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Numero do processo: 16327.001335/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/08/1989 a 30/06/1993
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO.
O prazo de cinco anos para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado conta-se a partir da data do trânsito em julgado.
Numero da decisão: 3403-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRAZO. O prazo de cinco anos para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado contase a partir da data do trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 35 /2 00 8- 68 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (no 08447.96923.150903.1.3.542765) transmitida em 15/09/2003 (fls. 2 a 51) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente em função de ação judicial (no 9300260049) com decisão judicial transitada em julgado em 12/05/1997, a título de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 166.319, 23 de um total pago a maior de R$ 701.190,46) com débitos de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 29.618,49) e COFINS (R$ 136.700,74) referentes a agosto de 2003. Há também um segundo PER/DCOMP (no 07301.04506.151003.1.3.54 2365) transmitida em 15/10/2003 (fls. 6 a 9) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente em função de ação judicial (no 9600260049) com decisão judicial transitada em julgado em 12/05/1997, a título de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 274.509,27 de um crédito de R$ 534.871,23) com débitos de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 38.372,26) e COFINS (R$ 236.137,01) referentes a setembro de 2003. Por fim, há ainda um último PER/DCOMP (no 17364.17692.141103.1.3.54 7049) transmitida em 14/11/2003 (fls. 10 a 13) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente em função de ação judicial (no 9600260049) com decisão judicial transitada em julgado em 12/05/1997, a título de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 30.165,36) com débitos de Contribuição para o PIS/PASEP de mesmo valor, referentes a outubro de 2003. Todas as DCOMP foram registradas em nome de FATOR DORIA ATHERINO S/A CORRETORA DE VALORES, CNPJ no 63.062.749/000183. Há cópia de extrato de consulta processual (fls. 15 a 17), no qual se registra o trânsito em julgado em 12/05/1997 da apelação cível derivada do processo originário no 9300260049, movida por REBENGENHARIA E OUTROS. Pelo despacho decisório de 11/09/2008 (fl. 21), não é reconhecido o direito creditório, visto que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiuse em 12/05/2002, cinco anos após o trânsito em julgado da ação. Em sua manifestação de inconformidade, com protocolo de 10/10/2008 (fls. 24 a 30), a empresa sustenta que: (a) a decisão judicial que transitou em julgado em 15/09/1997 declarava a inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/88 e no 2.449/1988, que acabaram declarados inconstitucionais também pelo STF (RE no 148.7542/RJ), tendo sido a eficácia estendida erga omnes pela Resolução do Senado no 49/1995; (b) independente da data do trânsito em julgado, a empresa possui o direito à compensação, pelo teor de qualquer das decisões, sendo a do STF vinculante para a Administração, por força do Decreto no 2.346/97; (c) em 15/09/2003, “quando formalizou a compensação”, a empresa “tinha o direito de retroagir em até dez anos a compensação”, a teor da jurisprudência firmada no âmbito do STJ; (d) quando formalizou sua compensação em 2003 a empresa sequer estava sujeita à regra da Lei Complementar no 118/2005, nem à IN SRF no 600/2005, sendo inaplicável o prazo de cinco anos referido no despacho decisório (e ilegal a regra estabelecida no art. 51, § 2o, IV da referida IN), que não tem fundamento legal; (e) como a fiscalização deixou de homologar a compensação apenas em razão do transcurso do prazo de cinco anos, “não cabe comprovar, nestes autos, a existência dos créditos e a acurácia dos valores utilizados para compensação”, devendo o processo ser anulado se superada a questão do prazo, para que seja proferida novo despacho decisório, reabrindose o prazo recursal. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.001335/200868 Acórdão n.º 3403003.158 S3C4T3 Fl. 92 3 Em 28/05/2013, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 61 a 66), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que: (a) a compensação é regulada pelos arts. 170 e 170A do Código Tributário Nacional (CTN) e pelo art. 74 da Lei no 9.430/1996, e é facultada somente para créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, devendo obediência aos prazos previstos no art. 168 do CTN; (b) o prazo de cinco anos deriva, assim, da leitura dos comandos legais dos arts. 165 e 168 do CTN, como vem entendendo o CARF (v.g. Acórdãos no 20180215, no 201 80199, e no 10195495); e (c) no caso concreto, tendo a decisão judicial trânsito em julgado em 12/05/1997, a empresa tinha até 12/05/2002 para exercer o direito de compensação. Cientificada da decisão de piso em 22/08/2013 (cf. AR de fl. 75), a empresa apresenta recurso voluntário em 02/09/2013 (fls. 77 a 88), no qual basicamente reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, no que se refere à jurisprudência pacífica do STJ sobre ser de dez anos o prazo “prescricional” para compensações formalizadas antes de 09/06/2005, derivado de interpretação conjunta dos arts. 150, §§ 1o e 4o, 156, VII e 168, I do CTN, consoante RE no 566.621/RS e Acórdão no 9900000.968, da CSRF, havendo inclusive dispensa de interposição de recurso pela PGFN em relação à matéria (cf. Portaria PGFN no 294/2010). Afirma, por fim, que a decisão da DRJ é nula por descumprir a decisão dos tribunais superiores na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, em afronta ao que determina o art. 19, § 5o da Lei no 10.522/2002. E que também o CARF, em função do art. 62 A de seu Regimento Interno, deve obediência aos julgados do STJ e do STF em tal sistemática. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há basicamente uma discussão jurídica nos autos, sobre o prazo de que dispõe a empresa para apresentar pedidos de compensação em virtude de decisões judiciais transitadas em julgado. Tanto o despacho decisório quanto o julgamento de primeira instância detectaram preliminar temporal que inviabilizaria as compensações: a existência de mais de cinco anos entre os PER/DCOMP (datados de 15/09, 15/10 e 14/11/2003) e o trânsito em julgado da sentença judicial que assegurou o direito (em 12/05/1997). Assim, nem uma nem outra autoridade julgadora chegou sequer a verificar a liquidez e a certeza do direito creditório da recorrente. Como não há nenhuma peça do processo judicial juntada ao processo, buscouse no sítio web do TRF da 2a Região mais detalhamento, encontrandose o processo no 002231506.1995.4.02.0000 (TRF2 no 95.02.223152) correspondente ao originário de no 9300260049, onde se pode confirmar somente que a recorrente se encontra entre os autores da ação judicial em comento, que versa sobre “PISContribuição Social Tributário”, não havendo nenhuma peça processual disponível para consulta. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Assim, sequer se sabe qual a extensão do provimento judicial obtido, seja em termos quantitativos (montante/períodos), seja no que se refere à extensão (direito creditório e restituição/compensação administrativa, com verificação da liquidez pelo fisco, ou direito creditório e restituição/compensação judicial). Ao que tudo indica, bastou ao julgador de piso a diferença temporal superior a cinco anos entre o trânsito em julgado da ação judicial (qualquer que fosse seu teor) e a transmissão administrativa do PER/DCOMP. Em suas peças recursais, parece a empresa confundir a motivação do indeferimento administrativo. Afirma que teria direito a retroagir em dez anos a compensação, conforme entendimento do STJ, atingindo indébitos pagos desde 15/09/1993 (em que pese versarem as compensações sobre indébitos de 31/08/1989 a 30/06/1993, que teriam sido reconhecidos pela decisão transitada em julgado em 12/05/1997). A jurisprudência citada (do entendimento firmado pelo STJ ao RE no 566.621/RS) é perfeitamente cabível para matéria questionada em juízo. Do disposto no art. 168, I do CTN, deriva que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. E a Lei Complementar no 118/2005, com o caráter declaradamente interpretativo, estabeleceu, em seu art. 3o, que: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” (grifo nosso) Contudo, o STF entendeu como inconstitucional a parte final do art. 4o da Lei Complementar, no julgamento do RE no 566.621/RS (de reconhecida Repercussão Geral), acordando que: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.001335/200868 Acórdão n.º 3403003.158 S3C4T3 Fl. 93 5 jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE no 566621, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, maioria, 04.ago.2011, Publ. 11.out.2011).” (grifos nossos) Tendo a Lei Complementar no 118/2005 sido publicada em 09/02/2005, foi admitido pelo STF, em nome da segurança jurídica, que empresas ajuizassem ação para restituição do indébito com a fórmula então dominante jurisprudencialmente (dez anos do fato gerador). No caso concreto aqui analisado, a empresa ajuizou ação (não se sabe ao certo se demandando o direito creditório, ou este mais a restituição) em 1993, sobre indébitos de 31/08/1989 a 30/06/1993. Assim, restou o pedido judicial dentro dos limites temporais fixados legalmente e majoritariamente acolhidos nos tribunais superiores. E cabe ainda mencionar que este CARF tem, em diversas decisões, acolhido a tese de que também ao pedido administrativo se aplicaria a decisão do STF. Sintetizamos tais decisões em um julgamento recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do qual se transcreve a ementa e excerto do voto, acolhido unanimemente: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso negado. (...) Do outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal.” (grifos nossos) (CSRF, Acórdão n. 9303002.214, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 13.mar.2013) A série de precedentes serviu inclusive para que houvesse proposta de súmula do CARF a esse respeito. E tal súmula foi aprovada na sessão de 09/12/2013, pelo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (e publicada no DOU de 18/12/2013, p. 31/32), com o seguinte texto: “Súmula 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. Mas é preciso voltar ao caso concreto em análise, no qual os pedidos administrativos (efetuados em 15/09, 15/10 e 14/11/2003) remontam a fatos geradores de 31/08/1989 a 30/06/1993, com indébito que teria sido reconhecido por sentença transitada em julgado em 12/05/1997. Iniciada a contagem do pedido administrativo na forma disciplinada pelas cortes superiores, mesmo o prazo de 10 anos teria sido extrapolado. Contudo, diante da existência de ação judicial, é forçoso entender que não faz mais sentido o cômputo pela forma tratada pelos tribunais superiores, pois se correria o risco de haver extrapolação do prazo no próprio curso da ação judicial (v.g. quando esta demandar mais de 10 anos para trânsito em julgado). Como externamos em julgado recente desta turma: “Que sentido há em acolher administrativamente uma compensação com amparo em ação judicial (desde que transitada em julgado), e, ao momento do trânsito em julgado, declarar a decadência? Tal raciocínio atribui a eventual morosidade do Poder Judiciário um efeito devastador sobre o crédito do postulante. E não parece esse o sentido das normas Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.001335/200868 Acórdão n.º 3403003.158 S3C4T3 Fl. 94 7 (...).” (Voto condutor do Acórdão no 3403002.699, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2014) Estáse, assim, diante de situação diversa da externada nos precedentes do STF e do STJ colacionados em sede recursal. O trânsito em julgado da ação judicial, conforme art. 156, X do CTN, extingue o crédito tributário. Assim, os prazos de cinco anos do art. 168 do CTN devem ser contados do trânsito em julgado (antes ou depois da Lei Complementar no 118/2005, pois não se está a discutir antecipação de pagamento, sendo irrelevante ao presente caso concreto as decisões dos tribunais superiores mencionadas nas peças recursais). Vejase que após o trânsito em julgado da ação judicial, a empresa demanda administrativamente a compensação, com mais de cinco anos de retardo. Portanto, não se está mais a discutir o julgado do STF ou o entendimento do STJ, nas sistemáticas referidas no recurso voluntário, mas a morosidade da própria recorrente em demandar administrativamente o crédito eventualmente reconhecido em juízo (o que, destaquese, é uma alternativa à restituição por precatório ou a compensação ainda na via judicial, que também devem respeitar prazos). Assim, sem qualquer afronta às citadas decisões emitidas na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, por estar o presente processo versando sobre matéria não afetada por tais precedentes, concluise que o prazo para repetição ou início da compensação de indébito, no caso de decisão judicial, extinguese em cinco anos do trânsito em julgado da ação, invocandose os citados arts. 165 e 168 do CTN. A matéria já está amadurecida neste tribunal: “FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DECADÊNCIA. Nos casos de ação judicial de repetição de indébito favorável ao contribuinte o prazo de cinco anos para requerer o direito na via administrativa deve ser contado a partir do trânsito em julgado da ação judicial. (...)”(CARF, Acórdão 3202000.304, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, unânime, Sessão de 1.jun.2011) (grifo nosso) “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. Nos termos das IN SRF nºs 600/2005 e 900/2008, o prazo para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado contase a partir da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial.” (CARF, Acórdão 3301001.381, Rel. Cons. Andréa Medrado Darzé, unânime, Sessão de 20.mar.2012) (grifo nosso) No mesmo sentido, decisões unânimes desta terceira turma, praticamente com a mesma composição atual: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. O prazo de cinco anos para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 decisão judicial transitada em julgado contase a partir da data do trânsito em julgado. (CARF, Acórdão 3304001.832, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 27.nov.2012) (grifo nosso) “COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. O prazo de cinco anos para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado conta se a partir da data do trânsito em julgado. (...) (Acórdão no 3403002.699, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2014) Assim, e ainda sem penetrar na discussão sobre a liquidez e a certeza do direito creditório da recorrente (em relação à qual seria pouco produtivo o material probatório que figura nos autos), temse que os elementos constantes no presente processo são suficientes para que se conclua pela improcedência do pleito de compensação, diante das razões temporais levantadas no despacho decisório, confirmadas no julgamento de piso, e não afastadas pela recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 19515.005196/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 19 6/ 20 09 -0 1 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.005196/200901 Resolução nº 2402000.455 S2C4T2 Fl. 661 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1626.508 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ São Paulo I, f. 183 201, com ciência ao sujeito passivo em 29/12/2010 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.242.6107, com ciência ao sujeito passivo em 26/11/2009. De acordo com o relatório fiscal de f. 78, o AIOA trata de exigência de penalidade aplicada por infração à Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, configurada com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão dos seguintes fatos geradores, nas competências 01/2004 a 12/2004: a) valores pagos aos segurados empregados, registrados na função de motoristas, a título de verbas para fins de custear os gastos com alimentação, sem comprovação das despesas, constituindose, portanto, em remuneração indireta, conforme escrituração contábil, conta "3.1.2.06.0014 Refeições e Lanches"; b) valores pagos a título de arrendamento mercantil, referente a carros de luxo para os sócios, constituindose, portanto, em Pro Labore indireto, conforme escrituração contábil, conta "3.1.3.07.0033 Leasing "; c) valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de carreteiros autônomos, referentes à prestação de serviços de fretes, conforme escrituração contábil, conta "3.1.2.03.0001 Fretes Contratados"; d) valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de autônomos, referentes à prestação de serviços, conforme escrituração contábil, conta " 3.1.3.07.0001 "Assistência Jurídica e Contábil"; e e) valores pagos aos contribuintes individuais, na condição de empresários, referentes à diferença de Pro Labore, na competência 01/2004, conforme escrituração contábil, conta "3.1.3.070040 Pro Labore ". A autoridade fiscal explica, considerando a alteração do valor da multa abstrata prevista para essa infração promovida pela MP 448/2008, convertida na Lei 11.941/2009, procedeu ao cálculo da multa de acordo com a legislação vigente à época da entrega da declaração, e de acordo com a nova lei, aplicando a mais benéfica ao contribuinte, nos termos do discriminativo de cálculo às f. 41. Compõem este auto de infração as competências 01/2004, 03/2004, 04/2004, 07/2004 e 10/2004, para as quais foi aplicada a multa da Lei nº 8.212/91, art. 32, § 5o, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 284, inciso II, com a redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003 e art. 373. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.005196/200901 Resolução nº 2402000.455 S2C4T2 Fl. 662 3 No relatório fiscal ficou consignado que nas competências 02/2004, 05/2004, 06/2004, 08/2004, 09/2004, 11/2004 e 12/2004 foi aplicada a multa de ofício, com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A autuada apresentou impugnação contestando todas as matérias da autuação. Antes de proferida a decisão, entretanto, pediu a desistência parcial da impugnação, mantendo a controvérsia somente em relação ao fato gerador descrito como sendo os valores pagos aos contribuintes individuais carreteiros autônomos pela prestação de serviços de fretes, nas competências 01/2004 a 12/2004. Após isso, a DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente a penalidade aplicada. O julgado restou assim ementado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A decadência não atinge o crédito tributário previdenciário lançado em 13 de maio de 2009, decorrente de obrigação acessória descumprida pelo sujeito passivo no período janeiro a novembro de 2004. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMPRESA. GFIP. A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL E ACESSÓRIA. O pagamento ou parcelamento da obrigação tributária principal não exime o sujeito passivo do cumprimento das obrigações acessórias delas decorrentes. Em 26/01/2011 o sujeito passivo, representado por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 210219, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Preliminarmente alega, com base no art. 150 § 4o do CTN, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário litigioso do período de janeiro a outubro de 2004, esclarecendo que efetuou recolhimento antecipado parcial das contribuições incidentes sobre valores pagos aos carreteiros, bem como declarou parte desses fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, conforme comprovam as GFIP e GPS em anexo. Ressalta que as GFIP identificam nominalmente os contribuintes individuais que prestaram serviços de frete. No mérito, informa que não foram deduzidos do crédito tributário lançado os recolhimentos espontâneos de parte das contribuições exigidas no presente auto de infração nas competências novembro e dezembro 2004, comprovados pelas GFIP e GPS anexas. Ao final requer que seja reconhecida a improcedência do ato de infração. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.005196/200901 Resolução nº 2402000.455 S2C4T2 Fl. 663 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos para sua admissibilidade. A recorrente juntou aos autos, f. 101116 e 221654, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e Guias da Previdência Social – GPS, vinculadas aos códigos de recolhimento 2100 (empresas em geral – CNPJ) e 2119 (empresas em geral – CNPJ – recolhimento exclusivo para Outras Entidades – SESC, SESI. SENAI, etc), relativas às competências janeiro 2004 a dezembro 2004, além de “Demonstrativo de recolhimento de autônomos ano 2004”, f. 220. Tratandose de apresentação de GFIP com omissão de fatos geradores cujas contribuições foram recolhidas, a comparação da multa prevista na Lei nº 8.212/91, art. 32, § 5o, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, deve ser feita com a novel multa do art. 32A, caput, da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, uma vez que o art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, não contempla essa conduta. É que o referido art. 35A, que remete à multa de 75%, sujeita a agravamento, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, visa a punir a declaração inexata sem pagamento de tributo. Diante disso, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada da autoridade lançadora sobre os seguintes pontos: a) à vista das informações contidas nos sistemas de arrecadação da RFB, confirmar a existência dos recolhimentos veiculados nas GPS juntadas aos autos, relativas ao período da autuação e a data do pagamento; b) identificar, se for o caso, as contribuições relativas a fatos geradores não declarados em GFIP, objeto dessa autuação, que tenham sido recolhidas antes do início do procedimento fiscal. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Fl. 663DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.019656/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS. DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não comprovados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VIGÊNCIA. DATA DO DIREITO POSITIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
Conforme dispõe o artigo 111, inciso II, do CTN, a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, tendo como data de início a vigência do direito positivo.
GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.196/2005. PESSOA FÍSICA. IMPOSTO DEVIDO.
É devida a tributação do imposto de renda a título de ganho de capital sobre a alienação de bem imóvel residencial, por pessoa física residente no país, quando não identificada nenhuma aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias e quando a aquisição do imóvel indicado como permuta foi anterior à vigência Lei nº 11.196/2005.
Numero da decisão: 2201-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. A Conselheira Nathália Mesquita Ceia votou pela conclusão relativamente ao Ganho de Capital.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS. DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não comprovados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VIGÊNCIA. DATA DO DIREITO POSITIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Conforme dispõe o artigo 111, inciso II, do CTN, a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, tendo como data de início a vigência do direito positivo. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.196/2005. PESSOA FÍSICA. IMPOSTO DEVIDO. É devida a tributação do imposto de renda a título de ganho de capital sobre a alienação de bem imóvel residencial, por pessoa física residente no país, quando não identificada nenhuma aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias e quando a aquisição do imóvel indicado como permuta foi anterior à vigência Lei nº 11.196/2005.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS. DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não comprovados, o fato gerador não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 96 56 /2 00 7- 22 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VIGÊNCIA. DATA DO DIREITO POSITIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Conforme dispõe o artigo 111, inciso II, do CTN, a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, tendo como data de início a vigência do direito positivo. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.196/2005. PESSOA FÍSICA. IMPOSTO DEVIDO. É devida a tributação do imposto de renda a título de ganho de capital sobre a alienação de bem imóvel residencial, por pessoa física residente no país, quando não identificada nenhuma aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias e quando a aquisição do imóvel indicado como permuta foi anterior à vigência Lei nº 11.196/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. A Conselheira Nathália Mesquita Ceia votou pela conclusão relativamente ao Ganho de Capital. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10680.019656/200722 Acórdão n.º 2201002.440 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 5 a 10) por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e ganho de capital na alienação de bens e direitos, no qual se apurou o Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios 2004 e 2007, no valor de R$ 620.384,63, com a multa de ofício de 75%, sobre os quais incidiram os juros de mora. A contribuinte apresentou a impugnação (fls. 216 a 223), alegando que: (i) a não intimação, pela fiscalização, dos emitentes dos cheques depositados na conta, ou dos cedentes dos contratos apresentados, o que teria impedido o seu direito de ampla defesa, já que ele teria sido apenas interveniente do negócio; (ii) pelos valores, daria para concluir que tais recursos jamais lhe pertenceriam; (iii) a construtora sequer foi intimada para se pronunciar sobre a permuta do apartamento; (iv) o contrato de compra e venda tem o mesmo valor de escritura e pode ser registrado diretamente no Cartório de Registro de Imóveis; (v) o atraso da resposta à intimação devese exclusivamente aos Correios, pois foi protocolada no prazo legal; (vi) retificou suas declarações para atualizálas e não para burlar o Fisco; e (vii) trabalha desde os 15 anos de idade, gerando emprego e riquezas para o país sendo um dos melhores em Certificação Digital e que nunca se omitiu em prestar os esclarecimentos à fiscalização. Os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, consideram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Cientificado em 16 de dezembro de 2011 (fl. 236), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 11 de janeiro de 2012 (fls. 240 a 249), portanto, tempestivo, no qual rebate a decisão de primeira instância nos seguintes pontos: a) Não apreciação das provas, documentos juntados e não produção das provas requeridas. Os argumentos apresentados, os documentos juntados ou as provas, cuja produção foi requerida, não teriam sido levados em consideração ou mesmo apreciados, tanto pelo Auditor Fiscal quanto pela 5ª Turma de Julgamento. Não teria havido interesse em saber como se deram as negociações dos contratos e o repasse dos valores dos cessionários para os cedentes, ou de como ocorreu a negociação com a empresa Caparão no caso do ganho de capital. De forma ilustrativa, cita os contratos de folhas 118, 122, 126, 130, 134, 137, 146, 148, 149. Discorda do posicionamento do Fisco de que os fatos apurados nos autos descaracterizavam a sua condição de interveniente, pois, de fato, era isso que fazia. Para a garantia ao direito à ampla defesa e ao contraditório, a verdade fática deveria ser buscada por todos os envolvidos no processo. À Administração não deveria se interessar apenas pelo o que o contribuinte não consegue provar. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 Antes, pelo que pode ser provado por todos os meios admitidos em direito e reputados como legais, mesmo que isso exija uma ação conjunta das partes. O devido processo somente é respeitado quando são dadas oportunidades para que o sujeito passivo não apenas tome ciência dos atos da Administração, mas também quando deles não seja impedido de participar. E, ainda, que sejam dadas reais oportunidades para possa produzir as provas, ainda que seja necessária a intervenção da Administração. O ônus da prova no processo administrativo fiscal seria regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao caso. Os fatos não podem ser presumidos. O Fisco deve apresentar a prova cabal, concreta, conclusiva, que sem qualquer sombra de dúvida ateste a existência do fato gerador, sem o qual nenhuma responsabilidade pode ser atribuída ao contribuinte. No que diz respeito ao ganho de capital, o contribuinte apenas pede que seja intimada a construtora Caparão e que o contrato de compra e venda tem validade de escritura pública. b) Lançamento baseado em presunção e ônus da prova. O único argumento utilizado pela 5ª Turma de Julgamento para manter o lançamento, reforçando a decisão da fiscalização, teria sido a presunção. Entretanto, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, emprega o termo "Caracterizamse" e não simplesmente “presumemse”. Caracterização e presunção não assumiriam o mesmo status: a primeira, pela sua própria essência, estaria em um nível mais elevado e abrangente, sendo a presunção apenas uma das formas pelas quais ocorre a caracterização de um ato frente à norma legal. A caracterização deveria levar em conta todos os elementos probatórios existentes no processo e não somente a presunção tão largamente utilizada pelo Fisco. Por isso, a presunção de que houve omissão de receita baseada em mero cálculo matemático não poderia prosperar. No caso dos valores referentes à interveniência nos Contratos de cessão de créditos tributários, estes eram formalmente firmados e os documentos apresentados à RFB para cumprimento dos tramites legais. Uma vez protocolado, cada pedido era processado de forma independente, ocorrendo muitas vezes que um pedido mais recente fosse processado antes dos pedidos mais antigos, ocasionando o acúmulo de valores devidos pelos cessionários aos cedentes. c) ganho de capital O contrato de compra e venda foi assinado com a empresa Caparão em 26 de outubro de 2005, suplantando, portanto, qualquer discussão quanto à abrangência temporal da lei. Fez parte da negociação a entrega de um apartamento de sua propriedade para quitar parte do valor devido pela compra do apartamento em que atualmente reside, sendo que o apartamento permutado entraria no negócio pelo valor de R$350.000,00. Como em 26 de outubro de 2005 o apartamento foi aceito pela Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10680.019656/200722 Acórdão n.º 2201002.440 S2C2T1 Fl. 4 5 Construtora como parte do pagamento, isso implicaria que o apartamento foi vendido para a Caparão. Por mera liberalidade, a Construtora permitiu ao recorrente vender o apartamento desde que a negociação se realizasse até o dia 31 de dezembro de 2005, considerando que à época havia uma proposta de terceiro em valor maior. Porém, como essa condição não se perfez, os efeitos da permuta retroagiram à data de 26 de outubro de 2005. Assim, tendo a Caparão recebido o apartamento como parte do pagamento, não há como negar que o mesmo foi alienado para a compra de outro imóvel residencial no prazo inferior a 180 dias contados da venda. A construtora Caparão, munida do instrumento de procuração passado para a Sra. Isabela Gontijo Bruzzi Berquo, Diretora da empresa, vendeu o apartamento a terceiros no mês de outubro de 2006, não tendo o recorrente participado do ato pelo simples fato de que o mencionado bem imóvel já não fazia parte de seu patrimônio. Caso a Caparão tivesse sido intimada a prestar esclarecimentos como requerido, os fatos teriam sido elucidados, mas o direito à produção desta prova haveria sido cerceado. Na declaração de ajuste anual do exercício de 2006 (folhas 200 a 203) consta a permuta do apartamento com a Caparão, deixando este de integrar o seu patrimônio. Provados os enquadramentos temporal, formal e material do negócio realizado, restaria aos julgadores, no mínimo, esclarecer o motivo da não aceitação das alegações e provas apresentadas. Entretanto, ao invés disso, preferiram presumir que os requisitos legais não foram cumpridos e, mesmo sem qualquer fundamentação, negar a produção de prova. Apresenta como jurisprudência diversas decisões judiciais fundamentadas na Súmula 182 do TRF e do Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. I – Ônus da prova e cerceamento de defesa. O contribuinte alega que os documentos juntados aos autos – que serviriam para demonstrar que os recursos depositados não lhe pertenciam e demonstrar que o seu papel era de mero interveniente nas transações financeira – não foram levados em consideração pela fiscalização e nem pelo colegiado da primeira instância. Ainda, que a auditoria não teve interesse em saber como se deram as negociações dos contratos e o repasse dos valores dos cessionários para os cedentes, ou como ocorreu a negociação com a empresa Capará, no caso do ganho de capital, pois se recusou a intimar a construtora para explicar a transação imobiliária. Essa recusa, conclui o contribuinte, teria afetado o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Inicialmente, cabe esclarecer que o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, ou seja, da fase litigiosa do procedimento fiscal, iniciado apenas com a impugnação, conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972. No procedimento que antecede a fase litigiosa, a participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal, pois ainda não existe contraditório. As contestações quanto às informações contidas no auto de infração, aos documentos juntados ou às eventuais irregularidades somente podem ser realizadas no momento da impugnação, quando é iniciado o processo administrativo. O contribuinte, ao recorrer, não basta peticionar. Deve provar que a pretensão fazendária é infundada. A prova está conceituada como um preceito de defesa. Não há direito de defesa sem direito a ampla produção de provas, o que significa que a defesa não deve se pautar exclusivamente no pleno conhecimento dos fatos apresentados pelo Fisco na sua fundamentação, mas também no direito de o contribuinte produzir todas as provas lícitas que desejar. Porém, as provas apresentadas na fase de impugnação, para convencimento da autoridade julgadora, são de responsabilidade do sujeito passivo. Não cabe ao Fisco adotar providências para produção de provas, nem para os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fins de apurar o imposto de renda pessoa física, nem para verificar os fatos apurados em ganho de capital. A realização de diligências e perícias somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção por parte da autoridade lançadora ou da julgadora, conforme dispõe os art. 16, 18, 29 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Compulsando os autos, observase que a auditoria assim como a autoridade julgadora de primeira instância analisou as provas apresentadas e se pronunciaram sobre ela. Senão vejamos: No termo de Verificação Fiscal: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10680.019656/200722 Acórdão n.º 2201002.440 S2C2T1 Fl. 5 7 1 – Movimentação Financeira Incompatível – embora não declarado expressamente, deduzse que os instrumentos particulares de cessão de créditos de IPI foram utilizados para a suposta comprovação dos créditos das contas do Banco Rural. A explicação anterior de obtenção de empréstimo no valor limite de R$ 850.000,00 não foi sequer abordada. Porém, dos instrumentos particulares apresentados, os de 12/08/2002, 03/09/2002, 11/09/2002 e 12/09/2002 não trazem qualquer menção ao contribuinte em questão, seja na pessoa física, seja na pessoa jurídica Intermediou Consultoria Empresarial Ltda. e os de 09/10/2002, 10/12/2002, 13/03/2003 e 15/03/2005 fazem referência à Intermedium, representada pelo seu representante legal Antonio Humberto de Carvalho Martins na qualidade de interveniente, e na cláusula sexta consta que "a INTERVENIENTE terá sua responsabilidade adstrita à intermediação da operação de cessão de crédito, e à devida apresentação e acompanhamento do trâmite dos documentos junto aos órgãos competentes e junto às partes, isentandose de coresponsabilidades sobre os atos e obrigações das partes contratantes." Ora, em nenhum momento consta a guarda de valores sob responsabilidade da interveniente, o que, se ocorresse, configuraria flagrante contradição com a isenção de coresponsabilidade sobre os atos e obrigações das partes contratantes. Portanto, o que aqui se quer demonstrar é que a justificativa para os créditos a comprovar no Banco Rural não se sustenta com os documentos que supostamente os comprovariam. Mais claro fica ainda quando a interveniente terá sua responsabilidade adstrita à intermediação da operação de cessão de crédito, ou seja, resumese exclusivamente à intermediação no sentido de aproximar as partes com vistas ao objetivo final, incluídos a apresentação e acompanhamento do trâmite dos documentos. Portanto, para os créditos no Banco Rural, não há justificativa plausível. Para os créditos no Bradesco, o contribuinte explica mas nada comprova, nem a suposta transferência de valor da empresa Maxxdata para sua conta em 27/03/2003; 2 – Ganho de Capital – o descrito pelo contribuinte em nada altera quanto à ocorrência do ganho de capital pela não aplicação da isenção prevista na Lei 11.196/2005 e na IN 599/2005 decorrente de alienação posterior de imóvel com o objetivo de quitar débito de imóvel anterior. Na certidão do RGI não consta operação de permuta de unidades imobiliárias. A título de complementação, o contribuinte outorgou uma procuração à construtora que não se confunde com venda ou permuta do imóvel para ela. Portanto, afirmar que não tem como responder pelos atos praticados em decorrência da procuração deve ser encarado com as necessárias cautelas, visto que se trata apenas de uma outorga a outrem para representálo, não o exime e nem pode ser alegado desconhecimento quanto aos atos praticados em seu nome. (grifos do original) A auditoria ainda analisa as declarações apresentadas pelo recorrente, datadas em 29 de outubro de 2007, das empresas Mendo Sampaio S.A., Usina Roçadinho e Valedourado e Indústria de laticínios Palmeira dos Índios, bem como dos extratos do Banco Rural, sem, entretanto, alterar as conclusões do seu relatório. No acórdão da Delegacia de Julgamento: Conforme já relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/20), nos contratos apresentados, em nenhum momento consta a guarda de valores sob a responsabilidade da interveniente (Intermedium Consultoria Empresarial S/C). O que se verifica é a responsabilidade adstrita à intermediação das operações e a devida apresentação e acompanhamento do trâmite dos documentos. Do contrário, seria incompatível a isenção de coresponsabilidade sobre os atos e obrigações das partes contratantes, prevista na mesma cláusula Também conforme já relatado pela fiscalização, mais um indício de que os valores creditados não seriam devolvidos é o fato de que o impugnante efetua a operação de desconto dos cheques recebidos. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 8 Ademais, em momento algum restou demonstrado, como afirma o reclamante, o suposto repasse dos valores aos cedentes quando da conclusão e efetiva transferência do objeto dos contratos firmados. [...] No que diz respeito à infração de ganho de capital, o contribuinte apenas requer que seja intimada a construtora Caparaó afirmando que um contrato de compra e venda tem validade de escritura pública. Tais afirmações não elidem a infração apurada. A intimação à construtora não se faz necessária, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum documento comprovando a permuta alegada. O que se conclui dos documentos apresentados é a existência de uma alienação posterior de imóvel com o objetivo de quitar débito de imóvel adquirido anteriormente, operação esta não alcançada pela isenção prevista na Lei 11.196/2005. Assim, não tem razão o recorrente quanto à falta de análise dos documentos apresentados como elementos de provas por parte da auditoria e da autoridade julgadora. Também, não há caracterização do cerceamento do direito de defesa, uma vez que lhe foram concedidos os prazos legais para interposição da impugnação e do recurso, e o lançamento foi elaborado em total consonância com o disposto no Decreto n° 70.235, de 1972, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração, e nas disposições contidas no art. 142, do CTN. Presunção de omissão de receitas baseada em depósitos bancários O contribuinte alega que o fisco não poderia arbitrar a base de cálculo do imposto de renda sobre os valores depositados na sua conta corrente, com base em presunção, pois esta seria diferente do termo “caracterização” empregado no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Para comprovar sua tese, cita a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes e a interpretação do extinto Tribunal Federal de Recursos (TRF), no sentido de que o lançamento não pode ser baseado em mero cálculo matemático da somatória dos depósitos bancários. Arguir que os valores movimentados se referem à interveniência nos Contratos de cessão de créditos prêmio de IPI na importação, que eram firmados com empresas cedentes. As transações eram geradas em decorrência do processamento dos pedidos, que, por serem demandados de forma independente, ocasionavam o acumulo de valores devidos pelos cessionários aos cedentes. Em primeiro lugar, deve ser esclarecido que a Súmula nº 182, do extinto TRF, bem como a jurisprudência administrativa correlata do antigo Conselho de Contribuinte, citados pelo recorrente, está baseada nos artigo 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/1990, que foram revogados pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A partir de 1997 a matéria passou a ter um disciplinamento diferente daquele que constava nos dispositivos alterados, comportando a tributação por presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos mantidos junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, como é o caso dos autos. No âmbito do CARF, foi editada a Súmula CARF nº 26, que torna desnecessária outra explicação sobre o assunto, senão vejamos o seu enunciado: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Portanto, temse como inaplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, por ter sido completamente superada com a entrada em vigor da Lei nº Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10680.019656/200722 Acórdão n.º 2201002.440 S2C2T1 Fl. 6 9 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Também, desprovido de razoabilidade a discussão semântica entre “presunção” e “caracterização” levantada pelo recorrente. À luz do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, "caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Isso é uma presunção, cuja caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda se dá, não pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias. A lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão ou soma matemática. Tratase de uma base legal definida pelo legislador ordinário, que entendeu haver aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem de tais recursos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tãosomente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Assim, não comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, para comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997 e artigo 849 e parágrafos do RIR/1999. O contribuinte sustenta que os valores depositados pertenciam a terceiros, já que ele era mero interveniente. Entretanto, como já está registrado acima nas citações da auditoria e da DRJ, os contratos juntados aos autos não comprovam que o sujeito passivo pudesse manter a guarda dos valores sob sua responsabilidade. O que consta nos contratos em que há a assinatura do recorrente é a isenção de coresponsabilidade sobre os atos e obrigações das partes contratantes, sendo sua responsabilidade adstrita à intermediação das operações e a devida apresentação e acompanhamento do trâmite dos documentos. Vale salientar que alguns contratos sequer constam o nome ou a assinatura do recorrente, ou da pessoa jurídica da qual é sócio, como os anexados às folhas 118 a 121(Contrato nº CAMSANTOS – 04/2002), 122 a 125 (Contrato nº SUD009/2002), 126 a 129 (Contrato nº CAMSANTOS – 05/2002), 130 a 133 (Contrato nº SUD010/2002), 162 a 165 (Contrato nº ESD0095/2002), 166 a 169 (Contrato nº ESD008/2002), (Contrato nº ESD 005/2002), 170 a 173 (Contrato nº ESD009/2002), 174 a 177 (Contrato nº ESD009/2002), 178 a 181 (Contrato nº ESD010/2002), Outros, apesar de constar o nome da pessoa jurídica, sequer encontramse assinado pelo contribuinte, como os Contratos CAM 001/2003 (fls. 140 a 142) e o Contrato CAM 003/2003 (fls. 143 a 145). Outro, além da assinatura do recorrente como representante da Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 10 pessoa jurídica Intermédio, falta a assinatura do cedente (fls. 137 a 139 – Contrato Intermedium007/2002). Ressaltase que, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, por economia processual, somente foram auditados os valores superiores a R$ 1.000,00 e excluídos os créditos decorrentes de resgate de aplicações financeiras e transferências entre contas de mesma titularidade Assim sendo, os documentos juntados aos autos não servem como elemento de prova para eximir o lançamento da omissão baseada em depósitos bancários. Ganho de capital O ganho de capital, declarado como rendimento isento pelo contribuinte, foi apurado porque teria havido a alienação de um bem imóvel. O contribuinte alega que o imóvel foi entregue a Construtora Caparão, em decorrência de um acordo celebrado em 26 de outubro de 2005, quando adquiriu o apartamento na Rua Martim de Carvalho, tendo entregue o bem de menor valor, localizado na Rua Gonçalves Dias, para quitação da parcela de R$ 350.000,00, com vencimento para 30 de dezembro de 2005. Cabe esclarecer que conforme dispõe o artigo 11 do CTN, a outorga de isenção tributária deve ser interpretada literalmente, tendo como data de início a vigência do direito positivo. Ou seja, as normas reguladoras que tratam da questão não comportam interpretação ampliativa nem integração por equidade. Pressupõese sempre que seja aplicada em função de uma norma aplicável ao caso ou aquela que mais se aproximar do elemento literal. De acordo com a Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, a isenção do imposto de renda se aplica às situações em que a pessoa física residente no país adquira um imóvel residencial utilizando, no prazo de 180 dias, recursos oriundos da venda de outro imóvel residencial, conforme se observa no texto da lei a seguir transcrita: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1º No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1ª (primeira) operação. § 2º A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3º No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarse á ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4º A inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: [...] § 5º O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. No caso em tela, o contribuinte adquiriu o apartamento da Rua Martim de Carvalho antes de alienar o imóvel da Rua Gonçalves Dias. O primeiro imóvel citado, por sua Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10680.019656/200722 Acórdão n.º 2201002.440 S2C2T1 Fl. 7 11 vez, foi adquirido em 26 de outubro de 2005, antes da publicação da Lei nº 11.196/2005. O segundo o imóvel foi alienado em data posterior. Isso foi claramente relatado no Termo de Verificação Fiscal, conforme a seguir transcrito: Ganho de Capital – conforme certidão do 3º RGI atos R6 e R8, o contribuinte adquiriu o apt. 1202 à Rua Gonçalves Dias 744, 750 e 764 em 18/10/2002 por R$ 220.000,00 (valor constante na sua DIRPF) e o alienou em 10/10/2006 por R$ 350.000,00. Não consta nesta certidão qualquer referência à suposta permuta com o apt. 1700 à rua Martim de Carvalho 395. O documento da Construtora Caparão menciona o contrato de aquisição deste imóvel em 26/10/2005, anterior, portanto, à vigência da Lei 11.196, tendo sido aceito pela construtora que a parcela de R$ 350.000,00 com vencimento em 30/12/2005 fosse quitada pelo apartamento da Rua Gonçalves Dias, não havendo permuta de unidades imobiliárias, e sim, através de uma procuração, pagamento de parcela de preço de aquisição de imóvel cuja realização ficaria a cargo da construtora mas em seu nome, o que efetivamente ocorreu em 10/10/2006. O que se constata, então, é que a aquisição do apt. À rua Martim de Carvalho é anterior à alienação do apt. à rua Gonçalves Dias. A Lei n° 11.196 de 21/11/2005 no seu artigo 39° literalmente diz que está isenta a alienação, em que o alienante, no prazo de 180 dias do contrato aplique o produto da venda na aquisição de imóvel residencial. Portanto, primeiro deve ocorrer a alienação; depois, a aquisição. A Instrução Normativa n° 599 de 28/12/2005 no seu artigo 2º §11° literalmente diz que a isenção não se aplica à hipótese de venda de imóvel residencial com o objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito remanescente de aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial iá possuído pelo alienante, o que é o caso, conforme documento anexado ao Termo de Resposta pelo próprio contribuinte Assim, como o contribuinte não comprova que se trata de uma permuta, sendo a alienação posterior à aquisição de outro imóvel, e ainda, que a aquisição foi anterior à vigência Lei nº 11.196/2005, como se conclui a partir dos documentos apresentados, essa operação não está alcançada pela isenção prevista na lei. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 8/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906284/2012-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/02/2010
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 84 /2 01 2- 02 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/02/2010 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906284/201202 Acórdão n.º 1802003.251 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.014614/2002-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1803-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 46 14 /2 00 2- 18 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 894 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), fls. 0306, utilizandose dos créditos relativos aos saldos negativos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano calendário de 2000 no valor de R$828.202,52 e do anocalendário de 2001 no valor de R$142.116,29 apurados pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 412419, as informações relativas ao reconhecimento dos direitos creditórios foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento dos pedidos pela inexistência dos saldos negativos de IRPJ, tendo em vista o Auto de Infração com a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício de IRPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001 formalizado no processo conexo nº 14041.000893/2005 34. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 422426, com os seguintes argumentos: 1. DOS FATOS. Tratase de compensações de débitos diversos, listados no despacho decisório n° 1.277, de 7 de agosto de 2008, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, com créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001. Após a análise do crédito consignado pela Requerente em suas DIPJ's, foram desconsideradas as integralidades dos valores pagos a maior de imposto de renda, na ordem de R$ 828.202,52 e R$ 142.116,29, nos anos de 2000 e 2001, respectivamente. Segundo relato contido no despacho decisório supra, houve a desconsideração dos saldos negativos, diante da existência de auto de infração, processo administrativo n° 14041.000893/200534, exigindo imposto de renda no período relativo aos créditos ora em comento. Vejamos as considerações da autoridade da Receita Federal que não homologou as compensações [...]. 2. DO DIREITO 2.1. Da inexistência de imposto de renda devido nos anocalendário de 2000 e 2001. Devese observar que o valor do imposto de renda reputado pela Fiscalização como devido, em razão das glosas de despesas havidas nos anoscalendário de 2000 e 2001, corresponde, em cada um destes períodos de apuração, à quantia de R$107.476,18 e R$394.470,14. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 895 3 Ocorre que, ao promover a autuação, o Auditor Fiscal responsável não promoveu a adição destes valores ao Lucro Real do período, preferindo tributálos individualmente. Ao proceder desta forma, não seguiu os ditames legais que estabelecem os critérios de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, pois deixou de considerar as deduções e adições computadas nos referidos anos, ignorando cabalmente os prejuízos fiscais apurados pela Requerente no período autuado. E de se ressaltar que a Requerente sofreu vultuosos prejuízos nos períodos abarcados pelo auto de infração. Em 2000, foi computado prejuízo fiscal na ordem de R$12.952.191,74, conforme DIPJ em anexo [...] em 2001, o prejuízo fiscal alcançou a cifra de R$16.580.590,91, como também pode ser constatado na DIPJ do exercício 2002/2001 [...]. Assim, a adição dos valores referentes a despesas supostamente não comprovadas pela Requerente nos autos do PTA n° 14041.000893/200534 ao Lucro Real negativo apurado nos períodos em referência, tem o condão de simplesmente reduzir os prejuízos fiscais apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, donde se conclui a inexistência de IR devido. Com efeito, as antecipações do imposto de renda havidas sob a forma de retenções na fonte, constituíram de forma irrefragável o saldo negativo do IR apresentado pela Requerente. Ora, como demonstrado, o valor dos prejuízos fiscais da Requerente é suficiente para absorver os valores considerados, supostamente, como despesas não comprovadas e inaptas a serem deduzidas do Lucro Bruto, restando, mesmo após à sua adição ao Lucro Real, prejuízos fiscais incorridos pela Requerente, de modo que não há como subsistir o crédito tributário exigido nos autos do processo administrativo n° 14041.000893/200534, bem como a desconsideração do direito creditório pleiteado nos presentes autos. Inclusive, esse é o entendimento esposado pela autoridade de julgamento, após acórdão proferido nos autos do PTA n° 14041.000893/200534 [...], descabendo em absoluto a conduta fiscal [...]. Com efeito, não merece reparos a conduta da Requerente, no que toca a apuração do saldo negativo de IRPJ e sua utilização nos pleitos compensatórios analisados nos presentes autos, mesmo após a glosa efetuada pela fiscalização a título de despesas não comprovadas e operacionalizadas nos autos do processo administrativo n° 14041.000893/200534. Conclui Diante do exposto, pede a Requerente a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, para que seja homologada a compensação efetuada, reconhecendose o direito creditório ora demonstrado, devidamente atualizado, bem como seja reconhecida a insubsistência da decisão profligada e a extinção do crédito tributário consubstanciado na declaração de compensação. Provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos em anexo. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0221.711, de 25.03.2009, fls. 713728: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 896 4 Anocalendário: 2000, 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Será considerada tacitamente homologada, compensação dos débitos constantes de DCOMP não apreciada pela RFB no prazo de cinco anos, contados da data da protocolização do documento, independentemente da procedência e do montante do crédito utilizado. Solicitação Deferida em Parte Consta no Voto condutor: Concluindo, à vista de tudo acima descrito, voto por DEFERIR PARCIALMENTE a solicitação do contribuinte para: INDEFERIR a restituição pleiteada; CONSIDERAR HOMOLOGADAS TACITAMENTE as compensações débitos declaradas nas DCOMP's protocolizadas até 15/07/2003, a saber: Débitos Compensados Documento Data Código Valor Vencimento DComp Formulário 08/05/2003 0473 R$615.054,70 24/03/2003 Homologação Tácita 08443.23763.110631.1.3.029408 11/06/2003 1150 R$4.598,78 07/05/2003 Homologação Tácita 1150 R$5.757,53 11/06/2003 Homologação Tácita 30456.19390.120603.1.3.029484 12/06/2003 2172 R$1.739,32 13/06/2003 Homologação Tácita 6912 R$885,00 13/06/2003 Homologação Tácita 40113.18098.140703.1.7.020483 14/07/2003 3426 R$34.808,36 09/07/2003 Homologação Tácita 1150 R$5.386,08 09/07/2003 Homologação Tácita 2172 R$2.635,42 15/05/2003 Homologação Tácita 6912 R$1.357,29 15/05/2003 Homologação Tácita 34935.25865.150703.1.3.025567 15/07/2003 6912 R$4.702,85 15/07/2003 Homologação Tácita 2172 R$8.707,09 15/07/2003 Homologação Tácita NÃO HOMOLOGAR as compensações de débitos declaradas nas DCOMp’s protocolizadas no período de 14/08/2003 a 09/11/2005 [...]. Notificada em 10.11.2010, fl. 837, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.12.2010, fls. 759767, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: 1. DOS FATOS. Tratase de compensações de débitos diversos, listados no despacho decisório nº 1.277, de 7 de agosto de 2008, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 897 5 Belo Horizonte, com créditos oriundos de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001. Após a análise do crédito consignado pela Recorrente em suas DIPJ’s, foram desconsideradas as integralidades dos valores pagos a maior de imposto de renda, na ordem de R$828.202,52 e R$142.116,29, nos anos de 2000 e 2001, respectivamente. Segundo relato contido no despacho decisório, houve a desconsideração dos saldos negativos, diante da existência de auto de infração, processo administrativo nº 14041.000893/200534, exigindo imposto de renda no período relativo aos créditos ora em comento. Como demonstrado na manifestação de inconformidade, infundada era a objeção fiscal ao reconhecimento do crédito, pois a Recorrente apurou prejuízos fiscais nos anoscalendário 2000 e 2001, que, mesmo após as glosas de despesas efetuadas nas autuações, não foram integralmente absorvidos, restando, ao cabo, prejuízo fiscal em ambos os exercícios. Em outras palavras, embora o auto de infração tenha alterado o resultado final apurado nos períodos autuados, as modificações não tiveram o condão de revertêlo, ou seja, houve redução do prejuízo fiscal, mas não apuração de lucro real. Por conseguinte, as autuações não tiveram o condão de alterar os saldos negativos da Recorrente, reduzindo tão somente os prejuízos fiscais, pelo que não encontra respaldo legal a desconsideração dos créditos e a não homologação das compensações objeto do presente processo. Contudo, a 3ª Turma da DRJ/BHE, embora tenha considerado homologadas tacitamente as compensações formalizadas até 15.07.2003, manteve a não homologação das demais, sob o mesmo fundamento, qual seja: a existência de auto de infração para o período do crédito. 2. PRELIMINARMENTE 2.1. Da nulidade do despacho decisório pela incongruência dos motivos apontados para não homologar a compensação. Como dito, a autoridade fiscal houve por bem não homologar integralmente as compensações aqui tratadas sob o único argumento de que os períodos de apuração dos créditos haviam sido objeto de autuação nos autos do PTA nº 14041.000893/200534, o que lhes retiraria, de plano, os atributos de certeza e liquidez. No entanto, devese destacar que muito embora exista efetivamente autuação para os períodos, esta não discute a regularidade dos pagamentos efetuados pela Recorrente e que compõem o saldo negativo ora discutido. A autuação, que ainda tramita no âmbito deste Conselho Administrativo, discute a glosa de algumas despesas, mas não reverte o resultado dos períodos, que continua sendo prejuízo fiscal, conforme declarado nas DIPJ’s. Sendo o caso em questão de saldo negativo, não poderia a autoridade administrativa furtarse a analisar a regularidade dos pagamentos que os compõem, mesmo sob o argumento da existência de autuação para os períodos. São questões distintas e que merecem decisões autônomas. Verificase, assim, que mesmo que o auto de infração revertesse o resultado dos períodos, transformando prejuízo em lucro, ainda não haveria certeza quanto a Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 898 6 esta reapuração, o que acarreta a nulidade da decisão que não homologou as compensações. O despacho decisório objeto deste processo deveria ter apresentado fundamento autônomo para não reconhecer o saldo negativo utilizado pela Recorrente nas compensações. Ora, o lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados (art. 3º, CTN), devendo estar revestidos dos cinco requisitos que informam o ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Restringimonos a um ponto: é imperioso que a Fiscalização e o Processo Tributário Administrativo, na busca da verdade material, tenham como pressuposto a existência dos motivos e que os mesmos sejam regularmente demonstrados e válidos, pois somente assim o ato administrativo pode se revestir das garantias que a lei lhe outorga, sem prejuízo dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Se o ato administrativo encontrase fundamentado em motivos insubsistentes, tal como no presente caso, não pode a Administração Pública gozar de seus privilégios e o defeito estrutural do ato estará constituído, levando à sua inevitável nulidade. De acordo com a "teoria dos motivos determinantes", os motivos que determinam a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de motivos inválidos vicia o ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. [...] Cabe o alerta de que não é possível invocar aqui a presunção de veracidade do ato administrativo, pois ele somente tem esta presunção se atingir aos requisitos acima, ou seja, o Ordenamento Jurídico outorga ao ato administrativo a presunção de veracidade, sob o pressuposto lógico de que o Estado age de boafé, de que detém os elementos comprobatórios e estruturantes deste ato, dentre eles, a motivação. Portanto, a presunção de veracidade não é pressuposto do ato, mas status que atinge com a obediência aos requisitos que lhe são intrínsecos. Não se pode esquecer de que somente a motivação adequada ao caso é que pode levar ao respeito do amplo direito de defesa posto no Texto Constitucional e à necessidade do contribuinte comprovar o inverso no curso do processo administrativo; se não há fundamentação e nem tampouco motivação, a inversão do ônus da prova não se justifica. Portanto, motivo (como requisito de existência) e motivação (como requisito de validade) devem estar presentes em todo e qualquer ato administrativo. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o Fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa. De outro modo não ocorrerá correlação lógicojurídica entre o conteúdo do ato administrativo e o seu fundamento. Por fim, vale citar decisão da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), que julgou caso semelhante ao dos presentes [...]. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 899 7 2.2. Sucessivamente. Da necessidade de reunião dos processos para julgamento em conjunto. Por fim, caso se rejeite a preliminar de nulidade, dada a correlação entre o presente processo e o PTA nº 14041.000893/200534, devem ser os mesmos julgados em conjunto, de modo que não haja decisões conflitantes. Assim, se a decisão quanto à regularidade das compensações aqui tratadas está condicionada à decisão a ser exarada nos autos do aludido processo administrativo, seria o caso de aplicação do disposto no art. 1º, I, "a" da Portaria SRF nº 6.129, de 2 de dezembro de 2005. DO DIREITO 3.1 Da inexistência de imposto de renda devido nos anoscalendário de 2000 e 2001. Devese observar que o valor do imposto de renda reputado pela Fiscalização como devido, em razão das glosas de despesas havidas nos anoscalendário de 2000 e 2001, corresponde, em cada um destes períodos de apuração, à quantia de R$107.476,18 e R$394.470,14. Ocorre que, ao promover a autuação, o Auditor Fiscal responsável não promoveu a adição destes valores ao Lucro Real do período, preferindo tributálos individualmente. Ao proceder desta forma, não seguiu os ditames legais que estabelecem os critérios de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, pois deixou de considerar as deduções e adições computadas nos referidos anos, ignorando cabalmente os prejuízos fiscais apurados pela Recorrente nos períodos autuados. . É de se ressaltar que a Recorrente sofreu vultosos prejuízos nos períodos abarcados pelo auto de infração. Em 2000, foi computado prejuízo fiscal da ordem de R$12.952.191,74, conforme DIPJ já anexada aos autos e, em 2001, o prejuízo fiscal alcançou a cifra de R$16.580.590,91, como também pode ser constatado na DIPJ do exercício 2002/2001. Assim, a adição dos valores referentes a despesas supostamente não comprovadas pela Recorrente nos autos do PTA nº 14041.000893/200534 ao resultado apurado nos períodos em referência, tem o condão de simplesmente reduzir os prejuízos fiscais apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, donde se conclui a inexistência de IR devido. Com efeito, as antecipações do imposto de renda havidas sob a forma de retenções na fonte, constituíram de forma inegável o saldo negativo do IR apresentado pela Recorrente. Ora, como demonstrado, o valor dos prejuízos fiscais da Recorrente é suficiente para absorver os valores considerados, supostamente, como despesas não comprovadas e inaptas a serem deduzidas do Lucro Bruto, restando, mesmo após à sua adição ao Lucro Real, prejuízos fiscais, de modo que não há como subsistir o crédito tributário exigido nos autos do processo administrativo nº 14041.000893/200534, bem como a desconsideração do direito creditório pleiteado nos presentes autos. Inclusive, esse foi o entendimento esposado pela autoridade de julgamento, após acórdão proferido nos autos do PTA ns 14041.000893/2005 34 (referente ao auto de infração lavrado para o período), que expressam reconhece que, mesmo com a autuação, ainda assim estará registrado prejuízo fiscal no exercício [...]. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 900 8 Com efeito, não merece reparos a conduta da Recorrente, no que toca a apuração do saldo negativo de IRPJ e sua utilização nos pleitos compensatórios analisados nos presentes autos, pois, mesmo que seja mantida a glosa efetuada pela fiscalização a título de despesas não comprovadas e operacionalizadas nos autos do processo administrativo nº 14041.000893/200534, ainda assim estará configurado prejuízo fiscal no exercício. E no caso dos autos, a existência de prejuízo fiscal, independentemente de seu montante, traz como consequência imediata a existência de saldo negativo apto a ser compensado. Ora, se não houve apuração de lucro real no exercício, qualquer pagamento realizado a esse título (antecipações, retenções sofridas, p.ex.) configura pagamento a maior (saldo negativo). Não se pode confundir aqui prejuízo fiscal com saldo negativo. A hipótese é de existência simultânea de ambos. A Recorrente, muito embora tenha apurado prejuízo fiscal, realizou pagamentos ao longo do anocalendário, pagamentos estes convertidos em indébito com a verificação da ocorrência de prejuízo. Devese novamente ressaltar que a autuação, muito embora se refira aos mesmos períodos de apuração, teve o condão apenas de reduzir o prejuízo fiscal e não transformálo em lucro. Assim, mesmo que a autuação seja integralmente mantida por este E. Conselho, a hipótese ainda será de saldo negativo apto a ser compensado. Solicita a realização de diligência, já que o benefício da dúvida lhe é proveitoso. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, pede a Recorrente a procedência do presente recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da decisão profligada, com a conseqüente homologação da compensação em análise. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. Está registrado na Petição, fls. 875876: Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a DRJ manteve a não homologação das compensações, afirmando que, apesar de a impugnação ao auto de infração do PTA n° 14041.000893/200534 ter sido acatada, seu cancelamento ainda não seria definitivo, pois naquela data ainda estaria pendente de julgamento o recurso de ofício interposto pela Delegacia de Julgamento. Ocorre que o CARF negou provimento ao recurso de ofício no PTA n° 14041.000893/200534 por meio do acórdão n° 120100.224, de cujo inteiro teor se requer a juntada [...]. O referido acórdão transitou em julgado e, em seguida, os autos foram baixados à origem e arquivados, conforme comprovantes anexos [...]. Portanto, vêse que é inválido o motivo apontado pelo despacho decisório e pela DRJ para manter a não homologação das compensações tratadas no presente processo. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 901 9 Diante do exposto, a Recorrente vem reiterar seu pedido para que seja dado provimento ao seu recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório e a consequente homologação das compensações em análise. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório foi lavrados por servidor competente que verificou a regularidade do Per/DComp, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foram regularmente analisados na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 902 10 A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente solicita a juntada ao presente processo do Auto de Infração formalizado no processo conexo nº 14041.000893/200534. Cabe tecer esclarecimentos sobre Auto de Infração com a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício de IRPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001 formalizado no processo conexo nº 14041.000893/200534, que se encontra findo na esfera administrativa por estar no Arquivo Geral da SAMF – RJ desde 14.02.20133, o que inviabiliza a juntada desse processo com os presentes autos (Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008). Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 20515, de 20.04.2007, fls. 558567, proferido no processo conexo nº 14041.000893/200534: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000,2001. Ementa: COMPROVAÇÃO Uma vez comprovada a despesa, ou a reversão desta, incorreta é a glosa. REDUÇÃO DE PREJUÍZOS Em face de prejuízos, fiscais da contribuinte no período, o auto em questão simplesmente reduziu os mesmos. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. 3 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=14041000893200534&DDMovimentoQ=14022013&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 27 jul. 2014. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 903 11 Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contrapor a ele. Lançamento Procedente em Parte Consta no Voto Condutor: DAS DESPESAS APROPRIADAS NO ANOCALENDÁRIO DE 2000 DESPESAS COM AUDITORIA Como resultado da diligência esta parte do auto foi acatada pela autoridade lançadora fl.870/874, sendo assim improcedente o valor de R$70.593,54,. CONSULTORIA DE RELAÇÃO COM INVESTIDORES Como resultado da diligência dos R$324.857,36 a fiscalização acatou R$292.514,21 (fls. 870/874). A contribuinte foi cientificado da diligência para suas considerações, e, nesta parte não se manifestou, acatando o resultado da diligência. Assim, nesta parte, incontroversa, acato o resultado da diligência cancelando R$292.514,21. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA Como resultado da diligência não houve modificação nesta parte do auto de infração fls. 870/874. A contribuinte foi cientificado da diligência para suas considerações, e, nesta parte não se manifestou, acatando o resultado da diligência. Assim, nesta parte, incontroversa, acato o resultado da diligência mantendo o valor de R$4.303,22. PROPAGANDA E PUBLICIDADE (Linha 18, ficha 5A) Como resultado da diligência a fiscalização acatou inteiramente (870), ou seja, realmente houve o estorno. Dessa forma, improcedente o valor de R$12.000,00. LINHA 30 FICHA 05 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS Como resultado da diligência a fiscalização acatou inteiramente (fl.870), ou seja, as provisões constituídas foram integralmente revertidas. Dessa forma, improcedente o valor de R$114.150,62. DAS DESPESAS APROPRIADAS NO ANOCALENDÁRIO DE 2001 LINHA 04 FICHA 05 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOA JURÍDICA CONTA 334120 CONSULTORIA JURÍDICA Como resultado da diligência a fiscalização acatou inteiramente (fl. 871), ou seja, as provisões constituídas foram integralmente oferecidas à tributação. Dessa forma, improcedente o valor de R$75.000,00. CONTA 334140 CONSULTORIA JURÍDICA Fl. 903DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 904 12 Como resultado da diligência a fiscalização acatou inteiramente (fl. 871), ou seja, as provisões constituídas foram integralmente oferecidas à tributação. Dessa forma, improcedente o valor de R$56.196.41. CONTA 334160 DESPESAS COM CONSULTORIA RELAÇÃO COM INVESTIDORES Como resultado da diligência sobraram ainda R$23.753,33 (fl. 871). A contribuinte foi cientificado da diligência para suas considerações, e, nesta parte não se manifestou, acatando o resultado da diligência. Assim, nesta parte, incontroversa, acato o resultado da diligência. CONTA 334190 OUTRAS CONSULTORIAS [...] Assim, os impostos sobre os rendimentos que o contribuinte reteve são possíveis de dedução como despesa. O problema é as provas, pois, no Doc. 9 não há provas da retenção dos valores. Primeiro, porque a fl.766 não é documento oficial. Segundo a fl. 773, que deveria constar à retenção não possui tal informação. Dessa forma, prevalece o resultado da diligência que aceitou a documentação da remessa, mas não da retenção. Improcedente, pois, o valor de R$40.585.31. CONTA 339172 SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA Como resultado da diligência a fiscalização acatou inteiramente (fl. 871), ou seja, as provisões constituídas foram integralmente oferecidas à tributação. Dessa forma, improcedente o valor de R$3.690,00. LINHA 18 FICHA 05 PROPAGANDA E PUBLICIDADE A autoridade lançadora em diligência manteve a glosa com a justificativa de que a contribuinte (fl. 871) não teria comprovado os respectivos pagamentos. Aparentemente não teria analisado as razões da contribuinte de estorno dos lançamentos, assim, de acordo com o que apresentado nos autos, assiste razão ao contribuinte, pois, os lançamentos contábeis se cancelam, não tendo nenhum efeito tributário. LINHA 30 FICHA 05 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. CONTA 391410 PASSAGENS AÉREAS A diligência manteve a glosa e a contribuinte não mais se manifestou a respeito acatando o resultado da diligência que não aceitou as provas trazidas. Assim, não havendo controvérsias acato, também o resultado da diligência mantendo a glosa de R$488,40. CONTA 393310 PARCELA UTILIZAÇÃO AERONAVE Como resultado da diligência a fiscalização acatou R$633.748,17 (fl. 872). A contribuinte foi cientificado da diligência para suas considerações, e, nesta parte não se manifestou, acatando o resultado da diligência. Assim, nesta parte, incontroversa, acato o resultado da diligência cancelando R$633.748,17. CONTA 375100 PROVISÃO PARA PERDAS EM INVESTIMENTOS Como resultado da diligencia a fiscalização acatou R$32.823,52 (fl. 872), ou seja, as provisões constituídas foram integralmente oferecidas à tributação. Dessa forma, improcedente o valor de R$32.823,52. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 905 13 SEGUROS/RESPONSABILIDADE CIVIL (CONTA 393220) As provas trazidas pela contribuinte, não satisfazem, pois, os valores trazidos não são coincidentes com as despesas exigidas pela fiscalização. Assim, sem reparos nesta parte do lançamento. [...] DO LANÇAMENTO ABUSIVO DO TRIBUTO, TENDO EM VISTA O ACÚMULO DE PREJUÍZO FISCAL De fato a contribuinte possuía prejuízo fiscal nos períodos, assim, na realidade os valores mantidos da glosa apenas diminuíram seu prejuízo fiscal, não sobrando crédito a ser cobrado. As alterações no SAPLI foram realizadas. Em face do exposto, oriento o meu voto no sentido de que seja julgado procedente em parte os autos de infração da ação fiscal. Está registrado como ementa do Acórdão 1ª TO/2ª Câmara/1ª SJ nº 1201 00.224, de 10.09.2013, fls. 845853, proferido também no processo conexo nº 14041.000893/200534: Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2001, 2002 Ementa: GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS – comprovada parte das despesas e custos, sobre tal parcela a autuação não deve prosperar. De igual sorte, se um registro de despesa foi posteriormente estornado, então, não produziu qualquer efeito no resultado da empresa. Não há que se perquirir pois, a sua comprovação. O estorno é o expresso reconhecimento de sua inexistência e visa a anular os efeitos do registro original em razão de ser proibida a retificação física de lançamentos incorretos. PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS – apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, no mesmo período em que foram glosadas despesas, em montantes suficientes para a sua absorção, deve ser afastada a exigência do IRPJ e CSLL e respectivos acréscimos punitivos e moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso de Oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ficou comprovado exaustivamente de forma clara, explícita e congruente que não restou crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício a ser exigido a título de IRPJ nos anoscalendário de 2000 e 2001, apurado a partir das bases tributáveis correspondentes, que foram absorvidas pelos saldos de prejuízos fiscais existentes nos respectivos períodos. Esse fato por si só não altera em sua totalidade os valores informados espontaneamente pela Recorrente à RFB, tais como nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0874, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 215283, bem como nas Demonstrações dos Resultados incluindo as despesas operacionais, fls. 285364. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 906 14 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais5. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 907 15 O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial6. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O IRPJ a ser pago será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento7. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em relação à dedução de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente9. Para tanto, as pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 908 16 pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período10. A premissa que deve ser observada é de que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80. A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido: o código de arrecadação nº 6800 a título de fundo de investimento financeiro renda fixa (art. 73 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 29, art. 30, art. 31 e art. 32 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997); o código de arrecadação nº 3426 a título de aplicações financeiras em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); e o código de arrecadação nº 5706 a título de juros sobre capital próprio (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente pleiteia os seguintes o saldo negativo de IRPJ decorrentes de IRRF: no anocalendário de 2000 no valor de R$828.202,52, fl. 35; no anocalendário de 2001 no valor de R$142.116,29, fl. 06. CNPJ Fonte Pagadora (A) Código de Receita (B) Rendimento Bruto R$ (C) IRRF R$ (D) Ficha 43 Demonstrativo do IRRF da DIPJ do AnoCalendário de 2000, fl. 72 00.360.305/000104 3426 346.344,20 69.268,24 02.340.278/000133 5706 4.681.052,70 702.157,91 30.822.936/000169 3426 52.262,40 10.542,48 33.700.394/000140 3426 231.619,45 46.323,89 Totais 5.311.278,75 828.292,52 Ficha 43 Demonstrativo do IRRF da DIPJ do AnoCalendário de 2001, fl. 551 00.000.000/493449 3426 25.204,42 5.039,98 10 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 909 17 00.360.305/000104 3426 471.227,40 78.537,90 33.700.394/000140 3426 137.773,81 27.546,75 60.701.190/000104 6800 154.958,37 30.991,66 Totais 789.164,00 142.116,29 O Auto de Infração formalizado no processo conexo nº 14041.000893/2005 34 não alterou totalmente os valores então informados espontaneamente à RFB, permanecendo incólumes os valores informados pela Recorrente a título de IRRF, para fins de apuração dos saldo negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2001 e 2001, inclusive no que se refere às condições previstas na Súmula CARF nº 80. Ressaltese que esses valores sequer foram questionados no referido processo em que foram constituídos os créditos tributários pelo lançamento de ofício. Verificase que as exigências formalizadas no referido lançamento foram mantidas em parte. Ainda assim, permanecem prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas no mesmo período em que foram glosadas despesas em montantes suficientes para a sua absorção, devendo ser afastadas as exigências do IRPJ e da CSLL e respectivos acréscimos punitivos e moratórios, em conformidade com Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0221.711, de 25.03.2009, fls. 713728, cujo recurso de ofício foi negado, de acordo com o Acórdão 1ª TO/2ª Câmara/1ª SJ nº 120100.224, de 10.09.2013, fls. 845853. Permanece, por essa razão, incólume a decisão de primeira instância de julgamento proferida no processo nº 14041.000893/200534. Cotejando os valores constantes nas próprias DIPJ dos anoscalendário de 2001 e de 2001, verificase que foi produzido um conjunto probatório robusto coincidente me datas e valores, para fins de evidenciar inequivocamente que a Recorrente pode deduzir do IRPJ devido os valores IRRF. Foi produzido no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório evidencia que devem ser reconhecidos os direitos creditórios a título de saldos negativos de IRPJ decorrentes da dedução de IRRF no anocalendário de 2000 no valor de R$828.202,52, fl. 35 e no anocalendário de 2001 no valor de R$142.116,29, fl. 06. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, é acertada. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer os saldos negativos de IRPJ no anocalendário de 2000 no valor de R$828.202,52 e no anocalendário de 2001 no valor de R$142.116,29, fl. 06, para fins de compensação dos débitos até o limite do referido direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 909DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.014614/200218 Acórdão n.º 1803002.302 S1TE03 Fl. 910 18 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16095.000513/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.
Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.
Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator-Designado
EDITADO EM: 04/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 13 /2 00 8- 12 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório LINCOLN ELETRIC DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.182.7043, em 05/09/2008, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela autuada, concernentes à parte destinada a Terceiros (SEBRAE, SESI, SENAI, INCRA e Salário Educação), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim consideradas as verbas consubstanciadas nos levantamentos CBS, DFP, GNV, MJS, PED, PMO, PRE, PSW, RUB e VTR, constantes dos autos, em relação ao período de 09/2003 a 11/2005, conforme Relatório Fiscal da Autuação, às fls. 117/120, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 9a Turma da DRJ/CPS, Acórdão 0524.712, às fls. 503/509, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 30/09/2011, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2403000.785, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 CESTA BÁSICA. PAGAMENTO. PECÚNIA. INCIDÊNCIA.TRIBUTO.VIOLAÇÃO LEGAL. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 742 3 O pagamento de cesta básica para ser excluído da incidência da contribuição social previdenciária precisa ser feito in natura, conforme previsão legal, caso contrário, haverá a incidência do tributo. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O vale transporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO. REQUISITO. PAGAMENTO. PARCELA ÚNICA. NÃO CONSTATAÇÃO. O valor pago a título de ajuda de custo, para que seja excluído da incidência tributária, deverá ser pago em única parcela, o que não foi constatado. UTILIDADES. PAGAMENTO HABITUAL. INTEGRA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. As utilidades pagas aos empregados, quando pagas habitualmente, integra o saláriodecontribuição, vindo a sofrer incidência das contribuições sociais previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls. 578/579, suscitando omissão no voto condutor do Acórdão recorrido, relativamente à fundamentação da limitação da multa de mora, tendo a Turma Embargada, em 19/04/2012, por unanimidade de votos, conhecido dos Embargos, com a finalidade de sanear a omissão apontada, rerratificando, no mérito, o decisum atacado, consoante se positiva do Acórdão n° 240301.272, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.OMISSÃO.ACOLHIMENTO DO RECURSO. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Sendo constatada uma das hipóteses (contradição, omissão, obscuridade) para o acolhimento dos embargos de declaração, esses serão acolhidos para sanar o vício anteriormente apontado. Embargos Acolhidos.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 585/591, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100283 e 2401 00.120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação fiscal, determinaram que o artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o artigo 35A que, por sua vez, faz remissão ao artigo 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4° Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400137/2013, às fls. 610/613. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 743 5 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 707/713, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Autuação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados no período objeto do lançamento. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso da contribuinte, determinando o recálculo da multa de mora com esteio no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandoa ao percentual de 20%, nos termos dos preceitos estabelecidos na MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o decisório guerreado malferiu entendimento levado a efeito por outras Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100283 e 240100120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum combatido, na medida em que, ao analisarem notificação/autuação fiscal, determinaram que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o Fl. 767DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Não obstante as substanciosas alegações da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos autos, conjugada com a legislação de regência, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Em que pese à procedência em parte da autuação em relação ao seu mérito, na forma decidida pelo Acórdão recorrido, mister destacar que posteriormente à ocorrência dos fatos geradores ora lançados fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova ordem na aplicação de multas de ofício e/ou acessória e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá Fl. 768DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 744 7 obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Inobstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de mora insculpida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e, bem assim, da lavratura da notificação fiscal, ou seja, antes das alterações na legislação promovidas pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. No entanto, com as novas modalidades de multas contempladas pela legislação hodierna, a multa de mora prescrita no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 deixou de existir, passando a dar lugar à multa de ofício estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que fez florescer o entendimento de que a multa de mora aplicada em lançamentos pretéritos teriam que ser rechaçadas ou mesmo limitadas a 20%, na esteira da previsão contida no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Com mais especificidade, analisando a legislação previdenciária constatase que a multa moratória achavase regulamentada pelo artigo 35 da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevia: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei 9.528, de 10/12/97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)” Entrementes, a Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, em seu artigo 24, alterou a redação do dispositivo legal encimado, revogando, ainda, os seus incisos e parágrafos, passando a estabelecer o seguinte: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Por sua vez, os artigos 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, trazem em seu bojo as seguintes determinações: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 770DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 745 9 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Conforme se verifica da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdenciárias, as notificações fiscais eram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. Não havia, porém, a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos em atraso estariam sujeitos à multa de mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de ofício, aplicase a multa de ofício contemplada no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, deixando de se exigir a multa de mora do artigo 61 do mesmo Diploma Lega. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Em outras palavras, no que concerne as contribuições previdenciárias, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, somente se exigiria multa de mora, que podia variar de acordo com a data do pagamento, não se cogitando em multa de ofício. Por seu turno, na Receita Federal do Brasil a multa de mora só é exigida no pagamento a destempo, antes do lançamento de ofício, que, se ocorrer, sujeitará o contribuinte à multa de ofício, não mais a de mora. Assim, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a multa de mora exigida/lançada nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e/ou Autos de Infração de contribuições previdenciárias, como in casu, deixou de ter amparo legal, eis que aqueles Diplomas Legais determinaram que somente seria cobrada multa de mora, limitada a 20%, no caso de pagamento e, multa de ofício, na hipótese de lançamento. Dessa forma, tendo a multa moratória encontrado limite legal, qual seja, 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por força da alteração introduzida pela Lei n° 11.941/2009, devem seus efeitos retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, por tratarse de norma que comina penalidade mais branda, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Observese que a multa de ofício, atualmente exigida no lançamento de ofício, não poderá ser aplicada retroativamente, tendo em vista não ser mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que ocorre com a multa de mora. Neste sentido, aliás, impende transcrever os ensinamentos do doutrinador LEANDRO PAULSEN, que assim preleciona: “Penalidade, inclusive multa moratória. A retroatividade abrange qualquer penalidade pelo descumprimento da legislação tributária, incluindose, nesta categoria, evidentemente, a multa moratória. Ou juros moratórios, por não terem caráter punitivo, não sofrem a incidência deste dispositivo. Na nota acima, sob a rubrica Retroatividade da lei mais benigna, há ementas de acórdãos dando aplicação ao art. 106, II, c, do CTN em relação a multas moratórias.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 10 ed. Ver. Atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora;a ESMAFE, 2008) A propósito da matéria, não é demais citar outro excerto da obra de Leandro Paulsen, supratranscrita, corroborando a pretensão da contribuinte, senão vejamos: “ – Multa moratória. Art. 61 da Lei 9.430/96. O percentual de multa moratória teve inúmeras variações ao longo do tempo. Alternouse entre 20% e 30% e chegou até mesmo a 40% Fl. 772DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 746 11 aplicada com suporte na Lei 8.218/91, tendo sido novamente reduzida para 30% pelo art. 84, III, c, da Lei n° 8.981/95 e para 20% novamente em razão da superveniência do art. 61 da Lei 9.430/96. Sempre que o percentual aplicado tenha sido superior a 20%, cabe reduzir a mesma a este percentual por força da lei superveniente em cumprimento ao art. 106, II, c, do CTN.” (grifamos) Na esteira desse entendimento, impõese manter a ordem legal no sentido de limitar a exigência de multa de mora no percentual de 20 % (vinte por cento), na forma do disposto no artigo 9.430/96, atualmente aplicada ao caso. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 773DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator no que diz respeito à regra de aplicação da multa. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 774DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 747 13 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O aludido dispositivo faz remissão expressa ao art.61, da Lei n. º 9.430, de 2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 775DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de No presente caso, não há de se falar aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, posto que os fatos geradores objeto do lançamento foram regularmente declarados em GFIP, posto que o contribuinte alegava ser imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, §5º, da Lei n. º 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988. Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer do recursos especial, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 776DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 9202003.274 CSRFT2 Fl. 748 15 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.917246/2011-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 46 /2 01 1- 97 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 52 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 53 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 54 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 55 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917246/201197 Acórdão n.º 3801003.982 S3TE01 Fl. 56 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911738/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 38 /2 00 9- 11 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911738/200911 Acórdão n.º 3802003.467 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907396/2011-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 75 1 74 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907396/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.916 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PISCOMPENSAÇÃO Recorrente CITRATUS IBERTECH DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 96 /2 01 1- 60 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 64 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 64). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907396/201160 Acórdão n.º 3802002.916 S3TE02 Fl. 76 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16682.720849/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa:
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
CRÉDITOS DE IPI EM OPERAÇÕS DE CONSIGNAÇÃO INDUSTRIAL.
Os créditos de IPI em operações de consignação industrial podem ser escriturados quando da efetiva utilização no processo produtivo e não na entrada dos produtos recebidos por ocasião da remessa em consignação.
Numero da decisão: 3302-002.680
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITOS DE IPI EM OPERAÇÕS DE CONSIGNAÇÃO INDUSTRIAL. Os créditos de IPI em operações de consignação industrial podem ser escriturados quando da efetiva utilização no processo produtivo e não na entrada dos produtos recebidos por ocasião da remessa em consignação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 49 /2 01 1- 72 Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.437 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 3º trimestre de 2007. O procedimento fiscal instaurado para verificação do direito creditório resultou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.126 a 2.171, cientificado em 24/02/2012, do qual constam, resumidamente, as seguintes informações e imputações: 1. O procedimento fiscal teve como escopo inicial a verificação dos créditos de IPI, referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensações relativos aos quatro trimestres de 2007, transmitidos pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A, CNPJ 33.337.122/000127, doravante denominada IPP; 2. A partir dos documentos acostados ao processo nº 16682.720715/201151, identificouse a CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, doravante denominada CBLL, como responsável solidária com fulcro nos artigos 124, inciso II do CTN e art. 5º do Decretolei nº 1.598, de 1977, em razão de a IPP ter transferido os ativos decorrentes de operações com lubrificantes para a CBLL, operação considerada como cisão parcial; 3. Não houve decadência do direito de lançar, em razão de não ter havido recolhimentos antecipados a serem homologados, devendo ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN, conforme jurisprudência do STJ e do CARF; 4. Houve reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX SS 7000 e SUGARTEX SS 12500, resultando na infração de falta de imposto não lançado, conforme tabela do item 58; 5. Que o mandado de segurança impetrado com o objetivo de afastar o ADI SRF nº 5, de 2006, pelo SINDICOM, órgão de classe do qual é associada, não gera efeitos no período sobe exame (2007); 6. Houve glosa dos créditos sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados em produtos NT, conforme tabela do item 116; 7. Glosa de créditos tomados em operações de consignação industrial por falta de prova do direito creditório; 8. Glosa parcial de créditos extemporâneos relativos a operações realizadas entre outubro de 2002 e maio de 2003, por falta de apresentação ou de registro de notas fiscais e por se referirem a operações de consignação industrial; 9. A partir das infrações apuradas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal, resultando na tabela do item 160; Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.438 3 10. Ao final, concluiu a autoridade fiscal nos itens 161 e 162, que os pedidos de ressarcimento relativos ao primeiro trimestre de 2007 – processo nº 16682.720847/201183 e ao quarto trimestre de 2007 – processo nº 16682.720850/201105, deveriam ser integralmente indeferidos por inexistência de saldos credores. Já para o segundo trimestre – processo nº 16682.720848/201128 e terceiro trimestre de 2007 – processo nº 16682.720849/201172, os deferimentos foram parciais. O despacho decisório de fls. 2.232 a 2.233, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, conforme valor reconhecido no item 161 do Termo de Verificação Fiscal. Inconformada, a IPP apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, a suspensão do processo até que seja proferida decisão final no processo nº 16682.720110/201241 ou, pelo menos, a apensação deste àquele para que sejam julgados conjuntamente; 2. Possuir a condição de industrial, segundo os artigos 46 e 51 do CTN e artigo 4º do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002); 3. A possibilidade de creditamento de IPI na aquisição de insumos aplicados em produtos imunes, com fulcro no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º, inciso II da Constituição Federal e no artigo 49 do CTN, bem como com base no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999 e na IN SRF nº 33, de 1999; 4. Que o fisco federal vinha, desde 1999, se manifestando favoravelmente à manutenção do creditamento de IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados em produtos não submetidos à tributação, inclusive imunes, e que a autuação implica em mudança de critério jurídico, vedada pelo artigo 146 do CTN; 5. Direito ao crédito de IPI no recebimento de produtos em consignação industrial, operação diversa da consignação mercantil, não se subsumindo às disposições do artigo 425, inciso II, alínea “b” do RIPI/2002. A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1534.107, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. IPI. CRÉDITO. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT. O princípio da não cumulatividade aplicase apenas aos produtos incluídos no campo de incidência do IPI, inexistindo Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.439 4 direito ao crédito do imposto nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como não tributado NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No julgamento, a DRJ indeferiu os pedidos preliminares e no mérito reproduziu a decisão proferida no Acórdão nº 1533.939, relativo ao processo nº 16682.720110/201241, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas. A recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, reprisando as alegações já aduzidas na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Constatase, de fato, que todo o direito creditório relativo ao terceiro trimestre está sendo discutido no processo nº 16682.720110/201241, o qual se refere a Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo ao anocalendário de 2007, cuja decisão pautará a decisão nos processos de ressarcimento relativos aos quatro trimestres de 2007. No processo nº 16682.720110/201241, cujo julgamento ocorreu em 19/08/2014 nesta mesma turma, proferiuse decisão no sentido de provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir parte dos valores de multa lançada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. Concernente ao direito creditório relativo às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT e relativo às operações de consignação industrial, a decisão negou provimento ao recurso. Assim, quanto ao sobrestamento, embora entenda ser possível a conversão em diligência para aguardar a decisão final do processo acima referido, tal não se faz necessário, haja vista que a decisão proferida naquele processo será aqui refletida. Quanto ao mérito, reproduzo excerto do voto proferido naquele processo, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, 1999: “Direito ao creditamento do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização de produtos nãotributados Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.440 5 As recorrentes fundamentaram o direito ao creditamento do IPI relativo às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos classificados na TIPI com a notação NT no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal, e, ainda, na aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999 e da IN SRF nº 33, de 1999; aduzindo que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 2006, não é interpretativo e representa mudança de critério jurídico e não pode ser aplicado retroativamente, entre outros. Entretanto, impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Transcrevese voto do Acórdão nº 20400.488, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, utilizado como um dos paradigmas para elaboração do enunciado da referida súmula: “Sem reparos a decisão vergastada. A questão é simples e decorre de expressa disposição legal. Primeiro, gizo que não há controvérsia quanto ao fato de que os produtos a que a empresa dá saída, frutas em geral, são classificadas como NT na TIPI. Com base nas transcrições do RIPI/98 feitas na r. decisão, resta evidenciado que a legislação do IPI exclui do campo de incidência deste imposto os produtos classificados como NT. Em conseqüência, mesmo que sobre estes produtos seja executada alguma operação que possa ser considerada como industrialização, no caso o alegado beneficiamento, resta não atendido o pressuposto para tal que é o fato de o produto estar dentro do campo de incidência do IPI, eis que os produtos classificados como NT estão fora deste, como expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493/97, norma reproduzida à fl. 55, no Parecer SORAT da DRF em Petrolina PE. Portanto, se tais produtos estão fora do campo de incidência do IPI, mesmo que haja beneficiamento das frutas, como parece ser o caso, em relação a esta operação o estabelecimento beneficiador não é industrial, desta forma não havendo direito a qualquer crédito na sua entrada, até porque não há destaque algum de IPI nessas operações e não há decisão alguma do STF que respalde creditamento de IPI de produtos NT, pelo que não Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.441 6 há incidência da norma estatuída do artigo 11 da Lei n° 9.779, já que lhe falece legitimidade para creditarse dos valores de IPI, se créditos houvesse.” Portanto, desnecessário o debate sobre o direito ao creditamento IPI em relação às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT, pois, em vista da edição da súmula acima mencionada, não há direito ao creditamento pleiteado. Direito ao crédito de IPI no recebimento de produtos em consignação industrial A recorrente alega que a operação realizada foi consignação industrial, operação diversa da consignação mercantil, não se subsumindo às disposições do artigo 425, inciso II, alínea “b” do RIPI/2002. Sobre a consignação industrial, dispõe o Protocolo ICMS CONFAZ nº 52, de 15/12/2000, que disciplina as operações relacionadas com as remessas de mercadorias remetidas em consignação industrial para estabelecimentos industriais: PROTOCOLO Cláusula primeira Acordam os Estados da Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo em permitir que fornecedores estabelecidos nos seus territórios promovam a saída de mercadorias a título de "consignação industrial" com destino a estabelecimentos industriais localizados no território de qualquer dos Estados signatários, nos termos deste protocolo. § 1º Para efeito deste protocolo, entendese por consignação industrial a operação na qual ocorre remessa, com preço fixado, de mercadoria com a finalidade de integração ou consumo em processo industrial, em que o faturamento darse á quando da utilização dessa mercadoria pelo destinatário. (grifos não originais) § 2º O disposto neste protocolo não se aplica às mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária. Cláusula segunda Na saída de mercadoria a título de consignação industrial, observadas as legislações estaduais e federal, relativamente ao ICMS e IPI, respectivamente: I o consignante emitirá Nota Fiscal contendo, além dos demais requisitos, o seguinte: a) natureza da operação: "Remessa em Consignação Industrial"; b) destaque do ICMS e do IPI, quando devidos; c) a informação, no campo "Informações Complementares", de que será emitida uma Nota Fiscal para efeito de faturamento, englobando todas as remessas de mercadorias em consignação e utilizadas durante o período de apuração. Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.442 7 II o consignatário lançará a Nota Fiscal no Livro Registro de Entradas, creditandose do valor do imposto, quando permitido. Cláusula terceira Havendo reajuste de preço contratado após a remessa em consignação de que trata este protocolo. I o consignante emitirá Nota Fiscal complementar, contendo, além dos demais requisitos, o seguinte: a) natureza da operação: Reajuste de preço em consignação industrial; b) base de cálculo: o valor do reajuste; c) destaque do ICMS e do IPI, quando devidos; d) a indicação da Nota Fiscal prevista na cláusula anterior com a expressão "Reajuste de Preço de Mercadoria em Consignação NF nº ..., de .../.../..."; II o consignatário lançará Nota Fiscal no Livro Registro de Entradas, creditandose do valor do imposto, quando permitido, indicando os seus dados na coluna "Observações" da linha onde foi lançada a Nota Fiscal prevista na cláusula anterior. Cláusula quarta No último dia de cada mês: I o consignatário deverá: a) emitir Nota Fiscal globalizada com os mesmos valores atribuídos por ocasião do recebimento das mercadorias efetivamente utilizadas ou consumidas no seu processo produtivo sem destaque do valor do ICMS, contendo, além dos demais requisitos, como natureza da operação, a expressão "Devolução Simbólica Mercadorias em Consignação Industrial"; b) registrar a Nota Fiscal de que trata o inciso seguinte, no Livro Registro de Entradas apenas nas colunas "Documento Fiscal" e "Observações", apondo nesta a expressão "Compra em Consignação NF nº ... de .../.../..."; II o consignante emitirá Nota Fiscal, sem destaque do ICMS, contendo, além dos demais requisitos, o seguinte: a) natureza da operação: Venda; b) valor da operação: o valor correspondente ao preço da mercadoria efetivamente vendida, neste incluído, quando for o caso, o valor relativo ao reajuste do preço; c) no campo "Informações Complementares", a expressão "Simples Faturamento de Mercadoria em Consignação Industrial NF nº ..., de .../.../... (e, se for o caso) reajuste de preço NF nº ..., de .../.../...". § 1º O consignante lançará a Nota Fiscal a que se refere o inciso II, no Livro Registro de Saídas, apenas nas colunas"Documento Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.443 8 Fiscal", "Observações", apondo nesta a expressão, "Venda em consignação NF nº ..., de .../.../...". § 2º As Notas Fiscais previstas nesta cláusula poderão ser emitidas em momento anterior ao previsto no "caput", inclusive diariamente. Cláusula quinta Na devolução de mercadoria remetida em consignação industrial: I o consignatário emitirá Nota Fiscal, contendo, além dos demais requisitos, o seguinte: a) natureza da operação: "Devolução de Mercadoria em Consignação Industrial"; b) valor : o valor da mercadoria efetivamente devolvida, sobre o qual foi pago o imposto; c) destaque do ICMS e indicação do IPI os mesmos valores debitados, por ocasião da remessa em consignação; d) no campo "Informações Complementares", a expressão "Devolução (parcial ou total, conforme o caso) de Mercadoria em Consignação NF nº ..., de .../.../..."; II o consignante lançará a Nota Fiscal, no livro Registro de Entradas, creditandose do valor do imposto. Cláusula sexta O consignante deverá entregar à repartição fiscal a que estiver vinculado, em meio magnético, até o dia 10 do mês subseqüente ao da realização das operações, demonstrativo de todas as remessas efetuadas em consignação e das correspondentes devoluções, com a identificação das mercadorias. Na operação de consignação industrial, quando da remessa, o consignante emite as notas de remessa sob códigos 5.917/6.917 e o consignatário registra a nota fiscal sob os códigos 1.917/2.917 entrada de mercadorias recebidas a título de consignação mercantil ou industrial. Quando da efetiva utilização no processo produtivo, o consignante emite nota fiscal sob códigos 5.111/6.111 ou 5.112/6.112 com a informação de simples faturamento e o consignatário registra a nota fiscal como 1.111/2.111 – compras efetivas de mercadorias a serem utilizadas em processo de industrialização, recebidas anteriormente a título de consignação industrial1. Característica da operação de consignação industrial é a possibilidade de devolução do produto/mercadoria adquirida. Assim, a possibilidade do creditamento do IPI somente ocorre com a efetiva utilização no processo produtivo, que é o momento em que se efetiva a compra dos produtos. É o que se depreende do artigo 164, inciso do Decreto nº 4.544, de 2002, vigente à 1 ARAÚJO, Sebastião Guedes de. PEREIRA, Valdir José Esteves. CFOPs: Códigos Fiscais de Operações e Prestações na Prática. 4º edição. CENOFISCO Editora, 2010, p. 99 a 101. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.444 9 época dos fatos, o qual dispunha que geram créditos de IPI, os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Na operação de consignação industrial, a aquisição ocorre com o efetivo uso no processo produtivo, momento em que o crédito pode ser escriturado pela consignatária. Destarte, a autoridade fiscal intimou a recorrente a apresentar as notas fiscais emitidas pelas consignantes com e sem destaque do IPI, apontando a relação entre elas. Por sua vez, após sucessivas intimações, a recorrente respondeu “não ter logrado êxito na obtenção das informações, uma vez que não tem controles extrafiscais específicos das operações de consignação” (itens 120 a 125 do Termo de Verificação Fiscal). Ora, a prova do direito ao creditamento perpassa, necessariamente, pela disponibilização das notas fiscais emitidas pela consignante e das notas de devolução simbólica, sem as quais não se comprova a efetiva utilização no processo produtivo. Transcrevese, ainda, o item 123 do Termo de Verificação Fiscal, para melhor esclarecimento quanto à impossibilidade de a autoridade fiscal comprovar a efetiva utilização no processo produtivo: “Nem se diga que o fisco poderia investigar com mais profundidade estas operações, haja vista o fiscalizado, sobre quem recai o ônus probatório, após 45 dias de intimado, não ter disponibilizado as notas fiscais de consignação e de venda simbólica, alegando, em missiva datada de 06/01/2012, em resposta ao TI nº 03, não ser possível apresentar as referidas notas fiscais de consignação pelo fato de as mesmas estarem “contidas num universo de quase 30 caixas de 20 kg, aproximadamente, sendo que cada uma dessas caixas armazena em torno de 5.000 notas fiscais, não tendo condições de disponibilizar referias caixas em sua Matriz”. Tal fato inviabilizou qualquer tipo de análise;” Pontuese que, em sua peça recursal, a recorrente apenas reafirmou tratarse de operação de consignação industrial e que adquiria os insumos para aplicar no processo produtivo, mas não trouxe a prova da efetiva utilização, pela apresentação dos documentos anteriormente referidos. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.445 10 Neste ponto, incumbe à recorrente o ônus de provar suas alegações, mormente quando se trata de pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, a teor do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972,: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária, postula da mesma forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720849/201172 Acórdão n.º 3302002.680 S3C3T2 Fl. 2.446 11 Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Concluise, assim, pela negativa de provimento aos recursos nesta parte. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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