) adquirido de pessoa vinculada no exterior. Para começar a desenvolver meu racional, é importante ressaltar que o produto importado pela ora Recorrente é entregue em um "frasco de vidro hermeticamente vedado com uma tampa de plástico inviolável". Faço tal ressalva porque me parece claro que o acondicionamento do produto não sofre alterações para sua colocação à venda no Brasil, ou seja, o produto é importado em um "frasco de vidro hermeticamente vedado com uma tampa de plástico inviolável" e é vendido no Brasil da mesma forma, no mesmo fraco de vidro. De fato, o que ocorre no Brasil é a colocação de etiqueta em cada um dos frascos e acondicionamento cartucho de forma a possibilitar a inclusão da bula do medicamento. Isso é feito pela Recorrente para cumprimento de normas locais (brasileiras), em especial, aquelas emitidas pelo respectivo órgão regulador, que é a ANVISA. Neste universo regulatório, cabe destacar a Resolução RDC n. 71/2009 que estabelece regras para rotulagem de medicamentos e da qual destaco os seguintes trechos: (...) Art. 2º Este Regulamento possui o objetivo de aprimorar a forma e o conteúdo dos rótulos de todos os medicamentos registrados e comercializados no Brasil, visando garantir o acesso à informação segura e adequada em prol do uso racional de medicamentos. (...) Art. 8° Os rótulos das embalagens primárias de medicamentos devem conter as seguintes informações: I o nome comercial do medicamento; II a denominação genérica de cada princípio ativo, em letras minúsculas, utilizando a Denominação Comum Brasileira (DCB); III a concentração de cada princípio ativo, por unidade de medida ou unidade farmacotécnica, conforme o caso; Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 25 24 IV a via de administração; V o nome da titular do registro ou sua logomarca desde que a mesma contenha o nome da empresa; e, VI o telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), da empresa titular do registro ou de sua responsabilidade. " Pois bem, feitas tais considerações, passemos ao núcleo da discussão. A ora Recorrente empregou o método PRL20 para cálculo do preço parâmetro. Fez assim por considerar que efetiva apenas a revenda do produto importado no Brasil, vez que não efetua qualquer alteração no produto nem tampouco aplica qualquer processo de industrialização. Contudo, tal método foi afastado pela autuante que entendeu que a ora Recorrente, na realidade, aplica verdadeiro processo de industrialização no Brasil com a aplicação de insumos e conseqüente agregação de valor ao produto. Por consequência, entendeu a autoridade fiscal que o método correto a ser aplicado é o PRL60, mais oneroso à ora Recorrente. Assim, o desafio colocado aos julgadores desta Turma foi o de analisar se a simples aposição de etiquetas nos frascos do produto importado e posterior acondicionamento do produto para a venda, configura um processo de industrialização que obrigasse a Recorrente a utilizar o método PRL60, que é mais oneroso que o PRL20. Para dirimir tal questão, não há outro caminho a seguir que não passe pelo conceito de industrialização previsto no contido RIPI Regulamento do IPI (Decreto n. 4.544/02) vigente à época. Cabe destacar aqui a definição contida no art. 4° do Decreto: "Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 26 25 IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados." Temos que a norma trata como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. Além disso, a leitura do dispositivo acima, nos leva à conclusão de que a operação que configure alteração da apresentação do produto, pela colocação ou substituição da embalagem, constitui industrialização, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Antes de chegarmos à uma conclusão precipitada, devemos fazer uma leitura do art. 6° do RIPI, que assim, dispõe: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos." Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 27 26 Me parece que a hipótese prevista no § 2º se aplica perfeitamente à situação da ora Recorrente. Isso porque, é natural que a vinculada estabelecida no exterior forneça seu produto para diversas outras vinculadas do mundo inteiro que estão sujeitas a diferentes normas emitidas por órgãos reguladores distintos. Assim, não obstante a padronização do produto, inclusive de sua embalagem (frasco de 10 ml), é necessário que cada vinculada providencie a adequação à norma local, especialmente, quanto à identificação do produto e à prestação de informações detalhadas (bula) ao cliente. E é isso que faz a ora Recorrente ao apor etiquetas e efetivar o acondicionamento do produto. De fato, há imensa discussão nos autos acerca do fato da Recorrente apor, também, sua marca nos frascos. Tal discussão me parece irrelevante, pois, a própria norma da Anvisa, de forma indireta, traz tal obrigação à Recorrente. Isso porque, entendo, não há a menor condição de se efetuar a venda deste tipo de produto sem uma identificação mínima do que seja o produto e de quem a vende. Não trato aqui do aspecto concorrencial, no sentido de identificar sua marca para melhorar ou aumentar a percepção do cliente para comprar seu produto. O ponto é possibilitar ao consumidor deste tipo de produto, que trata com a saúde, de identificar com segurança aquilo que realmente precisa e procura. Seria inimaginável entrar num farmácia e encontrar milhares de frascos, todos iguais mas de diferente empresas e sem identificação, apenas com a singela informação "SORO". Se assim fosse, no caso de uma reação adversa, por exemplo, com quem reclamar? Faço esta provocação quase coloquial para demonstrar de forma clara e sucinta que a mera aposição de etiqueta com informações sobre o produto e identificação da marca e posterior acondicionamento em embalagem, não configura um processo de industrialização ou de agregação de valor, mas simples revenda do bem importado com o necessário e mandatório atendimento das normas locais. Neste sentido, trago aqui parte da ementa do acórdão n. 140201.012 da 2. Turma de Julgamento da 4. Câmara da 1. Seção de Julgamento cujo voto vencedor foi de lavra do Conselheiro Antônio José Praga de Souza: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 28 27 aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. A regra do PLR60 é de aplicação obrigatória para aqueles que importam os bens para serem utilizados na condição de insumo. Não foi isso que a Recorrente fez. A operação da Recorrente implicou em importação de produto perfeitamente acabado e definido, pronto para revenda, o que não pode ser confundido com matériaprima, material intermediário, ou qualquer insumo destinado à produção de outros produtos. Aliás, interessante observar que a própria Receita Federal, acertadamente, já se posicionou neste sentido, através do denominado "Perguntas e Respostas" publicado no sítio do órgão que assim respondeu à questão n. 842: "842. Segundo previsão do §10 do art. 4o da IN SRF no 243, de 2002, o PRL com margem de lucro de 20% (vinte por cento) não pode ser utilizado quando 'o produto importado houver sido adquirido para emprego na produção de outro bem. É possível a utilização do PRL nas hipóteses de acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado? Resposta: Sim. O acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito." Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER do Recurso para DARLHE PROVIMENTO. É como voto! Documento assinado digitalmente. LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Redator designado. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 29 28 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Em que pesem as razões expostas pelo Relator, peço licença para delas divergir. Como bem relatado, o caso sob exame trata de litígio acerca do método de cálculo do preço parâmetro empregado pela contribuinte na aquisição do produto HI0310V01ENU (insulina em frascos de 10ml), importado junto a pessoa vinculada. Referido produto é importado já acondicionado em um "frasco de vidro hermeticamente vedado com uma tampa de plástico inviolável" (embalagem primária). No Brasil a recorrente apõe etiqueta em cada um dos frascos e os acondiciona em embalagem secundária (cartucho) junto com a bula do medicamento. Os frascos são, então, acondicionados em embalagem para transporte. Para fins do cálculo do preço parâmetro a recorrente empregou o método PRL20 por entender que realizava no Brasil mera revenda daquele produto. A autoridade fiscal, todavia, afastou o método eleito pela contribuinte por considerar que não houve mera revenda do produto. Afirma que a agregação, no país, de diversos insumos (etiqueta, embalagem secundária, bula, rótulo adesivo, lacre adesivo e caixa de embarque) ao produto importado (frasco de insulina), implica em produção. Em razão disso, adotou o autor da ação fiscal o método PRL60 para fins do cálculo do preço parâmetro do produto importado. Pois bem, sobre o método PRL o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 assim, estabelece, in verbis (redação vigente à época do fato gerador): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 30 29 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Como visto acima, quando o sujeito passivo adotar o método PRL para o cálculo do preço parâmetro, deverá empregar a margem de lucro de 60% (PRL60), "na hipótese de bens importados aplicados à produção", ou a margem de lucro de 20% (PRL20) "nas demais hipóteses". Resta claro, portanto, que o significado do vocábulo "produção" é de fundamental importância para a determinação do método a ser empregado (PRL60 ou PRL 20). Mas qual significado deve ser atribuído ao vocábulo "produção" para fins de interpretação da norma acima referida? Uma primeira resposta seria adotarse na interpretação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 o significado de "produção" contido na linguagem corrente. Neste sentido, "produção" é sinônimo de "fabricação", ou seja, criação de algo a partir de matériasprimas. Em assim sendo, no caso sob exame não há dúvida de que inexiste "produção". De fato, a insulina não está sendo "fabricada" pela recorrente. Ela importa o produto de sua vinculada residente no exterior em frascos de vidro de 10ml e, no Brasil, apenas os acondiciona para fins de transporte e venda. Não havendo "produção" ("fabricação", segundo o significado deste termo contido na linguagem corrente), a margem de lucro a ser utilizada no método PRL é a de 20% (PRL20), razão pela qual seria improcedente a exigência fiscal. Uma segunda resposta para questão antes levantada seria adotarse na interpretação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 o significado técnico de "produção". Embora no âmbito do direito tributário não haja significado (conceito) técnico para o vocábulo "produção", é comum empregarse o termo como sinônimo de "industrialização". De acordo com o art. 4º do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do IPI), vigente à época dos fatos: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 31 30 II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. O emprego do sentido técnico de "produção" na interpretação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 conduziria, em princípio, ao entendimento de que a contribuinte estaria obrigada a empregar a margem de lucro de 60% (PRL60), pois o processo por ela realizado estaria enquadrado como "acondicionamento". Ocorre que o próprio Decreto nº 4.544/2002, em seu art. 6º, § 2º, expressamente afasta do conceito técnico de "produção" ("industrialização") as hipóteses em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 32 31 § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. Segundo a recorrente, o acondicionamento por ela realizado no Brasil atende estritamente ao disposto na Resolução Anvisa RDC nº 71/2009, cujas normas de interesse abaixo se transcreve: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS Seção I Objetivo Art. 2º Este Regulamento possui o objetivo de aprimorar a forma e o conteúdo dos rótulos de todos os medicamentos registrados e comercializados no Brasil, visando garantir o acesso à informação segura e adequada em prol do uso racional de medicamentos. Seção II Abrangência Art. 3º Este Regulamento se aplica a todos os medicamentos registrados na Anvisa. Seção III Definições Art. 4º Para efeito deste Regulamento Técnico são adotadas as seguintes definições: I bula: documento legal sanitário que contém informações técnicocientíficas e orientadoras sobre os medicamentos para o seu uso racional; (...) VI embalagem: invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento removível, ou não, destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter, especificamente ou não, medicamentos; VII embalagem de transporte: embalagem utilizada para transporte de medicamentos acondicionados em suas embalagens primárias ou secundárias; VIII embalagem hospitalar: embalagem secundária de medicamentos de venda com ou sem exigência de prescrição médica, utilizada para o acondicionamento de medicamentos com destinação hospitalar; IX embalagem múltipla: embalagem secundária de medicamentos de venda sem exigência de prescrição médica dispensados exclusivamente nas embalagens primárias; Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 33 32 X embalagem primária: embalagem que mantém contato direto com o medicamento; XI embalagem secundária: embalagem externa do produto, que está em contato com a embalagem primária ou envoltório intermediário, podendo conter uma ou mais embalagens primárias; XII envoltório intermediário: embalagem opcional que está em contato com a embalagem primária e constitui um envoltório ou qualquer outra forma de proteção removível, podendo conter uma ou mais embalagens primárias, conforme aprovação da Anvisa; (...) XVI rótulo: identificação impressa ou litografada, bem como dizeres pintados ou gravados a fogo, pressão ou decalco, aplicados diretamente sobre recipientes, vasilhames, invólucros, envoltórios ou qualquer outro protetor de embalagem; (...) CAPÍTULO II DAS DISPOSIÇÕES GERAIS PARA OS RÓTULOS DE MEDICAMENTOS Seção I Das informações para as embalagens secundárias Art. 5° Os rótulos das embalagens secundárias de medicamentos devem conter as seguintes informações: I o nome comercial do medicamento; (...) XI o nome e endereço da empresa titular do registro no Brasil; XII o nome e endereço da empresa fabricante, quando ela diferir da empresa titular do registro, citando a cidade e o estado, precedidos pela frase "Fabricado por:" e inserindo a frase "Registrado por:" antes dos dados da empresa titular do registro; XIII o nome e endereço da empresa fabricante, quando o medicamento for importado, citando a cidade e o país precedidos pela frase "Fabricado por" e inserindo a frase "Importado por:" antes dos dados da empresa titular do registro; XIV o nome e endereço da empresa responsável pela embalagem do medicamento, quando ela diferir da empresa titular do registro ou fabricante, citando a cidade e o estado ou, se estrangeira, a cidade e o país, precedidos pela frase "Embalado por:" e inserindo a frase "Registrado por:" ou "Importando por:", conforme o caso, antes dos dados da empresa titular do registro; Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 34 33 (...) § 7° É permitido incluir a logomarca da empresa farmacêutica titular do registro, bem como das empresas fabricantes e responsáveis pela embalagem e comercialização do medicamento, desde que não prejudiquem a presença das informações obrigatórias. (...) Seção II Das informações para as embalagens primárias Art. 8° Os rótulos das embalagens primárias de medicamentos devem conter as seguintes informações: I o nome comercial do medicamento; (...) V o nome da titular do registro ou sua logomarca desde que a mesma contenha o nome da empresa; e, (...) Seção III Das informações para as caixas de transporte Art. 10. Os rótulos das caixas de transporte de medicamentos devem conter, impressas ou etiquetadas, as seguintes informações mínimas: I o nome comercial do medicamento; (...) V o nome da titular do registro ou sua logomarca desde que a mesma contenha o nome da empresa; (...) Como visto no início desta declaração de voto, o produto HI0310V01ENU (insulina), é importado pela recorrente junto a pessoa a ela vinculada já em frascos de 10ml (embalagem primária). No Brasil a contribuinte apenas apõe rótulo em cada frasco (art. 8º da Resolução Anvisa RDC nº 71/2009), acondiciona cada frasco em embalagem secundária (art. 5º da Resolução) e em seguida acondiciona um conjunto desses frascos em embalagem para transporte (art. 10). Isso posto, mesmo com base no conceito técnico de "produção", não vejo razão para que a fiscalização tenha considerado que o acondicionamento promovido pela contribuinte resulte em "industrialização", haja vista que, s.m.j., a empresa apenas observou norma administrativa ao acondicionar o produto HI0310V01ENU (insulina). Em conclusão, tenho para mim que a melhor interpretação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 é aquela que emprega a linguagem corrente para o significado do termo "produção" (sinônimo de "fabricação"). Até porque no direito tributário não existe o conceito Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16561.720001/201110 Acórdão n.º 1201001.402 S1C2T1 Fl. 35 34 técnico de "produção" e se o legislador pretendesse adotálo como sinônimo de "industrialização" poderia ter utilizado este termo ao invés daquele. Seja como for, mesmo que seja adotada na interpretação do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 a linguagem técnica para o vocábulo "produção" (sinônimo de "industrialização"), no caso sob exame a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus de esclarecer as razões pela qual considerou que o acondicionamento realizado pela contribuinte não atende, apenas, a exigências técnicas ou a normas legais ou administrativas (art. 6º, § 2º, do Decreto nº 4.544/2002). A meu ver, de acordo com as informações presentes nos autos, o acondicionamento promovido pela recorrente atendeu, apenas, a normas técnicas legais e administrativas, em especial a Resolução Anvisa RDC nº 71/2009, motivo pelo qual não pode ser considerado "industrialização". Todavia, neste momento processual essa discussão é irrelevante pois caberia ao autor da ação fiscal esclarecer as razões que o levaram a atender que o acondicionamento realizado pela contribuinte não atende o disposto no art. 6º do Decreto nº 4.544/2002. Travar só agora essa discussão implicaria em cerceamento do direito de defesa da ora recorrente. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10830.720438/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício porque esta integra o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos (a) os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza em relação às despesas com saúde e (b) o conselheiro Fabio Piovesan Bozza em relação aos juros sobre multa.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício porque esta integra o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 38 /2 01 4- 01 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos (a) os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza em relação às despesas com saúde e (b) o conselheiro Fabio Piovesan Bozza em relação aos juros sobre multa. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.720438/201401 Acórdão n.º 2301004.593 S2C3T1 Fl. 97 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0831.823, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, f. 5564, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2010, anocalendário 2009, em razão de: a) glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 24.734,40, por falta de comprovação; b) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 3.302,16, da fonte pagadora Unimed Estâncias Paulistas, CNPJ 01.029.782/000154. O sujeito passivo apresentou impugnação, juntando documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, insurgindose contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício, e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada procedente em parte, tendo sido restabelecida a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 3.302,16, mas foi mantida integralmente a glosa da dedução de despesas médicas sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o efetivo pagamento da despesa médica. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 12/01/2015, fls. 69. Em 22/01/2015 foi apresentado recurso, fls. 7183, no qual o interessado reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas com saúde na Declaração de Ajuste Anual é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas com saúde deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme abaixo discriminado: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.720438/201401 Acórdão n.º 2301004.593 S2C3T1 Fl. 98 5 Tabela 1 Nº Prestador Serviço CPF Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Referência Valor Declarado DAA Valor Glosado NFLD Valor Mantido NFLD Motivo Glosa 1 01.029.782/000154 Unimed Plano Saúde 1.552,80 1.034,40 518,40 beneficiários não são dependentes 2 295.782.31873 Karina Saldi Pinheiro Souza Dentista 6.000,00 6.000,00 0,00 3 099.734.45805 Iole Maria Bonetti Psicóloga 2.400,00 2.400,00 0,00 4 173.555.09810 Maria do Socorro Bonetti Dentista 2.300,00 2.300,00 0,00 5 271.240.95824 Mariele Mantovani Fisioterapeuta 10.000,00 10.000,00 0,00 6 337.517.47800 Thiago de Almeida Tavares Dentista 3.000,00 3.000,00 0,00 Total 25.252,80 24.734,40 518,40 Falta de comprovação do pagamento. Não foram juntados os extratos bancários demonstrando os saques relativos aos pagamentos O Recorrente apresentou os seguintes documentos a fim de comprovar a prestação do serviço pelos profissionais de saúde indicados, bem como a quitação do pagamento do valor declarado, e alegou que os pagamentos foram feitos em espécie: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Ref Valor Data fls 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 400,00 08/01/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 450,00 06/02/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 550,00 06/03/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 600,00 07/04/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 400,00 08/05/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 400,00 05/06/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 500,00 07/07/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 700,00 07/08/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 650,00 08/09/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 300,00 07/10/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 600,00 09/11/2009 31 2 Declaração do profissional tratamento odontológico 450,00 0712/2009 31 6.000,00 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/01/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 28/02/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/03/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 30/04/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/05/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 30/06/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/07/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/08/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 30/09/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/10/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 30/11/2009 32 3 Declaração do profissional Tratamento psicológico 200,00 31/12/2009 32 2.400,00 4 Declaração do profissional tratamento ododntológico 700,00 20/09/2009 33 4 Declaração do profissional tratamento ododntológico 700,00 20/05/2009 33 4 Declaração do profissional tratamento ododntológico 700,00 20/06/2009 33 2.100,00 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 16/02/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 16/03/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 17/04/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 18/05/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 15/06/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 17/07/2009 34 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 17/08/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 18/09/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 16/10/2009 34 5 Declaração do profissional tratamento fisioterapêutico 1.000,00 13/11/2009 34 10.000,00 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 200,00 12/01/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 300,00 11/02/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 250,00 13/03/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 400,00 15/04/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 450,00 18/05/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 300,00 14/06/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 300,00 08/07/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 100,00 17/09/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 200,00 16/10/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 250,00 07/11/2009 35 6 Declaração do profissional tratamento odontológico 250,00 19/12/2009 35 3.000,00 O Recorrente não contestou a glosa da dedução da despesa nº 1 (Unimed). Portanto, os fatos relacionados a essa glosa são considerados não impugnados, conforme dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/721, com efeito definitivo na esfera administrativa. Com relação às demais deduções de despesas com saúde, entendo que as declarações dos profissionais, por si só, não constituem prova eficaz da prestação do serviço e da quitação da obrigação. As declarações presumemse verdadeiras em relação àqueles que participaram do ato2, de modo que é permitido, ao julgador, com base nos princípios da persuasão racional e do livre convencimento, rejeitálas como prova, independentemente de prévia infirmação quanto à sua autenticidade ou veracidade, desde que haja elementos para tanto. No caso dos autos, a exigência de provas complementares às declarações é razoável, pois os tratamentos não estão especificados nas declarações emitidas pelos profissionais de saúde e não foram apresentados outros elementos de convicção, como, por exemplo, exames médicos relacionados aos tratamentos declarados. É razoável, também, a exigência, feita pela fiscalização, para que o contribuinte apresentasse seus extratos bancários demonstrando a origem dos valores pagos em espécie, o que não foi atendido pelo contribuinte. A exigência para apresentação dos extratos bancários é plausível e o Recorrente não demonstrou sua impossibilidade. É razoável e plausível porque os dispêndios com os tratamentos de saúde declarados superam R$ 2.500,00 em alguns meses (maio, junho e setembro), e, nos demais meses do ano, variam de R$ 800,00 a R$ 2.200,00, cujos saques em contas bancárias, de acordo com as regras da experiência, podem ser detectados com facilidade nos extratos bancários. Este entendimento é abalizado pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Conforme Washington de Barros Monteiro: “Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato”. (Curso de Direito Civil”, 1º vol., 34ª Edição, p. 257 e 258). Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.720438/201401 Acórdão n.º 2301004.593 S2C3T1 Fl. 99 7 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº 2401004.122, Redator para o voto Cons. Carlos Henrique de Oliveira, sessão de 16/02/2016) DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços. (Acórdão nº 2802003.267, Relator Cons. Ronnie Soares Anderson, sessão de 03/12/2014) Ademais, os tratamentos de saúde mais dispendiosos costumam ser mais complexos, motivo pelo qual em geral são precedidos de exames médicos, que poderiam ter sido apresentados pelo Recorrente, a título de prova da despesa declarada. Portanto, considero ineficazes as provas apresentadas e mantenho a glosa da dedução de despesas médicas, nos termos do lançamento tributário. Juros sobre Multa É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício porque esta integra o crédito tributário, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.” (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Sobre o tema, adoto as razões de decidir do Acórdão n° 2301004.475, da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, Relator Conselheiro João Bellini Júnior, em razão da consistente fundamentação: Para o deslinde da questão, devese discernir os conceitos de tributo e de crédito tributário veiculados no Código Tributário Nacional (CTN). Tributo é definido em seu art. 3°: Art. 3°. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Por sua vez, os artigos 113, § 1°, 139 e 142 do CTN dispõem sobre o crédito tributário: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (Grifouse.) Assim, a multa, apesar de não ser tributo, integra o crédito tributário e, em vista desse fato, se subsume ao tratamento dispensado ao crédito tributário pelo CTN. O art. 161 do CTN estabelece que, ao crédito tributário não pago no vencimento, devem ser acrescidos os juros moratórios à taxa disposta em lei ou, em sua falta, à taxa de um por cento ao mês:: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse.) Assim, ao contrário do que alega o interessado, o CTN determina a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. A expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" esclarece que a imposição de juros e de multa não são excludentes entre si. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.720438/201401 Acórdão n.º 2301004.593 S2C3T1 Fl. 100 9 A previsão legal da incidência de juros sobre as multas de ofício constou nas Leis 9.430, de 1996 e 10.522, de 2002, que disciplinaram o assunto de maneira diversa ao que acontecia até então. Vejamos, inicialmente, o que diz o § 3° do art. 61 da Lei 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os arts. 29 e 30 da Lei 10.522, de 2002, resultante da conversão da Medida Provisória 162131, de 1998 (reedição da Medida Provisória 154217, de 18 de dezembro de 1996, arts. 25 e 26), dispõem: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A multa de ofício proporcional, lançada em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, é débito decorrente de tributos e contribuições, estando a eles vinculada. Logo, as expressões "débitos decorrentes de tributos e contribuições" e "débitos de qualquer natureza", utilizadas, respectivamente, nas Leis 9.430/1996 e 10.522/2002, incluem a multa de ofício. Também tratam especificadamente do assunto, determinando a cobrança de juros sobre a multa, os pareceres MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 1998 e PGFN/CAT n° 1834, de 2013: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de oficio que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à ff w incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Parecer PGFN/CAT n ° 1834, de 2013 21. Por todo o exposto, respondendo à consulta apresentada pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional da 3a Região, por meio da Consulta Interna identificada pelo n°. 20138000CI00002, que veicula questionamentos a respeito da incidência de juros de mora sobre créditos tributários resultantes de multa de oficio aplicada pela RFB, referentes a fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, entendemos, salvo melhor juizo, que há incidência dos mencionados juros de mora sobre as multas de oficio, seja por aplicação do § 1° do artigo 161 do CTN, seja por determinação de norma legal específica, o que se resume nas seguintes situações: para a hipótese de haver créditos ainda não inscritos em dívida ativa (sob administração da RFB), decorrentes de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, em razão da ausência de lei específica, incidirá a norma geral prevista no § 1° do artigo 161 do CTN, aplicandose o índice de 1% ao mês; para os créditos inscritos em dívida ativa da União (sob administração da PGFN), aplicase a taxa SELIC a partir de 31 de agosto de 1995, data de início da vigência do § 8°, inserido no artigo 84 da Lei n°. 8.981, de 1995, por determinação do artigo 16 da MP n°. 1.110, de 1995, objeto de sucessivas reedições e confirmado pelo artigo 17 da Lei n°. 10.522, de 2002; e para os créditos inscritos em dívida ativa da União, referentes a fatos geradores ocorridos entre 1 de janeiro e 30 de agosto de 1995, por ausência de norma legal específica, aplicase o índice de 1% ao mês, com base no § 1° do artigo 161 do CTN. Também nesse sentido a jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF): JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.720438/201401 Acórdão n.º 2301004.593 S2C3T1 Fl. 101 11 multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.700) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. (N° Acórdão 9101000.539) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 11634.720437/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ESCLARECIMENTOS DOS PONTOS E TESES. APROVEITAMENTO DOS VALORES DE RETENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA NOVA. VEDAÇÃO. APLICA-SE AO LANÇAMENTO A NORMA VIGENTE NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão de Recurso Voluntário nº 2803-004.039, da 3ª Turma Especial, datado de 12/02/2015, para fins de esclarecer e eliminar a omissão, dando-lhe efeitos meramente integrativos, mantendo a decisão do acórdão guerreado.
(Assinado Digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Redator Designado - Ad. Hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Embargante PROSIGA VIGILÂNCIA E SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ESCLARECIMENTOS DOS PONTOS E TESES. APROVEITAMENTO DOS VALORES DE RETENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA NOVA. VEDAÇÃO. APLICASE AO LANÇAMENTO A NORMA VIGENTE NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão de Recurso Voluntário nº 2803004.039, da 3ª Turma Especial, datado de 12/02/2015, para fins de esclarecer e eliminar a omissão, dandolhe efeitos meramente integrativos, mantendo a decisão do acórdão guerreado. (Assinado Digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente). (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Redator Designado Ad. Hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 37 /2 01 2- 75 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 209 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 210 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pela Prosiga – Vigilância e Segurança Patrimonial Ltda em face acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão Nº 2803004.039, datado de, 10/02/2015. A embargante em sua irresignação entendeu pela ocorrência de omissão e contradição no decisão guerreada, conforme a seguir sumariado. OMISSÃO. · que o acórdão nada falou sobre os créditos dos quais a embargante é detentora em razão da retenção de 11% em notas fiscais do serviços prestados, sendo assim credora do fisco, devendo esses serem considerados na apuração do lançamento questionado; · que com a edição da Lei 12.546/11 a embargante tem o direito ao sistema de tributação de desoneração da folha por ser mais vantajoso, aplicandose o artigo 106, do CTN; CONTRADIÇÃO. · que o voto vencedor do Cons. Eduardo de Oliveira é contraditório, pois apesar de admitir que sobre as verbas a seguir listadas não incidem contribuição previdenciária, quinze dias iniciais do afastamento do trabalho em razão de doença ou acidente; terço constitucional de férias; férias indenizadas e aviso prévio indenizado, porém em um segundo momento diz que nada tem a ser deduzido, pois o contribuinte não fez prova da ocorrência do pagamento de tais verbas, o que não se aceita, pois o lançamento abrange 2009 a 2011, o que por si indica o pagamento, sendo que o próprio fisco poderia ter visto isso quando da baixa dos autos e, ainda, o CARF não se manifestou sobre o pedido de produção de provas feito pela embargante em seu recurso; · Requerimentos: a) que os embargos sejam conhecidos e providos; b) que as omissões e contradições apontadas sejam dirimidas. Contudo, no despacho de admissibilidade dos Embargos o relator apenas admitiu a ocorrência de omissão, rejeitando as teses de contradição, como a seguir exposto. Assim, Senhor Presidente da 2ª TO peço que os presentes Embargos de Declaração sejam ADMITIDOS, no que tange única e, exclusivamente, em relação as duas teses de omissão, contudo na qualidade de Conselheiro Ad hoc, e, rejeitados em relação a contradição. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 211 4 É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 212 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, recebidos e admitidos, parcialmente e assim merecem ser apreciados. O Acórdão do Recurso Voluntário nº 2803004.039 3ª Turma Especial, datado de, 12/02/2015, foi omisso no que tange ao suposto crédito do contribuinte em razão de retenção de 11% em notas fiscais ou faturas, bem como em razão da aplicação retroativa da Lei 12.546/2011. Desta feita, passo a analisar as alegações para eliminar as omissões verificadas. Retenção de 11% suposto crédito. Não assiste razão a embargante a tese já fora afastada pelo órgão julgador a quo ao dizer o que a seguir transcrevo. Da retenção de 11%. Simples Nacional. (grifo do orignal). Destaca que a Impugnante é credora do Fisco. Isso porque vem sofrendo retenções de 11% por ocasião dos serviços prestados, não obstante deva ser tributada pelo regime simplificado. Com isso surge direito ao crédito, o qual, em valores atualizados, atinge o montante de R$552.090,20. Este montante não foi levado em consideração. Inicialmente, cumpre ressaltar que a retenção de 11%, para empresas optantes do Simples Nacional que são tributadas na forma do Anexo IV (como é o caso da defendente, art. 18, parágrafo 5º C da LC nº 123/2006 ) é legal e exigível, de acordo com os dispositivos legais a seguir transcritos: Quanto à alegação de ser credora de valores resultante da retenção, registro que tais valores devem ser declarados em GFIP, destacados nas notas fiscais respectivas e compensados nas competências em que ocorreram e ainda, o saldo restante pode também ser objeto de restituição, de acordo com os dispositivos a seguir transcritos: Registro ainda que no procedimento fiscal sob análise foram consideradas todas as GPS com código de recolhimento 2631 e 2640 (Contribuição retida sobre a NF/Fatura da empresa prestadora de serviços), conforme pode ser visto nos Relatórios anexos RDA e RADA. Assim, todos os recolhimentos referentes à retenção de 11% foram aproveitados, conforme consta dos Relatórios anexos mencionados. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 213 6 Como esclarecido pela DRJ verificase facilmente do Relatório de Documentos Apresentados – RDA que compõe os autos uma extensa lista de GPS código 2100, 2631 e 2640 consideradas no lançamento. De outro lado, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA é claro em demonstrar, o que abaixo consta: DOCUMENTO ITEM LEVANTAMENTO VALOR COMP/ANO RDA FLS RADA FLS AI 37.350.4977 SEGURADOS GF1 R$ 7.442,46 09/2008 01 01 AI 37.350.4977 SEGURADOS GF1 R$ 9.806,72 10/2008 01 01 AI 37.350.4977 SEGURADOS GF1 R$ 9.431,28 11/2008 01 01 AI 37.350.4969 AI 37.350.4977 AI 37.350.4977 EMPRESA SEGURADOS CONTRIB INDIV GF2 (R$ 68,35) GF2 (R$ 9.081,38) GF1 (45,65) R$ 9.195,38 12/2008 01 01 AI 37.350.4977 SEGURADOS GF1 R$ 5967,05 13º/2008 01 01 Assim sendo, fica claro que os créditos dos quais era a recorrente detentora foram devidamente aproveitados, o que excluí a omissão do acórdão, ficando ela eliminda eliminada. Retroatividade da Lei 12.546/11. No campo do Direito Tributário a Lei 5.172/66 é expressa em dizer que o lançamento reportase a lei que estava em vigor no momento da ocorrência do fato gerador, sendo que a aplicação retroativa da lei na seara tributária só se dá nos casos do artigo 106, desse mesmo diploma legal, pois conforme prevê os termos constitucionais, em regra, a lei não se aplica de forma retroativa, salvo previsão excepcional para tal possibilidade. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11634.720437/201275 Acórdão n.º 2202003.255 S2C2T2 Fl. 214 7 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em tela estamos no campo da obrigação principal, isto é, tributo não recolhido a tempo e a ordem, assim aplicase o artigo 144 e não o artigo 106, sendo assim inaplicável a retroação pretendida. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração para reratificar Acórdão do Recurso Voluntário nº 2803004.039 3ª Turma Especial, datado de, 12/02/2015, para fins de esclarecer e eliminar as omissões observadas naquele. Contudo, dando aos presentes embargos efeitos meramente integrativos da decisão anterior, mantendo in totum, o que decidido no acórdão guerreado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900228/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
IRPJ. COMPETÊNCIA.
Nos termos do disposto no artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação do IRPJ.
Numero da decisão: 3101-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redator designado.
EDITADO EM: 05/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio (Suplemte), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 IRPJ. COMPETÊNCIA. Nos termos do disposto no artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redator designado. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio (Suplemte), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 IRPJ. COMPETÊNCIA. Nos termos do disposto no artigo 2º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, compete à Primeira Seção o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redator designado. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Elias Fernandes Eufrásio (Suplemte), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 02 28 /2 00 8- 17 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10825.900228/200817 Acórdão n.º 3101000.652 S3C1T1 Fl. 107 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (PIS/PASEP c Cotins) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 06/09, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.10/11, na qual alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos.(...)” (grifo acrescido) A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 105, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.652, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10825.900228/200817 Acórdão n.º 3101000.652 S3C1T1 Fl. 108 3 Segundo informações da DCOMP de fls. 01/05, o crédito utilizado na compensação declarada é oriundo de pagamento a maior do IRPJ (fls. 02). Em se tratando de pleito relativo ao IRPJ, o julgamento do recurso voluntário não cabe a esta Terceira Seção de Julgamento, sendo de competência da Primeira Seção, segundo disposição do artigo 2º, I, c/c art. 7º, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22/06/2009. Com base nesses fundamentos, votouse por não conhecer do recurso voluntário apresentado, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. E são estas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de Los Rios – Redatora ad hoc Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000735/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/02/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.591
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/02/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 07 35 /2 01 0- 11 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 224 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.255, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 225 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 226 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 227 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 228 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 229 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 230 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 9303003.591 CSRF‐T3 Fl. 231 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 37284.000078/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/05/2003
PREVIDENCIÁRIO. . INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
RETROATIVIDADE BENiGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Se mais benéfico, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, cabe o recálculo da multa em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para o artigo 32-A, da Lei 8.212/91, na hipótese de o contribuinte ter sido autuado na forma da infração prevista no artigo 32, inciso IV, e parágrafos da sobredita Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que, no cálculo da multa, seja considerado o art. 106, "c", do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior
JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 30/05/2003 PREVIDENCIÁRIO. . INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENiGNA Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Se mais benéfico, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, cabe o recálculo da multa em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para o artigo 32-A, da Lei 8.212/91, na hipótese de o contribuinte ter sido autuado na forma da infração prevista no artigo 32, inciso IV, e parágrafos da sobredita Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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TEC. DE LING. ESTRANGEIRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/05/2003 PREVIDENCIÁRIO. . INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENiGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , “c”, do Código Tributário Nacional CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Se mais benéfico, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, cabe o recálculo da multa em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para o artigo 32A, da Lei 8.212/91, na hipótese de o contribuinte ter sido autuado na forma da infração prevista no artigo 32, inciso IV, e parágrafos da sobredita Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que, no cálculo da multa, seja considerado o art. 106, "c", do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 00 78 /2 00 7- 80 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000078/200780 Acórdão n.º 2301004.422 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Lí o Relatório a quo de fls.14, compulsei com os autos e tendo corroborado , com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra : "1. Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária contra CETERA CENTRO TÉCNICO DE !AGUAS ESTRANGEIRAS LTDA, consolidado em 15/12/2005, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, § 6°, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Conforme Relatório Fiscal de fls. 14/20, a empresa apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. A empresa foi excluída do regime de tributação SIMPLES, com efeito de exclusão a partir de 01/03/1999, não sendo licito o contribuinte continuar a usufruir as prerrogativas tributárias do regime de tributação simplificado de que trata a Lei n° 9.317/1996 e respectivas alterações subseqüentes DA PENALIDADE 4. Em decorrência do dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$ 3.239,46 (três mil, duzentos e trinta e nove reais e quarenta e seis centavos), baseada no artigo 284, inciso Ill, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 5. 0 valor da multa aplicada corresponde a 5% (cinco por cento) do valor mínimo (valor mínimo igual a R$ 1.156,95 na data da autuação, com a atualização determinada pela Portaria MPS n° 342, de 17/08/2006), por campo com informação incorreta ou omissa, por competência. 0 Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 19/20, demonstra, detalhadamente, o montante da penalidade aplicada. DA IMPUGNAÇÃO 6. A autuada contestou, tempestivamente, o lançamento em tela, alegando as seguintes razões: 7. Inicialmente, alega que a Contribuinte está sendo penalizada pelo descumprimento de obrigação decorrente de apresentação de documentos, GFIP's, com erro no preenchimento de dados não relacionados aos fatos geradores. Assevera que a condição da Contribuinte em optar pelo Simples estava sendo discutida no âmbito administrativo; em decorrência de tal discussão, estava Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 suspensa a decisão que excluíra o Contribuinte daquela forma de tributação. 8. Entende que a decisão de exclusão somente poderia operar efeitos após a decisão final do recurso administrativo, fato esse ocorrido somente em 12/08/2003. Assim, requer a nulidade da infração. 9. É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma da DECISÃO NOTIFICAÇÃO n.° 23.401.41/503/2006, de fls.138, a Delegacia da Receita Previdenciária no Distrito Federal, em 29/11/2006, negou provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso, fls. 156, reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000078/200780 Acórdão n.º 2301004.422 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Conforme registro de fls. 161, a recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAS DE MÉRITO Tratandose o auto de inadimplência de obrigação acessória, em princípio caberia apreciar eventual conexão com autuação de descumprimento de obrigações principais VINCULADAS. Ocorre que, no caso em comento, a infração goza de autonomia tendo em vista que a empresa desconhecendo a obrigação de declarar, se valeu de suposto direito de permanecer no sistema SIMPLES embora sumariamente excluída na forma dos documentos de fls.51, cuja decisão exarada no Acórdão N°: 30235.617, abaixo transcrita, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas pela recorrente e no, também , por unanimidade de votos, negou r.provimento ao recurso interposto contra o ATO DECLARATORIO n° 15.340 que lhe excluíra do SIMPLES desde 12 de fev de 1999: "MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 10166.023505/9926 SESSÃO DE : 12 de junho de 2003 ACÓRDÃO N° : 30235.617 RECURSO N° : 125.180 RECORRENTE CETERA — CENTRO TÉCNICO DE LiNGUAS ESTRANGEIRAS LTDA. RECORRIDA DRJ/BRASÍLIA/DFSIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE ECONÔMICA. NULIDADE DO ATO EXCLUDENTE. Não há nulidade decorrente de vicio formal do ato processual quando indicada a disposição legal no qual se enquadre a situação Mica ocorrida e o interessado possa identificar a correta motivação e a capitulação legal do ato que o atingiu, não causando prejuízos ao seu direito à ampla defesa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 EXAME E JULGAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento, assim como aos Conselhos de Contribuintes somente compete o afastamento da aplicação da lei ou ato normativo federal, quando decfarada a sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, ou por via incidental a partir de Resolução do Senado Federal suspendendo a sua aplicabilidade, o que não é o caso dos autos. EXCLUSÃO DO SIMPLES EM DECORRÊNCIA DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O exercício de atividade como a presta çio de serviços de ensino técnico de línguas estrangeiras está vedado para efeito de opção pelo SIMPLES. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. BrasiliaDF, em 12 de junho de 2003 " Do exposto, não há que esperar que se decida sobre autuação de inadimplência de obrigações principais para vincular aquela conclusão à esta , tendo em vista que a irregularidade apontada nos autos não decorre de conexão ou litispendência mas do dolo de omitir informações gerais sobre os fatos geradores e demais. DO MÉRITO Auto de Infração resultado de mesma ação fiscal concluída em 28/09/2006 que no processo não autuou a recorrente pelas mesmas razões para período distinto, a recorrente sem negar que, de fato não gozava do direito do benefício do sistema SIMPLES alegando questão processualista registra que interpusera recurso da decisão de exclusão e que muito embora não tenha tido êxito, tal sentença só poderia operar efeitos após 12/08/2003: "Diante disto, resta demonstrado que a decisão de exclusão da Contribuinte somente poderia operar efeitos após a decisão final do recurso administrativo, que ocorreu em 12/08/2003, em virtude da suspensividade tanto da impugnação ern primeira instancia, como do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Deste modo, a informação prestada pela Contribuinte foi fidedigna a. realidade dos fatos, pois a decisão de exclusão da mesma do SIMPLES não guardava definitividade." A encimada alegação foi eficazmente enfrentada em sede a quo sendo despiciendo refazêla para tãosomente colacionar argumentos sinônimos. Assim , abaixo transcrevo o que fora arrazoado na condução do voto de primeira instância reiterando que corroboro aquela decisão: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000078/200780 Acórdão n.º 2301004.422 S2C3T1 Fl. 5 7 "22. Outrossim, não merece prosperar o argumento de que a exclusão somente produzirá efeitos após o trânsito em julgado administrativo, já que o efeito suspensivo atribuído ao recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, impede apenas que sejam realizados atos ou instaurados procedimentos administrativos para tornála eficaz. Encerrado o processo administrativo, se a decisão for desfavorável ao contribuinte, restabelecese a exigibilidade da decisão, produzindo efeitos desde a data em que foi proferida. Assim, apenas a exigibilidade da decisão fica suspensa enquanto pendente recurso administrativo com efeito suspensivo. 23. É importante destacar que a ação judicial n° 2001.34.00.0161890, promovida pela AFYBRASS Associação Brasileira de Franqueados Yazigi, a qual contestava a exclusão das escolas do Sistema Simples, transitou em julgado no dia 13/09/2006, conforme pesquisa efetuada no site do Superior Tribunal de Justiça." Cumpre ressaltar que o autodeinfração em comento encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei no 8.212/91. Desse modo, propiciaramse os elementos e informações necessárias para o exercício dos direitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em razão do fora demonstrado, não se vislumbra assistir razão às alegações da Recorrente DA MULTA É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A Recorrente foi autuada por infringir o que preceituava o então vigente ao art. 32, inciso IV, referido § 6 ° . Ocorre que o referido § 6o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O inciso II , "c" do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000078/200780 Acórdão n.º 2301004.422 S2C3T1 Fl. 6 9 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Conheço do Recurso, para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa sob o comando do preceituado no art. 32A da Lei n° 8.212/91 na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Relator Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10120.726241/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CÁLCULO DO IMPOSTO.
Constatada a omissão de rendimentos recebidos no ano calendário, exige-se o imposto correspondente, acrescido da multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, mediante lançamento de ofício.
COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito do alegado não recebimento do comprovante que deveria ser emitido pelo responsável tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CÁLCULO DO IMPOSTO. Constatada a omissão de rendimentos recebidos no ano calendário, exigese o imposto correspondente, acrescido da multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, mediante lançamento de ofício. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito do alegado não recebimento do comprovante que deveria ser emitido pelo responsável tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 62 41 /2 01 3- 01 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10120.726241/201301 Acórdão n.º 2301004.569 S2C3T1 Fl. 61 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 04035.577, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, f. 4345, no qual foi julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2012/807825155142004. Por bem expressar os atos essenciais do processo até a apresentação da impugnação, adoto o relatório do acórdão recorrido: Lançamento/Impugnação: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 19 a 22), em razão de trabalho de malha, onde foi apurada infração de omissão de rendimentos, que resultou em redução do imposto a restituir. Em sua impugnação de folha 03 o contribuinte alega que não teve conhecimento do comprovante de rendimentos, não tendo havido má fé ao não incluílo na declaração. Despacho Decisório: Por força do art. 6ºA, da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, inserido pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 4 de agosto de 2010, que estabelece procedimentos para revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para observância destes dispositivos. Assim, foi proferido Despacho Decisório, no qual foi mantida a infração de omissão de rendimentos ante a ausência de prova contrária por parte do contribuinte. O contribuinte foi cientificado em 22/11/2013, não tendo se manifestado. É o relatório. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos da ementa a seguir transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendose informado na DIRPF rendimentos em montante inferior ao percebido, está caracterizada a omissão de rendimentos. Impugnação Improcedente Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Direito Creditório Não Reconhecido O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/06/2014, fls. 50, terçafeira, de modo que o prazo de trinta dias para apresentação de recurso encerrouse em 10/07/2014. Em 12/06/2014 houve interposição de recurso, fls. 52, no qual o contribuinte solicita autorização para apresentar Declaração de Imposto de Renda Retificadora, para que possa oferecer à tributação o rendimento no valor de R$ 4.250,00, e pagar o imposto devido, uma vez que à época da entrega deixou de incluir este rendimento porque não tinha recebido o comprovante de rendimentos, de modo que não agiu de máfé. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10120.726241/201301 Acórdão n.º 2301004.569 S2C3T1 Fl. 62 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. O contribuinte admite a infração, mas alega que não agiu de máfé, tendo deixado de oferecer o rendimento à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2012 porque não recebeu o comprovante de rendimentos da fonte pagadora. Ao solicitar autorização para apresentar declaração retificadora, o contribuinte reconhece como devido o imposto apurado na notificação de lançamento, mas busca elidirse da multa de ofício. A apresentação de declaração retificadora do Exercício 2012 somente seria possível antes de iniciado o procedimento fiscal, à vista das determinações expressas no art. 7º, inciso I, do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) e no art. 832 do RIR/99, a seguir transcritos: Dec. 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; RIR/99: Art. 832. A autoridade administrativa somente poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Na espécie, o início do procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2012 ocorreu com a intimação do contribuinte para apresentar documentos à fiscalização, o que se deu em 05 de abril de 2013, fls. 1617. Após isso, não é mais permitida a retificação da DAA. Portanto, constatada a omissão de rendimentos recebidos no ano calendário, exigese o imposto correspondente, acrescido da multa de ofício de 75% prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, mediante lançamento de ofício. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 O fato de o contribuinte não ter recebido o comprovante de rendimentos da fonte pagadora não elide a sua responsabilidade pelo pagamento do tributo, inclusive da multa de ofício, ainda que essa omissão tivesse sido comprovada. Neste caso, a responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve oferecer à tributação todos os rendimentos recebidos no anocalendário e proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito do alegado não recebimento do comprovante que deveria ser emitido pela fonte pagadora. A Súmula CARF nº 731 trata da exclusão da multa nos casos em que se demonstra que a fonte pagadora prestou informações incorretas ao contribuinte, induzindoo a erro. Este, porém, não é o caso dos autos. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis 1 Súmula CARF nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10882.723845/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA DE 225%. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. CONFISCO AFASTADO.
A multa de 225% aplicada não é uma única multa abusiva, mas é, a rigor, o resultado aritmético da soma de 3 multas distintas: a) a multa de ofício de 75%; b) a qualificação que dobra os 75% por ter havido uma das hipóteses legais para tanto; c) o agravamento que acrescenta mais metade da multa pelo fato de ter havido embaraço à fiscalização.
Não há, portanto, confisco e deve ser mantida a multa de 225%, tendo em vista que a Recorrente: a) deixou de pagar tributos; b) deixou de declarar todos os tributos federais durante os dois anos calendários fiscalizados; c) deixou de responder a intimações e, quando respondia, entregava livros e documentos não validados no prazo, com omissões e erros.
ARBITRAMENTO. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL IDÔNEAS. CABIMENTO.
A mera apresentação de livros e documentos não possibilita uma apuração adequada dos tributos devidos, pois é necessário que os livros e documentos tenham sido validados conforme a legislação e que não tenham omissões e erros capazes de macular toda a apuração.
Numero da decisão: 1401-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Omissão de receitas. Recorrente Multiforja S/A Consultoria e Assessoria em Forjaria e Usinagem Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE 225%. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. CONFISCO AFASTADO. A multa de 225% aplicada não é uma única multa abusiva, mas é, a rigor, o resultado aritmético da soma de 3 multas distintas: a) a multa de ofício de 75%; b) a qualificação que dobra os 75% por ter havido uma das hipóteses legais para tanto; c) o agravamento que acrescenta mais metade da multa pelo fato de ter havido embaraço à fiscalização. Não há, portanto, confisco e deve ser mantida a multa de 225%, tendo em vista que a Recorrente: a) deixou de pagar tributos; b) deixou de declarar todos os tributos federais durante os dois anos calendários fiscalizados; c) deixou de responder a intimações e, quando respondia, entregava livros e documentos não validados no prazo, com omissões e erros. ARBITRAMENTO. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL IDÔNEAS. CABIMENTO. A mera apresentação de livros e documentos não possibilita uma apuração adequada dos tributos devidos, pois é necessário que os livros e documentos tenham sido validados conforme a legislação e que não tenham omissões e erros capazes de macular toda a apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 38 45 /2 01 3- 75 Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela contribuinte, ora Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido pelo Auto de Infração em sua totalidade. O relatório do Acórdão da DRJ é adequado para ser utilizado aqui, pois é detalhado, mas, ao mesmo tempo, não é extenso, motivo pelo qual o transcrevo abaixo: "Trata o processo de auto de infração para lançamento de IRPJ no valor de R$ 2.706.106,89, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 1.097.201,73, COFINS no valor de R$ 2.231.733,91 e PIS no valor de R$ 487.853,73, com multa de ofício de 225% e juros de mora, relativos aos anos calendário de 2008 e 2009. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 1248/1279, verificouse que não foram apresentadas DIPJ, DACON e DCTF para os anoscalendário de 2008 e 2009. No entanto, constatouse omissão de receitas com base nos Livros Fiscais, GIA e Notas Fiscais, e também com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A receita apurada através dos depósitos bancários foi superior à receita apurada através dos Livros Fiscais, GIA e Notas Fiscais emitidas para os períodos fiscalizados. O lucro foi arbitrado, com base no artigo 530 do RIR/99, uma vez que a fiscalização ficou impossibilitada de apurar o Lucro Real pelos seguintes motivos: os Livros Diário apresentados não continham os balanços patrimonial e econômico, conforme determina a legislação em vigor; embora intimada e reintimada, não apresentou os Demonstrativos de Resultados de Exercícios (D.R.E.); os Livros Diário foram autenticados no dia 04/07/2013, diversos anos após prazo legal. foram apuradas divergências entre as receitas escrituradas nos Livros Fiscais e no Livro Razão, não sendo apresentados esclarecimentos. não foram apresentados DIPJ e DACON para os períodos fiscalizados As bases de cálculo foram determinadas conforme as tabelas a seguir: [...] Também foram lançados créditos tributários de PIS, COFINS e CSLL. Com base na Lei nº 10.637/2002, artigo 8º, inciso II, e a Lei nº 10.833/2003, artigo 10, inciso II, as empresas com tributação do imposto de renda apurado Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10882.723845/201375 Acórdão n.º 1401001.551 S1C4T1 Fl. 10 3 pelo lucro arbitrado estão sujeitas ao regime cumulativo, com alíquotas de 0,65% e 3,00%, respectivamente, para determinação do PIS e da COFINS. Os valores retidos na fonte, tendo por base as DIRF apresentadas, foram descontados dos lançamentos. Enquadramento do auto de infração: artigo 3º da Lei nº 9.249/95, artigo 537 do RIR/99, artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A multa de ofício foi qualificada, pela constatação da sonegação e fraude, na tentativa da autuada de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional, com base no artigo 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. A qualificação se deve ao fato de que a autuada deixou de oferecer à tributação o total de R$ 85.458.493,41, dada à inexistência de qualquer declaração acerca das bases de cálculo para os períodos fiscalizados, em que pese ter declarado ao Fisco Estadual, e escriturado em seus Livros Fiscais. A multa de ofício foi agravada, nos termos do artigo 44, §2º, inciso II da Lei nº 9.430/96, pois a autuada apresentou os arquivos digitais em formatos incompatíveis com os termos do ADE COFIS nº 15/2001, que sequer puderam ser visualizados, não sendo possível utilizálos na auditoria. Com base no artigo 135 do CTN, o Sr. Francisco Ragognetti Filho, CPF. 051.843.63815 foi responsabilizado solidariamente, em virtude de ser sócio e diretor da autuada, possuindo conhecimento de todas as operações realizadas pela empresa. Todos os Livros Fiscais, utilizados na apuração da receita omitida, foram assinados pelo Sr. Francisco Ragognetti Filho, na qualidade de responsável. A ciência do Auto de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 1427, ocorreu em 27/11/2013, conforme despacho de fls. 1449. Inconformada, a autuada, juntamente com o responsável solidário Sr. Francisco Ragognetti Filho, apresentaram a impugnação em 18/12/2013, de fls. 1478/1486, com as seguintes alegações: Em preliminar, alega que a multa de ofício de 225% é confiscatória e inconstitucional, por ferir o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. Aduz, ainda, que a aplicação da taxa SELIC como juros de mora é ilegal. Quanto ao mérito, afirma que a apresentação dos Livros Diários, por onde passaram todos os pagamentos e recebimentos nos anoscalendário de 2008 e 2009 de forma diária, não permite o arbitramento do lucro, conforme jurisprudência administrativa e doutrina. Tendo em vista que a autuada apresentou o Livro Registro de Saídas referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, arquivo magnético de notas fiscais emitidas durante o anocalendário de 2008 e ao primeiro semestre de 2009, no formato SINTEGRA, não autenticado pelo SVA tendo em vista problema operacional; Livro Razão em arquivo PDF referente aos anos calendário de 2008 e 2009 (não autenticado pelo SVA por razões já expostas), extratos bancários, incabível a sustentação do lançamento por arbitramento. O artigo 112, inciso IV do CTN determina que seja dada a interpretação mais benéfica à gradação da multa, o que afastaria a multa de ofício de 225%, já que o Estado limitou a multa punitiva da falta de pagamento em 2% aos particulares, ou taxa de juros de 1%, quando o contribuinte encontrase em mora. Requer o cancelamento total do lançamento. É o relatório". Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 O Acórdão da DRJ decidiu, então, por manter todo o Auto de Infração conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO NOS LIVROS FISCAIS, GIA e NOTAS FISCAIS. AUSÊNCIA DE DIPJ, DACON E DCTF. LANÇAMENTO. CABIMENTO. É procedente o lançamento para cobrança do IRPJ tendo por base os valores apurados nos Livros Fiscais, GIA e Notas Fiscais, mas não declarados em DIPJ, DACON e DCTF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. LANÇAMENTO. CABIMENTO. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS ESCRITURADAS E DECLARADAS AO FISCO ESTADUAL. CABIMENTO. A multa de ofício deve ser qualificada quando verificada a sonegação e fraude, pelo fato de a autuada ter deixado de declarado e recolher os tributos devidos, apesar de as receitas, em torno de R$ 85 milhões, estarem escrituradas e declaradas ao Fisco Estadual, por dois anos seguidos. MULTA AGRAVADA. ARQUIVOS DIGITAIS EM FORMATO INCOMPATÍVEL. CABIMENTO. A multa de ofício será agravada quando a autuada deixar de apresentar os arquivos digitais no formato determinado pelo ADE COFIS nº 15/2001. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCATÓRIA. INTERPRETAÇÃO BENÉFICA. COMPETÊNCIA. A autoridade julgadora está vinculada às leis tributárias vigentes, não podendo afastar sua aplicação no caso concreto, observando o Princípio da Especialidade, sendo competência do Poder Judiciário o julgamento quanto à possível ofensa à Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Já está pacificada na esfera administrativa a cobrança dos juros de mora calculados com base na Taxa SELIC. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A responsabilidade solidária do sócio e diretor é mantida quando não contestada em sede de impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o Acórdão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual reiterou os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10882.723845/201375 Acórdão n.º 1401001.551 S1C4T1 Fl. 11 5 Voto Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento e passo a sua análise. DA MULTA CONFISCATÓRIA Seguindo a ordem da apresentação dos argumentos no Recurso Voluntário, passo a analisar primeiramente a alegação de que a multa aplicada seria confiscatória. É preciso considerar as diferentes multas separadamente e frente aos diferentes atos ilícitos, o que facilita a percepção de que não há qualquer confisco no caso. A multa de ofício comum, aquela de 75%, está prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, sendo aplicada aos casos em que há algum tributo federal a ser exigido do contribuinte. Essa multa é plenamente aceita pela jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário. O STF vem consolidando, por sinal, que pode ser aplicada multa cujo valor não supere àquele da obrigação principal, ou seja, a multa sobre créditos tributários deve ser, no máximo de 100%, conforme, por exemplo, o julgamento abaixo: "TRIBUTÁRIO – MULTA – VALOR SUPERIOR AO DO TRIBUTO – CONFISCO – ARTIGO 150, INCISO IV, DA CARTA DA REPÚBLICA. Surge inconstitucional multa cujo valor é superior ao do tributo devido. Precedentes: Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 551/RJ – Pleno, relator ministro Ilmar Galvão – e Recurso Extraordinário nº 582.461/SP – Pleno, relator ministro Gilmar Mendes, Repercussão Geral" (Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 833.106 Goiás, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 25/11/2014). Quanto à multa de 150%, ela é, em verdade, uma exasperação da multa de 75%. Quando há uma das hipóteses legais, aplicase mais 75%, de forma que, a rigor, não se trata de uma única multa de 150%, pois, conforme redação do §1º, do art. 44, da Lei 9.430/1996, o que há é a duplicação da multa de ofício comum (75% + 75%). Podese concluir, portanto, que a multa é de 75% por conta do não pagamento do tributo corretamente e mais 75% pelo fato de ter havido, por exemplo, sonegação de informações fiscais, como ocorreu no presente caso. Não foram entregues as declarações dos anos calendários fiscalizados, não tendo sido apresentada nenhuma razão plausível para tanto. Ficou clara a intenção da Recorrente de sonegar informações fiscais à Receita Federal e, portanto, de não pagar os tributos devidos por ela. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Essa intenção se confirmou ainda mais devido aos fatos que ensejaram a aplicação dos últimos 75% de multa, aqueles relativos à multa agravada. Ao longo do procedimento de fiscalização, foram inúmeros os casos de intimação sem qualquer resposta da Recorrente e, mesmo quando respondia, os documentos não eram todos entregues ou o eram sem a devida validação. Vide trechos do Termo de Verificação Fiscal sobre os óbices colocados à Fiscalização pelo comportamento da Recorrente: "[...] 17. A contribuinte foi cientificada do Termo de Intimação, por via postal, em 25/02/2013. 18. Em 09/04/2013, emitimos Termo de Reintimação Fiscal, intimando a contribuinte a apresentar, dentro do prazo de dez dias, todos os itens discriminados no Termo de Intimação de 20/02/2013. 19. Na mesma oportunidade a contribuinte foi cientificada de que os arquivos digitais deveriam ser apresentados devidamente autenticados pelo SVA (Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos), com a assinatura do representante legal da empresa. 20. A contribuinte foi cientificada do Termo de Reintimação Fiscal, por via postal, em 15/04/2013. 21. Em 24/04/2013, a contribuinte apresentou os seguintes documentos: 1) Arquivos digitais, em meio magnético, em formato .txt, nos termos do ADE COFIS nº15/2001 (IN SRF nº 86/2001), dos lançamentos contábeis, dos saldos das contas e do plano de contas, relativos aos anoscalendário 2008 e 2009; 2) Livros Razão 2008 e 2009 (em PDF). 22. Ressaltamos que nenhum dos arquivos digitais foi entregue com o recibo de autenticação gerado pelo SVA. 23. Quanto aos arquivos digitais dos lançamentos contábeis, dos saldos das contas e do plano de contas, informamos que somente foi apresentado o arquivo referente ao anocalendário 2009. Ainda, novamente o arquivo apresentado continuava fora dos padrões definidos pelo ADE COFIS nº15/2001 (IN SRF nº 86/2001) – motivo pelo continuamos sem conseguir visualizalo. [...] 30. Quanto aos Livros Diário acima citados, informamos que somente foram autenticados pela Junta Comercial em 04/07/2013; portanto, fora do prazo legal para tanto, conforme determina a Instrução Normativa SRF nº 16, de 01/03/1984. Ainda, em análise aos Livros em questão, constatamos que não constava qualquer escrituração referente ao mês de dezembro do ano calendário 2009. 31. Ainda a respeito dos Livros Diário apresentados, também verificamos que não constam os Demonstrativos de Resultado do Exercício (D.R.E), nem os Balanços Patrimoniais referentes aos anoscalendário 2008 e 2009. [...] 36. Considerando a falta de atendimento ao Termo de Intimação lavrado em 24/07/2013, lavramos, em 27/08/2013, Termo de Reintimação Fiscal solicitando a apresentação dos mesmos itens anteriormente solicitados. 37. Após três tentativas de entrega pelo Correio, o Termo de Reintimação Fiscal foi devolvido a esta fiscalização com a informação de que a contribuinte encontravase “ausente”. 38. Diante da impossibilidade da realização da ciência pessoalmente e por via postal, em 18/09/2013 afixamos o Edital 031/2013 em dependência da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, franqueada ao público, através do qual a contribuinte ficou intimada a, no prazo legal de 15 (quinze) dias, comparecer no mesmo local para tomar ciência do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL lavrado na data de 27/08/2013. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10882.723845/201375 Acórdão n.º 1401001.551 S1C4T1 Fl. 12 7 39. Transcorrido o prazo legal de quinze dias sem que a contribuinte comparecesse, a mesma foi considerada cientificada do Termo de Reintimação Fiscal no dia 03/10/2013 [...]". Como se nota, a Recorrente impôs inúmeros embaraços à fiscalização, o que lhe requereu, inclusive, a utilização do procedimento de arbitramento para chegar aos valores devidos a título de IRPJ e reflexos. Concluise, deste modo, que não há qualquer exorbitância na multa, pois, em verdade, ela corresponde a três conjuntos de fatos ilícitos distintos: a) não pagamento de tributos; b) não declaração e dolo no não pagamento dos tributos; c) embaraços à fiscalização. Cada conjunto de fatos representa 75% do total de multa de 225%, que deve ser totalmente mantida. DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC A alegação trazida no Recurso Voluntário não está muito clara. A Recorrente pede que a aplicação da Taxa Selic seja excluída do Auto de Infração, pois ela "incide, originariamente, sobre o Imposto pago dentro do prazo fixado na legislação". Não é compreensível o argumento da Recorrente, pois taxas de juros incidem exatamente sobre valores não pagos, sejam ele tributos, sejam multas aplicadas ao contribuinte, mas não quitadas. A aplicação da Taxa Selic sobre créditos tributários federais está clara e expressamente prevista na Lei 9.430/1996, em seu art. 61, §3º, que remete ao art. 5º, §3º, da mesma lei. Essa taxa de juros vem sendo aplicada há 20 anos e é amplamente aceita pela jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário. Quanto aos juros sobre multa, se é que a Recorrente quis questionálos, após aplicada e não paga, a multa se torna um crédito da Receita Federal perante o contribuinte, que, portanto, deve se sujeitar à aplicação de juros de mora. Tratase entendimento amplamente aceito no âmbito do CARF e que esta 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção tem aplicado com frequência. A aplicação de juros sobre multa está prevista no art. 43 e no §3º, do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Para não alongar demais o voto, cito apenas um exemplo de precedente, dentre as dezenas existentes: "JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96" (Data da Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Sessão: 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva; Decisão: Acórdão 10322197). Mantenho, portanto, a aplicação dos juros sobre os tributos devidos e sobre a multa de ofício. DO MÉRITO Quando à cobrança dos tributos, a Recorrente alega basicamente que não poderia ser realizado o arbitramento, pois a Fiscalização dispunha dos Livros Diários que lhe foram entregues. Conforme a própria Recorrente explica: "Na opinião da fiscal, foi impossível apurar o Lucro Real para os anos calendário 2008 e 2009, já que os Livros Diário apresentados não contêm os balanços patrimonial e econômico; não foi apresentado os Demonstrativos de Resultados; os Livros Diário foram autenticados diversos anos após o prazo legal; foram apuradas divergências entre as receitas escrituradas nos Livros Fiscais e no Livro Razão; não foram apresentados DIPJ nem DACON" (p. 4 do Recurso Voluntário). Não foram apresentados todos os documentos à Fiscalização, os documentos apresentados estavam quase sempre incompletos e, de quebra, alguns foram validados bem depois do prazo para tanto. Ainda que fosse possível realizar a apuração a partir dos documentos apresentados, as inconsistências deles e a falta de validação põem em completa dúvida a sua fidedignidade às operações da Recorrente. Deste modo, a decisão pelo arbitramento foi acertada e é suportada pela jurisprudência mais atual deste CARF, como, por exemplo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 GLOSA DE CUSTOS. ARBITRAMENTO. Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da totalidade dos custos dos bens e serviços vendidos. Não sendo possível identificar quais os custos passíveis de glosa, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas" (CARF, 1ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Processo nº 19515.002434/201052, Acórdão nº 1301001.260, Data da sessão: 11 de julho de 2013). Como demonstra o julgado acima, apenas um exemplo dentre vários semelhantes existentes no CARF, não basta entregar documentos à Fiscalização para impedir a realização de arbitramento. É preciso que exista "escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais". Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10882.723845/201375 Acórdão n.º 1401001.551 S1C4T1 Fl. 13 9 De certa forma, os precedentes arcaicos apresentados pela Recorrente para sustentar a sua tese terminam confirmando o Auto de Infração, pois eles mesmos dizem que, quando a contabilidade não está em ordem, deve haver arbitramento, não adiantando a mera apresentação de alguns documentos e alegação de que eles servem à apuração. Vide, por exemplo, o seguinte trecho do primeiro acórdão citado pela Recorrente: "A simples afirmação de que a escrita está em ordem e a juntada de balanços sem qualquer indicação de sua autenticidade constituem prova insuficiente para afastar a imposição do arbitramento". A Recorrente cita também doutrina que diz não ser possível utilizar arbitramento quando a contabilidade da empresa revela alguns erros, que são muito naturais. Esse não é, entretanto, o caso. É flagrante que a Recorrente não apresentou quaisquer declarações, que não tinha registrado/validndo seus livros no prazo devido e que os apresentou com inúmeros defeitos. Concluise, portanto, que a exigência do IRPJ e dos seus reflexos, apurados por meio do arbitramento, deve ser mantida. CONCLUSÃO Pelas razões expostas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006226/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração.
Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 9303-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 62 26 /2 00 5- 61 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 930301.570, visando sanar contradição/omissão, nos termos do art. 65, § 1º, III do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores, conforme efls.868/869. No Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração, de efls.872/875, foi proposta a aceitação deste para corrigir contradição no dispositivo do voto. Transcrevese trechos deste para melhor entendimento: “O voto condutor do acórdão embargado apresentou o seguinte dispositivo: Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial, tão somente para excluir da base de cálculo do PIS a da Cofins as receitas decorrentes do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.826, de 2003, que se caracterizam como subvenção, em relação ao período anterior à vigência da Lei 10.637/02, para o PIS e 10.833/03 para a Cofins. Em sede de embargos de declaração, alegou a Fazenda Nacional o seguinte: Ocorre, entretanto, que o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, e não pelo contribuinte. Há, dessa forma, evidente erro material e contradição, na medida em que só faria sentido o provimento parcial do recurso fazendário em relação ao período POSTERIOR à vigência da Lei 10.637/02, para o PIS e 10.833/03 para a Cofins. ... Na verdade, o provimento parcial do recurso da E. Procuradoria deveria se reportar à parte do período em que os incentivos fiscais deverão ser considerados como integrantes das bases de cálculo do PIS e da COFINS. ... No entanto, já que o recurso é da Procuradoria da Fazenda Nacional, há que se adequar o dispositivo e a ementa da decisão, de sorte que os mesmos contemplem expressamente as receitas e os correspondentes períodos em que se passou a considerar como incluídas nas bases de cálculo das contribuições em litígio o ICMS restituído ao contribuinte a título de incentivo fiscal.” É o relatório. Voto Fl. 877DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10283.006226/200561 Acórdão n.º 9303003.376 CSRFT3 Fl. 199 3 A embargante aponta contradição/omissão no dispositivo do voto, pois ao dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a decisão embargada abordou a parte favorável ao contribuinte, não a parte favorável à Fazenda Nacional, que foi quem requereu o recurso especial. Assiste razão à embargante, ao propor os presentes embargos, vez que, de fato, ao dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional a parte dispositiva do voto deveria se referir a parte da base de cálculo do PIS e da Cofins que foram favoráveis a esta e não ao contribuinte . Dessa forma, nos termos do art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, acolho os embargos para que seja o Acórdão no 9303002.826, de 23 de janeiro de 2014, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, rerratificado, sem efeito infringente, no dispositivo do voto, passando, para todos os efeitos, a ter a seguinte redação: Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial, tão somente para incluir da base de cálculo do PIS a da Cofins as receitas decorrentes do benefício concedido pelo Estado do Amazonas, em relação ao ICMS, com base nas Leis Estaduais nº 1.939, de 1989, e nº 2.826, de 2003, que se caracterizam como subvenção, em relação ao período posteriores à vigência da Lei 10.637/02, para o PIS e 10.833/03 para a Cofins. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e, a fim de sanar contradição no dispositivo do voto, que ficou diferente do que foi votado pela 3ª turma da CSRF, conforme preceitua o art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, devese alterar o dispositivo do voto como proposto acima. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 878DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 19515.001449/2004-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF.
Exercício: 2000, 2001
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL.
INEXISTÊNCIA
Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa, entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao
contraditório. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa, bem como lhe foi ofertada ampla produção probatória em sede de recurso voluntário .Inexistência de
nulidade por desconhecimento do Recorrente quanto a processo
administrativo instaurado contra outro contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Eventuais irregularidade na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORlGEM NÃO COMPROVADA,
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que o Recorrente desconstituiu parcialmente a presunção.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.989
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 127.400,00 do ano-calendário de 1999.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. Exercício: 2000, 2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. INEXISTÊNCIA Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa, entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa, bem como lhe foi ofertada ampla produção probatória em sede de recurso voluntário .Inexistência de nulidade por desconhecimento do Recorrente quanto a processo administrativo instaurado contra outro contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Eventuais irregularidade na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORlGEM NÃO COMPROVADA, PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Hipótese em que o Recorrente desconstituiu parcialmente a presunção. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 127.400,00 do ano-calendário de 1999.
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